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APRESENTAÇÃO

Bem-vindos à aula demonstrativa de Língua Portuguesa.


Por se tratar de uma turma teórica, como praticamente TODOS os
concursos exigem essa disciplina (a exceção fica por conta de alguns
certames jurídicos), nosso estudo não será dirigido a uma única banca,
mas a maior parte delas, de modo que o aluno esteja preparado para
prestar qualquer prova e obter um ótimo desempenho. Claro que isso
vai depender, principalmente, de sua dedicação, acompanhando as
aulas, resolvendo os exercícios de fixação e participando ativamente do
fórum.
Estaremos sempre à disposição para qualquer esclarecimento. Não
tenha inibição em expor suas dúvidas, pois só as tem quem estuda, não
é mesmo?
Nos exercícios de fixação, o aluno será apresentado às questões de
prova das principais bancas examinadoras do país (Cespe/UnB, ESAF,
Fundação Carlos Chagas, Vunesp etc.) e terá a oportunidade de
conhecer a forma como elas costumam explorar os conceitos da
disciplina.
Quem acha que estudar Português é “besteira”, que dá pra fazer a
prova só com o que já sabe, se esquece que, além do conhecimento, o
que a banca busca no candidato é agilidade em resolver a prova.
Recebo muitas mensagens com dúvidas sobre como se preparar para
um concurso público, especialmente os da área fiscal. Minha resposta
costuma ser a mesma. São dois os elementos fundamentais para a
preparação de qualquer candidato a concursos públicos: DEDICAÇÃO e
HUMILDADE.
Normalmente, aquele que chega de “salto alto”, achando que não é
preciso estudar a disciplina X ou Y, certamente terá dificuldades
exatamente nessa matéria.
Quem já está nessa estrada sabe que não são poucos os exemplos de
candidato que, na hora da prova, não consegue tempo suficiente para
resolver todas as questões e acaba tendo de contar com a sorte. Ou
então, erra questões fáceis simplesmente porque perdeu tempo
tentando resolver uma questão mais complicada.
Quando se trata de prova de Língua Portuguesa, então, textos longos e
questões de interpretação complexas são suficientes para arruinar
qualquer cronograma de prova e aniquilar a estabilidade emocional do
sujeito. A ESAF, por exemplo, procura eliminar o candidato pelo
cansaço, com textos longos e complexos. Já a Fundação Carlos Chagas
segue um padrão de prova constante, apresentando, como principal

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dificuldade, a falta de indicação de linhas dos longos textos, o que acaba
fazendo com que o candidato perca muito tempo brincando de “caça-
palavras”, ao procurar a passagem ou palavra mencionada na questão.
Saber o conteúdo é fundamental, sem dúvida. Mas também o é saber
fazer prova.
Por isso, divido a preparação em três fases: “reconhecimento do
terreno”, em que o aluno é apresentado às matérias e recolhe o material
necessário ao estudo; “fixação do conhecimento”, quando é fundamental
fazer muitos exercícios, ler comentários de provas e identificar a
metodologia da banca examinadora; e, finalmente, “identificação das
necessidades”, em que o candidato, a partir de seu desempenho na
etapa anterior, percebe quais as disciplinas ou pontos do programa que
necessitam de maior atenção. Nessa última fase, fazer simulados com
questões inéditas vai ajudá-lo na fixação do conhecimento e na
administração do tempo, fator esse decisivo para sua aprovação
Se o seu interesse for específico, ou seja, se estiver se preparando para
um determinado concurso, é importantíssimo que faça provas anteriores
da instituição responsável por esse certame.
Tudo isso, como se nota, envolve dedicação. Não são poucos os
obstáculos. Quem, além de estudar, ainda “perde tempo” trabalhando,
enfrenta o cansaço e o parco tempo de que dispõe para a família. O
“concurseiro profissional”, ou seja, o que se dedica exclusivamente aos
estudos, enfrenta o desafio de se organizar, de não perder tempo
estudando o que não interessa e, principalmente, de não cair na
tentação da internet, da “Sessão da Tarde”, do telefone. Isso sem falar
naquela vizinha fofoqueira que fica falando por aí que o sujeito é um
vagabundo porque não trabalha...rs...
Nadar contra a maré não é fácil. Por isso, estudar em momentos como
esses é tarefa árdua aos que se preparam para ocupar um cargo público
e é exatamente nesse momento que se define um(a) vencedor(a).
Tudo tem o seu tempo – há tempo de descansar (ninguém é de ferro e
o repouso ajuda no aproveitamento do estudo, sem dúvida!), mas
também deve haver o tempo de estudar – sem ele, não há material,
curso ou professor que dê jeito. O diferencial, sem dúvida, é a dedicação
do candidato em casa mesmo.
E onde entra a tal da humildade? Em saber identificar seus pontos
fracos (faz parte da “fase de identificação das necessidades”) e ter a
humildade de começar do zero. Posso falar por experiência própria. O
meu maior “calo” era Matemática. Sempre odiei essa matéria. Só que,
se quisesse garantir minha aprovação, teria de encarar esse desafio.
Então, como poderia me aventurar a estudar Matemática Financeira se
tinha dúvidas básicas. O passo se dá de acordo com o tamanho das
pernas. O que fiz? Matriculei-me em um curso teórico para Técnico do
Tesouro Nacional (por idos de 1996) com o brilhante professor Godinho
(RJ). Fui relembrar conceitos fundamentais necessários para, mais
adiante, estar apta a encarar pontos mais avançados da disciplina.
Gastei toneladas de papel com exercícios (muitas árvores foram
derrubadas para que eu me preparasse!!! rs...). Resultado: gabaritei a
prova de Matemática Financeira no concurso de 2001!
Nosso objetivo é auxiliar os que aqui chegam na busca de um melhor
desempenho em Língua Portuguesa. Se alguns pontos iniciais do
programa de Português parecerem um tanto quanto “básicos demais”,
lembre-se do que falei sobre humildade. Leia, estude, resolva os
exercícios de fixação, ou seja DEDIQUE-SE, mesmo que você ache que
já sabe tudo. Pode ter certeza de que alguma coisinha você sempre
acaba aproveitando. Mais adiante, esse conhecimento pode ser
fundamental para aprender outro assunto.
Por fim, vire um chato – corrija (mentalmente, se não quiser acumular
inimigos) o que escuta e lê por aí, traga para o seu cotidiano as lições
que veremos aqui, procure incorporar os conhecimentos de Português
ao seu dia-a-dia. Afinal, não é assim que se faz quando se aprende uma
língua estrangeira?
Desarme-se, livre-se dos traumas que carrega até hoje e receba as
lições de coração aberto.
Grande abraço a todos e bons estudos.

AULA 0 – ORTOGRAFIA E SEMÂNTICA

Ortografia é a parte da gramática que estabelece normas para a correta


grafia das palavras.
Nas palavras de Pasquale Cipro Neto, “não há quem, vez ou outra, não
depare com uma dúvida de grafia. É bem verdade que precisamos, em
boa parte dos casos, conhecer a etimologia das palavras, mas existe um
número considerável de situações em que há sistematização”. O
professor afirma também que “quanto mais se lê e quanto mais se
escreve, mais se obtém familiaridade com as palavras e sua grafia”.
É preciso, também, aceitar de peito aberto que não é demérito
desconhecer a grafia de vocábulos pouco usados. Nessas horas, basta
consultar um dicionário.
Como primeira regra, devemos ter em mente que uma palavra derivada
mantém a grafia da palavra primitiva, como acontece com a palavra
moçada, derivada de moço, e princesinha, derivada de princesa.
Parece simples, não é? Então, por que tanta gente tem dificuldade em
escrever o nome do profissional que cuida do cabelo das pessoas?
Alguém arrisca um palpite aí? Vamos seguir o raciocínio de PALAVRA
ORIGINÁRIA / PALAVRA DERIVADA. A partir da palavra originária
cabelo, formam-se as demais. O conjunto de cabelos da cabeça é
chamado de cabeleira (CABEL + -EIRA, sufixo latino que indica, dentre
outras coisas, o conjunto ou acúmulo de elementos). O profissional que
cuida da cabeleira de alguém é cabeleireiro (CABELEIR + o mesmo
sufixo “EIRO”, desta vez indicando o praticante de certo ofício, profissão
ou atividade). Agora, dê uma volta no seu bairro e perceba a quantidade
de “cabelereiro” ou “cabeleleiro” que há por aí. Um profissional zeloso,
na dúvida, escreve “salão de beleza”. Só não deve cometer o deslize de
colocar na porta de seu estabelecimento uma placa com os seguintes
dizeres: “Corto cabelo e pinto” (como vi em uma mensagem virtual),
pois a ambigüidade pode afastar eventuais clientes.
Algumas regras ajudam a entender o processo de formação de algumas
palavras, mas o que ajuda mesmo a fixar a grafia é a memória visual.
Quem tem filho pequeno já percebeu como faz uma criança que acabou
de ser alfabetizada: ela tem sede de ler tudo o que passa na sua frente,
de out-door a embalagem de biscoito. Vai juntando sílaba por sílaba até
identificar a palavra e a ela liga o significado. Com o tempo, nos
acostumamos a ler “o conjunto”, a “figura” que a palavra forma.
Identificamos a grafia de uma palavra em seu todo, não lemos mais
letra por letra, sílaba por sílaba, a não ser que a palavra seja totalmente
desconhecida para nós.
Você é capaz de ler rapidamente as palavras que já conhece, ao passo
que, as demais, precisa ler com mais cuidado.
Desafio: leia INEXPUGNABILIDADE. Confesse: você leu “de primeira”
ou teve de juntar as letrinhas? Mais outra: INEXTINGUIBILIDADE
(essa tive de digitar aos poucos pra não errar... e você, ao ler,
pronunciou ou não o u do dígrafo gui ? Viu algum trema ali? Daqui a
pouco veremos se você leu certinho...).
Por que esse “blá-blá-blá” todo? Para que você não caia nas
“pegadinhas” tradicionais de algumas bancas. Elas omitem acentos
(especialmente na letra “i”), trocam as letras, colocam uma palavra
parecida ou até inventada, desde que com o mesmo som (“subexistir”,
no lugar de “subsistir”, em uma questão da ESAF). Ao ler com pressa, o
cérebro identifica a palavra correta e seu significado, sem que perceba a
alteração feita pelo examinador. Por isso, nas questões em que a banca
pede para marcar o número de erros de ortografia, é necessário ler
diversas vezes o texto até identificar TODOS os erros.
O estudo da ORTOGRAFIA abrange:

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1 - EMPREGO DE LETRAS (s/z; sc/sç/ss; j/g; izar/isar; etc);
2 - ACENTUAÇÃO GRÁFICA;
3 - USO DE OUTROS SINAIS DIACRÍTICOS

EMPREGO DE LETRAS

A partir de agora veja as mudanças previstas no Acordo Ortográfico em vigor.


Você sabe o que o acordo provocou em nosso alfabeto?
O acordo prevê que o alfabeto passe de 23 para 26 letras. Veja como fica.
Serão incorporadas oficialmente as letras: K, W e Y, porém, seu emprego limita-se a
apenas algumas situações, o que já acontece atualmente. Veja onde empregá-las:

• na escrita de palavras e nomes estrangeiros já incorporados à língua portuguesa,


bem como em nomes de pessoas e seus derivados como: William, Kaiser, Franklin,
frankliniano, Darwin, darwinismo, Wagner, wagneriano, download, Byron,
byroniano, megabyte, playground, Taylor, taylorista, Kung fu, show,
Washington, Yokohama.

• na escrita de símbolos, siglas, abreviaturas e palavras adotadas como unidades de


medida internacionais.

Exemplos: km (quilômetro), KLM (companhia aérea), K (potássio), kg (quilograma), W


(watt), www (sigla de world wide web, expressão que é sinônimo para a rede mundial
de computadores).
Observe na prática: A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z.

A seguir, vamos apresentar alguns empregos específicos de letras, que


podem auxiliar o aluno na identificação da grafia correta.

O USO DO...
¾ - ês/- esa e - ez/- eza
- ês/esa: vocábulo que indica naturalidade, procedência. Exemplos:
camponês, holandês, princesa, inglesa, calabresa (Calábria), milanesa
(Milão)
- ez/eza: substantivos abstratos derivados de adjetivos. Exemplos:
acidez (ácido), polidez (polido), moleza (mole).
Por isso, a partir de agora, escolha o restaurante a partir do cardápio.
Se uma das opções for “pizza CALABREZA”, você poderá ter uma
indigestão vocabular!
¾ - isar/ - izar
Nesses casos, segue a regra da PALAVRA ORIGINÁRIA / PALAVRA
DERIVADA. Se o vocábulo já apresenta a letra “s”, essa letra é mantida
no sufixo.
- isar: pesquisa/pesquisar; análise/analisar; paralisia/paralisar;
improviso/improvisar.
Se não havia a letra “s” na palavra originária, o sufixo recebe a letra “z”.
- izar: ameno/amenizar; concreto/concretizar.
A única exceção fica por conta da palavra: catequizar, que é derivada
de catequese.

¾ s:
a) nos sufixos nominais “-OSO(A)” (indicativo de “cheio de”, “relativo a”
ou “que provoca algo”) e “-ISA” (gênero feminino): gostoso, apetitoso,
afetuoso, papisa, poetisa;
b) verbos formados de vocábulos terminados em s, em decorrência da
regra “PALAVRA ORIGINÁRIA / PALAVRA DERIVADA”:
pesquisa/pesquisar; análise/analisar.
c) após ditongo: coisa, deusa.
d) nos adjetivos pátrios terminados em ÊS: regra já mencionada no
item “a”: inglês, francês.
e) nas flexões dos verbos PÔR e QUERER e seus derivados: quiser, pus,
quis.
f) quando a um verbo com a letra d no infinitivo corresponder um
substantivo com som de /z/: iludir/ilusão; defender/defesa;
aludir/alusão

¾ x:
a) depois de ditongo: feixe, peixe, frouxo.
b) geralmente depois da sílaba inicial EN (exceto nos casos em que se
aplica a regra “PALAVRA ORIGINÁRIA / PALAVRA DERIVADA” – ver o
próximo caso): enxugar, enxovalhar, enxoval, enxofre.
c) em palavras de origem indígena ou africana: abacaxi;
d) após sílaba inicial me- (exceção: mecha): mexerica, mexer.

Mexa = Presente do Subjuntivo do verbo Mexer


¾ ch: após sílaba inicial en- + palavra iniciada por ch: encher
(cheio), encharcado (charco)

¾ ç:
a) substantivos e verbos relacionados a adjetivos e substantivos que
têm “to” no final: direto /direção; exceto /exceção; correto /correção;
b) Substantivos e adjetivos relacionados ao verbo TER (e derivados):
detenção (deter), retenção (reter), contenção (conter);

Esses dois últimos casos nos levam à apresentação da regra do


paradigma (que funciona na maior parte das vezes).
Na dúvida com relação à grafia de uma palavra que sofreu algum
processo de transformação (substantivo derivado de verbo ou
substantivo derivado de adjetivo), busque a grafia de outra palavra
conhecida sua (que servirá de paradigma), tomando o cuidado de
observar se esta sofreu o mesmo processo daquela. Aquilo que
aconteceu com uma irá acontecer com a outra também.
Veja os exemplos.
compreender -> compreensão / pretender -> pretensão
permitir -> permissão / emitir -> emissão
conceder -> concessão / retroceder -> retrocessão
Cuidado!!! EXCEÇÃO é derivado de EXCETUAR – e não de EXCEDER.
Deve ser esse o motivo de tanta gente fazer confusão.

EMPREGO DO HÍFEN

Não se usará mais o hífen nos seguintes casos:


- quando o prefixo terminar em vogal e o segundo elemento começar com s ou r. Essas
consoantes deverão ser duplicadas:

Ex.: contra-regra / contrarregra, contra-senha / contrassenha, ante-sala / antessala,


anti-social / antissocial, anti-rugas / antirrugas, anti-semita / antissemita, auto-retrato /
autorretrato.

Exceção
O hífen deve ser mantido quando os prefixos terminam em r e a primeira letra do
segundo elemento for r, ou seja, hiper, inter e super. Veja: inter-resistente, super-
revista, hiper-requintado.

- quando o prefixo terminar em vogal e o segundo elemento começar com uma vogal
diferente.
Exemplos:
• extraescolar
• aeroespacial
• autoescola,

Usa-se o hífen nos seguintes casos:


- o prefixo terminar com vogal diante de H.

Ex.: anti-higiênico; super-homem; sobre-humano.

EXCEÇÃO: subumano
- o prefixo terminar em vogal, diante de vogal igual, contra-ataque; micro-ondas.

Atenção! Não usamos mais o hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de
composição.

Exemplos: manda-chuva / mandachuva, pára-quedas / paraquedas, pára-lama /


paralama, pára-vento / paravento.

Dica: você sempre deve usar o hífen em palavras formadas pelos prefixos ex, vice e
soto:
• ex-aluno
• vice: vice-presidente
• soto: soto-mestre

Em palavras iniciadas por: circum e pan, diante de palavras iniciadas por vogal, e M ou
N:
• Pan-americano
• circum-navegação
Em palavras formadas pelos prefixos: pré, pró e pós diante de palavra com significado
próprio:
• pós: pós-graduação
• pré: pré-vestibular
• pró: pró-reitor

Em palavras formadas pelas palavras além, aquém, recém e sem


• além: além-fronteiras
• aquém: aquém-mar
• recém: recém-casado
• sem: sem-terra

Uma outra dica muito importante é que não se usará mais o hífen em locuções de
qualquer tipo (substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou
conjuncionais). Observe alguns exemplos:
• cão de guarda
• fim de semana
• café com leite
• sala de jantar

Cuidado com as exceções à regra, veja:


• água-de-colônia
• arco-da-velha
• cor-de-rosa
• ao - deus-dará
• à - queima-roupa
• mais-que-perfeito
• pé-de-meia
Resumo do curso: Novo Acordo Ortográfico: o que mudou?

Alfabeto: passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras: K, W E Y.


Não se usará mais acento agudo:

•nos ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas.


Exemplos:“assembleia” e “ideia”;
• nas palavras paroxítonas, com “i” e “u” tônicas, depois de um de ditongo.
Exemplos: “feiúra;
DICA: oxítonas terminadas em éis, éu(s) e ói (s) continuam sendo acentuadas. Ex.: herói,
papéis.
Não se usará mais o acento circunflexo:

• no hiato oo.
Exemplos: enjoo, voo;
• no hiato ee nas flexões dos verbos: crer- ler- dar - ver:
Exemplos: leem, creem.
Não se usará mais o acento diferencial para diferenciar:

pára(verbo) para(preposição)
péla(verbo) pela (preposição)
pêra(substantivo) pera(preposição)
pêlo(substantivo) pelo(preposição)
pólo(substantivo) polo (preposição)
EXCEÇÃO: é mantido o acento na palavra "pôde" para diferenciar do "pode" e em pôr /
por.
Hífen

Não será mais usado:


• quando o segundo elemento da palavra começa com "s" ou "r", essas consoantes, devem
ser duplicadas.
Exemplos: contrarregra (antes: contra-regra), antissocial (antes: anti-social);
• quando a vogal que encerra o prefixo for diferente da que inicia a palavra seguinte;
Exemplos: auto-escola = autoescola, extra-oficial = extraoficial;
• são escritas sem hífen palavras que já não são mais percebidas como partes de uma
palavra maior:
Exemplos: paraquedas, mandachuva (antes: pára-quedas, manda-chuva);

Use o hífen quando:


- o prefixo terminar com vogal diante de H.
Exemplos: anti-higiênico; super-homem; sobre-humano.

EXCEÇÃO: subumano
- prefixos terminados em vogal, diante de vogal igual, contra-ataque; micro-ondas.
DICA: o hífen será mantido depois dos seguintes prefixos:
- além - recém - pós
- pró - ex -vice
- aquém - sem - pré
Trema

• deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados:


Exemplos: pinguim, tranquilo (antes: pingüim, tranqüilo).

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Exemplos:

Antes Depois
apóia (verbo apoiar) apoia, apoio
alcatéia alcateia
assembléia assembleia
bóia boia
celulóide celuloide
colméia colmeia
jóia joia
idéia ideia
jibóia jiboia

Atenção! Essa regra é válida apenas para as palavras paroxítonas, ou seja, continuam
a ser acentuadas (tanto no singular quanto no plural) as palavras oxítonas terminadas
em: éis, éu, éus, ói, óis. Observe os exemplos: papéis, troféu, troféus, herói, heróis,
chapéu, chapéus, anéis, dói, céu etc.

2º caso
Nas palavras paroxítonas com i e u tônicos que formam hiato com a vogal anterior
quando esta faz parte de um ditongo. Veja alguns exemplos:

Exemplos:
Antes Depois
baiúca baiuca
boiúna boiuna
guaíba guaiba
feiúra feiura

Atenção! As letras i e u continuam a ser acentuadas se estiverem em posição final ou


formarem hiato, mas estiverem sozinhas na sílaba ou seguidas de s. Exemplos: baú,
baús, saída.

No caso das palavras oxítonas nas mesmas condições descritas anteriormente, o


acento permanece. Exemplos: tuiuiú, tuiuiús, Piauí.
3º caso

Não será mais usado o acento agudo no u tônico precedido das letras g ou q e seguido
de e ou i. Na língua portuguesa esses casos são pouco frequentes, encontramos
apenas nas formas verbais de arguir e redarguir.

Exemplos:

Antes Depois
argúis arguis
argúem arguem
redargúis redarguis
redargúem redarguem

Alguns verbos permitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo,


do presente do subjuntivo e também do imperativo. Esse é o caso dos verbos
terminados em guar, quar e quir, veja: aguar, averiguar, apaziguar, desaguar,
enxaguar, obliquar, delinquir etc.

Atenção: se pronunciadas com a ou i tônicos, essas formas devem ser acentuadas.


Veja alguns casos:

Verbo enxaguar Verbo delinquir


Enxáguo delínquo
enxáguas delínques
enxágua delínques
enxáguam delínque
enxágue delínquem
enxágues delínqua
enxáguem delínquas
delínquam

Caso sejam pronunciadas com u tônico, essas formas não devem ser acentuadas. Veja
o exemplo e leia a letra em negrito como tônica:
ACENTUAÇÃO GRÁFICA
Enquanto que, nos primeiros pontos do estudo da Ortografia (“Emprego
de Letras” e “Hífen”), nós não pudemos fugir muito da “decoreba”,
agora, em “Acentuação Gráfica”, vamos dar o “pulo do gato”!
Será apresentado um esquema que ajuda (e muito!) a identificar
qualquer erro na acentuação das palavras.
De uma maneira geral, a regra é ACENTUAR O MÍNIMO DE
PALAVRAS. Então, acentua-se o que há em menor número.
Se buscarmos nos dicionários, bem menor é a quantidade de
proparoxítonas. A maior parte das palavras da língua portuguesa é
composta de paroxítonas e oxítonas (neste último caso, por exemplo,
classificam-se todos os verbos no infinitivo impessoal – fazer, comer,
estabelecer, etc.).
Por isso, uma das regras de acentuação é: T O D A S AS
P R O P A R O X Í T O N A S S Ã O A C E N T U A D A S (como são poucas, põe
acento em todas elas).
Por sua vez, é pequeno o número de oxítonas que terminam em A / E /
O / EM, e seus respectivos plurais. Por isso, essas serão acentuadas.
De acordo com essa regra, as oxítonas terminadas por R ficaram de fora
e, com isso, todos os verbos no infinitivo impessoal.
Mas o que é, afinal, uma sílaba tônica??? É a sílaba da palavra
pronunciada com maior intensidade, com mais força. Todas as palavras
com duas ou mais sílabas apresentam sílaba tônica e outra(s) átona(s).

Já os monossílabos (uma sílaba) podem ser:


a) átonos: não possuem acentuação própria, isto é, são pronunciados
com pouca intensidade. Normalmente, são pronomes oblíquos (quase
todos os monossílabos), preposições e conjunções monossilábicas: o, e,
se, a, de.

Acento agudo ( ´ )
O acento agudo não será mais usado em palavras da língua portuguesa em três casos.

1º caso
Nos ditongos abertos éi (ei) e ói (oi) das palavras paroxítonas.
ACENTO DIFERENCIAL - circunflexo (^) ou agudo (´)

O acento diferencial – circunflexo (^) ou agudo (´) é utilizado para identificar mais
facilmente palavras homógrafas.

Antes de o acordo ortográfico entrar em vigor, o acento diferencial era usado para
distinguir palavras como:

• pélo (do verbo pelar) e pêlo (o substantivo) = pelo


• péla (do verbo pelar) e pela (a união da preposição como o artigo);
• pólo (o substantivo) e polo (a união antiga e popular de por e lo);
• pêra (o substantivo) e péra (o substantivo arcaico que significa pedra), em oposição a
pera (a preposição arcaica que significa para);
• pára (forma verbal) e para (preposição).

Como era Como fica


Ela pára a bicicleta. Ela para a bicicleta.
Ele gosta de jogar pólo. Ele gosta de jogar polo.
Viajo hoje para o Pólo Norte. Viajo hoje para o Polo Norte.
O cão tem um lindo pêlo. O cão tem um lindo pelo.
Gosto de pêra. Gosto de pera.

Fique atento! Duas palavras obrigatoriamente continuarão recebendo o acento


diferencial: Veja quais são elas:
• pôr (verbo) permanece o acento circunflexo para que não seja confundido com a
preposição por;
• pôde ( verbo conjugado no passado) continua com o acento circunflexo para que não
haja confusão com pode (mesmo verbo conjugado no presente).

Um outro ponto muito importante é que também permanecem os acentos usados para
diferenciar o singular e o plural dos verbos ter e vir, bem como de seus derivados:
manter, deter, reter, conter, convir, intervir, vir, advir etc.

Continuam com o acento agudo nas formas que possuem mais de uma sílaba e estão
no singular. Vamos aos exemplos:

Ele tem duas casas. / Eles têm duas casas.


Ele vem de muito longe. / Eles vêm de muito longe.
Ele mantém a afirmação. / Eles mantêm a afirmação.
Ele detém o poder. / Eles detêm o poder.
Ele intervém sempre. / Eles intervêm sempre.

Observação: em fôrma / forma, o acento é facultativo.

Acento circunflexo (^)


O acento circunflexo não será mais usado nas palavras terminadas em oo.

Exemplos:

Antes Depois
enjôo enjoo
vôo voo
abençôo abençoo
magôo magoo
perdôo perdoo
dôo doo
povôo povoo
zôo zoo

Também deixam de ter o acento circunflexo palavras da terceira pessoa do plural do


presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos dar, ver, ler crer e seus derivados.

Exemplos:
Como era Como fica
crêem creem
dêem deem
lêem leem
vêem veem
descrêem descreem
relêem releem
b) tônicos: possuem acentuação própria, isto é, são pronunciados com
muita intensidade: lá, pá, mim, pôs, tu, lã.
Os vocábulos átonos NUNCA são acentuados. Já os tônicos podem
receber acento ou dispensá-los.
Vejamos, agora, os casos em que os vocábulos, sendo tônicos, são
acentuados. Vou deixar por sua conta o preenchimento dessas lacunas.
Ao fim do material, estão algumas sugestões.
a) Monossílabos tônicos - são acentuados os terminados em - A(S), -
E(S), - O(S).
Exemplos:______________________________________.
b) Oxítonos - são acentuados os terminados em - A(S), - E(S), - O(S),
- EM (-ENS).
Exemplos:_____________________________________.
c) Paroxítonos - acentuam-se os que NÃO terminam em -A(S), - E(S),
- O(S), - EM (- ENS) exceto ditongos crescentes e palavras terminadas
em - ão
Exemplos:______________________________________.
d) Proparoxítonos - todos são acentuados.
Exemplos:______________________________________.
e) Grupos vocálicos :
Hiatos - I e U, 2ª vogal tônica após hiato, sozinhos na sílaba ou com -S,
desde que não seguidos de -NH ou outra letra, na mesma sílaba, que
não o s.

Nas palavras paroxítonas com i e u tônicos que formam hiato com a vogal anterior
quando esta faz parte de um ditongo. Não se usa mais acento. Ex.: baiuca, guaiba etc...

Exemplo:______________________________________.
Se as vogais forem iguais, não haverá acento. (essa eu quero ver se
alguém vai conseguir lembrar um exemplo!)
Exemplo:______________________________________.
IMPORTANTE! O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (que foi
editado pela Academia Brasileira de Letras e tem força de lei - Lei
5.765/71) inclui os monossílabos na mesma regra dos oxítonos e os
vocábulos terminados em ditongo crescente (série, tênue), na regra dos
proparoxítonos.
Nesse ponto, algumas bancas, como a Fundação Carlos Chagas, já
deixaram claro seu posicionamento, a partir de questões de prova, como
veremos nos exercícios de fixação. Outras ainda não. Por isso, antes de
afirmar que “Cláudia” é paroxítona terminada em ditongo crescente ou é
proparoxítona, o candidato deve verificar as demais opções.
Para consulta sobre a grafia de qualquer palavra, acesse o sítio da
Academia Brasileira de Letras (www.academia.org.br), Vocabulário
Ortográfico – Sistema de Buscas. Nessa página, você poderá verificar a
existência de qualquer vocábulo da língua portuguesa, sua grafia e a
classe gramatical correspondente.

Essas lições podem ser resumidas no seguinte esquema.

SÃO ACENTUADOS:

Proparoxítonos Paroxítonos Oxítonos Monossílabos


tônicos
TODAS NÃO terminados em Terminados em Terminados em
A(S) A(S) A(S)
E(S) E(S) E(S)
O(S) O(S) O(S)
EM(ENS) EM(ENS)

E terminados em:
. ditongo crescente;

. -ão;

Encontros vocálicos:
- hiato – as vogais “i” e “u”, como segunda vogal do hiato, sozinhas na sílaba ou
acompanhadas da letra “s”, recebem acento agudo.
-
interjeição ei (“Ei, você aí,...”), o pronome eu e a interjeição oi (“Oi, tudo bem?”).
DICA IMPORTANTÍSSIMA
Todas essas regras de acentuação devem ser aplicadas, inclusive, nas
formas verbais, quando houver a colocação de pronomes oblíquos. A
análise para a acentuação recai exclusivamente na forma verbal. Por
exemplo: em “analisá-las-ei”, como tonicidade recai na última sílaba
de “analisa”, há necessidade de ser acentuada a vogal para essa
indicação. Outro exemplo mais “cabeludo”: contrabandeá-las-íamos
(= iríamos contrabandear as mercadorias) - na primeira parte do
vocábulo, acentua-se pela mesma regra do exemplo anterior (oxítona
terminada em “A”); a segunda parte cai na regra das proparoxítonas;
mais um exemplo: distribuí-lo – o “i” fica sozinho na sílaba; logo, é
acentuado. Perceba, com esse exemplo, que cada pedacinho do verbo,
dividido pela colocação pronominal, deve ser analisado isoladamente,
como se houvesse dois vocábulos independentes.

ACENTOS DIFERENCIAIS
- DE TIMBRE: vogal aberta ou fechada - pôde (pret.perf) / pode
(pres.indicativo)
- DE INTENSIDADE OU TONICIDADE - vogal átona ou tônica: côa
(verbo e substantivo), para diferenciar de coa (contração); pôr (verbo),
para diferenciar de por (preposição); pára (verbo), para diferenciar de
para (preposição); pêlo (substantivo), para diferenciar de pelo
(contração); pélo (do verbo pelar), para diferenciar de pelo (contração);
pólo (substantivo), para diferenciar de polo (contração de por+o); pôlo
(substantivo = filhote de gavião), para diferenciar de polo (contração de
por+o); pêra (substantivo), para diferenciar de pêra (preposição
antiga).
- DE NÚMERO - Alguns gramáticos classificam o acento circunflexo dos
verbos ter e vir (e derivados) na 3ª pessoa do plural (têm, vêm,
contêm, entretêm, detêm, retêm etc.) como ACENTO DIFERENCIAL DE
NÚMERO.
As formas verbais singulares tem e vem são monossílabos tônicos e, por
isso, dispensariam a acentuação (a regra é acentuar somente os
monossílabos tônicos terminados em A / E / O).
A conjugação na 3ª pessoa do singular dos verbos derivados recebe
acentuação (detém, contém, entretém etc.) em atendimento à regra dos
oxítonos terminados por “EM”.
Esses gramáticos consideram, então, que o acento circunflexo (têm,
vêm, detêm, contêm, entretêm) serve tão-somente para indicar que o
verbo está no plural.
Dessa forma, a regra de acentuação, segundo eles, é:
têm (acento diferencial de número)
vêm (acento diferencial de número)
detém (oxítona terminada em EM)
detêm (acento diferencial de número c/c oxítona terminada em EM).

TREMA

A pronúncia continua a mesma, porém o sinal gráfico de dois pontos ( " ), o “trema”,
usado em cima do u para indicar que essa letra deve ser pronunciada nos grupos que,
qui, gue e gui, deixa de existir na língua portuguesa. Veja alguns casos.

Antes Depois
agüentar aguentar
argüir arguir
bilíngüe bilíngue
cinqüenta cinquenta
delinqüente delinquente
freqüente frequente
lingüiça linguiça
sagüi sagui
seqüestro sequestro
tranqüilo tranquilo

O trema permanece em nomes próprios de ordem estrangeira e em seus derivados


como: Bündchen, Müller, mülleriano.

SEMÂNTICA
É o estudo do sentido das palavras de uma língua. Estuda basicamente
os seguintes aspectos: sinonímia, paronímia, antonímia, homonímia,
polissemia, conotação e denotação.
Sinonímia
É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais que
apresentam significados iguais ou semelhantes - SINÔNIMOS.
Ex.: Cômico - engraçado
Débil - fraco, frágil
Distante - afastado, remoto
Antonímia
É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais que
apresentam significados diferentes, contrários - ANTÔNIMOS.
Ex.: economizar / gastar; bem / mal; bom / ruim

É nesse ponto – HOMONÍMIA E PARONÍMIA – que verificamos a


importância da ortografia – a depender do significado, a grafia
da palavra pode ser alterada.
Homonímia
É a relação entre duas ou mais palavras que, apesar de possuírem
significados diferentes, possuem a mesma estrutura fonológica -
HOMÔNIMOS.
As homônimas podem ser:
Homógrafas heterofônicas (ou homógrafas) - são as palavras iguais
na escrita e diferentes na pronúncia.
Ex.: gosto (substantivo) - gosto (1ª pess. sing. pres. ind. - verbo
gostar)
Conserto (substantivo) – conserto (1ª pess. sing. pres. ind. - verbo
consertar)
Homófonas heterográficas (ou homófonas) - são as palavras iguais
na pronúncia e diferentes na escrita.
Ex.: cela (substantivo) - sela (verbo)
Cessão (substantivo) – sessão (substantivo)
Cerrar (verbo) - serrar (verbo)
Homófonas homográficas (ou homônimos perfeitos) - são as palavras
iguais na pronúncia e na escrita.
Ex.: cura (verbo) - cura (substantivo)
Verão (verbo) - verão (substantivo)
Cedo (verbo) - cedo (advérbio)
Paronímia
É a relação que se estabelece entre duas ou mais palavras que possuem
significados diferentes, mas são muito parecidas na pronúncia e na
escrita - PARÔNIMOS.
Ex.: cavaleiro - cavalheiro
Absolver - absorver
Comprimento cumprimento
Abaixo, apresentamos uma relação com alguns homônimos e
parônimos, acompanhados de seus significados.
A nossa intenção, ao apresentar essa lista, é mostrar as diferentes
formas de grafia, a depender do sentido do vocábulo. Não quero ver
ninguém decorando a lista na frente do espelho. O aluno deve ter
ciência da existência dessas palavras e, na medida do possível,
incorporá-las ao seu próprio vocabulário. Esse é o melhor método de
memorização.

ACENDER: iluminar; por fogo em;


ASCENDER: subir; elevar (daí: ASCENSÃO, ASCENSORISTA,
ASCENDENTE).
ACIDENTE: ocorrência casual grave;
INCIDENTE: episódio casual sem gravidade, sem importância.
AFERIR: conferir ("Ele aferiu o relógio de luz.");
AUFERIR: colher, obter ("Ele auferiu bons resultados").
AMORAL: ausência de moral, que ignora um conjunto de princípios;
IMORAL: Que é contrário, que desobedece a um conjunto de princípios.
ÁREA: dimensão, espaço;
ÁRIA: peça musical para uma só voz.
ARREAR: colocar arreios em;
ARRIAR: abaixar.
ACÉTICO: relativo ao vinagre;
ASCÉTICO: relativo ao Ascetismo;
ASSÉPTICO: relativo à assepsia.
BROCHA: prego curto, de cabeça larga e chata;
BROXA: tipo de pincel.
CAÇAR: perseguir, capturar a caça;
CASSAR: anular.
CAICHOLA: cabeça;
CAIXOLA: caixa pequena.
CEGAR: tirar a visão de;
SEGAR: seifar, cortar.
CELA: aposento de religiosos ou de prisioneiros;
SELA: arreio de cavalo, 3ª p. s., pres. ind., v. selar.
CENSO: recenseamento;
SENSO: juízo claro.
CÉ(P)TICO: que ou quem duvida;
SÉ(P)TICO: que causa infecção.
CERRAR: fechar;
SERRAR: cortar.
CERVO: veado;
SERVO: servente, escravo.
CESTA: utensílio geralmente de palha para se guardar coisas;
SESTA: hora de descanso, normalmente após o almoço;
SEXTA: ordinal feminino de seis.
COMPRIDO: longo;
CUMPRIDO: particípio passado do verbo CUMPRIR.
COMPRIMENTO: uma das medidas de extensão (largura e altura);
CUMPRIMENTO: ato de cumprimentar alguém, saudação, ou de
cumprir algo.
CONCERTAR: harmonizar, conciliar.
CONSERTAR: pôr em boa ordem; dar melhor disposição a; arrumar,
arranjar".
CONCERTO: apresentação ou obra musical;
CONSERTO: ato ou efeito de consertar, reparar algo.
CORINGA: tipo de vela que se coloca em algumas embarcações;
CURINGA: carta de baralho.
COSER: costurar;
COZER: cozinhar.
DEFERIMENTO: concessão, atendimento;
DIFERIMENTO: adiamento; (Assim também: DEFERIR = CONCEDER;
DIFERIR = ADIAR, DIVERGIR)
DELATAR: denunciar (delação);
DILATAR: retardar, adiar (dilação).
DESCRIÇÃO: ato de descrever, tipo de redação, exposição;
DISCRIÇÃO: qualidade daquele que é discreto.
DESCRIMINAR: inocentar, absolver (DESCRIMINAÇÃO);
DISCRIMINAR: distinguir, diferenciar, separar (DISCRIMINAÇÃO).
DESMITIFICAR: fazer cessar a mitificação, ou seja, a conversão em
mito de alguma coisa ou alguém;
DESMISTIFICAR: livrar ou tirar da mistificação, que significa burla,
engano, abuso de credulidade.
DESPENSA: compartimento para se guardar alimentos;
DISPENSA: demissão.
DESTRATAR: insultar;
DISTRATAR: romper um trato, desfazer um contrato.
EMINENTE: que se destaca, excelente, notável;
IMINENTE: que está prestes a ocorrer, pendente.
EMITIR: expedir, emanar, enunciar, lançar fora de si;
IMITIR: fazer entrar, investir.
EMPOÇAR: formar poça;
EMPOSSAR: dar posse a alguém.
ESPECTADOR: aquele que vê, que assiste a alguma coisa;
EXPECTADOR: o que está na expectativa de, à espera de algo.
ESPIAR: espreitar, olhar;
EXPIAR: redimir-se, pagar uma culpa.
ESPRIMIDO: particípio do verbo ESPREMER;
EXPRIMIDO: particípio do verbo EXPRIMIR (também EXPRESSO).
FLAGRANTE: evidente, fato que se observa no momento em que
ocorre;
FRAGRANTE: que exala cheiro agradável, aromático (fragrância).
FLUIR: correr (líquido), passar (tempo);
FRUIR: desfrutar, gozar.
INCIPIENTE: iniciante, inexperiente;
INSIPIENTE: ignorante.
INFLAÇÃO: ato de inflar, aumento de preços;
INFRAÇÃO: desobediência, violação, transgressão.
INFLIGIR: aplicar ou determinar uma punição, um castigo;
INFRINGIR: desobedecer, violar, transgredir.
MEAR: dividir ao meio;
MIAR: dar mios (voz dos gatos).
RATIFICAR: confirmar, corroborar;
RETIFICAR: alterar, corrigir.
RUÇO: grisalho, desbotado (gíria: "difícil");
RUSSO: relativo à Rússia.
SEÇÃO (ou SECÇÃO): parte, divisão, departamento, ato de seccionar;
SESSÃO: espaço de tempo, programa;
CESSÃO: doação, ato de ceder.
SOAR: emitir determinado som;
SUAR: transpirar.
SORTIR: abastecer, prover;
SURTIR: ter como conseqüência, produzir, alcançar efeito.
TACHAR: censurar, acusar, botar defeito em; só pode ser empregado
em idéias pejorativas;
TAXAR: estabelecer um preço, um imposto, tributar; estipular o preço,
o valor de algo - acaba, por analogia, significando também "avaliar,
julgar". Pode, por isso, ser usado tanto para os atributos bons como
para os ruins.
VESTIÁRIO: local para trocar de roupa em clubes, colégios, etc;
VESTUÁRIO: é o traje, a indumentária, as roupas que usamos.
VULTOSO: de grande vulto, nobre, volumoso;
VULTUOSO: sofre de inchaço, especialmente na face e nos lábios.
USUÁRIO: o que desfruta o direito de usar alguma coisa;
USURÁRIO: o que pratica a usura ou agiotagem.

Conotação e Denotação
Conotação é o uso da palavra com um significado diferente do original,
criado pelo contexto.
Ex.: Você tem um coração de pedra.
Denotação é o uso da palavra com o seu sentido original.
Ex.: Pedra é um corpo duro e sólido, da natureza das rochas.
Polissemia
É a propriedade que uma mesma palavra tem de apresentar vários
significados.
Ex.: Ele ocupa um alto posto na empresa.
Abasteci meu carro no posto da esquina.
.....................................................................................................
Resolva, agora, as questões abaixo.
Elas servem tanto para fixar os conceitos como para você observar
como as bancas exploram esses conhecimentos.
Felizmente, há farto material sobre o assunto e pudemos selecionar 25
questões. O mesmo pode não acontecer com determinados pontos do
programa.
Nessa parte, você encontrará dois tipos de questão: as reproduzidas na
íntegra, caso em que você deverá indicar a letra referente à opção
correta; e as adaptadas, em que apenas um ou alguns itens foram
selecionados – nesses casos, você deverá analisar a correção gramatical
da passagem (item correto ou incorreto).
O gabarito está no fim do material.
Bons estudos e até a próxima.

QUESTÕES DE FIXAÇÃO
1 - (Fundação Carlos Chagas / TRT 24ª Região – Analista Judiciário /
2004)
Todas as palavras estão corretamente grafadas na frase:
(A) A obsolecência das instituições constitue um dos grandes desafios
dos legisladores, cuja função é reconhecer as solicitações de sua
contemporaneidade.
(B) Ao se denigrirem as boas reputações, desmoralizam-se os bons
valores que devem reger uma sociedade.
(C) A banalisação dos atos anti-sociais é um sintoma da doença do
nosso tempo, quando a barbárie dissimula-se em rotina.
(D) Quando, numa mesma ação, converjem defeitos e méritos,
confundimo-nos, na tentativa de discriminá-los.
(E)) Os hábitos que medeiam as relações sociais são louváveis, quando
eticamente instituídos, e odiosos, quando ensejam privilégios.

2 - (Fundação Carlos Chagas /Assistente de Defesa Agropecuária MA /


Março 2004)
Há palavras escritas de modo INCORRETO na frase:
(A) A expansão da fronteira agrícola no país mobiliza interesses
conflitantes entre o necessário aumento da produção e a preservação
dos recursos naturais.
(B)) A crecente colaboração entre órgãos do governo e entidades
privadas pode garantir o hêsito de ações diversas contra doenças na
agricultura.
(C) Vários cientistas dedicam-se a pesquisar formas eficazes de
controlar a disseminação de pragas em lavouras espalhadas por todas
as regiões.
(D) É essencial, na busca de excelência do agronegócio, a transmissão
de conhecimento ao homem do campo, além do uso intensivo de
tecnologia.
(E) A explosão do contingente populacional em todo o planeta exige
produção cada vez maior de alimentos, o que justifica investimentos e
pesquisas.

3 - (Fundação Carlos Chagas /TRT 8ª Região – Técnico Judiciário /


Dezembro 2004)
Há palavras escritas de maneira INCORRETA na frase:
(A) Recursos científicos e tecnológicos devem oferecer possibilidade de
inserção social à população carente e desassistida das grandes cidades.
(B)) Um regime de crescente colaboração entre governo, instituições
privadas e sociedade garantirá o hêsito de diversos programas
direcionados a adolecentes mais pobres.
(C) Ao atribuir excessivo valor ao consumo de bens supérfluos, a
sociedade passa a exigir que as pessoas aparentem poder econômico,
mesmo falso.
(D) Em várias regiões, o inchaço urbano, resultante do intenso êxodo
rural, é responsável pelo crescimento desmedido do número de
favelados.
(E) Extensas áreas, em todo o mundo, encontram-se ocupadas por
populações que vivem em situação de miséria, destituídas dos direitos
básicos da cidadania.

4 – (Fundação Carlos Chagas / Analista TRT 23ª.Região / Outubro 2004)


A mesma regra que justifica a acentuação no vocábulo início aplica-se
em
(A) técnica.
(B) idéia.
(C) possível.
(D) jurídica.
(E) vários.

5 - (Fundação Carlos Chagas /TRT 3ª Região – Técnico Judiciário /


Janeiro 2005)
As palavras do texto que recebem acento gráfico pela mesma razão que
o justifica nas palavras ofício e idéias, respectivamente, são
(A) único e história.
(B) salários e Níger.
(C) inteligências e notável.
(D) período e memória.
(E)) agência e heróicas.

6 - (CESPE UnB /PCDF/ 1998)


Assinale a opção correta.
(a) Uma mesma regra oriente a acentuação de “lá”, “Tamanduá”, “aí” e
“através”.
(b) Os vocábulos “notaríamos”, “estirávamos” e “supúnhamos” recebem
acento gráfico por serem formas verbais na primeira pessoa do
plural.
(c) Uma única regra justifica o acento gráfico dos vocábulos “lençóis” e
“róseo”.
(d) O ditongo nasal /ãw/ pode ser escrito “am”, como em “perturbam”,
ou “ão", como em “levarão”: com a primeira grafia escrevem-se
sílabas átonas; com a segunda, sílabas tônicas ou átonas, a
exemplo do que ocorre em “órfão”.

7 - (Fundação Getúlio Vargas SP/ Fiscal MS/ 2000)


Assinale a alternativa em que todas as palavras estão corretamente
acentuadas.
(a) juízes, propôr, acórdão
(b) ávaro, deságua, caráter
(c) papéis, hífen, debênture
(d) polícia, gratuíto, saúva

8 - (ESAF / IPEA/ 2004 -adaptada)


Em relação ao texto, julgue a assertiva abaixo.
a) A palavra “estereótipos” é acentuada pela mesma regra gramatical
que exige acento em “metáfora” e em “científica”.

9 - (ESAF / TTN/ 1997 -adaptada)


Julgue a correção gramatical dos itens abaixo.
I - As palavras “genérica”, “públicos” e “excluídos” são acentuadas com
base na mesma regra gramatical.
II - Acentuam-se as palavras “precários”, “previdenciárias”, “tributários”
porque são paroxítonas terminadas em ditongo crescente.
III - Em “A perda de receita fiscal” (l.11), admite-se como língua
padrão escrita também a forma erudita “perca”.
Está (ão) correto(s):
a) I e II, somente.
b) II, somente.
c) III, somente.
d) II e III, somente.
e) todos os itens.

10 - (ESAF / TTN/ 1998 -adaptada)


Analise a seguinte afirmação.
d) "perca" é uma variante da palavra "perda" na norma culta.

11 - (FUNDEC / TRT RJ / 2003)


Assim como os verbos amenizar (linha 3), sinalizar (linha 36) e
protagonizar (linha 12), escrevem-se com a letra Z todos os
relacionados abaixo, porque são derivados com o sufixo -izar. Numa das
relações, entretanto, há um verbo com erro de grafia, pois pelas normas
ortográficas deve ser escrito com S. Este verbo encontra-se na opção:
A) minimizar / politizar / pulverizar / catequizar;
B) amortizar / arborizar / hipnotizar / preconizar;
C) avalizar / cotizar / indenizar / exorcizar;
D) enfatizar / polemizar / paralizar / arcaizar;
E) contemporizar / fiscalizar / sintonizar / entronizar.

12 - (Fundação Carlos Chagas /Procurador BACEN/ Janeiro 2006 -


adaptada)
Julgue os itens:
(I) incipiente tem o mesmo significado da palavra análoga insipiente.
(II) ganhos mais vultosos – o adjetivo grifado admite a forma variante
vultuosos.

13 - (VUNESP/ BACEN/ 1998)


Assinale a alternativa em que a palavra grifada escreve-se de acordo
com o significado expresso pelo contexto geral da frase.
(A) Aqui por estas paragens encantadoras, os bons momentos fluem
como as águas cristalinas de um riacho.
(B) Não me parece muito prudente a estadia das meninas, por muito
tempo, naquele hotel mais do que suspeito.
(C) Era fragrante sua intenção de disputar nas próximas eleições a
presidência do clube.
(D) Vultuosa soma de dinheiro dói desviada dos cofres públicos, na
última campanha municipal.

14 - (CESPE UnB /Câmara dos Deputados / 2002)

Julgue o item abaixo.

- Na língua portuguesa brasileira atual, a palavra estadia tem seu


emprego como uma opção correta para o contexto de estada, pois
ambas se equivalem semanticamente, assim como as formas melhora
e melhoria, morada e moradia.

15 - (ESAF / AFRF / 2003) Indique o item em que todas as palavras


estão corretamente empregadas e grafadas.
a) A pirâmide carcerária assegura um contexto em que o poder de
infringir punições legais a cidadãos aparece livre de qualquer excesso e
violência.
b) Nos presídios, os chefes e subchefes não devem ser exatamente nem
juízes, nem professores, nem contramestres, nem suboficiais, nem
“pais”, porém avocam a si um pouco de tudo isso, num modo de
intervenção específico.
c) O carcerário, ao homogeinizar o poder legal de punir e o poder
técnico de disciplinar, ilide o que possa haver de violento em um e de
arbitrário no outro, atenuando os efeitos de revolta que ambos possam
suscitar.
d) No singular poder de punir, nada mais lembra o antigo poder do
soberano iminente que vingava sua autoridade sobre o corpo dos
supliciados.
e) A existência de uma proibição legal cria em torno dela um campo de
práticas ilegais, sob o qual se chega a exercer controle e aferir lucro
ilícito, mas que se torna manejável por sua organização em
delinqüência.
(Itens adaptados de Michel Foucault)

16 – (Fundação Carlos Chagas / Auditor Fiscal Paraíba / 2006)


Nas frases
I. O mau julgamento político de suas ações não preocupa os
deputados corruptos. Para eles, o mal está na mídia impressa ou
televisiva.
II. Não há nenhum mau na utilização do Caixa 2. Os recursos não
contabilizados não são um mau, porque todos os políticos o
utilizam.
III. É mau apenas lamentar a atitude dos políticos. O povo poderá
puni-los com o voto nas eleições que se aproximam. Nesse
momento, como diz o ditado popular, eles estarão em mal lençóis.
o emprego dos termos mal e mau está correto APENAS em
(A)) I.
(B) I e II.
(C) II.
(D) III.
(E) I e III.

17 - (ESAF /AFRF /2002-1 - adaptada)


Analise se ambos os períodos estão gramaticalmente corretos.
d) O incitamento à discriminação não afasta a possibilidade de
cometimento também de injúria, motivada pela discriminação ou
qualquer outro crime contra a honra, previsto no CPB ou mesmo na Lei
de Imprensa. / O incitamento à descriminação não afasta a possibilidade
de cometimento também de injúria, motivado pela descriminação ou
quaisquer outro crime contra a honra, previsto no CPB ou mesmo na Lei
de Imprensa.

18 - (AFC/CGU 2003/2004)
Assinale a opção que corresponde a palavra ou expressão do texto que
contraria a prescrição gramatical.
No século XX, a arte cinematográfica introduziu um novo conceito de
tempo. Não mais o conceito linear, histórico, que perspassa(1) a Bíblia
e, também, as pinturas de Fra Angelico ou o Dom Quixote, de Miguel de
Cervantes. No filme, predomina a simultaneidade(2). Suprimem-se(3)
as barreiras entre tempo e espaço. O tempo adquire caráter espacial, e
o espaço, caráter temporal. No filme, o olhar da câmara e do
espectador(4) passa, com toda a liberdade, do presente para o passado
e, desse, para o futuro. Não há continuidade ininterrupta(5).
(Adaptado de Frei Betto)
a) 1
b) 2
c) 3
d) 4
e) 5

19 - (CESPE UnB / Câmara dos Deputados / 2002)


A maioria dos primeiros textos que foram escritos para descrever terra e
homem da nova região levam a assinatura de portugueses. Respondem
às próprias perguntas que colocam, umas atrás das outras, em termos
de violentas afirmações eurocêntricas. A curiosidade dos primeiros
colonizadores é menos uma instigação ao saber do que a repetição das
regras de um jogo cujo resultado é previsível. Os nativos eram de
carne-e-osso, mas não existiam como seres civilizados, assemelhavam-
se a animais. Na Carta de Pero Vaz de Caminha, escrita a el-rei D.
Manuel, observam-se melhor as obsessões dos portugueses, intrusos
assustados e visitantes temerosos, que desembarcam de inusitadas
casas flutuantes, do que as preocupações dos indígenas, descritos como
meros espectadores passivos do grande feito e do grande evento que é
a cerimônia religiosa da missa, realizada em terra. Não é, pois, por
casualidade que a primeira metáfora para descrever a condição do
indígena recém-visto é a “tábula rasa”, ou o “papel branco”. Eis uma
boa descodificação das metáforas: eles não possuem valores culturais
ou religiosos próprios e nós, europeus civilizados, os possuímos; não
possuem escrita e eu, português que escrevo, possuo. Mas da tábula
rasa e do papel branco trazia o selvagem, ainda dentro do raciocínio
etnocêntrico, a inocência e a virtude paradisíacas, indicando que, no
futuro, aceitariam de bom grado a voz catequética do missionário
jesuíta que, ao impô-los em língua portuguesa, estaria ao mesmo tempo
impondo os muitos valores que nela circulam em transparência.

- A palavra “espectadores” (l.12), em relação à forma expectadores,


exemplifica, em língua portuguesa, um dos casos em que há flutuação
ortográfica, com formas homônimas que podem se alternar no mesmo
contexto e com o mesmo significado.
20 - (ESAF / TCU / 2006 - adaptada)
Em relação ao texto, analise as assertivas abaixo.
As barreiras regulatórias vão da dificuldade burocrática de abrir um
empreendimento ao custo tributário de mantê-lo em funcionamento. No
Brasil, representam 11% da muralha antidesenvolvimento e resultam,
na maioria das vezes, da mão pesada do Estado – criador de labirintos
burocráticos, de onerosa e complexa teia de impostos e de barreiras
comerciais.
(Adaptado de Revista Veja, 7 de dezembro de 2005.)

d) A expressão “mão pesada” (l. 5) está sendo empregada em sentido


conotativo.
e) A expressão “teia” (l. 6) está empregada em sentido denotativo.

21 - (VUNESP/ BACEN/ 1998)


Assinale a alternativa que contém palavras empregadas
conotativamente.
(A) A filosofia desce finalmente da torre de marfim em direção à praça
pública.
(B) Filosofia se diz de muitas maneiras: um livro de especialista, uma
tese de doutorado, um texto didático.
(C) Atitudes excêntricas do filósofo acabaram por popularizar suas
idéias.
(D) O sucesso de debates garante a manutenção dos programas de
estudos filosóficos.
(E) Passagens dos escritos dos filósofos, apesar de arbitrários, são
responsáveis pelo entusiasmo dos debatedores.

22 - (ESAF / IPEA/ 2004 - adaptada)


Depois da Independência, o Brasil e os demais países latino-
americanos se transformaram, no século XIX, nos primeiros estados
nacionais nascidos fora da Europa. Uma exceção notável, no momento
em que alguns países europeus começavam sua segunda e veloz
expansão colonial, na África e na Ásia.
Naquele momento, entretanto, esses estados eram centros de poder
muito frágeis e não tinham capacidade de exercer suas soberanias,
dentro e fora dos seus territórios. Além disso, não dispunham de
economias ou mercados nacionais. Por isso, a América Latina ficou
marginalizada dentro do sistema interestatal de competição entre as
Grandes Potências, e pôde ser transformada em um laboratório de
experimentação do "imperialismo de livre-comércio", defendido por
Adam Smith, e praticado pela Inglaterra, na primeira metade do século
XIX.
(Adaptado de José L. Fiori Brasil: Inserção Mundial e Desenvolvimento)
Julgue a seguinte afirmação:
a) Seria gramaticalmente correta, sem necessidade de outras alterações
no texto, a substituição de “latino-americanos” por latinoamericanos.

23 - (ESAF/Analista Comércio Exterior/2002)


Entre os males que afligem a sociedade brasileira o contrabando é, sem
dúvida, um dos mais sérios, sobretudo porque dele decorrem inúmeros
outros. Observa-se, no dia-a-dia, que o contrabando já faz parte da
rotina das cidades, tanto nas atividades informais quanto no suprimento
da rede formal de comércio, tomando o lugar de produtos legalmente
comercializados. Os altos lucros que essas atividades ilícitas
proporcionam, aliados ao baixo risco a que estão sujeitas, favorecem e
intensificam a formação de verdadeiras quadrilhas, até mesmo com
participação de empresas estrangeiras. São organizações de caráter
empresarial, estruturadas para promover tais práticas nos mais variados
ramos de atividade.
(Adaptado de www.unafisco.org.br, 30/10/2000)
Com base no texto acima, julgue a afirmação que segue.
d) A expressão “dia-a-dia”(l.3) corresponde à idéia de “o viver
cotidiano”, e dia a dia corresponde à idéia de passagem do tempo, ou
seja, dia após dia.

24 - (ESAF / IPEA/ 2004)


Assinale a opção que apresenta erro de morfologia, grafia das palavras
ou emprego de vocabulário inadequado.
a) É possível gerar desenvolvimento em curto prazo. O ganho real de
salários aumenta o consumo. Logo, o comércio cresce e gera empregos.
A indústria, reativada, gera mais empregos. Os serviços aumentam e
criam empregos.
b) Novos empregos geram consumo e, então, está formada a aspiral
desenvolvimentista do crescimento sustentado. O reverso da medalha é
que o achatamento salarial representa uma queda brutal na economia
do país.
c) Uma das estratégias do neoliberalismo é manter alto o nível de
desemprego para que os trabalhadores percam, entre outros, o poder
de pressão e de negociação, os salários baixem e o lucro das empresas
aumente.
d) Achatar salários significa concentrar renda. O Brasil é hoje um dos
países mais injustos e de maior concentração de renda do mundo.
e) O achatamento salarial beneficia fortemente as corporações
transnacionais. Elas conseguem pagar cada vez menores salários, lucrar
cada vez mais e remeter mais lucros para o exterior, empobrecendo o
nosso País dia a dia.
(Fernando Siqueira, Para Gerar Emprego e Desenvolvimento)

25 - (ESAF /AFC /2002 - adaptada)


Julgue a correção gramatical do segmento abaixo.
b) Nem os primeiros merecem inteiramente o epíteto de apocalípticos,
pois não são em geral niilistas ou utópicos, nem os últimos fazem juz à
designação de integrados, posto que proclamam querer reagir contra o
pior da "desordem estabelecida".

Agora que você resolveu todas as questões (espero...), veja o


gabarito e leia os comentários.
Se houver dúvidas, estarei à disposição no fórum.
Abraço, bons estudos e até a próxima.

Sugestão de exemplos:
ACENTUAÇÃO GRÁFICA
Monossílabos tônicos terminados em - A(S), - E(S), - O(S): fé, pá,
rés, pó, nós
Oxítonos terminados em - A(S), - E(S), - O(S), - EM (-ENS): café,
chaminé, Pará, dominó, freguês, vintém, também, reféns
Paroxítonos que NÃO terminam em - A(S), - E(S), - O(S), - EM (-
ENS): fácil, caráter, tórax, órgão, bônus, táxi, ímã (note que
foneticamente esse vocábulo termina com “am”, o que justifica a
acentuação)
Paroxítonos terminados em ditongo crescente: Cláudia, glória,
imundície, história, congruência

Paroxítonos terminados em ão: bênção, órfão


Proparoxítonos – oxítona, Matemática, crítico
Hiatos - I e U, 2ª vogal tônica após hiato, sozinhos na sílaba ou
com -S, desde que não seguidos de –NH – viúvo, raízes, veículo,
baú, contraí-la, Itaú, faísca, campainha, Raul, ainda, ruim
Hiatos - I e U - se as vogais forem iguais, não há acento –
sucuuba, xiita, niilismo

GABARITOS COMENTADOS DAS QUESTÕES DE FIXAÇÃO

1–E
Os erros de ortografia das demais opções são:
(A) obsolescência (com “sc”) e constitui (veremos na aula sobre
verbos a forma de conjugação verbal dos verbos terminados em ‘uir’).
(B) O vocábulo denegrir é derivado da palavra negro, mantendo a
grafia do original, com a letra “e”.
(C) O que significa “banalizar”? Tornar algo banal. Perceba que o
adjetivo não apresenta a letra “s”, devendo o sufixo formador do verbo
ser grafado com a letra “z” (“izar”). O substantivo correspondente
guarda a mesma forma do verbo: banalização. Está correta a grafia de
“anti-social”. Veja na tabela que “anti” exige o hífen antes de vocábulos
iniciados por h, r e s, como “social”.
(D) O verbo convergir, bem como seus derivados convergente,
convergência, são grafados com “g”. Essa consoante é mantida na
conjugação antes das vogais “e” (convergem) e “i” (convergimos). A
alteração gráfica só se dá nas formas irregulares, antes das vogais “a”
(convirja) e “o” (convirjo), para que seja mantido o fonema /j/, (como
em jarro).

2–B
Os erros estão presentes nos vocábulos: crescente (com “sc”) e êxito.
Está correta a grafia de “agronegócio” (D), vocábulo formado a partir da
união do radical agro (equivalente a “agri”, de “agricultura”) com
negócio, assim como acontece em “agronomia, agroindústria,
agroecologia”.

3-B
Note como as questões se repetem. Mais uma vez, a Fundação Carlos
Chagas apresentou erro na ortografia da palavra êxito e omitiu o
dígrafo de adolescentes.

4-E
Desta vez, a banca deixou claro que segue a mesma linha de
classificação da maioria dos gramáticos - apresentou “início” e a ela
associou o vocábulo “vários”, segundo o gabarito.
Se classificasse esses vocábulos na regra das palavras proparoxítonas
(seguindo a posição do V.O.L.P.), a questão seria anulada, pois haveria
três respostas igualmente válidas – além de “vários”, também “técnica”
e “jurídica”, que, indubitavelmente, são proparoxítonas.
Então, ATENÇÃO!!! A partir dessa questão, podemos identificar o
posicionamento da banca da FCC para esta polêmica – “início” e “vários”
são paroxítonas terminadas em ditongo crescente.
Assim, se você estiver se preparando para algum concurso a ser
realizado por essa instituição, pode ficar tranqüilo – pelo menos, essa
resposta você poderá marcar de olhos fechados.
As demais palavras são acentuadas de acordo com as seguintes regras:
(A) “técnica” – proparoxítona
(B) “idéia” – ditongo aberto (éi)
(C) “possível” – paroxítona não terminada em a(s), e(s), o(s) e em(ens)
(D) “jurídica” - proparoxítona

5-E
“Ofício” segue a mesma regra de acentuação que “história” (A),
“salários” (B), “inteligências” (C), “memória” (D) e “agência” (E).
Já “idéias” é acentuado por se tratar de um ditongo aberto (éu/ éi / ói),
o mesmo ocorrendo em “heróicas”. Por isso, a resposta é a letra E.
As demais palavras são acentuadas de acordo com as seguintes regras:
- “único” e “período” – proparoxítonas;
- “Níger” e “notável” – paroxítonas não terminadas em a(s), e(s), o(s)
e em(ens).

6-D
A opção que foi o gabarito da questão é uma verdadeira aula sobre
acentuação.
Tanto “am” quanto “ão" formam o fonema /ãw/.
Os vocábulos terminados por “ão" são oxítonos (coração, paixão), o
mesmo não ocorrendo com os que terminam por “am” (cantam,
destrancaram). Os primeiros só deixam de ser oxítonos em virtude de
acentuação, como ocorre em “órfão”, “acórdão”, por exemplo.
Por isso, está correta a afirmação de que as sílabas que registram “am”
são átonas (a tonicidade recai em outra sílaba), enquanto que as em
que se apresenta a forma “ão" podem ser tônicas (regra) ou átonas
(exceção – veja no quadro das paroxítonas).
Alguns exemplos facilitam a compreensão deste conceito:
acordam (presente do indicativo do verbo acordar – sílaba tônica: “cor”)
acórdão (decisão de um colegiado – sílaba tônica: “cór” em virtude do
acento agudo, que, se não fosse empregado, formaria “acordão”)
acordarão (futuro do presente do indicativo do verbo acordar – sílaba
tônica: “rão”)
cordão (corrente que se leva no pescoço – sílaba tônica: “dão”)
As incorreções das demais opções são:
(a) “lá” é monossílabo tônico; “tamanduá” e “através” são oxítonas
terminadas em a(s), e(s), o(s) ou em(ens); “aí” recai na regra de
acentuação do hiato – a letra “i”, como segunda vogal de um hiato,
sozinha na sílaba ou acompanhada da letra “s” recebe acento agudo.
Portanto, não há uma única regra para a acentuação gráfica desses
vocábulos.
(b) não existe essa regra de acentuação (“formas verbais de primeira
pessoa do plural”). Tais vocábulos são acentuados por serem
proparoxítonos.
(c) “lençóis” recebe o acento agudo por ser um ditongo aberto; já
“rósea” é um dos casos de paroxítona terminada em ditongo crescente
(ou, segundo o V.O.L.P., proparoxítona).

7-C
Estão corretas as formas dos três vocábulos desta opção.
“Papéis” recebe acento agudo em decorrência do ditongo aberto “éi”.
“Hífen” termina com “en”, e não “em”, o que justifica o acento por ser
uma paroxítona não terminada em a(s), e(s), o(s) ou em(ens). Já as
duas formas plurais possíveis são: hífenes (proparoxítona) ou hifens
(sem acento, por ser uma paroxítona terminada em “ens”).
Os erros das demais opções são:
a) O acento diferencial do verbo pôr não alcança as formas derivadas
desse verbo. Assim, está incorreto o emprego do acento circunflexo em
propor.
Estão corretas as formas: juízes (regra do hiato) e acórdão (paroxítona
terminada em “ão”)
b) A palavra “avaro” é paroxítona, recaindo a sílaba tônica em “va”. A
forma apresentada na questão constitui um erro de pronúncia, chamado
“silabada”, como ocorre em formas diferentes de rubrica (rúbrica está
errado!), cateter (catéter está errado!) e necropsia (não é
necrópsia!!!).
Estão corretas: deságua (paroxítona terminada em ditongo crescente) e
caráter (paroxítona não terminada em a/e/o/em).
d) A palavra “gratuito” forma um ditongo em “ui”. A pronúncia dela se
assemelha à de “muito”. Há, nesses casos, uma vogal (u) e uma
semivogal (i). A força tônica recai na vogal (gratuito, muito). Por isso,
não existe acento agudo na letra “i”.
Está correta a acentuação gráfica em: polícia (paroxítona terminada em
ditongo crescente) e saúva (regra do hiato).

8 – ITEM CORRETO
Alguém aí achou que não caía esse assunto nas provas da ESAF? Quem
pensou assim está redondamente enganado.
Os três vocábulos são acentuados por serem proparoxítonas e, como
vimos, todas as proparoxítonas recebem acento.

9-B
Somente a assertiva II está correta. Os erros dos demais itens são os
seguintes:
I – Enquanto que “genérica” e “públicos” são proparoxítonas, “excluídos”
é acentuado segundo a regra do hiato – letra “i”, como segunda vogal
de um hiato, sozinha na sílaba ou acompanhada da letra “s” recebe
acento.
III – Não há registro formal do substantivo “perca”. Essa forma só é
admitida como conjugação do verbo “perder” no modo subjuntivo
(“Tomara que você perca pontos.”).

10 – ITEM INCORRETO
Como visto na questão anterior, não existe registro dessa forma como
substantivo equivalente a “perda”.

11 - D
“PARALISAR” deriva de “paralisia”, que já apresenta a letra “s”. As
demais palavras apresentam a seguinte origem ou formação:
A) minimizar (mínimo) / politizar (política)/ pulverizar (A formação
desse verbo deriva da junção do radical latino pulver-, que significa
“pó, poeira”, com o sufixo “izar”) / catequizar (catequese – vimos que
é a exceção);
B) amortizar (que, por incrível que possa ser, deriva de morte) /
arborizar (radical latino arbor(i), relativo a árvore, que dá origem a
palavras como “arbusto”, acrescido do sufixo “izar”) / hipnotizar
(hipnose) / preconizar (conserva a grafia da forma latina
praeconizare);
C) avalizar (aval) / cotizar (cota) / indenizar (indene, adjetivo que
significa “o que não sofreu prejuízo”, acrescido do sufixo “izar”) /
exorcizar (equivalente a exorcismar, de exorcismo ou exorcista);
D) enfatizar (enfático) / polemizar (polêmica) / arcaizar (arcaico);
E) contemporizar (tempo) / fiscalizar (fiscal) / sintonizar (sintonia) /
entronizar (trono).

12 – ITENS INCORRETOS
O assunto a partir de agora é “homônimos e parônimos”. Enquanto que
“incipiente” (com “c”) significa “iniciante” ou “principiante”, “insipiente”
(com “s”) tem o sentido de “ignorante”, “não sapiente” (sapiência é
sabedoria).
Uma boa dica para memorizar é lembrar que “incipiente” tem a letra “C”
de “começo”.
A segunda “dupla de parônimos” é vultoso, assim grafado por derivar
de vulto, e vultuoso (o que apresenta a face vermelha e os olhos
salientes). Assim, não são vocábulos equivalentes.

13 - A
O verbo “fluir” quer dizer “correr em estado fluido”, e é exatamente
esse o significado apropriado ao contexto. Seu parônimo “fruir” (com
“r”) equivale a “gozar”, “desfrutar”, “tirar proveito” ou “possuir”.
(B) O registro formal de “estadia” é de permanência de um navio em
um porto. O dicionário Aurélio indica, como outra acepção, o mesmo
sentido de “estada”, “permanência”, com o seguinte comentário:
“Muitos condenam o uso, freqüentíssimo, da palavra nesta última
acepção”.
(C) O adjetivo “fragrante” deriva de “fragrância” (perfume). No texto,
deveria ser empregado o vocábulo “flagrante”, que, na acepção
utilizada, significa “evidente, patente, manifesta”.
(D) Como se refere a uma soma de grande vulto, o adjetivo adequado
seria “vultoso”. O significado de “vultuoso” já foi apresentado na
questão anterior.

14 – ITEM CORRETO
A banca tomou o cuidado de deixar clara a referência à linguagem
atualmente em vigor, ou seja, a forma como se usa nos dias de hoje.
Como vimos, é freqüente o uso da palavra estadia no sentido de
estada.
Apresentamos essa questão para que você perceba como diferentes
bancas podem adotar posicionamentos opostos em relação a um mesmo
assunto, o que reforça a necessidade de se fazer provas anteriores da
entidade responsável pelo concurso para o qual se prepara o candidato.

15 - B
Nessa questão, foi a vez da ESAF testar o conhecimento de alguns
parônimos. Estão incorretas:
a) INFRINGIR – cometer infração / INFLIGIR (correto) – aplicar uma
pena
c) Está incorreta a grafia da palavra HOMOGENEIZAR
(HOMOGÊNEO + IZAR). Sobe esse processo de formação da palavra,
reveja as observações iniciais deste ponto.
d) IMINENTE – prestes a acontecer / EMINENTE (correto) – importante
e) AFERIR – medir / AUFERIR (correto) – ganhar, obter.

16 - A
Essa prova foi aplicada em maio de 2006, ou seja, está fresquinha,
fresquinha...
Mau – adjetivo antônimo de bom.
Mal – advérbio (“Eu dirijo mal”), substantivo (“Não há mal que sempre
dure nem bem que nunca se acabe.”) ou conjunção (“Mal botou os pés
para fora da casa, começou a chover.”). Nos dois primeiros casos, é
antônimo de bem.
I – “O mau julgamento político...” pode ser substituído por “O bom
julgamento político...” – é mesmo um adjetivo e está corretamente
empregado. Na seqüência, em “o mal está na mídia...”, está sendo
usado o substantivo, tanto que o acompanha um artigo definido
masculino.
II – As duas ocorrências de “mau” devem ser substituídas pelo
substantivo “mal”. Note que em ambas as passagens, o vocábulo vem
acompanhado de um determinante – primeiramente um pronome
indefinido (nenhum) e, adiante, por um artigo indefinido (um).
III – A primeira oração está correta. Responda como ficaria melhor:
“isso é bom” ou “isso é bem”? Acredito que você tenha escolhido a
primeira forma. Logo, na ordem direta, a oração é “lamentar a atitude
dos políticos é MAU.”. Já na seqüência, o vocábulo acompanha o
substantivo “lençóis”, indicando se tratar de um adjetivo. Assim, “eles
estarão em maus lençóis.”.
d) “Mandato” é a autorização que se concede a alguém para que este
represente o outorgante. Não é isso exatamente o que ocorre em uma
eleição? Aurélio define mandato como o “poder político outorgado pelo
povo a um cidadão, por meio de voto, para que governe a nação, estado
ou município, ou o represente nas respectivas assembléias legislativas”.
Mas também apresenta a acepção de procuração, missão ou
incumbência.
Já “mandado de segurança” você já viu em Direito Constitucional, não é
mesmo?

17 – ITEM INCORRETO
Enquanto que “discriminação”, no texto, significa o ato ou efeito de
discriminar, distinguir ou segregar, “descriminação” é o ato ou efeito de
“descriminar”, “excluir a criminalidade”. Está correta somente a primeira
construção. Além disso, no segundo período o pronome “quaisquer”, que
está no plural, acompanha outro pronome e um substantivo no singular,
causando prejuízo gramatical. Deve ser substituído por “qualquer”.
Curiosidade: qualquer é a única palavra da língua portuguesa que se
flexiona no meio, e não no fim, em função de sua formação (qual + quer
/ quais + quer).

18 - A
Aurélio define o verbo perpassar (olha a grafia), como transitivo direto,
com o sentido de “postergar, preterir”. Talvez, a intenção da banca
tenha sido promover uma “contaminação” desse verbo com outros mais
comuns, com o transpassar, ou até com os substantivos perspectiva,
perspicácia.
A grafia desse vocábulo foi objeto de questão da mesma banca na prova
para o MPOG, em 2003.
Item (2) registra a forma correta do substantivo derivado de
“simultâneo”.
Se houvesse dúvida com relação à sua grafia, o candidato poderia
buscar uma outra palavra parecida (ou seja, um paradigma) que tivesse
passado pelo mesmo processo:
IDÔNEO -> IDONEIDADE
ESPONTÂNEO -> ESPONTANEIDADE
SIMULTÂNEO -> SIMULTANEIDADE
O item (3) explora conceitos de sintaxe de concordância, assunto a ser
estudado posteriormente. Por ora, vamos afirmar que essa construção
está correta, uma vez que o sujeito da forma verbal é “as barreiras”. Só
isso, está bem?
Item (4) - “Espectador” é o que vê ou testemunha, enquanto que seu
parônimo expectador é o que está na expectativa. O uso daquele
vocábulo está certinho de acordo com o contexto.
Por fim, está correta a forma “ininterrupta” (item 5), com o prefixo de
negação “in” antecedendo o adjetivo correspondente a “interrupção”.

19 – ITEM INCORRETO.
Viu só? Novamente foi explorado o emprego dos parônimos expectador
e espectador, dessa vez pela CESPE UnB.
Relembrando:
- “expectador” é o que está em expectativa (esperança fundada em
supostos direitos, probabilidades ou promessas, segundo Aurélio). A
grafia é idêntica – ambas com a letra “x”.
- “espectador” é o que vê ou testemunha.
São parônimos e, ao contrário do que se afirma na opção, não podem se
alternar sem que haja prejuízo ao texto.

20 – D) ITEM CORRETO
E) ITEM INCORRETO
Essa é uma das mais recentes provas aplicadas pela ESAF. Continuamos
no campo da Semântica, agora falando sobre o sentido das palavras.
É bem fácil memorizar: DENOTATIVO, com D de Dicionário, é o sentido
literal das palavras. O outro, conotativo, é o sentido figurado. Guarde o
significado do primeiro e lembre do outro por lógica – é o oposto
daquele.

O item d está CORRETO – sentido conotativo. Está sendo usada uma


expressão figurada, equivalente a afirmação de que Estado é rígido,
extremamente exigente no que se refere aos trâmites na regularização
de empresas e manutenção de suas atividades.
Já o item e está ERRADO – “teia”, em sentido denotativo, ou seja, no
sentido do “dicionário”, significa emaranhado de fios, trama. No texto, é
equivalente a “conjunto”. Por isso, seu emprego também é conotativo.

21 - A
Outra banca (desta vez, a VUNESP) a exigir o mesmo conhecimento. Já
percebeu como esse ponto é importante, não é?
O que se deseja afirmar com a frase da letra A é que a filosofia se
tornou popular. Usou-se, assim, a linguagem figurada de “descer da
torre de marfim” (privilégio de alguns) “em direção à praça pública”
(domínio público).

22 – ITEM INCORRETO
Em latino-americano, há dois adjetivos que se unem formando um só.
Contudo, houve a manutenção da unidade gráfica e fonética de cada um
deles, a partir do emprego do hífen.
Nesse caso, como em qualquer adjetivo composto, somente o último
elemento varia.
Uma característica dos adjetivos pátrios é que o menor deles deve
iniciar a construção (anglo-hispânico, sino-coreano).
Nesses casos, somente o segundo elemento irá se flexionar em gênero e
número com o substantivo correspondente (países latino-americanos /
cidades latino-americanas).

23 – ITEM CORRETO
“Dia-a-dia”, com hífen, é um substantivo equivalente a cotidiano,
enquanto que “dia a dia”, sem hífen, é uma locução adverbial que
significa “diariamente”.
Percebe-se, assim, a alteração semântica em virtude do emprego desse
sinal diacrítico.

24 - B
As últimas questões exploram um pouco de vocabulário e,
consequentemente, ortografia.
Não existe o vocábulo “aspiral”, mas “espiral”, termo empregado
conotativamente no texto que, sob aspecto econômico, significa um
processo cumulativo em que novos empregos levam a um aumento de
consumo, que, por sua vez, faz aumentar os preços e,
conseqüentemente, uma demanda de reajuste salarial, realizando,
assim, um processo sob a forma espiral.

25 – ITEM INCORRETO
O erro está na grafia do substantivo “jus”, proveniente do latim jus, cujo
significado é “direito”. Assim, “fazer jus a algo” equivale a “ser
merecedor de algo”.
Em tempo: niilista significa o que tudo nega, detém descrença
absoluta.
AULA 1 - ESTRUTURA, FORMAÇÃO E CLASSE DAS PALAVRAS
Olá, pessoal
Algumas questões de provas utilizam a expressão “análise morfossintática” em seus
enunciados, o que leva muita gente ao desespero: “Nossa, eu não estudei isso!!!”.
Calma, povo! Em nosso estudo de hoje, abordaremos esses conceitos e saberemos
que, ao fim do curso, você terá sido apresentado aos elementos que possibilitam
essa bendita análise.
A gramática se divide basicamente em: FONÉTICA, MORFOLOGIA, SINTAXE,
SEMÂNTICA e ESTILÍSTICA.
Fonética estuda os sons e fonemas lingüísticos. Neste ponto, estudam-se, inclusive,
tonicidade, classificação da palavra segundo a sílaba tônica, encontros vocálicos ou
consonantais etc. Parte disso já foi objeto de comentário na aula anterior.
Felizmente, não precisamos nos aprofundar, pois somente os aspectos relativos à
ortografia costumam fazer parte dos programas de concursos públicos.
Morfologia estuda a palavra em si, quer em relação à forma, quer em relação à
idéia que ela encerra (classes das palavras, flexões, elementos mórficos, terminação,
grafia). Esse é o assunto da aula de hoje.
Sintaxe é o estudo da palavra com relação às outras que se acham na mesma
oração (concordância, regência, colocação).
Semântica estuda os sentidos das palavras (já vimos na aula anterior) e Estilística
investiga o sistema expressivo que o idioma apresenta (figuras de estilo, de
linguagem etc.).
Assim, a análise morfológica considera a palavra, sua formação, sua classe, a
possibilidade de emprego, suas flexões, enquanto que a análise sintática trata da
relação dessa palavra com as demais numa estrutura oracional. Em suma, uma
análise morfossintática aborda todos estes aspectos – a palavra em si e sua relação
com as demais da oração. Viu como não é nenhum bicho-de-sete-cabeças???
Na Morfologia, um dos pontos a ser estudado é a estrutura das palavras, isto é, as
unidades que as compõem.

ESTRUTURA DAS PALAVRAS


Recentemente, esse ponto do programa vem sendo explorado em concursos
públicos, principalmente pela Fundação Getúlio Vargas.
Para conhecer a estrutura das palavras, iremos “dissecá-las”, identificando cada uma
de suas pequenas partes.
As palavras são constituídas de morfemas, que são unidades mínimas indivisíveis
da palavra (equivalem às células do corpo).
Esses morfemas apresentam significados, que podem ser de natureza lexical
(conceitos e sentidos da língua; léxico é o conjunto de palavras de uma língua, ou
seja, vocabulário) ou de natureza gramatical (gênero, número, modo, tempo).
Vamos a um exemplo. Na palavra CÉUS, podemos distinguir dois morfemas – o
primeiro, que carrega a significação, forma, por si, um vocábulo: céu; o segundo
não tem autonomia vocabular, serve para identificar o número: s. Ao primeiro, dá-se
o nome de morfema lexical (significado), e, ao segundo, o nome de morfema
gramatical (define o número).
Os morfemas podem ser divididos em:
- elementos básicos e significativos: raiz, radical e tema;
- elementos modificadores de significação: afixos, desinências e vogal temática;
- elementos de ligação: vogais ou consoantes, também chamados de infixos.

Raiz
É o elemento mínimo, primitivo, carregado do núcleo significativo que se conserva
através do tempo, comum às palavras cognatas, ou seja, da mesma família. É objeto
de estudo da Etimologia, parte da gramática que estuda a origem das palavras.
A título de exemplo, as palavras estar (em latim, stare) e constar (em latim,
constare) possuem a mesma raiz: “st”.

Radical
É o elemento comum das palavras cognatas. É responsável pelo significado básico da
palavra. Ex.: Em terra, terreno, terreiro, terrinha, enterrar, terrestre e aterrar, o
radical comum a todos é terr-.
Às vezes, pode sofrer alterações. Ex.: dormir, durmo; querer, quis
As palavras que possuem mais de um radical são chamadas de compostas. Ex.:
passatempo
Ao radical, juntam-se os demais elementos, como desinências, sufixos, prefixos,
infixos, vogais temáticas, de forma a compor novas palavras.
Nos verbos, o radical é o que resta após eliminar a terminação “AR”, “ER”, “IR”:
CANTAR = radical é CANT
BEBER = radical é BEB
PARTIR = radical é PART
A partir da mesma raiz, formam-se vários vocábulos: são cognatos os vocábulos
coração, cardíaco, cordial, cardiologista.
Uma curiosidade: a expressão de cor, usada em “saber de cor”, é também cognata
de “coração”. Isso porque os antigos consideravam o coração como sede não só da
sensibilidade (amor), mas também da inteligência. Então “saber de cor” liga-se à
idéia de “saber de coração”.
Vamos ver alguns exemplos da formação das palavras cognatas.
Ao radical CARDI (do grego kardia = coração) podem ligar-se:
a) O (vogal de ligação) + LOG (logos = tratado) + IA (sufixo) = CARDIOLOGIA
b) O (vogal de ligação) + PAT (path é a raiz de páscho = sofrer) + IA =
CARDIOPATIA
Afixos
São partículas que se anexam ao radical para formar outras palavras. Existem dois
tipos de afixos:
Prefixos: colocados antes do radical. Ex.: desleal, ilegal
Sufixos: colocados depois do radical. Ex: felizmente, igualdade, confeitaria

Infixos
Os infixos, também chamados de vogais ou consoantes de ligação, não são
significativos e, por isso, não são considerados morfemas.
Entram na formação das palavras para facilitar a pronúncia.
Ex.: café (radical) + T + eira (sufixo) = cafeteira
capim(radical) + Z + al (sufixo) =capinzal
rod (radical) + O + via (radical) = rodovia

Vogal Temática
Vogal Temática (VT) se junta ao radical para receber outros elementos.
Pode existir vogal temática tanto em verbos quanto em nomes. Ex.: beber, rosa,
sala.
Nos nomes, as vogais temáticas podem ser a, e, o.
Nos verbos, também são três as vogais temáticas – a, e, i – e estas indicam a
conjugação a que pertencem os verbos (1ª, 2ª ou 3ª conjugação, respectivamente).
Ex.: partir (PART + I + R) - verbo de 3ª conjugação
sonhando (SONH + A + NDO) – verbo de 2ª.conjugação
Eu disse “pode existir” porque nem todas as palavras possuem vogal temática. Há
formas verbais e nomes sem vogal temática. Isso pode ocorrer nos nomes
terminados em consoante (rapaz, fácil) ou em vogal tônica (saci, fé) – casos em
que o radical se confunde com o tema (resultado da união do radical com a vogal
temática), ou em algumas conjugações verbais.
Em resumo, se um nome terminar por outra letra que não o “a”, “e” ou
“o”, é chamado de atemático (sem tema).
CUIDADO: não confunda vogal temática com desinência, que marca a flexão
da palavra.
Em palavras que não se flexionam em gênero, esse “a”, “e” ou “o” finais são o tema,
e a desinência de gênero é indicada pelo símbolo Ø:

desinência desinência
radical VT
gênero número
sala sal a
pinto pint o Ø
livros livr o Ø s
estudantes estudant e Ø s
Quando o nome se flexiona, o “a” será desinência de gênero (feminino) e “o”, a
desinência no masculino. Esse é o posicionamento de Celso Cunha e Lindley Cintra,
em sua obra Nova Gramática do Português Contemporâneo.

desinência desinência
radical
gênero número
aluno alun o
bela bel a
algumas algum a s
menino menin o
meninas menin a s

OBSERVAÇÃO: Outros autores apontam como Ø a indicação do gênero masculino,


considerando que o morfema “o” seria a vogal temática (menino = radical: menin +
VT: o). Em nosso material, adotamos o posicionamento de Cunha e Cintra, por ser
majoritário. Acredito serem remotas as chances dessa classificação ser objeto de
prova, mas, de qualquer forma, fica registrada a ressalva.
Lembramos mais uma vez que algumas formas verbais podem não apresentar vogal
temática. Por exemplo: eu mato (1ª.pessoa do singular do presente do indicativo do
verbo matar) – “mat” é o radical e “o” é uma desinência.

Tema
É a união do radical com a vogal temática.
Ex.: cantaremos = cant (radical) + a (VT) = canta (tema)
mala = mal (radical) + a (VT) = mala

Desinências
São morfemas colocados no fim das palavras para indicar flexões verbais ou
nominais. Podem ser:
1) Nominais: indicam gênero (feminino ou masculino) e número (singular ou plural)
dos nomes (substantivos, adjetivos, alguns pronomes e numerais).

masculino.............. o
GÊNERO
feminino................ a
singular................. Ø (ausência de desinência)
NÚMERO
plural.................... s
2) Verbais: existem dois tipos de desinências verbais: desinência modo-temporal
(DMT) e desinência número-pessoal (DNP).
Seus nomes já dizem tudo, não é?
DMT – indica o modo e o tempo (presente do indicativo, pretérito imperfeito do
subjuntivo)
DNP – indica o número e pessoa (1ª.pessoa do singular, 3ª.pessoa do plural)
2.1) Verbo-nominais (VN): indica as formas nominais dos verbos (infinitivo,
gerúndio e particípio). Ex.: beber, correndo, partido

Exemplos TEMPO/MODO/ TEMA


FORMA NOMINAL RADICAL VT DMT DNP VN
CANTAVA Pret.Imp.Indicativo CANT A VA
CANTÁVAMOS Pret.Imp.Indicativo CANT A VA MOS
COMPRARÍAMOS Fut.Presente Indic. COMPR A RÍA MOS
COMPRANDO Gerúndio COMPR A NDO
COMPRAS Presente Indicativo COMPR A S
AMASSE Pret.Imperf.Subj. AM A SSE
AMÁSSEMOS Pret.Imperf.Subj. AM Á SSE MOS

PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS


Já conhecemos as “partes” das palavras - morfemas. Agora, veremos a maneira
como os morfemas se organizam para formar novas palavras.

PRIMITIVA DERIVADA
Carne Encarnar
Desencarnar
Desencarnado
Carnívoro

Os principais processos de formação são: Derivação, Composição, Hibridismo,


Onomatopéia, Sigla e Abreviação. Os principais são os dois primeiros.

1. Derivação
Processo de formar palavras no qual a nova palavra é derivada de outra chamada de
primitiva.
Os processos de derivação são:
Derivação Prefixal
A derivação prefixal é um processo de formar palavras no qual um prefixo ou mais
são acrescentados à palavra primitiva.
Ex.: pôr (primitiva) / compor (prefixo + primitiva) / recompor (dois prefixos +
primitiva)
Derivação Sufixal
A derivação sufixal é um processo de formar palavras no qual um sufixo ou mais são
acrescentados à palavra primitiva.
Ex.: real (primitiva) / realmente (primitiva + sufixo)

Derivação Prefixal e Sufixal


A derivação prefixal e sufixal existe quando um prefixo e um sufixo são
acrescentados à palavra primitiva de forma independente, ou seja, sem a presença
de um dos afixos a palavra continua tendo significado.
Ex.: deslealmente (prefixo: des + sufixo: -mente) - também existem os vocábulos:
desleal / lealmente
Alguns autores, todavia, não aceitam essa classificação. Julgam que houve,
primeirament, um dos processos para, então, ocorrer o outro.
Por exemplo: graça Î desgraça (prefixação) Î desgraçado (sufixação)

Derivação Parassintética
A derivação parassintética ocorre quando um prefixo e um sufixo são
simultaneamente acrescentados à palavra primitiva de forma dependente, ou seja,
os dois afixos não podem se separar, devem ser usados ao mesmo tempo, pois sem
um deles a palavra não se reveste de nenhum significado.
Ex.: anoitecer (prefixo: a + sufixo: -ecer) - não existem “anoite” nem “noitecer”.
desperdiçar (prefixo: des + sufixo: -içar) – não existem “desperd(a)” nem
“perdiçar”.
engordar (prefixo: en + sufixo: -ar) – não existem “engord(a)” nem “gordar”.
Maria Nazaré Laroca, no Manual de Morfologia do Português, observa que há uma
grande produtividade deste processo de formação das palavras, sobretudo, com
bases substantivas:

PREFIXO “EN" + SUBSTANTIVO + SUFIXO “AR” Î DERIVADA


en + caderno + ar Î encadernar
en + terra + ar Î enterrar
en + cabeça + ar Î encabeçar

Derivação Regressiva
Normalmente, as palavras derivadas são maiores que as primitivas. No processo de
derivação regressiva ocorre o inverso – a derivada é menor que a primitiva. Ocorre
perda vocabular.
SARAMPÃO Î SARAMPO

Chama-se deverbal quando, a partir desse processo, um verbo (geralmente


indicativo de ação) dá origem a um substantivo abstrato.
COMPRAR Î COMPRA SACAR Î SAQUE
VENDER Î VENDA COMBATER Î COMBATE
ATACAR Î ATAQUE CASTIGAR Î CASTIGO

Derivação Imprópria
A derivação imprópria, também intitulada de “mudança de classe” ou “conversão”,
ocorre quando palavra comumente usada como pertencente a uma classe é usada na
função de outra, mantendo inalterada sua forma.
“A cerveja que desce redondo.” (originalmente adjetivo, usado como advérbio).
Comício monstro (substantivo usado como adjetivo)

2. Composição
Consiste na criação de uma nova palavra a partir da junção de dois ou mais radicais
(palavra composta).
Pode ocorrer de duas formas:
- aglutinação - ocorre alteração na forma ou na acentuação dos radicais originários.
fidalgo (filho + de +algo) embora (em + boa + hora)
aguardente (água + ardente) pernalta (perna + alta)

- justaposição – seu próprio nome já indica o processo. Os radicais são mantidos


da forma original, podendo ser ligados diretamente ou por hífen.
beija-flor malmequer bem-me-quer segunda-feira
Curiosidade: algumas palavras que, em português, apresentam forma simples, em
sua origem eram compostas: aleluia provém do hebraico hallelu Yah (= louvai ao
Senhor); oxalá deriva do árabe wa as llâh (= e queira Deus). (Fonte: Cunha, C. e
Cintra, L., op.cit., p.108)

3. Hibridismo
Consiste na formação de palavras pela junção de radicais de línguas diferentes
auto/móvel (grego + latim) bio/dança (grego + português)

4. Onomatopéia
Consiste na formação de palavras pela imitação de sons e ruídos.
pingue-pongue buá miau tiquetaque zunzum

5. Sigla
Consiste na redução de nomes ou expressões empregando a primeira letra ou sílaba
de cada palavra.
UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Uma vez “vulgarizada”, a sigla passa a ser considerada como primitiva, podendo
formar derivadas: deputados petistas (PT), empregados celetistas (regidos pela
CLT), pacientes aidéticos (portadores de AIDS).

6. Abreviação ou redução
Consiste na redução de parte de palavras com objetivo de simplificação.
moto (motocicleta) gel (gelatina) cine (cinema) extra (extraordinária).

CLASSES GRAMATICAIS
A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) enumera em dez as classes
gramaticais: substantivo, adjetivo, artigo, pronome, numeral, verbo,
advérbio, preposição, conjunção e interjeição. Tomamos a liberdade de incluir
mais uma, apresentada sem denominação na NGB, mas reconhecida por gramáticos
consagrados: palavras denotativas.
Para fins didáticos, separamo-las em duas categorias: variáveis e invariáveis:
CLASSES DE PALAVRAS
VARIÁVEIS INVARIÁVEIS
Substantivo Advérbio
Adjetivo Palavra Denotativa
Artigo Preposição
Pronome Conjunção
Numeral Interjeição
Verbo
Cada uma delas será analisada isoladamente.

1. SUBSTANTIVO

Palavra com que designamos ou nomeamos os seres em geral.

Primitivos Derivados
Dão origem a outras palavras. São criados a partir de outras palavras.
Ex.: terra, casa Ex.: terreiro, aterrar; casebre, casinha
Simples Compostos
Formados por apenas um radical. Formados por mais de um radical.
Ex.: cabra, tempo Ex.: cabra-cega, passatempo

Comuns Próprios
Designação genérica, referente a Um ser específico da espécie.
qualquer ser de uma espécie.
Ex.: rua Rio de Janeiro, praça Duque de
Ex.: rua, praça, mulher Caxias, Isabela
Obs. Os dias da semana, como os meses
do ano ou as estações do ano, não são
nomes próprios – designam frações do
tempo.

Concretos Abstratos
Nomeiam objetos, lugares, pessoas, Nomeiam ações, estados, sentimentos,
animais, ou seja, coisas que têm qualidades, noções, ou seja, coisas que
subsistência própria. só existem em função de outras.
Entram nessa espécie os fictícios e coisas Ex.:alegria, tristeza, realização, modo,
hipoteticamente existentes. viagem, colheita, delicadeza, rispidez.
Ex.: Carmem, mesa, urso, fada, Júpiter,
mula-sem-cabeça

Coletivos
Os substantivos coletivos transmitem a noção de plural, embora sejam grafados no
singular. Nomeiam um agrupamento de seres da mesma espécie.
Ex.: matilha, multidão, rebanho, freguesia.

1.1) Flexão em número


Como vimos, os substantivos são palavras variáveis, alterando-se em função do
número e do gênero.

a) Formação do plural nos substantivos simples


- Regra geral: o plural é formado pelo acréscimo da desinência -s.
mapa Î mapas degrau Î degraus

- Substantivos terminados em -ão: a regra é a forma plural -ões, mas também


há casos em que formam -ães ou -ãos. Todos os paroxítonos e alguns oxítonos
terminados em –ão formam o plural –ãos.
questão Î questões capitão Î capitães
irmão Î irmãos órfão Î órfãos
Alguns substantivos apresentam mais de uma forma:
anão Î anões, anãos aldeão Î aldeãos, aldeões, aldeães
charlatão Î charlatões, charlatães; etc.

