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Caros e Amigos Associados

Á existência é um livro para a posteridade. A vida deve ser experimentada para a Gente, com a Gente, nunca da Gente… A verdadeira essência da vida

é correr para o mundo em vez de correr para casa, é olhar pela janela em lugar de olhar ao espelho, é abrir portas às conjunturas e enfrentá-las com coragem e determinação a fim de atingirmos os nossos ideais assentes em valores fundamentais como o Amor, a Paz, a Partilha e a Solidariedade, elevando a Família e a Sociedade como pilares do desenvolvimento mental e intelectual sustentável do Ser Humano. A existência de uma associação que goze de

dinamismo, força e harmonia tem que alicerçar-se nos princípios fundamentais para viver, em vez de sobreviver.

O Grupo Folclórico 'Os Fogueteiros de Arada', ao longo destes trinta e dois anos

de vida, tem honrado os seus associados, os seus diretores e os aradenses. É

certo que a grandiosa dedicação de todos os intervenientes a esta causa tão nobre, de seu nome associativismo, contribui em absoluto para um grupo de folclore representativo, fiel e digno de preservar a cultura popular tradicional da comunidade aradense.

É com extremo e sublime orgulho que hoje nos congratulamos por sermos

associados desta prestigiada instituição. Por aqui, passamos muitos anos da nossa

vida. Dançamos, cantamos, tocamos, divertimo-nos… Temos amigos. Encontramos uma segunda família. Somos dirigentes desta associação há longos anos, muito por culpa dos associados que confiaram, acreditam e prevêem que a nossa liderança acrescenta algo de positivo ao desempenho do grupo. No entanto, apenas vamos na dianteira de uma carruagem governada e guiada por um movimento sustentado abonado por vós, fundamental ao desempenho desejado. Ao longo destes anos, aprendemos muito com aqueles que nos rodearam e fizeram de nós dirigentes à altura das responsabilidades. Aprendemos com todos sem excepção, do sócio mais novo até ao sócio com mais idade, com mais maturidade. As relações com entidades governamentais, com entidades ligadas ao folclore, com a comunidade escolar, com associações de carácter social, com a comunidade civil e a participação em eventos de âmbito nacional e internacional são momentos que jamais esqueceremos. Integrar um grupo como este é uma

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mais-valia para a nossa formação pessoal. Estamos muito gratos por nos terem dado esta oportunidade. OBRIGADO! A vida de uma associação é preenchida de momentos bons e outros menos bons. Tal qual a nossa vida. Vivemos momentos de dificuldade e momentos de prosperidade. Momentos de alegria, felicidade, momentos de reflexão, tenacidade, momentos de tristeza… Vivemos e sentimos este grupo em várias fases. Experimentamos o fundo, tivemos a felicidade de saborear a subida da montanha ao sabor de ventos adversos. E que gozo nos deu. O topo é bonito porque vemos a paisagem de cima, temos a visão de uma águia mas não devemos ser predadores. A humildade deverá acompanhar-nos sempre, aqui e na vida. Já os nossos avós diziam: 'Dos fracos não reza a história'. E temos vindo a triunfar. Mais, temos a certeza de uma coisa, o melhor ainda está para vir. Hoje, aqui, somos desafiados a enfrentar e partilhar o êxito e a dificuldade. Hoje, dizemos nós que 'Dos fracos não reza a história'. Todos unidos vamos encontrar motivação que nos conduzirá à superação. Podemos não ser os melhores, mas seremos bem-sucedidos. A bem da cultura popular tradicional, VIVA O GRUPO FOLCLÓRICO 'OS FOGUETEIROS DE ARADA'!

O Presidente da Direção, Nuno Sousa

O Presidente da Assembleia Geral, José Alberto Santos

Mensagem

A Igreja Adora o Pai, o Filho e o Espirito Santo, ou por outas palavras, a Igreja presta culto ao Pai por Cristo no Espirito Santo.

O culto cristão é extensivo de maneira substancialmente diversa à Maria Mãe do

Senhor e depois aos Santos, ou por outras palavras, a Igreja Venera Maria e

Honra a memoria dos Santos.

A devoção á Virgem Maria em Cristo tem a sua origem e eficácia. A Devoção à

Mãe de Deus se desenvolve em subordinação ao culto de Cristo como seu ponto de referência. Em Arada veneramos Maria, sob invocação de Nossa Senhora do Desterro. No Domingo de Pascoela, atualmente no domingo da divina Misericórdia se faz a Sua

festa. Sendo ainda a Oitava da Pascoa percebe-se a associação da Maria com obra salvadora do Filho.

A imagem de Nossa Senhora do Desterro representa Maria com menino Jesus. O

Menino segura livro, sugere que Ele é a Palavra de Deus. Maria segura com a mão direita e o pé do Menino, sugerindo que Cristo é o único Caminho para o Pai. Sugere também a norma geral: “Per Mariam ad Jesus”.

A propósito: A imagem não se venera por si mesma, mas pelo que representa. A honra que se tributa às imagens destina-se às pessoas que representam.

Também os olhos de Maria da referida imagem tem seu significado, sugerido:

Este é o meu Filho, fazei tudo o que Ele vos disser.

A imagem de Nossa Senhora do Desterro sugere relação vital que une o Filho à

Mãe. Seu Filho é Deus, e ela, a Mãe também é nossa mãe. Estamos certos de que ela cheia de misericórdia interceda por nós.

Pároco Arada,

Stanislau Pawel Bladek

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Mensagem

A total interdependência entre as Nações e Regiões obrigam-nos a encontrar soluções que permitam usufruir de vantagens dos factos herdados das

gerações que nos precederam, aproveitando o Turismo Nacional e Estrangeiro, tendo como objectivo o desenvolvimento Local, Regional e Nacional. Vivenciar as Expressões Culturais das Comunidades que os grupos de Folclore representam, exige na actualidade consciencialização e a sabedoria de saber contextualizar a representação das mesmas. Um Festival de Folclore deve-se transformar num espaço vivo e dinâmico, garantindo o respeito pela Diversidade Cultural, numa simbiose que se pretende qualitativa e verdadeira, transmitindo valores Patrimoniais, Culturais e Sociais, dando assim possibilidades aos participantes e ao público o conhecimento das Tradições de outras regiões. Este espaço deverá comtemplar e abraçar momentos de Partilha, Solidariedade, Amizade e Gratidão, que sirvam de estímulo e provoquem a magia do encantamento, o respeito venerável e um mar de orgulho pelos nossos antepassados. Difíceis estes tempos actuais, mas os Grupos de Folclore são constituídos por Gente com Alma, que saberá acreditar, que se empenhará com esperança, procurando tomar o rumo certo das suas verdadeiras finalidades Culturais e Sociais. Expresso ao Grupo Folclórico "Os Fogueteiros de Arada", organizador do XXXII Festival de Folclore - Romaria a Nossa Senhora do Desterro e aos Grupos participantes, o meu apreço pelo trabalho que desenvolvem com muita dedicação, em Prol da sua Terra e da Cultura Tradicional.

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Presidente da Federação do Folclore Português, Fernando Ferreira

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Mensagem

N esta data em que o Grupo Folclórico "Os Fogueteiros de Arada" promove o XXXII Festival de Folclore - Romaria à Srª do Desterro, em nome da Junta de

Freguesia de Arada apresento a nossa homenagem aos Fogueteiros pelo enorme trabalho desenvolvido na prospeção e promoção dos usos e costumes da nossa terra e região, uma especial saudação a todos os participantes nesta Festa, que terá concerteza, a exemplo dos anos anteriores, um enorme sucesso. Quanto melhor conhecermos o nosso passado melhor nos conheceremos e dai projetaremos o futuro com mais conhecimento e confiança. Neste sentido o Grupo Folclórico "Os Fogueteiros de Arada" têm feito um excelente trabalho, pelo que não admira o enorme sucesso e o justo reconhecimento que têm tido por diversas Entidades, nomeadamente a Federação Portuguesa de Folclore. Falar do Grupo Folclórico "Os Fogueteiros de Arada" é falar de mais de três décadas de anos de intensa atividade, daí que muitos foram aqueles que, dia-a- dia, foram construindo o Grupo Folclórico de hoje. Para eles, os que ainda estão vivos e aos que nos deixaram, o respeito, admiração e homenagem da Junta de Freguesia de Arada. Finalizo dirigindo-me ao Nuno Sousa, Presidente do GFFA, endereçando-lhe um abraço de incentivo e de gratidão pelo trabalho que vem desenvolvendo e dizer que, na minha modesta opinião, é o melhor Presidente que o GFFA teve até hoje, jovem, dinâmico, apaixonado e intransigente na defesa do Grupo que escolheu abraçar.

Um bem haja para todos.

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Presidente da Junta de Freguesia de Arada, António Jorge

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Mensagem

O Grupo Folclórico Os Fogueteiros de Arada promove, uma vez mais, entre os dias 7 e

8 de julho, o Festival de Folclore “Fogueteiros 2012”, uma iniciativa de louvar pelo

objetivo de preservação e divulgação da nossa cultura e das nossas tradições.

O Grupo Folclórico Os Fogueteiros de Arada foi fundado a 3 de junho de 1979 e, desde

logo, levou a cabo um levantamento das tradições e dos trajos da freguesia de Arada. Atualmente, para além de prosseguir com os levantamentos etno-folclóricos, o grupo organiza festas, concursos, feiras, desfolhadas, jogos tradicionais, um festival da canção

infanto-juvenil, bailes e espetáculos de música. De destacar ainda a organização deste importante Festival de Folclore que vai já na sua 32ª edição.

