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POLÍCIA MILITAR DO DISTRITO FEDERAL

DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO E CULTURA


DIRETORIA DE APERFEIÇOAMENTO E EXTENSÃO
CENTRO DE APERFEIÇOAMENTO E EXTENSÃO

O GLOBAL POSITIONING SYSTEM (GPS) E SUA APLICABILIDADE

PARA AUMENTAR A EFETIVIDADE DO SERVIÇO DE EMERGÊNCIA

DA PMDF

CAP QOPM EMÍLIO CASTELLAR

Brasília-DF, 29 de julho de 2010


POLÍCIA MILITAR DO DISTRITO FEDERAL
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO E CULTURA
DIRETORIA DE APERFEIÇOAMENTO E EXTENSÃO
CENTRO DE APERFEIÇOAMENTO E EXTENSÃO

O GLOBAL POSITIONING SYSTEM (GPS) E SUA APLICABILIDADE

PARA AUMENTAR A EFETIVIDADE DO SERVIÇO DE EMERGÊNCIA

DA PMDF

CAP QOPM EMÍLIO CASTELLAR

Trabalho Técnico-Científico-Profissional apresentado


para a banca examinadora do Curso de
Aperfeiçoamento de Oficiais, como exigência para a
obtenção do grau de especialista em Gestão da
Segurança Pública, sob a orientação do prof MsC
Bilmar Angelis de Almeida Ferreira.

Brasília

2010
TERMO DE APROVAÇÃO

O GLOBAL POSITIONING SYSTEM (GPS) E SUA APLICABILIDADE

PARA AUMENTAR A EFETIVIDADE DO SERVIÇO DE EMERGÊNCIA DA

PMDF

AUTOR: CAP QOPM EMÍLIO CASTELLAR

Data: ____ de ____________ de 2010.

Trabalho Técnico-Científico-Profissional avaliado por:

_______________________________
Presidente

________________________________
Membro nato

_________________________________
Membro transitório

________________________________
Orientador de conteúdo

Publicado no Boletim Interno nº ___ de ___ de _____________ de ______.

COORDENAÇÃO DE CURSO
Dedico o presente trabalho à minha
amada esposa Cleide Quele Alves
Castellar e aos meus amados
pequenos filhos Talita e Aurélio, que
sempre me apoiaram e
compreenderam os momentos de
ausência para a sua realização.
Agradeço primeiramente a Deus,
nosso Pai Amado que me permitiu
chegar até aqui.
A todos que direta ou indiretamente
me apoiaram para a conclusão deste
trabalho. Em especial ao meu pai, Dr.
Juarez Iório Castellar, pela paciência
e presteza em colaborar na sua
elaboração.
Aos Professores Msc. Bilmar Angelis
de Almeida Ferreira e Msc. Kleber
Chagas Cerqueira, orientadores
sempre profícuos.
RESUMO

Esta monografia apresenta o resultado de uma pesquisa exploratória sobre a


aplicabilidade do Global Positioning System (GPS) como ferramenta de
georreferenciamento dos recursos operacionais da Polícia Militar do Distrito Federal,
objetivando aumentar a efetividade de seu serviço emergencial, por meio da
implantação de um Sistema de Informações que utilize as tecnologias de recepção do
sinal satelital a partir dos seus meios operacionais localizados no terreno, a transmissão
das coordenadas referentes para um Banco de Dados que utilize um Sistema de
Informações Geográficas (SIG) para apresentar a visualização automática de suas
localizações em tempo real, a fim de permitir o direcionamento mais ágil do
policiamento pelos operadores do serviço na Central Integrada de Atendimento e
Despacho (CIADE), e ainda servir como meio primário de navegação pelos policiais
militares que trabalham no serviço operacional. Permite também a identificação de
zonas quentes de criminalidade, por meio do georreferenciamento dos registros de
ocorrência, possibilitando assim o planejamento do policiamento preventivo, embasado
nas premissas da criminologia ambiental. O estudo foi baseado em técnicas de
pesquisa de campo, bibliográfica e documental, com observação direta e levantamento
de dados a partir de questionários de opinião (survey) dos operadores do serviço na
CIADE e na PMDF, além de entrevistas a policiais militares especialistas em
Geoprocessamento. As conclusões apontam para a necessidade de implantação do
sistema para a redução do tempo de resposta do serviço emergencial e o consequente
aumento de sua efetividade, apontando os critérios e fases para a implantação.

Palavras chave: NavSTAR, GIS, Geoprocessamento em Segurança Pública,

Criminologia Ambiental, Zonas Quentes de Criminalidade.


ABSTRACT

This monograph shows the result of an exploratory search about the applicability
of the Global Positioning System (GPS) like a georeferencing tool of the PMDF’s
operational resources, aiming to increase the effectiveness of it’s emergency service, by
the implantation of an Information System that employes the reception technology of
Sattellite’s signal, from his operational resources located in terrain, the transmission of
the refering coordinates to a Data Bank that employes a Geographic Information System
(GIS) to show the automatic visualization of it’s localization in real time, to allow the
faster directing of the policing by the service operators in the Integrated Central of
Attendance and Dispatching (CIADE), and yet serves as like a primary navigation tool by
the military policeman working in the operational service. Also allows the identification
of the hot spots, by the georeferencing of the occurrence records, enabling the
preventive policing planning, based on the premises of the environmental criminology.
The study was based on techniques of field, bibliographic and documentary search, with
direct observation and survey of service operator’s opinion in the CIADE and Military
Police of the Federal District (PMDF), in addition of interview with military policeman
experts in Geotechnologyes. The conclusions point to the need of the System’s
implantation to decrease of the emergency service’s lead time and consequent increase
of it’s effectiveness, by pointing the criteria to the implatation.

Key words – NavSTAR, GIS, Geoprocessing in public Security, Environmental

Criminologiy, Hot spots


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO................................................................................... 22

I Introdução.................................................................................................. 22

II Delimitação do Tema................................................................................ 24

III Justificativa e Relevância........................................................................ 25

IV Objetivos................................................................................................. 25

V Distribuição dos Assuntos........................................................................ 26

VI Método................................................................................................... 27

CAPÍTULO I – REFERENCIAL TEÓRICO............................................... 28

1.1 O GLOBAL POSITIONING SYSTEM – GPS........................................ 28

1.1.1 Conceito do Sistema de Posicionamento Global.......................... 28

1.1.2 Histórico e evolução do GPS........................................................ 31

1.1.3 Segmento Espacial....................................................................... 36

1.1.4 Segmento de Controle.................................................................. 44

1.1.5 Segmento de Usuários................................................................. 49

1.1.6 Como funciona o GPS.................................................................. 52

1.1.7 Produto final do GPS: Coordenadas Geográficas........................ 55

1.1.8 Principais interferências no sinal GPS.......................................... 58

1.1.8.1 Obstáculos e desvios naturais........................................... 59

1.1.8.2 Erros sistêmicos................................................................. 60

1.1.8.3 Aplicabilidade do GPS....................................................... 62


1.1.8.4 Outros sistemas de Navegação......................................... 63

1.2 GEOTECNOLOGIAS............................................................................. 63

1.2.1 Geoprocessamento....................................................................... 64

1.2.2 Georreferenciamento.................................................................... 66

1.3 SIG EM SEGURANÇA PÚBLICA.......................................................... 69

1.3.1 Sumário descritivo qualificador de rotas....................................... 70

1.3.2 Estado de Alagoas........................................................................ 72

1.3.3 Estado do Rio Grande do Sul....................................................... 73

1.3.4 Estado de Santa Catarina............................................................ 73

1.3.5 Estado de Sergipe........................................................................ 74

1.4 0 SERVIÇO D EMERGÊNCIA DA PMDF............................................. 75

1.4.1 Conceito........................................................................................ 75

1.4.2 Histórico........................................................................................ 76

1.4.3 As Geotecnologias no serviço de emergência da PMDF.............. 80

1.4.3.1 GEOSISCOP...................................................................... 80

1.4.3.2 Sistema de Gerenciamento de Ocorrências...................... 82

1.4.3.3 Sistema BOWEB................................................................ 83

1.4.3.4 Sistema Móvel de Gerenciamento de Ocorrências............ 84

1.4.3.5 Sistema de Rastreamento da Aeronave da PMDF............ 90

CAPÍTULO II – MÉTODOS............................................................... 96

2.1 TIPO DE ESTUDO................................................................................ 96

2.2 SELEÇÃO DOS SUJEITOS PARA O LEVANTAMENTO DE DADOS. 100

2.2.1 Critérios de elegibilidade para o estudo........................................ 100


2.2.2 Critérios para inclusão.................................................................. 100

2.2.3 Critérios para exclusão................................................................. 100

2.2.4 Critérios éticos.............................................................................. 100

2.3 INSTRUMENTOS UTILIZADOS NO LEVANTAMENTO DE DADOS... 101

2.3.1 Questionário sobre a importância da implantação do GPS na


PMDF, segundo a opinião dos Atendentes e Despachantes da CIADE............. 101
2.3.2 Questionário sobre a importância da implantação do GPS na
PMDF, segundo a opinião policiais militares que trabalham ou trabalharam no
serviço operacional da PMDF.............................................................................. 101
2.3.3 Entrevista semi estruturada sobre o GPS segundo a opinião de
profissionais especialistas em Geoposicionamento............................................ 102
2.3.4 Coleta, armazenamento e análise dos dados do Levantamento.. 102

2.3.4.1 Coleta................................................................................. 102

2.3.4.2 Armazenamento................................................................. 102

2.3.4.3 Análise dos dados.............................................................. 103

2.4 OUTROS PROCEDIMENTOS UTILIZADOS NA PESQUISA............... 103

2.4.1 Pesquisa Bibliográfica................................................................... 103

2.4.1.1 Critérios adotados para a seleção bibliográfica................. 103

2.4.1.2 Fichamento da bibliografia consultada.............................. 104

2.4.2 Webgrafia..................................................................................... 104

2.4.2.1 Alertas automáticos de novas publicações........................ 104

2.4.2.2 Bases consultadas............................................................. 105

2.4.3 Biblioteca virtual............................................................................ 106

2.5 PESQUISA DE CAMPO........................................................................ 107

CAPÍTULO III – APRESENTAÇÃO DOS DADOS COLHIDOS NO


LEVANTAMENTO............................................................................. 108

3.1 QUESTIONÁRIO DE OPINIÃO DOS PROFISSIONAIS DA CIADE..... 108

3.1.1 Perfil amostral dos Tele Atendentes Emergenciais...................... 108

3.1.2 Perfil amostral dos Despachantes................................................ 110

3.1.3 Análise das Questões................................................................... 111

3.1.3.1 Na sua opinião, qual é o grau de conhecimento que possui


sobre as áreas de onde partem a maioria das ocorrências que
recebe:................................................................................................................. 111
3.1.3.2 Na sua opinião, instruções sobre as áreas com utilização de
mapas com georreferências teriam que grau de efetividade?........................ 112
3.1.3.3 Na sua opinião, qual é o grau de importância do fator
“rapidez no atendimento” para o sucesso de uma Ocorrência Policial?............. 113
3.1.3.4 Na sua opinião, qual é a importância da ciência da
localização exata das viaturas em tempo real por parte da CIADE na qualidade
do serviço?.......................................................................................... 113
3.1.3.5 Na sua opinião, qual é o grau de rapidez que o GPS fornece
para ações de Segurança Pública?....................................................... 114
3.1.3.6 Na sua opinião, qual a importância das tecnologias
instaladas em viaturas para o sucesso de uma ocorrência policial?.................. 114
3.1.3.7 Qual é seu grau de conhecimento sobre o GPS?............. 115
3.1.3.8 Já teve contato com o GPS?............................................. 115
3.1.3.9 Na sua opinião, a inclusão de mais um campo com as
coordenadas GPS na tela do SGO acarretaria em uma tarefa de qual grau de
dificuldade?.......................................................................................................... 116
3.1.3.10 Na sua opinião, o aumento no controle da CIADE sobre as
viaturas com utilização do GPS seria:............................................................ 117
3.1.3.11 Qual seria o seu grau de satisfação com a instalação de
um sistema de localização por GPS nas viaturas da PMDF?............................ 117
3.1.3.12 Escreva o que pensa sobre o tema, mas não foi
perguntado:......................................................................................................... 118
3.2 Questionário de opinião dos policiais militares..................................... 118
3.2.1 Perfil amostral dos oficiais policiais militares 118
3.2.2 Perfil amostral das praças policiais militares 120
3.2.3 Análise das questões 122
3.2.3.1 Na sua opinião, qual o impacto do fator “qualidade das
comunicações” no sucesso de uma Ocorrência Policial?................................... 122
3.2.3.2 Na sua opinião qual é o grau da qualidade das
comunicações da PMDF?.................................................................................... 122
3.2.3.3 Na sua opinião qual é o grau de importância do fator
“rapidez no atendimento” para o sucesso de uma ocorrência policial?.............. 123
3.2.3.4 Na sua opinião, qual é o grau de rapidez que o GPS fornece
para ações de Segurança Pública?....................................................... 124
3.2.3.5 Na sua opinião, qual é a importância das tecnologias
instaladas em viaturas para o sucesso de uma Ocorrência Policial?.................. 125
3.2.3.6 Na sua opinião, qual é a possibilidade de equipamentos
tecnológicos instalados em viaturas policiais apresentarem mal
funcionamento?................................................................................................... 125
3.2.3.7Qual é seu grau de conhecimento sobre o GPS?............... 126
3.2.3.8 Já teve contato com o GPS?............................................. 126
3.2.3.9 Na sua opinião, qual seria o grau de dificuldade em operar
um aparelho GPS?................................................................................... 127
3.2.3.10 Na sua opinião, qual seria o aumento no controle da
CIADE sobre as viaturas com o GPS?................................................................ 128
3.2.3.11 Qual seria o seu grau de satisfação com a instalação de
um sistema de localização por GPS nas viaturas da PMDF?............................. 129
3.2.3.12 Escreva o que pensa sobre o tema, mas não foi
perguntado:.......................................................................................................... 129
3.3 Entrevistas com especialistas em Geoprocessamento da PMDF......... 129
3.3.1 Entrevistado nº 1 - Coronel Jaílson Ferreira Braz......................... 129
3.3.2 Entrevistado nº 2 – Ten Cel José Augusto Soares de Oliveira..... 133
3.3.3 Entrevistado nº 3 – Capitão Célio Roberto Dias Dutra.................. 138
3.3.4 Resumo analítico das entrevistas................................................. 140
CAPÍTULO IV – SISTEMA DE GEORREFERENCIAMENTOMENTO POR GPS
EM TEMPO REAL....................................................................................... 142
4.1 DESCRIÇÃO DO SISTEMA.................................................................. 143
4.1.1 Sistema de Informações Geográficas........................................... 143
4.1.2 Requisitos Operacionais dos Sistemas de informação................. 143
4.1.3 Dimensões sistêmicas.................................................................. 144
4.1.4 Segmento Técnico........................................................................ 145
4.1.4.1 Módulo de Recepção do sinal GPS................................... 145
4.1.4.2 Módulo de Navegação....................................................... 145
4.1.4.3 Dispositivos Móveis Receptores de sinal GPS.................. 146
4.1.5 Segmento de transmissão e Recepção de Dados........................ 147
4.1.5.1 Módulo de transmissão e Recepção de Dados................. 147
4.1.5.2 Infovia específica para tráfego dos Dados........................ 147
4.1.6 Segmento Lógico.......................................................................... 148
4.1.7 Segmento de Pessoal................................................................... 148
4.2 Níveis sistêmicos................................................................................... 149
4.2.1 Processos de otimização.............................................................. 149
4.2.2 Excelência no desempenho organizacional.................................. 150
4.3 Fases de implantação do Sistema........................................................ 152
CONCLUSÃO...................................................................................................... 156
REFERÊNCIAS................................................................................................... 159
INTRODUÇÃO

I. Introdução

Ao verificar o desempenho do serviço emergencial da PMDF1, constata-se que a

média de tempo gasto no 3º Trimestre de 2009 entre o acionamento pelo solicitante e a

chegada ao local da solicitação foi de 16 minutos e 34 segundos, tendo aumentado

2,7%, quando comparada com o mesmo período do ano anterior (GDF-SSP, 2009, p.5).

Uma possível explicação para esse fenômeno é que o tempo de resposta é

influenciado sobremaneira pelo fato de a localização por parte dos policiais que

desenvolvem o serviço operacional da PMDF dos lugares de cometimento criminal no

terreno apenas por meio de métodos convencionais como endereços ou pontos de

referência é dificultada por diversos fatores que causam atraso no atendimento.

Além disso, existe fato de os despachantes da CIADE2 não conhecerem a

localização precisa de cada prefixo durante o serviço e, por muitas vezes, acionarem

prefixos que estão mais distantes do local de cometimento do crime.

A SESP/DF3 desenvolve um trabalho de análise criminal, mapeando as áreas

conhecidas como manchas criminais ou zonas quentes de criminalidade, que são

georreferenciadas por meio da aplicação do estimador de densidade de “Kernel”, onde

1
PMDF – Polícia Militar do Distrito Federal
2
CIADE – Central Integrada de Atendimento e Despacho
3
SESP/DF – Secretaria de Estado de Segurança Pública do Distrito Federal
uma superfície interpolada apresenta um padrão de distribuição dos eventos criminais

(GDF-SSP, 2009, p.5).

O não conhecimento dos itinerários realizados pelas viaturas da PMDF durante o

Serviço Operacional impede um melhor planejamento das rotas de forma que coincidam

com aquelas zonas quentes de criminalidade, ou hot spots. Por outro lado, o

conhecimento de tais itinerários poderia aumentar o controle e a fiscalização do efetivo

empregado nas atividades operacionais, otimizando seu emprego nas áreas de maior

densidade criminal, bem como para prevenir tipos criminais específicos, que também já

são mapeados pela SESP/DF.

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, em

Porto Alegre, onde um sistema com uso do Global Positioning System (GPS)4 foi

implantado, o tempo médio de chegada das viaturas diminuiu de 12 minutos e 28

segundos, em agosto de 2001, para 7 minutos e 40 segundos, em 2003 (SSP/RS

2003).

Dados recentes (jul/2010) divulgados pela Secretaria de Comunicação Social de

Alagoas informam que a implantação de um sistema que utiliza o GPS nas viaturas da

Polícia Militar e Corpo de Bombeiros daquele Estado levou a uma redução do tempo

médio de deslocamento de 30 para até 10 minutos.

Vários outros estados brasileiros já implantaram sistemas semelhantes em suas

viaturas de emergência com sucesso e deseja-se pesquisar se a implantação de um

sistema semelhante na PMDF poderia trazer os mesmos benefícios observados em

outras Unidades da Federação.

4
GPS – Global Positioning System ou Sistema de Posicionamento Global
II. Delimitação do Tema

O tema está delimitado, portanto, na possibilidade de utilização do GPS como

base para um sistema que utilize esta tecnologia como fator de aumento de efetividade

para o serviço de emergência da PMDF, por meio do conhecimento em tempo real da

localização de recursos operacionais da Corporação durante o serviço operacional.

Nesse sentido, o problema central do presente estudo é: Como o GPS e as

tecnologias envolvidas, tais como o Geoposicionamento e o Georreferenciamento

podem aumentar a efetividade do Serviço de Emergência da PMDF?

O presente estudo não tem como escopo a discussão de aspectos de natureza

jurídica ou cultural, mas tão somente abordará os aspectos técnico-operacionais e

administrativos apontando o que é o GPS, qual é sua importância e aplicabilidade em

ações de segurança pública e propondo a arquitetura de um sistema que o utilize para

aumentar a efetividade do serviço de emergência da PMDF.

Embora existam outros órgãos de Segurança Pública que também possuam

serviços de atendimento emergencial, o presente estudo se dedicará unicamente à

aplicação do Geoposicionamento dos recursos operacionais da PMDF.

Embora existam também outras ferramentas de Geoposicionamento, tanto por

satélite como por triangulação5 de sinais de estações em terra, o presente estudo

somente diz respeito ao uso do GPS, podendo se referir aos outros meios apenas para

citar a sua existência.

O presente estudo não tem a pretensão de especificar tecnicamente o produto,

tendo em vista que não é um trabalho de pesquisa na área de Engenharia, mas

buscará estabelecer critérios e pré-requisitos para um sistema de Geoposicionamento,

5
Triangulação – Medir a posição por meio da ciência da distância para 3 estações de posição conhecida
com base na revisão da bibliografia disponível, na opinião de especialistas e de quem

utilizará o sistema, como será visto no Capítulo II, referente aos métodos empregados.

III. Justificativa e Relevância do Tema

A justificativa para a realização do presente estudo é que a utilização de um

sistema que permita a geração automática de informações sobre a localização dos

recursos operacionais da PMDF em tempo real, por meio da instalação de um

equipamento que capte o sinal GPS e transmita a coordenada para a CIADE, poderia

auxiliar no gerenciamento desses recursos.

Além de servir para o melhor planejamento e controle operacional, tal sistema

seria de grande valia para o policial militar em serviço como meio de navegação,

auxiliando-o a chegar mais rapidamente aos locais de ocorrência, principalmente em

áreas urbanas não legalizadas e rurais, onde há escassez de indicações de endereços

e pontos de referência, bem como para ter sua viatura localizada mais rapidamente em

caso de necessidade de apoio.

Tal sistema, além das aplicações operacionais, também teria aplicações de

controle administrativo das viaturas, na medida em que ajudaria a identificar a

quantidade de quilômetros rodados, velocidade empreendida, parâmetros de

manutenção por viatura, entre outros aspectos, o que auxiliaria em um melhor

planejamento logístico, servindo como um sistema de rastreamento de frota.

IV. Objetivos

a) Geral

Nesse contexto, o objetivo geral do presente estudo é verificar a possibilidade de

otimizar-se o serviço de emergência da PMDF por meio da utilização de um sistema

de Geoposicionamento de seus recursos operacionais com a utilização do GPS


adequado às suas peculiaridades, identificando as Geotecnologias disponíveis e sua

melhor aplicação.

b) Específicos

Verificar a opinião dos operadores do serviço emergencial da PMDF, junto à

SESP/DF e junto aos policiais militares em geral sobre a implantação de um sistema de

Georreferenciamento dos recursos operacionais da PMDF.

Verificar a opinião de policiais militares do DF especialistas em Geoprocessamento

sobre a importância e possibilidade de tal implantação.

Definir os critérios e pré-requisitos para a implantação do sistema, com base em

pesquisa bibliográfica e de campo.

V. Distribuição dos Assuntos

A fim de cumprir o objetivo geral proposto, foi realizado inicialmente levantamento

bibliográfico sobre a metodologia existente, em face do material de pesquisa disponível

para delinear os métodos empregados, os quais são apresentados no capítulo II.

Foi realizada pesquisa bibliográfica, a fim de descrever o GPS, seu histórico, suas

particularidades, funcionamento e evolução, mostrando que o produto final do sistema é

o fornecimento das coordenadas geográficas (longitude, latitude e altitude). Estudou-se

também a importância do Geoprocessamento na análise criminal e do

Georreferenciamento para o planejamento adequado dos recursos operacionais.

Paralelamente, foi realizado levantamento “in loco” do modus operandi do serviço

de emergência desenvolvido pela CIADE, por meio de pesquisa de campo, para se

fazer um diagnóstico organizacional sobre o estado atual do uso das Geotecnologias

naquele serviço em comparação ao que é feito em outras Corporações. Toda a

pesquisa é apresentada no Capítulo I como Referencial Teórico.


No Capítulo III são apresentados os resultados colhidos no levantamento de

dados, por meio de questionários aplicados aos profissionais envolvidos no serviço

abordado e das entrevistas realizadas com especialistas em Geotecnologias na própria

corporação, onde foram verificadas a viabilidade técnico-operacional e as

potencialidades do sistema a ser proposto.

As informações carreadas no capítulo I – Referencial Teórico formaram a base

para o entendimento do sistema que, aliadas à pesquisa bibliográfica sobre a

aplicabilidade do GPS em ações de Segurança Pública, permitiram a elaboração da

descrição de um sistema com a utilização de software específico que englobe tais

funcionalidades, apresentado no Capítulo IV.

Finalmente são apresentadas nas considerações finais as limitações do presente

estudo, conclusões e recomendações originadas pela pesquisa bem como suas

possíveis implicações práticas, cumprindo assim o objetivo geral inicialmente levantado.

VI. Método

De acordo com Santos (2002), o presente estudo pode ser classificado como

pesquisa do tipo exploratória, segundo os objetivos, como de campo e bibliográfica

segundo as fontes de dados e como bibliográfico, documental e levantamento, segundo

os procedimentos de coleta, pois além das informações obtidas por meio de pesquisa

em fontes primárias (documentos) e secundárias (publicações) disponíveis, procurou-se

observar o problema in loco com a técnica de observação direta bem como se registrou

as opiniões de amostras dos grupos de profissionais diretamente envolvidos com o

problema. (SANTOS, 2002, p.26/32)

Os métodos empregados como citado nos objetivos específicos, encontram-se

pormenorizadamente descritos no capítulo II.


CAPÍTULO I

REFERENCIAL TEÓRICO

1.1 O GLOBAL POSITIONING SYSTEM - GPS6

1.1.1 Conceito do Sistema de Posicionamento Global

O Global Positioning System (GPS), desenvolvido pelo USA/DoD7 para fins

exclusivamente militares, foi concebido para uma configuração operacional mínima com

uma constelação de 24 satélites que circulam o planeta em órbitas não geo

estacionárias, a 20.200 quilômetros de altura em relação ao nível médio dos mares

(CASANOVA, 2002, cap 10, p.2).

Essas órbitas foram projetadas de forma que pelo menos 4 satélites estejam à

vista, simultaneamente, a partir de qualquer ponto do planeta. Dos 24 satélites iniciais,

21 eram operacionais e 3 de reserva (sistema 21+3). Esses satélites orbitam em 6

planos distintos com inclinação de 55º em relação à linha do Equador, com um período

de revolução8 de 11 horas e 58 minutos. O sistema proporciona a coordenada de

determinado aparelho previamente desenvolvido para receber o sinal daqueles

6
GPS – Global Positioning System – Sistema de Posicionamento Global
7
DoD – Departament of Defense – Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América
8
Revolução - Tempo que um objeto leva para descrever uma órbita, segundo a terceira lei de Kepler - Lei
dos Períodos.
satélites, por meio de trilateração9 entre a posição dos satélites, referenciados por suas

respectivas estações em terra, e a posição do aparelho receptor (ibidem).

Para garantir cobertura contínua, os satélites do GPS são arranjados de forma que

existam pelo menos quatro em cada um dos seis planos orbitais. Com esse desenho de

constelação, de quatro a dez satélites do GPS estarão à vista em qualquer lugar do

planeta, a partir de um ângulo de elevação de 10°(EL-RABANY, 2002, p. 02).

Figura 1.1 – Disposição das órbitas dos satélites do GPS


Fonte: (FRENCH, 1996, p.28)

O GPS se baseia na medição de distâncias a partir de sinais de radio em alta

freqüência transmitidas por esse grupo de satélites cujas órbitas se conhece

precisamente, captados e decodificados por receptores nos pontos cuja posição se

deseja determinar (CASANOVA, 2002, cap.10, p. 2).

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (1993), o GPS foi

projetado para que a qualquer momento, em qualquer lugar do Globo Terrestre, existam

9
Trilateração – Técnica semelhante porém mais complexa que a triangulação que determina a posição
por meio da medição dos lados de um triângulo.
pelo menos quatro satélites acima do plano do horizonte de um observador. Esta

situação garante uma condição geométrica mínima necessária à navegação em tempo

real por meio do sistema (IBGE, 1993, p. 3)

O GPS fornece dois sinais distintos: as pseudo-ranges ou pseudodistâncias que

são obtidas a partir da observação dos códigos e as carrier-phases ou fases das

portadoras. A observação dos códigos fornece a medição do tempo de propagação do

sinal entre um determinado satélite e o aparelho receptor, que multiplicado pela

velocidade da onda eletromagnética proporciona o conhecimento da distância

percorrida pelo sinal. Portanto, a observação de pelo menos 3 satélites, a priori

ofereceria a situação geométrica para a determinação isolada das coordenadas do

receptor (ibidem, p.3).

A medição do tempo de viagem de uma rádio freqüência é uma atividade difícil de

ser realizada. Devido à grande velocidade dos sinais e as distâncias, relativamente

curtas nas quais se encontram os satélites da Terra, os tempos de viagem são

extremamente curtos. O tempo médio que um sinal leva para viajar de um satélite

orbitando a 20.200 quilômetros da Terra é de 0,067 segundos. Isso torna necessária a

utilização de relógios muito precisos. Efetivamente, os satélites do GPS portam relógios

atômicos de césio e rubídio, com precisões de um nano segundo, que corresponde a

um bilionésimo de segundo (CASANOVA, 2002, cap.10, p.2).

Entretanto, seria muito caro colocar este tipo de relógio nos receptores. Para

solucionar este problema, os receptores corrigem os erros na medição do tempo

referenciando-se a um quarto satélite, o qual é necessário para resolver o problema do

sincronismo dos relógios dos satélites e dos receptores (ibidem).


Segundo Monico (2000), o sistema GPS subdivide-se em três segmentos:

espacial, de controle e do usuário (Monico, 2000, p. 23).

Figura 1.2 – Transmissão de dados entre os segmentos do GPS


Fonte: (ALVES, 2006 )

1.1.2 Histórico e evolução do GPS

Há séculos, a humanidade conquistou a habilidade de produzir mapas, projeções

cartográficas, entre outras ferramentas, que pudessem representar a superfície da terra

e mostrar o caminho correto a seguir, conquistando assim, a capacidade de navegar10.

Ao longo do tempo, o homem desenvolveu várias ferramentas para navegar, como a

bússola, o astrolábio, o sextante, etc sempre na busca incessante pela determinação

exata da sua posição na superfície terrestre e a posição de seu objetivo, a fim de traçar

a melhor rota entre os dois pontos.

Segundo French (1996), durante o final da década de 1950 e o início da década de

1960 a Marinha dos Estados Unidos (US NAVY) patrocinou dois sistemas de

posicionamento e navegação por satélite: O Transit e o Timation, sendo que o primeiro

10
Navegar - v.i..Seguir uma rota determinada.
tornou-se operacional em 1964 e foi disponibilizado ao público em 1969. Já o Timation

era um protótipo e nunca foi operacionalizado. (FRENCH, 1996, p.15)

Simultaneamente, a Força Aérea Americana (USAF) conduzia estudos conceituais

para um sistema chamado System 621B, o qual já havia sido validado por testes em

solo, mas antes de ser implementado, o Secretário de Defesa americano, em 1973

designou a Força aérea como executora do serviço de fusão do Timation e do System

621B em um único Sistema de Defesa e Navegação por Satélite ou Defense Navigation

Satellite System (DNSS). Desse sistema surgiu um sistema combinado designado de

Navstar11 Global Posiotioning System, ou simplesmente GPS (ibidem)

De acordo com Bob Sales (2007), em artigo publicado na revista eletrônica Aero-

Astro Magazine do Departamento de Aeronáutica e Astronáutica do MIT12, o então

Professor do MIT e Coronel da Força Aérea dos Estados Unidos Bradford Parkinson

desenvolveu o Programa 621B (que posteriormente deu origem ao Navstar GPS),

criado para um projeto de navegação da USAF a fim de substituir o Transit da US

NAVY. Naquele tempo, dois diferentes grupos na Marinha estavam também

desenvolvendo seus próprios programas, sendo que cada grupo defendia arduamente

seu projeto. Um programa cooperativo seria mais eficiente e Parkinson foi designado

para liderar um escritório de serviços cooperativos em 1973. Dessa forma, Parkinson

ficou conhecido como o “Pai do GPS” (SALES, 2007).

