Vous êtes sur la page 1sur 34

Introdução à Filosofia

Antiga

Prof. Paulo Dias

Da Mitologia à Filosofia

A Mitologia Grega:

Os gregos cultuavam uma série de deuses (Zeus, Hera, Ares, Atena, etc.), além de heróis ou semideuses (Teseu, Hércules, Perseu, etc.). Relatando a vida dos deuses e dos heróis e seu envolvimento com os homens acabaram criando uma

rica mitologia, conjunto de relatos míticos que, de modo simbólico, explicam aspectos essenciais da realidade: a origem do mundo, o funcionamento da natureza e seus fenômenos, as origens de um povo, bem como seus valores básicos.

Fruto da tradição cultural de diversos povos que sucessivamente ocuparam a

Grécia desde cerca de 1500

a.C., os mitos gregos foram registrados pelos poetas Homero (Ilíada e Odisséia) e Hesíodo (Teogonia e Os Trabalhos e os Dias) entre os séculos IX e VIII a.C.

Da Mitologia à Filosofia A Mitologia Grega: • Os gregos cultuavam uma série de deuses (Zeus,
Da Mitologia à Filosofia A Mitologia Grega: • Os gregos cultuavam uma série de deuses (Zeus,

Da Mitologia à Filosofia

Importância dos mitos:

Antes do nascimento da Filosofia no Ocidente a mitologia cumpria um papel fundamental de ordenação, explicação e entendimento do mundo e da realidade. O que faz com que a narrativa mítica anteceda o nascimento do pensamento filosófico.

O mito foi a primeira maneira encontrada pelo homem para explicar a realidade na qual se encontrava imerso. Para os gregos o mito era visto como um modo de compreender a realidade tendo como fundamento a emoção/afetividade: o mito expressa aquilo que o homem deseja e o que ele teme. É um relato fabuloso de algo que ocorre no tempo, na história e no começo das coisas; é um relato que personifica as forças do bem e do mal.

O mito surge frente a situações limites para o homem. A força do imaginário coletivo é a sua principal força, ele precisa da força da palavra. Desse modo, o mito não é apenas a explicação para algo que se compreende, mas uma forma de construção de respostas diante de um mundo/universo grandioso, assustador e desconhecido.

Da Mitologia à Filosofia

O declínio dos mitos:

Segundo os estudiosos e historiadores a Filosofia nasceu por volta do final do século VII e início do século VI a.C., nas colônias gregas da Ásia Menor:

especificamente na cidade de Mileto, situada na região denominada Jônia, sendo Tales de Mileto considerado o primeiro filósofo.

Por meio de um longo processo histórico a Filosofia surgiu promovendo a passagem do saber mítico-religioso ao pensamento filosófico-racional. Contudo, não se deve ver aqui o rompimento com os conhecimentos adquiridos por meio da mitologia. O mais correto é afirmar

que a Filosofia, percebendo as contradições e limitações dos mitos, foi reformulando e racionalizando as narrativas míticas, transformando-

as numa outra coisa, numa explicação inteiramente nova e diferente(CHAUÍ, 1996: 31).

Durante muito tempo, os primeiros filósofos gregos compartilharam de diversas crenças míticas, enquanto desenvolviam o conhecimento racional que caracterizaria a filosofia. Essa passagem do mito à razão

Da Mitologia à Filosofia

significa precisamente que já havia, de um lado, uma lógica do mito e que, de outro lado, na realidade filosófica ainda está incluído o poder do lendário(CHÂTELET, 1981: 21).

O surgimento do pensamento filosófico nas colônias gregas

da Jônia é significativo,

uma

vez que ali se

dava um maior

contato

com

outras

culturas

(via navegação e trocas

comerciais),

levando

a

uma

relativização

do

mito

e

das

práticas religiosas.

O mito, como explicação do real através do elemento

sobrenatural e misterioso, é considerado insatisfatório; os primeiros filósofos procuram explicar a realidade natural a partir dela própria: naturalismo da Escola Jônica.

