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EBRAHIM BHIKHÁ E-mail: ebhikha@gmail.com

A REFORMA FISCAL DE JUNHO DE 2002 E A SITUAÇÃO ACTUAL*

As premissas para o processo de modernização do sistema tributário foram lançadas ainda dentro do contexto do PRE, isto é, durante a vigência da Lei n.º 3/87, de 19 de Janeiro, actualizada pela Lei n.º 3/98, de 8 de Janeiro, que permitiu a introdução do IVA e alteração do IC para Imposto

de Consumo Específico (ICE) e da estrutura tributária.

Em 26 de Junho de 2002, a AR, aprovou a Lei n.º 15/2002, conhecida como Lei de Bases do Sistema Tributário Moçambicano (LBST), em substituição da Lei n.° 3/87, que, até então, fixava

as bases do sistema tributário a vigorar em Moçambique 1 .

A reforma tributária veio a ser consolidada com a introdução em 2002, do IRPC e do IRPS,

consagradas na LBST 2 .

A implementação destes novos meios de tributação fiscal tinha em conjunto os seguintes

objectivos 3 :

i) Alargar a base tributária;

ii) Reduzir a carga fiscal no conjunto de tributação directa;

iii) Aumentar o nível das receitas fiscais;

iv) Simplificar os procedimentos e

v) A racionalização do sistema de benefícios fiscais.

Com esta reforma pretendeu-se adoptar as modernas técnicas de tributação, consagrando os

importantes princípios tributários, tais como os princípios da generalidade, igualdade, legalidade, justiça fiscal e eficiência e simplificação do sistema tributário 4 .

A LBST introduziu profundas alterações na estrutura dos impostos, classificando-se o sistema

tributário nacional em impostos directos e impostos indirectos.

1 IBRAIMO, Ibraimo, op. cit, pág. 104.

2 Lei n.° 15/2002, de 26 de Junho, que revogou a Lei n.° 3/87 estabelece as bases para a implementação do novo sistema de tributação do rendimento.

3 IBRAIMO, Ibraimo, op. cit., pág. 104.

4 Ibidem, pág. 105.

EBRAHIM BHIKHÁ E-mail: ebhikha@gmail.com

Assim, a tributação directa passou a integrar:

i) IRPC; e,

ii) IRPS.

E a indirecta, os seguintes impostos:

i) IVA em substituição do IC;

ii) ICE; e,

iii) Direitos Aduaneiros.

A LBST manteve os restantes impostos instituídos pela Lei n.º 3/87, de 19 de Janeiro, sendo de

destacar os seguintes:

i) Imposto do Selo (actualizado pelo Decreto n.º 6/2004, de 1 de Abril);

ii) Imposto sobre Sucessões e Doações;

iii) Sisa (actualizado pelo Decreto n.º 46/2004, de 27 Outubro);

iv) Imposto de Reconstrução Nacional;

v) Imposto Especial Sobre o Jogo;

vi) Imposto Sobre Veículos 5 ; e,

vii) Outros impostos.

A LBST integrou no STM o IVA, o IRPS e o IRPC, tendo todos estes impostos, em forma de código, sido aprovados por decretos.

Face às constantes mudanças que se verificaram nos sectores económicos e sociais e no âmbito da avaliação do sistema tributário com vista à simplificação de procedimentos e alargamento da base tributária, que tornou-se necessário actualizar e ajustar as disposições em matéria de impostos 6 .

5 Actualizado pelo Decreto n.° 19/2002, de 23 de Julho. 6 Sal & Caldeira “Newsletter”, Março/Abril 2008, As Recentes Actualizações à Legislação Tributária, n.°18, Bimensal, pág. 1.

EBRAHIM BHIKHÁ E-mail: ebhikha@gmail.com

A 16 de Novembro de 2004 foi aprovada pela AR, a nova Constituição da República (CRM), que veio alterar a forma de legislar, estabelecendo que os actos legislativos são as leis e os decretos- lei, sendo as primeiras emanadas pela AR e as segundas pelo Conselho de Ministros, mediante autorização legislativa.

A CRM refere no n° 2 do artigo 127 que é a Lei que cria os impostos e a mesma deve também determinar a incidência, a taxa, os benefícios fiscais e as garantias dos contribuintes. O n° 3 do mesmo artigo define que, ninguém é obrigado a pagar impostos que não tenham sido criados de acordo com os termos estabelecidos na Constituição e cuja liquidação e cobrança não se façam nos termos da Lei. Deve-se referir que existem certas matérias que não sendo da exclusiva competência da AR, caberá ao Conselho de Ministros regulamentá-las, como é o caso da matéria relativa ao pagamento do imposto, o prazo, a forma e local de pagamento.

Assim sendo, atendendo a que compete à AR e não a outro órgão definir as bases da política de impostos e o sistema fiscal, houve necessidade de se aprovar em conformidade com o disposto na CRM, os novos Códigos do IVA, IRPS e IRPC em forma de lei, tendo entrado em vigor a partir de Janeiro de 2008.

No contexto da implementação do Programa Quinquenal do Governo de 2005-2009 7 , que no âmbito da Política Fiscal e Orçamental prevê a simplificação e aperfeiçoamento do sistema tributário e a adopção de medidas tendentes ao alargamento da base tributária, bem como a revisão dos regimes simplificados de tributação para torná-los mais perceptíveis e apetecíveis pelos agentes económicos, sobretudo pelos micro e pequenos agentes económicos, garantindo-se dessa forma a sua contribuição para a receita fiscal e para a realização da despesa pública, factor multiplicador no crescimento da economia nacional e no desenvolvimento do País, a AR aprovou através da Lei n.° 5/2009, o Código do Imposto Simplificado para Pequenos os Contribuintes (CISPC).

* Texto adaptado do Trabalho de Licenciatura em Direito do autor, apresentado no Instituto Superior de Ciências de Tecnologia de Moçambique, com o título Desafios na Implementação do Imposto Simplificado para Pequenos Contribuintes, em Moçambique, onde se encontram citadas as respectivas fontes usadas na pesquisa.

7 Aprovado pela Resolução n.° 16/2005, de 11 de Maio, BR I Série, Número 19.