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“Se a Hist6ria Cultural é chamada de Nova Histéria Cultural é porque esta dan- CORR cn POC ROR Cad ee a Ree Histéria Intelectual, ou ainda mesmo de Pa ee Ret ne ee ec ee Ce ee es Seem Cee en ame cy ene reeks eke aero eee mee en Pee ee me te eT) uma forma de expressio e traducao da realidade que se faz de forma simbélica, H tats) Ore ee Resco eee ee eee eee 0s atores sociais se apresentam de forma eer Oe RU ae eet pale att Historia Cultural EN Cae) ES j autetticn Coed IU ey 7 Kat nant a STOMA 8. REFLEXOES ‘Sandra Jatahy Pesavento Historia & Histéria Cultural P asicio ee MBA ‘copyright© 200 by Suda aay Pesan jt eifico capn Jair Alvarnga Fonseca ‘Cantu Lowe) CCoardenadeses da olest0 dando Fronga Pata Carle aria abo Rasta tras cerinicn Wolds Alvarenga Sats Ataide Pesven, Santa ay ‘pera Hira Hist Cat Sandra tay Posen, ed Belo Hore: Ac, 2004 12h (Cleo Hii. Reins, 5) Isp 4575260782 1 Cale. 1 Tal. Se. cpu 8081) az f & 4 008 “eo din mse pos Ati on etapa og parser scnpr ma ec cen ps ropan emai es ei Anca Etna ‘i1390- de Hest pax: 3931) 8 802 FEREVENDAS 0900289122 eeranentntion sombt mal nenicatauencedso come SUMARIO Cartrno 1 Clie a grande virada da Histria... Cartro.o I recusotes¢redescobertas: ‘a anqueologa da Histria Cultura Carini HL Modan epsemaliges:entradyem cena de um novo olka. Carino 1V Em busca de um método: as estratégias do Fazer Histéria., Carino CCorrentes campos tomiticos ¢ fotes ‘um aventura da Histéia.. Castro VI ‘Uma difusto mundial: a Histria sem fronteiras. Corinto Vil Osnovos parcsros da Histria: nas frontetas do conbesimento. (Carfrewo VIL (Os rscos da empretada: aleta ger BiniocRavianisien: Para Lk & CRITICAR, eo MCA 0 2 o 107 us v2 Clio e a grande virada da Historia [No Monte Parnaso, morada das Musas, uma dels se dese ‘ace, Fisionomia serena, ola franco, belezaincomparivel, [Nas fos, oesilete desert, a trombeta da fama. Seu nome Clio, a musa da Histria, Neste tempo sem tempo que € 0 teempo do mito, a musa, exes sees divinos, fils de Zens € ‘de Mnemésine, a Memériat&m o dom de dar existncia Aqui logue cantam. E,no Monte Pamaso,gremos que Clio er uma filha dileta ence as Musas, pois pathava com sua mae © ‘mesmo campo de pasado ea mesma tarefa de fazer lembrat, Talvez até, Clio superasse Mnemsine, uma vez.que, om © estilete da escrt,fixava em narrtiva aguilo que cantava e 2 trombeta da fama confera noworidade ao que celebrava, 'No tempo dos homens, ¢ io mais dos deuses, Clio foi leita ranha das cincias,confimand seus aributs de 1e- fistrar 0 passadoe deter a autoridade da fala sobre fats, ho- ‘mens e datas de um outro tempo, assinalando o que deve ser lembradoe clebrad. Quais seriam hoje, neste nove miléio, os aributos © 0 perfil do Clio, a favorita das Musas? Cremos que, hoje, sua faceta mais recente edifundida seja aquela da chamada Hist6- sia Cultural, ‘A Histéra Cultural coresponde, hoje, acerca de 8086 da predugohistorogrfica nacional, expressa no 6 nas publi- cages especializadas, sob a forma de livros atizos cientii- £08, como mis apesentagdes de trabalos, em COMBTESOS € simpésios ou ainda nas dssertagdes tees, defendidase em andamento, nas universidades brasileras sa constatacio, dada a partir dos anos 90 do dime século no Brasil, marca uma verdadira vada nos dominios de Clio. As alleragSes ocorsdas no Ambo da Histria, porém, det Peni ln eee, triad -concretude dos fatos, mas na mente Mimana, dando a ver que sees en OX por = as imal gace oo mal cons x merida Price, Prd confer ale binges, ee avin linn do capone for wap ‘niin dcdn do cea caso, continual Solongo do Sul das Las refed ofngo oslo Xeon sate ec A Paani com asta Fess dos