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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS & FILOSOFIA BACHARELADO EM PRODUÇÃO CULTURAL REALIDADES SÓCIO-ECONÔMICA E POLÍTICA BRASILEIRA

O Lampião da Esquina

Ambivalências na construção e discussão de uma identidade para os homossexuais

Danilo R. Gabriel

2011

Trabalho escrito como avaliação da disciplina de Realidade Socioeconômica e política brasileira, sob a orientação da Professora Samantha, do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Federal Fluminense.

“Nós tínhamos um ideal, queríamos mostrar que éramos pessoas normais, que fazíamos o que todas as outras faziam.”

Introdução

Há quem critique a postura dos movimentos homossexuais na atualidade, alegando, por exemplo, que o propósito do movimento gay se perdeu. Há quem critique os próprios homossexuais, segundo as mais variadas ideologias, por sua “postura” perante a sociedade, mais propriamente falando de sua conduta moral e sua identidade termo um tanto quanto totalizante. Partindo da análise do periódico Lampião Da Esquina, além de materiais relativos ao assunto, um dos resultados foi a discussão e início de uma (des)construção dessa identidade relacionada aos homossexuais, difundida e discutida principalmente a partir das décadas de 1960 e 1970.

Antes de iniciar o desenvolvimento e as conclusões dessa pesquisa, cabe enfatizar a história da imprensa relativa aos assuntos da causa gay. Primeiramente, um dos motivos de ter escolhido fazer uma leitura da história do Lampião era o fato deste ser destinado aos assuntos da comunidade homossexualque passava a se consolidar fortemente na sociedade da época , com o errôneo pensamento de ser este jornal o primeiro a tratar do assunto no país. Aprofundando-me mais no assunto, desfaço alguns equívocos cometidos por mim e descubro outros aspectos e peculiaridades desse marco na história da imprensa alternativa brasileira no que se trata de referência a uma minoria (ou como queria o jornal, às minorias).

No Brasil, segundo o próprio editorial do Lampião da Esquina, o pioneirismo na referência à homossexualidade (na época ainda referida como homossexualismo) se deu no início dos anos 1960, com jornais de pequeno porte, circulação restrita e maior amenidade no que se referia ao conteúdo, versando entre cultura, reportagens, classificados e badalações sociais, sem ter ainda um enfoque na discussão da sexualidade em si. No Rio de Janeiro encontramos publicações como o Le Femme, Gente Gay, Eros, Aliança de Ativistas Homossexuais, Subúrbio à Noite, La Saison, O Centauro, O Vic, O Grupo, Darling, Gay Press Magazin, 20 de Abril, O Centro e o famoso jornal Snob, criado em 1963 e que durou até 1969, sob a direção de Agildo Guimarães considerado a primeira referência na imprensa para homossexuais no país e que oferece uma boa alternativa para estudos de gênero, visão política de editores e leitores, assim como a construção de uma identidade, argumento que ganhará uma ênfase especial mais adiante, no caso do Lampião da Esquina. Também no estado do

Rio de Janeiro encontramos em Niterói o Opinião, O Mito e Os Felinos, além de outras publicações em Campos e muitas outras fora do estado, encontradas na Bahia.

A restrita circulação, a baixa acessibilidade e a falta de industrialização desses jornais como a única edição do Di Paula, da Bahia , que eram muitas vezes mimeografados ou xerocados, não diminuía sua importância e o fato de que o movimento gay estava sendo fomentado e articulado. Tanto que, no início da década de 1960, foi criada por alguns dos editores desses jornais alternativos a Associação

Brasileira de Imprensa Gay (ABIG), demonstrando a luta por território feita por este segmento. Mesmo depois de ser fechada em 1964 os jornais não deixaram de ser publicados muitos eram feitos por grupos de amigos , como o Snob, que durou até

1969.

