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CAMPANHA

Salarial 2010
Mesmo com a pauta de reivindicações entregue em novembro de 2009 pela Feteesc,
somente agora, em fevereiro, o Sinepe fará a primeira reunião. Páginas 6 e 7

VITÓRIA DA JUSTIÇA

Correio Sindical
FETEESC é exclusiva
detentora do direito de
representação sindical INFORMATIVO DO MOVIMENTO SINDICAL DOS TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO DE SANTA CATARINA -
PROFESSORES E ADMINISTRATIVOS ESCOLARES ANO 1 - Nº 5 -FEVEREIRO DE 2010
Página 3

VOLTA ÀS AULAS JURÍDICAS


Saiba mais sobre
seu contrato de
trabalho. Veja
algumas dicas.
Página 3.

EXCLUSIVO
CARNAVAL
Estamos no mês da maior
festa popular realizada no Brasil.
Confira, nas páginas
10 e 11, matérias sobre as
festas de momo, suas origens,
escolas de samba, o carnaval
exportação do Rio de Janeiro e
São Paulo, os bonecos e trios
No começo de mais um ano letivo, o CORREIO SINDICAL dá elétricos do Nordeste e a folia na
algumas dicas de como enfrentar essa rotina. Página 8. Capital Catarinense.

II Encontro Nacional dos Trabalhadores


em Educação e Cultura - II ENTEC Correio Sindical
“A Tranformação da Sociedade em nossas mãos” é o tema central do encontro que conversa com José
acontecerá nos dias 12, 13 e 14 de maio, em Araxá-MG. O IPET, a Feteesc e os sindicados Pacheco, o criador da
filiados estão entre os promotores do evento. Inscrições de 15 de março a 15 de abril em sua Escola da Ponte.
entidade sindical. Maiores informações: www.cnteec.org.br Páginas 4 e 5
2 CORREIO SINDICAL FEVEREIRO 2010

Editorial

T
odo início de ano as esperanças se renovam. No
boletim do DIEESE A retomada do emprego e
as negociações coletivas em Santa Catarina –
publicado em 17/12/2009 , gera expectativa positiva para
toda a classe trabalhadora: “...Em Santa Catarina o sal- Feteesc participará
do do emprego formal em novembro apresentou o me- da Conferência
lhor resultado do ano, com geração de 17.847 postos,
crescimento de 1,10% na comparação com outubro. Em Nacional da Educação
relação aos 75.550 empregos gerados em 2009, o resul- Prof. Antonio Bittencourt Filho Com o Tema, “Construindo um Sistema Na-
tado de novembro representa quase um quarto do total e cional Articulado de Educação: Plano Nacio-
pode ser a virada do comportamento do emprego formal em Santa nal de Educação, suas Diretrizes e Estratégias
Catarina, que vinha sendo muito ruim até então. Só para efeitos compa- de Ação”, a CONAE, Conferência Nacional de
Educação, acontecerá em Brasília, de 28 de mar-
rativos, em novembro de 2008, com o país já em recessão, foram criadas
ço a 1º de abril deste ano. Este fórum é um espa-
apenas 3.847 novas vagas formais em Santa Catarina.” Neste ano por- ço democrático aberto pelo Poder Público para
tanto, a expectativa de uma negociação salarial melhor que a de anos que todos possam participar das decisões referen-
anteriores principalmente a do ano passado onde a recessão se instalava tes ao Plano Nacional de Educação para os pró-
é esperado. É sabido também que infelizmente, para as famílias, o inves- ximos dez anos e está sendo organizada para
nortear a educação escolar, da Educação Infantil
timento na educação aparece em 4º lugar na sua lista de prioridades.
à Pós-Graduação.
Com o fim do período financeiro ruim, tende as escolas captarem um A estratégia da CONAE foi definida a partir de
maior número de matrículas e automaticamente maior receita, podendo Conferências Municipais em diferentes territórios
responder positivamente aos anseios dos trabalhadores. Assim, neste mo- e espaços institucionais, nas escolas, municípios,
mento, não podemos relaxar acreditando que tudo está garantido. Temos Distrito Federal, estados e país, realizadas no pri-
meiro e segundo semestres de 2009, como o que
que pressionar os responsáveis pelas escolas para melhorar as condições
aconteceu em Palmas, Tocantins, em outubro do
de salário e trabalho. A FETEESC e seus sindicatos filiados, em dezem- ano passado, com a presença do prof. Antonio
bro, enviaram a pauta de reivindicações ao sindicato patronal provocan- Bittencourt Filho, presidente da FETEESC e Dire-
do as negociações para ampliação dos salários na data base que é 1º de tor Nacional de Educação da UGT. Além de
março. Agora todos os trabalhadores devem discutir e provocar seu sin- Bitencourt, Santa Catarina também estará represen-
dicato para avançarmos nas negociações coletivas. Vamos concentrar as tada na CONAE pelo prof. Carlos Alberto Lessa e
por Vivian Kreutzfeld. A Portaria Ministerial nº10/
nossas formas neste objetivo que obviamente não é o único. Durante as 2008 constituiu uma comissão de 35 membros, a
edições do Correio Sindical informaremos aos companheiros nossas ati- quem atribuiu as tarefas de coordenar, promover e
vidades. Excelente 2010 a todos. monitorar o desenvolvimento da CONAE em todas
as etapas. A Comissão Organizadora Nacional é in-
tegrada por representantes das secretarias do Mi-
nistério da Educação, da Câmara e do Senado, do
Conselho Nacional de Educação, das entidades dos
dirigentes estaduais, municipais e federais da edu-
cação e de todas as entidades que atuam direta ou
indiretamente na área da educação.

CIAT doa cestas básicas


para famílias carentes
Por Paulo Amante
No último dia de trabalho de 2009, antes do recesso, Diretores e funcionários
do CIAT – Centro Integrado de Apoio ao Trabalhador fizeram a entrega de cestas
básicas para várias famílias da comunidade da Ponta do Leal.
Esse ato de solidariedade é parte da responsabilidade Social que têm as insti-
tuições abrigadas na Casa do Educador: SINPRO, SINPROESC, SAAE
Florianópolis e FETEESC e se repete anualmente no intuito de beneficiar famíli-
as menos favorecidas do bairro. Um gesto simples que faz muita diferença para
quem necessita, certamente tornou o natal dessas famílias um pouco mais feliz.

