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Um último ponto para o qual devo chamar a atenção: uma das carac-
terísticas naturais das rias é que as formas dos grandes golfos se repetem
nos pequenos, e esses pequenos golfos contribuem para formar os grandes.
Em todas as costas de rias, essas pequenas baías escavadas nos grandes gol-
IV, AS LEIS DO
fos são ele real importância para o local elos estabelecimentos humanos. As-
sim, na costa oeste, Ajaccio, Calvi, Saint-Flor ent e Sagona ocupam uma si-
tuação tal, em seus grandes golfos, que um promontório dirigido seja para
CRESCIMENTO' ESPACIAL
o norte, seja para o sul, protege-os contra os ventos de oeste; esses ventos,
de fato, reinam soberanos nesses golfos, para cuja formação é visível que
contribuíram largamente.
DOS ESTADOS*

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o direito internacional define como província de um Estado aquela POI-


ção de terra sujeita ao governo do Estado. A geografia política também se
radica nessa definição, mas não lhe dizem respeito as cláusulas e as disposi-
ções com as quais o direito internacional expande o domínio cio Estado pelo
céu e peja terra, a uma determinada distância, ou estende esse domínio a
todos os navios - principalmente os navios de guerra - que ela considera
. como parte flutuante do Estado cuja bandeira eles agitam, Para a geografia
política, por outro lado, são importantes todas aquelas referências que con-
cernem à extensão da jurisdição do Estado sobre os mares adjacentes, e aque-
las diversas obrigações que, ao favorecer um Estado, penetram e violam o
território de outro. Assim. deveriam ser mencionados, os tratados russo-
persas de 1813 e 1828, através dos quais o mar Cáspio tornou-se um "Lago
Russo", que a Rússia governa "e\c1usivame~nte. CO!1l0 até hoje". Nos ma-
pas, a tronreir a russa deve ser deslocada para diante dos ancoradouros de
Babui e Rccht , pois a área russa do mar Cáspio realmente divide 3~ provin-
cias persas elo Cur asão c do Azerbaidjào, corno se urna província russa se
estendesse entre elas. i\ extensão ela Jurisdição alfandcgana cio l mpério Gcr-
mânico sobre l.uxernbur go também deveria estar indicado 110, mapas. As
manobras da policia manu.na e sanitária da Áust ria-Hung ria nas costas de
\lontenegro não podem ser representadas no mapa, mas são muito cnfat i-
zadas em todas as descrições geográ ficas dessas regiões, A gcogr a fia polít ica
ern particular deveria enfatiz ar os vários casos scmelhanu-s, pois dt'[cTllli

Reproduzido de R.\':"ZL., F Ihe 13'-.\'Sof :hc sparia! growth oi s(a{~s. l u: 1<.\St-·FR~;().'(, R. I:.
C\LNGHI. J. Li. Thesfruclurcofpohiicalgt!o!jraphy. Chicauo. .vldinc, 1969. p. 17·~~ Tradu
z.do do inglês por Denise Bot unar..
17/
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176
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t aquIlo que, no S
E rado está relacionado
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com a su-
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A
I' l como em qualquer parte do globo, e sua transmissão de uma área a outr n
é uma das,mais pocle:os~s causas do desenvolvimcn~o histórico. Nesta causá-l
-nam mais preClsamen e _, domínio propno da gcogr a Ja,.lsto e, espacial há duas tend?nclas: ~/argGl:n.ento e reprodução, amb~s 0r-e_~andocon-{
oJ'fJ'c'ic da Te,rra, sendo pot t~f~to °AJ'e'm disso tais condicões estão ll1tJma-
I) ~ " id oora lCO. ," - .' tinuarncnte como estímulos a mobilidade. Todas as teorias filosóficas do de-J
a região em seu senti" o ge ~o es acial dos Estados por duas razoes: pr im er- senvolvimento histórico são falhas basicamente por subestimarern as conel i-i
mente ligadas ao ClC$Clmen rif~ria onde usualmente ocorre esse c~esclD:eJ:- ções imediatas do desenvolvimento do Estado. A esse respeito, as chamad ax]
r o orque elas surgem na pe 'nho' segundo porque elas sao o s111,l1 teorias do desenvolvimento são particularmente incorretas, quer pr oponha m]
,P 1 I preparam o carnmuv. '. O . .
to e para o qua e as " de um processo de crescJmento. s mven- uma progressão linear, espiral ou outra qualquer progressão do desenvolví.j
, . dos vesoglOS bi t . 'c> 1
dos preparatIVOS ou vem o território estatal como um, ~ Jet~ es ave mento. Aos motivos já citados, acrescenta-se um terceiro, o sistema, ou ai
tários de Estado.s que descre essa concepção dogmática e e,stenl ba?~arnen- natureza das relações do Estado com o território que determina o ritmo ela
a
e inteiramente fJxo chegam rur as A sua apreciação 50 pode 101 talecer crescimento e, em particular, a estabilidade do seu resultado.
te por desconsiderarem t~IS r~ o Est~do, estamos tratando de uma na~ure-
a única conclusão correta. idi ais a natureza do orgânico que esta nglda 1. As dimensões do Estado crescem com sua cultura. A expansão d'os
za orgânica. E,' nada contra bé mapara a aeoorafia política que, certamente, horizontes geográficos, produto dos esforços físicos e intelectuais de inúme-
~ . - .. 1 ' "aletam em '" ~ laci . mas
circunscnÇ2o. sso v b s estáveis dos movimentos popu a\..1OnaIS, ras gerações, apresenta continuamente novas áreas paraa expansão espacial
trata principalmente da~ ase fato de qu6~o.s·Estados. dependem, ~~ forma das populações. Dominar politicamente essas áreas, amalgamá-Ias e mantê-
nunca pode perder de vI.sta o . . to é eles se conformam à mobllJdade de Ias unidas requer energia ainda maior. Tal energia só pode se desenvolver
e tamanho, de seuS habJtantes, IS ; especialmente nos fenômenos de seu lentamente pela e através da cultura. A cultura cria progressivamente as ba-
ess
suas populações, l~l cOI~o~ec:;t~1 número de pessoas está liga~o à ,área d~ ses.e os meios para a coesão dos membros de uma população, e amplia COn-
crescimentO e decl1mo. 010 dele retiram seu sustento e, alem dlSS~, es tinuamente o círculo daqueles que se reúnem pelo reconhecimento de sua
Estado. Elas vivem em seu} . ~s irituais. Juntamente com essa porçao. de homogeneidade. ;
tão ligadas a ele por reJa~oespa:a a geografia política, cada povo: localiza- Idéias e posses materiais difundem-se a partir depontos de origem e
terra, elas ~ormam o ~sta o'te delimitada, representa um corpo VlVO que se de saída selecionados, encontram novos caminhos de difusão e ampliam Sua'
do na sua area essenClalme~a Terra e se diferenciou de ~utros corpos, ~ue área. Desse modo, tornam-se os batedores do crescimento do Estado, que
estendeu sobre uma ~arte f onteiras ou espaços vazios. As populaçoes então utiliza as mesmas vias e ocupa as mesmas áreas. Vemos, acima de tu-
igualmente se expandnam por, \ mo Ele'se transforma em mo\'i-mento ex- do, uma íntima relação entre expansão política e religiosa. Mas mesmo elas
estão em contínuo movimento, 111 euando se ocupa um novo trecho de terra são ultrapassadas pela enorme influência do comércio, que ainda hoje atua
terno, para diante ou para ~:~~' ;nterior. Temos então a impressão de que como um impulso poderoso em todas as direções de expansão. Fornecendo
ou se aba12dona u~a poss: frente ou para trás, como uma massa lentam~n- anoio a lodos esses impulsos estão as pressões populacionais, que aumen-
a popu\açao se move para . tória conhecida, ocorreu que esses mO\-lm~n- i arn com <1 cultura, e que, tendo por sua vez promovido a cultura, leVam
e flutuante1. Raramente, na h,IS desocupados. Em geral, levam a ocupa- ir expansão devido às pressões espaciais.