Já na década de 1970, ainda antes do lançamento do Lampião, outros jornais buscaram uma diagramação nacional. Alguns dos editores do Snob organizaram o jornal GenteGay (1976), que era produzido por fotocópia, mas que conseguiu ser produzido de maneira industrial em dois números e que teve uma boa repercussão. Em 1977, em São Paulo, organiza-se o jornal Entender, que depois de alguns números veio a fechar, assim como o Gente Gay, pois não contavam com o profissionalismo que, um ano depois, estaria presente na formação do Lampião da Esquina. Ainda por volta dessa época (1976-78) a questão da sexualidade é muito forte, período da abertura do Regime Militar que conta com uma maior flexibilização da censura. Em alguns jornais da grande imprensa, como Última Hora (São Paulo), passou-se a dar espaço para colunas destinadas ao público homossexual, refletindo as mudanças comportamentais da época. Neste último exemplo, destaca-se a “Coluna do Meio”, escrita pelo jornalista Celso Curi, assim como outras colunas presentes no Correio de Copacabana, escrita por Glorinha Pereira, intitulada “Guei”, e no Gazeta de Notícias, escrita por Fernando Moreno, intitulada “Tudo Entendido”. (Rodrigues, Jorge Luís Pinto. Impressões de Identidade: Um olhar sobre a Imprensa Gay no Brasil. EdUFF, 2010. P. 47)

Outro importante tabloide que tem grande referência na imprensa alternativa nacional é O Beijo. Formado por Júlio César Montenegro, Genilson Cezar, Ronaldo Brito e Caio Túlio Costa, o jornal não era focado em assuntos homossexuais, mas se tornou pioneiro na discussão da sexualidade e da importância do prazer como modo de vida, promovendo uma série de quebras de tabu no que se referia a sexo e sexualidade,

característica presente no Lampião, focado na homossexualidade, lançado um ano depois de O Beijo que teve apenas seis edições.

Uma das questões principais relacionadas a toda a imprensa gay nacional é o reconhecimento e, com mais ênfase, a identidade, refletindo na construção de uma memória voltada para a causa homossexual da época. Discutia-se muito o modo de referir-se ao indivíduo de sexualidade “diferenciada” – como o caso dos travestis e das lésbicas, por exemplo no que se relacionava também com a imagem que se queria construir do homossexual em si. O jornal Snob pode ser considerado o primeiro a trabalhar essa questão no que se refere ao seu discurso verbal e até mesmo visual abordando a importância do aspecto visual nas publicações , já que no início de sua trajetória um feitio característico era o estilo preconceituosamente atrelado à feminilidade, às “bichas” e “bonecas. Característica que sofre uma transformação a partir do ano de 1969, quando o próprio grupo responsável pela produção do jornal se encarrega de alterar essa imagem, mudando até mesmo a forma de se referir, dando lugar a termos como “entendido”, além do conteúdo das imagens – a capa da edição de maio de 1969 trazia dois homens nus em uma relação sexual –, alegando ser “um jornal mais adulto”, construindo uma imagem mais masculinizada do homossexual:

Nós vamos mostrar que agora nós estamos revelando quem realmente

somos. Nós estamos perto do século 21, a dois passos da lua, e não podemos permitir pessoas com certas fantasias ficarem estacionadas um século atrás do nosso.”

“[

]

(Green, James. 1999. P. 194)

Assim, transportando o foco para o Lampião da Esquina, com todas as suas especificidades, a questão da construção de uma identidade e, concomitantemente, da construção de uma memória do movimento gay brasileiro será mais fortemente abordada, além das referências a essa imagem de homossexual que se queria (des)construir, contando com equívocos, discussões, ambiguidades, desavenças, estereótipos e outros aspectos dessa visão prematura que se tinha da comunidade gay até mesmo pela própria comunidade no final da década de 1970 e início da década de 1980, período em que a “luz” do Lampião ficou acesa.

O Lampião e seu período de “Luz”

O Lampião da Esquina foi um jornal de formato tabloide como todos da

imprensa alternativa da época que nasceu num período de distensão politica, formado por um grupo de intelectuaistambém como os demais jornais alternativos dentre eles:

Aguinaldo Silva;

Antônio Chrysóstomo;

Clóvis Marques;

Darcy Penteado;

Francisco Bittencourt;

GasparinoDamata;

Jean-Claude Bernadet;

João Antônio Mascarenhas;

João Silvério Trevisan;

Adão Costa;

Peter Fry.