EXPEDIENTE
CORREIO SINDICAL - publicação do Movimento Sindical dos Trabalhadores da Educação de Santa Catarina - Rua Vereador Batista Pereira, 574, Balneário - Estreito, CEP 88075-600,
Florianópolis/SC - CP 12117 - Fones (48) 3244-5911 e 3248-1268.
Conselho Editorial: Antônio Bittencourt Filho (FETEESC), Carlos M. da Silva Bernardo (SINPROESC), José Argente Filho (STEERSESC), Antônio B. Neto (SINPRO-Fpolis), Élvio J. Kretzer (SAAE-
GFpolis), Sônia M. G. Carnevale (SAAERS), Ademir Maçaneiro (SINPABRE). Secretário de Divulgação: José Luiz Soares; Textos: Tabira Estevão; Jornalista responsável: Rogério Junkes (DRT-
SC 775); Tiragem: 10 mil exemplares. Obs.: Os artigos assinados, publicados neste jornal, são de inteira responsabilidade de seus autores.
FEVEREIRO 2010 CORREIO SINDICAL 3
JURÍDICAS
DIREITOS CONVENCIONADOS
VITÓRIA DA Com a economia em fran- DESLIGAMENTO
ca ascensão as escolas priva- ANTES DE UM ANO
JUSTIÇA das tendem a contratar mais
funcionários, ocorrendo uma
O Auxiliar da Administração PISO SALARIAL
Escolar que se demitir antes de REGIME DE 44H
intensa movimentação. A completar 12 (doze) meses de SEMANAIS
FETEESC é exclusiva contratação destes profissio- serviço, tem direito ao recebi- A Convenção Coletiva de Tra-
nais segue o padrão da Con- mento das férias proporcionais
detentora do direito de balho determina um piso salarial
solidação das Leis Trabalhis- ao período trabalhado, acresci- de R$ 559,88 para o pessoal de
representação sindical de tas – CLT – porém com mui- do de 1/3 do abono de férias. escritório e R$ 507,36 para as de-
segundo grau das categorias tas cláusulas conquistadas mais funções, porém, existindo um
pela FETEESC e sindicatos JORNADA DE piso salarial estadual, determina-
diferenciadas dos professores filiados, agregando mais van-
TRABALHO do pela Lei Complementar 459, de
e dos auxiliares da tagens para os trabalhadores. 30/09/2009, para a categoria (art.
O regime de trabalho nas
administração escolar, no Para que você não pise em 1º, inciso IV), a partir de 01 de ja-
escolas privadas é de 44 (qua-
ovos e saiba mais sobre o seu neiro de 2010, deve ser respeitada
Estado de Santa Catarina renta e quatro) horas semanais,
contrato, acompanhe algumas a Lei citada, que determina o va-
podendo trabalhar com períodos
regras. lor mínimo de R$ R$ 679,00.
menores, sendo o salário pro-
Em processo impetrado pela Federação dos Tra-
porcional ao piso salarial esta-
balhadores em Estabelecimentos de Ensino do Es- NORMAS PARA belecido por Lei ou Convenção. DESCONTO DE FALTAS
tado de Santa Catarina junto a 3ª Vara do Trabalho ADMISSÃO Porém, esta mos batalhando Vencido cada mês, será descon-
de Itajaí, contra a criação de outra Federação fomen- O trabalhador readmitido na para redução da jornada para 40 tada da remuneração, importância
tada por sindicatos dissidentes (Réus), o Exmo Juiz mesma função, num prazo de até (quarenta) horas semanais. proporcional ao número de horas
do Trabalho, em memorável sentença assim diz: “A 2 (dois) anos após sua rescisão de ou dias que tiver faltado, ou seja,
pretensão dos Réus, além de não encontrar respaldo contrato, fica desobrigado de fir- DIA DO AUXILIAR se ocorreu falta injustificada o
no texto consolidado por não estarem preenchidos mar contrato de experiência.
ADMINISTRATIVO Descanso Semanal Remunerado –
todos os pressupostos, encontra óbice no principio
O dia do Auxiliar da Admi- DSR – será descontado, proporci-
da unicidade sindical, consagrado pela Constituição
nistração Escolar será 15 de onalmente às faltas.
de República.”
Mais adiante: “A representação dos interesses dos outubro, coincidindo com o dia
trabalhadores em estabelecimentos de ensino do es- do professor. FALTAS POR MOTIVO
tado de Santa Catarina, nessa base territorial, per- DE GALA OU LUTO
tence exclusivamente a Federação autora.” DSR EM DUPLO No ato do casamento civil ou
Ainda: “ A expressão “federação”, seguida da de- A remuneração do repouso na ocorrência do falecimento do
signação de uma atividade econômica ou profissio- semanal remunerado será em cônjuge, de pais ou e de filhos, o
nal, nos termos do artigo 562 da CLT, constitui de- dobro nos domingos e feriados auxiliar da administração escolar
nominação privativa da entidade sindical de segun- quando efetivamente trabalha- tem direito ao abono de 09 (nove)
do grau, qualidade que a entidade formada pelos réus dos dias consecutivos de faltas, deven-
não ostenta, não podendo, portanto, nessa condição, do apresentar a certidão que com-
representar a categoria em questão.” prove o ato.
Ao final da sentença o magistrado determina que
os Réus paguem honorários advocatícios e custas
judiciais.
Muito mais que uma sentença o ilustre Juiz da 3ª
Vara do Trabalho de Itajaí, além de dar uma verda-
deira aula de direito, criou uma condição impediti-
va de aventureiros, frustados e desacreditados nas
Judiciário Trabalhista dá ganho de causa à
suas bases, lancem mão de recursos fora da lei com ação promovida pelo Sinpro/Fpolis, Sinproesc
o propósito de se auto promoverem ou de promove-
rem pseudas lideranças notadamente fracassadas no
e Steersesc, contra a Unisul.
movimento sindical, afirmação esta, contudo, que Em sentença do MM Juiz da 2ª Vara do Trabalho de São José, foi reconhecido que houve altera-
não se aplica aos réus, haja vista que os mesmos ção unilateral do contrato dos professores, através da Instrução Normativa 03/06, ao estender a
foram enganados por estas falsas lideranças, as quais hora aula, de 50 para 60 minutos, bem como a ampliação do semestre letivo de 15 para 20 semanas.
estão notadamente a serviço de interesses políticos Embora tenha promovido o reajuste do valor da hora aula em mais 10 minutos, reconheceu que
e ideológicos de grupos totalmente descontextuali- houve uma redução da carga horária semanal, que passou das anteriores 04 aulas semanais para 03
zados da educação e dos educadores catarinenses. aulas semanais, contrariando o disposto na Orientação Jurisprudencial 244 do c. TST.
Parabéns ao ilustre magistrado, pela condução E mais, que embora tenha dado cumprimento a norma estabelecidas pela Lei de Diretrizes e
da lei nos devidos trilhos. Bases da Educação – LDB, os professores deveriam continuar a perceber pelos minutos contrata-
Parabéns à verdade, à justiça, à lei e, sobretudo, dos, o que deixou de ser observado pela Unisul.
parabéns à vitória da honestidade.
4 CORREIO SINDICAL FEVEREIRO 2010

Por Tabira Estevão


Professor: hora de entrevista tabiraestevao@terra.com.br

recarregar a bateria JOSÉ PACHECO:


Por Içami Tiba*

A educação escolar no Brasil ficou muito tempo em torno do


Um louco com
seu próprio umbigo, sem se dar conta do quanto ela estava se tor-
nando obsoleta em relação ao mercado de trabalho e ao mundo.
Dizem que é errando que se aprende. Mas a educação errou
noções de prática
tanto e por tanto tempo e não aprendeu.
Isso porque simplesmente manteve o erro José Francisco Pacheco é um educador portugu-
em vez de corrigi-lo. A passividade do con- ês, nascido a 10 de maio de 1951. Especialista em
tinuísmo do insatisfatório levou o Brasil música e em leitura e escrita, é mestre em Ciências
ao que estamos reduzidos hoje: somos um da Educação pela Faculdade de Psicologia e Ciên-
dos últimos classificados do mundo no cias da Educação da Universidade do Porto. Não espírito de ânimo deste grupo de professores, lidera-
ranking da educação escolar, apesar de o fosse por uma particularidade, seria, ainda que um dos por Pacheco em 1976, possibilitou criar um mo-
nosso PIB estar entre as dez maiores do notável intelectual da educação, apenas um educa- delo de escola que hoje é estudado, copiado e até cri-
mundo. dor português. Esta particularidade? Fundou, junta- ticado em todo o mundo. José Pacheco não dá mais
Numa simples leitura, o Brasil está mais mente com outros corajosos professores, há 33 anos, aulas na Ponte, da qual se desligou há mais de três
rico do que educado. Mas existe a grande a mais famosa, ousada, crítica e polêmica anos quando se aposentou no ensino Português, mas
massa da população que é pobre e sem a escola.Uma nova ordem no aprender e ensinar : a ele dá voltas ao mundo falando de sua experiência, de
educação formal que a capacite ao trabalho “Escola da Ponte”, instituição que se notabilizou pelo seus livros e, sobretudo, do que mais gosta: da peda-
mais elaborado que o braçal. Essa massa tem cinco filhos por projeto educativo inovador, baseado na autonomia gogia, ou melhor, de uma nova pedagogia, da qual não
família, gerando mais pobreza e mais exclusão, enquanto os que dos estudantes. O projeto da Escola da Ponte o po- se cansa de ser defensor. Em 2004 foi condecorado
ganham mais de cinco salários mínimos têm um ou dois filhos pularizou em todo o mundo, justamente por este as- pelo Presidente da República de Portugal, Jorge
por família, ou seja, acabam concentrando a riqueza. pecto: ter em mãos uma experiência que nasceu, não Sampaio com a Ordem da Instrução Pública. É autor
Ultimamente os professores têm sido responsabilizados pe- do planejamento coordenado de um projeto pedagó- de livros e de diversos artigos sobre educação, defi-
los pais para educarem os seus filhos, numa sobrecarga que não gico, mas, sobretudo, da necessidade de se adequar nindo-se como “um louco com noções de prática”.
lhes compete. Cobra-se também uma educação perfeita, sem o a uma realidade que expulsava à época os professo- O Professor José Pacheco conversou com o Cor-
mínimo de material necessário de formação atualizada, de valo- res que por ela passavam; expulsos não pela coor- reio Sindical por ocasião de sua vinda à Florianópolis
rização pessoal, de salário compatível com a sua importância na denação ou pelos órgãos gestores da educação esta- onde ministra aulas num curso de pós-graduação.
construção de uma sociedade saudável. Há muitas verdadeiras tal, mas dos próprios alunos que eram de comunida- Pacheco é um apaixonado. Paixão pelo descobrir, pelo
madres Terezas da educação nos grotões e bolsões de pobreza. des pobres, sem freios ou consciência de dignidade, ensinar e também por aprender com aqueles que ele
Até lápis elas quebram ao meio para que mais alunos possam ao cujas regras eram as suas próprias. A adequação e o cativa em suas passagens.
menos aprender a escrever...
Ninguém quer ser professor, muitos querem ser políticos.
Até mesmo os “caçados” não abandonam a política, enquanto CS - Como poderíamos avaliar a situação da CS - É possível se falar em missão no magisté-
professores competentes abandonam suas carreiras para pode- educação, suas tendências, modismos e modelos rio? Isso não redundaria necessariamente numa
rem sobreviver financeiramente. educacionais que se suplantam a cada momento submissão da profissão, encolhendo sobremaneira
político diferente? a capacidade de luta e valorização do professor?
* Psiquiatra e educador. Escreveu “Família de Alta Performance”, “Quem Ama, Educa!” e mais JP - As novas “tendências” são velhas. Preten- JP - Não nutro grande consideração pelos profes-
25 livros dem curar um doente incurável. Já foi feita a etiolo- sores “missionários”. Mas também não gosto dos “de-
gia, mas os modismos insistem em cuidados paliati- missionários”. Creio ser possível conciliar a “missão”
vos. com a capacidade de luta pela valorização do estatuto
É toda a lógica do sistema que está errada. É a social – convicção de um velho dirigente sindical...
A LUTA SINDICAL POR JUSTAS racionalidade que subjaz às práticas instituídas (e he-
CONDIÇÕES DE TRABALHO E RENDA gemônicas) que é necessário alterar. O sistema de en- CS - Diante de um quadro tão adverso o que
PARA OS PROFESSORES E TODOS OS sino vigente é uma espécie de cadáver adiado. Já aca- fascina o professor é o poder de ensinar?
bou há muito, mas ainda não foi extinto. Talvez res- JP - O quadro é, realmente, adverso. Mas talvez
DEMAIS TRABALHADORES NA pondesse a necessidades sociais do século XIX. Mas devamos, enquanto professores, fazer um “mea cul-
EDUCAÇÃO CONTINUA ... mumificou-se e deixou de fazer sentido desde há, pelo pa”... Não colocaria a questão no poder (que sempre
– AGORA COM VALORES MÍNIMOS DE menos, cem anos. existirá enquanto houver relação humana), mas na dig-
Vejo que o Brasil não é pobre em recursos huma- nidade do exercício da profissão. Nomeadamente, a
REFERÊNCIA ESTADUAL – nos. Há professores que, apesar do salário indigno e questão do baixo salário. O salário que um professor
de precárias condições do exercício da profissão, ou- brasileiro aufere é indigno e urge melhorá-lo. Porém,
Fruto de Campanha unitária dos sindicatos filiados a FETEESC
sam enfrentar a pesada carga burocrática que lhes to- não será medida suficiente, se os professores se man-
desde outubro de 2009 que realizaram três reuniões conjuntas no au-
lhem tentativas de mudança. Mas a maioria reproduz tiverem num discurso feito de lamentos e carente de
ditório da Casa do Educador para fortalecer a proposta desta Negoci-
um sistema obsoleto, contribuindo para manter a mi- soluções. Se o docente não aufere um salário digno,
ação Coletiva 2010/2011, uma política unificada em prol da defesa séria das práticas e sustentar um ministério que tarda deverá fazer aquilo que legitimará um salário digno.
dos trabalhadores em Educação em Santa Catarina. em ser extinto. Talvez o primeiro passo para recuperação do “fascí-
O salário mínimo a partir de 1 º de janeiro passou a ser R$ 510,00, nio” de ensinar consista em passar de indivíduo solitá-
um reajuste total de 9,68% e um aumento real de 6,02% de acordo CS - Existe crise na profissão docente? Como rio a um exercício solidário da sua profissão.
com o DIEESE. motivar o interesse para despertar o gosto pelo le-
Considerando ainda a grande conquista : a aprovação do PISO cionar? CS - Como as instituições de ensino podem con-
REGIONAL DE SALÁRIOS aqui em nosso Estado, a expectativa JP - Existe crise quando um professor não for ca- tribuir para que os alunos vejam na profissão não
para os reajustes salariais poderá ser expressivamente superior a 2009: paz de compreender ser necessário melhorar-se a toda somente um ofício, mas também um construtor de
Acreditamos que esta valiosa conquista, representa união e força a hora e melhorar as práticas, reconfigurando as es- sua formação integral?
do movimento sindical que num grande esforço coletivo Sindicatos, colas. Não diria em “sala de aula”, porque dar aula de JP - E como transformar o professor nisto sem
Federações e Centrais Sindicais com coesão e grande publicidade nada serve (por mais irritante que esta afirmação seja culminar numa rotina?
envolveram-se na coleta de 50.000 assinaturas para aprovação desta para adeptos de verdades absolutas e de modelos úni- A formação dos professores e a sua cultura profis-
nova lei que assegura padrões mínimos de salários para diferentes cos). sional fê-los conformistas.
categorias em todo o Estado de Santa Catarina. O “gosto por lecionar” é um dom a que é preciso Depois, é o que sabemos: o modo como o profes-
juntar estudo, auto-disciplina e espírito de equipe. sor aprende é o modo como o professor ensina... Se
Profª Karla Bressan
FEVEREIRO 2010 CORREIO SINDICAL 5
um professor não considerar que a uma “Declaração Universal dos De-
profissão não é somente um ofício, veres da Criança”. Talvez fosse ate-
mas uma oportunidade de formação
Na Ponte, as nuada aquilo que alguém já designou
integral, isomorficamente os alunos crianças não são de “ditadura da infância”. Nas esco-
interiorizarão ancestrais rotinas. Fre- educadas las que ainda temos, é possível que
qüentemente, professores atribuem a um aluno, impunemente, ofenda, hu-
instalação de rotinas à deficiente for- apenas para a milhe, bata em professor. Ouso suge-
mação inicial e contínua. Mas, se o autonomia, mas rir que, a par do ECA, se faça um EPA
docente reconhece não ter formação (estatuto do professor e adulto). Fica
suficiente, que a busque, que a exija. através dela, à atenção dos conselhos locais do
Se o professor considera que a gestão nas margens de ECA...
hierárquica e burocrática o impede de
assumir autonomia, que reaja, se or-
uma liberdade CS - No Brasil, as escolas pri-
ganize em equipe e mude a gestão que matizada pela vadas em sua maioria são de tra-
reprova. Que aja! Em equipe!... dição confessional. Isso acaba por
exigência da caracterizar o ofício na “missão do
CS - Os problemas da educação responsabilidade. professor”, recaindo no pieguismo
residem na formatação dos currí- valores acontecerá quando for modi- atiram pedra… Mas, ao cabo de al- religioso que não permite avanços
culos escolares das Instituições de ficada a relação entre professor e alu- gum tempo, recuperam a auto-estima, mais significativos no modo de
Ensino? se o sistema de relações não sofrer no e este se vir como participante do a dignidade, e reconhecem que a sua pensar o mundo. É possível encon-
JP - Ressalvadas as raras exce- alteração profunda e enquanto as prá- seu processo de desenvolvimento pes- liberdade começa onde começa a li- trar o ponto de equilíbrio entre
ções, as escolas de formação inicial ticas escolares continuarem sem sen- soal e social. Medo não é sinônimo berdade do outro. Talvez por isso seja diferentes níveis de exigência?
preparam para nada, ou reproduzem tido. de respeito e disciplina. Na Ponte, a única escola (entre milhares que co- JP - Certamente. Aliás, tenho ex-
modelos obsoletos. Quando lecionei no ensino supe- as crianças não são educadas ape- nheço) onde ninguém expulsa aluno periência de colaboração com insti-
No Brasil como em Portugal, ape- rior e fiz formação inicial de profes- nas para a autonomia, mas através da sala, onde não há “processos dis- tuições que perfilham uma confissão
sar de as instituições de formação de sores, apercebi-me de serem raros dela, nas margens de uma liberdade ciplinares”... religiosa. Poderei não adotar o seu
professores serem servidas por exce- aqueles alunos que haviam escolhido matizada pela exigência da respon- credo, mas respeito o ideário e exi-
lentes profissionais, a formação é ni- o curso de pedagogia como primeira sabilidade. Buscamos uma escola de CS - Quais tendências a peda- gência. Não sei se aquelas com as
tidamente desajustada dos objetivos prioridade. Muitos daqueles futuros cidadãos indispensável ao entendi- gogia hoje tem se pautado? quais colaboro serão a regra, mas ob-
de transformação e melhoria das prá- professores iriam sê-lo porque não mento e à prática da democracia. Na JP - Quaisquer que sejam as servo-as disponíveis para melhoria
ticas. Deixo-te com palavras de Cecí- haviam logrado o acesso a um curso escola em que trabalhei mais de trin- “tendências”, não conseguem lograr das práticas.
lia Meireles, publicadas há quase um de medicina, de psicologia, de arqui- ta anos, cada criança age como par- influenciar as práticas. A cultura
século e que se mantêm atuais: “Que tetura... ticipante de um projeto de prepara- pessoal e profissional predominan- CS - A sociedade da informação
lhes valeu todo o curso que fizeram Se juntarmos esta triste evidência ção para a cidadania no exercício da te aniquila todas as tentativas de mu- que estamos inseridos permite que
durante longos anos? Em vão leram à violenta realidade das escolas que cidadania. A Escola da Ponte aco- dança. Só haverá conseqüências as crianças possam buscar um uni-
livros copiosos, beberam a caudalosa ainda temos, compreenderemos por lhe alunos que outras escolas jogam práticas das “tendências, quando, à verso de informação muito maior
erudição dos catedráticos, fizeram que razão os professores se refugiam fora. Quando chegam à nossa esco- boa maneira freiriana, o professor do que aquele que a escola lhe ofe-
provas... Palavras, palavras, palavras numa falsa segurança, feita de tensões la, esses alunos confundem liberda- compreender que não está comple- rece. Como o professor lida com
que o vento levou... As aulas de psi- e castigos. Quando um professor ex- de com “libertinagem”. Como na to. E descubra que, na sua auto-su- este desafio?
cologia ficaram geladas nos livros; as pulsa um aluno da sua sala, perde a já Ponte, não há “faz-de-conta que se ficiência, ele é o maior obstáculo à JP - As novas tecnologias, per-
de pedagogia fecharam-se nas caixas pouca autoridade que possam reco- é livre”, os professores exercem mudança. mitindo um fácil acesso à informação,
de jogos; as outras não levaram em si nhecer-lhe. uma autoridade construtiva junto poderão viabilizar um autodidatismo
nenhum gérmen dessas duas, que são, desses alunos, até que eles se vejam CS - Com tanta violência e des- que dispense professores papagaios
no entanto as indispensáveis a quem CS - Educação com liberdade e como pessoas e vejam os outros prezo pela dignidade humana, será (docentes). Porém, naqueles lugares
vai ser professor... Depois de tanto tra- valores, de que forma alcançá-las? como pessoas. As crianças e os jo- preciso mudar a forma de pensar e onde os professores ajam como me-
balho, terão de fazer por si mesmas, e JP - Como alguém já disse (não vens que acolhemos, quando che- aplicar a educação nos Colégios? diadores de aprendizagem, as novas
com enorme esforço, aguilhoadas pela me recordo quem o terá dito...), o pro- gam à Ponte, trazem muita revolta JP - Creio ser urgente a humani- tecnologias disponibilizarão ferra-
pressa de quem já está no quadro do fessor é mais aquilo que faz do que dentro de si e uma auto-estima de zação das práticas escolares. Nos co- mentas úteis para afirmação da pro-
magistério, toda a cultura técnica que aquilo que diz; e é mais aquilo que é rastos. Só conhecem a linguagem da légios como em todos os lugares e fissão.
ninguém pensou ou lhes pode forne- do que aquilo que faz. Aquilo que o violência. Insultam, cospem, batem, tempos onde a educação aconteça. E Em pleno século XXI, as escolas
cer no momento devido”. professor ensina não é aquilo que diz, creio ser útil juntar à “Declaração não poderão permanecer ancoradas
mas aquilo que ele é. Para que os alu- Aquilo que o Universal dos Direitos da Criança” num modelo de trabalho retributivo de
CS - A convivência harmoniosa nos se interessem e aprendam, será necessidades sociais do século XIX,
entre professores e alunos, muito di- preciso que o professor se interesse e professor ensina gerador de exclusão e insucesso vário.
ferente em décadas passada, em que que seja aprendente enquanto ensina. não é aquilo que Os docentes que reproduzem práticas
o professor era autoridade inques- O estatuto de professor não pode de ensino obsoletas têm os dias conta-
tionável, propicia quais garantias ser confundido com o estatuto de alu-
diz, mas aquilo dos. Mas, com a introdução das novas
para ambos na atualidade? no. Não sei se haverá esse tal “limi- que ele é. tecnologias, os educadores que soube-
JP - Já vai longe o tempo dessa te”. Sei que pode ser praticada uma rem colocá-las ao serviço da aprendi-
escola. A escola de massas instituiu liberdade responsável. Sei que o pro- zagem não serão considerados descar-
novos cenários. À violência simbóli- fessor pode criar vínculos numa re- táveis. Serão reconhecidos como ne-
ca juntou-se a violência que vem de lação de um-para-um, sem cair em cessários e indispensáveis, verão o seu
fora e que os portões não conseguem pieguismos pedagógicos ou na ten- estatuto social valorizado. Sei que as-
reter... A indisciplina é a filha dileta tação de uma não-diretividade ingê- sim é, porque já participo em projetos
do autoritarismo e da permissivida- nua. onde isso acontece, onde a máquina é
de. Sempre existiu. Sempre existirá, Uma educação com liberdade e colocada ao serviço da humanização
das escolas.