O Folclore é composto pelo conjunto das crenças, tradições populares, rituais, canções,

lendas, poesias, contos, provérbios, práticas, mitos, superstições, próprios do passado de uma região ou comunidade. Etimologicamente, folclore deriva das palavras inglesas folk (povo) e lore (conhecimento) e, numa tradução “à letra”, significaria o conhecimento de um povo.

O conhecimento do passado, das tradições e da cultura de um povo são fundamentais

para compreendermos o presente e para planearmos o futuro.

O Grupo Folclórico Os Fogueteiros de Arada, cujos membros têm uma idade média inferior

a 30 anos, tem sabido preservar a memória, a cultura e as tradições, mantendo viva a

identidade aradense, através da organização de eventos como é o caso deste Festival de Folclore. É notório e público que uma das apostas culturais da Câmara Municipal de Ovar tem sido a preservação das nossas raízes e tradições, pelo que, através do Regulamento Municipal de Apoio ao Associativismo do Concelho de Ovar, apoiamos financeira e logisticamente as nossas coletividades. Assim, a Câmara Municipal de Ovar felicita o Grupo Folclórico Os Fogueteiros de Arada pelo contributo que tem dado para a preservação das tradições do concelho de Ovar. O meu apreço e gratidão à direção do Grupo, a todos os seus membros e a todos quantos fazem deste festival de folclore uma realidade com sucesso.

Bem Hajam.

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O Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Ovar, Vítor Ferreira, Dr.

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Curiosidades

Arada

Tudo aponta para que a génese da freguesia de Arada coincida com o período da reconquista cristã do território português. Não se conhecem (até ao momento) documentos que provem o contrário, por isso aceitemos como referência provisória este período da História de Portugal como momento de nascimento do povoado que hoje conhecemos como Arada. Sobre a origem do topónimo Arada, duas versões surgem em escritos de autores que procuraram a sua explicação: derivado do latim arata (terra arada) ou heredata (terreno com heras); José Mattoso inclina-se mais para esta última. O local onde hoje nos encontramos seria com certeza um terreno litoral de mata e bosque cuja espécie predominante seria a hera. Para confirmar esta tese, basta ver como aparece escrita a primeira referência a Arada e que surge no Censual do Cabido da Sé do Porto, 1174 1185: “Ecclesia Sancti Martini de Hereda”. Se significasse terra arada, a palavra seria aratus/a /um ; arata/aratorum. José António de Figueiredo, na sua obra Nova História da Militar Ordem de Malta e dos Senhores Grão-Mores dela em Portugal (1793), faz alusão às inquirições de D. Afonso II, em 1220, designando a freguesia por Iada ou Ereda (“com quatro casais, boas searas e vinhas”). Com base na interpretação do antigo pároco, Pe. Manuel Cunha, e usando o dicionário latino “- Magnum Lexicon Iada deriva da palavra Iá e significa um conjunto de violetas purpúreas”. Como se comprova através destes dois documentos, a freguesia de Arada era inicialmente conhecida por Hereda ou Ereda e remonta ao período da fundação da nossa nacionalidade, sendo sempre o seu orago S. Martinho de Tours. Encontramos essa mesma designação, também, nas Inquirições régias de D. Dinis (1288): “De parrochia Sancti Martini de Erada Pero Johanes Paay Periz Johan Perez Johan Perez de Cortegaça Johan Martins, todos jurados e perguntados disserom que en esta fregesia da Erada no ha onrra nenhua e que en todo entra o moordomo

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da Feyra” (aliás, esta ligação ao Concelho da Feira manteve-se até 31/12/1853, data em que um decreto do governo regenerador, presidido pelo Duque de Saldanha, nos fez passar para a alçada do Concelho de Ovar) A existência do patrono S. Martinho aparece em vários documentos ao longo dos séculos, a saber: em 1514, no Foral Manuelino surge a designação de freguesia de sam Martinho Darada; em 1708, na Corografia Portuguesa do Famoso Reyno de Portugal, encontramos São Martinho de Arada (“curado anexo à mesma igreja, tem 70 vizinhos); e em 1767, no Portugal Sacro-Profano podemos constatar que Arada “tem por orago S. Martinho Bispo e tem cento e oitenta e cinco fogos”. Perante estes registos documentais, comprova-se que Arada tem história e existe há mais de 800 anos.

Manuel Malicia

tem história e existe há mais de 800 anos. Manuel Malicia 13 X X X X

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Breve história do Grupo Folclorico Os Fogueteiros de Arada

Era uma vez o Ano Internacional da Criança e com as suas comemorações Arada viu nascer o seu Rancho Folclórico. O Noticias de Ovar, na edição de 31/05/1979, anunciava a existência de uma Comissão Concelhia para as Comemorações e que já estavam programadas muitas “iniciativas a efectuar em todo o concelho distribuídas pelas 7 freguesias e pelos diversos núcleos escolares de cada freguesia, de modo a que o Ano Internacional da Criança fique bem marcado no espírito das nossas crianças”. Em Arada, coube naturalmente à Junta de Freguesia articular a programação com a referida Comissão e desafiou o Clube Recreativo para abrilhantar a efeméride ficando este com a responsabilidade de, entre outras actividades, reunir um grupo de crianças que recriassem as danças e cantares de outrora. E assim foi. O nosso correspondente no Notícias de Ovar, Jaime da Mata (assim o conhecíamos), registou: “Tudo decorreu conforme o programa previamente estabelecido, tendo sido grande a afluência de crianças e seus familiares ao Parque de Jogos, em construção, onde reinou grande entusiasmo e alegria entre quantos ali se reuniram. A missa campal foi abrilhantada pelo grupo musical da Vergada (Vila da Feira), que gratuitamente deu a sua valiosa colaboração. (…) Todo o programa decorreu muito bem, tendo o rancho infantil sido muito aplaudido pela sua actuação”. Estávamos no dia 3 de Junho de 1979. Com a actuação do Rancho Infantil começou a germinar o Rancho Folclórico “Os Fogueteiros de Arada”. Importa, no entanto, conhecer o programa das festas desse dia:

De manhã às 9 horas, desfile das crianças, familiares e outros componentes, do Parque de S. Martinho para o local do festival; Às 10 horas, missa campal; Às 11 horas, gincana de bicicletas; Às 12 horas, almoço-convívio, com os merendeiros de cada grupo

familiar.

De tarde: às 15 horas, atletismo; Às 16 horas, ténis de mesa; Às 17 horas, folclore, grupo coral e teatro

Os Aradenses apreciaram tanto a performance e a graciosidade das crianças que integravam o rancho infantil que se tornou imperativo dar continuidade aos ensaios e actuações. Para o efeito, criou-se uma secção no Clube Recreativo de Arada e foram nomeados os seus responsáveis, a saber: Maria Rosa de Jesus Santos, António Correia de Oliveira, Manuel Fernando Rodrigues de Sá, Clemente Rodrigues dos Santos e Florindo Oliveira Coelho. Além destes directores, a secção contava com 32 dançadores com idades entre os 6 e os 14 anos, 6 cantadores e 10 tocadores, sendo o ensaiador António de Oliveira (oriundo de Vila da Feira).

o ensaiador António de Oliveira (oriundo de Vila da Feira). 15 X X X X X

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António de Oliveira (oriundo de Vila da Feira). 15 X X X X X X I

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Os primeiros passos dos “Fogueteiros”

Se no dia 3 de Junho de 1979 Arada assistiu à primeira actuação do Rancho Infantil, enganouse quem pensou que as coisas morriam por ali. Agosto e Setembro foram meses de novas actuações: dia 5, Festa de Santo André (Vila da Feira) e dia 6 foram até ao Sobral para engrandecer as Festas em honra de S. Domingos. Em Setembro, dia 5, actuaram na Festa da Praia de Cortegaça. Mas o trabalho do grupo inicial não se limitava a ensaiar para as primeiras saídas. Como o principal objectivo do embrião do actual Rancho Folclórico “Os Fogueteiros de Arada” era recuperar danças, cantares e tradições dos nossos antepassados, os seccionistas responsáveis andaram de porta em porta a contactar os nossos mais velhos da época. Tão intenso empenho deu frutos de imediato, porque conseguiram recolher trajes esquecidos nas caixas de roupa e nos armários que serviram, mais tarde, para fazer réplicas e reconstituir, deste modo, formas de ser e de estar dos Aradenses da viragem do século XIX para o XX. O trabalho desses anos foi de tal modo rigoroso e importante que, de gravador em punho, se registavam cantigas e cantares de pessoas com mais de 80 anos. Porém, nem tudo eram rosas. Se o Rancho Infantil era acarinhado pela população e pela globalidade dos associados do Clube Recreativo de Arada, havia, no entanto, alguns que não apreciavam o facto de verem o seu lazer e sobretudo os jogos de cartas perturbados pelas crianças que passaram a frequentar regularmente as instalações do clube. Na Assembleia Geral da colectividade, em 13 de Janeiro de 1980, o associado António Félix “ abordou o problema das crianças componentes do Rancho Infantil perturbarem em dias de ensaio os frequentadores do bar do clube”. O Presidente da Assembleia Geral, António Duarte Tavares Leite “reforçou esta posição, tendo chamado a atenção do sócio António Correia, na qualidade de membro da Direcção do Rancho, tendo-se este comprometido a chamar a atenção às crianças para que não volte a acontecer o que até agora tem acontecido.” Só que o mal estar de alguns associados não ficou por aqui, começou a engrossar e teve consequências.

