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Michel Foucault DO GOVERNO DOS VIVOS Curso no Collége de France, 1979-1980 (excertos) ‘Tradusio, tea gio, notas e apresentacao ldo Avelino CCS-SP achiamé So Paulo / Rio de Janeiro 2010 Ten sori, apm ho Lape Bide amin Ri: Cali d Fo, Qua LaPa— man de 200 Dados lteraciomais de Catalogs ma Publica (CP) ‘ogoere ds vier: Canton Calpe Face 979K: exror | ane 70 1, Formas de Veo. 2, Seiad. 5, Gove. 4 Pode 5. | bet SUMARIO, 1. Aula de 09/01/1980 / 29 1. Aula de 23/0/1980 / 51 1, Aula de 3001/1980 / 55 1, Aula de 06/02/1980 / 67 V. Aula de 20/02/1980 / 79 VL Aut de 27/02/1980 / 85, VIL. Aula de 12/03/1980 / 7 ‘VII, Aula de 1913/1980 / 91 IX, Aula de 2603/1990 / 105 APRESENTAGAO: Foucault ¢ a anarqueologia dos saberes Nildo Avelino* Tntroduso “teas belan aul se parecer ssi umn concerto que 8 om Serio, Em slo que os euros “compashem TE Foweait dave aulasadatcive” ‘Giles Dees ‘Meu conto iniial com o curso Du Goweerament der Vivant proferido por Michel Foucault no Collage de France no ano de 1980, ocorreu em 2005 quando me encontrava na leds como Dolsista financiado pela CAPES no Ambito do Programa de Doutorado no Pais com Estigio no Exterior (PDEE). Na ocaifo, realizava levantamento biblogrifico sobre o anarquista italiano Errico Malatesta (1853-1932) para pesquisa de doutoramento ‘em Gitneia Poltics iniciads em 2003 no Programa de Estudos ‘PerquinadorColsbredor (Por-Doc no grupo Gtner, Expeséaci © Sutjeuriage do IFCHUUNICAMP negate de Cero Ce Cara Saal, ‘os raul era Gieneas Sosais da PUC-SP. Intsressado na reflexao aaaeguista sobre poder, governo e autoridade, adotet ‘como ponto de partida dois pequenos excritos: A Anarguia de rico Malatesta ¢ A Goversamentalidade de Michel Foucault sas liuraslevaramne a investigat em que medida ceria por sivel confer outralegibiliade reflex politics do anaequismo ‘ssog fora ds clichés de Inumanismo comumente encontrados fn ertica “péscanarguista”. Dessa inquetagdo resultou s texe, ‘lefendida em 2008 sob orientagio do Prof, Edson Passetti € co-orientagao do Prof. Daniel Colson, intitulada Anarguiomos ¢ Governamentlidede ‘Durante meu rggtore italiano fui & Franga com o objetivo de pesqusae os cursos inéditos de Miche! Foucault. Em junho de 2008 encontrava-me em Paris consultando o eatslogo disponivel rho IMEC ~ Institut Mémoires de "Edition Contemporaine. Em Seguida, ditigime & abadia de Ardenne, situada em Saint Gi main la Blanche Herbe, na cidade de Caen, baisa Normand Encontranse ali deposicados na biblioteca do IMEC of fundos ‘Michel Foucault compestos de virios materials, entre o$ quas ot arguivos sonors de curios eentrevisiat. Nao obstante meu rpido ‘dour ex Caen, ouvir Michel Foucault discoreer no interior de uma velba abadia fundada em 1160, num local sates habitado por um antigo monastério agostinian, sobre at tecnologias de Si do eristanismo primitivo, fi uma expesiéacia maccante. Ali ‘comesou meu interesse pela anarqueologia Deiat! o IMEC com 2 sensecSo de que uma segunda reesuta 4o curso era necessiria. A eporunidade apresentou-se em 2007, ‘quando fi contemplado cam bolsa pelo programa CDFB-Colégio Doutoral Franco Brasileiro da CAPES, para estgio de pesquie sa de um ano na Franga. Com isso, pide retomar a audigto do curso, desta ver no préprio College de France em Paris. O| resultado deste segundo estégio €o presente teabalho reaiza do a partir dos aequivos sonoros depositados aa Bibliotheque Générale du College de France ($2, Rue du Caninal-Lemeine, 75005 Pars), entre 08 meses de abril a setembro de 2007. Nie 1,8 200), Anau «Gomamur So Pal, 0 Te ted em Cun ois Puen Poms Unica Cae oso deixar de registrar aqui os meus agradecimentos i Si" Marie-Rense Cezabon e sua equipe pelo aceso aos arquivos © pela amivel cordialidade ‘Um trabatho de transrigio © tradugio realizado sem recur so a0 manuscrto original ext sujet a umn maior nimero de incorregbesinterpretativas na redida em que esto ausentes os procedimentos de "sutenticagdo”prGprios das publiagbes res Tizedas dos eussos de Michel Foucault. Entretanto, aquilo que busco € um efeito © uma wilizagao particulars: meu objetivo Centar perceber a mancira pela qual Michel Foucauk retoma f ansrqutsio, a partir dos anos 1980, na sua postura analt para iss, 0 curse Do Govern dor Vios presenta posibilidades Sinds pouco exploradas (0 professor americano Tedd May fol o primero a empreen der eaforgos para delinear no plano conceitual relagdes entre fo anerquismo e 0 pensemento de autores *pSsestruturalstas, ttibuindo a esses altimos um tipo de “nee-” ou "ps" anar Gqistao, Ao fazer iso, May consolidou o termo inventado por Hakim Bey! alguns anos antes; entetante, o pés-anarquismo postulado por May possi uma curscteristica muito precisu: onsiste em recusaro que ele chamou dee priori do anarquis: Io elissieg” ou a concepgio anarquista do poder que, segundo Cle, €inremediavelmente humanist O problema é que uma vez ‘descartada « concepedo anarquista clssiea do poder, nada ou ERAT Fo, te Maal erty ar Ann Gecror quran Brel om meats dr ans 1980, otab oni J ‘Teguise pa eee putes" (NGO, M, (188), Ds Goad Ie Wid et Dp 0.1050. Rn tenis Par ev (Fara Liter" st Hn Sh a" 5 196 9.354 SIREN Ct Pi rin dy: Digo oreo. poucs coisa resta do anarguismo. Assim, 20 abandonar 0 @ prior! do anarquismo eléssico, o pés-anarguismo encontrou o contexto necessirio para uma ruidsa ierupedo que assumiy ox contornos de ume grande novidade Existe também outro aspecto do debate. Em win escrito que denota 0 mais profundo derconhecimento da anaitiea do poder de Michel Foucault, Murray Hookchin’ aaociou o Weyl enar= ‘his (elo de vida amarqwista, ou seja Ido que for iss!) com 4 “insurreigio pessoal” foucauhiana (ontrria & Revolupio Social bookckiniana) e com a “ertica ambigua e césmica do poder” de Foucault Gncompativel com o “empoderamento individual” pelas assembleias populares defendide por Bookchin). O texto de Bookchin parece-me intencionalmente