De acordo com Monico (2000) e Carbajal (2008), o Transit, também conhecido

como Sistema de Navegação Naval por Satélites, ou Navy Navigation Satellite System

11
Navstar - Sigla em inglês para Navigation System with Timing and Ranging
12
MIT – Masachusetts Institute of Technology
(NNSS), era um sistema baseado no efeito Doppler13, o qual possuía apenas 06

satélites em órbitas polares de 1040 Km de altura. Portanto, a freqüência de obtenção

de posicionamento era pequena. Esse problema foi resolvido com o advento da fusão

entre o programa 621B e o Timation, que resultou na criação do GPS, conforme já

citado. (MONICO, 2000, p.21; CARBAJAL, 2008, p.29).

Segundo Tsui (2005), o programa GPS foi aprovado em dezembro de 1973, tendo

sido lançado o primeiro satélite em 1978. Em Agosto de 1993 o GPS já possuía 24

satélites em órbita e em dezembro do mesmo ano a capacidade operacional inicial ou

Initial Operational Capability (IOC) estava estabelecida, tendo a Administração Federal

de Aviação americana ou Federal Aviation Administration (FAA) declarado o GPS

pronto para uso aeronáutico em fevereiro de 1994. (TSUI, 2005, p.02).

Hoje em dia (julho de 2010), o sistema conta com 32 satélites, embora o requisito

mínimo operacional sejam os 24 satélites.

Até maio do ano de 2000, segundo Monico (2000), o GPS possuía dois níveis de

precisão: O Serviço de Posicionamento Padrão ou Standard Positioning Service (SPS)

e o Serviço de Posicionamento Preciso ou Precise Positioning Service (PPS). O SPS

tinha precisão horizontal de 100 metros e vertical de até 140 metros, com nível de

confiança de 95%. Isso era devido à Disponibilidade Seletiva ou Selective Availability

(SA), a qual era proporcionada pela manipulação das mensagens de navegação e da

freqüência dos relógios dos satélites para inserir propositalmente um erro, a fim de que

somente equipamentos específicos tivessem acesso ao código, sem discrepâncias

(MONICO, 2000, p. 22).

13
Efeito Doppler - É uma característica observada nas ondas quando emitidas ou refletidas por um objeto
que está em movimento em relação ao observador.
Figura 1.3 – Distribuição espacial das órbitas dos satélites GPS
Fonte:(www.esteio.com.br/novoblog/blogs/index.php/20)

Já o PPS tinha precisão de 10 metros na horizontal e 20 metros na vertical, pois,

por meio da criptografia de um dos códigos utilizados pelo GPS, técnica conhecida

como Anti-Fraude ou Anti-Spoofing (AS), os receptores dos militares do Departamento

de Defesa dos EUA (Department of Defense - DoD) e outras pessoas autorizadas eram

isentos da SA (ibidem, p. 22).

Segundo French (1996), as estimativas de vendas de receptores de GPS, que em

1995 somavam em torno de 2,3 bilhões de dólares, dos quais, 1 bilhão apenas nos

EUA, seriam de 31 bilhões de dólares se a SA fosse desativada. Outros países estavam

criando seus próprios sistemas de posicionamento por satélite a fim de obter sinais

menos degradados. Portanto, embora o sistema tenha sido criado com fins

eminentemente militares, por razões econômicas o DoD extinguiu a SA em maio de

2000 e todos os receptores do mundo, passaram a partir de então, a ter praticamente a

mesma precisão fornecida pelo PPS. (FRENCH, 1996, p.221).


Em contrapartida, o DoD anunciou que implementaria em substituição à SA uma

Proibição Seletiva, ou Selective Denial (SD) a qual seria utilizada regionalmente,

sempre que a segurança americana estivesse ameaçada (Monico, 2000, p. 50).

Segundo Castro (2001), com a decisão de desativar a SA, o SPS, de uso civil,

passou a contar com uma precisão bastante próxima da obtida pelo PPS, de uso

exclusivamente militar. O autor mostra em alguns resultados obtidos no Centro Técnico

Aeroespacial (CTA), (figura 1.4), que o erro médio de posicionamento gerado pelo GPS

está entre 24,72 e 25,54 metros com SA e 4,27 e 7,09 metros sem SA, com nível de

confiança de 95%. Além disso, os erros de posicionamento sem a SA têm uma

variância14 estacionária pequena (entre 0,16 e 0,36 metros), ao contrário dos erros de

posicionamento com SA (variância entre 17,37 e 38,91 metros) (CASTRO, 2001, p. 2).

Figura 1.4 – Comparativo entre o sinal GPS com e sem a Selective Availability
Fonte: (CASTRO, 2001)

Essa precisão, alcançada após o desligamento da SA é a média para receptores

dedicados à navegação. Em estudo publicado pela revista Fator GIS e apresentado no

Curso de GPS e Cartografia Básica do CEUB (1996), existem receptores que captam o

14
Variância - Na teoria da probabilidade e na estatística, a variância de uma variável aleatória é uma
medida da sua dispersão estatística, indicando quão longe em geral os seus valores se encontram do
valor esperado.
sinal de 12 satélites e chegam a ter precisão de 1 metro. Há, ainda, receptores RTK15

de aplicações Geodésicas e Cinemáticas, com precisão medida em centímetros.

Portanto, quanto maior o número de satélites captados, maior a precisão da

coordenada oferecida (CEUB/ICPD, 1996, p.70).

1.1.3 Segmento Espacial

O segmento espacial, como o nome sugere, consiste dos satélites do sistema,

conforme especificado no item anterior. Como já visto, as 6 órbitas estão dispostas em

6 planos afastados entre si de 60 graus, a fim de cobrir os 360º da esfera terrestre, com

4 satélites em cada plano, conforme ilustrado na figura 1.5.

Inicialmente foram lançados 11 satélites do bloco I e, à medida que os satélites

tiveram seu tempo de vida útil expirado foram substituídos por equipamentos mais

modernos dos blocos II (também já desativados) e dos blocos II A e II R (MONICO,

2000, pp. 23/26).

Complementando, Sousa (2005) descreve o segmento espacial, apresentando a

lógica de identificação dos satélites. Segundo o Autor, os satélites do GPS podem ser

identificados pelo Número de Veículo Espacial ou "Space Vehicle Number" (SVN),

baseado na seqüência de lançamento e pelo "Pseudorandom Noise" (PRN),

relacionado aos códigos específicos dos sinais das pseudodistâncias ou ainda

Identificação de Veículo Espacial, ou "Space Vehicle Identification" (SVID), relacionado

ao código associado a cada satélite. A posição no plano orbital também pode ser

utilizada para identificar um satélite, uma vez que as órbitas são diferenciadas por letras

(A-F) e os satélites numerados (1 - 4) em cada plano. Os satélites do bloco I (SVN 1 ao

SVN 11) foram Fabricados pela Rockwell International, tinham um tempo de vida útil

15
RTK – Real Time Kinematic ou Cinemático em Tempo Real
estimado em 5 anos e o último satélite deste bloco, denominado SVID 12, foi

desativado em 1995. (SOUSA, 2005, p.22).

Figura 1.5 – Segmento Espacial do GPS


Fonte: (http://curiofisica.com.br/ciencia/fisica/como-funciona-o-gps/)

Segundo o Observatório Naval do Estados Unidos, ou United States Naval

Observatory – USNO (2010), na constelação operacional atual, os satélites são

designados pelos seguintes blocos: Bloco II, Bloco IIA, Bloco IIR, Bloco IIR-M e Bloco

IIF (USNO, 2010).

Os satélites do bloco II (SVN 13 a 21) foram os primeiros a serem lançados em

escala completa a se tornarem operacionais. Eles foram lançados de fevereiro de 1989

a outubro de 1990 para fornecer 14 dias de operação sem contato com o segmento de

controle, pesando 1660 Kg. Os satélites desse bloco já foram todos desativados. O

bloco IIA (SVN 22 a 40) foi o segundo a se tornar operacional em escala completa,
tendo seus satélites sido lançados de 1990 a 1997, para fornecer 180 dias de operação

sem contato com o segmento de controle, pesando 1816 Kg. Os satélites de ambos os

blocos foram fabricados pela Rockwell International, possuindo tempo de vida útil

estimado em 7,3 anos e contendo quatro relógios atômicos, dois de Césio (Cs) e dois

de Rubídio (Rb) (ibidem).

Figura 1.6 – Satélite do GPS sendo fabricado na empresa Lokheed Martin


Fonte:(http://www.popa.com.br/_2008/cronicas/gps/funcionamento_do_gps.htm)

Os satélites do bloco IIR (SVN 41 a 61), que vem sendo lançados desde 1997,

foram desenvolvidos para fornecer pelo menos 14 dias de operação sem contato com o

segmento de controle e mais 180 dias de operação no modo de navegação autônoma

(AUTONAV). Duas novas características destes satélites em relação aos anteriores são

a capacidade de medir distâncias entre eles, chamada de "cross link rangers" e a

capacidade de calcular efemérides16 no próprio satélite, além de transmitir essas

16
Efemérides – Termo em latim que significa "memorial diário", "calendário" (ephemèris,ìdis), ou, em
grego, "de cada dia" (ephémerís,îdos). A palavra efêmero/a ("que dura um dia") tem a mesma etimologia.
Uma efeméride é uma sucessão cronológica de datas e de seus respectivos acontecimentos.
informações entre os satélites e o sistema de controle em terra. Fabricados pela

Lockheed Martin, estes satélites possuem três relógios atômicos (Rb), pesam 2032 Kg

e possuem tempo de vida útil estimado em 7,8 anos. (SOUSA, 2002; USNO, 2010).

Os satélites do bloco IIR-M, transmitem um segundo sinal civil (L2C) e um sinal

militar (M) (daí o nome bloco IIR-M). Além desses, estão planejados os lançamentos de

mais 11 satélites do bloco IIF e 30 do bloco III.

Figura 1.7 – Representação artística de um satélite do Bloco IIR orbitando a terra


Fonte:(http://spaceflightnow.com/delta/d303/)

Segundo Eric Gakstatter (2009), editor da revista eletrônica GPS Worlds, a figura

1.8, apresentada pela USAF em Setembro de 2009, fornece a configuração dos 6

planos orbitais dos satélites do GPS (A, B, C, D, E, F), separados latitudinalmente entre

si por 60º, com X número de satélites em cada plano, os quais são citados como slots

ou vagas. Por exemplo, o slot A1 é o primeiro satélite no Plano Orbital A, o slot B4 é o

quarto satélite do Plano B, embora os slots não sejam apresentados em ordem

numérica. Na figura, “GLAN” é uma sigla em Inglês para Geographic Longitude of the
Ascending Node ou Longitude Geográfica da Interseção Ascendente e está

apresentada em graus (de 0 a 180) (GAKSTATTER, 2009).

Ainda segundo o mesmo autor (2010), o modelo de constelação concebido a partir

da política de 21+3, com 21 satélites operacionais e 3 de reserva não é suficiente para

prover sinais precisos 24 horas por dia. Segundo o autor, ocorrem alguns fenômenos

conhecidos na comunidade científica usuária do GPS como brownout, ou blecaute do

sinal GPS (idem, jan 2010).

Figura 1.8 – Organização dos satélites do GPS em seis planos orbitais


Fonte: (www.gpsworld.com/survey/gps-243-configuration)

De acordo com o autor, para receptores dedicados apenas à navegação, que não

necessitam de muita precisão, a recepção dos sinais de apenas 4 satélites é suficiente,

mas para usuários profissionais que necessitam de alta precisão como no campo da

Geodésia17, os blecautes tornam os receptores inúteis durante alguns momentos do

17
Geodésia - A geodésia é, ao mesmo tempo, um ramo das Geociências e uma Engenharia, que trata do
levantamento e da representação da forma e da superfície da terra, global e parcial, com as suas feições
naturais e artificiais e o campo gravitacional da Terra. (Definição clássica de Helmert)
dia, pois esses tipos de receptor de precisão necessitam de pelo menos 6 satélites à

vista, o que não está ocorrendo, causando perda de produtividade e de tempo.

Os critérios de precisão e os tipos de receptores serão descritos no item

“Segmento Usuário”, ainda neste capítulo.

Ainda segundo Gakstatter (2010), embora hoje existam 32 satélites em órbita para

o GPS, existem apenas 30 satélites operacionais, pois o satélite PRN01/SVN49 nunca

foi declarado operacional desde o seu lançamento em março de 2009 e havia, à época,

ainda outro SVN fora do ar, em serviço de manutenção. Não obstante, a atual infra-

estrutura de controle em terra do GPS só pode lidar com 30 ou 31 satélites. Isso ocorre

porque a constelação GPS foi configurada para 24 satélites e quando há mais de 24

satélites em órbita, como tem sido há muitos anos, os satélites sobressalentes não são

posicionados para beneficiar os usuários, mas sim para estar em condições de

substituir os satélites que porventura possam falhar. Eles são muitas vezes referidos

como emparelhados em órbita. Simplificando, os sobressalentes ativos estão orbitando

muito perto de outros satélites que têm mais probabilidade de falhar. Essencialmente,

são vários satélites "emparelhados". Dessa forma, eles não acrescentam valor em

termos de uma maior quantidade de satélites disponíveis para a comunidade usuária

em terra, pois muitos desses estão praticamente na mesma posição orbital

(GAKSTATTER, 2010).

A discussão agora não é sobre se lançar mais satélite, mas sim reconfigurar a

posição dos satélites que estão em órbita. O lançamento de mais satélites é uma

questão complicada. Não é apenas uma questão técnica da USAF, mas um problema

político, pois é muito caro (~150 Milhões de dólares por lançamento de satélite do

GPS). Isso deixa a USAF com a opção de ajustar a constelação GPS para beneficiar a
comunidade de usuários, o que não é totalmente isento de implicações políticas, mas

com certeza causa menos impacto do que o ato de lançar mais satélites causaria.

Para resolver esse problema, a solução encontrada pela USAF, apontada por

Gakstatter, foi a reconfiguração do sistema para um modelo 24+3, onde teremos 24

satélites operacionais e 3 em reserva (ibidem).

Conforme o artigo do Professor Gakstatter (2010), a USAF fará isso

reposicionando 3 satélites: Os satélites SVN 24 e SVN 26, que são dois dos mais

antigos satélites na constelação (bloco IIA) e foram declarados operacionais

respectivamente em 1991 e 1992 e o SVN 49, que é um dos mais novos, do Bloco II-

RM e foi lançado em março de 2009, mas nunca foi declarado operacional devido a

uma anomalia irreparável. O SVN 24, com a maior distância começou sua viagem em

11 de janeiro de 2010 e terá 12 meses para chegar ao seu slot de destino, já o SVN 49

começou sua jornada em 21 de janeiro de 2010, e já está reposicionado (junho de

2010). O SVN 26 começou seu processo de transição em 08 de fevereiro de 2010, e

chegou ao seu slot de destino em cerca de três meses, ou seja, em maio de 2010

(GAKSTATTER, 2010).

Depois da transição, os usuários terão um aumento no número de satélites GPS à

vista durante o dia e o benefício vai variar dependendo de onde se está localizado. O

grupo que irá se beneficiar mais é o de usuários que trabalham com o mapeamento

GIS18, especialmente aqueles que trabalham em condições difíceis, tais como o setor

florestal, nas áreas urbanas e nas áreas onde há um terreno acidentado. Um aumento

do número de satélites GPS permitirá aos usuários de mapeamento GIS operar nas

áreas onde isso não era possível antes e com melhor desempenho em áreas que eram

18
GIS - Geographic Information System ou Sistema de Informações Geográficas (tradução livre)
mais difíceis. O SVN 49 não havia sido declarado operacional por causa de uma

anomalia que o torna não utilizável para mapeamento GIS, entretanto para receptores

portáteis e veiculares poderá ser utilizado. Portanto, para o mapeamento GIS, o modelo

da constelação será de 24+2, enquanto para outros tipos de usuários o modelo será

24+3 (GAKSTATTER, fev 2010).

Em complementação, artigo recente publicado no Los Angeles Times (2010), por

William J. Hennigan comenta o Up Grade, ou atualização, pelo qual o GPS vai passar

nos próximos dez anos. Segundo o autor do artigo, o governo dos Estados Unidos

gastará 8 bilhões de dólares para atualizar o GPS com a substituição dos satélites do

bloco IIR por satélites do Bloco IIF. O lançamento do primeiro satélite da nova geração

ocorreu no dia 28 de maio de 2010 na Base Aérea de Cabo Canaveral. Esta

atualização está sendo conduzida pela Boeing Company`s Space and Intelligence

Systems, que ficará responsável por 12 dos novos satélites e pela Locheed Martin

Corporation, que fabricará os outros 18 satélites (LOS ANGELES TIMES, 2010).

Segundo o autor, o engenheiro-chefe do programa de atualização, Coronel David

B. Goldstein declarou “Nós sabemos que o mundo depende do GPS”. Para evitar isso,

outros países também estão concluindo suas versões para o sistema. Este é o caso da

Rússia, que criou o GLONASS, já operacional, da União Européia, que criou o

GALILEO, com previsão para ser declarado operacional em 2013 e da China que

desenvolveu o COMPASS, entre outros (ibidem).

O Quadro I apresenta a constelação operacional atual do GPS, segundo o USNO,

já constando o lançamento mais recente, em maio de 2010. Ressalta-se que já foram

lançados 62 satélites, dos quais 32 estão em uso.


ORDEM PRN SVN Operacional em PLANO
IIA-10 32 23 26 NOV 1990 E5
IIA-11 24 24 04 JUL 1991 D5
IIA-14 26 26 07 JUL 1992 F5
IIA-15 27 27 09 SET 1992 A4
IIA-21 09 39 26 JUN 1993 A1
IIA-23 04 34 26 OUT 1993 D4
IIA-24 06 36 10 MAR 1994 C5
IIA-25 03 33 28 MAR 1996 C2
IIA-26 10 40 16 JUL 1996 E3
IIA-27 30 30 12 SET 1996 B2
IIA-28 08 38 06 NOV 1997 A3
IIR-2 13 43 23 JUL 1997 F3
IIR-3 11 46 07 OUT 1999 D2
IIR-4 20 51 11 MAI 2000 E1
IIR-5 28 44 16 JUL 2000 B3
IIR-6 14 41 10 NOV 2000 F1
IIR-7 18 54 30 JAN 2001 E4
IIR-8 16 56 29 JAN 2003 B1
IIR-9 21 45 31 MAR 2003 D3
IIR-10 22 47 21 DEZ 2003 E2
IIR-11 19 59 20 MAR 2004 C3
IIR-12 23 60 23 JUN 2004 F4
IIR-13 02 61 06 NOV 2004 D1
IIR-14M 17 53 26 SET 2005 C4
IIR-15M 31 52 25 SET 2006 A2
IIR-16M 12 58 17 NOV 2006 B4
IIR-17M 15 55 17 OUT 2007 F2
IIR-18M 29 57 20 DEZ 2007 C1
IIR-19M 07 48 15 MAR 2008 A6
IIR-20M 01 49 24 MAR 2009 B6
IIR-21M 05 50 17 AGO 2009 E6
IIF-1 25 62 28 MAi 2010 B2
Quadro I – Satélites operacionais na constelação atual do GPS
Fonte: (adaptado de USNO, 2010)

Bradford Parkinson, idealizador do GPS, que hoje é professor emérito da

Universidade de Stanford, declarou: “Foi-me dito que o sistema era inútil e não tinha

futuro quando o idealizei. Eu acho que provamos que eles estavam errados. O GPS

tornou-se verdadeiramente o farol do mundo”, citou Hennigan no mesmo artigo (Los

Angeles Times, mai 2010).

1.1.4 Segmento de Controle


Segundo Monico (2000), o segmento de controle, representado pelo Operational

Control System (OCS) é composto por cinco estações monitoras (Monico, 2000, p.34).

As principais tarefas do segmento de controle são monitorar continuamente o

sistema de satélites, determinar o sistema de tempo do GPS, predizer as efemérides

dos satélites, calcular as correções dos relógios dos satélites e atualizar periodicamente

as mensagens de navegação de cada satélite. (ibidem)

A configuração atual do Segmento de Controle do Navstar/GPS é composta por

uma Estação de Controle Principal localizada na Base da Força Aérea de Schiever, em

Colorado Springs e quatro outras estações adicionais de monitoramento (Hawaii, Ilhas

Ascenção, Diego Garcia e Kawajalein). Além dessas, em 2005 mais seis estações da

Agência Nacional de Inteligência Geo Espacial, ou National Geospatial-Intelligence

Agency (NGA) foram adicionadas à rede, conforme demonstrado na figura 1.9.

As seis novas estações adicionadas localizam-se nos EUA, na Inglaterra, no

Equador, na Argentina, no Bahrain e na Austrália.

Figura 1.9 – Localidades do Segmento Operacional de Controle do Global Positioning System


Fonte: (http://www.kowoma.de/en/gps/control_segment.htm)

Ao especificar o OCS, os USA/DoD (2008) informam que este é composto por

quatro subsistemas: Uma Estação de Controle Principal ou Master Control Station


(MCS), que em breve será substituída por uma Nova Estação Principal de Controle. É

composta também por uma MCS reserva ou Back UP MSC (BMSC), que será em breve

substituída por uma MCS Alternativa ou Alternate MSC (AMSC), uma rede de quatro

antenas e uma rede de estações de monitoramento globalmente distribuídas, conforme

demonstrado na figura 1.10.

Ainda segundo USA/DoD (2008), a MCS, localizada na Schriever Air Force Base

(AFB), em Colorado é o elo central de controle para a Constelação de satélites do GPS.

As operações são mantidas 24 horas por dia, sete dias por semana, ao longo do ano. A

MCS é responsável por todos os aspectos de comando e controle da constelação,

incluindo:

• Monitoramento da rotina diária dos satélites;

• Manutenção dos satélites e resolução de anomalias;

• Gerenciamento do desempenho do Sinal no Espaço, ou Signal In Space (SIS) do

GPS em apoio a todos os padrões de SIS (SPS e PPS);

• Operações de envio de dados de mensagens de Navegação, conforme requerido

para manter o desempenho de acordo com os padrões de precisão e

integridade;

• Detectar e responder às eventuais falhas no SIS / GPS;


Figura 1.10 – Descrição do Sistema Operacional de Controle do GPS
Fonte: (USA/DoD, 2008, p.5)

Ainda segundo USA/DoD (2008), na ocorrência de uma interrupção prolongada do

MCS, as operações podem ser movidas para a BMCS. As atuais estações do OCS

provêm 100% de cobertura com a inclusão das estações NGA. O OCS provê a segunda

linha de defesa contra anomalias no SIS. A primeira linha de defesa são os próprios

satélites, os quais removem-se automaticamente de serviço quando experimentam

qualquer um das diferentes falhas a bordo que podem resultar em anomalias no SIS.

Quando uma falha não é coberta por remoção automática de serviço, o OCS responde

removendo o satélite manualmente do serviço (USA/DoD, 2008, pp. 5/6).

Segundo Monico (2000), cada estação de monitoramento é equipada com um

oscilador externo de alta precisão e receptor de dupla freqüência, que rastreia todos os

satélites à vista e transmite os dados para a MCS, a fim de determinar as órbitas dos
satélites, procedimento conhecido como broadcast ephemeris, ou efemérides

transmitidas, além das correções dos relógios dos satélites, a fim de atualizar as

mensagens de navegação. Assim, as informações atualizadas são transmitidas para os

satélites a partir das antenas terrestres (MONICO, 2000, p.33).

Ainda segundo o autor, as estações de monitoramento tiveram originalmente suas

coordenadas definidas em relação ao sistema de referência WGS72 (World Geodetic

System de 1972). Entretanto, em janeiro de 1987, passou-se a adotar o WGS84 (World

Geodetic System de 1984), com a denominação G87319. (ibidem).

Segundo Bernardi e Landim (2002), O WGS 84 é o Datum20 utilizado pelo GPS, ou

seja, as coordenadas obtidas pelo rastreamento de satélites do GPS referem-se a um

datum geocêntrico internamente consistente, enquanto as coordenadas de algumas

cartas, normalmente são referidas a um datum continental nacional ou local, como o

Geocentric Datum of Australia (GDA94), o SAD-69 (South America Datum de 1969) e o

Córrego Alegre Datum, utilizado no Brasil até a década de 1970, entre vários outros

(BERNARDI E LANDIM, 2002, p.28).

Segundo Sousa (2005), as estações de monitoramento, são equipadas com

osciladores de alta performance, que recebem sinais de todos os satélites, calculam as

pseudodistâncias e as enviam para a MCS, através de um enlace de comunicações,

juntamente com os dados meteorológicos locais. A MCS, por sua vez, computa os

dados relativos às efemérides dos satélites e ao comportamento dos relógios e formula

as mensagens de navegação. A mensagem de navegação é então, transmitida na


19
G873 – Significa que o sistema de referência foi feito pelo GPS na 873ª semana sideral do atual ciclo
no tempo GPS. Ciclo é o nº de semanas GPS e varia de 0 a 1023. O 1º ciclo foi encerrado em 1999.O nº
de segundos da semana varia de 0 no início da semana (meia-noite de sábado para domingo) até
604800, que corresponde ao fim da semana. (http://www.topografia.ufsc.br/aula-resumo03.html)
20
Datum - Do latim dado, detalhe, pormenor (plural data) em cartografia refere-se ao modelo matemático
teórico da representação da superfície da Terra ao nível do mar utilizado em uma dada carta ou mapa.
banda S, ao segmento espacial através das antenas terrestres, conforme se demonstra

na figura 1.11 (SOUSA, 2005, p.38).

Figura 1.11 – Fluxo de dados no Segmento de Controle


Fonte: (SOUSA, 2005, p. 39).

1.1.5 Segmento de Usuários

O segmento de usuários do GPS é o único que não é controlado pelo Governo dos

Estados Unidos. São milhões de receptores dos sinais emitidos pelos satélites

espalhados pelo globo terrestre. Esses receptores são dos mais variados tipos e para

os mais variados usos, como veremos no próximo sub item. Esses diversos usos

definem a precisão requerida.

Esse segmento é onde o escopo desse trabalho se encaixa, entretanto é

necessário conhecer todos os segmentos do sistema para compreender seu

funcionamento, a fim de se fazer a melhor especificação para um sistema que utilize as

informações oriundas do GPS, conforme se pretende demonstrar no capítulo IV, por

meio da aplicação das Geotecnologias apresentadas no presente trabalho.

Segundo Hennigam, em artigo publicaddo no Los Angeles Times (2010), existem

atualmente cerca de 1 bilhão de pessoas usuárias do sinal GPS distribuídas pelo

planeta. O número de usuários que assinam serviços com sinal GPS está previsto para

pelo menos 15 milhões este ano (2010). Há seis anos eram 100 mil, segundo a Frost &
Sullivan, uma empresa de pesquisa de San Antonio nos EUA."Isso não incluindo as

centenas de milhões de pessoas que recebem os sinais gratuitamente, de aplicações

através de seus celulares", conforme asseverou Daniel Longfield, analista industrial da

Frost & Sullivan. (LOS ANGELES TIMES, 2010).

Com tantos usuários civis, é compreensível o motivo pelo qual foi desativada a SA,

pois é evidente que se trata de um imenso mercado e que a demanda pelo sinal por

parte de usuários civis é muito maior do que a demanda por sinal de usuários militares.

É importante ressaltar novamente que a precisão do sinal depende do uso que se

vai fazer do GPS e, conseqüentemente do tipo de receptor utilizado. Nesse sentido,

será apresentado brevemente o funcionamento básico de um receptor e os principais

tipos disponíveis no mercado.

O esquema básico de um receptor GPS é apresentado na figura 1.12 apenas de

forma didática, tendo em vista que variará de acordo com o nível de precisão requerido.

Os principais componentes de um receptor GPS, como mostrado na citada figura são:

- antena com pré-amplificador;

- seção de RF (radio freqüência) para identificação e processamento do sinal;

- microprocessador para controle do receptor, amostragem e processamento dos

dados;

- oscilador;

- interface para o usuário, painel de exibição e comandos;

- provisão de energia e

- memória para armazenar os dados.


Figura 1.12 – Esquema básico de um receptor GPS
Fonte: (MONICO, 2000, p.36)

Segundo Monico (2000), os sinais do GPS são muito fracos, similares em termos

de potência aos sinais de TV, que são transmitidos por satélites geo estacionários. A

qualidade do sinal está mais ligada à estrutura dos receptores do que às antenas, pois

as mesmas possuem um pré-amplificador que amplificam os sinais antes de serem

processados pelos receptores. (MONICO, 2000, p.37)

Estes sinais sofrem interferências da maioria das estruturas, portanto as suas

antenas devem estar posicionadas de forma que tenham um amplo ângulo de visada,

sem obstruções. Sofrem interferências também de folhagem densa (em matas ou

florestas). Entretanto, o sinal GPS não sofre interferência das diversas condições

meteorológicas, como nuvens ou precipitações. (ibidem).

Castro (2001), ao comentar o sinal GPS, ressalta que os receptores processam

um sinal extremamente fraco (tipicamente –120 dBm21 a –136 dBm), praticamente ao

mesmo nível de um ruído. Para minimizar a dificuldade de se trabalhar com sinais

dessa natureza, utiliza-se a técnica de “espalhamento espectral”. Segundo o autor, o

sinal original é multiplicado por um sinal código de freqüência mais alta, gerando o

efeito de “espalhamento”. O receptor recupera o sinal original a partir da combinação do

21
dBm – O dBm é um valor absoluto de potência de sinais sonoros e expressa a amplificação (ganho ou
atenuação) de um sinal em relação à potência de 1 milliwat (mW), isto é, indica quantos decibéis um sinal
está acima ou abaixo de 1 mW
sinal que chega na antena com uma cópia do mesmo código usado na transmissão.

(CASTRO, 2001, p.2)

Figura 1.13 – Exemplos de receptores GPS


Fonte: (http://www.ruraltech.org/gis/gps/index.asp)

A figura 1.13 mostra vários tipos de receptores GPS, dos mais complexos aos

mais simples, de acordo com a finalidade e necessidade de precisão. Da qualidade do

receptor vai depender a qualidade do sinal, por isso deve ser bem especificado.