“Fogueteiros” distanciam-se da Direcção do Clube

Já vimos que havia mal estar entre os associados do Clube por causa das crianças do Rancho e isso teve consequências. Cada dia que passava, os responsáveis pelo folclore pediam mais capacidade de intervenção. O passo para a autonomização da secção, em termos formais, começou com a aprovação, em Assembleia Geral do Clube Recreativo de Arada, realizada em 21 de Março de 1982, do Regulamento Interno do Rancho Infantil. Ora, na sua generalidade, o Regulamento mereceu concordância. O ponto crítico estava no designado número sete do capítulo terceiro que, segundo as palavras do associado José Constantino representante da Direcção, esta manifestava o seu acordo com o Regulamento excepto com o referido ponto que ao ser aprovado iria obrigar a direcção a dar uma verba ao Rancho e que também teriam de olhar para as outras secções, que neste caso também teriam o mesmo direito.

secções, que neste caso também teriam o mesmo direito. 17 X X X X X X

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Instalou-se a discussão. O associado António Gomes Resende defendia que todas as secções tivessem uma verba anual para não andarem todas as semanas a mendigar junto da direcção para satisfazerem as suas necessidades como por exemplo: agora um colete, depois umas calças, mais tarde para instrumentos,

etc. O seccionista Manuel Fernando de Sá elogiou o esforço que o Rancho fazia para a angariação de meios para a sua sobrevivência. Por seu lado, o associado Américo Rodrigues dos Santos salientou que, em 1981, o Rancho apresentara um saldo de 20.000$00 que fora entregue à Direcção e indicou que a receita fora angariada com bailes. As deslocações não eram um encargo para o Clube, porque

os elementos responsáveis pelo Rancho as assumiam.

Entretanto, estalou a polémica quando o associado Júlio Gomes Cascais afirmou que o Rancho não era do Clube mas sim das Pedras de Cima. Esta afirmação foi logo contestada por Américo Rodrigues dos santos que leu a primeira acta do Rancho escrita em 1979. O facto de estarem munidos com documentos relativos

ao historial da colectividade nascente permite-nos concluir que a Assembleia era

o culminar de fortes discussões e quezílias no CRA e no seio das pessoas

envolvidas na actividade. Duas propostas foram apresentadas e votadas: uma da Direcção do CRA e outra dos seccionistas do Rancho. A da Direcção tinha o seguinte teor: propomos que o referido ponto sete passe a ter a seguinte redacção: conceder à secção do Rancho

Infantil um subsídio anual conforme as carências do Rancho e as possibilidades do Clube e mereceu a aprovação com 15 votos a favor e seis contra; a da secção obteve sete votos a favor e 17 contra. Foi o primeiro passo para a ruptura com a casa mãe.

contra. Foi o primeiro passo para a ruptura com a casa mãe. X X X X

Rancho de Arada separa-se do Clube Recreativo

Como vimos, existe um camuflado conflito entre os seccionistas do Rancho de Arada e a Direcção do Clube o que se constituiu como um primeiro passo para a ruptura com a casa mãe. Mas os incidentes continuaram. No final do ano, em 7 de Novembro de 1982, já há registo de divergências mais ou menos assumidas A tentativa de clarificação da independência da secção e que estava a causar algum mal estar surgiu quando “ Manuel de Sá leu a cópia de uma carta que a direcção enviou, respondendo a um questionário a uma colectividade de Ovar, em que se referia que o Clube Recreativo de Arada não tinha nenhuma secção em funcionamento” e perguntou o que faziam as diversas secções de entre as quais o Rancho. Competiu a um director do CRA assumir que não havia secções em funcionamento “ e que o rancho era independente, e que até tinha mudado de nome”. Perante isto, o Presidente da Assembleia Geral, que era à época precisamente António Correia de Oliveira ( o responsável pela secção), “esclareceu a direcção e todos os presentes que o grupo folclórico, embora tenha um regulamento interno próprio, é uma secção dependente do Clube Recreativo de Arada, sendo todos os instrumentos e trajes propriedade do clube. Quanto à mudança de nome para Grupo Folclórico Os Fogueteiros de Arada foi feita devido a um conselho dado a este grupo pelo Presidente da Federação de Folclore, pois entende este que o nome do grupo deve dizer algo sobre a terra e os costumes que o mesmo grupo representa. Além disso, ninguém poderá negar que nesta terra não tenham existido nem existam fogueteiros e que pelo seu nome Arada é muito conhecida por este país.” Como prova de que o Rancho continuava no CRA está o Relatório de Contas de 1982, aprovado em 9/1/1983, que apresentava em anexo as contas da secção. Em 15/1/1984, esta prática foi criticada na Assembleia Geral e a autonomia e a independência continuou a ser beliscada por alguns associados. Porém, tal autonomia (criticada à secção do Rancho Folclórico) foi alargada, na Assembleia de 11/3/1984, às restantes secções com a aprovação dos respectivos regulamentos internos. Em 13/1/ 1985, há registo da apresentação do Relatório

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de Contas, de novo em separado, da secção do Rancho Folclórico apenas reportando-se até Agosto de 1984. Chegou a hora da ruptura total e de cada colectividade seguir o seu caminho. As contas do final do ano e de 1985, já foram apresentadas em Assembleia Geral própria que se realizou no dia 25 de Outubro de 1985 onde, também, se procedeu à eleição dos novos órgãos sociais, ou melhor, devido à hora tardia, a reunião foi concluída dois dias mais tarde com a apresentação de uma única lista:

Presidente da Assembleia Geral Acácio Rodrigues Sousa; Presidente da Direcção Américo Rodrigues dos Santos; Secretário José Alberto Jesus dos Santos; Tesoureiro António Gomes Resende; Vogais Joaquim Gomes dos Santos e Manuel de Oliveira Carvalho.

Manuel Malícia

dos Santos e Manuel de Oliveira Carvalho. Manuel Malícia 21 X X X X X X

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Nossa Senhora do Desterro

A devoção a Nossa Senhora do Desterro é, certamente, tão antiga como o santuário que em Sua honra se erigiu. Não há escritos a seu respeito. No entanto,

o fato de a origem de Nossa Senhora do Desterro estar envolvida em lenda, leva- nos a concluir que ela é centenária.

A lenda, que toda a gente sabe contar, embora cada um a seu modo, diz que, em

tempos muito remotos, apareceu uma imagem de Nossa Senhora, em cima de

um rochedo que existia, no mesmo lugar, onde se encontra hoje a capela.

A verdade é que, ainda hoje, lá estão vestígios dessa pedreira que deve ter

motivado o nome que sempre teve aquele lugar. Como a aparição se repetia continuamente, o povo e o pároco resolveram conduzir processionalmente a imagem para a igreja paroquial, afim de ali lhe ser prestado o culto devido. Assim se fez e repetiu várias vezes; mas sempre, na manhã seguinte, lá estava a Imagem da Senhora, no mesmo sítio. Perante esta teimosia da Senhora, não ficava qualquer margem de dúvida: - Nossa Senhora queria ser ali venerada. Não havia, por isso, tempo a perder. Tornava-se urgente a construção de um Oratório para a recolher expondo-a á veneração dos fiéis. Desconhece-se o motivo porque se deu o título a esta Imagem, de Nossa Senhora do Desterro. No entanto, algumas hipóteses se podem referir, com explicação. Sabemos, pela Corografia do Padre António Carvalho da Costa, que , em 1708, esta freguesia tinha apenas 70 fogos.

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que , em 1708, esta freguesia tinha apenas 70 fogos. 23 X X X X X

Em 1747, o Dicionário Geográfico de Portugal do Padre Luís Cardoso já indica a existência de 185 vizinhos (fogos). Este desenvolvimento populacional, em apenas 39 anos, diz-nos que, à data da construção do santuário, em 1663, esta freguesia seria, praticamente, erma. Com fundamento na lenda, o sítio onde Nossa Senhora apareceu, hoje o lugar da pedreira, seria completamente despovoada. Esta circunstância pode ter inspirado o título a dar à Senhora aparecida. Por outro lado, esta mesma ideia pode estar ligada ao desterro a que, naquela altura, muitas pessoas estavam sujeitas, quer por motivos económicos, quer por motivos judiciais. Seja como for, ou seja qual for o motivo do título que a devoção popular consagrou a Nossa Senhora, aqui venerada, a grande realidade é que, com ele,Ela é venerada e honrada, não só nesta freguesia e nas freguesias circunvizinhas, mas em todo o Portugal.

e nas freguesias circunvizinhas, mas em todo o Portugal. X X X X X X I

Razão do Título Nossa Senhora do Desterro

Desconhece-se o motivo porque se deu o título a esta Imagem, de Nossa Senhora do Desterro. No entanto, algumas hipóteses se podem referir, com explicação. Sabemos, pela Corografia do Padre António Carvalho da Costa, que , em 1708, esta freguesia tinha apenas 70 fogos. Em 1747, o Dicionário Geográfico de Portugal do Padre Luís Cardoso já indica a existência de 185 vizinhos (fogos). Este desenvolvimento populacional, em apenas 39 anos, diz-nos que, à data da construção do santuário, em 1663, esta freguesia seria, praticamente, erma. Com fundamento na lenda, o sítio onde Nossa Senhora apareceu, hoje o lugar da pedreira, seria completamente despovoada. Esta circunstância pode ter inspirado o título a dar à Senhora aparecida. Por outro lado, esta mesma ideia pode estar ligada ao desterro a que, naquela altura, muitas pessoas estavam sujeitas, quer por motivos económicos, quer por motivos judiciais. Seja como for, ou seja qual for o motivo do título que a devoção popular consagrou a Nossa Senhora, aqui venerada, a grande realidade é que, com ele, Ela é venerada e honrada, não só nesta freguesia e nas freguesias circunvizinhas, mas em todo o Portugal.