soos is on ewes adn que agent _apoream. si carne prs oxen do sinblice, do acon alén deranged ond Nom nan pc, hermeftafeiana adic dagger code na Hin Pre ads, fng node Wide tras a vq csr cial mana cnt di fora qcce dno nme de aris Formas ini cars oman clo, or gus RHO vance pemigrer esses Ten do empo. Ov seus odo um pense centrado no universo simbélico, em que, porém, fosse ainda apropriado pelos histriadores, Em outra ponta, mas na mesma vrata do século XIX para século XX, Marcel Mauss e Eile Durkheim, nos do- ‘minis da Einlogia eda Antopologi, conferiam destaque As repreentagdes, com sua pesquisas sobre os povesprimiti- ¥os contemporineos. A introdugao desse conceto-chave no Ambito das cgneiachumanas fo fundamental para arecupers- 50 das dimensbes da cultura realizadas nos anos 80 pelos his- loriaores, pela atengio que dava ao processo de construgio mental d realidad, produtor de coesao social ede legit: dade uma ordem insttida, por meio de iia, imagens rics dotadas de significados que os homens elaboravam paras. Da mesma forma, Mauss e Durkheim foram em uma ‘erta medida, ntredutores da aproximagao do campo da hsté- Fia com ode uma Antropologia Cultura [esse sentido, se formos falar de una arqueologia da Histéra Cutral, podemos dizer que a Antopologia Cultural, como um todo, jé desde o inicio do séeulo XX, também fidava ‘com a incorporago ds dimensio simbtica para andlise das formas de organizago social, como wma forma de entendi- ‘mento segundo a qual os homens elaboravam formas cifadas de representar 6 mundo, prodvzindo palavrase imagens que a definicio marxst-lninista, que idenificava classe pela * posigdo ocupada junto aos meios de produgo.Alargou o con ceil, entendendo que a categoria devera ser apreciada no seu fazer-se, no acontece histrico, na sua experiénciacomo classe. Cabia ao historiadorstrpreender os nexos entre pe- ‘qwenas alteragbes de habits, attudes, palavras, ages, de tudes que iam mudando ao longo do tempo. Com isso, “Thompson resgatava para o histriadora dimenso do emp rico; & pesquisa de arquivo era indispensavel, enesse ponto se abriam no s6 novos enfoqusstemiicos como nova doc rmentajdo, O fazer-se de uma classe implieva observar mo- dos de vidae valores, implicava entrar nos eaminhos da cons truco de uma cultura de classe (Ocorede eer clase, Havoré Dau suo XI historindor passa a explorar, assim, os chamados s- léncios de Marx, nos dominios do politico, dos ios, das rer ‘88, dos hibites. Para surpreender essa mudangas, do cot ‘no da vida do trabalho era preciso encararnovas fortes erm, process criminais, registro plicias,festas ct. Uma grande irda no marxismo, sem vida, ainda mas se considerarmas «que Thompson denunciava a predeterminacio dos nivel, ale- ‘gzando que, em cada contest, era preciso surpeender os ne- 0s etre os iferentestrajos do comportamento da clase ‘Anda dentro da vertnte neomarrists, Georges Rudé vie +a Conribuir com andlises para alm do recrt clasita, com seus estudos sobre a multdo, em que analisavaos comport ‘mentos coletvos para além das determinagdes racionas que explicavam as ages da classe, Tal como Thompson, Rud ra talhou com uma elastcidae conceitual, enfocando a reali de sob outa ica, Damesma forma, Raymond Willams pbs em focoacons- trugp da cultura na Inglaterra ea forma como, desde a cidade, ‘camp fi ressignificado, induzindo a toda uma nova percep io da realidode pelos agentes socinis. Ness semtido, cultura ‘pasavaa ser consderadaftor de mudanga socal, mesmo como agente deisvo no process de mudanga da hsria Ns postura desses autores, podemos dizer que a anise lasssta fol alargada para uma andlise ds subalerns, com 0 ‘que ahistria social confirmou a sua