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Coleção Química Cidadã

QUÍMICA
Cidadã
VOLUME 2
PEQUIS – PROJETO DE ENSINO DE QUÍMICA E SOCIEDADE
ENSINO MÉDIO – QUÍMICA – 2-a série
Wildson Luiz Pereira dos Santos (coord.)
Professor Adjunto do Instituto de Química da UnB.
Licenciado em Química pela Universidade de Brasília, mestre em Educação em
Ensino de Química pela Unicamp e doutor em Educação em Ensino de Ciências pela UFMG.

Gerson de Souza Mól (coord.)


Professor Adjunto do Instituto de Química da UnB.
Bacharel e licenciado em Química pela Universidade Federal de Viçosa, mestre em Química Analítica
pela UFMG e doutor em Ensino de Química pela Universidade de Brasília (UnB).
Siland Meiry França Dib
Professora do Ensino Médio da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal.
Licenciada em Química pela Universidade Católica de Brasília (UCB) e mestre em
Educação pela Universidade Católica de Brasília (UCB).
Roseli Takako Matsunaga
Professora do Ensino Médio da Secretaria de Educação do Distrito Federal.
Licenciada em Química pela Universidade Católica de Brasília (UCB) e mestre em
Ensino de Ciências pela Universidade de Brasília (UnB).
Sandra Maria de Oliveira Santos
Professora do Ensino Médio da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal.
Licenciada em Química pela Universidade Católica de Brasília (UCB) e mestre em
Ensino de Ciências pela Universidade de Brasília (UnB).
Eliane Nilvana F. de Castro
Professora do Ensino Médio da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal. Licenciada em
Química pela Universidade Católica de Brasília (UCB).
Gentil de Souza Silva
Professor do Ensino Médio da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal e químico
industrial. Licenciado em Química pela Universidade Estadual da Paraíba e especialista em
Química pela Universidade Federal de Lavras.
Salvia Barbosa Farias
Professora do Ensino Médio da Secretaria de Educação do Distrito Federal.
Licenciada em Química pela Universidade Católica de Brasília (UCB).

São Paulo – 2013


2ª- edição MANUAL DO
PROFESSOR
Título original: Química Cidadã – Volume 2
© Editora AJS Ltda, 2013

Editores: Arnaldo Saraiva e Joaquim Saraiva


Projeto gráfico e capa: Flávio Nigro
Pesquisa iconográfica: Cláudio Perez
Coordenação digital: Flávio Nigro e Nelson Quaresma
Produção editorial: Maps World Produções Gráficas Ltda
Direção: Maurício Barreto
Direção editorial: Antonio Nicolau Youssef
Gerência editorial: Carmen Olivieri
Coordenação de produção: Larissa Prado
Edição de arte: Jorge Okura
Editoração eletrônica: Alexandre Tallarico, Flávio Akatuka, Francisco Lavorini, Juliana Cristina Silva,
Veridiana Freitas, Vivian Trevizan e Wendel de Freitas
Edição de texto: Ana Cristina Mendes Perfetti
Revisão: Adriano Camargo Monteiro, Fabiana Camargo Pellegrini, Juliana Biggi,
Luicy Caetano e Thaís dos Santos Coutinho
Pesquisa iconográfica: Elaine Bueno e Luiz Fernando Botter
Ilustrações: AMJ Studio, José Yuji Kuribayashi, Osvaldo Sequetin e Paulo Cesar Pereira
Conteúdos digitais: Esfera Digital
Ilustração da capa: Moacir Knorr Guterres (Moa)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Química cidadã : volume 2 : ensino médio : 2º


série / Wildson Luiz Pereira dos Santos, Gerson
de Souza Mól , (coords.) . -- 2. ed. --
São Paulo : Editora AJS, 2013. -- (Coleção
química cidadã)

PEQUIS - Projeto de Ensino de Química e


Sociedade.
"Componente curricular: Química".
Vários autores.
Suplementado pelo manual do professor.
Bibliografia

1. Química (Ensino médio) I. Santos, Wildson


Luiz Pereira dos. II. Mól, Gerson de Souza.
III. Série.

ISBN:978-85-62482-87-8 (Aluno)
ISBN:978-85-62482-88-5 (Professor)

13-06558 CDD-540.7

Índices para catálogo sistemático:

1. Química : Ensino médio 540.7

2013

Editora AJS Ltda. – Todos os direitos reservados


Endereço: R. Xavantes, 719, sl. 632
Brás – São Paulo – SP
CEP: 03027-000
Telefone: (011) 2081-4677
E-mail: editora@editoraajs.com.br
APRESENTAÇÃO
A você, estudante
Na 1ª- série do Ensino Médio, você viu que a Química é uma Ciência relativamente nova e que a partir
de conhecimentos de outros campos científicos, como o da Física e Biologia, ela tem contribuído para o
desenvolvimento de tecnologias que estão propiciando uma melhor qualidade de vida.
Vamos ver neste livro como o conhecimento químico nos auxilia a compreender o mundo físico
que nos rodeia e como a Química tem contribuído para o desenvolvimento de nossa sociedade. Você tem
aprendido que a Química e as suas tecnologias têm provocado uma grande revolução em nosso modo
de vida, mas que essa revolução, todavia, tem acarretado inevitavelmente mudanças drásticas no meio
ambiente, ocasionando sérias consequências à vida no planeta.
Assim é que temos tratado em todos os volumes desta coleção as relações entre a Química, as suas
tecnologias, a sociedade e o ambiente. Na 1ª- série você estudou sobre as substâncias e os materiais e viu
exemplos de atitudes no uso de produtos químicos para que sejam reduzidos o seu impacto ambiental.
A discussão dos problemas sociais vinculados à Química tem permitido a você desenvolver uma atitude
comprometida com a justiça e a igualdade social.
No segundo volume desta coleção, vamos estudar as reações químicas e seus aspectos dinâmicos e
energéticos, a água e a energia. Nesse estudo, você consolidará conhecimentos sobre a natureza da matéria
e compreenderá como, a partir desse conhecimento, podemos atuar em nossas atividades profissionais de
forma mais qualificada com ações positivas. O conhecimento dos aspectos dinâmicos e energéticos das
reações químicas permite aos químicos controlarem a sua ocorrência. Da mesma forma, o conhecimento
das atividades em que estivermos engajados no mundo do trabalho permitirá um melhor controle sobre
seus resultados.
Vivemos o desafio de mudar a tendência atual de aquecimento global. O centro desse problema
está relacionado à produção energética e tem implicações diretas com o abastecimento global de água.
Água e energia são os dois temas a partir dos quais aprofundaremos o estudo da Química, vendo como
os seus conceitos nos ajudam a compreendê-los. Além de compreender os conceitos, o que buscamos é
uma mudança de atitude responsável com os desafios climáticos que enfrentamos. Participar da sociedade
moderna implica entender como podemos atuar com a diversidade de materiais industrializados que nos
rodeiam. Isso exige, entre outras coisas, a economia de água e energia.
Para a consolidação do conhecimento que lhe dará base para prosseguir nos estudos superiores,
vamos retomar conceitos já abordados na 1ª- série. A metodologia adotada pelos autores desta obra,
com larga experiência no ensino de Química, busca enfatizar a compreensão conceitual. Isso implica a
contextualização teórica de seus enunciados por meio da revisão constante dos conceitos para ampliar
o seu significado. É a capacidade de leitura, interpretação e aplicação conceitual que será cobrada de
você nos exames do Enem, que vão lhe possibilitar a continuidade nos estudos superiores. E é com esse
propósito que este livro foi organizado.
Nossa metodologia se caracteriza, assim, pela contextualização temática e aprofundamento conceitual
de conteúdos relevantes para a formação dos estudantes. Isso exige uma nova postura diante do estudo.
Desejamos que o seu engajamento na realização de experimentos e na discussão dos temas seja cada vez
mais ativo. Lembre-se de que estudar não se limita a rever conceitos e resolver exercícios.
Esperamos que a continuidade do seu aprendizado em Química seja muito prazerosa com essa nova
abordagem e que você possa utilizar os conhecimentos químicos aprendidos na construção de um mundo
melhor, com atitudes que possam assegurar a vida de nossas e de futuras gerações, com base no princípio
de justiça e igualdade social.
Um forte abraço.

Os autores
CONHEÇA SEU LIVRO
Tema em foco Química na escola
Este livro é dividido em três Unidades, e em cada Em Química na escola você se depara com uma série
uma, abordamos um tema social, que contextualiza o de experimentos investigativos. Muitos poderão ser feitos
conhecimento químico. Mesmo que o seu professor não na própria sala de aula. Todos poderão ajudar o professor a
tenha tempo de discutir os textos desses temas em sala de conseguir os materiais necessários. Ao discutir os resultados,
aula, mantenha-se informado lendo todas as informações você aprenderá a usar tabelas e gráficos. Pense sempre sobre
contidas nas Unidades. as conclusões que poderão ser extraídas de suas observações.
Caso seja muito difícil realizar os experimentos, procure
Debata e entenda analisar os dados que fornecemos. Aprender a observar e
explicar o que está ao seu redor ajudará você a entender
Para buscar um mundo melhor é preciso aprender a
melhor o mundo em que vivemos.
participar dos debates sobre o nosso futuro. Neste livro,
esperamos que você participe o tempo todo apresentando Alertamos para que, ao realizar os experimentos,
e defendendo suas ideias, além de ouvir e respeitar as de você siga rigorosamente as normas de segurança da última
seus colegas. Aprenda a participar, tentando explicar tudo o página do livro. Nunca tente fazer qualquer experimento
que lhe é perguntado com as suas próprias palavras. sem a orientação e supervisão de seu professor. Lembre-
-se também de usar o mínimo possível de materiais para
Pense gerar poucos resíduos. Assim você estará contribuindo
para a preservação do ambiente.
Ao se deparar no texto com uma questão com o comando
Pense, pare a leitura, reflita e tente responder antes de
prosseguir. Procurar explicações e expressá-las com as Atitude sustentável
próprias palavras ajuda a entender melhor o que está sendo
Em Atitude sustentável você encontra um rico conjunto de
ensinado, pois você pode comparar a sua ideia original com
sugestões, cuidados e orientações para a prática da Cidadania,
os novos conceitos que estão sendo introduzidos.
sobretudo no que se refere aos impactos ambientais, nos quais
estão envovidos diversos conceitos estudados em nosso curso
A Ciência na História de Química.
Sempre que você encontrar a chamada A Ciência na
História, leia o texto atentamente e procure observar a Exercícios
contextualização histórica do surgimento das definições e
conceitos relativos aos conteúdos estudados, bem como as O aprendizado dos conceitos da Química ocorre a partir da
circunstâncias em que os cientistas citados contribuíram para leitura dos textos e da realização dos Exercícios e Atividades,
o desenvolvimento da Química e da Ciência. apresentados nos capítulos. Lembre-se da importância da
realização dos exercícios e das atividades, mas tenha sempre
em mente que o aprendizado depende também das leituras e
Ação e cidadania revisões de todos os textos e das diversas discussões propostas
Os temas fazem parte de sua vida. Por isso, propomos ao longo do desenvolvimento do conteúdo.
atividades de Ação e cidadania com o objetivo de você
conhecer a sua comunidade e procurar pensar em alternativas
para seus problemas. Participe das atividades com espírito Ao terminar o estudo de cada capítulo, faça uma revisão de
de cooperação, solidariedade, responsabilidade, respeito e tudo que aprendeu. Para isso, verifique ao final do capítulo, na
tolerância à opinião do outro. Assim, você estará contribuindo seção O que aprendemos neste capítulo, se você compreendeu
para a construção de uma sociedade em que os interesses da claramente todos os conceitos ali apontados, revendo no capítulo
coletividade estejam acima dos interesses individuais. as explicações que foram fornecidas na sua apresentação.
26
2
a B
!
8

OD Fe
14
c D
Ferro

ÍNDICE
55,8

T. PERIÓDICA
E
GLOSSÁRIO TABELAS SEGURANÇA
Relação dos Tabela periódica Principais termos Tabelas de valores Cuidados e precauções
objetos digitais dos elementos com utilizados no livro físico-químicos ao realizar experimentos
de aprendizagem diversas informações para a apresentação de substâncias, em ambiente de
apresentados no livro. sobre eles. dos conceitos. íons e elementos. laboratório.
SUMÁRIO
UNIDADE 1 Produtos químicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
CAPÍTULO 1 CAPÍTULO 2
UNIDADES UTILIZADAS PELO QUÍMICO . . . . . . . . . . . . . . . . 10 CÁLCULOS QUÍMICOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
1. Grandezas físicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 1. As leis das reações químicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
2. Massa atômica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 2. Balanceamento de equação química . . . . . . . . . . . . . . . . 41
3. Quantidade de matéria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 3. Estequiometria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
4. Constante de Avogadro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 4. Rendimento das reações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
5. Massa atômica, molecular e molar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
Tema em foco
6. Volume molar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
• Produtos químicos
7. Conversões no cálculo
domésticos: perigo
estequiométrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
disfarçado . . . . . . . . . . . . 34
Tema em foco
• Na medida certa:
evitando o desperdício .................................... 10

UNIDADE 2 Hidrosfera e poluição das águas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62


CAPÍTULO 3
CLASSIFICAÇÃO E COMPOSIÇÃO
DOS MATERIAIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
1. Soluções, coloides e agregados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
2. Concentração e suas unidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79
3. Composição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
4. Diluição de soluções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90

Tema em foco CAPÍTULO 4


• Ciclo da água e sociedade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 PROPRIEDADES DA ÁGUA
E PROPRIEDADES
COLIGATIVAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96
1. Propriedades das substâncias e
interações entre os constituintes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105
2. Propriedades da água . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107
3. Água e solubilidade
dos materiais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112
4. Propriedades coligativas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118

Tema em foco
• Gestão dos recursos hídricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96
CAPÍTULO 5
EQUILÍBRIO QUÍMICO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132 6. Aspectos quantitativos de
1. Reações químicas e reversibilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . 138 equilíbrios químicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 170
2. Sistemas químicos reversíveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 140 Tema em foco
3. Equilíbrio químico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141 • Poluição das águas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132
4. Alterações do estado de equilíbrio . . . . . . . . . . . . . . . . . . 147 • A química, o tratamento de água
5. Princípio de Le Chatelier . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153 e o saneamento básico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 159

UNIDADE 3 Recursos energéticos


e energia nuclear ...................................................... 184

CAPÍTULO 6 CAPÍTULO 8
TERMOQUÍMICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 186 ENERGIA NUCLEAR . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 264
1. Termoquímica e calor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 203 1. Radiação e radioatividade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 268
2. Calorimetria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 208 2. A descoberta da radioatividade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 270
3. Transformações de energia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 215 3. Emissões nucleares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 272
4. Calor de reação: entalpia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 218 4. Leis das desintegrações radioativas . . . . . . . . . . . . . . . 277
5. Lei de Hess . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 226 5. Cinética da desintegração radioativa . . . . . . . . . . . . 279
6. Espontaneidade das 6. Radioatividade: seus efeitos e aplicações . . . . . . . 285
transformações: entropia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 228 7. Transformações nucleares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 294
8. Usinas nucleares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 297
Tema em foco
9. Rejeitos nucleares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 298
• Energia, sociedade e ambiente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 186
10. Acidentes de usinas nucleares
e acidentes radioativos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 306
CAPÍTULO 7 11. Bombas atômicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 309
CINÉTICA QUÍMICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 234 Tema em foco
1. Cinética química . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 240 • Energia nuclear como fonte de
2. Teoria das colisões . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 245 produção de energia elétrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 264
3. Fatores que influenciam • Ciência para a paz . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 291
a rapidez das reações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 249 • Política energética . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 300
4. Mecanismos de reação . . . . . . . . . . . . . . . . . . 255
Gabarito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 315
5. Catálise . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 257
É bom ler . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 316
Tema em foco Bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 318
• Fontes de energia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 234
Tabela periódica
dos elementos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 319
Segurança
no laboratório . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 320
CONTEÚDO DIGITAL
Química e Sociedade Química e Sociedade
QS
&
S Consumo sustentável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 QS
&
S Consumo sustentável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 169
Vídeo Estude mais
V Como é possível determinar a constante . . . . . . . . . . . 21 E+ Ácidos e bases . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 175
Simulador
ER Exercícios de revisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 S Escala de pH . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177
Química e Sociedade
QS
&
S Produto químico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 ER Exercícios de revisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 183
Infográfico
I Química em nossa casa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 QS
&
S
Química e Sociedade
Recursos Energéticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 186
Simulador
S Balanceamento de Reações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 E+
Estude mais
Hidrocarbonetos ....................................... 190
Simulador
S Cálculo estequiométrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 E+
Estude mais
Álcoois . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 194
ER Exercícios de revisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 Química e Sociedade
QS
&
S Poluição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 200
Química e Sociedade
QS
&
S Água. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 Estude mais
Infográfico
E+ Pilhas eletroquímicas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 216
I A água no planeta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
Vídeo ER Exercícios de revisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 233
V O que acontece com a luz ao atravessar Química e Sociedade
diferentes materiais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 QS
&
S Recursos Energéticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 234
Vídeo
V Como preparar uma solução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90 Infográfico
I Combustíveis fósseis e alternativos . . . . . . . . . . . . . . . . . 234
ER Exercícios de revisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95
ER Exercícios de revisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 263
Química e Sociedade
QSS
&
Água. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96 Química e Sociedade
Química e Sociedade
QS
&
S Recursos Energéticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 264
QS
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S Consumo sustentável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101 Química e Sociedade
Simulador
QS
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S Energia Nuclear . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 264
S Redução do consumo de água . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101 Estude mais
Vídeo
E+ Modelo atômico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 268
V Os líquidos evaporam coma mesma rapidez? . . . . 119 Simulador
Vídeo S Natureza da radiação alfa e beta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 272
V Podemos evitar que um líquido congele? . . . . . . . . . 125 Infográfico
I Decaimento radioativo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 281
ER Exercícios de revisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131
Simulador
Química e Sociedade S
QSS
&
Água. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132
Datação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 285
Química e Sociedade
QS
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S
Química e Sociedade QS
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S Recursos Energéticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 291
Destino do lixo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134
Infográfico
V Vídeo I Transformações nucleares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 295
Por que a cor vai e volta? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139
Infográfico
I
Infográfico I Transformações nucleares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 296
Equilíbrio químico e suas alterações . . . . . . . . . . . . . . . . 143
Infográfico Química e Sociedade
I Equilíbrio químico e suas alterações . . . . . . . . . . . . . . . . 153
QS
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S Recursos Energéticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 300
Química e Sociedade Química e Sociedade
QS
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S Água. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 159 QS
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S Consumo sustentável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 304
Química e Sociedade
QS
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S Destino do lixo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 159 ER Exercícios de revisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 314
Barra de ferramentas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 à 314

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UNIDADE 1
Produtos
químicos
MIRA / ALAMY

Produtos químicos saneantes ou domissanitários são substâncias ou preparações


destinadas à higienização, desinfecção ou desinfestação domiciliar, em ambientes
coletivos ou públicos, em lugares de uso comum e no tratamento da água.

8
Como usar corretamente
os produtos químicos?

Capítulo 1 Unidades utilizadas


pelo químico
1. Grandezas físicas
2. Massa atômica
3. Quantidade de matéria
4. Constante de Avogadro
5. Massa atômica, molecular e molar
6. Volume molar
7. Conversões no cálculo estequiométrico

Capítulo 2 Cálculos químicos


1. As leis das reações químicas
2. Balanceamento de equação química
3. Estequiometria
4. Rendimento das reações

Temas em foco: Hely Demutti

• Na medida certa: evitando o


desperdício
• Produtos químicos domésticos:
perigo disfarçado

9
Capítulo 1

UNIDADES UTILIZADAS
UNIDADES UTILIZADAS PELO QUÍMICO

PELO QUÍMICO
Como medir as substâncias e seus átomos e moléculas?
Como as medidas ajudam na preservação do meio ambiente?

Tema em foco
Tema
NA MEDIDA CERTA: EVITANDO O DESPERDÍCIO QS
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S
Química e
Sociedade
Pense
O que posso fazer para diminuir o desperdício?

Quantos quilos de sabão em pó uma família de cinco pessoas gasta por mês? Qual seria a necessidade básica de
consumo mensal de detergente nessa mesma família? Sabonetes e xampus: será que você gasta mais do que o ne-
cessário? Costuma sobrar comida em seu prato? Por quê? Você já contabilizou o desperdício em sua casa?
O desperdício é uma ação perigosa, lesa economicamente qualquer pessoa que, desprevenida, não se incomodar
em prestar atenção no uso adequado dos bens materiais manipulados diariamente. Coletivamente, o gesto exagera-
do gera enormes problemas ambientais e, sobretudo, desigualdade e injustiça social.
Todos os dias, se desperdiçam grandes quantidades de alimentos, produtos de limpeza, combustíveis, água, ener-
gia elétrica, entre outros motivos, pelo fato de as pessoas não fazerem cálculos corretamente nem prestarem atenção
na importância que o bom uso dos bens materiais apresenta para a saúde financeira e para o ambiente.
Lalo de Almeida/Folha Imagem

AMj Studio

Se há sobra de comida no prato é porque foi estimada uma quan- Infelizmente, muitas pessoas ainda têm o hábito de lavar calçadas,
tidade a ser consumida superior ao que, de fato, era necessário. desperdiçando um bem tão precioso.

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CAPÍTULO
Um erro cometido na proporção dos alimentos

Hely Demutti
a serem cozidos em relação ao número de pessoas
que vai fazer a refeição provoca sobras e, provavel-
mente, lixo. O erro de cálculo do menor trajeto a ser
1
percorrido pelos automóveis ocasiona aumento do
consumo de combustível e, consequentemente, au- 2
mento da poluição atmosférica. Erros no cálculo de
produtos de limpeza em relação à área ou à quan- 3
tidade a ser limpa resultam no desperdício desses 4
materiais, que são lançados em maior quantidade
nos esgotos, aumentando a poluição das águas. 5
De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio
6
às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), no Brasil,
30% da produção de serviços e bens é desper- 7
diçada pela falta de qualidade. Nos EUA e no Japão esse valor varia em torno de 4%. De Dados da Secretaria de De-
certa maneira existe uma cultura brasileira, a cultura da fartura, cujo princípio é de que é senvolvimento Urbano do 8
melhor sobrar do que faltar! Conforme a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Governo Federal brasileiro
revelaram que, em 2003,
Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o desperdício de alimentos no Brasil chega a 40%
40% de toda a água
do que é produzido. O que significa ser jogado no lixo perto de 60% do que compramos, tratada e distribuída
e representa cerca de 26,3 milhões de toneladas de comida jogadas fora. Um exagero foi desperdiçada, o que
para um país que apresenta altos índices de desnutrição. representou prejuízo de
O desperdício acontece de várias formas. Uma delas é o consumo de quantidades maio- 1 bilhão de dólares.
res do que as necessárias. O descarte de um bem em boas condições de uso para substituí-lo
por um mais novo é outro modo comum de desperdício. Quantas pessoas trocam de celular só para terem um mo-
delo mais “moderno”? O desperdício pode ser causado pelo uso inadequado de um equipamento ou material. Ligar
um aparelho elétrico em uma voltagem maior, não lubrificar engrenagens, fazer uso inadequado para a função de-
sejada são exemplos de atitudes que podem ocasionar danos aos equipamentos.
Entre as diversas fontes de desperdício, vamos discutir nesta unidade as relacionadas aos erros de medida, ou até
mesmo à falta dessa prática. É nesse sentido que desperdiçamos materiais de limpeza, quer usando em quantidade
inferior à necessária, o que leva a não alcançar o efeito desejado, quer empregando quantidade superior, o que pro-
voca até mesmo o risco de acidentes. Todos os dias uma quantidade enorme de produtos de limpeza invade as redes
de esgoto das cidades. Esses números aumentam pelo descontrole no uso das medidas adequadas.
Hely Demutti

Hely Demutti

A medida certa garante boa limpeza Na construção civil, o desperdício atinge 25%. O que leva ao aumento em até 10%
e economia. do preço final do imóvel.

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A leitura precisa dos rótulos dos produtos e o cálculo correto das quantidades de materiais a serem emprega-
dos tornam-se procedimentos fundamentais. Quando utilizamos produtos químicos em quantidades indevidas,
corremos o risco de obter resultados indesejáveis e até desastrosos. Se você acha que usar maior quantidade
de sabão, detergente ou qualquer outro produto de limpeza aumenta a eficácia da limpeza, está enganado...
Pode ocorrer o contrário!
UNIDADES UTILIZADAS PELO QUÍMICO

O ácido bórico, por exemplo, substância encontrada em loções e desodo-


rantes, é um eficiente antisséptico: impede a proliferação de bactérias e fungos
Hely Demutti

responsáveis pelo mau cheiro. Contudo, deve ser utilizado com cuidado, pois
em altas concentrações pode provocar irritação na pele, depressão do sistema
nervoso central e lesões renais e hepáticas. Por isso, a Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu o uso do ácido bórico na composição de
pomadas contra assaduras aplicadas em bebês. Em águas de colônia, a con-
centração máxima permitida é de 3%. Se o químico responsável pela formu-
lação acrescentasse 10% de ácido bórico, não estaria apenas desperdiçando
esse ingrediente, como colocaria em risco a saúde do consumidor.
É fundamental que estejamos atentos às recomendações descritas nos ró-
tulos dos produtos, pois algumas vezes os fabricantes aconselham o uso em
quantidade superior à necessária para estimular o consumo. É nesse sentido
que os cálculos são essenciais. Eles fazem parte do dia a dia, bem como de
todos os processos industriais. Observe, então, que é muito importante para
tomar qualquer decisão e fazer bom uso dos diversos materiais empregados
no cotidiano que tenhamos conhecimentos básicos sobre a Química neles en-
volvida. Daí a necessidade de reconhecer o estudo dos materiais como fonte
de indispensável informação para todo e qualquer cidadão.
A maioria dos materiais que nos rodeia é originada de processos químicos
de transformações industriais. A indústria utiliza materiais que são extraídos de
rochas (os metais), de vegetais (a celulose), de animais (a gelatina), da água do
Todas as embalagens mar (sal), do petróleo (os detergentes) e de muitas outras fontes naturais. Com base nesses
de produtos devem ter materiais, a indústria realiza uma série de transformações químicas para produzir o produ-
a especificação correta do to na forma final em que será comercializado. Os materiais usados nos processos iniciais
modo de uso do material, e que serão transformados são denominados matérias-primas, cujas fontes podem ser re-
o que deve incluir a finali- cursos renováveis ou não renováveis.
dade e a quantidade ade-
quada a ser administrada. O uso indiscriminado de materiais extraídos da natureza tem gerado sérios problemas
ambientais. Primeiro, grandes áreas naturais têm sido devastadas, ocasionando a morte de
espécies biológicas, com o consequente desequilíbrio ecológico. Segundo, diversos materiais lançados no ambiente
provocam transformações de outros materiais, causando diferentes desequilíbrios ambientais. Além disso, a não re-
novação dos recursos naturais contribui para o esgotamento destes, privando as gerações futuras de sua utilização.
Hely Demutti

Hely Demutti

Hely Demutti

O petróleo é matéria-prima para diversos produtos industriais, como tintas, detergentes, esmaltes, óleos lubrificantes etc. O uso indiscri-
minado de seus subprodutos levará ao esgotamento dessa fonte não renovável, o que representará um problemão!

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O uso racional dos recursos e o não desperdício, aproveitando-os ao máximo, vem exigindo que as indústrias ra-
cionalizem os meios de produção para extrair maiores quantidades possíveis dos materiais desejados. Além disso,
atualmente, com a globalização da economia, as indústrias necessitam de maior controle na qualidade dos produtos
e buscam, cada vez mais, maior produtividade associada ao menor custo de produção possível.
1
Esse aproveitamento é feito por meio de cálculos precisos sobre a quantidade correta a ser utilizada de cada ma-
téria-prima no processo industrial. Tais cálculos também devem ser feitos no dia a dia por todos para racionalizar o 2
consumo dos produtos químicos. É óbvio que isso não será feito com a mesma precisão da indústria, mas seguirá o
mesmo princípio de seus cálculos. 3
Lembre-se, portanto, de que o problema do consumo elevado não implica apenas o comprometimento do or- 4
çamento doméstico, mas, sobretudo, o agravamento de problemas ambientais, cujas consequências afetam toda a
sociedade. Desenvolver a cidadania é compreender nossos direitos de acesso aos produtos necessários a uma sobre- 5
vivência saudável. Mas, antes disso, é fundamental ter consciência de nossos deveres com a coletividade, assumindo 6
o compromisso de preservar os bens de interesse coletivo.
Neste capítulo, você vai aprender como os químicos efetuam cálculos precisos 7
para obter a composição ideal dos produtos e verá como podemos usá-los dimi-
8
nuindo o desperdício. Essas formulações são, muitas vezes, resultados de anos
de pesquisas. E, se eles estudaram tanto o assunto, vale a pena conhecer as re-
comendações, não é mesmo?
Esperamos que, ao longo da presente unidade, você reflita sobre essas
questões e busque mudança de hábitos para fazer uso mais racional de
diferentes produtos químicos. Faça sua parte: pense sustentável! Se dés-

Hely Demutti
semos importância para pequenos detalhes e mais valor para as coisas, a
dinâmica de desperdício poderia ser modificada.

Existe uma diversidade de produtos de higiene e lim-


peza à nossa disposição, mas o uso em excesso agrava os
problemas ambientais, pois os resíduos em grande parte
são lançados em águas de rios e mares.

FAÇA NO CADERNO. NÃO ESCREVA EM SEU LIVRO.

Debata e entenda
1. Enumere dez materiais que são desperdiçados diariamente em decorrência de mau uso. Relacione medidas que
podem ser adotadas para controlar o uso e evitar os desperdícios.
2. Identifique, em sua casa, materiais que podem ser usados como matéria-prima para confecção de outros objetos.
3. O que pode ser feito para a utilização mais racional desses materiais, evitando desperdícios?
4. A posologia de determinado medicamento indica uma dose diária de 0,5 mg/kg a 2,0 mg/kg de peso corporal,
dividida em 2 a 3 doses ou a critério médico (uma gota = 0,5 mg). Calcule a dose mínima a ser administrada três
vezes ao dia a uma criança de 7 kg.
5. No dia 10 de setembro de 2001, o jornal Gazeta Mercantil publicou a seguinte manchete: “Racionamento de ener-
gia elétrica diminui o consumo de sabonete e aumenta o de sabão em barra”. Você sabe dizer que fatores levaram
a essa mudança no padrão de consumo?
6. O texto fez referências ao “consumo exagerado” existente na sociedade moderna e tecnológica. Em sua opinião,
o que contribui para esse consumo compulsivo?

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1 GRANDEZAS FÍSICAS

O desafio que temos enfrentado atualmente no planeta é a redução do consumo de


produtos para que menos matéria-prima seja extraída da natureza. Para isso, pre-
UNIDADES UTILIZADAS PELO QUÍMICO

cisamos fazer uso mais racional de medidas a fim de que o consumo seja o necessário a
uma vivência saudável. A falta de uso de sistemas adequados de medidas tem sido tam-
bém uma das causas de desperdício.
Medidas são, sem dúvida, fundamentais em nossa sociedade. Elas estão presentes
desde as civilizações pré-históricas e, atualmente, são a base das atividades comerciais,
dos processos tecnológicos e uma das ferramentas principais para a elaboração de mo-
delos científicos. Fazemos uso de medidas em calçados, em roupas, nos medicamentos,
no preparo de alimentos, nos produtos de beleza e de limpeza, no tempo de nossas
atividades etc. Nesses processos, efetuamos medidas de comprimento, de volume, de
massa, de tempo, entre outras. Tudo isso que podemos medir é chamado grandeza.
Vale lembrar, no entanto, que nem tudo pode ser medido.

Pense
Como será possível medir a alegria? Seriam a alegria, a tristeza e a felicidade grandezas?
Mathom/Shutterstock

Até há quem estabeleça padrões de medida para o grau de satisfação das pessoas, mas
essa está relacionada com sentimentos pessoais, impossíveis de medição. Para muitos, a
felicidade está relacionada com o bem-estar em relação às pessoas com quem convivem.
Para outros, a felicidade depende da posse de bens materiais. O que traz felicidade para
alguns é motivo de tristeza para outros. Os sentimentos não são grandezas, pois não são
categorias mensuráveis. Assim, dizemos que:

Grandeza é um atributo (característica) de algo do universo físico que pode ser


medido de alguma forma.

Toda grandeza é representada por um número seguido de uma unidade de medida.


O número representa quantas vezes essa grandeza é diferente do padrão de medida
utilizado. Um frasco de perfume de 200 mL tem um volume de perfume duzentas vezes
maior que o mililitro, ou cinco (1000/200) vezes menor do que o litro.
Para o químico, além de volume e massa, existe outra grandeza relacionada com a
Dikiiy/Shutterstock

quantidade que já está incorporada em sua rotina de trabalho: a numerosidade.

Numerosidade
Nos supermercados, podemos encontrar sabão em embalagens com cinco barras, o
sabão em pó em caixas ou pacotes, sabão líquido em frascos de 500 mL.
Se resolvermos fazer economia de produtos de limpeza em casa, como faríamos as
compras do mês?
Imagine que você resolveu fazer uma dieta. Seguindo os conselhos de um nutricionis-
Além do volume e da mas- ta, por meio de um programa de reeducação alimentar, deixará um pouco de lado biscoi-
sa, o químico utiliza a nu- tos e chocolates e comerá mais frutas e verduras. Só imagine. Você pega a sacola e, feliz
merosidade como outra
da vida, segue para a feira ou para o supermercado mais próximo. Mas que quantidade
importante grandeza.
comprar de cada alimento? Como podemos quantificar os alimentos?
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CAPÍTULO
Pense
Como se medem as quantidades de abacaxi e laranja vendidos na feira?
Qual grandeza você utiliza ao comprar carne, frango, peixe etc.?
1

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Hely Demutti

Marcos André/Opção Brasil Imagens


3

Hely Demutti
Frutas, por exemplo, podem ser vendidas medindo-se quantidades de massa, volume No dia a dia usamos vá-
rias unidades para a gran- 7
ou unidades. Por exemplo, você pode comprar um quilo de maçãs, um litro de jabutica-
bas ou uma dúzia de laranjas. Também são vendidos por unidades vários outros produtos deza numerosidade:
8
saco, lata, dúzia, grosa,
– geralmente sólidos de tamanhos regulares –, como ovos, tijolos e lápis. A grandeza a
copo, milheiro etc.
que nos referimos nesses casos é a numerosidade.
Mas nem sempre a numerosidade é uma grandeza apropriada. Imagine uma pessoa
querer comprar feijão usando essa grandeza!
Da mesma maneira, para os químicos, é inviável contar átomos ou moléculas. Eles ge-
ralmente trabalham medindo massas. Há, todavia, alguns casos em que é importante co-
nhecer o número de entidades químicas – sejam átomos, íons ou moléculas – presentes
em determinadas quantidades de substância ou material.

Pense
Sabendo que o raio atômico do neônio (Ne) é de 38 pm (38 · 10 –12 m), seria viável contar os átomos? Por quê? Desejando
expressar quantos átomos existem em uma amostra de neônio (Ne), que unidade seria mais viável?

Nos cálculos de quantidades de substâncias, envolvidas em reações químicas, é funda-


mental estabelecer as quantidades numéricas dos constituintes que estão reagindo para
a determinação da porção dos produtos a serem formados. Você já imaginou como isso
seria difícil? Mas não se preocupe, pois os químicos encontraram uma maneira simples de
fazer essas contas. Vejamos a seguir.

2 MASSA ATÔMICA
Pense
É possível medir a massa de um átomo na balança? Qual seria o padrão de medida de massa para os átomos?

U m bom padrão de medida é aquele que pode ser comparado facilmente com o que
se pretende medir. Esse padrão não deve ser nem muito grande nem muito pequeno
em relação às medidas a serem realizadas. Qual seria, então, um bom padrão para medir a
massa de átomos e de substâncias? A primeira substância utilizada como padrão para de-
terminar a massa de outras substâncias foi o hidrogênio. Ela apresentava duas grandes van-
tagens: é a mais leve que se conhece e reage com muitas outras substâncias simples. Assim,
atribuiu-se ao hidrogênio o valor unitário de massa. Para determinar a massa de uma subs-
tância bastaria apenas que se verificasse a proporção de massa que reagia com o hidrogênio.

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Foi o cientista inglês John Dalton [1766-1844] quem teve essa brilhante ideia: ele pas-
sou a determinar a massa de diferentes substâncias que reagiam com 1 g de hidrogênio.
Assim, propôs a primeira tabela de pesos atômicos relativos (que hoje chamamos massas
atômicas) e apresentou-a, em 1803, à Sociedade Filosófica de Manchester.
Porém, a tabela de Dalton continha erros, porque naquela época se considerava que
UNIDADES UTILIZADAS PELO QUÍMICO

a fórmula da água era HO e não H2O, como a conhecemos hoje.


Anos depois, o químico sueco Jöns Jacob Berzelius [1779-1848] sugeriu a utilização do oxi-
gênio como padrão de peso atômico, pois reage com a maioria das substâncias simples para
formar óxidos (substâncias constituídas por átomos de oxigênio e de outro elemento químico).
Preste muita atenção! Posteriormente, surgiram divergências entre químicos e físicos na definição do padrão de
Esses valores, apesar de massa: os físicos empregavam o oxigênio-16 (relembrando: isótopo de oxigênio com número
sua importância histórica, de massa 16) e os químicos utilizavam a média ponderada de todos os isótopos (átomos de
não coincidem com os va- um mesmo elemento com diferentes valores de massa) do oxigênio. Isso gerava diferenças
lores atualmente tabela- nos valores de massa dos átomos e das substâncias. Na busca de uma unificação de concei-
dos. Qualquer tabela pe-
tos e valores, a partir de 1957 a Iupac (International Union of Pure and Aplicated Chemistry
riódica atual mostra que
o valor da massa atômica – União Internacional de Química Pura e Aplicada) adotou como padrão de medida de mas-
do oxigênio, por exemplo, sa o carbono (mais precisamente átomos de carbono-12). Esse padrão é mais estável e mais
é 16 e não 7. abundante do que o oxigênio-16, e sua adoção pôs fim à divergência entre físicos e químicos.

ALGUMAS SUBSTÂNCIAS DA TABELA DE PESO ATÔMICO DE DALTON

Substância Peso Substância Peso Substância Peso Substância Peso Substância Peso
simples atômico simples atômico simples atômico composta atômico composta atômico

Oxigênio 7 Ferro 50 Tungstênio 56 ? Água 8 Ácido nitroso 31


Hidrogênio 1 Níquel 25 ? | 50 ? Titânio 40 ? Ácido uriático 22 Óxido carbônico 12,4
Ácido
Azoto 5 Estanho 50 Cério 45 ? 29 Ácido carbônico 19,4
oximuriático
Carbono 5,4 Chumbo 95 Potássio 42 Gás nitroso 12 Óxido sulfuroso 20
Enxofre 13 Zinco 56 Sódio 28 Óxido nitroso 17 Ácido fosforoso 32
Fósforo 9 Bismuto 68 ? Cal 24 Ácido nítrico 19 Ácido fosfórico 23
Ouro 140 ? Antimônio 40 Manganês 17 Ácido oxinítrico 26 Amônia 6
Platina 100 ? Arsênico 42 ? Barita 68
Obs.: Para Dalton, a massa molecular das substâncias
Prata 100 Cobalto 55 ? Alumina 13 compostas era também chamada de peso atômico. Além
Mercúrio 167 Manganês 40 ? Silica 45 disso, algumas substâncias compostas eram considera-
das simples, como a cal, a alumina e a sílica.
Cobre 56 Urânio 60 ? Glucínio 30

Contando entidades pequenas


Vimos como foi estabelecida a relação entre as massas das diferentes substâncias, utili-
zando uma substância simples como padrão. Mas os químicos tinham ainda outro desafio
a vencer: como saber o número de átomos ou entidades químicas presentes nessas quan-
tidades de substâncias? Certamente, eles não poderiam contá-las da forma como você
conta laranjas na feira. Ainda que conseguissem desenvolver uma máquina que contasse
mil átomos por segundo, esta gastaria aproximadamente 20 trilhões de anos para contar
todos os átomos existentes em 12 g de carbono-12!

