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CONCEITOS CIENTÍFICOS EM DESTAQUE

Renato José de Oliveira


Joana Mara Santos

Esta seção tem procurado apresentar artigos que analisem Buscando uma definição para
conceitos científicos de interesse direto dos químicos de forma o calor
crítica e atualizada.
Tanto a física quanto a química inte-
Neste artigo, os autores têm por objetivo focalizar a utilização do
ressam-se pelo estudo das trocas tér-
conceito de energia na química, especialmente no que se refere aos
micas entre os corpos. Francis Bacon
processos de troca de calor. Assim, questionam como vem sendo
(1561-1626), um dos fundadores da
utilizada a expressão ‘energia química’, o que contribui para
ciência experimental moderna, buscou
analisarmos como, de forma geral, lidamos acriticamente com as
reunir elementos que pudessem expli-
definições da ciência.
car a natureza e melhor colocar o calor
a serviço da humanidade. Investigador
energia química, calor, energia
meticuloso, Bacon propôs que fossem
listados todos os fenômenos em que
ele estivesse presente e também aque-

D
esde que o ser humano surgiu entre outras realizações. Todavia, se les em que estivesse ausente. Depois, 19
na face da Terra, deparou com entendermos por química não um passou à elaboração de uma terceira
estranhos fenômenos que ho- conjunto de técnicas de manipulação lista (ou tábua, conforme sua própria
je dizemos estar ligados ao conceito e produção de materiais e sim uma denominação), com o objetivo de dis-
de energia. Dentre eles, possivelmente ciência que articula planos de investi- tinguir os graus de manifestação mais
o fogo foi o mais impressionante. Do- gação empírica a modelos explicativos ou menos intensa.
miná-lo significava dar um grande pas- racionais, é preciso responder que o
so para lidar com a escuridão, o frio e começo só se dá efetivamente com Se entendermos por
outras situações pouco confortáveis Boyle, no século XVII. química não um
impostas pela natureza. Por que razão com ele e não com conjunto de técnicas
A importância do fogo para os se- outros? Toda demarcação tem seus de manipulação e
res humanos foi tal que diferentes mito- critérios (que inclusive podem ser produção de materiais
logias fizeram relatos dele. Os antigos questionados), mas, em função do que e sim uma ciência que
gregos, por exemplo, consideravam- foi dito, as palavras do próprio Boyle articula planos de
no propriedade dos deuses. Quando são esclarecedoras: investigação empírica
o titã Prometeu1 roubou o fogo sagrado a modelos explicativos
de Zeus para ofertá-lo aos seres huma- “Os químicos se têm deixado
guiar até agora por princípios racionais, é preciso
nos, sofreu na carne o peso da ira divi- responder que o seu
na: condenado a viver acorrentado a estreitos e sem nenhum alcance
começo só se dá
um rochedo, tinha seu fígado devorado elevado. A preparação de medi-
efetivamente com
por um abutre todos os dias2. Uma vez camentos, a extração e a trans-
Boyle, no século XVII
comido pela ave, o órgão se regene- mutação de metais era seu ter-
rava durante a noite para novamente reno. Eu trato de partir de um As tábuas baconianas pretendiam
lhe servir de alimento ao amanhecer. ponto de vista completamente arrolar observações isentas de qual-
Tendo aprendido a fazer a queima distinto, pois considero a quí- quer teorização prévia. Assim, tocar em
(cujo princípio só seria estabelecido mica não como um médico ou um recipiente contendo cal virgem
muitos séculos mais tarde por Lavoi- um alquimista, mas como deve (óxido de cálcio) logo após a adição
sier), será que o ser humano teria considerá-la um filósofo. Tracei de água ou manusear o esterco recen-
começado a fazer química? À primeira um plano de filosofia química te de um cavalo eram experiências que
vista somos tentados a dizer que sim, que espero completar com mi- acusavam a presença do calor. Por
uma vez que o domínio das técnicas nhas próprias experiências e outro lado, perceber que certos metais
de combustão permitiu o desenvolvi- observações.” (apud Papp e (ouro, por exemplo) não produziam ca-
mento da cerâmica e da metalurgia, Prelat, 1950, p. 56-57). lor sensível quando dissolvidos pela

