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Na época em que a fisiologia tentava provar que os movimentos do corpo

eram provenientes de uma organização sincronizada de músculos, articulações e ossos,


o filósofo grego Sócrates não encontrou explicações para determinados comportamentos
diante destas descobertas.
Aristóteles referiu-se a “qualidades” (razão, vontade, apetite, percepção dos
sentidos, etc.) como sendo causas dos comportamentos de uma forma geral.
Passados séculos, na Idade Média, as causas do comportamento foram dadas
a eventos como posicionamento dos astros, movimentos dos mares ou até atribuições
divinas.
O filósofo e matemático Descartes rompeu, parcialmente, com a visão
metafísica do comportamento. De acordo com ele, existem duas substâncias:
“(...) mente e matéria, substância pensante e a extensa (...) Descartes
foi, na realidade, um completo mecanicista em referência a todo o
mundo material. Acreditava que todas as ações do corpo humano – os
movimentos dos músculos e tendões, as atividades da respiração,
mesmo os processos da sensação – podem ser explicadas de acordo
com os princípios mecânicos. Foi Descartes, de fato, que introduziu o
conceito de ação reflexa, tão largamente usado desde então nas
explanações mecanicistas dos processos corporais. Todavia,
Descartes se absteve de considerar os seres humanos como meros
autômatos; acreditava que em cada pessoa havia uma alma provida
de razão, uma substância pensante, que tinha o poder de dirigir e
alterar o rumo mecânico dos acontecimentos.” (Heidbreder, 1981,
pág. 40-41)
Com Watson, no começo do século XX, o objeto da psicologia científica
tornou-se o próprio comportamento e suas interações com o ambiente. Enquanto o
método utilizado é o mesmo de qualquer ciência: observação e experimentação.
No ano de 1898, Thorndike obteve alguns resultados nos seus experimentos
sobre o comportamento “voluntário”. Suas pesquisas realizadas com gatos – com
histórias semelhantes, sendo observado em vários animais fatores como espécie,
desempenho nos experimentos - consistiam no estudo do comportamento de fuga de um

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ambiente fechado e através de ações, tais como, puxar um cordão, mover um trinco,
pressionar uma barra, etc. Seu objetivo era estudar a aprendizagem animal.
Para isso, utilizou uma caixa quebra- cabeças, na qual gatos privados de
alimento eram colocados, de forma que, se conseguissem sair através de uma das ações
citadas acima, receberiam um pouco de alimento.
Nesses experimentos, Thorndike observou que o animal, à princípio, ao ser
colocado na caixa apresentava respostas difusas de debater-se. Isso poderia ocasionar o
acionamento do mecanismo de fuga, permitindo a saída do animal. À medida que, o
animal fosse submetido repetidas vezes à essa situação, suas respostas mal- sucedidas
sofriam grande redução.
Thorndike, através disso, criou a “lei do efeito”, que seria a importância que
os comportamentos bem- sucedidos no passado teriam de modificar os padrões do
comportamento do animal. Essa lei baseia-se no princípio adaptativo que caracteriza o
processo de aprendizagem (Millenson, 1975).
Outra contribuição para a psicologia é encontrada nos estudos do fisiólogo
russo Ivan Pavlov com cães.
Ele, atentando para atividade digestiva desses animais, percebeu que
alimentos ou ácidos diluídos provocavam nos mesmos salivação – esta já era um reflexo
conhecido na época. Além disso, Pavlov notou que não era necessário o contato da
comida com a boca do animal para eliciar-lhe a salivação: o cão começava a salivar
diante da visão da comida ou da pessoa que o alimentava sempre.
A partir disso, Pavlov criou a hipótese de que a resposta de salivação que
ocorria antes do contato da comida com a boca do animal era resultado de experiências
semelhantes vivenciadas por cada indivíduo (Galvão, 1998, Funções de estímulos I).
Através do método experimental, Pavlov testou sua hipótese ao emparelhar
um estímulo neutro (som) com um estímulo incondicionado (comida). Isolou, então, um
cão numa sala, onde o contato com o experimentador foi reduzido ao mínimo,
controlando as variáveis estranhas para evitar interferências nos resultados.
Colocou, pois, o cão, sucessivas vezes, exposto ao emparelhamento dos dois
estímulos (som e comida) em intervalos fixos, por vários dias. Ao final desses,
apresentou o som (antes um estímulo neutro) ao animal sem associá-lo à comida, e
percebeu a salivação do sujeito.

