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O

ANGLO

RESOLVE

É trabalho pioneiro.

Prestação de serviços com tradição de confiabilidade.

Construtivo, procura colaborar com as Bancas Examinadoras em sua tarefa

árdua de não cometer injustiças.

Didático, mais do que um simples gabarito, auxilia o estudante em seu

AS PROVAS DA UNIFESP

processo de aprendizagem.

A Universidade Federal de São Paulo — Escola Paulista de Medicina (UNIFESP)

é uma instituição pública voltada exclusivamente para a área da Saúde.

Oferece os seguintes cursos (todos em período integral):

Tecnologia Oftálmica — 20 vagas

  • 2002 Ciências Biológicas (modalidade médica) — 30 vagas Enfermagem — 80 vagas Fonoaudiologia — 33 vagas Medicina — 110 vagas

Até 2001, selecionava os candidatos pelo vestibular da FUVEST; este é o seu

primeiro vestibular isolado, constando de uma única fase, realizada em três

dias consecutivos, com provas de quatro horas de duração, assim distribuídas:

1º dia: Prova de Conhecimentos Gerais (peso 1) 90 testes de múltipla

escolha, de Matemática, Física, Química, Biologia, História e

Geografia (15 testes de cada disciplina).

2º dia: Prova de Língua Portuguesa (30 testes), Língua Inglesa (10 testes) e uma

Redação dissertativa (valendo 60 pontos). Essa prova tem peso 1.

3º dia: Prova de Conhecimentos Específicos (peso 3). Consta de 25 questões

discursivas, sendo 9 de Biologia, 7 de Química, 5 de Física e 4 de

Matemática.

A classificação final é a média ponderada das notas das 3 provas.

Observação: a Unifesp utiliza a nota dos testes do ENEM, aplicando-a de

acordo com a seguinte fórmula:

95

,

×+×

,

CG

05

E

10

O ANGLO RESOLVE É trabalho pioneiro. Prestação de serviços com tradição de confiabilidade. Construtivo, procura colaborar

em que CG é a nota da prova de Conhecimentos Gerais e E é a nota da

parte objetiva do ENEM. O resultado só é levado em conta se favorece o

candidato.

Apresentamos neste fascículo de O ANGLO RESOLVE a resolução comenta-

da da segunda prova. No final, a análise dos nossos professores.

Língua Portuguesa

Textos para as questões de 01 a 06. Texto I:

O Vale de Santarém é um destes lugares privilegiados pela natureza, sítios amenos e deleitosos em que as plantas, o ar, a situação, tudo está numa harmonia suavíssima e perfeita; não há ali nada grandioso nem sublime, mas há uma como simetria de cores, de sons, de disposição em tudo quanto se vê e se sente,

que não parece senão que a paz, a saúde, o sossego do espírito e o repouso do coração devem viver ali,

reinar ali um reinado de amor e benevolência. (

...

)

Imagina-se por aqui o Éden que o primeiro homem

habitou com a sua inocência e com a virgindade do seu coração.

À esquerda do vale, e abrigado do norte pela montanha que ali se corta quase a pique, está um maciço de verdura do mais belo viço e variedade. ( ) ... Para mais realçar a beleza do quadro, vê-se por entre um claro das árvores a janela meio aberta de uma

habitação antiga, mas não dilapidada (

)

A janela é larga e baixa; parece mais ornada e também

... mais antiga que o resto do edifício, que todavia mal se vê...

Texto II:

(Almeida Garrett, Viagens na minha terra.)

Depois, fatigado do esforço supremo, [o rio] se estende sobre a terra, e adormece numa linda bacia que a natureza formou, e onde o recebe como um leito de noiva, sob as cortinas de trepadeiras e flores agrestes. A vegetação nessas paragens ostentava outrora todo o seu luxo e vigor; florestas virgens se estendiam ao longo das margens do rio, que corria no meio das arcarias de verdura e dos capitéis formados pelos leques das palmeiras. Tudo era grande e pomposo no cenário que a natureza, sublime artista, tinha decorado para os dramas majestosos dos elementos, em que o homem é apenas um simples comparsa. ( ) ... Entretanto, via-se à margem direita do rio uma casa larga e espaçosa, construída sobre uma eminência e protegida de todos os lados por uma muralha de rocha cortada a pique.

QUESTÃO 01 Sem Resposta

Texto III:

Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço De estar a ela um dia reclinado:

Ali em vale um monte está mudado:

Quanto pode dos anos o progresso!

Árvores aqui vi tão florescentes, Que faziam perpétua a primavera:

Nem troncos vejo agora decadentes.

(José de Alencar, O guarani.)

(Cláudio Manuel da Costa, Sonetos-VII. )

Podem ser encontradas características predominantes do estilo neoclássico ou arcádico apenas

A) no texto I.

  • B) no texto II.

  • C) no texto III.

D) nos textos I e II.

E) nos textos II e III.

RESOLUÇÃO:

Segundo a Banca, apenas o texto III tem características predominantes do estilo neoclássico. Para defender o gabarito oficial, a alternativa C, a estratégia é simples: basta notar que Garrett e Alencar, autores dos fragmentos I e II, respectivamente, são românticos, enquanto Cláudio Manuel da Costa, autor do texto III, é um notório representante da poesia neoclássica. No entanto, além da ausência de preocu- pação crítica desse raciocínio, uma leitura atenta dos três excertos torna insustentável essa hipótese. O texto I, embora pertença a um romance identificado com os valores do Romantismo, apresenta pas- sagens tipicamente do Arcadismo: sítios amenos e deleitosos, tudo está numa harmonia suavíssima e perfeita, há uma simetria de cores, o sossego do espírito e o repouso do coração devem viver ali. Essas passagens, entre outras, traduzem diversas tópicas árcades, como o locus amoenus e a aurea mediocritas. Poder-se-ia contra-argumentar, afirmando que a natureza, para os românticos, possui uma vivacidade e uma grandiosidade que não condizem com a moderação do período neoclássico e, portanto, os textos I e II não poderiam ser associados aos seus ideais. Isso até vale para o texto II, em que a natureza é mais do que um simples cenário (Tudo era grande e pomposo no cenário que a natureza, sublime artista, tinha de- corado para os dramas majestosos dos elementos, em que o homem é um simples comparsa.); porém o texto I não representa essa natureza grande e pomposa (não há ali nada grandioso nem sublime). Por

tudo isso, fica difícil aceitar o gabarito oficial, que não considera que o texto I contém certos traços típicos do Neoclassicismo. Além disso, o fragmento de Cláudio Manuel da Costa, ainda que possa ser entendido como neo- clássico, não é um exemplo prototípico de texto árcade, pois o bucolismo está sobretudo pressuposto: na realidade, o eu lírico, ciente das transformações do presente, lembra-se saudoso do equilíbrio e da serenidade harmoniosa da paisagem bucólica do passado. Seria prudente que a Banca considerasse que os textos I e III têm características que podem ser associadas ao Neoclassicismo-Arcadismo. Como nenhuma das alternativas contempla essa possibilidade, a questão fica sem resposta. É de se lamentar que a Banca tenha sido tão desatenta na exploração dos textos e na formulação do enunciado.