t . por terntorlOS 'a Embora nem sempre as maiores culturas tenham sido as maiores COns-
tOS se expandIssem tOS' ou am a peq
. d: uenas áreas iunto com suas pOpUJ -
, ,- D - 10
-e- ou deslocamen ., '. sem se de'locarem. o mesmo n - ncror as de Estados - a formação de Estados é apenas uma elas muitas f11<1-
c0 ~ -dadesmmOles,- I - I .- nciras nas quais as forças culturais podem ser utilizadas --, todos os gran-
'-0- c' combinam-se em um, ite se decinte~ram, e esse processo c e uniao
,-' , " r'5 novamer ' o ~- da des ESTados do passado e do presente pertencem aos povos civilizados. Isso
do esses Estados malO c . di muicào representa uma parte 11.1n,,-
, - \ cr~SClJl1entOe Iml , " . m in ~ ci8ramente mostrado peja distribuição contemporânea dos grandes Esi~I---
c cksintcgraçao,( e ~ . '-'cos e.eo~raficamente deSCritoS com~ u, i -

1enta\ dos movImentos IW;tG11. '~e n-1'enores Cada transformaçao espa- dos: estão situados na Europa e nas áreas coloniais européias. A China é
11 , flCles maiores -' ',' . 1 " o único Estado de dimensões continentais que pertence a uma esfera cultu-
terc'\mbio entre supcr ..".' ,tá"p;s sobre rodas as areas vizmnas .
.> c - _ 'tem consequenClaS mev I, ~, ral diferente da européia; ao mesmo tempo, contudo, de todas as regiões
cial na EUl opa c1.:lturais não-européias, a Asia Oriental é a mais altamente dcc;envoh·ida.
_ "! freci~'rte'pcnte us,tda como inl3.gç·,:11. ;;La pO'Ç1.l-
---~-:~-'- rJuida das pOP\l\;:\ç~)e~ lei? ~)( o " l'-'.C,,: _.:, .'ent s'e~l101.110l!~S éicndue sur de I~.O'!.:-
Se recuamos aos primórdios de nossa própria cultura, encontramos os
I r~ ndlUI(~:~l.:',_Lnl~, cornnl~ une hqulde.que.lle~I.~It: t.~;•.~ 1'). 362. o, ~USS05 fo;-an1 descrllos raios ele ação dos Estados relativamente maiores em torno do ;-vlcditcrrâneo,
\:Hlun des ,~~l:-~\~·;l'-.>mos C'nl Conde de Pans, Gue!l,,~ O.,~~:,(e:C"u~ 10\20 tl:'rú i1jl,;l~dado suas t crras cujos territórios, porém, não poderiam cc!ificar Estados de proporções COI1-
\~(\\I' ~~-'P\~~~~;a\~1i~\.l c,?nlo un: ~l~r em lcn.to ~~ts(_lrnc~!l~ )l..~~airna-gcln, pois empresta ao terna, ti:;entais, devido à sua forma e localização numa zona de.estepes. O Zllnúl-
pül Lt:10, "_ geo(1rafia pohuca .. esta e I~t\lS
Conludo. paI,l 3 ~ o "a fixa e pOp\llaçoes moveb, a uruca u
= q... '. ica ir1terpn:lacão correta do ~OVü
.' g;l:na de vários deles ao lrnpério Persa gerou pela primeira vez um Estado
'\ sua conc\i.\çào entre l~fI.'.,. ': . 0;"1 f11'C 8.5, crn sua \"ariaçSo,
11 c ~ '~. (: '15 [C'f!lOCS (lI;::' ~
ç do FSl;ldo. uO " ,_.
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cujo tam~nho, de cerca ele 000 000 krn", poderia se comparar à Rús- secundário. Mesmo entre os majores e mais antigos poderes, encontramos
sia eUIopel~. ~ E~:to, mclUl.ndo suas áreas desérticas, não ultrapassava aldeias-Estado de 100 habitantes, como no interior da Indochina, Antes da
400 000 km , e as ai eas. desabitadas da Assíria \ ela Babilônia não iam além ocupação egípcia, nos aproximadamente 138 000 km2 dos territórios estima-
~e 1130 000 km-. A maior expansão da Assíria, embora de duração inabi- dos dos Azande, Schweinfurth computou - provavelmente de modo não-
~l~~ ~enl~ curta, cobnu uma área de aproximadamente três vezes o ta~a- exaustivo - 35 Estados, alguns dos quais não ultrapassavam os limites de
2
a emanha atual . De todos os antigos impérios mundiais ar enas o uma aldeia, Um grande Estado Azande, tal como havia no centro da região,
Persa :orrespondeu ~o seu tít~,l~ grandiloqüente, na medida em q~e ~cupou mesmo na época Junker, dificilmente chegava a um terço de Baden. Os Esta-
a t~talldade do continente asratico, principalmente o Irã, que é cinco vezes dos secundários eram aproximadamente do tamanho de Waldeck ou Lippe.
maior que ~ :1\513 Menor. Nem o Império de Alexandre (4 500 000 kms) A maioria, contudo, tinha de 3 a 12 km-, e eram, na verdade, aldeias sobe-
nem .0 Impeno RO~lano(3 30.0000 krn>, na época da morte de Augusto' ranas, Era esta a situação antes da invasão de todo o Nilosuperior , entre a
atingru es~a dimensão verdadeIramente asiática. Os impérios da Idade Mé~ Núbia e o Nyoro, e entre Darfur e Sennar , e, como mostram as descrições
de Stuhlmann e Baumann, atualmente ainda é a mesma, em todo o norte da
dia, prlIlClpalmente o ele Carlos Magno e o Império Romano dos Hohens-
2 ufen, eram apenasfragn:entos do antigo Império Romano e constituíam'
África Oriental Germânica. Mesmo em territórios como Usinje e Ukundi, ha-
bitados pelos Wakuma e Watusi, célebres como fundadores de Estados, o "en-
I apenas um quarto dasua~rea. O sistema feudal favoreceu a formação de carregado das aldeias" governa; com rústica estreiteza e impotência, sobre
I ~equ~nos ?stados,. na medida em que dividiu e subdividiu a Terra como um pequenos Estados independentes do tamanho da área de uma aldeia. Os tre-
i }ta o privado, provocando uma decadência geral dos Estados, na transi- chos onde os romanos encontraram os territórios dos recienses, ilírios, gaule-
~ :a~ p~ra tempos.rTIéus .modernos: O que restara dos antigos conceitos espa- ses e teutos, e os alemães as dos antigos prussianos, litu anos , estonianos e
r claIs, I oma~?s ext1I1gulU-~e depois que dois de seus pressupostos, ensino e levonianos, não estavam muito acima de tais condições,
: :omercJO, ja haviam expirado. Das ruínas, surgiram novas formações que Aqueles povos com forte organização, cuja aparição súbita, semelhante
! se espalharam pela Europa, sob a égide do equilíbrioimposto pelas guerras, °
à elos gafanhotos, freqüentem ente levava terror às jovens colônias na Áfri-
I ~ste sistema pretendia que cada. qual possuísse basicamente a mesma área ca do SuJe na América do Norte, também construíram apenas pequenos Es-
\ visto qu~ o poder real estav~ desigualmente dividido. Nas terras fora da Eu~ tados. Muito embora devastassem grandes áreas, faltava-Ihes a capacidade
! rapa, ~n~eJramente na América e na Asia, o poder político expandiu-se com de mantê-Ias e uni-Ias. Na anexação, a Basutolândia compreendia
~ comercio, as crenças e a cultura européia, As maiores áreas dessas regiões 30 000 km2, e a Zululândia 22 000 krn>. Até essas regiões se reduziriam ain-
da mais,sem a intervenção dos brancos, A liga das cinco, mais tarde seis (em
1,
.-,olInaram, ~ base par~ Estados c?m o dobro ou o triplo do tamanho dos
~~1>3JOreS Esta,d?s antenonnente existentes. O progresso acelerado das desco-
1712), tribos da região Allegheny da América do Norte foi ° inimigo mais
poderoso dos jovens estabelecimentos atlânticos por mais de um século, Seu
! .' er tas, g~ogr~f:cas e do. conhecimento dos povos permitiu o crescimento des-
território ocupava talvez cerca de 50 000 krn-, embora habitado apenas em
,:se nO\,o.lmpeno mundial na América do Norte, no norte e sul da Ásia e na
alguns focos, e em 1712 colocaram 2 150 guerreiros em campo. Ninguém pre-
,,~ustra!Ja, e_l11rncnosde 300 anos. O crescimento relarivamente ininterrupto
cisa aceitar as conclusões disparatadas de Lewis Morgan para concluir que
. ela ;)opulaçao na~uropa, durante os 200 anos precedentes, e a invenção de
"",0 Império de Montezuma e o Império Inca não eram nem grandes Estados
:~~\ ~s meios de tI ~nspüne levaram-nos contin uarnente a novos meios e mo- J no sentido espacial, nem Estados bem integrados. Quando dizemos que o Im-
i os ~ara exp~ns,a~,e deram,-lhes un~a coesão e uma estabilidade até então périolnca, no auge de sua expansão militar - que foi atingida na época da
...inauditas na história. O Império Br it ânico (e nele o Canadá A . '1' chegada de Pizarro -, compreendia aproximadamente a área do Império Ro-
. 'd··.'" " aea ustraria
~om seus JfeJtos.J,)]"opr~os), o Império curo-asiático da Rússia, os Estados mano na época de Augusto, devemos também acrescentar: não era mais do
. nidos da América, a China e o .Br asil são Estados de dimensões até azora que um frouxo conjunto de Estados tributários conquistados, sem coesão es-
sem precedentes. ~ tável outemporaJ, dificilmente com a idade de uma geração, e já em desagre-
- ,
Assim ;omu a área do Estado cresce com sua cultura, vemos também gação antes mesmo de os espanhóis derrubarem-no como um castelo de car-
c!.ue, nos estdglus JJ1fel:wres ele civilização,
os povos estão organizados em tas, Antes de os europeus e árabes terem cultivado, pela conquista e coloniza:
Estados menores. Dc j ato, quanto mais descemos nos níveis da civilização, ção, grandes Estados na América, Austrália, Norte ela Ásia e interior da África,
Il1en~J es se torne!I1: os Estados. Logo, o tamanho de um Estado também se estas vastas áreas não eram politicamente utilizadas, O valor político de suas
torna u.m dos p,arametros ..~o seu nível cultural. Nenhum Estado primitivo terras permanecia não cultivado, A política, como a agricultura, levou ao co-
nhecimento gradual dos poderes que jazem adormecidos no solo, e a história
yloduZlU um grande Esta~.9' nem mesmo do tamanho de um Estado alemão
de todos os países é a do desenvolvimento progressivo de suas condições geo-
gráficas.A criação do poder político, com a união de áreasmenores em áreas
2 Nota do Editor (Ed. americ;uw): Refere-se à Alemanha de 1890. maiores, é transmitida como uma inovação às terras de pequeno' Estado dos'
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])OVOS primitivos. Nas lutas entre as orientações estatais de tipo maior ou me-
Iigião, armas, casas, plantas domesticadas e animais nos f:stados dos AzaÍ11
nor, que necessariamente acompanham aquele fenômeno, e nos seus efeitos
d~, ainda que estej am profundamente divididos pelos lJJ11It:::sda sel~agena.\
disruptivos encontra-se uma das principais causas da regressão desses povos,
Ea comunalidade é bastante grande mesmo entre as tribos mais .d.lstantes!
quando do seu contato mais Íntimo com as populações cultivadas. Uma raca
da América do Norte ou elo Sul, embora dêem a impressão ele, politicarnen-
que se desenvolveu num Estado superou sua minoridacle política: a isso MOmJ;l-
sen chama tRom. Gescli., III, p. 220) de lei, "tão universalmente válida quanto te serem estrangeiros absolutos.. !
uma lei natural como a da gravidade". Contudo, a exata expressão disso , Todos os antigos Estados e todos os Estados de níveis culturai? jr:f~:
encontra-se na comparação com outras áreas políticas. Com uma diferença: riores são tcocracias. Neles, o mundo espiritual não só domina os llldlVH\
a América do Norte, que hoje inclui dois dos maiores Estados do mundo, duos mas coneliciona iaualrnente o Estado. Não existe chefe sem funções,
no final do século XVI não tinha um único Estado, nem mesmo de tamanho sacer'dotais, nem tribo s~m totem tribal , nem dinastia que não apregoe 5u.a\
secundário. E o que é isso para os papuas da Nova Guiné, que vivem na maior origem divina. A teoria do direito divino dos reis e elos bispados reglonals,
ilha habitável do mundo? Eles não se elevaram um mínimo sobre o restante é apenas um obscuro crepúsculo dessa condição. Não foi apenas no Islã_:~i
dos melanésios, cujas terras em conjunto não chegam à sexta parte da Nova na Cristandade medievais que os Estados fundavam-se sobre o signo do cres-
cente e da cruz. Na África moderna, para além das diferenças estatais, a
Guiné. Na verdade, Sem a intervenção dos europeus, eles teriam Se tornado
cada vez mais tributários da minúscula Tidore (78 km-). esfera do Islã reflete-se em oposição à da Cristandade, com os infiéis ele per-
Os Estados mostram, então, uma gradaçào de dimensões de acordo meio; esta consistindo de pequenos Estados, em oposição aos Est-ado:, gran-
com sua idade histórica. Entre os atuais Estados de tamanho continental des e secundários daquele. Na Europa, a Igreja ficou flutuandoacima de
uma decadência política geral, onde "todos os povos voltaram suas diferen-
apenas a China joele ser considerada antiga, sendo que ela adquiriu a maio;
cas uns contra os outros", preparandonovas e maiores formações estatais,
parte ele sua ar e: atual (Morigólia e Manchúria , Tibet , Yünnan, Szechuam
enquanto que, na Ásia ocidental e na Africa do Norte, o Islã assumiu e,ssas
ocidental e Forr osa) somente no século passado. Por outro lado, todos os
outros, o Império Russo, Brasil, Estados Unidos, América do Norte Britâ- tarefas. As noções espaciais fantasticamente amplas da Igreja naquela epo-
ca indicavam uma grande superioridade que, naturalmente,recuou na 11:;5-
nica c Austrália surgiram nos últimos 250 anos, e todos em terras que.ian-
tes, tinham sido ocupadas pelos pequenos Estados de povos primitivos. O ma medida em que os poderes mundiais ampliaram seu~ escopos. Com a cle~-
traço mais notável na atual divisão do mundo - as dimensões poderosas cia e o comércio, a missão cristã havia preparado a via para a organizaçao
de nO\05 Estados na África etc., pelos europeus. Na Alemanha, as terras
de poucos Estados - é urna caracteristiea que surgiu nos últimos sé-
da ordem prussianà mostram vestígios do propósito mais amplo com que
culos e tem sido mais desenvolvida e fortalecida ern nossa própria época.
a Igreja buscara a organização dos Estados, enquanto que, ao mesmo tem-
Andorra tem cerca de 1 000 anos, e Lichtenstein, como vários Estados ale-
I11QCS menores, é um dos mais antigos ela região. Comparadas a eles, a Prús- po~ a desintegração continuava invicta em nosso país.. .
sia e a l t lia cst ào na s ua primeira
á infância. Os Estados primitivos são nacionais, no. sentlel_o mais simples. Seu de- .
senvolvirnent o é dirigido à erradicaçâo dessa Iirnitacão, c a seguir retoma ao
2. O crescimento d05 Estados segue outras do crescimen- nacional, num sentido mais amplo. Os Estados dos povos pri-
to dos povos, que necessariarnente devem preceder () crescimento do Estado mitivos 5:10 Estados familiares. Mas os inícios elo seu crescimento são enor-
Referimo-Ilos a difusões que avançam mais e que o Estado: que mernente estimulados sua interacào com . Os de pa-
urna Icrca unificadora na medida área dis-
o c lhe preparam o terreno. Sem proposta itica entram
tributiva (lei tribo; não forma uma , ainda c[
na mais intima com a viela dos Estados, e não se detêm nas fronteiras
nacionais. P.ankt' uma vez : "Afirmo que , sobre e para além ela história engendrados por comércio , facilitem a unifi-
elas racas , a história geral tem seu próprio : é o nri"rln,n . Em ele desenvolvimento intelectual essa co-
elo interesse mútuo ela humana, que une e domina as naçoes, sem com munalidade sur ge consciência C01110 UD1 sentimento pat,ric'iticc),
à c assim tra-
isso estar envolvido " (f)'c!rgeschichle, VI]], p. 4) Esse rnutuo interesse balha para a :::a uni Contudo, como ISSU requer, por sua
nat ur cz«. um desenvolvimento cultural maior que' o ("\15t("11((' em
na viela rcpou ,a nas idéias c nos bens que tendem ao comercio en.re os povos.
Raramente foi possivel Cl um Estado colocar barreiras a . :\bis usualrr:cn-
CCnC;lC()Cô ele ou mercantil, cornunalidadc
i err itorial do EC;t:iclu que
te, a regra tem sido a de atrair os Estados para os meSI]1Os caminhos que eles
nrHn,"r', \C7 o Romano aspirou ,I urn c'arúlcr
JZt rumos semelhantes ele c andando por ca-
tem finalmente triunfado sobre as tribais. O Estado.
minhos e mercadorias, missionários e frequcn-
nhece () valor da consciência nacional, e procura reformá-Ia
telrlente se encontrall: juntos. Ambos aproximam os povos, criam similarida-
mo consciência estatal, por uma fusão artificial de a fim de que
des entre eles, e com lSSO preparam o solo para o avanço político e a unifica-
possam usá-Ia para seus próprios fins: o pan-eslavisrno. i\ família cios povos
çào , encontramos urna coincidência, quanto à m urua.idado en tre rc
''''''0' mostra '1"'0 profunda e amplamente pode OPT'· t al 1''''''''''. "'"
182 ~ 183

precisa pôr em funcionamento todos os poderes culturais, e portanto tem maior I cimento de Estados que não transcendem a mera anexação produz apenas C0I1~-\
êxito nos Estados que são, ao mesmo tempo, grandes regiões culturais. O Es- clornerados frouxos, facilmente desmontáveis, que só podem ser mantidos tem- i ,I
tado moderno, territOri~mente grande, mas fundamentalmente nacional, é
o seu resultado mais cara terístico. Entre ele e o verdadeiro Estado tribal con-
fillado,. estão os .num~r.o os Estados do passado e do presente, cujas forças
culturais foram insuficie tes para unificar suas bases etnográficas mistas.
I
j
1
porariamente unidos pela vontade de alguém cujo intelecto compreende urna :
concepção mais ampla do espaço. O Império Romano até o século I a. Ç,J
era constantemente ameaçado pela desintegração, até que criou a organiza-
ção militar necessária para mantê-lo unido, e conquistou para a Itália asupe-
O comércio.e a comunicação precedem de muito a política, que segue rioridade econômica, que transformou essa península, com a mais feliz loca-
o seu mesmo caminho e nunca pode se separar profundamente deles. Um in- lização no meio do Mediterrâneo, no ponto focal de uma esfera comercial,
tercurso pacífico é a condição preliminar de crescimento do Estado. É preciso atravessada por rotas de primeira importância. De modo parecido, vemos mais
que se tenha formado previamente uma rede primitiva de caminhos. A idéia tarde como, em meio à fraqueza da "aliança entre as províncias gálicas, con-
de unir áreas vizinhas deve ser precedida de informação apolítica. Se o Esta- tinuamente oscilando entre a aliança e a hegemonia", o mercador romano
do entrou em seu período de crescimento, então ele partilha com o comércio traçou o caminho seguido pelo colonizador e, a seguir, pelo soldado, e como
um interesse pelas conexões entre rotas. Na verdade, ele assume uma lideran- tudo isso operou para a fusão desses elementos adjacentes, praticamente inertes,
ça na formação sistemática destas. Compreendem-se melhor as engenhosas em um poderoso império. <_
estradas do Estado iraniano e dos antigos Estados americanos, em termos de De forma similar, esse processo de fusão ele distritos regionais se bendi-o
u~1a geografia antes política que econômica. Os sistemas de canais e vias pú- cia da relação mais próxima do povo com sua terra. O crescimento do Estado:
blicas, desde a época dos dirigentes míticos da China até o presente tiveram na superfície da Terra pode se comparar ao crescimento em profundidade, que.
de servir à unificação do Estado, e toeio grande dirigente empenh~u-se em leva a um apego ao solo. É mais que uma metáfora dizer que um povo cria:
ser um construtor de estradas, Toda rota comercial prepara o caminho para raizes. A nação é um entidade orgânica que, no curso da história, torna-se.
influências políticas, toda rede fluvial fornece urna organização natural para cada vez mais apegada à terra onde ela vive. Exatamente como um indivíduo!
o desenvolvimento do Estado, todo Estado federal atribui o controle do co- luta contra a terra virgem, até transformá-Ia em campos cultiváveis, uma na-\
mércio ao governo central, todo chefe negro é o principal, e se possível o úni- cão também luta com sua terra, dela se apropriando cada vez mais, com san-l
co, comerciante em seu território. Geralmente, a colonização segue a "ban- gue e suor, até que se torna impossível pensá-Ias separadamente. Quem pod~
deira do comércio". O papeldo comércio de entrepostos é proeminente na pensar os franceses sem a França, ou os alemães sem a Alernanha'i Mas esta'
história elos Estaelos norte-americanos, como no caso elo Nebraska, com um vinculação nem sempre foi tão sólida, e ainda hoje existem muitos países on-
entreposto da Companhia Americana ele PeJes. O avanço das fronteiras polí- de o povo não está tão intimamente ligado à sua terra. Como em referência
ticas é precedido pelo das fronteiras fiscais: a União Alfandegária Alemã foi às dimensões do Estado, há aqui também uma série histórica de estágios na
<Lprecursora do Império Gerrnânico. relação entre o Estado e seu território. Em parte alguma elo mundo podemos
/ O alargamento do horizonte geográfico, através de todaJ essas expan- encontrar aquele desprendimento da terra que, de acordo com muitos teóri-
sões apolíticas, deve preceder o crescimento político que, primeiramente ori- cos, supõe-se ser característico de condições mais antigas. Todavia, quanto mais
ginado a partir delas, a seguir é empreendido de modo independente, como recuamos para as condições primitivas, tanto mais frouxa se torna essa cone-
objetivo de uma proposta política explícita. Isso se mostra mais claramente xão. Os homens se estabelecem menos densamente e são mais disperses: seu
no falo de que o horizonte sensível de muitospequenos Estados negros não cultivo é mais pobre e se transfere rapidamente de um campo para outro. Suas
é tão amplo como a área de um Estado secundário. alemão, e o dos gregos, relações sociais, em especial seu sistema de organização moral. os unem t~.o
no tempo de Herócloto, atingiu, no seu máximo, uma magnitude comparável estreitamente que enfraquecem sua relação com a terra. E dado que os peque-
à área do Brasil. A íntima relação entre descobertas geográficas e o cresci- nos Estados neste estágio isolaram-se entre si, por preferência e pelos limites
mento do Estado foi há muito tempo reconhecida e demonstrada nas realiza- selvagens, não só muito espaço - freqüentemente mais que a metade de uma
ções daqueles que empreenderam arribas .. como Alexandre, César , Vasco da grande área - é politicamente desperdiçado, como também inexiste competi-
Gama, Colombo e Cook.Até o presente, os maiores êxitos da política de ex- ção por aquilo que é politicamente mais valioso na terra. Assim, muitas vezes
pansão têm sido preparados sob a guarda da geografia. O melhor exemplo g I~m mesmo as maiores correntes eram usadas pelos índios e negros C0l110 fron-
contemporâneo é o dos russos na Asia Central. teiras ou rotas comerciais, mas tornaram-se imediatamente de valor inesumá-
vel, quando os europeus as utilizaram em sua expansão.
3. O crescimento do Estado procede pela anexação dos membros me- Há pois uma redução no valor político da terra, quando recuamos dos
noresao agregado. Ao mesmo tempo, a relação entre a população e a terra Estados mais novos para os mais antigos. Isto está intimamente relacionado
roma-se continuamente mais próxima. Da integração mecânica de áreas dos com a redução de áreas políticas. Mesmo os antigos observadores da vida afri-
mais variados tamanhos, populações e níveis culturais, surge um crescimento cana aludiam ao fato de que, nas inúmeras pequenas guerras entreeles, o imo.
orgânico, pela proximidade, comunicação e mescla de seus habitantes. O cres- portante não era a aquisição de terras, mas sim os espólios ele prisioneiros e;
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escravos. Este fato apresenta grandes conseqüências para a história da hawar e do Pequeno Tibet, e os de Merv e Kokand permitem reconhecer )me-
África Negra: a caça de escravos dizimou a população e, ao mesmo tempo, diatamente aquilo que nem mesmo sua história revela: na sua direção, a India
impediu o desenvolvimento de Estados, isto é, uma dupla conseqüência ne- Britânica e a Rússia cresceram juntas, determinadas a abarcar todos os bene-
\gativa. O pontoessencial é que o Estado nunca está em repouso. Um contí- fícios das terras existentes entre elas, tal como Roma, com a conquista da Gá-
. nua efluxo sobre suas fronteiras transforma-o e111um ponto de partida para lia, cresceu contra o avanço teu tônico. Nas suas fronteiras corri a Alemanha
expedições de conquista,
desoladas. A insegurança
cercado
domina
por um cinturão de terras despovoadas
suas fronteiras. Elas dependem apenasda
e a
e Itália, que durante séculos foram posições de crescimento particularmente
grande, a França concentra seus meios de poder, lutando por reassumir um
. energia das investidas, e quando estas diminuem, a região se distende. Não crescimento paralisado. É característico de tais setores.que atraiam uma parte
há tempo para f:laseest3bilizar numa porção definida de terra. Por isso, ge- fundamental da atividade do Estado. Os territórios limítrofes da expansão ger-
ralmente é curt a duração desses poderes.vlos quais há tantos exemplos no mânica para o oriente, fortificados e colonizados à medida que iam sendo con-
sudeste da Afr'ca, dos Zulu aos Wahehe.i Nos Estados mais adiantados do quistados trecho por trecho, reapareceram ao longo das margens cresc~ntes
Sudão, essa ZOI a de conquista, ou melhor, essa esfera de incursão predatória da América ao ocidente, e da Argentina ao suL Lá, em poucos anos surgiram
constitui apenas uma parte do Estado. A localização e o tamanho dos ..Esta- grandes cidades, no lugar das primitivas cabanas de madeira da fronteira for-
dos Fulbe, Bornu, Baghirrni, Waday, Darfur etc, permanecem estáveis por
tificada. Dadas as condições populosas dos Estados na Eur?pa, ~ais re~iões
longos períodos. mas oscilam continuamente no ponto. em que encontram
excelentes da periferia estão, ao mesmo tempo, entre as mais pengosas e as
as terras intiéis não-subjugadas, ou seja, geralmente ao sul: Nachtigal ao norte,
mais fortificadas: os talhos que elas podem receber são os mais temíveis de
e Crarnpel e Dybowski ao sul mostraram quão indefinidas são a localização
lodos. __
__ e a extensão ele Waclay nessas áreas. Mas a incerteza quanto ao valor político
Outras porções da periferia de um Estado possuem um caráter específi-
" da terra é ai nela maior. O famoso desejo de ferras dos estados conquistado-
co porque são formadas pelos segmentos periféricos, orientados para o exte-
'res ela antigüidade, principalmente dos romanos, é uma noção ainda não in-
rior, de regiões outrora independentes, que cresceram juntamente com aquele
teiramente definida. A aquisição de terras era apenas um fenômeno que acorn-
Estado. Em toda grande área de fronteira, encontramos tais fragmentos de fron-'
: pannava as grandes revoluções políticas da antigüidade. Os prêmios da luta
teiras antes nacionais, provinciais ou municipais, tanto menos alteradas quan-
eram o poder, escravos e tesouros, em particular nas guerras asiáticas, cons-
tituindo portanto efeitos flutuantes de seu crescimento. Em Roma, desde a to menos ajustadas aos impulsos para a frente e para trás dos movimentos
época das guerras pírricas, pode-se observar uma luta real pela necessidade históricos, e quanto mais praticamente criadas, isto é, mais ajustadas e adap-
de aquisição de terras. Lá, com vistas a um império, formou-se urna base tadas ao terreno. A diferença entre os desgastados bancos exteriores e as mar-
a partir de um sistema de alianças e de confronto mútuo de poderes. Carac- gens internas extremamente denteadas do terreno que se prolonga rio adentro,
terística dessa condição é a expressão de Mommsen em relação à ROma do é semelhante à diferença entre fronteiras seculares e fronteiras que se desenvol-
século VIl!: "um bloco dissolvido de terras, sem ocupação intensiva e fron- vem incessantemente. Exemplos.disso.sãc-as-Ircnteiras ocidental e meridional-
teiras adequadas". É óbvia a comparação com o Sacro Império Romano, com daSaxônia.
sua confusão de reis feudais, vassalos, sacerdotes elevados ao nível de prínci- t\ fronteira sezue o mesmo desenvolvimento da área, ela consolidação
pes e cidades independentes. A grandeza de César reside no faro de que ele e da continuidade d~ Estado. Se recuamos até os primeiros Estados do mun-
forneceu fronreiras seguras e definidas e expansão espacial ao corpo mais do, encontramos fronteiras com uma indetcrminação tal, próxima à sua anu-
estável. i lação. Quando a área é incerta, sua fronteira possivelmente será indistinta.
A mania de aplicar nosso conceito de fronteira, como uma linha precisamente
4. As fronteiras sôo o orgão periférico do Estado, O suporte e a fortifi- determinada, a condições em que o Estado compreende apenas um núcleo
cação de se" crescimento, e participam de todas as transformações do orga- ierritorial rnaldefinido, levou- aos mal-entendidos-mais- catastrófieostante-na
nismo do Estado. O .crescimenro espacial manifesta-se como um fenômeno África, quanto na política indígena dos-poderes americanos.
periférico que impele para diante a fronteira que deve ser transposta pelos Como disse Lichtensteirr' acerca ela fronteira KafIir, tentou-se freqüente-
portadores cio crescimento. Estes portadores, quanto mais próximo da fron- mente fixar uma fronteira estável que nenhuma das duas partes poderia atra-
teira vivem. mais partilham o interesse por esse processo; e quanto maior a vessar sem autorização especial do soberano; "nisso, contudo, nunca houve acor-
fronteira, mais acentuadamente periférico será o crescimento. Um Estado que elo mútuo". Neste conceito, o importante são faixas, não linhas. As probabilida-
se estende em direção a um distrito almejado faz surgir ao mesmo tempo nú- des de encontros e grandes colisões diminuem na medida em que O Estado é
cleos de crescimento que apresentam maior atividade que o resto da perife- circundado por espaços politicamente vazios, e ele move-se em conjun-
ria. Isso é perceptível na forma dos países e na distribuição de seus habitan-
tes e de seus outros meios de poder. Os estratos à superfície de Pes- ) Reisen in Súdafrika, ": I (J 810). D. 353.