preacupaso com as des- e baixo, mas com uma série de inovages. que apontavam fexatamente para resgate dos sigificados que os homens ‘onferiam a si proprios aa mundo, Essa nova bisa social Privilegion a experincia de classe em detrimento do enfoque a Inia de classes, centrou sua anise na estruturago de uma conseignca ede uma identidade e buscou resgatar as pritcas cotdianas da exstncia, Em todas a andlises eta, manteve- sco deciido resgate das processox empiric wna vleriza ‘oda pesquisa de foes Em outa pont, & escola das Annales levava sua linha social a uma reorientagotemiica que se estendia para 0m tito do cultural, com o que se chamou a histria das mental ‘dads, Jé desde a primeira gras ée historiadores dos Anna les, Lacie Febvre havia demonstado preocupacio com os ” doris sini, chamand a seg partes meals ques comiiflam alr os etermiepes do Conciente coal parle dx cto eno cede un ands sea Maresh postr avn Side, com segunda gro de striae daca, le panncs plo pedontio do enlque erica, or Sania ca Herd pln ees de Fernand Ba Fol precharge dos Ama, com Pete Conte Emanuel Le Roy Ladue parquet en tae as ceboroptes do capi param asx alto do Pwd Camo septa etaliades, ome Cola pseu serene como ma fora edt asl imi ded, © conceito de mentalidade, porém, nio era preciso; a cone poe futarse lei cli, mas 0 ‘So bem eo dap doe qe pakavar nee nee sa da menalae pot ao ais ds elaborates mens on on de {Embiidads qu prcoiam oso depot apo, mas hove deface ia ru wma nc de en con alc rete tocol no coscione, dum ‘itor, nt ce. anvese de pean nent fests que aravessvan asc eatrs, prt os por dct ean soca ar sem gue ne um tatu de spotted consi. gh oma, ede ts anh as ad epines. retold, ti ei os Ames abla com sd feng edo ad contrite do lat, oma gr dervenar lana a Gea Eo¢ ten soe, com ssa rita were 0 Tram cute de eset complica da eli Serf apomat Hows coms Annals ma veda tied epee uo dobsta tanto 9 be dit espeito a atores quanto a temas ou objetos. Nesse momento, posigo ds Annales, designada em 1978 por Jacques Le Got como Nova Histérs, no se definia mais como uma escola somente frances, pois seu prestigio ealcanceincorporavam historiadores de outros paises, como é caso de Natalie Davis, ‘08 Robert Darnton im sites historiadores ranceses dos Annales e historia ores ngleses ncomarxstas rabalhavam, do final dos anos 1960 aos anos 80, com uma hstria socal que avangava para os do- ‘minis do cultural, buscando ver como a pritcas ¢experién- ins, sbretudo dos homens comuns,traduziam se em valor, ‘dia econcitossobre o mundo, Mesmo gue seus membros mar ists penmanocessem marisa e que os itegrantes da agora ‘cham Nova Histria, perdsra dos Annales, nlo se dfinis- Sem zoricamente, era possivel ditingur algumas preocupa: ‘Bes comuns, que perpassavam o trabalho dos historiadores. ais questes seria, grosso modo as seguites: eomoas claboragbes mena, produtos da cultural, se aticulavam com ‘otmundo social, a elidade da vida ctiiana? Como era posst- velestabelecer correspndéncias entre todos esses niveise tam ‘bém objetos de estado? Como era possvel descobrir os seni- dose signiticades que os homens aribafam asi prpries eas coisas? Até onde iam os limites da Histra, se precsassem di- logos com outros campos de conbecimentooucutrasiéncias? Em sua, sos paradigmas estavam om crise, era proc: soque se discutissem os pressypostosteéricos para interrogar ‘ommando foi, efetivament,na década de 1970, que slgumas idiasrevoluconaram o campo da histri, em particular pe las questdesepistemolégieas que encerravam. ‘Em sunaula inaugural no Colitge de France, proferda em 2 de dezemiro de 1970, Michel Foucault dizis supor que em {oda sociedad a produgto de discurscsesiava