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e nas freguesias circunvizinhas, mas em todo o Portugal. 25 X X X X X X

Antiguidade

A lenda, que atrás se regista, apenas nos pode levar à conclusão de que o culto,

prestado a Nossa Senhora do Desterro é muito antigo. Não é possível no caso de Nossa Senhora do Desterro saber com precisão, a sua antiguidade, por falta de documentos escritos a seu respeito, no entanto é possível afirmar que o Santuário de Nossa Senhora do Desterro já existia em 1747, e era, já nessa altura, um centro de devoção a Nossa Senhora muito florescente. Os movimentos de devoção a Nossa Senhora do Desterro inicialmente, era muito reduzido, pois limitava-se às freguesias mais vizinhas, pois esta nova devoção era

desconhecida ao longe, e, um pouco também, por serem péssimas as vias de acesso ao local.

À medida que os tempos foram avançando, a popularidade de Nossa Senhora do

Desterro, foise alargando, e, embora com muita dificuldade, a princípio, o número de devotos foi aumentando.

O movimento diário começou a ser uma realidade na história da devoção a nossa

Senhora do Desterro, mas sobretudo nos dois grandes dias de festa Domingo e

Segunda-feira de Pascoela.

dias de festa – Domingo e Segunda-feira de Pascoela. X X X X X X I

Não tendo em conta os inúmeros carros ligeiros, que pejam as estradas até longas distâncias, vêem-se camionetas de Águeda, de ílhavo, de Aveiro, de Matosinhos, de Gaia, de Gondomar, da Murtosa, do Bunheiro, de São João da Madeira, de Oliveira de Azeméis, etc. Há cem anos atrás, quando o automóvel e a camioneta não estavam em voga, era um encanto assistir ao passar dos carros a tração animal, conduzindo peregrinos para a Nossa Senhora do Desterro. Eram carroças de um e de dois andares, geralmente puxados por dois ou três animais, com os seus colares de guizos, os quais, no seu chocalhar cadenciado, chamavam a atenção das populações por onde passavam. Este meio de transporte era utilizado por toda a gente, mas punham nele muito bairrismo os habitantes da Murtosa, do bunheiro e de Pardilhó, que sempre foram povos devotíssimos de Nossa Senhora do Desterro.

Cunha, P. M. (1979). História do Culto de Nossa Senhora do Desterrp. Porto: Oficinas Gráficas do Colégio dos Órfãos.

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Oração a Nossa Sr. Do Desterro

Ó Senhora do Desterro, Desterrada com Jesus:

- Livrai as almas do erro, Que só a verdade é luz.

Vós que sofreste, no Egito, Tantas angústias de Mãe Escutai o nosso grito De desterradas também.

Nas amarguras do exílio Em que mil nuvens se adensam, Temos fé no Vosso auxílio, Confiamos na Vossa Bênção.

Doce Estrela, Virgem Santas canta, Sol de céu em pleno dia:

Ponde o olhar em quem Vos canta, De alma em prece: - Avé Maria!

-

o olhar em quem Vos canta, De alma em prece: - Avé Maria! - XXXXXXIIII FFeessttiivvaall
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O dia de Nossa Senhora do Desterro

Com este título publicou o “Almanaque de Ovar” de 1913 (pág. 202-208) um texto que se segue, ligando o ambiente da festa do Desterro à saudade de um casal de velhos pais que sofrem o silêncio de um filho ausente no Brasil. (M.P.B.)

Era o dia da Senhora do Desterro e eu saíra de casa, muito devagar, com as botas engraxadas, de gravata, chapéu e fato pretos como os cabelos das moças morenas, ruminando, pela rua das Figueiras acima, este dito do pensador La Bruyère: Ri-te antes de ser feliz, não vás morrer sem ter rido.

Ora eu, que nem em rapaz fora feliz, resolvera ir até ao Sobral ver passar os forasteiros felizes. Uns bêbedos, com os cantos da boca a reverem vinho, como os olhos dos desgraçados a reverem lágrimas; outos de penachos polícromos nos chapéus e nos braços das violas; charabans apinhados de carne humana…, de roscas doces metidas no braço; grupos de lavradores com ginetes enfiados nas correntes de prata e imagens da Senhora no chapéu… Em todas as ruas, a todas as portas, caras de alegria, dentes de riso, lábios de murmuração. Fazia calor de rachar e eu ardia em sede. À porta duma casita de crivos verdes, sentado numa cadeira de pinho, estava um velhote com as suíças cobertas de neve e de chapéu escuro na cabeça.

Boa tarde.

Boa tarde lhe dê o Deus.

— O senhor não me poderá dar uma pinga d’ água?

Ora essa?

Volta a cabeça para dentro, chama alto, com a mão direita agarrada a uma velha bengala de junco:

— Ó Maria, traz uma pinga d’água a este menino.

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— Ó Maria, traz uma pinga d’água a este menino. 29 X X X X X

Eu entrara para o lumiar da porta. Sobre uma cómoda, coberta com uma colcha

de

chita de ramagens cor de pinhão, estava um oratório pequeno.

 

Ao

lado

deste,

pregado

à

parede

um

retrato

de

um

rapaz

ainda

novo,

encaixilhado n’uma moldura doirada. Uma velhita, de olhos muito vivos, aparece com uma caneca das de Sacavém,

com os bordos moídos pelo uso. Devia ser traste do tempo em que aqueles dois velhitos andavam desposados…

Beba, meu menino, que é da fonte da

Mota. Deve estar muito fresquinha… ainda

a fui buscar há um bocado.

Está muito fresca, está.

Olhe, menino, leva muita pressa?

Não! Não levo, não senhora.

O menino sabe ler?

Sei sim, senhora.

Olhe eu queria pedir-lhe uma esmolinha…, mas o menino leva muita pressa…

Não senhora, faça favor de dizer o que deseja.

Olhe, menino, nós não sabemos escrever e queríamos mandar dizer ao meu filho…

O velho que estivera mudo, com os olhos espetados nos calhaus da estrada,

acorda ao ouvir falar na carta e no filho, como agitado por uma imensa saudade,

secos dos velhos um

espinheiro coberto de flores.

Então querem que lhes escreva uma carta?

— Sim, meu menino, que o paquete parte amanhã…

Veio um frasquinho com tinta, pena e papel. O velhito pôs-se em pé, ao lado da

mulher. Obrigou-me a pôr o chapéu na cabeça. Sentei-me por detrás dos crivos verdes que olhavam para a rua por onde passavam grupos de forasteiros. Vamos lá, que querem que lhes escreva?

Faz-nos a caridade de dizer que eu e o pai andamos tristes como a morte.

— … como a morte.

Que ele não escreve à gente há tantos meses e que sabe ler como um doutor.

— … um doutor.

daquelas

e que sabe ler como um doutor. — … um doutor. daquelas Família de Ovar em

Família de Ovar em promessa à Sr.ª do Desterro

saudades

que

fazem

brotar

nos

corações

E que não escreve e que a nossa casa sem duas letras dele é uma casa sem luz, um coração sem alegria.

— … sem alegria.

E que até as pombas brancas que ele deixara em tanta estimação já andam tristes e com saudades dele.

— … dele.

E que há oito anos que saiu para fora da terra, só escreveu cinco cartas aos pais.

E que certamente quando voltar já os não encontrará.

— … não encontrará.

Que o coração dos pais é maior do que o mundo e que o seu coração todos os dias parte de Ovar para procurar o seu filho do Brasil…

— … do Brasil.

Que ao menos se lembre dos tristes pais com duas letras.

— … duas letras.

Quando acabara a carta a mãe estava desbulhada em lágrimas. O pobre pai nem chorar sabia; antevendo que Deus lhe reservava o seu quinhão de desgraça, foi

sentar-se à porta com os olhos a ver passar os da festa do Desterro e com o coração muito longe, muito longe, encostado, pela saudade, ao coração ingrato do filho brasileiro.

E eu, que entrara em casa dos velhitos para apagar a sede, saí de lá a beber as próprias lágrimas. Antes eu nunca soubesse escrever…

Pároco de Ovar, Manuel Pires Bastos

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soubesse escrever… Pároco de Ovar, Manuel Pires Bastos 31 X X X X X X I

XXXII Festival Nacional de Folclore Romaria à Nossa Senhora do Desterro 7 e8 de Julho de 2012-07-03 Largo de Nossa Senhora do Desterro Arada

O Festival Nacional de Folclore 'Romaria à N.ª Sr.ª do Desterro' é um marco da

freguesia de Arada e uma referência da cultura popular tradicional no concelho, no distrito e no país.

Trabalhamos com afinco e dedicação para que fosse o ex-líbris da nossa freguesia

na vertente cultural. Foi um desejo concretizado.