QUESTÃO 02

Há correspondência ou equivalência de sentido entre os segmentos transcritos em:

Resposta: A

  • A) sítios amenos e deleitosos em que as plantas, o ar, a situação, tudo está numa harmonia suavíssima e perfeita;= florestas virgens se estendiam ao longo das margens do rio, que corria no meio das arcarias de verdura e dos capitéis formados pelos leques das palmeiras.= “Árvores aqui vi tão flo- rescentes,/Que faziam perpétua a primavera:

  • B) não parece senão que a paz, a saúde, o sossego do espírito e o repouso do coração devem viver ali, reinar ali um reinado de amor e benevolência.= A vegetação nessas paragens ostentava outrora todo o seu luxo e vigor;= Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço/De estar a ela um dia reclinado:

  • C) O Vale de Santarém é um destes lugares privilegiados pela natureza, sítios amenos e deleitosos em que as plantas, o ar, a situação, tudo está numa harmonia suavíssima e perfeita;= Depois, fatigado do esforço supremo, [o rio] se estende sobre a terra, e adormece numa linda bacia que a natureza for- mou,= Ali em vale um monte está mudado: / Quanto pode dos anos o progresso!

  • D) não há ali nada grandioso nem sublime, mas há uma como simetria de cores, de sons, de disposição em tudo quanto se vê e se sente,= Tudo era grande e pomposo no cenário que a natureza, sublime artista, tinha decorado para os dramas majestosos dos elementos,= Nem troncos vejo agora decadentes.

  • E) Imagina-se por aqui o Éden que o primeiro homem habitou= protegida de todos os lados por uma muralha de rocha cortada a pique.= Ali em vale um monte está mudado:/Quanto pode dos anos o progresso!

RESOLUÇÃO:

Notam-se nos três segmentos traços de sentido comuns: são descrições eufóricas, que ressaltam o esplendor e a beleza da natureza, ainda não afetada por mudanças ou degradações.

Comentário:

A presença de traços de sentido comuns não é suficiente para postular a correspondência ou equivalência de sentido entre os segmentos transcritos, como faz o enunciado. Aliás, a despeito das coincidências listadas, é importante ressaltar que, conforme a questão 5 explora, no segmento extraído de Garrett a descrição é marcada pela estaticidade, enquanto no de Alencar se percebe dinamicidade. Não existe, portanto, equivalência de sentido entre os segmentos.

QUESTÃO 03

Resposta: B

Com uma exceção, todos os segmentos abaixo, transcritos do texto I, poderiam ser convertidos da terceira para a primeira pessoa, sem perda do sentido dado pela perspectiva do narrador. A única exceção está em:

  • A) Imagina-se por aqui o Éden

D) vê-se por entre um claro das árvores

  • B) montanha que ali se corta quase a pique

E) que todavia mal se vê”

  • C) em tudo quanto se vê e se sente

RESOLUÇÃO:

O único segmento que não admite a conversão para a primeira pessoa é “montanha que ali se corta quase a pique.

Comentário:

Em todos os outros fragmentos a conversão para a primeira pessoa é possível. Entretanto é necessário ressalvar que ela implica mudança no foco narrativo (de 3ª para 1ª pessoa), à qual estão associados diferentes efeitos de sentido respectivamente, de objetividade e de subjetividade. O foco narrativo de 3ª pessoa apresenta os dados com uma visão impessoal, sem que se explicite a mediação de um enuncia- dor; o de 1ª pessoa, ao contrário, apresenta-os segundo uma perspectiva pessoal, explicitando a mediação

do enunciador. E isso não é pouco importante. Portanto não se pode aceitar que, como diz o enunciado

da questão, todos os segmentos (

)

poderiam ser convertidos da primeira para a terceira pessoa, sem

perda do sentido dado pela perspectiva do narrador.

 

QUESTÃO 04

Com referência ao texto III, a correlação entre o advérbio de lugar, o objeto que nele se situa e o tempo de

  • A) Aqui= fonteno presente e “árvores florescentesno passado.

Resposta: C

existência (ou vida) deste objeto está correta em

  • B) Ali= valeno presente e monteno presente.

  • C) Aqui= fonte, “árvores florescentes, troncos decadentesno passado.

  • D) Aqui= fonte, “árvores florescentes, troncos decadentesno presente.

  • E) Ali= valeno passado e monteno passado.

RESOLUÇÃO:

Tanto no verso 1 como no 5, o advérbio aquiestá relacionado a uma situação passada: aqui houve uma fonte, aqui vi “árvores florescentes. Observe-se que em ambos os casos os verbos estão no preté- rito perfeito do indicativo.

QUESTÃO 05

Resposta: B

Lendo-se atentamente os textos I (de Almeida Garrett) e II (de José de Alencar), percebe-se que ambos os narradores se identificam quanto à atitude de admiração e louvor à natureza contemplada. Entretanto, verifica-se também, entre os dois, uma diferença profunda e marcante no seu ato contem- plativo, quanto aos valores atribuídos a essa natureza. Essa diferença é marcada

  • A) pela existência da vegetação.

  • B) pela avaliação da magnitude e da beleza do cenário.

  • C) pela inclusão, na paisagem natural, da habitação humana.

  • D) pelo predomínio das referências ao mundo vegetal sobre as referências ao mundo mineral (terra, rocha, montanha etc.).

  • E) pela explicitação da perda do paraíso terrestre.

RESOLUÇÃO:

Em sua descrição da natureza, Garrett valoriza a quietude, a serenidade, uma harmonia entre os elementos, que é tomada como estática. Já Alencar põe ênfase na potência, na grandiosidade, no vigor dinâmico da natureza. Assim a diferença atribuída aos cenários corresponde à diversidade de valores com base nos quais são julgados.

QUESTÃO 06

Resposta: B

Em algumas histórias de literatura e, até mesmo, em ensaios críticos sobre poesia brasileira, encontram-se afirmações sobre a presença de características barrocas nos sonetos de Cláudio Manuel da Costa. No texto III, pode-se comprovar, de fato, a existência de algumas características barrocas que, todavia, não poderiam ser comprovadas de modo absoluto com:

  • A) a antítese entre valee monte.

