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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE


DEPARTAMENTO DE SAÙDE COLETIVA
DISCIPLINA DE ATIVIDADE INTEGRADA DE EDUCAÇÃO SAÚDE E
CIDADANIA -
SACI
BAIRRO FELIPE CAMARÃO

JULIANO JOSÉ DA SILVA

PORTFÓLIO FINAL

NATAL/RN
2007
JULIANO JOSÉ DA SILVA

PORTFÓLIO FINAL

Artigo apresentado ao
Departamento de Saúde Coletiva,
como requisito parcial de conceito
da cátedra Atividade Integrada de
Educação Saúde e Cidadania -
SACI

Tutoras: Maria do Socorro


Meine Saionara Alcantâra

NATAL/RN
2007

2
“Teoria é quando você sabe tudo e não
faz nada. Prática é quando você faz tudo
e não sabe porquê. Quando não se casa
teoria e prática, não se faz nada e não se
sabe porquê.”
Autor desconhecido.

3
Sumário
Introdução............................................................................................................................6

1) Avaliação da disciplina e do aprendizado: .........................................................7

a. Expectativas:...........................................................................................................7

b. Atividades:...............................................................................................................8

c. Aprendizado: ...........................................................................................................8

Conteúdo: Discussão sobre cidadania, direitos e deveres relacionados....10

Conteúdo: Apresentação de Natal e orientação sobre produção de

portfólios ........................................................................................................................11

Conteúdo: Tematização do trabalho em grupo e orientações para o

desenvolvimento da disciplina ................................................................................12

Conteúdo: Passeio exploratório pelo bairro de Felipe Camarão....................13

Conteúdo: Apresentação dos equipamentos sociais de Felipe Camarão 214

Conteúdo: Visita domiciliar na comunidade de Felipe Camarão 2 ................15

Conteúdo: Apontamento dos problemas encontrados no bairro. .................16

Conteúdo: Discussão do texto “O conceito de saúde e do processo saúde-

doença” ..........................................................................................................................17

Conteúdo: Elaboração do mapa social..................................................................18

Conteúdo: Discussão sobre o texto “Abrigo subterrâneo” e escolha do

problema a ser abordado...........................................................................................19

Conteúdo: Escolha do problema a ser abordado e articulação da reunião

com a comunidade para aprovar as nossas propostas ....................................20

Conteúdo: Reunião com a comunidade e escolha final do tema a ser

abordado ........................................................................................................................21

4
Conteúdo: Reunião com a comunidade e desenvolvimento da proposta de

interação.........................................................................................................................22

Conteúdo: O Dia da ação...........................................................................................23

3) Anexos:.......................................................................................................................24

a. Pesquisa:................................................................................................................24

i. Pesquisa sobre Djalma maranhão ..............................................................24

ii. Pesquisa sobre os aspectos positivos de Felipe camarão ..................29

iii. Pesquisa sobre os agentes comunitários de saúde:.................................33

b. Produção escrita do grupo: ..............................................................................62

i. Problemas apontados: ...................................................................................62

ii. Repente: .............................................................................................................63

iii. Presentes na Assembléia Do dia 25/10/2007............................................64

iv. Reunião...........................................................................................................65

5
Introdução

Este artigo tem por objetivo evidenciar as expectativas, as atividades e o


aprendizado relativos à experiências vivenciadas na disciplina Atividade Integrada
de educação Saúde e Cidadania. Tais vivencias ocorreram em vários lugares
estando dentre eles a Escola de Enfermagem da UFRN, a faculdade de
Odontologia da UFRN e a Unidade de saúde Básica de Felipe Camarão 2. Esse
artigo vai tratar dessas vivencias de forma a mostrar a visão do autor na medida
em que os temas abordados e as vivencias são parte de sua correlação particular
com os eventos ocorridos e seu próprio ser de conhecimentos pré-adquiridos e
assim não poderiam ser tratados sem a composição subjetiva do vivenciador, que
como esta tão inserido dentro do objeto observado acaba por fazer parte do
mesmo. Todo o andamento das atividades da disciplina foi acompanhado e
orientado por nossos tutores que nos trouxeram esclarecimentos e textos para
discussão além de propor pesquisas para a elucidação ou o conhecimento mais
profundo dos temas abordados, tais produções contendo esses artifícios para a
aprendizagem se encontram no final desse artigo.

6
1) Avaliação da disciplina e do aprendizado:

a. Expectativas:

A disciplina Atividade Integrada de Educação Saúde e Cidadania


(Doravante denominada SACI) se apresenta para um aluno universitário como
uma forma totalmente nova de se estudar os conteúdos do ensino superior,
primeiro pelo seu tema que não é muito explorado em cursos da área da
saúde e segundo pela sua condução e avaliação. A disciplina se apresenta
sem uma localização única, o que causa um enriquecimento em termos de
correlação com a comunidade, a qual recebe o grupo de estudante de SACI.
No entanto esta diferenciação das outras disciplinas pode ser considerada um
tanto diferente e até mesmo uma complicação quanto à locomoção até o local.
Em meu ponto de vista, acredito que esse fato da descentralização
das aulas do campus universitário é bom para o desenvolvimento do conteúdo
e dos temas tratados, na medida em que o aluno entra em contato direto com
o seu principal objeto de estudo. No entanto acho que em algumas vezes,
quando se trabalha com dados que já forma recolhidos na comunidade, se faz
mais cômodo o trabalho no ambiente da universidade, para assim poder evitar
imprevistos que possam atrasar o andamento das atividades e aumentar o
tempo para lidar com a discussão dos problemas observados.
Outro ponto extremamente interessante sobre a disciplina é a
confecção dos portfólios, pois estes que muitas vezes acabam nos tomando
muito tempo, são muito construtivos em relação à expressão de nossas
vivências, e contribuem para o aperfeiçoamento da nossa opinião quanto aos
conteúdos ministrados. A proposta da disciplina e à condução da mesma pelo
professor, que em nossa disciplina é tratado como um tutor, denominação esta
que deixa claro o objetivo da disciplina, fazer com que o universitário se torne
um ser pensante e capaz de aprender e compreender tanto os conteúdos
quanto os fenômenos que se passam em seu redor. Acredito que o método de
avaliação por meio de portfólio é muito importante e deve ser elogiado na
medida em que permite um grande crescimento do aluno, como responsável
pelo seu próprio aprendizado.
Outro ponto que não posso deixar de citar é quanto à proposta clara
de que o aluno vai enfrentar as dificuldades e precisa aprender a superar os
imprevistos, na minha experiência vivencial não foram raras às vezes em que
enfrentamos problemas devido à estrutura física da UBS que não tinha um
local adequado para as nossas reuniões. Este ponto foi colocado de forma
bem clara desde o primeiro dia do desenvolvimento da disciplina. E por isso
acredito que já estava munido do conceito de que devemos nos esforçar para
atingir nossas metas mesmo quando nos deparamos com barreiras que
dificultem o cumprimento das metas estabelecidas.

7
b. Atividades:

A disciplina de SACI desenvolveu inúmeras atividades em grupos ou


em subgrupos que acrescentaram muito a minha formação na medida em que
propiciaram aquisição de conhecimentos variados, muitos deles correlacionados
com as profissões da área de saúde. Mas os conhecimentos técnicos sobre o
sistema de saúde e sobre os aspectos da comunidade de Felipe camarão foi
apenas um dos vários aspectos em que tivemos a oportunidade de conhecer o
bairro e vivenciar as experiências dos profissionais que trabalham na UBS e nas
próprias casas dos moradores da comunidade visitada.
Um dos pontos mais interessantes de todas as atividades e que
também é quase que único nas disciplinas da universidade e a produção de
atividades em conjunto com vários estudantes de cursos diferentes. Isso fez com
que o compartilhamento de experiências e informações entre os estudantes de
cada curso fosse de importância crucial para o desenvolvimento das atividades,
bem como propiciou um maior conhecimento de cada curso por parte de cada um
dos componentes do grupo da SACI. Eu tenho certeza que inúmeras informações
e conhecimentos sobre os outros cursos da área da saúde me foram
acrescentados na medida em que compartilhava experiências com os meus
colegas de disciplina.
As atividades foram sempre conduzidas de forma que cada um
tivesse sua participação, e assim sendo resultaram e uma integração que deve
servir de exemplo para os alunos que estarão entrando no mercado de trabalho
daqui a alguns anos, pois a tendência e que tais profissionais trabalhem em
equipes multiprofissionais e assim precisem saber trabalha em conjunto de forma
coordenada.

c. Aprendizado:

O aprendizado se deu de uma forma descontraída sem muitas


cobranças o que implica num desenvolvimento menos cansativo das atividades.
No entanto não teve ausência de compromisso, pois na medida em que se dava o
avanço do conteúdo se evidenciava a necessidade de dar andamento ao
cronograma para que as metas propostas fossem realmente cumpridas. O
aprendizado se deu em sua maior parte por meio de vivencia e discussão do
conteúdo presente nos textos em que trabalhamos, a maioria das atividades tinha
um objetivo especifico que resultava na aquisição de um determinado
conhecimento.
A forma como se tratou o conteúdo e suas implicações foram bem
correlacionadas, por isso a aquisição do conhecimento sobre as vivencias na
comunidade são tão construtivas, pois estão diretamente relacionadas com a
matéria a ser analisada. Mas outro ponto importante nas vivencias na comunidade
é a oportunidade que as visitas exploratórias geram, pois permitem que
conheçamos pessoas de características únicas, capazes de nos impressionar de
inúmeras formas. A maioria das pessoas que conheci durante as visitas
exploratórias me mostraram aspectos muito interessantes da comunidade e

8
também da sociedade em geral. Tanto aspectos de personalidade marcante,
quanto aspectos relacionados com a prática do trabalho na área da saúde, penso
que essas contribuições são o ponto mais importante das vivencias e que posso
chamá-las com toda a certeza de aprendizado correlacionado com a área da
saúde e conseqüentemente com o meu curso.

9
2) Portfólios Parciais:

Data: 02/08/2007 Local: Auditório da Escola de Enfermagem/ Campus central da


UFRN
Conteúdo: Discussão sobre cidadania, direitos e deveres relacionados.
“Art. 5° Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e a propriedade, nos
termos seguintes: ...”

Constituição Federal de 1988

Esta primeira aula teve por objetivo nos trazer um pouco à noção de
cidadania e de como podemos e devemos ser cidadãos. No intuito de atingir esse
objetivo, nos foram apresentados os direitos do cidadão, sendo estes: Os Direitos
Civis, Políticos e Sociais. Que além de terem sido expostos também foram
questionados quanto a sua efetivação, já que tais direitos são garantidos
constitucionalmente, seria de se esperar que a todos fossem garantidos de forma
plena e igualitária. No entanto, a discussão do tema nos proporcionou a
oportunidade de refletir sobre a real situação do cidadão e dos seus direitos na
sociedade e na nossa própria comunidade. Construindo assim um ambiente
favorável ao questionamento do papel do Estado e do cidadão, este último que
pode ser visto como individuo único e como sociedade civil organizada.
A continuidade do assunto nos conduziu a falar sobre os pilares da
cidadania (Educação-saúde-trabalho), que se fazem necessários para que o
indivíduo possa ser considerado como um verdadeiro cidadão. Neste ponto se
tornou evidente que grande parte da população não poderia ser entendida como
plenos cidadãos, pois apenas uma minoria tem acesso a essas três condições
necessárias para a cidadania. O grande desafio para a melhoria das condições de
vida e para um desenvolvimento sustentável é justamente possibilitar a efetivação
dos pilares da cidadania para a população em geral, levando em conta a
necessidade de cumprir o que está dito em nossa carta magna.
Tendo em vista o exposto devemos considerar certas questões: Cada um
de nos deve primar pela cidadania própria e coletiva, sendo que só teremos plena
cidadania quando os seus pilares forem garantidos de forma ampla para todos os
indivíduos, bem como expresso no texto de Leonardo Boff, que nos foi
apresentado, intitulado “Minha liberdade acaba onde começa a tua”; Cada
profissional tem suas obrigações junto à sociedade e por isso deve estar
trabalhando sempre voltado para uma ação cidadã que reflita as necessidades da
sociedade; a universidade considerada como centro formador de profissionais e
instituição mantida pela sociedade, não pode se abster do seu papel social, bem
como o universitário que se beneficia dos benefícios de uma universidade.
A realidade clama por profissionais bem preparados e voltados para a
sociedade, que tenham a percepção de que devem atuar como multiplicadores de
cidadania.

Juliano José da Silva

10
Data: 09/08/2007 Local: Auditório da Escola de Enfermagem/ Campus central da
UFRN
Conteúdo: Apresentação de Natal e orientação sobre produção de portfólios
“Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas
há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol.”

Pablo Picasso

Natal, uma cidade cheia de encantos e fascínios, impossível seria falar


dessa cidade sem falar em suas belezas naturais, mas esta não é a única face da
“noiva do sol”. A apresentação de Natal iniciou-se com a visualização e
comentários sobre a beleza natural da capital do nosso estado, mas logo nos
deparamos com outra face que não deveria ser desconhecida por nossa parte.
Cidade bela, que apresenta em seus arredores um enorme número de favelas, 72
para ser mais exato.
Tais favelas muitas vezes não se encontram ao alcance da visão dos
turistas que visitam as belezas da cidade. Mesmo assim elas estão lá e aumentam
progressivamente, tanto em quantidade quanto em tamanho. As conseqüências
de tal fenômeno urbano são diversas: Deficiência de infra-estrutura, transporte e
serviços básicos como saúde e educação para os moradores das favelas;
conseqüências ambientais, devidas á ocupação de áreas que deveriam ser
preservadas para a manutenção de um ambiente natural necessário à
habitabilidade da área urbana.
Tantas conseqüências importantes para o destino da cidade e para o
desenvolvimento social nos conduzem a pensar que o poder público deveria
intervir. No entanto essa intervenção, que muitas vezes não ocorre, não é efetiva,
pois mesmo quando há realocação dos moradores não se oferecem as condições
necessárias para a permanência nas áreas de realocamento, que na maioria dos
casos também é deficiente em termos de infra-estrutura.
Não é só nas favelas que podemos encontrar problemas urbanos, nos
foram apresentados as problemáticas da cidade, com ênfase na necessidade de
correção e no papel do cidadão como agente produtor de mudanças e fiscalizador
do dever do Estado. Isso nos levou a refletir nas necessidades de nossa própria
comunidade e na maneira como devemos buscar erradicar ou, pelo menos,
minorar tais problemas urbanos.
A partir desse ponto iniciou-se a discussão de como produzir os portfólios,
que deveriam ser compostos segundo os critérios de organização propostos e
com um pensamento reflexivo sobre os problemas e situações vivenciadas no
decorrer da disciplina. Sendo assim cada portfólio é um convite a pensar sobre a
problemática vivenciada na comunidade onde estaremos como meros visitantes e
em qualquer um de nossos ambientes de convivência.
Juliano José da Silva

11
Data: 16/08/2007 Local: Faculdade de Odontologia/ Campus da UFRN em Lagoa
Nova
Conteúdo: Tematização do trabalho em grupo e orientações para o
desenvolvimento da disciplina
“A percepção de que o fracasso de um pode ser o fracasso de todos e que o
sucesso de um é fundamental para o sucesso da equipe.”

Extraído do texto “o trabalho em equipe” Trabalhado em sala.

As atividades se iniciaram com uma dinâmica que tinha por objetivo facilitar
a apresentação dos alunos, tal dinâmica contava com três perguntas que
deveriam ser respondidas por cada um dos alunos. Em especial a última pergunta
nos levou a refletir sobre aquilo que fazemos e que se tivéssemos oportunidade
não retornaríamos a fazer, e se pudéssemos ir mais longe, talvez nunca
tivéssemos feito. Isso nos leva a pensar bastante na extensão de cada um de
nossos atos e lembrar que nossas potencialidades são desenvolvidas na medida
em que vivenciamos as oportunidades de usá-las, mas ao mesmo tempo temos
que pensar em suas conseqüências.
A continuidade das atividades nos levou a questão da importância de se
trabalhar as múltiplas potencialidades de cada um, tendo em vista o bem do todo,
fazendo com que cada componente possa ajudar, da forma em que mais possa
ser eficiente e bem sucedido, na tarefa do todo. A noção da participação nesse
todo também foi abordada, sendo que nos foi apresentada a questão da
participação de cada um em relação aos vários grupos de que fazemos parte,
enfatizando a necessidade de se estar presente e atuante em todos os grupos nos
quais estamos inseridos. Bem como a importância da análise critica dos fatos e
acontecimentos que nos cercam dentro do meio grupal onde nos encontramos. A
necessidade de pensar e se lançar um olhar crítico-racional sobre os problemas
que se interpõem entre os objetivos e suas concretizações, se faz cada vez mais
evidente devido à interdependência grupal.
O texto trabalhado em sala, “O trabalho em grupo”, enfatizou a importância
de se estabelecer objetivos em comum entre os componentes do grupo e de se
determinar os Direitos e Deveres de cada membro. Utilizando-se de exemplos de
tipos de grupos que apresentam características próprias, explicitando a
adequação que a função do individuo deve apresentar em relação ao objetivo
comum. Isto é, cada um é parte importante no processo de concretização de
metas, no entanto isso não quer dizer que ele não possa estar ausente por causa
de uma necessidade ou seja deslocado de sua atividade inicial a fim de se
adequar a novas necessidades que surgiram durante a execução do plano.
Por fim estabelecemos em conjunto o “contrato de convivência”, que foi
composto com as propostas que cada um dos componentes de nosso grupo
acreditou que deveriam ser consideradas importantes e que foi sancionado pelos
demais. O contrato de convivência constituiu-se como primeiro passo para a
realização dos objetivos do grupo, na medida em que é uma ferramenta que
auxilia a estabelecer as prioridades e a forma de se lidar com as situações.
Juliano José da Silva

12
Data: 23/08/2007 Local: Unidade básica de saúde de Felipe camarão 2
Conteúdo: Passeio exploratório pelo bairro de Felipe Camarão
“Daqui a cinco anos você estará bem próximo de ser a mesma pessoa que você é
hoje, exceto por duas coisas: os livros que ler e as pessoas de quem se aproximar”

Charles Jones

Iniciamos o passeio exploratório desde o momento em que chegamos à


comunidade, pois já começamos a olhar para as edificações e para as pessoas
que encontrávamos pelas ruas de Felipe Camarão. Ao chegar a Unidade básica
de saúde (UBS) tivemos a oportunidade de conhecer dois profissionais que
trabalham lá, a odontologa Mariane e o médico Jasiel. Assim que o grupo se
reuniu por completo, fomos subdivididos em subgrupos e partimos rumo ao
passeio exploratório. O subgrupo em que eu me encontrava estava acompanhado
por Rejane Martins, agente comunitária, que faz parte da equipe oito. Logo no
inicio de nosso passeio tivemos a oportunidade de ver a sede da associação
comunitária onde estava ocorrendo um treino de artes marciais onde jovens
estavam a se divertir com o treino. Esse foi um aspecto positivo, mas logo adiante
foi possível detectar um esgoto em profusão a ser jogado na rua, um local onde
havia tanto água servida quanto acúmulo de lixo.
Ao continuar o nosso passeio fomos até a casa de Dona Graça, que se
encontrava adiante de sua casa como se adivinhasse que nos estaríamos indo até
lá. Logo no inicio foi possível perceber que ela é uma pessoa falante e muito ativa,
uma das coisas interessantes que ela falou de si foi o fato de ser bem conhecida e
que também é conhecida como “A mulher da igreja”. Tal igreja citada foi um dos
pontos interessantes no nosso passeio, A capela de Santo Antônio, local de
oração e de desenvolvimento de ações sociais.
Uma ação social importante desenvolvida na Capela Santo Antônio é a
biblioteca comunitária, biblioteca Maria das graças, que é uma ferramenta
importante para o desenvolvimento educacional da comunidade. Um dos
problemas identificáveis nesse ponto de nossa excursão foi a falta de voluntários
para estar presente na biblioteca prestando serviço à comunidade. Além da
biblioteca, varias outras atividades são desenvolvidas dentro da área física anexa
à capela, como, por exemplo, as aulas de teatros e as reuniões dos grupos de
jovens da comunidade e até mesmo as atividades de SACI. Percebe-se que
existem atividades sócio-culturais muito relevantes dentro da nossa área de
aprendizado.
Posterior à visita que participamos nos dirigimos de volta à USB, no
caminho conhecemos, através de nossa acompanhante, o fato de o bairro estar às
vésperas de completar 39 anos, também fomos informados sobre o grupo de
pastoril Peixe-boi Encantado, que já é um grupo premiado e com reconhecimento
interestadual. Ao chegar à USB, tivemos a oportunidade de conhecer uma pessoa
que foi de muita importância para o nosso aprendizado e para o conhecimento
sobre o bairro, a Dona Geralda, que é integrante do grupo de pastoril. Ela
enfatizou os problemas das favelas, nos revelando que o alcoolismo, as outras
drogas e a violência estão presentes no bairro e marcam todos os moradores.
Em resumo é possível dizer que Felipe Camarão possui muitos problemas,
mas tão notável quanto seus problemas são as ações social de seus moradores,
que são positivamente surpreendentes.

