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FACULDADE DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA ELÉTRICA JÚLIO LÁZARO ARAÚJO DE MAGALHÃES ESTUDO

FACULDADE DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA ELÉTRICA

JÚLIO LÁZARO ARAÚJO DE MAGALHÃES

ESTUDO DE APLICAÇÃO DOS SISTEMAS DE CO-GERAÇÃO DE ENERGIA NA PRODUÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA

SALVADOR-BA

2008

ii

JÚLIO LÁZARO ARAÚJO DE MAGALHÃES

ESTUDO DE APLICAÇÃO DOS SISTEMAS DE CO-GERAÇÃO DE ENERGIA NA

PRODUÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA

Monografia apresentada ao curso de Engenharia elétrica da ÁREA1FTE, como requisito para obtenção parcial do grau de Bacharel.

Orientador: Lázaro Edmilson Brito Silva

Especialista

SALVADOR-BA

2008

iii

À minha família, aos meus verdadeiros amigos e principalmente a Deus.

iv

Agradecimentos

Primeiramente a Deus, por me disponibilizar forças para a realização desta monografia.

Ao professor e orientador desta monografia, Lázaro Edmilson Brito Silva, pelo empenho e dedicação que me foi dado.

A todos meus colegas da faculdade, que me apoiaram na hora que mais precisei,

principalmente Élson Rattes e Alex Meireles.

Ao professor Jose Antônio Perrella Balestieri, que retirou algumas dúvidas referentes ao assunto, mesmo a distância.

A minha amiga Grace Evangelista pelas correções, sugestões e críticas na parte

gramatical deste trabalho.

Aos meus amigos, pelo incentivo aos estudos e compreensão nas ausências, quase que constantes.

A toda minha família pela presença e ajuda nos momentos de alegria e tristeza.

v

Não cruze os braços diante de uma dificuldade, pois o maior homem do mundo morreu de braços abertos.”

Bob Marley

vi

Resumo

De acordo com as características sazonais da geração predominantemente hidrelétrica no Brasil, a produção simultânea de duas ou mais utilidades (calor de processo e energia eletromecânica) a partir de uma única fonte energética, a co-geração esta sendo apontada como uma fonte alternativa de destaque para obtenção de energia, além de uma opção para complementação do sistema elétrico atual, principalmente no período de estiagem. Pretende-se com este trabalho analisar o funcionamento de um sistema de co-geração, os tipos existentes, os equipamentos utilizados, as aplicações nos setores e em forma geral, as vantagens desse tipo de sistema. Fez-se uma breve abordagem na legislação brasileira atual referente ao assunto.

Palavras-chave: Fontes alternativas, Setor Elétrico Brasileiro e Co-geração.

vii

Abstract

According to the features seasonal of hydroeletric generation in Brazil, while the production of two or more utilities (heat process of electromechanical and energy) from a single energy source, the cogeneration is being singled out as an alternative source of emphasis on energy supply, besides an option to complement the electric current system, especially in periods of drought. It’s with this work examinig the operation of a cogeneration system, existing types, the equipament user, the applications in sectors and in general, the advantages of such a system. It will also be made a brief approach in the current brazilian lesgilation concerning the matter.

Keywords: Sources alternatives, Brazilian Electric Industry and Cogeration.

viii

Lista de Gráficos

Gráfico 2.1 – Fontes na geração elétrica em 2007 [5]

17

Gráfico 2.2 – Trajetória de Crescimento da Demanda por Energia e da Economia Nacional [6]

18

Gráfico 2.3 – Geração de Autoprodutores de 1970 a 2006 [5]

19

Gráfico 2.4 – Análise da oferta interna de energia comparando dados de 2006 e

 

2007

em tep [5]

28

Gráfico 2.5- Análise da oferta interna de energia comparando dados de 2006 e

 

2007

em porcentagem (em tep) [5]

29

Gráfico 2.6 – Uma análise da oferta interna de energia comparando dados de

 

2006

e 2007 em TWh (em barras) [5]

30

Gráfico 2.7 – Análise geral da oferta interna de energia comparando dados de

 

2006

e 2007 em TWh [5]

31

Gráfico 2.8– Análise da oferta interna de energia dividida por setores comparando dados de 2006 e 2007 em TWh [5]

32

ix

Lista de Figuras

Figura 2.1 – Exemplo de utilização dos dois tipos de fornecimento de energia elétrica em paralelo [7]

26

Figura 3.1 – Típico de sistema de co-geração do tipo ciclo de topo [8]

35

Figura 3.2 – Típico de sistema de co-geração do tipo ciclo de fundo [8]

35

Figura 3.3 – Co-geração do tipo ciclo de topo [8]

36

Figura 3.4 – Co-geração do tipo ciclo de fundo [8]

37

Figura 4.1 – Sistema de co-geração com turbinas a vapor [12]

39

Figura 4.2 – Turbina a gás e seus principais componentes [7]

41

Figura 4.3 – Turbina a gás tipo heavy duty da Alstom Power [7]

43

Figura 4.4 – Turbina a gás com ciclo aberto [7]

44

Figura 4.5 – Turbina a gás com ciclo fechado [7]

44

Figura 4.6 – Ciclo de Motor de Combustão Interna [13]

45

Figura 4.7 – Ciclo Combinado [7]

48

Figura 5.1 – Caldeira de recuperação do Cenpes [16]

52

Figura 5.2 – Modelo de turbina a vapor da Rolls-Royce [17]

54

Figura 5.3 – Corte longitudinal de uma turbina a gás [14]

56

Figura 5.4 – Grupo gerador implantado no aeroporto de Maceió [19]

58

Figura 6.1 – Área da instalação da central co-geradora [20]

62

Figura 6.2 – Chiller´s de absorção e compressão [20]

63

Figura 6.3 – Montagem dos motogeradores [20]

63

Figura 6.4 – Situação atual da central co-geradora

63

x

Lista de Tabelas

Tabela 2.1 – Evolução da Autoprodução Setorial, Participação Setorial do Brasil no período de 1994 a 2006 [5]

20

Tabela 2.2 – Evolução do Consumo e Autoprodução de Energia Elétrica, Participação da Autoprodução no Consumo Total do Brasil no período 1994 a 2006

 

[5]

21

Tabela 2.3 – Análise da oferta interna de energia comparando dados de 2006 e 2007 em tep [5]

27

Tabela 2.4 – Análise da oferta interna de energia comparando dados de 2006 e 2007 em porcentagem (em tep) [5]

28

Tabela 2.5 – Análise da oferta interna de energia comparando dados de 2006 e 2007 em TWh [5]

29

Tabela 2.6 – Análise da oferta interna de energia comparando dados de 2006 e 2007 em porcentagem (em relação à potência em TWh ) [5]

30

Tabela 2.7– Análise do consumo final energético separado por setor comparando dados de 2006 e 2007 [5]

32

xi

Lista de Abreviaturas e Siglas

ANEEL

Agência Nacional de Energia Elétrica

BEN

Balanço Energético Nacional

Coelba

Companhia Energia Elétrica da Bahia

Eletrobrás

Centrais Elétricas Brasileiras S.A

IBGE

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

MEB

Matriz Energética Brasileira

OIE

Oferta Interna de Energia

OIT

Organização Internacional do Trabalho

PAC

Programa de Aceleração do Crescimento

PCH

Pequena Central Hidrelétrica

PIB

Produto Interno Bruto

TEP

Toneladas Equivalentes de Petróleo

Cenpes

Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello

xii

Lista de Símbolos

atm

atmosfera

f.e.m

força eletromotriz

kg

quilograma

km 2

quilómetro quadrado

kW

quilowatt

kWh

quilowatt hora

MW

megawatt

TWh

terawatt hora

°C

graus Celsius

%

porcentagem

TR

tonelada de refrigeração

xiii

Sumário

1. Introdução

14

2. Aspectos Gerais

16

2.1.

Situação do Setor Elétrico Brasileiro

16

2.2.

Principais setores e fontes para aplicação de um sistema de co-geração

22

2.2.1.

Setor Industrial

23

2.2.2.

Setor Terciário

25

2.3.

A Co-geração no Brasil

26

3. Tipos de Co-geração

34

3.1.

Topping cycle (Ciclo de Topo)

34

3.2.

Bottoming cycle (Ciclo de Fundo)

35

3.3.

Aplicações

36

4. Tecnologias de Co-geração

38

4.1. Sistemas de co-geração com o uso de turbinas a vapor

38

4.2. Sistemas de co-geração com o uso de turbinas a gás

40

4.3. Motores alternativos

45

4.4. Comparação entre turbinas e motores

46

4.5. Ciclo combinado

47

5. Apresentação dos Principais Equipamentos em um Sistema de Co-geração de

Energia

50

5.1. Caldeira de recuperação

50

5.2. Turbina a vapor

52

5.3. Turbina a gás

54

5.4. Grupos de geradores

57

5.5. Motores alternativos de combustão interna

58

6. Aplicações de Sistemas de Co-geração

60

7. Conclusão e Considerações Finais

64

8. Referências Bibliográficas

67

9. Anexos

69

9.1.

Resolução Normativa ANEEL para qualificação de centrais co-geradoras de

 

69

14

Capítulo 1

1. Introdução

A co-geração, ou produção combinada de energia térmica e elétrica, a partir da

queima de um mesmo combustível e uso seqüencial do calor residual, representa uma

tecnologia de conversão energética com alto desempenho e reduzidas perdas [1].

Em outras palavras, co-geração de energia consiste em um meio de produzir energia elétrica e tipos de energia térmica de forma combinada usando um combustível ou reaproveitando um processo industrial. Esse tipo de obtenção de energia permite empregar ciclos com diferentes tecnologias, entre elas: turbinas a vapor ou a gás, motores alternativos, caldeiras de recuperação, grupos geradores, entre outros.

Além de tipos diversos de ciclos que podem ser empregados, podem-se também utilizar diferentes tipos de combustíveis para utilização na co-geração. Os combustíveis mais empregados são os fósseis (gás natural, diesel, etc.) e as biomassas (rejeitos das indústrias: sucroalcooleira, celulose, entre outras).

A co-geração representa uma alternativa de elevada eficiência energética, que

permite reduzir o valor do consumo de energia dos usuários com necessidades simultâneas de calor (água quente ou vapor), eletricidade ou energia mecânica [2].

Essa monografia tem como objetivo analisar, com uma visão para Engenharia Elétrica, as aplicações do principio de co-geração de energia nas indústrias de forma clara e sucinta. Além disso, fazer uma breve avaliação econômica dessas aplicações no setor industrial.

Este tema foi escolhido devido à situação do setor elétrico brasileiro. Com o crescimento do setor industrial e comercial nacional, a eminência por energia elétrica fica bastante evidente. Porém vários fatores se tornarão obstáculos para a melhoria do

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setor, como por exemplo, as dificuldades do governo para ampliar este setor, altos valores no preço da energia praticados pelas concessionárias e as políticas de incentivos a implantação de sistemas de eficiência energética. Com isso a implantação de um sistema co-gerador vem se tornando uma opção bastante atrativa e viável.

Não apenas os fatores econômicos são importantes para implantação de um sistema de co-geração, mas o ambiental também. Com o amadurecimento da consciência ecológica, as indústrias e outros setores do mercado, como por exemplo, o setor comercial e residencial, estão cada vez mais interessadas em implantar um sistema sustentável de eficiência energética.

A sociedade mundial está, cada vez mais, aumentando o seu grau de

comprometimento com o meio ambiente, dentre eles se destacam os consumidores de grande porte (indústrias, shopping center, grandes edifícios, etc.).

