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Trabalho

De

Geografia
O impulso de industrialização pós-Segunda Guerra Mundial: 1946-61

Embora a continuação do processo de industrialização brasileira logo após a


segunda guerra mundial fosse originado por circunstancias semelhantes às que
prevaleceram durante os anos de depressão, isto é, dificuldades no balanço de
pagamentos, suas características fundamentais eram totalmente diversas.
Em 1950, a industrialização não era mais uma reação defensiva a
acontecimentos externos, mas se tornara a principal maneira encontrada pelo
governo para modernizar e aumentar a taxa de crescimento da economia. Tendo
em vista que o pais não poderia mais contar com a exportação de seus produtos
primários afim de alcançar suas ambições de desenvolvimento.

O comercio exterior do Brasil e seu papel na economia


A estrutura das mercadorias de exportação brasileiras estava concentrada em
uma pequena quantidade de produtos : café , cacau, açúcar, algodão e fumo. E os
principais mercado eram os EUA e Europa ocidental.
O Brasil era extremamente dependente das exportações. No final dos anos 40
a maior fatia do PIB era ocupada pelo setor agrícola (28%) e, em 1950 mais de
60% da população estava empregada nele. Assim mudanças nos rendimentos das
principais exportações brasileiras exerciam fortes efeitos negativos ou positivos
na economia.

O mercado mundial para as exportações tradicionais do Brasil nos anos 50


Os formadores da política econômica do período pós-guerra eram pessimistas
quanto ao futuro dos mercados para as exportações tradicionais brasileiras. As
taxas anuais de crescimento para os tipos de produtos exportados pelo Brasil eram
baixas (3,8% no açúcar e 2,2% no café), comparadas com as dos produtos
manufaturados (que cresciam em média 6,6%).
Na época era difícil imaginar como o pais poderia esperar atingir elevadas
taxas de crescimento ao mesmo tempo em que contava principalmente com
exportações de produtos primários.
Diante desse quadro ouve uma queda da participação do Brasil no mercado
mundial para suas mercadorias de exportação. Uma das razões básicas para essa
queda reside na manutenção de elevados preços para o café no principio do pós-
guerra, quando o pais dominava o mercado mundial, encorajando outros países a
produzirem o produto.
Além de uma tendência mundial desfavorável no mercado para os produtos
primários, a tecnologia de produção resultaram na diminuição de insulso de
matéria-prima sobre cada unidade de produto final, agravou o desempenho das
exportações brasileiras.
As evidencias pareciam indicar que o pais não se encontrava apenas no grupo
de nações cujas exportações constantemente perdiam participação no mercado
mundial, mas também estavam entre aquelas cujas exportações apresentavam
poucas chances de recobrar a antiga superioridade, e é nesse contexto que se deve
encarar a decisão gradativa tomada pelo governo brasileiro em mudar a estrutura
da economia provendo a industrialização á importação.

Os anos pós-guerra
A queda drástica das importações ocorrida durante a Segunda guerra Mundial
e o incremento das exportações causaram um aumento nas reservas cambias do
pais, de US$74 milhões no inicio da guerra, para US$708 milhões em 1945.
Em fevereiro desse ano o governo criou um regime cambial sem restrições,
exceto por limitações quanto a remessa de lucros. As importações estavam não
sofreram restrições quantitativas e a moeda estrangeira estava livremente
disponível para a maioria das transações de capital.
A moeda brasileira foi mantida com o mesmo valor do período anterior a
guerra e não mudou até 1953, enquanto os preços subiram 285% de 1945 a 1953.
Em 1945 a taxa de cambio havia sido super valorizada em relação ao dólar, visto
que durante o período de 1937-1945 os preços no Brasil haviam aumentado 80%
mais que nos EUA.
A continua super valorização da moeda brasileira pode ser atribuída a várias
metas políticas governamentais. Em 1º lugar os formadores da política econômica
estavam ansiosos em gastar as reservas cambiais acumuladas durante a guerra a
fim de atender a demanda reprimida por importações. Em 2º, visto que a inflação
era uma preocupação primordial, foi considerada justificada a existência de um
déficit no balanço de pagamentos financiados por reservas cambiais passadas a fim
de manter os preços baixos. Havia também o receio de impacto inflacionario
adicional causado pela desvalorização.
Porém dentro de 1 ano as reservas acumuladas durante o período de guerra
havia desaparecido, resultado da febre de importação.
Não se tem certeza se a brusca queda na taxa real de crescimento da
produção foi resultado do repentino fluxo de importações, mas podemos observar
que a taxa real de crescimento tornou a aumentar em 1948, depois que as reservas
foram esgotadas, e permaneceram em um nível elevado no restante da década.