No entanto, temos plena consciência de que se trata de um evento com grande margem de progressão e de projecção. É com essa convicção que continuamos a laborar na melhoria gradual desta actividade. Apostamos muito do nosso esforço, investimos muito do nosso orçamento, combatemos com todas as nossas forças para que cada ano seja um Festival mais fiel e representativo do tema que lhe atribuímos. A Romaria à N.ª Sr.ª do Desterro é uma menção do santuário de mesmo nome e da freguesia de Arada. A representação da mesma é deveras verdadeira, ao ponto de os aradenses mais velhos recordarem com ânimo e

saudade as vivências de antigamente. Trata-se de um projecto que perdurará no tempo com algumas moldagens, pequenas nuances e grandes novidades.

com algumas moldagens, pequenas nuances e grandes novidades. X X X X X X I I

Romaria à Nossa Senhora do Desterro

Estamos em 1900, no domingo de Pascoela.

É

dia de venerar N.ª Sr.ª do Desterro.

O

recinto envolvente à capela começa a ganhar vida. As vendedeiras e

vendedores chegam derreados depois de vários quilómetros de caminho

calcados. Procuram o melhor local da romaria na esperança de terem um bom dia

de

negócio.

Ao

longe, soam as rusgas ao som da concertina e do violão. As vozes afinadas

espalham-se caminho fora. Vem aí a animação. São os romeiros. Todos com o melhor traje que tinham em casa desfilam pelos

caminhos que convergem na capela. O zelo nunca é demais, ou não fosse o dia de Nossa Senhora. Não esqueceram os merendeiros nem a boa disposição.

É hora da celebração religiosa. É como se o mundo parasse. O silêncio toma conta

da alma de cada um. O espírito inspira-se na devoção a Nossa Senhora. O

momento é de oração e respeito. Vai desfilar a procissão. As flores envoltas nos Santos, o zelo das opas das respectivas irmandades, o aprumo das pessoas, as promessas daqueles que precisam de ajuda divina… Mais um momento solene, cheio de devoção e de intenso respeito. Recolhida a procissão, chegou a hora de mostrar a alegria, a boa disposição, a felicidade, o convívio e a confraternização de um povo que vivia amargurado no

seu dia- dia de trabalho, de sacrifícios e, muitas vezes, de fome. A animação é tão grande que hoje não se pensa nas dificuldades.

Os merendeiros espalham-se pelo largo. O povo canta, dança, brinca ao som das

modas entoadas pelas tocatas. As vendedeiras e vendedores apregoam o seu

produto. É preciso vender para sustentar a família.

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seu produto. É preciso vender para sustentar a família. 33 X X X X X X

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Grupos Participantes

Grupo de Danças e Cantares Regionais do Orfeão da Feira Santa Maria da Feira Aveiro Rancho Folclórico de Acipreste - Acipreste - Alcobaça - Leiria Grupo de Danças e Cantares de S. Pedro de Maceda -Maceda - Ovar - Aveiro Grupo de Danças e Cantares regionais do Faralhão - Faralhão - Setúbal Rancho Folclórico de Gumirães - Gumirães -Viseu Grupo Folclórico “Os Fogueteiros de Arada – Arada Beira Litoral Vareira

de Arada – Arada – Beira Litoral – Vareira X X X X X X I
de Arada – Arada – Beira Litoral – Vareira X X X X X X I
de Arada – Arada – Beira Litoral – Vareira X X X X X X I

Grupo de Danças e Cantares Regionais do Orfeão da Feira

Fundado em 1975, o Grupo de Danças e Cantares Regionais do Orfeão da Feira tem-se pautado ao longo da sua existência por ser um fiel representante das tradições, usos e costumes do nosso povo. Nos últimos três anos o Grupo coordenado por Fernando Pinto, tem efectuado um intenso trabalho de recolha etnográfica, para que se possa hoje dizer, um fiel e digno representante das genuínas “Antiguidades Populares” da nossa região. Ao mesmo tempo que temos efectuado esta nossa pesquisa mais exaustiva, e com o surgimento de novos dados etnográficos que cremos ser relevantes no seio da Etnografia Feirense, o Grupo decidiu fazer uma remodelação total dos seus trajes e aperfeiçoar também as suas danças tornando-as o que realmente eram na Antiguidade - simples. Esta secção do Centro de Cultura e Recreio do Orfeão da Feira tem percorrido o país de Norte a Sul participando em encontros de folclore, festas e no estrangeiro (Espanha e Brasil),com participações em algumas iniciativas de solidariedade social. Com o nosso desejo de tornar o Grupo um dos mais fiéis representantes do Folclore Feirense, somos neste momento Sócios Aderentes da Federação do Folclore Português com um processo em vias de conclusão e tornar-nos Sócios efectivos da mesma.

vias de conclusão e tornar-nos Sócios efectivos da mesma. 35 X X X X X X

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de conclusão e tornar-nos Sócios efectivos da mesma. 35 X X X X X X I

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É de realçar o bom ambiente e a boa saúde de que o Grupo neste momento dispõe, com a continuidade assegurada por bastantes anos, pois este é maioritariamente constituído por jovens entre os 16-24 anos. Ao contrário de algumas Associações que se vêm a braços com dificuldades de captação de elementos para constituírem os seus grupos folclóricos, o Orfeão da Feira não tem esse problema, em virtude de ter muita juventude a aderir ao seu Grupo. No futuro, temos a ambição de ser um Grupo verdadeiramente representativo e estar entre aqueles que melhor o fazem no país dando assim uma imagem positiva do Folclore, da cultura Feirense, e também da cultura Portuguesa além fronteiras. Assim sendo, e tendo sempre por base do nosso trabalho o “Velho Burgo Feirense”, o Grupo de Danças e Cantares Regionais do Orfeão da Feira apresenta hoje um vastíssimo leque de danças, cantares, trajes, tradições, usos e costumes do mesmo. Temos a consciência que após a realização deste trabalho tudo tem que fazer para que a tradição se mantenha viva em Santa Maria da Feira.

que a tradição se mantenha viva em Santa Maria da Feira. X X X X X

Rancho Folclórico do Acipreste

Rancho Folclórico do Acipreste Acipreste, um vestuto lugar do concelho de Alcobaça, freguesia de Évora de

Acipreste, um vestuto lugar do concelho de Alcobaça, freguesia de Évora de Alcobaça.

É serpenteado pelo colorido dos frutos que brotam dos

seus pomares, o que faz desta localidade um local aprazível. Com cerca de 120 focos, e uma população essencialmente rural, conserva ainda nos trabalhos campestres os ensinamentos agrícolas, legados pelos

monges cistercienses o que a torna uma das localidades mais prósperas do concelho.

O Rancho Folclórico de Acipreste é um dos pelouros da Associação Recreativa, foi

fundado em 01.05.1980, é membro de Federação de Folclore Português e do Inatel. Tem desenvolvido um notável trabalho de recolha e compilação de espólio etnográfico e regional, embora com a consciência de que muito ainda há para descobrir. Inicialmente com um grupo infantil e adulto, as suas idades variavam entre os 6 e

os 80 anos, actualmente apenas com um só grupo, não sendo menos atraentes as

suas idades, que vão dos 5 aos 74 anos. Conta no activo com cerca de 58 elementos de ambos os sexos, de diversas profissões, com predominância para agricultores e estudantes. Vestem modelos dos finais do século XIX, princípios do século XX, e transportam alguns dos utensílios que mais utilizavam na lide do campo. Nas suas danças salientam-se os Viras e as Danças de Roda.

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suas danças salientam-se os Viras e as Danças de Roda. 37 X X X X X

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Grupo de Danças e Cantares de S. Pedro de Maceda

O Grupo de Danças e Cantares de S. Pedro de Maceda foi fundado em 29 de Junho de 1981. Durante cerca de 9 anos, o grupo esteve ligado à paróquia e em 20 de Março de 1990 tornou-se autónomo, por escritura pública celebrada no Cartório Notarial de Ovar, mantendo, desde essa data, a sua actual personalidade jurídica. Desde muito cedo desenvolveu as suas recolhas com vista a assumir-se como um digno e fiel representante do povo da Vila de Maceda e do seu concelho de Ovar, sem esquecer as raízes tradicionais das Terras de Santa Maria, dado que, até 1878, Maceda, na anterior divisão administrativa, pertencia ao concelho de Santa Maria da Feira. Assim, está identificado o quadro geográfico em que este grupo desenvolve a sua acção, que, sem dúvida alguma, tem naturais influências de tradições ligadas à agricultura, por ser a actividade mais representativa. Destacam-se também algumas lides relacionadas com o mar, através das conhecidas companhas de pesca que ocupavam alguns homens e mulheres de Maceda, quer na faina do arrasto com as juntas de bois, quer na venda do pescado fresco. Outras actividades relevantes como a farrapeira assumiram no passado o seu lugar na história económica local e dizem bem da diversidade cultural da nossa terra.

local e dizem bem da diversidade cultural da nossa terra. X X X X X X
local e dizem bem da diversidade cultural da nossa terra. X X X X X X

Este grupo tem participado em mostras de trajes, feiras à moda antiga e em diversos festivais de folclore nacionais e internacionais com actuações em Espanha, França e Itália. Anualmente, realiza o seu festival nacional/internacional de folclore, bem como, de porta em porta, leva os seus cantares de boas festas e de janeiras na Vila de Maceda, participando igualmente em encontros similares em diversas regiões do país. Exibindo o seu inconfundível folclore, destacam-se por serem consagradamente conhecidos alguns dos seus números do vastíssimo reportório: VIRA DE RODA; VIRA CRUZADO; VIRA VALSEADO; VIRA VELHO; FARRAPEIRINHA; LAMBÃO; CANINHA VERDE; PASTORINHA; EU QUERO ENTRAR AO MEIO; TIRANA; ENCADEIA; PAVÃO; entre outros. Composto por 52 elementos, com idades compreendidas, actualmente, entre os três e os oitenta anos, tem 8 pares de dançarinos, sendo os restantes figurantes e tocadores. Da tocata fazem parte os seguintes instrumentos: acordeão, concertina, viola (clássica e braguesa), cavaquinho, ferrinhos, reco-reco e bombo.

e braguesa), cavaquinho, ferrinhos, reco-reco e bombo. 39 X X X X X X I I

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e braguesa), cavaquinho, ferrinhos, reco-reco e bombo. 39 X X X X X X I I

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Grupo de Danças e Cantares Regionais do Faralhão

Faralhão é uma localidade situada na margem direita do rio Sado, a cerca de 9 Kms da cidade de Setúbal, pertence à Freguesia do Sado, concelho de Setúbal, zona rica em sapais, fazendo parte integrante da Reserva Natural do Estuário do Sado.

