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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA

UNESP - Campus de Bauru/SP


FACULDADE DE ENGENHARIA
Departamento de Engenharia Civil

Disciplina: 1309 - ESTRUTURAS DE CONCRETO II


NOTAS DE AULA

DIMENSIONAMENTO DE VIGAS
DE CONCRETO ARMADO À
FORÇA CORTANTE

Prof. Dr. PAULO SÉRGIO DOS SANTOS BASTOS


(wwwp.feb.unesp.br/pbastos)

Bauru/SP
Março/2008
APRESENTAÇÃO

Esta apostila tem o objetivo de servir como notas de aula na disciplina


1309 – Estruturas de Concreto II, do curso de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia, da
Universidade Estadual Paulista - UNESP – Campus de Bauru.
O texto apresenta a análise teórica e os procedimentos aplicados pela nova NBR
6118/2003 (“Projeto de estruturas de concreto – Procedimento”) para o projeto de vigas de
concreto armado à força cortante.
A nova metodologia apresentada na NBR 6118/2003, embora continue considerando a
analogia de treliça, em alguns aspectos difere significativamente daqueles constantes da NBR
6118/80 (NB 1/78). A NBR 6118/2003 admite como hipótese básica a analogia com o modelo
em treliça, de banzos paralelos, associada a mecanismos resistentes complementares
desenvolvidos no interior do elemento estrutural e traduzidos por uma componente adicional Vc.
A verificação do elemento estrutural à força cortante é sugerida com base em dois modelos de
cálculo, chamados Modelos de Cálculo I e II. Uma das principais inovações está na possibilidade
de se poder considerar inclinações variáveis (30° ≤ θ ≤ 45°) para as diagonais comprimidas
(bielas de compressão).
De modo geral, a nova metodologia segue o MC-90 do CEB-FIP e o Eurocode 2, com
algumas modificações e adaptações.
Apesar das modificações introduzidas foi possível simplificar o equacionamento,
possibilitando a automatização manual dos cálculos de dimensionamento, com conseqüente
ganho de tempo nos cálculos.
O autor agradece ao Prof. Luttgardes de Oliveira Neto pelo auxílio e discussão, que
contribuíram para melhorar a qualidade do texto e dos exemplos.
Agradecimento especial à ex-aluna Cristiane Pegoraro Xavier, que fez os estudos iniciais
do texto sobre força cortante na NBR 6118/2003.
Agradecimento também ao técnico Éderson dos Santos Martins, pela confecção dos
desenhos.
Quaisquer críticas e sugestões serão muito bem-vindas, pois assim a apostila poderá ser
melhorada.
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 1
2. REGIÕES DE ANÁLISE .....................................................................................................1
3. COMPORTAMENTO DE VIGAS HOMOGÊNEAS NO ESTÁDIO I........................... 2
4. COMPORTAMENTO RESISTENTE DE VIGAS SUBMETIDAS À FLEXÃO E À
FORÇA CORTANTE ................................................................................................................... 4
5. MECANISMOS BÁSICOS DE TRANSFERÊNCIA DA FORÇA CORTANTE.........10
5.1 Ação de Arco .................................................................................................................... 12
5.2 Concreto Comprimido Não Fissurado .............................................................................. 13
5.3 Transferência na Interface das Fissuras Inclinadas .......................................................... 13
5.4 Ação de Pino da Armadura Longitudinal ......................................................................... 15
5.5 Tensões Residuais de Tração............................................................................................ 18
5.6 Armaduras Longitudinal e Vertical .................................................................................. 18
6. FATORES QUE INFLUENCIAM A RESISTÊNCIA À FORÇA CORTANTE ......... 18
6.1 Tipo de Carregamento ...................................................................................................... 19
6.2 Posição da Carga e Esbeltez ............................................................................................. 19
6.3 Tipo de Introdução da Carga ............................................................................................ 19
6.4 Influência da Armadura Longitudinal .............................................................................. 19
6.5 Influência da Forma da Seção Transversal.......................................................................20
6.6 Influência da Altura da Viga............................................................................................. 20
7. COMPORTAMENTO DE VIGAS SEM ARMADURA TRANSVERSAL ..................20
7.1 Parâmetros Mais Importantes ...........................................................................................21
7.1.1 Resistência do Concreto............................................................................................. 21
7.1.2 Altura da Viga ............................................................................................................ 21
7.1.3 Relação entre a Altura da Viga e a Posição da Carga ................................................23
7.1.4 Armadura Longitudinal.............................................................................................. 24
7.1.5 Força Axial................................................................................................................. 24
7.2 Modos de Ruptura ............................................................................................................ 24
8. COMPORTAMENTO DE VIGAS COM ARMADURA TRANSVERSAL .................27
8.1 Função do Estribo ............................................................................................................. 27
8.2 Modos de Ruptura ............................................................................................................ 29
9. TRELIÇA CLÁSSICA DE RITTER-MÖRSCH (θ = 45°).............................................. 30
10. TRELIÇA GENERALIZADA (θ variável)....................................................................... 34
11. DIMENSIONAMENTO SEGUNDO A NBR 6118/03 .....................................................36
11.1 Modelo de Cálculo I ......................................................................................................... 37
11.1.1 Verificação da Diagonal Comprimida de Concreto ...................................................37
11.1.2 Cálculo da Armadura Transversal.............................................................................. 38
11.2 Modelo de Cálculo II ........................................................................................................ 41
11.2.1 Verificação da Diagonal Comprimida de Concreto ...................................................41
11.2.2 Cálculo da Armadura Transversal.............................................................................. 42
12. ARMADURA MÍNIMA......................................................................................................44
13. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS ................................................................................... 45
13.1 Diâmetro do Estribo.......................................................................................................... 45
13.2 Espaçamento Mínimo e Máximo entre os Estribos .......................................................... 45
13.3 Espaçamento Máximo entre os Ramos Verticais do Estribo............................................ 46
13.4 Emendas do Estribo .......................................................................................................... 46
13.5 Ancoragem do Estribo ......................................................................................................46
13.6 Barras Dobradas (Cavaletes) ............................................................................................ 47
14. EQUAÇÕES SIMPLIFICADAS .......................................................................................47
14.1 Modelo de Cálculo I ......................................................................................................... 48
14.1.1 Força Cortante Máxima.............................................................................................. 48
14.1.2 Força Cortante Correspondente à Armadura Mínima................................................48
14.1.3 Armadura Transversal................................................................................................ 49
14.2 Modelo de Cálculo II ........................................................................................................ 51
14.2.1 Força Cortante Última................................................................................................ 51
14.2.2 Força Cortante Correspondente à Armadura Mínima................................................51
14.2.3 Armadura Transversal................................................................................................ 52
15. CONSIDERAÇÕES SOBRE O ÂNGULO DE INCLINAÇÃO DAS DIAGONAIS DE
COMPRESSÃO (θ)..................................................................................................................... 53
16. REDUÇÃO DA FORÇA CORTANTE .............................................................................54
17. CARREGAMENTO APLICADO NA PARTE INFERIOR DAS VIGAS ....................55
18. ARMADURA DE SUSPENSÃO........................................................................................56
19. EXEMPLO NUMÉRICO 1 ................................................................................................ 59
19.1 Equações Teóricas da Norma ........................................................................................... 60
19.1.1 Modelo de Cálculo I................................................................................................... 60
19.1.2 Modelo de Cálculo II com θ = 30o ............................................................................. 62
19.2 Equações Simplificadas .................................................................................................... 63
19.2.1 Modelo de Cálculo I................................................................................................... 63
19.2.2 Modelo de Cálculo II com θ = 30o ............................................................................. 64
19.3 Comparação dos Resultados ............................................................................................. 65
19.4 Detalhamento da Armadura Transversal ..........................................................................66
20. EXEMPLO NUMÉRICO 2 ................................................................................................ 69
20.1 Modelo de Cálculo I ......................................................................................................... 70
20.1.1 Equações de Teóricas da Norma ................................................................................ 70
20.1.2 Equações Simplificadas ............................................................................................. 71
20.2 Modelo de Cálculo II ........................................................................................................ 72
20.2.1 Equações Teóricas da Norma..................................................................................... 72
20.2.1.1 Ângulo θ de 30°................................................................................................. 72
20.2.1.2 Ângulo θ de 45°................................................................................................. 74
20.2.2 Equações Simplificadas ............................................................................................. 76
20.2.2.1 Ângulo θ de 30°................................................................................................. 76
20.2.2.2 Ângulo θ de 45°................................................................................................. 77
20.3 Comparação dos Resultados ............................................................................................. 79
20.4 Detalhamento da Armadura Transversal ..........................................................................79
21. EXEMPLO NUMÉRICO 3 ................................................................................................ 81
21.1 Dimensionamento da Seção 10d Segundo o Modelo de Cálculo I (NBR 6118/03) ......... 85
21.2 Dimensionamento da Seção 10d Segundo o Modelo de Cálculo II com θ = 45° ............. 86
22. EXEMPLO NUMÉRICO 4 ................................................................................................ 87
23. QUESTIONÁRIO ...............................................................................................................91
24. EXERCÍCIOS PROPOSTOS ............................................................................................92
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................94
1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 1

DIMENSIONAMENTO DE VIGAS DE CONCRETO


ARMADO À FORÇA CORTANTE

1. INTRODUÇÃO

No dimensionamento de uma viga de Concreto Armado geralmente o primeiro cálculo


feito é o de determinação das armaduras longitudinais de flexão. O dimensionamento da armadura
transversal para resistência à força cortante é geralmente feito em seguida.
O dimensionamento à força cortante é muito importante, pois a ruptura de uma viga nunca
deve ocorrer por efeito de força cortante, por ser freqüentemente violenta e frágil. Portanto, deve
ser evitada.
De acordo com a NBR 6118/2003 (item 16.2.3) “é necessário garantir uma boa
ductilidade, de forma que uma eventual ruína ocorra de forma suficientemente avisada, alertando
os usuários”. A armadura de flexão é que deve ser proporcionada de forma a garantir que a
ruptura se desenvolva lenta e gradualmente.
Existe uma infinidade de teorias e modelos para análise de vigas de concreto sob força
cortante, desenvolvidos geralmente com base na analogia de treliça ou de campos de compressão
de concreto. No Brasil se destacam os modelos de treliça denominados treliça clássica e treliça
generalizada.
O modelo inicial de treliça, desenvolvido por RITTER (1899) e MÖRSCH (1920, 1922),
tem sido adotado pelas principais normas do mundo como a base para o projeto de vigas à força
cortante. Adicionalmente ao modelo de treliça vem sendo considerada também a “contribuição do
concreto” (Vc), e a possibilidade de variação do ângulo de inclinação (θ) das fissuras e bielas de
compressão. Apesar da analogia de uma viga fissurada com uma treliça ter sido criada há cerca de
cem anos, a sua simplicidade a faz continuar sendo um modelo para o dimensionamento da
armadura transversal das vigas.
No caso específico da norma brasileira NBR 6118/03, ela admite dois modelos para
cálculo da armadura transversal resistente à força cortante nas vigas, denominados Modelo de
Cálculo I e Modelo de Cálculo II. A treliça clássica de Ritter-Mörsch, que pressupõe ângulo θ
fixo de 45° para a inclinação das diagonais comprimidas (bielas de concreto), é adotada no
Modelo de Cálculo I. O Modelo de Cálculo II admite a chamada “treliça generalizada”, onde o
ângulo θ pode variar de 30° a 45°, sendo essa a maior inovação da norma na questão da força
cortante.
Nas últimas décadas surgiram vários modelos mais refinados, como o RA-STM e o FA-
STM, desenvolvidos por HSU e seus colaboradores, e o modelo que considera o atrito entre as
superfícies das fissuras inclinadas (Truss model with crack friction). Os modelos mais conhecidos
com base em campos de compressão são o CFT e MCFT desenvolvidos por MITCHELL,
VECCHIO e COLLINS, mas não serão objeto de estudo nesta apostila.

2. REGIÕES DE ANÁLISE

Na teoria clássica de viga a hipótese assumida da seção transversal permanecer plana


proporciona um modelo simples e suficientemente preciso para o projeto de vigas fletidas, com ou
sem forças axiais aplicadas. Mesmo após a fissuração a teoria pode ser mantida, porque as fissuras
de flexão, perpendiculares ao eixo longitudinal da viga, não invalidam a hipótese de seção plana.
Como a ruptura por flexão ocorre na seção sob o máximo momento fletor, as condições fixadas
para esta seção são geralmente suficientes para o projeto da viga à flexão.
Por outro lado, o mesmo não se pode dizer quanto ao projeto das vigas para a força cortante,
porque há enormes diferenças de comportamento e de fatores intervenientes. A ruptura por efeito
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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 2

de força cortante é iniciada após o surgimento de fissuras inclinadas, causadas pela combinação
de força cortante, momento fletor e eventualmente forças axiais. E a quantidade de variáveis que
influenciam a ruptura é muito grande, como geometria, dimensões da viga, resistência do
concreto, quantidade de armaduras longitudinal e transversal, características do carregamento,
vão, etc. Por isso, ao contrário da flexão, o projeto à força cortante deve considerar não apenas
uma seção transversal, mas regiões ao longo do vão da viga, as chamadas regiões B, mostradas na
Figura 1. Foram SCHLAICH et al. (1987) que introduziram o conceito de regiões D e B, onde a
região D se caracteriza por descontinuidades e distribuição de deformações não-linear. Já na
região B a distribuição é linear. Em elementos típicos de barra as regiões B encontram-se entre as
regiões D (ASCE-ACI, 1998).

Figura 1 - Regiões numa estrutura (ASCE-ACI, 1998).

Como o comportamento de vigas à força cortante apresenta grande complexidade e


dificuldades de projeto, este assunto tem sido um dos mais pesquisados, no passado bem como no
presente (HAWKINS et al., 2005).

3. COMPORTAMENTO DE VIGAS HOMOGÊNEAS NO ESTÁDIO I

Considere a viga não fissurada de seção retangular, bi-apoiada e sob carregamento


uniformemente distribuído (Figura 2). Sejam dois elementos infinitesimais A1 e A2 da viga de
material homogêneo, elástico linear e isótropo (definido como o material que apresenta
propriedades de deformação iguais para qualquer direção).

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 3

y
a
p

x A2 L.N.
h
A1

a bw

σc,máx
a2 a2 τ0
Linha Neutra
y
a1 a1

σt,máx

Figura 2 – Tensões normais e de cisalhamento numa viga de material homogêneo.

As tensões normais de tração e de compressão, atuantes ao nível dos planos a1 e a2,


respectivamente, assim como a variação da tensão de cisalhamento ao longo da altura da viga,
encontram-se indicadas na Figura 2. Da teoria clássica da Resistência dos Materiais, a tensão
normal e a tensão de cisalhamento num elemento A são:

My
σ= Eq. 1
I

V Sy
τ= Eq. 2
bw I

com: M e V = momento fletor e força cortante na seção a-a;


y = distância do elemento à linha neutra;
Sy = momento estático da área considerada em relação à linha neutra;
I = momento de inércia da seção transversal;
bw = largura da viga.

Para seção retangular, a equação quadrática que representa a tensão de cisalhamento τ é:

V ⎛ h2 ⎞
τ= ⎜ − y2 ⎟ Eq. 3
2 I ⎜⎝ 4 ⎟

Com y = 0 na Eq. 3, a tensão de cisalhamento máxima na seção retangular ocorre na


posição da linha neutra:

3 V
τ máx = Eq. 4
2 bw h

As Figura 3 e Figura 4 mostram o estado de tensão nos elementos A1 e A2, bem como o
círculo de Mohr correspondente.

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yx

V xy
y
xy
R cc x
L.N. x x

R st
I
A1
yx

máxima tensão de
cisalhamento

0 2

tensão principal de
compressão II tensão principal de
tração I

Figura 3 - Tensões no elemento A1 .

yx

xy
y
R cc x
x
x
L.N.
R st
II
A2 V
yx

máxima tensão de
cisalhamento
2

tensão principal de
tensão principal de tração I
compressão II

Figura 4 - Tensões no elemento A2 .

4. COMPORTAMENTO RESISTENTE DE VIGAS SUBMETIDAS À FLEXÃO E À


FORÇA CORTANTE

Uma viga de Concreto Armado resiste a carregamentos externos primariamente pela


mobilização de momentos fletores (M) e forças cortantes (V) - Figura 5.

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A
V

M M + dM

A dx

A V
M

V
A

Figura 5 – Esforços solicitantes num elemento de comprimento dx de uma viga.

Considere uma viga de Concreto Armado bi-apoiada (Figura 6), submetida a duas forças
concentradas P de igual intensidade, crescentes de zero até a força última ou de ruptura. As
armaduras consistem da armadura longitudinal positiva (composta pelas cinco barras inferiores)
resistente às tensões normais de tração da flexão, e da armadura transversal, composta por estribos
verticais no lado esquerdo da viga e estribos e barras dobradas inclinadas (cavaletes) no lado
direito da viga, dimensionada para resistir às forças cortantes. Nota-se que no trecho da viga entre
as forças concentradas P a solicitação é de flexão pura (V = 0).

Armadura Transversal P P Armadura Transversal


(somente estribos) (estribos e barras dobradas)

M
+

+
V
-

Figura 6 – Viga bi-apoiada e diagramas de esforços solicitantes.


(LEONHARDT e MÖNNIG, 1982).

A Figura 7a mostra a viga submetida às forças P de baixa intensidade, com as trajetórias


das tensões principais de tração e de compressão para a viga ainda não fissurada, no Estádio I
portanto. Observe que no trecho de flexão pura as trajetórias das tensões de compressão e de
tração são paralelas ao eixo longitudinal da viga. Nos demais trechos as trajetórias das tensões são
inclinadas devido à influência das forças cortantes. É importante observar também que as
trajetórias apresentam-se aproximadamente perpendiculares entre si.
Com o aumento das forças P e conseqüentemente das tensões principais, no instante que as
tensões de tração atuantes no lado inferior da viga superam a resistência do concreto à tração,

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surgem as primeiras fissuras no trecho de flexão pura, chamadas “fissuras de flexão” (Figura 7b).
As fissuras de flexão são aquelas que iniciam na fibra mais tracionada e prolongam-se em direção
à linha neutra, conforme aumenta o carregamento externo aplicado. Apresentam-se
aproximadamente perpendiculares ao eixo longitudinal da viga e às trajetórias das tensões
principais de tração, ou seja, a inclinação das fissuras depende da inclinação das tensões principais
de tração. O trecho fissurado passa do Estádio I para o Estádio II e os trechos entre os apoios e as
forças concentradas, sem fissuras, permanecem no Estádio I, isto é, a viga apresenta trechos nos
Estádios I ou II.
A Figura 7c mostra os diagramas de deformação e de tensão nas seções a e b da viga, nos
Estádios I e II, respectivamente. No Estádio I a máxima tensão de compressão (σc) ainda pode ser
avaliada de acordo com a lei de Hooke, o mesmo não valendo para o Estádio II.

a)

tração

compressão

b) a b

a b

Estádio I Estádio II Estádio I

c) Seção a-a Seção b-b


c c = c Ec c c

s
s t < ct,f s

d) b

b
Estádio II
Seção b-b
c c = fc

s s > fy

Figura 7 - Comportamento resistente de uma viga bi-apoiada.


(LEONHARDT e MÖNNIG, 1982).

Continuando a aumentar as forças P outras fissuras de flexão continuam a surgir, e aquelas


já existentes aumentam de abertura e prolongam-se em direção ao topo da viga (Figura 7d). Nos
trechos entre os apoios e as forças P, as fissuras de flexão inclinam-se, devido à inclinação das

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 7

tensões principais de tração σI , por influência das forças cortantes. Essas fissuras inclinadas são
chamadas de “fissuras de flexão com força cortante”, ou fissuras de flexão com cisalhamento, que
não é o termo mais adequado porque tensões de cisalhamento não ocorrem por ação exclusiva de
força cortante.
Nas proximidades dos apoios, como a influência dos momentos fletores é muito pequena,
podem surgir as chamadas “fissuras por força cortante, ou de cisalhamento” (ver Figura 7d e
Figura 8). Com carga elevada, a viga se apresenta no Estádio II em quase toda a sua extensão.

Figura 8 - Fissuras na viga no Estádio II (LEONHARDT e MÖNNIG, 1982).

O carregamento externo introduz numa viga diferentes estados de tensões principais, em


cada um dos seus infinitos pontos. Na Figura 9, por exemplo, são mostradas as trajetórias das
tensões principais de uma viga ainda no Estádio I, e o estado de tensões principais num ponto
sobre a linha neutra.
Na altura da linha neutra, as trajetórias das tensões principais apresentam-se inclinadas de
45° (ou 135°) com o eixo longitudinal da viga, e em pontos fora as trajetórias têm inclinações
diferentes de 45°.

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II

Direção de I (tensões de tração)


Direção de II (tensões de compressão)

M
+
x

+
- V

Figura 9 - Trajetórias das tensões principais de uma viga bi-apoiada no Estádio I.


(LEONHARDT e MÖNNIG, 1982).

Além dos estados de tensão relativos às tensões principais, como o indicado na Figura 10b,
outros estados podem ser representados, com destaque para aquele segundo os eixos x-y (Figura
10a), que define as tensões normais σx e σy e as tensões de cisalhamento τxy e τyx .

(+)
(-)
yx

x X

xy
II
(-) +
(+) I

y=0

y y

a) eixos x-y; b) eixos principais.

Figura 10 – Componentes de tensão segundo os estados de tensão relativos aos eixos


principais e aos eixos x-y (LEONHARDT e MÖNNIG, 1982).

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 9

De modo geral, as tensões verticais σy podem ser desprezadas, tendo importância apenas
nos trechos próximos à introdução de forças na viga (região de forças externas aplicadas, apoios,
etc.).
Considerando σy = 0, as expressões que correlacionam σI e σII com as componentes σx e τ
(lembrando que τ = τxy = τyx) são:

- Tensão principal de tração:

σx 1
σI = + σ x 2 + 4τ 2 Eq. 5
2 2

- Tensão principal de compressão:

σx 1
σ II = − σ x 2 + 4τ 2 Eq. 6
2 2

O dimensionamento das estruturas de Concreto Armado toma como base normalmente as


tensões σx e τxy . No entanto, conhecer as trajetórias das tensões principais é importante para se
posicionar corretamente as armaduras de tração e para conhecer a direção das bielas de
compressão.
As tensões principais de tração inclinadas na alma exigem uma armadura denominada
armadura transversal, composta normalmente na forma de estribos verticais fechados. Note que,
na região de maior intensidade das forças cortantes, a inclinação mais favorável para os estribos
seria de aproximadamente 45°, ou seja, paralelos às trajetórias das tensões de tração e
perpendiculares às fissuras. Por razões de ordem prática os estribos são normalmente
posicionados na direção vertical, o que os torna menos eficientes se comparados aos estribos
inclinados de 45°.
A colocação da armadura transversal evita a ruptura prematura das vigas e, além disso,
possibilita que as tensões principais de compressão possam continuar atuando, sem maiores
restrições, entre as fissuras inclinadas próximas aos apoios.
O comportamento da região da viga sob maior influência das forças cortantes e com
fissuras inclinadas no Estádio II, pode ser muito bem descrito fazendo-se a analogia com uma
treliça isostática (Figura 11). A analogia de treliça consiste em simbolizar a armadura transversal
como as diagonais inclinadas tracionadas (montantes verticais no caso de estribos verticais), o
concreto comprimido entre as fissuras (bielas de compressão) como as diagonais inclinadas
comprimidas, o banzo inferior como a armadura de flexão tracionada e o banzo superior como o
concreto comprimido acima da linha neutra, no caso de momento fletor positivo.
A treliça isostática com banzos paralelos e diagonais comprimidas de 45° é chamada
“treliça clássica de Ritter-Mörsch”. Sobre ela, Lobo Carneiro escreveu o seguinte: “A chamada
treliça clássica de Ritter-Mörsch foi uma das concepções mais fecundas na história do concreto
armado. Há mais de meio século tem sido a base do dimensionamento das armaduras
transversais – estribos e barras inclinadas – das vigas de concreto armado, e está muito longe de
ser abandonada ou considerada superada. As pesquisas sugerem apenas modificações ou
complementações na teoria, mantendo no entanto o seu aspecto fundamental: a analogia entre a
viga de concreto armado, depois de fissurada, e a treliça”. É válido afirmar que essas palavras
continuam verdadeiras até o presente momento.

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 10

b
Rc
s Rs

b
Rc
a) armadura transversal a 45°; b) armadura transversal a 90°.

Figura 11 - Analogia de treliça para as forças internas na região próxima ao apoio


de uma viga (LEONHARDT e MÖNNIG, 1982).

Os estribos devem estar próximos entre si a fim de interceptarem qualquer possível fissura
inclinada devido às forças cortantes, pois uma ruptura precoce pode ocorrer quando a distância
entre os estribos for ≥ 2 z para estribos inclinados a 45° e > z para estribos a 90° (Figura 12).

