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NOVO

ACO R D O OR T OG R Á F I CO
L Í N G UA P O R T U G U E S A

Professor Marcelo Paiva

  CETEB

Brasília, DF – 2008
DOCUMENTO DE PROPRIEDADE DO CETEB
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

Nos termos da legislação sobre direitos autorais, é proibida a reprodução total ou parcial
deste documento, por qualquer forma ou meio – eletrônico ou mecânico, inclusive por
processos xerográficos de fotocópia e de gravação – sem a permissão expressa e por
escrito do CETEB.

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SUMARIO

Apresentação do Curso............................................................................................................................ 4

Aulas 1, 2 e 3 – O novo acordo ortográfico................................................................................................. 5


Aula 4 – Alfabeto, nomes próprios estrangeiros e derivados........................................................................ 8

Aulas 5, 6 e 7 – Acentos e letras................................................................................................................ 9

Aulas 8, 9 e 10 – Uso do hífen.................................................................................................................... 15

Aula 11 – Minúsculas e maiúsculas . .......................................................................................................... 18

Aula 12 – Apóstrofo................................................................................................................................... 20

Aulas 13 e 14 – Acentuação gráfica........................................................................................................... 21

Aulas 15 e 16 – Hífen em compostos, locuções e encadeamentos vocabulares............................................ 26

Aulas 17 e 18 – Hífen nas formações por prefixação, recomposição e sufixação......................................... 28

Aula 19 – Divisão silábica........................................................................................................................... 29

Aulas 20, 21 e 22 – Redação oficial e acordo ortográfico........................................................................... 30

Aulas 23 e 24 – Praticando........................................................................................................................ 37

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Apresentação

Bem-vindo ao curso Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, promovido pela Escola Superior do Ministério Público
da União! O conteúdo foi elaborado para explicar e esclarecer as novas regras de nosso idioma para que você esteja bem
preparado em seu trabalho e no dia-a-dia.

O curso terá a duração de quatro semanas, mas você está livre para organizar o tempo de estudo e concluí-lo de acordo
com seu ritmo. Sugerimos que cada divisão de aulas seja feita em dia diferente para melhor assimilação. Procure reservar
horários em que sua atenção se direcione plenamente para o curso.

Logo no início, você encontrará as explicações sobre o acordo. Abordei questões técnicas e políticas sobre o tema e,
ainda, diversas opiniões de especialistas. Algumas favoráveis e outras contrárias à reforma. Quero também saber a sua.
Assim, após ler as primeiras aulas e pensar um pouco a respeito, peço a você abrir, na plataforma, o tópico “Fórum” e
deixar sua opinião sobre o acordo.

Procuro sempre ministrar curso com grande enfoque prático. Assim, toda a teoria encontrada nas aulas servirá para
que você fixe o conteúdo e desenvolva rapidamente a capacidade de aplicar o conhecimento adquirido. Nosso objetivo
é que você passe a escrever conforme o acordo, em pouco tempo. Assim, as aulas serão complementadas com diversos
exercícios.

Além dessas práticas, o professor-tutor manterá contato para propor novas atividades a todo momento, motivar a turma
e tirar as dúvidas que ocorrerem. Essa interação é fundamental. Entre em contato sempre que necessário. Você perceberá
que a comunicação com o professor-tutor será rápida e objetiva.

O sucesso do curso depende muito de sua participação e interesse. Faça uso das ferramentas disponíveis e, principalmente,
mantenha contato com o professor-tutor e demais participantes.

Além do conteúdo, das atividades e da interação, há um grande acervo de publicações sobre o tema no tópico “Biblioteca”,
disponível na plataforma. Faça uso dela sempre que sentir necessidade ou por curiosidade sobre o idioma. Se desejar,
pode gravar em seu computador todo o material do curso e da biblioteca. Caso seu interesse seja muito grande pelo
assunto, solicite mais material específico.

Desejo a você um bom curso e um ótimo aproveitamento em sua atividade.

Marcelo Paiva

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Aulas 1, 2 e 3
O novo acordo ortográfico

O Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa é um documento internacional entre os países lusófonos com
objetivo de unificar a ortografia para o idioma. Foi assinado por representantes oficiais de Angola, Brasil, Cabo Verde,
Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990, ao fim de uma
negociação entre a Academia de Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras, iniciada em 1980. Timor-Leste
aderiu ao Acordo em 2004.

O acordo visa à padronização e à simplificação do sistema ortográfico. Vários aspectos são enumerados como fundamentais
para a reforma, pois a existência de duas ortografias oficiais é prejudicial ao idioma em um mundo globalizado. A
padronização unificará a expressão da língua em termos científicos e jurídicos internacionalmente, no estudo do idioma por
instituições educacionais em todos os continentes, na linguagem de trabalho por organismos internacionais. Além disso,
o governo brasileiro e o português esperam que o idioma, finalmente, se torne uma das línguas oficiais da Organização
das Nações Unidas (ONU).

O castelhano pode ser citado como exemplo do objetivo esperado. Embora o idioma apresente variação na pronúncia e
no vocabulário entre a Espanha e a América hispânica, sua ortografia é única e regulada pela Associação de Academias
da Língua Espanhola. Também o Inglês, o Francês e diversos outros idiomas possuem ortografia única. As diferenças
no uso da linguagem existem, mas as normas ortográficas são padronizadas. Das grandes línguas ocidentais, apenas o
Português mantinha-se dividido.

Outra razão diz respeito ao próprio valor histórico e dinâmico da língua. Apesar das diferenças semânticas e fonéticas,
o idioma é um só, com características diferentes por seus falantes. É certo que existem inúmeras singularidades entre
o idioma no Brasil e em Portugal. No entanto, a base linguística é a mesma e muitos são os pontos convergentes. O
acordo busca ampliar o vocabulário e as regras de forma a possibilitar diferentes formas de expressão. Não se busca
um retrocesso, mas um avanço.

Assim como no Brasil há diversidades fonéticas e vocabulares imensas entre suas regiões, também o português reflete
diversidades entre os países lusófonos. Isso não impede a uniformidade ortográfica no Brasil. Também não deve impedir a
padronização entre nações. A crítica de que os idiomas são diferentes não é correta. O uso do vocabulário e de construções
sintáticas é amplo e permite diferentes formas de expressão.

Histórico dos Acordos Ortográficos

1907 – A Academia Brasileira de Letras lança proposta para simplificar a escrita do idioma.

1910 – Portugal, após a implantação da República, cria uma Comissão para estabelecer uma ortografia simplicada e
uniforme para ser usada nas publicações oficiais e no ensino.

1911 – Primeira Reforma Ortográfica em Portugal (não aceita pelo Brasil).

1915 – Adesão da Academia Brasileira de Letras à Reforma portuguesa de 1911.

1919 – Revogação da Academia Brasileira de Letras à adesão anterior.

1924 – A Academia de Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras estudam nova ortografia em comum.

1929 – A Academia Brasileira de Letras lança um novo sistema gráfico.

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1931 – Por iniciativa da Academia Brasileira de Letras, ocorre a aprovação do primeiro Acordo Ortográfico entre o Brasil
e Portugal (nunca posto em prática).

1943 – Convenção Ortográfica entre Portugal e Brasil e publicação do Formulário Ortográfico.

1945 – Aprovação do Acordo Ortográfico em Lisboa. Portugal adotou, mas o Brasil não.

1947 – Publicação do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, de Rebelo Gonçalves, em Portugal.

1971 – Alterações no Brasil que aproximaram a ortografia brasileira da portuguesa.

1973 – Alterações em Portugal que aproximaram a ortografia portuguesa da brasileira.

1975 – Novo projeto de acordo elaborado pela Academia Brasileira de Letras e a Academia de Ciências de Lisboa (não
aprovado oficialmente por questões políticas em Portugal).

1986 – Apresentação, no Rio de Janeiro, do Memorando sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entre as duas
Academias e a presença de cinco países africanos.

1990 – Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em 16 de dezembro.

1996 – Ratificação do Acordo Ortográfico de 1990 por Portugal, Brasil e Cabo Verbo.

1998 – Celebração do Primeiro Protocolo Modificativo, que elimina as datas para a elaboração do vocabulário comum
da língua portuguesa e para a entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990.

2004 – Celebração do Segundo Protocolo Modificativo, segundo o qual basta a ratificação por apenas três países para
que o Acordo Ortográfico de 1990 entre em vigor.

2008 – O Conselho de Ministros de Portugal aprova resolução que propõe a ratificação do Segundo Protocolo Modificativo
e abre caminho à aplicação do Acordo Ortográfico de 1990.

2008 – O Governo do Brasil publica decreto que normatiza o emprego do novo acordo para janeiro de 2009.

Divergências de opiniões

A nova ortografia da língua portuguesa divide opiniões. Em entrevista à Agência Lusa, o escritor português, prêmio Nobel
de Literatura, José Saramago, afirmou: “Recordo que aprendi a escrever mãe com ‘e’, depois me mandaram escrever
com ‘i’, e depois voltaram a mandar escrever com ‘e’, quando a mãe era sempre a mesma.”

O gramático Evanildo Bechara defende que a unificação pode ser uma necessidade do mundo globalizado, facilitando a
circulação de livros e de literatura em língua portuguesa, sem que a grafia possa impedir a compreensão de um texto
brasileiro por angolanos e vice-versa.

O professor Sérgio Nogueira, que acumula mais de trinta anos de experiência em sala de aula, está certo de que a
implantação da reforma exigirá custo muito alto para mudanças tão pequenas. “Os problemas serão vários”, lista Nogueira.
“Livros com ortografia desatualizada; empresas precisando treinar seus profissionais para que haja essa atualização;
pessoas que estão acostumadas com a atual ortografia, que foi adquirida por leitura e não por conhecimento de regras;
confusão entre o que muda e o que não muda com o novo acordo ortográfico.”