A partir de meados do Sec.XX instalaram-se na nossa região grandes complexos

fabris, passando a ser a zona mais industrializada do nosso concelho. Dos vários pontos de interesse da nossa terra destaca-se o Moinho de Marés da

Mourisca, recentemente restaurado. Em funcionamento é atracção turística para

restaurado. Em funcionamento é atracção turística para os visitantes. O Grupo de Danças e Cantares

os

visitantes.

O

Grupo de Danças e Cantares Regionais do Faralhão, fiel defensor dos usos e

costumes da nossa região, fundado em 10/02/1983 pelo já falecido Padre Américo Faria. Este grupo continua a pesquisar sobre as suas raízes culturais para maior enriquecimento do seu património histórico. Filiado na Federação do Folclore Português, sócio do Inatel, o grupo tem participado nos mais prestigiados festivais de folclore em todo o país e estrangeiro.

festivais de folclore em todo o país e estrangeiro. X X X X X X I

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Trajes Característicos:

Salineiro, apanhadora de ostra, pescador, varina, vendedora de peixe, mondina, cavador, ceifeira, queijeira, pastor, vendilhoa de melancia, noivos, trajes domingueiros e trajes de romaria.

Modas:

Ai prima, alargai-vos, cravo roxo, silveirinha, tira a rolinha, dois passinhos, vou-me embora, valsa mandada, estala a bomba, varina, pião, sigorrinha, chapéu preto.

estala a bomba, varina, pião, sigorrinha, chapéu preto. 41 X X X X X X I

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Rancho Folclórico de Gumirães

O Rancho Folclórico de Gumirães, Viseu, foi fundado em Agosto de 1985. É membro efectivo da Federação do Folclore Português desde 1992. Na persecução dos seus objectivos, tem vindo a actualizar o seu espólio, divulgando-o de Norte a Sul de Portugal, bem como em outros países, nomeadamente França e Espanha, onde se desloca com regularidade. O rancho é possuidor de vários trajes de trabalho, tais como: malhador, mulher da eira, homem da rega, mulher da ceifa, vendedeira, trajes domingueiros, de romaria, de noivos e outros, bem como ferramentas e objectos utilizados nos trabalhos rurais na época que representa, primeiros anos do século XX. Nas actuações em público, o rancho faz réplicas de alguns trabalhos do campo, nomeadamente desfolhadas, malha, ceifa e outros quando as condições o permitem. As suas cantigas e danças são essencialmente de trabalho, de terreiro e de romaria, tendo um vasto repertório que, sem falsa modéstia, deverá orgulhar as gentes das terras de Viriato.

modéstia, deverá orgulhar as gentes das terras de Viriato. X X X X X X I
modéstia, deverá orgulhar as gentes das terras de Viriato. X X X X X X I

Actividades realizadas de 3 Junho 2011 a 30 Junho 2012

XXXII Aniversário

3 de Junho 2011 Sede do GFFA Arada

2012 XXXII Aniversário 3 de Junho 2011 Sede do GFFA Arada 43 X X X X
2012 XXXII Aniversário 3 de Junho 2011 Sede do GFFA Arada 43 X X X X
2012 XXXII Aniversário 3 de Junho 2011 Sede do GFFA Arada 43 X X X X

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XXXII Aniversário 3 de Junho 2011 Sede do GFFA Arada 43 X X X X X

15ª Feira da Flor

12 de Junho 2011 Praça da República Ovar Organização Câmara Municipal de Ovar

da República Ovar Organização Câmara Municipal de Ovar X X X X X X I I
da República Ovar Organização Câmara Municipal de Ovar X X X X X X I I
da República Ovar Organização Câmara Municipal de Ovar X X X X X X I I

Fim-de-semana Cultural “ Tradição & Sabores”

I Desfile de Xailes Festas São Joaninas Passeio de Automóveis Clássicos 25 e 26 de Junho 2011 Largo Nossa Senhora do Desterro Arada Organização GFFA e Centro Social de Arada

Desterro Arada Organização GFFA e Centro Social de Arada 45 X X X X X X

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Arada Organização GFFA e Centro Social de Arada 45 X X X X X X I

I Desfile de Xailes

O objetivo deste I DESFILE DE XAILES é apresentar ao público O XAILE, elemento

que fez parte integrante do traje feminino durante sucessivas gerações, sendo ainda hoje usado pelas populações mais rurais, embora com muito menos

frequência.

História do xaile

O uso do xaile, pelo menos nos países orientais, é muito antigo.

A avaliar pelos inúmeros registos existentes, Caxemira parece ter sido o seu

principal centro produtor. Nesta região, que se situava no vale sul dos Himalaias e

que hoje pertence uma parte à Índia, outra ao Paquistão e a restante à China, faziam-se xailes a partir de lã de cabra.

O xaile terá sido introduzido na Europa por volta de 1798 por soldados franceses

que fizeram a campanha do Egipto sob o comando de Napoleão Bonaparte. Logo começaram a ser moda em França e Inglaterra. Só em 1813 é que apareceram, na língua portuguesa, as designações “xale” ou

“xaile” que poderão ter marcado o início do seu uso em Portugal.

A sua introdução no nosso país terá sido lenta. Os primeiros teriam sido trazidos por capitães de navios para oferta às suas esposas, que os terão usado

primeiramente para ornamentação da sua sala de visitas, para em seguida começarem a aparecer com eles envoltas, em momentos festivos. Portugal foi o país da Europa que mais tempo conservou o xaile em moda.

o país da Europa que mais tempo conservou o xaile em moda. X X X X

Podemos dizer que, nas classes sociais mais baixas, o xaile não foi inteiramente novidade, pois a mulher do campo sempre usou pelas costas um agasalho. Primeiramente, uma saia dobrada, conhecida por saia de ombros, em seguida a capa e, então mais tarde, o xaile, de vários tipos, qualidades e cores.

A sua grande difusão em Portugal resulta do desenvolvimento da indústria de

tecelagem. A produção em série torna esta peça mais acessível às bolsas populares. No tempo frio, as mulheres e as raparigas apareciam envoltas em xailes, cobrindo a cabeça ou trazendo-os pelos ombros, dentro de casa, e essencialmente nas suas saídas. Além de elemento de agasalho, era resguardo de compostura feminina,

servindo de complemento dos diversos afazeres caseiros.

Era também no xaile que as mulheres ocultavam as suas compras, bem como as mercearias que pediam de empréstimo às vizinhas.

O xaile era ainda um precioso auxiliar das mães para transportarem ao colo seus

filhos, aconchegados no calor do seu seio.

O uso do xaile em Arada não foge à regra do resto do país, pois para além de uma

peça de agasalho ou conforto, este era principalmente um elemento representativo do estatuto social, económico e de popularidade da mulher.

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estatuto social, económico e de popularidade da mulher. 47 X X X X X X I

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O que vamos hoje ter oportunidade de assistir é a apresentação de alguns bonitos exemplares desta espectacular e diversificada peça do vestuário feminino, usados nos finais do séc. XIX e inícios do séc. XX, em Arada, Maceda e Cortegaça, usada como complemento indispensável do traje, em vários momentos desde o culto religioso, passando pelas festas, diversas profissões, e com diferentes processos de vestir. Queremos acima de tudo com esta iniciativa, para além da divulgação deste património tão rico, apelar à sensibilidade da população para a sua preservação, que muitas vezes é esquecido no fundo de um baú ou mesmo destruído numa fogueira… Apelamos àqueles que não tendo forma de os conservar, os doem a associações e instituições que têm como obrigação a defesa deste e de todo o património cultural (grupos folclóricos, museus, juntas de freguesia, etc.).

