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ESTUDO DA OBRA

DISCIPLINA: Português

PROFESSORA: Ana Paula

NOMES: Ayeska, Guilherme Caetano, Mariana Gabriela, Mariana Miriam, Maria Luíza, Roger
Highlander.

TURMA: Química 2A

Belo Horizonte
22/06/2010

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INTRODUÇÃO

“Esaú e Jacó” é um romance do grande escritor brasileiro Machado de Assis e, dentre estes, um
dos mais abstratos devido às inúmeras teorias que podem ser levantadas em torno do
relacionamento dos irmãos gêmeos Paulo e Pedro.
A obra se passa no Rio de Janeiro, então capital do império e posteriormente da república,
tendo a proclamação da república relatada do ponto de vista do narrador, um antigo diplomata e
figura bem vista na sociedade da época, o conselheiro Aires.
Pedro é um grande defensor das idéias conservadoras da época, tendo como herói o primeiro
imperador brasileiro, D. Pedro I, já Paulo é liberal e impulsivo e essas diferenças foram razão de
inúmeras brigas entre os irmãos ao decorrer da obra.
O título é extraído da Bíblia, remetendo-nos ao Gênesis: à história de Rebeca, que privilegia o
filho Jacó, em detrimento do outro filho, Esaú, fazendo-os inimigos irreconciliáveis.

RESUMO DA OBRA

Agostinho Santos nasceu pobre, mas por ser um homem de visão política e econômica logo
se torna um dos homens mais importantes da capital do império. Casou-se com Natividade, uma
bela e integra mulher e dedicada esposa. Juntos tiveram apenas dois filhos frutos de uma única
gestação sendo gêmeos idênticos.
Durante a gestação Natividade sentiu um movimento brusco no seu ventre e intrigada com
isso poucos dias após se recompor do parto foi consultar a mais falada cartomante da época e esta
lhe revela que o que houve no seu ventre foi uma briga entre seus filhos e ambos se
desentenderiam sempre, mas que se seriam grandes homens apesar de rivais.
Os garotos cresceram e suas idéias quanto à política se formaram e se provaram opostas,
sendo Pedro um conservador defensor do império e Paulo um liberal republicano. Seus pais se
tornaram Barão e Baronesa e os conflitos continuaram. Paulo decidiu se mudar para São Paulo
para estudar direito, enquanto Pedro permaneceu no rio estudando medicina.
A rivalidade dos gêmeos também se provou no amor, onde ambos se apaixonaram durante a
juventude pela mesma moça Flora, de quem ambos gostam, se entretém com um e outro, sem se
decidir por nenhum dos dois: a moça é retraída, modesta, e seu temperamento avesso a festas e
alegrias, isso levou o Conselheiro Aires a dizer que ela era "inexplicável".
Temendo um grande desastre na sua família, Natividade pede ajuda a um grande e velho
amigo, Aires intervém na relação dos gêmeos como um eficiente apaziguador, mostrando a ambos

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as qualidades de um e de outro e mostrar um caminho racional para ambos seguirem lutando
honesta e dignamente pelo amor de Flora.
Batista, o pai de Flora, recebeu o cargo de presidente da província. Sabendo da nomeação, Pedro
disse à Flora que para onde o pai dela fosse ele iria atrás. Pensando, Flora viu que não queria sair
da corte e pediu ao conselheiro Aires, amigo das duas famílias, que fizesse com que o pai negasse
o cargo. No entanto nada aconteceu, ele foi feito presidente da província ao norte.
Quando o império cai, a situação política da época se torna bastante delicada e imprevisível,
Flora e a família Batista retornam ao Rio, Paulo se torna radiante de felicidade e Pedro um poço de
tristeza, entretanto ambos não entram em atrito mantendo a tranqüila relação existente até então.
As tribulações amorosas de Flora entristecem a moça, então Aires para amenizar a pressão
sobre a ela sugere que esta vá morar com sua irmã Rita no Andaraí, afastando assim os gêmeos e
os sofrimentos da moça.
Este afastamento tornou o relacionamento dos gêmeos conturbado e delicado fazendo com
que ambos evitassem um ao outro. Pedro saiu do quarto que dividia com o irmão e se alojou em um
muito parecido. Durante as refeições ambos nem trocavam palavras se reunindo apenas quando
iam visitar Flora no Andaraí.
Durante certo tempo essa medida se tornou eficaz, entretanto a jovem caiu adoentada e
faleceu. Os gêmeos juram no leito da moça retornar ao bom convívio.
No mês de aniversário da morte Flora os dois saíram cedo e foram ver o túmulo. Pedro
primeiro, Paulo depois. Rezaram e choraram. Os dois então foram eleitos deputados, um fazia
oposição ao outro, nesses tempos Natividade estava velha e no momento antes de morrer teve
uma conferência com os filhos, os fez jurar que para sempre seriam amigos. Morreu. E assim foi o
primeiro ano na política, eram amigos fiéis, todos se impressionavam. No ano da morte de Flora
choraram.
A câmara fechou em dezembro e reabriu em maio do outro ano. Só Pedro apareceu, Paulo estava
a passeio em Minas. Mas quando voltou todos viram a diferença nos gêmeos. Odiavam-se. Muitos
perguntaram a Aires que era amigo da família o que aconteceu para que os irmãos mudassem,
Aires apenas afirmou que eles eram os mesmos, continuando, portanto, a se odiar.