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Pavlov chamou o som de estímulo condicionado, que é um estímulo neutro
que passa a eliciar a resposta reflexa do estímulo primário associado a ele repetidas
vezes. (Galvão, 1998, Funções de estímulos I)
Com Watson, a Psicologia é definida como ciência do comportamento. A
partir disso, excluiu- se desse ramo da psicologia (chamado Behaviorismo) o conceito
de mente. “Se a psicologia dever algum dia tornar-se uma ciência, precisará seguir o
exemplo das ciências naturais: tornar-se materialista, mecanicista, determinista e
objetiva. Pressupor o mental é abrir caminho para o místico (...).” (Heidbreder, Edna,
1981, pág.208)
Essa concepção favoreceu a aplicação dos métodos experimentais e o ponto
de vista da psicologia animal à humana.
O comportamentalismo watsoniano interessava-se exclusivamente pelo
comportamento (humano e não- humano) observável, com o objetivo muito prático de
prevê-lo e controlá-lo de maneira eficaz.
De acordo com a Psicologia comportamental, existem dois tipos de
comportamentos: reflexo incondicionado, primário ou respondente e condicionado ou
secundário.
O primeiro trata-se de reações imediatas (respostas incondicionadas) do
organismo diante de um estímulo (incondicionado), não havendo necessidade de uma
aprendizagem (condicionamento) por parte deste organismo. São exemplo de reflexo
incondicionado contração da pupila diante de uma luminosidade abrupta.
Já o segundo é também chamado de estímulo condicionado por necessitar de
uma associação com um estímulo primário para eliciar uma reação (resposta
condicionada). Exemplo: o experimento de Pavlov com os cães.
Em contraposição ao método de pesquisa behaviorista, Skinner sustentou
uma ciência do comportamento descritiva ou funcional, ou seja, poderia limitar-se a
descobertas de relações entre variáveis mensuráveis, com estudos sistemáticos.
(Millenson, 1975)
Nos seus experimentos, Skinner utilizou o rato branco e uma aparelhagem
que era constituída por uma caixa que continha uma pequena barra; esta, ao ser
pressionada pelo sujeito experimental, liberava uma porção de alimento.

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Esse animal, que estava privado de alimentação, ao entrar na caixa,
pressionava a barra com uma taxa constante até a sua saciação. Skinner criou um
registrador que desenhava um gráfico das respostas do rato de pressão à barra de forma
acumulada em função do tempo.
Com isso, nota-se a preocupação de Skinner com obtenção de uma variável
e dados experimentais exatos, criando também um vocabulário preciso em que os
termos foram definidos devido às suas observações medidas e manipuladas.
A partir de suas pesquisas, Skinner propôs a ampliação da proposição de
Pavlov: segundo aquele, o comportamento reflexo ou respondente dizia respeito a uma
parte muito pequena das ações de homens e animais, cujo repertório comportamental é
composto, na sua quase totalidade, de ações que ele denominou de operantes.
Esses, por sua vez, têm como principal característica “operar no ambiente”,
ou seja, “a freqüência dessas ações seria determinada pelas conseqüências que elas
produziam no ambiente, e os estímulos antecedentes apenas marcavam a ocasião em
que essas ações (resposta), se emitidas pelo sujeito, seriam reforçadas. Aos eventos
ambientais conseqüentes que aumentavam a freqüência das ações, Skinner chamou de
estímulos reforçadores, ou simplesmente reforços.” (Galvão, 1998, Funções de
estímulos II)
O que Skinner chamou de estímulos reforçadores ou reforços são
fundamentais para a aquisição, manutenção e fortalecimento do comportamento
operante, pois se o sujeito emitir uma resposta numa determinada situação e obtiver um
reforço para esta resposta, a probabilidade desta vir a ocorrer no futuro, numa situação
similar, é maior. Quando, porém, esse reforço é retirado, a resposta tende a diminuir sua
freqüência. Exemplo: Fred prefere pedir dinheiro ao seu pai, pois sabe que será
reforçado, diferentemente do que se pedisse a sua mãe, que passou a não ceder às
respostas de Fred, enfraquecendo-as.
Baseado nos trabalhos de Skinner, o presente relatório trata de experimentos
realizados com o objetivo de demonstrar na prática a Teoria do Reforço; sendo
perceptível que através destes, foi possível manipular o comportamento do sujeito
experimental de acordo com conceitos como “Condicionamento Operante”,
“Reforçamento Diferencial”, “Encadeamento de Respostas” e “Discriminação de
Estímulos”.