Juliano José da Silva

13
Data: 30/08/2007 Local: Unidade básica de saúde de Felipe camarão 2
Conteúdo: Apresentação dos equipamentos sociais de Felipe Camarão 2
“O autoconhecimento é o começo da sabedoria, em cuja tranqüilidade e silêncio
se encontra o Imensurável.“
Krishnamurti
A apresentação dos equipamentos sociais se iniciou com os esclarecimentos de
Selma, agente comunitária, sobre o grupo Viva a vida com saúde. Ela evidenciou o papel
que tal grupo desempenha na comunidade, este grupo é aberto a todos, mas apresenta
uma importância ainda maior entre os idosos, e um de seus objetivos é justamente ajudar
no controle de doenças como hipertensão arterial e diabetes. Este projeto social tanto
apresenta um papel de suma importância para a saúde dos participantes quanto para
uma integração social entre os mesmos, além de ter um papel psicoterapêutico, na
medida em que permite a convivência e o não isolamento dos idosos.
O grupo viva a vida com saúde busca algo mais do que somente a clínica, pois se
determina a ir além e tentar melhorar a qualidade de vida de cada participante. No
entanto, a preservação e os cuidados com a saúde não são esquecidos, pois cada
participante precisa passar por uma avaliação médica para fazer parte do grupo e grande
parte dos integrantes está participando por indicação médica. O grupo esta sempre aberto
à participação daqueles que se interessem, evidenciando assim a abertura do grupo a
novos participantes. A importância de um projeto como esse reside no fato de constituir-
se em uma grande ajuda para os idosos que muitas vezes não tem um alguém presente
para incentivar as atividades físicas e, em outros casos, nem possuem uma integração
social satisfatória.
Os movimentos sociais de Felipe Camarão apresentam uma força marcante
devido ao empenho de certos componentes da sociedade que se dedicam de forma
efetiva na atuação em beneficio do bem comum. Existem vários movimentos sociais, dos
quais se pode citar: Fundação Adam Eridam; Conselho comunitário; associação da
juventude construindo sonhos; associação para-folclórica; Pastoril Peixe-boi encantado,
dentre outros. O papel desses movimentos sociais e dos demais que estão a atuar no
bairro, é atuar junto à comunidade a fim de conseguir melhorar a qualidade de vida da
coletividade. Algo importante para a maior efetividade desses grupos é difundir
informações sobre o seu funcionamento e incentivar a entrada de novos participantes no
intuito de expandir a área de atuação desses movimentos, bem como permitir que os seus
objetivos sejam alcançados.
Uma iniciativa muito interessante para a comunidade é o fórum de Qualidade de
vida, que é o resultado da integração de todos os movimentos sociais do bairro, mediado
através dos profissionais da saúde. Essa integração garante uma atuação mais bem
dirigida para os problemas mais urgentes da comunidade, assim como também garante a
cooperação entre os movimentos que dessa forma conseguem ter maior força diante dos
problemas em comum.
Por fim, fizemos uma visita as instalações do UBS, conhecendo suas
dependências e podendo ter noção das dificuldades relativas ao espaço e os transtornos
causados pela demora na conclusão da obra de reforma da UBS. Também foi possível
perceber as dificuldades gerais em relação às instalações físicas e a maneira como os
funcionários buscam se adaptar às condições distantes das ideais para poder prestar o
melhor atendimento possível à população.

Juliano José da Silva

14
Data: 06/09/2007 Local: Unidade básica de saúde de Felipe camarão 2 e
comunidade de Felipe Camarão 2
Conteúdo: Visita domiciliar na comunidade de Felipe Camarão 2
“... a fumaça negra que encobre os holofotes.”
Trecho de um Rap que estava sendo reproduzido durante a visita domiciliar
Partimos da Unidade Básica de Saúde tendo por objetivo conhecer o
trabalho do agente comunitário de saúde, percebi que o agente de saúde tem um
roteiro de atividades diárias, mas que para desenvolver seu trabalho precisa muito
do conhecimento da comunidade. Pois não há quem goste de abrir as portas de
seu lar para um completo estranho, e isso acaba sempre alterando um pouco o
seu roteiro, na medida em que cada morador precisa receber uma abordagem
diferente e adequada a sua realidade social. E era dessa forma que eu estava
sendo observado pelos moradores, como um estranho, contudo, por já conhecer o
trabalho da disciplina SACI, os moradores tinham uma certa perspectiva de quem
eram aqueles intrusos que passeavam por entre as ruas de sua comunidade.
O grupo em que eu me encontrava acompanhou a agente Jeane, que nos
conduziu pela área 7. Na primeira residência que visitamos a agente comunitária
de saúde foi entregar um encaminhamento que já estava marcado, a moradora
pediu para a agente de saúde para checar como estava o processo para a
autorização de recebimento de medicamentos na UNICAT. Essa moradora
demonstrou uma enorme simpatia por nós e se mostrou conhecedora da atividade
dos universitários na comunidade. Além disso, ela também deixou transparecer
uma enorme esperança ao nos ver, parecia que a visão de jovens profissionais da
área da saúde fez com que ela refletisse sobre as oportunidades de crescimento
que a educação oferece e/ou de uma renovação na forma como os profissionais
encaram a comunidade.
Ao caminhar pelas ruas de Felipe Camarão, ouvi um rap que dizia em um
de seus trechos: “... a fumaça negra que encobre os holofotes.” Por um momento
comecei a pensar a que poderia se referir esse trecho musical, talvez o próprio
ouvinte não tenha percebido a extensão da mensagem que a música continha.
Mas imaginei que seria interessante refletir sobre os fatos que escondem os
aspectos positivos de uma comunidade. O que imediatamente veio a minha mente
foi a criminalidade, no entanto, refletindo um pouco mais sobre o assunto imaginei
que a principal causa da maioria dos problemas de uma comunidade pobre é a
falta de oportunidade. É isso o que motiva a tantas pessoas da comunidade a nos
ver com tanta esperança em seus olhos, pois não só nós temos contato com a
comunidade, mas também a comunidade entra em contato conosco, que de uma
forma quase inconsciente passamos um pouco de esperança para eles.
Na próxima visita conhecemos Dona Conceição, que se preparava para
uma intervenção cirúrgica, ela apresentava uma dualidade típica de um paciente
que se submete a uma atividade muito invasiva, apresentava tanto medo como
esperança. Eu percebi que mesmo confiando na medicina e nos médicos que
iriam tratar de sua patologia, ela ainda sentia muita angústia em relação ao
procedimento cirúrgico de que iria participar. Isso foi muito importante, pois fez
com que eu me colocasse na situação vivenciada pela Dona Conceição, e isto
contribuiu muito para a forma como vou lidar com meus pacientes no futuro.

Juliano José da Silva

15
Data: 13/09/2007 Local: Faculdade de Odontologia/ Campus da UFRN em Lagoa
Nova
Conteúdo: Apontamento dos problemas encontrados no bairro.

“Enfrente um problema de cada vez Seja como for, só poderá tratá-los um por
um.”
Autor Desconhecido
O dia de atividade começou com um período de ansiedade, pois já
esperava que fosse divulgada a primeira avaliação sobre os meus portfólios. A
ansiedade não se encontrava apenas em minha mente, mas também se
evidenciava no semblante dos meus colegas de disciplina, todos imaginavam o
que poderiam ter escrito de uma melhor forma e o que poderiam ter acrescentado
na produção escrita dos portfólios. Eu, particularmente senti que tinha sido um
tanto impessoal na minha maneira de dissertar sobre as vivencias experimentadas
na disciplina, algo que venho tentando modificar e que acredito ser fruto da
insistência em sempre escrever em terceira pessoa durante o ensino médio.
Contudo esta ansiedade não fora a única que se apresentou neste dia, pois
já sabia que seriam apontados os principais problemas na comunidade para se
iniciar a escolha do problema a ser tratado no decorrer de nossas atividades. E
isso muito me interessava porque na medida em que conheci a comunidade tive
vontade de ajudar de alguma forma e a escolha desse problema a ser tratado
pode indicar como poderei agir no intuito de contribuir para a comunidade.
Assim como foi acordado com a nossa tutora Meine, apontamos os
problemas encontrados para depois receber os portfólios avaliados. A principio, se
falou nos problemas de atividade social, sendo estes, principalmente, a falta de
lazer e o uso de álcool, o primeiro causa a ociosidade e pode contribuir, junto com
outros fatores para o segundo problema. Posteriormente partimos para a questão
da participação nas atividades sociais oferecidas, ressaltando a questão da
participação do individuo e a parcela de descuido das autoridades com relação ao
incentivo para a participação deste no meio social.
Percebi que devido à importância da escolha do problema a ser tratado se
permitiu que a escolha se desse em um momento ulterior. Então partimos para a
entrega dos portfólios avaliados, o que ficou evidente em quase todos e também
no meu era o fato de se notar uma ausência de crítica quanto ao nosso
aprendizado. Deficiência essa que estou começando a suprir de maneira que os
portfólios que estou produzindo após o resultado da entrega dos primeiros a
serem avaliados estão a ser tecidos com uma avaliação do que aprendi na
atividade da disciplina. Sendo que neste dia aprendi a ver os problemas de uma
forma critica, observando quais deles estamos aptos a interferir e a procurar
formas de resolução compatíveis com as possibilidades do grupo em geral, no
intuito de chegar a uma forma de exposição da melhor maneira de agir em uma
ação resolutiva ou quando não for possível dar uma resolução pelo menos uma
ação que amenize o problema trabalhado.

Juliano José da Silva

16
Data: 20/09/2007 Local: Unidade básica de saúde de Felipe camarão 2 e
comunidade de Felipe Camarão 2
Conteúdo: Discussão do texto “O conceito de saúde e do processo saúde-doença”
“Caráter processual da saúde e da doença”
Trecho extraído do texto utilizado em aula
Esse dia foi marcado pela minha ausência nas atividades da disciplina, tudo
começou com um mal estar que me acometeu no sábado anterior ao início dessa
semana, o que me fez não conseguir estudar neste dia nem no domingo subseqüente,
resultando no atraso do conteúdo de outra disciplina. Como a avaliação dessa
disciplina estava programada para a próxima sexta e não tive a possibilidade de
estudar todo o conteúdo que tinha programado, então, me vi diante de um impasse,
pois precisava estudar o conteúdo e tinha o compromisso de comparecer as
atividades da disciplina SACI. Um tanto contrariado no âmbito das minhas vontades,
resolvi que precisava ficar em casa para tentar colocar o conteúdo em dia, já que me
encontrava na véspera da prova, em seguida liguei para Jaiana e pedi para que ela
avisasse sobre a minha ausência. A partir daqui tento descrever aquilo que perdi por
não participar da atividade programada para o nosso grupo.
O cronograma da disciplina estabelecia a leitura e discussão do texto: “O
conceito de saúde e do processo saúde-doença”. Mas a aula foi iniciada com a
discussão sobre a produção dos portfólios ressaltando a importância de não modificar
textos da internet, em seguida foram discutidos assuntos relativos à apresentação da
disciplina na CIENTEC. Posteriormente se falou na importância da criatividade na
prática das profissões relacionadas à saúde, devido a importância de as mensagens
dessas profissões necessariamente terem que ser transmitidas a população. Penso
que a principal perda que eu tive ate esse ponto foi ter perdido a chance de participar
dessa discussão relativa a necessidade de adaptabilidade do profissional a
necessidade da população.
Ao continuar a discussão se iniciou comentários sobre a situação da população
da terceira idade, que precisa de atenção especial e de atividades que possam os
manter inseridos no meio social. Essa foi outra grande perda para mim, pois com o
aumento da taxa de envelhecimento da população brasileira a cada dia esta temática
estará mais evidente e eu como profissional devo ter conhecimentos sobre a forma de
tratar dessas problemáticas. Tanto que a temática do envelhecimento da população
esta inserida no texto a ser discutido, onde se demonstra que esta ocorrendo uma
mudança demográfica na população brasileira.
Já no texto discutido a minha perda foi quanto à discussão sobre o processo
saúde e doença, considerações estas que evidenciaram a característica dinâmica do
processo abordado, relativizando os conceitos de saúde plena e de estado doentio de
forma a considerar que ambos são processos gradativos que estão intimamente inter-
relacionados na medida em que são até certo ponto complementares. Em resumo,
perdi uma reflexão sobre um tema extremamente importante para o meu
desenvolvimento como profissional, que precisarei suprir para não ficar sem este
importante conhecimento.

Juliano José da Silva

17
Data: 27/09/2007 Local: Capela Santo Antônio em Felipe Camarão 2
Conteúdo: Elaboração do mapa social
“Observa-se na pesquisa etnográfica aquilo que se toma como problema. O olhar
é, portanto, seletivo.”
Extraído de texto usado em aula, “Porque usar técnicas etnográficas no mapeamento”.
Esse dia de atividades se iniciou com uma carga de cansaço muito grande
devido a inúmeras atividades feitas nas semanas anteriores e que culminaram na
prova do dia anterior, ou seja, me encontrava exausto devido às atividades e
avaliações que se sucederam em um pequeno período de tempo e com uma
intensidade que me esgotaram fisicamente. Contudo iniciei o dia com vontade de
driblar o cansaço e me dirigir para as atividades da quinta, uma delas a aula da
disciplina SACI, ainda um pouco sonolento consegui chegar a tempo na UBS, mas
não começamos logo a seguir com o programa devido a atrasos. Considero que
isso seja normal, no entanto, o fato de ter de ficar esperando me dispersou um
pouco do meu foco, mas superadas as dificuldades iniciais, partimos para a
Capela Santo Antônio, onde iniciaríamos a confecção do mapa social.
A princípio fomos divididos em subgrupos de acordo com as divisões
anteriores feitas para a realização das visitas exploratórias, devíamos lembrar e
escolher os pontos mais relevantes da nossa visita exploratória. Entendi que isso
foi muito interessante, pois permitiu que nós tecêssemos uma reflexão sobre as
nossas impressões do bairro e compartilhássemos as nossas impressões
pessoais sobre as atividades executadas. Em seguida, o meu subgrupo iniciou a
confecção dos esboços a serem utilizados na confecção final do mapa social.
Neste ponto se evidenciaram os dotes artísticos de alguns de nossos colegas,
bem como a minha ineficiência como desenhista e artista plástico, contudo
consegui prestar minha contribuição na medida em que opinei sobre objetos que
poderiam se fazer presente nos desenhos.
Após a conclusão dos esboços individuais, juntamos nossos esboços e
começamos a pensar o que poderíamos colocar no nosso mapa social que
decidimos confeccionar em conjunto, neste ponto percebi que cada subgrupo
possui uma visão diferente do bairro na medida em que cada um deles teve a
oportunidade de conhecê-lo de forma diferente. Sendo assim cada esboço
apresentava visões diferentes de uma mesma realidade que se evidenciava de
forma mais ou menos uniforme diante de nossos olhos, nos apresentando as
disparidades presentes na sociedade em que estamos inseridos.
O desenvolvimento do desenho do mapa já se iniciou em um horário muito
adiantado, o que, na minha opinião, acabou limitando o nosso tempo de dedicação
ao mesmo. Entre a confecção do mapa ocorreu um momento de descontração
que foi o lanche, foi um ótimo momento que creio que deve ser repetido. A
produção do mapa me fez perceber o quanto é difícil lidar com várias opiniões
sobre um mesmo projeto, o que contribuiu para o meu aprendizado, porque me
mostrou a importância de negociar os pontos discordantes no intuito de conseguir
desempenhar a tarefa proposta.

Juliano José da Silva

18
Data: 11/10/2007 Local: Unidade básica de saúde de Felipe camarão 2
Conteúdo: Discussão sobre o texto “Abrigo subterrâneo” e escolha do problema a
ser abordado
“São sempre os caminhos sofridos e pedregosos que
amadurecem e domam o espírito.”
Anair Weirich
A atividade do dia de hoje já era esperada com certa ansiedade, pois já
tínhamos entrado em contato com o texto a ser discutido e tínhamos começado a
conjecturar sobre quem cada um iria proteger dentro do abrigo. Em resumo o texto
falava de uma situação calamitosa, onde várias pessoas se encontravam em risco
de morte e cada um de nós teria de escolher quais destes teriam a oportunidade
de sobreviver a tal calamidade, pois só havia espaço para poucos. Tal situação é
bem caracterizada como uma “escolha de Sofia”, pois nunca poderá haver uma
resposta mais certa do que outra porque a dependência do julgamento sobre
quem pode ter a chance de sobreviver estaria totalmente atrelada ao pensamento
individual de cada um.
Sendo assim e sabendo que nos foram apresentadas características de
cada um daqueles que se encontravam em perigo eminente de morte, é fácil
perceber que cada um fez suas escolhas, tendo por constante apenas a
variabilidade de critérios adotados. Cada qual fez a escolha e a fez a seu próprio
modo. Ao observar o que acorria durante a atividade fui capaz de perceber que a
percepção de cada um é muito diferente da dos demais, pois a variabilidade das
escolhas estava presente para comprovar que cada componente do nosso grupo
tinha uma forma diferente de pensar. Além disso, percebi que as escolhas nunca
foram fáceis, pois foram apresentadas pessoas com características diferentes,
mas cada uma delas tinha em comum o direito a vida. Portanto as escolhas se
deram não por uma simples aplicação de critérios, mas sim por uma valoração de
prioridade social, onde cada um do grupo expressou, através de suas escolhas, o
que acreditava ser prioridade para aquele grupo de pessoas.
Nesse dia também esperava que fosse escolhido o problema a ser tratado
em nossa atividade final da disciplina, tudo já se encontrava encaminhado, pois os
problemas já se encontravam apontados e nos já tínhamos uma visão de qual era
o problema que mais tinha sido observado por todos os subgrupos nos passeios
exploratórios. Tal problema era a capacitação dos agentes comunitários de saúde,
e a nossa proposta inicial era promover um evento para fazer uma reciclagem e
agregar mais alguns conhecimentos aos agentes, no intuito de aumentar a sua
capacidade de interagir com a população e conseguir fazer com que esta ultima se
torna-se peça ativa nos cuidados com a saúde. No entanto, algo de inesperado
estava acontecendo, pois os agentes se encontravam em greve, o que
impossibilitava o nosso plano inicial. Devido aos acontecimentos tivemos que
retornar a lista de problemas e assim decidimos deixar a decisão para a próxima
aula, pois precisaríamos de mais tempo para pensar tanto nos problemas como na
forma de tratá-los.
Creio que tive como aprendizado nessa atividade de SACI o conhecimento
sobre a necessidade de fazer escolhas difíceis e escolher as prioridades para agir
em momentos de necessidade, bem como pode perceber a diferença de
pensamento de cada individuo do grupo, que devem ser respeitados e
considerados em todos os momentos.