Características do Realismo na obra lida:

Esaú e Jacó surgiu no fim do Realismo (1904) estando fora da fase áurea desse período
brasileiro e da ficção machadiana (1880-1900). Assim, é difícil enquadrar a obra nos moldes
realistas. Porém é possível encontrar certas características realistas em Esaú e Jacó:

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Enfoque do tempo presente: nessa obra, há enfoque para o tempo presente, a vida
contemporânea, justificando a ironia e a crítica utilizada pelos escritores realistas para “combater”
as devassidões morais da sociedade.

Análise: há uma análise profunda relacionada aos aspectos psicológicos dos personagens.
Machado de Assis, em Esaú e Jacó, analisa a complexidade dual do ser humano.

Objetividade a impessoalidade: o escritor não interfere nas ações de seus personagens. Nessa
obra, Machado de Assis narra os fatos apenas como observador, deixando isso explícito em
algumas passagens do livro: “Ao cabo, não estou contando a minha vida, nem as minhas opiniões,
nem nada que não sela das pessoas que entram no livro [...]”.

Narrativa lenta com descrição de pormenores: como há análise dos fatos e dos personagens o
processo narrativo é lento. Os pormenores, detalhes aparentemente dispensáveis, contribuem para
o retrato da realidade que se quer expor.

Fidelidade na descrição: os fatos e os personagens são descritos com máxima fidelidade, pois quer
se mostrar a realidade direta e objetiva, procurando o que é, não o que deve ser, como os
românticos.

Aspecto simbolista: o Simbolismo (inaugurado em 1983) é um movimento literário que se


fundamenta basicamente na linguagem figurada - no símbolo, como sugere a palavra. Há figuras
empregadas no livro para retratar transmitir determinadas mensagens, como o próprio título do livro,
que faz alusão a uma passagem bíblica, a fim de explicar o que será retratado na obra.

Aspectos particulares da linguagem, da estrutura narrativa e da trama

A linguagem é um recurso utilizado pelo narrador no qual, em certos momentos, interrompe o


fluxo narrativo para fazer reflexões e comentários sobre a própria narrativa, observando-se aí a
metalinguagem. O narrador fala sobre o ato de narrar, o estilo apresentado, a técnica, a construção
dos personagens e do enredo.

Machado de Assis coloca uma “Advertência” antes do primeiro capítulo, um “esclarecimento”