contolada por procedimentos de clasificagio, avaliacio, ivsio, epargio limites. Uma cultura se instalva pela parithae atibuigdo de significados e © que cabia estudar era justamente o jogo de claboragdo dos discursos, contttives daquilo que se chama- i. real. Com isso, Michel Foxcaull punha em xaque o pes ‘ro principio que embasavaahistéria social: © que devia ser estudado era realdade. Ora, para Foucault no haveria sepa- ragdo entre texto e cntexto,e auilo que se convencionava chamarde real era dado por objeto dscursives, fix histo- ricamente pelos homens (O centro da anise da postra foucatian inca sobre © poder, entendido como micropalverizaio de pitas, ea rede genética enfo-causl cabin desvenda. (O pensamentofoucautianoincomodou os histories, ‘20 instalar uma Histéria sem sajeto © 20 tomar 0 discuso ‘elo real, alm de indicar que o objeto se define pela pita sliscusiva. Mas, mesmo combatio, Foukault torou-se alvo de debates que nfo se exgotaram dfide entdo, a demonstrar ‘que alteragéessignificatvas se davam no campo intelectual & que aetavam profundamentea Hstri, mobilizando seus pro- Tissionais a pronunciar-s. ‘Paul Veyne, com Seu liv Como se escreve whist, publicado em 1971, ii, na Europa, pi em xeque as concep .8esalé eno assentes para a Histria, com seus questiona- ‘menos que se contrpunham i prépriacentfcidade da disc Revolucionsia, a posigéo assumida pelo histriador francés foi verdadeirament conoclasta: a Histériaera,no seu entender, uma narativaveridica, como relato do qu ccorrera tum dia. Enquanto diseurso, ra capaz de fazer reviverovivi- do, mas ndo mals que 0 romance. Ora, com tal assertiva, © Histria passava a ser uma espécie de romance verdadei, ‘com o que as esatégias fccionais se introduziam nos dom nos de Clio, pla fala atorizada de um historiadce! Para Veyne, a Histéria tna um campo indeteminado, salvo a exigéncia de lidar com 0 accntecido, 0 ue fazin da histéria uma naratva distina daquels da iteratursl ‘Como narrative, apresentava versdes sobre 0 fos que teria ocorrido um dia, naraivasesss elaboradas de forma subjetiva a paride dados abjetivos, por escoiha feius pelo historiador diate de um horizon ifinito de temas. Assim, 0 historiador seleconava, simplificava e organizava 0s dados do passido em fanglo de uma porgunta para a qual consruit tum resposta,dotada de um sentido. Sim, pois a Histérnera 0 resultado de uma interrogae3o, feta peo historiador; de wma ‘escofha e de uma organizago dos dados, al como da monta- ‘gem de wma inteiga, também construas pelo hisoriador. Logo, sudo poderia ser hist ria, no havendo portanto 8 Hissiria, mas as hisérias,espécies de iineritios possiveis, ‘quedo dariam conta da totalidade ou da verde, mas dariam explicagSesplausveis. Enquantonarativa ahstnia compor- tava ua intiga, algo aproximado ao drama ou romance, qbe exp uma inrigaa ser desindada, mas tendo em vista que ‘a realidade ni era, em si, rcional Com iss, a Histria no podeia ser jamais total, pois ‘nurs histriadorpoderia dar conta de tdo,e nem o tempo ‘eruma categoria esencial endo apenas um meio ou um ho _garonde a itrign se deenrolaa. Ali, os propos aconteci- ‘ments no tinham existéncia em si, mas ram uma encrur- ‘nada de tineririos possveis. Ou seja, Paul Veyne no s6 ‘edaziaahstria a uma narativa sem eapucidad explicatva de verdades ou totaidades como também a aproximava de ser ‘uma disciptina mais propriamente liter ‘Talvez mais revolucionério sindatenha sido oquestiona- ‘mento langado pela publicagio da obra do historiador nor americano Hayden White, Meta-Histria. em 1973 Hayden White afirmavaquea Histria era uma forma de ficgGo, a como o romance era uma forma de representacio histrica,embora