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CAPÍTULO
Pense
Qual unidade de medida da grandeza massa seria mais recomendável na comercialização
de miçangas? Justifique a resposta.
1

2
Diante de tal impossibilidade, os químicos desenvolveram outra grandeza
de numerosidade. Para compreendê-la, vamos estabelecer a comparação com 3
objetos pequenos manuseáveis, como as miçangas empregadas na confecção
4
de bijuterias (veja a foto ao lado).
5
Pense 6

Hely Demutti
Qual unidade de medida da grandeza massa seria mais recomendável na comerciali-
7
zação de miçangas? Justifique a resposta.
8
Ainda que miçangas pos-
As unidades mais apropriadas na comercialização de miçangas são aquelas que ado- sam ser contadas uma por
tam padrões de medida próximos à quantidade de miçangas as quais serão comercializa- uma, essa não é tarefa fá-
das. Assim, o grama poderia ser uma boa unidade de medida na venda direta de miçan- cil de ser efetuada no co-
gas ao consumidor, o quilograma para vendas a comerciantes e a tonelada para a venda mércio. Como fazer?
do produto a grandes indústrias.
Vamos imaginar que uma pessoa muito meticulosa resolvesse comprar a quantidade
exata de miçangas para confeccionar, por exemplo, certo número de colares. Para essa
pessoa, a grandeza mais apropriada seria a unidade de medida que estivesse relaciona-
da com o número de miçangas (número de entidades) e não com a massa. No entanto,
é muito trabalhoso contar miçangas uma a uma. Mas, se não é possível usar a unidade
simples, que grandeza devemos usar nesse caso?
A forma adequada seria estabelecer um padrão de referência que contivesse a quan-
tidade de fácil manuseio. Como a balança é um instrumento de medida preciso e bastan-
te comum, a pessoa poderia escolher como padrão de medida uma quantidade de mi- Contar miçangas é muito
çangas que pudesse ser determinada com base em sua massa. Que tal escolher 150 g de trabalhoso, mas medir a
miçangas de 6 mm de diâmetro como padrão de referência? Essa miçanga não é muito massa é muito fácil. Se
grande nem muito pequena. Além disso, 150 g correspondem a uma quantidade razoá- contarmos a quantidade de
vel, fácil de ser medida. miçangas em determinada
Adotada essa convenção, poderiam ser determinadas quantas miçangas de 6 mm há massa, saberemos quantas
em 150 g. De que maneira? Contando uma a uma as miçangas em uma amostra de 150 g. miçangas há em qualquer
outro valor de massa.
Ou, para facilitar, simplesmente medindo a massa de uma dessas miçangas. Bastaria,
depois, dividir 150 g pela massa de uma miçanga. Como curiosidade, fizemos essa conta
Hely Demutti

e obtivemos o resultado de 1 359 miçangas.


Resolvido o problema. Se nosso amigo meticuloso precisas-
se de 4 077 miçangas, bastaria comprar 450 g de miçangas,
ou seja, a quantidade contida em 150 g serviria como base
para seus cálculos de unidade. Ela poderia facilitar ain-
da mais os cálculos inventando uma grandeza específi-
ca para contar a quantidade de miçangas. Essa grande-
za poderia se chamar “quantidade de miçangas”, que tal?
E, como toda grandeza tem de ter uma unidade, poderia ser
batizada de “miçamol”.
Assim, esse hipotético consumidor não pediria mais 450 g
de miçangas, mas, sim, 3 “miçamols” de miçangas.

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3 QUANTIDADE DE MATÉRIA

A quantidade de uma substância pode ser expressa por meio de mais de uma gran-
deza. Por exemplo, a quantidade de água em um copo pode ser expressa por
UNIDADES UTILIZADAS PELO QUÍMICO

volume ou por massa.


E se quiséssemos expressar a quantidade de água por numerosidade, como iríamos
contar as moléculas de água dentro do copo?
Os constituintes dos materiais (átomos, moléculas, íons etc.) são entidades pe-
quenas demais para serem contadas. Como, então, podemos conhecer a numerosi-
dade de entidades químicas das substâncias e materiais? Fazendo o mesmo que nos-
so amigo detalhista fez para comprar miçangas: estabelecendo um padrão que seja
fácil de manusear.
Assim como estabelecemos uma unidade padrão para quantificar as miçangas, os
químicos também desenvolveram uma unidade de medida para as entidades consti-
tuintes das substâncias. No caso das miçangas, a grandeza usada foi “quantidade de
miçangas”. No caso da Química, a numerosidade de espécies químicas (átomos, íons,
moléculas, elétrons) foi denominada quantidade de matéria. Essa é uma grandeza
de numerosidade, representada pela letra n, que permite determinar a quantidade de
entidades químicas.
Por analogia, considerando-se as diferenças entre átomos e miçangas, podemos rela-
cionar o conceito de quantidade de matéria à quantidade de miçangas. Definimos como
padrão de quantidade o número de miçangas contido em 150 g de miçangas de 6 mm.
No caso da Química, o padrão escolhido foi o número de átomos contidos em 12 g de
carbono-12 (isótopo de carbono de massa 12). A unidade de medida da grandeza quan-
tidade de matéria é o mol – do latim moles, que significa grande massa compacta. O mol
é, portanto, a unidade de numerosidade de entidades químicas.

Mol é a quantidade de matéria de um sistema que contém tantas entidades


elementares quantos são os átomos contidos em 0,012 kg de carbono-12.

Quando se utiliza o mol, as entidades elementares devem ser especificadas, podendo


ser átomos, constituintes, íons, elétrons ou outras partículas, bem como agrupamentos
Se nessa amostra de car-
especificados dessas partículas.
vão tivéssemos apenas O símbolo dessa unidade de medida é o mol. Como o símbolo é igual ao nome, é pre-
Hely Demutti

átomos de carbono-12, ciso ter atenção para evitar confusões, visto que os símbolos não têm plural. Por exemplo,
obteríamos quantidade a distância de cem metros é escrita como 100 m. Da mesma forma, a quantidade de ma-
igual a um mol. téria correspondente a cem mols deve ser escrita como 100 mol.

SÍMBOLOS DE ALGUMAS GRANDEZAS

Grandeza Unidade de medida

Nome Nome (plural) Símbolo (não tem plural)

Massa (m) quilograma (quilogramas) kg

Comprimento (l) metro (metros) m

Quantidade de matéria (n) mol (mols) mol

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CAPÍTULO
Exercícios FAÇA NO CADERNO. NÃO ESCREVA EM SEU LIVRO.

1. Qual é a importância do uso de medidas? e) o número de átomos que estão presentes em 1,0 g
2. Explique por que a beleza não pode ser expressa em de qualquer substância elementar, em repouso e 1
grandezas físicas. no estado fundamental.
2
3. Por que, para expressar uma grandeza, deve-se utilizar 13. Em que amostra há maior quantidade de entidades:
uma unidade de medida? 3
em 1 mol de grãos de milho ou em 1 mol de átomos
4. Que atributo a grandeza numerosidade mede? de carbono? Justifique a resposta. 4
5. Para montar um determinado colar, necessita-se de oito dú- 14. (Vunesp) Na tabela periódica atual, a massa atômica de 5
zias de miçangas de 6,0 mm e um fio de náilon de 0,60 m. cada elemento aparece como número não inteiro porque:
Passe o fio de náilon pelos buraquinhos das miçangas e a) há imprecisão nos métodos experimentais 6
amarre. Já está pronto o seu colar. Agora responda.: empregados. 7
a) Qual é a grandeza usada para contar miçangas? b) é a média aritmética das massas atômicas dos ele-
b) Caso você fique famoso(a) com suas bijuterias e queira mentos superior e inferior da mesma família. 8
produzir 100 000 colares, pulseiras e adornos, utiliza- c) é a média aritmética das massas atômicas dos ele-
ria a mesma grandeza? Qual seria a melhor grandeza? mentos com igual número de prótons.
c) Qual é a grandeza e a unidade de medida do fio d) é a média ponderada das massas atômicas dos
de náilon? isótopos naturais do elemento.
6. Identifique a(s) grandeza(s) geralmente utilizada(s) na e) é sempre múltipla da massa atômica do hidrogênio.
comercialização dos seguintes produtos:
15. (Fuvest-SP-adaptado) A massa atômica do cloro é
a) sabão em pó. d) combustível.
35,457. O fato de esse número não ser inteiro indica que:
b) tecidos. e) cordas.
a) no núcleo do átomo de cloro devem existir outras
c) amaciante de roupas. f) cerâmica. partículas além dos prótons e nêutrons.
7. O que mede a grandeza quantidade de matéria e qual b) o cloro apresenta-se na natureza como uma mistura
é o símbolo de sua unidade? de isótopos.
8. Por que os químicos adotaram a grandeza quantidade c) há um erro experimental na determinação das mas-
de matéria para contar as entidades químicas, em vez sas atômicas.
de simplesmente contá-las numericamente? d) a massa atômica não é uma grandeza.
9. De acordo com a teoria atômica de Dalton, em 12 g de áto- e) a massa atômica leva em conta a massa dos
mos de oxigênio existe a mesma quantidade de entidades elétrons.
existentes em 12 g de carbono-12? Justifique a resposta. 16. (Uerj) O esquema a seguir representa a distribuição média
10. Em um mol de elétrons existem mais ou menos enti- dos elementos químicos presentes no corpo humano.
dades do que o número de átomos que estão contidos 126 átomos de hidrogênio 51 átomos de oxigênio
em 12 g de carbono-12? Justifique a resposta.
11. O número de entidades em um mol de elétrons é maior
ou menor do que o número de átomos em 12 g de car-
bono-12? Justifique a resposta. 19 átomos
de carbono
12. (PUC-RS) Atualmente, o termo “mol” é definido como:
3 átomos
a) a quantidade de matéria de um sistema que con- de nitrogênio
tém tantas entidades elementares quantos são os 1 átomo de qualquer outro elemento natural

átomos contidos em 0,012 kg de carbono-12. Adaptado de: SNYDER, Carl H. The extraordinary chemistry of ordinary things.
New York: John Willey & Sons, Inc., 1997.
b) a massa atômica ou molecular expressa em gramas.
c) um sinônimo de molécula-grama, átomo-grama ou O elemento que contribui com a maior massa para a
íon-grama. constituição do corpo humano é:
d) a massa de qualquer substância que encerra 12 g a) carbono. c) nitrogênio
de carbono-12. b) oxigênio. d) hidrogênio.
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4 CONSTANTE DE AVOGADRO
Hely Demutti

O
químico é um profissional detalhista: característica necessária para quem lida com
átomos e moléculas. Muitas vezes, ele precisa saber as quantidades exatas das
Hely Demutti
UNIDADES UTILIZADAS PELO QUÍMICO

substâncias com as quais trabalha, isto é, tem de determinar quantas entidades químicas
(átomos, moléculas, íons etc.) existem em certa porção de material.
O número de átomos presentes na amostra de 0,012 kg
de carbono-12 é dado por uma constante física que re-
Nesse cálice, há 1 mol de água cebe o nome constante de Avogadro (NA), em home-
(18 g). Se fôssemos contar as molé- nagem ao químico Amedeo Avogadro [1776-1856], que
culas de água, quantas contaríamos? estabeleceu os fundamentos para sua criação. Como os
Essa quantidade (NA) é o que chama- átomos são entidades muito pequenas, o valor numérico
mos constante de Avogadro. é muito grande. Como determiná-lo?
Como não podiam precisar o valor da constante
Valores da constante de Avogadro de Avogadro, vários químicos e físicos (inclusive Albert
obtidos desde 1917 Einstein) propuseram métodos indiretos para determiná-
Ano da determinação Constante de Avogadro -lo. Como? Sabendo que muitas propriedades das subs-
1917 6,062 ⋅ 10 mol
23 –1 tâncias dependem da quantidade de entidades químicas
(átomos, moléculas, íons etc.), apresentaram técnicas es-
1928 6,061 ⋅ 1023 mol–1
pecíficas para medir tais propriedades e metodologias
1941 6,0245 ⋅ 1023 mol–1 de cálculos as quais fornecem a constante de Avogadro,
1949 6,02457 ⋅ 10 mol 23 –1 ou seja, o número de entidades presentes em um mol.
1951 6,02544 ⋅ 10 mol 23 –1 Existem vários métodos para determinação da constan-
te de Avogadro, como o apresentado na próxima página.
1963 6,02278 ⋅ 1023 mol–1
Com a evolução tecnológica, as técnicas e os equipamen-
1976 6,0220941 ⋅ 1023 mol–1 tos foram aperfeiçoados, o que permitiu a determinação
2004 6,02214179 ⋅ 1023 mol–1 de valores mais precisos da constante de Avogadro, con-
Fonte: MÓL, Gerson de Souza, O uso de analogias no ensino de Química. Brasília: UnB, 1999. forme se observa na tabela ao lado.
<http://www.iop.org/EJ/abstract/0026-1394/40/5/010/>. Acesso em: 07 fev. 2010.

A Ciência na História
A:      
Hulton-Deutsch Collection/Corbis

L orenzo Romano Amedeo Carlo Avogadro di Queregna e di Cerreto nasceu


na cidade de Piemonte, reino de Sardenha (hoje Itália), em 9 de agosto de 1776.
O pai, Fillipo Avogadro, era advogado rico e famoso, com sólida carreira política.
Amedeo seguiu o caminho do pai, formando-se em Direito. Mas, definitivamente,
essa não era sua vocação. Tornou-se cientista e desenvolveu preciosos estudos em
Química e Física, mas não soube divulgar suas ideias. Isolado em seu laboratório,
Embora Avogadro não não viajava e correspondia-se pouco com os colegas. Seus escritos careciam de bri-
tenha determinado o valor
lhantismo e simpatia, mesmo quando reportavam importantes descobertas expe-
da constante que recebe o
seu nome, ele foi o lança- rimentais e ideias revolucionárias, como a hipótese dos gases, publicada em 1811.
dor das bases teóricas para Nesse trabalho, ensaio de uma maneira de determinar a massa relativa de moléculas
a determinação.
elementares dos corpos e as proporções entre eles nas combinações, Amedeo Avo-
gadro defendeu a tese de que volumes de diferentes gases, nas mesmas condições de pressão e temperatura,
contêm igual número de moléculas. Tal afirmação ficou conhecida como “hipótese de Avogadro”.

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CAPÍTULO
O cientista propôs que muitos gases são formados por moléculas as quais contêm mais de um átomo, por
exemplo, os gases hidrogênio (H2), oxigênio (O2) e cloro (Cl2). Sabendo que os gases hidrogênio e oxigênio
são constituídos por moléculas diatômicas e que a proporção de volumes desses gases para formar a água é de 1
dois para um, ele concluiu que a proporção entre seus átomos também seria essa, ou seja, a fórmula deveria 2
ser H2O e não HO, como era considerada até então. Mesmo com dificuldades para medir a massa dos gases,
3
Avogadro chegou à razão de 15,074 entre as massas dos átomos de oxigênio e hidrogênio, sendo a última
considerada igual a uma unidade. Ele não estabeleceu o valor da constante de Avogadro, mas lançou as bases 4
teóricas que possibilitaram a determinação. Por isso, em homenagem a ele, a constante recebeu o seu nome. 5
Amedeo Avogadro concluiu que, se volumes iguais contêm o mesmo número de moléculas, é possível de- 6
terminar as massas moleculares relativas. Dessa forma, tornou possível explicar substâncias como o NH3, NO,
7
NO2, HCl, CO2 e SO2, demonstrando como predizer as fórmulas e as massas molares com grande precisão.
Avogadro faleceu em 9 de julho de 1856 e, embora não tenha sido reconhecido pelos cientistas da épo- 8

ca, deixou bases importantíssimas para a Química moderna, sendo considerado um dos fundadores da
Físico-Química. Somente dois anos depois de sua morte, os colegas reconheceram o quanto sua hipótese
ajudava na resolução de problemas de Química.

Química na escola V
Vídeo
Consulte as normas de segurança no
laboratório, na última página deste livro.

Como é possível determinar a constante de Avogadro


Esse experimento é para ser feito em grupo na própria sala de aula, com materiais que você pode conseguir em casa.
Observe um pedaço de ferro ou a água contida em um copo. Temos a impressão de que a matéria é toda contínua. Será
que é mesmo? Faça a atividade a seguir e verifique tal ideia utilizando o “método científico” clássico: observe, elabore hi-
póteses, teste essas hipóteses e proponha uma teoria ou um modelo para guiar seu pensamento.

Materiais
• dois eletrodos de fio de cobre (encapado) de 2,5 mm de diâmetro • amperímetro ou multímetro (comprado em loja de
• cronômetro ou relógio ferramentas)
• bateria de 9 V (podem ser usadas quatro pilhas grandes • um pedaço de isopor para servir de suporte às
ou um eliminador de pilhas) seringas
• duas seringas de 5 mL • um pouco de silicone ou parafina (vela)
• recipiente plástico transparente (ou o fundo de garrafa • fios finos para as conexões
de refrigerante) • solução de hidróxido de sódio a 10 g/L
Procedimento
1. Tapar as pontas das seringas com silicone ou parafina. seringas
multímetro
J. Yuji

2. Fixar as seringas no suporte feito com um pedaço de isopor. isopor


3. Colocar solução de hidróxido de sódio no recipiente até ¾ de
seu volume.
4. Encher também as seringas com solução e colocá-las no recipiente NaOH 10 g/L
plástico cuidadosamente, segurando-as pelo fundo (use luvas!), de
modo que não se formem bolhas de ar. + –
bateria de 6 V

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5. Colocar os eletrodos de forma que as pontas fiquem sob a parte inferior da seringa.
6. Montar o circuito como mostrado na figura.
7. O valor da corrente (que deve ser constante durante todo o procedimento) deve ficar entre 100 e 30 mA. Para ajustá-
UNIDADES UTILIZADAS PELO QUÍMICO

-lo, caso necessário, várias modificações podem ser feitas na montagem, por exemplo, a concentração da solução, o
tamanho da parte exposta dos eletrodos, a distância entre eles etc.
8. Ligar o circuito e disparar o cronômetro no mesmo instante.
9. Quando o volume de hidrogênio completar 5 mL, interromper o cronômetro e desligar o circuito.
10. Anotar os seguintes dados: temperatura ambiente (T), pressão atmosférica (P) – que pode ser obtida pelo
serviço de meteorologia –, volume de hidrogênio produzido (V) e tempo de eletrólise (t).
Destino dos resíduos
O hidróxido de sódio pode ser guardado para utilização em outras atividades práticas. Para ser descartado, precisa antes
ser neutralizado com algum ácido indicado pelo professor.
Análise de dados
Conhecendo o volume de hidrogênio produzido, pode-se, a partir da equação geral dos gases, determinar a quantidade de
matéria correspondente. A seguir, é apresentada equação simplificada que fornecerá o valor da constante de Avogadro, utilizan-
do os dados obtidos nesse experimento.
NA = RT it mol–1 / 2P e V
Em que: NA é a constante de Avogadro; t é o tempo em segundos;
R é a constante dos gases (8,3145 J/K mol); P é a pressão atmosférica em Pa (Pa = Jm –3);
T é a temperatura em kelvin; V é o volume em m3;
i é a corrente em ampères; e é a carga do elétron (1,6 ⋅ 10 –19 C, C = As).
1. Utilizando os dados obtidos e a equação acima, calcule o valor da constante de Avogadro. Caso não tenha sido possível
realizar o experimento, utilize os seguintes dados obtidos em laboratório:
T = 27 K, P = 88 393 Pa, t = 510 s, V = 5 ⋅ 10 –6 m3 (V = 5 mL).
2. Compare o resultado com os apresentados na tabela da página 20 e levante hipóteses para as possíveis diferenças observadas.

A constante de Avogadro não deve ser comparada a outras medidas, como a dúzia e
a centena, porque essas quantidades são definidas como números e não como grandezas
físicas. Uma dúzia corresponde a 12 unidades. Uma centena corresponde a 100 unidades.
Já a constante de Avogadro é definida como o número de átomos presentes em um mol
de carbono-12 (0,012 kg de carbono-12). Quanto é essa grandeza exatamente? Ao lon-
go da História, o valor vem sendo determinado com precisão cada vez maior, mas nunca
chegaremos ao valor exato, porque a constante de Avogadro é obtida experimentalmente.
A unidade da constante de Avogadro (NA) é mol–1, ou seja, o número de entidades por mol.
Para efeito didático, não necessitamos ser tão precisos quanto os químicos. Assim, ire-
mos considerar a constante de Avogadro como 6,02 ⋅ 1023 mol–1 em nossos cálculos quí-
micos. Por isso, com o tempo, você guardará que:

1 mol = 6,02 · 1023 entidades (átomos, moléculas etc.).

Notação científica
Antes de estudarmos cálculos com a constante de Avogadro, vamos rever como se
expressam as medidas em notação científica.
Qual é a distância existente entre a Terra e a Lua? Qual é o tamanho de uma célula?
Você já deve ter percebido que a ciência lida com extremos. Para não manipular números
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cheios de zeros, é mais prático utilizar a notação científica, uma forma de representa-
ção numérica que facilita a indicação de números grandes ou pequenos. Valores como
567000000 ou 0,000002341, por exemplo, podem ser expressos em notação científica
por 5,67 ⋅ 108 e 2,341 ⋅ 10 –6.
1
Em notação científica, os números são escritos com apenas um algarismo antes da vír-
gula e multiplicados por 10, elevados à potência correspondente. 2
Uma potência positiva indica o número de posições que a vírgula deverá ser desloca-
da para a direita, a fim de se obter o número em notação comum. Do mesmo modo, a 3
potência negativa indicará o número de vezes que a vírgula deverá ser deslocada para a 4
esquerda, a fim de fornecer o número em notação comum. Desse modo, quanto maior
a potência, maior será o número. 5

6
Uma molécula de água tem massa aproximada de 3 ⋅ 10 –26 kg.
A massa do Sol, estrela mais próxima do planeta Terra, é estimada em 1,99 ⋅ 1030 kg. 7

Fazendo cálculos com a constante de Avogadro


A partir da constante de Avogadro, podem-se fazer diversas conversões entre
quantidades expressas em número de entidades e em quantidade de matéria. Essas
conversões podem ser feitas por meio de regra de três ou por fatores de conversão.
Lembre-se de que:
1 mol = 6,02 ⋅ 1023 entidades.
Dividindo os dois lados da igualdade por 1 mol:
1 mol 6 , 02 ⋅ 1023 entidades
= ou por 6,02 ⋅ 1023 entidades:
1 mol 1 mol

1 mol 6 , 02 ⋅ 1023 entidades


= teremos os
6 , 02 ⋅ 10 entidades 6 , 02 ⋅ 1023 entidades
23

seguintes fatores de conversão:

6 , 02 ⋅ 1023 entidades 1 mol


1= e 1=
1 mol 6 , 02 ⋅ 1023 entidades

Vejamos alguns exemplos de conversão.

1. Quantos átomos correspondem a 2 mol de átomos de ferro?


Para resolver por fator de conversão, basta multiplicar a quantidade fornecida pelo
fator que converte quantidade de matéria (mol) em número de entidades.
Luminis/Shutterstock

6 , 02 ⋅ 1023 entidades
N = 2, 0 mol ⋅ = 12, 0 ⋅ 1023 em notação científica
1 mol

1,2 ⋅ 1024 átomos de Fe


Por meio da constante de
2. Qual é a quantidade de matéria correspondente a 18,06 · 1030 átomos de enxofre? Avogrado podemos cal-
cular, por exemplo, a quan-
1 mol tidade de átomos de ferro
n = 18 , 06 ⋅ 1030 átomos ⋅ = 3 ⋅ 107 mol
6 , 02 ⋅ 1023 átomos em uma panela de ferro.

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3. Qual é o número de moléculas existente em 2,5 mol de hidrogênio?
6, 02 ⋅ 1023 moléculas H2
N (H2 ) = 2, 5 mol
mol H2 ⋅ = 15, 05.1023 moléculas de H2
1 mol H2
= 15,05 ⋅ 1023, em notação científica, 1,505 ⋅ 1024 moléculas H2
UNIDADES UTILIZADAS PELO QUÍMICO

4. Qual é a quantidade de matéria correspondente a 1,0 ⋅ 1028 moléculas de H2O?


1 mol H2 O
N (H2 O) = 1
1,, 0 ⋅10
⋅ 1028 moléculas H2 O ⋅ = 0,166 ⋅ 105 mol H2 O
6, 02 ⋅ 1023 moléculas H2 O

= 0,166 ⋅ 105, em notação científica, 1,66 ⋅ 104 moléculas H2O

Exercícios FAÇA NO CADERNO. NÃO ESCREVA EM SEU LIVRO.

1. Que relação há entre a constante de Avogadro e o mol? 6. Calcule o número de átomos de cada elemento químico
existente nas seguintes quantidades de substâncias:
2. Você acha que o valor da constante de Avogadro no
ano de 2100 será o mesmo de hoje? Por quê? a) 0,8 mol de sulfato de alumínio [Al2(SO4)3].
b) 1,5 mol de fosfato de cálcio [Ca3(PO4)2].
3. Por que pode haver mudanças no valor da constante
de Avogadro, enquanto o valor da dúzia, por exemplo, c) 1,02 ⋅ 1025 moléculas de álcool etílico (C2H5OH).
não varia? d) 18 ⋅ 1023 fórmulas mínimas de ferrocianeto de po-
tássio [K4Fe(CN)6].
4. O suplemento vitamínico mineral é um medicamento para
uso durante a gravidez e a lactação, períodos de grande 7. Calcule o tempo necessário para nascer um mol de
atividade fisiológica, com o aumento das necessidades pessoas, considerando que a taxa de natalidade
nutricionais diárias. Em certa massa desse suplemento, mundial atual está em torno de 3 pessoas por se-
existem as seguintes quantidades de sais minerais: gundo. Compare o valor encontrado com a idade da
Terra, que é estimada em 5 000 000 000 de anos.
1,5 ⋅ 1022 fórmulas mínimas de carbonato de cálcio (CaCO3)
8. O enxofre (S) é um elemento classificado como não me-
2,0 ⋅ 10 –3 mol de magnésio (Mg)
tálico. É essencialmente pela presença de seus átomos
5,4 ⋅ 1017 fórmulas mínimas de iodeto de potássio (KI) nos combustíveis que existe o fenômeno das chuvas
0,001 mol de ferro (Fe) ácidas. Quantos átomos de enxofre existem em 16 mol
1,35 ⋅ 1017 fórmulas mínimas de óxido de cobre (CuO)
de enxofre?

2,6 ⋅ 10 –6 mol de molibdênio (Mo)


9. A substância peróxido de hidrogênio (H2O2), mais conhe-
cida como água oxigenada, é instável e se decompõe
1,8 ⋅ 1020 fórmulas mínimas de óxido de zinco (ZnO)
formando água e oxigênio. Esse oxigênio liberado rea-
3,16 ⋅ 10 –5 mol de selênio (Se) ge com a melanina (pigmento que dá cor aos cabelos),
1,99 • 1019 fórmulas mínimas de sulfato de manganês (MnSO4) quebrando as moléculas e alterando a cor dos fios.
Uma pessoa que deseja descolorir os cabelos utilizou
Para essa quantidade de suplemento, calcule: 0,588 ⋅ 10 –1 mol de água oxigenada. Determine o nú-
a) o número de átomos de Mg, Fe, Mo e Se. mero de moléculas que ela aplicou nos cabelos.
b) a quantidade de matéria de fórmulas mínimas das se-
10. De acordo com os conceitos de mol e a constante de
guintes substâncias: CaCO3, KI, CuO, ZnO e MnSO4.
Avogadro, julgue os itens abaixo, marcando C para os
5. Determine o número de átomos presentes nas quan- corretos e E para os errados.
tidades de matéria abaixo: 1) Um mol de átomos de magnésio contém o mesmo
a) 0,550 mol de ouro (Au). número de átomos que um mol de átomos de sódio.
b) 15,8 mol de cobre (Cu). 2) Um mol de água (H2O) contém 6,02 ⋅ 1023 átomos.
c) 0,27 mol de alumínio (Al). 3) O padrão de medida para a quantidade de matéria
d) 2,88 ⋅ 1018 mol de gás oxigênio (O2). é o oxigênio-16, por ser mais estável e abundante
e) 1,25 ⋅ 1026 mol de ferro (Fe). que o carbono.
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GLOSSÁRIO TABELAS SEGURANÇA
CAPÍTULO
4) O número de moléculas de gás cloro contidas em 12. (UFU-MG) Assinale a alternativa que contém o maior
1,75 mol corresponde a 10,5 ⋅ 1024 moléculas. número de átomos.
5) Em 3,08 ⋅ 10 –1 mol de água estão presentes aproxi- a) 3,5 mol de NO2. c) 4 mol de NO.
madamente 1,85 ⋅ 1023 moléculas. b) 1,5 mol de N2O3. d) 1 mol de N2O5. 1
11. Em 3,0 mol de HCl e 5,0 mol de F2, existem, respectivamente: 13. Em 250 mL de água de coco, há 20 mg de cálcio,
2
Dado: constante de Avogadro: 6,02 · 1023. 23 mg de sódio e 156 mg de potássio, além de compo-
a) 1,8 ⋅ 1024 moléculas e 3,01 ⋅ 1024 moléculas. nentes químicos. A soma do número de átomos de cál- 3
b) 3,0 ⋅ 1023 moléculas e 5,0 ⋅ 1023 moléculas. cio, sódio e potássio existentes nesse volume de água é:
4
c) 1,8 ⋅ 1024 moléculas e 3,01 ⋅ 1024 átomos. a) 3,3 ⋅ 1024 átomos. d) 3,3 ⋅ 1021 átomos.
d) 1,8 ⋅ 1024 átomos e 3,01 ⋅ 1024 moléculas. b) 2,6 ⋅ 1022 átomos. e) 4,0 ⋅ 1023 átomos. 5
e) 6,02 ⋅ 1023 moléculas e 12,04 ⋅ 1023 moléculas. c) 1,5 ⋅ 1021 átomos. 6

7
5 MASSA ATÔMICA, MOLECULAR E MOLAR 8

Pense
Qual é a massa de um átomo de carbono-12?

O s recipientes que você vê nas fotos abaixo, com diferentes substâncias, têm algo
em comum. Você sabe dizer o que é?
Hely Demutti

Cloreto de ferro (III) 270,3 g Permanganato de potássio 158 g Cloreto de sódio 58,5 g

Sulfato de cobre 249,7 g Nitrato de cobalto 291 g Iodeto de potássio 166 g

1 mol de diferentes sais. Para cada substância, temos igual número de constituintes, mas diferentes massas.

Como você já sabe, o padrão utilizado para a determinação das massas dos átomos dos dife-
rentes elementos químicos é o carbono-12. As substâncias mostradas aqui, embora em volume
e massa diferentes, apresentam algo em comum: a quantidade de matéria é igual a um mol.

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Utilizamos, em Química, três tipos de massa: atômica, molecular e molar.
A massa dos átomos é dada pela massa atômica. Como os elementos químicos
possuem átomos com mais de um valor de massa, a grandeza massa atômica é obtida
pela média ponderada das massas dos átomos dos elementos químicos encontrados
na natureza. Seu símbolo é ma, em que a letra a deve ser substituída pelo símbolo do
UNIDADES UTILIZADAS PELO QUÍMICO

elemento em questão. Esses valores, como Dalton já havia sugerido no início do século
passado, são relativos. Sua definição é:

Massa atômica (ma) de um elemento químico é a massa média ponderada de


seus átomos encontrados na natureza.

Como os valores de massa atômica são pequenos demais, difíceis de trabalhar, os quí-
micos resolveram definir uma unidade específica para a massa de átomos. Essa unidade de
medida da grandeza massa foi estipulada como igual a um doze avos (1/12) da massa de um
átomo de carbono-12 e recebeu o nome unidade de massa atômica, cujo símbolo é u.

1 unidade de massa atômica (u) = 1/12


da massa de um átomo de carbono-12.

Pense
Qual é o valor da massa de um átomo de carbono-12 em unidades de massa atômica?

O valor da massa, em gramas, de um átomo de qualquer elemento químico pode ser


obtido pela divisão da massa molar (massa de um mol da substância) pela constante de
Avogadro (veja a tabela a seguir).

VALORES DE MASSA ATÔMICA DE ALGUNS ELEMENTOS QUÍMICOS


Elemento químico Massa de 6,02 ⋅ 1023 átomos Massa de um átomo
Carbono (C) 12,0 g 19,9 ⋅ 10 –24 g
Hidrogênio (H) 1,0 g 1,66 ⋅ 10 –24 g
Hélio (He) 4,0 g 6,6 ⋅ 10 –24 g
Magnésio (Mg) 24,3 g 40,3 ⋅ 10 –24 g
Mercúrio (Hg) 200,6 g 332 ⋅ 10 –24 g

Pense
Qual é a relação de igualdade (fator de conversão) entre a unidade grama (g) e a unidade de massa atômica (u)?

A partir da relação entre as duas unidades de medida da massa, é possível conver-


ter o valor da massa de qualquer átomo de gramas para unidade de massa atômica,
ou vice-versa.
A maioria das substâncias é formada por grupos de átomos em proporções bem
definidas, os quais chamamos constituintes. Cálculos envolvendo as substâncias são
feitos considerando-se a massa dos constituintes, que é denominada massa molecu-
lar. Esse termo também é utilizado para substâncias que têm constituintes amolecula-
res, por exemplo, os sais. Portanto, massa molecular refere-se à massa da entidade da
qual uma substância é feita, que pode ser de uma molécula ou de uma fórmula mínima.

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CAPÍTULO
A massa molecular e a massa atômica têm como símbolo ma e são expressas em uni-
dades de massa atômica – u. A letra a é substituída pelo símbolo do elemento químico
ou pela fórmula da substância. A massa molecular corresponde ao somatório das massas
atômicas dos átomos constituintes da substância. A definição é:
1
Massa molecular (mola) é a soma das massas atômicas dos átomos do constituinte de 2
uma substância, podendo representar a massa de uma molécula ou de uma fórmula mínima.
3
A massa atômica e a massa molecular são pouco utilizadas, porque não trabalhamos 4
com átomos e moléculas e, sim, com quantidades maiores. Entretanto, estas são impor-
tantes por lidarem com a dimensão atômica e já começam a ter aplicação prática graças 5
a um novo ramo da ciência, a Nanotecnologia, relacionada com a manipulação da maté-
6
ria molecular, visando à criação de novos materiais, substâncias e produtos, com precisão
de átomo a átomo. 7
Para lidar com quantidades macroscópicas, utilizamos a massa molar
molar, que se refere
8
à massa de um mol de entidades. Essas poderão ser átomos (55,8 g/mol Fe), moléculas
(18 g/mol H2O) ou grupamento de íons (57,5 g/mol NaCl). Ela representa a massa da nu-
merosidade igual ao número de átomos presentes em 12 g de carbono-12, ou seja, em
um mol. Sua definição é:

Massa molar (M) é a massa de um mol da substância.

Atualmente, para determinar a massa molar de uma substância, os químicos utilizam


equipamentos chamados espectrômetros de massas. Como equipamentos desse tipo não
estão disponíveis em escolas do Ensino Médio, vamos fazer cálculos teóricos fundamenta-
dos no método utilizado por químicos para a elaboração das primeiras tabelas de massa
molar. Os valores de massa das substâncias podem ser calculados com base nas quantida-
des que reagem com uma massa conhecida de carbono ou outra substância, cuja massa
molar já foi determinada.

Carolina K. Smith MD/Shutterstock


A massa molar de uma substância é numericamente igual à sua massa molecular, mas
difere em unidade: a massa molar é dada em gramas por mol (g/mol) e a massa molecu- Para calcular a massa
lar é dada em unidade de massa atômica (u). molecular da água, so-
ma-se a massa dos dois
Analisando as reações químicas e tendo conhecimento da estrutura atômica da maté-
átomos de hidrogênio
ria, é possível encontrar a relação entre as quantidades de massa das substâncias envolvi- com a massa do átomo de
das nas reações. Como exemplo, podemos citar a formação da água: oxigênio.

2H2(g) + O2(g) ( 2H2O(l)

Se conhecermos os valores de massa molar de uma ou mais substâncias envolvidas


numa reação, teremos condição de calcular a massa molar das demais.
A massa molar da substância hidrogênio é igual à massa molar do hidrogênio multi-
plicada por dois, visto que as moléculas possuem dois átomos:
M(H2) = 2 ⋅ 1 g/mol ( M(H2) = 2 g/mol
Para a substância oxigênio, teremos o mesmo:
M(O2) = 2 ⋅ 16 g/mol ( M(O2) = 32 g/mol
A água é formada por moléculas que possuem dois átomos de hidrogênio e um áto-
mo de oxigênio (H2O). A massa molar será:
M(H2O) = 2M(H) + M(O) = 2 ⋅ 1 g/mol + 16 g/mol = 18 g/mol

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Similarmente, a massa molecular da água será:
M(H2O) = 2M(H) + M(O) = 2 ⋅ 1 u + 16 u = 18 u

Para calcular a massa molecular da água, soma-se a massa dos dois átomos de
hidrogênio com a massa do átomo de oxigênio.
UNIDADES UTILIZADAS PELO QUÍMICO

Na tabela a seguir, apresentamos uma série de dados obtidos experimentalmente.


Observe como se pode determinar, por meio de cálculos simples, a massa molar dos ele-
mentos químicos (1 mol de átomos desse elemento). Considerando que a massa molar
do monóxido de carbono é 28,00 g e que a massa molar do carbono é 12 g, obtemos
a massa molar do oxigênio: 16 g. Veja a tabela abaixo.

DETERMINAÇÃO DA MASSA MOLAR DE ALGUNS ELEMENTOS QUÍMICOS


Substância Substância formada Massa do elemento
simples Nome Fórmula Massa molar de referência

Oxigênio monóxido de carbono CO 28,00 g 12 g de C


Magnésio óxido de magnésio MgO 40,30 g 16 g de O
Hidrogênio água H2O 18,02 g 16 g de O
Nitrogênio dióxido de nitrogênio NO2 46,50 g 32 g de O
Ferro óxido de ferro FeO 71,85 g 16 g de O
Alumínio óxido de alumínio Al2O3 101,96 g 48 g de O

No passado, alguns enganos foram cometidos por não serem conhecidas as fórmulas
exatas de muitas substâncias. Hoje, com o avanço da Química e a tecnologia existente, é
possível estabelecer a massa molar das substâncias com grande precisão.

Pense
Com base nos valores da tabela, calcule a massa molar dos seguintes elementos químicos: magnésio, hidrogênio,
nitrogênio, ferro e alumínio.

6 VOLUME MOLAR

G rãos diferentes de cereais ocupam volumes diferentes. Da mesma forma, quan-


tidades de espécies químicas, sólidas ou líquidas, iguais em número, ocupam di-
ferentes volumes. Cuidado: essa analogia entre átomos e cereais serve para sólidos e
líquidos, mas não se aplica aos gases.
Quando a quantidade de matéria da substância equivale a 1 mol, chamamos o volu-
me ocupado de volume molar, que é definido da seguinte forma:

Volume molar (Vm) é o volume ocupado por um mol de uma substância.

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CAPÍTULO
O volume molar de qualquer gás depende das condições em que ele se encontra.
Assim, é muito importante, quando nos referirmos ao volume molar, especificarmos
a temperatura e a pressão em questão.
Como o volume normalmente varia com a pressão e a temperatura, para que seja pos- 1
sível comparar dados de diferentes substâncias, é necessário estabelecer valores de refe-
rência para pressão e temperatura. 2
Foram definidas como referência a temperatura de 273,15 kelvin (0 °C) e a pressão de 3
100000 pascals (1 atm), valores denominados condições normais de temperatura e
4
pressão (CNTP).
5
Condições normais de temperatura e pressão – CNTP
6
T = 273,15 K ou t = 0 °C
7
P = 100 000 Pa
Pa = 1 bar = 0,9869 atm = 750,06 mmHg 8

Os gases, diferentemente dos sólidos e dos líquidos, são muito afetados por varia-
ções de temperatura ou de pressão. Amedeo Avogadro, que trabalhou com vários gases,
percebeu isso: ele notou que iguais quantidades de matéria de diferentes gases ocupam
volumes iguais. Posteriormente, determinou-se que 1 mol de qualquer gás, nas CNTP,
ocupa um valor igual a 22,71 L.

O volume molar (Vm ou Vm) de qualquer gás nas CNTP é igual a 22,71 L.

O valor de 22,71 L para volume molar é obtido considerando-se a pressão de


cem mil pascals (100 000 Pa) e a temperatura igual a 273,15 kelvin (0°C). Você en-
contrará livros e questões de vestibulares antigos que, no entanto, apresentam o
volume molar como 22,4 L, por considerar a antiga definição de pressão-padrão
igual a 1 atm (101 325 Pa).

Exercícios FAÇA NO CADERNO. NÃO ESCREVA EM SEU LIVRO.

Para responder às questões, caso necessário, consulte provoca dependência química. A partir da fórmula mo-
os dados de massa atômica na tabela periódica no final lecular, dê a massa molecular e a massa molar.
do livro.
5. O açúcar usado em casa contém sacarose (C12H22O11),
1. Qual é a diferença entre massa molecular e massa molar? substância vital para as necessidades básicas huma-
2. (EE Mauá-SP) Uma vez que as massas atômicas do oxi- nas. É metabolizada pelo organismo rapidamente e
gênio e do sódio são, respectivamente, 16 e 23, então é muito energética. No entanto, por ser muito ca-
a massa de 23 átomos de oxigênio é a mesma que a lórica, algumas pessoas, por motivos estéticos ou
de 16 átomos de sódio. de saúde, devem evitar sua ingestão.
Essa afirmativa é verdadeira ou falsa? Justifique. a) Calcule a massa molecular e molar da sacarose.
3. Quais são os fatores que interferem no volume molar b) A sacarose e outros açúcares são substituídos por
de um gás? adoçantes artificiais. Pesquise o nome de alguns
adoçantes mais comuns e quais são as consequên-
4. Anfetamina ou benzidrina (C9H11NH2) é uma droga que cias do uso desses produtos.