sobre um dos elementos da narrativa: o autor [fictício] da história, e aí já apresenta o caráter
linguístico da obra.Ao longo da narrativa, observa-se também, uma estratégia amplamente utilizada
por Machado de Assis em suas obras: o diálogo com o leitor. Esse diálogo se estabelece em
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diversos momentos e de diferentes formas. Por vezes, o autor se manifesta, explicitamente, com
reflexões intempestivas sobre possíveis comentários do leitor.
O escritor Machado de Assis utiliza muitas metáforas em sua obra e, por meio dessas, evidencia
o caráter lúdico da escrita e da leitura: como sendo um jogo, lazer, brincadeira, diversão. O
processo de elaboração, desenvolvimento e leitura do livro é comparado ao desenrolar de uma
partida de xadrez, durante o qual, 'por uma lei de solidariedade', o leitor e os próprios personagens
colaboram com o autor / narrador. Esse processo é comprado também ao transcorrer de uma
viagem.
O livro Esaú e Jacó possui características de estrutura narrativa complexa, na qual há crítica à
realidade cotidiana e aos modos de narrar, há questionamento ideológico à sustentação dos valores
sociais. Com ela surge o anti-herói. A trama é tecida pela história da vida dos gêmeos Pedro e
Paulo, levada pelas divergências de idéias, desejos e ambições, visões de mundo, temperamento,
posições políticas, porém é levada também pelo amor que ambos dedicam à mesma mulher. A
discórdia dos gêmeos inicia no útero da mãe e percorre toda a narrativa.
A história se passa no período de transição entre o Império e a República, época da economia do
café, libertação dos escravos, das grandes transformações urbanas. Através das análises
detalhadas, Machado revela os costumes, os hábitos, as características comportamentais e
estruturais peculiares de seu tempo e, sobretudo, as características psicológicas dos personagens.
O jogo de oposições e ambigüidades em Esaú e Jacó, os paradoxos, ironias, presentes por toda a
trama, sugerem uma diversidade enorme de interpretações.

Análise dos elementos da narrativa: foco narrativo, tipo de narrador e ponto de vista;
espaço, tempo, personagens e enredo.

”Quando o Conselheiro Aires faleceu, acharam-se-lhe na secretária sete cadernos manuscritos