Ao concluir esta breve explanação sobre o sistema como um todo, é apresentado

a seguir o funcionamento prático do GPS.

1.1.6 Como funciona o GPS

Segundo os autores consultados, cada um dos satélites em órbita transmite em

alta freqüência de rádio, ou High Frequency (HF) uma mensagem de navegação que

possui a “hora GPS”22, juntamente com sua posição exata, entre outras informações. O

receptor, por possuir a hora sincronizada com o que é difundido pelo satélite, computa o

22
. Hora GPS - O nº de segundos da semana varia de 0 no início da semana (meia-noite de sábado para
domingo) até 604800, que corresponde ao fim da semana: 86400 x 7 dias; este é o contador TOW (Time
of Week). O número máximo de semanas neste sistema é de 1023; ao encerrar um ciclo, a contagem tem
início novamente a partir da semana 0. (http://www.topografia.ufsc.br/aula-resumo03.html)
tempo percorrido entre a transmissão e a recepção do sinal e o converte em distância, a

chamada “pseudo-range”. Essa diferença, não mais do que um décimo de segundo,

permite que o sistema calcule a distância ao satélite emissor multiplicando-se a

velocidade do sinal (a velocidade da luz) pelo tempo que levou para percorrer do

satélite ao receptor. (ALVES, 2006; CASTRO, 2001).

Ainda segundo Alves (2006), os satélites são programados para emitir a sua

posição exata por meio das efemérides, em dado instante, em relação a um fixado

sistema ortogonal de coordenadas. Conforme foi demonstrado no item 1.1.4, que tratou

do segmento de controle, tal posição é permanentemente rastreada e conferida pelas

estações do OSC. A priori, ao captar o sinal de pelo menos três satélites, um receptor é

capaz de calcular geometricamente sua posição, que será a interseção das superfícies

esféricas cujos raios são as distâncias calculadas entre o receptor e os satélites por

meio da equação geral de uma imaginária superfície esférica que permite a aplicação

da técnica da trilateração, conforme representado na figura 1.14. (ALVES, 2006, p.1)

Figura 1.14 – Determinação da posição pela técnica da Trilateração.


Fonte: (EL-RABANY, 2002, p.09)
É importante ressaltar que essa distância não é precisamente a medida

geométrica entre os satélites e o receptor, segundo Carbajal (2008), devido a erros

provenientes da propagação (desvio ionosférico e troposférico) e a erros próprios do

satélite (ruído) e do receptor. Por isso, essa medida é chamada de pseudodistância ou

“Pseudo-range”. (CARBAJAL, 2008, p 31)

Segundo CEUB (1996), os satélites do GPS transmitem duas ondas portadoras:

L1 e L2. Elas são geradas a partir da freqüência fundamental de 10.23 MHz, a qual é

multiplicada por 154 e 120, respectivamente. Desta forma, as freqüências (L) são: L1=

1575.42 MHz e L2 =1227.60 MHz. Estas freqüências são geradas simultaneamente,

permitindo que os usuários corrijam grande parte dos erros.

Os códigos PRN, ou Pseudo Random Noise são modulados sobre estas duas

portadoras. Um PRN é uma seqüência binária (O e 1 ou +1 e -1) que parece ter

característica aleatória. Como é gerado por um algoritmo, cria uma identificação única.

Já o código C/A, Coarse Acquisition ou de fácil aquisição é transmitido a uma razão de

1.023 MHz (uma seqüência de 1,23 milhões de dígitos binários por segundo) e

modulado somente sobre a onda portadora L1. O período deste código é 1 milisegundo

e é a partir deste que os usuários civis obtêm as pseudodistâncias que permitem obter

a exatidão estipulada no SPS (CEUB/ICPD, 1996, p.58).

Figura 1.15 – Representação gráfica das freqüências do GPS Fonte: (FRENCH, 1996, p.65)
As mensagens de navegação são também moduladas sobre as portadoras e

contém os parâmetros orbitais, dados para correção da propagação na atmosfera,

parâmetros para correção do erro dos relógios dos satélites, “saúde” dos satélites, etc.

Desta breve explanação pode-se observar que há três tipos de sinais: a portadora,

os códigos e os dados (navegação, relógio, etc.), conforme ilustrado na figura 1.15.

Esta estrutura permite não só medir a fase da portadora e sua variação, mas também o

tempo de propagação. (ibidem)

Segundo El-Rabany (2002), a adição do código C/A à L2 para melhorar a

autonomia da precisão do GPS foi considerada insuficiente para aplicação em

operações que envolvem segurança de pessoas como na aviação civil. Isso ocorre

principalmente por causa da interferência potencial dos radares no solo, que operam

próximo à banda da portadora L2 do GPS. Dessa forma, para satisfazer os requisitos

para uso aeronáutico, um terceiro sinal na freqüência de 1.176,45 MHz, chamada de L5

será adicionada nos 12 primeiros satélites do bloco IIF como parte das medidas do

programa de modernização do sistema. (EL-RABANY 2002, p.16)

1.1.7 Produto final do GPS: Coordenadas Geográficas

O produto final do GPS é o fornecimento das coordenadas geográficas de onde

esteja alocado qualquer receptor capaz de captar o sinal. Esse sinal é gratuito e não

depende de qualquer tipo de assinatura. O sinal transmite apenas a mensagem de

navegação que contém as coordenadas do receptor.

Para que cada ponto da superfície terrestre possa ser localizado, existe um

sistema de linhas imaginárias, que são representadas em uma carta como meridianos e

paralelos. Os meridianos são as linhas que passam através dos pólos e ao redor da

Terra. O ponto de partida para numeração dos meridianos é o meridiano que passa
pelo Observatório de Greenwich, na Inglaterra. A partir dele que é o marco 0º, tem-se

180º para oeste e para leste. (CEUB/ICPD, 1996, p.26).

Já os paralelos são uma infinidade de planos, partindo-se da linha do equador,

cujas seções são círculos que progressivamente diminuem de tamanho e quando se

chega ao pólo, o círculo fica reduzido a um ponto. São numerados de 0º a 90º, para

Norte e para Sul. (Ibidem)

O conjunto de meridianos e paralelos forma uma rede de linhas imaginárias ao

redor do globo, constituindo as coordenadas geográficas, que são os pontos de

intercessão entre um meridiano e um paralelo. (Ibidem)

Como essas linhas imaginárias são curvas devido ao formato da terra, as medidas

de distâncias nesse sistema são dadas em graus. A distância em graus, minutos e

segundos de arco da linha do equador é chamada de Latitude e pode ser Norte ou Sul,

podendo ser medida de 0 a 90º. Já a longitude é a distância em graus, minutos e

segundo de arco Leste ou Oeste do Meridiano de Greenwich, podendo ser medida de 0

a 180º.(Ibidem)

É importante ressaltar que o sistema de coordenadas é muito anterior ao GPS e

que este foi criado para obter a coordenada de determinado ponto de forma

praticamente automática e muito mais precisa, algo que já era feito antes por métodos

convencionais.

A figura 1.16 apresenta a representação gráfica do sistema de coordenadas de

forma didática.
Figura 1.16 – Representação gráfica do sistema de coordenadas
Fonte: (http://ditosgeograficos.blogspot.com/2010/05/coordenadas-geograficas.html)

Quando em movimento, ao captar o sinal GPS, o software interno do aparelho

receptor determina as suas coordenadas geográficas iniciais e, como a emissão do

sinal é contínua, na próxima leitura terá sua nova coordenada bem como o tempo que

levou para chegar naquele ponto, calculando dessa forma sua velocidade e direção, o

que permite calcular também o tempo a ser percorrido para qualquer ponto de

coordenadas conhecidas registradas no software do receptor.

Nesta linha de raciocínio, há receptores para os mais diversos fins. Por exemplo,

os aparelhos para a navegação aérea possuem bases de dados com as coordenadas

das principais cidades, aeroportos, aerovias, dispositivos de auxílio à rádio-navegação

aérea, procedimentos de aproximação de aeroportos, etc.

Já os dispositivos dedicados à navegação rodoviária possuem em suas bases de

dados rodovias, ruas, logradouros públicos, postos rodoviários etc. Os mais modernos

fornecem as rotas e informam por uma voz gravada com antecedência o caminho certo

para determinado ponto previamente definido.


1.1.8 Principais interferências no sinal GPS

Segundo Sousa (2005), a qualidade do sinal pode ser avaliada através da

chamada relação sinal ruído (S/N), que pode ser definida como a relação entre a

potência do sinal recebido do satélite e a potência de ruído que acompanha o sinal. Tal

ruído pode ser causado pelo próprio receptor, devido ao movimento aleatório de

elétrons no circuito, chamado de ruído térmico, por fenômenos naturais, como

radiações atmosféricas capturadas pela antena ou por transmissores de sinais

interferentes. Nesse sentido, podem ser classificadas como interferências intencionais e

não-intencionais. (SOUSA, 2005, p. 53)

As interferências não intencionais ocorrem devido aos erros sistêmicos e aos

problemas causados por outras emissões de serviços como TV via satélite, estações de

rádio FM, radares, etc. Já as interferências intencionais são provenientes de

transmissores de diversos tipos, projetados exclusivamente com o propósito de causar

bloqueio dos canais, impossibilitando a aquisição dos códigos, ou provocar alteração

dos mesmos com o objetivo de afetar a precisão do posicionamento. (ibidem)

Além dessas, existem também as interferências naturais, muitas das quais já

possuem um atenuador no próprio sistema, por meio da inserção de equações

algorítmicas no código existente no sinal. É o caso, por exemplo, da interferência

ionosférica, causada pela grande concentração de elétrons nessa camada atmosférica.

(ibidem)

A potência do sinal recebido varia diretamente proporcional ao ângulo de elevação

do satélite. O nível de sinal recebido é de aproximadamente -161dBm em elevação

máxima, e se aproxima de -136dBm à medida que se aproxima da linha do horizonte,

tendo em vista que a distância do satélite ao receptor será maior nesse caso. (ibidem)
1.1.8.1 Obstáculos e desvios naturais

Como já visto anteriormente, o sinal GPS não sofre interferência das condições

climáticas como nuvens, chuva ou outros elementos da baixa atmosfera, entretanto

necessita de visada direta para pelo menos 4 satélites transmissores. Portanto, em

ambientes arborizados, com densas folhagens ou outro qualquer obstáculo o sinal

poderá ser atenuado ou mesmo interceptado e não será possível determinar a

localização do receptor com precisão.

Da mesma forma, em áreas urbanas densamente edificadas, o sinal pode ser

bloqueado por prédios, túneis, telhados, além do fato que essas estruturas podem

causar erros devido à reflexão do sinal antes de chegar ao receptor.

Segundo o IBGE (1993), as observações GPS requerem visada livre entre o

receptor e os satélites, uma vez que os sinais transmitidos podem ser absorvidos,

refletidos ou refratados por objetos próximos à antena ou entre a antena e o satélite.

Recomenda-se que o horizonte em torno da antena esteja desobstruído acima de 15º e

deve se evitar também locais próximos a estações de transmissão de microondas,

radares, antenas repetidoras de rádio e linhas de transmissão de alta voltagem por

representarem fontes de interferência para os sinais GPS. (IBGE, 1993, p.8)

Ao retardo do sinal causado pela sua reflexão em objetos metálicos ou outras

superfícies refletoras dá-se o nome de multicaminhamento ou multipath error.

A figura 1.17 demonstra uma das formas do multipath error, mas o fenômeno

também pode ser causado por outros corpos ou estruturas, principalmente por grandes

massas de água.
Figura 1.17 – Representação do Multipath error.
Fonte: (http://www.gta.ufrj.br/grad/09_1/versao-final/gps/precisao.html)

1.1.8.2 Erros sistêmicos

Os erros sistêmicos podem ser divididos em: relacionados com os satélites,

relacionados ao meio de propagação e relacionados com o receptor. Como erros

relacionados aos satélites têm-se os erros em seus relógios, erros orbitais, erros

devidos à distribuição geométrica dos satélites.

Esses últimos, causados pela distribuição geométrica dos satélites em relação ao

receptor podem ser avaliados por meio dos fatores de diluição de precisão ou Dilution

of Precision (DOP). Entre eles estão o HDOP para a diluição horizontal, VDOP, para a

diluição vertical, TDOP para a diluição da precisão pelo fator tempo e o PDOP,

referente ao posicionamento tridimensional dos satélites. (SOUSA, 2005, p.56)

O mais utilizado é o PDOP, definido por Sousa (2005) como o fator que varia

inversamente proporcional ao volume do tetraedro formado pelas posições dos satélites

cujos sinais estão sendo adquiridos. Em outras palavras, quanto mais espaçados

estiverem entre si, menor será o fator de diluição e maior será a precisão da medição.

(ibidem)
Figura 1.18 – Representação do PDOP (Position Dilution of precision)
Fonte: (CEUB, 1996, p.104)

Segundo El Rabanny (2002), para garantir uma alta precisão do GPS, é

recomendável um bom tempo de escaneamento a fim de adquirir o maior número de

sinais de satélite possível, garantindo assim uma geometria favorável. O PDOP varia

em uma escala que vai de um a sete e um fator menor que cinco é comumente

recomendável para se atingir a acurácia desejada. De fato, valores de PDOP

atualmente são muito menores do que cinco, com uma média típica na casa do dois.

(EL-RABANNY, 2002, p. 41)

French (1996) apresenta gradação do PDOP que varia de muito bom (de um a

três), bom (quatro a cinco) a suspeito (mais que seis). (FRENCH, 1996, p. 103)

Há uma Técnica que minimiza os efeitos dos erros, chamada DGPS ou Diferential

Global Positioning System, na qual uma estação base, da qual as coordenadas são

conhecidas com precisão recebe o sinal dos satélites e retransmite para os receptores

próprios com as correções. Os receptores, além dessas correções, recebem o próprio

sinal dos satélites e podem calcular os erros, corrigindo-os.


De acordo com Monico (2000) o DGPS corrige parte dos erros devidos à

propagação ionosférica e às posições dos satélites. Para se obter maior eficácia da

técnica DGPS é necessário que a estação-base esteja localizada nas proximidades da

região de interesse há no máximo 200 Km de distância, para que haja correlação entre

os erros calculados por ela e os erros do receptor (MONICO, 2000, p. 110).

1.1.8.3 Aplicabilidade do GPS

Não seria exagero afirmar que hoje em dia o GPS tem aplicabilidade em centenas

de situações. Principalmente após o desativamento da AS, com o sinal liberado, os

receptores passaram a ser produzidos em maior escala, o que reduziu seu custo,

facilitando a sua utilização pelas mais diversas áreas profissionais e científicas.

Além das tradicionais aplicações militares, o GPS é utilizado para navegação

aérea, navegação de civis em grandes cidades, monitoramento ambiental,

planejamento de plantações, georreferenciamento rural, monitoramento de espécies

ameaçadas, Geodésia, telemetria, monitoramento de frotas e de pessoas com

problemas de saúde, rastreamento de condenados em regime especial de pena, enfim,

uma infinidade de aplicações que aumentam a cada dia.

Com uma tecnologia tão avançada com um custo tão baixo, não é de se espantar

que mais segmentos se interessem pela sua utilização.

Mas para bem utilizá-lo é preciso primeiramente conhecê-lo e também ao suporte

necessário para a sua compreensão e aproveitamento máximo de suas

funcionalidades. Para tanto, estudou-se também o Geoprocessamento, que no caso da

Segurança Pública é um conhecimento primordial, embora ainda esteja em estágio

inicial de desenvolvimento nessa área de atuação.


1.1.8.4 Outros Sistemas de Navegação

Existem outros sistemas de navegação por satélites artificiais em operação ou

desenvolvimento.

Segundo Castro (2001) o Galileo System é um Sistema para navegação por

satélites europeu de aplicações civis que pretende disponibilizar 30 satélites em órbita a

uma altura de 24.000 km, previsto a se tornar operacional em 2013. (CASTRO 2001, p. 2)

Conforme Sousa (2005) o GLONASS, GLObal NAvigation Satellite System é um

sistema Russo semelhante ao GPS americano. Utiliza diferentes freqüências para cada

um dos satélites de sua constelação, conceito conhecido como FDMA ou Frequency

Division Multiple Access, sendo que a mesma é composta por 24 satélites, distribuídos

em 3 planos orbitais, separados de 120º, altitude de 19.100 Km e período orbital de 11

horas e 15 minutos. Esta configuração permite cobertura global e ininterrupta de pelo

menos 5 satélites. A (SOUSA, 2005, p. 16)

1.2 GEOTECNOLOGIAS

Devido à relativa recenticidade do desativamento da SA, que data do ano de 2000,

o que tornou o GPS mais acessível para uso civil, existe pouca documentação

acadêmica sobre a utilização do Geoposicionamento em Segurança Pública, entendido

como o primeiro passo para a aplicação de Georreferenciamento aos recursos

operacionais. Entretanto, alguns órgãos efetivamente já o utilizam há bastante tempo,

mesmo antes do citado evento, como é o caso das Polícias Militares do Estado do Pará,

do Rio de Janeiro e de São Paulo, para citar apenas algumas.

Os órgãos de Segurança Pública já utilizam bem mais as Geotecnologias ou o

Geoprocessamento na Análise Criminal e no planejamento de suas ações e, embora o

Georreferenciamento seja apenas uma parte do Geoprocessamento, é necessário


compreender os principais conceitos relacionados a essas Geotecnologias, com a

finalidade de compreender a importância de se prover acesso às informações

georreferenciadas dos recursos operacionais de um Órgão de Segurança Pública.

1.2.1 Geoprocessamento

Segundo Medeiros (2008), o Geoprocessamento é o conjunto de ferramentas

computacionais usadas para coleta e tratamento de informações espaciais, capacitadas

para desenvolver os seguintes processamentos: O Armazenamento de Informações

Geográficas em meio digital, a manipulação de dados para geração de novas

informações e a geração de saídas na forma de mapas e relatórios também conhecidos

pelo nome genérico de “Geotecnologias”. (MEDEIROS, 2008, p.2)

As Geotecnologias tomaram papel cada vez mais importante nas políticas públicas

e hoje em dia há várias ferramentas computacionais de apoio a essa ciência

multidisciplinar, fato que é fortemente influenciado pela grande demanda comercial por

serviços e produtos a ela relacionados.

Conforme Medeiros (2008), a idéia de superpor informações sempre existiu, tendo

surgido na década de 1950 pesquisas em botânica, na Inglaterra, e estudos de volume

de tráfego, nos Estados Unidos como os primórdios dessa ciência, entretanto devido ao

estado embrionário da informática na época e a especificidade das aplicações

desenvolvidas, estes sistemas ainda não podem ser classificados como “sistemas de

informação”. (ibidem)

Na Década de 60 a Canadian Geographic Information System (CGIS); iniciou o

desenvolvimento na área de Geotecnologias, porém ainda sofrendo limitações da

informática, o que tornava a mão de obra bastante dispendiosa, devido ao alto grau de
especialização. Além disso, soluções comerciais prontas não existiam e os interessados

desenvolviam seus próprios programas, o que demandava muito tempo. (ibidem)

A expressão Geographic Information System (GIS) ou Sistema de Informações

Geográficas (SIG) foi criada ao longo dos anos 70, quando foram desenvolvidos novos

e mais acessíveis recursos de hardware, tornando viável o desenvolvimento de

sistemas comerciais. Já na Década de 80 com o uso de Banco de Dados (BD) e do

avanço da informática, houve uma grande expansão na área das Geotecnologias,

consolidadas definitivamente nos anos 90 como ferramenta de apoio à tomada de

decisão, tendo saído do meio acadêmico para atingir o mercado devido as suas

grandes potencialidades. (ibidem)

Segundo Florenzano (2005), o ensino de Sensoriamento Remoto, ou

Geotecnologias no INPE23 teve início em 1972 com a criação do curso de mestrado

nesta área. Em 1985, em nível de especialização foi criado o “Curso Internacional em

Sensoriamento Remoto e Sistema de Informações Geográficas”. Posteriormente, em

1998, foi implementado também um programa de doutorado. (FLORENZANO, 2005,

p.1)

Instituições de Governo e grandes empresas investiram no uso de aplicativos

disponíveis no mercado como o Geomedia Professional da empresa Intergraph, o

ArcView da empresa subsidiária ESRI, AutoCAD MAP da Autodesk, entre outros. As

aplicações que agregavam diversas funções no mesmo sistema, tais como modelagem

3D, analise espacial, processamento digital de imagens, etc, passaram a ocupar maior

lugar, mas os usuários ainda eram muito especialistas e a difusão dos benefícios do

23
INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
uso de aplicações de Geoprocessamento ainda estavam se

desenvolvendo.(MEDEIROS, 2008, p.2)

No fim do século XX e início desse século o uso da Internet já estava consolidado

e as grandes corporações passaram a adotá-la e, por demandas do próprio mercado, o

GIS evoluiu e passou a fazer uso do ambiente da Internet, também conhecido como

ambiente WEB, tornando os aplicativos mais simples, com funcionalidades básicas de

consulta a mapas e a bases alfanuméricas. (Ibidem)

Hoje em dia, os usuários não mais precisam ser tão especialistas, facilitando o

acesso de pessoas não ligadas à área em questão, levando a um aumento no número

de usuários e o surgimento de sítios especializados na Internet, revistas e etc. As

Grandes empresas de Tecnologia da Informação como a Oracle, Microsoft e Google

aproximaram-se das empresas de GIS e um dos avanços dessa tecnologia é o

Geoprocessamento que no Brasil passou-se a adotar o termo Geotecnologias para

representar o mesmo conceito.(Ibidem)

1.2.2 Georreferenciamento

O Georreferenciamento é a atribuição de uma informação geográfica a um

determinado objeto, com base em um sistema de referência.

Segundo Oliveira (2009), “georreferenciar um endereço é identificar esta

informação e colocá-la em um mapa, podendo ser associado a um ponto, linha ou

polígono (representando uma área)”. (OLIVEIRA, 2009, p. 26)

Essa informação pode ser pós-processada ou em tempo real. Para o

Georreferenciamento das ocorrências com fins estatísticos ou de análise criminal, o

modelo pós-processado, em que se procura atribuir coordenadas ao endereço de uma

dada ocorrência, é conhecido e foi demonstrado por Oliveira (2009) e Cotrim (2008).
Para se atribuir essa informação geográfica a um objeto imóvel, como é o caso

dos prédios, ruas, delegacias, sedes do governo ou endereços de ocorrências policiais,

entre outros, buscou-se técnicas que resolvessem o problema do grande volume de

dados decorrente das sucessivas ocorrências e da grande quantidade de objetos a se

referenciar ao longo do tempo.

Segundo El-Rabany (2002), nos Estados Unidos da América, cerca de um terço de

todas as chamadas para o número 911, de emergência, é originado de aparelhos

celulares. Nesse sentido, a Federal Communications Commission24 (FCC) tornou

obrigatório que, desde outubro de 2001, chamadas para o número 911 originadas de

telefones sem fio (celulares) devem ser georreferenciadas com uma precisão mínima de

125 metros, ou seja, nível de probabilidade de 67% (EL-RABANY, 2002. p.126).

Essa técnica permite o georreferenciamento das ocorrências na origem, ou seja,

no momento do atendimento. Há que se buscar entendimentos ou contratos com as

Companhias que provêm o serviço telefônico da CIADE para o georreferenciamento

não só das chamadas móveis, mas também das chamadas fixas, já que hoje em dia

todas podem ter os números de origem identificados. Por meio de um cruzamento da

massa de dados numéricos das chamadas com os respectivos endereços e respectivas

coordenadas no próprio Banco de Dados (BD), o georreferenciamento seria feito

automaticamente no momento em que o atendente digitasse o endereço do solicitante.

Devido à natureza emergencial do serviço estudado, o Georreferenciamento que

se busca com o presente estudo é, por natureza, dinâmico e deve ser realizado em

tempo real, pois se trata de recursos operacionais tais como viaturas, aeronaves,

embarcações, guarnições a pé, entre outros, que em geral estão em movimento.

24
Federal Communications Commission - Comissão Federal de Comunicações
Para se obter o Georreferenciamento desses recursos móveis “basta” instalar

dispositivos que possuam receptores GPS nos mesmos, para que forneçam o seu

Geoposicionamento ou Geolocalização. É necessário também implantar um sistema

que permita a transmissão desse Geoposicionamento, que até então será apenas um

dado alfanumérico (coordenadas geográficas) para um programa que forneça o

Georreferenciamento desses dados, por meio de sua apresentação em forma de

imagem em um mapa. O termo “basta” está entre aspas porque apesar de parecer

simples, essa tarefa já foi tentada antes, sem sucesso, como veremos mais adiante.

De acordo com Dantas et al (2006), partindo dos pressupostos estabelecidos pela

Criminologia Ambiental, para que seja entendido o evento criminal temos cinco

dimensões a serem consideradas: o espaço, o tempo, a legislação, o criminoso e a

vítima. Esses cinco componentes constituem as condições necessárias e suficientes

para a ocorrência de um crime. (DANTAS et al, 2006, p.7)

Dessa forma, partindo-se da dimensão espacial, é possível estudar as diversas

tipificações criminais e georreferenciá-las, criando modelos que indicam as tendências

dos perpetradores no espaço. Essas tendências são dinâmicas e ao conhecê-las, pode-

se alocar mais efetivamente os recursos operacionais.

Segundo ensinam Molina e Gomes (2007), as numerosas técnicas de prevenção

situacional classificam-se em quatro grandes grupos: as orientadas a incrementar a

percepção do esforço associado com um particular delito, as que incrementam a

percepção do risco, as tendentes a reduzir as recompensas esperadas e as que

potencializam os sentimentos de culpa do infrator. (MOLINA e GOMES. 2007, p.384)


Nesta linha de raciocínio, um sistema de Geoposicionamento dos recursos

operacionais da PMDF seria uma técnica de prevenção situacional que pode ser

enquadrado na segunda e terceira categorias apresentadas.

1.3 SISTEMAS DE INFORMAÇÕES GEOGRÁFICAS EM SEGURANÇA PÚBLICA

Braz (2002), ao discorrer sobre uso das Geotecnologias como instrumento de

gestão, assim assevera:

Na prática, o SIG poderá compor um sistema de controle de informações


de um Centro Integrado de Atendimento e Despacho (CIADE) onde será
possível a visualização em um mapa das diversas viaturas policiais e de
assistência em serviço, tendo sua movimentação e localização
permanentemente conhecidas, através de um sistema de
posicionamento global. (BRAZ, 2002, p. 72)

Segundo o autor, “dentro de uma concepção de raciocínio visual, faz-se

necessário visualizar todas as informações inerentes aos recursos disponíveis e às

ocorrências policiais e de assistência”. (ibidem, p.94)

Para apoiar sua assertiva, Braz (2002) lançou mão de uma situação hipotética,

onde os integrantes das equipes de serviço visualizam as ocorrências comunicadas

através do sistema CIADE, geradas a partir do atendimento telefônico e

radiocomunicação. Através do sistema verificam as viaturas disponíveis para o

atendimento e o local do fato e, por meio de outros aplicativos, poder-se-ia estabelecer

o melhor itinerário a ser percorrido. Demonstrou, assim, a formulação de uma rota ou

itinerário para o atendimento a essa ocorrência, atuando após o cometimento do

delito.(BRAZ, 2002, p 95)

Posteriormente, Cotrim (2008) desenvolveu um sumário descritivo que pretende

elaborar rotas de forma otimizada por meio de um algoritmo elaborado a partir de dados

de concentração de eventos semelhantes à interpolação de Kernel.


1.3.1 Sumário descritivo qualificador de rotas

Cotrim (2008) ao formular um sistema de informação geográfica para auxílio à

análise e ao planejamento de rotas de viaturas policiais, propôs um sumário descritivo

que qualifica a interação das rotas em função das ocorrências criminais. Como

resultado desse estudo, obteve-se uma ferramenta SIG que fornece instrumentos para

apoiar o analista criminal em tarefas como detecção de padrões e tendências oriundas

de atividades ilegais, racionalizando o emprego das viaturas e o rendimento do

policiamento ostensivo. (COTRIM, 2008, p. 115)

O sumário descritivo qualificador de rotas proposto por Cotrim (2008) utilizou o

algoritmo Busca-Tabu que define as áreas como maior concentração criminal,

direcionando para essas áreas as viaturas disponíveis, por meio da qualificação das

rotas em quatro situações específicas, em ordem decrescente de qualidade, a saber:

Lugar certo na hora certa, lugar certo na hora errada, lugar errado na hora certa e lugar

errado na hora errada. (ibidem)

Esse algoritmo foi adaptado a fim de resolver o mesmo problema apresentado por

Oliveira (2009): Como georreferenciar um volume grande de ocorrências e apresentá-

las em um mapa que ainda contemple a apresentação do movimento das viaturas em

um longo espaço de tempo? Esta tarefa gera um volume de dados tão grande que se

torna inútil sua apresentação, dada a quantidade de caracteres que seriam inseridos no

mapa, como clusters25 ou hot spots.(ibidem)

Ao utilizar tal ferramenta, o gestor de segurança pública poderá planejar melhor o

emprego de seus meios operacionais no dia a dia, por meio do geoposicionamento

25
Clusters – Representação de regiões em um mapa identificadas previamente por algoritmos e métodos
de aglomeração de eventos.
desses nas rotas “lugar certo hora certa”, bem como poderá aplicar indicadores de

desempenho, por meio das análises das rotas percorridas, a fim de auferir a qualidade

das mesmas ao longo de um período, permitindo redimensionar seu planejamento.

A proposição de Cotrim (2009) demonstrou a importância e a possibilidade da

aplicação do georreferenciamento como ferramenta operacional em segurança pública,

a partir de um ponto de vista mais conceitual do que as outras observadas. Em que

pese a atividade da PMDF ser muito mais preventiva, é muito mais útil saber onde

estão as viaturas em tempo real, quando se pode direcioná-las aos locais onde se sabe

em que há mais probabilidade de os delitos ocorrerem e nos momentos em que

ocorrerão. Essa abordagem foge da linha tecnicista que procura descrever antes os

meios dos que as finalidades.

O sistema proposto reforça a idéia de que um sistema de georreferenciamento

deve contemplar as 5 dimensões do crime, segundo a criminologia ambiental, citadas

por Dantas et al (2006), nesse caso principalmente o espaço e o tempo. (DANTAS et al,

2006, p.7).

Parte desse trabalho já é feito pela SESP/DF, como citado anteriormente,

entretanto falta o adequamento dos itinerários feitos pelas viaturas, o que somente é

possível por meio da captação do sinal GPS por dispositivos instalados nas mesmas e

envio para um BD que possa ser utilizado por um SIG. Além disso, o

georreferenciamento das ocorrências feito pela SESP/DF é pós-processado e apesar

de identificar adequadamente os padrões e tendências criminais, somente pode ser

acessado pela ponta da linha após um período de tempo relativamente longo.

