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FACULDADE INTEGRADA TIRADENTES

CURSO DE DIREITO

Alaine dos Santos Cavalcante

CONFLITO APARENTE DE NORMAS PENAIS


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Maceió, abril de 2011


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Alaine dos Santos Cavalcante

CONFLITO APARENTE DE NORMAS

Trabalho desenvolvido na disciplina de Direito


Penal I sob orientação do professor Alberto
Jorge.

Maceió, abril de 2011


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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO..........................................................................................................................3
1. CONCEITO...........................................................................................................................3
2. PRESSUPOSTOS.........................................................................................................................3
3. FUNDAMENTO.........................................................................................................................................4
4. CRITÉRIOS PARA SOLUÇÃO.................................................................................................4
4.1. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE – Lex specialis derogat generalis................................4
4.2. PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE – lex primaria derogat subsidiariae.......................5
4.3. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO (OU ABSORÇÃO).............................................................6
4.3. PRINCÍPIO DA ALTERNATIVIDADE.................................................................................6
CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................................7
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INTRODUÇÃO

Somos passivos de várias normas que nos regram, mas muitas vezes parece que
existem várias leis para apenas um delito. Isso não existe.
Esse trabalho Consiste em esclarecer e discorrer sobre a solução que se dá pela
aplicação de alguns princípios estabelecidos pelo Direito Penal para solucionar o “conflito
aparente de normas penais”.
O conflito aparente de normas penais ocorre quando duas ou mais normas
aparentemente parecem aplicáveis ao mesmo fato, ou seja, o fato é único, no entanto, existe
uma pluralidade de normas a ele aplicáveis.
Importa ressaltar que não existe colisão entre as normas penais, ou seja, não existe um
confronto entre normas, o que ocorre quando um fato aparentemente se subsume a mais de
uma norma penal, é apenas aparente, porque se fosse real o ordenamento jurídico não o
solucionaria. O conflito aparente de normas penais trata-se, portanto, do estabelecimento de
critérios para a correta aplicação das normas penais. Tem como pressupostos a unidade de
fato (o fato deve ser único) e a pluralidade de normas aparentemente aplicáveis para o
enquadramento do fato. Pela mesma razão também será apenas aparente o conflito de
procedimentos.
O Direito Penal estabeleceu uma série de princípios que visam afastar um hipotético
conflito aparente de normas, de fato, o conflito entre as normas não existe, sendo que,
aplicando-se os princípios alhures epigrafados a seguir o operador jurídico conseguirá aplicar
a lei corretamente, sem subterfúgios.

1. CONCEITO

Ocorre quando duas ou mais leis vigentes são aparentemente aplicáveis à mesma
infração.

2. PRESSUPOSTOS

São requisitos para a sua ocorrência, ou seja, elementos configurativos do conflito de


normas penais:
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2.1. Fato único (seja simples ou complexo);


2.3. Duas ou mais normas pretende regulá-lo – pluralidade de normas;
2.4.Aparente aplicação de todas as normas à espécie;
2.5. Efetiva aplicação de apenas uma delas.

É diferente do concurso de crimes, pois neste temos vários crimes. Também é


diferente do conflito de leis penais no tempo, pois tal conflito implica numa sucessão de leis,
em que uma tenha revogado a outra (ou seja, como somente uma lei vigente).

3. FUNDAMENTO

Ninguém pode ser punido duas vezes pelo mesmo crime (salvo a exceção).

4. CRITÉRIOS PARA SOLUÇÃO

4.1. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE – Lex specialis derogat generalis

Lei especial afasta a aplicação da lei geral. Uma Lei é especial quando contém todos
os requisitos da geral e, ainda, alguns requisitos específicos, denominados elementos
especializantes que trazem um minus ou um plus de severidade. A lei especial prevalece sobre
a geral a qual deixa de incidir sobre aquela hipótese.
Exemplo 1: art. 302 do Código de Trânsito Brasileiro (homicídio culposo na direção de
veículo automotor) é especial ao homicídio culposo do art. 121 CP. Veja:
Código Penal
Art. 121. Matar alguém;
Pena – reclusão de seis a vinte anos.
Código de Trânsito Brasileiro
Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor;
Penas – detenção de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se obter a
permissão ou a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.
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Exemplo 2: o art. 123 do CP, trata de infanticídio que prevalece sobre o artigo 121 homicídio,
pois além de ter os elementos genéricos deste possui elementos especializantes (próprio filho,
durante o parto ou logo após, etc..).
Pressupõe duas leis vigentes; se uma lei posterior revogou uma anterior, não se trata
desse princípio. Por exemplo: a Lei nº. 11.464/07 dispôs sobre a liberdade provisória em
crimes hediondos, incluindo expressamente o tráfico de drogas. Revogou a lei anterior (Lei
nº. 11.343/06), que a proibia neste crime. Não incide o princípio da especialidade, porque não
há duas leis vigentes.