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água-régia era um indicativo da ausên- mento da entropia do universo (segun- em outras formas de energia e vice-
cia do fenômeno. Examinando o com- do princípio). versa. Marcelo Gleiser (1997, p. 217),
portamento de diferentes materiais, A termodinâmica promoveu uma por exemplo, afirma que:
tornava-se possível compará-los (ter- abertura de pensamento que levou
“A quantidade total de energia
ceira tábua) e concluir que o tijolo, a os(as) cientistas a se tornarem mais
deve ser a mesma, antes e de-
pedra e o ferro, depois de aquecidos exigentes com respeito às teorias que
pois: a energia química armaze-
ao rubro, conservavam calor por muito formulavam. Em vista disso, em fins do
nada no óleo da lamparina é
tempo. século XIX, a ‘hipóte-
igual à energia usada para
Segundo Bache- se calórica’ perdia
Os estudos sobre a aquecer o ar à sua volta e no
lard (1996, p. 74), a prestígio e novos
natureza do calor interior do cilindro mais a ener-
qual conclusão che- meios de explicação
estiveram sempre na gia potencial gravitacional do
gou finalmente Ba- eram buscados. Uma
ordem do dia para os pistão na posição elevada4.”
con? “O infeliz calor, ferramenta importante
premido pelo juiz [no químicos e físicos dos nessa busca foi a teo- Na verdade, o que é convertido em
caso, o próprio Ba- séculos XVIII e XIX ria atômico-molecular, calor (energia térmica) e em trabalho
con], é forçado a con- que serviu de apoio a mecânico não é a energia química
fessar que é um ser ansioso, agitado Ludwig Boltzmann para a formulação armazenada no óleo e sim o saldo
e fatal para a existência civil de todos da teoria cinética dos gases3. Reco- energético do processo de queima. Na
os corpos”. nhecida somente após sua morte, a reação de combustão, dentre os diver-
Embora a conclusão possa ser hoje teoria de Boltzmann levou os físicos do sos fatores que contribuem para a pro-
risível, cabe salientar duas coisas, a século XX a estabelecer os atuais con- dução de energia, os mais significati-
primeira em defesa de Bacon: o mais ceitos de temperatura (medida do grau vos são os referentes à quebra e à
importante era a proposição de um de agitação molecular médio de um formação de ligações químicas intra e
método para instruir o intelecto na in- corpo) e calor (fluxo de energia entre intermoleculares: o processo de que-
vestigação da natureza. A segunda corpos mantidos a diferentes tempe- bra das ligações da(s) substância(s)
20 critica o autor: nenhuma pesquisa cien- raturas). combustível(eis) e do comburente é
tífica pode prescindir de hipóteses ou endotérmico, enquanto o processo de
mesmo de teorias prévias, já que a Associando química e formação de novas ligações nos pro-
observação e a experiência, por si sós, energia dutos é exotérmico. A energia térmica
não levam a razão muito longe. Com o primeiro princípio da termo- resultante (a energia liberada é maior
Os estudos sobre a natureza do ca- dinâmica, o termo energia passou a ser que a absorvida) da combustão — e
lor estiveram sempre na ordem do dia bastante utilizado no vocabulário não simplesmente a energia química
para os químicos e físicos dos séculos científico. Diz-se, sem maiores proble- contida no óleo — é que permite
XVIII e XIX. Lavoisier apoiava a cha- mas, que a corda de um arco — aquecer o ar, mover o pistão etc.
mada ‘hipótese calórica’, segundo a quando esticada — armazena energia Alguns livros didáticos, atuais e
qual o calor se devia à transmissão de potencial elástica, que é convertida na antigos, também empregam o termo
um fluido (calórico) dos corpos mais energia cinética do movimento descrito energia química em discussões liga-
quentes para os mais frios. Uma pela flecha. Dentre muitas outras trans- das a processos eletroquímicos. Feltre
discussão interessante a esse respeito formações energéticas de amplo do- (2 ed., 1996: 390) e Nabuco e Barros
é apresentada no artigo “Quanto mais mínio, destaca-se a produção de (1989: 164), por exemplo, se reportam
quente melhor: calor e temperatura no energia elétrica a partir das quedas à conversão de energia química em
ensino de termoquímica”, em Química d’água: a ener- elétrica a partir das reações
Nova na Escola nº 7 (Mortimer & Ama- gia potencial espontâneas que têm lugar
O conceito de energia
ral, 1998). da água é nas pilhas. Novais (1982:
química, assim
No campo industrial, as aplicações transformada 251) afirma que “por outro la-
empobrecido, antes de
do calor foram se tornando progressi- em energia ci- do, na niquelação de uma
facilitar, dificulta a
vamente mais importantes. O escocês nética e esta é peça metálica, teremos o
aprendizagem porque
James Watt patenteou, em 1769, a pri- convertida em processo contrário: energia
retém o pensamento
meira máquina a vapor, desencadean- energia elétri- elétrica está se transfor-
no patamar de uma
do a procura por engenhos com efici- ca. Não há dú- mando em energia química”.
simplicidade apenas
ência cada vez maior, isto é, com maior vida de que o Nos casos citados, obser-
aparente
rendimento na conversão de calor em princípio de va-se que os autores atri-
trabalho mecânico. Tal corrida resultou conservação buem à noção de energia
na criação de uma área de conheci- de energia é um modelo explicativo química estatuto de algo cuja natureza
mento para o estudo dos fenômenos bem-sucedido, mas é preciso ter é facilmente compreensível, bastando
térmicos: a termodinâmica, que esta- cuidado com alguns de seus usos, vinculá-la à ocorrência de algum tipo
beleceu os princípios da conservação como acontece quando se fala na con- de reação química. Mas será que tal
da energia (primeiro princípio) e do au- versão da chamada energia química facilidade de compreensão realmente