Para Nogueira, o simples fato de unificar a ortografia não significa que os vários ‘portugueses’ se aproximem, pois
as diferenças semânticas e sintáticas, que são as mais fundamentais, permanecerão. “Sempre fui contra a reforma
ortográfica, porque acredito que o Brasil precisa de outras ‘reformas’ mais importantes: no judiciário, no sistema político,
na educação”, opina o autor de diversos livros sobre o assunto.
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Flávia Leiróz, doutoranda em Letras e revisora, é mais otimista quanto à apropriação das novas regras. “Para nós, adultos,
as mudanças são mais difíceis pelos hábitos arraigados. Penso nos dicionários, nos corretores ortográficos instalados
nos computadores, nos hábitos arraigados dos hífens e acentos em certas palavras... Mas a ortografia é uma convenção
e, por isso, acredito que as mudanças possam ser assimiladas”.

Caso tenha interesse, a biblioteca possui diversos artigos sobre o assunto.

Atividade
Escreva, em pelo menos um parágrafo, sua opinião sobre o novo acordo ortográfico, com fundamentos lógicos.

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Aula 4
Alfabeto, nomes próprios
estrangeiros e derivados

O novo alfabeto

As letras “k”, “w” e “y” passarão a ser oficialmente incorporadas ao alfabeto da língua portuguesa. Os dicionários já
registram há muito essas letras; estas figuram em palavras como kafkiano, wagneriano, hollywoodesco etc. e os países
africanos possuem muitas palavras escritas com elas, como kizomba. Assim, o alfabeto da língua portuguesa passa
legalmente a ser formado por vinte e seis letras: A, B, C, D, E, F, G, H, I, J, K, L, M, N, O, P, Q, R, S, T, U, V, W, X, Y,
Z.

Observações:

As letras “k”, “w” e “y” usam-se nos seguintes casos especiais.

a) Em antropônimos originários de outras línguas e seus derivados: Franklin, ftankliniano; Darwin, darwinismo; Wagner,
wagneriano; Byron, byroniano; Taylor, taylorista.

b) Em topônimos originários de outras línguas e seus derivados: Kwanza; Kuwait, kuwaitiano; Malawi, malawiano.

c) Em siglas, símbolos e mesmo em palavras adotadas como unidades de medida de curso internacional.

d) Os dígrafos finais de origem hebraica ch, ph e th podem conservar-se em formas onomásticas da tradição bíblica,
como Baruch, Loth, Moloch, Ziph, ou então simplificar-se: Baruc, Lot, Moloc, Zif. Se qualquer um destes dígrafos,
em formas do mesmo tipo, é invariavelmente mudo, elimina-se: José, Nazaré, em vez de Joseph, Nazareth; e se algum
deles, por força do uso, permite adaptação, substitui-se, recebendo uma adição vocálica: Judite, em vez de Judith.

e) As consoantes finais grafadas “b”, “c”, “d”, “g” e “t” mantêm-se, quer sejam mudas, quer proferidas, nas formas
onomásticas em que o uso as consagrou, nomeadamente antropônimos e topônimos da tradição bíblica: Jacob, Job,
Moab, Isaac; David, Gad; Gog, Magog; Bensabat, Josafat.
Integram-se também nesta forma: Cid, em que o “d” é sempre pronunciado; Madrid e Valhadolid, em que o “d” ora é
pronunciado, ora não; e Calecut ou Calicut, em que o “t” se encontra nas mesmas condições.
Nada impede, entretanto, que dos antropónimos/antopônimos em apreço sejam usados sem a consoante final Jó,
Davi e Jacó.

f) Recomenda-se que os topônimos de línguas estrangeiras se substituam, tanto quanto possível, por formas vernáculas,
quando estas sejam antigas e ainda vivas em português ou quando entrem, ou possam entrar, no uso corrente. Exemplo:
Anvers, substituíndo por Antuérpia; Cherbourg, por Cherburgo; Garonne, por Garona; Genève, por Genebra; Justland,
por Jutlândia; Milano, por Milão; München, por Muniche; Torino, por Turim; Zürich, por Zurique, etc.

Assinaturas e firmas

Para ressalva de direitos, cada qual poderá manter a escrita que, por costume ou registro legal, adote na assinatura do
seu nome.

Com o mesmo fim, pode manter-se a grafia original de quaisquer firmas comerciais, nomes de sociedades, marcas e
títulos que estejam inscritos em registro público.

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Aulas 5, 6 e 7
Acentos e letras

Algumas palavras são pronunciadas em Portugal com o som tônico aberto e recebem acento agudo. No Brasil, a pronúncia
é fechada e o acento é o circunflexo. O Acordo passa a permitir as duas grafias como corretas no idioma.

Portugal Brasil

cómodo cômodo
fenómeno fenômeno
tónico tônico
génio gênio
bebé bebê
António Antônio
Académico Acadêmico
Amazónia Amazônia

Acentuação gráfica por outros motivos

Com relação à acentuação gráfica das palavras, o Novo Acordo estabelece regras de acentuação com base na posição
da sílaba tônica (oxítonas, paroxítonas, proparoxítonas, considerando oxítonos os monossílabos tônicos). O Acordo reduz
o número de palavras acentuadas e só modifica as regras de palavras paroxítonas.

Modificação 1: o acento gráfico nos ditongos abertos tônicos “ói” e “éi” nas palavras paroxítonas desaparece. Nos
demais vocábulos, ele se mantém.

Antes Acordo

idéia ideia
jibóia jiboia
heróico heroico
assembléia assembleia
epopéia epopeia
bóia boia
paranóico paranoico
geléia geleia

Lembre-se de que, nas palavras oxítonas, o acento se mantém: herói, céu.

Modificação 2: o hiato “oo(s)” das palavras paroxítonas deixa de receber acento circunflexo.

Antes Acordo

abençôo abençoo
enjôo enjoo
vôo voo
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Modificação 3: o hiato “eem” das formas verbais dos verbos crer, dar, ler, ver (e seus derivados) deixa de receber acento
circunflexo.

Antes Acordo

crêem creem
dêem deem
descrêem descreem
lêem leem
prevêem preveem
relêem releem
vêem veem

Observação: os acentos nas formas “têm”, “vêm” e termos derivados “mantém”, “mantêm” não sofrem alteração alguma.
Apenas as formas verbais que dobram o “e”.

Modificação 4: os hiatos tônicos formados por “i” e “u” deixam de receber acento após ditongo quando paroxítonas.

Antes Acordo

feiúra feiura
baiúca baiuca

Observação: quando oxítonas, a regra continua a mesma: Piauí.

Modificação 5: não se acentua mais a vogal “u” tônica dos encontros gue, gui, que, qui.

Antes Acordo

apazigúe apazigue

averigúe averigue

Modificação 6: não se coloca mais acento diferencial nas palavras homógrafas heterofônicas. No entanto, o Acordo
prevê dois acentos diferenciais obrigatórios (pôde e pôr) e dois facultativos (fôrma e dêmos).

Antes Acordo

pára para
pólo polo
pêra pera
côa coa

Modificação 7: outra regra consiste na completa eliminação da diérese (mais conhecida por trema) em palavras formadas
por qü e gü em que o u é pronunciado, como em freqüência e lingüiça, passando a escrever-se frequência e linguiça
respectivamente. Portugal já havia retirado o sinal. A mudança afeta a ortografia no Brasil.

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Antes Acordo

tranqüilo tranquilo
seqüela sequela
pingüim pinguim
lingüística linguística
agüentar aguentar
freqüentar frequentar

Observação: Conserva-se, no entanto, o trema em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros: hübneriano,
mülleriano.

Alterações ortográficas devido à fonética

O Novo Acordo privilegia o critério fonético sobre o critério etimológico. É o que ocorre com a supressão, do lado
lusoafricano, das chamadas consoantes mudas em palavras como ato (e não acto), direção (e não direcção), ótimo (e
não óptimo). Esta supressão, há muito consagrada do lado brasileiro, facilita a aprendizagem e o ensino da ortografia
nas escolas. Estudos indicam que haverá, em Portugal, alteração de aproximadamente 0,54% dos vocábulos. Embora a
quantidade possa parecer pequena, muitas dessas palavras são de uso frequente no dia-a-dia lusitano.

Antes Acordo

accionamento acionamento
coleccionador colecionador
leccionar lecionar
acção ação
colecção coleção
fracção fração
acta ata
activar ativar
dialecto dialeto
adopção adoção
adoptar adotar
óptimo ótimo

Mantêm-se inalterados vocábulos em que a pronúncia da consoante for percebida: ficcional, perfeccionismo, convicção,
sucção, bactéria, néctar, núpcias, corrupção, opção, adepto, inepto, erupção, rapto, opcional, egípcio.

De forma a contemplar as diferenças fonéticas, existem abundantes casos de exceções previstas no Acordo. Admite-se,
assim, a dupla grafia em muitas palavras: facto-fato, secção-seção, aspeto-aspecto, amnistia-anistia, dicção-dição, sector-
setor, caraterística-característica, intersecção-interseção, olfacto-olfato, concepção-conceção, académico-acadêmico,
bónus-bônus, ingénuo-ingênuo, abdómen-abdômen.

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Vogais nasais

Na representação das vogais nasais devem observar-se os seguintes preceitos.

1º Quando uma vogal nasal ocorre em fim de palavra, ou em fim de elemento seguido de hífen, representa-se a nasalidade
pelo til, se essa vogal é de timbre “a”; por “m”, se possui qualquer outro timbre e termina a palavra; e por “n” se é
de timbre diverso de “a” e está seguida de “s”: afã, grã, Grã-Bretanha, lã, órfã, sã-braseiro (forma dialetal; o mesmo
que são-brasense = de S. Brás de Alportel); clarim, tom, vacum, flautins, semitons, zunzuns.