confuso para una iscussio seria; porém, ele denota uma disposigdo fortemente presente entre 0s melosanarquitas de hoe, Procirando compre ender essa disposigao, Daniel Colson® questionow recentemente porque um guter Ido présimo do pensamento libersitio eomo Foucault rages ao qual a stio do poder torowse Finalmente luma questio central; enfim, "porgue esse autor & objeto se lo de uma reeiho viscera, co menos de uma completa indiferenga entre a maior parte dos anarquisas?”, Ao iavés de procirat wna Fesposta no suposto pessimisino de Foucault, como fez Colson, parecesme que arejegio eindiferenga entre os anarqustas poder Ser vistas como reagdo aos abals estemscedores provocades por Foucaul: auma cera letra mantra do anarquismo elissco. A rejegdo do pensamento foucautiano estaria no fato de que, durante muito tempo, a maior parte dos anarguists esteve aco. ‘modada confortavelmente mum sSlido terreno através do quel © anarquismo fot explicado com categorias pertencentes quase sempre a0 pensamento hegeliano e marxists. A nogdo ontologies e uta de class, por exespo, ausente na reflexé do anarquismo classic, tomou-se palavra magica para a maori dos anarqustas desde o advento do anarcossndicalismo até nosos dis, SBOOREEIN 90, Amino: nro SGDLSON. tn, "Eoss, ea he pode Rf 1” Perece que durante vitias décadaso olhar sobre o anarytin ‘no permaneceu dialtizaco. Se € verdade que a ctegoras ¢ 08 Principio, como enfatizou Proudhon, sim force de impulsao, {ntio nio é precio ler Hegel ou Mart para apie pensar come hegeliano ou marxista:¢ soiciente estar familiarinado com al sgumas das suss categorias de pensamento ara que se produzam leits prticos e teérios, Ent, talvez fase preciso transerit f humanismo do anarquismo clisico para algumas modalidades Ge letusa dos contemporineot: procarar o.@ prio humanisa nencionado por Todd May noo anarqusit clssio, mas no thar humunista edialético de sertas leituras contempordness Seisso iver algum sentido, «tareta é muito maie aun do que sec imaginou. Seria fel, com elit, sea ermadilha do hums fismo tives langado em catieiro apenas a reflexo conceital do snarquisme clisic: bastariadesfarer-e dele etereeia um neoanarquismo imune de eapturas. Entetanto, se 0 problema sed em nosia contemporeneidade e no tipo de litara que hd muito ela estabeleceu com o anarqulsmo, « desaio, bem mais sii, € o de pasar pela exitiea nosso prépro pensamento para em sejuida reexaminar os argumentos do anarauismo com a mesma eloguénciae ironia da primeira descoberta, B um batho eritco de reletura do qusl nem o necanarquisme nem 9 ‘narguismo Social souberam. realizar. ‘Uma releitura que nfo se faa em termos de retorno 20 pas- sdo, mas como diagnéstico do presente € 9 que se chamaria de abalh ertco, Agu, como suger Colson rate de tomar 0 pendamento de Faucaulr como revledor gum que io somente fonfere sentido so penssmento anarquista propriamente dito, sus faz tambem com que © proprio pensamento foueaultiano sdquira sentido particular no iaeror deste pensamearo que cle lucida e renova Governamentalidade ¢ anarqueslogia A partie de 1980 Michel Foucault fatroduz uma nove prable- matigagéo nos seus estador sobre as relagbes de poder staves qual ele renovou consideravelmente seu "método” de andlise TCGOESOR,D Gon, Ls Pte de Asari, De Poon a Jatese da anargueologi dor aberer que consiste no deslocs- euto analitice do eixo Poder-Saber para o eixo do “govern ios homens pela Verdade sob «forme da Subjtividade”, Com 2 anarqueolegia Foucauk confere um grau de complexidade ex- traordingrio as suas pesquisa, resutando, anos mais tarde, na formulagio do tema da estética da existéncia, Como jé excrevi fem outta casio a anarqueologia prolong e resin e andises dda governamentelidade iniciadas em 1978 com o objetivo de marear a distin entre pola e gues e também para torat ‘perme © problems dz luta no domfnio politica defnido emt termos de relagbes agonistias. A obea-chave para apreender © tema da anarqucologie €0 curso indito Du Gousernement det Vieants, proferido por Foucault no Collige de France no ano se 1980, Segundo Dreyfus e Rabinow, entre as nogdes com relagio 1s quais Foucault organizow sua obra durante década de 1970 fstava a nocio de hipaewe represic, earacterizada pela wfrmagto Segundo a qual "a verdade € iatrnsecamente opesta ao poder, ddesempenhando todavia um papel liberados”™, Seguado Fou ‘aula hipétese represiva desereve um poder portador unies- mente da poténeia do ndo, apo somente a estabelecer limites © exist no negativo, e caja eficdcia implica 0 paradoxo de tum poder que nada pode “s alo ser levar aquele que sujeica 1 ndo fazer senio 0 que the permite”. A descrigao do poder nesses termos tem a conseqiénca de que, sede simplesmente nterdieo, preserigao da Ii, releglo ete» nao Ihe resta outra sida que exercer-se mascarendo-o,ccultndo seu cnismo para tomers tolerivet,cobrindo de sombras suse principals formas, "Seu sucesso estd na propereto daquilo que consegue ocular dentze seus mecanismos”, E neste sentido que v poder, desert nos termos da hipStese repressiva aparece como amttética & ITAVELING (200) “Goremamenudade¢Anegenogi Ris Tes ay Ri Jnl p27 N DREYFOS 5 RABINOW, 11059) il Foca, Une jas Pn, oud anes rn Ta ers ae Se ‘HCAULE M953), Mii da Seid 1 sna dr 1° ay achat: Ages). A Gulbos Aber oe verdade; obrigado a eaconder mis verdadeira face © a escamotent mde repressiva, ses mecanismos aparecem ligados essen flalmente com a cegueite, 0 desconhecido,o segredo, o néo div. Esta imagem do tirano matcatado foi o principal allmento das anilisesfundamentedat a nocio de Ideologiarealizadas a partic dos anos 1960. Contra estas andisesderivadas da descrigto do poder como represslo, Foucault empreendeu sua investigagio fr toon do eixo Poder-Saber {Que a exerecio do poder implique © mecanismo do segredo, isso € certo, Nio se trata deafirmar que a mecinice do poder seit sempre em toda parte plenamente visfel; que sua verdade se torte