- Substantivos terminados em -r, -z: acréscimo de -es.


bar Î bares raiz Î raízes vez Î vezes júnior Î juniores
gravidez Î gravidezes (estranhou, por quê? Significa mais de uma gestação)

- Substantivos terminados em -s: acréscimo de -es quando forem oxítonos;


invariáveis quando não forem oxítonos.
país Î países lápis Î lápis ônibus Î ônibus

- Substantivos terminados em -l: substitui-se o -l por –is; em alguns poucos


casos, acrescenta o –es.
anel Î anéis álcool Î álcoois mal Î males cônsul Î cônsules

- Substantivos diminutivos: segundo a norma culta, o plural de diminutivos


obedece à seguinte regra: do vocábulo original no plural, é retirada a letra “s”, que
irá para o fim da palavra, após o sufixo que indica essa flexão em grau.
faróis Î faroizinhos bares Î barezinhos flores Î florezinhas

b) Formação do plural nos substantivos compostos


A flexão de número dos substantivos compostos segue o quadro abaixo:

Varia o .... elemento


Condição Exemplos
1º. último todos nenhum
pontapés, planaltos,
Substantivo
composto sem hífen X aguardentes,
vaivéns
Palavras repetidas tico-ticos,
ou onomatopéias X reco-recos
sempre-vivas,
Verbo ou palavra vaga-lumes,
invariável + pára-quedistas,
substantivo ou X abaixo-assinados
adjetivo guarda-roupas
(idéia de “guardar”)
Dois substantivos guardas-noturnos,
ou substantivo + couves-flores,
adjetivo (qualquer X secretários-
ordem) executivos
Substantivos Pés-de-moleque,
compostos ligados X copos-de-leite,
por preposição mulas-sem-cabeça
Verbo + advérbio X Os fala-mansa

Verbos antônimos X Os leva-e-traz


Dois substantivos,
quando o 2º.
indicar finalidade
Pombos-correio(s),
ou semelhança,
carros-bomba(s),
limitando o sentido
do 1º (flexão X (X) salários-família(s),
navios-escola(s),
predominante).
peixes-boi(s)
Modernamente, já
se aceita a flexão
dos dois elementos.

1.2) Flexão em gênero


Quanto ao gênero, os substantivos podem ser:
a) Biformes: possuem duas formas, uma para o feminino e outra para o masculino.
Pombo – pomba príncipe – princesa ator – atriz pastor - pastora

b) Uniformes: possuem apenas uma forma para os dois gêneros.


Os substantivos uniformes se subdividem em:
Epicenos: uma só forma para os dois gêneros, a distinção é feita pelas palavras
macho e fêmea.
a mosca a baleia o besouro a cobra o crocodilo (macho / fêmea)
Comuns de dois gêneros: uma só forma para os dois gêneros, a distinção é
feita pelo determinante (artigo, pronome, adjetivo...).
a pianista / o pianista belo colega/ bela colega o intérprete / a interprete
Sobrecomuns: uma só forma para os dois gêneros, não é possível fazer a
distinção pelos determinantes. A distinção pode ser feita pela expressão: do sexo
masculino/ do sexo feminino.
a pessoa a criança o cônjuge a testemunha o ídolo (não tem feminino)
* O gênero de alguns substantivos podem causar dúvida:
a alface o champanha o dó (tanto compaixão como a nota musical)
E “personagem”, afinal? É masculino ou feminino? Modernamente, esse é um dos
casos de “comum de dois”, ou seja, aceita o artigo feminino ou masculino:
o/a personagem.
* Certos substantivos, ao mudar de gênero, mudam também de significado:
A cabeça / o cabeça o caixa / a caixa o moral (auto-estima)/ a moral (ética)
Para distrair: No filme “Carandiru”, em sua participação “especial”, Rita Caddilac
(lembra-se da figura?) cantava uma música cujo refrão era : “É bom para o moral /
É bom para o moral...”. Pelo menos, acertou no gênero... rs....

O mesmo acontece em relação ao número de alguns:


Féria (renda) x férias (dias de descanso, mesmo que seja só um)
Bem (benefício) x bens (riquezas, propriedades)
Haver (verbo) x haveres (riquezas, bens)
Cuidado com esses: Óculo (uma espécie de luneta – instrumento que permite boa
visibilidade à distância) x óculos (lentes encaixadas em uma armação)
Já ouvi muita gente boa falando “perdi o meu óculos”...ui!! Nesse sentido, é sempre
plural – “Perdi os meus óculos”.
Outros são empregados apenas no plural:
pêsames núpcias víveres alvíssaras (prêmio ou recompensa)

1.3) Flexão em Grau


É a possibilidade de indicar o tamanho do ser que nomeia.
Os substantivos podem estar em três graus: normal , aumentativo e diminutivo.
As variações de grau podem ser feitas de duas formas:
Analítica: acréscimo de um adjetivo: casa pequena/grande, pé pequeno/grande
Sintética: acréscimo de um sufixo: casinha, casebre, pezinho, pezão

2. ADJETIVO

Palavra variável modificadora de substantivo ou palavra substantivada, exprimindo


qualidade, estado ou propriedade.
Pode também atribuir uma relação, como tempo (recebimento mensal), proveniência
(vinho chileno) etc. A esses dá-se o nome de adjetivos relacionais.
Locução adjetiva é uma expressão que equivale a um adjetivo. Geralmente é
constituída de preposição e substantivo ou preposição e advérbio.
mesa de madeira casa da frente
Cuidado! Só podemos analisar e classificar os vocábulos a partir do contexto.
Por exemplo, doméstica, a princípio, seria um adjetivo. Contudo, em “As
domésticas não têm muitos de seus direitos reconhecidos”, essa palavra é um
substantivo.
Aliás, é muito estreita a relação entre o substantivo e o adjetivo. Muitas vezes, a
posição desses elementos na oração implica alteração de sua morfologia.
Por exemplo: negro jogador / jogador negro – no primeiro, “negro” é um
substantivo e sua qualidade é “jogador” (assim como em “negro pintor” ou “negro
lutador”). Isso se inverte no segundo exemplo, em que “negro” é uma característica
do jogador. A palavra-núcleo é o substantivo, e o adjetivo o caracteriza.
Essa possibilidade de alteração morfológica e/ou semântica dos adjetivos, em função
de sua colocação na frase vem sendo objeto de questões dos mais recentes
concursos públicos.
Como o adjetivo concorda sempre com o substantivo, sofrerá as mesmas flexões que
ele: gênero, número e grau.

2.1) Flexão de Gênero


Os adjetivos podem ser:
a) Biformes- possuem duas formas, uma para indicar cada gênero.
Que garoto bonito! Que garota bonita!

b) Uniformes - possuem apenas uma forma para indicar os dois gêneros (feminino
e masculino). Muitos deles terminam em ar/or (exemplar, maior), z (audaz, feliz),
os paroxítonos terminados em s (simples), l (fácil, infiel), m (comum, virgem) etc.
aluno ou aluna: inteligente, capaz, simples, amável, ímpar, ruim

CURIOSIDADE: Alguns adjetivos terminados em “u”, “ês” e “or” não se flexionam


em gênero.
a mulher hindu a menina cortês a remessa anterior a pior decisão
Nos adjetivos compostos, somente o gênero do último elemento varia.
intervenção médico-cirúrgica sandália azul-clara literatura latino-americana
Uma característica em relação aos adjetivos pátrios: o menor inicia a locução.
acordo nipo-itálico mercadoria sino-japonesa

2.2) Flexão de Número


Os adjetivos simples seguem as mesmas regras dos substantivos simples para
flexionarem em número.
útil Î úteis feroz Î ferozes

Adjetivo composto formado por dois adjetivos: só o segundo elemento varia.


sapato marrom-escuro Î sapatos marrom-escuros
camisa azul-clara Î camisas azul-claras
Exceção: azul-marinho e azul-celeste – todos os elementos são adjetivos, mas
esses adjetivos não se flexionam.
camisas azul-marinho / azul-celeste.
OBS: No adjetivo composto surdo-mudo, variam os dois elementos:
surdos-mudos / surda-muda

Em relação a esse ponto, veja a assertiva INCORRETA presente em uma questão de


prova da ESAF (AFC 2002): “O plural do adjetivo composto “político-institucional” se
faz adicionando a desinência de plural aos dois elementos.”.

É falsa essa afirmação, pois, como vimos, nesse caso, varia apenas o último
elemento: político-institucionais.

Adjetivo composto formado por um adjetivo e um substantivo: permanecerá


invariável.
Uniformes verde-oliva sofás marrom-café.

Isso também acontece em adjetivos simples indicativos de cores que derivam de


substantivos.
Vestidos cinza bonés laranja carros prata anéis turquesa

Luiz Antônio Sacconi (em Gramática Básica) destaca que o adjetivo infravermelho
é variável (raios infravermelhos), enquanto que ultravioleta é invariável (raios
ultravioleta).

2.3) Flexão de Grau


A flexão de grau corresponde à variação em intensidade da qualidade expressa pelo
adjetivo.
a) Grau comparativo
Indica que um ser possui uma qualidade igual, inferior ou superior a outro.
Este cão é tão feroz quanto aquele.
Este cão é menos feroz que aquele.
Este cão é mais feroz que aquele.
Também, em relação ao mesmo ser, pode determinar se uma qualidade que ele
possua é igual, inferior ou superior a outra.
Ele é tão inteligente quanto bonito.
Ele é mais inteligente que bonito.
Ele é menos inteligente que bonito.
b) Grau superlativo
Absoluto – o ser apresenta elevado grau em certa qualidade
Sintético – expresso em uma só palavra. Ex.: Este cão é ferocíssimo.
Analítico – formado com mais de uma palavra, normalmente um
advérbio (muito, bastante, imensamente) . Ex.: Este cão é muito feroz.
Relativo – o ser se sobressai em relação aos demais seres que possuem a mesma
qualidade.
Superioridade. Ex.: Este cão é o mais feroz do bairro.
Inferioridade. Ex.: Este cão é o menos feroz do bairro
Alguns adjetivos possuem formas especiais para o comparativo e o superlativo
sintéticos.
Observe:

Superlativo
Adjetivo Comparativo
absoluto relativo
bom melhor ótimo o melhor
mau pior péssimo o pior
grande maior máximo o maior
pequeno menor mínimo o menor

Quando se comparam duas qualidades, a proximidade dos adjetivos “bom”, “mau”,


“grande” e “pequeno” com “mais” ou “menos” não os transforma em “melhor”,
“pior”, “menor” ou “maior”.
Ele é mais bom do que bonito.
Ele é mais pequeno que gordo.

3. ARTIGO

Classe variável que define ou indefine um substantivo. Gosto de brincar dizendo que
o artigo é igual a arroz – só serve para acompanhar. Nunca vem isolado ou longe de
um substantivo.
Pertencem à classe de palavras variáveis, flexionando-se em gênero e número.
Podem ser:
Definidos: o/a, os/as
Indefinidos : um/uma, uns/umas
Servem para:
- substantivar uma palavra que geralmente é usada como pertencente a outra
classe.
calça verde (adjetivo) / o verde (substantivo) da camisa
não quero (advérbio) / Deu um não (substantivo) como resposta.
- evidenciar o gênero do substantivo comum-de-dois.
o colega / a colega o personagem / a personagem o pianista / a pianista

4. PRONOME
É a palavra que acompanha (determina) ou substitui um nome.
Ana disse para sua irmã:
- Eu preciso do meu livro de matemática. Você não o encontrou? Ele estava aqui
em cima da mesa.
1. sua acompanha “irmã” e se refere a Ana;
2. eu substitui "Ana";
3. meu acompanha "livro de matemática";
4. o substitui " livro de matemática";
5. ele substitui " livro de matemática"

Assim, os pronomes podem ser:


ADJETIVOS – acompanham o nome, determinando-o – exemplos 1 e 3;
SUBSTANTIVOS – substituem o nome – exemplos 2, 4 e 5.

Os pronomes também identificam as três pessoas do discurso:


- primeira pessoa: a que fala;
- segunda pessoa: com quem se fala;
- terceira pessoa: de quem se fala.

CLASSIFICAÇÃO DOS PRONOMES


Os pronomes classificam-se em: pessoais, possessivos, demonstrativos, indefinidos,
interrogativos e relativos.
Como o assunto é muito extenso, por ora apresentamos somente alguns conceitos,
deixando para a aula específica o aprofundamento do assunto.

5. NUMERAL

Classe que expressa quantidade exata, ordem de sucessão, organização.


Os numerais podem ser:
5.1) Cardinais
Indicam uma quantidade exata. Ambos, que substitui o cardinal os dois, é numeral
e se flexiona em gênero. Os cardinais um, dois e as centenas a partir de
duzentos também variam em gênero (uma, duas, trezentas). Já outros cardinais,
inclusive o “mil”, são invariáveis.
5.2) Ordinais
Indicam uma posição exata e variam em gênero e número
segundo décimo primeiras
5.3) Multiplicativos
São invariáveis quando apresentam valor substantivo.
Ele tem o dobro da idade de sua mulher.
Empregados com valor adjetivo, flexionam-se em número e gênero.
5.4) Fracionários
Concordam com os cardinais que indicam o número das partes.
um quarto dois décimos metade
INFORMAÇÕES IMPORTANTES:
- Milhão, bilhão (ou bilião), trilhão comportam-se como substantivos e variam
em número.
- Milhar pode ser precedido por um artigo de gênero masculino: “os milhares de
crianças que estiveram aqui...”.

6. VERBO

Conceito
Palavra variável (pessoa, tempo, número e modo) que exprime uma ação, um
estado, um fenômeno.
Sua importância no estudo da gramática é tão grande que teremos uma aula
dedicada exclusivamente a ele.
Passemos, agora, para as classes invariáveis.

7. ADVÉRBIO
Classe invariável que expressa circunstâncias.
Os advérbios se ligam a verbos, adjetivos, outros advérbios ou até mesmo a orações
ou enunciações inteiras.
Ele corre tanto. Ana Hickman é tão alta!
Aquele piloto dirige muito mal. Infelizmente, não poderei comparecer.
Tal como foi demonstrado, o problema é grave.

São algumas circunstâncias expressas pelos advérbios:


Tempo (sempre, amanhã...) Afirmação (sim, realmente...)
Lugar (aqui, ali...) Negação (nem, não...)
Modo (amavelmente, rapidamente...) Dúvida (provavelmente, talvez...)
Intensidade (tão, muito...)

Uma característica dos advérbios chamados “nominais” é que eles podem se formar
a partir da forma feminina dos adjetivos (quando a possuem) com o acréscimo de
“mente”:
rapidamente corretamente adequadamente
provisoriamente precariamente certamente

Na enumeração de vários advérbios nominais em seqüência, pode-se omitir o sufixo


“mente”, mantendo apenas o do último vocábulo. Sua repetição causaria o
indesejável efeito de eco:
Ela dançava linda, leve, encantadora e brilhantemente.
Locução adverbial - Duas ou mais palavras com valor de advérbio.
Rubens estava morrendo de medo. (loc.adverbial expressa a circunstância de causa)
A bela mulher apareceu na porta. (loc.adverbial expressa a circunstância de lugar)
As locuções adverbiais mais comuns são: com certeza, sem dúvida, de longe, de
perto, às vezes etc.
Sobre o emprego dos advérbios bem e mal, acompanhados de bem e antes de
adjetivos particípios, já falamos na aula zero. Prefere-se a não-junção:
É um dos jogadores mais bem pagos do mundo.

Não há necessidade (nem condição) de decorar listas de advérbios ou locuções


adverbiais.
Você irá identificar a classe gramatical a partir da relação que a palavra estabelece
com as demais.
Veja: a palavra meio pode ser advérbio, mas nem sempre o será. Vamos aos
exemplos:
1 - "Estava meio atrasada."
2 - "Resolvi dar meia volta."
3 - "O meio universitário era favorável para a disseminação daquelas idéias."
Você notou que no exemplo 1, mesmo ao lado de um adjetivo feminino, o vocábulo
permaneceu inalterado? Isso comprova que essa palavra é um advérbio – é
invariável e modifica um adjetivo.
Já a segunda forma se flexionou em gênero, concordando com a palavra “volta” – é
um numeral, classe de palavra variável.
No exemplo 3, o vocábulo está acompanhado de um artigo, o que o classifica como
um substantivo. Também poderia se flexionar: “Os meios acadêmicos...”.

Também merecem destaque os advérbios interrogativos: onde, aonde, donde,


como, que fazem parte de orações interrogativas e não devem ser confundidos com
os pronomes relativos homógrafos. Estes possuem antecedentes aos quais se
referem, enquanto que os advérbios interrogativos são “independentes” e se referem
a circunstâncias como tempo, modo, causa ou lugar. Podem estar em construção
interrogativa direta ou indireta.
Não sei como você agüenta esse homem!
Aonde você vai? (o verbo ir exige a preposição “a”, que a ele se liga: a + onde)
Quero saber onde você vai almoçar. (quando o verbo exigir a preposição “em”,
basta o “onde”.)
Donde você veio? (o verbo vir exige a preposição “de”, que se liga ao advérbio:
de + onde)

8. PALAVRAS DENOTATIVAS

Na língua portuguesa, há algumas palavras e locuções não definidas pela N.G.B. em


qualquer das classes de palavras. São as palavras denotativas, que apresentam
certa semelhança com os advérbios mas que, devido a algumas características
peculiares, com eles não se confundem.
A principal característica que as distinguem dos advérbios é o fato de estes se
referirem a certos vocábulos (verbos, adjetivos, advérbios), enquanto que as
palavras denotativas podem se referir a qualquer vocábulo ou até mesmo a nenhum
diretamente.
As palavras ou expressões denotativas mais comuns são:
- de exclusão – exceto, salvo, apenas etc.
Todos, menos Lula, sabiam do mensalão.
- de inclusão – até, inclusive, mesmo, também etc.
Até Deus duvida disso!
- de explicação – isto é, ou melhor, ainda, por exemplo, a saber etc.
Este ato é arbitrário, ou seja, não respeita leis ou regras.
- de retificação – isto é, ou melhor (a diferença entre esta e a anterior depende do
contexto).
Eu preciso de dois laudos, ou melhor, de três.
- de realce – é que, lá, só, cá, mas etc.
Ele lá sabe alguma coisa sobre isso?
- de designação – eis.
Eis o vencedor da competição.
- de situação – então, mas, afinal etc.
Mas, afinal, o que você queria?

9. PREPOSIÇÃO
Classe invariável que liga termos de uma oração de tal modo que o significado do
primeiro (antecedente – termo regente) é explicado ou delimitado pelo segundo
(conseqüente - termo regido).
Ex.: O professor gosta de trabalhos noturnos.
Não há necessidade de trabalharmos à noite.
São exemplos das preposições simples mais comuns, chamadas de essenciais:
a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem sob,
sobre, trás
Algumas palavras, cujo sentido original é de outra classe gramatical, podem ser
usadas como preposições – são chamadas de preposições acidentais.
Eu a considero como uma irmã. Você terá que fazer a prova amanhã.
As locuções prepositivas se caracterizam por apresentar, como último vocábulo, uma
preposição essencial:
Abaixo de apesar de graças a por entre junto a embaixo de

10. CONJUNÇÃO

Classe invariável que liga orações, às vezes, liga termos coordenados de uma
oração.
Ex.: Os pais viajaram e estudaram. (liga orações)
Os pais viajaram para Orlando e Paris. (liga termos dentro de uma oração)
As conjunções podem ser:
Coordenadas – relacionam elementos de mesma função gramatical.
Subordinadas – ligam duas orações, sendo que uma complementa,
determina ou restringe o sentido de outra.

Locução conjuntiva
Formada por mais de um vocábulo, sendo que, normalmente, o último é uma
conjunção.
já que se bem que a fim de que

11. INTERJEIÇÃO

Classe invariável que expressa emoções, sensações, sentimentos ou representa um


chamamento.
alívio (Ufa!) dor (Ai!) espanto (Quê!) medo (Credo!)
satisfação (Viva!) chamamento (Oxalá!) saudação (Alvíssaras!)

Locução interjeitiva é o conjunto de duas ou mais palavras com valor de interjeição.


Que horror! Queira Deus! Ai de mim!

Na escrita, a interjeição vem acompanhada do sinal de exclamação, com exceção do


“Ó” de apelo (“Ó menino, não faça isso”), que não deve ser confundido com “Oh”, de
admiração.
Sobre “Vivam os campeões!”, nosso mestre Evanildo Bechara observa, em seu
“Lições de Português pela Análise Sintática”, que o emprego quase interjeitivo da
oração e a proximidade com a interjeição (invariável, portanto) “Salve os
campeões!” levam à forma “Viva os campeões!”, com evidente erro de
concordância.
Contudo, ressalta o mestre: “Apesar de correr vitoriosa na linguagem coloquial, esta
concordância no singular deve ser cuidadosamente evitada na língua padrão”.
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Algumas dessas classes gramaticais merecerão destaque em nossos encontros. Por
ora, vamos resolver algumas questões de prova para fixar todos esses conceitos.
Abraços e até a próxima.
QUESTÕES DE FIXAÇÃO
1 - (FGV / Ministério da Cultura /2006)
Assinale a alternativa que não apresente a classificação correta de um dos
elementos mórficos do vocábulo deixasse
(A) deix- = radical
(B) -e = desinência número-pessoal
(C) -a = vogal temática verbal
(D) deixa = tema
(E) -sse = desinência modo-temporal

2 - (FGV / ICMS MS - Fiscal de Rendas / 2006)


Assinale a alternativa em que um dos elementos mórficos da palavra contribuiu
(L.65) não esteja corretamente analisado.
(A) contribuiu = prefixo
(B) contribuiu = raiz
(C) contribuiu = desinência modo-temporal
(D) contribuiu = tema
(E) contribuiu = vogal temática

3 -(CESGRANRIO / INSPETOR DE POLÍCIA / 2001)


Inúmeros, ilícita, impropriedade têm em comum:
a) o prefixo negativo;
b) a classe gramatical;
c) o gênero;
d) o número;
e) a forma gráfica.
4 - (FUNDEC / TRT 1ª.Região / 2003)
Os prefixos das palavras entressafra (linha 15) e internacional são sinônimos.
Idêntica relação semântica pode ser depreendida entre os prefixos das palavras:
A) anti-higiênico e suboficial;
B) co-redator e contra-regra;
C) arquiinimigo e hiper-humano;
D) vice-diretor e sobreloja;
E) ante-histórico e recém-chegado.

5 - (FGV / ALESP / 2002)


Assinale a alternativa em que todas as palavras têm prefixo indicativo de negação:
A. imoral - imprudente.
B. imoral - deslocar.
C. aderente - amoral.
D. aderente - subterrâneo.

6 - (FGV / Ministério da Cultura /2006)


Assinale a alternativa em que o prefixo tenha o mesmo sentido que o de imigrantes.
(A) imberbe
(B) imergir
(C) incréu
(D) iníquo
(E) inválido

7 - (FGV / ICMS MS /2006)


Assinale a alternativa em que a palavra tenha sido formada pelo mesmo processo
que entrevejo.
(A) joalheria
(B) serenidade
(C) decodifica
(D) acompanhando
(E) perfumadas

8 - (FGV / ALESP / 2002)


Assinale a alternativa que apresenta um prefixo indicando “posição superior”:
A. Transatlântico.
B. Perímetro.
C. Epiderme.
D. Sublocar.

9 - (FGV / BESC ADVOGADO/ 2004)


Assinale a alternativa em que o vocábulo NÃO seja formado pelo mesmo processo
que "crescimento"
(A) financeiro
(B) rentabilidade
(C) falta
(D) prancheta
(E) executáveis

10 - (FUNDEC / PRODERJ / 2002)


Os prefixos das palavras supercomputador e contra-informação são sinônimos,
respectivamente, dos prefixos das palavras:
A) hiperinflação e megainvestidor;
B) politraumatizado e desnecessário;
C) ultraleve e hemisfério;
D) além-fronteira e endotérmico;
E) arquimilionário e antiinflacionário.

11 - (NCE UFRJ / TRE RJ Auxiliar Judiciário / 2001)


O vocábulo perdão, presente no texto, tem como plural perdões; o item abaixo em
que todos os vocábulos podem fazer o plural do mesmo modo é:
a) cidadão, vulcão, capelão;
b) escrivão, aldeão, razão;
c) capelão, situação, alazão;
d) corrimão, cidadão, escrivão;
e) vulcão, aldeão, alazão.

12 - (NCE UFRJ / Corregedoria Geral da Justiça RJ )


Hibernação está para inverno, considerados os vários aspectos de sua formação,
como:
(A) crescimento está para crescer;
(B) diminuição está para diminuir;
(C) mensal está para mês;
(D) liberdade está para livre;
(E) animação está para alma.
13 - (NCE UFRJ / ARQUIVO NACIONAL/ 2006)
A alternativa que mostra inadequação entre cognatos é:
(A) terra / aterrorizar;
(B) lei / legalizar;
(C) acordo / acordar;
(D) temor / atemorizar;
(E) homem / humanizar.

14 - (NCE UFRJ / CVM / 2005)


A relação ERRADA entre verbo e substantivo é:
(A) ceder / cessão;
(B) estender / extensão;
(C) exceder / exceção;
(D) ascender / ascensão;
(E) pretender / pretensão.

15 - (NCE UFRJ / INPI - ANALISTA MARCAS / 2005)


Agrário se refere a campo; o vocábulo abaixo em que esse radical tem significado
diferente é:
(A) agricultor;
(B) agridoce;
(C) agrimensor;
(D) agreste;
(E) agrícola.

16 - (FGV / ICMS MS – TTI / 2006)


Assinale a alternativa em que o prefixo tenha valor distinto do de incompetentes.
(A) irrespondível
(B) agnósticos
(C) ateus
(D) incorrer
(E) inafiançável

17 - (FGV / ICMS MS – Fiscal de Rendas / 2006)


Assinale a alternativa em que a palavra tenha sido formada pelo mesmo processo
que acompanhamos.
(A) rapidíssimos
(B) encanada
(C) utilizamos
(D) repressão
(E) intermediárias

18 - (CESGRANRIO / BNDES – ADVOGADO / 2004)


No título do artigo “A tal da demanda social”, a classe de palavra de “tal” é:
(A) pronome.
(B) adjetivo.
(C) advérbio.
(D) substantivo.
(E) preposição.

19 - (FGV / ICMS MS - Fiscal de Rendas / 2006)


Tal como está organizada, a sociedade gira em torno do mercado, de acordo com
um sistema que alguns chamam de "economia de mercado", e outros, de
"capitalismo". Até hoje, não surgiu nenhum sistema tão capaz de fazer crescer a
economia. As experiências feitas em nome do socialismo não manifestaram força
própria suficiente para competir, no plano do crescimento econômico, com o
capitalismo.
A palavra Tal classifica-se como:
(A) adjetivo.
(B) advérbio.
(C) conjunção.
(D) pronome demonstrativo.
(E) pronome relativo.

20 - (CESGRANRIO / MPE RO / 2005)


Dentre os plurais dos nomes compostos, o único flexionado de modo adequado é:
(A) guarda-chuvas.
(B) olhos azuis-turquezas.
(C) escolas-modelos.
(D) surdo-mudos.
(E) pores-dos-sóis.

21 - (NCE UFRJ / INPI - ANALISTA MARCAS / 2005)


matérias-primas faz plural da mesma forma que:
(A) porta-voz;
(B) guarda-comida;
(C) bem-te-vi;
(D) aluno-mestre;
(E) pisca-pisca.

22 - (FGV / Pref.Araçatuba / 2002)


O plural dos adjetivos compostos está correto em

A. Faltava sempre às segundas-feiras.


B. Recebeu dois salários-famílias.
C. Houve alguns quebras-quebras na cidade.
D. Gostava de sopa de grão-de-bicos.

23 - (FGV / ICMS MS / 2006)


Outras vezes ela passa por mim na rua entre os camelôs.
Vezes outras a entrevejo no espelho de uma joalheria.
No trecho acima, a inversão das palavras grifadas não provocou alteração de
sentido. Assinale a alternativa em que a inversão dos termos provoca alteração
gramatical e semântica.
(A) novos papéis / papéis novos
(B) várias idéias / idéias várias
(C) lúcidas lembranças / lembranças lúcidas
(D) tristes dias / dias tristes
(E) poucas oportunidades / oportunidades poucas

24 - (UnB CESPE / Banco do Brasil / 2002)


Passa quase despercebido para o mercado que, na guerra dos bancos pela carteira
dos brasileiros, o Banco do Brasil S.A. (BB) está mais ativo do que nunca. Foi a casa
que mais conquistou novos clientes em 2001, saltando de 10,5 milhões de
correntistas pessoa física para 12 milhões.
Na área das empresas, o crescimento também foi robusto. Com a criação de uma
divisão de corporate, sua carteira empresarial saltou de 767 mil para 900 mil
clientes.
O BB ainda tem um amplo terreno para conquistar clientes menos endinheirados por
intermédio das concessões de crédito. A instituição, mesmo com 24,6% de todos os
ativos do sistema financeiro nacional, não tinha agilidade suficiente para fazer isso,
por conta do estoque de créditos ruins que a ancora. Depois do ajuste patrimonial,
ganhou fôlego.
QUESTÃO
Acerca de aspectos estruturais e das idéias do texto acima, julgue o seguinte item.
No primeiro parágrafo do texto, as duas ocorrências do advérbio “mais” —
intensificando “ativo” (l.3) e “conquistou” (l.3) — comprovam que advérbios podem
modificar tanto verbos como adjetivos.

25 - (FGV / BESC ADVOGADO/ 2004)


Assinale a alternativa em que o termo grifado seja artigo definido.
(A) "...o que os empurra a dar crédito para o setor privado e para as pessoas
físicas."
(B) "O que se faz?"
(C) "O que está ocorrendo é que os interesses que prevaleceram..."
(D) "...agora, o que se está fazendo é buscar "acalmar" os que temem perder lucros
na fase de transição."
(E) "Ou seja, há uma possibilidade, não desprezível, de o país perder, mais uma vez,
uma janela de oportunidade."

GABARITOS COMENTADOS DAS QUESTÕES DE FIXAÇÃO

1 – B - A forma verbal deixasse não possui desinência número-pessoal:

TEMA
DMT DNP
Radical Vogal tem.
DEIX A SSE Ø

2 – C - O morfema “u” é desinência número-pessoal.

TEMA
PREFIXO DMT DNP
Radical Vogal tem.

CON TRIBU I Ø U

À raiz trib unem-se os prefixos que formam os radicais dos verbos: retribuir,
contribuir.
O mesmo ocorre nos seguintes verbos:
• (raiz = preend) compreender, apreender, repreender;
• (raiz = vert) reverter, perverter, inverter, converter;
• (raiz = fer) preferir, conferir, deferir, inferir, desferir;
Esse são alguns exemplos de verbos formados a partir da união de prefixos à raiz.
3 – A – Os três vocábulos apresentam prefixos negativos: inúmeros, ilícita,
impropriedade.
4 – Os prefixos latinos entre e inter designam “posição intermediária”. Os prefixos
gregos da opção C também são sinônimos: arqui e hiper indicam superioridade.
a) anti - prefixo grego = oposição / sub - prefixo latino = posição inferior
b) co – latino = companhia ou contigüidade / contra – latino = oposição
d) vice – latino = em lugar de / sobre – latino = posição superior
e) ante – latino = anterioridade / recém – latino = recente

5–A
b) i = negação / des = separação
c) a em “amoral” = negação / a em “aderente” = separação
d) a em “aderente” = separação / sub = posição inferior

6 – B – O prefixo i em ‘imergir’ indica o movimento para dentro (como em imigrar).

7 – E - O vocábulo “entrevejo” passou pelo processo de derivação prefixal, com a


colocação do prefixo entre (posição intermediária). A esse mesmo processo se
submeteu o vocábulo “perfumadas”, com o prefixo per (movimento através)
a) derivação sufixal (jóia + lh + eria)
b) originalmente francesa, sofreu derivação sufixal com –eria ou –aria, que indicam
“atividade de”, “ramo de negócio”.
c) derivação prefixal e sufixal
d) derivação parassintética

8 – C – ‘epiderme’ é a camada mais superficial da pele (prefixo grego epi + radical


grego derme)
a) trans- latino = passar além de.
b) peri- grego = em torno de.
d) sub- grego = posição abaixo.

9 – C – O vocábulo “falta” é o próprio tema (radical falt + VT a).

10 – E – Os prefixos super, extra, ultra (latinos), mega, hiper e arqui (gregos) são
equivalentes e indicam superioridade. Já os prefixos contra-, ob-, o-, des- (latinos) e
anti- e para- (gregos) denotam oposição.
Os demais apresentam os seguintes significados:
- hemi – grego = metade;
- poli – grego = muitos;
- endo – grego = posição interna;
- além – latino = adiante
11 – E - vulcões; aldeões ou aldeães; alazões e alazães.
a) cidadãos; vulcões ; capelães.
b) escrivães; aldeãos, aldeões ou aldeães; razões.
c) capelães; situações; alazões e alazães.
d) corrimãos; cidadãos; escrivães.

12 – E - Essa questão exigia bastante percepção do candidato. A dica para


solucioná-la estava na expressão “considerados os vários aspectos de sua formação”.
Assim como “hibernação” buscou em sua origem latina a forma que significa
“inverno” (hiber), a palavra “animação” tem em sua raiz (änima) o sentido de alma.

13 – A - A palavra “aterrorizar” tem relação com “terror” e não ‘terra’.

14 – C – O aluno que se lembrou da aula sobre Ortografia não errou essa questão.
No material, mencionamos que “exceção” não deriva de EXCEDER, mas de
EXCETUAR.

15 – B - O elemento de composição em “agridoce” é latino e significa “acre, ácido,


azedo”. Já em “agricultura”, “agrimensor”, “agreste” e “agrícola” está presente o
prefixo “agri”, também latino, que se refere a campo.

16 – D – O prefixo latino “in” em “incorrer” significa “movimento para dentro”. Os


demais têm valor de negação.

17 – B - O processo de acompanhamos é o mesmo de encanada – derivação


parassintética.
a) rapidíssimos - sufixação
c) utilizamos - sufixação
d) repressão - prefixação
e) intermediárias – prefixação e sufixação (mediar Î intermediar Î intermediária)

18 – A – Não nos cansamos de repetir – a análise morfológica de uma palavra só


pode ser feita de acordo com o contexto. Na oração “A tal da demanda social”, o
vocábulo “tal” está sendo usado para indicar. Por isso, é um pronome demonstrativo.
Esse pronome faz parte da expressão “O(a) tal de”, usado na linguagem com
desdém.
Não confunda com “o tal”, substantivo coloquial brasileiro de dois gêneros usado
para designar a pessoa que julga ser mais importante do que é: “Ela se acha o tal”.
Veja na próxima questão um outro emprego de “tal”.
19 – B - Muita gente boa, de cara, deve ter marcado "pronome demonstrativo" (D),
e não foi à toa que essa questão está nesta posição.
Em “Tal como está organizada, a sociedade gira em torno do mercado”, esse
"tal" indica MODO - circunstância. Troque por "assim" ou "do modo" e continuará
fazendo sentido. Assim, notamos que não é pronome demonstrativo, mas ADVÉRBIO
- opção B.

20 – A
b) olhos azul-turquesa – note que “turquesa” (com “s”) é um mineral azul ou
esverdeado. Como o segundo elemento do adjetivo composto é um substantivo,
permanecerá invariável.
c) escolas-modelo(s) – atualmente, esta questão estaria sujeita a recursos, pois o
enunciado não menciona a norma culta e modernamente já se aceita a flexão dos
dois vocábulos, mesmo o segundo indicando finalidade.
d) surdos-mudos – os dois se flexionam.
e) pores-do-sol – só o primeiro elemento varia.

21 – D - “Matéria-prima” é um substantivo composto formado por um substantivo e


um adjetivo. No plural, os dois elementos variam. O mesmo acontece com “alunos-
mestres”.
a) porta-voz Î porta-vozes (verbo + substantivo)
b) guarda-comida Î guarda-comidas (idéia de guardar – não varia)
c) bem-te-vi Î bem-te-vis
e) pisca-pisca Î pisca-piscas

22 – A – Em “segunda-feira”, os dois elementos se flexionam: segundas-feiras


(numeral e substantivo).
Da mesma forma que a questão 20, esta seria passível de anulação, em virtude da
possibilidade de se flexionar os dois elementos do item B – salários-família(s).
Assim, haveria duas respostas igualmente válidas – A e B.

As demais opções, devidamente corrigidas, seriam:


c) Houve alguns quebra-quebras na cidade.
d) Gostava de sopa de grãos-de-bico.

23 – B – A mudança da colocação do vocábulo “várias” altera seu aspecto semântico


e morfológico. Em “várias idéias”, é um pronome indefinido. Já em “idéias várias”,
tem valor adjetivo com o sentido de “variadas”.
Não há alteração morfológica nem semântica entre os elementos das opções a, c e d
(novos, lúcidas e tristes, que mantêm em qualquer das orações o sentido e a
classificação morfológica – adjetivo).
A "pegadinha" do enunciado em relação à opção E é a exigência de alteração
SEMÂNTICA E GRAMATICAL: poucas oportunidade (pronome indefinido) e
oportunidades poucas (adjetivo)
Há alteração gramatical. O Dicionário Eletrônico Aurélio indica as seguintes acepções
do vocábulo "pouco":
“Adjetivo.
1.Em pequena quantidade; escasso, reduzido. [Superl. abs. sint.: pouquíssimo.]
Pronome indefinido.
2.Algo (coisa ou indivíduo) em quantidade ou em grau menor do que o habitual ou o
esperado.”
Contudo, mesmo que haja alteração gramatical (um é pronome indefinido e o outro,
adjetivo), não há alteração semântica. Em qualquer das duas construções, a idéia é
que são oportunidades em quantidade pequena ou menor do que o esperado. Por
isso, não foi esse o gabarito. Pura maldade!

24 – Item correto – Essa é uma ótima oportunidade de vermos o emprego do


advérbio. Com função de intensidade, modifica tanto um adjetivo (“o Banco do Brasil
S.A. (BB) está mais ativo do que nunca”) quanto um verbo (“Foi a casa que mais
conquistou novos clientes em 2001”).

25 – E – Como vimos, o artigo estará sempre acompanhando um nome. A única


ocorrência deste vocábulo é na opção E, em que acompanha o substantivo “país”.
a) "...o que os empurra ..." – pronome oblíquo
b) "O que se faz?” – pronome demonstrativo junto do pronome interrogativo “que”.
c) "O que está ocorrendo..." - pronome demonstrativo junto do pronome
interrogativo “que”.
d) "...agora, o que se está fazendo é buscar "acalmar" os que temem ..." – pronome
demonstrativo (aqueles)
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AULA 2 - VERBO
Olá, amigos
Hoje nossa aula vai tratar do “coração” da unidade oracional – o VERBO. Não é à toa
que esse assunto vem logo após vermos os processos de formação das palavras e antes
de qualquer outro.
O verbo também fará parte das próximas aulas – concordância (nominal e verbal),
regência (nominal e verbal) e até mesmo crase.
Nesta aula, veremos a classificação dos verbos, sua forma de conjugação (que é um calo
para muita gente), as flexões que o verbo pode sofrer (número, pessoa, tempo, modo e
voz), a relação que os verbos têm em uma estrutura oracional e como manter essa
relação harmônica, dentre tantas outras coisas.
Bem, essa palavrinha é muito especial. O verbo não tem sintaticamente uma função que
lhe seja privativa, pois, como veremos, o substantivo e o adjetivo também podem ser
núcleos do predicado (veremos no módulo 10 - Termos da Oração).
Sua única função na estrutura oracional é a de participar do predicado.
CONSTRUÇÃO DOS VERBOS
Todas as formas do verbo se irmanam pelo RADICAL, a parte invariável que lhes dá a
base comum de significação.
São aceitas as seguintes flexões: de número (singular e plural), pessoa (1ª, 2ª ou 3ª),
modo, tempo ou vozes. Celso Cunha identifica uma outra flexão: aspecto, que, em
suas palavras, “manifesta o ponto de vista do qual o locutor considera a ação expressa
pelo verbo”, por exemplo: pontual (“acabo de chegar”) ou durativa (“fico a esperar”),
contínua (“vou andando pelas ruas”) ou descontínua (“voltei a fumar”) etc.
Em relação ao processo de formação, como vimos, ao radical junta-se a terminação:
vogal temática (define as três conjugações), desinências modo-temporal e número-
pessoal.
Alguns conceitos são importantes:
Formas rizotônicas – o elemento de composição grego riz(o)- significa “raiz”. Assim,
nas formas RIZOTÔNICAS, a sílaba tônica (a que fomos apresentados em nosso primeiro
encontro) recai no radical.
verbo RECLAMAR Î radical RECLAM Î eu reclamo
Como a sílaba tônica recai no radical, essa forma chama-se rizotônica.
Formas arrizotônicas - quando a sílaba tônica recai fora do radical.
Verbo CONSERVAR Î radical CONSERV Î nós conservaremos
Como a sílaba tônica recai fora do radical, essa forma chama-se arrizotônica.

CLASSIFICAÇÃO DOS VERBOS


Os verbos classificam-se em regulares, irregulares, anômalos, defectivos e
abundantes.
1. REGULARES - conservam o mesmo radical.
eu canto, tu cantas, nós cantávamos, eles cantariam, ele cantasse
2. IRREGULARES - apresentam variação no radical ou nas desinências.
SABER (eu sei, ele soube) PERDER (perco) FAZER (fiz, faço)
Alguns autores consideram que alteração exclusivamente gráfica (PROTEGER –
PROTEJO), em função da ortografia, não poderia levar à indicação de irregularidade
verbal. Assim, segundo eles, são considerados irregulares somente os verbos que
apresentam alteração GRÁFICA E FONÉTICA. Se não houver alteração fonética (como no
exemplo: g/j), não se classifica como verbo irregular, sendo chamado por alguns
autores de “aparentemente irregular”.
3. ANÔMALO – são verbos irregulares que, por apresentarem profundas variações,
recebem classificação autônoma. São só dois: SER e IR.
Curiosidade: Esses dois verbos são idênticos na conjugação dos seguintes tempos:
pretérito perfeito do indicativo (fui, foste, ...), pretérito mais-que-perfeito do indicativo
(fora, foras...), pretérito imperfeito do subjuntivo (fosse, fosses...) e futuro do
subjuntivo (for, fores...). Só dá para identificar se está sendo usado um ou outro a partir
do contexto.
4. ABUNDANTE - apresentam duas ou três formas em certos tempos, modos, pessoas
ou particípio. Por exemplo, no imperativo afirmativo, os verbos terminados em –zer,
como o verbo fazer, na 2ª pessoa do singular, aceitam duas formas – faze e faz.
5. DEFECTIVOS - apresentam defeito, ou seja, não se conjugam em todas as formas
(tempo, pessoas, modos).
Sempre que se falar em defeito verbal, estamos nos referindo à conjugação do
PRESENTE DO INDICATIVO e aos tempos dele derivados (Presente do Subjuntivo e
Imperativo). O “defeito” existe apenas no presente, não existe no passado nem no
futuro. Por isso, mesmo defectivo, o verbo poderá ser conjugado inteiramente nos
outros tempos e modos verbais, como, por exemplo, no Pretérito do Perfeito do
Indicativo, no Pretérito Imperfeito do Subjuntivo, Futuro do Subjuntivo etc.
Há dois tipos de defeitos:
1º) o verbo não possui a 1ª pessoa do singular, apenas. (explodir, abolir, colorir,
delinqüir);
2º) o verbo só apresenta as conjugações da 1ª e 2ª pessoas do plural (adequar,
reaver).
Alguns autores definem como defectivos também os verbos que, de acordo com o seu
emprego, só podem ser conjugados nas terceiras pessoas, como URGIR (ter urgência),
DOER (no sentido de “sentir dor” - alguma coisa dói) e os unipessoais, que representam
vozes de animais ou fenômenos da natureza, quando utilizados no sentido original
(sentido denotativo, com “d” de “dicionário”; seu oposto é o sentido conotativo,
também chamado de figurado, quando a palavra é usada em um significado diferente do
original).
FLEXÕES DOS VERBOS
NÚMERO
Como as outras palavras variáveis, o verbo admite dois números: o singular e o plural.
Dizemos que um verbo está no singular quando ele se refere a uma só pessoa ou coisa
e, no plural, quando tem por sujeito mais de uma pessoa ou coisa.
PESSOA
É a variação de forma que indica a pessoa do discurso a que se refere a ação verbal.
1ª pessoa - aquela que fala. Corresponde aos pronomes pessoais eu (singular) e nós
(plural).
2ª pessoa - aquela a quem se fala. Corresponde aos pronomes pessoais tu (singular) e
vós (plural).
3ª pessoa - aquela de quem se fala. Corresponde aos pronomes pessoais ele/ela
(singular) e eles/elas (plural).
MODO, TEMPO e VOZES
Essas modalidades de flexão merecem uma análise mais aprofundada.

MODOS E TEMPOS VERBAIS


A classificação dos verbos nos MODOS VERBAIS depende da relação que o falante tem
com aquilo que enuncia – se constata um fato (indicativo); se apresenta uma hipótese,
uma suposição (subjuntivo); se faz um pedido ou dá uma ordem (imperativo).
Em outras palavras, depende do modo com que enuncia a ação verbal (percebeu?
“modo” verbal). São três modos verbais:
ƒ INDICATIVO - como sugere o nome, indica um fato real, que pode pertencer ao
presente, ao passado ou ao futuro.
ƒ SUBJUNTIVO - enuncia um fato hipotético, duvidoso, provável ou possível.
ƒ IMPERATIVO - expressa idéias de ordem, pedido, desejo, convite.
Enquanto que o modo INDICATIVO situa o fato no plano da realidade, da certeza, o
SUBJUNTIVO coloca o fato no plano do que é provável, hipotético, possível, sem a
certeza apresentada pelo modo indicativo. O modo SUBJUNTIVO também é bastante
usado com determinadas conjunções (embora, caso, que etc.)
Perceba a diferença entre as duas orações abaixo. O sujeito vai à farmácia e diz ao
balconista:
Eu quero um remédio que acaba com a minha dor de cabeça.
Eu quero um remédio que acabe com a minha dor de cabeça.
Na primeira, o sujeito já sabe qual é o medicamento que vai pedir e produzir resultado.
Já teve dor de cabeça outras vezes e sabe qual o remédio que surte efeito. O fato situa-
se no plano da CERTEZA – modo INDICATIVO.
Na segunda, o sujeito não tem certeza de qual medicamento poderia surtir efeito.
Certamente está pedindo uma indicação ao balconista. O resultado que o remédio trará
(acabar com a dor de cabeça) ainda está no plano da hipótese. Por isso, está no modo
SUBJUNTIVO.
IMPERATIVO
Sobre a conjugação no imperativo, em vez de memorizar várias regras, vamos guardar
apenas a exceção.
A REGRA: Em se tratando de imperativo, emprega-se o presente do subjuntivo. São
conjugados pelo presente do subjuntivo os verbos em todas as pessoas (2ª do singular e
do plural, 3ª do singular e do plural e 1ª do plural) no imperativo negativo, e nas 3ª
pessoas (singular e plural) e 1ª pessoa do plural no imperativo afirmativo. Essa é a
regra.
1 - Venha para a Caixa você também Î 3ª pessoa do singular (O comercial estava
errado e você não vai nem acreditar: uma banca examinadora explorou exatamente
esse fato em prova!!! Veremos nos exercícios de fixação.).
2 - Não nos deixeis cair em tentação Î 2ª pessoa do plural (Ao se dirigir ao Pai, usa-se
vós.)
Agora veremos a exceção, que deve ser memorizada por ser em menor número.
A exceção fica por conta das segundas pessoas (tu e vós) no imperativo afirmativo.
Nessa conjugação, usa-se o presente do indicativo, sem o “s” final.
RESUMO: No imperativo afirmativo, as 2ªs pessoas (singular e plural) buscam a
conjugação do presente do indicativo e tiram a letra ‘s’. Todo o restante tem origem no
presente do subjuntivo.
Exemplo:
1 - “Dize-me com quem andas, que eu te direi quem és.” - A forma “dize” é a redução
do presente do indicativo da 2ª pessoa do singular (dizes – [s] = dize). Esse verbo,
aliás, é abundante. Aceita as formas “dize” e “diz”, no imperativo afirmativo.
2 – “Fazei de mim um instrumento de vossa paz.” – A forma “fazei” é a conjugação no
presente do indicativo da 2ª pessoa do plural (vós fazeis), sem o “s”.
Os quadros abaixo resumem as conjugações dos verbos no modo imperativo.

PRESENTE DO IMPERATIVO
SUBJUNTIVO NEGATIVO
eu fale -
tu fales Î não fales (tu)
ele fale Î não fale (você) (*)
nós falemos Î não falemos (nós)
vós faleis Î não faleis (vós)
eles falem Î não falem (vocês) (*)

PRESENTE DO IMPERATIVO PRESENTE DO


INCATIVO AFIRMATIVO SUBJUNTIVO
eu falo - eu fale
tu falas Î fala (tu) tu fales
ele fala fale (você) (*) Í ele fale
nós falamos falemos (nós) Í nós falemos
vós falais Î falai (vós) vós faleis
eles falam falem (vocês) (*) Í eles falem

(*) Como o imperativo é o modo em que se determina ou pede algo à pessoa a quem
se dirige (2ª pessoa), as terceiras pessoas se referem a “você / vocês”, e não a eles (3ª
pessoa).
Os TEMPOS VERBAIS têm a função de indicar o momento em que são enunciados os
fatos.
No modo INDICATIVO, os tempos são:

ƒ PRESENTE
– fato ocorre no momento em que se fala (Ouço ruídos na cozinha.);
- fato que é comum de ocorrer (Eu morro de inveja dele. / Chove todos os dias
em Belém.);
- apresenta um princípio, um conceito ou um dado (Todos os anos, muitas
crianças morrem de desnutrição no Brasil.)
ƒ PRETÉRITO PERFEITO
– fato ocorrido e perfeitamente concluído antes do momento em que se fala
(Todos souberam do assassinato de Celso Daniel.)
ƒ PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO
– denota repetição de um ato ou sua continuidade, com início no passado,
chegando ao momento presente, em que falamos (Eu tenho cometido muitos
erros na escolha dos meus namorados. / Eu tenho lutado contra vários
preconceitos.);
ƒ PRETÉRITO IMPERFEITO
– fato realizado e não concluído ou que apresenta certa duração (Ele buscava
a perfeição antes de morrer./ O tempo corria sem que ninguém notasse.);
– indica, entre ações simultâneas, a que ocorria no momento em que
sobreveio a outra (Ele andava pela rua quando foi abordado pelos ladrões.);
– denota ação passada habitual ou repetida (imperfeito freqüentativo) (Sempre
que eu chegava, ela saía do recinto.)
ƒ PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO
– fato realizado antes de outro fato também no passado (Antes de sua morte,
ele pedira o perdão aos filhos.)
ƒ PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO
– forma mais comum de expressar o fato realizado antes de outro fato
também no passado (Antes de sua morte, ele tinha pedido perdão aos filhos.)
ƒ FUTURO DO PRESENTE
– fato posterior certo de ocorrer no futuro (Doarei todo o material de estudo
após a minha aprovação.);
– afirmação de valor categórico (De todas as mulheres do mundo, você será a
mais bela – o que se afirma é que “certamente você é a mais bela”).
ƒ FUTURO DO PRESENTE COMPOSTO
– denota futura ocorrência de um fato que se iniciou no presente (Até o
próximo ano, terei acumulado quase um milhão de reais em dívidas.)
- indica uma ação futura que estará consumada antes de outra também no
futuro (Amanhã, quando você chegar, eu já terei assinado o contrato.)
- denota incerteza sobre fatos passados (Terá João sabido da traição?)

ƒ FUTURO DO PRETÉRITO
– fato posterior a um fato passado (Você me garantiu [FATO PASSADO] que o
nosso amor não morreria [FATO FUTURO EM RELAÇÃO AO FATO PASSADO].);
– fato não chegou a se realizar (Eu iria à sua casa, mas tive um problema.);
– pode denotar incerteza (“Acharam um corpo que seria do chefe do tráfico.”)
– hipótese relacionada a uma condição (“Se você tivesse comprado o carro
[CONDIÇÃO], não teria perdido o dinheiro no jogo [HIPÓTESE].”)
– polidez (“Você poderia me passar o sal?”).
ƒ FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO
– o mesmo que o Futuro do Pretérito com relação aos três primeiros
aspectos.

FORMAS NOMINAIS
Denominam-se formas nominais as palavras, de origem verbal, que também podem
ser empregadas nas funções próprias de adjetivos, substantivos ou advérbios. São elas:
INFINITIVO, GERÚNDIO E PARTICÍPIO.
INFINITIVO:
Ele precisa pôr os nomes nos livros. (verbo)
O pôr-do-sol é lindo nessa época do ano. (substantivo)
Causa-me agonia o seu ranger de dentes. (substantivo)
Precisamos colocar óleo na porta que está a ranger.(verbo)
O infinitivo divide-se em impessoal e pessoal.
O infinitivo impessoal não tem sujeito (pessoa) e, por isso, não se flexiona. É usado em
sentido genérico (“o ato de”).
Amar se aprende amando.
Já o infinitivo pessoal tem sujeito e pode flexionar-se ou não. Os casos em que o
infinitivo pode, deve ou não pode se flexionar será objeto de estudo na aula sobre
CONCORDÂNCIA.
GERÚNDIO:
O presidente fica persistindo na argumentação de que nada sabia. (verbo)
Persistindo os sintomas, o médico deverá ser consultado (advérbio de condição =
“Caso persistam os sintomas...”)
PARTICÍPIO:
Ele havia lavado o chão da casa antes do temporal. (verbo)
O uniforme lavado ficou todo sujo após o vendaval. (adjetivo)

O particípio tem grande importância na construção de LOCUÇÕES VERBAIS.


Emprega-se com os auxiliares TER e HAVER para a formação de tempos compostos
(“Temos feito grande progresso.”, “Nunca havia visitado este lugar antes.”), com o
verbo SER para formar os tempos da voz passiva de ação (“O trabalho foi feito por
todos nós.”) e com o verbo ESTAR nos tempos de voz passiva de estado (“Estou
chocada com essa notícia.”).
No particípio, a maior parte dos verbos só apresenta a forma regular (terminadas por
“ado” / “ido”). Contudo, existem algumas exceções: alguns verbos apresentam mais de
uma forma: a regular (“ado” / “ido”), usada com os verbos ter e haver (tempo
composto) e a irregular, ligada aos verbos ser e estar (voz passiva).
Dentre os irregulares, estão:
¾ ACEITAR – (ter/haver) aceitado; (ser/estar) aceito
¾ ELEGER – (ter/haver) elegido; (ser/estar) eleito
¾ ENTREGAR - (ter/haver) entregado; (ser/estar) entregue
¾ IMPRIMIR - (ter/haver) imprimido; (ser/estar) impresso
¾ SALVAR – (ter/haver) salvado; (ser/estar) salvo
¾ SUSPENDIDO – (ter/haver) suspendido; (ser/estar) suspenso
Outras curiosidades:
• Apresentam somente a forma irregular do particípio os verbos abrir (aberto),
cobrir (coberto), dizer (dito), escrever (escrito), fazer (feito), pôr (posto), ver
(visto), vir (vindo) e seus derivados.
Observe que, neste último (vir), a forma participial é igual ao gerúndio, o mesmo
ocorrendo com os verbos dele derivados (intervir – intervindo). Essa
peculiaridade costuma ser objeto de questões de prova.
ƒ Alguns verbos aceitam ambas as formas (regular e irregular) para qualquer dois
verbos auxiliares – ou seja, não tem como errar - com qualquer verbo auxiliar
pode-se usar qualquer forma participial. Segundo a maioria dos gramáticos, são
quatro os verbos: pagar, pegar, ganhar e gastar (para memorizá-las, imagine
a seguinte situação: no dia do pagamento, você ganha o salário e, no
supermercado, pega o produto, paga por ele e gasta o dinheiro – gostou do
método mnemônico?).
ƒ O particípio do verbo CHEGAR é um só – o regular CHEGADO. A forma “chego” é
a conjugação de 1ª pessoa do singular do presente do indicativo (“Eu chego”).
Não existe a forma de particípio irregular para esse verbo. Então: “Eu tinha
chegado ao escritório bem cedo.”.
CONJUGAÇÃO VERBAL
Para ajudar a resolver questões de conjugação verbal, uma boa dica é a técnica do
PARADIGMA.
Como funciona isso? Na dúvida com relação à conjugação de determinado verbo
regular (geralmente o examinador busca um verbo pouco utilizado no seu dia-a-dia),
basta observar a conjugação dos paradigmas clássicos (FALAR – 1ª conjugação, BEBER
– 2ª conjugação, PARTIR – 3ª conjugação).
Extraia o radical, que é o que sobra do verbo após retirar a terminação “ar”, “er” ou “ir”
do infinitivo (exemplo: FAL(AR) = radical FAL-), e empregue as desinências, que são
idênticas nos demais verbos regulares de mesma conjugação:
Por exemplo:
CONSUMAR (verbo regular de 1ª conjug.):
Presente do Indicativo: Eu consum.... (???)
Presente do Subjuntivo: (que) eu consum... (???)
CONSUMIR (verbo regular de 3ª conjug.):
Presente do Indicativo: Eu consum.... (???)
Presente do Subjuntivo: (que) eu consum... (???)
E aí, como você preencheu? Vamos buscar a desinência dos verbos “paradigmas”.
Infinitivo Pres.Indicativo Pres.Subjuntivo
Falar Eu falo (que) eu fale
Consumar Eu consumo (que) eu consume
Partir Eu parto (que) eu parta
Consumir Eu consumo (igual) (que) eu consuma
Se o verbo for irregular, ou seja, apresenta alteração no radical em determinadas
conjugações, procure outro verbo, também irregular, de mesma construção.
Por exemplo: COMPETIR (3ª conjugação) – Eu comp.... (???)
Esse verbo é irregular, ou seja, não mantém o radical nas conjugações. Normalmente
não conjugamos esse verbo (pelo menos, não com convicção) fora de uma locução
verbal. Mas usamos bastante outro verbo de idêntica estrutura. Já sabe qual é???
REPETIR. Então, como fica a conjugação desse paradigma?
Eu repito Î Eu compito
E “ADERIR”? Como você conjugaria a primeira pessoa do singular do Presente do
Indicativo? Está com dúvida? Busque um paradigma. Aceito sugestões.... Lembrou de
algum? Eu conheço um – FERIR. Como fica a conjugação do paradigma?
Eu firo Î Eu adiro
A título de exemplo, observe o seguinte item de uma questão de prova da ESAF
(TCU/2002):
O fato do patrimônio gerar empregos e receitas por meio do turismo não abule o
paradoxo de que nativos e visitantes se distanciam do fenômeno cultural tanto quanto
pessoas que, longe daquelas paragens, pouco valor atribuem a heranças destituídas de
familiaridade.
Essa opção está errada. Você percebeu qual é o erro? O que significa “abule”? O
contexto indica tratar-se do verbo ABOLIR.
Se não tivermos certeza da conjugação desse verbo, vamos fazer o quê??? Buscamos o
paradigma.
Um verbo que apresenta a mesma forma de conjugação é o verbo ENGOLIR. Na
passagem, o verbo “abolir” está na terceira pessoa do singular, no presente do
indicativo (“O fato ... não abule...”). O verbo “engolir” ficaria “Ele engole”. Logo, a
conjugação correta é abole (“O fato ... não abole...”).
IMPORTANTE: Guarde esse dica do PARADIGMA. Ela pode ser de grande valia em uma
questão de prova.
LOCUÇÕES VERBAIS
Sempre que se fala “locução”, significa “mais de uma palavra” formando uma unidade.
Assim, em locuções verbais, mais de um verbo (ligados ou não por uma preposição)
formam um conjunto.
Formam-se locuções verbais em:
ƒ tempos compostos, com os verbos auxiliares TER e HAVER;
ƒ construções de voz passiva, principalmente com os verbos auxiliares SER e
ESTAR;
ƒ construções com auxiliares modais, que determinam com mais rigor o modo
como se realiza – ou deixa de se realizar - a ação verbal. Expressam
circunstâncias de: início ou fim (comecei a estudar, acabei de acordar),
continuidade (vai andando), obrigação (tive de entregar), possibilidade
(posso escrever), dúvida (parece gostar), tentativa (procura entender) e outras
tantas.
Como num escritório, onde quem manda é o chefe e quem trabalha é o empregado (ou
você já viu algum chefe trabalhando???), na locução verbal, quem exerce a função de
“chefe” é o verbo principal – ele fica “paradão”, só mandando, e o pobre do auxiliar se
flexiona de acordo com as suas ordens.
TEMPO COMPOSTO
É o tempo constituído por um verbo auxiliar flexionado, seguido do verbo principal no
particípio. Forma-se com os auxiliares TER e HAVER. Para simplificar, usamos nos
exemplos somente o verbo auxiliar TER.
1) Modo Indicativo

TEMPO VERBAL EXEMPLO


presente falo bebo parto

simples falei bebi parti


perfeito
composto tenho falado tenho bebido tenho partido

pretérito imperfeito simples falava bebia partia

mais-que-perfeito simples falara bebera partira

composto tinha falado tinha bebido tinha partido

simples falarei beberei partirei


do presente
composto terei falado terei bebido terei partido
futuro
simples falaria beberia partiria
do pretérito
composto teria falado teria bebido teria partido

VEJA SÓ:
Os tempos PRESENTE e PRETÉRITO IMPERFEITO não se subdividem, ou seja, só
apresentam a forma verbal simples.
Salvo nos futuros, em que os auxiliares ficam nos tempos correspondentes, os auxiliares
dos demais tempos verbais compostos buscam a conjugação do tempo imediatamente
anterior (segundo a ordem apresentada no nosso quadro):
- no PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO, o auxiliar fica no presente do indicativo:
tenho falado
- no PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO, o auxiliar fica no pretérito
imperfeito do indicativo: tinha falado

2) Modo Subjuntivo

TEMPO VERBAL EXEMPLO


presente fale beba parta

pretérito perfeito composto tenha falado tenha bebido tenha partido

imperfeito falasse bebesse partisse

mais-que-perfeito composto tivesse falado tivesse bebido tivesse partido

simples falar beber partir


futuro
composto tiver falado tiver bebido tiver partido

No subjuntivo, assim como ocorre no modo indicativo, os tempos PRESENTE e


PRETÉRITO IMPERFEITO não se subdividem. Só apresentam a forma simples.
Agora, surgem outros dois tempos compostos – PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO e
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO.
.
Salvo no caso do futuro composto, em que o auxiliar também se apresenta no futuro do
subjuntivo, os auxiliares dos tempos compostos buscam o tempo verbal imediatamente
anterior. Ou seja, o raciocínio em relação à conjugação do auxiliar é o mesmo, só os
nomes dos tempos verbais se modificam
- no pretérito perfeito composto, o auxiliar fica no presente do subjuntivo: tenha
falado;
- no pretérito mais-que-perfeito composto, o auxiliar fica no pretérito imperfeito do
subjuntivo: tivesse falado.

O quadro a seguir visa facilitar a compreensão e memorização das conjugações


dos verbos regulares.

Trata-se de um quadro resumo com todas as desinências regulares dos tempos


simples.
MODOS
INDICATIVO SUBJUNTIVO
Tempos
1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª

o o o e a a
as es es es as as
a e e e a a
Presente
amos emos imos emos amos amos
ais eis is eis ais ais
am em em em am am
ava ia ia asse esse isse
avas ias ias asses esses isses
Pret. ava ia ia asse esse isse
Imperfeito ávamos íamos íamos ássemos êssemos íssemos
áveis íeis íeis ásseis êsseis ísseis
avam iam iam assem essem issem
ei i i
aste este iste
Pret. ou eu iu
***** ***** *****
Perfeito amos emos imos
astes estes istes
aram eram iram
ara era ira
aras eras iras
Pret.mais-
ara era ira
que- ***** ***** *****
áramos êramos íramos
perfeito
áreis êreis íreis
aram eram iram
arei erei irei ar er ir
arás erás irás ares eres ires
Futuro do ará erá irá ar er ir
presente aremos eremos iremos armos ermos irmos
areis éreis ireis ardes erdes irdes
arão erão irã arem erem irem
aria eria iria
arias erias irias
Futuro do aria eria iria
***** ***** *****
pretérito aríamos eríamos iríamos
aríeis eríeis iríeis
ariam eriam iriam
IMPERATIVO
AFIRMATIVO NEGATIVO
a
e a a e a
as
a e e es as
a
e a a e a
amos
emos amos amos emos amos
ais
ai ai i eis ais
am
em am am em am
DERIVAÇÃO VERBAL
Você já deve ter se deparado com dúvidas como: em “quando eu ..... o professor,
passarei o seu recado”, devemos usar “ver” ou “vir”?
Para compreendermos a conjugação de alguns verbos, principalmente dos irregulares, é
necessário conhecer a formação de alguns tempos derivados.
Abaixo, segue um quadro com a indicação das formas primitivas e das derivadas.
Salvo algumas poucas exceções (como o verbo SER, SABER e outros), basta que se
mantenha o radical das formas primitivas e a ele se acrescentem as desinências
correspondentes.

FORMA PRIMITIVA FORMAS DERIVADAS

VERBO VER
eu veja
presente do tu vejas
presente
indicativo ele veja
eu vejo Î do
1ª pessoa do nós vejamos
subjuntivo
singular vós vejais
eles vejam
eu veja -
tu vejas não veja (tu)
presente do ele veja imperativo não vejas (você)
Î
subjuntivo nós vejamos negativo não vejamos (nós)
vós vejais não vejais (vós)
eles vejam não vejam (vocês)
pretérito eu vira
pret. perfeito do mais-que- tu viras
indicativo perfeito ele vira
eles viram Î do
3ª pessoa do nós víramos
plural indicativo
vós víreis
eles viram
eu visse
pretérito tu visses
imperfeito ele visse
Î
do nós víssemos
subjuntivo vós vísseis
eles vissem
futuro do eu vir
subjuntivo tu vires
ele vir
Î nós virmos
vós virdes
eles virem

VERBO CABER
Infinitivo caber Futuro do caberei
impessoal presente caberás
do caberá
Î indicativo
caberemos
cabereis
caberão
Futuro do caberia
pretérito caberias
do caberia
indicativo
caberíamos
caberíeis
caberiam
Infinito Caber
pessoal Caberes
Caber
Cabermos
Caberdes
caberem
Gerúndio cabendo
Partícipio Cabido (nos verbos de
2ª.conjugação, a vogal temática
passou de “e” para “i”, por
influência da vogal temática da
3ª.conjugação - IR)

Agora, experimente com outros verbos irregulares, como os verbos trazer, vir, fazer,
pedir, caber e outros.
TRAZER – TRAGO Î TRAGA
TROUXERAM Î TROUXERA /TROUXESSE /TROUXER
VIR - VEJO Î VEJA
VIERAM Î VIERA /VIESSE / VIER
FAZER - FAÇO Î FAÇA
FIZERAM Î FIZERA / FIZESSE / FIZER
PEDIR - PEÇO Î PEÇA
PEDIRAM Î PEDIRA / PEDISSE / PEDIR
CABER - CAIBO Î CAIBA
COUBERAM Î COUBERA / COUBESSE / COUBER

CUIDADO COM A CONJUGAÇÃO DE ALGUNS VERBOS!!!


VERBOS PERIGOSOS
- REQUERER - não é derivado do QUERER. No presente do indicativo: requeiro,
requeres, requer... e no presente do subjuntivo: requeira, requeiras, requeira...
Os demais tempos seguem o modelo do paradigma BEBER.
- PRECAVER-SE - não é derivado do VER. É defectivo. No presente do indicativo, só se
conjuga nas 1ª e 2ª pessoas do plural: precavemos, precaveis. Conseqüentemente,
por não haver a 1ª pessoa do singular do presente do indicativo, não há presente do
subjuntivo. Os demais tempos seguem o modelo do paradigma BEBER.
- REAVER - É derivado do HAVER, mas só se conjuga quando houver a letra V na
conjugação do “haver”. Assim, no presente do indicativo, só existem as formas da 1ª e
2ª pessoas do plural: reavemos, reaveis. Como não possui a 1ª pessoa do singular do
presente do indicativo, não apresenta presente do subjuntivo.
No pretérito perfeito, conjuga-se: reouve, reouveste, reouve, reouvemos,
reouvestes, reouveram
- PROVER - Não é derivado do VER, apesar de coincidir na 1ª pessoa do singular do
presente do indicativo e do subjuntivo.
Pres.indicativo: provejo, provês, provê,...
Pres.subjuntivo: proveja, provejas, proveja,...
Pret. perfeito: provi, proveste, proveu, provemos, provestes, proveram
- VIGER – É defectivo. Não possui, no pres.indicativo, a 1ª pessoa do singular. Logo,
não há Pres.Subjuntivo nem Imperativo. Nas demais, conjuga-se como BEBER.

Vamos analisar outras conjugações especiais.


1. VERBOS TERMINADOS EM HIATO:
–UIR, exceto no caso dos defectivos (verbos que não possuem todas as formas de
conjugação, como ruir), os verbos terminados em –UIR apresentam duas formas de
conjugação:
1ª) O paradigma será POSSUIR (o radical é possu) – De acordo com esta regra,
classificam-se praticamente todos os verbos com essa terminação. Nas 2ª e 3ª do
singular trocam a letra ‘e’ da conjugação regular (como em ‘partir’) pela letra ‘i’.
Mantêm as demais conjugações inalteradas em relação à conjugação do verbo
paradigma ‘partir’: possuo, possuis, possui, possuímos, possuís, possuem.
Dessa forma, conjugam verbos como OBSTRUIR, AFLUIR, INFLUIR, ANUIR, ARGUIR
(respeitada a acentuação), CONCLUIR, DISTRIBUIR, INCLUIR
2ª) CONSTRUIR (o radical é constru) e DESTRUIR (o radical é destru)– São verbos
abundantes. Além da forma regular de conjugação (igual à do verbo POSSUIR: construo,
construis, construi, construímos, construís, construem), mais comum em Portugal,
apresenta também a conjugação irregular, bastante usada no Brasil, em que as 2ª e 3ª
pessoas do singular do Presente do Indicativo formam o ditongo aberto “ói": construo,
constróis, constrói, construimos, construís, constroem, da mesma forma que os
verbos terminados em -OER.

–OER: As 2ª e 3ª pessoas do singular do Presente do Indicativo formam o ditongo


aberto ‘ói’. As demais pessoas, em todos os outros tempos verbais seguem o paradigma
‘beber’, respeitadas as devidas acentuações tônicas.
Na hora de escolher um exemplo, lembrem que DOER (sentir dor) e SOER (costumar,
ter hábito de) são defectivos e só se conjugam nas terceiras pessoas.
Exemplos: MOER (o radical é MO-): môo, móis, mói, moemos, moeis, moem

–EAR: recebem a letra ‘i’ nas formas rizotônicas (sílaba tônica no radical). Nas demais,
segue o paradigma ‘falar’. Exemplo: pentear (radical PENTE-).
A sílaba tônica foi sublinhada.
Pres.indicativo - penteio, penteia, penteia, penteamos, penteais, penteiam
Pres.subjuntivo – penteie, penteies, penteie, penteemos, penteeis, penteiem
Pret.perfeito: penteei, penteaste, penteou, penteamos, penteastes, pentearam

–IAR: os verbos dessa terminação são regulares, ou seja, seguem a conjugação do


paradigma ‘falar’. Exemplos:
ADIAR (radical ADI-) – Pres.Indicativo: adio, adias, adia, adiamos, adiais, adiam
VARIAR (radical VARI-) - Pres.Indic.: vario, varias, varia, variamos, variais, variam
Dessa mesma forma, conjugam-se os verbos ARRIAR, MAQUIAR, VICIAR.
Por isso, nada de “VAREIA”, senão “VICEIA”!!! Como vimos, esses verbos são
REGULARES.
Mas, então, por que será que tanta gente se engana? Porque ocorre uma
“contaminação” com os verbos terminados em “EAR”, como “pentear”, apresentado
acima.
No entanto, há cinco verbos terminados em -IAR que recebem a letra ‘e’ nas formas
rizotônicas (formas em que a sílaba tônica recai no radical), como no presente do
indicativo e presente do subjuntivo. Suas iniciais formam o anagrama M-A-R-I-O:
Mediar (e derivados, como intermediar), Ansiar, Remediar, Incendiar, Odiar
Pres.Indicativo: intermedeio, intermedeia, intermedeia, intermediamos, intermediais,
intermedeiam
Para facilitar, lembre-se da conjugação do verbo ODIAR, o mais comum deles.

2. VERBOS “DERIVADOS” DE ÁGUA – DESAGUAR, ENXAGUAR - mantém a


acentuação de água na conjugação.
Pres.indicativo: deságuo, deságuas, deságuas, desaguamos, desaguais, deságuam
Pres.subjuntivo: deságüe, deságües, deságüe, desagüemos, desagüeis, deságüem
No presente do subjuntivo, como o “u” é pronunciado de forma fraca (átona), recebe o
trema.

3. AVERIGUAR, APAZIGUAR - Não seguem a regra dos “derivados” de água. Têm a


acentuação tônica nas formas rizotônicas (no radical).
O radical de averiguar é [averigu-] e segue o paradigma “falar”, ressalvada a
acentuação gráfica (especialmente no Pres.Subjuntivo).
Pres.indicativo: averiguo, averiguas, averigua, averiguamos, averiguais, averiguam
Pres.subjuntivo: averigúe, averigúes, averigúe, averigüemos, averigüeis, averigúem
Antes da vogal “e”, quando o “u” é pronunciado sem intensidade, recebe trema; com
intensidade, leva acento agudo.

VOZES DO VERBO
Voz ativa
Sujeito pratica a ação expressa pelo verbo: sujeito agente (ativo).
O presidente decretou a reforma econômica.
Voz passiva
O verbo principal deve ser transitivo direto ou transitivo direto e indireto. Sujeito recebe
(sofre) a ação expressa pelo verbo: sujeito paciente (passivo). A voz passiva pode ser:
a) Analítica: (análise é uma coisa demorada, longa, comprida...) É construída com
verbo auxiliar (ser, estar) + particípio do verbo principal.
Por ser “longa” (analítica), possui locução verbal (que pode ser formada com dois ou até
mesmo três verbos) e pode apresentar o agente da passiva, elemento que efetivamente
pratica a ação verbal. Você notou como essa construção é grande?! Basta comparar com
a seguinte – a voz passiva sintética.
A reforma econômica foi decretada pelo presidente.
b) Sintética: (síntese é uma coisa breve, resumida) É construída com verbo principal +
SE (pronome apassivador ou partícula apassivadora).
Note que essa construção é tão resumida que emprega somente UM verbo e dispensa o
agente da passiva.
Decretou-se a reforma econômica.
Como veremos na aula de concordância, são muitas as questões de prova que exploram
a concordância verbal em voz passiva sintética.
Voz reflexiva
Construída com o verbo e um pronome reflexivo. O sujeito é agente e paciente ao
mesmo tempo.
A jovem vaidosa olhava-se no espelho a todo momento.
Voz recíproca (destaque feito por Evanildo Bechara)
Construída com verbo e um pronome recíproco. Os sujeitos são agentes e pacientes, ao
mesmo tempo.
Mãe e filho fitavam-se carinhosamente.
TRANSPOSIÇÃO DE VOZES VERBAIS
São muitas as questões de provas que abordam a transposição da voz ativa para a
passiva, ou vice-versa.
Por isso, vamos verificar o procedimento necessário para essa transformação.
O termo que exercia a função sintática de objeto direto na voz ativa será o sujeito
da voz passiva.
No lugar de um verbo (ou uma locução verbal), teremos uma locução verbal com idéia
de passividade (inclusão do verbo SER/ESTAR).
O elemento que exercia a função de sujeito da voz ativa será, na voz passiva analítica,
o agente da passiva.
Não há alteração nos demais complementos, como objeto direto, predicativo do objeto
ou complementos adverbiais, que continuarão a exercer as mesmas funções.
Veja o esquema abaixo:

O professor deu o livro ao aluno.


VOZ ATIVA SUJEITO VERBO OBJETO OBJETO
(AGENTE) DIRETO INDIRETO

VOZ O livro foi dado pelo professor ao aluno.


PASSIVA
SUJEITO LOCUÇÃO AGENTE DA OBJETO
ANALÍTICA
(PACIENTE) VERBAL PASSIVA INDIRETO
VOZ O livro deu-se - ao aluno.
PASSIVA
Na passiva analítica, normalmente o verbo antecede o sujeito,
SINTÉTICA
formando: Deu-se o livro ao aluno.

Cuidados que devem ser tomados na transposição:


- identificar corretamente o objeto direto da voz ativa, elemento que exercerá a função
de sujeito da voz passiva e com o qual o verbo irá concordar;
- realizar a concordância verbal corretamente;
- manter a conjugação do verbo auxiliar da locução passiva no mesmo tempo e modo
do verbo apresentado na voz ativa.
Veja, agora, uma questão de prova em que a ESAF explorou brilhantemente esse
assunto:
(ESAF / ACE / 2002)
Entre os males que afligem a sociedade brasileira o contrabando é, sem dúvida, um dos
mais sérios, sobretudo porque dele decorrem inúmeros outros. Observa-se, no dia-a-dia,
que o contrabando já faz parte da rotina das cidades, tanto nas atividades informais
quanto no suprimento da rede formal de comércio, tomando o lugar de produtos
legalmente comercializados. Os altos lucros que essas atividades ilícitas proporcionam,
aliados ao baixo risco a que estão sujeitas, favorecem e intensificam a formação de
verdadeiras quadrilhas, até mesmo com participação de empresas estrangeiras. São
organizações de caráter empresarial, estruturadas para promover tais práticas nos mais
variados ramos de atividade.
(Adaptado de www.unafisco.org.br, 30/10/2000)
c) A estrutura “Observa-se”(l.2) corresponde, semanticamente, a Foi observado.

Este item estava INCORRETO, pois o verbo originalmente, na voz passiva pronominal,
apresentava-se no presente do indicativo (“Observa-se”), e na voz passiva analítica foi
empregado no pretérito perfeito do indicativo (“Foi observado”). Erro na transposição da
voz passiva sintética para a analítica, em virtude da alteração do tempo verbal.

DIFERENÇA ENTRE VERBOS REFLEXIVOS E VERBOS PRONOMINAIS


Os verbos reflexivos indicam que o sujeito ao mesmo tempo pratica e sofre a ação
verbal. O pronome exerce a função sintática de complemento verbal (objeto direto ou
indireto).
Eu me cortei com a faca. Ele se veste muito bem.
Esses verbos podem ser usados sem o valor reflexivo, com outro objeto que não o
pronome:
Eu cortei o braço com a faca. Ele vestiu o seu filho muito bem.
Já os verbos pronominais apresentam o pronome como parte integrante do verbo.
Esses verbos não admitem conjugação com outro objeto que não o pronome.
Eu me queixei do tratamento que recebi. Ele sempre se arrepende do que faz.
Os pronomes que acompanham esses verbos não exercem nenhuma função sintática na
oração.

CORRELAÇÃO VERBAL

CORRELAÇÃO VERBAL consiste na articulação entre as formas verbais no período. Os


verbos estabelecem, assim, uma correspondência entre si.
Esse tipo de questão, normalmente, o candidato consegue acertar usando o “ouvido”.
Observe que alguma coisa parece estar errada na construção: “Se você se acomodasse
com a situação, ela se tornará efetiva.”. Isso acontece porque não houve correlação
entre a forma verbal da primeira oração (acomodasse) – que indica hipótese,
possibilidade - com a da segunda (tornará) – que indica certeza.
A título de curiosidade (e somente com esse propósito – nada de ficar decorando listas),
seguem alguns exemplos de construções corretas sob o aspecto de correlação verbal:
a) “Exijo que me diga a verdade.” - presente do indicativo + presente do
subjuntivo
b) “Exigi que me dissesse a verdade.” – pret.perf.indicativo +
pret.imperf.subjuntivo.
c) “Espero que ele tenha feito uma boa prova.” - presente indic.+
pret.perf.comp.subjuntivo.
d) “Gostaria que ele tivesse vindo.” – fut.pretérito.ind.+ pret.mais-que-
perf.comp.subjuntivo
e) “Se você quiser o material, eu o trarei.” – futuro do subjuntivo + fut.presente
indicativo
f) “Se você quisesse o livro, eu o traria.” - pret.imperf.subj.+ fut.pretérito do
indicativo
Mais um exemplo de correlação entre os verbos. Veremos na aula sobre concordância os
casos em que o verbo haver é impessoal. Um deles: indicação do tempo decorrido. Isso
significa que o verbo ficará na terceira pessoa do singular, qualquer que seja o seu
complemento (plural ou singular).
Esse verbo deve estar em harmonia temporal com os demais do período, isto é, se a
estrutura oracional aponta para um fato passado, o verbo haver também deverá ser
conjugado no passado.
Na edição da revista Veja sobre a morte de Cássia Eller, a manchete foi:
“A polícia suspeita que um coquetel de droga, álcool e remédios matou a cantora, que
havia dois anos lutava para se livrar da dependência de cocaína”
Na época, houve uma enxurrada de perguntas (inclusive para a redação da revista)
sobre a correção dessa forma do verbo haver. Está CORRETÍSSIMA! Note que a
afirmação se refere a um fato passado (afinal, infelizmente ela já não estava mais viva
naquele momento). Assim, o tempo decorrido se encontrava concluído no passado, o
que justifica o emprego de “havia”, da mesma forma que a forma “lutava”.
Se a afirmação se referisse a um fato ainda atual: “Fulano há dois anos luta para se
livrar das drogas.”, todos os verbos se conjugariam no mesmo tempo verbal – presente
do indicativo.
Vamos às questões de fixação. Mais uma vez, lembramos que são questões aplicadas
nos mais diversos concursos públicos do país.
Bons estudos a todos.

QUESTÕES DE FIXAÇÃO
(NCE UFRJ/ADMINISTRADOR PIAUÍ/2006)
TEXTO - A SAÚDE E O FUTURO
Dráuzio Varella – Reflexões para o futuro
Ficaremos sobrecarregados, pagando caro pela ignorância e irresponsabilidade do
passado. Acharemos inacreditável não havermos percebido em tempo, por exemplo, que
o vírus da Aids, presente na seringa usada pelo adolescente da periferia para viajar ao
paraíso por alguns instantes, infecta as mocinhas da favela, os travestis da cadeia, as
garotas da boate, o meninão esperto, a menininha ingênua, o senhor enrustido, a mãe
de família e se espalha para a multidão de gente pobre, sem instrução e higiene. Haverá
milhões de pessoas com Aids, dependendo de tratamentos caros e assistência
permanente. Seus sistemas imunológicos deprimidos se tornarão presas fáceis aos
bacilos da tuberculose, que, por via aérea, irão parar nos pulmões dos que passarem por
perto, fazendo ressurgir a tuberculose epidêmica do tempo dos nossos avós. Sífilis,
hepatite B, herpes, papilomavírus e outras doenças sexualmente transmissíveis atacarão
os incautos e darão origem ao avesso da revolução sexual entre os sensatos.
No caldo urbano da miséria/sujeira/ignorância crescerão essas pragas modernas e
outras imergirão inesperadas. Estará claro, então, que o perigo será muito mais
imprevisível do que aquele representado pelas antigas endemias rurais: doença de
Chagas, malária, esquistossomose, passíveis de controle com inseticidas, casas de
tijolos, água limpa e farta.
Assustada, a sociedade brasileira tomará, enfim, consciência do horror que será pôr
filhos em um mundo tão inóspito. Nessas condições é provável que se organize para
acabar com as causas dessas epidemias urbanas. Modernos hospitais sem fins
lucrativos, dirigidos por fundações privadas e mantidos com o esforço e a vigilância das
comunidades locais, poderão democratizar o atendimento público. Eficientes programas
de prevenção, aplicados em parceria com instituições internacionais, diminuirão o
número de pessoas doentes.
Então virá a fase em que surgirão novos rebeldes sonhadores, para enfrentar o desafio
de estender a revolução dos genes para melhorar a qualidade de vida dos que morarem
na periferia das grandes cidades ou na imensidão dos campos brasileiros.
1 - Como o texto tem um tom de profecia, a construção dessas previsões se apóia
fundamentalmente:
(A) no emprego do futuro do presente;
(B) na abordagem de temas ainda desconhecidos;
(C) na antevisão de um futuro sombrio;
(D) na condenação do atraso social e cultural;
(E) na utilização de expressões de dúvida.

2 - (NCE UFRJ / INPI - ANALISTA MARCAS / 2005) “... desses mesmos sentimentos que
têm levado o Brasil à beira do abismo,...”; a forma verbal têm levado indica uma ação:
(A) que já terminou;
(B) anterior a outra ação passada;
(C) habitual no passado;
(D) iniciada no passado que continua no presente;
(E) iniciada no presente que continua no futuro.

3 - (NCE UFRJ / Inspetor de Polícia / 2001)


TEXTO - DROGAS: A MÍDIA ESTÁ DENTRO
Eugênio Bucci
Há poucos dias, assistindo a um desses debates universitários que a gente pensa que
não vão dar em nada, ouvi um raciocínio que não me saiu mais da cabeça. Ouvi-o de um
professor – um professor brilhante, é bom que se diga.
Ele se saía muito bem, tecendo considerações críticas sobre o provão. Aliás, o debate
era sobre o provão, mas isso não vem ao caso. O que me interessou foi um comentário
marginal que ele fez – e o exemplo que escolheu para ilustrar seu comentário. Primeiro,
ele disse que a publicidade não pode tudo, ou melhor, que nem todas as atitudes
humanas são ditadas pela propaganda. Sim, a tese é óbvia, ninguém discorda disso,
mas o mais interessante veio depois. Para corroborar sua constatação, o professor
lembrou que muita gente cheira cocaína e, no entanto, não há propaganda de cocaína
na TV. Qual a conclusão lógica? Isso mesmo: nem todo hábito de consumo é ditado pela
publicidade.
A favor da mesma tese, poderíamos dizer que, muitas vezes, a publicidade tenta e não
consegue mudar os hábitos do público. Inúmeros esforços publicitários não resultam em
nada. Continuemos no campo das substâncias ilícitas. Existem insistentes campanhas
antidrogas nos meios de comunicação, algumas um tanto soporíferas, outras mais
terroristas, e todas fracassam. Moral da história? Nem que seja para consumir produtos
químicos ilegais, ainda somos minimamente livres diante do poder da mídia. Temos
alguma autonomia para formar nossas decisões.
Tudo certo? Creio que não. Concordo que a mídia não pode tudo, concordo que as
pessoas conseguem guardar alguma independência em sua relação com a publicidade,
mas acho que o professor cometeu duas impropriedades: anunciou uma tese fácil
demais e, para demonstrá-la, escolheu um exemplo ingênuo demais.
Embora não vejamos um comercial promovendo explicitamente o consumo de cocaína,
ou de maconha, ou de heroína, ou de crack, a verdade é que os meios de comunicação
nos bombardeiam, durante 24 horas por dia, com a propaganda não de drogas, mas do
efeito das drogas. A publicidade, nesse sentido, não refreia, mas reforça o desejo pelo
efeito das drogas. Por favor, não se pode culpar os publicitários por isso – eles, assim
como todo mundo, não sabem o que fazem.
“A favor da mesma tese, PODERÍAMOS dizer que...”; o uso do futuro do pretérito, nesse
segmento, indica:
a) uma hipótese;
b) uma forma polida de presente;
c) uma possibilidade não realizada;
d) ação posterior ao tempo em que se fala;
e) incerteza sobre fatos passados.

4 - (NCE UFRJ / MPE RJ / 2001)


TEXTO - RACISMO
O Globo, 13/7/01
A imprensa brasileira vem noticiando uma proposta milionária do Lazio da Itália, que
pretende adquirir o passe do zagueiro Juan por 10 milhões de dólares.
Este é o time cuja torcida já agrediu o jogador brasileiro Antonio Carlos, do Roma, e
perdeu o mando de campo por incitamento racista em pleno estádio.
Aqui fica uma sugestão a este jovem negro, atleta brasileiro de 22 anos, com um
brilhante futuro profissional: recuse o convite e não troque o Brasil pela Itália, pois
moedas não resgatam a dignidade. Diga não aos xenófobos e racistas.

Considerando que a ação de agredir o jogador brasileiro Antonio Carlos ocorreu antes de
o Lazio perder o mando do campo, ação também passada, o verbo agredir deveria estar
no:
a) mais-que-perfeito do indicativo;
b) imperfeito do indicativo;
c) futuro do pretérito;
d) imperfeito do subjuntivo;
e) presente do subjuntivo.

5 - (NCE UFRJ / ARQUIVO NACIONAL Agente Adm ./2006)


TEXTO - Racismo, discriminação, preconceito... Colocando os pingos nos “is”
Maria Aparecida da Silva
Recentemente assisti ao programa esportivo Cartão Verde, da TV Cultura, no qual se
discutia, de maneira tímida, a discriminação racial que um jogador branco do Palmeiras
(Paulo Nunes) teria praticado contra dois jogadores negros, Rincón (Corinthians) e
Wagner (São Paulo), em momentos distintos. Havia controvérsias quanto à veracidade
dos fatos, quanto à sinceridade dos protagonistas, quanto à oportunidade ou
oportunismo das denúncias. Mas o que de fato despertou minha atenção foi a
relativização do racismo presente no futebol brasileiro. Os cronistas utilizavam a todo
tempo a expressão preconceito, quando as situações em foco constituíam, na verdade,
práticas de discriminação racial.
A autora não afirma com segurança, no primeiro parágrafo, que o jogador Paulo Nunes
cometeu um ato discriminatório; o meio lingüístico empregado para relativizar essa
afirmação é:
(A) a adjetivação de “tímida”, dada à discussão;
(B) o emprego do futuro do pretérito composto “teria praticado”;
(C) o discurso indireto;
(D) a inversão dos termos da frase;
(E) a utilização dos parênteses.

6 - (FUNDEC / PRODERJ / 2002)


ESBOÇO DE UMA CASA
Casa fria, de apartamento. Paredes muito brancas, de uma aspereza em que não dá
gosto passar a mão. Aí moram quatro pessoas, com a criada, sendo que uma das
pessoas passa o dia fora, é menina de colégio.
Plantas, só as que podem caber num interior tão longe da terra (estamos em um décimo
andar), e apenas corrigem a aridez das janelas. Lá embaixo, a fita interminável de
asfalto, onde deslizam automóveis e bicicletas. E ao longo da fita, uma coisa enorme e
estranha, a que se convencionou dar o apelido de mar, naturalmente à falta de
expressão sintética para tudo o que há nele de salgado, de revoltoso, de boi triste, de
cadáveres, de reflexos e de palpitação submarina.
Do décimo andar à rua, seria a vertigem, se chegássemos muito à janela, se nos
debruçássemos.
Mas adquire-se o costume de olhar só para a frente ou mais para cima ainda. Então
aparecem montanhas, uma estátua de pedra que é às vezes cortada pelo nevoeiro,
casas absurdas dançando - ou imóveis, após a dança - sobre precipícios. Há também um
coqueiro irreal, sem nenhum coco, despojado e batido de vento (que se diria um vento
bêbedo), no alto do morro, quase ao nível da casa.
(ANDRADE, C. Drummond de. Confissões de Minas. In Poesia e Prosa. 5 ed. Rio de
Janeiro: Nova Aguilar, 1979, p. 959.)
Na correlação entre os dois verbos sublinhados no trecho “Do décimo andar à rua, seria
a vertigem, se chegássemos muito à janela...” (linhas 15-16), o enunciador manifesta
uma atitude de:
A) certeza, pois sabe que o fato não pode acontecer;
B) subjetividade, pois não sabe se o fato tem possibilidade de acontecer;
C) dúvida quanto à possibilidade de um fato acontecer, pois não há hipótese de o outro
também acontecer;
D) certeza quanto à possibilidade de um fato acontecer, na condição de também o outro
acontecer;
E) descrença sobre a realização do fato, pois está condicionado à realização de outro
fato.

7 - (NCE UFRJ / INCRA / 2005)


A forma “envoltas”, em “envoltas num cambiante véu de nuvens”, corresponde ao
particípio irregular do verbo “envolver”, que também possui a forma “envolvido”. O
verbo abaixo que NÃO admite duplo particípio é:
(A) morrer;
(B) escrever;
(C) matar;
(D) pegar;
(E) eleger.

8 - (NCE UFRJ / MPE RJ / 2001)


Noticiando é forma do gerúndio do verbo noticiar; a frase em que a forma verbal
destacada pode NÃO estar no gerúndio é:
a) As notícias estão chegando da Itália cada vez mais rapidamente;
b) Transformando-se o ódio em amor, acabam-se as guerras;
c) Vindo o resultado, os clientes começaram a protestar;
d) Os jogadores italianos estão reclamando dos estrangeiros;
e) O atleta viajou, completando sua missão.

9 - (FGV/PREF.ARAÇATUBA/2001)
O emprego do particípio verbal está errado em
A. O menino tinha matado a fome.
B. O diretor havia suspendido alguns auxiliares.
C. O ônibus tinha chego atrasado.
D. As pessoas estavam salvas.

10 - (CETRO / TCM SP / 2006)


Milton Friedman, agora com 92 anos de idade, é um daqueles economistas que não
pode ser acusado de simpatias esquerdistas. Suas credenciais conservadoras incluem o
título de papa do neoliberalismo, ferrenho defensor do mercado livre, republicano,
membro do Instituto Hoover e o Prêmio Nobel de Economia de 1985. É com essas
qualificações que Friedman tem defendido a polêmica proposta de legalização de todas
as drogas.
Em entrevista exclusiva à Folha, o economista voltou a sustentar que, se há algo que
deve ser eliminado, não são as drogas, mas o programa antidrogas dos EUA. Com base
num estudo recém-divulgado pela Universidade Harvard, segundo o qual os EUA
economizariam US$ 14 bilhões por ano se a maconha fosse legalizada (menos US$ 7,7
bilhões de despesas com policiamento e mais US$ 6,2 bilhões com impostos),
Friedman e outros 499 economistas enviaram a George W. Bush e ao Congresso norte-
americano uma carta na qual pedem a liberação dessa droga.
Em termos filosóficos, a posição liberal do venerando economista é sustentável. Se
acreditamos que a liberdade é um valor a respeitar e cultivar – e cremos nisso –, então
a decisão sobre utilizar drogas, desde que tomada conscientemente, deveria ser
estritamente pessoal e intransferível. Se o Estado tem algum papel a exercer seria o de
regulamentar o comércio e zelar para que as pessoas recebam toda a informação
disponível a respeito dos perigos do consumo.
(...)
Sobre o terceiro parágrafo do texto acima, levando-se em consideração as
recomendações da gramática normativa tradicional, JULGUE a afirmação que segue.
(A) no primeiro período, o termo “venerando” é forma verbal de gerúndio do verbo
“venerar” e faz parte, no texto, de uma oração subordinada reduzida de gerúndio.

11 - (ESAF/AFC SFC/2002)
Assinale a opção gramaticalmente correta.
a) Sob a ótica de um Estado em particular – a despeito de a “Guerra Fiscal” do ICMS ser
prejudicial à nação –, há ganhos a serem obtidos se ouvesse um aumento conjuntural
de receita para o Estado.
b) Se todos os Estados parassem de conceder incentivos, todos ganhariam; mas se um
Estado se abstesse de tal política e os demais continuassem a praticá-la, esse perderia.
c) Tendo em vista a análise histórica da “Guerra Fiscal”, alguns autores propuseram uma
divisão de períodos que começam com a criação do ICM e chegam até a atualidade.
d) No primeiro período, o Governo Central tirou dos Estados a competência de instituir e
aumentar alíquotas dos impostos, e ficou estabelecido que couberiam tais atribuições
somente ao Senado.
e) Pressionado pelas disputas inter-regionais, o Governo Federal interviu no incipiente
mecanismo de concessão de incentivos, e, por meio de lei complementar, criou o
CONFAZ.
(Com base em artigo de André Eduardo da S. Fernandes & Nélio L. Wanderlei)

12 - (NCE UFRJ / ELETROBRÁS - Assistente Técnico Administrativo /2005)


“E tantas vezes vim aqui...”; a frase abaixo que apresenta uma forma INADEQUADA do
verbo VIR é:
(A) Hoje vimos aqui para visitar a velha casa;
(B) Amanhã virão outros a visitar a mesma casa antiga;
(C) Quando virem outros, a casa não será a mesma;
(D) Antigamente vinha muito a esta casa;
(E) Eles não têm vindo a esta casa.

13 - (NCE UFRJ / CVM / 2005)


“Se ele trabalhar, eu também trabalharei!”; a alternativa que tem uma frase com essa
mesma estrutura, mas com forma verbal EQUIVOCADA é:
(A) Se ele for, eu também irei;
(B) Se ele ver, eu também verei;
(C) Se ele quiser, eu também quererei;
(D) Se ele requerer, eu também requererei;
(E) Se ele couber, eu também caberei.

14 – (NCE UFRJ / CVM / 2005)


“Se ele lesse, eu também leria”; a alternativa que apresenta uma frase com essa
mesma estrutura, mas com forma verbal EQUIVOCADA é:
(A) Se ele trouxesse, eu também traria;
(B) Se ele aprovasse, eu também aprovaria;
(C) Se ele pusesse, eu também poria;
(D) Se ele viesse, eu também viria;
(E) Se ele mantesse, eu também manteria.

15 - (NCE UFRJ/ ANTT / 2005)


Do segmento “onde havia estado anteriormente e morara algum tempo”, se
quiséssemos substituir a primeira forma verbal sublinhada a fim de que tivesse a mesma
forma simples da segunda, deveríamos escrever:
(A) estava;
(B) estaria;
(C) esteve;
(D) estivera;
(E) tinha estado.

16 - (FCC / TRE AP - Técnico Judiciário/ 2006)


Está corretamente flexionada a forma verbal sublinhada na frase:
(A) Se alguém propor medidas para economia de energia, que seja ouvido com atenção.
(B) Caso uma represa contenhe pouco volume de água, as turbinas da usina desligam-
se.
(C) Seria preciso que refizéssemos os cálculos da energia que estamos gastando.
(D) Só damos valor às coisas quando elas já escasseiaram.
(E) Se não determos os desperdícios, pagaremos cada vez mais caro por eles.