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6. O sulfato de alumínio [Al2(SO4)3] é uma substância, des- 10. Clostridium botulinum é a bactéria que provoca in-
de a Antiguidade, usada para o tratamento da água. toxicação alimentar, o botulismo. Ela produz a toxi-
Essa substância provoca a aglutinação da matéria na chamada botulina, muito utilizada com o nome
suspensa, formando flocos mais densos que a água Botox em tratamentos estéticos para minimizar ru-
e que se sedimentam no fundo dos tanques de tra- gas e linhas de expressão da face. Para evitar into-
UNIDADES UTILIZADAS PELO QUÍMICO

tamento. Calcule a massa molecular e a massa molar xicação, não consuma conservas alimentícias vindas
dessa substância. de lata estufada ou que tenham odor de ranço, ca-
7. Certos minerais têm resistência ao serem riscados por racterístico da formação do ácido butílico (H8C4 O2).
outro material. Essa propriedade é chamada dureza. Considerando essas informações e seus conhecimen-
O mineral de menor dureza tem o valor 1 e o de maior tos, responda.
dureza tem o valor 10. Observe, em alguns minerais, a) Se a toxina botulina é tão grave para a saú-
a dureza e a fórmula molecular. de, como se explica a utilização em tratamento
estético?
Dureza Mineral Fórmula
b) Para o homem, a dose letal (DL 50 ) da ingestão
1 Talco Mg3Si4O10(OH)2 de botulina é de cerca de 1 mg. A que quanti-
dade de matéria de ácido butílico corresponde
2 Gipsita CaSO42 H2O
essa dose?
5 Apatita Ca5(PO4)3(OH)
11. Consultando a tabela de valores de massa atômica,
9 Coríndon Al2O3 calcule a massa molecular das seguintes substâncias:
a) ácido sulfúrico (H2SO4);
a) Consultando a tabela periódica, como você re-
b) hidróxido de cálcio [Ca(OH)2];
presentaria a massa atômica de cada elemento,
c) fosfato de cálcio [Ca3(PO4)2];
a massa molecular e a massa molar de cada subs-
d) álcool etílico (C2H5OH);
tância encontrada no quadro acima?
e) ferrocianeto de potássio [K4Fe(CN)6];
b) Se riscarmos o talco com a gipsita, qual deixará
f) cloreto de bário di-hidratado (BaCl2 ⋅ 2H2O).
o traço sobre o outro?
c) Qual mineral não deixa o traço em nenhum dos 12. As medidas são necessárias à sociedade. No caso de
outros minerais citados acima? átomos e moléculas, julgue os itens em C para os
corretos e E para os errados:
8. Se a escala de massa atômica tivesse sido definida di- 1) Sabendo que a massa atômica da prata é igual a
ferentemente, em que 1 (um) átomo de 126C tivesse 108 u, podemos afirmar que um átomo de prata
massa no valor de 100 u, isso teria algum efeito sobre pesa 108 vezes mais que o átomo de 12C.
a constante de Avogadro? Explique. 2) A massa molecular é numericamente igual à
9. Conservantes são substâncias que impedem ou retar- soma das massas atômicas de todos os átomos
dam as alterações dos alimentos, provocadas por da molécula.
micro-organismos ou enzimas. Como conservantes 3) Para lidar com quantidades mais significativas,
antimicrobianos são utilizadas as substâncias: nitrito utiliza-se a massa molecular, que se refere à mas-
de sódio (NaNO2), nitrito de potássio (KNO2), nitrato sa de um mol de entidades.
de sódio (NaNO3 ) ou nitrato de potássio (KNO3 ). Por 4) O volume molar de um gás é o volume ocupado
lei, no Brasil, o limite máximo desses conservantes é por um mol desse gás, a uma determinada pres-
são e temperatura, ou seja, o volume é direta-
de 0,20% em massa.
mente proporcional à quantidade de matéria de
a) Com a tabela periódica em mãos, calcule as mas-
um gás.
sas molares desses conservantes.
5) Para sólidos e líquidos o volume molar depende,
b) Quantos gramas de cada tipo de conservante po- entre outras coisas, da natureza, da substância,
dem ser adicionados a 1 quilograma de salsicha? mas para gases ele só dependerá das condições
c) A que quantidade de matéria de cada sal corres- da temperatura, qualquer que seja a natureza
ponde essa massa? do gás.
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CAPÍTULO
7 CONVERSÕES NO CÁLCULO
ESTEQUIOMÉTRICO 1

O s químicos normalmente utilizam as grandezas massa, quantidade de matéria e


volume para medir os materiais. Vejamos as principais relações que, em geral, são
estabelecidas entre as grandezas que expressam quantidades.
2

4
Relação entre quantidade de matéria e massa 5
A conversão de quantidade de matéria (n) para massa (m) é feita pela massa molar (M). Assim, por exemplo, a massa 6
molar da água é 18 g/mol, o que significa:
18 g de H2O = 1 mol de H2O 7
Dessa igualdade podemos obter outras duas: 8
a. dividindo-se os dois termos por 1 mol de H2O; ou
b. dividindo-se os dois termos por 18 g de H2O.
Assim, teremos os seguintes fatores de conversão:
18 g H2O 1 mol H2O
a) =1 b) =1
1 mol H2O 18 g H2O

O primeiro fator de conversão transforma quantidade de matéria em massa. O segundo transforma massa em quanti-
dade de matéria. Para isso, basta multiplicar a grandeza que se quer converter pelo respectivo fator de conversão. Veja os
exemplos a seguir:
1. Qual é a massa de 1,5 mol de água?
18 g H2O
m (H2O) = 1, 5 mol H2O ⋅ = 27 g H2O
1 mol H2O

2. Qual é a quantidade de matéria (n) existente em 63 g de água?


1 mol H2O
n (H2O) = 63 g H2O ⋅ = 3, 5 mol H2O
18 g H2O

Relação entre quantidade de matéria e volume de gases


Do mesmo modo que usamos a massa molar (M) como fator de conversão, o volume molar (Vm) também é empregado como
fator para transformar volume de um gás em quantidade de matéria ou vice-versa, conforme demonstrado abaixo:
22, 71 L
1 mol (g) = 22,71 =1
1 mol L (CNTP) Conhecendo o volume
22, 71 L 1 mol do balão, pode-se calcu-
a) =1 b) =1
Wildcat78/Dreamstime

1 mol 22 , 71 L lar a quantidade de maté-


ria e a massa do gás que
1. Qual 1é mol
o volume
= 1 ocupado por 5 mol de gás hidrogênio nas CNTP? ele contém.
22, 71 L 22, 71 L H2
V (H2 ) = 5 mol H2 ⋅ = 113, 55 L H2
1 mol H2

2. Que quantidade de matéria de oxigênio ocupa o volume de 68,13 L nas CNTP?


1 mol O2
)
V ( O2 = 68 ,13 L O2 ⋅
22, 71 L O2
= 3 mol O2

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Exercícios FAÇA NO CADERNO. NÃO ESCREVA EM SEU LIVRO.

Para responder às questões, caso necessário, consulte os 6. O ácido sulfúrico (H2SO4) é um líquido incolor, oleoso e
dados de massa atômica na tabela periódica no fim do livro. muito corrosivo. Apesar de amplamente utilizado na fa-
1. A benzedrina é um remédio utilizado por pacientes bricação de fertilizantes, filmes, explosivos, acumuladores
UNIDADES UTILIZADAS PELO QUÍMICO

que sofrem de depressão. A dose diária indicada é de baterias e refino de petróleo, o seu contato com a pele
de 10 mg de benzedrina (C9H13N). Empregando os pode provocar a destruição dos tecidos, ao ser inalado,
dados da tabela periódica, calcule: causa danos às vias respiratórias do organismo. Qual é a
a) a massa molar da benzedrina. massa, em gramas, existente em 5 mol dessa substância?
b) a quantidade de matéria de benzedrina que se en- Dados: S = 32 g/mol; H = 1 g/mol; O = 16 g/mol.
contra nos 10 mg. a) 480 g. c) 290 g. e) 490 g.
2. A cafeína é um excitante do sistema nervoso, portanto b) 190 g. d) 580 g.
beber café é desaconselhável a pessoas nervosas e exci-
7. Uma pessoa utiliza 0,5 mol de açúcar (C12H22O11) para
táveis. O Comitê Olímpico Internacional (COI) proíbe altas
adoçar uma garrafa de café. A quantidade de açúcar
doses de cafeína. Atletas olímpicos com mais de 12 mg
que deve ser colocada na garrafa é:
de cafeína por mL de urina podem ser desqualificados da
Dado: massa molar do açúcar = 342 g/mol
competição. Agora responda às questões a seguir, saben-
a) 330 gramas. c) 165 gramas. e) 150 gramas.
do que a fórmula molecular da cafeína é C8H10O2N4H2O.
b) 171 gramas. d) 140 gramas.
a) Calcule a massa molar da cafeína.
b) Qual seria a quantidade de matéria de cafeína en- 8. O elemento oxigênio encontra-se na atmosfera na forma
contrada em 12 mg de cafeína? de gás oxigênio (O2) e de gás ozônio (O3). O gás oxigênio
c) Em quais produtos podemos encontrar a cafeína? é o segundo componente mais abundante do ar atmos-
d) Pesquise os pontos positivos e negativos da cafeína férico. Ele corresponde a 21% do volume do ar seco e
na alimentação diária do ser humano. sem poluentes. É impossível a sobrevivência da maioria
3. O boro (B) é encontrado em alimentos como frutas, verdu- dos seres vivos sem oxigênio. Qual o volume ocupado
ras e legumes em quantidades muito pequenas. É ótimo por 5 mol desse gás nas CNTP?
para a prevenção contra a osteoporose. São recomenda- Dado: volume molar = 22,71 L nas CNTP.
dos 3 mg diariamente. Mas deve-se tomar cuidado ao in- 9. Para você temperar a carne, são necessários condimen-
gerir cápsulas de 3 mg de borato de sódio (Na3BO3), pois tos que a conservem. O alho é importante porque con-
podem aumentar a produção de estrogênio e testosterona tém uma substância, denominada alicina (C6H10OS2), que
(hormônios sexuais feminino e masculino). atua como conservante, inibindo a ação das enzimas que
a) Em que situações é aconselhada a ingestão de cáp- aceleram a decomposição da carne. O cravo-da-índia, por
sulas de borato de sódio? exemplo, contém uma substância conservante, denomi-
b) Qual seria a quantidade de matéria de boro em 3 mg? nada eugenol [C3H5C6H3(OH)OCH3 ], que possui ação an-
4. O óxido de zinco (ZnO) é muito útil em preparados tioxidante, prevenindo o ranço (produto da reação entre o
cosméticos, pois tem propriedades antimicrobianas e oxigênio e a gordura da carne) e evitando o aparecimento
cicatrizantes, além de servir como bloqueador solar. Se de bolor. Com os seus conhecimentos, julgue os itens,
prepararmos bloqueador caseiro e acrescentarmos 10 g marcando C para os corretos e E para os errados.
de óxido de zinco pulverizado, qual seria a quantidade 1) Os conservantes e antioxidantes naturais são menos
dessa matéria encontrada nesse bloqueador solar? propensos a causar doenças como o câncer no ser
5. Algumas pessoas usam produtos que dão à pele a to- humano.
nalidade bronzeada, sem precisar tomar sol. Neles, há 2) As massas molares da alicina e do eugenol são 164
uma substância chamada DHA ou di-hidroxiacetona e 162 g/mol, respectivamente.
(C3H6O3). O bronzeamento é a combinação química 3) Em 1 mol de alicina existe menor quantidade de
entre o DHA e a ceratina (proteína encontrada na átomos que em 1 mol de eugenol.
pele). A seguir responda: 4) Normalmente, reações provocadas pela ação do ar,
a) quais as vantagens de se utilizar esse produto? da luz, do contato com metais etc. deixam o ali-
b) qual seria o número de moléculas de DHA encontradas mento com cheiro ruim característico e impróprio
em um recipiente de aproximadamente 120 g desse para o consumo. O antioxidante serve para retardar
produto? essa reação.
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CAPÍTULO
ER
Grandezas físicas Exercícios de revisão 1

b Nas Ciências, os atributos (características) de componentes do Universo que podem ser medidos são 2
chamados grandezas físicas.
3
Massa atômica 4
b Vários padrões de medidas de massa atômica dos átomos foram utilizados ao longo da história das 5
Ciências. A primeira substância utilizada como padrão para determinar a massa de outras substâncias
foi o hidrogênio. 6
b Desde 1957, a Iupac definiu o carbono-12 (por ser mais estável e abundante) como o padrão para se
7
determinar a massa dos átomos. Por convenção, a massa de um átomo de carbono-12 corresponde
a 12 u. Assim, uma unidade de massa atômica corresponde a 1/12 do carbono-12, ou seja, 1/12 do 8
carbono-12 corresponde a 1 unidade de massa atômica. Como a maioria das substâncias é forma-
da por grupamentos de átomos, o cálculo da massa dos constituintes é feito considerando a massa
de cada átomo. Essa massa final é denominada massa molecular, logo a massa dos constituintes
representa a massa de uma molécula ou de uma fórmula mínima. Por exemplo, no caso do NaCl a
fórmula mínima é 36,5 u. Considera-se a massa do sódio (Na) igual a 23,0 u e a do cloro (Cl) 35,5 u.

Quantidade de matéria
b Na Química, utiliza-se a numerosidade como a grandeza física para medir numericamente entidades
como átomos, íons ou moléculas. A quantidade de matéria (n) é uma grandeza de numerosidade e a
unidade de medida é o mol.

Constante de Avogadro
b O número de átomos presentes em uma amostra de 0,012 kg de carbono-12 é dado por uma cons-
tante física que recebe o nome constante de Avogadro (NA), em homenagem ao químico Amedeo
Avogadro [1776-1856]. Dessa forma: 1 mol contém 6,02 ⋅ 1023 entidades (átomos, moléculas etc.).

Massa molecular e massa molar


b A massa atômica de um elemento químico é a média ponderada das massas dos átomos desse ele-
mento. No caso de moléculas ou íons, a massa molecular corresponde à soma das massas dos átomos
que os constituem. No entanto, quando se faz necessário trabalhar com valores maiores, aplicamos o
conceito de massa molar: a massa de um mol do elemento ou da substância. A massa molar (M) de
uma substância é numericamente igual a sua massa molecular, mas difere na unidade: a massa mo-
lar é dada em gramas por mol (g/mol) e a massa molecular é dada em unidade de massa atômica (u).

Volume molar
b O volume molar de um gás corresponde ao volume ocupado por um mol de uma substância. Nesse
caso, precisamos considerar as condições de pressão e temperatura, pois um gás sofre mudanças
quando essas variáveis se alteram. Assim, o volume molar de qualquer gás, nas CNTP, é igual a 22,71 L.

Relações de correspondência
b 1 mol = 6,02 · 1023 entidades;
1 mol de um gás (CNTP) = 22,71 L.

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Capítulo 2

CÁLCULOS
QUÍMICOS
CÁLCULOS QUÍMICOS

Como calcular quantidades de reagentes e produtos em uma reação química?


Como usar produtos químicos corretamente?

Tema em foco
Tema
PRODUTOS QUÍMICOS DOMÉSTICOS: PERIGO DISFARÇADO
QS
&
S
Química e
Sociedade
Produtos químicos não existem somente nos laboratórios industriais. Milhares deles são utilizados na vida cotidia-
na, o seu emprego adequado contribui para melhorar a qualidade de vida.

Pense
Existem perigos no uso de produtos químicos domésticos?

Alguns produtos quí- Existem pelo menos mais de 20 milhões de substâncias diferentes e aproximadamente
micos domésticos mui- 150 mil delas fazem parte do nosso cotidiano. Xampus, sabonetes, brinquedos, roupas,
to consumidos são: produ- produtos de limpeza são apenas alguns exemplos de formas de utilização dessas subs-
tos de limpeza e higiene tâncias. No entanto, a maioria delas não passou por testes adequados para estudo do
pessoal, inseticidas, remédios, impacto no ambiente e na saúde humana. Alguns dos riscos associados à utilização de
alvejantes, desinfetantes, ál- produtos químicos e substâncias são conhecidos e incluem doenças, como o câncer, as
cool, cloro, soda caústica, for- disfunções hormonais, as alergias, os problemas respiratórios etc.
maldeído, refrigerantes, colas,
O perigo vem cercado da desinformação. Quando nós, consumidores, adquirimos
vernizes, esmaltes, xampus, hi-
dratantes, combustíveis. Quais produtos em supermercados e lojas, muitas vezes, sem saber, passamos a conviver com
desses você utiliza? muitos riscos, em virtude da falta de clareza quanto aos perigos envolvidos no uso. Esses
perigos vão desde alterações ambientais até ameaças à nossa saúde, tanto pelo uso quan-
to pelo descarte dos resíduos.
Uma pesquisa publicada no jornal Diário do Nordeste, de 29 de dezembro de 2001,
Hely Demutti

revela um fato assustador: 47% das emergências por intoxicação são causadas por
produtos agrícolas ou domésticos. Esses resultados foram obtidos com base no es-
tudo de 6297 casos de emergência toxicológica, registrados no período de 1998 a
2000. Segundo esse estudo, 36% das intoxicações foram provocadas por praguici-
das. Cerca de 20% das vítimas eram crianças na faixa de 1
a 5 anos, atraídas pelos rótulos coloridos de produtos de
limpeza. Mas a faixa etária mais atingida é a que está en-
tre os 21 e 35 anos, com 25,6% dos casos.

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CAPÍTULO
Entre as falhas banais que provocam esses acidentes, muitos desses de graves conse-

Hely Demutti
quências, estão a falta de lugar adequado para guardar remédios e outros produtos quí-
micos (que ficam ao alcance das crianças), o uso de recipientes de alimentos e bebidas
para acondicionar detergentes e desinfetantes ou simplesmente o emprego inadequado
1
do produto. Por exemplo, produtos de limpeza que deveriam ser diluídos, se usados na
forma concentrada, podem acarretar reações alérgicas. 2
Um dos cuidados básicos para prevenir a intoxicação é ler as instruções constantes nas
embalagens e segui-las corretamente. Os rótulos têm informações relevantes: composi- 3
ção do produto, cuidados exigidos para o uso, perigos potenciais, data de validade, modo 4
de uso e de armazenamento e formas de contato para ajuda em caso de emergências.
Deve-se respeitar, rigorosamente, as quantidades a serem usadas e as formas de dilui- 5
Não deixe produtos
ção indicadas nos rótulos. Para manipulação desses produtos, recomenda-se o uso de luvas químicos ao alcance 6
de borracha, principalmente se o consumidor apresentar histórico de alergias. No caso de de crianças. Muitos aci-
produtos de limpeza contendo substâncias voláteis ou que apresentem odores muito fortes, dentes acontecem pela fal- 7
o emprego de máscara é obrigatório. Outra recomendação é não fazer combinações cujo ta de lugar adequado para
guardar remédios e outros 8
efeito se desconheça, ou seja, não se deve misturar o produto “A” com o “B” acreditando
que se conseguirá uma limpeza mais eficaz, pois essa mistura poderá ser prejudicial à saúde. produtos químicos.

Atitude sustentável I
Infográfico
Cuidados para o uso de produtos químicos
b Mantenha fora do alcançe das crianças: medicamentos, alcance de crianças os medicamentos, as bebidas al-
produtos de limpeza, raticidas, inseticidas, combustíveis coólicas e os produtos de limpeza.
e outros produtos potencialmente tóxicos. b Não pratique automedicação, pois qualquer tipo de me-
b Evite trocar as embalagens dos produtos. Caso neces- dicamento pode ser perigoso.
sário, mantenha as informações contidas nas embala-
b Não permaneça em locais onde houve aplicação de pro-
gens originais.
dutos químicos com odor forte, como inseticidas, tintas,
b Leia o rótulo ou a bula antes de usar quaisquer produ-
tos e siga as instruções do fabricante. vernizes, sinteco, colas etc.
b Não guarde restos de medicamentos, produtos quími- b Antes de retornar a locais onde houve aplicação de pro-
cos vencidos ou com rótulos danificados. dutos químicos, como os listados acima, deixe o am-
b Guarde em diferentes armários fechados e fora do biente aberto com bastante ventilação.
Cuidado! Produtos químicos, de maneira geral, devem ser comprados com atenção,

Hely Demutti
em lojas especializadas e com nota fiscal. Produtos piratas adquiridos em camelôs ou am-
bulantes oferecem grandes riscos, já que na maioria das vezes são fabricados sem cui-
dados adequados, não têm registros oficiais que garantam a qualidade nem a rotulação
adequada com informações de uso.
Se uma pessoa se sente mal após a exposição a um produto, a recomendação é não
perder tempo e procurar logo o médico. Antes, porém, podem ser tomadas algumas me-
didas de emergência, como ler o rótulo do produto para se certificar de alguns detalhes
específicos, lavar a pele com água e os olhos com soro fisiológico e, se houve ingestão,
não provocar vômito nem tampouco tomar água ou qualquer outra substância sem orien-
tação médica, pois um erro de procedimento nesse momento pode agravar a situação. A utilização de equipa-
Nesse último caso, o melhor mesmo é ligar para o serviço de toxicologia da cidade. Existem mentos de proteção
vários serviços telefônicos que funcionam 24 horas por dia prestando esclarecimentos de individual (EPI) é obri-
emergência: procure ter esses números na agenda, pois são tão importantes quanto os gatória quando se lida
telefones da polícia e dos bombeiros. Você já sabe qual é o número? Se não, descubra. com substâncias e mate-
riais potencialmente tóxi-
Quanto ao uso de inseticidas domésticos, é preciso cuidado redobrado. Antes de usá-los,
cos, até mesmo em casa.
é necessário ler com atenção o rótulo. Crianças e animais domésticos devem ser retirados de
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casa durante a aplicação. O local deve ser bem ventilado e as pessoas devem aguardar um
Várias tinturas para cabelo
contêm chumbo, amônia e
tempo antes de retornar ao ambiente. Todos os utensílios de cozinha deverão ser lavados,
outras substâncias tóxicas. antes de serem usados novamente. Todo cuidado deverá ser tomado para que as crianças
Pessoas sensíveis po- não levem à boca nem tenham contato com materiais que possam estar com resíduos dos
dem ter sérias reações produtos aplicados.
alérgicas. Em longo pra- É importante lembrar que o uso de inseticida deve sempre ser reduzido ao mínimo possível.
zo, o chumbo acumulado Procure usar repelentes naturais para mosquitos, bem como telas nas janelas e tampas nos ra-
CÁLCULOS QUÍMICOS

no organismo pode provo- los e nas saídas de esgotos. Somente quando essas alternativas não forem eficientes é que de-
car lesões neurológicas, es- vemos recorrer aos inseticidas, buscando os que tenham classificação pela Agência Nacional de
tomacais e até osteoporose.
Vigilância Sanitária (Anvisa) como pouco tóxicos e tomando os cuidados descritos anteriormente.
Mas os produtos de limpeza e os inseticidas não são os únicos vilões dessa história. Os
Hely Demutti

produtos de beleza também já levaram muita gente ao pronto-socorro. Os mais perigosos


são as tinturas e os produtos para modelar cabelos, já que podem provocar reações alérgi-
cas imediatas ou danos em longo prazo.
Para evitar intoxicações, a recomendação é sempre fazer o teste cutâneo antes de usar
o produto. Deve-se passar um pouquinho do produto na pele e esperar alguns minutos. Se
houver vermelhidão ou ardência no local, não deve ser utilizado. O recomendável é procu-
rar um profissional especializado, em salão de beleza cuja procedência seja conhecida, que
deverá usar luvas, máscara e manter o ambiente bem arejado.
É necessário cuidado também com as maquiagens. Para evitar problemas, o ideal é
não usar cosméticos todos os dias, fazer boa limpeza cutânea antes de dormir, comprar
cosméticos que passam por inspeções mais rigorosas e não deixar de ler o rótulo, para
saber o modo correto de utilização do produto e as possíveis reações.
Tome cuidado! Não use produtos para higiene pessoal e de limpeza em excesso.

FAÇA NO CADERNO. NÃO ESCREVA EM SEU LIVRO.

Debata e entenda
1. Estamos cercados de produtos químicos. Será que todos são realmente necessários? Em sua opinião, quais não seriam?
2. Em sua casa, investigue os produtos químicos que possuem algum grau de toxidez, lendo os rótulos e anotando
as informações no caderno, em um quadro como o representado abaixo.
Local Instruções sobre Efeitos que Classificação quanto
Ingredientes
Produto armazenado em cuidados com o produto pode à toxidez (irritante,
ativos
sua casa o produto causar corrosivo, inflamável etc.)
zzzzz z z z z z z z z z z z z z z z z z z z z zzzzzzzz
3. Você sabia que todo produto químico deve ter na embalagem informações como o número de telefone de emer-
gência? Pesquise em sua cidade os números de telefone do centro de informação toxicológica e do pronto-socorro
que atenda esse tipo de emergência.
4. Que cuidados devem ser tomados, em casa, para evitar possíveis intoxicações por produtos químicos?
5. Em caso de intoxicação por produtos químicos, que procedimentos devem ser adotados? Para onde se deve ligar
em sua cidade? Qual é o número do telefone?
6. Que cuidados devem ser tomados ao se guardar produtos de limpeza utilizados em casa? Por quê?
7. Segundo algumas estatísticas, o Brasil é o terceiro consumidor mundial de sabonete, perdendo apenas para Esta-
dos Unidos e Austrália. Será que isso significa que todos os brasileiros têm acesso a esse bem? Se não, como se
justifica esse consumo elevado?
8. No texto foram apresentados alguns dados de pesquisa sobre os acidentes domésticos ocasionados pelo uso de produ-
tos químicos domésticos. Em sua opinião, por que as pessoas na faixa de 21 a 35 anos são as que mais se intoxicam?
9. Em sua opinião: por que produto pirata é mais perigoso?

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CAPÍTULO
1 AS LEIS DAS REAÇÕES QUÍMICAS

C omo estudamos no capítulo anterior, o uso de produtos químicos em quantidades


corretas é a atitude ambiental fundamental. Também estudamos a importância do
uso de produtos químicos em quantidades adequadas para evitar intoxicações. Na indús-
1

2
tria, para a elaboração de cálculos com precisão, os químicos baseiam-se no princípio da
proporcionalidade aplicado às reações químicas. Esse princípio está fundamentado no 3
comportamento previsível das substâncias nas reações químicas que puderam ser desen- 4
volvidas a partir do estudo das reações químicas.
Esses estudos levaram ao estabelecimento de leis sobre o comportamento químico. 5
Sendo as leis das reações químicas a base para os cálculos químicos, vamos estudar as 6
principais delas. Ao analisar essas leis e outras evidências, podemos concluir que as subs-
tâncias são constituídas por átomos, os quais se conservam durante a reação – e é esse o 7
princípio norteador da execução dos cálculos. Vamos, portanto, estudar a primeira dessas
8
leis fundamentais para a prática química.

Química na escola

Fotos: Hely Demutti


Consulte as normas de segurança no
laboratório, na última página deste livro.

O que acontece com a massa durante uma reação química?


Este experimento lhe fornecerá evidências que foram utilizadas para a formulação das leis químicas. Ele poderá ser de-
monstrado pelo professor ou realizado pelo grupo de alunos.

Materiais
• uma folha de papel
• palha ou lã de aço
• grãos de arroz (ou pedaços de giz)
• palitos de fósforo
• uma balança (como a da figura ao lado)

Procedimento
Parte A
1. Construa uma balança, como a da figura ao lado.
2. Coloque uma folha de papel embolada sobre um dos pra-
tos da balança.
3. Equilibre os pratos da balança utilizando grãos de arroz ou
pedaços de giz.
4. Ponha fogo no papel.
5. Observe a combustão e anote o
acontecido com o papel e com a sua
massa.

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GLOSSÁRIO TABELAS SEGURANÇA
Parte B

Fotos: Hely Demutti


1. Coloque um pedaço de palha de aço sobre um dos
pratos da balança.
2. Equilibre os pratos da balança utilizando grãos de arroz
ou pedaços de giz.
CÁLCULOS QUÍMICOS

3. Ponha fogo na palha de aço.


4. Observe a combustão e anote o acontecido
com a palha de aço e com a sua massa.

Destino dos resíduos


Os resíduos desta atividade podem ser descartados no lixo comum.

Análise de dados
1. Explique o acontecido com a massa do papel após a combustão.
2. Explique o acontecido com a massa da palha de aço após a combustão.
3. O que deve ter contribuído para a variação das massas do papel e da palha de aço?
4. Imaginando que as duas reações sejam realizadas em recipientes fechados, explique o que aconteceria com as massas
dos sistemas.

Lei da Conservação das Massas


A análise superficial dos resultados do experimento anterior pode nos levar a interpre-
tação equivocada sobre a variação de massa nas reações de combustão. No entanto, se
aquelas reações fossem conduzidas em recipientes fechados, os resultados demonstrariam
que não há variação de massa durante a combustão. Essa constatação foi obtida em me-
dições precisas, desenvolvidas em diversos tipos de reações químicas.

O químico Antoine Lavoi-


Pense
sier e Marie Anne, a es- Se não há variação de massa nas reações químicas, por que houve aumento da massa da
posa e colaboradora. Sr. palha de aço?
e sra. Lavoisier, obra
de Jacques-Louis David,
Metropolitan Museum of Art, New York.

1788, acervo do Metro- O químico francês Antoine Lavoisier [1743-1794], com a colabo-
politan Museum de No- ração da esposa Marie Anne, realizou uma série de experiências que
va York (EUA). Óleo sobre o levou à seguinte conclusão: a quantidade de massa antes e depois
tela, 259,6 × 196 cm. de qualquer reação é sempre a mesma. Por ter verificado que esse
fato se repetia invariavelmente na natureza, concluiu então que se
tratava de uma lei.
Veja o que Lavoisier escreveu a respeito:

Podemos estabelecer, como um axioma incontestável,


que em todas as operações da arte e da natureza nada
é criado; existe uma quantidade igual de matéria antes
e depois do experimento; a qualidade e a quantidade
dos átomos permanecem precisamente as mesmas e
nada acontece além de mudanças e modificações nas
combinações desses átomos.

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CAPÍTULO
Esse enunciado, que se aplica a todas as reações químicas,

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ficou conhecido como Lei da Conservação das Massas ou Lei
de Lavoisier, que pode ser resumida pela frase:

Na natureza nada se cria, nada se 1


perde; tudo se transforma. 2

Na época em que a Lei de Lavoisier foi registrada, muitos 3


químicos chegaram a duvidar de sua validade, pois haviam ob- 4
servado que na queima de algumas substâncias e materiais ha-
via aumento da massa, enquanto na queima de outras havia di- 5
minuição. O grande mérito de Lavoisier foi ter descoberto que
6
essas diferenças de massa se davam por causa da absorção ou
liberação de gases durante as reações. 7
Na combustão do papel, por exemplo, a massa do sólido
diminui porque são formados gases que passam para a atmosfera. Já na queima da palha Muita gente pensa que nas 8
reações de combustão
de aço ocorre o inverso: há consumo do oxigênio do ar, o que produz uma substância com-
há desaparecimento da
posta de ferro e oxigênio. A massa da substância formada é, então, maior do que a massa matéria, mas, como em
da palha de aço. O mesmo acontece na formação da ferrugem – os átomos de ferro com- toda reação química, na
binam-se com os de oxigênio. combustão a massa dos
Para compreender melhor essa lei, podemos esquematizar os dados dessas reações: produtos (gases, vapor de
água e cinza) é igual à mas-
papel + gás oxigênio ( água + gases + cinza sa dos reagentes (o com-
m1 + m2 = m3 + m4 + m5 bustível e o comburente –
gás oxigênio).

ferro + oxigênio ( óxido de ferro


m1 + m2 = m3

Observe que, segundo os dados, em ambas as reações, a soma da massa das substân-
cias reagentes é igual à massa das substâncias dos produtos.
Medindo a massa da
Os esquemas resumem matematicamente o resultado da Lei da Conservação das esponja de aço antes
Massas ou Lei de Lavoisier, pela qual foi possível definir as regras necessárias para a e depois da queima, ob-
realização de cálculos em análises quantitativas. serva-se o aumento da
Essa lei abriu caminho para outros estudos sobre a relação entre as massas das subs- massa do material sóli-
tâncias durante as transformações químicas. Os resultados desses trabalhos experimentais, do; mas, somando-se a
no fim do século XVIII e início do XIX, permitiram que vários químicos pudessem enunciar massa do gás oxigênio
que reage com o ferro,
outras leis relativas à transformação da matéria: as denominadas leis ponderais das com-
constata-se o previsto
binações químicas. A seguir, vamos estudar uma delas.
pela Lei de Lavoisier.
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GLOSSÁRIO TABELAS SEGURANÇA
Lei das Proporções de Massa
Atividades
Considere os dados obtidos na rea-
TABELA 1 – VALORES DE MASSA EM REAÇÕES DE FORMAÇÃO DA ÁGUA
ção de síntese da água. Na tabela 1,
CÁLCULOS QUÍMICOS

são apresentados os resultados de Massa de Massa de Massa de


Experimento
quatro experimentos, cada um deles hidrogênio oxigênio água
com diferentes massas de reagentes. 1 2g 16 g 18 g
2 10 g 80 g 90 g
3 16 g 128 g 144 g
4 11,1 g 88,9 g 100 g

1. Reproduza a tabela 2 TABELA 2 – RAZÕES ENTRE AS MASSAS EM REAÇÕES DE SÍNTESE DA ÁGUA


ao lado no caderno e
faça os cálculos para Massa de hidrogênio Massa de oxigênio Massa de água
Experimento
preenchê-la. Massa de oxigênio Massa de hidrogênio Massa de hidrogênio
1 2 g /16 g = 0,125 16 g/2 g = 8 18 g/2 g = 9
2. Analise os dados obti-
dos, procurando identifi- 2 zzzzzzzz zzzzzzzz zzzzzzzz
car alguma regularidade. 3 zzzzzzzz zzzzzzzz zzzzzzzz
4 zzzzzzzz zzzzzzzz zzzzzzzz
A análise dos dados da tabela 2 mostra que existe regularidade
Ricardo Azoury/Olhar Imagem

na proporção entre as massas dos reagentes e entre as massas dos


reagentes e a do produto formado. Isto é, na síntese da água, a massa
do oxigênio consumida na reação é sempre oito vezes maior que a
do hidrogênio, enquanto a massa de água obtida é nove vezes a de
hidrogênio consumida. A análise dos dados da tabela 1 revela que,
quando se aumenta a massa de um reagente, é necessário aumen-
tar a massa do outro na mesma proporção e, consequentemente,
eleva-se também a massa do produto.
Para extrair sal da água Como acontece o mesmo com todas as outras reações, outra lei ponderal foi propos-
do mar, é necessário ha- ta: as substâncias reagem sempre na mesma proporção. Se isso ocorre, significa que a
ver bastante vento e radia-
composição química da substância deve ser estabelecida na relação fixa de massa entre
ção solar. Macau (RN) é o
os átomos dos elementos que a compõem.
local com essas condições.
Uma substância pode ser proveniente de diferentes fontes naturais ou ser obtida por di-
versos processos. Como exemplo, podemos citar o cloreto de sódio. Ele pode ser extraído da
Os cristais de cloreto água do mar ou de jazidas da crosta terrestre. Pode também ser obtido em laboratório
de sódio terão sempre a por meio de reações químicas. No entanto, seja qual for o método de obtenção, o cloreto
Charles D. Winters/Photo Researchers

mesma composição: NaCl, de sódio, depois de purificado, terá sempre a mesma composição quantitativa, ou seja, a
independentemente de co- composição química é fixa.
mo forem obtidos. Foi a essa conclusão que chegou o químico e farmacêutico francês Joseph Louis Proust
[1754-1826] quando mostrou que a composição do carbonato de cobre, independente-
mente da procedência ou do processo de preparação, era sempre a mesma. Por isso, em
1797, ele enunciou a Lei das Proporções Definidas, que também ficou conhecida como
Lei de Proust, e pode ser enunciada da seguinte forma:

As substâncias reagem sempre na mesma proporção


para formar outra substância.

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CAPÍTULO
2 BALANCEAMENTO DE EQUAÇÃO QUÍMICA

P ara os químicos, o cálculo das quantidades necessárias de cada reagente para formar
determinado produto tem importância vital. Esse cálculo é chamado estequiomé-
trico (do grego, stoikheîon, "elemento", e métron,, "medida").
1

2
Para que possamos fazer de modo correto os cálculos estequiométricos de uma reação
3
química é necessário, em primeiro lugar, que a equação que a represente esteja com os coe-
ficientes devidamente acertados. À determinação dos coeficientes de uma equação química 4
damos o nome balanceamento de equação.
5

6
Hely Demutti

Ao se efetuar uma rea-


ção química, os áto-
mos dos reagentes cons-
tituirão os produtos. Por
isso, no balanceamento
de equações, o número
de átomos dos reagentes
deve ser igual ao número
de átomos dos produtos.

Como já vimos, as reações ocorrem sempre em proporções fixas, que podem ser de-
terminadas experimentalmente em laboratório. Todavia, utilizando o modelo atômico de
Dalton, podemos indicar as proporções das substâncias nas reações químicas, sem precisar-
mos realizá-las experimentalmente.
Embora existam modelos mais avançados para explicar a constituição da matéria, o
modelo atômico de Dalton é suficiente para expor e prever a estequiometria das reações
químicas. Segundo esse modelo, nas reações ocorrem rearranjos dos átomos que formam
as substâncias. Por isso, os átomos dos reagentes são os mesmos dos produtos, ou seja,
a quantidade de átomos de cada elemento químico presente nos reagentes será igual à
quantidade de átomos desse elemento nos produtos.
Se considerarmos a reação química genérica entre as substâncias A e B, formando as
substâncias C e D, podemos representá-la pela seguinte equação:

aA + bB ( cC + dD

Nessa equação, as letras minúsculas representam os coeficientes de proporcionalidade


de cada substância na referida reação química.
Vale lembrar que em uma equação química os sinais e a seta têm significado diferente
dos sinais representados pela Matemática. O sinal + representa as substâncias que foram
colocadas em contato, e a seta ( indica que há uma transformação, produzindo outras
substâncias (produtos).

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GLOSSÁRIO TABELAS SEGURANÇA
Atividades
Representação da Representação
Ilustrações: J. Yuji

Representação
da molécula de molécula de gás da molécula de
gás hidrogênio. oxigênio. água.
CÁLCULOS QUÍMICOS

Atenção: os átomos não se ligam como clipes ou massinha, mas essa analogia permite entender as proporções na reação.

Como se comportam os átomos numa reação química?


Não podemos manipular átomos em sala de aula, mas podemos compará-los a pequenas esferas, como propunha o mo-
delo atômico de Dalton. Então, por analogia, iremos desenvolver uma atividade em duas etapas para percebermos melhor o
significado dos coeficientes de uma equação. O único material necessário serão clipes coloridos (ou outros objetos de cores
variadas e fácil manipulação. Lembre-se de que a ideia é representar as quantidades de átomos e não as formas).
Parte A
Quais os coeficientes da equação química de formação da água?
Como seria a reação entre as substâncias hidrogênio (H2) e oxigênio (O2) para formar a substância água (H2O)? No mo-
delo que adotaremos, os átomos de hidrogênio serão representados pela cor branca e os de oxigênio pela cor vermelha.
SIMULAÇÃO DA REAÇÃO DE FORMAÇÃO DA ÁGUA
Reagentes Produto
Reação
Hidrogênio Oxigênio Água
Representação das moléculas utilizando as esferas* zzzzzzz zzzzzzz zzzzzzz
Quantidade de átomos envolvidos na reação zzzzzzz zzzzzzz zzzzzzz
Quantidade de constituintes que reagiram (moléculas) zzzzzzz zzzzzzz zzzzzzz
Coeficientes: quantidade mínima de constituintes zzzzzzz zzzzzzz zzzzzzz
* Neste momento, não estamos preocupados com a organização espacial dos átomos nas moléculas constituintes.
1. Utilizando clipes coloridos (ou outros objetos como tampas coloridas de garrafas), represente quatro moléculas de gás
hidrogênio e quatro moléculas de gás oxigênio e disponha-os sobre uma folha de papel, conforme esquema acima.
2. Imagine que os gases tenham reagido e “monte” a quantidade máxima de moléculas de água com base nos “átomos”
das “moléculas” de oxigênio e hidrogênio.
3. Reproduza o quadro abaixo no caderno, preencha-o e responda às questões a seguir.
a) Quantas moléculas de água puderam ser formadas?
b) Para formar essa quantidade de moléculas de água, quantas moléculas de oxigênio e de hidrogênio foram consumidas?
c) Sobraram moléculas de algum dos reagentes? Por quê?
d) Considerando a equação (aH2 + bO2 ( cH2O) da reação de formação da água, quais os valores dos coeficientes a,
b e c? Para tal, considere somente o número de moléculas que reagiram e foram formadas (como estamos repre-
sentando a equação da reação, não nos preocuparemos com moléculas que porventura não tenham reagido).
e) Ao simplificar os coeficientes, dividindo-os pelo menor deles, quais são os novos valores de a, b e c?
f) Substitua os valores dos coeficientes na equação e você terá a equação química balanceada.
Parte B
A proporção exata para a obtenção do hidróxido de sódio
O hidróxido de sódio, conhecido popularmente como soda cáustica, é uma substância muito utilizada na indústria
química, no preparo de sabão e em casa, para desentupimento de esgotos. Pode-se obter o hidróxido de sódio (NaOH) e
o carbonato de cálcio (CaCO3) a partir da reação entre o carbonato de sódio (Na2CO3) e o hidróxido de cálcio [Ca(OH)2].