Um sistema de georreferenciamento em tempo real das viaturas permitiria a

pontuação geográfica das ocorrências concomitantemente, o que possibilitaria o


acompanhamento, identificação e divulgação de variações em índices de criminalidade

em um período menor de tempo, possibilitando a alocação de recursos para preveni-los

ou combatê-los.

Conforme já citado, devido ao relativo pequeno tempo que o GPS foi liberado para

uso civil, não há muito material acadêmico relatando o seu uso em Segurança Pública

(SP), embora já seja utilizado por muitos órgãos.

No entanto, sabe-se da utilização desse tipo de tecnologia por órgãos de SP de

algumas Unidades da Federação, por meio de artigos em periódicos e notícias na

Internet, os quais geralmente se restringem a informar a utilização da tecnologia e suas

vantagens, entretanto sem citar detalhes técnicos, os quais seriam de maior valia para

os objetivos do presente estudo.

A seguir serão apresentados relatos da utilização do GPS por alguns órgãos de

SP, como exemplo, apenas a título de informação, uma vez que não foram localizadas

documentações de cunho científico sobre as referidas implantações, mas trazem

informações importantes que podem ser extraídas desses documentos como resultados

referentes à diminuição do tempo de resposta de tais órgãos ou aumento de sua

produtividade após a implantação do sistema de Geoposicionamento em viaturas.

1.3.2 Estado de Alagoas

Dados recentes (jul/2010), divulgados pela Secretaria de Comunicação Social de

Alagoas, informam que um sistema que utiliza o GPS foi instalado em 100 viaturas da

Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros na capital daquele Estado. Com a conclusão do

sistema de rastreamento nos veículos, o Estado investirá em um novo programa que vai

identificar no mapa o local de onde partiu a chamada para o Centro Integrado de

Operações de Segurança (CIODS). Houve um aumento significativo na agilidade do


atendimento nas ocorrências policiais em toda a capital, pois as viaturas diminuíram seu

tempo de chegada ao local da chamada para até dez minutos. Esse tempo era, em

média, de 30 minutos desde o acionamento até chegar ao local da ocorrência antes da

implantação do sistema. Uma redução de 66% no tempo médio de atendimento.

(GOVERNO DE ALAGOAS, 2010)

1.3.3 Estado do Rio Grande do Sul

No caso do Rio Grande do Sul, por exemplo, de acordo com informações

existentes no sítio da Secretaria de Segurança Pública daquele Estado na Internet, um

mapa digitalizado com as ruas da cidade de Caxias do Sul foi interligado ao sistema

GPS e facilitou o direcionamento das viaturas por meio de uma maior racionalização

dos procedimentos policiais. Em Porto Alegre, onde o GPS já havia sido implantado, o

tempo médio de chegada das viaturas diminuiu de 12 minutos e 28 segundos, em

agosto de 2001, para 9 minutos, em setembro de 2002. Já no ano seguinte, esse tempo

foi reduzido para 7 minutos e 40 segundos entre o contato feito pela população para o

número 190 até a chegada de uma viatura ao local da ocorrência. Uma redução de 39%

no tempo médio de atendimento (SSP/RS, 2003)

1.3.4 Estado de Santa Catarina

De acordo com notícia veiculada pelo site especializado Mundogeo, a Secretaria

de Estado da Segurança Pública e Defesa do Cidadão de Santa Catarina (SSPDC-SC)

também implantou um projeto de prevenção criminal tendo como base a utilização de

um Sistema de Informações Geográficas (SIG) para mapear as regiões com maior

concentração de crimes e saber quais ocorrências são mais comuns no Estado.

Com estas análises, a citada Secretaria espera melhorar a gestão da frota policial

e agilizar os despachos das ocorrências pelas Centrais Regionais de Emergências


(CRE). A implantação do projeto foi precedida de um projeto-piloto executado na

Academia da Polícia Militar daquele estado, durante um evento tradicional em

Florianópolis, onde a Polícia Militar mapeou o histórico das irregularidades na região do

evento e, assim, reforçou as ações preventivas nas áreas críticas, reduzindo em 75%

as ocorrências policiais. (MUNDOGEO, 2010)

A análise e o monitoramento dos crimes foram feitos pelo Crime Analyst, um

produto de GIS da ESRI26 e o sucesso da Operação teve como base o mapeamento

geográfico das ocorrências, que permitiu a melhor visualização dos crimes e focalizar o

trabalho da polícia nos locais com maior índice de criminalidade.(ibidem). Dessa forma,

funcionou como verdadeira ferramenta de prevenção situacional citada por Molina e

Gomes (2007).

1.3.5 Estado de Sergipe

De acordo com a Polícia Militar do Estado de Sergipe (PMSE), as viaturas de

Aracaju também são equipadas com GPS, o que permite aos policiais enviar e receber

mensagens, verificar sua localização geográfica, oferecendo economia no consumo de

combustível e diminuição do tempo de resposta entre um chamado de um cidadão até a

chegada do policial no local da ocorrência. (PMSE, 2009)

Além da eficiência do GPS, as autoridades de SP naquele estado têm à mão um

eficiente meio de controle chamado de “cerca eletrônica”, ferramenta que garante a

permanência do policial militar escalado em uma determinada área. A cerca eletrônica

permite que o policial militar em serviço e a Central sejam avisados de que a viatura

está saindo da área de atuação. O sistema gera, ainda, um relatório que mostra o

26
ESRI – Empresa de desenvolvimento de software e serviços de informações geográficas localizada
em Redlands, Califórnia – USA.
percurso feito pelas viaturas, indicando quantos quilômetros foram rodados, entre

outros, permitindo maior controle da frota e economia de combustível.(ibidem)

1.4 O SERVIÇO DE EMERGÊNCIA DA PMDF

Para se falar em aumento de efetividade do serviço de emergência por meio do

georreferenciamento, primeiramente é mister conhecer basicamente esse serviço, a fim

de que se possa entender o atual estágio das Geotecnologias no SSP/DF e na PMDF

em particular. Para tanto, este estudo traz, a seguir, um breve apanhado do conceito,

histórico e particularidades do referido serviço e posteriormente a descrição de algumas

tentativas de implantação com usas características próprias.

1.4.1 Conceito

Inicialmente, antes de discorrer sobre o serviço de emergência da PMDF é

necessário delimitar o conceito de emergência que é, segundo o dicionário (do Latim

emergentia): Substantivo feminino - ato de emergir, estado do que emerge, nascimento,

conjuntura, ocorrência, incidente, situação crítica. Difere, portanto, da urgência (do

Latim urgentia), que é um substantivo feminino para significar qualidade do que é

urgente, pressa, necessidade premente, imediata.

Em que pese diferenças etimológicas das duas palavras, estas são importantes

para a medicina que tem procedimentos diferentes para uma e para outra. Entretanto,

para os fins a que se destina o presente estudo, ambas têm o mesmo significado geral,

pois são encontrados na bibliografia tanto o temo emergência quanto urgência policial,

embora o primeiro seja mais freqüente.

Para não estar reféns de problemas semânticos, referir-se-á ao serviço de

emergência como a parte repressiva do trabalho das Polícias Militares estaduais


(atuação após o cometimento do crime), as quais como polícias administrativas que

são, tem a maior parte de sua atribuição eminentemente preventiva.

Segundo Corrêa (1991), a PMDF mantém seu efetivo operacional desdobrado no

terreno por áreas (distribuídas por UPM), setores e sub setores, segundo os diversos

processos de policiamento, referentes à forma de locomoção desses efetivos, podendo

ser a pé, motorizado, aéreo, etc. obedecendo a um planejamento próprio, segundo as

modalidades de policiamento que se pretende empregar. Entre essas modalidades está

o patrulhamento, que é a ação rotineira da polícia militar, eminentemente

preventiva.(CORRÊA, 1991, p.18)

Segundo ensina Lazzarini (2003):

A ordem pública, contudo, sendo violada em razão de ilícito penal, deve


ser restabelecida de imediato e automaticamente pelo órgão de polícia
administrativa que tenha a competência constitucional de “preservação
da ordem pública”. Cuida-se da “repressão imediata”, que tem o seu
fundamento no art. 144, § 5º, da vigente Constituição da República,
porque, se não se conseguiu preservar a ordem pública, o órgão policial
que detém a exclusividade dessa competência constitucional deve
restabelecê-la imediata e automaticamente. (LAZZARINI, 2003, p.97)

Como ressaltou Lazzarini, após o cometimento do ilícito penal, a polícia

administrativa deve restabelecer a ordem imediatamente. Isso é feito através do serviço

de emergência, que aciona os prefixos em patrulhamento para tais ações repressivas,

comumente chamadas de atendimento de ocorrências. Para tanto, o Estado mantém

um número de telefone, que é único em todo o Brasil e de uso gratuito. A discar o

número 190, qualquer cidadão tem acesso ao serviço de emergência.

1.4.2 Histórico

De acordo com Oliveira (2009), até 1996 os registros de ocorrências eram feitos

manualmente. Naquele ano, houve uma primeira tentativa de informatizar o Centro de


Operações Policiais Militares (COPOM), por meio do recebimento de doações de

computadores do Sistema Integrado de Comunicações e Informática (SCI). Naquela

época iniciaram-se projetos em parceria com a Universidade Católica de Brasília (UCB),

para a criação de sistemas computacionais de registro e despacho de ocorrências, que

deram origem ao SISOP do CBMDF27 e ao SISCOP28, da PMDF.

Os trabalhos de desenvolvimento do SISCOP foram finalizados no ano de 2000,

quando o sistema entrou em operação, entretanto ainda não contava com possibilidade

de georreferenciar as ocorrências.

Segundo Ferreira (2003), o SISCOP consistia de “um sistema CAD (computer-

aided dispatcher)29 que apóia as atividades operacionais de atendimento de ocorrências

e despachos de unidades de atendimento policial...”. (FERREIRA, 2003, p.69).

Segundo Oliveira (2009), o serviço de emergência da PMDF foi responsabilidade

de seu COPOM até 2004, quando foi então transferido para a CIADE/SESP/DF, em

virtude do lançamento do Plano Nacional de Segurança Pública e naquela oportunidade

o COPOM foi desativado. (OLIVEIRA, 2009, p. 81)

A transferência dos Centros Operacionais referentes aos Órgãos integrantes do

Sistema de Segurança Pública do DF foi efetivada no ano de 2004, entretanto nenhum

sistema informacional foi adquirido para integrar as massas de dados dos órgãos.

Dessa forma, foi proposto que os sistemas de gerenciamento de ocorrências das

Corporações fossem transferidos fisicamente para a recém criada CIADE, o que

27
CBMDF – Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal
28
SISCOP – Sistema de Controle de Ocorrências Policiais Militares
29
CAD – (computer-aided dispatcher) – Consiste de um conjunto de programas de software e hardware
especializados que provê suporte a atifvidades de atendimento telefônico e despacho de unidades
policiais. (Ferreira, 2003, p. 69) Não confundir com Computer Aided Design, utilizado em soluções GIS.
efetivamente foi feito parcialmente, tendo sido transferidos apenas os sistemas da

PMDF (SISCOP) e do CBMDF (SISOP).(OLIVEIRA, 2009, p. 81)

O sistema de informações do SSP/DF foi constituído como representado na figura

1.19 até 2008, quando então foi criado o Sistema de Gerenciamento de Ocorrências

(SGO), para integrar as massas de dados existentes no sistema de informações do

Sistema de Segurança Pública do DF (SSP-DF).

Ainda de acordo com Oliveira (2009), que foi idealizador e gerente do projeto, o

SISCOP deu origem ao SGO, utilizado pela CIADE a partir de 2008 até a atualidade.

(ibidem)

Segundo Braz (2002), o SISCOP armazenava dados de Atendimento e de

despacho de viaturas e sua principal função era retornar dados relativos ao controle de

dados de atendimento de ocorrências. Sua estrutura de banco de dados, entretanto não

contemplava a opção de localização pontual das ocorrências. (BRAZ, 2002, p. 76)

Figura 1.19 – Representação gráfica do sistema de Informações do SSP-DF até 2008


Fonte: (OLIVEIRA, 2009, p. 82)

Atualmente, o serviço de emergência da PMDF é gerenciado pela Secretaria de

Segurança Pública do Distrito Federal por intermédio do Centro Integrado de


Operações de Segurança Pública e Defesa Social (CIOSP), gerido pela Central

Integrada de Atendimento e Despacho (CIADE), onde todos os órgãos de Segurança

Pública do Distrito Federal se integram e de onde é feito o controle dos executores dos

diversos serviços desses órgãos, conforme se vê no decreto 28.691, de 17/01/2008,

que aprova o Regimento Interno da Secretaria de Estado de Segurança Pública do

Distrito Federal, in verbis:

Art. 62. À Central Integrada de Atendimento e Despacho compete:


I – atender às solicitações de urgências da comunidade em assuntos de
segurança pública;
II – orientar, preliminarmente, os solicitantes de atendimento quanto aos
procedimentos iniciais que deverão ser adotados;
III – despachar, depois de realizada a triagem, as solicitações da
comunidade;
IV – coordenar o emprego dos efetivos dos órgãos que compõem o
Sistema de Segurança Pública e do Departamento de Trânsito do
Distrito Federal, nos atendimentos de urgências; (grifo do autor)
V – coordenar as comunicações via rádio, entre os órgãos que
compõem o Sistema de Segurança Pública e o Departamento de
Trânsito do Distrito Federal envolvidos em operações;
VI – acompanhar a realização das operações e o desencadeamento das
ações emergenciais dos órgãos que compõem o Sistema de Segurança
Pública e o Departamento de Trânsito do Distrito Federal;
VII – supervisionar, acompanhar e controlar o emprego dos meios
operacionais das unidades da Secretaria;
VIII – estabelecer comunicação com os órgãos externos ao Sistema de
Segurança Pública e o Departamento de Trânsito do Distrito Federal;
IX – exercer outras atividades que lhe forem cometidas. (GDF, 2008)

Entre os órgãos do Sistema de Segurança Pública está a Polícia Militar, conforme

o artigo 2º do mesmo dispositivo legal:

Art. 2º O Sistema de Segurança Pública do Distrito Federal é composto


pelos seguintes órgãos:
I – Secretaria de Estado de Segurança Pública do Distrito Federal;
II – Polícia Civil do Distrito Federal;
III – Polícia Militar do Distrito Federal; (grifo do autor)
IV – Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal.
Parágrafo único. A Secretaria de Estado de Segurança Pública é o
órgão central do Sistema de Segurança Pública do Distrito Federal.
(GDF, 2008)
Na estrutura da CIADE existem servidores oficiais da PMDF que desempenham a

função de Assistentes Operacionais e coordenam o serviço diário, auxiliados por

graduados que desempenham a função de Assistentes de Despacho, os quais

coordenam o trabalho dos Despachantes.

A CIADE possui também Assistentes de Atendimento e Tele Atendentes

Emergenciais, que são civis contratados por uma empresa terceirizada,

operacionalmente subordinados aos Assistentes Operacionais, sendo responsáveis

pelo atendimento das chamadas realizadas para o número 190. Esses transmitem as

demandas dos cidadãos aos despachantes, que repassam as informações transmitidas

à central para os prefixos de policiamento distribuídos no terreno. Esses prefixos

recebem as chamadas e deslocam-se até os reclamantes a fim de solucionar as

diversas situações apresentadas.

Os demais órgãos de Segurança Pública no Distrito Federal como a Polícia Civil, o

Corpo de Bombeiros Militar e o DETRAN também mantêm um efetivo de servidores

para o desempenho de funções similares para seus respectivos órgãos, os quais não

são objetos da presente pesquisa.

1.4.3 As Geotecnologias no serviço de emergência da PMDF

1.4.3.1 GEOSISCOP

Oliveira (2009) ressalta ainda que, com a premente necessidade de

desenvolvimento de um sistema que provesse informações georreferenciadas, foi

desenvolvido pelo autor o GEOSISCOP, o qual visava apresentar as coordenadas

geográficas das ocorrências atendidas pelas guarnições de serviço, por meio de uma

Interface de programação de Aplicativos ou Application Programming Interface (API) do


Programa Google Maps (GM), também disponível na modalidade de Free Software ou

programa computacional livre em ambiente WEB30. (OLIVEIRA, 2009, p.83)

As API são “um conjunto de rotinas, funções e componentes estabelecidos por um

software para a utilização de suas formalidades por outros aplicativos que não querem

envolver-se em sua implementação, apenas utilizar seus serviços”. (CARVALHO E

PENA, 2008, p.2)

Nesse sentido, utilizando as API’s disponíveis para Sistemas de Informação

Geográfica na Internet, os próprios chefes das seções de planejamento e estatística

das UPM (P-3) fariam as pontuações de ocorrências e alimentariam a Base de Dados

da SESP/DF. A opção pelas API’s parece estar relacionada ao baixo custo, uma vez

que permite a utilização de free software.

Porém, para os fins do presente estudo as vantagens de tais aplicativos não

seriam tão aproveitáveis, pois segundo ensinam Carvalho e Pena (2008):

Para a utilização de seus serviços, o Google envia chaves de sua API


aos usuários que possuírem contas no Google, bastando que estes
indiquem o domínio na web que utilizará a chave e aceitem os termos de
uso da API do Google Maps. Eles estipulam resumidamente que as
imagens dos mapas não devem ser roubadas, a logomarca do Google
nos mapas não deve ser escondida o mapa criado não deve ser utilizado
para fins ilícitos, a aplicação que utilizará o mapa não deverá fazer
monitoramento em tempo real de elementos que se deslocam, como
veículos e frotas, e o Google não se responsabiliza pelo software criado
a partir de uma API. (CARVALHO E PENA, 2008, p.8).

Portanto, para a versão gratuita, o termo de uso das API do Google não permite

que a aplicação utilizadora do mapa faça monitoramento em tempo real de objetos

móveis como veículos e frotas, embora para versões pagas essa utilização seja

permitida. Logo, ao se ter que utilizar licenças pagas de softwares, existem muitas

outras opções bem mais completas como o Spring, o ArcGIS e o ArcView, para citar
30
WEB – Proveniente de WWW ou World Wide Web – Rede internacional de computadores
apenas alguns, considerados como produtos que possuem todas as potencialidades de

uma ferramenta GIS.

1.4.3.2 Sistema de Gerenciamento de Ocorrências (SGO)

O desenvolvimento do GEOSISCOP no âmbito da SESP/DF foi interrompido pela

necessidade de integrar as massas de dados das Corporações participantes do SSP-

DF e a consequente criação do SGO, pois não haveria sentido em continuá-lo, uma vez

que referia-se ao SISCOP, que então estava sendo substituído pelo novo sistema.

Conforme explica Oliveira (2009), o qual era chefe da seção que desenvolveu o SGO

na SESP/DF à época da implantação e foi e seu gerente inicial, o sistema apresenta

poucas diferenças em relação ao SISCOP em termos gráficos. Em termos de novas

funcionalidades, porém, o SGO trouxe mudanças que propiciaram ganho de

produtividade. (OLIVEIRA, 2009, p.87)

Figura 1.20 – Sistema de informações do SSP-DF após a implantação do SGO


Fonte: (OLIVEIRA, 2009. p 85)

Entre essas novas funcionalidades está o módulo de Georreferenciamento das

ocorrências, o qual não foi completamente implantado devido ao atraso no


funcionamento do sistema de rastreamento GPS contratado pela SESP/DF, por motivos

diversos, como perda de sinal dos localizadores GPS, danificação de equipamentos,

mau dimensionamento do Hardware, que provocou perda de potência das baterias das

viaturas, descarregando-as, entre várias outras, conforme se pôde ver in loco, referente

a relatório produzido na PMDF sobre os problemas com o sistema de rastreamento que

fora instalado, chamado de Sistema Móvel de Gerenciamento de Ocorrências, que será

visto mais adiante.

1.4.3.3 Sistema BOWEB

Ainda conforme Oliveira (2009), após a implantação do SGO, em substituição ao

SISCOP, foi desenvolvido uma aplicação GIS que pudesse estar integrada com o novo

sistema. A integração com o SGO não implica em dependência daquele sistema, o

objetivo do desenvolvimento foi aproveitar as informações já cadastradas e

complementar com informações novas, as quais serão inseridas pelas próprias UPM, a

exemplo do modelo do GEOSISCOP, e ao mesmo tempo, manter fisicamente esses

registros no Centro de Tecnologia da Informação (CTI) da PMDF. A esse sistema deu-

se o nome de BOWEB. (OLIVEIRA 2009, p. 89/91)

O BOWEB é concebido para que o CTI tenha uma base de dados replicada dos

registros do SGO da CIADE/SESP/DF, que estão fisicamente localizados na SESP/DF.

Então, um servidor conectado ao sistema BOWEB realiza consultas ao servidor com os

registros replicados do SGO que estão localizados no ambiente físico do CTI/PMDF,

que o integra aos sistemas já existentes no CTI, como o sistema de Gestão de Pessoal

(GEPES), Sistema de Mapas de Viaturas, entre outros.(ibidem)

O BOWEB contempla um sistema de registro de coordenadas geográficas

vinculadas aos registros de ocorrências. Inicialmente, os dados das informações


georreferenciadas das ocorrências deverão ser processados e também consultados

pelas Unidades Operacionais da PMDF.(ibidem)

O leitor não estranhe o fato de que o assunto Geotecnologias no serviço de

emergência da PMDF esteja sendo referenciado apenas em um único autor. Ocorre

que este autor participou ativamente do desenvolvimento de três sistemas que

procuraram introduzir o georreferenciamento no ambiente do atendimento emergencial

da PMDF e relatou academicamente este fato.

A figura 1.21 traz a apresentação gráfica do Diagrama de caso do BOWEB, o qual

encontra-se em fase de implantação na PMDF.

Figura 1.21 – Diagrama de Caso do BOWEB


Fonte: (OLIVEIRA, 2009, p. 91)

1.4.3.4 Sistema Móvel de Gerenciamento de Ocorrências (SMGO)

Segundo dados colhidos em visitação à Diretoria de Tecnologia (DITEC) da

SESP/DF, a concepção do SMGO foi criada juntamente com o advento da criação do

SGO para suprir o módulo de georreferenciamento das ocorrências atendidas e

consiste da instalação de Terminais Remotos Embarcados (TRE) nas viaturas


pertencentes aos Órgãos do SSP/DF, os quais possuem receptores do sinal GPS

integrados ao Hardware, ou a parte física dos TRE e funciona dessa maneira como um

AVL, ou Auto Vehicle Locator, ou localizador automático veicular.

O sistema oferece ao usuário acesso à consulta de dados de veículos, condutores,

indivíduos e foragidos da justiça e permite ao administrador do sistema acesso ao

rastreamento da viatura, imagens das câmeras instaladas e a possibilidade de enviar e

receber mensagens por meio de um serviço de chat31.

Figura 1.22 – Tela Inicial do SMGO


Fonte: (DITEC/SESP/DF, 2010)

O sinal GPS é captado e enviado para o sistema por meio de um modem

(dispositivo móvel de acesso à Internet) utilizando a tecnologia 3G32 ou banda larga

móvel provida por uma companhia telefônica contratada e, por meio de uma API do
31
Chat – (do idioma inglês) Conversa. Aqui refere-se a aplicação de conversação em tempo real
32
Tecnologia 3G - Terceira geração de padrões e tecnologias de telefonia móvel que permitem às
operadoras da rede oferecerem a seus usuários telefonia por voz e transmissão de dados a longas
distâncias, tudo em um ambiente móvel em alta velocidade (5 a 10 Megabits por segundo).(Wikipedia)
Google Maps, se faz o georreferenciamento do TRE, a partir de um aplicativo em

ambiente WEB. O TRE possui portas wireless33 e bluetooth34. No detalhe da figura 1.23,

vê-se a câmera dianteira, o monitor e o teclado de um TRE instalado em viatura da

PMDF. Não foi possível visualizar a tela do sistema, porque naquela viatura o TRE não

estava funcionando no dia da visita.

Figura 1.23 – Terminal Remoto Embarcado (TRE) do SMGO instalado em viatura da PMDF
Fonte: (Fotografia feita pelo autor)

Por meio de log in, qualquer usuário cadastrado pode acessar o sistema tanto do

TRE, como de outros computadores que tenham acesso à internet. O SMGO permite

acesso ao BD do INFOSEG, que integra conjunto de bases de dados com informações

de Segurança Pública, justiça e fiscalização em nível Federal e ao BD do próprio SGO.

33
Wireless – Sem fio. Rede de computadores sem a necessidade do uso de cabos, por meio de
equipamentos que usam radiofrequência ou comunicação via infravermelho.
34
Bluetooth - Especificação industrial para áreas de redes sem fio pessoais sem fio (Wireless personal
area networks - PANs), que opera na banda não licenciada de 2.4GHz, com alcance de até 100 metros,
dependendo da potência. (Wikipedia)
O sistema foi configurado para transmitir as coordenadas do TRE a cada 5

segundos e essas informações são utilizadas no aplicativo para apresentar rotas das

viaturas em tempo real ou gravá-las para posterior consulta, conforme figura 1.24.

Destaca-se que os dados não são criptografados e, como o sistema funciona em

ambiente WEB, é totalmente vulnerável a acessos não autorizados e à ação de

hackers35, que podem comprometer a qualidade das informações, bem como monitorar

a posição das viaturas policiais, portanto no quesito segurança lógica, o sistema

necessita de ajustes.

Figura 1.24 – Módulo de rastreamento veicular do SMGO


Fonte: DITEC/SESP/DF

Além disso, o sistema possui duas câmeras de baixa resolução que mostram

imagens da frente e retaguarda da viatura onde o TRE estiver instalado. O acesso às

35
Hackers – Por definição, um “hacker” é um pessoa que consegue “hackear”, que vem do verbo inglês “to hack” -
ato de alterar alguma coisa que já está pronta, deixando-a melhor, entretanto tornou-se jargão para pirata virtual.
imagens das câmeras, entretanto, somente pode ser feito a partir do próprio TRE ou por

computadores conectados à Virtual Private Network (VPN) ou rede privada virtual da

SESP/DF, conforme figura 1.25.

Esse dispositivo é de grande importância, uma vez que toda a ação do

policiamento poderá ser acompanhada e gravada e o material produzido poderá ser

utilizado como prova em muitos casos de ocorrências que se transformam em

Inquéritos e processos.

Figura 1.25 – Módulo de câmeras do SMGO


Fonte: (Fotografia feita pelo autor)

Conforme informações prestadas por funcionário da DITEC/SESP/DF, o contrato

para o fornecimento dos TRE é de locação e foram inicialmente fornecidos 300

equipamentos, os quais foram instalados em viaturas de todos os Órgãos do SSP/DF,

tendo a PMDF recebido 147 equipamentos que foram distribuídos entre 13 UPMs

diferentes, para fins de teste.


Observa-se que, nesse contexto o ideal teria sido a instalação em todas as

viaturas de determinadas UPMs, preferencialmente as que possuem áreas que

apresentam maiores índices criminais, para servir como um estudo piloto, onde se

poderia aferir modificações no tempo resposta do serviço de emergência, otimização de

rotas de patrulhamento, parâmetros administrativos das viaturas, como consumo de

combustível, entre outros, o que distribuídos de forma pulverizada, como foi feito, não

permite um estudo tão detalhado.

Entretanto, nas três visitas realizadas à DITEC, o número de equipamentos

instalados em viaturas da PMDF conectados variou de quatro (ou 2,72%) a 8 (ou

5,44%), tendo sido informado pelo funcionário desenvolvedor do sistema que sua

implantação estava sofrendo problemas técnicos, os quais se tentava solucionar. Entre

os problemas elencados pelo funcionário em questão estão os relacionados ao

hardware utilizado, o qual é inadequado e causa lentidão na apresentação do software,

a posição da antena do modem que dificulta a transmissão e recepção dos dados e

ainda referente ao fato de que os equipamentos estavam provocando o

descarregamento das baterias das viaturas, o que obrigou a empresa contratada pelo

fornecimento a prover baterias próprias para os TRE. Foi comentado também sobre a

falta de treinamento e divulgação a respeito dos equipamentos.

Outro fator observado, presente no relatório feito pela PMDF sobre os TRE refere-

se à antiergonomia do equipamento. Como se pode observar na figura 1.22, o monitor

foi instalado entre o painel da viatura e o banco do patrulheiro dianteiro com uma

estrutura metálica fixada por parafusos. Há relatos de policiais que feriram os joelhos e

outros que se sentiram inseguros quanto à possibilidade de ferimentos mais graves em


caso de colisão da viatura, por exemplo. Ao que parece, não foi feita uma consulta

prévia sobre esses aspectos antes da instalação.

Observa-se também o fato de que os equipamentos são totalmente fixos nas

viaturas, o que implica em ociosidade de equipamentos quando as mesmas estiverem

baixadas para manutenção. Nesse sentido, já que o equipamento possui conectividade

sem fio, como foi visto, seria preferível que fosse um dispositivo portátil bem mais

compacto e leve, que poderia ser afixado temporariamente às viaturas por meio de

suportes com ventosas ou velkros.

Todos esses problemas são detalhes a revelar os erros sistêmicos, que vão desde

a origem, desenvolvimento até a implantação. Um sistema de georreferenciamento não

é tão simples a ponto de prescindir de estudo prévio, abalizado nas melhores práticas,

que podem ser observadas em várias outras Unidades Federativas.

A tentativa de implantação de um sistema dessa maneira pode causar resistência

por parte dos usuários. Portanto, seria recomendável que houvesse uma pesquisa de

opinião dos usuários sobre critérios como ergonomia, segurança, funcionalidades, etc.

1.4.3.5 Sistema de rastreamento da aeronave da PMDF

Foi identificado em visita ao Batalhão de Aviação Operacional (BAVop) da PMDF

que possui instalado em sua aeronave Helicóptero Multi-missão Esquilo, um sistema de

georreferenciamento.

Esse sistema tem tripla finalidade para as tripulações de serviço, quais sejam a de

navegação, de rastreamento da posição da aeronave em tempo real e ainda provê o

monitoramento dos parâmetros do motor da aeronave em vôo.


O sistema, chamado de MD-102 foi fornecido pela empresa Brasil Avionics -

Bravio, com sede em São Paulo e desenvolvido a partir de um sistema anterior de

navegação aeronáutica da empresa alemã de instrumentos aviônicos Becker.