  • B) a colocação dos termos da oração em que faziam perpétua a primavera.

  • C) a antítese entre aquie ali.

  • D) a colocação dos termos da oração em “Árvores aqui vi tão florescentes.

  • E) as antíteses entre os tempos verbais do modo indicativo.

RESOLUÇÃO:

A sintaxe barroca caracteriza-se pela abundância de hipérbatos: inversões expressivas da ordem di- reta dos termos da oração. Em que faziam perpétua a primaveranão ocorre hipérbato, pois a anteposição do predicativo do objeto ao objeto direto é mais um recurso para evitar a ambigüidade do que uma altera- ção programada da ordem direta (até porque não há, na literatura especializada, nenhuma regra indiscu- tível sobre a posição do predicativo do objeto na frase). Desse modo, a oração em questão, por não se valer da ordem indireta, não comprova a ligação entre Cláudio Manuel e certas características barrocas.

Textos para as questões de 07 a 12.

Texto I:

Ao longo do sereno Tejo, suave e brando, Num vale de altas árvores sombrio, Estava o triste Almeno Suspiros espalhando Ao vento, e doces lágrimas ao rio.

(Luís de Camões, Ao longo do sereno.)

Texto II:

Bailemos nós ia todas tres, ay irmanas, so aqueste ramo destas auelanas e quen for louçana, como nós, louçanas, se amigo amar, so aqueste ramo destas auelanas uerrá baylar.

(Aires Nunes. In Nunes, J. J., Crestomatia arcaica.)

Texto III:

Tão cedo passa tudo quanto passa! morre tão jovem ante os deuses quanto Morre! Tudo é tão pouco! Nada se sabe, tudo se imagina.

Circunda-te de rosas, ama, bebe E cala. O mais é nada.

(Fernando Pessoa, Obra poética.)

Texto IV:

Os privilégios que os Reis Não podem dar, pode Amor, Que faz qualquer amador Livre das humanas leis. mortes e guerras cruéis, Ferro, frio, fogo e neve, Tudo sofre quem o serve.

(Luís de Camões, Obra completa.)

Texto V:

As minhas grandes saudades São do que nunca enlacei. Ai, como eu tenho saudades Dos sonhos que não sonhei!

...

)

(Mário de Sá Carneiro, Poesias.)

QUESTÃO 07

A alternativa que indica texto que faz parte da poesia medieval da fase trovadoresca é

Resposta: B

  • A) I.

  • B) II.

 
  • C) III.

  • D) IV.

  • E) V.

RESOLUÇÃO:

O texto II é escrito em galego-português, forma de português arcaico em que as cantigas do Trova- dorismo ibérico foram compostas. Trata-se de uma cantiga de amigo, gênero da poesia medieval portu- guesa caracterizado pelo eu lírico feminino, que expressa seu amor pelo amigo(amante), envolvendo a participação da natureza e valendo-se de metáforas eróticas.

QUESTÃO 08

A alternativa que indica textos de épocas literárias diferentes, mas de métrica uniforme e idêntica, é

Resposta: E

  • A) I e II.

  • B) II e III.

 
  • C) II e V.

  • D) III e IV.

  • E) IV e V.

RESOLUÇÃO:

O texto IV, de Camões (autor classicista), e o V, de Mário de Sá-Carneiro (autor do Modernismo por- tuguês), apresentam uniformidade métrica: são compostos em versos de sete sílabas poéticas ou redon- dilhos maiores.

QUESTÃO 09

Finalmente, assimilando o movimento geral das idéias e da arte renascentista, não sentiram os portugue-

(Antonio S. Amora, Presença da literatura portuguesa II Era Clássica.)

Resposta: C

ses necessidade de interromper a linha de evolução de suas mais peculiares e vigorosas forças criadoras,

definidas durante alguns séculos de Idade Média: deste modo, ao lado do homem português que se expres- sava no que assumia de espírito clássico, colocou-se, naturalmente, o homem português que traduzia forte personalidade de raízes nacionais e tradicionais. (Grifo nosso.)

Estas observações aplicam-se aos textos indicados em:

  • A) II e III.

  • B) II e IV.

  • C) I e IV.

  • D) I e II.

  • E) III e IV.

RESOLUÇÃO:

O Renascimento em Portugal não implicou uma ruptura na linha evolutiva da Literatura desse país. Luís de Camões, genial poeta do período, foi o que melhor soube conciliar a tradição medieval com as propostas renascentistas. Os textos apresentados (I e IV) são representativos dessa conciliação. O fragmento I procura inte- grar a paisagem bucólica, pastoril e amena da tradição clássica à paisagem nacional (o rio Tejo) e ao sentimento de melancolia que é característico da cultura e da psicologia portuguesas. O fragmento IV apresenta uma forma aurida no passado medieval lusitano os versos redondilhos maiores (chamados, também, de medida velha) e um conteúdo de gosto clássico: a tentativa de racionalização do sentimento amoroso e de suas contradições.

QUESTÃO 10
QUESTÃO 10

Assinale a alternativa que contém textos de autoria de poetas do Modernismo português.

Resposta: D

  • A) I e V.

  • B) II e III.

 
  • C) III e IV.

  • D) III e V.

  • E) IV e V.

RESOLUÇÃO:

Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro são representantes do Modernismo em Portugal. Ambos lideraram a revista Orpheu, cujo primeiro número (1915) é considerado o marco do movimento nesse país. Pessoa, um dos maiores escritores de nosso idioma, criou vários heterônimos, ou seja, personalidades poéticas que apresentam estilos e pontos de vista próprios. O texto III é de um desses heterônimos, Ricardo Reis, poeta de olhar clássico, que retoma temas da cultura antiga, como o bucolismo, o estoicismo, o epicurismo, a fugacidade da vida e do tempo. Sá-Carneiro foi um autor que, por vezes, se valeu de formas tradicionais, como os versos redondilhos maiores do frag- mento dado, para expressar a sensibilidade moderna.

QUESTÃO 11

No texto IV, em quem o serve, o oexerce determinada função sintática. Esta função é a mesma que é

  • A) suspiros, em I.

Resposta: A

exercida por

  • B) ramo, em II.

 
  • C) rosas, em III.

  • D) Amor, em IV.

  • E) sonhos, em V.