Da Mitologia à Filosofia “ significa precisamente que já havia, de um lado, uma lógica do

Da Mitologia à Filosofia

Condições históricas para o surgimento da Filosofia:

viagens

marítimas:

que

revelaram que deuses, heróis e

monstros eram ficções,

desmistificaram o

mundo

exigindo uma explicação mais racional do que a mítica;

invenção do calendário: que possibilitou uma nova capacidade de abstração e contagem do tempo, agora visto como natural e não como um poder divino incompreensível;

invenção da moeda: que permitiu o cálculo abstrato de

equivalência

do

valor

de

diferentes

coisas

(trocas

comerciais

não

mais

por

escambo);

Da Mitologia à Filosofia Condições históricas para o surgimento da Filosofia: • viagens marítimas : que

Da Mitologia à Filosofia

invenção da escrita alfabética: que revela alta capacidade de abstração visto que não se representa a imagem da coisa que está sendo dita (como nos hieróglifos egípcios), mas a idéia dela, o que dela se

pensa e se transcreve.

surgimento da vida urbana: com o predomínio do comércio e do artesanato

surge

a

classe dos comerciantes

ricos

que, para suplantar o poder das famílias

aristocratas

 

procuram

prestígio

financiando e

estimulando as artes, as

técnicas

e

os

conhecimentos

(filósofos

pagos, os sofistas, por ex.)

Da Mitologia à Filosofia • invenção da escrita alfabética : que revela alta capacidade de abstração

invenção da política: que por meio da implantação da idéia de lei (legislação que regula e ordena a pólis), do surgimento do espaço público (na ágora todo cidadão tem o direito de tomar a palavra para dialogar e deliberar sobre aspectos políticos da pólis) e da implantação do discurso político (as questões referentes à cidade devem ser discutidas, comunicadas e ensinadas pelo discurso político em público e não secretamente) contribuíram para o nascimento da Filosofia.

Filósofos da Grécia Antiga

Xenófanes Parménides Zenão
Xenófanes
Parménides
Zenão
Pitágoras
Pitágoras
Empédocles
Empédocles
Demócrito
Demócrito
Anaxágoras
Anaxágoras
Sócrates Platão Aristóteles
Sócrates
Platão
Aristóteles
Heráclito
Heráclito
Tales Anaximandro Anaxímenes
Tales
Anaximandro
Anaxímenes

Filosofia Pré-Socrática

A denominação “filósofos pré-socráticos” é basicamente cronológica e designa os primeiros filósofos que viveram antes de Sócrates (470-399 a.C.), chegando alguns dos últimos a serem seus contemporâneos como, p. ex., Demócrito de Abdera. Suas investigações tinham, em geral, um sentido mais cosmológico, buscando explicações racionais para o universo através da procura de um princípio primordial (arché) de todas as coisas existentes.

Existe uma dificuldade para ler e interpretar estes filósofos porque como a tradição filosófica grega privilegiava o debate/discussão poucos foram os textos escritos (talvez por ouvintes/discípulos). Destes conhecemos apenas trechos como p. ex. o Poema de Parmênides e o tratado Da Natureza de Heráclito.

Duas fontes para conhecer os pré-socráticos: a doxografia e os fragmentos.

- Doxografia: sínteses do pensamento desses filósofos e comentários a eles, geralmente breves, por autores de períodos posteriores, indo basicamente de Aristóteles (384-323 a.C.) a Simplício (séc. VI) este último a principal fonte.

- Fragmentos: citações de passagens dos próprios filósofos pré-socráticos encontradas também em obras posteriores (e não pedaços ou partes do manuscrito ou texto originário).

Filosofia Pré-Socrática

Escolas da Filosofia pré-socrática:

Escola Jônica: caracteriza-se sobretudo pelo interesse pela physis, pelas teorias sobre a natureza (daí serem conhecidos como filósofos da natureza”, physiologoi).

  • - Tales de Mileto (fl. c. 585 a.C.) e seus discípulos, Anaximandro (c. 610-547 a.C.) e Anaxímenes (c. 585-528 a.C.), que formam a assim chamada Escola de Mileto.

  • - Xenófanes de Colofon (c. 580-480 a.C.): influencia os pitagóricos.

  • - Heráclito de Éfeso (fl. c. 500 a.C.): mobilismo da natureza.

Filosofia Pré-Socrática Escolas da Filosofia pré-socrática: • Escola Jônica : caracteriza-se sobretudo pelo interesse pela physis
Filosofia Pré-Socrática Escolas da Filosofia pré-socrática: • Escola Jônica : caracteriza-se sobretudo pelo interesse pela physis
Filosofia Pré-Socrática Escolas da Filosofia pré-socrática: • Escola Jônica : caracteriza-se sobretudo pelo interesse pela physis
Filosofia Pré-Socrática Escolas da Filosofia pré-socrática: • Escola Jônica : caracteriza-se sobretudo pelo interesse pela physis

Tales de Mileto

Anaximandro

Anaxímenes

 

Heráclito de Éfeso

Arché: inspirado

em

Arché: o indeterminado

Arché:

aceita

que

o

Arché: o devir, o vir-a-ser, o

concepções

egípcias

e

(ápeiron), princípio que

princípio é indeterminado,

fluxo constante de mudança e

observações da

vida

transcende os limites dos

mas tem

o

ar

como

transformação impulsionado

animal e vegetal conclui

sentidos humanos.

elemento

vital,

animador

pela luta/guerra

de forças

que a água é o princípio.

da própria vida.

contrárias.

