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| GHARTIER, Roger (org). Histéria da vida privada, 3: Da Renascenga ao Século das Luzes. Sao. | P. | Paulo: Companhia das Letras, 2009. citagao 119 12h 122 122 de alfabetizagao entre ambos os sexos. Porém, o grande medo era que o sexo feminino passasse a escrever, entdo, para elas era destinado somente a leitura. As leituras que também eram restritas, eram valtadas mais cuidados domésticos, criangas, como servir a0 marido, como costurar, etc. ‘A Inglaterra do século XVII, a0 contrério do que se possa imaginar, possufa um bom nivel -2_|“L..] Desde o final do século anterior, sobretudo aps a lei da Igreja de 1686, a Igreja | Luterana apoiada pelo Estado ali empreendeu uma vasta campanha de ensino da leitura ara que todos pudessem “aprender a ler e ver com os prdprios alhos o que Deus ordena e comanda através de sua Palavra Sagrada”. Dai o clero das paréquias encarregar-se da obra de alfabetizacdo (mas apenas para a leitura); daf os exames periédicos feitos por |ocasido das visitas paroquiais, que verificam as capacidades de leitura e os. |conhecimentos do catecismo por parte dos fiéis; dai a interdigo da comunhao e do sacramento do matriménio aos que no lem e nada sabem do catecismo. Muito intensa entre 1690 e 1720, a campanha frutifica, instaurando nas populacdes sueca e finlandesa ‘uma dicotomia radical entre um saber ler universal (mas um saber ler de origem e uso religioso) e um saber escrever que constitui um privilégio de uma elite restrita.” |Porém, na Escécia grande parte da populagdo que sabe ler, aprendeu para “nao passar vergonha” e conseguir se inteirar nas assembleias e cultos. 3 E importante lembrar que, o luteranismo nao foi o grande alfabetizador da populacao. ‘...] Na Alemanha, jd em meados da década de 1520, Lutero abandona a exigéncia da leitura individual e universal da Biblia em prol de outro projeto, que enfatiza a prédica e 0 |catecismo [...]Instaura-se uma nitida separacao entre as politicas escolares dos Estados Luteranos que acima de tudo, visam a formacao das elites pastorais administrativas, ea obra de educacao religiosa do povo, que, baseada no ensinamento oral, e na memorizacao, pode muito bem conviver com o analfabetismo.”. Foi através do pietismo (um movimento | que preza a leitura e experiéncias individuais do luteranismo) que a populacao passou do analfabeto funcional para a alfabetizada, crescendo ainda mais os nimeros de pessoas que sabem ler, e populatizando ainda mais as biblias (saindo de bibliotecas religiosas, de pastores e politicos) no século XVI 123 “[...] na Prissia Oriental, a porcentagem de camponeses capazes de assinar o nome passe de 10% em 1750 para 25% em 1765 e para 40% no final do século. Portanto, é como pietismo, e ndo com a Reforma Luterana que a pritica de ler se difunde macigamente na ‘Alemanha-e isso a partir das mesmas décadas do século XVIIque assistem a campanha da alfabetizacao da Igreja sueca.” [127 [Segundo Lope de Vega, em 1619, a imprensa ‘T... preserva e difunde as obras de valor, | mas também coloca em divulgacdo os erros e os absurdos, permite os que querem arruinar a reputacao de um autor usurpar-Ihe a identidade, distribuindo tolices em seu nome, confunde os pensamentos com a superabundancia dos textos.” 128.9 |Uma das grandes revolugGes da leitura é a leitura silenciosa. Esta permite com que as pessoas intemalizem e consigam ler mais rapidamente entendendo quase tudo o que leem, ‘que possibilita maior fluxos em bibliotecas. Isso se deu ainda na Idade Média com os copistas, se difundindo entre os estudiosos da elite no século XII, porém foi na modernidade que esta maneira de leitura intima se popularizou. /131 | Noséculo XV1jé apareceu indicios de pessoas que guardavam seus livros e os consideravam propriedade pessoal. 