RESOLUÇÃO:

Em quem o serve, a função sintática do pronome o é a de objeto direto (do verbo servir). No texto I, o termo suspirosexerce a mesma função sintática: é objeto direto de estava espalhando. Basta colocar o fragmento na ordem direta:

O triste aluno estava espalhando suspiros

 
 

Sujeito

Verbo

Objeto Direto

Resposta: D A) I e V. B) II e III. C) III e IV. D) III

QUESTÃO 12

O motivo do carpe diem (aproveita o dia, em latim) expressa, em geral, o gosto de viver plenamente a

  • A) I e II.

Resposta: B

vida, de usufruir os dons da beleza e a energia da juventude, enquanto o tempo permitir. Esse motivo

aparece nos textos

  • B) II e III.

  • C) III e IV.

  • D) IV e V.

  • E) I e V.

RESOLUÇÃO:

A tópica do carpe diem efetivamente deve conter dois elementos inseparáveis: o aproveitamento do presente e a consciência da efemeridade da vida. Dos textos da questão, em rigor, apenas o texto III apresenta essas características. Contudo o enun- ciado, pouco preciso, diz que carpe diem é em geral o gosto de viver plenamente a vida e usufruir os dons da beleza e a energia da juventude, o que justificaria enquadrar a bailia (espécie de canti- ga de amigo) apresentada no texto II como uma retomada do tópos clássico, consagrado por Horácio.

Textos para as questões de 13 a 18.

Texto I:

Perante a Morte empalidece e treme, Treme perante a Morte, empalidece. Coroa-te de lágrimas, esquece O Mal cruel que nos abismos geme.

(Cruz e Souza, Perante a morte.)

Texto II:

Tu choraste em presença da morte? Na presença de estranhos choraste? Não descende o cobarde do forte; Pois choraste, meu filho não és!

(Gonçalves Dias, I Juca Pirama.)

Texto III:

Corrente, que do peito destilada, Sois por dous belos olhos despedida; E por carmim correndo dividida, Deixais o ser, levais a cor mudada.

 

(Gregório de Matos, Aos mesmos sentimentos.)

Texto IV:

Chora, irmão pequeno, chora, Porque chegou o momento da dor. A própria dor é uma felicidade ...

 

(Mário de Andrade, Rito do irmão pequeno.)

Texto V:

Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta, Que impudente na gávea tripudia?! ...

Silêncio! ...

Musa!

Chora, chora tanto

Que o pavilhão se lave no teu pranto ...

(Castro Alves, O navio negreiro.)

QUESTÃO 13

Um dos textos tem sua musicalidade garantida pela presença da rima em todos os finais dos versos e,

  • A) I.

Resposta: A

ao mesmo tempo, pela repetição dessas rimas em seu interior, sem exceção. Esse texto é o:

  • B) II.

  • C) III.

  • D) IV.

  • E) V.

RESOLUÇÃO:

Dois dos fragmentos poéticos em questão apresentam rimas em todos os finais dos versos: o texto de Cruz e Souza (I) e o de Gregório de Matos (III). Mas apenas no trecho do poema Perante a morte, do poeta catarinense, as mesmas rimas finais (-eme; -ece), sem exceção, são repetidas no interior do texto (empalidece, no primeiro verso; treme, no segundo verso), embora não em todos os versos.

QUESTÃO 14

Apesar de serem de autores diferentes e, alguns, até de movimentos literários diferentes, os cinco textos

  • A) o choro provocado pelo sentimento de rejeição amorosa.

Resposta: E

poemáticos têm um motivo ou tema em comum. Este motivo identificador é:

  • B) o pranto originado pela piedade diante do sofrimento alheio.

 
  • C) as lágrimas como forma de purgação de sensações deprimentes.

  • D) o choro como forma de auto-compaixão e de expressão de raiva.

  • E) o pranto como reação humana a fenômenos de natureza diversa.

RESOLUÇÃO:

Os cinco fragmentos poéticos abordam o pranto como reação humana a fenômenos de natureza diversa: à morte (I), à aparente covardia (II), à partida da mulher amada (III), à felicidade (IV) e à re- volta social (V).

QUESTÃO 15

Dois dos cinco textos transcritos expressam sentimentos de incontida revolta diante de situações inacei-

  • A) I e IV.

Resposta: C

táveis. Esse transbordamento sentimental se faz por meio de frases e recursos lingüísticos que dão ênfase

à função emotiva e à função conativa da linguagem. Esses dois textos são:

  • B) II e III.

  • C) II e V.

  • D) III e V.

  • E) IV e V.

RESOLUÇÃO:

O fragmento II, de Gonçalves Dias, revela a revolta do pai tupi diante da revelação de que seu filho chorara em presença da morte. Já o V, de Castro Alves, é um grito de revolta contra a escravidão, especi- ficamente contra o comércio de escravos. A função emotiva revela-se, em ambos os textos, por meio das exclamações e das repetições enfáticas. A função conativa, por meio das questões dirigidas ao interlo- cutor em I-Juca Pirama, o filho tupi; em O Navio Negreiro, a musa inspiradora do poema.

QUESTÃO 16

Resposta: E

Em apenas dois dos textos apresentados, as lágrimas são caracterizadas ou configuradas por meio da hipérbole. Os dois textos são:

  • A) I e II.

D) III e IV.

  • B) II e III.

E)

III e V.

  • C) II e V.

RESOLUÇÃO:

No poema de Gregório de Matos, o pranto é apresentado figurativamente como uma corrente: aque-

cido no peito, o sentimento se evapora e, em seguida, condensa-se nos olhos em gotas de lágrima. Repro-

duz-se, assim, o processo da destilação mencionado no primeiro verso. Pode-se interpretar, portanto, a

correntecomo um exagero, uma hipérbole. Já no poema de Castro Alves, a hipérbole, bem ao gosto do

vate baiano, é evidente — “Que o pavilhão se lave no teu pranto

...

e aparece como amplificação do

sofrimento dos escravos.

QUESTÃO 17

O texto em que apenas o uso do vocativo oferece a pista para se esclarecer se o verbo está em terceira pes-

Resposta: D

soa do indicativo ou em segunda pessoa do imperativo é:

  • A) I.

 
  • B) II.

  • C) III.

  • D) IV.

  • E) V.

RESOLUÇÃO:

A forma verbal chora, descontextualizada, tanto pode ser a terceira pessoa do singular do presente

do indicativo, quanto a segunda pessoa do singular do imperativo afirmativo.

Dado o contexto Chora, irmão pequeno, chora, a presença do vocativo irmão pequeno, caracteri-

zado pela dupla vírgula e pela ausência do artigo, impõe que se interprete o choracomo imperativo.

Trata-se, com efeito, de uma ordem, e não de um relato.