Filosofia Pré-Socrática

Escola Italiana: caracteriza-se por uma visão de mundo mais abstrata, menos voltada para uma explicação naturalista da realidade, prenunciando em certo sentido o surgimento da lógica e da metafísica, sobretudo no que diz respeito aos eleatas.

- Pitágoras de Samos (fl. c. 530 a.C.), Alcmeon de Crotona (fl. início século V a.C.), Filolau de Crotona (fl. final século V a.C.) e a Escola Pitagórica:

grande importância da matemática.

- Parmênides de Eléia (fl. c. 500 a.C.), e a Escola Eleática: Zenão de Eléia (fl. c. 464 a.C.) e Melisso de Samos (fl. c. 444 a.C.): questões de caráter lógico e metafísico, imobilismo da natureza.

Filosofia Pré-Socrática • Escola Italiana : caracteriza-se por uma visão de mundo mais abstrata, menos voltada
Filosofia Pré-Socrática • Escola Italiana : caracteriza-se por uma visão de mundo mais abstrata, menos voltada
Filosofia Pré-Socrática • Escola Italiana : caracteriza-se por uma visão de mundo mais abstrata, menos voltada

Pitágoras de Samos

Parmênides de Eléia

Zenão de Eléia

A essência

dos

seres,

a

arché,

reside

nos

números.

A

diferença

entre

os

seres

é

uma

questão de números (limite e ordem das coisas).

Dois caminhos para entender a realidade: o da filosofia, da razão e da essência; e o da crendice, da opinião e da aparência enganosa (“via de Heráclito”). Imobilista, sabia que os homens vivem no mundo das ilusões, aparências e sensações. Afirmava que “o ente é; pois é ser e nada não é”

Discípulo de Parmênides, elaborou argumentos para defender a imobilidade das coisas. Queria mostrar que a noção de movimento era inviável e contraditória (paradoxo de Zenão).

Filosofia Pré-Socrática

Por volta do séc. V a.C. uma segunda fase do pensamento pré-socrático, denominada pluralista e eclética, inclui os filósofos:

  • - Anaxágoras de Clazômena (c. 500-428 a.C.).

  • - Escola Atomista: Leucipo de Abdera (c. 500-430 a.C.), o mais obscuro dos

pré-socráticos, tanto que não se tem certeza do local de seu nascimento,

segundo alguns estudiosos também pode ter sido em Eléia ou Mileto. Demócrito de Abdera (c. 460-370 a.C.), discípulo e sucessor de Leucipo, desenvolvendo, de acordo com Aristóteles, a teoria dos átomos criada por este.

  • - Empédocles de Agrigento (c. 490-435 a.C.)

Filosofia Pré-Socrática • Por volta do séc. V a.C. uma segunda fase do pensamento pré-socrático, denominada

Empédocles de Agrigento

Filosofia Pré-Socrática • Por volta do séc. V a.C. uma segunda fase do pensamento pré-socrático, denominada

Demócrito de Abdera

Tentativa de conciliação entre Parmênides (existência e permanência do ser: “o ser é”) e Heráclito (mudanças captadas por nossos sentidos). Quatro elementos primordiais: fogo, terra, água e ar, que se unem, separam, movem ou param segundo o amor (philia) ou o ódio (neikos)

Todas as coisas são constituídas por partículas invisíveis e indivisíveis: os átomos. Além destes existe o vácuo, a ausência de ser (o não-ser), que possibilita o movimento das coisas. O acaso e a necessidade unem ou separam os átomos movendo e dando forma às coisas (concepção mecanicista)

Filosofia Clássica Grega

No séc. V a.C. ocorre a consolidação da democracia grega, principalmente em Atenas. Daí a importância da arte do discurso e da argumentação para o processo decisório político na democracia. A filosofia se volta para discussões antropológicas e não mais cosmológicas. É nesse contexto que vemos o embate entre os Sofistas e Sócrates.