Juliano José da Silva

19
Data: 18/10/2007 Local: Unidade básica de saúde de Felipe camarão 2
Conteúdo: Escolha do problema a ser abordado e articulação da reunião com a
comunidade para aprovar as nossas propostas
“Não somos o que somos capazes de fazer, mas sim as
escolhas que fazemos”
Autor desconhecido
A escolha não era fácil, já tínhamos deixado de lado uma proposta de
trabalho que tinha sido aceita pelo grupo por causa da impossibilidade de
concretizá-la, se fazia necessário pensar em uma atividade que fosse possível e
que pudesse ser aprovada pelo grupo, então voltamos à lista de problemas
apontados. Na lista encontramos uma variada quantidade de problemas que
demandavam variadas formas de abordagem e como da primeira vez partimos
para aqueles que mais foram apontados pelos subgrupos nas visitas exploratórias,
assim o tema que decidimos abordar foi bastante discutido.
Antes de falar da interação da discussão acho importante falar que tivemos
inúmeras dificuldades que fizeram com que atrasássemos as nossas atividades,
dentre elas a falta de um local próprio para se ter as atividades da disciplina foram
sempre um motivo de atraso nas atividades. Esse fato tem duas formas de ser
encarado, por um lado a variabilidade de locais proporcionou um maior contato
com a comunidade, mas por outro algumas atividades que se deram
exclusivamente com os dados já captados, como por exemplo, a confecção do
mapa social poderiam ter se dado em uma sala de aula convencional, teria sido
mais cômodo e menos demorado. O que teria nos dado mais tempo para a
discussão dos problemas e das propostas de como tratá-los.
Bom o nosso objetivo era conseguir escolher o problema a ser abordado,
de acordo com os apontamentos do grupo o próximo que apresentava o maior
número de observações por parte do grupo era a gravidez na adolescência. A
primeira vista parecia ser a escolha mais lógica, contudo tínhamos que pensar na
forma de lidar com tal situação, o que se mostrou muito complicado, devido as
características próprias que a geram. Então se pensou no lixo, problema constante
e de grande importância para a saúde de toda a população e que poderia ser
abordado de uma forma mais direta. Considerando todos os fatos escolhemos que
a gravidez na adolescência seria o melhor assunto a ser tratado mesmo
considerando as características próprias do assunto.
Ainda assim, iríamos apresentar os problemas apontados à população que
teria um papel ativo na escolha do nosso tema de trabalho. Para tanto
possibilitaremos a apresentação e a discussão desses problemas em uma reunião
que se dará na próxima quinta, onde a população poderá adicionar e votar nos
problemas a serem abordados. Assim agilizamos convites e entregamos os
mesmos nos equipamentos sociais a fim de trazer pessoas da comunidade para a
nossa reunião e só então poder ter a certeza de ter escolhido o tema que mais se
adéqua à comunidade na qual estamos desenvolvendo as nossas atividades.
O meu aprendizado que adquiri nas atividades desse dia pode ser resumido
à forma de lidar com as opiniões a fim de se fazer a escolha dentro de um grupo e
a organização e planejamento de um encontro com a comunidade de maneira a
compartilhar com a mesma as escolhas do nosso grupo.
Juliano José da Silva

20
Data: 25/10/2007 Local: Unidade básica de saúde de Felipe camarão 2
Conteúdo: Reunião com a comunidade e escolha final do tema a ser abordado
“Será que a nossa prioridade é a mesma da comunidade?”
Questionamento feito durante as atividades de SACI
Comecei o dia apressado, pois sabia que tinha várias coisas a preparar
para a reunião com a comunidade e por isso todos pretendiam chegar um pouco
mais cedo a fim de conseguir efetuar o preparo da apresentação dos problemas
detectados e assim poder interagir diretamente com a comunidade na escolha e
conseqüentemente na proposta de como tratar tal problema. Como já tínhamos
estabelecido quais seriam os principais temas, na nossa opinião, sobre os
problemas e as dificuldades da comunidade de Felipe Camarão, decidimos expor
os mesmos em um cartaz e apresentá-los depois de termos falado um pouco
sobre a disciplina e sobre os objetivos de estarmos presentes em sua
comunidade.
E então assim procedemos a confecção dos cartazes, para assim poder
expor de uma forma mais ampla para todos os que se fizessem presentes, os
pontos que iríamos apontar. A princípio uma parte do nosso grupo começou a
explicar o funcionamento de nossa disciplina, com ajuda dos demais que
contribuíram para a explicação. Em seguida, começamos a falar dos problemas e
o primeiro que foi tratado foi justamente o que para nos era o que seria tratado,
então iniciamos com os motivos que nos levaram a escolher tal problema, eu e
Rafael de Medeiros, fomos os responsáveis por conduzir essa parte, logo que
acabamos de falar sobre a gravidez na adolescência seguimos abordando cada
um dos problemas mais apontados. Assim que concluímos a nossa apresentação
abrimos a possibilidade de se acrescentar mais algum problema ao nosso cartaz,
de acordo com o que eles pensassem que seria interessante se tratar em nosso
trabalho.
Foi ai então que surgiu um ponto novo, a questão da contaminação d água.
Foi interessante a quantidade de pessoas que tiveram o olhar sobre o mesmo
ponto, uma moradora começou a falar sobre os problemas que ela achava mais
evidentes no bairro e dentre eles destacou a falta de informação sobre a
contaminação da água. Posterior a tal exposição foram tantas as observações
sobre esse mesmo ponto que então ficou claro que o tema a ser tratado não
poderia ser outro, que não fosse a questão da água na atualidade.
Por fim, agradecemos a participação de todos, a nossa acolhida dentro da
comunidade e convidamos a população a se fazer presente na próxima reunião
que ocorreria na próxima quinta, onde então discutiríamos como se daria a forma
de lidar com a questão e a forma de interagir com a sociedade.
Após a reunião com a comunidade nos reunimos por um curto espaço de
tempo e então determinamos o que cada um faria, nesse ponto já surgiu um
problema, o pouco tempo para elaborar a proposta de interação com a
comunidade e a forma de executá-la.
O aprendizado nesse dia foi muito propício a entender a necessidade da
participação da comunidade na gestão dos serviços de saúde, pois só quem vive
na própria comunidade pode ser capaz de detectar com clareza os principais
problemas presentes. Sendo assim a experiência de se reunir com a comunidade
e expor o que encontramos e receber informações sobre a opinião que eles têm
sobre o assunto foi muito construtivo para a minha visão de participação da
sociedade nas escolhas relativas ao trabalho que é direcionado a ela.

Juliano José da Silva

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Data: 01/11/2007 Local: Unidade básica de saúde de Felipe camarão 2
Conteúdo: Reunião com a comunidade e desenvolvimento da proposta de
interação
“O dia D, primeira parte”

Referência a um dia primordial


Com a escolha do tema partimos para a fase de planejamento do
trabalho, já tínhamos conhecimento de que a direção da Escola Djalma
Maranhão estava disposta a colaborar com nossas atividades e portanto já
tínhamos idéia do espaço físico que teríamos disponível para a realização
do evento que começávamos a planejar. Todos se encontravam ansiosos,
pois mesmo sabendo qual seria a sua parte de atuação na formação do
projeto, ainda não tinha a idéia geral de como tudo seria feito.
O primeiro passo foi determinar o que era possível fazer e como
fazer, a forma de garantir que a população participasse do nosso evento e
que ele tivesse um significado real para a população. Então começamos a
pensar em como fazer tudo isso. Para iniciar nos dividimos em subgrupos
para poder agilizar as atividades que tínhamos pensado para serem
realizadas na próxima quinta feira, sendo assim um subgrupo foi cuidar
das atividades a serem desenvolvidas com as crianças do quarto e quinto
ano da escola Djalma Maranhão, outro da mesa redonda voltada para os
pais dessas crianças intitulada “qual a qualidade da nossa água?”, outro
responsável pela organização de todo o evento e outro responsável pelo
registro dos eventos que ocorreriam no dia do evento.
Devido a algumas peculiaridades não tivemos a participação da
comunidade de forma tão efetiva quanto a reunião anterior, acredito que
por não termos nos dedicado a convidar as pessoas pessoalmente para a
presença na reunião do grupo. No entanto os poucos que se apresentaram
tiveram uma participação ativa, tanto dando idéias quanto se oferecendo
para participar no dia da nossa ação.
Eu e Jaiana ficamos responsáveis por preparar a mesa redonda e
então partimos para a reflexão sobre o tema e como poderíamos abordá-lo,
já sabíamos quem seriam os convidados: um representante da CAERN e
um representante da Promotoria Pública. Sendo assim partimos para a
confecção de perguntas sempre pensando em o que a população mais
precisa saber e qual a melhor forma de colocar essas perguntas para se ter
clareza e precisão nas respostas dos convidados.
A última coisa que fizemos foi decidir o nome do evento, todos juntos
escolhemos como titulo para o dia de ação o nome de “Encontro sobre a
Água e Saúde”. O aprendizado deste dia foi muito enriquecedor, pois fez
com que eu percebesse a importância da organização para a realização do
evento e ver que existem inúmeros detalhes que precisam ser considerados
no planejamento de qualquer evento.

Juliano José da Silva

22
Data: 08/11/2007 Local: Unidade básica de saúde de Felipe camarão 2
Conteúdo: O Dia da ação
“O Dia D, propriamente dito ”

Referência a um dia primordial


Este texto não se refere diretamente aos acontecimentos do dia 8 de
novembro, pois como a entrega do Portfólio final esta prevista para esse
dia e como temos um atraso no nosso cronograma será inviável a produção
do mesmo após a ação do grupo na comunidade. No entanto tento aqui
descrever as expectativas e as previsões para o dia referido, assim como
nossa tutora orientou.
O “dia D” assim como fiz referência no inicio deste portfólio parcial, se
apresenta para mim como a oportunidade de retribuir a recepção que a
comunidade de Felipe Camarão dispensou a todos os componentes do
grupo de SACI que tiveram a oportunidade de participar dessa disciplina.
No planejamento, está previsto que o evento será iniciado com uma
cerimônia de abertura que precedera todos os eventos e será seguida do
inicio das atividades de ensino-aprendizagem com os alunos do quarto ano
da Escola Djalma Maranhão. Bem como do atendimento das crianças da
escola por parte de um pediatra da Unidade Básica de Saúde de Felipe
Camarão 2, que contribuirá com o nosso evento.
Em seguida, após as primeiras atividades citadas será iniciado um
intervalo, seguido do mesmo trabalho de ensino-aprendizado agora com os
alunos do quinto ano e se dará inicio a mesa redonda “Qual a qualidade da
nossa Água?”. Na medida em que as atividades da mas redonda forem
sendo desenvolvidas haver a finalização das atividades com as crianças
através da apresentação de um teatro da CAERN, que irá tratar da questão
da água.
Com essas atividades pretendemos fazer uma conscientização tanto
com as crianças quanto com os seus pais permitindo assim uma troca de
informações entre eles, e tendo por objetivo maior formar vários
multiplicadores de informação e agentes conscientes da preservação e
importância do meio ambiente, visto principalmente pelo ângulo de visão
da necessidade indispensável da água.
Quanto a mim imagino que essas atividades podem contribuir para
um enriquecimento dos conhecimentos dos mesmos, mas tenho certeza
que o maior ganho será de todos os universitários componentes do meu
grupo de SACI, pois vão poder entrar em interação direta com a
comunidade, relacionando-se com duas faixas etárias distintas e
complementares que são as crianças e seus pais.
Quanto ao conhecimento adquirido acredito que não poderei falar o
bastante, pois na medida do desenrolar das atividades é que eu terei a
plena percepção sobre tais conhecimentos, ou seja, existe um fator
imponderável que apreendemos a considerar na medida em que
vivenciamos as atividades da Disciplina Integrada de Educação Saúde e
Cidadania – SACI.
Juliano José da Silva

23
3) Anexos:

a. Pesquisa:

i. Pesquisa sobre Djalma maranhão

Djalma Maranhão

Texto de Moacyr de Góes

Djalma Maranhão (1915-1971). Nasceu em Natal (Rio Grande do Norte, Brasil),


filho de Luiz Ignácio de Albuquerque Maranhão e Salomé de Carvalho Maranhão.
Viveu entre os irmãos Natércia, Cândida, Luiz e Clóvis.

1.Vida Pública - Professor de Educação Física do Colégio Estadual do Ateneu


Norte-rio-grandense, jornalista e esportista. Fundador e diretor de jornais.

Na política, militou no Partido Comunista até o início dos anos quarenta, depois,
reorganizou as forças populares herdadas de Café Filho e, finalmente, constitui
seu próprio partido, nas legendas do Partido Trabalhista Nacional (PTN) e,
posteriormente, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), constituindo-se, nos anos
sessenta, na terceira força - política do Rio Grande do Norte e na primeira que não
era fundada na oligarquia latifundiária da Estado.

Foi eleito Deputado Estadual (1954) e assumiu, como primeiro suplente, a Câmara
Federal (1959-1960). Por duas vezes exerceu o cargo de Prefeito de Natal: a
primeira, na segunda metade dos anos 50, por nomeação do governador Dinarte
Mariz (em decorrência da aliança UDN-cafeístas); a segunda, em 1960 na
primeira eleição direta para a municipalidade da Capital, com 64% dos votos
válidos, integrando uma frente política de centro-esquerda chamada Cruzada da
Esperança, tendo Aluízio Alves como candidato a governador do Rio Grande do

24
Norte.

Pelo golpe de Estado de abril de 1964 foi deposto da prefeitura, cassado seu
mandato, e esteve preso em quartéis do Exército em Natal, na ilha de Fernando
de Noronha e no Recife. Libertado por ordem do Habeas Corpus do Supremo
Tribunal Federal em dezembro de 1964, após publicar um manifesto na imprensa
do Rio de Janeiro (O (General Fome está nas Ruas), asilou-se na Embaixada do
Uruguai. Morreu no exílio, em Montevidéu, em 30 de julho de 1971, aos 56 anos
de idade. Seus restos mortais repousam no cemitério do Alecrim.

Em sua prática política, Djalma Maranhão manteve coerente posição política aos
postulados nacionalistas, daí seus discursos de denúncia ao imperialismo e à
guerra fria e de apoio aos não-alinhados; lutou pela formação de um governo
popular e democrático, daí seu apoio às Reformas de Base do Presidente João
Goulart, ao pluralismo político, à reforma agrária, à Revolução Cubana e de
denúncia aos golpistas que, no Brasil de 1954 à 64, conspiraram contra a
constituição de 1946 na pregação da derrubada do Estado de Direito. Foi casado
com Dona Dária Maranhão e deixou um filho, Marcos.

2. O sonho. - Na América Latina dos anos sessenta, o sonho de erradicação do


analfabetismo voltou, com mais força, a repovoar a cabeça de lideranças políticas
comprometidas com classes subordinadas e um melhor futuro. Até agora,
somente Fidel, com a sua revolução Cubana, conseguiu o objetivo. No Brasil,
Paulo Freire criou um método de alfabetização em 40 horas (1962) e Djalma
Maranhão jogou todo o peso de sua administração no mesmo caminho, desde de
1961. O Golpe de 1964 interrompeu esses processos e essas duas lideranças,
com centenas de outras, conheceram o exílio e a prisão.

Djalma Maranhão deixou a herança de administrador competente no planejamento


e execução; honesto no trato de dinheiro público; lúcido e independente quando
das opções tomadas. Todavia, a lembrança que mais permanece na memória
popular é a Campanha De Pé no Chão também se Aprende a Ler, isto é, sua
luta para a erradicação do analfabetismo.

A Campanha De Pé no Chão também se Aprende a Ler, na verdade, foi além


de uma proposta alfabetizadora e alcançou o nível de uma política educacional,
esta aliada à revalorização da cultura e dos autos populares e iniciação
profissional. Hoje, na distância do tempo, dá para perceber nessa política cultural
alguns traços do pensamento de Gramsci e a formulação de seu intelectual
orgânico.

Na administração do Prefeito Djalma Maranhão, a escola pública municipal foi


fruto de duas vertentes: o saber acadêmico, historicamente acumulado, de seus
professores e técnicos, e as propostas do movimento popular vitorioso das urnas
de outubro de 1960, estas, organizadas pelos Comitês Nacionalistas que
continuaram funcionando após a posse, em novembro. Esta especificidade da

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escola municipal nesse momento, em Natal, faz emergir no ensino oficial do
município a Educação Popular.

De Pé no Chão venceu quatro desafios comuns a escola brasileira: - 1) onde não


havia escolas de alvenaria, construiu Acampamentos Escolares; - 2)como não
havia professores diplomados, qualificou os seus próprios recursos humanos; -
3)face ao material didático alienado, redigiu seus próprios textos educacionais; - 4)
a sala de aula jamais foi largada à própria sorte: o acompanhamento técnico-
pedagógico se fez na proporção de um supervisor para vinte professores.

Em termos estatísticos (e quando a população de Natal era de 160.000 mil


habitantes), em três anos, De Pé no Chão alcançou uma matrícula acumulada de
34 mil alunos; criou um centro de formação de professores; desdobrou-se na
Campanha De Pé no Chão também se Aprende uma Profissão; qualificou 500
monitores e 32 orientadores/supervisores; obteve índices de aprovação escolar
que foram de 60%, em 1`961, a 85%, em 1963; e o custo-aluno médio anual foi de
menos de dois dólares.

Rio de Janeiro, 21 de outubro de 1997.

Fascículo 13 - Crise de 64 e Posterior Paz


O Golpe de 1964

O Jogo Claro de Djalma Maranhão

Djalma Maranhão nasceu em Natal, no dia 27 de novembro de 1915. Filho de


Luís Inácio de Albuquerque Maranhão e de dona Salomé de Carvalho
Maranhão, teve os seguintes filhos: Lamarck (falecido), Marcos e Ana Maria.

Djalma Maranhão foi um homem simples, inteligente e que sabia exatamente o


que queria da vida. Não transigia nas suas idéias. Amaca os mais humildes e
lutava para atender às reivindicações das classes menos favorecidas.
Nacionalista, denunciava, gritava, protestava. Expressava sua ideologia de
maneira clara e inequívoca, acreditando na vitória do socialismo, convicto de que
"somente a dialética marxista-leninista libertará as massas da opressão e da
fome através da socialização dos meios de produção e da entrega da terra aos
camponeses".

Como não se acomodava às intrigas políticas, nem concordava ou se adaptava a


qualquer tipo de corrupção, foi expulso de alguns partidos.

Militante comunista, quando era cabo do exército participou da Intentona


Comunista de 35, sendo preso. É o próprio Djalma Maranhão que diz: "Andei

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pelos presídios políticos e pelos campos de concentração, martirizado pelos
esbirros de Felinto Müller e de Getúlio Vargas".

Em 1946, foi expulso do partido comunista, porque denunciou os diretores do


partido como desonestos. Foi eliminado, quando se encontrava ausente de
plenário, sem que pudesse se defender. A acusação feita por Djalma Maranhão
foi escrita.

Era de fato um homem temperamental. Às vezes, contudo, sabia se conter.


Exemplo: durante a campanha de 1960 para prefeito de Natal, Djalma Maranhão
entrou irado na sala de redação da "Folha da Tarde" com um exemplar na mão.
Perguntou, então, quem tinha escrito a manchete de seu jornal, que dizia o
seguinte: "Lott - Jango - Walfredo - Maranhão - Gonzaga. Vote do primeiro do
sexto". Ao saber que o autor da manchete foi Moacyr de Góes, de conteve e
disse: "A manchete está certa. É assim mesmo. Não vamos ficar em cima do
muro. Jogo claro. Honrar as alianças".

Mantinha cordiais relações com a Igreja. Certo dia, uma funcionária criticou as
pessoas que trabalhavam para a Arquidiocese. Djalma Maranhão sorriu e disse:
"Deixe o padre fazer o trabalho dele. E nós faremos o nosso".

Na campanha "De Pé no Chão Também se Aprende a Ler" trabalhavam cristãos


(católicos e protestantes), espíritas e marxistas. Por essa razão, o professor
Moacyr de Góes chamou o movimento de uma "frente".

Profundamente humano. Intransigente contra a falsidade e a desonestidade,


admitia o erro, desde que fosse cometido por alguém que desejasse acertar.

Para ele, governar era realizar. Nas suas administrações como prefeito de Natal,
procurou deixar uma marca de dinamismo.

Nas eleições de 31/10/1954, foi eleito deputado estadual pelo Partido Social
Progressista, obtendo ótima votação em Natal. Como legislador, teve um grande
desempenho, sendo inclusive autor do projeto que deu autonomia ao município
de Natal.

Em 1955, Djalma Maranhão apoiou Dinarte Mariz para governador, na coligação


PSP-UND. Mariz derrotou Jocelyn Vilar, do PSD. Como conseqüência do acordo
dessas eleições, Djalma Maranhão foi designado prefeito da Cidade do Natal,
cuja posse ocorreu no dia 1/2/1956.