CS - Professor, o que dizer para


os professores no início deste ano
de 2010?
JP - Talvez aquilo que digo to-
dos os dias: que o exercício da nossa
profissão não é um ato solitário, mas
solidário. Correndo o risco de redun-
dância, ouso (re)afirmar que o bom
professor será o que recusa continuar
sozinho na sua sala de aula.
6 CORREIO SINDICAL FEVEREIRO 2010

Professores e auxiliares
administrativos prontos para a

NEGOCIAÇÃO SA
As negociações sobre a Convenção Coletiva de Trabalho - CCT, dos túrbio por esgotamento emocional devido a grande esforço no traba-
profissionais da educação privada de Santa Catarina começarão de fato lho); piso adequado para os Auxiliares Administrativos, conforme o
neste mês de fevereiro, pois, apesar de ter recebido a proposta em no- piso estadual de salários, além de um regime de trabalho máximo para
vembro de 2009, só agora o SINEPE, Sindicato Patronal, se propôs a esses profissionais de 40 horas semanais, entre outras reivindicações.
discuti-las, demonstrando total desrespeito aos trabalhadores que são o De acordo com o Presidente da FETEESC, Prof. Antônio Bittencourt
meio vital do fortalecimento e manutenção do bom nome das Institui- Filho, “estamos tentando um entendimento que seja satisfatório para as
ções. A data/base da categoria é em março de cada ano, mês que se escolas e os Trabalhadores, pois seria um desgaste desnecessário en-
revisam as clausulas passadas, acrescentando-se outras que se fazem trarmos em dissídio, como ocorreu em anos anteriores”, completou o
necessárias e que são verificadas durante o ano de vigência da CCT. professor. Esse também é o entendimento da Presidente do Sindicato
Portanto, como estratégia para um bom encaminhamento e discussão de Trabalhadores no setor Administrativo das Escolas particulares de
das prerrogativas de negociação para este ano, a intensão da FETEESC Lages e região, Sônia Carnevalli. Para ela, “é preciso assegurar em
e dos Sindicatos associados em enviar com antecedência as propostas documento os compromissos das próximas negociações, mas, sobretu-
em novembro de 2009, visava o acolhimento das necessidades dos tra- do, as conquistas de anos anteriores, como triênio, bolsas de estudo e
balhadores, elencadas para esse ano e que sequer teve, por parte do outros, evitando prejuízos para os trabalhadores com perdas de
Sindicato Patronal e as devidas Instituições de Ensino, a hombridade
para com os trabalhadores deste acolhimento, uma vez que nem respos-
tas deram sobre os encaminhamentos. Tanto que a decisão para uma
Assembléia possivelmente só virá mesmo após o carnaval, muito próxi-
ma da data/base. Estarão reunidos os Presidentes dos
Sindicatos dos Professores e Auxiliares Administrativos de
Blumenau, Florianópolis, Criciúma, Lages e Brusque, que, jun-
tamente com o Presidente da FETEESC, Prof. Antônio
Bittencourt Filho e demais diretores da entidade, discutirão as
Clausulas para 2010 com os representantes das Instituições de
Ensino de Santa Catarina.
Os trabalhadores reivindicam recomposição salarial , além
de ganho real. A Convenção Coletiva de 2009 que está em
vigor, expira no próximo dia 28 de fevereiro. Os trabalhado-
res do Magistério e Auxiliares Administrativos buscam con-
templar nesta negociação itens como: a hora-atividade; adi-
cional por aprimoramento acadêmico;limitação na
contratação de professor horista; relevância nas discus-
sões sobre assédio moral nas instituições; destinação de
50 por cento da carga horária para professores em tem-
po integral ou parcial no ensino superior, para que pos-
sam executar trabalhos de extensão, pesquisa, plane-
jamento e avaliação; encaminhamentos quanto a um
planejamento que preserve a saúde do trabalhador,
com previsão para auxílio-doença complementar ou
pago pela previdência social. Nestes casos, a saú-
de, tanto de Professores, quanto dos Auxiliares,
fica sempre subestimada pelas doenças
ocupacionais, como LER e DORT -
Lesões por Esforços Repetitivos e
Distúrbios Osteo-musculares
Relacionados ao Trabalho
- além da Síndrome
de Burnout (dis-
FEVEREIRO 2010 CORREIO SINDICAL 7

