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POLUIÇÃO DOS MANANCIAIS DA ILHA DE SÃO LUÍS-MA

1. INTRODUÇÃO

A ilha de São Luis etá situada no estado do Maranhão, no arquipélago de ilhas


do Golfão Maranhense com mais de 1000 km². É composta pelos municípios de São José
de Ribamar, Raposa, Paço do Lumiar e São Luís. Juntos, este municípios perfazem uma
população em torno de 1.211.270 habitantes (IBGE, 2008). Limita-se, ao norte, com o
Oceano Atlântico; ao sul, com a Baía do Arraial e com o Estreito dos Mosquitos; a leste, com
a Baía de São José, e a Oeste, com a Baía de São Marcos.

Mananciais são todas as fontes de água, superficiais ou subterrâneas, que


podem ser usadas para o abastecimento público. Isso inclui, por exemplo, rios, lagos,
represos e lençóis freáticos. A hidrografia da ilha é composta por importantes bacias, tais
como: a bacia do Rio Anil, do Bacanga, do Paciência, do Tibiri, dos Cachorros e mais uma
dezena de outros rios e riachos. Embora existam diversos rios na ilha de São Luis, esta tem
como principal fonte de abastecimento o Rio Itapecuru.

O Sistema de Abastecimento de Água de São Luís é composto de 02 (duas)


Estações de Tratamento de Água Convencional (Italuís e Sacavém), 02 (duas) Estações de
Tratamento de Água com Fluxo Ascendente (Olho D’Água e Cururuca) e 312 (trezentos e
doze) poços tubulares profundos (CAEMA, 2008). O sistema Italuís capta água do Rio
Itapecuru e está localizado no Km 56 da BR 135. Já o sistema Sacavém é abastecido pela
Barragem do Batatã, Rio da Prata e Mãe Isabel. O Rio Jaguarema abastece o sistema Olho
D’Água. Enquanto o Rio Antônio Esteves abastece o sistema Cururuca. E o sistema
Paciência é abastecido por duas baterias de poços designados Paciência I e II (CAEMA,
2008).
Mesmo diante da imensurável importância dos recursos naturais para a
sobrevivência da humanidade, a exploração inadequada associada à ignorância e ao
descaso generalizado tem levado a um acelerado processo de degradação ambiental que
compromete o abastecimento de água da ilha de São Luis. Os corpos hídricos locais,
principalmente os rios Anil e Bacanga, estão bastante comprometidos devido à compactação
dos solos dos leitos dos rios, o desmatamento, a erosão, a poluição e a pesca predatória.

As principais fontes de poluição são de origem antrópica e decorrem do uso e


ocupação desordenada do solo, sendo identificadas como principais agentes: o lançamento
de efluentes domésticos a céu aberto; a canalização direta de esgotos para os cursos
d’água sem prévio tratamento; a precariedade das soluções individuais de esgotamento,
notadamente o uso de fossas e a inexistência de soluções sistêmicas e de grande
abrangência para a coleta e tratamento dos esgotos gerados.

Mediante o exposto, o presente trabalho tem por objetivo identificar e descrever a


atual situação ambiental dos principais rios da Ilha de São Luis-MA.

2. METODOLOGIA

A pesquisa foi realizada com base em fontes bibliográficas existentes, seguida de


visitas de campo para identificar e registrar a real condição em que se encontram os rios da
Ilha de São Luis. Após a pesquisa de campo os dados foram analisados e discutidos pelos
membros da equipe para gerar o trabalho escrito.

Durante a busca por referências bibliográficas constatou-se que as informações


são bastante contraditórias e as fontes escassas.

3. BACIA DO RIO ANIL

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3.1. Localização

A Bacia Hidrográfica do Rio Anil está localizada no quadrante noroeste (NW) da


ilha de São Luis – MA, com o Rio Anil possuindo cerca de 13, 8 Km de extensão. Tem suas
nascentes localizadas no Bairro Aurora, descendo ao nível do mar aproximadamente 9,5 Km
em linha reta, com o eixo direcional orientado de sudeste (SE) para noroeste (NW) a partir
da nascente, a sua calha caracteriza-se por apresentar um perfil meândrico (Figura 1),
cortando a porção nordeste (NE) do centro urbano da cidade de São Luis, no trajeto em
direção à desembocadura (LABOHIDRO, 1980; Siqueira, 1987). Deságua entre o cais da
sagração e a ponta do São Francisco

Figura 1 – Aerofoto da Bacia Hidrográfica do Rio Anil (2008).