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MÉTODO

SUJEITO: nas sessões experimentais, utilizou-se um sujeito da raça Rattus Norvegicus,


de linhagem Wistar, do sexo masculino, com aproximadamente quatro meses de vida e
experimentalmente ingênuo. O animal permanecia privado de água por 24 horas antes
de iniciar qualquer sessão experimental e o alimento estava sempre disponível na gaiola
viveiro. Ficava alojado no Biotério de ratos do Laboratório de Psicologia Experimental
(descrições e diagramas no Anexo I).

EQUIPAMENTO E MATERIAL: os experimentadores dispuseram de um


equipamento composto por uma Caixa de Skinner ou Caixa de Condicionamento
Operante, um controlador do bebedouro e um contador. E materiais como folhas de
registro, lápis, cronômetro e prancheta. (Ver Anexo I sobre a descrição dos
equipamentos).

AMBIENTE EXPERIMENTAL: Os experimentos foram realizados no Laboratório


de Condicionamento Operante, que consiste numa sala mediana, de formato retangular,
com aproximadamente 7 x 3m. O ambiente possui duas portas laterais, quatro janelas,
além de três mesas grandes com vários equipamentos disponíveis sobre estas; uma
bancada azulejada com uma pia e um tanque, e bancos para os experimentadores. A
iluminação e temperatura são artificiais, sendo a temperatura constante, produzida por
um aparelho condicionador de ar. (Anexo I – Descrição e Diagrama do Laboratório)
Nessa sala, alunos, de ambos os sexos e com idades entre 20 e 30 anos,
constantemente realizavam experimentos ou preparavam relatórios nos computadores.
Essa situação nem sempre propiciava o silêncio necessário para a não- interferência nos
experimentos.

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PROCEDIMENTO GERAL

Antes do início dos exercícios experimentais, os experimentadores lavavam


as mãos com sabão, enxugavam-nas e passavam álcool. O sujeito era retirado da gaiola
viveiro para que fosse pesado. O sujeito experimental, privado de água por
aproximadamente 23 horas, era retirado do Biotério em sua gaiola viveiro devidamente
tampada e forrada para evitar a queda de detritos e transportado para Laboratório de
Condicionamento Operante.
No laboratório, verificava-se o funcionamento da Câmara experimental,
colocando nesta a bandeja de detritos. O sujeito era, pois, transferido da gaiola viveiro
para a Câmara experimental, iniciando assim os exercícios.
Ao terminar a sessão, o sujeito era levado de volta ao Biotério, onde a água
ficava disponível por dez minutos. Após esse tempo, o sujeito retornava à privação.
Enquanto isso, um dos experimentadores fazia a higienização da câmara
experimental, limpando-a com um algodão umidecido com álcool e retirando a bandeja
de detritos.

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NÍVEL OPERANTE

Objetivo

Verificar a freqüência da resposta de pressão à barra em condições normais,


ou seja, na ausência de um estímulo reforçador programado.

Procedimento Específico

Com a Câmara Experimental desligada e com o sujeito dentro desta, um dos


experimentadores zerou o contador, enquanto o outro lançava, minuto a minuto, na
folha de registro o número de respostas de pressão à barra, bem como, as outras
respostas emitidas pelo sujeito.
O registro das respostas de pressão à barra era feito de maneira não
cumulativa, ou seja, o contador era zerado a cada minuto, quando era iniciada uma nova
contagem destas respostas. Para facilitar as anotações dos demais comportamentos
emitidos pelo sujeito, foi utilizado um sistema de siglas (ver Anexo II).
Estipulou-se o final da sessão aos trinta minutos.