17 - (NCE UFRJ / Guarda Municipal /2002)


“E agora passemos a outro programa”; se nesta frase empregássemos o verbo
PASSEAR em lugar do verbo PASSAR, a forma equivalente seria:
a) passeiemos;
b) passeamos;
c) passeiamos;
d) passeemos;
e) passeiam.

18 - (FGV/PREF.ARAÇATUBA/2001)
O verbo "despedir-se" apresenta erro gráfico em:
A. Despedir-se-ão após o jantar.
B. Pedem que se despessam logo.
C. Não nos despediriam nessas circunstâncias.
D. Despeço-me de todos amanhã.

19 - (Fundação José Pelúcio Ferreira / ICMS RO / 2006)


Há erro de conjugação verbal em:
a) Nas intervenções, sempre se apunham comentários maliciosos ao meu depoimento.
b) Trata-se de uma lei que vigiu na Primeira República e hoje revela-se anacrônica.
c) Encontrou-se ontem com a pessoa que delatara à polícia há dois meses.
d) Não se pode admitir que o Direito sobresteja o curso dos fatos sociais.
e) Disse-me ele que eu às vezes pretiro os limites do bom senso.

20 - (CESGRANRIO / BNDES – ADVOGADO / 2004)


Marque a opção em que a lacuna pode ser adequadamente preenchida com uma forma
simples flexionada do verbo entre parênteses.
(A) É provável que muitas empresas _____ com as novas medidas econômicas. (falir)
(B) Atualmente, todos se _____ contra as oscilações decorrentes de planos mal
sucedidos. (precaver)
(C) Nós _____ todos os documentos e contrato perdidos durante a mudança, na semana
passada. (reaver)
(D) É uma pena que o vice-presidente da empresa _____ por causa de pequenos
problemas. (explodir)
(E) Os funcionários ficarão mais bem dispostos caso a firma _____ as salas de cores
claras. (colorir)

21 - (FUNDEC / TJ MG / 2002)
Tendo em conta a flexão verbal, é CORRETO afirmar que as formas PROVÉM, PROVEM,
PROVÊEM E PROVÊM referem-se, respectivamente, aos
seguintes verbos:
a) prover, provir, provar e provir
b) provir, provar, prover e provir
c) provar, prover, provir e prover
d) provir, provar, provir e prover

22 - (FUNDEC / TJ MG / 2002)
Assinale a alternativa que complete CORRETAMENTE as lacunas das sentenças abaixo.
Caso haja qualquer irregularidade, __________ as eleições. (impugnar)
O condenado foi __________________ diante de uma multidão. (decapitar)
O governo quer que se _______________ as causas do acidente. (averiguar)
a) impúgno – decaptado – averigüe
b) impugno – decapitado – averigúem
c) impuguino – decapitado – averígüem
d) impugno – decaptado – averigüem.

23 – (NCE UFRJ / INCRA / 2005)


Na frase – Vem pra CAIXA você também – há um erro gramatical que já foi bastante
comentado; o desvio da norma culta, neste caso, está:
(A) no uso de “pra” em lugar de “para”;
(B) na grafia em maiúsculas do vocábulo CAIXA;
(C) no tratamento íntimo “você” em lugar de “o senhor”;
(D) o uso do imperativo, com um tom inadequado de ordem;
(E) a mistura de tratamentos.

24 - (FUNDEC / TRT 1ª.Região / 2003)


Considere a flexão do verbo sublinhado no trecho "Os trabalhadores se submetem a
formas mais ou menos intensas de desvalorização da força de trabalho..." (linhas 12-14)
e, em seguida, analise o mesmo verbo flexionado nas frases abaixo.
Pode-se afirmar que o referido verbo está flexionado de forma INCORRETA na opção:
A) Trabalhador, jamais te submeta a formas mais ou menos intensas de desvalorização
da força de trabalho.
B) Trabalhadores, não se submetam a formas mais ou menos intensas de desvalorização
da força de trabalho.
C) Não somos trabalhadores que nos submetamos a formas mais ou menos intensas de
desvalorização da força de trabalho.
D) Jamais como trabalhador se submetera a formas mais ou menos intensas de
desvalorização da força de trabalho.
E) Constantemente submetemo-nos a formas mais ou menos intensas de desvalorização
da força de trabalho.

25 - (FGV / ICMS MS - Fiscal de Rendas / 2006)


Passando a fala "Adivinhe" para a forma de tratamento vós, obtém-se:
(A) Adivinhais.
(B) Adivinhai.
(C) Adivinheis.
(D) Adivinhei.
(E) Adivinde.

26 - (NCE UFRJ / PCRJ / 2002)


Se a forma verbal Tenha estivesse na forma negativa da mesma pessoa do imperativo,
sua forma correta seria:
a) não tem;
b) não tenhas;
c) não tende;
d) não tenha;
e) não tens.

27 - (FGV / ICMS MS – TTI / 2006)


Aqui há plantas que dão duas, três safras por ano.
Substituindo-se a forma verbal do trecho acima por outra, só não se respeitou a norma
culta em:
(A) Aqui existem plantas que dão duas, três safras por ano.
(B) Aqui deve haver plantas que dão duas, três safras por ano.
(C) Aqui podem existir plantas que dão duas, três safras por ano.
(D) Aqui há de existir plantas que dão duas, três safras por ano.
(E) Aqui pode haver plantas que dão duas, três safras por ano.

28 - (ESAF / ACE / 1998)


A diplomacia econômica dos Estados Unidos consagrou a idéia de grandes mercados
emergentes (Big Emerging Markets). Países como a China, o Brasil, a Índia, a Coréia do
Sul ou a Indonésia, os maiores entre os grandes, reuniram oportunidades e vantagens
excepcionais. Deveriam tornarem-se(A) alvos de uma diplomacia econômica ofensiva e
insistente cujos(B) objetivos incluiriam a abertura comercial e o aumento do
investimento estrangeiro. Entre os grandes, a Índia é dos maiores. Há previsões de
crescimento populacional que colocam(C) os indianos à frente(D) dos chineses em um
horizonte(E) de 25 anos.
(Baseado em Gilson Schwartz, Folha de São Paulo, 8/03/1998)
a) A
b) B
c) C
d) D
e) E

29 - (FCC / TRE AP - Técnico Judiciário/ 2006)


Transpondo-se para a voz passiva a frase Ele gasta dinheiro que nem água, a forma
verbal resultante será
(A) será gasta.
(B) foi gasta.
(C) está sendo gasto.
(D) será gasto.
(E)) é gasto.

30 - (FUNDEC / TRT 2ª Região / 2003)


Passando-se para a voz ativa e mantendo-se o sentido original, a oração “Com verba do
Estado, 18 composições já estão sendo reformadas” (linhas 5-6) deve ter a forma
expressa na opção:
A) Já estão reformando 18 composições com recursos do tesouro estadual.
B) O Estado, com recursos próprios, já está reformando 18 composições.
C) Já estão sendo reformadas pelo Estado, com recursos do tesouro, 18 composições.
D) 18 composições já estão sendo reformadas com recursos próprios do Estado.
E) Através da verba do Estado estão reformando 18 composições.

31 - (FUNDAÇÃO JOÃO GOULART/PGM RJ/2004)


“O martelo de percussão é confundido com um instrumento ameaçador.”
Em voz ativa, essa frase do texto seria escrita da seguinte maneira:
A) Confunde-se o martelo de percussão com um instrumento ameaçador.
B) Um instrumento ameaçador confundiu-se com o martelo de percussão.
C) Confundem o martelo de percussão com um instrumento ameaçador.
D) Um instrumento ameaçador é confundido com o martelo de percussão.

32 - (NCE UFRJ / Inspetor de Polícia / 2001)


“nem todo hábito de consumo é ditado pela publicidade.”; colocando-se esse segmento
do texto na voz ativa, temos como forma adequada:
a) a publicidade não dita todo hábito de consumo;
b) a publicidade dita todo hábito de consumo;
c) o hábito de consumo dita a publicidade;
d) o hábito de consumo não dita a publicidade;
e) nem toda publicidade dita todo hábito de consumo.

33 - (NCE UFRJ / TRE RJ Auxiliar Judiciário / 2001)


Na voz passiva, a forma correta da frase “o lenhador quebrou o silêncio” é:
a) quebraram o silêncio;
b) quebrou-se o silêncio;
c) quebrou-se o silêncio pelo lenhador;
d) o silêncio foi quebrado pelo lenhador;
e) o silêncio era quebrado pelo lenhador.

34 - (NCE UFRJ / INCRA / 2005)


“Se você é assalariado... tem crédito”; a alternativa abaixo que mostra uma
concordância INADEQUADA entre os tempos verbais é:
(A) Se você fosse assalariado... teria crédito;
(B) Se você for assalariado... terá credito;
(C) Se você foi assalariado... teve crédito;
(D) Se você tivesse sido assalariado... teria tido crédito;
(E) Se você seja assalariado... tem crédito.

35 - (NCE UFRJ / CVM / 2005)


NÃO há a devida correlação temporal das formas verbais em:
(A) Seria conveniente que o time ficasse sem saber quem era o adversário;
(B) É conveniente que o time ficaria sem saber quem é o adversário;
(C) Era conveniente que o time ficasse sem saber quem foi o adversário;
(D) Será conveniente que o time fique sem saber quem é o adversário;
(E) Foi conveniente que o time ficasse sem saber quem era o adversário.

36 - (ESAF / AFC SFC / 2000)


Assinale a opção em que a correlação entre tempos e modos verbais constitui erro de
sintaxe.
a) Há pelo menos dois séculos, desde que Adam Smith inaugurou a profissão, os
economistas consomem boa parte de seu tempo, enaltecendo os benefícios do livre
comércio e pregando a liberdade econômica.
b) O mundo perfeito, garantem, é aquele em que não há nenhum tipo de obstáculo ao
fluxo de mercadorias, pessoas e idéias.
c) Deixada sem amarras, a economia funcionaria de maneira harmoniosa, regida por
uma mão invisível que a fazia viver sempre em equilíbrio.
d) Presa, seria como uma máquina com areia nas engrenagens, cujo atrito traria
desperdício de energia e empobreceria os cidadãos.
e) A virada do milênio reservou um paradoxo e tanto para os seguidores do economista
escocês. Nunca como agora o mundo aderiu com tanta garra a suas teses.
(Adaptado de Exame, 1/11/2000, p.135)

37 - (ESAF/AFT/2006)
No atual estágio da sociedade brasileira, se se deseja um regime democrático, não basta
abolir a necessidade de bens básicos. É necessário que o processo produtivo seja capaz
de continuar, com eficiência, a produção e a oferta de bens considerados supérfluos.
Em se tratando de um compromisso democrático, uma hierarquia de prioridades deve
colocar o básico sobre o supérfluo. O que deve servir como incentivo para a proposta de
casar democracia, fim da apartação e eficiência econômica em geral é o fato de que o
potencial econômico do país permite otimismo quanto à possibilidade de atender todas
essas necessidades, dentro de uma estratégia em que o tempo não será muito longo.
(Adaptado de Cristovam Buarque, Da modernidade técnica à modernidade ética, p.29)
Julgue o item a seguir.
- Substituir o conectivo de valor condicional “se” (l.1) por caso, resultando em: caso
se.

38 - (CESPE UNB / AGU / 2002)


A minha firme convicção é que, se não fizermos todos os dias novos e maiores esforços
para tornar o nosso solo perfeitamente livre, se não tivermos sempre presente a idéia de
que a escravidão é a causa principal de todos os nossos vícios, defeitos, perigos e
fraquezas nacionais, o prazo que ainda tem de duração legal — calculadas todas as
influências que lhe estão precipitando o desfecho — será assinalado por sintomas
crescentes de dissolução social.
Joaquim Nabuco. O abolicionismo. In: Intérpretes do Brasil, v. I. Nova Aguilar, 2000, p.
148-51 (com adaptações).

Julgue a assertiva abaixo.


- As estruturas condicionais “se não fizermos” (l.1) e “se não tivermos” (l.2) podem ser
substituídas, respectivamente, por caso não façamos e caso não tenhamos, sem
prejuízo para a correção gramatical do texto.

39 - (NCE UFRJ / ANALISTA FINEP / 2006)


Na frase “O autor do texto pensa que a Terra se tornará inviável”, criada a partir do
tema do texto, a correspondência de tempos verbais INADEQUADA correspondente,
respectivamente, a pensa e se tornará é:
(A) pensou / se tornaria;
(B) tinha pensado / se tornaria;
(C) pensava / tornará;
(D) pensará / se tornará;
(E) teria pensado / se tornaria.

40 - (NCE UFRJ / MPE RJ AUXILIAR / 2001)


“Se houvesse uma lei que proibisse...”; se, em lugar de SE, escrevêssemos QUANDO, as
formas verbais sublinhadas deveriam ser, respectivamente:
a) houver / proíba;
b) haver / proibisse;
c) haja / proibindo;
d) haver / proíba;
e) houver / proíbisse.

GABARITOS COMENTADOS DAS QUESTÕES DE FIXAÇÃO

1–A
A expressão “um tom de profecia”, no enunciado, já dá a “deixa” para a resposta certa.
A partir do título da matéria (“Reflexões sobre o futuro”) se verifica que o autor
apresentará fatos que poderão ocorrer no futuro. Por isso, o texto se constrói
basicamente com verbos no futuro do presente do indicativo, apresentando um certo ar
de previsão.

2–D
O pretérito perfeito composto (tem levado) retrata fatos iniciados no passado que
apresentam duração até o momento presente (o que justifica a conjugação do verbo
auxiliar nesse tempo verbal). Essa questão vem afirmar o conceito desse tempo verbal
composto.

3–B
Precisamos ler o texto para perceber o intuito no emprego do tempo verbal em questão.
Em vez do futuro do pretérito, o verbo poderia se apresentar no presente do indicativo:
“A favor da mesma tese, PODEMOS dizer que...”. Contudo, o autor optou por uma forma
mais educada, polida de se dirigir ao leitor: “PODERÍAMOS”.
Perceba que a banca explorou também algumas outras possibilidades de emprego do
futuro do pretérito (hipótese, incerteza sobre fatos passados), motivo pelo qual tornou-
se necessária a transcrição do texto.

4–A
O tempo que indica um fato passado ocorrido antes de outro fato também no passado é
o pretérito mais-que-perfeito do indicativo. Uma possibilidade de construção do período
é: “A torcida do Lazio já agredira (ou a forma composta tinha agredido) o jogador
brasileiro Antonio Carlos, do Roma, quando o time perdeu o mando de campo por
incitamento racista em pleno estádio”.

5–B
Quando não se tem convicção acerca do que será pronunciado, pode-se usar o futuro do
pretérito simples ou composto.
Essa foi a forma utilizada pela autora do texto ao empregar: “a discriminação racial que
um jogador branco do Palmeiras (Paulo Nunes) teria praticado contra dois jogadores
negros”.
Note que essa incerteza é confirmada no período seguinte: “Havia controvérsias quanto
à veracidade dos fatos, quanto à sinceridade dos protagonistas, quanto à oportunidade
ou oportunismo das denúncias.”.
Para não afirmar categoricamente a ocorrência de um crime, a autora usa a forma
verbal do futuro do pretérito composto e se mantém à margem de qualquer acusação,
apenas relatando os fatos.

6–D
É sempre bem-vinda a oportunidade de ler Drummond.
Nessa questão, a banca foi extremamente inteligente ao jogar com as palavras “certeza”
e “condição”.
Uma das possibilidades de emprego do futuro do pretérito do indicativo é estabelecer
uma hipótese (certeza de ocorrência) relacionada a uma condição (incerteza de
ocorrência). Desse modo, estabelece-se a relação entre o modo indicativo e subjuntivo.
A “indicação” apresentada no futuro do pretérito (modo indicativo) apresenta uma certa
incerteza, haja vista necessidade de a condição se realizar (modo subjuntivo).
No trecho “Do décimo andar à rua, seria a vertigem, se chegássemos muito à janela...”,
afirma-se que, se chegássemos junto à janela [CONDIÇÃO], teríamos vertigem
[HIPÓTESE].
O que define como correta a afirmação do item D (e não a opção E) é a certeza da
ocorrência do fato (ter vertigem) uma vez concretizada a condição (chegar junto à
janela).

7–B
Abordaremos, agora, as formas nominais.
Como vimos, alguns verbos possuem mais de uma forma válida para o particípio:
regular e irregular. Dentre os verbos apresentados na questão, o único que possui
somente uma forma (irregular) é o verbo escrever. Aliás, fizemos menção a ele na
nossa aula.
As formas participiais dos demais verbos são:
- MORRER – morrido (regular) e morto (irregular)
- MATAR – matado (regular) e morto (irregular)
[CURIOSIDADE: o particípio irregular morto tanto pode se referir ao verbo matar como
ao verbo morrer.]
- PEGAR – pegado (regular) e pego (irregular)
- ELEGER – elegido (regular) e eleito (irregular)
Lembrando que os particípios regulares são empregados nos tempos compostos com os
verbos TER e HAVER, enquanto que os particípios irregulares são usados nas locuções
verbais de voz passiva, com os verbos SER e ESTAR.
Os únicos verbos que admitem emprego indistinto (auxiliares TER, HAVER, SER ou
ESTAR) de qualquer forma participial (regular ou irregular) são GANHAR, GASTAR,
PEGAR E PAGAR (dois com P e dois com G).

8–C
Como vimos em nossa aula, o verbo VIR (e seus derivados) apresentam uma única
forma tanto para o gerúndio quanto para o particípio: VINDO (intervindo, convindo,
advindo).
Por isso, a forma “Vindo o resultado” tanto pode estar no gerúndio como no particípio.
Note essa dupla possibilidade a partir da troca do verbo VIR por outro, como o
RECEBER:
Recebido o resultado, os clientes começaram a protestar. – oração reduzida de
particípio
Recebendo o resultado, os clientes começaram a protestar. – oração reduzida de
gerúndio
As demais formas apresentam-se no gerúndio e possuem forma participial distinta:
chegando (chegado), transformando (transformado), reclamando (reclamado),
completando (completado).

9–C
Essa questão é para os que acharam um absurdo nosso comentário sobre a forma do
particípio do verbo CHEGAR. Não sei em relação às demais regiões do Brasil, mas aqui
no Sul do país é muito comum ouvir: “Ele não tinha chego ainda.”. Tanto isso deve ser
comum que a banca da Fundação Getúlio Vargas, uma das melhores do país, explorou
esse conceito.
Repetimos a lição: o verbo chegar apresenta uma ÚNICA forma de particípio: o regular
CHEGADO.
Por isso, a forma correta da opção C seria: O ônibus tinha chegado atrasado.

10 – ITEM INCORRETO
É verdade que a forma venerando é o particípio do verbo venerar. Contudo, no texto
(que transcrevemos apenas parcialmente), esse vocábulo tem valor adjetivo,
equivalente a “venerável”, “respeitável”.
É por esse motivo que gerúndio, particípio e infinitivo são chamadas FORMAS
NOMINAIS. Derivam de verbos, mas podem ser usadas como adjetivos, advérbios ou
substantivos.

11 – C
A partir de agora, nosso assunto passou a ser CONJUGAÇÃO VERBAL.
Está correta a conjugação do verbo PROPOR em “alguns autores propuseram”, pois esse
verbo é derivado do verbo PÔR e se conjuga por ele: eles puseram / eles propuseram.
Estão incorretas as formas verbais em:
a) “há ganhos a serem obtidos se ouvesse um aumento conjuntural” - houvesse,
pretérito imperfeito do subjuntivo do verbo HAVER.
b) “mas se um Estado se abstesse de tal política” – o verbo ABSTER é derivado do verbo
TER e se conjuga como ele: “se tivesse” Î “se abstivesse”.
d) “ficou estabelecido que couberiam tais atribuições somente ao Senado” – o verbo
CABER se conjuga, no futuro do pretérito do indicativo, caberiam.
Aliás, essa é a diferença entre o futuro do subjuntivo (couber) e o infinitivo
pessoal (caber): o primeiro deriva da 3ª pessoa do plural do pretérito perfeito do
indicativo (couberam), formando “quando eles couberem”; já o segundo, deriva
do infinitivo impessoal: “para eles caberem”.
Na maior parte das vezes, especialmente nos verbos regulares, essas formas são
grafadas de modo idêntico: “quando eles chegarem” (fut.subjuntivo); “para eles
chegarem”(infinitivo pessoal).
Em outras, as formas são diferentes: TRAZER (“quando eles trouxerem” / “para
eles trazerem”), VER (“quando eles virem” / “para eles verem”), dentre tantas
outras.
Essa distinção é muito importante, pois muitas vezes, na linguagem do dia-a-dia,
nos verbos irregulares, acaba-se trocando uma pela outra.
e) “o Governo Federal interviu” – o verbo intervir é derivado do vir e se conjuga como
seu paradigma: ele veio / ele interveio.

12 – C
Dando seqüência ao estudo das formas verbais primitivas e derivadas, vamos analisar
outra questão sobre o tópico. Está em foco, agora, o verbo VIR.
A forma verbal da opção C é o futuro do subjuntivo. Como revimos na questão anterior,
esse tempo verbal deriva da 3ª.pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo (eles
vieram).
Assim, a forma correta seria: “Quando vierem outros, a casa não será a mesma.”.
Em caso de dúvidas, reveja o quadro de formas primitivas / formas derivadas.
A opção “a”, que pode ter deixado muita gente em dúvida, apresenta a 1ª. pessoa do
singular do presente do indicativo: “nós vimos”, tempo indicado pelo advérbio “hoje”.
Não confundam com o pretérito perfeito desse verbo (viemos).

13 – B
O futuro do subjuntivo deriva da 3ª. pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo.
Assim, no verbo VER, a forma primitiva será (eles) viram. Por isso, no futuro do
subjuntivo, a forma correta é “Se ele vir, eu também verei.”.
Veja como estão corretas as demais construções verbais:
FORMA PRIMITIVA FORMA DERIVADA
VERBO
3ª.pessoa plural – pret.perfeito futuro do subjuntivo
IR ELES FORAM SE ELE FOR
QUERER ELES QUISERAM SE ELE QUISER
REQUERER ELES REQUERERAM SE ELE REQUERER
CABER ELES COUBERAM SE ELE COUBER

14 – E
Essa questão é idêntica à anterior. A diferença está no tempo verbal a ser analisado.
Agora, será o pretérito imperfeito do subjuntivo. Como vimos, esse tempo também
deriva da 3ª. pessoa do plural do pretérito perfeito, assim como o futuro do subjuntivo
(visto anteriormente).
Então, vamos ao quadro.

FORMA PRIMITIVA FORMA DERIVADA


VERBO pretérito imperfeito do
3ª.pessoa plural – pret.perfeito
subjuntivo
TRAZER ELES TROUXERAM SE ELE TROUXESSE
APROVAR ELES APROVARAM SE ELE APROVASSE
PÔR ELES PUSERAM SE ELE PUSESSE
VIR ELES VIERAM SE ELE VIESSE
MANTER ELES MANTIVERAM SE ELE MANTIVESSE

15 - D
O tempo verbal da locução verbal “havia estado” nada mais é do que o pretérito mais-
que-perfeito composto, construção em que o verbo auxiliar se conjuga no pretérito
imperfeito. Assim, estão em perfeita correlação os verbos das duas orações. O que o
examinador sugere, em suma, é que se substitua a forma composta pela simples:
estivera.

16 – C
Para não errar questões de conjugação verbal, devemos ter em mente sempre a dica do
PARADIGMA. Um verbo normalmente se conjuga como um outro parecido. Assim, na
dúvida, busque outro verbo (mais comum ao seu linguajar) cuja conjugação você
conheça e aplique a desinência no verbo desconhecido.
Vamos à prática:
a) O verbo PROPOR se conjuga como o verbo PÔR. Assim: “se alguém puser” leva a “se
alguém propuser”.
b) O verbo CONTER se conjuga como o verbo TER. Por isso: “caso uma represa tenha”
leva a “caso uma represa contenha”.
d) O verbo ESCASSEAR (que dificilmente usamos) se conjuga como o verbo PASSEAR.
Lembre-se de que esses verbos terminados em –EAR só recebem a letra “i” nas formas
rizotônicas, ou seja, quando a sílaba tônica recaia no radical. Bem, então: “elas já
passearam” leva a “elas já escassearam”. Note que o radical do verbo ESCASSEAR é
ESCASSE-, e a sílaba tônica recai fora do radical (escassearam), não devendo receber a
letra ‘i’.
e) O verbo DETER se conjuga como o verbo TER (novamente). Assim: “se não
tivermos” leva a “se não detivermos”.
Viu só como essa regra do paradigma é uma “mão na roda”?

17 – D
Já falamos sobre a conjugação dos verbos terminados em –EAR na questão anterior,
mas não custa nada repetir. Afinal, esses exercícios são de FIXAÇÃO.
As formas rizotônicas (sílaba tônica no radical) dos verbos terminados em –EAR recebem
a letra “i”. Por isso: eu passeio, tu passeias, ele passeia, nós passeamos, vós passeais,
eles passeiam.
Vimos também que o presente do subjuntivo é um tempo verbal que busca o radical da
1ª.pessoa do singular do presente do indicativo.
Assim, o radical “passe” de “eu passeio” forma todo o presente do subjuntivo. Não se
esqueça de que continua valendo a regra da letra “i” nas formas rizotônicas.
A conjugação do verbo PASSEAR no presente do subjuntivo será: passeie / passeie /
passeie / passeemos / passeeis / passeiem

18 – B
Sabe aquela regrinha do paradigma? Veja só como ela ajuda em questões como essa,
de conjugação verbal.
O verbo DESPEDIR lembra muito um outro verbo. Com certeza você já adivinhou... o
verbo PEDIR. Então, sua conjugação segue a do seu paradigma: “que peçam” leva a
“que despeçam”.
E olha lá na opção D uma dica dessa forma: o presente do subjuntivo (despeçam) deriva
de qual forma mesmo??? Deriva da 1ª. pessoa do singular do presente do indicativo:
DESPEÇO.
Bela ajuda que a banca deu para que você não errasse essa questão, não é?

19 – B
Muita gente nunca deve ter ouvido falar dessa banca examinadora (eu, pelo menos, só a
conheci agora). Ela foi a responsável pela prova para o ICMS de Rondônia,
recentemente aplicada.
Essa questão é o nosso mote para começarmos a falar sobre VERBOS DEFECTIVOS.
Lembrando: esses verbos apresentam defeito, ou seja, não possuem todas as formas de
conjugação. Esse defeito só aparece na conjugação do presente do indicativo e nas
formas dele derivadas (presente do subjuntivo, imperativo).
Na opção B, há erro na conjugação do verbo “viger”, que é defectivo. Este verbo não
possui a 1ª. pessoa do singular do presente do indicativo.
Nas demais formas, se conjuga como o verbo paradigma BEBER (ele bebeu / ele vigeu).
Assim, a forma correta seria: “Trata-se de uma lei que vigeu ...”.
As demais formas, que estão CORRETAS, são:
a) o pretérito imperfeito do indicativo do verbo APOR, que é derivado do verbo PÔR:
“sempre se punham” leva a “sempre se apunham”. Provavelmente você achou
HORROROSA essa forma ‘PUNHAM’, talvez até nunca tenha-a usado. Mas está correta e
deve fazer parte do seu cotidiano a partir de hoje. Afinal, não é assim que as crianças
fazem? Quando elas aprendem uma palavrinha nova, ficam-na usando constantemente.
Saia por aí falando “punham” pra lá, “apunham” pra cá...
c) A forma “delatara” é o pretérito mais-que-perfeito do verbo DELATAR.
d) O verbo “sobrestar”, que, no contexto, apresenta o sentido de “impedir”, “sustar”,
“retardar”, é derivado do verbo ESTAR. Assim, “não se pode admitir que o Direito
esteja” leva a “não se pode admitir que o Direito sobresteja”.
e) Essa opção enganou muita gente. Os que se lembraram da dica do paradigma
certamente acertaram. A forma “pretiro”, que causou estranheza a muita gente, é a
conjugação do verbo PRETERIR (deixar de lado), que se conjuga como seu paradigma
PREFERIR – eu prefiro Î eu pretiro.

20 – C
O verbo reaver é conjugado no presente do indicativo nas formas em que o verbo
HAVER apresenta a letra “v”.
Vejamos, inicialmente, a conjugação do verbo HAVER, no presente do indicativo:
Eu hei / tu hás / ele há / nós havemos / vós haveis / eles hão.
Assim, o verbo HAVER só apresenta conjugação, no presente do indicativo, nas 1ª. e
2ª.pessoas do plural.
O emprego do pronome “nós” na opção C fez com que essa fosse a resposta correta.
“Nós reavemos todos os documentos e contrato perdidos durante a mudança...”.
Vamos analisar as demais opções:
a) O verbo falir é defectivo e, assim como o verbo REAVER, no presente do indicativo,
só se conjuga com os pronomes NÓS e VÓS (nós falimos / vós falis).
b) O mesmo acontece com o verbo PRECAVER. Só existem as formas “nós nos
precavemos” e “vós vos precaveis”.
d) O verbo EXPLODIR não possui a 1ª. pessoa do singular do presente do indicativo.
Consequentemente, não possui nenhuma das formas do presente do subjuntivo. Assim,
não é possível preencher a lacuna dessa opção com a forma simples do verbo, pois seria
necessário conjugá-lo no presente do subjuntivo. Para confirmar isso, vamos trocar o
verbo EXPLODIR por outro, como ABORRECER-SE: “É uma pena que o vice-presidente
da empresa SE ABORREÇA por cauda de pequenos problemas”.
e) O verbo COLORIR também é defectivo, não apresentando a 1ª.pessoa do singular do
presente do indicativo. Por isso, não possui também o presente do subjuntivo, tempo
em que seria conjugado na construção da opção “e”. Poderia ser substituído por seu
correspondente COLORAR, que é regular e apresenta todas as formas verbais, ou
mesmo pelo verbo PINTAR:
“Os funcionários ficarão mais bem dispostos caso a firma COLORE / PINTE as salas de
cores claras”.

21 – B
Essa questão deve ter dado um nó na cabeça de muita gente boa. Isso porque explora a
conjugação de verbos parecidos – PROVAR, PROVER e PROVIR.
Para solucionar essa questão, entra em jogo a maravilhosa dica do paradigma.
Vamos começar pelo verbo PROVAR, que é regular e se conjuga como o paradigma
FALAR.
O radical de FALAR é FAL-, e o de PROVAR é PROV-. A esses radicais, devemos
acrescentar a terminação, que é comum nos dois verbos. “Que eles falem” leva a “que
eles provem.”, cuja sílaba tônica é “pro”. Assim, a segunda forma do enunciado é do
verbo PROVAR. Com isso, já eliminamos as opções A e C (já temos 50% de chances de
ganhar o ponto).
Agora, vejamos a conjugação do verbo PROVER, cujo significado pode ser:
- “tomar providências, providenciar” (O síndico proverá tudo.);
- “nomear” (O governo proveu vários cargos.);
- “tomar providências”;
- a acepção mais comum, “abastecer” (Ele proveu a despensa com o que há de
melhor.).
Como vimos no tópico “Verbos Perigosos” e de acordo com os significados que esse
verbo pode apresentar, vemos que ele não é derivado do verbo VER, apesar de
apresentar algumas formas de conjugação idênticas: provejo, provejas, provejas,
proverá, proveria etc.
Uma dessas formas em que a conjugação de PROVER segue à do VER é na 3ª pessoa do
plural do presente do indicativo: PROVÊEM.
A partir dessa resposta, vemos que está correta a opção B.
O verbo PROVIR é derivado do verbo VIR e como este se conjuga. Por isso, apresenta
duas das formas indicadas no enunciado: PROVÉM (3ª pessoa do singular no presente
do indicativo) e PROVÊM (3ª pessoa do plural do presente do indicativo).
A primeira pode ter causado surpresa, mas não se esqueça que as palavras oxítonas
terminadas em A(s), E(s), O(s) e EM(ens) devem ser acentuadas. Exemplos: PROVÉM,
também, mantém, convém.
A conjugação do verbo VIR na 3ª.pessoa do singular do presente do indicativo não
recebe acento por ser um monossílabo terminado em “EM”. Exemplos: VEM, tem, cem,
sem.
Já na 3ª pessoa do plural, a regra de acentuação do verbo PROVIR segue o que falamos
sobre o ACENTO DIFERENCIAL DE NÚMERO (Aula demonstrativa – pg.14).
Por ser uma palavra oxítona terminada em EM, deve receber acento tanto a forma da 3ª
pessoa do singular como a do plural. O que diferencia o plural do singular é que este
recebe acento agudo (provém), enquanto aquele recebe o acento circunflexo (provêm).
Por isso, o acento desta última costuma ser chamado de diferencial de número.
Considero esta uma excelente questão de prova. Parabéns para a banca examinadora.

22 – B

1ª lacuna: O verbo impugnar é regular, devendo o “g” permanecer sempre mudo: eu


impugno, tu impugnas, ele impugna etc.
Como a forma “impugno” é uma paroxítona terminada em “o”, dispensa acentuação.
2ª lacuna: Primeiramente, cabe esclarecer que não há consoante muda em decapitar.
Este verbo apresenta, em sua etimologia, a palavra capita, como na expressão ‘per
capita’, que grosso modo significa “por cabeça”. Assim, “decapitar” é literalmente “tirar
a cabeça”.
É um verbo regular e se conjuga pelo paradigma FALAR: eu decapito (Cuidado, não é
“decapto”!!! É paroxítona, ou seja, a sílaba tônica recai no “pi”), tu decapitas, ele
decapita etc.
Assim, o particípio é decapitado.

3ª lacuna: O verbo averiguar é um daqueles “perigosos”. Por isso, devemos sempre


lembrar as regras de formação dos verbos para não errar a conjugação verbal. A
construção indica que o verbo da lacuna está no presente do subjuntivo. Este tempo
verbal deriva da forma da 1ª pessoa do singular do presente do indicativo: eu
averiguo, em que a sílaba tônica é gu. Como está diante da vogal “o”, dispensa o
acento. As formas do presente do subjuntivo são:

eu averigúe Do mesmo modo que a forma original (averiguo), nessas três


tu averigúes primeiras pessoas, a sílaba tônica recai no “u”, o que justifica o
ele averigúe acento agudo, pois agora está diante da vogal “e”.

nós averigüemos Nessas duas formas do plural, a força recai no “e”, devendo o
vós averigüeis “u” ser pronunciado de forma fraca (com trema).

eles averigúem Î A sílaba tônica volta a recair no “u”, o que acaba levando a uma
confusão.

Note que a proximidade com o “averigüemos” e “averigüeis” acaba levando ao erro de


construir a última forma verbal do mesmo modo. Por isso, CUIDADO!!!! A sílaba tônica
da 3ª pessoa do plural volta para o “u”, registrando-se o acento agudo. A forma correta
é averigúem.

23 – E
O assunto agora é conjugação verbal no imperativo.
O objetivo de uma propaganda é se aproximar ao máximo de seu público-alvo. Assim, a
comunicação deve ser direta e rápida. Muitas vezes, para se aproximar da linguagem
coloquial, passa por cima de certas normas gramaticais.
No comercial da Caixa Econômica Federal, houve uma mistura de tratamentos. Ao
mesmo tempo em que flexiona o verbo como ‘VEM’, indicando o tratamento de segunda
pessoa do singular (no imperativo Î tu vens – “s” = vem tu), usa o pronome VOCÊ, que
leva o verbo para a 3ª pessoa (no imperativo Î que ele venha = venha você).
Ainda que se alegue uma impropriedade no uso de “pra” em lugar de “para”, essa forma
já encontra registro nos mais consagrados dicionários. Além disso, como indica o
enunciado, o que mais se comentou em relação ao texto do comercial não foi o uso do
“pra”, mas o emprego incorreto do verbo no imperativo.
Por isso, a resposta foi letra E.

24 - A
Na opção a, houve o emprego do verbo ‘submeter’ no imperativo afirmativo. Como o
tratamento usado é de segunda pessoa (te), a regra indica que o verbo deve ser
conjugado pelo presente do indicativo, sem a letra “s” (pres.indicativo: tu te submetes
Î imperativo: submete [tu]). Assim, a forma correta seria: “Trabalhador, jamais te
submete a formas ...”.
Certamente, alguém deve estar se perguntando: mas essa construção não está no
negativo, o que levaria o verbo para o imperativo negativo e, consequentemente, para a
conjugação do presente do subjuntivo?
Essa foi uma maldade da banca: o advérbio jamais, ainda que apresente uma idéia
negativa, é considerado um advérbio de tempo, equivalente a “em tempo algum”,
devendo o verbo ser conjugado no imperativo afirmativo.
b) Note que, nesta opção, emprega-se o tratamento de terceira pessoa (não se
submetam). Ainda que o tratamento fosse de segunda pessoa, a conjugação do verbo
seria no imperativo negativo, em virtude da presença do “não” e seguiria o presente do
subjuntivo (“Trabalhadores, não te submetam a formas...”).
c) Está correto o emprego do verbo SUBMETER no presente do subjuntivo, já que indica
uma situação hipotética (“Não somos trabalhadores que nos submetamos...”).
d) O verbo nessa opção está no pretérito mais-que-perfeito do indicativo, indicando a
ocorrência de um fato anterior a outro fato também passado.
e) Essa questão seria passível de anulação em virtude de uma colocação pronominal
indevida. Na aula apropriada (“Pronomes”), veremos que um advérbio antes do verbo
sem pausa (como uma vírgula) atrai o pronome. Nessa construção, para que estivesse
correta a colocação pronominal, deveria haver uma vírgula após “Constantemente”
(“Constantemente, submetemo-nos...”) ou o pronome deveria vir antes do verbo
(“Constantemente nos submetemos...”).
Como nosso assunto hoje é VERBO, vamos analisar a questão somente sob este
aspecto.
Quando os pronomes átonos nos e vos são empregados após uma forma verbal
terminada em “s”, essa letra cai: submetemo-nos / submetei-vos. Por isso, em
relação à forma verbal, está correta a opção.
Contudo, Napoleão Mendes de Almeida (Gramática Metódica da Língua Portuguesa)
justifica essa opção pela eliminação do “s” como hábito ou facilidade da pronúncia,
afirmando que não se pode considerar errada a forma “queixamos-nos”.
Aliás, vamos aproveitar para explorar um pouco mais esse assunto.
Quando os pronomes o, a, os, as são empregados após o verbo cuja terminação seja r,
s, z, ao pronome é agregada ao pronome a letra L (lo, la, los, las) e o r, s, z ‘caem’.
Exemplo: “Comprei o jornal para procurar emprego.” = para procurá-lo.
Em relação à acentuação, já comentamos na aula de ortografia que este verbo é
entendido como um vocábulo independente, devendo obedecer às regras: procurá =
oxítona terminada em “a”.´
Se o pronome dividir o verbo em duas partes, cada parte será analisada, para fins de
acentuação, como se um único vocábulo formasse.
Exemplo: Nós distribuiríamos o medicamento.
Em mesóclise: DISTRIBUIRÍAMOS + O = DISTRIBUIR + O + ÍAMOS
A letra “r” cai e o pronome “o” vira “lo” = distribuí-lo-íamos.
Agora, vamos à acentuação:
No “pedacinho” distribui , a sílaba tônica recai no “i”. Como segunda vogal do hiato,
deve ser acentuada = distribuí (com acento agudo no “i”)
O outro “pedaço” íamos recebe acento por ser uma proparoxítona.
Assim, a forma verbal correta é: distribuí-lo-íamos.
Quando o verbo termina de forma nasal (-m, -ão, -õe), aos pronomes o, a, os, as é
acrescentada a letra “n”.
Exemplo: “Nossos destinos tomaram caminhos diversos.” = TOMARAM + OS =
tomaram-nos
“Os caridosos dão o pão aos que têm fome.” – DÃO + O = dão-no
“Tem calma e põe a tua cabeça no lugar” – PÕE + A = põe-na no lugar
(Observe, nesse último exemplo, o emprego do imperativo em construção de
segunda pessoa – tu)
Mais sobre o assunto será objeto da aula sobre PRONOMES.
Vamos, agora, ver mais algumas questões que envolvem conjugação do imperativo para
relembrar as regras.
25 – B
No imperativo afirmativo, a regra é o emprego do presente do subjuntivo. As únicas
exceções (que, por ser em menor número, devem ser memorizadas) ficam por conta das
segundas pessoas – TU e VÓS, que buscam a conjugação do presente do indicativo sem
a letra “s”.
Assim, o verbo ADIVINHAR, na 2ª pessoa do plural (vós) no presente do indicativo é
adivinhais. Sem a letra “s”, o imperativo é adivinhai.

26 – D
Agora, vamos relembrar a conjugação do imperativo negativo. Essa é mais fácil ainda.
Todas seguem a conjugação do presente do subjuntivo.
Por isso, o verbo TER, na 3ª pessoa do singular (Tenha), fica no imperativo negativo:
“não tenha”. Não houve alteração pelo fato de o verbo, no imperativo afirmativo, ser
conjugado pelo presente do subjuntivo.
Só há diferença entre as formas afirmativa e negativa para as segundas pessoas (tu e
vós).

27 – D
Agora nosso assunto será locução verbal.
Em uma locução verbal, pode haver um ou mais verbos auxiliares e só um verbo
principal.
Quem manda é o principal, mas quem se flexiona é o primeiro (ou único) auxiliar, da
maneira como o principal, se estivesse sozinho, faria.
Nessa questão, está em análise o verbo HAVER. No sentido de existência, esse verbo é
IMPESSOAL, ou seja, não possui sujeito, por isso se mantém na 3ª pessoa do singular.
O mesmo não acontece com o seu “primo”, o verbo EXISTIR. Esse verbo possui sujeito e
se flexiona.
Vamos analisar cada uma das opções para identificar a INCORRETA.
A) O sujeito do verbo existir é “plantas”, motivo que levou o verbo a se flexionar no
plural: existem. Está certa!
B) Agora, o verbo principal é o HAVER. Como ele indica existência, é impessoal e não se
flexiona. Ele dá essa ordem ao seu auxiliar, que deve permanecer na 3ª pessoa do
singular: “Deve haver plantas”. Certíssima!
C) Dessa vez, o verbo principal é o EXISTIR. Então, o verbo auxiliar deverá se flexionar,
da mesma forma que o fez o verbo principal na opção A: “Podem existir plantas”. Certa!
D) Em “há de existir” temos os dois verbos: HAVER e EXISTIR. Então teremos de ver
quem é que manda nessa oração. O verbo haver é auxiliar e só obedece ao verbo
EXISTIR. Este se flexiona quando está sozinho. Então é essa a ordem que dá ao seu
auxiliar: flexione-se. Em “Aqui há de existir plantas”, há um erro de concordância (o
verbo auxiliar da locução está em desacordo com o sujeito “plantas”. A forma correta
seria: “Aqui hão de existir plantas”. É essa a resposta.
Sobre esse ponto, costumo cantar uma linda canção de Gilberto Gil que exemplifica
muito bem a flexão em verbos auxiliares. Ela chama-se “Estrelas”:
Há de surgir
Uma estrela no céu cada vez que ‘ocê sorrir
Há de apagar
Uma estrela no céu cada vez que ‘ocê chorar
Os verbos principais são “surgir” e “apagar”. “Uma estrela surgirá”, “Uma estrela se
apagará”.
Como não estão “sozinhos”, mas acompanhados de um verbo auxiliar, formando uma
locução verbal, dão essa ordem para seus auxiliares.
Logo, “Uma estrela há de surgir” e “Uma estrela há de se apagar”.
Se o sujeito fosse para o plural, seria “Estrelas hão de surgir” e “Estrelas hão de se
apagar”, assim como seria “Estrelas surgirão” e “Estrelas se apagarão”.
Quando uma locução apresenta mais de um verbo auxiliar (até dois), apenas o primeiro
se flexiona, devendo o segundo permanecer em uma forma nominal (normalmente o
particípio). Isso ocorre em construções de voz passiva que se originam de tempos
compostos na voz ativa. O exemplo elucida a teoria.
VOZ ATIVA: Os usineiros têm explorado os trabalhadores. (tempo composto)
VOZ PASSIVA: Os trabalhadores têm sido explorados pelos usineiros.
E) O verbo principal HAVER faz com que o verbo auxiliar não se flexione: “Pode haver
plantas”. Também está certa.

28 - A
Como vimos exaustivamente na questão anterior, em uma locução verbal, somente o
verbo auxiliar se flexiona, mantendo-se o principal inalterado na forma nominal.
Assim, está incorreta a flexão de “tornarem-se”, pois ele é o verbo principal da locução
verbal.
A forma corrigida seria: “Deveriam tornar-se alvos de uma diplomacia...”.

29 – E
Falaremos, agora, sobre transposição de vozes verbais.
Primeiro cuidado:
Passando da voz ativa para a passiva: identifique o objeto direto da voz ativa, que
exercerá a função de sujeito na voz passiva;
Passando da voz passiva para a ativa: você deverá identificar o sujeito da voz
passiva e colocá-lo na posição de objeto direto da voz ativa; se não houver um agente
da passiva, não haverá sujeito na voz passiva, ou seja, será um caso de sujeito
indeterminado. O verbo ficará na terceira pessoa do plural, indefinindo o sujeito da ação
verbal.
Segundo cuidado: manter o verbo no mesmo tempo e modo verbais do original.

Nesta questão, a transposição será da voz ativa para a passiva.


O sujeito exercerá a função de agente da passiva.
O objeto direto será o sujeito da voz passiva.
O verbo se tornará uma locução verbal, respeitando-se o tempo e modo originais.
Assim, a voz passiva será: “Dinheiro é gasto por ele que nem água.”.

30 – A
Agora, a transposição parte da voz passiva para a ativa. Note que não há agente da
passiva, o que indica que, na voz ativa, teremos um caso de sujeito indeterminado.
Há duas formas de se construir sujeito indeterminado:
1ª. qualquer que seja a transitividade do verbo, este fica na terceira pessoa do plural;
2ª. verbos que não tenham objeto direto (ou seja, verbos de ligação, intransitivos ou
transitivos indiretos), o verbo fica na 3ª pessoa do singular acompanhado do pronome
“se”.
Como, na voz passiva, o verbo TEM DE SER transitivo direto ou transitivo direto e
indireto, ou seja, tem de ter objeto direto, não há possibilidade de se construir, na
voz ativa, a segunda forma de sujeito indeterminado.
Assim, nos casos em que não há agente da passiva, na voz ativa o verbo ficará na 3ª
pessoa do plural, formando o primeiro caso de sujeito indeterminado.
Vamos à questão.
“Com a verba do Estado, 18 composições já estão sendo reformadas.”
1º PASSO: Identificar o sujeito da voz passiva. O sujeito paciente é 18 composições Î
este elemento será o objeto direto da voz ativa.
2º PASSO: Note que são três os verbos na voz passiva:
ESTÃO + SENDO + REFORMADAS – dois auxiliares (estão e sendo) e um principal
(reformadas).
Isso indica que, na voz ativa, haverá DOIS verbos (ESTAR + REFORMAR). O segundo
verbo auxiliar (o “do meio”: SENDO) é retirado.
Como não há agente da passiva, não haverá um sujeito na voz ativa. O verbo ficará na
terceira pessoa do plural. Como se trata de uma locução verbal, isso acontecerá com
o verbo auxiliar. Originalmente, o primeiro verbo auxiliar estava no presente do
indicativo, forma em que continuará na voz ativa.
Feitas essas alterações, a voz ativa seria: “Estão reformando 18 composições com a
verba do Estado.”.

31 – C
Mais uma vez, vamos treinar a transposição de voz passiva para a voz ativa.
VOZ PASSIVA – “O martelo de percussão é confundido com um instrumento
ameaçador.”
1º passo: identificar o sujeito paciente – “O martelo de percussão” Î esse será o objeto
direto da voz ativa.
2º passo: manter o verbo no mesmo tempo e modo originais: é confundido, o verbo
auxiliar está no presente do indicativo.
Como não há agente da passiva, na voz ativa, teremos um caso de sujeito
indeterminado, devendo o verbo permanecer na terceira pessoa do plural.
Assim, a forma na voz ativa será: Confundem o martelo de percussão com um
instrumento ameaçador.
Alguém parece estar perguntando: e se eu resolvesse colocar o verbo na terceira pessoa
do singular acompanhado do pronome SE? Ainda assim não seria um caso de sujeito
indeterminado?
A resposta é não. Quando um verbo transitivo direto ou direto e indireto está
acompanhado do pronome SE, forma-se a voz passiva pronominal.
É isso o que ocorre na opção (A). Em “Confunde-se o martelo de percussão...”, foi
mantida a voz passiva, só que da forma pronominal. A expressão “o martelo de
percussão” continua a exercer a função de sujeito paciente e o pronome “se” é chamado
de pronome apassivador.

32 – A
Finalmente, um caso de construção de voz passiva com agente da passiva, para facilitar
a nossa vida!!!
1º passo: identificar o sujeito paciente – “nem todo hábito de consumo” Î este
elemento será o objeto direto da voz ativa.
2º passo: manter o verbo no mesmo tempo e modo originais Î Em “é ditado”, o verbo
auxiliar está no presente do indicativo.
O agente da passiva é “pela publicidade”, elemento que será o sujeito da voz ativa.
Em virtude do valor negativo do “nem” no início da construção, a voz ativa assim
poderia ficar: “A publicidade não dita todo hábito de consumo.”.

33 – D
1º passo: identificar o objeto direto: “o silêncio” Î este será o sujeito da voz passiva.
2º passo: manter o verbo no mesmo tempo e modo originais – “quebrou” está no
pretérito perfeito do indicativo. Por isso, a forma correta será: foi quebrado.
O sujeito da voz ativa será o agente da voz passiva. Assim, a voz passiva analítica seria:
“O silêncio foi quebrado pelo lenhador.”.
Se se optasse pela voz passiva pronominal, sairia de cena o agente da passiva e entraria
o pronome apassivador: “Quebrou-se o silêncio.”.
Voltaremos a falar sobre esse assunto nas aulas sobre “Concordância”.

34 – E
Vamos encerrar nosso estudo com CORRELAÇÃO VERBAL.
Como dissemos, não há necessidade de se decorar listas e mais listas de relações.
Muitas vezes, esse tipo de erro você identifica com o seu ouvido.
Veja só esta questão.
a) Há uma clara relação entre “fosse” e “teria”. Estão os dois verbos no campo da
suposição.
b) Agora, ainda no campo da suposição, os fatos se reportam ao futuro: “for” e
“terá”.
c) Nessa relação, o fato existiu e pertence ao passado. Por isso, os verbos estão
respectivamente no pretérito perfeito e pretérito imperfeito do indicativo.
d) Agora, temos uma locução verbal em tempo composto na primeira oração e um
tempo composto correspondente na segunda.
e) Note que há alguma coisa errada em “Se você seja...”. Essa conjunção não leva o
verbo para o subjuntivo, ao contrário de sua “prima”, a conjunção “caso” (“Caso
você seja...”).

35 – B

Estão em desarmonia os verbos do período. Enquanto que o primeiro situa o fato no


campo real (“É conveniente...”), o segundo está no plano da hipótese (“o time
ficaria...”).

36 - C
Estamos diante de uma correlação inadequada na opção C. A forma “funcionaria”
figura no plano da hipótese. Assim, a forma verbal do verbo fazer deve manter essa
linha de raciocínio do fato contido em “funcionaria”:“(...) a economia funcionaria de
maneira harmoniosa, regida por uma mão invisível que a faria viver sempre em
equilíbrio”
A forma verbal empregada – fazia - transmite uma idéia de processo não concluído.
Indica o que no passado era freqüente ou contínuo, o que não encontra respaldo no
contexto.

37 – ITEM INCORRETO

Muitas vezes, o modo subjuntivo é uma exigência da construção. Note que a conjunção
“se” aceita que o verbo seja conjugado no presente do indicativo: “...se se deseja um
regime democrático...”.

A partir do momento em que se sugere a troca da conjunção “se” por sua equivalente, a
conjunção “caso”, há necessidade de se alterar a conjugação do verbo a ela ligado,
levando-o para o presente do subjuntivo: “caso se deseje um regime democrático...”.

O que torna incorreta a assertiva é a omissão da necessidade de se alterar a forma


verbal.

38 – ITEM CORRETO

Ao contrário da questão anterior, dessa vez a banca examinadora já apresenta não só a


troca da conjunção, como também a nova forma verbal, do futuro do subjuntivo (se não
fizermos/tivermos) para o presente do subjuntivo (caso não façamos/tenhamos).

39 – C

Mais uma questão envolvendo correlação verbal.

Está incorreta a relação dos verbos da opção C.

Enquanto o primeiro apresenta um fato no pretérito imperfeito, indicando um fato de


certa duração no passado, o segundo situa-o no campo da realidade futura, como se
esse fato fosse certo de acontecer: “O autor do texto pensava que a Terra se tornará
inviável”.

A forma mais apropriada seria empregar o segundo verbo no futuro do pretérito,


alocando o fato no campo das possibilidades, hipóteses: “O autor do texto pensava que
a Terra se tornaria inviável”. Note que essa é a sugestão das opções a, b e e.

40 – A

Em “Se houvesse uma lei que proibisse...”, nota-se que essa lei não existe e não se tem
certeza se ela existirá um dia. Assim, todos os fatos estão no campo da suposição.

Já na opção A, tanto o primeiro verbo (houver) como o segundo (proíba) situam os fatos
também como hipóteses, mas desta vez em relação ao futuro, entendendo-se que, no
atual momento, tal lei efetivamente não existe, mas pode ser que ela venha a existir.

É por isso que está perfeita a relação entre esses dois verbos.

Não é possível a construção de “se haver”(b/d) e “se haja”(c).

Já a forma “proibisse”, além de apresentar erro de acentuação, não estabelece uma


relação adequada com a forma “houver”, que se reporta ao futuro.
SINTAXE DE CONCORDÂNCIA – PARTE 1
Hoje começaremos a tratar de um dos pontos mais importantes no estudo da
Língua Portuguesa de forma geral e especialmente para concursos públicos.
Infelizmente, há muitas regras nesse ponto do programa, motivo que nos leva a
dividi-lo em duas partes.
Sempre que possível, procuraremos facilitar a sua vida, com dicas e métodos de
memorização.
CONCORDÂNCIA consiste no mecanismo que leva as palavras a adequarem-se
umas às outras harmonicamente na construção frasal.
“Concordar” significa “estar de acordo com”. Assim, na concordância, tanto nominal
quanto verbal, os elementos que compõem a frase devem estar em consonância
uns com os outros.
Essa concordância poderá ser feita de duas formas:
- gramatical ou lógica – segue os padrões gramaticais vigentes;
- atrativa ou ideológica – dá ênfase a apenas um dos vários elementos, com valor
estilístico.
CONCORDÂNCIA VERBAL – variação do verbo, conformando-se ao número e à
pessoa do sujeito.
CONCORDÂNCIA NOMINAL – adequação entre o substantivo e os elementos que
a ele se referem (artigo, pronome, adjetivo).
Como muitas questões abordam tanto concordância nominal quanto verbal,
tornando-se impossível tratar cada uma delas de forma isolada, para tornar mais
didático o nosso estudo, deixamos para a próxima aula a apresentação de questões
de fixação.
Isso significa que nossa aula de hoje será teórica, com a apresentação de algumas
questões de prova somente a título exemplificativo.
Mas não se preocupe: na próxima semana, as questões envolverão todo o
programa (concordância nominal e verbal) e você poderá praticar bastante.
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Para estudarmos concordância, devemos ter claros os conceitos e funções de
alguns termos da oração.
De início, lembramos a distinção entre as CLASSES GRAMATICAIS e FUNÇÕES
SINTÁTICAS.
Costumo dar o seguinte exemplo: JOÃO é uma única pessoa.
No entanto, JOÃO pode exercer uma infinidade de funções na sociedade. Em casa,
JOÃO é um pai zeloso e marido exemplar. No condomínio em que mora, JOÃO é o
síndico e vizinho atencioso. Em seu trabalho, JOÃO é chefe de setor. Na igreja, é o
ORGANISTA.
Assim funcionam as palavras. Em analogia a JOÃO, apresentamos um
SUBSTANTIVO (classe gramatical, que não se modifica). Esse substantivo (classe
gramatical) pode exercer várias funções sintáticas. Pode ser o núcleo do sujeito, o
objeto direto, o objeto indireto, o predicativo do sujeito etc.
É como se a classe gramatical fosse JOÃO, e as funções sintáticas fossem “pai
zeloso”, “marido exemplar”, “síndico”, “chefe”, “organista”, ou seja, a palavra
pertence a certa classe gramatical e a função sintática que exerce pode, algumas
vezes, variar, a depender da estrutura oracional.
Vamos, agora, relembrar a tabela de classe das palavras variáveis e invariáveis,
apresentada na Aula 1.

CLASSES DE PALAVRAS
VARIÁVEIS INVARIÁVEIS
Substantivo Advérbio
Adjetivo Palavra Denotativa
Artigo Preposição
Pronome Conjunção
Numeral Interjeição
Verbo
FUNÇÕES SINTÁTICAS
Trata-se de uma noção preliminar. O assunto será explorado na aula própria sobre
“Termos da Oração”.
São termos essenciais da oração: SUJEITO e PREDICADO.
SUJEITO:
- SIMPLES - possui apenas um núcleo
- COMPOSTO - apresenta mais de um núcleo.
- OCULTO - é identificado pela desinência verbal (Andei por estradas) ou por estar
expresso em oração precedente (O Brasil jogou mal e foi eliminado [o Brasil] da
Copa do Mundo pela França).
- INDETERMINADO - a ação verbal é atribuída a um ser que não é determinado, ou
seja, “alguém” praticou a ação. Só não se pode (ou não se quer) designá-lo.
- ORAÇÃO SEM SUJEITO - não existe um ser a quem se possa atribuir a ação
verbal.
PREDICADO:
- VERBAL - Apresenta um verbo que indica uma ação, podendo ser intransitivo,
transitivo direto ou indireto.
- NOMINAL - Apresenta um verbo de ligação, que indica e possui predicativo do
sujeito.
- VERBO-NOMINAL - é o predicado que, formado por um verbo intransitivo ou
transitivo, atribui uma ação ao sujeito e uma qualidade ao sujeito (Predicativo do
Sujeito) ou ao objeto (Predicativo do Objeto). Estão presentes nesse predicado
tanto a ação (própria do predicado verbal) como o estado ou a qualidade (que pode
ser atribuído ao sujeito ou ao objeto).
ELEMENTOS COMPLEMENTARES AO VERBO:
- OBJETO DIRETO - é o complemento que se liga ao verbo sem preposição
obrigatória.
- OBJETO INDIRETO – é o complemento que se liga ao verbo por meio de uma
preposição obrigatória.
- PREDICATIVO DO SUJEITO - é o termo que, mesmo distante, se refere ao sujeito.
Pode estar presente no predicado nominal ou no verbo-nominal.
- PREDICATIVO DO OBJETO - é o termo que indica uma qualidade ao objeto, direto
ou indireto. Está presente no predicado verbo-nominal.
- AGENTE DA PASSIVA - é o complemento que, na voz passiva com auxiliar,
designa o ser que pratica a ação sofrida ou recebida pelo sujeito paciente.
ELEMENTOS ACESSÓRIOS - Por ora, só nos interessa um deles.
ADJUNTO ADNOMINAL – os elementos vêm junto ao nome para definir ou restringir
seu significado.

CONCORDÂNCIA NOMINAL.
Regra geral
A regra geral define que os termos (pronomes, artigos, adjetivos e numerais) que
dependem do nome (substantivo) com ele concordam em gênero e número.
O que mais nos interessa estudar é a concordância entre ADJETIVOS e
SUBSTANTIVOS, por constituírem vários casos de concordância.
Os nossos médicos descobriram a cura da doença.
Passamos bons momentos juntos.
Casos especiais
No entanto, alguns casos fogem à regra geral. Vejamos como o adjetivo se
comporta em cada um dos casos especiais.
O adjetivo (CLASSE GRAMATICAL) pode exercer uma das seguintes funções
sintáticas: ADJUNTO ADNOMINAL, PREDICATIVO DO SUJEITO ou
PREDICATIVO DO OBJETO.

CASO 1: ADJETIVO na função de ADJUNTO ADNOMINAL


O nome desta função sintática já ajuda a identificá-la: ADJUNTO ADNOMINAL
significa JUNTO AO NOME, ou seja, palavras que vêm junto ao nome
complementando, designando ou restringindo o seu significado.
1.1 - ADJETIVO ANTEPOSTO A MAIS DE UM SUBSTANTIVO
Adjetivo anteposto ao substantivo na função de adjunto adnominal
concorda com o mais próximo.
BIZU: Para lembrar, memorize que tudo começa com a letra A:
Adjetivo Anteposto na função de Adjunto Adnominal Î concordância Atrativa.

Observaram-se boa disciplina, estudo e trabalho.


Desfrutei de boas horas e momentos naquele lugar.
OBSERVAÇÃO: Se preceder um substantivo como título, prenome,
parentesco ou se referir a nomes próprios, inclusive de pessoas ilustres, é
empregado SEMPRE no plural.
Os irmãos Pedro e Paulo estiveram aqui.
Tivemos a presença dos ilustres Celso Cunha e Evanildo Bechara.
Ele se referiu aos senhores Magalhães e Peixoto.

1.2 - ADJETIVO POSPOSTO A MAIS DE UM SUBSTANTIVO


O adjetivo pode ficar no singular (concorda com o mais próximo – CONCORDÂNCIA
ATRATIVA) ou no plural (concorda com todos os elementos – CONCORDÂNCIA
GRAMATICAL).
A vontade e a inteligência humana(s).
As conquistas e as descobertas portuguesas.
Na norma gramatical, quando os substantivos tiverem gêneros diferentes
(masculino e feminino), o masculino prevalece. Pode haver 200 substantivos
femininos e um masculino, e o adjetivo deverá ir para o masculino (viu como o
Português é machista???).
O carro, a motocicleta e a bicicleta envenenada(os).
O trabalho e as realizações conseguidas(os).
Defeitos e virtudes verdadeiros(as).

1.3 – DOIS OU MAIS ADJETIVOS COM UM SUBSTANTIVO: há três


possibilidades.
Estudamos a civilização grega e romana.
Estudamos a civilização grega e a romana.
Estudamos as civilizações grega e romana.
Esse conceito já foi objeto de prova da Cespe/UnB. Vejamos.

(UnB CESPE/Banco do Brasil/2002)


Julgue a assertiva abaixo.
3) Seria igualmente correto substituir o trecho “As políticas fiscal e monetária
contribuíram” (R.21-22) por A política fiscal e monetária contribuiu, A
política fiscal e a monetária contribuíram ou As políticas fiscais e
monetárias contribuíram.

Este item foi considerado CORRETO. Foram apresentadas as três possibilidades de


concordância entre um substantivo e mais de um adjetivo. Na primeira, os dois
adjetivos se ligam ao substantivo e a concordância verbal se faz no singular. Na
segunda forma, individualizou-se cada uma das políticas, levando o verbo para o
plural. Na terceira e última construção, apresentou-se o substantivo no plural,
flexionando-se o verbo no mesmo número. Todas essas formas estariam corretas.

1.4 - O MESMO ADJETIVO EM RELAÇÃO A MAIS DE UM SUBSTANTIVO


- Se estes substantivos forem ou puderem ser considerados SINÔNIMOS,
ANTÔNIMOS ou formarem GRADAÇÃO das idéias enunciadas, o adjetivo só pode
permanecer no SINGULAR, concordando com o mais próximo, quer esteja
anteposto ou posposto aos substantivos.
Ele sempre teve idéia e pensamento fixo naquela mulher. (SINÔNIMOS)
Naquele país, há frio e calor intenso. (ANTÔNIMOS)
É preciso dedicação ao carinho, amor e paixão alheia. (GRADAÇÃO)
- CUIDADO COM O SENTIDO: algumas vezes, o adjetivo só pode estar se
referindo a um dos substantivos, caso em que deverá concordar com ele.
Comprei no supermercado carne e legume fresco / frescos. – A concordância é
facultativa, pois tanto os legumes quanto a carne podem estar frescos.
Comprei no supermercado carne e legume verdes. – Opa! Essa carne deve estar
estragada. O adjetivo só pode se referir a “legume”, devendo permanecer no
singular: carne e legume verde.
Observe, agora, uma ótima questão de prova, aplicada pela NCE/UFRJ
(Corregedoria de Justiça do Rio de Janeiro):

“...respiração e circulação sangüínea.” ; na Nova gramática do português


contemporâneo, p. 265, o prof. Celso Cunha diz: “(Quando o adjetivo vem
depois dos substantivos), se os substantivos são do mesmo gênero e do
singular, o adjetivo toma o gênero dos substantivos e, quanto ao número,
vai: para o singular (concordância mais comum) ou para o plural
(concordância mais rara).” Assim sendo:
(A) o adjetivo sangüínea poderia também aparecer com a forma sangüíneas;
(B) o autor preferiu a concordância mais rara à mais comum;
(C) o autor do texto cometeu um erro de concordância;
(D) razões semânticas fazem que a única forma possível do adjetivo seja
sangüínea;
(E) a única forma correta do adjetivo é sangüíneas.

O gabarito foi a letra D. Não há possibilidade de o adjetivo sangüíneas se referir a


respiração, por razões semânticas. Contudo, muitos candidatos, levados pelo
enunciado, devem ter marcado a opção A, esquecendo-se do sentido das palavras.

1.5 - Algumas palavras especiais:


- MESMO, PRÓPRIO, TAL – como PRONOMES DEMONSTRATIVOS, variam para
concordar com o substantivo a que se referem (os pronomes são, regra geral,
variáveis).
Elas mesmas não sabiam o porquê.
O vocábulo MESMO não se flexiona quando apresentar valor adverbial (advérbio
pertence à classe de palavras invariáveis), equivalente a realmente, de fato ou à
palavra invariável até.
Elas não sabem o que fazer mesmo (realmente).
Mesmo elas, que eram tão experientes, não sabiam o que fazer.

O vocábulo TAL também pode se apresentar na expressão TAL QUAL, caso em


que cada elemento irá concordar com o substantivo ou pronome a que se referir.
Ela queria que sua filha fosse tal quais as primas.
Eles se comportam tais quais os pais.
Eles se comportam tais qual a mãe.
Que tal vermos uma questão de prova sobre isso? Vamos lá.

(NCE UFRJ / INCRA / 2005)


28 - Assinale a frase com ERRO de concordância da palavra mesmo:
(A) A Portuguesa, mesmo derrotada, não cairá para a segunda divisão;
(B) Ela mesma arrumou toda a casa;
(C) Joana é teimosa mesmo;
(D) As folhas rasgaram-se por si mesmo;
(E) Na mesma praça, no mesmo jardim.

Você achou o erro? O gabarito foi a letra D. O correto seria “as folhas rasgaram-se
por si mesmas”, já que o vocábulo é um pronome demonstrativo e, portanto,
variável.
Nas demais ocorrências, a palavra “mesmo” é:
a) palavra denotativa (ainda que derrotada); logo, invariável.
b) um pronome demonstrativo corretamente flexionado, concordando com o
pronome pessoal reto.
c) esse “mesmo” tem valor adverbial (ela é realmente teimosa) e, por isso, não
varia.
e) agora, esse pronome está em harmonia com o substantivo “jardim”.

- ANEXO, INCLUSO, JUNTO, NENHUM, LESO, OBRIGADO, QUITE: com valor


adjetivo, se flexionam em gênero e número de acordo com o termo que modificam.
Observação: A locução adverbial em anexo fica invariável.
Enviamos anexas as informações / anexos os documentos.
Mulheres nenhumas o agradavam. / Eles não são nenhuns santinhos.
Estamos quites com você./ Estou quite com você.
Vinham inclusas na pasta a carta e a procuração.
Elas saem sempre juntas.
Aqueles eram crimes de lesa-pátria / de leso-patriotismo / lesas-razões.
Vamos bem, obrigados. (gratos, agradecidos)

A palavra JUNTO só fica invariável quando faz parte de uma locução prepositiva
(preposição faz parte da classe de palavras invariáveis), como junto com / junto
a.
Por isso, nada de “nós vamos chegar junto”! O correto seria “nós vamos chegar
juntos”.
Até porque você já deve estar meio “velhinho(a)” para usar gírias como “ela(e) não
chega junto” no sentido de “corresponder às expectativas” ou coisas afins...rs...
Essa expressão só é admissível na linguagem coloquial vulgar.
Nós saímos juntos, almoçamos juntos, mas ele não “chegou junto”. (rs...)

Vamos analisar uma questão de prova:

(FUNDEC / TJ MG / 2002 - adaptada) Julgue se a assertiva abaixo está de


acordo com a norma culta escrita.
II. Após um longo período de dificuldades, estou finalmente quites com todos
os meus credores.

A construção apresenta erro de concordância nominal. O adjetivo “quite” deve se


flexionar de acordo com o nome ou pronome a que se refere, no caso ao pronome
pessoal reto eu, identificado a partir da desinência verbal (“estou”), ficando no
singular: “...estou finalmente quite com todos os meus credores”.
- SÓ, MEIO, BASTANTE, CARO, BARATO: concordam com o substantivo a que se
referem.
Se forem usados como advérbios ou palavras denotativas, ficam invariáveis.
Eles estavam sós no apartamento (adjetivo - variável)
Ele só quer o nosso bem (= apenas – palavra denotativa - invariável)
Aquelas roupas estavam baratas/caras.(adjetivos - variáveis)
Os gêneros alimentícios permanecem caros/baratos. (adjetivos – variáveis)
Os gêneros alimentícios custam caro/barato.(advérbios - invariáveis)
Ela estava meio embriagada pelo sucesso. (advérbio - invariável)
Suas idéias eram bastante interessantes.(= muito – advérbio – invariável)
Compraram duas meias entradas para o espetáculo. (numeral)
Enfrentamos bastantes problemas difíceis. (pronome indefinido – variável)

A expressão a sós fica SEMPRE invariável, por ser uma locução adverbial.
Ela gosta de estar a sós.

A expressão por si só se flexiona com o substantivo ou pronome em referência.


As notícias, por si sós, não foram suficientes para acalmá-la.
Vamos ver outra questão de prova.

(FGV / ALESP / 2002)


14. Assinale a alternativa cuja concordância NÃO está de acordo com os
padrões cultos:
A. Ela está meio cansada.
B. Eles estão meio cansados.
C. Eles estão meios cansados.
D. Ele está meio cansado.

Você deve ter considerado esta questão bem mais fácil que as demais. A palavra
MEIO, com valor adverbial, permanece INVARIÁVEL. Na dúvida, tente trocar por
outro advérbio, como MUITO: “Ela está MUITO cansada”, “Eles estão MUITO
cansados”. Viu só? Se não houve alteração com MUITO, também não haverá com
MEIO.

- MENOS - fica SEMPRE invariável, qualquer que seja a sua classificação (pronome,
advérbio).
Vieram menos pessoas que o esperado.(pronome indefinido)
Coma menos.(advérbio)
- MONSTRO, ALERTA, PSEUDO – ficam INVARIÁVEIS.
Os soldados estavam alerta.(advérbio)
Há no governo alguns pseudo-intelectuais.(elemento de composição)
Eles eram criaturas monstro.(formado a partir de derivação imprópria, ou seja,
originalmente era um substantivo e foi usado como adjetivo).
Já existe registro no Dicionário Eletrônico Aurélio da palavra alerta com valor
adjetivo, caso em que se torna variável.
Nada lhes escapa, são homens alertas.
Para treinarmos, que tal mais uma questão de prova? Vamos lá.

(FGV/PREF.ARAÇATUBA/2001)
21. A alternativa correta quanto à concordância nominal é
A. A empregada mesmo viu tudo.
B. B. Já fiz isso bastante vezes.
C. C. Passado a crise, voltaram.
D. D. As frutas chegaram meio estragadas.

Vamos analisar cada uma das opções:


a) O pronome demonstrativo MESMO deve concordar com o nome EMPREGADA. Se
você estiver achando estranho, troque o nome por um pronome: “Ela mesma viu
tudo”.
b) Os vocábulos MUITO e BASTANTE tanto podem ser pronomes indefinidos como
advérbios. A diferença está no emprego e na flexão. Os advérbios modificam
adjetivos, verbos ou outros advérbios e permanecem invariáveis. Os pronomes
indefinidos podem modificar substantivos, concordando com eles em gênero e
número. Veja agora a que classe de palavra pertence o vocábulo modificado por
“BASTANTE”: “Já fiz isso bastante vezes”. Está modificando o substantivo VEZES.
Logo, só pode ser um pronome indefinido e deve se flexionar: bastantes vezes
(muitas vezes).
c) Pergunto a você: o que passou? Resposta: “a crise”. Então o particípio “passado”
deve com este substantivo concordar: “Passada a crise”.
d) Como já vimos anteriormente, o vocábulo MEIO pode ter valor adverbial, assim
como o MUITO. Na dúvida, troque um pelo outro para verificar se há flexão. Se não
houver, confirma-se o emprego como advérbio, e não uma classe de palavras
variável: “As frutas chegaram muito estragadas” Î “As frutas chegaram meio
estragadas”. Está correta a oração da opção D.

1.6. Um e outro / Nem um nem outro


Com essas construções, o substantivo permanece no singular, mas o adjetivo
vai para o plural.
BIZU: Como os elementos são ligados por elementos aditivos (E, NEM), há apenas
um substantivo se referindo a cada um deles (singular), mas o adjetivo se refere a
todos (plural).
Houve um e outro homem escolhidos para o cargo.
O delegado não apurou nem um nem outro crime praticados.
Um e outro alimento naturais.
Se você estiver achando essa construção feia, espere até chegar a hora de falarmos
sobre a concordância verbal nesses casos !!!
1.7 mais / menos
O(S) / A(S) melhor(es) / pior(es) possível(eis)
maior(es) / menor(es)
qualquer adjetivo

O adjetivo “possível” segue o que indica o artigo “o/a/os/as”.


Se estiver no plural (os/as), o adjetivo “possível” também se flexiona (possíveis).
Se ficar no singular (o/a), assim também fica o adjetivo (possível).
BIZU: A expressão “o mais possível” pode ser considerada uma locução adverbial
(invariável), equivalente a “muito” ou “bastante”, enquanto que a expressão os
mais possíveis poderia ser considerada uma locução adjetiva (variável),
equivalente a um superlativo.
Conheci mulheres o mais encantadoras possível. (muito encantadoras)
Havia mestres os mais inteligentes possíveis. (inteligentíssimos)

1.8. A olhos vistos


Essa expressão pode ficar invariável (locução adverbial) ou a palavra visto
concordar com o substantivo a que se refere.
Ela tem piorado a olhos vistos / a olhos vista.

1.9. Haja vista


Essa expressão está sempre certa quando invariável, equivalente a “Veja”.
Uma outra possibilidade de construção é com o substantivo vista (INVARIÁVEL
SEMPRE!) e o verbo se flexionando de acordo com o substantivo que se segue.
Haja vista o resultado.
Haja vista / Hajam vista os resultados.
Haja vista / Hajam vista as dificuldades por que passamos.
Uma terceira forma, apresentada por alguns autores, é INVARIÁVEL com a
preposição “a” ou “de”.
Haja vista ao resultado.
Haja vista do resultado.
Não é possível nenhuma construção com “visto”, provavelmente resultante de
“contaminação” das expressões “visto que” ou “visto como”.

BIZU: Uma boa maneira de lembrar as duas últimas regras é: enquanto no


caso 1.8 quem pode se flexionar é VISTO (“a olhos vistos / vista / visto /
vistas), no 1.9 essa palavra é INFLEXÍVEL (“haja / hajam vista).

Para encerrar esta parte, vamos resolver mais uma questão de prova.
(BESC ADVOGADO/ 2004)
Assinale a alternativa aceitável segundo a norma culta.
(A) Ela mesmo quis se apresentar para a diretoria.
(B) Há bastante coisas a serem feitas antes da chegada do nosso diretor.
(C) Aqueles funcionários são o mais capacitados possível.
(D) Eles pediram emprestado a caixa de documentos.
(E) Anexo segue os documentos.

O gabarito foi a letra C. Note que o adjetivo “possível” segue a flexão do artigo “o”
– tudo no singular.
Os erros das demais opções são:
a) “Ela mesma quis se apresentar para a diretoria.” – o pronome demonstrativo
deve concordar com o nome/pronome a que faz referência.
b) Agora, o vocábulo “bastante” é um pronome indefinido. Na dúvida, troque por
“muito” e veja como ficaria: “Há muitas coisas...” Î “Há bastantes coisas...”.
d) O adjetivo “emprestado” deve concordar com o objeto direto “caixa de
documentos”, cujo núcleo é representado por caixa. Assim, a forma correta seria:
“Eles pediram emprestada a caixa de documentos”. Esse é um dos casos de
ADJETIVO na função de PREDICATIVO DO OBJETO, a ser analisado no “Caso 3”,
mais adiante.
e) O vocábulo “anexo” tem valor adjetivo, devendo concordar com o substantivo
correspondente. Além desse erro, houve também um de concordância verbal, já
que o sujeito é “os documentos”, mas esse é assunto para a próxima aula. A forma
correta seria: “Anexos seguem os documentos”.

Caso 2 - ADJETIVO na função de PREDICATIVO DO SUJEITO


Em predicados nominais, com verbos de ligação (Eles parecem preocupados. / Elas
estão tristes.), ou em predicados verbo-nominais, com verbos indicativos de ação
associados a adjetivos que se referem ao sujeito (Eles saíram do escritório
preocupados. / Elas passaram a tarde tristes.), temos a função sintática de
predicativo do sujeito.
Essa função, que pode ser exercida por um substantivo ou um adjetivo, mesmo
distante, atribui ao sujeito um estado, condição, característica.
Nesses casos, o adjetivo não decide nada sozinho. Ele sempre vai seguir o caminho
que o verbo escolher.
2.1. Sujeito composto anteposto:
Quando o sujeito composto é apresentado antes do verbo, segue-se a regra geral
– o verbo e o adjetivo concordam com o sujeito.
O amor e a compreensão humanos estavam mortos.

2.2. Sujeito composto posposto: adjetivo concorda com o verbo.


Esta concordância nominal se reporta a uma regra da concordância verbal. Quando
o sujeito composto vem após o verbo, fora da ordem direta (ou seja, primeiro vem
o predicado e depois o sujeito), o verbo pode concordar com o primeiro elemento
do sujeito composto (concordância atrativa) ou com todos eles (concordância
gramatical).
O adjetivo seguirá a decisão do verbo. Se o verbo for para o plural, assim se
flexionará o adjetivo. Se o verbo realizar a concordância com o primeiro elemento,
com ele o adjetivo concordará em gênero e número.
Estava morto o amor e a compreensão humana/humanos.
Estava morta a compreensão e o amor humano/humanos.
Estavam mortos o amor e a compreensão humana/humanos.

2.3. Sujeito não-determinado: se o sujeito se mostra vago, genérico, o adjetivo


fica invariável em expressões com “é preciso”, “é bom”, “é necessário” e
equivalentes.
É proibido entrada de estranhos.
Cerveja preta é bom para as lactantes..

2.4. Sujeito determinado: a flexão do adjetivo se torna possível quando, nessas


construções, o sujeito está acompanhado de um determinante (numeral, artigo,
pronome).
É proibida a entrada de estranhos.
Esta cerveja é boa para as lactantes.

Caso 3: ADJETIVO na função de PREDICATIVO DO OBJETO:


Os verbos que permitem esse tipo de construção são os chamados verbos
transobjetivos. Além de serem transitivos diretos, deles se exige mais alguma
informação, trazida pelo elemento que exerce a função de predicativo do objeto
(transobjetivo = vai além do objeto Î predicativo do objeto).
São verbos como julgar, considerar, chamar, encontrar e outros. Não se pode
dispensar a informação trazida pelo predicativo do objeto, sob risco de se
prejudicar a coerência oracional.
O júri considerou o réu....
Você percebeu que ficou faltando alguma coisa? Aquilo que se diz a respeito do réu
(o que foi considerado a seu respeito) é o elemento que exerce essa função de
predicativo do objeto.
Uma boa maneira de se distinguir o adjetivo que exerce a função de adjunto
adnominal daquele que exerce a função de predicativo do objeto é substituir o
substantivo (objeto direto) por um pronome átono correspondente. Exemplo:

a) Contexto: Havia muitos dias que meu cavalo de estimação morrera, mas seu
corpo não havia sido encontrado. Até que, um dia, andando pelo campo...
encontrei o cavalo morto Î encontrei-o.
Quando o adjetivo acompanha o substantivo e todos os dois – substantivo e
adjetivo - são substituídos pelo pronome, o adjetivo estará exercendo a função de
adjunto adnominal.
b) Contexto: Havia muitos dias que meu cavalo de estimação sumira. Ninguém
sabia de seu paradeiro. Até que, um dia, andando pelo campo... encontrei o
cavalo morto Î encontrei-o morto.
Neste caso, o adjetivo permanece na oração, mesmo após a troca do substantivo
pelo pronome. Isso significa que essa informação é necessária para a compreensão
pelo leitor/ouvinte. A função exercida pelo adjetivo, neste caso, é a de predicativo
do objeto.
Agora que o significado da função de predicativo do objeto foi apresentado,
voltaremos a falar sobre a concordância nominal com o adjetivo que exerce esta
função. É bem simples.
Se o adjetivo estiver na função de PREDICATIVO DO OBJETO QUALQUER QUE
SEJA SUA POSIÇÃO EM RELAÇÃO AO SUBSTANTIVO (anteposto ou posposto), a
única concordância admitida é a gramatical (com todos os elementos). Exemplo:
Encontrei o cavalo e a vaca mortos / Encontrei mortos a vaca e o cavalo.

3.1. Objeto simples: adjetivo concorda em gênero e número.


Encontrei tristonha a mulher abandonada.

3.2. Objeto composto: adjetivo fica no plural, independentemente de estar


anteposto ou posposto. Como sempre, havendo gêneros diferentes, prevalece o
masculino (é a vida, fazer o quê???).
Encontrei tristonhos a mulher e o rapaz.
Você ainda se lembra do comentário à questão de prova ao fim do item 3.2? O
mote era a expressão “pedir emprestado”. Então, vamos analisar uma outra
questão de prova, desta vez elaborada pela Fundação João Goulart.

(PGM RJ/2004)
Há má construção gramatical quanto à concordância em:
A) Os médicos consideravam inevitável nos pacientes pequenas alterações
psicológicas.
B) As internações por si sós já causam certos distúrbios psicológicos aos
pacientes.
C) Uma e outra alteração psicológica podem afetar os pacientes
hospitalizados.
D) Distúrbios e alterações psicológicos são normais em pacientes
hospitalares.

O gabarito foi a letra A. Observe um clássico caso de verbo transobjetivo –


CONSIDERAR.
Eu considero aquele rapaz....
Ficou faltando alguma coisa, não é? O que faltou foi o predicativo do objeto, ou
seja, o que se refere àquele rapaz, a consideração que fazemos dele.
Na construção “Os médicos consideravam inevitável nos pacientes pequenas
alterações psicológicas”, pergunta-se: o que era inevitável?
Resposta: “pequenas alterações psicológicas”.
Como o núcleo do objeto direto é alterações, o adjetivo, na função de predicativo
do objeto, deve se flexionar em número plural: “Os médicos consideravam
inevitáveis nos pacientes pequenas alterações psicológicas.”.

Caso 4: DISTINÇÃO ENTRE MIL, MILHÃO E MILHARES.


4.1) MIL – Quando você preenche um cheque no valor de R$ 1.000,00, tenho
certeza de que coloca o “um” antes de “mil”, acertei?
Tudo bem que você faça isso para evitar fraudes, mas, na hora da prova, esqueça
esse hábito. Neste caso, o numeral vem sozinho (mil reais). A partir de “dois”, o
numeral concorda com o substantivo: duas mil mulheres / dois mil homens.
4.2) MILHÃO - O numeral milhão, como os demais numerais, pertence à classe
das palavras variáveis. Assim, deverá concordar com a parte inteira do numeral
cardinal a ele relacionado.
Aquela empresa investiu 1,5 milhão de reais em novos equipamentos.
O artigo e o numeral que o antecederem devem concordar com ele, no masculino:
Os dois milhões de árvores plantadas agora recobrem toda a área.
Veja agora uma questão da prova da ESAF sobre o assunto (AFC STN/2002 -
adaptada).

Um emprego novo na indústria siderúrgica custa 1,4 milhão de reais. No


varejo, um único emprego exige o dispêndio de algo em torno de 30.000
reais: o custo do espaço na loja, do balcão e do estoque de mercadorias.
Julgue a asserção abaixo em seus aspectos gramaticais.
b) À linha 1 seria também correto escrever-se 1,4 milhões de reais.

Estaria incorreta a concordância em “1,4 milhões de reais”. Como a parte inteira é


representada pelo algarismo ‘1’, o numeral milhão deverá ficar no singular: “1,4
milhão de reais”.
4.3) MILHARES – Pode ser classificado como numeral ou substantivo. De qualquer
forma, é MASCULINO, devendo permanecer neste gênero qualquer que seja o seu
complemento.
Muitos dos milhares de batidas de trânsito são fruto da imprudência.

Como esse assunto já caiu em prova? Vejamos uma questão elaborada pela ESAF.

(TCE RN/2000) Nas questões seguintes, marque o item sublinhado que


apresenta erro gramatical ou de ortografia.

Acredito que a maior parte dos senhores sabe(A) que a Secretaria de


Educação é gigantesca; por isso(B) se tem muita dificuldade de gerencia-
mento. É composta(C) por 1,3 milhões(D) de alunos. Esta quantidade de
alunos é maior do que (E) a população de muitas capitais no Brasil.

a) A
b) B
c) C
d) D
e) E
O gabarito foi a letra D. Como a parte inteira é representado pelo algarismo ‘1’, o
numeral milhão, que pertence à classe das palavras variáveis, deverá concordar
com ele, ficando no singular – “1,3 milhão de alunos”.
Na próxima aula, estudaremos os casos de concordância verbal e teremos
uma bateria de questões de prova para a fixação.
Até lá.
SINTAXE DE CONCORDÂNCIA – PARTE 2
Hoje, daremos continuidade ao estudo da sintaxe de concordância, desta vez
analisando os casos de concordância verbal.
Segundo a regra geral, o verbo concorda com o núcleo do sujeito em número e
pessoa. Em uma linguagem mais simples, o núcleo do sujeito manda no verbo, mas
é a partir do verbo que conseguimos identificar o sujeito.
O técnico escalou o time.
Os técnicos escalaram os times.
Para isso, perguntamos ao verbo quem/o que é o seu sujeito: quem escalou o
time? O técnico / os técnicos.
As construções dos exemplos acima apresentam sujeito simples (um único núcleo)
e dispõem os elementos da oração na ordem direta, ou seja, SUJEITO + VERBO +
COMPLEMENTOS.
Em frases como essas, fica bem fácil identificar o sujeito e seu núcleo e perceber
qualquer erro de concordância. Veja como isso caiu em uma das mais recentes
provas da ESAF (essa acabou de sair do forno!):

(ESAF/AFT/2006) Os trechos abaixo constituem um texto. Assinale a opção


que apresenta erro.
a) A Primeira Revolução Industrial pode ser entendida como uma guinada
de todos os indicadores econômicos ingleses, sobretudo nas duas últimas
décadas do século XVIII.
b) Tal avanço dos indicadores econômicos tiveram várias razões: a
intensificação do Comércio Internacional desde o século XVI, a Revolução
Agrícola (e a expulsão de vastos contingentes de campesinos para as
cidades), o surgimento de uma indústria têxtil inglesa etc.
c) Esses acontecimentos propiciaram o que o historiador Eric Hobsbawm
chama de a “partida para o crescimento auto-sustentável”. Por “crescimento
auto-sustentável” entende-se: o poder produtivo das sociedades humanas,
até então sujeito a variáveis climáticas ou demográficas, tornou-se
crescente e constante – livre de epidemias, fomes, pestes ou intempéries,
que regularmente ceifavam grandes contingentes de mão-de-obra em
quase toda a Europa.
d) Contraposto à Idade Média, em que o problema crônico da produção era
a falta de homens e mulheres nos campos (e não de terras), o período que
se segue à Revolução Industrial é aquele em que o homem começa a
tornar-se um pouco mais supérfluo.
e) Como explicita Hobsbawm, trata-se de período em que, às grandes
massas de desempregados e campesinos desapossados, juntou-se um
sistema fabril mecanizado que produzia “em quantidades tão grandes e a
um custo tão rapidamente decrescente a ponto de não mais depender da
demanda existente, mas de criar o seu próprio mercado”.
(Raquel Veras Franco, Breve Histórico da Justiça e do Direito do Trabalho no
Mundo.http://www.tst.gov.br/Srcar/Documentos/Historico)

Será que você acertou???


O gabarito deu como incorreta a construção da opção B. Note que o núcleo do
sujeito é avanço (“Tal avanço dos indicadores econômicos...”). Com este elemento,
o verbo TER deve concordar. Os demais elementos (“tal”, “dos indicadores
econômicos”) só vêm complementar o sentido do núcleo. Normalmente, devido à
proximidade do verbo com vários elementos no plural, não notamos que ele deve
permanecer no singular. Para evitar erros como esses (muito comuns nas provas
da ESAF), uma boa dica é assinalar o núcleo de alguma forma (sublinhando,
envolvendo com um círculo etc).
A construção correta seria: “Tal avanço dos indicadores econômicos teve várias
razões...”. Esse é um caso de construção na ordem direta (sujeito + verbo +
complemento) com apenas um núcleo do sujeito (sujeito simples).
Se você achou essa questão complicada, prepare-se, pois pode piorar! Vida de
concursando não é essa maravilha aí, não... Normalmente, as construções vêm em
ordem invertida e/ou com o sujeito bem distante do verbo, o que dificulta a
constatação de um equívoco na concordância. Esse, aliás, é o estilo da ESAF. Entre
o núcleo do sujeito e o verbo são dispostos vários elementos em número diverso do
apresentado pelo sujeito. Resultado: sem que percebamos, acabamos
“contaminados” e aceitamos uma concordância incorreta.

Daquela mesma prova, tiramos este outro exemplo de erro de concordância, um


pouco mais complicadinho. Resolva a questão e leia o comentário.

(ESAF/AFT/2006) Os trechos a seguir constituem um texto. Assinale a


opção que apresenta erro de concordância.
a) As riquezas geradas eram, de fato, imensas e as condições de vida nas
cidades costumavam ser horríveis. Para se ter idéia, alguns recenseamentos
ingleses, da década de 1840, relatam que o homem do campo vivia, em
média, 50 anos e o da cidade, 30 anos.
b) Talvez esses números sejam indicadores da dramaticidade das
modificações ocasionadas, na vida de milhões de seres humanos, pela
Revolução Industrial.
c) Essa dramaticidade que, muitas vezes, nos escapa, mas que podemos
entrever, como nos informa Hobsbawm, se levarmos em conta que era
comum, nas primeiras décadas dos oitocentos, encontrar trabalhadores
citadinos vivendo de forma que seria absolutamente irreconhecível para
seus avós ou mesmo para seus pais.
d) A fragmentação das sociedades campesinas tradicionais, que originou as
grandes massas nas cidades, fazem com que, nas palavras de Hobsbawm,
“nada se tornasse mais inevitável” do que o aparecimento dos movimentos
operários.
e) Aqueles trabalhadores, que viviam em condições insuportáveis, não
tinham quaisquer recursos legais, somente alguns rudimentos de proteção
pública.
(Raquel Veras Franco, Breve Histórico da Justiça e do Direito do Trabalho no
Mundo - http://www.tst.gov.br/Srcar/Documentos/ Historico)

O gabarito é a letra d. Desta vez, o núcleo do sujeito (fragmentação – núcleo do


sujeito na construção “A fragmentação das sociedades campesinas tradicionais”)
está bem distante do verbo (fazer) e, entre eles, elementos no plural – e não são
poucos: “das sociedades campesinas tradicionais, que originou as grandes massas
nas cidades”. Nada disso interessa! O núcleo do sujeito continua sendo o mesmo –
fragmentação – no singular, e com ele deve o verbo concordar: “a fragmentação
(...) faz com que...”.
LEMBRE-SE DA DICA: em questões como essa, MARQUE o núcleo do
sujeito, para não perdê-lo de vista nem da memória.
A seguir, apresentamos alguns casos especiais de concordância verbal que
devem ser observados.
Caso 1 - Sujeito composto – No sujeito composto, há mais de um núcleo do
sujeito.
Quando o sujeito composto estiver:
1.a) anteposto ao verbo (SUJEITO + VERBO), o verbo vai para o plural, ou
seja, obedece à concordância gramatical – o verbo concorda com os núcleos do
sujeito. Como o sujeito (com todos os seus núcleos) já foi apresentado, não resta
outra saída a não ser concordar com todos os elementos.
O técnico e os jogadores chegaram ontem a São Paulo.

1.b) posposto ao verbo (VERBO + SUJEITO), o verbo pode concordar com o


sujeito mais próximo (concordância atrativa) ou ir para o plural, concordando com
todos eles (concordância gramatical). O raciocínio dessa concordância é este: como
o sujeito ainda não foi apresentado, o verbo pode “garantir” a concordância logo
com o primeiro (concordância atrativa) ou “aguardar” a apresentação de todos e
com todos eles concordar (concordância gramatical).
Chegou(aram) ontem o técnico e os jogadores.
Se houver idéia de reciprocidade, obrigatoriamente o verbo vai para o
plural; afinal, por ser recíproca, a ação necessita de mais de um agente.
Agrediam-se mãe e filha.

1.c) Havendo pronomes pessoais, formado com pessoas diferentes: verbo


fica no plural da pessoa predominante (1ª, 2ª ou 3ª), obedecendo à seguinte
ordem de preferência:
PREVALECE A 1ª PESSOA – VERBO NA 1ª PESSOA DO PLURAL
Eu, você e os alunos iremos ao museu.(NÓS)
NA AUSÊNCIA DA 1ª PESSOA, PREVALECE A 2ª PESSOA – VERBO NA 2ª
PESSOA DO PLURAL:
Tu, ela e os peregrinos visitareis o santuário.(VÓS)
Nesse segundo caso, modernamente vários autores (Rocha Lima, Sacconi, dentre
outros) já aceitam a conjugação na 3ª pessoa do plural, haja vista o desuso das
segundas pessoas na linguagem coloquial brasileira.
Tu, ela e os peregrinos visitarão o santuário (VOCÊS).
Se a oração estiver em ordem inversa (VERBO + SUJEITO COMPOSTO), pode haver
a concordância atrativa, ou seja, o verbo pode também concordar com o primeiro
elemento:
Irá ao museu ela e eu (3ª p.sing.) / Irei ao museu eu e ela (1ª p.singular)
OU
Iremos ao museu ela e eu/eu e ela (1ª p.plural)
1.d) Com núcleos em correlação (tanto...como; como; não só ... bem como)
POLÊMICA À VISTA! Vários autores registram o emprego do verbo concordando
com o primeiro.
O cientista assim como o médico pesquisa a causa do mal.
Esse é o posicionamento do mestre LUIZ ANTÔNIO SACCONI (em Gramática
Básica) – Os exemplos dados pelo professor apresentam o segundo elemento
isolado por vírgulas, com a flexão somente com o primeiro elemento:
Meus amigos, assim como eu, gostam de estudar Português.
Eu, bem como meus amigos, gosto de estudar Português.
No entanto, também há registros de concordância com todos os elementos.
- CELSO CUNHA & LINDLEY CINTRA (em Nova Gramática do Português
Contemporâneo) - O posicionamento dos professores Celso Cunha e Lindley Cintra
é que, se não houver pausa entre os sujeitos (ou seja, não houver vírgula), o verbo
irá para o plural:
“Qualquer se persuadirá de que não só a nação mas também o príncipe
estariam pobres.”
Os gramáticos ainda destacam o caso de sujeitos ligados por conjunção
comparativa. Segundo eles, quando dois sujeitos estão unidos por uma das
conjunções comparativas como, assim como, bem como e equivalentes, a
concordância depende do valor que atribuímos ao conjunto. O verbo concordará
com o primeiro elemento se quisermos destacá-lo:
A íris, como a impressão digital, é única em cada pessoa.
Nesse caso, a conjunção conserva seu valor comparativo, e o segundo termo vem
enunciado entre pausas, indicadas na escrita pelas vírgulas.
Se os elementos se adicionam, se complementam, o verbo vai para o plural,
seguindo o modelo apresentado nas estruturas correlativas não só... mas
também, tanto...como, visto acima.
- ROCHA LIMA (em Gramática Normativa da Língua Portuguesa)- O mestre
registra a dupla possibilidade de flexão, destacando como preferível a flexão no
plural:
“Se o sujeito é construído com a presença de uma fórmula correlativa, deve
preferir-se o verbo no plural.
‘Assim Saul como Davi, debaixo do seu saial, eram homens de tão grandes
espíritos, como logo mostraram suas obras’ (ANTÔNIO VIEIRA)”
Segundo o autor, é raro aparecer o verbo no singular:
‘(...) tanto uma, como a outra, suplicava-lhe que esperasse até passar a maior
correnteza’.”
- EVANILDO BECHARA (em Moderna Gramática Portuguesa)- Também merecem
registro as palavras do emérito professor Evanildo Bechara, que apresenta a
possibilidade de construir no singular ou no plural, indistintamente:
“Se o sujeito composto tem os seus núcleos ligados por série aditiva enfática
(não só... mas, tanto...quanto, não só...como, etc.), o verbo concorda com o mais
próximo ou vai ao plural (o que é mais comum quando o verbo vem antes do
sujeito).
Vamos eliminar esse monstro que apareceu aí: série aditiva enfática. “Série”
porque estamos diante, não de uma, mas de várias palavras (não só...mas
também, tanto...como, por exemplo). “Aditiva” por apresentar idéia de adição,
equivalente à conjunção “e”. Finalmente, “enfática” por enfatizar cada um dos
elementos da construção, ou até mais um do que outro, ao contrário do que faria
uma mera conjunção “e”, que coloca os dois elementos no mesmo patamar.
Compare: “Eu e meu irmão vimos o acidente.” / “Não só eu como também meu
irmão vimos o acidente.”. Percebeu a diferença?
Parece que ouvi alguém gritar: “Claudia, o que eu faço na hora da prova???”.
Resposta: vai depender da banca examinadora. Primeiramente, há as que indicam
bibliografia. Se isso acontecer, siga o que diz o gramático indicado. Em outros
casos (a maioria, infelizmente), devemos tomar todo cuidado. Vejamos como se
comportou a ESAF:

(ESAF/Assistente de Chancelaria/2002)
As viagens ao exterior e os encontros com figurões estrangeiros constituem,
desde o reinado de Dom Pedro II, um trunfo na estratégia das lideranças
brasileiras. De fato, as críticas às viagens internacionais do Presidente da
República ou de outros dirigentes parecem despropositadas. Tanto o governo
como a oposição devem reposicionar os interesses brasileiros num mundo em
plena mutação. O problema que se coloca é de outra natureza e se resume
numa interrogação pouco formulada na campanha presidencial: quais devem
ser os rumos de nossa diplomacia?
(Luiz Felipe de Alencastro, Veja, 10/04/2002, com adaptações)
d) o conectivo “Tanto...como”(l.4-5) for substituído por Não só ... mas
também, o verbo seguinte pode ser empregado no plural, “devem”(l.5), ou
no singular, deve.

