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Universidade Federal do Maranhão

Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais

Mestrado em Ciências Sociais

Disciplina:  

Professor:    
Aluno:       
Data:   

RESENHA

Texto: ALEXANDER, Jeffrey C.       . Disponível em:


<anpocs.org.br/portal/.../rbcs04_01.htm>. Acesso em 06/04/11.

Alexander aborda as vicissitudes da sociologia a partir da crise


inaugurada ante a frustração com o estrutural-funcionalismo parsoniano,
dominante no pós-guerra. Seguiu-se uma fase pós-funcionalista, na qual
surgiram tanto escolas de microteorização ou microssociológicas (com ênfase
no caráter contingente da ordem social e na centralidade da negociação
individual) quanto escolas macroteóricas ou macrossociológicas ( com destaque
para a determinação coercitiva do comportamento individual e coletivo pelas
estruturas sociais). Na fase atual, com o declínio da vigorosa fase pós-
funcionalista, estaria se afirmando um V   V  em sociologia.

Esse novo movimento ganha seu impulso da necessidade de articular,


num esforço de síntese, as teorias da ação e da estrutura, da vontade subjetiva
e da ordem social objetiva, pólos que haviam sido radicalizados nas tradições
micro e macrossociológica. Esse modelo sintético de inter -relação entre ação e
estrutura tenta superar a unilateralidade das escolas micro e macroteóricas.
Esse progresso foi sustentado, de acordo com o autor, por uma teorização

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geral, elaborada ³sem referência a problemas empíricos particulares ou a
domínios específicos´ (p. 1).

A perspectiva apresentada por Alexander permite, ao meu ver,


questionar certos obstáculos epistemológicos a princípio presentes no meu
projeto de pesquisa. Quando comecei a esboçar o desenvolvimento de minha
problemática de pesquisa, pretendia compreender se e até que ponto certos
mal-entendidos e conflitos vivenciados nas relações entre intercambistas e
suas respectivas famílias anfitriãs em São Luís podiam ser referidos a
diferenças nas suas representações de gênero e, no limite, a diferentes
padrões ou sistemas de gênero. A partir da leitura do texto, dou-me conta de
que minha pretensão era a de que os resultados da pesquisa me permitissem
uma espécie de conclusão totalizante sobre ³o´ suposto sistema de gênero
brasileiro e ³o´ suposto sistema de gênero da cultura de origem do(a)
estrangeiro(a); como se a relação vivida entre os dois pólos fosse tão somente
uma oportunidade de encontro e atualização de estruturas objetivas, exteriores
e superiores aos sujeitos em interação. Havia, portanto, uma certa ideia
radicalizada no sentido de um determinismo das estruturas, ordens e sistemas,
conforme a tradição macrossociológica apontada pelo autor.

Na comparação entre ciência social e ciência natural, o autor destaca


que, para autores pós-positivistas, a moderna ciência natural opera a exclusão
da ancoragem subjetiva do conhecimento científico apesar de seu
reconhecimento. A ciência social, por sua vez, não pode operar tal exclusão
dos aspectos subjetivos, pois não tem por critério apenas ou de modo mais
importante o sucesso explicativo, não pode ser concebida co mo puramente
explicativa. Não há explicação sem o desdobramento de estratégias
supraempíricas de persuasão, ancoradas na lógica geral.

Assim, são distinguidos dois níveis de trabalho: um, empírico, onde se


recolhem evidências a ser explicadas por leis gerais e onde se lança mão de
métodos de verificação e falsificação; e outro, discursivo, em que se praticam
modos de argumentação mais generalizados e especulativos, voltado para o
raciocínio e visando à persuasão pelo argumento. Nas ciências sociais, há
dissenso (e dissenso amplo) tanto sobre a natureza do conhecimento empírico

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e as leis gerais explicativas, quanto sobre os supostos fundamentais, os quais
restam visíveis e, por isso, a discussão geral se torna parte integrante do
debate nas ciências sociais (p. 4).

As razões desse dissenso não são contingentes. Isso faz com que as
categorias sociológicas sejam não apenas explicativas ou descritivas, mas
também interpretativas ou avaliativas. Isto leva Alexander a afirmar que o
desacordo empírico e teórico que na ciência social é endêmico e, por causa
disso, ela se divide em tradições e escolas. Esse desacordo não é apenas
manifestado no curso do trabalho científico, mas também promovido e mantido,
podendo atestar o caráter saudável de uma disciplina (p. 4).

Uma importante consequência dessas articulações do autor é a noção


de que as próprias descrições dos objetos de estudo têm implicações
ideológicas e que a proposição mesma de certas caracterizações está
sobredeterminada pelos supostos fundamentais promovidos em nível geral e
abstrato.