Os Sofistas:

Surgem como mestres de retórica e de oratória.

Possuem uma concepção filosófica segundo a qual o conhecimento é relativo à experiência humana concreta do real, a verdade resultando apenas de nossas opiniões sobre as coisas e do consenso que se forma em torno disso. A verdade é, portanto, múltipla, relativa e mutável relativismo.

Filosofia Clássica Grega • No séc. V a.C. ocorre a consolidação da democracia grega , principalmente

Deve-se aos diálogos de Platão, discípulo de Sócrates, a descrição dos sofistas como mestres da arte de manipular raciocínios, iludir os ouvintes e proferir

mentiras como sendo verdades. Mas abordagens recentes têm que o relativismo

das teses sofistas baseiam-se numa concepção flexível dos homens e do mundo:

não existem verdades ou valores absolutos, mas diversidade de opiniões.

Os sofistas mais importantes e influentes foram Protágoras de Abdera (480-410 a.C.) e Górgias de Leontino (483-375 a.C.)

Filosofia Clássica Grega

Filosofia Clássica Grega Protágoras de Abdera “ O homem é a medida de todas as coisas,

Protágoras de Abdera

O homem é a medida de todas as coisas, das que são como são e das que não são como não são. Esse fragmento de sua obra sobre a verdade sintetiza duas idéias centrais: o humanismo e o relativismo (criticado por Platão no Teeteto). O mundo é o que o homem constrói e destrói, por isso não existem verdades

absolutas. Toda verdade seria relativa a determinada pessoa, grupo social ou cultura.

Sócrates de Atenas (469-399 a.C.):

Filosofia Clássica Grega Protágoras de Abdera “ O homem é a medida de todas as coisas,

Górgias de Leontino

Sofista da primeira geração, praticava seus dotes de orador em discursos de estilo floreado (os “gorgianismos”). Menos filósofo mas mais corrosivo que Protágoras desprezava os “professores de virtude” (Ménon, 95 c) e subordinava seu ensino à transmissão da arte e da teoria da linguagem. Platão relata no Górgias seu diálogo com Sócrates (talvez ocorrido em 427 a.C.). Sua personalidade, estilo e talento de orador deixaram marcas na juventude ateniense da época.

Possuía um estilo de vida exteriormente semelhante ao dos sofistas, embora não “vendesse” seus ensinamentos.

Assim como os sofistas, abandonou as preocupações pré-socráticas de explicar a natureza e se concentrou na problemática do homem. Mas, de modo diverso ao dos

sofistas, pois opunha-se, p. ex., ao relativismo moral e ao uso da retórica para atingir

interesses particulares.

Filosofia Clássica Grega

Opõe-se aos sofistas ao defender necessidade do conhecimento de uma verdade

a

única sobre a natureza das coisas, afastando-

se

das

opiniões e buscando a definição

das

coisas. Como não escreveu nenhum texto sua filosofia chegou até nós por meio dos diálogos compilados principalmente por Xenofonte e Platão. Nestes diálogos desenvolve seu método, seu modo de fazer filosofia, composto de dois momentos básicos: a ironia e a maiêutica.

Filosofia Clássica Grega • Opõe-se aos sofistas ao defender necessidade do conhecimento de uma verdade a
  • - Ironia: não no sentido de sarcasmo, mas de interrogação com o objetivo

de questionar, contrapor e levar o interlocutor a confessar suas contradições e

ignorâncias, onde antes só julgava possuir certezas e clarividências. 1ª virtude do sábio: adquirir consciência da própria ignorância: Sei que nada sei.

  • - Maiêutica: liberto da pretensão de tudo saber o interlocutor inicia a

reconstrução de suas próprias idéias. Nesta fase do diálogo Sócrates busca ajudar o

interlocutor na “gestação” das próprias idéias. Momento do diálogo em que as idéias

são “trazidas à luz” (maiêutica

Filosofia Clássica Grega • Opõe-se aos sofistas ao defender necessidade do conhecimento de uma verdade a

arte de trazer à luz”).