evidentee manifesta: que seu exerciioreflita nas coms- ‘éncas toda «transparénciae brlho do que €exsustivamente ‘conhecido, Nio se trata dist, mas dos efeitos de simplificasio provoeados pela anilise da ideologia na medida em que nela ‘:neoatravee ivarivelmente e de mancira central @ nogto de falso e de nio ciemfico em oposigio a0 verdadero e a0 cien tifice, A ideologie, como problema no plano do conhecimento, tem sido deserita ora como fsa conseitncia que vel © mascara (os efeitos do poder, ora como o que produz sus acetagio em termos de legtimidade", A andlise que Chrétien-Gont fez da nstuigdo do segredo na poltica monstra » quanto € inadequada lima explicagio nesser termos. Ao tomar a prtica do segredo zo Abrolutismo Monérquica como una pritica de commicacio, Chrétiea-Goni mortrou como ela portava duas lopicas: uma defensive consstinda em ocular os mecanismos da dominagio, fm fechar no gabinete do Principe os meandsos do exercicio da Soberania, em defender contra 0 conhecimento dos sidits 25 verdadeirarrazdes do seu poder. Masa instituigio do segredo ra consttuida igualimente por uma lopienoforioa com poder {Ee propagagio na qual o segeedo representa, sobetudo, a forra porformatioa do poder soberano. Deste Angulo, “ser soberano & Srganizar 0 segredo,instituelo,divulgél, retélo, no limite € Iherarquizar 0 mundo em fungio do lugar de cada um vist TMK ite lems Rk. Tod ini Ree a an « sks Aen id mgr 2. cekepstaibonne Keen Eons Brae Ua B ust que pode tornar-se um imenso sistema generalizago do seuredo"™ Assim, a0 invés de tranear no gabinete do Principe Dareanos de seu poder, lgicaofensiva do segredo fez circular no préprio funda opaco de seus mecanisiios una transpartncia destinada a propagar tanto quanto possivel a forg performativa dds saberes racionalidades do poder soberano. NEo te tra, portanto, do banimento da verdade para um mundo de sombras de onde a soberaniaexerceri seu poder abscar; trxta-e do jogo ‘complexo entre verdadeiasdissimulagiesefalsasdisimilasbe, conteidos de comunicagio amalgemados em jogos de luzes ¢ sombeas. Um poder unicamente enclausuredo no gabinets do Principe seria incapaz de ser poder; seu execiio exe a sbertra para o espaco dos sites. & neta srrculago ctausuriaberture ‘que corre uma intensatetralizagdo do politico: ali o exercicio resplandecente do poder do patta sem © bilho da verdade, Para evitar a inadequagio das andises do poder em termos e ideologia, Foucault conduzin sua investigasio em termes de PoderSaber. Muito a0 contririo de ocupar ume posigioantle ‘ética em relagdo a0 poder, a verdade 6 um de seus principals elementos de catalisagio: ela conduz e reprodua relagoes de poder. Se€ assim, diz Fouesult na sue aula Inaugural no Calege de France em 1970, dois aspectos se destacam de um lado, 0 discurs, “Longe de ter ese elemento transparente ou neuro no aval a sexualidade se desarma e a politica +e pacfica () um dos lugares onde clas exsrcem, de modo privilesiado, alguns de seus mais temiveis poderes"*. F deste modo, “o discurso ‘do € simplesmente aquilo que traduz as lutas ou ot sistemas de dominacio, mas aquilo por que, pelo que se lata, © poder ‘do qual nos queremos apoderar” No ano segulate, ao eserever 0 resumo do curso “Teorias¢ Inttuigdes Penas” promunciado no Collige de France nos anos 1971-1972, Pouca afirmow sua hipstese de trabalho regundo a qual iE GHRETIENGONL 2 092, ais dm, The sen sete et tnt ie” ALES HN, ‘ord ka Raion Bsa, Paris: PUR, p. 152. fe INTTOUEAULE, M984 Onl ie Al ged we Cai ome reat ee 9c ae “as elgbies de poder (com a5 tas que os atavesszn ou 9 0 sinlgoes que ss mautém) no Joga com ceapte to sber somente Tororectlo ou de esinulio, de fasedJo on Ltée; pode «saber tio so ligados um a outro someate pelo jogo dos interesses © as Heologiass © problem no & apenas en determinut como 0 poder ‘ibordnao saber eo faz sevr su fnaidads ov come imprime:the limpbe cotvidese limiters tdeolgion. Nesom ber foncarse em um sistema de esmncaro, de zeit, de acumulago, de des Tccamento que so em si mesimo uma form de pode liga, em su ‘ustnca efuneiontmerte «utes formas de poder Nenu poder, bor su Yer, eerce-se sem a exteglo, «apropos, a dstibuigte ‘ou retengo dem saber Neste nivel; nfo existe 0 cnecimento de tim Lido es aociedade de outo, ou a citacia eo Estado, mas formas Tundammeatais do ‘podersaber™, Portant, partic de 1972 Foucault deslocs cada vee mais foco da sun andlise que passa da “arqueologia do saber" a "ie navtia do suber”: apés ter analisado at formagdes discursivas © (0 tipos de discurso em Arquoloia do Saber e At Paloras e as aise, seu projeto & agora estudar como esses discursos pude- sam formar-se historicamente e sobre quais realidadeshistri- cas eles se articularam, ou sea, em quais condigies histéricss, ‘condmieas e politieas eles emergiram. A questio do poder teanha cada vez mais relevo. “Parece-me que fazer a hstGria de ettosdiscutsos, portadoces de saberes, alo & possivel sem ter fem conta as relagdes de poder que exisiem na sociedade onde esse discurso funciona. (~) At Palanas« as Cos, stua-se nO nivel puramente descritivo que dexa inteiramente de lado toda andlise das relagSes de poder que sustentam e tornam possivel 2 apargio de um tipo de discurso™. Entretanto, o tema do poder parece ter conduzigo anélise de Foucault a um impossea partir da segunda metade dos anos 1970, Foucault, como observou Mitchell Dean, 2o se destazer TE ROUCAULE Mcta, Dis Bs 9 1951975, Pas: Gata, 1S: FOUCAULT, M. (nb, Dir ii, 1197198 Pars Galina 16: DEAN M199) Gorman: pone an re msi sy, Lanes Sieh 5 1s «ks ori socolgicas que davamn ao Estado a imagem de uma ‘calidade unificads seplanto os problemas do fundamento ds toberania e de sut obediéneia por uma anslise das mltiplas ‘operagies dos mecanismos do poder e da deminasio, Para isso, ‘lotou peimeiramente 2 linguagem da guerra como maneira ‘le reconceitualizagio das relagdes de poder. Mas resutou dat o inconveniente de estabelecer uma dieotomia entre soberania, tntendida como formta Juridica de um poder “pré-moderno” proprio des monarquias absolutistas, e 9 que seria um poder Ninoderao” de tipo ciscplinar e normalizador. Essa dlcotomia, parent, provocads pela linguagem da guerra, teria induzide formar de denineias extemisas do poder visto conforme 0 mo delo repressiva pela exquerda, Fol am inconveniente que levou ‘vandlise de Foucaule para um novo coatexto, © do govern Straver do qual cle procurou rediscuti os problemas do poder fora dos dieursos da soberaniae da guerra a partir dos cursos de 1978-1979. Nesta ocasico,afirmou Pasquale Pasquino, cola Dborador de Foucault no Collage de France, emergiu "a questo dio gorerno ~ um terme que Fovesule utiliza gradualmente em substituigio a0-que ele considerou como uma palsrrs muito arabigua,poder"™”. A andlise da governamentalidade encontra aqui sua procedéncis. Projeto anarquealigico Acompanhar os desdobramentos na analitica do poder de Michel Foucault torna comprecasivel a impertincia que a anar ‘weologia ocupa na sua elaboragio da exica da exiténca, Como Apreender este pereurso analiico que, passando pela andlise do jgoverno ou da governamentalidade,levou do tema Poder-Saber ara a estétca da exsténcia? Inti seria buscar uma eoeréncia teériea de conjunto que o préprio Foucault rejeitou 20 sevindicar lim esrta sem ruzo no prefilo da sua Arguologia dos Saber Ein todo caso, & perfetamente plausiel esbogur um plazo de intaigbitidade buscendo articular esses diferentes nives anal I FRSGUING Ean til hwy oa i pa: ahd he 1 ‘ics, Michel Senllat!s, mencionando 0 abandono do discurs0 ‘le guerra como operadoranalitico do podes,afiemon que na obra de Foucault, ao romper “com o discurso da ‘butalha’ utlizado tlesde © comego dos anos 1970, o concelto de ‘governo’ marca primeiro movimento, acentuado desde 1980, da analitica do filet & dren do rujeto”. Deste modo, € da nogto de governs tontalidede que € preciso parti. Definida no curso de 1978 como urna andlise geneal6gica sto poder para descrever os caracteres especifics da tecnologia thy poder do Estado", no curso do ano seguinte Foucault apri- tora conceualments a andlive da governamentalidade. Em O Nascimento da Bioplticeafirma que seu objeto de estudo nfo foi a pratica governamental real, ou sea, © modo efeivamente fomo os governos governam O objetivo fol estudar a mancira fefletiga de governar ou 0 conjuato de reflexes sobre a melhor tmancira de governar; enim, o objetivo da governamentalidade ode estudar a “inatancis reflexiva™ das prticas de governo «sobre ar prétiens de governo. Foucault comoa por objeto de “tudo 0s modos de conceitualizagio das prtlea de governo com ¢finalidade de apreender a manelea pela qual esa conceitual ‘agio estabeleeu os objets, ae Tegras gers & 08 abjetivos de Conjunto que sio propos 20 seu domiaio. Trataese, em sua, {le um estudo da racionalizaglo da prética governamental no ‘aezeeio da soberania politica. ‘No final do curso, precisamente na dltima aula, Foucault diz; "0 exereeio do poder, esta prética muito singular da qual fs homens néo podem eScapat, ou que eseapam apenas por mo- mmentos instontey por proceso singularese aos individuais 0% Coletivoss ue colaca eo jarista, a0 hstoriadr, toda uma série {de problemas; este exerefeio do poder como € possvelregrilo tedsterminé-lo naquele que governa?”™, Segundo Foucault, 3s Sociedades ocidentas combeceram duas grandes formas de reg TH SENELARE M200, sition ds co ae FOUCAULT, M. Shi rin pn oa alg de an 977 Pe lim 1, FOUCAULT, M. (200s) Stew Tor, Ppulsim. Cours mu Cait de Fate 9771998 Parse alae, Bn FOUCAULI, Me OM Nawous de eB, Gaus wu Calpe de Fate 197819 Pan Glare p38 ” «exec do poder saguee que gotens, Una deus consis, srt dade Média, em indena 0 erie do pode ts bedoria€ 2 veréne co texto religion, verdade de reveasio eda ordem do mondo. Em sepuida, com o Endo moderne © ‘xeretio do poser ft indenndo iv a i sabedvia teliginy, tmas A sabedria do Principe, Todavin, ste indewago cone! Geu na hisria dss formas tne de raconalidads: muse brimeio momento el se du m0 a forna do Rao de Estado foro racionaldade do saberano a4 alo poder de saberenia cups um papel central. Mas, a segundo momento ee ‘aconlidae deze de sesumic a freauntiia da Rerdo de Estado eadotou a forma do acto edo contato social agora ‘slcooados ua sre de vox problemas mais aden fo Princip, mas 40 mercado, # populagto «9 economia ita prnagem de fndengio Jo eaeiio do poder qe leva de rcionatigede do Principe pares racionatdage do coneto Social foi considerada por Foucault wm pono de clivagem © 4 transformacio sbsoutamente importaate na economia do poder. O que signifies, sine, indexero ererccto do poder ‘ravionafidade do conrnto sol Signi, simpesments indert-osobe a raconaltade duces qu so gorernadon ¢ due sto gorernados de modo particular: come ston econo tices como sujten de Ineesse, como indlvis qu, Pare ‘aster seus interests cileam de manele mate ou aenoe Tivee a cpr o objets digoniilmdos pelo mercado in cueas plaves © pono de clivagem ¢ importante porqe le inagute nossa moderida,determinands 0 made come nis somos governs hoje Com sito, quand se aprecnds «questi da leitimidade do moderna hstria do pensamento politico deseo sculo XVIh, pereebe-se fasion como, das eras contatuaias 20 bers clssic e contempordnes, «espana ese questo sornow axiomético que o comeatimeato des povernadot dere ser fone orginrn Unio fandamento do poe plea lcitimo, Kim um plano conceit, aio de legtimigade c ores capaidade eis ue poo um reine pola de Songuistr€ master um spo socal mujra tamsomands w « simples concordincia em adesio stiva ¢assepurando 1 obe Aigncia sem necesidade de recerrer a0 uso arbirério da forga Deste modo, «racionaidade politica do contrato, configurada pelo iberalisme dor eéculos XVIII e XIX, e pelo neoliberslismo tle nostos dis, consiste em indexar o exercieio do poder na ra- ‘ionalidade dagueles sobre os duals o préprio poder 6 exerido Hoi assim que, apés a Rezdo de Estado, a vacioalidade politica Ado contrate introduiu a exigencia, tornada indispensdvel para o exercicio do poder, deste elemerto que precedentemente tinh thouca importdncia: 0 Sujeto, O exertcio do poder seré dora ‘inte uma stividede eu indexagdo nao independente de uma {nbjetividade, de um Eu, de umn Si Daf a afrmagio de Foucault ‘Segundo # qual “a reflex sobre @nosio de governamentalidade to pode delsar de pass, erica e praticamente, pelo elemento {deutm sujeito que se definira pela rlagio de si consigo™ Assim € de trade Poder, Governo ¢ si mesmo que se ocup ‘anarqucologiaintroduzida por Michel Foucault no curso Do Gioverna do Vioon, Este encadcamento faz a governamentalidade parecer sob tuma nova configuracao, a do “encontro entre 83 tGenieas de dominagio exercidas sabre os outros ¢ as téenicas des", Entetanto, a maneira como ocorre esse encontr, quis so 08 objtos proprios do seu dominio e ze que ele constitu, ‘io aspectos obscuros para ot quai existem poucos elementos tne obra publicada de Foucault permitindo clucidé-los. Quais Intersegoes estabelece, ¢ como estabeleeé-las, entre as ténicas| de dominagio e a8 técnicas desi, € uma questio que 0 curso {de 1980 permite responder de uma maneira mais precisa. Uma visio nipida sobre a genes do curso ajuda compreeder de que Segundo Daniel Defert a partir de janeiro de 1979, a his tsria da confissZo conduziu Foucault “a estudar os primeiros textoe doe Padres da Igrea, [odo] Cassiano, [Santo] Agostino, Tertuliano, Nasce progeessiamente uma ova matéria para 6 FOURTH Sn, ae Ci FOUCAULT hop cg 2M yp. 60, " ‘3, DEFER, (bly Ghronaepe In FOUCAULT M.D Be, x » sewnindo volume da Hixéra de Sexualidade, “As Confssbes da Carne" [Les Avews dots Chair} 0 estade dos primeiros textos “cistios orienta sua pesquisa genealdgica em diregio sos tertos latinos du Antiguidede urdia” O eusso que no College de France Serio meio pelo qual Foucault apresestaré or resultados desses «studs sobre os Padres da Igreja € Du Gouvernement det Vivon Deste modo, o curso de 1980 fi inicalmente destinado ¢ eon ‘ituir 0 segundo volume de Histria de Setuaidade. Mas, como fe sabe, isso ndo ocorre. Em 1982 Foucault publica um artigo Invtulado “© Combate ca Castidade” na revista Communicaions, © artigo, eeproduzido nes Dito Becta nicia-se dizendo que © “texto fol extrado do treo volume da Histria de Serva dade” (grfo meu, € uma nota des orgunizadores complements 8 informagto dizendo que este terete volume ¢ “As Confindes 4a Care, Nesta época 0 Uso der Prasee nko havi sido indigo em dois volumes”. Quer dizer, dr Confses da Carne passa 4 figurar nip mais como segundo, mas como terciro volume a sie Hisiria da Sexualidade, colgcado ps O Ure dos Praeres Sobte esta reorieatagio da série, Foucault dies em entrevints ‘ue a diticuldade surgi porque de laf ele eseteveu um livra Sobre sexuatidade que, em seguida, foi valocado de lado (0 1° Volume, Vontade de Sate); depos cle esereveu wm livre sobre 8 tdenicas do si crstis no qual ¢ sexuslidade desapareces (ts Confsies da Carne; em seuida, ele we vn obrigad a ressrever pela cerceira ver um livro no qual procurou manter um equil brio entre um e outro (presume-se que tela O Uso dos Prasee) Tudo indica que, para equilbrsto tema da sexualidade O Uo der Prazeres torna-se 0 2 volume da aére. Mas fo 9 volume As Confirdes da Carne, “0 livzo sobre 0 cristianisma”, que obrigou Foucault rever 0 volume O Ue dos Pracees¢ cindl 1o em dois volumes para constituir otereciro volume da srl 0 Cuidado de Si. Depois de tudo, o livre As Confisses da Carn, pensado ini sialmente como 2° volume da série Hitria da ‘Sexualidad, foi fealocado para figurar como o 4° volume alem disso, ele fl 0 volume responsivel pela reorientagdae reclaboragio dos vol, SE FOUCAULT Hop i200 9.114 ee reo tema a extn da eH es eat Cecon ame toiceber um poder da verdade desvincalado da verdae Moe isaac en ars eitte invenaramo sity mas como wna derived, mee produto de ura “subjetvagio", Descobriram = Foxit aarti coitus Secon na yesser Pla nt ted mo Foucault Au pode xe ss a sean Grereio do ‘poder sobre a subjetividade do governado, een reufiesto, Por qual razio? Purece que uma questdo subjacen- tage oder seré exercido, € dbvie que umi fe ao a ae ergs Bene Ct ae der é um problema politico historicemente importante: FE DELEUTE, ©. 15) con, Tat Cain S. Main, Sto Pao a soedecer™, Deste modo, a racionslidade do govetnado nio pode ser produto do 2cas, resultado expontinea de procetsos ‘que exeapam a0 exercicio do poder; 20 contatia,€ preciso que ‘racionalidade do governado soja suflcleatemente suscitady provocada © motivada pela e para a obediéncia. O curso Do Giowerno dos Vivo desereve precisamente a hisria genealdgica desta racionalidade direcionada para a produgto da obedigacia, rostrando de maneiraconcundente e decisiva que nio ha pro: dlugao de obediencia possivel sem teenologias desi. Foucault mostra que s6 fot possivel a0 iberlismo ¢ 20 neoliberalismo inderar 0 exerefcio do poder na racioulidade dos governados porque existe hi sGculos, da parte dstes sobve ot quae we exerce © poder, pritcas de reagio de si consigo produtoras de estados de obediéncia E preciso uma relagdo desi consign, ado neces srias tecnologia desi paca realizar a governamentalizagzo dos individuos. £ por esta razio que os estudos da governamenta- Tidade serio focados, a partic de 1980, sobretudo ne dimensio ‘programica das artes de governa, ito ¢, sobre os programas © ricionalidades para o governo dae condutae, Por racionslidades Foucault entendia o conjuntoe de pres- crigdes ealculadas e razodveis que orgunizam intituigdes, Aistribuem espasos e regulamentem comportamentoss neste sentido as racionalidades induzem uma série de cleitos sobre 9 real, "Sio fragments de realidade que induzem eases efeitos de teal to especifcos que slo aqueles da separagdo do Verdadeiro © do falso na mancira pela qual ov homens se diigem se ‘go vernam se ‘conduzem’ a si mesmo aos outros" Portanta, € problema da verdade que esté em jogo nas racionalidades, «neste momento a questdo central colocada por Foucault, 10 ‘curse Do Gosemo das Vows, €4 de saber “como sf para que acura aiden cristo gover dos omens exigu du parte descr que so digo aie de ses de sbediencia «submited, stor deYesdade qe tn» pareardade deve mio Somente otha € saad des vende mas der £Terdae rope dee mesmo, dena fay de seus seo BE FENELTARE M00 denen Pa Nee So mroveNtE 2 estado de ua sla et? Como formou-se um tipo de goerno dos femens no gu tio ge €sollcado simplesmeante x obedeces as manifesta, esunclando-, agule que se &™ Para pode responder wn uty, Fat dur 2 ogi de anrenclgin etendida como *ostara rode” "State sea de cansgeeo ‘rent ao poder da vcd. ‘\anarguologie€ uma nae eo postr intelectual ue invert posto acon dso em reli verdad. A tosigue du vei, dade Pato as dis a de asa ITpoder da verdad Ese pong de conforasto da ovale “chet poder da vende for ennagrada por Expnoss com 2 sua ‘Sinn rnaa do erm indents pre rar que erdade to ebig, vesdadenioconstrange, ore a verdade €0fn- fice dew eama: pra Epis to de obecienla dria da fonradedaquee que comand nod verdade da cis Nesta {ruler posit iséic, diz Fovaut «questi cloeada eta owed segumt:e partir da igato volumera que Tutte estbelece com a vette, aga gue The frneee os fundamenten ov instruments e a nicsies com a qui © ‘Sf setar um dacs de vera; pri esa liao {Slums du sujet coma verdad, afi questions 0 que yur ete sujet pode dizer sobre pera contra 0 poder ae Sine Jen poura anargussogie consist na inversio Sia ponte castice da filovofi.E presino do mals pari de gap vluntra com verde, ras cloear como problema tha oquationemento do pods quer nes parte ca aude ae questinamento do poder pate pecwanir 10 que esse geo sistemitic, vluntiso,teérico« pritico de coloeat om auesti © poder tem 2 dizer sobre o sjeito de conbec- ‘mento e sebre ligase com #verdade aa qual jvolunariament ele Scencontra peeso? Dito de outo mode, nto ve trata mais de dee: ‘Soamiderendo wincalo gue ae liga volutaramente a verdad, 0 que 5B. ESPINOSA, B (2003), sao Toligi-Pio, Tadeo, introduce ¢ nots Ding Fun io Pal: Martins Fotey p86) OO, se, ‘Tats de Tm Tes, Pea Bl ste Ata 7 2 «ute eu porto dizer do potes? Mas, consider mina vootade, ecingo wenlorg de desfze a lgago que me ga wo pode, 9 que € Hise) eto do suete de couhectmentow da vedade?™ Peroebe-se como a anarqueclogia ¢ ura posigdo anaitica que consise em um gesto de transgressio a0 poder, posigio anali- tien que colocao ato de desobedigneis come ponto de patida © condigo da analise. No comego dos anos 1970, Foucsulttomara fo sistema das tices puntivas como analisador das rlagbes de Poder sfirmando que neste procedimento “a elemento central 3 fer considerado € 2 lusa™®. Agors, no comego dos anos 198, le sfirma que “€ 0 movimento para separar-se do poder que deve Servir de revelador da transformacio do sujeito e das telagbes (que ele mantém com a verdade” E aqui, o elemento central na anilise€0 ato de transpzessio, de desobeditnela, numa palave, ‘© anarairmo epsemaligin.E 4 avude anirguca frente 20 poder ‘gue deve ser tomada come panto de partida para uma andlive da verdade: como estabelecerreagées de conhecimeato recusando 0 mesmo tempo o poder da verdade? A questdo parece fill, ‘bas envolve um aspecto politico bastante complexo. A feminist espanhola Maite Larraus chamou stengio precisamente para iso, O problema, segundo ela, € que nao basa ter elareza dos 1agos ‘entre saber e poder para tornar-se capaz de se opor A verdad, Este aspecto, diz els, consttui e parte nodal do pensamento foucaultiano e a de mals diffll compreensio. “como tata conta a verdes das aes hues que (.) me subjgam e dominam uaa ve que no pono deans depress omo verdadero sia son Hberrse Se son verdad vm eat Se pereher que verde.) A emprea de felch yerade do voles empronexenen vate visage le ‘emis do gue somos, Foucault chow de"unarqueclogi ‘nee Ceaag Cum og de alanis acs sages oe tte etre 2 pode da verdade tom nan de sequins epntemoligic, je tetas de mostrar qu ao podet€secriio edu, Parana tempo opeder ds redade 0 ae SPOUCAUEE 197s Sa Pane Cora Cole de rte, 972- 1971. Pai nin og, Bowe Ger Calle de France. ZI TARESURL SW eared Mie ol raed a © poder da verde referido aque contra o qual anraue- tpi a oe, oper, sbreado, 9 forma da subjeviade: CE oment em gue somos chamados 4 nos conttut como Sto que aeiames oimpesio dor discuss centfices endo Westics que ti por funsio revlaraquiloo ue verdade’ “iStome somos. Endo, do mexno modo Como o astiaco Paul Feyenbend ne comego dos anos 197, props © anagusmo como sasrstamento medico para» episemologi e para afilsofia da nce lolzoe a powtbliade de uma rstodoigeae“iéncia icauise no a de tensgrestio metodol6gica™ De manera ‘itchene,Fouesle propby com o nome de anarqeolgia don ‘Steven snaguia como aad erica Creme 20 poder da vr- “de B none diceqo que a anarqueclogtapossiiita reclocar tatualidade a reflexio anarquista, ‘Que Foucault um dos filsfos mais importantes do sculo 3s tena ittalado o seu metodo investigativo de ananar- {henldgico, signin certamente gue Ja ert possvel encontcar Sovanarguiome, eeu dis eapecaimente ao anargusmo de Froulon a dong ue oes cs ge aici Sones aor evento istics. Ars, ye exite uma novidade ruldesa na enarqiccoga, deve 0 fo de qu, dferentement> Un tladrimeepistenolgio exleida er funconamento pelos thagtindsanglosanbes nos anos 1960, quando Paul Feyerabend Ca cena declarando-seasaruita epitemlépic, do mesmo Sado quando Foucault declaa-sear-arguoloita do saber, Tone momento scatvima” delxa de operar sioplesmente ‘ovplano de linguager ov na felagHo entre a siataxes, para Sneran sobre, a0 campo da poles, no eaeeeio do poder selieo, no poretno Jos ome, para colocar em suspensio Srefetos do poder de verdade. Nese Moment, © anarguism> hstemolgico introdusido para problematizaro governo da ‘adutn dos incivdues dare come tarts ae tomar evidentes SrconexSes sempre exstentes ene poder e verdade, buscando intodusie nor jogos de verdade a8 deSsmeriase feus efeitos sobre ax subj, [FE FEVERABEND, 007), cam Ma, Tadd de Mig 8, Pein ate: Belo Agan.23 2s Se. teoria de Marx configurou uma expécie de realism s0- oldgico a0 objetivar na realdade socal na pias, © ertrio de verdade da anilise; diese que no anarqulsmo ¢ na anargues ologia dos anberes existe um tipo de realism ndo-sociolgico, ‘mas epistemoldgico que confere 2 verdade u mesma realidade 4 mesma coneretuée que normslmente apenas sio atibuldos 0s fats. Entretanto, nfo se trata de estabelcer um critéio de verdade, mas descrever as articulagoes obscures entre o poder politico e a verdade na coafiguragio disto que precisamente & ‘chamadoo real. Por isso a nogdo “relativismo epistemologico” resulta incompativel com a anarqueologia at medida em que supde um ecletismo ingéauo destinado a reconhecer a verdade habitando em toda parte. Qualquer coisa como usm liberalism spistemoldgico ou uma democratizagio da verdade € tao ou mais perigoso quanto sua restrigdo. O que esté em jogo nio € 8 censura ou aceitagio do discurso verdadeite, mas o poder da verdade e de seus efeitos sobre a subjetividade. Deste modo, 0 anarqucologista ndo assume 0 relatvisme, mas sustenta face A dae wma postura eca negatea que coniste em conceber & verdade negando-Ihe quiiaqur atributos do Ser ou Substanca, Em outras palavras,€ preciso subrai da vendade todo predicado de bondade, maldide, beleza ete, para admitir simplesmente sua existencia © necebsidade a0 entendimento e 3 razio, Ea contra-se aqul o velho problema proudhoniano de “como, for. gados a admitir a verdade fou 0 abvlut,livarmo-nos da sue fascinagaio?™ Pra Proudhon, a verdade deve operas unicamente enquanto problema de democraia: para governar a cidade € necesilo anforma ee en em nous gue saben? pre ciso transforma todos queso sabem ein pessoas gue saben? Exist, para goverar acide, um cero bec qu alguns devon Possus, mas que outros ndo devem possur? Pode esse saber ser descobertoe formado em alguém que ndo sabe ainda que terminatt por saber? Sto todos esses problemas da teenies de ttansformagio de nlo-aber em saber que esta no corsglo do debate flosstico e politico, do debate pedagogic, do debate sire do debate ngugen ed leap de inguages ro quinto secu atniense. 4 TL. Aula de 30/01/1980 essa infnitahstria de ipo temtaremos extra dss o& tute ges elementares¢ simple. Prices igo igo que € tem davidnpreferivel pre slgumas pessoas, e em pateulat paras ris ignorar iso qe scr sf de onde Wem, 0 que Tecra com an propio evi com os prprios oles ttre! pres ely en eo vende je 0 potcr que e poder em era noo tebere se ererce em STnanfferaao de verde B certo que Epo teva sido mas Trane w continunye até oi daw vids igorand aver es masa que ela to emergin ele nlp pie permanecsr crane. Necsidae, portant, da manfeststo de verdad tarifestaio da leturle para oexeecio do poder, Segunds eto nese prcedimento que permite x verdade emer sep ‘ameete oy ereuioe dizer muito eo avinhos tame: uns Pontos ado eapuzes de diac o werdaeio; man vot viru Sur ene verdaeio ret te cen ponte igufente Ele io om canary, ov douse eagle qe fala por ele, de ligar destino des homens as slo impotntes para deseavolver & necessrnalturgi pla qual ord decode reinaré¢0 poser se exerci como € precio, Els resta impotentes no Thomento em que daem "ao ecateP rea sem eto se {reuiilidade, e+ manetagio da verdad, «pepe Ge Soils ss usta pode see relents Ocirculo da steuegia ato Csr nsroente compte #80 ser quando ese ecto sla rere por indivi qve pos der “eur plon elt, sno, meméri, otertcmunto; x imate de homens que Siem es etava 6 vy eu i euo det deinen props indo eo reebi entre inher proprias non ee: Sem te ont, portant, das que poderses hum sabia, sem Sse pono de subieivsto no proceimenta geal eno sieule soba! ds sletorsa, a maniestago do verdade pemanes Fracabade “Tecra ist, cla ambém bem simples ¢ bem clement: # smanitestagto de verdad, 9 proedimentsastrgen, por coe fequncia faz mute mais que fazer concer nau gsc ork Scsconhcidos ee foe muito mas que feveler allo due for culo, Porque exte mesmo no fim de Big na uncle de ‘igo, noimertio que erste entre Bago ee Baio Crone aualqucr coisa que sim poucoparadonl, dizer verdad xine ume inconcosto nena histria de Bg rtereate 4 Dnisos quer ze, Bip nto ¢ pani. Nie esqueumon que no inicio da pegs, quando Creone retorts como vdeo de Detfos et dir que oorécalo sinks exigide gue responsivel por jot a peste sabre Tebs deveri et pide cum dts ion Se punigio expliciemente indica plo ovicula:€presve ate ce sla eldo 04 orto. E precio dir wrfaly ear S culpa ou face pager # morte com a morte Wcts saben tem ave fipo nd ft morte © nem mesmo i ead nem tums nem outta devas ponies Ie fo apiada Ee cab cp, tle cegou a st mesmo, Por sutopunisio vaste me dios sty sem divs, as terse cestd, se din primeramente, que 6 fee ndo par se puni, mas porgue alr de seu erin ale eo espetdule de sets crimes eram pra el incompavels B someateapon isso cle colo «questo ea punta daendo come exiles, eu sete os duses onan Que se mot, mas eu gomaria de serenade ‘gore, voces saben bem gue Epo peemanece em Teas xt-s prtas do palo fehoreme tebe ol de ose © ao plc, no gar mesa dasus [plea inate, sw so coragdo mesmo dle‘Tebas, no ceneo dessa vila ge se sin provocou a desiruieGo: fbi Id que Bipo permancceu cvs Tebas€ lberade © 8 peste deraparece. Quer dizer que ne foi coin tinhs exigido o orieulo ~ 9 exile, a supresso, a elimins ‘0, a morte do culpado ~ que foi necessirio para iberar Tebass para que Tebas sia iberada fol precvo fei suficente que @ werdade emergise. A histria da Hiberacao de Tebas € simples- ‘mente um efeto das luzes, nada mais: que 28 coisas venham 3 Juz e subitamente& peste desaparece ea ordem ¢ restabelecida. 