Resultados e Discussão

Como se pode notar através do gráfico (Fig. 1 – Anexo III), a resposta mais
emitida pelo sujeito foi a de ‘farejar’ (134). ‘Erguer-se’ vem em segundo (56).
Posteriormente, vem ‘andar’ (40) seguido da resposta ‘ficar parado’ (36). No geral, a
resposta de pressão à barra (RPB) apresentou uma boa freqüência (22), sendo quinta
resposta mais emitida pelo sujeito entre as nove totais.
A resposta ‘coçar’ foi a de menor freqüência, o sujeito a emitiu apenas uma
vez.
Diante disso, percebe-se uma grande variabilidade comportamental, em que
a RPB, mesmo em nível operante, se faz significativamente presente.

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TREINO DE BEBEDOURO

Objetivo

Associar o som do bebedouro com o ato de beber água, eliminando certos


efeitos emocionais que este ruído (clic) poderia provocar no sujeito, fazendo este, pois,
aproximar-se do bebedouro ao ouvi-lo.

Procedimento Específico

Antes de começar o exercício de Treino de Bebedouro, o experimentador 1


averiguou o funcionamento da câmara experimental.
A cuba d’água foi enchida pelo experimentador 2 e colocada em seu devido
lugar. Um dos experimentadores pressionou a chave de controle para baixo (posição
M), de modo que o pescador mergulhasse o suficiente trazendo a gota d’água em sua
concha. O experimentador verificou isso passando o dedo nessa.
Posteriormente, a chave de controle foi novamente acionada, desta vez a
gota d’água ficou no bebedouro para que o sujeito a encontrasse em sua primeira
exploração à câmara experimental.
A lâmpada da caixa foi mantida desligada e o contador foi zerado.
O sujeito foi colocado na câmara experimental. Deu-se início à sessão.
Um dos experimentadores manipulava a caixa de controle e o outro fazia
anotações minuto a minuto na folha de registro. Era lançado na mesma o momento em
que era acionado o bebedouro e o instante em que o sujeito encontrava a gota d’água.
Inicialmente, o acionamento do bebedouro foi feito desta maneira: o experimentador
não esperava que o sujeito se afastasse do bebedouro para liberar outro reforço.
Após as primeiras 10 tentativas reforçadas, mudou-se o critério de
acionamento: o bebedouro era acionado quando o sujeito afastava-se até metade da
caixa.
Na 12º tentativa reforçada já no segundo critério, modificou-se
novamente a condição de liberação do reforço: o animal tinha que afastar-se
completamente do bebedouro para que este fosse acionado.

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Esse terceiro critério foi adotado durante a sessão, pois antes desta ser
iniciada, seriam utilizados apenas os dois primeiros citados acima.
Foi encerrada a sessão após o sujeito ter apresentado um TR (tempo de
reação) satisfatório (de 1 a 3 segundos).