De acordo com Moacyr de Góes, "nessa primeira administração de Djalma


Maranhão, a Prefeitura vai implantar o programa municipal de ensino, através
das escolinhas de alfabetização e do Ginásio Municipal de Natal".

No ano de 1959, Djalma Maranhão rompeu com Dinarte Mariz. Suplente,

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assumiu o cargo de deputado federal, onde se destacou como membro atuante
da Frente Parlamentar Nacionalista.

Em 1960, se candidatou a prefeito, participando da coligação "Cruzada da


Esperança", juntamente com Aluízio Alves, candidato ao governo do Estado.

Vitorioso, no dia 5/11/60 Djalma Maranhão assumiu novamente a Prefeitura de


Natal, sendo dessa vez através do voto. Foi, portanto, o primeiro prefeito
natalense eleito diretamente pelo povo, obtendo 66% dos voto.

Em sua segunda administração, Djalma Maranhão demonstrou toda a sua


capacidade de trabalho e de liderança política. Aos poucos conquistou a
confiança e o respeito da classe média, aumentando seu prestígio junto das
classes populares.

Djalma Maranhão não foi apenas um político. Atuou, igualmente, como jornalista.
Segundo Leonardo Arruda Câmara, "a imprensa foi a grande vocação. Revisor,
repórter esportivo, repórter político, redator, secretário de redação, editorialista,
diretor e proprietário de jornais, percorreu na carreira de jornalista todos os
postos e funções. Fundou o "Monitor Comercial", o "Diário de Natal" e a "Folha
da Tarde".

"Foi diretor e proprietário do "Jornal de Natal".

Como escritor, publicou "O Brasil e a Luta Anti-Imperialista", pelo Departamento


de Imprensa Nacional, edição da Frente Parlamentar Nacionalista, no Rio de
Janeiro, em 1960, e "Cascudo", Mestre do Folclore Brasileiro", lançado em 1963.
Tem também uma obra póstuma: "Carta de um Exilado".

Com o golpe militar de 1964, Djalma Maranhão foi preso. Libertado,


posteriormente, através de um "habeas corpus", concedido pelo Supremo
Tribunal Federal, conseguiu se asilar na Embaixada do Uruguai, indo morar
naquele país, onde veio a faleceu, no dia 30 de julho de 1971.

No último livro produzido pelo antropólogo Darcy Ribeiro, "O povo Brasileiro - A
formação e o sentido do Brasil", publicado em 1997, o escrito refere-se à morte e
ao apego de Djalma Maranhão ao Brasil, sem contudo citar seu nome. "Pude
sentir, no exílio, como é difícil para um brasileiro viver fora do Brasil. Nosso país
tem tanta seiva de singularidade que torna extremamente difícil aceitar e
desfrutar do convívio com outros povos. O prefeito de Natal morreu em
Montevidéu de pura tristeza. Nunca quis aprender espanhol, nem o suficiente
para comprar uma caixa de fósforo", relata Darcy Ribeiro.

Segundo Leonardo Arruda Câmara, Djalma Maranhão "foi sepultado em Natal no


Cemitério do Alecrim, graças à interferência do senador Dinarte Mariz,
acompanhado de grande multidão no maior enterro já realizado em nossa capital

28
que atestou o quanto ele era amado e querido por sua gente".

ii. Pesquisa sobre os aspectos positivos de Felipe


camarão

FELIPE CAMARÃO
O município de Natal, capital do estado do Rio Grande do
Norte, região Nordeste do Brasil, tem população de 712.317
habitantes (IBGE, 2000), e tem Índice de Desenvolvimento
Humano (IDH) de 0,788 (ano de 2000). Porém segundo
estudos desenvolvidos pela Secretaria Municipal de
Planejamento e Gestão Estratégica da cidade do Natal, existe
uma grande desigualdade, em termos de qualidade de vida,
entre as regiões mais ricas e as mais pobres da cidade.

Esta constatação foi verificada a partir dos estudos


desenvolvidos por esta Secretaria, que, para tanto,
desenvolveu um Índice de Qualidade de Vida (IQV) com
vistas a verificar esta condição nas diversas regiões e bairros
da cidade e orientar as políticas públicas e sociais locais.
Esse índice registra uma variação que vai de 1 (que
corresponde ao maior nível de IQV) na região Leste da
cidade (bairro de Petrópolis) e índices abaixo de 0,47 (IQV
baixo) na região Oeste.
O bairro de Felipe Camarão possui os piores indicadores de
qualidade de vida da cidade (IQV de 0,27), sendo o 3º pior
índice do município assim como apresenta altos índices de
violência material e simbólica, violência esta que se reflete
também dentro do espaço escolar.

Os equipamentos de prestação de serviços sociais


disponíveis são: escolas da rede pública, 05 de ensino
fundamental e 01 de ensino médio; Centro de Saúde e
Maternidade; Associação de Moradores; Clube de Mães;
Igrejas; Clube Esportivo e Social; Programa de Saúde da
Família e Programa de Agentes Comunitários de Saúde.
Os principais problemas sociais identificados no bairro estão,
numa perspectiva estrutural relacionados com a pobreza, ao
desemprego e falta de renda, onde mais da metade das
crianças e adolescentes residentes no bairro vivem em
famílias com renda inferior a meio salário mínimo.

29
A falta de ações capazes de dar respostas aos problemas
sociais, particularmente de adolescentes e jovens, traz
resultados bastante negativos para a qualidade de vida dessa
população. Esta não se reconhece com possibilidades de
mudanças. É notória a ausência do exercício da cidadania.
As ações públicas existentes na comunidade não são
suficientes para sanar as mazelas sociais que, com o inchaço
populacional, se fazem cada vez mais presentes.

Em contraponto ao cenário adverso, marcado pela exclusão


social, Felipe Camarão possui também uma grande riqueza e
tradição cultural, como o Boi de Reis do Mestre Manoel
Marinheiro, o João Redondo de Chico Daniel, vários
tocadores de rabeca, alguns já na terceira geração de
rabequeiros, inúmeros grupos de quadrilha junina e capoeira,
que se organizam por todo o bairro. Encontramos justamente
nesta tradição de organização social pela cultura e arte um
grande potencial de enfrentamento dessa realidade adversa e
das vulnerabilidades sociais a qual está exposta.

O AUTO DE BOI DE REIS


Um homem e boi imaginário

Um homem canta e encanta um boi.


Um boi mágico, colorido e cintilante
que rodopia no salão. A música remete
ao passado, aos tempos antigos hoje.
Dentro do boi, um outro homem.

faça aqui o download das músicas "Na


chegada desta casa" e "Menino
Jesus da lapa", do cd "Canta meu
boi".

MESTRE CHICO DANIEL


Nasceu em 1941, na cidade de Açú.
Desde a infância esteve envolto na
atmosfera dos bonecos, através do pai
que manipulava fantoches percorrendo
as fazendas do interior potiguar em
apresentações. Até hoje, Mestre Chico
Daniel, com sua mala empulhada, leva
alegria com seu teatro de mamulengos

30
por onde passa.

MESTRE MANOEL MARINHEIRO


Nascido na cidade de Goianinha, e
radicado no bairro de Felipe Camarão
(Natal/RN), Mestre Manoel Marinheiro
tocou nossas raízes, dedicando-se por
mais de 50 anos ao auto do boi-de-
reis, tradição que vem da Península
Ibérica e que ganhou, há séculos, uma
roupagem diferente, reunindo música,
teatro e dança num mesmo
espetáculo. Morreu em 2004, deixando
em seu legado, a riqueza da cultura
popular.

Os cantos e bailados do Boi-de-Reis


são encenados por um elenco com 17
componentes: o Mestre, a burrinha, os
vaqueiros Mateus e Berico, Caterina,
os galantes e as damas, as figuras, o
boi, o bode, o gingante, o Jaraguá e o
cão.

MESTRE CÍCERO DA RABECA


O mestre Cícero acompanha, com sua
rabeca, Auto do Bois de Reis do
mestre Manoel Marinheiro há trinta
anos. Ele vem de uma família de
músicos. Aprendeu a tocar com o pai,
aos nove anos de idade, este "violino
dos homens do povo do Brasil." É
representante genuíno da cultura
potiguar.

FELIPE CAMARÃO

As terras do atual bairro de Felipe Camarão pertenciam à viúva Machado,


tradicional proprietária de terrenos no município de Natal, esposa do comerciante

31
Manoel Machado. Desde 1933, essas terras estavam registradas no Patrimônio da
União. Em 1962, parte das terras, entre os bairros de Guarapes e Felipe Camarão,
foi vendida pela viúva Machado. Uma parte foi adquirida pelo empresário
Raimundo Paiva; a outra, pela empresa GERNA-Agropecuária e Indústria
Limitada. Em 1964, o empresário Gerold Geppert, alemão, naturalizado brasileiro,
registrou o terreno, criando o loteamento que recebeu o nome de REFORMA.
Esperava com isso, que se utilizasse o terreno de uma nova forma, diferente da
ocupação que se verificava em outros locais da cidade, porém semelhante ao que
ocorreu com a área da Cidade Nova, atuais bairros de Tirol e Petrópolis. Tal
pretensão justificava-se, visto que o referido loteamento atingia 10% da área total
do município. Abrangia terras dos Guarapes, Planalto, Quintas do Vigário e Peixe-
Boi, o loteamento Reforma era, na época, o maior já registrado no Rio Grande do
Norte. Assim sendo, pretendia o Sr. Gerold ver essas terras com largas ruas e
avenidas, como inspirara o plano de Giácomo Palumbo. Infelizmente, tal intenção
não se concretizou, pois invasões constantes fizeram reduzir o sonho de se
manter amplas ruas e avenidas. A partir da década de 50, esta área já contava
com um trabalho de um grupo de padres e leigos preocupados com a miséria na
periferia de Natal. Na década de 70, o bairro teve um incremento populacional, a
partir da ocupação de pequenos lotes, segundo atestam Eunádia Cavalcanti e
verônica Lima em seu livro Construindo o Seu Lugar. Uma das formas foi a
ocupação de pequenos lotes, com moradias autoconstruídas por migrantes
interioranos. A outra forma foi motivada pelos programas institucionais para a
população de baixa renda (programa de remoção de favelas), mais conhecido
como PROMORAR, o Felipe Camarão II. E ainda, uma ocupação ilegal de área
pertencente a uma parte da localidade de Quilômetro 06 e granjas de diversos
proprietários. Resultante, também do programa de erradicação de favelas, o
conjunto habitacional Morada Nova (1986), com 238 casas tipo embrião . Distinto
dos demais desta área, o conjunto Jardim América foi construído em 1982,
financiado pela APERN , cujos moradores se diferenciam por uma renda mais alta
que a maioria dos habitantes de Felipe Camarão. Em 15 de maio de 1976, foi
criado o Conselho Comunitário de Felipe Camarão, por iniciativa de líderes locais
como Abraão Lira e Francisco Roberto, quando a população começou a se reunir
em baixo de um abacateiro para discutir a falta de água, energia elétrica. No
primeiro momento, visavam a obter a construção de um posto de saúde,
conseguido através de ajuda financeira americana e do trabalho de mutirão dos
habitantes do bairro. A ocupação efetiva da área, porém, só se concretizou a partir
da venda de terrenos, tanto à vista quanto a prazo. Seus clientes eram pessoas
físicas, em sua maioria, humildes, desejosas de construir moradia. Apenas alguns
lotes foram adquiridos por uma empresa de transportes; outros foram doados à
Igreja Católica e, um outro, ao Instituto Histórico e Geográfico. Para o início da
construção das casas, foi cavado um poço que fornecia água às obras. Esse poço
ficou conhecido popularmente como "Poço do Alemão", referência ao proprietário
das terras. Após sua exaustão, o poço foi desativado e aterrado. Atualmente, a
comunidade do bairro recebe a assistência social de igrejas e comunidades
religiosas e organizações governamentais e não governamentais. Mas, na década
de 60, quando começou a se estruturar, recebeu os primeiros benefícios com a
construção de equipamentos urbanos. Um desses equipamentos foi construído em

32
sistema de mutirão, a igreja e a primeira escola (Escola União do Povo, na rua
Indomar), sob a orientação do Pe. Thiago, elo entre a comunidade e o poder
público. Os moradores do lugar, na época desses primeiros trabalhos
comunitários, recebiam doação de alimentos da Aliança para o Progresso. Em
1983 novas reivindicações mobilizam os habitantes do bairro. Desta vez pela
assistência para o Quilômetro 06 , e após essa mobilização conseguem a
construção de uma clínica popular. Na retrospectiva histórica do bairro a
população organizada já´conseguiu, através de suas reivindicações a construção
da Escola União do Povo, a igreja de Santa Luiz, padroeira do bairro e onde se
realizam festas comemorativas todos os meses de dezembro, na rua do Fio; o
Conselho Comunitário, Posto e Saúde, Clínica Popular e Chafariz do Conjunto
Morada Nova. No ano de 2002, o bairro conheceu outra forma de unidade
habitacional, com a construção de um edifício do PARPrograma de Arrendamento
Familiar, da Caixa Econômica Federal, em parceria com a Prefeitura Municipal do
Natal. O nome do bairro é uma homenagem a Felipe Camarão, nosso índio Poti,
que se destacou no combate ao invasor holandês. Anteriormente, era a localidade
de Peixe-Boi devido ao aparecimento de um grande peixe nos mangues ali
existentes. Segundo se sabe, a denominação do atual bairro foi de autoria de um
vereador, no ano de 1967. Pela Lei n.º 1.760, de 22 de agosto de 1968, na
administração do Prefeito Agnelo Alves, Felipe Camarão foi oficializado como
bairro. Em 1993, teve seus limites redefinidos pela Lei nº 4.330, de 05 abril do
referido ano e publicada no Diário Oficial em 07 de setembro de 1994.

iii. Pesquisa sobre os agentes comunitários de saúde:


Legislação Citada
01
PORTARIA Nº 648/GM DE 28 DE MARÇO DE 2006.
Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de
diretrizes e normas para a organização da Atenção Básica para o Programa
Saúde da Família (PSF) e o Programa Agentes Comunitários de Saúde (PACS).
O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, no uso de suas atribuições, e
Considerando a necessidade de revisar e adequar as normas nacionais ao atual
momento do desenvolvimento da atenção básica no Brasil;
Considerando a expansão do Programa Saúde da Família (PSF) que se
consolidou como a estratégia prioritária para reorganização da atenção básica no
Brasil;
Considerando a transformação do PSF em uma estratégia de abrangência
nacional que demonstra necessidade de adequação de suas normas, em virtude
da experiência acumulada nos diversos estados e municípios brasileiros;
Considerando os princípios e as diretrizes propostos nos Pactos pela Vida, em
Defesa do SUS e de Gestão, entre as esferas de governo na consolidação do
SUS, que inclui a desfragmentação do financiamento da Atenção Básica;
Considerando a diretriz do Governo Federal de executar a gestão pública por
resultados mensuráveis; e

33
Considerando a pactuação na Reunião da Comissão Intergestores Tripartite do dia
23 de março de 2006,
R E S O L V E:
Art. 1º Aprovar a Política Nacional de Atenção Básica, com vistas à revisão da
regulamentação de implantação e operacionalização vigentes, nos termos
constantes do Anexo a esta Portaria.
Parágrafo único. A Secretaria de Atenção à Saúde, do Ministério da Saúde
(SAS/MS) publicará manuais e guias com detalhamento operacional e orientações
específicas desta Política.
Art. 2º Definir que os recursos orçamentários de que trata a presente Portaria
corram por conta do orçamento do Ministério da Saúde, devendo onerar os
seguintes Programas de Trabalho:
I - 10.301.1214.0589 - Incentivo Financeiro a Municípios Habilitados à Parte
Variável do Piso de Atenção Básica;
II - 10.301.1214.8577 - Atendimento Assistencial Básico nos Municípios
Brasileiros; e
III - 10.301.1214.8581 - Estruturação da Rede de Serviços de Atenção Básica de
Saúde.
Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4º Ficando revogadas as Portarias nº 1.882/GM, de 18 de dezembro de 1997,
publicada no Diário Oficial da União nº 247, de 22 de dezembro de 1997, Seção 1,
página 10, nº 1.884/GM, de 18 de dezembro de 1997, publicada no Diário Oficial
da União nº 247, de 22 de dezembro de 1997, Seção 1, página 11, nº 1.885/GM,
de 18 de dezembro de 1997, publicada no Diário Oficial da União nº 247, de 22 de
dezembro de 1997, Seção 1, página 11, nº 1.886/GM, de 18 de dezembro de
1997, publicada no Diário Oficial da União nº 247, de 22 de dezembro de 1997,
Seção 1, página 11, nº 59/GM, de 16 de janeiro de 1998, publicada no Diário
Oficial da União nº 14-E, de 21 de janeiro de 1998, Seção 1, página 2, nº 157/GM,
de 19 de fevereiro de 1998, publicada no Diário Oficial da União nº 58, de 26 de
março de 1998, Seção 1, página 104, nº 2.101/GM, de 27 de fevereiro de 1998,
publicada no Diário Oficial da União nº 42, de 4 de março de 1998, Seção 1,
página 70, nº 3.476/GM, de 20 de agosto de 1998, publicada no Diário Oficial da
União nº 160, de 21 de agosto

Legislação Citada
02
674/GM, de 3 de 44, nde 2003, Seção 1, página 45, nda União n2004, publicada
no Diário Oficial da União n1.432/GM, de 14 de julho de 2004, publicada no Diário
Oficial da União nde 2004, Seção 1, página 35, n1.434/GM, de 14 de julho de
2004, publicada no Diário Oficial da União n135, de 15 de julho de 2004, Seção 1,
página 36, n2004, publicada no Diário Oficial da União n44, n2.024/GM, de 23 de
setembro de 2004, publicada no Diário Oficial da União nde setembro de 2004,
Seção 1, página 44, n2.025/GM, de 23 de setembro de 2004, publicada no Diário
Oficial da União n185, de 24 de setembro de 2004, Seção 1, página 45, nde 1998,
Seção 1, página 55, nº 3.925/GM, de 13 de novembro de 1998, publicada no
Diário Oficial da União nº 22-E, 2 de fevereiro de 1999, Seção 1, página 23, nº
223/GM, de 24 de março de 1999, publicada no Diário Oficial da União nº 57, de

34
25 de março de 1999, Seção 1, página 15, nº 1.348/GM, de 18 de novembro de
1999, publicada no Diário Oficial da União nº 221, de 19 de novembro de 1999,
Seção 1, página 29, nº 1.013/GM, de 8 de setembro de 2000, publicada no Diário
Oficial da União nº 175-E, de 11 de setembro de 2000, Seção 1, página 33, nº
267/GM, de 6 de março de 2001, publicada no Diário Oficial da União nº 46, de 7
de março de 2001, Seção 1, página 67, nº 1.502/GM, de 22 de agosto de 2002,
publicada no Diário Oficial da União nº 163, de 23 de agosto de 2002, Seção 1,
página 39, nº 396/GM, de 4 de abril de 2003, publicada no Diário Oficial da União
nº 104, de 2 de junho de 2003, Seção 1, página 21, nº 673/GM, de 3 de junho de
2003, publicada no Diário Oficial da União nº 106, de 4 de junho de 2003, Seção
1, página 44, nº junho de 2003, publicada no Diário Oficial da União nº 106, de 4
de junho de 2003, Seção 1, página º 675/GM, de 3 de junho de 2003, publicada no
Diário Oficial da União nº 106, de 4 de junho º 2.081/GM, de 31 de outubro de
2003, publicada no Diário Oficial º 214, de 4 de novembro de 2003, Seção 1,
página 46, nº 74/GM, de 20 de janeiro de º 15, de 23 de janeiro de 2004, Seção 1,
página 55, nº º 157, de 16 de agosto º º º 2.023/GM, de 23 de setembro de º 185,
de 24 de setembro de 2004, Seção 1, página º º 185, de 24 º º º 619/GM, de 25 de
abril de 2005, publicada no Diário Oficial da União nº 78, de 26 de abril de 2005,
Seção 1, página 56, nº 873/GM, de 8 de junho de 2005. publicada no Diário Oficial
da União nº 110, de 10 de junho de 2005, Seção 1, página 74 e nº 82/SAS, de 7
de julho de 1998, publicada no Diário Oficial da União nº 128, de 8 de julho de
1998, Seção 1, página 62.
SARAIVA FELIPE
POLITICA NACIONAL DE ATENÇÃO BÁSICA
CAPÍTULO I
Da Atenção Básica
1 - DOS PRINCÍPIOS GERAIS
A Atenção Básica caracteriza-se por um conjunto de ações de saúde, no âmbito
individual e coletivo, que abrangem a promoção e a proteção da saúde, a
prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção
da saúde. É desenvolvida por meio do exercício de práticas gerenciais e sanitárias
democráticas e participativas, sob forma de trabalho em equipe, dirigidas a
populações de territórios bem delimitados, pelas quais assume a responsabilidade
sanitária, considerando a dinamicidade existente no território em que vivem essas
populações. Utiliza tecnologias de elevada complexidade e baixa densidade, que
devem resolver os problemas de saúde de maior freqüência e relevância em seu
território. É o contato preferencial dos usuários com os sistemas de saúde.
Orienta-se pelos princípios da universalidade, da acessibilidade e da coordenação
do cuidado, do vínculo e continuidade, da integralidade, da responsabilização, da
humanização, da equidade e da participação social.
A Atenção Básica considera o sujeito em sua singularidade, na complexidade, na
integralidade e na inserção sócio-cultural e busca a promoção de sua saúde, a
prevenção e tratamento de doenças e a redução de danos ou de sofrimentos que
possam comprometer suas possibilidades de viver de modo saudável.
Legislação Citada 03
A Atenção Básica tem a Saúde da Família como estratégia prioritária para sua
organização de acordo com os preceitos do Sistema Único de Saúde.