Com todos esses aspectos fica evidente a escolha do tema para a realização desta monografia para a conclusão do curso de Engenharia elétrica.

A monografia foi estruturada da seguinte maneira. No capítulo 2 são

apresentados os aspectos gerais, que inclui a situação do setor elétrico brasileiro nos

dias atuais, os principais setores e fontes que podem e são empregados os sistemas de co-geração e a co-geração no País. Em seguida, no capítulo 3, são apresentados os dois principais tipos de sistemas de co-geração, topping cycle e bottoming cycle. No capítulo 4, apresentam-se as principais tecnologias empregadas em sistemas de co- geração de energia, como sistemas de co-geração com o uso de turbinas a vapor e a gás, motores alternativos, além de fazer uma breve comparação entre esses dois sistemas e uma sucinta introdução sobre ciclo combinado. Já o capítulo 5 explica os equipamentos utilizados nas diferentes tecnologias referidas no capítulo anterior. O capítulo 6 refere-se à aplicação dos sistemas de co-geração e o 7 à conclusão da monografia.

16

Capítulo 2

2. Aspectos Gerais

O mercado brasileiro vem crescendo com taxas razoáveis, impulsionando os investimentos de capital nacional e internacional. Junto com esse crescimento da economia é necessária uma reformulação do setor elétrico brasileiro, com reformas ou atitudes que possa suprir a futura demanda de energia elétrica.

Esta demanda é percebida de formas diferentes para cada setor. O principal setor, responsável por cerca de metade do consumo de energia elétrica do país, é o setor industrial. Esse setor é o mais prejudicado com a situação atual do fornecimento de energia elétrica no Brasil, criando certa insegurança para investidores, de capital nacional e internacional.

Outro setor que também é prejudicado por essa situação, é o terciário. Para a criação, por exemplo, de novos leitos de hotéis no país, é necessário um fornecimento seguro de energia elétrica, alem de uma política de incentivos para a implantação de fontes de energia alternativas. Hospitais também sofrem com esse mesmo problema, assim como condomínios, shopping centers, entre outros.

Contudo a política do Brasil esta mudando em relação a implantação e incentivos a energia alternativas, com uma grande importância nos sistemas co-geradores, que vem crescendo a cada ano que passa, principalmente em industrias alcooleiras, de celulose, etc.

2.1. Situação do Setor Elétrico Brasileiro

Com a taxa de crescimento anual em torno de 5% e a abertura do mercado interno para o capital privado, indústrias estão se instalando no país e outras estão com negociações avançadas para a implantação de suas fábricas.

17

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no intervalo de apenas

um ano mereceu menção especial no relatório divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). A taxa de 5,3% em 2007 superou com folga a atingida em 2006 (3,7%). Entre as razões para o salto da economia nacional, o relatório da OIT ressalta que “a aceleração está associada ao forte investimento privado assim como ao investimento público em infra-estrutura que o governo estimula através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) desde janeiro de 2007” [3]. Porém, as indústrias que estão chegando ao país se debatem com um problema que já existe há décadas, a

escassez de energia elétrica. A energia consumida no setor industrial responde atualmente por 46% do consumo de energia elétrica no Brasil, enquanto o consumo residencial é da ordem de 23% do total [4]. Com isso percebe-se a importância da reestruturação do setor para atender a demanda energética que se aproxima.

O modelo adotado há décadas para a obtenção de energia elétrica no Brasil é

baseado, principalmente em grandes centrais hidrelétricas, como pode ser visto no gráfico 2.1. Este modelo está ultrapassado, mostrando sua dependência direta das chuvas sazonais.

mostrando sua dependência direta das chuvas sazonais. Gráfico 2.1 – Fontes na geração elétrica em 2007

Gráfico 2.1 – Fontes na geração elétrica em 2007 [5].

Com a construção das represas grandes áreas de vegetação são inundadas, provocando o aumento na emissão de metano na atmosfera. Como a vegetação fica completamente submersa, a degeneração das mesmas, de forma natural, elimina o gás que é um dos responsáveis pelo aumento do efeito estufa e a degradação da camada

18

de ozônio. Além do aspecto ambiental, que nessa década teve grande importância nas decisões econômicas no Brasil e no mundo.

Os casos de insuficiência do abastecimento de energia elétrica no país foram constatados em algumas ocasiões. Em 1995, o setor elétrico estava diante de uma grave crise, com riscos de déficit de energia crescentes que poderiam comprometer o pleno atendimento de mercado e, consequentemente, inviabilizar o desenvolvimento econômico do País [1].

Outro caso que marcou e teve grande importância na busca por melhorias no sistema de obtenção de energia elétrica no país foi o racionamento entre os anos de 2001 a 2002. Este foi considerado o divisor de águas para o setor elétrico brasileiro. O principal problema desta crise foi o crescimento do consumo sem que o parque gerador crescesse de forma paralela. Essas crises sempre influenciam não só o setor elétrico, mas a economia, o setor industrial, o comércio, a política e o cotidiano da população em geral. O gráfico 2.2 ilustra este cenário.

população em geral. O gráfico 2.2 ilustra este cenário. Gráfico 2.2 – Trajetória de Crescimento da

Gráfico 2.2 – Trajetória de Crescimento da Demanda por Energia e da Economia Nacional [6].

19

Algumas medidas foram tomadas para uma melhoria no setor elétrico. A privatização das empresas estatais ligadas ao setor energético, que não dispunham na época de recursos para investir na expansão do sistema, também pode ser mencionada nas iniciativas para uma melhoria significativa no setor. Esse fato ocorreu no governo de Fernando Henrique Cardoso de Melo, presidente da época. Com esta privatização o governo passou a agir como regulador, criando a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Outra medida muito importante na mudança do cenário foi o crescimento da Figura dos produtores independentes, autopodutores e concessionários de serviço público. O gráfico 2.3 retrata a situação de participação percentual na oferta de energia elétrica no país.

percentual na oferta de energia elétrica no país. Gráfico 2.3 – Geração de Autoprodutores de 1970

Gráfico 2.3 – Geração de Autoprodutores de 1970 a 2006 [5].

Com todas essas atitudes para uma melhoria no setor, as pesquisas em fontes alternativas de geração de energia elétrica ganharam um novo incentivo á evolução.

No entanto, o cenário atual já está se modificando. Pode-se indicar o alto crescimento correspondente a geração de energia com base em sistemas de co- geração. O crescimento da oferta de energia elétrica dos autoprodutores, nos dias

20

atuais, está mais rápido do que o consumo, como apresentado no gráfico 2.2. A tabela 2.1 descreve a evolução do consumo e autoprodução de energia elétrica, além de detalhar os setores que mais produzem energia. Na tabela 2.2 é apresentada a evolução da participação da energia proveniente de sistemas de co-geração no consumo total, na qual pode-se perceber o crescimento anual consideravelmente expressivo.

Tabela 2.1 – Evolução da Autoprodução e Setorial, Participação Setorial do Brasil no período de 1994 a 2006 [5].

Tabela 2.1 – Evolução da Autoprodução e Setorial, Participação Setorial do Brasil no período de 1994

21

Tabela 2.2 – Evolução do Consumo e Autoprodução de Energia Elétrica, Participação da Autoprodução no Consumo Total do Brasil no período 1994 à 2006[5].

no Consumo Total do Brasil no período 1994 à 2006[5]. Porém, o mais importante dessas ações

Porém, o mais importante dessas ações para se ter uma relativa melhoria, foi a descentralização da geração de energia, que com leis e incentivos estão deixando cada vez mais convidativos a implantação de sistemas de energia renovável, como por exemplo, a co-geração de energia.

A Eletrobrás fez um Plano Decenal, no período de 1997 a 2006, o qual previu que a capacidade de energia proveniente das grandes centrais hidrelétricas não teria condições de suprir as previsões de consumo. Este plano se estenderá de até 2012, onde estará sendo previsto o impacto direto ou indireto dos impactos do consumo de energia elétrica em determinadas decisões a serem tomadas, como por exemplo, preço da energia no mercado atacadista, programa de licitação de obras do agente regulador, entre outras.

Deve-se considerar também o Protocolo de Quioto que estabeleceu as possibilidades de desenvolvimento dos Clean Development Mechanisms (Mecanismos de Desenvolvimento Limpos), que poderá atrair investimentos de países que necessitem reduzir sua emissão de carbono. Esse capital estrangeiro poderia ser investido em pesquisas e implantação de sistemas de co-geração, pelo simples fato de que esse sistema tem emissão quase nula de carbono, devido ao uso de resíduos industriais para geração da energia, ou seja, de forma sustentável.

22

Com isso, fica bem claro a importância dos auto-geradores (instituições que utilizam-se da co-geração de energia para seu próprio consumo ou até mesmo as que vendem o excedente para concessionárias locais), que vem transformando-se em opção interessante para uma contribuição na oferta de energia, principalmente em determinados segmentos dos setores industrial, rural e terciário: sucro-alcooleiro, shopping center, metalúrgica, entre outros.

É importante explanar a desigualdade entre autoprodutores e produtores independentes de energia elétrica. De acordo com a Lei nº. 9.074/1995, onde foi regulamentada pelo Decreto nº. 2.003/1996, as Figuras do autoprodutor e do produtor independente de energia elétrica são caracterizados da seguinte maneira:

I. Produtor Independente de Energia Elétrica, a pessoa jurídica ou empresas reunidas em consórcio que recebam concessão ou autorização para produzir energia elétrica destinada ao comercio de toda ou parte da energia produzida;

II. Autoprodutor de Energia Elétrica, a pessoa física ou jurídica ou empresas reunidas em consórcio que recebam concessão ou autorização para produzir energia elétrica destinada ao seu uso exclusivo.

2.2. Principais setores e fontes para aplicação de um sistema de co-geração

A situação do Brasil em termos de utilização de fontes de energias renováveis é bastante confortável. Com um grande número de combustíveis para gerar energia, a Oferta Interna de Energia (OIE) do país, denominada de matriz energética, é de 43% de energias renováveis, enquanto que a média mundial é de 14% e a dos paises desenvolvidos é apenas de 6%. O OIE representa toda a energia disponibilizada para ser transformada, distribuída e consumida nos processos produtivos do país.

Como mencionado, a estrutura energética do país é baseada em centrais hidrelétricas. Este tipo de sistema é dependente das chuvas sazonais podendo causar

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transtornos em épocas de estiagem. Uma das alternativas é a instalação das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH), que são caracterizadas por potencias instalados na faixa de 1MW a 30MW. Essa facilidade é proveniente da descentralização, sendo mais eficiente a transmissão e distribuição, evitando desperdícios.

Contudo, as unidades de co-geração podem disponibilizar ao sistema atual de distribuição elétrica um suporte a mais para uma melhoria no cenário atual. Diversos setores da economia utilizam desse método para obtenção de energia elétrica. São eles: setor industrial e setor terciário.

2.2.1. Setor Industrial

Muitos são os processos que necessitam de calor e energia elétrica, para o funcionamento das máquinas e equipamentos. Para que a planta industrial entre em atividade, necessariamente, deve-se ter essas variáveis a disposição.

A co-geração tem como objetivo criar energia elétrica através de um processo iniciado, para que seja reutilizado de alguma forma na obtenção do calor. Como exemplo de uso:

· Geração de vapor de baixa, média e alta pressão;

· Calor direto da turbina para ar de alimentação de fornos;

· Secagem de grãos e de produtos;

· Aquecimento de óleos e fluidos industriais.