Fonte: Google Earth.

Em seu trajeto o rio banha os seguintes bairros: Aurora, Anil, Cohab, Vila
Palmeira, Rio Anil, Vila Cristalina, Camboa, Liberdade e outros.

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3.2. Características Gerais

Ambientalmente o rio anil vem se transformando a cerca de 40 anos. Um dos


principais fatores responsáveis pela sua degradação foi o processo de urbanização nas
suas imediações que provocaram encurtamento dos rios e mudanças das suas nascentes.
Do anil para o sul seguia uma única via de acesso na época, ao aeroporto Marechal Cunha
Machado no bairro do tirirical, nas imediações do qual estavam os córregos e brejos
formadores do rio anil, a mais ou menos cinqüenta e oitos metros de altura.

Com o desmatamento das imediações do aeroporto esses brejos e córregos


secaram. A partir daí a nascente do rio transferiu-se para um brejão bem mais ao norte,
atualmente o bairro da COHAB, 21 km (vinte em um quilômetros) a jusante do que
anteriormente considerou-se a nascente do rio. Assim este, diminuiu vinte e um quilômetros.
Com a construção do conjunto da COHAB ANIL, obviamente os mananciais ali existentes
também desapareceram. Atualmente a nascente do rio esta localizado no bairro da Aurora.

Os principais afluentes do rio anil são:

a) Pela margem direita

Igarapé da Ana Jansen

Igarapé do Jaracati

Igarapé dos Vinhais

Rio Ingaura

b) Pela margem esquerda

Rio Jaquarema

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Córrego da Vila Barreto

Córrego da Alemanha

Igarapé da Camboa

Os afluentes pela margem direita são maiores, mais extensos, e atravessam


região dos mangues bem definidas antes de desaguarem no rio enquanto os da esquerda
são mais curtos, de maior declividade e chegam quase diretamente ao corpo receptor,
drenando bacias completamente urbanizadas e que possuem problemas gerais de
escoamento.

O tipo de solo predominante são solos indiscriminados de mangue mais argila e a


vegetação predominante é o mangue (Figura 2).

Figura 2 – Vegetação da bacia hidrográfica do Rio Anil.

Fonte: Alcântara e Silva, 2003.

3.3. Utilização

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Segundo depoimentos de moradores dos arredores do Rio Anil, mais de 300
pessoas tiram seu sustento das águas deste rio, por meio da pesca. Outros dependem das
margens do rio para instalar suas moradias (palafitas), uma vez que não dispõem de
condições financeiras para adquirir moradias em outras áreas.

O Rio já chegou a ser utilizado pela CAEMA, no ano de 2006, para


abastecimento da população, ocasionando uma série de denúncias posteriormente
comprovadas pelo IBAMA como verdadeiras, de que a CAEMA estava abastecendo a ilha
de são Luis com águas impróprias para o consumo humano.

Segundo o laudo emitido pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente-SEMA,


naquela época, a água coletada nas proximidades das nascentes do Rio Anil, na Aurora, a
água era considerada imprópria, pois foram detectadas a presença de manchas de óleo de
coloração ferruginosa, óleo e graxas visíveis, odor desagradável e substâncias formadoras
de depósitos objetáveis.

Na pesquisa de campo pode-se constatar que o Rio Anil vem sendo


indiscriminadamente usado como depósitos de esgotos domésticos e efluentes industriais.

3.4. Situação Ambiental Atual

A ocupação desordenada do Rio Anil, o desmatamento e a proliferação de áreas


urbanas e industriais nos leitos do rio estão aniquilando a vida dessas fontes naturais. A
paisagem deste rio com a qual nos deparamos diariamente é a de um depósito lixo, pneus
velhos, latas de alumínio, garrafas pet e outros entulhos (Figura 3). Em outras palavras um
risco potencial à saúde pública.

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Figura 3 – Lixos e entulhos jogados no Rio Anil, Bairro do Rio Anil (2008).

Fonte: Registros de campo.

Além do mau cheiro e a coloração escura, a poluição tem causado outros danos
ao Rio Anil. A nascente do rio está em processo acelerado de assoreamento e, em alguns
trechos, a água do rio forma apenas um filete. A vegetação ao longo da nascente está
enfraquecendo e sumindo devido à poluição. É o que aconteceu com algumas juçareiras,
que não resistiram à agressão.