2z fissura de cisalhamento z fissura de cisalhamento

Figura 12 - Analogia clássica de uma viga com uma treliça.


(LEONHARDT e MÖNNIG, 1982).

A NBR 6118/03 (item 17.4.1) preconiza que o dimensionamento de elementos lineares


(vigas) pode ser feito segundo “modelos de cálculo que pressupõem a analogia com modelo de
treliça, de banzos paralelos, associados a mecanismos resistentes complementares desenvolvidos
no interior do elemento estrutural”. No item 10 são deduzidas as forças e tensões nas barras da
treliça clássica de Ritter-Mörsch.

5. MECANISMOS BÁSICOS DE TRANSFERÊNCIA DA FORÇA CORTANTE

Em 1968, Fenwick e Paulay afirmaram que o mecanismo de ruptura das vigas por efeito de
força cortante não estava ainda claramente definido.
Os mecanismos existentes numa viga responsáveis pela transferência da força cortante são
complexos e difíceis de identificar e medir, porque após a fissuração ocorre uma complexa
redistribuição de tensões, influenciada por vários fatores.
Os mecanismos básicos responsáveis pela transferência da força cortante numa viga são
vários, e cada um deles tem uma importância relativa de acordo com o pesquisador ou órgão.
Excluindo-se a armadura transversal são cinco os mecanismos mais importantes: 1) força cortante
na zona de concreto não fissurado (banzo de concreto comprimido – Vcz); 2) engrenamento dos
agregados ou atrito das superfícies nas fissuras inclinadas (Vay); 3) ação de pino da armadura
longitudinal (Vd); 4) ação de arco; 5) tensão de tração residual transversal existente nas fissuras
inclinadas (MACGREGOR e WIGHT, 2005).
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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 11

Três desses mecanismos estão mostrados na Figura 13, sendo a contribuição de cada um
mostrada na Figura 14.

Figura 13 – Mecanismos de transferência da força cortante em viga com armadura transversal.


(MACGREGOR e WIGHT, 2005).

Figura 14 – Contribuição de cada mecanismo de transferência de força cortante em viga


com armadura transversal (MACGREGOR e WIGHT, 2005).

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 12

Os numerosos estudos feitos sobre o comportamento de elementos de Concreto Armado


submetidos à flexão têm garantido um bom entendimento sobre o comportamento e os
mecanismos de ruptura desses elementos, estando as conclusões incorporadas nas normas de
vários países. Na questão dos elementos sob flexão e força cortante, no entanto, o progresso no
entendimento e formulações não tem alcançado o mesmo sucesso. Isso se deve à complexidade do
problema, segundo PARK e PAULAY (1975).
Os elementos submetidos à força cortante geralmente encontram-se também sob os
esforços de momento fletor, força axial e torção. Por isso, além do estudo sobre os efeitos da força
cortante agindo isolada, é importante examinar também a interação com os outros esforços
solicitantes.
No caso das vigas sob flexão, os mecanismos resistentes à força cortante interagem com a
aderência entre o concreto e a armadura longitudinal, bem como com a ancoragem dessa
armadura na sua extremidade.
A transferência da força cortante nas vigas de Concreto Armado é muito dependente das
resistências do concreto à tração e à compressão, e tem, por isso, a ruptura frágil ou não dúctil por
efeito da força cortante. Portanto, é muito importante o correto dimensionamento das vigas à força
cortante, de modo a sempre evitar a ruptura frágil por força cortante, principalmente nos
elementos sob ações de sismos e terremotos.
Os modelos elásticos existentes proporcionam resultados aceitáveis na previsão da
formação de fissuras e na resistência do elemento. No entanto, o comportamento de elementos sob
força cortante torna-se muito complexo após o surgimento de fissuras, que alteram bastante as
tensões existentes.
As características dos cinco principais mecanismos de transferência de força cortante são
descritas a seguir.

5.1 Ação de Arco

Nas proximidades dos apoios o banzo comprimido inclina-se em sua direção, formando
um arco, como ilustrado na Figura 15.

P P

Figura 15 – Ação de arco ou de pórtico atirantado nas proximidades dos apoios.


(LEONHARDT e MÖNNIG, 1982).

A formação do arco requer uma reação horizontal no apoio, que em vigas bi-apoiadas pode
ser fornecida pela armadura longitudinal positiva, que deve ser cuidadosamente ancorada nas
extremidades da viga para servir a esta função.

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 13

A resistência à força cortante proporcionada pela ação de arco depende muito da


possibilidade de acomodação das tensões de compressão do arco, e a intensidade dessas tensões
depende principalmente da inclinação do arco, dada pela relação a/d (a = shear span = distância
entre o ponto de aplicação da força P e o apoio; d = altura útil da viga), podendo ser expressa em
função da força cortante V ou do momento fletor:

a Va M
= = Eq. 7
d Vd Vd

A ação de arco é o mecanismo dominante de resistência de vigas-paredes à força cortante


com o carregamento aplicado na sua região comprimida.

5.2 Concreto Comprimido Não Fissurado

A zona não fissurada de concreto comprimido pela flexão (banzo de concreto) contribui e
proporciona uma certa resistência à força cortante atuante numa viga ou laje fissurada. A
integração das tensões de cisalhamento sobre a altura desse banzo comprimido fornece uma
componente de força cortante, que é as vezes a explicação para a chamada “contribuição do
concreto” (concrete contribution), como encontrado em textos de normas estrangeiras,
principalmente o ACI 318. Essa componente de força cortante não é a componente vertical de um
banzo de concreto comprimido inclinado (ASCE-ACI, 1998).
A contribuição do banzo comprimido depende principalmente da altura da zona
comprimida, conseqüentemente, vigas com alturas baixas sem força axial de compressão
apresentam pequena contribuição à resistência, porque a altura do banzo é relativamente pequena
(TAYLOR, 1972, REINECK, 1991). Diversas pesquisas experimentais executadas em vigas com
armadura transversal mostraram que a contribuição da zona do banzo comprimido de concreto
alcança valores entre 20 % e 40 % de resistência à força cortante na seção, sendo esta variação
dependente principalmente da forma e da natureza das fissuras nas vigas, conforme ACHAYA e
KEMP (1965), FENWICK e PAULAY (1968), TAYLOR (1972) e GERGELY (1969), citados no
ASCE-ACI (1973).

5.3 Transferência na Interface das Fissuras Inclinadas

Devido à rugosidade dos agregados ocorre um engrenamento entre eles nas superfícies das
fissuras, o que proporciona uma resistência ao deslizamento e a transferência de força cortante
através uma fissura inclinada.
O termo engrenamento dos agregados (aggregate interlock) vem sendo substituído por
atrito entre as superfícies (crack friction), porque os concretos de alta resistência têm matriz com
resistência semelhante à dos agregados, contribuindo para o mecanismo da transferência de força
cortante, mesmo após a propagação da fissura entre os agregados. Além disso o termo também
indica que o mecanismo não depende meramente das característica do material, o concreto.
Nas duas últimas décadas foram feitos grandes progressos para o entendimento desse
mecanismo, principalmente por MILLARD e JOHNSON (1984), GAMBAROVA (1981),
WALRAVEN (1981) e NISSEN (1987), entre outros citados pelo ASCE-ACI (1998).
São quatro os parâmetros mais importantes no mecanismo de atrito nas fissuras: tensão de
cisalhamento nas interfaces, tensão normal, largura e escorregamento da fissura.
O atrito entre duas superfícies de concreto é reconhecido como um mecanismo básico para
a resistência à força cortante em elementos fletidos de concreto. O atrito é aquele que ocorre numa
fissura do concreto quando um deslocamento (s) é imposto à fissura (Figura 16).

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Figura 16 – Mobilização do concreto pelo atrito na fissura com armadura (a)


e na fissura sem armadura (b) - (POLI et al., 1987).

Segundo POLI et al. (1987), o mecanismo de engrenamento dos agregados na interface das
fissuras proporciona uma contribuição significativa à resistência à força cortante de vigas de
Concreto Armado e Protendido. Ensaios experimentais indicaram que entre 33 % e 50 % da força
cortante total sobre a viga pode ser transferida pelo engrenamento das interfaces. Outras
considerações que esses pesquisadores apresentaram são:

a) os fatores que mais influenciam o fenômeno são a largura da fissura e o tamanho dos
agregados. A resistência diminui com o aumento da largura da fissura e a diminuição do tamanho
dos agregados. Concretos com maiores resistências tendem a apresentar superfícies menos
rugosas, e conseqüentemente menor transferência de força cortante;
b) quanto menor a largura da fissura maior é a área de contato. A transferência depende também
da capacidade de deformação elástica ou plástica da área de contato com relação a uma força
aplicada. A deformação depende da quantidade de água e ar da matriz argamassa;
c) a contribuição do engrenamento dos agregados é maior nas seções onde as fissuras por cortante
desenvolvem-se dentro da alma da viga, e menor nas fissuras inclinadas que são continuidade de
fissuras de flexão, iniciadas na borda tracionada da viga. A porcentagem da contribuição é maior
para valores baixos e médios da tensão ou resistência última ao cortante, mas é ainda notada em
valores maiores, quando os efeitos do engrenamento dos agregados diminui devido aos
deslocamentos menores das interfaces;
d) uso de estribos de pequeno diâmetro favorecem o engrenamento dos agregados.

A Figura 17 mostra um diagrama com a taxa de armadura transversal (ωst) no eixo vertical,
como uma função da tensão última à força cortante (τuo), relativa à resistência do concreto à
compressão (fc). As taxas de armaduras teóricas são mostradas segundo o modelo de treliça sem
consideração do engrenamento dos agregados, segundo as normas CEB e ACI. Os valores são
relativos ao concreto com f’c de 21 MPa e aço com fy de 500 MPa. A reta I é relativa ao modelo
de treliça considerando-se o engrenamento dos agregados. Nota-se que a reta I tem boa
proximidade com os resultados experimentais, principalmente com τuo/f’c maiores que 0,2.

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Figura 17 – Curvas de grau de armadura transversal e resultados de ensaios de vigas.


(POLI, GAMBAROVA e KARAKOÇ, 1987).

Segundo a ASCE/ACI (1998), WALRAVEN (1981) desenvolveu um modelo que


considera a probabilidade que as partículas de agregado (idealizadas como esferas) se projetarão
da interface da fissura. Neste modelo a relação entre as tensões e os deslocamentos são função da
resistência do concreto à compressão, de concretos com resistências normais. Outras relações
foram desenvolvidas em função de f 'c , e embora grandes diferenças possam ocorrer entre as
leis constitutivas, o mecanismo de atrito na interface é agora bem conhecido e largamente aceito
como um importante mecanismo de transferência de força cortante.

5.4 Ação de Pino da Armadura Longitudinal

A ação de pino de uma barra de aço inserida no concreto proporciona um mecanismo de


transferência de força cortante que foi percebida na década de 30 do século passado, e ocorre num
grande número de aplicações práticas das estruturas de Concreto Armado, como mostrado na
Figura 18.

Figura 18 – Exemplos onde a ação de pino ocorre (POLI et al., 1992).

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Em 1973, na ASCE/ACI (1973) foi comentado que procedimentos de projeto modernos


consideravam a totalidade da força cortante sendo resistida pela zona de concreto comprimido e
pelos estribos. Porém, estudos recentes demonstravam que a ação de pino da armadura
longitudinal e o engrenamento dos agregados nas fissuras também desempenham efeito
importante sobre a capacidade e o modo de ruptura das vigas.
Estudos experimentais feitos por KREFELD e THURSTON (1966), PARMELEE (1961),
FENWICK e PAULAY (1968), GERGELY (1969), TAYLOR (1969), BAUMANN (1968) e
vários outros, citados no ASCE/ACI (1973), indicaram que a força resistente à força cortante
proporcionada pela barra de aço na ação de pino (dowel action) é entre 15 % e 25 % da força
cortante total.
A força cortante que pode ser transferida pela ação de pino depende de vários parâmetros,
como: a) quantidade de armadura; b) diâmetro da barra; c) espaçamento entre as barras; d)
espessura do cobrimento embaixo da barra de aço; e) propriedades do concreto; f) tensões axiais
na armadura; g) existência de armadura transversal impedindo o deslocamento da barra
longitudinal.
A resistência é pequena no caso de barras em região de tração e ausência de armadura
transversal, porque a ação fica limitada pela resistência do concreto à tração.
Na situação de carga última é necessário considerar as não-linearidades do concreto e do
aço, assim como o dano no concreto localizado, na região próxima ao plano da força cortante.
Existem equações desenvolvidas com base em modelos de análise limite simples que
avaliam a capacidade última do efeito pino (Vu), que fornecem resultados seguros, como
indicados na Figura 19.

Figura 19 – Força Vu relativa ao efeito pino em função do diâmetro da barra, para concretos
com resistência à compressão de 30 e 75 MPa (POLI et al., 1992).

Dois modos de ruptura podem ocorrer: fendilhamento do concreto do cobrimento, e


esmagamento do concreto sob a barra, acompanhada pelo escoamento da barra (Figura 20). O
modo de ruptura que irá ocorrer depende dos parâmetros listados anteriormente (POLI et al.,
1992).
O modo de ruptura do tipo I ocorre para pequenas espessuras de cobrimento, e para
grandes cobrimentos ocorre a ruptura do tipo II, com o esmagamento do concreto sob a barra.
Para o caso de ruptura devido ao aparecimento de fissuras de fendilhamento na superfície de
concreto na região próxima à barra (ruptura tipo I - Figura 20), a resistência máxima do efeito
pino não é proporcional ao diâmetro da barra, isto é, a eficiência do mecanismo é reduzida

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aumentando-se o diâmetro da barra. Mesmo para o modo de ruptura tipo II o aumento do diâmetro
da barra afeta negativamente a eficiência da resistência do mecanismo do efeito pino.

Figura 20 – Modos de ruptura do mecanismo de efeito pino (VINTZILEOU, 1997).

Com base no exposto por VINTZILEOU (1997), as tensões de compressão e tração


aplicadas ao concreto por uma barra de aço sob uma força D (Figura 21) aumentam com o
aumento do diâmetro da barra, de modo que a máxima força a ser transferida pelo mecanismo de
pino será afetado negativamente aumentando-se o diâmetro da barra.

Figura 21 – Distribuição esquemática de tensões ao longo da barra (VINTZILEOU, 1997).

Um dos fatores primordiais na resistência proporcionada pela barra de aço é a espessura do


cobrimento lateral da barra (cs), como indicado na Figura 22.

Figura 22 – Notação dos cobrimentos de concreto de uma barra de aço inserida no concreto.
(VINTZILEOU, 1997).
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Para pequenas espessuras do cobrimento lateral surgem fissuras horizontais precocemente,


que fazem com que a espessura do cobrimento do topo (ct) não tenha importância. Porém, para
grandes espessuras laterais (3 a 4φ) a resistência proporcionada pela barra aumenta linearmente
com o cobrimento do topo, embora para cobrimentos do topo superiores a 5φ não ocorre aumento
de resistência.
Em função das considerações feitas para o cobrimento da barra é esperado que, para
pequenos espaçamentos entre barras, a resistência oferecida diminui em função de ruptura
causada pelo aparecimento de fissuras prematuras de fendilhamento no concreto. Nesta questão
faltam resultados de pesquisas experimentais (VINTZILEOU, 1997).
Segundo a ASCE-ACI (1998), normalmente a ação de pino não é muito importante em
elementos sem armadura transversal, porque a máxima força cortante proporcionada pela ação de
pino é limitada pela resistência à tração do concreto do cobrimento da barra, que apóia a barra. A
ação de pino pode ser importante em elementos com grande quantidade de armadura transversal,
principalmente quando distribuída em mais que uma camada.

5.5 Tensões Residuais de Tração

Quando o concreto fissura não ocorre uma separação completa, porque pequenas partículas
do concreto ligam as duas superfícies e continuam a transmitir forças de tração, para pequenas
aberturas de fissura entre 0,05 e 0,15 mm. Essa capacidade do concreto contribui para a
transferência de força cortante, importante quando a abertura da fissura ainda é pequena. Vigas
grandes próximas à ruptura com fissuras de grande abertura mostram menor contribuição das
tensões residuais de tração.
A aplicação da mecânica da fratura ao projeto à força cortante toma como base a premissa
de que a tensão de tração residual é o mecanismo de transferência mais importante de força
cortante. Outros métodos, como o modelo de dente (tooth model) de REINECK (1991), indica que
as tensões de tração residuais fornecem uma importante porção da resistência à força cortante de
elementos com alturas menores que 100 mm, onde a largura das fissuras inclinadas e de flexão
são pequenas.

5.6 Armaduras Longitudinal e Vertical

Numa viga, antes do surgimento das fissuras inclinadas a deformação nos estribos é a
mesma do concreto adjacente ao estribo, e como a tensão de tração que causa a fissura no
concreto é pequena, a tensão no estribo também é pequena. De modo que somente após ocorrer o
início da fissuração inclinada é que os estribos passam a transferir força cortante, isto é, um
estribo passa a ser efetivo ao transferir a força de um lado para outro da fissura inclinada que o
intercepta.
Os estribos também atuam diminuindo o crescimento e a abertura das fissuras inclinadas,
proporcionando uma ruptura mais dúctil às vigas. A existência do estribo na viga faz com que
ocorra uma mudança na contribuição relativa de cada um dos diferentes mecanismos resistentes à
força cortante.
A contribuição da armadura transversal à resistência ao cortante da viga é tipicamente
computada por meio da treliça clássica, somada à contribuição do concreto, ou por meio da treliça
de ângulo variável sem a contribuição do concreto.

6. FATORES QUE INFLUENCIAM A RESISTÊNCIA À FORÇA CORTANTE

Segundo LEONHARDT e MÖNNIG (1982), são muitos fatores que influenciam a


resistência das vigas à força cortante, cerca de vinte, sendo que de alguns deles não há
conhecimento suficiente da sua influência. A seguir apresentam-se alguns dos principais fatores.

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6.1 Tipo de Carregamento

Para carregamento uniformemente distribuído (cargas atuando de cima, diretamente sobre


a viga), alguns ensaios com vigas esbeltas sem armadura transversal indicaram uma capacidade
resistente à força cortante cerca de 20% a 30% maior do que para carga concentrada na posição
mais desfavorável. Entretanto, na realidade, não há garantia de uma distribuição uniforme da
carga de utilização, por isso, os critérios de dimensionamento devem levar em consideração os
resultados mais desfavoráveis referentes às cargas concentradas.

6.2 Posição da Carga e Esbeltez

Nas cargas concentradas tem grande influência a distância do apoio até a carga. Já para as
cargas uniformes tem grande influência a esbeltez l/h. Quanto à ruptura de uma viga com e sem
armadura transversal por força cortante, a posição mais perigosa de uma carga concentrada foi
determinada para o trecho a = 2,5h a 3,5h, o que corresponde a uma relação momento-força
cortante de M/Vh = a/h = 2,5 a 3,5. Para cargas distribuídas, rigidezes de l/h =10 a 14 são as que
conduzem a maiores perigos de ruptura por força cortante e, conseqüentemente, na menor
capacidade resistente à força cortante.
A capacidade resistente à força cortante aumenta bastante para cargas próximas ao apoio,
para uma relação decrescente a/h < 2,5. Um aumento correspondente acontece com carga
distribuída, quando l/h < 10. Isto explica porque o efeito de viga escorada é tão mais favorável,
quando mais inclinadas (em relação à horizontal) forem as diagonais comprimidas de concreto.
Deve-se prever, a propósito, uma boa ancoragem da armadura longitudinal do banzo tracionado.

6.3 Tipo de Introdução da Carga

Efetuando-se a ligação de uma viga em toda sua altura d com outra viga, a viga que se
apóia distribui sua carga ao longo da altura da alma da viga que serve de apoio. Diz-se então que
se trata de um carregamento ou apoio indireto. Nos ensaios foi possível mostrar que, na região de
cruzamento dessas vigas, é necessária uma armadura de suspensão, deve ser dimensionada para a
força total atuante no apoio ou nó.
Uma viga no Estádio II transfere sua carga ao apoio primordialmente pela diagonal de
compressão, e as diagonais comprimidas no modelo treliça define claramente a necessidade de
montantes verticais de tração, ou seja, armadura de suspensão. Entretanto, fora da região de
cruzamento, a viga não é influenciada pelo tipo de introdução de carga ou de apoio, isto é, o
comportamento em relação à força cortante é o mesmo que para o apoio ou carregamento direto.
Essas mesmas considerações valem para o dimensionamento à força cortante. Na região de
cruzamento, a armadura de suspensão atende simultaneamente à função de armadura de
transversal.
As cargas penduradas na parte inferior de uma viga produzem tração na alma e devem ser
transferidas pelas barras de tração da alma ao banzo comprimido. Essa armadura de suspensão é
adicional à armadura transversal normal para a força cortante.

6.4 Influência da Armadura Longitudinal

O desenvolvimento de uma fissura inclinada por força cortante, ou seja, seu aumento até
próximo da borda superior da zona comprimida de concreto, depende da rigidez à deformação do
banzo tracionado, ou seja, quanto mais fraco for o banzo tracionado, tanto mais ele se alonga com
o aumento da carga e tão mais depressa a fissura inclinada se torna perigosa.
O banzo tracionado não pode, portanto, ser muito enfraquecido na região de uma possível
ruptura por força cortante. Também um escorregamento da ancoragem no apoio tem um efeito
enfraquecedor. Ambas as influências devem ser consideradas como detalhes construtivos na
execução da armadura.
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Uma outra influência é a qualidade da armadura longitudinal. Ensaios demonstraram, por


exemplo, que para a mesma porcentagem de armadura longitudinal, uma distribuição das tensões
com maior número de barras finas influencia favoravelmente a capacidade resistente à força
cortante.

6.5 Influência da Forma da Seção Transversal

A forma da seção transversal tem uma forte influência sobre o comportamento resistente
de vigas de Concreto Armado solicitadas à força cortante. A seção transversal retangular pode se
adaptar livremente a uma forte inclinação do banzo comprimido e, freqüentemente, pode absorver
toda a força transversal no banzo comprimido (especialmente no caso de carga distribuída e de
carga concentrada próxima ao apoio).
Em seções transversais de vigas T, a força no banzo comprimido só pode ter uma
inclinação quase horizontal, porque na realidade ela permanece na largura comprimida da laje até
a proximidade do apoio, concentrando-se na alma apenas gradativamente em direção ao apoio. O
banzo comprimido por este motivo, só pode absorver uma parcela da força cortante, e a maior
parte deve ser resistida pelas diagonais comprimidas e pelas barras da armadura transversal. A
relação da rigidez do banzo comprimido de largura bf com a correspondente rigidez das diagonais
comprimidas da alma com largura bw é muito maior em vigas T do que em vigas retangulares.
Nas vigas de seção retangular (bf/ bw = 1), os estribos são submetidos a tensões de
compressão até que, pouco antes da carga de ruptura, uma fissura de cisalhamento cruze o estribo.
Nas vigas T essas tensões no estribo aumentam para almas delgadas, em todos os casos, porém,
essas tensões ficam bem abaixo da tensão de escoamento do aço a qual foi calculada de acordo
com a analogia de treliça clássica de Mörsch (com diagonais a 45º).
Ensaios mostraram também que a inclinação das fissuras inclinadas ou das diagonais
comprimidas varia com a relação bf/ bw, essa inclinação situa-se em torno de 30º para bf / bw = 1 e
cresce para cerca de 45º para bf / bw = 8 a 12.
O dimensionamento da armadura transversal da alma deve ser feito a partir da distribuição
dos esforços internos, pouco antes da ruptura, ou seja, deve ser considerada a largura da alma em
relação a largura do banzo comprimido.

6.6 Influência da Altura da Viga

Ensaios realizados segundo uma lei de semelhança com vigas sem armadura transversal e
diferentes alturas d, com igual porcentagem de armadura longitudinal de mesma distribuição de
barras, mostraram que a capacidade resistente à força cortante diminui consideravelmente como
aumento da altura d, quando a granulometria e o cobrimento do concreto não variarem de acordo
com a escala.

7. COMPORTAMENTO DE VIGAS SEM ARMADURA TRANSVERSAL

O comportamento das vigas após a fissuração modifica-se consideravelmente em função


da existência ou não de armadura transversal. Por isso, inicialmente apresentam-se as
características do comportamento das vigas sem armadura transversal, e em seguida das vigas
com armadura transversal.
Numa viga de Concreto Armado sob ação de flexão e forças cortantes, que ocasionam
tensões principais como indicadas na Figura 9, a fissura se forma quando a tensão principal de
tração excede a resistência do concreto à tração.
A maior parte das fissuras inclinadas são extensões das fissuras de flexão. Em vigas com
mesas, como seções I e T por exemplo, ocorrem fissuras inclinadas nas proximidades da linha
neutra.
A previsão da força cortante que provoca a fissura diagonal inclinada, segundo uma
análise das tensões principais e em função da resistência do concreto à tração, é maior que a

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verificada na realidade numa viga sob flexão e forças cortantes. Assim ocorre devido
principalmente à redistribuição de tensões de cisalhamento entre as fissuras de flexão, entre outros
fatores, como as tensões existentes devido à retração do concreto.
Segundo a ASCE-ACI (1998), a presença de fissuras inclinadas em vigas sob ações de
serviço são aceitáveis hoje, desde que seja garantida que a abertura das fissuras não ultrapassem
os limites máximos estabelecidos.