Resultado e Discussão

Após a sessão ter sido iniciada, o sujeito encontrou a gota deixada pelas
experimentadoras na câmara experimental aos 22 segundos.
Nesse momento, o bebedouro foi acionado, sendo esta primeira tentativa.
Nela, o sujeito apresentou um Tempo de Reação (TR) de 17 s. Na 5º tentativa, o TR do
sujeito era de 2 s; e, na 10º de 1s. Nessa última, o critério foi modificado.
Ocorrido esse fato, o TR do sujeito aumentou: 6 s na 11º tentativa, 4 s na
12º, 12 s na 13º e 8 s na 14º. Na 15º tentativa, o TR do sujeito era de 5 s; já na 20º, o
sujeito apresentava um TR de 2 s.
Na 24º tentativa, após o critério ter sido novamente alterado, o TR do
sujeito voltou a subir para 4 s. E na 25º, o TR do sujeito estava em 2 s.
Dentre as 32 tentativas totais do exercício, nas cinco últimas, o TR do
sujeito foi de 1s.
Como é possível perceber através dos dados fornecidos pela Figura 1 do
Anexo II, os TR’s maiores foram da 1º (17 s) e da 13º (12 s). Sendo os menores, os
TR’s da 2º, 4º, da 6º a 10º, a 19º, 21º, 23º, da 28ºa 32º tentativas (1 s).
É interessante notar que ao haver mudança de critério, o sujeito
apresentava um TR alto, vindo a estabilizá-lo, aproximadamente, na quinta tentativa
após a modificação.
De acordo com os dados e com o que pudemos observar durante este
exercício, o sujeito conseguiu cumprir a meta do mesmo: associar o som do bebedouro
(clic) ao estímulo reforçador (água).
Durante o exercício, o sujeito pressionou a barra duas vezes: na 14º
tentativa, aos 4 minutos e 46 segundos de sessão; e na 25º, aos 8 minutos e 44 segundos.

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MODELAGEM

Objetivo

Instalar no repertório do sujeito a resposta de pressão à barra através do


encadeamento, até que este obtenha reforço sem a intervenção dos experimentadores.

Procedimento Específico

O exercício de modelagem procedeu-se em seqüência ao treino de


bebedouro, ininterruptamente. Portanto, o sujeito se encontrava na câmara experimental,
e esta, por sua vez, já em funcionamento. A cuba d’água continuou cheia e, a posição
da chave de controle foi mantida na posição desligada (D) com o experimentador
intervindo na liberação do reforço (H²O).
Foi elaborada uma lista com cinco comportamentos (virar em direção à
barra, andar em direção à barra, cheirar a barrar, tocar na barra e patas sobre a barra),
considerados pelos experimentadores como respostas intermediárias à RPB, os quais
poderiam constituir a seqüência de respostas a serem reforçadas progressivamente. (Ver
topografia – Anexo IV).
A primeira dessas respostas a ser escolhida pelos experimentadores foi a de
cheirar a barra. Paralelo a isso, o cronômetro (que marcava o exercício anterior – treino
de bebedouro) foi zerado e a sessão foi iniciada. Outra resposta foi de contato físico
com a barra.
O término da sessão foi programado para quando a resposta de pressão à
barra estivesse modelada, isto é, quando o sujeito a emitisse cinco vezes consecutivas.

Resultado e Discussão

As experimentadoras, em meio à grande imprevisibilidade do sujeito de


emitir vários comportamentos simultâneos, inclusive a de RPB, não seqüenciaram de
reforçamento a resposta de cheirar a barra.

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Durante o exercício, foi reforçado o contato e a pressão à barra mesmo
quando emitidos alternadamente.
Após quatro minutos de sessão, esta foi dada por encerrada, quando o
sujeito já estava pressionando a barra.
Assim, a modelagem da RPB aconteceu em quatro minutos, tendo sido
reforçadas as respostas de contato com a barra e a própria RPB.
Este exercício de modelagem alcançou seu objetivo final na medida em que
o sujeito emitiu o comportamento de pressionar a barra recebendo reforço sem a
intervenção do experimentador, embora apenas um comportamento intermediário à
RPB tenha sido reforçado.
Essa rápida aquisição da RPB se deveu ao fato de que o processo ocorrido
neste exercício consistiu mais de um fortalecimento inicial da RPB do que de sua
modelagem propriamente dita, já que esta resposta já havia aparecido na sessão de Nível
Operante, e com uma freqüência de 22.

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REFORÇAMENTO CONTÍNUO

Objetivo

Reforçar cada resposta de pressão à barra, através da liberação do reforço.

Procedimento Específico

O exercício de reforçamento contínuo (CRF) foi dividido em três sessões,


tendo sido a primeira sessão realizada ao término dos exercícios treino de bebedouro e
modelagem, ocorridos consecutivamente.
Portanto, na primeira sessão de CRF, a caixa experimental já
estava em funcionamento, sendo apenas alterada a posição da chave controle que foi
colocada da posição desligada (D) para posição automática (A) .
O cronômetro foi zerado por uma das experimentadoras, enquanto
a outra anotava as RPB e as outras repostas emitidas pelo sujeito a cada minuto na folha
de registro.
Após iniciada cada sessão, o sujeito recebia os reforços
livremente sem que as experimentadoras precisassem intervir.
As sessões eram encerradas aos 40 minutos ou quando, por dez minutos
consecutivos, o sujeito permanecesse sem pressionar a barra.