186 187

ro. Se seus povos, porém, forçam esses limites, então se torna uma questão conjuntamente o mesmo conceito acerca do valor da terra, e por isso todas as
ele integração, mais do que de deslocamento. "Os direitos de propriedade dos colônias européias dos últimos séculos sustentaram um desenvolvimento espa-
'chefes entre os povos primitivos geralmente se ampliam?" Se a. resolução de a (;1al equivalente. Em outras épocas, predominaram outras avaliações. Os anti-
: tais direitos de propriedade apresentou as maiores dificuldades para as auto- gos peruanos não desceram o Amazonas, mas preferiram ampliar seu' domínio
: ridades coloniais -é, na realidade, insolúvel -, desde Jogo apresenta-se aí no planalto, ao longo de uma estreita faixa de cerca ele 4 000 1\111 de compri-
uma enorme facilidade para qualquer anexação e deslocamento do avanço mento. Os antigos gregos não procuraram grandes interiores férteis, mas, e nis-
conquistador e colonizador dos Estados poderosos. Associado à disparida- so seguiram os fenícios, buscaram ilhas e peninsulas entre os estreitos. Os tur-
de basicamente desastrosa na avaliação política da terra, este fato acelerou cos, por outro lado, ocuparam as altas estepes da Ásia Menor, desdenhadas pe-
enormemente a despossessão desses povos. Seus negócios políticos los gregos, e os magiares ocuparam o puszta das terras baixas do Danúbio. Aí
assemelhavam-se ao sel·.. comércio, pelo fato de entregarem facilmente aquilo se refletem tanto os costumes como o nível cultural, e é por essa razão que o
que era o mais valioso pois não compreendiam seu valor. Muito antes era crescimento político, tanto quanto possível, continua nas regiões que oferecem
reconhecida a desvant: gern cultural do fechamento dos pequenos Estados condições semelhantes de vida e trabalho. Os fenícios estabeleceram-se nas cos-
. entre si, uma das principais causas da estagnação. Com a chegada dos euro- tas, os holandeses nas ilhas e os russos nos rios. Os antigos sabiam muito bem
"_J)eus, este conceito entrou em declínio. Num nível superior, no Sudão ou na quão beneficiada foi a expansão do Império Romano pelo caráter naturalmen-
te fechado das terras do Mediterrâneo. Para a Grécia epara Roma, essas terras
Indochina, fixou-se a fronteira em muitos pontos da periferia, ao longo das
apresentavam, pois, as regiões coloniais mais afortunadas, onde, em quase to-
montanhas c das bacias. Contudo, manteve-se também o sistema de zonas
dos os lugares, podiam se sentir em casa e ainda mais à vontade elo que um
fronteir iças vazias. Encontram-se excelentes exemplos acerca do Sudão nos
europeu central na América do Norte, entre 35°e 45° ele latitude norte.
trabalhos de Bart h, Rohlfs e Nachrigal. Em oposição aos casos da África
A delimitação de localidades politicamente valiosas expressa-se também
e da l ndochina, a China separou-se ela Coréia, há poucos anos, por uma li-
na forma do Estado. Nós a consideramos um estágio transitório de descanso.
nha de fronteira precisamente definida. A respeito do desenvolvimento ulte- _
para o organismo fundamentalmente móvel. Alguns exemplos são a expan-,
rior de fronteiras científicas, geodesicarnente fixadas, irremovíveis, protegi-
são da Alemanha ao longo dos mares Báltico e do Norte, a anexação pela
elas por fortificações e vigiadas de perto, em todos os lugares - e que até
França do Meuse, ao norte de Sedan, o avanço da Áustria sobre a cordilheira
agora não foram realizadas nem mesmo na Europa --, veja-se meu ensaio,
elo Erzgebirge, ao longo de quase todo o curso da fronteira ela Saxónia-
"Ober allgemeine Eigenschaften der geographischen Grent.en & c", nos anais
Boêmia, e seu ponto extremo ao sul, que inclui Boka Kororska. e a anexação
da conferencia do A. S. Gesellschuft der Wissenschuften, 1892.
pela Inglaterra das Ilhas do Canal. A fronteira norte do Chile, t racada a 24°
no deserto aparentemente inútil do Atacarna, subiu para 23° t ào logo foram
5, No SC1/ crescimento, o Estado esforça-se pela delimitação de posições descobertos os depósitos ele guano na Baía de Mej illo nes. ,\ descoberta ele
politicamente valiosas. No seu crescimento e evolução, o Estado seleciona os diamantes no rio Vaal desde 1867 seguiu a expansão ,LI lnglater ra at ravcs
benefícios geográficos, ao ocupar antes os bons locais ele lI:]1 distrito, de prefe-
rência aos pobres. Se seu crescimento está relacionado com a despossessão ele
do Orange.inurna área que pertencia ao Estado Livre do Orangc: é dircrào ,I
em que, mais tarde, a Bechuanalândia se expandiu para o norte. Em ('q:\gios
outros Estados. ele captura vitoriosamente ~\S boas áreas, e os despossuídos per-
inferiores, os Estados preferem situar-se junto ali próximo ,\ IOi,h comerciais.
manecem nas árca-. ruins .. \ssirn, 113S terras mais jovens (colônias), cuja histó-
como se pode ver facilmente no Sudào e no interior ela i\fricl É por i,:,o
ria completa nos é conhecida, as nO'·3S estruturas políticas encontram-se ali- que Waday se expandiu tão pouco para Fezzan.
nhadas marcantemente ao longo do mar, nos rios e lagos, e nas planícies férteis, Uma parte fundamental da tendência de crescimento dos Estados, Ire-
enquanto que as formas políticas mais antigas dirigiram-se para o interior ini- qüentemente inativa por longo tempo, deriva do ccrcamenio de localidades
cialmente menos acessível c menos cobiçado, para as estepes e desertos, para politicamente vantajosas, pois, dado que o crescimento polü ico consiste de
as montanhas e os. pântanos. O mesmo aconteceu na América do Norte, na movimento, ou melhor, da reunião de inumeráveis movimentos, \1 Estado con-
Sibéria, ha Austrália c na África do Sul. Com as vantagens que tais lbcalielades sidera vantajoso anexar aquelas regiões naturais que favorecem o movirnen-
oferecem aos primeiros colonizadores, eles logo determinam o destino de gran- to. Então vemo-Ia tentamo atingir as costas, movendo-se ao longo dos rios,
eles áreas por um longo tempo futuro. Mesmo que a posse política seja altera- e se espalhando sobre as planícies. Outro setor do Estado avança através de
da, a população que chegara antes permanece numa posição cultural vantajo-
b.arreiras~ em direção às regi~e: acessíveis ao ?omelTl .. Deve-se, qll~' ruo a isso,
sa, e é dessa maneira que se pode explicar o fracasso cultural de muitas invasões pensa!' nao apenas nas restnçoes, mas também nos apelos a se mpliar re-
,politicamente bem-sucedidas.Xis portadores de uma mesma cultura possuem giões naturalmente limitadas. Roma, no Norte da A frica e na Ás' a Ociden-
tal, cresceu no deserto. Atingiu o sopé meridional dos Alpes em 222 a. C.;
, General Warren em Blaubuch uber Transvaol (fevereiro de 1885), p. 46.' mas só veio a cruzá-lo como Estado cerca de 200 anos mais tarde,

n '
188 189

depois que se expandira para além dos Alpes, 3 ocidente e oriente. A Boé fundidas pelo mundo. \'laitasvezes, caçadores errantes invocam esse papel,
mia ocupou sua bacia antes que qualquer um dos Estados vizinhos tivesse que é remanescente elo papel histórico da lenta imigração e infiltração Kioko
estabelecido fronteiras .fixas, e quando ela cresceu para além dessa bacia, na transformação mais recente do império Lunda.
seu crescimento estendeu-se para o sudeste, em direção à Morávia , e para Todos os Estados da África são conquistados ou colonizados. A histó-
a abertura ela bacia. Do mesmo tipo é o crescimento que ocorre na direção ria mostra uma centena de vezes essa silenciosa migração interna e expansão
de menor resistência. O crescimento dos poderes da Europa Central para de um povo que, primeiramente tolerado, de repente surge à frente disputan-
o oriente, instigado pela primeira partilha da Polônia, aparece como um mo do a posse do poder. Tal foi o curso de quase toda a colonização européia.
vimento oriental da orientação das energias políticas para o ocidente, há muito Assim os chineses estabeleceram seu império em Bornéu. 1 o começo do Irn-
frustrada. É assim, portanto, que os Estados do Sudão crescem uniforme- pér:o Romano, ainda que oculto por uma névoa mítica, encontramos os es-
mente, como se disse, elo Oceano Atlântico para o Índico, na direção dos trangeiros cuja imigração levou à ascendência de Roma, quejá era mais bem
Estados negros mais fracos. Do mesmo modo, o desenvolvimento do domí- situada para o comércio marítimo e terrestre do que outras cidades latinas.