QUESTÃO 18

No texto V, o sintagma no teu pranto desempenha a função sintática de adjunto adverbial. Esta mesma

Resposta: A

função vem desempenhada por

  • A) perante a Morte (em I) e nos abismos (em I).

 
  • B) de lágrimas (em I) e do forte (em II).

  • C) momento da dor (em IV) e uma felicidade (em IV).

  • D) em presença da morte (em II) e correndo dividida (em III).

  • E) Mal cruel (em I) e Na presença de estranhos (em II).

RESOLUÇÃO:

No texto I, efetivamente, os sintagmas preposicionados Perante a Mortee nos abismosexercem a

função sintática de adjunto adverbial e se relacionam, respectivamente, aos verbos empalidece /tremee

geme.

Portanto, Perante a Mortee nos abismostêm, no texto I, a mesma função que no teu pranto

exerce no texto V: adjunto adverbial, com a função de marcador de localização.

Texto para as questões de 19 a 22.

Uma feita em que deitara numa sombra enquanto esperava os manos pescando, o Negrinho do Pastoreio pra

quem Macunaíma rezava diariamente, se apiedou do panema e resolveu ajudá-lo. Mandou o passarinho

uirapuru. Quando sinão quando o herói escutou um tatalar inquieto e o passarinho uirapuru pousou no

joelho dele. Macunaíma fez um gesto de caceteação e enxotou o passarinho uirapuru. Nem bem minuto pas-

sado escutou de novo a bulha e o passarinho pousou na barriga dele. Macunaíma nem se amolou mais. Então

o passarinho uirapuru agarrou cantando com doçura e o herói entendeu tudo o que ele cantava. E era

que Macunaíma estava desinfeliz porque perdera a muiraquitã na praia do rio quando subia no bacupari.

Porém agora, cantava o lamento do uirapuru, nunca mais que Macunaíma havia de ser marupiara não,

porque uma tracajá engolira a muiraquitã e o mariscador que apanhara a tartaruga tinha vendido a

pedra verde pra um regatão peruano se chamando Venceslau Pietro Pietra. O dono do talismã enriquecera

e parava fazendeiro e baludo lá em São Paulo, a cidade macota lambida pelo igarapé Tietê.

 

(Mário de Andrade, Macunaíma, o herói sem nenhum caráter.)

QUESTÃO 19

Os manosmencionados no texto são

Resposta: C

  • A) os índios que formam toda a tribo de Macunaíma.

  • B) os amigos anônimos que Macunaíma encontrara em São Paulo e que passam alguns dias de des-

canso na Amazônia.

  • C) Maanape e Jiguê, irmãos de Macunaíma.

  • D) Piaimã, Oibê e os macumbeiros do Rio de Janeiro.

  • E) Piaimã, Oibê, Maanape e Jiguê.

RESOLUÇÃO:

Macunaíma, o herói sem nenhum caráterda rapsódia modernista de Mário de Andrade, é “filho

do medo da noitee de uma índia da tribo amazônica dos tapanhumas. Jiguê e Maanape são os dois

irmãos (manos) mais velhos de Macunaíma, referidos no texto.

QUESTÃO 20

Resposta: C

Pelas características da linguagem, que incorpora expressões da fala popular e mobiliza o léxico de

origem indígena, pelo ambiente sugerido e também pela presença do uirapuru, o texto dá mostras de per-

tencer ao estilo

  • A) romântico, de linha indianista.

  • B) simbolista, de linha esotérica.

  • C) modernista, de linha Pau-Brasil e a antropofágica.

  • D) naturalista, de linha nacionalista.

  • E) pós-modernista, de linha neo-parnasiana.

RESOLUÇÃO:

O texto em questão apresenta, de fato, as características de linguagem apontadas no enunciado, de

modo que se deve associá-lo ao Modernismo. No entanto, é polêmica a identificação de Macunaíma com

as propostas de Oswald de Andrade inscritas nos manifestos Pau Brasil (1924) e Antropófago (1928).

Em carta ao crítico Alceu de Amoroso Lima (Tristão de Athayde), o próprio Mário de Andrade rejeitava

a conexão de Macunaíma com a Antropofagia: sobre ela [Antropofagia] tínhamos muito que falar ...

Antes de mais nada: não tenho nada com ela (

...

). Quanto ao manifesto do Oswaldo (sic)

posso falar que acho horrível porque não entendo bem.

...

acho

...

nem

É certo que, na mesma correspondência, Mário admitia que Macunaíma vai parecer inteiramente

antropófago, mas para lamentar as coincidências.

Assim, podemos aceitar com ressalvas o alinhamento da obra-prima de Mário de Andrade com as

Comentário:

propostas que, em rigor, pertencem a Oswald.

Há que apontar o imperdoável cochilo de revisão na redação, justamente, da alternativa correta. A

presença do artigo aantes do vocábulo antropofágicaprovoca uma desconexão sintática, que, para

dizer o mínimo, exige um desnecessário esforço de compreensão.

QUESTÃO 21

Resposta: B

Os vocábulos muiraquitã” e tracajá” têm os seus significados desvendados pelo contexto lingüístico in-

terno, porque são substituídos, no próprio texto, por vocábulos ou expressões equivalentes. Os equivalentes

para muiraquitã” e tracajá” são, respectivamente,

  • A) passarinhoe tartaruga.

  • B) talismã” e tartaruga.

  • C) pedra verdee mariscador.

  • D) joelhoe barriga.

  • E) talismã” e pedra verde.

RESOLUÇÃO:

Não há o que comentar nessa questão, interessada somente na identificação de vocábulos com pa-

lavras de significados equivalentes, explícitas no texto.

QUESTÃO 22

Resposta: E

O sujeito da oração Mandou o passarinho uirapuru pode ser identificado por meio da análise do con-

texto lingüístico interno. Trata-se de:

  • A) sujeito indeterminado.

  • B) uirapuru= sujeito expresso.

  • C) passarinho= sujeito expresso.

  • D) Ele (o herói) = sujeito oculto.

  • E) Ele (o Negrinho do Pastoreio) = sujeito oculto.

RESOLUÇÃO:

Apesar de a NGB (Nomenclatura Gramatical Brasileira) não contemplar a nomenclatura, costuma-

-se chamar de oculto o sujeito que, embora não apareça explícito, pode ser identificado pela desinência

do verbo e dados do contexto.

Como o verbo Mandouestá na terceira pessoa do singular, o sujeito tem de ser da mesma pessoa.

No caso, o pronome Ele pode ser tomado como sujeito, referindo-se, por dados do contexto, a o Negrinho

do Pastoreio.

Texto para as questões de 23 a 26.

