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Resumo

Os AA fazem uma revisão bibliográfica sôbre a etiologia do herpes zoster e da varicela.

Apresentam um caso de coexistência simultânea, em um mesmo paciente, de lesões


típicas de herpes zoster o de varicela, comparando-o com um caso de zoster
generalizado.

Aceitam a hipótese de que ao ter contato pela primeira vez com o vírus, o paciente pode
desencadear tanto a varicela como o herpes zoster.

Foi Bokay(1), em 1888 quem pela primeira vez relacionou etiologicamente a varicela e o
herpes zoster.

Lipschutz(2), em 1921 através da histopatologia, encontrou inclusões acidófilas intra


nucleares, semelhantes às da varicela, em células epidérmicas de lesões de herpes
zoster.

Kundratitz(3), em 1925, conseguiu obter varicela em crianças, inoculando líquido


retirado de vesículas de Herpes zoster.

Em 1948, com o auxílio do microscópio eletrônico, Rake(4) encontrou corpos


semelhantes aos da varicela em fluído de vesícula de herpes zoster, considerando então
a possibilidade de ser o mesmo virus o causador das duas doenças.

Stokes(5), em 1952, sugeriu que o virus do herpes zoster seja uma variante neurotrópica
do vírus da varicela, podendo permanecer em estado de latência nas raízes nervosas
posteriores e respectivos gânglios após o paciente ter apresentado varicela.

Weller(6), em 1954, usando sôro de convalescentes de zoster e de varicela, conseguiu


demonstrar a identidade sorológica dos vírus desencadeantes destas duas enfermidades.

Baseado nestes estudos e em sua experiência pessoal, Burnet(7) em 1955, denominou de


Herpes Vírus Varicela-Zoster, o agente etiológico das dermatoses ora em estudo.

Considerando esta teoria unicista, Brunel(8), em 1969 publicou o resultado de seus


estudos na prevenção da varicela pelo uso de imunoglobulina obtida a partir de
portadores de herpes zoster.

Do ponto de vista clínico, conseguimos tomar conhecimento do trabalho de Nohara(9),


em 1939 que relata o caso de uma mulher de 60 anos com herpes zoster inter-costal,
seguindo-se dias após lesões típicas de varicela em todo o corpo.

Refere ainda o autor que naquela data encontrou publicados, 32 casos de ocorrência
simultânea das duas doenças e que tanto o zoster como a varicela haviam aparecido em
primeiro lugar.

Strandberg(10), em 1940, apresentou o caso de um jovem de 19 anos, internado em um


Hospital por ser portador de Herpes zoster cervical e que desenvolveu dias depois
erupção típica de varicela. Quando teve alta, o seu vizinho de enfermaria havia
contraído varicela.

Moscovitz(11), em 1955, relatou caso semelhante, partindo de uma senhora de 67 anos


que conseguiu provocar um surto de varicela, atingindo 15 pessoas, tendo início no seu
herpes zoster generalizado.

Fato interessante e que citaremos pela pouca divulgação que tem, é o comprometimento
visceral do herpes zoster.

Mason(12), em 1957, relatou 8 casos de Herpes zoster associado com lesão visceral. O
distúrbio visceral ocorre particularmente na víscera ou parte da víscera, inervada pelas
raízes posteriores correspondentes às da área afetada pelo zoster cutâneo. Nestas
vísceras pode haver vasodilatação, hemorragias e trombose vascular.

Material e Métodos:
Nosso trabalho baseia-se na observação clínica de 2 casos.

O primeiro caso refere-se a uma criança de 4 anos de idade portando simultâneamente


lesões típicas defoster e de varicela.

O segundo caso é a apresentação de uma senhora de 64 anos de idade, portadora de


herpes zoster oftálmico e de lesões vesiculosas generalizadas.

Ambos os pacientes residem em Maceió; o primeiro foi internado no Hospital


Constança de Góes Monteiro e o segundo pertence a Clínica Particular do Dr. Clóvis
Castro.

APRESENTAÇÃO DOS CASOS


Caso 1: Identificação - P. S.,4 anos, masculino, branco, natural e residente em Maceió,

Antecedentes: Referiu nunca haver tido contacto com portador de varicela


anteriormente. Já havia tido sarampo.

Estória da Doença: Sua doença teve início com o aparecimento de vesícula na região
frontal esquerda. A lesão foi rompida por traumatismo deixando exsulceração no local.

No dia seguinte surgiram numerosas vesículas ocupando tôda a região fronto-parietal


esquerda, acompanhadas de edema no local, o qual estendeu-se à pálpebra superior.

