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Suplemento

de Apoio ao Professor

HC-Manual prof. V. 1 1 07/04/2005, 16:12


Sumário
PARTE I – Apresentação da obra
1. A era da informação ..................................................................................... 3
2. A “hibridização” cultural .............................................................................. 3
3. A história e o tempo presente ................................................................... 4
4. A estrutura da coleção ................................................................................. 5
Páginas de abertura de capítulo, 5 Boxes de diferentes tipos de
texto, 5 Texto complementar, 6 Atividades, 6 Questões de
Vestibular/Enem, 7 Sugestões de filmes, 7 Suplemento de Apoio
ao Professor, 7
5. A avaliação ...................................................................................................... 8

PARTE II – O volume 1
INTRODUÇÃO – O FAZER HISTÓRIA

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


Capítulo 1. A construção da História .......................................................... . 9

UNIDADE I – DOS PRIMEIROS HUMANOS


AO LEGADO CULTURAL DO HELENISMO
Capítulo 2. As origens do homem ............................................................. 11
Capítulo 3. Das aldeias pré-históricas aos primeiros Estados ............. 13
Capítulo 4. A identidade do homem americano ..................................... 15
Capítulo 5. A civilização floresce às margens do Nilo ........................... 16
Capítulo 6. Mesopotâmia, berço de civilizações ...................................... 17
Capítulo 7. As civilizações hebraica e fenícia ........................................... 19
Capítulo 8. O legado da Grécia para a civilização ocidental ................ 20
Capítulo 9. O esplendor de Roma ............................................................. 23

UNIDADE II – A CONSTRUÇÃO DOS SENTIDOS


Capítulo 10. Alta Idade Média ....................................................................... 28
Capítulo 11. Nascimento e expansão do islamismo ................................. 30
Capítulo 12. A civilização bizantina .............................................................. 31
Capítulo 13. Baixa Idade Média ..................................................................... 32
Capítulo 14. A consolidação das monarquias na Europa moderna ....... 34
Capítulo 15. O Renascimento cultural e científico ................................... 37
Capítulo 16. A expansão ultramarina européia ......................................... 39
Capítulo 17. A política econômica dos Estados nacionais europeus .... 41
Capítulo 18. A Reforma Protestante e a Reforma Católica ................... 42
Respostas das Questões de Vestibular/Enem ............................................. 46

PARTE III – Sugestões bibliográficas


1. Bibliografia para o professor ...................................................................... 50
Metodologia e ensino de História, 50 Temas do volume 1, 50
Temas do volume 2, 52 Temas do volume 3, 53
2. Sugestões de leitura para o aluno.............................................................. 54
Temas do volume 1, 54 Temas do volume 2, 55 Temas do
volume 3, 56

2 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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Parte I — Apresentação da obra

1. A era da informação
Tornou-se lugar comum dizer que vivemos numa “sociedade da informa-
ção” ou numa “sociedade do conhecimento”, na qual a informação, o know-
how, o saber, a competência tornaram-se, ao longo das últimas duas décadas,
os bens mais preciosos. Por isso, vale a pena refletir aqui, mesmo que breve-
mente, sobre o significado dessa transformação social e em como ela modifi-
ca a maneira de abordarmos o saber histórico na sala de aula.
A sociedade do conhecimento é marcada, em primeiro lugar, pelo desen-
volvimento explosivo e ininterrupto da tecnologia da informação (TI), que
introduziu novas formas de produção e, em conseqüência, novos modos de
relacionamento entre as pessoas.
A internet, o e-mail, a TV a cabo, o celular, a videoconferência, etc. sedimentaram
uma sociedade em rede, na qual as relações sociais são intensificadas e, ao mesmo
tempo, esvaziadas, aproximando pessoas distantes e distanciando pessoas próxi-
mas, encurtando distâncias e acelerando o tempo, mas reduzindo a possibilidade
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que se tem para desfrutar a companhia dos amigos e familiares.


Tudo se interliga. Os acontecimentos de uma região são formados por
eventos que ocorrem a milhas de distância, não há mais fatos que não produ-
zam uma série de ecos, reflexos e ressonâncias imprevisíveis e inesperados.
Um exemplo disso foram as imensas passeatas contra a guerra do Iraque em
2003, ocorridas simultaneamente quase no mundo inteiro. Um evento apa-
rentemente restrito à política do Oriente Médio mobilizou milhões de pes-
soas no mundo todo, convocadas via internet ou e-mail, que deram uma de-
monstração de força no repúdio à guerra e ao colonialismo. Há, portanto, na
sociedade da informação uma dialética entre o local e o global, na medida em
que problemas aparentemente localizados podem interferir na vida de todas
as pessoas, exigindo uma solução global.

2. A “hibridização” cultural
O efeito mais importante dessa transformação social é a mistura de valo-
res, línguas e culturas, provocando o que os antropólogos hoje chamam de
hibridização cultural. A hibridização ocorre porque os bloqueios físicos e ideo-
lógicos à livre difusão do conhecimento, da cultura e da educação tendem a
diminuir, permitindo que povos de diferentes partes do mundo tenham aces-
so aos valores uns dos outros e se engajem em processos de fusão e difusão
de suas respectivas identidades culturais.
O entendimento entre os povos, porém, não é tão fácil. O recrudescimento
das guerras civis, das rivalidades religiosas ou inter-étnicas em certas regiões do
mundo pode ser interpretado como reações ou movimentos destinados a frear
essas transformações reafirmando identidades regionais. Vivemos, portanto, um
novo cosmopolitismo, semelhante, talvez, aos últimos séculos do Império Romano,
quando ocorreu um grande processo de mistura de diferentes culturas.
O conhecimento histórico não pode ficar indiferente a esse conjunto tão
rico de transformações, que sugerem modificações didáticas e epistemológicas
fundamentais na abordagem do saber histórico na sala de aula. É a esse desa-
fio que este livro tenta responder, adaptando o saber histórico às necessida-
des da sociedade da informação.

PARTE I — APRESENTAÇÃO DA OBRA 3

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Como já haviam suspeitado filósofos como Kant e Hegel, o conhecimento
não é um dado bruto da realidade, que bastaria coletar e repetir, ao contrário, o
conhecimento depende da intervenção ativa do sujeito que conhece, ele é uma
construção do sujeito que interpreta a realidade segundo seus critérios mentais
e as determinações de sua sociedade e sua cultura. Nietzsche afirmou que todo
saber é perspectivo e a história é o exemplo por excelência dessa idéia. Assim,
num de seus ensaios mais importantes (Sobre a vantagem e a desvantagem da
história para a vida), ele exigia um saber histórico voltado para a vida, que respon-
desse às necessidades do tempo presente dos homens.

3. A história e o tempo presente


A tarefa de construir um saber histórico voltado para a vida, para os problemas
contemporâneos, que possibilite explicar as bases materiais sobre as quais se as-
senta a nossa civilização e reconhecer os rumos para onde elas estão nos condu-
zindo, significa permitir ao aluno reconhecer a relação dinâmica que une o passado,
o presente e o futuro. Não se pode compreender o presente sem conhecer o
passado nem conhecer o passado ignorando o presente. E o conhecimento desses
dois tempos permite que possamos antever o futuro, percebendo os caminhos que

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estamos trilhando, as dificuldades que temos de superar e as condições, limites e
possibilidades de se construir um novo modelo de vida para a humanidade.
O exercício do historiador, de reconstruir a relação entre passado, pre-
sente e futuro, significa reconhecer que a sociedade humana construiu um
modelo de desenvolvimento baseado nas desigualdades sociais, no predomí-
nio da técnica sobre as necessidades humanas e na idéia de que o homem, o
único dotado de razão e cultura, é o dono soberano da natureza e dela pode
fazer uso, de forma predatória e irresponsável. O aumento da miséria, a esca-
lada dos movimentos racistas, especialmente na Europa e nos Estados Unidos,
o crescente poderio da indústria da guerra e a rápida devastação dos recur-
sos naturais do planeta alertam para a necessidade de aprendermos com a
experiência histórica a construir um projeto humanista de sociedade.
Nesta coleção, a tarefa de perceber o saber histórico como uma relação
dinâmica entre passado-presente-futuro concretiza-se particularmente nas
Aberturas de capítulos, nas leituras e questões dos Textos complementares e
nas atividades da seção A história e o tempo presente. Nestas ocasiões, o
aluno poderá, por exemplo, compreender os conflitos atuais entre israelen-
ses e árabes no Oriente Médio e as tradições hebraicas presentes no mun-
do contemporâneo estudando as bases da antiga civilização hebraica; perce-
ber nas instituições do Brasil atual a herança da democracia grega; ou reco-
nhecer nos dias de hoje a permanência da intolerância religiosa que marcou
a formação da chamada Idade Moderna (volume 1).
No volume 2, a obra possibilita, entre outras coisas, identificar os princí-
pios da Revolução Francesa presentes na Constituição e em outras institui-
ções do Brasil atual; perceber a atualidade da luta indígena pelo direito à
terra e à preservação de suas tradições ou reconhecer nas terras dos des-
cendentes dos antigos quilombolas um vínculo com o passado escravista do
Brasil; ou ainda identificar nas cidades históricas de Minas Gerais as marcas da
época do ouro no Brasil. No volume 3, por sua vez, a relação entre o passado
e o presente pode ser percebida ao se abordar a permanência do voto de
cabresto, uma prática que marcou a política da Primeira República; essa rela-
ção aparece também ao se tratar da atual proposta de reforma da legislação
trabalhista herdada do governo Vargas; ou, para citar outro exemplo, ao abor-
dar os movimentos neonazistas atuais, seguidores das idéias de Hitler.

4 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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A elaboração de uma obra com o olhar voltado para o nosso tempo é neces-
sária não somente por possibilitar a leitura e a compreensão do presente à luz do
passado, e vice-versa, favorecendo assim projeções em relação ao futuro, mas
também por representar uma escolha metodológica que transforma a aprendiza-
gem num saber significativo para os alunos, amparada em referenciais conhecidos
e contemporâneos e, por isso mesmo, dotada de sentido e interesse.

4. A estrutura da coleção
Baseando-se numa pedagogia não-diretiva, esta obra procura ser mais do que
um livro básico de consulta; ela pretende oferecer as referências fundamentais
para que o professor possa abordar a história em distintas dimensões. A coleção
não direciona o olhar, não fornece uma narrativa ou interpretação única do pro-
cesso histórico, mas apresenta-se como um texto aberto, contendo múltiplas
referências e sugestões de trabalho e deixando o professor livre para explorá-las
junto com seus alunos na sala de aula.
O professor poderá utilizar o livro de diferentes formas, aprofundando cer-
tos assuntos mais que outros, associando diferentes processos históricos simul-
tâneos ou sucessivos, fazendo interconexões entre épocas e lugares diferentes,
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enfim, explorando as fontes fornecidas pelo texto segundo os objetivos e a pro-


posta pedagógica de cada escola. Como nenhum livro didático poderia ser abso-
lutamente exaustivo, este livro não esgota os assuntos tratados. Nem se pretende
também que seja o único ou o mais importante material didático de uso em sala
de aula. Cabe ao professor planejar o uso desta obra, selecionando os conteúdos
e combinando-os com outros materiais, como livros de apoio didático, textos de
jornais e revistas, músicas, narrativas ficcionais e poesias, depoimentos e o pró-
prio conhecimento que o aluno já traz para a sala de aula.A utilização conjunta do
livro e do suplemento de apoio lhe será muito útil nesse sentido.
As principais seções que constituem os livros da coleção são as seguintes:

Páginas de abertura de capítulo


Diferentes gêneros textuais, pinturas, fotografias, mapas e tabelas, seguidos de
um texto didático, introduzem o tema do capítulo. Quaisquer que sejam os recur-
sos, a abertura apresenta uma problemática atual, que estabelece a ponte passa-
do-presente e contribui para motivar o estudo dos conteúdos do capítulo.

Boxes de diferentes tipos de texto


Quadros destacados em fio verde trazem documentos históricos, textos de
pesquisadores, trechos de obras literárias, os quais possibilitam ao aluno conhe-
cer diferentes interpretações elaboradas sobre determinado acontecimento his-
tórico, conhecer o que os indivíduos pensavam dos fatos que eles vivenciaram e
desenvolver a capacidade de leitura de diferentes tipos de texto, competência
necessária para a prática plena da cidadania.
Nas atividades de final de capítulo, muitas vezes se solicita a retomada de
algumas dessas leituras, com o intuito de desenvolver a habilidade da compreen-
são e da interpretação de textos ou de estabelecer comparações com imagens,
tabelas, mapas ou textos de outros autores. Sugerimos, para ampliar o trabalho
de análise das fontes históricas e exercitar o método de investigação do histo-
riador, que outros textos propostos nesses boxes sejam também explorados pelo
professor, estimulando o aluno a reconhecer as idéias e as intenções sustentadas
pelo autor e a compará-las com o texto didático, com imagens ou outras fontes
que tratem do mesmo tema.

PARTE I — APRESENTAÇÃO DA OBRA 5

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Texto complementar
As leituras selecionadas para esta seção caracterizam-se pela diversidade
de gêneros textuais (textos jornalísticos, históricos, científicos, de apoio didá-
tico) e pelas possibilidades de ampliar o conhecimento sobre o tema, estimu-
lar o debate e a habilidade de argumentação.
As questões da seção Compreendendo o texto, ao final da leitura, visam
desenvolver a capacidade de compreensão, ou seja, de extrair do texto as infor-
mações e idéias centrais, explícitas ou subentendidas, relacioná-las e, nos casos
pertinentes, posicionar-se diante de um debate ou interpretação histórica.
O trabalho com estes textos pode ser iniciado solicitando aos alunos para
enumerar os parágrafos e, à medida que a leitura for sendo feita, ir destacando as
palavras consideradas difíceis. O próximo passo é procurar no dicionário o signi-
ficado dos termos apontados e anotá-los no caderno. Em seguida, pedir aos alu-
nos para identificar, oralmente, a idéia ou a característica principal de cada pará-
grafo. Feito este estudo prévio, encaminhar o trabalho de formulação das respos-
tas, que pode ser realizado individualmente ou em dupla.

Atividades

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


Explorando o conhecimento
As questões propostas neste primeiro item têm como finalidade sistema-
tizar os conteúdos estudados no capítulo e desenvolver habilidades cognitivas
próprias da disciplina e da prática educativa, em especial a comparação, a
observação, a interpretação, a produção de textos, o juízo crítico e as noções
de cronologia.
Nestas atividades, oferecemos ao professor uma variedade de questões
que trazem textos variados, pinturas, gráficos, tabelas, mapas e charges, que
possibilitam aprofundar os conceitos de cada capítulo, discutir a dinâmica da
produção histórica, compreender como os indivíduos do passado enxerga-
vam o seu próprio tempo e como outras pessoas, que viveram em épocas
posteriores, interpretaram os registros do passado.

A história e o tempo presente


As atividades desta seção permitem relacionar o passado e o presente, esti-
mulando o aluno a conhecer e a se posicionar diante de questões relevantes para
a sociedade contemporânea. As questões, que incluem produção de textos, de-
bates, leitura de imagens e textos, elaboração de pesquisas e montagem de pai-
néis, entre outras propostas, visam, igualmente, formar atitudes de valorização do
patrimônio histórico e cultural da humanidade, de preservação dos recursos na-
turais do planeta e de repúdio às guerras e às injustiças sociais.
Entendemos que é papel do ensino de história e de toda prática educativa
contribuir na formação de pessoas conscientes dos problemas sociais do seu
tempo e das mudanças necessárias para superá-los, comprometidas com os
princípios da tolerância, da democracia, da paz e da solidariedade. Não basta
preparar o aluno para ser um excelente leitor, formulador de hipóteses, ob-
servador e capaz de produzir textos bem articulados e persuasivos. É preciso,
no mesmo nível, formar indivíduos que repudiem a indiferença e os precon-
ceitos, que questionem o consumismo e o individualismo, que expressem a
sua afetividade e desenvolvam a sensibilidade e se sintam responsáveis por
construir uma sociedade mais justa e humanizada.

6 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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Questões de Vestibular/Enem
O ensino médio não pode ficar refém de um modelo educacional voltado
para os vestibulares, mas também não pode se esquivar dessa tarefa. Criar
condições para que todos os alunos ingressem em boas universidades e pos-
sam se servir dos recursos públicos destinados ao ensino superior, qualifican-
do-se para exercer a vida social e profissional, é parte da tarefa de democra-
tizar a sociedade brasileira.
Entendemos também que a universalização do ensino superior significaria,
em última instância, a extensão da obrigatoriedade para a educação superior e a
extinção dos vestibulares. Infelizmente, não há perspectivas de que isso ocorra
em um futuro próximo. Diante dessa realidade e da importância de ampliar ao
máximo o acesso à educação superior, selecionamos nesta coleção questões de
diferentes universidades do país e das provas anuais do Enem, procurando con-
templar os conteúdos essenciais de cada capítulo e atender aos objetivos estabe-
lecidos para a disciplina, tanto os que envolvem questões conceituais quanto aqueles
que remetem à tarefa de preparar para a prática da cidadania.
As questões objetivas podem ser respondidas oralmente ou por escrito,
no caderno, conforme critério estabelecido pelo professor. Quanto às ques-
tões discursivas, elas podem ser trabalhadas individualmente ou em dupla, ou
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ainda servir de material de trabalho em grupo. As respostas das questões de


vestibular e do Enem estão no final deste suplemento.

Sugestões de filmes
Ao final dos capítulos, apresentamos um ou mais filmes recomendados
para o trabalho com os conteúdos tratados em cada caso. Sugerimos ao pro-
fessor assistir ao filme antes de exibi-lo aos alunos, para avaliar a adequação
do filme à realidade de seus alunos ou, se for o caso, para selecionar as passa-
gens mais apropriadas para o trabalho que propôs desenvolver.
O trabalho com o cinema nas aulas de História não pode prescindir de
uma demarcação prévia entre o que é conhecimento histórico e o que é
ficção, para não se correr o risco de confundir história com arte. O cinema é
uma interpretação livre do passado, sem compromisso com a objetividade e a
documentação, ao contrário da ciência histórica, que não pode se furtar do
compromisso com a objetividade e os registros do passado. Nesse sentido, a
obra cinematográfica nos diz mais sobre a época em que foi feita do que
sobre o fato histórico que inspirou o enredo.

Suplemento de Apoio ao Professor


Cada volume da coleção vem acompanhado de um Suplemento de Apoio ao
Professor que complementa os conteúdos e as atividades do livro, remetendo
em cada caso a uma bibliografia específica e a outras fontes essenciais para
aprofundar os temas estudados. São citados, além disso, trechos de fontes
primárias que podem ser exploradas em sala, sugerem-se atividades
interdisciplinares e o uso de diversas linguagens (literatura, imagem, música,
etc.) para dar conta dos temas abordados. O suplemento prescreve formas
possíveis e caminhos recomendáveis de utilização dos materiais do livro sem,
contudo, limitar a liberdade e a criatividade do professor, mas, ao contrário,
estimulando-as com sugestões de materiais de apoio, propostas de novas ati-
vidades e informações adicionais.

PARTE I — APRESENTAÇÃO DA OBRA 7

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5. A avaliação
A avaliação tradicionalmente era tratada como instrumento de controle,
vigilância e punição, em geral realizado em ocasiões previamente estabelecidas
pelo professor. Nessa perspectiva, perante os alunos, a avaliação despertava
ansiedade, pavor e insegurança. Felizmente, desde as últimas décadas do sécu-
lo XX, o foco da avaliação tem se deslocado cada vez mais do binômio pro-
moção-reprovação para ajustar-se às necessidade do processo de aprendiza-
gem. Segundo essa nova perspectiva, a avaliação deve ser diferenciada e con-
tínua, ou seja, deve contemplar as especificidades e habilidades prévias dos
alunos e ocorrer durante todo o processo de ensino-aprendizagem, tendo
como referência os objetivos estabelecidos para cada disciplina.
Em vez de funcionar como uma ferramenta de promoção ou reprovação,
a avaliação deve permitir ao educando reconhecer suas conquistas e dificul-
dades, ajudando-o a visualizar os desafios e os caminhos possíveis para a sua
superação. Para o professor, a avaliação possibilita rever sua prática pedagógi-
ca e ajustá-la às necessidades do grupo, alterando procedimentos e
readequando os instrumentos avaliatórios. Sob esse ponto de vista, a avalia-
ção não só permite verificar se os conteúdos estão sendo aprendidos, mas
também perceber os avanços e as fragilidades do processo de ensino-apren-

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


dizagem, criando condições para que o aluno atinja os objetivos estabelecidos
para a disciplina e para a prática educativa como um todo.
Organizar um projeto de avaliação centrado na aprendizagem pressupõe
também avaliar o crescimento global do aluno nos conhecimentos da discipli-
na. Assim, o professor deve fazer uso, em sua experiência pedagógica, de uma
diversidade de instrumentos de avaliação, que considerem as diferentes habi-
lidades dos alunos. Nesta coleção apresentamos atividades de vários gêneros,
agrupadas nas seções Compreendendo o texto, Atividades e Questões de
Vestibular/Enem, que podem ser utilizadas pelo professor para avaliar e aper-
feiçoar o aprendizado dos alunos e os resultados do seu trabalho: atividades
de leitura, compreensão e produção de textos, análise de imagens, de gráficos
e mapas, elaboração de pesquisas, montagem de painéis, debates, entre outras.
A prática da avaliação, utilizada como instrumento da aprendizagem e não
como mecanismo de controle e punição, é uma tarefa que pode envolver os
alunos, para que eles também compreendam a importância dos critérios uti-
lizados na avaliação e identifiquem, à luz desses critérios, os avanços já con-
quistados e as dificuldades que precisam ser superadas. A auto-avaliação, po-
rém, não pode ser vista como a possibilidade de manipular ou escamotear os
resultados da aprendizagem, mas, ao contrário, como uma oportunidade de
discutir com os alunos os erros, acertos e desafios do processo educativo.