Registros da imprensa, bem como depoimentos da população revelam que a


empresa Merk é uma das principais poluidoras do Rio Anil (Figura 3). No dia sete de
outubro de 2007 os moradores de uma palafita, localizada por trás do bairro Fé em Deus,
foram surpreendidos, por milhares de peixes mortos boiando nas águas do Rio Anil (Jornal
Pequeno, 2007). Entre os peixes mortos, estão sardinhas, tainhas, uriacicas, bagres e
papistas (Figura 4).

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Figura 3 – Foto tirada atrás da empresa MerK, mostrando a degradação da área (2008)

Fonte: Registros de campo.

Figura 4 – Peixes mortos, boiando no Rio Anil, no Bairro fé em Deus (2007)

Fonte: Jornal pequeno (fotos de G. Ferreira)

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3.5. Projetos de Preservação

• PROJETO AURORA

Responsável: SOMADEMA - Sociedade Maranhense de Defesa à Natureza;

Sede: São Luís;

Atuação: Consultorias e Projetos: Pedagógicos, Ambientais, Culturais;

Solução: Criar uma unidade de Conservação Ambiental na categoria Área de Relevante


interesse Ecológico nas áreas que contornam as nascentes e o leito da bacia do Rio Anil
localizado no bairro da Aurora;

Problemas: poluição, desmatamentos e a falta de um programa sustentável para educar as


comunidades ribeirinhas que estão às margens das nascentes do Rio Anil;

• PROJETO PAC- RIO ANIL

Projeto - Urbanização, Regularização e Integração de Assentamentos Precários do Rio Anil;

Responsáveis - Governo do Estado em parceria com o governo federal, por meio do


Programa de Aceleração do Crescimento (PAC);

Ação - compõe uma faixa de 25 quilômetros de vias, atravessando 13 bairros de São Luís,
sendo que a Avenida Rio Anil será o marco delimitador de toda a extensão do projeto, além
de representar um ganho para o sistema de tráfego da cidade, formando um novo anel
viário. Também serão construídas 3.500 unidades habitacionais, além de urbanização da
área, pavimentação e drenagem de ruas, implantação de rede elétrica e iluminação pública,
rede de distribuição de água, coleta e tratamento de esgoto;

Investimento - serão investidos R$ 235 milhões, dos quais R$ 144 milhões provenientes do
PAC e R$ 99 milhões do Tesouro Estadual na forma de contrapartida. As obras devem ser
executadas no prazo de 36 meses.

OBS. – segundo informações obtidas no site do Governo do Estado (www.ma.gov.br), todo o


empreendimento do PAC - Rio Anil já possui o licenciamento ambiental de instalação
concedido pelo órgão ambiental do Estado.

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4. BACIA DO BACANGA

4.1. Localização

A bacia do rio Bacanga, possui uma superfície da ordem de 11.030,00 ha, ocupa
a porção Noroeste, fazendo parte do município de São Luís com situação definida pelas
coordenadas 2° 32’ 26” e 2° 38’ 07” S e 44° 16’ 00” e 44° 19’ 16” W. Os limites são: ao
norte, a baía de São Marcos; ao sul, o tabuleiro central da ilha na região do Tirirical; a leste,
o divisor de águas que separa as bacias dos rios Anil, Paciência e Tibirí e a oeste, pelo
divisor de águas que separa a Bacia do Bacanga da Bacia Litorânea Oeste.

A nascente do rio Bacanga está localizado na região do Maracanã e percorre 22


km até sua foz, na Baía de São Marcos. No trajeto, vem vencendo desafios de núcleos
populacionais que o poluem o rio, assim como a falta de uma política de saneamento
adequada, até encontrar a barragem interligando o centro histórico ao bairro do Anjo da
Guarda e formando ali o lago do Bacanga (Figura 5).

Figura 5 – Localização da Bacia do Bacanga.

Fonte: Boletim do laboratório de hidrobiologia, 2006.

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4.2. Características Gerais

Apesar de sua importância para o equilíbrio ecológico de São Luís e como fonte
de alimento para parte da população carente, o Rio Bacanga corre risco de ser engolido
pelo avanço da cidade sobre seus limites e pelo abandono a que foi relegado pelo Governo
do Estado e pela Prefeitura de São Luís em especial a secretaria de meio ambiente.