Filosofia Clássica Grega

Método Socrático:

Raciocínio Dedutivo (aplicação prática dos conceitos universais) Universal Imanente Ciência Essência Definição Conceitos Maiêutica Fase Construtiva
Raciocínio Dedutivo
(aplicação prática dos conceitos universais)
Universal
Imanente
Ciência
Essência
Definição
Conceitos
Maiêutica
Fase Construtiva
(auto-reflexão)
Douta Ignorância
Ironia
Fase Destrutiva
Opiniões particulares
Experiência
(contraditórias)
(ação)
Adaptado de SANTOS, Maria Helena Varela e LIMA, Teresa Macedo. No reino dos
porquês: o homem do outro lado do espelho. Porto: Porto Editora, 1979, p. 177.
Raciocínio Indutivo
(das opiniões particulares aos conceitos)

Filosofia Clássica Grega

Platão de Atenas (427-347 a.C.):

Desenvolveu seu pensamento sobre as bases filosóficas e metodológicas colocadas por Sócrates, de quem foi discípulo. A maior parte de seu pensamento nos foi transmitida pela fala de Sócrates nos diálogos socráticos, escritos pelo próprio Platão.

Por volta de 387 a.C. fundou sua escola filosófica nos arredores de Atenas, a Academia. Essa escola foi um dos primeiros modelos ocidental de

centro de pesquisa científica e filosófica,

além de lugar de formação política.

Teoria das idéias e conhecimento:

Filosofia Clássica Grega Platão de Atenas (427-347 a.C.): • Desenvolveu seu pensamento sobre as bases filosóficas

Principal aspecto da filosofia de Platão é a teoria das idéias, com a qual visa explicar como se desenvolve o conhecimento humano. Segundo ele, o processo de conhecimento se desenvolve por meio da passagem progressiva do mundo das sombras e aparências para o mundo das idéias e essências. O mito/alegoria da caverna foi usado para explicar a evolução do processo de conhecimento.

Filosofia Clássica Grega

Filosofia Clássica Grega “ O que é a caverna? O mundo em que vivemos. Que são

O que é a caverna? O mundo em que vivemos. Que são as sombras das estatuetas? As coisas materiais e sensoriais que percebemos. Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo. O que é a luz

exterior do sol? A luz da verdade. O

que é o mundo exterior? O mundo das idéias verdadeiras ou da verdadeira realidade. Qual o instrumento que liberta o filósofo e com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros?

A dialética. O que é a visão do mundo

real iluminado? A Filosofia. Por que os prisioneiros zombam, espancam e matam o filósofo (Platão está se referindo à condenação de Sócrates à morte pela assembléia ateniense)?

Porque imaginam que o mundo

sensível é o mundo real e o único

verdadeiro(CHAUI, 1996: 40-41).

Filosofia Clássica Grega

Utilizando-se da alegoria da Caverna, Platão afirma existir dois mundos diferentes, separados e autônomos entre si:

- O mundo visível, sensível, dos fenômenos e acessível aos sentidos (é

aquele que a maioria da humanidade está presa; sujeito a interpretações falsas da

verdade);

- O mundo das idéias gerais (inteligível), "das essências imutáveis, que o homem (alguns) atinge pela contemplação e pela depuração dos enganos dos sentidos" (ABBAGNANO, 2007).

Filosofia Clássica Grega • Utilizando-se da alegoria da Caverna, Platão afirma existir dois mundos diferentes, separados

Filosofia Clássica Grega

Para esclarecer a teoria das idéias consideremos um conjunto de cavalos. Apesar deles não serem exatamente iguais, existe algo que é comum a todos os cavalos; algo que garante que nós jamais teremos problemas para reconhecer um cavalo. Naturalmente, um exemplar isolado do cavalo, este sim "flui", "passa". Ele envelhece e fica manco, depois adoece e morre. Mas a verdadeira forma do cavalo, a idéia de cavalo, é eterna e imutável.

Filosofia Clássica Grega • Para esclarecer a teoria das idéias consideremos um conjunto de cavalos. Apesar

Filosofia Clássica Grega

Teoria das idéias e política:

Na juventude, Platão alimentou o ideal de participação política em Atenas. Já no final de sua vida, desiludido com a democracia ateniense, confessou:

Deixei levar-me por ilusões que nada tinham de espantosas por causa de minha juventude. Imaginava que, de fato, governariam a cidade reconduzindo-a dos caminhos da injustiça para os da justiça(PLATÃO. Carta VII. Apud História do pensamento, v.1, 1987: 58).

Abraçando a Filosofia, adotou um novo ideal:

Fui então irresistivelmente levado a louvar a verdadeira Filosofia e a proclamar que somente à sua luz se pode reconhecer onde está a justiça na vida pública e na vida privada(Ib., ibid.).

Sua teoria das idéias tem implicações também em seu pensamento político. Para ele, somente os filósofos, eternos amantes da verdade, teriam condições de libertar-se da caverna das ilusões, conhecer a realidade e a sabedoria, para instruir, conduzir e governar a pólis.