8 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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Parte II — O volume 1

INTRODUÇÃO res e/ou atuais”. (JENKINS, Keith. Repensando a Histó-


ria. São Paulo, Contexto, 2001, p. 32.)
O FAZER HISTÓRIA
É por isso que o estudo da história não pode
CAPÍTULO 1. A CONSTRUÇÃO DA HISTÓRIA prescindir do conhecimento da historiografia sobre
cada período e da análise das formas como o conhe-
Conteúdos e objetivos cimento histórico é construído. Sugere-se que o pro-
Este capítulo retoma noções já discutidas nas sé- fessor, ao abordar cada período, incorpore o hábito
ries do ensino fundamental e que constituem a maté- de problematizar a construção do conhecimento his-
ria-prima do trabalho do historiador, em especial os tórico, sempre contrapondo interpretações distintas
conceitos de tempo e o de fonte histórica. O capítulo dos acontecimentos ou processos em questão, para
também explicita a diferenciação entre tempo histó- mostrar que a história pode refletir determinada pers-
rico e tempo cronológico, discute a periodização clás- pectiva e que nenhuma interpretação poderia plei-
sica européia e apresenta os diferentes tipos de ca- tear a condição de retrato fiel da realidade.
lendário elaborados pelas sociedades. A necessidade de alertar o aluno para a carga de
Com esse estudo, pretendemos desenvolver as intencionalidade e parcialidade presente nos docu-
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

seguintes habilidades, procedimentos e atitudes: mentos e na construção conceitual feita pelo histo-
• Aprofundar as noções de tempo histórico e riador não deve ser confundida, no entanto, com o
tempo cronológico. relativismo total, ou seja, com a visão de que a histó-
• Ampliar as noções de fonte histórica. ria se resume a um exercício infinito de interpreta-
• Compreender e exercitar o método de traba- ções particulares. Leia o que escreveram os historia-
lho do historiador na análise das fontes históricas. dores Jacques Le Goff e Eric Hobsbawm sobre a
• Comparar diferentes calendários. importância da noção de objetividade histórica:
• Desenvolver o método de realização de pes-
quisas.
• Valorizar o patrimônio histórico e cultural das Verdade e objetividade
distintas sociedades. 1
“A tomada de consciência da construção do
O que é História? p. 9
fato histórico, da não-inocência do documento, pôs
em evidência os processos de manipulação que se
A História não pode ser definida simplesmente manifestam a todos os níveis da constituição do
como a reconstituição dos fatos que ocorreram. Ela saber histórico. Mas esta verificação do fato não
é o resultado do trabalho do historiador, que inter- deve conduzir a um ceticismo de fundo acerca da
preta, segundo determinada grade de leitura, os ves- objetividade histórica e ao abandono da noção de
tígios deixados pelo passado. Assim, o passado e a verdade na história; pelo contrário, os progressos
reflexão sobre ele são coisas distintas, pois toda his- contínuos no desvendar e na denúncia das mistifi-
tória é uma composição de recortes de conteúdos cações e falsificações da história permitem que se
e de interpretações a respeito de determinados te- seja relativamente otimista a este respeito. [...]
mas. Por essa razão, é possível serem elaboradas di- O objetivo ambicioso, a objetividade histórica,
ferentes interpretações de como os acontecimen- constrói-se pouco a pouco através de revisões in-
tos se inter-relacionam e de quais são os possíveis cessantes do trabalho histórico, laboriosas retifica-
significados e valores que podemos dar a eles. ções sucessivas e acumulação de verdades parciais.”
Dentro dessa perspectiva, um bom historiador não
(LE GOFF, Jacques. História e memória.
pode se esquecer de que a história é também uma Lisboa, Edições 70, s.d. v. 1 e 2.)
construção conceitual, mediada por outras interpreta-
ções anteriores. Como ressaltou o historiador inglês 2
Keith Jenkins,“o passado é sempre percebido por meio
“Temos uma responsabilidade pelos fatos his-
das camadas sedimentares das interpretações anterio-
tóricos em geral e pela crítica do abuso político-
res e por meio de hábitos e categorias de leitura de-
ideológico em particular.
senvolvidos pelos discursos interpreta-tivos anterio- ➜

PARTE II — O VOLUME 1 9

HC-Manual prof. V. 1 9 7/14/05, 6:27 PM


➜ que mal conseguimos entendê-las. “A originalidade
Pouco preciso dizer sobre a primeira dessas
de cada cultura reside na maneira particular como
responsabilidades. Não teria nada a dizer, não fos-
se por duas circunstâncias. Uma delas é a moda resolvem problemas e perspectivam valores que
atual de os romancistas basearem seus enredos são aproximadamente os mesmos para todos os
na realidade constatada em lugar de inventá-los, homens, porque todos os homens sem exceção
confundindo com isso a fronteira entre fato his- possuem uma linguagem, técnicas, arte, conheci-
tórico e ficção. A outra é a ascensão das modas mentos de tipo científico, crenças religiosas, orga-
intelectuais ‘pós-modernas’ nas universidades oci- nização social, econômica e política.” (Raça e His-
dentais, particularmente nos departamentos de tória, p. 75).
Literatura e Antropologia, as quais implicam que O texto “Os Tuareg”, na página 13, ilustra bem
todos os ‘fatos’ com existência pretensamente o que disse Lévi-Strauss: nenhuma cultura, isola-
objetiva não passam de construções intelectuais da, pode sobreviver. Cabe ressaltar, portanto, que
— em resumo, que não existe nenhuma diferença as sociedades chamadas “tradicionais” não podem
clara entre fato e ficção. Mas existe, e para nós, ser vistas como não-civilizadas, selvagens, sem his-
historiadores, inclusive para os antipositivistas mais tória; elas devem ser compreendidas na diversida-
intransigentes, a capacidade de distinguir entre de cultural que as constitui e que as torna dife-
ambos é absolutamente fundamental. Não pode- rentes, mas jamais inferiores aos povos ociden-
mos inventar nossos fatos. Ou Elvis Presley está tais. O professor pode chamar a atenção também
morto ou não. [...]” para o fato de que a idéia de um tempo histórico

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


(HOBSBAWM, Eric. Sobre história. São Paulo,
único e cumulativo é uma construção cultural da
Companhia das Letras, 1998.) Europa ocidental do século XIX, que tem a fun-
ção política de legitimar a dominação imperialista
sobre outros povos supostamente “primitivos” ou
Lidando com o tempo p. 11
“selvagens”.
É preciso que o professor trabalhe continuamen-
te para desfazer uma visão de história na perspecti- Periodização da história ocidental p. 14
va do evolucionismo, compreendida como uma se-
qüência de etapas que todos os povos devem cum- O professor deve enfatizar que a periodização
prir na sua marcha rumo ao progresso. Nessa pers- tradicional — em quatro idades — é uma divisão
pectiva, que traduz o senso comum, a história pro- arbitrária, que leva em consideração os marcos sig-
cessa-se como o acúmulo de conquistas sucessivas nificativos para a história da Europa ocidental. A
em direção a um fim consciente e único possível: o periodização clássica européia é útil em termos di-
progresso material. dáticos, pois facilita a organização do estudo e a lo-
A reflexão sobre idéia de história universal exi- calização temporal dos fatos históricos. O uso des-
ge que se recorra um pouco à antropologia cultu- sa ferramenta cronológica não significa compreen-
ral, introduzindo o conceito de relativismo cultural. der a história como uma evolução progressiva e li-
Em seu ensaio “Raça e História”, o antropólogo near, questão que é preciso sempre destacar para
Lévi-Strauss procura desfazer a idéia de que a hu- os alunos.
manidade evolua num sentido único, passando Cada período tem seus valores e suas espe-
pelas mesmas etapas. Segundo esse estudioso não cificidades e não pode ser julgado de acordo com
existem povos sem história, nem culturas absolu- as categorias do presente, o que representaria um
tamente isoladas, pois o que constitui a cultura é anacronismo. Assim, por exemplo, a Idade Média
justamente a troca. Uma cultura isolada das ou- não foi, como antes se afirmava, a “idade das tre-
tras estaria destinada a se desagregar e desapare- vas”, contrastando com o brilho das civilizações
cer. A idéia de superioridade e inferioridade cul- clássicas que a precederam. Para o homem culto
tural é um equívoco, pois cada povo, a partir do renascentista, a Idade Média parecia uma época
patrimônio material e simbólico que constrói, obscurantista, por isso a denominava de idade das
contribui para desenvolver o potencial humano e trevas. Mas, vendo-a do presente, à luz de novas
compor a diversidade que caracteriza a história investigações históricas, percebemos que foi um
da nossa espécie. período muito rico da civilização ocidental, em que,
Ainda, segundo Lévi-Strauss, a estética das tri- num primeiro momento, a tradição clássica e os
bos maori ou os sistemas de parentesco dos ín- valores cristãos se misturaram aos padrões cul-
dios sul-americanos são estruturas tão complexas turais dos povos invasores (germanos, eslavos,

10 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 1 10 07/04/2005, 16:12


etc.); e, posteriormente, teve início o intercâmbio a importância do tempo para a História e a diver-
cultural com civilizações do Oriente. sidade do patrimônio cultural da humanidade.
Cabe ao professor trabalhar a especificidade A construção de uma linha do tempo, propos-
de cada período histórico, enfatizando a sua ri- ta na questão 6, pode parecer, numa primeira lei-
queza cultural, sem induzir a juízos de valor sobre tura, tradicional e pouco instigante. O desprezo
os homens do passado. A história, sob essa pers- pela cronologia, no entanto, é uma atitude equi-
pectiva, se assemelha muito à antropologia. Ela vocada, porque não é possível compreender os
nada mais faz que abordar no tempo o que a an- fatos históricos e estabelecer relações entre eles
tropologia aborda no espaço: a diversidade cultu- sem saber localizá-los no tempo. Uma visão de
ral e o processo ininterrupto de troca entre cul- história centrada em datas e nomes é tão nociva
turas. quanto a perspectiva atemporal, como se a histó-
ria não fosse a ciência dos homens no tempo.
Texto complementar p. 15 A proposta de resgatar, na linha do tempo,
A ditadura do relógio acontecimentos que marcaram a história recen-
te do Brasil permite que os alunos relacionem o
O objetivo do trabalho com esse texto é pro- estilo de vida da sua geração com a história mais
mover uma discussão sobre a relatividade do tem- geral do seu país. Por exemplo, nesta atividade
po. O tempo não é uma categoria exata e imutá- alguns alunos podem destacar o primeiro voto
vel, mas uma construção social que é percebida e nas eleições oficiais do país, um direito que a
vivenciada de formas diferentes, dependendo do
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Constituição de 1988 assegurou aos jovens maio-


modo de vida de cada sociedade, dos valores, pro- res de 16 anos.
jetos e referências de uma cultura ou de uma ge-
ração. Por exemplo, a relação que as comunida-
des rurais têm com o tempo não é a mesma que a
dos habitantes dos centros urbanos, assim como UNIDADE I
as crianças sentem o tempo de forma diferente
DOS PRIMEIROS HUMANOS AO LEGADO
da que sentem os idosos. A velocidade da vida mo-
CULTURAL DO HELENISMO
derna, marcada pela pressão do relógio, pelas re-
feições rápidas, pela produção em série, é uma
CAPÍTULO 2. AS ORIGENS DO HOMEM
criação da sociedade que nasceu da grande indús-
tria e que se afirmou sobre os escombros das cul- Conteúdos e objetivos
turas tradicionais. O capítulo em questão aborda de forma
As questões da seção Compreendendo o tex- abrangente as teorias e controvérsias acerca da
to permitem que o aluno reconheça as mudanças origem do homem, que nos remete ao período
que a sociedade industrial gerou para a relação convencionado como Pré-história. As questões
do ser humano com o tempo e identifique no selecionadas envolvem a discussão sobre a
mundo atual a permanência e a mudança dos as- periodização da Pré-história, as etapas da evolu-
pectos expostos pelo autor. ção biológica humana e a polêmica entre
criacionistas e evolucionistas, além de textos re-
Atividades p. 16 levantes e atualizados que situam o problema nos
As atividades têm como objetivo desenvolver dias de hoje. É importante ressaltar nesse estudo
as habilidades, procedimentos e atitudes estabe- que grande parte do conhecimento construído
lecidos para o trabalho com o conteúdo deste ca- sobre a infância da humanidade situa-se no terre-
pítulo: noção de tempo histórico, tempo cronoló- no das hipóteses, já que os registros disponíveis
gico e documento, elaboração de uma pesquisa e não são suficientes para elaborar uma radiografia
valorização da diversidade cultural que caracteri- conclusiva sobre a vida do homem pré-histórico.
za as sociedades humanas. O objeto deste capítulo pode proporcionar a
Nas questões 1 e 2, a intenção não é chegar a interlocução com a área de Ciências, que, de acordo
uma definição monolítica e conclusiva dos termos com as necessidades e conveniências das duas disci-
básicos inseridos no capítulo, mas permitir que plinas, poderão desenvolver projetos em parceria
os alunos, ao conceituá-los, levem em considera- ampliando a discussão do tema proposto.
ção o caráter não-inocente dos documentos, a O estudo das principais teorias elaboradas
natureza investigativa do conhecimento histórico, sobre a origem da nossa espécie, bem como a

PARTE II — O VOLUME 1 11

HC-Manual prof. V. 1 11 07/04/2005, 16:12


compreensão das características do modo de vida discussão para a permanência da relação con-
dos primeiros seres humanos, visa aos seguintes flituosa entre a ciência e a religião em diferentes
objetivos: períodos da história.
• Destacar as atividades que garantiam a so-
brevivência humana no período Paleolítico, per- Boxe - Charles Darwin p. 21
cebendo as principais mudanças que marcaram a De forma coerente com a proposta pedagógi-
evolução da espécie. ca de valorizar a postura ativa do educando dian-
• Explicar a teoria evolucionista e diferenciá- te do conhecimento, sugerimos uma bibliografia
la da visão criacionista. de apoio que o professor poderá indicar para
• Reconhecer os povos ágrafos como porta- aqueles que queiram conhecer melhor a vida e a
dores de uma cultura e uma história, não menos obra desse importante cientista. Como forma de
importantes que as das sociedades que elabora- despertar a curiosidade do aluno, o professor pode
ram um código escrito de comunicação. salientar que Darwin, entre 1831-1836, quando
• Comparar aspectos da vida humana no viajou a bordo do navio Beagle, ainda na sua ju-
Paleolítico com a dos tempos contemporâneos, ventude, esteve na América do Sul observando a
estabelecendo diferenças e semelhanças. flora e fauna nativas, viagem que foi fundamental
• Ler e interpretar figura rupestre procuran- para a consolidação da sua futura teoria da evolu-
do identificar na imagem intenções e sinais de ção das espécies.
como era a vida humana no período.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


• Montar painel representando as principais Sugestões de leitura
realizações humanas no período denominado Pré-
DARWIN, Charles. Autobiografia. Madri, Alianza
história.
Editorial, 1993.
MONTALENTI, Giuseppe. Charles Darwin (Bi-
Imagens da abertura p. 20
blioteca Básica de Ciência). Lisboa, Edições
O capítulo se inicia com duas imagens: a da es- 70, 1982.
querda é uma charge satirizando o evolucionismo GOULD, Stephen Jay. Darwin e os grandes enigmas
darwinista; a outra é a reprodução de um quadro da vida. São Paulo, Martins Fontes, 1992.
em que o artista interpreta o mito de Adão e Eva. A
contraposição aqui é tanto clássica quanto atual, já
que o debate entre criacionistas e evolucionistas vem Sugestão de atividade
crescendo em vários países, inclusive no Brasil. Por Para discutir a importância das pinturas
conta disso, o professor deve procurar esclarecer rupestres para a pesquisa e a compreensão dos
que se trata do debate entre uma visão científica do primórdios da história humana, o professor
surgimento do homem e uma interpretação religio- pode programar uma pesquisa sobre o Vale de
sa do mesmo fato, divergência que é preciso conhe- Vezere, localizado na França, considerado
cer e avaliar. Ao mesmo tempo, o professor pode patrimônio mundial pela Unesco desde 1979.
desfazer a crença equivocada de que Darwin teria Lá foram descobertos cerca de 147 centros
afirmado que o homem descendia do macaco, como de cultura paleolítica e 25 cavernas com pintu-
mostra a charge, quando, para ele, tanto o homem ras rupestres (dentre elas as célebres pinturas
quanto o macaco derivariam de um ancestral co- de Lascaux). Atualmente, a região abriga o
mum, que teria dado origem às duas famílias, aos maior e mais importante museu de Pré-história
hominídeos e aos macacos. da Europa, o Museu Nacional de Pré-histó-
ria de Evzies, que ocupa uma área de 5.000 m2
Qual é a origem do homem? p. 20 e abriga uma coleção de cerca de seis milhões
de obras.
A evolução humana p. 21

Se o professor achar conveniente poderá


Texto complementar p. 25
aprofundar a discussão sobre a hipótese do
criacionismo e a do evolucionismo utilizando os Encontros amorosos entre sapiens e neandertais
textos selecionados no final das orientações para O texto complementar selecionado noticia o
esta unidade. Pode-se promover um debate em achado mais controverso da arqueologia nos últi-
sala de aula apontando os principais pontos de mos tempos: o esqueleto de um menino que con-
conflito entre as duas visões ou ainda ampliar a tém características tanto do Homo sapiens sapiens

12 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 1 12 07/04/2005, 16:12


quanto do Homo neandertalensis, aquecendo ainda lentamente, possibilitou a ocorrência de profun-
mais o debate entre os defensores da origem úni- das alterações no modo de vida dos povos pré-
ca do homem e os da teoria multi-regional, que históricos: o desenvolvimento urbano e comer-
advogam a tese de que o homem moderno, o Homo cial, a formação do Estado e o surgimento da pro-
sapiens sapiens, resulta do cruzamento entre espé- priedade privada.
cies diferentes de hominídeos, que evoluíram em Com o estudo desses temas, esperamos:
períodos e lugares distintos. Este texto permite • Explicar por que as mudanças ocorridas no
ao professor mostrar aos alunos o complexo tra- período Neolítico podem ser chamadas de revolu-
balho dos pesquisadores na elaboração de teo- cionárias.
rias científicas, que exige, continuamente, a busca • Relacionar a Revolução Agrícola com outras
e a análise de provas, a participação nos debates mudanças ocorridas no período Neolítico.
que as descobertas suscitam e renovação siste- • Conceituar Crescente Fértil, Estado e Revolu-
mática das teorias explicativas. ção Urbana.
As questões que se seguem ao texto, elabora- • Produzir texto comentando as mudanças ocor-
das para desenvolver a competência leitora, re- ridas na relação entre os campos e as cidades com o
querem do aluno a habilidade de selecionar do desenvolvimento da urbanização.
texto as idéias centrais, localizando desde infor- • Realizar uma pesquisa sobre a construção
mações básicas sobre a data, o local e o conteúdo de açudes no estado, obra pública que pode ser
da descoberta até as conclusões elaboradas pelos comparada aos diques e canais do Egito e da
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cientistas. Mesopotâmia na Antigüidade, focando os objeti-


vos da realização da obra e as propriedades que
Atividades p. 26 são beneficiadas.
A questão 1 atende a dois objetivos: ela estimula
a habilidade de produção de textos argumentativos Uma revolução nos campos p. 29

e contribui para desfazer os preconceitos criados A descoberta e o desenvolvimento da técnica


em relação aos povos ágrafos. da agricultura são considerados, para muitos auto-
A proposta na questão 2 é estimular o aluno a res, a mais importante revolução tecnológica já rea-
comparar diferentes estilos de vida, reconhecendo lizada pela humanidade. São vários os fatores que
diferenças e semelhanças entre eles e respeitando nos permitem justificar essa afirmação, mas a princi-
as características que compõem a sua identidade. pal está na certeza de que, sem ela, o ser humano
A questão 3 permite estimular a leitura de ima- não teria proliferado e, talvez, nem tivesse consegui-
gens, no caso uma fonte essencial para o estudo do do sobreviver.
homem pré-histórico, a pintura rupestre. Sugeri- O professor pode chamar a atenção para a
mos que o professor instigue o aluno a extrair in- importante relação entre o homem, a técnica e a
formações da pintura, perguntando, por exemplo: natureza, aprofundada pela Revolução Agrícola, re-
Que objetos foram desenhados na parede? Que lação que perpassa toda e qualquer organização
material vocês imaginam que foi usado para fazer social. O professor pode mostrar que, até a Re-
os desenhos? Qual a intenção das pessoas que fi- volução Industrial, o uso da tecnologia ocupava
zeram esse trabalho? Que informações sobre a vida um papel secundário na relação entre homem e
desses povos antigos os desenhos nos fornecem? natureza. No mundo contemporâneo, o papel da
Aprender a fazer perguntas aos documentos é tecnologia, ao contrário, adquiriu a primazia, a
um dos procedimentos básicos do trabalho do his- ponto de ameaçar a natureza e o futuro da hu-
toriador e, exercitá-lo, contribui para desenvolver manidade.
o olhar investigativo e observador.
A Idade dos Metais p. 30

CAPÍTULO 3. DAS ALDEIAS PRÉ-HISTÓRICAS


A passagem das aldeias pré-históricas para as
AOS PRIMEIROS ESTADOS primeiras cidadelas e, mais tarde, para as cidades
significou uma verdadeira revolução nos hábitos
Conteúdos e objetivos e costumes do ser humano marcando o início do
O principal objeto de estudo deste capítulo é processo de civilização. Segundo Munford, a cida-
a Revolução Agrícola, ou seja, o desenvolvimento de pode ser descrita como “uma estrutura espe-
da prática da agricultura, uma inovação técnica que, cialmente equipada para armazenar e transmitir

PARTE II — O VOLUME 1 13

HC-Manual prof. V. 1 13 07/04/2005, 16:12


os bens da civilização [...]. A invenção de formas ➜
tais como o registro escrito, a biblioteca, o arqui- fúnebres de seu irmão, morto em combate e
vo, a escola e as universidades constitui um dos considerado traidor, descumprindo as leis da
feitos mais antigos e mais característicos das ci- cidade e as ordens do rei. A tragédia caracteri-
dades”. (MUNFORD, Lewis. A cidade na história. São za muito bem o significado desses rituais e ser-
Paulo, Martins Fontes, 1998.) ve aqui de fonte histórica para entendermos
Um dos aspectos que anunciam uma mudança melhor essa questão.
de comportamento do homem primitivo rumo à
sedentarização é a prática do cuidado com os mor-
tos. A primeira morada fixa do homem pré-histó- Cerimônias funerárias bororo
rico, no interior de uma caverna, numa cova, num “As cerimônias funerárias dos bororos re-
monte de pedras ou num túmulo coletivo, desti- presentam um padrão específico de enterro se-
nava-se aos mortos e simbolizava marcos da co- cundário: os corpos dos mortos são inumados
munhão entre mortos e vivos e uma ocasião para [enterrados] envoltos em esteiras para serem
cerimônias rituais. Nesse sentido, a cidade dos posteriormente exumados [desenterrados]
mortos é precursora da cidade dos vivos. A im- para a lavagem e a decoração dos ossos, depois
portância do culto e a celebração aos mortos do que são colocados em cestos sepultados fora
como marco da formação das cidades em seus da aldeia.
primórdios podem ser atestadas pela presença de O enterro secundário bororo insere-se num

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templos, túmulos e cemitérios como aqueles que conjunto complexo de outras práticas tais como
ladeavam as cidades gregas ou romanas ao longo danças, cantos, refeições comunitárias e destrui-
das estradas ou as pirâmides no Egito, entre ou- ção dos pertences dos mortos. [...]
tros exemplos. A especificidade dos funerais bororo consis-
te em levar, até as últimas conseqüências, as práti-
Sugestões de atividades
cas de representação dos mortos por vivos. Cada
morto é ritualmente representado por três so-
1
breviventes, ou seja, um ‘representante’ do finado,
A preocupação com os mortos e o culto encarregado de dançar em sua homenagem, lavar
aos antepassados parecem ter sido uma das pri- e enfeitar os ossos do representado, e caçar um
meiras manifestações cívicas que congregavam animal de desagravo, a fim de liberar do luto os
as pessoas em torno de um objetivo comum, parentes do seu morto; uma ‘mãe’ ritual, parenta
prática que, guardadas as devidas proporções, clânica próxima do finado que, juntamente com
permanece sendo importante até os dias de seu marido, o ‘pai’ ritual, devem assumir pesadas
hoje. Para aprofundar o debate em torno dessa obrigações cerimoniais (chorar, cantar, cortar-se
questão, o professor pode propor a leitura e a o próprio corpo durante os funerais), devendo o
análise de um ritual religioso tradicional nas último confeccionar a cabacinha funerária, carre-
culturas indígenas brasileiras. Veja uma suges- gada pelo ‘representante’ durante as danças e as
tão no trecho selecionado no boxe ao lado, caçadas religiosas. Abatido e oferecido um animal
exemplo de um ritual funerário dos índios de desagravo, de preferência um felídeo de gran-
bororos. de porte, tal como uma onça-pintada, o ‘repre-
sentante’ receberá a recompensa de algum enfei-
2
te de penas e um nome, ambos pertencentes ao
Outra possibilidade de atividade é trabalhar clã do finado, que poderá usar a seu bel-prazer. O
com um trecho da tragédia grega Antígona, de beneficiado passa também a assumir diversas fun-
Sófocles, datada de 442 a.C. Sófocles viveu na ções sociais do seu morto, entre as quais a obri-
Grécia no século V a.C. e é considerado um gação vitalícia de cuidar do seu casal de ‘pais’ ritu-
dos mais importantes autores desse período, ais, enviando-lhes a carne ou o peixe que lhe tiver
época áurea da tragédia grega. A peça narra o sido enviado pelas ‘almas’ (termo que, no caso,
conflito entre a lei divina — representada por designa o grupo de caçadores, representantes dos
Antígona — e a lei da cidade ou temporal — finados da aldeia) até o dia em que lhe permitam
representada pelo rei Creonte. Antígona é con- as forças.”
denada à morte depois de executar os rituais (Rituais indígenas brasileiros. São Paulo, CPA Editora, 1999.)