Neste setor, existe um potencia considerável de co-geração nos seguimentos de alimentos e bebidas, cerâmica, têxtil, cimento, papel e celulose, petróleo (refino), sucro- alcooleiro.

Como exemplo de alguns seguimentos que utilizam co-geração com meio de geração de energia elétrica, total ou parcial, pode-se citar o seguimento de papel e celulose.

24

Este seguimento consome uma elevada quantidade de vapor de processo e principalmente de energia elétrica. Essa quantidade consumida tem um caráter expressivo, com a qual indústria poderia ser tornar auto-suficiente ou até mesmo vender o excedente para concessionárias, caso fosse utilizado o sistema de co-geração.

O processo de fabricação de celulose gera muitos subprodutos na forma de biomassa, que por sua vez pode ser usada pode ser reutilizada como combustível para queima em caldeiras, entre outros. Esses resíduos aproveitáveis (licor negro e detritos de madeira) que são reaproveitáveis como combustíveis em sistemas de co-geração. Logo esse seguimento apresenta uma maior participação no cenário dos co-geradores, sendo praticamente auto-suficientes.

Outro exemplo do setor industrial são as indústrias sucro-alcooleiro. Onde o processo produtivo nas destilarias de etanol tem como principal insumo o bagaço de cana. Esse insumo tem um valor energético muito satisfatório e de grande potencial para uso em sistemas de co-geração baseados em biomassa.

Como esse tipo de indústria tem uma grande necessidade de energia térmica, na forma de calor, energia mecânica, para acionamentos diversos e energia elétrica para alimentação geral das maquinas, a queima desse bagaço de cana gera vapor nas caldeiras fornecendo o calor necessário para o processo, trabalho para a movimentação das turbinas e com isso a geração de energia elétrica.

Essas indústrias são praticamente autônomas em termos do atendimento de suas necessidades energéticas, onde uma pequena parcela de energia elétrica consumida da concessionária local. Essa ocasião mencionada anteriormente é devido à entressafra da cana-de-açúcar, que abrange o período entre os meses de dezembro a maio.

Em indústrias de Cerâmica a necessidade de energia térmica para os equipamentos (atomizadores, secadores e fornos) e energia elétrica para os moinhos, por exemplo, é muito grande. Este setor consome energia (térmica e elétrica) em

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escalas altíssimas, se tornando em clientes em potencial para uma futura implementação de sistemas de co-geração.

Em conseqüência da redução da energia gasta derivada da concessionária, sendo substituída ou reduzida pelo uso da energia do advento do sistema co-gerador, o preço final do produto tende a reduzir. Essa redução é percebida pelo consumidor final na hora da compra. Com todos esses aspectos positivos mencionados, o retorno de investimento na implantação do sistema é pago em períodos variando entre 1 a 3 anos.

2.2.2. Setor Terciário

No setor terciário pode-se aplicar a co-geração em vários ramos, tornando-se bastante importante na matriz energética nacional. São produtores em potencial de energia e cada vez mais está implantando sistemas de co-geração, como principal atitude de redução de consumo de energia e conforto aos clientes.

Os principais consumidores desse tipo de energia são shoppings centers. Esses estabelecimentos estão cada vez mais se favorecendo com sistemas de co-geração de energia. A demanda de um shopping center é baseada em energia térmica (frio para o sistema de ar-condicionado) e energia elétrica (para alimentação dos equipamentos: ar- condicionado, iluminação, elevadores, entre outros). O sistema alternativo é utilizado de forma paralela, como em praticamente todos os usuários desse tipo de sistema alternativo como apresentado na Figura 2.1.

26

26 Figura 2.1 – Exemplo de utilização dos dois tipos de fornecimento de energia elétrica em

Figura 2.1 – Exemplo de utilização dos dois tipos de fornecimento de energia elétrica em paralelo [7].

Além desses exemplos de diversificados setores da economia nacional que utilizam o sistema de co-geração, podemos citar estabelecimentos que utilizam de forma significativa energia em forma de calor (ou refrigeração) e eletricidade, viabilizando. Com o uso desse sistema de geração em paralelo ao fornecido pela concessionária, esses estabelecimentos reduzem seus custos e melhoram a produtividade. Hotéis, hospitais, clubes, estabelecimentos penais são bons exemplos desses tipos de consumidores.

2.3. A Co-geração no Brasil

Em 2007, a oferta interna de energia no Brasil cresceu 5,9%, taxa ligeiramente superior ao crescimento da economia (de 5,4%, conforme dados do IBGE). Apesar de expressivo, esse resultado traz implícita a sugestão de que importantes mudanças estruturais podem estar em curso na economia nacional, com aumento da eficiência no uso da energia. Estes são alguns dos principais resultados preliminares do Balanço Energético Nacional – BEN 2008 – ano base 2007.

O BEN trata-se de um documento publicado anualmente no segundo semestre de cada ano. Os dados são retroativos do ano anterior ao vigente. Esse relatório é uma

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base de dados energéticos, que tem como principal função o embasamento para os estudos do planejamento energético nacional.

Ainda no BEN 2008, ficou relatado o crescimento na oferta interna de energia, em que foram atingidos 239,4 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep). Em destaque para o crescimento dos produtos de cana-de-açúcar, cuja oferta cresceu 17,1%. A cana-de-açúcar passa, assim, a ser a segunda fonte de energia mais importante na Matriz Energética Brasileira (MEB), atrás somente do petróleo como visto na Tabela 2.3 e 2.4 e gráficos 2.4 e 2.5. Com isso o etanol teve um crescimento de 34,7%, entre as fontes de energia, reflexo do preço mais favorável em relação à gasolina, derivada do petróleo. Em 2007, mais de 16% de toda a energia consumida no país foram provenientes dessa fonte renovável, segundo o BEN 2008 [5].

Tabela 2.3 – Análise da oferta interna de energia comparando dados de 2006 e 2007 em tep [5].

segundo o BEN 2008 [5]. Tabela 2.3 – Análise da oferta interna de energia comparando dados

28

28 Gráfico 2.4 – Análise da oferta interna de energia comparando dados de 2006 e 2007

Gráfico 2.4 – Análise da oferta interna de energia comparando dados de 2006 e 2007 em tep [5].

Tabela 2.4 – Análise da oferta interna de energia comparando dados de 2006 e 2007 em porcentagem (em tep) [5].

tep [5]. Tabela 2.4 – Análise da oferta interna de energia comparando dados de 2006 e

29

29 Gráfico 2.5- Análise da oferta interna de energia comparando dados de 2006 e 2007 em

Gráfico 2.5- Análise da oferta interna de energia comparando dados de 2006 e 2007 em porcentagem (em tep) [5].

Fazendo uma comparação desses gráficos com análises dos dados em TWh, podemos ver a característica da MEB em termos de obtenção de energia elétrica por hidrelétricas. Isso pode ser visto nas tabelas 2.5 e 2.6 e gráficos 2.6 e 2.7.

Tabela 2.5 – Análise da oferta interna de energia comparando dados de 2006 e 2007 em TWh [5].

e gráficos 2.6 e 2.7. Tabela 2.5 – Análise da oferta interna de energia comparando dados

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30 Gráfico 2.6 – Uma análise da oferta interna de energia comparando dados de 2006 e

Gráfico 2.6 – Uma análise da oferta interna de energia comparando dados de 2006 e 2007 em TWh (em barras) [5].

Tabela 2.6 – Análise da oferta interna de energia comparando dados de 2006 e 2007 em porcentagem (em relação a potência em TWh ) [5].

da oferta interna de energia comparando dados de 2006 e 2007 em porcentagem (em relação a

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31 Gráfico 2.7 – Análise geral da oferta interna de energia comparando dados de 2006 e

Gráfico 2.7 – Análise geral da oferta interna de energia comparando dados de 2006 e 2007 em TWh [5].

Com relação aos co-geradores, também foi publicado dados no relatório preliminar desse ano. Foi destacado o aumento da autoprodução de energia elétrica, principalmente em razão da co-geração no setor industrial, como um indicativo de aumento da eficiência global no uso da energia. Isso é favorável pelo fato do crescimento de 6,7% no consumo final de energia, ser superior ao da oferta, dando mais enfoque à energia gerada pelo sistema de co-geração.

Como mencionado anteriormente, as energias renováveis estão ganhando espaço no MEB, como foi publicado no BEN 2008. Em 2007, 46,4% de toda a energia consumida no país foi produzida a partir de fontes renováveis, um aumento em relação a 2006, que foi de 44,9%. Este resultado confirma a característa de “matriz limpa” da MEB, tendo como referência as Matrizes Energéticas Mundiais.

Todo esse crescimento no consumo final de energia no MEB abrangeu todos os setores de atividade, em especial na indústria, nos transportes, no setor agropecuário e no setor comercial, segundo o BEN 2008. Na Tabela 2.7 e no Gráfico 2.8 caracterizam essa realidade do setor.

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Tabela 2.7– Análise do consumo final energético separado por setor comparando dados de 2006 e

2007[5].

separado por setor comparando dados de 2006 e 2007[5]. Gráfico 2.8– Análise da oferta interna de
separado por setor comparando dados de 2006 e 2007[5]. Gráfico 2.8– Análise da oferta interna de

Gráfico 2.8– Análise da oferta interna de energia dividida por setores comparando dados de 2006 e 2007 em TWh [5].

Como pôde ser avaliado nesse relatório, o cenário que está criando-se no Brasil, tende que os sistemas de co-geração de energia elétrica possam servir de complemento à MEB atual, principalmente nos períodos de estiagem, como mencionado anteriormente.

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Porém, existem alguns obstáculos à co-geração no país. Existem pontos de vista que podem ser citados no rol desses obstáculos, entre eles, os argumentos das concessionárias, as normas vigentes para a venda do excedente de energia elétrica pelos produtores independentes, os preços ainda altos dos investimentos para implantação dos sistemas, entre outros.

Do ponto de vista das concessionárias, com a implantação dos sistemas de co- geração, e com isso, a venda do excedente de energia elétrica, a situação atual se agravaria, visto que as mesmas fizeram investimentos muito altos e o retorno seriam prejudicadas. Dessa maneira o preço da energia tende a ficar mais caro para o consumidor, que sentiria no orçamento.

Além desse aspecto, outro obstáculo seria o preço da energia fornecida para os co-geradores, que de certa forma dependem da energia das concessionárias. Como o sistema de alimentação é conjunto, ou seja, de forma paralela, as concessionárias elevariam os preços da energia fazendo com que, em alguns casos, a implantação do sistema não seja viável financeiramente.

As normas já foram mais nocivas aos co-geradores, nas quais para se poder vender o excedente da energia elétrica produzida era aplicado altos embargos tributários. Porém, com a Resolução Normativa nº. 235, de 14 de novembro de 2006 (ver anexo 9.1), em que o contexto diz respeito aos requisitos para a qualificação de centrais termelétricas co-geradoras de energia e dá outras providências, esse cenário mudou, fazendo com que o excedente, por exemplo, poderá ser vendido com cargas tributarias menores e incentivadoras. Apesar de alguns obstáculos relacionados a implantação de um sistema co-gerador, é um método de geração de energia alternativa bastante vantajoso. A co-geração é descrita como colaborador para a racionalidade energética, possibilitando melhor aproveitamento e menor consumo de fontes de energia, quando comparada a geração individual de calor e energia elétrica.

34

Capítulo 3

3. Tipos de Co-geração

O consumo simultâneo de energia térmica (levando em conta as suas várias utilizações em vapor, água quente e água gelada) e de energia eletromecânica (eletricidade e acionamento mecânicos) pode ser encontrado em todos os segmentos – residencial, comercial, agrícola e industrial, como mencionado no capítulo anterior [7].