Entenda o funcionamento

ALARIAL da campanha salarial


Campanha Salarial não serve apenas para definir o reajuste
anual. Das negociações intersindicais também resultam os
direitos coletivos que regulam as relações de trabalho nas escolas.
As Convenções e Acordos Coletivos têm duração de um ano e são
fundamentais, porque protegem os trabalhadores e regulam
a relação de trabalho nas escolas.
cláusulas sociais, tão importantes para os trabalhadores”, completou a
dirigente sindical.
No ano passado muitas instituições de ensino de Santa Catarina, Entenda como a Campanha dos Professores e Auxiliares da Adminis-
tração escolar se organiza no Estado de Santa Catarina e por que é impor-
como a Uniplac, Universidade do Planalto Catarinense, com sede em
tante a participação de todos os trabalhadores.
Lages, tiveram dificuldades para pagar os salários dos trabalhadores.
Para maiores informações: divulga@feteesc.org.br
1. A unificação da Campanha
A Campanha Salarial é coordenada pela FETEESC e realizada coleti-
vamente pelos sindicatos que formam a Federação: SINPRO-
FLORIANÓPOLIS, SINPROESC, SINTEB, STEERSESC, SINPABRE,
SAAEGFPOLIS e SAAERS, juntos, esses sindicatos representam 80%
dos professores de ensino superior, educação básica e ensino técnico no
Estado de Santa Catarina.

2. A data base
1º de março é a data base de todos os professores da rede privada no
Estado de Santa Catarina. Esse é o mês de referência em que começa a
vigorar a nova Convenção Coletiva de Trabalho, que define o reajuste
salarial e todos os direitos coletivos das categorias representadas.

3. As reivindicações
As propostas são definidas pelos trabalhadores, a partir das delibera-
ções das categorias em suas Assembléias os Sindicatos e a FETEESC se
reúnem no auditório da Casa do Educador e unificam a pauta de reivindi-
cações.
A pauta tem uma parte comum, válida para todos os professores e auxi-
liares da administração escolar. As cláusulas já existentes nas Convenções
e Acordos também integram as reivindicações, já que elas precisam ser
renovadas e eventualmente alteradas em cada Campanha Salarial.

4. As negociações
Os Sindicatos e a FETEESC negociam com o sindicato patronal: o
SINEPE/SC, que representa todas as instituições de ensino privado, da
educação infantil ao ensino superior no Estado. As cláusulas são negoci-
adas uma a uma, inclusive aquelas que constam em Convenções ou Acor-
dos anteriores.

5. A participação dos trabalhadores


A negociação sindical, seus avanços e recuos, são balizados pelo ní-
vel de organização das categorias. Por mais justas que sejam as reivindi-
cações, é a ação dos professores e auxiliares da administração escolar
que garantem força aos sindicatos na mesa de negociação.
São sempre os trabalhadores que dão a última palavra, da formulação
dos eixos de luta à assinatura das Convenções Coletivas.
E você tem poder nessa hora! Se seu Sindicato ainda não é filiado a
FETTESC, exija que se filie, assim fortalecemos a campanha salarial.

6. As Convenções e Acordos Coletivos


Se as negociações com o sindicato patronal chegarem a uma proposta
aceita pelos trabalhadores, as Convenções Coletivas de Trabalho são as-
sinadas.
8 CORREIO SINDICAL FEVEREIRO 2010

Iniciando neste mês, o ano


letivo sempre promete
desafios para pais, alunos ,
professores e instituições.
A escola é considerada
para muitos como a
segunda casa do aluno. É
ali, sobretudo para as
crianças, que se vai passar
grande parte do dia e
mesmo da vida infantil e
adolescência. No começo
de mais um ano letivo, o
CORREIO SINDICAL dá
algumas dicas de como
enfrentar essa rotina.

VOLTA ÀS AULAS
O COMEÇO A criança ou A LINGUAGEM DEVE
A primeira semana é sempre muito importante, pois quem fre-
qüenta pela primeira vez o ambiente escolar, seja porque acaba adolescente precisam SER AJUSTADA PARA
de ingressar na instituição; seja pelo fato de trocar de ambiente,
estará diante de dois desconhecidos: o aluno e o professor; o pro- sentir que os pais
AS FAIXAS ETÁRIAS
fessor e seus alunos. Portanto, esse primeiro momento é muito
Para as crianças, esta importância precisa ser
importante pois a criança ou adolescente e mesmo o adulto, as- valorizam a escola, que estabelecida numa dinâmica mais interativa, atra-
sim como o professor, vão conhecer o seu “território”, o ambiente
vés de brincadeiras, jogos e situações que desper-
em que estarão inseridos durante todo ano. Para isso terão que ter se interessam por sua tem o gosto e a vontade em ir para o ambiente esco-
em mente que a escola tem regras, obrigações, mas também direi-
lar. Para os adolescentes esse processo deve ser mais
tos. Muitos pais. às vezes acham que a primeira semana, por não vida estudantil e que na disposição das responsabilidades, das expectati-
ter grande conteúdo, não tem importância. Desta forma, muitas
vas de uma carreira; do descobrir suas inclinações
escolas adotam metodologia de observação para saber de que ponto vão participar
profissionais. Criar um espaço de discussões com
deve partir a abordagem do conteúdo. Esse, então, pode ser con-
ativamente das os adolescentes (tanto os pais, quanto a escola), será
siderado o primeiro momento de negociação entre todos os atores
salutar para desenvolver essas características, pois
envolvidos no ambiente escolar. Então, faltar a primeira semana
de aula, só por necessidade.
escolhas o diálogo permite dirimir dúvidas, ansiedades e
contrapontos. Outro aspecto muito importante é
quando o aluno vivencia um fracasso. É importante
mostrar que o recomeço trará oportunidade de acer-
COMPORTAMENTO tos àquele aluno que mudou de escola porque re-
Na primeira semana deve-se ter em mente que as férias aca- provou, não se adaptou ou outra situação. Além de
baram e que um período de responsabilidades se inicia. Para isso orientá-lo a extrair as lições do próprio fracasso,
deve-se mudar a rotina que se tinha nas férias, onde horários, conscientizá-lo de que a vida é feita de sucessos e
agenda e obrigações, estavam suspensas. Aí o auxílio de pais e insucessos pode ser uma boa alternativa para situá-
professores é fundamental: os pais, organizando o material, horá- lo no mundo que terá que conviver. A escola traba-
rio, lanche e transporte, dando segurança para que a criança sinta lha na lógica do “dever ser”, ou seja: deve ser bom
seu apoio; professores, deixando clara a importância da escola, aluno, deve fazer as lições, deve ser pontual; en-
como o por que ir na escola? Que escolhas poderemos fazer no quanto para o aluno a lógica é de “querer viver a
futuro? O que ela representa na vida da criança? A criança ou vida”, ou seja, quero ser bom aluno, mas gosto de
adolescente precisa sentir que os pais valorizam a escola, que se jogar futebol, gosto de estudar, mas também quero
interessam por sua vida estudantil e que vão participar ativamen- bater papo com meu colega, portanto, tanto pais,
te das escolhas, orientando, (mas não interferindo), nas opções e quanto a escola, precisam relativizar o querer ser
etc. Mais do que o material escolar, instalações e uniforme, por com o dever ser, pois a escola também é espaço de
exemplo, é preciso deixar claro para o aluno, de todos os níveis, a vida, e não somente o espaço do saber, do conteú-
importância do aprender. do, das doutrinas.
FEVEREIRO 2010 CORREIO SINDICAL 9
Congresso promulga
emenda que amplia Professor Moacir Pedro
Rubini – Secretário Geral
da FETEESC

recursos para a educação


O Congresso Nacional promul- será gradualmente reduzida ao longo A realidade do
gou em novembro do ano passado, de três anos para o setor educacional.
a Emenda Constitucional 59, que
amplia os recursos da educação ao
Neste ano serão descontados, 5%,
como ocorreu em 2009, onde foram
Ensino Privado em SC
excluir do cálculo da Desvinculação descontados 12,5%. Já em 2011, não Analisando os dados do MTS e RAIS de 1995 a 2008 e MTE-
CAGED 2009, observamos o forte crescimento do setor privado
de Receitas da União, (DRU), os re- haverá mais a desvinculação.
de ensino em Santa Catarina.
cursos destinados a essa área. A
Em 1995 éramos 25.718 trabalhadores atuando na rede priva-
emenda também assegura o direito O QUE MUDA COM A EMENDA PROMULGADA da, em 2009 esse número chegou a 57.849. Poderíamos comemo-
ao ensino básico gratuito para os Esta emenda reformula outros quatro pontos: reivincula recursos re- rar estes resultados enquanto sindicatos representantes da catego-
jovens de 4 a 17 anos. Hoje, a uni- tirados da educação, assegura o direito ao ensino básico gratuito para as ria, porém a realidade nem sempre acompanha a melhoria nas con-
versalização abrange apenas o ensi- pessoas de 4 a 17 anos (hoje a universalização abrange apenas o ensino dições de trabalho e salários.
no fundamental. fundamental, de 6 aos 14 anos); obriga o Legislativo a incluir no Plano Podemos observar um forte crescimento da rotatividade no
A emenda foi aprovada pela Nacional de Educação uma meta de investimento público em educação emprego. Embora seja necessário considerar que o setor reemprega
Câmara em setembro de 2009 (PEC rapidamente, precisamos questionar que causas levam as institui-
pública como proporção do PIB; e amplia a abrangência das chamadas
277/08), e pelo Senado em novembro. ções a demitir grande parte destes trabalhadores? Apontaria aqui,
atividades suplementares para todos as etapas da educação básica.
De acordo com a emenda, a DRU algumas razões: o custo da demissão não pesa para o empregador,
Agência Câmara é mais fácil demitir e recontratar que implementar um plano de
cargos e salários com vistas a qualificar e melhorar as condições
de vida dos trabalhadores.