Controle do câmbio: 1946-1953


O controle de cambio foi uma das medidas básicas para a industrialização do
pais, teve inicio em 1947 e permaneceram até 1953. Durante esse período o
cruzeiro tornou-se crescentemente valorizado, que estimulava as importações. Foi
utilizado um sistema de licenciamento de importações para manter a demanda sob
controle.
As importações tornaram-se acessíveis de acordo com um sistema de
categorias definido pelo CEXIM (departamento de exportação e importação do
banco do Brasil). Gêneros de primeiras necessidades como remédio, inseticidas,
fertilizantes, podiam ser livremente importados. Já outros considerados supérfluos,
tinha a importação desencorajada por longas listas de espera para a obtenção de
licença.
Com a crescente pressão do excesso de demanda por moeda estrangeira, e o
sistema de licenciamento foi se tornando demorado e cheio de falhas.
Em 1951 o CEXIM relaxou o controle por acreditar que a guerra na Coréia se
transformaria em um conflito mundial e que traria consigo uma escassez geral de
suprimentos do estrangeiro.
Como resultado as importações subiram ainda mais, mas parte foi
compensada com o aumento das exportações do café.
Porem o sistema do CEXIM enfraqueceu devido ao surgimento de abusos, e
estimulo à remessa de lucro e a uma evasão de capital ao mesmo tempo que
desencorajou a entrada do capital novo.

Sistema cambio múltiplo 1953-57


Em janeiro de 1953 foi adotado uma nova política voltada para um sistema
cambial mais flexível, a lei 1807 criou o cambio livre limitado que permitiu a
entrada e saída de capital e seus lucros e a compra e venda de moeda estrangeira
parra fins de turismo.
As importações e a maioria das exportações ficavam retidas no cambio oficial
e eram controlados pelo CEXIM. Denterminadas importações que o governo queria
estimular eram parcial ou totalmente permitidas no cambio livre.
Em outubro de 1953 instituiu-se uma reforma básica no sistema cambial com
a lei 2145 que criava um sistema de cambio múltiplo que eliminou controles
quantitativos diretos e criou leilões para a obtenção de divisas. Ficavam livres do
leilão, importações considerados essenciais para o desenvolvimento do pais, como o
petróleo.
O sistema cambial múltiplo representava algum avanço em direção a
desvalorização da moeda diante da inflação continua, além de ter criado um
mecanismo de mercado para equiparar a oferta e a procura da moeda estrangeira,
direcionou parra o governo os lucros inesperados obtidos com as importações e
eliminou as pressões da corrupção administrativa na distribuição de licenças.
A aplicação do sistema agiu como grande desestimulo as exportações.

Mudanças nos controles cambiais : 1957-61


Em 1957 houve uma mudança básica no sistema cambial brasileiro, com a
promulgação da lei 3244, onde foram introduzidas tarifas ‘ad valorem’, que
elevaram até a 150%, as categorias cambiais foram reduzidas de 5 para 2, a
categoria geral (matérias-primas, bens de capital), e a categoria especifica (eram
os bens considerados não essenciais)
Em meados dos anos 50, o sistema cambial mudou, não era mais considerado
em um instrumento para resolver as dificuldades da balança de pagamentos, mas
sim uma ferramenta para promover a industrialização. A prova dessa postura está a
lei tarifária de1957 do SUMOC, que permitiu a importação de equipamentos sem
necessidades cobertura cambial e o investidor estrangeiro poderia importar
maquinas sob condição de concordar em aceitar pagamento pela participação do
capital no empreendimento no qual o equipamento seria utilizado.
De 1958 a 61 o dólar no cambio livre estava abaixo da taxa aplicada pela
categoria geral.
Durante os últimos anos desse sistema o governo arrancava empréstimos
compulsórios de exportadores e importadores, que pagavam a ágio do mercado de
leilões e recebiam a moeda em seis meses depois. Os exportadores recebiam
somente uma fração dos preços da moeda estrangeira em cruzeiros, o saldo era
investidos em títulos públicos de seis meses no Banco do Brasil.

