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ESTÉTICA INTRODUÇÃO

PROFº: KÉZIA Frente: 01 Aula: 17 MA190907


PE / ES / CN

O NATURALISMO NA ARTE GREGA


1.1- ARTE E REALIDADE: IMITAÇÃO E Na Grécia Antiga não havia a idéia de artista no
REPRESENTAÇÃO sentido que hoje empregamos, uma vez que" a arte
estava integrada à vida. As obras de arte dessa época
Cada época, cada cultura, tem o seu padrão de eram utensílios (vasos, ânforas, copos, templos etc.) ou
beleza próprio. Já houve até quem dissesse que "gordura instrumentos educacionais. Assim, o artífice que os
é formosura". Da mesma forma, as manifestações produzia era considerado um trabalhador manual, do
artísticas têm sido bastante diversas e, por vezes, até mesmo nível do agricultor ou do ferramenteiro. Ele era um
desconcertantes no curso da história. Essa diversidade se artesão numa sociedade que considerava indigno o
deve a vários fatores, que vão do político, social e trabalho manual.
econômico até os objetivos artísticos que cada época ou Nesse período (sécs.V e IV a.C.) foram
cultura tem se colocado. desenvolvida, técnicas com a principal motivação de
Ao longo dos séculos, surgiram várias correntes produzir cópias da aparência visível das coisas. A função
estéticas que vieram a determinar não só as relações da arte era criar imagens de coisas reais, imagens que
entre arte e realidade, porém, mais importante ainda, o tivessem aparência de realidade. Há várias anedotas que
estatuto e a função da obra de arte. Discutiremos aqui ilustram bem isso, embora poucos exemplares da pintura
algumas dessas correntes mais importantes que grega tenham chegado até nós. Dizem que Apeles pintou
marcaram a produção artística, sendo, por isso, um cavalo com tanto realismo que cavalos vivos
fundamentais para a compreensão da história da arte. relincharam ao vê-lo. Outra história conta que Parrásio
pintou uvas tão reais que passarinhos tentavam bicá-las.
Na verdade, talvez essas pinturas só possam ser
CONCEITO DE NATURALISMO consideradas realistas em relação à estilização da pintura
O naturalismo constitui uma noção fundamental
que a precedeu ou à pintura egípcia, por exemplo. Por
que marcou profundamente grande parte da arte
outro lado, temos de admirar a fidelidade anatômica das
ocidental: a arte grega antiga e, após uma interrupção
esculturas gregas, tais como a Vitória de Samotráeia e o
durante a Idade Média, da arte renascentista até o final do
Discóbolo.
século XIX.
Essa atitude perante a arte está fundada sobre o
O naturalismo, segundo Harold Osbome, pode ser
conceito de mimese.
definido como a ambição de colocar diante do observador
Embora mimese seja normalmente traduzida por
uma semelhança convincente das aparências reais das
"imitação", para os gregos ela significava muito mais que
coisas. A admiração pela obra de arte, nessa perspectiva,
isso. Para Platão (séc.V a.C.), no Crátilo, as palavras
advém da habilidade do artista em fazer a obra parecer
"imitam" a realidade. Neste caso, a tradução mais correta
ser o que não é, parecer ser a realidade e não a
para mimese talvez fosse "representar", e não "imitar".
representação.
Para Aristóteles (séc.IV a.C.),a arte"imita"a
De acordo com a atitude naturalista, podemos
natureza. Arte, para ele, no entanto, englobava todos os
distinguir algumas variações, dentre as quais as mais
ofícios manuais, indo da agricultura ao que hoje
importantes são o realismo e o idealismo.
chamamos de belas-artes. Por isso, a arte, enquanto
O realismo mostra o mundo como ele é, nem
poiésis, ou seja,"construção","criação a partir do nada",
melhor nem pior. Já o idealismo retraía o mundo nas suas
"passagem do não-ser ao ser", imita a natureza no ato de
condições mais favoráveis. Na verdade, mostra o mundo
criar. Por outro lado, também aqui poderíamos entender
como desejaríamos que fosse, melhorando e
mimese com o sentido de "representar". Para Aristóteles,
aperfeiçoando o real. E o padrão da arte grega, que não