O surgimento do jornal tem relação direta com a bem-desenvolvida imprensa

gay norte-americana. Segundo João Silvério Trevisan:

Surgiu com a vinda de um jornalista americano, Winston Leyland, que

tinha um jornal voltado para os gays, o Gay Sunshine. Fizemos uma reunião para receber Winston. Estávamos eu, Aguinaldo (Silva) e Darcy (Penteado) e surgiu a ideia, ainda no começo de 78. Logo a coisa engrenou e iniciamos o jornal. O número zero saiu em abril de 78 e já teve problemas com a censura. O ministro Armando Falcão pediu um inquérito com base na lei da imprensa em função de uma matéria que fiz sobre o Celso Curi.”

“[

]

Esse jornalista norte-americano veio ao Brasil com o intuito de fazer uma investigação analítica da literatura gay latino-americana. E pode-se dizer, como afirma Jorge Rodrigues, que o surgimento do Lampião da Esquina, em abril de 1978, veio fortalecer a formação do grupo que viria consolidar o movimento homossexual no Brasil, o grupo Somos, de São Paulo, o qual alega ter Darcy Penteado e João Silvério

Trevisan como integrantes do grupo desde a sua formação. (Rodrigues, Jorge Luís Pinto. Impressões de Identidade: Um olhar sobre a Imprensa Gay no Brasil. EdUFF, 2010. P. 51)

Importante ressaltar que até o final da trajetória do Lampião, devido às

divergências na linha editorial do jornal, esse grupo de origem não vai ser o mesmo até

o fim, contando com muitas evasões, que foi um dos motivos do fechamento. O tabloide

era chefiado por Aguinaldo Silva, que era o responsável por toda a linha editorial, e

responsável segundo pesquisas, de modo bastante centralizado pela imagem que as publicações tinham, conforme suas intenções, de acordo com a sua visão de quem era o leitor do Lampião.

Um dos diferenciais do Lampião da Esquina foi sua diagramação nacional. Tendo durado o equivalente a 41 edições (38 incluindo o número zero e mais três edições extras), alcançaram aproximadamente 40 mil exemplares, sendo 10 mil apenas no número zero, e era voltado para discussões sobre homossexualidade diferentemente dos outros tabloides que nem sequer estavam presentes em bancas de jornal, sendo geralmente distribuídos nos locais de frequentação do público gay inicialmente com

um enfoque mais conceitual, com um discurso sobre existencialismo, cultura, denúncias

e um amplo espaço voltado para as críticas, dúvidas e sugestões dos leitores.

De início, uma das intenções do editorial era quebrar tabus e estereótipos acerca da figura do homossexual, exatamente com essas discussões mais teóricas e enfáticas no campo da política e cultura, procurando promover a criação de uma consciência homossexual, inclusive embasadas em Michel Foucault, como ditava Aguinaldo Silva, exemplificadas no editorial número zero –“Saindo do Gueto” – e no número dois – “Homossexualismo: que coisa é essa?” – dos quais se retira dois trechos bastante

conclusivos:

“Nossa resposta, no entanto, é esta: é preciso dizer não ao gueto e, em consequência, sair dele. O que nos interessa é destruir a imagem padrão que se faz do homossexual, segundo a qual ele é um ser que vive nas sombras, que prefere a noite, que encara sua preferência sexual como uma espécie de maldição, que é dado aos ademanes e que sempre esbarra, em qualquer tentativa de se realizar mais amplamente enquanto ser humano, neste fator capital: seu sexo não é aquele que ele desejaria ter.”

(Lampião da Esquina, número zero, p.2, 1978)

“Por essa razão a maioria dos homossexuais tem desejado ser ‘normal’ e durante toda a vida recalca e esconde seus sentimentos verdadeiros, numa tentativa de condicionamento nessa normalidade.”