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CAPÍTULO
Escolha clipes de diferentes cores para representar cada tipo de átomo (Na, C, O, Ca e H). Represente seis constituintes
do carbonato de sódio e seis constituintes do hidróxido de cálcio (saiba que os constituintes não se alteram nessa reação).
Siga os procedimentos da parte A, reproduza o quadro e monte a equação química da reação, balanceando-a.
1
Observe que, nas atividades realizadas, os “produtos” foram formados com base nas 2
“substâncias” existentes nos reagentes. Isso significa que, na reação, os átomos dos produtos
são os mesmos encontrados nos reagentes, rearranjados de forma diferente. Por isso, a quan- 3
tidade de “átomos” dos produtos tem de ser igual à quantidade de “átomos” dos reagentes.
4
A equação balanceada descrita na reação de obtenção do hidróxido de sódio indica
que o carbonato de sódio reage com o hidróxido de cálcio na proporção de 1 para 1, for- 5
mando 2 constituintes do hidróxido de sódio e 1 do carbonato de cálcio.
6
Assim, temos a equação química:
7
Na2CO3 + Ca(OH)2 ( 2NaOH + CaCO3
8
Em uma equação química, representamos as proporções entre reagentes e produtos.
Isso significa que os coeficientes não representam o número de constituintes que irão
reagir, mas, sim, as quantidades relativas entre todas as espécies envolvidas na reação.
Portanto, esses coeficientes correspondem ao número indicativo da proporção mínima de
cada substância envolvida na reação, sendo que, para simplificar, os coeficientes iguais a 1
são omitidos. Essa proporção serve para o número de constituintes ou para a quantidade
de matéria (mols) desses constituintes. Nos cálculos químicos, denominamos coeficientes
estequiométricos os coeficientes das reações químicas, os quais indicam a proporção
em quantidade de matéria em que os constituintes das substâncias participam da reação.
Observe agora outro exemplo. A água oxigenada, usada como clareador de cabelos ou
antisséptico, decompõe-se a partir de uma reação química descrita pela equação abaixo:

H2O2(aq) ( H2O(l) + ½O2(g)

Pense
Na equação abaixo existe no coeficiente do gás oxigênio a fração 1/2. Isso significa que a reação ocorre a partir da
metade de uma molécula de oxigênio? Seria possível fazer uma reação a partir da metade de uma molécula?

Como os coeficientes estequiométricos indicam as relações entre as quantidades das


substâncias participantes das reações químicas, podem ser números inteiros ou fracioná-
rios, significando que a proporção é metade da quantidade daquele constituinte, em re-
lação aos demais. No entanto, para facilitar a compreensão, é melhor não utilizar frações,
e sim os menores números inteiros possíveis.
A equação anterior poderá ter todos os coeficientes multiplicados por dois, sem alte-
rar as relações entre eles. Dessa maneira, obteremos:

2H2O2(aq) ( 2H2O(l) + 1O2(g)

Se compararmos as duas equações, veremos que apresentam a mesma proporção entre


as substâncias, ou seja, uma determinada quantidade de matéria de água oxigenada, ao
se decompor, produz uma quantidade de matéria equivalente de água e a metade dessa
quantidade de matéria em oxigênio.
Nos dois exemplos de equações representados, a quantidade de átomos de cada ele-
mento químico das substâncias dos reagentes é igual à que está presente nos produtos.
Nesse sentido, dizemos que essas equações estão balanceadas.
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Balanceamento de equação química é a determinação dos coeficientes das
substâncias envolvidas na reação representada.

Veja que, nas representações indicadas abaixo, a proporção sempre é que a decom-
posição da água oxigenada leva à obtenção da mesma quantidade de moléculas de água
CÁLCULOS QUÍMICOS

e metade da quantidade de moléculas de oxigênio em relação ao número inicial de mo-


léculas de água oxigenada. Observe também que, em todos os exemplos, a quantidade
total de átomos de hidrogênio e oxigênio antes e depois da reação é a mesma.
Antes da reação Depois da reação

J. Yuji
1.

2.

3.

S Balanceamento de equações químicas


Simulador por tentativa e erro
O balanceamento de equações pode ser feito calculando-se as quantidades de áto-
mos dos reagentes e dos produtos e determinando-se os coeficientes, de forma a igua-
lar o número de átomos nos reagentes e produtos, para cada elemento químico. Deve-se
processar a contagem dos átomos, elemento por elemento, começando pelos que tive-
rem maior índice e que aparecerem apenas em uma substância de cada lado. Tal procedi-
mento é chamado método de tentativa e erro e é recomendado para equações simples.
Esse balanceamento pode ser feito seguindo-se diferentes caminhos, mas para facilitar
recomendam-se os passos subsequentes:

1o PASSO
Representar a equação química em estudo. Sempre que possível deve-se indicar o estado
de agregação das substâncias envolvidas – sólido (s), líquido (l), gás (g) – e, quando se tratar
de uma solução aquosa (substância dissolvida em água), usa-se a sigla (aq).
H2(g) + O2(g) ( H2O(l)
2o PASSO
Escolher um elemento químico que só apareça em um dos reagentes e em um dos
produtos e acertar os coeficientes das substâncias nas quais aparece, usando o índice do
elemento nos reagentes como coeficiente nos produtos e vice-versa.
No caso da reação da água, podemos escolher o oxigênio.

H2(g) + 1O2(g) ( 2H2O(l)

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CAPÍTULO
3o PASSO
Acertar os demais coeficientes considerando os indicados. O objetivo é que se tenha,
para cada tipo de átomo, a mesma quantidade nos reagentes e nos produtos (veja abaixo).
2H2(g) + 1O2(g) ( 2H2O(l) 1
Nas equações em que estejam representados vários elementos químicos, recomenda- 2
-se iniciar o balanceamento selecionando a substância que contenha o elemento químico
com maiores índices. 3
Lembramos não ser possível, em hipótese alguma, a alteração dos índices das fórmulas 4
das substâncias. Se alterarmos os índices de uma substância, estaremos alterando os cons-
tituintes, e a equação representará uma reação química diferente da fornecida inicialmente. 5
Vejamos outros exemplos. 6
1. Balanceie a equação química em que o alumínio metálico (Al) reage com o gás oxigê-
nio (O2), produzindo o óxido de alumínio (Al2O3), substância branca sólida. 7
1o PASSO Al(s) + O2(g) ( Al2O3(s) 8
2o PASSO Al(s) + 3O2(g) ( 2Al2O3(s)
3o PASSO Considerando que nos produtos já foi identificado o coeficiente do dióxido de
alumínio, podemos agora determinar o coeficiente do alumínio nos reagentes.
4Al(s) + 3O2(g) ( 2Al2O3(s)
2. Balanceie a equação de combustão do gás metano (CH4), que produz gás carbônico
(CO2) e água.
1o PASSO CH4(g) + O2(g) ( CO2(g) + H2O(l)
2o PASSO Tendo em conta que o oxigênio está presente em duas substâncias (CO2
e H2O) e que o hidrogênio possui maior índice, deve-se escolher o hidro-
gênio como primeiro elemento a ser balanceado.
2CH4(g) + O2(g) ( CO2(g) + 4H2O(l)
3o PASSO Considerando que já foram acertados os coeficientes do CH4 e da água, de-
ve-se acertar o coeficiente do CO2 e finalmente o do O2. Este é determinado
a partir do total de átomos de oxigênio nos produtos [(2 ⋅ 2) + (4 ⋅ 1)], dividido
pelo índice do O2.
2CH4(g) + 4O2(g) ( 2CO2(g) + 4H2O(l)
O que implica: CH4(g) + 2O2(g) ( CO2(g) + 2H2O(l)

Exercícios FAÇA NO CADERNO. NÃO ESCREVA EM SEU LIVRO.

1. Explique o que se espera de uma reação química de 4. Sabendo que na combustão completa de 50 g de
acordo com: magnésio metálico são consumidos 33 g de gás
a) a Lei da Conservação das Massas. oxigênio, responda:
b) a Lei das Proporções Definidas. a) Que massa de oxigênio é necessária para queimar
150 g de magnésio?
2. De acordo com a teoria atômica de Dalton, por que
podemos considerar que não há variação de massa b) Qual é a massa de óxido de magnésio formada pela
numa reação química? reação entre 600 g de magnésio e 396 g de oxigênio?
5. Analise a tabela abaixo e, em seguida, responda às
3. Num experimento feito em laboratório, realizou-se a
questões:
combustão da palha de aço em um recipiente aberto.
REAGENTES PRODUTOS
Inicialmente, a massa da palha de aço era de 3,0 g e, TESTE
A B C D
após a queima, a massa resultante obtida foi de 3,4 g.
1 85 g 29,4 g X 42,5 g
Explique por que esse valor obtido não invalida a Lei
da Conservação das Massas. 2 Y 14,65 g Z T

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GLOSSÁRIO TABELAS SEGURANÇA
a) Qual é a massa de A necessária para reagir com 9. (Vunesp) Foram analisadas três amostras (I, II e III)
14,65 g de B? de óxidos de enxofre, procedentes de fontes distintas,
b) Quais são os valores de X, Z e T? obtendo-se os seguintes resultados:
c) Demonstre se os resultados obtidos estão de acordo Massa de Massa de Massa de
Amostra
com a Lei da Conservação das Massas e a Lei das enxofre (g) oxigênio (g) amostra (g)
Proporções Definidas. I 0,32 0,32 0,64
CÁLCULOS QUÍMICOS

d) Qual é a razão entre a massa de A e a massa de B II 0,08 0,08 0,16


que reagiram nos testes 1 e 2? III 0,32 0,45 0,80
6. A ferrugem é resultado da reação ocorrida entre o ferro e o
oxigênio (O2). Como produto dessa reação, obtém-se a subs- Esses resultados mostram que:
tância óxido de ferro III (Fe2O3). Monte a equação química e a) as amostras I, II e III são do mesmo óxido.
balanceie utilizando o modelo de Dalton como referencial. b) apenas as amostras I e II são do mesmo óxido.
Se preferir, monte uma tabela semelhante à do exercício 5. c) apenas as amostras II e III são do mesmo óxido.
7. Em um experimento realizado no laboratório, 2,40 g de d) apenas as amostras I e III são do mesmo óxido.
uma substância A reagem com 7,68 g de uma substância e) as amostras I, II e III são de óxidos diferentes.
B, produzindo 9,0 g de C e 1,08 g de D. Em um segundo 10. Faça o balanceamento das equações abaixo, escolhen-
experimento, 16,0 g de A reagiram com 51,2 g de B, pro- do o método que achar mais fácil.
duzindo 60,0 g de C e 7,2 g de D.
a) Cr + O2 ( Cr2O3
Utilizando seus conhecimentos sobre as Leis da Conser-
b) HCl + O2 ( H2O + Cl2
vação das Massas e das Proporções Definidas, julgue os
itens, marcando C para os corretos e E para os errados. c) H3PO4 ( H4P2O7 + H2O
1) 4,80 g de A reagem completamente com 15,36 g d) MnO2 + HCl ( MnCl2 + H2O + Cl2
de B. e) Ca(OH)2 + HNO3 ( Ca(NO3)2 + H2O
2) “O prego que enferruja” e o “palito de fósforo f) Al2(CO3)3 ( Al2O3 + CO2
que queima” são exemplos de exceções à Lei de 11. (Vunesp) Numa viagem, um carro consome 10 kg de
Lavoisier. gasolina. Na combustão completa deste combustível,
3) 25,6 g da substância B reagem completamente com na condição de temperatura do motor, formam-se ape-
8,0 g da substância A. nas compostos gasosos. Considerando-se o total de
4) Para produzir 3,6 g de D é necessária a quantidade substâncias formadas, pode-se afirmar que eles:
de 7,0 g da substância A. a) não têm massa.
5) A razão mC/mB no primeiro experimento é diferente b) pesam exatamente 10 kg.
da razão mC/mB no segundo experimento. c) pesam mais que 10 kg.
8. Sobre as fórmulas e equações químicas, julgue os itens a d) pesam menos que 10 kg.
seguir, marcando C para os corretos e E para os errados. e) são constituídos por massas iguais de água e gás
1) Para se obter uma equação equilibrada, a quanti- carbônico.
dade de matéria dos reagentes tem de ser igual à 12. (Mack-SP)
dos produtos.
J. Yuji

2) Numa reação química, nenhum dos átomos desa-


parece; são apenas rearranjados. X + Y ***( W
3) Como os átomos e as moléculas não podem ser
visualizados, os químicos não possuem métodos
Supondo que os círculos vazio e cheio, respectivamen-
que permitam determinar a quantidade dessas en-
te, signifiquem átomos diferentes, então o esquema
tidades em uma reação química.
anterior representará uma reação química balanceada
4) A fórmula química da glicose é C6H12O6. Isso signi- se substituirmos as letras X, Y e W, respectivamente,
fica que, na glicose, para cada átomo de carbono pelos valores:
(C) haverá um átomo de oxigênio (O) e dois átomos
a) 1, 2 e 3. d) 3, 1 e 2.
de hidrogênio (H).
b) 1, 2 e 2. e) 3, 2 e 2.
5) A reação Na3PO4 + 3Mg(OH)2 ( Mg3(PO4)2 +
+ 3NaOH está corretamente balanceada. c) 2, 1 e 3.

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CAPÍTULO
13. (UFPE) Considere as reações químicas abaixo. b) Escreva a equação química balanceada e represen-
1. 2K(s) + Cl2(g) ( KCl(s) tada no esquema II.
2. 2Mg(s) + O2(g) ( 2MgO(s) 15. (PUC-SP) Querendo verificar a Lei da Conservação das
3. PbSO4(aq) + Na2S(aq) ( PbS(s) + Na2SO4(s) Massas (Lei de Lavoisier), um estudante realizou a ex- 1
4. CH4(g) + 2O2(g) ( CO2(g) + 2H2O(l) periência esquematizada abaixo:
2
5. SO2(g) + H2O(l) ( H2SO4(aq) Solução de Solução Erlenmeyer
HNO3(aq) K2CO3(s) final vazio
Podemos afirmar que: 3
a) todas estão balanceadas. 1 2 2 1 2 4
b) 2, 3 e 4 estão balanceadas.
c) somente 2 e 4 estão balanceadas. 5
d) somente 1 não está balanceada. 1 6

J. Yuji
e) nenhuma está corretamente balanceada, porque
os estados físicos dos reagentes e produtos são 7
diferentes. Balança Balança
8
14. (Unicamp-SP) Sob condições adequadas, uma mistura
de nitrogênio gasoso, N2(g), e de oxigênio gasoso, Terminada a reação, o estudante verificou que a massa
O2(g) reage para formar diferentes óxidos de nitrogênio. final era menor que a massa inicial. Assinale a alterna-
Se representarmos o elemento nitrogênio por e o tiva que explica o ocorrido.
elemento oxigênio por , duas dessas reações químicas a) A Lei de Lavoisier só é válida nas condições normais
podem ser esquematizadas como: de temperatura e pressão.
I–
J. Yuji

b) A Lei de Lavoisier não é válida para reações em


solução aquosa.
c) De acordo com a Lei de Lavoisier, a massa dos pro-
dutos é igual à massa dos reagentes, quando estes
II –
se encontram na mesma fase de agregação.
d) Para que se verifique a Lei de Lavoisier, é necessário
que o sistema seja fechado, o que não ocorreu na
experiência realizada.
a) Dê a fórmula química da substância formada na e) Houve excesso de um dos reagentes, o que invalida
reação esquematizada em I. a Lei de Lavoisier.

3 ESTEQUIOMETRIA

A mistura de reagentes em proporções corretas é fundamental na indústria química.


O sabão, por exemplo, deve passar por um rígido controle de qualidade, a fim de que
não haja excesso de reagentes na sua preparação, o que poderia acarretar, além de aumento de
Hely Demutti

custo e perda de qualidade, danos à saúde do consumidor, como irritação de pele, alergias etc.
Mas como controlar as proporções dos reagentes ao processar uma reação química?
O primeiro passo para o cálculo correto é identificar a equação química da reação e, de-
pois, efetuar o balanceamento.
Por exemplo, a reação de obtenção da amônia, importante substância utilizada na
agricultura no processo de adubação, tem de ser controlada na indústria para evitar des-
perdício de matéria-prima envolvida. Como se trata de reação em escala industrial que
envolve toneladas de substâncias, qualquer pequeno erro de cálculo pode causar prejuí-
zos econômicos e ambientais. Para fazer os cálculos, os químicos tomam como ponto de De olho no consumo:
partida a equação balanceada da reação, que no caso é: excesso de sabão não ga-
N2(g) + 3H2(g) ( 2NH3(g) rante maior limpeza.

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Com base no conhecimento dessa equação, é possível determinar as
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quantidades ideais dos gases hidrogênio e nitrogênio para a reação, consi-


derando a quantidade de amônia que se pretende obter. Essa determinação
das quantidades é feita por meio do cálculo estequiométrico.
Conhecendo as proporções entre os reagentes e os produtos de uma
reação química, podemos saber quanto precisaremos de cada reagente
para formar determinada quantidade de produto. Esses conhecimentos es-
CÁLCULOS QUÍMICOS

tequiométricos são aplicados em várias situações cotidianas. A prescrição


de muitos medicamentos, por exemplo, é baseada em doses calculadas a
partir de determinada quantidade do agente ativo do medicamento e que
são necessárias para reagir com certas substâncias em nosso organismo.
Quando utilizamos produtos químicos em quantidades indevidas, corre-
mos o risco de obter resultados indesejáveis e até desastrosos. Um caso mui-
to comum se dá com o uso incorreto de produtos de limpeza. De modo ge-
ral, as embalagens dos produtos trazem indicações das medidas que devem
ser usadas para a obtenção dos melhores resultados. No entanto, é sempre
bom prestar atenção em como você usa o produto, pois as recomendações
podem não ser adequadas às condições de uso: composição da água, tipo
de tecido ou da sujeira. Em função dessas diferenças pode ser necessário o
uso de quantidades diferentes da indicada na embalagem.
Para evitar desperdício, os químicos procuram calcular as quantida-
des exatas dos materiais usados num processo. Para fazer tais cálculos,
precisamos saber, inicialmente, quais são as proporções das substâncias
envolvidas nas reações químicas.
A reação de obtenção da
amônia na indústria é
feita por meio de rigoroso Relações estequiométricas
controle da quantidade de
reagentes e das condições Pense
de pressão e temperatura.
Você já imaginou fazer um bolo retirando um ou mais ingredientes da receita, ou aumen-
tando a quantidade de alguns ingredientes em duas ou três vezes? Como poderá ficar um
sabão, se no processo de produção forem retirados ou aumentados alguns dos ingredientes?

Com certeza o bolo ou o sabão não ficarão como esperado, pois a quantidade dos in-
gredientes deve ser proporcional: se você aumenta ou diminui a quantidade de um, terá
de fazê-lo também com os outros, na mesma proporção.
Os cálculos químicos baseiam-se em relações de proporcionalidade. Vejamos de novo
a reação de obtenção da amônia.
N2(g) + 3H2(g) ( 2NH3(g)
Como já estudamos, a grandeza relacionada com o número de partículas é a quanti-
dade de matéria, cuja unidade de medida é o mol. A equação química balanceada para
a formação da amônia indica que cada mol de nitrogênio reage com três mols de hidro-
gênio, para formar dois mols de amônia. Ou seja:
1 mol N2(g) + 3 mol H2(g) ( 2 mol NH3(g)
Com base nos coeficientes estequiométricos da equação química balanceada, pode-
mos estabelecer algumas relações. Veja a seguir.
1. 1 mol N2 = 3 mol H2
Para cada mol de N2 consumido na reação, são consumidos 3 mol H2.

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CAPÍTULO
2. 1 mol N2 = 2 mol NH3
Para cada mol de N2 consumido na reação, são formados 2 mol de NH3.

3. 3 mol H2 = 2 mol NH3


1
Para cada 3 mol de H2 consumidos na reação, são formados 2 mol de NH3.
2
Essas três igualdades, chamadas relações estequiométricas, indicam as relações entre
as quantidades de matéria das substâncias envolvidas na reação. Com elas, podemos par- 3
tir para os cálculos estequiométricos que veremos a seguir.
4

5
Determinando quantidades 6
O cálculo estequiométrico permite determinar a quantidade de substâncias parti-
7
cipantes de reações químicas, a partir de quantidades conhecidas de outras substân-
cias envolvidas. 8
Usaremos o método da análise dimensional, que se baseia na conversão sucessiva das
quantidades, utilizando fatores de conversão, até se obter o resultado desejado. Para isso,
é necessário determinar os coeficientes estequiométricos da equação química. Esse mé-
todo envolve os passos subsequentes:

1. Identificação da equação química.


2. Balanceamento da equação química.
3. Identificação das relações estequiométricas envolvidas no cálculo e na de-
finição dos fatores de conversão.
4. Determinação da quantidade de matéria de cada substância, a partir dos
coeficientes estequiométricos.
5. Determinação, se necessário, de valores de massa e volume de substâncias
envolvidas na reação.

De modo geral, os cálculos químicos envolvem massa ou quantidade de matéria, que


são as grandezas usualmente adotadas em Química. Vamos, então, exemplificar alguns
cálculos estequiométricos com essas medidas.
Hely Demutti

Assim como os ingredientes de um bolo devem ser


medidos em proporções ideais, os reagentes devem seguir
relações estequiométricas corretas.

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Cálculos estequiométricos da quantidade de matéria de uma
substância a partir da quantidade de matéria de outra substância
1. Lembrando o exemplo da obtenção da amônia, calcule a quantidade de matéria do gás nitrogênio (N2) necessária para
reagir com 12 mol de gás hidrogênio (H2), formando amônia (NH3).
1o PASSO
CÁLCULOS QUÍMICOS

Identificação da equação química, pois é necessário escrevermos a equação envolvida na reação: o nitrogênio reage
com o hidrogênio, formando amônia, segundo a equação:
N2(g) + H2(g) ( NH3(g)
2o PASSO
Balanceamento da equação química: 1N2(g) + 3H2(g) ( 2NH3(g)
3o PASSO
Identificação da relação estequiométrica envolvida no cálculo em questão e dos fatores de conversão:
1 mol N2 = 3 mol H2

Hely Demutti
Dividindo-se essa igualdade por 3 mol de H2, teremos o fator
de conversão:
1 mol N2
=1
3 mol H2
Dividindo-se, ainda, a relação estequiométrica por 1 mol H2, obteremos
outro fator de conversão:
3 mol H2
=1
1 mol N2
4o PASSO
Determinação da quantidade de matéria desejada, com base no fator
de conversão obtido da relação estequiométrica:

1 mol N2 A amônia pode ser obtida a partir do nitrogênio


)
n (N2 = 12 mol H2 ⋅
3 mol H2
→ n (N2 = 4 mol N2) atmosférico e transportada em tanques até indús-
( conversão de N2 em H2 )
trias, nas quais é utilizada como matéria-prima.

Cálculos estequiométricos da quantidade de matéria de uma


substância a partir da massa de outra substância
2. Calcule a massa de cloreto de potássio (KCl) obtida a partir da de-
Hely Demutti

composição de 3 mol de clorato de potássio (KClO3), na qual também


se forma gás oxigênio (O2).

1o PASSO
Identificação da equação química que representa a reação:
KClO3(s) ( KCl(s) + O2(g)

2o PASSO
Balanceamento da equação química:
2KClO3(s) ( 2KCl(s) + 3O2(g) O cloreto de potássio, entre outras aplicações, é
utilizado como adubo químico.

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CAPÍTULO
3o PASSO
Identificação da relação estequiométrica referente ao cálculo em questão:
1 mol KCl 1 mol KClO3
1 mol KCl = 1 mol KClO3 → 1 = ou 1 = 1
1 mol KClO3 1 mol KCl
2
Como desejamos o valor em massa, temos de converter a relação estequiométrica para a unidade de massa, usan-
do para isso a massa molar obtida pelos valores de massa atômica: 3
1 mol KCl 74 , 6 g KCl
1 mol KCl = 74 , 6 g KCl → 1 = ou 1 = 4
74 , 6 g K
KCl
Cl 1 mol KCl
5
4o PASSO
Determinação da massa de cloreto de potássio, a partir dos fatores de conversão advindos da relação estequiomé- 6
trica e da massa molar do KCl:
7
1 mol KCl 74 , 6 g KCl
KCl
)
m (KCl = 3 mol KClO3 ⋅ ⋅
1 mol KClO3 1 moll K Cl
KCl
→ m (KCl = 223, 8 g KCl
KCl Cl ) 8
( conversão de KClO3 em KCl ) conver
onversã
onver
ersão em m
( conversão massa)
assa)

Cálculos estequiométricos da massa de uma substância a partir


da quantidade de matéria de outra substância

Hely Demutti
3. Calcule a quantidade de matéria de alumínio
necessária para se obter 51 g de óxido de alu-
mínio (Al2O3), sabendo-se que este é formado
a partir da reação do alumínio com o gás oxi-
gênio (O2).
1o PASSO
Identificação da equação química:
Reciclar alumínio para fazer latinhas consome muito menos energia
Al(s) + O2(g) ( Al2O3(s) do que a fabricação a partir do minério de alumínio (Al2O3), a bauxita.

2o PASSO
Balanceamento da equação química: 4Al(s) + 3O2(g) ( 2Al2O3(s)
3o PASSO
Identificação da relação estequiométrica referente ao cálculo em questão e dos fatores de conversão:
2 mol Al 1 mol Al2O3
2 mol Al = 1 mol Al2O3 → 1 = ou 1 =
1 mol Al2O3 2 mol Al

1 mol Al2O3 102 g Al2O3


1 mol Al2O3 = 102 g Al2O3 → 1 = ou 1 =
102 g Al2O3 1 mol Al2O3

4o PASSO
Determinação da quantidade de matéria desejada, a partir do fator de conversão advindo da relação estequiométrica:
1 mol Al2O3 2 mol Al
)
n ( Al = 51 g Al2O3 ⋅ ⋅
102 g Al2O3 1 mol Al2O3
→ n ( Al = 1 mol Al )
( conversão de ( conversão de
massa em mol ) Al2O3 em Al)

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ÍNDICE
55,8

T. PERIÓDICA
E
GLOSSÁRIO TABELAS SEGURANÇA
Cálculos estequiométricos envolvendo conversão de
massa de uma substância para massa de outra substância
4. Calcule a massa de zinco (Zn) necessária para reagir com 109,5 g de ácido clorídrico

Hely Demutti
(HCl), formando cloreto de zinco (ZnCl2) e gás hidrogênio (H2).
CÁLCULOS QUÍMICOS

1o PASSO
Identificação da equação química: Zn(s) + HCl(aq) ( ZnCl2(aq) + H2(g)
2o PASSO
Balanceamento da equação química: Zn(s) + 2HCl(aq) ( ZnCl2(aq) + H2(g)
3o PASSO
Identificação da relação estequiométrica referente ao cálculo em questão e dos fa-
tores de conversão:
1 mol Zn 2 mo
mol HCl
1 mo
moll Zn = 2 mol
Zn HCll → 1 =
mol HC ou 1 =
2 mol HCl 1 mol
mo Zn
1 mol HCl 36 , 5 g HCl
1 mol HCl = 3
mol HCl 6, 5 g H
36 Cl → 1 =
HCl ou 1 =
36 , 5 g HCl 1 mol HCl No tubo de ensaio preso com
a garra, um pedaço de zinco
65, 5 g Zn mol Zn
1 mo reage com o ácido clorídrico
1 mo
moll Zn = 65
Zn 65, 5 g Zn → 1 = ou 1 =
1 mol Zn 65, 5 g Zn aquoso, formando cloreto de
zinco (sal branco) e gás hi-
4o PASSO drogênio, coletado no tubo
Determinação da quantidade de matéria desejada, a partir do fator de conversão de ensaio.
advindo da relação estequiométrica:
1 mol HCl 1 mol Zn 65, 5 g Zn
)
m ( Zn = 109 , 5 g HCl ⋅ ⋅ ⋅
36 , 5 g HCl 2 mol HCl 1 mol Zn
→ m ( Zn = 98 , 25 g Zn )
( conversão de ( conversão de ( conversão de
massa em mol ) HCl em Zn ) mol em g )

Cálculos estequiométricos do volume de uma substância gasosa


a partir da massa de outra substância
5. A reação entre os gases oxigênio e hidrogênio para
Pasquale Sorrentino/Science Photo Library

formar água libera tanta energia que o hidrogênio


pode ser utilizado como combustível. Quantos litros
de gás hidrogênio, nas condições normais de tem-
peratura e pressão (CNTP), serão necessários para
formar 90 g de água?
1o PASSO
Identificação da equação química: hidrogênio reage
com oxigênio, dando origem à água:
H2(g) + O2(g) ( H2O(g)
A produção de gás hidrogênio é um importante avanço tec-
nológico, que possibilitará no futuro a substituição de combus-
tíveis fósseis por combustíveis menos agressivos ao ambiente.

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ÍNDICE
55,8

T. PERIÓDICA
E
GLOSSÁRIO TABELAS SEGURANÇA
CAPÍTULO
2o PASSO
Balanceamento da equação química:
2H2(g) + 1O2(g) ( 2H2O(g).
3o PASSO 1
Identificação da relação estequiométrica referente ao cálculo em questão e dos fatores de conversão, para os dados
2
da tabela: volume molar dos gases (CNTP) = 22,7 L/mol; M(H2O) = 18 g/mol.
22, 7 L H2 1 mol H2 3
1 mol H2 = 22, 7 L H2 → 1 = ou 1 =
1 mol H2 22, 7 L H2
4
1 mol H2O 1 mol H2 5
2 mol H2 = 2 mol H2O → 1 = ou 1 =
1 mol H2 1 mol H2O
6
18 g H2O 1 mol H2O
1 mol H2O = 18 g H2O → 1 = ou 1 = 7
1 mol H2O 18 g H2O
4 PASSO
o
8
Determinação da quantidade de matéria desejada, a partir do fator de conversão advindo da relação estequiométrica:
1 mol H2O 1 mo
moll H2 22, 7 L H2
)
V (H2 = 90 g H2O ⋅ ⋅ ⋅
18 g H2O 1 mol H2O 1 moll H2
→ V (H2 = 113, 5 L H2 . )

Martin Bond/Science Photo Library


Em vez da conhecida fumaça preta que
os ônibus costumam liberar, este libera
vapor de água, resultante da combina-
ção do gás hidrogênio com o oxigênio.

Você pode observar que partimos da massa de água (dado fornecido) e a convertemos
em quantidade de matéria. A quantidade de matéria de água foi convertida em quantidade
de matéria de hidrogênio. Por fim, convertemos a quantidade de matéria de hidrogênio em
volume de hidrogênio, utilizando o fator obtido a partir do volume molar dos gases nas CNTP.
O mesmo princípio adotado nos cálculos ilustrados nos exemplos anteriores podem
ser aplicados em diversos cálculos da Química. Por exemplo, no estudo de gases os quí-
micos puderam estabelecer a lei geral dos gases que prevê, a partir da equação abaixo, o
comportamento químico deles:
P⋅V = n⋅R⋅T
,
em que P é a pressão do gás, V é o volume do gás, n é a quantidade de matéria do gás,
R é a constante dos gases e T é a temperatura do gás.
No Sistema Internacional de Medidas, deve-se adotar as unidades de Pascal (Pa) para
pressão, metro cúbico (m3) para volume e Kelvin (K) para a temperatura. Nesse caso, a
constante dos gases é igual a 8,314472 m3 ⋅ Pa ⋅ K–1 ⋅ mol–1.
O valor dessa constante é válido para situações de baixa pressão e altas temperaturas;
situação em que a interação entre as moléculas é desprezível.
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55,8

T. PERIÓDICA
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GLOSSÁRIO TABELAS SEGURANÇA
Na indústria, ao se estudar as quantidades de gases reagentes, torna-se necessário
nos cálculos aplicar a equação acima para se determinar a quantidade do gás em função
da temperatura e da pressão.

Cálculos para não desperdiçar


CÁLCULOS QUÍMICOS

Vamos agora relacionar os cálculos estequiométricos com a produção de soda cáusti-


ca, muito utilizada na fabricação do sabão e em outros processos químicos. O hidróxido
de sódio (NaOH) pode ser obtido a partir da reação química entre o carbonato de sódio
(Na2CO3) e o hidróxido de cálcio [Ca(OH)2].
Calcule a massa de hidróxido de sódio formada a partir de 111 kg de hidróxido de cál-
Hely Demutti

cio. A seguir, calcule o número de embalagens de 200 g de hidróxido de sódio que serão
produzidas para comercialização.
Dados fornecidos: m(hidróxido de cálcio) = 111 kg = 111000 g;
m(embalagem de NaOH) = 200 g.
O NaOH, além de ser lar- Dados tabelados: M(Na2CO3) = 106,0 g/mol;
gamente empregado na
indústria, também é um M[Ca(OH)2] = 74,0 g/mol;
reagente muito usado em M(NaOH) = 40,0 g/mol.
laboratórios de Química. Calcula-se, primeiro, qual é a massa de hidróxido de sódio formada a partir de 111 kg
de hidróxido de cálcio, para depois determinar quantas embalagens de hidróxido de só-
dio contendo 200 g serão obtidas.

1o PASSO
Identificação da equação química:
Ca(OH)2(aq) + Na2CO3(aq) ( NaOH(aq) + CaCO3(s)
2 PASSO
o

Balanceamento da equação química:


Ca(OH)2(aq) + Na2CO3(aq) ( 2NaOH(aq) + CaCO3(s)
3 PASSO
o

Identificação da relação estequiométrica referente ao cálculo em questão:


)
74 g Ca ( OH )
1 mol Ca ( OH
1 mol Ca ( OH ) 2
= 74 g Ca ( OH )
2
→ 1=
1 mol Ca ( OH)
2
ou 1 =
74 g Ca ( OH)
2

2 2

40 g NaOH 1 mol NaOH


1 mol NaOH = 40 g NaOH → 1 = ou 1 =
1 mol NaOH 40 g NaOH

2 mol NaOH 1 mol Ca ( OH 2 )


1 mol Ca ( OH )2
= 2 mol NaOH → 1 =
1 mol Ca ( OH 2
ou 1 =
)
2 mol NaOH

1 emb. NaOH 200 g NaOH


1 emb. NaOH = 200 g NaOH → 1 = ou 1 =
200 g NaOH 1 emb. NaOH
4o PASSO
Cálculo da massa de hidróxido de sódio formada.
)
1 mol Ca ( OH 2 mol NaOH 40 g NaOH
)
m (NaOH = 111 000 g Ca ( OH )
2

74 g Ca ( OH)
2
⋅ ⋅
)
1 mol Ca ( OH 2 1 mol NaOH
2
m(NaOH) = 120 000 g = 120 kg

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ÍNDICE
55,8

T. PERIÓDICA
E
GLOSSÁRIO TABELAS SEGURANÇA
CAPÍTULO
5o PASSO
Cálculo do número de embalagens de hidróxido de sódio obtidas. S
1 emb. NaOH Simulador
Embalagens de NaOH = 120 000 g NaO
NaOH
NaOHH⋅ = 600 emb
b. N
NaOH
aOH 1
200 g NaOH
Os exercícios resolvidos até aqui ilustram os principais tipos de problemas envolvendo cálculos estequiométricos. São esses 2
cálculos que os químicos realizam para manter nas reações uma proporção correta dos reagentes. 3

Exercícios FAÇA NO CADERNO. NÃO ESCREVA EM SEU LIVRO.


5

Para responder às questões, caso necessário, consulte os 7. A água mineral gaseificada pode ser fabricada pela in- 6
dados de massa atômica na Tabela Periódica no fim do livro. trodução de gás carbônico (CO2) na água, sob pres- 7
1. Qual é a importância do cálculo estequiométrico nos são um pouco superior a 1 atm. De acordo com a
equação química abaixo, calcule, em quilogramas, a 8
processos químicos?
massa de glicose necessária para produzir 100 mol
2. O que são os índices e coeficientes de uma equação química? de gás carbônico.
3. Qual a quantidade de matéria de gás oxigênio (O2) que C6H12O6(s) ( 2C2H5OH(l) + 2CO2(g)
será produzida a partir de 8 mol de bauxita (Al2O3) no 8. (UFSCar-SP-adaptado) A termita é uma reação que
processo de obtenção do alumínio metálico? Sendo ocorre entre alumínio metálico e diversos óxidos me-
dada a equação não balanceada: tálicos. A reação do Al com óxido de ferro (III), Fe2O3,
Al2O3(s) ( Al(s) + O2(g) produz ferro metálico e óxido de alumínio, Al2O3. Essa
4. O etanol é obtido da sacarose por fermentação con- reação é utilizada na soldagem de trilhos de ferrovias
forme a equação: 2Al(s) + Fe2O3(s) ( Al2O3(s) + 2Fe(l)
C12H22O11 + H2O ( C2H5OH + CO2 A imensa quantidade de calor liberada pela reação
produz ferro metálico fundido, utilizado na solda. Da-
Determine a quantidade de matéria de etanol (C2H5OH) das as massas molares, em g/mol: Al = 27 e Fe = 56.
a partir de 5 mol de sacarose.
a) Calcule a quantidade de ferro metálico produzido a
5. O gás metano (CH4) pode ser obtido nos tratamentos partir da reação com 550 g de alumínio metálico.
de esgoto, por meio de processos biológicos ocorridos b) Quantas moléculas de óxido de ferro (III) Fe2O3 são
nos biodigestores, e ser aproveitado como combustí- necessárias para reagir com 4 mol de óxido de alu-
vel. Esse gás, ao reagir com oxigênio (O2), formará gás mínio, Al2O3?
carbônico (CO2) e água (H2O). Com base nos valores de c) Qual é a quantidade de matéria de alumínio necessária
massa atômica da tabela periódica, faça o que se pede. para produzir 510 g de ferro metálico fundido?
a) Monte e balanceie a equação.
9. O titânio (Ti) é considerado o metal do futuro. Na cons-
b) Calcule quantas moléculas de gás carbônico são
trução de aviões supersônicos, é o metal que oferece as
liberadas a partir de 13 kg de gás metano.
maiores vantagens por causa da sua elevada tempera-
6. (Fuvest-SP-adaptado) Uma instalação petrolífera pro- tura de fusão (1670 °C), visto que o atrito do ar contra
duz 12,8 kg de SO2 por hora. A liberação desse gás as paredes metálicas tende a elevar a temperatura de
poluente pode ser evitada usando-se calcário, o qual todo o corpo da aeronave. A obtenção do metal pode
por decomposição fornece a cal, que reage com SO2 ser representada pela equação não balanceada:
formando CaSO3, de acordo com as equações: TiCl4(s) + Mg(s) ( Ti(s) + MgCl2(s)
CaCO3 (s) ( CaO(s) + CO2(g) a) Calcule a massa de titânio obtida a partir de 800 g
CaO(s) + SO2(g) ( CaSO3(s) de cloreto de titânio (TiCl4).
Quantas moléculas de CaSO3 são, por hora, necessárias b) Qual é a quantidade de matéria de magnésio (Mg)
para eliminar todo o SO2 formado? necessária para produzir 191,6 g de titânio (Ti)?
Dados: massas molares (g/mol): c) Quantos átomos de magnésio (Mg) são consumidos
SO2 = 64; 6,02 ⋅ 1023 moléculas de CaSO3 = 64 g de SO2 por 380 g de cloreto de titânio (TiCl4)?