A banca considerou CORRETO este item, ou seja, a partir dessa questão,


podemos afirmar que o entendimento da ESAF é que, em séries aditivas
enfáticas, o sujeito poderá facultativamente se flexionar no singular ou no plural,
com ou sem pausa (vírgula).
Precisaríamos analisar como se comportam as demais bancas, mas algumas
passam ao largo da discussão e não exploram questões como essa.

1.e) Ligado por COM : verbo concorda com o antecedente do COM ou vai para o
plural, entendendo que formam um sujeito composto.
O professor, com os alunos, resolveu o problema.
O maestro com a orquestra executaram a peça clássica.
A opção por uma ou outra flexão é livre, mas não indiferente. Vai depender da
ênfase que se queira dar. O plural destaca o conjunto dos elementos, com idéia de
“cooperação”, enquanto que o singular enfatiza somente um deles.
Se a intenção for realçar apenas um dos núcleos, o verbo concorda com ele. Neste
caso, como nos ensina Rocha Lima, o segundo sujeito (ligado pela preposição com)
“é posto em plano tão inferior que se degrada à simples condição de um
complemento adverbial de companhia”. A vírgula, neste caso, é facultativa.
A carta com o documento foi extraviada.
1.f) Ligado por OU: verbo no singular ou plural, dependendo do valor do OU. Se
for alternativo, com idéia de exclusão dos demais, o verbo fica no singular.
Valdir ou Leão será o goleiro titular.
Também permanece no singular se a conjunção “ou” exprimir equivalência, de tal
forma que o verbo possa se dirigir a qualquer dos elementos.
Um cardeal, ou um papa, enquanto homem, não é mais do que uma pessoa”.
(MANUEL BERNARDES)
Se o valor da conjunção for aditiva, de modo que a ação possa abranger todos os
sujeitos, indistintamente, o verbo vai para o plural.
Alegrias ou tristezas fazem parte da vida.(tanto umas como outras)
O mesmo acontece quando um dos elementos já se apresenta no plural.
O policial ou os populares poderiam ter prendido o perigoso assassino.

1.g) Ligado por NEM: segue o mesmo raciocínio que o caso 1.f (sujeito composto
ligado por OU) – verbo pode ficar no plural ou no singular.
Nem Paulo nem Maria conquistaram a simpatia de Joana.(valor aditivo)
Nem Ciro nem Enéas será eleito presidente.(valor alternativo ou excludente)
Nesses dois últimos casos (1.f e 1.g - sujeito composto ligado por OU / NEM),
havendo, entre os sujeitos, algum expresso por um pronome reto, devemos seguir
a regra 1.c (primazia das pessoas – 1ª. e 2ª):
Nem meu primo, nem eu freqüentamos tal sociedade.(1ª p.plural)

1.h) Resumido com pronome indefinido: o verbo concorda com o pronome, que
exerce a função de aposto resumitivo. Esse é um caso de concordância especial, em
que o verbo concorda, não com o sujeito (todos os elementos), mas com o aposto
(pronome indefinido).
Jovens, adultos, crianças, ninguém podia acreditar no que acontecia.

1.i) Modificado pelo pronome CADA: quando o pronome indefinido cada é


seguido por substantivo ou pronome substantivo, o verbo fica na 3ª pessoa do
singular.
Cada homem, cada mulher, cada criança ajudava os flagelados.

Caso 2 - Sujeito constituído por:


2.a) Um e outro. O verbo no singular ou plural, indiferentemente.
Um e outro médico descobriu(ram) a cura do mal.
Nem um nem outro problema propostos foi(ram) resolvido(s).
Estude este ponto juntamente com o caso 1.6 da Aula 3 (concordância nominal
com um e outro)
2.b) Um ou outro. Em função da presença da conjunção ou, há nessa construção
um valor excludente, que leva o verbo para o singular.
Um ou outro candidato será aprovado.
2.c) Nem um nem outro – POLÊMICA À VISTA.
A posição majoritária é no sentido de manter o verbo no SINGULAR, como ocorre
com “um ou outro”:
- EVANILDO BECHARA (em Lições de Português pela Análise Sintática): “Com nem
um nem outro continua de rigor o singular para o substantivo e o verbo se porá
no singular: Nem uma coisa nem outra é necessária”.
- CELSO CUNHA E LINDLEY CINTRA: “As expressões um ou outro e nem um nem
outro, empregadas como pronome substantivo ou como pronome adjetivo, exigem
normalmente o verbo no singular: Nem um nem outro havia idealizado previamente
este encontro.”
- ROCHA LIMA: “Também a expressão nem um, nem outro, seguida ou não de
substantivo, exige o verbo no singular (só excepcionalmente se encontrará o verbo
no plural): Nem um nem outro havia idealizado previamente esse encontro” (pode
parecer incrível, mas o mesmo exemplo de TASSO DE OLIVEIRA é apresentado nas
duas obras citadas com divergência no emprego do pronome demonstrativo – este
/ esse).
Precisamos, contudo, registrar o posicionamento divergente de DOMINGOS
PASCHOAL CEGALLA em Novíssima Gramática da Língua Portuguesa: “Um e outro
/ Nem um nem outro – o sujeito sendo representado por uma dessas expressões,
o verbo concorda, de preferência, no plural. Exemplos: Depois nem um nem outro
acharam novo motivo para diálogo (Fernando Namora)/ Nem uma nem outra foto
prestavam (ou prestava).
Você pode estar se perguntando por que eu citei todas essas posições doutrinárias.
A resposta é simples: como nosso curso é amplo, voltado para as diversas bancas
examinadoras do país, caberá ao candidato seguir o gramático mencionado na
bibliografia. Em provas realizadas por bancas como a FCC, ESAF, que não oferecem
indicação bibliográfica, deve seguir a posição majoritária, tomando sempre o
cuidado de analisar todas as opções.

2.d) Expressões partitivas ou quantitativas (a maioria de, grande parte de,


grande número de), seguidas de nome plural: Em expressões que indicam
uma parte de um todo (por isso chamadas de termos ou expressões partitivas), o
verbo pode concordar com o núcleo do sujeito (maioria, parte, metade), ficando no
singular, ou com o especificador (substantivo que se segue). Assim, pode-se
destacar o conjunto (singular) ou os elementos desse conjunto (plural). Neste
último caso, realiza-se a concordância ideológica (com a idéia).
A maioria dos candidatos conseguiu/conseguiram aprovação.

2.e) Coletivo geral: A idéia é que o substantivo coletivo já exerce a função


agregativa, ou seja, contém o valor de conjunto, deixando o verbo no singular.
O povo escolherá seu governante em 15 de novembro.

2.f) Expressões que indicam quantidade aproximada (cerca de, perto de,
mais de) seguida de numeral: Nesses casos, o verbo concorda com o numeral
que acompanha o substantivo.
Mais de um jogador foi criticado pela crônica esportiva.
Cerca de dez jogadores participaram da briga.
Esse é um dos casos em que o português se afasta completamente da lógica.
Enquanto “mais de um jogador” (que indica, no mínimo, dois) mantém o verbo no
singular (“mais de um jogador foi criticado”), a expressão “menos de dois” levaria o
verbo para o plural (“menos de dois jogadores foram criticados”), mesmo que
indique ser UM JOGADOR!
Se houver idéia de reciprocidade ou a expressão for repetida, o verbo fica
obrigatoriamente no plural.
Mais de um torcedor agrediram-se.
Mais de um candidato, mais de um fiscal se queixaram da extensão da prova
(exemplo de BECHARA em Lições de Português pela Análise Sintática)

Veja uma questão de prova que “brincou” com esse conceito.

(NCE UFRJ / BNDES/ 2005)


A língua portuguesa e os conhecimentos matemáticos nem sempre estão de
acordo. A frase abaixo em que a concordância verbal contraria a lógica
matemática é:
(A) 50% da torcida brasileira gostaram da seleção;
(B) mais de três jornalistas participaram da entrevista;
(C) menos de dois turistas deixaram de participar do passeio;
(D) são 16 de outubro;
(E) participaram do congresso um e outro professor.

O gabarito foi letra C. Mesmo que o sujeito apresente a idéia de UM TURISTA


(menos de dois só pode ser um!), por concordar com o numeral que acompanha a
expressão (“menos de dois turistas”), o verbo deve ser flexionado no plural –
“deixaram de participar”.
Note que, na opção B, foi respeitada a idéia de plural (mais de três), caso em que o
verbo foi para o plural para concordar com o numeral (“três”).
Em relação à opção E, vimos que, com a expressão “um e outro”, o verbo tanto
pode ir para o plural como ficar no singular (“participou/ participaram um e outro
professor”).
Os demais casos de concordância serão vistos mais adiante (número percentual e
verbo ser).

2.g) Pronomes (indefinidos ou interrogativos)


- no singular, seguidos de pronome: verbo no singular, concordando com o
pronome.
Qual de nós será escolhido?
- no plural, seguidos de pronome: o verbo concorda com o pronome pessoal ou
vai para a 3ª pessoa do plural.
Poucos dentre eles serão chamados pelo Exército.
Alguns de nós seremos / serão eleitos.
O que está em jogo é a intenção do autor em incluir, na ação, a figura representada
pelo pronome. Compare:
Alguns de nós sabem o resultado do jogo.
Alguns de nós sabemos o resultado do jogo.
Pergunta-se: em qual dos dois casos está clara a inclusão do autor da frase no
grupo de pessoas que sabe o resultado do jogo? Resposta: no segundo caso,
indicada essa circunstância pela desinência verbal (sabemos).

2.h) Pronome QUEM: A concordância vai depender da classificação da palavra


QUEM.
Se o verbo ficar na 3ª pessoa do singular, indica-se que a palavra é um pronome
indefinido.
Se for realizada a concordância com seu antecedente, entende-se que se trata de
um pronome relativo, assim como acontece com o pronome relativo QUE (caso
2.i).
Sou eu quem pago o seu salário.
Sou eu quem paga o seu salário.
Nas orações interrogativas iniciadas pelos pronomes QUEM, QUE, O QUE, o verbo
SER concorda com o nome ou pronome que vier depois (BECHARA, op.cit.).
Quem são os culpados?
Que são os sonhos?
O que seremos nós sem fé?

2.i) Pronome relativo QUE na função de sujeito: verbo concorda com o


antecedente.
Não fui a aluna que chegou primeiro.
Dos sonhos que me atordoam, esse é o mais recorrente.
Pronome relativo é assim chamado por fazer referência a algum outro termo
(substantivo, pronome substantivo, oração substantiva) já mencionado
anteriormente (ANTECEDENTE).
Nas duas passagens, o que é um pronome relativo.
O pronome relativo dá início a uma oração que atribui a esse antecedente uma
característica, estado ou condição. Por esse motivo, a oração iniciada pelo pronome
relativo é uma oração subordinada adjetiva. Assim, concluímos que SEMPRE UM
PRONOME RELATIVO DÁ INÍCIO A UMA ORAÇÃO ADJETIVA.
Quando esse pronome relativo exerce a função sintática de sujeito da oração
adjetiva, para respeitar as regras de concordância, deve-se observar a qual termo o
pronome relativo está se referindo, e com ele será feita a concordância verbal.
Em outras palavras, é como se o pronome relativo fosse o “CHEFE SUBSTITUTO”.
Na oração adjetiva, é o pronome que exerce a função de sujeito, mas a
concordância é feita com o elemento que ele substitui na oração (o “CHEFE” de
verdade é o antecedente).
Assim, funciona como se o pronome relativo dissesse ao verbo: “Olha aqui, você
me respeita, pois aqui eu sou o sujeito. No entanto, só estou aqui substituindo
aquele lá. Então, se você quiser saber o que fazer, se vai para o plural ou para o
singular, vai perguntar para ele...”.

Veja como esse assunto foi tratado em uma questão de prova.

(FCC/TRT 24ª Região/2006)


(B) As maravilhas da geologia, da fauna e da flora do Brasil Central
representa um paraíso que não foram feitas para o turismo de massas de
visitantes.

Este item foi considerado INCORRETO.


Há, nessa passagem, dois erros de sintaxe de concordância.
Primeiro erro: em “As maravilhas da geologia, da fauna e da flora do Brasil Central”
o núcleo do sujeito é maravilhas. O verbo deve, pois, concordar com ele e ir para
o plural – representam (caso clássico).
Em seguida, o segundo erro: o pronome exerce a função de sujeito. Como seu
antecedente é o substantivo “paraíso”, com ele devem o verbo e o adjetivo da
oração adjetiva (foram feitas) ficar em harmonia. Nota-se, aí, o deslize de
concordância: a forma correta seria no singular e, no caso do adjetivo, masculino:
“As maravilhas da geologia, da fauna e da flora do Brasil Central representam um
paraíso que não foi feito para o turismo de massa de visitantes”.
E, já que estamos falando em pronome relativo, vamos tratar de mais dois casos
que envolvem esse termo.

2.j) Um dos (...) que: O verbo pode concordar com “um”, permanecendo no
singular, ou com o complemento, flexionando-se no plural. Essa faculdade permite
que se dê ênfase ao elemento individual (singular) ou aos elementos que compõem
o grupo (plural).
Ele foi um dos alunos desta classe que resolveu / resolveram o problema.
Seu filho foi um dos que chegou / chegaram tarde.

2.l) Com a expressão “o que” – a concordância se faz com o pronome relativo


que.
O que falta são recursos.
O sujeito, nesse caso, não é “recursos”, mas o pronome relativo “que” (a coisa que
falta). Já o verbo “ser” respeita as regras mais adiante expostas (caso 5).
Vejamos como foi abordado o assunto em prova:

(FCC/TCE SP/2005)
O que se ...... (SEGUIR) à concentração de renda, do desemprego e da
exclusão social são as manifestações violentas dos maiores prejudicados.

A concordância do verbo da lacuna deve ser feita com “que” (pronome relativo).
Assim, o verbo é conjugado na 3ª pessoa do singular, independentemente do
número (singular ou plural) do elemento que vem após o verbo “ser” – “O que se
segue (...) são as manifestações violentas...”. O verbo que preenche a lacuna
fica no singular, pois.
Além da concordância com a expressão “o que”, um dos casos de concordância
mais especiais, e que merece o nosso comentário, é com o verbo ser (“... são as
manifestações...”).
Mais adiante, trataremos da concordância com o verbo SER (caso 5).

2.m) Palavras sinônimas: O verbo concorda com o mais próximo (preferência)


ou fica no plural.
A Ética ou a Moral preocupa-se com o comportamento humano.
A música e a sonoridade sempre nos diz / dizem algo.
Observação: Expressando uma gradação, mantém-se o verbo no singular:
Um gesto, um olhar, um aperto de mão bastaria.
Deste modo, a ênfase recai no último elemento, que representa a série.

2.n) Verbos no infinitivo substantivado: verbo no singular.


Estudar e trabalhar engradece o homem. (O fato de...)
- Se vierem determinados ou forem antônimos - verbo no plural.
O falar e o escrever caracterizam um sábio.
Rir e chorar fazem parte da vida.

2.o) Número percentual - pode concordar com o numeral ou com o termo


posposto.
80% da população acreditam (oitenta) / acredita (população) na moeda.
Dez por cento das pessoas declaram Imposto de Renda.
(A única forma é plural – dez e pessoas)
Se vier determinado, vai para o plural.
Os 10% mais ricos do Brasil possuem a maior parte da renda.
Voltando ao exemplo do caso 2.f: “50% da torcida brasileira gostaram da
seleção”, o verbo poderia ir para o plural (como foi apresentado na opção,
concordando com o numeral) ou ficar no singular, concordando com o complemento
(torcida).

Caso 3 - Verbo acompanhado da palavra SE


Agora, iremos ver um dos casos mais recorrentes em questões de provas,
especialmente da Fundação Carlos Chagas e ESAF – construção de voz passiva
pronominal.
3.a) SE = pronome apassivador: verbo concorda com o sujeito paciente.
Na aula sobre VERBOS (Aula 2), vimos que, na voz passiva pronominal (ou
sintética), o verbo TRANSITIVO DIRETO ou DIRETO E INDIRETO, quando
acompanhado do pronome SE, deve concordar com o sujeito paciente (que está
sublinhado nos exemplos abaixo).
Viam-se ao longe as primeiras casas.
Ofereceu-se um grande prêmio ao vencedor da corrida.
Assim, para confirmação dessa passividade, temos de fazer duas perguntas:
1 – O verbo é transitivo direto (TD) ou transitivo direto e indireto (TDI)?
2 – Existe uma idéia passiva na construção?
Se ambas as respostas forem SIM, estamos diante de uma construção de voz
passiva e, então, o verbo deverá se flexionar de acordo com o sujeito paciente
(mais precisamente com o seu núcleo).
Veja uma questão de prova que abordou o assunto.

(FCC / TCE SP / Dezembro 2005)


Analise a afirmação:
(E) Ainda que se vejam as fogueiras e se ouçam os gritos dos
manifestantes, não há sinais de medidas que levem à solução da crise social
que a tantos vitima.

Este item está CORRETO.


Logo no primeiro período, junto ao verbo ver (que é TRANSITIVO DIRETO), há o
pronome “se”.
Quando um verbo de transitividade direta ou direta e indireta estiver
acompanhado do pronome se, podemos estar diante de uma construção de voz
passiva.
Para confirmarmos essa passividade, teremos de fazer aquelas duas perguntinhas:
1 – Os verbos apresentam transitividade direta (TD) ou direta e indireta (TDI)?
SIM (alguém vê / ouve alguma coisa).
2 – Existe uma idéia passiva na construção? SIM, existe idéia passiva (as fogueiras
são vistas e os gritos são ouvidos).
Como ambas as respostas foram SIM, estamos diante de construções de voz
passiva e, então, os verbos deverão se flexionar de acordo com os sujeitos
pacientes (mais precisamente com seus núcleos).
No primeiro caso, o sujeito está representado por “as fogueiras”, cujo núcleo está
no plural (fogueiras).
Desse modo, o verbo deverá ficar no plural, como, aliás, se apresentou.
Em seguida, o núcleo é gritos, também no plural, tendo sido apresentada a correta
flexão verbal.
Portanto, essa assertiva apresenta correção gramatical.
Temos nessa questão alguns outros exemplos de concordância: com o verbo HAVER
(impessoal), a ser estudado a seguir, e, em duas passagens, com o pronome
relativo que, recentemente estudado.
O pronome relativo exerce a função de sujeito nas duas orações adjetivas (“que
levem à solução da crise social” e “que a tantos vitima”). Na primeira, tem por
antecedente o substantivo medidas (medidas que levem à solução), o que justifica
a flexão verbal no plural. Na segunda, o referente é a palavra crise, deixando o
verbo vitimar no singular (crise social que a tantos vitima). Perfeita está a
construção.
Você precisa treinar bastante este tipo de questão (concordância com verbos em
voz passiva pronominal), pois, especialmente nas provas da FCC e da ESAF, esse
tópico é reiteradamente explorado.
Vamos, então, analisar um item de questão elaborada pela ESAF.

(TCE ES/2001 - adaptada)


Na rede esperam-se serviço nota 1000 - ou nada aquém disso.

Houve um erro de sintaxe de concordância.


O verbo esperar está acompanhado do pronome se. Devemos, então, analisar se
forma voz passiva e se a concordância do verbo em relação ao sujeito foi
respeitada.
Vamos “passo a passo”:
1 – o verbo esperar, na construção, é transitivo direto ou direto e indireto? SIM -
o verbo esperar é transitivo direto (Alguém espera alguma coisa)
2 – Há idéia passiva na construção? SIM – O serviço nota 1000 é esperado pelo
consumidor.
Podemos, então, concluir que se trata de uma construção de voz passiva
pronominal, devendo o verbo estar de acordo com o sujeito paciente (núcleo =
serviço).
A construção correta, portanto, seria “Na rede, espera-se serviço nota 1000”).

3.b) SE = índice de indeterminação do sujeito: verbo sempre na 3ª pessoa do


singular.
Usa-se construção de sujeito indeterminado quando não se sabe - ou não se quer
dizer – quem é o agente da ação verbal. Também é usado em orações de sentido
genérico, vago.
São duas as formas de construção do sujeito indeterminado:
Forma 1 - o verbo (exceto transitivo direto ou direto e indireto) permanece na 3ª
pessoa do singular acompanhado do pronome se (índice / partícula de
indeterminação):
Necessitava-se, naqueles dias, de novas esperanças. (verbo transitivo indireto)
Estava-se muito feliz com o resultado das provas. (verbo de ligação)
Morria-se de tédio nas noites de inverno.(verbo intransitivo)
Forma 2 – o verbo (qualquer que seja sua transitividade na construção), sem o
pronome, fica na 3ª pessoa do plural:
Desviaram dinheiro dos cofres públicos.
Bateram na porta.
Falaram mal de você.
No primeiro caso, a exemplo do que ocorre na voz passiva, o verbo está
acompanhado do pronome SE. Você deverá saber se este pronome tem função
apassivadora ou indeterminadora do sujeito. A chave desse mistério está na
transitividade do verbo.
Analise, agora, uma opção de prova, apresentada pela Fundação Carlos
Chagas:
(TRE AP – Analista Judiciário / Janeiro 2006)
As "operações" a que se aludem nessa crônica referem-se à redução de uma
cabeça humana a proporções mínimas.

Um verbo acompanhado do pronome SE pode formar voz passiva (verbos


transitivos diretos ou diretos e indiretos) ou construção de sujeito indeterminado.
Já em primeira análise, podemos constatar que o verbo “aludir” não poderia se
submeter a uma construção passiva, pois é transitivo indireto: Alguém alude a
alguma coisa.
Diante dessa impossibilidade, concluímos que se trata de uma construção com
sujeito indeterminado, devendo o verbo ficar na 3ª pessoa do singular (Forma 1):
“As "operações" a que se alude nessa crônica ...”.
Este item estava, pois, INCORRETO.
As bancas adoram um verbo transitivo indireto para esse tipo de questão: tratar-
se de. Veja como recentemente já caiu em uma prova da ESAF:

(AFRF/ 2005) Assinale a opção que constituiria, de maneira coerente com a


argumentação e gramaticalmente correta, uma possível resposta para a
pergunta final do texto.
d) Segundo alguns pensadores modernos, não se tratam de projeções
utópicas os empreendimentos culturais e sociais que renovam valores
modernistas, enriquecendo saberes especializados.

Observe que o verbo tratar foi indevidamente flexionado. Ele é um verbo transitivo
indireto, regendo a preposição DE. Por fazer parte de uma construção com sujeito
indeterminado, o verbo deve ficar na 3ª pessoa do singular. A forma correta,
portanto, seria “não se trata de projeções utópicas”.

Caso 4 - Verbos impessoais


São IMPESSOAIS, ou seja, não possuem SUJEITO, os verbos que indicam
fenômenos da natureza (Chove lá fora.); verbo HAVER indicando existência (Há
muitas pessoas na sala.) ou tempo (Há muito tempo não o vejo.); os verbos
FAZER, IR, indicando tempo (Faz muito tempo que não o vejo./ Vai pra dez anos
que não o vejo.).
Como não possuem sujeito (casos de oração sem sujeito), os verbos ficam
“neutros”, na 3ª pessoa do singular.
Durante o inverno, nevava muito.
Ainda havia muitos candidatos para a Universidade.
Ontem fez dez anos que ela se foi.
Vai para dez meses que tudo terminou.

Como vimos na aula sobre verbos, deve ser respeitada a correlação entre o verbo
impessoal que denota tempo decorrido e o verbo principal da oração
correspondente.
Há muito tempo ele está sem dormir. (Ele ainda permanece nesse estado)
Havia muito ele não via seu pai. (Tal situação não persiste pertence ao passado.
Por isso, ambas construções verbais são conjugadas no pretérito).
São inúmeras as questões de prova, especialmente de bancas como FCC,
CESGRANRIO, UFRJ, que abordam a concordância com verbos impessoais.

Agora, veremos uma dessas questões.

(NCE UFRJ / ADMINISTRADOR PIAUÍ / 2006)


13 - “Haverá milhões de pessoas com Aids”; a alternativa abaixo em que a
substituição da forma do verbo haver está gramaticalmente INCORRETA é:
(A) deverá haver;
(B) poderá haver;
(C) poderá existir;
(D) existirão;
(E) deverão existir.

Dessa vez, a banca explorou a diferença entre os verbos HAVER e EXISTIR, em


locuções verbais.
Enquanto o verbo EXISTIR possui sujeito, o verbo HAVER é impessoal, e o que se
lhe segue exerce a função de complemento verbal. Assim, na oração “Haverá
milhões de pessoas com Aids”, a expressão “milhões de pessoas com Aids” é o
objeto direto, devendo o verbo, por ser IMPESSOAL, permanecer inalterado na
3ª.pessoa do singular (“Haverá”).
As formas das opções (A) e (B) apresentam locuções verbais, em que o verbo
HAVER funciona como verbo principal. Essa lição fez parte de nossa aula 2. Nesses
casos, o verbo auxiliar (respectivamente DEVER e PODER) devem “seguir” as
ordens do principal, mantendo-se inalterados na 3ª.pessoa do singular (deverá
haver / poderá haver).
As opções (C), (D) e (E) trocam o verbo HAVER pelo verbo EXISTIR.
Apesar de semanticamente idênticos, o tratamento a ser dispensados aos verbos é
totalmente diferente. O que exercia a função de complemento do verbo HAVER
passa a ser o sujeito do verbo EXISTIR. Como a expressão está no plural (“milhões
de pessoas”), o verbo EXISTIR irá também para o plural, conforme foi apresentado
na opção (D): existirão. O mesmo ocorre em locuções verbais, em que o verbo
auxiliar deverá se flexionar: (C) poderão existir e (E) deverão existir. Nota-se,
assim, a incorreção do item (C), apontado como gabarito da prova.

Caso 5 - Verbo SER


Esse é um verbo bastante especial. Para começar, admite a concordância, não só
com o sujeito (regra geral), mas também com seu complemento (predicativo do
sujeito).
Vejamos caso a caso.
5.a) Expressões que indicam tempo, distância, datas, horas: concorda com o
predicativo.
Hoje é dia três de outubro, pois ontem foram dois e o amanhã serão quatro.
Daqui até o centro são dez quilômetros.
É uma hora e quinze minutos.

5.b) Com expressões é muito , é pouco , é bastante , é mais de - quando


denotarem idéia de preço, quantidade, medida, o verbo fica no singular. Se vier
determinado, irá se flexionar.

Dez feijoadas era muito para ela.


Vinte milhões era muito por aquela casa.
As dezenas de famílias que pediam socorro eram poucas diante do universo de
miseráveis.

5.c) Em predicados nominais - Por estabelecer uma relação entre o sujeito e o


seu predicativo, a concordância pode se dar tanto com o primeiro quanto com o
segundo elemento. Há, contudo, algumas regras que prevalecem sobre essa
faculdade. Algumas dessas regras já foram apresentadas no caso 1.c (pronomes
pessoais).
Qualquer que seja a sua função sintática (sujeito ou predicativo), prevalece a
concordância com o elemento que estiver representado por:
1ª – PRONOME PESSOAL RETO:
Todo eu era olhos e coração. (Machado de Assis)
2ª – PESSOA, em detrimento de outro que seja “COISA” (substantivo, pronome
substantivo, oração substantiva):
Ovídio é muitos poetas ao mesmo tempo, e todos excelentes. (A.F.Castilho).
Havendo elementos personativos em ambas as funções (PESSOA x PESSOA), a
concordância é facultativa com o sujeito ou com o predicado, a não ser que em um
deles haja um pronome pessoal, caso em que prevalece a concordância com este
elemento (recai na 1ª regra de prevalência).
O homem sempre foi suas idéias. (pessoa x coisa = PESSOA)
Santo Antônio era as esperanças da solteirona. (pessoa x coisa = PESSOA)
Ele era os meus sonhos. (pronome reto x coisa = PRONOME RETO)
O professor sou eu. (coisa x pronome reto = PRONOME RETO)
Quando os dois elementos (do sujeito e do predicativo) forem “COISAS”
(substantivos, orações substantivas ou pronomes substantivos, como TUDO, NADA,
ISSO, AQUILO), a concordância é facultativa, dando-se preferência à concordância
com o elemento no plural, por questão de eufonia:
A casa era / eram ruínas.
O mundo é / são ilusões.
O problema era / eram os móveis.
Hoje, tudo é / são alegrias eternas.
Em resumo, na concordância verbal com o verbo ser, em predicados nominais:
• entre PRONOME RETO x COISA/PESSOA – prevalece PRONOME RETO;
• entre PESSOA x COISA – prevalece PESSOA;
• entre COISA x COISA – concordância facultativa, PREFERÊNCIA para o
termo no plural.

Voltemos, agora, ao exemplo apresentado no item 2.l:

(FCC/TCE SP/2005)
O que se ...... (SEGUIR) à concentração de renda, do desemprego e da
exclusão social são as manifestações violentas dos maiores
prejudicados.

De um lado, temos uma oração (COISA): “O que se segue à concentração de


renda, do desemprego e da exclusão social”.
De outro, também COISA: “as manifestações violentas dos maiores prejudicados”.
Nesse caso, a concordância é facultativa, dando-se PREFERÊNCIA ao elemento no
plural. Essa é a justificativa para a flexão no plural do verbo “ser” na questão. Ele
concorda com o predicativo do sujeito por estar no plural – concordância
preferencial.

5.d) Com a expressão “é que” – A expressão de realce “é que”, em que os dois


elementos se apresentam juntos, é invariável, devendo o verbo concordar com o
substantivo ou pronome que a precede, pois são eles efetivamente o seu sujeito.
Vamos transcrever a lição e o exemplo apresentados por Celso Cunha e Lindley
Cintra, em Nova Gramática do Português Contemporâneo:
“A locução é que é invariável e vem sempre colocada entre o sujeito da oração e o
verbo a que ele se refere. Assim: ‘José é que trabalhou, mas os irmãos é que se
aproveitaram do seu esforço.’.”
Por ter mera função de realce, pode ser retirada sem que acarrete prejuízo ao
período: “José trabalhou, mas os irmãos se aproveitaram do seu esforço.”.
E continuam os professores:
“É uma construção fixa, que não deve ser confundida com outra semelhante, mas
móvel, em que o verbo ser antecede o sujeito e passa, naturalmente, a concordar
com ele e a harmonizar-se com o tempo dos outros verbos.
Compare-se, por exemplo, ao anterior o seguinte exemplo:
‘José é que trabalhou, mas foram os irmãos que se aproveitaram do seu
esforço.’
Ou este:
‘Foi José que trabalhou, mas os irmãos é que se aproveitaram do seu
esforço.’
Assim, quando o “é que” estiver juntinho, não se modifica – é uma expressão
denotativa e, portanto, invariável (você ainda se lembra daquele quadro das
classes de palavras? Pois estão lá do lado das INVARIÁVEIS as palavras
denotativas).
Se a expressão se separar, ficando um dos elementos antes do sujeito, com ele
deve o verbo SER concordar (Foi José que trabalhou).

5.e) com pronomes interrogativos QUE/QUEM/O QUE - o verbo SER concorda


com o nome/pronome que vem após.
Sei que este ponto já foi mencionado no caso 2.i, mas por que não repeti-lo?
Quem são os culpados?
Quem és tu?

Caso 6 - Verbo DAR


Verbo dar (bater e soar) + hora(s): segue a regra geral, concordando com o
sujeito.
Deram duas horas no relógio do campanário.
(sujeito = duas horas; neste caso, o verbo é intransitivo)
Deu duas horas o relógio da igreja.
(sujeito = o relógio da igreja; o verbo é transitivo direto, com “duas horas” como
complemento verbal)

Caso 7 - Sujeito com nome próprio plural


7.a) Topônimos
Caso clássico de concordância verbal é com topônimos - nomes próprios que
indicam lugares.
- com artigo singular ou sem artigo
Caso o topônimo não exija o artigo, mesmo sendo representado por um nome no
plural, ou esteja acompanhado de artigo no singular, indicando a omissão de um
substantivo (rio, município), o verbo ficará na 3ª pessoa do singular.
Bruxelas é a capital da Bélgica.
Minas Gerais é o estado mais elevado do país, com 57% das terras acima dos 600
metros de altitude (você sabia???).
O Amazonas deságua no Atlântico.
Minas Gerais exporta minérios.
- com artigo plural
Os topônimos que estiverem acompanhados de artigos flexionam os verbos e
pronomes a ele correspondentes no plural.
“Estados Unidos (da América)” é um exemplo de topônimo que SEMPRE vem
precedido de artigo definido masculino plural (Eu vou para os Estados Unidos. / Eu
morei nos Estados Unidos.).
Por conseqüência, quando exerce a função de sujeito, obriga a flexão do verbo no
plural. Isso acontece mesmo que esteja representado por sua sigla (EUA), motivo
que levou à anulação de uma questão de prova da ESAF (a próxima a ser
comentada).
O mesmo acontece com qualquer outro nome precedido de artigo definido (“Os
Emirados Árabes Unidos consistem de uma federação de sete emirados
localizados no Golfo Pérsico.”).
Os Estados Unidos enviaram tropas à zona de conflito.

7.b) Obras
O mesmo acontece com qualquer outro nome próprio precedido de artigo definido
Os Lusíadas narram as conquistas portuguesas.
Se o título da obra estiver entre aspas, o verbo fica no singular.
“Grandes Sertões Veredas” é um clássico nacional.

(ESAF/AFC STN/2000) Assinale a opção que apresenta erro de morfologia


ou de concordância verbal.
a) A diferença entre as taxas de crescimento dos Estados Unidos, do Japão
e da Europa, no longo prazo, é um indício do descompasso da economia
global. Apesar das alegações européias de que os mercados estão
subestimando o euro, a moeda continua flutuando pouco acima de sua mais
baixa cotação, 93 centavos de dólar.
b) O iene está pouco abaixo de seu pico diante do dólar e permanece
próximo de seu teto histórico ante o euro. Com resultados aquém dos
desejados, Japão e Europa vêm a exuberância econômica dos Estados
Unidos como uma ameaça - o que não é errado.
c) Em 98 e 99, a economia dos Estados Unidos cresceu cerca de 4% ao
ano, enquanto as três principais economias da zona do euro - Alemanha,
França e Itália - atingiram 2%, 3% e 2% ao ano, respectivamente, no
período. O Fundo Monetário Internacional prevê que os três países cresçam
cerca de 3% este ano.
d) Com esse resultado, a Europa não é mais vista como causa de
debilidade. Agora o ritmo do crescimento europeu é tão rápido que uma
intervenção do Banco Central Europeu - elevando as taxas de juros - é
apenas uma questão de tempo.
e) Isso deixa o principal fardo da remoção dos desequilíbrios econômicos
aos cuidados do EUA, que precisam reduzir o ritmo de seu crescimento
(hoje perto de 6% ao ano). A diferença entre os ciclos econômicos na
Europa, Estados Unidos e Japão traz o fantasma da crise mundial.

Inicialmente, a banca apresentou como gabarito a opção B.


Em “Japão e Europa vêm a exuberância econômica dos Estados Unidos como uma
ameaça”, o que se registrou foi a 3ª pessoa do plural do verbo vir: vêm. Contudo o
contexto indica ser, na verdade, o verbo ver (a exuberância é vista pelo Japão e
Europa...), cuja flexão apresenta a forma vêem.
O que levou à anulação da questão foi o erro no emprego do artigo definido
masculino singular antes da sigla EUA (Estados Unidos da América), na passagem
da opção e: “Isso deixa o principal fardo da remoção dos desequilíbrios econômicos
aos cuidados do EUA,...”.
Mesmo sob a forma de sigla, o artigo que deveria acompanhá-lo seria o masculino
plural (os EUA), já que, como vimos, esse topônimo não só exige a flexão dos seus
adjuntos adnominais, como também da forma verbal que o tenha como núcleo do
sujeito.
Havia, portanto, duas respostas válidas: B e E.
Na seqüência, observe que foi respeitada a concordância verbal. O pronome
relativo que em : “... remoção dos desequilíbrios econômicos aos cuidados do
EUA, que precisam reduzir o ritmo de seu crescimento ...” tem por antecedente
EUA (Estados Unidos da América), levando a locução verbal (“precisam reduzir”)
para o plural.

Caso 8 – Sujeito oracional


Todo cuidado é pouco em construções com sujeito oracional. Primeiramente, é
saber diferenciar SUJEITO ORACIONAL de LOCUÇÃO VERBAL.
Em locuções verbais, os dois verbos formam um conjunto, em que um deles é o
principal (chefe) e o outro é auxilliar (pode até haver mais de um auxiliar, como
vimos na aula 2). O verbo auxiliar irá se flexionar, para concordar com o sujeito, na
forma que o verbo principal o faria.
Quando for o caso de um sujeito oracional, o verbo correspondente deverá
permanecer “neutro”, na 3ª pessoa do singular. Os verbos, nesse caso, pertencem
a estruturas sintáticas distintas – um é o sujeito (oracional) enquanto que o outro
faz parte do predicado.
A você compete estudar.
Nesse exemplo, o sujeito do verbo COMPETIR (o que compete a você?) é ESTUDAR.
Esse sujeito oracional pode se apresentar na forma reduzida (infinitivo) ou
desenvolvida (acompanhado de uma conjunção integrante).
Parece que ele decidiu o que fazer.
E agora: qual é o sujeito do verbo PARECER (o que parece?)? Resposta: “que ele
decidiu o que fazer”. Neste caso, o sujeito oracional vem precedido de uma
conjunção, designando-se uma oração desenvolvida.
Vejamos alguns casos em que este ponto foi abordado. Essa questão é longa, mas
vale a pena comentá-la por apresentar diversas formas de sujeito oracional.

(FCC /TRT 13ª Região / Dezembro 2005)


O verbo entre parênteses deverá ser flexionado, obrigatoriamente, numa
forma do plural para preencher corretamente a lacuna da frase:
(A) Mesmo que não ...... (caber) a vocês tomar a decisão final, gostaria que
discutissem bem esse assunto.
(B) Eles sabiam que ...... (urgir) chegarem à pousada, mas não conseguiram
evitar o atraso.
(C) A nenhum de vocês ...... (competir) decidir quem será o novo líder do
grupo.
(D) Tais decisões não ....... (valer) a pena tomar assim, de afogadilho.
(E) A apenas um dos candidatos ...... (restar) ainda alguns minutos para
rever a prova.
O gabarito é a letra E. Esse é um tipo muito comum de questão da Fundação Carlos
Chagas. A flexão exigida ora é no plural, ora é no singular.
Relembremos que o sujeito apresentado sob a forma oracional leva o verbo
correspondente para a 3ª pessoa do singular.
Então, vamos às opções:
(A) Alguma coisa cabe a alguém. Vamos perguntar, então: o que cabe a vocês?
Resposta: “Tomar a decisão final” cabe a vocês. Como o sujeito do verbo caber
está sob a forma de oração reduzida de infinitivo (“tomar”), o verbo se conjuga na
3ª pessoa do singular: “Mesmo que não caiba a vocês tomar a decisão final,
...”.
(B) Algo urge (é urgente). O que urge? “Chegarem à pousada”. O verbo
chegar foi flexionado por estar em correspondência com o pronome pessoal reto já
apresentado na oração principal “Eles sabiam”. Se esta oração reduzida do infinitivo
(“Chegarem...”) fosse desenvolvida, ou seja, apresentada com uma conjunção,
teríamos: “... urge que chegassem à pousada”, o que comprova a flexão do verbo
chegar no plural (eles).
Assim, também, fica mais evidente a relação do verbo urgir com a oração que
exerce a função de sujeito (“chegarem à pousada / que chegassem à pousada”).
Novamente, por apresentar sujeito oracional, o verbo da lacuna deve ficar no
singular: “Eles sabiam que urge chegarem à pousada...”, equivalente a “Eles
sabiam que isso – chegarem à pousada – urge (era urgente)”.
(C) O que não compete a nenhum de vocês? “Decidir quem será o novo líder
do grupo”. O sujeito oracional exige o verbo competir na 3ª pessoa do
singular:“A nenhum de vocês compete decidir...”.
(D) Note que, muitas vezes, devemos “ajeitar” a oração, colocando-a na ordem
direta, para realizar a análise. Para isso, devemos partir do verbo. Há dois: valer e
tomar. A princípio, isso poderia causar confusão e levar a pensar que se trata de
uma locução verbal. Mas, veja bem. Quem é o sujeito do primeiro verbo (valer): o
que não vale a pena? Tomar tais decisões. Opa! O segundo verbo faz parte do
sujeito do primeiro e, portanto, não forma com ele uma locução (cada macaco no
seu galho...).
Assim, essa oração reduzida de infinitivo (“tomar tais decisões”) é o sujeito do
verbo valer: “Tomar tais decisões não vale a pena.”. O verbo, portanto, fica no
singular (3ª. pessoa) por ter um sujeito oracional.
(E) Esse é o gabarito da questão. O que resta? Alguns minutos. Mais uma vez,
o sujeito vem posposto ao verbo, o que poderia levar o candidato a pensar que, em
vez de sujeito, seria esse elemento um objeto direto. Não!!! Partindo do verbo
“restar”, colocamos a oração na ordem direta: “Alguns minutos ... restam a
apenas um dos candidatos.”. Todo cuidado é pouco em construções invertidas
como essa.

Caso 9 - Verbo PARECER + Verbo no infinitivo


Quando possui o significado de “dar a impressão”, seguido de infinitivo, permite
duas construções:
1ª – PARECER no plural e INFINITIVO no singular – Nesse caso, estamos
diante de um simples caso de LOCUÇÃO VERBAL, em que o verbo auxiliar se
flexiona e o principal se mantém em uma forma nominal (infinitivo).
Os cientistas pareciam procurar grandes segredos. (locução verbal)
2ª – PARECER no singular e INFINITIVO no plural – Agora, é o caso de sujeito
oracional. Como vimos no tópico anterior, o verbo que possui um sujeito oracional
(quer desenvolvido ou reduzido de infinitivo) se mantém na 3ª pessoa do singular.
Os cientistas parecia procurarem grandes segredos. (sujeito oracional)
Fica estranho, não é? Mas nem sempre o que é esquisito está errado. Não confie no
seu “bom senso”.
O que se afirma nessa construção é que “ALGO (os cientistas procurarem grandes
segredos) PARECIA”. Desenvolvida, essa construção seria: Parecia que os cientistas
procuravam grandes segredos.
Para complicar a sua vida que já não é nem um pouco fácil, a banca pode deslocar
o sujeito da oração subordinada para antes do verbo PARECER:
Os meninos parecia que queriam sair.
Ai,... que coisa feia!!! Mas está CORRETO! Na verdade, o que está registrado aí é
“Parecia que os meninos queriam sair”. A construção está certinha. Agora,
sinceramente, atire a primeira pedra quem não teve vontade de colocar o verbo
PARECER no plural...
BIZU: Em qualquer dos casos, somente um dos verbos se flexiona – nunca
flexione os dois ao mesmo tempo.

Caso 10 - Flexão do infinitivo


O infinitivo é uma das três formas nominais do verbo, junto com o gerúndio e o
particípio. Isso vimos na aula 2 – Verbos.
O infinitivo pode ser IMPESSOAL (não se flexiona em número ou pessoa) ou
PESSOAL (possui sujeito e com ele pode concordar, havendo, nesse caso, flexão
de número e pessoa).
O infinitivo PESSOAL pode se flexionar ou não, a depender da construção.
Flexionar quer dizer conjugar em todas as pessoas, por exemplo: vender, venderes,
vender, vendermos, venderem.

10.a) casos em que o infinitivo se flexiona obrigatoriamente – SUJEITOS


DIFERENTES
1. Quando o sujeito da forma nominal está claramente expresso, ou seja, o
infinitivo estiver acompanhado de um pronome pessoal ou de um substantivo – é o
único caso de flexão obrigatória.
A eleição de 2006 será o momento de os eleitores decidirem por uma renovação
do Congresso Nacional.
O sujeito do verbo SER é “A eleição de 2006”. Já o sujeito de DECIDIR é “os
eleitores”. Como são sujeitos diferentes, a flexão do infinitivo é obrigatória.

2. Quando se deseja indicar o sujeito não expresso a partir da desinência verbal:


Está na hora de irmos embora.
Observe que, se não houvesse a indicação pela desinência, não ficaria claro quem
deveria ir embora (Está na hora de ir embora... quem vai embora????). Nesse caso,
a flexão passa a ser obrigatória para definir o sujeito da forma nominal.
10.b) casos de flexão facultativa do infinitivo – SUJEITO DO INFINITIVO É O
MESMO DA ORAÇÃO ANTERIOR, OU SEJA, JÁ APARECEU.
Quando o sujeito do infinitivo já estiver expresso em outra oração, geralmente na
oração principal, a flexão torna-se facultativa.
Recomenda-se, inclusive, omitir a flexão para o texto mais enxuto e objetivo, a não
ser que exista o risco de ambigüidade, caso em que a flexão será necessária para
dissipar qualquer dúvida (como vimos no item 2 acima).
De qualquer forma, a flexão do infinitivo, nesses casos, é opcional – pode-se
flexionar ou não, a critério do autor.

As mulheres se reuniram para decidir/decidirem a melhor forma de conduta.


As trabalhadoras discutiram uma forma de se proteger/protegerem dos abusos no
ambiente de trabalho.
O ministro convidou os índios para participar/participarem do debate.

Tomando o primeiro exemplo, quem se reuniu e quem iria decidir eram as mesmas
pessoas: “as mulheres”. Assim, como o sujeito já se encontrava expresso na oração
anterior, a flexão do infinitivo tornou-se facultativa.

10.c) casos de flexão do infinitivo em voz passiva


Com relação à flexão do infinitivo passivo, no esquema PREPOSIÇÃO + SER
(INFINITIVO) + PARTICÍPIO, há duas possibilidades:

1 - Quando os sujeitos das orações são distintos e o do infinitivo vem logo após a
preposição, a flexão do infinitivo é FACULTATIVA, ou seja, as duas formas –
flexionada ou não - estão certas, dando-se preferência à flexão verbal.
Essa preferência se dá em virtude da proximidade do particípio.
O objetivo é coletar informações mais precisas para ser / serem cruzadas com
outros bancos de dados.
Indique as providências a ser / serem tomadas.
Envio os documentos para ser / serem analisados.

2 - Prefere-se a não-flexão:
a) quando o sujeito (plural) das duas orações for o mesmo:
Doenças desse tipo levam até cinco anos para ser / serem tratadas.
Eles estão para ser / serem expulsos.
Saíram sem ser / serem percebidos.
Os pedidos levaram dez dias para ser / serem analisados.
b) quando se tem um adjetivo antes da preposição:
São obras dignas de ser / serem imitadas.
Os alimentos estavam prontos para ser / serem comercializados.
As presas pareciam fáceis de ser / serem apanhadas.
Apresentamos exercícios simples de ser / serem feitos.

Observe que se trata de PREFERÊNCIA, a depender da ênfase que o autor queira


dar. Não podemos tachar de certo ou errado. Ao não flexionar, valoriza-se a ação;
com a flexão, dá-se ênfase ao sujeito que a pratica. Muitas vezes, a escolha é feita
por questão de eufonia ou de clareza textual.
Encerramos com as palavras de Pasquale Cipro Neto e Ulisses Infante (Gramática
da Língua Portuguesa, Editora Scipione) de que "o infinitivo constitui um dos casos
mais discutidos da língua portuguesa", e "estabelecer regras para o uso de sua
forma flexionada, por exemplo, é tarefa difícil", e, "em muitos casos, a opção é
meramente estilística".

Vamos ver, agora, uma questão de prova da ESAF que tratou desse ponto do
estudo.

(Auditor RN/2005) Marque a opção que não substitui corretamente o item


sublinhado no texto, respeitando-se a ordem em que ocorrem.

Na medida em que a dinâmica da acumulação privada e a mobilidade dos


capitais já não são controladas pelo Estado através da tributação, os
direitos humanos, numa visão jurídico-positiva, encontram-se em fase
regressiva. Eles podem até continuar existindo no plano legal,
sobrevivendo, em termos formais, aos processos de tributação. Mas não
têm mais condições de ser efetivamente implementados no plano real (se é
que o foram, integralmente, um dia).

a) Considerando que
b) por meio
c) continuarem
d) já não têm
e) serem

O erro está na opção C, pois, em uma locução verbal (“podem continuar


existindo”), não se admite a flexão do verbo “continuar”, o segundo verbo
auxiliar. O único verbo que se flexiona é o primeiro auxiliar (poder).
Os demais (segundo auxiliar – CONTINUAR - e verbo principal - EXISTIR)
permanecem em uma das formas nominais – infinitivo, gerúndio ou particípio.
O que nos interessa nessa questão é sugestão de troca do item e, que está
correta.
“Mas [os direitos humanos] não têm mais condições de ser efetivamente
implementados no plano real.”
A troca pelo infinitivo flexionado (serem) é válida, pelos motivos expostos no caso
11.c / 2 / b acima. Como vimos, prefere-se a forma não flexionada, para não
tornar o texto repetitivo, mas isso não causaria erro de concordância. Estão
corretas, portanto, as duas formas: não têm mais condições de ser implementados
ou não têm mais condições de serem implementados.

10.d) Verbos Causativos/ Sensitivos + Pronomes Oblíquos + Infinitivo


Para começar, vamos entender o que são os verbos causativos e sensitivos.
CAUSATIVOS indicam causa/conseqüência (fazer, permitir, deixar, mandar) e
SENSITIVOS expressam sensações (ouvir, sentir, ver).
Quando estes verbos (causativos e sensitivos) estiverem acompanhados de
PRONOME PESSOAL OBLÍQUO ÁTONO (que exercem a função de sujeito do
verbo no infinitivo que lhe segue), o infinitivo, mesmo pessoal (ou seja,
possuindo um sujeito) não deve ser flexionado.
Estou falando grego? Então, vamos a um exemplo para compreender.
Ouvi os meninos sair/saírem.
Mandei os meninos sair/saírem.
Quem vai sair? Resposta: os meninos.
Nesse tipo de construção, quando, no objeto direto do verbo causativo/sensitivo,
houver um substantivo (nome) não há consenso entre os gramáticos: há autores
que exigem a flexão obrigatória (saírem), outros que indicam uma faculdade
(sair/saírem – tanto faz) e, por fim, os que se recusam a flexionar o infinitivo
(sair).
Contudo, todos os gramáticos concordam em um aspecto: quando esse
substantivo (nome) é representado por um pronome pessoal oblíquo átono
(o/ os/ a/ as). Nesse caso, o infinitivo NÃO PODE se flexionar!
Ouvi-os sair.
Mandei-os sair.

Caso 11 - PODER/DEVER + SE + INFINITIVO + SUBSTANTIVO NO


PLURAL

Na voz passiva, quando os verbos PODER/DEVER estiverem acompanhados do


pronome apassivador SE, de um verbo no infinitivo e, por fim, de um substantivo
no plural, há duas formas de análise e, conseqüentemente, de construção.
Pod...-se identificar duas formas de contágio.
1ª. POSSIBILIDADE: o verbo PODER forma com o verbo IDENTIFICAR uma
locução verbal, em que aquele atua como verbo auxiliar e este, principal. Como
acontece em qualquer locução verbal, quem se flexiona é o verbo auxiliar.
Observamos, também, que existe um pronome SE acompanhando o verbo
auxiliar. Como o verbo principal é TRANSITIVO DIRETO (Alguém identifica
alguma coisa), a locução faz parte de uma construção de voz passiva sintética.
Quem, então, é o sujeito dessa oração (o que se pode identificar?)? Resposta:
duas formas de contágio. O sujeito paciente (voz passiva) está no plural,
levando o verbo auxiliar à mesma flexão. A construção correta seria: Podem-se
identificar duas formas de contágio.
2ª. POSSIBILIDADE: Agora, o verbo PODER tem como sujeito uma oração
reduzida de infinitivo “identificar duas formas de contágio”. Equivale dizer: “É
possível identificar duas formas de contágio = ISSO é possível”. Assim, mesmo
em construção de voz passiva (o verbo PODER é transitivo direto e a construção
apresenta idéia passiva), o verbo PODER permanece na 3ª pessoa do singular por
apresentar um SUJEITO ORACIONAL (caso 8). A forma correta seria: Pode-se
identificar duas formas de contágio.
Note que ambas as formas verbais (flexionada ou não) estão corretas, mas a
análise que se faz de uma é diferente da da outra.
Treine a análise com mais um exemplo:
1 - Devem-se manter os animais nas jaulas. – Os animais devem ser mantidos
nas jaulas. – construção de voz passiva = verbo auxiliar concorda com o núcleo
do sujeito: animais.
2 – Deve-se manter os animais nas jaulas. – Deve-se [manter os animais nas
jaulas] - sujeito oracional = verbo na 3ª pessoa do singular.

A ESAF adora questões como essa. Vejamos como o examinador abordou em


uma de suas provas.

(TCE RN/2000) Marque o item em que um dos dois períodos está


gramaticalmente incorreto:
c) No gênero das leis federativas, é possível discernir duas espécies bem
visíveis: leis federais intransitivas e transitivas. / No gênero das leis
federativas, podem-se discernir duas espécies bem visíveis: leis federais
intransitivas e transitivas.

Os dois períodos apresentados na opção C estavam CORRETOS.


O verbo PODER, no segundo período, está acompanhado do pronome se (“podem-
se discernir duas espécies bem visíveis”). Vamos analisar a passividade dessa
construção. Então, devemos fazer aquelas perguntas (como é, ainda se lembra???):
1- É verbo TD ou TDI?
Sim. Se considerarmos que os verbos formam uma locução verbal (“poder
discernir”), a transitividade de discernir (verbo principal) é DIRETA, pois significa
diferenciar, distinguir, discriminar.
2 – Há idéia passiva?
Sim, duas espécies de leis federativas poderão ser discernidas, ou seja,
diferenciadas.
Então, trata-se de voz passiva pronominal (sintética) e o verbo auxiliar deverá
se flexionar de acordo com o núcleo do sujeito paciente – espécies – e ir para o
plural – podem-se discernir.
A outra possibilidade de análise e construção seria: “pode-se discernir duas
espécies bem visíveis: leis federais intransitivas e transitivas.”
Neste caso, o sujeito da forma verbal “pode-se” é a oração reduzida de infinitivo
“discernir duas espécies...”.
São formas igualmente válidas, cada uma com uma análise sintática diferente.

CUIDADO COM CERTAS CONJUGAÇÕES


Você precisa tomar cuidado especial quando a questão de prova envolver
concordância com os verbos derivados dos verbos pôr, ter e vir. Suas formas
plurais não apresentam nenhuma distinção fonética em relação às formas
singulares.
Vamos lá: para perceber essa coincidência, fale alto, não ligue se a sua vizinha
pensar que você enlouqueceu – depois que você passar no concurso, ela vem puxar
o seu saco...: DISPÕE/DISPÕEM, MANTÉM/MANTÊM, CONVÉM/CONVÊM...
Viu só? Isso pode enganar o seu ouvido direitinho.
Por isso, sempre que surgir um verbo com esse tipo de “casca de banana”,
sublinhe, circule, desenhe uma caveira, faça qualquer coisa para perceber se a
forma verbal está de acordo com o sujeito correspondente.
Para encerrarmos nossa aula de hoje, veja só como pode ser maldosa uma questão
assim:

(ESAF/TRF/2000) Assinale a opção em que há erro gramatical.


No Primeiro Reinado, as idéias de justiça fiscal e capacidade de contribuição,
que pressupõe(A) que a cada cidadão deva ser cobrado o imposto de acordo
com suas possibilidades, simplesmente não existiam, já que(B) não havia
legislação coerente que garantisse a defesa desses princípios. Como o clero e
os senhores rurais eram livres das obrigações fiscais, os privilégios subsis-
tiam(C). Em face do(D) baixo grau de informação, da falta de instituições
independentes e da ausência de liderança, era impossível qualquer
manifestação que fosse contrária ao(E) sistema em vigor.

a) A
b) B
c) C
d) D
e) E

Mais uma vez, temos de observar a qual palavra o pronome relativo que se refere
(caso 2.i). Na passagem “que pressupõe”, o relativo que tem como antecedente o
substantivo plural idéias (“as idéias de justiça fiscal e capacidade de contribuição,
que pressupõe...”). Por isso, o verbo PRESSUPOR deve com esse substantivo no
plural concordar – pressupõem.
Olhe aí um desses verbos perigosos. Foneticamente, não há diferença entre a
forma singular e a plural da conjugação verbal nas terceiras pessoas (pressupõe /
pressupõem – notou alguma diferença?).
Por isso, todo cuidado é pouco na prova. Dificuldade maior reside quando a questão
transcreve um texto e apresenta em somente uma das opções a incorreção
gramatical (sem sublinhar, como nessa). Em meio a tantas possibilidades de
incorreção, ainda mais com grande distância entre o verbo e o sujeito
correspondente, um erro como esse (de concordância) pode passar despercebido
aos ouvidos e à retina.
Felizmente, chegamos ao fim de nosso encontro de hoje (ufa!!!), mas
não sem antes treinarmos os conhecimentos aqui adquiridos.
Então, mãos à obra. Resolva as questões extraídas de diversos concursos
para, só depois, ver o gabarito e ler os comentários.
Grande abraço.
QUESTÕES DE FIXAÇÃO
1 - (NCE UFRJ / INCRA / 2005)
Texto 4 - PERIGO REAL E IMEDIATO
Vilma Gryzinski – Veja, 12/10/2005
Desde que a era das fotografias espaciais começou, há quarenta anos, uma
nova e prodigiosa imagem se formou no arquivo mental da humanidade sobre o
que é o planeta no qual vivemos. Do nosso ponto de vista no universo,
provavelmente não existe nada que se compare à beleza desta vívida esfera
azul, brilhando na imensidão do espaço, água e terra entrelaçadas num abraço
eterno, envoltas num cambiante véu de nuvens.
(...)
As regras de concordância nominal dizem que o adjetivo posposto a dois
substantivos concorda com o mais próximo ou com o plural dos dois; no caso de
“água e terra entrelaçadas”, a afirmativa correta, entre as que estão abaixo, é:
(A) o adjetivo também poderia aparecer na forma “entrelaçada”;
(B) a forma “entrelaçados” do adjetivo também estaria correta;
(C) se anteposto, a única forma possível do adjetivo seria “entrelaçada”;
(D) por coerência lógica, a única forma possível do adjetivo é “entrelaçadas”;
(E) o adjetivo refere-se exclusivamente ao substantivo “água”.

2 - (NCE UFRJ / ANALISTA FINEP / 2006)


Assinale a alternativa em que a concordância nominal NÃO é adequada:
(A) A temperatura do Sol obrigava a cuidado e proteção obrigatória;
(B) A temperatura do Sol obrigava a cuidado e proteção obrigatórios;
(C) A temperatura do Sol obrigava a cuidado e proteção forçadas;
(D) A temperatura do Sol obrigava a obrigatório cuidado e proteção;
(E) A temperatura do Sol obrigava a obrigatória proteção e cuidado.

3 - (NCE UFRJ / ANALISTA FINEP / 2006)


“A elevação da temperatura no terceiro planeta do sistema solar tornará inviável a
sobrevivência de qualquer criatura”; sobre os aspectos da concordância nominal e
verbal dessa frase, podemos dizer que:
(A) o adjetivo inviável concorda com criatura;
(B) a forma verbal tornará concorda com o sujeito posposto;
(C) o pronome qualquer é invariável;
(D) o numeral terceiro não concorda com o substantivo planeta;
(E) no plural, quaisquer criaturas não modificaria a forma do adjetivo inviável.

4 - (FUNDAÇÃO JOÃO GOULART/PGM RJ/2004)


Há má construção gramatical quanto à concordância em:
A) Os médicos consideravam inevitável nos pacientes pequenas alterações
psicológicas.
B) As internações por si sós já causam certos distúrbios psicológicos aos pacientes.
C) Uma e outra alteração psicológica podem afetar os pacientes hospitalizados.
D) Distúrbios e alterações psicológicos são normais em pacientes hospitalares.

5 - (FGV/PREF.ARAÇATUBA/2001)
A alternativa correta quanto à concordância nominal é
A. A empregada mesmo viu tudo.
B. Já fiz isso bastante vezes.
C. Passado a crise, voltaram.
D. As frutas chegaram meio estragadas.

6 – (ESAF / AFC STN / 2000) Marque o segmento do texto que contém erro de
estruturação sintática.
a) Se alguém tinha alguma dúvida quanto à retomada do crescimento econômico,
os últimos dados divulgados pelo IBGE e pela Confederação Nacional da Indústria
se encarregaram de sepultá-las.
b) Todos os indicadores disponíveis confirmam uma forte reação na produção
industrial brasileira, que começou ainda no ano passado, mas ganhou maior força
nos primeiros meses do ano 2000.
c) A produção em fevereiro cresceu 16% em comparação com o mesmo mês do
ano passado, enquanto as vendas cresceram 18%.
d) Em uma perspectiva mais longa, que analisa a produção nos últimos 12 meses,
houve um crescimento de 1,4%, invertendo uma seqüência de resultados negativos
que se arrastavam desde agosto de 1998.
e) Em fevereiro, foram criados 18.000 novos postos no mercado formal, segundo
dados do Ministério do Trabalho.
(André Lahóz, com adaptações)

7 - (NCE UFRJ / Guarda Municipal /2002)


Assinale o item que está de acordo com as normas gramaticais.
a) O fato nada teve a haver com o assalto ocorrido a cerca de 10 dias;
b) O fato nada teve a ver com o assalto ocorrido há cerca de 10 dias;
c) O fato nada teve a haver com o assalto ocorrido há cerca de 10 dias;
d) O fato nada teve a haver com o assalto ocorrido acerca de 10 dias;
e) O fato nada teve a ver com o assalto ocorrido acerca de 10 dias.

8 - (FGV/PREF.ARAÇATUBA/2001)
Assinale a alternativa errada quanto ao emprego de "acerca de", "há cerca de" e "a
cerca de".
A. Ficou há cerca de dez passos da esquina.
B. Fez uma exposição acerca do impasse.
C. Viajou há cerca de uma semana.
D. Dirigiu-se a cerca de cem pessoas.
9 - (FCC / ICMS SP / 2006) Considere a seguinte frase:
A busca de distinção entre o que é “do bem” e o que é “do mal” traz consigo um
dilema (...).
O verbo trazer deverá flexionar-se numa forma do plural caso se substitua o
elemento sublinhado por
(A) O fato de quase todas as pessoas oscilarem entre o bem e o mal (...).
(B) A dificuldade de eles distinguirem entre as boas e as más ações (...).
(C) Muitas pessoas sabem que tal alternativa, nas diferentes situações, (...).
(D) Essa divisão entre o bem e o mal, à medida que se acentua nos indivíduos,
(...).
(E)) As oscilações que todo indivíduo experimenta entre o bem e o mal (...).

10 - (FGV / MPE AM / 2002)


Assinale a alternativa em que ocorre uma concordância verbal INACEITÁVEL em
relação à norma culta da língua.
(A) Pouco importavam ao cronista a crítica e o elogio.
(B) Chegou à editora o texto e uma carta do cronista.
(C) Agradava-lhe o ritmo e o estilo do cronista.
(D) Obrigavam-me a amizade e o dever de criticar aquele seu texto.
(E) Faltava-lhe, naquele dia, fatos para escrever sua crônica.
11 - (CESGRANRIO / BNDES – ADVOGADO / 2004)
Indique a opção em que a concordância NÃO está de acordo com as regras da
norma culta.
(A) Gosto de viajar para lugares o mais exóticos possível.
(B) Compramos um sofá, uma poltrona e uma mesa antigos.
(C) A maioria das pessoas espera conseguir bons empregos.
(D) Um dos cientistas que estudam a memória chegou ao Brasil.
(E) Mais de um funcionário vão pedir promoção no mês que vem.

12 - (FGV / Agente Tributário Estadual / 2006)


No trecho o primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem (L.69-70), o verbo
foi flexionado corretamente no plural, observando o caso de sujeito composto com
núcleos ligados por OU.
Assinale a alternativa em que, no mesmo caso, a flexão do verbo não seria
possível.
(A) Esperávamos que ele ou o irmão viessem nos apanhar.
(B) Umidade intensa ou ressecamento excessivo não nos fazem bem.
(C) João Carlos ou Pedro se casariam com Marta.
(D) O jornal ou a revista podem apresentar detalhadamente a notícia.
(E) Podem ser entregues o original do documento ou sua cópia.

13 - (CESGRANRIO / SEAD AM / 2005)


Aponte a opção em que se encontra um uso INACEITÁVEL de concordância.
(A) Uma e outra coisa merece nossa atenção.
(B) Nem um nem outro candidato conseguiram se destacar.
(C) O médico, com sua enfermeira, foi ao Congresso.
(D) No relatório da OMS, tinham vários erros de tabela.
(E) Os cientistas haviam tido muito cuidado nos experimentos.

14 - (FGV / Ministério da Cultura /2006)


Lá, alunos ajudaram a criar um centro cultural...
Assinale a alternativa em que, substituindo-se alunos no trecho acima por outra
expressão, foi mantida a correção gramatical.
(A) Lá, 1,85% ajudaram a criar um centro cultural...
(B) Lá, 0,98% ajudou a criar um centro cultural...
(C) Lá, a maior parte ajudaram a criar um centro cultural...
(D) Lá, tu e teus amigos ajudaram a criar um centro cultural...
(E) Lá, dois terços ajudou a criar um centro cultural...

15 - (NCE UFRJ / PCRJ / 2002)


Assinale o item que atende aos preceitos da norma culta da língua.
a) A maioria dos trabalhadores participaram da sessão de treinamento;
b) A maioria dos trabalhadores participou da seção de treinamento;
c) A maioria dos trabalhadores participou da cessão de treinamento;
d) A maioria dos trabalhadores participaram da secção de treinamento;
e) A maioria dos trabalhadores participaram da seção de treinamento.

16 - (FCC / MPE PE/ 2006)


Está clara e correta a redação do seguinte comentário sobre o texto:
(A) Nem mesmo o mais rigoroso dos dicionários são capazes de definir com
precisão o sentido que os homens desejam discernir entre os conceitos
fundamentais.
(B) Quando se divergem, a filosofia e o direito acabam por criar um espaço de
hesitação para os conceitos, que seriam tão desejáveis estabelecer para a ação
humana.
(C)) Tanta dificuldade enfrentada na definição dos nossos valores essenciais
demonstra que não dispomos de convicções absolutas, de princípios realmente
duradouros.
(D) Tanto a felicidade como a justiça devem de ser discutidos sobre os parâmetros
instáveis da nossa consciência, o que torna problemáticos tanto um quanto outro.
(E) Não se esperem que nossos valores essenciais possam ser definidos sem
controvérsias, pois as mesmas fazem parte da dinâmica que se rege o nosso
pensamento.

17 - (FCC / ANEEL TÉCNICO / 2006)


Os trechos abaixo constituem um texto. Assinale a opção gramaticalmente
incorreta.
a) A desigualdade na repartição da renda, riqueza e poder é uma marca inalienável
do Brasil.
b) De acordo com o “Atlas de exclusão social — Os ricos no Brasil” (Cortez, 2004),
somente 5 mil famílias chegam a se apropriar de mais de 40% de toda a riqueza
nacional, embora o país registre mais de 51 milhões de famílias.
c) Se considerarmos somente a parcela da população que se concentram no décimo
mais rico, verificam-se que 75% de toda a riqueza contabilizada termina sendo por
ela absorvida.
d) Em outras palavras, restam 25% da riqueza nacional a ser apropriada por 90%
da população brasileira. Esse descalabro em relação à concentração sem limites da
riqueza no País não é algo recente.
e) Pelo contrário, isso parece ser algo consolidado desde sempre no País, embora
desde 1980, com o abandono do projeto de industrialização nacional, tenha
avançado no país o ciclo da financeirização da riqueza, com retorno ao modelo
primário-exportador de matérias-primas e produtos agropecuários.
(Marcio Pochmann)

18 - (ESAF / ATE MS / 2001)


Marque o item em que uma das sentenças está gramaticalmente mal formada:
É vedado à Administração Tributária:
a) exigir tributo não previsto neste Código / exigir tributo que não esteja previsto
neste Código.
b) aumentar tributo sem que a lei o estabeleça / aumentar tributos sem que a lei
os estabeleçam.
c) cobrar tributos relativos a fatos geradores ocorridos antes do início deste Código
ou de outra lei que os instituir ou aumentar / cobrar tributos relativos a fatos
geradores ocorridos antes do início deste Código ou de outra lei que os institua ou
aumente.
d) cobrar tributos no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei
que os instituiu ou aumentou / cobrar tributos no mesmo exercício financeiro em
que tenha sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou.
e) Estabelecer diferença tributária entre bens e serviços de qualquer natureza, em
razão de sua procedência ou destino / estabelecer diferença tributária entre bens e
serviços de quaisquer naturezas, em razão de sua procedência ou destino.

19 – (ESAF/Fiscal de Fortaleza/1998) Indique entre os itens sublinhados o que


contém erro gramatical ou impropriedade vocabular.
Tudo parece indicar, a essa altura, que(A) as repercussões da crise dos países
asiáticos sobre a América Latina serão bem menos acentuadas do que(B) se
imaginava faz(C) poucos meses. Pouco a pouco, foram-se percebendo(D) que os
problemas daquela região são devidos à(E) desorganização de seus sistemas
financeiros e a uma especulação imobiliária desenfreada.

(Gazeta Mercantil, 21 e 22/2/1998, adaptado)


a) A
b) B
c) C
d) D
e) E

20 - (FGV/PREF.ARAÇATUBA/2001) A concordância verbal está correta em


A. Precisam-se de muitos técnicos.
B. Os Estados Unidos é contrário a essas medidas.
C. Neste mês, deve haver muitos feriados.
D. Tratavam-se de profissionais competentes.

21 - (NCE UFRJ INCRA/2005)


Texto 1 - Internet, telefone e mais de 39 mil terminais de autoatendimento.
São muitas as opções para você movimentar a sua conta, efetuar
pagamentos, obter crédito, receber benefícios, adquirir produtos e o que mais
você precisar. É para isso que o Banco do Brasil investe tanto em tecnologia:
para estar o tempo todo com você.
(O Globo, 06/10/2005)
Se transformarmos as cinco primeiras orações reduzidas de infinitivo em orações
desenvolvidas na forma passiva pronominal (com o pronome SE), as formas verbais
adequadas serão, respectivamente:
(A) movimente – efetue – obtenha – receba – adquira;
(B) movimentem – efetuem – obtenham – recebam – adquiram;
(C) movimente – efetuem – obtenha – recebam – adquiram;
(D) movimentem – efetue – obtenham – receba – adquira;
(E) movimente – efetue – obtenha – receba – adquiram.

22 - (FCC/BANCO DO BRASIL/2006)
É preciso corrigir a seguinte frase, na qual há um equívoco quanto à
concordância verbal:
(A) As maravilhas que se dizem a respeito de uma vida bucólica ou primitiva não
parecem ter em nada animado o cronista.
(B) Não consta, entre as fobias declaradas pelo cronista, a de se sentir distante de
alguém a quem o prendam laços afetivos.
(C) Não se ouvem apenas os cantos do mar, mas também os sons de insetos e
animais que podem representar uma séria ameaça.
(D)) Uma das convicções do bem-humorado cronista é a de que usar bermudas
longas constituem a maior de suas concessões à vida natural.
(E) Fica sugerido que livros, jornais e revistas são, para o cronista, artigos de
primeira necessidade, como o são fósforos ou aspirina.
23 - (FCC / BANCO DO BRASIL / 2006)
Está plenamente atendida a concordância verbal em:
(A) Para o amanuense, não teriam havido outras compensações, além das alegrias
que lhe proporcionavam a elaboração da linguagem do diário.
(B) Entre um computador e um fax ainda existem, nas palavras do autor, muito
estímulo para as nossas paixões se manifestarem.
(C) As preocupações íntimas, que se costuma traduzir na linguagem pessoal de um
diário, pode suscitar o interesse de um grande número de leitores.
(D) Ninguém duvide de que possa estar na forma modesta de um diário pessoal as
questões subjetivas que a cada um de nós é capaz de afetar.
(E)) É nas palavras de um diário que se formaliza a nossa subjetividade, é nelas
que se espelham as faces profundas dos nossos desejos.

24 - (FGV / ICMS PB / 2006)


De acordo com a norma culta, a concordância verbal está correta APENAS na frase:
(A) O autor disse que existe comissões parlamentares válidas e competentes.
(B) Haviam perguntas que não foram respondidas durante o interrogatório.
(C) Em toda a parte do mundo podem haver políticos corruptos.
(D) É necessário reconhecer que algumas atitudes que fere os princípios éticos
precisam serem punidas.
(E)) Já faz cinco sessões que os deputados não votam nenhuma proposta do
governo.

25 - (CESGRANRIO / INSPETOR DE POLÍCIA / 2001)


“...não se pode culpar os publicitários por isso – eles, assim como todo
mundo, não sabem o que fazem.”
Analise o comentário sobre os componentes desse segmento do texto é:
a) igualmente correta seria a forma podem culpar .

26 - (TRT 15ª Região – Analista Judiciário / Setembro 2004


_________ as aparências enganosas de exatidão.
Preenche-se corretamente a lacuna por:
(A) Deve ser evitado
(B) Deve serem evitadas
(C) Deve ser evitadas
(D) Devem ser evitado
(E))Devem ser evitadas

27 - (FCC / ANEEL TÉCNICO / 2006)


De fato, os jovens têm motivos para se sentirem inseguros. Começam a vida
profissional assombrados pelos altos índices de desemprego. Quase a metade
dos desempregados nos grandes centros no Brasil é jovem. Além da falta de
experiência, há o despreparo mesmo. Grande parte tem baixa escolaridade. O
mercado de trabalho ajuda a perpetuar a desigualdade. Muitos jovens deixam
de estudar para trabalhar. Mas a disputa é acirrada também entre os mais
bem-preparados. A grande oferta de mão-de-obra resulta em um processo
cruel de avaliação, com testes de conhecimentos e de raciocínio lógico,
redação, dinâmicas de grupo, entrevistas. E não é só. O jovem deve
demonstrar habilidades que muitas vezes nem teve tempo de saber se possui
ou de descobrir como adquiri-las. Como o conhecimento hoje fica obsoleto
muito rápido, a qualificação e o potencial comportamental é que definem um
bom candidato, e não só o preparo técnico.
(Adaptado de ISTOÉ 5/10/2005)
Julgue a assertiva abaixo.
c) Como a expressão “a metade” (l.2) pode ser considerada um sinônimo textual
para 50%, a substituição daquela por esta preservaria a coerência textual e a
correção gramatical.

28 – (ESAF/ TFC/ 1997) Assinale o item que apresenta concordância incorreta.

a) As pessoas se agrupam em função de objetivos comuns em associações,


federações, confederações, sindicatos, ONGs, colégios, empresas, sociedades,
clubes, conselhos, fundações, institutos, etc.
b) Em qualquer uma dessas situações pressupõem-se que os grupos trabalham
unidos na defesa de um ideário consubstanciado em estatutos, normas e
procedimentos que determinam formas de atuação na sociedade.
c) Entre os dez setores que mais geraram empregos no Brasil, em 1996, as
entidades sem fins lucrativos despontaram em primeiro lugar.(...)
d) Além disso, possuem alto índice de trabalhadores voluntários que
disponibilizam seu tempo livre em benefício de toda a sociedade, algo nada
desprezível enquanto força mobilizadora.
e) A questão é como usar esse poder. Talvez nunca como neste momento a
conscientização da necessidade do envolvimento do empresariado na vida da
comunidade tenha sido tão importante.
(Maria Christina Andrade Vieira, Gazeta Mercantil -14 de agosto de 1997, com
adaptações)

29 - (FCC / ANEEL ANALISTA/ 2006)


A pichação é uma das expressões mais visíveis da invisibilidade humana. São
mais do que rabiscos. São uma forma de estabelecer uma relação de
pertencimento com a comunidade – mesmo que por meio da agressão – e, ao
mesmo tempo, de dar ao autor um sentido de auto-identidade.
(Gilberto Dimenstein, Folha de S. Paulo, 21/01/2006)
Sobre esse trecho, analise a assertiva abaixo.
II. Nos dois períodos iniciados pela forma verbal “São”, a concordância verbal se faz
com o predicativo do sujeito.

30 - (FCC / ANEEL TÉCNICO / 2006)


Apesar das dificuldades, o Programa de Metas foi executado e seus resultados
manifestam-se na transformação da estrutura produtiva nacional. O governo
JK, que soube mobilizar com maestria a herança de Vargas e elevar a auto-
estima do povo brasileiro, realizou-se em condições democráticas, com
liberdade de imprensa e tolerância política. A taxa de inflação, que em 1956
foi de 12,5%, no final do governo JK, elevou-se para o patamar de 30,5%. A
Nação, por sua vez, obteve um crescimento econômico médio de 8,1% ao
ano. Apesar das pressões do Fundo Monetário Internacional (FMI), que já
advogava o “equilíbrio fiscal” e o Estado mínimo para o Brasil, e de setores
conservadores da vida brasileira, JK conseguiu elevar o PIB nacional em cerca
de 143%. E tudo isto ocorreu em um contexto marcado por um déficit de
transações correntes que atingiu 20% das exportações em 1957 e 37% em
1960, o que ampliava a fragilidade externa e fazia declinar a condição de
solvência da economia brasileira. No entanto, foi graças ao controle do câmbio
e ao regime de incentivos criados que as importações de bens de consumo
duráveis foram contidas.
(Rodrigo L. Medeiros, com adaptações)
c) Por se tratar de verbo expletivo, “foi” (l.13) pode ser retirado da oração sem
prejuízo do sentido e da sintaxe. CONCORDÂNCIA “É QUE”

GABARITOS COMENTADOS DAS QUESTÕES DE FIXAÇÃO


1–D
A questão já começa com a apresentação de um conceito de concordância
nominal. Contudo, por se tratar de caso de reciprocidade (a água e a terra estão
laçadas entre si = entrelaçadas), o verbo, necessariamente, irá para o plural.
Essa informação é apresentada na opção D.
Em relação às demais opções:
a) por haver essa idéia de reciprocidade, o adjetivo não poderia ficar no singular;
b) os dois substantivos são femininos (água e terra), não havendo a possibilidade
de flexionar o adjetivo no masculino;
c) por ser recíproco, mesmo anteposto, o adjetivo deverá se flexionar no plural;
e) o adjetivo se refere aos dois substantivos.

2–C
Vimos que, quando na função de adjunto adnominal posposto aos nomes, existe
a faculdade de concordância do adjetivo com o nome mais próximo (concordância
atrativa – opção A) ou com o conjunto de substantivos a que se refere
(concordância gramatical – opção B) – caso 1.2 da Aula 3.
A única forma incorreta é a da letra C. Se for realizada a concordância atrativa, o
adjetivo fica no feminino singular para se harmonizar com o substantivo
proteção.
Se a opção for pela concordância gramatical, por haver um elemento masculino
(cuidado), o adjetivo fica no masculino plural (forçados). Não há, pois,
possibilidade de o adjetivo ser empregado no feminino plural (opção C).
Note que as opções D e E apresentam o adjetivo anteposto na função de adjunto
adnominal (caso 1.1 da Aula 3). Neste caso, a única concordância possível é a
atrativa (lembre-se da dica: tudo com a letra “a” – adjetivo anteposto na função
de adjunto adnominal – concordância atrativa).
Na opção D, o adjetivo concorda com o substantivo cuidado, enquanto que na
opção E, o faz com o substantivo proteção.

3–E
Agora, o adjetivo está na função de PREDICATIVO DO OBJETO (caso 3 da Aula
3).
O verbo tornar é transobjetivo, ou seja, além do objeto direto, ele precisa da
informação trazida pelo predicativo do objeto.
Vamos analisar cada uma das opções:
(A) o adjetivo inviável se refere ao substantivo sobrevivência (a sobrevivência
se tornará inviável, e não a criatura).
(B) o sujeito de tornará é “a elevação da temperatura”. Essa elevação tornará a
sobrevivência inviável. Por isso, está incorreta a informação de que o sujeito está
posposto. Na verdade, o sujeito está anteposto ao verbo, na ordem direta.
(C) O pronome qualquer é o único caso em que a flexão se realiza no meio do
vocábulo, em virtude do processo de sua formação (pronome QUAL + verbo
QUER Î pronome QUAIS + QUER = quaisquer). Assim, está incorreta tal
afirmação.
(D) O numeral terceiro exerce a função sintática de adjunto adnominal ao
substantivo planeta, devendo com ele concordar em gênero e número. Lembre-
se de que numeral é classe de palavra variável (nunca se esqueça da tabelinha,
hem?).
(E) O objeto direto, que complementa o verbo tornar, é sobrevivência. É com
este substantivo que o adjetivo inviável deve concordar em número. A
expressão de qualquer criatura exerce a função de complemento do
substantivo sobrevivência. Por isso, sua flexão não influencia a alteração do
adjetivo – “A elevação da temperatura (...) tornará inviável a sobrevivência de
quaisquer criaturas”. Está correta a assertiva.

4–A
Citamos essa questão na Aula 3, mas não chegamos a avançar na análise. Esse
momento chegou.
Mais uma vez, veremos a concordância do adjetivo na função de predicativo do
objeto (caso 3).
O verbo considerar também é transobjetivo. Seu objeto direto, na construção, é
pequenas alterações psicológicas (Os médicos consideravam pequenas
alterações psicológicas...).
O adjetivo inevitável, por se referir a alterações, deve concordar com esse
vocábulo, flexionando-se em número.
Assim, a forma correta seria: Os médicos consideravam inevitáveis nos
pacientes pequenas alterações psicológicas.
Na opção B, foi empregado corretamente o adjetivo “sós”, no plural por se
harmonizar com o substantivo internações.
Na opção C, temos um exemplo da concordância incorreta com a expressão
“uma e outra”. Como vimos, essa construção possibilita a flexão verbal tanto no
singular quanto no plural (caso 2.a da Aula 4). O verbo está corretamente
flexionado. Contudo, o adjetivo, segundo a norma culta, deveria se flexionar
obrigatoriamente no plural, enquanto que o substantivo ficaria no singular (item
1.6 da Aula 3). Assim, estaria correta a forma: “Uma e outra alteração
psicológicas pode/podem afetar os pacientes hospitalizados”. Por esse motivo,
a questão seria passível de anulação.

5–D
A palavra meio, quando advérbio, se mantém invariável (olha a tabelinha aí,
gente!!!). Exercerá a função sintática de adjunto adverbial, ou seja, vem junto de
um adjetivo alterando ou delimitando o seu alcance.
Na opção A, o pronome demonstrativo mesmo se refere ao substantivo
empregada, devendo com ele concordar em gênero e número – A empregada
mesma (Ela mesma) viu tudo.
Na opção B, o vocábulo bastante é um pronome indefinido adjetivo, devendo se
flexionar de acordo com o vocábulo que acompanha, no caso, o substantivo
vezes. Na dúvida, troque bastante por muito - Já fiz isso muitas vezes = Já
fiz isso bastantes vezes. O pronome modifica um substantivo. Cuidado para não
confundir com o advérbio bastante, que é invariável e modifica verbo, adjetivo
ou outro advérbio (Corremos bastante./ Eles são bastante altos./ Preciso que
você fale bastante alto.)
Em relação à opção C, eu lhe pergunto: o que passou? Resposta: a crise. Por
isso, o particípio deve concordar com esse substantivo = Passada a crise,
voltaram.

6-A
Eu pergunto: o que os últimos dados trataram de sepultar? Resposta: alguma
dúvida em relação à retomada do crescimento. Note que o pronome átono “as”,
presente em “sepultá-las”, se refere à palavra “dúvida”, mencionada na primeira
oração. Assim, para que haja concordância entre os termos, o pronome deve estar
no singular – “sepultá-la”.
Você percebeu que o estilo de prova da ESAF é diferente do das demais bancas já
analisadas? Normalmente, as questões dessa banca que envolvem concordância
pedem que se assinale o item com erro de natureza gramatical, não indicando o
tipo de erro cometido. Assim, você deverá ler com cuidado e analisar todas as
relações sintáticas, ou seja, se os pronomes, adjetivos, verbos estão concordando
uns com os outros.

7–B
Primeiramente, vamos eliminar as opções que apresentam erro na expressão “ter
a ver”. Assim como na outra expressão “não ter nada a ver com”, a preposição “a”
pode ser substituída pela conjunção “que” – ter que ver / não ter nada que ver.
Essas expressões indicam responsabilidade ou envolvimento em relação a um fato.
Restam somente duas opções: b e e.
Em seguida, temos um mote para estabelecer a diferença entre três expressões
muito parecidas: há cerca de / a cerca de / acerca de.
Para isso, vamos partir do seguinte exemplo:
“Eles saíram de casa há cerca de uma hora em direção à fazenda que fica a cerca
de 30 km de São Paulo. Tenho minhas dúvidas acerca do tempo que levarão para
chegar lá, já que a estrada está em péssimas condições.”
“CERCA DE” significa “aproximadamente”. Ela consta das duas primeiras
expressões (há cerca de uma hora / fica a cerca de 30 km), sendo que, na
primeira, percebe-se o emprego do verbo impessoal “haver” na indicação de tempo
decorrido (há cerca de). Com relação à segunda (a cerca de), a preposição “a”
precede a expressão por indicar distância (“A fazenda fica a 30 km de São Paulo.”).
Já a expressão “acerca de” equivale a “sobre” (Tenho dúvidas sobre/ acerca do
tempo). Não se pode confundi-las.

8–A

Essa questão serve para fixar o conceito apresentado na anterior. Perceba que a
construção da opção A se assemelha à do exemplo acima: Ficou a cerca de dez
passos da esquina equivale a dizer Ficou a dez passos da esquina. O “cerca de”
indica aproximação. Neste caso, antes da expressão, é necessário colocar a
preposição a, indicativa de local/distância.
Nas demais passagens, houve correção.
Na opção B, usou-se adequadamente a locução prepositiva acerca de, que
corresponde a sobre.
Na assertiva C, como é indicado tempo decorrido, usa-se o verbo HAVER, associado
a “cerca de”, apresentando uma idéia aproximada de tempo: há cerca de uma
semana.
Finalmente, na opção D, novamente a preposição a, exigida pelo verbo DIRIGIR-
SE, se associa à expressão cerca de (aproximação).

9–E
Esse é um caso clássico de concordância verbal. O verbo concorda com o núcleo
do sujeito. Em “A busca de distinção entre o que é ‘do bem’ e o que é ‘do mal’
(...)”, o núcleo é o substantivo busca. Em torno dele, estão outros elementos
que exercem a função de adjunto adnominal (junto ao nome). Pelo fato de o
núcleo ser representado por um substantivo no singular, o verbo trazer
permaneceu no mesmo número.
A banca sugere uma série de trocas e pede que se identifique em qual delas o
verbo teria de ir para o plural.
Vamos analisar qual é o núcleo do sujeito em cada uma das opções. A resposta
deverá apresentar um substantivo flexionado no plural.
(A) O núcleo é fato (singular);
(B) O núcleo é dificuldade (singular);
(C) Dessa vez a banca procurou confundir, apresentando um outro
elemento no plural, mas não é “pessoas” o núcleo do sujeito do verbo
trazer – ele é o núcleo do verbo saber (Muitas pessoas sabem...). O
núcleo do sujeito é alternativa (...sabem que tal alternativa ...) –
também singular;
(D) O núcleo é divisão (singular);
(E) Agora, sim! O núcleo é oscilações. Não foi à toa que a resposta
estava na opção E – provavelmente, a banca esperava que o candidato
assinalasse a opção C por engano.

10 – E
Agora, iremos ver casos de concordância verbal com sujeito posposto ao verbo
(caso 1.b da Aula 4).
Analisaremos cada uma das opções.
(A) O sujeito do verbo importar é composto – a crítica e o elogio. Como o
sujeito veio após o verbo, haveria a possibilidade de se flexionar o verbo
no plural, concordando com todos os elementos do sujeito (concordância
gramatical) ou no singular, em harmonia apenas com o mais próximo
(concordância atrativa). O autor escolheu a primeira opção.
(B) Dessa vez, o autor escolheu a segunda opção – a concordância atrativa –
e manteve o verbo no singular, concordando com texto.
(C) Novamente, a opção foi pela concordância com o termo mais próximo –
ritmo – mantendo o verbo no singular.
(D) A flexão do verbo indica a opção pela concordância gramatical, ou seja,
com todos os núcleos do sujeito (amizade e dever), enfatizando-se,
assim, o conjunto.
(E) O erro dessa opção foi que há apenas um núcleo (sujeito simples), que se
apresenta no plural (fatos). Assim, não há para o autor a opção de
manter o verbo no singular. Obrigatoriamente, o verbo deve concordar
com fatos e ir para o plural – Faltavam-lhe, naquele dia, fatos para
escrever sua crônica.

11 – E
Vimos que a concordância com a expressão “mais de um” deve ser feita com o
numeral (caso 2.f da Aula 4). Assim, está incorreta a forma apresentada na
opção E. O verbo deveria estar no singular: Mais de um funcionário vai pedir
promoção no mês que vem, ainda que semanticamente isso indique ser dois ou
mais funcionários. Como vimos, nesse caso, a norma da Língua Portuguesa
contraria a lógica.
Em relação às demais opções, cabem os seguintes comentários.
(A) Na expressão “o mais ... possível” (caso 1.7 da Aula 3), o adjetivo deve
se flexionar de acordo com o que fizer o artigo. Como se manteve no
singular, também assim deverá ficar o adjetivo. A outra construção
possível seria: Gosto de viajar para lugares os mais exóticos possíveis.
(B) O adjetivo posposto a mais de um substantivo, na função de adjunto
adnominal, pode realizar a concordância gramatical (com todos os
elementos) ou a concordância atrativa (com o mais próximo). Assim, a
forma apresentada está correta, pois há um elemento masculino, o que
leva o adjetivo para o masculino plural na concordância com todos os
elementos. Também estaria correta a forma: Compramos um sofá, uma
poltrona e uma mesa antiga. Contudo, poderia haver um prejuízo de
sentido, levando a entender que somente a mesa seria antiga e os
demais, novos.
(C) A concordância com termos partitivos (a maioria de, grande parte de –
caso 2.d da Aula 4) aceita duas formas de construção – com o núcleo,
mantendo-se no singular, ou com o complemento. Nesse caso, optou-se
pela primeira forma. A segunda seria “A maioria das pessoas esperam
conseguir bons empregos”.
(D) Todo cuidado com essa opção. Há duas análises a serem feitas.
A primeira envolve a concordância com a expressão “um dos (...) que”
(caso 2.j da Aula 4). O verbo tanto pode ficar no singular (concordando
com “um”) ou no plural (concordando com “cientistas”). Nesse caso, o
verbo que aceita essa faculdade é o verbo chegar. O verbo estudar
envolve a segunda análise. Ele tem como sujeito o pronome relativo que
(caso 2.i da Aula 4). Esta é outra análise a ser feita: o verbo que possui
como sujeito o pronome relativo deve realizar a concordância com o
termo a que esse pronome se refere. No exemplo, o referente do
pronome é o substantivo cientistas. Para melhor compreensão, essa
construção equivale a: Dos cientistas que estudam a memória, um (dos
cientistas) chegou ao Brasil.

12 – C
Ótima questão que envolve a concordância com sujeito composto ligado por OU
(caso 1.f da Aula 4). Não se pode flexionar o verbo no plural quando os
elementos forem mutuamente excludentes, ou seja, a aceitação de um elimina o
outro. Nos demais casos, em que os dois elementos podem exercer
concomitantemente a ação, aceita-se a flexão verbal no plural.
Vamos às opções:
(A) Tanto ele quanto o irmão poderiam nos apanhar, não é? Então, essa
conjunção pode ter valor aditivo, admitindo-se a flexão verbal no plural.
(B) Os dois elementos (umidade intensa e ressecamento excessivo) podem
fazer mal, aceitando-se, assim, a forma plural do verbo.
(C) Quantas pessoas poderiam se casar com Marta? Ao que me conste, no
Brasil, somente uma. Por isso, o verbo só poderia ficar no singular, ou
então Marta seria presa por bigamia (rs...).
(D) Quantos meios de comunicação poderiam apresentar a notícia em
detalhes? Tantos quantos existirem: jornal, revista, telejornal... Por isso,
o verbo pode ir para o plural.
(E) E se quisermos entregar o original e a cópia: isso é possível? Sim. Então
o verbo também pode ir para o plural.

13 – D
Outra ótima questão para fixarmos os conceitos de concordância.
O erro está no emprego do verbo TER no sentido de existir. No uso coloquial, há
vários registros desse uso, inclusive literários (Drummond: “No meio do caminho
tinha uma pedra”).
Contudo, apesar de não haver menção a norma culta no enunciado, em virtude
da correção das demais opções, só nos resta indicar esta como a incorreta.
(A) A flexão verbal com a expressão “uma e outra” (caso 2.a da Aula 4)permite
que o verbo fique no singular ou no plural.
(B) Apesar de polêmico, esse emprego do verbo no plural com a expressão “nem
um nem outro” encontra respaldo na lição do mestre Domingos Paschoal
Cegalla (caso 2.c).
(C) Optou-se por manter o verbo no singular, a exemplo do que vimos no caso
1.e.
(E) O verbo haver é um verbo auxiliar na locução “haviam tido”. O verbo
principal, que determina a flexão verbal a ser executada pelo auxiliar, é TER. Se
estivesse sozinho na construção, esse verbo teria de se flexionar, para concordar
com o sujeito “cientistas” (“Os cientistas tinham muito cuidado...”). Por isso, o
verbo haver, na locução verbal, deverá se flexionar no plural – haviam tido.

14 – B
A única forma correta é a apresentada na opção B. Como não há um número
inteiro percentual (0,98%), associado ao fato de não haver complemento, o
verbo só poderá ficar no singular.
O que está errado nas demais opções?
(A) O número percentual inteiro é 1 (1,85%), e não há complemento. Assim, a
única forma de concordância do verbo é no singular (Lá, 1,85% ajudou a
criar...).
(C) Cuidado com a casca de banana. A expressão “a maior parte” está
desacompanhada de complemento. Assim, mais uma vez, o verbo só poderia
ficar no singular, concordando com o núcleo “parte”.
(D) Apesar de modernamente alguns autores aceitarem que o verbo se flexione
na 3ª pessoa do plural (vocês), em função do desuso das segundas pessoas (tu e
vós), em função do erro gritante apresentado na opção B, vemos que a banca da
Fundação Getúlio Vargas segue as normas do padrão culto formal da língua,
exigindo que, nesse caso, o verbo se flexione na 2ª pessoa do plural – Lá, tu e
teus amigos (vós) ajudastes a criar...
(E) Em números fracionários, a concordância se realiza com o numerador (o
raciocínio é parecido com o apresentado para números percentuais). Por isso,
como no numerador temos “dois” (dois terços), o verbo deveria ir para o plural:
Lá, dois terços ajudaram a criar...

