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A VIDA SOCIAL DAS COISAS COLECAO ANTROPOLOGIA E CIENCIA POLITICA 2 ua ier ie ' E ‘Arjun Appadurai A VIDA SOCIAL DAS COISAS As mercadorias sob uma perspectiva cultural “Tradugio Agatha Bacelar Revisto Técnica Leticia Veloso EAUFF DITORA DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE Nites, RU 2008, © 1986 by Combe UsveiyPst “ran oi Thee! feof hg: consoles inca perspective ‘nse ta BUT aor Unverne ea Poose ar het xr 9a es Niet d-CEP 2220900, {Eis 208 987 ran QD 29-548 prio Erm tiem pipe wo pc is si cme do adenine Catala ma Plas - (CP) as apa oe ‘Avie soil ds ost: a aendvias 298 uma pepsi eat! ‘Aun Appar: Tn de Aaa Baer = Nii Bor da User ‘Sad een Panis 208 299 2c. = (Cabo Anepaogine Ciuc Polis 4). nei: ISBN 97-8225-0006 1. Anglo 2. Silo 3. Maca Tin Si cop 6 Nommaisag: Carine Brito Reva: ela Frexinho«Taane de Anta Brags Tradudo: Agatha Bacar Revit tei. Veloso Cpa: Maco Antonio de Jesus trap elerdnes A Coie Fein Diagram: Vivi Macedo de Sou Servis gre: Kin M.P Macedo LUNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE, Retior: Robert de Sour Sales Vee Reto: Emmanuel Paiva de Andrade Pré-Reitor de Pesgisa e Pi Gradua: Bumbo Fereandes Machado Dirt da EAUPF: Nao Roto Leal Passos ivetor da Divito de Edtoragdoe Produ: Ricardo Borges Dinetora da Data de Desenvolvinent ¢ Mercado: Lacie Pde Mores ‘Arteisra de Cmumicagao« Broo. As Pala Campos ae carr 1 SUMARIO AUTORES, 7 [BREVE INTRODUGAO A'EDICAO BRASILEIRA, 9 PREFACIO, 11 PARTE I- Por uma antropologia das coisas INTRODUGAO: MERCADORIAS E A POLITICA DE VALOR, 15 Arjun Appadurai A BIOGRAFIA CULTURAL DAS COISAS: ‘A MERCANTILIZACAO COMO PROCESO, 89 Igor Kopytoff PARTE II- Troca, consumo ¢ exibicio DOIS TIPOS DE VALOR NAS ILHAS SALOMAO ORIENTAIS, 125 William H. Davenport RECEM-CHEGADOS AO MUNDO DOS BENS: (© CONSUMO ENTRE 0S GONDE MURIA, 143, Alfred Gell PARTE II - Prestigio, comemoragio e valor ‘VARNA EO SURGIMENTO DA RIQUEZA NA EUROPA PRE-HISTORICA, 181 Colin Renfrew MERCADORIAS SAGRADAS: ‘A CIRCULACAO DE RELIQUIAS MEDIEVAIS, 217 Patrick Geary PARTE IV - Regimes de produgio ea sociologia da demanda ‘TECELOES E NEGOCIANTES: A AUTENTICIDADE DE UM TAPETE ORIENTAL, 247 Brian Spooner VII_QAT: MUDANCAS NA PRODUGAO ENO CONSUMO DEUMA MERCADORIA QUASE-LEGAL NO NORDESTE DA AFRICA, 299 Lee V Cassanelli PARTE V- Transformagies histéricase cédigos ‘mercantis IX _AESTRUTURA DE UMA CRISE CULTURAL: PENSANDO SOBRE TECIDOS NA FRANCA, ANTES E DEPOIS DA REVOLUCAO, 329 William M. Reddy X AS ORIGENS DO SWADESHT (INDUSTRIA DOMESTICA): TECIDOS, EA SOCIEDADE INDIANA DE 1700 A 1930, 357 CA Bayly AUTORES [ARJUN APPADURAI associate professor de antropologiaeestudos ‘subasiticos na Universidade da Pensilvinia. E 0 autor de Worship ‘and conflict under colonial rule (1981). GA. BAYLL€ fellow do St Catharine's College, na Universidade {de Cambridge, © smuts reader em Estudos do Commonwealth. Publicou The local roots of indian pots: Allahabad, 1880-1920 (1975) e Rulers, ownsmen and bazaars: North Indian society in the ‘age of British expansion, 1770-1870 (198). LEE V. CASSANELLI é professor do Departamento de Historia da Universidade da Pensilvinia. & o autor de The shaping of somali society: reconstructing the history of a pastoral people (1982). WILLIAM H. DAVENPORT ensina antropologia na Universidade 4a Pensilvlaia, onde também 6 curador encarregado da Oceania no University Museum, Realizou pesquisa de campo na Jamaica e nas Iihas Salomio e pesquisashistérias sobre o Hava pré-europeu. Tem, publicado diversos trabalhos sobre esss reas de estudos. PATRICK GEARY é associate professor de histéria da Universidade da Florida, Bo autor de Furta sacra: thefts of relies inthe central middle ‘ages (1978) eAristocracy in Provence: the Rhone Basin at the dawn of ‘the carolingian age (1985). ALFRED GELL ensina antropologia social na Escola