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T. PERIÓDICA
E
GLOSSÁRIO TABELAS SEGURANÇA
10. Em uma siderúrgica, a reação global para obtenção 14. A reação de combustão de um dos componentes do gás
de ferro ocorre em um alto-forno a partir de óxido de de cozinha, o gás butano (C4H10), pode ser represen-
ferro III (Fe2O3) com carvão (C), formando ferro (Fe) e tada pela seguinte equação química não balanceada:
gás carbônico (CO2). Calcule: C4H10(g) + O2(g) ( CO2(g) +H2O(l).
a) a massa de óxido de ferro III (Fe2O3) que, ao reagir Sabendo que o volume molar de um gás ideal nas CNTP
com carvão (C) produz 660 kg de dióxido de car- é 22,7 L/mol, julgue os itens que seguem, marcando C
CÁLCULOS QUÍMICOS

bono (CO2); para os corretos e E para os errados.


b) a quantidade de ferro, em quilogramas, obtida a 1) De acordo com a Lei das Proporções Definidas, dobran-
partir de 2 toneladas de hematita (Fe2O3); do-se as massas dos gases butano e oxigênio, as mas-
c) a massa de dióxido de carbono (CO2) liberada na sas de gás carbônico e de água aumentarão três vezes.
produção de 1 mol de ferro. 2) São necessários 13 mol de gás oxigênio para reagir
com 2 mol de gás butano.
11. (Unifei-MG-adaptada) A sacarose é metabolizada pelos
animais, sendo uma das principais fontes de energia para 3) A queima de 58 g de gás butano produzirá 90 g
as células. Esse metabolismo ocorre durante a respiração, de água.
formando CO2 e H2O como produtos: 4) Nas CNTP, para produzir 45,42 L de gás carbônico
Dados: volume molar (CNTP) = 22,7 L/mol; massas são necessários 116 g de gás butano.
molares (g/mol): H = 1,C = 12, O = 16. 5) Quando são queimados 232,0 g de gás butano,
C12H22O11 + 12O2 ( CO2 + H2O são utilizados 98,6 L de gás oxigênio nas CNTP.
a) Calcule quantos litros de CO2 (CNTP) são gerados 15. Mais de 10000 anos é o tempo gasto para se decom-
a partir de 20 g de sacarose. por o vidro. Para cada tonelada de vidro reciclado,
b) Qual é a quantidade de matéria de água produzida economiza-se 1,2 tonelada de matéria-prima. Para a
a partir de 500 g de sacarose? produção, a barrilha (Na2CO3) é aquecida com calcário
c) Quantas moléculas de oxigênio reagirão com 5 mol (CaCO3) e areia (SiO2). É barato porque há abundân-
de sacarose? cia dessas três matérias-primas. Podemos considerar
a reação a seguir como representativa do processo de
12. O sabão de coco é um produto de grande aceitação nas
fabricação do vidro:
lavanderias, por possuir poder de limpeza excelente e
SiO2(s) + CaCO3(s) + Na2CO3(s) (
não agredir os tecidos mais finos. Um dos componen-
tes do sabão de coco é o laureato de sódio, que pode ( Na2O ? CaO ? SiO2(s) + CO2(g)
ser obtido pela seguinte equação simplificada: Dada a equação não balanceada, responda.
CH3[CH2]10COOH(aq) + NaOH(aq) ( a) Para a produção de uma tonelada de vidro, quan-
( CH3[CH2]10COONa(s) + H2O(l) tos mols, aproximadamente, economizaríamos de
areia, carbonato de cálcio e barrilha?
Suponha que uma indústria produza 580 kg de sabão
por dia. b) Qual é o volume de gás carbônico (CO2) produzido
nas CNTP quando se consome 1 tonelada de bar-
a) Que quantidade de matéria de laureato de sódio
rilha nesse processo?
[CH3(CH2)10COONa] será produzida em 30 dias?
c) Por que há maior consumo de refrigerantes ou cervejas
b) Qual é a massa de ácido láurico [CH3(CH2)10COOH]
em latas de alumínio do que em garrafas?
consumida diariamente?
d) Já que o consumo de latas é maior do que o de vidros,
c) Qual é a massa de hidróxido de sódio (NaOH) con-
por que é mais caro o refrigerante em lata?
sumida em 30 dias de produção?
13. Um produto de cultura milenar é o vinagre. Para a fa- 16. (FMTM-MG) No motor de um carro a álcool, o vapor do
combustível é misturado ao ar e se queima à custa de
bricação, basta deixar o vinho azedar. Nesta reação,
faísca elétrica produzida pela vela no interior do cilindro.
o etanol (C2H5OH), substância encontrada no vinho,
A queima do álcool pode ser representada pela equação:
reage com o gás oxigênio, produzindo o ácido acético
(C2H3COOH), substância encontrada no vinagre e na água. C2H6O(g) + 3O2(g) ( 2CO2(g) + 3H2O(g) + energia.
a) Monte a equação da produção do ácido acético e A quantidade, em mols, de água formada na combustão
verifique o balanceamento. completa de 138 g de etanol é igual a:
b) Calcule a massa de ácido acético, quando se fer- Dado: massa molar C2H6O = 46 g/mol.
mentam 500 g de etanol. a) 1. b) 3. c) 6. d) 9. e) 10.
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T. PERIÓDICA
E
GLOSSÁRIO TABELAS SEGURANÇA
CAPÍTULO
17. (Fuvest-SP) O nitrato de cobre é bastante utilizado nas 22. (UFMG-adaptado) Em um tubo, 16,8 g de bicarbonato
indústrias gráficas e têxteis e pode ser preparado por de sódio são decompostos, pela ação do calor, em car-
três métodos: bonato de sódio (sólido), gás carbônico e água (vapor).
Método I: O volume de gás carbônico, em litros, obtidos nas CNTP
1
Cu(s) + ... HNO3(conc.)  é igual a:
 Cu(NO3)2(aq) + ... NO2(g) + ... H2O(l) Dados: NaHCO3 = 84 g/mol. 2
Método II: a) 2,02. c) 4,48. e) 8,96. 3
2Cu(s) + O2(g)  2CuO(s)  b) 2,27. d) 4,03.
4
 2CuO(s) + ... HNO3 (dil.)  23. (Fuvest-SP) O carbono ocorre na natureza como uma mis-
 2Cu(NO3)2(aq) + ... H2O(l) tura de átomos, dos quais 98,90% são 12C e 1,10% é 13C. 5
Método III: Dados: massas atômicas: 12C = 12,000; 13C = 13,003. 6
3Cu(s) + ... HNO3 (dil.)  a) Explique o significado das representações 12C e 13C.
 3Cu(NO3)2(aq) + ... NO(g) + 4H2O(l) b) Com esses dados, calcule a massa atômica do carbo- 7
2NO(g) + O2(g)  2NO2(g) no natural. 8
Para um mesmo consumo de cobre: 24. (EE Mauá-SP) Uma vez que as massas atômicas do oxi-
a) os métodos I e II são igualmente poluentes. gênio e do sódio são, respectivamente, 16 e 23, então
b) os métodos I e III são igualmente poluentes. a massa de 23 átomos de oxigênio é a mesma que a
c) os métodos II e III são igualmente poluentes. de 16 átomos de sódio. Essa afirmativa é verdadeira
d) o método III é o mais poluente dos três. ou falsa? Justifique.
e) o método I é o mais poluente dos três. 25. (Unifesp-adaptado) Pessoas com pressão arterial ele-
vada precisam reduzir o teor de sódio de suas dietas.
18. (Fafi-MG) Certa massa de gás hidrogênio, H2(g), ocu-
Um dos meios de se conseguir isso é com o uso do
pa o volume de 8,2 L a 27 °C e exerce a pressão de
chamado “sal light”, uma mistura de cloreto de sódio
1 520 mmHg. A massa do gás será igual a:
e cloreto de potássio sólidos. Dados: massas molares,
Dados: R = 8,314472 m3 ⋅ Pa ⋅ K–1 ⋅ mol–1 e massa atô-
em g/mol: Na = 23,0; K = 39,1; Cl = 35,5. Calcule a
mica de hidrogênio = 1 g ⋅ mol–1.
massa molar do cloreto de sódio (NaCl) e do cloreto
a) 5,2 g. c) 3,9 g. e) 1,3 g.
de potássio (KCl).
b) 4,5 g. d) 2,6 g.
26. A glicose é um açúcar utilizado pelas células como fon-
19. (Faap-SP) Nas condições normais de temperatura e pres- te de energia para o organismo. É um sólido de sabor
são, qual é o volume em litros ocupado por 35,5 g de cloro adocicado, de fórmula molecular C6H12O6. Determine
gasoso a 127 °C e 760 mmHg? a massa molar dessa substância.
Dados: massa atômica do Cl = 35,5 g ⋅ mol–1; Dados: massas molares, em g/mol:
R = 8,314472 m3 ⋅ Pa ⋅ K–1 ⋅ mol–1. C = 12,0; H = 1,0; O = 16,0
a) 9,85. d) 18,20.
27. O gás liquefeito de petróleo, GLP, é derivado do petró-
b) 11,19. e) 22,38.
leo e conhecido como gás de cozinha. É constituído de
c) 16,40. duas substâncias: o propano (C3H8) e o butano (C4H10).
20. (UFRR) Certa massa de oxigênio ocupa um volume de Um botijão com sua capacidade completa contém em
10 L à temperatura de 27 °C e pressão de 300 mmHg. seu interior cerca de 85% de GLP em estado líquido e
O volume ocupado pela massa de oxigênio à tempera- 15% em estado de vapor. O gás em estado líquido se
tura de 47 °C e 400 mmHg de pressão será: vaporiza à medida que o botijão se esvazia. Qual é a
a) 4 L. d) 10 L. massa molar do propano e do butano?
b) 8 L. e) 12 L. Dados: massas molares, em g/mol: C = 12,0; H = 1,0
c) 6 L. 28. (Mack-SP) O óxido de vanádio é constituído de mo-
21. (UFSC-adaptado) Qual é o volume de gás carbônico léculas V2Oy. Se a massa molar do V2Oy é 182 g/mol,
(CO2), medido a 0,75 atm e 25 °C que será produzido então, y é igual a:
pela combustão de 30 g de etano? Dados: massas atômicas: V = 51; O = 16.
Dados: C = 12 g/mol; H = 1 g/mol. a) 1. b) 3. c) 7. d) 5. e) 4.
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4 RENDIMENTO DAS REAÇÕES

N
ormalmente, em laboratórios e indústrias, a quantidade de
produtos formados é menor do que as previstas em teoria
Peggy Greb/US Department of Agriculture/Science Photo Library

pela estequiometria. Isso acontece por três motivos principais: pri-


meiro, pela presença de impurezas nos reagentes; segundo, pelo
CÁLCULOS QUÍMICOS

fato de muitas reações serem reversíveis, ou seja, os produtos rea-


gem entre si produzindo os reagentes originais; e, por último, pela
possibilidade de reações paralelas que fornecem produtos diferen-
tes dos desejados. Além disso, a ocorrência da reação depende de
determinadas condições, como a temperatura, que podem variar
durante o processo. Existem, ainda, dificuldades operacionais que
acarretam perda de produtos.
Indústrias – como a farmacêutica, a química e a de compo-
nentes eletrônicos – trabalham com materiais de elevada pureza.
Outras, como a siderúrgica (extração de metais) e as fábricas de
sabão, não utilizam matéria-prima de pureza tão elevada. A indús-
tria sempre procura melhorar equilíbrio entre preço e rendimento
da matéria-prima, sem que haja comprometimento da qualidade
do produto final.
O Rendimento Teórico (RT) de uma reação corresponde
à quantidade de um produto que seria obtida a partir de uma
quantidade de reagente se a reação fosse única e ocorresse
completamente. O rendimento teórico fornece, por meio da es-
Para desenvolver as rea-
tequiometria, a quantidade máxima de produtos que seria obtida se a reação fos-
ções químicas em labo-
ratórios e na indústria, os
se completa.
químicos fazem cálculos Para realizarmos os cálculos químicos, precisamos saber que quantidade de produto
precisos sobre quantida- será realmente formada. A isso chamamos Rendimento Real (RR), expresso como uma
des de reagentes que pre- porcentagem do Rendimento Teórico (RT), conhecido como rendimento percentual.
cisam adicionar no sistema
racional. Para isso eles fa- RR
zem cálculos precisos so- R% = ⋅ 100 %
RT
bre rendimentos de
reações. RT, em geral, corresponde à massa teoricamente prevista e RR à massa realmente produzida.
Veja um exemplo.
Na produção de sabão, uma amostra de 100 g de hidróxido de sódio reage com a es-
tearina (Est), conforme a equação a seguir:

(C17H35COO)3C3H5(s) + NaOH(aq) ( C17H35COONa(s) + C3H5(OH)3(l)

Considerando que, a partir de 100 g de hidróxido de sódio (NaOH), foram obtidos


512 g de estearato de sódio (principal componente do sabão – EstNa), qual é o rendimen-
to real do processo?
Levando em conta a proporção entre as substâncias envolvidas na reação, teremos a
equação balanceada:

(C17H35COO)3C3H5(s) + 3NaOH(aq) ( 3C17H35COONa(s) + C3H5(OH)3(l)

Ao identificar a relação estequiométrica existente no cálculo em questão, temos a


relação entre o reagente (hidróxido de sódio) e o produto (estearato de sódio).

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CAPÍTULO
Utilizemos agora o fator de conversão de massa do hidróxido de sódio para o estea-
De acordo com os cálculos
rato de sódio. Para facilitar a escrita das equações, representaremos o estearato de sódio químicos, 890 kg de estea-
por EstNa. rina produziriam 918 kg de
sabão, mas na indústria
890 g EstNa
EstNa 120 g NaOH 1
3 ⋅ 40 g NaOH = 1 ⋅ 890 g EstNa → 1 = ou 1 = só foram obtidos 512 kg.
120 g NaOH 890 g EstNa Por que será? 2
Agora, vamos determinar a quantidade de material desejada, a 3

Hely Demutti
partir do fator de conversão obtido das relações estequiométricas.
Para isso, vamos igualar o símbolo da grandeza solicitada com o da 4
fornecida inicialmente e fazer as devidas conversões. 5
Fator de conversão:
890 g EstNa 6
1=
120 g NaOH 7
Calculando a massa do estearato de sódio que deveria ser 8
produzida:

890 g EstNa
m (EstNa ) = 100 g NaOH ⋅
120 g NaOH
→ m (EstNa
stNa ≅ 742 g)

Cálculo das conversões de unidade e do valor real do sabão:


Sendo a massa realmente produzida igual a 512 g, e de acordo com a equação apre-
sentada, teremos:
512 g
R% = ⋅ 100 % → R % ≅ 69 %
742 g

Exercícios
FAÇA NO CADERNO. NÃO ESCREVA EM SEU LIVRO.

Para responder às questões, caso necessário, consul- 3. (Enem) Na investigação forense, utiliza-se luminol, uma
te os dados de massa atômica na tabela periódica no substância que reage com o ferro presente na hemo-
fim do livro. globina do sangue, produzindo luz que permite visua-
1. Por que em uma reação química o rendimento não é lizar locais contaminados com pequenas quantidades
igual ao teoricamente previsto? de sangue, mesmo em superfícies lavadas. É proposto
que, na reação do luminol (I) em meio alcalino, na pre-
2. A cárie é um processo de desmineralização localizada sença de peróxido de hidrogênio (II) e de um metal de
no esmalte do dente e, em geral, também na dentina, transição (Mn+), forma-se o composto 3-aminoftalato
que culmina com a formação de uma cavidade. O fluo-
(III) que sofre uma relaxação, originando o produto
reto de sódio (NaF) libera íons fluoreto (F–), que atuam
final da reação (IV), com liberação de energia (hv) e
na prevenção da cárie dentária, porque têm a proprie-
de gás nitrogênio (N2).
dade de substituir os grupos hidróxido (OH–) do princi-
pal constituinte do esmalte dos dentes, a hidroxiapatita Dados: peso moleculares:
[Ca5OH(PO4)3], formando a fluorapatita [Ca5F(PO4)3], que Luminol = 177 e 3-aminoftalato = 164.
é bem mais resistente ao ataque de ácidos e bactérias, (II)
NH2 O NH2 O * NH2 O
conforme a equação balanceada a seguir:
NH O O
Ca5 OH(PO 4)3 (s) + NaF(aq) ( Ca5F(PO 4)3 (s) + + H2O2 + Mn+ + hv + N2
NH O O
+ NaOH(aq)
Considerando que, a partir de 84 g de fluoreto de O O O
sódio, foram obtidos 252 g de fluorapatita, qual é o (I) (III) (IV)
rendimento real do processo? Adaptado de: Química Nova. São Paulo: SBC, v. 25, n. 6, 2002. p. 1003-1011.

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Na verificação de uma amostra biológica para análise citrato de sódio, determine o rendimento percen-
forense, utilizaram-se 54 g de luminol e peróxido de tual da reação.
hidrogênio em excesso, obtendo-se rendimento final b) Por que duas substâncias com ácido no nome são
de 70%. Sendo assim, a quantidade do produto final utilizadas para combater acidez no estômago, vis-
(IV) formada na reação foi de: to que o interior desse órgão já é hiperácido?
a) 123,9. c) Calcule o volume de gás carbônico produzido, nas
b) 114,8. CNTP, quando reagem 4 mg de carbonato ácido
CÁLCULOS QUÍMICOS

d) 35,0. de sódio.
c) 86,0. 6. Um zelador usa ácido muriático (ácido clorídrico) regu-
e) 16,2. larmente para fazer limpeza do piso de mármore do
4. “Tarde demais! O papo, que estava bom após o pri- prédio em que trabalha. Sabe-se que o ácido ataca o
meiro copo, fica difícil após quatro doses. Isso mármore (formado basicamente por CaCO3), liberando
acontece porque o cérebro tem dificuldade para gás carbônico, de acordo com a equação:
funcionar. Essa quantidade afronta não só o racio- CaCO3(s) + 2HCl(aq) ( CaCl2(s) + H2O(l) + CO2(g)
cínio como também as restrições sociais. É quando
Qual é o volume de gás carbônico formado, nas CNTP,
o tímido consegue passar cantadas impensáveis
quando ocorre reação de 50 g de mármore?
quando está sóbrio. ”
Superinteressante, n. 2, fev. 2000. 7. O cobre é um metal encontrado na natureza em diferen-
Para se obter o álcool por fermentação, a partir da tes minerais. Um processo de obtenção desse metal
cana-de-açúcar, passa-se por alguns processos, sen- pode ser apresentado pela equação:
do a última etapa, C6H12O6(s) ( C2H5OH(aq) + CO2(g), Cu2S(s) + 2Cu2O(s) ( 6Cu(s) + SO2(g)
chamada fermentação alcoólica. De acordo com as
informações acima, responda. Supondo que o processo apresente rendimento de
a) Se o rendimento percentual é de 96%, qual é a 60%, qual é a massa de cobre obtida a partir de
massa de glicose (C6H12O6) necessária para pro- 100 g de CuS(s)?
duzir 700 g de etanol (C2H5OH)? 8. (Mack-SP) CaF2 + H2SO4 ( CaSO4 + 2HF
b) Pela lei brasileira, o máximo permitido é 0,6 g de O HF é obtido a partir da fluorita (CaF2), segundo a
álcool por litro de sangue. Será que uma pessoa reação equacionada acima. A massa de HF obtida na
que tenha 5 litros de sangue e tenha bebido 3 reação de 500,0 g de fluorita de 78% de pureza é:
doses de 50 mL de uísque pode dirigir um carro? Dados: massa molar (g/mol).
Justifique por meio de cálculos, considerando que Ca = 40, F = 19, H = 1, S = 32, O = 16
todo o álcool foi para o sangue. a) 390,0 g.
Dados: 1 dose de uísque possui cerca de 20 g de álcool. b) 304,2 g.
5. Muitas vezes sentimos azia (queimação no estômago), c) 100,0 g.
ou seja, excesso de ácido clorídrico causado por d) 200,0 g.
alguma disfunção na digestão, estresse ou consu- e) 250,0 g.
mo exagerado de alimentos gordurosos. Para ali- 9. Existem loções faciais adstringentes que limpam e to-
viar o excesso de acidez no estômago, é necessário nificam a pele, pois penetram profundamente nos
ingerir um produto capaz de neutralizar o ácido, poros, removendo o excesso de oleosidade e traços
chamado antiácido. O carbonato ácido de sódio de impurezas. Um dos componentes dessas loções
aquoso (NaHCO3) reage com ácido cítrico aquoso é o etanol. Este pode ser obtido de acordo com a
[COH(CH2)2(COOH3)] para produzir citrato de só- equação abaixo:
dio aquoso [COH(CH2)2(COONa)3] e ácido carbônico
aquoso (H2CO3). Como o ácido carbônico é instável, Ca12H22O11(s) + H2O(l) ( 4C2H5OH(l) + 4CO2(g)
a formação estável é com o gás carbônico e a água. Admitindo-se que essa reação tenha rendimento total
Monte a reação balanceada e, com base nas infor- (100%) e que o etanol produzido seja puro (anidro),
mações acima, responda. qual é a massa de açúcar (C12H22O11) necessária para
a) Sabendo que 5 kg de bicarbonato de sódio rea- produzir 100 L de etanol (C2H5OH)?
gem com ácido cítrico para produzir 2559,5 g de Dado: álcool = 0,8 g/cm3.

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GLOSSÁRIO TABELAS SEGURANÇA
CAPÍTULO
10. Ao reagirmos cloreto de cálcio (CaCl2) com nitrato de 11. (UFU-MG) Encontrou-se uma amostra de mármore
prata (AgNO3), obtemos um precipitado branco – clo- (CaCO3), cuja pureza era de 60%. Decompondo-se
reto de prata (AgCl). Sabendo-se que essa reação apre- 50 g dessa amostra, obtiveram-se cal virgem (CaO)
senta um rendimento de 90%, calcule a massa do e gás carbônico (CO2). Admtindo-se um rendimento 1
precipitado formado a partir de 22,2 g de cloreto de
de 70% para essa reação, quantos mols de gás car-
cálcio, conforme a equação não balanceada abaixo: 2
bônico foram conseguidos?
CaCl2(aq) + AgNO3(aq) ( AgCl(s) + Ca(NO3)2(aq) Dados: C = 12; O = 16; Ca = 40 3

6
ER 7
As leis das reações químicas Exercícios de revisão

8
b Os cálculos
ulos químicos são fundamentados nas leis das reações químicas.
b Lavoisier [1743-1794] estabeleceu a Lei da Conservação das Massas: em um sistema fechado, a
massa dos reagentes e dos produtos de uma reação química são sempre as mesmas.
b Em 1797, Louis Prost demonstrou que, independentemente do processo de preparação, a compo-
sição do carbonato de cobre era sempre a mesma. Assim, uma substância pode ser proveniente de
diferentes fontes, naturais ou produzidas em laboratórios, mas apresentará sempre a mesma com-
posição química.

Balanceamento da equação química e estequiometria


b As equações químicas representam as reações químicas. Em uma equação química genérica:
aA + bB # cC + dD, as letras minúsculas correspondem aos coeficientes estequiométricos.
b O balanceamento de uma equação química é a determinação dos coeficientes estequiométri-
cos da equação química, ou seja, o acerto numérico entre quantidades de átomos no reagente
e no produto.
b Os coeficientes de uma equação química são valores numéricos que indicam a proporção míni-
ma de cada substância envolvida na reação.
b Cálculos estequiométricos são os cálculos desenvolvidos para a determinação das quantidades
de reagentes e produtos em uma reação.

Rendimento das reações


b Geralmente, nos laboratórios e nas indústrias, as quantidades de produtos obtidos são diferen-
tes dos valores previstos por meio do cálculo estequiométrico. Isso se dá devido à impureza dos
reagentes, à reversibilidade das reações e às reações paralelas. No entanto, é necessário saber
exatamente a quantidade real dos produtos obtidos. Esse valor é chamado Rendimento Real (RR),
expresso por uma percentagem do Rendimento Teórico (RT). O RR corresponde à massa teórica
prevista e o RT à massa realmente produzida.

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GLOSSÁRIO TABELAS SEGURANÇA
UNIDADE 2
Hidrosfera e
poluição das águas
Gabriel de Paiva/Agência O Globo

Mortandade de peixes aumenta na Lagoa Rodrigo de Freitas, na


altura do Parque dos Patins, Rio de Janeiro (RJ), 2013.

62
Como garantir água para
as futuras gerações?

Capítulo 3 Classificação e composição


dos materiais
1. Soluções, coloides e agregados
2. Concentração e suas unidades
3. Composição
4. Diluição de soluções

Capítulo 4 Propriedades da água e


propriedades coligativas

Hely Demutti
1. Propriedades das substâncias e interações
entre os constituintes
2. Propriedades da água
3. Água e solubilidade dos materiais
4. Propriedades coligativas

Capítulo 5 Equilíbrio químico


1. Reações químicas e reversibilidade
2. Sistemas químicos reversíveis
3. Equilíbrio químico
4. Alterações do estado de equilíbrio
5. Princípio de Le Chatelier
6. Aspectos quantitativos de equilíbrios químicos

Temas em foco:
• Ciclo da água e sociedade • A química, o tratamento de água e o
• Gestão dos recursos hídricos saneamento básico
• Poluição das águas

63
C apít ulo 3

CLASSIFICAÇÃO E COMPOSIÇÃO
DOS MATERIAIS
Como expressamos a composição química dos materiais?
Planeta Terra ou planeta Água?

Tema em foco
Tema
QS
&
S
CICLO DA ÁGUA E SOCIEDADE Química e
Sociedade

O planeta Terra, um imenso globo azulado, existe há cerca de 4,6 bilhões de anos. Sua cor é atribuída ao fato de
aproximadamente 70% de sua superfície serem cobertos por água. Isso equivale a um volume de água estimado em
1,4 bilhão de km3. Acha muito? Será que é suficiente para todos os povos?
I
Ciclo da água Infográfico

No início da formação de nosso planeta, a temperatura de sua superfície era muito alta, e toda água estava em es-
tado gasoso. Com a diminuição da temperatura, a água presente na atmosfera começou a se precipitar na forma de
chuva, ajudando a diminuir mais a temperatura da superfície. A precipitação constante levou à formação de rios. Estes,
desaguando em partes mais baixas, deram origem aos mares e oceanos.
As águas das chuvas foram “lavando” a terra, carregando sais solúveis que se acumularam nos mares e ocea-
nos, tornando-os ricos em sais minerais. Assim, a água foi se espalhando pelo planeta, armazenando-se em zonas
subterrâneas; na superfície terrestre, em lagos, rios, mares e oceanos; em extensas geleiras nas regiões polares e
montanhas; e uma pequena parte permaneceu na atmosfera. Além de se espalhar, a água passou a se movimentar
continuamente. As águas dos rios, lagos e mares se evaporam, dando origem a chuvas que novamente os alimenta.
Esse movimento da água, mudando de estado de agregação e de lugar constantemente, é denominado ciclo hidro-
lógico ou ciclo da água e é essencial para a vida no planeta.

Ciclo da água
volume de vapor Paulo Cesar Pereira

na atmosfera

precipitação sobre evapotranspiração


os continentes dos continentes precipitação evaporação
sobre os dos oceanos
oceanos

fluxo dos
rios para
área das calotas fluxo os oceanos
e geleiras subterrâneo área dos continentes área dos oceanos
para os rios
Apesar de termos a impressão de que a água está acabando, a quantidade de água na Terra é praticamente invariável há 500 milhões de anos.
O que muda é a distribuição no planeta. Nesse constante ciclo da água, os oceanos são os maiores fornecedores de vapor-d’água e exercem
grande influência no clima do planeta.

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CAPÍTULO
Não há como medir a quantidade de água disponível na Terra. Por isso, estudiosos do assunto apresentam diferentes
estimativas. Segundo uma delas, uma pequena parte da água está na atmosfera na forma de vapor. Da água restante, cer-
ca de 97,5% está nos mares e oceanos – imprópria para consumo por causa dos sais nela dissolvidos. Dos 2,5% restantes,
a maior parte (1,7%) está na forma de gelo nos polos e em geleiras – pouco disponível para consumo humano –, restando
1
menos de um por cento que apresenta grau de salinidade baixo, sendo por isso denominada água doce. Dessa peque-
na fração de água doce disponível, menos de 0,01% está nos rios e lagos e 0,75% está no subsolo (veja quadro abaixo). 2

Distribuição da água 3

Paulo Cesar Pereira


4
água salgada 5
97,5%
6

Se imaginarmos que toda 8


água doce a água do planeta está
2,5% contida em uma caixa-d’água
de 1 000 L, esse volume de
água estaria distribuído nas
proporções indicadas no es-
quema acima, ou seja, o vo-
lume de toda a água dos rios
água rios e lagos geleiras solo, icebergs, corresponderia a uma dose e
subterrânea 0,0075% 1,72% pântanos etc. meia de água (75 mL, pouco
0,75% 0,0225% mais do que um cafezinho)!

Pense
Pelos dados apresentados no esquema acima, calcule, aproximadamente, a quantidade de água doce existente na Terra,
em litros. Desse total, qual seria a quantidade disponível em rios, lagos e em reservatórios subterrâneos? Finalmente, desse
último total, que quantidade você estima ser de água potável?

Nem toda água é própria para consumo humano. Altas concentrações de cloretos de cálcio e de magnésio tornam
a água salgada e, consequentemente, imprópria ao nosso consumo. As águas que possuem grau de salinidade supe-
rior a 30 g/L são consideradas salinas, e as intermediárias – com grau de salinidade entre 0,50 g/L e 30 g/L – são cha-
madas salobras. A água doce, salinidade igual ou inferior a 0,50 g/L, é a única adequada para o consumo humano.
A atmosfera é o reservatório que contém a menor quantidade de água, mas que se renova em média a cada
dez dias, finalizando o ciclo da água. A distribuição das chuvas sobre o planeta ocorre de maneira bem diferenciada.
Assim, há regiões nas quais os índices de precipitação são altos e nas quais se formam densas florestas. Nas regiões
em que esse índice é muito baixo, formam-se desertos. Isso faz com que tenhamos uma diversidade muito grande
de ambientes em nosso planeta Terra.

Pense
Diante dessa quantidade de água doce, ou melhor dizendo água potável, será que estamos fazendo uso adequado desse
precioso bem natural?

No polígono da seca, no Nordeste brasileiro, o nível médio de precipitação fica na faixa entre 600 e 800 milíme-
tros de chuva por ano. Embora não seja um nível tão baixo, os moradores da região sofrem muito com a seca por-
que as chuvas se concentram em poucos dias dos meses do ano.
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GLOSSÁRIO TABELAS SEGURANÇA
Fabio Colombini

Fabio Colombini
A distribuição de água é res-
ponsável pela diversidade de
vegetação existente. Nas fo-
CLASSIFICAÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS

tos, uma demonstração da di-


versidade encontrada em nosso
país. A foto direita mostra pai-
sagem de caatinga, em Canu-
dos (BA), e a esquerda mostra
uma vista da Floresta Ama-
zônica, em Manaus (AM).

A cada 10 anos, geralmente, apenas quatro apresentam boa distribuição de chuvas no tempo e no espaço. Além
disso, em algumas regiões, o solo cristalino não permite a absorção da água, causando um extenso problema da es-
cassez de água no Agreste árido.

A água na atmosfera
Você conhece pessoas que conseguem olhar para o céu e prever, com grande chance de acertar, se vai chover ou
não? Algumas pessoas fazem tais previsões observando as nuvens. Um tipo comum e característico de nuvens são as
denominadas cúmulos-nimbos, carregadas por cristais de gelo e fortemente associadas a chuvas fortes.
Existem diferentes tipos de nuvens, mas nem todos promovem chu-
Hely Demutti

vas! Tudo depende de fatores como: tamanho da gotícula, pressão at-


mosférica, temperatura, correntes de ar, tamanho das nuvens, ventos etc.
Os fatores que levam à formação das gotículas de nuvens são
basicamente dois: vapor de água e núcleos de condensação de
nuvens. Esses núcleos são partículas microscópicas que possuem
propriedades de condensar água em sua superfície, formando gotí-
culas microscópicas. Entre o instante em que a gota é formada até
a sua chegada ao chão, em forma de chuva, muita coisa acontece!
Se as nuvens se formam As nuvens não têm muito tempo para crescer. As mais altas, conhecidas como nuvens
em altas altitudes, a tem- rasas, chegam a altura máxima de 4 ou 5 mil metros. Quando passam de 6 a 7 mil metros
peratura pode ser tão de altura, as gotas começam a congelar, por causa das temperaturas muito baixas, forman-
baixa que toda a água do cristais de gelo. Nesses casos, são conhecidas como nuvens profundas. Geralmente, as
existente nela permane- chuvas originadas dessas nuvens são acompanhadas de relâmpagos e trovões.
cerá no estado sólido sob
No verão, chuvas de granizo são muito comuns em regiões tropicais. Isso ocorre por-
a forma de cristais de gelo.
A cúmulos-nimbus, co- que os cristais de gelo existentes nas nuvens precipitam-se, numa intensidade que não
mo mostra a foto, é um permite a completa fusão antes que cheguem ao solo. Felizmente, na maioria das vezes,
exemplo dessas nuvens. os blocos de gelo se fundem ou se desintegram em pedrinhas pequenas. Quando isso não
acontece, ocorrem as chuvas de granizo que podem causar estragos enormes.

Águas subterrâneas
No subsolo, encontra-se uma das mais preciosas fontes de água potável, resultado de processos de filtração na-
tural da chuva que cai nos solos. Essa água concentra-se em duas diferentes regiões. A primeira região é a subsatu-
rada. Nela, água e ar se encontram entre rochas que constituem o subsolo. Na segunda região, chamada saturada,
todos os espaços ou poros das rochas estão preenchidos pela água. Essas duas zonas são separadas pela região de-
nominada lençol subterrâneo de água ou lençol aquífero.
A água subterrânea, que normalmente utilizamos, fica retida em lençóis-d’água que podem ser classificados em: freáti-
co e artesiano. Os lençóis freáticos são mais sensíveis a chuvas, podem secar ou encher, dependendo da estação das secas
ou das grandes precipitações, e podem ser facilmente contaminados. Já os lençóis artesianos, resultantes de milhares de
anos de infiltrações de água no subsolo, por serem mais profundos, quase não variam em função das secas ou das chuvas.
Nesses lençóis, a água fica retida em rochas, sob pressão, e pode emergir à superfície quando as rochas são perfuradas.
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GLOSSÁRIO TABELAS SEGURANÇA
CAPÍTULO
A água subterrânea é muito valiosa por ser, geralmente, potável. No Brasil, é usada desde o início da colonização,
principalmente em regiões de rochas cristalinas do Nordeste, em que há grandes áreas desprovidas de água na superfície.
As águas subterrâneas representam cerca de um terço do volume total das águas continentais, sendo as princi-
pais reservas de água doce. Elas alimentam rios e lagos sendo, por isso, responsáveis pelo suprimento de água doce.
1
Distribuição de aquíferos 2

Helia Scheppa/JC Imagem


área de recarga áreas de
3
descarga
4

nível freático 5

dias 6
dias
anos camada de
A fonte de recarga natural 7
confinamento
anos
para a maioria dos aquíferos
séculos é a precipitação (chuva) 8
camada de que se infiltra em regiões
séculos confinamento denominadas áreas de
carga e reabastece o
aquífero
milênios aquífero. Essa água fica retida
confinado
nos aquíferos, em espaços
milênios
existentes entre as partículas
do solo e em diferentes níveis
aquífero não de profundidade, e abastece
confinado rios e poços artesianos.
Maps World

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GUIANA
GUIANA FRANCESA (FRA)
COLÔMBIA
SURINAME
RR
Equador AP

EQUADOR

AM PA
MA CE RN
PB
PI
AC PE
AL
PERU RO TO
SE
MT BA

OCEANO DF
BOLÍVIA GO
MG
PACÍFICO
MS ES
PA
RAG SP
RJ
pricórnio UA
Tró pico de Ca CHILE I PR

SC

RS
ARGENTINA
URUGUAI

OCEANO
ATLÂNTICO

N
Aquífero Guarani

O L

0 863 1 726 km

1 cm – 863 km S

Fonte: Com base em FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico: espaço mundial.
São Paulo: Moderna, 2010. p. 126.

O maior lençol freático do mundo (em laranja) está localizado no


Brasil, abrangendo o subsolo de áreas dos estados de SP, MS, MT, GO, Na foto, destaque para técnicos do Compesa e Secretaria de
MG, PR, SC e RS, além de parte da Argentina, Uruguai e Paraguai. Recursos Hídricos (CPRH), fiscalizando poço artesiano do
A perfuração desordenada de poços artesianos pode comprometê-lo. Edifício Nossa Senhora do Loreto, em Boa Viagem, Recife.

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Ciclo da água e o consumo humano
A preocupação atual com a água não é que ela acabe. Estima-se que sua quantidade é a mesma há mais de
CLASSIFICAÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS

2 bilhões de anos. O que vem diminuindo com o passar do tempo é a quantidade de água potável em condições ade-
quadas para consumo humano. As atividades humanas têm afetado, sem dúvida, a disponibilidade de água potável.
CONSUMO HUMANO DE ÁGUA PER CAPITA
Um exemplo é a utilização de água de lençóis
AO LONGO DOS TEMPOS freáticos. O seu uso deve ser feito com cautela, pois
o seu esgotamento afetará regiões vizinhas que tam-
Período Consumo humano per capita bém são abastecidas por ela. Diversos centros urba-
100 a.C. 12 L/dia nos dependem de águas subterrâneas, como a cidade
Romano 20 L/dia de Natal (RN), e muitos deles têm sofrido escassez
Século XIX (cidades pequenas) 40 L/dia de água, por conta de sua exploração desordenada.
No Nordeste, região constantemente castigada
Século XIX (cidades grandes) 60 L/dia
por longos períodos de seca, o uso de água subterrâ-
Século XX 800 L/dia nea está associado à qualidade de vida da população.
Fonte: MACEDO, J. A. B. Águas & águas. Juiz de Fora: Ortofarma, 2000. Segundo levantamento de geólogos, o subsolo dessa
região contém cerca de 20% das águas subterrâneas
do Brasil e uma parte desta poderia ser retirada, de for-
Hely Demutti

ma controlada, para amenizar os problemas das secas.


Enquanto alguns municípios como Joinville (SC)
estudam mecanismos para taxar a água extraída de
poços artesianos, em outros poços jorram dia e noi-
te incessantemente, desperdiçando grandes quanti-
dades desse bem tão precioso.
Plantação sendo irrigada pe- A necessidade de planejamento do uso dos recursos hídricos tem se tornado cada vez
lo método da aspersão. Na
mais importante em decorrência do aumento do consumo de água por toda a população
irrigação, a água não retor-
na ao manancial de origem.
mundial, como se pode ver na tabela abaixo. A industrialização, o aumento populacional
e a migração para os grandes centros contribuíram para o crescimento dessa demanda,
o que também favoreceu para agravar situações problemáticas.
A necessidade de aumento da produção de alimentos por causa do crescimento da população humana exigiu a uti-
lização de irrigação do solo, para que a agricultura não dependesse exclusivamente das chuvas.
Consumo de água na produção de alimentos
José Luis da Conceição/AE
Delfim Martins/Pulsar Imagens

João Prudente/Pulsar Imagens

Delfim Martins/Pulsar Imagens

Mauricio Simonetti/Pulsar Imagens

100 000 Marcos Bergamasco/Folhapress


100 000 L
consumo de água (L)

3 500 L
3 500
1 910 L
1 910 1 400 L
1 400 900 L
900 100 L
100

1 kg de 1 kg de 1 kg de 1 kg de 1 kg de 1 kg de
açúcar trigo milho arroz frango carne bovina

Atualmente, 34% da água doce consumida pelos seres humanos é destinada à agricultura irrigada. Projetos de ir-
rigação mal planejados podem provocar impactos ambientais, causando problemas como: exaustão hídrica da região,
contaminação das águas, erosão, salinização de regiões áridas e semiáridas e, indiretamente, surgimento de problemas
de saúde pública. Além disso, parte da água utilizada para irrigação não retorna ao seu curso original, e a parte que
retorna possui qualidade inferior.