Referindo-se à noção de discurso de Foucault, Alexander propõe a


sociologia como um campo discursivo e afirma a pluralidade de discursos na
ciência social. Um argumento que me parece passível de discussão mais
aprofundada é aquele segundo o qual ³ esses discursos não são ligados à
legitimação do poder´; para o autor, eles teriam ³como alvo a verdade, e são
constantemente submetidos a estipulações racionais sobre como se pode
chegar à verdade e sobre qual pode ser essa verdade´ (p. 5). Minha questão,
ao ler essa passagem, é como se pode m desligar as estratégias de construção
e estabelecimento da verdade das estratégias de legitimação do poder .

A onipresença do discurso produz a sobredeterminação da ciência social


pela teoria e sua subdeterminação pelo fato. Isso equivaleria a dizer, dentre
outras coisas, que as correlações estabelecidas pelos pesquisadores entre
variáveis empíricas não são imediatamente traduzíveis em inter -relações entre
termos ou categorias mais gerais. Há uma desarticulação entre dados
empíricos e teorias, não sendo possível relacioná -los de modo decisivo. Os
trabalhos dos autores podem tanto revelar uma sobredeterminação dos fatos
observados pela teoria como a subdeterminação da teoria pelos dados colhidos

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na pesquisa. A respeito disso, o autor cita alguns exemplos. ³Como resultado, a
ciência social é essencialmente contestável, tanto em suas declarações
factuais [sic] mais específicas, como em suas generalizações mais abstratas´
(p. 7).

Fica, então, mais claro para mim que fazer pesquisa e produzir teoria em
ciência social significa participar dos debates e controvérsias que se situam em
nível discursivo e não explicativo, como aponta o autor. Assumir tal debate não
representa uma adesão ao simples relativismo, mas o en gajamento com o
caráter aberto e discursivo da ciência social, a partir da aceitação da
independência entre o nível discursivo e os testes empíricos comuns. Entendo
que as controvérsias acima referidas dizem respeito, principalmente, aos
pressupostos da sociologia definidos por Alexander como ³as suposições mais
gerais que os sociólogos fazem quando se defrontam com a realidade´ (p. 9).

Os pressupostos sociológicos, como afirma o autor, giram em torno de


duas questões maiores, por assim dizer: a primeira diz respeito à natureza da
ação, se ela é ou não racional, produzindo abordagens racionalistas e não
racionalistas, conforme se sustente a motivação externa ou interna dos atores;
a segunda se refere ao ³problema da ordem´ , sobre como os padrões e a
ordem social são produzidos, gerando uma posição individualista e uma
coletivista, conforme se entendam os padrões sociais como resultado das
negociações individuais ou como pré-existentes a qualquer ato individual
específico (p. 10).

Entendo que minha posição primeira na abordagem dos problemas de


gênero tendia mais para uma abordagem racionalista da ação e coletivista
quanto à ordem social. Isso atesta até que ponto somos levados a tomar
posições sobre as questões relativas aos pressupostos da disciplina. Temos,
assim, colocados os pólos da liberdade e da ordem, entre os quais se
desenvolvem as diversas posições teóricas em sociologia e que geram a
tensão que está na base de seu progresso.

Em uma observação à parte, e ntendo criticável a atribuição à teoria


freudiana de uma posição individualista , na medida em que diversas
teorizações de Freud (incluindo as formulações sobre o complexo de Édipo e

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sobre a construção do ³supereu´ a partir da relação com pais, professores e
outras figuras de autoridade) expõem o quanto o indivíduo é dependente da
estrutura, ao mesmo tempo em que guarda e efetivamente exerce alguma
liberdade diante dos padrões normativos com os quais se defronta. A própria
noção de indivíduo não é, de fato, apropriada, na medida em que Freud
trabalha como a noção de uma psique não unificada, mas dividida em
instâncias conflitantes (³eu´, ³supereu´ e ³isso´), o que indica o grau de
complexidade de sua teorização. Talvez, a apreensão do autor da teoria
freudiana esteja condicionada ao modo como a psicanálise foi, de modo geral,
apropriada no seio da cultura americana.

O novo movimento teórico mostra uma tendência para se afastar do


impulso de radicalização e aferramento a uma tradição teórica específica e
para a abertura a cruzamentos entre tradições bem distintas. É particularmente
interessante a defesa de Alexander de um modelo de ação no qual esta é
concebida como o ³elemento contingente do comportamento, que pode ser
analiticamente diferenciado da mera reprodução´ (p. 20), numa clara tentativa
de articular elementos das tradições micro e macroteórica. Segundo o autor,
ainda, a chave para o avanço da sociologia está em ³um reconhecimento mais
direto da centralidade do significado coletivamente estruturado ou cultura ´ (p.
20), o que, por um lado, mostra a autonomia relativa das estruturas sociais,
mas, por outro, deixa aberta a possibilidade de criatividade e rebelião contras
as normas construídas.

Para não concluir, enfatizo o que considero um tópico importante da


argumentação do autor quando tra ta do
   

   

  
e no erro em que consistiria buscar efetuar uma mera síntese das
escolas sociológicas em conflito. O esforço de síntese do V    V 
 consistiria em buscar pensar a ação em relação com a estrutura.

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