2º Os vocábulos terminados em “ã” transmitem esta representação do “a” nasal aos advérbios em “mente” que deles se
formem, assim como a derivados em que entrem sufixos iniciados por “z”: enistãmente, irmãmente, sãmente; lãzudo,
maçãzita, manhãzinha, romãzeira.

H inicial e final

1. O “h” inicial emprega-se:

a) por força da etimologia: haver, hélice, hera, hoje, hora, homem, humor.

b) em virtude da adoção convencional: hã?, hem?, hum!.

2. O “h” inicial suprime-se:

a) quando, apesar da etimologia, a sua supressão está inteiramente consagrada pelo uso: erva, em vez de herva;
e, portanto, ervaçal, ervanário, ervoso (em contraste com herbáceo, herbanário, herboso, formas de origem
erudita).

b) quando, por via de composição, passa a interior e o elemento em que figura se aglutina ao precedente: biebdomadário,
desarmonia, desumano, exaurir, inábil, lobisomem, reabilitar, reaver.

3. O “h” inicial mantém-se, no entanto, quando, numa palavra composta, pertence a um elemento que está ligado ao
anterior por meio de hífen: anti-higiénico/ anti-higiênico, contra-haste, pré-história, sobre-humano.

4. O “h” final emprega-se em interjeições: ah! oh!

Atividade
Indique se as palavras em destaque estão corretas em relação às novas regras de acentuação do Novo Acordo
Ortográfico.

1. O vôo está atrasado.


2. Ele está com enjôo.
3. Abençôo você – disse o padre.
4. A idéia foi boa.
5. A assembléia votou a favor da proposta.
6. Foi um ato heróico do rapaz.
7. O chapéu do herói caiu.
8. O céu está bonito hoje.

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9. Os fiéis chegaram à missa.
10. Os rapazes vêm cedo.
11. Os servidores têm condições.
12. Eles lêem todos os dias aquele livro.
13. Eles crêem no rapaz.
14. Eles vêem novela todos as noites.
15. O produto contém novidades.
16. Os produtos contêm novidades.
17. Ele detém o poder.
18. Eles detêm o poder.
19. Ela pára no sinal sempre.
20. Ela pôde sair ontem.
21. A feiúra dela era imensa.
22. Piauí é um lugar lindo.
23. Ela está tranqüila agora.
24. Apareceu um pingüim na Bahia.

Atividade
Indique, nos termos abaixo, aqueles que estão incorretos em relação ao uso de acento gráfico.

1. Olé
2. Sofá
3. Café
4. Fazê-lo
5. Adorá-lo
6. Harém
7. Também
8. Anéis
9. Céu
10. Chapéu
11. Véu
12. Fiéis
13. Papéis
14. Ilhéus

13
15. Voo
16. Abençoo
17. Ele tem
18. Eles têm
19. Ele vem
20. Eles vêm
21. Ele lê
22. Eles lêem
23. Ele crê
24. Eles crêem
25. Ele obtém
26. Eles obtêm
27. Ele mantém
28. Eles mantêm
29. Ela pode sair agora
30. Ela pôde sair ontem

14
Aulas 8, 9 e 10
Uso do hífen

A convenção anterior revelava dificuldade extrema na aplicação das regras de uso do hífen. O Acordo simplifica as
regras.

Modificação 1: elimina-se o hífen nas formações por prefixação e recomposição em que o prefixo ou pseudoprefixo
termina em vogal e o elemento seguinte começa por “r” ou “s”, dobrando-se as consoantes.

Antes Acordo

auto-realização autorrealização
auto-redenção autorredenção
auto-retrato autorretrato
auto-satirizar autossatirizar
auto-serviço autosserviço
auto-sugestão autossugestão
auto-suficiência autossuficiência
auto-suficiente autossuficiente
auto-sustentável autossustentável
co-réu corréu
co-redator corredator
co-responsabilidade corresponsabilidade
co-responsável corresponsável
co-segurado cossegurado
co-signatário cossignatário
anti-racional antirracional
anti-radiação antirradicação
anti-realismo antirrealismo
anti-regimental antirregimental
anti-religioso antirreligioso
anti-roubo antirroubo
anti-semita antissemita
anti-social antissocial
semi-racional semirracional
semi-real semirreal
semi-suspenso semissuspenso
supra-racional suprarracional
supra-realizado suprarrealizado
15
supra-sumo suprassumo
mega-sena megassena
ultra-som ultrassom
ultra-rápido ultrarrápido

Modificação 2: elimina-se o emprego do hífen nas formações por prefixação e recomposição em que o prefixo ou
pseudoprefixo termina em vogal e o elemento seguinte começa por vogal diferente daquela. Emprega-se, no entanto,
o hífen sempre que, nas formações por prefixação ou recomposição, o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o
elemento seguinte começa por vogal igual àquela, exceto o prefixo “co“, que ocorre em geral aglutinado, mesmo quando
o elemento seguinte começa por “o”: anti-ibérico, contra-almirante, micro-ondas, cooperação, semi-interno, intra-arterial,
arqui-inimigo.

Antes Acordo

Agro-industrial agroindustrial
Anti-aéreo antiaéreo
Auto-estrada autoestrada
Co-autor coautor
Co-acusado coacusado
Co-administração coadministração
Co-arrendatário coarrendatário
Co-avalista coavalista
Co-obrigação coobrigação
Extra-escolar extraescolar
Extra-oficial extraoficial
Auto-atendimento autoatendimento
Auto-acusação autoacusação
Auto-ajuda autoajuda
Auto-estima autoestima
Auto-imposição autoimposição
Auto-imune autoimune
Contra-indicação contraindicação
Contra-escriturado contraescriturado
Contra-escritura contraescritura
Contra-indicação contraindicação
Contra-inquérito contrainquérito
Contra-informar contrainformar
Contra-inquirido contrainquirido
Contra-interpelado contrainterpelado
Contra-oferta contraoferta

16
Contra-opção contraopção
Contra-almirante contra-almirante
Microondas micro-ondas

Modificação 3: palavras compostas que designam espécies na área da botânica e da zoologia, estejam ou não ligadas
por preposição ou qualquer outro elemento, escrevem-se sempre com hífen: couve-flor, erva-doce, feijão-verde, bem-me-
quer, formiga-branca.

Modificação 4: ligações da preposição “de” com as formas monossilábicas do presente do indicativo do verbo “haver”
não recebem hífen: hei de, hás de, há de, hão de.

Atividade
Indique as palavras, a seguir, que estão incorretas em relação às novas regras do uso do hífen do Novo Acordo
Ortográfico.

1. anti-reator
2. anti-registro
3. anti-religioso
4. anti-social
5. auto-serviço
6. auto-reação
7. micro-sistema
8. micro-saia
9. mini-saia
10. pre-seleção
11. pre-registro
12. agro-indústria
13. auto-estrada
14. anti-aéreo
15. co-ajudante
16. extra-curricular
17. extra-ordinário
18. hidro-energia
19. hidro-elétrica
20. micro-ondas
21. anti-ibérico
22. anti-inteligência
23. extra-aula
24. co-operação
25. erva-doce
26. couve-flor

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Aula 11
Minúsculas e maiúsculas

Uso de minúscula

a) Ordinariamente, em todos os vocábulos da língua nos usos correntes.

b) Nos nomes dos dias, meses, estações do ano: segunda-feira; outubro; primavera.

c) Nos bibliônimos (após o primeiro elemento, que é com maiúscula, os demais vocábulos, podem ser escritos com
minúscula, salvo nos nomes próprios nele contidos, tudo em grifo): O Senhor do Paço de Ninães ou O senhor do paço
de Ninães; Menino de Engenho ou Menino de engenho; Árvore e Tambor ou Árvore e tambor.

d) Nos usos de fulano, sicrano, beltrano.

e) Nos pontos cardeais (mas não nas suas abreviaturas): norte, sul (mas: SW sudoeste).

f) Nos axiônimos e hagiônimos (opcionalmente, neste caso, também com maiúscula): senhor doutor Joaquim da Silva,
bacharel Mário Abrantes, cardeal Bembo; santa Filomena (ou Santa Filomena).

g) Nos nomes que designam domínios do saber, cursos e disciplinas (opcionalmente, também com maiúscula): português
(ou Português), matemática (ou Matemática), línguas e literaturas modernas (ou Línguas e Literaturas Modernas).

Uso de maiúscula

a) Nos antropônimos, reais ou fictícios: Pedro Marques; Branca de Neve, D. Quixote.

b) Nos topônimos, reais ou fictícios: Lisboa, Luanda, Maputo, Rio de Janeiro; Atlântida, Hespéria.

c) Nos nomes de seres antropomorfizados ou mitológicos: Adamastor; Neptuno / Netuno.

d) Nos nomes que designam instituições: Instituto de Pensões e Aposentadorias da Previdência Social.

e) Nos nomes de festas e festividades: Natal, Páscoa, Ramadão, Todos os Santos.

f) Nos títulos de periódicos, que retêm o itálico: O Primeiro de Janeiro, O Estado de São Paulo (ou S. Paulo).

g) Nos pontos cardeais ou equivalentes, quando empregados absolutamente: Nordeste, por nordeste do Brasil; Norte,
por norte de Portugal; Meio-Dia, pelo sul da França ou de outros países; Ocidente, por ocidente europeu; Oriente, por
oriente asiático.

h) Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais ou nacionalmente reguladas com maiúsculas, iniciais ou mediais
ou finais ou o todo em maiúsculas: FAO, NATO, ONU, H2O, Sr., V. Exa.

i) Opcionalmente, em palavras usadas reverencialmente, aulicamente ou hierarquicamente, em início de versos, em


categorizações de logradouros públicos (rua ou Rua da Liberdade, largo ou Largo dos Leões), de templos (igreja ou
Igreja do Bonfim, templo ou Templo do Apostolado Positivista), de edifícios (palácio ou Palácio da Cultura, edifício
ou Edifício Azevedo Cunha).