35
A Atenção Básica tem como fundamentos:
I - possibilitar o acesso universal e contínuo a serviços de saúde de qualidade e
resolutivos, caracterizados como a porta de entrada preferencial do sistema de
saúde, com território adscrito de forma a permitir o planejamento e a programação
descentralizada, e em consonância com o princípio da eqüidade;
II - efetivar a integralidade em seus vários aspectos, a saber: integração de ações
programáticas e demanda espontânea; articulação das ações de promoção à
saúde, prevenção de agravos, vigilância à saúde, tratamento e reabilitação,
trabalho de forma interdisciplinar e em equipe, e coordenação do cuidado na rede
de serviços;
III - desenvolver relações de vínculo e responsabilização entre as equipes e a
população adscrita garantindo a continuidade das ações de saúde e a
longitudinalidade do cuidado;
IV - valorizar os profissionais de saúde por meio do estímulo e do
acompanhamento constante de sua formação e capacitação;
V - realizar avaliação e acompanhamento sistemático dos resultados alcançados,
como parte do processo de planejamento e programação; e
VI - estimular a participação popular e o controle social.
Visando à operacionalização da Atenção Básica, definem-se como áreas
estratégicas para atuação em todo o território nacional a eliminação da
hanseníase, o controle da tuberculose, o controle da hipertensão arterial, o
controle do diabetes mellitus, a eliminação da desnutrição infantil, a saúde da
criança, a saúde da mulher, a saúde do idoso, a saúde bucal e a promoção da
saúde. Outras áreas serão definidas regionalmente de acordo com prioridades e
pactuações definidas nas CIBs.
Para o processo de pactuação da atenção básica será realizado e firmado o Pacto
de Indicadores da Atenção Básica, tomando como objeto as metas anuais a serem
alcançadas em relação a indicadores de saúde acordados. O processo de
pactuação da Atenção Básica seguirá regulamentação específica do Pacto de
Gestão. Os gestores poderão acordar nas CIBs indicadores estaduais de Atenção
Básica a serem acompanhados em seus respectivos territórios.
2 - DAS RESPONSABILIDADES DE CADA ESFERA DE GOVERNO
Os municípios e o Distrito Federal, como gestores dos sistemas locais de saúde,
são responsáveis pelo cumprimento dos princípios da Atenção Básica, pela
organização e execução das ações em seu território.
2.1 - Compete às Secretarias Municipais de Saúde e ao Distrito Federal:
I - organizar, executar e gerenciar os serviços e ações de Atenção Básica, de
forma universal, dentro do seu território, incluindo as unidades próprias e as
cedidas pelo estado e pela União;
II - incluir a proposta de organização da Atenção Básica e da forma de utilização
dos recursos do PAB fixo e variável, nos Planos de Saúde municipais e do Distrito
Federal;
III - inserir preferencialmente, de acordo com sua capacidade institucional, a
estratégia de Saúde da Família em sua rede de serviços, visando à organização
sistêmica da atenção à saúde;
IV - organizar o fluxo de usuários, visando a garantia das referências a serviços e
ações de saúde fora do âmbito da Atenção Básica;

36
V - garantir infra-estrutura necessária ao funcionamento das Unidades Básicas de
Saúde, dotando-as de recursos materiais, equipamentos e insumos suficientes
para o conjunto de ações propostas;
VI - selecionar, contratar e remunerar os profissionais que compõem as equipes
multiprofissionais
04 Legislação Citada
de Atenção Básica, inclusive os da Saúde da Família, em conformidade com a
legislação vigente;
VII - programar as ações da Atenção Básica a partir de sua base territorial,
utilizando instrumento de programação nacional ou correspondente local;
VIII - alimentar as bases de dados nacionais com os dados produzidos pelo
sistema de saúde municipal, mantendo atualizado o cadastro de profissionais, de
serviços e de estabelecimentos ambulatoriais, públicos e privados, sob sua
gestão;
IX - elaborar metodologias e instrumentos de monitoramento e avaliação da
Atenção Básica na esfera municipal;
X - desenvolver mecanismos técnicos e estratégias organizacionais de
qualificação de recursos humanos para gestão, planejamento, monitoramento e
avaliação da Atenção Básica;
XI - definir estratégias de articulação com os serviços de saúde com vistas à
institucionalização da avaliação da Atenção Básica;
XII - firmar, monitorar e avaliar os indicadores do Pacto da Atenção Básica no seu
território, divulgando anualmente os resultados alcançados;
XIII - verificar a qualidade e a consistência dos dados alimentados nos sistemas
nacionais de informação a serem enviados às outras esferas de gestão;
XIV - consolidar e analisar os dados de interesse das equipes locais, das equipes
regionais e da gestão municipal, disponíveis nos sistemas de informação,
divulgando os resultados obtidos;
XV - acompanhar e avaliar o trabalho da Atenção Básica com ou sem Saúde da
Família, divulgando as informações e os resultados alcançados;
XVI - estimular e viabilizar a capacitação e a educação permanente dos
profissionais das equipes; e
XVII - buscar a viabilização de parcerias com organizações governamentais, não
governamentais e com o setor privado para fortalecimento da Atenção Básica no
âmbito do seu território.
2.2 - Compete às Secretarias Estaduais de Saúde e ao Distrito Federal:
I - contribuir para a reorientação do modelo de atenção à saúde por meio do apoio
à Atenção Básica e estímulo à adoção da estratégia Saúde da Família pelos
serviços municipais de saúde em caráter substitutivo às práticas atualmente
vigentes para a Atenção Básica;
II - pactuar, com a Comissão Intergestores Bipartite, estratégias, diretrizes e
normas de implementação da Atenção Básica no Estado, mantidos os princípios
gerais regulamentados nesta Portaria;
III - estabelecer, no Plano de Saúde Estadual e do Distrito Federal, metas e
prioridades para a organização da Atenção Básica no seu território;
IV - destinar recursos estaduais para compor o financiamento tripartite da Atenção
Básica;

37
V - pactuar com a Comissão Intergestores Bipartite e informar à Comissão
Intergestores Tripartite a definição da utilização dos recursos para Compensação
de Especificidades Regionais;
VI - prestar assessoria técnica aos municípios no processo de qualificação da
Atenção Básica e de ampliação e consolidação da estratégia Saúde da Família,
com orientação para organização dos serviços que considere a incorporação de
novos cenários epidemiológicos;
VII - elaborar metodologias e instrumentos de monitoramento e avaliação da
Atenção Básica na esfera estadual;
VIII - desenvolver mecanismos técnicos e estratégias organizacionais de
qualificação de recursos humanos para gestão, planejamento, monitoramento e
avaliação da Atenção Básica;
IX - definir estratégias de articulação com as gestões municipais do SUS com
vistas à institucionalização da avaliação da Atenção Básica;
X - firmar, monitorar e avaliar os indicadores do Pacto da Atenção Básica no
território estadual, divulgando anualmente os resultados alcançados;
XI - estabelecer outros mecanismos de controle e regulação, monitoramento e
avaliação das ações da Atenção Básica e da estratégia Saúde da Família no
âmbito estadual ou do Distrito Federal;
XII - ser co-responsável, junto ao Ministério da Saúde, pelo monitoramento da
utilização dos recursos da Atenção Básica transferidos aos municípios e ao
Distrito Federal;
XIII - submeter à CIB, para resolução acerca das irregularidades constatadas na
execução do PAB
Legislação Citada 05
fixo e variável, visando:
a) aprazamento para que o gestor municipal corrija as irregularidades;
b) comunicação ao Ministério da Saúde; e
c) bloqueio do repasse de recursos ou demais providências consideradas
necessárias e regulamentadas pela CIB;
XIV - assessorar os municípios para implantação dos sistemas de informação da
Atenção Básica, como instrumentos para monitorar as ações desenvolvidas;
XV - consolidar, analisar e transferir os arquivos dos sistemas de informação
enviados pelos municípios para o Ministério da Saúde, de acordo com os fluxos e
prazos estabelecidos para cada sistema;
XVI - verificar a qualidade e a consistência dos dados enviados pelos municípios
por meio dos sistemas informatizados, retornando informações aos gestores
municipais;
XVII - analisar os dados de interesse estadual, gerados pelos sistemas de
informação, divulgar os resultados obtidos e utilizá-los no planejamento;
XVIII - assessorar municípios na análise e gestão dos sistemas de informação,
com vistas ao fortalecimento da capacidade de planejamento municipal;
XIX - disponibilizar aos municípios instrumentos técnicos e pedagógicos que
facilitem o processo de formação e educação permanente dos membros das
equipes;

38
XX - articular instituições, em parceria com as Secretarias Municipais de Saúde,
para capacitação e garantia de educação permanente aos profissionais de saúde
das equipes de Atenção Básica e das equipes de saúde da família;
XXI - promover o intercâmbio de experiências entre os diversos municípios, para
disseminar tecnologias e conhecimentos voltados à melhoria dos serviços da
Atenção Básica; e
XXII - viabilizar parcerias com organismos internacionais, com organizações
governamentais, não-governamentais e do setor privado para fortalecimento da
Atenção Básica no âmbito do estado e do Distrito Federal.
2.3 - Compete ao Ministério da Saúde:
I - contribuir para a reorientação do modelo de atenção à saúde no País, por meio
do apoio à Atenção Básica e do estímulo à adoção da estratégia de Saúde da
Família como estruturante para a organização dos sistemas municipais de saúde;
II - garantir fontes de recursos federais para compor o financiamento do Piso da
Atenção Básica – PAB fixo e variável;
III - prestar assessoria técnica aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios
no processo de qualificação e de consolidação da Atenção Básica e da estratégia
de Saúde da Família;
IV - estabelecer diretrizes nacionais e disponibilizar instrumentos técnicos e
pedagógicos que facilitem o processo de capacitação e educação permanente dos
profissionais da Atenção Básica;
V - apoiar a articulação de instituições, em parceria com as Secretarias de Saúde
Estaduais, Municipais e do Distrito Federal, para capacitação e garantia de
educação permanente para os profissionais de saúde da Atenção Básica;
VI - articular com o Ministério da Educação estratégias de indução às mudanças
curriculares nos cursos de graduação na área da saúde, em especial de medicina,
enfermagem e odontologia, visando à formação de profissionais com perfil
adequado à Atenção Básica;
VII - assessorar estados, municípios e o Distrito Federal na implantação dos
sistemas de informação da Atenção Básica;
VIII - analisar dados de interesse nacional, relacionados com a Atenção Básica,
gerados pelos sistemas de informação em saúde, divulgando os resultados
obtidos;
06 Legislação Citada
IX - elaborar metodologias e instrumentos de monitoramento e avaliação da
Atenção Básica de âmbito nacional;
X - desenvolver mecanismos técnicos e estratégias organizacionais de
qualificação de recursos humanos para gestão, planejamento, monitoramento e
avaliação da Atenção Básica;
XI - definir estratégias de articulação com as gestões estaduais e municipais do
SUS com vistas à institucionalização da avaliação da Atenção Básica;
XII - monitorar e avaliar os indicadores do Pacto da Atenção Básica, no âmbito
nacional, divulgando anualmente os resultados alcançados, de acordo com o
processo de pactuação acordado na Comissão Intergestores Tripartite;
XIII - estabelecer outros mecanismos de controle e regulação, de monitoramento e
de avaliação das ações da Atenção Básica e da estratégia de Saúde da Família
no âmbito nacional;

39
XIV - promover o intercâmbio de experiências e estimular o desenvolvimento de
estudos e pesquisas que busquem o aperfeiçoamento e a disseminação de
tecnologias e conhecimentos voltados à Atenção Básica; e
XV - viabilizar parcerias com organismos internacionais, com organizações
governamentais, não governamentais e do setor privado, para fortalecimento da
Atenção Básica e da estratégia de saúde da família no País.
3 - DA INFRA-ESTRUTURA E DOS RECURSOS NECESSÁRIOS
São itens necessários à realização das ações de Atenção Básica nos municípios e
no Distrito Federal:
I - Unidade(s) Básica(s) de Saúde (UBS) com ou sem Saúde da Família inscrita(s)
no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde do Ministério da Saúde, de
acordo com as normas sanitárias vigentes;
II – UBS com ou sem Saúde da Família que, de acordo com o desenvolvimento de
suas ações, disponibilizem:
III - equipe multiprofissional composta por médico, enfermeiro, cirurgião dentista,
auxiliar de consultório dentário ou técnico em higiene dental, auxiliar de
enfermagem ou técnico de enfermagem e agente comunitário de saúde, entre
outros;
IV - consultório médico, consultório odontológico e consultório de enfermagem
para os profissionais da Atenção Básica;
V - área de recepção, local para arquivos e registros, uma sala de cuidados
básicos de enfermagem, uma sala de vacina e sanitários, por unidade;
VI - equipamentos e materiais adequados ao elenco de ações propostas, de forma
a garantir a resolutividade da Atenção Básica;
VII - garantia dos fluxos de referência e contra-referência aos serviços
especializados, de apoio diagnóstico e terapêutico, ambulatorial e hospitalar; e
VIII - existência e manutenção regular de estoque dos insumos necessários para o
funcionamento das unidades básicas de saúde, incluindo dispensação de
medicamentos pactuados nacionalmente.
Para Unidade Básica de Saúde (UBS) sem Saúde da Família em grandes centros
urbanos, recomenda-se o parâmetro de uma UBS para até 30 mil habitantes,
localizada dentro do território pelo qual tem responsabilidade sanitária, garantindo
os princípios da Atenção Básica.
Para UBS com Saúde da Família em grandes centros urbanos, recomenda-se o
parâmetro de uma UBS para até 12 mil habitantes, localizada dentro do território
pelo qual tem responsabilidade sanitária, garantindo os princípios da Atenção
Básica.
4 - DO CADASTRAMENTO DAS UNIDADES QUE PRESTAM SERVIÇOS
BÁSICOS DE SAÚDE
O cadastramento das Unidades Básicas de Saúde será feito pelos gestores
municipais e do Distrito Federal em consonância com as normas do Cadastro
Nacional de Estabelecimentos de Saúde.
5 - DO PROCESSO DE TRABALHO DAS EQUIPES DE ATENÇÃO BÁSICA
São características do processo de trabalho das equipes de Atenção Básica:
Legislação Citada 07
I - definição do território de atuação das UBS;

40
II - programação e implementação das atividades, com a priorização de solução
dos problemas de saúde mais freqüentes, considerando a responsabilidade da
assistência resolutiva à demanda espontânea;
III - desenvolvimento de ações educativas que possam interferir no processo de
saúde-doença da população e ampliar o controle social na defesa da qualidade de
vida;
IV - desenvolvimento de ações focalizadas sobre os grupos de risco e fatores de
risco comportamentais, alimentares e/ou ambientais, com a finalidade de prevenir
o aparecimento ou a manutenção de doenças e danos evitáveis;
V - assistência básica integral e contínua, organizada à população adscrita, com
garantia de acesso ao apoio diagnóstico e laboratorial;
VI - implementação das diretrizes da Política Nacional de Humanização, incluindo
o acolhimento;
VII - realização de primeiro atendimento às urgências médicas e odontológicas;
VIII - participação das equipes no planejamento e na avaliação das ações;
IX - desenvolvimento de ações intersetoriais, integrando projetos sociais e setores
afins, voltados para a promoção da saúde; e
X - apoio a estratégias de fortalecimento da gestão local e do controle social.
6 - DAS ATRIBUIÇÕES DOS MEMBROS DAS EQUIPES DE ATENÇÃO BÁSICA
As atribuições específicas dos profissionais da Atenção Básica deverão constar de
normatização do município e do Distrito Federal, de acordo com as prioridades
definidas pela respectiva gestão e as prioridades nacionais e estaduais pactuadas.
7 - DO PROCESSO DE EDUCAÇÃO PERMANENTE
A educação permanente dos profissionais da Atenção Básica é de
responsabilidade conjunta das SMS e das SES, nos estados, e da Secretaria de
Saúde do Distrito Federal.
Os conteúdos mínimos da Educação Permanente devem priorizar as áreas
estratégicas da Atenção Básica, acordadas na CIT, acrescidos das prioridades
estaduais, municipais e do Distrito Federal.
Devem compor o financiamento da Educação Permanente recursos das três
esferas de governo acordados na CIT e nas CIBs.
Os serviços de atenção básica deverão adequar-se à integração ensino-
aprendizagem de acordo com processos acordados na CIT e nas CIBs.
CAPÍTULO II
Das Especificidades da Estratégia de Saúde da Família
1 - PRINCÍPIOS GERAIS
A estratégia de Saúde da Família visa à reorganização da Atenção Básica no
País, de acordo com os preceitos do Sistema Único de Saúde. Além dos princípios
gerais da Atenção Básica, a estratégia Saúde da Família deve:
I - ter caráter substitutivo em relação à rede de Atenção Básica tradicional nos
territórios em que as Equipes Saúde da Família atuam;
II - atuar no território, realizando cadastramento domiciliar, diagnóstico situacional,
ações dirigidas aos problemas de saúde de maneira pactuada com a comunidade
onde atua, buscando o cuidado dos indivíduos e das famílias ao longo do tempo,
mantendo sempre postura pró-ativa frente aos problemas de saúde-doença da
população;

41
III - desenvolver atividades de acordo com o planejamento e a programação
realizados com base
08 Legislação Citada
no diagnóstico situacional e tendo como foco a família e a comunidade;
IV - buscar a integração com instituições e organizações sociais, em especial em
sua área de abrangência, para o desenvolvimento de parcerias; e
V - ser um espaço de construção de cidadania.
2 - DAS RESPONSABILIDADES DE CADA NÍVEL DE GOVERNO
Além das responsabilidades propostas para a Atenção Básica, em relação à
estratégia Saúde da Família, os diversos entes federados têm as seguintes
responsabilidades:
2.1 Compete às Secretarias Municipais de Saúde e ao Distrito Federal:
I - inserir a estratégia de Saúde da Família em sua rede de serviços visando à
organização do sistema local de saúde;
II - definir, no Plano de Saúde, as características, os objetivos, as metas e os
mecanismos de acompanhamento da estratégia Saúde da Família;
III - garantir infra-estrutura necessária ao funcionamento das equipes de Saúde da
Família, de Saúde Bucal e das unidades básicas de referência dos Agentes
Comunitários de Saúde, dotando-as de recursos materiais, equipamentos e
insumos suficientes para o conjunto de ações propostas;
IV - assegurar o cumprimento de horário integral – jornada de 40 horas semanais
– de todos os profissionais nas equipes de saúde da família, de saúde bucal e de
agentes comunitários de saúde, com exceção daqueles que devem dedicar ao
menos 32 horas de sua carga horária para atividades na equipe de SF e até 8
horas do total de sua carga horária para atividades de residência multiprofissional
e/ou de medicina de família e de comunidade, ou trabalho em hospitais de
pequeno porte, conforme regulamentação específica da Política Nacional dos
Hospitais de Pequeno Porte;
V - realizar e manter atualizado o cadastro dos ACS, dos enfermeiros da equipe
PACS e dos profissionais das equipes de Saúde da Família e de Saúde Bucal,
bem como da população residente na área de abrangência das equipes de Saúde
da Família, de Saúde Bucal e ACS, nos Sistemas Nacionais de Informação em
Saúde definidos para esse fim; e
VI - estimular e viabilizar a capacitação específica dos profissionais das equipes
de Saúde da Família.
2.2 Compete às Secretarias Estaduais de Saúde:
I - pactuar com a Comissão Intergestores Bipartite estratégias, diretrizes e normas
de implementação e gestão da Saúde da Família no Estado, mantidos os
princípios gerais regulamentados nesta Portaria;
II - estabelecer no Plano de Saúde estadual metas e prioridades para a Saúde da
Família;
III - submeter à Comissão Intergestores Bipartite (CIB), no prazo máximo de 30
dias após a data do protocolo de entrada do processo, a proposta de implantação
ou expansão de ESF, ESB e ACS elaborada pelos municípios e aprovada pelos
Conselhos de Saúde dos municípios;