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CAPÍTULO
Consumo de água na produção industrial

Renato Spencer/
JC Imagem

Delfim Martins/Pulsar Imagens

J. F. Diorio/AE
100 000
100 000 L
1
consumo de água (L)

4
250 L
250 10 L 5
10

1 L de gasolina 1 kg de papel 1 kg de alumínio 6

Nas indústrias, a situação não é muito diferente. A produção 8

Caetano Barreira/Olhar Imagem


de bens de consumo utiliza muita água, como exemplifica o in-
fográfico acima. Além de ser uma das atividades que mais po-
luem a água, a indústria consome grande quantidade de água.
Em países altamente industrializados, o consumo do setor in-
dustrial chega a ser superior a 80% do total da água consu-
mida, enquanto a quantidade de água gasta no uso domés-
tico e municipal não passa de 10%.
Outra fonte de preocupação em relação ao uso e à con-
servação da água doce são as usinas hidrelétricas, pois exigem
represamento de água para a formação de grandes lagos ar-
tificiais. Essas represas causam alagamento de ecossistemas,
perda de grande volume de água por evaporação e inundação
de grandes extensões de terra, que geram sérios problemas Indústrias normalmente lançam seus dejetos nas águas dos
ambientais, como o risco de extinção de espécies de animais rios, infelizmente este controle não é adequado e causa
e plantas, a alteração do clima da região e outros impactos. perigosa contaminação das águas por processos industriais.
Esses alagamentos podem causar ainda problemas sociocultu-
rais, como o deslocamento de populações vizinhas, a destrui-

Delfim Martins/Pulsar Imagens


ção de belezas naturais, a inundação de sítios arqueológicos.
Vivemos hoje uma crise em nosso padrão de civilização,
é evidente que nosso modo de viver é insustentável, sendo
incompatível aos recursos de que o planeta dispõe. É indis-
pensável que encontremos padrões de consumo que não des-
perdicem os recursos. A água certamente é um recurso-chave
nessa missão e deve estar no centro das atenções.
Certamente, hoje dependemos da água para produzir bens
de consumo que possam nos trazer melhor qualidade de vida,
gerar empregos, impostos etc. Todavia, a atividade industrial não
pode ser realizada sem os cuidados necessários com o ambiente,
pois colocam em risco as nossas vidas e as das futuras gerações.
A escassez de água é agravada pela crescente poluição de
mananciais, levando à transmissão de doenças, como hepatite
A, cólera e disenteria. Na América Central, a água contami-
nada tornou-se a segunda maior causa de mortalidade entre A barragem de Sobradinho, com vazão de 2 000 m3/s, alagou
4 214 km2 de sertão e causou tanta preocupação que até foi tema
crianças de até 1 ano. No mundo, morrem cerca de seis mil
de música (Sobradinho, de Sá e Guarabira).
crianças por ano em decorrência do mau uso da água.
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Para entender melhor a composição desse líquido formador de recursos hídricos, estudaremos, nesta Unidade, as
propriedades químicas da água. Isso nos ajudará a compreender a importância desse líquido para a vida no planeta
e a desenvolver atitudes e valores favoráveis à preservação do meio ambiente para a nossa geração e para as futuras.
CLASSIFICAÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS

Debata
D ebata e entenda
FAÇA NO CADERNO. NÃO ESCREVA EM SEU LIVRO.

1. Identifique no texto todos os fatores que têm contribuído para a escassez de água no planeta.
2. O Brasil foi pioneiro no aproveitamento das fontes hidrelétricas, na América do Sul e no mundo, graças ao impe-
rador D. Pedro II, que se interessava por invenções e descobertas científicas. Descreva vantagens e desvantagens
das usinas hidrelétricas para o Brasil.
3. Quais são as atividades humanas que mais consomem água e o que pode ser feito para diminuir o consumo nes-
sas atividades?
4. Por que há, no consumo diário de água, uma diferença grande entre os habitantes dos Estados Unidos e os de
alguns países africanos?
5. Quais são os principais fatores que geram uma distribuição diferenciada no consumo per capita de água no globo terrestre?
6. Por que a água dos oceanos e mares é salgada, já que eles são abastecidos por águas das chuvas e rios, que são
de águas doces?
7. As águas doces também possuem sais em sua composição? Justifique.
8. Com base na leitura do texto, explique por que a quantidade total de água no planeta tem sido a mesma há bi-
lhões de anos.
9. Em sua opinião, por que existe pouca água potável em relação ao total de água da Terra?
10. Pesquise exemplos de processos alternativos que permitem explorar as águas que não são potáveis, como a água
dos mares e das geleiras, e delas obter água potável.

1 SOLUÇÕES, COLOIDES E AGREGADOS

N o primeiro volume, você aprendeu sobre a constituição das substâncias que são for-
madas por átomos isolados, como os gases nobres, ou pela combinação de átomos
por meio de ligações químicas (iônica, covalente ou metálica). A constituição das subs-
tâncias é expressa por fórmulas químicas que apresentam a proporção entre os átomos
constituintes das substâncias ou até mesmo a sua disposição, como indicam as fórmulas
estruturais e as representações das formas geométricas das moléculas.
Ocorre que dificilmente as substâncias são encontradas de forma isolada. Elas sempre
estão disseminadas entre outras substâncias, pois elas são formadas por constituintes (áto-
mos, moléculas ou íons) que são extremamente pequenos e facilmente interagem com
constituintes de outras substâncias.
Chamamos de materiais quando a matéria é constituída por mais de uma substância. Muitos
materiais têm um grau de pureza elevado, em que predomina um tipo de substância que se
apresenta em maior quantidade do que as demais, sendo nesse caso chamadas impurezas.

Pense
A água é um material ou uma substância?

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Podemos nos referir à água como um material que contém diversas substâncias dis-
solvidas, mas também podemos nos referir à substância água, cuja fórmula química é
Todos estes produtos apre-
H2O. Quando nos referimos ao material água, geralmente vinculamos a ele algum adjeti- sentam substâncias dis-
vo: água de torneira, água da chuva, água mineral, águas subterrâneas, água do mar etc. persas em outras. 1
As propriedades dos materiais dependem da quantidade das substâncias que as com-
põem, daí a razão pela qual precisamos conhecer as relações quantitativas das substâncias 2
nos materiais, ou seja, a sua concentração ou composição. Antes, porém, vejamos como
os químicos classificam os materiais conforme a sua aparência. 3

Fotos: Hely Demutti


Vamos começar esse estudo pelos materiais saneantes domissanitários que você conhece no 4
seu cotidiano. Entre os vários materiais existentes estão os produtos saneantes domissanitários.
5
Pense 6
Você sabe o que são produtos saneantes domissanitários? 7

8
Os produtos saneantes domissanitários são aqueles que usamos diariamente na
higienização, desinfecção ou desinfestação doméstica. De modo geral, são conhecidos
pela marca ou nome fantasia, mas comercialmente são chamados pelos mais diversos
nomes: lustra-móveis, limpa-pisos, limpa-vidros etc. Eles ajudam a melhorar a aparência
do ambiente doméstico e dos locais de trabalho.
Como você pode ver na imagem ao lado, os produtos químicos que usamos dia-
riamente são constituídos por diversas substâncias. São elas as responsáveis por certas
propriedades químicas e físicas – como cor, textura, cheiro, estabilidade, sabor etc. –,
que conferem aos produtos sua forma de apresentação: solução, emulsão, gel, creme,
aerossol, loção e suspensão.

Pense
Como você classificaria esses materiais quanto à aparência, natureza e proporção de substâncias em sua composição?

Quanto à aparência, podemos classificá-los em:

Material homogêneo é um tipo de material que Material heterogêneo é um tipo de ma-


apresenta aspecto uniforme em toda a sua extensão. terial que não apresenta aspecto uniforme.

A percepção da uniformidade dos materiais dependerá do instrumento óptico a ser uti-


lizado. Assim, um material homogêneo a olho nu pode ser considerado heterogêneo se
for observado, por exemplo, em um microscópio. A uniformidade está relacionada à distri-
buição homogênea dos constituintes das diversas substâncias que o compõem. Essa distri-
buição, também conhecida como dispersão, ocorre de forma em que os constituintes de
uma substância se dispersam entre os constituintes de outra substância, ou um material se
dispersa em outro material. Conforme o tamanho das partículas da substância ou do mate-
rial que está disperso, a sua aparência poderá apresentar-se homogênea ou heterogênea.
A verificação de que em um material existem partículas de tamanhos diminutos dis-
persas pode ser feita por meio da observação de um fenômeno luminoso que é demons-
trado no experimento da próxima página.
É possível perceber o trajeto da luz em um meio quando existem partículas que dis-
persam os raios luminosos. É o que conseguimos notar quando o feixe de luz atravessa o
recipiente contendo água e xampu. Esse fenômeno, também percebido quando a luz dos
faróis atravessa as gotículas de água da neblina, é chamado efeito Tyndall. Esse efeito
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não ocorre com a água pura nem quando nela existem par-
Hely Demutti

tículas pequenas, como íons e moléculas. Também podemos


observar o efeito Tyndall quando a luz solar entra por frestas
ou buracos da janela de um quarto escuro. Nesse caso, con-
CLASSIFICAÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS

seguimos ver, em virtude do reflexo da luz, as pequenas par-


tículas de poeira dispersas no ar.
Considerando o tamanho das partículas que estão disper-
sas em um material, ele poderá ser classificado como solução,
coloide ou agregado, conforme o quadro abaixo.

CLASSIFICAÇÃO DE MATERIAL QUANTO AO TAMANHO


DAS PARTÍCULAS QUE ESTÃO DISPERSAS
Material Tamanho da partícula
“Sob neblina, use luz baixa”. Essa recomendação na Solução Menor que 1 nm
sinalização de estradas é necessária porque a neblina é
um sistema coloidal e, por isso, sujeito ao efeito Tyndall. Coloide De 1 a 1 000 nm
Se for utilizado farol alto, o feixe de luz irá se dispersar na Agregado Maior que 1 000 nm
frente do veículo, atrapalhando a visibilidade do motorista. –9
nm = nanômetro (1 nm = 10 m)

Química na escola Consulte as normas de segurança no


laboratório, na última página deste livro.

O que acontece com a luz ao atravessar diferentes materiais? V


Vídeo
Para observar o tamanho das partículas dispersas em um material, você poderá realizar este experimento no laboratório
ou em sua casa, podendo ser desenvolvido também de forma demonstrativa pelo seu professor na própria sala de aula.

Material
• 5 béqueres (ou copos transparentes)
• 4 colheres (de café) • álcool
• xampu • água destilada (ou filtrada)
• cloreto de sódio (NaCl – sal de cozinha) • apontador a laser (pode ser substituído por uma lanter-
• areia na pequena, desde que o ambiente esteja devidamente
escurecido)
Procedimento
1. Adicione água destilada até 1 ⁄3 do volume de cada béquer.
Hely Demutti

2. Ao segundo béquer, adicione uma colher de álcool. Agite bem.


3. Ao terceiro béquer, adicione uma colher de cloreto de sódio. Agite bem.
4. Ao quarto béquer, adicione uma colher de xampu. Agite bem.
5. Ao quinto béquer, adicione uma colher de areia. Agite bem.
6. Deixe em repouso por cerca de 10 minutos.
7. Observe os béqueres com as misturas, comparando-os com o primeiro,
que contém apenas água.
8. Incida sobre cada béquer (na sequência de 1 a 5) o feixe de luz do aponta-
Posicione o apontador a laser em relação ao
dor a laser. Observe o líquido perpendicularmente. Cuidado: não direcio-
recipiente com o líquido e observe o comporta-
ne a luz do apontador para o rosto das pessoas porque ela pode
mento do feixe de luz ao atravessar o material.
causar danos aos olhos.

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CAPÍTULO
Destino dos resíduos
1. Decante a areia e jogue-a no lixo e não na pia.
1
2. As demais soluções podem ser descartadas na pia.
2
Análise de dados
3
1. Qual substância você colocou em maior e em menor quantidade em cada béquer?
2. Observando a olho nu os materiais, o que é possível constatar ao incidir o feixe de luz em cada béquer? 4
3. Proponha uma explicação para as diferenças observadas a partir da passagem da luz nos diferentes materiais. 5

A palavra solução pode significar a superação de uma dificuldade, conclusão de um 7


assunto, resultado de um problema. Em Química, você ouve muito essa palavra, mas ge- 8
ralmente com outro significado: solução é um tipo de material homogêneo.
Em uma solução, existe sempre pelo menos uma substância dispersa (dissolvida) em
outra. A substância que está dispersa é chamada soluto. A que dispersa, ou seja, que
dissolve as outras, é denominada solvente.. O solvente é a substância que se apresenta
em maior proporção no material.
A maioria das soluções de interesse no estudo da Química tem como solvente a água.
Em geral, os solutos são substâncias iônicas, mas podem ser também substâncias mole-
culares polares.
Veja as ilustrações abaixo.

J. Yuji
J. Yuji

H2O H2O

Na Sacarose

Cl

Em uma solução aquosa em que o soluto é constituído por Em uma solução aquosa em que o soluto é constituído por
substâncias iônicas, como no caso do cloreto de sódio, os íons moléculas, como no caso da sacarose, as moléculas do soluto
do soluto se distribuem entre as moléculas de água. Observe que, se distribuem entre as moléculas de água. Observe que, na solu-
na solução, o soluto está disperso no solvente, mas a aparência ção, o soluto está disperso no solvente, mas a aparência visual é
visual é homogênea, mesmo quando se usa microscópio. homogênea, mesmo quando se usa microscópio.

Nas soluções, as minúsculas partículas do soluto estão uniformemente distribuídas


no solvente. Nesse sentido, em tais materiais não é possível observar as partículas do
soluto, mesmo com o auxílio de microscópios. Ocorre, porém, que – nas soluções – um
aumento da proporção do soluto levará à precipitação dele no recipiente, formando
um material heterogêneo.
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Misturas podem ser diferenciadas de soluções pelo fato de
Hely Demutti

que, nas primeiras, as substâncias formam um material homogê-


neo em quaisquer proporções. Assim, o ar é considerado uma mis-
CLASSIFICAÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS

tura gasosa, e não uma solução. Da mesma forma, água e álcool


solução formam misturas. Por sua vez, água e cloreto de sódio formam
aquosa soluções, pois, dependendo da quantidade de sal, se precipita.
saturada
com sal
Solução é um tipo de material homogêneo, cuja
uniformidade é constatada apenas em determinadas
proporções de suas substâncias constituintes.
precipitado

Em uma solução, a adição de soluto, numa quantidade Mistura é um tipo de material homogêneo, cuja
maior do que o solvente consegue dissolver, resultará na uniformidade é constatada em qualquer proporção das suas
precipitação no fundo do recipiente do soluto em excesso,
substâncias constituintes.
formando um material heterogêneo.
Hely Demutti

A olho nu, muitos materiais são classificados como homogê-


neos. Mas, quando eles são observados em um potente micros-
cópio, é possível enxergar as partículas dispersas. Assim são os
coloides. Tanto o meio de dispersão quanto a fase dispersa po-
dem ser sólidos, líquidos ou gasosos.
O termo coloide vem do grego kólla e eîdos e foi introduzi-
do, em 1861, pelo químico escocês Thomas Graham [1805-1869],
para indicar características intermediárias entre os materiais homo-
gêneos e os heterogêneos.
Do ponto de vista da Química, só denominamos ma- Como exemplo de coloides, podemos citar:
teriais como misturas quando, em qualquer proporção
que estejam as suas substâncias, elas permanecem
• tintas (pigmentos e solvente);
com aparência homogênea. Em qualquer proporção • maionese (azeite, vinagre, gema de ovo);
que misturemos os gases da atmosfera, esta continua- • xampus (surfactantes e aditivos);
rá homogênea. Em qualquer proporção que se misture • cremes de beleza (água, óleos e aditivos);
água e álcool, esse material permanecerá homogêneo.
• gelatinas (colágeno e água);
• chantili (ar e creme de leite);
• neblina (água e ar);
• fumaça (materiais particulados e ar);
Hely Demutti

• gomas (resina ou amido e água);


• sorvetes (gordura, aromatizantes e água);
• desodorantes spray (álcool, antitranspirante, gás prope-
lente etc.);
• leite (gorduras e água);
• queijos (proteínas e água);
• sangue (glóbulos, plaquetas e plasma sanguíneo).

Coloide é um tipo de material heterogêneo, cuja


A maioria das tintas é coloide constituído por pigmentos multiformidade é constatada apenas por meio de
dispersos em solventes. instrumentos de alta resolução.

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CAPÍTULO
H el
yD
em
Uma das propriedades dos coloides é provocar o Imagem colorida de uma

ut t
i
efeito Tyndall, conforme verificamos no experimento amostra de leite produzi-
anterior. O xampu adicionado à água naquele expe- da utilizando-se um mi-
rimento formou pequenas micelas, que são partícu- croscópico com aumento
de 300 vezes. 1
las coloidais, as quais provocaram a dispersão da luz.
Podemos dizer, portanto, que o coloide é constituí- 2
do por partículas muito pequenas para serem vistas a

Hely Demutti
olho nu, mas grandes o bastante para dispersar a luz. 3
Quimicamente, as partículas coloidais possuem tama- 4
nho entre 1 e 1000 nanômetros (nm).
Alguns coloides recebem denominações específicas, 5
cujos termos são encontrados em muitos produtos quí-
6
micos de uso doméstico. Essas denominações são de-
rivadas da classificação dos coloides de acordo com as 7
fases dispersas e de dispersão. A tabela a seguir apre-
senta exemplos de coloides usados em nosso dia a dia 8
com a sua respectiva classificação.
As emulsões são constituídas por materiais imiscí-
veis como óleo e água. Para que as fases não se sepa-
rem, são usados agentes emulsificantes, os quais são O leite e vários de seus derivados são exemplos de coloides. Apesar
de terem uma aparência homogênea, apresentam partículas que po-
constituídos por moléculas com uma extremidade polar
dem ser visualizadas em um microscópio.
e outra apolar.

CLASSIFICAÇÃO DOS COLOIDES DE ACORDO COM A FASE DISPERSA E O MEIO DE DISPERSÃO*

Fotos: Hely Demutti


Meio de
Coloide Fase dispersa Exemplos
dispersão

aerossol
líquido gás neblina, desodorante
líquido

aerossol
sólido gás fumaça, poeira
sólido

espuma de sabão e
espuma gás líquido
de combate a incêndios

espuma
gás sólido isopor, poliuretano
sólida

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CLASSIFICAÇÃO DOS COLOIDES DE ACORDO COM A FASE DISPERSA E O MEIO DE DISPERSÃO*
CLASSIFICAÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS

Meio de
Coloide Fase dispersa Exemplos
dispersão

Fotos: Hely Demutti


emulsão líquido líquido leite, maionese, manteiga

emulsão
líquido sólido margarina, opala, pérola
sólida

sol sólido líquido tinta, creme dental

sol sólido sólido sólido vidro e plástico pigmentado

* Extraído da revista Química Nova na Escola, n. 9, p. 10, maio 1999.

O gel é um tipo de coloide em que o meio de dispersão é sólido


Hely Demutti

e a fase dispersa é um líquido. Além disso, ele apresenta uma carac-


terística especial: possui propriedades macroscópicas (elasticidade
e manutenção da forma) parecidas com as dos sólidos. Exemplos
típicos são a gelatina (sobremesa) e os géis usados nos cabelos.
O álcool que compramos no supermercado é uma mistura
de álcool etílico (etanol), água e aditivos que lhe conferem sabor
O creme é uma emulsão de água em óleo. Na com- desagradável. O álcool comercial é um produto muito útil, sen-
posição dos cremes e das loções são encontrados tam- do utilizado como combustível, desinfetante e desengordurante.
bém agentes emulsificantes, substâncias que mantêm a Porém, ele é extremamente perigoso. Muito inflamável, o álcool
emulsão estável. Se não fossem os emulsificantes, o óleo é responsável, no Brasil, por cerca de 150 000 queimaduras por
e a água se separariam, descaracterizando o produto. ano, sendo que quase um terço delas ocorre com crianças até 12
anos. Ele também está associado a um grande número de intoxi-
cações causadas por sua ingestão.
Para evitar esses problemas domésticos, a Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária) baixou uma resolução decre-
tando que o álcool etílico para consumo doméstico deverá ser
vendido na forma de gel. Esse gel é obtido pela adição de pro-
pilenoglicol (C3H8O2), que lhe confere alta viscosidade e diminui
O etanol é comercializado a sua volatilidade, reduzindo o risco e a intensidade das queima-
na forma de gel para dimi- duras. Também neste caso são adicionadas substâncias que lhe
nuir o risco de acidentes.
conferem um sabor amargo.
Hely Demutti

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CAPÍTULO
Atualmente, os géis têm encontrado aplicação em uma enorme variedade de produ-
tos, entre as quais citamos os solados de tênis com objetivo de diminuir impactos que

i
ut t
em
ocorrem em esportes, formulações de cloro gel, destinadas à limpeza de pisos e roupas,

ly D
He
e rodas em gel, substituindo a borracha.
1
Um coloide oposto ao gel é o sol.. No sol, o meio de dispersão é um líquido e a fase
dispersa é um sólido, e a mistura tem a aparência de um material líquido. Quando o pó 2
de gelatina é aquecido em água forma um sol.
O rubi é um exemplo de co- 3
loide sol sólido, em que a 4
Hely Demutti

Hely Demutti
fase dispersa é o óxido crô-
mico (Cr2O3), que está dis- 5
perso em óxido de alumínio
(Al2O3). O chamado vidro ru- 6
bi (vermelho) é constituído
de ouro disperso no vidro. 7

8
Quando aquecido em água, o pó de gela-
tina forma um coloide denominado sol.
Depois de resfriado na geladeira, forma
Sol Gel
um coloide denominado gel.

Os materiais heterogêneos podem se apresentar de duas formas: como agregados ou


como coloides. Enquanto os coloides são materiais heterogêneos identificáveis apenas por

Hely Demutti
meio de instrumentos ópticos de maior precisão, a heterogeneidade dos agregados pode ser
constatada a olho nu. Neles, as partículas que formam o material são maiores do que nos
coloides e podem ser separadas por filtração, dependendo da interação entre as partículas.

Agregado é um tipo de material heterogêneo, cuja multiformidade é constatada


por meio de instrumentos de baixa resolução.

Hely Dem
ut ti
Agregados com sólidos dispersos em líquidos ou gases são
chamados de suspensão. Neles, a fase sólida tende a se-
dimentar quando o sistema fica em repouso. Antibióticos
são exemplos de suspensão.
A preparação de muitos antibióticos é um exemplo típico de
O granito é um material heterogê- suspensão. Antes de tomar medicamentos na forma de suspen-
neo, no qual se percebe claramente são, não se esqueça de agitá-los bem, pois nas suspensões o
a existência de partículas que estão material particulado geralmente decanta no fundo do frasco.
disseminadas na rocha.

Exercícios FAÇA NO CADERNO. NÃO ESCREVA EM SEU LIVRO.

1. Como podemos identificar os diferentes componentes vermelhos e alaranjados conseguem atravessar a atmos-
de uma mistura? fera. O que a questão 2 e o pôr do sol têm em comum?
2. Em que consiste o efeito Tyndall e onde ele é mais evi- 4. Qual é a diferença entre solução, coloide e agregado?
dente, num coloide ou numa suspensão? 5. Identifique os materiais que normalmente utilizamos na
3. O sol emite luz branca, deixando o aspecto de céu nossa higiene pessoal e que podem ser classificados como
azul. No entanto, durante o pôr do sol, apenas os raios homogêneos ou heterogêneos (coloides ou agregados).

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6. Nos itens a seguir, classifique os materiais em: solução, 3) O efeito Tyndall pode ser observado quando um
mistura gasosa, coloide ou agregado. feixe luminoso atravessa uma solução coloidal.
a) O ar atmosférico (partículas sólidas da poeira, subs- 4) Os materiais heterogêneos podem se apresentar
CLASSIFICAÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS

tâncias gasosas). na forma de coloides ou como agregados.


b) A fumaça dos grandes centros urbanos de clima frio 5) As emulsões são constituídas por materiais
(impurezas da fumaça; pó natural; neblina úmida, miscíveis.
condensada).
c) Loção de leite para limpeza de pele, em repouso. 13. (Cesgranrio-RJ) Considere o quadro a seguir:
d) Suco de laranja natural (laranjas e água).
Propriedade Dispersão A Dispersão B Dispersão C
e) Suco de laranja artificial (pó para suco e água).
átomos, íons partículas
7. Em uma solução, o que é denominado soluto e o que Natureza das macromoléculas ou
ou pequenas visíveis a
moléculas grupos de moléculas
é solvente? moléculas olho nu

8. Em relação aos materiais coloidais, julgue os itens, mar- Efeito da


não sedimenta não sedimenta
sedimenta
gravidade rapidamente
cando C para os corretos e E para os errados.
1) Gel é uma dispersão coloidal na qual o meio de Uniformidade homogênea não tão homogênea heterogênea
dispersão é sólido, e o disperso é líquido.
pode ser separada
2) Os coloides são facilmente perceptíveis a olho nu. não pode ser
somente por
pode ser
3) Sol é uma dispersão coloidal na qual o meio de Separabilidade separada por separada por
membranas
filtração papel de filtro
dispersão e o disperso são líquidos. especiais
4) O efeito Tyndall pode ser utilizado para identifica-
ção de sistemas coloidais. Logo, podemos afirmar que:
9. A gelatina, tanto dissolvida na água após o seu aqueci- a) A = solução verdadeira; B = suspensão; C = solu-
mento como resfriada, e a maionese são consideradas ção coloidal.
coloides ou soluções? Qual é o meio de dispersão e o b) A = suspensão; B = solução coloidal; C = solução
disperso em cada caso? verdadeira.
10. Produtos como o chantili e o sorvete são vendidos em c) A = solução coloidal; B = solução verdadeira; C =
potes de plástico ou, no caso do chantili, na forma de suspensão.
spray. E trazem, indicado na embalagem, o volume em d) A = solução coloidal; B = suspensão; C = solução
vez da massa. Responda aos itens utilizando os seus verdadeira.
conhecimentos. e) A = solução verdadeira; B = solução coloidal; C =
a) Como poderiam ser classificados esses dois mate- suspensão.
riais coloidais?
b) Por que eles são vendidos em volume e não em 14. (Mack-SP) O efeito Tyndall é observado quando:
massa? a) um eletrólito é adicionado a uma solução coloidal.
11. Quando se coloca óleo no vinagre, obtém-se uma b) uma corrente elétrica atravessa uma solução ou dis-
mistura heterogênea. No entanto, se misturarmos o persão coloidal.
óleo e o vinagre com as gemas de ovos, sob agitação c) um feixe luminoso atravessa uma solução coloidal.
constante, forma-se uma mistura de aspecto unifor- d) aquecemos um sol.
me: a maionese. e) aquecemos um gel.
a) Que tipo de material coloidal é a maionese?
15. (Esan-SP) Se o cloreto representado pela fórmula XCl
b) Explique por que o óleo se misturou com o vinagre
possui massa molecular 74,5, espera-se que o fluoreto
ao serem adicionadas as gemas de ovos.
XF apresente massa molecular:
12. Julgue os itens abaixo, marcando C para os corretos e Dados: F = 19; Cl = 35,5
E para os errados.
a) 29,0.
1) A característica que diferencia soluções verdadeiras
b) 37,5.
de dispersões coloidais e de suspensões é a dimen-
são das partículas. c) 44,0.
2) Em uma emulsão, a fase dispersa e dispersante são d) 58,0.
respectivamente líquida e sólida. e) 83,5.
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CAPÍTULO
2 CONCENTRAÇÃO E SUAS UNIDADES

A s reações químicas conduzidas em laboratórios geralmente ocorrem em soluções


aquosas. Dessa forma, um cálculo muito comum pelos químicos envolve rela-
ções quantitativas de soluções. A expressão dessas relações quantitativas é denomina-
1

2
da concentração.
3

Pense 4

O que você entende por concentração? 5

6
O termo concentração é polissêmico. Ele pode ser usado para se referir à prepara- 7
ção de jogadores para uma partida de futebol, para a manifestação popular, para o
grau de atenção de um estudante na prova etc. Em Química, ele assume significado se- 8
melhante à ideia que se tem da indicação da existência de muito ou pouca substância
em um material.
Por exemplo, nos referimos a sucos concentrados como aqueles que possuem uma
grande quantidade de extrato do suco por unidade de volume; os diluídos são aqueles
que estão misturados com mais água. As garrafas de suco concentrado devem conter
orientações sobre quantas partes de água devem ser acrescentadas para o preparo da
bebida. É claro que essa é apenas uma recomendação do fabricante, que se baseia no
gosto médio da população. Sempre há aquele que prefere o suco mais concentrado ou
mais diluído, ou seja, misturado com mais ou menos água. Assim também surgiram as
tradicionais expressões “café forte” ou “chá fraco”. A concentração pode ser percebi-
da, nesses casos, pela cor do material ou pelo sabor.
Hely Demutti

Copos contendo o mesmo


suco, todos com concen-
trações diferentes.

Pense
Qual dos copos apresenta uma maior concentração de suco?
Por que variando a concentração de soluções coloridas há variação na sua cor?

A variação da quantidade de soluto dissolvido em uma solução altera as suas proprie-


dades que podem ser perceptíveis pela cor ou sabor. Mas, em laboratórios de química,
não é possível a identificação da variação dessa propriedade sem medidas adequadas.
Para fazer seus cálculos, os químicos precisam saber com precisão a quantidade de cada
substância presente nos materiais. Assim, em química, a concentração refere-se às rela-
ções entre a quantidade de uma substância (usualmente denominada soluto) e o volume

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total do material (solução). A quantidade do soluto pode ser expressa em diferentes uni-
dades. Dessa forma, obtemos diferentes tipos de concentração:
• concentração em massa;
CLASSIFICAÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS

• concentração em volume;
• concentração em quantidade de matéria.
A seguir, vamos estudar as duas formas mais comuns de expressar a concentração.
Nessas expressões, utilizamos grandezas relativas ao soluto, ao solvente ou à solução. Para
facilitar, adotaremos como convenção os seguintes índices nas grandezas: 1 para o soluto
e 2 para o solvente. No caso de solução, não usaremos índice.

Concentração em massa
A maneira mais comum de se expressar a concentração de soluções é por meio da
massa do soluto (m1) e pelo volume da solução (V).
(V) Como a massa é normalmente
expressa em gramas e o volume, em litros, teremos como unidade de medida da con-
centração g/L. Dependendo da situação, outras unidades podem ser adotadas, como
mg/mL, g/100 mL, g/m3, mg/L etc.

A concentração em massa de uma solução (Cm/V) expressa a relação


entre massa do soluto (m1) e volume da solução (V).

A concentração em massa é expressa da seguinte forma:

msoluto ( g ) m1( g )
C m/ V = =
Vsolução (L ) V(L )

Vejamos um exemplo:
1. Qual será a concentração em massa de cloreto de sódio em um soro fisiológico que
possui 9 g desse sal dissolvido em 100 mL de água?

9 g NaCl 1000 mL 90 g NaCl


Cm/ V (NaCl) = ⋅ = = 90 g / L
100 mL 1 L solução L solução

Concentração em quantidade de matéria


As substâncias reagem em proporções definidas. Essas proporções podem ser expres-
sas pela grandeza “quantidade de matéria” e são denominadas proporções estequio-
métricas. Assim, um mol de ácido clorídrico (HCl) reage com um mol de hidróxido de
sódio (NaOH) para formar um mol de cloreto de sódio (NaCl) e um mol de água (H2O),
como indica a equação química abaixo:

HCl(aq) + NaOH(aq) ( NaCl(aq) + H2O(l)


Em virtude das relações estequiométricas e ao fato de a maioria das reações químicas
ocorrer em meio aquoso, é muito importante para o químico conhecer as concentrações

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CAPÍTULO
das substâncias em quantidade de matéria (Cn/V ). Essas são expressas em mol por litro
(mol/L) ou seus múltiplos.

A concentração em quantidade de matéria de uma solução (Cn/V) expressa a relação 1


entre a quantidade de matéria e o volume da solução.
2

Veja os exemplos a seguir: 3


2. Qual é a concentração da solução preparada pela dissolução de 1 mol de HCl em meio 4
litro de água?
5
A partir da definição de concentração em quantidade de matéria:
6
quantidade de matéria (mol
mol) n (mol
mol)
Cn/ V = =
volume (L ) V (L ) 7

8
Substituem-se os valores fornecidos, então se tem:

1 mol HCl
Cn/ V (HCl) = = 2 mol
mol / L
0 , 5 L solução

Muitas vezes, o valor disponível é a massa do soluto. Nesse caso, inicialmente


deve-se calcular a quantidade de matéria do soluto, para depois se fazer o
cálculo da concentração em quantidade de matéria. Vejamos um exemplo
nesse sentido.

3. Qual será a concentração em quantidade de matéria da solução preparada, dis-


solvendo-se 20 g de hidróxido de sódio em 2 L de água?
Dados: M(Na) = 23 g/mol, M(O) = 16 g/mol, M(H) = 1 g/mol.
Nesse caso, inicialmente deve-se calcular a quantidade de matéria (n) do soluto,
a partir da massa molar (M) do soluto: massa molar do NaOH:
M(Na) + M(O) + + M(H)
M(NaOH) = 23 g/mol + 16 g/mol + 1 g/mol = 40 g/mol

m (g ) 20 g NaOH
n (NaOH) = = = 0 , 5 mol
M ( g / mol) 40 g / mol NaOH

Finalmente, calcula-se a concentração em quantidade de matéria:

n (mol) 0 , 5 mol
C( n / V ) = = = 0 , 25 mol / L
V (L ) 2L

Observe que para o cálculo acima, a quantidade de matéria (n) é determi-


nada em função da massa do soluto (m1) fornecida e da sua massa molar (M).
Portanto, nesse caso a concentração em quantidade de matéria será calcula-
da pela fórmula:

massa ( g ) m1 ( g )
Cn/ V = =
massa molar ( g / mol) ⋅ volume (L ) M ( g / mol) ⋅ V (L )

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Calculando a concentração de
algumas soluções
CLASSIFICAÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS

De modo geral, as unidades de concentração mais utilizadas nos cálculos químicos


são: concentração em massa e concentração em quantidade de matéria. Vejamos alguns
exemplos de cálculos básicos de concentração de soluções.

Cálculo de concentração em quantidade de matéria


a partir da massa do soluto
1. As informações abaixo foram retiradas de uma bula de medicamento para reidratação oral:

Modo de usar:
dissolva o conteúdo do envelope em 500 mL de água.

Composição:
cada envelope contém
cloreto de potássio 75 mg
citrato de sódio di-idratado 145 mg
cloreto de sódio 175 mg
glicose 10 g

Calcule a concentração em quantidade de matéria de cloreto de potássio, na solução preparada segundo as instru-
ções da bula. Sabendo que, para dados de soluto em massa, a concentração em quantidade de matéria é definida por:

m1 ( g )
Cn/ V =
M ( g / mol) ⋅ Vsolução (L )

Inicialmente, calcula-se a massa molar do cloreto de potássio.


Dados: M(K) = 39,1 g/mol, M(Cl) = 35,5 g/mol
M(KCl) = 39,1 + 35,5 = 74,6 g/mol
75 mg ⋅ 1 g
M(KCl
Em seguida, calcula-se a quantidade de matéria e converte-se ) = para litro: = 0 , 075 g
o volume
1000 mg
75 mg ⋅ 1 g 500 mL ⋅ 1 L
M(KCl) = = 0 , 075 g V = = 0, 5 L
1000 mg 1000 mL

500 mL ⋅ 1 L
V = a concentração
Determina-se, agora, = em
0 , 5quantidade
L de matéria, substituindo-se os valores com as unidades
1000 mL
apropriadas:

m1 ( g ) 0 , 075 g
Cn/ V = = = 0 , 002 mol / L
M ( g / mol) ⋅ Vsolução (L ) 74 , 5 g / mol ⋅ 0 , 5 L

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CAPÍTULO
Cálculo de concentração em quantidade de matéria
a partir da concentração em massa
1
2. Determine a concentração em massa (g/L) de uma solução de NaOH com a concentração de 2,0 mol/L.
2
Dados: M(Na) = 23 g/mol; M(O) = 16 g/mol; M(H) = 1,0 g/mol.
Neste caso, deve-se converter a quantidade de matéria em massa, a partir da massa molar: 3
M(NaOH) = 23 g/mol + 16 g/mol + 1 g/mol = 40 g/mol 4
)
m (NaOH = n ⋅ M (NaOH
H = 2 mol
mol ⋅ 4
40
0 g/ mol = 8
mol 80
0g ) 5

Daí: m(NaOH) = n(NaOH) ⋅ M(NaOH) = 2 mol ⋅ 40 g/mol = 80 g 6


Substituindo-se os valores, temos: 7
m1 ( g ) 80 g
Cn/ V = = = 80 g / L 8
Vsolução (L ) 1L

3 COMPOSIÇÃO

N os materiais em geral são encontradas mais de duas substâncias. Nesse caso, mui-
tas vezes temos necessidade de conhecer a composição do material, ou seja, pre-
cisamos identificar todas as substâncias nele contidas e em que quantidades elas estão
presentes. Quando nos referimos à quantidade de apenas uma das substâncias presen-
tes no material, sem nos interessar pelas demais, chamamos essa quantidade de teor da
substância no material.
Hely Demutti

A concentração dos nutrientes de alimen-


tos sólidos geralmente é apresentada sob a
forma de título (m1/m).

Lembre-se de que solução refere-se, em geral, a um material em que se considera a


existência de apenas duas substâncias – o soluto e o solvente, embora sempre existirão,
além do soluto, outras impurezas. Portanto, o conceito de concentração refere-se a um
material homogêneo (solução) com duas substâncias. Já o teor se refere à relação quanti-
tativa de uma substância em um material constituído por mais de duas substâncias.
O teor das substâncias deve ser expresso corretamente e suas unidades identificadas.
Como o teor pode ser medido por diferentes unidades, a composição dos materiais po-
derá ser expressa conforme os teores de cada substância, de várias formas. Vejamos, a
seguir, alguns tipos.
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Teor em massa por massa (título — δ)
O título, muito utilizado pela indústria, expressa a concentração em massa do solu-
CLASSIFICAÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS

to, ou solutos, por massa da solução. A massa do soluto (m1) é normalmente expressa
em gramas ou miligramas, enquanto a massa da solução (m) é expressa em grama, qui-
lograma ou dag (100 g). Dessa forma, as unidades que comumente aparecem são: g/g,
mg/g, mg/kg. A expressão do teor em massa por massa (δ) ( será:

massa do soluto ( g ) m (g )
δ = = 1
massa da solução ( g ) m (g )
Hely Demutti

Se em um xampu específico existem 2,4 g de cloreto de sódio em cada 100 g de


xampu, além de poder expressar o teor de NaCl como 2,4 g/100 g de xampu, podemos
também representá-lo assim:

2, 4 g
δ (NaCl) =
NaCl = 24 g / kg
0 ,100 kg

Outra forma comum de apresentar o título é em percentual.


O teor de acidez do ácido
acético em vinagre é, Pense
geralmente, expresso em O que significa dizer que um determinado vinagre tem acidez igual a 4%?
percentual. Esse teor indica
a fração percentual em
massa. Assim, um vinagre É comum encontrar a concentração expressa dessa forma em embalagens de produtos
com 4% de acidez possui de limpeza, cosméticos, alimentos, medicamentos e outros. Ela indica a massa (m1, em
4 g de ácido acético em gramas) de determinada substância existente em 100 g do produto. Por ser em 100 g é
100 g de vinagre. que chamamos de porcentagem. Nesse caso, o teor é denominado fração percentual
em massa, que corresponde ao título multiplicado por 100%.

P(m)% = δ ⋅ 100%

Teor em partes por milhão (ppm)


Expressar uma concentração em mg/kg significa que para cada 1000000 mg de solu-
ut ti
D em

ção tem-se x mg do soluto, ou seja, x partes por milhão. Outras combinações de unida-
Hely

des, por exemplo, mg/L, mL/kg ou mL/kL, também representam essa proporção. Todas
elas podem ser representadas por ppm (partes por milhão).
Essa unidade é muito utilizada para expressar a concentração de contaminantes,
como chumbo, em água. Se na água há 25 ppm de chumbo, isso significa que haverá
25 g de chumbo em cada metro cúbico (1 m3 = 1000 L = 1000000 mL = 1000000 g).

Utilizados pelos químicos,


os espectrofotômetros
possibilitam a determina-
Fração por quantidade de matéria (φ)
ção de concentrações em
ppm e até em ppb (partes A fração por quantidade de matéria(φ) é pouco utilizada para soluções líquidas por-
por bilhão). que a quantidade de matéria do soluto normalmente é muito menor que a quantidade
de matéria total da solução. Mas ela é importante porque certas propriedades químicas
dependem diretamente dessa fração dos constituintes, que pode variar de zero a um.
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CAPÍTULO
quantidade de matéria da substância
a (m
mol
oll) n (m
mo
oll)
o
φ = = 1
quantidade de matéria total (mol
ol) nT (mol
mol)

1
Qual será a fração por quantidade de matéria do açúcar (sacarose — C12H22O11) quando
se dissolvem 171 g em 540 g de água, sabendo que a massa em quantidade de matéria 2
do açúcar é igual a 342 g/mol? Para facilitar, vamos calcular inicialmente a quantidade de
3
matéria dos dois constituintes da solução: o açúcar e a água.
4
m( açúcar ) 171 g
n( açúcar ) = = = 0 , 5 mol 5
M( açúcar ) 342 g / mol
6
m( água ) 540 g
n( água ) = = =3
30
0 mol 7
M( água ) 18 g / mol
8
E a fração por quantidade de matéria será então:

0 , 5 mol de açúcar
φ( açúcar ) = = 0 , 016
30 , 5 mol total

Note que a fração por quantidade de matéria não apresenta unidade porque, ao final,
teremos sempre mol/mol.
Qual será a fração por quantidade de matéria da água nessa solução?
Fazendo os cálculos, teremos:

30 mol de água
φ( água ) = = 0 , 984
30 , 5 mol total

Somando as frações por quantidades de matéria, teremos: φ( açúcar ) + φ( água ) = 1

A soma das frações por quantidades de matéria de todos os constituintes de uma so-
lução será sempre igual a um, independentemente do seu número de constituintes.
O mesmo cálculo pode ser feito para uma mistura de sólidos, líquidos ou gases.
Calculemos, por exemplo, a fração por quantidade de matéria do etanol (CH3CH2OH),
quando se misturam 500 g deste com 500 g de água:

m(etanol) 500 g
n(etanol) = = ≈ 10 , 87 mol
M(etanol) 46 g / mol

m( água ) 500 g
n( água ) = = ≈ 27 , 78 mol
M( água ) 18 g / mol

E a fração por quantidade de matéria do etanol será então:

10 , 87 mol de etanol
φ(etanol) = ≈ 0 , 2812
38 , 65 mol tottal

Consequentemente, a fração por quantidade de matéria da água na mistura será de


0,7188, o que corresponde à diferença 1 – 0,2812.