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existe? Antes de responder, cabe exa- que ela sirva tão somente para ocultar mostram que, ao trabalharmos com
minar outra questão que naturalmente um amplo desconhecimento dos vá- definições, não devemos tomá-las co-
pode surgir: de onde vem a energia rios fatores que intervêm quando as mo ‘peixes de aquário’, que criamos e
química? substâncias reagem. nunca nos cansamos de admirar. A quí-
Alguns livros de nível universitário Em vista disso, cabe perguntar: por mica, a exemplo das demais ciências,
buscam explicar como as substâncias que não falar em energias envolvidas deve ser encarada como fonte de
armazenam energia. Kotz e Treichel nos processos químicos? A vantagem abertura do pensamento, a qual se dá
(1995, p. 258-259) e de usar essa termino- por meio da retificação de antigos con-
também Brady (1990, logia é, sem dúvida, ceitos, de profundas desilusões inte-
As perguntas lectuais com respeito ao que a razão
p. 171) referem-se à permitir que se faça
embaraçosas nos tomava por expressão final de verda-
energia química como referência às energias
mostram que, ao de. Como dizia o filósofo Bachelard
sendo a energia po- potencial, eletrostáti-
trabalharmos com
tencial que as subs- ca e cinética sem que (1970, p. 90), que aliás também era
definições, não
tâncias possuem devi- seja preciso reuni-las professor de química, o espírito huma-
devemos tomar estas
do às atrações e re- em um conceito espe- no desperta intelectualmente na “der-
últimas como ‘peixes
pulsões entre suas cífico: o de energia rocada do que foi uma primeira certe-
de aquário’, que
partículas subatômi- química. Este, a prin- za, na doce amargura de uma ilusão
criamos e nunca nos
cas. Tais conteúdos cípio tido como es- perdida”.
cansamos de admirar
energéticos podem clarecedor, na verda-
Renato José de Oliveira, licenciado em química
ser alterados por meio de se torna obscuro pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro
de reações químicas: “quando as quando isolado de um contexto expli- (UERJ), mestre em educação pelo Instituto de
substâncias reagem, ocorrem mudan- cativo mais amplo, o qual não é aces- Estudos Avançados em Educação da Fundação
ças na natureza das atrações (ligações sório e sim essencial para sua funda- Getúlio Vargas - RJ, doutor em ciências humanas:
educação pela PUC-RJ, é professor do Departamento
químicas) entre seus átomos, portanto mentação. Tanto no caso do óleo da de Fundamentos da Educação da Faculdade de
há mudanças na energia química lamparina quanto no dos processos ele- Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(energia potencial) que observamos troquímicos (pilhas e eletrólise), mencio- (UFRJ). Joana Mara Santos, licenciada em 21
química pela UERJ, doutora em ciências químicas
sob a forma de energia liberada ou nou-se a energia química com omissão pelo Instituto de Química da UFRJ, é professora do