Esse consumo simultâneo de energias, dito como co-geração, é divido em função da seqüência da utilização da energia no processo produtivo. Existem dois tipos:

topping cycle e bottoming cycle.

3.1. Topping cycle (Ciclo de Topo)

Nos ciclos do tipo topping cycle (ciclo de topo), a produção de energia elétrica ocorre em uma etapa anterior à geração de energia térmica para o processo, ou seja,

de toda energia disponibilizada pelo energético, o primeiro aproveitamento ocorre para

a geração de energia eletromecânica, com altas temperaturas, e em seguida é aproveitado o calor útil para o processo.

Na prática, trata-se de utilizar o energético, por exemplo, gás natural, primeiro na produção de energia elétrica ou mecânica e em seguida recupera-se o calor rejeitado

na combustão para a alimentação do sistema térmico.

Um exemplo prático desse tipo de ciclo é a produção de energia elétrica por um turbo gerador. O combustível é queimado em um gerador de vapor, que por sua vez é utilizado para gerar potência em um turbo gerador e o calor proveniente da rejeição da queima (combustão) é reutilizado no processo produtivo como na Figura 3.1.

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35 Figura 3.1 – Típico de sistema de co-geração do tipo ciclo de topo [8]. 3.2.

Figura 3.1 – Típico de sistema de co-geração do tipo ciclo de topo [8].

3.2. Bottoming cycle (Ciclo de Fundo)

Já os sistemas de co-geração do tipo bottoming cycle, ou ciclo de fundo, tem geração posterior de energia eletromecânica. Em outras palavras, o energético produz primeiramente vapor que é utilizado diretamente no processo, para posteriormente esse vapor ser reutilizado para a produção de energia eletromecânica nas turbinas.

A Figura 3.2 ilustra bem esse tipo de ciclo. O combustível energético é utilizado primeiramente pelo processo, no qual aproveita-se o calor útil a temperaturas elevadas. Após esse processo é gerado energia eletromecânica no equipamento instalado para esse fim, como por exemplo, turbinas a vapor.

instalado para esse fim, como por exemplo, turbinas a vapor. Figura 3.2 – Típico de sistema

Figura 3.2 – Típico de sistema de co-geração do tipo ciclo de fundo [8].

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3.3. Aplicações

Como mencionado no capítulo anterior, o sistema de co-geração está sendo muito utilizado em todos os setores da economia do país. Mas para uma melhor eficiência do sistema, é necessário saber empregar o tipo de co-geração ideal para cada tipo de setor e necessidades.

No sistema do tipo ciclo de topo, como a geração de energia eletromecânica é feita antes do aproveitamento do calor útil do energético no processo, em que o sistema está inserido, e como a geração de energia elétrica necessita de altas temperaturas, é mais utilizado por um consumidor que tenha uma necessidade maior de energia elétrica. Exemplos de consumidores com esse perfil são aqueles que no decorrer do processo utilizará a energia térmica no processo de secagem, cozimento, evaporação, típicas atividades que não necessitam de uma temperatura muito elevada. A utilização de calor nas indústrias é habitual na faixa entre 180 e 600ºC e a geração de energia elétrica opera em níveis mais elevados de temperatura, entre 600 e 1200 ºC, como na Figura 3.3 [9].

de temperatura, entre 600 e 1200 ºC, como na Figura 3.3 [9]. Figura 3.3 – Co-geração

Figura 3.3 – Co-geração do tipo ciclo de topo [8].

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Essa configuração é mais utilizada, principalmente no setor sucroalcooleiro e na indústria química que utilizam o gás natural como energético.

A utilização do sistema ciclo de fundo é mais restrita, em relação ao sistema de ciclo de topo. Como o calor útil do energético é utilizado a priori, com altas temperaturas, os rejeitos do processo, geralmente, se encontram em faixas de

temperaturas insuficientes para a geração de energia eletromecânica como na Figura

3.4.

a geração de energia eletromecânica como na Figura 3.4. Figura 3.4 – Co-geração do tipo ciclo

Figura 3.4 – Co-geração do tipo ciclo de fundo [8].

Porém, esse calor proveniente do rejeito do processo, que se encontram em média 500 a 600ºC, não é rejeitado para atmosfera ou queimado em flare, que são torres de queima de gases os quais não têm mais serventia para planta, e sim canalizados para trocadores de calor, para a produção de vapor que irá alimentar um equipamento eletromecânico que gerará energia elétrica. No entanto, o rendimento, em termos de aproveitamento de energia elétrica, é inferior se comparado ao ciclo de topo.

Os clientes que mais utilizam esse tipo de co-geração são as siderúrgicas, indústria de cerâmica, cimentarias, refinarias de petróleo, entre outras.

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Capítulo 4

4. Tecnologias de Co-geração

A inserção de uma tecnologia co-geradora na matriz energética de uma determinada área pode ser escolhida por vários fatores. São fatores determinantes para a escolha do tipo de tecnologia a ser empregada, a viabilidade técnica e econômica, as necessidades da área, além de outros fatores importantes, como recursos naturais (água, combustível, etc.), espaço físico disponível, etc.

Como mostrado no capítulo anterior, existem dois tipos de co-geração, topping cycle e bottoming cycle. Para optar pela melhor opção de tecnologia a ser implantada, existem uma gama de opções disponíveis no mercado, as quais podem atender todas as necessidades requeridas. Algumas delas estão listadas abaixo:

§ Turbinas a vapor;

§ Turbinas a gás;

§ Motores alternativos;

§ Ciclos combinados;

Essas tecnologias serão descritas a seguir para uma melhor compreensão. Os equipamentos serão explanados no capítulo posterior de forma mais detalhada.

4.1. Sistemas de co-geração com o uso de turbinas a vapor

Para um sistema fundamentado no uso de turbinas a vapor, os componentes básicos são: fonte de calor (caldeira, por exemplo), uma turbina a vapor e uma área de transferência de calor. Esse sistema funciona de acordo com o Ciclo de Rankine (em forma básica ou aprimorada).

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No Ciclo de Rankine, utiliza-se o calor proveniente da combustão de combustíveis para geração de vapor num equipamento chamado caldeira ou gerador de vapor. Portanto, a energia térmica acumulada em forma de calor pode ser utilizada para aquecimento, processos industriais e para a geração de energia elétrica, acionando uma turbina a vapor acoplada a um gerador elétrico. O rendimento máximo que pode ser obtido na prática, com este processo, é de aproximadamente 30 a 35%, ou seja, 1/3 da energia do combustível pode ser convertida em energia térmica [10].

Com o funcionamento desse tipo de tecnologia, o combustível usado na queima na caldeira tem uma grande parcela de sua energia utilizada para a produção de vapor à alta pressão e temperatura. Este vapor será utilizado para o acionamento da turbina antes de ser entregue ao processo da unidade. Esse ciclo utilizado na co-geração com turbinas a vapor é o Topping Cycle, cujo conceito foi mencionado no capítulo anterior. A Figura 4.1 detalha bem o cenário explicado.

anterior. A Figura 4.1 detalha bem o cenário explicado. Figura 4.1 – Sistema de co-geração com

Figura 4.1 – Sistema de co-geração com turbinas a vapor [11].

As condições de operação podem variar em uma gama enorme de configuração. Para aplicações de co-geração, a pressão de vapor pode variar desde baixas pressões até 100bar. A temperatura de vapor pode variar desde alguns graus de calor

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sobreaquecido até 450ºC e a potência de saída varia entre os valores de 0,5 – 100 MW, apesar de ser possível atingir um valor mais elevado [2].

São várias as possibilidades e configurações de implantação desse sistema. Porém uma das mais importantes vantagens desse tipo de tecnologia é o valor tanto de instalação, quanto do combustível que pode ser utilizado como energético.

Esse tipo de configuração oferece a possibilidade de utilizar combustíveis considerados menos nobres, ou seja, com custo mais baixo. Exemplo de combustíveis menos nobre, são os resíduos industriais, carvão, lenha, bagaço de cana-de-açúcar, entre outros. Além disso, esse sistema apresenta uma enorme confiabilidade no processo e seu prazo de vida útil é de 25 a 30 anos em média.

No entanto, existem algumas desvantagens, será citado apenas uma, a que mais influencia na escolha da tecnologia. O prazo de instalação desse sistema pode ser de 12 a 18 meses, em média, se tratando de uma unidade de porte pequeno. Esse valor aumenta para unidades maiores, chegando a atingir o período de três anos para a implantação.

Mesmo com essa desvantagem em relação ao tempo de implantação máximo, se comparando à sistemas de geração de energia alternativas, o sistema de co-geração com uso de turbinas a vapor é mais fiável, do ponto de vista ambiental, do que uma pequena central hidrelétrica (PCH). Segundo a resolução nº 394 de 04 de dezembro de 1998, toda usina hidrelétrica de pequeno porte, cuja capacidade instalada seja superior a 1 MW e inferior a 30 MW, para encher seu reservatório, deve-se alagar uma área em torno de 3 km², o que causaria um certo impacto ambiental na região de implantação.

4.2. Sistemas de co-geração com o uso de turbinas a gás

As turbinas a gás são equipamentos em que a queima do combustível é feita em uma câmara de combustão, utilizando uma mistura de gás e de ar. Esses equipamentos possuem combustão interna e são de construção simples, além de utilizarem combustíveis diversificados (gás ou líquido). A denominação “turbina a gás” foi dada

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devido ao seu fluido de trabalho, o ar. É um equipamento composto por diversos componentes, porém é dada uma atenção particular ao compressor, à câmara de combustão e à turbina, que são os principais (ver Figura 4.2).

e à turbina, que são os principais (ver Figura 4.2). Figura 4.2 – Turbina a gás

Figura 4.2 – Turbina a gás e seus principais componentes [7].

Essa tecnologia, atualmente, é a mais utilizada em sistemas de co-geração modernos, de média e alta potência. A potência elétrica produzida pode variar desde algumas centenas de kW a centenas de MW. Por outro lado pesquisas recentes tem por objetivo a construção de micro-turbinas, com potência elétrica de apenas alguns kW

[2].

O ciclo térmico utilizado em sistemas de co-geração com turbinas a gás é o ciclo de Brayton. Esse ciclo é caracterizado pelo resultado da reação exotérmica entre o ar atmosférico e o combustível. O ar é succionado pelo compressor, que eleva o ar a altas pressões. Esse ar, após ser comprimido, é encaminhado para a câmara de combustão, onde é misturado ao combustível, nesse momento ocorre a combustão, que resulta gases com temperaturas bastante elevadas. Esses gases se expandem na turbina provocando um movimento no qual resulta em trabalho no eixo. O eixo da turbina aciona o compressor, que pode estar conectado a equipamentos do tipo: alternadores,

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bombas, moendas, sopradores, entre outros, para poder atender as mais possíveis necessidades do processo.

Os gases de exaustão podem ser utilizados direta ou indiretamente nos processos térmicos. De forma direta, esses gases podem ser aplicados no processo reutilizando suas características térmicas, isto é o calor útil. Já indiretamente é utilizado na produção de água quente ou vapor, nesse caso, a passagem do gás pode ser por uma caldeira de recuperação, ou ainda ser utilizado como comburente nos queimadores de caldeiras convencionais.

As turbinas a gás são dividas em duas classes principais, aeroderivadas e heavy duty, cada uma com aplicação específica:

§ Aeroderivadas

De construção compacta, esse tipo de turbina apresenta um rendimento superior, chegando a atingir faixas na ordem de 35% a 42%. Com potencias inferiores, são encontradas com faixas de 2,5 a 50MW [7]. Esse tipo de turbina é oriundo de modificações de turbinas aeronáuticas na década de 1950.