Grupos Participantes neste desfile:

Grupo Folclórico “Os Fogueteiros de Arada” Grupo de Danças e Cantares de Cortegaça Grupo de Folclore da Casa do Povo de Válega Grupo de Danças e cantares de Maceda

do Povo de Válega Grupo de Danças e cantares de Maceda X X X X X

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FériArada

28 Junho e 7 Julho 2011 Realização de bolas de trapos Jogos Tradicionais Organização Junta de Freguesia de Arada

Jogos Tradicionais Organização Junta de Freguesia de Arada XXXI Festival Nacional de Folclore Romaria à Nossa

XXXI Festival Nacional de Folclore

Romaria à Nossa Senhora do Desterro 2 e 3 de Julho 2011 Largo Nossa Senhora do Desterro Arada

2 e 3 de Julho 2011 Largo Nossa Senhora do Desterro Arada 49 Grupos Participantes: Grupos

49

Grupos Participantes:

Grupos Folclórico das Lavradeiras da Meadela Viana do Castelo Alto Minho Associação Cultural Recreativa de Santo André Marco de Canaveses Entre Douro e Minho Rancho Folclórico de Calde Viseu Beira Alta Dão Lafões Grupo Folclórico e Etnográfico de Albergaria à Velha Albergaria à Velha Beira Litoral Baixo Vouga Grupo Folclórico “Os Fogueteiros de Arada”

Baixo Vouga Grupo Folclórico “Os Fogueteiros de Arada” X X X X X X I I

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XXIII

Mesinhas”

9 de Julho 2011 Eiras Coimbra Organização Grupo Folclórico e Etnográfico do Brinca

Troca

de

Saberes

e

Tradições

Populares

Crendices

Troca de Saberes e Tradições Populares “ Crendices 10º Encontro Colectividades Arada 15/16 e 17 de
Troca de Saberes e Tradições Populares “ Crendices 10º Encontro Colectividades Arada 15/16 e 17 de

10º Encontro Colectividades Arada

15/16 e 17 de Julho 2011 Largo Nossa Senhora do Desterro Arada Organização Junta de Freguesia de Arada

do Desterro Arada Organização Junta de Freguesia de Arada e X X X X X X
do Desterro Arada Organização Junta de Freguesia de Arada e X X X X X X
do Desterro Arada Organização Junta de Freguesia de Arada e X X X X X X

e

XIII Festival do Rancho de Santo André de Vila Boa de Quires -

Marco de Canaveses 30 de Julho 2011 Marco de Canaveses Organização do Rancho de Santo André de Vila Boa de Quires

do Rancho de Santo André de Vila Boa de Quires 51 X X X X X
do Rancho de Santo André de Vila Boa de Quires 51 X X X X X
do Rancho de Santo André de Vila Boa de Quires 51 X X X X X

51

Festival de Folclore de Calde

31 de Julho 2011 Organização Associação Social, Cultural, Desportiva e Recreativa de Calde Viseu

Cultural, Desportiva e Recreativa de Calde – Viseu Recepção e Acompanhamento do Grupo Africa do Sul
Cultural, Desportiva e Recreativa de Calde – Viseu Recepção e Acompanhamento do Grupo Africa do Sul

Recepção e Acompanhamento do Grupo Africa do Sul

13 a 19 de Agosto 2011 Organização GFFA

Africa do Sul 13 a 19 de Agosto 2011 Organização GFFA X X X X X
Africa do Sul 13 a 19 de Agosto 2011 Organização GFFA X X X X X
Africa do Sul 13 a 19 de Agosto 2011 Organização GFFA X X X X X

XXIX Festival Internacional de Folclore de Arouca

20 de Agosto 2011

Arouca Organização Conjunto Etnográfico de Moldes de Danças e Corais Arouquenses

Desfile de Trajes do Concelho de Ovar O Trabalho e as Artes

16 de Outubro de 2011

Praça do Município Ovar Organização Câmara Municipal de Ovar

do Município Ovar Organização Câmara Municipal de Ovar 53 X X X X X X I

53

Município Ovar Organização Câmara Municipal de Ovar 53 X X X X X X I I

Convívio Anual do Grupo Folclórico “Os Fogueteiros de Arada

12 de Novembro 2011

Sede do GFFA

Arada

Fogueteiros de Arada 12 de Novembro 2011 Sede do GFFA Arada Festa de São Martinho Participação

Festa de São Martinho

Participação na procissão

13 de Novembro 2011

Arada

Participação na procissão 13 de Novembro 2011 Arada X X X X X X I I
Participação na procissão 13 de Novembro 2011 Arada X X X X X X I I

VIII Grande Noite de Fados

19 de Novembro 2011 Centro Cívico de Arada Arada Organização GFFA

2011 Centro Cívico de Arada Arada Organização GFFA 55 X X X X X X I
2011 Centro Cívico de Arada Arada Organização GFFA 55 X X X X X X I

55

2011 Centro Cívico de Arada Arada Organização GFFA 55 X X X X X X I

Ceia de Natal

11 de Dezembro de 2011 EB 2/3 de Arada e Maceda Maceda Organização GFFA

de 2011 EB 2/3 de Arada e Maceda Maceda Organização GFFA X X X X X
de 2011 EB 2/3 de Arada e Maceda Maceda Organização GFFA X X X X X
de 2011 EB 2/3 de Arada e Maceda Maceda Organização GFFA X X X X X

III Encontro de Cânticos “ Ao Menino e sua Mãe”

17 de Dezembro 2011 Igreja Matriz de Arada Arada Organização Paróquia de São Martinho de Arada

Arada Organização Paróquia de São Martinho de Arada Cantar os Reis 2012 6 de Janeiro 2012

Cantar os Reis 2012

6 de Janeiro 2012 Centro de Artes de Ovar Organização Câmara Municipal Ovar

Centro de Artes de Ovar Organização Câmara Municipal Ovar 57 X X X X X X
Centro de Artes de Ovar Organização Câmara Municipal Ovar 57 X X X X X X
Centro de Artes de Ovar Organização Câmara Municipal Ovar 57 X X X X X X

57

de Artes de Ovar Organização Câmara Municipal Ovar 57 X X X X X X I

X Encontro de Cantares do Natal aos Reis

7 de Janeiro 2012

Igreja Nossa Senhora da Areosa Paranhos Organização Rancho Folclórico de Paranhos - Porto

XVII Encontro de Troupes de Reis Fogueteiros 2012

8 de Janeiro 2012

Centro Cívico de Arada Arada Organização GFFA

2012 Centro Cívico de Arada Arada Organização GFFA X X X X X X I I
2012 Centro Cívico de Arada Arada Organização GFFA X X X X X X I I
2012 Centro Cívico de Arada Arada Organização GFFA X X X X X X I I

Troupe de Reis do Grupo Folclórico “Os Fogueteiros de Arada”

Somos uma associação que se dedica, essencialmente, ao folclore e à etnografia. Como tal, temos um papel fundamental na pesquisa, recolha, preservação e divulgação do património imaterial do povo Aradense. O Cantar das Janeiras é uma tradição genuína da freguesia de Arada e mantém-se viva muito pela nossa acção. A Troupe de Reis nasceu no seio do GFFA na década de 80 do séc. XX, mais precisamente, e segundo os registos existentes, em 1988. Não será alheio o facto do GFFA ter sido membro do GOATO na mesma época.

Não foi fácil nem consensual a assimilação dos traços culturais ovarenses no que

diz respeito ao Cantar dos Reis. Não era uma tradição Aradense… Contudo, com

um trabalho árduo, sério e persistente ao longo dos anos, atingimos um patamar

que nos permite dizer que somos dignos representantes da tradição ovarense do

Cantar dos Reis. Hoje, Arada e os Aradenses vêm no Cantar dos Reis uma mais-valia cultural para a freguesia. Prova disso é o Encontro de Troupes de Reis em Arada que conta com a participação das Troupes de Reis do concelho de Ovar e, em 2012, teve lugar a

XVII

edição. Para além da assimilação de um traço cultural ovarense pelas gentes

de

Arada, este evento pauta-se pela descentralização de uma tradição

59

característica da cidade de Ovar pelas freguesias do concelho.

Participantes

Troupe de Reis Infantil do Grupo Coral Infantil e Juvenil de Maceda Troupe de Reis Infantil do ATL da Ribeira

Juvenil de Maceda Troupe de Reis Infantil do ATL da Ribeira X X X X X

Troupe de Reis Infantil da EB dos Combatentes Troupe de Reis da Associação Cultural e Recreativa da Ribeira Troupe de Reis da Associação Cultural e Recreativa de Sande, Salgueiral e Cimo de Vila Troupe de Reis da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ovar Troupe de Reis da Associação dos Antigos Alunos da Escola Oliveira Lopes Troupe de Reis da Associação Cultural e Atlética de Guilhovai Troupe de Reis JOC/LOC Troupe de Reis Tradição e Juventude Troupe de Reis do Grupo Folclórico “Os Fogueteiros de Arada”

Encontro de Troupe de Reis Bombeiros Voluntários de Ovar

2 de Janeiro de 2012 Centro de Formação dos Bombeiros Voluntário de Ovar Organização BVO

dos Bombeiros Voluntário de Ovar Organização BVO X X X X X X I I I

Rádio Águia Azul

7 de Janeiro 2012 Santa Maria da Feira

Cantar as Janeiras pelas ruas da freguesia

Maria da Feira Cantar as Janeiras pelas ruas da freguesia Baile de Carnaval 18 de Fevereiro

Baile de Carnaval

18 de Fevereiro 2012 Sede do Grupo Organização GFFA

18 de Fevereiro 2012 Sede do Grupo Organização GFFA 61 X X X X X X
18 de Fevereiro 2012 Sede do Grupo Organização GFFA 61 X X X X X X

61

18 de Fevereiro 2012 Sede do Grupo Organização GFFA 61 X X X X X X

Festa de S. Lázaro

25 de Março 2012

Participação na procissão

Arada

Lázaro 25 de Março 2012 Participação na procissão Arada Grande Noite de Fados 31 de Março
Lázaro 25 de Março 2012 Participação na procissão Arada Grande Noite de Fados 31 de Março

Grande Noite de Fados

31 de Março 2012

Centro Cívico de Arada Organização GFFA

31 de Março 2012 Centro Cívico de Arada Organização GFFA X X X X X X
31 de Março 2012 Centro Cívico de Arada Organização GFFA X X X X X X
31 de Março 2012 Centro Cívico de Arada Organização GFFA X X X X X X

Festa Nossa Senhora do Desterro

14,15 e 16 de Abril 2012 Participação na procissão Arada

14,15 e 16 de Abril 2012 Participação na procissão Arada II Edição do Concurso “ Talentos
14,15 e 16 de Abril 2012 Participação na procissão Arada II Edição do Concurso “ Talentos

II Edição do Concurso “Talentos em Linha!