(Lampião da Esquina, nº2, p. 2, 1978)

Mas essas discussões chegaram a ser criticadas por dar ao jornal um tom elitista, mesmo que uma de suas características seja de interação com as minorias do país minorias, no plural. É uma discussão ambivalente: ao mesmo tempo em que tinha um discurso “iluminador” – como um verdadeiro lampião era por parte dos leitores considerado elitista, ao mesmo tempo em que era querido por outra boa parte, que se via representada nas páginas do jornal, composta principalmente por travestis, mas também por lésbicas, principalmente com a chegada de mulheres ao editorial. No decorrer do seu tempo de vida, um dos esforços de Lampião, era de se tornar um jornal mais acessível, exemplificada em uma das edições, em resposta à crítica de um leitor:

“Faz parte de nossas obsessões chegar ao maior número possível de lugares, e a baixada está bem aí, diante do nosso nariz [

(“Mais Penas de Pavão”, jornal Lampião da Esquina, nº2, p.15)

Com relação ao design, de acordo com e especialização de Jorge Luís Rodrigues, o Lampião da Esquina não forneceu inovação na sua visualidade, tendo um projeto visual sisudo e tradicional, ao mesmo tempo em que comprimia seus grandes textos em pequenas letras, para facilitar a publicação e o tamanho do conteúdo, subvertendo essa imagem de sofisticação e delicadeza. Mesmo contendo na equipe de edição artistas e pessoas que entendessem do assunto, os aspectos visuais tradicionais parecem fazer parte dessa quebra de estereótipos, igualando o jornal a qualquer outra publicação, diferenciando-se pela sua comunicação verbal, ao contrário do jornal Snob, que tinha em muitas de suas edições figuras estilizadas e literalmente femininas, expressando essa visão de gay efeminado e mesmo o Beijo, considerado uma figura de inovação, como afirma Kucinski:

“O Beijo foi um refinado produto da imprensa alternativa. A radicalidade levada às últimas consequências. Sua diagramação era ousada, concretista.”

(Kucinski, Bernado. Jornalistas e revolucionários: no tempo da imprensa

alternativa.2003)

Em uma linguagem sem as especificidades do campo gráfico, Lampião da Esquina apresentava uma capa geralmente em duas cores, uma delas diferente do preto para contrabalancear e chamar a atenção do leitor, e no corpo do jornal, uma cor (P/B).

No que concerne ao ativismo das publicações, fica bem claro que Lampião era o representante nacional do ainda prematuro movimento homossexual, além de ser involuntariamente seu grande incentivador. Em praticamente todas as publicações há algo dedicado ao ativismo no Brasil, como a sessão inicialmente intitulada de Escolha Aqui Sua Turma, transformando-se mais tarde em Escolha Seu Grupo, cedendo um espaço para os grupos homossexuais colocarem seus endereços(Lampião da Esquina, nº 20, p. 10). Mas, ao mesmo tempo, vivia uma relação tênue com tais grupos, já que o número de correspondências que o Lampião recebia de organizações ativistas era grande demais para que o jornal continuasse com o seu tão desejado tom jornalístico, além de querer, também, manter uma relação com outras minorias do país. Peter Fry também fundador do tabloide e Edward MacRae, escrevem após o término do jornal, alegando que:

“Embora o Lampião nunca tenha se colocado como porta-voz do movimento e tenha sempre afirmado a total autonomia de sua linha editorial, ele servia como ponto de referência e disseminava no país inteiro notícias sobre as atividades dos grupos”.

(Fry, Peter &MacRae, Edward. O que é homossexualidade? 1983, p.30)

Nessa relação tênue, de um lado havia a cobrança por mais espaço, feita por ativistas; de outro, uma discordância de publicação que se tornou, em certo ponto, repúdio à causa, alegando essa diferenciação entre o jornal e o “movimento”, como afirma um dos fundadores do jornal:

“Lampião acabou radicalizando infantilmente seu repúdio ao ativismo guei. [

]

O resultado foi uma descaracterização das intenções iniciais do projeto, o que provocou uma sensível diminuição nas vendas de exemplares.”