Reforma cambial: 1961-63


Em 1961 foi instituído uma nova política cambial com a instrução 204 do
SUMOC. O cambio de custo foi aumentado, as importações pertencentes a
categoria geral, e todas as exportações exceto o café foram colocados no mercado
livre.
Outras instruções do SUMOC que se seguiram transferindo os ganhos
cambiais auferidos com as exportações de café para o mercado livre, exigindo
que os exportadores pagassem uma taxa em dólar, que permitiu com o
equivalente em cruzeiros, o financiamento de apoio ao excesso de produção. Outra
medida transferiu todas as importações para o livre comercio, assim trouxeram
maior unidade ao sistema cambial.
Os anos de 1962-63 foram dominados por crises políticas e por pressões
nacionalistas (que ocasionou a promulgação de um rígido decreto de remessas de
lucro no final de 1962) uma progressiva queda na receita cambial (oriunda das
exportações e a aceleração da taxa de inflação).
Durante esse período o estabelecimento do ‘cambio livre’ oficial ficou muito
defasado em relação nacional, que pouco estimulou novos tipos de exportações.

Lei dos similares


Na ultima década do século XIX a proteção tarifária transformou-se no que
ficou conhecida como a ‘lei dos similares’. Os grandes produtores brasileiros que
queriam proteção poderiam requerer o registro dos bens que produziam ou que
pretendiam produzir.
A medida que o processo de industrialização prosseguia, a lei era aplicada
de forma a encorajar uma intensa integração vertical, isto é dentro das
empresas ou dentro do pais através do surgimento de empresas fornecedoras. De
acordo com um estudo de companias americanas que operavam no Brasil.
A lei dos similares foi um incentivo que fez os investidores estrangeiros
passarem da importação a montagem ou da montagem a fabricação totalmente
desenvolvida. A característica essencial desse incentivo foi o medo da exclusão
completa do mercado mas do que a esperança de se obter um tratamento
preferencial em relação a concorrência.
Porém, a lei estimulou muitos grupos locais a estabelecerem empresas
fornecedoras.

Planos e programas especiais


A primeira tentativa de planejar os recursos do Brasil de uma foram
eficiente, depois da 2ºguerra mundial, foi a introdução do plano SALTE.
Não se tratava de um plano econômico completo, mas de um programa de
gastos públicos nas áreas de saúde, alimentação transporte e energia, com
duração de cinco anos. (de 1950 à 1954). O plano não durou mais de um ano
devido a problemas de implementação e principalmente devido a dificuldades
financeiras.
Esperava-se obter algum dos novos recursos necessários através de
tributações da receita adicional resultante do plano em si, outro por meio de
vendas da moeda estrangeira retidas no Banco do Brasil, e o restante teria de vir
de operações de empréstimos, mas não contavam com as possíveis dificuldades
no balanço de pagamentos que reduziam as probabilidades de financiar o plano
com vendas de remessas, com o aumento de inflação e com os déficit
orçamentários que dificultavam a concessão de empréstimos.
Com a encerramento do plano em 1951, alguns projetos de obras publicas
foram transferidos a vários departamentos do governo, a fim de serem
reiniciados quando houvesse recursos. Esse plano, apesar de não dispor de
medidas para o setor privado ou de programas que o influenciassem, ele
conseguiu chamar atenção para outros setores da economia defasados em
relação a industria e que poderiam, consequentemente, impedir um futuro
desenvolvimento.
O trabalho da comissão econômica conjunta Brasil- EUA no período de 1951
a 1953 constituiu uma tentativa de planejamento muito mais ambiciosas e
conduziu um dos mais completos levantamentos da economia brasileira já
realizados até aquela época, e formou uma série de projetos de infra-estrutura.
Embora nunca tenha sido formalmente adotado, o plano da comissão
conjunta exerceu vários benefícios, como por exemplo a criação do BNDE (banco
nacional de departamento econômico), cujo propósito era planejar, analisar e
financiar a infra estrutura e vários projetos industriais.
No que se refere ao impulso dado a projetos em setores defasados da
economia, o trabalho da comissão foi mais bem sucedido que o plano SALTE.
Esses vários planos de desenvolvimento do pós-guerra e as intensas
discussões que os cercaram disseminaram uma espécie de mística política de
desenvolvimento entre os lideres brasileiros da opinião pública e política, que veio
a se chamar ‘desenvolvimentismo’.
Essa preocupação com o desenvolvimento e o papel do governo em
influencia-lo firmemente, tornou-se característica de destaque da administração do
presidente Jucelino Kubitichek (1956-61) que no dia posterior a sua posse, foi
criado o conselho de desenvolvimento nacional que formulou o programa de
metas.
Não se tratava de um programa de desenvolvimento global, pois não
abrangiam todas as áreas de investimentos públicos ou as industrias de base.
Foram cobertas cinco áreas gerais : energia, transporte, fornecimento de
alimentos, industrias de base e educação. A construção da nova capital, Brasília,
no interior, era em projeto especial do programa, mesmo não contribuindo de
imediato para o aumento da capacidade produtiva.
E durante a administração de Kubitschek, realizou-se progresso considerável
no cumprimento de muitas metas, especialmente na industria, e parte da infra
estrutura planejada.