14 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 1 14 7/14/05, 6:27 PM


as principais explicações elaboradas pelos estudio-
Sugestões de leitura
sos a respeito desse debate. A partir dessa discus-
BOFF, Leonardo. O casamento entre o céu e a ter- são, o professor poderá estabelecer relações com
ra: contos dos povos indígenas do Brasil. Rio de o que já foi discutido anteriormente, propiciando a
Janeiro, Salamandra, 2001. comparação e a análise entre as teorias científicas
Rituais indígenas brasileiros. (Vários autores). São já consolidadas (européias e norte-americanas) e
Paulo, CPA Editora, 1999. aquelas mais recentes, elaboradas por pesquisado-
Sófocles. Antígona. Porto Alegre, L&PM, 1999. res dos chamados países em desenvolvimento, que
buscam consolidar seu papel na construção do co-
O surgimento do Estado p. 31 nhecimento científico. Um exemplo são os estu-
Considerando-se a importância e a complexida- dos envolvendo as pinturas rupestres de São
de desse conceito para o entendimento de diversas Raimundo Nonato (PI), cujas conclusões são refu-
disciplinas humanas e sua relação com outros con- tadas por grande parte dos arqueólogos.
ceitos e contextos históricos, sugerimos que o pro- Com o estudo deste capítulo pretende-se atin-
fessor comente com os alunos as instituições que gir os seguintes objetivos:
compõem o Estado brasileiro, destacando, por exem- • Listar as principais hipóteses sobre a origem
plo, o papel dos três poderes, o funcionamento do do homem americano.
Congresso Nacional, a função das Forças Armadas, • Caracterizar a vida dos povos americanos
entre outras instituições. Os alunos podem trazer nos períodos Paleolítico e Neolítico.
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

para a sala de aula recortes de matérias de jornais • Definir a expressão sítio arqueológico.
ou revistas com informações sobre a atuação con- • Realizar pesquisa sobre um sítio arqueológi-
creta desses órgãos do aparelho estatal brasileiro. co americano, reunindo informações sobre o
modo de vida dos povos que lá viviam.
Texto complementar p. 32
• Ler e interpretar imagens que representam
povos indígenas do Brasil em épocas diferentes,
A Revolução Agrícola identificando os elementos que expressam as mu-
O texto selecionado destaca como a prática danças ocorridas na vida desses povos.
da agricultura e a utilização do fogo foram funda- • Tomar conhecimento dos sucessivos ataques
mentais para o desenvolvimento das comunida- que vêm sofrendo os povos indígenas da atualida-
des pré-históricas. de, solidarizando-se com a luta desses povos pela
As questões da seção Compreendendo o texto manutenção de suas terras e tradições.
estimulam o aluno a extrair as informações centrais
do texto, focadas nas mudanças geradas pela Revolu- A origem do homem americano p. 34
ção Agrícola, em especial a criação de excedentes, o O texto enfatiza as controvérsias sobre a ori-
crescimento populacional e a formação de cidades. gem do homem americano. Ele permite discutir que
Em seguida, podem-se estabelecer relações com as teorias são explicações transitórias, permanente-
o presente, discutindo, por exemplo, como a produ- mente modificadas pelos novos fatos que as pesqui-
ção agrícola mundial já superou em grande escala as sas trazem à tona. Este tema também propicia ao
necessidades alimentares humanas. No entanto, con- professor introduzir a discussão sobre a importân-
traditoriamente, milhões de pessoas continuam mor- cia de se conservar o patrimônio histórico e cultu-
rendo de fome no mundo em decorrência da má dis- ral do país e da humanidade. Sem esse patrimônio,
tribuição de riquezas e dos conflitos em torno da ficamos impossibilitados de conhecer o passado e
posse da terra. Como superar esse problema? Orga- compreender melhor o presente.
nize uma discussão com os alunos a partir desse tema,
partindo de informações atuais que podem ser
pesquisadas em jornais, revistas e/ou na Internet. Conquistas da arqueologia brasileira
No que se refere às teorias que discutem a
CAPÍTULO 4. A IDENTIDADE DO HOMEM
origem do homem americano, é importante res-
AMERICANO
saltar o trabalho de pesquisadores latino-ame-
ricanos que têm chamado a atenção da comu-
Conteúdos e objetivos nidade científica internacional. É o caso do tra-
Neste capítulo discute-se mais especificamen- balho do arqueólogo brasileiro Eduardo Góes
te a origem do homem americano, apresentando ➜

PARTE II — O VOLUME 1 15

HC-Manual prof. V. 1 15 07/04/2005, 16:12


➜ cionar as características da economia egípcia com
Neves, que a partir de um objeto ainda pouco o ciclo do Rio Nilo, conhecer e observar impor-
explorado, a ocupação da região amazônica na tantes registros da cultura material dessa civiliza-
Pré-história, conseguiu resultados surpreenden- ção e compreender o papel da religião na vida
tes. A pesquisa revelou a presença de grandes cotidiana dos antigos egípcios. Com esse conhe-
sítios com cerca de 3 quilômetros de extensão cimento, os alunos poderão estabelecer compa-
e de terras escuras, provavelmente derivadas rações com outros povos da Antigüidade e reco-
da ocupação humana, o que leva a crer que nhecer nos dias de hoje permanências da cultura
os povos primitivos dessa região possuíam al- do Egito antigo.
deias de milhares de habitantes. Além disso, a Os objetivos essenciais deste capítulo são os
pesquisa contesta a visão da Floresta Amazôni- seguintes:
ca como uma “construção natural” e defende • Identificar as principais contribuições dos
que ela surgiu num solo previamente trabalha- egípcios no campo da ciência.
do pela ação humana. • Caracterizar a economia egípcia, destacan-
Essas e outras questões têm recebido desta- do a importância das cheias periódicas do Rio Nilo
que no contexto internacional e suscitaram a pu- para a vida cotidiana da população.
blicação do livro Unknown Amazon (Amazônia des- • Descrever a organização social do Egito antigo.
conhecida), que acompanha a exposição de mes- • Avaliar a importância da religião para os an-
mo nome no Museu Britânico. A obra, de autoria tigos egípcios.
de diversos cientistas, é uma espécie de manifes- • Reconhecer a importância da descoberta da

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


to em favor da complexidade das sociedades pré- Pedra de Roseta para o conhecimento a respeito
históricas da região e, ao mesmo tempo, uma do Egito antigo e para a preservação do patrimônio
maneira de conhecê-las, revelando a história dos cultural da humanidade.
povos que produziram artefatos com ossos hu- • Ordenar cronologicamente, em uma linha do
manos, cerâmicas, pedras e até carvão, estabele- tempo, os principais acontecimentos da história
cendo uma inter-relação com as tradições cultu- do Egito antigo.
rais que continuam presentes e ativas nessa mes- • Realizar uma pesquisa sobre a religiosidade
ma região. da população brasileira atual, identificando as ex-
plicações que elas apresentam para a vida após a
morte.
As comunidades primitivas brasileiras p. 37

Como forma de aprofundar a discussão sobre A terra dos deuses p. 44


as comunidades primitivas brasileiras sugere-se a A partir da unificação política do Egito, por volta
pesquisa sobre a cultura marajoara, considerada o de 3200 a.C., o faraó passou a centralizar todos os
berço da produção ceramista da América do Sul. poderes, sendo considerado filho de Rá, o deus sol.
A beleza, a criatividade e a permanência dessa cul- O faraó passou a exercer as funções supremas de
tura na Ilha de Marajó, no estado do Pará, justifi- sacerdote, juiz e chefe militar. Ao pronunciar o seu
cam a tarefa que pode ser uma oportunidade não nome, os egípcios deveriam dizer “Que floresçam
só para ampliar o conhecimento sobre o tema pro- nele a vida e a saúde!”.
posto, como servir para valorizar a diversidade e a Sugerimos discutir com os alunos as principais
complexidade da cultura dos índios sul-america- características desse regime de poder estabelecen-
nos. Como fonte de pesquisa sugerimos o site do do uma relação com outros aspectos da civilização
Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade egípcia, como a arte, a religião, as pirâmides e a prá-
de São Paulo (www.mae.usp.br). tica da mumificação.
A religião pode ser considerada um dos aspec-
CAPÍTULO 5. A CIVILIZAÇÃO FLORESCE
tos mais significativos da cultura egípcia, na medida
ÀS MARGENS DO NILO em que orientava a vida e a morte de seus habitan-
tes. Nesse sentido, a arte simbolizava a extensão do
Conteúdos e objetivos poder dos deuses sobre o universo e refletia a
O conteúdo deste capítulo traz aspectos do concepção de mundo dessa civilização. Um dos
conhecimento produzido sobre a civilização egíp- aspectos centrais era a crença na vida depois da mor-
cia, relacionados à vida social, política, econômica te, daí a concretização da arte nas tumbas, sarcófagos,
e cultural. Com esse estudo o aluno poderá rela- estatuetas e vasos deixados junto aos mortos.

16 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 1 16 07/04/2005, 16:12


rá reconhecer importantes contribuições das civi-
Sugestão de atividade
lizações mesopotâmicas para o desenvolvimento da
Para aprofundar o conhecimento sobre a arte astronomia e da matemática, por exemplo, e iden-
no antigo Egito sugerimos a realização de uma tificar semelhanças e diferenças entre a vida desses
pesquisa em enciclopédias, livros de arte e internet povos e a dos antigos egípcios. O capítulo permite
selecionando imagens representativas da arte nes- ainda que o aluno reconheça no Iraque atual a per-
se período que reflitam divindades e/ou cerimô- manência de um valioso legado cultural da antiga
nias religiosas. Os alunos poderão montar um ál- Mesopotâmia, continuamente ameaçado por ata-
bum com imagens extraídas da internet, jornais ques externos.
ou revistas, escrevendo uma legenda que descre- Os objetivos que pretendemos atingir com o
va a figura selecionada, além de identificar a fonte estudo deste capítulo são:
de onde foi tirada. • Comparar características do Egito antigo com
as da Mesopotâmia, destacando o papel dos rios para
Dois reinos, três impérios p. 45 essas civilizações.
As pirâmides eram construções que cobriam • Caracterizar o Código de Hamurábi e identifi-
as tumbas dos faraós no Antigo Império. Uma con- car nos dias de hoje traços dos princípios contidos
fusão muito comum relacionada às pirâmides egíp- naquele conjunto de leis.
cias é a idéia de que todos os faraós do antigo • Descrever e explicar a composição social da
Egito eram enterrados no interior dessas cons- antiga Mesopotâmia.
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

truções. Esse tipo de obra marcou o Antigo Im- • Caracterizar a forma como os povos da
pério, em particular os governos de Quéops, Mesopotâmia viam a morte e a vida além-túmulo a
Quéfren e Miquerinos. O elevado custo de cons- partir da leitura de trechos do mito de Gilgamesh.
trução das pirâmides, que exigia o esforço de • Realizar pesquisa sobre as guerras contra o
milhares de trabalhadores, levou os faraós poste- Iraque, em 1991 e em 2003, levantando dados sobre
riores a optarem por construções menos suntu- o governo de Saddam Hussein, as relações entre
osas, como pirâmides feitas com adobe ou os Iraque e Estados Unidos nos últimos 20 anos e os
hipogeus, tumbas escavadas nas rochas da época efeitos da guerra para os dois países.
do Novo Império. • Valorizar o legado cultural da antiga Mesopotâ-
mia e reconhecer sua importância como patrimônio
Texto complementar p. 46
que deve ser continuamente preservado.
Outros povos africanos
Patrimônio destruído pela guerra p. 49
A leitura deste capítulo possibilita conhecer ou-
tra cultura africana da Antigüidade, a de Djenné- O texto de abertura permite um duplo traba-
jeno, no Máli, para desfazer a crença, generalizada, lho: reforçar a importância da conservação do
de que a África antiga se restringia ao Egito. Nessa patrimônio histórico e cultural da humanidade e
cidade, como o texto esclarece, seus habitantes demonstrar por que, tanto no passado quanto no
praticavam, entre outras atividades, a agricultura, o presente, o território da Mesopotâmia tem sido
comércio e a metalurgia, chegando a constituir um palco de inúmeros conflitos, que estão associados
centro urbano muito próspero. às condições geográficas e às riquezas naturais da
O professor pode aproveitar a oportunidade região, e às disputas políticas e territoriais que
para solicitar uma pesquisa sobre os grandes reinos marcaram a história do chamado Crescente Fér-
africanos do período anterior à chegada dos euro- til. A comparação dos problemas enfrentados pe-
peus, como o de Gana, no oeste do continente, e o los povos de uma mesma região, em épocas histó-
de Zimbábue, ao sul. ricas tão distintas, pode ajudar os alunos a enten-
der a utilidade da ciência história como instru-
mento de compreensão do presente.
CAPÍTULO 6. MESOPOTÂMIA, BERÇO
DE CIVILIZAÇÕES
Ciências, deuses e zigurates p. 53
Conteúdos e objetivos Uma das maneiras de tomarmos contato com o
No estudo deste capítulo, o aluno vai conhecer passado é conhecendo a literatura produzida por
melhor outros povos da Antigüidade, que viviam uma determinada cultura. Nesse contexto, os mitos
na chamada Mesopotâmia. Ao estudá-los, ele pode- têm um papel muito importante, pois podem nos

PARTE II — O VOLUME 1 17

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revelar muito sobre as formas de ver e interpretar ➜
o mundo. Além disso, nos permitem vislumbrar as da do professor de Matemática. Outra possibi-
trocas culturais entre diferentes civilizações, mos- lidade é a leitura e análise do trecho da Bíblia
trando, muitas vezes, aspectos desconhecidos ou ain- que narra a construção da Torre de Babel, cita-
da controversos da nossa tradição cultural. A partir do no livro de Gênesis, e a comparação com as
do trecho selecionado da Epopéia de Gilgamesh, o características dos zigurates.
professor pode programar uma pesquisa que esta-
beleça uma comparação entre parte desse poema Texto complementar p. 56
épico e o relato bíblico sobre o dilúvio e a Arca de O fim da Babilônia
Noé, destacando diferenças e semelhanças.
Para contribuir na discussão do texto selecio-
nado seria interessante o professor utilizar dois
Sugestão de leitura mapas: um histórico (pode ser o da página 51) e
ELIADE, Mircea. O conhecimento sagrado de todas outro atual, um mostrando a localização desses
as eras. São Paulo, Mercuryo, 1995. povos no passado e o outro, os países que exis-
tem no presente. O trabalho com mapas desen-
Conforme destaca o texto didático, a invenção do volve a compreensão da idéia de representação
astrolábio foi uma das contribuições mais significativas espacial, facilitando a leitura desse tipo de lingua-
dos mesopotâmicos, pois, séculos mais tarde, teve um gem e o trabalho interdisciplinar com a área de
papel muito importante nas grandes navegações e na Geografia.

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conquista de novos territórios pelos europeus. Se o Com esse trabalho de comparação os alunos
professor achar conveniente, pode organizar uma pes- irão perceber, por exemplo, que Bagdá, a atual ca-
quisa sobre o funcionamento desse aparelho, compa- pital do Iraque, fica a poucos quilômetros do local
rando-o com o sistema vigente atualmente, que utiliza do antigo reino da Babilônia. A Pérsia original
orientação via satélite. Essa é uma boa oportunidade corresponde, com algumas diferenças, ao Irã atual.
para trabalhar em conjunto com a área de Ciências, A antiga Fenícia, que os alunos estudarão no capí-
revelando a interconexão entre diferentes conhecimen- tulo 7, corresponde hoje, aproximadamente, ao
tos e tornado-os mais significativos e interessantes para território do Líbano.
o entendimento do mundo em que vivemos.
Atividades p. 57
Os zigurates As atividades deste capítulo permitem que o
Os zigurates eram construções em forma de aluno identifique as principais características das
pirâmide com degraus e rampas laterais coroa- sociedades da antiga Mesopotâmia. Nas ativida-
das por um templo. Esse conjunto arquitetônico des 3 e 7, é importante destacar para os alunos
formava uma espécie de torre de faces esca- que qualquer julgamento que eles possam fazer
lonadas, dividida em diversas câmaras. O zigurate das leis do Código de Hamurábi tem como refe-
é a obra arquitetônica mais característica das rência o tempo presente, os valores e a moral da
construções da Mesopotâmia. Um dos exempla- nossa civilização. Nesse sentido, o nosso papel, ao
res mais importantes foi encontrado na cidade estudar os homens do passado, é procurar com-
de Ur. Acredita-se que ele tenha sido recons- preender o seu modo de vida, e não julgar, já que
truído durante o império de Nabucodonosor, que qualquer juízo de valor reflete a mentalidade dos
o erigiu em homenagem a sua esposa, Ningal, e dias de hoje.
ao deus Neman. O templo, que teria inspirado a A pesquisa proposta na questão 9 visa permitir
famosa narrativa bíblica da Torre de Babel, tinha ao aluno conhecer com mais profundidade os prin-
sete pavimentos e um santuário, localizado no cipais acontecimentos que marcaram as relações
último pavimento, ao qual se chegava subindo entre Iraque e Estados Unidos nos últimos anos e
escadarias estreitas. que levaram às guerras de 1991 e 2003. A análise
desse assunto é importante por duas razões princi-
Sugestão de atividade pais: porque é necessário conhecer e discutir a polí-
O professor pode solicitar o desenho de tica externa norte-americana, de violação das reso-
um zigurate e a montagem de uma maquete (ati- luções da ONU e de ataque à soberania de vários
vidade coletiva), que poderá contar com a aju- Estados, com repercussões em todo o mundo; e
➜ porque as ações militares externas no Iraque já cau-

18 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 1 18 07/04/2005, 16:12


saram a morte de milhares de civis, além de destruir Hebreus p. 60
parte de um patrimônio cultural de valor incalculá- Como forma de aprofundar as questões apre-
vel. Informar-se a respeito dessas questões é funda- sentadas nesse capítulo, no que se refere à história
mental para desenvolver a capacidade de superar a do povo hebraico, seria interessante o professor tra-
indiferença e posicionar-se de forma crítica diante balhar com a Bíblia tratando-a como documento e
dos acontecimentos que afetam a humanidade. fonte histórica fundamental para conhecermos a
edificação dessa civilização. Nesse sentido, sugeri-
CAPÍTULO 7. AS CIVILIZAÇÕES HEBRAICA mos uma breve discussão sobre a história da Bíblia,
E FENÍCIA apresentando sua estrutura de organização, sem pro-
priamente entrar no mérito religioso do texto, to-
Conteúdos e objetivos mando muito cuidado para evitar constrangimentos
O estudo deste capítulo traz a história de duas e a suspeita de doutrinação. O objetivo, nesse caso,
sociedades cujo legado está muito presente nos é abordá-la pela perspectiva do patrimônio da cul-
nossos dias, em especial o monoteísmo e o alfabeto. tura ocidental.
Ao estudar esses dois povos, os alunos vão poder
estabelecer comparações com outros povos anti-
A Bíblia
gos já estudados, reconhecer no nosso tempo a pre-
sença da cultura hebraica e fenícia, além de compre- A Bíblia é sem dúvida um dos livros mais edita-
ender melhor os conflitos envolvendo israelenses e dos e traduzidos no mundo, tendo sido publicada
no todo ou em parte em 2.261 línguas. No entan-
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árabes no Oriente Médio atual.


Com o estudo desses conteúdos, os objetivos são: to, a obra é ainda pouco conhecida em sua espe-
• Comparar a religião dos hebreus com a dos cificidade histórica. Inicialmente, é preciso lembrar
egípcios e mesopotâmicos. que não há nenhuma versão original de manuscri-
• Explicar a importância do alfabeto para os an- tos da Bíblia; todos os livros originais, escritos pe-
tigos fenícios. los seus respectivos autores, se perderam.
• Destacar o papel da posição geográfica da As mais antigas cópias do Antigo Testamento
Fenícia no desenvolvimento comercial daquela soci- hebraico, considerado fonte primordial, foram en-
edade. contradas graças ao trabalho dos arqueólogos. Es-
• Reconhecer a permanência do legado cultural ses textos foram compilados muitos séculos antes
dos hebreus e fenícios nos dias de hoje (monoteísmo de Cristo por escribas, reis, sacerdotes e artistas
e alfabeto). que deixaram registrada a história do relaciona-
• Ordenar cronologicamente os principais fatos mento entre o povo hebreu e Deus.
que marcaram a história dos hebreus. Os textos, escritos em longos pergaminhos
• Realizar pesquisa sobre as tradições culturais confeccionados em pele de cabra, foram sendo
judaicas, reunindo o material obtido na montagem copiados e transmitidos durante gerações. Eles
de um painel. foram escritos em hebraico, da direita para a es-
• Informar-se a respeito das principais razões dos querda, e, alguns capítulos, em dialeto aramaico.
conflitos que opõem judeus e palestinos no Oriente Passado o tempo, esses relatos sagrados foram
Médio. organizados em três coleções: A Lei, que reúne
os cinco primeiros livros da Bíblia; Os Profetas,
Fundamentalismo cristão p. 59 em que estão presentes os textos de Isaías,
O texto de abertura é propício para discutir o Jeremias, Ezequiel e os doze profetas menores,
exacerbado caráter religioso que a mídia imprime à além de Josué, Juízes, Samuel e Reis, e Os Poéti-
atuação dos terroristas que praticam os abominá- cos, que reúnem os Salmos, os Provérbios, o livro
veis ataques contra civis em várias partes do mundo. de Jó, entre outros.
O texto permite discutir genericamente os males O pergaminho de Isaías é considerado o
do fanatismo e distingui-lo da defesa consciente e mais antigo trecho do Antigo Testamento em
responsável de uma causa ou ideal. Permite mostrar hebraico. Estima-se que ele tenha sido escrito
ainda que o fanatismo não está associado apenas a no século II a.C. Uma das mais importantes
uma determinada religião, mas que ele se presta ao descobertas contemporâneas data de 1947,
uso político por parte de governos e empresários, quando um simples pastor, buscando uma ca-
tanto a favor como contra a causa que motiva as bra perdida do seu rebanho, encontrou os Ma-
ações de grupos fanáticos. ➜

PARTE II — O VOLUME 1 19

HC-Manual prof. V. 1 19 07/04/2005, 16:12


➜ Atividades p. 66
nuscritos do Mar Morto, na região de Jericó, na
Palestina. Durante nove anos foram encontra- As atividades deste capítulo (seções Exploran-
dos cerca de 800 pergaminhos contendo frag- do o conhecimento e A história e o tempo presente)
mentos da Bíblia em hebraico, revelando comen- possibilitam identificar as principais característi-
tários teológicos e aspectos da vida do povo cas das civilizações hebraica e fenícia e comparar
hebreu. a religião dos hebreus com a dos povos antigos já
estudados. As atividades permitem também com-
preender a origem dos conflitos entre israelenses
Sugestão de atividade e árabes no Oriente Médio atual, fato que tem
O texto do boxe pode servir de estímulo para tido papel central na política internacional con-
que os alunos pesquisem e adquiram outras in- temporânea. Ao estudar um tema tão atual e re-
formações sobre a história da Bíblia. Exemplos: corrente, os alunos poderão perceber, mais uma
Como se formou o Evangelho do Novo Testa- vez, a importância de se conhecer o passado para
mento? Quando e por que os dois testamentos compreender o presente.
passaram a ser editados juntos, tornando-se co-
nhecidos como a Bíblia? Quem são os especialis- CAPÍTULO 8. O LEGADO DA GRÉCIA PARA
tas que estudam a Bíblia? A CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL
Como fonte de pesquisa e consulta suge-
rimos a Bíblia de Jerusalém, considerada a me- Conteúdos e objetivos

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lhor publicação da Bíblia em português. Tradu- Neste capítulo abordamos o nascimento e o
zida diretamente dos textos originais traz tam- apogeu de uma sociedade que nos deixou, em dife-
bém informações lingüísticas, arqueológicas e rentes áreas, um vasto legado. No terreno do sa-
históricas. ber, os gregos deram importantes contribuições
para o desenvolvimento da medicina, da matemáti-
ca, da astronomia, da filosofia e da história. Nas ar-
Fenícios: mercadores dos mares p. 63
tes, os gregos nos legaram especialmente o teatro
O texto didático informa que o sistema de go- e exemplos de uma refinada arquitetura. A idéia de
verno adotado pelos fenícios era organizado como democracia é com certeza a mais importante he-
uma monarquia ou uma república plutocrática. Para rança política da antiga Grécia, presente nos movi-
que os alunos se familiarizem com os conceitos mentos revolucionários do Ocidente dos séculos
históricos, fundamentais para a compreensão da XVIII e XIX e nas instituições vigentes na maior
disciplina, sugerimos que o professor proponha parte dos países atuais. Não podemos esquecer
um caderno de conceitos, organizado por ordem ainda o papel dos gregos na criação de um modelo
alfabética e individual, para que ao longo do ano de esporte competitivo, com as Olimpíadas, e na
letivo o educando possa pesquisar e registrar o formação das línguas modernas, constituídas de
significado de cada conceito. Dessa forma, ele po- vários vocábulos de origem grega.
derá ampliar o seu repertório de conceitos, esta- Os objetivos estabelecidos para esse estudo são:
belecer relações entre eles e desenvolver habili- • Comparar a sociedade ateniense com a socie-
dades de pesquisa, participando, assim, do proces- dade espartana, estabelecendo diferenças e seme-
so de construção do conhecimento. lhanças entre elas.
• Caracterizar o tipo de democracia praticada
Texto complementar p. 64
na Grécia antiga.
A terra púrpura • Reconhecer as importantes contribuições dos
A leitura proposta neste capítulo traz infor- antigos gregos para a constituição da cultura oci-
mações mais detalhadas sobre o alfabeto fenício, dental.
talvez a maior contribuição dessa civilização para • Comparar o papel das mulheres em Atenas,
a história da humanidade. Além de descrever al- em Esparta e no mundo atual, identificando mudan-
gumas características da escrita ugarítica, o texto ças e permanências.
relata como ocorreu a descoberta arqueológica • Discutir o tipo de regime democrático vigente
que permitiu conhecer a língua e a escrita dos no Brasil atual.
antigos fenícios e dá pistas de como se desenvol- • Explicar a importância cultural do império cri-
ve o trabalho meticuloso do arqueólogo. ado por Alexandre Magno.

20 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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O mundo grego p. 68 gregas surgiram num processo conhecido como
Um bom caminho para se conhecer um pouco sinecismo, ou seja, a fusão de várias aldeias em
mais a cultura grega é tomar como referência os uma só. As pólis eram núcleos urbanos indepen-
poemas épicos de Homero: Ilíada e Odisséia, tema dentes e autônomos, com território reduzido, em
muito controvertido entre os estudiosos. Acredi- que a área urbana e a rural formavam uma só uni-
ta-se que os poemas tenham sido escritos no sé- dade. Em geral, as cidades-Estado possuíam a
culo VIII a.C., período que coincide com a emer- Acrópole, parte alta e fortificada que tinha a dupla
gência da pólis, uma nova forma de vida em socie- função de proteger a cidade e funcionar como
dade. Não se sabe ao certo quem foi Homero, nem centro religioso, e a Ágora, onde se localizavam os
mesmo se se tratava de uma só pessoa. Para alguns edifícios públicos, o mercado e a praça, e também
estudiosos, a grande variação de estilo na escrita onde se reuniam os cidadãos para discutir todas
dos poemas revela que eles podem ter sido escri- as questões da cidade.
tos por várias pessoas e em épocas diferentes, reu-
nindo e transcrevendo uma tradição mítica coleti- O poder nas mãos dos cidadãos p. 72

va preservada oralmente por várias gerações. As noções de democracia e cidadania consti-


A figura lendária de Homero remete à ima- tuem duas das mais importantes heranças da cul-
gem de um homem cego e poeta por excelência, tura clássica legada à civilização ocidental. Segun-
autor de duas grandes epopéias que marcaram o do Maria Helena da Rocha Pereira, a palavra de-
nascimento da literatura ocidental. Daí sua impor- mocracia apareceu pela primeira vez em Heródoto
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tância e valor como documento histórico e esté- e passou a ser de uso corrente na Antigüidade.
tico inquestionável. No século XVIII, o ideal de democracia reapare-
ceu nos movimentos revolucionários liberais, des-
tacando-se na Declaração de Independência dos Es-
Sugestão de atividade tados Unidos e na Declaração dos Direitos do Ho-
Há várias possibilidades de trabalho com mem e do Cidadão, elaborada durante a Revolução
as obras homéricas, pois muita coisa já foi pro- Francesa. No século XX, os princípios democráti-
duzida sobre o tema, desde histórias em qua- cos foram incorporados à Constituição de muitos
drinhos, filmes, ensaios, críticas, até traduções países, consagrando-se na Declaração Universal
em verso e em prosa. Sugerimos, como forma dos Direitos do Homem, aprovada pela ONU em
de despertar o interesse pelo tema em si e 1948.
também pela literatura, selecionar um trecho É necessário, no entanto, compreender a de-
da Ilíada ou da Odisséia e realizar uma leitura mocracia em sua historicidade, pois tal conceito
coletiva com os alunos em sala de aula. Pode- assume significados diferentes em cada época. A
se também programar um trabalho em con- leitura de um trecho do discurso proferido por
junto com os professores de Língua Portuguesa Péricles sobre a democracia (leia boxe), registra-
e de Artes. do pelo historiador Tucídides, pode ajudar os alu-
nos a compreender o significado da democracia
para os antigos cidadãos atenienses. Ao acompa-
Sugestões de leitura nhar a leitura dos alunos, estimule-os a perceber
VIDAL-NAQUET, Pierre. O mundo de Homero. São a crítica que Péricles faz à educação espartana.
Paulo, Companhia das Letras, 2002.
PEREIRA, Maria Helena da Rocha. Estudos de his- A democracia ateniense
tória da cultura clássica. Lisboa, Calouste “Vivemos sob uma forma de governo que
Gulbenkian, 2003. v. 1 e 2. não se baseia nas instituições de nossos vizi-
nhos; ao contrário, servimos de modelo a al-
Esparta e Atenas p. 70 guns ao invés de imitar outros. Seu nome, como
A importância do conceito de pólis ou de cida- tudo depende não de poucos mas da maioria, é
de-Estado para o entendimento do mundo antigo democracia. Nela, enquanto no tocante às leis
é muito importante, daí sugerirmos que ela ocu- todos são iguais para a solução de suas diver-
pe um lugar de destaque na lista de conceitos já gências privadas, quando se trata de escolher
sugerida em capítulos anteriores. Sobre esse as- (se é preciso distinguir em qualquer setor), não
sunto, pode-se acrescentar que as cidades-Estado ➜

PARTE II — O VOLUME 1 21

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➜ O cotidiano do povo grego p. 75
é o fato de pertencer a uma classe, mas o méri-
to, que dá acesso aos postos mais honrosos; O modelo atual de escola predominante nos
inversamente, a pobreza não é razão para que países do Ocidente tem muitas semelhanças com
alguém, sendo capaz de prestar serviços à cida- o tipo de educação que os atenienses reservavam
de, seja impedido de fazê-lo pela obscuridade aos meninos. A organização de um currículo con-
de sua condição. tendo, entre outras coisas, disciplinas voltadas para
Conduzimo-nos liberalmente em nossa a aprendizagem da leitura e da escrita, a realiza-
vida pública, e não observamos com uma curi- ção de cálculos, a formação musical e a prática de
osidade suspicaz a vida privada de nossos exercícios físicos, guardadas as devidas proporções,
concidadãos, pois não nos ressentimos com é uma característica tanto das escolas brasileiras
nosso vizinho se ele age como lhe apraz, nem atuais quanto da antiga educação ateniense. Como
o olhamos com ares de reprovação que, em- hoje, os filhos das famílias mais pobres geralmen-
bora inócuos, lhe causariam desgosto. Ao mes- te tinham que interromper os estudos para se ini-
mo tempo que evitamos ofender os outros em ciar no mundo do trabalho.
nosso convívio privado, em nossa vida pública O boxe a seguir traz informações interessantes
nos afastamos da ilegalidade principalmente sobre a educação de meninos e meninas na socieda-
por causa de um temor reverente, pois somos de ateniense.
submissos às autoridades e às leis, especial-
mente àquelas promulgadas para socorrer os A educação ateniense

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oprimidos e às que, embora não escritas, tra- “A educação se inicia aos sete anos. Se a
zem aos transgressores uma desonra visível a criança é do sexo feminino, permanece no
todos. [...] gineceu, parte da casa onde as mulheres se de-
Na educação, ao contrário de outros que dicam aos afazeres domésticos, pouco impor-
impõem desde a adolescência exercícios peno- tantes em um mundo essencialmente masculi-
sos para estimular a coragem, nós, com nossa no. Se é menino, desliga-se da autoridade ma-
maneira liberal de viver, enfrentamos pelo me- terna e inicia a alfabetização e a educação física
nos tão bem quanto eles perigos comparáveis. e musical.
[...] Acompanhado por um escravo, o pedagogo,
Somos amantes da beleza sem extravagân- o menino dirige-se à palestra [lugar destinado a
cias e amantes da filosofia sem indolência. Usa- atividades de luta], onde pratica exercícios físi-
mos a riqueza mais como uma oportunidade cos. Sob a orientação do pedótriba [instrutor
para agir que como um motivo de vanglória; físico] é iniciado em corrida, salto, lançamento
entre nós não há vergonha na pobreza, mas a de disco, de dardo e em luta, as cinco modali-
maior vergonha é não fazer o possível para evitá- dades do pentatlo [...].
la. Ver-se-á em uma mesma pessoa ao mesmo Além do preparo físico, a educação musical
tempo o interesse em atividades privadas e é extremamente valorizada, e por isso o peda-
públicas, e em outros entre nós que dão aten- gogo também leva a criança ao citarista, ou pro-
ção principalmente aos negócios não se verá fessor de cítara. Os gregos eram amantes da
falta de discernimento em assuntos políticos, música (a arte das musas). De significado muito
pois olhamos o homem alheio às atividades amplo, abrangendo a educação artística em ge-
públicas não como alguém que cuida apenas de ral. [...]
seus próprios interesses, mas como um inútil O ensino elementar de leitura e escrita, du-
[...]. rante muito tempo, merece menor atenção e
Em suma, digo que nossa cidade, em seu con- cuidado do que as práticas esportivas e musi-
junto, é a escola de toda a Hélade e que, segun- cais já referidas. O mestre é geralmente uma
do me parece, cada homem entre nós poderia, pessoa humilde, mal paga e sem o prestígio do
por sua personalidade própria, mostrar-se auto- instrutor físico. [...]
suficiente nas mais variadas formas de ativida- A educação elementar completa-se por volta
de, com a maior elegância e naturalidade.” dos 13 anos. As crianças mais pobres saem então
(Discurso de Péricles, século V a.C. In: TUCÍDIDES. em busca de um ofício, enquanto as de família rica
História da Guerra do Peloponeso. 3. ed. Brasília, continuam os estudos, sendo encaminhadas ao gi-
Editora Universidade de Brasília, 1987.)

22 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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➜ nos reconheçam que Atenas tinha sim um regime
násio [...]. Inicialmente designa o local para a cul- democrático, condizente com o significado que
tura física onde, com freqüência, os gregos se apre- esse termo tinha para as pessoas daquela época,
sentam despidos (daí sua origem etimológica: expresso, por exemplo, no discurso de Péricles.
gimnos, ‘nu’). Com o tempo, as atividades musicais Quanto a existir ou não um regime democrático
se direcionam para discussões literárias, abrindo no Brasil atual, é importante os alunos se posicio-
espaço para o estudo de assuntos gerais como narem tendo como referência o que a democra-
matemática, geometria e astronomia, sobretudo cia significa para nós, ou seja, a partir dos pilares
sob a influência dos filósofos.” que constituem a democracia moderna.
(ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da
educação. 2. ed. São Paulo, Moderna, 1996.)
CAPÍTULO 9. O ESPLENDOR DE ROMA
Texto complementar p. 76
Conteúdos e objetivos
O aparecimento dos deuses gregos
Podemos considerar a civilização romana, jun-
O texto complementar deste capítulo permi- to com a grega, um dos pilares da cultura ocidental.
te conhecer o mito grego sobre a criação do mun- Da antiga Roma, herdamos o Direito, o conceito
do, leitura que possibilita uma comparação inte- de república, a religião cristã, a estrutura latina da
ressante com a narrativa bíblica contida no livro língua portuguesa, além de exemplares de sua cul-
de Gênesis. É importante esclarecer para os alu- tura material que ainda hoje, passadas centenas de
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nos que o mito não pode ser explicado racional- anos, caracterizam a grandiosidade e a força impe-
mente, pois, ao contrário da ciência, ele se situa rial romana.
no terreno das emoções e da afetividade. Enquan- O estudo da civilização romana antiga visa:
to a ciência se preocupa com explicações lógicas • Caracterizar a sociedade romana do período
e racionais, o mito faz parte do mundo intuitivo e republicano.
imaginário. • Explicar os conflitos entre plebeus e patrícios
Ao abordar o mito e compará-lo à ciência, os durante a República e listar as principais conquistas
positivistas o desqualificavam, ignorando o seu valor da plebe.
como expressão das sensações humanas. Atualmen- • Reconhecer a importância das Guerras Púnicas
te, em razão especialmente do desenvolvimento da para a expansão territorial romana.
antropologia, o mito tem sido tratado como uma • Explicar a política do pão e circo.
forma particular de interpretar e explicar o mundo, • Produzir um texto analisando os principais fa-
diferente da ciência, mas tão válida quanto ela. O tores da crise que levou à queda de Roma.
mito, visto dessa forma, pode ser considerado a pri- • Comparar o projeto de reforma agrária dos
meira leitura que fazemos do mundo, o ponto de irmãos Graco com o programa de reforma agrária
partida para a compreensão do ser. do governo brasileiro atual.
• Organizar cronologicamente os principais acon-
Atividades p. 77 tecimentos e fases que marcaram a antiga história
As questões 5 e 9 remetem ao significado do de Roma.
conceito de democracia e às particularidades do
significado desse termo na Grécia antiga e nos dias Res publica ou ‘coisa pública’
de hoje. É importante alertar os alunos para o (509 a 27 a.C.) p. 82
cuidado de não tratar a democracia contemporâ- O Senado era o órgão supremo do governo na
nea como uma cópia tal e qual da antiga demo- República. Os senadores eram vitalícios e tinham a
cracia grega. A visão que temos de democracia função de supervisionar as finanças públicas, dirigir a
hoje foi construída a partir de uma longa experi- política externa e administrar as províncias. As fun-
ência de revoluções e conquistas sociais. Por essa ções executivas eram distribuídas entre os mem-
razão, o trabalho de comparar a democracia e o bros da Magistratura, como os cônsules e os tribunos
conceito de cidadania nas duas épocas visa esta- da plebe.
belecer diferenças e semelhanças entre elas, sem O documento a seguir foi escrito em 63 a.C.
o intuito de fazer julgamentos ou considerações pelo senador romano Cícero. Trata-se de um dis-
segundo os valores do nosso tempo. Nesse senti- curso contra Catilina, candidato vencido ao cargo
do, no item b da questão 9, espera-se que os alu- de cônsul nas últimas eleições romanas, acusado

PARTE II — O VOLUME 1 23

HC-Manual prof. V. 1 23 7/14/05, 6:27 PM


de planejar um golpe de Estado contra a Repúbli- ➜
ca. O professor pode aproveitar a leitura e a aná- abdicares da tua audácia, mas para nela te mante-
lise do texto para discutir a importância do Sena- res com inteira firmeza. É meu desejo, venerandos
do para a República de Roma, destacando a estru- senadores, ser clemente; é meu desejo, no meio
tura e as atribuições dessa instituição. Vale tam- de tamanhos perigos da República, não parecer
bém estabelecer relações com o papel do Senado indolente; mas já eu próprio de inação e moleza
no sistema republicano do Brasil atual. Esse tipo me acuso. [...]”
de atividade também pode ser encaminhado como (Primeiro discurso contra Catilina de Marco
Túlio Cícero, cônsul de Roma, recitado no
trabalho interdisciplinar com a área de Língua Templo de Júpiter, local onde tinha sido convoca-
Portuguesa. do o Senado de Roma, em 63 a.C.)

Já não podes viver mais tempo conosco A questão agrária p. 83


“Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa Aqui encontramos uma excelente oportuni-
paciência? Por quanto tempo ainda há-de zom- dade para relacionar o passado e o presente. A
bar de nós essa tua loucura? A que extremos questão agrária, origem de intensos conflitos so-
se há de precipitar a tua audácia sem freio? Nem ciais na Roma antiga, também tem sido motivo de
a guarda do Palatino, nem a ronda nocturna da violência e calorosos debates nos dias de hoje. É
cidade, nem os temores do povo, nem a afluên- possível fazer um paralelismo entre o passado e o

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cia de todos os homens de bem, nem este local presente recordando como o problema agrário
tão bem protegido para a reunião do Senado, foi administrado na Grécia antiga (a colonização
nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada de outras terras) e em Roma (a adoção da políti-
disto conseguiu perturbar-te? Não sentes que ca do pão e do circo, após o fracasso da reforma
os teus planos estão à vista de todos? Não vês agrária dos irmãos Graco), comparando com a
que a tua conspiração a têm já dominada todos política de reforma agrária do governo brasileiro.
estes que a conhecem? Quem, de entre nós, pen- Acreditamos que a discussão sobre a questão agrá-
sas tu que ignora o que fizeste na noite passada ria deva ser feita à luz da necessidade de assegu-
e na precedente, em que local estiveste, a quem rar a função social da terra e o exercício pleno da
convocaste, que deliberações foram as tuas? cidadania por todos os brasileiros.
Oh tempos, oh costumes! O Senado tem
conhecimento destes factos, o cônsul tem-nos
diante dos olhos; todavia, este homem continua Sugestão de atividade
vivo! Vivo?! Mais ainda, até no Senado ele apa- Os conflitos envolvendo a luta pela terra
rece, toma parte no conselho de Estado, apon- têm gerado reportagens e análises quase diárias
ta-nos e marca-nos, com o olhar, um a um, para na grande imprensa brasileira. Como o volume
a chacina. E nós, homens valorosos, cuidamos de materiais sobre o assunto é bastante farto,
cumprir o nosso dever para com o Estado, se pode-se sugerir aos alunos que façam um le-
evitamos os dardos da sua loucura à morte, vantamento de notícias e artigos jornalísticos
Catilina, é que tu deverias, há muito, ter sido que remetam a conflitos agrários ocorridos no
arrastado por ordem do cônsul; contra ti é que país e tragam uma ou duas matérias para a sala
se deveria lançar a ruína que tu, desde há muito de aula.
tempo, tramas contra todos nós. [...] a) Em classe, com a turma organizada em
Temos um decreto do Senado contra ti, círculo, cada aluno irá apresentar uma síntese
Catilina, um decreto rigoroso e grave; não é a do conteúdo da matéria, informando também a
decisão clara nem a autoridade da Ordem aqui data, o órgão de publicação e a autoria, caso
presente que falta à República; nós, digo-o publi- seja um artigo assinado.
camente, nós, os cônsules, é que faltamos. [...] Te- b) Em seguida, pode-se organizar um deba-
mos um destes decretos do Senado, mas está fe- te sobre o problema da terra no Brasil. Sugeri-
chado nos arquivos como espada metida em bai- mos utilizar como referência para o encaminha-
nha; e, segundo esse decreto senatorial, tu, Catilina, mento do debate o Capítulo III do Título VII da
deverias ter sido imediatamente condenado à Constituição Federal, que define a função so-
morte. E eis que continuas vivo, e vivo, não para cial da propriedade agrária no Brasil.

24 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 1 24 07/04/2005, 16:12


Uma república em crise p. 84 nos favorecidos, relação que pode ficar mais clara
A República romana terminou de fato em para os alunos citando o exemplo das leis que re-
46 a.C., quando Júlio César, impulsionado por con- sultaram das lutas entre patrícios e plebeus na Re-
quistas militares externas e disputas no Senado, pública romana. O caráter dinâmico do Direito é
tornou-se ditador vitalício. Júlio César, um dos mais uma característica que se mantém até hoje, exa-
importantes generais romanos, teve papel funda- tamente por expressar as tensões e mudanças que
mental na nova configuração política de Roma e ocorrem na sociedade.
foi imortalizado por sua atuação política, que ser- Cabe destacar ainda que o Direito contém,
viu de modelo para muitos outros ditadores e/ou também, fortes elementos morais e éticos, refle-
políticos ao longo da história, como Napoleão tindo os valores de cada sociedade, embutidos na
Bonaparte. O nome César tornou-se genericamen- elaboração e na interpretação das leis. É o que
te sinônimo de kaiser ou czar. Para abordagem desse ocorre, por exemplo, em relação à mulher. No
tema sugerimos a leitura de Júlio César, de William Código Civil brasileiro de 1916 a mulher era pe-
Shakespeare, em edição de bolso feita pela L&PM, nalizada por prática de adultério e o marido po-
obra bastante acessível, que pode ser utilizada tan- deria requerer a anulação do casamento ao cons-
to para discussão em forma de seminário coletivo tatar que ela já não era virgem. As mudanças da
quanto para desenvolver o prazer pela leitura. moral e da cultura, nas últimas décadas, refleti-
ram-se no novo Código Civil, aprovado em 2002,
que libertou as mulheres de muitos encargos es-
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Sugestão de atividade
tabelecidos pela lei anterior.
Discuta com os alunos o conceito de imperi-
Aproveitando o tema, é possível, então, es-
alismo e estabeleça relações com a aplicação des-
se termo em outros contextos da história. Em clarecer algumas especificidades da profissão de
seguida, sugere-se que eles registrem o significa- advogado, importante para os alunos que irão
do dessa expressão no caderno de conceitos. prestar vestibular. Se possível, o professor pode-
rá convidar um palestrante que trate desse tema
para conversar com os alunos e esclarecer suas
A diversificação cultural de Roma p. 87
dúvidas.
O Direito
O Direito romano é uma das heranças mais Texto complementar p. 89
importantes legadas à civilização ocidental. Este
A cena e o prandium
tópico pode ser trabalhado como um estudo de
caso, com o objetivo de mostrar aos alunos que A leitura proposta para este capítulo traz al-
as leis, os códigos e inclusive a ética e os costu- gumas informações sobre as refeições romanas,
mes são cambiantes no tempo, em função dos aspecto que compõe a história da vida privada
interesses econômicos e políticos das socieda- dos antigos romanos. Pode-se aproveitar para
des, combinados com as transformações cultu- discutir com os alunos que a história não se pre-
rais e religiosas. ocupa apenas com os fatos sociais, políticos e
O primeiro aspecto a se observar é a dife- econômicos; ela também se debruça sobre a vida
rença entre o Código Civil Romano, consolida- cotidiana, procurando compreender como os
do no governo de Augusto, e o Código de Hamu- homens do passado tratavam, por exemplo, a in-
rábi e as tábuas da lei de Moisés. Enquanto o pri- fância, a morte, o casamento, de que maneira eles
meiro refletia os conflitos políticos e econômi- se vestiam, se divertiam, que deuses cultuavam. É
cos dos distintos setores sociais da sociedade importante o aluno perceber que a vida cotidia-
romana, os outros dois estavam centrados na na do homem comum é objeto importante dos
orientação da conduta individual, evidenciando, estudos históricos.
assim, o seu caráter fortemente ético e moral, A questão 4, da seção Compreendendo o tex-
em contraste com o teor predominantemente to, que remete à obesidade, permite conscientizar
social das leis romanas. os alunos dessa grave doença moderna, presente
É importante ressaltar que o Direito Civil re- em todas as idades e classes sociais, e que está
sultou de lutas políticas e sociais, travadas especi- relacionada ao crescimento dos casos de diabete
almente entre os setores mais abastados e os me- e doenças cardiovasculares.

PARTE II — O VOLUME 1 25

HC-Manual prof. V. 1 25 07/04/2005, 16:12


LEITURAS COMPLEMENTARES

1. ASSALTO AO CORAÇÃO DA BIOLOGIA

O texto a seguir traz a visão de um evolucionista


sobre o status da explicação criacionista para a origem da vida.
“A edição de 25 de janeiro da revista inglesa New Scientist veicula uma O criacionismo e o
notícia intitulada ‘Vitória da evolução na justiça’. Ela se refere à proibição design inteligente não
judicial de o governo do condado de Cobb, no Estado da Geórgia (EUA),
obrigar os livros de biologia a trazer uma tarja com os dizeres: ‘Evolução é
têm status de ciência,
uma teoria, não um fato’. A medida foi considerada pela corte como propa- pois não geram
ganda religiosa, o que é ilegal em escolas que recebem financiamento públi- hipóteses que possam
co. Esse é apenas um exemplo das contínuas tentativas realizadas por alguns ser testadas e não se
grupos religiosos para solapar o ensino da evolução nas escolas americanas. pautam por
No Brasil, o movimento criacionista e sua corrente-irmã, o design inteligen-
inferências lógicas
te, apoiados por políticos oportunistas locais, arvoram-se em incluir suas
idéias no currículo escolar de Ciências Biológicas, em detrimento do ensino com base em
da evolução. Considerar as idéias criacionistas e do chamado design inteli- observações empíricas

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gente como teorias científicas e colocá-las em pé de igualdade com o do mundo natural.
evolucionismo é deturpar o significado dos termos ‘teoria’ e ‘ciência’.
No contexto científico, teoria refere-se a uma explicação abrangente e
bem consolidada de algum aspecto do mundo natural, que pode incorpo-
rar fatos, leis, inferências e hipóteses passíveis de teste. Ciência, por sua
vez, pode ser definida como um processo que tenta encontrar explicações
para os fenômenos naturais por meio de inferências lógicas baseadas em
observações empíricas. O criacionismo e o design inteligente não têm status
de ciência, pois não geram hipóteses que possam ser testadas e não se
pautam por inferências lógicas com base em observações empíricas do
mundo natural. O criacionismo se baseia em dogmas relatados no livro do
Gênesis. O chamado design inteligente se preocupa em encontrar falhas
nos testes das hipóteses geradas com base nos princípios darwinistas, sem
apresentar teorias próprias ou hipóteses que possam ser submetidas a
testes científicos. Sua principal plataforma é que a ciência ainda não tem
explicações definitivas para a origem da vida e para uma reconstituição
minuciosa, passo a passo, de como, a partir de organismos simples, surgi-
ram formas mais complexas de vida.
Para os defensores da idéia de design inteligente, o que é ainda um … as explicações
mistério hoje continuará misterioso para sempre e melhor do que procu- científicas nunca são
rar explicações com base no método científico é invocar forças sobrena-
turais. O evolucionismo, por outro lado, parte do princípio de que não há
consideradas verda-
verdades inquestionáveis e que sempre existe a possibilidade de uma ex- des absolutas; elas
plicação considerada verdadeira estar errada. As idéias atualmente aceitas são aceitas enquanto
pela ciência são aquelas que, depois de testadas exaustivamente, não fo- não existirem motivos
ram refutadas. Mesmo assim, as explicações científicas nunca são conside- para se duvidar de
radas verdades absolutas; elas são aceitas enquanto não existirem motivos
sua veracidade, isto é,
para se duvidar de sua veracidade, isto é, enquanto não forem refutadas
pelos testes. A teoria da evolução biológica vem resistindo a todos os enquanto não forem
testes a que tem sido submetida, sendo a única explicação racional e coe- refutadas pelos testes.
rente para o conjunto de fatos sobre a vida em nosso planeta.”
(AMABIS, José Mariano. O criacionismo e o design inteligente não
têm o status de ciência. Folha de S.Paulo. 31 jan. 2005.)

