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Aula: 21 Temática: A Prática Docente como Pesquisa e Reflexão I Para Paulo Freire “faz
Aula: 21
Temática: A Prática Docente como
Pesquisa e Reflexão I
Para Paulo Freire “faz parte da natureza da prática docente a
indagação, a busca, a pesquisa” (1997:32). Isso quer dizer
que o professor atua em diversas dimensões: mediando o
processo de aprendizagem/ensino, avaliando os educandos, contribuindo
para a construção do projeto político pedagógico da instituição escolar e
para o fortalecimento da relação Escola/Comunidade.
Em todas essas dimensões, o educador constantemente se defronta com
situações problemáticas. Para a solução dos inúmeros problemas que se
apresentam, nem sempre o educador traz em sua bagagem informação
suficiente para aplicá-la à situação que está vivendo. Logo, esse profissio-
nal necessita examinar com cuidado a experiência que está vivendo fazer
diligências para achar a solução, indagar, inquirir, sondar, seguir rastros,
levantar hipóteses/suposições, experimentar as suposições/hipóteses que
imaginou até chegar à solução de um determinado problema que, conse-
qüentemente, o levará a vivenciar outros problemas.
É por essa dinâmica profissional que alguns autores têm identificado o
trabalho docente com o trabalho de um pesquisador. No século XXI, a me-
táfora do profissional pesquisador tem sido aplicada ao trabalho docente
bem como ao trabalho de outros profissionais, dadas às exigências da
ecologia cultural contemporânea. Compreende-se o profissional pesquisa-
dor como aquele que busca a solução dos problemas que se apresentam
em seu cotidiano. Não se trata de uma idéia nova no campo educacional,
já que, na década de 1950 , o educador brasileiro Anísio Teixeira (1900-
1970) sinalizava:
A situação educativa é muito mais complexa do que
a médica. O número de variáveis da primeira ainda
é mais vasto do que o da segunda. Embora já haja
médicos com o sentimento de que o doente é um
todo único e, mais, que esse todo compreende não
só o doente, mas o doente e o seu ‘meio’, ou o seu
‘mundo’, o que os aproxima dos educadores, a situ-
ação educativa ainda é mais permanentemente am-
pla, envolvendo o indivíduo em sua totalidade, com
todas as variáveis dele próprio e de sua história e de
sua cultura e da história dessa cultura, e mais as da
situação concreta, com os seus contemporâneos e
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os seus pares, seu professor e sua família. A prática educativa exige que o educador leve em conta um tão vasto e diverso grupo de variáveis, que, provavelmen- te, nenhum procedimento científico poderá jamais ser rigorosamente nela aplicado. O educador, com efeito, estudando e resolvendo os problemas da prática edu- cacional, obedecerá às regras do método científico, do mesmo modo que o médico resolve, com disci- plina científica, os problemas práticos da medicina:

observando com inteligência e precisão, registrando essas observações, descrevendo os procedimentos seguidos e os resultados obtidos, para que possam ser apreciados por outrem e repetidos, confirmados ou negados, de modo que a sua própria prática da medicina se faça também pesquisa e os resultados se acumulem e multipliquem (TEIXEIRA, 1957:2).

 

Anísio Teixeira já identificava o trabalho do docente como um processo de pesquisa, investigação, e nos deixou boas pistas para desenvolvermos a observação do cotidiano, os registros dessas observações e as descrições dos procedimentos:

 

Os registros escolares de professores e adminis- tradores, as fichas de alunos, as histórias de casos educativos, ou descrições de situações e de pessoas constituirão o estoque, sempre em crescimento, de dados, devidamente observados e anotados, que irão permitir o desenvolvimento das práticas educacionais (TEIXEIRA, 1957:2).

 

A

metáfora do professor pesquisador também foi explorada pelo educador

inglês, Lawrence Stenhouse (1975), propondo que o professor deveria ex- perimentar, em cada sala de aula, tal como em um laboratório, diferentes maneiras de auxiliar os educandos em seus processos de aprendizagem. Nessa mesma linha de raciocínio, o também inglês John Elliot, observou

que o trabalho docente é uma constante pesquisa-ação.

Elliott (1998) compreende o professor como pesquisador e produtor de co- nhecimentos sobre as situações vividas em sua prática docente. Para esse autor a teoria é resultado da prática. Nesse sentido, a elaboração da teoria baseada na prática ocorre na e pela pesquisa já que o educador trabalha tratando de verificar as hipóteses que formula previamente para solucionar os problemas com os quais se depara no cotidiano. O autor compreende

a

pesquisa como uma forma de desenvolvimento profissional. O professor

olha para a sua prática e a compara com a produção existente construindo

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novos conhecimentos para resolver as dificuldades que encontra no coti- diano.

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Elliot (1998) reconhece a capacidade que o professor possui para formular suas próprias teorias sobre o trabalho docente e observa que o exercício da pesquisa está intrinsecamente vinculado à prática reflexiva. Desse modo a reflexão acontece em dois sentidos: pode iniciar a transformação de algum aspecto da sua prática mediante uma ação ou a ação pode impulsionar a reflexão. É nesse duplo processo que o professor produz conhecimento.

É nesse duplo processo que o professor produz conhecimento. A essa proposta de pesquisa ação de

A essa proposta de pesquisa ação de Elliot (1998), Kincheloe (1997) acres- centou a qualidade de crítica. Para Kincheloe (1997), a pesquisa-ação críti- ca não pretende apenas compreender ou descrever o mundo da prática do professor, mas sim transformá-la.

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