7.1 Parâmetros Mais Importantes

Existem vários parâmetros que influenciam significativamente a contribuição relativa dos


diferentes mecanismos resistentes à força cortante e conseqüentemente a resistência última das
vigas sem armadura transversal à força cortante.

7.1.1 Resistência do Concreto

A resistência à força cortante aumenta com o aumento da resistência do concreto, porém,


não está definido ainda se é a resistência do concreto à compressão ou a resistência à tração que
exerce maior influência.
Normas que consideram a “contribuição do concreto” (Vc) como a força cortante relativa
ao aparecimento da fissuração inclinada, como a NBR 6118/03 e o ACI 318, levam em
consideração a resistência do concreto à tração, geralmente por meio de equações em função da
resistência do concreto à compressão elevadas a uma potência, como fc1/4, fc1/3 e fc1/2.
O aumento da resistência à força cortante com o aumento da resistência do concreto parece
ser mais efetivo em vigas menores com altas taxas de armaduras e feitas com concretos de baixa
ou média resistência, como as vigas ensaiadas por MOODY et al. (1954), indicadas no diagrama
da Figura 23. As vigas de YOON e COOK (1996), com alturas nem pequenas nem grandes e com
taxas de armaduras moderadas, apresentaram a tendência de maneira menos pronunciada. Por
outro lado, vigas altas levemente armadas e com concretos de alta resistência de agregados
pequenos não mostraram a mesma tendência, como aquelas ensaiadas pelos outros autores.
Credita-se tal característica ao fato das superfícies das fissuras serem mais lisas ou menos
rugosas nos concretos de alta resistência que nos concretos normais, o que diminui a eficiência do
mecanismo de transferência da força cortante nas interfaces das fissuras (atrito na interface).

7.1.2 Altura da Viga

É fato que a resistência à força cortante diminui em vigas de concreto (Armado e


Protendido) com o aumento da altura da viga, efeito chamado “size effect”. Algumas pesquisas
como de SHIOYA et al. (1989), LEONHARDT e WALTHER (1961, 1962, 1963), entre várias
outras, mostraram tal comportamento das vigas.
A Figura 24 mostra os resultados experimentais obtidos por SHIOYA et al. (1989) de
vigas com alturas efetivas (d) entre 10 e 300 cm, sem armadura transversal e levemente armadas
na direção longitudinal, comparados com a resistência prevista pelo ACI 318-95 e pelo método
simplificado (β) de acordo com o modelo MCFT. A resistência última das vigas maiores foi
apenas cerca de um terço das vigas menores, e menos da metade da resistência teórica calculada
segundo o ACI 318R-02 (HAWKINS et al., 2005).
Nas vigas maiores nota-se que romperam com tensões de cisalhamento menores que a
metade das tensões teóricas previstas pelo ACI 318, e o MCFT apresentou bons resultados.

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 22

Figura 23 – Influência da resistência à compressão do concreto sobre a resistência à força


cortante. (KUCHMA e KIM, 2001).

Figura 24 – Influência da altura da viga e da dimensão do agregado sobre a


resistência à força cortante (COLLINS e KUCHMA, 1999).

Em 1956 ocorreu a ruptura de várias vigas de Concreto Armado, com altura de 91,4 cm,
num galpão da força aérea dos Estados Unidos, com força cortante menor que a metade da força

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cortante teórica prevista pela norma ACI (Figura 25). Em investigações realizadas na época vigas
semelhantes foram ensaiadas, porém, com modelos em escala de um terço das vigas reais
rompidas. Os modelos ensaiados mostraram muito maior resistência à ruptura que as vigas do
galpão, e por isso a conclusão para o fator principal da queda foi que a baixa resistência das vigas
ocorreu devido a tensões axiais de tração provocadas por retração restringida pelos pilares.

Figura 25 – Viga rompida do galpão da força aérea dos Estados Unidos (CLADERA, 2002).

Hoje, com os maiores conhecimentos sobre a influência da altura da viga sobre sua
resistência à força cortante, explica-se a ruptura das vigas pela influência da altura, não
corretamente avaliada pelo ACI da época. Porém, o entendimento de tal comportamento das vigas
ainda não está completamente entendido pelos pesquisadores, dada as diferentes explicações
existentes para o fenômeno. Alguns creditam à redução da transferência de força cortante nas
interfaces das fissuras devido a maior largura das fissuras que ocorrem em vigas de grande altura.
Outros creditam que, em vigas altas, a propagação de fissuras inclinadas ocorre de maneira mais
rápida, o que diminui a resistência à força cortante.

7.1.3 Relação entre a Altura da Viga e a Posição da Carga

Numa viga simples sob carregamento de forças concentradas chama-se “a” a distância
entre o apoio e a força concentrada aplicada (“shear span”). Costuma-se analisar a influência desta
distância com relação à altura útil das vigas, isto é, a razão a/d, que serve como um indicativo da
esbeltez das vigas.
Quando a relação a/d diminui a resistência da viga à força cortante aumenta, sendo
particularmente importante em relações menores que 2,5 a 3,0, porque uma parcela significativa
da força cortante é transmitida diretamente ao apoio pela ação de arco. E quanto menor a relação
a/d mais pronunciada se torna a ação de arco. As vigas-paredes são exemplos típicos da existência
do efeito arco de forma pronunciada.
Em vigas simples sob cargas concentradas a seção sob máximo momento fletor e força
cortante ocorre na distância a/d, pois Mmáx = Vmáx . a , e a razão de momento fletor para força
cortante é Mmáx / Vmáx . d = a/d. No caso de viga sob carregamento uniformemente distribuído a
relação é Mmáx / Vmáx . d = l / 4d, o que significa que a é a distância entre o apoio e a resultante da
carga uniformemente distribuída numa metade do vão.
O valor de a também relaciona as capacidades das vigas à flexão e à força cortante. Numa
ruptura por flexão a força cortante pode ser calculada dividindo-se o momento de ruptura por a, e
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numa ruptura por efeito de força cortante o momento fletor no meio do vão será calculado
multiplicando-se a força cortante de ruptura por a.

7.1.4 Armadura Longitudinal

Para um dado carregamento mantido constante, se a armadura longitudinal da viga é


diminuída as tensões de flexão e as deformações nessa armadura devem aumentar.
Conseqüentemente, as fissuras terão aberturas maiores e a resistência à força cortante diminuída, e
além disso, a ação de pino é também diminuída por existir menos armadura.
Barras longitudinais dispostas ao longo da altura das vigas diminuem o espaçamento e
abertura das fissuras, e por isso aumentam a resistência à força cortante de maneira significativa.

7.1.5 Força Axial

Forças axiais de compressão aumentam a resistência à força cortante porque diminuem a


largura das fissuras inclinadas, o que contribui para uma maior resistência nas interfaces das
fissuras, e aumentam a altura do banzo de concreto comprimido, e conseqüentemente a sua
resistência à força cortante. Forças de tração, ao contrário, diminuem a resistência à força
cortante.

7.2 Modos de Ruptura

A ruptura de vigas de Concreto Armado por efeito de força cortante caracteriza-se pela
ocorrência de fissuras inclinadas, que pode, em alguns casos, ser seguida pela ruptura da viga, e
em outros casos, a viga ainda pode suportar acréscimos de carga antes da ruptura.
As fissuras inclinadas podem se desenvolver na alma das vigas como uma extensão de fissuras de
flexão já existentes ou de maneira independente. A primeira fissura é chamada “fissura por flexão
e força cortante” e a segunda como “fissura por força cortante”. Ocorre também a fissura por
flexão pura, como indicadas na Figura 8.
Além dos três tipos de fissuras básicas podem também ocorrer outras fissuras secundárias,
muitas vezes em decorrência de tensões de tração que causam fissuras de fendilhamento, com o
escorregamento relativo entre a barra de aço e o concreto, ou de forças oriundas da ação de pino
de barras longitudinais transferindo força cortante através de uma fissura.
De acordo com o ACI-ASCE 426 (1973), a maneira como as fissuras inclinadas se
desenvolvem e crescem e o tipo de ruptura que ocorre na seqüência depende muito da relação
entre as tensões de cisalhamento e as tensões normais de flexão, que podem ser definidas
aproximadamente como:

V
τ = α1 Eq. 8
bw d

M
σx = α2 Eq. 9
bf d 2

onde bf é a largura da mesa, bw é a largura da alma, d é a altura útil, e α1 e α2 são coeficientes que
dependem de várias variáveis, como a geometria, tipo de carga, quantidade e posição das
armaduras, tipo de aço, concreto, etc.
Uma viga submetida a forças concentradas tem a seguinte relação entre tensões:

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σx ⎛a⎞⎛b ⎞
= α 3 ⎜ ⎟ ⎜⎜ w ⎟⎟ Eq. 10
τ ⎝ d ⎠ ⎝ bf ⎠

onde: α3 = α2/α1;
a = distância entre a força aplicada e o apoio (shear span).

A relação a/d é útil para ilustrar a variação entre a carga correspondente à fissura inclinada
e a capacidade da viga retangular à força cortante.
Quando todas as variáveis são mantidas constantes, a influência de a/d sobre a fissuração
de vigas retangulares bi-apoiadas em função da esbeltez é classificada como ilustrado a seguir.

a) viga muito esbelta (a/d > 6)

As vigas nesta categoria rompem por flexão geralmente antes do surgimento de fissuras
inclinadas.

b) viga esbelta (2,5 < a/d < 6)

Além das fissuras de flexão surgem também fissuras de flexão com influência da força
cortante, isto é, fissuras que se iniciam verticais e depois se inclinam em direção ao banzo
comprimido. Fissuras inclinadas devidas à força cortante podem propagar-se em direção ao topo e
à base da viga, causar o escoamento das armaduras e separar a viga em duas partes, o que é
chamado ruptura por tração diagonal (Figura 26).

Figura 26 – Ruptura por tração diagonal (ACI-ASCE 426, 1973).

c) viga curta (1 < a/d < 2,5)

Uma fissura inclinada pode propagar-se pela armadura longitudinal, causando perda de
aderência entre as barras longitudinais e o concreto, que escorrega e leva à ruptura da ancoragem
(Figura 27). Não ocorrendo falha da aderência pode ocorrer ruptura por esmagamento do concreto
comprimido do banzo superior, devido ao prolongamento da fissura inclinada em direção ao topo
da viga, que diminui a área do banzo (Figura 28).

Figura 27 – Ruptura por escorregamento das barras longitudinais tracionadas.


(ACI-ASCE 426, 1973).

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Figura 28 – Ruptura por escorregamento das barras longitudinais tracionadas.


(ACI-ASCE 426, 1973).

d) viga muito curta (a/d < 1)

As fissuras inclinadas ocorrem ao longo da linha entre o apoio e o ponto de aplicação da


carga. Nas vigas-paredes classificadas nessa categoria uma parcela significativa da força cortante
é transferida ao apoio por ação de arco, como indicado na Figura 29. Há várias formas de ruptura:
1) da ancoragem da armadura longitudinal de tração;
2) esmagamento do concreto próximo e acima do apoio;
3) flexão – por esmagamento do concreto do banzo comprimido ou por escoamento da
armadura de tração;
4) tração na borda superior acima do arco de compressão;
5) esmagamento do concreto que forma a ação de arco.

Figura 29 – Modelos de ruptura em vigas curtas (vigas-paredes), (ACI-ASCE 426, 1973).

e) viga I

Vigas de seção transversal em forma de I têm tensão de cisalhamento na alma muito


superiores às vigas retangulares, e por isso a ruptura mais comum é aquela por esmagamento do
concreto nas diagonais comprimidas entre as fissuras (ruptura das bielas de compressão) - Figura
30. Os outros modos de ruptura já descritos para vigas retangulares podem também ocorrer.

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Figura 30 – Ruptura de vigas seção I (ACI-ASCE 426, 1973).

8. COMPORTAMENTO DE VIGAS COM ARMADURA TRANSVERSAL

A existência de armadura transversal modifica consideravelmente o comportamento das


vigas após o surgimento das fissuras inclinadas. Ao ser interceptado por uma fissura o estribo faz
a ponte de transferência das tensões de tração entre os lados da fissura, e ao atingir a tensão fy o
aço do estribo escoa. Ainda existe um ganho de resistência proporcionado principalmente pelo
atrito entre as superfícies nas fissuras. Os estribos, ao continuarem escoando, proporcionam uma
ruptura dúctil.
Em vigas com altas taxas de armadura transversal a ruptura pode ocorrer devido ao
esmagamento do concreto comprimido das diagonais inclinadas, principalmente vigas de seção I.
Após a formação de fissuras inclinadas uma parte da força cortante passa a ser transferida pela
armadura transversal. Quando essa armadura passa a escoar qualquer força cortante adicional
deve ser transferida pelos mecanismos já citados. Quando a fissura tem a abertura aumentada o
atrito nas interfaces diminui, o que causa um aumento de força transferida pelo concreto do banzo
comprimido e pela ação de pino, até que rompe a ação de pino ou o concreto comprimido esmaga.

8.1 Função do Estribo

A colocação de estribos nas vigas tem três funções básicas:


a) resistir à parte da força cortante;
b) restringir o crescimento da abertura das fissuras, o que ajuda a manter o atrito entre as
interfaces na fissura;
c) aumentar a ação de pino das barras longitudinais.

Além disso, os estribos proporcionam uma pequena resistência por ação de pino nas
fissuras e aumentam a resistência da zona comprimida de concreto pelo confinamento que
promovem.
A Figura 31 mostra a atuação ou trabalho desenvolvido pelo estribo vertical na analogia de
treliça, para uma viga com tração na fibra inferior. No nó inferior o estribo entrelaça a armadura
longitudinal tracionada e no nó superior o estribo ancora-se no concreto comprimido e na
armadura longitudinal superior.
As bielas de compressão se apóiam nas barras da armadura longitudinal inferior, no trecho
final dos ramos verticais dos estribos e nos seus ramos horizontais, principalmente na intersecção
do estribo com as barras longitudinais.
O ramo horizontal inferior dos estribos é importante porque, além de servir de apoio às
bielas, também atua para equilibrar as tensões de tração oriundas da inclinação transversal das
bielas diagonais, como indicado na Figura 31III e IV.
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Na Figura 31II mostra-se o apoio da biela na intersecção do estribo com a barra


longitudinal inferior, e o acréscimo de tensão ∆σs na armadura longitudinal, entre um estribo e
outro e proveniente da atuação da tensão de aderência τb , entre a barra e o concreto.

Figura 31 – Atuação do estribo no modelo de treliça (FUSCO, 2000).

No nó superior os estribos se ancoram no concreto comprimido, e nas barras longitudinais


aí posicionadas. Barras porta-estribos também atuam para evitar o fendilhamento, que pode ser
provocado pelo gancho do estribo ao aplicar tensões de tração num pequeno volume de concreto.
O ramo horizontal superior do estribo não é obrigatório, porém, sua disposição é indicada
para o posicionamento de barras longitudinais internas e para resistir a esforços secundários que
geralmente ocorrem.
Vigas largas, com larguras maiores que aproximadamente 40 cm, devem ter estribos com
mais de dois ramos verticais, sendo muito comum o uso de estribos com quatro ramos, que
oferece a vantagem de ser montado sobrepondo-se dois estribos idênticos de dois ramos. No caso
do estribo com três ramos é colocada uma barra adicional no espaço entre os ramos de um estribo
convencional com dois ramos (Figura 32).

Figura 32 – Estribos com três e com quatro ramos verticais.

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8.2 Modos de Ruptura

As formas de ruptura de vigas por efeito de força cortante também foram estudadas por
LEONHARDT e MÖNNIG (1982), e são descritas a seguir.
Quando as tensões principais de tração inclinadas σI alcançam a resistência do concreto à
tração, surgem as primeiras fissuras devidas à força cortante, perpendiculares à direção de σI ,
como mostrado anteriormente. À medida que as fissuras vão surgindo ocorre uma redistribuição
dos esforços internos, e a armadura transversal e as diagonais comprimidas passam então a
“trabalhar” de maneira mais efetiva. A redistribuição de esforços depende da quantidade e da
direção da armadura transversal, o que leva a diversos tipos de ruptura por força cortante.
Com o aumento do carregamento as fissuras de flexão na região de maiores forças
cortantes propagam-se com trajetória inclinada, dando origem às chamadas fissuras de flexão com
cortante. Se a armadura transversal for insuficiente, o aço atinge a deformação de início de
escoamento (εy). As fissuras inclinadas por efeito da força cortante próximas ao apoio
desenvolvem-se rapidamente em direção ao banzo comprimido, diminuindo a sua seção resistente,
que por fim pode se romper bruscamente (Figura 33). A total falta de armadura transversal
também pode levar a esta forma de ruptura. A fissura propaga-se também pela armadura
longitudinal de tração nas proximidades do apoio, separando-a do restante da viga (Figura 33).

Figura 33 – Ruptura de viga e laje por rompimento do banzo superior comprimido de concreto.
(LEONHARDT e MÖNNIG, 1982).

Pode também ocorrer o rompimento dos estribos, antes da ruptura do banzo comprimido,
ou a ruptura na ligação das diagonais comprimidas com o banzo comprimido. A Figura 34 mostra
a ruptura que pode ocorrer por rompimento ou deformação excessiva dos estribos.

Figura 34 – Ruína da viga por rompimento dos estribos (LEONHARDT e MÖNNIG, 1982).
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Em seções com banzos reforçados, como seções I, que possuam armaduras longitudinal e
transversal reforçadas, formam-se muitas fissuras inclinadas, e as bielas de compressão entre as
fissuras podem romper de maneira brusca ao atingir a resistência do concreto à compressão. Tal
ruptura ocorre quando as diagonais são solicitadas além do limite da resistência do concreto, antes
que a armadura transversal entre em escoamento (Figura 35).
As bielas de compressão delimitam o limite superior da resistência das vigas ao esforço
cortante, o que depende da resistência do concreto. A tensão de compressão nas bielas depende da
inclinação dos estribos, como se verá adiante.

Figura 35 - Ruptura das diagonais comprimidas no caso de armadura transversal reforçada.


(LEONHARDT e MÖNNIG, 1982).

9. TRELIÇA CLÁSSICA DE RITTER-MÖRSCH (θ = 45°)

Neste item são apresentadas as equações para as forças e as tensões nas barras da treliça
clássica, e no item 11 as equações para a treliça generalizada, que servem de base para a dedução
das equações contidas na NBR 6118/03 para o dimensionamento das vigas à força cortante. A
treliça clássica é a admitida pela NBR 6118/03 para o Modelo de Cálculo I (item 17.4.2.2), onde o
ângulo θ é fixo com valor de 45°.
A analogia de uma viga fissurada com uma treliça foi introduzida por RITTER (1899), e
serviu para o entendimento do comportamento das vigas à força cortante durante o início do
século 20. Cada barra da treliça, indicada na Figura 36, representa uma parte de uma viga simples:
o banzo inferior é a armadura longitudinal de tração, o banzo superior é o concreto comprimido
pela flexão, as diagonais inclinadas de 45° representam o concreto comprimido entre as fissuras
(bielas de compressão) e as diagonais tracionadas inclinadas do ângulo α os estribos. Essa treliça
é a chamada “treliça clássica”. Para estribos verticais imagina-se as diagonais tracionadas
dispostas na vertical, com ângulo α de 90°. Este modelo de Ritter foi melhorado por Mörsch,
assumindo que as diagonais comprimidas estendem-se por mais de um estribo.
O modelo de treliça tradicional assume que as bielas de compressão são paralelas à direção
das fissuras inclinadas e que nenhuma tensão é transferida através as fissuras. No entanto, existem
dois mecanismos que não são considerados no modelo de treliça tradicional: 1) as tensões de
tração que existem no concreto transversalmente às bielas de compressão; 2) as tensões de
cisalhamento que são transferidas nas faces das fissuras inclinadas pela ação do engrenamento dos
agregados ou atrito. Esses mecanismos resultam: 1) o ângulo da tensão principal de compressão
na alma é menor que o ângulo de inclinação das fissuras; 2) uma componente vertical da força ao
longo da fissura que contribui para a resistência à força cortante, sendo esse mecanismo resistente
chamado como “contribuição do concreto” (Vc). Geralmente, a tensão de tração no concreto entre
as fissuras não é considerada nos modelos de treliça (ASCE-ACI, 1998).
A treliça clássica despreza a resistência do concreto à tração e mesmo após a fissuração da
viga as diagonais de compressão mantém-se inclinadas de 45°. A “contribuição do concreto” é
considerada por meio da parcela Vc , com diferentes valores para cada norma.
Considere uma viga bi-apoiada, com o carregamento de uma força concentrada P, e com
força cortante constante. A analogia dessa viga fissurada (Estádio II) com a treliça clássica, com

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ângulo θ de inclinação das diagonais comprimidas (bielas de compressão) de 45° e com diagonais
tracionadas inclinadas de um ângulo α qualquer, está mostrada na Figura 36.
Sendo a treliça isostática, as forças nas barras podem ser determinadas considerando-se
apenas as condições de equilíbrio dos nós, a partir da força cortante. Considerando a seção 1-1 da
treliça sob atuação da força cortante V, a força na diagonal comprimida (biela de compressão -
Rcb) é:

V = R cb sen 45 Eq. 11 1

R cb
V V
R cb = = 2 V Eq. 12
sen 45

45°
1

V= P V= P
2 2

V
z (
2
1
+

banzo comprimido
co
tg
)

diagonal comprimida
P
1

V z
θ = 45°
45°

1
z ( 1 + cotg )
V= P
2
diagonal tracionada banzo tracionado

Figura 36 – Viga representada segundo a treliça clássica de Ritter-Mörsch.

A distância entre duas diagonais comprimidas adjacentes, na direção perpendicular a elas,


é (Figura 36):

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z
(1 + cotg α )
2

A força em cada diagonal comprimida pode ser considerada aplicada na área de concreto
(área da biela):
z
bw . (1 + cotg α )
2

onde α é o ângulo de inclinação das diagonais tracionadas. A tensão média de compressão na


biela é então dada por:

R cb 2 2 V
σ cb = =
bw
z
(1 + cotg α ) b w z (1 + cotg α )
2

2V
σ cb =
b w z (1 + cotg α )
Eq. 13

A força na diagonal tracionada (Rs,α), inclinada do ângulo α, pode ser determinada fazendo
o equilíbrio da seção 1-1 da treliça (Figura 36):

V = R s, α sen α Eq. 14
V
R s,α
V
R s ,α = Eq. 15
sen α
α

Cada diagonal de tração com força Rs,α é relativa a um comprimento da viga, a distância z
(1 + cotg α), medida na direção do eixo longitudinal, e deve ser resistida por uma armadura
chamada transversal, composta por barras (estribos) espaçadas num comprimento s e inclinadas
de um ângulo α (Figura 37).

A sw,

s s s s s s s

z ( 1 + cotg )

Figura 37 – Armadura transversal Asw,α resistente à força na diagonal tracionada.

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Considerando Asw a área de aço de um estribo, a área total de armadura no comprimento


z (1 + cotg α) é dada por:

z (1 + cotg α )
A sw ,α
s

onde z (1 + cotg α)/s representa o número de estribos nesse comprimento. A tensão σsw na
armadura transversal resulta:

R s,α V s
σ sw ,α = =
A sw ,α z (1 + cotg α ) z (1 + cotg α ) sen α A sw ,α
s

α
s
V s
σ sw ,α =
z (sen α + cos α ) A sw ,α Eq. 16 Asw,α

O ângulo α de inclinação da armadura transversal pode variar teoricamente de 45° a 90°,


sendo que na esmagadora maioria dos casos da prática o ângulo adotado é de 90°, com a armadura
transversal consistindo de estribos na posição vertical. Porém, é interessante fazer algumas
comparações com o ângulo α assumindo os valores de 45° e 90°, o que é mostrado na Tabela 1.
A equação que determina a tensão na diagonal comprimida (σcb) mostra que o ângulo α de
inclinação da armadura transversal influencia o valor da tensão na diagonal comprimida. Quando
a armadura transversal é colocada na posição vertical, com α = 90°, como a armadura fica
inclinada com relação às tensões principais de tração σI a tensão na diagonal comprimida (biela de
compressão) resulta o dobro da tensão para quando a armadura é colocada inclinada a 45°.
Conclui-se que, quanto mais inclinada for a armadura – até o limite de 45°, menor será a tensão
nas bielas de compressão.