Uma linha de coerência se esboça através dos zigue-zagues de sua vida. Ora espiritualista, ora marxista,

criando um dia o Pau-Brasil, e logo buscando universalizá-lo em antropofagia, primitivo e civilizado a um

tempo, como observou Manuel Bandeira, solapando o edifício burguês sem renunciar à habitação em seus

andares mais altos, Oswald manteve sempre intata sua personalidade, de sorte a provocar, ainda em

seus últimos dias, a irritação ou a mágoa que inspirava quando fauve modernista de 1922.

(Carlos Drummond de Andrade, Poesia e prosa.)

QUESTÃO 23

Resposta: C

O autor do texto, referindo-se a Oswald de Andrade, alude a dois movimentos, dentro do Modernismo

literário, de que este escritor participou ativamente como líder e como criador. Esses movimentos foram:

  • A) Espiritualismo (Festa) e Movimento Verde-amarelo.

  • B) Espiritualismo (Festa) e movimento comunista brasileiro.

  • C) Movimento Pau-Brasil e Movimento Antropófago.

  • D) Movimento Pau-Brasil e Movimento Verde-amarelo.

  • E) Movimento Verde-amarelo e Movimento Antropófago.

RESOLUÇÃO:

Em 1924, Oswald de Andrade, o grande agitador e polemista da Semana de Arte Moderna de 1922,

lançou o Manifesto Pau-Brasil, que se concretizaria em movimento no ano seguinte, com o lançamento

do livro Poesia Pau-Brasil. O nome Pau-Brasilfoi utilizado como emblema da nacionalidade, símbolo

da exploração promovida pelo colonizador e da identidade cultural do brasileiro. No manifesto, Oswald

defendeu uma arte voltada para a valorização da realidade nacional, contrária à arte acadêmica, oficial,

com sotaque estrangeiro. De certa forma, era como se dissesse que a arte tinha de se libertar dos pa-

drões estéticos estrangeiros.

Isso, contudo, não significou o desprezo xenófobo de tais valores, como ficaria claro no Movimento

Antropofágico, fundado em 1928, em que o poeta disse que só a antropofagia nos une.A partir da imagem

da devoração do Bispo Sardinha em costas tupiniquins, Oswald defendeu a devoração e a digestão dos va-

lores estéticos europeus (a mastigação cordial dos adversários), para que deles se aproveitasse o que

fosse útil às nossas necessidades culturais.

QUESTÃO 24

Resposta: E

Carlos Drummond de Andrade identifica, no texto transcrito, uma linha de coerência na vida de Oswald

de Andrade. Esta coerência se verifica, segundo o texto,

  • A) nos aspectos ideológicos e político.

  • B) na criação poética.

  • C) na obra de ficção narrativa.

  • D) na defesa dos valores burgueses.

  • E) na personalidade forte e agressiva.

RESOLUÇÃO:

A linha de coerência mencionada por Carlos Drummond de Andrade está perfeitamente caracteri-

zada na passagem em que ele constata: Oswald manteve sempre intata sua personalidade, aduzindo

que esta provocava irritação ou mágoa, ou seja, era sempre forte e agressiva. Nisso, era coerente, ape-

sar dos ziguezagues ideológicos, políticos e estéticos que caracterizaram sua produção intelectual.

QUESTÃO 25

Resposta: D

Carlos Drummond de Andrade, ao opinar sobre Oswald de Andrade, vale-se da ironia, que fica evidente

numa das observações que relaciona o lado político e ideológico, a personalidade e o comportamento em

termos de classe social. A ironia de Drummond se manifesta com clareza no segmento

  • A) Uma linha de coerência se esboça através dos ziguezagues de sua vida.

  • B) criando um dia o Pau-Brasil, e logo buscando universalizá-lo em antropofagia.

  • C) primitivo e civilizado a um tempo, como observou Manuel Bandeira.

  • D) solapando o edifício burguês sem renunciar à habitação em seus andares mais altos.

  • E) Oswald manteve sempre intata sua personalidade, de sorte a provocar, ainda em seus últimos dias, a irritação ou a mágoa.

RESOLUÇÃO:

O segmento que melhor manifesta a vida em ziguezaguesde Oswald é o que opõe a idéia de des-

truição do edifício burguês” à de habitar seus andares mais altos. É que o poeta, nascido no seio de

uma família abastada, foi socialista. A ironia reside em mostrar a contradição em defender a destruição

de sua classe sem abandonar, contudo, os privilégios e comodidades da vida burguesa.

Quando Oswald escreveu a obra Memórias sentimentais de João Miramar, de tom autobiográfico,

vivia em viagens pela Europa. Depois do crack da Bolsa de Valores em 1929, já em decadência financeira,

ele abraçou as causas socialistas, ao lado de Patrícia Galvão (Pagu), então sua companheira, editando

o jornal O Homem do Povo.

QUESTÃO 26

Resposta: B

Na crônica de Carlos Drummond de Andrade, há uma referência ao movimento da Antropofagia, do

qual participaram vários escritores modernistas. A alternativa que apresenta apenas poetas, artistas e

intelectuais que participaram desse movimento antropófago, quaisquer que sejam suas fases, é:

  • A) Gilberto Freyre, Mário de Andrade, Cassiano Ricardo e Jorge de Lima.

  • B) Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Raul Bopp e Antonio de Alcântara Machado.

  • C) Vinícius de Moraes, Jorge de Lima, Cecília Meireles e Murilo Mendes.

  • D) Carlos Drummond de Andrade, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Jorge de Lima.

  • E) Gilberto Freyre, Graciliano Ramos, Alceu Amoroso Lima e Oswald de Andrade.

RESOLUÇÃO:

O grupo modernista da Antropofagia foi liderado por Oswald de Andrade, sem dúvida a figura mais

irreverente dos primeiros anos do movimento.Após a publicação do Manifesto Antropófago, Oswald fun-

dou a Revista de Antropofagia, da qual António de Alcântara Machado foi um dos editores. Além deles,

também participaram da Antropofagia a pintora Tarsila do Amaral e o escritor Raul Bopp.

Texto para as questões 27 e 28.

 

Um dos maiores benefícios que o movimento moderno nos trouxe foi justamente esse: tornar alegre a lite-

ratura brasileira. Alegre quer dizer saudável, viva, consciente de sua força, satisfeita com seu destino.

Até então no Brasil a preocupação de todo escritor era parecer grave e severo. O riso era proibido. A pena

molhava-se no tinteiro da tristeza e do pessimismo. O papel servia de lenço. De tal forma que os livros

espremidos só derramavam lágrimas. Se alguma idéia caía vinha num pingo delas. A literatura

nacional não passava de uma queixa gemebunda.