15 – A
Com a expressão partitiva “a maioria de”, acompanhada de complemento no
plural, o verbo pode ficar no singular ou no plural. Por isso, todas as opções
seriam válidas. Por isso, já poderíamos eliminar as opções b, d e e, pois todas
apresentam a forma seção (ou sua variante secção) e, se uma delas estivesse
certa, as demais também estariam, ocasionando a anulação por múltiplas
possibilidades de resposta (é assim que se faz prova, viu? Eliminando as opções
inválidas e aumentando, assim, a possibilidade de acerto).
O erro, nessa questão, é mais de natureza ortográfica: a diferença entre cessão,
sessão e seção.
Cessão é o ato de ceder (A cessão dos direitos autorais foi feita
espontaneamente).
Seção (antigamente indicada com o “c” mudo – secção – letra ainda mantida em
algumas formas, como “seccional”, que também apresenta a forma variante
“secional”) – é o ato de cortar. Por isso, indica a parte de um todo, uma divisão,
um segmento. Assim, em um departamento (conjunto), há diversas seções
(divisões).
Sessão é o tempo de duração de algum espetáculo, trabalho, reunião ou
assemelhados. No Brasil, usa-se também para indicar cada um dos espetáculos
de teatro ou cinema.
De volta à questão, se o treinamento se realizou, houve uma sessão (tempo de
duração) de treinamento.
16 – C
Como se busca o item correto, vamos analisar os erros das demais opções.
(A) Tanto o verbo ser quanto o adjetivo capaz deverão permanecer no singular,
para concordar com o núcleo do sujeito, representado pelo substantivo oculto
dicionário, indicado pela flexão do adjetivo rigoroso (no singular): “Nem
mesmo o mais rigoroso dos dicionários é capaz de (...)”.
(B) Há problemas graves de estruturação sintática. Isso acaba causando um
prejuízo na compreensão da oração. O que seria “desejável”? Acredito que
“estabelecer (conceitos) para a ação humana”. Assim, a construção deveria ser,
por exemplo: “Quando se divergem, a filosofia e o direito acabam por criar um
espaço de hesitação para os conceitos, cujo estabelecimento para a ação humana
seria tão desejável”.
(D) Essa foi bastante capciosa. Os núcleos do sujeito estão ligados pela
expressão “Tanto...como” (caso 1.d). Mesmo que passássemos ao largo da
polêmica apresentada em relação à flexão verbal, note que ambos os núcleos
estão representados por substantivos femininos (felicidade e justiça). Assim, o
adjetivo a eles correspondente só poderia ficar nesse gênero: Tanto a felicidade
como a justiça devem ser discutidas...
Em relação ao emprego da preposição DE na locução verbal (deve + ser),
vejamos o que nos ensina Domingos Paschoal Cegalla, em seu Dicionário de
Dificuldades da Língua Portuguesa:
“Para indicar probabilidade, pode-se inserir a preposição DE na locução formada
por DEVER + INFINITIVO, conforme faziam escritores clássicos: O Congresso
deve de aprovar o projeto do governo. (...) Não cabe a preposição, quando a
idéia é de obrigação, necessidade: Motorista deve dirigir com cuidado. (...) A
língua de hoje raramente faz esta distinção. Em geral se diz: O guarda devia
estar dormindo. / O cano deve estar entupido.”
Assim, como se trata de uma obrigação (e não possibildade), a preposição deve
ser retirada.
(E) Este é um caso de sujeito oracional. O verbo esperar está acompanhado do
pronome SE (Não se esperem...). Como este é um verbo transitivo direto,
estamos diante de uma construção de voz passiva. Ocorre que o sujeito paciente
está representado por uma oração desenvolvida (“... que nossos valores
essenciais possam ser definidos sem controvérsias...”). Por isso, o verbo esperar
deve ficar na 3ª pessoa do singular: “Não se espere que...”.

17 – C
O verbo verificar está acompanhado de um pronome SE. Como esse verbo é
transitivo direto (Alguém verifica alguma coisa) e apresenta idéia passiva, trata-
se de um pronome apassivador. O verbo, portanto, deve concordar com o sujeito
paciente. Contudo, esse sujeito é representado por uma oração: “que 75% de
toda a riqueza...”. Assim, o verbo deverá ficar na 3ª pessoa do singular: “(...)
verifica-se que (...)”. Já na seqüência, o verbo terminar admite dupla flexão –
no plural, concordando com o número percentual (75%) ou no singular,
concordando com o complemento (de toda a riqueza).
Em relação às demais opções, cabem os seguintes comentários.
a) O núcleo do sujeito é desigualdade, o que leva o verbo para o singular –
“A desigualdade (...) é uma marca...”.
b) O verbo chegar está corretamente flexionado no plural, em harmonia
com famílias. O infinitivo apropriar, por apresentar o mesmo sujeito do
verbo da oração anterior, optou por ficar no singular.
d) O que resta? Resposta: 25% da riqueza nacional. O verbo se flexionou no
plural para concordar com o número percentual (25%).
e) O que avançou no país foi o ciclo de financeirização da riqueza. O verbo
auxiliar da locução ter + avançado está corretamente no singular.

18 - B
O sujeito do verbo estabelecer na segunda passagem do item B é “lei”. Afinal, é a
lei que estabelece o aumento de tributos (aproveite para estudar Direito Tributário!
Conheço um ótimo professor: Eduardo Corrêa).
Na ordem direta, a construção seria: sem que a lei estabeleça.
Aliás, o que a lei estabelece: o tributo ou o aumento do tributo? A partir do
contexto, entende-se que o aumento do tributo. Por isso, o correto seria empregar
o pronome “o”, no masculino singular, pois esse pronome tem valor demonstrativo
(sem que a lei estabeleça isso – e o que é isso? Aumentar tributo). Assim, há dois
erros de concordância na passagem: um nominal (relação do pronome com o
nome) e outro verbal.

19 – D
Primeiramente, uma locução verbal (IR + PERCEBER) acompanhada de pronome
‘se’ requer análise:
1- o verbo principal (perceber) é TD ou TDI? Sim.
2- Há idéia passiva? Sim – Algo foi sendo percebido.
Conclusão: a construção está na voz passiva.
Note, porém, que o sujeito não está expresso na forma de um nome (substantivo),
mas de uma oração (subordinada) substantiva. Pergunta-se: o que foi sendo
percebido?
Resposta: “que os problemas daquela região são...” – o sujeito da forma verbal
está representada por uma oração.
No caso de sujeito oracional, o verbo DEVE FICAR na 3ª pessoa do singular (“foi-
se percebendo que os problemas daquela região são...”).

Veja a correção da flexão verbal de um verbo impessoal no item C – o verbo


fazer, ao indicar tempo decorrido, age da mesma forma que o verbo haver – é
impessoal (não possui sujeito) e, por isso, fica na 3ª pessoa do singular: faz
poucos meses. Está igualmente correta a correlação do verbo fazer com o
restante da estrutura, situada no presente (Tudo parece indicar...).
Finalmente, cabe comentar a flexão do adjetivo devido em relação ao
substantivo a que se refere: problemas – “Os problemas são devidos...”.
Não confunda esse adjetivo (que rege a preposição a) com a locução prepositiva
devido a, empregada em estruturas como ‘Devido às fortes chuvas, a festa não
se realizou.’. Como é uma locução prepositiva, permanece invariável.
Aliás, essa locução teve origem justamente no adjetivo que apresenta base
participial (particípio do verbo dever). Como é interessante a ligação que os
vocábulos têm uns com os outros, não é?

20 – C
Agora, vamos tratar de sujeito indeterminado.
Os verbos acompanhados do pronome SE podem formar voz passiva (verbos
transitivos diretos ou diretos e indiretos) ou construção de sujeito
indeterminado (verbos intransitivos, transitivos indiretos e verbos de
ligação).
a) O verbo precisar é transitivo indireto e rege a preposição DE (Alguém
precisa de alguma coisa). Acompanhado do pronome, é caso de sujeito
indeterminado, devendo o verbo permanecer na 3ª pessoa do singular:
Precisa-se de muitos técnicos.
b) Vimos que Estados Unidos é um topônimo que leva artigo, pronome,
adjetivo e verbo para o plural. Assim, a forma correta seria: Os Estados
Unidos são contrários a essas medidas.
c) O verbo haver, no sentido de existência, é impessoal (sem sujeito),
devendo ficar na 3ª pessoa do singular. Assim, está correta a construção.
d) Como as bancas A-DO-RAM esse verbo. O verbo tratar é transitivo
indireto e rege a preposição DE. Está acompanhado do índice de
indeterminação do sujeito, devendo ficar na 3ª pessoa do singular:
Tratava-se de profissionais competentes.

21 – C
Essa questão é quase um exame psicotécnico. Vamos aos poucos.
O que o examinador quer saber é se, acompanhados do pronome SE, em voz
passiva, os verbos devem ou não se flexionar.
Para começar, todos os verbos são transitivos diretos, o que possibilita a
transposição para a voz passiva.
Veja, agora, como a questão era mais simples do que parecia inicialmente:
1ª oração
Voz ativa: movimentar a sua conta Î Voz passiva: sujeito é o elemento que,
antes, exercia a função de objeto direto: conta
Como o sujeito está no singular, o verbo também deve ficar no singular.
Voz passiva analítica: a conta é movimentada
Voz passiva sintética (pronominal) = movimente-se a conta

Já podemos eliminar as opções B e D.

2ª oração
Voz ativa: efetuar pagamentos Î Voz passiva: sujeito é o elemento que,
antes, exercia a função de objeto direto: pagamentos
Como o sujeito está no plural, o verbo também deve ficar no plural.
Voz passiva analítica: pagamentos são efetuados
Voz passiva sintética (pronominal) = efetuem-se pagamentos

A partir dessa resposta, você já poderia marcar o cartão-resposta. Mesmo assim,


vamos analisar as demais orações.

3ª oração
Voz ativa: obter crédito Î Voz passiva: sujeito é o elemento que, antes,
exercia a função de objeto direto: crédito
Como o sujeito está no singular, o verbo também deve ficar no singular.
Voz passiva analítica: crédito é obtido
Voz passiva sintética (pronominal) = obtenha-se crédito

4ª oração
Voz ativa: receber benefícios Î Voz passiva: sujeito é o elemento que, antes,
exercia a função de objeto direto: benefícios
Como o sujeito está no plural, o verbo também deve ficar no plural.
Voz passiva analítica: benefícios são recebidos
Voz passiva sintética (pronominal) = recebam-se benefícios

5ª oração
Voz ativa: adquirir produtos Î Voz passiva: sujeito é o elemento que, antes,
exercia a função de objeto direto: produtos
Como o sujeito está no plural, o verbo também deve ficar no plural.
Voz passiva analítica: produtos são adquiridos
Voz passiva sintética (pronominal) = adquiram-se produtos

22 - D

O que constitui “a maior de suas concessões à vida natural”? Resposta: usar


bermudas longas. Como o sujeito é oracional (reduzido de infinitivo impessoal), o
verbo fica na 3ª pessoa do singular: “Uma das convicções do bem-humorado
cronista é a de que usar bermudas longas constitui a maior de suas concessões à
vida natural”.

Estão corretas as demais opções. Comentaremos algumas das passagens que


podem ter sido objeto de dúvidas.
(A) O pronome relativo “que” refere-se a “maravilhas”. O verbo dizer é transitivo
direto (Alguém diz alguma coisa). Acompanhado do pronome “se”, constrói voz
passiva, cujo sujeito é “maravilhas” (“maravilhas são ditas”). Assim, está correta a
flexão verbal em “As maravilhas que se dizem a respeito de uma vida bucólica ou
primitiva”. Em seguida, retomando o sujeito “as maravilhas”, a locução verbal se
flexiona no plural: “não parecem ter em nada animado o cronista”.
(B) A passagem “a quem o prendam laços afetivos” equivale a “laços afetivos
prendem-no [o cronista] a quem [alguém]”. Como o sujeito do verbo prender é
laços afetivos, está correta a concordância verbal.
(C) Mais uma vez, temos ótimos exemplos de construção de voz passiva
pronominal. O verbo ouvir é transitivo direto. Acompanhado do pronome “se”
(apassivador), deve concordar com o sujeito paciente, quais sejam: “os cantos do
mar” e “os sons de insetos e animais”, justificando, assim, a flexão verbal (“Não se
ouvem”). Em seguida, o pronome relativo “que” substitui o substantivo “sons” e
leva o verbo “poder”, auxiliar da locução “podem representar”, para o plural.
(E) Como o sujeito de “Fica sugerido” é uma oração, o verbo está corretamente
conjugado na 3ª pessoa do singular (concordância com sujeito oracional – verbo no
singular).

23 - E

(A) Em uma locução verbal, o verbo auxiliar realiza a flexão que o verbo principal
faria se estivesse sozinho. Na locução verbal “teriam havido”, o verbo “haver”
(principal) é impessoal, pois apresenta o sentido de “existência”. Por isso, mantém-
se na 3ª pessoa do singular.

Assim, essa flexão deve ser realizada pelo verbo auxiliar “ter”, mantendo no
singular – “... não teria havido outras compensações...”.

Vimos em nossas aulas que “outras compensações” exerce a função de objeto


direto da construção oracional, não interferindo na concordância verbal.
(B) Tanto o verbo haver quanto o verbo existir podem indicar existência. A
despeito de apresentarem o mesmo significado, possuem estruturas sintáticas
distintas. Enquanto que o verbo haver é impessoal (não tem sujeito) e, por isso
mesmo, se mantém na 3ª pessoa do singular (o que lhe segue é o complemento
verbal), o verbo existir possui sujeito e com este deve realizar a concordância.
A partir dessa observação, note que o sujeito de “existir” na construção “Entre um
computador e um fax ainda existem (...) muito estímulo” é um elemento que está
no singular – “estímulo”. Por isso, o verbo deveria ser conjugado na 3ª pessoa do
singular – existe.

(C) Nessa questão, verificamos uma técnica muito comuns em bancas


examinadoras para “enganar” o candidato em questões de concordância (a ESAF é
mestra nisso). Consiste em separar o sujeito do verbo por uma série de elementos,
de preferência em um número diferente do que deverá figurar o verbo. Assim, o
candidato corre o risco de se esquecer qual era o núcleo do sujeito e não perceber
o deslize de correspondência entre o verbo e o sujeito.

Vamos sublinhar o que interessa para a análise:


“As preocupações íntimas, que se costuma traduzir na linguagem pessoal de um
diário, pode suscitar o interesse...”
Opa! A locução verbal está no singular enquanto que o sujeito é plural. Questão
clássica. Na hora da prova, faça o que eu fiz – sublinhe o sujeito e compare com o
verbo. Não tem como errar fazendo isso.
(D) Em “Ninguém duvide de que possa estar na forma modesta de um diário
pessoal as questões subjetivas que a cada um de nós é capaz de afetar?”, notam-
se DOIS erros de concordância. Para uma melhor análise, vamos mudar a
estrutura oracional.
“Ninguém duvide de que...” – até aí, tudo bem...
O sujeito de “possa estar na forma modesta de um diário pessoal” é “as questões
subjetivas”. Por isso, o verbo auxiliar da locução deveria ser flexionado no plural –
“possam estar (...) as questões subjetivas...”.
Por fim, o pronome relativo que inicia a oração adjetiva tem por referente “as
questões subjetivas”, levando todos os elementos do predicado para o plural: “as
questões subjetivas que são capazes de afetar a cada um de nós”. O
complemento do verbo afetar (transitivo direto) recebeu uma preposição (“afetar a
cada um de nós”) para evitar a ambigüidade em relação ao elemento que seria o
sujeito dessa oração, o pronome relativo.

24 – E
O verbo fazer indica um lapso temporal de cinco sessões. Como estamos diante
de um caso de verbo impessoal, este deve se manter na 3ª pessoa do singular. O
mesmo iria ocorrer com o verbo haver: “Já há cinco sessões que os deputados
não votam...”. Está correta, portanto, a estrutura apresentada.
Nas opções (A), (B) e (C), o examinador explora os verbos haver e existir.
(A) O que existe? Resposta: “comissões parlamentares válidas e competentes”.
Como o verbo existir possui sujeito (cujo núcleo é comissões), deve se
flexionar no plural: “O autor disse que existem comissões parlamentares...”.
(B) Já o verbo haver, no sentido de existência, não possui sujeito – é impessoal
e deve se manter na 3ª pessoa do singular: “Havia perguntas que não foram
respondidas durante o interrogatório.”.
(C) Agora, o verbo haver é o principal de uma locução verbal. A ordem para não
se flexionar (o que faria se estivesse sozinho) ele dá ao seu auxiliar (seu “pau-
mandado”): o verbo poder. Assim, a forma correta seria: “Em toda a parte do
mundo pode haver políticos corruptos”.
(D) “É necessário reconhecer que...” – até aqui estava tudo certo. O verbo ser
possui sujeito oracional: reconhecer. O problema surgiu mais adiante: “...
reconhecer que algumas atitudes que...” – este pronome relativo, que é o sujeito
da oração adjetiva que inicia, possui como referente o substantivo atitudes.
Assim o verbo ferir deve com este substantivo concordar: “...algumas atitudes
que ferem os princípios éticos”. Por fim, um outro erro: essa atitudes (que ferem
os princípios éticos) precisam ser punidas. O verbo ser é o segundo auxiliar de
uma locução verbal com três verbos – somente o primeiro verbo auxiliar
(precisar) deve se flexionar. Os demais (segundo auxiliar e verbo principal)
devem se manter em formas nominais (respectivamente infinitivo impessoal e
particípio).

25 – Item CORRETO
Como vimos no caso 11, o verbo PODER/DEVER + SE + INFINITIVO +
SUBSTANTIVO PLURAL, possibilita duas formas de construção:
1 – não se pode culpar os publicitários – é um caso de sujeito oracional (culpar
os publicitários não é possível)
2 – não se podem culpar os publicitários - é um caso de locução verbal de voz
passiva: os publicitários não podem ser culpados.
Ambas as construções estão corretas.
26 - E
Mencionamos anteriormente que uma das possibilidades de análise da construção
“PODER/DEVER + SE + INFINITIVO” seria como locução verbal de voz passiva
pronominal (sintética). Se o sujeito paciente estiver no plural, o verbo auxiliar
deverá ser flexionado: Devem-se evitar as aparências enganosas de exatidão.
Nessa questão, o que a banca propõe é a forma de voz passiva analítica em uma
construção idêntica.
O sujeito, no caso, é “as aparência enganosas de exatidão”.
O primeiro verbo auxiliar é “dever”. O segundo auxiliar, por ser voz passiva, seria o
verbo ser, no infinitivo impessoal.
Assim, na voz passiva analítica, a construção adequada seria: “Devem ser
evitadas as aparências enganosas de exatidão.”.

27 – Item INCORRETO
Essa questão pegou quem teve preguiça de voltar ao texto para analisar a
proposta do examinador.
Realmente, tanto a expressão “a metade” quanto “50%” são termos partitivos
(indicam a parte de um todo). Contudo, a concordância verbal vai depender
também do complemento que foi apresentado em relação à primeira.
Vamos deixar a preguiça de lado e ler o segmento em análise:
Quase a metade dos desempregados nos grandes centros no Brasil é jovem.
No fragmento, o verbo ser poderia concordar com metade (singular) ou com
desempregados (plural).
A partir do momento em que trocamos “metade” por “50%”, tanto o termo
partitivo (50%) quanto o complemento (dos desempregados) levaria o verbo
para o plural. Assim, não restaria ao verbo outra opção a não ser se flexionar:
“Quase 50% dos desempregados (...) são jovens”.
Dessa forma, como foi sugerida, a troca acarretaria incorreção gramatical,
com erro de concordância verbal.

28 - B
Essa opção envolveu dois aspectos estudados: sujeito oracional e flexão de verbos
perigosos.
Sujeito oracional mantém o verbo na 3ª pessoa do singular – “pressupõe-se que os
grupos trabalham...”.
Com os verbos derivados de pôr, ter e vir, o cuidado deve mesmo ser redobrado,
para não confiar no ouvido, pois não há diferença fonética entre a forma singular e
a plural.
Essa questão explorou o mesmo verbo da questão comentada no fim da aula, mas
de modo inverso.

29 – Item INCORRETO
Para constatar a incorreção dessa assertiva, devemos analisar os três primeiros
períodos do texto.
A pichação é uma das expressões mais visíveis da invisibilidade humana. – o
sujeito é pichação.
São mais do que rabiscos. – o sujeito foi retomado – continua sendo pichação. E
não poderia ser “expressões”, pois, de acordo com o sentido, o que são rabiscos
é a pichação, e não a expressão. Já no predicativo do sujeito, temos um
substantivo no plural: rabiscos. Por isso, a flexão se deu, corretamente, no
plural: são mais do que rabiscos.
São uma forma de estabelecer uma relação de pertencimento com a comunidade
(...) – agora, tanto no sujeito (presente na primeira oração e oculto nas demais –
pichação), quanto no predicativo do sujeito (forma), os núcleos são
substantivos no singular! Devido à aproximação com a oração anterior, houve o
deslize de concordância, mantendo o verbo no plural, sem que houvesse
justificativa para tal flexão: (a pichação) é uma forma de estabelecer...
Por isso, está incorreta a afirmação de que, nos dois períodos iniciados por ‘são’,
a concordância se dá com o predicativo. Na terceira oração, o predicativo é
singular.

30 – Item INCORRETO

A passagem que nos interessa é “No entanto, foi graças ao controle do câmbio e ao
regime de incentivos criados que as importações de bens de consumo duráveis
foram contidas.”.
Estamos diante de um dos casos da expressão de realce “é que”, que vimos no
caso 5.d.
O examinador sugere a retirada do verbo foi, sob a alegação de que é meramente
expletivo (ou seja, de realce). Contudo, se houver a retirada do verbo ser, deve
haver também a retirada da conjunção que: “No entanto, (foi) graças ao controle
do câmbio e ao regime de incentivos criados (que) as importações de bens de
consumo duráveis foram contidas.”.
A retirada apenas de uma parte da expressão “é que” prejudicaria a coesão e
coerência textuais.

Grande abraço e até a próxima semana.


SINTAXE DE REGÊNCIA
Hoje, trataremos do assunto em epígrafe – SINTAXE DE REGÊNCIA.
Há sempre nas orações elementos regentes e elementos regidos. Chamamos de
regentes aos termos que pedem complemento e de regidos aos que complementam
o sentido dos primeiros.

Regente Regido
COMPREI - UMA CASA
DEPENDO DE VOCÊ
CRENÇA EM DEUS
ÁVIDO DE CARINHO
INSISTO EM LUTAR
VEJO - O MAR

A sintaxe de regência estudará, portanto, as relações de subordinação ou


dependência entre os elementos da oração.
Em palavras mais simples: regência significa “uso ou não de preposição”. Veremos
casos em que determinada palavra (substantivo, adjetivo, advérbio ou verbo) exige
certa preposição ou tem o seu sentido modificado em virtude do emprego de alguma
delas.
Os complementos servem a nomes (substantivos, adjetivos ou advérbios) e a verbos
– daí, a regência dividir-se em nominal e verbal.
REGÊNCIA NOMINAL – estuda a relação entre um substantivo, um adjetivo ou um
advérbio com o termo que complementa o seu significado.
REGÊNCIA VERBAL – analisa o emprego e o significado dos verbos de acordo com
a preposição do seu complemento indireto (ou a ausência da preposição no
complemento direto).
Nosso estudo terápor base, principalmente, as lições de Celso Pedro Luft presentes
nas seguintes obras:
- Dicionário Prático de Regência Nominal - Editora Ática – 4ª edição - 2003;
- Dicionário Prático de Regência Verbal – Editora Ática – 8ª edição – 2002.

REGÊNCIA NOMINAL
Conforme visto anteriormente, a regência nominal estuda a relação entre os nomes
(substantivos, adjetivos e advérbios) e os termos regidos por estes nomes. Essa
relação é sempre regida por preposição.
Muitos nomes derivados apresentam o mesmo regime dos verbos de que derivam.
Assim sendo, o conhecimento do regime de certos verbos permite que se conheça o
regime dos nomes cognatos, como o substantivo "obediência", o adjetivo
"obediente", e o advérbio "obedientemente", que regem a preposição a, exatamente
como ocorre com o verbo "obedecer", que lhes deu origem.
A título de exemplo, segue uma pequena relação de substantivos e adjetivos
acompanhados das preposições mais usuais (segundo Celso Luft, op.cit.):
Substantivos
ƒ Admiração (a, de, ƒ Dúvida (acerca de, ƒ Medo (a, de)
por, para (com), de, em, sobre)
(OBS. Medo a evita
perante)
(OBS. preposição ambigüidades
ƒ Afeição (a, para omissível antes de apresentadas por
(com), por) oração desenvolvida – medo de: “medo do
“Não há dúvida (de) inimigo – o inimigo
ƒ Aversão (a, por,
que você é o melhor.”) teme ou é temido?”)
em)
ƒ Habilidade (de, em, ƒ Obediência (a, de,
ƒ Atentado (a,
para) para com)
contra)
ƒ Liberdade (a, para, ƒ Ojeriza (a, contra,
ƒ Capacidade (de,
de) por)
para, em)
ƒ Manutenção (de, ƒ Respeito (a, com,
ƒ Devoção (a, com,
em) de, com, para com,
para com, por)
por)

Adjetivos
ƒ Acostumado (a, ƒ Essencial (a, para, ƒ Prestes (a, em,
com) em) para)
ƒ Agradável (a, para, ƒ Fácil (a, para, em, ƒ Próximo, junto (a,
de) de) de)
ƒ Ansioso (de, para, ƒ Favorável (a, para) ƒ Relacionado (a,
por) com)
ƒ Hábil (em, para)
(OBS. preposição ƒ Satisfeito (com, de,
ƒ Habituado (a, com)
omissível antes de em, por)
oração desenvolvida – (OBS. Habituado
ƒ Semelhante (a, em)
“Estava ansioso que a com deve ser imitação
aula acabasse.”) de acostumado com ƒ Sensível (a, para)
“Estava habituado com
ƒ Ávido (de, por) ƒ Sito (em)
o chão de estrelas ...”)
ƒ Capaz (de, para) (OBS: Os verbos que
ƒ Imbuído (de, em)
indicam permanência
ƒ Compatível (com,
ƒ Impróprio (a, de, regem preposição em:
entre)
para) morar, residir, estar
ƒ Contemporâneo (a, – o mesmo ocorre com
ƒ Insensível (a, para,
de) os adjetivos
com, para com)
correspondentes: sito
ƒ Contíguo (a, com,
ƒ Passível (de, a) em; a construção sito
entre)
a surgiu na língua
(OBS. Passível a
ƒ Contraditório (a, escrita jornalística e de
empregado como se
de, com, entre) tabeliões, e não
fosse sujeito a, talvez
encontra abono na
ƒ Diferente (de, pela proximidade com
gramática normativa).
entre, por) passivo a)
Advérbios
Os advérbios terminados em mente, via de regra, seguem o regime dos adjetivos de
que derivam.
Exemplos: análogo (a) - analogamente (a); contrário (a) - contrariamente (a);
contraditório (com) - contraditoriamente (com); diferente (de) - diferentemente
(de); favorável (a) – favoravelmente (a); relativo (a) - relativamente (a).

REGÊNCIA VERBAL E TRANSITIVIDADE


O conceito de REGÊNCIA VERBAL passa necessariamente pela definição da
TRANSITIVIDADE DO VERBO.
Há verbos que bastam por si mesmos – são os verbos INTRANSITIVOS.
Outros há que necessitam de informações suplementares, ou seja, do auxílio de uma
expressão subsidiária, que se apresenta sob a forma de COMPLEMENTO. Esses são
os verbos TRANSITIVOS.
Aliás, essa denominação provém do conceito de TRANSITAR/TRÂNSITO. Se esse
“trânsito” não encontra obstáculo algum, ele é DIRETO. O “obstáculo” é a
preposição.
Assim, quando não há preposição necessária (obstáculo), o verbo é TRANSITIVO
DIRETO, ou seja, liga-se ao complemento diretamente (OBJETO DIRETO).
No caso de a preposição ser obrigatória, o verbo é classificado como TRANSITIVO
INDIRETO e o complemento é antecedido de preposição (OBJETO INDIRETO).
Em todo momento, mencionamos “preposição necessária” ou “obrigatória”. Isso
porque há casos em que, mesmo sendo dispensável, a preposição é utilizada como
recurso estilístico (exemplo 1 abaixo), como, por exemplo, para evitar ambigüidade,
ou obrigatoriamente quando o objeto direto vier sob a forma de um pronome
oblíquo tônico (exemplo 2). Nesses casos, o complemento é chamado de OBJETO
DIRETO PREPOSICIONADO.
Exemplo 1 – Matou o caçador ao leão. – Sem a preposição, não saberíamos quem
matou quem.
Exemplo 2 – Nem ele entende a mim, nem eu a ele. – Os pronomes oblíquos
tônicos exigem sempre a preposição, mesmo que exerça a função de objeto direto.
Em determinadas construções, alguns verbos, mesmo acompanhados de
complemento direto (OBJETO DIRETO), podem requerer um outro complemento,
precedido de preposição (OBJETO INDIRETO). Esses verbos são os chamados
TRANSITIVOS DIRETOS E INDIRETOS ou BITRANSITIVOS, já estudados em aulas
anteriores.
Por fim, há também os que necessitam de uma informação adicional que venha a
complementar o sentido ou alcance do objeto (direto ou indireto) já apresentado.
Esses são os verbos TRANSOBJETIVOS, apresentados na Aula 2 - VERBOS. Essa
“informação complementar” vem sob a forma de PREDICATIVO DO OBJETO.
O predicativo do objeto pode estar ligado diretamente ao verbo (O júri considerou o
réu inocente) ou por meio de uma preposição (Os médicos consideravam a doença
como incurável.)
Podem ser transobjetivos os verbos: chamar, considerar, julgar, reputar, supor,
declarar, crer, estimar, tornar, designar, nomear, sagrar, coroar, encontrar, achar,
deixar etc.
Como já ressaltamos antes, a transitividade de um verbo só pode ser definida na
oração, de acordo com os elementos presentes na construção.

REGÊNCIA VERBAL E SIGNIFICAÇÃO DOS VERBOS


Enquanto que os nomes (regência nominal) exigem uma e/ou outra preposição, não
tendo seu significado alterado, alguns verbos, a depender da acepção que se deseje
apresentar, podem exigir determinada preposição, aceitar mais de uma ou até
mesmo dispensá-la.
Ou seja, os substantivos e adjetivos podem reger diversas preposições sem que
tenham seu sentido alterado. Já os verbos apresentam sentidos diferentes a
depender da preposição que for utilizada. Essa é a diferença significativa entre
regência nominal e verbal e é por isso que o estudo da sintaxe de regência verbal é
bem mais complexo do que o de regência nominal.
Em relação às provas de concursos públicos, o número de questões que envolvem
aspectos de regência verbal é infinitamente maior que o de questões sobre regência
nominal. Isso você irá perceber nos exercícios de fixação.
Há verbos que admitem mais de uma regência sem ter seu sentido alterado.
Falar sobre o assunto. Falar do assunto. Falar acerca do assunto.
Ele não tarda em chegar. Ele não tarda a chegar.
Em algumas construções, a preposição é usada, mais do que para reger, para
acrescentar novos matizes de significação aos verbos.
Cumpri o dever. / Cumpri com o dever. – O verbo é originalmente transitivo direto
(primeiro exemplo). A preposição serve para acentuar a idéia de cuidado, zelo.
Fiz que ele fosse aprovado./ Fiz com que ele fosse aprovado. – O verbo fazer é
transitivo direto. A preposição emprega valor de dedicação, esforço.
Comi o bolo. / Comi do bolo. – Apenas um pedaço do bolo, e não todo ele, foi
comido.

COMPLEMENTOS VERBAIS COM REGÊNCIAS DIFERENTES


Quando, em uma construção, surgirem dois ou mais verbos com regências diferentes
em relação a um mesmo elemento, o rigor gramatical exige que se apresentem os
dois objetos distintos.
Entrei e saí do quarto com extrema rapidez.– CONSTRUÇÃO CONDENADA

O verbo entrar rege a preposição em (entrei no quarto), enquanto que o verbo


sair exige a preposição de (saí do quarto). Assim, para que se observe a norma
gramatical, devemos colocar cada verbo acompanhado de seu complemento:
Entrei do quarto e saí dele com extrema rapidez.
Se a transitividade dos verbos for a mesma, seja direta, seja indireta com a mesma
preposição, pode-se apresentar somente um dos elementos.
O amigo que muito admiro e estimo veio aqui hoje.
O pronome relativo que retoma o substantivo amigo. Tanto o verbo admirar
quanto estimar são transitivos diretos. Assim, não há preposição antes do pronome
relativo que exerce a função de objeto direto de ambos os verbos.
O amigo que muito admiro e me preocupo veio aqui hoje .
Essa construção está condenada. Enquanto o verbo admitir é transitivo direto, o
verbo preocupar-se exige o complemento regido pela preposição com (Eu me
preocupo com o amigo). Assim, para corrigi-la, devemos repetir o pronome
relativo, tomando o cuidado em usar, no segundo caso (com preposição), o relativo
quem (assunto a ser tratado na aula sobre PRONOMES).
O amigo que muito admiro e com quem me preocupo veio aqui hoje.
Todavia, alguns autores, para empregar ao texto maior brevidade e concisão,
admitem a forma gramaticalmente inadequada.
“Não se recorda ou não sabe que perdeu uma carta?” (Machado de Assis)
O verbo recordar é transitivo indireto, com a preposição de (alguém se recorda de
alguma coisa), ao passo que o verbo saber apresenta emprego transitivo direto
(alguém sabe alguma coisa). No entanto, um único complemento (o direto) foi
apresentado.
Note que essa “simplificação” ocorre também em outras construções:
Ele esteve com ela antes e durante o velório. (antes do velório)
Ele esteve com ela antes, durante e depois do velório. (durante o velório)

COMPLEMENTOS COMUNS A MAIS DE UM VERBO


Se, em uma série de verbos com a mesma regência, apresenta-se um mesmo
complemento expresso junto a um deles, pode-se repeti-lo (valorizando cada um dos
verbos) ou omiti-lo (dando ênfase ao conjunto de ações).
Eu muito os admiro e os respeito.
Eu muito os admiro e respeito.
Tanto o verbo admirar como o respeitar são transitivos diretos, o que possibilita
essa construção.

REGÊNCIA DE ALGUNS VERBOS


Agora, iremos analisar as possibilidades de sintaxe de regência de alguns verbos. É
lógico que nosso objetivo não é esgotar (até porque isso seria impossível), mas
simplesmente apresentar.
Sempre que surgirem dúvidas, busque o auxílio de um bom dicionário de regência
(como o indicado no início de nossa aula).
Em alguns verbos, destacaremos observações feitas por mestres consagrados, como
Celso Luft, Evanildo Bechara e outros.
Como tudo na língua, a sintaxe de regência também sofre mutações decorrentes do
uso. Por isso, serão registradas, também, algumas “inovações sintáticas” ocorridas
em certos verbos e ressaltadas por Celso Luft em seu Dicionário Prático.

Agradar
a) No sentido de acariciar, acarinhar, é transitivo direto.
Com as mãos calosas, agradava o filho choroso.

b) No sentido de satisfazer, contentar, é transitivo indireto.


Suas palavras agradaram ao público que o ouvia.
Por analogia com contentar (transitivo direto), também ocorre a transitividade
direta, não obstante impugnação dos puristas: “Essa regência (transitiva direta) se
justifica nas acepções contentar e afagar, mimar.” (Celso Luft).
Esforça-se mas não consegue agradá-lo.
E o que fazer na hora da prova? Analisar as demais opções e procurar identificar
o posicionamento da banca – se tradicional (transitividade indireta) ou moderna
(direta). De qualquer forma, se houver menção a “norma culta”, segue-se a sintaxe
original (agradar a alguém).

Aspirar
a) No sentido de respirar, sorver, é transitivo direto.
"Aspirava o cheiro das rosas abertas depois da chuva." (Rachel de Queiroz)

b)No sentido de desejar, pretender, buscar, é transitivo indireto (com preposição A).
"E quem mora no beco, só aspira ao beco." (Rachel de Queiroz)
Não se diz aspiro-lhe, e sim aspiro a ele(s), a ela(s).
Só encontra o amor quem a ele aspira.

Assistir
a) No sentido de ver, presenciar, estar presente, é transitivo indireto. Esse objeto
indireto deve ser encabeçado pela preposição a, e se for expresso por pronome de
3ª pessoa, exigirá a forma a ele(s), ou a ela(s) (nunca lhe/lhes).
Todos assistiam ao espetáculo (a ele).
Vimos em nossa aula de verbos que os verbos transitivos apenas indiretos não se
constroem na voz passiva porque só o objeto direto da ativa pode transformar-se
no sujeito da passiva. Ainda se lembra disso? Pois é, agora a coisa vai complicar um
pouquinho.
Na linguagem coloquial, dada sua proximidade com os verbos VER, PRESENCIAR,
OBSERVAR (todos eles transitivos diretos), é usual o emprego do verbo ASSISTIR
(que, nessa acepção, é transitivo indireto) em voz passiva: A missa foi assistida por
milhares de fiéis.
De qualquer forma, segundo a linguagem culta formal, deve-se abolir essa
construção.
Para a prova, mais uma vez recomendamos cuidado: bancas tradicionais exigem os
aspectos cultos da gramática, devendo ser respeitada a sintaxe original.
Outras mais modernas podem aceitar a forma passiva. O jeito é analisar as opções e
agir com bom senso.

b) No sentido de prestar assistência, confortar, ajudar, proteger, servir, é transitivo


direto OU indireto (indiferentemente).
O médico assiste os doentes.
Ele assistiu-lhe (ao doente) na enfermidade.
Para lembrar: se for para prestar socorro, não importa a regência – assista o/ao
acidentado de qualquer forma.

c) No sentido de caber, pertencer de direito ou razão, é transitivo indireto.


Não lhe assiste o direito de reclamar.

d) No sentido de morar, constrói-se com preposição EM, sendo intransitivo. Aliás,


essa é a sintaxe empregada aos verbos que indicam permanência (morar, residir,
estar, situar-se).
“Assiste em Lisboa.” (Caldas Aulete, citado por Celso Luft)

Atender
a) Quando o complemento for pessoa, é transitivo direto ou indireto
O diretor atendeu os/aos alunos.
Se a preferência for pelo pronome (e não o substantivo), usa-se somente de forma
direta o, a, os, as (e não lhe/lhes):
O diretor os atendeu.

b) Quando o complemento for coisa, é transitivo indireto. No entanto,


modernamente é aceita também a forma direta para coisa.
O governo não atende as/às reivindicações dos grevistas.
Atenda o/ao telefone, por favor.
Resumo: Modernamente, aceitam-se a sintaxe direta ou indireta, indistintamente. Se
o complemento estiver expresso por um pronome, usa-se a forma direta (o,a, os,
as).

Chamar
a) No sentido de chamar a presença de alguém, é transitivo direto:
Eu chamei meu filho e pedi um favor.
Ninguém o chamou aqui, seu moço.

b) Na acepção de pedir auxílio ou atenção, é transitivo indireto, com a preposição


por.
"Gurgel tornou à sala e disse a Capitu que a filha chamava por ela." (M. Assis)

c) Com o sentido de apelidar, dar nome, qualificar, admite as seguintes construções:


Chamaram-no covarde.
Chamaram-no de covarde.
Chamaram-lhe covarde.
Chamaram-lhe de covarde.
Nessa construção, é um verbo transobjetivo, apresentando o complemento verbal
(objeto direto ou indireto) e o predicativo do objeto (que pode vir acompanhado de
preposição ou não).
Esse é o único verbo transobjetivo que apresenta complemento indireto. Todos os
demais possuem apenas objetos diretos.

Custar
a) No sentido de ser custoso, difícil, tem como sujeito aquilo que é difícil, podendo
apresentar-se sob a forma de uma oração reduzida de infinitivo, que pode vir
precedida da preposição a.
Custa-me o seu silêncio. (O seu silêncio é custoso para mim.)
Custa-me dizer que acendeu um cigarro.
Custou-me muito a brigar com Sabina.
Como vimos na aula sobre concordância verbal, quando o sujeito é representado por
uma oração (sujeito oracional), o verbo permanece na 3ª pessoa do singular.
Na linguagem cotidiana, dada a sua proximidade com “demorar” ou “ser difícil”,
houve alteração na construção, atribuindo-se valor à pessoa (Custei a entender essa
lição, Ele custou a chegar aqui.).
Essa inovação sintática, presente até em registros literários, segundo CEGALLA
(Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa), ainda não foi sancionada pelos
gramáticos.
Para a prova, leve a sintaxe originária: Custou-lhe chegar aqui. Custou-me entender
a lição.

b) No sentido de causar, acarretar conseqüências, é transitivo direto e indireto.


A imprudência custou-lhe lágrimas amargas.
c) No sentido de indicar preço, é intransitivo.
Esta casa custou trinta mil dólares.

Informar, Avisar, Comunicar, Cientificar


Agora, começamos a conhecer alguns verbos que admitem dupla regência, ou seja,
indistintamente direta e indireta para coisa ou pessoa (serão chamados de flexíveis),
e outros que apresentam somente uma forma para coisa e outra para pessoa
(inflexíveis).
Parece que estou falando grego, não é? Vamos, então, partir para os exemplos.
Assim, o conceito fica claro.
Dentre os verbos flexíveis, podemos destacar:
- INFORMAR: Eu posso informar alguma coisa a alguém (direto para coisa e indireto
para pessoa) ou informar alguém de/sobre alguma coisa (direto para pessoa e
indireto para coisa).
O ministro informou o povo sobre as novidades na Economia.
O ministro informou as novidades na Economia ao povo.
- AVISAR:
Avisei o amigo do acidente. / Avisei o acidente ao amigo.
Por isso, em construções de voz passiva, tanto a pessoa como a coisa podem exercer
a função de sujeito paciente, porque qualquer desses elementos pode ser o objeto
direto, indiferentemente:
O amigo foi avisado do acidente. O acidente foi avisado ao amigo.

Outros verbos não possuem essa “flexibilidade”. Vamos analisar alguns desses
verbos inflexíveis
- COMUNICAR: Como o sentido originário desse verbo é “TORNAR ALGO COMUM
(enfatiza-se a coisa em detrimento da pessoa).
Assim, esse verbo apresenta a sintaxe direta para coisa e indireta para pessoa =
COMUNICAR ALGO A ALGUÉM.
Comunicamos ao diretor a decisão do grupo.
Por isso, segundo a norma culta, condena-se a construção de voz passiva em que a
pessoa se apresente como sujeito, uma vez que ela exercia a função de objeto
indireto da voz ativa. Somente a coisa pode ser o sujeito paciente:
A decisão do grupo foi comunicada ao diretor.
(e não: O diretor foi comunicado da decisão do grupo)

- CIENTIFICAR: O sentido de CIENTIFICAR é TORNAR ALGUÉM CIENTE (enfatiza-


se a pessoa em detrimento da coisa).
Enquanto o verbo comunicar apresenta construção direta para coisa e indireta para
pessoa, o verbo cientificar é direto para pessoa e indireto para coisa (Eu cientifiquei
o diretor da decisão do grupo.).
Agora, para uma melhor compreensão, vamos traçar um paralelo entre COMUNICAR
e CIENTIFICAR.
COMUNICAR ALGO A ALGUÉM ≠ CIENTIFICAR ALGUÉM DE ALGO
Celso Luft observa que às vezes ocorre a inovação sintática cientificar algo a
alguém, que atinge também verbos como informar, avisar, certificar. Contudo, em
linguagem culta forma, é preferível a sintaxe originária cientificá-lo de.
No decorrer dos exercícios de fixação, encontraremos mais alguns verbos de dupla
possibilidade de regência.

Esquecer
Admite três construções diferentes:
Esqueci o nome dele.
Esqueci-me do nome dele.
Esqueceu-me o nome dele.
Quando pronominal (esquecer-se), o verbo necessariamente é empregado com
complemento indireto (esquecer-se de algo).
Se este complemento for oracional, especialmente em orações desenvolvidas
(iniciadas pela conjunção que), admite-se a omissão da preposição DE: “Nunca me
esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra” (Drummond).
O que nas duas primeiras construções é objeto (direto ou indireto) passa a sujeito
na terceira: "O nome dele esqueceu-me" significa que esse nome apagou-se da
memória, saiu da lembrança. Essa sintaxe emprega à construção um valor
involuntário da ação ocorrida (algo foi esquecido por mim).
"Nunca me esqueceu esse fenômeno." (M. Assis)
= O fenômeno (sujeito) nunca esqueceu a mim (objeto indireto)
Tudo o que acontece com o verbo ESQUECER se repete com o verbo LEMBRAR.

Lembrar
a) Com o sentido de trazer à lembrança, evocar, recordar-se, é transitivo direto.
Seu penteado lembrava as divas de Hollywood.
b) Com sentido de vir à memória, aceita, à semelhança do que ocorre com o verbo
esquecer, três modelos de construção:
Lembro o acontecimento.
Lembro-me do acontecimento.
Lembra-me o acontecimento

Implicar
a) No sentido de ter implicância com, mostrar má disposição para com alguém, é
transitivo indireto.
Implicou com os irmãos..

b) No sentido de comprometer-se, enredar-se, envolver-se em situações


embaraçosas, é acompanhado de pronome reflexivo e de complemento introduzido
pela preposição EM.
Atualmente não são poucos os políticos que se implicam em negociatas.

c) No sentido de trazer como conseqüência, acarretar, é transitivo direto.


"... um dever que implica desdouro para meu amigo, se eu me esquivar a cumpri-
lo." (C. C. Branco)
"...sem que a investida do novo chefe implicasse a menor quebra no movimento
político e social." (Latino Coelho)
Celso Luft: “Implicar em algo é inovação em relação a implicar algo por influência
dos sinônimos redundar, reverter, resultar, importar. Aparentemente brasileirismo.
Plenamente consagrado, admitido até pela Gramática Normativa.
P.ex.: Tal procedimento implica (em) desdouro (Rocha Lima, Gramática Normativa
da Língua Portuguesa, pg. 401)”
Em relação a essa inovação, já vejamos uma questão de prova da ESAF:

(AFRF/2002.1) Julgue os períodos abaixo em relação à correção gramatical.


b) A prática do racismo é definida como crime na Lei nº 7.716/89, isto é, nessa
Lei estão definidas várias condutas que implicam tratamento discriminatório,
motivado pelo preconceito racial. / A prática do racismo é definida como crime
na Lei nº 7.716/89, isto é, nessa Lei estão definidas várias condutas que
implicam em tratamento discriminatório, motivado pelo preconceito racial.

Este item foi considerado CORRETO pela banca.


Na acepção de trazer como conseqüência, acarretar, tradicionalmente o verbo
implicar é transitivo direto (“Seu silêncio implicava consentimento.”). Contudo,
provavelmente seguindo a doutrina recente, a construção com o verbo transitivo
indireto foi tida por correta em ambos os períodos – implicam tratamento /
implicam em tratamento.

Obedecer
É um verbo transitivo indireto, que rege a preposição a.
Em relação à possibilidade do emprego dos pronomes oblíquos lhe/lhes no lugar de
a ele(s)/ela(s), a maioria esmagadora dos gramáticos se posiciona favoravelmente
à troca.
Ele não é capaz de obedecer às ordens de seu chefe.
Quem lhe desobedecer sofrerá sanções.
Mesmo sendo um verbo transitivo indireto, modernamente admite voz passiva,
reminiscência do antigo regime transitivo direto. São diversos registros literários
dessa possibilidade. Essa observação, inclusive, consta da Nova Gramática do
Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, e é abonada por Celso
Luft (“A voz passiva é vista como normal - Alguém é obedecido.”).
"A Senhora manda, e é obedecida." (José de Alencar)
Em linguagem culta formal, contudo, ainda se recomenda a construção indireta.
Para a prova, tome muito cuidado. Algumas bancas são extremamente tradicionais e
ficam naquele “feijão com arroz”. Outras já preferem inovar e explorar novos
conceitos. O candidato deve procurar identificar o posicionamento da banca e, se
isso não for possível, analisar as demais opções antes de tachar a afirmação como
certa ou errada.
Idêntica é a construção do antônimo desobedecer.
Ele não podia mais desobedecer às vontades de Deus.

Vamos ver uma questão de prova:

(NCE UFRJ / INCRA / 2005)


25 - Sabemos que só os verbos transitivos diretos admitem a forma passiva;
por isso, a alternativa que mostra uma forma adequada de passiva é:
(A) O pai do candidato foi comunicado do ocorrido;
(B) Os professores são muito obedecidos pelos alunos;
(C) O chefe foi substituído pelo novo funcionário;
(D) O presidente Juscelino foi sucedido por Jânio Quadros;
(E) A peça será acontecida no dia 28 de agosto.

O gabarito foi a letra C. Note que a banca da UFRJ não aceitou a forma passiva do
verbo OBEDECER (opção B), considerando-a inadequada.
Em relação aos demais verbos:
a) o verbo COMUNICAR apresenta como objeto direto a COISA e indireto a
PESSOA. Por isso, estaria incorreta a forma passiva de pessoa como sujeito paciente
(O pai foi comunicado).
c) o verbo SUBSTITUIR é transitivo direto – Uma pessoa substitui outra. Assim, é
possível a construção passiva: O chefe foi substituído. Essa foi a resposta certa.
d) na acepção de “ser o sucessor”, o verbo SUCEDER constrói-se com objeto
indireto: Ele sucedeu ao pai na gestão dos negócios.
Contudo, há registros clássicos da transitividade direta do verbo (sintaxe em
desuso). Luft registra que “é compreensível certa inclinação por sucedê-lo na
linguagem culta formal”, muito comum no português clássico, talvez por influência
do verbo substituir. Note que a banca não aceitou a forma direta, considerando
incorreta a construção de voz passiva O presidente Juscelino foi sucedido por Jânio
Quadros.
e) O verbo ACONTECER pode ser INTRANSITIVO (algo acontece) ou TRANSITIVO
INDIRETO com a preposição a (algo acontece a alguém). Não há, pois, objeto direto
para que se possa construir voz passiva.

Pedir
Trata-se de um verbo transitivo direto. Somente aceita o complemento regido pela
preposição para quando houver subentendida, entre o verbo e a preposição, uma
palavra como licença, autorização, permissão.
Pedimos que sejam observadas as regras de convivência.
Os alunos pediram para sair. (permissão para sair)

Perdoar - Pagar – Agradecer


Na língua culta, constroem-se com objeto direto em relação à coisa e objeto indireto
em relação à pessoa.
Perdoai-lhes, Senhor, porque não sabem o que fazem!
Agradeci-lhe os presentes.
Já paguei as contas a meus credores.
Contudo, por influência de verbos do mesmo campo semântico – desculpar alguém /
indenizar alguém– surgiu uma nova estrutura: objeto direto para a pessoa
(perdoar alguém / pagar alguém), o que levou à possibilidade de construção passiva:

Todos foram perdoados pelo rei (o rei perdoou todos).


Neste mês, os empregados não serão pagos (a empresa não pagará os
empregados).

Preferir
O verbo é transitivo direto e indireto (Preferir uma coisa a outra).
"Capitu preferiu tudo ao seminário." (M. Assis)
Em virtude da proximidade semântica com querer, desejar (uma coisa mais do
que outra), passou a ser comum na linguagem coloquial a forma preferir uma coisa
mais do que outra ou preferir muito mais, construções condenadas pelos gramáticos.
Para a prova, tenha sempre em mente a sintaxe original: PREFERIR ALGO A OUTRA
COISA.
Não há impedimento algum para a construção com somente o complemento direto:
Prefiro os antigos moldes.

Proceder
a) No sentido de ter fundamento é intransitivo.
Seu pedido não procede.
b) Como portar-se, conduzir-se, é intransitivo também, sempre seguido de adjunto
adverbial de modo.
Sua esposa procedia brilhantemente em público.
b) Na acepção de provir, originar-se, descender, usa-se com preposição de.
A língua portuguesa procede do latim.
c) Usa-se com preposição a (transitivo indireto) no sentido de dar início, realizar.
Proceder-se-á ao início da sessão.

Responder
A regência primária apresenta complemento indireto, com a preposição a:
Responder às cartas, às perguntas, ao questionário.
Contudo, na língua vigente no Brasil, a sintaxe direta para coisa já está consagrada,
ainda que repudiada pelos puristas.
O verbo, nesse caso, pede objeto direto para coisa e indireto para pessoa
(Responder algo a alguém). O objeto indireto pode se apresentar sob a forma de
pronome (lhe/lhes).
Não irei responder-lhe o pedido de casamento.
Respondo as suas cartas..
Essa construção possibilita a voz passiva:
As cartas foram respondidas.

Simpatizar
O verbo simpatizar não é pronominal. Pede objeto indireto regido da preposição
com.
Simpatizei com ela. (correto)
Simpatizei-me com ela. (errado)
Não simpatizei com ele nem com suas idéias.
O verbo antipatizar apresenta o mesmo regime.
A classe antipatizou com o novo professor.

Visar
a) No sentido de dirigir a pontaria, apontar arma de fogo contra algo ou alguém, é
transitivo direto.
Visei o alvo.
b) No sentido de pôr o visto em, é transitivo direto.
As autoridades visaram o passaporte.
c) Na acepção de ter em vista um fim, pretender, deve empregar-se de preferência
com a preposição a, embora modernamente, devido à aproximação com verbos
como buscar, pretender, objetivar (transitivos diretos), se acumulem exemplos
com objeto direto.
Nela visei, acima de tudo, ao bem da comunidade.
O verbo visar já se constrói, nesse sentido, sem a preposição:
Essa sociedade não visa lucro.
Essa inovação ocorre, principalmente, quando o complemento vem sob a forma
nominal de infinitivo.
Eles visam alcançar suas metas.

Vamos ver como a ESAF tratou do assunto:

(TCU/ 2006) Assinale a opção que corresponde a erro gramatical.


A precariedade dos serviços públicos é responsável por cerca de(1) 8% das
barreiras ao crescimento do País. Esse impacto se deve aos(2) efeitos em
cascata que as deficiências no setor público causam à economia. No Brasil,
esses problemas parecem tão arraigados à rotina nacional que aparentam ser
imutáveis. Não são. O Reino Unido está implementando uma reforma que visa
o(3) aumento de produtividade e à melhoria da qualidade dos serviços
públicos.
O primeiro passo aconteceu com o estabelecimento de alguns princípios:
• metas nacionais de desempenho, mensuráveis e disponíveis para
comparação pelo público;
• clara definição de responsabilidades entre as entidades públicas;
• aumento de flexibilidade, por meio da(4) simplificação de processos e da
redução da burocracia;
• oportunidade de escolha por parte do público em relação aos provedores de
serviços.
A estimativa é que(5) essas reformas aumentem o PIB do País em 16 bilhões
de libras.
(Adaptado de Revista Veja, n. 49, p.154.)
a) 1
b) 2
c) 3
d) 4
e) 5

O gabarito foi a letra c – o verbo visar, no sentido de objetivar, originalmente é


transitivo indireto.
Assim, em “uma reforma que visa o aumento de produtividade”, devemos inserir a
preposição a: visa ao aumento de produtividade.
Caso restasse alguma dúvida em relação à possibilidade de se construir sob a forma
direta (modernamente aceita), a banca tratou de sepultá-la com a apresentação do
outro objeto indireto: “visa (...) à melhoria da qualidade dos serviços públicos”.
É assim que se faz prova: diante de uma questão cujo tema é polêmico, você deverá
analisar com cuidado todas as possibilidades. Normalmente, bancas consagradas,
como a ESAF, procurar fugir desse debate, indicando, de alguma forma, o seu
posicionamento.

VERBOS DE DESLOCAMENTO X VERBOS DE PERMANÊNCIA


Verbos que indicam deslocamento (chegar, ir, voltar, etc.) constroem-se com a
preposição a, opondo-se aos que indicam permanência (morar, residir, etc.), que se
constroem com a preposição em.
Ele chegou ao colégio muito cedo.
O presidente veio a São Paulo de avião.
Ele mora na rua Virgílio de Resende.
Ficarei em casa a noite.
Se você ficou pensando naquela clássica expressão ENTREGAMOS À DOMICÍLIO,
muito comum nos letreiros de pizzarias, farmácias e afins, vamos entender.
Para começar, como veremos na próxima aula, palavras masculinas não podem ser
precedidas de “a” com acento grave, pois não apresentam um artigo definido
feminino antes de si (afinal de contas, elas são masculinas!!!). Então, não ocorre
crase.
Em relação à regência do verbo entregar, eu lhe pergunto: a entrega por ser feita a
alguém em algum lugar, não é? O complemento que indica a “pessoa que recebe a
entrega” é regido da preposição A (Entreguei ao porteiro). Mas “domicílio” não é uma
pessoa, e sim um local (expressão de valor adverbial). Por isso, a preposição que
antecede esse vocábulo é EM – Entregamos em qualquer ponto do país (e não a
qualquer ponto do país).
Por isso, a entrega é feita em domicílio ou no domicílio, e nunca “à domicílio”.
E agora, consegui acabar com aquela confusão que a pizzaria causou?
Agora, até bateu uma fome. Ainda bem que nossa aula está chegando ao fim.
O passo seguinte é resolver as questões de fixação, até mesmo para ver como as
bancas examinadoras se posicionam, e estudar, estudar, estudar...
Em nossos próximos encontros, voltaremos a este assunto. Falaremos sobre CRASE
e, em seguida, PRONOMES, estudando, inclusive, a relação entre sintaxe de
regência e pronomes relativos.
Bons estudos e até lá.

QUESTÕES DE FIXAÇÃO

01 - (FGV/ALESP/2002)
Assinale a alternativa cuja regência está de acordo com o padrão culto:
A. Prefiro mais doce a salgado.
B. Prefiro mais doce do que salgado.
C. Prefiro doce do que salgado.
D. Prefiro doce a salgado.

02 - (FGV/Pref.Guarulhos/2001)
Assinale a alternativa em que há erro de regência verbal.
A. Minha aparência não lhe agradou.
B. Esta é a regra que você obedecerá.
C. Assiste-lhe sempre esse direito.
D. Essa foi a conclusão a que chegamos.

03 - (FGV/ICMS MS – ATI/2006)
Em Você se lembra do rosto dela naquele instante?, obedeceu-se às regras de
regência verbal.
Assinale a alternativa em que isso não tenha ocorrido.
(A) Prefiro questões de gramática do que de interpretação.
(B) Aspiraram à vaga de piloto da companhia aérea.
(C) Os médicos assistiram o paciente.
(D) Perdoamos-lhes as dívidas.
(E) Pagaram-lhe bem.

04 - (BESC / ADVOGADO/ 2004)


Texto II
CAPÍTULO III
Do Contrato Estimatório
Art. 534. Pelo contrato estimatório, o consignante entrega bens móveis ao
consignatário, que fica autorizado a vendê-los, pagando àquele o preço
ajustado, salvo se preferir, no prazo estabelecido, restituir-lhe a coisa
consignada.
(Novo Código Civil)
Pela leitura do texto II, percebe-se a importância do uso correto dos pronomes
oblíquos. Assinale a alternativa em que isso NÃO tenha ocorrido.
(A) O chefe encontrou a secretária no corredor e pagou-a ali mesmo.
(B) Cabia-lhe o direito de reaver o documento.
(C) Os pacientes esperavam que o médico os assistisse com urgência.
(D) Ele não lhe perdoou a dívida.
(E) Ela lembrava-lhe a boa infância.

05 - (ESAF/AFRF/2003) Julgue a assertiva abaixo em relação aos aspectos


gramaticais.
e) Não nos esqueçamos que a construção do autoritarismo, que marcou
profundamente nossas estruturas sociais, configurou o sistema político
imprescindível para a manutenção e reprodução dessa dependência.

06 - (FUNDEC / TRT 2ª Região / 2003)


Sobre a regência do verbo assistir na oração “a Região Metropolitana finalmente
assistia ao início de um capítulo bom da novela protagonizada por mais de 3 milhões
de pessoas” (linhas 10-13), pode-se afirmar que:
A) está correta, porque o verbo foi empregado como transitivo indireto, no sentido
de ser do direito;
B) é semelhante à regência do verbo amar em frases como “Deve-se amar ao
próximo”;
C) admite a construção passiva, que seria: “O início de um capítulo bom da novela
protagonizada por mais de 3 milhões de pessoas era assistido finalmente pela Região
Metropolitana;
D) está consoante com a língua escrita padrão, mas divergente dos hábitos da língua
falada no Brasil;

07 - (CESGRANRIO / PREF.MANAUS / 2004)


Marque a opção em que a regência do verbo NÃO está adequada, conforme a norma
culta.
(A) O pesquisador agregou-se ao grupo da universidade.
(B) O auxiliar inseriu os dados no computador.
(C) A criança agradeceu os primos o presente.
(D) A situação de crise influiu na decisão do conselho.
(E) Eu entreguei o requerimento ao advogado.

08 - (NCE UFRJ/ ANTT / 2005)


Assinale a opção que corresponde à melhor redação, considerando correção, clareza
e concisão.
(A) A parada o autorizava à cobrar um novo preço;
(B) A parada lhe autorizava de cobrar um novo preço;
(C) A parada o autorizava de cobrar um novo preço;
(D) A parada o autorizava a cobrar um novo preço;
(E) A parada lhe autorizava a cobrar um novo preço.

09 - (NCE UFRJ / INCRA / 2005)


A alternativa em que o pronome LHE está mal empregado é:
(A) Só lhe comuniquei de minha decisão ontem;
(B) Não lhe desejo mal;
(C) Deste ator só lhe conhecia a foto;
(D) Vou apresentar-lhe meu amigo;
(E) Atribuímos-lhe uma atitude negativa.

10 - (UnB CESPE/INSS/1998)
Quanto à correção da substituição do trecho sublinhado pela forma apresentada em
negrito, julgue os itens abaixo.
1. “Já fez sua declaração de imposto de renda? / Já a fez?
2. “Os decretos-leis (...) abanam o rabo negativamente” / Os decretos-leis (...)
abanam-lhe negativamente
3. “Mas se tiveres alguma dúvida” / Mas se tiveres ela.
4. “Os decretos-leis tentam barrar um senhor distinto” / Os decretos-leis tentam
barrá-lo
5. “Agora é só (...) encheres este formulário-sanfona” / Agora é só (...) o encheres

11 - (NCE UFRJ / INCRA / 2005)


Muitos gramáticos condenam o uso de um mesmo complemento referido a verbos de
regência diferente, o que ocorre em:
(A) entrar e sair de casa;
(B) contemplar e pintar a paisagem;
(C) ler e memorizar o telefone;
(D) conhecer e admirar a obra do artista;
(E) precisar e gostar de boas companhias.

12 - (ESAF/AFC STN/2002)
No passado, para garantir o sucesso de um filho ou de uma filha, bastava
conseguir que eles tirassem um diploma de curso superior. Uma vez formados,
seriam automaticamente chamados de “doutor” e teriam um salário de classe
média para o resto da vida. De uns anos para cá, essa fórmula não funciona
mais. Quem quiser garantir o futuro dos filhos, além do curso superior, terá de
lhes arrumar um capital inicial. Esse capital deverá ser suficiente para o
investimento que gerará um emprego para seu filho.
Em relação aos aspectos textuais, julgue a asserção abaixo.
d) A regência do verbo chamar empregada no texto(l.3) é considerada coloquial. A
gramática ortodoxa recomenda, como mais formal, o emprego desse verbo como
transitivo direto.

13 - (CESGRANRIO/TRANSPETRO/2006)
Por meio de uma carta, os funcionários _______________ aos superiores.
Com respeito à regência, a forma verbal que preenche adequadamente a lacuna
acima é:
(A) chamaram.
(B) convidaram.
(C) cumprimentaram.
(D) pressionaram.
(E) responderam.

14 - (FCC / INSS MEDICO / 2006)


Empregou-se de acordo com o padrão culto escrito a forma grifada em:
(A)) Estava tão atrapalhado, que enviou a carta justamente àquele que nunca
poderia tê-la recebido.
(B) A atitude desequilibrada daquele jovem foi uma heresia aos idosos que ali
estavam sendo homenageados.
(C) Informou-lhe de que deveria fechar o contrato até o fim do dia.
(D) Recuperou-lhe daquele distúrbio com a competência e dedicação que todos lhe
reconhecem.
(E) Ele foi investido com uma difícil tarefa de comando, da qual se desincumbiu com
grande habilidade.

15 - (FUNDEC / PRODERJ / 2002)


Como na frase “O nível de complexidade do Deep Fritz reside nas linhas de código
que o constituem” (linhas 17-18), também as frases abaixo estão corretas quanto ao
emprego do pronome o, menos em uma, em que o correto seria empregar o
pronome lhe. Esta frase está na opção:
A) Procurei um técnico para cientificá-lo de que havia um problema para resolver.
B) Embora o problema fosse de difícil solução, o computador o resolveu.
C) Vou procurar o técnico para certificá-lo que o problema já foi resolvido.
D) O cientista comentou que a empresa o contratou para resolver problemas
complexos.
E) A empresa que construiu o computador resolveu doá-lo para um museu.

16 - (ESAF / Analista IRB/2004) Identifique a letra em que uma das frases apresenta
erro de regência verbal.
a) Atender uma explicação.
Atender a um conselho.
b) O diretor atendeu aos interessados.
O diretor atendeu-os no que foi possível.
c) Atender às condições do mercado.
Os requerentes foram atendidos pelo juiz.
d) Atender o telefone.
Atender ao telefone.
e) Ninguém atendeu para os primeiros sintomas da doença.
Ninguém se atendeu aos primeiros alarmes de incêndio.

17 - (UnB CESPE/DEFENSOR/2004)
Analise a correção da assertiva abaixo.
Em “Por conseqüência, a morte de um idioma implica perda imensurável a um país
e, inclusive, à humanidade, pois perde-se, além da forma básica de comunicação,
uma cultura com todas as suas expressões, como folclore, história, musicalidade,
religião etc.”, o emprego da preposição que antecede os termos “um país” e
“humanidade” é exigido pelas regras de regência segundo as quais está empregado
o verbo implicar.

18 - (UnB CESPE / AGU / 2002)


A impunidade que daí deriva não está ligada, pois, a diferenças sociais que
impliquem que nem todos sejam iguais perante a lei, mas tão-só a que todos
se submetem a ela como se vestissem roupas muito maiores que as devidas. A
sociedade moderna é democraticamente relaxada.
Com base no trecho acima, julgue a assertiva.
Em “a diferenças sociais” (l.1), “a que todos” (l.2) e “a ela” (l.3), as três ocorrências
da preposição “a” devem-se à regência da palavra “ligada” (l.1).

19 - (ESAF/TFC SFC/2000) Assinale a opção que corresponde a erro gramatical


Outro mito muito em voga(A) é de que(B) a globalização torna(C) a vida das
pessoas muito mais instável. Isso é só parcialmente verdade. As economias estão
muito mais competitivas hoje em boa parte do mundo, o que(D) pode passar uma
sensação maior de instabilidade. Um recente estudo do Banco Mundial, no entanto,
mostra que(E) não há nenhuma evidência de aumento da instabilidade em termos
de crescimento de PIB e de consumo privado na América Latina.
(Adaptado de Exame, 1/11/2000, p.141)
a) A
b) B
c) C
d) D
e) E

20 - (ESAF/TRF/2003) Assinale a opção em que o trecho do texto foi transcrito com


erro de sintaxe.
a) As empresas do setor imobiliário que deixaram de prestar contas das transações
realizadas em 2002 vão ser alvo de investigação da Receita Federal. Imobiliárias,
construtoras e incorporadoras tinham prazo limitado para entregar a Declaração de
Informação sobre Atividades Imobiliárias- Dimob.
b) A estimativa é de que metade das empresas não declarou, mas o coordenador-
geral de Fiscalização da Receita acredita que muitas delas ainda vão cumprir a
exigência. Até o prazo foram entregues 21.395 declarações, mas nos registros da
Receita constam em cerca de 40 mil empresas que estariam obrigadas a declarar.
c) O coordenador diz que os dados da Dimob serão confrontados com as informações
da declaração das empresas e das pessoas físicas. O coordenador afirma ainda que
as informações serão cruzadas com os dados da CPMF, que têm sido instrumento
indispensável ao trabalho de fiscalização do órgão.
d) Na declaração, as imobiliárias só devem informar as operações realizadas no ano
passado. As empresas que não tiveram atividades em 2002 estão desobrigadas de
prestar contas. Quem deixou de entregar a declaração no prazo pagará multa
mínima de R$ 5 mil por mês-calendário. Em caso de omissão ou informação de
dados incorretos ou incompletos, a multa será de 5% sobre o valor da transação.
e) Essa declaração foi criada em fevereiro de 2003 para identificar as operações de
venda e aluguel de imóveis. A Receita quer saber, por exemplo, a data, o valor da
transação e a comissão paga ao corretor. No ano passado, foram fiscalizadas 495
empresas do setor, cujas autuações somaram R$ 1,2 bilhão.
(Adaptado de www.receita.fazenda.gov.br, 5/06/2003)

21 - (UnB CESPE / AGU / 2002)


Analise a assertiva a seguir.
A substituição do trecho “A minha firme convicção é que” (R.25) por A minha firme
convicção é a de que estaria em desacordo com as exigências de formalidade da
norma culta escrita.

22 - (UnB CESPE/Banco do Brasil/2002)


Analise a proposição abaixo.
O verbo “conferem”, em “o BB adotou medidas que conferem maior transparência às
decisões internas e às movimentações da empresa no mercado bancário” está
empregado no texto com a mesma regência e com sentido equivalente ao que está
empregado no seguinte exemplo: Os dados do relatório final do BB conferem com
aqueles divulgados pela imprensa no decorrer da semana.

23 - (UnB CESPE/CEF/2006)
Julgue o item que se segue.
No trecho “que a família ensine a criança, desde pequena, a saber lidar com dinheiro
e a se envolver com o controle dos gastos”, o verbo ensinar rege um complemento
com preposição e um sem preposição.

24 - (FCC/TCE MA – Analista/2005)
... os portos da Amazônia têm um sistema de braços flutuantes...
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o do grifado acima está na
frase:
(A) ... choveu menos na Amazônia.
(B) ... assim como aconteceu no início do século XX.
(C)) ... duplicando o impacto sobre o ambiente.
(D) ... que se trata de variações médias ao longo de três décadas.
(E) ... a atual seca se torna mais relativa.

25 - (FCC/TRT 15ª Região/2004)


O Conselho Nacional de Justiça precisará de segmentos setoriais...
O mesmo tipo de complemento exigido pelo verbo grifado acima está na frase:
(A) ... tornando-a mais rápida...
(B) ... limita a liberdade dos juízes...
(C) ... e pode permitir a influência do Executivo...
(D) ... se a aplicação for restrita a matérias tributárias...
(E) ... mas valem apenas para os advogados privados...
GABARITOS COMENTADOS DAS QUESTÕES DE FIXAÇÃO
01 – D
Como vimos, o verbo preferir, quando se apresenta bitransitivo, ou seja, com
complemento direto e indireto, emprega a preposição a junto a este último. Assim, o
certo é “prefiro doce a salgado”.
O paralelismo sintático deve ser observado. O que é isso? É a relação entre
elementos de mesma função, no caso, complementos verbais. Se resolvermos
colocar o artigo antes do primeiro elemento, exceto em situações muito particulares,
devemos repeti-lo nos demais. Assim, como não houve artigo antes do objeto direto
(doce), também não haverá antes do objeto indireto (salgado).
Não vai se acostumando com essa molezinha aí, não... essa questão tranqüila só foi
colocada no início da bateria de exercícios para dar um refresco. Mais adiante, vamos
ver questões “de verdade”.

02 – B
O verbo obedecer é transitivo indireto, regendo a preposição a. Por isso, essa
preposição deve anteceder o pronome relativo que substitui o objeto indireto
(regra): Esta é a regra a que você obedecerá.
Na opção a, temos o verbo agradar. A banca manteve o posicionamento originário e
apresentou o verbo, na acepção de contentar, como transitivo indireto, usando o
pronome lhe. Supondo que o examinador apresentasse o verbo agradar com
complemento direto (agradá-lo), o candidato deveria ler atentamente todas as
opções antes de marcar a resposta. Na opção seguinte, a regência estava
inquestionavelmente incorreta.
O verbo assistir, no sentido de caber razão ou direito, é transitivo indireto (opção
c).
Finalmente, o verbo chegar, por indicar deslocamento, rege a preposição a. Quem
diz “chegar em” não chega a lugar algum. Está correta a construção apresentada na
opção e (Nós chegamos a uma conclusão Î a conclusão a que chegamos).

03 – A
Essa deve ter sido barbada também. A prova para o ICMS de Mato Grosso do Sul foi
aplicada recentemente. Como vimos na questão 01, a regência do verbo preferir,
quando bitransitivo, exige a preposição a. Assim, “prefiro questões de gramática a
de interpretação”.
O verbo aspirar, como desejar, é transitivo indireto, com a preposição a. Está
correta a opção b.
O verbo assistir, no sentido de prestar assistência, pode ser construído com objeto
direto ou indireto. O examinador apresentou a primeira forma.
Tanto o verbo perdoar (d) quanto pagar (e), segundo a norma culta, possuem
objeto direto de coisa e indireto de pessoa. Assim, também estão corretas as formas
“Perdoamos-lhes as dívidas” e “Pagaram-lhe [a ele] bem”.
04 – A
Conforme vimos na questão anterior, o verbo pagar, em relação à pessoa, é
indireto. Assim, o correto seria “pagou-lhe [ou a ela] ali mesmo”.
Na opção b, o sujeito do verbo caber era “o direito de reaver o documento”. Isso
cabia a alguém. Foi corretamente empregado o pronome lhe na indicação do objeto
indireto de pessoa.
Em questões anteriores, já falamos sobre a regência dos verbos assistir (no sentido
de prestar assistência) e perdoar.
Resta-nos destacar o emprego do pronome pessoal oblíquo com valor possessivo na
opção e. Em regra, os pronomes pessoais oblíquos são usados para representar um
nome (substantivo), evitando, assim, sua repetição (mais sobre isso será tratado na
aula específica sobre pronomes).
No entanto, o pronome oblíquo pode ser também usado com valor possessivo, ou
seja, no lugar do “seu/sua” ou “dele/a”. Esse emprego costuma causar muita
confusão com a função de objeto indireto, uma vez que o pronome também pode se
ligar ao verbo por meio de hífen. Vejamos a diferença.
Em “Roubou-lhe a carteira”, o que se quer dizer é que “roubou a sua carteira” ou
“roubou a carteira dela”. Esse pronome, na verdade, não está complementando o
verbo roubar, mas atribuindo ao substantivo carteira uma característica – a sua
propriedade. Assim, sua função não é a de objeto indireto (complemento verbal).
Na oração “Ela lembrava-lhe a boa infância”, o complemento verbal (objeto direto) é
“a boa infância”, atendendo à sintaxe de regência do verbo lembrar (transitivo
direto).
Mais uma vez, vemos que a função do pronome oblíquo lhe não é completar o
sentido do verbo (como o faria um objeto indireto), mas modificar o substantivo
“infância”, como o faria um pronome possessivo sua (Ela lembrava a sua boa
infância). Por isso, a função sintática do pronome oblíquo, com valor de possessivo,
é a de adjunto adnominal (elemento que vem junto ao nome para definir, alterar
ou restringir o significado do nome). Está, portanto, correta a construção.
Essa opção deve ter suscitado inúmeras dúvidas, hem? Bem que lhe avisei que a
moleza iria acabar...
Não se preocupe com esses conceitos sobre pronome. Voltaremos a falar sobre o
assunto na aula própria.

05 - Item CORRETO
Já que falamos sobre o verbo lembrar, vamos falar agora sobre o seu antônimo.
O verbo esquecer-se, como vimos, quando pronominal, é transitivo indireto,
regendo a preposição de (Não se esqueça de mim.). Contudo, quando o seu
complemento indireto está sob a forma oracional (“que a construção do
autoritarismo...”), é possível a elipse (omissão) da preposição.

06 – D
A banca “brincou” com a regência do verbo assistir e o desuso da construção
clássica. Na acepção de ver, presenciar, é transitivo indireto com a preposição a.
Por isso, não admite voz passiva. No entanto, na linguagem coloquial, a do dia-a-dia,
a do botequim, duvido que alguém tenha coragem de dizer: “Saia da minha frente,
pois estou assistindo ao jogo”. No mínimo, vão achar que é provocação.

07 – C
Ainda que você se lembrasse da polêmica do verbo agradecer (opção c), a banca
facilitou a sua vida: apresentou dois complementos diretos. Segundo a norma
padrão, a forma adequada seria: A criança agradeceu aos primos o presente
(indireto de pessoa, direto de coisa).
08 – D
Esse é mais um verbo que apresenta dupla possibilidade de regência: pode-se
autorizar alguém a algo (direto de pessoa e indireto de coisa) ou autorizar algo a
alguém (direto de coisa e indireto de pessoa).
De qualquer forma, a preposição é a, e não “de”. Eliminamos, assim, as opções b e
c.
Na opção e, a banca sugere dois complementos indiretos: lhe e a cobrar um novo
preço, enquanto que na opção a coloca um acento grave antes de um verbo (que
não pode ser antecedido de artigo definido feminino – crase é o assunto da próxima
aula).
Por isso, a única opção correta é mesmo a letra d – “A parada o autorizava (direto
de pessoa) a cobrar um novo preço (indireto de coisa)”.

09 – A
O verbo comunicar é transitivo direto para coisa e indireto para pessoa (Comunicar
algo a alguém). Assim, o erro não está necessariamente no emprego do pronome
lhe, mas na colocação de uma preposição antes do objeto direto: Só lhe comuniquei
minha decisão ontem. Não há, no Dicionário Prático de Regência Verbal, de Celso
Pedro Luft, abono para a construção “Comunicar alguém de algo”, só “Comunicar
algo a alguém”.
Na opção c, há um excelente exemplo do pronome oblíquo com valor possessivo,
mencionado na questão 4: Só conhecia a foto do ator = Só conhecia a sua foto / a
foto dele = Só lhe conhecia a foto.
O pronome não está complementando o verbo, mas se referindo ao nome (foto).
Nas demais opções, também está correto o emprego do pronome oblíquo:
b) Não desejo mal a ele;
d) Vou apresentar meu amigo a ele;
e) Atribuímos a ele uma atitude negativa.

10 – C / E / E / C / C
Estão incorretas as substituições propostas nos itens 2 e 3:
Item 2 – O verbo abanar é transitivo direto (abanam o rabo). Assim, o pronome que
deve ser usado é “o”, e não o “lhe”.
Após verbos terminados de forma nasal (com –m, -õe ou –ão, como em abanam), os
pronomes oblíquos átonos (o, a, os, as) recebem a letra n: abanam-no. Essa lição
consta do comentário à questão 24 da Aula 2 – Verbo. Se você já a tiver esquecido,
volte a estudá-la.
Item 3 – Na aula sobre pronomes, iremos tratar do emprego dos pronomes oblíquos.
Por ora, iremos nos ater a registrar que os pronomes ele, ela, eles, elas, quando
oblíquos, devem estar necessariamente acompanhados de preposição. O correto
seria: Mas se a tiveres.

11 – A
Essa questão trata do emprego de verbos de regências diferentes em relação a um
mesmo complemento.
Nesses casos, é recomendável a seguinte construção: entrar em casa e sair dela.
As demais opções apresentam verbos de idêntica regência, podendo ser usado
apenas um complemento para ambos.

12 - Item INCORRETO.
O verbo CHAMAR, na acepção apresentada, é um verbo transobjetivo, ou seja, além
do objeto, exige um predicativo do objeto.
Ao contrário de todos os demais verbos transobjetivos, o verbo chamar, segundo a
norma culta, pode ser tanto transitivo direto quanto indireto, sem que o seu
significado seja alterado.
Em suma, com o sentido de apelidar, qualificar, tachar, o complemento verbal do
verbo chamar tanto pode ser um objeto direto (Chamou fulano de mesquinho /
Chamou-o de mesquinho) quanto um objeto indireto, com a preposição a ou o
pronome lhe (Chamou a fulano de mesquinho / Chamou-lhe de mesquinho.).
Por sua vez, o termo “mesquinho”, que, no exemplo acima, se refere a “fulano”
(objeto direto/indireto), exerce a função de predicativo do objeto (direto/indireto)
e pode vir ou não precedido de preposição – Chamou fulano (de) mesquinho /
Chamou a fulano (de) mesquinho.
Na construção de linha 3, o verbo chamar é transitivo direto e está construído em
voz passiva (“seriam automaticamente chamados de ‘doutor’...”). Por isso, são dois
os equívocos:
1. afirmar que o verbo chamar, na construção, não seria transitivo direto - ele
é transitivo direto, sim, e por isso possibilita a voz passiva;
2. considerar que a norma culta recomenda apenas a forma direta (admitem-se
as duas transitividades – direta ou indireta).

13 – E
Agora, o verbo chamar (opção a) significa convocar, solicitar a presença, é
transitivo direto. Também apresentam essa transitividade os verbos convidar,
cumprimentar e pressionar.
Já o verbo responder, como vimos, requer complemento indireto, com a preposição
a. Portanto, é o único que pode preencher a lacuna: Por meio da carta, os
funcionários responderam aos seus superiores.

14 – A
O verbo enviar apresenta, na construção, bitransitividade: objeto direto (a carta) e
indireto (àquele). Na aula sobre crase, veremos que o encontro da preposição a
(exigida pelo verbo) com o pronome demonstrativo aquele forma crase.
Os erros das demais opções são:
b) o substantivo heresia rege a preposição contra. Essa é uma das raras questões
de regência nominal.
c) o verbo informar apresenta dois complementos indiretos – um deles deve ser
modificado. Há duas possibilidades: informou-o de que deveria fechar ou informou-
lhe que deveria fechar.
d) O verbo recuperar é pronominal com valor reflexivo: recuperou-se daquele
distúrbio. Está correto o emprego do verbo reconhecer, na seqüência: no sentido
de assegurar, é transitivo direto e indireto – todos lhe reconhecem a competência e
dedicação.

15 – C
O verbo certificar é mais um exemplo de dupla possibilidade de regência, assim
como informar, avisar: a sintaxe originária é certificar alguém de alguma coisa
(direto para pessoa e indireto para coisa); contudo, acabou evoluindo para certificar
algo a alguém (direto para coisa e indireto para pessoa). A banca explorou esse
conceito.

a) O objeto direto é relativo a pessoa (representado pelo pronome oblíquo o),


enquanto que o indireto, referente a coisa (de que havia um problema).

b) O verbo resolver é transitivo direto (o computador resolveu o problema). Está


correto o emprego do pronome oblíquo o no lugar do nome.

c) Agora, ao contrário da opção a, o objeto direto do verbo certificar se referiu a


coisa (que o problema já foi resolvido). Assim, referente a pessoa, deve-se empregar
o pronome oblíquo lhe (objeto indireto), e não o pronome o. Está incorreta a
construção. Essa é a resposta.

d) O verbo contratar apresenta objeto direto de pessoa (contratar alguém) e


indireto, regido pela preposição para. Está correta a construção.

e) O verbo doar apresenta transitividade direta (doar alguma coisa), sendo cabível o
pronome oblíquo o.
Em resumo – para objetos diretos, use os pronomes o/a/os/as; para
objetos indiretos, use os pronomes lhe/lhes, salvo nos casos em que só se
aceitam as formas “a ele(s)/a ela(s)”.

16 - E
Essa questão é praticamente uma aula de regência verbal do verbo atender.
Todos os exemplos apresentados nas opções da questão foram retirados do livro de
Celso Pedro Luft (obra citada no início da aula).
Sobre a regência do verbo atender:
1. o verbo será facultativamente transitivo direto ou transitivo indireto (neste
caso, regendo a preposição a) nas seguintes acepções:
- no sentido de dar ou prestar atenção – “Atender a um conselho” (opção
a),”Atender uma explicação” (opção a), “O diretor atendeu aos
interessados” (opção b); Luft ressalta que, se o complemento for um
pronome pessoal referente a PESSOA, só se empregam as formas
objetivas diretas – “O diretor atendeu os interessados” ou “aos
interessados”, mas somente “O diretor atendeu-os.”.
- na acepção de tomar em consideração, considerar, levar em conta,
ter em vista – “Atender às condições do mercado.” (opção c);
- com sentido de responder – “Atender ao / o telefone (opção d);
2. na acepção de conceder uma audiência , é transitivo direto e, por isso,
possibilita a construção na voz passiva – “Os requerentes foram atendidos pelo
juiz” (opção c);
3. no sentido de acolher, deferir, tomar em consideração, é transitivo direto –
“O diretor atendeu-os no que foi possível” (opção b) ;
4. no sentido de atentar, reparar, é transitivo indireto, podendo reger as
preposições a, para, em – “Ninguém atendeu para os primeiros sintomas da
doença” (opção e).

A única forma incorreta é “Ninguém se atendeu aos primeiros alarmes de


incêndio.”. O sentido é o da letra e (atentar, reparar), que, por ser transitivo
indireto, não admite construção de voz passiva (“Ninguém se atendeu...”).

17 – Item INCORRETO.

O verbo implicar, na acepção de acarretar, é transitivo direto, segundo a norma


culta. Esta sintaxe foi respeitada no segmento em comento – “a morte de um idioma
implica perda...”.

As expressões “a um país” e “à humanidade” são regidos pelo substantivo perda


(“perda ... a um país e, inclusive, à humanidade”).

Portanto, a assertiva encontra-se INCORRETA.

18 – Item INCORRETO.
Mais uma vez, a banca tenta confundir o candidato. Ainda que não tenha sido objeto
da questão, merece destaque o emprego culto do verbo implicar, com a
transitividade direta (“diferenças sociais que impliquem que...”).

Afirma o examinador que os três elementos indicados (a diferenças sociais, a que


todos, a ela) estão sendo regidos pelo adjetivo ligada.

Em relação aos dois primeiros, isso é verdade (“não está ligada, pois, a diferenças
sociais ..., mas tão-só [ligada] a que todos se submetem...”). Em virtude de o termo
regente ser um adjetivo, temos aí um caso de regência nominal.

Contudo, o terceiro elemento atua como complemento verbal de submeter: “...


todos se submetem a ela [a impunidade] como se vestissem roupas muito maiores
que as devidas.”. Ao contrário dos demais, esse é um caso de sintaxe de regência
verbal.

Por esse motivo, está incorreta a assertiva.

19 - B
No período “Outro mito muito em voga é | de que a globalização torna a vida das
pessoas muito mais instável”, há duas orações, quais sejam:
• “Outro mito muito em voga é de” – oração principal
• “que a globalização torna a vida das pessoas muito mais instável.” – oração
subordinada à principal
A preposição “de” (sublinhada acima), que antecede a conjunção “que”, é exigida
pelo substantivo “mito” (mito de alguma coisa). Contudo, a ausência da repetição
desta palavra ou de sua substituição por um pronome acarretou a falha de coesão
textual, acabando por deixar a preposição sozinha, sem termo ao qual pudesse se
ligar.
Há duas possibilidades de correção e, conseqüentemente, de classificação da oração
subordinada:
1ª possibilidade:
- “Outro mito muito em voga é o de que a globalização torna a vida das pessoas
muito mais instável.”
1ª oração - “Outro mito muito em voga é o de” - oração principal (o pronome
demonstrativo “o” representa o substantivo “mito” e passa a ser o termo regente
da preposição de)
2ª oração - “que a globalização torna a vida das pessoas muito mais instável.” -
oração subordinada completiva nominal (serve de complemento nominal ao
substantivo mito)
2ª possibilidade:
- “Outro mito muito em voga é que a globalização torna a vida das pessoas muito
mais instável.”
1ª oração - “Outro mito muito em voga é” - oração principal (em relação ao
exemplo anterior, foram retirados o pronome demonstrativo o e a preposição de)

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2ª oração – “que a globalização torna a vida das pessoas muito mais instável.” -
oração subordinada predicativa do sujeito (com a retirada da preposição,
essa oração passa a exercer a função de predicativo do sujeito, em um predicado
nominal)
A expressão “é de que”, apresentada na questão, constitui um erro.

Nas duas próximas questões, teremos mais exemplos de construções como essa.

20 - B
A exemplo do que vimos na questão anterior, a passagem “A estimativa é de que
metade das empresas não declarou” apresenta duas possibilidades de correção:
1 – A estimativa é a de que metade das empresas não declarou.
2 – A estimativa é que metade das empresas não declarou.
Outro erro foi na construção “nos registros da Receita constam em cerca de 40 mil
empresas que estariam obrigadas a declarar”. Não há justificativa para o emprego
da preposição em. Na ordem direta, verificamos que “Cerca de 40 mil empresas
que estariam obrigadas a declarar” é o sujeito oracional de “constam nos registros
da Receita”. Há necessidade, portanto, de retirar a preposição em.
Volte, agora, ao exemplo da página 16, em que apresentamos uma questão da
última prova para o TCU, aplicada pela ESAF.
O item e daquela questão apresenta uma estrutura idêntica à apresentada aqui:

A estimativa é que(5) essas reformas aumentem o PIB do País em 16 bilhões


de libras.

A conjunção indicada pelo item (5) inicia uma oração que serve de predicativo do
sujeito (que essas reformas aumentem o PIB do País...).
Para completar a série, veremos como o tema foi abordado por outra banca
examinadora – UnB CESPE.

21 – Item INCORRETO.

Afirma-se que constitui erro a troca de “A minha firme convicção é que” por “A
minha firme convicção é a de que”.

Como acabamos de ver, ambas as construções estariam corretas. Na primeira, a


oração iniciada pela conjunção que exerce a função de predicativo do sujeito (A
convicção é ISSO), ao passo que a segunda atua como complemento nominal do
pronome demonstrativo (a)que substitui a palavra convicção.

Como o examinador afirma que a segunda estaria em desacordo, o item encontra-


se incorreto. A segunda forma está de acordo com a norma culta padrão.

22 – Item INCORRETO.
A regência de um verbo e seu significado estão interligados. O verbo conferir pode
significar: 1. atribuir (A Câmara dos Vereadores conferiu o título de cidadão
honorário ao artista.), 2. estar de acordo (Sua versão para o acidente confere com
os relatos das testemunhas.), 3. participar de conferência (O médico conferiu com
seus colegas.), 4. imprimir, dar (Os auditores conferiram um caráter s à
investigação.), etc.
Na passagem do texto, o verbo apresenta a primeira acepção (atribuir), devendo ser
transitivo direto (O BB adotou medidas que conferem [atribuem] maior
transparência às decisões internas...). Em seguida, o examinador afirma que essa
forma verbal possui regência e sentido equivalentes ao verbo na segunda acepção
(estar de acordo): Os dados ... conferem com aqueles divulgados pela imprensa –
caso em que o verbo é transitivo indireto, com a preposição com.
Está incorreta tal assertiva.

23 – Item CORRETO.
Já afirmamos que a transitividade de um verbo só pode ser identificada a partir de
seu emprego. Na passagem “que a família ensine a criança ... a saber lidar com
dinheiro”, o verbo ensinar é bitransitivo, ou seja, apresenta simultaneamente um
complemento direto (a criança) e outro indireto, antecedido da preposição a (a saber
lidar com o dinheiro).
Portanto, está correta a afirmação de que, no trecho em destaque, o verbo ensinar
rege um complemento com preposição (objeto indireto – a saber lidar com o
dinheiro) e outro sem (a criança).
Esse verbo é daqueles que admitem dupla possibilidade de regência. A primeira
acabamos de ver: ENSINAR ALGUÉM A (VERBO NO INFINITIVO). A segunda forma é
ENSINAR ALGO A ALGUÉM. Ambas as construções estariam corretas.

24 - C
Os aspectos de regência passam, necessariamente, pela transitividade de um verbo.
Isso você já se cansou de saber.
O verbo ter, na construção “os portos da Amazônia têm um sistema de braços
flutuantes”, é transitivo direto (objeto direto é “um sistema de braços flutuantes”).
O examinador busca nas opções um verbo que apresente o mesmo tipo de
complemento.
Vamos verificar a transitividade de cada um deles:
(A) intransitivo – Em “choveu menos na Amazônia”, a expressão “na Amazônia”
apresenta valor circunstancial de lugar – é um advérbio e, portanto, exerce a função
sintática de adjunto adverbial (já estamos realizando a análise sintática: um
advérbio sempre exerce a função de adjunto adverbial).
(B) intransitivo – O mesmo ocorre com a expressão adverbial “no início do século
XX”, que apresenta um valor circunstancial de tempo/momento.
(C) transitivo direto – O objeto direto é “o impacto sobre o ambiente”. ESSA É A
RESPOSTA CERTA!
(D) transitivo indireto – Esse é um emprego clássico de sujeito indeterminado.
Como vimos na aula sobre concordância, o sujeito indeterminado se constrói de duas
formas: com verbos transitivos indiretos, intransitivos ou de ligação, na 3ª pessoa do
singular acompanhado do índice de indeterminação do sujeito “se”; com verbos de
qualquer transitividade, na 3ª pessoa do plural (sem o pronome). Foi apresentada a
primeira forma: “que se trata de variações médias ao longo de três décadas” (o
objeto indireto está sublinhado).
(E) Essa foi a opção mais difícil. O verbo tornar, na construção apresentada, além
do objeto direto (representado pelo pronome “se”), exige também um outro
complemento – o predicativo do objeto direto: “mais relativa”. Esse é um verbo
transobjetivo, que requer dois complementos – objeto direto e predicativo do
objeto direto. Por apresentar, além do objeto direto, um predicativo do objeto, a
construção não é idêntica à do enunciado, que só possui o primeiro.

25 - E
O verbo em epígrafe é transitivo indireto (precisará de segmentos setoriais). A
construção verbal que apresenta idêntica transitividade é a da letra (E) – valem para
os advogados.
Vamos analisar a dos demais verbos:
(A) transobjetivo – objeto direto: “a”; predicativo do objeto direto: “mais rápida”;
(B) transitivo direto – objeto direto: “a liberdade dos juízes”;
(C) transitivo direto – objeto direto: “a influência do Executivo”;
(D) verbo de ligação – predicativo do sujeito: “restrita”; complemento nominal
(liga-se ao adjetivo “restrita”): “a matérias tributárias”. Este elemento é o termo
regido de um adjetivo, sendo, portanto, caso de sintaxe de regência nominal.
Essa era a pegadinha da questão. Muita gente deve ter marcado essa opção
como correta imaginando que o elemento que exerce a função de complemento
nominal seria objeto indireto – ledo engano! Não foi à toa que a opção correta era a
letra (E).
Aula 6 - CRASE
“Bom filho ___ casa torna”

A partir desse adágio, costumamos iniciar a aula sobre crase.


E aí, como você preencheu a lacuna? Com um “a”? Com dois? Um com acento grave?
Afinal, o que é crase? CRASE NÃO É O ACENTO, CRASE É O FENÔMENO!
Portanto, rejeitamos a forma “crasear” (arghh....), mesmo já tendo sido registrada nos
melhores dicionários e aceita por professores e gramáticos gabaritados.
Preferimos usar expressões como “colocar o acento grave, indicativo de crase” ou
“ocorre crase (fusão)” - essa última você vai ler bastante no nosso encontro de hoje.
Dá-se o nome de crase ao encontro de duas vogais iguais e contíguas.
Na língua portuguesa, só se registram com o acento grave os encontros da preposição
a com outro a, que poderá ser um artigo definido feminino, um pronome
demonstrativo ou um pronome relativo.
Ao fim da aula, você verá que esse assunto não é nenhum bicho-de-sete-cabeças.
Vamos seguir o nosso método da simplificação – se tivermos várias regras e uma ou
outra exceção, o que fica mais fácil memorizar? O que há em menor número.
Então, vamos ao caso clássico de crase. Mais adiante, veremos alguns casos especiais.

COMO ANALISAR A OCORRÊNCIA DE CRASE?


Da mesma forma como você ensina uma criança a atravessar a rua. “Filhinho, você
deve olhar para os dois lados!”. Então aplicamos essa lição à análise de crase –
devemos olhar para os dois lados.
TERMO REGENTE + TERMO REGIDO
De um lado, há um termo regente, que pode ou não exigir uma preposição (e, nesta
aula, só nos interessa a preposição a).
Do outro lado, há um termo regido, que pode aceitar ou não um artigo definido
feminino. Nessa posição de “termo regido” também pode existir um pronome
demonstrativo a(s), aquele(s), aquela(s) ou aquilo, um pronome relativo a
qual/as quais.
Se houver o encontro da preposição a com o outro a, OCORRE A CRASE: os dois viram
um só “a” e recebem o acento grave (`) para indicar essa fusão: à.
Veja o quadro explicativo do caso clássico de crase.

ARTIGO DEFINIDO A / AS = à / às
A / AS = à / às

PRONOME AQUELE (S) = àquele(s)


Preposição A + DEMONSTRATIVO AQUELA (S) = àquela (s)
AQUILO = aquilo
A QUAL / AS QUAIS = à qual /
PRONOME RELATIVO
às quais
Voltando ao ditado que encabeça o nosso estudo de hoje, antes de qualquer coisa,
ajuda (e muito!) construir a oração na ordem direta (SUJEITO + VERBO +
COMPLEMENTOS): “Bom filho torna ... casa.”.
De um lado, o termo regente (verbo tornar, que tem o mesmo sentido e regência do
verbo retornar) exige a preposição a (“Alguém torna / retorna a algum lugar.”).
Do outro lado, o termo regido é “casa”, no sentido de lar, não recebe o
acompanhamento do artigo.
Note que você costuma dizer “quando eu for para casa”, “saí de casa” ou “fiquei em
casa”, sempre sem o artigo antes da palavra “casa”.
Esse vocábulo só aceita artigo quando identificado como a casa de alguém (“Nunca
mais piso na casa da minha sogra!”), ou seja, quando a palavra casa estiver
DETERMINADA.
De volta à análise – de um lado, o termo regente exige a preposição. De outro, o
termo regido não aceita o artigo definido.
Há, portanto, a ocorrência de apenas um “a” , que é a preposição exigida pelo termo
regente, não ocorrendo crase. Por isso, a construção correta é “bom filho a casa
torna”, sem acento grave.
Em resumo: só haverá crase (fusão) se houver dois “as”, isto é, SIMULTANEAMENTE o
termo regente exigir a preposição a e o termo regido:
- for o pronome demonstrativo a(s), aquele(s), aquela(s), aquilo;
- for o pronome relativo a qual / as quais;
- admitir artigo definido feminino (singular ou plural): a(s).

BIZU: Para ter certeza de que a palavra admite o artigo definido feminino, construa
uma frase em que essa palavra seja o sujeito e verifique a possibilidade de colocar o
artigo antes dela.
1. Eu me dirijo ____ menina.
2. Eu me dirijo ____ esta menina.
3. Eu me dirijo ____ você
Resolução:
Em todas as orações, o termo regente é o verbo DIRIGIR-SE. Ele exige a preposição a
(Alguém se dirige a alguém). Por isso, nas três ocorrências, existe a preposição a.
Para que ocorra crase, é necessário haver outro a, que, neste caso, pode ser um artigo
definido feminino. Vamos verificar:
Exemplo 1: O termo regido é menina. Esta palavra pode, como sujeito, ser precedida
de um artigo definido feminino (A menina está linda). Assim, o termo regido admite
o artigo definido feminino antes de si. Como o termo regente exige preposição a e o
termo regido admite o artigo definido feminino a, ocorre crase.
1. Eu me dirijo à menina.
Exemplo 2: O termo regido, agora, vem precedido de um pronome demonstrativo:
esta menina. Na função de sujeito, a expressão não admite o artigo definido
feminino. Você nunca diria “A esta menina está linda.”. Então, não podemos colocar
um artigo definido feminino antes do termo regido. Em virtude disso, não ocorre crase
e o “a” não recebe acento grave.
2. Eu me dirijo a esta menina.
Exemplo 3: Desta vez, a palavra escolhida é “você”. Não seria possível usar o artigo
feminino antes desse pronome de tratamento. Como sujeito, duvido que você dissesse
“A você está linda hoje”. Como não há artigo, não ocorre crase antes de “você”.
3. Eu me dirijo a você.