Assim, em sua obra A República imaginou uma sociedade ideal, governada por reis-filósofos: pessoas capazes de atingir o mais alto conhecimento do mundo das idéias, que consiste na idéia de bem.

Filosofia Clássica Grega

Os humanos são dotados de três almas ou três princípios de atividade

Filosofia Clássica Grega Os humanos são dotados de três almas ou três princípios de atividade Homem

Homem justo: prevalece a alma racional

Filosofia Clássica Grega Os humanos são dotados de três almas ou três princípios de atividade Homem

Homem injusto: prevalece a alma concupiscente

Filosofia Clássica Grega Os humanos são dotados de três almas ou três princípios de atividade Homem

Filosofia Clássica Grega

As formas tipificadas por Platão estão associadas às particularidades morais, ou seja, os vícios e as virtudes das classes dirigentes. Assim como o homem possui três tipos de alma Platão também concebe que a pólis possui uma estrutura tripartite, formada por três classes sociais:

Filosofia Clássica Grega • As formas tipificadas por Platão estão associadas às particularidades morais, ou seja,

Filosofia Clássica Grega

Aristóteles de Estagira (384-322 a.C.):

Um dos mais importantes filósofos gregos da Antiguidade, tendo importante papel na organização do saber grego, acrescentando-lhe sua contribuição, que influenciou, decisivamente, a história do pensamento ocidental.

Inicialmente discípulo de Platão Aristóteles rompe com os ensinamentos do mestre após a sua morte, talvez por

não concordar com os rumos tomados pelos ensinamentos da Academia sob a direção de Espeusipo.

Funda sua própria escola, o Liceu, onde ensinava caminhando com seus

discípulos, sendo chamados de peripatéticos(de peripatos, o caminho). Além de desenvolver seu próprio sistema de pensamento, rejeitando a teoria das idéias e o dualismo platônico.

Filosofia Clássica Grega Aristóteles de Estagira (384-322 a.C.): • Um dos mais importantes filósofos gregos da

Filosofia Clássica Grega

Como alternativa propõe, em sua obra Metafísica, uma concepção de real que parte da substância individual, composta de matéria e forma.

Envolveu-se também na querela entre permanência e movimento das coisas (polêmica entre Heráclito e Parmênides). Para esse problema, Aristóteles propôs uma nova interpretação ontológica (relativa ao estudo do ser) segundo a qual em

todo ser devemos distinguir dos elementos:

- o ato: a manifestação atual do ser, aquilo que já existe; - a potência: as possibilidades do ser (capacidade do ser), aquilo que ainda não é mas pode vir a ser.

A substância traz, em potência, as qualidades que nela se atualizam: a gasolina é inflamável porque tem em si o potencial de inflamar-se, mas precisa entrar em contato com uma chama/fogo (causa) pata atualizar esse potencial.

Filosofia Clássica Grega

O que determina a realidade/estado de um ser é a sua causalidade. Isso porque a passagem da potência para o ato não se dá ao acaso: ela é causada. Elenca quatro tipos de causas: material, formal, eficiente e final.

  • - causa material:

refere-se à matéria de

que

é feita

uma coisa.

Ex.:

o

mármore usado na confecção de uma estátua;

  • - causa formal: refere-se à forma, à natureza específica, à configuração

de uma coisa, tornando-a “um ser propriamente dito”. Ex.: uma estátua em forma de homem e não de cavalo;

  • - causa eficiente: refere-se ao agente que produziu diretamente a coisa.

Ex.: o escultor que fez a estátua.

  • - causa final: refere-se ao objeto, à intenção, à finalidade ou à razão de

ser de uma coisa. Ex.: o escultor tinha como finalidade exaltar a figura do

soldado ateniense.

Também desenvolveu importantes análises no campo da política e da ética. Sua obra Política teve uma grande influência no desenvolvimento da ciência política no Ocidente. Ali cunha a máxima O homem é por natureza um animal político(anthropos physei politikon zoon) e analisa diferentes modelos de governo (em sua forma pura ou corrompida):

Filosofia Clássica Grega

 

FORMAS DE GOVERNO

 
 

Formas puras

   

Formas corrompidas

 

Monarquia: governo de um só homem, de caráter hereditário ou perpétuo, que visa o bem comum, como a obediência as leis e às tradições

Tirania: governo de um só homem que ascende ao poder por meios ilegais, violentos e ilegítimos e que governa pela intimidação, manipulação ou pela aberta repressão, infringindo constantemente as leis e a tradição