[...] Era uma narrativa; e, posto figure aqui próprio Aires, com o seu nome e titulo conselho, e, por
alusão, algumas aventuras, nem assim deixava de ser uma narrativa [...] Tal foi a razão de se
publicar somente a narrativa [...]”
Desta forma Machado de Assis nos apresenta, na primeira página do livro, uma advertência onde
ele se apresenta como apenas um editor do romance, cujo verdadeiro autor/narrador seria o
Conselheiro Aires.
Contudo, apesar de Aires ser ao mesmo tempo narrador e personagem, observa-se que a narrativa
não é contada em primeira pessoa. A esse respeito é muito importante o Capítulo XII (Esse Aires)
que inicia assim: “Esse Aires que aí aparece conserva ainda agora algumas das virtudes daquele
tempo, e quase nenhum vício. [...] Não me demoro em descrevê-lo.” E a seguir o narrador traça um
preciso perfil físico, psicológico e moral do diplomata aposentado.
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Assim, é possível perceber que a narrativa é feita por um narrador externo à história, ou seja,
que não atua como personagem, e que, embora usando às vezes a forma da primeira pessoa,
caracteriza-se como um típico narrador de terceira pessoa, onisciente, que sabe tudo sobre a vida
externa e interna das personagens e que tem a visão global da sociedade e da geografia nas quais
eles se movem.
Machado de Assis acaba criando um grande problema num dos elementos mais importantes de
uma narrativa: o narrador. Tanto pode ser o Conselheiro Aires, que se disfarça falando de si mesmo
em terceira pessoa num processo de distanciamento e pretensão para não ficar marcada sua
opinião ou é o próprio “Machado de Assis que, editor fictício, apropria-se da narrativa e torna-se
narrador, transformando-se também num ser ficcional - ou seja, invenção de si mesmo...”
Dirce Riedel (introdutora do livro Esaú e Jacó da série Bom Livro) relata que: “A narrativa do
romance de Esaú e Jacó se submete à visão de mundo do Conselheiro Aires. Os fatos falam
através do seu ponto de vista. O seu discurso, que o narrador assume, passando a mero
intermediário, é a maquillage da realidade da matéria narrada [...] Temos, portanto, uma narrativa
em 3ª pessoa, em que o “ele” é o “eu” do Conselheiro [...] Aires representa alguém que
ironicamente possui a verdade, ou sobre ela reflete. É a sua posição ideológica que fundamenta a
narrativa [...] ele é quem opina sobre a significação da matéria narrada, mesmo que não possa
esclarecer todos os enigmas.”
[Dirce Cortes Riedel - Um romance 'histórico'?]
Desta forma, não é possível saber ao certo se o narrador é Machado ou se é o Conselheiro ou os
dois.
A história se desenvolve na cidade do Rio de Janeiro, com diversas referências a localidades
como o Morro do Castelo, Botafogo, Andaraí, etc. Além de no fim do romance a ação se deslocar,
durante algum tempo, para Petrópolis.
A seqüência dos fatos se revela essencialmente cronológica; inicia-se com a previsão da cabocla
do Castelo, em 1871, indo até os primeiros anos da República. Porém, ao longo da história os
personagens normalmente aparecem primeiro e depois é explicado quem são eles ou o que eles
têm haver com a história. Isso acaba confundido um pouco, dando uma alusão à um tempo
psicológico, além de fatos que acontecem sem nenhuma introdução e a narrativa lenta que também
ajudam nessa confusão.
Com exceção do Conselheiro Aires, todas as personagens de Esaú e Jacó são simples e estão
muito longe da complexidade humana das grandes personagens machadianas.
Aires: o Conselheiro Aires acaba ocupando o centro de toda a narrativa, dada a sua importância no
romance como guia espiritual dos meninos. Era estimado e respeitado pela sua conduta, pela sua
hombridade, experiência e dignidade. “Imagina só que trazia o calo do ofício, o sorriso aprovador, a
fala branda e cautelosa, o ar da ocasião, a expressão adequada, tudo tão bem distribuído que era
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um gosto ouvi-lo e vê-lo. Talvez a pele da cara rapada estivesse prestes a mostrar os primeiros
sinais do tempo. Ainda assim o bigode, que era moço na cor e no apuro com que acabava com
ponta fina e rija, daria um ar de frescura ao rosto, quando o meio século chegasse. O mesmo faria o
cabelo, vagamente grisalho, apartado ao centro. No alto da cabeça havia um início de calva. Na
botoeira, uma flor eterna.” [Capítulo XII Esse Aires]
Pedro e Paulo: Pedro e Paulo são os gêmeos que dão nome ao livro (Esaú e Jacó). Caracteriza-os
uma rivalidade que remonta ao ventre materno, quando já brigavam. Não constituem
individualidades autônomas, não passando de símbolos da dualidade do ser humano, na sua
natureza complexa e intrincada, que só uma Flora pode ver e “explicar”: “No valor e no ímpeto
podia comparar o coração ao gêmeo Paulo; o espírito, pela arte e sutileza, seria o gêmeo Pedro”. E
que são o “coração” e o “espírito” seriam um complemento um do outro, mostrando a dualidade do
ser humano. E isso é reforçado quando Flora trocava seus nomes, chamando Paulo de Pedro e
vice-versa. “Em vão eles mudavam da esquerda para a direita e da direita para a esquerda. Flora
mudava os nomes também, e os três acabavam rindo.”
Pedro e Paulo são também um meio de Machado mostrar a situação política dos fins do século
XIX: Pedro era monarquista (conservador), Paulo republicano (liberal): “A razão parece-me ser que
o espírito de inquietação está em Paulo, e o de conservação em Pedro”.
Flora: É uma personagem que atravessa a sua curta existência sem perturbar ninguém, apesar
de ser amada pelos gêmeos, formando um triângulo amoroso. Acaba sendo “causa da discórdia”,
porém não é sua intenção.
Aires a vê como uma criatura inexplicável: “acho-lhe um sabor particular naquele contraste de
uma pessoa assim, tão humana e tão fora do mundo, tão etérea e tão ambiciosa, ao mesmo tempo,
de uma ambição recôndita...”
Batista e D. Cláudia: São os pais de Flora. D. Cláudia é o retrato da mulher forte, que subjuga o
marido fraco. A fraqueza do Batista e a fortaleza da mulher podem ser vistas quando Machado
coloca a mulher como sinônimo do diabo. O Batista é o tipo do político que quer subir; D. Cláudia a
mulher ambiciosa que quer tudo para o marido, porque serão delas os privilégios e regalias do
sucesso e das glórias dele.
Natividade e Santos são os pais dos gêmeos. Ela é uma esposa dedicada e mãe extremada,
que não hesita em se expor à opinião pública em favor dos filhos, como no caso da consulta à
cabocla do Castelo, aonde foi juntamente com a irmã, Perpétua: “tinha fé, mas tinha também
vexame da opinião”. Ele é um comerciante bem sucedido e banqueiro de grande respeito. Por isso,
recebeu o título de barão. “..no despacho imperial da véspera o Sr. Agostinho José dos Santos fora
agraciado com o titulo de Barão de Santos.”