Programas de incentivos especiais


O mais bem sucedido dos programas de avanço industrial nos anos 50,
durante a administração de Kubitschek, foi o que estimulou a promover a industria
automobilística, dirigido pelo GEA (grupo executivo da industria automobilística).
Esse programa ofereceu grandes benefícios á importação de equipamentos
e para fabricação de componentes automotivos durante um período limitado de
anos. Em troca, essas empresas se comprometeriam a adotar uma política de
substituição progressiva de importações por componentes de fabricação nacional.

Dessa forma, pretendia-se criar uma grande industria brasileira de fabricantes


de componentes independentes. Finalmente as empresas automotivas foram
classificadas como ‘industrias de base’, permitindo que recebessem auxilio
financeiro do BNDE.
A orientação proporcionada pela GEIA também foi responsavel por criar o
que se considerou uma combinação correta de veículos, pois na época, metade
da produção consistia de automóveis de passageiro, o restante de utilitários e
caminhões.
Outros grupos executivos realizaram esforços semelhantes na criação de
industrias nos campos de construção de navios, maquinaria pesada, tratores e
equipamentos telefônicos.

Os efeitos das políticas de industrialização


O processo de industrialização durante o período posterior a 2º guerra
mundial ocasionou elevados índices de crescimento econômico, a taxa média de
crescimento chegou a 7,8% de 1956-62. Um indicador da transformação da
economia é a mudança na distribuição setorial do PIB, a industria foi o setor
dinâmico da economia, pois cresceu regularmente, ultrapassando a agricultura na
metade dos anos 50.
AS novas industrias não só representavam atividades nos últimos estágios de
produção, mas também em outros níveis do processo produtivo.
Embora a substituição de importações fosse a principal força propulsora do
período como um todo, seu impacto principal parece ter ocorrido em meados e
no final dos anos 50, quando ocorreram as maiores quedas nos índices de
importações e a oferta total de bens de capital e de consumo.
Outra forma de observar as mudanças havidas na estrutura econômica
brasileira é examinarmos as tendências na distribuição de valor bruto
agregado e no emprego do setor manufatureiro.
As industrias tradicionais (têxteis, produtos alimentícios) sofreram queda em
sua posição relativa, enquanto houve crescimento na industria de substituição de
importações (equipamentos de transportes, maquinaria, aparelhos eletrónicos)