2 aleturgia vai alan dos efeitos puro e simples de conhecimento ‘que permitiriam determingr o culpado e, por conseqiénca, de castigilo; ess aletarga vai além deses efeitos de conhecimento tlitrio, Nao se tem simplemente necesidade da verdade pars tdescobsir um culpado que seri consequentemente, punido, E tuiciente que vexdade se mosire no seu eittsl, se mostze em feus procedimentos, se mostre na sua aleturgia tegrada, pare ente 0 problema da punigio nae se coloque mais © asses efetivemente iberada is, portanio, Os trés temas que eu gostaria de sublinhar Inicialmente tela entre a manifestagso da verdade © 0 exer ticio do poder; setundo, a importincia ea necestidade pars © texerciclo do poder de uma munifestagdo da verdade que toma 4 forma, pelo menos em alguns de seus pontos, mas de ume Inancira absolutamente inapensével, a forma da subjtividades fim, ersa manifertagso de verdade na forme da subjetvidade tem efeitos que vlo muito alm das relagées,digamos, imedia~ tamente utilities do conhecimento: a aleturgia, a manifestagio sia verdade far muito mais que permitir conbecer. Bom, esses slo 05 tr8s temas que ness curso eu gostaria de retomar nas sulas seguintes. ; ‘A questio que eu gostaria de colocat, ainda uma ver, 6 es como 88 fez, Auima Sociedade como a nossa que o poder aio posse se exercer som que a verdade se manifest, e se manifeste ha forma da subjctividade? B, de outra parte, espera-se nessa ‘manifestagio da jerdade sob forma da subjetividade efeitos ‘que esto para alma da ordem do conhecimento, mas que si0| da ordem da salvigo eda liertagio pare eala ui e para todos s Be mado ges o tam que ca gost de bordar ese a0 6 como, em nasa crit, funconsram ts Tlagoet ee foverno dos homens, a attest de terade ob secs A bjevidace e+ tlrago pars odo ade Es ei bom que eves probleme o est temas ot conte cides repetdos eg spin tudo exse tales hence em termes de idcologa que poston sabre esses probes ‘ma resputa prota ¢ que nor epicam qe, some ae no exerccio do poder a aside da erdde mb's fen aa sbjetividdee salva por todo ada um exten dos € simplesmente pels este peoprion dav que te cha ideo Gromonady,consstee cmdline me medide ct os ons exo mat precupados com usagi no vies smundo do qu com ise gues pata al ents na medida tm qu querer verdacramene sre slow es pertaneeoe tangle € mas fc govern. O govern ds mess got est vcd ect ea memo he € sal tent fot do tro, € peeciment eto pope dase gus 2 sham ieotoga: mal homens esto preoeupdon cons ‘ut alvato no alm mat fl autem gorersion soy devo dizer alo me parece consante comm um ceo aumero de pequens coisas qu nb sevens ne hl sates tu recente das rages ene revolute ¢ rig, Conse tementeo problema nab pode ss shim do simples nde lado des andes cm trmos de delogs aus see aes conduc invesignia. Anda ua vere tem sempre os lke em eras de dell recksa om nals sone 0 pentamento, comportmeate cv stber do hesear fark recon de anise Ideoliiea qu ev ist por diver veces ‘ads an, cu gosuria mes de tomar iad una tet oe ag ‘uo bem simples ¢ gue sempre etonandos, eu eee ou oe todo cio, eu gostara eu espero, opera ade ter Unk lee equeno desigcament. Ets Yctsqusrem, me cms 4 aulques clo camo um pe de conbaea cate mcs ea ss ex nfo digo iso por orgulho ou vaidade, mas por sentiments frofundoe uma incapciades ara mimo abatho etic 0 mist em etaelcer fina un conjuno de posigoes sobre Ss qual cu we manteriae cua igagdo ence esas diferentes pongoetna sua suposta gap coerents,formara um sistema teu prebien ous nica ponbicae erin gue san seria 2 daar somone devo 0 mn itligielpossreh © trig do movimento pelo quale ndo eu mas no lugar onde Suvcnava agora pouco, Das voc quserem, essa perpétan Seceasidade de lg, deslgum modo, 0 pont de patagem {uv eadhdesocamento arise moda eno o cniunt, pelo ‘Senos t mani pela qual se Hou pela qual se apresnde 0 ut ode ter de inigie: Bata neceidade, portant, to spaese Famais como plano de um edict permancate; no € preciso The veciamareipor as mean exigenciat como se rats de nad on de og detent ret diz tear io ein tics, as deslcaments pelt {Thais an poigosteiea ao cesam de se transforma. Apés {hdo, erste elopasneptvs:digamoy que eu sou fee fico negtive?s Ent nova cova rm novo (ae ms ‘eral um rae sobre i mesma sobre o mesmo ten ‘aperando uerouto delocamento¢ na nove forma de {ateliiiidede, porta, o gue significa can eecsn da andise fm tems de aslo? Bu poder der nese ano o spun: Slot una mancra eu cri wadicon satign, pesftamente Sabrs de clocara questi filosfice ou pola dizendo que omomente om que o vjit se sbmetevolunaramente + Uno gusto ds verdade ume ssapl de enhecimeno; et Site no'momeato em ge le prtende ap Ine seem aos ts fandamenton, os insures 8 jsiieagies com a gat fhe pretendesutentar um scr de verde, apart day © he é que ee poe daz sobre, ou pas, ou conta o poder que Missle? Dito de outro modo,» ligesto voluntats com & Br Ge ie as aio Spite Pipi die, Ps: a Mc Sooty. 28; “Ghmare icone cop ep un métode de ie ‘atte qe se pepe conte Deva pice pope be eg 07 Doteais concen 9” ton prendc eos debra ao poder? Ewa eu reas € 1 nein Fe fo Serpe vet ar Soe anen eatrat quads epeerions Sera One comcineny etoee is com ¢senoee esi ude situ de conan ou alma nao é mais a critica da representagio nesses termos que deveri serie de inafcador pars dein a leitimidade do poder ou part 5 nego ma coms ere como de ouro modo todas av curs ante inverts as colocar em suspensio todas as certezas, as posighes téticas ‘erdadeE wma atitude que consist, primeitamente, em dizer {Stan per xn oes pra ms oa css posgho, a marche consiste eam pergentarae cheer momento em que nenham poder é fundado no dil te Wi eumidede no momento em qe qualquer pode fats vesmass sing ser sobre a contngénia © fagidade de ure {Slur no momento em que o conto soil € um Bef ¢ 2 Melcde cnt um conto pars ciangis} no moment em ge OTHE Sith sircte univers) sedate evidente se Meas Cn too lugar sempre, sstentr uma reas de poder Sonlguer que a ele ‘gums vortequiserem que a grande dare filoslce conins t clgcat en funcionamente wa divide met6es