A bacia do Bacanga abrange vários bairros, sendo na margem direita: Madre


Deus, Belira, Vila Bessa, Apicum, Coréia, Japonês, parte do Monte Castelo, Apeadouro,
Bairro de Fátima, Bares, João Paulo, Redenção, Filipinho, Sacavém, Coheb, Parque
Timbira, Parque Pindorama e parte do Coroadinho. E na margem esquerda: Vila Nova, Anjo
da Guarda, Vila Bacanga, Sá Viana e Campus do Bacanga (Macedo, 2003).

Os afluentes mais importantes do rio Bacanga São:

a) Pela margem direita: b) Pela margem esquerda

Igarapé do Mercado Igarapé do Anjo da Guarda

Igarapé da Areinha Igarapé do Tamancão

Rio das Bicas Rio Itapicuraíba

Igarapé do Coelho Rio Piancó

Igarapé do Tapete (Barragem do Rio Bacanguinha


Batatã)

Na bacia do rio Bacanga o rio das Bicas é o que merece mais atenção pelo fato
de representar uma das maiores concentrações de problemas de drenagem, causados pelo
processo desordenado de urbanização e pela falta de investimento públicos em sua bacia, a
qual foi totalmente ocupada com exceção do extremo superior, área de reserva florestal do
Sacavém, possui um dos piores padrões de distribuição viária da cidade, o que dificulta os
escoamentos superficiais de saneamento.

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A Sub-Bacia do Rio das Bicas corresponde a uma área de aproximadamente
14km² e tem 33% de sua área localizada dentro do Parque Estadual do Bacanga, essa área
sofre pressões para ocupação principalmente por conjuntos residenciais. s das áreas

4.3. Utilização

Segundo depoimentos de moradores dos arredores da Bacia do Bacanga, várias


pessoas tiram seu sustento das águas deste rio, por meio da pesca (Figura 6). Entretanto as
populações ribeirinhas fazem uso indiscriminado dos recursos que ali se encontram e não
se preocupam com a preservação.

Figura 6 – Morador ribeirinho pescando no rio Bacanga.

Fonte: Registros de campo.

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A bacia do rio Bacanga é contribuinte muito importante para o abastecimento de
água do município de São Luís, com 23,7% da população da ilha como sendo beneficiada
De acordo com CAEMA (2003) isso representa cerca de 18% do total da água
disponibilizada para atender a população urbana.

4.4. Situação Ambiental Atual

O rio Bacanga recebe esgoto de diversos bairros. Sua água está negra e grossa
e em determinados pontos exala forte mau cheiro em conseqüência da falta de oxigênio. O
rio Bacanga possui níveis altíssimos de poluição por coliformes fecais tanto na água quanto
nos peixes segundo pesquisa recentes, o que significa sérios riscos à saúde das pessoas
quando da ingestão de peixes mal cozidos, conforme alerta o pesquisador.

Em conseqüência apresentam alterações em suas características. O lançamento


indiscriminado de esgotos nos rios promove a desoxigenação das águas, podendo causar a
morte de peixes (Figura 7) e acelerando o desenvolvimento de organismos patogênicos que
podem causar nas pessoas problemas de pele, gastrointestinais, entre outros pelo contato
direto com a água ou consumo de alimentos regados ou lavados com ela.

Figura 7 – Peixes mortos, boiando no Rio Bacanga, (2006)

Fonte: Jornal Veja Agora

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Além de esgotos sem tratamento, também lançadas nas margens e leito do rio
embalagens plásticas, pedaços de isopor, vidros, latas, pneus, animais mortos, sucatas de
eletrodomésticos e de carros, e restos de material de construção (Figuras 8 e 9). A maioria
desses produtos, conforme os especialistas, precisa de centenas de anos para se
decompor.

Figuras 8 e 9 – Lixos e entulhos jogados no Rio Bacanga (2008)

Fonte: Registros de campo.

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Na Bacia do Bacanga, foi criado um reservatório artificial criado na década de 70,
na foz do rio Bacanga. Essa barragem foi criada para fazer a ligação rodoviária de São Luis
com o porto do Itaqui e, provavelmente, conter inundações em alguns bairros periféricos.
Com isso o livre trânsito das águas da baía de São Marcos ficou prejudicado e,
conseqüentemente, a renovação diária das mesmas passou a não ocorrer. O lago do
Bacanga se formou com uma grande concentração de matéria orgânica e um déficit na
oxigenação natural do sistema aquático.

Ao longo do tempo e devido à falta de manutenção, as comportas passaram a


sofrer avarias, e com apenas uma comporta em funcionamento, isto limitou ainda mais as
condições de funcionamento. As condições de qualidade da água do reservatório estão
ainda mais deterioradas pela detecção da presença de metais pesados, notadamente um
alto índice de cádmio.

5. BACIA OCEÂNICA OU LITORÂNEA

5.1. Localização

A bacia Litorânea abrange um segmento da faixa e terras que se estende ao


norte da ilha do Maranhão, correspondendo a zona norte desta. Ao longe de sua extensão
suas terras margeiam a Baía de São Marcos, onde estão os principais cordões de praias
com dunas, cortados por pequenos rios da ilha (Figura 10).

No que se refere à localização, a bacia litorânea pode ser identificada pelos


seguintes limites: ao norte, a baía de São Marcos; ao sul, os divisores de água que se
separa das bacias do Anil e Paciência; a leste, as fronteiras dos municípios de são Luis e
são José de Ribamar e ao oeste, a ponta do farol (Macedo, 2003).

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Figura 10 – Localização da Bacia Oceânica ou Litorânea (2008)

Fonte: Google Earth.

5.2. Características Gerais

De forma geral esta região é caracterizada pela presença de pequenos cursos de


água não perene (intermitentes), chamados de riachos, estes obedecem em sua maioria a
orientação sul-norte, seguindo entre as dunas até a zona da praia. Possuem regime
hidrológico limitado durante o período de estiagem e aumentam de vazão no período das
chuvas. O relevo desta bacia apresenta-se suavemente ondulado, com altitudes que podem
variar até 54 metros do nível do mar.

Os principais cursos de água desta bacia são:

• Igarapé das Bicas: nasce no bairro do Araçagi, corta uma região pouco povoada,
com um curso de aproximadamente 1,7 Km e deságua no oceano no limite entre a
praia do Araçagi e a do Joelho de Porco;

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• Rio de Prata ou Jaguarema: nasce a leste do bairro Vassoral, corta a Avenida dos
Holandeses, com um curso de aproximadamente 3,5 Km e deságua no oceano entre
a praia do Meio e a do Olho d’Água;

• Rio de Claro ou Seco: nasce no bairro Turu, corta a Avenida dos Holandeses, com
um curso de aproximadamente 2,6 Km e deságua no oceano na praia do Olho
d’Água;

• Rio de Pimenta: nasce no bairro Turu, corta a Avenida dos Holandeses, com um
curso de aproximadamente 2,5 Km e deságua no oceano entre a praia do Olho
d’Água e do Caolho;

• Rio de Calhau: ë o maior rio da bacia, portanto alvo da pesquisa de campo do


presente trabalho, sua nascente está situada no conjunto habitacional da Cohama,
corta a Avenida dos Holandeses, com um curso de aproximadamente 3,1 Km e
deságua no oceano junto à praia do Calhau (figura 11);

Figura 11 – Foz do Rio Calhau (2008)

Fonte: Registros de campo.

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5.3. Utilização

Segundo depoimentos de moradores dos arredores desta bacia, os rios são


usados para pesca, captura de crustáceos e para o lazer, pois quando desembocam na
praia formam várias poças de água onde principalmente crianças gostam de brincar.

5.4. Situação Ambiental Atual

A poluição desses rios se constitui um dos problemas mais sérios causados pela
ação antrópica, sendo resultado de uma crescente urbanização experimentada pelo
município, notadamente nas últimas décadas principalmente pela rede hoteleira na Avenida
Litorânea. Por falta de estrutura adequada, vários prejuízos ambientais foram acarretados
na área. Dentre eles, pode-se citar a deposição de lixo e o lançamento de esgotos.

O lixo é uma das principais causas de poluição do solo. Por falta de


conscientização, as pessoas o acumulam em lugares impróprios e de forma inadequada.
Materiais sólidos como plásticos, vidros e metais levam muitos anos para se decompor,
provocando sérios danos ao meio (Figuras 12 e 13).

O crescimento da atuação humana levou à extinção de diversas espécies


animais sendo os crustáceos as mais representativas da área, apesar de estarem reduzidas.
Os vegetais também atuam na paisagem destes rios. Esses organismos se encontram nos
manguezais que estão dispostos nos curso do rio.

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Figuras 12 e 13 – Lixos e entulhos jogados no Rio Bacanga (2008)

Fonte: Registros de campo.

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6. BACIA DO RIO CACHORROS

6.1. Localização

Localiza-se a sudoeste da ilha de São Luis, sua nascente encontra-se nas


imediações do bairro Rio Grande e Tanandiba, seguindo seu percurso no sentido sudoeste e
deságua no estreito do coqueiro na altura do porto da ALUMAR (Figura 14).

Figuras 14 – Localização do Rio dos Cachorros (2005)

Fonte: Aerofoto Núcleo de Geoprocessamento da UEMA.

6.2. Características Gerais

O rio durante seu trajeto banha as seguintes localidades: Parnauaçu, Cajueiro,


Porto Grande, Limoeiro, Taim, Rio dos Cachorros, Vila Maranhão, Embaubal e outros. Nas
áreas despovoadas o rio segue com águas cristalinas enquanto nas áreas povoadas o rio
apresenta coloração esverdeada.

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A vegetação características é representada por manguezais, florestas nativas e
brejos, com buritizeiros e juçarais (Figura 15). Nesta área encontram-se trechos de grande
jazidas de areias e pedras.

Figuras 15 – Vegetação característica da Bacia do Rio dos Cachorros

Fonte: Registros de campo.

6.3. Utilização

O rio é usado para pesca, abastecimento dos moradores ribeirinhos e para laser
dos mesmos

6.4. Situação Ambiental Atual

A ação antrópica tem acelerado o processo de degradação da região, não só


pela presença de varias residências ao longo do rio, mais também pela ação depredativa

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causada pela exploração de jazidas de areias e pelos despejos de um matadouro. Ao longo
do rio é possível observar despejos de esgotos domésticos e depósitos de lixos em geral
(Figura 16).

Figuras 16 – Localização do Rio dos Cachorros (2005)

Fonte: Registros de campo.

Os conflitos existentes na área se dão pela presença de um reservatório de


sangue de um matadouro situado próximo ao rio dos cachorros, a realização de dragagens
pela ALUMAR para retirar areia do rio e ainda pela instalação do Porto do Itaqui que
acarretou o aumento na movimentação das embarcações. Todas essas atividades
prejudicam a pescaria, levando a escassez de varias espécies de peixes.

Já a exploração de jazidas de areia é grande responsável pela devastação das


nascentes dos rios naquela região degradando não só o solo mais também a vegetação.

Outra preocupação dos moradores daquela região são os planos do governo em


permite a instalação de um pólo siderúrgico o que tem gerado varias discussões. Dessa
forma a implantação da reserva extrativista do Taim tem sido uma prioridade do IBAMA no
sentido de defender os ecossistemas e das comunidades locais.

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7. BACIA DO RIO PACIÊNCIA

7.1. Localização

O Rio Paciência nasce na chapada do Tirirical e é o principal curso d’água que


banha a zona Leste da ilha do Maranhão (Figura 17). Possui 27,3 Km de extensão e uma
área de 143,7 Km2. A sua extensão e área no Município de Paço do Lumiar são 17,5 Km e
73,9 Km2 respectivamente. Sua foz está localizada próximo a ilha de Curupu e seus
principais afluentes são os rios Itapiracó e Miritiua, que dependem das precipitações
sazonais (Macedo, 2003).

Figura 17 – Localização da Bacia do Rio Paciênia.

Fonte: IBGE.

7.2. Características Gerais

O Rio Paciência desemboca na baía de Curupu e apresenta características


singulares que provocam controvérsias quanto a esta denominação, pois grande parte do

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seu curso é inundado pelas águas das marés durante a preamar. As maiores altitudes
registradas chegam a 65 m, estão localizadas na chapada do Tirirical e a direção do curso
do rio varia entre Norte, Nordeste e Leste.

Em relação ao padrão de drenagem, o rio Paciência apresenta o tipo dendrítico


ou arborescente, pois seus cursos fluviais tributários distribuem-se em todas as direções da
superfície do terreno, formando ângulos agudos e nunca chegando ao ângulo reto.

7.3. Utilização

O rio paciência contribui para o abastecimento de água de São Luis e


desempenha um importante papel na economia local, através da irrigação da horticultura e
floricultura. Outra função desse rio é como fonte de lazer nos finais de semana em alguns
trechos do seu curso (Figura 18).

Figura 18 – Áreas de lazer na bacia do Rio Paciênia.

