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Editor: Eduardo Melo

Preparação: Lívia Meimes


Revisão: Felipe Minor
Capa: Christian Fiorin sobre imagem de Josep Altarriba

Porto Alegre, Novembro 2008

ISBN 978-85-62069-04-8

Histórias mal contadas


Maurício Azevedo e Bruno Germer

Alguns direitos reservados. Venda Proibida.


Sumário
O Homem Vestido
Inércia
Crime e Perdão
O Nativo
Goiabada com Queijo
O pai
Ratoeira
Emplasto
Gatilho
Highway to hell
Semeador
A resposta
Fogo de palha
Cara de um, focinho de outro

Informações gerais

Dica: clique nas palavras em vermelho para ir ao capítulo desejado. 2 / 18


O Homem Vestido
Estava nu e do lado de fora do apartamento. Situação difícil em qualquer lugar do mundo. Mas aqui
não é qualquer lugar. Aqui é o Rio de Janeiro. E no Rio é tudo praia, sol, Cristo, bunda, bala. Ho-
mem pelado aqui não é problema.
- Que porra é essa, meirmão?
O corredor vazio. Nove da manhã. Apenas o pelado e um careca.
- Meu senhor, a porta bateu. Fiquei na rua. Compreenda.
O sujeito ajeitou a calça e entrou no apartamento. Minutos depois, voltou com um calção verme-
lho.
- Agora vê se não vacila.
- Ô amigo, sem palavras.
Despediram-se com um leve sinal de cabeça.
O dia correu normalmente.

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Inércia
Ao acordar, Gregor Samsa percebeu rapidamente que nada de extraordinário aconteceria naquele
dia. De resto, a vida se passava sempre do mesmo jeito. Era, afinal, um homem.

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Crime e Perdão
O jovem Raskolnikov andava com idéias estranhas. Em seus sonhos, figuras cadavéricas fumavam
cigarros de maconha. Durante o dia, suava muito, embora a Rússia inteira atravessasse o pior inverno
dos últimos vinte anos.
Seguindo o conselho de um amigo, decidiu procurar uma igreja.
Casou-se.
Dois anos depois, ficou viúvo. Caiu em profunda depressão. Não fosse a ajuda de uma vizinha ve-
lha e maternal, não teria sobrevivido.

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O Nativo
Recebi, ontem, um telegrama. Estou bem, meu filho. Não se preocupe.
Isso resolve a questão. Foi mesmo um mal-entendido. Amanhã parto para Porto Alegre.

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Goiabada com Queijo
Romeu nunca tinha visto Julieta. Quando finalmente se encontraram, achou a moça muito feia.
Não trocaram uma palavra.
No verão seguinte, contudo, ficaram. Mas, segundo ele, não eras.

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O pai
Calculava como gastar o dinheiro da herança do pai. Estava interessado em passar uma temporada
em Londres. A mãe, cedo ou tarde, casaria novamente. Era preciso continuar, afinal. No meio da
noite, enquanto fazia a mala, foi interrompido por Horácio.
– Teu pai, Hamlet. Teu pai.
– O que tem ele?
– Apareceu pra mim agora.
– Na boa, Horácio, tu tá viajando.
Nunca mais pensou no assunto.

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Ratoeira
Atormentado mais uma vez pela esposa dizendo que o leiteiro queria receber o que lhe deviam, saiu
de casa pela manhã decidido a dar um fim naquilo. Antes de cruzar as ruas do centro da cidade, fez
um desvio pelo Bomfim. Havia aprendido, na infância, a não resolver um problema criando outro.
Mas o empréstimo do senhor Matone resolveria dois.

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Emplasto
Funciona! Meu legado à humanidade, afinal! Acamado e terminal que estava, fui salvo por minha
própria invenção. Esquecerei agora meus fracassos estudantil, político, profissional e conjugal.
Ficarei famoso e tu, Marcela, ficarás rica!

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Gatilho
– Oh, Carlota!
– Caro amigo, não fiques assim. Há ainda muito que vir pela frente.
– Oh, Wilhelm, o sofrimento deste amor só eu sinto. Dele só eu padeço.
– Compreendo o que dizes, meu amigo, mas ainda assim acredito que podes sair desta. Aceita meu
conselho e visita este doutor, sr. Sigmund. Fala-se muito bem dele. Trata dos males da alma. O que
tentaste fazer, Werther, é impensado e irresponsável.
– Nossas armas sequer matam um homem. Jamais venceremos guerra alguma!

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Highway to hell

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Semeador
É duro admitir, especialmente para mim, mas a conversa com meu professor doente realmente me
fez pensar em algumas coisas sobre minha vida. Meu irmão é um vendido e meus pais só se preo-
cupam com o que pode acontecer com o nome da família. Quanto a mim, bem, não se preocupe.
Vou poupá-lo da baboseira tipo “David Copperfield”, no duro. Acontece que meu velho professor
conseguiu me pegar. Aquele papo de “você precisa estudar”, “não faça isso por seus pais, faça por
você mesmo” não estava funcionando, mas então ele encontrou meu ponto fraco.
– Pois então faça isso. Dê um exemplo para sua irmã, Phoebe, não é? Se ela é a única pessoa com
quem você se importa, mostre que é possível ter um futuro digno mesmo sendo da sua família. Se
o que você pretende é carregá-la pela mão, protegê-la do abismo, mostre a ela que a seriedade fren-
te aos estudos é a melhor maneira de plantar algo bom para colher mais tarde.
É preciso trabalhar. Cabeça vazia é oficina do diabo.

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A resposta
Caro Sr. Bandini,

Acabo de ler sua carta e os originais de O cachorrinho riu. Infelizmente, nosso cronograma está fe-
chado até o ano de 1984. Recomendo-lhe o baseball. Boa sorte em Chicago.

J. C. Hackmuth
Editor

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Fogo de palha
Victor Frankenstein tivera um árduo trabalho escolhendo os melhores pedaços, costurando tecidos
ponto a ponto. Estudara as ciências naturais até adoecer, tanto que, ao final de outubro, tivera uma
febre incendiária que preocupara Elizabeth:
– Basta! Ficarás nesta cama até melhorares. Depois, voltas para Genebra comigo. É o desejo de teu
pai.

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Cara de um, focinho de outro
Na maternidade, o futuro pai não disfarçava a inquietude. Observava seu amigo Escobar, que, sen-
tado à sua frente, mordia os lábios com freqüência, batia com as mãos no braço da cadeira, respi-
rava pesadamente. Por que estaria nervoso?
No caminho para o quarto, surgiu a pergunta: “Será que...?”
Ao entrar, viu Capitu amamentando o bebê. “De quem era?”, pensou. Hesitou por um momento
ou dois e avançou em direção à cama.
– Ele tem o seu nariz e os seus olhos.
E, finalmente, Bentinho sorriu.

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Sobre os autores
Maurício Azevedo é escritor e atualmente mestrando em Comunicação pela PUCRS. Bruno Ger-
mer é licenciado em Letras e professor de inglês.

Copyright
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