Tabela 1 - Resumo das relações para a treliça clássica em função do ângulo α de


inclinação das diagonais tracionadas.
Relação α qualquer α = 45° α = 90°
Força na diagonal compri-
2V 2V 2V
mida (Rcb)
Tensão na diagonal 2V V V
2
comprimida (σcb) b w z (1 + cotg α ) bw z bw z
Força de tração na arma- V V
V
dura transversal (Rs) sen α sen 45
Tensão na armadura V s V s V s
transversal (σsw) z (sen α + cos α ) A sw ,α z A sw , 45 2 z A sw ,90

O fato já enunciado da armadura transversal inclinada de 45° ser mais eficiente, por
acompanhar a inclinação das tensões principais de tração σI , fica evidenciado ao se comparar as
equações da tensão na armadura transversal (σsw). Nota-se que a armadura a 45° resulta 2 vezes

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 34

menor que a armadura a 90°. No entanto, a armadura a 45° apresenta comprimento 2 vezes
maior que a armadura a 90°, o que acaba levando a consumos de armadura praticamente iguais.

10. TRELIÇA GENERALIZADA (θ variável)

Com base nos resultados de numerosas pesquisas experimentais verificou-se no século


passado que a inclinação das fissuras é geralmente inferior a 45°, e conseqüentemente as bielas de
compressão têm inclinações menores, podendo chegar a ângulos de 30° ou até menores com a
horizontal, em função principalmente da quantidade de armadura transversal e da relação entre as
larguras da alma e da mesa, em seções T e I por exemplo (Figura 38). Além disso, a treliça não
considera a ação de arco nas proximidades dos apoios. Por não fazer essas considerações a treliça
clássica de Ritter-Mörsch é conservadora e conduz à armadura transversal um pouco exagerada.

P P

- 30° - 38°

a) treliça de alma espessa

- 38° - 45°

b) treliça de alma delgada

Figura 38 - Treliça generalizada (CEB, 1979).

Para levar em conta a menor inclinação das fissuras surgiu, na década de 60, a chamada
“treliça generalizada”, com ângulos θ menores que 45° para a inclinação das diagonais
comprimidas (Figura 39). A determinação correta do ângulo θ para uma viga é muito complexa,
porque depende de inúmeros fatores.
A dedução das forças na treliça generalizada é semelhante àquela já apresentada para a
treliça clássica. Sendo V a força cortante que atua na seção 1-1 da treliça (Figura 39), a força na
diagonal comprimida (Rcb) é:

V = R cb sen θ Eq. 17 1

V
R cb = Eq. 18 R cb
sen θ V

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 35

z(cotg θ + cotg α)sen θ

banzo comprimido

diagonal comprimida
P
1

V z

θ θ α

1
z(cotg θ + cotg α)
V= P
2
diagonal tracionada banzo tracionado

Figura 39 - Treliça generalizada com diagonais comprimidas inclinadas com ângulo θ e


armadura transversal inclinada com ângulo α.

A distância entre duas diagonais comprimidas adjacentes, na direção perpendicular a elas,


é:
z (cot g θ + cotg α ) sen θ

A força em cada diagonal comprimida pode ser considerada aplicada na área de concreto
(área da biela):

bw . z (cot g θ + cotg α ) sen θ

onde α é o ângulo de inclinação das diagonais tracionadas. A tensão média de compressão na


biela é então dada por:

R cb
σ cb =
b w z (cot g θ + cotg α ) sen θ

V
σ cb =
b w z (cot g θ + cotg α ) sen 2 θ
Eq. 19

A força na diagonal tracionada (Rs,α) pode ser determinada fazendo o equilíbrio da seção
1-1 da treliça (Figura 39):

V = R s, α sen α Eq. 20

V V
R s ,α = Eq. 21 R s,α
sen α
α

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Cada diagonal de tração com força Rs,α é relativa a um comprimento da viga, a distância
z (cotg θ + cotg α), medida na direção do eixo longitudinal da viga, e deve ser resistida por uma
armadura transversal composta por barras (estribos) espaçadas num comprimento s e inclinadas de
um ângulo α, como indicado na Figura 39.
Considerando Asw a área de aço de um estribo, a área total de armadura no comprimento
z (cotg θ + cotg α) é dada por:

z (cotg θ + cot g α )
A sw ,α
s

onde z (cotg θ + cotg α)/s representa o números de estribos nesse comprimento. A tensão σsw na
armadura transversal resulta:

R s ,α
σ sw ,α =
A sw z (cot g θ + cotg α )
s

α
V s
s
σ sw ,α =
z (cot g θ + cotg α ) sen α A sw ,α
Asw,α
Eq. 22

No modelo de treliça generalizada o ângulo θ é uma incógnita no problema, sendo


dependente de diversos fatores. Este é um assunto que vem sendo pesquisado, sendo que nos
modelos desenvolvidos por Collins, Mitchell e Vecchio (CFT e MCFT), o ângulo θ é calculado.

11. DIMENSIONAMENTO SEGUNDO A NBR 6118/03

A partir de março de 2003 uma nova versão da NBR 6118 entrou em vigor no Brasil,
trazendo significativas mudanças em relação à sua versão anterior, a NB 1/78, quanto ao
dimensionamento da armadura transversal para a resistência de elementos de Concreto Armado e
Concreto Protendido à força cortante. A nova NBR 6118/03 manteve a hipótese básica da
analogia de viga fissurada com uma treliça, de banzos paralelos. Porém, introduziu algumas
inovações, como a possibilidade de considerar inclinações diferentes de 45° para as diagonais
comprimidas (bielas de compressão), novos valores adotados para a parcela Vc da força cortante
absorvida por mecanismos complementares de treliça, adoção da resistência do concreto à
compressão para região fissurada (fcd2), constante no código MC-90 do CEB-FIP (1991) e
consideração de uma nova sistemática para verificação do rompimento das diagonais
comprimidas, por meio da força cortante resistente de cálculo (VRd2) em substituição à tensão de
cisalhamento última (τwu).
A norma dividiu o cálculo segundo dois modelos, os Modelos de Cálculo I e II. O Modelo
de Cálculo I admite a chamada treliça clássica, com ângulo de inclinação das diagonais
comprimidas (θ) fixo em 45°. Já o Modelo de Cálculo II considera a chamada treliça generalizada,
onde o ângulo de inclinação das diagonais comprimidas pode variar entre 30° e 45°. Aos modelos
de treliça foi associada uma força cortante adicional Vc , proporcionada por mecanismos
complementares ao de treliça.
O Modelo de Cálculo I é semelhante ao método constante da versão anterior da norma
(NB 1/78), porém, com alteração no valor da parcela Vc . Pode-se dizer que a nova metodologia

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 37

introduzida pela NBR 6118/03 segue em linhas gerais o MC-90 do CEB-FIP (1991) e o Eurocode
2 de 1992, com algumas mudanças e adaptações (SIMPLICIO e ÁVILA, 2005).
A condição de segurança do elemento estrutural é satisfatória quando são verificados os
Estados Limites Últimos, atendidas simultaneamente as duas condições seguintes:

VSd ≤ VRd 2 Eq. 23

VSd ≤ VRd 3 = Vc + Vsw Eq. 24

onde: VSd = força cortante solicitante de cálculo na seção;


VRd2 = força cortante resistente de cálculo, relativa à ruína das diagonais comprimidas de
concreto;
VRd3 = Vc + Vsw = força cortante resistente de cálculo, relativa à ruína por tração diagonal;
Vsw = parcela absorvida pela armadura transversal.

Vc é a parcela de força cortante absorvida por mecanismos complementares ao de treliça.


Tem valor empírico e serve para levar em conta os mecanismos básicos de resistência das vigas à
força cortante, apresentados na Figura 13, que são difíceis de serem quantificados. Os três
mecanismos principais de resistência são proporcionados por:
a) banzo de concreto comprimido da flexão;
b) engrenamento dos agregados ao longo das fissuras inclinadas;
c) efeito de pino da armadura longitudinal.

11.1 Modelo de Cálculo I

No Modelo de Cálculo I a NBR 6118/03 (item 17.4.2.2) adota a treliça clássica de Ritter-
Mörch, ao admitir o ângulo θ de 45o para as diagonais comprimidas de concreto (bielas de
compressão), e a parcela complementar Vc tem valor constante, independentemente do esforço
cortante VSd .

11.1.1 Verificação da Diagonal Comprimida de Concreto

A equação que define a tensão de compressão nas bielas de concreto para a treliça clássica
(θ = 45o) foi deduzida no item 10 (Eq. 13):

2V
σ cb =
b w z (1 + cotg α )

A norma limita a tensão de compressão nas bielas ao valor fcd2 , como definido no código
MC-90 do CEB (1991). O valor fcd2 atua como um fator redutor da resistência à compressão do
concreto, quando há tração transversal por efeito de armadura e existem fissuras transversais às
tensões de compressão (Figura 40). O valor fcd2 é definido por:

⎛ f ⎞
f cd 2 = 0,60 ⎜1 − ck ⎟ f cd = 0,60 α v 2 f cd Eq. 25
⎝ 250 ⎠

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 38

tensão de tração
de armadura

tensão < f cd2

fissura

Figura 40 – Tensão de compressão com tração transversal conforme o MC-90 do CEB-FIP.

⎛ f ck ⎞
A NBR 6118 (item 17.4.2.2) chama o fator ⎜1 − ⎟ de αv2 . Na Eq. 13, substituindo z
⎝ 250 ⎠
por 0,9 d, σcb por fcd2 e fazendo V como a máxima força cortante resistente (VRd2) correspondente
à ruína das diagonais comprimidas de concreto, tem-se:

2 VRd 2
0,60 α v 2 f cd =
bw 0,9d (1 + cotg α )

0,60 α v 2 f cd b w 0,9 d (1 + cot g α )


VRd 2 = Eq. 26
2

VRd 2 = 0,27 α v 2 f cd b w d (1 + cot g α ) Eq. 27

Fazendo α igual a 90° para estribo vertical a Eq. 27 fica:

VRd 2 = 0,27 α v 2 f cd b w d Eq. 28

f ck
com α v 2 = 1 − (fck em MPa).
250

Portanto, conforme a Eq. 23, para não ocorrer o esmagamento das diagonais comprimidas
deve-se ter:

VSd ≤ VRd 2

11.1.2 Cálculo da Armadura Transversal

Da Eq. 24 (VSd ≤ VRd3), fazendo a força cortante de cálculo (VSd) igual à máxima força
cortante resistente de cálculo, relativa à ruptura da diagonal tracionada (armadura transversal),
tem-se:

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 39

VSd = VRd 3 = Vc + Vsw

A parcela Vc referente à parte da força cortante absorvida pelos mecanismos


complementares ao de treliça é definida como:

a) elementos tracionados quando a linha neutra se situa fora da seção

Vc = 0

b) na flexão simples e na flexo-tração com a linha neutra cortando a seção

Vc = Vc0 = 0,6 f ctd b w d Eq. 29

sendo:

f ctk ,inf 0,7 f ctm 0,7 . 0,3 3 2


f ctd = = = f ck Eq. 30
γc γc γc

com fck em MPa.

A força Vc0 representa a resistência à força cortante de uma viga sem estribos, ou seja, é a
força cortante que uma viga sem estribos pode resistir.

c) na flexo-compressão

⎛ M0 ⎞
Vc = Vc0 ⎜1 + ⎟ ≤ 2 Vc 0 Eq. 31
⎜ M ⎟
⎝ Sd , máx ⎠

onde:
bw = menor largura da seção, compreendida ao longo da altura útil d;
d = altura útil da seção, igual à distância da borda comprimida ao centro de gravidade da
armadura de tração;
s = espaçamento entre elementos da armadura transversal Asw, medido segundo o eixo
longitudinal do elemento estrutural;
fywd = tensão na armadura transversal passiva, limitada ao valor fyd no caso de estribos e a
70 % desse valor no caso de barras dobradas, não se tomando, para ambos os casos,
valores superiores a 435 MPa;
α = ângulo de inclinação da armadura transversal em relação ao eixo longitudinal do
elemento estrutural, podendo-se tomar 45° ≤ α ≤ 90°;
M0 = momento fletor que anula a tensão normal de compressão na borda da seção
(tracionada por Md,max), provocada pelas forças normais de diversas origens concomitantes
com VSd, sendo essa tensão calculada com valores de γf e γp iguais a 0,9, os momentos
correspondentes a essas forças normais não devem ser considerados no cálculo dessa
tensão pois são considerados em MSd, apenas os momentos isostáticos de protensão;
MSd,max = momento fletor de cálculo, máximo no trecho em análise, que pode ser tomado
como o de maior valor no semitramo considerado, (para esse cálculo, não se consideram
os momentos isostáticos de protensão, apenas os hiperestáticos).

Com o valor de Vc conhecido, da Eq. 24 calcula-se a parcela da força cortante a ser


resistida pela armadura transversal:

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 40

Vsw = VSd − Vc Eq. 32

A equação que define a tensão na diagonal tracionada para a treliça clássica (θ = 45o) foi
deduzida no item 10 (Eq. 16):

V s
σ sw ,α =
z (sen α + cos α ) A sw ,α

Substituindo z por 0,9 d, V por Vsw, e fazendo σsw,α igual à máxima tensão admitida na
armadura (fywd), a Eq. 16 modifica-se para:

Vsw s
f ywd =
0,9 d (sen α + cos α ) A sw ,α
Eq. 33

A sw ,α Vsw
= Eq. 34
s 0,9 d f ywd (sen α + cos α)

A NBR 6118/03 (item 17.4.2.2) limita a tensão fywd ao valor de fyd para armadura
transversal constituída por estribos, e a 70 % de fyd quando forem utilizadas barras dobradas
inclinadas, não se tomando, para ambos os casos, valores superiores a 435 MPa. Portanto, para
estribos tem-se:

f yk f yk
f ywd = f yd = = ≤ 435 MPa
γs 1,15

A tensão máxima imposta pela norma refere-se ao aço CA-50, pois fyd = 50/1,15 = 435
MPa. No caso do dimensionamento do estribo ser feito com o aço CA-60, esta tensão máxima
também deve ser obedecida, ou seja, deve-se calcular como se o aço fosse o CA-50.
A inclinação dos estribos deve obedecer à condição 45 o ≤ α ≤ 90 o . Para estribo inclinado
a 45° e a 90° a Eq. 34 fica respectivamente igual a:

A sw , 45 Vsw
= Eq. 35
s 1,27 d f ywd

A sw ,90 Vsw
= Eq. 36
s 0,9 d f ywd

No caso de serem utilizados os aços CA-50 ou CA-60 e armadura transversal somente na


forma de estribos, fywd assume o valor de 43,5 kN/cm2, que aplicado às Eq. 35 e Eq. 36
encontram-se:

A sw , 45 Vsw
= Eq. 37
s 55,4 d

A sw ,90 Vsw
= Eq. 38
s 39,2 d

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 41

com: Asw = cm2/cm, Vk = kN e d = cm.

A sw
É importante observar que é a armadura transversal por unidade de comprimento da
s
viga e Asw é a área de todos os ramos verticais do estribo.
Para estribo de dois ramos, que é o tipo aplicado na grande maioria das vigas, Asw equivale
à área dos dois ramos verticais do estribo. Para estribos com três ou quatro ramos, Asw é a área de
todos os três ou quatro ramos verticais do estribo (Figura 41).

A sw A sw

Figura 41 – Área Asw de estribos de três e quatro ramos.

11.2 Modelo de Cálculo II

No Modelo de Cálculo II a NBR 6118/03 (item 17.4.2.3) admite que o ângulo de


inclinação das diagonais de compressão (θ) varie livremente entre 30o e 45o e que a parcela
complementar Vc sofra redução com o aumento de VSd. Ao admitir ângulos θ inferiores a 45° a
norma adota a chamada “treliça generalizada”, como mostrada no item 11.

11.2.1 Verificação da Diagonal Comprimida de Concreto

Conforme a Eq. 19, no item 11 foi deduzida a expressão para a tensão nas bielas de
concreto para a treliça com diagonais comprimidas inclinadas de um ângulo θ:

V
σ cb =
b w z (cot g θ + cot g α ) sen 2 θ

A norma limita a tensão nas bielas comprimidas ao valor fcd2 , valor este constante no
código MC-90 do CEB (1991) e definido no item 12.1.1. O valor fcd2 (Eq. 25) é definido por:

⎛ f ⎞
f cd 2 = 0,60 ⎜1 − ck ⎟ f cd , com fck em MPa.
⎝ 250 ⎠

⎛ f ck ⎞
Chamando o fator ⎜1 − ⎟ de αv2 e substituindo z por 0,9 d, σcb por fcd2 e V pela
⎝ 250 ⎠
máxima cortante resistente de cálculo (VRd2), a Eq. 19 transforma-se em:

VRd 2
0,60 α v 2 f cd =
b w 0,9 d (cot g θ + cot g α ) sen 2 θ

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 42

Isolando VRd2 fica:

VRd 2 = 0,54 α v 2 f cd b w d sen 2 θ (cot g α + cot g θ) Eq. 39

Para não ocorrer o esmagamento das diagonais comprimidas, conforme a Eq. 23 deve-se
ter:

VSd ≤ VRd 2

11.2.2 Cálculo da Armadura Transversal

Da Eq. 24, fazendo a cortante de cálculo (VSd) igual à máxima cortante resistente de
cálculo, relativa à ruptura da diagonal tracionada (armadura transversal), tem-se:

VSd = VRd 3 = Vc + Vsw

A parcela Vc referente à parte da força cortante absorvida pelos mecanismos


complementares ao de treliça é definida como:

a) elementos tracionados quando a linha neutra se situa fora da seção

Vc = 0

b) na flexão simples e na flexo-tração com a linha neutra cortando a seção

Vc = Vc1

c) na flexo-compressão

⎛ M0 ⎞
Vc = Vc1 ⎜1 + ⎟ < 2 Vc1 Eq. 40
⎜ M Sd ,máx ⎟
⎝ ⎠

Para a determinação de Vc em função de Vc1 , a seguinte lei de variação para Vc1 deve ser
considerada:

Vc1 = Vc0 → para VSd ≤ Vc0


e Eq. 41
Vc1 = 0 → para VSd = VRd2

interpolando-se os valores intermediários de Vc1 de maneira inversamente proporcional ao


acréscimo de VSd .
A Eq. 29 definiu a parcela Vc0:

Vc0 = 0,6 f ctd b w d

f ctk ,inf 0,7 f ctm 0,7 . 0,3 3


com f ctd = = = f ck 2 (fck em MPa)
γc γc γc

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Na Figura 42 são mostrados dois gráficos diferentes que mostram a variação de Vc1 com
VSd , onde, quando VSd for maior que Vc0 , Vc1 pode ser calculada segundo a equação:

VRd 2 − VSd
Vc1 = Vc0 Eq. 42
VRd 2 − Vc 0

Vc1
VRd2 - Vc0

VSd < Vc0


Vc0

VRd2 - VSd

Vc1

VSd

0 Vc0 VSd VRd2

VSd < Vc0 Vc0 < VSd < VRd2

Vc0
Vc1
0 Vc1
Vc0

VRd2 - VSd

VSd

VRd2 VSd Vc0

VRd2 - Vc0

Figura 42 – Gráficos demonstrativos da variação entre Vc1 e VSd .

Com o valor de Vc1 conhecido, nas vigas submetidas à flexão simples faz-se Vc = Vc1 , e
aplicando a Eq. 24 calcula-se a parcela Vsw da força cortante a ser resistida pela armadura
transversal, de modo semelhante à Eq. 32:

Vsw = VSd − Vc

A equação que define a tensão na diagonal tracionada para a treliça com ângulo de
inclinação das diagonais comprimidas igual a θ foi deduzida no item 11 (Eq. 22):

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 44

V s
σ sw ,α =
z (cot g θ + cotg α ) sen α A sw ,α

limitando σsw,α à máxima tensão admitida na armadura (fywd) e fazendo V = Vsw e z = 0,9d, tem-
se:

Vsw s
σ sw ,α = f ywd =
0,9d (cot g α + cotg θ) sen α A sw ,α

Isolando Asw/s encontra-se a equação para cálculo da armadura transversal:

A sw ,α Vsw
=
(cot g α + cotg θ) sen α
Eq. 43
s 0,9 d f ywd

onde: s = espaçamento dos estribos;


Asw,α = área de todos os ramos verticais do estribo;
α = ângulo de inclinação dos estribos, 45o ≤ α ≤ 90 o ;
θ = ângulo de inclinação das bielas de compressão 30 o ≤ θ ≤ 45o ;
fywd = tensão máxima no estribo:

f yk f yk
f ywd = = ≤ 435 MPa para qualquer tipo de aço.
γs 1,15

12. ARMADURA MÍNIMA

GARCIA (2002) afirma que uma armadura transversal mínima deve ser colocada nas vigas
a fim de atender os seguintes objetivos:
a) na eventualidade de serem aplicados carregamentos não previstos no cálculo, as vigas não
apresentem ruptura brusca logo após o surgimento das primeiras fissuras inclinadas;
b) limitar a inclinação das bielas e a abertura das fissuras inclinadas;
c) evitar a flambagem da armadura longitudinal comprimida.

Conforme a NBR 6118/03 (item 17.4.1.1.1), em todas as vigas deve existir uma armadura
transversal mínima, sendo estabelecida a seguinte equação para a taxa geométrica mínima,
constituída por estribos:

A sw f ct ,m
ρ sw = ≥ 0,2 Eq. 44
b w s sen α f ywk

onde:
Asw = área da seção transversal total de cada estribo, compreendendo todos os seus ramos
verticais;
s = espaçamento dos estribos;
α = ângulo de inclinação dos estribos em relação ao eixo longitudinal do elemento
estrutural;
bw = largura média da alma;
fywk = resistência ao escoamento do aço da armadura transversal, valor característico;
fct,m = resistência média à tração do concreto.
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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 45

Isolando Asw/s na Eq. 44 e fazendo como armadura mínima fica:

A sw ,mín 0,2 f ct ,m
≥ b w sen α Eq. 45
s f ywk

Para estribo vertical (α = 90°) e fazendo o espaçamento s igual a 100 cm, a armadura
mínima fica:

20 f ct ,m
A sw ,mín = bw Eq. 46
f ywk

com: Asw,mín = área da seção transversal de todos os ramos verticais do estribo (cm2/m);
bw em cm;
fywk em kN/cm2.

A resistência fct,m deve ser aplicada em kN/cm2 e calculada como:

f ct ,m = 0,3 3 f ck 2 (fck em MPa).

13. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS

As armaduras destinadas a resistir aos esforços de tração provocados por forças cortantes
podem ser constituídas por estribos, combinados ou não com barras dobradas ou barras soldadas.
Os estribos para cortantes devem ser fechados através de um ramo horizontal, envolvendo
as barras da armadura longitudinal de tração, e ancorados na face oposta. Quando essa face
também puder estar tracionada, o estribo deve ter o ramo horizontal nessa região, ou
complementado por meio de barra adicional.

13.1 Diâmetro do Estribo

As prescrições para o diâmetro do estribo são:

5 mm ≤ φt ≤ bw/10 Eq. 47

- para barra lisa, o diâmetro deve ser inferior a 12,5 mm;


- para estribos formados por telas soldadas, o diâmetro mínimo pode ser reduzido para
4,2 mm, desde que sejam tomadas precauções contra a corrosão dessa armadura.

13.2 Espaçamento Mínimo e Máximo entre os Estribos

“O espaçamento mínimo entre estribos, medido segundo o eixo longitudinal do elemento


estrutural, deve ser suficiente para permitir a passagem do vibrador, garantindo um bom
adensamento da massa” (NBR 6118/03, item 18.3.3.2). Adotando-se uma folga de 1 cm para a
passagem do vibrador, o espaçamento mínimo fica:

s ≥ φvibr + 1 cm Eq. 48

A fim de evitar que uma fissura não seja interceptada por pelo menos um estribo, os
estribos não devem ter um espaçamento maior que um valor máximo, estabelecido conforme as
seguintes condições:
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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 46

⎧≤ 0,67 VRd 2 ⇒ s ≤ 0,6 d ≤ 30 cm



VSd ⎨ Eq. 49
⎪> 0,67 V ⇒ s ≤ 0,3 d ≤ 20 cm
⎩ Rd 2

13.3 Espaçamento Máximo entre os Ramos Verticais do Estribo

O espaçamento transversal (st) entre os ramos verticais sucessivos dos estribos não deve
exceder os seguintes valores:

⎧≤ 0,20 VRd 2 ⇒ s t ≤ d ≤ 80 cm

VSd ⎨ Eq. 50
⎪> 0,20 V ⇒ s t ≤ 0,6 d ≤ 35 cm
⎩ Rd 2

O espaçamento transversal (st) serve para definir qual o número de ramos verticais deve
ser especificado para os estribos, principalmente no caso de estribos de vigas largas.
Nas vigas correntes das construções, com larguras geralmente até 30 cm, o estribo mais
comum de ser aplicado é o de dois ramos verticais, que é simples de ser feito e amarrado com as
barras longitudinais de flexão. Porém, em vigas largas, como vigas de equilíbrio em fundações de
edifícios, vigas de pontes, vigas com grandes vãos, etc., se a distância entre os ramos verticais do
estribo supera o espaçamento máximo permitido, a solução é aumentar o número de ramos,
geralmente fazendo ramos pares, pois assim os estribos podem ser idênticos. O maior número de
ramos é obtido pela sobreposição dos estribos na mesma seção transversal, como mostrado na
Figura 41 para quatro ramos.