A partir da compreensão desses conceitos, evitamos aquela “decoreba” de listas e mais


listas de casos de ocorrência (ou, mais precisamente, de não ocorrência) de crase,
como:
ƒ antes de palavra masculina - é lógico que não há crase, uma vez que
palavra masculina não admite artigo definido feminino antes de si;
ƒ antes de verbo - um verbo não pode ser antecedido de artigo definido
feminino; mesmo quando substantivado, recebe o artigo masculino e não
feminino – “o ranger”, “o regressar”; por isso, não poderia ocorre crase;
ƒ antes de pronomes em geral - com exceção dos pronomes possessivos (que
veremos adiante, nos casos especiais) e de alguns poucos pronomes indefinidos
(mesmas, outras), os pronomes não admitem artigo definido feminino
antes de si – observe o caso do pronome demonstrativo “essa” no exemplo
apresentado;
ƒ antes de substantivos em sentido vago, genérico - por serem vagos,
genéricos, como no exemplo do adágio, esses substantivos não admitem artigo
definido feminino;
ƒ em expressões de palavras repetidas (cara a cara, dia a dia, boca a
boca – nesses casos, há apenas uma preposição ligando dois substantivos
genéricos que formam uma expressão. Se falta o artigo antes do primeiro
elemento, também faltará antes do segundo.

CASOS ESPECIAIS DE EMPREGO DO ACENTO GRAVE


Existem alguns casos em que o “a” recebe o acento grave (à) mesmo não havendo
esse encontro de dois “as”. Outros de “faculdade” da crase.
São os chamados casos especiais.
Há acento grave:
¾ em locuções femininas, sejam elas adverbiais (à força, à vista), adjetivas (à
fantasia, à toa), conjuntivas (à medida que, à proporção que) ou prepositivas (à
espera de, à procura de).
Neste ponto, encontramos posições doutrinárias contrárias. Alguns gramáticos
consagrados só admitem o acento grave quando houver algum risco de
ambigüidade (Recebeu a bala ≠ Recebeu à bala, Ele cheira a gasolina = aspira
o combustível ≠ Ele cheira à gasolina = fede a combustível), outros
desaconselham em locuções adverbiais de instrumento (escrever a máquina).
Contudo, em provas de concursos, já encontramos questões que exigiram
acento grave em locuções adverbiais femininas. Por isso, nada melhor, na hora
da prova, do que bom senso. Veja todas as opções antes de indicar “certo ou
errado”;
¾ diante de masculino, em que esteja subentendida a expressão “à moda
de”, “à maneira de” (“Ele escrevia à Machado de Assis.”, “O artilheiro fez um
gol à Romário.”).
Cuidado: em “bife a cavalo” ou em “frango a passarinho” não está
subentendida essa expressão (não é à maneira do cavalo ou ao modo do
passarinho) e, por isso, não leva acento.
Não há acento grave:
¾ palavras genéricas como casa, no sentido de lar (já mencionado no início
da aula); terra, contrário de “a bordo” (Tão logo o navio aportou, desci a
terra.); ou indicação de distância não determinada. Esse último ponto
também é um pouco polêmico. Celso Luft, considerando tratar-se de uma
locução adverbial feminina, aceita o acento grave mesmo sem indicação
da distância. Em prova, tenha em mente a posição majoritária (sem
acento), devendo verificar as demais opções.
Pode haver acento grave:
¾ em topônimos (logicamente femininos), ou seja, nomes dos lugares, a
depender do emprego do artigo antes deles. Na aula sobre concordância, já
falamos sobre isso (caso 7.a da Aula 4 – Concordância parte 2). Se usamos
artigo antes do nome, havendo preposição a antes dele, ocorrerá crase.
Para ter certeza desse emprego do artigo, uma DICA é empregar o
topônimo com o verbo morar. Veja:
Bahia – esse lugar aceita artigo (Eu morei na Bahia). Então, por exemplo,
com o verbo ir, que rege a preposição a, ocorre crase: Ele foi à Bahia.
Brasília – vamos ao teste: Eu morei em Brasília. Então, não usamos
artigo antes desse topônimo: Ele foi a Brasília.
Quando determinado de alguma outra forma (adjetivo ou locução adjetiva),
usa-se artigo e, necessariamente, haverá crase no encontro da preposição
a: Ele foi à Brasília do mensalão.
Faça o teste agora e preencha a lacuna: Ele foi ___ Roma e não viu o Papa.
E aí? Como fica? Para desvendar esse mistério, use o verbo morar: Ele
morou em Roma Î não foi usado artigo definido. Então, não há crase: Ele
foi a Roma e não viu o Papa.

¾ com nomes próprios (femininos, é claro!)– o emprego do artigo antes de


nomes próprios depende de diversos fatores – regionalismo (em alguns
lugares, não se usa artigo antes de nomes das pessoas – Fui à casa de
Fulana), intimidade que se tem com a pessoa (por isso, em referência a
pessoas ilustres, não se emprega o acento, por não se usar artigo definido
(Li o livro de Raquel de Queiroz – Eu me refiro a Raquel de Queiroz)

Os dois próximos casos especiais são chamados por alguns de “emprego facultativo do
acento grave”. Vamos analisá-los para compreender onde reside essa “faculdade”:
¾ pronomes possessivos – esses pronomes admitem o artigo definido antes
de si. Se estivesse na função de sujeito, poderíamos empregar o artigo
definido ou não: “Minha mesa está suja” ou “A minha mesa está suja”.
Por isso, se o termo regente exigir a preposição a e se deseje empregar o
pronome possessivo com artigo, haverá crase (preposição a + artigo
definido feminino + possessivo = à sua – “Refiro-me à sua professora.”);
em se escolhendo não colocar o artigo antes do possessivo, haverá somente
a preposição e, por isso, não haverá a ocorrência de crase (preposição a +
possessivo = a sua - “Refiro-me a sua professora.”). Não obstante alguns
autores chamarem de “um caso facultativo de crase”, o que ocorre, na
verdade, é o uso opcional do artigo definido feminino antes do pronome
possessivo;
No entanto, ocorrendo a omissão do substantivo que acompanha o
pronome possessivo, a acentuação é obrigatória!
Refiro a/à sua professora [facultativo], e não à minha [obrigatório].
Ele deu instruções a/à sua secretária [facultativo] e à minha [obrigatório].
Alguns gramáticos, como Cegalla e Sacconi, rejeitam o artigo antes de
nomes de parentesco precedidos de possessivos. Segundo eles, o correto
seria “Refiro-me a minha mãe”. No entanto, já vimos questões de prova em
que a banca examinadora não faz essa distinção, tratando os nomes de
parentesco do mesmo modo que os demais casos de pronome possessivo –
artigo definido facultativo e, conseqüentemente, crase facultativa. Uma
dessas questões será comentada em nosso material, ao fim da aula.

¾ com a locução prepositiva “até a” (que é a junção das duas preposições:


até + a). Havendo um termo regido que admita o artigo definido (“A
entrada de sua casa é ali.”), haverá crase (até a + a = até à – “Andei até à
entrada de sua casa.”). Essa locução prepositiva equivale à preposição
“até”, que, quando usada na forma simples, não leva à fusão de dois ‘as’,
pois só existe um – o artigo (até + a = até a - “Andei até a entrada de sua
casa.”). Em resumo, no primeiro exemplo, havia a contração da locução
prepositiva ate a com o artigo a (até à); no segundo, o encontro da
preposição até com o artigo a (até a). Por isso, alguns falam
simplesmente que, com a preposição “até”, a crase é facultativa. Na
verdade, o que é facultativo é o uso da locução prepositiva “até a” ou da
preposição simples “até” – com a primeira, haverá crase (até à); com
segunda, não (até a).

Você verá, nos exercícios de fixação, que a maior parte das questões de prova que
tratam de crase envolvem o esquema “TERMO REGENTE + TERMO REGIDO” (caso
clássico). Nesses casos, nunca se esqueça de olhar para os dois lados antes de
resolver uma questão de crase! Você pode ser atropelado pela banca examinadora!
(rs...)
Então, vamos às questões!
QUESTÕES DE FIXAÇÃO
01 - (NCE UFRJ / Guarda Municipal /2002)
Marque a opção que atende às normas gramaticais vigentes.
a) Encaminhei os documentos perdidos as autoridades competentes;
b) Encaminhei os documentos perdido as competentes autoridades;
c) Encaminhei os documentos perdidos às autoridades competentes;
d) Encaminhei os documentos perdidos as competentes autoridades;
e) Encaminhei os documentos perdidos a autoridades competente.

02 - (NCE UFRJ / TRE RJ Auxiliar Judiciário / 2001)


....por que enviar à forca....; o acento grave indicativo da crase, nesse caso, marca:
a) a união do pronome demonstrativo A com o artigo definido A;
b) a contração de A regido pelo verbo com o artigo do substantivo seguinte;
c) a presença de um adjunto adverbial;
d) a presença de uma locução adverbial com palavra feminina;
e) a presença de uma locução prepositiva com palavra feminina.

03 - (NCE UFRJ/ ANTT / 2005)


Assinale a opção que corresponde à melhor redação, considerando correção, clareza e
concisão.
(A) A parada o autorizava à cobrar um novo preço;
(B) A parada lhe autorizava de cobrar um novo preço;
(C) A parada o autorizava de cobrar um novo preço;
(D) A parada o autorizava a cobrar um novo preço;
(E) A parada lhe autorizava a cobrar um novo preço.

04 - (ESAF/AFPS/2002)
Identifique o item sublinhado que contenha erro de natureza ortográfica ou
gramatical, ou impropriedade vocabular.
Fala-se(A) com arroubo(B) sobre os inesgotáveis recursos de novas tecnologias, como
o vídeo ou a realidade virtual, mas qualquer reflexão à respeito do(C) invariavelmente
orbita(D) em torno da matéria-prima(E) desta página – o texto.
(Paul Saffo, com adaptações)
a) A
b) B
c) C
d) D
e) E

05 - (FCC / AFTE PB / 2006)

Em relação aos aspectos gramaticais, julgue a assertiva abaixo:


• Apenas 20% dos deputados estão dispostos à respeitar as conclusões dos
relatores dos processos.

06 - (FCC / MPE PE – Técnico/2006)


O acesso ...... mercados externos por boa parte dos produtores que passaram ......
usar novas tecnologias, aconteceu devido também ...... qualidade das sementes.
As lacunas da frase apresentada estão corretamente preenchidas, respectivamente,
por
(A) a - à - à
(B)) a - a - à
(C) à - à - à
(D) a - a - a
(E) à - a - a

07 - (FCC / TRE PI / 2002)


Diga ...... ela que esteja aqui ...... uma hora para conversarmos ...... respeito do
projeto.
(A) a - a - à
(B)) a - à - a
(C) à - a - à
(D) à - à - a
(E) à - à - à

08 - (ESAF/ACE/2002)
Marque o item sublinhado que represente impropriedade vocabular, erro gramatical ou
ortográfico.
A democracia, segundo Aristóteles, é forma de governo. Esse entendimento milenar(A)
assim se conservou entre os publicistas(B) romanos e os teólogos da Idade Média. Não
discreparam(C) também do juízo aristotélico pensadores políticos do tomo(D) de
Montesquieu e Rousseau, presos as heranças(E) clássicas.
(Baseado em Paulo Bonavides)
a) A
b) B
c) C
d) D
e) E

09 - (UnB CESPE/Banco do Brasil/2002)


O ano de 2001 caracterizou-se por grandes desafios para a economia brasileira,
que levaram a mudanças substanciais na formação de expectativas quanto ao
desempenho das principais variáveis econômicas.
Em relação ao trecho acima, julgue a assertiva.
ƒ O uso do sinal indicativo de crase em “levaram a mudanças” (R.2) é facultativo,
porque “mudanças” está no plural.

10 - (UnB CESPE/Banco do Brasil/2002)


A Venezuela, como a Argentina, ainda que de maneira distinta, recebe as duras
lições de adaptações malsucedidas ao dilema entre a valorização do interno e a
incorporação dos valores externos. A presidência de Hugo Chávez, nos últimos
anos, expunha a fratura a que, estruturalmente, está submetida a América
Latina, inclusive o Brasil. A tensão entre a administração para os de dentro,
especialmente aqueles menos favorecidos pelo modelo de inserção aberta e
liberal, e o agrado aos centros internacionais de poder, especialmente àqueles
que hegemonizam as relações internacionais do presente, levou ao descompasso
social e político a que chegou a Venezuela.
Relativamente ao texto e ao assunto nele tratado, julgue o item seguinte.
• O sinal indicativo de crase em “àqueles” indica que ocorre aí uma preposição, a,
por exigência do substantivo “agrado”, segundo as regras de regência da norma
culta.

11 - (UNB CESPE/CEF/2002)
As carteiras Hipotecária e de Cobrança e Pagamentos surgiram em 1934, durante
o governo Vargas, quando tiveram início as operações de crédito comercial e
consignação. As loterias federais começaram a ser gerenciadas pela CAIXA em
1961, representando um importante passo na execução dos programas sociais do
governo, já que parte da arrecadação é destinada à seguridade social, ao Fundo
Nacional de Cultura, ao Programa de Crédito Educativo e a entidades de prática
esportiva.
Considerando o texto acima, julgue o item que se segue.
• Caso se reescrevesse o trecho "a entidades de prática esportiva" (1.10-11) como à
entidades de prática desportiva, o período permaneceria de acordo com a
norma culta da língua portuguesa.

12 - (FUNDEC / TRT 2ª Região / 2003)


No enunciado “os serviços essenciais à população” (linhas 41-42), é obrigatório o
emprego do acento para marcar a crase. Nas alterações do enunciado feitas abaixo
dispensa-se o acento por não haver a crase. Numa das alterações, entretanto, pode-se
usar o acento por se tratar de um caso de crase facultativa. Esta alteração está na
opção:
A) os serviços essenciais a essa população;
B) os serviços essenciais a toda e qualquer população;
C) os serviços essenciais a uma população ansiosa por melhorias;
D) os serviços essenciais a quase toda a população;
E) os serviços essenciais a nossa população.

13 - (NCE UFRJ / INCRA / 2005)


A alternativa em que o acento grave indicativo da crase é optativo é:
(A) Entreguei-o à minha mãe;
(B) Entreguei-o àquela mulher;
(C) Entreguei-o à elegante atriz;
(D) Entreguei-o à polícia;
(E) Entreguei-o à mesma funcionária.

14 - (FUNDAÇÃO JOÃO GOULART / ENGENHEIRO CIVIL / 2004)


Dentre as frases abaixo, a que apresenta sinal indicador da crase indevido é:
A) Estas teses sobre a ilusão, à primeira vista, nada acrescentam ao que já se lê nos
estudos antigos.
B) À terapia convencional preferem os médicos novas condutas que combatam as
ilusões patológicas.
C) Minha experiência revela que à ilusão não se pode combater senão com o
tratamento psicológico.
D) A referência a doenças mentais ligadas às ilusões marcou o congresso de medicina
do mês passado.

15 - (UnB CESPE / Banco do Brasil /2003)


Ser cidadão é ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante a
lei: é, em resumo, ter direitos civis. É também participar no destino da sociedade,
votar, ser votado, ter direitos políticos. Os direitos civis e políticos não asseguram
a democracia sem os direitos sociais, aqueles que garantem a participação do
indivíduo na riqueza coletiva: o direito à educação, ao trabalho, ao salário justo,
à saúde, a uma velhice tranqüila. Exercer a cidadania plena é ter direitos civis,
políticos e sociais.
Jaime Pinsky. História da cidadania. (Org. Contexto 2003).
Considerando o texto acima e a atualidade brasileira, julgue o item seguinte.
• Constitui uma estrutura alternativa e também correta para o primeiro período do
texto o trecho Ser cidadão é ter direito a vida, liberdade, propriedade,
igualdade perante a lei: é, em resumo, ter direitos civis.

16 - (UnB CESPE/DEFENSOR/2004)
Não temos dado muita atenção a uma de nossas mais importantes riquezas
nacionais. Trata-se de nosso patrimônio lingüístico. Exatamente as línguas ou
idiomas e dialetos falados em nosso país. Qual é a situação atual e importância?
Há proteção legal para eles? É o que tentaremos analisar.

A respeito da organização do texto acima, julgue o seguinte item.


• Na linha 1, é gramaticalmente opcional o emprego do sinal indicativo de crase em
“a”, mas seu uso tornaria o sentido de “atenção” menos genérico e mais
especificamente direcionado para “riquezas nacionais” (R.2).

17 - (UnB CESPE/SMF Maceió/2003)


FHC recua e tira “superpoderes” da Receita
O presidente Fernando Henrique Cardoso alterou ontem o decreto que facilitava o
acesso da Receita Federal a dados bancários protegidos por sigilo e desobrigou os
bancos de informarem ao órgão as movimentações mensais superiores a R$ 5
mil, no caso de pessoas físicas, e a R$ 10 mil, no caso de empresas.
A respeito da organização do texto acima, julgue o seguinte item.
• Na expressão “a dados bancários”, caso o vocábulo “dados” fosse substituído por
informações, seria necessário não somente o ajuste na concordância com
“bancários” e “protegidos”, na linha 2, mas também o emprego do sinal indicativo
de crase no “a” que antecede a expressão.

18 - (FCC/CEAL Advogado/ 2005)


Quanto à necessidade ou não do uso do sinal de crase, a frase inteiramente correta é:
(A) Reportamo-nos à inexperiência de um cidadão comum quando é candidato a um
posto público, mas somos propensos à rejeitar a candidatura de um político
profissional.
(B) O culto às aparências é um sintoma da vida moderna, uma vez que à elas nos
prendemos todos, em nossa vida comum.
(C) É a gente que cabe identificar os preconceitos, sobretudo os que afetam àqueles
artistas e profissionais que dão graça à nossa vida.
(D) Assistimos à exibição descarada de preconceitos, que tantos dissabores causam as
pessoas, vítimas próximas ou à distância de nós.
(E)) Àqueles que alimentam um preconceito é inútil recomendar desprendimento, pois
este se reserva às pessoas generosas.

19 - (FUNDEC / PRODERJ / 2002)


No trecho “Do décimo andar à rua” (linha 15), foi usado adequadamente o acento
indicativo da crase. O mesmo NÃO ocorre na frase:
A) Há muito não se assistia à peças com tanto senso crítico com estas.
B) Chegando-se à varanda, era possível admirar a paisagem.
C) Do Leblon a Ipanema e de Jacarepaguá à Barra, todas as vias expressa estavam
engarrafadas.
D) O povo referia-se às nossas praias como redutos de esgoto e mau cheiro.
E) As ondas dirigiam-se à direita e à esquerda do palanque sobre a areia.

20 – (ESAF/Técnico ANEEL / Abril 2006)


Julgue a correção da alteração proposta em relação ao texto abaixo.
Não é a violência nem as da economia e muito menos a saúde. A maior preocupação
do brasileiro é o trabalho. A conclusão é resultado de uma consulta realizada com 23,5
mil pessoas de 42 países. Num suposto ranking mundial de pessimismo em relação às
oportunidades de trabalho, o brasileiro apareceria nas primeiras posições. Na média
global, o emprego seguro é citado por 21% dos entrevistados, ficando em segundo
lugar entre as preocupações de curto prazo, depois da economia.
(Adaptado da Folha de São Paulo, 19 de fevereiro de 2006)
¾ Retirar o artigo definido antes de “oportunidades”(l.4), escrevendo apenas à.

21 - (ESAF/Analista ANEEL/ Abril 2006)


Indique a opção que preenche com correção as lacunas numeradas no texto abaixo.
A colonização jamais correspondeu, entre nós, ...(1)... necessidades do trabalho;
correspondeu sempre, sim, ...(2)... necessidade da produção, ou, mais realmente à
necessidade das colheitas, isto é, ...(3)... necessidades de dinheiro pronto e de
dinheiro fácil, que é o que sustenta as culturas, nas regiões onde se encontram
colonos. No dia em que se abrir guerra ...(4)... ociosidade e se oferecerem garantias
...(5)... gente do campo, afluirá para o trabalho remunerado grande parte da
população, hoje mantida ........(6)................... da bondade alheia.
(Adaptado de Alberto Torres, “As fontes da vida no Brasil”. Rio, 1915, p. 47)

(1) (2) (3) (4) (5) (6)


a) às a às a a a custas da
b) às à as à a às custas da
c) as à as a à a custas da
d) a a às à a a custa da
e) a à às à à à custa da
22 - (FCC/TRT 22ª Região/ 2004)
Os dados comprovam que, de janeiro ...... julho deste ano, houve aumento na
produção de veículos, em comparação com ...... obtida no ano passado. As
montadoras passaram ...... exportar uma parte dessa produção.
As lacunas da frase acima devem ser corretamente preenchidas por
(A) a - a - a
(B) à - à - a
(C) à - a - à
(D) a - à - a
(E) a - à - à

23 - (ESAF/Agente Tributário - Piauí/2001)


Assinale a opção que corresponde a erro.
Desde o início de janeiro, quando foi sancionada a lei que permite ao(1) Executivo
usar os dados da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) nas
investigações, o Fisco está apto a(2) ajudar o INSS nas investigações das entidades
filantrópicas. As informações sobre a CPMF são enviadas a Receita(3) pelas
instituições financeiras trimestralmente. Com esse(4) instrumento, é possível verificar
se há distorções muito grandes entre o faturamento da entidade e a sua
movimentação financeira. Nos casos em que(5) o programa de informática que faz o
cruzamento de dados para o Fisco apontar discrepância, a fiscalização poderá ser
iniciada.
(Adaptado de Simone Cavalcanti, www.estadao.com.br - 6/2/2001 )
a) 1
b) 2
c) 3
d) 4
e) 5

GABARITOS COMENTADOS DAS QUESTÕES DE FIXAÇÃO


01 – C
Para não perder o hábito, a primeira questão é simples. Trata-se de um caso clássico
de crase. Olhe para os dois lados:
- termo regente: verbo encaminhar (Alguém encaminha algo a alguém) – o verbo é
transitivo indireto e rege a preposição a.
- termo regido: autoridades competentes – esse elemento aceita o emprego de artigo
definido feminino: As autoridades competentes receberam os documentos.
De um lado, temos uma preposição a; de outro, o artigo definido feminino plural as:
OCORRE CRASE!
A posição do adjetivo “competentes” não iria influenciar nossa análise, pois o termo
regido é, nesse caso, o substantivo autoridades.
Assim, a construção correta é: Encaminhei os documentos perdidos às autoridades
competentes.

02 – B
Para começar, ocorre crase a partir da união da PREPOSIÇÃO A com outro elemento,
que pode ser o artigo definido feminino a/as, os pronomes demonstrativos
a(s)/aquele(s)/aquela(s)/aquilo ou os pronomes relativos a qual/as quais.
Não há possibilidade de contração de um pronome demonstrativo com um artigo,
como sugere a opção a.
Vamos olhar para os dois lados:
- termo regente: o verbo enviar, que exige a preposição a (Alguém envia alguma
coisa a alguém ou a algum lugar);
- termo regido: o substantivo feminino forca, que admite o artigo definido feminino (A
forca foi usada para matar Tiradentes).
OCORRE CRASE!
A justificativa para o emprego do acento grave está indicada na opção b.

03 – D
Como vimos na aula anterior, o verbo autorizar é um daqueles que apresentam dupla
possibilidade de regência: posso autorizar alguma coisa a alguém ou autorizar alguém
a (fazer) alguma coisa (normalmente, um verbo no infinitivo).
Então, de acordo com a primeira possibilidade, a construção seria: A parada lhe
autorizava (lhe = objeto indireto) cobrar um novo preço (objeto direto sob a forma
oracional).
Construindo-se da segunda forma, seria: A parada o autorizava (o = objeto direto) a
cobrar um novo preço.
Vamos, agora, verificar a ocorrência da crase:
- termo regente: verbo autorizar, que exige a preposição a;
- termo regido: a oração reduzida de infinitivo cobrar um novo preço.
Antes de verbo, não podemos empregar um artigo definido feminino. Assim, a única
ocorrência de “a” é a preposição exigida pelo termo regente. Não há crase!
A construção correta é: A parada o autorizava a cobrar um novo preço.
Essa questão foi objeto de comentário na aula anterior. Resolvemos comentá-la
também nesse encontro para que você observe uma ocorrência muito comum de erro:
acento grave antes de verbo no infinitivo.
Isso pode ser observado, também, em expressões como a partir de, locução
prepositiva cujo elemento principal é um verbo. Nesse caso, não se coloca acento
grave. As locuções prepositivas que recebem acento, independentemente da
verificação desse esquema TERMO REGENTE X TERMO REGIDO, são as locuções
FEMININAS.
Esse é o nosso próximo assunto.

04 – C
Essa questão trata de um dos casos especiais – locuções femininas; sejam elas
adverbiais, prepositivas, adjetivas ou conjuntivas, recebem acento grave
independentemente do esquema TERMO REGENTE x TERMO REGIDO.
Acentuam-se as locuções femininas. A locução prepositiva “a respeito de” tem em
seu núcleo um substantivo masculino, não sendo, portanto, acentuada – “a respeito
de”.
Estão corretos os demais itens, cabendo comentários em relação aos seguintes:
(B) arroubo = êxtase, encanto;
(D) orbita = conjugação do verbo orbitar = girar (eu orbito, tu orbitas, ele orbita...)
– sentido conotativo de girar.
Além do erro de crase na locução prepositiva (C), parece que faltou algum elemento
regido por ela na seqüência: “mas qualquer reflexão à respeito do (... ? ...)
invariavelmente orbita em torno da matéria-prima desta página – o texto”. Pergunta-
se: reflexão a respeito do quê? Ficou faltando algo, causando prejuízo na coesão
textual e, por conseqüência, em sua coerência.

05 – Item INCORRETO
Esse tipo de erro, como já mencionamos, é muito comum em provas. Antes de verbo,
não pode haver crase por inexistir um artigo definido feminino que se contraia com a
preposição porventura exigida pelo termo regente.
Assim, a única coisa que existe ali é a preposição a, exigência da regência nominal do
adjetivo disposto (Alguém está disposto a alguma coisa).

06 – B
Agora deve ter ficado bem mais fácil.
Vamos analisar cada um das lacunas.
1ª lacuna:
- termo regente: acesso (Alguém tem acesso a alguma coisa/algum lugar). A palavra
exige a preposição a;
- termo regido: mercados externos. Essa expressão não admite um artigo definido
feminino. No máximo, masculino plural. Assim, não poderia ocorrer crase – o único “a”
é a preposição.
O acesso a mercados externos ...

2ª lacuna:
- termo regente: verbo auxiliar modal passar. Falei grego? O que é mesmo um verbo
auxiliar modal? Bem, um verbo auxiliar faz parte de uma locução verbal (ainda lembra,
não é? VERBO AUXILIAR + VERBO PRINCIPAL).
Esse tipo de verbo auxiliar (chamado de modal) emprega ao verbo principal um
atributo, como em passar a usar, em que se exprime a mudança de ação (eles
passaram a usar novas tecnologias), que não poderia ser alcançado somente com o
emprego dos tempos “normais” – presente, passado ou futuro.
No meio de uma locução verbal pode haver uma preposição (cheguei a comentar,
estou a sair, acabo de saber).
Assim, o termo regente (verbo auxiliar de uma locução) exige a preposição a;
- termo regido: o verbo principal da mesma locução.
Assim, em resumo, no meio de uma locução verbal, só há espaço para uma
preposição, pura e simples. Não pode haver um artigo definido que justifique a crase.
... por boa parte dos produtores que passaram a usar novas tecnologias...

3ª lacuna:
Voltamos ao caso clássico.
- termo regente: a locução prepositiva devido a.
A locução prepositiva “devido a” tem origem na forma participial adjetiva do verbo
dever (devido).
Vamos apertar a tecla SAP: como assim “forma participial adjetiva”? Vimos
que o particípio é uma forma nominal que, muitas vezes, exerce a função que seria
própria de um adjetivo, lembra? “Roupa lavada (adjetivo / particípio do verbo lavar)”,
“cabelo penteado (adjetivo / particípio do verbo pentear)”
Na função adjetiva, a palavra “devido” (adjetivo, cuja origem é o particípio do verbo
dever) concorda em gênero e número com o substantivo correspondente e rege a
preposição a:
ƒ “Sua ausência devida a problemas de saúde foi notada.”
ƒ “Muitos acidentes devidos à falta de prudência dos motoristas são registrados
nas estradas brasileiras.”.
Apesar de condenada por diversos puristas, que acham que essa palavra só deve ser
empregada na função adjetiva, a forma prepositiva “devido a” é abonada por ilustres
como Celso Luft, sendo constantemente apresentada em questões de prova.
Quando usado na locução prepositiva (devido a), o vocábulo “devido” não se flexiona
(pertence ao conjunto de palavras invariáveis, lá dos “primórdios” do nosso curso) –
“Devido aos problemas de saúde, ela não veio.”, “Muitos acidentes ocorrem devido à
falta de prudência dos motoristas.”.
A preposição a, que faz parte da locução prepositiva, poderá se contrair ao artigo
subseqüente, no esquema “termo regente – termo regido”.
Vejamos, então, qual o termo regido:
- termo regido: qualidade das sementes. Essa expressão admite o artigo definido
antes de si. Se estivesse na posição de sujeito, poderíamos ter, por exemplo: A
qualidade das sementes tem trazido bons resultados à safra deste ano.
De um lado, então, temos a locução prepositiva devido a, que apresenta em seu
corpo a preposição a. De outro lado, temos um vocábulo que admite artigo definido
feminino. Pronto! Ocorreu crase!
... aconteceu devido também à qualidade das sementes.
A ordem correta é, portanto: a / a / à - opção B.

07 – B
Novamente, temos uma questão de lacunas.
Nas provas, esse tema pode ser explorado em questões assim ou naquelas em que se
exige todo tipo de conhecimento gramatical (concordância, regência, ortografia).
1ª lacuna:
- termo regente: o verbo dizer, que, na construção, é bitransitivo (Dizer algo a
alguém). Complementam o verbo um objeto direto (a oração que se segue) e um
objeto indireto, regido pela preposição a.
- termo regido: o pronome pessoal ela. Esse pronome não admite artigo definido
feminino antes de si (Ela está linda, e não “A ela está linda”). Assim, a única coisa que
vai aparecer antes dele é a preposição, exigida pelo verbo.
Diga a ela ...
2ª lacuna:
A expressão que será apresentada a seguir tem valor adverbial. Indica o momento em
que a pessoa deve estar em algum lugar. Na indicação de hora certa, usa-se
preposição. Na dúvida, uma boa saída é a troca do feminino pelo masculino, sempre.
Em vez de “uma hora”, vamos colocar “meio-dia”.
“Diga a ela que esteja aqui ao meio-dia...”
Opa! Se eu empreguei “ao”, já fico sabendo que, antes da expressão adverbial que
indica horas, existe um artigo definido. Da mesma forma que uso “ao meio dia” (a+o),
posso usar “às duas horas, às dez horas ou à uma hora” (a+a).
O que causa certo mal-estar é a proximidade do “a” acentuado com o “uma”. Note,
contudo, que esse vocábulo (“uma”) é um numeral, e não um artigo indefinido. Por
isso, está certíssima a colocação de um acento grave antes do adjunto adverbial que
indica as horas.
O mesmo pode acontecer com expressões adverbiais que indicam lugar: “À entrada da
sala”.
Em alguns casos, além da troca do feminino pelo masculino, dá certo substituir a
preposição a (que introduz o advérbio) pela preposição em, ficando aparente o artigo
ou pronome que forma crase com a preposição a:
À entrada da sala, fui avisada de que não haveria aula Î Na [em +a] entrada da sala
...
Àquela hora da madrugada, recebi a notícia Î Naquela [em + aquela] hora da
madrugada, ...
Diga a ela que esteja aqui à uma hora...
3ª lacuna: como vimos na questão 4, a locução prepositiva a respeito de tem um
elemento masculino, não havendo justificativa para sua acentuação.
... para conversarmos a respeito do projeto.
A ordem correta é: a / à / a – opção B.

08 - E
Caso clássico.
De um lado, o termo regente presos exige a preposição a (“Eles estão presos a
alguma coisa”); de outro, o termo regido as heranças admite artigo definido feminino
(“As heranças foram apresentadas.”).
Ocorre crase da preposição a com o artigo definido feminino plural as: “presos às
heranças”.

09 – Item INCORRETO
De um lado, o termo regente (verbo levar) exige a preposição. Contudo, na posição
de termo regido, temos um substantivo feminino plural (mudanças). Não foi
empregado o artigo na construção original devido ao emprego genérico do substantivo
(não se determina quais foram essas mudanças).
Se houvesse algum artigo antes desse vocábulo, este seria um artigo também no
plural (as mudanças), por exigência da sintaxe de concordância.
Exatamente por haver um substantivo plural, não existe a menor possibilidade de se
empregar somente o acento grave, como sugere o examinador, pois, nesse caso, o
artigo seria singular (a+a).

10 – Item CORRETO
O primeiro complemento ao substantivo agrado já indica a necessidade de se
empregar a preposição a: “o agrado aos centros internacionais de poder”.
De um lado, o termo regente agrado exige a preposição a; de outro, há um pronome
demonstrativo aquele. Ocorre crase! Portanto, está correta a afirmativa.

11 – Item INCORRETO
Verifica-se nessa questão o mesmo erro apresentado na questão 09. Antes de um
elemento no plural, pode-se usar um artigo definido também no plural. Por isso,
estaria incorreta a construção “à entidades de prática desportiva”.

12 – E
Temos, agora, uma ótima oportunidade de observar como se emprega o acento grave
com pronomes.
De um lado, o termo regente é essenciais, que exige a preposição a (Algo é essencial
a alguma coisa).
Do outro lado, temos:
a) o pronome demonstrativo “essa”. Vamos fazer o teste do sujeito: Essa
população está carente. Podemos usar um artigo definido antes do “essa”?
Lógico que não. Então, não há crase! Está certa a opção. Nós estamos
procurando um caso facultativo. Assim, essa não é a nossa resposta.
b) os pronomes indefinidos “toda e qualquer”. Na função de sujeito: Toda e
qualquer população está carente. Podemos usar o artigo? Não. Então o
emprego não é facultativo.
c) o artigo indefinido “uma”. Se já existe um artigo, por que colocar outro? Só se
for para confundir.
d) a expressão indefinida “quase toda a população”. Como sujeito: Quase toda a
população está carente. Posso usar outro artigo (“A quase toda a população”)?
Cruzes!!!!
e) um pronome possessivo acompanhado de um substantivo. Como vimos, o
emprego do artigo, nesses casos, é opcional. Conseqüentemente, a crase
também poderá ocorrer ou não. Essa é a resposta.
13 – A
Veremos mais uma questão que aborda o emprego de pronome possessivo.
Assim, vamos treinar mais uma vez: fale bem alto: “Meu trauma com Português foi
superado!” ou “O meu trauma com Português foi superado” (repita 20 vezes, em voz
alta!!!)
Viu só? Não só resolvemos um (possível) bloqueio psicológico (que talvez você esteja
carregando desde a sua 2ª série do 1º grau), como constatamos que, antes de
pronome possessivo, o artigo é facultativo.
Agora, vamos resolver a questão.
Essa é uma ótima oportunidade de analisarmos, na prática, aquele conceito de “não
empregar artigo antes de nome de parentesco”, defendido por alguns autores.
Analisando todas as opções da questão, a única em que o emprego do artigo definido
feminino poderia ser facultativo seria a opção a: Entreguei-o à minha mãe.
A banca da NCE UFRJ considerou válido o emprego de artigo antes de pronome
possessivo que acompanha parentesco.
É por essas e outras que, em se tratando de pontos doutrinários divergentes, devemos
apresentar todas as formas válidas, a fim de possibilitar ao candidato a análise das
opções e identificação da resposta válida. Se a banca apresentar referência
bibliográfica, siga a linha adotada pelo autor indicado. Caso contrários, leve na manga
todos esses conceitos e, na hora, analise as opções.
De volta à questão, em todos os casos, o termo regente é o verbo entregar. Alguém
entrega alguma coisa a alguém. Então o termo regente (entregar) exige a preposição
a. Assim, estão corretas as formas “Entreguei-o a minha mulher” e “Entreguei-o à
minha mulher”. Se for dinheiro, então, entregue logo à sua mulher de qualquer jeito,
com crase ou sem crase!

PRESTE BASTANTE ATENÇÃO quando houver, em construções com pronomes


possessivos, mais de um termo regido. Neste caso, devemos respeitar o
PARALELISMO SINTÁTICO, ou seja, o que acontecer com um elemento deve
acontecer também com todos os demais que exercem a mesma função sintática.
Exemplo:
“Preciso pedir dinheiro ..... minha patroa”.
Termo regente – pedir – exige preposição a
Termo regido – (a) minha patroa – como o emprego do artigo é facultativo, se
houver artigo, há crase (pedir dinheiro à minha patroa); se não houver artigo, não
há crase (pedir dinheiro a minha patroa). Assim, a lacuna pode ser preenchida com
a ou com à.
Com dois termos regidos:
“Preciso pedir dinheiro ..... minha patroa e ao meu patrão.” – nesse caso, se
houve o emprego do artigo antes do segundo elemento (ao meu patrão), deve-se
empregar também no outro (à minha patroa), já que ambos exercem a mesma
função sintática: “Preciso pedir dinheiro à minha patroa e ao meu patrão”. A
lacuna, agora, só poderia ser preenchida com à.
Sobre paralelismo sintático, teremos outra questão mais adiante.

14 – C
Para acertar essa questão, devemos ter na ponta da língua diversos tópicos já
estudados nas aulas anteriores (concordância e regência).
O gabarito foi opção c.
A pergunta que soluciona o problema é: o que se pode combater?
A estrutura PODER + SE + VERBO NO INFINITIVO possibilita duas construções:
1ª. VOZ PASSIVA – Pode-se combater a ilusão. (= A ilusão pode ser combatida).
2ª. SUJEITO ORACIONAL – Pode-se combater a ilusão. (= Combater a ilusão é
possível).
De qualquer forma, o verbo fica na 3ª pessoa do singular.
Assim, na primeira construção, “a ilusão” exerce a função de sujeito, que não deve ser
antecedido de preposição, segundo a norma culta.
Na segunda, “a ilusão” serve de complemento verbal para o verbo combater. Esse é
um complemento direto, dada a transitividade do verbo (Alguém combate alguma
coisa - transitivo direto).
Não há justificativa para o emprego da preposição qualquer que seja a construção
escolhida.
Em relação às demais opções:
a) a locução adverbial feminina recebe acento grave – à primeira vista.
b) o termo regente é o verbo preferir. Como bitransitivo, exige a preposição a
antes de seu complemento indireto, que vem representado pela expressão
“terapia convencional”. O que se afirma (colocando na ordem direta) é: Os
médicos preferem novas condutas (...) às terapias convencionais. Portanto,
está correta a construção.
d) de um lado, o termo regente é o substantivo referência, que exige a
preposição a (Alguém faz referência a alguma coisa). De outro, um substantivo
usado em sentido amplo, genérico: doenças mentais. Nesse caso, há apenas
um “a”, a preposição, o que impede a acentuação. Está correta a passagem. Em
seguida, outra ocorrência: o termo regente é o adjetivo ligadas, que exige a
preposição a. De outro lado, o termo regido é ilusões. Deu-se o encontro dos
dois “as”: ligadas às ilusões. Tudo certinho, certinho...

15 – Item CORRETO
Essa é uma ótima questão sobre paralelismo sintático, que começamos a estudar na
resolução da q.13.
O termo regente é direito. Alguém tem direito a alguma coisa. Assim, o substantivo
exige a preposição a.
Na posição de termos regidos, originalmente o autor determinou cada um deles: a
vida, a liberdade, a propriedade, a igualdade perante a lei.
O examinador sugere a retirada desses determinantes. Não há problema algum, desde
que se retire TODOS os determinantes, como indicou (direito a [só a preposição] vida,
liberdade, propriedade, igualdade...). Por isso, está correta tal assertiva.
Observe, mais adiante no texto, um outro bom exemplo: “o direito à educação, ao
trabalho, ao salário justo, à saúde, a uma velhice tranqüila.”.
Os termos educação, trabalho, salário justo, saúde estão acompanhados de
artigos definidos. Já o substantivo velhice, por ser vago, apresenta um artigo
indefinido. De qualquer forma, todos os elementos apresentam-se junto de um
determinante – o artigo.

16 – Item INCORRETO
O termo regente dar (verbo que faz parte da locução temos dado) apresenta
complemento direto (atenção) e indireto (regido pela preposição a).
Sugere o examinador que a expressão que se segue perderia seu caráter genérico se
estivesse, opcionalmente, antecedida de um a com acento grave.
Tudo lindo, maravilhoso, não estivesse o termo regido “riquezas nacionais”
acompanhado da expressão “uma de nossas mais importantes”.
Quem se ateve a ler a opção sem voltar ao texto deve ter caído direitinho nessa casca
de banana. Não é possível o emprego do acento grave por não ser possível o emprego
de um artigo definido feminino antes daquela expressão.
Mesmo que assim não fosse, ou seja, que não houvesse a expressão, o termo regido
seria “riquezas nacionais”, expressão plural que, se fosse o caso, seria acompanhada
de um artigo definido plural.

17 – Item INCORRETO
O termo regente é o substantivo acesso (Alguém tem acesso a alguma coisa/ algum
lugar), que exige a preposição a.
A troca sugerida do termo regido, com o emprego do sinal grave, iria alterar o sentido
da expressão “dados bancários protegidos por sigilo”, que foi usada de maneira vaga,
genérica (não são os dados bancários “X ou Y”, mas quaisquer dados). Essa
acentuação indicaria o uso de artigo definido antes do substantivo.
Seria possível, sim, a troca de dados por informações, desde que ajustada a
concordância com os adjetivos correspondentes e mantida a preposição (exigida pelo
termo regente) sem artigo, para dar à expressão um valor vago: “... que facilitava o
acesso da Receita Federal a informações bancárias protegidas por sigilo...”.
18 - E
Para confirmar a existência da preposição antes de “aqueles”, é necessário,
primeiramente, colocar a oração na ordem direta. Para isso, partimos do verbo ser e,
para haver lógica, do adjetivo inútil. O que é inútil? Resposta: “recomendar
desprendimento” (sujeito oracional).
O verbo “recomendar”, na construção, é transitivo direto e indireto (Recomendar
alguma coisa a alguém). O que se recomenda (ou seja, qual é o objeto direto)?
Desprendimento. A quem se recomenda desprendimento (qual é o objeto indireto?)
Àqueles [a + aqueles] que alimentam um preconceito. Note que o objeto indireto é
regido pela preposição a.
Na ordem direta, a oração seria: Recomendar desprendimento àqueles que alimentam
um preconceito é inútil.
Então, seguindo a análise de TERMO REGENTE + TERMO REGIDO, o termo regente,
verbo “recomendar”, exige a preposição “a”. O termo regido é o pronome
demonstrativo “aqueles”. Houve crase, devendo ser indicado com o acento grave:
“Àqueles que alimentam um preconceito é inútil recomendar desprendimento” –
construção perfeita.
Na seqüência, há outra ocorrência de crase:
TERMO REGENTE – verbo “reservar”: Alguém reserva alguma coisa a alguém. Como
está acompanhado do pronome “se” apassivador, o pronome “este”, que se refere a
“desprendimento”, é o sujeito paciente.
Como vimos na aula sobre verbos, o objeto indireto da voz ativa (Fulano reservou
alguma coisa a alguém) continua a exercer a mesma função na voz passiva (Alguma
coisa foi reservada por Fulano a alguém) – esquema em “Transposição de Vozes
Verbais” do tópico “Vozes do Verbo” da aula 2 (pg.17, se não me engano...).
Como o termo regente exige a preposição “a” e o termo regido (“pessoas generosas”)
admite artigo definido feminino plural, há ocorrência de crase, estando correta a
construção: “...este se reserva às pessoas generosas”.
Os demais itens apresentam as seguintes incorreções.
(A) Dos dois registros de crase, somente o segundo está incorreto.
Na primeira ocorrência, o termo regente é o verbo reportar-se, que exige a
preposição “a” (Alguém se reporta a alguém/alguma coisa). O termo regido é o
substantivo inexperiência, que aceita o artigo definido feminino. Há, portanto,
ocorrência de crase, que está devidamente indicada pelo acento grave em
“Reportamo-nos à inexperiência de um cidadão...”.
Já no segundo registro, o termo regente “propensos” (adjetivo) exige a preposição “a”
(Alguém é propenso a alguma coisa). Contudo, o termo regido não admite o artigo
definido, pois é um verbo (rejeitar). A construção seria: “somos propensos a rejeitar a
candidatura de um político profissional”.
(B) A primeira ocorrência de crase está corretamente indicada. O termo regente culto
exige a preposição “a”; o termo regido aparências admite o artigo definido feminino
plural – há crase: “O culto às aparências”.
Já no segundo, o termo regente, o verbo prender, é transitivo direto (pronominal) e
indireto, com a preposição “a” (Alguém se prende a alguma coisa); no entanto, o
termo regido é o pronome pessoal elas, que não admite o artigo definido antes de si.
Há, portanto, apenas um “a”, que é a preposição – “uma vez que a elas nos
prendemos todos, em nossa vida comum”.
(C) O termo regente caber é transitivo indireto (Alguma coisa cabe a alguém). A
expressão que exerce a função de objeto indireto é “a gente”, que, segundo o
contexto, apresenta a acepção equivalente a “nós”; uma vez antecedida da preposição
“a”, forma crase. Para a análise, não se deve levar em conta a expressão denotativa “é
que”; na ordem direta, a construção seria: “identificar os preconceitos (sujeito) cabe à
gente.”.
Em seguida, o termo regente, verbo afetar, é transitivo (Alguma coisa afeta alguém).
O termo regido é “aqueles artistas e profissionais”: “sobretudo os que afetam aqueles
artistas” – crase incorretamente indicada.
Finalmente, o termo regente dar é transitivo direto (objeto direto: graça) e indireto
(objeto indireto: nossa vida), devendo o complemento indireto ser precedido da
preposição “a”. Como o termo regido é iniciado por um pronome possessivo, o
emprego de artigo definido feminino é facultativo, podendo ocorrer crase ou não
(“profissionais que dão graça a / à nossa vida”). Portanto, está correta a indicação de
crase.
(D) O termo regente, verbo assistir, no sentido de “ver, presenciar”, é transitivo
indireto, exigindo a preposição “a”. O termo regido é “exibição”, que admite artigo
definido feminino. Há crase: “Assistimos à exibição descarada de preconceitos...”.
Correto emprego do acento grave.
O erro está na seqüência: o termo regente, verbo causar, é transitivo direto (coisa) e
indireto (pessoa) (Fulano causou alguma coisa a alguém), regendo a preposição “a”; o
termo regido é “pessoas”, que admite o artigo definido feminino plural. Houve o
registro desse artigo, mas faltou a indicação de crase para registrar a existência da
preposição. A forma correta seria: “que tantos dissabores causam às pessoas...”.
Por fim, a expressão “à distância”, como vimos, é objeto de bastante polêmica.
Vamos relembrar: A maioria dos gramáticos afirma que, sem especificação, a
expressão não recebe acento (“Mantenha-se a distância.”). Havendo definição dessa
distância, usa-se o acento grave (“Mantenha-se à distância de 10 metros.”). Contudo,
a recomendação do professor Celso Luft é acentuá-la sempre, por considerá-la uma
locução adverbial feminina.
Note que o examinador, nesta questão, não deixou clara a sua posição, ao indicar
outro erro de crase antes dessa expressão. Ótimo para o candidato, que não precisaria
esquentar a cabeça. Mas, mesmo assim, todo cuidado é pouco. Leve esse
conhecimento para a prova e, caso se depare com a polêmica expressão adverbial “a/à
distância”, analise as demais opções para afirmar se está certo ou errado o emprego
na questão.

19 – A
O verbo assistir é transitivo indireto e rege a preposição a. Este é o termo regente. O
termo regido é o substantivo peças, que, por estar no plural, deve ser acompanhado
de artigo definido feminino plural. Só que esse substantivo está sendo usado de
maneira genérica, dispensando o artigo. Assim, a forma correta seria: “... não se
assistia a peças com tanto senso crítico como estas”.
Em relação às demais opções, devemos observar.
a) O termo regente é chegar, verbo transitivo indireto que, por indicar movimento,
rege a preposição a. Como o termo regido é o substantivo varanda, a contração do
artigo que o acompanha com a preposição forma “à”. Para nunca mais errar na
regência deste verbo, passe a usá-lo corretamente no seu dia-a-dia. Assim que
chegar a casa (sem acento, como vimos logo no início), ensine essa lição ao seu
filho, seu cônjuge, sua sogra, seu cunhado... seja um chato!!!! Passe a corrigir todo
mundo!!! Assim é que se apre(e)nde o conceito...rs...
c) Um bom exemplo do emprego de artigo com topônimos. Vamos fazer o teste do
morar: Eu moro em Ipanema, em Jacarepaguá ou na Barra. Dos três bairros, o único
que admite artigo é o terceiro, motivo pelo qual o “a” foi acentuado.
d) O verbo referir-se é transitivo indireto, com a preposição a. O artigo antes de
pronomes possessivos é facultativo. O examinador optou por seu emprego. Assim,
houve a fusão da preposição a com o artigo definido as = “O povo referia-se às nossas
praias...”.
e) Os artigos definidos que acompanham os substantivos direita e esquerda se
contraíram com a preposição exigida pelo termo regente, o verbo dirigir-se (transitivo
indireto, regente da preposição a), formando crase (“...à direita e à esquerda do
palanque”).
Observe que estas não são locuções adverbiais femininas, como em “Vire à direita / à
esquerda” (que também seriam acentuadas).

20 – Item INCORRETO
Até que essa questão não foi das piores, não é mesmo?
O termo regente é a locução prepositiva “em relação a”. O termo regido é
“oportunidades”. Houve crase por ter sido empregado o artigo definido feminino plural
antes desse substantivo: as oportunidades.
A questão propõe a retirada do artigo. Até aí, tudo certo. O erro está em indicar que a
forma passaria a ser “à”. Opa! Você já está careca de saber que “à” é a contração da
preposição “a” com o artigo definido singular feminino “a”. Se ele quisesse usar um
artigo, não poderia ser, de modo algum, no singular, haja vista que o substantivo
correspondente está no plural.
A retirada do artigo levaria ao registro de “em relação a oportunidades”, em que só
haveria a locução prepositiva e, portanto, apenas um “a”, sem acento grave.

21 - E
Essa questão de crase nos dá a oportunidade de falar sobre a expressão “à custa de”,
que deve ter derrubado muita gente.
Vamos analisar lacuna por lacuna.
1ª lacuna) O termo regente corresponder exige a preposição “a” (Algo corresponde a
alguma coisa). O termo regido poderia até admitir o artigo ou ser usado em sentido
genérico (correspondeu às / a necessidades do trabalho). Para confirmar essa
possibilidade, vamos construir uma oração em que “necessidade do trabalho” seja o
sujeito: “Necessidade do trabalho leva milhares de pessoas à migração” – ou - “A
necessidade do trabalho leva...”. Pode haver artigo ou não. Mas de qualquer forma há
preposição, exigida pelo termo regente. Eliminamos, assim, a opção “c” (as – só
artigo, sem preposição).

2ª lacuna) Esse termo regido possui o mesmo termo regente (correspondeu) que exige
a preposição “a”. Dessa vez, o termo regido foi usado em sentido específico
(necessidade da produção, ou mais realmente à necessidade das colheitas) – percebeu
o “à” antes da segunda ocorrência de “necessidade”? Então, há artigo antes de
“necessidade da produção” também, o que provoca crase: “[corresponde] à
necessidade da produção”.

3ª lacuna) Essa lacuna dá continuidade à estrutura que teve início em “correspondeu


sempre, sim, à necessidade de produção”. Como houve artigo antes de “necessidade
da produção”, antes de “necessidade das colheitas”, deve haver também antes de
“necessidades de dinheiro pronto e de dinheiro fácil”. Todos esses substantivos
encontram-se definidos, o que justifica o emprego do artigo. Em virtude do encontro
com a preposição exigida por “correspondeu”, há crase: às necessidades de
dinheiro.

4ª lacuna) Agora a palavrao “guerra” (em abrir guerra) requer a preposição “a”
(Alguém abre guerra a ou contra algo/alguém). Como “ociosidade” admite artigo, há
crase: “No dia em que se abrir guerra à ociosidade...”.

5ª lacuna) O verbo “oferecer” é bitransitivo, ou seja, apresenta complemento direto e


indireto. O objeto direto é “garantias” e o objeto indireto “gente do campo”. Como
temos uma voz passiva pronominal (presença do pronome apassivador se – se
oferecerem garantias = se garantias forem oferecidas), o objeto direto exerce a função
de sujeito paciente. Mas nada disso afeta a função de objeto indireto (olha o esquema
aí, gente!!!). Em relação a esse segundo complemento, exige-se a preposição “a”
(Alguma coisa é oferecida a alguém). Antes de “gente do campo” pode haver artigo
definido feminino singular, o que justifica o acento grave: “se oferecem garantias à
gente do campo”.

6ª lacuna) Finalmente, chegamos à última lacuna. Trata-se da expressão “à custa


de”, que significa “às expensas de”.

Cuidado com a confusão que muita gente boa faz: o substantivo “custas” significa
“despesas judiciais devidas no processo”. Já o correspondente no singular (custa) tem
o sentido de “custo, dispêndio, despesa”. A partir do significado de cada um dos
vocábulos, já dá para perceber que a expressão deve ser grafada no singular: “Aquele
rapaz vive até hoje à custa do pai”, “Eu não sou homem de viver à custa de mulher”.
Se você costumava usar essa expressão no plural, pode começar a mudar hoje
mesmo. Como é uma locução feminina, recebe o acento grave. Esse conceito seria
suficiente para definir a resposta dessa questão – a única opção que apresenta “à
custa de” é a de letra E.

22 - A
1ª lacuna: Para começar, analise uma outra estrutura:
“A loja funciona das 10h .... 18h”.
Há um artigo (contraído com a preposição “de”) antes do primeiro elemento (das 10h).
Então, deve haver artigo antes do segundo. Como já existe uma preposição “a”, ocorre
a fusão: “das 10h às 18h”. A isso se dá o nome de paralelismo sintático (Lembra? O
que acontece com um elemento ocorre também com os demais de mesma função
sintática).
Note, agora, que antes de “janeiro” há somente uma preposição (“de”), não há artigo.
Aliás, não daria para ser diferente. Ninguém fala “do janeiro ao dezembro”, não é
mesmo??? Pois, se não há artigo antes do primeiro elemento, não pode haver antes
dos demais. A relação é “de ... a ...”, somente com preposições. Por isso, não há
crase: “de janeiro a julho”. Paralelismo nele!
2ª lacuna: Na expressão “em comparação com” já existe uma preposição (“com”), o
que impossibilita a existência da preposição “a”. O que irá preencher a lacuna é o
pronome demonstrativo “a”, equivalente a “aquela”, que se refere à palavra
“produção” (“houve aumento na produção de veículos, em comparação com [a
produção] obtida no ano passado”). Não há dois “as”, somente um - o pronome
demonstrativo. Portanto, não há crase: “em comparação com a obtida...”.
3ª lacuna: Em locução verbal, há apenas preposição, sem artigo. Por isso, não há
crase: “As montadoras passaram a exportar”.
A ordem será: a, a, a – opção (A)

23 - C
Essa é para terminarmos o nosso estudo de hoje.
Vamos analisar cada um dos termos destacados.
1º) O termo regente permitir exige a preposição a (permitir algo a alguém); o termo
regido Executivo admite artigo definido masculino – forma-se “ao” - correto;
2º) O termo regente apto exige a preposição a (“Alguém está apto a alguma coisa.”);
o termo regido ajudar é um verbo e não admite artigo definido feminino. Portanto,
não ocorre crase: está apto a ajudar - correto;
3º) O termo regente enviar exige a preposição a (“Alguém envia algo a alguém.”); o
termo regido Receita admite o artigo definido feminino (“A Receita divulga o último
lote de restituição.”). Por isso, ocorre crase: “As informações ... são enviadas à
Receita ...” – Esse é o item incorreto.
4º) O pronome demonstrativo está se referindo a alguma informação que já foi dada
(pertence ao “passado” do texto), por isso requer a forma “esse”. O emprego de
pronomes demonstrativos em relação ao texto (referência anafórica) será objeto de
nossa próxima aula (Pronomes).
5º) O pronome relativo que substitui casos. Em uma outra estrutura, teríamos
“nesses (= em + esses) casos, o programa ...”. Percebe-se a necessidade do
emprego da preposição em, então a forma está correta: “nos casos em que o
programa...”.
Mas não se preocupe com pronome relativo. Em nosso próximo encontro (que será
bem maior que esse de hoje), veremos também esse assunto.
Grande abraço e até lá.
PRONOMES
Pronome é o vocábulo que, ao pé da letra, “fica no lugar do nome” (chamado de
pronome substantivo) ou o determina (pronome adjetivo).
Para compreender melhor a função dos pronomes, precisamos saber o conceito de
coesão textual, pois essas palavras, assim como os conectivos (conjunção e
preposição – a serem estudados na próxima aula), são responsáveis por estabelecer
nexo entre as idéias do texto.

Coesão textual é a ligação entre os elementos da oração e delas em relação ao texto.


A incoerência de um texto muitas vezes se deve à falta de coesão, exatamente porque
a leitura fica prejudicada pelo emprego inadequado de pronomes, conjunções ou
outros elementos textuais, inclusive a pontuação. Por exemplo, o uso inapropriado de
“porquanto” ou de “a ele” pode levar o leitor a uma conclusão diversa da que se
pretendia dar, ou até mesmo a nenhuma conclusão (alguns chamam de “ruptura
semântica”).
Os pronomes exercem um papel decisivo na construção de um texto coeso e coerente,
a partir de indicações corretas aos seus elementos.
Muitas questões de prova abordam esse conhecimento. Algumas vezes, a banca
(especialmente, ESAF e CESPE) faz afirmações sobre as referências textuais e o
candidato deve verificar se estão corretas essas indicações. Para isso, a compreensão
correta do texto e o domínio do significado de seus elementos são decisivos.
DEFINIÇÃO
Pronomes são palavras que determinam um substantivo ou ocupam o seu lugar. Daí, a
designação pronomes adjetivos ou pronomes substantivos, respectivamente.
Servem para, no primeiro caso, acompanhar um substantivo, determinando-lhe a
extensão (assim como o faz um adjetivo) e, no segundo, representar o próprio
substantivo, ficando em seu lugar.
Todo pronome tem uma função sintática, que pode ser própria do substantivo (sujeito,
objeto direto, objeto indireto) ou do adjetivo (adjunto adnominal, predicativo do
sujeito, predicativo do objeto).
Este produto é importado. (pronome adjetivo / função de adjunto adnominal)
Isto é importado. (pronome substantivo / função de sujeito)
Os pronomes podem ser pessoais, possessivos, demonstrativos, indefinidos,
interrogativos e relativos.

PESSOAIS ¾ representam as três pessoas do discurso - a que fala (1ª


pessoa), a com quem se fala (2ª pessoa) e a de quem se
fala (3ª pessoa);
¾ dividem-se em retos e oblíquos. Regra geral, os retos
exercem a função de sujeito ou de predicativo do sujeito,
enquanto que os oblíquos funcionam como complementos
(objetos diretos, indiretos ou adjuntos);
¾ os pronomes oblíquos devem obedecer a certas regras de
colocação (sintaxe de colocação pronominal), a serem
estudadas mais à frente.
DE TRATAMENTO ¾ categoria dos pronomes pessoais que designa a forma de
tratamento a ser usada no trato com certas pessoas.
¾ a pessoa com quem se fala pode ser expressa também
pelo pronome de tratamento, que leva tanto o verbo
quanto os pronomes para a 3ª pessoa;
¾ os únicos pronomes de tratamento que admitem o uso do
artigo acompanhando-os são: senhor, senhora,
senhorita.

POSSESSIVOS ¾ estabelecem relação de posse entre os elementos regente


e regido;
¾ como já vimos em aula anterior, há casos em que um
pronome pessoal oblíquo é usado com valor possessivo,
ponto a ser estudado mais adiante.

DEMONSTRATIVOS ¾ indicam a posição dos seres no espaço e no tempo


(função dêitica dos pronomes demonstrativos) ou em
referência aos elementos do texto (função anafórica ou
catafórica);
¾ também podem substituir algum termo, expressão,
oração ou idéia, evitando sua repetição, no papel de
termos vicários (“Há muito tempo eu planejo sair de
férias e vou fazê-lo no meio desse ano.” – fazê-lo =
fazer isso = sair de férias, ou “Eu lhe jurei que seria
fiel e vou sê-lo” – ser isso – ser fiel – o pronome
permanece neutro, sem flexão de gênero ou número,
assim como acontece com o “isso”).

INDEFINIDOS ¾ têm sentido vago ou indeterminado.

INTERROGATIVOS ¾ é uma subclasse dos pronomes indefinidos. Muito


importante é compreender a distinção entre eles e os
pronomes relativos, já que a grafia é a mesma em alguns
casos (como, quando, quem etc): os pronomes
indefinidos são usados nas interrogações, diretas ou
indiretas, enquanto que os pronomes relativos
apresentam referência a termos antecedentes – veja mais
detalhadamente a seguir.

RELATIVOS ¾ referem-se a um termo anterior chamado antecedente


ou referente (substantivo ou pronome substantivo);
¾ sempre dão início a orações subordinadas adjetivas.

1 - PESSOAIS
1.1 - CLASSIFICAÇÃO
Designam as três pessoas do discurso. Classificam-se em RETOS e OBLÍQUOS.
RETOS: funcionam como sujeito ou predicativo do sujeito. Por isso, Rocha Lima os
denomina pronomes subjetivos (no papel de sujeito).
Tu não és eu.
O fato de ele reconhecer o erro não importa.
OBLÍQUOS: funcionam como complemento, motivo pelo qual Rocha Lima os chamou
de pronomes objetivos.
Vi-o na rua
Deu-lhe um bom presente
Quero comprá-las
Fi-los entrar
Nesse último exemplo (Fi-los entrar.) vemos um caso excepcional em que o pronome
oblíquo exerce a função sintática de sujeito (do verbo entrar), assunto que será
apresentado mais adiante (caso 1.3).
QUADRO RESUMO DOS PRONOMES PESSOAIS

CASO OBLÍQUO
PESSOA CASO RETO TÔNICO
ÁTONO
(sempre com preposição)
1ª EU ME MIM, COMIGO
SINGULAR

2ª TU TE TI, CONTIGO

3ª ELE/ELA SE, O, A, LHE SI, ELE*, ELA*

1ª NÓS NOS NÓS*, CONOSCO


PLURAL

2ª VÓS VOS VÓS*, CONVOSCO


SE, OS, AS,
3ª ELES/ELAS SI, ELES*, ELAS*
LHES

OBSERVAÇÕES:
1:(*) Quando oblíquos, são sempre preposicionados: “Nem ele entende a nós,
nem nós a ele.”. A preposição está na frase por força do uso do pronome, sendo o caso
de objeto direto preposicionado. Na linguagem coloquial informal, costumam ser
usados acompanhados de numerais (Encontrei elas duas.) ou pronome indefinido
(Trouxe todas elas.), construção não abonada pela linguagem culta formal
(Encontrei-as, as duas. / Trouxe-as todas.).
Os oblíquos “nós/vós” podem ser usados acompanhados da preposição com e
elementos reforçativos, como os pronomes demonstrativos “MESMOS” ou “PRÓPRIOS”.
Ex.: Só podemos contar com nós mesmos.
2: Os pronomes me, te, se, nos, vos podem exercer as funções de objeto
direto ou indireto, de acordo com a transitividade do verbo. Uma boa técnica de
saber se o pronome está na função de complemento direto ou indireto é trocar o
pronome por um NOME, ou seja, por um substantivo:
“Ele não me obedece.” – trocamos o “me” por “o pai”: “Ele não obedece ao pai”.
Como o complemento verbal foi antecedido de preposição, o pronome “me” exerce a
função de objeto indireto.
Não adiantaria nada trocar o “me” por “a mim”, pois, como vimos acima, esse
pronome oblíquo sempre será preposicionado.
3: Os pronomes oblíquos podem ser, ainda, reflexivos e recíprocos. Os
primeiros, quando o objeto direto ou indireto representa a mesma pessoa ou coisa que
o sujeito do verbo; os recíprocos exprimem reciprocidade da oração.

Vamos ver como isso já foi objeto de prova?

(FCC / TRE PI / 2002) Afinal, os papéis não haviam ficado ......, mas sim ...... .
(A)) contigo - com nós mesmos
(B) contigo - conosco mesmos
(C) com ti - conosco mesmo
(D) com tu - conosco mesmos
(E) com tu - com nós mesmos

Na função de complemento, não se deve usar pronomes retos, como sugerem as


opções d e e (“com tu”).
A preposição com já faz parte da forma “contigo”, que deve preencher a primeira
lacuna.
Em seguida, o preposição com antecede o “nós”. Como esse pronome oblíquo está
acompanhado de um pronome demonstrativo mesmos, está correta a forma da opção
A – contigo / com nós mesmos.

1.2 - RELAÇÃO ENTRE PREPOSIÇÃO E PRONOME


As preposições de e em contraem-se com o pronome reto de 3ª pessoa ele(s) e
ela(s):
A pasta é dele, e nela está o meu livro.
Normalmente, após preposição usa-se o pronome oblíquo.
Entre mim e ti existe um abismo profundo.
Entretanto, se após a preposição, especialmente a preposição para, o pronome estiver
como sujeito do verbo no infinitivo, permanece sendo pronome reto e, segundo a
norma culta, não poderá se contrair, embora na linguagem coloquial já se admita a
contração. Observe os exemplos.
1) Apesar de ela não saber nada, passou no concurso.
(quem não sabia nada? Resposta: “ela” – sujeito Î pronome reto)
2) Isto não é trabalho para eu fazer.
(quem não vai fazer o trabalho? Resposta: “eu” - sujeito Î pronome reto)
3) Isto não é trabalho para mim.
(O trabalho é para quem? Resposta: “para mim” = complemento nominal Î
pronome oblíquo)
4) O milagre de ele existir tinha-se dado naquele momento.
(quem existe? Resposta: “ele” - sujeito Î pronome reto)
5) Pouco depois de ela sair, fomos embora.
(quem saiu? Resposta: “ela” – sujeito Î pronome reto)
Faça agora um teste:
Para mim comparecer a essa reunião foi um prazer.
Até o corretor ortográfico do Word cai nessa pegadinha. Ele sugere a troca do “mim”
pelo “eu”. Será que isso estaria correto? Vejamos.
Primeira pergunta: o que foi um prazer?
Resposta: “comparecer a essa reunião”.
Então, na ordem direta (SUJEITO + VERBO + COMPLEMENTO), teríamos:
“Comparecer a essa reunião foi um prazer”. Ótimo!
Isso (comparecer a essa reunião) foi um prazer para quem?
Resposta: “para mim”. Então, complementando a estrutura acima, teríamos:
“Comparecer a essa reunião foi um prazer para mim.”
O que levou o Word (e muitos alunos) a imaginar um erro (que não existe) foi o
deslocamento do complemento nominal para o início do período, causando, assim, a
aproximação do “mim” (que atua como complemento nominal de “prazer”) com o
verbo “comparecer” (que faz parte do sujeito oracional).
Nessa, até o Bill Gates caiu!!! Sorte dele não precisar fazer um concurso público aqui
no Brasil....rs....
Veja, agora, como já caiu em prova.

(FUNDEC / TJ MG / 2002)
Tendo em conta o emprego das formas pronominais "eu" e "mim", assinale a
alternativa INCORRETA.
a) Toda a conversa entre eles e eu se deu a portas fechadas.
b) Seria muito penoso para mim comparecer ao julgamento.
c) Quando me aproximei, notei que falavam sobre você e mim.
d) Não há diferença entre eu lhes dar a notícia ou qualquer outra pessoa.

O gabarito foi letra a. A conversa rolou entre eles e MIM. Após uma preposição
(entre), o pronome a ser usado é o oblíquo: MIM.
Só se usa pronome reto após preposição quando este pronome exerce a função de
sujeito da forma verbal no infinitivo, como na construção da letra d: quem vai dar a
notícia? Resposta: “eu ou qualquer outra pessoa”. Como o pronome é o sujeito do
verbo dar, está correto o emprego do pronome reto (eu).
A opção b apresenta estrutura idêntica à do exemplo que apresentamos.
Muitas vezes, quando o “mim” fica perto de um verbo no infinitivo, muita gente tem
cólicas e sai por aí berrando: “mim fazer” quem diz é índio!!! Em parte, tem razão.
Mas só em parte, pois é preciso analisar a estrutura para verificar se este “mim” é
mesmo o sujeito do verbo no infinitivo, antes de sair por aí condenando a estrutura.
Na ordem direta, a construção seria: “Comparecer ao julgamento seria muito penoso
para mim.”. O pronome, nesse caso, é complemento nominal ao adjetivo “penoso” (É
penoso para quem? Para mim.) e não sujeito de comparecer, que está sendo usado
em sentido genérico (verbo impessoal).
Note que o verbo continuaria inflexível qualquer que fosse o pronome: Comparecer ao
julgamento seria penoso para nós. Isso porque este verbo é impessoal (não tem
sujeito) e está sendo usado em sentido amplo (O ato de comparecer).
Está perfeita a construção da letra c. Após a preposição “sobre”, foi empregado
corretamente o oblíquo “mim” e o pronome de tratamento “você”.

1.3 - PRONOME OBLÍQUO ÁTONO SUJEITO DE UM INFINITIVO


CASO 1 - Mandei que ele saísse.
CASO 2 - Mandei-o sair.
Nos dois casos, o sujeito do verbo mandar é o mesmo e está indicado pela desinência
verbal: (eu) mandei.
No entanto, apresentam complementos diferentes. Verificamos que o objeto direto do
verbo mandar (Eu mandei o quê?) é expresso:
- no CASO 1: pela oração que ele saísse.
- no CASO 2: pelo pronome seguido de infinitivo o sair.
Agora, vamos analisar as orações que exercem a função de complemento do verbo
mandar.
CASO 1: oração desenvolvida (iniciada pela conjunção “que”) = que ele saísse. Quem
vai sair? Resposta: ele. Então, o sujeito de “saísse” é o pronome pessoal reto “ele”.
CASO 2: o sair = Quem vai sair? Resposta: o. Esse pronome oblíquo, que representa
algum substantivo (menino, rapaz, aluno etc.), é o sujeito do verbo “sair”.
Esse é o caso especial de que tratamos logo no início da nossa aula. Geralmente, a
função de sujeito é exercida por um pronome pessoal reto, enquanto que cabe aos
pronomes oblíquos a função de complemento verbal.
Pois essa é a única exceção: VERBOS CAUSATIVOS (mandar, deixar, fazer) ou
SENSITIVOS (ver, sentir, ouvir) acompanhados de complemento representado por um
pronome oblíquo na função de sujeito e um verbo no infinitivo.
Para treinar, vamos analisar a construção da belíssima canção:
“Deixe-me ir, preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas do rio correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer, quero viver.”
(Preciso me encontrar, de Candeia)

Quem é o sujeito de “ir”, na primeira estrofe? O pronome oblíquo “me”.


Nas passagens “Ver as águas dos rios correr / Ouvir os pássaros cantar”, vimos que,
em relação à concordância do verbo correr/cantar, no infinitivo, quando se apresenta
um sujeito nominal (substantivo), não há consenso entre os gramáticos. Uns indicam a
flexão verbal obrigatória (Ver as águas dos rios correrem/ Ouvir os pássaros
cantarem); outros proíbem a flexão (Ver as águas dos rios correr / Ouvir os pássaros
cantar); há também os que facultam indistintamente essa flexão (Ver as águas dos
rios correr/correrem, Ouvir os pássaros cantar / cantarem).
Contudo, se no lugar dos nomes estiverem os pronomes oblíquos correspondentes, são
unânimes em afirmar que obrigatoriamente o verbo no infinitivo permaneceria sem
flexão: “Vê-las correr / Ouvi-los cantar”.
Na dúvida, releia o item 10.d da Aula 4 – Concordância – parte 2.
É muito comum, na linguagem coloquial, usar o pronome reto no lugar do oblíquo:
Mandaram eu sair. Vi ela sair.
O curioso é que tal incorreção não se repete quando se constrói uma oração negativa:
Não me mandaram sair. Não a vi sair.
Para fixar esse conceito, a partir de agora, procure usar a construção correta: Ouvi-o
dizer (e não “Ouvi ele dizer”) e afins.
Para terminar o ponto, vejamos como a ESAF abordou o tema.

(FISCAL MS / 2001) Marque a palavra, a seqüência ou o sinal de pontuação


sublinhado, que foi mal empregado.
Vivemos um período de adversidade,(A) mas contamos com o apoio de uma
política econômica adequada para contorná-lo(B). Prova disso é a atuação do
Banco Central no câmbio, que mantêm(C) também os juros sob(D) controle.
No passado, víamos os juros subirem(E) de 15% a 45% de uma só vez.
(Fernando Xavier Ferreira, adaptado)
a) A
b) B
c) C
d) D
e) E

O gabarito foi a letra C.


Na verdade, a questão versava sobre concordância.
O sujeito do verbo manter (pronome relativo que) tem como referente o substantivo
atuação, devendo ficar no singular. Afinal, é a atuação do Banco Central que
mantém os juros sob controle.
Mas, mesmo que a sua interpretação seja de que o pronome relativo se refere a
“Banco Central” (“O Banco Central mantém os juros sob controle.”), o verbo
continuaria no singular.
Na aula sobre concordância, alertamos bastante para as construções com verbos
derivados de pôr, ter e vir. Suas formas plurais não apresentam nenhuma distinção
fonética em relação às formas singulares (mantém/mantêm, convém/convêm), o que
poderia enganar o ouvido do candidato. O mesmo pode ocorrer com outros verbos
(compor, propor, contrapor, supor, pressupor).
Observe, agora, o item (E) – “No passado, víamos os juros subirem(E)”.
Em estruturas como:
VERBO CAUSATIVO/SENSITIVO + PRONOME OBLÍQUO + INFINITIVO
o verbo no infinito NÃO PODE SE FLEXIONAR, por apresentar como sujeito um
pronome (Vi-os sair / Não os deixe fazer isso.).
Nessa questão, o verbo sensitivo (ver) vem acompanhado de um substantivo (juros)
que é o sujeito de um infinitivo (subirem).
Oração reduzida do infinitivo – “Víamos os juros subirem.”
Nessas construções, quando o sujeito do infinitivo vem sob a forma de um
substantivo (e não um pronome), há divergência doutrinária. Contudo, a banca da
ESAF considerou CORRETA a flexão verbal. Como não há consenso, a ESAF tratou de
definir o gabarito em outra opção, de modo que, passando ao largo da discussão, não
restasse dúvida acerca da resposta correta (apresentou um erro crasso de
concordância na opção C).
Resumindo:
VERBO CAUSATIVO/SENSITIVO + PRONOME OBLÍQUO + INFINITIVO Î
INFINITIVO SEM FLEXÃO
VERBO CAUSATIVO/SENSITIVO + SUBSTANTIVO + INFINITIVO Î O VERBO PODE
OU NÃO FLEXIONAR-SE (depende do autor, há divergência doutrinária) = busque nas
demais opções a resposta.

1.4 – ALTERAÇÃO GRÁFICA DOS VERBOS EM FUNÇÃO DA COLOCAÇÃO DOS


PRONOMES
Quando os pronomes átonos o, a, os, as se associam a uma forma verbal, pode haver
alterações gráficas nessa última:
- verbos terminados em r, s, z – caem essas consoantes e os pronomes são grafados
sob as formas lo, la, los, las.
Mandaram prender + o = Mandaram prendê-lo
- verbos terminados em terminação nasal (ão, õe, am, em) – os pronomes assumem
as formas no, na, nos, nas.
Sempre que meus pais têm roupas velhas, dão-nas as pobres.

1.5 - PRONOME OBLÍQUO COM VALOR POSSESSIVO


Já falamos sobre isso nos comentários à questão 4 da aula 5 -
Sintaxe de Regência.
O pronome oblíquo pode ser usado com sentido possessivo, exercendo a função
sintática de ADJUNTO ADNOMINAL.
Roubou-lhe a voz, então não pôde mais reclamar. (= Roubou sua voz)

1.6 - COMBINAÇÕES E CONTRAÇÕES DOS PRONOMES ÁTONOS


Vamos ver agora construções raríssimas na linguagem moderna.
Quando numa mesma oração ocorrem dois pronomes átonos, um na função de objeto
direto e outro, objeto indireto, estes pronomes podem combinar-se, observadas as
seguintes regras:
¾ o pronome se associa-se aos me, te, nos, vos, lhe(s), e NUNCA aos o(s),
a(s).
¾ antepostos, conservam-se separados e, pospostos, ligam-se por hífen.
1) Eu quero paz. Dê-ma
Î ma = me (a mim) + a (a paz) = Dê a paz (= a) a mim (= me)
2) Apesar de não receber cartas minhas, envio-lhas sempre.
Î lhas = lhe (a ela) + as (as cartas) = Envio as cartas a ela = Envio-lhas.
3) Justiça se lhe faça.
Î se (pronome apassivador = Justiça seja feita / Justiça se faça) + lhe (a
ele/ela) = Justiça seja feita a ela.

1.7 - COLOCAÇÃO PRONOMINAL


Adoro essa parte da matéria! É o momento em que posso ajudá-lo(a) a nunca mais
errar uma questão sobre colocação pronominal. Basta que você estude bem o que será
apresentado a seguir.
Para começar, precisamos conhecer a terminologia que será usada.
Ênclise Î o pronome aparece após o verbo.
Próclise Î o pronome surge antes do verbo.
Mesóclise Î o pronome é colocado no meio do verbo.
Agora, a fim de facilitar a sua vida, resumimos a três todas as regras de colocação
pronominal: PRÓCLISE OBRIGATÓRIA / CASOS DE PROIBIÇÃO / EMPREGO
FACULTATIVO.
REGRA GERAL: ÊNCLISE
Segundo a norma culta, a regra é ênclise, ou seja, o pronome após o verbo. Isso tem
origem em Portugal, onde essa colocação é mais comum. No Brasil, o uso da próclise
(antes do verbo) é mais freqüente, por apresentar maior informalidade. Mas, como
devemos abordar os aspectos formais da língua, a regra será ênclise, usando
próclise em situações excepcionais.
a) CASOS DE PRÓCLISE OBRIGATÓRIA:
¾ Desde que não haja pausa (normalmente marcada na escrita pela vírgula), as
PALAVRAS INVARIÁVEIS atraem o pronome. Por “palavras invariáveis”,
entendemos as que não se flexionam (olhe o quadro da primeira aula!!!): os
advérbios; as conjunções; alguns pronomes, como o pronome relativo que,
os pronomes indefinidos quanto/como/ninguém, os pronomes
demonstrativos isso/aquilo/isto.
Ele não se encontrou com a namorada. (advérbio de negação)
Quando se encontra com a namorada, ele fica muito feliz. (conjunção)
Havendo pausa, não ocorre a atração.
Aqui se aprende a estudar.(sem pausa, advérbio atrai)
Aqui, aprende-se a estudar. (com pausa, recai na regra geral)

¾ ORAÇÕES EXCLAMATIVAS ou que expressam desejo, chamadas de


OPTATIVAS – próclise obrigatória.
“Vou te matar!”
“Que Deus o abençoe!”
“Macacos me mordam!”

¾ ORAÇÕES SUBORDINADAS
“... e é por isso que nele se acentua o pensador político”
(oração subordinada adverbial causal)
Há pessoas que nos querem bem.
(oração subordinada adjetiva restritiva)
Não se preocupe com esses “nomes e sobrenomes” das orações. Tudo isso será objeto
de aula específica (Períodos).

b) CASOS DE PROIBIÇÃO:
¾ Iniciar período com pronome - a forma correta é: Dá-me um copo d’água (e
não “Me dá”), Permita-me fazer uma observação (e não “Me permita”);
¾ Pronome átono após verbo (ênclise) no particípio, no futuro do presente e
no futuro do pretérito. Com essas formas verbais, usa-se a próclise (desde
que não caia na proibição acima – iniciar período), modifica-se a estrutura
(troca o “me” por “a mim”) ou, no caso dos futuros, emprega-se o pronome
em mesóclise.
Concedida a mim a licença, pude começar a trabalhar.
(Não havia outra saída. A troca foi necessária por não podermos colocar o pronome
após o particípio - “concedida-me” – nem iniciar período com ele – “me concedida” Î
esse são dois CASOS DE PROIBIÇÃO).
Recolher-me-ei à minha insignificância.
(Não poderia ser “recolherei-me” nem “Me recolherei” Î CASOS DE PROIBIÇÃO).

c) EMPREGO FACULTATIVO:
¾ Com o verbo no INFINITIVO, mesmo que haja uma palavra “atrativa”,
a colocação do verbo pode ser enclítica (após o verbo) ou proclítica
(antes do verbo). Tanto faz, desde que não recaia em um dos casos
proibidos (como iniciar período).
Para não me colocar em situação ruim, encerrei a conversa.
Para não colocar-me em situação ruim, encerrei a conversa.
Assim, com infinitivo está sempre certa a colocação, desde que não
caia em um caso de proibição (começar período, por exemplo).
CUIDADO!!!
NÃO CONFUNDA INFINITIVO COM FUTURO DO SUBJUNTIVO – Na maior parte
dos verbos, essas formas são iguais (para comprar = INFINITIVO /quando comprar
= FUTURO DO SUBJUNTIVO).
Contudo, a regra da colocação pronominal só se aplica ao infinitivo. Se o verbo
estiver no futuro do subjuntivo, aplica-se a regra geral.
Para ter certeza de que é o infinitivo mesmo e não o futuro do subjuntivo, troque o
verbo por um que apresente formas diferentes, como o verbo trazer (para trazer /
quando trouxer), fazer (para fazer/ quando fizer), pôr (para pôr/ quando puser),
e tire a prova dos noves. Se for infinitivo, pode colocar o pronome antes ou depois,
tanto faz. De qualquer jeito, estará certo, mesmo que haja uma palavra atrativa
(invariável).

Observação importante: quando houver DUAS palavras invariáveis, o pronome


poderá ser colocado entre elas. A essa intercalação dá-se o nome de APOSSÍNCLISE.

“Para não levar-me a mal, irei apresentar minhas desculpas.” – como vimos, com
infinitivo está sempre certa a colocação (caso facultativo), mesmo que haja uma
palavra invariável (no caso, são duas – para e não).
COLOCAÇÕES IGUALMENTE POSSÍVEIS:
(1) “Para não me levar a mal, ...”- O pronome foi atraído pelo advérbio não.
(2) “Para me não levar a mal, ...” – O pronome foi atraído pela preposição para.

1.8 - COLOCAÇÃO PRONOMINAL EM LOCUÇÃO VERBAL


Locuções verbais são construções que apresentam um só conceito verbal sob a forma
de um verbo auxiliar (ou mais) e um verbo principal. O auxiliar (o primeiro, no caso de
mais de um) irá se flexionar, enquanto que o verbo principal ficará em uma das
formas nominais: infinitivo, particípio ou gerúndio (assim como os demais auxiliares).
Em relação à colocação pronominal, valem os conceitos já apresentados.

1 – COM INFINITIVO ESTÁ SEMPRE CERTO;


2 – COM GERÚNDIO – ARROZ COM FEIJÃO: REGRA GERAL É ÊNCLISE – HAVENDO
PALAVRA INVARIÁVEL, O PRONOME É ATRAÍDO (PRÓCLISE);
3 – COM PARTICÍPIO, A ÊNCLISE (PRONOME APÓS O VERBO) É PROIBIDA.

A colocação do pronome será analisada em relação a cada um dos verbos que


compõem a locução.
COM O VERBO PRINCIPAL NO INFINITIVO

1. PRONOME EM RELAÇÃO AO VERBO AUXILIAR

- Eu lhe devo pedir um favor. Próclise ao verbo auxiliar – CERTO


Ainda que a regra seja a ênclise,
modernamente não se condena a próclise
em estruturas como essa, desde que não
recaia em algum caso de proibição (iniciar
período, por exemplo).

- Não lhe devo pedir um favor. Próclise ao verbo auxiliar - CERTO


Como o advérbio atrai, está CERTÍSSIMA
a colocação! Caso de próclise
obrigatória.

- Eu devo-lhe pedir um favor. Ênclise ao verbo auxiliar – CERTO

- Não devo-lhe pedir um favor. Ênclise ao verbo auxiliar – ERRADO.


O advérbio atrai o pronome, devendo ser
empregada a próclise.

2. PRONOME EM RELAÇÃO AO VERBO PRINCIPAL

- Eu devo lhe pedir um favor. A norma culta condena a próclise ao verbo


principal, ou seja, o pronome “solto” no
meio da locução verbal.
Na linguagem coloquial, é o mais usado.

- Não devo lhe pedir um favor. Note que o advérbio está próximo do
verbo auxiliar, e não do principal.
Este verbo auxiliar atua como uma pausa,
reduzindo o “poder” da palavra invariável.
Como já mencionamos, a norma culta
condena essa colocação “solta” do
pronome no meio da locução.
- Eu devo pedir-lhe um favor. Ênclise em relação ao verbo principal –
CERTO. Essa é a construção abonada pela
gramática normativa.

Não devo pedir-lhe um favor. Como já observamos, há uma “distância”


entre o advérbio e o verbo principal.
Assim, está CORRETA a colocação do
pronome após o verbo.

COM O VERBO PRINCIPAL NO GERÚNDIO (igualzinho ao anterior)

1. PRONOME EM RELAÇÃO AO VERBO AUXILIAR

Eu lhe estou pedindo perdão. Próclise ao verbo auxiliar – CERTO

Não lhe estou pedindo perdão. Próclise ao verbo auxiliar - CERTO


Como o advérbio atrai, está CERTÍSSIMA
a colocação!
Caso de próclise obrigatória.

Eu estou-lhe pedindo perdão. Ênclise ao verbo auxiliar – CERTO

Não estou-lhe pedindo perdão. Ênclise ao verbo auxiliar – ERRADO.


O advérbio atrai o pronome, devendo ser
empregada a próclise.

2. PRONOME EM RELAÇÃO AO VERBO PRINCIPAL

Eu estou lhe pedindo perdão. A norma culta condena a próclise ao verbo


principal, ou seja, o pronome “solto” no
meio da locução verbal.
Na linguagem coloquial, é o mais usado.

Não estou lhe pedindo perdão. Note que o advérbio está próximo do
verbo auxiliar, e não do principal.
Este verbo auxiliar atua como uma pausa,
reduzindo o “poder” da palavra invariável.
Como já mencionamos, a norma culta
condena essa colocação “solta” do
pronome no meio da locução.

Eu estou pedindo-lhe perdão. Ênclise em relação ao verbo principal –


CERTO.
Essa é a construção abonada pela
gramática normativa.

Não estou pedindo-lhe perdão. Como já observamos, há uma “distância”


entre o advérbio e o verbo principal.
Assim, está CORRETA a colocação do
pronome após o verbo principal.

COM O VERBO PRINCIPAL NO PARTICÍPIO

1. PRONOME EM RELAÇÃO AO VERBO AUXILIAR

Eu lhe tenho obedecido. Próclise ao verbo auxiliar – CERTO

Não lhe tenho obedecido. Próclise ao verbo auxiliar - CERTO


Como o advérbio atrai, está CERTÍSSIMA
a colocação!
Caso de próclise obrigatória.

Eu tenho-lhe obedecido. Ênclise ao verbo auxiliar – CERTO

Não tenho-lhe obedecido. Ênclise ao verbo auxiliar – ERRADO.


O advérbio atrai o pronome, devendo ser
empregada a próclise.

2. PRONOME EM RELAÇÃO AO VERBO PRINCIPAL

Eu tenho lhe obedecido. A norma culta condena a próclise ao verbo


principal, ou seja, o pronome “solto” no
meio da locução verbal.
Na linguagem coloquial, é o mais usado.

Não tenho lhe obedecido. Note que o advérbio está longe do verbo
principal.
Este verbo auxiliar atua como uma pausa,
reduzindo o “poder” da palavra invariável.
Como já mencionamos, a norma culta
condena essa colocação “solta” do
pronome no meio da locução, construção
bastante comum na linguagem coloquial.
Eu tenho obedecido-lhe. (ERRADO!) Está INCORRETA a colocação do
Não tenho obedecido-lhe. (ERRADO!) pronome após o verbo principal, pois ele
está no PARTICÍPIO, e pronome após
particípio é um dos casos de PROIBIÇÃO.

Veja, agora, como esse assunto já foi abordado em prova.

(CESGRANRIO / MPE RO / 2005)


Indique a opção em que o pronome oblíquo NÃO está colocado corretamente,
de acordo com a norma culta.
(A) O professor levou a moto para ser consertada – levou-a.
(B) O professor levará a moto para ser consertada – levá-la-á.
(C) O professor levaria a moto para ser consertada – a levaria.
(D) O professor tinha levado a moto para ser consertada – tinha levado-a.
(E) O professor estava levando a moto para ser consertada – a estava levando.

A banca apresentou a letra d como o gabarito, e cheia de razão para isso. O pronome
está INDEVIDAMENTE após um verbo no PARTICÍPIO, um dos casos de proibição.
Veja as demais opções:
a) Construção certinha. Como vimos, segundo a norma culta, a regra é a ênclise.
Assim, a forma “levou-a” é abonada pela gramática.
b) Em “levá-la-á” temos um caso de mesóclise. A forma verbal está no futuro do
presente do indicativo. Seria válida também a próclise, uma vez que o pronome não
iria iniciar período: “O professor a levará ...”. Aproveite para observar a acentuação
dessa forma mesoclítica. Cada segmento é considerado um vocábulo para as regras de
acentuação (lá do início do nosso curso, lembra-se ainda?).
c) Como o verbo está no futuro do pretérito do indicativo (levaria), o examinador
apresentou o pronome proclítico ao verbo. Também estaria correta a forma
mesoclítica: O professor levá-la-ia.
e) Desta vez, optou-se pela próclise em relação à locução verbal (O professor a estava
levando). As demais colocações possíveis seriam: O professor estava-a levando
(ênclise ao verbo auxiliar, menos recomendável por formar um eco “va-a”) ou
O professor estava levando-a (ênclise ao verbo principal).
Como podemos ver, nenhuma das opções apresentou próclise ao verbo principal
(aquela do pronome ‘solto’ no meio da locução verbal).

1.9 – PRONOMES DE TRATAMENTO


Entre os pronomes pessoais, destacam-se os pronomes de tratamento, que são usados
no trato com as pessoas.
O pronome a ser utilizado vai depender da intimidade (você, senhor, senhora) e/ou da
cerimônia que se tenha com essa pessoa, de acordo com seu cargo, função, título etc.
Esses são pronomes da segunda pessoa do discurso, ou seja, representam a pessoa
com quem falamos. Para isso, usamos um pronome de 2ª pessoa (vós) – Vossa
Majestade, Vossa Excelência, Vossa Senhoria etc.
Não obstante serem usados ao nos dirigirmos a alguém (2ª pessoa do discurso), esses
pronomes de tratamento levam o verbo e os pronomes possessivos à 3ª pessoa:
Vossa Excelência tem manifestado sua opinião.
Para simplificar, basta lembrar o mais famoso pronome de tratamento: VOCÊ.
Tudo o que acontece com VOCÊ vai acontecer com qualquer outro pronome de
tratamento.
Você sabia que seu desempenho em Português tem melhorado bastante?
Então, se usássemos “Vossa Senhoria”, a construção seria:
Vossa Senhoria sabia que seu desempenho em Português tem melhorado bastante?
Isso tudo se explica: originalmente, a forma de tratamento era “Vossa Mercê”, que
variou para “vosmecê”, dando origem a “você”. Hoje em dia, na linguagem cotidiana,
chegamos a abreviar ainda mais: falando, usamos “cê" (‘Cê soube da última?); na
escrita, é comum colocarmos “vc”, especialmente em textos coloquiais e da internet.
Assim, encolhemos cada vez mais o pobrezinho! Qualquer dia ele some... rs...
Quando nos referimos a pessoa de cerimônia (sem nos dirigirmos a ela), o pronome a
ser usado passa a ser de 3ª pessoa: Sua Majestade, Sua Excelência, Sua Senhoria etc.
Raramente, esse tema é objeto de prova. Vejamos uma dessas raras questões:

(FUNDEC / TRT 2ª Região / 2003)


Se na festa de inauguração dos trens alguém resolvesse dirigir-se ao
Governador do Estado para agradecer a obra realizada, usando uma linguagem
correta e adequada, deveria expressar-se de acordo com a forma da opção:
A) Senhor Governador, Vossa Excelência tem conhecimento das dificuldades do
povo e sabe que todos lhe são extremamente agradecidos por esta obra.
B) Senhor Governador, Vossa Excelência tendes conhecimento das dificuldades
do povo e sabeis que todos lhe são extremamente agradecidos por esta obra.
C) Senhor Governador, Sua Excelência tem conhecimento das dificuldades do
povo e sabe que todos lhe são extremamente agradecidos por esta obra.
D) Senhor Governador, Sua Excelência tens conhecimento das dificuldades do
povo e sabes que todos te são extremamente agradecidos por esta obra.
E) Senhor Governador, Vossa Senhoria tem conhecimento das dificuldades do
povo e sabe que todos te são extremamente agradecidos por esta obra.

Para nos dirigirmos cerimoniosamente a uma autoridade, usamos o pronome de


tratamento “Vossa Excelência”. Quem acompanha os debates do Congresso Nacional
vê que cortesia e cerimônia se resumem ao emprego do pronome – o teor do discurso
e o timbre da voz derrubam qualquer centelha de respeito entre os parlamentares.
De volta à questão, vamos eliminar a opção e, por apresentar a forma “Vossa
Senhoria”, que se usa especialmente em ofícios, correspondências e outros
tratamentos cerimoniosos a pessoas “comuns”.
Vimos que os pronomes de tratamento, apesar de se dirigem às segundas pessoas do
discurso (com quem se fala), levam o verbo e os pronomes para a 3ª pessoa
(exatamente como faz o pronome “você”). Então, podemos eliminar, também, as
opções b e d (que empregam verbos nas segundas pessoas, respectivamente do plural
e do singular: tendes/tens).
Ao nos dirigirmos à pessoa do Governador (como indica o enunciado), devemos usar o
pronome sob a forma de “Vossa Excelência” (pronome de 2ª), como apresentado na
opção a (gabarito), e não “Sua Excelência”, utilizado em referência a ele (O
Governador chegou à capital. Sua Excelência – ELE - deve permanecer na cidade até
sexta-feira – pronome de 3ª pessoa).

2. POSSESSIVOS
Esses pronomes referem-se às pessoas do discurso, atribuindo-lhes posse dos
elementos possuídos.

PESSOA POSSESSIVOS

1ª – EU MEU, MINHA, MEUS, MINHAS


SINGULAR

2ª – TU TEU, TUA, TEUS, TUAS

3ª – ELE / ELA / VOCÊ SEU, SUA, SEUS, SUAS

1ª – NÓS NOSSO, NOSSA, NOSSOS, NOSSAS


PLURAL

2ª – VÓS VOSSO, VOSSA, VOSSOS, VOSSAS

3ª – ELES / ELAS / VOCÊS SEU, SUA, SEUS, SUAS

Algumas bancas examinadoras exploram bastante a referência textual, solicitando que


o candidato indique a qual elemento se refere o pronome possessivo. Muitas vezes, é
preciso voltar a ler o texto para identificar a relação entre os vocábulos destacados
pelo examinador.
O pronome varia em gênero e número de acordo com a coisa possuída.
O promotor almoçou em sua casa.
Em função do emprego do pronome possessivo “sua” também em relação ao pronome
de tratamento “você”, é preciso cuidado para não gerar ambigüidade ao texto.
No exemplo acima, de quem era a casa: do promotor ou de você?
Para eliminar a confusão, lança-se mão de expressão dele(s)/dela(s).
Vimos anteriormente que os pronomes oblíquos podem ser usados com valor
possessivo. Trata-se de construção que imprime ao texto elegância.
O vento acariciava-lhe os cabelos. (= os seus cabelos / os cabelos dela)
3. DEMONSTRATIVOS
Indicam a posição dos seres em relação às três pessoas do discurso. Essa referência
pode ser em relação a um lugar (posição espacial), a um momento (posição temporal)
ou aos elementos de um texto (referência textual).
3.1 – FUNÇÕES DOS PRONOMES DEMONSTRATIVOS
No quadro a seguir, serão apresentadas as funções dêitica, anafórica e catafórica
dos pronomes demonstrativos.
O que foi??? Algum problema?? Parece que você levou um susto com essas
expressões. Vamos entender o que cada uma delas significa.
- FUNÇÃO DÊITICA: é a capacidade de indicar um objeto sem nomeá-lo. Assim,
quando dizemos “aquele tempo era maravilhoso!”, o pronome demonstrativo indica o
tempo a que me refiro (tempo distante ocorrido no passado – usamos o pronome
“aquele” para indicá-lo).
- FUNÇÃO ANAFÓRICA e CATAFÓRICA: em relação ao texto, o pronome
demonstrativo pode se referir a algum elemento que já surgiu (referência anafórica –
passado – para trás) ou que ainda surgirá (referência catafórica – futuro – para a
frente).