Aristocracia: governo dos melhor homens da república, selecionados pelo consenso dos seus cidadãos e que governa a cidade procurando o beneficio de toda a coletividade

Oligarquia: governo de um grupo economicamente poderoso que rege os destinos da cidade, procurando favorecer a facção que se encontra no poder em detrimento dos demais

Politia: governo do povo, da maioria,

Democracia:

governo

do

povo,

da

que exerce

o

respeito

às

leis

e

que

maioria,

que

exerce

o

poder

beneficia

todos

os

cidadãos

favorecendo

preferencialmente

os

indistintamente, sem fazer nenhum tipo

pobres,

causando

 

sistemático

de discriminação.

constrangimento aos ricos.

No campo ético enfatiza que a vida ética consiste numa vida virtuosa, sendo que a virtude está no justo meio”, dizia. Diferente de Platão que no Mênon afirma a impossibilidade de se ensinar a virtude, Aristóteles sustenta que a virtude é um hábito que não só pode como deve ser ensinada (maior tarefa da educação do homem).

OBS: Ler texto Aristóteles

Filosofia Clássica Grega

Quadro das Virtudes Morais:

Sentimento ou paixão (por natureza)

Prazeres

Medo

Confiança

Riqueza

Fama

Honra

Cólera

Convívio

Conceder prazer

Vergonha

Sobre a boa sorte de alguém

Situação em que o sentimento ou a paixão são suscitados

Tocar, ter ingerir Perigo, dor Perigo, dor Dinheiro, bens Opinião alheia Opinião alheia Relação com os outros Relação com os outros Relação com os outros Relação de si

com outros

Relação dos

outros

consigo

Vício (excesso) (por deliberação/ escolha)

Vício (falta) (por deliberação/ escolha)

Virtude (justo meio) (por deliberação/ escolha)

Libertinagem

Insensibilidade

Temperança

Covardia

Temeridade

Coragem

Temeridade

Covardia

Coragem

Prodigalidade

Avareza

Liberalidade

Vaidade

Humildade

Magnificência

Vulgaridade

Vileza

Respeito próprio

Irascibilidade

Indiferença

Gentileza

Zombaria

Grosseria

Agudeza de espírito

Condescendência

Tédio

Amizade

Sem-vergonhice

Timidez

Modéstia

Inveja

Malevolêcia

Justa apreciação

Filosofias Helenistas

Com o advento do chamado período helenístico (expansão da cultura grega após a derrota para a Macedônia de Alexandre Magno em 338 a.C.), dois movimentos marcam a filosofia ocidental: a polis grega perde sua hegemonia, e o

pensamento grego expande-se para além de suas fronteiras.

Os movimentos filosóficos que surgem nesse momento caracterizam-se basicamente por preocupações éticas, com o ser humano como ser individual e não tanto como ser político. São três as correntes filosóficas desenvolvidas nesse período:

Filosofias Helenistas • Com o advento do chamado período helenístico (expansão da cultura grega após a

- Epicurismo: escola fundada por Epicuro (341- 270 a.C.) que acreditava que a serenidade e o prazer (entendido como ausência de perturbação e de dor) seriam as finalidades máximas do homem, pois o prazer estaria vinculado a uma conduta virtuosa. O supremo prazer seria de natureza intelectual e obtido mediante o domínio das paixões. Buscavam a ataraxia, termo grego que designa o estado em que não existe dor, de quietude, serenidade, impertubabilidade da alma.

Filosofias Helenistas

Filosofias Helenistas - Estoicismo : escola fundada por Zenão de Cítio (332-262 a.C.) que defendia uma
Filosofias Helenistas - Estoicismo : escola fundada por Zenão de Cítio (332-262 a.C.) que defendia uma

- Estoicismo: escola fundada por Zenão de Cítio (332-262 a.C.) que defendia uma atitude de completa austeridade física e moral, baseada na resistência

do homem ante os sofrimento e os males do mundo.

Para os estóicos o ideal de vida, designado pelo termo grego apathéia (em geral mal traduzido por “apatia”), era alcançar uma serenidade diante dos acontecimentos fundada na aceitação da “lei universal do cosmos”, que rege toda a vida.