de Economia e Cisncia Politica de Londres. B 0 autor de Metamorphosis of the cassowaries: umeda society, language and ritual (1975). IGOR KOPYTOFF, do Departamento de Antropologia da Universidade da Pensilvinia, 6 co-editor (com Suzanne Miers) de Slavery in rica: historical and anthropological perspectives (1977) ‘autor de Varieties of witchcraft: the social economy ofseretpower (0 prelo). WILLIAM M. REDDY 6 assistant professor de hist6ria na Universidade de Duke e escreveu The rise of marke culture: the textile ‘rade and French society, 1750-1900 (1984), COLIN RENFREW € Disney professor de arqueologia da ‘Universidade de Cambridge e Fellow do St. John's College. B o autor ‘de Problems in European prehistory (1979) ¢ Approaches to social archaeology (1984). [BRIAN SPOONER ensina no Departamento de Antropologia da ‘Universidade da Pessilvinia, Escreveu Ecology in development: a rationale for tree-dimensional policy (1984). BREVE INTRODUCAO, AEDICAO BRASILEIRA Laure Graziele Gomes A presente publicacio em lingua portuguese da coletineaorganizada por Arjun Appadurai (1988) vem completare somar-se a0 conjunto, Ge textos académicos produzidos no contexto da antropologia anglo- americana e francesa sobre o tema do Consumo e do consumismo ‘modernos nas tts sitimas décadas do século XX, mas que come am a ser publicados entre n6s somente nos itis anos (a partir de 200). Deve ser ressltado que uma caracteristic fundamental deses textos, cujapublicagdo no Brasil se iniciou comA ética romfintica eo espirito cdo consumismo moderno de Colin Campbell (2001), foi aretomada de uma perspectiva propriamentesocioantropoldgica sobre o fendmeno do consumo, ue desautorizavaalgumas tesesvigentes de cardtrtrans- ‘cendentee moral Esta abordagem surgu, portato, como uma “terceira via” para aqueles que nfo se adequavam ou nfo conseguiam mais en xergar este importante fato social do mundo contemporineo ~ 0 ‘consumo pela 6tica exclusiva das polarizagies e dos dualsmos, ‘De algum modo, todos esses textos apresentam um ponto em comum, ‘Todos eles respondem, de uma forma ou de outa, aalgumas acuss- de fetichizacdo dos objetos. Uma dessas acusegdes seria a incapacidade de ambos para estabelecer vincuos sociais “autti- 0s”. Ao contri, tal como uma espécie de edncer, 0 consumismo ‘modero veo para destruir os “vetdadeiros" lags soca, Para com pletar este cero de Deus e o Dabo na Terra do Sol, a literatura de negécios, salvo excegSes, também sempre deixou muito a desejar porque, partindo de premissas reificadoras, ela acabou consagrando ‘uma concepcéo pecaminosa do consumo. ‘ein de Meta Sis Ca ers pric of oe em Wp ei ms mec naan Autores como Bourdieu, Mary Douglas, Marshall Sablins, Colin (Campbell, Danie! Miller outros demonstraram exalamente 0 con- \eério, sem cafrem na tentagio de destituiro sentido ea importancia das formas de sociabilidade tradicionais criadas a partir da fami, da produgio e do trabalho. Baseados em pesquisas empiticas, eles ‘mosiraram que o consumo esta na base da formacio do gosto, da distncio, som o que nio se poderia falar de individualismo e de es- tratégias de reprodugio de muitos grupos e identidades socisis no ‘mundo moderno. Assim, além de produzirvinculos socias,o cons ‘mo também gera formas particulates de solidariedade, confianca & sociabilidade fundamentals para a vida socal ‘Como as demais obras, a coletnea organizada por Arjun Appadurai € ‘uma demonstracéo eloqiente dessa perspectva. la ainda tema vanta- ‘gem de razr consigo todo vigor provocativo que apolémice adquiiy durante as décadas de 1980/1990. Isso se toma evidente no momento fem que Appadurai apresenta 0 ponto de vista que propds a autores dds captulos: 0 que acontece se deixarmos de prestaratenco apenas ‘0s vincules sociais que supastamente precedem ou deveriam prece- eras cosss,e comocarmos a observar as coisas durante 0s variados