§ Heavy Duty (turbina industrial)

As turbinas industriais possuem um rendimento inferior, se comparadas às aeroderivadas. Essa redução do rendimento é proposital, com a finalidade de aproveitar os gases de exaustão a temperaturas elevadas o suficiente (~600°C) para trabalhar em ciclo combinado, ou para algum processo industrial específico. São encontradas com potências superiores a 250MW [7]. A Figura 4.3 é um exemplo de turbina a gás heavy duty.

43

43 Figura 4.3 – Turbina a gás tipo heavy duty da Alstom Power [7]]. Além dessa

Figura 4.3 – Turbina a gás tipo heavy duty da Alstom Power [7]].

Além dessa divisão, a co-geração com turbinas a gás pode ser divida quanto à operação. Podem ser de operação de ciclo aberto ou ciclo fechado.

As turbinas a gás que operam em ciclo aberto são as mais empregadas nas indústrias. Nesse ciclo, o ar atmosférico é succionado pelo compressor e enviado para uma câmara de combustão. Em seguida, ocorre a combustão do ar comprimido com o combustível injetado, ocorrendo a queima e expelindo vapor para o processo. Em média a taxa de compressão do ar nesses compressores é na ordem de 15:1 a 30:1 [7]. Esse vapor sai da câmara de combustão com altas pressões e temperaturas, ideal para ser reaproveitado na movimentação das pás da turbina, que gerará energia elétrica. Esse vapor ainda pode ser reutilizado para o processo térmico. Ver Figura 4.4.

44

44 Figura 4.4 – Turbina a gás com ciclo aberto [7]. Já nas Turbinas em que

Figura 4.4 – Turbina a gás com ciclo aberto [7].

Já nas Turbinas em que o ciclo é fechado, o fluido de trabalho, podendo ser ar atmosférico ou até mesmo o hélio, circula em um ciclo fechado. O fluído é aquecido em um permutador, antes de entrar na turbina. Após essa etapa, é arrefecido logo depois de sair da turbina, para liberar calor útil. Esse ciclo é caracterizado pela pureza do fluído de trabalho, que ajuda a evitar corrosão ou erosão nas linhas de processo. A Figura 4.5 ilustrada bem esse ciclo.

nas linhas de processo. A Figura 4.5 ilustrada bem esse ciclo. Figura 4.5 – Turbina a

Figura 4.5 – Turbina a gás com ciclo fechado [7].

45

4.3. Motores alternativos

A tecnologia de co-geração a motores alternativos é baseada em motores de

combustão interna. Esses motores são simples e de fácil instalação e adaptação ao

combustível injetado.

O funcionamento ocorre da seguinte maneira: é injetado combustível nos pistões

(câmara de combustão), o ar é succionado para os pistões em seguida, ocorrendo a queima, que gera a combustão. Dessa explosão, é gerada uma força sobre os pistões, fazendo os mesmos moverem-se. Esse movimento (energia mecânica) faz o alternador,

que é um gerador acoplado ao motor, girar e gerar energia elétrica. Os gases provenientes da combustão são expelidos com baixas temperatura e pressão. Para ilustrar ver Figura 4.6.

baixas temperatura e pressão. Para ilustrar ver Figura 4.6. Figura 4.6 – Ciclo de Motor de

Figura 4.6 – Ciclo de Motor de Combustão Interna [12].

Como nesse tipo de tecnologia o calor residual total aproveitado no sistema (sistema de escape, lubrificação e refrigeração) é baixo, pode ser utilizado no aquecimento de água, pré-aquecimento de ar, entre outros. Com essa característica, esse tipo de tecnologia é mais utilizado em instalações que necessitam de quantidades

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maiores de energia elétrica e quantidades menores moderadas.

de calor com temperaturas

Esse tipo de co-geração é mais aplicado onde se necessite de um sistema de pequeno porte, com a maior necessidade de energia elétrica do que calor, como prédios comerciais, hospitais, hotéis e supermercados, por exemplo.

4.4. Comparação entre turbinas e motores

Essa comparação entre esses dois tipos de tecnologia de co-geração é de fundamental importância para uma alta eficiência do sistema. Será esta tecnologia empregada que trará o retorno financeiro do investimento, da implantação do sistema co-gerador em pouco tempo, muito tempo ou na pior da escolha, retorno nenhum.

Os motores alternativos são as máquinas térmicas que melhor convertem energia proveniente de um combustível, líquido ou gasoso, em potência mecânica. Essa potência mecânica será transformada em energia elétrica nos alternadores (geradores de energia elétrica).

A eficiência dos motores, em geral os motores a gás, conseguem converter a energia do combustível em energia mecânica algo ao redor de 32 a 40% [13]. Um rendimento considerável, porém, ocorre muita perda de calor, não sendo bons geradores de calor, como mencionado anteriormente.

Outra característica importante dos motores é a sua flexibilidade em relação à demanda de energia. Esses equipamentos podem se adaptar de maneira fácil e rápida. Eles podem ter sua demanda modificada de acordo com a variação da demanda para mais ou para menos.

No entanto, sistemas de co-geração que empregam a tecnologia de turbinas (vapor ou gás como combustível) são os mais utilizados no setor industrial, que corresponde a 40,6% do consumo final de energia elétrica [5]. Logo, fica evidente a importância desse sistema.

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As turbinas têm um valor superior ao dos motores, todavia o valor agregado da instalação final é compatível. As turbinas têm um rendimento, em relação à geração de energia elétrica, um pouco inferior se comparado aos motores de combustão, porém a parte de geração e reaproveitamento do calor do vapor ou gás é bastante eficiente. Por esse fato, seu emprego no setor industrial ocorre em maior escala.

A baixa emissão de poluentes é mais uma importante vantagem das turbinas. Por conta dessa baixa emissão, seu potencial na geração e reaproveitamento de calor é bastante significativo. Em contrapartida, os motores emitem uma porcentagem alta de poluentes, explicando a baixa eficiência na geração de calor.

De todas as características mencionadas, a que mais é levada em consideração na escolha da tecnologia a ser implantada é o rendimento global. O consumo especifico de calor é a razão entre kg vapor por kWh, ou seja, calor por energia elétrica como descrita na equação 4.1.

CONSUMO ESPECÍFICO DE CALOR =

kgVAPOR

kWh

(4.1)

Para o consumo especifico de calor com valores inferiores a uma unidade, deve- se optar por um sistema baseado em tecnologia de motores alternativos. Caso esse valor seja próximo a um valor de uma unidade, opta-se pelo sistema a turbinas (vapor ou gás).

4.5. Ciclo combinado

Ciclo combinado é a junção das características de sistema de co-geração com turbina a gás (ciclo de Brayton) e sistema de co-geração com turbina a vapor (ciclo de Rankine).

Este ciclo é baseado na principal característica da co-geração, o aproveitamento do calor rejeitado de um ciclo eletromecânico em uma maquina térmica. O

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funcionamento do ciclo combinado segue a ordem apresentada, primeiro turbinas a gás e em seguida turbina a vapor.

Inicialmente o gás é introduzido no sistema, como ocorre normalmente em um sistema de turbina a vapor. Após o processo de geração de energia eletromecânica, os gases são expelidos com temperaturas em torno de 500ºC, que são encaminhados para caldeira de recuperação, equipamento que será abordado no próximo capítulo. Na caldeira de recuperação, caso a temperatura e a pressão não estejam com as faixas ideais para o processo, o vapor pode ser combinado com uma queima adicional para a elevação dessas faixas dinâmicas. Com o vapor atingindo altas temperaturas e altas pressões, ele irá alimentar uma turbina a vapor, que por sua vez fornecerá trabalho no seu eixo, gerando energia eletromecânica e calor nos gases de exaustão para o processo. A Figura 4.7 apresenta esse tipo de tecnologia de co-geração.

4.7 apresenta esse tipo de tecnologia de co-geração. Figura 4.7 – Ciclo Combinado [7]. Este sistema

Figura 4.7 – Ciclo Combinado [7].

Este sistema apresenta uma eficiência no rendimento elétrico de 60%, em comparação ao uso separado dessas tecnologias que é de 35% em termos de eficiência total. O ciclo combinado pode alcançar valores de 85% [7].

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A co-geração em ciclo combinado apresenta uma grande eficiência e flexibilidade

de operação. É mais indicado para situações que a maior necessidade seja de energia elétrica, em contrapartida do calor. Uma observação importante, é que este tipo de ciclo só se torna economicamente viável quando os regimes de operação são em base integral, que trata-se do processo trabalhando em tempo ininterrupto, a vazão de gás constante, por exemplo.

A maior desvantagem deste tipo de sistema é o alto custo inicial de instalação,

pois, reúne duas tecnologias com suas respectivas características e necessidades [13].

50

Capítulo 5

5. Apresentação dos Principais Equipamentos em um Sistema de Co-geração de Energia

Como visto no capítulo anterior, as plantas de co-geração, possuem diferentes tipos de tecnologias para a obtenção de energia elétrica, além da diversidade de combinações, que podem ser de simples combinações, como por exemplo, uma turbina acoplada a um gerador, a sistemas mais complexos.

Não obstante, o que levará a escolha da tecnologia a ser empregada e o equipamento que será instalado na planta, serão as características de cada equipamento escolhido, da tecnologia empregada corretamente. Essa escolha é importante para que se tenha um bom rendimento global e desempenho do sistema.

Neste

capítulo,

serão

abordados,

de

uma

forma

geral,

os

principais

equipamentos utilizados na co-geração de energia elétrica.

5.1. Caldeira de recuperação

Caldeira é um aparelho térmico que produz vapor a partir do aquecimento de um fluido vaporizante [14].

Com essa característica de produção de vapor a partir de um fluido usado como vaporizante, as caldeiras possuem uma variedade de modelos no mercado. A escolha do tipo de caldeira a ser utilizada em uma planta deve-se a alguns fatores importantes, entre eles pode-se citar o tipo de serviço que será empregado à caldeira. Além desse fator de grande importância para a escolha correta da caldeira, é importante citar o tipo de combustível disponível para o uso, a capacidade de produção e fatores de caráter

51

econômico. O tipo de caldeira que será tratada neste tópico será a caldeira de recuperação, por sua importância em sistemas de co-geração de energia elétrica.

A caldeira de recuperação tem como principal característica a ausência da necessidade de um combustível como fonte geradora de calor. Estas caldeiras aproveitam o calor proveniente dos gases de exaustão de escape de motores, turbinas, entre outros.

Esses equipamentos tiveram uma evolução significativa nos últimos anos, no que diz respeito às inovações tecnológicas. Essa evolução acompanhou de perto a evolução das turbinas a gás. Caldeiras de recuperação sempre foram utilizadas no setor industrial em geral, tendo como principal função, a recuperação do calor residual dos gases quentes de processo. Porém, com o advento da política de eficiência energética, as características e funcionalidades foram aproveitadas e inseridas em ciclos, cujo principal objetivo energético é a geração de energia elétrica. Elas costumam ser mais compactas que as caldeiras convencionais [15]. Podem apresentar variações construtivas que permitem a obtenção de ciclos de vapor com características diversas.

Nas caldeiras de recuperação pode-se utilizar queimadores suplementares, que normalmente utilizam combustíveis líquidos ou gasosos, para suprimir um aumento na quantidade requerida de vapor, por exemplo.