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Composição de produtos comerciais
Na comunidade científica, os químicos buscam padronizar suas unidades de medidas e
CLASSIFICAÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS

expressá-las corretamente. No caso de soluções, usa-se concentração em quantidade de ma-


téria. Na indústria, porém, nem sempre há uma padronização. Por esse motivo, frequente-
mente são encontrados nos rótulos dos produtos químicos teores com unidades diferentes das
estudadas aqui. Muitos desses teores não especificam claramente a relação a que se referem.
Um dos teores utilizados é a fração em volume, usualmente expressa
Fábio Motta/AE

em fração percentual. Essa fração é usada para líquidos e gases. Como


na mistura de líquidos o volume total nem sempre corresponde à soma
dos volumes das substâncias que o compõem, considera-se o total como
a soma de cada um dos volumes separadamente. Por exemplo, a mis-
tura de 50 mL de água com 50 mL de álcool produz uma solução com
volume final inferior a 100 mL, mas, para cálculo da fração em volume,
consideram-se 100 mL como a soma das duas substâncias.
Como as embalagens não têm especificação precisa das unidades,
muitas vezes ficamos confusos sobre a que se referem os valores. Por
Muitos postos de combus-
exemplo, quando na embalagem há informação de que determinado componente ativo
tíveis adulteram o teor de
álcool na gasolina, adicio- tem o teor de 0,50%, fica para nós a seguinte interrogação: esse percentual é relativo à
nando outros solventes. massa ou ao volume? Por essa razão, os químicos evitam empregar teores em percentual,
Inspeções periódicas para mesmo sendo usuais, para expressar a composição, em frascos de desinfetantes, água sa-
verificar se a composição nitária, álcool etc. Veja outros exemplos de teores comumente empregados.
dos combustíveis está com Nos frascos de água oxigenada, usada como antisséptico, o teor em fração percen-
seus teores corretos são fei- tual em volume de peróxido de hidrogênio (H2O2) é 3%, embora a embalagem indique
tas por químicos. água oxigenada 10 volumes. Esse teor diz respeito à quantidade de gás oxigênio produzi-
da pela decomposição do peróxido de hidrogênio. Assim, um frasco de um litro de água
Hely Demutti
oxigenada 10 volumes produzirá 10 litros de gás oxigênio nas CNTP (condições normais
de temperatura e pressão).
A concentração do álcool comercial é expressa em dois tipos de unidades: grau Gay-
Lussac (GL) e grau INPM. O grau GL refere-se à fração percentual em volume, e o INPM,
à fração percentual em massa. Assim, um álcool 96 graus GL é um álcool que contém,
em volume, etanol na fração percentual de 96%, ou seja, nesse material há a proporção
960 mL de etanol para cada 40 mL de água.

O álcool mais recomen-


dado para uso doméstico
Hely Demutti

como desinfetante é o
46 INPM. Esse álcool, com
No Brasil, a fração percen-
menor teor de etanol, não
tual em volume do etanol
queima tão facilmente
na gasolina é de aproxi-
como o álcool 92,8 INPM,
madamente 24%.
que possui maior teor
de etanol.
Os teores de determinados produtos pos-
suem uma significação diferente das usual-
Hely Demutti

mente adotadas. Um frasco de água oxige-


nada de 10 volumes é, assim, denominado
não porque tenha 10 volumes de peróxido de
hidrogênio, mas porque um litro desse frasco
produz 10 litros de gás oxigênio nas CNTP.

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CAPÍTULO
Exercícios FAÇA NO CADERNO. NÃO ESCREVA EM SEU LIVRO.

1. Conforme a quantidade de essência utilizada, os perfu- (diluente) – 95,7%; dióxido de silício coloidal (an-
mes podem ser classificados em: tiumectante) – 0,5%. 1
a) Calcule a massa de cada soluto.
Classificação
% da mL de essência por Composição do
b) Pesquise o significado das palavras: edulcorante, 2
essência litro de perfume solvente
diluente e antiumectante. 3
entre 15 950 mL de álcool etíli-
Perfume
e 30
entre 150 e 300
co e 50 mL de água 4. O rótulo de um álcool em gel apresenta a indicação
4
Loção entre 900 mL de álcool etíli-
de álcool etílico hidratado: 65° INPM. Nesse tipo de
entre 80 e 150 notação, o número indica a porcentagem do volume
perfumada 8 e 15 co e 100 mL de água 5
entre 800 mL de álcool etíli- de álcool. Isso significa que, para cada 100 mL desse
Água de toalete
4e8
entre 40 e 80
co e 200 mL de água produto, 65 mL são de álcool. Qual o volume de álcool 6

entre 700 mL de álcool etíli- em 1 L de álcool gel? Classifique o material. 7


Água-de-colônia entre 30 e 40
3e4 co e 300 mL de água
5. No rótulo de uma água mineral natural fluoretada, cons- 8
entre 700 mL de álcool etíli- ta sua composição química: 2,21 mg/L de NaF (fluo-
Deocolônia entre 10 e 30
1e3 co e 300 mL de água
reto de sódio). Será que essa água possui quantida-
Responda às questões a seguir. de suficiente de flúor para proteger a dentição das
a) Esta é a duração média do cheiro dos perfumes na crianças, sabendo que o teor recomendado de íons
pele: meia hora aproximadamente, 1 hora e meia, fluoreto na água mineral para o combate às cáries é
4 horas, 6 a 8 horas, 8 horas a dois dias. Corre- de 0,8 ppm?
lacione a duração com a classificação. Justifique. 6. Calcule a massa (em gramas) do soluto necessária para
b) Se colocarmos 0,6 g (δ = 0,9 g/mL) de essência o preparo das seguintes soluções:
em 800 mL de solvente, obteremos um perfume a) 2,0 L de NaCl(aq) 0,20 mol/L.
concentrado? Qual será a sua concentração em b) 500 mL de CaCl2(aq) 0,50 mol/L.
massa (g/L)? c) 250 mL de C6H12O6(aq) 0,315 mol/L.
2. As ditas “bebidas energéticas” são ricas em cafeína 7. O soro caseiro é um grande aliado no combate à desi-
e agem como poderosos estimulantes. Mas não dratação. Uma de suas receitas é: dissolver 1 colher de
possuem o poder de nos carregar de energia. An- chá de sal (NaCl), 2,5 g, e 8 colheres de chá de açúcar,
tes de consumir esse tipo de bebida, convém ler os (C12H22O11), 18 g, em um litro de água. Calcule a concen-
rótulos. Veja a composição de uma bebida ener- tração em quantidade de matéria de cada componente
gética qualquer: água gaseificada, sacarose, glico- dessa solução.
se, taurina (1 000 mg/250 mL), glucoronolactona
(60 mg/250 mL), cafeína (80 mg/250 mL), inositol 8. Sabendo-se que uma solução foi preparada pela dis-
(50 mg/250 mL), vitamina, ácido cítrico, caramelo solução de 0,50 mol de cloreto de sódio em 36 g de
e aromatizantes. Responda aos itens a seguir. água, calcule a fração por quantidade de matéria do
a) Calcule a concentração em massa (g/L) da cafeína, cloreto de sódio e da água.
da taurina, da glucoronolactona e do inositol. 9. Considerando que em 100 g de ar existem 75,4 g de
b) Será que podemos considerar a bebida energéti- nitrogênio (N2), 23,3 g de oxigênio (O2) e 1,3 g de ar-
ca como bebida isotônica (que visa a reidratar o gônio (Ar), calcule a fração por quantidade de matéria
corpo rapidamente)? Cuidado: bebidas isotônicas desses gases.
são recomendadas para pessoas que praticam ati-
10. (ITA-SP) Para preparar 500 mL de uma solução aquosa
vidade física intensa. Beber água com frequência
0,2 mol/L de NaOH, um indivíduo tem à sua disposição:
é o ideal.
Frasco I – solução aquosa de NaOH 5,0 mol/L à vontade;
c) Que pessoas não devem tomar esse tipo de bebida?
Frasco II – balão volumétrico de 500 mL e água desti-
Justifique.
lada à vontade.
3. Em um envelope de adoçante dietético de 1 g há, em O procedimento correto será:
massa, frações percentuais de: aspartame (edulco- a) colocar, no frasco II, 40,0 mL da solução do frasco I
rante artificial) – 3,8%; lactose alfamonoidratada e completar os 500 mL com água destilada.

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b) colocar, no frasco II, 20,0 mL da solução do frasco I 15. (Fuvest-SP) O limite máximo de “ingestão diária
e completar os 500 mL com água destilada. aceitável” (IDA) de ácido fosfórico, aditivo em ali-
c) colocar, no frasco II, 460 mL de água destilada e mentos, é de 5 mg/kg de peso corporal. Calcule o
CLASSIFICAÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS

completar os 500 mL com solução do frasco I. volume de refrigerante, contendo ácido fosfórico
d) colocar, no frasco II, 480 mL de água destilada e na concentração em massa de 0,6 g/L, que uma
completar os 500 mL com solução do frasco I. pessoa de 60 kg deve ingerir para atingir o limite
e) colocar, no frasco II, 460 mL de água destilada e máximo de IDA.
completar os 40,0 mL de solução do frasco I. 16. (Vunesp) Alguns produtos de limpeza doméstica
11. (UFPA) Uma solução contém 30 g de NaI, 48 g de consistem basicamente de solução aquosa de amô-
NaOH e 702 g de água. As frações por quantidade de nia. Para reagir completamente com a amônia pre-
matéria do NaI e do NaOH são, respectivamente: sente em 5,00 mililitros de amostra de um determi-
a) 0,5 e 0,3. nado produto de limpeza, foram necessários 31,20
mililitros de ácido clorídrico 1,00 mol/L. A reação
b) 0,005 e 0,03.
que ocorre é:
c) 5 e 5.
NH3(aq) + HCl(aq) ( NH4Cl(aq)
d) 0,05 e 0,3.
a) Calcule a concentração em quantidade de matéria
e) 0,005 e 0,3. de amônia na amostra.
12. (Fuvest-SP) Um analgésico em gotas deve ser ministrado b) Supondo a densidade da solução de amônia igual
na quantidade de 3 mg por quilograma de peso corpo- a 1 grama por mililitro, calcule a fração percentual
ral, não podendo exceder 200 mg por dose. Cada gota em massa de amônia presente na amostra.
contém 5 mg de analgésico. Quantas gotas deverão
17. (UFRJ) A sacarina, que tem massa
ser ministradas a um paciente de 80 kg? O
molecular 183 e fórmula estrutu-
C
13. (UFG-GO) A quantidade diária de cálcio recomendada ral conforme ilustração ao lado, é NH
a adultos é de 1,0 g. Um indivíduo, pela manhã, inge- utilizada em adoçantes artificiais.
SO2
re um copo de iogurte integral de 200 g, no almoço, Cada gota de um certo adoçan-
250 mL de leite, preparado a partir de leite em pó. Que te contém 4,575 mg de sacarina.
quantidade de leite integral deverá ser consumida à Foram adicionadas, a um recipiente contendo café
noite, para o indivíduo alcançar a dose diária de cálcio? com leite, 40 gotas desse adoçante, totalizando um
Dados: 400 g de leite em pó produzem 4 L de leite; volume de 200 mL.
teores médios de cálcio: 145 mg/100 g de iogurte in- a) Determine a concentração em quantidade de ma-
tegral; 120 mg/100 g de leite integral; 100 mg/100 g téria da sacarina nesse recipiente.
de leite em pó. b) Quantos mililitros de café com leite devem ser adi-
14. (UFMG) Uma dona de casa, em um supermercado, se cionados ao recipiente para que a concentração em
depara com as seguintes informações sobre detergen- massa da sacarina se reduza a 1/3 da concentração
tes à base de amoníaco: em massa inicial?

Conteúdo da Concentração de amo- Preço do


18. (PUC-MG-Adaptado) De acordo com o laboratório,
Detergente embalagem níaco em porcentagem produto o suco de laranja industrializado apresenta em 200
(mL) volume/volume (R$) mL do suco 80 mg de vitamina C, cuja massa molar
I 500 5 2,50 é igual a 176 g/mol. No suco de laranja, a concen-
II 500 10 4,00 tração, em quantidade de matéria (mol/L), de vita-
mina C, equivale em média a, aproximadamente:
III 1000 5 5,00
a) 2,2 ⋅ 10 –6.
IV 1000 10 9,00
b) 4,5 ⋅ 10 –4.
Considerando-se os dados do quadro, a alternativa c) 2,3 ⋅ 10 –3.
que indica o detergente que tem o menor preço por d) 4,5 ⋅ 10 –1.
quantidade de amoníaco em solução é: e) 2,2 ⋅ 10 –1.
a) I. c) III. 19. (Ufes) Em diabéticos, a ingestão de 80 g de açúcar
b) II. d) IV. comum (sacarose) eleva a quantidade de glicose no

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CAPÍTULO
sangue em 1,0 g de glicose para cada litro de sangue. A massa de nitrato de amônio, em quilogramas, que o
Considerando-se que a taxa de glicose no sangue agricultor deverá empregar para fertilizar sua cultura,
dos diabéticos, em condições normais, é de aproxi- de acordo com a recomendação do fabricante, é igual a:
madamente 1,4 g/L, a concentração, em quantidade a) 120. c) 180.
1
de matéria, de glicose (C6H12O6) no sangue de uma b) 150. d) 200.
pessoa diabética após o consumo de 100 g de açúcar 2
será de, aproximadamente: 22. (Fuvest-SP) Considere duas latas do mesmo refri-
gerante, uma na versão diet e outra na versão co- 3
a) 7,8 ⋅ 10 –3 mol/L.
mum. Ambas contêm o mesmo volume de líquido
b) 6,9 ⋅ 10 –3 mol/L. (300 mL) e têm a mesma massa quando vazias. A 4
c) 6,9 ⋅ 10 –2 mol/L. composição do refrigerante é a mesma em ambas, 5
d) 1,5 ⋅ 10 –2 mol/L. exceto por uma diferença: a versão comum contém
e) 1,5 ⋅ 10 –1 mol/L. certa quantidade de açúcar, enquanto a versão 6
20. (Uerj) Algumas soluções aquosas vendidas no comércio diet não contém açúcar (apenas massa desprezí-
7
com nomes especiais são mostradas a seguir: vel de um adoçante artificial). Pesando-se duas
latas fechadas do refrigerante, foram obtidos os 8
Nome do Fórmula do soluto Fração percentual seguintes resultados:
produto predominante em massa
Amostra Massa (g)
Soro fisiológico NaCl 0,9
Lata com refrigerante comum 331,2
Vinagre C2H4O2 5
Lata com refrigerante diet 316,2
Água sanitária NaClO 2
Por esses dados, pode-se concluir que a concentração
Água oxigenada H2O2 3 em massa, em g/L, de açúcar no refrigerante comum
é de, aproximadamente:
Considerando que a densidade das soluções é de 1,0 a) 0,020.
g/mL e que as soluções são formadas exclusivamen- b) 0,050.
te pelo soluto predominante e pela água, o produto c) 1,1.
que apresenta a maior concentração em quantidade d) 20.
de matéria, mol/L, é:
e) 50.
a) soro.
b) vinagre. 23. (Cesgranrio-RJ) Para se preparar 1,2 litro de solução
c) água sanitária. 0,4 mol/L de HCl, a partir do ácido concentrado (16
mol/L), o volume de água, em litros, a ser utilizado
d) água oxigenada.
será de:
21. (Uerj) Um fertilizante de larga utilização é o nitrato a) 0,03.
de amônio, de fórmula NH4NO3. Para uma determi- b) 0,47.
nada cultura, o fabricante recomenda a aplicação c) 0,74.
de 1 L de solução de nitrato de amônio de concen-
d) 1,03.
tração, em quantidade de matéria 0,5 mol ⋅ L–1 por
m2 de plantação. e) 1,17.
A figura a seguir indica as dimensões do terreno que 24. (UFRGS-RS) Um aditivo para radiadores de automó-
o agricultor utilizará para o plantio. veis é composto de uma solução aquosa de etileno-
glicol. Sabendo que em um frasco de 500 mL des-
60 m
sa solução existem cerca de 5 mol de etilenoglicol
(C2H6O2), a concentração em massa dessa solução,
J. Yuji

50 m
em g/L, é:
a) 0,010. d) 310.
b) 0,62. e) 620.
90 m c) 3,1.

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4 DILUIÇÃO DE SOLUÇÕES

E m suas atividades, o químico necessita preparar soluções com concentração conhe-


CLASSIFICAÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS

cida. Isso pode ser feito a partir da medida precisa da massa do soluto e do volume
da solução, conforme a técnica apresentada no experimento da página seguinte. Outro
procedimento seria diluir soluções de concentração conhecida.
O processo de diluição é muito usual no nosso cotidiano. Isso ocorre com materiais de
limpeza, medicamentos, tintas etc. O processo de diluição consiste no acréscimo de sol-
vente à solução. Ao fazermos isso, a quantidade do soluto permanece constante, mas a
concentração (razão entre quantidade de soluto e volume da solução) altera-se.
Assim, poderemos ter as seguintes relações, diferenciando-se a solução inicial da final,
utilizando, respectivamente, os índices i e f:

mi mf
Ci = e Cf =
Vi Vf

Como a quantidade de soluto não varia com a diluição, podemos, então, afirmar que
mi é igual a mf. Igualando as equações anteriores, teremos:

Ci ⋅ Vi
m1 = mf ( Ci ⋅ Vi = Cf ⋅ Vf ( C f =
Vf

O mesmo raciocínio pode ser empregado para soluções, cujas concentrações são ex-
pressas em quantidade de matéria por litro (mol/L). Nesse caso, igualando as quantidades
de matéria iniciais e finais, obteremos a equação:

mi ⋅ Vi
mf =
Vf

Esse raciocínio permite-nos fazer cálculos para preparar soluções a partir de soluções
concentradas por diluições.

Química na escola Vídeo

V Consulte as normas de segurança no


laboratório, na última página deste livro.
Como preparar uma solução
Uma atividade muito comum no laboratório de química é a preparação de solução. A técnica envolve a pesagem cuida-
dosa do soluto, a medida rigorosa de seu volume, a transferência correta do soluto e o acréscimo da quantidade exata do
solvente. O rigor exige materiais de laboratório bem calibrados, como balão volumétrico e balança. O presente experimento
deve ser feito no laboratório da escola. Na ausência dos materiais indicados, eles poderão ser substituídos por materiais
caseiros. Nesse caso, o experimento poderá ser desenvolvido em casa. Com ele, você vai aprender a técnica utilizada pelos
químicos na preparação de soluções.

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CAPÍTULO
Material
• água destilada (ou filtrada) 1
• béquer (ou copo de vidro)
• permanganato de potássio (KMnO4) – 1 envelope de 0,1 g 2

• 5 balões volumétricos (ou pipetas, ou seringas descartáveis) de 100 mL 3


• pipeta (ou seringa) de 10 mL
4
Procedimento 5

1. Dissolva completamente 0,1 grama de permanganato de potássio (KMnO4) em um béquer com água destilada. 6
2. Transfira, quantitativamente, para um balão de 100 mL. 7
3. Lave, por duas vezes, o béquer com um pouco de água destilada e transfira-a para o balão.
8
4. Adicione água ao balão até a marca do volume e homogeneíze.
5. Verta um pouco da solução para um béquer e retire, com auxílio de uma pipeta, 10 mL.
6. Adicione os 10 mL da solução a um balão de 100 mL contendo água até a metade de seu volume, homogeneíze e com-
plete o volume.
7. Repita o procedimento anterior, retirando 10 mL de cada solução e diluindo novamente para 100 mL, até obter uma
solução incolor.

Destino dos resíduos


1. Os resíduos desta prática podem ser descartados na pia, sob água corrente.

Análise de dados
1. A última solução (a que não apresentou cor) também possui soluto? Justifique sua resposta.
2. Calcule a concentração em massa (Cm /V) e em quantidade de matéria (Cn /V) para cada uma das soluções preparadas.
3. O fato de a solução ser incolor significa que ela não possui soluto?

1. Qual será a concentração final da solução obtida pela diluição de 5,0 mL de solução aquosa de NaOH 2,0 mol/L a qual
se adiciona água destilada até completar 50 mL.
Para facilitar a resolução dos problemas, é melhor trabalharmos com as unidades-padrão.
Nesse caso, utilizaremos os volumes em litro, a partir da expressão:

Ci ⋅ Vi
Cf =
Vf

2 mol / L ⋅ 0 , 005 L i
Substituindo os valores, temos: Cf = = 0 , 2 mol / L
0 , 050 L

ou então:
Cf = 0,2 mol/L

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2. Um técnico tem 500 mL de solução de um detergente de concentração 1,2 mol/L e precisa diluir sua concentração
a ¼ desse valor. Como esse técnico deve proceder?
A concentração final desejada pelo técnico é de 0,3 mol/L (¼ de 1,2). Precisamos conhecer então qual será o volume
CLASSIFICAÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS

final. Da relação de igualdade entre a quantidade de matéria das duas soluções, temos:

Ci ⋅ Vi
ni = nf → Ci ⋅ Vi = C f ⋅ Vf → Vf =
Cf

o que nos fornece o volume final:

Ci ⋅ Vi
ni = nf → Ci ⋅ Vi = C f ⋅ Vf → Vf =
Cf

Substituindo os valores, temos:

mol / L ⋅ 0 , 5 L
1, 2 mol
Vf = = 2, 0 L
0 , 3 mol
mol / L

Para obter dois litros de solução, partindo de meio litro, o técnico deverá adicionar 1 500 mL de água aos 500 mL
do detergente.

Diluições de produtos domésticos


Muitos produtos domésticos de uso cotidiano devem ser diluídos antes de ser
usados. Porém, cada produto que precisa ser diluído possui uma forma específica de
Na limpeza doméstica, diluição que, geralmente, vem expressa nos rótulos. Veja na página seguinte alguns
muitos produtos devem ser produtos de uso doméstico com suas aplicações e também as diferentes formas de
diluídos em água antes de diluição identificadas em seus rótulos.
ser utilizados. Para isso, Alguns rótulos de desinfetante sugerem que o produto seja diluído em água na pro-
devem-se usar medidores porção de 1 para 3, o que significa que para cada parte do produto devem-se acrescen-
para que a diluição ocorra
tar 3 partes de água.
na concentração correta.
Você segue as recomendações dos fabricantes dos produtos que
utiliza? Nem todas as pessoas o fazem, o que pode trazer desperdício
Hely Demutti

ou prejuízo à economia doméstica ou ao ambiente. Por exemplo, se


você dilui um produto de limpeza mais do que deveria, pode estar per-
dendo dinheiro. Em vez de fazer o seu produto “render mais”, como
muita gente pensa, a diluição excessiva impede sua eficácia.
Resultado: você gasta o produto sem atingir o objetivo desejado.
Entretanto, quando se usa uma quantidade superior à recomendada,
além de desperdiçar dinheiro, você estará agredindo a natureza, pois
o destino de todos os produtos de limpeza é o ralo, que os conduz
aos rios e mares. Então, quanto menos produtos químicos jogarmos
no ralo, melhor.

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CAPÍTULO
Exemplos de rótulos de produtos químicos de uso diário preparados na forma de soluções*
Fotos: Hely Demutti

2
Tipo do
produto: 3
sabão em pó.
Função: 4
lavar roupas.
Tipo do produto: 5
Unidade de medida
detergente em pó.
de dosagem: 6
copo americano (180 mL). Conforme a mar- Função:
ca da máquina, a quantidade pode variar. lavar louças. 7
Recomendações do fabricante: Unidade de medida de dosagem:
reservatório da máquina ou medida indicada pelo fabricante. 8
dissolver o produto na máquina antes de
colocar a roupa. Recomendações do fabricante:
Outras informações importantes: ——
em caso de roupas muito sujas, deixar Outras informações importantes:
de molho por 1 ou 2 horas. não deve ser utilizado para lavagem manual de louças.

Tipo do produto:
Tipo do produto: sais de banho.
amaciante de roupas. Tipo do produto: Função:
Função: amaciar e enxaguador bucal. relaxar e perfumar
perfumar as roupas. Função: o corpo.
Unidade de medida antisséptico bucal: é exterminador de Unidade de medida
de dosagem: micro--organismos (bactérias, de dosagem:
meio copo americano fungos e outros). 100 g na água de uma
(90 mL) para cada máquina de roupa. Unidade de medida de dosagem: banheira pequena.
Recomendações do fabricante: medida de uma tampa (15 mL), sem Recomendações
dissolver o produto na água de enxágue diluir em água. do fabricante:
das roupas. Recomendações do fabricante: ——
Outras informações importantes: não ingerir, pois pode causar danos Outras informações
não despejar diretamente em cima das rou- à flora intestinal (micro-organismos importantes:
pas; diluir em um pouco de água antes de benéficos que vivem no intestino para banho de chuveiro,
colocar na máquina. ao organismo). dissolva primeiro em água.
* Exemplos ilustrativos de alguns rótulos. Siga as instruções que estão nos rótulos dos produtos!

A observação do efeito do produto em relação à sua diluição será um bom indicador


para determinar na prática a melhor dosagem a ser utilizada. Para isso, é bom sempre
fazer diluições usando alguma medida. Dessa forma, você terá uma ideia de quanto de-
verá diluir da próxima vez. Siga as recomendações do fabricante e, tendo alguma dúvi-
da, entre em contato com ele.

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Exercícios FAÇA NO CADERNO. NÃO ESCREVA EM SEU LIVRO.

1. Um aluno resolveu preparar um litro de solução de 10. Qual será a concentração em quantidade de maté-
CLASSIFICAÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS

hidróxido de sódio, substância utilizada na fabri- ria da solução preparada, acrescentando 180 mL de
cação do sabão, com concentração de 50 g/L. Ele água a 250 mL de solução de HCl a 0,85 mol/L?
fez o seguinte: colocou 50 g de hidróxido de sódio
11. Qual a importância de observar as orientações dos
(NaOH) e dissolveu diretamente em um litro de água.
fabricantes em relação à diluição de produtos quími-
Responda:
cos (remédios, produtos de limpeza etc.)?
a) Que erro o aluno cometeu na preparação da
solução? 12. Uma marca de suco de caju traz a seguinte informação
b) A solução preparada tem concentração em massa no seu rótulo: para o preparo do refresco, dilua uma
igual, menor ou maior do que 50 g/L? parte do suco em nove partes de água. Que volume
desse suco, em mL, deve-se utilizar para o preparo
2. O que acontece com a quantidade de matéria total de
de 1,5 L de refresco?
soluto quando um volume pequeno de uma solução
é diluído em um volume maior? 13. No tratamento de pneumonia, pode ser utilizado um
3. Analise as seguintes soluções: a primeira foi obtida antibiótico que traz a seguinte informação: 80 mg de
dissolvendo-se 0,01 mol de soluto em água para amoxicilina, em gramas por mL. Que quantidade de
um volume final de 500 mL, enquanto a segunda amoxicilina, em gramas, irá ingerir uma pessoa que
solução tem um décimo de mol do mesmo soluto tenha de tomar 3 mL duas vezes ao dia, após 7 dias
por litro de solução. Qual das soluções é a mais de tratamento?
concentrada? Justifique. 14. (Unitau-SP) Deseja-se diluir um litro da solução de
4. Tendo-se 900 mL de uma solução 0,6 mol/L, que volume H2SO 4 com fração percentual de 80% e de densi-
de solvente deve-se adicionar para que se obtenha dade 2,21 g/cm3 até o volume de cinco litros. As
uma solução 0,2 mol/L? concentrações em quantidade de matéria do H2SO 4,
antes e depois da diluição, são, respectivamente,
5. Qual é a concentração em quantidade de matéria das em mol/litro:
soluções resultantes das diluições abaixo? a) 10,1 e 5,2.
a) 400 mL de HCl 12 mol/L + 200 mL de H2O b) 12,0 e 4,0.
b) 30,0 mL de ZnSO4 0,30 mol/L + 500 mL de H2O c) 4,0 e 11,3.
6. Em que volume devem ser diluídos 250 mL de uma so- d) 18,0 e 3,6.
lução de 40 g de H2SO4 para se obter uma solução e) 22,5 e 10,5.
0,10 mol/L?
15. (Uerj) Diluição é uma operação muito empregada
7. Dilui-se uma amostra de 20 mL de HNO3 16 mol/L para no nosso dia a dia, quando, por exemplo, prepara-
500 mL. Qual é a concentração em quantidade de mos um refresco a partir de um suco concentrado.
matéria final da solução? Considere 100 mL de determinado suco em que a
8. A água sanitária (hipoclorito de sódio) é muito utilizada concentração em quantidade de matéria do soluto
na limpeza doméstica. Que volume de água deve-se seja 0,4 mol ⋅ L–1.
adicionar a 400 mL de solução 10 mol/L de água sa- O volume de água, em mL, que deverá ser acres-
nitária para torná-la 0,5 mol/L? centado para que a concentração em quantidade de
matéria do soluto caia para 0,04 mol ⋅ L–1 será de:
9. Calcule a massa de água que deve ser acrescentada a) 1 000.
a 3,0 kg de uma solução de KOH(aq) com fração
b) 900.
percentual em massa de 40% para convertê-la
em uma solução com fração percentual em massa c) 500.
de 15%. d) 400.
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GLOSSÁRIO TABELAS SEGURANÇA
CAPÍTULO
ER
Soluções, coloides e agregados Exercícios de revisão 1

2
b Materiais são porções de matéria constituída por mais de uma substância.
3
b Materiais homogêneos são materiais que apresentam aspectos uniformes em toda a extensão.
4
b Materiais heterogêneos são materiais que não apresentam aspectos uniformes.
5
b Solução é um tipo de material homogêneo cuja uniformidade é constatada apenas em determina- 6
das proporções de suas substâncias constituintes (exemplo: água e sal).
7
b Mistura é um tipo de material homogêneo cuja uniformidade é constatada a qualquer proporção 8
das suas substâncias constituintes (exemplo: água e álcool).

b Coloide é um tipo de material heterogêneo cuja multiformidade é constatada apenas por meio de
instrumentos de alta resolução.

b Agregado é um tipo de material heterogêneo cuja multiformidade é constatada por meio de ins-
trumentos de baixa resolução.

b Emulsão é um tipo de material constituído por substâncias imiscíveis, estabilizadas por agentes
emulsificantes – substâncias cujas moléculas têm uma extremidade polar e outra apolar.

Concentração e suas unidades


b Solução é um material homogêneo em que, pelo menos, uma substância – soluto – está dissolvida
em outra substância, ou material, em maior quantidade, denominado solvente.

b A concentração em massa de uma solução (Cm/V ) expressa a relação entre massa do soluto e volu-
me da solução.

b A concentração em quantidade de matéria de uma solução (Cn/V ) expressa a relação entre a quan-
tidade de matéria e o volume da solução.

b O título, muito utilizado pela indústria, expressa a concentração em massa do soluto por massa
da solução.

b Teor em partes por milhão (ppm) expressa a concentração em miligrama de soluto por quilograma
de solução (mg/kg).

b A fração em quantidade de matéria expressa a quantidade de matéria do soluto por quantidade


de matéria total da solução.

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PROPRIEDADES DA ÁGUA
TRANSFORMAÇÕES E PROPRIEDADES DAS SUBSTÊNCIAS

E PROPRIEDADES COLIGATIVAS
Como a água e demais solventes dissolvem outras substâncias?
Como evitar a escassez de água no planeta?

Tema em foco
Tema
GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS
QS
&
S
Química e
Sociedade
Não é por acaso que a maioria das cidades nasceu às margens de rios. Com o tempo, o processo de urbanização
interferiu nos sistemas de infiltração e de escoamento das águas das chuvas. A recepção da água servida e a utiliza-
ção irracional que habitualmente se faz da água e do solo trouxeram sérias consequências a nossos recursos hídri-
cos: poluição, assoreamento e degradação de mananciais, rios, lagos e lençóis freáticos; deterioração de ambientes;
extinção de diferentes formas de vida.
É preciso que os impactos sobre o ambiente sejam considerados durante o planejamento e o desenvolvimento de gran-
des projetos que utilizem ou interfiram na água ou seus mananciais. As águas utilizadas em atividades humanas devem ser
devolvidas ao ambiente na mesma quantidade e em condições iguais ou melhores que as iniciais. Esse é um grande desafio.
Não basta ter água para consumo. É necessário que ela esteja em condições apropriadas para o uso que se pre-
tende. Água com qualidade inadequada favorece o desenvolvimento de diversas doenças, a diminuição da produção
de alimentos, a fome, e, consequentemente, o surgimento de crises sociais e políticas. De acordo com documentos
da ONU, “a crise da água já tem data prevista: 2025. Nesse período, haverá a globalização da deficiência que hoje
ocorre de maneira localizada”.
Wellington Macedo/AE

Fabio Colombini

Rio Acaraú, em Sobral (CE), 2009. Rio Capibaribe, em Recife (PE), 2006.

A maioria das cidades brasileiras, inclusive as capitais, é cortada por rios que foram responsáveis por sua fundação e muito contribuíram para o
seu desenvolvimento. Infelizmente, muitos deles se encontram em situação deplorável.

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CAPÍTULO
A água é um recurso renovável, mas também finito. Sua qualidade depende de condições ambientais que, por sua
vez, estão sujeitas a ações humanas. Muitos problemas relacionados a recursos hídricos têm surgido em consequência
da utilização impensada da água. No quadro a seguir estão identificadas diversas interferências das atividades huma-
nas nos recursos hídricos, muitas delas causando prejuízos irremediáveis aos ecossistemas e aos próprios cursos de
1
água. Esses efeitos decorrem principalmente da falta de um modelo de desenvolvimento ambientalmente controlado.
Os problemas da falta de água potável e límpida estão também relacionados à sua distribuição geográfica. Embora 2
o Brasil tenha uma das maiores reservas de água doce, sua distribuição não é regular. A região Norte do país contém
cerca de 80% das águas superficiais disponíveis. 3

4
ALGUMAS AÇÕES COM INTERFERÊNCIA NOS RECURSOS HÍDRICOS 5
Possível ação 6
Atividade Consequências diretas Consequências indiretas
inadequada
Indústria de materiais de Retirada de areia de Modificação da calha natural e Assoreamento e/ou erosão 7
construção, garimpo etc. margens e leitos de rios. do transporte de sedimentos. dos rios. 8
Contaminação de peixes e
Garimpo de ouro. Utilização de mercúrio. Contaminação da água.
populações ribeirinhas.
Acidificação da água dos
Mineração e usina de Emissão de enxofre para
Chuva ácida. rios, agressão a ambientes
carvão. a atmosfera.
e patrimônios urbanos.
Mudanças no regime hidrológico
Extração madeireira, Mudança na permeabilidade
Desflorestamento da bacia; assoreamento e/ou
pecuária e agricultura. do solo; erosão do solo.
erosão de rios.
Práticas agrícolas Perda de solo, carregado para Assoreamento e poluição
inadequadas. os rios. de rios.
Aplicação inadequada
Contaminação da água e/ou Rompimento dos equilíbrios
Agricultura. de agrotóxicos e
eutrofização. biológicos.
fertilizantes.
Captação excessiva de
Subida do lençol freático. Salinização do solo e da água.
água para irrigação.
Matadouros Carregamento de matéria
Criação de animais. Poluição da água.
inadequados. orgânica e lançamento nos rios.
Disposição de resíduos Aterros sanitários mal Infiltração de poluentes no Contaminação do lençol
sólidos. executados. solo. freático.
Ocupação das zonas Estrangulamento (constrição) das
Inundações.
marginais de rios. seções de escoamento dos rios.
Erosão de encostas e
Entupimento de sistemas
Ocupação de encostas. carregamento de lixo pelas
de drenagem; inundações.
chuvas.
Urbanização.
Pavimentação com
Impermeabilização do solo. Acentuação de enchentes.
asfalto.
Aumento da
Sobrecarga de sistemas de Degradação do corpo
concentração de dejetos
tratamento de água. de água receptor.
nas águas.
Fonte: Observatório das Águas. Água e Pacto Federativo, p. 15, mar. 2002.

Por outro lado, os demais 20% de água abastecem 95% da população nacional, sendo que essa distribuição tam-
bém não é proporcional. Enquanto nas regiões Sul e Sudeste casos de enchentes são comuns, o Nordeste convive
com longos períodos de seca.

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CONSUMO ANUAL PER CAPITA DE ÁGUA Além da distribuição geográfica dos recur-
EM ALGUNS PAÍSES sos hídricos, deve-se considerar também sua
distribuição social. Segundo dados de pes-
PROPRIEDADES DA ÁGUA E PROPRIEDADES COLIGATIVAS

País Consumo anual per capita


quisas, estima-se que uma pessoa precise de
Estados Unidos 1 870 m 3
pelo menos 50 litros de água por dia. Para vi-
ver confortavelmente, essa quantidade sobe
Egito 952 m3
para cerca de 200 litros diários. Nos Estados
Europa 626 m3 Unidos da América, no entanto, o consumo
Índia 612 m3
diário por habitante chega a 600 litros; já em
alguns países africanos pobres esse consumo
China 461 m3 não passa de 10 litros (veja tabela ao lado).
Brasil 245 m 3 Enfim, seja por motivos socioeconômicos ou
pela distribuição irregular da água no planeta,
África 202 m3 dos 200 países atualmente existentes, cerca
Fonte: MACEDO, J. A. B. Águas & águas. Juiz de Fora: Ortofarma, 2000. de 26 apresentam consumo inferior ao ideal.
À distribuição irregular soma-se a crescente diminuição da disponibilidade de água potável. O mar de Aral – um
lago de águas salgadas, localizado na Ásia Central, que faz fronteira entre os atuais países Cazaquistão e Uzbequistão –
perdeu um terço de seu volume depois que as águas dos rios que o abasteciam foram desviadas para irrigar plantações.
Como resultado, a vegetação ao redor do
lago foi drasticamente reduzida, diversas espé-
Nasa

1989 2008
cies animais que ali habitavam foram extintas,
e as pessoas que moravam nas suas margens
e viviam da pesca, atualmente, estão 50 quilô-
metros distantes do mar. Problema semelhan-
te ocorreu com vários rios – como o Colorado,
nos Estados Unidos, e o Yang-tsé, na China –
que tiveram o volume de suas águas diminuí-
do por desvio de afluentes.
Esses fatos têm provocado problemas mui-
tas vezes de ordem diplomática. A exploração
do rio Nilo pela Etiópia e pelo Egito poderá
gerar sérios conflitos diplomáticos entre esses
dois países. No Brasil, o represamento do rio
Paraná gerou conflitos entre nosso país e a
Argentina. Assim, é possível que venhamos a
ter guerras para conquista de água. Você acre-
dita nisso?
Imagem de satélite do mar de Aral, A verdade é que, para assegurar água para as futuras gerações e para a paz
permitindo perceber a diminuição de mundial, precisamos de uma gestão global desse recurso.
tamanho da área alagada.