percursosetrajetrias que elas fazem e tracam na sociedade por meio as diferentes esfera decirculacio nelaexistentes? © livro & importante nlo apenas pelasrespostas que cad autor en- controu no seu universo de pesquisa para esta proposicio, e que 0 Ieitor terdcondigdes de avaliar, mas pela vocacio de algo importan- te em termos metodol6gioos. A coletinea nos faz lembrar que a pesquisa socioldgica nfo pode de forma alguma, ficarrefém de ob- {jotospré-consteuldes, Niter6i, 13 de fevereiro de 2008 10 PREFACIO ‘Embora antrop6logos e historiadoresfalem cada vez mais uns so- ‘bre os outros, eles raramente falam uns com os ouros. Este livro é ‘ resultado dé um dilogo entre antrap6logose historiadores sobre ‘tema das mercadorias, que se estendeu por um ano. Tiés dos arti- ‘gos (os de Cassanell, Geary e Spooner) foram apresentados n0 workshop de Etno-histéria na Universidade da Pensilvénis em 1983- 1984, Os outros (@ excecio de meu proprio enssio introdut6rio) {foram apresentados em um simpésio sobre as relacSes entre merca- tratégias individuais em situagGes compettivas, mas podem ser institucionalizados de viras formas que temovem ou protegem ob- {elas dos coatextos mereants socialmente relevantes. Monopdlios {de realezas so, talvez, os exemplos mais conhecides de ais “merca- dorias encaixadas”, como aponta Kopytoff no Capitulo 2. Uma das discussées mais amplas e interessantes sobre este tipo de restricio rmonopoista ao fluxo de mercadorias é a de Max Gluckman (1983), ‘no contexto das propriedades reas entre os ozi da Rodésia do Norte, Em sua discussio acerea das categorias de “dédiva”,“tibuto” “cor sas régias", Gluckman mostra como, mesmo em um reino agricola, com baixos excedentes,ofluxo des mercadorias possu implicagoes, ito diversas esignificativas. Em sua andlise das “coisas régias”, toma-se claro que «principal funcio destes monopélios reais era ‘manter aexclusividade suatuéria (Como no monopélio real de espan- ta-moscas feito com pele de elande), a primazia comercial (como ‘comas pesas de elefante) ea exibigzo da hierarquia. Tl restricio de coisas rtiradas das esferas de troca mais indiscriminadas € parte {do modo pelo qual, em liderancas e impérios pré-madernos, area Jeza podia assegurata base material daexclusividade suntudria. Este ‘ipo de processo pode ser chamado de desmercantilizagdo “de cima para baixo”, ‘Mas o caso mais complexo conceme a reas inteiras de atividade e rodugio que sio destinadas a fabricar objtos de valor que nio po- 38 | not epnton ie cacti orgs eros eg ono devon coma Apa nla por esr an} “to amc de que eng emi mantels plesae coer go sep ro Cmantv a sin on omen ¢ ‘id Emr ommend xpress ml oni Some pale Fay omni am 9 etn) ate (Sect in uel © seem chem cance oe exc am eo “ie Gu MEDICR EAREAN, 181) Zen wean proce compan as conic ies ane ctr en "penn on ave Copia ‘etre Dc) ales un etd amar de carn com Bore) ¢ ‘mcs (ego Sls) Apns apo eens el wenn eet ‘pertains Sacco cates » Simmel (17% p18 emom cones un i Se “ny (580) oes wm excl cu, an ined po Sinn stew epee abr gees mers aren ton gta oi Svesdostbeos lea de cacor atric onccnte singe Estas Ten cos na i rag eer guns Jae dl. * Soup Gabun(197, cou demining de Moi em ie ceo eae ens ¢ is, npc min pers santo * Oem adem once (84, * Cant! ern ale vl pt do woe Mi em un ote be “dicen, dace tea de ps ° Eman erate cu abe fs exposes mini Bue Belt (182) ‘Sous cents op ends compton dein eso aoe cama fd cons.) 