26 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 1 26 07/04/2005, 16:12


2. EM BUSCA DAS ORIGENS

O artigo a seguir explica o que é o criacionismo e


informa como os seguidores dessa explicação religiosa têm
organizado sua intervenção na sociedade.

“O criacionismo surgiu nos meios protestantes norte-americanos no São discutidas


século passado e procura explicar a origem do universo, da Terra, da vida e também as
do homem da maneira como descrita no relato contido na Bíblia. Mesmo
dificuldades que o
considerando que essa base comum fundamenta todas as teses criacionistas,
há diversidade na interpretação. Os adventistas do sétimo dia fazem uma modelo evolucionista
interpretação literal do relato bíblico e acreditam que ele seja uma fonte tem em explicar a
fidedigna para o entendimento dos momentos cruciais da história de nos- origem da vida e a
sos primórdios, como, por exemplo, a criação da vida na Terra e dos seres macroevolução,
humanos. incluindo o problema
Um fórum nacional para discussão sobre os temas das origens têm da origem da
sido os encontros nacionais de criacionistas, promovidos pelo Centro
informação genética
Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) desde 1993, a cada três
anos. Neles é discutida a elaboração de modelos criacionistas que expli- e o aumento da
quem as origens, bem como relatados os resultados de pesquisas científi- complexidade nos
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

cas seguindo esses modelos. São discutidas também as dificuldades que o seres vivos durante o
modelo evolucionista tem em explicar a origem da vida e a macroevolução, processo evolutivo.
incluindo o problema da origem da informação genética e o aumento da
complexidade nos seres vivos durante o processo evolutivo. Os pales-
trantes desses encontros têm sido doutores de universidades brasileiras
e do exterior e pesquisadores do Geoscience Research Institute, dos EUA.
O público atingido por esses encontros é bastante diversificado, incluin-
do desde pesquisadores e professores até estudantes universitários e pro-
fissionais liberais.
o
No 3 Encontro, realizado em 1999, foi criado o NEO (Núcleo de Estu-
do das Origens), que é um grupo interdisciplinar para o estudo do
o
criacionismo. Dos dias 20 a 23 de janeiro de 2005, foi realizado o 5 Encon-
tro Nacional de Criacionistas, com o tema ‘Perspectivas Atuais da Relação
entre Ciência e Religião’. Durante esse evento, foram tratados temas como
a integração entre fé e ciência, pelo dr. Leonard Brand, que também lançou
o livro Fé, razão e história da Terra, no qual procura demonstrar quais são as
limitações da pesquisa científica e de que modo a Bíblia, como um livro
revelado por Deus, pode auxiliar na busca de explicações sobre as origens.
Também foi abordado o design inteligente, que se caracteriza pela busca de
evidências de planejamento e atividade inteligente na natureza e como
Também foi abordado
isso se relaciona com o criacionismo. o design inteligente,
Durante esse encontro, a questão do ensino do criacionismo foi discu- que se caracteriza
tida em uma mesa-redonda sobre os desafios de se trabalhar as relações pela busca de
entre ciência e religião na rede adventista de ensino, de forma que se per- evidências de
mita ao aluno construir suas competências científicas e manter viva sua planejamento e
experiência religiosa. Os adventistas têm estado envolvidos na produção
atividade inteligente
de livros didáticos de ciências e paradidáticos sobre o criacionismo, para
os alunos de suas escolas, embora não estejam envolvidos em qualquer na natureza e como
movimento que pretenda tornar o tema obrigatório na escola pública, de- isso se relaciona com
vido ao caráter leigo desse sistema.” o criacionismo.
(PAULA, Márcia Oliveira de. Bíblia é fonte fidedigna de informação,
dizem adventistas. Folha de S.Paulo, 30 jan. 2005.)

PARTE II — O VOLUME 1 27

HC-Manual prof. V. 1 27 07/04/2005, 16:12


UNIDADE II les) para designar todos aqueles que não compar-
tilhavam os seus valores culturais. Mais tarde, pas-
A CONSTRUÇÃO DOS SENTIDOS
sou a significar o oposto do termo “civilizado”.
O tema da invasão dos povos “bárbaros” no
CAPÍTULO 10. ALTA IDADE MÉDIA Ocidente é relevante entre outras coisas para en-
Conteúdos e objetivos tender a atual configuração política e cultural da
Este capítulo discute a transição da Antigüida- Europa. Aproveitando os dois mapas apresenta-
de clássica para a Idade Média, importante mo- dos nas páginas 95 e 96, o professor pode progra-
mento na formação da sociedade européia, mo- mar um estudo mais aprofundado sobre cada um
mento em que os alicerces do feudalismo come- desses povos que invadiram o continente euro-
çaram a se constituir. Além disso, com base na his- peu, destacando características geográficas, histó-
tória cultural, o capítulo permite analisar a aurora ricas e culturais. Pode-se dividir a classe em du-
da civilização européia, mostrando que ela, como plas ou grupos maiores e solicitar uma pesquisa e
muitas outras sociedades, foi fruto de uma pro- a apresentação dos resultados, de forma que to-
funda miscigenação de etnias, culturas, línguas e dos possam compartilhar as novas descobertas.
costumes.
Idade Média: trevas ou luz? p. 97
Com esse estudo, pretendemos desenvolver as
seguintes habilidades, procedimentos e atitudes: A explicação sobre o sentido do termo “Ida-
• Retomar o processo de fragmentação do Im- de Média” é importante, pois ajuda a entender

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


pério Romano, apontando os principais fatores da como a história é construída pela historiografia e,
crise. portanto, como ela expressa o pensamento e as
• Identificar algumas características dos vários condições materiais de cada época. As leituras e
povos germânicos que contribuíram para formar a as interpretações propostas pela historiografia
população de diferentes países europeus. acerca da Idade Média sofrem mudanças constan-
• Explicar o significado de conceitos essenciais tes, que ampliam o conhecimento sobre esse pe-
para compreender o chamado feudalismo: feudo, se- ríodo desfazendo visões estereotipadas ou do
nhor feudal, servo, suserano e vassalo. senso comum. Nesse sentido, seria interessante o
• Ler e interpretar imagens que representam os professor questionar os alunos sobre como po-
camponeses medievais e a nobreza guerreira. demos conhecer o passado de uma determinada
• Discutir a expansão dos movimentos racistas em época, no caso o período medieval. Pode-se apro-
vários países do mundo, visando formar uma atitude veitar para explicar a importância que adquiriu o
de tolerância e respeito pelas diferentes culturas. trabalho dos monges copistas para a preservação
• Desenvolver o método de pesquisa e de tra- das fontes históricas do período, aprofundando a
balho em grupo. discussão sobre a vida intelectual na Idade Média.

Em busca de uma vida melhor? p. 94 Sugestões de leitura

O texto que serve de abertura para o capítulo LE GOFF, Jacques. Os intelectuais na Idade Média.
trata da presença constante da imigração na história 4. ed. São Paulo, Brasiliense, 1995.
humana e revela uma das justificativas possíveis para . A civilização do Ocidente medieval. Lisboa,
esse fato.A foto que acompanha o texto mostra um Estampa, 1995.
exemplo de tensão social relacionada à entrada de FRANCO JR., Hilário. O feudalismo e o nascimento
imigrantes na Europa. Se achar conveniente o pro- do Ocidente. São Paulo, Brasiliense, 1986.
fessor pode promover uma discussão com a classe
refletindo acerca das implicações decorrentes dos
As catedrais góticas
movimentos migratórios no mundo.
O termo gótico (arte dos godos) engloba
A migração dos bárbaros p. 96
um conjunto de manifestações artísticas que se
desenvolveram entre os séculos XII e XV na
Para introduzir um dos temas que serão tra- Europa. A catedral gótica é considerada a máxi-
tados neste capítulo, o professor pode iniciar ques- ma expressão desse estilo, que marcou a Euro-
tionando o significado do termo “bárbaro” e es- pa no contexto de revitalização urbana, quan-
clarecer que esse termo era utilizado pelos ro- do as cidades se transformaram em centro da
manos na Antigüidade (e pelos gregos antes de- ➜

28 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 1 28 07/04/2005, 16:12


➜ Feudalismo: heranças germânicas
vida política, econômica e espiritual na Baixa
Idade Média. Uma das principais características e romanas p. 102

da arquitetura gótica era a verticalidade, que O trabalho com conceitos deve ser estimulado
simbolizava o desejo humano típico da era me- e valorizado pelo professor, pois é uma estratégia
dieval de espiritualidade, de estar próximo aos importante de aprendizado da disciplina e de enten-
céus, evidenciado nas torres vazadas e leves, na dimento das especificidades do tempo passado. Além
sóbria decoração dos portais e na elevação da disso, é uma excelente maneira de exercitar o pen-
grande nave, inovação que se tornou possível samento abstrato. Sendo assim, sugerimos que o
com a utilização de arcos ogivais, pilares e con- professor dê continuidade à prática do aluno de
trafortes, que tinham a função de sustentar ex- pesquisar e registrar o significado dos diferentes
ternamente a estrutura. conceitos que irão aparecer ao longo do ano letivo,
Uma das mais famosas catedrais góticas é a anotando-os num caderno específico para isso. Apro-
de Notre Dame (Nossa Senhora) de Paris, na veitando a definição de feudalismo apresentada no
França. Erigida inicialmente no século XII (1163), livro, esclareça dúvidas na classe e estabeleça rela-
levou mais de dois séculos para ser concluída ções desse conceito com outros conceitos históri-
(1330). Grandes acontecimentos políticos e re- cos referentes ao feudalismo, como servo, senhor
ligiosos tiveram lugar nessa catedral: o velório feudal, suserano e vassalo.
do rei São Luís (1270) e a coroação de Napoleão
como imperador (1804) são alguns exemplos. Texto complementar p. 105
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Como proposta de trabalho com o tema, O castigo do pecado


sugerimos que o professor explore o livro O O texto enfatiza uma característica interes-
corcunda de Notre Dame (1831), de Victor Hugo. sante da reflexão a respeito das razões que expli-
A obra clássica do romantismo francês pode cam os acontecimentos que marcam a história
ser abordada de diferentes maneiras em rodas humana, principalmente as mazelas, isso numa épo-
de leitura, seminários, discussão de temas es- ca caracterizada pela crença de que a história de
pecíficos ou ainda como atividade de elabora- um povo era determinada pela vontade divina e
ção de fichamentos e resenhas de acordo com não pelas ações e idéias dos sujeitos que o com-
as necessidades dos educandos e do professor. punham. O texto mostra que o debate realizado
O texto pode ser encontrado em diversas edi- pelos romanos, sobre o motivo das invasões bár-
ções e adaptado para diferentes faixas etárias. baras, girava sobre qual era a divindade ofendida e
Também há versões adaptadas para o cinema. por qual motivo ela se ofendera e os castigava.
Pode-se explicar aos alunos que uma discus-
A expansão dos francos são semelhante foi feita no Brasil quando as pri-
e o Império Carolíngio p. 99 meiras vítimas da aids começaram a adoecer, no
Em geral esse tema tende a ser visto como can- início dos anos de 1980. Especialmente alguns re-
sativo e difícil, pois envolve a leitura de textos con- presentantes de instituições religiosas declaravam
tendo inúmeras datas e nomes. O essencial, no en- que a doença era o castigo de Deus imposto aos
tanto, é os alunos reconhecerem que o período homens, como resposta à sua conduta pervertida,
carolíngio foi decisivo na formação do sistema feu- desobediente e entregue à luxúria. É interessante
dal europeu. Foi o momento em que a cultura cris- essa discussão para os alunos perceberem como
tã, a dos pensadores clássicos e as tradições algumas crenças acompanham a história humana.
germânicas amalgamaram-se para gerar o caldo feu-
dal derramado sobre boa parte da Europa após o Atividades p. 106
fim do Império Carolíngio. É oportuno, neste mo- A questão 1 tem o objetivo de fazer o aluno
mento, evidenciar que o europeu, ao contrário do retomar o processo de desmoronamento do Impé-
que propagam as correntes neonazistas, de forma rio Romano e poder, assim, compreender melhor as
alguma atende a um critério científico que lhe per- bases de sustentação da sociedade feudal.
mita classificar-se como raça, muito menos como As questões 2 e 3 estimulam a compreensão
uma raça pura, pois ele é o resultado do cruza- sobre os chamados povos bárbaros e, em espe-
mento de dezenas de povos e etnias diferentes, e a cial, os germânicos, permitindo identificar suas
sua cultura é também o resultado do sincretismo características e contribuições para a formação
de inúmeras tradições e origens. do sistema feudal.

PARTE II — O VOLUME 1 29

HC-Manual prof. V. 1 29 07/04/2005, 16:12


As questões de 4 a 8 resgatam os aspectos cen- As origens do islamismo p. 111
trais que caracterizavam a sociedade feudal: a É importante o professor destacar a relação
vassalagem, a Igreja Católica, além da identificação entre as três religiões monoteístas mais importan-
dos elementos do cotidiano, intimamente ligados aos tes no mundo — o islamismo, o judaísmo e o cristia-
pontos anteriores.
nismo — mostrando que há mais elementos em co-
Além de sistematizar o estudo da era medieval,
mum do que diferenças entre elas, o que revela ser
possibilitando uma reflexão sobre o presente, em
possível uma convivência pacífica e respeitosa entre
particular a respeito do problema migratório na Eu-
seus seguidores. Para aprofundar essa discussão, o
ropa, as questões contribuem para desenvolver a ca-
pacidade de ler e interpretar textos e imagens e aper- professor pode aproveitar o exemplo do Brasil, que
feiçoar o método da pesquisa. em matéria de tolerância religiosa e respeito às di-
ferenças culturais pode ser considerado um exem-
plo para o mundo. Leia no boxe uma sugestão de
CAPÍTULO 11. NASCIMENTO E EXPANSÃO atividade sobre esse tema.
DO ISLAMISMO

Conteúdos e objetivos Sugestão de atividade


O conteúdo deste capítulo é de grande atuali- Solicite uma pesquisa sobre a presença das
dade e merece especial atenção porque, em razão três grandes religiões monoteístas no país e des-
dos graves eventos políticos dos últimos anos e do taque algumas especificidades que caracterizam

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jogo de interesses que envolve os países islâmicos cada uma delas. Se for possível, planeje uma en-
na atualidade, houve, nas várias mídias, uma guerra trevista com um representante local organizan-
de informação e contra-informação a respeito do do previamente um roteiro de questões em sala
que é o islamismo, do que é ser islâmico e do que de aula. Como sugestão de leitura para o aluno,
representa o mundo árabe. o professor pode propor o livro A viagem de
A convivência pacífica e extremamente profícua Théo (Catherine Clément, Companhia das Le-
entre muçulmanos, judeus e católicos na Península tras, 1999). O romance narra a aventura de um
Ibérica, durante o período medieval, é um contraponto adolescente que viaja para diferentes cidades
à violência que tem marcado o convívio entre as reli- com o intuito de conhecer todas as religiões
giões nos dias atuais. Neste capítulo, os alunos vão que existem no mundo. A linguagem é acessível
poder perceber que relações distintas, envolvendo os e as explicações sobre as diferentes religiões
mesmos atores, marcaram a chamada Baixa Idade são didáticas e criativas, podendo também ser-
Média: enquanto muçulmanos e católicos conviviam vir de estímulo para o trabalho do professor
pacificamente na Península Ibérica (pelo menos até o
em sala de aula.
início da Reconquista cristã), “soldados” das duas re-
ligiões guerreavam entre si nas Cruzadas.
A expansão do Islã p. 112
Com o estudo deste capítulo, esperamos atingir
os seguintes objetivos: Para abordar o período de expansão da cultura
• Identificar os elementos constituintes do islâmica pelo mundo, pode-se chamar a atenção para
islamismo. um ponto paradoxal e importante que acompanha
• Relacionar a doutrina islâmica com a organiza- toda expansão imperial de um povo e o domínio
ção do Império Árabe. que ele estabelece nas regiões conquistadas: a recí-
• Ler e comparar mapas que representam o proca contaminação cultural. Este intercâmbio de
mesmo espaço, em épocas históricas diferentes. idéias e costumes entre o povo dominador e o do-
• Diferenciar árabe de muçulmano. minado (lembrar que algumas vezes o povo
• Organizar uma linha do tempo registrando os dominador pode se embeber da cultura do domina-
principais fatos que marcaram a expansão islâmica. do, como aconteceu com os romanos em relação
• Desenvolver atitudes de valorização da diver- aos gregos e com os germânicos em relação aos
sidade cultural e de tolerância religiosa. romanos) tende a ampliar e a preservar valores e
conhecimentos, permitindo também desenvolver nas
Sugestão de leitura pessoas um olhar mais crítico em relação à sua pró-
DEMANT, Peter. O mundo muçulmano. São Paulo, pria cultura.
Contexto, 2004. Esse fato marcou a expansão muçulmana pela
Europa, África e Ásia. Os muçulmanos não só

30 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 1 30 07/04/2005, 16:12


revitalizaram os estudos, entre os europeus, dos sário enquadrar o Império Bizantino não como
clássicos greco-romanos (muitos documentos re- uma curiosidade histórica, mas como um fator
presentativos da civilização ocidental só existem condicionante da formação européia. Historica-
hoje porque foram preservados pelos árabes, de- mente, o Império Bizantino contribuiu para a for-
vido ao interesse deles pela cultura clássica da An- mação da Europa feudal ao isolá-la física e econo-
tigüidade, principalmente no que se refere à obra micamente do Oriente e por ter exercido perma-
de Aristóteles), como contribuíram divulgando nente pressão militar sobre a Europa central, vi-
obras magistrais de cientistas e pensadores do sando conquistar a região para restaurar o antigo
mundo islâmico. Além da ciência e da literatura, Império Romano.
contribuíram introduzindo novos hábitos alimen- Mesmo que pouco visível deste lado do Atlân-
tares (o uso das especiarias para condimentar os tico, a Igreja Ortodoxa teve e tem um papel de
alimentos), jogos (entre eles o xadrez), padrões enorme destaque em muitos dos ex-países do blo-
de cores e formas (tapetes persas, tecidos india- co socialista, principalmente na Rússia. Além dis-
nos) e inovações arquitetônicas (arcos, abóbadas, so, foi no antigo Império Bizantino que se conso-
jardins internos), entre outros. lidou e se ampliou o direito civil romano, com a
importante contribuição de Justiniano. Por fim, foi
Texto complementar p. 116 da decomposição do Império Bizantino, tomado
pelos otomanos, que nasceu o furacão de confli-
Por baixo do véu das muçulmanas
tos que caracteriza até hoje a região do Bálcãs,
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O texto selecionado trata do papel da mu- palco onde estourou a Primeira Guerra Mundial.
lher no mundo islâmico, tema atual e sempre po- Os objetivos propostos para este estudo são:
lêmico no relacionamento Ocidente/Oriente. • Caracterizar em distintos campos as contri-
Vale a pena tentar combater o preconceito em buições da civilização bizantina.
relação ao uso do véu pelas muçulmanas, visto • Comparar as diferenças históricas e de doutri-
pelo Ocidente como símbolo da opressão que a na entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa.
religião islâmica exerce sobre as mulheres. É im- • Reconhecer a importância da cidade de
portante lembrar que no Alcorão, livro sagrado Constantinopla para a antiga sociedade bizantina.
dos muçulmanos, não há referências explícitas à • Compreender as características da arte dos
obrigatoriedade do véu, o que nos leva a crer mosaicos e identificar nos dias de hoje esse tipo de
que tal prática tem origem em alguma tradição elaboração estética.
cultural anterior, que foi incorporada ao cotidia-
no das islâmicas por ação do sincretismo entre a Boxe — Uma civilização, muitas etnias p. 122
nova religião e as antigas práticas pagãs. Uma Como sugere o próprio título, a civilização
sugestão interessante de fonte para se entender bizantina caracterizou-se por uma mistura de di-
melhor os valores muçulmanos é o atual cinema ferentes etnias ligadas por elementos culturais co-
iraniano, bastante prestigiado em todo o mundo. muns. Inicialmente, é importante o professor es-
clarecer quais eram essas etnias e como elas se
Sugestões de filmes configuraram no passado e se manifestam no pre-
O círculo. Direção de Jafar Panahi (Irã, 2000). sente. O professor pode tomar, como ponto de
O jarro. Direção de Ebrahim Foruzesh (Irã, 1994). partida, um mapa atual da região e, localizando nele
os países, perguntar aos alunos o que eles já co-
nhecem de cada um deles. Como forma de com-
CAPÍTULO 12. A CIVILIZAÇÃO BIZANTINA
paração utilize o mapa da página 122.
Conteúdos e objetivos O chamado Cisma do Oriente separou, de for-
Em geral, o estudo da civilização bizantina se ma irreconciliável, a religião cristã do Ocidente
apresenta como estranho e pouco significativo da do Oriente, resultando em diferenças substan-
para os alunos. Isso, talvez, se explique pelo fato ciais na teoria e na prática religiosa. Podemos di-
de que nós, mais ligados à história da Europa oci- zer que a diferença essencial resulta do fato de o
dental, não encontramos de forma explícita os catolicismo ter se modificado ao longo da histó-
traços da influência desta sociedade na formação ria, enquanto a Igreja cristã oriental manteve qua-
da Europa feudal e na configuração cultural dos se inalterado o conteúdo e a forma de sua doutri-
países do Ocidente. Diante do exposto é neces- na, permanecendo mais próxima do cristianismo

PARTE II — O VOLUME 1 31

HC-Manual prof. V. 1 31 07/04/2005, 16:12


primitivo. Essas diferenças podem ser observadas CAPÍTULO 13. BAIXA IDADE MÉDIA
facilmente nas cerimônias religiosas das duas igre-
Conteúdos e objetivos
jas. O casamento da Igreja Ortodoxa, por exem-
plo, preservou grande parte dos ritos originais. Este capítulo traz conteúdos essenciais para
compreender a crise do feudalismo e a formação
da sociedade capitalista. A Baixa Idade Média ca-
Constantinopla: centro comercial
racterizou-se por um movimento contraditório: ao
da Idade Média p. 122
mesmo tempo que correspondeu ao período de
A relevância da cidade de Constantinopla para auge do sistema feudal, nele foram criadas as con-
o mundo medieval e os processos de mudanças dições que levariam à sua destruição: o esgotamento
e permanências que desembocaram na atual Is- do trabalho servil, a expansão das cidades e da ati-
tambul (Turquia européia) justificam uma pesquisa vidade mercantil e o nascimento de uma nova ca-
mais aprofundada sobre o tema. Inicialmente, o mada social, a burguesia. O capítulo também abor-
professor pode ler em voz alta o texto das pági- da as Cruzadas, expedições de caráter religioso e
nas 122-123 e discutir os pontos principais com econômico organizadas pela Igreja para reconquis-
os alunos. Num segundo momento, tomando o tar Jerusalém, tomada pelos muçulmanos. Mais im-
mesmo texto como referência, propor uma pes- portante que discutir os objetivos das Cruzadas é
quisa com intuito de confrontar passado e pre- ressaltar o impulso que essas expedições repre-
sente, destacando as mudanças e permanências sentaram para a atividade mercantil e o intercâm-
em relação às práticas do cotidiano, como, por bio cultural entre Oriente e Ocidente, graças aos

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


exemplo: a igreja de Santa Sofia, o Hipódromo e contatos dos cruzados com os povos orientais.
o Palácio Imperial ainda existem? Se existem, qual Com esse estudo, pretendemos atingir os se-
a função dessas edificações nos dias de hoje? As guintes objetivos:
vestimentas da população permanecem indicati- • Explicar os principais fatores que caracteriza-
vas da condição social no presente? De que for- ram a crise do sistema feudal.
ma? O costume de usar barba entre os homens • Criar uma ilustração representando a socieda-
ainda se mantém? O que esse costume repre- de feudal na Baixa Idade Média.
senta para a coletividade? • Elaborar uma ficha sobre as Cruzadas, desta-
cando os objetivos, os grupos sociais que delas par-
O eleito de Deus p. 123 ticiparam e as mudanças que elas promoveram.
O texto didático define o governo bizantino • Realizar pesquisa sobre a Guerra dos Cem
como despótico e teocrático. A partir da explicação Anos e construir uma linha do tempo registrando
presente no livro, proponha uma consulta a obras os acontecimentos principais que marcaram o lon-
de referência e o registro do significado desses ter- go conflito.
mos no caderno de conceitos. • Relacionar o pensamento expresso pelas eli-
tes européias a respeito dos camponeses, em dife-
rentes épocas, à visão de um autor sobre o proble-
O esplendor e a decadência
ma da concentração de terras no Brasil atual.
do Império Bizantino p. 124