Brasil ainda perde para Os dados mostram que esses trabalhadores são recontratados
com salários inferiores. Em 1995 o número de trabalhadores que
recebiam até dois salários mínimos representavam 22,72%, e em

vizinhos quando o assunto 2008, passou a ser 40% do total. Isto explica porque é melhor
demitir e recontratar.
Cada vez mais aumenta o número de trabalhadores com me-

é renda, mostra PNUD nos de um ano de casa, enquanto os que possuem mais de cinco
anos diminuem. A pergunta é por que isso vem acontecendo?
Em nossa Convenção Coletiva, temos uma conquista chama-
O Brasil tem a menor renda per capita da América do Sul. Segundo PRA MELHORAR É da “TRIÊNIO”. Demitindo e recontratando novos trabalhadores
estudos do PNUD, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimen- ela se torna nula. A exemplo do triênio, as Instituições que possu-
to, nossa renda é de US$ 9,5 mil. A renda per capita é obtida quando se
PRECISO TEMPO em Planos de Cargos e Salários acabam não beneficiando os tra-
divide o PIB, Produto Interno Bruto, ou seja, tudo o que se produz interna- Nossa taxa de crescimento mé- balhadores com essa medida.
mente no país, pelo número de habitantes. Para se ter uma idéia da dispa- dia do IDH brasileiro cresce lenta- Outro fator apontado nos dados analisados é o forte cresci-
ridade, a Argentina, cujo parque industrial é inferior ao Brasil, tem renda mente, se tomados os números dos mento do Ensino Superior que hoje representa 46,87% do total de
per capita de US$ 13,2 mil, e mesmo no pequeno Uruguai a renda é de últimos 17 anos, ou seja, de 1990 a trabalhadores. Uma coisa é certa: quando os empregadores recla-
US$ 11,2 mil. Na Venezuela a renda é de US$ 12,1 mil por habitante. A 2007 (médio prazo). Nesse perío- mam não há coerência com os dados concretos aqui analisados.
renda mais alta é a do Chile, com US$ 13,8 mil, um pouco a mais do que a do, a taxa média de crescimento A educação privada é sem dúvida um setor muito lucrativo e
Argentina. Nossos vizinhos na América estão na nossa frente no ranking anual era de 0,79%. Se analisarmos investir em educação passou a ser um excelente negócio nesse
do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). O Chile ocupa a 44ª posi- somente os anos 2000 (curto pra- país.
ção; a Argentina é a 49ª na lista, logo à frente do Uruguai; a Venezuela está zo), a taxa é de um crescimento na Estamos em plena NEGOCIAÇÃO e o que esperamos dos
em 58º lugar e o Brasil é o 75º. ordem de 0,41%. empregadores é que não fujam e não venham com argumentos que
“O Brasil vem melhorando, não condizem a realidade do setor.
Fazendo-se uma analise isolada, tomando-se apenas o fator renda, o
mas a velocidade é inferior a de Trabalhadores e trabalhadoras, o momento requer mobilização
Brasil teria uma colocação ainda pior: 79º lugar. Há ainda outro fator que
outros países. É importante que essa e luta. Somente organizados e de forma coletiva, fortalecendo seu
nos coloca lá em baixo quanto ao IDH, Índice de Desenvolvimento Huma-
sindicato, conquistaremos melhores condições de trabalho e salá-
no, o qual já publicamos em edição passada: a expectativa de vida, que, velocidade seja aumentada. Isso se
rio.
analisada sozinha, deixaria o país na 81ª posição. faz olhando para aqueles indicado-
Vamos à luta! Você é o elo que liga o seu sindicato e a sua
Para o economista sênior do Pnud, Flávio Comim, “pra melhorar não res em que o Brasil está pior, como instituição.
tem mágica. “Como é que você pode melhorar essas posições? Investindo saúde e renda”, destaca o economis-
mais na qualificação dos trabalhadores, trabalhando mais a questão da saúde, ta do PNUD, Flávio Comim.
ao mesmo tempo em que precisa trabalhar política de renda “, No médio prazo , a Venezuela
De acordo com ele, “faz 30 anos que o Brasil está atrás da Argentina, alcança uma taxa de crescimento de
Registro Eletrônico de Ponto
do Uruguai, do Chile. 0,39%, já no curto prazo, a taxa pas- Novidade! Portaria nº 1.510, de pregado.
sa para 0,74%. Essa aceleração ve- 21 de agosto de 2009, do Ministério E os equipamentos a serem utili-
rificada na Venezuela pode ser o do Trabalho e Emprego, estabelecle zados, deverão ser produzidos por fa-
fato de o país sair de uma base pior que o registro eletrônico de ponto bricantes cadastrados junto ao MTE
em comparação com a brasileira, na somente será reconhecido legalmen- e possuírem “Certificado de Confor-
avaliação do economista. te se o empregador estiver dentro do midade com a Legislação” emitido
No país de “Neruda”, a taxa SREP – Sistema de Registro Eletrô- por órgão técnico credenciado e
passa de 0,58% no médio prazo nico de Ponto, com o equipamento “Atestado Técnico e Termo de Res-
para 0,48% no curto prazo, fazen- denominado REP – Registrador Ele- ponsabilidade”.
do com que o Chile tenha um bom trônico de Ponto. É o que estabelece Dada a especificidade do assun-
desempenho com estes números. Já a Portaria acima indicada, através de to e o detalhamento dos relógios ele-
o que se verifica no Uruguai é uma uma série de observações , inclusive trônico de ponto, que serão conside-
taxa de crescimento do IDH no mé- de manter o registro fiel das marca- rados aprovados para tal modalidade
dio prazo e no curto prazo pratica- ções efetuadas, sem que exista qual- de controle de ponto, devem os inte-
mente igual: 0,45% e 0,47%, res- quer dispositivo que permita a alte- ressados tomarem conhecimento de-
pectivamente. ração dos dados registrados pelo em- talhado da Portaria.
Fonte UOL Notícias
10 CORREIO SINDICAL FEVEREIRO 2010

FEVEREIRO
Festa de Momo
Nos próximos dias 12 a16 de fevereiro o Brasil realiza a sua maior festa popular:
o carnaval. A data varia de ano para ano em função da páscoa. Geralmente a
festança ocorre entre o final do mês de fevereiro e os primeiros dias de março.
O início oficial do Carnaval sempre é em um Sábado e o termino ao meio-dia da
quarta-feira seguinte, chamada de “Quarta-feira de Cinzas”. Entretanto muitas
pessoa já começam os festejos na sexta-feira. Diz-se muito no Brasil que o ano
oficialmente só começa após o Carnaval.

