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Dados Internacionais de Catalogagao na Publicacao (CIP) (Camara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Alves, Dalton José A filosofia no ensino médio: ambigiidades e contradigdes na LDB / Dalton José Alves. — Campinas, SP: Autores Associados, 2002. — (Cole¢do educa¢4o contemporanea) Apoio: Fapesp Bibliografia. ISBN 85-7496-043-8 1. Educagao — Leis e legislagéo - Brasil 2. Filosofia -— Estudo e ensino (Ensino médio) I. Titulo. IL Série. 02-0723 CDD-107.1281 indices para catilogo sistemitico: 1. Brasil: Filosofia: Ensino médio 107.1281 2. Filosofia: Ensino médio: Brasil 107.1281 Impresso no Brasil ~ junho de 2002 Copyright © 2002 by Editora Autores Asociados Este livro contou com o apoio parcial da Farese. Depésito legal na Biblioteca Nacional conforme Decreto n* 1.825, de 20 de dezembro de 1907. Nenhuma parte da publicagio poder ser reproduzida ou transmitida de quelquer modo ou por qualquer meio, seja eletrénico, mecnico, de fotocdpia, de gravacio, ou outros, sem prévia autorizagio por escrito da Editora. O Cédigo Penal brasileiro determina, no artigo 184 “Dos crimes contra a propriedade intelectual ‘Violagio de direito autoral Ast 184. Violar direito autoral Pena ~ detengio de trés meses a um ano, ou multa 12 Se a violagdo consistir na reprodusSo, por qualquer meio, de obra intelectual, no todo ou em parte, para fins de coméreio, sem autorizagio expressa do autor ou de quem o represente, ou consistir na reproducio de fonograma ¢ videograma, sem autorizagio do produtor ou de quem o represente: Pena —reclustio de um a quatro anos ¢ multa.” A Mara Adglia, esposa, companheira e amiga de todas as horas, com quem tenho compartilhado ‘os melhores momentos da minha vida... E mais ainda agora, com a chegada de Leandro Gabriel e Beatriz Cristina, filhos queridos, que também passam a compartilhar conosco da vida... This One Problema: ~ é preferivel “pensar” sem disto ter consciéneia critica, de uma maneira desagregada e ocasional, isto é, “participar” de uma concepsiio do mundo “imposta” mecanicamente pelo ambiente exterior, ou seja, por wm dos varios grupos sociats nos quais todos esto automaticamente envolvides desde sua entrada no mundo consciente [...] ou é preferivel elaborar a propria concepedo do mundo de uma maneira critica e consciente e, portanto, em ligagdo com este trabalho do proprio cérebro, escolher a propria esfera de atividade, participar ativamente na produgdo da historia do mundo, ser 0 guia de si mesmo e ndo aceitar do exterior, passiva e servilmente, a marca da propria personalidade? Gramsci, 1995, p. 12. SUMARIO AGRADECIMENTOS xi PREFACIO xiii Silvio Gallo INTRODUGAO. ve Capiruto 1 Breve Historico DA PRESENGA/AUSENCIA DA FILOSOFIA NA EpucacAo Escotar BRASILEIRA 1. Do Perfodo Colonial até a Republica: Presenga Garantida 8 2. Da Primeira Reptiblica ao Golpe Civil-Militar de 1964: Presenga Indefinida 24 3. Perfodo Ditatorial, pés-1964: Auséncia Definida 35 4. Periodo da “Redemocratizagao” Politica pés-1980: Presenca Controlada 42 CapfruLo 2 A FILOSOFIA NO CuRRICULO DA EpucacAo BASIC A PARTIR DA PROMULGAGAO DA LEIN. 9.394/96 (LDB): Presenca INocuA 55 1. Tiajetéria da Construcio & Desconstrugio de um Projeto de LDB em Defesa da Escola Publica 55 2. A Filosofia na Educagao Basica 69 Capiruto 3 Por QUE FiLosoFiA No CurRICULO Do Novo Ensino MEpio? 1, Por uma Concepgio de Educacio 2. A Filosofia no Ensino Médio: Disciplina Necesséria CONCLUSAO BIBLIOGRAFIA 109 110 119 129 145 AGRADECIMENTOS Aos meus pais, Durval e Leonilda Alves, por todo apoio e incentivo que nunca faltaram nas horas que mais precisei; As minhas irmis, Deise e Denilde, ¢ 8 minha sogra, Maria Barbosa, pela torcida e por toda forca que sempre me deram. ‘Ao Departamento de Filosofia e Histéria da Educagéo (DEFHE), da Faculdade de Educagao da UNIcamp, especialmente ao PaIDEIA — Grupo de Pesquisa em Filosofia da Educago —, por terem me acolhido em seu programa de péds-graduagio, onde realizei minha pesquisa de mestrado, que resultou neste livro; A Fundagio de Amparo & Pesquisa do Estado de Sao Paulo (Fapesp), pela bolsa de mestrado a pelo apoio a publicacio deste texto; Aos professores doutores Anténio Joaquim Severino, José Luts Sanfelice e César Nunes, pelas sugest6es valiosas e fundamentais dadas no processo de qualificagao e defesa da dissertagao de mestrado; ‘Ao professor doutor Silvio Gallo, pela orientagéo no desenvolvimen- to da dissertagao de mestrado, pelo incentivo e por demonstrar desde o principio a relevancia e pertinéncia desta pesquisa; A Sociedade de Estudos e Atividades Filosdficas (SEAF), por toda a disposi¢io em ajudar, fornecendo informacées e disponibilizando 0 aces- so aos documentos da entidade; ‘Aos amigos Devanei e Nildete Chiquetti, Nailda Bonato, Karla Cam- pos, pelas intimeras gentilezas e colaboragées; o meu muito obrigado! PREFACIO FILOSOFIA NO ENSINO MEDIO: AS SINUOSIDADES LEGAIS V ivemos um momento interessante para a filosofia, no Brasil. Pro- vavelmente a legislagio educacional em vigor nunca deu tanta anfase & importincia da filosofia na educagao bésica quanto a atual Lei de Diretrizes e Bases da Educagao Nacional e os Parametros Curricu- lares Nacionais, tanto para o ensino fundamental quanto para o ensi- no médio. Todos os efeitos discursivos em torno da importincia da fi- losofia, no entanto, nao tém sido suficientes para sua tradugio em pratica efetiva de presenga curricular. Nos Parametros Curriculares Nacionais, a experiéncia da reforma de ensino espanhola é a principal influéncia, com sua proposta de apre- sentar um curriculo composto por dreas ou disciplinas articuladas com os chamados “temas transversais”, voltados para temdticas sociais atuais e relevantes, que devem “atravessar” os assuntos das varias dreas ou disciplinas. Um dos temas transversais eleitos é justamente o de ética. No documento Pardmetros Curriculares Nacionais para 0 Ensino Fun- damental — terceira ¢ quarto ciclos, referente ao tema da ética, encon- tramos que a ética e a cidadania devem ser tomadas como os princi- xiv_A FILOSOFIA NO ENSINO MEDIO pios fundamentais da vida social e, portanto, devem permear 0 processo educativo, tendo em vista a formagao do cidadao. Para o desenvolvimento desse objetivo, sao elencados trés valores basicos: dignidade da vida humana; justiga; respeito mutuo e solida- riedade. Dessa forma, somos levados a acreditar que se pretende um am- plo trabalho com a filosofia, almejando uma formagio ética das crian- gas e jovens. Se prosseguimos a leitura do documento, no entanto, somos surpreendidos com os seus desdobramentos. Depois de discutir teoricamente a fundamentagao da ética, o texto aponta que, na educa- Gao escolar, ela deve estar voltada para “o desenvolvimento da moralidade na crianga e no adolescente”. E o que assistimos daf por diante é o de- senrolar de uma série de proposig6es centradas na psicologia e no cons- trutivismo pedagégico. Nao quero aqui questionar essa fundamentagio ¢ sua “eficdcia” formativa, mas penso que fica clara a preocupagao com a filosofia sem que, no entanto, essa preocupa¢io traduza-se num tra- to mais filoséfico da questao com as criangas e adolescentes. Em contrapartida, ¢ excessivamente frisada a expresso “desenvol- vimento da moralidade” na crianga e no adolescente. A meu ver, fica evidente a perspectiva de uma “moralizagao” do processo educativo, por mais que se fale em “consciéncia”, “pensamento” ¢ “autonomia”. Serd possivel o desenvolvimento de uma verdadeira autonomia apoiando-se em um processo de “moralizagio”? Tenho c4 minhas diividas. Tomo esta questao da ética nos PCN para o ensino fundamental apenas como um exemplo; o mesmo repete-se nos demais niveis. Co- nhecemos 0 texto da LDB que afirma que os egressos do ensino médio devem dominar “conhecimentos de filosofia ¢ sociologia necessdrios ao exercicio da cidadania”. Mas que conhecimentos sio estes? Por que eles sfo necessdrios ao exercicio da cidadania? De que cidadania? Como trabalha-los? Sao essas ambigiiidades que o presente livro de Dalton José Alves detecta. Amparado em interessante percurso pela histéria da educagio brasileira, no qual vai identificando os diferentes momentos da filoso-