Tanto o texto didático quanto o texto com- Abertura p. 127


plementar selecionado destacam as conquistas mi- A introdução deste capítulo apresenta três tex-
litares e a política externa bizantina como o “fio tos: dois deles, escritos em épocas diferentes, ex-
condutor” da existência daquele império. O pro- pressam opinião oposta sobre os camponeses. O
fessor pode programar a montagem de um dossiê terceiro, atual, apresenta um quadro da concentra-
sobre o governo de Justiniano (527-565), dividin- ção de terras no Brasil. Os três podem ser consi-
do a classe em grupos. Podem-se propor os se- derados fontes primárias, ou seja, documentos, pois
guintes temas para o dossiê: 1) pequena biografia tratam de um fato contemporâneo do próprio au-
do governante; 2) a política expansionista; 3) a arte tor, ou, ainda, constituem registros da sua própria
bizantina; 4) a compilação jurídica. A partir dos época. É importante lembrar que os documentos
resultados apresentados pelos grupos, o profes- nunca falam por si só, daí a necessidade de
sor pode montar um grande quadro-síntese, em interpretá-los de forma cuidadosa, questionando
sala de aula, que contenha os principais elemen- quem os produziu, em que contexto e para qual
tos coletados pelos alunos. finalidade, além de nos preocuparmos com a lin-

32 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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guagem e a mensagem propriamente dita revelada ➜
tras tantas circunstâncias. Os estatutos ape-
por ele. Leia em voz alta e analise os três textos
nas sancionam tardiamente as conquistas. Não
junto com os alunos.
podemos sequer ter certeza de que os que
possuímos sejam os primeiros, o que nada tem
Mudanças na “Casa de Deus” p. 129
de surpreendente. Nas cidades onde se for-
O surgimento das universidades e da categoria mam, as universidades, devido ao número e
social dos intelectuais representou uma importante qualidade de seus membros, manifestam um
mudança cultural da Baixa Idade Média. Leia no tre- poder que inquieta os outros poderes. É lu-
cho a seguir o surgimento das universidades no con- tando, às vezes contra os poderes eclesiásti-
texto das corporações de ofício. cos, outras vezes contra os poderes laicos, que
elas adquirem sua autonomia.”
Universidades e corporações de ofício (LE GOFF, Jacques. Os intelectuais na Idade Média.
São Paulo, Brasiliense, 1995.)
“O século XIII é o século das universida-
des porque é o das corporações. Em cada ci-
dade onde existe um ofício agrupando um nú- Sugestão de leitura
mero significativo de membros, estes se orga-
LE GOFF, Jacques. Os intelectuais na Idade Média.
nizam para a defesa de seus interesses e a ins-
São Paulo, Brasiliense, 1995.
tauração de um monopólio em seu proveito.
Esta é a fase institucional do desenvolvimento
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urbano, que materializa em comunas as liber- Pestes e rebeliões: a agonia


dades políticas conquistadas, e em corporações da ordem feudal p. 134

as posições adquiridas no domínio econômi- O trecho selecionado da obra Decameron, do


co. Liberdade aqui é equívoca: independência escritor italiano Boccaccio, pode ser analisado como
ou privilégio? Reencontraremos essa ambigüi- fonte histórica para conhecermos o contexto da
dade na corporação universitária. A organiza- peste negra que assolou parte da Europa na Baixa
ção corporativa congela aquilo que consolida. Idade Média. O livro narra a história de dez jovens
Conseqüência e sanção de um progresso, ela que se encontram em Florença, durante a peste de
trai um sufocamento e esboça uma decadên- 1348, e decidem ir para fora da cidade, a fim de
cia. O mesmo se aplica às universidades do sé- fugirem desse flagelo.Ali, em meio à ameaça do anjo
culo XIII, coerentemente com o contexto do da morte, eles se divertem durante dez dias com
século. O surto demográfico está em seu apo- uma série de relatos contados por cada um dos
geu, mas se torna mais lento, e a população da participantes. Daí o título do livro — Decameron,
Cristandade logo ficará estacionária. A grande “livro dos dez dias”. A obra é considerada uma das
frente de desbravamentos que havia conquis- fundadoras do Renascimento, pois é a primeira a
tado as terras necessárias à alimentação des- tratar seus personagens numa dimensão laica e
se excedente humano se esfacela e se detém. terrena, livre de qualquer finalidade moral ou
Para esse povo cristão mais numeroso o im- edificante, daí o caráter propriamente moderno do
pulso realizador ergue uma rede de igrejas texto. A força desarticuladora atribuída à peste su-
novas, de espírito novo; mas a era das grandes gere a eterna e contínua transformação das coisas,
catedrais góticas termina junto com o século. propondo a luta, o conflito e a tensão permanente
A conjuntura universitária tem a mesma cur- como princípio de tudo, ao invés do escatológico
va: Bolonha, Paris, Oxford não conhecerão ja- fim do mundo.
mais tantos mestres e estudantes, e o método A partir desse texto o professor pode discu-
universitário — a escolástica — não erigirá tir tanto o papel da literatura como fonte de co-
monumentos mais brilhantes do que as súmulas nhecimento histórico quanto o tema da doença e
de Alberto Magno, Roger Bacon e São Tomás da peste no contexto da mentalidade medieval.
de Aquino. [...] As origens das corporações uni- Podem-se estabelecer relações com a dissemina-
versitárias são freqüentemente tão obscuras ção da aids no mundo contemporâneo, abordan-
como as de outras corporações de ofício. Or- do os meios de transmissão da doença (no con-
ganizam-se lentamente, mediante conquistas texto da saúde pública) e o medo da morte, sen-
sucessivas, ao acaso dos incidentes que são ou- timento que acompanha a história humana (veja
➜ texto complementar na página 136).

PARTE II — O VOLUME 1 33

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Pieter Bruegel, o Velho (1525-1569), viveu nas se vincularam a esses três conceitos e analisa o
grandes cidades da região conhecida como Flandres. processo de constituição do Estado moderno, que
Sob influência dos ideais renascentistas, ele repre- desembocou na consagração das monarquias ab-
sentou em suas obras, a exemplo das pinturas Ca- solutistas.
çadores da neve, Banquete nupcial, Dança campestre Na década de 1970, o historiador britânico
e Jogos infantis, a realidade de pequenas aldeias que Perry Anderson publicou o livro Linhagens do Esta-
ainda conservavam a cultura medieval. A observa- do absolutista, em que revolucionou as análises vi-
ção da tela O triunfo da morte (página 134), fonte gentes sobre o tema. Polemizando com a visão mais
documental muito valorizada pela historiografia tradicional de que o Estado moderno representava
atual, pode render outra proposta de trabalho. A os interesses da classe burguesa em formação, Perry
partir da observação coletiva da pintura, os alu- Anderson desenvolveu um detalhado estudo para
nos poderão deduzir os elementos principais que demonstrar que, ao contrário, o Estado que mar-
caracterizam o contexto da peste negra na Baixa cou a transição do feudalismo para o capitalismo
Idade Média e, em seguida, confrontá-los com o foi constituído para reafirmar o poder da nobreza,
texto de Boccaccio. ameaçado pela crise do trabalho servil. Ainda que
a nascente burguesia tenha se beneficiado da cen-
Uma crise, várias soluções p. 135 tralização do poder real, criando condições para
Aqui o tema da Guerra dos Cem Anos pode ser assumir mais tarde a direção política da sociedade
estudado a partir da figura emblemática de Joana industrial, o Estado absolutista, segundo o autor,

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D’arc, personagem marcante do mundo medieval. representava a modernização dos instrumentos po-
Reverenciada como santa, é considerada a mais po- líticos destinados a manter o controle da aristo-
pular figura histórica da França. O que deve ser ana- cracia rural sobre a massa camponesa.
lisado em relação ao mito/história de Joana D’arc é Logicamente não é nossa intenção transformar
como foi construída a noção de nacionalidade entre as aulas de História do ensino médio num centro de
os franceses, pois este sentimento, tal qual a idéia de debates acadêmicos. O objetivo é principalmente
nação, não existia. Os dois conceitos foram possibilitar ao aluno perceber a complexidade des-
construídos pela realeza, por parte da nobreza e da ses conceitos e as controvérsias que eles suscitam,
burguesia comercial, preparando a constituição do e estimular a formulação de hipóteses e novos argu-
futuro Estado nacional na França. mentos, habilidades fundamentais para o trabalho
com o saber histórico.
Os principais objetivos estabelecidos para o es-
Sugestão de atividade
tudo deste capítulo são:
Uma sugestão para o estudo do tema é as- • Caracterizar Estado nacional, reconhecendo a
sistir ao filme Joana D’Arc, do diretor Luc Besson complexidade desse conceito.
(1999), e a partir daí discutir o contexto históri- • Diferenciar Estado e nação.
co tomando como referência uma pesquisa pré- • Explicar por que o Estado moderno representa-
via sobre o tema: a história de Joana D’arc e a va os interesses da nobreza, mas acabou atuando tam-
Guerra dos Cem Anos. O professor pode pro- bém para fortalecer a nascente burguesia, contribuin-
por uma análise crítica do filme feita pelos pró- do para a sua consagração como classe dirigente.
prios alunos de acordo com a mesma pesquisa • Explicar as principais teorias elaboradas pelos
realizada por eles. Esse tipo de atividade busca teóricos do absolutismo.
desenvolver a capacidade de observação, o sen- • Realizar pesquisa para obter informações so-
so crítico, o método de pesquisa e a argumenta- bre movimentos nacionalistas europeus e elaborar
ção lógica das idéias. síntese das características de dois dos movimentos
pesquisados.
CAPÍTULO 14. A CONSOLIDAÇÃO DAS • Ler e comparar imagens, estabelecendo rela-
MONARQUIAS NA EUROPA ções entre a mensagem que elas contêm e o concei-
MODERNA to de nacionalismo.
Conteúdos e objetivos O declínio dos Estados do Ocidente p. 139
O capítulo trata de um tema complexo, que é O texto de abertura, do historiador Eric
a definição de Estado, nação e nacionalismo. Ele Hobsbawm, é importante, pois traça um panorama
resgata os primeiros significados e sinônimos que sintético da ascensão à crise do modelo político-

34 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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econômico dos Estados nacionais, apontando al- Maquiavel antecipou o surgimento de um con-
guns dilemas contemporâneos, como a diminuição junto de regras e princípios específicos da
ou a mudança na função do Estado e a generaliza- racionalidade do Estado, a partir da distinção de uma
ção da violência no cotidiano das pessoas. Essas e moralidade dualista: a moral do Estado regida se-
outras questões são sintomáticas de um processo gundo a conveniência e a moral do sujeito regida
de crise dos Estados nacionais e podem indicar o pelas normas. Nesse sentido, sua obra pode ser con-
surgimento de um novo modelo de gestão, não mais siderada a primeira elaboração teórica sobre a arte
limitado às fronteiras políticas e culturais, mas sin- de governar.
tonizado com as mudanças decorrentes do pro-
cesso de globalização. Sem incorrer num exercício Sugestão de leitura
de futurologia, seria interessante o professor dis- ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Maquiavel: a ló-
cutir algumas implicações desse processo, como o gica da força. São Paulo, Moderna, 2001. (Co-
surgimento de blocos econômicos, a hegemonia leção Logos.)
norte-americana e o terrorismo como nova estra-
tégia de guerra e de desarticulação do poder cons- Thomas Hobbes e o Leviatã
tituído. Como fonte de pesquisa, o professor pode
Em 1651, Hobbes publicou sua obra mais im-
recorrer às colunas de articulistas da seção inter-
portante, o Leviatã ou Matéria, forma e poder de
nacional dos jornais e revistas de grande circula-
um Estado eclesiástico e civil. Para o autor, o Leviatã
ção no país, que constantemente analisam essas
é uma metáfora, extraída da tradição bíblica, que
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

questões. Esse tipo de atividade, além de manter


serve para designar o pacto estabelecido entre
os alunos atualizados com as questões relevantes
os homens para a consecução do Estado moder-
do nosso tempo, ajudam a entender as relações de
no. Para ele, o contrato social, que rege o funcio-
permanência e ruptura entre passado e presente.
namento das instituições, obriga os homens a vi-
ver de forma harmônica e cordial, evitando, dessa
Os teóricos do absolutismo p. 142
forma, a barbárie. Para justificar a necessidade de
Dois pensadores se destacam quando falamos um governo forte, para refrear a disputa mútua
em Estado moderno: Thomas Hobbes e Maquiavel, entre os indivíduos, Hobbes caracteriza o homem
ambos fundamentais para se entender a lógica de no estado natural como egoísta, egocêntrico e
funcionamento do Estado, daí a importância de os inseguro, pois nesse estado o ser humano somen-
conhecermos um pouco mais a fundo. te seguiria os ditames das paixões e dos instintos,
ignorando as leis ou o conceito de justiça. Não
Maquiavel e O Príncipe existindo governo ou lei, os homens entrariam ne-
Tomando como referência o trecho selecionado cessariamente em conflito uns com os outros,
da obra O Príncipe, de Maquiavel, que está na página configurando-se um estado de guerra permanen-
142, vejamos alguns elementos significativos. Em li- te, ou, nos termos de Hobbes, uma “luta de todos
nhas gerais podemos sintetizar a obra como um ma- contra todos”. Vejamos um trecho significativo
nual de conduta política que visa ajudar o Príncipe desse pensamento.
(o rei ou o governante) a manter o poder e o con-
trole do Estado. Maquiavel escreveu esse tratado O homem é inimigo do homem
baseado em sua experiência pessoal como embai- “Tudo, portanto, que advém de um tempo
xador e político, apresentando situações e proble- de guerra, onde cada homem é inimigo de ou-
mas que o Príncipe poderá enfrentar e orientando- tro homem, igualmente advém do tempo em
o como superá-los. que os homens vivem sem outra segurança além
A importância e a atualidade da obra de da que sua própria força e sua própria astúcia
Maquiavel são indiscutíveis. Produto da Itália renas- conseguem provê-los. Em tal condição, não há
centista, O Príncipe nos oferece, ao mesmo tempo, o lugar para a indústria, porque seu fruto é incer-
testemunho de uma época e elementos que são to e, conseqüentemente, nenhuma cultura da
universais, como a arte de fazer política. Sua obra terra, nenhuma navegação, nem uso algum das
inaugurou uma série de tratados que serão publica- mercadorias que podem ser importadas atra-
dos entre os séculos XVI e XVIII, não mais como vés do mar, nenhuma construção confortável,
conselhos políticos nem ainda como ciência política, nada de instrumentos para mover ou remover
mas como a arte de governar. ➜

PARTE II — O VOLUME 1 35

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➜ festas, os jardins e a própria configuração do espa-
coisas que requerem muita força; nenhum co-
ço físico do palácio.
nhecimento da face da terra; nenhuma estima-
tiva de tempo; nada de artes; nada de letras;
Sugestão de atividade
nenhuma sociedade; e o que é o pior de tudo,
medo contínuo e perigo de morte violenta; e a Como sugestão de atividade complementar
vida do homem, solitária, pobre, sórdida, brutal há duas possibilidades: uma é explorar o jogo ele-
e curta.” trônico Versailles 1685, que reconstitui o palácio
(HOBBES, Thomas. Leviatã, parte I, capítulo 13.)
original com suas gravuras, pinturas, esculturas, tex-
tos e demais documentos da época. Outra suges-
tão é assistir e discutir o filme Vatel: um banquete
Na visão de Hobbes, só o poder constituído para o rei (2000).Ambientado na corte francesa, o
com base num contrato social poderia evitar o filme aborda com competência o cotidiano da cor-
“canibalismo” entre os seres humanos e garantir te, os rituais e os estratagemas do poder nesse
a paz e a segurança. A escolha desse poder co- período.
mum significa transferir a força, a possibilidade de
usar a violência, das mãos dos indivíduos para o
controle do Estado, que passaria a ser a única ins- Sugestão de leitura
tituição legitimamente capacitada para administrar RIBEIRO, Renato Janine. A etiqueta no Antigo Regi-
o poder em nome do bem-estar de todos. O im- me. São Paulo, Brasiliense, 1983. (Coleção Tudo
portante nessa teoria é entender que ela conferia

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


é história.)
legitimidade ao Estado forte, absoluto, que estava
surgindo no início da chamada Idade Moderna. A Texto complementar p. 144
partir do trecho selecionado, o professor poderá
propor a leitura e a análise coletiva do texto, se- A corte
guidas da sistematização da mensagem principal O texto tem o mérito de chamar a atenção para
expressa pelo autor. o valor simbólico, e daí o seu significado social, dos
distintos rituais que realizamos no dia-a-dia, tanto
Sugestão de leitura públicos quanto privados, enfatizando como esses
rituais podem ser reveladores de uma cultura, da
RIBEIRO, Renato Janine. A marca do Leviatã: lingua-
estrutura psicológica de uma sociedade ou de seus
gem e poder em Hobbes. São Paulo, Ateliê, 2003.
participantes. As atividades de compreensão permi-
tem que os alunos identifiquem outras normas de
Os rituais falam p. 143
etiqueta presentes nos dias atuais e reconheçam o
O reinado de Luís XIV (1638-1715) da França, mundo simbólico também como objeto de estudos
o chamado “rei sol”, caracterizou-se por repre- dos historiadores.
sentar o apogeu da monarquia absolutista na Eu-
ropa e serviu de modelo para muitos governantes Atividades p. 145
ao longo do tempo. O governo desse monarca
As questões 1 e 2 pressupõem a capacidade
atingiu essa magnitude, entre outros motivos, por-
que ele soube utilizar, de forma eficiente, o poder de explicar os principais conceitos estudados no
da arte, dos rituais e dos códigos sociais para con- capítulo. A intenção não é obter uma definição
solidar a sua imagem. fechada e acabada desses termos, mas possibilitar
Um dos símbolos mais significativos do gover- que os alunos sintetizem as principais caracterís-
no de Luís XIV foi a construção do extravagante ticas dos Estados nacionais formados no período
e luxuoso Palácio de Versalhes, criado para osten- de transição do feudalismo para o capitalismo,
tar o seu poder e para abrigar a corte francesa. O destacando a base social do Estado moderno e as
Palácio de Versalhes tornou-se residência oficial condições socioeconômicas em que ele se desen-
dos reis da França de 1682 até 1790. Após a Re- volveu.
volução Francesa, Versalhes passou a ser um mu- A questão 7 possibilita discutir a diferença en-
seu nacional. Partindo dessas informações bási- tre identidade nacional e posicionamento em re-
cas, programe com os alunos uma pesquisa sobre lação ao governo, além de propiciar uma discus-
o Palácio de Versalhes, destacando algumas carac- são sobre o uso político da euforia nacionalista
terísticas essenciais que o configuram como sím- que os campeonatos de futebol despertam em
bolo do poder absolutista na França: os rituais, as milhões de brasileiros. As imagens permitem ain-

36 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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da discutir o drama do desemprego no Brasil e a desenvolvimento baseado na razão tecnicista, em
idéia de que a história é feita por todos nós. detrimento da natureza e do próprio homem.
Imagem de abertura p. 148
CAPÍTULO 15. O RENASCIMENTO
CULTURAL E CIENTÍFICO
A introdução deste capítulo apresenta a ima-
gem de um hipotético caderno de empregos de
Conteúdos e objetivos um jornal. O trecho destacado mostra um empre-
Este capítulo traz conteúdos essenciais para gador que procura um profissional de acordo com
compreender como o homem, no início da era as características enumeradas, entre elas: conheci-
moderna, tornou-se a figura central dos estudos mento de anatomia, geologia, botânica, matemática,
científicos, da filosofia e da arte. O Renascimento arquitetura. Um dos objetivos da proposta é des-
pode ser considerado um movimento que respon- tacar a figura do grande protagonista do humanismo,
deu aos anseios e dúvidas nascidos com a gesta- Leonardo da Vinci. Da Vinci notabilizou-se por seus
ção de uma nova sociedade. A busca de um mo- trabalhos em diferentes áreas do conhecimento. Na
delo que pudesse se contrapor à tradição cristã pintura é responsável pela criação de um dos qua-
medieval foi a essência do pensamento renascen- dros mais valorizados e conhecidos do mundo: a
tista. No entanto, é preciso ficar claro que em Mona Lisa, conhecido também como La Gioconda,
nenhum momento os renascentistas negavam a atualmente sob guarda do Museu do Louvre em
existência de Deus ou questionavam o dogma da Paris. Também ficou conhecido por utilizar concei-
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

criação como resultado da intervenção divina. A tos matemáticos em suas obras, como a chamada
atuação dos renascentistas visava enaltecer as cri- “razão de ouro” ou “proporção de ouro”. Toman-
ações humanas, na visão deles tão belas e impo- do esses exemplos como referência, o professor
nentes como as obras de Deus. pode programar uma pesquisa (em livros e/ou na
A busca de um modelo que expressasse a internet) sobre a vida e a obra do artista, dando
revalorização do homem é que explica a retomada ênfase aos seguintes aspectos: 1) pinturas mais im-
dos valores e das obras da Antigüidade clássica, portantes do artista; 2) principais estudos científi-
que orientou o trabalho de muitos artistas e inte- cos; 3) projetos de arquitetura. Organizados em
lectuais da época. A partir dessa discussão, o pro- grupos, os alunos poderão apresentar um panora-
fessor poderá estabelecer relações com o que foi ma geral de cada tópico sugerido e também sele-
discutido anteriormente, propiciando a compara- cionar uma obra (ou trabalho) do artista e pesquisar
ção e a análise entre o mundo medieval e a era mais detalhadamente sobre ela.
moderna.
Com esse estudo, pretendemos desenvolver Sugestão de atividade
as seguintes habilidades:
Outra possibilidade de abordar a imagem de
• Contextualizar a transição da mentalidade
abertura é discutir com os alunos a importância
feudal para a mentalidade moderna na Europa.
da educação e do conhecimento múltiplo para o
• Relacionar o crescimento comercial e urba-
atual mercado de trabalho. Se for do interesse
no com a formação de novos grupos sociais.
do professor, ele pode levar para a sala de aula o
• Identificar nos grupos sociais emergentes nas
caderno de emprego de um jornal e pedir para
cidades, em particular a burguesia, a base social e
os alunos procurarem anúncios que mostrem ca-
econômica que sustentou a nova arte e o novo
racterísticas de um bom profissional, solicitadas
modo de relacionamento com o mundo terreno
pelo mercado.
e espiritual.
• Explicar as principais características do pen-
samento renascentista. As bases do Renascimento p. 151

• Compreender a relação entre humanismo, Os trechos selecionados na página 152, de Os


Renascimento cultural e desenvolvimento cien- lusíadas e da Divina comédia, são exemplos de duas
tífico. obras indispensáveis da literatura ocidental. Sen-
• Ler e interpretar imagens que expressam as do assim, mereceriam um estudo mais aprofun-
diferenças entre a arte renascentista e a arte me- dado. Se houver possibilidade, o professor pode
dieval. programar um trabalho em conjunto com a disci-
• Discutir a relação entre o pensamento plina de Português. O professor de História pode
renascentista e a configuração de um modelo de explorar o contexto histórico em que foram pro-

PARTE II — O VOLUME 1 37

HC-Manual prof. V. 1 37 07/04/2005, 16:12


duzidas as obras, situando os autores, enquanto o ➜
de Português analisa os trechos selecionados. Santo Ofício da Inquisição, o tribunal da Igreja
Há também a possibilidade de desenvolver o Católica, em outubro de 1632. Na época, Galileu
tema Renascimento no contexto da História da não queria viajar para Roma, pois estava doen-
Arte, selecionando algumas imagens representa- te e tinha já 70 anos de idade. Em novembro e
tivas do período (obras de Rafael, Michelangelo, dezembro, o cientista caiu de cama. O papa fi-
Piero della Francesca, só para citar algumas refe- cou furioso! Ordenou que uma junta médica
rências presentes no livro do aluno) para traba- examinasse Galileu. Os médicos disseram que
lhar forma e conteúdo. sua saúde permitia que ele viajasse. Portanto,
ele deveria ir, por livre e espontânea vontade, a
A Terra gira em torno do Sol... p. 153 Roma — ou seria detido e arrastado para lá a
No tocante às teorias científicas que emergiram força.
no período do Renascimento, é importante desta- Na primavera de 1633, aconteceu o julga-
car o pensamento de Nicolau Copérnico (1473- mento de Galileu Galilei. Seu crime? Heresia,
1543). Responsável por deflagrar uma revolução (a ou seja, fazer ou dizer algo contrário às leis da
chamada Revolução Copernicana), o cientista alte- Igreja. Galileu prestou depoimento a apenas dois
rou completamente o entendimento que se tinha funcionários e um secretário. Mas seu julgamen-
acerca do cosmos. A teoria heliocêntrica deve ser to foi retratado em diversas pinturas como se
entendida no contexto em que foi produzida, como tivesse ocorrido em um auditório cheio de pa-

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resultado de modificações profundas que atingiram dres [...].
o conhecimento europeu nesse período, impulsio- Sua condenação parecia inevitável. Como úl-
nadas pelos descobrimentos e pelas grandes nave- timo recurso, Galileu tomou a decisão de dizer
gações transatlânticas. A revolução copernicana será que errou e foi longe demais ao escrever sobre
desenvolvida também por seus seguidores, como as duas teorias. No tribunal, o cientista contou
Giordano Bruno e Galileu Galilei. que decidiu reler seu livro, pois queria saber se
tinha escrito algo ofensivo. Disse que ficou sur-
preso ao notar que apresentou como verda-
Galileu é julgado e condenado pela Igreja
deiras duas teorias que não tinham prova algu-
por defender a teoria heliocêntrica
ma. Disse que seu objetivo era apenas mostrar
“No verão de 1623, um novo papa subiu ao que a teoria da Terra como centro do Universo
trono de São Pedro, em Roma. Urbano VIII era tinha falhas. Porém, Galileu afirmou que escre-
completamente diferente dos papas anteriores: veu suas idéias de tal forma que o leitor podia
ele se interessava pela pesquisa científica! Isso acreditar que a teoria heliocêntrica era incon-
encorajou Galileu Galilei a escrever um livro testável. Então, o cientista disse que aceitava
em que apresentava as duas teorias rivais da como verdadeira e indiscutível a estabilidade da
cosmologia: sistemas heliocêntricos (o Sol como Terra e o movimento do Sol.
centro do universo) e geocêntricos (a Terra Mal sabia Galileu que o papa havia dito aos
como centro do universo). Assim, ele poderia cardeais que ele deveria cumprir pena de pri-
falar da teoria heliocêntrica como uma hipóte- são e fazer penitência. Ele seria humilhado pu-
se não comprovada. blicamente para advertir a todos que desobe-
Várias autoridades, inclusive o papa, leram decer às ordens da Igreja e contestar a Bíblia
o Diálogo sobre os dois principais sistemas do era loucura.”
mundo: o ptolomaico e o copernicano antes de (FIGUEIRA, Mara. Ciência Hoje. Rio de Janeiro, 23 mar. 2001.)
sua publicação em 1632, e sugeriram modifica-
ções. Porém, quando o livro foi divulgado [...] O tema em questão se adapta bem ao trabalho
foi uma confusão! Os inimigos de Galileu, como interdisciplinar com a área de Ciências, que poderia
os padres jesuítas de Roma, disseram que o li- explorar mais detalhadamente o aspecto científico
vro glorificava Nicolau Copérnico e insultava a da revolução copernicana. No caso da História, é
Igreja. importante que os alunos percebam esse contexto
Resultado: a circulação do livro foi proibida como um período de grandes mudanças em relação
e Galileu foi intimado a comparecer diante do à época medieval, que caracterizou a transição do
➜ feudalismo para o capitalismo.