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Nóbrega. É o irmão das almas que aparece no inicio do livro tirando esmola para a missa das
almas. Depois fica rico sem fazer muito esforço, por causa grande esmola de Natividade e pela
política do “encilhamento” do Brasil. Foi um dos pretendentes de Flora.
Plácido: É “doutor em matérias escusas e complexas”, que procura explicar a rivalidade dos
gêmeos. Morre desenvolvendo a teoria da “correspondência das letras vogais com os sentidos do
homem”.
Perpétua: Irmã de Natividade e tia dos gêmeos. É a responsável pelos nomes dos meninos. É
também amiga e confidente desta.
Rita. É a irmã do Aires com quem Flora vai passar uma temporada, em cuja casa acaba
morrendo. Era viúva e se vangloriava de “ter cortado os cabelos por haver perdido o melhor dos
maridos”.
O núcleo central da história gira em torno da rivalidade entre os dois gêmeos, sendo de
fundamental importância a presença de Flora, que existe porque os gêmeos existem. Pedro e
Paulo, os gêmeos, filhos de Natividade e Santos, nascem sob uma profecia: seriam rivais na vida,
mas seriam grandes: “coisas futuras” - como previu a cabocla do Castelo. Nascem e crescem com
uma rivalidade de irmãos, tal como Esaú e Jacó ou os apóstolos Pedro e Paulo. Acabam amando a
mesma mulher, Flora, filha do Batista e de D. Cláudia. Flora que também os ama os dois acaba
morrendo como solução da discórdia entre os dois. Depois de Pedro formado médico e Paulo
formado advogado, chegam às “coisas futuras”, tornando-se deputados.
No romance, é marcante a figura do Conselheiro Aires, pai espiritual dos gêmeos. Sua
presença acaba por ofuscar as demais, passando de personagem secundária a principal. Ele
parece uma voz da consciência das personagens.
O drama central do livro é um triângulo, onde os gêmeos assumem posições opostas e buscam a
mesma mulher, que tenta unir os irmãos. Entre eles se põe o Aires, que ocupa o centro do triângulo
e do livro, como guia e pai espiritual dos três.

Estudo do gerenciamento das vozes textuais


O texto literário realiza-se como um espaço no qual se cruzam diversas linguagens, variadas
vozes, diferentes discursos. Para estabelecer esse múltiplo diálogo o autor faz uso da
intertextualidade. Ao longo do romance encontramos inúmeras referências, alusões, citações
[inclusive em francês e latim], situações relacionadas com a Bíblia, com personagens famosos do
mundo da política, da literatura, do teatro, da filosofia, da mitologia. A metalinguagem se faz
presente no texto, o narrador, por vezes, chama a atenção do leitor para a própria criação literária.
A análise é uma característica básica na ficção realista, principalmente a análise psicológica,
atém-se à análise da complexidade dual do ser humano. O autor tem a preocupação de analisar,
procurando desvendar e esclarecer os segredos da alma humana.
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Temáticas focalizadas na obra