Segundo Bravio (2005), trata-se de um dispositivo de navegação por GPS

homologado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) para aviões e Helicópteros

que utiliza um processador com módulos GPS e GSM incorporado. O módulo GPS

opera com uma taxa de atualização de 5Hz, fornece uma posição a cada 20 centésimos

de segundo e recebe, simultaneamente, sinal de 16 satélites. (BRAVIO, 2005, p.2)

O sistema recebe, simultaneamente, sinais dos satélites da rede Wide Area

Augmentation System (WAAS) e da rede European Geostationary Navigation Overlay

Service (EGNOS) que possuem satélites posicionados sobre o Equador e sobre a

Costa Africana. Essas redes são constituídas de estações georreferenciadas em terra

que recebem os sinais GPS e calculam as correções, transmitindo-as para estações

máster semelhante às do OSC, as quais as enviam para satélites geo estacionário que

as replicam na freqüência do sinal GPS, funcionando como um DGPS, só que com

alcance mundial e com a vantagem de não se precisar de um transceptor extra, pois a

correção é captada pelo próprio receptor com certificação WASS ou EGNOS. (ibidem)

O sistema capta o sinal do GPS, provendo a informação por meio de imagem em

uma carta mostrada em displays no painel da aeronave para os pilotos e outro para os

tripulantes operacionais e, por meio do módulo GSM36, transmite essas coordenadas

para um servidor que utiliza uma API do Google Earth, mediante contrato de licença

com a empresa. (ibidem)

36
GSM - Global System for Mobile Communications – Rede mundial de telefonia celular
Figura 1.26 – Sistema de navegação e rastreamento Bravio MD 102
Fonte: (BRAVIO, 2005, p.2)

O sistema embarcado possui GPS e GSM Integrado, Capacidade de Memória

Compact Flash de 8GB, software que apresenta cartas aeronáuticas, mapas

topográficos e náuticos, guias de ruas, imagens do Google Earth e outros criados pelo

operador, desde que estejam em escala e referenciados no datum WGS 84, sempre

apresentando a representação gráfica da aeronave no mapa com uma seta para a

direção que a aeronave está se deslocando, o ponto de onde partiu e o ponto de

destino, as coordenadas. Permite ainda a gravação dos dados das últimas 200 horas

de vôo. (ibidem)

Os dados são transmitidos em forma de mensagens de texto, de dez em dez

segundos, conforme exemplo mostrado no quadro 2.

date time latitude longitude alt itude course speed

2010/01/01 02:40:39 15.7951943 47.8764214 1205 173 73,3


2010/01/01 02:40:49 15.7967051 47.8754533 1202 121 81,3
Quadro 2 – Exemplo de mensagem enviado pelo sistema Bravio
Figura 1.27 – Display do Sistema Bravio MD 102
Fonte: (BRAVIO, 2005, p.2)

O servidor recebe os dados enviados a uma taxa temporal de 10 segundos e

converte essas informações sobre a imagem do Google Earth em tempo real,

permitindo visualizar a rota percorrida pela aeronave, desde o momento que o

equipamento tenha sido ligado. Esses dados ficam gravados e podem ser acessados

posteriormente, ou podem ser acompanhados em tempo real.

Figura 1.28 – Ergonomia do Sistema de navegação Bravio MD 102


Fonte: (Fotografado pelo autor)
Dessa forma, verifica-se que o equipamento instalado na aeronave da PMDF é um

sistema de georreferenciamento em tempo real, que permite, inclusive, a visualização

no display de outras aeronaves ou veículos que possuam dispositivo semelhante.

A Bravio possui sistema semelhante para frotas terrestres, chamado Secure

Tracking Device - STD 102, que não possui displays no interior dos veículos.

O STD 102 é um sistema de rastreamento e monitoramento onde tudo pode ser

feito através do telefone celular. O operador não depende de uma central dedicada para

exercer o controle. Com um dispositivo discreto que tem bateria própria de longa

duração, utiliza tecnologias GPS, GSM/GPRS e Bluetooth e, com um aplicativo especial

instalado, o operador pode habilitar um ou mais computadores para rastrear e monitorar

veículos em qualquer lugar onde houver sinal de telefonia celular.

Tanto o MD 102, quanto o STD 102 permitem a transmissão e gravação de

imagens captadas a partir das aeronaves ou veículos. Além disso, o STD 102 permite o

acionamento remoto de dispositivos no interior do veículo como travamento de portas,

alarmes, etc.

Segundo a empresa desenvolvedora do sistema, os dados são criptografados, o

que fornece maior segurança na transmissão das informações.

Após analisar as várias tentativas de implantação de um sistema de

geoposicionamento na PMDF, verifica-se que atualmente não há um sistema eficiente

que possa ser utilizado e que o georreferenciamento das ocorrências que permite a

criação das Zonas Quentes de Criminalidade é feito por meio de digitação posterior. O

único sistema que se encontra funcional é o do BAVOP, mas esse serve apenas para o

georreferenciamento de apenas um recurso, a aeronave da PMDF


Portanto, é de grande importância a concepção de um sistema que utilize toda

essa tecnologia, totalmente disponível, e poderá trazer tantos benefícios à comunidade.

A PMDF já tem know how em tecnologia da informação e também possui as

ferramentas de geoprocessamento necessárias, inclusive as técnicas de interpolação

adequadas para a identificação dos padrões e tendências criminais. Somente está

faltando o meio para georreferenciar as viaturas a fim de aproveitar esse conhecimento,

planejando eficientemente a alocação dos seus recursos operacionais.

Tal implantação deve partir de uma visão sistêmica e estratégica que envolve a

própria filosofia de emprego da Corporação e não apenas mais uma aquisição

tecnológica que se assim for encarada levará ao seu subemprego.


CAPITULO II

MÉTODOS

2.1 TIPO DE ESTUDO

Embora o Anexo “J” da Portaria PMDF N° 598/2008, que regula as normas para

confecção, apresentação e avaliação de Trabalho Técnico-Científico Profissional

(TTCP) para o Curso de Aperfeiçoamento de Oficias e de Altos Estudos, não

especifique claramente em seu texto, indica em seus apêndices que tal trabalho deverá

ser apresentado em forma de Monografia. Portanto, o presente estudo é um trabalho

monográfico de pesquisa e está de acordo com as normas do citado documento, além

das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) indicadas no

mesmo. (PMDF, 2008, Ap. 1/3).

Com relação ao tipo, asseveram Lakatos e Marconi (1986):

Há os que apresentam outra divisão:


a)Monografias escolares ou trabalhos de caráter didático, apresentados
ao final de um curso específico, elaborados por alunos iniciantes na
autêntica monografia, ou de “iniciação à pesquisa e como preparação de
seminários”. Também chamados trabalhos de média divulgação, porquê
baseados em dados de segunda mão.
b) Monografias científicas. Trabalhos científicos apresentados ao final do
curso de mestrado, como propósito de obter o título de mestre.
(LAKATOS e MARCONI, 1986, p.171 apud SALVADOR, 1980,
p.32)
Entretanto, ao abordar o assunto, Costa (1998) especifica melhor ao diferenciar o

tipo de estudo produzido na graduação e nos vários níveis de pós-graduação,

asseverando que:

Nos trabalhos de pós-graduação, procura-se incentivar a produção da


pesquisa científica propriamente dita. É oportuno, para melhor
elucidação do assunto, esclarecer sobre os níveis dos cursos de pós-
graduação. São dois esses níveis: lato sensu e strictu sensu.
O primeiro degrau da pós-graduação é o lato sensu, cuja a finalidade é a
especialização ou o aperfeiçoamento do educando.
...
Evidentemente, as exigências quanto à utilização da metodologia e das
técnicas de pesquisa são maiores do que as dos cursos de graduação e
bem menores, em grau de profundidade e originalidade, das do nível
stricto sensu. Os cursos de pós-graduação neste nível compreendem os
cursos de mestrado e doutorado. (COSTA, 1998, p.2)

Embora, segundo Lakatos e Marconi (1986), se trate de um trabalho de conclusão

de curso específico, este é equiparado ao nível de pós-graduação, portanto o presente

estudo terá um viés mais científico do que uma simples monografia escolar, ressaltando

que conforme Costa (1998): “é um trabalho sistemático e completo sobre um assunto

particular, usualmente pormenorizado no tratamento, mas não extenso no alcance”.

(COSTA, 1998, p.03)

Severino (2003) destaca a importância das características qualitativas do trabalho

científico:

Quaisquer que sejam as distinções que se possa fazer para caracterizar


as várias formas de trabalhos científicos, é preciso afirmar
preliminarmente que todos eles têm em comum a necessária
procedência de um trabalho de pesquisa e de reflexão que sejam
pessoais, autônomos, criativos e rigorosos. (SEVERINO, 2003, p. 145)

Ao se referir ao nível de pós-graduação, ainda complementa Severino (2003):

Estas considerações já antecipam mais uma característica do trabalho


científico, em nível de pós-graduação: ele deve cada vez mais ser
criativo. Não se trata mais de apenas aprender, de apropriar-se da
ciência acumulada, mas de colaborar no desenvolvimento da ciência,
...(ibidem)
Dessa forma, corrobora com o pensamento de Costa (1998), citado anteriormente,

de que na pós-graduação há necessidade de que o trabalho científico apresente

exigências metodológicas maiores do que as da graduação.

O presente estudo foi concebido e estruturado partindo-se de quatro fontes

básicas de informações, a saber:

a) As publicações bibliográficas e documentos sobre o GPS e o uso das

Geotecnologias em Segurança Pública;

b) A opinião dos profissionais que conhecem ou estudam tais tecnologias na

própria Corporação;

c) A opinião dos operadores do serviço de emergência em dois segmentos

distintos, da CIADE e das equipes que têm contato direto com os solicitantes usuários

do serviço;

d) Observação de como essas tecnologias estão sendo usadas em outras

Corporações e na PMDF, a fim de se ter um parâmetro válido de comparação.

Em termos gerais, a pesquisa científica, segundo Costa (1998), pode ser

classificada em exploratória, descritiva ou experimental, entretanto Santos (2002)

classifica didaticamente estudos desse nível em três tipos fundamentais, a saber:

Segundo os objetivos, segundo as fontes de dados e segundo os procedimentos de

coleta. (COSTA, 1998, p. 9; SANTOS, 2002, p.26/32).

Nessa linha de pensamento, segundo os objetivos, a pesquisas científicas

subdividem-se em exploratórias, descritivas e explicativas. Já segundo as fontes de

dados, podem ser de campo, de laboratório e de bibliografia. Por fim, quanto aos

procedimentos de coleta de dados, são subdivididas em experimental, ex-post-facto,


levantamento, estudo de caso, pesquisa-ação, documental e bibliográfica. (SANTOS,

2002, p. 26/32)

Nesse contexto, o presente estudo se encaixa na classificação, segundo os

objetivos, de pesquisa do tipo exploratória, de acordo com Santos (2002):

Explorar é tipicamente a primeira aproximação de um tema e visa criar


maior familiaridade em relação a um fato ou fenômeno. Quase sempre
se busca essa familiaridade pela prospecção de materiais que possam
informar ao pesquisador a real importância do problema, o estágio em
que se encontram as informações já disponíveis a respeito do assunto, e
até mesmo revelar ao pesquisador novas fontes de informação. Por isso
a pesquisa exploratória é quase sempre feita como levantamento
bibliográfico, entrevistas com profissionais que estudam/atuam na área,
visitas a web sites etc. (ibidem, p.27)

Quanto aos procedimentos de coleta, o presente estudo pode ser classificado

como bibliográfico e documental, uma vez que utilizou métodos de consulta bibliográfica

e também como um levantamento de dados que, segundo Santos (2002), é:

“...perguntar diretamente a um grupo de interesse a respeito dos dados que se deseja

obter”, o que foi feito por meio de aplicação de questionários e entrevistas.(ibidem, p.

30/32)

A propósito, com relação às fontes de dados, o presente estudo pode ser

classificado também como de campo, pois além das opiniões obtidas pelo levantamento

e informações obtidas por meio de pesquisa bibliográfica em fontes primárias

(documentos) e secundárias (publicações) disponíveis, procurou observar o problema in

loco.

Ainda segundo Santos (2002), “Normalmente a pesquisa de campo se faz por

observação direta, levantamento e estudo de caso”. (ibidem, p. 28)

Corroborando com a classificação dada, Lakatos e Marconi (1986), indicam para

esse tipo de estudo duas técnicas: a observação e a entrevista. Nesse caso, a


observação é classificada como direta estruturada do estágio atual de uso das

Geotecnologias no Serviço de Emergência da PMDF, aliada à observação indireta

(documental e bibliográfica), além das entrevistas. (Lakatos e Marconi, 1986, p. 176)

2.2 SELEÇÃO DOS SUJEITOS PARA O LEVANTAMENTO DE DADOS

Para verificar a importância do tema proposto, foram elencados como fontes de

dados, além das fontes bibliográficas primárias e secundárias, as opiniões das

seguintes pessoas:

a) Profissionais que estudam e/ou lidam com Geoposicionamento na PMDF;

b) Policiais Militares responsáveis pelo Serviço Operacional da PMDF;

c) Despachantes e Atendentes da CIADE;

2.2.1 Critérios de elegibilidade para o estudo

Foram considerados elegíveis para o estudo, todos os despachantes e atendentes

da CIADE e os policiais militares que trabalhem ou já tenham trabalhado no serviço

operacional da PMDF.

Foram também considerados elegíveis os profissionais da PMDF que estudam ou

trabalham com Geoprocessamento, com formação acadêmica na área, ou notório

saber, em virtude da experiência prática nesse assunto.

2.2.2 Critérios para inclusão

Os critérios para inclusão no estudo foram voluntariedade, presunção de

veracidade das informações prestadas e a autonomia dos respondentes.

2.2.3 Critérios para exclusão

O critério para exclusão foi a não voluntariedade, explicitada pela não assinatura

de instrumento próprio (Apêndice I).

2.2.4 Critérios éticos


Todos os resultados de questionários utilizados foram de participantes do estudo

que assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice I) e foi

garantida a confidencialidade das informações pessoais prestadas pelos participantes

ao pesquisador. Em relação às entrevistas, esclareceu-se que todos os dados seriam

publicados, inclusive os dados pessoais informados.

2.3 INSTRUMENTOS UTILIZADOS NO LEVANTAMENTO DE DADOS

2.3.1 Questionário sobre a importância da implantação do GPS na PMDF,

segundo a opinião dos Atendentes e Despachantes da CIADE

Composto por 16 (dezesseis) questões, assim distribuídas: (conforme Apêndice II):

a) As 4 (quatro) primeiras questões referem-se a dados pessoais dos

respondentes e têm a finalidade de traçar o perfil amostral.

b) Da quinta à décima quinta questões foram perguntados objetivamente

graus de quesitos considerados importantes, utilizando-se uma escala Likert com 4

(quatro) gradações, onde as respostas, com múltipla escolha, deveriam ser Grande,

Médio, Pequeno ou Nenhum.

c) Na décima sexta questão foi dada ao respondente oportunidade de

escrever livremente o que desejasse sobre o tema.

2.3.2 Questionário sobre a importância da implantação do GPS na PMDF,

segundo a opinião dos oficiais e praças policiais militares que trabalham ou

trabalharam no serviço operacional da PMDF

Composto por 17 (dezessete) questões, assim distribuídas: (conforme Apêndice

III):

a) As 5 (cinco) primeiras questões referem-se a dados pessoais dos

respondentes e têm a finalidade de traçar o perfil amostral.


b) Da sexta à décima sexta questões foram perguntados objetivamente graus

de quesitos considerados importantes, utilizando-se uma escala Likert com 4 (quatro)

gradações, onde as respostas, com múltipla escolha, deveriam ser Grande, Médio,

Pequeno ou Nenhum.

c) Na décima sétima questão foi dada ao respondente oportunidade de

escrever livremente o que desejasse sobre o tema.

2.3.3 Entrevista não estruturada sobre o GPS segundo a opinião de profissionais

especialistas em Geoprocessamento

Composta por uma proposição geral, a partir da qual o entrevistado discorreu

livremente sobre o assunto proposto (apêndice IV):

2.3.4 Coleta, armazenamento e análise dos dados do Levantamento

2.3.4.1 Coleta

a) As entrevistas foram aplicadas pessoalmente, com auxílio de uma câmera

filmadora e anotações e posteriormente os dados foram degravados e transcritos.

b) Os questionários foram aplicados de duas formas:

I. Pessoalmente, por meio do preenchimento e assinatura de próprio punho do

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e do formulário com as questões;

II. Por correio eletrônico tendo sido esclarecido que a resposta endereçada ao

pesquisador seria considerada como consentimento. As respostas foram gravadas em

formato de documento do Software Word, para posterior consulta.

2.3.4.2 Armazenamento

Os dados presentes nos formulários de questões e nos documentos gravados

foram digitados em planilhas eletrônicas do Software Microsoft Excel, onde ficaram

armazenados. Foi criada uma planilha no mesmo arquivo para cada categoria de
entrevistados, onde primeiramente foram transcritas as respostas, tendo nas colunas as

perguntas e uma linha para cada respondente.

Posteriormente as quantidades de respostas, conforme as gradações Likert

relacionadas no item 2.3.2 foram contabilizadas e transferidas para uma segunda

planilha, onde os dados foram consolidados e deram origem aos gráficos que serão

apresentados no próximo capitulo.

2.3.4.3 Análise dos dados

Os dados foram basicamente analisados por meio de operações simples de soma

das respostas em cada gradação e cálculo da correspondente porcentagem em relação

ao número de respondentes. Tais porcentagens indicaram a tendência de opinião de

cada categoria de respondentes.

2.4 OUTROS PROCEDIMENTOS UTILIZADOS NA PESQUISA

2.4.1 Pesquisa Bibliográfica

2.4.1.1 Critérios adotados para a seleção bibliográfica

Foram adotados os seguintes critérios para a seleção do material bibliográfico a

ser consultado:

a) Documentos autênticos, sendo fontes primárias e secundárias;

b) Entre as primárias, foram utilizadas aquelas originadas por Órgão que

detenha autoridade sobre o assunto abordado.

c) Entre as secundárias, foram aceitas aquelas em que fosse possível

identificar a fonte, o autor e o ano de publicação, tendo sido admitidos livros, teses,

dissertações, monografias, artigos científicos, artigos de periódicos (jornais e revistas

especializados ou não) desde que assinados.


d) Foram admitidas igualmente as versões impressas e eletrônicas,

entretanto as informações encontradas em sítios da Internet sem a indicação precisa da

fonte foram desprezadas.

2.4.1.2 Fichamento da bibliografia consultada

Foram utilizadas as seguintes Palavras chave no fichamento da bibliografia

consultada:

I.Geoposicionamento;

II.Geoprocessamento

III.GIS – Geographic Information System

IV.Global Positioning System;

V.Rastreamento (veicular)

VI.Serviço Emergencial Policial;

2.4.2 Webgrafia

2.4.2.1 Alertas automáticos de novas publicações

O recurso “alertas do google” do sítio da Internet Google Mail foi utilizado com as

mesmas palavras-chave elencadas no fichamento bibliográfico. Esse recurso, uma vez

acionado, emite links para o correio eletrônico do utilizador a qualquer nova publicação

na rede sobre o tema configurado no sistema. Após o recebimento diário dos links,

esses foram acessados e os artigos considerados válidos, conforme critérios

estabelecidos no item 2.4.1.1, foram adicionados à aba “Central de Favoritos” do

software Internet Explorer 8, para posterior consulta. Tal recurso permitiu a constante

atualização, com publicações sobre fatos relevantes relacionados ao tema.


2.4.2.2 Bases consultadas

Foram consultados os bancos de publicações (BP) na Internet e sítios de

armazenamento livre on-line, conforme especificado no Quadro 3:

Nome do Tipo Necessidade de


Banco de Publicações Sítio de disponibilidade Conta e Log in

Emule Free Software (programa computacional livre) não


Google livros Banco de livros eletrônicos (e-books) não
http://books.google.com.br/bkshp?tab=mp
Google Acadêmico Banco de Publicações Acadêmicas não
http://scholar.google.com.br/schhp?hl=pt-BR
Scribd Sítio de Armazenamento livre sim
http://www.scribd.com/
Universia Banco de Publicações Acadêmicas sim
http://www.universia.com.br/
4Shared Sítio de Armazenamento livre sim
http://www.4shared.com/
Quadro 3 – Fontes de Publicações na Internet consultadas pelo autor
Fonte: (Elaboração do autor)

Também foi consultada a Biblioteca Digital do INPE37, disponível em

http://bibdigital.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/bibdigital@80/2009/12.03.17.50/doc/list-2010-

04-04.html, onde foram localizadas várias publicações acadêmicas que foram utilizadas

como fonte de consulta.

b) b) Sítios de busca na Internet – Foi consultado o sítio de busca na Internet

Google com as palavras-chave citadas e todo o material encontrado considerado válido,

conforme critérios estabelecidos no item 2.4.1.1 foi pesquisado e posteriormente

armazenado.

37
INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
2.4.3 Biblioteca virtual

Todas as publicações existentes nos bancos de publicações on line ou sítios da

Internet que atendiam aos critérios citados foram “baixadas” e organizadas em uma

pasta específica do Programa Microsoft Windows chamada de Referências pelo

pesquisador, criando-se assim uma biblioteca virtual contendo todo o material eletrônico

colecionado, por categorias em sub-pastas nas seguintes quantidades:

I. Apostilas – 04;

II. Apresentações – 02;

III. Artigos Científicos – 11;

IV. Artigos de Periódicos - 64;

V. Dissertações - 8;

VI. Documentos - 8;

VII. Imagens - 26

VIII. Livros - 11;

IX. Monografias - 13;

X. Tese - 1;

Todo esse material, além dos outros exemplares impressos encontrados em

Bibliotecas formaram a base para a pesquisa bibliográfica.

Após o material catalogado, utilizou-se o recurso “pesquisar” do aplicativo

Windows Explorer, selecionando-se a pasta Referências, para identificar os assuntos

específicos relacionados com as palavras chave e/ou outras encontradas no decorrer

da pesquisa.
2.5 PESQUISA DE CAMPO

Na pesquisa de campo, foram realizadas visitas à CIADE, DITEC/SESP/DF e

UPMs que possuem viaturas com os Terminais Remotos Embarcados do Sistema

Móvel de Gerenciamento de Ocorrências, citados no item 1.4.3.3 do Referencial

Teórico.

Nessas visitas procurou-se conversar informalmente com as pessoas que

trabalham diretamente relacionadas ao assunto estudado, em um misto de pesquisa de

campo e levantamento. Embora as informações colhidas informalmente não tenham

sido oficialmente registradas, foram de grande valia para a realização do presente

estudo, pois auxiliaram na descoberta de novas palavras chave e de novos assuntos a

serem pesquisadas. Alguns desses assuntos foram utilizados para a formulação de

questões feitas nas entrevistas.

Nas visitas foram registradas por meio de máquina fotográfica digital as imagens

de interesse do presente estudo, as quais foram armazenadas juntamente com as

imagens catalogadas por ocasião da pesquisa bibliográfica, a fim de que fossem

juntadas ao texto final da monografia para ilustrar melhor e tornar o assunto mais

atrativo.
CAPITULO III

APRESENTAÇÃO DOS DADOS COLHIDOS NO LEVANTAMENTO

Este capítulo destina-se à apresentação dos resultados colhidos durante o

levantamento de dados e divide-se em:

a) Apresentação dos dados colhidos nos questionários aplicados aos

profissionais da CIADE, entre despachantes e atendentes.

b) Apresentação dos dados colhidos nos questionários aplicados aos

policiais militares que desempenham ou desempenharam o serviço operacional da

PMDF, entre oficiais e praças.

c) Apresentação dos dados colhidos nas entrevistas aos policiais militares

que detêm conhecimento ou trabalham na área de Geoprocessamento.

3.1 QUESTIONÁRIO DE OPINIÃO DOS PROFISSIONAIS DA CIADE.

Apresentação e análise dos resultados aferidos nos questionários de opinião

aplicados aos profissionais que operam o serviço de Emergência da PMDF, junto à

CIADE.

3.1.1 Perfil Amostral dos Tele Atendentes Emergenciais

Este questionário foi aplicado tanto aos atendentes emergenciais quanto aos

despachantes da CIADE, porém tendo em vista às grandes disparidades entre os perfis


amostrais de ambos, as respostas serão apresentadas em separado, devido ao fato de

pertencerem a categorias profissionais diferentes, sendo os atendentes civis

contratados por uma empresa terceirizada e os despachantes funcionários públicos

policiais militares.

Os perfis amostrais foram analisados segundo a idade, tempo de serviço em geral

e especificamente na função que tem correlação com o presente estudo e o grau de

escolaridade dos respondentes.

Com relação ao número de respondentes, este foi de 68 para os atendentes

emergenciais, de um total de 120, o que equivale a 56,66% dos indivíduos que

executam essa função.

A média etária dos respondentes foi calculada somando-se as idades inteiras e

dividindo-se pelo número de respostas (desprezando-se as casas decimais) o que

permitiu apurar-se ser de 28 anos para essa categoria, sendo a máxima de 48 e a

mínima de 18 anos.

O tempo de serviço em geral (medido em meses devido ao baixo número) apurou-

se ser de 17, sendo o máximo de 96 meses e o mínimo de 1 mês. Ressalta-se que esse

fenômeno pode ser provocado pela grande heterogeneidade de tempos verificada pelo

fato de 25 (36,76 %) dos respondentes terem menos de 12 meses de serviço, o que

permite inferir que seja o primeiro emprego.

Tendo em vista que essa função passou a ser exercida por civis apenas a partir de

julho de 2008, o tempo de exercício específico demonstra o fenômeno da alta

rotatividade, tendo sido apurada a média de 15, sendo o máximo de 24 e o mínimo de 1

mês, apresentando o mesmo percentual com menos de 12 meses na função,

comparando-se com o tempo de serviço em geral.


Com relação ao grau de escolaridade, os dados são apresentados no gráfico 1.

Escolaridade - Tele Atendentes Emergenciais


Pós-
Graduação
1% Não informou
Superior
1%
19% Médio
Superior
Pós-Graduação
Não informou
Médio
79%

Gráfico 1 – Nível de Escolaridade dos Atendentes Emergenciais

Observa-se o predomínio do nível de ensino médio com 79% dos respondentes.

Esse nível de escolarização é o exigido para empresas terceirizadas nesse tipo de

atividade (tele-marketing). Destacam-se ainda os 19% com o nível superior e apenas

1% com pós-graduação.

3.1.2 Perfil Amostral dos Despachantes

O número de respondentes foi de 28 para os despachantes, de um total de 60, o

que equivale a 46,66% dos indivíduos que executam essa função.

A média etária dos respondentes é de 41 anos para essa categoria, sendo a

máxima de 47 e a mínima de 29 anos.

O tempo de serviço em geral é de 19 anos, sendo o máximo de 27 e o mínimo de

7 anos.

A média apurada no exercício da função de Despachante foi de 7 anos, sendo o

máximo de 17 anos e o mínimo de 1 mês.

Com relação ao grau de escolaridade, os dados são apresentados no gráfico 2.


Escolaridade - Despachantes

Pós-
Graduação
7%
Médio
39%
Médio

Superior
Superior
Pós-Graduação
54%

Gráfico 2 – Nível de escolaridade dos Despachantes

Observa-se o predomínio do nível superior, com 54 %, 39 % para o nível médio e

7% para nível de pós-graduação, o que reflete melhoria no perfil da PMDF.

3.1.3 Análise das questões

Para a análise das questões, os gráficos com os resultados de despachantes e

atendentes serão apresentados lado a lado, a fim de que se possa comparar os

resultados.

3.1.3.1 Na sua opinião, qual é o grau de conhecimento que possui sobre as

áreas de onde partem a maioria das ocorrências que recebe:

Questão 5 - Despachantes Questão 5 - Tele Atendentes Emergenciais

Pequeno
14%
Pequeno Grande
Grande 9% 27%
Grande
Médio
Médio
Médio Pequeno
36% Pequeno
Grande Médio
50% 64%

Gráfico 3 – Questão 5 respondida por despachantes Gráfico 4 – Questão 5 respondida por atendentes
Observa-se que os despachantes conhecem bem melhor as áreas do que os

atendentes e isso pode ser explicado pela enorme diferença entre os tempos de idade e

de serviço de ambos aliados às experiências que isso agrega.

Ressalta-se que 1% das ocorrências atendidas no DF no 3º trimestre de 2009,

segundo a SESP/DF (2009), ou 640 deslocamentos foram registrados como endereço

inexistente. Esse número, apesar de estatisticamente baixo, mostra deficiências

relacionadas ao conhecimento que os profissionais que operam o serviço de

emergência têm sobre essas áreas e nas ferramentas que possuem para localizar os

endereços.

3.1.3.2 Na sua opinião, instruções sobre essas áreas com utilização de

mapas com georreferências teriam que grau de efetividade?

Questão 6 - Despachantes Questão 6 - Tele Atendentes Emergenciais

NR Nenhum NR
4% Pequeno 1% 4%
Médio 4%
14% Grande
Grande
Médio
Médio Pequeno
Médio Grande
Nenhum
NR 33% 58%
NR
Grande
82%

Gráfico 5 – Questão 6 respondida por despachantes Gráfico 6 – Questão 6 respondida por atendentes

Nessa questão ambos demonstraram seu interesse por ferramentas de

georreferenciamento, com forte predomínio para o grande grau de efetividade,

demonstrando que o georreferenciamento das ocorrências é uma necessidade.


3.1.3.3 Na sua opinião, qual é o grau de importância do fator “rapidez no

atendimento” para o sucesso de uma Ocorrência Policial?

Questão 7 - Despachantes Questão 7 - Tele Atendentes Emergenciais


Médio Pequeno Nenhum
Médio 15% 1% 1%
7%
Grande Grande
Médio
Médio
Pequeno
Nenhum

Grande Grande
93% 83%

Gráfico 7 – Questão 7 respondida por despachantes Gráfico 8 – Questão 7 respondida por atendentes

Esta questão deve ser analisada em conjunto com a próxima questão e com a

questão 12 que será apresentada em seguida para facilitar a correlação.

3.1.3.4 Na sua opinião, qual é a importância da ciência da localização exata

das viaturas em tempo real por parte da CIADE na qualidade do serviço?

Questão 8 - Despachantes Questão 8 - Tele Atendentes Emergenciais

Pequeno NR
11% Pequeno 4%
Médio
Grande Médio 3% Grande
7% 27%
Médio
Médio
Pequeno
Pequeno NR
Grande Grande
82% 66%

Gráfico 9 – Questão 8 respondida por despachantes Gráfico 10 – Questão 8 respondida por atendentes
A ciência exata da localização das viaturas em tempo real por parte da CIADE

aumentaria sobremaneira a rapidez no atendimento, uma vez que isso permite que o

despachante acione o prefixo que está mais próximo ao local da ocorrência.

3.1.3.5 Na sua opinião, qual é o grau de rapidez que o GPS fornece para

ações de Segurança Pública?

Questão 12 - Despachantes Questão 12 - Tele Atendentes Emergenciais

Nenhum NR NR
7% 7% 4%
Pequeno
Pequeno 4% Grande
Grande
4% Médio Médio
30% Médio
Pequeno
Nenhum Pequeno
Médio Grande
NR NR
21% 62%
Grande
61%

Gráfico 11 – Questão 12 respondida por despachantes Gráfico 12 – Questão 12 respondida por atendentes

Nos gráficos referentes às questões 8 e 12, verifica-se a grande importância dada

à rapidez no atendimento como fator de sucesso de uma ocorrência e a grande rapidez

que o GPS oferece em ações de S P. Evidencia-se que o fator rapidez é senso comum

e que o GPS pode fornecer a rapidez que o sucesso das ocorrências necessita.