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Essa visto, evidentemente, barca a definicio de mercadoria segundo © senso comum: umn item com valor de uso que também tem valor de ttoca. Provisoriamente,aceitarei essa definigio,suficente para le- ‘anlar certas quesides preliminares, mas mas i fente eu 8 ampliaei conforme exija a minha argumentago. De um ponto de vista cultural, a producto de mercadorias¢ também. um processo cognitivo cultural: as mercadarias devem ser nao ape- nas produzidas materialmente como coisas, mas também culturalmente sinalizadas como um determinado tipo de coisas. Do total de coisas disponiveis numa sociodade, apenss algumas slo apro- priadamentesinaliziveis como mercadorias.Além do mais, a mesma coisa pode ser tratada como uma mercadoria numa determinada oc sito, nao ser em out. Finalmente, a mesma coisa pode, ao mesmo ‘empo, ser vista por uma pessoa como uma mercadoria,e como uma ‘utra coisa por outra pessoa. Essas mudancas ¢ diferengas nas cir cunstincias ¢ nas possibilidades de uma coisa ser uma mercedoria, revelam uma economia moral subjacente & economia objetiva das transacdes visiveis. DE PESSOAS F COISAS ‘No pensamento ocidental contemporineo, admitimos, como um ponto relativamente pacifico, que as cosas objetos materiais eos direitos de té-1os ~representem o universo natural das mercadoras. Situa- 89 mos as pessoas do lado oposto,representando o universo natural da {ndividualizacio e da singularizacio. Essa polarizacdo conceit entre pessoas individualizadase coisas mercantlizadas 6 recente e, em ter- ‘mos culturais, excepcional. Pode acoatecer (como jé aconteceu) de ‘pessoas serem mercantilizadas, por vezes sem conta, em muitas so- Ciedades a0 longo da histria, or intermédio daquelasinstituigbes ‘bem disseminadas, conhecidas pelo nome genético de “escravidio”. Portano,talvez sea il abordat a nogio de mercantlizacio exami- rnando-a primeiro no contexto da escravidio. “Aceseravidio foi muitas vezes definida, no passado, como forma de tratamento dada a pessoas coasideradas como propriedades ou, em algumas definigdes semelhantes, como objetos. Mais recentemente, abandonou-se esta visio de “ot-uma-coise-ou-outra, e adotou-se ‘um poato de vista processual, no qual a marginalidade e a ambigii- dade de stanus se tornaram o centro da identidade social do escravo (ver MEILLASSOUX, 1975; VAUGHAN, 1977; KOPYTOFF, [MIERS, 1977; KOPY'TOFR, 1982; PATTERSON, 1982). Sob essa perspectiva, a condigio de eserave 6 vista nio como um status fixo e ‘unitério, mas como um processo de transformacio socal que envol- ‘ve uma Sucessio de fases e mudancas de starus, alguns dos quai se fundem com outros status (par exemplo, o de adotado) que, nds, 08 ocidentais, consideramos muito distntos da escravidio. “Acescravidio comega com a captura ou a venda, quando a identida- de social prévia do individuo Ihe €arrancada, transformando-o numa ‘o-pessos, que, na verdade, é um abjeto e uma mercadoria de fato ‘u em potencial. © processo continua, no entanto. O escravo ad- {uirido por uma pessoa ou um grupo e € reinserido no grupo que 0 recebe, dentro do qual € re-socializado e re-humanizado por meio {es ores africanos reservam para simesmoso dito acertos animals, « procitosanimais tais como os dentes e as ples de gatos selvagens, 100 pintados. Os reis do Sifo monopolizavam os elefaates albinos. Os ‘monarcas britinicos conservaram o seu direitos baleias mortas que ‘encalham nas praias. Pode ser que haja um lado prético em relagio a essas pretensdes reas, e os materalistasecoldgicos cultuais sem vida se esforgatio para descobri-o, No entanto, 0 que fica claro nesses monoplios € que eles expandem 0 aleance visivel do poder sagrado ao projeté-lo sobre novos objetos saralizados. ‘Algomas vezes essa singulatizacio inclu coisas que normalmente ‘sio mereadorias—com efeito, as mercadoras so singulatizadasexa- ‘tamente por serem retradas da sua usual esfera mercantl. Assim, na perennial da monarua bins, eacontramos a Escada india, que, contrariamente ao que sera normal, fi impedida de se ‘omar uma mereadoriae eventualmente singularizow-se na forma de uma "6ia da coroa”. Da mesma forma, a parafemilia ital dos ris, dds Suku, do Zaire, incluia antigos itens de toca, tas como copos europeus de cetimica do culo XVII, introduzides pelos portugve- ses transportados