 

Por isso mesmo o segundo tranco da reação foi mais difícil: integração no ambiente. Fazer literatura

brasileira mas sem choro. Disfarçando sempre a tristeza do motivo quando inevitável. Rindo como um

moleque.

 

(Antonio de Alcântara Machado, Cavaquinho e saxofone.)

QUESTÃO 27

Entre os textos de Manuel Bandeira (de O Ritmo dissoluto), transcritos nas cinco alternativas, aquele

Resposta: D

que comprova a opinião de Alcântara Machado é

 
  • A) E enquanto a mansa tarde agoniza,

 
 

Por entre a névoa fria do mar

Toda a minhalma foge na brisa;

Tenho vontade de me matar.

  • B) A beleza é um conceito.

E a beleza é triste.

Não é triste em si,

Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.

 
  • C) ...

Sorri mansamente

em um sorriso pálido

Como o beijo religioso que puseste

...

pálido

Na fronte morta de tua mãe

...

sobre a sua fronte

 

morta ...

  • D) Noite morta.

Junto ao poste de iluminação

 

Os sapos engolem mosquitos.

  • E) A meiga e triste rapariga

Punha talvez nessa cantiga

A sua dor e mais a dor de sua raça ...

Pobre mulher, sombria filha da desgraça!

RESOLUÇÃO:

Os artistas modernistas, por meio de recursos como a paródia e o poema-piada, contagiam de humor

a cena literária brasileira. Advogando a contribuição milionária de todos os errose a temática voltada

ao cotidiano, à realidade nacional, condenam a poesia que cultiva o apego formal, o preciosismo vocabular

e a dicção sentimental de românticos e parnasianos.

O fragmento de Manuel Bandeira é um bom exemplo do prosaísmo nas nossas letras: o aproveita-

mento de um fato banal como matéria poética. Há nos versos referências às coisas simples do cotidiano,

como a noite morta, o poste de iluminaçãoe os sapos engolindo mosquitos.

QUESTÃO 28 Sem Resposta

Assinale a alternativa que indica apenas as obras de ficção que, por serem anteriores ao movimento

moderno, contrariam as observações apresentadas no texto de Antônio de Alcântara Machado.

  • A) A moreninha, Lucíola, Dom Casmurro.

  • B) O sertanejo, O cortiço, O ateneu.

  • C) Memórias de um sargento de milícias, Memórias póstumas de Brás Cubas, O noviço rebelde.

  • D) Memorial de Aires, Iracema, O missionário.

  • E) A normalista, Os sertões, Canaã.

RESOLUÇÃO:

Há equívocos nesta questão, seja em sua formulação, seja na alternativa considerada correta pela

Banca examinadora.

Em primeiro lugar, estabelece-se uma falsa relação de causa/efeito no enunciado: considera-se que

determinadas obras contrariam as observações de Alcântara Machado (efeito) por serem anteriores ao

movimento moderno(causa). Não há argumento que justifique o raciocínio falacioso.

Em segundo lugar, e como decorrência do que se afirmou, o enunciado afeta também o raciocínio

lógico, já que só é possível contrariar, a bem do rigor, o que está posto, o que existe. Assim, as obras ante-

riores ao Modernismo não podem contrariá-lo (este, sim, pode contrariá-las), uma vez que ele ainda não

existia.

Em terceiro lugar, e sem pretensões de rebeldia, mais uma crítica à falta de cuidado da Banca: a

obra O noviço rebelde não existe. O absurdo é tal que nos permite imaginar que os examinadores tro-

caram o hábito de Julie Andrews, protagonista do filme A noviça rebelde, pelas vestes de Carlos, pro-

tagonista de O noviço, peça de Martins Pena.

QUESTÃO 29

Resposta: B

Na história da literatura brasileira, encontra-se um conjunto de obras literárias que formam, consolidam

e desenvolvem, por meio de visões ou interpretações diferentes, a linha temática do indianismo. A alter-

nativa em que todas as obras indicadas integram essa linha temática é:

  • A) O guarani, Triste fim de Policarpo Quaresma, O ateneu, Jubiabá.

  • B) Caramuru, O Uraguai, Iracema, Macunaíma, Quarup, Maíra.

  • C) O guarani, Os timbiras, A escrava Isaura, O seminarista, No Urubuquaquá no Pinhém, Quarup.

  • D) O Uraguai, Iracema, Canaã, Cobra Norato, Tutaméia, Campo geral.

  • E) Caramuru, O tronco do ipê, Inocência, Sargento Getúlio, A pedra do reino.

RESOLUÇÃO:

Caramuru e O Uraguai são duas obras épicas que pertencem ao Arcadismo, escritas respectivamente

por Frei Santa Rita Durão e Basílio da Gama. Iracema, de José de Alencar, pertence ao Romantismo.

Macunaíma, de Mário de Andrade, Quarup, de Antonio Callado, e Maíra, de Darcy Ribeiro, pertencem

a etapas diferentes do Modernismo. Em todas essas obras o indianismo é central, porém elaborado em

perspectivas diferentes segundo o espírito da escola a que cada uma pertence. Isso demonstra a longa

permanência dessa temática na tradição literária nacional.

QUESTÃO 30

Resposta: C

...................................

salva-se desse caos por via do racionalismo excitado ao máximo, ato compensatório

para a mesma sensação de estrangeiro aqui como em toda a parte. E é esse racionalismo, atenuador da

sensibilidade em abandono e doentiamente enovelada, que o leva a tentar a busca do suporte que Sá-Car-

neiro não encontrava. Partindo do Nada que é Tudo,

...........................

procura reconstruir o mundo em

busca do Absoluto que existiria através ou acima do relativo. A reconstrução implicava em multiplicar-se

em quantas criaturas habitam e habitaram a Terra, ou, antes, era preciso ser tudo e todos para destruir

o que em cada um é inalienável relativismo biológico, mental etc.

(Massaud Moisés, Presença da literatura portuguesa Modernismo.)

Mantida a seqüência, a alternativa que indica o preenchimento correto das lacunas supridas pelo pon-

tilhado é:

  • A) Antero de Quental Almada Negreiros.

  • B) Almada Negreiros Almada Negreiros.

  • C) Fernando Pessoa Fernando Pessoa.

  • D) Almada Negreiros Fernando Pessoa.

  • E) Miguel Torga José Régio.