38 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 1 38 07/04/2005, 16:12


caracteriza a civilização humana, combatendo pre-
Sugestão de leitura conceitos e atitudes etnocêntricas. Um dos gran-
KOYRÉ, Alexandre. Do mundo fechado ao universo des desafios da humanidade é garantir a preserva-
infinito. Lisboa, Gradiva, s/d. ção das tradições locais e nacionais num mundo
cada vez mais globalizado, desenraizado e padroni-
Texto complementar p. 153 zado pelo poder da indústria cultural.
A construção da feminilidade Com o estudo desse capítulo, pretendemos atin-
gir os seguintes objetivos:
É importante trabalhar o texto complementar
• Destacar os principais fatores da expansão ul-
chamando a atenção do aluno para uma questão
tramarina européia.
importante: a distinção entre gênero e sexo. En-
• Caracterizar a sociedade européia no momen-
tende-se por relações de gênero o sistema de rela-
to do expansionismo europeu.
ções interpessoais que tem como referência a di-
• Discutir os interesses políticos, econômicos e
mensão sexual. Gênero relaciona-se à identidade
religiosos que estiveram interligados no processo
cultural, podendo existir uma imensa diversidade
expansionista europeu.
de representações e comportamentos com rela-
• Explicar a importância do desenvolvimento da
ção ao gênero de cada indivíduo. Já o sexo está re-
cartografia para os navegantes da época.
lacionado ao patrimônio biológico da espécie, limi-
• Comparar as rotas expansionistas dos países
tando-se à dualidade feminino/masculino. O
ibéricos.
patrimônio biológico é fixo, estático, pois é um dado
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• Ler e interpretar texto que descreve, com o


da natureza. Já as relações entre homens e mulhe-
uso de alegorias, a viagem de Colombo e sua chega-
res na sociedade são construídas culturalmente, po-
da à América.
dendo manifestar-se de diferentes maneiras ao lon-
• Destacar os desdobramentos das viagens maríti-
go do tempo e do espaço.
mas para os europeus e para as sociedades americanas.
• Desenvolver atitudes de respeito e valoriza-
Atividades p. 154
ção da diversidade cultural.
As questões 8 e 9 introduzem uma discussão
muito atual, que é a construção, desde o Renas-
Abertura p. 158
cimento, de um modelo de sociedade apoiado na
razão tecnicista. O império da técnica significou uma O capítulo se inicia com a reprodução de uma
mudança na forma como os homens se relaciona- página da internet. O professor pode esclarecer
vam com a natureza, determinada pela ideologia da que o objetivo é comparar a expansão marítima
máxima eficiência da intervenção tecnológica e pela européia, que resultou na constituição de um
exaltação do progresso como o símbolo da vitória mercado mundial e no intercâmbio de inúmeros
humana sobre os limites impostos pela natureza. povos e culturas, com a globalização de informa-
Questionar essa visão e reconhecer a necessidade ções possibilitada pela internet. O texto chama a
de reintegrar o homem à natureza são uma tarefa atenção para o fato de que tanto os navegadores
indispensável colocada para a humanidade, respon- da internet quanto os homens que se lançaram às
sabilidade da qual a escola não pode se esquivar. viagens ultramarinas necessitam de um roteiro de
orientação, de um espírito aventureiro e de um
objetivo a ser alcançado.
CAPÍTULO 16. A EXPANSÃO ULTRAMARINA
EUROPÉIA
O grande apelo do desconhecido p. 159
Conteúdos e objetivos O relato de viajantes, como Marco Polo, que
A expansão ultramarina é considerada por mui- desbravaram o mundo muito antes do período da
tos historiadores um marco da transição da Idade expansão ultramarina européia foi responsável não
Média para a Idade Moderna. A partir desse movi- só por aumentar a curiosidade pelo que se passa-
mento expansionista, povos europeus, americanos, va em outras partes do mundo, como também por
africanos e asiáticos se conheceram ou estreita- impulsionar o comércio e as trocas culturais entre
ram suas relações, alterando, profundamente, os ru- Ocidente e Oriente. Ainda hoje causa admiração a
mos da história. Nesse contexto, o capítulo possi- jornada do comerciante e navegador italiano Mar-
bilita discutir também a importância cada vez mais co Polo, que, no século XIII, partiu da cidade de
premente de valorizar a diversidade cultural que Veneza em direção ao Oriente, onde permaneceu

PARTE II — O VOLUME 1 39

HC-Manual prof. V. 1 39 07/04/2005, 16:12


por cerca de vinte anos. Ao retornar a sua cidade meira vez, rompiam-se as fronteiras reais e imagi-
natal, em 1298, publicou O livro das maravilhas, um nárias que limitavam o trânsito entre os conti-
relato de viagem que se transformou em fonte de nentes e o conhecimento das riquezas e diferen-
leitura e conhecimento de muitos navegadores ças culturais entre os povos. O processo de tro-
que, mais tarde, participariam das grandes viagens cas culturais e econômicas que se iniciou a partir
oceânicas. A partir da leitura do trecho seleciona- daí gerou profundas mudanças nas sociedades
do, o professor pode chamar atenção para o esti- americanas e nas européias, que, em síntese, ex-
lo fantástico da narrativa, que valoriza o imaginá- pressaram a vitória do projeto mercantilista eu-
rio, o lúdico em detrimento da observação racio- ropeu sobre as comunidades tradicionais.
nal e descritiva (derivada do método científico)
presente nos relatos de viajantes no período mo- Sugestão de atividade
derno. Para evidenciar esse contraste, o profes-
Como atividade complementar, sugerimos
sor pode comparar esse trecho com o relato de
a leitura e a discussão da carta de Pero Vaz de
Duarte Pacheco (página 164).
Caminha. O documento, considerado a certi-
No que se refere ao trabalho com conceitos
dão de nascimento do Brasil, descreve, numa
é importante discutir o de eurocentrismo, noção
linguagem simples e acessível, o fantástico en-
fundamental para se entender a relação entre ame-
contro entre essas duas culturas, revelando
ricanos e europeus. O professor pode, partindo
muito da visão de mundo do europeu daquele
dessa definição já previamente pesquisada pelos

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


período. Há várias edições publicadas, além das
alunos, analisar os trechos de documentos repro-
versões disponíveis na internet. Para o profes-
duzidos no livro (página 161), utilizando tanto a sor, sugerimos a edição crítica do documento,
iconografia, que representa os quatro continen- da qual ele pode aproveitar os comentários e
tes, como o trecho da historiadora Mary Del Priori, as análises tanto para a sua formação quanto
que interpreta a mesma iconografia. Proponha uma para o trabalho em sala de aula.
análise inicial da iconografia pelos alunos, com o
objetivo de desenvolver a capacidade de observa-
ção, dedução e raciocínio lógico. Sugestão de leitura
CASTRO, Silvio. A Carta de Pero Vaz de Caminha:
O expansionismo ibérico p. 162 o descobrimento do Brasil. Porto Alegre, L&PM,
Para abordar o tema do expansionismo ibéri- 2000.
co, o professor pode trabalhar com o mapa da BRUMEL, Pierre (org.). Dicionário de mitos literá-
página 163, que apresenta as rotas das principais rios. Rio de Janeiro, José Olympio, 1997.
viagens marítimas realizadas por portugueses e es- CASCUDO, Luís da Câmara. Geografia dos mi-
panhóis. As quatro rotas indicadas, destacadas em tos brasileiros. 2. ed. Rio de Janeiro, José
cores diferentes no mapa, podem ser analisadas Olympio, 1976.
pelos alunos em grupo. Cada grupo ficaria res-
ponsável por pesquisar uma das rotas, destacan- Texto complementar p. 165

do: 1) quando e qual a duração da viagem; 2) apre- Diário de Pero Lopes de Sousa
sentação do principal responsável; 3) o que acon- A leitura proposta para este capítulo traz parte
teceu durante a viagem; 4) os resultados da via- de um relato de viagem da época das grandes via-
gem; 5) uma fonte importante que serve como gens marítimas. O texto permite comentar a preo-
documento dessa viagem. Na sala de aula cada cupação da Coroa portuguesa com o contrabando
grupo deve apresentar a sua pesquisa para o res- de pau-brasil na costa brasileira e a visão paradisíaca
tante da classe, compondo, assim, um quadro ge- que muitos europeus tinham das terras americanas
ral coletivo sobre esse tema. e de seus habitantes. Com essa leitura, pretendemos
também desenvolver a habilidade de interpretação
O resultado do encontro entre de documentos históricos.
as duas culturas p. 164

Podemos considerar que a partir do encon- Atividades p. 166

tro entre as culturas européias e americanas teve Nas atividades 5 e 8 é importante ressaltar
início o processo de globalização, pois, pela pri- para os alunos as possibilidades abertas pelo uso

40 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 1 40 07/04/2005, 16:12


de imagens, figuras de linguagem, alegorias e ana- Do lar para o mundo p. 170
logias nos estudos de história. Um exemplo é o Para aprofundar a discussão em sala de aula
texto de Ângela Kleiman, que relata, numa cons- sobre a natureza do sistema capitalista, sugerimos
trução rica em imagens e metáforas, a viagem das que o professor analise um texto produzido pelo
“Três Marias” de Colombo em direção à América. pensador Karl Marx, um dos maiores estudiosos
Outra possibilidade de trabalho com a linguagem da economia capitalista. No fragmento a seguir, o
poética é a leitura do poema de Fernando Pessoa, autor analisa a relação de trabalho no sistema ca-
que pode ser traduzido como uma representação pitalista.
sensível e intuitiva das viagens portuguesas e de
seu significado para o povo lusitano. O operário e o capitalista
O objetivo das questões 6 e 11 é discutir os “A acumulação primitiva desempenha na eco-
efeitos das expedições oceânicas para as culturas nomia política o mesmo papel, pouco mais ou me-
americanas e a visão etnocêntrica que predomi- nos, que o pecado original na teologia [...]. A rela-
nou no intercâmbio dos povos europeus com as ção oficial entre o capitalista e o assalariado é de
sociedades do chamado Novo Mundo. Desenvol- caráter puramente mercantil. Se o primeiro de-
ver atitudes de tolerância e valorização da diver- sempenha o papel de senhor e este o de servidor,
sidade cultural é um aprendizado necessário para é graças a um contrato pelo qual este não so-
construirmos um futuro livre de guerras e práti- mente se pôs ao serviço daquele e, portanto, sob
cas de extermínio. sua dependência, mas por cujo contrato ele re-
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

nunciou, sob qualquer título, à propriedade sobre


seu próprio produto. Por que, então, teria o assa-
CAPÍTULO 17. A POLÍTICA ECONÔMICA DOS lariado feito este negócio? Porque ele nada mais
ESTADOS NACIONAIS possui senão a sua força física, o trabalho em es-
EUROPEUS tado potencial, ao passo que todas as condições
exteriores necessárias a dar corpo a esta força,
Conteúdos e objetivos
tais como a matéria-prima e os instrumentos in-
Neste capítulo abordamos a política econô- dispensáveis ao exercício útil do trabalho, o po-
mica que caracterizou as monarquias absolutis- der de dispor das subsistências necessárias à ma-
tas européias na transição do sistema feudal para nutenção da força operária e à sua conversão em
o sistema capitalista, período também conheci- movimento produtivo, tudo isto se encontra do
do como “acumulação primitiva do capital”. Para outro lado, isto é, com o capitalista.”
entender esse período é muito importante dis- (MARX, Karl. A origem do capital: a acumulação
cutir alguns conceitos apresentados no livro, primitiva. 3. ed. São Paulo, Global, 1979.)
como os de mercantilismo e colonialismo, indispen-
sáveis para o entendimento do processo que pos- Leia agora um trecho interessante da historio-
sibilitou o fortalecimento da burguesia e o grafia atual que fornece uma boa explicação so-
acúmulo de capitais necessários à industrializa- bre o processo de acumulação primitiva e uma de-
ção inglesa. finição para capitalismo.
Com esse estudo, pretendemos atingir os se-
guintes objetivos: O que é capital
• Caracterizar a política econômica mercan- “Capital designa os materiais necessários para
tilista. a produção e o comércio de mercadorias. As
• Distinguir as diferenças entre os vários ti- ferramentas, os equipamentos, as instalações das
pos de mercantilismo adotados na Europa e fábricas, as matérias-primas e os bens que parti-
percebê-los como soluções adequadas às neces- cipam do processo produtivo, assim como os
sidades de cada país. meios de transporte dos bens e o dinheiro —
• Explicar a importância dos Atos de Navega- tudo isso é capital. A essência do sistema capita-
ção para o desenvolvimento comercial da Ingla- lista consiste na existência de uma classe de ca-
terra. pitalistas que detém a propriedade do estoque
• Analisar a formação de blocos econômicos de capital. É a propriedade do capital que faculta
no mundo atual e comparar a discussão em tor- aos capitalistas a obtenção de lucros. Quando
no da abertura comercial às características da não são retirados do processo produtivo, os lu-
política mercantilista da era moderna. ➜

PARTE II — O VOLUME 1 41

HC-Manual prof. V. 1 41 07/04/2005, 16:12


➜ domínio colonial na América portuguesa. O texto
cros convertem-se em estoque suplementar de
capital. Essa acumulação de capital redunda em também ajuda o aluno a reconhecer os aspectos
mais lucros que, por sua vez, conduzem a uma mercantilistas da política comercial do Estado ho-
nova acumulação ainda maior, e assim por dian- landês.
te, numa espiral ascendente.
O termo capitalismo designa, com muita pro- CAPÍTULO 18. A REFORMA PROTESTANTE
priedade, este sistema cujos pilares são a busca E A REFORMA CATÓLICA
de lucros e a acumulação de capital. O capital é a Conteúdos e objetivos
fonte dos lucros e, portanto, a fonte de acumula-
ções de capital ulteriores.” Vivemos nos dias atuais um movimento de ex-
pansão das correntes religiosas, de grupos constituí-
(HUNT & SHERMAN. História do pensamento
econômico. 6. ed. Petrópolis,Vozes, 1987.) dos para promover o desenvolvimento da espiritua-
lidade e o aquecimento do mercado de livros de
A partir desses trechos selecionados, o professor auto-ajuda. Uma das características da sociedade que
pode estabelecer uma relação entre o processo de acu- nasceu do fim da Guerra Fria é a procura de um
mulação primitiva na Europa e a prática do colonialismo novo modelo de vida em atividades voltadas para a
aplicada ao Novo Mundo, integrando, assim, os princi- chamada educação espiritual, em prejuízo da organi-
pais temas e conceitos em foco neste capítulo. zação sindical e partidária, meios coletivos de ação
política que canalizaram os sonhos de milhões de

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Sugestão de leitura pessoas em outras épocas.
Procurar compreender os aspectos simbóli-
DEYON, Pierre. Mercantilismo. São Paulo, Perspec-
cos que marcam o comportamento humano do
tiva, 1973.
nosso tempo e compará-los com o de outras épo-
cas é o que justifica o estudo das reformas religi-
As práticas mercantilistas p. 171
osas ocorridas na Europa durante a época mo-
É fundamental compreender os objetivos e o derna.
caráter das diferentes práticas mercantilistas Por isso, seria um equívoco reduzir as motiva-
adotadas pelos países europeus para explicar os ções da Reforma Protestante ao simples interes-
fatores que impulsionaram a expansão ultrama- se econômico e político. É preciso explicar esse
rina e definiram as linhas mestras do modelo de movimento como parte de um conjunto de mu-
colonização implantado na América ibérica. Su- danças que ocorriam na Europa na passagem da
gerimos, assim, montar com os alunos um qua- Idade Média para a Moderna, que se expressavam
dro sintetizando as medidas mercantilistas e os na esfera econômica, social, política e cultural. Cada
princípios que as orientavam. Se os alunos en- uma dessas instâncias deve ser considerada em
tenderem, por exemplo, o princípio da balança sua especificidade, havendo entre elas uma rela-
comercial favorável e o do metalismo, no con- ção de influência permanente e recíproca.
texto do desenvolvimento do capitalismo mer- Os objetivos estabelecidos para este capítulo são:
cantil, vão reconhecer com mais clareza as mar- • Ler e analisar o gráfico representando o perfil
cas da política mercantilista no modelo de colo- das religiões no Brasil atual.
nização estabelecido pelos portugueses no Bra- • Caracterizar a Reforma Protestante e a Re-
sil, caracterizado pela monocultura agroexporta- forma Católica.
dora e pelo escravismo. • Explicar os principais fatores do declínio do
poder da Igreja Católica no final da Idade Média.
Texto complementar p. 174
• Identificar o papel do Tribunal do Santo Ofí-
cio e exemplificar as práticas condenadas pela Igre-
A Holanda em busca de colônias ja e julgadas por esse Tribunal.
O texto traz a visão de um historiador sobre • Caracterizar a doutrina luterana e analisar a
a especificidade da expansão colonial holandesa, posição de Lutero diante da revolta camponesa
desprovida, segundo ele, do espírito evangelizador na Alemanha.
que caracterizou o projeto colonizador dos por- • Explicar, a partir da leitura de um documen-
tugueses. O texto contribui para que, ao estudar to, a Teoria da Predestinação Absoluta.
a conquista do Brasil pelos portugueses, em ou- • Produzir texto analisando o significado da
tro momento, o aluno possa estabelecer compa- Reforma Protestante para o desenvolvimento do
rações com os elementos que identificavam o capitalismo.

42 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 1 42 07/04/2005, 16:12


• Realizar pesquisa para obter dados a respei- ➜
to da Congregação para a Doutrina da Fé e da do dramaturgo Dias Gomes, extraído de sua obra
Teologia da Libertação. O Santo Inquérito (1966). O enredo, situado na épo-
• Desenvolver uma atitude de tolerância reli- ca da atuação da Inquisição no Brasil, narra a his-
giosa. tória da ingênua Branca Dias, processada e con-
denada à fogueira pela Inquisição.
A Reforma no contexto da modernidade p. 177
Sobre o mesmo tema, sugerimos ler tam-
bém o artigo Duas faces de um mito, publicado
No contexto das reformas religiosas é impor- na revista Nossa História, n. 10, ago. 2004.
tante o professor chamar a atenção para o papel
do Tribunal da Inquisição, tema relevante para a
historiografia, sobretudo para o estudo da Euro- Martinho Lutero: a justificação pela fé p. 179
pa ibérica. Em Portugal e na Espanha, essa institui- Quanto ao trabalho com conceitos, é importan-
ção exerceu grande influência nas decisões do te explicar o significado das indulgências no contex-
Estado, levando à expulsão dos judeus dos terri- to das reformas religiosas. As indulgências eram do-
tórios ibéricos ou à sua conversão forçada ao ca- cumentos (assinados pelo papa) que tinham a fun-
tolicismo, política que também teve reflexos na ção de absolver o pecador, o que significava na prá-
administração da América portuguesa. Esse pode tica a venda do perdão. Somado a isso, o clero prati-
ser um enfoque interessante para o professor tra- cava o comércio da fé vendendo relíquias religiosas,
balhar o tema. cultivando o luxo, o mecenato e o acúmulo de pro-
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

priedades. Nesse sentido, podemos dizer que a Re-


forma foi impulsionada por uma crise moral da Igre-
O Tribunal do Santo Ofício
ja Católica, cujo poder e ação contrastavam com o
O Tribunal do Santo Ofício foi criado pelo dogma e as pregações, colocando em xeque a fun-
papa Gregório IX, no ano de 1233, com o intui- ção eclesiástica na sociedade.
to de julgar e banir as heresias (doutrinas ou
práticas contrárias ao que a Igreja definia como
João Calvino: a predestinação absoluta p. 181
questão de fé). Isso significa que os inquisidores
ficaram responsáveis pela ortodoxia da religião, Aproveitando os fragmentos de texto selecio-
sob supervisão direta do papa. Em 1252, o papa nados no livro (páginas 181 e 182), o professor pode
Inocêncio IV sancionou o uso da tortura como explorar a relação entre a ética protestante, carac-
método de obtenção da confissão de suspeitos. terizada pela valorização da poupança, e o desenvol-
Os condenados podiam cumprir penas diversas, vimento do capitalismo, enfatizando o processo de
que envolviam a abjuração pública, o confisco de acumulação primitiva, podendo retomar, se necessá-
bens, a prisão e, inclusive, a morte. As sentenças rio, o que já foi tratado no capítulo anterior.
eram anunciadas nos chamados autos de fé, rea-
lizados nas praças públicas, como na praça do Texto complementar p. 184
Rossio, no centro de Lisboa (sede do Tribunal de Salvação individual
Lisboa), local onde também eram julgados os
O texto permite compreender a diferença fun-
hereges brasileiros.
damental que demarcava a doutrina luterana e a Igreja
de Roma e que ainda hoje é motivo de divergência
Sugestão de atividade entre protestantes e católicos: o que garante a sal-
vação da alma é a fé ou as boas obras?
Para tornar o tema mais interessante para os
Além disso, a leitura contribui para que o aluno
alunos, o professor pode analisar um caso de he-
resia ocorrido no Brasil. Como sugestão, pode-se perceba que a subjetividade, as crenças religiosas e
trabalhar com a leitura dramática do texto “O outros aspectos que compõem o terreno simbólico
julgamento de Branca Dias pela Santa Inquisição”, das sociedades humanas também são importantes
➜ objetos de estudo do historiador.

PARTE II — O VOLUME 1 43

HC-Manual prof. V. 1 43 07/04/2005, 16:12


LEITURA COMPLEMENTAR

UM PARALELO ENTRE A IDADE MÉDIA E A ATUALIDADE

O diálogo a seguir, do historiador Georges Duby com dois jornalistas,


nos leva a entender a mentalidade medieval e a perceber
que a Idade Média não pode ser reduzida à “Idade das trevas”,
e que herdamos muito de suas idéias e conceitos.

“Traçar um paralelo entre a Idade Média e a aurora do Terceiro Milênio para


tratar dos medos de ontem e de hoje parece-lhe legítimo?

Os homens e as mulheres que viviam há mil anos são nossos ancestrais.