pelos Suku até o set tertério atuale, nesse meio tempo, stralizados. (Outra forma de singularizar objetos 6 por meio da mercantilzacko restrit, pela qual algumas coisas sio confinadas a uma esfera muito, restrita de troca. O sistema Tiviusta esse principio, Os poucositens ‘que constavam da esfera de prestigo (eseravos, gado, cargos rtuais, um tecido especial eas vara de lato), emborafossem mercadorias, no sentido de serem trocéveis uns pelos outros, eram menos ‘mercantilizados que 0 mero bem maior de tens da esfera da sub~ sisténca, que inclufa de inbamesapanelas, Uma esfera que se restrinja 8 apenas dois tipos deitens ~ como no modelo clésico da esfera de trocas do hula dos Trobriand de faixas para os bragos e braceetes — fepresenta um grau ainda maior de singularizagio. A esfera de troca dos “aireitos-na-pessoa” dos Tivalcancou uma integridade singular com base num prinefpio distinto, porém relacionado: 0 da ‘homogeneidade dos seus componentes. As duasesferas mais eleva das dos Ti, como se pode notar, eram mais singulares, mais especiais, « portant, mais sagradas que a esfera mais baa, que continha os ‘numerosos objetos de subsisténcia mundana. Assim, a hierarquia, ‘moral das esferas de troca dos Tiv correspond a diferentes graus de singularidade. ‘Sea sacralizagio pode ser alcancada mediante a singularidade, a sin- _olaridade ndo garante a sacralizacio. Ser uma ndo-mercadoria no 6 J01 em si mesmo suficiente para garantir ata estima, © muitas coisas singulares (ou sea, coisas intercambidveis) podem valer bem pouco.. Ene os Aghem do oeste da Repiblica dos Camarbes, cujas eseras, 4e troca nio sio muito diferentes das dos iv, & possivel perceber ‘umaesfer ands mas baia, inferior dos tens de subsisténcia,Certa feita, quando tentava descobrir valor de trocapré-colonial de diver- sositens, ndaguei sobre o valor de permuta da mandioca. A resposta {oi um deboche indignado contra aidsia de que algo tio desprezivel ‘como a mandioca pudesse ser trocével por algume coisa: “Ela serve para comer, ¢ nada mais do que isso. Ou entéo é dada, se alguém ‘quiser dar. Taveras mulheres se ajudem umas as outras com a man- dioca e outras comidas parecidas. Mas ninguém comercializa ‘mandioea”, Para evitar que esse comentiioiritado seja mal enten- dido e sentimentalizado, devo enfatizar que a indignagio néo foi ‘causada pela sugestio de uma corrupeo comercial de um item de subsisténciaallamente valorizado, tal como, talvez, 0 plo para 0s camponeses da Europa ocidental. Os Aghem eram e continuam a ser um povo com tino comercial, no deslenham a negociacio. O de- ‘boche era, a0 coaterio, parecido com o que um memiro dos Aghem ouviria de um ocidental a quem ele indagasse sobre o valor de troca ‘de um fisfro que ele oferece para acender ocigarro de um estranho.. ‘A mandioca era parte de uma classe de coisas singulares de tio pou- co valor que ndo chegava a ter um valor de troca publicamente reconhecido, Ser uma nio-mercadori & ser “sem prego”, no seatido ‘mais amplo possivel do termo, indo desde o paricularmentevalioso aléo particulamente sem valor. ‘Além de as coisa serem classificadas como mais ou menos singula- 1s, existe também o que poderia ser chamado de mercantilizacio terminal, pela qual trocas posteriores so impedidas por algum tipo de sangfo, Algumas sociedades trtam os remédios dessa maneira: 0 ccurandeirofabricae vende um remédio que € completamente singu- lar, que ele 6 eficaz apenas para o paciente para o qual foi feito. A ‘mercantlizagéo terminal era também uma marca das indulgencias sa Romana de meio milénioatrs: 0 peca- las, mas no podia revendé-las. Na moderna ental, essa mercanilzacdo terminal € aleancada por ln se base na proibigdo da revenda de um remédio que melo dalei ddependa de receta médica eda proibicéo da venda de quaisquer r= ‘médios sem um licenciamento adequado. Existem outros exemplos, 102