42
IV - submeter à CIB, para resolução, o fluxo de acompanhamento do
cadastramento dos profissionais das Equipes de Saúde da Família, de Saúde
Bucal e ACS nos sistemas de informação nacionais, definidos para esse fim;
V - submeter à CIB, para resolução, o fluxo de descredenciamento e/ou o bloqueio
de recursos diante de irregularidades constatadas na implantação e no
funcionamento das Equipes de Saúde da Família, de Saúde Bucal e ACS, a ser
publicado como portaria de resolução da CIB, visando à regularização das equipes
que atuam de forma inadequada;
VI - analisar e consolidar as informações enviadas pelos municípios, referentes à
implantação e ao funcionamento das Equipes de Saúde da Família, de Saúde
Bucal e ACS;
VII - enviar, mensalmente, ao Ministério da Saúde o consolidado das informações
encaminhadas pelos municípios, autorizando a transferência dos incentivos
financeiros federais aos municípios;
VIII - responsabilizar-se perante o Ministério da Saúde pelo monitoramento, o
controle e a avaliação da utilização dos recursos de incentivo da Saúde da Família
transferidos aos municípios no território estadual;
Legislação Citada 09
IX - prestar assessoria técnica aos municípios no processo de implantação e
ampliação da SF;
X - articular com as instituições formadoras de recursos humanos do estado
estratégias de expansão e qualificação de cursos de pós-graduação, residências
médicas e multiprofissionais em Saúde da Família e educação permanente, de
acordo com demandas e necessidades identificadas nos municípios e pactuadas
nas CIBs; e
XI - acompanhar, monitorar e avaliar o desenvolvimento da estratégia Saúde da
Família nos municípios, identificando situações em desacordo com a
regulamentação, garantindo suporte às adequações necessárias e divulgando os
resultados alcançados.
2.3. Compete ao Distrito Federal:
I - estabelecer, no Plano de Saúde do Distrito Federal, metas e prioridades para a
Saúde da Família;
II - analisar e consolidar as informações referentes à implantação e ao
funcionamento das equipes de Saúde da Família, de Saúde Bucal e ACS;
III - responsabilizar-se junto ao Ministério da Saúde pelo monitoramento, o
controle e a avaliação da utilização dos recursos de incentivo da Saúde da Família
transferidos ao Distrito Federal; e
IV - acompanhar, monitorar e avaliar o desenvolvimento da estratégia Saúde da
Família no Distrito Federal, identificando e adequando situações em desacordo
com a regulamentação e divulgando os resultados alcançados.
2.4 Compete ao Ministério da Saúde:
I - definir e rever, de forma pactuada, na Comissão Intergestores Tripartite, as
diretrizes e as normas da Saúde da Família;
II - garantir fontes de recursos federais para compor o financiamento da Atenção
Básica organizada por meio da estratégia Saúde da Família;

43
III - apoiar a articulação de instituições, em parceria com Secretarias de Saúde
Estaduais, Municipais e do Distrito Federal, para capacitação e garantia de
educação permanente específica aos profissionais da Saúde da Família;
IV - articular com o Ministério da Educação estratégias de expansão e de
qualificação de cursos de pós-graduação, residências médicas e multiprofissionais
em Saúde da Família e em educação permanente;
V - analisar dados de interesse nacional relacionados com a estratégia Saúde da
Família, gerados pelos sistemas de informação em saúde, divulgando os
resultados obtidos; e
VI - para a análise de indicadores, de índices de valorização de resultados e de
outros parâmetros, o cálculo da cobertura populacional pelas ESF, ESB e ACS
será realizado a partir da população cadastrada no sistema de informação vigente.
3 - DA INFRA-ESTRUTURA E DOS RECURSOS NECESSÁRIOS
São itens necessários à implantação das Equipes de Saúde da Família:
I - existência de equipe multiprofissional responsável por, no máximo, 4.000
habitantes, sendo a média recomendada de 3.000 habitantes, com jornada de
trabalho de 40 horas semanais para todos os seus integrantes e composta por, no
mínimo, médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem ou técnico de enfermagem e
Agentes Comunitários de Saúde;
II - número de ACS suficiente para cobrir 100% da população cadastrada, com um
máximo de 750 pessoas por ACS e de 12 ACS por equipe de Saúde da Família;
III - existência de Unidade Básica de Saúde inscrita no Cadastro Geral de
Estabelecimentos de Saúde do Ministério da Saúde, dentro da área para o
atendimento das Equipes de Saúde da Família
010 Legislação Citada
que possua minimamente:
a) consultório médico e de enfermagem para a Equipe de Saúde da Família, de
acordo com as necessidades de desenvolvimento do conjunto de ações de sua
competência;
b) área/sala de recepção, local para arquivos e registros, uma sala de cuidados
básicos de enfermagem, uma sala de vacina e sanitários, por unidade;
c) equipamentos e materiais adequados ao elenco de ações programadas, de
forma a garantir a resolutividade da Atenção Básica à saúde;
IV - garantia dos fluxos de referência e contra-referência aos serviços
especializados, de apoio diagnóstico e terapêutico, ambulatorial e hospitalar; e
V - existência e manutenção regular de estoque dos insumos necessários para o
funcionamento da UBS.
São itens necessários à incorporação de profissionais de saúde bucal nas Equipes
de Saúde da Família:
I - no caso das Equipes de Saúde Bucal (ESB), modalidade 1: existência de
equipe multiprofissional, com composição básica de cirurgião dentista e auxiliar de
consultório dentário, com trabalho integrado a uma ou duas ESF, com
responsabilidade sanitária pela mesma população e território que as ESF às quais
está vinculada, e com jornada de trabalho de 40 horas semanais para todos os
seus componentes;
II - no caso das ESB, modalidade 2: existência de equipe multiprofissional, com
composição básica de cirurgião dentista, auxiliar de consultório dentário e técnico

44
de higiene dental, com trabalho integrado a uma ou duas ESFs, com
responsabilidade sanitária pela mesma população e território que as ESFs, às
quais está vinculada, e com jornada de trabalho de 40 horas semanais para todos
os seus componentes;
III - existência de Unidade de Saúde inscrita no Cadastro Geral de
Estabelecimentos de Saúde do Ministério da Saúde, dentro da área para
atendimento das equipes de Saúde Bucal, que possua minimamente:
a) consultório odontológico para a Equipe de Saúde Bucal, de acordo com as
necessidades de desenvolvimento do conjunto de ações de sua competência; e
b) equipamentos e materiais adequados ao elenco de ações programadas, de
forma a garantir a resolutividade da Atenção Básica à saúde.
É prevista a implantação da estratégia de Agentes Comunitários de Saúde nas
Unidades Básicas de Saúde como uma possibilidade para a reorganização inicial
da Atenção Básica. São itens necessários à organização da implantação dessa
estratégia:
I - a existência de uma Unidade Básica de Saúde, inscrita no Cadastro Geral de
estabelecimentos de saúde do Ministério da Saúde, de referência para os ACS e o
enfermeiro supervisor;
II - a existência de um enfermeiro para até 30 ACS, o que constitui uma equipe de
ACS;
III - o cumprimento da carga horária de 40 horas semanais dedicadas à equipe de
ACS pelo enfermeiro supervisor e pelos ACS;
IV - definição das microareas sob responsabilidade de cada ACS, cuja população
não deve ser superior a 750 pessoas; e
V - o exercício da profissão de Agente Comunitário de Saúde regulamentado pela
Lei nº 10.507/2002.
4. DO PROCESSO DE TRABALHO DA SAÚDE DA FAMÍLIA
Além das características do processo de trabalho das equipes de Atenção Básica,
são características do processo de trabalho da Saúde da Família:
I - manter atualizado o cadastramento das famílias e dos indivíduos e utilizar, de
forma sistemática, os dados para a análise da situação de saúde considerando as
características sociais, econômicas, culturais, demográficas e epidemiológicas do
território;
II - definição precisa do território de atuação, mapeamento e reconhecimento da
área adstrita, que
Legislação Citada 011
compreenda o segmento populacional determinado, com atualização contínua;
III - diagnóstico, programação e implementação das atividades segundo critérios
de risco à saúde, priorizando solução dos problemas de saúde mais freqüentes;
IV - prática do cuidado familiar ampliado, efetivada por meio do conhecimento da
estrutura e da funcionalidade das famílias que visa propor intervenções que
influenciem os processos de saúde-doença dos indivíduos, das famílias e da
própria comunidade;
V - trabalho interdisciplinar e em equipe, integrando áreas técnicas e profissionais
de diferentes formações;

45
VI - promoção e desenvolvimento de ações intersetoriais, buscando parcerias e
integrando projetos sociais e setores afins, voltados para a promoção da saúde,
de acordo com prioridades e sob a coordenação da gestão municipal;
VII - valorização dos diversos saberes e práticas na perspectiva de uma
abordagem integral e resolutiva, possibilitando a criação de vínculos de confiança
com ética, compromisso e respeito;
VIII - promoção e estímulo à participação da comunidade no controle social, no
planejamento, na execução e na avaliação das ações; e
IX - acompanhamento e avaliação sistematica das ações implementadas, visando
à readequação do processo de trabalho.
As atribuições dos diversos profissionais das Equipes de Saúde da Família, de
Saúde Bucal, ACS e enfermeiros das equipes PACS estão descritas no Anexo I.
5 - DA CAPACITAÇÃO E EDUCAÇÃO PERMANENTE DAS EQUIPES
O processo de capacitação deve iniciar-se concomitantemente ao início do
trabalho das ESF por meio do Curso Introdutório para toda a equipe.
Recomenda-se que:
I - o Curso Introdutório seja realizado em até 3 meses após a implantação da ESF;
II - a responsabilidade da realização do curso introdutório e/ou dos cursos para
educação permanente das equipes, em municípios com população inferior a 100
mil habitantes, seja da Secretaria de Estado da Saúde em parceria com a
Secretaria Municipal de Saúde; e
III - a responsabilidade da realização do curso introdutório e/ou dos cursos para
educação permanente das equipes, em municípios com população superior a 100
mil habitantes, e da Secretaria Municipal de Saúde, que poderá realizar parceria
com a Secretaria de Estado da Saúde. No Distrito Federal, a sua Secretaria de
Saúde é responsável pela realização do curso introdutório e/ou dos cursos para
educação permanente das equipes.
Os conteúdos mínimos do Curso Introdutório e da Educação Permanente para as
ESFs serão objeto de regulamentação específica editada pelo Ministério da
Saúde.
6 - DO PROCESSO DE IMPLANTAÇÃO
I - O município e o Distrito Federal deverão elaborar a proposta de implantação ou
expansão de ESF, ESB e ACS e em conformidade com a regulamentação
estadual aprovada pela CIB. Na ausência de regulamentação específica, poderão
ser utilizados os quadros constantes no Anexo II a esta Portaria. A proposta deve
definir:
a) território a ser coberto, com estimativa da população residente, definição do
número de equipes que deverão atuar e com o mapeamento das áreas e micro-
áreas;
b) infra-estrutura incluindo área física, equipamentos e materiais disponíveis nas
UBS onde atuarão as equipes, explicitando o número e o local das unidades onde
irão atuar cada uma das equipes;
c) ações a serem desenvolvidas pelas equipes no âmbito da Atenção Básica,
especialmente nas
012 Legislação Citada
áreas prioritárias definidas no âmbito nacional;
d) processo de gerenciamento e supervisão do trabalho das equipes;

46
e) forma de recrutamento, seleção e contratação dos profissionais das equipes,
contemplando o cumprimento da carga horária de 40 horas semanais;
f) implantação do Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB), incluindo
recursos humanos e materiais para operá-lo;
g) processo de avaliação do trabalho das equipes, da forma de acompanhamento
do Pacto dos Indicadores da Atenção Básica e da utilização dos dados dos
sistemas nacionais de informação;
h) a contrapartida de recursos do município e do Distrito Federal.
II - A proposta elaborada deverá ser aprovada pelos Conselhos de Saúde dos
Municípios e encaminhada à Secretaria Estadual de Saúde ou sua instância
regional para análise. O Distrito Federal, após a aprovação por seu Conselho de
Saúde, deverá encaminhar sua proposta para o Ministério da Saúde;
III - A Secretaria Estadual de Saúde ou sua instância regional terá o prazo máximo
de 30 dias após a data do protocolo de entrada do processo para sua análise e
encaminhamento à Comissão Intergestores Bipartite (CIB);
IV - Após aprovação na CIB, cabe à Secretaria de Saúde dos Estados e do Distrito
Federal informar ao Ministério da Saúde, até o dia 15 de cada mês, o número de
ESF, de ESB e de ACS que fazem jus ao recebimento de incentivos financeiros do
PAB variável;
V - O município, com as equipes previamente credenciadas pelo estado, conforme
decisão da CIB, passará a receber o incentivo correspondente às equipes
efetivamente implantadas, a partir do cadastro de profissionais no sistema
nacional de informação definido para esse fim, e da alimentação de dados no
sistema que comprovem o início de suas atividades;
VI -O Ministério da Saúde, os estados e os municípios terão o prazo de até 180
dias para implantação do novo fluxo de credenciamento e implantação de ESF, de
ESB e de ACS; e
VII - O fluxo dos usuários para garantia da referência e contra-referência à
atenção especializada, nos serviços assistenciais de média complexidade
ambulatorial, incluindo apoio diagnóstico laboratorial e de imagem - RX e ultra-
som, saúde mental e internação hospitalar, levando em conta os padrões mínimos
de oferta de serviços de acordo com os protocolos estabelecidos pelo Ministério
da Saúde e a proposta para garantia da assistência farmacêutica básica devem
constar no Plano Municipal de Saúde.
CAPÍTULO III
Do Financiamento Da Atenção Básica
1 - CONSIDERAÇÕES GERAIS
O financiamento da Atenção Básica se dará em composição tripartite.
O Piso da Atenção Básica (PAB) constitui-se no componente federal para o
financiamento da Atenção Básica, sendo composto de uma fração fixa e outra
variável.
O somatório das partes fixa e variável do Piso da Atenção Básica (PAB) comporá
o Teto Financeiro do Bloco Atenção Básica conforme estabelecido nas diretrizes
dos Pactos pela Vida, em Defesa do SUS e de Gestão.
Os recursos do Teto Financeiro do Bloco Atenção Básica deverão ser utilizados
para financiamento das ações de Atenção Básica descritas nos Planos de Saúde
do município e do Distrito Federal.

47
2 - DO PISO DE ATENÇÃO BÁSICA
O Piso da Atenção Básica - PAB consiste em um montante de recursos
financeiros federais destinados à viabilização de ações de Atenção Básica à
saúde e compõe o Teto Financeiro do Bloco Atenção Básica.
O PAB é composto de uma parte fixa (PAB fixo) destinada a todos os municípios e
de uma parte variável (PAB variável) que consiste em montante de recursos
financeiros destinados a estimular a
Legislação Citada 013
implantação das seguintes estratégias nacionais de reorganização do modelo de
atenção à saúde: Saúde da Família – SF; Agentes Comunitários de Saúde – ACS;
Saúde Bucal – SB; Compensação de Especificidades Regionais; Saúde Indígena
– SI; e Saúde no Sistema Penitenciário.
Os repasses dos recursos dos PABs fixo e variável aos municípios são efetuados
em conta aberta especificamente para essa finalidade, com o objetivo de facilitar o
acompanhamento pelos Conselhos de Saúde no âmbito dos municípios, dos
estados e do Distrito Federal.
Os recursos serão repassados em conta específica denominada “FMS – nome do
município – PAB” de acordo com a normatização geral de transferências fundo a
fundo do Ministério da Saúde.
O Ministério da Saúde definirá os códigos de lançamentos, assim como seus
identificadores literais, que constarão nos respectivos avisos de crédito, para
tornar claro o objeto de cada lançamento em conta. O aviso de crédito deverá ser
enviado ao Secretário de Saúde, ao Fundo de Saúde, ao Conselho de Saúde, ao
Poder Legislativo e ao Ministério Público dos respectivos níveis de governo.
Os registros contábeis e os demonstrativos gerenciais mensais devidamente
atualizados relativos aos recursos repassados a essas contas, ficarão,
permanentemente, à disposição dos Conselhos responsáveis pelo
acompanhamento, e a fiscalização, no âmbito dos Municípios, dos Estados, do
Distrito Federal e dos órgãos de fiscalização federais, estaduais e municipais, de
controle interno e externo.
Os municípios deverão remeter por via eletrônica o processamento da produção
de serviços referentes ao PAB à Secretaria Estadual de Saúde, de acordo com
cronograma por ela estabelecido. As Secretarias de Saúde dos Estados e do
Distrito Federal devem enviar as informações ao DATASUS, observando
cronograma estabelecido pelo Ministério da Saúde.
Os municípios e o Distrito Federal deverão efetuar suas despesas segundo as
exigências legais requeridas a quaisquer outras despesas da administração
pública (processamento, empenho, liquidação e efetivação do pagamento).
De acordo com o artigo 6º, do Decreto nº 1.651/95, a comprovação da aplicação
dos recursos transferidos do Fundo Nacional de Saúde para os Fundos Estaduais
e Municipais de Saúde, na forma do Decreto nº 1.232/94, que trata das
transferências, fundo a fundo, deve ser apresentada ao Ministério da Saúde e ao
Estado, por meio de relatório de gestão, aprovado pelo respectivo Conselho de
Saúde.
Da mesma forma, a prestação de contas dos valores recebidos e aplicados no
período deve ser aprovada no Conselho Municipal de Saúde e encaminhada ao
Tribunal de Contas do Estado ou Município e à Câmara Municipal.