18
Observações: As disposições sobre os usos das minúsculas e maiúsculas não obstam a que obras especializadas observem
regras próprias, provindas de códigos ou normalizações específicas (terminologias antropológica, geológica, bibliológica,
botânica, zoológica, etc.), promanadas de entidades científicas ou normalizadoras, reconhecidas internacionalmente.

Atividade
Assinale as construções inadequadas de acordo com as iniciais maiúsculas ou minúsculas do Novo Acordo
Ortográfico.

1. Brasília, 27 de Agosto de 2008.


2. Brasília, 27 de agosto de 2008.
3. O policial conversou com fulano e sicrano.
4. O policial conversou com Fulano e Sicrano.
5. Adorei o livro Dom casmurro.
6. Adorei o livro Dom Casmurro.
7. Encaminho o documento a vossa senhoria.
8. Encaminho o documento a Vossa Senhoria.
9. Meu filho estudou Matemática a noite inteira.
10. Meu filho estudou matemática a noite inteira.
11. Minha filha cursa direito em São Paulo.
12. Minha filha cursa Direito em São Paulo.
13. Ela mora na Avenida dos Bombeiros.
14. Ela mora na avenida dos bomeiros.

19
Aula 12
Apóstrofo

São os seguintes os casos de emprego do apóstrofo.

a) Faz-se uso do apóstrofo para cindir graficamente uma contração ou aglutinação vocabular, quando um elemento ou
fração respectiva pertence propriamente a um conjunto vocabular distinto: d’ Os Lusíadas, d’ Os Sertões; n’ Os Lusíadas,
n’ Os Sertões; pel’ Os Lusíadas, pel’ Os Sertões. Nada obsta, contudo, a que estas escritas sejam substituídas por
empregos de preposições íntegras, se o exigir razão especial de clareza, expressividade ou ênfase: de Os Lusíadas,
em Os Lusíadas, por Os Lusíadas, etc.

As cisões indicadas são análogas às dissoluções gráficas que se fazem, embora sem emprego do apóstrofo, em
combinações da preposição “a” com palavras pertencentes a conjuntos vocabulares imediatos: a A Relíquia, a Os
Lusíadas (exemplos: importância atribuída a A Relíquia; recorro a Os Lusíadas). Em tais casos, como é óbvio, entende-
se que a dissolução gráfica nunca impede na leitura a combinação fonética: a A = à, a Os = aos, etc.

b) Pode cindir-se por meio do apóstrofo uma contração ou aglutinação vocabular, quando um elemento ou fração
respectiva é forma pronominal e se lhe quer dar realce com o uso de maiúscula: d’Ele, n’Ele, d’Aquele, n’Aquele.
Exemplos: confiamos n’O que nos salvou; está n’Ela a nossa esperança.

c) Emprega-se o apóstrofo nas ligações das formas santo e santa a nomes do hagiológio (catálogo de santos), quando
importa representar a elisão das vogais finais “o” e “a”: Sant’Ana, Sant’Iago, etc. É, pois, correto escrever: Calçada de
Sant’Ana, Rua de Sant’Ana; culto de Sant’Iago, Ordem de Sant’Iago. Mas, se as ligações deste gênero, como é o caso
destas mesmas Sant’Ana e Sant’Iago, se tornam perfeitas unidades mórficas, aglutinam-se os dois elementos: Fulano
de Santana, ilhéu de Santana, Santana de Parnaíba; Fulano de Santiago, ilha de Santiago, Santiago do Cacém.

Em paralelo com a grafia Sant’Ana e congêneres, emprega-se também o apóstrofo nas ligações de duas formas
antroponímicas, quando é necessário indicar que na primeira se elide um “o” final: Nun’Álvares, Pedr’Eanes.

Note-se que, nos casos referidos, as escritas com apóstrofo, indicativas de elisão, não impedem, de modo algum, as
escritas sem apóstrofo: Santa Ana, Nuno Álvares, Pedro Álvares, etc.

d) Emprega-se o apóstrofo para assinalar, no interior de certos compostos, a elisão do “e”, da preposição “de”, em
combinação com substantivos: borda-d’água, cobra-d’água, copo-d’água, estrela-d’alva, galinha-d’água, mãe-d’água,
pau-d’água, pau-d’alho, pau-d’arco, pau-d’óleo.

20
Aulas 13 e 14
Acentuação gráfica

Poucas línguas no mundo fazem uso de acento gráfico. O Português tem necessidade deste sinal por dois motivos principais:
identificar a sílaba tônica e a sonoridade (aberta, fechada ou nasal) da vogal. Os acentos podem ser os seguintes:

Agudo (´): para indicar a vogal tônica em algumas palavras.

Grave (`): exclusivamente para indicar a ocorrência de crase.

Circunflexo (^): para marcar a tonicidade da vogal “a” nasal (lâmpada, câncer, espontâneo), das vogais fechadas “e”
ou “o”: gênero, tênue, bônus, robô.

Til (~): para indicar a nasalidade em “a” e “o”: cristã, cristão, pães, cãibra; corações, põe(s), põem.

Regras para indicar a sílaba tônica

Quanto à Tonicidade

1. Proparoxítonas: todas as palavras proparoxítonas recebem acento:

Sábado, ônibus, câmara, Chácara, árabe, cáustico, Cleópatra, esquálido, exército, hidráulico, líquido, míope, músico,
plástico, público, rústico, último.

Observações:

a) Seguem esta regra as proparoxítonas eventuais, ou seja, as terminadas em ditongo crescente: ministério, ofício,
previdência, homogêneo, ambíguo, Ásia, Rondônia.

b) O novo acordo ortográfico passa aceitar acento agudo ou circunflexo nas palavras proparoxítonas, reais ou
aparentes, cujas vogais “e” ou “o” seguidas de consoantes nasais grafadas “m” ou “n”, conforme o seu timbre
aberto ou fechado nas pronúncias: académico/acadêmico, anatómico/anatômico, cénico/cênico, cómodo/cômodo,
fenómeno/ fenômeno, género/gênero, topónimo/topônimo; Amazónia/Amazônia, António/Antônio, blasfémia/
blasfêmia, fémea/fêmea, gémeo/gêmeo, génio/gênio, ténue/tênue.

2. Paroxítonas: são acentuadas quando terminam em:

i(s): júri(s), táxi(s), lápis, tênis;


us: bônus, vírus, Vênus;
ã(s), -ão(s): órfã, ímã, órfãs, órgão, órgãos, bênção, bênçãos;
om, -ons: rádom (ou radônio), iâmdom, nêutron, elétron, nêutrons;
um, -uns: fórum, álbum, fóruns, álbuns;
l: estável, estéril, difícil, cônsul, útil;
n: hífen, pólen, líquen;
r: açúcar, éter, mártir, fêmur;
x: látex, fênix, sílex, tórax;
ps: bíceps, fórceps.

21
Observações:
a) A regra de acentuar paroxítonas terminadas em “i” ou “r” não se aplica aos prefixos terminados nessas letras:
anti, semi, hemi, arqui, super, hiper, alter, inter, etc.
b) Atente para o fato de que a regra dos paroxítonas terminados em “en” não se aplica ao plural dessas palavras
nem a outras com a terminação “ens”: liquens, hifens, itens, homens, nuvens, etc.

3. Oxítonas: são acentuadas quando terminadas em:

a(s): guaraná, atrás, Amapá, Pará;


e(s): tevê, clichê, cortês, português, pajé, convés;
o(s): complô, robô, avô, avós, após;
em, -ens: armazém, armazéns, também, (ele) provém (eles) detêm .

Observação:

O novo acordo deixa claro que os vocábulos monossílabos tônicos também se encaixam nesta regra e são considerados
oxítonos: pá, pé pó, (tu) dás, três, mês, (ele) pôs, má, más.

Quanto aos Encontros Vocálicos

1. Regra dos ditongos

Os ditongos abertos e tônicos “ei”, “eu”, “oi” têm a primeira vogal acentuada graficamente quando forem proparoxítonos
ou oxítonos: mausoléu, céus, corrói, heróis.

Antes Acordo

idéia ideia
jibóia jiboia
heróico heroico

2. Regra dos hiatos

a) Hiatos em “i” e “u” tônicos, com ou sem s, levam acento agudo quando não forem seguidos de “nh”, não repetirem
a vogal e não formarem sílaba com consoante que não seja o “s”: ensaísta, saída, juízes, país, baú(s), saúde, reúne,
amiúde, viúvo. No entanto, rainha (precede “nh”), xiita (repetição de vogal) e juiz (forma sílaba com consoante que
não seja o “s”) não recebem acento.

b) O acordo ortográfico retira o acento dos hiatos tônicos paroxítonos após ditongo: feiura, baiuca. Se o termo não
for paroxítono, o acento se mantém: Piauí.

c) A acordo ortográfico retira o acento dos hiatos “eem” e “oo(s)”.

Antes Acordo

vôo voo
enjôo enjoo
crêem creem
lêem leem

22
d) O acordo ortográfico não permite mais o acento na vogal “u” tônica dos encontros gue, gui, que, qui.