RESOLUÇÃO:

O trecho citado de Massaud Moisés apresenta características importantes da poética de Fernando

Pessoa:

a questão central da permanente oscilação conflituosa entre a hipersensibilidade subjetiva e o racio-

nalismo excitado, sempre acompanhada da sensação de ser estrangeiro aqui como em toda parte;

a consciência, típica de Pessoa, do nada que é tudo, ou seja, de que o mito é o fundamento supos-

tamente ilusório, porém necessário, da existência;

a multiplicação do sujeito lírico base do processo da heteronímia pessoana e única possibilidade,

segundo o poeta, de mergulho verdadeiro na essência do homem.

Inglês

Instrução: Leia o texto e responda as questões de números 31 a 40, identificando a alternativa cor-

reta, com base nas informações fornecidas.

The New York Times on the web

The Rush to Enhancement: Medicine Isn’t Just for the Sick Anymore

By Sherwin B. Nuland

Until the mid-1960s, medical research was primarily driven by the desire to solve the problems

of sick people. Although Aristotle was what might be termed today a pure laboratory investigator,

with no thought of the clinical usefulness of his findings, the vast majority of those physicians later

influenced by his contributions to biology were trying to solve the mysteries of human

anatomy and physiology for the distinct purpose of combating sickness. The discovery of blood

circulation in the 17 th century, the elucidation of the anatomical effects of disease in the 18 th , the

introduction of antisepsis and anesthesia in the 19 th , the development of antibiotics and cardiac

and transplant surgery in the 20 th all of these were the direct results of physicians and others having

recognized a specific group of challenges that stood in the way of making sick people better. Armed

with knowledge of the disease processes, they entered their laboratories to address specific clinical

issues. Their goal was improving the lot of actual patients, often their own.

The rise of molecular biology since the late 1950s has had the gradual and quite unforeseen

effect of turning the eyes of medical scientists increasingly toward the basic mechanisms of life,

rather than disease and death. Of course, this has always been the orientation of all non-medical

biologists, studying growth, reproduction, nutrition or any of the other characteristics shared by all

living things.

But now the boundaries have become blurred, between research that will alter the approach to

disease and research that will alter the approach to life itself. While until very recently the bedside

usually determined what was done in the medical research laboratory, the findings coming out of

the laboratory nowadays are just as likely to tell the clinician what he can do at the bedside. The

tail often wags the dog. In fact, the tail is becoming the dog.

QUESTÃO 31

Resposta: C

(Texto condensado e adaptado. Encontra-se na íntegra no endereço

http://nytimes.com/library/review/051098medicine-review.html)

The focus of medical research until the mid 60s was to

  • A) investigate purely the causes of illnesses in laboratories.

  • B) discover the mysteries of the human body.

  • C) solve the problems of sick people.

  • D) discover physiological enigmas.

  • E) elucidate the anatomical effects of blood circulation.

RESOLUÇÃO:

O foco da pesquisa médica até a metade dos anos sessenta era:

(alternativa C): resolver os problemas das pessoas doentes.

Lê-se nas primeiras linhas do texto:

Until the mid-1960s, medical research was primarily driven by the desire to solve the problems

of sick people.

(Até a metade dos anos sessenta, a pesquisa médica era principalmente conduzida pelo desejo de

resolver os problemas das pessoas doentes.)

QUESTÃO 32

Resposta: A

One of the recent medical developments of last century was

  • A) transplant surgery.

  • B) cardiac blood circulation control.

  • C) antisepsis.

D) anesthesia.

E) human molecule anatomy.

RESOLUÇÃO:

Um dos recentes avanços médicos do século passado foi:

(alternativa A): a cirurgia de transplante.

Encontra-se a resposta no primeiro parágrafo do texto:

 

the development of antibiotics and cardiac and transplant surgery in the 20 th century ...

(

...

o desenvolvimento de antibióticos e de cirurgias cardíacas e de transplante no século XX

)

QUESTÃO 33

Resposta: B

From the late 1950s on, medical scientists started increasingly to focus on

  • A) disease and death.

  • B) basic mechanisms of life.

  • C) all living things.

  • D) molecules and chemistry.

  • E) reproduction and genetics.

RESOLUÇÃO:

A partir do final dos anos cinqüenta, os cientistas médicos começaram a se concentrar cada vez

mais:

(alternativa B): nos mecanismos básicos da vida.

Lê-se a resposta no segundo parágrafo do texto:

The rise of molecular biology since the late 1950s has had the gradual and quite unforseen effect

of turning the eyes of medical scientists increasingly toward the basic mechanism of life…”

(O surgimento da biologia molecular desde o fim dos anos 50 tem apresentado o efeito gradual e

imprevisto de voltar a atenção dos cientistas médicos cada vez mais para os mecanismos básicos

da vida)

QUESTÃO 34

Resposta: E

Atualmente, os dois tipos de pesquisa médica

  • A) determinam as doenças que serão pesquisadas mais intensamente.

  • B) realizam testes em animais de laboratório, principalmente em cães.

  • C) interferem no diagnóstico clínico de pacientes em leitos de hospitais.

  • D) fazem testes laboratoriais com seres humanos acamados.

  • E) não apresentam uma diferenciação clara.

RESOLUÇÃO:

Lê-se no último parágrafo:

But now the boundaries have become blurred, between research

...

life itself

(Mas agora não estão melhor definidas as fronteiras entre a pesquisa que irá alterar a abordagem

em relação à doença e a pesquisa que irá alterar a abordagem em relação à própria vida.)

QUESTÃO 35

Resposta: A

Há pouco tempo, as pesquisas médicas

  • A) eram determinadas pela prática clínica.

  • B) tendiam a definir os procedimentos clínicos e cirúrgicos adotados.

  • C) alteravam a visão médica da vida em si.

  • D) tratavam da doença como um processo natural do mecanismo da vida.

  • E) percebiam a vida, a doença e a morte como campo de estudo da biologia.

RESOLUÇÃO:

Lê-se no terceiro parágrafo:

“… until very recently the bedside usually determined what was done in the medical research laboratory…”

(até muito recentemente o tratamento clínico geralmente determinava o que era feito no labo-

ratório de pesquisa médica)

QUESTÃO 36

Resposta: D

O texto, como um todo,

  • A) apresenta uma evolução cronologicamente inversa das descobertas médicas.

  • B) exemplifica historicamente a idéia de que o interesse da medicina oscila pendularmente a cada século.

  • C) defende o avanço da tecnologia, como no caso dos transplantes.

  • D) compara a visão das pesquisas médicas do passado com a do presente.

  • E) afirma que as descobertas atuais são inconsistentes, na medida em que não se concentram na cura de doenças.

RESOLUÇÃO:

Lê-se no 1º e no 3º parágrafo: