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A CALHANDRICE DE DAN BRADLEY

Dan Bradley foi editor do Washington Post. Foi ele quem deu a dois
jornalistas a liberdade de escreverem, violando segredos de uma
investigação. A fonte era um anónimo que se escondia atrás de uma coluna
de um parque de estacionamento.
Ficou conhecido como “Garganta Funda” e o caso como Wattergate. O
Presidente dos EUA ainda negou o seu envolvimento no escândalo,
alegando a violação de regras deontológicas pelo jornal e ameaçando o
editor. Dizia que o jornal era um “instrumento político dos seus
adversários”. Contudo, o jornalismo feito a partir de um “bufo” da Casa
Branca era, afinal, a verdade, como foi sendo confirmado por outras fontes.
Nixon acabou por também confessar, demitindo-se.
O segredo judicial e a privacidade são direitos muito importantes. Mas
concorrem com outro de que nenhuma sociedade democrática pode
abdicar: o direito à verdade relevante para o interesse público.
Os EUA são hoje uma democracia mais séria e consolidada por uma razão:
mesmo com corrupção e com erros no jornalismo, a verdade “ameaça”
sempre a cada página que se vira num jornal. Etiquetar de “jornalismo
buraco de fechadura” o que fez o Washington Post ou chamar “calhandrice”
à coragem de Dan Bradley, não é relevante para esta história.

Texto de Nuno Nogueira Santos publicado no jornal Forum do Vale do Sousa


a 12 de Fevereiro de 2010