no século XIX se tivesse dado a sua const «io como cigncia que buscavarelatar a verdade dos fats pas ‘Sados. Mais do qup isso, Sendo as epresentapies discursivas, s cos historiadores se valeriam das mesmas estatégias tropols- seas ds naraivas usadas pelos omancistas ou poets: me- téfora, metonisia,raia, sinédoque-Com as idas, Hayéen ‘White refongave aida, apresentada por Veyne ou Foucault, do carter fiticio das reconstrugdeshistricas e que cones tavam o seu carter cientifico. Tal como na crigao liters, © historiadoe também orgaizava um enredo na composigio ‘dasua naratva, com a iferengade que oromancisa inven ‘¥a0s fatos eo histriador os achava nas crnicase mateiais deamuivo (0 fazer ds Hiri, portant, passou a ser alv de toda ‘uma postur erica qe repensavaadisiplna. Em 1975, Mi chel de Ceteaw publicou ur lio, A esrita da histria, no ‘qual enfocava a eserta come um dscurse de separagio: entre ‘ passado e o presente, marcando ina separaglo temporal, ‘entre a peépriaescritura eo social afual se referia, magcando ‘a separago do luga,centrea verdade do discursoconstruido © 0 mito ea tadigio. Assim, a histria do fazer histria teria ‘sido, no Ocideste modem, um processo de invengio ou i «lo que busca explicaeo pasado desde o presente ‘Ao aalissr como se escrevia a Histria, Miche de Cer tea esabelecia um distngio entre aHisiraentendidacomo tm dscurso que se prope eriar um saber eom estat de co- nhecimente, constituido socialmente, © Histriaentendida ‘como 0 conjunto de procedimentosténicos e egras de escri- ta que constraem os dados. Logo, 0s objetos histricos nio ram um produto natural, mas sim um produto disursvo. [Na década de 1980, Paul Ricoeur angara, entre 1983 © 1985, os tes volumes de sua obra Tempo e Navrativa. Para Ricocur, toda confgurago de una narrativa implica retigura- ‘ode uma experinia temporal. narativareapreseta um {empo que, no-caso da histra, pressuptic um pucto 6Om passdo: 0 ctor espera um relao verdadeito c todo © ao da ‘scrita da Histéria comporta esta tent: chexa 8, n0 real conte. 0 texto do historiador tem, pois, uma pretensio 3 verdade e referee a um passado real, mas toda a estraégia narativa de refigurar essa temporalidude ja transcorrda en- ‘volvo represenagdo ereconstugio Reconstrugio porque, a0 reinsrever tempo do vivide no ‘empo da naraiva,ccorem todas as variages-imaginatvas para possibiiaroreconhecimento e a dente, Represen- ‘ago porque a nurativahistrica tanto se coloca no gar da quilo que aconteceu quanio The tibui um significado. Nest _-Brocesso, ohistoriadr trabalha 6m os tragos que ihe chegam ‘de um outro tempo, mas exes no tm caster mimético.em st frprios, como evidéneias do passado, Els precsam ser cons: irudos,enquanto pasado, pea escrita do historiador O texto histéico se figura como um er side, mas de forma problemti- «a, por nao ser mais observvel nem pasivel de e-experimen- ‘apo, ele 6 aponas memordvel. Com isso, 0 texto da Histéria > tema ambigio de qué a sua consoroseja uma reconstugio, ‘ise, a resituigo da verdade do acontecid ao letor do mais alm nas suas relexdes, Fundamentas para a renovagio da citncias humanas em geral, para a propria, nog’e de reaidade, Paul Ricoeur fala da fccionalizagio da iste, Isto se daria no apenas pelo papel acupad pelaims- nao nanarativa istérica na sua Fungo de configuar uma temporlidade, ms no papel cerral que 0 imaginério desem- ‘enka na construgio dest tr sido que vem a sr 0 passado, oberta do como aqui teria acontecio, process ete que = ‘exclusio, Ou sea, vole urdidara, montagem, sele;o, recor, hsoriadr cra passage, para Natalie Davis, a Historia & tums forma de Fiego, tal como a Literatur, Para Kryszof Pomian, a fonteieas