- Pirronismo: escola fundada por Pirro de Élis (360- 270 a.C.) que tinha a teoria de que nenhum conhecimento é seguro, tudo é incerto. Defendia que se deve contentar com as aparências das

coisas, desfrutar o imediato captado pelos sentidos e viver feliz e em paz, em vez de se lançar à busca de uma verdade plena, pois é impossível ao homem saber efetivamente se as coisas são como

aparecem. O pirronismo é, então, uma forma de

ceticismo que professa a impossibilidade de obter conhecimento e conhecer a verdade absoluta.

Filosofias Helenistas

Filosofias Helenistas - Cinismo : escola fundada por um discípulo de Sócrates chamado Antístenes (445-365 a.C.).

- Cinismo: escola fundada por um

discípulo

de

Sócrates

chamado

Antístenes (445-365 a.C.). O termo

cinismo vem do grego kynos (cão) para nomear aqueles que se propuseram viver como “cães” da

cidade,

sem

propriedade

ou

conforto.

Levaram

ao

extremo

a

idéia de Sócrates de que o homem

deve conhecer a si mesmo e

desprezar

os

bens

materiais.

O

maior nome cínico foi Diógenes de

Sínope

(412-323

a.C.),

conhecido

como

„Sócrates

louco”,

pois

questionava os valores

e

as

tradições sociais e procurava viver estritamente conforme os princípios

que

considerava

moralmente

corretos.

Período Greco-Romano

A filosofia pagã e a introdução do cristianismo:

O último período da filosofia antiga corresponde, em termos históricos, à fase de expansão militar de Roma (desde as Guerras Púnicas, iniciadas em 264 a.C., até a decadência do Império Romano, em fins do século V a.C.). É um período longo em anos, mas pouco notável no que diz respeito à originalidade das idéias filosóficas.

Os principais pensadores desse período Sêneca (4-65 d.C.), Cícero (106-43 a.C.), Plotino (205-270 d.C.) e Plutarco (50-125 d.C.), p.ex. dedicaram-se muito mais à tarefa de assimilar e desenvolver as contribuições culturais herdadas principalmente da Grécia clássica do que criar novos caminhos para a filosofia.

Período Greco-Romano A filosofia pagã e a introdução do cristianismo: • O último período da filosofia
Período Greco-Romano A filosofia pagã e a introdução do cristianismo: • O último período da filosofia

Sêneca

Período Greco-Romano A filosofia pagã e a introdução do cristianismo: • O último período da filosofia

Plotino

Período Greco-Romano A filosofia pagã e a introdução do cristianismo: • O último período da filosofia

Rumo a uma Filosofia cristã

A introdução do cristianismo no decadente Império Romano é a característica fundamental desse período. A difusão e a consolidação do cristianismo, através da Igreja católica, atuaram no sentido de dissolver a força da filosofia grega clássica, que passou a ser qualificada de pagã (própria de povos não-cristãos).

Com o advento do Cristianismo e sua institucionalização como religião oficial do Império Romano a partir do séc. IV, se dá o progressivo ocaso das “filosofias pagãs”. Inclusive do ceticismo que vinha neste período tomando um novo vigor: a obra de Sexto Empírico (séc. II d.C.) confirma essa retomada cética.

Filósofos e teólogos cristãos de primeira hora como Eusébio (260-340) e Lactâncio (240-320) fizeram uso de noções e teorias das próprias “filosofias pagãs” para mostrar como elas eram incertas, marcadas pelo conflito e incapazes de alcançar a verdade.

Em 386 Santo Agostinho escreveu seu diálogo Contra acadêmicos em que pretende refutar o ceticismo acadêmico.

A influência de Agostinho no Ocidente em todo o período medieval explica em grande parte o desinteresse pelas „filosofias pagãs”. Referências ao ceticismo antigo e discussões de questões céticas, p.ex., estão, salvo algumas exceções, ausentes na filosofia medieval. Este é o tempo de outra influência: a religião cristã e o conjunto filosófico cristão.

Bibliografia

  • - ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 5ª ed. São Paulo: Martins Fontes,

2007.

  • - CHÂTELET, François. Do mito ao pensamento racional. In.: CHÂTELET, François

(dir.). História da Filosofia idéias e doutrinas. Volume 8. Rio de Janeiro: Zahar,

1981.

  • - CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 7ª edição. São Paulo: Editora Ática, 1996.

  • - COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia: história e grandes temas. 15ª ed. São Paulo: Saraiva, 2002.

  • - MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 10ª ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006.

  • - SANTOS, Maria Helena Varela e LIMA, Teresa Macedo. No reino dos porquês: o homem do outro lado do espelho. Porto: Porto Editora, 1979.