3.1.3.6 Na sua opinião, qual é a importância das tecnologias instaladas em

viaturas para o sucesso de uma ocorrência policial?

Questão 9 - Despachantes Questão 9 - Tele Atendentes Emergenciais


Nenhum
4% NR
Pequeno
Pequeno 3%
7%
7% Grande Médio Grande
Médio
11% 15%
Médio Médio
Pequeno Pequeno
Nenhum NR
Grande Grande
78% 75%

Gráfico 13 – Questão 9 respondida por despachantes Gráfico 14 – Questão 9 respondida por atendentes
Pode-se verificar nessas duas questões uma grande similaridade estatística

exatamente nos resultados mais relevantes, indicando que o assunto é um senso

comum, pois mesmo com perfis amostrais distintos, observa-se resultados muito

semelhantes.

O GPS permite planejar melhor as rotas percorridas com base em estatísticas

criminais georreferenciadas (hot spots), permanecendo em patrulhamento nas

proximidades dos pontos e diminuindo o tempo de deslocamento após o acionamento.

3.1.3.7 Qual é seu grau de conhecimento sobre o GPS?

Questão 10 - Despachantes Questão 10 - Tele Atendentes Emergenciais

Nenhum Grande Nenhum NR Grande


14% 14% 10% 1% 6%
Grande Grande
Médio Médio
Pequeno
Médio Pequeno Pequeno Nenhum
Pequeno 32% Nenhum 33% NR
40% Médio
50%

Gráfico 15 – Questão 10 respondida por despachantes Gráfico 16 – Questão 10 respondida por atendentes

As questões 10 e 11 devem ser analisadas em conjunto, pois ambas se referem

ao grau de familiaridade que os profissionais tem com o GPS.

3.1.3.8 Já teve contato com o GPS?

Questão 11 - Despachantes Questão 11 - Tele Atendentes Emergenciais


Nenhum Grande
14% NR Grande
25%
4% 4% Médio
Grande
22%
Médio Grande
Nenhum Médio
Médio Pequeno 41% Pequeno
21%
Nenhum Nenhum
NR
Pequeno
Pequeno
40%
29%

Gráfico 17 – Questão 11 respondida por despachantes Gráfico 18 – Questão 11 respondida por atendentes
Na questão 11, os índices das respostas “nenhum” e “pequeno” somados

apresentam 65% e 70% respectivamente no resultado de despachantes e atendentes, o

que aliado a índice semelhante no resultado de atendentes na questão anterior indica a

necessidade de treinamento sobre utilização do equipamento, se vier a ser implantado.

3.1.3.9 Na sua opinião, a inclusão de mais um campo com as coordenadas

GPS na tela do SGO acarretaria em uma tarefa de qual grau de dificuldade?

Questão 13 - Despachantes Questão 13 - Tele Atentendentes Emergenciais


NR
Nenhum Grande
4%
14% Grande Nenhum 13%
32% 26%
Grande Grande
Médio Médio
Pequeno Pequeno
Pequeno Nenhum Nenhum
25% NR Médio NR
35%
Médio
Pequeno
29%
22%
Gráfico 19 – Questão 13 respondida por despachantes Gráfico 20 – Questão 13 respondida por atendentes

A inclusão de mais um campo com as coordenadas geográficas fornecidas pelo

GPS na tela do SGO seria uma tarefa para o setor de desenvolvimento de sistemas de

Tecnologia de Informação da SESP/DF, porém pode ser feita de forma automática

(recomendável) ou por meio de consulta a um banco de dados no momento do

atendimento. Nesse sentido, geraria uma tarefa, a qual poderia acrescentar graus de

dificuldades diferentes na opinião dos despachantes e atendentes. Desprezando-se as

não respostas (NR) e somando-se os graus “pequeno” e “nenhum” tem-se 48%, o

mesmo percentual da soma entre os graus “médio” e “grande”, na opinião dos

atendentes contra os respectivos 39% e 61% na Opinião dos despachantes.


3.1.3.10 Na sua opinião, o aumento no controle da CIADE sobre as viaturas

com utilização do GPS seria:

Questão 14 - Despachantes Questão 14 - Tele Atendentes Emergenciais


Pequeno
Pequeno Nenhum NR
1%
4% 4% 1%
Médio
Médio 22% Grande
18% Grande
Médio Médio
Pequeno Pequeno
Nenhum NR
Grande Grande
74% 76%

Gráfico 21 – Questão 14 respondida por despachantes Gráfico 22 – Questão 14 respondida por atendentes

Novamente uma resposta se apresenta quase como um senso comum,

evidenciado pelos 74% e 76% respectivamente nas opiniões das duas categorias

consultadas, apresentando grande similaridade estatística no resultado no resultado

mais relevante. Isso demonstra de forma inequívoca mais uma utilidade do GPS para o

Serviço de Emergência da PMDF, que é o aumento do controle sobre as viaturas.

3.1.3.11 Qual seria o seu grau de satisfação com a instalação de um sistema

de localização por GPS nas viaturas da PMDF?

Questão 15 - Despachantes Questão 15 - Tele Atendentes Emergenciais


Nenhum
4% Médio
Pequeno NR
22%
7% 3%
Médio Grande Grande
14%
Médio
Médio
Pequeno
Nenhum Pequeno
Grande
75% Grande
75%

Gráfico 23 – Questão 15 respondida por despachantes Gráfico 24 – Questão 15 respondida por atendentes
Esta questão, além das questões relacionadas ao exercício das funções

correlacionadas com o presente estudo, mostra algo que vai além da intenção do

pesquisador, haja vista que se refere à satisfação, o que tem uma conotação

eminentemente pessoal. Efetivamente, todos somos cidadãos e convivemos na mesma

sociedade que tentamos proteger, portanto estamos sujeitos às mesmas vicissitudes. A

resposta, muito similar à da questão anterior, mostra inequivocamente o grande grau de

satisfação que a possível implantação de um sistema como o proposto pelo presente

estudo provocaria nos profissionais que operam os Serviço de Emergência da PMDF.

3.1.3.12 Escreva o que pensa sobre o tema, mas não foi perguntado:

As respostas a esta questão subjetiva corroboraram com os resultados estatísticos

das questões anteriores e são apresentados no apêndice V, o qual é um copy desk, ou

transcrição literal das respostas escritas nos questionários.

3.2 QUESTIONÁRIO DE OPINIÃO DOS POLICIAIS MILITARES

Apresentação e análise dos resultados aferidos nos questionários de opinião

aplicados aos profissionais que operam o serviço de Emergência da PMDF, diretamente

em contato com os solicitantes usuários do serviço.

3.2.1 Perfil amostral dos oficiais policiais militares

Este questionário foi aplicado tanto aos oficiais quanto às praças da PMDF, mas

tendo devido às diferenças nos perfis amostrais, os mesmos serão apresentados em

separado, embora as respostas sejam apresentadas consolidadas, devido ao fato de

pertencerem à mesma categoria profissional, funcionários públicos policiais militares e

as perguntas referirem-se à mesma atividade fim.

Igualmente aos profissionais da CIADE, os perfis amostrais foram analisados

segundo a idade, tempo de serviço em geral e especificamente na função que tem


correlação com o presente estudo, o grau de escolaridade dos respondentes e onde

trabalha atualmente.

Com relação ao número de respondentes, este foi de 61 oficiais do QOPM38 e 9

Oficiais do QOPMA39, totalizando 70 oficiais, entre postos de Capitão e Tenente, de um

total de 618, segundo o Almanaque de Oficiais publicado na intranet pela PMDF, o que

equivale a uma amostra de 11,32% (n = 70).

A média etária dos respondentes foi calculada somando-se as idades inteiras e

dividindo-se pelo número de respostas (desprezando-se as casas decimais) o que

permitiu apurar-se ser de 37 anos para essa categoria, sendo a máxima de 52 e a

mínima de 24 anos (n = 70).

O tempo de serviço é de 17 anos, sendo o máximo de 30 e o mínimo de 5 anos.

O tempo de exercício específico no serviço operacional da PMDF apresentou a

média de 12 anos, sendo o máximo de 28 e o mínimo de 1 ano (n = 70).

Com relação ao grau de escolaridade, os dados são apresentados no gráfico 25.

Escolaridade - oficiais
Médio
6%
Pós-Graduação
34%

Superior
60%

Médio Superior Pós-Graduação


Gráfico 25 – Nível de escolaridade dos oficiais respondentes

38
QOPM – Quadro de Oficiais Policiais Militares
39
QOPMA – Quadro de Oficiais Policiais Militares da Administração
Observa-se o predomínio do nível de ensino superior com 60% dos respondentes.

Destacam-se os 34% com o nível de pós-graduação (n = 70).

Em relação aos locais em que trabalham atualmente, esses foram classificados

em Unidades Operacionais, Especializadas, Administrativas, de Ensino e ainda aqueles

que estejam requisitados a algum outro órgão fora da PMDF, conforme o gráfico 26,

apresentando boa estratificação da amostra.

UPM em que trabalham - oficiais

Admnistração
23% Operacional
34%

Requisitados
7%
Ensino Especializada
23% 13%

Operacional Especializada Ensino Requisitados Admnistração

Gráfico 26 – Unidades em que trabalham os oficiais respondentes

3.2.2 Perfil amostral das praças policiais militares

O número de respondentes foi de 90 para os profissionais do Quadro de Praças

Policiais Militares Combatentes (QPPMC), de um total de 13.100, de acordo com o

Almanaque de Praças publicado pela PMDF, o que equivale a 0,68% dos policiais

militares dessa categoria (n = 90).

A média etária dos respondentes é de 41 anos para essa categoria, sendo a

máxima de 52 e a mínima de 27 anos (n = 90). A média do tempo de serviço é de 20

anos, sendo o máximo de 32 e o mínimo de 7 anos (n = 90).


Perguntado por quanto trabalha ou trabalhou no serviço operacional da PMDF, a

média apurada foi de 11 anos, sendo o máximo de 28 e o mínimo de 1 ano (n = 90).

Com relação ao grau de escolaridade, os dados são apresentados no gráfico 27.

Escolaridade - praças
NR Médio
Pós-Graduação 2% 31%
11%

Superior
56%

Médio Superior Pós-Graduação NR


Gráfico 27 – Nível de escolaridade das praças policiais militares respondentes

Observa-se o predomínio do nível superior, com 56 %, 31 % para o nível médio e

11% para nível de pós-graduação (n = 90).

Em relação aos locais em que trabalham atualmente, foi repetiu-se a mesma

classificação utilizada no perfil dos oficiais. Os resultados são apresentados no gráfico

28 e refletem uma boa estratificação da amostra.

UPM em que trabalham - praças


Admnistração
29%
NR
7%
Operacional
35%

Requisitados
Especializada
4%
Ensino 22%
3%

Operacional Especializada Ensino Requisitados Admnistração NR

Gráfico 28 – Unidades em que trabalham as praças policiais militares respondentes


3.2.3 Análise das questões

3.2.3.1 Na sua opinião, qual o impacto do fator “qualidade das comunicações”

no sucesso de uma Ocorrência Policial?

Questão 6 - oficiais e praças

Pequeno
NR
Médio 1%
1%
6%

Grande
92%

Grande Médio Pequeno Nenhum NR

Gráfico 29 – Questão 6 respondida pelos policiais militares sobre o serviço operacional

Observa-se o senso comum em relação à importância das comunicações para o

sucesso de uma ocorrência policial com a maioria absoluta ou 92% atribuindo grande

grau de importância contra 6% médio e apenas 1% pequeno (n = 160).

3.2.3.2 Na sua opinião qual é o grau da qualidade das comunicações da PMDF?

Questão 7 - oficiais e praças


NR Grande
Nenhum 1% 4%
1%

Pequeno Médio
51% 43%

Grande Médio Pequeno Nenhum NR

Gráfico 30 – Questão 7 respondida pelos policiais militares sobre o serviço operacional


Em contrapartida a maioria considera a o grau de qualidade das comunicações

pequeno com 51% das respostas, contra 43% médio, apenas 4% consideram grande e

1% atribui nenhum grau de qualidade. Diante desse quadro, com 92% considerando

muito importante a qualidade e a 94% (n = 160) considerando essa qualidade na PMDF

como média ou pequena, conclui-se que além do georreferenciamento das ocorrências,

outros quesitos precisam ser melhorados para melhorar a efetividade do serviço de

emergência da PMDF.

3.2.3.3 Na sua opinião qual é o grau de importância do fator “rapidez no

atendimento” para o sucesso de uma ocorrência policial?

Questão 8 - oficiais e praças

Médio Pequeno
6% 2%

Grande
92%

Grande Médio Pequeno

Gráfico 31 – Questão 8 respondida pelos policiais militares sobre o serviço operacional

Observa-se nessa questão, similarmente ao que foi apresentado em relação aos

despachantes da CIADE, atribuição de grande grau de importância ao fator “rapidez”

para o sucesso de uma ocorrência policial com 92% das respostas (n = 160), número

muito próximo aos 93% apresentado naquela categoria. Apenas 6% consideram médio

e 2% consideram pequeno (n = 160)


3.2.3.4 Na sua opinião, qual é o grau de rapidez que o GPS fornece para ações

de Segurança Pública?

Questão 13 - oficiais e praças


NR
Nenhum 3%
Pequeno
1%
2%

Médio
22%

Grande
72%
Grande Médio Pequeno Nenhum NR

Gráfico 32 – Questão 13 respondida pelos policiais militares sobre o serviço operacional

Da mesma forma que foi feito no questionário anterior, a questão referente ao grau

de rapidez que o GPS fornece para ações de segurança pública é apresentada fora da

ordem para facilitar a correlação com a questão referente à importância do fator

rapidez. O resultado aqui foi superior e no mesmo sentido da outra categoria,

apresentando 72% de atribuições de grande grau de rapidez, corroborando com a

possibilidade de se aumentar a rapidez que o serviço emergencial necessita com a

utilização do GPS. Na outra extremidade, apenas 2% consideram pequeno e 1%

considera nenhum. (n + 160).

Essa é uma questão muito importante quando se pretende implantar um novo

sistema: Ouvir a opinião dos usuários, que nesse caso foi confirmada como de

aprovação. Essa pesquisa teve baixa significância amostral para a categoria praças,

devido, entre outros fatores, ao curto espaço de tempo para a realização, mas ao se

decidir pela implantação deve-se repetir a pesquisa por um período maior, a fim de ter

maior representatividade da opinião dos que mais se beneficiarão.


3.2.3.5 Na sua opinião, qual é a importância das tecnologias instaladas em

viaturas para o sucesso de uma Ocorrência Policial?

Questão 9 - oficiais e praças

Pequeno Nenhum
Médio 8% 1%
9%

Grande
82%

Grande Médio Pequeno Nenhum NR

Gráfico 33 – Questão 9 respondida pelos policiais militares sobre o serviço operacional

Confirmando o que foi apresentado no questionário anterior, observa-se atribuição

de grande importância às tecnologias embarcadas para o sucesso das ocorrências

policiais, com 82% contra 18% ao se somar todas as outras opções, confirmando o

senso comum anteriormente apresentado (n= 160).

3.2.3.6 Na sua opinião, qual é a possibilidade de equipamentos tecnológicos

instalados em viaturas policiais apresentarem mal funcionamento?

Questão 10 - oficiais e praças


NR
Pequeno 1%
18% Grande
31%

Médio
50%

Grande Médio Pequeno Nenhum NR

Gráfico 34 – Questão 10 respondida pelos policiais militares sobre o serviço operacional


Essa questão evidencia a necessidade da correta especificação dos equipamentos

instalados em viaturas policiais, os quais necessitam estar enquadrados em requisitos

básicos de robustez e ergonomia compatíveis com o alto grau de desgaste provocado

pelo uso contínuo desse material.

3.2.3.7 Qual é seu grau de conhecimento sobre o GPS?

Questão 11 - oficiais e praças


NR
Nenhum Grande
2%
9% 11%

Pequeno
32%
Médio
46%

Grande Médio Pequeno Nenhum NR

Gráfico 35 – Questão 11 respondida pelos policiais militares sobre o serviço operacional

3.2.3.8 Já teve contato com o GPS?

Questão 12 - oficiais e praças

Grande
Nenhum NR 17%
25% 3%

Médio
Pequeno 32%
23%

Grande Médio Pequeno Nenhum NR

Gráfico 36 – Questão 12 respondida pelos policiais militares sobre o serviço operacional


As duas questões acima devem ser analisadas em conjunto, pois 48% informaram

que tiveram pequeno ou nenhum contato com o GPS e 41% admitem que o seu grau

de conhecimento sobre o GPS é pequeno ou nenhum reforçando a necessidade de

treinamento sobre as Geotecnologias, como apontado anteriormente (n = 160).

Muitos respondentes, nas respostas às questões subjetivas expressaram a

necessidade de treinamento e qualificação adequados, o que se observa ser de

fundamental importância, haja vista que em uma tentativa anterior de implantação de

Terminais Remotos Embarcados na PMDF a ausência de divulgação e treinamento

foram apontados como exemplos de problemas técnicos que atrasaram ou

inviabilizaram a referida implantação.

3.2.3.9 Na sua opinião, qual seria o grau de dificuldade em operar um aparelho

GPS?

Questão 14 - oficiais e praças

NR
1% Grande
4%
Nenhum
30% Médio
34%

Pequeno
31%
Grande Médio Pequeno Nenhum NR

Gráfico 37 – Questão 14 respondida pelos policiais militares sobre o serviço operacional

Embora a maioria tenha informado ter tido pouco conhecimento ou contato com o

GPS, 61% consideram o grau de dificuldade em operá-lo como pequeno ou nenhum,

mostrando que os profissionais consultados não têm barreiras ou resistências em

relação a esse equipamento (n = 160).


3.2.3.10 Na sua opinião, qual seria o aumento no controle da CIADE sobre as

viaturas com o GPS?

Questão 15 - oficiais e praças


Nenhum NR
1% 1%
Pequeno
2%

Médio
12%

Grande
84%

Grande Médio Pequeno Nenhum NR

Gráfico 38 – Questão 15 respondida pelos policiais militares sobre o serviço operacional

As respostas a essa questão evidenciam que os policiais militares estão cientes de

que o haveria aumento do controle da CIADE sobre as viaturas, com 84% das

respostas atribuindo grande aumento de controle. O senso comum se deve ao fato de

que com a localização exata da viatura em tempo real os despachantes da CIADE não

necessitarão a todo o momento solicitar-lhes sua posição para verificar a mais próxima

de uma ocorrência, ou deixar de passar uma ocorrência porque não localizou a viatura.

3.2.3.11 Qual seria o seu grau de satisfação com a instalação de um sistema de

localização por GPS nas viaturas da PMDF?

Questão 16 - oficiais e praças

Nenhum NR
Pequeno 2% 2%
6%
Médio
21%

Grande
69%

Grande Médio Pequeno Nenhum NR

Gráfico 39 – Questão 16 respondida pelos policiais militares sobre o serviço operacional


Com 69% das respondentes atribuindo grande grau de satisfação com a instalação

do GPS, confirma-se o que foi apresentado em relação aos profissionais da CIADE,

contra 21% para médio e apenas 8% se somados pequeno e nenhum, corroborando

com a idéia de que o sistema seria bem vindo para os policiais militares que atendem

as ocorrências do serviço de emergência da PMDF.

3.2.3.12 Escreva o que pensa sobre o tema, mas não foi perguntado:

É apresentada no apêndice V, transcrição literal das respostas a essa questão.

3.3 Entrevistas com especialistas em Geoprocessamento da PMDF

Nesta etapa do levantamento de dados, foram realizadas entrevistas não

estruturadas com três profissionais da PMDF que possuem conhecimentos e/ou

trabalham na seara do Geoprocessamento. As entrevistas foram gravadas e

posteriormente degravadas com alguns cortes, tendo sido transcritas literalmente, de

forma que as opiniões e pontos de vista apresentados pertencem aos entrevistados e

serão analisados posteriormente.

3.3.1 Entrevistado nº 1 - Coronel Jaílson Ferreira Braz

O primeiro entrevistado, Coronel Jaílson, exerce a função de Diretor de Avaliação,

Fiscalização e Análise da Secretaria de Estado de Segurança Pública, a qual tem em

sua subordinação direta a Gerência de Análise de Fenômenos de Segurança Pública

que, por sua vez, coordena o Núcleo de Geoprocessamento daquela Secretaria.

O entrevistado está na PMDF há 25 anos e na SESP/DF há 11 anos, tendo

exercido várias funções dentro das áreas de estatística, análise criminal, licitações e

contratos, entre outras.


A formação acadêmica do entrevistado inclui Bacharelado em Direito e Educação

Física, Especialização em Dinâmica de Sistemas Aplicada a Negócios e Pós Graduação

lato sensu em Política Criminal, Penitenciária e Segurança Pública.

O entrevistado lida com Geoprocessamento desde o ano de 2002, quando publicou

sua monografia de conclusão de pós-graduação lato sensu, intitulada “Os sistemas de

Informações Geográficas como Instrumentos de Gestão”.

Desenvolveu vários trabalhos de análise criminal na SESP/DF, trabalhando com

ferramentas GIS e dirige o órgão que coordena na SESP/DF a publicação trimestral do

Relatório das Atividades Operacionais desenvolvidas pela PMDF, o qual possui análises

espaço-temporais dos fenômenos criminais no DF.

Segundo o entrevistado, a Polícia Militar possui know how e parte da tecnologia

necessárias para o Georreferenciamento de suas ocorrências e recursos operacionais,

de maneira crescente para conquistar seu objetivo final, que no seu ponto de vista não

seria apenas visualizar o crime, enquanto evento para ser atendido de forma

emergencial, mas focar-se em ações na esfera preventiva, que é o seu mister.

Para que a PMDF possa se focar em prevenção, precisa conhecer o que já

aconteceu e o que está acontecendo para poder alocar melhor os seus recursos. Para

isso, necessitaria ter recursos operacionais que não sejam aqueles que a CIADE e a

SESP/DF, de uma forma geral, gerenciam. Então, a PMDF precisa ter outros recursos

que pudesse mobilizar e flexibilizar no terreno para poder cumprir bem o seu papel, de

garantir essa condição de segurança à comunidade.

Pode-se raciocinar essas outras viaturas apenas para a prevenção focadas nos

postos comunitários de segurança, que agregariam esses recursos, sendo o contato

diário com a comunidade, buscando garantir e efetivar essa sensação de segurança


pela proximidade da polícia com a comunidade. Os policiais a pé, que até hoje não são

observados em nenhum Sistema de Informação Geográfica, a Polícia necessitaria

visualizar esses policiais, para que dessa forma os gestores desses recursos, não

importando sejam comandantes de Pelotão, de Companhia ou de Batalhão, possam

gerir melhor os seus recursos, flexibilizando-os no terreno de acordo com as demandas,

pois o crime é dinâmico e sempre vai ocorrer e quando começar a ser combatido de um

lado, vai migrar para outra modalidade ou outro local.

A visualização dos nossos policiais a pé e de nossos recursos operacionais

embarcados de duas ou quatro rodas vai possibilitar à polícia verificar em que momento

estaria não cumprindo efetivamente o seu papel de prevenção.

Em que momento o delito ocorre? Antes da chegada do policial, durante o

policiamento ou depois que esses recursos saem do local? Conhecendo esse momento,

poderá interferir no processo empregando adequadamente seus recursos, inclusive

redistribuindo-o no terreno.

Existem várias ferramentas que possibilitam isso, como o “Arc GIS”, o “Geo Mídia”,

softwares livres, como o “Três Geo”, o qual o Ministério da Justiça tem incentivado o seu

uso, ou mesmo um outro software livre como no caso do “Terra Crime” , “Terra View”,

todos disponíveis no mercado, todos eles são ferramentas que possibilitam a

visualização de informações mas não traduzem nada, tão somente vão permitir a quem

está por trás ter conhecimento para tomar decisões mais embasadas.

Para tanto é necessário desenvolver algo que quando se fala em

Geoprocessamento, tem que estar sempre em mente: O raciocínio visual, pois a imagem

vale mais que mil palavras. Entretanto, tenho que saber o que colocar nessa imagem e

de que forma analisar os fenômenos específicos que me interessam, porque no dia a dia
nós temos vários delitos que ocorrem em um determinado espaço geográfico.

Sabidamente, o crime está concentrado nos grandes centros urbanos. Quais delitos

queremos coibir? Como ele ocorre naquele local? Só se pode saber como ele ocorre

dinamicamente no ambiente, conhecendo o ambiente e ninguém melhor para conhecer

o ambiente do que aquele que trabalha no ambiente, o policial militar de rua.

Para isso, precisamos prover conhecimentos de análise criminal e dinâmica de

fenômenos criminais espacialmente distribuídos aos nossos policiais, para que eles

raciocinem como o infrator. É preciso raciocinar como o infrator, para tentar prever suas

atitudes. Exceto os crimes ocasionais, quando o criminoso encontra um carro aberto

com a chave na ignição (esse nós nunca vamos conseguir coibir), todos os outros são

estudados e têm sua dinâmica conhecida.

Nós temos o triângulo do crime, onde há o infrator motivado, o objeto do desejo ou

a vítima e a ausência do guardião. O infrator raciocina com relação ao custo benefício,

então ele procurará os locais onde há mais bens materiais em circulação e menos

policiamento para coibir as ações criminais. Dessa forma, se nós sabemos onde o crime

ocorre, basta sabermos onde o policial está para informar e colocá-lo na cena,

quebrando assim o triângulo.

As ferramentas existem e estão disponíveis, mas temos que saber como utilizá-las

de maneira correta. É uma questão de filosofia de emprego. Queremos agir

preventivamente nos locais onde já sabemos que a maioria dos crimes ocorre, ou

desejamos aguardar que o crime ocorra, para chegar até o criminoso o mais rápido

possível?
Portanto, disponibilizar as informações de localização dos policiais para a CIADE é

apenas uma das potencialidades de um sistema de georreferenciamento, de forma

repressiva, mas ele tem inúmeras outras, de cunho preventivo.

Precisamos ter cuidado também com a maneira com que essas informações serão

disponibilizadas. Muito se fala em ambiente WEB e software livre, mas temos que ter

cuidado para não passarmos de monitoradores do crime a monitorados pelos

criminosos. Nesse sentido, a segurança dessas informações é fundamental. Os dados

têm que ser criptografados. Temos que ter protocolos de segurança adequados para

que as informações geográficas de nossos recursos não caiam em mãos erradas.

Hoje em dia um celular com chip GPS custa aproximadamente R$ 300,00.

Poderíamos dotar os policiais a pé com esses aparelhos e instalar terminais com GPS

em todas as viaturas. Isso resolveria ao mesmo temo o problema do

georreferenciamento de nossas ocorrências para atuar repressivamente, mas também

de nossos policiais para atuar preventivamente, que é nossa finalidade principal.

3.3.2 Entrevistado nº 2 – Tenente Coronel José Augusto Soares de Oliveira

O segundo entrevistado, Tenente Coronel Augusto, trabalha no Centro de

Tecnologia da Informação da PMDF e já exerceu outras funções na área de tecnologia

da informação como Gerente de Tecnologia da GER TEC da SESP/DF, atualmente

DITEC.

Possui em seu currículo acadêmico o Curso de Formação de Oficiais,

Especialização em Análise de Sistemas pela Universidade de Brasília (UNB), Pós

Graduação lato sensu em Tecnologia da Informação pela UNB e Pós Graduação lato

sensu em Política Criminal, Penitenciária e Segurança Pública pela Escola de

Governo/GDF.
O entrevistado trabalha com Geoprocessamento desde que idealizou o

GEOSISCOP, tendo publicado monografia intitulada “O Georreferenciamento das

Ocorrências Policiais Militares na Polícia Militar do Distrito Federal”.

O entrevistado ressaltou a aplicabilidade das API para georreferenciamento e em

particular a API do Google Maps, pois é algo que está disponível e tem baixo custo de

utilização.

Foi o idealizador, além do GEOSISCOP, também do BOWEB, dois aplicativos de

georreferenciamento, sendo que o segundo é a evolução do primeiro.

O foco dos trabalhos foi o georreferenciamento propriamente dito e não o

geoprocessamento. O primeiro é considerado uma necessidade para se ter uma

compreensão melhor do fenômeno criminal ou fenômeno de Segurança Pública,

contribuindo para a identificação visual, identificação de padrões e séries históricas,

como mais uma ferramenta para gestão do policiamento, sem esquecer da importância

das outras ferramentas.

Foram abordadas as metodologias tradicionais, por meio de tabelas e gráficos, as

quais geram muitas informações, mas que não se tem compreensão imediata e quando

se coloca essas informações nos mapas amplia-se a compreensão, não só de um

pedaço da informação mas de todo o contexto.

Em relação ao detalhamento da base cartográfica, pergunta-se até que ponto é

importante grande nível de detalhamento? Depende do tipo de atividade que se vai

desenvolver. O Google Maps tem mapas vetoriais disponíveis e também imagens do

terreno que atendem a mais de 80%de todas as nossas atividades.


O trabalho se resume em capturar as coordenadas x e y referenciadas nos WGS

84 e colocá-las em uma base de dados. A partir da alimentação da base de dados,

pode-se traduzir essas coordenadas em caracteres em um mapa.

Uma das formas de georreferenciar os endereços é através do CEP, onde temos

um nível de detalhamento de Unidade Federativa, a Cidade, o Bairro e o Logradouro, só

que no caso do DF temos 30 Regiões Administrativas, mas somente estão

contempladas 19 dessas RA na Base Nacional de Endereçamento (BNE) do CEP. O

Itapoá, por exemplo, que hoje em dia é uma RA antes pertencia ao Paranoá e é

contemplado como bairro no CEP.

No desenvolvimento do BOWEB, que é uma variação do GEOSISCOP, o policial

vai estar registrando como cidade, identificando as 19 RA, se tiver necessidade de

registrar uma ocorrência em cidade não contemplada, deverá registrar como bairro e o

sistema já gerará o georreferenciamento constando na base de dados as 30 RA.

Se formos mapear o Distrito Federal pelo Código de Endereçamento Postal,

chegaremos até o nível de detalhamento do logradouro como Quadra e casa em RAs

como Taguatinga por exemplo, Bloco e Apartamento no Plano Piloto e Conjunto e Lote

no exemplo da Ceilândia. Isso causa problemas de precisão porquê há desproporções

em relação aos tamanhos das Quadras, Lotes e Conjuntos e a coordenada dada é de

um centróide do polígono representado por esses logradouros. Para se resolver esse

problema, tanto o GEOSISCOP quanto ao BOWEB contemplam o registro da ocorrência

pelo policial militar que aponta em um mapa o local exato da ocorrência, ou com advento

do terminal embarcado, com um click o policial militar alimenta a base de dados com

essas coordenadas.
O SGO já possui um campo para inserção de coordenadas, já prevendo a

existência dos terminais embarcados com equipamentos GPS para alimentar a base de

dados do SGO. A idéia principal do SGO foi a de integrar os Órgãos do Sistema de

Segurança Pública, mas para integrar trabalhando com ferramentas de tecnologia da

informação não seria necessário o ajuntamento das pessoas, bastaria integrar os

bancos de dados.