Quando acopladas em turbinas a gás, aproveitando os gases de exaustão, as caldeiras de recuperação utilizam na combustão cerca de 20 a 25% da massa de ar introduzida, o restante é utilizado para resfriar a turbina. Na Figura 5.1 pode-se ver a turbina utilizada no Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello – Cenpes, localizado na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro (RJ).

52

52 Figura 5.1 – Caldeira de recuperação do Cenpes [16]. 5.2. Turbina a vapor As turbinas

Figura 5.1 – Caldeira de recuperação do Cenpes [16].

5.2. Turbina a vapor

As turbinas a vapor são maquinas de combustão externa, ou seja, os gases resultantes da queima do combustível não entram em contato com o fluído de trabalho que escoa no interior da máquina e realiza os processos de conversão da energia do combustível em potencia do eixo [14]. Com isto, pode-se utilizar os mais variados tipos e combustível. Como as turbinas a vapor possuem essa característica, a transferência de calor para a ebulição do condensado e um futuro superaquecimento são realizados através de serpentinas instaladas no interior da caldeira.

O funcionamento dessas turbinas ocorre em duas fases. Na primeira a energia do vapor que passa na linha faz com que o elemento básico da turbina, podendo ser um rotor, em um movimento rotacional, produza energia mecânica (trabalho). Na segunda fase, esse trabalho é transferido através de um eixo para um equipamento, que pode ser um gerador elétrico (energia elétrica).

Os principais equipamentos de uma turbina a vapor são:

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§ Carcaça – contém o sistema de pás fixas ou distribuidores, normalmente é dividida em duas partes para facilitar o acoplamento e desmontagem;

§ Rotor com pás em sua periferia – onde há o contato direto com o vapor e é feita a transformação com a intensidade da velocidade do vapor;

§ Sistema de comando e válvulas: regula a velocidade e potencia da turbina modificando a descarga do vapor;

§ Acoplamento: onde é feito a interligação com o gerador;

§ Expansor: onde a energia de pressão do vapor se transforma em energia cinética;

§ Junta de labirinto: reduz o calor gerado quando acontece o contato rotor- estator, como um sistema de proteção contra altas temperaturas, que poderia fundir o material do rotor.

As turbinas a vapor podem ser classificadas por duas funções principais. A primeira é feito através da característica do vapor de saída e a segunda o número de estágios.

Quanto ao vapor de saída, pode-se encontrar turbinas de contrapressão ou de condensação apresentando ou não extração de vapor no seu corpo. Quando uma turbina a vapor é dita de contrapressão, as condições de temperatura e pressão do vapor de saída são compatíveis às necessidades do processo, podendo ser reutilizado no mesmo. Já os de condensado disponibiliza o vapor de saída que não possui características para ser reutilizado no processo (umidade, baixa pressão e temperatura). Com essas características, esse tipo de turbina é muito utilizada para geração de energia elétrica.

Em relação ao número de estágios, pode ser de simples estágio (SE) ou de múltiplo estágio (ME). Como o rendimento do equipamento aumenta com a diminuição do salto térmico por estagio, as turbinas de contrapressão de múltiplos estágios apresentam rendimentos consideravelmente maiores que as de simples estágio [13]. Um modelo de turbina a vapor aplicado pela Rolls-Royce na implantação do sistema de

54

co-geração de energia em fábricas de papel em Portugal e Espanha é apresentado na Figura 5.2.

de papel em Portugal e Espanha é apresentado na Figura 5.2. Figura 5.2 – Modelo de

Figura 5.2 – Modelo de turbina a vapor da Rolls-Royce [17].

5.3. Turbina a gás

A primeira turbina a gás economicamente viável foi construída em 1911 e é

creditada a Holzworth. Na década de 1930, ingleses e alemães utilizaram com sucesso as turbinas a gás em aeronaves. No entanto, o grande impulso em seu desenvolvimento foi dado pelos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial

[18].

Desde 1940 até os dias de hoje, as turbinas a gás vem passando por uma intensa evolução. Esta evolução é decorrente do avanço tecnológico das pesquisas em resistência dos materiais, criando materiais mais resistentes que proporcionam uma maior durabilidade do equipamento.

O grande propulsor dessa evolução das turbinas a gás foi sua aplicação em

aeronaves. Foram os Estados Unidos que, durante a segunda guerra mundial, implantaram essas turbinas as aeronaves que partiam para o fronte de guerra. Esta foi

à primeira aplicação das turbinas a gás. Porém, com o contínuo aumento da demanda

55

do consumo de energia elétrica, o emprego de turbinas a gás no setor industrial passou a ser uma realidade, uma opção para geração de energia elétrica.

As turbinas foram introduzidas no setor industrial concorrendo com as turbinas a vapor. Essa concorrência foi bem sucedida devido ao custo ser menor e as facilidades no momento de instalação, operação e manutenção serem mais atrativas em comparação as turbinas a vapor.

Em relação aos motores alternativos, as turbinas a gás têm uma grande vantagem no que diz respeito ao rendimento. Como essas turbinas o atrito é quase inexistente, devido há ausência de movimentos alternativos dos pitões, como ocorre nos motores em geral. Este ponto significa facilidade de manutenção, pois não é necessário regulagem periódica no balanceamento, e em conseqüência um baixo consumo de óleo lubrificante.

Outro fator importante que impulsionou a escolha das turbinas a gás na geração de energia em sistemas de co-geração, é a implantação do gás natural como fonte de energia (energético).

Como mencionado no capítulo 4, as turbinas a gás são equipamentos em que a queima do combustível é feita em uma câmara de combustão, ou seja, são máquinas pertencentes ao grupo de motores de combustão interna [18].

Visto

anteriormente,

as

turbinas

a

gás

possuem

três

partes

principais:

compressor, aquecedor e turbina. Estas partes podem ser visualizadas na Figura 5.3.

56

56 Figura 5.3 – Corte longitudinal de uma turbina a gás [14]. No compressor o ar

Figura 5.3 – Corte longitudinal de uma turbina a gás [14].

No compressor o ar é comprimido (elevando a pressão), e conduzido para a câmara de combustão. Na câmara de combustão, o combustível é injetado (gás ou líquido), fazendo a mistura ar+combustível. A uma pressão com baixa variação, essa mistura receberá uma centelha que ocasionará uma queima, conseqüentemente aumentado à temperatura dos gases e introduzindo, desta forma, a energia primária no sistema. Esses gases provenientes da queima expandem-se na turbina, que tem como função transformar esta energia dos gases em energia mecânica. Esta energia mecânica pode ser convertida em energia elétrica com o acoplamento de um gerador no eixo central.

Para poder produzir uma quantidade maior de energia elétrica, é necessário uma introdução maior de calor na câmara de combustão. Essa relação é diretamente proporcional, ou seja, uma maior ou menor introdução de calor produz respectivamente uma maior ou menor potência efetiva.

Como mencionado, as turbinas a gás são classificadas de várias formas, desde o tipo de construção até quanto a sua aplicação.

57

Quanto à construção, podem ser leves, derivadas de turbinas aeronáuticas, ou pesadas, heavy duty. Em relação a rotação, podem ser de operação em velocidade constante, que são os turbo-alternadores, e de operação em velocidade variável, turbo- bombas e turbo-compressores. Ainda podem classificar quanto ao número de eixos, que pode ser de um eixo ou de vários. A localização de instalação pode ser onshore (interna), offshore (externa) ou on-board (móvel).

A maior desvantagem das turbinas a gás é o seu baixo rendimento e a alta rotação, fatores esses bastante desfavoráveis. Porém, seu uso ainda é o mais indicado para situação onde se tenha uma grande necessidade de geração de energia elétrica.

5.4. Grupos de geradores

Os geradores de energia elétrica são máquinas que tem como principio de funcionamento a indução eletromagnética. É através deste principio, que consegue-se converter energia mecânica em elétrica.

Esses equipamentos funcionam da seguinte maneira: quando o rotor gira, devido ao movimento de turbinas a gás ou vapor, por exemplo, que estejam acopladas, faz com que as espiras, que possuem a movimentação livre quando aplicado um campo magnético uniforme, movam-se em uma trajetória rotacional. Esse movimento das

espiras faz com que seja induzida uma força eletromotriz, f.e.m

proveniente da variação do sentido fluxo de corrente que passa sobre as esperas. Nos extremos das espiras são conectados dois anéis que giram com as espiras. Serão desses anéis que a alimentação de uma carga qualquer derivará. Um exemplo de modelo de grupo gerador de energia elétrica é visto na Figura 5.4. este modelo foi aplicado no projeto de co-geração do aeroporto de Maceió.

indução é

Essa

58

58 Figura 5.4 – Grupo gerador implantado no aeroporto de Maceió [19]. 5.5. Motores alternativos de

Figura 5.4 – Grupo gerador implantado no aeroporto de Maceió [19].

5.5. Motores alternativos de combustão interna

Os motores alternativos de combustão interna são máquinas que transformam a energia térmica de um combustível em energia mecânica através da movimentação de pistões confinados em cilindros [14].

Os tipos de motores empregados comercialmente em plantas de co-geração se restringem a dois principais – ciclo Diesel e ciclo Otto [7]. Esses dois ciclos diferem-se no que diz respeito a queima. Em motores tipo ciclo Diesel, a combustão se dá por meio da admissão do ar sem nenhuma restrição e, também, sem ajuste do controle da quantidade de injeção de combustível. Já nos motores com ciclo tipo Otto, o motor possui um sistema de dosagem da mistura ar e combustível, com a ignição por centelha.

O funcionamento dessas máquinas é feito em ciclo aberto, com o ar como fluido de trabalho e se dá da seguinte maneira: o ar é succionado para dentro das câmaras de combustão pelos pitões, que funcionam como um êmbolo. É injetado combustível nas câmaras de combustão, criando um mistura ar e combustível. Essa mistura é

59

comprimida e inflamada (centelha). Neste momento que a energia química é transformada em energia térmica. Essa explosão, ocasionada na mistura ar+combustível+centelha, gera altas temperaturas e pressões tal, podendo chegar a 100 atm, no qual força o pistão a retornar a sua posição inicial. Neste momento a pressão, gerada na etapa anterior, é transformada em energia mecânica. Como esse pistão esta conectado a algum equipamento gerador de energia, a energia mecânica, enfim, é transformada em energia elétrica.

Esse tipo de equipamento, apesar de possível, não é uma boa máquina térmica, por possuir baixa temperatura dos gases de exaustão, em torno de 300 a 400°C [7].

No entanto esses gases de exaustão podem ser utilizados em processos térmicos diretamente ou indiretamente, com o uso de caldeira de recuperação. Além de poder utilizar esses gases de exaustão em outros tipos de processo, como secagem de grãos, por exemplo.

Com a crescente participação do gás natural na matriz energética mundial, os motores alternativos começaram a serem desenvolvidos especialmente para a utilização desse combustível [7]. E como na MEB, o gás natural também está sendo inserido na matriz como importante energético, esses equipamentos, que apresentam uma alta performance elétrica, térmica e baixo nível de emissões utilizando sistemas de controle e geração elétrica integrados, estão se tornando uma ótima opção para a implantação desses equipamentos, associados a uma tecnologia de co-geração mais adequado para o processo.

60

Capítulo 6

6. Aplicações de Sistemas de Co-geração

Após apresentação de todos os aspectos técnicos para a implantação de um sistema co-gerador, será feito um estudo prático de uma central co-geradora. Nesse estudo aplica-se de forma sucinta todo conteúdo explanado neste trabalho, analisando um projeto já executado.

O projeto trata-se da implantação de uma central de co-geração do Shopping

Iguatemi Salvador. O Iguatemi foi fundado em 1975, na Avenida Tancredo Neves, 148, Caminho das Árvores, Salvador, Bahia.

O Iguatemi é considerado um dos maiores shopping center de Salvador, com

cerca de 530 lojas, sendo considerado o quinto maior em faturamento no Brasil. Circula

em média cerca de 100.000 pessoas por dia no shopping, aumentado nos finais de semana para cerca de 120.000.

Outros dados importantes referente ao shopping [20]:

§ Área bruta locável: 68.295m 2 ;

§ Área construída: 150.000m 2 ;

§ Fluxo médio de clientes: 3.000.000 pessoas/mês;

§ Potência elétrica instalada: 19.000kVA;

§ 12 subestações de média tensão;

§ Carga térmica instalada: 3.500TR;

§ Cinco centrais de água gelada.

A idéia do projeto era adaptar equipamentos existentes com 30 anos de

fabricação, aos padrões e situações atuais. Alguns fatores que foram destacados antes da implantação do projeto:

61

§ Atender a legislação ambiental;

§ Aumentar a eficiência energética dos equipamentos;

§ Aumentar o conforto térmico dos clientes;

§ Redução de custo (condomínio e fatura da energia)

§ Aumentar a confiabilidade no fornecimento de energia elétrica;

Com a escolha do sistema a ser implantado, foram previsto alguns pontos como objetivos. Esses pontos acarretariam grandes vantagens para o shopping no que diz respeito a investimento. Pode-se evitar o investimento na troca dos equipamentos do sistema de refrigeração, de climatização, de renovação de ar.

Os equipamentos instalados no projeto foram:

§ 03 Motogeradores a gás natural de 2.855 kW;

§ 03 Caldeiras de Recuperação de Calor;

§ 03 Chillers de Absorção de 410 TR’s;

§ 01 Chillers de Compressão de 900 TR’s;

§ 01 Chillers de Compressão de 750 TR’s;

§ 03 Torres de Resfriamento;

§ 01 Painel de acoplamento/paralelismo Cogeração/COELBA

Após a implantação desse sistema, o Iguatemi passaria a ter várias vantagens,

como:

§ Redução do custo condominial (menor consumo de energia elétrica)

§ Foi evitada a troca de todo sistema de refrigeração ultrapassado;

§ Redução do custo condominial (menor consumo de energia elétrica);

§ Redução de um provável “apagão”.

§ Paralelismo com a concessionária – alimentação full time.

§ Horário de funcionamento da Central: 9:00 as 22:00 h.

§ Energia Noturna e energia de back-up fornecida pela Concessionária de energia.

62

O processo de co-ogeração do shopping Iguatemi é caracterizado, em linhas gerais, com a implantação de um motor de combustão interna, alimentado por gás natural, que aciona um gerador. Este que tem fornece energia elétrica para o empreendimento. A escolha do motor como principal equipamento para o sistema co- gerador, é a maior necessidade de energia elétrica que o shopping necessita.

Neste processo é gerado gases de exaustão, devido a combustão nos motores. O calor dos gases de exaustão e água de arrefecimento dos motores são reaproveitados através de caldeiras de recuperação que fornecem água quente, como fonte de energia, para os chiller’s de absorção, que transforma esta energia térmica em água gelada que é destinada ao sistema de refrigeração de ar do shopping.

Com esse sistema, foi previsto uma capacidade total de 8565 kW de potência para o consumo de energia elétrica e 3550 TR.

Porém, alguns obstáculos ocorreram na implantação do sistema. Como, por exemplo, a liberação da licença ambiental, equipamentos principais são importados e interface com o funcionamento do Iguatemi.

Segue algumas fotos desde a montagem da unidade de co-geração do shopping Iguatemi até o funcionamento pleno dos dias atuais.

Iguatemi até o funcionamento pleno dos dias atuais. Figura 6.1 – Área da instalação da central

Figura 6.1 – Área da instalação da central co-geradora [20].

63

63 Figura 6.2 – Chiller´s de absorção e compressão [20]. Figura 6.3 – Montagem dos motogeradores

Figura 6.2 – Chiller´s de absorção e compressão [20].

Figura 6.2 – Chiller´s de absorção e compressão [20]. Figura 6.3 – Montagem dos motogeradores [20].

Figura 6.3 – Montagem dos motogeradores [20].

compressão [20]. Figura 6.3 – Montagem dos motogeradores [20]. Figura 6.4 – Situação atual da central

Figura 6.4 – Situação atual da central co-geradora.

64

Capítulo 7

7. Conclusão e considerações finais

A partir de uma análise desta pesquisa sobre sistemas de co-geração de energia

elétrica, pode-se verificar com clareza a importância desse sistema na matriz energética

brasileira como opção de geração de energia elétrica.

Ao longo desses meses de pesquisas e estudos procurou-se, primeiramente, aumentar o nível de conhecimento sobre o assunto do autor, através de pesquisas dos principais tipos, principais equipamentos, aplicações e os princípios de funcionamento. Objetivo inicial o qual foi alçando, mesmo com o conteúdo vasto que se encontra na literatura sobre o tema.

A matriz energética brasileira, na sua situação atual, precisa de opções descentralizadas de geração de energia elétrica, pois o cenário atual, baseado em centrais hidrelétricas, que dependem das chuvas sazonais para encher as barragens. Várias são as fontes de geração de energia, mas a co-geração tem suas particularidades. Trata-se de um sistema que utiliza um energético para geração de energia elétrica simultaneamente a energia térmica. Essa característica é muito utilizada em todos os setores, principalmente nas indústrias, shopping center, hospitais, entre outros. Esses são os principais empreendimentos que usufruem esse tipo de sistema.

A escolha do sistema a ser implantado depende das variáveis do processo e

objetivos que se deseja obter. Foram apresentados dois tipos de co-geração: ciclo de topo e ciclo de fundo. Cada tipo possui sua particularidade. Sistemas de ciclo de topo, topping cycle, são ciclos que caracterizam-se pela utilização, a priori, do energético

para a obtenção de energia elétrica. É muito utilizado para sistemas que tem uma maior necessidade no consumo de energia elétrica, o que não acontece com ciclos de fundo, bottoming cycle, que são implantados em clientes que possuem uma necessidade

65

maior no consumo de calor, ao invés de energia elétrica. Nesse ciclo, o energético é utilizado, primeiramente, na geração e calor, e em seguida é reaproveitado na geração de energia elétrica.

Além disso, foram analisadas as tecnologias e equipamentos empregados em na implantação de um sistema. Sistemas derivados da tecnologia das turbinas a vapor possuem características de ser um bom produtor de calor, utilizando o ciclo de topo. Utilizam turbinas a vapor, que são maquinas de combustão externa, que expelem gases sem que o mesmo entre em contato com o fluido de processo. Diferente desses sistemas baseados em turbinas a vapor, os derivados de turbinas a gás, estão cada vez mais sendo utilizados nas indústrias, devido a sua praticidade na instalação e manutenção e o energético utilizado, o gás natural que esta sendo muito utilizado. Essa turbinas são derivadas das utilizadas nos aviões de guerra dos Estados Unidos da América na segunda guerra mundial. Possuem um ótimo rendimento em comparação aos motores de combustão interna. Estes são ótimos geradores de energia elétrica, tendo em seus gases de exaustão um potencia para atividades que necessitem de vapor com temperatura mediana, entre 300 a 400°C.

Além da geração de energia (elétrica e térmica) separadamente, pode-se unir as duas necessidades em sistemas baseados na tecnologia de ciclo combinado. Nesta tecnologia o principio básico de co-geração é posto em prática. É utilizado dois tipos de tecnologias conjuntamente, turbinas a vapor e a gás. É aproveitado o calor rejeitado de um ciclo eletromecânico em uma maquina térmica. Seguindo a ordem de primeiro às turbinas a gás e em seguida as turbinas a vapor.

O desenvolvimento futuro de sistemas de co-geração terá um apelo maior no setor energético, quando as normas e leis de incentivos a autoprodutores forem bem regularizadas de forma a beneficiar as empresas que implantarem tal sistema. Outro fator que deverá ser mudado para uma futura expansão do sistema, a obtenção de licenças ambientais e a facilidade da venda do excedente para as concessionárias, que também terão que reavaliar o valor cobrado da energia consumida, de forma paralela, dos autoprodutores.

66

Quando essas mudanças acontecerem, sistemas de co-geração de energia elétrica, serão de grande importância para que o risco de “apagão” fique cada vez mais distante da realidade nacional, proporcionando uma maior confiabilidade para que empresas invistam no país gerando novos empregos e ajudando na economia do Brasil.

67

Capítulo 8

8. Referências Bibliográficas

[1]

Marte, Cláudio Luís. Conservação de Energia – Eficiência Energética de Instalações e Equipamentos. Itajubá, MG: Fupai, 2001.

[2]

MENDONÇA, João Pedro L.; SILVA, Cátia Solange L

Produção e Distribuição

Centralizada de Energia Térmica e Co-geração. Coimbra, 2003. Departamento de

Engenharia Mecânica – Faculdade de Ciência e Tecnologia – Universidade de Coimbra.

[3]

Relatório

Econômico

Brasileiro

segundo

OIT

-

2007.

http://www.agenciabrasil.gov.br. Acesso: 17 de Abril de 2008.

[4] Procel. “Eletrobrás reforça programa de eficiência energética nas indústrias”. Informativo Eletrobrás do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica. Ano XVII. Numero 70. Fevereiro de 2005.

[5]

BEN – BALANÇO ENERGETICO NACIONAL - Preliminar. Ano 2008.

[6]

ROUSSEFF, Dilma Vana. A Política Energética e Mineral na Estratégia de Desenvolvimento Sustentável. Brasília, 2004. Ministério de Minas e Energia.

[7] BARJA, Gabriel de Jesus Azevedo. A co-geração e sua inserção ao sistema elétrico. Brasília, 2006. Dissertação de Mestrado em Ciências Mecânicas – Faculdade de Tecnologia - Departamento de Engenharia Mecânica, Universidade de Brasília.

[8]

MATA, Cristian Roberto. Análise econômica de sistemas de co-geração de energia elétrica no setor terciário. Itajubá, MG, 2000. Escola Federal de Itajubá – Instituto de Engenharia Mecânica – Departamento de Produção.

[9] CARVALHO, Fabiano da Rosa; NOGUEIRA, Luiz Augusto Horta; TEIXEIRA, Flávio Neves. Co-geração e geração distribuída. In: LORA, Electo Eduardo Silva; NASCIMENTO, Marco Antônio Rosa do (2004). Geração termelétrica:

planejamento, projeto e operação. Rio de Janeiro: 2 volumes. (1296p.).

[10] COELHO, Sunai Teixeira. Medidas Mitigadoras para a Redução de Emissão de Gases de Efeito Estufa na Geração Termelétrica. 1º Ed. Dupligráfica Editora. 2000. 222p.

68

[11]

Co-geração com Turbinas a Vapor. http://www.udop.com.br. Acesso: 29 de Maio de 2008.

[12] HIRSCH, Rodrigo Andrés Fernández. Comportamiento de Planta de Cogeración Frente a Pertubaciones Elétricas. Santiago, 2005. Monografia em Engenharia Elétrica. Departamento de Ingenieria Electrica – Facultad de Ciências Físicas y Matemáticas – Universidad de Chile.

[13] NAKAMURA, Satoru; FILIPINI, Fábio Antônio. Curso de Capacitação de Multiplicadores em Eficiência Energética – Setor Rural e agroindustrial – Módulo VIII – Co-geração. Copel Distribuição – Conselho de Consumidor.