CARNAVAL
NO BRASIL
O entrudo chegou ao Brasil influ-
enciado pelas festas carnavalescas
que aconteciam na Europa. Em paí-
ses como Itália e França, o carnaval
ocorria em forma de desfiles urbanos,
onde os carnavalescos usavam más-
caras e fantasias. Personagens como
a colombina, o pierrô e o Rei Momo
também foram incorporados ao car-
naval brasileiro, embora sejam de ori-
gem européia. No Brasil, no final do
século XIX, começaramm a aparecer
os primeiros blocos carnavalescos,
O CARNAVAL E SUAS ORIGENS cordões e os famosos “corsos”. Estes
últimos tornaram-se mais populares
Considerada uma das festas populares origem na expressão latina “carrum nova- no começo do século XX. As pesso-
mais animadas e representativas do mun- lis”, utilizada pelos romanos para abrirem as se fantasiavam, decoravam seus
do, teve origem no entrudo português, (cos- seus festejos. Ou talvez na palavra “car- carros e, em grupos, desfilavam pe-
tume de se brincar neste período que foi nelevale”, que significa “adeus à carne”, las ruas das cidades, que muitos his-
introduzido no Brasil pelos portugueses, em dialeto milanês, uma referência ao iní- toriadores atribuem como sendo a ori-
provavelmente no século XVII.) A brinca- cio da Quaresma cristã. gem dos carros alegóricos, típicos das
deira consistia nas pessoas jogarem uma Mas o costume ja era utilizado na Ida- escolas de samba atuais. No século
nas outras, água, ovos e farinha. O entrudo de Média, onde se comemorava a festa XX, o carnaval foi crescendo e tor-
acontecia num período anterior à quares- da liberdade nessa época em Portugal nando-se cada vez mais uma festa
ma e, portanto, tinha um significado liga- com uma série de brincadeiras que varia- popular. Esse crescimento ocorreu
do à liberdade, sentido que permanece até vam de aldeia para aldeia. Em algumas, com a ajuda das marchinhas carna-
os dias de hoje no Carnaval. Mas alguns notava-se a presença de grandes bonecos, valescas, onde as músicas deixavam
historiadores reconhecem também que o chamados genericamente de “entrudos”. o carnaval cada vez mais animado.
Carnaval tem diversas origens possíveis, Aquilo que a maioria das obras descreve
que nos levam a milhares de anos antes de como Entrudo é apenas a forma que es-
Cristo. A palavra carnaval pode ter a sua sas brincadeiras adquiriram a partir de
finais do século XVIII na cidade do Rio
de Janeiro que não se resumia a uma úni-
ca forma. Havia, na verdade,vários tipos
de diversões que se modificavam de acor-
do com o local e com os grupos sociais
envolvidos.
FEVEREIRO 2010 CORREIO SINDICAL 11
NORDESTE, A FESTA Nega Tide:
É DOS BONECOS E a eterna
TRIOS ELÉTRICOS campeã
Bonecos gigantes Por Tabira Estevão
em Recife Cidadã-samba de Florianópolis,
O carnaval de rua manteve suas a “Eterna Nega Tide Cidadã Samba”,
tradições originais na região nordes- nasceu Erotides Helena e foi a pri-
meira a ganhar o título por seis vezes
te do Brasil. Em cidades como Reci-
consecutivas. Copiada mas nunca
fe e Olinda, as pessoas saem às ruas superada, Nega Tide foi a preferida
durante o carnaval no ritmo do frevo por muitas gerações, especialmente
e do maracatu. Os desfiles de bone- entre os mais antigos. Ela sabia como
cos gigantes em Recife são uma das ninguém brilhar nos carnavais de Flo-
ESCOLAS DE SAMBA principais atrações desta cidade du-
rianópolis. Sua beleza e a maestria do
samba no pé, deixavam sua marca ao
A primeira escola de samba surgiu no Rio de Janeiro e chamava-se Deixa rante o carnaval. Na cidade de Sal- percorrer os salões e passarelas do
Falar. Foi criada pelo sambista carioca Ismael Silva. Anos mais tarde a Deixa vador, existem os trios elétricos, em- carnaval da ilha. Sua aparição se dava
balados por músicas dançantes de na abertura do carnaval, no Berbigão
Falar transformou-se na escola de samba Estácio de Sá. A partir dai o carna-
do Boca, um dos mais tradicionais da
val de rua começou a ganhar um novo formato. Começaram a surgir novas cantores e grupos típicos da região. folia em Floripa e que abre oficial-
escolas de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo, que, organizadas em Na cidade destacam-se também os mente nosso Carnaval, onde levava
Ligas de Escolas de Samba, deram origem também aos primeiros campeona- blocos como o Olodum, Ileyaê e Afo- a faixa de ‘Eterna’ Rainha. Es-
tos para verificar qual escola era a mais bonita e animada. xé Filhos de Gandhi. tava na Embaixada Copa Lord por
convicção, mas seu coração batia
mesmo pela “Protegidos”. Sua auto-
ridade vinha da simplicidade com que
vivia a vida. Nascida no Morro do
Céu, morava no Morro da Nova Tren-
to, em uma casa sempre aberta aos
amigos do
samba. O
gosto pela
“Folia de
momo” a
acompanhou
desde meni-
na. Sua esco-
la no Rio de
RIO DE JANEIRO E SÃO Janeiro era a
Mangueira,
da qual
PAULO, O CARNAVAL acompanha-
va, sempre
que podia, os desfiles no Sambódro-
TIPO EXPORTAÇÃO mo carioca. Funcionária pública do
Estado, pertencia atualmente aos qua-
O Carnaval do Rio de Janeiro to disputada e envolve altos custos dros da Secretaria Municipal de Tu-
rismo de Florianópolis. Azurra e ru-
é o mais rico e conhecido, atraindo e grande necessidade de mão de
bro-negra, o Avai e o Flamengo tive-
milhares de turistas nacionais e obra, gerando empregos para as co- ram a honra de tê-la como ilustre tor-
estrangeiros. Nesta época a cidade munidades de cada escola de sam- cedora. O último domingo de sua
respira durante cinco dias um inve- ba. Portela, Salgueiro, Mangueira, vida foi inteiro do Carnaval, partici-
jável ar de alegria. O auge da festa é Império Serrano, Beija-Flor e Impe- pou do júri que escolheu a rainha da
o desfile do grupo especial na Mar- ratriz Leopoldinense estão entre as escola de samba Unidos da Coloni-
nha. Estava feliz e seria home-
quês de Sapucaí, onde diversas es- escolas mais tradicionais, que traba-
nageada pelo Bloco Unidos do Mor-
colas de Samba disputam entre si o lham o ano inteiro para o Carnaval.
título de Campeã do Carnaval. Du- A FOLIA NA CAPITAL ro do Céu, pela Escola de Samba da
Terceira Idade e seria destaque na
rante a maior parte da década de no- O Carnaval de São Paulo é Carnaval de Florianópolis, também chamado de Carnaval da Embaixada Copa Lord. Encaminha-
venta, o carnaval ficou reduzido aos uma festa tradiconal. O desfile das da ao Hospital Universitário em Flo-
Magia é um evento cultural organizado pela prefeitura da cidade
desfiles das escolas de samba e aos escolas de samba paulistas ocorre rianópolis na manhã do dia 18 de ja-
e festejado no aterro da baía sul, próximo a maior ponte pênsil neiro, ficou em observação sedada.
grandes bailes em clubes fechados. no Sambódromo do Anhembi, pro-
da América Latina, a Ponte Hercílio Luz. O carnaval oficial da Nega Tide, com imunidade baixa por
O conhecido e tradicional “carnaval jetado pelo renomado arquiteto conta da quimioterapia que reduziu
de rua”, em que as pessoas brincam Oscar Niemmeyer, que também cidade acontece na passarela Nego Quirido, um Sambódromo,
sua beleza, mas nunca sua excelên-
espontaneamente sem pagar entra- projetou o Sambódromo da Marqu- em homenagem um antigo sambista da capital catarinense. cia, tratava-se de um câncer,( vejam
da, fora abandonado. Nos últimos ês de Sapucaí no Rio de Janeiro. O Desfilam no sambódromo, no sábado de carnaval, cinco escolas a ironia do destino), “no pé”, justa-
anos, entretanto, essa forma de fes- desfile do Grupo Especial das es- de samba. No domingo, desfilam ainda 10 blocos de enredo e mente o órgão que lhe deu o impulso
para conquistar o que é . Três netos,
tejar está sendo recuperada. Por mais colas de samba de São Paulo acon- duas sociedades carnavalescas. À todas essas entidades é comum Lucas, Amanda Helena e Ana Clara,
de 30 anos, o desfile das escolas foi tece na sexta-feira e no sábado da
o uso de carros alegóricos com animação dos motivos. O carnaval do único filho, André, são sua famí-
realizada de forma espontânea. So- semana do carnaval. São Paulo pos- lia de sangue, mas centenas de mi-
popular, de rua, é feito a cerca de 500 metros dali, ao redor da
mente em 1963 começou-se a ven- sui cerca de 200 Agremiações Car- lhares de admiradores e dos que ela
der lugares para o público. Hoje o navalescas entre Escolas de Samba praça XV de novembro, onde a centenária figueira da praça é tratou como os próprios filhos e ne-
Carnaval carioca é um dos maiores e Blocos. As mais tradicionais e testemunha da animação dos chamados blocos de sujos. Mas tos jamais vão se esquecer da eterna
orgulhos do Rio de Janeiro e é res- mais vencedoras formam uma lis- apesar da folia nas ruas e clubes das cidades, há quem prefira diva do Samba dos Manezinhos. Esse
Carnaval não poderá ser mais triste.
ponsável por grandes investimentos. ta de 5 escolas: Nenê de Vila Ma- aproveitar o feriado prolongado para descansar, longe do agito Por ela, o Carnaval da Capital e de
São ingressos, publicidade, CDs, di- tilde, Vai-vai, Camisa Verde e Bran- das ruas e clubes no carnaval. Para isso, recorrem a roteiros de Santa Catarina não merece, pois Tide
reitos de transmissão, etc. A lua pelo co, Mocidade Alegre e Rosas de praias e pousadas na Serra. era alegre como a própria festa.
título de campeã do Carnaval é mui- Ouro.
12 CORREIO SINDICAL FEVEREIRO 2010