absorvida no curso da reação” (Brady, do referido contexto explicativo. O con- Departamento de Química Geral e Inorgânica do
op.cit.). ceito, assim empobrecido, em vez de Instituto de Química da Universidade do Estado do
Já o trabalho de Denial e colabora- facilitar, dificulta a aprendizagem, porque Rio de Janeiro e professora de físico-química da
Escola Técnica Federal de Química do Rio de Janeiro.
dores (1985, p. 472-475), voltado para retém o pensamento no patamar de
o ensino secundário, ao discutir o con- uma simplicidade apenas aparente. Notas
teúdo energético das substâncias
Considerações finais 1. Na mitologia grega, os titãs eram
químicas, coloca o verbo to contain
considerados semideuses, por serem
(armazenar) e seus correlatos entre Mas o que é, afinal, a energia? O
mais fortes e perfeitos que os seres hu-
aspas. Isso denota a preocupação em termo é de origem grega (energéia) e manos. Da palavra titã deriva o nome
conferir à idéia de ‘estocagem’ de significa força ou trabalho. Em 1807, o dado ao elemento titânio, assim chama-
energia mais o sentido de uma licença físico inglês Thomas Young propôs que do por sua grande resistência mecânica.
de linguagem do que a energia fosse defini- 2. Há outras versões que mencio-
propriamente o senti- Por que não falar em da como capacidade nam diferentes intervalos de tempo: a
do utilizado na vida energias envolvidas para realizar trabalho, cada ano, a cada cem anos etc.
cotidiana. Ademais, nos processos conceito que é até 3. A despeito dos trabalhos ante-
os autores explicam o químicos em vez de hoje amplamente utili- riores desenvolvidos por físicos como
conceito de energia simplesmente energia zado. Contudo, essa J.J. Waterson (1845) e J.C. Maxwell
química tendo em vis- química? definição nada diz so- (1860), consideramos Boltzmann o
ta todo um conjunto bre a natureza mais principal formulador da teoria cinética
de interações no nível atômico e mo- específica da energia. Isso não nos dos gases por ter chegado às leis da
lecular. Para tanto, recorrem às noções deve deixar constrangidos, pois outras termodinâmica aplicando métodos
de energia potencial eletrostática questões igualmente desafiadoras po- estatísticos à descrição do movimento
(ligações químicas) e de energia ciné- dem ser colocadas: qual é a origem das moléculas gasosas.
tica (rotacional, vibracional e transla- da carga do elétron? A partir do que 4. O autor está se referindo a um
cional). Isso se dá possivelmente com ela é gerada? O que são os neutrinos, sistema simples, composto por um
o objetivo de evitar que o termo energia cujas massa de repouso e carga elé- cilindro provido de êmbolo móvel,
química adquira um significado vazio. trica são nulas? Perguntas embara- aquecido por meio de uma lamparina.
Esse esvaziamento da definição traz çosas não faltam e formulá-las é pró- O ar no interior do cilindro se expande
como conseqüência o risco de permitir prio do pensamento científico. Elas nos e eleva o êmbolo.