13.4 Emendas do Estribo

As emendas por transpasse são permitidas apenas quando os estribos forem constituídos
por telas ou por barras de alta aderência (NBR 6118/03, item 18.3.3.2).

13.5 Ancoragem do Estribo

A ancoragem dos estribos deve necessariamente ser garantida por meio de ganchos ou
barras longitudinais soldadas (NBR 6118/03, item 9.4.6).
Os ganchos dos estribos podem ser (NBR 6118/03, item 9.4.6.1), Figura 43:
a) semicirculares ou em ângulo de 45° (interno), com ponta reta de comprimento igual a
5 φt , porém não inferior a 5 cm;
b) em ângulo reto, com ponta reta de comprimento maior ou igual a 10 φt , porém não
inferior a 7 cm (este tipo de gancho não deve ser utilizado para barras e fios lisos).

O diâmetro interno da curvatura dos estribos deve ser, no mínimo, igual ao índice dado na
Tabela 2.
Tabela 2 – Diâmetro dos pinos de dobramento para estribos.

Bitola Tipo de aço


(mm) CA-25 CA-50 CA-60
≤ 10 3 φt 3 φt 3 φt
10 < φ < 20 4 φt 5 φt -
≥ 20 5 φt 8 φt -

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10 φ t ≥ 7cm

D D

5 φt ≥ 5cm

φt φt

45°

5 φ ≥ 5cm
D

φt

Figura 43 – Tipos de ganchos para os estribos.

No item 9.4.2.2 a NBR 6118/03 prescreve como deve ser a ancoragem de estribos por
meio de barras transversais soldadas.

13.6 Barras Dobradas (Cavaletes)

O item 18.3.3.3 da NBR 6118 apresenta as prescrições para elementos estruturais armados
com barras dobradas. Na prática, não é mais usual a utilização de barras dobradas para a
resistência à força cortante, e por este motivo as prescrições não serão aqui apresentadas.

14. EQUAÇÕES SIMPLIFICADAS

Com base na formulação contida na NBR 6118/03 e deduzidas nos itens precedentes,
desenvolvem-se a seguir equações um pouco mais simples com o objetivo de automatizar o
dimensionamento das armaduras transversais para as vigas de Concreto Armado, submetidas à
flexão simples. O uso dessas equações torna o cálculo mais simples e rápido, facilitando o
trabalho manual. Na seqüência, as equações teóricas dos Modelos de Cálculo I e II são
remanejadas e simplificadas.

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 48

14.1 Modelo de Cálculo I

O modelo de cálculo I assume a treliça clássica, com o ângulo de inclinação das diagonais
comprimidas θ = 45°.

14.1.1 Força Cortante Máxima

Para verificar se ocorrerá ou não o esmagamento das bielas de compressão, considera-se a


situação limite VSd = VRd 2 , a partir das Eq. 23 e Eq. 28:

VRd 2 = 0,27 α v 2 f cd b w d

f ck
Com α v 2 = 1 − , γc = 1,4 e estribo vertical (α = 90°), resulta a equação para VRd2 :
250

⎛ f ⎞
VRd 2 = 0,027 ⎜1 − ck ⎟ f cd b w d Eq. 51
⎝ 250 ⎠

f ck
com f cd = e fck em MPa e VRd2 em kN.
γc

Se VSd ≤ VRd2 não ocorrerá o esmagamento das bielas de compressão.

Na Tabela 3 encontram-se equações de VRd2 em função da resistência fck dos concretos,


que devem ser utilizadas para a determinação mais rápida de VRd2.

14.1.2 Força Cortante Correspondente à Armadura Mínima

A força cortante correspondente à armadura mínima (VSd,mín) pode ser obtida por meio da
igualdade:

A sw , mín A sw
= Eq. 52
s s

Conforme as Eq. 34 e Eq. 44 tem-se:

A sw ,α Vsw
= Eq. 53
s 0,9 d f ywd (sen α + cos α)

A sw ,mín
= ρ sw ,mín b w sen α Eq. 54
s

Aplicando as Eq. 53 e Eq. 54 na Eq. 52 e fazendo o ângulo α igual a 90° (estribo vertical):

Vsw ,mín
ρ sw ,mín b w sen 90 = Eq. 55
0,9 d f ywd (sen 90 + cos 90)

ou ainda,

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 49

Vsw ,mín = ρ sw ,mín b w 0,9 d f ywd Eq. 56

Sendo a taxa de armadura mínima dada por:

2
f ctm 0,3 3 f ck
ρ sw ,mín ≥ 0,2 = 0,2 Eq. 57
f ywk f ywk

a Eq. 56 passa a ser escrita em função das resistências características do concreto e do aço:

3 2
f ck f ywk
Vsw ,mín = 0,06 b w 0,9 d Eq. 58
10 f ywk 1,15

O fator dez na Eq. 58 é para transformar fctm de MPa para kN/cm2. Fazendo as
simplificações na Eq. 58 obtém-se a Eq. 59, referente à resistência da viga correspondente à
armadura mínima, em função da resistência característica do concreto:

Vsw ,mín = 0,0047 b w d 3 f ck 2 Eq. 59

Fazendo Vc = Vc0 na Eq. 24 (VSd = Vc + Vsw)de verificação do Estado Limite Último, tem-
se:
VSd ,mín = Vc 0 + Vsw ,mín

Substituindo-se as expressões de Vc0 e de Vsw,mín, Eq. 29 e Eq. 59, respectivamente,


resulta:
2 ⎛ 0,6 . 0,7 . 0,3 ⎞
VSd ,mín = b w d 3
f ck ⎜⎜ + 0,0047 ⎟⎟ Eq. 60
⎝ 1,4 . 10 ⎠

ou ainda,
VSd ,mín = 0,0137 b w d 3
f ck 2 Eq. 61

com fck em MPa e VSd,mín em kN.

A força cortante solicitante de cálculo deve ser comparada com a força VSd,mín e:

Se VSd ≤ VSd,mín → utiliza-se armadura transversal mínima;

Se VSd > VSd,mín → calcula-se a armadura transversal para VSd .

Na Tabela 3 encontram-se apresentadas as equações para VSd,mín em função da resistência


característica fck dos concretos normalizados pela NBR 8953 (1992).

14.1.3 Armadura Transversal

Para a determinação da armadura transversal necessária, também em função da resistência


do concreto, pode-se retomar a Eq. 34:
A sw ,α Vsw
=
s 0,9 d f ywd (sen α + cos α)

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 50

e, como Vsw = VSd − Vc , considerando-se também fywd = 435 MPa (aços CA-50 e CA-60),
s = 100 cm e estribo vertical (α = 90°), obtém-se:

A sw VSd − 0,6 f ctd b w d


= Eq. 62
100 0,9 . d . 43,5 (sen 90 o + cos 90 o )

ou ainda, simplificando-se:

VSd
A sw ,90 = 2,55 − 0,023 b w 3
f ck 2 Eq. 63
d

com fck em MPa e Asw em cm2/m.


A Tabela 3 mostra as Eq. 51, Eq. 61 e Eq. 63, para VRd2 , VSd,mín e Asw respectivamente, em
função da resistência característica do concreto à compressão (fck). Entrando com bw e d em cm e
VSd em kN, resultam VRd2 e VSd,mín em kN e Asw em cm2/m.
Nota-se que os coeficientes de segurança γc e γs , com valores de 1,4 e 1,15,
respectivamente, já estão considerados nas equações constantes da Tabela 3. As equações valem
para os aços CA-50 e CA-60.

Tabela 3 – Equações simplificadas para diferentes valores de fck segundo o Modelo de Cálculo I.

Modelo de Cálculo I
(estribo vertical, γc = 1,4, γs = 1,15, aços CA-50 e CA-60).
VRd2 VSd,mín Asw
Concreto
(kN) (kN) (cm2/m)
V
C15 0,27 b w d 0,083 b w d 2,55 Sd − 0,14 b w
d
VSd
C20 0,35 b w d 0,101 b w d 2,55 − 0,17 b w
d
VSd
C25 0,43 b w d 0,117 b w d 2,55 − 0,20 b w
d
VSd
C30 0,51 b w d 0,132 b w d 2,55 − 0,22 b w
d
VSd
C35 0,58 b w d 0,147 b w d 2,55 − 0,25 b w
d
VSd
C40 0,65 b w d 0,160 b w d 2,55 − 0,27 b w
d
VSd
C45 0,71 b w d 0,173 b w d 2,55 − 0,29 b w
d
VSd
C50 0,77 b w d 0,186 b w d 2,55 − 0,31 b w
d
bw = largura da viga, cm; VSd = força cortante de cálculo, kN;
d = altura útil, cm;

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 51

14.2 Modelo de Cálculo II

Processo semelhante ao desenvolvido para o Modelo de Cálculo I pode ser aplicado ao


Modelo II com o intuito de definir equações simplificadoras.

14.2.1 Força Cortante Última

Para a verificação do esmagamento das bielas de compressão, considera-se a situação


limite VSd = VRd 2 , a partir da Eq. 23 aplicada na Eq. 39:

VRd 2 = 0,54 α v 2 f cd b w d sen 2 θ (cot g α + cot g θ)

f ck
Com α v 2 = 1 − , γc = 1,4 e estribo vertical (α = 90°), resulta a equação para VRd2 :
250

⎛ f ⎞
VRd 2 = 0,054 ⎜1 − ck ⎟ f cd b w d sen θ cos θ Eq. 64
⎝ 250 ⎠

f ck
com f cd = e fck em MPa.
γc

Deve ser considerada a condição necessária:

Se VSd ≤ VRd2 não ocorrerá o esmagamento das bielas de compressão.

Na Tabela 4 encontram-se apresentadas equações mais simples para VRd2 em função da


resistência característica dos concretos (fck), a serem utilizadas nos cálculo de dimensionamento.

14.2.2 Força Cortante Correspondente à Armadura Mínima

A força cortante correspondente à armadura mínima (VSd,mín) pode ser obtida por meio da
igualdade, resultante da Eq. 24:

VSd ,mín = Vc + Vsw ,mín Eq. 65

Das Eq. 43 e Eq. 45:

A sw ,α
Vsw = 0,9 d f ywd (cot g α + cotg θ) sen α
s

2
A sw ,mín 0,3 3 f ck
= 0,2 b w sen α
s f ywk

aplicando a armadura mínima na Eq. 43 fica:

2
0,3 3 f ck f ywk
Vsw ,mín = 0,2 b w sen α 0,9 d (cot g α + cotg θ) sen α Eq. 66
10 . f ywk 1,15

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Para estribo vertical (α = 90°) a Eq. 66 fica:

Vsw ,mín = 0,0047 3 f ck 2 b w d cot g θ Eq. 67

Sendo Vc = Vc1 (item 11.2.2b) e aplicando a Eq. 67 na Eq. 65 tem-se a força cortante
mínima, referente à resistência da viga com a armadura mínima, em função da resistência
característica do concreto:

VSd ,mín = Vc1 + 0,0047 b w d 3


f ck 2 cot g θ Eq. 68

com fck em MPa.

A força cortante solicitante de cálculo deve ser comparada com a força VSd,mín e:

Se VSd ≤ VSd,mín → utiliza-se armadura transversal mínima;

Se VSd > VSd,mín → calcula-se a armadura transversal para VSd .

Na Tabela 4 encontram-se apresentadas as equações para VSd,mín em função da resistência


característica fck dos concretos.

14.2.3 Armadura Transversal

Para a determinação da armadura transversal necessária, também em função da resistência


do concreto à compressão, pode-se retomar a Eq. 43:

A sw ,α Vsw
=
s 0,9 d f ywd (cot g α + cotg θ) sen α
e, como Vsw = VSd − Vc1 (Eq. 32, com Vc = Vc1 na flexão simples), considerando-se também fywd
= 435 MPa (aços CA-50 e CA-60), s = 100 cm e estribo vertical (α = 90°), obtém-se:

A sw ,90 VSd − Vc1


=
100 0,9 . d . 43,5 cot g θ

ou, ainda, simplificando-se:

A sw ,90 = 2,55
(VSd − Vc1 )
Eq. 69
d . cot g θ

com d em cm, VSd e Vc1 em kN e Asw em cm2/m.

A parcela Vc1 sai da Eq. 42 já definida:

Vc0 (VRd 2 − VSd )


Vc1 =
VRd 2 − Vc 0

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 53

A Tabela 4 mostra as Eq. 64, Eq. 68 e Eq. 69, para VSRd2 , VSd,mín e Asw respectivamente,
em função da resistência característica do concreto à compressão (fck). Entrando com bw e d em
cm e VSd e Vc1 em kN, resultam VRd2 e VSd,mín em kN e Asw em cm2/m.
Nota-se que os coeficientes de segurança γc e γs , com valores de 1,4 e 1,15,
respectivamente, já estão considerados nas equações constantes da Tabela 4.

Tabela 4 – Equações simplificadas para diferentes valores de fck segundo Modelo de Cálculo II.

Modelo de Cálculo II
(estribo vertical, γc = 1,4, γs = 1,15, aços CA-50 e CA-60)

VRd2 VSd,mín Asw


Concreto
(kN) (kN) (cm2/m)

C15 0,54 b w . d . sen θ. cos θ 0,029. b w . d . cot g θ + Vc1

C20 0,71 b w . d . sen θ. cos θ 0,035. b w . d . cot g θ + Vc1

C25 0,87 b w . d . sen θ. cos θ 0,040 . b w . d . cot g θ + Vc1


(VSd − Vc1 )
C30 1,02 b w . d . sen θ. cos θ 0,045 . b w . d . cot g θ + Vc1 2,55 tg θ
d
C35 1,16 b w . d . sen θ. cos θ 0,050 . b w . d . cot g θ + Vc1

C40 1,30 b w . d . sen θ. cos θ 0,055 . b w . d . cot g θ + Vc1

C45 1,42 b w . d . sen θ. cos θ 0,059 . b w . d . cot g θ + Vc1

C50 1,54 b w . d . sen θ. cos θ 0,064 . b w . d . cot g θ + Vc1


bw = largura da viga, cm; VSd = força cortante de cálculo, kN;
d = altura útil, cm; θ = ângulo de inclinação das bielas de compressão (°);
VC1 = força cortante proporcionada pelos mecanismos complementares ao de treliça, kN;

15. CONSIDERAÇÕES SOBRE O ÂNGULO DE INCLINAÇÃO DAS DIAGONAIS DE


COMPRESSÃO (θ)

Investigações experimentais mostraram que, após iniciado o processo de fissuração na


viga, ocorre uma redistribuição dos esforços internos, proporcional à rigidez, principalmente das
diagonais de compressão e do banzo comprimido. No caso de seção retangular, por exemplo, as
diagonais de compressão são rígidas em relação ao banzo comprimido, o qual inclina-se em
direção ao apoio, criando o efeito de arco atirantado na viga, como indicado na Figura 15. O
banzo comprimido, ao inclinar-se em direção ao apoio pode até mesmo absorver toda a força
transversal, por meio de sua componente vertical, como indicada na Figura 44.
A rigidez das barras da treliça depende das quantidades de armaduras longitudinal e
transversal, mas principalmente das áreas de concreto que formam o banzo comprimido e as
diagonais de compressão, expressa simplificadamente pela relação b/bw, como indicado na Figura
44.
Com a diminuição da relação b/bw ocorre um aumento da inclinação da força no banzo
comprimido e uma diminuição da inclinação das diagonais comprimidas (diminuição de θ) e,

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 54

como conseqüência, os esforços de tração na alma diminuem progressivamente em comparação


àqueles calculados segundo a treliça clássica.

R cc
R cc ~
~V

P b

hf
R cc
R cc ~
~V
Rs R cb

bw

Figura 44 – Efeito de arco em viga de seção retangular e seção T com inclinação


do banzo comprimido em direção ao apoio.

Os ensaios experimentais realizados na Alemanha e descritos por LEONHARDT e


MÖNNIG (1982) mostraram também que “a inclinação das fissuras de cisalhamento ou das
diagonais comprimidas varia com a relação b/bw; essa inclinação situa-se em torno de 30° para
b/bw = 1 e cresce para cerca de 45° para b/bw = 8 a 12. As diagonais de compressão que possuem
uma inclinação menor que 45° conduzem a esforços de tração na alma de menor valor.”
Dessas constatações feitas em diversos ensaios experimentais pode-se concluir que é
adequado considerar ângulos θ inferiores a 45° quando do dimensionamento de vigas de seção
retangular, isto é, segundo LEONHARDT e MÖNNIG (1982) devem ou podem ser adotados
valores para θ em torno de 30°.
No caso de seções com banzos comprimidos mais rígidos, como seções em forma de T, I,
etc., a força no banzo comprimido inclina-se pouco, e o ângulo de inclinação das fissuras de
cisalhamento tende a crescer para 45°. Recomenda-se neste caso adotar θ variando de 38 a 45°,
conforme a relação b/bw , com b e bw indicados na Figura 44.

16. REDUÇÃO DA FORÇA CORTANTE

Ensaios experimentais com medição da tensão nos estribos mostram que o modelo de
treliça desenvolvido para as vigas é efetivamente válido após uma pequena distância dos apoios,
pois se constatou que os estribos muito próximos aos apoios apresentam tensão menor que os
estribos fora deste trecho. Em função desta característica, na região junto aos apoios, a
NBR 6118 (item 17.4.1.2.1) permite uma pequena redução da força cortante para o
dimensionamento da armadura transversal.
No caso de apoio direto, com a carga e a reação de apoio aplicadas em faces opostas
(comprimindo-as), valem as seguintes prescrições:
a) a força cortante oriunda de carga distribuída pode ser considerada, no trecho entre o apoio e a
seção situada à distância d/2 da face de apoio, constante e igual à desta seção (Figura 45);
b) a força cortante devida a uma carga concentrada aplicada a uma distância a ≤ 2d do eixo
teórico do apoio pode, nesse trecho de comprimento a, ser reduzida multiplicando-a por a/2d.
Esta redução não se aplica às forças cortantes provenientes dos cabos inclinados de protensão
(Figura 46).

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As reduções indicadas neste item não se aplicam na verificação da resistência à


compressão diagonal do concreto (bielas de compressão). No caso de apoios indiretos, essas
reduções também não são permitidas.

h
d/2

Rd
Vd

Figura 45 – Redução da força cortante para viga sob carregamento uniforme.

A redução da força cortante junto aos apoios, como descrito acima, não é feita na prática
por muitos engenheiros estruturais, por questão de simplicidade e a favor da segurança.

a < 2d
h

Rd redução em V d

Rd
Vd

Figura 46 – Redução da força cortante para viga sob carga concentrada.

17. CARREGAMENTO APLICADO NA PARTE INFERIOR DAS VIGAS

A analogia de treliça com as vigas implica na aplicação do carregamento no lado superior


da viga, nos nós do banzo superior da treliça. Quando o carregamento é aplicado no lado inferior
da viga, deve ser prevista uma armadura transversal para transferir o carregamento para a borda
superior da viga, sendo chamada “Armadura de Suspensão”, e que deve ser somada à armadura
transversal destinada a resistir às forças cortantes atuantes.
Vigas invertidas e vigas I com o carregamento aplicado na parte inferior devem ter uma
armadura de suspensão projetada e detalhada.

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18. ARMADURA DE SUSPENSÃO

Segundo a NBR 6118/03 (item 18.3.6), “Nas proximidades de cargas concentradas


transmitidas à viga por outras vigas ou elementos discretos que nela se apóiam ao longo ou em
parte de sua altura, ou fiquem nela pendurados, deve ser colocada armadura de suspensão”.
Os apoios das vigas são geralmente os pilares e outras vigas, com preponderância para os
pilares. Quando o apoio é um pilar o apoio é chamado “direto” e quando é uma outra viga o apoio
é chamado “indireto” (Figura 47).

VS2

P4 P5 VS6

Apoio direto Apoio direto Apoio indireto

VS2

P4 P5

VS6
VS5
VS4

Figura 47 – Apoios direto e indireto das vigas de concreto armado.

As vigas de concreto armado transmitem as cargas aos apoios principalmente por meio das
bielas de compressão, na parte inferior da viga. Por isso, quando uma viga apóia-se sobre outra, há
a necessidade de suspender a carga para a parte superior da viga que serve de apoio à outra
(Figura 48).

Viga apoiada
o
oi
ap
de
ga
Vi

Estribo
Vd

Viga apoiada

Viga de apoio

Figura 48 – Transmissão do carregamento de uma viga para outra que lhe serve de apoio.

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A força que a viga apoiada aplica sobre a viga de apoio deve ser transferida para a zona
comprimida da viga de apoio, o que geralmente é feito por meio de estribos.
Em função de diferenças entre as alturas e o nível das duas vigas os seguintes casos podem
ocorrer:

a) Vigas com faces inferiores no mesmo nível

A Figura 49 mostra duas vigas com alturas iguais e as faces inferiores no mesmo nível.
Neste caso, a área de armadura de suspensão é calculada pela equação:

Vd
A s ,susp = (Eq. 70)
f yd

onde Vd é a força de cálculo aplicada pela viga apoiada naquela que lhe serve de apoio, e fyd é a
resistência de cálculo de início de escoamento do aço.

o
oi
ap
de
ga
Viga apoiada Vi

Estribo

Vd

Viga apoiada Viga de apoio

Figura 49 – Vigas com faces inferiores no mesmo nível.

A armadura de suspensão As,susp deve ficar distribuída nas regiões de encontro das duas
vigas, conforme as distâncias indicadas na Figura 50.

h apoio > bw,a /2

b w,apoio

ha /2 > b w,apoio /2 A s,susp

b w,a

Figura 50 – Região de distribuição da armadura de suspensão nas duas vigas.

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b) Face inferior da viga apoiada acima da face inferior da viga de apoio

A Figura 49 mostra duas vigas com alturas diferentes e a face da viga que se apóia está
acima da face inferior da viga que serve de apoio. A armadura de suspensão é função das alturas
das duas vigas, sendo dada por:

ha Vd
A s ,susp = (Eq. 71)
h apoio f yd

A distribuição dessa armadura segue o indicado na Figura 51.

Estribo

ha
hapoio

Vd

Viga apoiada

Viga de apoio

Figura 51 - Face inferior da viga apoiada acima da face inferior da viga de apoio.

c) Face inferior da viga apoiada abaixo da face inferior da viga de apoio

A Figura 52 mostra o caso de viga com face inferior apoiada abaixo da face inferior da
viga de apoio. Esse tipo de arranjo entre as duas vigas deve ser evitado tanto quanto possível nas
estruturas de concreto armado.
A força que a viga apoiada aplica sobre a viga de apoio deve ser transferida para a parte
superior da viga de apoio, com área de armadura:

Vd
A s ,susp = (Eq. 72)
f yd

Estribo

Viga de apoio
Vd

Viga apoiada

Figura 52 – Viga apoiada com a face inferior abaixo da face inferior da viga de apoio.
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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 59

Essa armadura pode ser colocada na forma de estribos, que devem estar distribuídos na
largura da viga de apoio (Figura 53).

~ h apoio

A s,susp viga de apoio A s,susp viga pendurada

Figura 53 – Distribuição das armaduras de suspensão.

Na viga que serve de apoio deve ser colocada uma armadura para reforçar a região que
recebe a força da viga apoiada, com área de armadura de:

Vd
A s ,susp = (Eq. 73)
2f yd

19. EXEMPLO NUMÉRICO 1

A Figura 54 mostra uma viga bi-apoiada sob flexão simples para a qual deve-se calcular e
detalhar a armadura transversal, composta por estribos verticais.

p = 40 kN/m

5,0 m

50 cm

100
Vk (kN)

100
12 cm
seção transversal

Figura 54 – Esquema estático e carregamento da viga (DUMÊT e PINHEIRO, 2000).

São conhecidos:
concreto C20 ; aço CA-50 γc = γf = 1,4
γs = 1,15 d = 46 cm c = 2,0 cm

Por simplicidade e a favor da segurança a força cortante solicitante no apoio não será
reduzida, conforme permitido pela NBR 6118/03 e apresentado no item 17, de tal forma que:

Vk = 100,0 kN ⇒ VSd = γf . Vk = 1,4 . 100,0 = 140,0 kN


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Segundo indicações contidas em LEONHARDT e MÖNNIG (1982) e apresentadas no


item 16, quando a seção transversal é retangular o ângulo de inclinação das bielas (θ) aproxima-se
de 30°. Ângulos menores resultam armaduras transversais menores.
Neste exemplo, para fins de comparação, o cálculo da área de armadura transversal será
feito segundo os Modelos de Cálculo I, onde θ é fixo em 45°, e também conforme o Modelo de
Cálculo II, com ângulo θ adotado igual a 30°. O ângulo α de inclinação dos estribos será adotado
como 90°, isto é, os estribos serão verticais. Barras dobradas não serão utilizadas.
Como exemplificação a resolução será feita conforme as equações teóricas deduzidas no
item 12 e também segundo as equações simplificadas apresentadas no item 15.