O SGO possui módulos em que as UPM poderiam estar alimentando-o com a

pontuação georreferenciada das ocorrências.

É importante diferenciar geoprocessamento de georreferenciamento, sendo a

primeira uma ciência mais completa e mais complexa, ambas muito úteis para a

Segurança Pública.

Quanto os terminais embarcados que a DITEC tenta instalar são o resultado de um

projeto que não está indo a frente principalmente porque não houve nenhuma consulta

às corporações, foi uma idéia da DITEC, que adquiriu os equipamentos e está tentando

implantar mas têm problemas de transmissão de sinal.

O sinal 3G não é adequado para essa transmissão porque a disponibilidade no DF

é muito pequena, principalmente nas áreas não centrais, não funciona. E mesmo em

áreas centrais a qualidade do sinal é muito fraca e a transmissão torna-se muito lenta,

dificultando a captura da coordenada.

Ao trabalhar com esse tipo de tecnologia tem-se que aceitar algumas limitações,

como perda eventual de sinal, mas o atual projeto de terminais da DITEC é que ele tem

muitas limitações. Além da opção pelo sinal 3G que nem sempre funciona, o terminal

também acessa o sistema INFOSEG, que está fora do ar em muitos momentos e

quando soma tantos problemas, verifica-se que o sistema simplesmente não funciona.
Uma alternativa ao sinal 3G para a transmissão das informações geográficas é a

tecnologia Wi-Max, entretanto essa ainda não está homologada para equipamentos

móveis, então teria implicações legais. Uma solução interessante para a baixa

disponibilidade do sinal 3G seria, conforme um projeto visto recentemente na PMDF de

colocação de quatro chips de celular no terminal, de forma que o software pudesse fazer

a mudança de operadora automaticamente, optando pelo sinal de melhor qualidade,

entretanto é preciso verificar a questão de custos para isso. Esse é o resumo do

contexto do terminal embarcado que foi concebido para suprir as coordenadas para o

georreferenciamento das ocorrências, mas infelizmente não houve sucesso na

implantação do projeto.

Nesse sentido, a idéia do GEOSISCOP era para que as UPM plotassem suas

ocorrências em um mapa e alimentassem o sistema em um processo de

georreferenciamento manual. Já o BOWEB prevê que ao digitar o endereço, esse esteja

referenciado ao CEP e essa base já cobre mais de 90% do DF. Então ao capturar o CEP

que possui georreferenciamento WGS 84 na API do Google Maps, o sistema captura a

coordenada do endereço e a coloca na massa de dados.

O BOWEB será gerido pela PMDF, evitando dependência do SGO, pois a

SESP/DF não tem suporte técnico para implantar campos ou novas funcionalidades,

então é preferível ter autonomia com esse software, pois a PMDF possui programadores

que podem implementar mudanças, de acordo com a demanda. Mesmo que as

coordenadas fornecidas pela base do CEP refiram-se a centróide da quadra, é preferível

para fins de análise fenomenológica criminal do que a ausência de referência geográfica.

A partir do momento que se tenha terminais embarcados que gerem informações

geográficas das viaturas em tempo real de maneira eficiente, essas coordenadas podem
alimentar tanto a base de dados do SGO, quanto do BOWEB, quanto do Centro de

Inteligência ou qualquer outro em que se deseje essas informações.

Um problema que o entrevistado vê é a criação de sistemas sem consulta à área

de tecnologia, como é o exemplo do SIACO (Sistema de Análise Criminal) desenvolvido

pelo Centro de Inteligência e de um segundo projeto de terminais embarcados feito por

oficial da própria PMDF, pertencente ao Departamento Operacional, onde se preocupou

com o equipamento e não com a solução. A PMDF deve se ater à solução com um todo

de uma forma sistêmica e não com o equipamento em si. Um terminal embarcado nada

mais é que um note book robustecido que possui dispositivo de recepção e transmissão

de dados que permite acesso a qualquer coisa com esse equipamento, como sistema do

DETRAN, SGO, INFOSEG e o usuário teria que se “logar” em cada um dos sistemas

para utilizá-los e o ideal não é isso. O ideal é ter um portal de acesso, onde se proveria

acesso a todos os bancos de dados.

Os sistemas de tecnologia da informação têm que ser desenvolvidos em ambiente

tecnológico, pois necessitem de trabalho em desenvolvimento de sistemas e não apenas

adquirir soluções prontas de empresas.

Ressaltou que baseado nas informações geográficas é possível identificar padrões

e tendências para atuar de forma preventiva e seja por meio de digitação dos dados, ou

pela geração automática com o GPS, essa referência geográfica é muito útil tanto para

prevenção quanto para repressão de crimes.

3.3.3 Entrevistado nº 3 – Capitão Célio Roberto Dias Dutra

O entrevistado possui em eu currículo Acadêmico o Curso de Formação de

Oficiais, Pós-Graduação lato sensu em Geoprocessamento, Análise Criminal e

Estatística pela UNB e é Mestrando em Geoprocessamento pela UNB.


A última função em que trabalhou foi Chefe do Núcleo de Geoprocessamento da

Gerência de Análise de Fenômenos de Segurança Pública da Secretaria de Estado de

Segurança Pública do Distrito Federal, tendo realizado vários trabalhos de

Geoprocessamento naquela Secretaria, entre eles as Séries Fenômenos de Segurança

Pública e publicado Monografia intitulada Análise Espacial do Roubo em comércio no

Paranoá/DF com foco na criminologia ambiental período: 01/01/2006 a 31/12/2007.

Na sua opinião, como especialista em geoprocessamento, de forma resumida,

considera que os recursos tecnológicos disponíveis para aumentar a efetividade da

Polícia Militar serão sempre bem vindos, principalmente quando conduzidos por

técnicos que conheçam os limites impostos à máquina e ao homem, sem

sensacionalismo, tampouco sem buscar a projeção individual.

Hoje, a dinâmica com que os eventos criminais evoluem é maior que a capacidade

de organização do Estado.

Precisamos retomar a confiança perdida pela comunidade na condução de uma

polícia capacitada a lidar com os problemas relacionados à segurança pública.

O objeto dessa pesquisa é apenas uma em muitas tecnologias disponíveis para

identificação e análise dos problemas.

Hoje em dia, busca-se no ambiente geográfico onde o crime acontece, respostas

que possam levar à identificação de padrões e tendências criminais, com vistas ao

emprego racional do efetivo no terreno.

A partir do domínio dessas informações, e com o controle geográfico do efetivo

disponível, os gestores podem:

a) Reduzir o tempo de deslocamento das viaturas policiais, o que por si só,

pode representar uma vida salva ou um infrator que deixa de obter êxito na fuga.
b) Dispor o efetivo no terreno conforme concentração criminal, e monitorá-lo

para evitar que saia deliberadamente da área de ação;

c) Medir o impacto do emprego de policiamento nas zonas de concentração

criminal;

d) Traçar rotas entre a origem e destino das viaturas;

e) Determinar velocidade de patrulhamento;

f) Calcular com exatidão o tempo gasto para deslocamento;

g) Reduzir o emprego de oficiais na fiscalização do policiamento,

direcionando-os para pensar em polícia;

h) Delimitar áreas a partir da construção de cercas virtuais; etc

Dessa forma, acredito que a implantação de um sistema de georreferenciamento

dos recursos operacionais da PMDF pode aumentar a efetividade do serviço

emergencial.

3.3.4 Resumo analítico das entrevistas

O primeiro entrevistado tem uma visão mais sistêmica do Geoprocessamento

como ferramenta de análise criminal, talvez pela natureza do cardo que ocupa. Acredita

que o georreferenciamento pode contribuir para a melhor distribuição do policiamento

no terreno, com foco no policiamento preventivo. Ressaltou que a questão ferramental é

a menos importante, sendo o que o foco deve ser o homem por trás da ferramenta.

Ressaltou também a questão da segurança das informações e a importância do

raciocínio visual quando se trata de geoprocessamento.

O segundo entrevistado tem uma visão mais focada em técnicas de

georreferenciamento, tendo em vista sua especialização acadêmica em análise de

sistemas e suas publicações e ferramentas desenvolvidas. Destacou a importância da


segurança das informações georreferenciadas. Destacou a importância da forma de

apresentação desses dados para o usuário, por meio de um sistema e não apenas a

simples compra de terminais remotos embarcados. Ressaltou a importância desses

sistemas serem desenvolvidos em ambiente tecnológico. Dessa forma, acredita que a

tarefa não é só de Geoprocessamento, mas de tecnologia da informação.

O terceiro entrevistado tem uma visão mais prática, focada em processos, sobre a

aplicabilidade do georreferenciamento dos recursos operacionais da PMDF como

ferramenta de gestão, tendo apontado várias vantagens práticas de tal

georreferenciamento, destacando sua importância para o contexto da análise criminal.

Dessa forma todos os entrevistados contribuíram sobremaneira com os resultados

do presente estudo, ratificando os dados levantados com os operadores do serviço

emergencial, sobre a viabilidade e a necessidade do georreferenciamento dos recursos

operacionais, bem como sua aplicabilidade.


CAPITULO IV

SISTEMA DE GEOPOSICIONAMENTO POR GPS EM TEMPO REAL

Antes de se tratar propriamente da concepção de um sistema é necessário

compreender alguns aspectos fundamentais que permitirão sua implantação adequada

às melhores práticas de desenvolvimento que projetos dessa envergadura necessitam.

Primeiramente precisamos responder a uma pergunta importantíssima: De que tipo

de sistema se trata? Pela análise das partes que compõem o presente estudo, conclui-

se que se trata um sistema de informações, pois pretende adquirir dados (as

coordenadas) do GPS e transmiti-los por meio do GPRS ou da telefonia móvel 3G para

um terceiro componente que as traduzirá por meio de um Sistema de Informações

Geográficas.

Conforme ensina Braz (2003), reforçando o entendimento exposto, SIG é a sigla

em português para a correspondente GIS:

...da expressão inglesa Geographic Information System (GIS), que


identifica a classe de sistemas. Muito embora a tradução imediata seja
“Sistema(s) de Informações Geográficas – (SIG), que reflete mais
adequadamente o conceito fundamental de que este tipo de sistema é,
antes de mais nada, um sistema automatizado de tratamento de
informações. (grifo nosso) (BRAZ, 2002, p. 4)
4.1 DESCRIÇÃO DO SISTEMA

4.1.1 Sistema de Informações Geográficas

Nesse sentido, o sistema a ser proposto não é propriamente um SIG, mas um

sistema de informações que utiliza um SIG, pois além dessa funcionalidade, ainda

engloba a captação dos dados do sinal GPS por uma estação remota móvel, a

transmissão e o tratamento dos dados para que possam ser transformados em

informações.

Sua porção SIG, entretanto, deve ser capaz de apresentar caracteres

georreferenciados em quantidade compatível com o volume de ocorrências atendidas

pela PMDF que, segundo o GDF (2009) foi de 660 por dia no ano de 2009, para que se

possa fazer a representação geográfica de séries históricas. Esse número aponta para

uma capacidade média de 250.000 registros por ano. Deve ainda ser apta a apresentar

objetos móveis e capaz de demonstrar a trajetória desses objetos no mapa por meio de

linhas. (GDF, 2009, p. 2)

A aquisição de soluções GIS deve ser acompanhada dos códigos-fonte do

aplicativo e capacitação de equipe de profissionais para posterior implementação, pois

a PMDF não pode ficar refém de empresas nem permitir que pessoas não pertencentes

à corporação tenham acesso a dados que permitam monitorar a atividade policial.

4.1.2 Requisitos Operacionais dos Sistemas de Informação

Ferreira (2003) ao abordar o uso dos sistemas de informação e tecnologias de

informação nas polícias define como desejáveis, na difícil tarefa de escolher e identificar

aplicações, os seguintes pré-requisitos:

• Sejam de maior grau de portabilidade, confiabilidade e de mais fácil


utilização;
• Permitam o armazenamento, a manipulação e a recuperação de
grandes volumes de informação;
• Sejam flexíveis o bastante para permitir que essas organizações
modifiquem seus sistemas de comunicações e informações, à
medida que o ambiente se modifique;
• Possibilitem a comunicação de grandes volumes de informações sob
as mais variadas formas, através de longas distâncias, em apenas
segundos, permitindo que seus gestores monitorem e controlem o
ambiente organizacional geograficamente disperso e complexo.
(FERREIRA, 2003, p. 28)

Esta classificação é perfeitamente aplicável ao sistema que ora se propõe. Deve,

portanto contemplar o atendimento desses pré-requisitos, acrescentando-se ainda:

a) Possuir robustez compatível com o nível de desgaste provocado pela intensidade

e continuidade do serviço operacional e ergonomia compatível com as características

de cada processo de policiamento.

b) Reforçando a questão da confiabilidade, permitir a máxima segurança possível

das informações trafegadas, por meio de criptografia, principalmente em se tratando da

natureza dos dados de georreferenciamento dos recursos operacionais que permitem

monitorar a atividade policial. Nesse sentido, embora o ambiente WEB ofereça as

facilidades referentes à acessibilidade é necessária a trafegabilidade dos dados através

de VPN.

c) Reforçando a questão da mais fácil utilização, possuir simplicidade compatível

com o nível de compreensão do usuário policial militar, através de desenvolvimento de

“software amigável”.

4.1.3 Dimensões Sistêmicas

Para Ferreira (2003), o conceito de Sistema de Informação é o seguinte:

Refere-se a uma combinação organizada de pessoas, processos e


regras de negócios, incluindo todas as tecnologias de hardware,
software, redes de comunicação e técnicas de gerenciamento de dados
que coletam, transformam e disseminam a informação numa
organização. (FERREIRA, 2003, p.20)
Vê-se que neste caso há interação entre três sistemas distintos e, portanto a

concepção do sistema de informações que se propõe, necessariamente terá que levar

em conta quatro dimensões relacionadas àqueles sistemas, quais sejam:

4.1.4 Segmento Técnico (inclui toda a parte de hardware)

4.1.4.1 Módulo de Recepção do sinal GPS

Inclui a recepção adequada dos sinais GPS por meio da utilização do receptor que

tenha capacidade de adquirir o sinal de pelo menos 8 satélites e possua certificação

WASS e EGNOS, que conferem maior nível de confiabilidade e precisão ao sinal GPS.

Além disso, o receptor deve ter tamanho compatível com a instalação embutida no

painel da viatura e possuir fonte de alimentação própria com duração mínima de 12

horas, com capacidade de ser recarregado automaticamente por uma bateria de 12

Volts (veicular). Esse dispositivo deve possuir a capacidade de transmitir as

coordenadas ao display ou processador por meio de cabos ou tecnologia Wireless

Personal Area Network (WPAN), como o Bluetooth, por exemplo.

A antena de recepção deve ser posicionada de forma que permaneça totalmente

desobstruída, na parte mais alta da viatura, para que aumente o ângulo de aquisição do

sinal GPS. Deve também ser posicionada mais longe possível de outras fontes de RF

presentes na viatura, para evitar as interferências que degradam o sinal.

4.1.4.2 Módulo de Navegação

Agregado ao receptor, deve haver um display móvel que possua capacidade de

apresentar posição do usuário em tempo real em um mapa ou imagem do terreno que

permitia a inserção de dados por meio de touch screem40

40
Touch Screem – Toque na tela.
O dispositivo deve permitir também a capacidade de navegar em toda a área do DF

e seu entorno de forma autônoma, por meio de um mapa rodoviário e/ou de arruamento,

indicando o melhor itinerário até um ponto de coordenadas conhecidas por meio de

apresentação do itinerário na tela e por voz. A necessidade de ser um dispositivo móvel

prende-se ao fato de que os dispositivos fixos são antiergonômicos, na medida em que

podem ferir o usuário quando instalado em viaturas, além de serem antieconômicos pelo

fato de ficarem presos aos recursos operacionais mesmo quando esses estão baixados

para fins de manutenção, conforme foi verificado em pesquisa de campo referente ao

SMGO. Os dispositivos devem possuir suportes removíveis nos painéis ou consoles das

viaturas.

Tais displays devem ser capazes de apresentar outros tipos de informações, tais

como base dados de outros sistemas ou aplicativos não geográficos, atendendo ao

princípio da economicidade, pois evitaria a duplicação de displays dentro da viatura.

4.1.4.3 Dispositivos móveis receptores de sinal GPS

Além do processo motorizado (04 ou mais rodas), os processos motorizados (02

rodas), montado, embarcado e a pé devem ser georreferenciados por meio de

dispositivos de telefonia móvel capazes de receber o sinal GPS, apresentar um módulo

de navegação aos seus usuários e transmitir suas coordenadas em tempo real ao

servidor do sistema.

Sugere-se a inclusão de tal dispositivo na Quit Policial.

Embora o processo de policiamento aéreo já possua um sistema de

georreferenciamento embarcado eficiente, não se sabe se é possível a inter

operabilidade com um novo sistema. Caso não seja, o dispositivo móvel também poderá

e deverá ser utilizado pelas tripulações de serviço aéreo a fim de se integrarem ao


sistema, uma vez que a instalação de equipamentos a bordo de aeronaves brasileiras

que operam segundo o RBHA 91, necessita de homologação por parte do Centro

Técnico Aeroespacial (CTA) mediante uma extensa bateria de testes e ensaios em vôo,

cujo custo não se justifica pelo relativo pequeno tamanho da frota de aeronaves da

PMDF, que atualmente é de um helicóptero e um avião.

4.1.5 Segmento de Transmissão e Recepção de Dados

4.1.5.1 Módulo de transmissão e recepção de dados

O dispositivo deverá prover a eficiente transmissão dos dados recebidos pelo

receptor GPS nas viaturas em movimento bem como recepção de mensagens de texto e

VOIP41 por meio de um servidor compatível com a rede da PMDF, que possa alimentar o

BD do SIG ou aplicativo similar.

Este dispositivo deve passar necessariamente pela análise de custo e benefício de

todas as tecnologias disponíveis, verificando a mais eficiente para o fim que se pretende:

Transmitir dados institucionais estratégicos de forma segura e rápida.

Deve possuir uma velocidade mínima de transmissão e recepção de 05 Mbps42.

4.1.5.2 Infovia específica para tráfego dos dados

Esse meio deve permitir o tráfego de dados criptografados, atendendo ao requisito

de confiabilidade e segurança.

A maioria dos sistemas observados utiliza a tecnologia 3G pela Internet devido ao

baixo custo e disponibilidade razoável, entretanto é preferível a criação de uma Wireless

Metropolitan Area Network (WMAN), ou Rede Metropolitana Sem Fio (padrão IEEE

802.16) denominada Wi-MAX - Worldwide Interoperability for Microwave Access ou

41
VOIP – Voz por IP
42
Mbps – Mega bits por segundo
Interoperabilidade Mundial para Acesso de Micro-ondas do tipo móvel (Padrão IEEE

802.16-2005), que permite transmissões de dados de até 1Gbps43 em um raio de 50Km.

Com as dimensões do Distrito Federal e Entorno, essa rede teria no máximo 5

torres/antenas.

4.1.6 Segmento Lógico

O sistema deve prever o armazenamento desses dados em bancos de dados

próprios, mantidos e geridos pela Corporação, com sistema seletivo de acesso, por

níveis de decisão, devendo ser compartilhado com a CIADE, os dados referentes aos

recursos operacionais disponibilizados para o atendimento emergencial diário.

Este Segmento inclui programação de um software personalizado que seja

acessado mediante chaves de acesso.

O software em questão deve se integrar perfeitamente aos SIG disponíveis no

mercado e também aos BD do SSP/DF.

Em caso de não ser desenvolvido pela própria Corporação, embora tenha sido

verificado ser possível em entrevista a oficial integrante do CTI/PMDF, a empresa

fornecedora deverá disponibilizar os códigos-fonte para as alterações que se fizerem

necessárias, atendendo ao critério de flexibilidade.

4.1.7 Segmento de Pessoal

Este é o Segmento denominado peopleware, que envolve o treinamento e

capacitação das pessoas em todos os níveis de decisão e o.gerenciamento adequado

dos recursos humanos envolvidos no sistema, tanto na programação, quanto na

interpretação e/ou na utilização dos dados.

43
Gbps – Giga bits por segundo
É uma das dimensões mais importantes do sistema, pois sem sua correta

capacitação, o sistema como um todo será sub utilizado ou inútil.

Durante a fase de levantamento de dados da presente pesquisa junto aos

operadores do serviço de emergência da PMDF essa foi a questão que suscitou a maior

parte dos comentários nas respostas subjetivas.

Todas as dimensões são interligadas, entretanto independentes e necessitam de

processos próprios e distintos.

4.2 NÍVEIS SISTÊMICOS

4.2.1 Processos de otimização

O próprio Ferreira (2003) apud Torres (2000), enfatiza a necessidade de

racionalização e otimização da gestão por meio de cinco processos essenciais, dos

quais destaca-se três:

• Eliminar o desnecessário:...
• Aglutinar processos: Significa que a organização deve juntar
processos separados que interagem através de saídas e
entradas consecutivas. A aglutinação de processos, em geral,
provoca redução no tempo de resposta (lead-lime44)
• Simplificar processos – Questionar cada parte do processo
estudado, procurando simplificá-lo;
• Reordenar...
• Automatizar após racionalizar: após terem sido analisadas
todas as possibilidades de racionalização, deve-se procurar a
automação de processos. Isto é particularmente importante em
sistemas de informação e sistemas administrativos, já que a
simples automação de sistemas ineficientes pode contribuir
pouco para a racionalização global do sistema. É melhor que
antes sejam pesquisados todos os focos de racionalização, para
que, só então seja procedida a automação. (FERREIRA, 2003, p.
15) Grifo nosso

Nessa linha de raciocínio, observa-se que o sistema deve ser visto de forma

macro, como ferramenta de gestão, e procurar entender antes as suas utilidades e

44
Lead-Time – Tempo decorrido entre uma solicitação de serviço e seu respectivo atendimento. (Ferreira,
2003, p.15)
potencialidades e de que forma podem interagir com os outros processos da

Corporação, a fim de poder aglutiná-los, simplificá-los e automatizá-los após

racionalizar.

4.2.2 Excelência no desempenho organizacional

O objetivo que se busca com o presente estudo é o aumento da efetividade do

serviço de emergência da PMDF por meio de um sistema de geoposicionamento de

seus recursos operacionais.

Segundo Ferreira (2003) apud Oliveira (2000), o desempenho racional de uma

organização deve ser medido a partir da “excelência organizacional” que é o somatório

de eficiência, eficácia, efetividade e economicidade:

• Eficiência – É a capacidade de “bem fazer” as coisas. Refere-se ao


desempenho, ao processo ou gerenciamento harmônico frente ao
empreendimento ou objetivo pretendido;
• Eficácia – Em contraste à eficiência, implica na escolha dos
objetivos certos. Refere-se aos resultados satisfatórios,
independentemente do processo ou forma escolhida para a sua
execução;
• Efetividade – Refere-se à razão lógica entre a eficiência e eficácia.
• Economicidade – Refere-se à ausência significativa de desperdício
dos recursos investidos. (FERREIRA, 2003, p.16)

Destaca-se o conceito de efetividade, que é fazer a coisa correta da maneira

correta. Nesse sentido, ao pretender aumentar a efetividade do serviço de emergência,

tem-se necessariamente que analisá-lo a partir de dois pontos de vista, a do cliente e a

do produto a ser entregue. Em se tratando de um serviço emergencial, pela própria

acepção da palavra, remete-se à idéia do tempo de resposta ou lead-time. Para que se

possa aumentar a efetividade tem-se que criar indicadores e metas temporais para o

referido serviço e mensurá-las de forma pro ativa. Em outras palavras, para serem

efetivos os prestadores do serviço emergencial devem chegar o mais rapidamente


possível até o solicitante, que é o cliente da PMDF, para atender as suas demandas e

restabelecer a sensação de segurança.

Nesse sentido, verificou-se por meio da bibliografia consultada, bem como pela

opinião unânime de especialistas e operadores do serviço que o conhecimento das

coordenadas das viaturas, por parte da CIADE e dos próprios policiais é determinante

na diminuição do tempo de atendimento. Em outras UF, a implantação de sistemas

semelhantes também se mostrou eficaz em reduzir o tempo de resposta.

Essa redução se dá praticamente nos três níveis de decisão gerencial:

a) Nível estratégico – Por meio da possibilidade do Departamento Operacional e os

Comandos subordinados na cadeia de comando alocarem as viaturas e outros recursos

operacionais o mais próximo possível de locais que presumidamente têm mais

probabilidade de ocorrências criminais, reduzindo o tempo de deslocamento até o

solicitante;

b) Nível Tático – Por meio da possibilidade da CIADE acionar os recursos que

estão mais próximos ao local onde se encontra o solicitante;

c) Nível Operacional – Por meio da possibilidade de seguir o melhor caminho por

parte dos policiais para chegar ao local da ocorrência no menor tempo.

Os profissionais ocupantes de funções nos três níveis devem estar aptos a

interagir com o sistema, de forma que possam utilizá-lo como um Sistema de Apoio à

Decisão (SAD).

Por enquanto, foram vistos apenas aspectos relacionados ao caráter repressivo do

policiamento, que é próprio da natureza do serviço emergencial.

Entretanto, além dessas, pela ótica do usuário do serviço, a permanência

monitorada dos recursos operacionais da PMDF nas áreas escolhidas pelos criminosos
para cometimento criminal utilizando-se, por exemplo, a técnica de cercas eletrônicas

utilizada pela PMSE, por exemplo, por si só poderá dissuadir a prática delituosa pela

presença do guardião, quebrando o triângulo do crime, atendendo ao princípio básico

da Corporação que é o policiamento ostensivo preventivo.

Dessa forma, o sistema a ser proposto deve contemplar esses aspectos, no

estabelecimento de suas metas e indicadores de efetividade.

Adquirir equipamentos é uma tarefa relativamente fácil, mas lidar com

equipamentos ineficientes, com a opinião pública tanto interna como externa e com a

pressão da mídia por se ter adquirido equipamentos de má qualidade ou mal

especificados de custo elevado como os que se necessita para a implantação desse

sistema não são tarefas tão fáceis, isso sem falar nas procuradorias e tribunais de

contas.

4.3 Fases de implantação do Sistema

A implantação do sistema, como um projeto que é, deve obedecer as fases

previstas no “ciclo de vida de um projeto”, segundo Ferreira (2008):

De um modo geral, as fases do projeto apresentam as seguintes


características:
a) cada fase do projeto é marcada pela entrega de um ou mais produtos
(deliverables), como estudos de viabilidade ou protótipos funcionais;
b) no fim de cada fase, define-se o trabalho a ser feito e o pessoal
envolvido na sua execução;
c) o fim da fase é marcado por uma revisão dos produtos e do
desempenho do projeto até o momento;
d) uma fase começa quando termina a outra. Quando há sobreposição
entre as fases, chamamos essa prática de fast tracking: nesses casos,
começa-se a trabalhar nas próximas fases do projeto antes do fim da
fase corrente (entrega dos produtos);
e) os custos são geralmente crescentes à medida que a fase avança;
f) os riscos são geralmente decrescentes à medida que a fase avança; e
g) a habilidade das partes envolvidas alterarem os produtos de cada
fase é decrescente à media que a fase avança. (Ferreira, 2008, p.45)
Nesta linha de raciocínio, este projeto encontrar-se-ia na fase inicial da idéia ou

embrionária e das atividades de identificação das necessidades, estabelecendo os

objetivos, a viabilidade e buscando a autorização do projeto.. (ibidem, p. 47)

Idéia
ENTRADAS Equipe de Gerenciamento de Projetos

INICIAL FINAL
FASES INTERMEDÁRIA

Termo de Plano Aceitação


SAÍDAS Abertura Linha de base Aprovação
Progresso Entrega
Declaração do escopo

ENTREGAS
DO PROJETO PRODUTO

Figura 4.1 – Modelo conceitual do ciclo de vida de um Projeto.


Fonte: (FERREIRA, 2008, p. 46)

Tendo em vista que o presente trabalho não é da área de Engenharia, as

necessidades aqui levantadas são conceituais e o projeto para o Sistema de

Informações deverá ser realizado em duas etapas. Primeiramente contrata-se

previamente Serviços Especializados de Engenharia de Redes e Telecomunicações,

Análise e Desenvolvimento de Sistemas (Software e BD) (se for necessário, tendo em

vista que há possibilidade de esse desenvolvimento ser realizado pelo próprio

CTI/PMDF), a fim de elaborarem projetos técnicos que contemplem as especificações

previstas, melhorando-as e propondo as tecnologias mais adequadas para o

atendimento daqueles pré-requisitos. Para tanto, será necessário um Projeto Básico,

conforme prevê a lei 8.666/93, a fim de servir como o termo de abertura, obtendo a

aprovação do Nível Estratégico e a consequente licitação dos serviços.


Depois de contratados os serviços, com a entrega dos produtos “Projeto de

Engenharia de Redes de Telecomunicações” para um Sistema de Informações descrito

anteriormente e “Projeto do Banco de Dados e Software específico”, tendo sido definido

o escopo e a estratégia do projeto, que correspondem às fases de iniciação, definição e

concepção, iniciam-se os processos de planejamento do projeto.