"todos os ofícios manuais e toda a educação completam o
retraía pessoas reais, mas pessoas idealizadas. Foram os
que a natureza não terminou".
gregos que elaboraram a teoria das proporções do corpo
Ainda segundo Aristóteles, a apreciação da arte
humano.
vem do prazer intelectual de reconhecer a coisa
Depois da Idade Média, a ruptura com a atitude
representada por meio da imagem. Desse modo, ele
naturalista ocorre na segunda metade do século XIX com
resolve o problema do feio. O prazer, no caso, não vem
os impressionistas, que passam a dar primazia às
do reconhecimento da coisa feia, mas da habilidade que o
variações da luz e não aos objetos representados.
artista demonstra ao representá-la.
Essa mudança de atitude se deve, em parte, ao
E no sentido de cópia ou reprodução exata e fiel que a
aparecimento do "bisavô" da máquina fotográfica o
palavra mimese passa a ser adotada pela teoria
daguerreótipo, que fixa as imagens do mundo de forma
naturalista. E as obras de arte, nessa perspectiva, são
mais rápida e mais econômica do que a tela pintada. Por
avaliadas segundo o padrão de correção colocado por
essa razão, os artistas, principalmente os pintores,
Platão: "Agora suponhamos que, neste caso, o homem
tiveram de repensar a função da arte e o espaço
também não soubesse o que eram os vários corpos
especifico da pintura.
representados. Ser-lhe-ia possível ajuizar da justeza da
obra do artista? Poderia ele, por exemplo, dizer se ela
mostra os membros do corpo em seu número verdadeiro
e natural e em suas situações reais, dispostos de tal
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forma em relação uns aos outros que reproduzam o Vimos que a estética é um ramo da filosofia que
agrupamento natural - para não falarmos na cor e na se debruça sobre as questões ligadas à arte, inclusive as
forma - ou se tudo isso está confuso na representação? teorias da criação e percepção artísticas.
Poderia o homem, ao vosso parecer, decidir a Ao analisar o belo artístico, apresentamos as
questão se simplesmente não soubesse o que era a teorias desenvolvidas pelos filósofos ao longo dos
criatura retratada?". séculos, alguns privilegiando seu caráter objetivo, outros,
o subjetivo, até chegar à posição da estética
1.2- O BELO E A QUESTÃO DO GOSTO fenomenológica para a qual o belo é qualidade de certos
A questão do gosto não pode ser encarada como objetos que nos são dados à percepção. O problema do
uma feio é considerado dentro da mesma ótica, afirmando-se
preferência arbitrária e imperiosa da nossa que não há obra de arte feia. Em seguida, discutimos a
subjetividade. Quando o gosto é assim entendido, nosso questão do gosto, como a capacidade de fazer
julgamento estético decide o que preferimos em função julgamentos estéticos sem preconceito, e defendemos
do que somos. E não há margem para melhoria, que a educação do gosto se dá dentro da experiência
aprendizado, educação da sensibilidade, para estética.
crescimento, enfim. Isso porque esse tipo de
subjetividade refere-se mais a si mesma do que ao LEITURA COMPLEMENTAR
mundo dentro do qual ela se forma. O NASCIMENTO DO GOSTO
Se quisermos educar o nosso gosto diante de um Sempre é difícil, e por vezes até mesmo
objeto estético, a subjetividade precisa estar mais impossível, datar com toda segurança o nascimento de
interessada em conhecer do que em preferir. Para isso, um conceito [...]. Contudo, uma coisa é certa: foi por volta
ela deve entregarse às particularidades de cada objeto. de meados do século XVII - inicialmente na Itália e na
Nesse sentido, ter gosto é ter capacidade de Espanha, depois na França e na Inglaterra, e mais
julgamento sem preconceitos. É deixar que cada uma das tardiamente na Alemanha [...] - que o termo [gosto]
obras vá formando o nosso gosto, modificando-o. Se nos adquiriu pertinência na designação de uma nova
limitarmos aquelas obras que já conhecemos e sabemos faculdade, capaz de distinguir entre o belo e o feio e de