Antes Acordo

apazigúe apazigue
averigúe averigue

Regra do acento diferencial

O acordo ortográfico altera significativamente a regra do acento diferencial. Antes do acordo, a regra valia para os
seguintes casos:

– têm (eles) para distingui-lo de tem (ele), e vêm (eles), distinto de vêm (ele); vale nos derivados: eles detêm, provêm,
distinto de ele detém, provém;

– pôde (pretérito perfeito) distinto de pode (presente);

– fôrma (substantivo) distinto de forma (verbo formar);

– vocábulos tônicos (abertos ´/fechados ^) que têm homógrafos átonos.

tônicos

côa, côas (v. coar)


pára (v. parar)
péla, pélas (v. pelar e s.f.)
pélo (v. pelar), pêlo, pêlos
péra, péras (pedra), pêra
pêro, Pêro
póra(s) (surra); pôla(s) (broto vegetal)
pólo(s) (eixo, jogo); pôlo(s) (filhote de gavião)
pôr (verbo)

átonos

coa, coas (com a, com as)


para (preposição)
pela, pelas (por a(s)
pelo, pelos (por o(s)
pera (forma arcaica de para)
pero (forma arcaica de mas)
pola(s) (forma arcaica de por a(s))
polo(s) (forma arcaica de por o(s))
por (preposição)

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O acordo mantém apenas os seguintes casos obrigatórios:

– têm (eles) para distingui-lo de tem (ele), e vêm (eles), distinto de vem (ele); vale nos derivados: eles detêm, provêm,
distinto de ele detém, provém;

– pôde (pretérito perfeito) distinto de pode (presente);

– pôr (verbo) para diferenciar da preposição por.

Dois casos facultativos: fôrma e dêmos (usado em Portugal).

Praticando

Acentue as palavras e justifique a regra.

1. Porem, jacare, sofa, pele, alguem, parabens, pa, pe, po, vovo, refens, te-lo, casa-lo.
Justificativa: _____________________________________________________________________

2. Carater, lapis, juri, facil, tonus, fenix, medium, ima, orfã, biceps.
Justificativa:_ ____________________________________________________________________

3. Estupido, onibus, vendessemos, politico, macula, nivea, ligia.


Justificativa:_ ____________________________________________________________________

4. Bau, saida, saistes, esgoista, juizo, Luisa, construi-lo.


Justificativa: _____________________________________________________________________

5. Ceu, escarceu, reu, papeis, heroi.


Justificativa: _____________________________________________________________________

Acentue as palavras quando necessário.

6. Quem conhece seus defeitos esta muito proximo de corrigi-los.


7. A virtude e comunicavel, porem o vicio e contagioso.
8. Saude ou inteligencia, eis duas recompensas da vida.
9. A historia glorifica os herois, a vida santifica os martires.
10. Este plano de emprestimo nao nos convem.
11. Poucas pessoas detem o poder na gloria.
12. Esta caixa contem alguns episodios da historia.
13. Os professores reveem as provas.
14. Ela vem à reuniao.
15. Elas vem a reuniões.
16. Ele rele a obra.
17. Eles releem a obra.
18. Os refens veem os soldados como crimonosos.

24
19. Todas as palavras estão corretas em:

a) raiz, raízes, saí, apoio, Grajau.

b) carretéis, idéia, índio, hifens, atrás.

c) juriti, ápto, âmbar, difícil, almoço.

d) órfã, afável, cândido, caráter, Cristovão.

e) chapéu, rainha, Bangu, fossil, conteúdo.

20. Há um vocábulo incorreto em:

a) elétrodo, biótipo, biquini.

b) dúplex, ravióli, soror.

c) bávaro, íbero, azíago.

d) ruím, reptil, pólens.

e necropsia, récorde, púdico.

21. Há erro de acentuação gráfica em.

a) destituído, diluído, enjoo.

b) apazigue, árduo, bênção.

c) francês, inglês, inglêsa.

d) tranquilo, benemérito, bíblico.

e) tamanduá, seda, apoia.

22. Todas as palavras devem ser acentuadas em:

a) balaustre, Jacarei, faisca, judaismo.

b) cairdes, baia, baus, juizes.

c) caistes, sairam, atraiu, Jau.

d) atrairam, tainha, raizes, constituia.

e) voo, Avai, Itau, raiz.

25
Aulas 15 e 16
Hífen em compostos, locuções e
encadeamentos vocabulares

1. Emprega-se o hífen nas palavras compostas por justaposição que não contêm formas de ligação e cujos elementos, de
natureza nominal, adjetival, numeral ou verbal, constituem uma unidade sintagmática e semântica e mantêm acento
próprio, podendo dar-se o caso de o primeiro elemento estar reduzido: ano-luz, arcebispo-bispo, arco-íris, decreto-
lei, és-sueste, médico-cirurgião, rainha-cláudia, tenente-coronel, tio-avô, turma-piloto, alcaide-mor, amor-perfeito,
guarda-noturno, mato-grossense, norte-americano, porto-alegrense, sul-africano, afro-asiático, afro-luso-brasileiro,
azul-escuro, luso-brasileiro, primeiro-ministro, primeiro-sargento, primo-infeção, segunda-feira, conta-gotas, finca-pé,
guarda-chuva.

Observação: Certos compostos, em relação aos quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição, grafam-
se aglutinadamente: girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista, etc.

2. Emprega-se o hífen nos topônimos compostos, iniciados pelos adjetivos grã, grão ou por forma verbal ou cujos
elementos estejam ligados por artigo: Grã-Bretanha, Grão-Pará, Abre-Campo, Passa-Quatro, Quebra-Costas, Quebra-
Dentes, Traga-Mouros, Trinca-Fortes; Albergaria-a-Velha, Baía de Todos-os-Santos, Entre-os-Rios, Montemor-o-Novo,
Trás-os-Montes.

Observação: Os outros topônimos compostos escrevem-se com os elementos separados, sem hífen: América do
Sul, Belo Horizonte, Cabo Verde, Castelo Branco, Freixo de Espada à Cinta, etc. O topónimo/topônimo Guiné-Bissau
é, contudo, uma exceção consagrada pelo uso.

3. Emprega-se o hífen nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas, estejam ou não ligadas
por preposição ou qualquer outro elemento: abóbora-menina, couve-flor, erva-doce, feijão-verde, benção-de-deus,
erva-do-chá, ervilha-de-cheiro, fava-de-santo-inácio, bem-me-quer (nome de planta que também se dá à margarida e
ao malmequer), andorinha-grande, cobra-capelo, formiga-branca, andorinha-do-mar, cobra-d’água, lesma-de-conchinha,
bem-te-vi (nome de um pássaro).

4. Emprega-se o hífen nos compostos com os advérbios bem e mal, quando estes formam com o elemento que se lhes
segue uma unidade sintagmática e semântica e tal elemento começa por vogal ou “h”. No entanto, o advérbio bem,
ao contrário do mal, pode não se aglutinar com palavras começadas por consoante. Eis alguns exemplos das várias
situações: bem-aventurado, bem-estar, bem-humorado, mal-afortunado, mal-estar, mal-humorado, bem-criado (cf.
malcriado), bem-ditoso (cf. malditoso), bem-falante (cf. malfalante), bem-mandado (cf. malmandado), bem-nascido
(cf. malnascido), bem-soante (cf. malsoante), bem-visto (cf. malvisto).

Observação: Em muitos compostos, o advérbio “bem” aparece aglutinado com o segundo elemento, quer este tenha
ou não vida à parte: benfazejo, benfeito, benfeitor, benquerença, etc.

5. Emprega-se o hífen nos compostos com os elementos além, aquém, recém e sem: além-Atlântico, além-mar, além-
fronteiras; aquém-mar, aquém-Pirenéus; recém-casado, recém-nascido; sem-cerimônia, sem-número, sem-vergonha.

6. Nas locuções de qualquer tipo, sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou
conjuncionais, não se emprega em geral o hífen, salvo algumas exceções já consagradas pelo uso (como é o caso de
água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa). Sirvam,
pois, de exemplo de emprego sem hífen as seguintes locuções:

a) Substantivas: cão de guarda, fim de semana, sala de jantar;

26
b) Adjetivas: cor de açafrão, cor de café com leite, cor de vinho;

c) Pronominais: cada um, ele próprio, nós mesmos, quem quer que seja;

d) Adverbiais: à parte (note-se o substantivo aparte), à vontade, de mais (locução que se contrapõe a de menos;
note-se demais, advérbio, conjunção, etc.), depois de amanhã, em cima, por isso;

e) Prepositivas: abaixo de, acerca de, acima de, a fim de, a par de, à parte de, apesar de, aquando de, debaixo de,
enquanto a, por baixo de, por cima de, quanto a;

f) Conjuncionais: a fim de que, ao passo que, contanto que, logo que, por conseguinte, visto que.

7. Emprega-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando, não propriamente
vocábulos, mas encadeamentos vocabulares (tipo: a divisa Liberdade-Igualdade-Fraternidade, a ponte Rio-Niterói, o
percurso Lisboa-Coimbra-Porto, a ligação Angola-Moçambique), e bem assim nas combinações históricas ou ocasionais
de topónimos/topônimos (tipo: Áustria-Hungria, Alsácia-Lorena, Angola-Brasil, Tóquio-Rio de Janeiro, etc.).

27
Aulas 17 e 18
Hífen nas formações por prefixação,
recomposição e sufixação

1. Nas formações com prefixos (como, por exemplo: ante-, anti-, circum-, co-, contra-, entre-, extra-, hiper-, infra-, intra-,
pós-, pré-, pró-, sobre-, sub-, super-, supra-, ultra-, etc.) e em formações por recomposição, isto é, com elementos
não autônomos ou falsos prefixos, de origem grega e latina (tais como: aero-, agro-, arqui-, auto-, bio-, eletro-, geo-,
hidro-, inter-, macro-, maxi-, micro-, mini-, multi-, neo-, pan-, pluri-, proto-, pseudo-, retro-, semi-, tele-, etc.), só se
emprega o hífen nos seguintes casos.
a) Nas formações em que o segundo elemento começa por “h”: anti-higiênico, circum-hospitalar, co-herdeiro,
contra-harmônico, extra-humano, pré-história, sub-hepático, super-homem, ultra-hiperbólico, arqui-hipérbole,
eletro-higrómetro, geo-história, neo-helênico, pan-helenismo, semi-hospitalar.
Observação: Não se usa, no entanto, o hífen em formações que contêm, em geral, os prefixos des- e in- e nas
quais o segundo elemento perdeu o “h” inicial: desumano, desumidificar, inábil, inumano, etc.
b) Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina na mesma vogal com que se inicia o segundo elemento:
anti-ibérico, contra-almirante, infra-axilar, supra-auricular; arqui-irmandade, auto-observação, eletro-ótica, micro-
onda, semi-interno.
Observação: Nas formações com o prefixo co-, este aglutina-se em geral com o segundo elemento mesmo quando
iniciado por o: coobrigação, coocupante, coordenar, cooperação, cooperar, etc.
c) Nas formações com os prefixos circum- e pan-, quando o segundo elemento começa por vogal, “m” ou “n” (além
de “h”, caso já considerado atrás na alínea a): circum-escolar, circum-murado, circum-navegação, pan-africano,
pan-mágico, pan-negritude.
d) Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e super-, quando combinados com elementos iniciados por “r”: hiper-
requintado, inter-resistente, super-revista.
e) Nas formações com os prefixos ex- (com o sentido de estado anterior ou cessamento), sota-, soto-, vice- e vizo-:
ex-almirante, ex-diretor, ex-hospedeira, ex-presidente, ex-primeiro-ministro, ex-rei, sota-piloto, soto-mestre, vice-
presidente, vice-reitor, vizo-rei.
f) Nas formações com os prefixos tónicos/tônicos acentuados graficamente pós-, pré- e pró- quando o segundo
elemento tem vida à parte (ao contrário do que acontece com as correspondentes formas átonas que se aglutinam
com o elemento seguinte): pós-graduação, pós-tónico/pós-tônicos (mas pospor); pré-escolar, pré-natal (mas prever);
pró-africano, pró-europeu (mas promover).

2. Não se emprega, pois, o hífen nos seguintes casos.

a) Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por “r” ou “s”,
devendo estas consoantes duplicar-se, prática aliás já generalizada em palavras deste tipo pertencentes aos
domínios científico e técnico. Assim: antirreligioso, antissemita, contrarregra, comtrassenha, cosseno, extrarregular,
infrassom, minissaia, tal como biorritmo, biossatélite, eletrossiderurgia, microssistema, microrradiografia.
b) Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente,
prática esta em geral já adotada também para os termos técnicos e científicos. Assim: antiaéreo, coeducação,
extraescolar, aeroespacial, autoestrada, autoaprendizagem, agroindustrial, hidroelétrico, plurianual.

3. Nas formações por sufixação apenas se emprega o hífen nos vocábulos terminados por sufixos de origem tupi-guarani
que representam formas adjetivas, como açu, guaçu e mirim, quando o primeiro elemento acaba em vogal acentuada
graficamente ou quando a pronúncia exige a distinção gráfica dos dois elementos: amoré-guaçu, anajá-mirim, andá-
açu, capim-açu, Ceará-Mirim.

28
Aula 19
Divisão silábica

A divisão silábica, que em regra se faz pela soletração (a-ba-de, bru-ma, ca-cho, lha-no, ma-lha, ma-nha, má-xi-mo, ó-xi-
do, ro-xo, tme-se), e na qual, por isso, se não tem de atender aos elementos constitutivos dos vocábulos segundo a
etimologia (a-ba-li-e-nar, bi-sa-vô, de-sa-pa-re-cer, di-sú-ri-co, e-xâ-ni-me, hi-pe-ra-cú-sti-co, i-ná-bil, o-bo-val, su-bo-cu-lar,
su-pe-rá-ci-do), obedece a vários preceitos particulares, que rigorosamente cumpre seguir, quando se tem de fazer em
fim de linha, mediante o emprego do hífen, a partição de uma palavra.

1. São indivisíveis no interior da palavra, tal como inicialmente, e formam, portanto, sílaba para a frente as sucessões de
duas consoantes que constituem perfeitos grupos (com exceção apenas de vários compostos cujos prefixos terminam
em “b”, ou “d”: ab- legação, ad- ligar, sub- lunar, etc. (em vez de a- blegação, a- dligar, su- blunar, etc.): cele- brar,
du- plicação, re- primir, a- clamar, de- creto, de- glutição, re- grado, a- tlético, cáte- dra, períme- tro, a- fluir, a- fricano,
ne- vrose.

2. São divisíveis no interior da palavra as sucessões de duas consoantes que não constituem propriamente grupos e
igualmente as sucessões de “m” ou “n”, com valor de nasalidade, e uma consoante: ab- dicar, op- tar, sub- por, ab-
soluto, ad- jetivo, af- ta, des- cer, dis- ciplina, nas- cer, res- cisão.

3. As sucessões de mais de duas consoantes ou de “m” ou “n”, com o valor de nasalidade, e duas ou mais consoantes
são divisíveis por um de dois meios: se nelas entra um dos grupos que são indivisíveis (de acordo com o primeiro
preceito), esse grupo forma sílaba para diante, ficando a consoante ou consoantes que o precedem ligadas à sílaba
anterior; se nelas não entra nenhum desses grupos, a divisão dá-se sempre antes da última consoante. Exemplos dos
dois casos: cam- braia, ec- tlipse, em- blema, ex- plicar, in- cluir, ins- crição, subs- crever, trans- gredir, abs- tenção.

4. As vogais consecutivas que não pertencem a ditongos decrescentes (as que pertencem a ditongos deste tipo nunca
se separam: ai- roso, cadei- ra, insti- tui, ora- ção, sacris- tães, traves- sões) podem, se a primeira delas não é “u”
precedido de “g” ou “q”, e mesmo que sejam iguais, separar-se na escrita: ala- úde, áre- as, ca- apeba, co- ordenar,
do- er, flu- idez, perdo- as, vo- os. O mesmo se aplica aos casos de contiguidade de ditongos, iguais ou diferentes, ou
de ditongos e vogais: cai- ais, cai- eis, ensai- os, flu- iu.

5. Os digramas “gu” e “qu”, em que o “u” se não pronuncia, nunca se separam da vogal ou ditongo imediato (ne- gue,
ne- guei; pe- que, pe- quei), do mesmo modo que as combinações “gu” e “qu” em que o “u” se pronuncia: á- gua,
ambí- guo, averi- gueis, longín-quos, lo- quaz, quais- quer.

6. Na translineação de uma palavra composta ou de uma combinação de palavras em que há um hífen, ou mais, se a
partição coincide com o final de um dos elementos ou membros, deve, por clareza gráfica, repetir-se o hífen no início
da linha imediata: ex- -alferes, serená- -los-emos ou serená-los- -emos, vice- -almirante.

29
Aulas 20, 21 e 22
Redação oficial e acordo ortográfico

Redação Oficial é a forma padronizada pela qual o Poder Público se expressa. Além das características básicas de uma
boa redação, o texto oficial apresenta fundamentos normatizados em seus documentos, correspondências e atos.
Desde o início da República, sempre houve preocupação em padronizar a linguagem dos órgãos públicos. A primeira tentativa
real, no entanto, foi em 1972, quando o Ministério da Educação e Cultura publicou a obra Normas sobre correspondência,
comunicação e atos oficiais. O livro determinava que a Redação Oficial abrangeria as seguintes comunicações: apostila,
ata, atestado, aviso, certidão, circular, contrato, convênio, curriculum vitae, declaração, decreto, decreto-lei, despacho,
edital, ementa, exposição de motivos, informação, instrução, lei, memorando ou papeleta, mensagem, ofício, ofício-circular,
ordem de serviço, parecer, petição, portaria, regimento, regulamento, relatório, requerimento, resolução, telegrama,
telegrama-circular, telex, voto (declaração de voto).
Em 11 de janeiro de 1991, com a edição do Decreto nº 100.000, o Presidente da República autorizou a criação de comissão
para rever, atualizar, uniformizar e simplificar as normas de redação de atos e comunicações oficiais. Surgiu a primeira
edição do Manual de Redação da Presidência da República. A intenção era produzir uma obra que servisse de exemplo
para todos os textos oficiais dos Três Poderes, mas limitava sua atuação obrigatória ao Executivo.
A finalidade do Manual não era propriamente definir padrões para comunicações oficiais. O objetivo primeiro era permitir
a adequada reflexão sobre os textos produzidos no Executivo com clara preocupação sobre a qualidade do texto em si.
Grande parte do Manual aborda questões gramaticais, estilísticas e erros que devem ser evitados. O Manual sofreu uma
revisão e atualização em 2002.
A extinta Secretaria de Administração Federal, em 1992, por meio da Instrução Normativa nº 4, de 6 de março, orientou
normas e padrões a serem respeitados na Redação Oficial. A preocupação principal foi especificar aspectos gerais da
linguagem e dirimir dúvidas sobre determinados usos de números, símbolos, siglas, tratamento, formas, etc.
A Constituição de 1988 faz referência ao uso da linguagem e, por meio da Lei Complementar nº 95, de 26 de fevereiro
de 1998, e do Decreto nº 4.176, de 28 de março de 2002, passamos a ter uma padronização mais exata de como redigir
atos normativos.
Como se pode perceber, há preocupação em melhorar cada vez a linguagem nos órgãos públicos. Não poderia ser diferente.
Textos confusos, prolixos, incoerentes e sem formatação própria apenas contribuem para a morosidade e atraso no
serviço público. Diversos exemplos poderiam ser aqui citados de comunicações absurdas e totalmente incompreensíveis,
independente da hierarquia no governo.

A linguagem dos atos

O idioma português é extenso e permite inúmeras variações e diferentes formas de linguagem. O texto oficial deve
apresentar qualidades básicas de formulação e estruturação, como clareza, concisão, objetividade e simplicidade. Além
disso, princípios inerentes ao ambiente, como formalidade, impessoalidade e uniformidade.

Clareza

Consiste na habilidade de transpor com exatidão uma idéia ou pensamento para o papel. O texto deve ser claro de tal
forma que não permita interpretação equivocada ou demorada pelo leitor. A compreensão do documento deve ser imediata.
É importante, assim, usar vocabulário preciso e compreensível, redigir orações na ordem direta, utilizar períodos curtos
e eliminar o emprego excessivo de adjetivos. Além disso, deve-se excluir da escrita qualquer ambigüidade, obscuridade
e rebuscamento.

30
Concisão

Os órgãos públicos no Brasil tendem a escrever exageradamente e sem necessidade. A burocracia linguística predomina
no serviço público. Ser conciso é informar o máximo em um mínimo de palavras. Não se deve, no entanto, eliminar
informação essencial apenas por questão de tamanho. Os itens que nada acrescentam ao que já foi dito é que necessitam
ser eliminados. Mais que curtas e claras, as expressões empregadas devem ser precisas. Observe algumas substituições
práticas recomendadas logo no início de correspondências.

Em vez de Escreva
Servimo-nos da presente para informar Informamos
Venho pela presente informar Informamos
Por intermédio desta comunicamos-lhes Comunicamos; informamos
Desejamos levar ao conhecimento de Informamos-lhes que
Se possível, gostaríamos que nos informassem Informem-nos sobre
Tendo chegado ao nosso conhecimento que Informados que
Levamos ao seu conhecimento Comunicamos; informamos
Vimos pela presente encaminhar-lhes Encaminhamos
Por intermédio desta solicitamos Solicitamos
Por obséquio, solicitamos que verificassem Solicitamos verificar
Formulamos a presente para solicitar Solicitamos
Vimos solicitor Solicitamos
Acusamos o recebimento Recebemos
Chegou-nos às mãos Recebemos
Encontra-se em nosso poder Recebemos
É com satisfação que acusamos o recebimento Recebemos
Levamos ao conhecimento de Vossa Senhoria que, em data Nesta data, recebemos
de hoje, recemos
Cumpre dirigir-me a Vossa Senhoria para Dirijo-me a Vossa Senhoria para
Apressamo-nos em oferecer-lhes Oferecemo-lhes
Temos a honra de convidar Convidamos
Temos a satisfação de comunicar Comunicamos
Vimos pela presente agradecer Agradecemos
Pedimos a gentileza de nos enviar Solicitamos nos enviem; enviem-nos
Efetivamos-lhes uma remessa de Remetemos-lhes
Ficamos no aguardo de suas notícias Aguardamos informações
Procedemos a escolha Escolhemos
Faça chegar às mãos de Envie a
Anexo à presente Anexo
Seguem em anexo Anexamos
Enviamos em anexo Enviamos
Conforme acordado De acordo
Somos de opinião Acreditamos
Devido ao fato de que Por causa
Conforme seguem abaixo relacionados Relacionados a seguir
Acima citado Citado
Antecipadamente gratos Agradecemos

31
Durante o ano de 2006 Em 2006
Com referência a Referente a
Sem outro particular para o momento Agradecemos a atenção
Sendo o que tinha a informar Agradecemos a atenção
Sem mais para o momento Agradecemos a atenção
Com estima e consideração Agradecemos a atenção

Formalidade e correção gramatical

A utilização do padrão formal de linguagem representa um texto correto em sua sintaxe, claro em seu significado,
coerente e coeso em sua estrutura, elegante em seu estilo. Ser culto não é ser rebuscado. As incorreções gramaticais
desmerecem o redator e o próprio órgão.

Impessoalidade

O autor de um texto oficial não escreve representando seu aspecto pessoal. Ele representa a própria administração
pública. Quem se comunica, por meio do texto oficial, é o serviço público e o assunto transcrito é de interesse do órgão.
Não há universo subjetivo e pessoal. Assim, o tratamento adequado é a impessoalidade. Se o assunto está relacionado
ao interesse público, não existe espaço para comentários pessoais. Condena-se, portanto, aspecto subjetivo em textos
oficiais.

Objetividade

A objetividade consiste em ir diretamente ao assunto com informação e pensamento claro e concreto para o leitor.
Não há espaço para rodeios e subjetividade. Ser objetivo é escrever idéias fundametadas em fatos e(ou) interpretações
lógicas.

Simplicidade

A simplicidade na Redação Oficial refere-se à capacidade de escrever de forma compreensível e sem rebuscamento.
Não representa pobreza vocabular. O vocabulário e as construções gramaticais devem ser empregadas de forma
compreensível.

Textos complexos e prolixos, na maioria das vezes, são incompreensíveis até para o próprio autor quando ele os lê. Usa-
se apenas para demonstrar falsa sabedoria. Redigir com simplicidade significa escrever para ser compreendido. Deve-se
enfocar a matéria principal e particularizar os pontos necessários sem utilizar estilo prolixo, retórico ou confuso. Texto
oficial não é literatura.

O texto técnico só deve ser empregado quando houver necessidade clara e, apenas, quando autor e leitor conhecem as
expressões empregadas. O bom senso estabelecerá o equilíbrio entre a linguagem técnica e a comum. As idéias devem
ser expressas de maneira gradual, envolvendo todas as suas implicações.

Uniformidade

As comunicações oficiais devem obedecer a formatos padronizados, pois cada tipo de expediente tem suas características
próprias. A uniformização e a correta diagramação dos documentos oficiais, combinadas com a clareza do texto, são
elementos indispensáveis à adequada transmissão da mensagem.

32
Pronomes de tratamento

A padronização na comunicação oficial abrange também o uso adequado dos pronomes de tratamento. Essa referência
é de uso obrigatório nos órgãos públicos. É necessário atenção para o uso do tratamento adequado em três momentos
distintos: vocativo, corpo do texto e endereçamento.

No vocativo, o autor dirige-se ao destinatário. Em alguns casos, no corpo do texto, o autor pode empregar os pronomes
de tratamento em sua forma abreviada, no entanto é recomendável, por ser mais elegante e adequado à norma culta da
língua, que se opte pelo uso desses pronomes por extenso. O endereçamento é o texto utilizado no envelope que contém
a correspondência oficial e em documentos como o Ofício. Observe a forma adequada a ser empregada.

Concordância com os pronome de tratamento

Vossa: é empregado para a pessoa com quem se fala, a quem se dirige a correspondência. Ex.: Convidamos Vossa
Excelência para...; Comunicamos a Vossa Senhoria que...

Sua: é empregado para a pessoa de quem se fala. Ex.: A placa comemorativa foi descerrada por Sua Excelência o Senhor
Governador do Estado.

Concordância de pessoa

Os pronomes de tratamento, embora se refiram à pessoa com quem se fala, concordam com a terceira pessoa. O verbo
concorda com o substantivo que integra a locução: Vossa Senhoria saberá encaminhar o problema. Também os pronomes
possessivos referentes a pronomes de tratamento são sempre os da terceira pessoa: Solicito que Vossa Senhoria encaminhe
seu pedido... (e não vosso pedido).

Concordância de gênero

Faz-se a concordância não com o gênero gramatical, mas com o sexo da pessoa representada pelo pronome de tratamento.
Ex.: Vossa Senhoria será arrolado como testemunha.; Vossa Excelência será informada imediatamente sobre a solução
dada ao caso.; Diga a Sua Excelência que nós o aguardamos no aeroporto.

Grafia

Não se devem abreviar os pronomes de tratamento em comunicações dirigidas a altas autoridades dos Poderes da
República e a altas autoridades eclesiásticas. A forma por extenso demonstra maior respeito e deferência, sendo, pois,
recomendável em correspondência mais formal ou cerimoniosa.

Na correspondência interna e na externa mais informal, nada impede que se abrevie a forma de tratamento, entretanto
é mais conveniente que se utilizem as formas por extenso por serem mais elegantes e mais adequadas à norma culta da
língua portuguesa.

Tratamento e variações pronominais

Evite-se, apesar de correto gramaticalmente, substituir os pronomes de tratamento pelas formas seu, sua, lhe e o,
principalmente em relação a Vossa Excelência, Vossa Eminência e outros de alta cerimônia, por demonstrar maior respeito
e deferência em relação às pessoas que recebem tais tratamentos. Ex.: Solicito que Vossa Excelência encaminhe o pedido
de Vossa Excelência... em vez de Solicito que Vossa Excelência encaminhe seu pedido...

A seguir, informamos o uso correto dos pronomes nos textos oficiais.

Vossa Excelência, para as seguintes autoridades:

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a) do Poder Executivo:

Presidente da República;
Vice-Presidente da República;
Ministros de Estado (o Decreto n o 4.118, de 7 de fevereiro de 2002, art. 28, parágrafo único, determina que são
Ministros de Estado, além dos titulares dos Ministérios: o Chefe da Casa Civil da Presidência da República, o Chefe
do Gabinete de Segurança Institucional, o Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, o Advogado-Geral
da União e o Chefe da Corregedoria-Geral da União);
Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Distrito Federal;
Oficiais-Generais das Forças Armadas;
Embaixadores;
Secretários-Executivos de Ministérios e demais ocupantes de cargos de natureza especial;
Secretários de Estado dos Governos Estaduais;
Prefeitos Municipais.

b) do Poder Legislativo:

Deputados Federais e Senadores;


Ministro do Tribunal de Contas da União;
Deputados Estaduais e Distritais;
Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais;
Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais.

c) do Poder Judiciário:

Ministros dos Tribunais Superiores;


Membros de Tribunais;
Juízes;
Auditores da Justiça Militar.
O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor, seguido do
cargo respectivo:
Excelentíssimo Senhor Presidente da República.
Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional.
Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal.
As demais autoridades serão tratadas com o vocativo Senhor, seguido do cargo respectivo:
Senhor Senador.
Senhor Juiz.
Senhor Ministro.
Senhor Governador.

