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Um gesto que no passa de uma ameaa, Sofia Dias e Vtor Roriz Modos de construir mundos Desagregar para construir.

Este parece ser o mote que est na gnese de Um gesto que no passa de uma ameaa, a obra recentemente agraciada com o Prix Jardin dEurope, um galardo obtido em Bucareste, Romnia, e que vem cimentar a posio de primeira linha de Sofia Dias e Vtor Roriz no que diz respeito criao contempornea. Segundo os jurados, a minuciosa reconstruo e detalhada investigao sobre a palavra, a voz e o som na sua relao com a interpretao valeu-lhes a distino. Se a voz d origem palavra, o corpo gera o movimento, num sistema de relaes complexas que se multiplicam numa espiral ininterrupta de aes e situaes interligadas. Da lgica hipertextual emergem vrias camadas narrativas cujo denominador comum parece ser a periferia, um mecanismo de escape que faz diluir qualquer ideia de coerncia e clareza. Afastamo-nos do centro, desconstruimos, e esvaziamos as palavras do seu significado. Num sistema onde a citao no cabe, h um modo novo de fazer mundos. Sero as leituras desencontradas que a cidade proporciona, em contraste com a grafa ruralidade, porventura as responsveis pelo modo catico como a mente percebe e associa acontecimentos. Sofia Dias e Vtor Roriz libertam-se de imposies semnticas, redesenham o sentido, partindo do corpo como elemento condutor da dramaturgia. O corpo, esse, ter como misso a diluio das hierarquias que fazem da palavra a sua produo mais nobre. Palavras e voz esto agora em relao equalitria com corpo e movimento. Envolvidos por esta liberadade criadora, h movimentos de transformao contnua que encontram perfeito aliado na cenografia. Um painel feito de diversos contextos e ambincias rotativo e, consequentemente, motor perptuo de renovada significao. A emergncia de uma performance que parece reclamar os eptetos de work-in-progress, hipertextual e inacabada, configura um cortejo simblico insubordinado, dodecafnico e incessante. Um gesto que no passa de uma ameaa no passa de um gesto que se renova a todo o instante, criando novos modos de construir mundos. Modos libertadores e desapegados, ps-estruturalistas e dissolvedores, que se multiplicam e esboroam. Um gesto que no passa de uma ameaa um mundo contingente e mutvel, uma mirade de possibilidades vertiginosas.