19.1 Equações Teóricas da Norma

19.1.1 Modelo de Cálculo I

O Modelo de Cálculo I supõe a treliça clássica de Ritter-Mörsch, onde o ângulo θ é fixo e


igual a 45°.

a) Verificação da Compressão nas Bielas

Para não ocorrer o esmagamento do concreto que compõe as bielas comprimidas deve-se
ter (Eq. 23):

VSd ≤ VRd2

A Eq. 27 definiu o valor de VRd2 :

⎛ f ⎞
VRd 2 = 0,27 ⎜1 − ck ⎟ f cd b w d , com fck em MPa
⎝ 250 ⎠

Substituindo os valores numéricos na equação e considerando as unidades kN e cm para as


variáveis, tem-se:

⎛ 20 ⎞ 2,0
VRd 2 = 0,27 ⎜1 − ⎟ 12 . 46 = 195,9 kN
⎝ 250 ⎠ 1,4

VSd = 140,0 kN < VRd2 = 195,9 kN

A verificação demonstra que não ocorrerá o esmagamento das bielas de compressão e


pode-se assim dimensionar a armadura transversal para a viga. Caso resultasse VSd > VRd2 a viga
teria que passar por alguma modificação, de modo a tornar VSd menor que VRd2. Geralmente, na
prática, as dimensões pré-determinadas para as vigas resultam valores VRd2 maiores que VSd .
Caso isso não ocorra e assumindo que VSd não possa ser diminuído, a solução do problema é
aumentar VRd2 , o que pode ser obtido aumentando-se as dimensões da seção transversal da viga
(bw e h) ou a resistência do concreto. Geralmente não se altera o concreto porque aplica-se um
único tipo de concreto para todos os elementos do pavimento, e a largura da viga normalmente
depende da largura da parede na qual a viga está embutida, não podendo ser alterada livremente.
A solução mais utilizada é o aumento da altura da viga, devendo, porém, verificar se o
projeto arquitetônico permite a altura maior para a viga.
Por outro lado, como as dimensões especificadas para a seção transversal das vigas são
determinadas em função dos momentos fletores, das flechas e da estabilidade global em edifícios
altos, geralmente os valores de VRd2 são maiores que a força cortante solicitante (VSd).

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b) Cálculo da Armadura Transversal

Para efeito de comparação com a armadura calculada, primeiramente será determinada a


armadura mínima (Eq. 46) para estribo vertical ( α = 90°) e aço CA-50:

20 f ctm
A sw ,mín ≥ bw (cm2/m)
f ywk

A resistência média do concreto à tração direta é:

f ctm = 0,3 3 f ck 2 = 0,3 3 20 2 = 2,21 MPa

20 . 0,221
A sw ,mín ≥ . 12 ≥ 1,06 cm2/m
50

Para calcular a armadura transversal devem ser determinadas as parcelas da força cortante
que serão absorvidas pelos mecanismos complementares ao de treliça (Vc) e pela armadura (Vsw),
de tal modo que (Eq. 24):

VSd = Vc + Vsw

Na flexão simples, a parcela Vc é determinada pela Eq. 29:

Vc = Vc0 = 0,6 f ctd b w d

f ctk ,inf 0,7 f ctm 0,7 . 0,3 3 2


com: f ctd = = = f ck (fck em MPa)
γc γc γc

0,7 . 0,3 3 2
f ctd = 20 = 1,11 MPa = 0,111 kN/cm2
1,4

Vc = Vc0 = 0,6 . 0,111 . 12 . 46 = 36,6 kN

Portanto, da Eq. 32:

Vsw = VSd – Vc = 140,0 – 36,6 = 103,4 kN

A armadura, de acordo com a Eq. 38, é:

A sw ,90 Vsw A sw ,90 103,4


= ⇒ = = 0,0573 cm2/cm
s 39,2 d s 39,2 . 46

Asw,90 = 5,73 cm2/m > Asw,mín = 1,06 cm2/m

Portanto, deve-se dispor a armadura calculada, de 5,73 cm2/m.

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19.1.2 Modelo de Cálculo II com θ = 30o

a) Verificação da Compressão nas Bielas

Para não ocorrer o esmagamento do concreto que compõe as bielas comprimidas deve-se
ter (Eq. 23):

VSd ≤ VRd2

A equação que define VRd2 é (Eq. 39):

⎛ f ⎞
VRd 2 = 0,54 ⎜1 − ck ⎟ f cd b w d sen 2 θ (cot g α + cot g θ) , com fck em MPa
⎝ 250 ⎠

Aplicando a equação numericamente e com as unidades kN e cm para as variáveis, tem-se:

⎛ 20 ⎞ 2,0
VRd 2 = 0,54 ⎜1 − ⎟ 12 . 46 . sen 2 30 (cot g 90 + cot g 30) = 169,6 kN
⎝ 250 ⎠ 1, 4

VSd = 140,0 kN < VRd2 = 169,6 kN

A verificação demonstra que não ocorrerá o esmagamento das bielas de compressão em


ambos os apoios.

b) Cálculo da Armadura Transversal

Para calcular a armadura deve-se determinar as parcelas da força cortante que serão
absorvidas pelos mecanismos complementares ao de treliça (Vc) e pela armadura (Vsw), de tal
modo que (Eq. 24):

VSd = Vc + Vsw

Na flexão simples, a parcela Vc é igual a Vc1. Devem também ser calculados (Eq. 29):

Vc0 = 0,6 f ctd b w d

f ctk ,inf 0,7 f ctm 0,7 . 0,3 3 2


com: f ctd = = = f ck (fck em MPa)
γc γc γc

0,7 . 0,3 3 2
f ctd = 20 = 1,11 MPa = 0,111 kN/cm2
1,4

Vc0 = 0,6 . 0,111 . 12 . 46 = 36,6 kN

O esquema gráfico mostrado na Figura 55 apresenta a relação inversa entre a força Vc1 e a
solicitação de cálculo VSd, explicitando que, quanto maior o grau de solicitação, menor será a
contribuição proporcionada pelos mecanismos complementares ao de treliça na resistência à força
cortante. Como VSd é maior que Vc0, a parcela Vc1 deve ser calculada pela Eq. 42, ilustrada no
gráfico da Figura 55.

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Vc0 = 36,6
Vc1
0 Vc1
36,6

VRd2 - VSd
29,7
VSd

169,7 140,0 36,6


VRd2 - Vc0 = 133,1

Figura 55 - Interpolação para obtenção do valor de Vc1 em função de VSd .

Conforme a Eq. 42, resulta:

VRd 2 − VSd 169,7 − 140,0


Vc = Vc1 = Vc0 = 36,6 = 8,2 kN
VRd 2 − Vc 0 169,7 − 36,6

A parcela da força cortante a ser resistida pela armadura transversal é:

Vsw = VSd − Vc = 140,0 − 8,2 = 131,8 kN

A Eq. 43 foi definida para o cálculo da armadura transversal:

A sw ,α Vsw
=
s 0,9 d f ywd (cot g α + cotg θ) sen α
A armadura transversal com estribo vertical é:

A sw ,90 131,8
= = 0,0423 cm2/cm
s
0,9 . 46 .
50
(cot g 90 + cotg 30) sen 90
1,15

Asw,90 = 4,23 cm2/m > Asw,mín = 1,06 cm2/m

Portanto, deve-se dispor a armadura calculada, de 4,23 cm2/m.

19.2 Equações Simplificadas

A fim de exemplificação são aplicadas as equações definidas no item 15.

19.2.1 Modelo de Cálculo I

a) Verificação da Compressão nas Bielas

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Da Tabela 3, para concreto C20, determina-se a força cortante última ou máxima que a
viga pode resistir:

VRd 2 = 0,35 b w d = 0,35 . 12 . 46 = 193,2 kN

VSd = 140,0 < VRd 2 = 193,2 kN → não ocorrerá esmagamento das diagonais de concreto.

b) Cálculo da Armadura Transversal

Da Tabela 3, para concreto C20, a equação para determinar a força cortante


correspondente à armadura mínima é:

VSd ,mín = 0,101 b w d = 0,101 . 12 . 46 = 55,8 kN

VSd = 140,0 > VSd ,mín = 55,8 kN → portanto, deve-se calcular a armadura transversal p/ VSd

Da equação para Asw na Tabela 3 (concreto C20):

VSd 140,0
A sw = 2,55 − 0,17 b w = 2,55 − 0,17 . 12 ⇒ A sw = 5,72 cm2/m
d 46

Como Asw = 5,72 cm2/m > Asw,mín = 1,06 cm2/m, deve-se dispor a armadura calculada.
Observe que ocorre grande semelhança nos valores obtidos para as armaduras transversais
calculadas segundo as duas formulações - equações teóricas (Asw = 5,73 cm2/m) e equações
simplificadas (Asw = 5,72 cm2/m).

19.2.2 Modelo de Cálculo II com θ = 30o

a) Verificação da Compressão nas Bielas

Da Tabela 4, para concreto C20, a força cortante última ou máxima é:

VRd 2 = 0,71 b w d sen θ . cos θ = 0,71 . 12 . 46 . sen 30 . cos 30 = 169,7 kN

VSd = 140,0 < VRd 2 = 169,7 kN → não ocorrerá esmagamento das diagonais de concreto.

b) Cálculo da Armadura Transversal

Antes de se calcular a armadura deve-se verificar se não vai resultar a armadura mínima.
Para isso deve-se determinar a força cortante mínima (VSd,mín). Da Tabela 4 tem-se:

VSd ,mín = 0,035 b w d cot g θ + Vc1

Antes é necessário determinar a parcela Vc1, definida pela Eq. 42:

VRd 2 − VSd
Vc1 = Vc0
VRd 2 − Vc 0

Da Eq. 29 tem-se Vc0 :

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⎛ 0,3 3 20 2 ⎞
Vc0 = 0,6 f ctd b w d = 0,6 ⎜ 0,7 ⎟ 12 . 46 = 36,6 KN
⎜ 10 . 1,4 ⎟
⎝ ⎠

O esquema gráfico mostrado na Figura 56 apresenta a relação inversa entre a resistência


Vc1 e a solicitação de cálculo VSd, explicitando que, quanto maior o grau de solicitação, menor
será a contribuição do concreto na resistência à força cortante. Como VSd é maior que Vc0, a
parcela Vc1 deve ser calculada.

Vc0 = 36,6
Vc1
0 Vc1
36,6

VRd2 - VSd
29,7
VSd

169,7 140,0 36,6


VRd2 - Vc0 = 133,1

Figura 56 - Interpolação para obtenção do valor de Vc1 em função de VSd .

Conforme a Eq. 42, visualizada no gráfico da Figura 56, resulta:

VRd 2 − VSd 169,7 − 140,0


Vc = Vc1 = Vc0 = 36,6 = 8,2 kN
VRd 2 − Vc 0 169,7 − 36,6

Assim, das expressões da Tabela 4 para VSd,mín e Asw:

VSd ,mín = 0,035 b w d cot g θ + Vc1 = 0,035 . 12 . 46 . cot g 30 o + 8,2 = 41,7 kN

VSd = 140,0 > VSd ,mín = 41,7 kN → portanto, deve-se calcular a armadura transversal para
VSd .

A área de armadura transversal é:

(VSd − Vc1 ) (140,0 − 8,2) = 4,22 cm2/m > A


A sw = 2,55 tg θ = 2,55 tg 30 2
sw,mín = 1,06 cm /m
d 46

19.3 Comparação dos Resultados

Na Tabela 5 são apresentados os resultados obtidos para os cálculos efetuados segundo as


normas NB1/78 e NBR 6118/03, conforme os Modelos de Cálculo I e II para a norma atual, e com
o ângulo θ assumindo valores de 30°, 40° e 45° para o Modelo II.

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Tabela 5 – Resultados de Asw obtidos segundo os dois modelos de cálculo


da NBR 6118/03 e segundo a NB1/78.

θ Asw (cm2/m) Asw,mín


NORMA
(o) Eq. Teórica Eq. Simplif. (cm2/m)
NB1/78 + Anexo NB 116 45 6,20 - 1,68
Modelo I 45 5,73 5,72 1,06
45 7,07 -
NBR 6118/03
Modelo II 40 5,95 - 1,06
30 4,23 4,22

Observa-se que para o ângulo θ de 45° a NB1/78 era mais conservadora que a NBR
6118/03, considerando o Modelo de Cálculo I. No caso do Modelo II para o ângulo θ de 45° a
norma atual conduz a um valor superior aos outros dois processos de cálculo.
No caso de um ângulo θ como 30°, a armadura resulta menor se comparada às armaduras
dos Modelos I e II com θ de 45°, porque as diagonais mais inclinadas aliviam os montantes
tracionados da treliça.
Se por alguma razão se desejar uma armadura à força cortante mais conservadora poderá
então ser adotado o Modelo de Cálculo I, que conduz a uma armadura transversal maior que para
ângulos θ menores, sem porém, valores exagerados.
Uma outra informação útil é que a armadura transversal resultante do Modelo de Cálculo I
é semelhante ou muito próxima daquela calculada com o Modelo de Cálculo II quando θ é
adotado igual a 39°.

19.4 Detalhamento da Armadura Transversal

Para efeito de detalhamento, na Figura 57 os estribos verticais são mostrados conforme


definidos pelo Modelo de Cálculo II, com ângulo θ de 30°.

a) Diâmetro do estribo (Eq. 47): 5 mm ≤ φt ≤ bw/10 =120/10 = 12 mm ∴ φt = 5 mm

c) Espaçamento máximo entre os estribos (Eq. 49):

0,67 VRd2 = 0,67 . 169,6 = 113,6 kN


VSd = 140,0 > 113,6 kN ⇒ s ≤ 0,3 d ≤ 20 cm
0,3 d = 0,3 . 46 = 13,8 cm ⇒ Portanto, s ≤ 13,8 cm

c) Espaçamento transversal entre os ramos verticais do estribo (Eq. 50):

0,20 VRd2 = 0,20 . 169,6 = 33,9 kN

VSd = 140,0 > 33,9 kN ⇒ st ≤ 0,6 d ≤ 35 cm

0,6 d = 0,6 . 46 = 27,6 cm ⇒ Portanto, s ≤ 27,6 cm

d) Escolha do diâmetro e espaçamento dos estribos

A escolha do diâmetro e do espaçamento dos estribos pode ser feita de duas maneiras
muito simples: por meio de cálculo ou com o auxílio de uma tabela de área de armadura por metro
linear (cm2/m). Na seqüência são apresentados os dois processos.
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Para a armadura calculada segundo o modelo de cálculo II, de 4,23 cm2/m nos apoios,
considerando estribo vertical com diâmetro de 5 mm (1 φ 5 mm = 0,20 cm2) composto por dois
ramos verticais (2 φ 5 mm = 0,40 cm2), tem-se:

A sw 0,40
= 0,0423 cm2/cm ⇒ = 0,0423 ⇒ s = 9,5 cm ≤ 13,8 cm
s s

Para a escolha do diâmetro e do espaçamento dos estribos com o auxílio da Tabela A-1
(ver a tabela anexa no final do texto) deve-se determinar a área de apenas um ramo do estribo.
Portanto, para a área de armadura de 4,23 cm2/m e estribo com dois ramos:

4,23
A sw ,1ramo = = 2,12 cm2/m
2

Com a área de um ramo na Tabela A-1 encontram-se:

φ 5 mm c/9,5 cm = 2,11 cm2/m

φ 6,3 mm c/15 cm = 2,10 cm2/m

Como o espaçamento máximo é 13,8 cm, não é possível adotar φ 6,3 mm c/15 cm, sendo
escolhido então estribo φ 5 mm c/9,5 cm, ou c/9 cm, como feito no detalhamento indicado na
Figura 57.
Para a armadura mínima de 1,06 cm2/m, considerando o mesmo estribo, tem-se:

A sw 0,40
= 0,0106 cm2/cm ⇒ = 0,0106 ⇒ s = 37,7 cm ≤ 13,8 cm
s s

Fazendo com o auxílio da Tabela A-1, considerando-se a área de um ramo apenas do


estribo:
1,06
A sw ,1ramo = = 0,53 cm2/m
2

na Tabela A-1 verifica-se que o espaçamento para φ 5 mm resulta superior a 33 cm (máximo


espaçamento permitido para os estribos). Como o espaçamento máximo é de 13,8 cm, deve ser
feito φ 5 c/13 cm, o que na Tabela A-1 resulta 1,54 cm2/m, área de armadura imposta pelo
espaçamento máximo e superior à armadura mínima.
O desenho da viga deve ser feito em escala 1:50 e o detalhe do estribo normalmente é feito
nas escalas de 1:20 ou 1:25 (Figura 57).

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N1-18 c/9 N1 - 12 c/13 N1-18 c/9 8


162 162

46

20 cm 480 cm 20 cm

250 cm 250 cm
N1 - 48 Ø 5 C = 118 cm

140
VSd,mín = 41,7

VSd (kN)

140

176 cm 148 cm 176 cm

Figura 57 - Detalhamento dos estribos ao longo do vão livre da viga.

Para a distribuição dos estribos ao longo do vão livre da viga é necessário desenhar o
diagrama de forças cortantes de cálculo e posicionar a força cortante mínima (VSd,mín).
Geralmente, os vãos das vigas podem ter os estribos distribuídos segundo três trechos diferentes,
os dois próximos aos apoios e o do centro, delimitado pela força VSd,mín , que recebe a armadura
transversal mínima. Dividir o vão livre em mais de três trechos só deve ser feito quando houver
justificativas.
A armadura calculada para os cortantes nos apoios deve se estender até a posição da força
VSd,mín , e após esses trechos é colocada a armadura mínima.
Os diâmetros mais comuns para o estribo geralmente são o 5 mm e o 6,3 mm, ocorrendo
também o 8 mm e o 10 mm em vigas com altos esforços cortantes. Nas vigas de construções de
pequeno porte, como casas, sobrados, barracões, etc., é comum o estribo com diâmetro de 4,2
mm, embora a NBR 6118/03 exija o diâmetro mínimo de 5 mm.
O espaçamento dos estribos não deve ser inferior a 6-7 cm para não dificultar a penetração
do concreto lançado na viga. Espaçamentos superiores a 8 cm devem ter preferência. Os
espaçamentos são adotados geralmente valores inteiros em cm, e ocasionalmente valores
múltiplos de 0,5 cm.
O estribo deve ter uma numeração, como o N1 da Figura 57. Sendo a viga simétrica, nas
proximidades dos apoios os estribos foram distribuídos na extensão de 162 cm, que somados aos
10 cm até o eixo do pilar, representa a distância de 172 cm, que “cobre” aproximadamente a
distância de 176 cm até a força VSd,mín . Com a distância de 162 cm pode ser calculado o número
de estribos nesse trecho, fazendo 162 ÷ 9 = 18 estribos.
O número de estribos no trecho central do vão é calculado fazendo o comprimento do
trecho (480 – 162 –162 = 156 cm) dividido pelo espaçamento dos estribos: 156 ÷ 13,5 = 11,6 ≅ 12
estribos.

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As dimensões do estribo são determinadas fazendo a largura e a altura da viga menos duas
vezes o cobrimento da armadura:

Largura = 12 – (2 . 2,0) = 8 cm

Altura = 50 – (2 . 2,0 ) = 46 cm

Os estribos devem ter obrigatoriamente ganchos nas pontas, com comprimento de no


mínimo 5 φt ≥ 5 cm quando o gancho direcionar a ponta do estribo para o concreto da parte
interna da viga. Para estribo com diâmetro de 5 mm o gancho deve ter o comprimento mínimo de
5 cm, em cada ponta do estribo. Portanto, o comprimento do estribo é calculado como:

C = 2 (8 + 46 + 5) = 118 cm

20. EXEMPLO NUMÉRICO 2

Calcular e detalhar a armadura transversal composta por estribos verticais para as forças
cortantes máximas da viga esquematizada na Figura 58. São conhecidos: C25, CA-50,
γc = γf = 1,4, γs = 1,15, d = 80 cm, c = 2,5 cm. A altura da viga transversal é de 60 cm.
viga transversal
25

85
387,5 cm 287,5 cm

25 cm 25 cm
675

150 kN
29 kN/m

C
A B
400 cm 300 cm

700

Figura 58 – Esquema estático e carregamento na viga.

Como as forças cortantes atuantes na viga são diferentes nos apoios A e B, serão
dimensionadas duas armaduras transversais diferentes, uma para cada apoio. As forças cortantes
de cálculo, não considerando a redução de força permitida pela NBR 6118/03, são:

Apoio A ⇒ VSd,A = γf . Vk,A = 1,4 . 165,8 = 232,1 kN

Apoio B ⇒ VSd,B = γf . Vk,B = 1,4 . 187,2 = 262,1 kN

Sendo a viga de seção retangular o ângulo de inclinação das diagonais comprimidas


diminui e se aproxima de 30° (ver item 16) e, neste caso, ao menos teoricamente, o cálculo da
armadura pelo Modelo de Cálculo II com ângulo θ de 30° ou próximo é o mais indicado. Se

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preferir um dimensionamento mais conservador, pode-se adotar o Modelo de Cálculo I, que tem θ
fixo em 45°, e que resulta numa armadura transversal superior à do Modelo II com θ de 30°.
O ângulo α de inclinação dos estribos será adotado igual a 90°, isto é, estribos verticais.
Barras dobradas não serão utilizadas.
Para exemplificação do formulário, todos os cálculos serão feitos segundo as equações
teóricas derivadas da NBR 6118/03 e também segundo as equações simplificadas definidas no
item 15.

20.1 Modelo de Cálculo I

O Modelo de Cálculo I supõe a treliça clássica de Ritter-Mörsch, com o ângulo θ fixo em


45°.

20.1.1 Equações de Teóricas da Norma

a) Verificação da Compressão nas Bielas

Para não ocorrer o esmagamento do concreto que compõe as bielas comprimidas deve-se
ter:
VSd ≤ VRd2

A equação que define VRd2 é:

⎛ f ⎞
VRd 2 = 0,27 ⎜1 − ck ⎟ f cd b w d (fck em MPa)
⎝ 250 ⎠

⎛ 25 ⎞ 2,5
VRd 2 = 0,27 ⎜1 − ⎟ 25 . 80 = 867,9 kN
⎝ 250 ⎠ 1,4

Apoio A ⇒ VSd,A = 232,1 kN < VRd2 = 867,9 kN


Apoio B ⇒ VSd,B = 262,1 kN < VRd2

A verificação implica que não ocorrerá o esmagamento das bielas de compressão em


ambos os apoios, e neste caso a armadura transversal pode ser calculada.

b) Cálculo da Armadura Transversal

Primeiramente será calculada a armadura mínima (Asw,mín) para estribo a 90° e aço CA-50:

20 f ctm
A sw ,mín = bw (cm2/m)
f ywk

f ctm = 0,3 3 f ck 2 = 0,3 3 25 2 = 2,56 MPa = 0,256 kN/cm2

20 . 0,256
A sw ,mín = . 25 = 2,56 cm2/m
50

Para calcular a armadura necessária devem ser determinadas as parcelas da força cortante
que serão absorvidas pelas diagonais comprimidas (Vc) e pela armadura (Vsw), de tal modo que
VSd = Vc + Vsw . Na flexão simples, a parcela Vc é determinada pela Eq. 29:
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Vc = Vc0 = 0,6 f ctd b w d

f ctk ,inf 0,7 f ctm 0,7 . 0,3 3 2


com: f ctd = = = f ck (fck em MPa)
γc γc γc

0,7 . 0,3 3 2
f ctd = 25 = 1,28 MPa = 0,128 kN/cm2
1,4

Vc = Vc0 = 0,6 . 0,128 . 25 . 80 = 153,9 kN

Vsw = VSd – Vc

Apoio A ⇒ Vsw,A = 232,1 – 153,9 = 78,2 kN


Apoio B ⇒ Vsw,B = 262,1 – 153,9 = 108,2 kN

A armadura vertical, de acordo com a Eq. 38 é:

A sw ,90 Vsw
=
s 39,2 d
A sw ,90 78,2
Apoio A: = = 0,0249 cm2/cm
s 39,2 . 80

Asw,90 = 2,49 cm2/m < Asw,mín = 2,56 cm2/m (portanto, deve-se dispor a armadura mínima)

A sw ,90 108,2
Apoio B: = = 0,0345 cm2/cm
s 39,2 . 80

Asw,90 = 3,45 cm2/m > Asw,mín = 2,56 cm2/m (portanto, deve-se dispor a armadura
calculada)

20.1.2 Equações Simplificadas

a) Verificação da Compressão nas Bielas

Conforme a equação contida na Tabela 3, para o concreto de resistência característica


25 MPa, tem-se a força cortante máxima permitida:

VRd 2 = 0,43 b w d = 0,43 . 25 . 80 = 860,0 kN

Apoio A ⇒ VSd,A = 232,1 kN < VRd2 = 860,0 kN


Apoio B ⇒ VSd,B = 262,1 kN < VRd2

A verificação implica que não ocorrerá o esmagamento das bielas de compressão em


ambos os apoios.

b) Cálculo da Armadura Transversal

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Primeiramente deve-se verificar se a força cortante solicitante resultará maior ou menor


que a força cortante mínima. Na Tabela 3 encontra-se a equação para a força cortante mínima,
correspondente à armadura mínima:
VSd ,mín = 0,117 b w d = 0,117 . 25 . 80 = 234,0 kN

Apoio A ⇒ VSd,A = 232,1 kN < VSd,mín = 234,0 kN


(portanto, deve-se dispor armadura mínima conforme definida no item anterior)

Somente para efeito de comprovação, e aplicando VSd = 232,1 kN, verifica-se que a
armadura resulta menor que a mínima. Na Tabela 3 encontra-se a equação para cálculo da
armadura:

VSd 232,1
A sw ,90 = 2,55 − 0,20 b w = 2,55 − 0,20 . 25 = 2,40 cm2/m < Asw,mín = 2,56 cm2/m
d 80

Apoio B ⇒ VSd,B = 262,1 kN > VSd,mín = 234,0 kN


(portanto, deve-se calcular a armadura transversal)

VSd 262,1
A sw ,90 = 2,55 − 0,20 b w = 2,55 − 0,20 . 25 = 3,35 cm2/m > Asw,mín = 2,56 cm2/m
d 80

20.2 Modelo de Cálculo II

O Modelo de Cálculo II supõe a possibilidade de se adotar diferentes valores para o ângulo


θ de inclinação das diagonais comprimidas, no intervalo de 30° a 45°. A título de comparação a
viga será calculada com os ângulos de 30° e 45°, segundo as equações teóricas e as equações
simplificadas.