entre a Histria © fiegio sio mdveis. Toda & naeativahistoiogefica comport fetentos que visa a levaro letor a uma realidad fora do texto, gual ele s6acede pelo imaginério, mas, 20 mesmo tempo. «naratvahistérica no se sustenta por 6: ela gua dz marcas de historcidade ~ as fortes, os documentos que tderam margem 2 elaborago do texto ~ que, em tese, peri 1 rearer o camino empreendido pelo hisorise Por ui lado, coe © ingredient fccional, de reconst 1 Histéris se uprosimaria da itertura, enguasto que pelo ‘utc, se coloea com semeliante ao conecimentocientifico F ainda Rives quem estabelece as consideragbes mais interessantes guanio # essa questi, Ricoeur admite 2 ie tulzagio a Hiri, presente na capacidade imagindria de tu nuraisa, de consruir uma visio sobre 0 passtdo e de se olocar come substitiva a ele A fegho € quase hisorca, issn como a Histia & quae fcgo, No € posivel pensar fesse prawns le suhstitig =a arrtiva que passa a epee gel ~ sem evar em conta present tis 0 con ant do ado da eseita quanto dtu, Ha, segund Ricoeur, « convergéneia enee uma fungi e representincia, que se apera no dominio da produgdo, na rehio que se opera ene a gonstrugio da narativa istic ‘6 w pasado preservalo nos tages que resto, ea fury da ‘enifieincia, presente ne dominio da letra, na relago entre ‘vmaindo do exo. edo eter. COcornem, esse process, tant fangées reveladoras de seid, eriadastescoberas pao bistoriadere plo eitor, quan to fingdes tansformidoras, mi ciagSo desta outra temporal dade que ¢ da Histria A refigoragiio no tempo dum elemento, pois, central ne a atividade da narativa histriea que porta em, si a fiego, - 6 uma modalidaderefeancial do mundo que s6 se pode r= presetar deforma metafrie, ou se, que se apresenta como lum dlizer camo, um ver assim, camo se fess. Essa ¢ ainda a posigo de Frangos Harog, ao defini a real = @ acontscido religlo entre a narrative o pass ‘como uma relagio metafSrca: tata-se da constraio Sob 0do- iti do anilogo, docontrase da semelharga.Talentendimento rminimiaaadiferenga entre logase mhos, ou entre um discur- ‘0 histérco-iontifico eum discus postico-mitieo. [esta medi, Hit Litton so formas de dara co rineero mundo, mas 36 Hiséris ema pretensio de ehegar ao real aconecida. Estee so, segundo Ricoeur 0 drama e nespe Feidade da nav histrca, Avesabelecer uma aproximayso centtea Memériae a Hsia spreentando-ascoma dscursosde representisio do passade, Ricoeur diz que. 3 Hisria, estar nega a pequea algra Jo reconhocimento preserva Me> ria, Aquele que eves, che ientiegio dalembraga com ‘azontecide, objeto da rememoraco: foi ele, fv foi eto fo assim! A Meméra ange asin a veracidae da evocagSv. Jno ‘aso da Histria om ques ages passa perforadaexpern- ‘ciao vsidoe, port, do no-sificivelsmativa opera-se por irios de plusbiidae verossmilhany ‘Mesto assim, expectativa do histoiador—e por certo doleitor de um texto de Histria ~€ de encontrar nele algo de ‘vendude sabre o pasado, O discurso histrice, ponano, me ro opecando pela verossimilhangae no pela verasidade pro- ‘uzun efeko de verdad uma narativaquese propée como verdica © mesmo se substitu a passado,romando 0 seu lv gar Nesso aspecto, o disco histéico chega a atingie um lito de real, Icorporando esprit das Musas, ge eriavarn ‘aguilo que cantavam, a Histéria ei consstncia ao que narrae pnicipa da construgo do rea (importante conde, analisarisso que e podria ch marin podtica do saber, coma anuncia Philippe Caratd, ob ‘ja, os procedimentosltertios pelos quis o dscursohis- ‘ico se atta da literatura para se reves de umestatao cien tifico, apesar das limitages ¢especifixades que experimen 11 sob essa condi, Todas essas quesies epstemoldgicas representam mn