No envelope (e no endereçamento em documentos como ofício) das comunicações dirigidas às autoridades tratadas
por Vossa Excelência terá a seguinte forma:
A Sua Excelência o Senhor
Fulano de Tal
Ministro de Estado da Justiça
70.064-900 – Brasília/DF

34
A Sua Excelência o Senhor
Senador Fulano de Tal
Senado Federal
70.165-900 – Brasília/DF

A Sua Excelência o Senhor


Fulano de Tal
Juiz de Direito da 10ª Vara Cível
Rua ABC, nº 123
01.010-000 – São Paulo/SP
Observação: Alguns órgãos apresentam o endereçamento como “Excelentíssimo Senhor” no lugar de “A Sua Excelência
o Senhor”.
Em comunicações oficiais, está abolido o uso do tratamento digníssimo (DD), às autoridades arroladas na lista anterior.
A dignidade é pressuposto para que se ocupe qualquer cargo público, sendo desnecessária sua repetida evocação.
Vossa Senhoria é empregado para as demais autoridades e para particulares. O vocativo adequado é:
Senhor Fulano de Tal,
(...)

No envelope, deve constar do endereçamento:


Ao Senhor
Fulano de Tal
Rua ABC, no 123
70.123 – Curitiba/PR
Como se depreende do exemplo acima, fica dispensado o emprego do superlativo ilustríssimo para as autoridades que
recebem o tratamento de Vossa Senhoria e para particulares. É suficiente o uso do pronome de tratamento Senhor.
Acrescente-se que doutor não é forma de tratamento, e sim título acadêmico. Evite usá-lo indiscriminadamente. Como
regra geral, empregue-o apenas em comunicações dirigidas a pessoas que tenham tal grau por terem concluído curso
universitário de doutorado. É costume designar por doutor os bacharéis, especialmente os bacharéis em Direito e em
Medicina. Nos demais casos, o tratamento Senhor confere a desejada formalidade às comunicações.
Mencionemos, ainda, a forma Vossa Magnificência, empregada por força da tradição em comunicações dirigidas a
reitores de universidade. Corresponde-lhe o vocativo:

Magnífico Reitor,
(...)

Os pronomes de tratamento para religiosos, de acordo com a hierarquia eclesiástica, são:

Vossa Santidade, em comunicações dirigidas ao Papa. O vocativo correspondente é:

Santíssimo Padre,
(...)

Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendíssima, em comunicações aos Cardeais. Corresponde-lhe o vocativo:

Eminentíssimo Senhor Cardeal, ou

Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal,

(...)

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Vossa Excelência Reverendíssima é usado em comunicações dirigidas a Arcebispos e Bispos; Vossa Reverendíssima ou
Vossa Senhoria Reverendíssima para Monsenhores, Cônegos e superiores religiosos. Vossa Reverência é empregado
para sacerdotes, clérigos e demais religiosos.

Formas de tratamento obsoletas

Diversos Manuais de tribunais superiores aboliram o uso de Digníssimo (DD.), Mui Digno (M.D.) e Ilustríssimo (Ilmo.)
na correspondência oficial. Além disso, Doutor (Dr.) e Professor (Prof.) não são formas de tratamento, mas títulos
acadêmicos, que devem ser usados apenas em comunicações dirigidas a pessoas que tenham tais títulos por terem
concluído curso universitário de doutorado ou licenciatura. Nesses casos, o tratamento Senhor confere a desejada
formalidade às comunicações.

Fechos para comunicações

O fecho das comunicações oficiais possui, além da finalidade óbvia de arrematar o texto, a de saudar o destinatário. Os
modelos para fecho que vinham sendo utilizados foram regulados pela Portaria nº 1 do Ministério da Justiça, de 1937, que
estabelecia quinze padrões. Com o fito de simplificá-los e uniformizá-los, padronizou-se somente dois fechos diferentes
para todas as modalidades de comunicação oficial:

a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente da República:


Respeitosamente,

b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior:


Atenciosamente,

Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigidas a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e tradição
próprios, devidamente disciplinados no Manual de Redação do Ministério das Relações Exteriores.

Identificação do signatário

Excluídas as comunicações assinadas pelo Presidente da República, todas as demais comunicações oficiais trazem o nome
e o cargo da autoridade que as expede abaixo do local da assinatura. A forma da identificação deve ser a seguinte:

(espaço para a assinatura)


NOME
(em letras maiúsculas ou apenas as iniciais maiúsculas)

Cargo
(apenas as iniciais maiúsculas)

Em alguns documentos que normalizem situações administrativas internas do próprio órgão (ato regulamentar, instrução
normativa, ordem de serviço, portaria e resolução), não é obrigatório especificar o cargo junto ao nome e à assinatura,
visto que aquele já vem destacado no início do documento.

Para evitar equívoco, recomenda-se não deixar a assinatura em página isolada do expediente. Deve-se transferir para essa
página ao menos a última frase, anterior ao fecho, com pelo menos duas linhas. Em qualquer documento é dispensável o
uso do traço para a assinatura. Esse procedimento é considerado deselegante, porque supõe a necessidade de demarcar
um campo para o correto preenchimento pelo subscritor.

36
Aulas 23 a 29
Praticando

1. Identifique, no texto abaixo, mais de dez alterações, conforme o novo Acordo Ortográfico.

O fato ocorreu após a assembléia na prefeitura da pequena cidade de Quiririm, no interior de São Paulo. Não direi o
nome, pois se trata de pessoa conhecida. Tratarei o doutor por Fulano de tal. A idéia do referido era apostar tudo na
mega-sena.
Ele tinha lido a obra “O alienista”, de Machado de Assis. Achou por bem que o momento era de loucura mesmo. Guardou
no chapéu todo o dinheiro que juntara de sua agro-indústria e, antes de apostar, foi à missa rezar. Observou a feiúra de
alguns fiéis, a mini-saia de uma devota e pouco prestou atenção aos ensinamentos do padre. Viu que alguns realmente
crêem em Deus, mas não muitos.
Saiu da igreja e foi à loteria mais próxima. Carregava tudo o que possuía. Estava meio atónito. Encontrou António, velho
amigo, mas nada lhe contou. A casa lotérica estava um escarcéu. Após algumas horas, apostou tudo.
Dois dias depois, a surpresa. Ganhou sozinho, sozinho. Sem a co-operação de ninguém, estava rico. Comprou terras
e terras. Fez os parentes estudarem medicina, direito e engenharia. Montou uma escola de inglês na pequena cidade.
Ofereceu ajuda ao prefeito e a todas as vossas excelências do município. Comprou título de doutor na capital. Gastou
tudo só para mostrar que era bondoso. Pensou que o dinheiro nunca acabaria, mas acabou.
2. Pontue, se necessário, as construções a seguir.

1. artigo 90 do Código Tal.


2. artigos 14 e 18 do Código Tal.
3. artigo 14 III e artigo 18 IV do Código Tal.
4. artigo 14 III “b” e artigo 18 IV “c” do Código Tal.
5. artigos 14 III “b” e 18 IV “c” do Código Tal.
6. artigos 14 III “b” 18 IV “c” 21 II “d” todos do Código Tal.
7. artigo 90 do Código Tal artigo 146 do Código Tal e artigo 18 do Código Tal.
8. artigo 14 III “b” do Código Tal artigo 18 IV “c” do Código Tal.
9. artigos 14 III “b” do Código Tal 18 IV “c” do Código Tal.
10. artigo 90 do Código Tal art. 146 do Código Tal e art. 18 do Código Tal.
3. Pontue o texto adequadamente e indique os vocábulos que devem ser adaptados ao novo acordo ortográfico
e à redação oficial.

Informo a vossa senhoria que no período do recesso forense de 20 de Dezembro a 1 de Janeiro próximo (artigo 78 § 1º
do Regimento Interno) as atividades da Secretaria do Tribunal limitar-se-ão aos serviços indispensáveis ao funcionamento
que vise resguardar o patrimônio e garantir as funções essenciais desta corte.
Para tanto as Unidades Administrativas deverão implementar uma freqüência de plantão cuja abrangência ficará a critério
dos respectivos titulares. Os servidores escalados para essas atividades terão para cada dia trabalhado dois dias de folga
que deverão ser usufruídos até o mês de Julho de 2004 em dias acordados com a chefia imediata.

37
Esclareço que a partir do dia 2 de Janeiro de 2004 no período das férias forenses exclusivas para magistrados (Lei
Complementar n. 35 de 14 de março de 1979) o expediente da Secretaria não será alterado exceto para o atendimento
ao público externo que ocorrerá de 13 às 18h.
4. Pontue o texto adequadamente e indique os vocábulos que devem ser adaptados ao novo acordo ortográfico
e à redação oficial.

O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL nos termos do artigo 361 inciso II alínea b do Regimento Interno
tendo em vista o decidido na 6ª Sessão Administrativa do ano de 2002 realizada nesta data com base no disposto na
Lei n. 10.461 de 17 de maio de 2002 no artigo 1º da Lei n. 10.475 de 27 de junho de 2002 e considerando o constante
do Processo n. 316.359/2002
RESOLVE (...).

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