133 “...Ja fronteira religiosa parece um fator decisivo no tocante a posse do livro. Nada mostra melhor que a compatacio das bibliotecas das duas comunidades numa mesma cidade. Em Mew, entre 1645 e 1672, 70% dos inventérios dos protestantes incluem livros contra apenas 25% dos inventarios catélicos.” 138.9 “issa tensdo entre a dupla vontade de subtrair-se a “multidao” e de manter os dominios sobre o mundo remete, sem diivida, & absoluta liberdade que 0 comércio dos livros pemnite, portanto, ao total dominio que o individuo pode ter de si mesmo, sem coacdes nem controles: “Ali,é meu trono. Procuro ter sobre ele dominacao absoluta e subtrair esse canto & comunidade conjugal, filial e civil”. As horas passadas na biblioteca asseguram, com efeito, o duplo afastamento constitutivo da prépria noco de privatizacio na era moderna: afastamento com relacao ao publico, ao civil, aos negécios que séo os da Cidade, e do Estado. Afastamento com relacao a familia, casa, as sociabilidades que so as da intimidade doméstica. Ali o individuo € dono de seu tempo, de seu dcioede seu | estudo: “Ora folheio um livro, ora outro, sem ordem e sem propésitos, fragmentos | desconexos; ora devaneio, ora registro e dito, passeando os sonhos que aqui vedes”, “E dito”: vemos que o velho modo de composicio, oralizado e ambulatério, que requer a presenca de um escriba, no contradiz.a sensacao de intimidade proporcionada pela. | familiaridade com os livros possudos, folheados, préximos.” | 150 |“Diferentes modos de leitura e de relagdes com o livro definem assim praticas ligadas, sociabilidades entrosadas: a leitura solitéria alimenta o estudo pessoal, e o comércio intelectual; a sociedade amistosa baseia-se na letura em voz alta, na glosa, na discussio, | porém estas também podem reunir um auditério mais amplo que se instrui ouvindo os textos lidos e os argumentos expostos.” Aleitura também serve como uma ligagdo, um entretenimento da familia. Isto & quando pai e filho leem e discutem algum livro além da Biblia. “Certamente Montaigne nao é o primeiro a reconhecer que nao existe “movimento que nao fale, tanto uma linguagem inteligivel sem disciplina, como uma linguagem puiblica”. Porém ele o faz ao término de um século que se interrogou apaixonadamente sobre a natureza e 0 significado das linguagens no verbais, em especial das expressdes corporais. Também sobre sua fungo: dos movimentos do corpo, e no rosto, na postura e na veste encontra-se ‘0s elementos de caracterizagao psicolégica e de uma taxonomia social. Nesses signos falantes baseia-se um léxico do conhecimento.” 169-70 “L..Jo século XVIé 0 de um intenso esforco de codificagéo e controle dos | comportamentos. Submete-se as normas da civilidade, isto és exigéncias do comércio |social. Existe um linguagem dos corpos, sim,porém destina-se aos outros, que devem. |poder capté-ta, Ela projeta o individuo para fora de si mesmo e 0 expe ao elogio ou a sancao do grupo. As regras da civilidade que se impoem entdo podem ser compreendidas | como uma manobra para limitar ou até mesmo negar a vida privada.” | Namodemidade, surge certa vigilancia nas agdes pessoais. HA uma severa educacio na | gestio dos corpos e da alma, Voltando-se cada vez mais a vigilancia, a culpabilidade de certas agdes corporais, Os gestos corporais revelam a disposigao da alma, “Alleitura psicol6gica do olhar constitui para nés um lugar-comum elementar. Porém, todos os movimentos, todas as posturas corporais, a propria roupa podem ser objetos de ‘uma leitura semelhante. Os gestos sao signos e podem organizar-se numa linguagem; lexpdem-se & interpretagio e permitem um reconhecimento moral, psicolégico e social da pessoa. Nao ha intimidade que ndo se revelem, | Tal proposigio tem o seu contrario. Se o corpo diz tudo sobre o homem profundo, deve ser |possivel formar ou reformar suas disposicdes intimas regulamentando corretamente as tmanifestagées do corpo. La razao de ser uma literatura que prescreve os comportamentos | licitos ¢, mais ainda, proscreve os quais so considerados irregulares ou maus. \ Considera-se intimidade apenas para manipul-la ou adequé-la a um modelo que é do meio | |termo, 0 da recusa a todos os excessos.” 