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Leis que não pegam dão prejuízo a consumidor


27-Jul-2008

Quem se lembra do kit de primeiros socorros, cujo uso era obrigatório nos veículos e, depois de empoeirar no porta-luvas,
caiu em desuso? E a febre que foi a conversão para o gás natural veicular (GNV), promessa de alternativa de
combustível econômico, considerado hoje um transtorno para muitos? E o extintor, esquecido embaixo do banco, que,
até 2010, terá de ser substituído em todos os veículos? O mais recente desta lista é o polêmico capacete com
certificação do Inmetro, que provocou corrida às lojas e rombo no bolso dos motociclistas.
Não faltam exemplos de equipamentos e recursos impostos por lei ou “vendidos” por campanhas que
resultaram em prejuízo, isso quando não se mostraram totalmente ineficazes. O funcionário público Ciro Ribeiro da
Fonseca, 41 anos, não se lembra quanto pagou pelo kit de primeiros socorros, mas sabe que foi um dinheiro gasto em
vão. Hoje, teme que o mesmo aconteça com o extintor. Conforme a Resolução 157 do Conselho Nacional de Trânsito
(Contran), todos que possuem o conteúdo “BC” terão que ser substituídos por “ABC”. A
alegação é que o segundo tipo atuaria também em casos de fogo provocado por curto-circuito e não apenas mediante
vazamento de combustível.

O motorista Rogério Campos, 50, não vê a hora de se livrar do cilindro de gás que carrega no bagageiro. Ele investiu
R$ 3.500 na conversão, na época em que o GNV prometia ter custo 70% inferior ao da gasolina, como acontecia em
2000. Agora, só contabiliza prejuízo. Além de a diferença entre o preço do GNV e da gasolina estar em apenas 25%, o
sistema exige manutenção a cada seis meses, no valor de R$ 300. Em 2000, o preço do GNV era de R$ 0,679 o metro
cúbico. Hoje chega a R$ 1,87.

O empresário Luiz Fernando Cigani, 44, investiu mais de R$ 300 no capacete de bicicleta, cujo uso não foi
regulamentado. Os motociclistas também tiveram que desembolsar dinheiro por um capacete certificado pelo Inmetro.
Bruno Lana Ribeiro, 23, pagou cerca de R$ 60 pela proteção, embora tivesse outra nova em casa. Lana contabiliza,
ainda, o investimento nas faixas refletivas, usadas nas laterais do baú, cujo custo chega a R$ 7 cada, atendendo a
outra exigência legal.

Quem se beneficia com isso?

O presidente da Comissão Municipal de Segurança e Educação no Trânsito (Conset), José Luiz Britto Bastos, observa que
as exigências se mostraram inúteis e só causaram prejuízo. “A pergunta é: quem e quantos se beneficiaram com
a exigência de medidas absurdas, como o kit de primeiros socorros nos carros?” Britto faz o mesmo
questionamento em relação à mudança dos extintores. Sobre a exigência de uso dos novos capacetes e a polêmica
criada em torno da aplicabilidade da Resolução 203, do Contran, diz que “entre a publicação da norma, suas
posteriores modificações e a efetiva exigência é possível que muitos motociclistas tenham sido prejudicados com a
compra do equipamento inadequado.”

O assessor jurídico do Procon do Ministério Público Estadual em Belo Horizonte, Ricardo Amorim, explica que, se o
consumidor fez investimentos para atender uma imposição normativa, não tem direito de ser indenizado em função de
mudanças e/ou queda da lei, já que a situação é considerada juridicamente perfeita, ou seja, há uma norma que manda
fazer. “Não é uma lesão.” O que pode acontecer, segundo o assessor jurídico, é, caso seja verificado vício
na norma, como a constatação de que ela foi dolosamente criada para aferir lucro para uma parte, pode haver algum tipo
de ressarcimento.

“A lei sempre atende a interesses de grupos. Resta saber se de vários grupos, com a justa harmonização de
interesses ou de apenas um grupo. Se for o dos empresários, por exemplo, o consumidor ficará sem a proteção
devida,” avalia o professor de Direito Constitucional do Instituto Vianna Júnior, Gustavo Rocha Martins. Ele
explica que há leis que são formuladas corretamente, sendo discutidas no Congresso, em que a sociedade e as partes
interessadas são ouvidas. Neste caso, se não “pega” é um problema de educação, de o cidadão não saber o
seu conteúdo para se ajustar à ela. Há ainda a lei mal feita, que não contou com participação da sociedade e que atende
ao interesse de um grupo que pressionou a sua aprovação. A tendência, neste caso, é que ela não vingue e acabe
resultando em prejuízo para o cidadão.

Kit gás

Rogério Campos investiu R$ 3.500 na conversão para GNV em 2000, mas agora pretende eliminar o sistema de seu
carro nos próximos três meses

Acessórios de bicicleta

Luiz Fernando Cigani preferiu gastar mais de R$ 300 no capacete, por considerar mais importante que os acessórios,
previstos no Código Brasileiro de Trânsito (CBT), como busina e retrovisor

Capacete
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Bruno Lana Ribeiro pagou cerca de R$ 60 pelo capacete certificado pelo Inmetro, embora tivesse outro novo em casa

Kit primeiros socorros

Depois do gasto com o kit de primeiros socorres, Ciro Ribeiro da Fonseca teme que o mesmo aconteça com o novo
extintor. "Não teve uso, nem fiscalização. Algumas leis só servem para onerar o consumidor."

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