que gostamos, sejam elas música, cinema, programas de apreender pelo sentimento (aisthêsis) imediato as regras
televisão, quadros, esculturas, edifícios, jamais nosso de uma tal separação – dessa krisis que logo iria se tomar
gosto será ampliado. É a própria presença da obra de arte apanágio [atributo] da critica de arte. Também foi a partir
que forma o gosto: toma-nos disponíveis, faz-nos deixar da representação de tal faculdade que ingressamos
de lado as particularidades da subjetividade para definitivamente no universo da
chegarmos ao universal. "estética moderna" (de resto, a justaposição dos dois
Mikel Dufrenne, filósofo francês contemporâneo, termos " é quase pleonástica [repetitiva]). Este ponto
explica esse processo de forma muito feliz, e por isso merece consideração. [...]
vamos citá-lo. Diz que a obra de arte "convida a O nascimento da estética como disciplina
subjetividade a se constituir como olhar puro, livre filosófica está indissoluvelmente ligado à mutação radical
abertura para o objeto, e o conteúdo particular a se pôr a que intervém na representação do belo quando este é
serviço da compreensão em lugar de ofuscá-la fazendo pensado em termos de gosto, portanto, a partir do que no
prevalecer as suas inclinações. À medida que o sujeito homem irá logo aparecer como a essência mesma da
exerce a aptidão de se abrir, desenvolve a aptidão de subjetividade, como o mais subjetivo do sujeito. Com o
compreender, de penetrar no mundo aberto pela obra. conceito de gosto, efetivamente, o belo é ligado tão
Gosto é, finalmente, comunicação com a obra intimamente à subjetividade humana, que se define, no
para além limite, pelo prazer que proporciona, pelas sensações ou
de todo saber e de toda técnica. O poder de fazer justiça pelos sentimentos que suscita em nós.
ao objeto estético é a via da universalidade do julgamento Uma das questões centrais da filosofia da arte
do gosto". será, evidentemente, a dos critérios que permitem afirmar
Desse modo, a educação do gosto se dá dentro da ou não que uma coisa é bela. Como chegar, nessa
experiência estética, que é a experiência da presença matéria, a uma resposta "objetiva", uma vez que a
tanto do objeto estético como do sujeito que o percebe. fundamentação do belo se realiza na mais íntima
Ela se dá no momento em que, em vez de impor subjetividade, a do gosto? Mas como, também, renunciar
os meus padrões à obra, deixo que essa mesma obra se a visar a uma tal objetividade, quando o belo, como todos
mostre a partir de suas regras internas, de sua os outros valores modernos, pretende poder dirigir-se a
configuração única. todos e agradar ao maior número de pessoas? Problema
Em outras palavras, no momento em que entro no terrível com o qual a estética encontra inevitavelmente,
mundo da obra, jogo o seu jogo de acordo com suas mas a priorí e em seu estado mais essencial, as questões
regras e vou deixando aparecer alguns de seus muitos análogas colocadas ao individualismo no campo da teoria
sentidos. Isso não quer dizer que vá ser sempre fácil. do conhecimento (como fundamentar a objetividade a
Precisamos começar com obras que nos estejam mais partir das representações do sujeito?) assim como no
próximas, no sentido de serem mais fáceis de aceitar. E campo da política (como fundamentar o coletivo nas
dar um passo de cada vez. O importante é não parar no vontades particulares?): a priori e no estado essencial, já
meio do caminho, pois o universo da arte é muito rico e que a história da estética é por excelência o lugar da
muito enriquecedor. Através dele, descobrimos o que o subjetivação do mundo, ou melhor dizendo, desse
mundo pode ser e, também, o que nós podemos ser e retraimento do mundo que caracteriza, ao final de um
conhecer. Vale a pena. longo processo, a cultura contemporânea.
( FERRY, Luc. Homo Aestheticus: a formação do gosto democrático. São Paulo, Ensaio, 1994. p.
36-37)

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