20.2.1 Equações Teóricas da Norma

20.2.1.1 Ângulo θ de 30°

a) Verificação da Compressão nas Bielas

Para não ocorrer o esmagamento do concreto que compõe as bielas comprimidas deve-se
ter:
VSd ≤ VRd2

A equação que define VRd2 é:

⎛ f ⎞
VRd 2 = 0,54 ⎜1 − ck ⎟ f cd b w d sen 2 θ (cot g α + cot g θ) , com fck em MPa
⎝ 250 ⎠

Para estribo vertical, α = 90°:

⎛ 25 ⎞ 2,5
VRd 2 = 0,54 ⎜1 − ⎟ 25 . 80 . sen 2 30 (cot g 90 + cot g 30) = 751,6 kN
⎝ 250 ⎠ 1,4

Apoio A ⇒ VSd,A = 232,1 kN < VRd2 = 751,6 kN


Apoio B ⇒ VSd,B = 262,1 kN < VRd2

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A verificação implica que não ocorrerá o esmagamento das bielas de compressão em


ambos os apoios.

b) Cálculo da Armadura Transversal

Para calcular a armadura devem ser determinadas as parcelas da força cortante solicitante
que serão absorvidas pelos mecanismos complementares ao de treliça (Vc) e pela armadura (Vsw),
de tal modo que:

VSd = Vc + Vsw

Na flexão simples, a parcela Vc é igual a Vc1. Devem também ser calculados:

Vc0 = 0,6 f ctd b w d

f ctk ,inf 0,7 f ctm 0,7 . 0,3 3 2


com: f ctd = = = f ck (fck em MPa)
γc γc γc

0,7 . 0,3 3 2
f ctd = 25 = 1,28 MPa = 0,128 kN/cm2
1,4

Vc0 = 0,6 . 0,128 . 25 . 80 = 153,9 kN

O esquema gráfico mostrado na Figura 59 apresenta a relação inversa entre a resistência


Vc1 e a solicitação de cálculo VSd, explicitando que, quanto maior o grau de solicitação menor será
a contribuição do concreto na resistência à força cortante. Como as solicitações de cálculo VSd são
maiores que Vc0 , as parcelas Vc1 devem ser calculadas, conforme a Eq. 42:

VRd 2 − VSd 751,6 − 232,1


Apoio A ⇒ Vc,A = Vc1 = Vc0 = 153,9 = 133,8 kN
VRd 2 − Vc 0 751,6 − 153,9

VRd 2 − VSd 751,6 − 262,1


Apoio B ⇒ Vc,B = Vc1 = Vc0 = 153,9 = 126,0 kN
VRd 2 − Vc 0 751,6 − 153,9

Vc0 = 153,9
Vc1
0 Vc1
153,9

VRd2 - VSd

VSd

751,6 (A) 232,1 153,9


(B) 262,1

VRd2 - Vc0 = 597,7

Figura 59 - Interpolação para obtenção do valor de Vc1 em função de VSd .

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A parcela da força cortante a ser resistida pela armadura transversal é:

Apoio A ⇒ Vsw ,A = VSd ,A − Vc,A = 232,1 − 133,8 = 98,3 kN


Apoio B ⇒ Vsw ,B = VSd ,B − Vc,B = 262,1 − 126,0 = 136,1 kN

A equação que define o valor da armadura transversal é:

A sw ,α Vsw
=
s 0,9 d f ywd (cot g α + cotg θ) sen α
A armadura transversal no apoio A para estribo vertical é:

A sw ,90 98,3
= = 0,0181 cm2/cm
s
0,9 . 80 .
50
(cot g 90 + cotg 30) sen 90
1,15

Asw,90 = 1,81 cm2/m < Asw,mín = 2,56 cm2/m (portanto, deve-se dispor a armadura mínima)

A armadura transversal no apoio B para estribo vertical é:

A sw ,90 136,1
= = 0,0251 cm2/cm
s
0,9 . 80 .
50
(cot g 90 + cotg 30) sen 90
1,15

Asw,90 = 2,51 cm2/m < Asw,mín = 2,56 cm2/m (portanto, deve-se dispor a armadura mínima)

20.2.1.2 Ângulo θ de 45°

a) Verificação da Compressão nas Bielas

Para não ocorrer o esmagamento do concreto que compõe as bielas comprimidas deve-se
ter:
VSd ≤ VRd2

A equação que define VRd2 é:

⎛ f ⎞
VRd 2 = 0,54 ⎜1 − ck ⎟ f cd b w d sen 2 θ (cot g α + cot g θ) , com fck em MPa
⎝ 250 ⎠

Para estribo vertical (α = 90°):

⎛ 25 ⎞ 2,5
VRd 2 = 0,54 ⎜1 − ⎟ 25 . 80 . sen 2 45 (cot g 90 + cot g 45) = 867,9 kN
⎝ 250 ⎠ 1, 4

Apoio A ⇒ VSd,A = 232,1 kN < VRd2 = 867,9 kN


Apoio B ⇒ VSd,B = 262,1 kN < VRd2

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A verificação implica que não ocorrerá o esmagamento das bielas de compressão em


ambos os apoios.

b) Cálculo da Armadura Transversal

Para calcular a armadura devem ser determinadas as parcelas da força cortante que serão
absorvidas pelas diagonais comprimidas (Vc) e pela armadura (Vsw), de tal modo que:

VSd = Vc + Vsw

Na flexão simples, a parcela Vc é igual a Vc1. O valor de Vc0 já foi determinado (153,9 kN)
e independe do ângulo θ adotado. Como as solicitações de cálculo VSd são maiores que Vc0 , as
parcelas Vc1 devem ser calculadas, conforme a Eq. 42, ilustrada na Figura 60, que mostra a
relação entre as variáveis Vc1 , Vc0 e VSd .
Vc0 = 153,9
Vc1
0 Vc1
153,9

VRd2 - VSd

VSd

867,9 (A) 232,1 153,9


(B) 262,1

VRd2 - Vc0 = 714,0

Figura 60 - Interpolação para obtenção do valor de Vc1 em função de VSd .

Conforme a Eq. 42, resulta:

VRd 2 − VSd 867,9 − 232,1


Apoio A ⇒ Vc,A = Vc1,A = Vc0 = 153,9 = 137,0 kN
VRd 2 − Vc 0 867,9 − 153,9

VRd 2 − VSd 867,9 − 262,1


Apoio B ⇒ Vc,B = Vc1,B = Vc 0 = 153,9 = 130,6 kN
VRd 2 − Vc 0 867,9 − 153,9

A parcela do esforço cortante a ser resistida pela armadura transversal é:

Apoio A ⇒ Vsw ,A = VSd ,A − Vc,A = 232,1 − 137,0 = 95,1 kN


Apoio B ⇒ Vsw ,B = VSd ,B − Vc,B = 262,1 − 130,6 = 131,5 kN

Armadura transversal:

A sw ,α Vsw
=
s 0,9 d f ywd (cot g α + cotg θ) sen α
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A armadura transversal no apoio A para estribo vertical é:

A sw ,90 95,1
= = 0,0304 cm2/cm
s
0,9 . 80 .
50
(cot g 90 + cotg 45) sen 90
1,15

Asw,90 = 3,04 cm2/m > Asw,mín = 2,56 cm2/m (portanto, deve-se dispor a armadura
calculada)

A armadura transversal no apoio B para estribo vertical é:

A sw ,90 131,5
= = 0,0420 cm2/cm
s
0,9 . 80 .
50
(cot g 90 + cotg 45) sen 90
1,15

Asw,90 = 4,20 cm2/m > Asw,mín = 2,56 cm2/m (portanto, deve-se dispor a armadura
calculada)

20.2.2 Equações Simplificadas

20.2.2.1 Ângulo θ de 30°

a) Verificação da Compressão nas Bielas

Conforme a equação contida na Tabela 4, para o concreto de resistência característica


25 MPa (C25), tem-se a força cortante máxima permitida:

VRd 2 = 0,87 b w d sen θ cos θ = 0,87 . 25 . 80 . sen 30 . cos 30 = 751,7 kN

Apoio A ⇒ VSd,A = 232,1 kN < VRd2 = 751,7 kN


Apoio B ⇒ VSd,B = 262,1 kN < VRd2

A verificação implica que não ocorrerá o esmagamento das bielas de compressão em


ambos os apoios.

b) Cálculo da Armadura Transversal

Primeiramente deve-se verificar se a força cortante solicitante resultará numa armadura


maior ou menor que a armadura mínima. Na Tabela 4 encontra-se a equação para a força cortante
mínima:

VSd ,mín = 0,040 b w d cot g θ + Vc1

Como as solicitações de cálculo VSd são maiores que Vc0 , as parcelas Vc1 devem ser
calculadas, conforme a equação:

Vc0 (VRd 2 − VSd )


Vc1 =
VRd 2 − Vc 0

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Os valores de Vc0 = 153,9 kN, VRd2 = 751,7 kN, VSd,A = 232,1 kN e VSd,B = 262,1 kN já
são conhecidos. Substituindo os valores na equação de Vc1 encontram-se:

153,9 (751,7 − 232,1)


Vc1,A = = 133,8 kN
751,7 − 153,9

153,9 (751,7 − 262,1)


Vc1,B = = 126,0 kN
751,7 − 153,9

VSd ,mín = 0,040 . 25 . 80 . cot g 30 + Vc1 = 138,6 + Vc1

Apoio A: VSd ,mín ,A = 138,6 + 133,8 = 272,4 kN

VSd,A = 232,1 kN < VSd,mín,A = 272,4 kN


(portanto, deve-se dispor a armadura mínima)

Apoio B: VSd ,mín ,B = 138,6 + 126,0 = 264,6 kN

VSd,B = 262,1 kN < VSd,mín,B = 264,6 kN


(portanto, deve-se dispor a armadura mínima)

As armaduras serão calculadas apenas para efeito de exemplificação, pois já se sabe que
são menores que a mínima. Conforme a Tabela 4, a equação para cálculo da armadura é:

A sw = 2,55 tg θ
(VSd − Vc1 )
d

No apoio A:

A sw ,A = 2,55 tg 30
(232,1 − 133,8) = 1,81 cm2/m < A = 2,56 cm2/m
sw,mín
80

No apoio B:

A sw ,B = 2,55 tg 30
(262,1 − 126,0) = 2,50 cm2/m < A = 2,56 cm2/m
sw,mín
80

20.2.2.2 Ângulo θ de 45°

a) Verificação da Compressão nas Bielas

Conforme a equação contida na Tabela 4, para o concreto de resistência característica


25 MPa (C25), tem-se a força cortante máxima:

VRd 2 = 0,87 b w d sen θ cos θ = 0,87 . 25 . 80 . sen 45 . cos 45 = 868,0 kN

Apoio A ⇒ VSd,A = 232,1 kN < VRd2 = 868,0 kN

Apoio B ⇒ VSd,B = 262,1 kN < VRd2

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A verificação implica que não ocorrerá o esmagamento das bielas de compressão em


ambos os apoios.

b) Cálculo da Armadura Transversal

Primeiramente deve ser verificado se a força cortante solicitante resultará numa armadura
maior ou menor que a armadura mínima. Na Tabela 4 encontra-se a equação para a força cortante
mínima:

VSd ,mín = 0,040 b w d cot g θ + Vc1

Como as solicitações de cálculo VSd são maiores que Vc0 , as parcelas Vc1 devem ser
calculadas, conforme:

Vc0 (VRd 2 − VSd )


Vc1 =
VRd 2 − Vc 0

Os valores já conhecidos são: Vc0 = 153,9 kN, VRd2 = 868,0 kN, VSd,A = 232,1 kN e
VSd,B = 262,1 kN. Substituindo na equação de Vc1 tem-se:

153,9 (868,0 − 232,1)


Vc1,A = = 137,0 kN
868,0 − 153,9

153,9 (868,0 − 262,1)


Vc1,B = = 130,6 kN
868,0 − 153,9

VSd ,mín = 0,040 . 25 . 80 . cot g 45 + Vc1 = 80,0 + Vc1

Apoio A: VSd ,mín = 80,0 + 137,0 = 217,0 kN

VSd,A = 232,1 kN > VSd,mín = 217,0 kN


(portanto, deve-se calcular a armadura transversal)

Apoio B: VSd ,mín = 80,0 + 130,6 = 210,6 kN

VSd,B = 262,1 kN > VSd,mín = 210,6 kN


(portanto, deve-se calcular a armadura transversal)

Conforme a Tabela 4, a equação para cálculo da armadura é:

A sw = 2,55 tg θ
(VSd − Vc1 )
d

No apoio A:

A sw ,A = 2,55 tg 45
(232,1 − 137,0) = 3,03 cm2/m > A = 2,56 cm2/m
sw,mín
80

No apoio B:

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A sw ,B = 2,55 tg 45
(262,1 − 130,6) = 4,19 cm2/m > A = 2,56 cm2/m
sw,mín
80

20.3 Comparação dos Resultados

Na Tabela 6 são apresentados os resultados obtidos para os cálculos efetuados conforme os


Modelos de Cálculo I e II, com o ângulo θ assumindo valores de 30 e 45° para o Modelo de
Cálculo II.
Os resultados permitem descrever que as equações simplificadas conduzem a valores
muito próximos daqueles obtidos com as equações teóricas.
Como esperado, com ângulo θ de 30o do Modelo II a armadura resultou menor que a
proporcionada pelo Modelo I, de 2,49 cm2/m para 1,81 cm2/m.
Concordando com o exemplo numérico anterior, a armadura do Modelo II com θ de 45o
(3,04 cm2/m) resulta maior que a armadura do Modelo I (2,49 cm2/m).

Tabela 6 – Resultados obtidos conforme os modelos de cálculo I e II da NBR 6118/03.

Modelo de θ Equações de Asw (cm2/m)


Cálculo ( o) Cálculo Apoio A Apoio B
Teóricas 2,49 3,45
I 45
Simplificadas 2,40 3,35
Teóricas 1,81 2,51
30
Simplificadas 1,81 2,50
II
Teóricas 3,04 4,20
45
Simplificadas 3,03 4,19

20.4 Detalhamento da Armadura Transversal

Como já comentado, para seção retangular o ângulo θ se aproxima de 30°, o que resultou
na área de armadura de 1,81 cm2/m. No caso de se preferir uma armadura transversal um pouco
superior pode-se optar pela armadura calculada segundo o Modelo I, de 2,49 cm2/m, maior mas
não muito superior à área de armadura do Modelo II. A título de exemplificação a viga terá a
armadura detalhada segundo a área do Modelo I.
Dentre as várias possibilidades de valores para a armadura transversal, optou-se pelo
Modelo de Cálculo I. O detalhamento encontra-se mostrado na Figura 61.

a) Diâmetro do estribo: 5 mm ≤ φt ≤ bw/10 = 250/10 = 25 mm → ∴ φt = 5 mm

b) Espaçamento máximo entre os estribos:

0,67 VRd2 = 0,67 . 868,0 = 581,5 kN

Apoio A:
VSd,A = 232,1 < 581,5 kN ⇒ s ≤ 0,6 d ≤ 30 cm
0,6 d = 0,6 . 80 = 48 cm ⇒ Portanto, s ≤ 30 cm

Apoio B:
VSd,B = 262,1 < 581,5 kN ⇒ s ≤ 0,6 d ≤ 30 cm
Portanto, s ≤ 30 cm

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 80

c) Espaçamento transversal máximo entre os ramos verticais do estribo:

0,20 VRd2 = 0,20 . 868,0 = 173,6 kN


VSd,A > 173,6 kN e VSd,B > 173,6 kN ⇒ st ≤ 0,6 d ≤ 35 cm

0,6 d = 0,6 . 80 = 48 cm ⇒ Portanto, s ≤ 35 cm

d) Escolha do diâmetro e espaçamento dos estribos

Para fins de detalhamento da armadura transversal da viga serão consideradas as áreas


calculadas segundo o Modelo de Cálculo I, de 2,49 cm2/m no apoio A e de 3,45 cm2/m no apoio
B. A título de exemplo serão feitos os cálculos com diâmetros de 5 mm e de 6,3 mm, sem e com
auxílio de tabela de área de armadura em cm2/m.

d1) considerando estribo com diâmetro de 5 mm (1 φ 5 mm = 0,20 cm2), composto por dois ramos
verticais (2 φ 5 mm = 0,40 cm2), tem-se para o apoio A:

Asw = 2,49 cm2/m < Asw,mín = 2,56 cm2/m

A sw 0,40
= 0,0256 cm2/cm < ⇒ = 0,0256 ⇒ s = 15,6 cm ≤ 30 cm
s s

Para o apoio B:

A sw 0,40
= 0,0345 cm2/cm ⇒ = 0,0345 ⇒ s = 11,6 cm ≤ 30 cm
s s

Com o auxílio da Tabela A-1 (ver a tabela anexa no final do texto) deve-se determinar a
área de apenas um ramo vertical do estribo:
Apoio A (armadura mínima):

2,56
A sw ,1ramo = = 1,28 cm2/m ⇒ Tabela A-1 ⇒ φ 5 mm c/16 cm = 1,25 cm2/m
2

Apoio B:

3,45
A sw ,1ramo = = 1,73 cm2/m ⇒ Tabela A-1 ⇒ φ 5 mm c/11 cm = 1,82 cm2/m
2

d2) considerando estribo com diâmetro de 6,3 mm (1 φ 6,3 mm = 0,31 cm2), composto por dois
ramos verticais (2 φ 6,3 mm = 0,62 cm2), tem-se para o apoio A:

A sw 0,62
= 0,0256 cm2/cm < ⇒ = 0,0256 ⇒ s = 24,2 cm ≤ 30 cm
s s

Para o apoio B:

A sw 0,62
= 0,0345 cm2/cm ⇒ = 0,0345 ⇒ s = 18,0 cm ≤ 30 cm
s s

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Com o auxílio da Tabela A-1 (ver a tabela anexa no final do texto) deve-se determinar a
área de apenas um ramo vertical do estribo:
Apoio A (armadura mínima):

2,56
A sw ,1ramo = = 1,28 cm2/m ⇒ Tabela A-1 ⇒ φ 6,3 mm c/24 cm = 1,31 cm2/m
2

Apoio B:

3,45
A sw ,1ramo = = 1,73 cm2/m ⇒ Tabela A-1 ⇒ φ 6,3 mm c/18 cm = 1,75 cm2/m
2

O detalhamento mostrado na Figura 61 está feito com o diâmetro de 6,3 mm para o estribo.
Poderia ser utilizado o diâmetro de 5 mm também, sem qualquer inconveniente. Os estribos à
direita do pilar esquerdo (apoio A) foram espaçados em 20 cm ao invés dos 24 cm permitidos,
conforme demonstrado no cálculo. Assim foi feito porque muitos engenheiros estruturais limitam
o espaçamento dos estribos em 20 cm. Fica a critério do engenheiro seguir esta regra ou obedecer
os limites prescritos pela NBR 6118/03. O desenho da viga deve ser feito em escala 1:50 e o
detalhe do estribo normalmente é feito nas escalas de 1:20 ou 1:25.

20
N1 - 29 c/20 N1 - 5 c/18
A sw,mín 90

80

25 cm 675 cm 25 cm

N1 - 34 Ø 6,3 C = 210 cm

700 cm

371 cm

232,1 331 cm 40 cm

VSd (kN)

262,1

VSd, mín = 234,0

Figura 61 - Detalhamento dos estribos ao longo do vão livre da viga.

21. EXEMPLO NUMÉRICO 3

Dimensionar a armadura transversal para as vigas principais de uma ponte rodoviária,


conforme indicadas na Figura 62. Este exemplo toma como base aquele apresentado em PFEIL
(1983).
As duas vigas principais, em conjunto com as vigas transversinas, compõem o sistema de
vigamento que proporciona a sustentação da ponte. As vigas principais estendem-se ao longo de

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todo o comprimento da ponte, sendo composta por quatro apoios e cinco vãos, com os dois vãos
extremos em balanço.
A altura das vigas é fixa em 225 cm e a largura é variável em alguns trechos. Na seção de
apoio do pilar 1 a largura é de 80 cm e no pilar 2 é de 100 cm; as seções nos vãos têm largura de
40 cm (Figura 62b e Figura 62c).

500 2000 1250

Laje do Tabuleiro

225
Viga
Pilar 1 Principal Pilar 2

a) corte longitudinal;

100
Viga Principal 1
40

40
80

Viga Principal 2
100

40

b) planta com o vigamento da ponte;

Viga principal Viga principal na


nos vãos seção de apoio
Laje do Tabuleiro
225

40 100

Pilar 2

c) seções transversais no apoio do pilar 2 e nos vãos.

Figura 62 – Desenhos ilustrativos da ponte rodoviária (PFEIL, 1983).


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A viga é simétrica e tem os vãos (cm) e esforços cortantes característicos de apenas uma
metade mostrados na Figura 63. Nota-se que a força cortante máxima, de 2.000 kN, ocorre no
pilar 2.

500 2000 1250

a b O 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15
Pilar 1 Pilar 2

2000

1490

740 780 1030 1270 1550


280
Vk
1180 900 640 390 1640 1310 990 690 390

1830 (kN)
530
1210

Figura 63 – Esquema estático, vãos efetivos (cm) e forças cortantes características (kN).

RESOLUÇÃO

A laje tabuleiro da ponte apóia-se sobre a face superior das vigas e forma a seção T
(Figura 62c) para o dimensionamento da armadura longitudinal resistente aos momentos fletores
positivos.
Nas regiões dos apoios das vigas principais, onde ocorrem as maiores forças cortantes e a
armadura transversal é essencial, a mesa que forma a seção T encontra-se tracionada pelos
momentos fletores negativos, configurando a seção retangular para o dimensionamento da
armadura longitudinal negativa.
Para seções retangulares, LEONHARDT e MÖNNIG (1982) indicam que o ângulo θ de
inclinação das diagonais comprimidas aproxima-se de 30°, o que resulta numa diminuição da
armadura transversal em relação ao ângulo θ de 45°.
Por outro lado, no caso das pontes, as armaduras transversais têm a função de absorver
também esforços solicitantes não considerados no cálculo, como momentos fletores transversais
transmitidos pela laje do tabuleiro e tensões provocadas por variações de temperatura,
principalmente entre a viga principal e a laje do tabuleiro. Desse modo, adotar ângulo θ de 45°
para a seção retangular das regiões dos apoios, configura-se uma escolha conservadora, adequada
e a favor da segurança.
Os cálculos de dimensionamento para as diversas seções transversais encontram-se
organizados na Tabela 7. A título de comparação os cálculos são efetuados conforme a versão
atual da NBR 6118 e a versão de 1978, considerado também o anexo da NB 116/89. Na seqüência
são também apresentados os cálculos efetuados segundo a NBR 6118/03 para a seção transversal
10d , onde ocorre a maior força cortante.

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 84

Tabela 7 – Dimensionamento da armadura transversal segundo os Modelos de Cálculo I e II da


NBR 6118/03 e conforme a NB 1/78 e NB 1/78 com o anexo da NB 116/89,
para estribos verticais. (γc = γf = 1,4 ; γs = 1,15).