nio britânico. na Índia assume a forma ele um cercarnento dos Estados nati- A primeira grande formação estatal moderna em Bornéu, desde o império
vos mais fortes, a partir ela base dos distritos mais fracos e mais facilmente dos mineiros chineses do ouro, o de Rajah Brooke, é a excrnplificação minu-
sobrepujados. ciosa de tais sagas acerca da origem. À chegada dos europeus, havia em toda
a \'lelanésia apenas uma estrutura estatal, a dos malaiosirnigrados para a
6. Os primeiros estimules ao crescimento espacial dos ESIC!dos vêm costa noroeste da Nova Guine. Não se pode descartar, na certa, o núcleo his-
lhes do exterior. O crescimento natural renova um corpo político simples tórico das sagas nôrnadas das antigas culturas americanas. Mas MIO pode'
e o reproduz continuamente, mas não produz, por si só, nenhuma outra for- ser casual que a fundação de todos os Estados seja atribuída a estrangeiros.:
ma. A família serenava com sua progênie e cria novas famílias, que perma- Todos os outros Estados americanos, de tamanho digno de menção, a partir-
necem juntas sob a forma de uma família. Quando domina a exogamia, duas elas fundações européias, expandiram-se para o interior, nas regiões de pe-
. famílias seguem exatamente o mesmo padrão. A tribo ou a família se rami- quenos Estados indígenas, que se dispersaram em várias direções. A Am éri-l
fica para formar outra tribo etc. Todos esses corpos tornam-se um Estado, ca, a Austrália e a Africa ao sul elo Equador, que, antes da chegada dos euro-:
com seu apego à terra. Quando crescem, Estados maiores não surgem dos peus, estavam nas mãos de seus habitantes e eram as áreas menos estimula
menores, mas sim de urna série de Estados do mesmo tamanho. A fim de elas ela Terra, apresentam também o desenvolvimento mais pobre de Estados.
que não se exceda o tamanho usual, as dimensões da população são limita- Daí vem o conceito de um grande Estado, 'que é transportado para es-
elas por todos os meios possíveis, entre os quais incluem-se as práticas mais sas áreas de pequenos Estados. Onde ele não foi transportado pelos euro-
cruéis, e desta forma. limita-se o crescimento do Estado. O crescimento ain- peus, povos cio mar, elo deserto e da estepe, seus portadoresforam os harni-
da é limitado pelo fechamento elo Estadonuma área de fronteiras despo- ias, semi.as, mongóis e Turcos. Se, além disso, perguntamos onde nos levá'
voadas. O Estado, supostamente, mantém-se facilmente sob controle e ins- a invest ig açâo da origem desse conceito, no que respeita aos europeus, che-
peçào. Até onde alcança nosso conhecimento dos Estados primitivos, seu gamos às costas do Mediter râneo oriental, onde terras férteis localizam-se
crescimento nunca se desenvolveu sem influência estrangeira. A fome de tal e:~l meio a \é1St3S áreas de estepe. O Egito e a Mesopot ârnia, a Sitia e a Pé rsia
crescimento é a colonização. no sentido mais amplo. Homens, provenientes "z,o grandes (erras de oásis que estimulam a concentração de sua populacào
ele regiões com concepções espaciais mais amplas, trazem a idéia de Estados em áreas pequenas, e que estão circundadas por distritos que incitam seus
maiores aos distritos ele conceitos espaciais mais reduzidos. O nativo que co- habitantes a se expandirem. Dessa diferenciação surge lima rica fonte ele \'i-
nhece apenas seu próprio Estado está sempre em desvantagem em relação da historica. Assim como o Baixo Egito cresceu em direção ao Alto Egito,
àquele que conhece pelo menos dois. A localização geográfica mostra agu- corno a China cresceu em todas as direções a partir elas terras de loess, todas
damente como os Estados maiores, em áreas de pequeno estatismo , cresce- as regiões semelhantes forneceram massas humanas para lima inundacào bé-
ram para o interior a partir elo lado externo mais acessível, isto é, a partir lic~, lê' lenta conquista colonial. A organização política dessas J1lé1SSélS,contu-
costas e das margens elos desertos. Se olhamos para a Áfr ica 311tCS da do. e o importante d0n1111io espacial que fundiram suas terras scparzh!;I;. \ic'
época elo csrabelccimeuto das colônias européias, encontramos grandes Es- raru (::1, estepes. De t ais terras desceram os fundadores dos srandcs Estados
lados 30 longo ela linha de vizinhança dos negros, harnit as e sernit as , e prati- no Egito e na \;ksopotâmia, Pérsia. índia, China e também; Sud:to Africu-
camente nenhum Estado onde os negros estavam limitados por si mesmos 1,0. Como a América pró-colombiana não tinha povos pastores - que outro-
ou pelo mar . Contudo , onde encontramos Estados negros 110 interior, ra dominaram a maior pane do mundo antigo -, ela não possuía um ter-
encontram-se também, em geral, sagas referentes à sua fundação, e que di- mente constante. Isso também explica parcialmente o seu dcscnvol-
zem respeito à origem estrangeira dos seus fundadores. Tais lendas estão di- vimento estatal pobre.
190 191

Os efeitos de pastores nômades sobre os agricultores sedentários e os tudo, já havia surgido no final do século XV, nos desenvolvimentos burgún-
comerciantes mostram, porém, apenas um lado de um contraste mais fun- dia, suíço e italiano. Em níveis inferiores de desenvolvimento, pode agir a
,damental. Este mesmo contraste encontra-se na base da fundação dos Esta- mesma capacidade limitada de dominação espacial, como no grupo regional
tdos dos povos marítimos, os fenícios, norrnandos e malaios, e, novamente, de Uganda, Wanyoro, Ruanda (ou Bornu), Baghirni, Waday e Darfur, Ainda
ínas colônias européias mais recentes. Também o encontramos na tendência mais abaixo, já podemos ver a reunião de pequenas tribos, organizando-se
i mundial dos povos sedentários, especialmente os agrícolas, a recuar ou con- após ataques de um vizinho mais forte, o qual funciona como impulsos que
Lciliar politicamente. Todas as colonizações exclusivamente agrícolas, a dos fortalecem a coesão política.
aqueus na Grécia, assim COmO a dos alemães na Transilvânia e a dos bôeres De~de os minúsculos indícios de crescimento até os gigantescos Esta:;
na África do Sul, tendem à letargia e são tingidas de inabilidade política. d~s atuais, vemos então a mesma tendência, por parte do pequeno, à imita-
O grande êxito de Roma reside no cruzamento fértil entre um robusto carn- ça~ do grande, e por parte daqueles já grandes à imitação do maior, que al-
pesinato e um elemento territorialmente mais móvel. mejarn se Igualar ao maior de todos. Esta tendência é vital e, como um vo~
-- Há urna diferença nos movimentos históricos presente em toda a hu- lante de direção, opera sobre as variações e inversões, para manter sob con-
manidade. Alguns permanecem estáveis, outros se comprimem para diante, trole as tentativas de crescimento individual. Ela se mostrou igualmente efe- .
e ambos são encorajados pela natureza de seus locais de moradia. Por isso, uva tanto n?s Estados aldeães dos territórios Azande, quanto nos-gigantes- .'
a formação de Estados impele dos mares e estepes (lugares de movimento) cos Estados .de divisão continental. E assim, o impulso para a construção
" para a floresta e terras aráveis (lugares de permanência). Um estabelecimen- de Estados sempre maiores é contínuo ao longo de toda a história. Atual-
to permanente leva ao enfraquecimento e à decadência, enquanto que a mo- mente, podemos vê-lo atuando na Europa continental, onde se enfraquece
.bilidade, por outro lado, promove a organização de populações. Assim, en- a convicção sobre a necessidade de união, pelo menos econômica, contra os
tre as herdas tártaras.vos vik ings e o marinheiros malaios, uniram-se meno- gigantes da Rússia, América do Norte e Império Britânico. Assim também;
res poderes a maiores efeitos. Podem se encontrar os casos mais extremos os desenyol.vimentos coloniais mais recentes comprovaram igualmente essa,
na África, como no caso dos Zulu, um povo guerreiro organizado a ponto lei. Na África, ela provocou uma verdadeira corrida dos poderes às ter ras.]