Desequilíbrios e gargalos
A estratégia de industrialização com vistas à substituição de importações
para os anos 50 legou uma série de problemas que os formadores de política
econômica da década seguinte teria que enfrentar a fim de assegurar a
continuidade do crescimento e desenvolvimento.
Apesar do crescimento populacional fosse inferior ao crescimento do
fornecimento de alimentos, ocorreu uma grande migração do campo para a cidade.
A maioria do aumento da produção de alimentos deveu-se a utilização de novas
terras, e não devido ao aumento de produtividade nas áreas mais antigas.
Visto que a demanda de comida nos centros urbanos tinha que ser atendidas
a partir de áreas cada vez mais distantes, houve uma crescente pressão sobre a
precária rede de transportes. Calcula-se que a perda de produtos agrícolas devido
ao sistema retrógrado chegou a 20%..Com isso houve um aumento dos preços
dos alimentos, que iria só aumentar as pressões inflacionarias.
Um segundo problema importante foi o aumento da taxa de inflação, embora
possa, por um momento, ter desempenhado um papel positivo na recolocação dos
recursos a fim de apoiar o impulso de industrialização. Suas taxas alcançaram
níveis no início dos anos 60 que qualquer contribuição para o crescimento por
parte de um mecanismo de poupança compulsória era dominado pelos efeitos das
distorções produzidas pela inflação.
Um terceiro problema foi que o crescimento industrial salientou as desigualdades,
o que ocasionou crescentes pressões sociopoliticas por medidas corretivas.
Finalmente, havia progressivas pressões do balanço de pagamentos
resultantes do fato de que o crescimento foi financiado por uma importante
entrada de capital estrangeira, sob forma de investimentos diretos e de
empréstimos, a divida atingia US$2 bilhões nos anos 60. O fato de as políticas
que orientaram a substituição de importações terem sido unilaterais, isto é,
que a promoção das exportações e a diversificação tenham, sido negligenciadas,
tornava-se agora um problema significativo.

http://members.tripod.com/br500/extra_eco40e50prim.htm

Introdução

Após o fim da Segunda Grande Guerra, os países latino-americanos pensavam que


seriam recompensados pela ajuda no esforço de guerra dos Aliados, porém o que
se verificou foi um distanciamento do eixo de preocupação da política externa
estadunidense. Antes, era a preocupação da América Latina aliando-se ao
nazismo, sensação corroborada com o governo argentino de Perón, agora a
preocupação seria com os comunistas e a Europa. E o que sobrou para a América
Latina?

Os EUA e a América Latina.

Os anos posteriores ao fim da II Guerra Mundial foram marcados, na América


Latina, por uma limitada capacidade de barganhar em troca do apoio à política
norte-americana. Segundo Cervo, isto se deu pela "ausência de visão comum e de
percepção de interesses coletivos" por parte dos países latino-americanos (Cervo,
p. 115). A única exceção era o governo de Perón, na Argentina, com sua proposta
de 3ª Posição, isto é, um meio termo entre o comunismo e o capitalismo que
possibilitaria ao país maior autonomia econômica e política. Entretanto, já em 1953,
Perón avançava no entendimento com o governo estadunidense.

Entretanto, no final da década de 50, começaram a surgir manifestações de


hostilidades aos Estados Unidos, visivelmente na visita do vice-presidente Nixon à
Venezuela em 1958. De acordo com Cervo, esta aversão se dava, no caso
venezuelano, pelas restrições norte-americanas às importações de petróleo e o
maior motivo de contestação dos outros países latino-americanos era o apoio dado
às ditaduras que se instauravam na região.

Foi neste contexto, logo após a desastrosa visita de Nixon à Caracas, que o
presidente brasileiro Juscelino Kubitschek enviou duas cartas pessoais ao presidente
Eisenhower – 28 de maio s 5 de junho de 1958 – propondo a formação da
Operação Pan-Americana (OPA). Este projeto consistia numa proposta de
cooperação, cuja tese reforçava que "o desenvolvimento e o fim da miséria seriam
as maneiras mais eficazes de se evitar a penetração de ideologias exóticas e
antidemocráticas, que se apresentavam como soluções para os países atrasados"
(Bueno, p.290).

Foram propostos estudos visando à aplicação de capitais privados em áreas


atrasadas do continente, aumento do volume de crédito de entidades
internacionais, formação de mercados regionais e ampliação e diversificação de
assistência técnica. Entretanto, poucas destas medidas foram implementadas e o
maior sucesso de resposta à OPA foi a criação do Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID), em 1º de outubro de 1960. Constituído por 20 países
americanos, o banco contava com capital inicial de um bilhão de dólares para
financiamento e assistência técnica. Com exceção do BID, a OPA não obteve
medidas concretas e já em 1960 era diagnosticada uma falta de consistência na
operação.