Resultado e Discussão

Ao término das sessões, verificou-se que a freqüência acumulada de RPB


foi de 188 na primeira sessão, 335 na segunda e 302 na terceira (Fig. 4 – Anexo III).
Na Figura 5 do Anexo III, é possível notar que a taxa de
freqüência de RPB nos primeiros dez minutos das sessões de CRF apresentou um valor
alto, sendo que, após estes dez minutos, percebe-se a queda gradativa na freqüência das
respostas de pressão à barra, caracterizando um grau de saciação.
Devido à primeira sessão de CRF ter sido seqüencial aos
exercícios de treino de bebedouro e de modelagem, o sujeito não se encontrava em total

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privação, quando do seu início, resultando que este, aos 12 minutos, já mostrava uma
possível saciação ao iniciar um período de dez minutos consecutivos sem pressionar a
barra, bem como foi a que totalizou menor freqüência de RPB (Fig. 4 – Anexo III).
Difere-se, portanto, da 2ª e 3ª sessão, nas quais o sujeito
encontrava-se em total privação, cumprindo, desta forma, os quarenta minutos totais de
sessão, apenas diminuindo ao longo desta sua freqüência de RPB.
Ao compararem as três sessões, as experimentadoras concluíram,
através dos gráficos, que a RPB tornou-se mais freqüente nos primeiros dez minutos,
considerando o repertório do sujeito, sendo a taxa inicial da terceira sessão superior à
taxa das sessões subseqüentes.
A variabilidade comportamental do sujeito, em geral, foi maior na
terceira sessão (Fig. 6 – Anexo III), com exceção do comportamento ‘morder a barra’ e
‘contato com a barra’ que mostraram sensível queda desde a primeira até esta última
sessão. Isso pode ser atribuído ao fato do sujeito ter discriminado gradualmente qual era
a sua resposta que se emitida liberava o reforço (RPB).
Esses dados ratificam que o reforçamento (no caso deste
exercício, com um reforçador primário – água) de uma resposta (RPB) aumenta a
freqüência de ocorrência desta no repertório comportamental do sujeito. Isso explica a
razão pela qual a taxa bruta de RPB cresceu substancialmente do exercício de Nível
Operante- com uma taxa foi 0,7- para os exercícios de CRF- onde o sujeito apresentou
taxa de 8,5 na primeira sessão, 8,3 na segunda e 7,5 na terceira.

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EXTINÇÃO

Objetivo

Verificar a taxa de RPB do sujeito experimental ao se modificar a


contingência responsável pelo aumento e a manutenção da freqüência da mesma
(eliminação do reforço).

Procedimento Específico

As experimentadoras fizeram o exercício de extinção da resposta


de pressão à barra em três sessões.
Na primeira sessão, o bebedouro foi preparado em CRF, ou seja, a
cuba d’água foi enchida e a caixa de controle mantida na posição automática (A) até o
sujeito receber 15 reforços, quando, então, o bebedouro foi desligado, colocando-se a
caixa de controle na posição desligada (D).
Nas sessões seguintes (2ª e 3ª), o sujeito não recebeu nenhum
reforço.
No decorrer das três sessões, uma das experimentadoras
verificava o cronômetro e o contador ao final de cada minuto, enquanto a outra anotava
na folha de registro os comportamentos do sujeito.
Foram registradas, além das respostas de pressão à barra (RPB),
as outras respostas que o sujeito apresentava, incluindo entre estas, as chamadas
respostas emocionais (Anexo I) e as respostas de contato com a barra (RCB).
O tempo estipulado para o término de cada sessão era de 40 minutos ou
quando, por 10 minutos consecutivos, o sujeito permanecesse sem pressionar.

