MORFOLOGIA – Folha 2

Morfemas lexicais e morfemas gramaticais

A morfologia (morfe=forma, logia=estudo) é o ramo da linguística que estuda as formas das palavras em diferentes usos e construções. Trata das estruturas internas das palavras e dos seus constituintes significativos mínimos ou morfemas. Como ramo independente da sintaxe, é “a parte da gramática que descreve as unidades mínimas de significado, sua distribuição, variantes e classificação, conforme as estruturas onde ocorrem, a ordem que ocupam, os processos na formação de palavras e suas classes”. Pode-se, definir morfologia, enfim, como “o estudo dos morfemas e seus arranjos na formação das palavras”.

“Os morfemas, que na primeira articulação são os constituintes últimos de um vocábulo, podem ser de 2 naturezas. Uma, «lexical», associa o morfema com uma coisa do mundo biossocial que nos envolve e recebe expressão na língua. Os morfemas estrel-, de estrela, e com-, de comer, são «morfemas lexicais», que constituem o cerne do vocábulo. Outros são os «morfemas gramaticais» que entram na configuração formal da gramática da língua, como -a, da classe nominal de estrela, ou -e-, indicativo da 2ª conjugação de comer, oposto à Iª conjugação de amar e à 3ª de partir ou - r, que indica em português uma forma verbal determinada, dita «infinitivo», a qual se emprega em condições específicas dentro da sentença. Todas as línguas, entretanto, obliteram essa oposição significativa tão nítida entre morfemas lexicais e morfemas gramaticais, porque utilizam à vontade estes últimos para caracterizar coisas, a rigor distintas, do mundo biossocial. Assim é que usamos em português um morfema lexical próprio em criança, para designar um ser humano na sua primeira fase de crescimento. Outro morfema lexical em homem significa o ser humano já plenamente desenvolvido. Um processo diverso temos em gatinho, com o morfema gramatical -inho e o mesmo morfema lexical de gato. Da mesma sorte, gata, com o morfema gramatical -a, oposto a gato, é a fêmea desse animal. Mas, para o sexo feminino dos seres humanos, o que temos é mulher com um semantema léxica diverso do de homem”. CÂMARA, Joaquim Mattoso. ESTRUTURA-DA-LINGUA-PORTUGUESA. In.: http://pt.scribd.com/doc/17382386/ESTRUTURA-DA-LINGUA-PORTUGUESAJOAQUIM-MATTOSO-CAMARA-JR

A análise da estrutura das palavras revela-nos a existência de vários elementos mórficos chamados de morfemas. Os elementos que contêm o significado básico da palavra chamam-se morfemas lexicais, e os que indicam a flexão das palavras, ou seja, as variações para indicar gênero, número, pessoa, modo, tempo recebem o nome de morfemas gramaticais. Em meninas, por exemplo, menin- é morfema lexical, a é morfema gramatical de gênero e s é morfema gramatical de número.

como a que segue. assim. cuja função difere daquela atribuída aos sufixos derivacionais. e os sufixos derivacionais. Segundo Varrão. podemos relacionar os sufixos flexionais a uma derivação natural. não podemos repetir o processo com os verbos falar e gritar. que poderíamos elaborar regras. Vejamos. no exemplo da tabela acima. Esses sufixos que mencionamos são os chamados sufixos flexionais. Por outro lado. a que acompanha a natureza da frase. a uma derivação voluntária. que os morfemas gramaticais de derivação não constituem um quadro regular. ou desinenciais. obtivemos uma imediata comprovação. gramático latino que viveu entre 116 aC e 26 aC. isto é. utilizamos alguns verbos da primeira conjugação para exemplificá-los e. coerente e preciso. há uma padronização tão intensa. s l . Conclui-se. um resumo das diferenças entre flexão e derivação: FLEXÃO Sufixos flexionais Uso diferente do vocábulo DERIVAÇÃO Sufixos derivacionais Criação de um novo vocábulo Caráter obrigatório (natural) Caráter fortuito (voluntário) Sistematização coerente Não há sistematização. que se destinam à criação de novos vocábulos. a coerência e a precisão que faltam ao processo derivacional: PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO Cantar Falar Gritar Radica V. como se pode perceber. a título de ilustração: .T Desinência Radica V.T Desinência l . no quadro seguinte. No entanto. s Cant Cant Cant Cant Cant Cant E A O A A A I STE U MOS STES RAM Fal Fal Fal Fal Fal Fal E A O A A A I STE U MOS STES RAM Grit Grit Grit Grit Grit Grit E A O A A A I STE U MOS STES RAM Seria oportuno destacarmos que. s l . portanto. ou em qualquer outro tempo e modo verbal. a flexão apresenta-se como sufixos ou segmentos fônicos pospostos ao radical. Quando desejamos pôr em prática os conceitos de Varrão a respeito da derivação. que não se submetem a uma pauta sistemática e obrigatória para toda uma classe homogênea do léxico.T Desinência Radica V.FLEXÃO E DERIVAÇÃO Na língua portuguesa. ao constatarmos que o verbo cantarolar é um vocábulo formado pelo acréscimo de um sufixo derivacional ao verbo cantar. se observarmos a flexão dos verbos citados no pretérito perfeito do indicativo. acharemos a regularidade.