As hostilidades ao governo norte-americano continuaram e tiveram seu ápice com a


Revolução Cubana em 1959. O então presidente dos Estados Unidos Eisenhower
adotou determinadas providências em relação ao governo castrista, posteriormente
conhecida como "negligência benigna", quais sejam, treinamento de força contra-
revolucionária; aconselhamento das companhias de petróleo Esso e Texaco, que
tinham refinarias em Cuba, a não refinarem o petróleo vindo da URSS; redução
drástica da cota de importação de açúcar. A estas medidas, o governo cubano
voltou-se para a União Soviética e o bloco socialista para vender sua produção
açucareira e comparar armas e petróleos. Em agosto de 1960, Fidel Castro
exproprio as empresas de capital estadunidense da ilha.

Com o governo de John Kennedy, o governo buscou enfrentar o "problema cubano"


de forma mais enérgica por duas frentes: tentando sufocar o regime e isolar sua
influência; e tentando articular politicamente a América Latina por novas bases.
Como estratégia para a primeira frente, financiou forças contra-revolucionárias na
tentativa de acabar com o governo de Fidel; e para a segunda, criou um programa
de ajuda econômica conhecida como Aliança para o Progresso, com proposta
semelhante à OPA.

A proposta para este programa foi anunciada na Primeira Conferência de Punta del
Este, em 1961. Era um plano de "reformas profundas na estrutura social que
reduzisse a desigualdade social e assegurasse a liberdade política, sem o ônus de
uma revolução sangrenta" (Moura, p.51). Na Segunda Conferência, os Estados
Unidos conseguiram o apoio de dois terços dos votos necessários para a expulsão
de Cuba da OEA. Votaram contrariamente a Argentina, Brasil, México, Chile, Bolívia
e Equador.

Dois encontros que levavam adiante a dupla estratégia estadunidense: ao isolar


Cuba de relações diplomáticas e comerciais com os outros países latino-americanos
dificultava a "exportação da revolução" e ao produzir transformações sociais, por
meio da Aliança para o Progresso, diminuiria ainda mais as chances de crescimento
do comunismo no continente.

Como ponto de partida, o governo norte-americano contribuiu com 500 milhões de


dólares para o BID e se comprometeu a contribuir para o fornecimento de 20
bilhões de dólares para a América Latina no prazo de dez anos. O plano era alocar
estes recursos para "sustentar governos democráticos representativos, promover a
reforma agrária, assegurar uma política de salários e benefícios sociais para os
trabalhadores urbanos, promover medidas de habitação e saúde, reduzir o
analfabetismo, fazer uma reforma fiscal e buscar a estabilização de preços para os
produtos latino-americanos de exportação" (Moura, p. 54).

Entretanto, ao longo da década de 60, a maioria das ações da Aliança para o


Progresso se reduziu a programas de assistência imediata, como distribuir comida
para populações carentes, cavar poços em regiões que sofriam de seca, estímulo ao
artesanato como alternativa a um processo industrializador lento. E o apoio do
governo estadunidense a regimes totalitários contradizia a premissa de sustento a
governos democráticos representativos. Em resposta às reações contrárias a esta
atitude, Kennedy afirmou: "tal regime, seja qual for sua natureza, nos favorece?
Então, ajudemo-lo, a despeito de quaisquer críticas que isso provoque" (Cervo, p.
135).

Ao final da década de 60, quando a maioria dos países latino-americanos era


governada por regimes militares, o governo norte-americano ficou em "posição
confortável diante do combate ao comunismo. Podia dar-se ao luxo de distribuir
pouca ajuda militar e de dirigi-la ideologicamente para os países, quase como se
sorteio fizesse, dando ânimo à corrida que os movia em troca da cooperação na
Guerra Fria" (Cervo, p. 144). A América Latina ficava diminuída em sua importância
político-estratégica para a política externa estadunidense.