48
A demonstração da movimentação dos recursos de cada conta deverá ser
efetuada, seja na Prestação de Contas, seja quando solicitada pelos órgãos de
controle, mediante a apresentação de:
I - relatórios mensais da origem e da aplicação dos recursos;
II - demonstrativo sintético de execução orçamentária;
III - demonstrativo detalhado das principais despesas; e
IV - relatório de gestão.
O Relatório de Gestão deverá demonstrar como a aplicação dos recursos
financeiros resultou em ações de saúde para a população, incluindo quantitativos
mensais e anuais de produção de serviços de Atenção Básica.
2.1. Da parte fixa do Piso da Atenção Básica
Os recursos do PAB serão transferidos mensalmente, de forma regular e
automática, do Fundo Nacional de Saúde aos Fundos Municipais de Saúde e do
Distrito Federal.
Excepcionalmente, os recursos do PAB correspondentes à população de
municípios que não
014 Legislação Citada
cumprirem com os requisitos mínimos regulamentados nesta Portaria podem ser
transferidos, transitoriamente, aos Fundos Estaduais de Saúde, conforme
resolução das Comissões Intergestores Bipartites.
A parte fixa do PAB será calculada pela multiplicação de um valor per capita fixado
pelo Ministério da Saúde pela população de cada município e do Distrito Federal e
seu valor será publicado em portaria específica. Nos municípios cujos valores
referentes já são superiores ao mínimo valor per capita proposto, será mantido o
maior valor.
A população de cada município e do Distrito Federal será a população definida
pelo IBGE e publicada em portaria específica pelo Ministério da Saúde.
Os municípios que já recebem incentivos referentes a equipes de projetos
similares ao PSF, de acordo com a Portaria nº 1.348/GM, de 18 de novembro de
1999, e Incentivos de Descentralização de Unidades de Saúde da FUNASA, de
acordo com Portaria nº 1.502/GM, de 22 de agosto de 2002, terão os valores
correspondentes incorporados a seu PAB fixo a partir da publicação do teto
financeiro do Bloco da Atenção Básica.
Ficam mantidas as ações descritas nos Grupos dos Procedimentos da Atenção
Básica, na Tabela do Sistema de Informações Ambulatoriais do Sistema Único de
Saúde que permanecem como referência para a alimentação dos bancos de
dados nacionais.
2.2. Do Piso da Atenção Básica Variável
Os recursos do PAB variável são parte integrante do Bloco da Atenção Básica e
terão sua utilização definida nos planos municipais de saúde, dentro do escopo
das ações previstas nesta Política.
O PAB variável representa a fração de recursos federais para o financiamento de
estratégias nacionais de organização da Atenção Básica, cujo financiamento
global se dá em composição tripartite.
Para fazer jus ao financiamento específico do PAB variável, o Distrito Federal e os
municípios devem aderir às estratégias nacionais:
I - Saúde da Família (SF);

49
II - Agentes Comunitários de Saúde (ACS);
III - Saúde Bucal (SB);
IV - Compensação de Especificidades Regionais;
V - Saúde Indígena (SI); e
VI - Saúde no Sistema Penitenciário.
A transferência dos recursos financeiros que compõem os incentivos relacionados
ao PAB variável da Saúde Indígena – SI será regulamentada em portaria
específica.
A transferência dos recursos financeiros que compõem os incentivos relacionados
ao PAB variável da Saúde no Sistema Penitenciário se dará em conformidade ao
disposto na Portaria Interministerial nº 1.777, de 9 de setembro de 2003.
A efetivação da transferência dos recursos financeiros que compõem os incentivos
relacionados ao PAB variável da SF, dos ACS e da SB tem por base os dados de
alimentação obrigatória do SIAB, cuja responsabilidade de manutenção e
atualização é dos gestores do Distrito Federal e dos municípios:
I - os dados serão transferidos, pelas Secretarias Estaduais de Saúde e do Distrito
Federal para o Departamento de Informática do SUS - DATASUS, por via
magnética, até o dia 15 de cada mês;
II - os dados a serem transferidos referem-se ao período de 1º a 30 do mês
imediatamente anterior ao do seu envio;
III - a transferência dos dados para a Base Nacional do SIAB se dará por meio do
BBS/MS, da Internet, ou por disquete;
IV - o DATASUS remeterá à Secretaria Estadual de Saúde o recibo de entrada
dos dados na Base Nacional do SIAB; e
V - O DATASUS atualizará a Base Nacional do SIAB, localizada no Departamento
de Atenção
Legislação Citada 015
Básica, da Secretaria de Atenção à Saúde, até o dia 20 de cada mês.
O número máximo de equipes de Saúde da Família, de Saúde Bucal e de ACS a
serem financiadas pelo Ministério da Saúde, a cada ano, será definido em portaria
específica, respeitando os limites orçamentários.
Os valores dos componentes do PAB variável serão definidos em portaria
específica pelo Ministério da Saúde.
Equipe de Saúde da Família (ESF)
Os valores dos incentivos financeiros para as Equipes de Saúde da Família
implantadas serão transferidos a cada mês, tendo como base o número de Equipe
de Saúde da Família (ESF) registrados no cadastro de equipes e profissionais do
Sistema de Informação de Atenção Básica – SIAB, no mês anterior ao da
respectiva competência financeira.
O número máximo de ESF pelas quais o município e o Distrito Federal podem
fazer jus ao recebimento de recursos financeiros específicos será calculado pela
fórmula: população / 2400.
A fonte de dados populacionais a ser utilizada para o cálculo será a mesma
vigente para cálculo da parte fixa do PAB.
São estabelecidas duas modalidades de financiamento para as ESF:
1. ESF Modalidade 1: são as ESF que atendem aos seguintes critérios:

50
I - estiverem implantadas em municípios com Índice de Desenvolvimento Humano
(IDH) igual ou inferior a 0,7 e população de até 50 mil habitantes nos Estados da
Amazônia Legal e até 30 mil habitantes nos demais Estados do País; ou
II - estiverem implantadas em municípios que integraram o Programa de
Interiorização do Trabalho em Saúde (PITS) e que não estão enquadrados no
estabelecido na alínea I deste item; e
III - estiverem implantadas em municípios não incluídos no estabelecido nas
alíneas I e II e atendam a população remanescente de quilombos ou residente em
assentamentos de no mínimo 70 (setenta) pessoas, respeitado o número máximo
de equipes por município, publicado em portaria específica.
2. ESF Modalidade 2: são as ESF implantadas em todo o território nacional que
não se enquadram nos critérios da Modalidade 1.
Os valores dos componentes do PAB variável para as ESF Modalidades I e II
serão definidos em portaria específica publicada pelo Ministério da Saúde. Os
municípios passarão a fazer jus ao recebimento do incentivo após o
cadastramento das Equipes de Saúde da Família responsáveis pelo atendimento
dessas populações específicas no Sistema de Informação da Atenção Básica
(SIAB).
Agentes Comunitários de Saúde (ACS)
Os valores dos incentivos financeiros para as equipes de ACS implantadas são
transferidos a cada mês, tendo como base o número de Agentes Comunitários de
Saúde (ACS), registrados no cadastro de equipes e profissionais do Sistema de
Informação de Atenção Básica – SIAB, na respectiva competência financeira.
Será repassada uma parcela extra, no último trimestre de cada ano, cujo valor
será calculado com base no número de Agentes Comunitários de Saúde,
registrados no cadastro de equipes e profissionais do Sistema de Informação de
Atenção Básica – SIAB, no mês de agosto do ano vigente.
O número máximo de ACS pelos quais o município e o Distrito Federal podem
fazer jus ao recebimento de recursos financeiros específicos será calculado pela
fórmula: população IBGE/ 400.
016 Legislação Citada
Para municípios dos estados da Região Norte, Maranhão e Mato Grosso, a
fórmula será: população IBGE da área urbana / 400 + população da área rural
IBGE/ 280.
A fonte de dados populacionais a ser utilizada para o cálculo será a mesma
vigente para cálculo da parte fixa do PAB, definida pelo IBGE e publicada pelo
Ministério da Saúde.
Equipes de Saúde Bucal (ESB)
Os valores dos incentivos financeiros para as Equipes de Saúde Bucal
implantadas serão transferidos a cada mês, tendo como base o número de
Equipes de Saúde Bucal (ESB) registrados no cadastro de Equipes e profissionais
do Sistema de Informação de Atenção Básica – SIAB, na respectiva competência
financeira.
Farão jus ao recebimento dos incentivos financeiros referentes a Equipes de
Saúde Bucal (ESB), quantas equipes estiverem implantadas no SIAB, desde que
não ultrapassem o número existente de Equipes de Saúde da Família, e
considerem a lógica de organização da Atenção Básica - Saúde da Família.

51
São estabelecidas duas modalidades de financiamento para as ESB:
I - Equipe de Saúde Bucal Modalidade 1: composta por no mínimo 1 cirurgião-
dentista e 1 auxiliar de consultório dentário;
II - Equipe de Saúde Bucal Modalidade 2: composta por no mínimo 1 cirurgião-
dentista, 1 auxiliar de consultório dentário e 1 técnico de higiene dental.
Compensação de Especificidades Regionais
Os valores do recurso Compensação de Especificidades Regionais serão
definidos em Portaria Ministerial especifica para este fim.
A utilização dos recursos de Compensação de Especificidades Regionais será
definida periodicamente pelas CIBs.
A CIB selecionará os municípios a serem contemplados, a partir de critérios
regionais, bem como a forma de utilização desses recursos de acordo com as
especificidades regionais e/ou municipais de cada estado, a exemplo de
sazonalidade, migrações, dificuldade de fixação de profissionais, IDH, indicadores
de resultados, educação permanente, formação de ACS.
Os critérios definidos devem ser informados ao plenário da CIT. No caso do
Distrito Federal, a proposta de aplicação deste recurso deverá ser submetida à
aprovação pelo Conselho de Saúde do Distrito Federal.
As Secretarias Estaduais de Saúde enviarão a listagem de municípios com os
valores e o período de transferência dos recursos pactuados nas CIBs ao
Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde, para que os valores
sejam transferidos do FNS para os FMS.
3 - REQUISITOS MÍNIMOS PARA MANUTENÇÃO DA TRANSFERÊNCIA DO
PAB
Os requisitos mínimos para a manutenção da transferência do PAB são aqueles
definidos pela legislação federal do SUS.
O Plano de Saúde municipal ou do Distrito Federal, aprovado pelo respectivo
Conselho de Saúde e atualizado a cada ano, deve especificar a proposta de
organização da Atenção Básica e explicitar como serão utilizados os recursos do
Bloco da Atenção Básica. Os municípios e o Distrito Federal devem manter a
guarda desses Planos por no mínimo 10 anos, para fins de avaliação,
monitoramento e auditoria.
O Relatório de Gestão deverá demonstrar como a aplicação dos recursos
financeiros resultou em ações de saúde para a população, incluindo quantitativos
mensais e anuais de produção de serviços de Atenção Básica, e deverá ser
apresentado anualmente para apreciação e aprovação pelo Conselho Municipal
de Saúde.
Os valores do PAB fixo serão corrigidos anualmente mediante cumprimento de
metas pactuadas para indicadores da Atenção Básica. Excepcionalmente o não
alcance de metas poderá ser avaliado e justificado pelas Secretarias Estaduais de
Saúde e pelo Ministério da Saúde de maneira a garantir
Legislação Citada 017
esta correção.
Os indicadores de acompanhamento para 2006 são:
I - Cobertura firmada pelo gestor municipal e do Distrito Federal para o ano
anterior no Pacto da Atenção Básica, para:
a) média anual de consultas médicas por habitante nas especialidades básicas;

52
b) proporção de nascidos vivos de mães com quatro ou mais consultas de pré-
natal;
c) razão entre exames citopatológico cérvico-vaginais em mulheres entre 25 e 59
anos e a população feminina nessa faixa etária; e
II - Cobertura vacinal da terceira dose de tetravalente em menores de um ano de
idade maior ou igual a 95%;
O Ministério da Saúde publicará anualmente, em portaria específica, os
indicadores de acompanhamento para fins de reajuste do PAB fixo.
4 - DA SOLICITAÇÃO DE CRÉDITO RETROATIVO
Considerando a ocorrência de problemas na alimentação do Sistema de
Informação de Atenção Básica – SIAB, por parte dos municípios e/ou do Distrito
Federal, e na transferência dos arquivos, realizada pelos municípios, o Distrito
Federal e os estados, o Fundo Nacional de Saúde - FNS/SE/MS poderá efetuar
crédito retroativo dos incentivos financeiros a equipes de Saúde da Família, a
equipes de Saúde Bucal e a de Agentes Comunitários de Saúde, com base em
solicitação da Secretaria de Atenção à Saúde - SAS/MS.
Esta retroatividade se limitará aos seis meses anteriores ao mês em curso.
Para solicitar os créditos retroativos, os municípios e o Distrito Federal deverão:
I - preencher a planilha constante do Anexo III a esta Política, para informar o tipo
de incentivo financeiro que não foi creditado no Fundo Municipal de Saúde ou do
Distrito Federal, discriminando a competência financeira correspondente e
identificando a equipe, com os respectivos profissionais que a compõem ou o
agente comunitário de saúde que não gerou crédito de incentivo;
II - imprimir o relatório de produção, no caso de equipes de Saúde da Família,
referente à equipe e ao mês trabalhado que não geraram a transferência dos
recursos; e
III - enviar ofício à Secretaria de Saúde de seu estado, pleiteando a
complementação de crédito, acompanhado da planilha referida no item I e do
relatório de produção correspondente. No caso do Distrito Federal, o ofício deverá
ser encaminhado ao Departamento de Atenção Básica da SAS/MS.
As Secretarias Estaduais de Saúde, após analisarem a documentação recebida
dos municípios, deverão encaminhar ao Departamento de Atenção Básica da
SAS/MS solicitação de complementação de crédito dos incentivos tratados nesta
Portaria, acompanhada dos documentos referidos nos itens I e II.
A Secretaria de Atenção à Saúde – SAS/MS, por meio do Departamento de
Atenção Básica, procederá à análise das solicitações recebidas, verificando a
adequação da documentação enviada, se houve suspensão do crédito em virtude
da constatação de irregularidade no funcionamento das equipes e se a situação
de qualificação do município ou do Distrito Federal, na competência reclamada,
permite o repasse dos recursos pleiteados.
5 - DA SUSPENSÃO DO REPASSE DE RECURSOS DO PAB
O Ministério da Saúde suspenderá o repasse de recursos do PAB aos municípios
e ao Distrito Federal, quando:
I - Não houver alimentação regular, por parte dos municípios e do Distrito Federal,
dos bancos de dados nacionais de informação, a saber:
a) Sistema de Informações da Atenção Básica (SIAB) - para os municípios e o
Distrito Federal, caso

53
018 Legislação Citada
tenham implantado ACS e/ou ESF e/ou ESB;
b) Sistema de Informações Ambulatorial - SIA;
c) Sistema de Informações sobre Mortalidade - SIM;
d) Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos - SINASC;
e) Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional - SISVAN;
f) Sistema de Informações de Agravos de Notificação - SINAN; e
g) Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações SIS-PNI.
Considera-se alimentação irregular a ausência de envio de informações por 2
meses consecutivos ou 3 meses alternados no período de um ano.
II - Forem detectados, por meio de auditoria federal ou estadual, malversação ou
desvio de finalidade na utilização dos recursos.
A suspensão será mantida até a adequação das irregularidades identificadas.
5.1. Da suspensão do repasse de recursos do PAB variável
O Ministério da Saúde suspenderá o repasse de recursos dos incentivos a equipes
de Saúde da Família ou de Saúde Bucal ao município e/ou ao Distrito Federal, nos
casos em que forem constatadas, por meio do monitoramento e/ou da supervisão
direta do Ministério da Saúde ou da Secretaria Estadual de saúde ou por auditoria
do DENASUS, alguma das seguintes situações:
I - inexistência de unidade de saúde cadastrada para o trabalho das equipes e/ou;
II - ausência de qualquer um dos profissionais da equipe por período superior a 90
(noventa) dias, com exceção dos períodos em que a contratação de profissionais
esteja impedida por legislação específica e/ou;
III - o descumprimento da carga horária para os profissionais das Equipes de
Saúde da Família ou de Saúde Bucal estabelecida nesta Política.
O Ministério da Saúde suspenderá o repasse de recursos dos incentivos, relativos
aos Agentes Comunitários de Saúde, ao município e/ou ao Distrito Federal, nos
casos em que forem constatadas, por meio do monitoramento e/ou da supervisão
direta do Ministério da Saúde ou da Secretaria Estadual de Saúde, ou por
auditoria do DENASUS, alguma das seguintes situações:
I - inexistência de unidade de saúde cadastrada como referência para a população
cadastrada pelos ACS e/ou;
II - ausência de enfermeiro supervisor por período superior a 90 (noventa) dias,
com exceção dos períodos em que a legislação eleitoral impede a contratação de
profissionais, nos quais será considerada irregular a ausência de profissional por
e/ou;
III - ausência de ACS, por período superior a 90 (noventa) dias consecutivos, e/ou;
IV - descumprimento da carga horária estabelecida nesta Política, para os
profissionais.
6 - DOS RECURSOS DE ESTRUTURAÇÃO
Na implantação das Equipes de Saúde da Família e de Saúde Bucal os municípios
e/ou o Distrito Federal receberão recursos específicos para estruturação das
Unidades de Saúde de cada Equipe de Saúde da Família e para Equipes de
Saúde Bucal, visando à melhoria da infra-estrutura física e de equipamentos das
Unidades Básicas de Saúde para o trabalho das equipes.
Esses recursos serão repassados na competência financeira do mês posterior à
implantação das equipes.

54
Caso a equipe implantada seja desativada num prazo inferior a 12 (doze) meses,
contados a partir do recebimento do incentivo de estruturação, o valor recebido
será descontado de futuros valores repassados aos Fundos de Saúde do Distrito
Federal, do estado ou do município.
Em caso de redução do numero de Equipes de Saúde da Família ou de Saúde
Bucal, o município ou o Distrito Federal não farão jus a novos recursos de
implantação até que seja alcançado o número de equipes já implantadas
anteriormente.
Legislação Citada 019
O Ministério da Saúde disponibilizará, a cada ano, recursos destinados à
estruturação da rede básica de serviços de acordo com sua disponibilidade
orçamentária. A CIT pactuará os critérios para a seleção dos municípios e/ou do
Distrito Federal.
Para o ano de 2006 serão disponibilizados recursos aos municípios:
I - Que realizem residência médica em medicina de família e comunidade
credenciada pelo CNRM; e
II - Que em suas Unidades Básicas de Saúde recebam alunos de Cursos de
Graduação contemplados no PROSAUDE.
O Ministério da Saúde publicará portaria especifica com o montante
disponibilizado, a forma de repasse, a listagem de contemplados e o cronograma
de desembolso.
Esses recursos serão transferidos fundo a fundo aos municípios que se
adequarem a esses critérios, e depositados em conta específica.
ANEXO I
AS ATRIBUIÇÕES DOS PROFISSIONAIS DAS EQUIPES DE SAÚDE DA
FAMÍLIA, DE SAÚDE BUCAL E DE ACS
As atribuições globais abaixo descritas podem ser complementadas com diretrizes
e normas da gestão local.
1 - SÃO ATRIBUIÇÕES COMUNS A TODOS OS PROFISSIONAIS:
I - participar do processo de territorialização e mapeamento da área de atuação da
equipe, identificando grupos, famílias e indivíduos expostos a riscos, inclusive
aqueles relativos ao trabalho, e da atualização contínua dessas informações,
priorizando as situações a serem acompanhadas no planejamento local;
II - realizar o cuidado em saúde da população adscrita, prioritariamente no âmbito
da unidade de saúde, no domicílio e nos demais espaços comunitários (escolas,
associações,entre outros), quando necessário;
III - realizar ações de atenção integral conforme a necessidade de saúde da
população local, bem como as previstas nas prioridades e protocolos da gestão
local;
IV - garantir a integralidade da atenção por meio da realização de ações de
promoção da saúde, prevenção de agravos e curativas; e da garantia de
atendimento da demanda espontânea, da realização das ações programáticas e
de vigilância à saúde;
V - realizar busca ativa e notificação de doenças e agravos de notificação
compulsória e de outros agravos e situações de importância local;

55
VI - realizar a escuta qualificada das necessidades dos usuários em todas as
ações, proporcionando atendimento humanizado e viabilizando o estabelecimento
do vínculo;
VII - responsabilizar-se pela população adscrita, mantendo a coordenação do
cuidado mesmo quando esta necessita de atenção em outros serviços do sistema
de saúde;
VIII - participar das atividades de planejamento e avaliação das ações da equipe, a
partir da utilização dos dados disponíveis;
IX - promover a mobilização e a participação da comunidade, buscando efetivar o
controle social;
X - identificar parceiros e recursos na comunidade que possam potencializar
ações intersetoriais com a equipe, sob coordenação da SMS;
XI - garantir a qualidade do registro das atividades nos sistemas nacionais de
informação na Atenção Básica;
020 Legislação Citada
XII - participar das atividades de educação permanente; e
XIII - realizar outras ações e atividades a serem definidas de acordo com as
prioridades locais.
2 - SÃO ATRIBUIÇÕES ESPECÍFICAS
Além das atribuições definidas, são atribuições mínimas específicas de cada
categoria profissional, cabendo ao gestor municipal ou do Distrito Federal ampliá-
las, de acordo com as especificidades locais.
Do Agente Comunitário de Saúde:
I - desenvolver ações que busquem a integração entre a equipe de saúde e a
população adscrita à UBS, considerando as características e as finalidades do
trabalho de acompanhamento de indivíduos e grupos sociais ou coletividade;
II - trabalhar com adscrição de famílias em base geográfica definida, a microárea;
III - estar em contato permanente com as famílias desenvolvendo ações
educativas, visando à promoção da saúde e a prevenção das doenças, de acordo
com o planejamento da equipe;
IV - cadastrar todas as pessoas de sua microárea e manter os cadastros
atualizados;
V - orientar famílias quanto à utilização dos serviços de saúde disponíveis;
VI - desenvolver atividades de promoção da saúde, de prevenção das doenças e
de agravos, e de vigilância à saúde, por meio de visitas domiciliares e de ações
educativas individuais e coletivas nos domicílios e na comunidade, mantendo a
equipe informada, principalmente a respeito daquelas em situação de risco;
VII - acompanhar, por meio de visita domiciliar, todas as famílias e indivíduos sob
sua responsabilidade, de acordo com as necessidades definidas pela equipe; e
VIII - cumprir com as atribuições atualmente definidas para os ACS em relação à
prevenção e ao controle da malária e da dengue, conforme a Portaria nº 44/GM,
de 3 de janeiro de 2002.
Nota: É permitido ao ACS desenvolver atividades nas unidades básicas de saúde,
desde que vinculadas às atribuições acima.
Do Enfermeiro do Programa Agentes Comunitários de Saúde:
I - planejar, gerenciar, coordenar e avaliar as ações desenvolvidas pelos ACS;