Embora Esaú e Jacó apresente a juventude de Flora e dos gêmeos e a idade de Aires,
marcada pela serenidade e sabedoria, o núcleo principal do romance é a dualidade do ser humano.
Machado de Assis também faz um retrato do momento político brasileiro, em que o Brasil passa de
Império a República.
A dualidade do ser humano está explicita no próprio título do livro: Esaú e Jacó, figuras bíblicas,
filhos de lsaac e Rebeca, que se caracterizaram pela rivalidade. “Como as crianças lutasse no seu
ventre, ela disse: ‘ Se assim é porque me acontece isso?’ E ela foi consultar o senhor, que lhe
respondeu: ‘Tens duas nações no teu ventre; dois povos se dividirão ao sair de suas entranhas. Um
povo vencerá o outro, e o mais velho servirá ao mais novo’ “ [Gênesis, Capítulo 25, versículos 22 e
23]. Os irmãos têm nome de Pedro e Paulo, nome de dois apóstolos que tinham alguns choques na
bíblia, já que um era o oposto do outro. Isso também é dito por Plácido, durante a história.
Pedro e Paulo não são indivíduos autônomos, se completam, são símbolos, representação duma
dualidade radical no homem, desde a criação, como faz sugerir a expressão “desde o útero” e a
“flor eterna” do Aires, no final do livro: “...não quis repetir que eles eram os mesmos, desde o útero.
Preferiu aceitar a hipótese, para evitar debate, e saiu apalpando a botoeira, onde viçava a mesma
flor eterna...” É como se o homem nascesse assim, é assim, e será eternamente assim.
O caso psicológico e humano abordado no livro é o de os gêmeos serem dois e não um. As
duas personalidades, uma de Pedro e a outra de Paulo, que deveriam nascer em um, nascem em
dois. Os dois aspectos que deviam estar numa só pessoa estão em duas separadas.
Machado preferiu isolar os dois componentes básicos do ser humano: coração (Paulo) e espírito
(Pedro), e usar Flora como a conexão. Isolados em dois é mais fácil a análise do ser humano e a
sua complexidade.
É isso que o livro nos mostra: todos nós temos dois gêmeos dentro de nós. Todos nós temos
um Pedro (espírito) e um Paulo (coração). Ora somos inquietos, como Paulo, ora dissimulados,
como Pedro; ora liberais como Paulo, ora conservadores como Pedro. Por isso que Flora os
confundia numa só pessoa: Pedro era o lado que faltava em Paulo, e Paulo era o lado que faltava
em Pedro; um completava o outro, porque cada um deles não era uma pessoa completa: “Flora
sentiu a falta de Pedro, como sentira a de Paulo na ilha; tal era a semelhança das duas festas.
Ambas traziam a ausência de um gêmeo”. Também nesse sentido está aquele desenho de Flora,
“em que estavam desenhadas duas cabeças juntas e iguais”, que o Aires identificou com os
gêmeos, observando que “as duas cabeças estavam ligadas por um vínculo escondido” [Cap. C –
Duas Cabeças]
Na narrativa aparecem vários fatos políticos da história do Brasil: a abolição da escravatura, em
1888, vem mencionada rapidamente, mas serve para Paulo falar a respeito do sentido republicano
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“A abolição é a aurora da liberdade; esperemos o sol; emancipado o preto, resta emancipar o
branco”.
A passagem do império para a república é rápida, da noite para o dia [Cap. LIX Noite de 14 e
Cap. LX Manhã de 15], o que o livro ironiza com a “tabuleta do Custódio”, que caía aos pedaços
com a “madeira rachada e comida de bichos”. Era preciso uma reforma, e o Custódio, embora a
contragosto, envia-a ao pintor. Nem bem este tinha acabado a sua obra, estava no d [Cap. LXII –
“Pare no D”], proclama-se a República, sem ao menos avisarem ao homem. Custódio estava
desesperado. Em vão o Aires procura consolá-lo, observando que nem tudo estava perdido.
Poderia perfeitamente trocar de nome. O pintor parara no “d” (“Confeitaria d”). Era fácil acrescentar
“República” (“Confeitaria da República”), e Custódio responde: “Lembrou-me isso, em caminho,
mas também me lembrou que, se daqui a um ou dois meses, houver nova reviravolta, fico no ponto
em que estou hoje, e perco outra vez o dinheiro”. Mas como insinua Aires, agora junto ao Santos,
“nada se mudaria; o regime, sim era possível, mas também se muda de roupa sem mudar de pele
[...]; tudo voltaria ao que era na véspera menos a constituição”.

Diálogos entre os romances

O tema principal de “Esaú e Jacó”, a rivalidade entre irmãos, é tão antigo quanto atual. O título
do livro já faz referência ao Gênesis, já que carrega os nomes dos gêmeos bíblicos, que sempre
brigavam e já amaram a mesma mulher. Essa rivalidade aparece também no livro “Dois Irmãos” de
Milton Hatoum que “tematiza o incesto, a rivalidade, a revolta, o ciúme e as tantas nuanças que
desajustam a vida de uma família de imigrantes libaneses residente em Manaus” (SAMPAIO, 2007).
O tema também aparece na televisão. Na novela “Viver a Vida”, os irmãos gêmeos Jorge e
Miguel, interpretados por Mateus Solano, sempre brigaram, e tiveram um relacionamento com a
mesma mulher, Luciana (Aline Moraes).