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Referências bibliográficas KOTZ, John C. e TREICHEL, Paul FELTRE, Ricardo. Fundamentos
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E. Historia de los principios fundamen- Para saber mais
DENIAL, M.J., DAVIES, L., LOCKE,
A.W., REAVY, M.E. Investigating chem- tales de la química. Buenos Aires: Es- ROSMORDUC, Jean. Uma história
istry. 2. ed. Londres: Heineman Edu- pasa, 1950. da física e da química: de Tales a Eins-
cational Books, 1985. tein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988.
Livros didáticos citados
GLEISER, Marcelo. A dança do Esse livro é uma importante fonte
universo: dos mitos de criação ao Big BRADY, James E. General chemis- de consulta para quem deseja co-
Bang. São Paulo: Companhia das try: principles and structure. 5. ed. Nova nhecer com mais detalhes a história
Letras, 1997. York: John Wiley & Sons, 1990. da termodinâmica.

Resenha
Conversando sobre ciência, caminhos têm percorrido. Como em O diálogo que se evidencia na es-
ética e cultura na educação qualquer conversa, torna-se dessa trutura é perseguido, com sucesso, no
maneira instigante sabermos inicial- conteúdo e na forma dos textos, por
Em tempos de globalização, nos
mente com quem conversamos e de meio dos quais somos levados a parti-
22 quais a relevância da produção da
que lugar falam nossos parceiros. cipar de discussões críticas sobre
ciência é, muitas vezes, dissociada de
Além dos organizadores do livro, pas- temas como currículo e políticas curri-
suas dimensões éticas, culturais e hu-
samos a conhecer Alice Casimiro Lo- culares, provisoriedade e falibilidade
manas, é estimulante ter contato com
pes, Antonio Flavio Moreira, Eduardo das noções científicas, impacto das
uma obra como Ciência, ética e cultura
Mortimer, Gelsa Knijnik, Marcelo novas tecnologias sobre o papel e a
na educação, organizada por Attico
Giordan, Nélio Bizzo, Otavio Maldaner, formação docente, o diálogo entre lin-
Chassot e Renato José de Oliveira.
Roseli Schnetzler, Tarso Mazzoti e guagem científica e linguagem cotidia-
Aqui, não há lugar para a frieza e o arti-
Wildson dos Santos. Muitos deles fa- na, problemas ‘da vida real’ e educa-
ficialismo de discursos impessoais so-
bre o conhecimento ou a noção de que zem parte da comunidade de autores ção, opções éticas, fazer científico e
este se constitui em produto acabado, que, assim como os organizadores, já liberdade, entre outros, tratados em
elaborado por seres dotados de inteli- escreveram artigos para Química Nova linguagem clara, farta de exemplifica-
gência superior aos quais se deve res- na Escola e alguns são inclusive ções. Ao final, encontramos uma ses-
peito e veneração. Ao contrário: o con- editores associados desta revista. são “Para saber mais”, com sugestões
vite ao diálogo, à conversa, à constru- Em seguida, primeiros leitores e bibliográficas amplamente comenta-
ção mútua dos textos é expresso logo leitoras com perfil próximo ao do das.
na brilhante introdução, na qual fica público-alvo tecem considerações A voz que une as diferentes vozes
claro que a intenção do livro não é “que iniciais sobre os textos. Encontram-se, na tessitura do livro é uma que des-
se faça a luz”, mas sim que “se esta- dessa forma, abertos os canais de confia de discursos dogmáticos e
beleça o diálogo”. participação para todos nós, leitores e autoritários, que clama pela iluminação
De fato, voltado para professores e leitoras, nas conversas sobre ciência, da ciência pela ética, que exorta à
professoras do ensino fundamental e ética e cultura no fazer em educação. transformação da educação em um
médio, o diálogo não se resume a uma A utilização da Internet no processo de processo voltado ao resgate da cida-
intenção: a própria estrutura do livro já produção do livro e seu potencial co- dania e ao desafio das exclusões. É a
revela um caminho original para que mo veículo para o sonhado segundo esse coro de vozes que somos convi-
se viabilizem essas trocas entre edu- volume — fruto das múltiplas conver- dados a unir as nossas. Vale a pena
cadores e educadoras. Nesse cami- sações que certamente ocorrerão — aceitarmos o convite!
nho, antes de mergulharmos nos textos indica a apropriação crítica da informá- (Ana Canen, professora adjunta da
dos 12 autores, somos inicialmente tica para a construção de novas for- Faculdade de Educação da UFRJ)
apresentados a eles: são os próprios mas de pensar a relação escrita– Ciência, ética e cultura na edu-
autores que nos revelam alguns de leitura, ressaltando a originalidade e cação. CHASSOT, Attico & OLIVEIRA,
seus dados biográficos, quem são, fecundidade do livro que ora recomen- Renato José de (orgs). São Leopoldo:
quais suas áreas de interesse, que damos ao público. Unisinos, 1998. ISBN 85-85580-83-6.

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