de anularem a famíla, e os Machona, um povo degenerado até a escravidão, ), e a Inglaterra e a Alemanha dividiram, numa razão de 125 para 100, o réS-'
,
devido a gerações de fragmentação auto-imposta. Ambos se pertencem mu- tanteda Nova Guine.
tuamente, visto que o primeiro vive do último. Não é preciso que um povo, Esse fim se alcança com meios os mais diversos. Um pequeno Estad~-!
em processo de formação do Estado, imponha sua nacionalidade sobre os toma de se:ls Estados vizinhos terra suficiente para se igualar ou se aproxi-'
politicamente passivos, tal como foi sernitizada a Babilônia, pois as leis do m.ar do ~alor deles: a Prússia, depois a Alemanha, entre a França e a Áus-
crescimento dos 1'0\05 e dos Estados se diferenciam. t,rla. Os Estados se desenvolvem perto uns dos outros e se sucedem numa
i
i area comum da terra, com o que os últimos se aproximam das .dimensões
: 7, A tendência geral para a anexação e fusão t erritoriais transmite-se assumidas pelos anteriores: a América Espanhola, a América do Norte Fran
ide Estado a Estado, I! cresce continuamente de intensidade. Com uma ava- cesa, os Estados Unidos da América e a América do Norte Britânica. Se um
Iliaçào crescente do seu valor político, a terra adquiriu influência cada vez Estado é dividido em dois, suas dimensões não serão muito diferentes: os
maior como medida de poderio político e como espólio nas lutas de Estado. reinos da Holanda e da Bélgica. Um Estado cujo tamanho foi reduzido se
iSempre que há rivalidade política, os Estados mais fracos tentam se igualar apodera, em outro lado, de tanta terra quanto for necessária para se manter
la05 mais poderosos. Tr ansf'erida para a terra, surge daí uma luta pela ane- no nível do tamanho que ele compartilha com seus vizinhos.n Áustria, por
-xação e incorporação espaciais. O resultado do lento desenvolvimento e da uma perda de 44 310 km2 na Península Apenina, tomou então 51 110 km2 na
anexação e fusão, derivadas de numerosas lutas, pode ser visto nas áreas Península Balcânica. Uma parceria fragmentária, como a da Hansa, operava
da Áust ria-Hung ria , Alemanha, França e Espanha, cuj a relação s,e exprime de acordo com o plano que impedia a união das Terras elo Norte, isto é, estas
como 100, 86, 84 t' 80: nJS elos Países do Norte e Bélgica, com 100 e 90: 8 tu ras permaneceriam ~)uma situação semelhante <'I dela própria. Os cartagi-
e nas dos Éstados Unidos ela América e a América 00 Norte Britânica (com neses e os gregos mantinham-se em confronto, de moclo que Roma, na Itália
a Newf'oundlnnd). com 100 e 96, e Ontário e Quebec, com 100 e 97; e Central, pôde surgir como potência frente a ambos. Em relacão a uma e ran-
observando-se também que, através ele sua história, existiram relações se- de área, frente à qual não se pode permanecer passivo, a Rússia e a Ólina
melhantes nos vário> níveis de tamanho e posição. Este movimento tem sido estão se tornando os senhores da Ásia Central, na medida em que. de acordo
uma lei do deSen\'OIViJ1 enro espacial dos Estados, muito antes do século XV 1, com a opinião de Wenjukow, a primeira tem problemas a resolver em relacào

na Europa, forjara t
o qual, em vista elas lHas da Espanha,
o onceito de equilíbrio
Áustria e França pelo predomínio
europeu - cujo embrião, ccn-
aos p~vos turcos, semelhantes
morigois.
aos problemas da segunda em relação aos
I
I
192 I
I
r Naturalmente, cada ambição não se restringe à dimensão espacial. Es-
,lados vizinhos diferem quanto a vantagens de posição ou recursos naturais, I
'de onde surgem cornunalidades de interesses e funções, com longo alcance.
//\0 final, mesmo os grandes Estados dependem de áreas selecionadas. O Ca-
-liadá, com seu Pacífico canadense, rivalizava com as conexões Pacífico- I
Atlântico dos Estados Unidos, e ao navegar nos Grandes Lagos usa canais
separados de ambos os lados. Através de toda a América, circula uma imi-
tação da organização e estilo de vida política dos Estados livres norte-
americanos, assim como no Sudão reflete-se um padrão através de todos os
Estados iSlâ~iCOS' quer seu fundador tenha sido um fulbe ou um núbio ara-
bizado Ass rn, também os Impérios Persa e Romano foram modelos para
uma série d Estados da antigüidade, e mesmo nos Estados do antigo pla-
nalto americano há uma longínqua semelhança, espantosamente evidente,
na engenhosa construção de estradas.

'''--.
~. Tanto na competição pacífica quanto na luta bélica, a regra sustenta
que os que avançam devem.enfrentar seus oponentes em seu próprio terre-
ÍNDICE ANALÍTICO
no. Na medida em que são vitoriosos, tornam-se semelhantes a eles. Os Es-
tados que rnar geiarn as estepes e que estão em luta contra os povos da estepe
devem, eles próprios tornarem-se Estados de estepe o suficiente para pode-
E ONOMÁSTICO
rem dominar as vantagens das estepes; a Rússia e a França mostram-no na
Ásia Central e na Argélia."
10'11, 13-6. 20-3. 27·8. 32-72, 104,
adapi.ação, teoria da: 16, 42 _ 151-74. V. tb. C6rscg~
3f!ricultura e :.:iviliz2.ção, 136·! natural e ambiente intelect\lal. 42-3
21imer:lação, ~4-5, /8 . anatomia e civilização, 125·6
onoc;e!1talismo, 9·1-\. V. tb , ;;,,,blent,:
J\nderson, Perry, 11
-anl'h:e~"> 9·'11 1'_6.20.3.26·8.32-12, 104,
h
L..iljll'-I J • ..-
~nimais domésticos, influência dos, 40
.. 151-'74, V. tb. 2.í;lbientaEsn'1?~, espaço: 0-
!-~H~I11e na~'.ifez?~ 'Terr~; ter~'i:ono
3niquilaç~o, 24 . ~ -1 9'
antropogeogratú. 9-17. 26·8, 32·10;,1) - .:
~oí.(e;lo de, 42-6 V. tb~ Ê-eogr(lfia do hOlTICTl1; geogr:·dJ<1
condições do: c n d!\'crsidade dos povo::-)
humana
9. 11 ciência. conlp::lrae!;t, ~H;-7
: l~~l~~;~;~~~;~ dOi P2\()S. 63·) V. tb. enlpiricZ1, 13 27 1 _
c 3. açd.ào \.d:,\ ["'1\lr.-~7~1
1<·
sobre
.'- •• u ..•...
~l C\·olllçaQ das
Córsega
sociedades, 9. 11, 13
e economia. -; 1-2 c ;1 'dlstribuiçj(l das sO:,:l('(\(\(ks hUlnanas so
e escf2.\'idão, 36 ,,;, br e o globo, 9
~ o í,::or iernpo, tJt)-9
c \;o\Ores hi,tóricQ·c\;!tllfais. 10 .
e história, 7i-2, 151-:.1
e a fort11aç~ic)cios territórios. 9. \ . th. ter-
e homem, )4-"72
ritório
l~a:!1:or;iae::~rc. 61 c in~tr\lnlen131 po~iti\"ista, 17. V. lh. Com-
\'ariedad~ das influencias entre. 58-60.
re, AU~USit'
Y. tb. Córsega leis da, íS·5, 101·5. I~S·')2
e liberdade, \0-1,71-2
lllccânll'a. 3S
~~~~~~~;I~~:
~'~;~~ 13.203 Y. tb. Cór,;c~ga
l11()l1o(!raji~. I ~ 1·74
objet; da, 9·17, 2"-)) "
questão da~ infh10nuas, 1.)·1, 1 2-:
~ ~~~~:;'~c~~o;C~~l~i\
9, 23, ~6. 116 .. '
antropologia,
f:S~C0, 35-6 41-6. Y. tb . CÓ!'sega~ l?rntO!"lO
1
a"irnilaçfw. 24
i:ifl~t::li:i\;,r:~;.:;;:,e;; c\'o\nção elos pO\'05,
af'socia~ão, :r2