PESSOA 1ª pessoa 2ª pessoa 3ª pessoa

AQUELE, AQUELA,
PRONOME ESTE, ESTA, ISTO ESSE, ESSA, ISSO
AQUILO

POSIÇÃO Perto do falante Perto do ouvinte


Longe do falante e do
ESPACIAL ouvinte

Este documento é Esse documento é Aquele documento


meu. - O documento meu. - O documento que está na mesa é
está bem próximo do está bem próximo do seu? - O documento
falante (ou mesmo em ouvinte. está distante tanto do
suas mãos). falante quanto do
ouvinte.

POSIÇÃO Em referência a um Em referência a um Em referência a


momento presente ou momento passado. tempos distantes, tanto
TEMPORAL
que ainda não passou. no passado quanto no
futuro.

Este ano está sendo Essa noite sonhei Naquela


proveitoso. – O ano a com ela. – A noite a oportunidade algo
que se refere está em que se refere já passou estranho ocorreu.. –
curso (momento (passado próximo). Faz-se menção a um
presente). momento que ocorreu
em um passado
remoto.
REFERÊNCIA Em relação ao que se Em relação ao que já Em relação ao que se
vai enunciar (futuro foi mencionado encontra mais distante
TEXTUAL
próximo). anteriormente. no texto, fazendo
distinção entre dois
elementos textuais.

O problema é este: Ninguém está João e Mário


ninguém está satisfeito com você. estudam na UERJ.
satisfeito com você. Esse é o problema – Este, Física; aquele,
–ainda será O pronome faz menção Letras. – O pronome
mencionado aquilo que ao que já foi “este” (Mário) faz
é indicado pelo apresentado . menção ao mais
pronome. próximo, enquanto que
“aquele” (João) se
refere ao mais
distante.

Em relação às referências textuais, podemos simplificar a sua vida um pouquinho. Veja


a seguir um método para memorizar o correto emprego dos pronomes demonstrativos.

3.2 - PRONOMES DEMONSTRATIVOS EM REFERÊNCIAS TEXTUAIS


Quando um pronome demonstrativo faz referência a algo já mencionado no texto, ou
seja, a algo que está no “paSSado” do texto, deve-se usar ESSE / ESSA / ISSO (com o
SS do paSSado). Se a referência ainda vier a ser apresentada (pertence ao fuTuro),
usa-se ESTE / ESTA / ISTO (com o T do fuTuro) – gostou dessa dica mnemônica?
Modernamente, reduziu-se o rigor no emprego do pronome demonstrativo em
referências textuais, inclusive em relação às provas (veremos em seguida). Contudo,
em textos formais, deve-se observar o correto emprego dos pronomes demonstrativos.
Veja como isso foi explorado em uma questão de prova da ESAF.

(TRF 2002.1) Assinale a opção em que uma das duas possibilidades de redação
está gramaticalmente incorreta.
a) A economia americana sobreviveu a muitos percalços e, até o início da curta e
moderada recessão, da qual parece começar a emergir, conheceu nove anos de
uma das mais exuberantes expansões de sua história. / A economia americana
sobreviveu a muitos percalços e conheceu nove anos de uma das mais
exuberantes expansões de sua história até o início da curta e moderada recessão,
de que parece começar a emergir.
b) O professor Paul Kennedy, figura expressiva da “escola do declínio” na década
de 80, confessa ter mudado de posição. Temia o pior em 1985, quando o esforço
militar consumia 45% do PIB. / Figura expressiva da “escola do declínio” na
década de 80, o professor Paul Kennedy confessa que mudou de posição. Temia
o pior em 1985, quando o esforço militar consumia 45% do PIB.
c) Pensa hoje que se tornou barato adquirir a hegemonia ao preço de 3,8% de
PIB florescente e produtividade que permite encarar sem susto o momento
próximo em que os EUA gastarão com a defesa US$ 1 bilhão por dia. / Seu
pensamento hoje é esse: tornou-se barato adquirir a hegemonia ao preço de
3,8% de PIB florescente e produtividade que permite encarar sem susto o
momento próximo em que os EUA gastarão com a defesa US$ 1 bilhão por dia.
d) Não quer isso dizer que os americanos sejam onipotentes ou possam ignorar
para sempre alguns ameaçadores desequilíbrios de sua economia e as reações do
resto do mundo. / Não quer isso dizer que os americanos sejam onipotentes ou
que alguns ameaçadores desequilíbrios de sua economia e as reações do resto do
mundo possa por eles serem ignorados para sempre.
e) Significa apenas reconhecer que a atual configuração do poder mundial está
longe do declínio e que um país como os Estados Unidos tem uma extraordinária
capacidade para recuperar-se de erros que para outros seriam provavelmente
fatais. / Significa apenas o reconhecimento de que a atual configuração do poder
mundial está longe do declínio e de que um país como os Estados Unidos tem
uma extraordinária capacidade para recuperar-se de erros que para outros
seriam provavelmente fatais.
(Itens adaptados de Rubens Ricupero)

O gabarito foi a letra d. O segundo segmento apresenta um erro de construção da


locução verbal: alguns ameaçadores desequilíbrios de sua economia e as reações
do resto do mundo possa por eles serem ignorados.
O sujeito é composto e tem dois núcleos: desequilíbrios e reações. Em uma locução
verbal que apresente dois verbos auxiliares (poder + ser + ignorar), o que se flexiona
é o primeiro verbo auxiliar (PODER), enquanto que o segundo auxiliar e o verbo
principal ficam sob formas nominais (respectivamente, infinitivo e particípio). O
correto, portanto, seria “possam ser ignorados”.
O que nos interessa, para esta aula de PRONOMES, é observar a opção c. Este item foi
considerado CORRETO pela banca da ESAF.
Note que, no segundo segmento, o autor usa o pronome demonstrativo esse em
referência catafórica (algo que ainda será mencionado – para frente): “Seu
pensamento hoje é esse: tornou-se barato adquirir a hegemonia ...”.
Isso, segundo os puristas, seria um erro. Contudo, a banca indicou esse item como
correto, reforçando a tese de que se reduziu o rigor gramatical no emprego do
pronome demonstrativo em relação aos elementos textuais.
E na hora da prova, o que fazer??? Neste caso, o candidato, para indicar a forma
incorreta, estava diante de uma forma duvidosa de referência pronominal (em vez de
“este” foi empregado “esse”) e de uma locução verbal com construção totalmente
inaceitável. Ele deveria ficar com a segunda. Analise todas as opções antes de marcar.

3.3 – CONTRAÇÃO DO PRONOME COM PREPOSIÇÃO


Pode ocorrer a contração dos pronomes demonstrativos com as preposições a, de e
em.
Àquela hora morta da madrugada, todos dormiam.
Daquele dia em diante, nunca mais fumei.
Ficaremos nesta posição até você chegar.
OBSERVAÇÃO: Em expressões de tempo (dia, mês, ano, dia da semana), pode-se
omitir a preposição em. Na linguagem formal, recomenda-se manter a preposição.
Vou viajar (n)este ano.
(N)esta segunda-feira, será divulgado o resultado do concurso.
“(No) Domingo, eu vou ao Maracanã,...”

3.4 OUTROS PRONOMES DEMONSTRATIVOS


O pronome o (e flexões - a, os, as) também pode ser demonstrativo e aparecer junto
ao relativo que ou da preposição de, equivalendo a aquele(s)/ aquela(s) /aquilo.
Fiz o que você mandou.
Somos o que podemos ser.
Prefiro a da direita.
Pode também figurar sozinho, equivalendo a “isto, isso, aquilo”.
Ele me pediu para sair da sala, e o fiz. (fiz isso – “sair da sala”)
Nesse caso, quando um pronome demonstrativo faz referência a algum elemento do
texto, quer antecedente (referência anafórica), quer subseqüente (referência
catafórica), lança-se mão de um recurso lingüístico para evitar a repetição de palavras,
expressões ou mesmo orações:
“Os sem-terra ameaçavam invadir a fazenda e isso aconteceu no último domingo.”.
(isso = invadir a fazenda).
“Para obter a aprovação em um concurso público, são necessários estes elementos:
estudo, dedicação e persistência.” (estes = estudo, dedicação e persistência).
Esse pronome demonstrativo (o) pode, inclusive, representar toda a oração:
Sua mãe não era fácil, ele mesmo o sabia (= que sua mãe não era fácil).
Aparecem ainda como demonstrativos os vocábulos tal, mesmo, próprio e
semelhante, quando equivalerem aos casos já citados.
Vimos, inclusive, na aula sobre Concordância (Aula 3 – item 1.5) que, como pronomes
demonstrativos, essas palavras se flexionam em gênero e número com o substantivo
que acompanham.
Estamos no mesmo lugar. (NESSE LUGAR)
Tal atitude é inaceitável. (ESSA ATITUDE)
Lucas errou e doeu-se por semelhante descuido. (ESSE DESCUIDO)
Como realce, estes pronomes também se harmonizam com o substantivo
correspondente:
Elas chegaram à conclusão por si próprias, por si mesmas.
Não há respaldo para o emprego do vocábulo mesmo (e variantes) no lugar de um
substantivo, como se observa atualmente na linguagem coloquial:
Para abrir a porta, bata até que a mesma quebre. (Ui! Essa doeu!!)
Para evitar esse tipo de construção, sugerem os gramáticos a substituição por
pronomes pessoais ou demonstrativos, por um sinônimo ou até mesmo a repetição da
palavra. Tudo menos esse mostrengo (é assim mesmo que se escreve essa palavra –
se não acreditar, procure o Aurélio!).
Não confunda esse pronome MESMO (demonstrativo) com:
a) a palavra denotativa de inclusão mesmo (equivalente a até).
Mesmo uma ameba retardada seria capaz de entender aquela lição.
(Esse exemplo é uma homenagem ao Godinho – prof. Matemática/RJ!)
b) advérbio mesmo, equivalente a “realmente”, “de fato”, “de verdade”.
O que ela queria mesmo era me atingir.
Uma dica: palavras denotativas e advérbios são INVARIÁVEIS!
4 - INDEFINIDOS
Como o próprio nome já indica, referem-se à terceira pessoa com sentido vago ou
indeterminado.
São exemplos: algum, nenhum, todo, outro, muito, certo, vários, demais, tanto,
quanto, qualquer, alguém, ninguém, tudo, outrem, nada, cada, algo, mais,
menos, que, quem, (LOCUÇÕES) cada qual, qualquer um, quem quer etc.

4.1 – OBSERVAÇÕES SOBRE ALGUNS PRONOMES INDEFINIDOS


ALGUM - O pronome indefinido algum, posposto ao substantivo, assume valor
negativo:
Problema algum irá me fazer desistir de estudar. (=NENHUM PROBLEMA)
Acredite se puder: esse conceito já caiu em prova:

(NCE UFRJ / INCRA / 2005)


38 - Assinale a opção em que a mudança na ordem dos termos altera
substancialmente o conteúdo semântico do enunciado:
(A) Algum valor deve ser dado a este tipo de quadro / A este tipo de quadro, valor
algum deve ser dado;
(B) São duas estas ofertas especiais / Estas ofertas especiais são duas;
(C) Qualidades que são pelos inimigos reconhecidas / Qualidades que são
reconhecidas pelos inimigos;
(D) É isto que permite ao professor ganhar um melhor salário / Isto é que permite
ao professor ganhar um melhor salário;
(E) Esta qualidade intelectual pode ser construída aos poucos / Pode esta qualidade
intelectual ser construída aos poucos.

A resposta foi, logicamente, a letra A.


Em “algum problema”, o pronome indica a existência de pelo menos um problema. Já
em “problema algum”, o pronome passa a ter valor negativo, indicando a presença de
nenhum problema.
DEMAIS - Não confunda o pronome indefinido demais com o advérbio homônimo.
Esse vocábulo é indefinido quando equivale a ‘outros’ e se referem a substantivos. Já o
advérbio indica intensidade, modificando um verbo (Ele bebe demais), adjetivo (Ele é
alto demais) ou um advérbio (Ele fala alto demais).
Fiquei com dois cãezinhos. Os demais (= OUTROS) foram vendidos na feira.

QUALQUER – É o único vocábulo da língua portuguesa que se flexiona “no meio” –


quaisquer – em virtude do processo de formação (pronome indefinido qual + verbo
quer).

TODO – Existe diferença entre o emprego desse pronome diretamente ligado ao


substantivo e acompanhado de um artigo. Isso só acontece no singular.
No primeiro caso, assume valor indefinido:
Toda criança tem direito a assistência familiar. (= qualquer criança)
No segundo caso, acompanhado de artigo, passa a significar “inteiro”.
Toda a criança ficou machucada. (= a criança toda – inteira)
Treine agora essa distinção em:
TODO LIVRO É INTERESSANTE x TODO O LIVRO É INTERESSANTE
Na primeira oração, o autor demonstra prazer na leitura. Acha que qualquer livro (todo
livro) é interessante.
Já na segunda, ele se refere especificamente a um livro, dizendo que ele é
interessante, do começo ao fim (todo o livro).

5 - INTERROGATIVOS
Como os pronomes indefinidos (que no fundo também são), referem-se à terceira
pessoa de modo vago em interrogações (diretas e indiretas)
As diretas exigem uma resposta imediata e terminam com um ponto de interrogação.
Já as indiretas se constroem em períodos compostos (normalmente com verbos saber,
ver, verificar, ignorar etc.) e não terminam com ponto de interrogação (com ponto
final, reticências etc).
Quem vai à praia? / Eu não sei o que você tem feito.
Cuidado para não confundir certos pronomes indefinidos com pronomes relativos de
mesma grafia.
Os pronomes indefinidos formam perguntas, mesmo que indiretamente.
Não sei quantas velas serão colocadas em seu bolo de aniversário.
Î Quantas velas serão colocadas?
Já os pronomes relativos possuem referentes que já foram mencionados.
Coloque tantas velas quantas sejam necessárias.

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O pronome relativo quantas se refere a velas. Não poderia ser construída uma oração
interrogativa direta, como no exemplo anterior.

6 - RELATIVOS
Sem medo de errar, afirmo que a maior parte das questões de prova que tratam de
PRONOMES exploram o conhecimento do candidato acerca do emprego dos PRONOMES
RELATIVOS.
6.1 - DEFINIÇÃO
Os pronomes relativos referem-se a termos antecedentes. Já falamos sobre
concordância e regência com pronomes relativos. Agora, veremos quais são esses
pronomes e como devem ser empregados na oração subordinada adjetiva que
iniciam, especialmente em relação aos seus referentes e ao emprego de preposição.
Sempre que abordo “pronomes relativos”, lembro a história da Branca de Neve (é
sério!!!) – dos sete anões, seis apresentavam características particulares e fisicamente
eram parecidos (pareciam gnomos); somente um deles se destacava dos demais – era
completamente diferente (parecia um duende, era mudo) e recebia tratamento
especial (dizem que era o preferido da princesa).
Agora, vamos fazer uma analogia com os pronomes relativos.
Os pronomes que/o qual, onde, quando, quanto, como e quem devem ser usados,
cada qual, de acordo com seus próprios referentes, mas, grosso modo, fazem a
mesma coisa - referência a um substantivo antecedente.
Já “cujo” (o “Dunga” do grupo e, sem dúvida, o predileto das bancas examinadoras) é
diferente de todos – liga dois substantivos com “idéia de posse” (coisa que os outros
não fazem), flexiona-se em gênero e número com o substantivo subseqüente (coisa
que os outros também não fazem – “o qual” varia, mas de acordo com o antecedente).
Talvez seja esse o motivo de tanta gente já ter abolido o pobrezinho do seu dia-a-dia
(mataram o Dunga, e não é o técnico da nossa seleção – é o pronome CUJO!!!),
usando o “que” indevidamente no seu lugar.
Não é raro ouvirmos esse erro por aí, inclusive em músicas. Veja um exemplo disso:
Eu presto atenção em cores que eu não sei o nome/ Cores de Almodóvar/ Cores de
Frida Khalo... cores
(Esquadros – Adriana Calcanhoto)
O que ela não sabe? O nome das cores.
Então, a construção seria: Eu presto atenção em cores cujos nomes não sei.
Mas NINGUÉM IA CANTAR ISSO AÍ!!! A música não faria tanto sucesso...rs...
Vou passar um “dever de casa” para vocês: quero ver quem encontra uma música
cuja letra (gostou dessa?) tenha o pronome CUJO (ou variantes) usado de forma
correta.
Confesso que não consegui encontrar nenhum exemplo para colocar aqui.
Pode ser sertaneja, rock, pop... qualquer uma, desde que use o “cujo” certinho. Vou
aguardar as mensagens no fórum. Vamos ver se alguém consegue... Está lançado o
desafio!

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6.2 – CARACTERÍSTICAS DOS PRONOMES RELATIVOS

QUE Pode ser usado com qualquer antecedente, por isso chamado de “pronome
relativo universal”. Normalmente é empregado em relação a “coisa”, já que
os demais referentes têm pronomes relativos específicos (lugar, quantidade,
modo).
Aceita somente preposições monossilábicas, exceto sem e sob.
O QUAL Assim como “que”, pode ser usado com qualquer antecedente. Aceita
preposição com duas ou mais sílabas, locuções prepositivas, além de sem e
sob (rejeitadas pelo “que”).
É usado quando o referente se encontra distante ou para evitar
ambigüidade: Visitei a tia do rapaz que sofreu o acidente.
Quem se acidentou? O rapaz ou a tia dele? Para evitar a dúvida, uso “o
qual” para ele ou “a qual” para ela.
QUEM Somente usado com antecedente PESSOA. Sempre virá antecedido de
preposição – Ele é o rapaz de quem lhe falei.
ONDE Utilizado quando o referente for lugar, ou qualquer coisa que a isso se
assemelhe (livro, jornal, página etc.) – “A gaveta onde guardei o dinheiro foi
arrombada.”; pode ser substituído por “em que”.
COMO Usado com antecedente que indique MODO ou MANEIRA – O jeito como
escreve mostra a pessoa que é.
QUANDO O antecedente dá idéia de TEMPO, também equivalente a “em que” – Época
de ouro era aquela, quando todos andavam tranqüilos pelas ruas.
QUANTO O antecedente dá idéia de QUANTIDADE - normalmente precedido de um
pronome indefinido (tudo, tanto(s), todos, todas) – Tenho tudo quanto
quero. Leve tantos quanto quiser.

Esses pronomes relativos representam sempre substantivos ou pronomes substantivos


nas orações adjetivas que formam.
Mais uma vez alertamos para não confundi-los com pronomes interrogativos que idêntica
grafia. Estes não têm antecedentes e podem aparecer em orações interrogativas diretas
ou indiretas (Quem bateu? / Não sei onde moras/ Quanto custa? / Como farei? / Preciso
saber quando estará pronto o almoço. / Que gostaria de saber?).

CUJO (e flexões) – o mais especial de todos; liga dois substantivos indicando idéia
de posse (entre os substantivos, haveria uma preposição de) – “O rapaz cuja mãe
faleceu recentemente procurou por você.” (mãe do rapaz faleceu – rapaz cuja mãe
faleceu); concorda com o substantivo subseqüente, flexionando-se em gênero e número,
e dispensa o artigo (não existe “cujo o” ou “cuja a”);

DICA:
Ao usar o pronome relativo, verifique:
1 – qual deve ser o pronome mais adequado, a depender do antecedente
(coisa, pessoa, tempo, modo, lugar...);
2 – se o algum termo na oração adjetiva exige preposição.
Para não errar, os conceitos de regência devem estar “vivinhos” em sua memória.

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Exemplo:
(1) Este é o livro | que ganhei.
Oração principal: Este é o livro
Oração subordinada adjetiva: que ganhei - O verbo ganhar é transitivo direto (eu
ganhei o livro) e não rege preposição.
(2) Este é o livro | a que me referi.
Oração principal: Este é o livro
Oração subordinada adjetiva: a que me referi – o verbo referir-se é indireto e
rege a preposição a (eu me referi ao livro). Por isso, a preposição antecede o pronome
relativo, que está no lugar do termo regido – “livro”.
(3) Aquele é o professor | por quem eu tenho muita admiração.
Oração principal: Aquele é o professor
Oração subordinada adjetiva: por quem eu tenho muita admiração – o substantivo
admiração rege preposição por, que antecede o pronome relativo que substitui o
termo regido – “professor” (eu tenho muita admiração pelo professor).
Algumas bancas, como a Fundação Carlos Chagas, se cansam de apresentar questões
que envolvem o emprego de preposição (sintaxe de regência) com pronomes relativos.
Veremos uma série delas nos exercícios de fixação.
Para compreender a “mecânica” da coisa, vamos treinar:

(NCE UFRJ / ARQUIVO NACIONAL Agente Adm./ 2006)


“com a qual ninguém deseja se identificar”; a utilização da preposição COM antes
do pronome relativo QUE se deve à regência cobrada pelo verbo IDENTIFICAR-
SE. A alternativa em que houve erro num caso semelhante de regência é:
(A) da qual ninguém desejava afastar-se;
(B) contra a qual ninguém queria lutar;
(C) com a qual ninguém discordava;
(D) sem a qual ninguém podia sair;
(E) pela qual ninguém escapava.

O enunciado já ajuda o candidato. Ele apresenta a regência do verbo identificar-se:


Alguém se identifica COM alguma coisa/alguém.
O candidato deve marcar o item que apresenta erro no emprego da preposição antes
do pronome relativo. Para isso, deverá analisar a regência de cada um dos verbos.
A) ninguém desejava afastar-se – O verbo afastar-se (pronominal) rege a
preposição de: Alguém se afasta de algum lugar.
Por isso, está correto o emprego da preposição antes do pronome relativo “a qual”: da
qual ninguém desejava afastar-se.
B) contra a qual ninguém queria lutar – Vamos verificar a regência do verbo lutar:
Alguém luta contra algo ou alguém. Como devemos usar uma preposição dissílaba, o
único pronome relativo cabível é “a qual”. Está certa.

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C) com a qual ninguém discordava. O verbo discordar rege a preposição de, e não
“com”. Alguém discorda de alguma coisa. Por isso, está INCORRETA essa construção.
Esse é o gabarito. A forma correta seria: da qual ninguém discordava.
D) sem a qual ninguém podia sair – Vimos também que, com a preposição sem, não
podemos usar o pronome relativo que; assim, está correta a forma apresentada.
E) pela qual alguém escapava – Essa era a opção mais difícil. O verbo escapar
apresenta as seguintes possibilidades de regência:
- escapar a/de: livrar-se – “eu escapei de ser assaltado.”;
- escapar a ou escapar-lhe: passar despercebido, ser omitido – “esse assunto escapa
à minha memória.”;
- escapar (intransitivo): sobreviver – “O carro bateu fortemente, mas eu escapei.”;
- escapar por: fugir por algum lugar, indicando direção – o ladrão escapou pelo
telhado.
Como outra opção (C) apresentou um erro grosseiro de regência (C), não resta dúvida
de que o examinador optou pela última construção (escapar por alguma saída = pela
qual alguém escapava).
Mais uma questão de prova.

(FGV / MPE AM / 2002)


Assinale a alternativa em que a preposição utilizada antes de cuja NÃO é a
correta.
(A) Ele é o cronista sobre cuja prosa escrevi alguns artigos.
(B) Ele é o cronista de cuja prosa já me pronunciei.
(C) Ele é o cronista com cuja prosa mais me entretenho.
(D) Ele é o cronista a cuja prosa já fiz reparos.
(E) Ele é o cronista por cuja prosa mais me interesso.

Agora, vamos botar o preconceito de lado e usar o pronome CUJO (coitadinho...).


Entre “cronista” e “prosa” (dois substantivos), há uma relação de subordinação (a
prosa do cronista).
Então, o pronome adequado é CUJO (... cronista cuja prosa...).
Não há diferença alguma em relação ao que já vimos. Identifique a preposição
porventura exigida pelo verbo da oração adjetiva e coloque-a antes do pronome
relativo, assim como você fez no exemplo anterior.
Analisando cada uma das opções:
A) Eu escrevi alguns artigos sobre a prosa do cronista = sobre cuja prosa eu
escrevi
B) Eu já me pronunciei .... a prosa do cronista – bem, no sentido de emitir opinião, o
verbo PRONUNCIAR-SE aceita as preposições / locuções prepositivas:
• em - pronunciar-se em algum assunto;
• sobre - pronunciar-se sobre algum assunto;
• acerca de - pronunciar-se acerca de algum assunto;
• a respeito de - pronunciar-se a respeito de algum assunto;

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• por - pronunciar-se por alguém (a favor ou contra).

As possibilidades seriam: Eu já me pronunciei sobre/a respeito da/ acerca da/ na


prosa do cronista. O verbo não aceita a preposição de. Essa é a opção INCORRETA.
C) Eu me entretenho com a prosa do cronista = com cuja prosa eu me entretenho
D) Eu já fiz reparos (fazer observação, comentário crítico) à prosa do cronista–
(também se admite a preposição sobre) = a cuja prosa eu fiz reparos
E) Eu me interesso pela prosa do cronista = por cuja prosa eu me interesso

Mais uma questão para treinarmos.

(FCC / BANCO DO BRASIL / 2006)


A expressão de que preenche corretamente a lacuna da frase:
(A) A privação ...... o autor não se conforma é a de itens como aspirina,
fósforos e leituras.
(B) O cronista não está nada interessado num tipo de vida ...... muita gente
aspira.
(C) Há detalhes desagradáveis da vida rústica ...... muita gente parece omitir,
no entusiasmo de seus relatos.
(D) Muitos leitores partilharão das mesmas fobias ...... o cronista enumerou em
seu texto.
(E)) Há quem veja como supérfluos os recursos urbanos ...... o cronista se
recusa a abrir mão.

Essa é a banca campeã nesse assunto.


Nessa questão, o examinador procura a opção que deve ser preenchida com DE QUE.
Para isso, o verbo da oração adjetiva deve reger a preposição DE. Vamos buscá-lo.
A) O autor não se conforma COM a privação – a preposição que antecede o pronome
relativo que é COM e não DE.
B) Muita gente aspira A um tipo de vida – também não é essa a resposta correta.
C) Muita gente parece omitir detalhes desagradáveis da vida rústica – o verbo
OMITIR é transitivo direto e não exige nenhuma preposição nesta acepção.
D) O cronista enumerou as mesmas fobias – outro verbo transitivo direto. O verbo
enumerar se liga diretamente ao seu complemento, dispensando a preposição.
E) O cronista se recusa a abrir mão DOS recursos urbanos – Ufa! Até que enfim! Já
estava ficando nervosa. Essa expressão (“abrir mão”) exige a preposição DE. É essa a
resposta correta.
Gabarito: E

6.3 – COM A EXPRESSÁO “O QUE”

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O pronome “que” sempre será um pronome relativo após o pronome demonstrativo
“O”.
Cuidado com a concordância verbal nesse caso. Por estar se referindo ao
demonstrativo (que está no singular), o relativo, na função de sujeito, leva o verbo
também para o singular:
O que importa para mim são os meus filhos.
Análise:
• o = aquilo – pronome demonstrativo
• que = pronome relativo
• o que importa = Aquilo que importa para mim são os meus filhos.
Mais um exemplo:
O que falta são recursos.
O sujeito do verbo faltar é o pronome relativo que. O verbo ser concorda com o
predicativo do sujeito, que está no plural. Essa possibilidade de concordância foi
abordada na aula específica (item 5.c da Aula 4 – Concordância parte 2).
Políticos corruptos é o que não falta nesse país.
Nessa construção, o sujeito de faltar é novamente o pronome relativo, presente no
segmento “o que não falta”.
O antecedente do pronome relativo, em todos esses casos, é o pronome demonstrativo
“o”.
Quando, em vez de sujeito, o pronome relativo é complemento verbal, todo cuidado é
pouco com a preposição exigida pelo verbo da oração adjetiva.
Preciso saber no que ele pensa.
Alguém pensa em alguma coisa. O verbo pensar rege a preposição em.
Já o verbo saber, da primeira oração, é transitivo direto (alguém sabe alguma coisa).
(eu) preciso saber isso: "aquilo em que ele pensa”.
O registro culto formal da construção deveria ser, portanto:
Preciso saber o em que ele pensa.
Já vamos começar a nos ambientar com a divisão dos períodos.
Para visualizar melhor, vamos dividir o período em orações:
1ª oração - Preciso saber o (= isso)
2ª oração - em que ele pensa. (A preposição é exigida pelo verbo pensar; por isso,
pertence à segunda oração).
Em virtude disso, há erro de regência em construção como esta:
O que mais gosto é chocolate.
Alguém gosta de alguma coisa. Há necessidade de se empregar a preposição antes do
elemento que representa essa “coisa”:

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O de que mais gosto é chocolate.
Só que a proximidade do “o” com a preposição “de” acabou formando, na linguagem
coloquial: Do que eu mais gosto é (de) chocolate.
Essa forma recebe a simpatia de muitos gramáticos, embora não seja endossada pelos
puristas.

Vamos, agora, analisar uma questão de prova da ESAF.

(Analista Comércio Exterior/ 1998)

Marque o item sublinhado que apresenta erro gramatical ou impropriedade


vocabular.

A primeira expedição científica à(A) Amazônia foi feita em 1638 por George
Marcgrave, um naturalista alemão. Até o final do século XVII, o que se
procuravam(B) eram animais exóticos, dentro da ótica do "estranho mundo novo":
peixe que dá choque, aranhas gigantes, mamíferos que vivem submersos nos rios.
Nos séculos seguintes, o objetivo passou a ser a coleta do maior número possível de
bichos de diferentes espécies. Até os anos 40, os museus estrangeiros pagavam
coletores profissionais(C) para levar espécimes(D) da fauna e flora nacionais(E) para
suas coleções. O Brasil só assumiu a pesquisa científica na Amazônia há poucas
décadas. Agora, a idéia é conhecer para preservar.
a) A
b) B
c) C
d) D
e) E

O gabarito foi letra B


O tema era concordância verbal com construção de voz passiva. Na passagem,
podemos observar a forma abordada neste último ponto – pronome demonstrativo “o”
acompanhado do pronome relativo “que”.
Vamos aproveitar para relembrar um pouco de sintaxe de concordância.
Quando um verbo de transitividade direta ou direta e indireta estiver acompanhado do
pronome se, todo cuidado é pouco: poderemos estar diante de uma construção de voz
passiva.
Para confirmação, temos de fazer duas perguntas:
1 – O verbo é transitivo direto (TD) ou transitivo direto e indireto (TDI)?
2 – Existe uma idéia passiva na construção?
Se ambas as respostas forem SIM, estamos diante de uma construção de voz passiva
e, então, o verbo deverá se flexionar de acordo com o sujeito paciente.
A existência de um objeto direto na transitividade do verbo é necessária pois, como
vimos na aula sobre verbos, o objeto direto da construção de voz ativa irá exercer a
função essencial de sujeito da voz passiva.

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Na questão de prova ora comentada, “o que se procuravam eram animais exóticos”,
temos de fazer duas análises: a primeira, em relação à construção:
1ª pergunta: O verbo é transitivo direto (TD) ou transitivo direto e indireto (TDI)?
Resposta: O verbo procurar é transitivo direto (alguém procura alguma coisa).
2ª pergunta: Existe uma idéia passiva na construção?
Resposta: Sim, existe idéia passiva – os animais eram procurados.
Conclusão: temos uma construção de voz passiva.
A segunda análise versa sobre o antecedente do pronome relativo que. Para isso,
vamos separar as orações:
Período composto: “o | que se procuravam |eram animais exóticos”
1ª oração: o [pronome demonstrativo = aquilo] eram animais exóticos – ORAÇÃO
PRINCIPAL
2ª oração: que se procuravam – ORAÇÃO SUBORDINADA ADJETIVA (lembre-se:
pronome relativo sempre inicia uma oração adjetiva!)
O pronome que é relativo e tem como antecedente o pronome demonstrativo o. Por
isso, o verbo que o segue deverá ficar no singular.
Para melhor compreensão, iremos fazer a substituição do pronome relativo QUE pelo
termo que substitui, o pronome demonstrativo “o”. Para simplificar ainda mais, em vez
de “o”, colocaremos “aquilo”, seu equivalente.
“que se procurava” - “aquilo se procurava” = AQUILO era procurado.
Viu? O verbo só poderá ficar no singular.
Na oração principal (“o eram animais exóticos”), devemos relembrar a concordância do
verbo ser.
Esse é aquele verbo especial, que admite a concordância tanto com o sujeito quanto
com o seu predicativo.
De um lado, como sujeito, existe um pronome substantivo demonstrativo o - COISA.
De outro lado, na função de predicativo do sujeito, há um substantivo acompanhado
de um adjetivo: animais exóticos - COISA.
Portanto, tanto de um lado (sujeito) como de outro (predicativo), os elementos são
“coisas” (substantivos, pronomes substantivos ou orações substantivas).
Assim, a concordância pode se dar com qualquer deles, PREFERENCIALMENTE com o
elemento que estiver no PLURAL – “... eram animais exóticos”.
Isso justifica a flexão do verbo ser no plural.

Por hoje é só. Bons estudos e até a próxima aula.


Grande abraço.

QUESTÕES DE FIXAÇÃO
01 – (FUNDEC / TJ MG / 2002)

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Tendo em conta o emprego dos pronomes pessoais oblíquos átonos, assinale a
alternativa em que a substituição das expressões sublinhadas nas sentenças abaixo
esteja CORRETA.
Os fãs cercaram os cantores,
Não pôde dar a informação aos repórteres.
Não se sabe quando receberão a restituição desses valores.
a) cercaram-os – lhes pôde dar – quando a receberão
b) os cercaram – pôde lhes dar – quando recebê-la-ão
c) cercaram-nos – pôde dar-lhes – quando a receberão
d) os cercaram – lhes pôde dar – quando recebê-la-ão

02 - (FCC / AFTE PB / 2006)


A frase inteiramente de acordo com a norma culta é:
(A) De fato, punições seriam-lhe impostas, caso não se provasse sua inocência em
relação às graves denúncias.
(B) Os relatórios foram-lhe entregues pelos representantes da bancada ruralista.
(C) O povo vota à muito tempo sob a influência das elites e dos chefes partidários.
(D) A Câmara dos Deputados ficou meia preocupada com as repercuções das últimas
votações nos processos de cassação.
(E) Apenas 20% dos deputados estão dispostos à respeitar as conclusões dos relatores
dos processos.

03 - (FUNDAÇÃO JOÃO GOULART / SMG - AGENTE DE POSTURAS / 2005)


TEXTO – EMPRESAS ACOMPANHAM O RESTO DA SOCIEDADE
Toni Marques
À medida que a cultura pop divulga bem-sucedidos personagens que são tatuados –
atletas, cantores, modelos e atores – maior é a chance de as sociedades ocidentais
passarem a aceitar a tatuagem como um adorno tão corriqueiro quanto brincos em
orelhas furadas.
Com elas, as orelhas, aconteceu o mesmo. Houve tempo e lugar em que mulher de
orelha furada não era digna da atenção das pessoas de bem, dada a relação que tais
pessoas estabeleciam entre a mulher e indígenas diversos. Foi assim na Grã-Bretanha,
onde tatuagem, desde o século XIX, é símbolo de orgulho imperial, patriótico e
religioso. Até a década de 50, lá ainda se discutia se mulher podia ou não furar a
orelha, muito embora o povo soubesse que o rei Eduardo VII foi tatuado, assim como
seus dois filhos, um deles também monarca.
A aceitação da tatuagem nas classes médias do Ocidente se deu a partir do movimento
hippie. [....] O mundo corporativo tende a acompanhar o resto da sociedade nessa
matéria. Afinal, a estrelinha que Giselle Bundchen tem no pulso não a impediu de se
tornar a maior modelo do mundo. Do mesmo modo, o jogador de futebol Beckham tem
mais ou menos tantas tatuagens quanto tem zeros no seu salário no Real Madrid.
Giselle e Beckham sabem negociar seus talentos respectivos.

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O antecedente do pronome relativo está indicado incorretamente na seguinte
alternativa:
A) “..dada a relação QUE tais pessoas estabeleciam...” - relação
B) “Foi assim na Grã-Bretanha, ONDE tatuagem...” – Grã-Bretanha
C) “Afinal, a estrelinha QUE Giselle Bundchen tem no pulso...” - a estrelinha
D) “À medida que a cultura pop divulga bem-sucedidos personagens QUE são
tatuados...” - a cultura pop

04 - (FEPESE / TCE SC / 2006 - adaptada)


Leia o texto abaixo para responder à questão.

Meu pai abraçou-me com lágrimas.


— Tua mãe não pode viver, disse-me.
Com efeito, não era já o reumatismo que a matava, era um cancro no estômago.
A infeliz padecia de um modo cru, porque o cancro é indiferente às virtudes do sujeito;
quando rói, rói; roer é o seu ofício. Minha irmã Sabina, já então casada com o Cotrim,
andava a cair de fadiga. (...)
— Meu filho!
A dor suspendeu por um pouco as tenazes; um sorriso alumiou o rosto da
enferma, sobre o qual a morte batia a asa eterna. Era menos um rosto do que uma
caveira: a beleza passara, como um dia brilhante; restavam os ossos, que não
emagrecem nunca. Mal poderia conhecê-la; havia oito ou nove anos que nos não
víamos. Ajoelhado, ao pé da cama, com as mãos dela entre as minhas, fiquei mudo e
quieto, sem ousar falar, porque cada palavra seria um soluço, e nós temíamos avisá-la
do fim. Vão temor! Ela sabia que estava prestes a acabar; disse-mo; verificamo-lo na
seguinte manhã.
Longa foi a agonia, longa e cruel, de uma crueldade minuciosa, fria, repisada,
que me encheu de dor e estupefação. Era a primeira vez que eu via morrer alguém.
Conhecia a morte de outiva; quando muito, tinha-a visto já petrificada no rosto
de algum cadáver, que acompanhei ao cemitério, ou trazia-lhe a idéia
embrulhada nas amplificações de retórica dos professores de cousas antigas,
— a morte aleivosa de César, a austera de Sócrates, a orgulhosa de Catão. Mas esse
duelo do ser e do não ser, a morte em ação, dolorida, contraída, convulsa, sem
aparelho político ou filosófico, a morte de uma pessoa amada, essa foi a primeira vez
que a pude encarar. Não chorei; lembra-me que não chorei durante o espetáculo:
tinha os olhos estúpidos, a garganta presa, a consciência boquiaberta.
Quê? uma criatura tão dócil, tão meiga, tão santa, que nunca jamais fizera
verter uma lágrima de desgosto, mãe carinhosa, esposa imaculada, era força que
morresse assim, trateada, mordida pelo dente tenaz de uma doença sem misericórdia?
Confesso que tudo aquilo me pareceu obscuro, incongruente, insano...

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, cap. 23, com


adaptações)
Indique V para as assertivas verdadeiras e F para as falsas. Em seguida, assinale a
opção que apresenta a ordem correta.

( ) No trecho “trazia-lhe a idéia embrulhada nas amplificações de retórica” (ls. 20 e

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21), o pronome enclítico retoma por substituição coesiva o vocábulo “morte” (l.
18).
( ) O trecho “Tua mãe não pode viver, disse-me” (l. 2) está em desacordo com as
regras da gramática normativa, pois o não atrairia o pronome me.
( ) No trecho “tinha-a visto já petrificada no rosto de algum cadáver” (ls. 18 e 19),
o pronome a faz remissão ao vocábulo “morte” (l. 18).
( ) O pronome no trecho “tudo aquilo me pareceu obscuro” (l. 42) admite mudança
de colocação em consonância com as regras da gramática normativa.

a) V FVF
b) V VFV
c) V VVF
d) V FFF
e) V FFV

05 - (FUNDAÇÃO JOÃO GOULART / ENGENHEIRO CIVIL / 2004)


Reescreve-se em cada alternativa abaixo uma frase do texto mediante inclusão de um
pronome pleonástico. A nova redação não é bem sucedida em:
A) Um estado emocional patológico pode intensificar ao máximo a tendência às ilusões.
A tendência às ilusões, um estado emocional patológico pode intensificá-las ao
máximo.
B) A emoção tem o poder de transformar ilusoriamente nossas percepções.
Nossas percepções, a emoção tem o poder de transformá-las ilusoriamente.
C) Diz-se comumente que não há lobos pequenos, todos são enormes.
Lobos pequenos, diz-se comumente que não os há, todos são enormes.
D) Por si mesma, a ilusão não constitui sintoma de doença mental.
Sintoma de doença mental, a ilusão não o constitui por si mesma.

06 - (FCC / BANCO DO BRASIL / 2006)


O sonho desse amanuense Belmiro vem registrado e desenvolvido em seu diário
pessoal, que é a forma pela qual o romance se apresenta: anotações metódicas,
datadas, em que o funcionário fala do que lhe ocorreu na repartição, ou na rua, ou nos
encontros com os amigos. Mas fala também de seu amor por Carmélia, moça que lhe é
inacessível, que ele idealiza a não mais poder, fazendo dela o mito de sua vida. O
leitor do romance acompanha nas páginas do diário esse ir e vir entre o sonho e
rotina, entre a vida estreita do funcionário tímido e as projeções de sua fantasia
romântica. A única compensação real para o amanuense está, de fato, em dar à
linguagem de seu diário o capricho da melhor forma possível; seu consolo é a
literatura, ainda que na forma modesta das páginas de um caderno pessoal.
Do trecho acima transcrito, no período: Mas fala também de seu amor por Carmélia,
moça que lhe é inacessível, que ele idealiza a não mais poder, fazendo dela o mito de
sua vida.
(A)) as duas ocorrências da palavra que têm o mesmo referente da palavra dela.

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(B) as palavras seu e sua referem-se a pessoas distintas.
(C) o pronome lhe tem como referência a moça Carmélia.
(D) a forma lhe poderia ser desdobrada e substituída por com ele.
(E) o segmento que ele idealiza pode ser substituído por que é idealizado.

07 - (ESAF/AFRE MG/2005)
O setor público não é feito apenas de filas, atrasos, burocracia, ineficiência e
reclamações. A sétima edição do Prêmio de Gestão Pública, coordenado pelo Ministério
do Planejamento, mostra que o serviço público federal também é capaz de oferecer
serviços com qualidade de primeiro mundo. De 74 instituições públicas inscritas, 13
foram selecionadas por ter conseguido, ao longo dos anos, implantar e manter práticas
e rotinas de gestão capazes de melhorar de forma crescente seus resultados,
tornando-os referências nacionais. O perfil dos premiados mostra que o que está em
questão não é tamanho, visibilidade ou importância estratégica, mas, sim, a
capacidade de fazer com que as engrenagens da máquina funcionem de forma
eficiente, constante e muito bem controlada.
(Ilhas de Excelência. ISTOÉ, 2/3/2005, com adaptações)

Julgue a assertiva abaixo, em relação aos aspectos textuais.


d) A retirada do pronome do termo “tornando-os”(l.8) preserva a correção gramatical
e a coerência textual, deixando subentendido o objeto de “referências nacionais”(l.8).

08 - (ESAF/Auditor TCE ES/2001)


Os contratos e seus aditamentos serão lavrados nas repartições interessadas, as quais
manterão arquivo cronológico dos seus autógrafos e registro sistemático do seu
extrato, salvo os relativos a direitos reais sobre imóveis, que se formalizam por
instrumento lavrado em cartório de notas, de tudo juntando-se cópia no processo que
lhe deu origem.
Julgue a proposição abaixo, em relação aos elementos do texto.
c) Os pronomes possessivos na segunda oração referem-se a “arquivo cronológico”.

09 - (ESAF/TFC SFC/2000)
O saber produzido pelo iluminismo não conduzia à emancipação e sim à técnica e
ciência moderna que mantêm com seu objeto uma relação ditatorial. Se Kant ainda
podia acreditar que a razão humana permitiria emancipar os homens de seus entraves,
auxiliando-os a dominar e controlar a natureza externa e interna, temos de reconhecer
hoje que essa razão iluminista foi abortada. A razão que hoje se manifesta na ciência e
na técnica é uma razão instrumental, repressiva. Enquanto o mito original se
transformava em Iluminismo, a natureza se convertia em cega objetividade.
Inicialmente a razão instrumental da ciência e técnica positivista tinha sido parte
integrante da razão iluminista, mas no decorrer do tempo ela se autonomizou,
voltando-se inclusive contra as suas tendências emancipatórias.
(B. Freitag, A Teoria Crítica Ontem e Hoje, p. 35, com adaptações)

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Das seguintes expressões retiradas do texto, indique o item em que o elemento da
coluna da esquerda faz remissão incorreta às expressões da coluna da direita.
a) seu (l.2) .......... técnica e ciência moderna
b) seus(l.4) ......... homens
c) os (l.4) .............homens
d) ela (l.9) ..........razão instrumental
e) suas (l.10) .......cega objetividade

10 - (ESAF/MPU/2005)
Assinale a opção que preenche corretamente as lacunas do texto.
A _______ intelectual de Nabuco provém de suas ________ e é por isso que nele
______, mais do que o artista, o pensador político. É uma tradição espiritual que ele
conserva e eleva a um grau superior, ainda que a______ vocação política se alie
______ sensibilidade artística.
(Baseado em Graça Aranha)

a) essência origens se acentua essa a


b) riqueza raízes se acentua esta à
c) carreira influências marca-se tal à
d) qualidade raízes acentua-se esta a
e) vivência raízes acentua-se essa à

11 - (FCC/TRT 3ª Região – Técnico Judiciário / Janeiro 2005)


Em cada um dos segmentos abaixo, a substituição da expressão grifada pelo pronome
correspondente está INCORRETA em:
(A) para oferecer trabalho = para oferecê-lo.
(B) evocar a lembrança de outro colega = evocar-lhe a lembrança.
(C) tomaram caminhos paralelos = tomaram-nos.
(D) a ocupar boa parte de minha vida = a ocupar-lhe.
(E) cativava inteligências e paladares = cativava-os.

12 - (FCC/TCE MA – Analista / Novembro 2005)


A maior parte da água da chuva é interceptada pela copa das árvores, ...... cobrem
toda a região. ...... evapora rapidamente, causando mais chuva, o que não ocorre em
áreas desmatadas, ...... solo é pobre em matéria orgânica.
As lacunas da frase acima estão corretamente preenchidas, respectivamente, por
(A) onde - A chuva - que o

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(B) nas quais - Aquela chuva - cujo
(C) em que - A água da chuva - que o
(D) que elas - Essa chuva - aonde
(E)) que - Essa água - cujo

13 - (FCC / INSS MEDICO / 2006)


O único segmento grifado que NÃO está empregado em conformidade com o padrão
culto escrito é:
(A) Não é muito agradável estar com aqueles meus primos, porque eles falam
ininterruptamente de si.
(B) Esse é o tipo de questão que você terá de resolver com nós mesmos.
(C) A fim de não encontrá-lo no consultório, deixei para ir no dia seguinte.
(D)) Ele preencheu o formulário de modo inadequado, é onde o coordenador chamou
sua atenção.
(E) Cabelos cacheados e sedosos moldam-lhe o rosto afilado e claro.

14 - (FCC / TRE PI / 2002)


Afianço- ...... que V.Sa ...... grande influência na resolução do problema que submeto
a ...... exame.
(A)) lhe - terá - seu
(B) vos - terá - vosso
(C) lhe - tereis - seu
(D) vos - tereis - vosso
(E) lhe - terá - vosso

15 - (FGV / Ministério da Cultura /2006)


Foto dos Sonhos
O engenheiro colombiano Joaquín Sarmiento trabalhava em Nova York e se sentia,
muitas vezes, solitário. Era mais um daqueles imigrantes nostálgicos. Para ocupar as
horas vagas, decidiu aprender fotografia. Estava, nesse momento, descobrindo um
novo ângulo para a sua vida, sem volta. A vontade de se aventurar pela América
Latina tirando fotos fez com que ele deixasse para sempre a paisagem nova-iorquina,
aposentasse sua carreira de engenheiro e transformasse Paraisópolis, uma das
maiores favelas paulistanas, em seu cenário cotidiano. "Estou ficando sem dinheiro,
mas é uma bela aventura."
Depois de três anos nos Estados Unidos, voltou para Bogotá, planejando trabalhar em
obras de infra-estrutura.
Mudou de idéia. Com 26 anos, percebeu que o hobby que tinha adquirido em Nova
York se convertera em paixão. No final de 2004, veio com sua família para duas
semanas de férias em São Paulo. "Como sempre tive muito interesse em estudar a

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América Latina, fui ficando." Soube então de uma experiência desenvolvida pelo
colégio Miguel de Cervantes, criado por espanhóis, na vizinha Paraisópolis.
Lá, alunos ajudaram a criar um centro cultural batizado de "Barracão dos Sonhos", no
qual se misturam ritmos afros e ibéricos. Desse encontro nasceu, por exemplo, a
estranha mistura dos ritmos e bailados flamencos com o samba.
"Resolvi registrar esse convívio e, aos poucos, ia me embrenhando na favela para
conhecer seus personagens."
O que era, inicialmente, para ser um cenário fotográfico virou uma espécie de
laboratório pessoal. Joaquín sentiu-se estimulado a dar oficinas de fotografia a jovens
e crianças de Paraisópolis. "Descobri mais um ângulo das fotos: o ângulo de ensinar a
olhar." Lentamente, naquele espaço, temido por muitos, Joaquín ia se sentindo em
casa. "Há um jeito muito similar de acolhimento dos latino-americanos, apesar de toda
a violência."
Sem saber ainda direito como vai sobreviver – "as reservas que acumulei em Nova
York estão indo embora" –, ele planeja as próximas paradas pela América do Sul. Mas,
antes de se despedir, pretende fazer uma exposição sobre o seu olhar pelo Brasil. Até
lá, está aproveitando a internet (www.joaquinsarmiento.com) para mostrar algumas
das imagens fotográficas que documentam seus trajetos.
(Gilberto Dimenstein. Folha de São Paulo, 12/04/2006)

Desse (L.17) tem valor:


(A) anafórico.
(B) catafórico.
(C) dêitico.
(D) adverbial.
(E) substantivo.

16 - (NCE UFRJ / INCRA / 2005)


A alternativa que mostra uma construção equivocada é:
(A) São locais de que nunca mais nos esquecemos;
(B) Li, nas férias, os romances de cujos autores falamos;
(C) Aqui estão as músicas cujos autores aprecio;
(D) Aqui estão as idéias contra cujos autores me insurgi;
(E) Comprei os livros de que tanto gosto de ler.

17 - (NCE UFRJ / BNDES/ 2005)


Num pequeno texto distribuído por moradores de um condomínio da Zona Sul do Rio
de Janeiro apareciam as seguintes frases:
- “os condôminos cujas reclamações o síndico não deu atenção...”
- “os itens que não foram discutidos os pontos principais...”

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Sobre essas frases pode-se afirmar, em termos de correção gramatical, o seguinte:
(A) as duas frases apresentam perfeita estruturação gramatical;
(B) as duas frases apresentam o mesmo tipo de erro gramatical;
(C) só a primeira frase apresenta estrutura gramatical inadequada;
(D) só a segunda frase apresenta estrutura gramatical inadequada;
(E) as duas frases apresentam erros gramaticais de tipos diferentes.

18 - (FCC / ICMS SP / 2006)


Nessa compulsória liberdade, de que fala o filósofo (...).
Numa nova redação da frase acima, mantém-se corretamente a expressão sublinhada
caso se substitua fala o filósofo por
(A) se refere o filósofo.
(B)) cuida o filósofo.
(C) investiga o filósofo.
(D) aflige o filósofo.
(E) disserta o filósofo.

19 - (CESGRANRIO / BNDES – ADVOGADO / 2004)


Indique a opção em que somente a palavra “cujo” preenche corretamente a lacuna, de
acordo com a norma culta.
(A) O escritor _________ estilo eu não gosto vai lançar mais duas obras este ano.
(B) A empresa _________ o nome foi decidido em Assembléia vai ser inaugurada
amanhã.
(C) A professora _________ livro foi reeditado trabalhou em uma universidade
estrangeira.
(D) A universidade _________ vestibular meu filho se preparou fica no centro da
cidade.
(E) O rapaz, o _________ pai encontrei, trabalha na minha empresa.

20 – (FCC/TCE SP/ Dezembro 2005)


As expressões de que e com que preenchem corretamente, nessa ordem, as lacunas
da frase:
(A)) O prestígio ...... o texto de Maquiavel desfruta até hoje é merecido, pois é um
tratado político ...... muitos têm muito a aprender.
(B) As qualidades morais ...... muitos estavam habituados a considerar como tais
foram substituídas pelas políticas, no tratado ...... Maquiavel tornou uma obra basilar.
(C) Os valores abstratos ...... muita gente costuma cultuar não tinham, para
Maquiavel, qualquer aplicação ...... pudesse se valer na análise da política.

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(D) O adjetivo maquiavélico, ...... muitos utilizam para denegrir o caráter de alguém,
ganhou uma acepção ...... costumam discordar os cientistas políticos.
(E) A leitura de O Príncipe, ...... muita gente até hoje se entrega, interessa a todos
...... se sintam envolvidos na lógica da política.

21 – (UnB CESPE / Banco do Brasil /2003)


Texto II
A sociedade brasileira clama por transformações e a esperança tornou-se palavra-
chave desses novos tempos.
A superação dos graves problemas que afligem o povo brasileiro, como a fome e a
miséria, é o principal desafio do novo governo.
Vencer as desigualdades faz parte de uma estratégia e de um novo modelo de
desenvolvimento para o país, que pode dispor, para tanto, da imensa riqueza natural
de nossa Nação.
A construção de um novo momento histórico é um compromisso que deve estar
pautado em todas as ações de governo. Nesse contexto é que afirmamos o direito da
sociedade brasileira à informação e à educação. O caminho, portanto, é o da inclusão
social, momento em que deve ser construída uma nova cultura embasada nos direitos
fundamentais da vida humana, fortalecidos na concepção e na prática de uma nova
política social e econômica para o país.

Julgue o item a seguir, relativo ao texto II e ao tema por ele abordado.


1) Na linha 6, o pronome relativo “que” tem como referente “desigualdades” (R.5).

22 – (UnB CESPE / Câmara dos Deputados / 2002)

Sabemos hoje que as identidades culturais não são rígidas nem, muito menos,
imutáveis. São resultados sempre transitórios e fugazes de processos de identificação.
Mesmo as identidades aparentemente mais sólidas, como a de mulher, homem, país
africano, país latino-americano ou país europeu, escondem negociações de sentido,
jogos de polissemia, choques de temporalidades em constante processo de
transformação, responsáveis em última instância pela sucessão de configurações
hermenêuticas que de época para época dão corpo e vida a tais identidades.
Identidades são, pois, identificações em curso.
Sabemos também que as identificações, além de plurais, são dominadas pela obsessão
da diferença e pela hierarquia das distinções. Quem pergunta pela sua identidade
questiona as referências hegemônicas mas, ao fazê-lo, coloca-se na posição de outro
e, simultaneamente, em uma situação de carência e por isso de subordinação.
Em relação aos elementos do texto, julgue a seguinte assertiva.
• O emprego do infinitivo verbal na estrutura sintática “ao fazê-lo” (R.13) sofre
contração com o pronome pessoal que o completa como objeto direto.

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23 – (UnB CESPE / Câmara dos Deputados / 2002)
A maioria dos primeiros textos que foram escritos para descrever terra e
homem da nova região levam a assinatura de portugueses. Respondem às próprias
perguntas que colocam, umas atrás das outras, em termos de violentas afirmações
eurocêntricas. A curiosidade dos primeiros colonizadores é menos uma instigação ao
saber do que a repetição das regras de um jogo cujo resultado é previsível. Os nativos
eram de carne-e-osso, mas não existiam como seres civilizados, assemelhavam-se a
animais. Na Carta de Pero Vaz de Caminha, escrita a el-rei D. Manuel, observam-se
melhor as obsessões dos portugueses, intrusos assustados e visitantes temerosos, que
desembarcam de inusitadas casas flutuantes, do que as preocupações dos indígenas,
descritos como meros espectadores passivos do grande feito e do grande evento que é
a cerimônia religiosa da missa, realizada em terra. Não é, pois, por casualidade que a
primeira metáfora para descrever a condição do indígena recém-visto é a “tábula
rasa”, ou o “papel branco”. Eis uma boa descodificação das metáforas: eles não
possuem valores culturais ou religiosos próprios e nós, europeus civilizados, os
possuímos; não possuem escrita e eu, português que escrevo, possuo. Mas da tábula
rasa e do papel branco trazia o selvagem, ainda dentro do raciocínio etnocêntrico, a
inocência e a virtude paradisíacas, indicando que, no futuro, aceitariam de bom grado
a voz catequética do missionário jesuíta que, ao impô-los em língua portuguesa,
estaria ao mesmo tempo impondo os muitos valores que nela circulam em
transparência.
Em relação aos elementos do texto, julgue a seguinte assertiva.
• Em “impô-los” (R.18), a forma pronominal enclítica estabelece coesão ao
referir-se a “valores culturais ou religiosos” (R.14) e “escrita” (R.15).

GABARITOS COMENTADOS DAS QUESTÕES DE FIXAÇÃO


01 – C
Em relação aos pronomes, estão em jogo os seguintes aspectos: uso do pronome
oblíquo adequado à regência (os/lhes) e colocação pronominal (um dos pontos mais
importantes dessa aula).
Primeira oração: Os fãs cercaram os cantores.
Como o complemento (os cantores) se liga ao verbo de forma DIRETA (objeto direto),
o pronome oblíquo adequado seria “os”. Assim, em função da forma nasal com que
termina o verbo, o pronome recebe a letra n.
Por isso, a oração seria: Os fãs cercaram-nos.
Só por essa, já descobrimos a resposta: C
Mesmo assim, vamos continuar.
Segunda oração: Não pôde dar a informação aos repórteres.
Agora, o complemento é INDIRETO, antecedendo-o a preposição a.
Por isso, o pronome adequado é “lhes”.
Agora, vamos verificar a colocação pronominal.
Temos uma locução verbal (PODER + DAR) cujo verbo principal está no infinitivo.
Assim, as possibilidades de emprego do pronome são:

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• Não lhes pôde dar a informação.
• Não pôde dar-lhes a informação.
Vimos que a norma culta condena o pronome “solto” no meio da locução (em próclise
ao verbo principal).
Da mesma forma, não pode haver ênclise do pronome em relação ao verbo auxiliar
(Não pôde-lhes dar) por força da atração que o advérbio “não” exerce, levando à
próclise.
Estariam corretas, portanto, as formas apresentadas nas opções a, c, d.
Só para praticar mais um pouquinho: como ficaria a contração dos pronomes que iriam
substituir “a informação” e “aos repórteres”? Resposta: lha (lhe + a) – Não pôde
dar-lha ou Não lha pôde dar. Lindo isso, não é???
3ª oração: Não se sabe quando receberão a restituição desses valores.
Como o elemento sublinhado é o objeto direto, o pronome que o substitui é “a”.
Cuidado! O verbo está no futuro do presente (receberão). Como vimos, é um caso de
proibição a colocação do pronome após particípio, futuro do presente e futuro do
pretérito.
Por isso, a única possibilidade é a próclise, uma vez que antes do verbo temos uma
palavra invariável: quando a receberão.

02 – B
Na locução verbal, o pronome está corretamente em ênclise ao verbo auxiliar: foram-
lhe entregues.
O que está errado nas demais opções?
a) A forma “seriam” está no futuro do pretérito do indicativo. Assim, o pronome não
pode estar enclítico ao verbo. Estariam corretas as seguintes construções: “punições
lhe seriam impostas” ou “punições ser-lhe-iam impostas”.
c) Agora, o erro é no emprego de crase por não existir contração de preposição com
artigo definido feminino. Deve ser empregado o verbo haver na indicação de tempo
decorrido: O povo vota há muito tempo sob a influência das elites e dos chefes
partidários.
d) Agora, temos erros de ortografia. O advérbio meio, que modifica o adjetivo
“preocupada”, deve permanecer inalterado. Além desse erro, está errada a grafia da
palavra “repercussões”.
e) Novamente, colocou-se um acento grave indevidamente. Antes de verbos (já vimos)
não há artigo definido feminino. Logo, não pode haver crase: Apenas 20% dos
deputados estão dispostos a respeitar as conclusões dos relatores dos processos.

03 - D
O pronome relativo se refere a “personagens”. Eles é que serão tatuados, e não a
“cultura pop”.

04 – A

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1ª assertiva: VERDADEIRA
O pronome oblíquo está sendo usado com valor possessivo, retomando o substantivo
morte. Para a análise, transcreve-se parte do texto:
Era a primeira vez que eu via morrer alguém. Conhecia a morte de outiva;
quando muito, tinha-a visto já petrificada no rosto de algum cadáver, que
acompanhei ao cemitério, ou trazia-lhe a idéia embrulhada nas
amplificações de retórica dos professores de cousas antigas, — a morte
aleivosa de César, a austera de Sócrates, a orgulhosa de Catão.
Note a passagem: Conhecia a morte ... tinha-a visto (visto a morte) ... trazia-lhe a
idéia embrulhada
O verbo trazer é transitivo direto. Seu complemento é “a idéia”. Mas que idéia é essa?
É a idéia da morte. Note a relação de subordinação entre os dois substantivos (idéia da
morte / sua idéia). O pronome lhe, na verdade, tem esse mesmo valor: trazia a idéia
da morte embrulhada.
Por isso, está CORRETA a afirmação de que o pronome oblíquo lhe retoma por
substituição coesiva o vocábulo “morte” (evitando, assim, sua repetição).
2ª assertiva: FALSA
Esse advérbio não é tão poderoso como o examinador sugere. Ele só exerceria
influência na posição do pronome no caso de este pertencer à locução “pode viver”, e
mesmo assim na posição enclítica ao verbo auxiliar (“não se pode viver”). O que se
observa é que o pronome “me” acompanha a forma verbal “disse”, pertencente a outra
oração. Assim, está INCORRETA tal assertiva.
3ª assertiva: VERDADEIRA
Essa assertiva retoma a análise feita em relação à primeira. Como observamos
naquele item, o pronome “a” substitui a palavra morte.
4ª assertiva: FALSA
O que acontece quando uma palavra invariável se apresenta próxima de um verbo
acompanhado de um pronome (sem pausa)?? A palavra invariável atrai o pronome e
obriga a próclise.
Na oração “tudo aquilo me pareceu obscuro”, o pronome acompanha o verbo parecer
(pareceu-me obscuro). Contudo, a proximidade, não de uma, mas de duas palavras
invariáveis leva à colocação do pronome antes do verbo: “tudo aquilo me pareceu...”.
Não há outra posição para o pronome que não seja essa. Portanto, está incorreta a
afirmação de que poderia haver mudança de colocação deste.

05 – A
Ótima questão de prova.
Pleonasmo é o emprego de palavras causando uma redundância. Existem dois tipos de
pleonasmo: o vicioso, que resulta, muitas vezes, do desconhecimento do significado
das palavras (hemorragia de sangue / elo de ligação), devendo ser evitado; e o
estilístico, usado para enfatizar os elementos frasais (Ele vive uma vida de nababo).
A questão apresenta o segundo, exigindo que se observem as regras gramaticais,
especialmente de concordância, em relação aos pronomes envolvidos.

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A) O núcleo do objeto direto é tendência. Assim, o pronome que lhe faz as vezes é o
pronome átono “a”. Na substituição, houve um erro de concordância: “um estado
emocional patológico pode intensificá-las Î intensificar a tendência às ilusões.
Esse foi o gabarito. O certo seria intensificá-la (a tendência).
B) No lugar de “percepções” (objeto direto do verbo transformar), foi empregado
corretamente o pronome “as”, feito o devido ajuste decorrente do encontro com a
forma verbal terminada em “r”: tem o poder de transformá-las Î transformar
nossas percepções.
C) Como o verbo haver é impessoal (não possui sujeito) e transitivo direto (o que o
acompanha é o objeto direto), em substituição a “lobos”, cabe o pronome oblíquo “os”.
Diante da proximidade com a palavra invariável “não” (advérbio), ocorreu a próclise:
diz-se comumente que não os há Î que não há lobos.
Aprofundando a análise, note que, antes do advérbio, há também uma outra palavra
invariável: a conjunção que. Assim, havia mais uma possibilidade de colocação
pronominal, em que o pronome se posiciona entre duas palavras invariáveis contíguas
(isto é, seguidinhas). Não se assuste se esta construção aparecer – está certa: diz-se
comumente que os não há. O nome é APOSSÍNCLISE.
D) A palavra masculina sintoma (o sintoma) deve ser substituída pelo pronome
oblíquo “o”, uma vez que o verbo constituir é transitivo direto.
A “pegadinha” dessa opção era o fato de o pronome demonstrativo “mesma” se referir,
não a “sintoma”, mas a “ilusão”. A expressão “por si mesma”, no período, equivale a
“isoladamente”. Colocando a expressão no início do período, vemos mais claramente
essa relação: Por si mesma, a ilusão não o constitui Î não constitui sintoma de
doença mental. Por isso, está correta a substituição.

06 - A
O substantivo “moça” é o referente do pronome relativo “que” nas duas passagens
subseqüentes: “que lhe é inacessível” = “a moça lhe é inacessível” e “que ele
idealiza” = “ele idealiza a moça”, bem como o pronome “ela”, contraído com a
preposição “de” em “dela” = “fazendo da moça o mito de sua vida.”.
Está correta a afirmação da letra A.
(B) O pronome possessivo “seu” (“fala também de seu amor por Carmélia”) tem por
referente Belmiro, presente no período anterior, assim como o pronome “sua”, em “o
mito de sua vida”. Os dois pronomes têm, portanto, o mesmo referente. Vimos que os
pronomes possessivos se flexionam em gênero e número para se harmonizarem com
seus termos subseqüentes (seu amor / sua vida).
(C) A passagem “moça que lhe é inacessível” equivale a “a moça é inacessível a ele
(Belmiro)”. Logo, o pronome “lhe” não se refere a “moça”, mas a “ele / Belmiro”.
(D) Como vimos no comentário acima, o pronome “lhe” equivale a “a ele” e não “com
ele”.
(E) Não pode uma estrutura de voz ativa (ele idealiza a moça) ser substituída, sem
prejuízo, pela forma passiva “que é idealizado”, uma vez que o objeto direto (que
passa a ser o sujeito na voz passiva) é “moça” e não “ele”. Assim, se houvesse a
transposição de vozes, a forma passiva seria “que é idealizada” (a moça = adjetivo no
feminino).

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07 - Item INCORRETO
O segmento objeto de análise é:
“De 74 instituições públicas inscritas, 13 foram selecionadas por ter conseguido, ao
longo dos anos, implantar e manter práticas e rotinas de gestão capazes de melhorar
de forma crescente seus resultados, tornando-os referências nacionais.”
O pronome pessoal oblíquo faz referência a “seus resultados”. Substituindo os termos,
então, a oração seria “tornando seus resultados referências nacionais”, havendo um
verbo transobjetivo (tornar) que exige dois complementos: objeto direto (seus
resultados) e predicativo do objeto direto (referências nacionais).
A supressão sugerida poderia levar a uma ambigüidade indesejada: não se saberia o
que foi considerado “referências nacionais”, se as práticas e rotinas de gestão, se as
instituições públicas selecionadas, se seus resultados, causando prejuízo à coerência
textual. Essa é a função do pronome oblíquo na oração.

08 - Item INCORRETO
Como mencionamos, as bancas, especialmente CESPE UnB e ESAF, exigem que o
candidato saiba identificar as referências dos pronomes.
Na maioria das vezes, é indispensável a compreensão do texto, como nessa questão,
com o pronome possessivo seu.
A segunda oração é subordinada adjetiva: “as quais manterão arquivo cronológico dos
seus autógrafos e registro sistemático do seu extrato, salvo os relativos a direitos reais
sobre imóveis”.
Tanto “extrato”, como “autógrafo” são elementos que fazem parte dos contratos. O
arquivo cronológico dos autógrafos apostos nos contratos e o registro sistemático de
seu extrato serão mantidos pelas repartições.
Assim, os pronomes possessivos têm por referente “os contratos e seus aditamentos”,
da oração principal (“os contratos e seus aditamentos serão lavrados nas repartições
interessadas”).

09 - E
Em questões como essas, talvez a maior dificuldade esteja na compreensão textual,
decisiva para a identificação dos termos referentes.
Uma paráfrase para o último período do texto é: “A razão instrumental da ciência e
técnica positivista, que antes era parte da razão iluminista, com o tempo se tornou
autônoma, indo de encontro às suas próprias tendências emancipatórias.”.
Assim, nota-se que tanto o “ela”, da linha 9, quanto o “suas”, da linha 10, têm por
referente “razão instrumental”.

10 - A
O preenchimento das duas primeiras lacunas não iria nos ajudar a resolver a questão,
pois ambas envolvem vocabulário.

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A partir da 3ª lacuna, começamos a desvendar o mistério. T um dos pontos mais
incidentes em questões que envolvem pronomes – COLOCAÇÃO PRONOMINAL.
A partir da conjunção “e”, logo após a segunda lacuna, há uma oração subordinada
adverbial conclusiva: “... é por isso que nele ______ ... o pensador político.”.
Não se preocupe por enquanto com essa terminologia. Iremos estudar mais a fundo os
períodos compostos. Por ora, basta-nos saber que, em orações subordinadas (como a
que temos aí), a próclise é obrigatória. Por isso, a forma que preenche a lacuna é “se
acentua”.
Há somente duas opções que oferecem essa construção: a e b (já temos 50% de
chances de ganhar o ponto!).
A quarta lacuna é preenchida por um pronome demonstrativo que se refere um termo
mencionado na passagem anterior do texto (a vocação política pertencia ao pensador
político, Nabuco). Esse é o uso anafórico do pronome demonstrativo.
O pronome, por fazer referência a algo do passado, deve ser usado na forma ESSA:
“... ainda que essa vocação política se alie...”.
5ª) O termo regente aliar, na construção, é pronominal (eu me alio, tu te alias, ele se
alia) e transitivo indireto, exigindo a preposição a (“Alguém se alia a outrem.”).
Deve-se ler todo o período para se verificar qual seria o termo regido.
Vamos lá. O segmento é:
“É uma tradição espiritual que ele conserva e eleva a um grau superior, ainda que a
essa vocação política se alie ____ sensibilidade artística”.
Percebe-se que o “a” que a antecede “essa vocação” só pode ser uma preposição, não
poderia ser um artigo definido. Quer ver? Vamos colocar a expressão “essa vocação
política” como sujeito de uma oração: “Essa vocação política surgiu ainda na
adolescência”. Haveria alguma possibilidade de se colocar um ARTIGO DEFINIDO
FEMININO antes do pronome “essa” (A essa vocação política surgiu...)? Não!
Então, esse “a” que antecede a penúltima lacuna é uma preposição, exigida pelo verbo
“aliar-se”. O termo regido, portanto, é essa vocação política.
Colocando na ordem direta, a construção seria: “... ainda que a sensibilidade artística
se alie a essa vocação política ...”
Percebe-se, assim, que “sensibilidade artística” é o sujeito da oração e sujeito não
admite ser iniciado por preposição (se existir preposição, ela pertence a outra oração
que não a desse sujeito).
Conclusão: esse a não é acentuado.
A resposta foi a letra a – “essência / origens/ se acentua / essa / a”.

11 – D
O que está incorreto na opção (D) é o emprego do pronome “lhe” em substituição ao
complemento direto “boa parte da vida”. Como o verbo é transitivo direto, correta
estaria a construção: a ocupá-la.
Vamos começar pela opção (B). Esse assunto já foi objeto de comentário na questão
04 - emprego do pronome oblíquo com valor possessivo.

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Em regra, os pronomes pessoais oblíquos são usados para representar um nome
(substantivo), evitando, assim, sua repetição. Podem se ligar ao verbo por hífen
(ênclise ou mesóclise) ou sem este sinal (próclise), e sua colocação é assunto
recorrente em provas de concursos públicos.
No entanto, o pronome oblíquo pode ser também usado com valor possessivo.
Vamos ao exemplo presente na opção (B), considerada correta.
“Evocar a lembrança de outro colega” – a expressão sublinhada tem valor possessivo,
equivalente a “sua” (evocar a sua lembrança), ou seja, a lembrança que se tem dele.
No lugar da expressão, foi empregado corretamente o pronome oblíquo – evocar-lhe a
lembrança. Observe que, mesmo que o substantivo estivesse no plural (lembranças), o
pronome permaneceria no singular por estar em correlação com “colega” (Evocar-lhe
as lembranças).
As demais opções abordam o emprego dos pronomes oblíquos como objetos diretos ou
indiretos. Como vimos inúmeras vezes, o pronome “o” (e flexões) só é empregado
quando o complemento for direto (sem preposição obrigatória), enquanto que “lhe” (e
flexões) é usado em objetos indiretos (com preposição).
Quando os pronomes o, a, os, as são empregados após o verbo cuja terminação seja
r, s, z, ao pronome é agregada ao pronome a letra L (lo, la, los, las) e o r, s, z
‘caem’. Processo parecido acontece com o pronome oblíquo nos, diferenciando-se
apenas no fato de não haver alteração gráfica no pronome, que se mantém “nos”
(“Reportamo-nos a V.Sa. no intuito de...”).
Exemplo: opção (A) para oferecer trabalho = para oferecê-lo.
Em relação à acentuação, já comentamos na aula de ortografia que este verbo é
entendido como um vocábulo independente, devendo obedecer às regras: oferecê =
oxítona terminada em “e”.´
Se o pronome dividir o verbo em duas partes, cada parte será analisada, para fins de
acentuação, como se um único vocábulo formasse.
Exemplo: Nós distribuiríamos o medicamento.
Em mesóclise: DISTRIBUIRÍAMOS + O = DISTRIBUIR + O + ÍAMOS
A letra “r” cai e o pronome “o” vira “lo” = distribui-lo-íamos.
Agora, vamos à acentuação:
No “pedacinho” distribui , a sílaba tônica recai no “i”. Como segunda vogal do hiato,
deve ser acentuada = distribuí (com acento agudo no “i”)
O outro “pedaço” - íamos - recebe acento por ser uma proparoxítona.
Assim, a forma verbal correta é: distribuí-lo-íamos.
Quando o verbo termina de forma nasal (-m, -ão, -õe), aos pronomes o, a, os, as é
acrescentada a letra “n”.
Exemplo: opção (C) – tomaram caminhos paralelos = TOMARAM + O = tomaram-
nos. Observe que, fora do contexto, não temos como afirmar se o “nos” em
“tomaram-nos” é o pronome oblíquo “os” ou “nos” (“tomaram a nós”).
A opção (E) não apresenta maiores dificuldades – no lugar do objeto direto
“inteligência e paladares”, colocou-se o pronome oblíquo os, já que um dos elementos
é masculino.

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12 - E
Algumas lacunas serão preenchidas com pronomes relativos que iniciam orações
adjetivas.
1ª lacuna
Providências a serem tomadas:
1) escolher qual pronome relativo deve ser empregado;
2) verificar se o pronome relativo deve ser antecedido por alguma preposição
requerida pelo verbo da oração adjetiva.
A oração adjetiva é: ... cobrem toda a região.

Pergunta: o que cobre toda a região? A dica para a resposta está na flexão verbal
(cobrem).

Resposta: as árvores (mencionada na oração imediatamente anterior).


O pronome relativo substitui esse substantivo: As árvores cobrem toda a região.
Como o antecedente é “coisa”, podemos usar o pronome relativo “que”.
Também percebemos que o pronome relativo exerce a função de SUJEITO do verbo
cobrir (... árvores que cobrem toda a região...), não devendo ser usada nenhuma
preposição.
Assim, a forma que preenche a primeira lacuna é que: “A maior parte da água da
chuva é interceptada pela copa das árvores, que cobrem toda a região.”
A única opção válida é a letra (E). Levaríamos um segundo para resolver a questão,
hem? Na hora da prova, nada de perder tempo. Marcou a opção correta e partiu para a
próxima. Como aqui estamos fazendo exercícios, vamos analisar as demais lacunas.

2ª lacuna
O que “evapora rapidamente” (verbo no singular)? Resposta: A água da chuva. Essa
expressão já foi mencionada na oração anterior e o texto se tornaria repetitivo no caso
de apresentá-la novamente. Assim, como elemento de coesão textual, usamos o
pronome demonstrativo.
Por ter sido apresentada no início do texto, podemos usar “essa água” (com “ss” de
paSSado – lembra?) ou “aquela água” (já que está distante no texto, mas não há essa
opção). Observe que o que evapora é a água, e não a chuva (fenômeno atmosférico).
Neste ponto, entra a análise semântica, ou seja, o sentido que as palavras empregam
ao texto/contexto.
Quando tratamos de pronomes, o sentido (análise semântica) tem um peso
fundamental. É a partir do conceito que conseguimos identificar os elementos a que os
pronomes se referem.

3ª lacuna
Entre “solo” e “áreas desmatadas” há uma relação de dependência: o solo das áreas
desmatadas. Devemos, então, empregar o pronome relativo cujo, que serve para ligar
dois substantivos que têm relação de subordinação.

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Como o pronome faz parte do sujeito da oração subordinada adjetiva (“O solo das
áreas desmatadas é pobre...”), não devemos colocar preposição alguma: “o que não
ocorre em áreas desmatadas, cujo solo é pobre em matéria orgânica”.
A ordem será: que / Essa água / cujo. Gabarito: E

13 – D
O pronome relativo onde deve ser usado tendo como referente um lugar ou algo que a
isso se assemelhe (página, folha etc.).
Na oração, não há nenhum referente que justifique esse emprego.
A) O pronome oblíquo está sendo usado de modo reflexivo – os primos falam de si
mesmos.
B) Está perfeita a construção “com nós mesmos”. Veja a observação do “Quadro-
resumo de Pronomes Pessoais”, à página 3.
C) O pronome “o”, em “encontrá-lo”, está corretamente posicionado. Com verbo no
infinitivo, a colocação estará sempre certa (desde que não inicie período), mesmo que
haja uma palavra invariável. Por isso, são duas as possibilidades: “a fim de não
encontrá-lo” e “a fim de não o encontrar”.
E) O pronome oblíquo, mais uma vez, está elegantemente usado com valor possessivo.
Os cabelos moldam o rosto dela/dele = moldam-lhe o rosto.

14 – A
Para nunca errar o emprego de verbos e pronomes com pronomes de tratamento,
basta lembrar: tudo o que acontece com você vai acontecer também com os demais
pronomes de tratamento (Vossa Senhoria, Vossa Excelência, etc.).
Por isso, os pronomes e os verbos serão usados na 3ª pessoa do singular: Afianço-lhe
que V.Sa. (você) terá grande influência na resolução do problema que submeto a seu
exame. É só pensar como se fosse o pronome você. Não tem erro!

15 – A
O pronome faz referência a um encontro mencionado no texto. Por isso, só havia duas
possibilidades de resposta: anafórico (referência anterior - para trás) e catafórico
(referência posterior - para a frente).
Vamos ao texto para identificar que encontro é esse:
Lá, alunos ajudaram a criar um centro cultural batizado de "Barracão dos Sonhos", no
qual se misturam ritmos afros e ibéricos. Desse encontro nasceu, por exemplo, a
estranha mistura dos ritmos e bailados flamencos com o samba.
O encontro dos ritmos afros e ibéricos, que formaram a estranha mistura dos
ritmos e bailados flamencos como samba.
Como se refere a um elemento do texto que já havia sido apresentado, houve uma
referência anafórica - resposta: A.

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16 – E
Voltamos a falar sobre pronomes relativos e regência.
Esse será o nosso assunto das próximas questões.
O erro da opção E está na análise: o pronome relativo que substitui o substantivo
livros. Vamos ver a qual verbo está ligado este substantivo: “tanto gosto de ler”. O
verbo ler é transitivo direto (eu gosto de ler livros); por isso, não deve haver
nenhuma preposição a anteceder o pronome relativo: Comprei os livros que tanto
gosto de ler.
Veja as demais opções, que estão corretas.
A) O verbo esquecer-se é transitivo indireto e rege a preposição de. Portanto, está
correta a construção: “São locais de que nunca mais nos esquecemos”.
Se houvesse a retirada do pronome, o verbo seria esquecer e, portanto, transitivo
direto. A construção, nesse caso, seria: “São locais que nunca mais esquecemos”.
Notou a diferença significativa entre uma forma e outra?
B) Há relação de subordinação entre os substantivos romances e autores. Por isso,
está correto o emprego do CUJO. Como o verbo da oração adjetiva é “falar”, pode ser
usada a preposição de, que irá anteceder o pronome relativo: “Li os romances de
cujos autores falamos” (= nós falamos dos autores dos romances).
C) Mais uma vez, observamos o correto uso do pronome relativo CUJO. A relação
entre autores e músicas permite isso. Como o verbo apreciar é transitivo direto,
não há exigência de nenhuma preposição antes do relativo: “Aqui estão as músicas
cujos autores aprecio” (= eu aprecio os autores das músicas).
D) Parece que o examinador cismou com o CUJO, não é mesmo? Entre idéias e
autores, existe uma ligação (as idéias dos autores). Como o verbo insurgir-se rege a
preposição contra, esta é colocada antes do pronome relativo: “Aqui estão as idéias
contra cujos autores me insurgi” (eu me insurgi contra os autores das idéias – e
não contra as idéias dos autores – CUIDADO NA ANÁLISE!).

17 – B
Mais uma excelente questão de prova.
Aliás, mais do que uma questão, isso é uma sugestão para apre(e)nder os conceitos de
nossa língua.
Ao entrar em um elevador, ou passar pela portaria de seu prédio, analise a correção
gramatical dos avisos colocados pelo síndico (se você for o síndico, saiba desde já que
está sendo julgado pelos demais condôminos, hem?).
Vamos criticar o panfleto? Complete a frase: “O síndico não deu atenção...” = a
alguma coisa
A regência exige a preposição a.
Pergunta-se: a que o síndico não deu atenção?
Resposta: Às reclamações dos condôminos.
Notou a relação entre esses dois substantivos? Pois é. Não dá pra acertar sempre, não
é? O texto acertou no emprego do CUJO e se esqueceu de colocar a preposição antes
desse pronome relativo.

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Depois de corrigida, a oração seria: “os condôminos a cujas reclamações o síndico
não deu atenção...”.
Na segunda oração, existe também uma relação entre “pontos principais” e “itens”: os
pontos principais dos itens (de discussão, provavelmente).
Assim, o pronome correto seria cujo. Acho que o pessoal do condomínio ficou com
medo de usar duas vezes o CUJO e errar, mas acabou errando ao não colocá-lo.
A construção correta seria: “os itens cujos principais pontos não foram
discutidos...”
Nas duas orações, houve erro no emprego do pronome relativo. Por isso, a resposta
correta é B.

18 – B
O que o examinador quer é saber qual dos verbos rege a preposição de que antecede
o pronome relativo que.
a) Alguém se refere a alguma coisa – a que se refere o filósofo.
b) Alguém cuida de alguma coisa – de que cuida o filósofo. Oba! Essa é a resposta!
c) Alguém investiga alguma coisa (transitivo direto) – que investiga o filósofo.
d) Algo aflige alguém (transitivo direto) – que aflige o filósofo (nessa construção, “o
filósofo” é o objeto direto, ou seja, ele sofre aflição por causa dessa liberdade).
e) Alguém disserta sobre/acerca de alguma coisa – sobre a qual disserta o
filósofo (como a preposição é dissílaba, precisaríamos, também, substituir o “que” por
“a qual” (a liberdade).

19 – C
Nas orações dos itens a, c e d, está correto o emprego de CUJO, pois existe uma
relação de subordinação entre os dois substantivos:
a) estilo do escritor
b) livro da professora
c) vestibular da universidade
O problema da opção d está na presença de um artigo antes do termo regente
“nome”, formando o condenado “cujo o”. Este pronome relativo já se flexiona para
concordar com o termo subseqüente. Por isso, constitui erro a presença de um artigo
definido.
Na opção e, a presença de um artigo antes da lacuna impossibilita o emprego do
pronome, eliminando essa opção.
Em seguida, vamos analisar a regência dos verbos das orações adjetivas para
identificar o que seja transitivo direto e, portanto, dispense preposição, mantendo na
lacuna apenas o pronome relativo.
a) eu não gosto do estilo do escritor – o verbo gostar exige a preposição de.
Assim, a lacuna seria preenchida com de cujo: “O escritor de cujo estilo eu não
gosto vai lançar mais duas obras este ano.

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b) esta é a resposta certa. A expressão “livro da professora” exerce a função de
sujeito da forma verbal (A professora cujo livro foi reeditado = o livro da
professora foi editado), dispensando, assim, qualquer preposição.
c) Meu filho se preparou para o vestibular da universidade. Há exigência da
presença da preposição para: “A universidade para cujo vestibular meu filho
se preparou...”.

20 - A
Vamos analisar lacuna por lacuna.
(A) “O prestígio ..... o texto de Maquiavel desfruta até hoje” – o verbo desfrutar, na
construção, é transitivo indireto com a preposição “de” (Alguém desfruta de alguma
coisa); o pronome relativo se refere a “prestígio”. Logo a primeira lacuna deverá ser
preenchida com “de que”.
Em seguida, na passagem “pois é um tratado político ..... muitos têm muito a
aprender”, devemos analisar a transitividade do verbo principal da locução verbal “ter
a aprender”. O verbo aprender, por estar acompanhado do advérbio “muito”,
apresenta, na construção, a forma transitiva indireta, acompanhado da preposição
“com” (da mesma forma que em “Eu aprendi muito com os meus erros”). Como o
pronome relativo substitui a expressão “tratado político”, a construção deveria ser:
“pois é um tratado político com que muitos têm muito a aprender”.
Lacunas: de que / com que - esta é a resposta correta.
(B) O verbo “considerar” é transitivo direto. Na oração “Muitos estavam habituados a
considerar as qualidades morais” (termo este que será substituído pelo pronome
relativo), não há necessidade do emprego de preposição alguma, já que o verbo
considerar é transitivo direto.
Assim, a primeira lacuna será preenchida somente com o pronome relativo: “As
qualidades morais que muitos estavam habituados a considerar como tais...”.
Na segunda lacuna, o pronome relativo exerce a função de objeto direto do verbo
“tornar”. Este verbo é, na construção, transobjetivo, ou seja, além do objeto direto,
requer um predicativo do objeto direto (já falamos sobre isso na Aula 1 – Verbos,
questão 31).
Após a substituição do pronome relativo pelo substantivo (seu antecedente), a
construção seria: “Maquiavel tornou o tratado uma obra basilar”, em que “o tratado”
exerce a função de objeto direto e “uma obra basilar”, predicativo do objeto direto.
Para deixarmos essa função de objeto direto bastante clara, vamos trocar o
substantivo por um pronome oblíquo: “Maquiavel tornou-o uma obra basilar”.
Observe que “obra basilar” tem valor adjetivo (atribui uma qualidade) em relação a
“tratado”, e com ele não se confunde.
O predicativo do objeto é uma função necessária à compreensão. Não haveria nexo se
este elemento faltasse ao período: “Maquiavel tornou o tratado ...” – a pergunta
provavelmente seria: tornou o tratado o quê? O elemento que completa essa oração
exerce a função de predicativo do objeto.
Como o objeto direto não requer preposição, na segunda lacuna há somente o
pronome relativo: “no tratado que Maquiavel tornou uma obra basilar”.
Lacunas: que / que

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(C) “Muita gente costuma cultuar alguma coisa” – o verbo cultuar (principal da
locução) é transitivo direto. Assim, na primeira lacuna, há apenas o pronome relativo
que se refere a “valores abstratos”: “Os valores abstratos que muita gente costuma
cultuar...”.
No segundo período, o verbo valer-se exige complemento indireto com a preposição
“de” (Alguém pode se valer de alguma coisa). Essa preposição irá anteceder o
pronome relativo: “qualquer aplicação de que pudesse se valer na análise da
política.”.
Lacunas: que / de que
(D) O verbo utilizar é transitivo direto – “muitos utilizam o adjetivo maquiavélico”.
Não há necessidade de se empregar preposição alguma – “O adjetivo ‘maquiavélico’,
que muitos utilizam para denegrir o caráter de alguém...”.
Na seqüência, o verbo discordar (verbo principal da locução verbal) é transitivo
indireto, com a preposição “de” (Alguém discorda de alguma coisa). Observe que a
oração está na ordem invertida: “os cientistas políticos” é sujeito: “... ganhou uma
acepção de que costumam discordar os cientistas políticos.” (equivalente a “os
cientistas políticos costumam discordar da acepção”).
Lacunas: que / de que
(E) Alguém se entrega a alguma coisa – o verbo entregar-se (pronominal) é
transitivo indireto com a preposição “a”. Esta preposição deve anteceder o pronome
relativo que substitui “a leitura de O Príncipe”: “A leitura de O Príncipe, a que muita
gente até hoje se entrega...”.
Na seqüência, temos um caso de regência nominal – o adjetivo “envolvidos” exige a
preposição “em” (Alguém se sente envolvido em alguma situação). Esse complemento
nominal já está representado por “na lógica da política”. Já o pronome relativo exerce
a função de sujeito da oração subordinada adjetiva e se refere a “todos”: “todos se
sintam envolvidos na lógica da política”. A construção seria: “... interessa a todos que
se sintam envolvidos na lógica da política”.
Lacunas: a que / que

21 – Item INCORRETO
Vamos analisar o segmento em que o pronome relativo em questão aparece.
Vencer as desigualdades faz parte de uma estratégia e de um novo modelo de
desenvolvimento para o país, que pode dispor, para tanto, da imensa riqueza natural
de nossa Nação.
O verbo dispor é transitivo indireto (Alguém dispõe de alguma coisa).
A primeira dica: a locução verbal está no singular (pode dispor), indicando que o
referente também apresenta esse número.
Na seqüência, é apresentado o complemento do verbo dispor: “de imensa riqueza
natural de nossa Nação”.
Pergunta: “quem” dispõe de imensa riqueza natural de nossa nação?
Resposta: “O país”, mencionado na oração anterior Î o país pode dispor (para vencer
as desigualdades) da imensa riqueza natural de nossa Nação.

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Viu como a compreensão textual é essencial para a solução de questões como essa?
Na hora da prova, não tenha preguiça de voltar ao texto. O objetivo da banca é
enganá-lo, e você deve estar preparado para vencer esse desafio.

22 – Item CORRETO
Finalmente, vemos um caso de pronome oblíquo usado como termo vicário, ou seja,
substituindo um termo ou oração mencionada anteriormente.
Isso é muito comum com o verbo fazer. O pronome, nesse caso, serve como
complemento do verbo, retomando a ação apresentada no período anterior:
“Quem pergunta pela sua identidade questiona as referências hegemônicas mas, ao
fazê-lo, coloca-se na posição de outro (...).” – ao fazer o quê?
Toda a expressão (fazê-lo) se refere a “questiona as referências hegemônicas”.
Está correta, portanto, a afirmação de que o pronome exerce a função de objeto direto
do verbo fazer.

23 – Item CORRETO
Essa é basicamente uma questão de interpretação.
Os índios eram considerados pelos portugueses “tábula rasa”, ou seja, desprovidos de
valores culturais ou religiosos próprios e sem escrita, tudo o que o português possuía.
Acreditavam que eles aceitariam “de bom grado, a voz catequética do missionário
jesuíta que, ao impô-los em língua portuguesa”...
O que seria imposto em língua portuguesa aos índios? Podemos entender que tanto os
valores culturais ou religiosos quanto a própria escrita, elementos que os portugueses
possuíam e que iriam impor aos índios.
Dessa forma, o pronome retoma, de forma coesa, os elementos textuais anteriormente
apresentados. Veja como é importante conhecer a nomenclatura: “forma pronominal
enclítica” – essa expressão poderia assustar quem não a conhecesse.

Bons estudos e até a próxima aula – Conectivos: Preposição e Conjunção.

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CONECTIVOS – PREPOSIÇÃO E CONJUNÇÃO
Olá, pessoal
Na aula passada, lancei um desafio – encontrar uma letra de música que
contivesse o pronome relativo CUJO usado de forma apropriada.
Um herói conseguiu! Parabéns, Rômulo Faria!
A letra é da música “A Foto da Capa”, do CD “Paratodos”. Já adivinhou o
autor???
Tinha de ser: Chico Buarque!!!
Segue a letra para a nossa análise:
O retrato do artista quando moço
Não é promissora, cândida pintura
É a figura do larápio rastaqüera
Numa foto que não era para capa
Uma pose para câmera tão dura
Cujo foco toda lírica solapa
Era rala a luz naquele calabouço
Do talento a clarabóia se tampara
E o poeta que ele sempre se soubera
Claramente não mirava algum futuro
Via o tira da sinistra que rosnara
E o fotógrafo frontal batendo a chapa
É uma foto que não era para capa
Era a mera contracara, a face obscura
O retrato da paúra quando o cara
Se prepara para dar a cara a tapa

O foco da câmera solapa (destrói ou oculta, esconde) toda lírica (poesia,


beleza) em virtude da dureza (rigidez) daquela. A relação de subordinação entre
os dois elementos (foco da câmera) abona o emprego do pronome relativo
CUJO.
Lindo isso, não é?
Nossa busca, no entanto, não terminou. Quem encontrar outras letras de música
com o pronome CUJO empregado corretamente, pode apresentá-las no fórum ou
mandá-las por “e-mail” para mim. Vamos enriquecer nossa aula.
Hoje nosso assunto será a função e o emprego dos conectivos – conjunções e
preposições.
Ao lado dos pronomes, esses elementos são responsáveis por estabelecer o nexo
entre os vocábulos de uma oração e entre as orações, períodos e parágrafos em
um texto.
Serão apresentados os conceitos de um e de outro para, ao fim, exercitarmos
com questões de prova que exploram esse conhecimento.

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PREPOSIÇÃO
CONCEITO
Palavra invariável que, colocada entre duas outras, faz com que uma se torne
membro da outra, criando-se um elo de subordinação.

Casa da mãe Joana

Cadeira de ferro

Vida de cão

Útil a todos

Preciso de ajuda

Na aula sobre sintaxe de regência (Aula 5), já vimos essa relação entre
subordinante (ou antecedente: casa, cadeira, vida, útil, preciso) e
subordinado (ou conseqüente: da mãe Joana, de ferro, de cão, a todos, de
ajuda)

As preposições não possuem, isoladamente, um significado. Elas atribuem


circunstâncias aos elementos a ela ligados. Veja os diversos sentidos que a
mesma preposição (com) pode exprimir:

Dirija com calma. (modo)

Ele cortou-se com a faca. (instrumento)

Fomos ao cinema com nossos amigos. (companhia)

Aquela escultura foi feita com argila. (matéria)


Agora compare a seguinte oração com os exemplos apresentados:
Concordo com você.
Ao contrário das demais frases, em que a preposição introduz uma
circunstância, nessa, a preposição com foi exigida pelo verbo.
Assim, ora as preposições são usadas com valor semântico, de modo a exprimir
certas circunstâncias aos elementos oracionais (como na função de adjunto
adverbial), ora por exigência gramatical, como na função de objeto indireto.
CLASSIFICAÇÃO DAS PREPOSIÇÕES
As preposições podem ser:
ESSENCIAIS – são palavras que, desde sua origem, são usadas como
preposição: a, ante, até, após, com, contra, de, desde, em, entre, para,
perante, por, sem, sob, sobre, trás.
Todos estão contra a mudança do horário.

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ACIDENTAIS – palavras de outras classes gramaticais que “por acidente” são
usadas como preposição: durante, mediante, conforme, segundo,
consoante, que.
Tenho que sair.
Nós os temos como irmãos.
Fugiu durante a noite.
Veja uma interessante questão de prova que explorou esse conceito de
preposição acidental.

(ESAF/AFRF/2002.1)
O homem é moderno na medida das senhas de que ele é escravo para ter
acesso à vida. Não é mais o senhor de seu direito constitucional de ir-e-
vir. A senha é a senhora absoluta. Sem senha, você fica sem seu próprio
dinheiro ou até sem a vida. No cofre do hotel, são quatro algarismos; no
seu home bank, seis; mas para trabalhar no computador da empresa,
você tem que digitar oito vezes, letras e algarismos. A porta do meu carro
tem senha; o alarme do seu, também. Cada um de nossos cartões tem
senha. Se for sensato, você percebe que sua memória não pode ser
ocupada com tanta baboseira inútil. Seus neurônios precisam ter
finalidade nobre. Têm que guardar, sim, os bons momentos da vida.
Então, desesperado, você descarrega tudo na sua agenda eletrônica, num
lugar secreto que só senha abre. Agora só falta descobrir em que lugar
secreto você vai guardar a senha do lugar secreto que guarda as senhas.
(Alexandre Garcia, Abre-te sésamo, com adaptações)
c) Respeitam-se as regras de regência da norma culta ao empregar a
preposição de em vez de que na expressão verbal “Têm que” (l.10).

Este item está CORRETO.


Uma locução verbal pode apresentar, entre o verbo principal e o auxiliar, uma
preposição (acabei de chegar, chego a tremer, acabo de fazer, tenho de aceitar).
No meio da locução, no lugar da preposição, foi usada a palavra que: “ter que
guardar”. Segundo a norma culta, deveria ser “ter de guardar”. Esse “que”
(originalmente uma conjunção), por estar no lugar de uma preposição, recebe o
nome de “preposição acidental”. O mesmo acontece em “Eu a tenho como uma
irmã”, em que a palavra “como” (pronome, conjunção ou advérbio) está usada
no lugar de uma preposição (“Eu a tenho por uma irmã”).

Em locuções prepositivas, a última palavra é sempre uma preposição essencial.


(abaixo de, acima de, a fim de, junto a, de acordo com, devido a ...).
As preposições também podem surgir isoladamente, conhecidas como sintagmas
avulsos preposicionados (Com sua licença, por favor). Pode-se entender,
todavia, que o antecedente, nesses casos, foi omitido.