56
II - supervisionar, coordenar e realizar atividades de qualificação e educação
permanente dos ACS, com vistas ao desempenho de suas funções;
III - facilitar a relação entre os profissionais da Unidade Básica de Saúde e ACS,
contribuindo para a organização da demanda referenciada;
IV - realizar consultas e procedimentos de enfermagem na Unidade Básica de
Saúde e, quando necessário, no domicílio e na comunidade;
V - solicitar exames complementares e prescrever medicações, conforme
protocolos ou outras normativas técnicas estabelecidas pelo gestor municipal ou
do Distrito Federal, observadas as disposições legais da profissão;
VI - organizar e coordenar grupos específicos de indivíduos e famílias em situação
de risco da área de atuação dos ACS; e
VII - participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado
funcionamento da UBS.
Do Enfermeiro:
I - realizar assistência integral (promoção e proteção da saúde, prevenção de
agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação e manutenção da saúde) aos
indivíduos e famílias na USF e, quando indicado ou necessário, no domicílio e/ou
nos demais espaços comunitários (escolas, associações etc), em todas as fases
do desenvolvimento humano: infância, adolescência, idade adulta e terceira idade;
Legislação Citada 021
II - conforme protocolos ou outras normativas técnicas estabelecidas pelo gestor
municipal ou do Distrito Federal, observadas as disposições legais da profissão,
realizar consulta de enfermagem, solicitar exames complementares e prescrever
medicações;
III - planejar, gerenciar, coordenar e avaliar as ações desenvolvidas pelos ACS;
IV - supervisionar, coordenar e realizar atividades de educação permanente dos
ACS e da equipe de enfermagem;
V - contribuir e participar das atividades de Educação Permanente do Auxiliar de
Enfermagem, ACD e THD; e
VI - participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado
funcionamento da USF.
Do Médico:
I - realizar assistência integral (promoção e proteção da saúde, prevenção de
agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação e manutenção da saúde) aos
indivíduos e famílias em todas as fases do desenvolvimento humano: infância,
adolescência, idade adulta e terceira idade;
II - realizar consultas clínicas e procedimentos na USF e, quando indicado ou
necessário, no domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas,
associações etc);
III - realizar atividades de demanda espontânea e programada em clínica médica,
pediatria, ginecoobstetrícia, cirurgias ambulatoriais, pequenas urgências clínico-
cirúrgicas e procedimentos para fins de diagnósticos;
IV - encaminhar, quando necessário, usuários a serviços de média e alta
complexidade, respeitando fluxos de referência e contra-referência locais,
mantendo sua responsabilidade pelo acompanhamento do plano terapêutico do
usuário, proposto pela referência;

57
V - indicar a necessidade de internação hospitalar ou domiciliar, mantendo a
responsabilização pelo acompanhamento do usuário;
VI - contribuir e participar das atividades de Educação Permanente dos ACS,
Auxiliares de Enfermagem, ACD e THD; e
VII - participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado
funcionamento da USF.
Do Auxiliar e do Técnico de Enfermagem:
I - participar das atividades de assistência básica realizando procedimentos
regulamentados no exercício de sua profissão na USF e, quando indicado ou
necessário, no domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas,
associações etc);
II - realizar ações de educação em saúde a grupos específicos e a famílias em
situação de risco, conforme planejamento da equipe; e
III - participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado
funcionamento da USF.
Do Cirurgião Dentista:
I - realizar diagnóstico com a finalidade de obter o perfil epidemiológico para o
planejamento e a programação em saúde bucal;
II - realizar os procedimentos clínicos da Atenção Básica em saúde bucal,
incluindo atendimento das urgências e pequenas cirurgias ambulatoriais;
III - realizar a atenção integral em saúde bucal (promoção e proteção da saúde,
prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação e manutenção da
saúde) individual e coletiva a todas as famílias, a indivíduos e a grupos
específicos, de acordo com planejamento local, com resolubilidade;
IV - encaminhar e orientar usuários, quando necessário, a outros níveis de
assistência, mantendo
022 Legislação Citada
sua responsabilização pelo acompanhamento do usuário e o segmento do
tratamento;
V - coordenar e participar de ações coletivas voltadas à promoção da saúde e à
prevenção de doenças bucais;
VI - acompanhar, apoiar e desenvolver atividades referentes à saúde bucal com os
demais membros da Equipe de Saúde da Família, buscando aproximar e integrar
ações de saúde de forma multidisciplinar.
VII - contribuir e participar das atividades de Educação Permanente do THD, ACD
e ESF;
VIII - realizar supervisão técnica do THD e ACD; e
IX - participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado
funcionamento da USF.
Do Técnico em Higiene Dental (THD):
I - realizar a atenção integral em saúde bucal (promoção, prevenção, assistência e
reabilitação) individual e coletiva a todas as famílias, a indivíduos e a grupos
específicos, segundo programação e de acordo com suas competências técnicas
e legais;
II - coordenar e realizar a manutenção e a conservação dos equipamentos
odontológicos;

58
III - acompanhar, apoiar e desenvolver atividades referentes à saúde bucal com os
demais membros da equipe de Saúde da Família, buscando aproximar e integrar
ações de saúde de forma multidisciplinar.
IV - apoiar as atividades dos ACD e dos ACS nas ações de prevenção e promoção
da saúde bucal; e
V - participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado
funcionamento da USF.
Do auxiliar de Consultório Dentário (ACD):
I - realizar ações de promoção e prevenção em saúde bucal para as famílias,
grupos e indivíduos, mediante planejamento local e protocolos de atenção à
saúde;
II - proceder à desinfecção e à esterilização de materiais e instrumentos utilizados;
III - preparar e organizar instrumental e materiais necessários;
IV - instrumentalizar e auxiliar o cirurgião dentista e/ou o THD nos procedimentos
clínicos;
V - cuidar da manutenção e conservação dos equipamentos odontológicos;
VI - organizar a agenda clínica;
VII - acompanhar, apoiar e desenvolver atividades referentes à saúde bucal com
os demais membros da equipe de saúde da família, buscando aproximar e integrar
ações de saúde de forma multidisciplinar; e
VIII - participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado
funcionamento da USF.
ANEXO II
DA POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO BÁSICA
Quadros Para Projetos de Implantação – ACS/SF/SB
Caracterização Geral

Nome ou nº da Área geográfica de atuação (Nome do População


SF/SB. município / Bairro / Comunidade) estimada
Legislação Citada 023
Infra-Estrutura
Forma de contratação de recursos humanos

Profissional Forma de Forma de Forma de Regime de


recrutamento seleção contratação trabalho
Médico
Enfermeiro
Auxiliar de enfermagem
Agente comunitário de saúde
Dentista
Auxiliar de Consultório Dentário (ACD)
Técnico em Higiene Dental (THD)
Outros profissionais
(especificar)

Quadro de Metas das Ações em Áreas Estratégicas

59
Nome ou nº Área estratégica Ações Quantitativo de ações
da ESF de atuação propostas programadas por ano, por ESF
para a ESF
Saúde da Criança
Saúde da Mulher
Controle do Diabetes
Controle da Hipertensão
Eliminação da Hanseníase
Controle da Tuberculose
Saúde Bucal
Eliminação da desnutrição infantil
Promoção da saúde
Saúde do Idoso

Avaliação e acompanhamento das ações

Instrumento de Avaliação Forma de acompanhamento proposta


SIAB
Pacto de Atenção Básica
Pacto de Gestão
Outros (especificar)

60
024 Legislação Citada
Quadro resumo de financiamento das áreas de implantação

Despesas Despesas com Despesas com Estruturação TOTAL


pessoal material/manutenção.
Atual
Proposta com SF/SB

Receitas Recursos Recursos Incentivo Ministério da TOTAL


municipais estaduais Saúde
Atual PAB Fixo
Proposta com SF/SB ?

Definição das Referências na Média Complexidade

Ações de Nome e local da Unidade de Forma de


Referência Referência Encaminhamento
Atendimentos especializados
Atendimentos de urgência
Exames de laboratório
Radiodiagnóstico
Ultra-sonografia
Reabilitação
Internação nas Clínicas Básicas

ANEXO III
DA POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO BÁSICA
SOLICITAÇÃO RETROATIVA DE COMPLEMENTAÇÃO DO REPASSE DOS
INCENTIVOS FINANCEIROS – ANO ______
EQUIPES DE SAÚDE DA FAMÍLIA, EQUIPES DE SAÚDE BUCAL E DE AGENTES
COMUNITÁRIOS DE SAÚDE.
MUNICÍPIO:____________________ UF: _____________________
CÓDIGO IBGE: _____________________________________
COMPETÊNCIA:______________
TIPO DE INCENTIVO: CUSTEIO ( ) ADICIONAL ( )
ESF ( ) ACS ( ) ESB Mod I( ) ESB Mod II ( )
IDENTIFICAÇÃO DA EQUIPE: _____________________________
MOTIVO DO NÃO CADASTRAMENTO NO
SIAB:______________________________________
___________________________________________________________________
___________

NOME DOS CATEGORIA REGISTRO PROFISSIONAL /


PROFISSIONAIS PROFISSIONAL IDENTIDADE

NOME DA EQUIPE: Identificação da equipe através do nome por ela utilizado.


TIPO DE INCENTIVO: Identificar, inicialmente, se o incentivo é de custeio (aquele
transferido mensalmente) ou é o adicional. Em seguida, marcar se é relativo a

61
equipes de saúde da família, agentes comunitários de saúde ou equipes de saúde
bucal, modalidade I ou II.
RELAÇÃO DE PROFISSIONAIS: Nome completo de cada profissional integrante da
equipe, que não gerou incentivo.
CATEGORIA PROFISSIONAL: Identificar a categoria de cada profissional listado na
coluna anterior
IDENTIDADE/ REGISTRO PROFISSIONAL: Informar, para o médico, enfermeiro e
dentista, o registro profissional; e para os demais, digitar o número do documento de
identidade,
DATA:__________________________________________________
SECRETÁRIO MUNICIPAL DE SAÚDE:_____________________
SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO:
____________________________________________

b. Produção escrita do grupo:

i. Problemas apontados:

Aula do dia 13/09/2007- Faculdade de Odonto.

Principais Problemas Visualizados nas Visitas de Campo em Felipe Camarão:

# Grupo: 01
*Lixo na rua, esgoto.
*Falta de voluntariado na biblioteca comunitária. *
*Indisponibilidade de Lazer.
*Alcoolismo. *
*Falta de espaço adequado para projetos sociais. Ex: dentinho.
*Demora na reforma da USF.
*Falta de Vacina na USF.
* Falta de organização e de espaço lúdico na Biblioteca.

#Grupo: 02

* Lixão.
* Falta de equipamentos sociais.
* Disponibilidade social-casas diferenciadas.
* População não acredita na prevenção. * * * *
* Falta uma política de planejamento familiar. *
* Falta de compromisso da polícia.

# Grupo: 03

*Inexistência da escola de ensino médio.


*Pessoas ociosas-desempregadas.* *
*Esgoto a céu aberto provocando mau cheiro.
*Posto policial sem viatura e sem armas.
*Gravidez na adolescência. * * * * *
* Habitação inadequada-Favela do fio.

62
# Grupo: 04.

* Falta de incentivo dos profissionais (agente de saúde), para inserir os usuários em


grupos operativos. * * * *
* Violência doméstica-mulher.
* Drogadição.
* Falta de conscientização do ACS, DO PAPEL DE EDUCADOR.
* Sobrecarga de famílias nas equipes.
* Feira ao lado da USF, sem estrutura.

Os problemas que estão em vermelho, foram aqueles que consideramos mais


importante.
Aqueles que se for possível pretendemos melhorar ao longo do nosso trabalho na
saci.
A quantidade de asterisco representa o grau de importância.

ii. Repente:
SACI
Construindo a Saúde no Bairro

É no intuito de ajudar
Que vamos orientar
Pois o povo a saúde
Deve preservar. ///
Cada um tem que se cuidar
E o posto procurar
Não esperar ficar doente
Tem que sempre se lembrar /
Prevenir é bem melhor
Do que remediar. ///

O posto está lá
Esperando por você
Na equipe de saúde
Tem que confiar. ///
E das doenças lhe defender
Pra que com saúde
Você possa viver. ///

É preciso consciência
Procurar conhecimento
Lutar por água tratada
E também saneamento. ///
O povo deve estar atento
Agora e em todo momento
E dos políticos cobrar

63
Sempre investimento. ///

Não quero caridade


E sim solidariedade
É nosso direito
É minha vontade. /
Lutar para mudar
Essa realidade.

Falado (D. Chiquinha):


E assim eu termino meu verso
Que minha poesia não seja em vão
Essa é a mensagem
Da Saci de Filipe Camarão.

Obs: /// = pausa, / = pequena pausa

iii. Presentes na Assembléia Do dia 25/10/2007.

# Dona Graça: Representante da Capela Santo Antonio.


# Iza Carmem: Representante do PDA Caminho do Sol da Visão Mundial.
# Professora Luciene: Representante da Escola Municipal Djalma Maranhão.
# Maria do Rosário:Representante do Grupo Pastoril.
#Carmelita: Representante da Unidade Básica.
# Jaziel: Médico da Unidade Básica.
# Sônia Lima: Representante da Creche Recanto de Clara.
#Maria Aparecida: Representante da Comunidade.
# José Maria Bezerra: Representante do bairro- faz trabalho voluntariado na Associação de
Morados e é o responsável pela feira.
# Luciano Dias: Agente Comunitário da Unidade Básica de Saúde.
# Climere: Enfermeira da Unidade básica de saúde.
# Darcy Viana: Representante da Unidade básica de saúde.
# Ilma: Representante da Unidade básica de saúde.
#Josineide Francisca: Moradora do Bairro.
# Joseane: Moradora do Bairro.
# Susany: Diretora da Unidade básica de saúde.
#Aldenora Néri: Moradora do Bairro.
# Jose Francisco: Moradora do Bairro
# Jose Roberto: Moradora do Bairro
#Magali Saionara: Moradora do Bairro
#Severina Lucas: Representante do Conselho Gestor, junto a UBS E TRABALHA NA
PastoraL da Criança.
# Dorgival da Silva: Funcionário da UBS.
#Cristina Soares: Moradora do Bairro.
# Maria da Gloria de Morais: Trabalha no grupo Conviver.
#Leila Maria: Dentista da UBS.
# Neise da Conceição: Moradora do Bairro.

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#Maria Lucinda: Moradora do Bairro.
#Maria das Graças:trabalha na UBS.

iv. Reunião

I MOMENTO – Apresentação da Disciplina


Joelma iniciou a apresentação citando como surgiu a disciplina Saci (projeto de
extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Norte) e os objetivos
estabelecidos, dentre os quais:
- Identificar os problemas da comunidade, procurando resolve-los;
- Multiprofissionalidade e Interdsciplinaridade;
- Trabalho em equipe;
- Humanzação dos profissionais.
A colega Jaiana falou a comunidade sobre o seu aprendizado no Saci, inclusive o
impacto que essa matéria sobre sua vida profissional e pessoal. Foi dada ênfase a
importância de existir interação e convívio entre os profissionais e os seus
beneficiados desde o início do curso.
A primeira pergunta foi feita pelo médico da UBS, doutor Jaziel: qual foi
a forma que o grupo chegou aos problemas? Conversando com as pessoas da
comunidade? A resposta, dada pelos componentes do Saci como um todo, foi que
chegamos aos problemas através dos passeios exploratórios. Tais passeios foram
fundamentais para conhecermos os aspectos do bairro.
A segunda pergunta deste momento foi feita pela convidada Maria do
Rosário, integrante do grupo pastoril: como ocorre a atuação do grupo Saci na
comunidade? A resposta dada pelos componentes Ingrid e Rafael Vasconcelos foi
que procuramos implantar a conscientização através de conversas, reflexões e
atividades interativas. O princípio que move a disciplina é o de ser o sujeito ativo do
processo, como lembrou Rafael.

II MOMENTO – Problemas Identificados


A introdução deste segundo momento foi feita por Juliano. Foram feitos
os devidos agradecimentos às boas vindas do grupo Saci. Foi ressaltada, ainda, a
atividade dos grupos culturais do bairro, como o Grupo Pastoril.
Rafael Vasconcelos, em seguida, apresentou aos convidados os
problemas identificados, dentre os quais:
- Gravidez na adolescência;
- Lixo e Esgotos a céu aberto;
- Uso de drogas;
- Violência;
- Falta de policiamento;
- Ausência de lazer;
- Questões envolvendo Educação e Saúde.
- Contaminação da água por Nitrato.
Dona Maria do Rosário acrescentou mais dois problemas: a questão do
saneamento básico, inexistente no bairro, e o maltrato e descaso com os animais
abandonados.
Entretanto, o problema que mais atraiu a atenção dos convidados foi o
último, da contaminação da água. Novamente, Dona Maria expôs sua opinião sobre
o assunto, falando o quão seria importante haver esclarecimentos sobre como lidar
com essa água; até que ponto ela seria prejudicial.

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Nesse ponto, a discussão começou a se prolongar e a tutora Socorro
chamou a atenção dos convidados para a escolha do problema.
A professora Lucienne, da escola Djalma Maranhão, falou de um
problema que está sendo observado nesta escola são as doenças de pele
constantes entre as crianças. Aproveitou o momento, também, para informar que a
intervenção do Saci vai ser desenvolvida no espaço da escola, no dia 08/11/2007.
Dona Severina, representante do Conselho Gestor, falou da importância
do bairro também se mobilizar e buscar os órgãos responsáveis, e não somente
reclamar do descaso e falta de compromisso. Ressaltou ainda o poder que o grupo
tem sobre as mudanças, quando um único indivíduo dificilmente detem esse poder.
Alguns convidados também reclamaram das ruas que não são calçadas
e por isso recebem toda a água que escoa das chuvas e esgotos.
Ficou decidido que, na próxima quinta feira, uma nova reunião será
realizada para a discussão das possíveis soluções para o problema escolhido, que
foi a Contaminação da Água por Nitrato.
Por fim, dona Graça, médica do Programa Saúde da Família, sugeriu
fazer um planejamento de trabalho para 2008.

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Referências:

GÓES, Moacir de, Djalma maranhão.Disponível em:


<http://www.dhnet.org.br/memoria/djalma/textos/apresent.htm>
Acessado em 23 de agosto de 2007

Historia do Rio Grande do Norte, C r i s e d e 6 4 e P o s t e r i o r P a z.


Disponível em:<http://tribunadonorte.com.br/especial/histrn/hist_rn_13d.htm>
Acessado em 23 de agosto de 2007

Conexão Felipe Camarão, Felipe camarão. Disponível em:


<http://www.conexaofelipecamarao.org.br/felipecamarao-o-bairro.php>
Acessado em 13 de setembro de 2007

Prefeitura do Natal, Felipe Camarão. Disponível em:


<http://www.natal.rn.gov.br/semurb/bairros/oeste/felipe_camarao.php>.Acessado em
13 de setembro de 2007

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