Uma política para a água


Em todo o mundo existem problemas ambientais relacionados à distribuição e ao uso dos recursos hídricos.
Enquanto nos países desenvolvidos estes problemas estão ligados aos efeitos da industrialização e da ocupação ur-
bana, nos países em desenvolvimento, como o Brasil, eles se dividem em dois tipos: os relacionados ao processo de
industrialização e à urbanização e os ligados à degradação ou à exploração inadequada dos recursos hídricos nas
áreas rurais, ocasionando conflitos sociais e ambientais de grande relevância. Assim, manter água para todos implica
ter uma gestão ambiental voltada à conservação dos recursos naturais.
Mas a quem pertence toda a água do mundo? A todos ou a ninguém? Segundo a Constituição brasileira, o do-
mínio da água depende da sua localização geográfica. O rio São Francisco, por exemplo, é de domínio da União,

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porque banha mais de um Estado, enquanto o rio Paracatu, que possui todo seu curso no território de Minas Gerais,
é de domínio estadual. Quanto às águas subterrâneas, a lei definiu como de domínio dos Estados.
Evandro Rodney

O rio Paracatu, maior


A crescente necessidade de água, a limitação de recursos hídricos, os conflitos entre afluente do rio São Fran-
determinadas formas de utilização e os prejuízos causados também por excesso de água cisco, só corre em terras
exigem que tanto o planejamento como a gestão da utilização e do domínio da água mineiras.
se façam de forma refletida, integrando-se às políticas públicas de todas as regiões.
Logo, é fundamental haver uma política muito bem planejada para evitar que as necessidades mais imedia-
tas da população venham a ser prejudicadas por projetos de exploração de recursos hídricos aprovados pelo
Estado para atender aos interesses de grandes grupos financeiros e que muitas vezes provocam sérios proble-
mas ambientais.
A política da água não se restringe a decidir sobre quem cuida da água, mas também quem gerencia esse
recurso. Para isso, é necessário um controle dos assentamentos urbanos, do sistema de abastecimento público
e também ações que procurem minimizar os efeitos de secas e inundações.
No caso da seca, temos um exemplo de um problema que é mais político do que de natureza climática, pois ape-
sar da existência de diversas alternativas para abastecer as populações nos períodos de estiagem, faltam políticas que
viabilizem o encaminhamento dessas alternativas. A situação agrava-se em razão de problemas sociais, como eleva-
dos índices de mortalidade infantil, analfabetismo e população indigente. Essa população, desprovida de recursos
tecnológicos para enfrentar os problemas decorrentes da seca, sofre em dobro as consequências.
Assim, o uso de técnicas inadequadas, pastoreio excessivo, desmatamento, irrigação sem cautela vão perpe-
tuando o problema, em um sistema de políticas assistencialistas que não atacam diretamente a questão, man-
tendo na miséria grande parte da população. Isso significa que uma política responsável deve compatibilizar e
aperfeiçoar os múltiplos usos dos recursos naturais, desenvolvendo ações de recuperação dos ecossistemas já em
processo de degradação.
Tendo em vista o reconhecimento à necessidade de preservação e a gestão consciente dos recursos hídricos, foi
criado, em 1992, o Dia Mundial da Água (22 de março), para lembrar a importância desse recurso natural para a
existência da vida na Terra, e a Declaração dos Direitos da Água. Essa declaração prevê, entre outros princípios, que:
• a água é patrimônio da Terra e dela depende seu futuro.
• a água deve ser utilizada com racionalidade e moderação.
• a água não deve ser contaminada nem poluída.
• a água pode tornar-se escassa em diferentes regiões do planeta.
• a proteção da água é obrigação de todos.

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Dida Sampaio/AE

Flávio Bacellar/Olhar Imagem


PROPRIEDADES DA ÁGUA E PROPRIEDADES COLIGATIVAS

O rio São Francisco está agonizando, vítima de ações humanas


que retiram dele a sua subsistência, sem a preocupação de preser-
A cidade de Cariri (PB) é uma das que sofrem com as frequentes vá-lo. Será que você não está prejudicando algum rio, manancial
secas no Nordeste. ou lençol freático da mesma maneira?

Guilherme Gaensly/Instituto Moreira Salles


Noebu/Creative Commons

O rio Reno nasce na Suíça e deságua no mar do Norte banhando, as-


sim, vários países europeus. Era um dos mais poluídos da Europa. Em No início do século XX, ainda era possível ver a utilização do rio
1986, um grave acidente na multinacional suíça Sandoz contaminou o Tietê para o lazer: pescarias e regatas de clubes paulistanos eram
rio com 20 toneladas de um pesticida altamente tóxico. Esse fato cha- realizadas em suas águas. O Programa de Despoluição da Bacia do
mou a atenção da opinião pública e das autoridades, que investiram na Alto do Tietê, que engloba a região metropolitana de São Paulo, já
construção de estações de tratamento da água e de monitoramento ao começou a produzir alguns resultados: nos anos de 1990, a man-
longo do rio. Atualmente, cerca de 95% dos esgotos das empresas são cha de poluição se estendia por 250 km a partir da capital. Hoje,
tratados. Os resultados do programa e da despoluição do Reno são visí- já recuou cerca de 100 km e, em alguns trechos mais próximos a
veis. Das 64 espécies de peixes que ali habitavam, 63 delas já voltaram. São Paulo, os peixes reapareceram.

Esses princípios foram referendados na Conferência Ambiental do Rio de Janeiro, em 1992,


e estão presentes no capítulo 18 da Agenda 21. Todavia, só se tornarão realidade quando
pessoas como você se engajarem em ações que garantam água para as futuras gerações.

O uso sustentável da água


A água é um recurso fundamental para a vida. Por isso, sua escassez pode comprome-
ter seriamente todos os ciclos vitais e gerar conflitos sociais.
Em várias metrópoles brasileiras, bairros nobres consomem elevadas quantidades de água
em piscinas e jardins, e a população mais pobre sofre com o racionamento. Isso ilustra o

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problema do gerenciamento de recursos hídricos que, geralmente, privilegia grandes organi-
zações econômicas e grupos políticos em detrimento das necessidades básicas da população.
Nas residências, é comum haver grandes desperdícios de água, principalmente nos ba-
nheiros. Um dos problemas está no vazamento de água. Veja no quadro abaixo a quan-

Hely Demutti
1
tidade de água que se perde em vazamentos.
Mas o desperdício está muito relacionado também ao uso inadequado da água. Se na 2
sua casa é comum lavar calçadas com jatos de água, deixa-se a torneira constantemen-
te aberta em diferentes ações realizadas com água etc., vocês estão contribuindo para a 3
previsão da ONU de falta de água. Leve em conta ainda que para a água chegar até sua 4
casa ela foi captada, tratada, transportada e paga. Um elevado custo agregado a esse
benefício precioso que chega tão fácil em sua residência! 5

DESPERDÍCIO DE ÁGUA EM LITROS/DIA 6

Condições da torneira Média diária (litros/dia) Média mensal (litros/mês) 7

Gotejando 46 1 400 8
Abertura de 1 mm 2 068 62 600
Abertura de 2 mm 4 512 135400
Abertura de 6 mm 16400 492 000
Abertura de 9 mm 25 400 762 000
Abertura de 12 mm 33 964 1019520
Fonte: Secretaria do Meio Ambiente. Como proteger o meio ambiente gastando menos em sua escola. Disponível em: <www.ambiente.sp.gov.br/wp-content/uploads/cea/Escola_Completo.pdf>.
Acesso em: 2 maio 2013. Adaptado.

Atitude sustentável QS
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AMj Studio
Química e
Sociedade
Boas maneiras de economizar água S
b Um banho de chuveiro de 20 Simulador

minutos consome, em média, b Escovar os dentes com a torneira


120 litros de água. Se você aberta continuamente por 3 mi-
fechar a torneira enquanto nutos gasta cerca de 20 litros de
se ensaboa, a economia será água. Se você mantiver a torneira
muito grande. fechada durante a escovação, o
gasto cairá para cerca de 2 litros.
b A torneira aberta continua-
mente para lavar louça pode b A lavagem de calçadas e quintais
consumir mais de 240 litros de utilizando a mangueira como vas-
água. Abrindo e fechando du- soura pode consumir mais de 300
rante a lavagem, o gasto pode litros de água. Recomenda-se var-
cair para um terço dessa medi- rer a sujeira antes e lavar a calça-
da. Uma boa dica é ensaboar da com água reutilizada da lava-
tudo e depois enxaguar. gem de roupa ou da chuva.

b Uma descarga de vaso sanitário consome cerca de 10 litros de água. Para não aumentar o
consumo, recomenda-se manter a válvula sempre regulada e não jogar papéis no vaso, ou
substituir a descarga por vasos sanitários com bacias acopladas, que possuem dosagem
única de água para cada descarga de, aproximadamente, 5 litros.

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O desperdício de água pode ser revertido com
Hely Demutti

simples mudanças de hábitos, como as sugeridas no


quadro de atitude sustentável da página anterior.
PROPRIEDADES DA ÁGUA E PROPRIEDADES COLIGATIVAS

Além de economizar água, devemos lembrar


que todos os resíduos lançados no ralo vão parar
em algum rio ou lago, que deverá ter suas águas
tratadas. Todos os detergentes e xampus usa-
dos terão o mesmo destino. Daí a necessidade
de economizar também no uso desses produtos
que contaminam as águas.
A preservação da água no planeta implica
uma gestão responsável que, na busca por um
equilíbrio hídrico, possa garantir água para as fu-
Que atitudes devemos tomar para que no futuro haja água suficiente para turas gerações. Uma boa prática nesse sentido é
nosso consumo e lazer? a do reúso da água.

Reúso da água
Sabesp

A água de um rio hoje será a água de uma


chuva amanhã.
Assim como a natureza, a água tem um ciclo,
e nós também podemos utilizá-la mais vezes.
Depois de utilizada para banho, lavagem de
roupas, em processos industriais ou algum outro
fim, a água restante é denominada água ser-
vida. Essa água é muitas vezes descartada na
forma de esgoto. No entanto, ela pode ser utili-
zada novamente para a mesma função ou para
outra função diferente. Essa reutilização da água
é denominada reúso e a água reutilizada é de-
nominada água secundária.
De modo geral, a água pode ser reutilizada
várias vezes. Em muitos casos, é necessário que
seja tratada, conforme o uso que teve e o uso que
terá. Essa demanda é grande, principalmente nas
grandes cidades.
No Brasil, cerca de 70% do esgoto produzido
é coletado, sendo que apenas um quarto dele é
tratado. Os outros três quartos são despejados
em rios e lagos. Por isso é tão importante o reú-
so da água que possibilita diminuir a quantidade
de esgoto e, assim, diminui o impacto da ação
humana no ambiente e na sua biodiversidade.
Nesse sentido, novas tecnologias têm surgido
com o objetivo de diminuir o consumo de água
potável e, ao mesmo tempo, facilitar seu reúso.
ETE Barueri (SP), 2006 A crescente reutilização da água tem contribuí-
do para que a utilização de mananciais disponíveis
seja feita de forma mais racional, minimizando o
Depois de tratada, essa água pode ser reutilizada. consumo e a produção de esgotos (efluentes).

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CAPÍTULO
Ações planejadas para o reúso da água são classificadas em três grupos: reúso direto, indireto e reciclado.
O reúso direto é o mais comum e ocorre quando os efluentes tratados são encaminhados diretamente até o pon-
to em que vão ser novamente utilizados para outros fins. No reúso indireto, o efluente tratado é misturado a ou-
tros efluentes tratados para ser usado novamente antes de ir para o seu destino. Na reciclagem, a água é tratada
1
antes de sua descarga podendo, posteriormente, ser utilizada como fonte de abastecimento.
Diversos setores e indústrias investem em equipamentos para tentar suprir essa necessidade do reúso da água, 2
por diversas razões. Algumas formas de utilização são reúso em irrigação paisagística; irrigação de campos de cul-
tivos; usos industriais, como refrigeração, lavagem de gases, alimentação de caldeiras; no combate ao fogo; des- 3
cargas de vasos sanitários; sistemas de ar condicionado; lavagem de veículos; ruas e pontos de ônibus; controle 4
de poeira em construções e outros.
No Brasil, essa prática ainda é muito pouco difundida. Entretanto, para diminuir custos, alguns setores, como 5
indústrias, hotéis, empresas de lavagem de automóveis, condomínios residenciais e comerciais, entre outros, já 6
estão reutilizando parte da água consumida.
Algumas práticas, como a utilização de esgotos domésticos para a irrigação de hortaliças, forrageiras e jardins, 7
são até antigas. Entretanto, vale ressaltar que tal utilização – feita sem controle – pode trazer riscos à saúde, cau-
8
sando doenças por causa da contaminação de alimentos.
Esse exemplo alerta sobre a necessidade de regulamentação para que os mecanismos desenvolvidos estejam
em conformidade com condições técnicas, culturais e socioeconômicas.
Hely Demutti

Reutilizar a mesma água mais de uma vez


para a mesma ou para outras finalidades é uma
forma de evitar o desperdício. Acima, sistema
de reaproveitamento de água, com purificação
feita por Osmose Reversa.
Hely Demutti

A preocupação com o consumo e a qualidade


da água servida deve ser de todos. Esta é uma
estação de tratamento de água de um la-
va-rápido ecológico que, após a lavagem dos
veículos, trata a água utilizada para reutilizá-la.

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Debata
D ebata e entenda
PROPRIEDADES DA ÁGUA E PROPRIEDADES COLIGATIVAS

FAÇA NO CADERNO. NÃO ESCREVA EM SEU LIVRO.

1. Escreva uma lista de todos os problemas relacionados à degradação dos recursos hídricos apresentados
no texto.
2. Por que países ricos adotam uma política de tornar os países mais pobres seus produtores de grãos, carnes
e aves?
3. Liste atividades domésticas que desperdiçam água e proponha medidas que permitam diminuir ou mesmo
eliminar desperdícios nessas atividades.
4. Tomando como base a conta de água de sua residência ou de seu condomínio, calcule a média de con-
sumo de água per capita por dia. Consultando a tabela da página 98, com a população de que país se
equipara seu consumo?
5. Calcule a quantidade de água desperdiçada por mês em um vazamento, cujo fluxo é de uma gota por se-
gundo. Considere o volume de uma gota como sendo igual a 0,05 mL.
6. Cite uma maneira indireta de preservarmos os recursos hídricos, além da redução do consumo direto
de água.
7. Por que o problema da água é mais político do que geográfico?
8. Tomando como base todos os textos de temas em foco deste módulo, enumere medidas que deveriam ser
adotadas em uma política de gerenciamento dos recursos hídricos.
9. Proponha medidas para melhorar a gestão da água em sua escola.
10. Debata com seus colegas sobre a quem devem pertencer os recursos hídricos e como podemos ter con-
trole sobre o uso desses recursos pela iniciativa privada.
11. Cite exemplos de reutilização da água que poderiam ser adotados em sua residência.

Ação e cidadania
1. Identifique os mananciais que abastecem a sua residência e a sua escola, levante informações sobre a situação
ambiental desses mananciais e as medidas governamentais que têm sido adotadas para protegê-los.
2. Procure informações sobre o risco de sua comunidade passar por racionamento de água e liste as medidas que
precisam ser adotadas pela comunidade, pelo governo e pelos empresários para evitar tal racionamento.
3. Pesquise se existe tratamento de água potável e de esgoto em seu município e quais são os processos utiliza-
dos para o seu tratamento.
4. Pesquise se existe saneamento básico para toda a população de seu município.
5. Debata ações comunitárias e governamentais que deveriam ser adotadas para proteger as comunidades de seu
município que não dispõem de saneamento básico.

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CAPÍTULO
1 PROPRIEDADES DAS SUBSTÂNCIAS E
INTERAÇÕES ENTRE OS CONSTITUINTES 1

N este capítulo vamos estudar as propriedades da água. Antes, vejamos as propriedades


de algumas substâncias em relação às interações intermoleculares dos constituintes.
Conforme o grau de polarização das moléculas, tanto nos dipolos permanentes como
2

3
nos induzidos, a intensidade dessas interações entre as moléculas será maior ou menor. 4

Pense 5

A temperatura de ebulição de substâncias apolares será maior ou menor do que a de substâncias polares? Por quê? 6

7
A passagem do estado líquido para o gasoso – ebulição – depende do rompimen- 8
to das interações entre as moléculas, para que fiquem mais afastadas, em um estado de
agregação em que as interações de Van der Waals serão desprezíveis.
Obviamente, a quebra das interações de moléculas polares é mais difícil do que a de apo-
lares. Todavia, deve-se observar que esse não é o único fator que afeta a temperatura de ebu-
lição das substâncias. O tamanho e a massa das moléculas também são importantes para as
interações intermoleculares. Por exemplo, em temperatura ambiente, existem substâncias apo-
lares que são sólidas, como o iodo (I2, massa molecular igual a 253,8 u, em que u é a unidade
de massa atômica – grandeza usada pelos químicos para determinar a massa dos átomos e
das moléculas), enquanto outras se apresentam líquidas, como o bromo (Br2, massa molecular
igual a 159,8 u), e outras, gasosas, como o cloro (Cl2, massa molecular igual a 71 u).

Pense
Sabemos que o oxigênio (O2), massa molecular 32 u, e o dióxido de carbono (CO2), massa molecular 44 u, apresentam-
-se como gases em temperatura ambiente, enquanto a água (H2O), massa molecular 18 u, se apresenta no estado líquido.
Como você poderia explicar essa diferença pelas forças intermoleculares?

Isso pode ser explicado pelo fato de a água ser formada por moléculas polares, enquan-
to o gás oxigênio e o dióxido de carbono são formados por moléculas apolares. Nesse caso,
observa-se que o efeito da polarização acentuada das ligações de hidrogênio é muito maior
do que o efeito provocado pela massa molecular. Vejamos ainda outra grande diferença do
efeito da ligação de hidrogênio. O clorofórmio (CHCl3), massa molecular 119,5 u, é forma-
do por moléculas polares, estando no estado líquido em temperatura ambiente, mas apre-
senta temperatura de ebulição igual a 61 °C, menor do que a da água (100 °C). Veja que,
apesar de as moléculas da água terem massa menor (18 u) e serem menores (possuem três
átomos) do que as do clorofórmio, as interações entre essas moléculas de água são muito
mais fortes do que as interações de dipolo-dipolo permanente das moléculas de clorofórmio.

Pense
Em que estado físico se apresentaria a água a 25 °C se ela fosse constituída por moléculas lineares? Justifique a resposta.

Considerando, portanto, as influências das interações acima descritas, podemos fazer


algumas previsões sobre as propriedades dos grupos de substâncias inorgânicas e orgânicas

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estudadas neste capítulo. As bases de Arrhenius, os sais e os óxidos iônicos são consti-
tuídos por íons, logo se apresentam no estado sólido e, em geral, são solúveis em água.
Dependendo do tamanho dos íons constituintes e de seu retículo cristalino, algumas des-
PROPRIEDADES DA ÁGUA E PROPRIEDADES COLIGATIVAS

sas substâncias são pouco solúveis em água.


Os ácidos de Arrhenius são substâncias moleculares e, portanto, encontram-se no es-
tado gasoso ou líquido, pois as interações entre moléculas são mais fracas do que entre
íons. Os ácidos são constituídos por átomos de hidrogênio ligados a átomos dos grupos
16 ou 17, portanto, suas moléculas são polares. Como consequência, os ácidos são mui-
to solúveis em água. Por isso, a maioria dos ácidos é normalmente utilizada na forma de
solução aquosa.
Os óxidos não metálicos são substâncias moleculares pouco polares e, portanto, em
geral se apresentam no estado gasoso.
As substâncias orgânicas são moleculares, logo os que possuem pequenas cadeias car-
bônicas se apresentam no estado líquido e gasoso. Os com cadeias mais longas, como as
gorduras e os polímeros, se apresentam como sólidos.
As cadeias carbônicas das substâncias orgânicas são constituídas principalmente por átomos
de carbono e hidrogênio, cuja diferença de eletronegatividade é muito pequena, e o somatório
A conformação espa- dos dipolos entre os átomos ligantes a cada carbono se anula. Logo, em geral, as substâncias
cial do DNA é mantida orgânicas apresentam partes das moléculas apolares, o que as torna pouco solúveis em água.
graças às interações mo-
leculares. Durante o pro-
cesso de formação das cé-
lulas germinativas, o DNA
Ligação de hidrogênio e propriedades
é duplicado. Para isso, é
necessário que as liga- das substâncias
ções de hidrogênio sejam
quebradas, possibilitando A presença de ligações de hidrogênio confere algumas mudanças interessantes às pro-
a passagem das caracte- priedades das substâncias. Por exemplo, a maioria das substâncias apresenta maior grau
rísticas hereditárias. de compactação no estado sólido: portanto, seus sólidos são mais densos que os líquidos.
As ligações de hidrogênio ocorrem entre mui-
J. Yuji

tas substâncias orgânicas, conferindo diferentes



O P O
propriedades a elas, como solubilidade em água

O P O CH O e temperaturas de fusão e ebulição mais elevadas.
O H2N N
3 CH As proteínas que compõem o nosso organismo
O são constituídas por sequências de aminoácidos, li-
NH N N
O gados covalentemente. Esses aminoácidos têm gru-
CH2 O N N
O CH2 pos hidroxilas ( K OH ) e aminos ( K NH2 ) capazes
O de formar fortes redes de ligações intermoleculares.
Outro exemplo é o DNA, cuja forma de dupla hélice
O –
O P O é mantida graças às ligações de

O P O hidrogênio entre os grupos
O
NH2 O N hidroxilas ( K OH ) e aminos
O CH
( K NH2 ) das bases nitroge-
N NH N
CH2 O
nadas que compõem o có-
N N CH2 digo genético. As ligações
O O H 2N
20Å de hidrogênio nessas molé-
O culas são responsáveis por
Cadeias de
O –
O P O desoxirribose-
importantes propriedades
-fosfato que essas substâncias apre-

O P O
sentam no metabolismo de
nosso organismo.
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CAPÍTULO
2 PROPRIEDADES DA ÁGUA

A Terra é um planeta vivo! Ou seja, um sistema complexo e dinâmico de orga-


nismos vivos. Esses, por sua vez, são dependentes da água, sendo constituí-
dos por quantidades desse líquido, que em algumas espécies variam de 75% a 85%
1

2
em massa. Daí podermos afirmar que não existe vida sem água. Pelo menos a vida
como conhecemos. 3
São as características da água que lhe dão o papel central nos processos rela- 4
cionados à vida. Propriedades características como sua capacidade de dissolver a
maioria das substâncias químicas, suas temperaturas de fusão e ebulição, sua ab- 5
sorção de radiação infravermelha solar, entre outras, têm papel fundamental na re- 6
gulação do clima global. Sua capacidade de receber e armazenar energia permite
distribuir a energia incidente sobre a superfície terrestre, diminuindo variações de 7
temperatura entre os dias e as noites, favorecendo o desenvolvimento de diferen-
8
tes formas de vida.
Os vegetais armazenam energia por meio da fotossíntese, processo no qual as
plantas processam água e sais minerais, retirados do solo pelas raízes, utilizando a
luz solar e o dióxido de carbono (CO2), capturado da atmosfera pelas folhas. Esse
processo é capaz de transformar energia solar em energia química, na forma de car-
boidratos, fonte de alimentação de inúmeros seres vivos. Sem contar que também
é capaz de liberar para a atmosfera o precioso gás oxigênio (O2).
Nós, como seres vivos e parte do ambiente, também necessitamos muito da água.
De forma indireta, ela ajuda na manutenção das condições que precisamos para viver.
De forma direta, ela faz parte de nosso corpo, constituindo cerca de 80% de nossa
massa. Ela é importantíssima em diversos processos de nosso corpo, auxiliando na
digestão (saliva e suco gástrico), na manutenção da temperatura corporal (suor), no
transporte de nutrientes e gases até as células (sangue). Sua importância é tanta que,
ao consumirmos pouca água, podemos ter problemas de saúde; como cálculos renais,
que causam dores fortíssimas.
Entre as características peculiares da água está o fato de ela ser a única substân-
cia encontrada naturalmente nos três estados de agregação: sólido, líquido e gaso-
so. E suas moléculas têm estruturas simples: dois átomos de hidrogênio ligados a um
átomo de oxigênio.
A forma angular da mo-
A água no estado líquido apresenta moléculas que estão fortemente ligadas entre si.
lécula de água, com
Isso ocorre em razão das fortes interações entre elas em função das ligações de hidro- ângulo de 104º40’, con-
gênio. Assim, considera-se que nessa situação as moléculas de água não têm existência fere à substância uma
isolada. Elas encontram-se formando uma estrutura em rede tridimensional na qual as série de propriedades
moléculas interagem fortemente com as moléculas vizinhas. características.
Nas moléculas de água, os átomos de oxigênio possuem qua- Forma angular da mólecula de água
J. Yuji

tro pares de elétrons distribuídos uniformemente ao redor de seu


núcleo que, de acordo com a teoria da repulsão dos pares de elé-
trons, formam ângulos (par de elétrons – núcleo – par de elétrons)
de 109º. Os dois pares de elétrons do oxigênio que não participam O
das ligações químicas ficam mais próximos do núcleo, repelindo os
dois pares que estão ligados aos átomos de hidrogênio; com isso,
há uma retração no ângulo entre as ligações H K O K H , que
H 104°40’ H
passa a ser de 104º40’. Por isso, a molécula de água tem geome-
tria angular (veja a ilustração), que é responsável pela formação de
ligações de hidrogênio entre suas moléculas.

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A Ciência na História
PROPRIEDADES DA ÁGUA E PROPRIEDADES COLIGATIVAS

A     


Global Arts Collection

A água vem sendo estudada desde a Antiguidade. Aristóteles


[384 a.C.-322 a.C.], filósofo grego, acreditava que ela não poderia
ser decomposta, pois era um dos “elementos” básicos da natureza. Essa ideia
prevaleceu até o século XVIII. Joseph Priestley [1733-1804], químico e fí-
sico inglês, contestou Aristóteles, mas não conseguiu comprovar sua teoria.
Foi o químico francês Antoine-Laurent Lavoisier [1743-1794] quem con-
seguiu derrubar a hipótese de Aristóteles, demonstrando que a água pode
ser decomposta nos gases hidrogênio e oxigênio. John Dalton [1766-1844],
cientista inglês, considerava que a água teria a fórmula HO, mas essa ideia
não era aceita pelo cientista francês Louis-Joseph Gay-Lussac [1778-1850].
Em 1811, o químico italiano Amedeo Avogadro [1776-1856] introduziu
Alexander von Humboldt, o conceito de molécula e demonstrou que a fórmula da água é H2O, permi-
amigo do químico brasileiro
José Bonifácio, obteve dados
tindo a conciliação entre os dados de Dalton e os de Gay-Lussac. As ideias de
que levaram os químicos a re- Avogadro não foram muito divulgadas e ficaram esquecidas por meio século,
conhecer a fórmula química da até que o químico Stanislao Cannizzaro [1826-1910], seu compatriota, con-
água como H2O.
vencesse a comunidade científica sobre o valor de suas ideias.
Com base nos dados experimentais de Gay-Lussac e do cientista prussiano Alexander von Humboldt
[1769-1859], finalmente os químicos reconheceram que a água é formada por moléculas contendo dois
átomos de hidrogênio e um de oxigênio, podendo ser representada pela fórmula H2O.

Moléculas de água formam redes A diferença de eletronegatividade entre átomos de


oxigênio (3,44) e átomos de hidrogênio (2,20) gera des-
J. Yuji

locamento de cargas nas ligações, ocasionando dipolos


elétricos. Por causa da geometria angular, os dipolos da
molécula não se anulam, conferindo-lhe polaridade. Essa
característica permite a ocorrência de ligações de hidrogê-
nio entre as moléculas de água: interações intermolecula-
res entre átomos de hidrogênio e átomos de oxigênio de
moléculas vizinhas. Essas interações são relativamente for-
tes e responsáveis por muitas das propriedades da água.
Uma das propriedades características da água é sua ele-
vada temperatura de fusão em relação a outras substâncias
(NH3, H2S e CH4) que possuem valores de massa molar simi-
lares à da água, mas que são gases à temperatura ambiente.
Essa diferença se deve basicamente às ligações de hidrogênio.
As moléculas de água formam redes, nas quais os átomos de As ligações de hidrogênio também são responsáveis por
oxigênio (vermelhos) ligam-se a átomos de hidrogênio (brancos) outra propriedade curiosa da água: a flutuação dos icebergs
de outras moléculas por meio de ligações de hidrogênio nos mares, devido à menor densidade do gelo em relação à
(linhas azuis descontínuas). água líquida (veja tabela na página seguinte). Propriedade essa

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que não se verifica na maioria das substâncias, pois os sólidos geralmente
DENSIDADE DA ÁGUA
são mais densos que os líquidos. Um bom exemplo é o caso do etanol, cuja
densidade no estado líquido é igual a 0,79 g/cm3 e, no sólido, 0,815 g/cm3. Temperatura Valor
Observar um sistema contendo uma mesma substância nas fases sólida e 0 °C (gelo) 0,9168 g/cm3 1
líquida não é comum porque poucas substâncias possuem valores de tempe- 3
4 °C 1,00000 g/cm
ratura de fusão próximos à temperatura ambiente. Uma dessas substâncias 2
é o benzeno, cuja temperatura de fusão é igual a 5,5 ºC. Outra é a água. 20 °C 0,99707 g/cm3
3

Pense 4

Em cada um dos recipientes ao 5

Hely Demutti
lado, temos uma mesma substância
6
nas formas sólida e líquida. Qual re-
cipiente contém água e qual contém 7
benzeno? Justifique sua resposta.
8

O gelo flutuando na água é explicado, no nível molecular, pela

Nruboc/Dreamstime
interação entre as moléculas dessa substância. No gelo, as molécu-
las da água estão mais próximas e essa proximidade faz com que
as ligações de hidrogênio se organizem de forma direcional num
arranjo hexagonal bem definido. Dessa forma, os átomos de oxigê-
nio interagem com quatro átomos de hidrogênio: dois por ligações
covalentes e dois por ligações de hidrogênio (ver figura).
Essas ligações conferem ao gelo uma estrutura cristalina muito
bem organizada e com grandes espaços vazios no seu interior. Como
resultado, o sólido é menos denso que o líquido. Quando o gelo se
funde, parte das ligações de hidrogênio é desfeita, rompendo a or-
ganização da estrutura e permitindo que as moléculas se aproximem
umas das outras. Consequentemente, por apresentar uma compac-
tação maior, o gelo é menos denso do que a água líquida.
A flutuação do iceberg
é explicada pelo fato de as
Ligações de hidrogênio na água
ligações de hidrogênio da
J. Yuji

Gelo água propiciarem a forma-


Água no estado líquido ção de uma estrutura cris-
talina no gelo menos com-
pacta do que a da água na
fase líquida.

Na água em estado sólido,


as ligações de hidrogênio
provocam arranjo crista-
Oxigênio Ligação covalente lino que leva as moléculas a
Hidrogênio Ligação de hidrogênio ocupar espaço maior do que
ocupam no estado líquido.

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As ligações de hidrogênio são também
Ka_ru /Dreamstime

responsáveis por outra propriedade funda-


mental da água que também favorece as
PROPRIEDADES DA ÁGUA E PROPRIEDADES COLIGATIVAS

condições para a vida em nosso planeta: o


elevado calor específico. O calor específico
da água líquida é 4,184 J/g ⋅ °C. Ou seja,
para elevarmos a temperatura de um gra-
ma de água em um grau Celsius (de 14,5 °C
a 15,5 °C) é necessária uma quantidade de
energia igual a 4,184 joules.
Esse valor é elevado se comparado à quan-
tidade de energia necessária para aquecer ou-
tras substâncias nessas mesmas condições. Tal
fato também se deve às ligações de hidrogê-
nio, as quais originam imensas cadeias.
Nos mares e rios de re- A tabela abaixo apresenta valores de capacidade calorífica de algumas substâncias.
giões frias, o gelo sobre
a água forma uma cama-
da isolante térmica (pois
CALOR ESPECÍFICO DE ALGUMAS SUBSTÂNCIAS E MATERIAIS
o calor específico do gelo
é menor que o da água)
Substância/material Capacidade calorífica
que permite melhores con-
dições para a vida. Por isso Ar 1,01 J/g ⋅ ºC
o gelo é usado pelos es-
quimós para a construção Cobre 0,38 J/g ⋅ ºC
de iglus.
Vidro 0,78 J/g ⋅ ºC
Aço 0,51 J/g ⋅ ºC
Sílica 0,74 J/g ⋅ ºC
Alumínio 0,90 J/g ⋅ ºC
Água (s) 2,03 J/g ⋅ ºC
Água (l) 4,18 J/g ⋅ ºC
Água (g) 2,01 J/g ⋅ ºC

A vida na Terra é extremamente favorecida pela alta capacidade calorífica da


água, porque esse elevado valor permite que ela absorva grandes quantidades de
energia, ocasionando pequenas variações de temperatura. Além disso, qualquer
quantidade de água requer, para evaporar, 500 vezes mais energia do que a neces-
sária para aumentar em 1 °C sua temperatura. Para congelar certa quantidade de
água, é necessário retirar 80 vezes mais energia do que a retirada para diminuir 1 °C
dessa mesma quantidade de água. Isso evita que a Terra tenha variações muito brus-
cas de temperatura, tornando pequenas as variações de temperatura entre os dias
e as noites. A água existente na superfície e na atmosfera absorve grande quanti-
dade de calor durante o dia e a devolve para o ambiente à noite, reduzindo a varia-
ção da temperatura. Em Marte, planeta onde as condições atuais de baixa pressão
atmosférica dificultam a existência de grandes reservatórios de água na sua super-
fície, durante o dia a temperatura pode chegar a 22 °C e, à noite, cair para 63 °C.
Situação semelhante ocorre nos desertos.

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CAPÍTULO
A grande quantidade de água na

Rcaucino/Dreamstime
superfície de nosso planeta contribui
também para o fluxo da energia tér-
mica absorvida da radiação solar. Isso
1
ocorre pela movimentação de corren-
tes marítimas e pelo processo de eva- 2
poração e condensação. A evaporação
de grandes quantidades de água nas 3
regiões tropicais esfria o ambiente ao 4
consumir energia. Já nas regiões pola-
res, o processo de condensação libera 5
energia, aquecendo o ambiente. Assim,
6
cerca de 20% da energia solar absor-
vida nos trópicos é transportada pelos 7
vapores de água às regiões mais frias.
A coloração da água está relacionada às ligações de hidrogênio e às suas vibrações. 8
Por ter pouca quanti-
Estudos demonstram que, quando dois átomos estão ligados, aproximam-se e afastam-se dade de água, os desertos
constantemente. Esse movimento é denominado vibração de estiramento. apresentam temperaturas
que podem ultrapassar
50 °C durante o dia e, à
J. Yuji

noite, apresentam tem-


peraturas próximas de
0 °C. Por isso, nesses lo-
Nas vibrações de estiramento, os cais, o calor é escaldante
átomos ligados aproximam-se e afas- durante o dia, e o frio, à
tam-se, diminuindo e aumentando o noite, rigoroso.
comprimento das ligações.

Nas moléculas, existe também o movimento dos átomos que causa variação
dos ângulos formados pelas ligações. Esse movimento permanente é denominado
vibração de dobramento.
J. Yuji

Nas vibrações de dobramento, as


ligações vibram num sentido que faz
com que os átomos de hidrogênio se
aproximem e se afastem uns dos outros.

As vibrações de estiramento e de dobramento são chamadas vibrações mole-


culares. As vibrações moleculares da água ocorrem em frequências compreendidas
na região das micro-ondas (região entre 10 8 e 1011 hertz). Quando uma molécula de
água vibra, ela afeta as moléculas vizinhas às quais está unida por ligações de hi-
drogênio. Essa alteração vibracional ocorre com a absorção de energia. No caso da
água, não ocorre absorção da luz na frequência correspondente à região do azul,
sendo ela, portanto, refletida. A mesma tonalidade azulada é muitas vezes vista nas
formações de gelo.

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Em parte, são as vibrações moleculares da água que tornaram a larga
aplicação na cozinha dos fornos de micro-ondas. Esse forno foi patentea-
do em 1953 e, a partir da década de 1970, ganhou grande popularidade.
PROPRIEDADES DA ÁGUA E PROPRIEDADES COLIGATIVAS

Hoje, está presente em muitas residências e estabelecimentos comerciais.


Diferentemente dos fornos elétricos ou a gás, o forno de mi-
cro-ondas não fornece calor: ele gera radiações com frequência de
2,45 ⋅ 109 hertz. No forno, essas radiações são direcionadas ao comparti-
Hely Demutti

mento onde ficam os alimentos, e elas atuam nas moléculas de água pre-
O forno de micro-ondas não sentes nos alimentos. As moléculas absorvem as radiações e, com isso, aumentam a
transmite calor ao alimento. vibração de suas ligações, causando aquecimento. Como as micro-ondas atuam ba-
sicamente em moléculas de água, alimentos ou recipientes que não contenham água
não são aquecidos. Por causa da capacidade de penetração dessa ra-
diação, alimentos são cozidos por inteiro, e não a partir da superfície,
Hely Demutti

como nos fornos a calor.


As ligações de hidrogênio têm tempo variável de existência. E esse
tempo acaba determinando a viscosidade do material. Chamamos
de viscosidade de um líquido a resistência que ele oferece ao
movimento de suas partes. Assim, um líquido muito viscoso não
escoa facilmente, e um líquido pouco viscoso escoa com mais fa-
cilidade. Na água, a duração da ligação de hidrogênio é muito pe-
quena – aproximadamente 10 –9 segundos –, caracterizando um lí-
quido pouco viscoso.
É a viscosidade da água
que permite a formação
de gotas.
3 ÁGUA E SOLUBILIDADE DOS MATERIAIS

A água é conhecida como solvente universal por ser capaz de dissolver uma grande
diversidade de substâncias ou materiais, além de estar presente, mesmo que em
pequena quantidade, na maioria dos materiais. Ela é o solvente mais abundante em nosso
planeta, sendo sua quantidade estimada em aproximadamente 1,5 ⋅ 1021 litros.
Os mares e oceanos são bons exemplos do grande poder de dissolução da água.
Acumuladores de materiais dissolvidos pelos rios nos continentes, eles formam uma imensa
solução que possui cerca de 35 gramas de sólidos dissolvidos por litro (veja tabela abaixo).
Nesse sólido, encontramos átomos de mais de 64 elementos químicos diferentes. Muitos
dos materiais dissolvidos são importantes fontes de matéria-prima, apesar de poucos se-
rem explorados comercialmente.

QUANTIDADE MÉDIA DAS SUBSTÂNCIAS MAIS ABUNDANTES NOS MARES


Substância Fórmula Massa por litro de água
Cloreto de sódio NaCl 27,500 g
Cloreto de magnésio MgCl2 6,750 g
Sulfato de magnésio MgSO4 5,625 g
Sulfato de cálcio CaSO4 1,800 g
Cloreto de potássio KCl 0,750 g
Carbonato de cálcio CaCO3 0,111 g
Brometo de potássio KBr 0,103 g
o
Fonte: CRUZ, M. N.; MARTINS, I. P. Química Hoje! 9 ano. Porto: Porto Editora, 1995.

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A substância extraída em maior abundância da água do mar é

Hely Demutti
o cloreto de sódio (NaCl): em torno de 27 gramas por litro. Para
extrair essa mesma massa de outras substâncias, precisamos de
quantidades bem maiores de água. Em cada quilômetro cúbico
1
(1 km3 = 1012 L) de água do mar, podemos ter cerca de 11,3 to-
neladas de zinco; 3,4 toneladas de cobre e estanho; 240 gramas 2
de prata e 430 gramas de ouro.
A facilidade com que a água dissolve diferentes tipos de subs- 3
tância deve-se à sua geometria e à distribuição de cargas de suas 4
moléculas. A polarização de cargas nas moléculas da água permite
a separação de íons, fortemente unidos por atração eletrostática. 5
Quando dissolvidos, os íons são envolvidos por moléculas de água
6
num processo denominado solvatação.. Dessa forma, os íons po-
dem ser transportados pela água, favorecendo a ocorrência de di- 7
versos processos químicos, físicos e biológicos.
8
Magicinfot/Dreamstime

Enquanto a proporção sa- Na água do mar há uma


lina nos mares é de 35 g/L, grande quantidade de
no Mar Morto é de 350 substâncias, tais como:
g/L a 370 g/L. Suas águas cloretos de sódio, de mag-
são consideradas terapêu- nésio, de potássio e de ru-
ticas pelo fato de ter um bídio; sulfatos de magné-
grande concentrado de sio; metafosfato de cálcio;
21 minerais, sendo que sílica; bicarbonatos e ou-
12 deles não são encon- tras substâncias, em me-
trados em outros lugares. nor quantidade.

Solubilização dos materiais


Você já tentou adoçar um suco, mas se deparou com a situação de o açúcar se depo-
sitar no fundo do copo e não se dissolver mais, apesar da agitação contínua?
A dissolução de um soluto em um líquido depende das possíveis interações entre
os constituintes das duas substâncias. Dependendo também dessas interações, o solu-
to poderá se dissolver em maior ou menor proporção. Denominamos essa propriedade
específica de solubilidade ou coeficiente de solubilidade.
Solubilidade é a quantidade máxima de uma substância que pode ser dissolvida em
uma determinada quantidade de solvente, produzindo uma solução estável e sem forma-
ção de precipitado (parte do sólido depositado no fundo do recipiente). Normalmente, a
solubilidade é expressa em massa do soluto por 100 gramas de água.
Quando se dissolve a quantidade máxima do soluto no solvente, obtém-se uma solu-
ção saturada. Quando em uma solução houver menos soluto do que o solvente é capaz
de dissolver, a solução será denominada solução insaturada. Ou seja, em uma solução
insaturada ainda é possível dissolver mais soluto, sem a formação de precipitado.
Em determinadas situações, é possível que a quantidade de soluto dissolvida seja maior
do que a solubilidade permite. Nesse caso, teremos uma solução supersaturada. Esse tipo
de solução não é estável, e uma simples perturbação pode transformá-la em um material
heterogêneo, pela precipitação do excesso de soluto.

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J. Yuji

J. Yuji
solução solução solução saturada solução saturada solução solução saturada
insaturada saturada com precipitado de KNO3 a 30 °C supersaturada de de KNO3 a 20 °C
PROPRIEDADES DA ÁGUA E PROPRIEDADES COLIGATIVAS

KNO3 a 20 °C com precipitado

resfriamento perturbação
do sistema

100 g de H2O 100 g de H2O 100 g de H2O 100 g de H2O 100 g de H2O 100 g de H2O
45 g de KNO3 45,8 g de KNO3 47 g de KNO3 45,8 g de K