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PREPOSIÇÃO EM ADJUNTO ADVERBIAL
Vimos na aula passada que pode ocorrer a elipse (omissão) da preposição,
especialmente em adjuntos adverbiais de tempo “Neste/Este fim de semana, irei
ao litoral”, “Chegarei (no) domingo.”, “A lista dos aprovados sairá (n)esta
semana ainda.”.
Contudo, se o adjunto adverbial vier sob a forma de oração, há divergência
doutrinária.
Alguns julgam ser uma questão de conveniência, mas a posição majoritária é
pela OBRIGATORIEDADE do emprego da preposição antes do pronome relativo
correspondente.
Encontramos, inclusive, uma questão de prova que corrobora esse
posicionamento:

(ESAF/AFC STN/2002)
Marque o item sublinhado que representa impropriedade vocabular, erro
gramatical ou ortográfico.
Em vista da crescente conscientização sobre a necessidade de preservar o
patrimônio cultural, tem havido muitas discussões sobre a proteção da área do
entorno(A) ou do envoltório(B)do bem imóvel tombado. Há, principalmente,
divergências quanto à sua(C) dimensão adequada ou ideal e ao momento
que(D) passa a ser protegida.(E)
(Baseado em Antônio Silveira R. dos Santos)
a) A
b) B
c) C
d) D
e) E

Na opção D, gabarito da questão, o pronome relativo que (cujo referente é o


substantivo momento) cria, na oração adjetiva que inicia, uma estrutura
equivalente a “a área passa a ser protegida no momento”. Percebe-se, assim, o
valor adverbial da expressão sublinhada, exigindo o emprego da preposição em
(em + o = no).
Por isso, essa preposição “em” deve anteceder o pronome relativo “que”, que
representa a palavra momento – “... momento em que passa a ser protegida.”.
Com relação ao item c (correto), a locução “quanto a” uniu-se ao artigo que
antecede “sua dimensão”, formando “quanto à sua dimensão”. Como vimos
na aula de crase, seria facultativo o emprego do artigo definido antes do
possessivo - “(a) sua dimensão” - e, por conseguinte, a acentuação – “quanto a
(à) sua dimensão”.

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PREPOSIÇÃO EM COMPLEMENTOS NOMINAIS E VERBAIS
A preposição pode anteceder um complemento nominal ou um complemento
verbal. Quando esse complemento vem sob a forma oracional, podemos adotar
os seguintes posicionamentos.
Em relação à omissão da preposição em complementos verbais (objeto
indireto oracional), a posição majoritária da doutrina é de aceitar a omissão
de preposição antes da conjunção.
Veja uma questão de prova em que isso ocorreu:

(ESAF/AFRF/2003) Julgue a assertiva abaixo em relação aos aspectos


gramaticais.
e) Não nos esqueçamos que a construção do autoritarismo, que marcou
profundamente nossas estruturas sociais, configurou o sistema político
imprescindível para a manutenção e reprodução dessa dependência.

Este item da questão foi considerado CORRETO.


O verbo esquecer-se (OLHA A AULA DE REGÊNCIA AÍ, GENTE!!!) –
pronominal – é transitivo indireto, regendo a preposição de (Não se esqueça de
mim.).
Contudo, como o seu complemento indireto está sob a forma oracional (“que a
construção do autoritarismo...”), é possível a elipse (omissão) da preposição.

Assim, em determinadas construções verbais (convencer-se, lembrar-se,


esquecer-se, assegurar-se, duvidar, concordar, discordar, torcer), a preposição
poderia ser omitida no complemento verbal oracional:
“Concordamos (com) que todos devem ser aprovados.”
“Duvidamos (de) que alguém venda mais barato.” (essa era a propaganda das
Casas Sendas, no RJ; alguém aí se lembra disso?).

Então, com objeto indireto oracional, a preposição pode ser omitida. Beleza!
Agora, a norma culta prevê que, quando a preposição é exigência de um nome
(adjetivo, substantivo abstrato ou advérbio) e o complemento está sob a forma
oracional, a preposição deve anteceder a conjunção integrante que dá início ao
complemento nominal:
“Tenho a convicção de que estamos no caminho certo.” (“Tenho a convicção
disso.” - alguém tem convicção de alguma coisa)
“Somos favoráveis a que todos sejam nomeados rapidamente” (“Somos
favoráveis a isso.” - alguém é favorável a alguma coisa).

Em relação à omissão da preposição em complementos nominais, o assunto é


bastante controverso.
Há quem defenda a omissão da preposição em complementos nominais sob a
forma oracional.

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Celso Luft, em seu Dicionário Prático de Regência Nominal, observa que “é viável
a elipse da preposição antes do que” – Exemplo: “Estou certa que me hás de
compreender.” (Alguém está certo de alguma coisa = Estou certa de que...) .
Algumas bancas já deixaram clara a sua posição. A ESAF, por exemplo, até hoje,
sempre considerou um erro a omissão de preposição antes de uma oração que
complementa um nome (adjetivo, substantivo, advérbio).
Veja uma dessas questões:

(ESAF/AFT/2003) Julgue a correção gramatical da asserção abaixo.


c) Na América Latina, por exemplo, “a integração global aumentou ainda
mais as desigualdades salariais”, e há uma preocupação generalizada que o
processo esteja levando uma maior desigualdade no próprio interior dos
países. Essa desigualdade já alcançou os Estados em suas relações
assimétricas.

Este item foi considerado INCORRETO.


O substantivo preocupação, a depender do significado, pode reger diversas
preposições ou locuções prepositivas (com, para com, em, etc.). Uma delas é a
preposição de: Notei a sua preocupação de todos serem bem atendidos.
No segmento “há uma preocupação generalizada que o processo esteja
levando...”, faltou o emprego da preposição de antes da conjunção que.
Quem tem uma preocupação, tem preocupação de alguma coisa.
A forma correta seria: “há uma preocupação generalizada de que o processo
esteja levando...”.
Houve também outro erro de regência - a omissão da preposição a em “...esteja
levando a uma maior desigualdade no próprio interior dos países.”.
Contudo, isso não significa que a banca não possa mudar de idéia e, com base
na lição de Celso Luft, passe a aceitar um complemento nominal oracional sem
a preposição.
Por isso, caso apareça uma questão como essa, em que o complemento
nominal oracional estiver sem a preposição, tome cuidado: desenhe uma
caveira ao lado da opção e continue lendo a questão até o fim. Se não surgir
nada “mais errado”, essa deve ser a resposta.

MAIS ALGUMAS PECULIARIDADES NO USO DAS PREPOSIÇÕES.


Eu sei que já falamos sobre isso na aula passada, mas não custa nada reforçar o
ensinamento.
De acordo com a norma culta, o sujeito das orações reduzidas de infinitivo deve
estar separado da preposição – “Apesar de elas não saberem a matéria, tiveram
um bom resultado.”.
Modernamente, aceita-se a contração da preposição com o pronome ou artigo
do sujeito – “Está na hora da onça beber água.” (exemplo do mestre Evanildo
Bechara).

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CUIDADO!
Para analisar adequadamente a construção, devemos dispor os termos da
oração na ordem direta.
Lembra-se da pegadinha em que o Bill Gates caiu?
“Para ____ estar aqui é um prazer imenso.”
Como é mesmo que se preenche essa lacuna? Com “eu” ou “mim”?
Devemos perguntar ao verbo quem é o seu sujeito: o que é um prazer imenso?
Resposta: estar aqui.
Então, colocando os termos na ordem direta (SUJEITO – VERBO –
COMPLEMENTO):
“ESTAR AQUI (sujeito) é um prazer para ____ .”
Agora ficou mais fácil, não é? Após preposição, coloca-se um pronome oblíquo,
desde que esse pronome não seja o sujeito de uma forma verbal. Então,
devemos completar com mim. Na ordem original seria “Para mim estar aqui é
um prazer imenso.”. Uma vírgula após mim cairia bem, já que iria mostrar que
esse pronome não é o sujeito do verbo estar, que, aliás, é impessoal (“Para
mim, estar aqui é um prazer.”). Todavia, essa vírgula não é obrigatória (mas
isso é outro assunto...).
Preencha, agora, as lacunas das seguintes orações:
“O amor entre ____ e ____ morreu.” (eu / mim – tu / ti).
Como você completaria?
Vamos começar identificando o sujeito: quem/o que morreu? Resposta: o amor.
Bem, se após preposição, devemos empregar o pronome oblíquo, ficaria “O
amor entre mim e ti morreu.”.
“Entre ____ pedir e ____ fazeres, há grande distância.” (eu / mim – tu / ti).
Como fica agora?
Como o pronome que irá ocupar a primeira lacuna será o sujeito do verbo pedir.
Quem vai pedir? Resposta: eu. Então, só podemos colocar um pronome reto (é
quem exerce as funções de sujeito e de predicativo do sujeito - aula sobre
pronomes). O mesmo acontece com o sujeito do verbo fazer. Assim, a forma é
“Entre eu pedir e tu fazeres, há grande distância.”.

CONJUNÇÃO
DEFINIÇÃO
São vocábulos de função estritamente gramatical, utilizados para o
estabelecimento da relação entre dois termos na mesma oração ou entre duas
orações, que formam um período composto. Assim como a preposição, não tem
significado nem função sintática.
CONCEITOS FUNDAMENTAIS

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1. FRASE – É a unidade mínima de sentido completo na comunicação. Pode
ser simples (Fogo!) ou complexa, formada por diversas orações. Pode
conter verbo ou não.
2. ORAÇÃO – é a frase (ou elemento frasal) com estrutura que comporta
sujeito e predicado. Há verbo, explicito ou oculto.
Note a diferença entre frase e oração a partir dos seguintes exemplos:
Que mulher insuportável!
Aquela mulher é insuportável!
Na primeira, a opinião é apresentada de forma direta, sem verbo. Já na
segunda, a mesma opinião é apresentada sob uma estrutura oracional
(com sujeito e predicado).
3. PERÍODO – é a estrutura composta por uma ou mais orações, dividindo-
se, assim, em período simples e composto.
3.1 - Período Simples – apresenta a oração absoluta.
Estou muito feliz.
3.2 - Período Composto – apresenta mais de uma oração, que podem
estar em coordenação (independentes) ou em subordinação (uma exerce função
sintática na outra – relação de dependência).
Por que esta nomenclatura: subordinada e coordenada?
Pense bem – são coordenadas estruturas que não dependem uma da outra, ou
seja, caminham paralelamente. Já as subordinadas exercem influência uma na
outra, ou seja, uma estrutura exerce alguma função sintática (sujeito, objeto
direto, objeto indireto etc.) na outra estrutura, estabelecendo, assim, uma
relação de subordinação.

CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES


Oração Absoluta – é a oração que forma um período simples. Há somente uma
oração no período. Por isso, é absoluta, vitaminada, poderosa... é única!
Orações Coordenadas – são orações independentes entre si. Não exercem
função sintática umas nas outras.
Por serem equivalentes, uma não é mais importante do que a outra. O que
difere é a presença de uma conjunção em uma delas.
Por síndeto, temos o conceito de “ligação, junção”. Por isso, chamam-se
assindéticas as orações que não são introduzidas por conjunção
(assindéticas Î “a” = prefixo de negação, ausência = sem síndeto Î não
possuem o elemento de ligação).
Conseqüentemente, as que recebem conjunção coordenativa se chamam
sindéticas.
As conjunções coordenativas podem ser aditivas, adversativas, alternativas,
conclusivas ou explicativas.

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Orações Subordinadas – são orações que, como o nome já diz, se
subordinam, ou seja, exercem função sintática em outra oração. Por isso,
falamos em oração principal e oração subordinada.
A oração subordinada exerce alguma função sintática na oração principal e pode
se ligar a ela por meio das conjunções. Essa função sintática pode ser própria de
um adjetivo (oração subordinada adjetiva), de um substantivo (oração
subordinada substantiva) ou de um advérbio (oração subordinada adverbial):
- Adjetivas – do mesmo modo que os adjetivos fazem referência a
substantivos (calça clara, roupa velha), os pronomes relativos se referem
aos substantivos presentes em orações antecedentes - são os referentes.
Por isso, os pronomes relativos dão início a orações subordinadas
adjetivas, que podem ser restritivas (restringir o conceito do substantivo)
ou explicativas (explicar seu conteúdo, alcance ou conceito).
PRONOMES RELATIVOS SEMPRE INICIAM ORAÇÕES SUBORDINADAS
ADJETIVAS.
- Substantivas - As orações subordinadas substantivas (também já
vimos) são iniciadas pelas conjunções integrantes.
Uma boa dica para identificar uma oração subordinada substantiva (e,
conseqüentemente, a conjunção integrante) é substituir a oração iniciada
pela conjunção pelo pronome substantivo ISSO. Veja estes exemplos:
1 - “Eu quero | que você me deixe em paz.” – “Eu quero ISSO.” –
Então, “que você venha” equivale a um substantivo (Eu quero
sossego./Eu quero paz.). É, portanto, uma oração subordinada
substantiva. A função sintática exercida pelo substantivo é objeto direto
(Alguém quer alguma coisa = Eu quero isso = que você me deixe em
paz), e por isso a oração se chama: oração subordinada substantiva
objetiva direta.
2 - “É preciso | que você preste bastante atenção.” – “É preciso ISSO.”
– “que você preste bastante atenção” é uma oração subordinada
substantiva. Como o pronome exerce a função de sujeito (Isso é preciso),
a oração se chama: oração subordinada substantiva subjetiva.
CONJUNÇÕES INTEGRANTES SEMPRE INICIAM ORAÇÕES
SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS.

- Adverbiais - Finalmente, as orações subordinadas adverbiais são


iniciadas por uma conjunção adverbial, que pode expressar uma das
seguintes circunstâncias: causa, comparação, concessão, condição,
consecução, conformidade, finalidade, proporcionalidade,
temporalidade.
CONJUNÇÕES ADVERBIAIS SEMPRE INICIAM ORAÇÕES SUBORDINADAS
ADVERBIAIS
Esses conceitos fundamentais foram apresentados para que se compreenda o
papel das conjunções, que é o de ligar elementos dentro de uma oração ou ligar
orações entre si, formando períodos compostos.

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Não se preocupe com esses “nomes e sobrenomes” das orações. Aguarde a
próxima aula, sobre Períodos.

EMPREGO DAS CONJUNÇÕES


As conjunções podem ser usadas em orações coordenadas (conjunções
coordenativas) ou subordinadas (conjunções subordinativas).
DICA IMPORTANTE: NÃO SE CLASSIFICA UMA ORAÇÃO SOMENTE PELA
CONJUNÇÃO INTRODUZIDA POR ELA.
Deve-se observar o valor que essa conjunção emprega ao período para,
somente então, classificá-la.

CONJUNÇÕES COORDENATIVAS:
A conjunção que relaciona termos ou orações de idêntica função gramatical tem
o nome de COORDENATIVA.
O tempo e a maré não esperam por ninguém.
Ouvi primeiro e falai por derradeiro.

• ADITIVAS – possuem a função de adicionar termos ou orações de


mesma função gramatical – e, nem, não só... mas também (séries
aditivas enfáticas)
• ADVERSATIVAS – estabelecem uma relação de contraste entre os
termos ou orações – mas, contudo, todavia, entretanto, no entanto,
porém, enquanto
• ALTERNATIVAS – unem orações independentes (coordenadas),
indicando sucessão de fatos que se negam entre si ou que são
mutuamente excludentes (a ocorrência de um exclui a do outro) – ou,
ora, nem, quer, seja (repetidos ou não)
• CONCLUSIVAS – exprimem conclusão em relação à(s) oração(ões)
anterior(es) – pois (no meio da oração subordinada), portanto,
logo, por isso, assim, por conseguinte
• EXPLICATIVAS – a oração subordinada explica o conteúdo da oração
principal – pois (no início da oração subordinada), porque, que,
porquanto

CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS:
Denominam-se SUBORDINATIVAS as conjunções que ligam duas orações, uma
das quais determina ou completa o sentido da outra.
Eram três da tarde quando cheguei. (a oração exerce a função de advérbio de
momento)
Pediram-me que definisse o contexto da tese. (a oração exerce a função de
objeto direto do verbo PEDIR – Pediram-me isso.)

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Nas locuções conjuntivas, geralmente a última palavra é que.

As conjunções subordinativas dividem-se em: INTEGRANTES e ADVERBIAIS.


INTEGRANTES – são apenas duas (graças a Deus!) – que e se .
Elas sempre iniciam ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS, ou seja,
orações que estão no lugar de um substantivo.
Por isso, exercem funções sintáticas próprias dos substantivos – sujeito, objeto
direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo do sujeito, agente da
passiva etc.
Aproveitando o exemplo já apresentado:
Pediram-me que definisse o contexto da tese.
O verbo pedir é bitransitivo na oração (Alguém pede alguma coisa a alguém.).
Isso significa que o verbo possui um complemento indireto (representado pelo
pronome “me”) e um complemento direto (representado pela oração “que
definisse o contexto da tese”).
Como a oração está no lugar de um substantivo (Pediram-me paciência.), é
uma oração subordinada substantiva.
ADVERBIAIS – iniciam orações subordinadas adverbiais. As circunstâncias
expressas pelas orações podem ser:
• CAUSAIS – a oração exprime causa em relação a outra oração –
porque, pois, que, uma vez que, já que, porquanto, desde que,
como, visto que, por isso que
• COMPARATIVAS – subordinam uma oração a outra por meio de
comparação ou confronto de idéias – que, do que (antecedidas por
expressões mais, menor, melhor, pior etc.), (tal) qual, assim
como , bem como
• CONCESSIVAS – apresentam idéias opostas às da oração principal –
embora, apesar de, mesmo que, ainda que, posto que, conquanto,
mesmo quando, por mais que
• CONSECUTIVAS – apresentam a conseqüência para um fato exposto na
oração principal – (tanto/tamanho(a)/ tão) que, de sorte que, de
modo que, de forma que, de maneira que
• CONFORMATIVAS – expressam conformidade em relação ao fato da
oração principal – conforme, segundo, consoante, como (no sentido
de conforme)
• FINAIS – apresentam a finalidade dos atos contidos na oração principal
– a fim de (que), para que, porque, que
• PROPORCIONAIS – expressam simultaneidade e proporcionalidade dos
fatos contidos na oração subordinada em relação aos fatos da oração
principal – à proporção que, à medida que, quanto mais (tanto),
quanto menos (mais/menos)
• TEMPORAIS – indicam o tempo/momento da ocorrência do fato
expresso na oração principal – quando, enquanto, logo que, agora
que, tão logo, apenas, toda vez que, mal, sempre que

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Para a prova, duas providências são necessárias:
- MEMORIZAR o significado de algumas dessas conjunções (especialmente as
sublinhadas, que não estão no nosso linguajar cotidiano);
- ANALISAR o contexto para identificar a circunstância expressa pela oração
subordinada. Não basta memorizar essa lista (aliás, essa providência é
infrutífera – memorize apenas as conjunções inusitadas). Útil é compreender as
circunstâncias em que devam ser empregadas.

TABELA DAS CONJUNÇÕES

ADITIVAS

ADVERSATIVAS

ALTERNATIVAS
COORDENADAS
CONCLUSIVAS

EXPLICATIVAS

INTEGRANTES (iniciam orações subordinadas


substantivas)

SUBORDINADAS CAUSAIS

COMPARATIVAS

CONCESSIVAS

ADVERBIAIS CONSECUTIVAS

(iniciam orações
subordinadas CONFORMATIVAS
adverbiais)
FINAIS

PROPORCIONAIS

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TEMPORAIS

Vamos ao treino? Bons estudos.


QUESTÕES DE FIXAÇÃO
1 - (NCE UFRJ / ADMINISTRADOR PIAUÍ / 2006)
“...[a droga é] usada pelo adolescente da periferia para viajar ao paraíso por
alguns instantes”; a alternativa abaixo em que a utilização de um desses
vocábulos apresenta o mesmo valor semântico presente nesse segmento
destacado do texto é:
(A) “se espalha para a multidão de gente pobre”;
(B) “o bacilo da tuberculose, que, por via aérea...”;
(C) “irá parar nos pulmões dos que passarem por perto”;
(D) “é provável que se organize para acabar com as causas”;
(E) “dirigidos por fundações privadas”.

2 - (NCE UFRJ / ADMINISTRADOR PIAUÍ / 2006)


TEXTO – A SAÚDE E O FUTURO
Dráuzio Varella – Reflexões para o futuro
Ficaremos sobrecarregados, pagando caro pela ignorância e irresponsabilidade
do passado. Acharemos inacreditável não havermos percebido em tempo, por
exemplo, que o vírus da Aids, presente na seringa usada pelo adolescente da
periferia para viajar ao paraíso por alguns instantes, infecta as mocinhas da
favela, os travestis da cadeia, as garotas da boate, o meninão esperto, a
menininha ingênua, o senhor enrustido, a mãe de família e se espalha para a
multidão de gente pobre, sem instrução e higiene. Haverá milhões de pessoas
com Aids, dependendo de tratamentos caros e assistência permanente. Seus
sistemas imunológicos deprimidos se tornarão presas fáceis aos bacilos da
tuberculose, que, por via aérea, irão parar nos pulmões dos que passarem por
perto, fazendo ressurgir a tuberculose epidêmica do tempo dos nossos avós.
Sífilis, hepatite B, herpes, papilomavírus e outras doenças sexualmente
transmissíveis atacarão os incautos e darão origem ao avesso da revolução
sexual entre os sensatos.
No caldo urbano da miséria/sujeira/ignorância crescerão essas pragas modernas
e outras imergirão inesperadas. Estará claro, então, que o perigo será muito
mais imprevisível do que aquele representado pelas antigas endemias rurais:
doença de Chagas, malária, esquistossomose, passíveis de controle com
inseticidas, casas de tijolos, água limpa e farta.
Assustada, a sociedade brasileira tomará, enfim, consciência do horror que será
pôr filhos em um mundo tão inóspito. Nessas condições é provável que se
organize para acabar com as causas dessas epidemias urbanas. Modernos
hospitais sem fins lucrativos, dirigidos por fundações privadas e mantidos com o
esforço e a vigilância das comunidades locais, poderão democratizar o
atendimento público. Eficientes programas de prevenção, aplicados em parceria
com instituições internacionais, diminuirão o número de pessoas doentes.

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Então virá a fase em que surgirão novos rebeldes sonhadores, para enfrentar o
desafio de estender a revolução dos genes para melhorar a qualidade de vida
dos que morarem na periferia das grandes cidades ou na imensidão dos campos
brasileiros.
A alternativa em que a preposição destacada tem valor semântico de meio é:
(A) “para acabar com as causas dessas epidemias”;
(B) “aplicados em parceria com instituições internacionais”;
(C) “passíveis de controle com inseticidas”;
(D) “mantidos com o esforço e a vigilância das comunidades locais”;
(E) “Haverá milhões de pessoas com Aids”.

3 - (NCE UFRJ / INPI - ANALISTA MARCAS / 2005)


“... sob novo signo.”; nesse segmento o autor empregou corretamente a
preposição sob; o item abaixo em que houve troca entre sob/sobre é:
(A) Sob esse aspecto, a economia vai mudar;
(B) A economia foi analisada sob vários pontos de vista;
(C) A industrialização virá sob um novo governo;
(D) O congresso vai discutir sob política econômica;
(E) A industrialização foi feita sob pressão de grupos.

4 – (NCE UFRJ / ARQUIVO NACIONAL Agente Adm./ 2006)


“Havia controvérsias quanto à veracidade dos fatos”; a forma abaixo que
ALTERA o sentido original desse segmento do texto é:
(A) quanto à veracidade dos fatos, havia controvérsias;
(B) em relação à veracidade dos fatos, existiam controvérsias;
(C) no que diz respeito à veracidade dos fatos, havia controvérsias;
(D) afora a veracidade dos fatos, havia controvérsias;
(E) quanto à veracidade dos fatos, controvérsias havia.

5 - (NCE UFRJ / AGER)


TEXTO – NÃO
Salomão Rabinovich (Psicólogo)
A adolescência tem características particulares. São próprias dela a prepotência,
a luta pela auto-afirmação, a sensação de que se pode tudo. Mas é sabido que,
nessa fase da vida, somos inexperientes, inseguros, mais desatentos e um tanto
desengonçados. Os jovens ainda estão em fase de crescimento, e o
desenvolvimento biológico ainda não está completo. Por todos esses motivos,
não é recomendável dar a carteira de motorista a um menor de 18 anos. O
Brasil é campeão mundial de acidentes de carro. O trânsito em nossas grandes
cidades é caótico e violento. Os motoristas com idade entre 18 e 25 anos são os

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que mais correm e por isso a incidência de acidentes é maior nessa faixa etária.
Desde o início do ano, temos o novo Código de Trânsito Brasileiro que vem
sendo criticado por ser rigoroso demais, e é nesse contexto que se deseja dar a
carteira de motorista aos maiores de 16 anos. Para quê? Não é possível esperar
dois anos para começar a dirigir?
Ser contra esse projeto de lei não é ser contra os jovens. Quando um
adolescente vota, ele pode até estar fazendo uma escolha errada, mas ainda
assim terá aprendido a exercer sua cidadania. Com um voto, porém, ele não vai
morrer nem matar – o que pode acontecer se estiver dirigindo um carro. As
vítimas, suas famílias e as pessoas que causaram acidentes sabem como é
doloroso conviver com isso, principalmente quando um jovem morre ou fica
inválido. Para ser contra a carteira de motorista para maiores de 16 anos, basta
visitar os hospitais das grandes cidades e ver o estrago que a morte de um
adolescente causa. Já temos muitos problemas para resolver em relação ao
trânsito e aos jovens brasileiros. Não precisamos de mais esse.
O item em que o emprego da preposição em destaque está preso a uma
necessidade gramatical e não de sentido é:
(A) “...a sensação DE que se pode tudo”;
(B) “POR todos esses motivos...”;
(C) “DESDE o início do ano...”;
(D) “PARA quê?”;
(E) “Ser CONTRA esse projeto de lei...”.

6 - (FGV / ICMS MS - Fiscal de Rendas / 2006)


Podemos ser operados com anestesia, suavizar dores com analgésicos.
As duas ocorrências da preposição com no trecho acima expressam,
respectivamente, o sentido de:
(A) meio e modo.
(B) meio e meio.
(C) modo e meio.
(D) modo e modo.
(E) companhia e instrumento.

7 - (NCE UFRJ / Inspetor de Polícia / 2001)


“Há poucos dias, assistindo a um desses debates universitários que a gente
pensa que não vão dar em nada, ouvi um raciocínio que não me saiu mais da
cabeça.”; o comentário correto sobre esse segmento do texto é:
a) os três quês do texto pertencem à idêntica classe gramatical;
b) a expressão a gente, por dar idéia de quantidade, deve levar o verbo para o
plural;
c) a forma verbal vão deveria ser substituída pela forma vai;

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d) a forma verbal vão dar transmite idéia de possibilidade;
e) a última oração do texto restringe o sentido do substantivo raciocínio.

8 - (UnB CESPE/Banco do Brasil/2002)


De olho no que julgam ser a maior oportunidade de negócios nos próximos anos
em todo o mundo, as empreiteiras brasileiras articulam a formação de grandes
consórcios a fim de disputar com mais chances de vitória as licitações para a
ampliação do canal do Panamá. O lobby que o presidente Fernando Henrique
Cardoso fez pessoalmente em março, durante visita ao Panamá, é uma clara
manifestação de que as empresas brasileiras contam com boas chances de
serem escolhidas.
Daniel Rittner. “Ampliação do canal do Panamá atrai empreiteiras”. In: Valor
Econômico, 3/5/2002, p. A12.

Na linha 6, preservam-se o sentido textual e a correção gramatical ao se


substituir o pronome relativo “que” por qual, desde que também seja alterada a
preposição “de” para da.

9 - (FGV / ICMS MS - Fiscal de Rendas / 2006)


Curiosamente, no momento em que os marxistas (e, com eles, a esquerda em
geral) sublinhavam a significação crucial dos valores, da ética, a direita assumia
a centralidade da economia e passava a acreditar que possuía a chave da
compreensão correta (e da solução) dos problemas que nos afligem no
presente.
Assinale a alternativa correta quanto à classe gramatical e função sintática,
respectivamente, das ocorrências da palavra QUE grifadas no trecho acima.

CLASSE GRAMATICAL FUNÇÃO SINTÁTICA


(A) pronome relativo adjunto adnominal
conjunção integrante objeto direto
pronome relativo sujeito

(B) conjunção integrante complemento nominal


conjunção subordinativa sem função sintática
conjunção integrante objeto direto
(C) preposição sem função sintática
pronome relativo objeto indireto
conjunção integrante sem função sintática
(D) conjunção integrante sem função sintática
conjunção subordinativa objeto indireto
conjunção subordinativa objeto direto

(E) pronome relativo adjunto adverbial


conjunção integrante sem função sintática

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pronome relativo sujeito

10 - (FCC / ICMS SP / 2006)


Nem uma nem outra nasceram do acaso, mas são antes produtos de uma
disciplina consciente. Já Platão a comparou ao adestramento de cães de raça. A
princípio, esse adestramento limitava-se a uma reduzida classe social, a
nobreza.
Considere as afirmações que seguem sobre o fragmento transcrito, respeitado
sempre o contexto.
I. A conjunção mas pode ser substituída, sem prejuízo do sentido original, por
“entretanto”.
II. O advérbio Já introduz a idéia de que mesmo Platão percebera a similaridade
que o autor comenta, baseado na comparação feita pelo filósofo entre “cães de
raça” e “nobreza”.
III. A expressão A princípio leva ao reconhecimento de duas informações
distintas na frase, uma das quais está subentendida.
Está correto o que se afirma APENAS em
(A) I.
(B) II.
(C)) III.
(D) I e II.
(E) II e III.

11 – (FCC / ICMS SP/2006)


Escrito há cerca de setenta anos, / conserva a capacidade de atualização das
páginas escritas com arte e verdade.
Estaria explicitada a relação de sentido entre os dois segmentos destacados no
período acima caso iniciasse
(A) o primeiro segmento por Uma vez.
(B) o primeiro segmento por Porquanto.
(C)) o primeiro segmento por Ainda que.
(D) o segundo segmento por por isso.
(E) o segundo segmento por de tal modo.

12 - (BESC / ADVOGADO/ 2004)


Assinale a alternativa em que se tenha usado corretamente o porquê.
(A) Os perigos porque passamos fizeram-nos amadurecer.
(B) Porque todos vão ficar calados você também vai ficar?
(C) Não havia um por quê para a ausência da equipe.

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(D) Sem saber porque, todos ficaram atônitos.
(E) Eles não se manifestaram, porquê?

13 - (FGV/PREF.ARAÇATUBA/2001)
Assinale a alternativa correta quanto ao uso de "porque", "porquê", "por que",
"por quê".
A. Não saiu por que chovia.
B. Não sei por que brigamos.
C. Respondi por quê tinha certeza.
D. Porque você não correu?

14 - (FGV / ICMS MS – ATI / 2006)


Perguntei por que ele não tocava mais piano.
Assinale a alternativa correta acerca do uso do porquê na frase acima.
(A) A forma está correta, pois corresponde à preposição POR + o pronome
relativo QUE.
(B) A forma está correta, pois é uma conjunção, sendo, nesse caso, sempre
grafada como duas palavras.
(C) A forma está correta, pois equivale a "por qual razão", caracterizando uma
pergunta indireta.
(D) A forma está incorreta, pois a forma com duas palavras só se usa em
perguntas. O correto seria PORQUE.
(E) A forma está incorreta, pois, embora seja grafada com duas palavras, a
forma QUE deveria levar acento circunflexo.

15 - (ESAF/TRF/2002.1)
Assinale a opção que, ao preencher as lacunas, torna o texto sintaticamente
incorreto.
___________ na execução de programas sociais no Nordeste, ______ no
desenho das relações entre centros de pesquisa e empresas, um dos maiores
problemas sempre foi o de garantir que os recursos cheguem ao seu destino e
que sejam usados com inteligência.
a) Seja / seja
b) Tanto / quanto
c) Conquanto/ ou
d) Tanto / como
e) Quer/ quer

16 - (FGV / ICMS MS – TTI / 2006)

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O brasileiro é como eu ou você. Já não digo como o presidente, pois este nem
pecado tem, mas como eu, você ou o vizinho. O povo é bom e honesto. Como
demonstrou um programa para auxiliar famílias pobres do interior. Os pobres
não receberam a ajuda, que ficou com as famílias remediadas ou ricas mesmo.
E, quando alguém que não precisa recusa essa ajuda, a gente dá uma festa e
bota no jornal, apesar de ser acontecimento tão trivial.
(João Ubaldo Ribeiro. O Globo, 22/05/2005)
Em “Como demonstrou um programa para auxiliar famílias pobres do interior.”,
a palavra destacada apresenta noção de:
(A) causa.
(B) comparação.
(C) condição.
(D) conformidade.
(E) modo.

17 - (FGV / Ministério da Cultura /2006)


Mudou de idéia. Com 26 anos, percebeu que o hobby que tinha adquirido em
Nova York se convertera em paixão. No final de 2004, veio com sua família para
duas semanas de férias em São Paulo. "Como sempre tive muito interesse em
estudar a América Latina, fui ficando." Soube então de uma experiência
desenvolvida pelo colégio Miguel de Cervantes, criado por espanhóis, na vizinha
Paraisópolis.
(Gilberto Dimenstein. Folha de São Paulo, 12/04/2006)
O vocábulo Como (L.3) introduz idéia de:
(A) causa.
(B) comparação.
(C) concessão.
(D) conseqüência.
(E) explicação.

18 - (FUNDEC / TRT 2ª Região / 2003)


Fazendo-se a junção de pensamentos expressos nos dois períodos do terceiro
parágrafo “nas últimas décadas vem se formando ali um cinturão de miséria (...)
_____ a região ostenta índices de desenvolvimento humano tão desesperadores
quanto o de alguns dos países mais atrasados da África” (linhas 17-23), com o
cuidado de se manter o sentido original, poderiam ser usados os conectivos
abaixo relacionados, EXCETO:
A) de modo que;
B) tal que;
C) tanto que;
D) posto que;

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E) de sorte que.

19 - (FCC / BANCO DO BRASIL / 2006)


Somos todos da mesma espécie, mas o que encanta uns horroriza outros.
Caso o período acima iniciasse com a frase O que encanta uns horroriza outros,
uma consecução coerente e correta seria:
(A) dado que somos todos da mesma espécie.
(B) embora se tratem todos da mesma espécie.
(C) haja vista de que somos todos da mesma espécie.
(D)) conquanto sejamos todos da mesma espécie.
(E) posto que formos todos da mesma espécie.

20 - (ESAF/TRF/2003) Leia o texto abaixo para responder à questão 07.


O panorama da sociedade contemporânea sugere-nos incontáveis abordagens da
ética. À medida que a modernidade — ou a pós-modernidade — avança, novas
facetas surgem com a metamorfose do espírito humano e sua variedade quase
infinita de ações. Mas, falar sobre ética é como tratar da epopéia humana. Na
verdade, está mais para odisséia, gênero que descreve navegações acidentadas,
lutas e contratempos incessantes, embates de vida e morte, ilusões de falsos
valores como cantos de sereias, assédios a pessoas e a propriedades, interesses
contraditórios de classes dominantes figuradas pelos deuses, ora hostis ora
favoráveis. As aventuras de Ulisses sintetizam e representam o confronto de
ideais nobres e de paixões mesquinhas. Não obstante narram-se também feitos
de abnegação, laços de fidelidade entre as pessoas e suas terras, lances de
racionalidade e emoção, a perseverança na reconquista de valores essenciais. Os
mitos clássicos são representações de vicissitudes humanas e situações éticas
reais.
Em relação ao texto, assinale a opção correta.
a) Em “sugere-nos”(l.1) o pronome enclítico exerce a mesma função sintática do
“se” em “narram-se”(l.10).
b) Ao se substituir “À medida que”(l.2) por À medida em que, preservam-se as
relações semânticas originais do período.
c) A preposição “com”(l.3) está sendo empregada para conferir a idéia de
comparação entre “novas facetas”(ls.2-3) e “metamorfose do espírito
humano”(l.3).
d) A expressão “Na verdade, está mais para odisséia”(l.4-5) e as informações
que se sucedem permitem a inferência de que “epopéia”(l.4) não traria a noção
de dificuldades, fracassos.
e) O período permaneceria correto se a preposição na expressão “confronto de
ideais”(ls.9-10) fosse, sem outras alterações no período, substituída por entre.

21 - (ESAF/TRF/2003)

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A ciência moderna desestruturou saberes tradicionais, e seu paradigma
mecanicista, que encara o mundo natural como máquina desmontável, levou a
razão humana aos limites da perplexidade, porquanto a fragmentação do
conhecimento em pequenos redutos fechados se afasta progressivamente da
visão do conjunto. A excessiva especialização das partes subtrai o conhecimento
do todo. Daí resulta a dificuldade teórica e prática para que o espírito humano se
situe no tempo e no espaço da sua existência concreta.
(José de Ávila Aguiar Coimbra, Fronteiras da Ética, SãoPaulo: Senac, 2002)
Em relação ao texto, julgue a assertiva abaixo.
- Ao se substituir a conjunção “porquanto”(l.3) pela conjunção porque, as
relações sintáticas e semânticas do período são mantidas.

22 - (ESAF/Oficial de Chancelaria/2002)
Assinale a opção em que uma das duas sugestões não preenche corretamente a
lacuna correspondente.
A diplomacia defende e projeta no exterior os interesses nacionais,
_____1______que ela procura melhorar a inserção internacional do país que
representa. ____2____ ela não cria interesses ____3_____pode projetar o que
não existe. O país que se encontra por trás da diplomacia é o único elemento
_____4________ela pode operar.______5________, a diplomacia só poderá
responder adequadamente às transformações do cenário internacional se essas
transformações forem, de alguma forma, internalizadas pelo país.
(Adaptado de www.mre.gov.br, Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos
Deputados)
a) 1 - da mesma forma / do mesmo modo
b) 2 - Entretanto / Todavia
c) 3 - nem / tão pouco
d) 4 - a partir do qual / com base em que
e) 5 - Por isso / Por conseguinte

23 - (ESAF/Gestor Fazendário MG/2005)


A economia brasileira apresentou um bom desempenho ano passado,
incentivada, principalmente, por anterior queda nos juros e pelo crescimento das
vendas do país no exterior. ____(a)___este ano, um desses motores está
ausente. ___(b)___ o Banco Central, para combater a inflação, vem elevando
seguidamente a taxa básica, hoje situada em 19,25% ao ano. ____(c)____, os
juros altos estão contribuindo para frear o crescimento econômico, mas não a
inflação._____(d) _____o ganho com a queda da inflação é pequeno, se
comparado à perda no crescimento econômico. Não se defende por meio dessa
comparação, o aumento da produção a qualquer custo. _____(e)_____o
objetivo é expor a atual ineficácia do aumento dos juros sobre a inflação. O
outro motor importante para o crescimento de 2004 (as exportações
brasileiras), no entanto, continua presente este ano, com ótimo desempenho.
(Inflação e crescimento. Opinião.Correio Braziliense, com adaptações)

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Desconsiderando o emprego de letras maiúsculas e minúsculas, assinale a opção
que, ao preencher a lacuna, mantém o texto coeso, coerente e gramaticalmente
correto.
a) Haja vista que
b) Apesar de
c) Entretanto
d) Embora
e) Tão pouco

24 - (ESAF/Assistente de Chancelaria/2002)
Assinale a opção em que ao menos um dos conectivos propostos para preencher
a lacuna provoca incoerência textual ou erro gramatical.
O Brasil é um país grande, diversificado _____(a)_____ visto como uma
promessa que parece nunca se realizar. O potencial existe, _____(b) _____ há
algo bloqueando o Brasil. Acho que é uma combinação de fatores como o
sistema político e o modo de trabalhar do cidadão, pouco engajado nos
problemas da sociedade, ______(c) _____ é muito freqüente o brasileiro eleger
políticos por seu nível de popularidade, sem avaliar seus programas e ações. É
um país muito importante para a economia mundial, _____(d) _____ sermos
sempre decepcionados. É, ______(e) _____, um desafio delicado entender por
que as coisas não acontecem rapidamente no Brasil.
(Michel Porter, Veja, 5/12/2001, com adaptações)
a) e / mas
b) entretanto / mas
c) já que / pois
d) embora / apesar de
e) contudo / portanto

GABARITOS COMENTADOS DAS QUESTÕES DE FIXAÇÃO


1–D
A preposição para pode assumir, dentre outros, os seguintes valores:
- em relação ao espaço, direção: Ele vai para Curitiba.
Note que há uma significativa distinção do verbo acompanhado da preposição
para em relação ao mesmo verbo acompanhado da preposição a. No primeiro
caso, apresenta-se um valor de permanência (Vou para Curitiba = Vou ficar um
longo tempo em Curitiba) muito maior do que no segundo (Vou a Curitiba – Vou
passar um tempo em Curitiba.).
- tempo: Ele deixou o trabalho para segunda-feira.
- de finalidade: Ele não responde para não se aborrecer.

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A preposição empregada no segmento do enunciado tem valor adverbial,
apontando a finalidade do uso da droga: para “viajar” ao paraíso (note o valor
transitório da preposição “a” nessa oração – viajar ao paraíso = “vai, mas volta
logo”). O sentido da preposição “para” é a finalidade.
Esse mesmo sentido é apresentado na estrutura da opção d: “é provável que se
organize para acabar com as causas” (para = a fim de)
Já a preposição por pode apresentar os seguintes aspectos (dentre outros):
- caminho, percurso: Ele anda pelos campos.
- de tempo: Por um minuto, pensei em você.
- circunstancial: Ele contou tudo, tim-tim por tim-tim (de modo). Pelas mãos
do escultor, surge a obra (de meio).
- agente da passiva - A instituição foi administrada por ela no ano passado.

Na expressão “por alguns instantes”, há a indicação de tempo. Isso não se


repete nas demais opções:
- b – pelas vias aéreas (meio);
- c – por perto (proximidade).
- e - a preposição introduz o agente da passiva: (são) dirigidos por fundações
privadas.

2–C
Para identificar a construção que indica “meio”, será válida a troca da preposição
por pela expressão “por meio de”.
Uma opção que poderia suscitar dúvidas seria a de letra d: mantidos com o
esforço e a vigilância das comunidades locais. Contudo, a expressão introduzida
pela preposição não apresenta os “meios”, como seria em “mantidas com
recursos do governo federal = por meio dos recursos”. Ela denota o “apoio” com
que os hospitais poderiam contar.
Só há uma opção em que aquela troca é possível: c - “passíveis de controle [por
meio de] inseticidas”.

3–D
Há significativa distinção entre as preposições sob e sobre. A primeira (sob)
significa “debaixo de” e pode ser usada em expressões como “sob esse aspecto,
sob uma condição, sob o domínio de, sob o governo de” – sempre com a idéia
de subordinação.
Já a preposição sobre pode exprimir valor de “acima de” (posição), “a respeito
de” (assunto), dentre outras acepções.
Por isso, o gabarito é a letra d: alguém discute “a respeito de” alguma coisa.
Então, a preposição adequada seria sobre: “O congresso vai discutir sobre
política econômica”.

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4–D
Construída a partir da contração da preposição “a” com o advérbio “fora”, a
expressão “afora” (escrita assim mesmo, tudo junto) pode ser classificada como:
- um advérbio: “Viajando pelo mundo afora, na cidade que não tem mais fim”
(letra de “À Francesa”, de Cláudio Zoli e Antônio Cícero, sucesso de Marina Lima
– quem tem cerca de 30 anos certamente se lembra dessa, não é?)
- uma preposição, com valor de:
¾ “além de”: Afora os percalços do caminho, encontramos também
pessoas ingratas.
¾ “exceto, salvo”: Encontramos dificuldade no caminho, afora neste
trecho que foi reformado.
Por isso, está empregada de forma inapropriada na opção d.

5–A
As preposições podem ser usadas para apresentar circunstâncias (em adjuntos
adverbiais) ou em função de exigências gramaticais (objeto indireto,
complemento nominal, agente da passiva).
Em “a sensação de que se pode tudo”, a regência do substantivo sensação
exige a preposição de. Essa é a resposta.
Nas demais ocorrências, a preposição introduz elementos circunstanciais à
oração.

6–C
Para não errar, tenha em mente que a preposição com atribui circunstância de
meio quando puder ser substituída pela expressão “por meio de”.
Vamos testar:
- “Podemos ser operados por meio de anestesia...”
Isso não faz sentido algum!
“Com anestesia” é o modo pelo qual o sujeito será operado. Para identificar
essa circunstância mais facilmente, imagine um dentista perguntando ao seu
cliente: “como o senhor deseja ser tratado, com ou sem anestesia?” – ou seja,
“de que modo quer ser tratado?”.
- “... suavizar dores por meio de analgésicos”
Agora, sim! Os analgésicos serão os meios pelos quais as dores serão
suavizadas.
Assim, as circunstâncias apresentadas são, respectivamente, de modo e de
meio.

7–E

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Agora, iremos tratar da diferença entre PRONOME RELATIVO e CONJUNÇÃO
INTEGRANTE.
A primeira, já vimos, inicia uma oração subordinada adjetiva.
A segunda, uma oração subordinada substantiva.
Mas, como fazer essa distinção na oração? Afinal de contas, a palavra QUE pode,
dentre outras coisas, ser um pronome relativo (chamado de pronome relativo
universal) ou uma conjunção integrante.
Será pronome relativo quando tiver um referente, ou seja, um substantivo ou
pronome substantivo pertencente à oração anterior ao qual irá se referir (por
isso, o termo “referente”).
Já como conjunção integrante, não. Por ter valor de substantivo, essa oração
pode, regra geral, ser substituída pelo pronome ISSO.
Vamos aos exemplos:
O rapaz que conheci viajou.
Esse período é composto por duas orações.
Oração 1: O rapaz viajou (principal) – que rapaz é esse?
Oração 2: que conheci (oração subordinada)
A palavra que está no lugar do substantivo rapaz (Eu conheci o rapaz).
Então, essa palavra é mesmo um pronome relativo.
A “oração 2” é uma oração subordinada adjetiva e exerce a função sintática de
adjunto adnominal, pois atribui ao substantivo rapaz uma característica (não é
qualquer rapaz, mas o “rapaz que conheci”).

Eu reconheço que errei.


Esse período também é composto por duas orações.
Oração 1: Eu reconheço (principal)
Oração 2: que errei. (oração subordinada)
A segunda oração poderia ser substituída pelo pronome ISSO: Eu reconheço
isso.
Essa palavra que é, portanto, uma conjunção integrante e a oração é uma
oração subordinada substantiva.
Alguém reconhece alguma coisa. No lugar de “alguma coisa”, está a oração.
Ela exerce a função sintática de objeto direto da oração principal (Eu reconheço
isso = “que errei”). Por isso, é chamada de “oração subordinada substantiva
objetiva direta”. Já estamos começando a nos acostumar com essa
nomenclatura, que será objeto de estudo do próximo encontro.
Vamos, agora, analisar os “quês” que surgiram no enunciado.
“Há poucos dias, assistindo a um desses debates universitários que a gente
pensa que não vão dar em nada, ouvi um raciocínio que não me saiu mais da
cabeça.”

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Como disse o esquartejador, “vamos por partes” (horrível essa, mas não pude
resistir):
“... um desses debates universitários que a gente pensa que não vão dar em
nada”
Vamos substituir o pronome pelo substantivo correspondente e colocar na ordem
direta:
A gente pensa que esses debates universitários não vão dar em nada.
O primeiro “que” está no lugar de “esses debates universitários”.
Já o segundo (a gente pensa que...) inicia uma oração que poderia ser
substituída pelo pronome isso:
A gente pensa ISSO. (Sim, o verbo pensar também pode ser transitivo direto –
consulte um bom dicionário de regência verbal, no caso de dúvida).
É, então, uma conjunção integrante.
2) “... ouvi um raciocínio que não me saiu mais da cabeça”
O que não saiu mais da cabeça? Resposta: um raciocínio.
Em seu lugar, foi empregada a palavra que (que não me saiu mais da cabeça).
Ela é, portanto, um pronome relativo.
Assim, segundo a ordem de aparecimento, os três “quês” são:
Pronome relativo / conjunção integrante / pronome relativo.
Vamos, agora, analisar as opções:
a) ERRADA – eles não pertencem à mesma classe gramatical: o segundo é uma
conjunção integrante, enquanto que os outros são pronomes relativos.
b) ERRADA – a expressão a gente exige o verbo no singular, mesmo que
indique várias pessoas.
c) ERRADA – a análise que fizemos já nos permite afirmar que o sujeito da
locução verbal “vão dar” é “debates universitários” (A gente pensa que esses
debates universitários não vão dar em nada.).
d) ERRADA – essa locução verbal equivale a “darão”, com o verbo no futuro do
presente indicando fato futuro e certo, e não uma possibilidade (verbo no futuro
do pretérito ou no modo subjuntivo).
e) CERTA – a oração “que não me saiu mais da cabeça” restringe o alcance da
palavra raciocínio. É uma oração subordinada adjetiva restritiva.
As orações subordinadas adjetivas podem ser restritivas ou explicativas.
Veja o seguinte exemplo:
Meu primo que é paulista esteve aqui.
Pergunto: quantos primos eu tenho?
De acordo com essa oração, certamente mais de um. Não houve pausa entre a
primeira oração (meu primo esteve aqui – oração principal) e a oração
subordinada adjetiva que se refere a “primo”. Assim, essa oração adjetiva tem
valor RESTRITIVO. De todos os primos que tenho, o que é paulista esteve
aqui. O mineiro, não esteve; o baiano também não.
Agora, mudo a oração adjetiva, colocando-a entre vírgulas:
Meu primo, que é paulista, esteve aqui.
Quantos primos eu tenho, segundo essa construção? Só um – o paulista.
Isso porque a oração, com pausa, é EXPLICATIVA. Ela poderia ser omitida, afinal
a informação é dispensável: meu primo esteve aqui (eu só tenho um e ele é
paulista!).
Esses conceitos serão abordados novamente em aulas futuras.

8 – Item INCORRETO
A banca examinadora tentou enganar você, hem? Sugeriu simplesmente a troca
de um “de que” por um “da qual”. Se você não fosse tão esperto(a), teria caído
diretinho, não é mesmo?
Ainda bem que você voltou ao texto e percebeu que esse “que” não era um
pronome relativo, mas uma conjunção.
(Foi exatamente isso que aconteceu, não é?!?!?!?!...rs...)
Vamos analisar a construção.
O lobby que o presidente Fernando Henrique Cardoso fez pessoalmente em
março, durante visita ao Panamá, é uma clara manifestação de que as
empresas brasileiras contam com boas chances de serem escolhidas.
Vamos simplificar: “O lobby (...) é uma clara manifestação DISSO ”.
Mas “DISSO” o quê? Resposta: “de que as empresas brasileiras contam com
boas chances de serem escolhidas”.
Toda a oração complementa o substantivo “manifestação”. Sua função sintática
é, portanto, complemento nominal.
Como pudemos substituir toda a oração pelo pronome ISSO (conjugado com a
preposição “de” formando DISSO), a oração é subordinada substantiva
completiva nominal, e a palavra “que” é uma conjunção integrante.
A essa altura do campeonato, você já deve ter decifrado o enigma dessa
nomenclatura: oração subordinada substantiva completiva nominal.
- oração subordinada (exerce função sintática na oração anterior);
- substantiva (está no lugar de um substantivo);
- completiva nominal (exerce a função sintática de complemento nominal).

9–E
Já aprendemos a distinguir um pronome relativo de uma conjunção integrante.
Essa questão é uma ótima oportunidade de vermos, também, a função sintática
que podem ser exercidas.
Primeira providência - verificar se o "que" se refere a algum termo
antecedente (PRONOME RELATIVO) ou inicia uma oração substantiva (que pode
ser substituída por "ISSO" - CONJUNÇÃO INTEGRANTE).
1º. "no momento em que" - esse "que" se refere a 'momento' - PRONOME
RELATIVO (nesse momento)
2º. "passava a acreditar que possuía a chave" - passava a acreditar NISSO –
CONJUNÇÃO INTEGRANTE
3º. "compreensão dos problemas que nos afligem" - "que" se refere a
"problemas"- PRONOME RELATIVO (os problemas nos afligem).
A ordem é, portanto, pronome relativo / conjunção integrante / pronome
relativo.
Vamos, agora, às opções - as letras a e e são as únicas que apresentam essa
disposição (Já temos 50% de chances de ganhar o ponto!!!).
Vamos, agora, analisar a função sintática dos termos.
A conjunção integrante não exerce função sintática nenhuma – é só um
conectivo (como nos indica o título da aula de hoje). Assim, podemos eliminar
também a opção a, que indica a função de objeto direto.
Não caia nessa pegadinha!!!
Para começar, o verbo acreditar é transitivo indireto – Alguém acredita em
alguma coisa. Como o objeto indireto está sob a forma oracional, a preposição
pode ser omitida (espero que você ainda se lembre dessa lição, hem????).
Só que quem exerce a função de objeto indireto não é a conjunção, mas toda
a oração que foi iniciada por ela: “(em) que possuía a chave da compreensão
...”.
Os pronomes relativos, sim, exercem funções sintáticas nas orações adjetivas
que iniciam:
1º. "no momento em que" - esse "que" se refere a 'momento' - refere-se a uma
informação circunstancial (momento) - sua função é ADJUNTO ADVERBIAL.
3º. "compreensão dos problemas que nos afligem" - "que" se refere a
"problemas" - os problemas nos afligem - a função é a de SUJEITO.
A ordem seria, portanto: adjunto adverbial / sem função sintática /
sujeito, confirmando, assim, a resposta: letra e.

10 – C
I – A partir deste item, veremos que não se pode afirmar a classificação de uma
conjunção sem verificar o valor que ela atribui ao período.
Oração 1 = Nem uma nem outra nasceram do acaso
Oração 2 = São antes produtos de uma disciplina consciente
Note que não há divergência entre as duas orações. Pelo contrário, elas se
completam: “não nascem do acaso Î são produtos de uma disciplina
consciente”.
Assim, o valor da conjunção mas para o período é de ADIÇÃO.
Portanto, essa assertiva está INCORRETA.

II – Note que o vocábulo “Já” equivale a “por sua vez”: “Já Platão a comparou
ao adestramento de cães de raça” = “Platão, por sua vez, a comparou ao
adestramento de cães de raça”.
É estabelecida, portanto, uma relação contrária entre as orações – um afirma
isso; outro, por sua vez, afirma aquilo. São argumentos que se encontram em
direções opostas.
Por isso, está INCORRETA a afirmação de que o pensamento do autor se
assemelha ao de Platão.

III – Existe uma diferença entre a expressão “A princípio” e “Em princípio”.


A primeira equivale a “primeiramente”, “em primeiro lugar”.
Já a segunda significa “em tese”, dependente de confirmação posterior.
Ao afirmar que “a princípio, esse adestramento limitava-se a uma reduzida
classe social, a nobreza”, podemos supor que, posteriormente, o “adestramento”
se estendeu a outras classes sociais. É essa a informação que está
subentendida.
Por isso, está CORRETA a afirmação do item III.

A partir da próxima questão, vamos analisar o valor de algumas conjunções


“cabeludas”.

11 - C
As conjunções “uma vez que”, “por isso”, “porquanto”, “de tal modo” atribuem à
oração subordinada um valor causal (“por esse motivo”)
Contudo, as orações “Escrito há cerca de setenta anos” e “conserva a
capacidade de atualização das páginas escritas com arte e verdade” estão em
campos semânticos opostos: o primeiro indica antiguidade (“escrito há setenta
anos”), enquanto que o segundo, sua atualidade (“conserva a capacidade de
atualização”).
Em virtude disso, a conjunção que se presta a unir as duas orações é “ainda
que”, de valor concessivo, ou seja, liga orações que apresentam idéias
contrárias.

12 – B
Em vários livros voltados para concursos públicos há listas e mais listas sobre o
“porque” e suas formas (separado com acento, separado sem acento, junto
com acento, junto sem acento).
Primeiro devemos entender o motivo da acentuação do vocábulo.
Quando o pronome ou a conjunção está no início ou no meio do período,
normalmente a palavra é átona, chegando, por regionalismo, a ser pronunciada
como “porqui”.
Todavia, no fim do período, recebe ênfase e passa a ser forte, tônica. É por isso
que, nessa posição, recebe o acento circunflexo (por quê). Também é
acentuado o substantivo porquê, que, na mudança de classe gramatical, passou
a ter uma tonicidade que, na forma de pronome ou conjunção, não tinha.
Em resumo: recebe acento circunflexo o vocábulo tônico, quer pronome
interrogativo no fim da frase (“Eu preciso saber por quê.”), quer substantivo
(“Ele não sabe o porquê da demissão.”).

Assim ,em resumo, se for:


- substantivo - (o/um/este)- é junto e com acento: porquê
- conjunção (explicativa ou causal), é junto, sem acento – porque.
- pronome relativo (que) acompanhado de preposição (por) - é
separado e pode ser substituído por “pelo qual” e flexões: “Há
muitas razões por que [pelas quais] tanta gente presta concurso
público.” – por que.
- preposição + pronome interrogativo (em pergunta direta ou
indireta), ele é separado e apresenta a idéia de “por qual motivo /
por qual razão”: “Não sei por que você não veio.” / “Por que você
não veio?” / “Você não veio por quê?” (recebeu acento por ser
tônico) – por que.
Usa-se essa forma também como complemento de expressões como
eis, daí e em outras em que esteja implícita a palavra “motivo” – “Eis
por que (motivo) eu não irei à festa.” / “Estive doente, daí por que
(motivo) não fui à festa.” / “Não há por que (motivo) você se aborrecer
comigo.”.

Vamos, agora, analisar as opções.


A) O pronome relativo que substitui o substantivo “perigos”, enquanto que a
construção exige a preposição por: “Nós passamos por perigos”. Como é uma
preposição + pronome relativo, escrevem-se separadamente: Os perigos por
que passamos.
B) Cuidado com a pegadinha! O “porque” não é um pronome interrogativo que
forme uma oração interrogativa. Essa ordem da oração nos leva a imaginar isso!
Na verdade, colocando na ordem direta, a oração interrogativa seria: “Você
também vai ficar (calado) porque todos vão ficar calados?”.
Ou seja, em virtude de/ pela razão de / pelo motivo de todos ficarem
calados, você também ficará? Esse “porque” é uma conjunção causal, devendo
ser grafada assim: porque. Por isso, está certa a grafia desse vocábulo.
Realmente, essa questão foi muito maldosa!
C) Agora, esse “porquê” é um substantivo. Prova disso é que está acompanhado
de um artigo indefinido: um porquê. Assim, deve ser grafado com acento e tudo
junto: porquê.
D) Nessa oração, está subentendida a palavra “motivo”: “Sem saber por que
(motivo), todos ficaram atônitos”. Nesse caso, trata-se de uma preposição
acompanhada de um pronome interrogativo, devendo ter a grafia separada –
por que. Como o pronome está no fim da oração, recebe também um acento
circunflexo por ser tônico: Sem saber por quê, todos ficaram atônitos.
E) Temos, aí, uma pergunta. Por isso, o vocábulo deve ser separado, mantendo
o acento por ser tônico: Eles não se manifestaram, por quê?
Resolva, agora, a próxima, para fixar esses conceitos.

13 – B
A) A segunda oração apresenta o motivo pelo qual o sujeito da primeira oração
não saiu. Essa é uma conjunção causal, devendo ser grafada como uma única
palavra: Não saiu porque chovia Î causa: chovia / conseqüência: não saiu.
É muito tênue a linha divisória entre oração subordinada causal e a oração
coordenada explicativa.
Usando o exemplo acima, note a diferença entre estas duas orações:
Não saiu porque chovia. (causal)
Não saia, porque está chovendo. (explicativa)
Algumas dicas, colhidas aqui e ali, podem ajudar na classificação da oração.
Compilei-as aqui e vamos analisá-las, uma a uma:
I - na oração explicativa, normalmente há uma pausa, marcada no texto
por uma vírgula antes da conjunção (como se observa no segundo
exemplo); no entanto, se a oração principal for extensa, também é possível
o emprego da vírgula antes da conjunção causal (ou seja, essa dica não
ajuda muito...);
II - após orações no imperativo, as orações são explicativas (como
aconteceu na segunda oração): “Não venha, pois não estarei sozinha.”
(Essa dica funciona mesmo!);
III - enquanto a oração coordenada explicativa é independente da oração
assindética (até mesmo por ser coordenada), a oração subordinada causal
exerce a função sintática de adjunto adverbial na oração principal (Esse é o
conceito e, por isso, foi mencionado. No fundo, não ajuda muito.);
IV - se for possível a troca do “porque” pelo “que”, a oração é explicativa.
Comparemos: “Não saiu porque estava chovendo.” – não posso substituir
pelo que = é causal. / “Não saia, porque está chovendo.” – posso
substituir pelo que (“Não saia, que está chovendo”) Î é explicativa.
(Essa dica merece nota 7 – muitas vezes funciona mas pode furar...).
Na próxima aula, voltaremos a analisar essa diferença.
Por ora, com a aplicação do método IV, confirmamos o valor causal da oração.
Não seria possível a troca do “porque” pelo “que”.
Esse “porque” é, portanto, causal.
Voltemos às demais opções.
B) Está CORRETA a construção. Note que está subentendida a palavra “motivo”:
Não sei por que (motivo) brigamos.
Assim, escreve-se separadamente.

C) Mais uma vez, temos uma conjunção causal. Na segunda oração, apresenta-
se o motivo de não ter respondido (oração principal): Respondi porque tinha
certeza. Assim, a palavra deve ser escrita juntinha – porque.

D) Essa é uma oração interrogativa direta, devendo estar separado: Por que
você não correu?

14 – C
Essa é para encerrar essa série de “porquês”.
Veja como o examinador exige que o candidato conheça o motivo da grafia, e
não saia por aí decorando listas sem sentido.
Temos uma pergunta indireta, em que está subentendida a palavra “motivo” ou
“razão”. Assim, devemos escrever separadamente: Perguntei por que
(motivo/razão) ele não tocava mais piano.

15 - C
Enquanto que as sugestões das opções a, b, d e e são conjunções alternativas
ou comparativas, a conjunção “conquanto” é concessiva (equivalente a
“embora”, “apesar de”), o que prejudicaria a coesão textual.

16 – D
Não dá certo decorar – é preciso entender. Veja os diversos valores da
conjunção como.
Em “O brasileiro é como eu ou você”, o “como” tem valor comparativo.
Já no período em destaque, poderia ser substituída pela conjunção “conforme”:
“Conforme demonstrou um programa para auxiliar famílias pobres do interior”.
Assim, apresenta noção de conformidade – opção d.
Veja, agora, a questão seguinte.

17 – A
Agora, esse mesmo vocábulo apresenta a seguinte idéia: “Porque sempre tive
muito interesse em estudar a América Latina [por esse motivo], fui ficando”
O valor da conjunção como é de causa, motivo, razão – conjunção causal.
Note a relação de causa e conseqüência entre as duas orações:
Causa Î sempre tive muito interesse em estudar a América Latina
Conseqüência Î fui ficando

18 – D
“Posto que” é uma das “cabeludas”. Ela é equivalente a “ainda que”, “embora”,
“mesmo que”.
Esta locução conjuntiva não pode ser usada no sentido de porque, visto que, ou
seja, não atribui valor de causa, mas de concessão (idéia contrária).
A banca examinadora explorou exatamente essa forma que, na linguagem
coloquial, tornou-se comum, sem obter abono da norma culta.
Trate logo de sublinhar essa expressão em seu material e guardar na memória –
posto que equivale a embora.
As demais atribuem à segunda oração um valor consecutivo:

CAUSA CONJUNÇÃO CONSEQÜÊNCIA


de modo que A região ostenta
Formação de um tal que índices de
cinturão de Î Î desenvolvimento
miséria tanto que humano
de sorte que desesperadores

19 - D
A idéia entre as duas orações é contrária. Deve-se usar, portanto, uma
conjunção adversativa ou concessiva. Por isso, foi corretamente usada a
conjunção conquanto.
Ela é parecida com a que vimos anteriormente: porquanto (questão 11)
As duas são raramente usadas e poderiam levar a alguma confusão.
Então, seus problemas acabaram!!!!
Vamos traçar um paralelo entre elas (que são parecidas) para guardar seus
significados:
Porquanto – por causa de (causal ou explicativa)
Conquanto – concessiva
Gostou do método de memorização? Ah, não... então, invente o seu!
Voltando à análise da questão.
O enunciado exige que se observe, também, a correção gramatical da proposta.
Estão incorretas as demais sugestões pelos motivos que se seguem.
(A) A conjunção “dado que” atribui um valor causal à oração (uma
vez que, por causa de), quando o que se busca é um valor
concessivo ou adverso.
(B) O erro não está na conjunção, mas na flexão do verbo “tratar”
que, acompanhado do pronome “se”, forma sujeito
indeterminado: “embora se trate da mesma espécie”.
(C) Além de ser inapropriado o emprego de “haja vista que” (cujo
valor é causal), houve um erro ao acrescentar uma preposição
“de” à expressão (haja vista de que ?!?!).
(E) A conjunção “posto que”, corretamente utilizada por ter caráter
concessivo, exige que o verbo seja conjugado no subjuntivo
(“posto que sejamos todos da mesma espécie”). Acertou na
conjunção (concessiva), mas errou na conjugação verbal.

20 - D
Essa questão envolvia diversos assuntos: vocabulário, emprego de pronomes,
preposição, conjunção.
Enquanto ‘epopéia’ traz somente a idéia de uma luta, ‘odisséia’ indica uma série
de dificuldades bem mais complexas do que em uma simples luta. Está correta,
portanto, essa afirmação da letra d.
As incorreções das demais opções são:
a) Em “sugere-nos”, o pronome exerce a função sintática de objeto indireto.
Para a análise, não adianta a troca do pronome nos por “a nós”, uma vez que
os pronomes ele(s), ela(s), nós e vós, quando oblíquos, são obrigatoriamente
precedidos de preposição. Há duas formas de se comprovar a função direta ou
indireta dos pronomes me, te, se, nos e vos – trocar o pronome pelo nome
(por exemplo: “sugere ao analista incontáveis abordagens da ética”) ou análise
da regência do verbo (sugerir alguma coisa a alguém). Assim, verificamos que a
função sintática é de objeto indireto.
Já o pronome “se” em “narram-se também feitos de abnegação” é apassivador –
o verbo narrar é transitivo direto, existe a idéia passiva (feitos são narrados) e
está acompanhado do pronome “se”. Portanto, a afirmação está incorreta.
b) Não existe a conjunção “à medida em que”; existem as conjunções “à
medida que” (proporcional) e “na medida em que” (causal).
c) A preposição “com”, na passagem, equivale a “a partir de” – origem: “novas
facetas surgem com a/a partir da metamorfose do espírito humano e sua
variedade quase infinita de ações.”.
e) Se houvesse a troca da preposição de pela preposição entre, seria necessária
a retirada da preposição de antes de “paixões mesquinhas” – “representam o
confronto entre ideais nobres e de paixões mesquinhas”. Como a opção indica
não ser necessária mais nenhuma alteração, está incorreta a proposição.
Cuidado em questões como essa. Para que a troca de um elemento por outro
seja válida, a banca deve indicar, também, as demais alterações necessárias
para que a substituição não incorra em erros gramaticais.
21 - Item CORRETO.
Para facilitar a memorização, sugerimos a forma porquanto = por causa. Só
que essa conjunção também pode apresentar valor explicativo.
Este item está correto, pois a conjunção porquanto, seja com valor causal ou
explicativo, é equivalente à conjunção porque.

22 - C
Todas as opções são válidas, por estarem adequadamente grafadas e
empregadas, exceto a que apresenta o advérbio tampouco, que equivale a
“também não” ou “muito menos”. Foi empregado com erro na grafia.
“Tão pouco”, combinação do advérbio de intensidade (tão) com o (também)
advérbio “pouco”, remete à idéia de “pequena quantidade” – “Nunca comi tão
pouco!” ou “Tenho tão pouco interesse em assistir ao ‘Big Brother’ que prefiro
estudar Português!”.
Não é aceita pela norma culta a colocação da conjunção nem (que significa “e
não”) antes desse advérbio (“nem tampouco”), por este já apresentar valor de
negação (também não).
Vamos aproveitar a “deixa” para tratar de algumas palavras especiais, que
podem ser classificadas como advérbios de intensidade, adjetivos ou pronomes
indefinidos: bastante, pouco e muito.
O que irá nos auxiliar na identificação da classe gramatical é o conceito
apresentado na aula de apresentação – se são variáveis ou invariáveis.
Como vimos, os advérbios são palavras invariáveis, enquanto que os
adjetivos e os pronomes se flexionam em gênero e/ou número.
Veja só:
ADVÉRBIO ADJETIVO PRON.INDEF.
(invariável) (variável) (variável)
POUCO Você tem estudado Não se aborreça com Tenho poucos livros
pouco. essa coisa pouca desse assunto (em
(pequena). quantidade pequena)
BASTANTE Você tem estudado Tenho livros Tenho bastantes
bastante. bastantes (que livros (em grande
bastam / suficientes) quantidade).
MUITO Você tem estudado - Tenho muitos livros.
muito.

23 - C
No terceiro período do texto, informa-se que “o Banco Central, para combater a
inflação, vem elevando seguidamente a taxa básica” de juros. Na oração
seguinte, iniciada pela lacuna (c), afirma-se que os juros altos não estão freando
a inflação.
Essas duas afirmações situam-se em campos semânticos opostos:

O BC AUMENTA JUROS PARA OS JUROS ALTOS NÃO ESTÃO



FREAR A INFLAÇÃO FREANDO A INFLAÇÃO

Por isso, deve-se empregar uma conjunção adversativa, como “entretanto”. A


sugestão apresentada na opção c está CORRETA.
As demais opções estão incorretas.
a) Nessa lacuna, deve-se empregar uma conjunção de valor adversativo
(entretanto, todavia, contudo), e não a locução adverbial “haja vista”, que
corresponde a “considerando, tendo em vista”. Sobre a flexão desta expressão,
lembramos que o vocábulo “vista” permanece invariável, enquanto que o verbo
pode ficar no singular (acompanhado ou não de preposição) ou concordar com o
termo subseqüente (“Haja vista os resultados / Haja vista aos resultados /
Hajam vista os resultados”).
b) A oração iniciada por esta lacuna irá apresentar uma explicação para a
afirmação presente no período anterior (“um desses motores está ausente”). Por
isso, não pode ser empregada a conjunção “apesar de” – concessiva. Deve-se
optar por uma conjunção explicativa: em virtude disso, por isso, assim.
d) O emprego da conjunção “embora”, além de causar erro na flexão verbal do
verbo ser – “Embora o ganho (...) é pequeno” (correto = seja), prejudicaria a
coesão textual em virtude da ausência de uma oração principal. O mais
apropriado seria empregar expressões como “além disso”, “ademais”, de forma
a introduzirem informações adicionais à passagem anterior.
e) Não existe a conjunção “tão pouco” (DE NOVO!!!!), mas o advérbio
“tampouco” que equivale a “muito menos”, “menos ainda”, impróprio para a
passagem.

24 - D
As conjunções embora e apesar de, a despeito de estarem situadas no mesmo
campo semântico, levam o verbo a conjugações distintas. Enquanto que a
conjunção ‘apesar de’ exige o verbo no infinitivo (sermos), a conjunção
‘embora’ leva a flexão verbal ao subjuntivo (sejamos).
Provocou-se, portanto, erro de natureza gramatical (conjugação verbal) o
emprego da conjunção “embora”.
Em relação às demais opções:
a) O valor da conjunção é verificado na construção. No primeiro período do
texto, a idéia adversativa (que tanto pode ser apresentada pela conjunção e
quanto pela mas) reside na oposição entre os adjetivos “grande” e
“diversificado” (adjetivos favoráveis ao Brasil) e o fato desfavorável de ser
“uma promessa que parece nunca se realizar”. Assim, essa conjunção e tem
valor adversativo, como em: “Ela queria que eu fosse e eu não fui (= mas eu
não fui)”. Logo, qualquer das duas conjunções poderia ser empregada nessa
lacuna.
b) Na segunda lacuna, as duas opções empregam valor adversativo ao período:
entretanto / mas.
c) Na terceira, justifica-se o pouco engajamento do cidadão ao fato de ele não
avaliar os programas e as ações dos políticos (como essa questão é atual, não é
mesmo???) e, com isso, elege-os de acordo com sua popularidade. Assim, tanto
pode ser usada a conjunção já que como pois.
d) Apesar a importância do país na economia mundial, nós, brasileiros, sempre
sofremos decepções (nem me fale nisso...). Esse valor adversativo tanto pode
ser apresentado pela conjunção “embora” quanto pela apesar de. O problema
foi de conjugação verbal. Já vimos que este item está INCORRETO.
e) No último período, pode-se apresentar uma conclusão, com o emprego da
conjunção “portanto” ou estabelecer uma idéia contrária ao fato de ser um país
tão importante, a partir do emprego da conjunção “contudo”. As duas
conjunções seriam válidas.

Bons estudos e até a próxima!


PERÍODOS
Oi, pessoal
Tudo certinho? Estão estudando bastante?
Para começar, vamos encerrar as buscas, iniciadas na aula 7, pelas letras de música
que contenham o pronome CUJO.
O vencedor foi Rômulo Faria. Ele nos trouxe mais uma. Vamos analisá-la:

Viagem - João de Aquino e Paulo César Pinheiro

Ó, tristeza me desculpe, estou de malas prontas


Hoje a poesia veio ao meu encontro,
já raiou o dia, vamos viajar
Vamos indo de carona
Na garupa leve do vento macio
Que vem caminhando desde muito longe,
lá do fim do mar

Vamos visitar a estrela da manhã raiada


Que pensei perdida pela madrugada,
mas que vai escondida querendo brincar
Senta nessa nuvem clara,
minha poesia ainda se prepara
Traz uma cantiga,vamos espalhando música no ar

Olha quantas aves brancas, minha poesia


Dançam nossa valsa pelo céu que o dia
fez todo bordado de raios de sol
Ó, poesia, me ajude,vou colher avencas,
lírios, rosas, dálias
Pelos campos verdes que você batiza de jardins do céu

Mas pode ficar tranqüila, minha poesia


Pois nós voltaremos numa estrela guia,
num clarão de lua quando serenar
Ou talvez até, quem sabe,
nós só voltaremos no cavalo baio
No alazão da noite, CUJO nome é raio, raio de luar

Os dois últimos versos registram o emprego correto do pronome relativo CUJO. O


nome do cavalo baio (castanho) é RAIO DE LUAR. A relação entre NOME e
CAVALO/ALAZÃO justifica o emprego do pronome.
Parabéns, Rômulo, por sua contribuição primorosa.
Até agora, fizemos diversas análises em relação aos elementos que compõem uma
oração – sintaxe de concordância: harmonia entre verbo e sujeito (concordância
verbal) ou entre o nome e os elementos a ele relacionados (concordância nominal);
sintaxe de regência: relação entre o verbo (regência verbal) ou adjetivo, advérbio
e substantivo (regência nominal) em função de seus complementos.
Para isso, analisamos a estrutura interna da oração. Para essa análise sintática,
lançamos mão, muitas vezes, de uma só oração. Isso significa que a análise se
realizava em um período simples.
A partir da aula de hoje, veremos que, algumas vezes, em vez de um substantivo,
um adjetivo ou um advérbio, temos uma oração que representa esses nomes.
Forma-se, assim, o período composto.
A aula de hoje certamente lhe parecerá familiar. Muitos dos conceitos já foram
apresentados em aulas anteriores.
Vamos relembrar alguns deles:
Período Simples - É enunciado que possui uma única oração, que se chama oração
absoluta.
Período Composto - É o período constituído de duas ou mais orações, sabendo-se
que cada oração é, obrigatoriamente, estruturada em torno de um verbo.
O período composto pode ser formado por COORDENAÇÃO (orações independentes)
ou SUBORDINAÇÃO (orações dependentes).

I - ORAÇÕES COORDENADAS
As orações coordenadas são independentes sintaticamente. Não exercem nenhuma
função sintática em relação a outra dentro do período.
Quando não são introduzidas por conjunções (conectivos), são classificadas como
assindéticas.
Vim, vi, venci.
Se introduzidas por conjunções (conectivo), classificam-se como sindéticas,
recebendo o nome da conjunção que as introduzem.
Lembre-se: não se deve classificar uma oração considerando apenas a conjunção
que a introduz. Deve-se, sim, analisar o seu sentido na frase para, então, classificar
a conjunção/oração.
a) Aditivas (e, nem, mas também...)
O ministro não pediu demissão e manteve sua posição anterior.
b) Adversativa (mas, porém, todavia, contudo, entretanto)
O ministro pediu demissão, mas o presidente não a aceitou.
c) Explicativas (que, porque, e a palavra pois antes do verbo)
Peçam a demissão dos seus assessores, pois eles pouco fazem para o bem do povo.
d) Conclusivas (logo, portanto, por conseguinte, por isso, de modo que e a
palavra pois no meio ou fim da oração)
Os assessores pouco fazem pelo povo; devem, pois, deixar seus cargos.
e) Alternativas (ou, ou ... ou, ora ... ora, quer ... quer, seja ... seja, já ... já,
talvez ... talvez)
O Congresso deve ser soberano, ou perderá a legitimidade.
Pode ocorrer coordenação entre orações que se subordinam à mesma oração
principal. Veja o seguinte exemplo:
Espero que passe no concurso e que seja o primeiro colocado.
As orações “que passe no concurso” e “que seja o primeiro colocado” são orações
subordinadas em relação à oração principal “Espero”. No entanto, entre si, são
coordenadas, pois estão ligadas por uma conjunção coordenativa aditiva. Nesses
casos, pode-se manter apenas a primeira conjunção integrante (Espero que passe no
concurso e seja o primeiro colocado).

ORAÇÕES INTERCALADAS – Sob essa denominação, incluem-se as orações que,


apresentando informações adicionais, geralmente para esclarecimento, não são
introduzidas por conjunções coordenativas.
- Vá embora! – disse-me ela.
Ele, que eu saiba, nunca estudou muito.
Boaventura, permita-me o trocadilho, era sujeito de boa sorte.

II - ORAÇÕES SUBORDINADAS
São orações dependentes sintaticamente de outra.
Exercem uma função sintática correspondente ao substantivo, adjetivo ou
advérbio, ou seja, esse termo sintático (sujeito, objeto direto, objeto indireto etc.)
assume a forma de uma oração.
Por isso, há orações principais (em que estão presentes os termos regentes) e
subordinadas (termos regidos).
Por exemplo:
Os credores internacionais esperavam / que o Brasil suspendesse o pagamento dos
juros.
Nesse exemplo, a segunda oração está subordinada à primeira, pois exerce função
sintática de objeto direto do verbo esperar (termo regente presente na oração
principal):
Os credores internacionais esperavam ISSO - o quê?
Resposta: “que o Brasil suspendesse o pagamento dos juros”
Essa é um oração subordinada substantiva (está no lugar de um substantivo) que
exerce, em relação à oração principal, a função sintática de objeto direto.
Seu nome é oração subordinada substantiva objetiva direta.

Meu primo que mora no Rio de Janeiro virá para a festa.


Usamos um exemplo parecido com esse na aula passada. Eu pergunto: quantos
primos eu tenho?
Resposta: Com certeza, mais de um, pois a oração que se liga de forma adjetiva ao
substantivo primo tem valor restritivo, ou seja, de todos os primos que eu tenho,
aquele que mora no Rio de Janeiro virá para a festa.
A oração subordinada adjetiva “que mora no Rio de Janeiro” exerce a função
sintática de adjunto adnominal em relação à oração principal (limita o alcance do
substantivo “primo”, designando-lhe uma característica própria: morador do Rio de
Janeiro).
É, portanto, uma oração subordinada adjetiva restritiva.

Desde que você me ligou, não penso em outra coisa.


A oração destacada indica o momento em que o fato expresso na oração principal
teve início.
Veja que a locução conjuntiva “desde que” apresenta valor temporal, atribuindo à
outra oração uma circunstância (de tempo, momento).
Essa é, logo, uma oração subordinada adverbial temporal.
Vamos analisar, agora, como classificar as orações subordinadas.

1 - ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS


São aquelas que exercem função sintática própria de um substantivo.
SÃO INICIADAS POR CONJUNÇÃO INTEGRANTE.
Na identificação dessas orações, apresentamos:
- sua condição de subordinada;
- sua classe gramatical (substantiva);
- e a função sintática que exerce em relação à principal (sujeito, objeto
direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo do sujeito,
aposto ou agente da passiva).

Assim temos:
a) Subjetiva – exerce a função de sujeito em relação ao verbo da principal.
É importante / que tenhamos o equilíbrio da balança comercial.
É importante ISSO.
ISSO = que tenhamos o equilíbrio da balança comercial Î SUJEITO.

Ainda se espera / que o governo mude as normas do imposto de renda.


CUIDADO COM A VOZ PASSIVA Î O verbo ESPERAR é transitivo direto e está
acompanhado de um pronome SE – APASSIVADOR – com idéia passiva = caso de
voz passiva sintética.
O que se espera (o que é esperado?)?
Resposta: “que o governo mude...” Î SUJEITO

Ainda era esperado / que a equipe palmeirense se reabilitasse.


Agora, temos um caso de voz passiva analítica:
Ainda era esperado ISSO.
ISSO = que a equipe palmeirense se reabilitasse Î SUJEITO.

Consta / que haverá mudanças na equipe, caso o presidente seja reeleito.


O verbo CONSTAR é um dos que, normalmente, apresenta um sujeito oracional.
Como vimos, nos casos de sujeito sob a forma oracional, o verbo da oração principal
fica na 3ª pessoa do singular = CONSTA ISSO (= Isso consta).
ISSO = que haverá mudanças na equipe Î SUJEITO.

b) Objetiva direta - Função de objeto direto em relação ao verbo da principal.


Os contribuintes esperam / que o governo altere as normas do imposto de renda.
Os contribuintes esperam ISSO.
ISSO = que o governo altere as normas do imposto de renda Î objeto direto do
verbo esperar.

c) Objetiva indireta - exerce a função de objeto indireto em relação ao verbo da


principal.
O país necessita de / que se faça uma melhor distribuição de renda.
O país necessita dISSO (de + ISSO).
ISSO = que se faça uma melhor distribuição de renda Î objeto indireto do verbo
necessitar.

Lembre-se da lição apresentada na aula sobre Regência!!!


Quando um objeto indireto vem sob a forma oracional (oração subordinada
substantiva objetiva indireta), a preposição pode ser omitida, sem prejuízo para o
período.
Vimos naquela oportunidade uma questão de prova que explorou exatamente esse
conhecimento.
Já em relação à oração que complementa um nome (oração subordinada substantiva
completiva nominal – a próxima), não há consenso. Se em uma das opções tiver sido
omitida a preposição antes da oração, analise as demais alternativas antes de definir
como certo ou errado.

d) Completiva nominal - exerce a função sintática de complemento nominal em


relação a um substantivo, adjetivo ou advérbio da principal.
O país tem necessidade de / que se faça uma reforma social.
O país tem necessidade dISSO (de + ISSO).
ISSO = que se faça uma reforma social Î complemento nominal do substantivo
necessidade.

O governador era contrário a / que mudassem as regras do jogo.


O governador era contrário a ISSO.
ISSO = que se mudassem as regras do jogo Î complemento nominal do adjetivo
contrário.

Percebia-se / que agia favoravelmente a / que mudassem as regras do jogo.


Este é um bom exemplo de período composto por três orações. Vejamos quais são
elas:
- oração principal: Percebia-se (ISSO)
O verbo perceber é transitivo direto e está acompanhado de pronome apassivador.
O que era percebido? A resposta a essa pergunta apresenta a segunda oração.
Resposta: que agia favoravelmente a Î oração subordinada substantiva subjetiva
(sujeito da voz passiva sob a forma oracional, o que justifica a flexão do verbo
perceber na 3ª pessoa do singular – PERCEBIA-SE)
Só que o complemento nominal ao advérbio favoravelmente está também sob a
forma oracional – Agia favoravelmente a quê? (Introduz-se, agora, a terceira oração
do período composto)
- que mudassem as regras do jogo Î oração subordinada substantiva completiva
nominal (complemento nominal ao advérbio favoravelmente).
Como a preposição é exigência do advérbio, ela pertence à segunda oração (oração
em que o advérbio está presente).
Agora, você percebeu como um período composto pode ser bem complexo, não é
mesmo?

e) Predicativa - exerce a função de predicativo do sujeito em relação à principal.


O medo dos empresários era / que sobreviesse uma violenta recessão.
O medo dos empresários era ISSO.
ISSO = que sobreviesse uma violenta recessão Î predicativo do sujeito.

f) Apositiva - exerce a função de aposto em relação a um termo da principal.


O receio dos jogadores era esse: / que o técnico não os ouvisse.
O receio dos jogadores era esse: ISSO.
ISSO = que o técnico não os ouvisse Î aposto.
g) Agente da passiva - exerce a função de agente da passiva em relação à
principal.
O assunto era explicado por / quem o entendia profundamente.
Essa é a única função em que o esquema do ISSO não funciona muito bem, porque,
em vez de uma conjunção integrante, é empregado um pronome indefinido.
Por isso, o substituímos por outro pronome substantivo – “alguém”.
O assunto era explicado por ALGUÉM.
ALGUÉM = quem o entendia profundamente Î agente da passiva.

2 - ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS


São aquelas que exercem função sintática própria de um adjetivo.
SÃO INICIADAS POR PRONOMES RELATIVOS.
Seu “nome e sobrenome” será, então:
- sua condição de subordinada;
- sua classe gramatical (adjetiva);
- e o alcance desse adjetivo (restritiva ou explicativa).

a) Restritivas - Restringem, limitam o sentido de um termo da oração principal. Não


são isoladas por vírgulas.
A doença que surgiu nestes últimos anos pode matar muita gente.
b) Explicativas - Explicam, generalizam o sentido de um termo da oração principal.
São isoladas por vírgulas.
As doenças, que são um flagelo da humanidade, já mataram muita gente.

Você notou, assim, que, em relação à pontuação, as orações subordinadas


adjetivas podem apresentar dois comportamentos:
- VÍRGULA PROIBIDA – ORAÇÃO SUBORDINADA ADJETIVA RESTRITIVA – Em
função de seu caráter restritivo (assim como ocorre com os adjetivos em geral:
camisa vermelha, rapaz bonito), não pode haver pausa entre o termo regente e o
termo regido.
- VÍRGULA OBRIGATÓRIA – ORAÇÃO SUBORDINADA ADJETIVA EXPLICATIVA –
Regra geral, os elementos de natureza explicativa se apresentam isolados por
vírgulas, em função de seu caráter “acessório”, “dispensável”.

Você leu aí em cima algum caso de “vírgula facultativa” em orações adjetivas?


Certamente que não.
Esse conceito é importantíssimo para a aula sobre PONTUAÇÃO, pois essa “casca de
banana” é muito comum em provas de diversas bancas.

2.1 - FUNÇÃO SINTÁTICA DO PRONOME RELATIVO NA ORAÇÃO ADJETIVA


As orações subordinadas adjetivas são introduzidas por pronomes relativos: que,
quem, o qual, a qual, cujo, onde, como, quando etc.
Enquanto as conjunções são elementos conectivos e, por isso, não exercem função
sintática nas orações subordinadas, o mesmo não acontece com os pronomes
relativos. Eles substituem um nome (substantivo ou pronome tido como referente).
Assim, esses pronomes relativos poderão exercer, na oração subordinada adjetiva,
as seguintes funções sintáticas:

a) Sujeito
Os trabalhadores exigiam aumento salarial. (PERÍODO SIMPLES = oração absoluta)
Que trabalhadores eram esses que exigiam aumento salarial?
Será formado, assim, um período composto, pois será necessário identificar esses
trabalhadores.
Os trabalhadores que fizeram greve exigiam aumento salarial.
(= Os trabalhadores fizeram greve.)
O pronome relativo que substitui, na oração adjetiva, o substantivo trabalhadores.
O pronome exerce a função de sujeito dessa oração.
CUIDADO: Se a banca perguntar quem é o sujeito da forma verbal fizeram, a sua
resposta deverá ser: O PRONOME RELATIVO QUE.
Como o pronome se refere ao substantivo “trabalhadores”, muita gente acha,
indevidamente, que o substantivo é o sujeito da forma verbal fizeram. ERRADO!
São duas as orações:
- oração principal: Os trabalhadores exigiam aumento salarial
- oração subordinada adjetiva restritiva: que fizeram greve.
Agora que sabemos o que é um período composto e como ele se divide, vemos mais
claramente que “cada macaco está no seu galho”, ou seja, o substantivo da oração
principal “Os trabalhadores exigiam aumento salarial” não poderia exercer função
sintática em outra oração, no caso, a oração subordinada adjetiva “que fizeram
greve”.
No lugar do nome, colocou-se o pronome relativo, que (ESTE SIM) exerce a função
sintática de sujeito.
Assim, quem é o sujeito da forma verbal fizeram?
Resposta: O PRONOME RELATIVO QUE.
Ficou claro? Essa é uma pegadinha muito comum em provas, especialmente as da
ESAF e da CESPE UnB. Fique esperto(a)!
b) Objeto direto
As reivindicações que os trabalhadores faziam preocupavam os empresários.
(= Os trabalhadores faziam as reivindicações.)
O que os trabalhadores faziam? Pela lógica, iríamos responder: reivindicações.
Vamos dividir o período em orações:
- oração principal: As reivindicações preocupavam os empresários.
- oração subordinada adjetiva restritiva: que os trabalhadores faziam
Na oração subordinada adjetiva, no lugar desse substantivo, foi empregado o
pronome relativo, que exerce, nessa oração, a função sintática de objeto direto.
Então, quem exerce a função sintática de OBJETO DIRETO da forma verbal faziam?
Resposta: O PRONOME RELATIVO QUE.

c) Objeto indireto
O aumento de que todos necessitavam proveria o sustento da casa.
(= Todos necessitavam do aumento.)
Todos necessitavam de quê? Resposta lógica: De aumento.
Na oração subordinada adjetiva, quem faz as vezes de objeto indireto do verbo
necessitar é o pronome relativo.
- oração principal : O aumento proveria o sustento da casa.
- oração subordinada adjetiva restritiva: de que todos necessitavam
Note, agora, que o elemento que exige a preposição “de” é o verbo necessitar, da
oração adjetiva (Alguém necessita de alguma coisa).
Por isso, a preposição pertence à oração subordinada adjetiva e está sublinhada.
Muito cuidado na divisão do período em orações: A PREPOSIÇÃO FICA NA
ORAÇÃO EM QUE ESTÁ PRESENTE O TERMO REGENTE.

d) Complemento nominal
O aumento de que todos tinham necessidade proveria o sustento da casa.
(= Todos tinham necessidade do aumento.)
De que todos tinham necessidade? Resposta lógica: do aumento.
No lugar desse nome, foi colocado um pronome relativo, que exerce a função
sintática de complemento nominal ao substantivo necessidade.
- oração principal: O aumento proveria o sustento da casa
- oração subordinada adjetiva restritiva: de que todos tinham necessidade
Mais uma vez, quem exige a preposição é um elemento presente na oração
subordinada adjetiva (o substantivo necessidade), motivo que nos levou a
sublinhar também aquele vocábulo.
e) Predicativo do sujeito
O grande mestre que ele sempre foi agradava a todos.
Ele sempre foi o grande mestre Î no lugar da expressão sublinhada, foi empregado
um pronome relativo.
Dividindo o período:
- oração principal: O grande mestre agradava a todos.
- oração subordinada adjetiva restritiva: que ele sempre foi
Então, quem exerce a função de predicativo do sujeito da forma verbal foi ?
Resposta: O PRONOME RELATIVO QUE.

f) Adjunto adnominal
Os peregrinos de cujas contribuições a paróquia dependia retornaram à sua
cidade.
(= A paróquia dependia das contribuições dos peregrinos.)
Entre os substantivos peregrinos e contribuições, existe uma relação de
subordinação, o que justifica o emprego do pronome relativo cujo.
Essa é uma característica desse pronome relativo (CUJO e flexões). Ele sempre
exerce a função sintática de adjunto adnominal, exatamente por estabelecer uma
relação entre dois substantivos com idéia ativa (“os peregrinos contribuem” Î a
contribuição dos peregrinos Î adjunto adnominal).
A diferença entre adjunto adnominal e complemento nominal será assunto de
nossa próxima aula – Termos da Oração.
Vamos dividir o período:
- oração principal – Os peregrinos retornaram à sua cidade.
- oração subordinada adjetiva restritiva – de cujas contribuições a paróquia
dependia
Vimos anteriormente que, caso um elemento da oração subordinada exija uma
preposição, essa será colocada antes do pronome relativo.
A paróquia dependia das contribuições dos peregrinos.
Como o verbo depender exige a preposição “de”, esta foi empregada antes do
pronome relativo “cujo”, que estabelece a relação entre “contribuições” e
“peregrinos”.

g) Adjunto adverbial
Observem o jeitinho como ela se requebra.
(= Ela se requebra com jeitinho.)
O pronome relativo como introduz a oração que indica o modo como ela se requebra
– essa é uma circunstância (modo) e, portanto, o pronome relativo exerce a função
sintática de adjunto adverbial.

BIZU: Os pronomes relativos como e onde, por introduzirem elementos


circunstanciais, sempre exercerão na oração adjetiva a função sintática de adjunto
adverbial. Já o pronome cujo (e flexões), por estabelecer a ligação entre dois
substantivos com idéia ativa, exercerá sempre na oração adjetiva a função de
adjunto adnominal.

3 - ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS


São aquelas que exercem função sintática própria de advérbio, ou seja, adjunto
adverbial em relação à principal.
SÃO INICIADAS POR CONJUNÇÃO ADVERBIAL.
Agora, toda a oração subordinada exerce, em relação à oração principal, a função
sintática de adjunto adverbial.
As circunstâncias apresentadas podem ser as seguintes:
a) Causal
Todos se opuseram a ele porque não concordavam com suas idéias.
Apresenta-se, na oração subordinada adverbial causal, o motivo da oposição de
todos (presente na oração principal).
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
É importante destacar a diferença entre a oração subordinada adverbial causal e
a oração coordenada sindética explicativa, pois muitas das conjunções
empregadas em uma e em outra se assemelham.
SUBORDINADA CAUSAL X COORDENADA EXPLICATIVA
Em alguns momentos, as orações subordinadas adverbiais causais e as orações
coordenadas explicativas apresentam semelhanças que podem dificultar sua análise.
Porém, um pouco de atenção para os aspectos que vamos assinalar pode ser de
grande utilidade.
Na primeira, está presente a relação CAUSA x CONSEQÜÊNCIA.
Ele pegou a doença porque andava descalço.
CAUSAL Î Causa: andava descalço Î Conseqüência: pegou a doença
Note, agora, a diferença para o seguinte exemplo:
Não ande descalço, porque vai pegar uma doença.
EXPLICATIVA Î Ordem: Não ande descalço Î Explicação: vai pegar uma
doença
Na aula passada, apresentamos uma série de elementos que possibilitam essa
distinção. Alguns dão certo; outros, nem tanto. Para relembrar quais são eles, dê
uma olhadinha no comentário à questão 13.
Adriano da Gama Kury (em Novas Lições de Análise Sintática) nos indica uma forma
que, a princípio, parece ser a melhor de todas.
Para que seja causal, a oração subordinada poderia, sem nenhum prejuízo para a
coerência, ser trocada por outra oração reduzida de infinitivo e iniciada pela
preposição por:
Ele pegou a doença porque andava descalço
Ð
Ele pegou a doença por andar descalço.
Isso não seria possível em uma oração coordenada explicativa.
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

b) Condicional
Se houvesse opiniões contrárias, o acordo seria desfeito.
Na oração subordinada adverbial condicional, foi estabelecida a condição para o
desfazimento do acordo (oração principal).

c) Temporal
Assim que chegou a casa, resolveu os problemas.
Indica-se, na oração subordinada adverbial temporal, o momento em que serão
resolvidos os problemas (oração principal).

d) Proporcional
Quanto mais obstáculos surgiam, mais ele se superava.
A idéia de proporção é apresentada na oração subordinada adverbial proporcional,
em associação ao “mais” presente na oração principal.

e) Final
O pai sempre trabalhou para que os filhos estudassem.
A finalidade do trabalho do pai (oração principal) está presente na oração
subordinada adverbial final.

f) Conformativa
Os jogadores procederam segundo o técnico lhes ordenara.
Para introduzir a oração subordinada conformativa, poderiam ter sido empregadas as
conjunções/locuções conjuntivas conforme, segundo, de acordo com, dentre
outras.
g) Consecutiva
Suas dívidas eram tantas que vivia nervoso.
Apesar de não ser uma regra, costumam ser associados à oração subordinada
adverbial consecutiva os pronomes tão, tanto, tal, presentes na oração principal.

h) Concessiva
Embora enfrentasse dificuldades, procurava manter a calma.
Na oração subordinada adverbial concessiva, apresenta-se um fato que, embora
contrário ao apresentado na oração principal, não impede que este se realize.

i) Comparativa
Ele sempre se comportou tal qual um cavalheiro.
Apresenta-se, na oração subordinada adverbial comparativa, o segundo elemento de
uma comparação.

Alguns autores acrescentam mais dois tipos de orações subordinadas


adverbiais, não registrados pela Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB):
j) Locativas
Fique onde quiser.
Equivalem a um adjunto adverbial de lugar. Apresentam-se desenvolvidas sem
conjunção, introduzidas por advérbio de lugar onde (combinado ou não com
preposição).

l) Modais
Faça como quiser.
Equivalem a um adjunto adverbial de modo. Expressam a maneira como será
realizado o fato enunciado na oração principal.

III - ORAÇÕES REDUZIDAS


Não são introduzidas por conjunção e possuem verbo em uma das formas nominais
(infinitivo, particípio ou gerúndio).

a) Infinitivo (pessoal ou impessoal)

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