Ferreira (2008), conceitua essa fase, como:

...todos os processos iterativos de definição e refinamento de objetivos e


seleção dos melhores caminhos para atingir os objetivos e culminam na
elaboração do plano de gerenciamento de projetos que proporcionará
uma visão de vários aspectos relacionados, tais como o
amadurecimento do escopo, o detalhamento dos custos, o agendamento
de atividades, o gerenciamento das comunicações, das mudanças, dos
recursos humanos e dos riscos. (FERREIRA, 2008, p.48)

Com a entrega do Plano de Gerenciamento do Projeto que contém o Cronograma,

Planilha de custos, Plano de contingências, entre outros, encerra-se a fase de

planejamento e inicia-se a execução propriamente dita que são todos os processos

relacionados com a execução dos planos do projeto, como coordenação de pessoas e

outros recursos, solicitação de propostas de fornecedores, contratações de serviços e

produtos, que com sua entrega, culminam essa fase. (ibidem)

Durante e após a execução, ocorrem os processos de controle do desempenho do

projeto, com a administração dos contratos, controle de qualidade e obtenção da

aceitação do escopo. (ibidem)

Durante a fase de controle é recomendável que seja feito uma implantação piloto

que contemple uma UPM da PMDF que seja responsável por área que possua grandes

índices de cometimento criminal, de forma que se possa fazer eficiente teste amostral,

com as seguintes fases:


Estabelecimento de metas e indicadores de desempenho que se deseja atingir

após a implantação completa do Sistema. Dessa forma, se pode estabelecer os critérios

de aceitação do escopo.

a) Realização de uma pesquisa de opinião pública sobre a satisfação da

comunidade com o serviço emergencial da PMDF e aferição dos resultados;

b) Aferição de indicadores como tempo médio de resposta gasto pelas

guarnições de serviço, entre outros;

c) Treinamento concomitante das guarnições de serviço para a correta

utilização do Sistema;

d) Identificação das Zonas Quentes de Criminalidade da cidade e os horários

de maior índice de cometimento criminal;

e) Aplicação do policiamento com uso do sistema, principalmente nas ZQC

por período não inferior a 30 dias;

f) Nova aferição de indicadores de desempenho;

g) Nova pesquisa de opinião pública;

Os resultados aferidos devem ser utilizados para confeccionar relatório de

encerramento dos contratos, que caracterizam os processo de fechamento do projeto;

Verifica-se que um sistema semelhante já está em utilização em várias UF, dessa

forma é recomendável fazer visitas técnicas nesses Estados, a fim de verificar in loco tal

funcionamento, bem como o modelo implantado, tecnologias utilizadas e resultados

alcançados, informações que podem subsidiar uma correta implantação na PMDF.


CONCLUSÃO

Verificamos com o presente estudo que o Geoprocessamento encontra-se em

estágio de desenvolvimento nos Órgãos de Segurança Pública e tanto na PMDF como

na SESP/DF foram adquiridas ferramentas GIS que permitem georreferenciar as

ocorrências atendidas. Devido ao grande volume de dados, é necessário utilizar

técnicas conhecidas como interpolação de Kernel, Clusters, Zonas Quentes de

Criminalidade ou Hot Spots, entre outras.

Uma vez que a tecnologia GPS está totalmente disponível, gratuita e livre de

degradações que comprometam sua precisão, tendo os receptores evoluído bastante e

diminuído o seu custo, devido à grande demanda e oferta que foram criadas com o

advento do desativamento da S A pelo Governo dos Estados Unidos no ano de 2000,

verifica-se a viabilidade técnica de utilização do GPS propriamente dito.

Assim, vários órgãos de Segurança Pública no Brasil já utilizam essa tecnologia

par monitorar suas frotas por meio de sistemas AVL e esse uso tem sido reportado com

fator de diminuição do tempo de resposta das guarnições dedicadas aos seus serviços

emergenciais e consequente aumento de sua efetividade.

O serviço emergencial da PMDF é gerido pela SESP/DF, o que causa alguma

dificuldade no correto gerenciamento desses recursos, que por vezes tem efeito nos

indicadores de desempenho como o tempo médio de atendimento.

Por meio de levantamento de dados junto aos profissionais operadores do serviço

e aos especialistas em geoprocessamento na PMDF, foi verificado que existe forte


correlação entre o sucesso de uma ocorrência e a rapidez com que ela é atendida e

também entre o GPS e a rapidez no atendimento. Outras questões, como alto índice de

satisfação com a implantação do GPS e pouca dificuldade em operar o aparelho, entre

outras, permitem concluir que há boa aceitação da tecnologia estudada por parte dos

policiais militares na PMDF e na SESP/DF, além dos civis contratados.

Foi verificado por meio de pesquisa de campo que a PMDF possui uma aeronave

com um sistema de georreferenciamento eficiente instalado, entretanto esse sistema só

visualiza a própria aeronave e não possui mapas temáticos com hot spots, por exemplo,

e tem servido mais como meio de navegação secundária para as tripulações do BAVOP,

embora o sistema possa ser também instalado em veículo com uma outra versão.

Por outro lado, verificou-se que houve uma tentativa de implantação do SMGO, o

qual prevê instalação de Terminais Remotos Embarcados nas viaturas da do SSP/DF

como um todo e na PMDF em particular, entretanto tal implantação sofreu problemas

técnicos que até agora têm inviabilizado a empreitada.

Dessa forma, o georreferenciamento das ocorrências na PMDF está sendo

realizado manualmente e pós-processado, até que se tenha uma forma adequada de

capturar essas coordenadas, por meio de um sistema que utilize o GPS.

As conclusões a que se chega após análise das informações presentes no

Referencial Teórico e nos dados do levantamento apontam para a confirmação de que o

GPS pode aumentar a efetividade do serviço emergencial da PMDF, por meio da melhor

distribuição do policiamento, permitindo que o mesmo esteja mais próximo dos locais

com maior probabilidade de cometimento criminal, da mais rápida identificação do

evento relacionado a um recurso específico para acionamento e do efetivo controle

sobre os processos operacionais, tanto repressiva quanto preventivamente.


A principal recomendação é que se aprofundem os estudos para permitir a

implantação de um sistema de informações capaz de apresentar o georreferenciamento

dos recursos operacionais da PMDF, devido ao fato de ter sido claramente comprovada

a sua importância e disponibilidade tecnológica, bem como os critérios básicos de seu

emprego, como a sua finalidade, métodos, produto final, etc. Dessa forma, deve ser

elaborado projeto a ser aprovado pela Seção de Projetos do Estado Maior, a fim de

permitir tal implantação.

Recomenda-se que qualquer implantação esteja aliada à correta qualificação,

capacitação e treinamento dos recursos humanos, identificados como o elo principal de

um sistema dessa natureza.

Recomenda-se ainda a realização de visitas técnicas nos Estados onde sistemas

semelhantes foram implantados, a fim de verificar in loco tal funcionamento, bem como o

modelo utilizado, tecnologias empregadas e resultados alcançados, informações que

podem subsidiar uma correta implantação na PMDF.

Outra recomendação é a criação na Estrutura Organizacional da PMDF de um

Núcleo de Geoprocessamento, subordinado à Seção de Análise Criminal do Estado

Maior da PMDF, que adquira ferramentas GIS e qualifique policiais militares para a sua

correta utilização, tendo em vista as enormes vantagens de seu emprego.

Recomenda-se, finalmente, que os resultados carreados no presente estudo sejam

encaminhados ao Exmº. Sr. Comandante Geral da PMDF e para o Exmº. Sr. Secretário

de Estado de Segurança Pública do DF, autoridades responsáveis pelo serviço

emergencial estudado, a fim de que viabilizem a implantação proposta.


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System Standard Positioning Service Performance Standard. United States of
América Government, Washington/DC, 2008.
APÊNDICE I

GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL


POLÍCIA MILITAR DO DISTRITO FEDERAL
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO E CULTURA
DIRETORIA DE FORMAÇÃO
ACADEMIA DE POLÍCIA MILITAR DE BRASÍLIA
CURSO DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS

Curso – Especialização em Gestão da Segurança Pública – C.A.O.


Autor do Estudo – Cap QOPM Emílio Castellar – Aluno do CAO 2010
Orientador de conteúdo –. Maj QOPM Bilmar Angelis de Almeida Ferreira

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Senhor (a) entrevistado, esse trabalho de pesquisa monográfico tem por objeto de estudo a
“VIABILIDADE DE IMPLANTAÇÃO DE UM SISTEMA DE GEO POSICIONAMENTO POR MEIO DO
GLOBAL POSITIONING SYSTEM (GPS) NAS VIATURAS E AERONAVES DA PMDF COMO MEIO DE
AUMENTAR A EFETIVIDADE DE SEU SERVIÇO DE EMERGÊNCIA”.
Para atingir os objetivos propostos, estou entrevistando os policiais militares que atendem as
ocorrências do serviço de emergência da PMDF, a fim de verificar a abrangência e a relevância do tema.
É extremamente importante a sua opinião para que possamos atingir tais objetivos.
A participação nesse estudo é totalmente voluntária e para que se possa validar suas opiniões é
necessário que assine esse termo de consentimento livre e esclarecido.
O resultado desse trabalho será publicado, porém sua identidade não será revelada, sob
qualquer hipótese. Portanto, o consentimento que estará sendo concedido refere se apenas à utilização
dos dados para a consolidação dos resultados da pesquisa.
Muito obrigado pela sua participação!

Nome completo do(a) entrevistado(a)_____________________________________

Posto/Graduação do(a) entrevistado(a)___________________________________


RG/Matrícula do(a) entrevistado(a)_______________________________________
Assinatura do(a) entrevistado(a)_________________________________________
APÊNDICE II

QUESTIONÁRIO DE OPINIÃO DOS ATENDENTES EMERGENCIAIS E DESPACHANTES


1 Qual é sua idade
2 Qual seu tempo de serviço
3 Por quanto tempo trabalha no Serviço de
Emergência da PMDF
Marque um X ao lado da resposta que melhor representa sua opinião
4 Qual seu grau de escolaridade Médio ___ Superior____ Pós-graduação____.

5 Na sua opinião, qual é o grau de ___Grande ____Médio ___Pequeno ___Nenhum


conhecimento que possui sobre as áreas de
onde partem a maioria das ocorrências que
recebe
6 Na sua opinião, instruções sobre essas áreas ____Grande ____Médio ___Pequeno ___Nenhum
com utilização de mapas com geo referências
teriam grau de efetiviade
7 Na sua opinião qual é o grau de importância ____Grande ____Médio ___Pequeno ___Nenhum
do fator “rapidez no atendimento” para o
sucesso de uma Ocorrência Policial
8 Na sua opinião, o impacto da ciência da ____Grande ____Médio ___Pequeno ___Nenhum
localização exata das viaturas em tempo real
por parte da CIADE na qualidade do serviço
9 Na sua opinião, qual é o impacto das ____Grande ___Médio ___Pequeno ___Nenhum
tecnologias instaladas em viaturas para o
sucesso de uma Ocorrência Policial
10 Qual é seu grau de conhecimento sobre o ____Grande ___Médio ___Pequeno ___Nenhum
GPS
11 Já teve contato com o GPS ____Grande ____Médio ___Pequeno ___Nenhum
12 Na sua opinião, qual é o grau de rapidez que ____Grande ____Médio ___Pequeno ___Nenhum
o GPS fornece para ações de Segurança
Pública
13 Na sua opinião, a inclusão de mais um campo ____Grande ____Média ___Pequena ___Nenhuma
com coordenadas GPS na tela do SGO
acarretaria em uma tarefa de qual dificuldade
14 Na sua opinião, o aumento no controle da ____Grande ____Médio ___Pequeno ____Nenhum
CIADE sobre as viaturas com utilização do
GPS seria
15 Qual seria o seu grau de satisfação com a ____Grande ____Médio ___Pequeno ___Nenhum
instalação de um sistema de localização por
GPS nas viaturas da PMDF
16 Escreva o que pensa sobre o tema, mas não foi perguntado. (utilize também o verso, se preferir)
APÊNDICE III

QUESTIONÁRIO DE OPINIÃO DOS POLICIAIS MILITARES


1 Qual é sua idade
2 Qual seu tempo de serviço
3 Em qual Unidade trabalha
4 Qual seu grau de escolaridade ( ) Médio ( ) Superior ( ) Pós-graduação
5 Por quanto tempo trabalha/trabalhou no
Serviço Operacional da PMDF
6 Na sua opinião, qual o impacto do fator ( )Grande ( )Médio ( )Pequeno ( )Nenhum
“qualidade das comunicações” no sucesso de
uma Ocorrência Policial
7 Na sua opinião qual é o grau da qualidade ( )Grande ( )Médio ( )Pequeno ( )Nenhum
das comunicações da PMDF
8 Na sua opinião qual é o grau de importância ( )Grande ( )Médio ( )Pequeno ( )Nenhum
do fator “rapidez no atendimento” para o
sucesso de uma Ocorrência Policial
9 Na sua opinião, qual é o impacto das ( )Grande ( )Médio ( )Pequeno ( )Nenhum
tecnologias instaladas em viaturas para o
sucesso de uma Ocorrência Policial
10 Na sua opinião, a possibilidade de ( )Grande ( )Médio ( )Pequeno ( )Nenhum
equipamentos tecnológicos instalados em
viaturas policiais apresentarem mal
funcionamento é
11 Qual é seu grau de conhecimento sobre o ( )Grande ( )Médio ( )Pequeno ( )Nenhum
GPS
12 Já teve contato com o GPS ( )Grande ( )Médio ( )Pequeno ( )Nenhum
13 Na sua opinião, qual é o grau de rapidez que ( )Grande ( )Médio ( )Pequeno ( )Nenhum
o GPS fornece para ações de Segurança
Pública
14 Na sua opinião, qual seria o grau de ( )Grande ( )Médio ( )Pequeno ( )Nenhum
dificuldade em operar um aparelho GPS
15 Na sua opinião, o aumento no controle da ( )Grande ( )Médio ( )Pequeno ( )Nenhum
CIADE sobre as viaturas com o GPS seria
16 Qual seria o seu grau de satisfação com a ( )Grande ( )Médio ( )Pequeno ( )Nenhum
instalação de um sistema de localização por
GPS nas viaturas da PMDF
17 Escreva o que pensa sobre o tema, mas não foi perguntado. (utilize também o verso, se preferir)
APÊNDICE IV

PROPOSIÇÃO GERAL PARA AS ENTREVISTAS COM POLICIAIS MILITARES

ESPECIALISTAS EM GEOPROCESSAMENTO

QUAL É SUA VISÃO SOBRE A IMPORTÂNCIA DO GEORREFERENCIAMENTO

DOS RECURSOS OPERACIONAIS DA PMDF EM TEMPO REAL?


APÊNDICE v

COPY-DESK DAS RESPOSTAS ÀS QUESTÕES SUBJETIVAS DOS QUESTIONÁRIOS

SE DESEJAR, ESCREVA O QUE PENSA SOBRE O TEMA, MAS NÃO FOI

PERGUNTADO -

“O GPS é incrivelmente útil, eu já utilizei meu aparelho particular numa VTR do


Cruzeiro, mesmo sem conhecer a área nós chegávamos na ocorrência junto com as
VTRs locais. O ganho de agilidade é sem precedentes. Não há coisa mais
desagradável do que uma VTR em deslocamento para uma ocorrência ter que parar
para perguntar o endereço para um transeunte. Sem falar das possibilidades de
conhecer a rua antes de chegar lá, se tem saída ou não, os atalhos. Você vê um
elemento suspeito, é possível planejar uma rota de abordagem conhecendo as ruas
pelo GPS.”

“alem do abordado nas perguntas, possibilitaria uma maior fiscalização no emprego da


vtr dentro da área afeta, "conscientizando/induzindo" o policial militar da necessidade de
explorar toda e somente a área territorial que foi atribuída.”

“teria mais viaturas nas ruas pois os ppmm não poderiam esconde-las”

“creio que será uma grade melhora no controle e na qualidade dos atendimentos ao
cidadão, quando solicitados, bem como, um controle maior do efetivo, aplicando o
pessoal de forma mais efetiva e eficiente.”

“Eu acho que somente o GPS não traz benefício para atividade policial, é necessário
que haja um sistema integrado que possibilite vários serviços constituindo um sistema
mais amplo com serviços de localização de endereço, acesso a outros banco de dados,
a possibilidade que ele possa interagir com outras viaturas diretamente, acesso aos
sistemas da PMDF, etc.”

“O tema é de extrema relevância. Na PMERJ, por exemplo, já fui encarregado de alguns


procedimentos apuratórios onde somente foi possível chegar à verdade dos fatos graças
ao georeferenciamento das viaturas da PMERJ que possuem localização por GPS já há
alguns anos. No atendimento de ocorrência esse recurso é primordial. Nas aeronaves,
considero tão importante quanto os motores... Sugiro que seu trabalho seja efetivamente
colocado em prática na PMDF. Sucesso”

“> A utilização do GPS é de estrema importância para um controle mais efetivo das
viaturas e fazer com que excelentes planejamentos se revertam em excelentes
resultados e se perpetuem e se aperfeiçoem, pois de nada adianta horas de trabalho
para tudo ocorra da melhor maneira e o produto final acabe nas mãos de maus
profissionais pouco compromissados com sua missão institucional. Planejamentos já
não são lidos por quem os cumpre e se ainda por cima sua essência não for cumprida,
aí não há como se alcançarem os resultados desejados e abrilhantar o trabalho dos
profissionais que o confeccionaram, contribuindo com a Segurança Pública.”

“Primeiramente, caro companheiro a implantação na pmdf de qualquer coisa já dificil


devido a resistência de muitos, segundo pelo fato do GPS que é localizador de viaturas
terá muitos desafetos, pois não sei se vc lembra quando teve aquela informação que as
viaturas estavam com chipe de identificação, houve muita resistência e nesse caso da
implantação do GPS, haverá mais reclamações pois além de localização fácil da viatura
se está ou não fora da área de atuação verificará se a viatura estará no ar ou não, sinto
como exemplo a implantação do policiamento comunitário onde muitos entendem que é
para ficar dentro do posto vigiando, e na verdade a função do policiamento comunitário
é o policial conhecer a comunidade no perímetro do posto e vice-versa. TEM QUE TER
UMA MUDANÇA CULTURAL DOS POLICIAIS MUITO GRANDE, POIS ATÉ O
MOMENTO A MEU VER NÃO CONSEGUIRÃO NO POLICIAMENTO COMUNITÁRIO.”

“O equipamento deve ser de grande resistência;


O equipamento não pode comprometer a segurança do motorista e patrulheiros;
O programa deve ser de fácil operação.
OBS.Os equipamentos instalados hj nas viatura aparentemente são improvisados e
com dificuldades para serem operados.”

“Não entendi o grau de satisfação. Pro chefe é bom porque economiza meios e tempo,
para o subordinado é ruim, pois amplia a fiscalização”

“ao meu ver, o GPS se não atrelado a outras tecnologias de consulta em bancos de
dados, dos órgãos de Segurança Pública, não permitirá grandes avanços na eficiência
no atendimento de ocorrências”

“Tema de bastante relevância em razão da necessidade de maior controle da viaturas


operacionais, já que o planejamento operacional pose ser falho em razão da falta de
seu cumprimento por alguns policiais.”

“O GPS se torna um grande mecanismo de fiscalização das rotinas das viaturas,


facilitando o trabalho do Supervisor, bem como, uma peça importante nos
procedimentos apuratórios.”

“Posso afirmar que a utilização do GPS pode influenciar diretamente na melhoria da


qualidade do serviço prestado, pois na PMERJ já implantamos e os resultados foram
bastantes positivos. Não sei se vc atentou para o fato, mas inclusive na questão
correcional nos foi bastante útil para instruir procedimentos diversos, em relação ao
posicionamento de policias em horários de ilícitos, por exemplo. Penso que a PMDF só
tem a ganhar com a sua idéia.”

“a) seria interessante agregar ao sistema visível nas viaturas, os resultados de crimes
dos dias anteriores, para conhecimento dos locais de crime; b) possibilitar o uso com
tecnologia móvel, para serviços a cavalo, a pé, moto ou bicicleta; c) Na disponibilidade
do serviço, enfatizar a eficiência da resposta à ocorrência, d) anexar fotos do local
tiradas pelos policiais, incentivar a participação no uso do sistema.””

“o praça policial militar não gosta de GPS por que vai ser fiscalizado, porém se
queremos ter um serviço de qualidade no gerenciamento operacional e na diminuição
de custo de gasolina , pneu , ou seja manutenção de veículo e no controle das
ocorrências temos que ter o GPS instalado na VTR. “

“ENTENDO QUE O GPS DEVE AUXILIAR NA LOCALIZAÇÃO DAS VIATURAS MAS O


POLICIAL TEM O DEVER DE CONHECER SUA ÁREA DE ATUAÇÃO.”

“Importantíssimo para o engrandecimento da operacionalidade e controle do efetivo que


se encontra trabalhando diretamente com a sociedade.
Parabéns ao nobre Capitão !!!!”

“No ano de 1996, a cidade do Rio de janeiro utilizava o GPS para controle de seus
efetivos distribuídos na área de atuação, e ainda fazia uso de um pequeno computador
portátil, sendo que este informava ao comandante da viatura por este aparelho o código
da ocorrência, o endereço, o telefone do solicitante, bem como a situação real da
ocorrência conforme havia sido gerada pelo telefone 190. O policial que modulava a
mesa tinha a sua disposição uma tela de computador grande, no modelo da utilizada
nos computadores de controladores de vôo, que tinha o mapa da sua área e inserida
nesta a localização exata de suas viaturas, sendo que com esta ferramenta era possível
plotar o local do ilícito e verificar qual prefixo estava mais próximo, sendo que já
recebera digitado o histórico da solicitação e, por meio de seu computador
encaminhava ao comandante da guarnição. Do exposto o rádio transceptor não era
muito utilizado pois tudo era feito em meio digital, ficando apenas para transmissões de
urgência.”

“Tudo o que vier a representar melhoria no sistema é de grande valia. Todavia, a


cultura do nosso policial (em regra aquele antigão que nãose interessa em melhorar e
fica arrepiado quando ouve falar em mudanças) tem que se adaptar aos novos tempos.
Uma tecnologia dessa deve serprecedida de ampla divulgação e conhecimento, com
cursos que esclareçam a importância e o modo de usá-la. O principal uso do GPS,
acredito, éa rapidez no atendimento à ocorrência, pois possibilitará que a CIADe mande
a viatura mais próxima do local, sem precisar perguntar via rádio quala viatura mais
próxima.”

“Caríssimo Capitão Castellar, Sobre a pesquisa gostaria de somar nos seguintes


pontos:No caso da dificuldade do policial em operar o GPS, dependendo do sistema
que for aplicado, será nenhum, pois o painel mostrará o percurso mais rápido até a
ocorrência automaticamente, sendo o grande diferencial o serviço de controle
operacional e não sua aplicação direta pelo operador de sergurança pública. A CIADE,
lotada na Secretária de Segurança Pública, não controla e nem comanda os nossos
recursos operacionais por um fator técnico/legal, haja vista que pela norma vigente a
PMDF não é subordinada a SSP, por isso, as viaturas são do Comandante Geral e
cedidas aos seus comandantes de área, que é quem realmente determina a área de
atuação e fiscaliza a sua aplicação através do seu Oficial de Dia. A CIADE como o
nome diz, só atende a denúncias telefônicas e diz para a viatura da área que tem uma
ocorrência sob a sua circunscrição, sendo o atendimento ou não e a sua
eficácia aferidos pelo Oficial de Dia. Por isso é necessário que seja criado um C.C.O.
(Centro de Comando Operacional) subordinado ao Comando de Policiamento para que
efetivamente os recursos materiais e humanos sejam controlados de ma neira eficiente,
eficaz e efetiva. Espero que tenha ajudado. Caso o Senhor queira eu lhe mostro todo o
material produzido durante a pesquisa técnica realizada nos últimos 4 anos sobre o
tema e que se encontra em fase final para licitação. Grande abraço. “

“A efetividade maior da instalação de tecnologia GPS nas viaturas da Corporação dar-


se-ia com o aumento do controle por parte dos gerentes de empenho do policiamento,
podendo, além de deste monitoramento, direcionar de forma mais eficiente e adequada
determinadas Guarnições para o atendimento de ocorrências, conforme a proximidade
do local do fato.
Noutro sentido, eventuais desvios de conduta no que se refere ao uso inadequado de
viaturas ou a omissão/demora no atendimento de ocorrências facilmente seria
detectado, circunstâncias que, por si só, demonstrariam ao Policial Militar a efetiva
fiscalização o que, como consequencia, poderia denotar em melhor empenho e menor
índice de desvio de conduta.
Bom trabalho.”

“A COMUNICAÇÃO É IMPRESCINDÍVEL PARA O BOM ÊXITO NO ATENDIMENTO DA


OCORRÊNCIA, POIS JÁ PUDE VIVENCIAR VÁRIAS SITUAÇÕES EM QUE
COMUNICAÇÃO FOI ESSENCIAL PARA A PRISÃO DE MELIANTES E A RAPIDEZ NA
AÇÃO POLICIAL.”

“Infelizamente não tenho muita familiaridade com o sitema, mas tão-somente algumas
noções. Pelo que sei, este sistema permite localizar e/ou acompanhar a VTR onde quer
que ela vá. Isso é importante pois permite, além do controle das ações da guarnição, a
possibilidade de enviar uma viatura a um local de ocorrência em função da sua
proximidade com o local, e não tão-somente com sua área de atuação. Além disso
permite, dadas as condições (obstáculos) de acessibilidade ao local, tais como
engarrafamentos, orientar a guarnição acerca do melhor caminho a seguir. Permite
ainda, em vista das condições citadas, a escolha do tipo de viatura que atenderá a
ocorrência.”

“ESTAMOS ATRASADOS NESSA SEARA.


O TRABALHO DE FISCALIZACAO E CONTROLE DE FROTA E DE ATENDIMENTOS
SERIA MUITO MAIOR.”

“ Sabemos que a tecnologia a cada dia avança, mas ainda temos equipamentos
gps que dependendo local é falho, principalmente quando usado próximo a redes
elétricas, em sub-solos, por isso no momento de adquiri-los temos que atentar para
esses fatores, já que se propõe um serviço de qualidade, principalmente quando se fala
em grau de rapidez e qualidade no atendimento das ocorrências.”
Buscar meios para que se quebre o paradigma "de estarmos sendo vigiados"
através de cursos, mostrando a real necessidade do uso e a eficácia desta ferramenta.

“ NOSSO SISTEMA DE COMUNICAÇÃO VIA RADIO E MUITO FALHO.


RADIOS COM TRANSMISSAO DE PESSIMA QUALIDADE.MUITOS RUIDOS,
INTERFERENCIAS, CHIADOS ,ETC.
FALTA MANUTENÇÃO”

“Importante a instalação do GPS nas viaturas da PMDF, pois diminuiria em muito o


tempo de atendimento de uma viatura para tal ocorrência.”

“Capitão, é com prazer que respondo sua pesquisa acerca da implantação de sistema
GPS nas viaturas da PMDF. Tal aparelhagem será subsídio de grande valia no que
tange ao atendimento das diversas ocorrências geradas a cada dia pela CIADE, ainda
mais se esta também puder fazer o geo-referenciamento, ficando a cargo das viaturas
apenas seguir a rota traçada.”

“Na realidade, desconheço o funcionamento do GPS nas viaturas, mas se ele tem o
mesmo funcionamento do GPS veicular ou para detecção da localidade da Vtr será
muito bom. Espero ter ajudado.”

“O GPS instalado em uma viatura iria otimizar o atendimento de ocorrências pois a


equipe ganharia tem´po na localização de qualquer localidade.”

“Que o novo sistema de rastreamento de viaturas via gps e seu uso veicular pode
auxiliar muito o serviço policial,melhorando a qualidade dos serviços prestados a
sociedade brasiliense

“” GPS em viaturas policiais seria uma ferramenta de grande auxílio ao Policial,


no sentido de minimizar o tempo de resposta em uma ocorrência, especialmente em
casos onde um Policial não conhece a sua área de atuação (novatos e transferidos).”

“Um bom manejista consegue utilizar o aparelho com eficácia. O emprego para a
localização por GPS favorece tanto a equipe de serviço conhecedora da área,quanto
àqueles que desconhece a cidade, uma vez que, a aplicação do aparelho facilmente
guiará a equipe com rapidez em achar o endereço para ocorrência policial, e também
incorporar informação dos trechos ou setores com maior economia de tempo.”

“Caro pesquisador, no primeiro momento, quando li a intenção da pesquisa pensei que


os aparelhos GPS seriam instalados para facilitar o deslocamento da viatura ao local da
ocorrência; porém, após responder as questões, senti que estas direcionam a busca
para a implantação de um sistema de rastreamento de viaturas. Caso seja este o
propósito, a meu ver, os benefícios seriam mínimos. Já se minha percepção estiver
equivocada e a pesquisa não visar tal objetivo, sugiro que procure seu professor
orientador e reformule as perguntas, pois, caso contrário, o resultado será
prejudicado.Espero ter contribuído de alguma forma.”
“ O GPS sem dúvidas é um acréscimo para o atendimento a ocorrências,
principalmente para policiais que não atuam na área como policiais de serviço
voluntário, e de Unidades Especializadas que não tem área definida, a implantação de
tal sistema na minha opinião requer do profissional de segurança público conhecimento,
para isso, a Corporação além de investir no aparelho muito mais será preciso investir na
formação e capacitação para o uso dele. Observo que muitos policiais não sabem
manusear o rádio da viatura, ou por não trabalharem no serviço operacional, ou mesmo
sendo do serviço operacional sabem apenas sobre a sua frequencia local já
configurada. Acredido que ele pode somar junto aos equipamentos que temos, porém
deve-se ressaltar que o interesse institucional em manter o padrão técnico e de
capacitação do policial deve ser contínuo, para que não acontença de sermos
surpreendidos por um meliante capacitado e antecipado a nossa tecnologia, seja em
equipamentos, armas e estratégias.”

“Tecnologia sempre é bom..A área do DF não é tão grande. Pelo que eu conheço as
viaturas são dividas por setores e o GPS não seria tão significativo por conta do custo
muito alto.É necessário urgentemente investir na comunicação da pm, desde
equipamentos comunicação, a treinamento do pessoal.”

“Necessário seria a execução de curso no sentido de operar GPS, devendo levar em


conta a atual alteração do mapa viário do DF (linha verde) e ampliação de avenidas
principais, surgindo vias secundárias para atualização do GPS.”

“Penso que este sistema pode ser importante apenas para o controle de localização do
prefixo por parte do CIADe e meios de fiscalização.
Quanto a rapidez para atendimento de uma ocorrência é relativa sua importância tendo
em vista a modalidade do policiamento o que se busca, maior rapidez ou melhor
presença...”

“Este tema é irrelevante, pois existem coisas mais importantes na corporação para dar
prioridade, para ser aplicado na corporação por exemplo cursos mais técnicos
relacionados realmente com a realidade do serviço.
Qualificação, reciclagem para uma atualização das técnicas, por exemplo existe
policiais que não tem curso de .40, isso é uma coisa absurda.
Uma padronização de procedimentos nas atuações dos policiais nas ocorrências.
Uma padronização da frota, com viaturas que são eficientes no serviço Policial Militar,
que não há necessidade de uma diversificação de assistência técnica, exemplo
Renault, chevrolet, fiat e etc.”

Esse tipo de comunicação hoje para a Policia Militar é de fundamental


importância, pois haverá mais controle na fiscalização e mais rápido para dar apoio
caso alguma viatura precise, devo lembrar que toda nova tecnologia deve ser
apresentada nas unidades que haja uma melhoria nas comunicações que hoje existe
falhas, lógico que houve uma grande melhoria, mas é bem vinda o uso do gps mas tem
que ser em todas as UPM não só nas unidades operacionais.
Só a título de informação, uma central de rádio taxi consegue com uso de GPS ser mais
rápida no atendimento de chamadas do que a nossa gloriosa. Fato este já constatado
in-loco. Fizemos o seguinte teste: Ligamos para a rádio taxi e para o CIADE, simulando
uma ocorrência. A rádio taxi ganhou de lavada.