FOTOS: RENATA MACHADO

Ministro do Trabalho
participa de Seminário
da UGT em Porto Alegre
A União Geral dos Trabalhadores realizou no dia 27/01/2010 o
Seminário - A UGT e o Movimento Sindical 2010. O evento con-
tou, na abertura, com a presença do ministro do Trabalho, Carlos
Lupi. O ministro destacou o papel do Fórum Social Mundial já que
traz algo fundamental para a humanidade: a visão social, visão que
gera renda, segundo Lupi. “Esse Fórum está trazendo uma contri-
buição muito grande a toda sociedade, discutindo a evolução do ser
humano, as conquistas sociais dos trabalhadores, o meio ambiente,
avanços necessários para a sociedade”, afirmou. O ministro tam-
bém enfatizou a necessidade de organização dos trabalhadores e
suas centrais sindicais. “No Brasil, precisamos avançar mais, quan-

Centrais Sindicais to mais salário o trabalhador ganhar mais geração de emprego”, dis-
se Lupi. O ministro conclui lembrando que o que manteve o país a
salvo da crise mundial foi o salário, o ganho real dos trabalhadores.

realizam atividades sobre o “Sem emprego não há dignidade, não há cidadania.”


No Seminário, o presidente
nacional da UGT, Ricardo Patah,

MUNDO DO TRABALHO criticou a forma de agir das de-


mais centrais, especialmente por
estarem ligadas ao governo fe-

no FSM em Porto Alegre/RS deral e não atuarem na defesa


dos trabalhadores. O fator pre-
videnciário é um dos pontos de
Paulo Cesar Amante ta e teve como painelistas o presidente tario geral da CUT-RS, João Batista discordância, enquanto a UGT
Assessor Comunicação FETESC nacional da CUT, Artur Henrique, Ma- Xavier. O secretário geral da UGT, quer o fim do FP, outras centrais
ria Pimentel da CGTB e Nivaldo San- Canindé Pegado, o representante da aceitam negociar. “Nós podemos
Na quarta-feira, 27 de janeiro, as tana, da CTB. Nova Central, Valter Souza e o repre- criticar, sim, o fator previdenci-
Centrais Sindicais abriram os trabalhos Em todas as falas a palavra unida- sentante da CGT da Argentina, Manu- ário tem que cair e vai cair, de-
do Fórum do Mundo do Trabalho, ati- de prevaleceu, no sentido de intensifi- el Troncoso foram os palestrantes da pende da gente”, afirmou. Patah foi enfático em destacar os avan-
vidade organizada pelas seis centrais cá-la ainda mais para a disputa de pro- discussão. ços do governo Lula, com ressalvas para algumas questões: “nós
sindicais brasileiras - UGT, CTB, FS, jetos que se apresentam em 2010. Na quinta-feira, 28/12, os temas temos alguns temas que criticamos demais o governo”, disse Patah.
NCST, CGTB e CUT- que integra o Sobre a pauta unificada da classe abordados foram “Criminalização dos O presidente da UGT lembrou que este é um ano muito impor-
Fórum Social Mundial 2010 – Porto trabalhadora que será elaborada e apro- movimentos e práticas anti-sindicais” tante, de grandes mudanças e a UGT tem que mostrar o caminho
Alegre, 10 anos depois. vada na Conferência de 1º de junho, as e “Agenda mundial dos trabalhadores”. que vai tomar. Esse caminho deve levar em conta alguns pontos.
Na quarta e quinta feira, as Centrais centrais vão entregá-la ao candidato ou O evento aconteceu no auditório Dan- Um deles é a educação, que, na sua opinião, não evoluiu como
apresentaram painéis e debateram temas candidata às eleições que tiver condi- te Barone, na Assembléia Legislativa. deveria. “Não podemos ter qualquer tipo de mudança no Brasil se a
que envolvem práticas anti-sindicais, ções efetivas para cumpri-la. Os painelistas foram os representantes educação não for considerada uma atividade vital”, disse Patah. Os
crise global, trabalho decente e pacto A segunda mesa teve como tema das centrais sindicais. indicadores demonstram que a ausência da educação qualificada
mundial pelo emprego visando constru- “Trabalho decente e pacto mundial pelo tem como consequência situações como a de 1% da população de-
írem juntas uma pauta unificada. emprego” e foi coordenada pelo secre- Fonte: http://fsm10.procempa.com.br ter 50% da riqueza do país. “Enquanto nós não tivermos a capaci-
A mesa de abertura oficial do Fó- dade de perceber e de exigir, vamos ser sempre o país do futuro.”
rum do Trabalho foi composta por re- Patah lembrou que a UGT é a única central a ter um projeto na
presentantes da UGT, CUT, CGTB, Câmara para que haja uma remuneração mais adequada para a con-
CTB, FS e NCST e também por Rafael ta do fundo de garantia, “também existe o projeto do pré-sal, em
Freire, representando a Confederação que a UGT quer a participação dos trabalhadores, senão não adian-
Sindical dos Trabalhadores das Améri- ta ter essa fortuna em petróleo”. Sobre a perspectiva de o Brasil, em
cas (CSA) e o Uruguaio Hugo Bosca, 10 anos, chegar a ser a quinta economia mundial, o presidente sali-
da Federação Sindical Mundial. entou que se não houver distribuição de renda, participação da so-
Após a cerimônia de abertura fo- ciedade, isso será insignificante.
ram realizadas duas mesas de discus- Na avaliação dos 10 anos do Fórum Social, Ricardo Patah criti-
são. A primeira: “A crise mundial do cou a maneira como o FSM está organizado, deixando de lado a
capitalismo e perspectiva do movimen- participação do movimento sindical nas decisões. “Os Fóruns soci-
to sindical”, coordenada pelo presidente ais estão restritos a quatro, cinco pessoas, o movimento social não
da Força Sindical no RS, Claudio Jan- participa da direção, da organização do Fórum.”Outro tema que
merece a atenção da UGT, conforme destacou Patah, é a participa-
ção dos jovens no movimento sindical, que ainda é pouco represen-
COMEÇA A VALER EM TODO TERRITÓRIO tativa. “É uma juventude que ainda está muito distante das questões
fundamentais.”
CATARINENSE O PISO REGIONAL DE SALÁRIOS Ainda há outras questões que devem estar na pauta de discus-
são da UGT em 2010, como a redução da jornada de trabalho, o fim
Por: Paulo Cesar Amante UGT/SC, a Central emitiu nota orien- acordos ou convenções coletivas em da discriminação racial e de gênero e o fim das práticas anti-sindi-
tando todos os seus filiados para que patamares superiores ao Piso Regional cais.
Vigora, desde o dia 1º de janeiro nenhum Sindicato feche Acordo ou de Salários, que contempla quatro fai- Crescimento - O secretário geral da UGT, Canindé Pegado,
de 2010, o Piso Regional de Salários Convenção abaixo do Piso Estadual de xas salariais (R$ 587,00, R$ 616,00, apresentou aos participantes do seminário a atual situação da enti-
de Santa Catarina. Salário, pois poderá ser responsabiliza- R$ 647,00 e R$ 679,00), até porque a dade e a sua evolução tornando-se a terceira maior central sindical
Fruto de muita luta das Centrais, do por este ato conforme Notificação FETEESC liderou toda a luta para a do país em apenas dois anos de existência. Pegado explicou como é
Federações, Sindicatos e trabalhadores, Recomendatória Nº 1590/2009 do Mi- aprovação da LEI Estadual que insti- definida a representatividade das centrais e o processo de filiação
o Piso é hoje uma realidade e parâme- nistério Público do Trabalho - SC. tuiu o referido Piso . de sindicatos às centrais.
tro para as negociações e convenções O Prof. Antonio Bittencourt Filho, Embora haja muitas resistências da Economia - A conjuntura econômica foi tema da última apre-
coletivas, beneficiando principalmen- Presidente da FETEESC, igualmente parte patronal, o Piso é LEI e a partir sentação do seminário. O coordenador de estudos e desenvolvi-
te as categorias inorganizadas. recomenda que todos os Sindicatos fi- de 1º de Janeiro de 2010 é parâmetro mento do Dieese, Ademir Figueiredo, fez uma explanação da crise
Segundo o Professor Carlos Magno liados a Federação, quando da próxi- para todas as negociações de salários econômica mundial e de como o Brasil foi capaz de superá-la. Fon-
da Silva Bernardo, Secretário Geral,da ma data base, 1º de março, só fechem no Estado. te: http://www.ugt.org.br