A integração Latino-Americana

É possível identificar dois ciclos de integração entre os países da América Latina


(AL). O primeiro, vivido nas décadas de 60 e 70, inspirado no modelo da Comissão
Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), enquanto o segundo, iniciado no
princípio da década de 90 e vigente até os dias atuais, é mais ligado ao modelo
liberal.

Para falarmos do primeiro processo de integração é necessário abordar o contexto


histórico-econômico da região. Com a II Guerra Mundial, houve dificuldades para o
comércio entre os países latino-americanos e os países desenvolvidos, o que levou
a alguns países da região a assinarem acordos entre si e aumentarem as
transações intra-regionais. De acordo com a Cepal, entre 1945 e 1955, a AL
cresceu rapidamente, dentre outros fatores, pois o preço internacional de matérias-
primas aumentou e devido a bem sucedida política de substituição de importações.

Entretanto, de acordo com a expectativa cepalina, chegou-se a um impasse do


desenvolvimento da América Latina na segunda metade dos anos 50. Os países
dependiam de importação de equipamentos e tecnologia dos países desenvolvidos
para passar para as etapas seguintes de industrialização, produção de bens
intermediários e de capital. Porém, houve uma redução da capacidade de importar
destes países. O comércio intra-regional reduziu em 26% entre 1955 e 1961; entre
os países da futura Alalc, a queda foi de 41%. De 1953 a 1960, as exportações,
entre os países latino-americanos, reduziram de 12% a 7,9% do total de
exportações (Dathein, p. 8).

Entre os anos de 57 e 59, a Cepal dedicou-se a elaborar um estudo sobre a


formação de um mercado regional. A proposta era aprofundar o processo de
substituição de importações para avançar para as etapas seguintes de
industrialização. Como estas indústrias demandavam maiores mercados, propunha-
se a passagem do mercado nacional para o continental. A integração econômica era
tida como alternativa para os países da região escaparem à estagnação econômica.

Inspirados também pela experiência européia – em 1957 com a assinatura do


Tratado de Roma, foi criado o Mercado Comum Europeu – durante a Segunda
Reunião de Consulta no Sul do Continente, realizada em Santiago em 1959,
elabora-se com a colaboração da Cepal, um projeto de zona de livre-comércio. Em
1960, é criada a Associação Latino-Americana de Livre Comércio (Alalc), com a
assinatura do Tratado de Montevidéu. Faziam parte da Alalc Argentina, Brasil, Chile,
México, Paraguai, Peru e Uruguai. Colômbia e Equador aderiram em 1961.
Venezuela, em 1966 e Bolívia, em 1967. O objetivo do tratado era, a partir de uma
zona de livre-comércio, constituir um mercado comum, no prazo de doze anos.

Nos primeiros anos da Alalc (60/64), a negociação multilateral se dava por "listas
comuns" e "listas nacionais", produto a produto, reduções tarifárias e eliminação de
restrições não-tarifárias para ampliação de mercados, além da liberalização de
intercâmbio e desmantelamento de medidas protecionistas no comércio intra-
regional (Almeida, p. 65).

Apesar dos avanços dos primeiros anos, a Alalc começou a enfrentar uma série de
dificuldades. Dathein aponta três fatores: a integração não fazia parte da estratégia
de desenvolvimento dos países, a maioria deles sob regimes militares – "como se
sabe, os regimes ditatoriais costumam manifestar uma preferência por regimes
econômicos igualmente fechados, com fortes tendências à auto-suficiência e à
autarquia" (Almeida, p. 65) -; impossibilidade de superar as divergências entre os
países que desejavam acelerar o processo, caso dos integrantes do Grupo Andino, e
os que queriam permanecer dentro dos limites existentes; desigualdade entre os
países, "os grandes estavam satisfeitos com a expansão de suas exportações,
enquanto os pequenos queriam a adoção de medidas não comerciais que servissem
para desenvolver sua indústria" (Dathein, p.14).

Além da Alalc houve mais três experiências regionais de integração dos anos 60 –
Acordo de Cartagena (Grupo Andino), Mercado Comum Centro Americano (MCCA) e
comunidade do Caribe (Caricom) – que, segundo Sonia de Camargo, apresentaram
"avanços significativos nas fases iniciais de sua implantação, sobretudo no que se
refere à liberalização de seu comércio intra-regional e à implantação de tarifas
alfandegárias comuns, o que gerou um aumento do peso relativo do intercâmbio
entre os países da região" (Camargo, p. 5).