(Trevisan, João Silvério. Devassos no paraíso. 2002)

Como o Lampião não tinha muitos anunciantes o principal deles era a própria editora do jornalcontando também com um corpo editorial demasiado diversificado, com opiniões extremamente divergentes o espaço destinado para o editorial era composto pelas opiniões de Aguinaldo Silva, sem um planejamento ideológico comum a todos da redação seu tempo iluminando as esquinas do Brasil não foi muito longo. Como também não contava com muitos assinantes, chegando, em uma das edições, a “implorar”, mas também, sofrendo com o preconceito e com os ataques terroristas às bancas de jornal que estivessem “aderindo” à imprensa alternativa, veio em uma das publicações declarar:

Nos dias mais negros desse terrível mês de agosto, quando, ameaçados

anonimamente, bloqueados nas bancas, e ainda a enfrentar o fantasma gargalhante da inflação delfiniana, chegamos a pensar senão todos, pelo menos alguns de nós, lá no íntimo: estaria na hora de parar?”

“[

]

(Aguinaldo Silva. “Nós ainda estamos aqui”. Jornal Lampião da Esquina, p.2)

Em todas as suas edições buscando se tornar um jornal popular, representar as minorias nacionais, desfazer os estereótipos acerca do homossexual e mesmo enfrentando críticas sendo chamando de pornográfico por exibir nus masculinos em algumas de suas edições, dentre eles Ney Matogrosso Lampião da Esquina mostrou ser o maior ícone da difusão e transformação da chamada “cultura gay” no Brasil nas décadas de 1970 e 1980. Esse pequeno recorte da trajetória desse tabloide visa justificar esse início do ativismo homossexual no país, numa época de abertura política e transformação dos padrões culturais nacionais, além de incitar a reflexão da imagem que se passou a ter e a discutir sobre o gay. Assim, do “entendido” de São Paulo ao travesti da Cinelândia, o que se pode enxergar vai além do estudo e da procura de um entendimento da homossexualidade: caracteriza-se principalmente pelo reconhecimento de uma cidadania.

“A construção de uma identidade é tão simbólica quanto social”

(Woodward, Kathryn. Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual. 2000, p.80)

Considerações Finais

Devo reconhecer que ainda há muito a se falar sobre o Lampião da Esquina. Essa argumentação não dá conta de uma história tão significativa quanto a do tabloide. Mas, reconheço também que muito se aprendeu com essa trajetória tão curta que teve Lampião. Mesmo sendo focado em questões da causa gay, o jornal procurou ser um representante de todas as minorias do país, que começavam a se organizar em seus devidos movimentos na época, como o movimento negro e o feminista. Até mesmo a classe operária teve sua referência, quando perguntado sobre homossexualidade dentro do segmento. O jornal já foi chamado de elitista, paternalista, enfrentou o preconceito ainda vigente, sofreu ameaças, sofreu atentados, mas não deixou de representar e mostrar a humanidade desse grupo de pessoas estigmatizadas pelo simples motivo de terem desejos diferentes dos desejos da “maioria” – formada predominantemente por minorias. No campo estético, era conservador; no campo jornalístico, era formado por opiniões e experiências de um grupo de pessoas relativamente grande, e por isso era tão divergente em suas declarações, mas, novamente, nos seus três anos de vigências, o jornal Lampião da Esquina assume a culpa de ser o agente catalisador do movimento homossexual brasileiro, além de causar uma reflexão sobre o movimento LGBTTIS nos dias atuais.

Bibliografia

Jornal Lampião da Esquina: edições de abril de 1978 a junho de 1981

Rodrigues, Jorge Luís Pinto. Impressões de Identidade: Um olhar sobre a Imprensa Gay no Brasil. EdUFF, 2010.

Woodward, Kathryn. Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual. In:

Identidade e diferença: a perspectiva dos Estudos Culturais. Petrópolis: Editora Vozes.

2000.

Trevisan, João Silvério. Devassos no Paraíso. 5ª ed. rev e ampl., Rio de Janeiro: Editora Record, 2002.

Fry, Peter &MacRae, Edward. O que é homossexualidade? 2ª edição, São Paulo:

Editora Brasiliense, 1983.

Silva, Breno Bersotda.Um Lampião Atravessa a Esquina. Universidade federal Fluminense. TCC, 2010.

Kucinski, Bernardo. Jornalistas e revolucionários: no tempo da imprensa alternativa.

2003.

Green, James. Além do Carnaval: A homossexualidade masculina no Brasil do século XX. São Paulo: Ed. Unesp, 2000.

Entrevista com João Silvério Trevisan em:

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