Resultado e Discussão

De acordo com os dados obtidos nas três sessões de extinção,


pudemos observar notadamente que a resposta de pressão à barra teve sua freqüência
sensivelmente reduzida (Fig.7, 8 e 9 – Anexo III).

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Na primeira sessão, as RPB, as RCB e as respostas emocionais
apresentaram índices bem maiores do que nas outras, tendo a RPB apresentado uma
taxa de 6,4 R/min, a RCB de 1,35 R/min e as respostas emocionais 2,35 R/min.
Já na segunda sessão, a taxa de RPB caiu para 2,9, a de RCB para
a 0,7 e as respostas emocionais para 1,57.
A terceira sessão apresentou uma taxa de RPB de 1,5, de RCB de
0,9 (maior que na sessão anterior) e de respostas emocionais de 0,65.
Também no gráfico de taxa de RPB por intervalos de tempo (Fig.
10 – Anexo III), é possível notar a alta taxa de RPB nos dez primeiros minutos na
primeira sessão, caindo gradualmente nas sessões posteriores, mostrando, por parte do
sujeito, pouca resistência à extinção.
De uma maneira geral, a primeira sessão apresentou uma
variabilidade comportamental menor, tendo, entretanto, as respostas emocionais mais
freqüentes. No decorrer das três sessões, notou-se o aumento gradual da variabilidade
comportamental e diminuição das respostas emocionais, caracterizando uma adaptação
do comportamento do sujeito às novas contingências, fazendo com que seu repertório
comportamental na última sessão do exercício extinção se assemelhasse ao seu
repertório na sessão do exercício de nível operante.
Dessa forma, foi possível perceber a influência de um estímulo
reforçador (H²O) no aumento da freqüência de um comportamento (RPB). Retirado esse
reforço, o comportamento diminuiu sua ocorrência.

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DISCUSSÃO GERAL

Através dos experimentos realizados e explanados neste relatório, foi


possível acompanhar as modificações ocorridas no repertório comportamental do sujeito
diante condições experimentais, tais como: associação entre estímulos (treino de
bebedouro), encadeamento “para frente” (modelagem), reforçamento contínuo de uma
resposta e a suspensão do próprio reforçamento.
Essas modificações condizem com as esperadas diante de tais contingências,
segundo a teoria de Skinner, demonstrando que uma resposta (anteriormente
selecionada pelo experimentador) aumenta ou diminui de freqüência quando é seguida
ou não de estímulo reforçador. Sendo, algumas vezes, necessário o processo de
instalação dessa resposta através do reforçamento diferencial.
Para exemplificar essas alterações na freqüência das respostas por meio de
duas contingências opostas contidas nesse trabalho, pode-se tomar os dados obtidos nos
exercícios de medida do nível operante, reforçamento contínuo e de extinção da
resposta de pressão à barra, sendo que no primeiro, a resposta (RPB) foi emitida com
uma baixa freqüência (taxa de 0,7 RPB/min) quando passou a ser seguida de reforço,
sua freqüência subia significativamente (taxas de 8,5; 8,3 e 7,5 nas três sessões
realizadas). Finalmente, quando o reforço foi retirado a RPB enfraquece gradativamente
alcançando 1,5 RPBs por minuto na última de três sessões. Essa mudança ocasionou
uma queda abrupta na freqüência de RPB do primeiro exercício para o segundo, ficando
clara a relação entre respostas e estímulos reforçadores.

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BIBLIOGRAFIA

• Galvão, O.F. (1998) – Reforçador Condicionado e Encadeamento –


Texto não publicado com circulação restrita –
UFPA – Belém.
• Galvão, O.F. (1998) - Funções de Estímulos –I - Texto não
publicado com circulação restrita – UFPA – Belém.
• Galvão, O.F. (1998) - Funções de Estímulos – II - Texto não
publicado com circulação restrita – UFPA – Belém.
• Heidbreder, E., “Psicologias do Século XX”, 1981, São Paulo, Ed. Mestre Jou.
• Millenson, J.R. (1975), “Princípios de análise do comportamento”, Brasília, Ed.
Coordenada.

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