encontraremos. -mos (1ª pessoa do plural).N. quando jogavam bola.M. O paradigma dos verbos da 1ª conjugação no pretérito imperfeito fornece-nos os seguintes dados: Vogal temática = -a Desinência modo-temporal = -va e -ve (alomorfe na 2ª pessoa do plural) Desinência número-pessoal = 0 (1ª e 3ª pessoas do singular). quando afirma que é a natureza da frase a responsável pela adoção de um substantivo no plural. Se concordarmos com Mattoso Câmara. -s (2ª pessoa do singular). -is (2ª pessoa do plural) e -m (3ª pessoa do plural) Pessoa 1ª 2ª Singular 3ª 1ª 2ª Plural 3ª V. ou um verbo na 1ª pessoa do pretérito imperfeito. D. Sempre que não chovia. eu soltava pipa.T. depreender que os morfemas flexionais concatenam-se em paradigmas coesos que não apresentam grande margem de variação. então. Podemos. exemplos que comprovam a sua teoria no registro culto ou padrão da língua: Os meninos. é substituído respectivamente por "-e" e "-o". ainda.Os alomorfes da vogal temática dos verbos de 1ª conjugação ocorrem. no pretérito perfeito do indicativo. com grande facilidade. vogal temática. considerar que a concordância apresenta-se como outro traço característico para os morfemas flexionais na língua portuguesa: TIPOS DE CONCORDÂNCIA De número (singular e plural) De gênero (masculino e feminino) Entre o substantivo e o seu adjetivo EXEMPLO o gato/os gatos o menino/a menina a aluna estudiosa De pessoa gramatical (entre o sujeito e o verbo) eles trabalham Os elementos mórficos são os seguintes: . onde o "-a". faziam muito barulho. sempre nas 1ª e 3ª pessoas do singular.P a a Radical do verbo a á á a va va va va ve va s mos is m Devemos.T D.

Exemplos folhagem legalmente INFIXOS São vogais ou consoantes de ligação que entram na formação das palavras para facilitar a pronúncia. ferrugem.. Exemplos desleal ilegal • • SUFIXOS Colocados depois do radical. isto é. ferrar etc. AFIXOS São partículas que se anexam ao radical para formar outras palavras. Fica entre dois morfemas. são chamadas de cognatas. enferrujar. Existe vogal temática em verbos e nomes. Exemplos café-cafeteira capim-capinzal gás-gasômetro • • • VOGAL TEMÁTICA Vogal Temática (VT) se junta ao radical para receber outros elementos. Existem em algumas palavras por necessidade fonética.. OBSERVAÇÃO As palavras que apresentam o mesmo morfema lexical. ferreiro. são cognatas as palavras: ferro. Assim. Os infixos não são significativos. Exemplos terra terreno terreiro terrinha enterrar terrestre. o mesmo radical. não sendo considerados morfemas. .• • • • • • Radical É o elemento comum de palavras cognatas também chamadas de palavras da mesma família. Existem dois tipos de afixos: • • PREFIXOS Colocados antes do radical. É responsável pelo significado básico da palavra.

adjetivos. gerúndio e particípio).. pronomes. se eles corressem (DNP) se nós corrêssemos..verbo de 3ª conjugação Há formas verbais e nomes sem VT. Exemplos rapaz mato (verbo) Tema • • • TEMA = RADICAL + VOGAL TEMÁTICA Exemplos cantar = cant + a mala = mal + a rosa = ros + a DESINÊNCIAS São morfemas colocados no final das palavras para indicar flexões verbais ou nominais. tempo e modo dos verbos. numerais ). Existem dois tipos de desinências verbais: desinências modo-temporal (DMT) desinências número-pessoal (DNP) Exemplos Nós corremos. 2ª ou 3ª ).casas gato . Exemplos casa . Podem ser: • • NOMINAIS Indicam gênero e número de nomes ( substantivos. Exemplo partir.gata • • • • • • VERBAIS Indicam número. a VT indica a conjugação a que pertencem ( 1ª . Exemplos beber correndo . pessoa. • • VERBO-NOMINAIS Indicam as formas nominais dos verbos (infinitivo.• • • • • • Exemplos beber rosa sala Nos verbos. tu correras (DMT) Algumas formas verbais não têm desinências como trouxe bebe.

presente do indicativo -s: 2ª pessoa do singular -mos: 1ª pessoa do plural -is-. 1º conjugação -a: presente do subjuntivo. -des: 2ª pessoa do plural -m: 3ª pessoa do plural -r: infinitivo -ndo: gerúndio do: particípio regular VERBAIS de tempo e modo de pessoa e número VERBO-NOMINAIS .• partido Principais desinências Gênero NOMINAIS Número masculino (-o) feminino (-a) singular (não há) plural (-s) -va. 1ª conjugação -ia. -rie: futuro do pretérito do indicativo -r: futuro do subjuntivo -e: presente do subjuntivo. -ie: imperfeito do indicativo.-ve: imperfeito do indicativo. -re: futuro do presente do indicativo (tônico) -ria. 2º e 3º conjugações -o: 1ª pessoa do singular. -re: mais-que-perfeito do indicativo (átono) -sse: imperfeito do subjuntivo -ra. 2ª e 3ª conjugações -ra.

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