Eles falavam mais ou menos a mesma linguagem que nós e suas concepções de
mundo não estavam tão distanciadas das nossas. Há, portanto, analogias entre
as duas épocas, mas existem, também, diferenças, e são elas que muito nos
ensinam. Não são as semelhanças que vão nos impressionar, são as variações
que nos levam a fazer-nos perguntas.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


Por que e em que mudamos? E em que o passado pode dar-nos confiança?

O senhor percebe hoje, no seio da sociedade, um sentimento de medo que


poderia aproximar-se de um sentimento de mil anos atrás?

Nossa sociedade é inquieta. O próprio fato de que ela se volta resoluta-


mente na direção da sua memória é uma prova disso. [...] Se nos apegamos
dessa maneira à memória dos acontecimentos ou dos grandes homens de
nossa história, é também para retomar confiança. É por isso que uma inquieta-
ção, uma angústia, está escondida em nosso íntimo.

Para compreendermos os medos de nossos ancestrais, são suficientes os dados


do conhecimento da Idade Média?

Esse período de nossa história está distante e as informações são ra- É preciso, portanto,
ras. É preciso, portanto, considerar a Idade Média no seu todo. Constata- considerar a Idade
mos que essa sociedade foi movida, entre o ano mil e o século XIII, por um
progresso material fantástico, comparável ao desencadeado no século XVIII
Média no seu todo.
e que prossegue até hoje. A produção agrícola multiplicou-se por cinco ou Constatamos que
seis vezes e a população triplicou em dois séculos, nas regiões que essa sociedade foi
constituem a França atual. O mundo mudava muito rapidamente. A circula- movida, entre o ano
ção dos homens e das coisas acelerava-se. Depois, na metade do século mil e o século XIII,
XIV, entrou-se numa fase de quase estagnação que durou até a metade do
por um progresso
século XVIII. Assim, por exemplo, nenhum progresso notável intervém
nos transportes entre o reinado de Filipe Augusto e o de Luís XVI, a dura- material fantástico,
ção do trajeto de Marselha a Paris mantém-se quase a mesma durante comparável ao
cinco séculos. desencadeado no
Percebemos, também, bastante claramente, a evolução das mentalidades. século XVIII e que
Nesse período de grande crescimento, como ocorre atualmente, os filhos não prossegue até hoje.
pensavam da mesma forma que os pais, mesmo que essa sociedade muito
hierarquizada cultivasse, de maneira fundamental, o respeito aos anciãos. Veja:
eis uma diferença em relação aos dias de hoje. [...]
É preciso, também, tentarmos esquecer o que pensamos e colocarmo-
nos na pele dos homens de oito ou dez séculos atrás, para penetrar na

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HC-Manual prof. V. 1 44 7/14/05, 6:27 PM


civilização da Idade Média, tão diferente da nossa. [...] Todas as culturas [...] Todas as culturas [...]
são dominadas pelas mesmas angústias em relação ao mundo. Elas partilham são dominadas pelas
um sentimento geral de impotência para dominar as forças da natureza. A
mesmas angústias em
cólera divina pesa sobre o mundo e pode manifestar-se por este ou aquele
flagelo. O que conta essencialmente é garantir a graça do céu. Isso explica o relação ao mundo.
poder extraordinário da Igreja, dos servidores de Deus na terra, pois o Esta- Elas partilham um
do, tal como o concebemos hoje, não existia. O direito de comandar, fazer sentimento geral
justiça, proteger, explorar o povo dispersava-se entre vários pequenos nú- de impotência para
cleos locais. Os chefes, esses homens que empunhavam a espada, a espada dominar as forças
da justiça, sentiam-se os representantes de Deus, encarregados da manuten-
ção da ordem que Deus quer fazer respeitar na terra.
da natureza.

A consciência da história existia na Idade Média? Tentava-se abstrair


ensinamentos dela?

Evidentemente. O que diferencia mais claramente a civilização européia


das outras é que ela é essencialmente historicizante, ela se concebe como
estando em processo. O homem do Ocidente tem o sentimento de que
progride em direção ao futuro e, assim, ele é muito naturalmente levado a
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considerar o passado. O cristianismo, que impregnou fundamentalmente a


sociedade medieval, é uma religião da história. Proclama que o mundo foi
criado num dado momento e que, num outro, Deus fez-se homem para
salvar a humanidade. A partir disso, a história continua e é Deus quem a O cristianismo,
dirige. Para conhecer as intenções divinas é necessário, portanto, estudar o que impregnou
desenrolar dos acontecimentos. É isso o que pensavam os homens cultos, os fundamentalmente
intelectuais daquela época, ou seja, os membros da Igreja.Todo o saber esta- a sociedade medieval,
va em suas mãos. Um monopólio exorbitante.
Em um grande número de instituições religiosas, mosteiros ou cate-
é uma religião da
drais, escreveu-se, portanto, a história, e sob diferentes formas. De manei- história. Proclama
ra geral, anotavam-se simplesmente os acontecimentos marcantes ao lon- que o mundo foi criado
go do ano: em tal ano irrompeu uma tempestade extraordinária, as colhei- num dado momento
tas foram tardias, tal papa morreu, uma epidemia alastrou-se, o telhado do e que, num outro, Deus
dormitório ruiu. Assim tomava forma o que chamamos de anais. Mas, às
fez-se homem para
vezes, ia-se mais longe. Um dos monges ou cônegos encarregava-se de
compor verdadeiramente uma história. Os acontecimentos do passado eram salvar a humanidade.
retomados e colocados em ordem. Desse gênero de escritos vem uma A partir disso, a
grande parte do que sabemos daquele tempo. Provavelmente nós o conhe- história continua e
çamos também pelas contribuições da arqueologia, pelos vestígios da exis- é Deus quem a dirige.
tência dos homens que encontramos ao escavarmos a terra. Entretanto, se Para conhecer as
a Idade Média não nos parece estranha, é porque os sábios se encarrega-
intenções divinas é
ram de escrever a história. Sabemos muito mais sobre os séculos XI e XIII
europeus do que a respeito da história da Índia, por exemplo, ou da África, necessário, portanto,
porque não havia, nessas regiões do mundo, a mesma vontade de registrar estudar o desenrolar
com exatidão o que acontecia de notável no decorrer dos dias.” dos acontecimentos.
(DUBY, Georges. Ano 1000, ano 2000: na pista
de nossos medos. São Paulo, Editora Unesp/Imprensa
Oficial do Estado de São Paulo, 1999. p. 13-17.)

PARTE II — O VOLUME 1 45

HC-Manual prof. V. 1 45 07/04/2005, 16:12


Respostas das Questões
de Vestibular/Enem

INTRODUÇÃO b)O Estado sustentava-se por meio da cobrança de


impostos sobre os excedentes econômicos da pro-
O FAZER HISTÓRIA dução agrícola e da pecuária; por outro lado, reali-
zava grandes obras de irrigação, além de controlar,
estocar e distribuir a produção.
CAPÍTULO 1. A CONSTRUÇÃO DA HISTÓRIA
2. c 3. b
1. a) V; b) V; c) F; d) F.
4. b 5. c
2. b 3. b 6. a) F; b) F; c) F; d) V; e) V.
4. b 5. b
7. a) A organização social da Mesopotâmia caracteriza-
va-se pela existência de diversos grupos sociais, ha-
vendo, na hierarquia, aristocratas, sacerdotes dos
templos, comerciantes, artesãos, escribas, campo-
UNIDADE I neses e escravos, entre outros setores de menor
destaque. Politicamente, os reinos mesopotâmicos
DOS PRIMEIROS HUMANOS AO LEGADO

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podem ser definidos como uma monarquia despó-
CULTURAL DO HELENISMO tica, em que o rei era visto como um intermediá-
rio entre os deuses e os homens.
CAPÍTULO 2. AS ORIGENS DO HOMEM b)Os principais aspectos do código eram a superiori-
1. e dade da lei escrita sobre a norma oral e o princípio
do “olho por olho, dente por dente”, a chamada
2. d “Lei do Talião”. O Código de Hamurábi estabele-
cia que todo delito tinha de ser punido de forma
CAPÍTULO 3. DAS ALDEIAS PRÉ-HISTÓRICAS semelhante ao crime cometido.
AOS PRIMEIROS ESTADOS 8. b
1. c 3. e
2. d 4. d
CAPÍTULO 7. AS CIVILIZAÇÕES HEBRAICA
E FENÍCIA

CAPÍTULO 4. A IDENTIDADE DO HOMEM 1. a) F; b) F; c) V; d) V; e) F.


AMERICANO 2. d
1. d 3. Biblos, Sidon e Tiro. A principal contribuição dos
2. d fenícios foi a invenção do alfabeto.
4. a 5. c
CAPÍTULO 5. A CIVILIZAÇÃO FLORESCE 6. a 7. c
ÀS MARGENS DO NILO 8. d; e 9. c
1. c
CAPÍTULO 8. O LEGADO DA GRÉCIA
2. Os camponeses eram submissos ao Estado. Quando
PARA A CIVILIZAÇÃO
eles eram convocados pelo poder público, tinham que
interromper as atividades que exerciam para atuar OCIDENTAL
nas obras públicas. 1. A religião grega era politeísta; cultuava deuses
3. d 4. b antropomórficos, caracterizados à semelhança dos
5. c 6. b defeitos, paixões e virtudes dos homens; a mitologia
7. a 8. c grega possuía caráter narrativo e mítico, e não era
uma fonte de ensinamento moral.
CAPÍTULO 6. MESOPOTÂMIA, BERÇO DE 2. a
CIVILIZAÇÕES 3. O teatro grego atingiu seu apogeu no século V a.C.,
com o desenvolvimento das tragédias de Ésquilo,
1. a) A escrita tinha como função inicial facilitar a ad- Sófocles e Eurípedes, obras nas quais o destino hu-
ministração do Estado para organizar os registros mano era questionado em profundidade, levando ao
das propriedades, do número de funcionários e das autoconhecimento através da revelação da natureza
despesas públicas. dos sentimentos humanos. Também se desenvolveu

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a comédia, dedicada à crítica e à sátira de costumes, clássica e da investigação racional sobre o mundo,
gênero em que se destacou Aristófanes. num processo de valorização da razão de caráter
4. d 5. c 6. b humanista, que incluía também a democracia.
7. a) Ao contrário do país dos Ciclopes, a cidade-Esta- 14. a) A idéia de economia presente no texto de
do grega era regida por leis, aprovadas diretamen- Aristóteles refere-se principalmente à relação do
te pelos cidadãos em assembléias populares. homem com a natureza, no sentido de obter re-
cursos para sobreviver e reproduzir-se.
b)Atenas, cidade-Estado que se tornou democrática
no século V a.C., governada pelos cidadãos reuni- b) O conceito capitalista de economia está centrado
dos em Assembléia, e Esparta, cidade-Estado na acumulação de excedentes que se reproduzem,
oligárquica e militarista, são os modelos mais co- de forma que o dinheiro gere dinheiro (lucro). Para
nhecidos, mas também podemos citar as diversas Aristóteles a origem da riqueza estava na natureza.
monarquias e tiranias existentes em diversas cida-
des-Estado da Grécia. CAPÍTULO 9. O ESPLENDOR DE ROMA
c) A democracia grega diferencia-se da atual por ter 1. d 2. c 3. a) V; b) V; c) F; d) F.
sido uma democracia direta e participativa, em que
4. c 5. e
as decisões da Assembléia tinham caráter sobera-
no, não havendo poder Executivo separado do 6. O Direito romano, base do sistema jurídico ociden-
Legislativo, enquanto a democracia moderna tem tal; o Calendário Juliano, do qual se originou o ca-
caráter representativo e é organizada segundo o lendário gregoriano; a condução política dos negó-
princípio dos três poderes. cios da cidade, por meio de instituições democráti-
cas e republicanas; o modelo de grade curricular pre-
8. a) A Liga de Delos foi uma união de caráter diplo-
sente nas escolas; o teatro e a filosofia.
mático e militar entre as cidades gregas, com o ob-
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jetivo de combater os persas e garantir a seguran-


ça de seus habitantes.
b)Atenas possuía a maior frota marítima aparelhada UNIDADE II
para a guerra, sem a qual as forças de segurança da
Liga de Delos pouco significariam. A CONSTRUÇÃO DOS SENTIDOS
c) A Acrópole era a parte mais alta da cidade, onde
se situavam os templos religiosos, em especial o de CAPÍTULO 10. ALTA IDADE MÉDIA
Atena, a protetora da cidade-Estado.
1. a) Poder local: senhores feudais; poder em esfera na-
9. a) Alexandre foi o rei da Macedônia, guerreiro e con-
cional: rei; poder supranacional: o clero.
quistador de um império que se estendeu da Grécia
ao Rio Indo, na Índia, no século IV a.C. Suas con- b)O rei, que contou com o apoio da burguesia para
quistas visavam ao fortalecimento do Estado, à ex- centralizar o poder monárquico. Apesar de o Esta-
pansão da economia do mundo grego e à pacifica- do moderno ter sido constituído para reafirmar o
ção dos conflitos com os persas. poder da nobreza, ele serviu para o fortalecimento
da nova classe burguesa.
b)O helenismo caracterizou-se pela expansão da cul-
tura grega clássica, porém de forma adaptada às 2. c 3. d
demais culturas, como a persa e a egípcia. Era a 4. a) V; b) F; c) V; d) V; e) F.
expressão cultural de um mundo cosmopolita. 5. a) A cavalaria foi uma instituição de muito prestígio
10. A Guerra do Peloponeso durou cerca de 30 anos; foi na época. Ela era responsável pelo combate dos
marcada pela fome e pela peste, tendo exterminado inimigos dos senhores feudais nos âmbitos inter-
boa parte da população de Atenas e de outras cidades- no e externo. Externamente, os cavaleiros com-
Estado. A vitória de Esparta não significou uma nova batiam os invasores e, dentro dos feudos, atuavam
ordem, e sim uma grande desordem política, sobre a contra as revoltas camponesas. Para o clero, os
qual se instalaria mais tarde o Império Macedônico. cavaleiros eram os responsáveis pela defesa do ter-
11. A democracia grega era um sistema no qual o cidadão ritório contra os inimigos da ordem feudal.
participava ativamente da administração e da legislação, b)O papa representava o elemento sagrado que de-
visto que era uma democracia direta (não-representati- veria estar sempre presente nos rituais de cavala-
va). Ser cidadão, porém, era uma prerrogativa dos ho- ria, ainda que na forma de relíquias sagradas, sim-
mens livres; portanto, escravos e mulheres não possuíam bolizando a subordinação da ordem terrena ao
voz política, ficando restritos ao mundo privado. mundo espiritual cristão.
12. A democracia ateniense era direta, ao contrário da 6. A sociedade feudal era estamental e hierarquizada,
atual, representativa. Os poderes estavam concentra- composta de clérigos, nobres e camponeses. A Igre-
dos na Assembléia e não no Poder Executivo, não ha- ja definia a função social de cada grupo. A nobreza
vendo uma burocracia ligada à atividade política, como feudal estava encarregada de proteger a fé e os ha-
acontece hoje em dia com os servidores públicos. bitantes dos feudos, enquanto os camponeses de-
13. Durante o século V a.C. a cultura grega assistiu ao viam prover os recursos necessários à subsistência
desenvolvimento do teatro (com Ésquilo, Eurípedes, dos demais grupos.
Sófocles), da filosofia moral (Sócrates), da escultura 7. e

PARTE II — O VOLUME 1 47

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CAPÍTULO 11. NASCIMENTO E EXPANSÃO tempo é a capitalista, marcada pelo dinamismo do
DO ISLAMISMO mercado e do comércio, pela valorização do lucro
e pelo poder do capital.
1. d 2. b 3. b 6. a) As jacqueries, nome genérico das rebeliões campo-
4. a) V; b) V; c) V; d) V. nesas ocorridas na França durante a crise do feu-
5. a 6. e dalismo, no século XIV, foram movimentos cam-
7. Os pilares da doutrina islâmica, associados à deca- poneses contra a exploração feudal. Os rebeldes
dência dos impérios persa e bizantino, contribuíram defendiam o fim da servidão e a melhoria das con-
para a expansão dos árabes. Além disso, devemos le- dições do trabalhador do campo.
var em conta os interesses econômicos dos mercado- b)A peste negra, a Guerra dos Cem Anos e as crises
res árabes, que foram essenciais no processo de ex- de fome.
pansão islâmica pelo Mediterrâneo. O contato com
os europeus resultou no aparecimento, na região da CAPÍTULO 14. A CONSOLIDAÇÃO DAS
Península Ibérica, de uma cultura híbrida, responsá- MONARQUIAS NA EUROPA
vel pelo desenvolvimento de várias áreas do saber. MODERNA
8. a) V; b) V; c) V; d) V; e) V.
1. b 2. e 3. b
9. c 10. e 11. c
4. e 5. d
CAPÍTULO 12. A CIVILIZAÇÃO BIZANTINA 6. a) Os poderes eram concentrados nas mãos do rei, que
controlava a justiça, a administração e a legislação,
1. e 2. d além de representar o papel de escolhido por Deus e
3. a) Civilizações árabe e bizantina. de supremo chefe militar. O poder político do rei

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b)A civilização árabe, de religião islâmica, era urba- baseava-se na divergência de interesses entre nobre-
na e predominantemente comercial, tecnicamen- za e burguesia. Geralmente o rei privilegiava a no-
te bastante desenvolvida e politicamente organi- breza em detrimento da burguesia. O poder absolu-
zada em califados de caráter teocrático. A civili- tista dos reis era justificado pelas teorias elaboradas
zação bizantina, de religião cristã liderada pelo por pensadores como Thomas Hobbes e Maquiavel.
patriarca de Constantinopla, foi herdeira das tra- b)Idade Moderna, entre os séculos XV e XVIII.
dições jurídicas, políticas e filosóficas da Roma c) O poder emana da sociedade, e não de uma enti-
antiga e caracterizava-se pelo poder centralizado dade divina; os governantes são eleitos pelo voto
no imperador. popular e estão subordinados à lei como qualquer
4. c outro cidadão.
7. a
CAPÍTULO 13. BAIXA IDADE MÉDIA
1. a) O desenvolvimento do comércio e o aumento CAPÍTULO 15. O RENASCIMENTO
populacional foram importantes fatores para a crise CULTURAL E CIENTÍFICO
do feudalismo. Nessa época, a partir do século XIV,
a Europa ocidental assistia à ascensão da burgue- 1. d
sia mercantil e ao esgotamento das relações de tra- 2. a) O tema tratado nos textos é o homem. Os três dis-
balho servis. A riqueza passou a basear-se na moe- cursos são caracterizados pelo humanismo, ou seja,
da e não apenas na terra, as relações de trabalho a valorização do que há de melhor no ser humano,
tornaram-se gradualmente assalariadas, desenvol- tais como o livre-arbítrio, a racionalidade, a des-
veram-se feiras e cidades, que contribuíram para treza etc.
romper o isolamento característico do feudalismo. b)Enquanto Sófocles e Cícero são representantes do
b)A peste negra e a fome afetaram a economia feu- mundo clássico greco-romano, Pico della
dal já decadente, mas também o dinâmico comér- Mirandola viveu no Renascimento, período em
cio no Mediterrâneo, verificando-se aí o que se que muitos pensadores e artistas pretendiam reto-
convencionou chamar de “crise de retração” do mar os estudos e os valores da cultura de Cícero e
comércio europeu. A peste negra foi responsável Sófocles. Semelhante aos filósofos da Antigüida-
pela morte de quase um quarto da população eu- de clássica, os renascentistas reconheciam e valo-
ropéia, gerando uma escassez de mão-de-obra que rizavam a capacidade criativa dos seres humanos.
acabou por afetar as relações de trabalho servis, a 3. b 4. e 5. c 6. c
base do sistema feudal.
7. e 8. e 9. b
2. d 3. b 4. c
5. a) Transição do feudalismo para o capitalismo. CAPÍTULO 16. A EXPANSÃO ULTRAMARINA
b)A sociedade em que predomina o espaço é a feu- EUROPÉIA
dal. As características mais significativas são a rí-
gida hierarquia social, a economia baseada na agri- 1. b 2. e
cultura, o domínio do pensamento religioso e o 3. a) A América, apesar de já ter sido encontrada por
trabalho servil. A sociedade em que predomina o Colombo, era ainda considerada parte das Índias,

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erro que seria corrigido mais tarde por Américo possuíam alto valor comercial. Além disso, as co-
Vespúcio. A Oceania ainda não tinha sido encon- lônias consumiam, a baixos preços, os produtos
trada pelos europeus. comercializados pelas metrópoles, aumentando a
b)Matemática (principalmente geometria), geogra- margem de lucros dos comerciantes e enriquecen-
fia, astronomia e cartografia. do o Estado metropolitano.
4. b 8. A riqueza econômica do Império espanhol provinha
da acumulação de metais, característica do mercan-
5. a) A linha divisória resultou das disputas entre Portu-
tilismo, em função do grande afluxo de prata e ouro
gal e Espanha pela conquista de territórios após a
extraídos de suas colônias da América.
chegada de Colombo à América e estabelecia a par-
tilha das terras encontradas entre os dois países.
b)Durante o período colonial, a ocupação portugue- CAPÍTULO 18. A REFORMA PROTESTANTE
sa ultrapassou os limites da linha de Tordesilhas. E A REFORMA CATÓLICA
Na época da União Ibérica (1580-1640), os limi-
tes do território brasileiro foram ampliados. Pos- 1. a) A Igreja conseguiu dominar as heresias medievais
teriormente, tratados diplomáticos e conquistas de- por meio da violência, da repressão e da censura
finiram os atuais limites do Brasil. exercidas pelos inquisidores do Tribunal da Inqui-
sição.
6. A razão mais freqüente apresentada para a expansão
ultramarina é a busca de metais preciosos e merca- b) O luteranismo e o calvinismo apresentavam propos-
dorias de valor comercial (especiarias) para justifi- tas numa época em que o fortalecimento dos Estados
car os investimentos da burguesia e do Estado nas nacionais favorecia a contestação ao poder da Igreja.
grandes navegações. Lutero foi protegido pelo príncipe de Wittenberg,
Calvino recebeu apoio da burguesia suíça.
7. a) Numa época em que os venezianos, e depois os
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

turcos, monopolizavam o comércio de produtos 2. c


orientais, a busca de novas rotas para o comércio 3. a) A Reforma Protestante.
de especiarias foi uma das maiores motivações da b)A promessa de absolvição dos pecados em troca
expansão ultramarina, em função da possibilida- de dinheiro para a Igreja (indulgências), o poder
de de romper esse monopólio e com isso conse- infalível do papa.
guir vultosos lucros com a venda de uma merca-
c) Porque liberou os burgueses das proibições ecle-
doria muito valiosa no mercado europeu.
siásticas em relação às práticas comerciais e ban-
b)Entre as ações de cristianização destacam-se: cons- cárias (em especial a cobrança de juros).
trução de escolas jesuíticas e igrejas; catequese das
4. b
populações indígenas.
5. a) A Reforma Luterana, iniciada em 1517, que criti-
8. e 9. a 10. e
cava a conduta do clero e a cobrança de indulgên-
cias.
CAPÍTULO 17. A POLÍTICA ECONÔMICA
b)A invenção da imprensa facilitou a publicação e a
DOS ESTADOS NACIONAIS
divulgação da Bíblia, que foi traduzida por Lutero.
EUROPEUS Além disso, o surgimento de outras igrejas protes-
1. Protecionismo alfandegário, proposta de balança co- tantes fortaleceu a divulgação do movimento re-
mercial positiva, metalismo, exclusivismo metropo- formista.
litano, intervencionismo estatal. O liberalismo com- 6. b 7. b 8. a
bate a intervenção estatal na economia e defende 9. a) F; b) F; c) F; d) F.
que o mercado deve ser regido pelas leis da oferta e 10. d
da procura.
11. a) V; b) V; c) V; d) F.
2. d 3. b 4. b
12. e 13. c
5. d 6. b
14. A reestruturação do Tribunal do Santo Ofício, en-
7. a) O princípio da balança comercial favorável, que carregado de combater o protestantismo, as heresias
garantiria o acúmulo de ouro e prata nos cofres do e o judaísmo; a criação do Index, instituição eclesiás-
Estado. tica encarregada de publicar a relação dos livros con-
b)A importância das colônias para concretizar o prin- trários à doutrina católica e, portanto, proibidos aos
cípio da balança comercial favorável foi estabele- católicos, e a utilização de ordens religiosas, como a
cer uma economia complementar à da metrópole, dos jesuítas, com a tarefa de converter à fé católica
produzindo artigos que não havia na Europa e que os povos das terras encontradas.

PARTE II — O VOLUME 1 49

HC-Manual prof. V. 1 49 07/04/2005, 16:12


Parte III — Sugestões bibliográficas

1. Bibliografia para o professor . Reflexões sobre a História. Portugal, Edições


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54 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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56 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 1 56 07/04/2005, 16:12