175 ‘Acivilidade pueril é uma obra feita por Erasmo, e tornou-se um best seller em toda a Europa do século 1500. Ela fazia comparacdes das posturas das pessoas com os animais, e também trazia uma série de novas etiquetas as quais as sociedade deveriam aderit. .-J Nascido de um projeto humanista, em alguns anos o modelo da civilidade entra na esfera das Reformas Protestantes, luterana e calvinista. A geografia de seu éxito bem o mostra: o livro triunfa tanto nas regiées onde a Reforma se implantou quanto naquelas que abalou profundamente. Na verdade, tal captacdo nao é surpreendente, ainda que Erasmo sempre procurasse manter uma inexpugnavel posigao de meio-termo entre os tistianismos de luta, Pois, para os reformadores, o problema da educacio das criangas é primordial.” 183 “Eos tratados seguintes bem poderdo propor aos leitores do século XVile XVIII “civilidade praticada na Franca”, pois as regras se mantém iguais de um pais para outro, variacdes repetitivas sobre 0 esboco de Erasmo. Sem diivida, também explica essa permanéncia de uma forma editorial: olivrinho barato e conciso que prope aos leitores um conhecimento | elementar, geral, aberto a todos.” 188 | Se alguém ¢ infeliz o bastante para esquecer-se ou descurar-se de ajoelharse diante do | Deus por falta de devocao, fraqueza ou preguica, deve ajoelhar-se ao menos por decoro por causa das pessoas de qualidade que podem encontrar-se em tal lugar. O.que mais importa é 0 que se ve”. 191 “Entretanto, na difusdo social desse modelo elitério, a religido, sob os aspectos das duas, Reformas desempenha papel decisivo, nao cessando de repetir que nao existe intimidade | suscetivel de escapar ao olhar de Deus. J Erasmo lembrava ao seu protegido a presenca amistosa, mas incessante dos anjos da guarda. Com La Salle a vigilancia se torna tio estreita que acaba proibindo toda a relacao imediata consigo mesmo: “O decoro exige | também que, ao deitar-nos escondamos de nés mesmos o préprio corpo e evitemos lancar-he até os menores olhares”. Negacdo radical de qualquer intimidade. As vésperas do iluminismo, toda uma gama de praticas corporais cai, assim, numa clandestinidade furtiva, vergonhosa, Organiza-se ao redor do corpo uma esfera do siléncio e do segredo.” 200 Porém, no século XVIlas normas de conduta saem da 6rbita do principe e dissemina-se no | povo, até mesmo aos mais humildes. Isso causou alvorogo na populacéo, principalmente na burguesa, Também houveram mais aspectos de mé criacao entre os nobres. | ‘Varios foram os debates sobre esse fendmeno. Alguns estudiosos como Rousseau afirmam que houve nenhuma fraude de pessoas pobres a fim de maquid-las em nobres, | ‘mas sim, a necessidade de mostrar merecimento das pessoas que batalharam duramente |na vida, ascenderam econdmica e socialmente, e que portanto desejariam ser reverenciadas tais quais as pessoas de “sangue nobre”. | ‘Cupido acerta coracéo. O anjo acerta com a langa o corago da santa | 212 “Naturalmente, o intimo também é revelando pelo retrato visual ou escrito, esses objetos-reliquias tém um poder especial. Falam através néo s6 de seus sortisos, seus trejeitos, seus olhos, mas também com suas palavras, capazes de retratar um dialogo a0 213 “A evocacao inexprimivel nao é rara nas memérias intimas. Os relatos de experiéncias misticas, de éxtase ante as ruinas antigas ou a floresta profunda, dos momentos sublimes ‘em que 0 corpo € 0 espirito se unem pelo amor ou pela amizade manifestam pela