Dois dias depois surgiram lesões pápulo-eritematosas, na face, e que aumentaram em


número, estendendo-se de um modo descendente, acompanhadas de prurido.

Estas pápulas surgiam por surtos e com o passar das horas tornavam-se encimadas por
pústulas. Ao romperem-se, as pústulas deixaram crostas locais.

Passados 15 dias as lesões desapareceram sem deixar sequelas.


Havia surto de varicela na vizinhança da moradia do paciente.

Exame Dermatológico: Foi realizado no sétimo dia de evolução. Apresentava algumas


vesículas e exsulcerações circulares cobrindo tôda a região fronto-parietal esquerda,
limitando-se nitidamente ao nível da linha médio facial.

Observamos também lesões pápulo-eritematosas, pápulo-pustulosas e pápulo-crostosas,


localizadas no resto da face (pequeno número), no tronco e membros superiores.

Uma visão penorâmica do quadro dermatológico, demonstrava claramente que havia um


polimorfismo lesional regional.

Exame Geral: O estado geral do paciente era satisfatório, apresentando apanas


hipertermia e moderada adenopatia cervical e submaxilar.

Diagnóstico: Herpes zoster + varicela.

Figuras 1 e 2.

Caso 2: Identificação - M.J.S., 67 anos, feminina, parda, natural e residente em Maceió.

Antecedentes: Foi portadora de varicela na infância.

Estória da Doença: Começou a sentir dor na região frontal esquerda, seguida, cêrca de
30 horas depois, do aparecimento de lesões vesiculosas no local.

Três dias depois surgiram lesões vesiculosas generalizadas, porém em pequeno número.

As lesões regrediram com 10 dias de evolução, deixando apenas dor que seguia o trajeto
do ramo oftálmico esquerdo.

Exame Dermatológico: Realizado no quinto dia após o início do quadro


dermatológico. Notamos vesiculas, algumas íntegras, outras rompidas, ocupando a
região frontal, na hemiface esquerda.

Observamos no tronco e membros superiores, lesões vesiculosas, duras, de conteúdo


citrino, cercadas por halo eritematoso.

Exame Geral: A paciente tinha astenia e discreta hipertermia.

Diagnóstico: Herpes zoster generalizado.

Figura 3.

Comentários:

Considerando a varicela uma doença epidêmica e o herpes zoster uma dermatose de


relativa freqüência, intimamente ligadas do ponto de vista etiológico, porém raramente
encontradas associadas em um mesmo paciente, pensamos ser de interesse a publicação
de mais um caso de coexistência simultânea destas duas entidades mórbidas.
Outrossim, aproveitamos a oportunidade para fazermos uma avaliação clínica e
etiológica da associação zoster-varicela e do zoster generalizado.

O zoster generalizado pode manifestar-se por lesões zoniforrnes típicas acompanhadas


de vesículas generalizadas, como nos casos de Marques(13) e de Barton e O'Leary(14),
entre outros.

Pode ainda manifestar-se atingindo vários segmentos elite acompanham raízes nervosas,
como citou Granroth(15).

O primeiro caso ern estudo é urna associação de zona oftálmica e varicela demonstrado
pela localização típica hemifacial e pelo polimorfismo lesionai que são característicos
respectivos das duas doenças aqui em evidência.

Lembramos ainda que o paciente iniciou sua doença pelo herpes zoster, após ter
contacto, pela primeira vez com portadores de varicela, demonstrando, dêste modo, que
nem sempre o primeiro contacto com o vírus provoca varicela e só posteriormente
herpes zoster.

No nosso segundo caso observamos um zoster oftálmico e uma erupção monomorfa,


vesiculosa, localizada no tronco e membros superiores.

Como dissemos anteriormente, esta paciente já havia sido portadora de varicela,


obedecendo assim à clássica teoria da rnanifestação clínica do Herpes virus varicela-
zoster.

Conclusões:

Baseados na apresentação dos dois casos e nas consultas bibliográficas, concluímos:

a) o Herpes zoster e a varicela ainda que sejam duas doenças freqüentes, raramente são
encontradas associadas;

b) sempre se faz necessário, ao encontrarmos um caso zoster-varicela, pensar no zoster


generalizado, cujo diagnóstico, pode clinicamente ser feito, pelo polimorfismo ou
monomorfismo lesionai, encontrados respectivamente nas duas doenças;

c) o herpes virus varicela-zoster, ao ter contacto pela primeira vez com o paciente, pode
desencadear tanto a varicela como o herpes zoster.

http://www.anaisdedermatologia.org.br/artigo.php?artigo_id=1827