Curiosidades

* Esaú e Jacó é o penúltimo livro de Machado de Assis, lançado 4


anos antes da sua morte e, segundo a maioria dos críticos,
em pleno apogeu literário, depois de escrever, em 1899,
Dom Casmurro, o mais célebre de seus livros.

* O Conselheiro Aires é um personagem poderoso que contracena


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com Natividade, mãe dos gêmeos Pedro e Paulo, que protagonizam este romance.

* Assim como em Memórias Póstumas de Brás Cubas, o narrador de Esaú e Jacó trava um diálogo
com o leitor da obra.

* O título Esaú e Jacó, como dito anteriormente, não é o nome dos personagens principais do livro.
Ele é um título extraído da bíblia, referente a gênesis.

* O conselheiro Aires é um personagem típico da galeria machadiana. Ele é um velho diplomata


aposentado, com gosto requintado.

* Machado de Assis considerava-se apenas um editor do romance, cujo verdadeiro autor / narrador
seria o Conselheiro Aires (No entanto, embora Aires seja ao mesmo tempo narrador e personagem,
observa-se que a narrativa não é contada em primeira pessoa.).

fonte: http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=resumos/docs/esauejaco

* Há estudiosos que chegam mesmo a considerar Esaú e Jacó um romance histórico ou político,
centrado exatamente nesse conflito: República X Império; conflito do qual os gêmeos seriam
simbolicamente a personificação. A não-conciliação dos gêmeos representaria, então, a
impossibilidade de se chegar a um regime político ideal.

* A história se desenvolve na cidade do Rio de Janeiro, com diversas referências a localidades


ainda hoje existentes, como o Morro do Castelo (hoje Esplanada do Castelo), Botafogo, Andaraí e
outras.

* O crítico Ivan Teixeira, no livro Apresentação de Machado de Assis, resume bem a ambigüidade
narrativa de Esaú e Jacó: "[...] acabou gerando uma nova dimensão de foco narrativo: nem primeira
nem terceira pessoa. Mas uma coisa diferente, em que um autor imaginário trata-se a si mesmo

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como um ele, uma terceira pessoa, a cuja visão de mundo submete, no entanto, toda a outra
matéria narrada no romance".

Considerações finais
Podemos concluir que um dos aspectos que são comuns nas obras machadianas é a ligação
que há entre os livros, pois os personagens de um também participam de outras obras. Outro
aspecto relevante é a temática, que se assemelha com a sociedade atual, mesmo estes livros tendo
sido escritos a vários anos.
Apesar de Esaú e Jacó ser uma obra-prima pouco lembrada pelos críticos e leitores, nós
gostamos do assunto do livro, apesar de este ser abordado de uma forma um pouco cansativa, e
recomendamos a todos que leiam essa obra ou alguma outra do Machado de Assis, considerado
por muitos o maior escritor brasileiro de todos os tempos e um dos maiores escritores do mundo,
enquanto romancista.

Bibliografia

* Disponível em: http://fredb.sites.uol.com.br/esaujaco.html Acessado em: 16 de junho de 2010


* ASSIS, Machado de. Esaú e Jacó. São Paulo: Ática, 1998. Série Bom Livro. 192 p.
* BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada Ave-Maria. 160. ed. São Paulo: Ave-Maria, 2004. Edição
Claretiana.
* http://www.unifor.br/joomla/joomla/images/pdfs/pdfs_notitia/2599.pdf. Acessado em: 16 de junho
de 2010
* http://fredb.sites.uol.com.br/esaujaco.html acessado em: 16 de junho de 2010

*http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=resumos/docs/esauejaco. Acessado em: 18


de junho de 2010.

* http://fredb.sites.uol.com.br/esaujaco.html. Acessado em: 18 de junho de 2010.

* http://www.releituras.com/machadodeassis_bio.asp .Acessado em: 18 de junho de 2010

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