[14] SOARES, Thiago Manfrin Morbeck. OLIVEIRA, José Lúcio Alves. Sistemas de Co- geração. Goiânia, 2003. Monografia em Engenharia Elétrica. Escola de Engenharia Elétrica – Universidade Federal de Goiás.

[15] PAULA, Cláudio Paiva de. Geração Distribuída e Co-geração no Setor Elétrico:

Avaliação Sistêmica de um Plano de Inserção Incentivada. São Paulo, 2004. Tese de Doutorado. Programa de Interunidades de Pós-Graduação – Universidade de São Paulo.

[16]

Cenpes opera sistema de cogeração a gás. http://www.gasnet.com.br. Acesso: 09 de junho de 2008.

[17]

Rolls-Royce recebe contrato de co-geração para prover energia para fábricas de papel em Portugal e Espanha. http://www.gforum.tv. Acesso: 10 de junho de 2008.

[18] BRANCO, Fabiano Pagliosa. Análise Termoeconômica de uma Usina Termelétrica a Gás Natural Operando em Ciclo Aberto e em Ciclo Combinado. São Paulo, 2005. Dissertação de Mestrado em Engenharia Mecânica. Programa de Pós- Graduação em Engenharia Mecânica - Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”.

[19] Aeroporto de Maceió é pioneiro no Brasil na operação com co-geração a gás. http://www.cogensp.com.br. Acesso: 09 de junho de 2008.

[20]

Co-geração Shopping Iguatemi Salvador. http://www.cogensp.com.br. Acesso: 09 de junho de 2008

69

9. Anexos

9.1. Resolução Normativa ANEEL para qualificação de centrais co-geradoras de energia.

AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA – ANEEL RESOLUÇÃO NORMATIVA Nº235, DE 14 DE NOVEMBRO DE 2006.

Estabelece os requisitos para a qualificação de centrais termelétricas co-geradoras de energia e revoga a Resolução nº. 21, de 20 de janeiro de 2000.

O DIRETOR-GERAL DA AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA -

ANEEL, no uso de suas atribuições regimentais, de acordo com deliberação da

Diretoria, tendo em vista o disposto nos incisos IV e IX art. 4º do Anexo I do Decreto nº

2.335, de 6 de outubro de 1997, nos arts. 1º, incisos II, IV e VIII e 2º, inciso I, da Lei nº

9.478, de 6 de agosto de 1997, o que consta no Processo 48500.004724/2005-41, e

considerando:

racionalidade

energética, possibilitando melhor aproveitamento e menor consumo de fontes de

energia, quando comparada à geração individual de calor e energia elétrica;

que

a

atividade

de

cogeração

de

energia

contribui

para

a

que, em função da Audiência Pública nº 003/2006, em caráter documental,

realizada no período de 22 de fevereiro a 07 de abril de 2006, foram recebidas

sugestões de diversos agentes do setor de energia elétrica, bem como da sociedade

em geral, que contribuíram para o aperfeiçoamento deste ato regulamentar, resolve:

70

Art. 1º Estabelecer, na forma desta Resolução, os requisitos para o reconhecimento da qualificação de centrais termelétricas co-geradoras, com vistas a participação nas políticas de incentivo ao uso racional dos recursos energéticos.

Art. 2º O disposto nesta Resolução aplica-se a:

I – pessoa jurídica ou empresas reunidas em consórcio que produzam ou

venham a produzir energia elétrica destinada ao serviço público ou à produção

independente; ou

II – pessoa física, pessoa jurídica ou empresas reunidas em consórcio que produzam ou venham a produzir energia elétrica destinada à autoprodução, com excedente para comercialização eventual ou temporária.

DAS TERMINOLOGIAS E DOS CONCEITOS

Art. 3º Para os fins e efeitos desta Resolução são adotadas as terminologias e conceitos a seguir definidos:

I – Cogeração: processo operado numa instalação específica para fins da

produção combinada das utilidades calor e energia mecânica, esta geralmente convertida total ou parcialmente em energia elétrica, a partir da energia disponibilizada por uma fonte primária, observando que:

a) a instalação específica denomina-se central termelétrica cogeradora, cujo ambiente não se confunde com o processo ao qual está conectada. Excepcionalmente e a pedido do interessado, a cogeração poderá alcançar a fonte e as utilidades no processo, além das utilidades produzidas pela central termelétrica cogeradora a que está conectado, condicionando aquelas à exeqüibilidade de sua completa identificação, medição e fiscalização, a critério exclusivo da ANEEL; e

b) a obtenção da utilidade eletromecânica ocorre entre a fonte e a transformação para obtenção da utilidade calor;

71

II - Cogeração qualificada: atributo concedido a co-geradores que atendem os requisitos definidos nesta Resolução, segundo aspectos de racionalidade energética, para fins de participação nas políticas de incentivo à cogeração;

III - Energia da fonte (Ef): energia recebida pela central termelétrica cogeradora,

no seu regime operativo médio, em kWh/h, com base no conteúdo energético específico, que no caso dos combustíveis é o Poder Calorífico Inferior (PCI);

IV - Energia da utilidade eletromecânica (Ee): energia cedida pela central

termelétrica cogeradora, no seu regime operativo médio, em kWh/h, em termos líquidos,

ou seja, descontando da energia bruta gerada o consumo em serviços auxiliares elétricos da central;

V - Energia da utilidade calor (Et): energia cedida pela central termelétrica

cogeradora, no seu regime operativo médio, em kWh/h, em termos líquidos, ou seja, descontando das energias brutas entregues ao processo as energias de baixo potencial térmico que retornam à central;

VI - Eficiência Energética: índice que demonstra o quanto da energia da fonte foi

convertida em utilidade eletromecânica e utilidade calor;

VII - Eficiência Exergética: índice que demonstra o quanto da energia da fonte foi

convertida em utilidades equivalentes à eletromecânica;

VIII - Fator de cogeração (Fc %): parâmetro definido em função da potência instalada e da fonte da central termelétrica cogeradora, o qual aproxima-se do conceito de Eficiência Exergética; e IX - Fator de ponderação (X): parâmetro adimensional definido em função da potência instalada e da fonte da central termelétrica cogeradora, obtido da relação entre a eficiência de referência da utilidade calor e da eletromecânica, em processos de conversão para obtenção em separado destas utilidades.

72

DOS REQUISITOS PARA QUALIFICAÇÃO

Art. 4º A central termelétrica cogeradora, para fins de enquadramento na modalidade de “cogeração qualificada”, deverá atender os seguintes requisitos:

I - estar regularizada perante a ANEEL, conforme o disposto na legislação específica e na Resolução nº 112, de 18 de maio de 1999; e

II – preencher os requisitos mínimos de racionalidade energética, mediante o cumprimento das inequações a seguir:

mediante o cumprimento das inequações a seguir: § 1º Os valores de “X” e “Fc” das

§ 1º Os valores de “X” e “Fc” das fórmulas acima deverão ser aplicados em função da potência elétrica instalada na central de cogeração e da respectiva fonte, conforme tabela abaixo:

cogeração e da respectiva fonte, conforme tabela abaixo: § 2º No caso de queima alternada ou

§ 2º No caso de queima alternada ou mesclada de diferentes fontes, os valores

de “X” e “Fc”, representativos dessa situação, serão obtidos por ponderação dos valores

contidos na tabela de que trata o parágrafo anterior, segundo a participação energética de cada fonte.

73

§ 3º Poderão candidatar-se à qualificação os blocos de cogeração pertencentes

a uma central termelétrica contendo blocos de geração pura, desde que se distingam os

primeiros dos segundos, e os blocos de cogeração apresentem medições perfeitamente individualizadas que permitam o cômputo das suas energias Ef, Ee e Et e a sua fiscalização.

DA SOLICITAÇÃO DE QUALIFICAÇÃO

Art. 5º A qualificação de central termelétrica cogeradora deverá ser objeto de requerimento à ANEEL, acompanhado de relatório contendo as seguintes informações:

I - memorial descritivo simplificado da central e do processo associado;

II - planta geral do complexo destacando onde está inserida a central;

III - diagrama elétrico unifilar geral da central;

IV - caracterização do calendário do ciclo operativo da central, com indicação do

seu regime operativo e o conseqüente fator de utilização média das instalações;

V - balanço da energia elétrica em kWh/h, indicando, tanto para “carga plena”

quanto “carga média”, as informações referentes a:

a) geração bruta;

b) consumo em serviços auxiliares da central;

c) consumo no processo industrial associado; e

d) intercâmbio externo, se houver importação ou exportação;

VI - fluxograma do balanço térmico na “carga plena” e na “carga média”, indicando para cada situação a vazão mássica e as variáveis de estado de todos os fluidos envolvidos, na entrada e saída dos principais equipamentos e instalações da central;

74

VII

-

demonstração

da

eficiência

energética

individual

dos

principais

equipamentos integrantes do ciclo térmico de cogeração; e

VIII - demonstração do atendimento aos requisitos de racionalidade a que se refere o inciso II do art. 4o. Parágrafo único. A documentação técnica, em todas as suas partes, deverá estar assinada pelo engenheiro responsável pelas informações, incluindo a comprovação de sua carteira-inscrição e certificado de regularidade perante o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CREA.

Art. 6º O requerimento da qualificação deverá considerar os dados energéticos extraídos da efetiva operação da central, podendo, na sua falta, ser instruído com as informações do planejamento operativo.

Art. 7º A ANEEL poderá solicitar outros dados e informações adicionais ou a complementação daqueles já apresentados, para melhor instrução e análise da qualificação requerida.

Art. 8º As centrais termelétricas que utilizam exclusivamente a biomassa como fonte primária de energia não necessitam de qualificação para fazer jus aos benefícios previstos na legislação, respeitadas as respectivas condições de aplicação.

AS OBRIGAÇÕES DO COGERADOR QUALIFICADO

Art. 9º Uma vez reconhecida a qualificação, o agente obriga-se a manter em arquivo o registro mensal dos montantes energéticos referentes à Ef, Ee e Et, bem como o demonstrativo da sua apuração, com base na efetiva operação da central termelétrica cogeradora, observando os seguintes procedimentos:

I - no caso da qualificação tiver sido outorgada com base nas informações do planejamento operativo, o agente deverá encaminhar à ANEEL, até nove meses após o início da operação, a apuração e a demonstração do atendimento aos requisitos de racionalidade a que se refere o inciso II do art.4o desta Resolução, em base mensal, bem como o acumulado dos seis primeiros meses de operação; e

75

II - os arquivos anteriores aos últimos sessenta meses perdem a validade para fins de comprovação à ANEEL.

Parágrafo único. Deverão ser informadas à ANEEL as alterações que impliquem a violação de qualquer das condições de qualificação da central termelétrica cogeradora.

Art. 10. O desatendimento às condições de qualificação da central termelétrica sujeitará o agente à revogação do ato de reconhecimento da qualificação, à cessação dos benefícios incorridos e à aplicação da respectiva penalidade conforme os arts. 7º e 15 da Resolução nº. 63, de 12 de maio de 2004.

DAS DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 11. Mantêm-se em vigor todas as qualificações reconhecidas sob a vigência da Resolução nº 21, de 20 de janeiro de 2000, as quais passam a se sujeitar ao disposto nesta Resolução no tocante às condições de manutenção da qualificação e de sua violação, respectivamente, nos termos dos arts. 4º e 10.

Art. 12. Fica revogada a Resolução nº. 21, de 20 de janeiro de 2000.

Art. 13. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

JERSON KELMAN