Asw,90 Asw,90 Asw,90 Asw,90


Vk VSd bw VRd2 Vc0 Vc1 (cm2/m) (cm2/m) 2
(cm /m) (cm 2
/m)
Seção NBR 6118/03
(kN) (kN) (cm) (kN) (kN) (kN) NBR 6118/03 Modelo II NB 1/78 +
NB 1/78
Modelo I c/ θ = 45° Anexo NB 116
a 280 392 40 3732 662 720 - - 1,03 -
b 740 1036 60 5598 993 983 0,51 0,63 7,05 2,40
Oe 1210 1694 80 7464 1323 1244 4,40 5,35 13,25 7,04

Od 1490 2086 80 7464 1323 1159 9,05 11,02 18,07 11,86


1 1180 1652 60 5598 993 850 7,82 9,53 14,63 9,97
2 900 1260 40 3732 662 533 7,10 8,64 11,70 8,60
3 640 896 40 3732 662 611 2,78 3,38 7,23 4,12
4 390 546 40 3732 662 687 - - 2,92 -
5 530 742 40 3732 662 644 0,95 1,16 5,33 2,23
6 780 1092 40 3732 662 569 5,11 6,22 9,64 6,53
7 1030 1442 40 3732 662 494 9,26 11,27 13,94 10,84
8 1270 1778 40 3732 662 421 13,24 16,13 18,08 14,97
9 1550 2170 70 6531 1158 940 12,01 14,62 20,05 14,62
10e 1830 2562 100 9329 1654 1459 10,77 13,11 22,03 14,27

10d 2000 2800 100 9329 1654 1407 13,59 16,55 24,95 17,20
11 1640 2296 70 6531 1158 913 13,50 16,44 21,60 16,17
12 1310 1834 40 3732 662 409 13,91 16,94 18,77 15,66
13 990 1386 40 3732 662 506 8,59 10,46 13,25 10,15
14 690 966 40 3732 662 596 3,61 4,40 8,09 4,98
15 390 546 40 3732 662 687 - - 2,92 -

As áreas de armadura apresentadas na Tabela 7 indicam que as armaduras transversais


foram sendo gradativamente diminuídas com as atualizações da NBR 6118, antiga NB 1. Os
maiores valores resultam da NB 1/78. Com o anexo da NB 116/89, a armadura diminuiu em
relação à NB 1/78, e com a NBR 6118/03, a diminuição foi ainda mais significativa. Analisando
os valores da seção 10d verifica-se que a armadura diminuiu 45 % (Modelo I) e 34 % (Modelo II)
comparada à armadura da NB 1/78, e 21 % (Modelo I) e 4 % (Modelo II) comparada à armadura
da NB 1/78 com o anexo da NB 116/89.
Nota-se que as armaduras calculadas conforme o Modelo de Cálculo II com θ de 45°
aproxima-se muito daquela calculada com a NB 1/78 e o anexo da NB 116/89.
Como as armaduras transversais das vigas das pontes exercem outras funções secundárias,
além da resistência às forças cortantes, recomenda-se a aplicação do Modelo de Cálculo II, com θ
de 45°, de modo mais conservador em relação às armaduras do Modelo de Cálculo I.

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21.1 Dimensionamento da Seção 10d Segundo o Modelo de Cálculo I (NBR 6118/03)

Para o dimensionamento são considerados os seguintes dados:

C25 ; CA-50 d = 215 cm estribo vertical


γc = γf = 1,4 γs = 1,15 (α = 90°)

Os cálculos de dimensionamento serão feitos apenas com as equações teóricas da norma.

a) Verificação da Compressão nas Bielas

A equação que define o valor de VRd2 é:

⎛ f ⎞
VRd 2 = 0,27 ⎜1 − ck ⎟ f cd b w d , com fck em MPa
⎝ 250 ⎠

Substituindo os valores numéricos de VRd2 :

⎛ 25 ⎞ 2,5
VRd 2 = 0,27 ⎜1 − ⎟ 100 . 215 = 9.329 kN
⎝ 250 ⎠ 1,4

VSd = 2.800 kN < VRd2 = 9.329 kN

A verificação demonstra que não ocorrerá o esmagamento das bielas de compressão e


pode-se assim dimensionar a armadura transversal para a seção.

b) Cálculo da Armadura Transversal

Para efeito de comparação com a armadura calculada, primeiramente será determinada a


armadura mínima para estribo a 90° e aço CA-50:

20 f ctm
A sw ,mín ≥ bw (cm2/m)
f ywk

A resistência média do concreto à tração direta é:

f ctm = 0,3 3 f ck 2 = 0,3 3 25 2 = 2,56 MPa = 0,256 kN/cm2

20 . 0,256
A sw ,mín ≥ . 100 ≥ 10,26 cm2/m
50

Para calcular a armadura transversal devem ser determinadas as parcelas da força cortante
que serão absorvidas pelas diagonais comprimidas (Vc) e pela armadura (Vsw), de tal modo que:

VSd = Vc + Vsw

Na flexão simples, a parcela Vc é determinada pela equação:

Vc = Vc0 = 0,6 f ctd b w d

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f ctk ,inf 0,7 f ctm 0,7 . 0,3 3 2


com: f ctd = = = f ck (fck em MPa)
γc γc γc

0,7 . 0,3 3 2
f ctd = 25 = 1,28 MPa = 0,128 kN/cm2
1,4

Vc = Vc0 = 0,6 . 0,128 . 100 . 215 = 1.654 kN

Portanto, a parcela da força cortante a ser resistida pela armadura transversal é:

Vsw = VSd – Vc = 2800 – 1654 = 1.146 kN

A armadura transversal composta por estribos verticais segundo o Modelo I é:

A sw ,90 Vsw A sw ,90 1146


= ⇒ = = 0,1359 cm2/cm
s 39,2 d s 39,2 . 215

Asw,90 = 13,59 cm2/m > Asw,mín = 10,26 cm2/m (portanto, deve-se dispor a armadura
calculada)

21.2 Dimensionamento da Seção 10d Segundo o Modelo de Cálculo II com θ = 45°

a) Verificação da Compressão nas Bielas

A equação que define VRd2 é:

⎛ f ⎞
VRd 2 = 0,54 ⎜1 − ck ⎟ f cd b w d sen 2 θ (cot g α + cot g θ) , com fck em MPa
⎝ 250 ⎠

Para estribo vertical, α = 90°:

⎛ 25 ⎞ 2,5
VRd 2 = 0,54 ⎜1 − ⎟ 100 . 215 . sen 2 45 (cot g 90 + cot g 45) = 9.329 kN
⎝ 250 ⎠ 1,4

VSd = 2.800 kN < VRd2 = 9.329 kN

A verificação implica que não ocorrerá o esmagamento das bielas de compressão.

b) Cálculo da Armadura Transversal

Para calcular a armadura devem ser determinadas as parcelas da força cortante que serão
absorvidas pelos mecanismos complementares (Vc) e pela armadura (Vsw), de tal modo que:

VSd = Vc + Vsw

Na flexão simples, a parcela Vc é igual a Vc1. O valor de Vc0 já foi determinado (1.654 kN)
e independe do modelo de cálculo. Como VSd = 2.800 kN é maior que Vc0 a parcela Vc1 deve ser
determinada com a Eq. 42:

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VRd 2 − VSd 9329 − 2800


Vc1 = Vc0 = 1654 = 1.407 kN
VRd 2 − Vc 0 9329 − 1654

A parcela da força cortante a ser resistida pela armadura transversal é:

Vsw = VSd − Vc = 2800 − 1407 = 1.393 kN

A equação que define o cálculo da armadura transversal é:

A sw ,α Vsw
=
s 0,9 d f ywd (cot g α + cotg θ) sen α
Aplicando numericamente:

A sw ,90 1393
= = 0,1655 cm2/cm
s
0,9 . 215 .
50
(cot g 90 + cotg 45) sen 90
1,15

Asw,90 = 16,55 cm2/m > Asw,mín = 10,26 cm2/m (portanto, dispor a armadura calculada)

22. EXEMPLO NUMÉRICO 4

Uma viga seção T biapoiada sobre dois pilares serve de apoio a lajes maciças e uma viga
transversal. Pede-se dimensionar e detalhar a armadura transversal. São dados:
C30 c = 2,5 cm estribo vertical (α = 90°)
CA-50 d = 113 cm γc = γf = 1,4 γs = 1,15

O esquema estático da viga com os esforços cortantes (valores característicos) e a seção


transversal encontram-se na Figura 64.
Por simplicidade e a favor da segurança a força cortante solicitante no apoio não será
reduzida, conforme permitido pela NBR 6118/03 e apresentado no item 17.

RESOLUÇÃO

Como a viga tem seção transversal tipo T, com relação bf / bw = 240/40 = 6, o ângulo θ de
inclinação das diagonais comprimidas se aproxima de 45°, razão pela qual será adotado o Modelo
de Cálculo I para o dimensionamento da armadura transversal. Outra opção seria o Modelo II com
θ = 45°, que, como já visto, conduz a uma armadura maior.
O dimensionamento será feito segundo as equações simplificadas definidas no item 11.

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10 m

Laje

Viga T

Pilar 1 Pilar 2

300 kN
80 kN/m

500 cm 500 cm

550
150 Vk (kN)

150
550

400
240
120

120
15

15
40 40 40
Vigas

Figura 64 - Esquema estático, carregamento, esforços cortantes e seção transversal da viga.

a) Verificação da Compressão nas Bielas

Da Tabela 3, para concreto C30, determina-se a força cortante última ou máxima que a
viga pode resistir:

VRd 2 = 0,51 b w d = 0,51 . 40 . 113 = 2.305 kN

VSd = 1,4 . 550 = 770 kN < VRd 2 = 2.305 kN → não ocorrerá esmagamento das bielas de
concreto.

b) Cálculo da Armadura Transversal

Da Tabela 3, para concreto C30, a equação para determinar a força cortante


correspondente à armadura mínima é:

VSd ,mín = 0,132 b w d = 0,132 . 40 . 113 = 597 kN

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VSd = 770 > VSd ,mín = 597 kN → portanto, deve-se calcular a armadura transversal p/ VSd .

Da equação para Asw na Tabela 3 (concreto C30):

VSd 770
A sw = 2,55 − 0,22 b w = 2,55 − 0,22 . 40 ⇒ A sw = 8,58 cm2/m
d 113

A armadura mínima para estribo a 90° e aço CA-50 é:

20 f ctm
A sw ,mín = bw (cm2/m)
f ywk

f ctm = 0,3 3 f ck 2 = 0,3 3 30 2 = 2,90 MPa = 0,290 kN/cm2

20 . 0,290
A sw ,mín = . 40 = 4,63 cm2/m
50

Como Asw = 8,58 cm2/m > Asw,mín = 4,63 cm2/m, deve-se dispor a armadura calculada.

c) Detalhamento da Armadura Transversal

c1) Diâmetro do estribo: 5 mm ≤ φt ≤ bw/10 = 400/10 = 40 mm

c2) Espaçamento máximo entre os estribos:

0,67 VRd2 = 0,67 . 2305 = 1.544 kN

VSd = 770 < 1.544 kN ⇒ s ≤ 0,6 d ≤ 30 cm

0,6 d = 0,6 . 113 = 67,8 cm ⇒ Portanto, s ≤ 30 cm

c3) Espaçamento transversal entre os ramos verticais do estribo:

0,20 VRd2 = 0,20 . 2305 = 461 kN

VSd = 770 > 461 kN ⇒ st ≤ 0,6 d ≤ 35 cm

0,6 d = 0,6 . 113 = 67,8 cm ⇒ Portanto, st ≤ 35 cm

c4) Escolha do diâmetro e espaçamento dos estribos


c4.1) Estribo com dois ramos verticais

Considerando estribo com dois ramos verticais, para a escolha do diâmetro e do


espaçamento dos estribos com o auxílio da Tabela A-1 anexa, deve-se determinar a área de apenas
um ramo do estribo. Portanto, para a área de armadura transversal de 8,58 cm2/m e estribo com
dois ramos:
8,58
A sw ,1ramo = = 4,29 cm2/m
2

Com a área de um ramo na Tabela A-1 encontra-se:

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φ 8 mm c/11 cm = 4,55 cm2/m

Como o espaçamento máximo é 30 cm, é possível adotar φ 8 mm c/11 cm.


Para a armadura mínima de 4,63 cm2/m e estribo com dois ramos, a área de um ramo é:

4,63
A sw ,1ramo = = 2,32 cm2/m
2

na Tabela A-1 encontra-se φ 8 mm c/20 cm, com o espaçamento sendo menor que o máximo
permitido (30 cm).
O espaçamento entre os dois ramos verticais do estribo é:

bw – (2 c) - φt = 40 – (2 . 2,5) – 0,8 = 34,2 cm

pouco menor que o espaçamento máximo permitido (st = 35 cm), sendo portanto possível fazer os
estribos com apenas dois ramos verticais.

c4.2) Estribo com quatro ramos verticais

Caso não fosse possível fazer o detalhamento com dois ramos verticais, uma solução seria
aumentar o número de ramos, com quatro ramos verticais por exemplo, o que resulta em dois
estribos idênticos, a serem colocados sobrepostos na mesma seção transversal da viga.
Com quatro ramos verticais a área de um ramo apenas é:

8,58
A sw ,1ramo = = 2,15 cm2/m
4

Com a área de um ramo na Tabela A-1 encontra-se o espaçamento e o diâmetro do estribo:


φ 6,3 mm c/14 cm = 2,25 cm2/m

Para a armadura mínima de 4,63 cm2/m resulta φ 6,3 mm c/26 cm = 1,21 cm2/m. O
espaçamento entre os quatro ramos verticais do estribo é:

b w − 2c − φ t 40 − 2 . 2,5 − 0,63
st = = = 11,4 cm
3 3

menor que o espaçamento máximo permitido (st = 35 cm).


Na Figura 65 encontra-se o detalhamento da armadura transversal da viga para estribo com
quatro ramos verticais.

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23

N1- 2x12 c/14 N1 - 2x25 c/25 N1-2x12 c/14


168 168

115

30 970 cm 30

VSd,mín = 597 kN N1 - 98 Ø 6,3 C = 286 cm

770
210 VSd (kN)

210
154 770

154

Dois estribos idênticos


formando quatro ramos

Figura 65 – Detalhamento da armadura transversal com estribo de quatro ramos verticais.

2,5 11,4 11,0 11,4 2,5

12,0 23,0

35

40

Figura 50 - Detalhamento dos estribos na seção transversal.

23. QUESTIONÁRIO

1) Numa viga de Concreto Armado bi-apoiada sob duas forças concentradas P, como se
apresentam as trajetórias das tensões principais de tração e de compressão? O que
diferencia o trecho de flexão pura dos demais?
2) Idem para numa viga com carregamento uniforme?
3) Numa viga contínua, como se mostram as trajetórias das tensões principais?
4) Numa viga bi-apoiada qual é a configuração das fissuras no instante pré-ruptura? Desenhe.
5) Como são as fissuras de flexão e de flexão com força cortante e de força cortante pura?
6) Numa viga bi-apoiada em que instante do carregamento surgem as primeiras fissuras de
flexão?
7) Desenhe numa viga contínua qual a inclinação mais favorável para os estribos? Explique.
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8) Por que há indicação do espaçamento máximo para o estribo?


9) Quais são os mecanismos básicos de transferência de força cortante numa viga? Explique
cada um deles.
10) Quais são os principais fatores que influenciam na resistência das vigas à força cortante?
Explique cada um deles resumidamente.
11) Como se configuram os modos de ruptura de vigas sem armadura transversal, em função
da relação a/d?
12) Explique o comportamento das vigas com armadura transversal.
13) Qual a função dos estribos nas vigas? Comente sobre a forma de atuação dos ramos
verticais e horizontais dos estribos verticais na resistência das vigas à força cortante.
14) Mostre as diferentes possibilidades de ruptura por força cortante no caso das vigas com
armadura transversal.
15) Explique a analogia de uma viga fissurada com a treliça clássica. Quais as hipóteses da
treliça clássica?
16) Se os estribos resistem às tensões de tração, quem deve resistir às tensões de compressão?
Como isso ocorre?
17) Qual a configuração da treliça generalizada? Quais as diferenças em relação à treliça
clássica?
18) Nas treliças clássica e generalizada, estude como surgem as equações para cálculo da
armadura transversal (Asw) e para verificação da tensão na biela comprimida.
19) Quais as diferenças nos valores da armadura transversal e da tensão na biela de
compressão quando α = 45° ou 90° ?
20) Por que a treliça clássica conduz a uma armadura transversal exagerada?
21) Quais as indicações para adoção do ângulo θ?
22) Por que pode ser feita uma redução da força cortante nos apoios. Como deve ser
considerada?
23) De que modo é feita a verificação do esmagamento ou não do concreto comprimido nas
bielas?
24) O que são os Modelos de Cálculo I e II? Quais as diferenças entre eles?
25) Qual o significado da parcela Vc0 e como é deduzida?
26) Como é calculada a parcela Vc1 ? O que ela representa?
27) O que significam os valores VSd,mín e VRd2 ?
28) Qual o valor da armadura mínima à força cortante?
29) Quais os limites para o diâmetro e o espaçamento dos estribos?
30) Quais os tipos de arranjos de armadura transversal que podem ser utilizados para uma viga
resistir à força cortante?

24. EXERCÍCIOS PROPOSTOS

Calcular e detalhar a armadura transversal para as vigas mostradas nas Figura 66, Figura
67 e Figura 68, sendo comuns os seguintes valores: γc = γf = 1,4 ; γs = 1,15 ; CA-50.

1) C20, c = 2,0 cm, bw = 20 cm, h = 50 cm, d = 45 cm (Figura 66).

2) Idem ao primeiro exercício, mas com a modificação do concreto para o C30. Compare os
resultados encontrados.

3) C25, c = 2,5 cm, bw = 30 cm, h = 60 cm, d = 56 cm (Figura 67).

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20 600 cm 20

25 kN/m

lef

Figura 66 – Esquema estático e carregamento externo na viga.

30 550 cm 30

20 kN/m 50 kN

l /2 l /2
l

Figura 67 – Esquema estático e carregamento externo na viga.

4) C30, c = 2,5 cm, d = 93 cm, VS,máx = 250 kN, Figura 68. A viga é do tipo pré-fabricada, com
comprimento total de 10,60 m.
40
30

100 cm
58
12

12,5 15 12,5

40

Figura 68 – Dimensões da seção transversal da viga I.


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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 97

TABELAS ANEXAS

Tabela A-1
ÁREA DE ARMADURA POR METRO DE LARGURA (cm2/m)
Espaçamento Diâmetro Nominal (mm)
(cm) 4,2 5 6,3 8 10 12,5
5 2,77 4,00 6,30 10,00 16,00 25,00
5,5 2,52 3,64 5,73 9,09 14,55 22,73
6 2,31 3,33 5,25 8,33 13,33 20,83
6,5 2,13 3,08 4,85 7,69 12,31 19,23
7 1,98 2,86 4,50 7,14 11,43 17,86
7,5 1,85 2,67 4,20 6,67 10,67 16,67
8 1,73 2,50 3,94 6,25 10,00 15,63
8,5 1,63 2,35 3,71 5,88 9,41 14,71
9 1,54 2,22 3,50 5,56 8,89 13,89
9,5 1,46 2,11 3,32 5,26 8,42 13,16
10 1,39 2,00 3,15 5,00 8,00 12,50
11 1,26 1,82 2,86 4,55 7,27 11,36
12 1,15 1,67 2,62 4,17 6,67 10,42
12,5 1,11 1,60 2,52 4,00 6,40 10,00
13 1,07 1,54 2,42 3,85 6,15 9,62
14 0,99 1,43 2,25 3,57 5,71 8,93
15 0,92 1,33 2,10 3,33 5,33 8,33
16 0,87 1,25 1,97 3,13 5,00 7,81
17 0,81 1,18 1,85 2,94 4,71 7,35
17,5 0,79 1,14 1,80 2,86 4,57 7,14
18 0,77 1,11 1,75 2,78 4,44 6,94
19 0,73 1,05 1,66 2,63 4,21 6,58
20 0,69 1,00 1,58 2,50 4,00 6,25
22 0,63 0,91 1,43 2,27 3,64 5,68
24 0,58 0,83 1,31 2,08 3,33 5,21
25 0,55 0,80 1,26 2,00 3,20 5,00
26 0,53 0,77 1,21 1,92 3,08 4,81
28 0,49 0,71 1,12 1,79 2,86 4,46
30 0,46 0,67 1,05 1,67 2,67 4,17
33 0,42 0,61 0,95 1,52 2,42 3,79
Elaborada com base em PINHEIRO (1994)
Diâmetros especificados pela NBR 7480.

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1309–Estruturas de Concreto II – Dimensionamento de Vigas de Concreto Armado à Força Cortante 98

Tabela A- 2
COMPRIMENTO DE ANCORAGEM lb (cm) PARA As,ef = As,calc CA-50 nervurado
Concreto
φ
C15 C20 C25 C30 C35 C40 C45 C50
(mm)
Sem Com Sem Com Sem Com Sem Com Sem Com Sem Com Sem Com Sem Com
48 33 39 28 34 24 30 21 27 19 25 17 23 16 21 15
6,3
33 23 28 19 24 17 21 15 19 13 17 12 16 11 15 10
61 42 50 35 43 30 38 27 34 24 31 22 29 20 27 19
8
42 30 35 24 30 21 27 19 24 17 22 15 20 14 19 13
76 53 62 44 54 38 48 33 43 30 39 28 36 25 34 24
10
53 37 44 31 38 26 33 23 30 21 28 19 25 18 24 17
95 66 78 55 67 47 60 42 54 38 49 34 45 32 42 30
12,5
66 46 55 38 47 33 42 29 38 26 34 24 32 22 30 21
121 85 100 70 86 60 76 53 69 48 63 44 58 41 54 38
16
85 59 70 49 60 42 53 37 48 34 44 31 41 29 38 27
151 106 125 87 108 75 95 67 86 60 79 55 73 51 68 47
20
106 74 87 61 75 53 67 47 60 42 55 39 51 36 47 33
170 119 141 98 121 85 107 75 97 68 89 62 82 57 76 53
22,5
119 83 98 69 85 59 75 53 68 47 62 43 57 40 53 37
189 132 156 109 135 94 119 83 108 75 98 69 91 64 85 59
25
132 93 109 76 94 66 83 58 75 53 69 48 64 45 59 42
242 169 200 140 172 121 152 107 138 96 126 88 116 81 108 76
32
169 119 140 98 121 84 107 75 96 67 88 62 81 57 76 53
303 212 250 175 215 151 191 133 172 120 157 110 145 102 136 95
40
212 148 175 122 151 105 133 93 120 84 110 77 102 71 95 66
Valores de acordo com a NBR 6118/03
No Superior: Má Aderência ; No Inferior: Boa Aderência
lb Sem e Com ganchos nas extremidades
As,ef = área de armadura efetiva ; As,calc = área de armadura calculada
⎧0,3 l b

O comprimento de ancoragem deve ser maior do que o comprimento mínimo: l b,mín ≥ ⎨10 φ
⎪100 mm

γc = 1,4 ; γs = 1,15

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Tabela A-3
COMPRIMENTO DE ANCORAGEM lb (cm) PARA As,ef = As,calc CA-60 entalhado
Concreto
φ
C15 C20 C25 C30 C35 C40 C45 C50
(mm)
Sem Com Sem Com Sem Com Sem Com Sem Com Sem Com Sem Com Sem Com
3,4 50 35 41 29 35 25 31 22 28 20 26 18 24 17 22 16
35 24 29 20 25 17 22 15 20 14 18 13 17 12 16 11
4,2 61 43 51 35 44 31 39 27 35 24 32 22 29 21 27 19
43 30 35 25 31 21 27 19 24 17 22 16 21 14 19 13
5 73 51 60 42 52 36 46 32 41 29 38 27 35 25 33 23
51 36 42 30 36 25 32 23 29 20 27 19 25 17 23 16
6 88 61 72 51 62 44 55 39 50 35 46 32 42 29 39 27
61 43 51 35 44 31 39 27 35 24 32 22 29 21 27 19
7 102 71 84 59 73 51 64 45 58 41 53 37 49 34 46 32
71 50 59 41 51 36 45 32 41 28 37 26 34 24 32 22
8 117 82 96 67 83 58 74 51 66 46 61 42 56 39 52 37
82 57 67 47 58 41 51 36 46 33 42 30 39 27 37 26
9,5 139 97 114 80 99 69 87 61 79 55 72 50 67 47 62 43
97 68 80 56 69 48 61 43 55 39 50 35 47 33 43 30
Valores de acordo com a NBR 6118/03
No Superior: Má Aderência ; No Inferior: Boa Aderência
lb Sem e Com ganchos nas extremidades
As,ef = área de armadura efetiva ; As,calc = área de armadura calculada
⎧0,3 l b

O comprimento de ancoragem deve ser maior do que o comprimento mínimo: l b,mín ≥ ⎨10 φ
⎪100 mm

γc = 1,4 ; γs = 1,15

UNESP (Bauru/SP) – Prof. Dr. Paulo Sérgio dos Santos Bastos