Em 1980, a Alalc foi substituída pela Associação Latino-Americana de Integração


(Aladi), a partir da assinatura do Tratado de Montevidéu 1980. A Aladi tinha um
foco majoritariamente comercialista, o que estimulou acordos bilaterais, enquanto
que os instrumentos multilaterais tinham uma formulação genérica e não eram
obrigatórios. O Tratado também não incorporou alguns aspectos da integração,
como cooperação industrial, harmonização de políticas econômicas. Nem,
tampouco, estabeleceu metas e prazos. "Houve, na realidade, uma prevalência
absoluta do princípio da flexibilidade sobre o da convergência" (Dathein, p. 19).

Há de se levar em consideração, entretanto, o contexto vivido pelos países latino-


americanos nesta década: crise da dívida externa. O PIB per capta reduziu-se em
nove dos onze países de 1981 e 1990 (Dathein, p. 20). Para o autor, os países se
viam mais como concorrentes que como parceiros, o que em caso de crises
econômicas ocasionava um retrocesso no processo de integração.

Apesar das críticas mencionadas, foi no âmbito da Aladi que foi elaborado o
embrião do que viria a ser o Mercado Comum do Sul (Mercosul). Fundado com a
assinatura do Tratado de Assunção, em 1991 – mas estimulado por diversos
acordos bilaterais entre Argentina e Brasil desde a segunda metade da década de
80 -, o Mercosul encontra-se hoje na etapa de união aduaneira imperfeita.

Influenciado pela onda liberal da década de 1990, este modelo não previa
mecanismos para compensar perdas ou financiar conversões em segmentos
prejudicados com a integração. Segundo a perspectiva liberal, o mercado resolveria
tudo. Afirmação que no final da década será posta em xeque. O período entre 1991
e 1996 é considerado o apogeu do Mercosul. Nestes cinco anos, ocorreram diversos
avanços nos acordos de integração e no intercâmbio comercial. A quantidade
comercializada intrabloco triplicou de 1990 a 1997. No comércio entre Brasil e
Argentina, a elevação no mesmo período foi superior a cinco vezes (Prado, p.18).

O Mercosul caracteriza-se por um reduzido grau de institucionalidade – se


comparado com a referência de interação regional que é a União Européia - e pela
inexistência de órgãos decisórios supranacionais. A estrutura institucional do
Mercosul é baseada em seis órgãos, a maior parte dos quais - Conselho do Mercado
Comum, Grupo Mercado Comum, Comissões de Comércio do Mercosul e Comissão
Parlamentar Conjunta - criada no âmbito do Tratado de Assunção. No bloco do Cone
Sul todas as decisões têm que ser tomadas por consenso e ratificadas por
representantes governamentais dos quatro países que o constituem. É um modelo
interpresidencial e não supranacional.

Com a desvalorização do Real, em 1999, e a crise político-econômica argentina, de


2001 e 2002, a continuidade do bloco foi colocada em suspeita. Mais de que uma
crise de integração, Vizentini descreve este período como a "erosão de um modelo
econômico e, especialmente, do contexto internacional em que se baseava. A
conjuntura da economia mundial no final dos anos 90 é particularmente distinta
daquela do início da década. A instabilidade financeira global, a lentidão do
crescimento econômico ou, mesmo, a recessão na região, a queda dos indicadores
sociais e o aumento do desemprego alteraram igualmente a situação política
interna, produzindo a erosão da legitimidade dos governos dos países do Mercosul"
(Vizentini, p. 38).

Superada a crise, e ressaltando os aspectos positivos, o bloco contribuiu para


intensificar as relações entre os dois maiores países do Cone Sul, Brasil e Argentina
– especialmente nos governos atuais de Lula e Kichner -, e não há expectativas ou
previsões para o término deste processo de integração, o que o Mercosul vivencia
hoje é o impasse de aprofundar – institucionalizando-se e tornando-se de fato um
bloco supranacional – ou ampliar, o que ocorreu em 2006, com a incorporação da
Venezuela.

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