Fonte: Registros de campo.

7.4. Situação Ambiental Atual

No decorrer da visita de campo, notou-se o intenso processo de degradação


ambiental do rio Paciência, que se encontra praticamente assoreado e poluído por esgotos

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doméstico e industrial. Ao longo do curso desse rio, a mata galeria que protege suas
margens está em grande parte devastada. Nos baixos cursos, tem-se a presença de
manguezais razoavelmente conservados.

O processo de degradação ambiental na bacia do rio Paciência começa com sua


ocupação em meados dos anos oitenta, seguindo-se a construção de grandes conjuntos
habitacionais e numerosas invasões caracterizadas por habitações de baixa renda. A
litologia sedimentar inconsolidada, associada à pequena amplitude altimétrica e a baixa
declividade das unidades geomorfológicas da área da bacia, favorecem a formação de solos
dominantemente arenosos e não oferecem limitações para o uso e ocupação do solo o que
implica a aceleração dos processos morfogenéticos.

O acelerado processo de ocupação no rio paciência resultou no desmatamento da


vegetação e conseqüentemente o assoreamento do canal, deve ser apontado como um dos
principais fatores responsáveis pela a degradação do leito do rio. Evidencia-se o lançamento
de esgotos domésticos e industriais e exploração mineral com a retirada de argila (Figura
19).

Figura 19 – Área de exploração mineral na região da bacia do Rio Paciênia.

Fonte: www.geografia.igeo.ierj

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Outro problema configurado dentro da bacia do rio Paciência é um lixão que recebe
os resíduos sólidos de toda a área dos municípios de São Luís, São José de Ribamar e
principalmente de Paço do Lumiar (Figura 20). Constitui um lixão a céu aberto com sérios
problemas sanitários e ambientais, representando um grande prejuízo a bacia do rio
Paciência, principalmente através da poluição do lençol freático pelo chorume originado do
lixo.

Atualmente o lixão encontra-se desativado pelo ministério público, por está próximo
das novas áreas de ocupação e o perigo de transmissão de doenças. Todo o lixo oriundo do
município de Paço do Lumiar, onde está localizada grande parte da bacia, está sendo
transportado para o aterro da Ribeira, através do convênio da Prefeitura de Paço do Lumiar
com a Prefeitura de São Luís.

Figura 20 – Lixão na área da bacia do Rio Paciênia.

Fonte: www.geografia.igeo.ierj

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8. CONSIDERÇÕES FINAIS

Atualmente os principais motivos de impacto negativo nos leitos dos rios são:
compactação dos solos, desmatamento, erosão, poluição e pesca predatória, além da
ocupação desordenada das áreas circunvizinhas das nascentes. O rápido incremento
populacional ocorrido nos últimos anos não recebeu estrutura adequada do município, o que
acarreta sérios prejuízos ao ambiente, dentre os quais se destacam a poluição das águas,
através do despejo de esgoto e lixo nos rios, e do solo, devido ao acúmulo de lixo em áreas
impróprias.

Devido o levantamento de dados de trabalhos já existentes juntamente com as


nossas pesquisas de campo concluímos que é de suma importância a educação ambiental
nas comunidades circunvizinhas.

Falta mais empenho da Secretaria de Meio Ambiente do Estado, no que dizem


respeito educação ambiental, projetos de revitalização, informação que praticamente são
escassas e outras ações. Dessa forma faz-se necessário uma atuação energética e efetiva
para agir enquanto há tempo.

Alem de todas essas medidas acima citadas, a comunidade é o principal ponto


de apoio a todos essas ações pelo qual sem incentivo e contribuições das mesmas não
serão possíveis a execução dos mesmos.

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REFERÊNCIAS

ALCÂNTARA, E. H. & SILVA, G. C. 2003. Conseqüências Ambientais da Intensa


Urbanização da Bacia Hidrográfica do Rio Anil, São Luís – MA. In: VI Congresso de
Ecologia do Brasil. Fortaleza – CE.

ASSESORIA COMUNICAÇÃO DO IBAMA. Mobilização das comunidades para criação da


Reserva do Taim é anterior às discussões sobre Pólo Siderúrgico em São Luís. Disponível
em: <http://www.forumcarajas.org.br/artigos2.php?id=136m> Acesso em 15 mar. 2008.

BRASIL. Secretária do Estado do Meio Ambiente e turismo. Diagnóstico dos principais


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