4.2. PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE – lex primaria derogat subsidiariae

A subsidiariedade indica que uma norma será aplicada quando uma outra norma não
for suficiente para regular o caso. É aquela norma que descreve em grau menor de violação de
um mesmo bem jurídico, isto é, um fato menos amplo e menos grave, que embora seja
definido como delito autônomo, encontra-se também compreendido entre outro tipo como
fase normal de execução de crime mais grave. A norma primária prevalece sobre a norma
subsidiária.
Exemplo: o agente efetua disparos com arma de fogo sem atingir a vítima, aparentemente três
normas são aplicáveis: o artigo 132 do CP, o artigo 10 § 1º, III da Lei 9437/97 e o artigo 121
c/c o artigo 14, II do CP. O tipo definidor da tentativa de homicídio descreve um fato mais
amplo e mais grave do qual cabemos dois primeiros.
A subsidiariedade pode ser:
a) Expressa ou explícita: quando a norma, em seu próprio texto, subordina a sua
aplicação a não aplicação de outra de maior gravidade punitiva. Ex: o art. 123 do CP
que prevê “se o fato não constitui crime mais grave”.
b) Tácita ou implícita: há subsidiariedade tácida ou implícita quando a norma nada diz,
mas diante do caso concreto verifica-se sua subsidiariedade. Ou seja, quando uma
figura típica funciona: 1) como elementar ou2) circunstância legal de outra de maior
gravidade punitiva, de modo que esta exclui a simultânea punição da primeira. UBI
MAJOR MINOR CESSAT. Ex: O crime de dano (art. 163) é subsidiário do crime de
furto qualificado (art. 155, § 4º, inciso I);
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4.3. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO (OU ABSORÇÃO)

Ocorre quando um fato mais grave absorve outros fatos menos amplos e graves, que
funcionam como fase normal de preparação ou execução ou como mero exaurimento.
Hipóteses em que se verifica a consunção:
a) Crime progressivo: ocorre quando o agente, objetivando produzir resultado mais grave
pratica, por meio de atos sucessivos crescentes violações ao bem jurídico. Única conduta
comandada por única vontade, através de diversos atos. O agente responde pelo ato mais
grave, ficando absorvida as demais lesões anteriores ao bem jurídico. Se caracterizam por
quatro elementos: uma única vontade, um só crime, pluralidade de atos, progressividade da
lesão.
b) Crime complexo: resulta da fusão de dois ou mais delitos autônomos que passam a
funcionar como elementos ou circunstância no tipo complexo. O fato complexo absorve os
autônomos. Ex: o furto em casa habitada (art. 155) absorve a violação de domicílio (art. 150).
c) Progressão criminosa: se caracterizam em duas formas:
• Fato anterior ao punível – sempre que um fato anterior for praticado como meio
necessário de outro mais grave, ficará por este absorvido.
• Fato posterior não punível – após realizada a conduta o agente pratica novo ataque
contra o mesmo bem jurídico, visando apenas tirar proveito da prática anteriror.

4.3. PRINCÍPIO DA ALTERNATIVIDADE

Segundo o qual, a norma penal que prevê vários fatos alternativamente, como
modalidades de um mesmo crime, só aplicável uma vez, ainda quando ditos fatos são
praticados, pelo mesmo sujeito sucessivamente. Exemplo: artigo 12 da Lei nº 6.368/76 de
Tóxicos. Aquele que importa, depois tem em depósito, traz consigo e vende substância
entorpecente, sem autorização legal, só transgride uma vez a norma penal do artigo
supracitado.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que se fala em conflito aparente de normas penais todas as vezes que
ocorre duas ou mais normas que aparentemente parecem aplicáveis ao mesmo fato. No
entanto, como o próprio nome já menciona, o conflito de normas se dá aparentemente, pois
considerando o Ordenamento Jurídico como um sistema, como tal, pressupõe-se harmônico,
coerente, não admitindo conflito (antinomia) entre suas partes.
Em certos casos, pode parecer haver para determinado fato, a incidência de duas ou
mais normas penais, quando, na verdade, somente uma dela será aplicável.
Diz-se aparente, porque se fosse real (antinomia) a ordem jurídica não teria como
estabelecer critérios para resolução.