20 de Abril 2012 Centro Cívico de Arada Organização GFFA

20 de Abril 2012 Centro Cívico de Arada Organização GFFA 63 X X X X X
20 de Abril 2012 Centro Cívico de Arada Organização GFFA 63 X X X X X

63

de Abril 2012 Centro Cívico de Arada Organização GFFA 63 X X X X X X

X

Português

22 de Abril 2012

Santuário de Fátima Organização Federação de Folclore Português

Fátima

Peregrinação

Nacional

a

da

Federação

do

Folclore

Fátima Peregrinação Nacional a da Federação do Folclore Canto da Liberdade 29 de Abril 2012 Centro

Canto da Liberdade

29 de Abril 2012

Centro Cívico de Arada Participante Grupo Coral Infantil & Juvenil de Maceda Organização GFFA

Coral Infantil & Juvenil de Maceda Organização GFFA X X X X X X I I
Coral Infantil & Juvenil de Maceda Organização GFFA X X X X X X I I
Coral Infantil & Juvenil de Maceda Organização GFFA X X X X X X I I

Festival Nacional de Folclore de Primavera Cidade de Castelo Branco 2012

5 de Maio 2012 Castelo Branco Organização Associação Cultural Recreativa Grupo Típico “O Cancioneiro de Castelo Branco”

Desfile

Português

19 de Maio 2012 Largo do Toural Guimarães Organização Federação de Folclore Português

Nacional

do

Trajo

Popular

Federação de Folclore Português Nacional do Trajo Popular 65 X X X X X X I
Federação de Folclore Português Nacional do Trajo Popular 65 X X X X X X I

65

de Folclore Português Nacional do Trajo Popular 65 X X X X X X I I

Festival de Folclore

2 de Junho 2012

Faralhão - Setúbal Organização Grupo de Danças e Cantares Regionais do Faralhão

XXXIII Aniversário

3 de Junho 2012 Sede do GFFA Arada

INATEL

9 de Junho 2012

Santa Maria da Feira

do GFFA Arada INATEL 9 de Junho 2012 Santa Maria da Feira X X X X
do GFFA Arada INATEL 9 de Junho 2012 Santa Maria da Feira X X X X

FériArada 2012

26 de Junho 2012

Exploração Musical Jogos Tradicionais Organização Junta de Freguesia de Arada

Jogos Tradicionais Organização Junta de Freguesia de Arada XXII Intercâmbio Folclórico 30 de Junho 2012 Palmaz
Jogos Tradicionais Organização Junta de Freguesia de Arada XXII Intercâmbio Folclórico 30 de Junho 2012 Palmaz

XXII Intercâmbio Folclórico

30 de Junho 2012

Palmaz Oliveira de Azeméis Organização Associação Desportiva, Recreativa e Cultural de Palmaz

67

Associação Desportiva, Recreativa e Cultural de Palmaz 67 X X X X X X I I

XXXXXXIIII FFeessttiivvaall NNaacciioonnaall ddee FFoollcclloorree RRoommaarriiaa aa NNoossssaa SSeennhhoorraa ddoo DDeesstteerrrroo -- 22001122

Crenças e Mezinhas

Oração da Manhã Minha Mãe, minha Senhora, sobre estes filhos lançai a Vossa Bênção carinhosa com esta poderosa protecção livrai-nos de todo o mal hoje e toda a vida. Ámen.

À Hora das refeições Antes:

Abençoai, Senhor, este alimento que vamos tomar: que ele repare nossas forças, para melhor Vos servir e amar. Pai Nosso…

nossas forças, para melhor Vos servir e amar. Pai Nosso… X X X X X X

Trindades

(ao toque do sino de manhã, ao meio-dia e à noite)

O Anjo do Senhor anunciou a Maria.

- E Ela concebeu do Espírito Santo. Avé Maria … Eis aqui a serva do Senhor.

- Faça-se em mim, segundo a Vossa palavra. Avé Maria …

E o Verbo Divino se fez homem.

- E habitou entre nós.

Avé Maria… Rogai por nós Santa Mãe de Deus.

- Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

de Deus. - Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. 69 X X X X

69

Oração da Bênção do Pão

Depois de amassar e antes de levedar o pão, o povo dizia o seguinte:

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ámen. Deus te acrescente, Deus te faça pão, Nosso Senhor te vote a Bênção. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ámen.

Talhar o mau-olhado aos animais

Quando os animais deixam de andar, de comer e ficavam inchados o povo dizia que estavam com mau-olhado e que lhes tinham feio bruxedo. Para resolver o problema talhavam o mau-olhado da seguinte forma:

Numa telha de regedora colocavam brasas em lume, alecrim e sal. Com um ramo

de alecrim andavam à volta do animal fazendo o final da cruz e dizendo:

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ámen. Eu Benzo este animal em cruz para que daqui saia o inimigo e só fique Jesus, assim como Nossa Senhora defumou o seu abençoado Filho, Nobre e Bendito para ele bem cheirar, eu defumo este animal para todo o mau ar dele retirar. Credo em nome de Deus Vivo, virás e este animal há-de ficar em paz. Credo em nome de Deus Vivo, virás e este animal há-de ficar em paz.

Credo em nome de Deus Vivo, virás e este animal há-de ficar em paz. Pai Nosso … Avé Maria …

O defumadouro está feito. O mau-olhado está tirado e este animal há-de

continuar a trabalhar.

está tirado e este animal há-de continuar a trabalhar. X X X X X X I

XXXXXXIIII FFeessttiivvaall NNaacciioonnaall ddee FFoollcclloorree RRoommaarriiaa aa NNoossssaa SSeennhhoorraa ddoo DDeesstteerrrroo 22001122

Medicina Popular

Cidreira Planta perene, herbácea da família da menta e da hortelã. Folhas com aroma frutado, a limão, e flores esbranquiçadas. É anti-espasmódica, anti-nevrálgica, calmante, anti-depressiva, digestiva e analgésica. Faz-se uma infusão de 30 gramas de planta seca em 1 litro de água a ferver, deixar em infusão 10 minutos e beber até 6 chávenas por dia. As folhas esfregadas na pele aliviam as picadas dos insectos e servem também como repelente.

as picadas dos insectos e servem também como repelente. 71 X X X X X X

71

as picadas dos insectos e servem também como repelente. 71 X X X X X X

Hipericão Planta vivaz, caule avermelhado, flor amarelada, sem cheiro.

É adstringente, anti-séptico, cicatrizante, diurético, sedativo e anti-depressivo. Para fazer descer a menstruação e acalmar dores menstruais tomar 0,5 litro por dia, bem quente da seguinte infusão: 30 gramas de planta, 1 pau de canela e 1 litro de água fervente. Repousar 2 minutos. Para asma, gastrite e problemas respiratórios, tomar 3 chávenas por dia de infusão de 1 litro de água com 30 gramas de folhas secas. Deixar repousar 10 minutos. Para cicatrizar feridas, chagas e queimaduras, lavá-las com um óleo feito da seguinte forma: 250 gramas da planta com 0,5 litro de azeite. Deixar macerar durante 10 dias em frasco fechado, exposto ao sol.

Sabia que…

As folhas frescas ou secas de hortelã afastam os ratos. As folhas secas de arruda afastam as formigas. As folhas verdes de eucalipto e figueira afastam a traça da batata.

A hortelã e a cidreira atraem as abelhas.

traça da batata. A hortelã e a cidreira atraem as abelhas. X X X X X

Sabedoria Popular

Levar água no bico

Significado: Ter intenções ou propósitos ocultos Origem: Na linguagem dos marinheiros, “navegar com água no bico” significava navegar contra a corrente levando água do mar na proa o que tornava o mar traiçoeiro.

Cair que nem tordos

Significado: Cair em grande quantidade, queda fácil. Origem: Vem da caça. Os tordos voam em bandos densos e, quando atingidos por um tiro de caçadeira que dispara muitos chumbos ao mesmo tempo caiem em grande quantidade. Com um só tiro matam-se muitos tordos.

O primeiro milho é para os pardais

Significado:

necessariamente as melhores. Origem: No tempo dos romanos, era costume os agricultores oferecem os primeiros frutos das colheitas às aves. Pensavam-se que era as aves que levavam

sendo

Os

mais

fracos

aproveitam

as

primeiras

vantagens.

Não

as oferendas aos deuses.

73

Caiu o Carmo e a trindade

Significado: Desgraça; Aparato; Surpresa; Confusão. Origem: Durante o terramoto de 1755, ouviu-se um grande estrondo por toda a cidade de Lisboa. Quando os habitantes descobriram qual tinha sido a causa de tal barulheira, logo disseram: Caiu o Carmo e a Trindade. Isto é desabaram os conventos do Carmo e da Trindade.

Fazer tijolo

Significo: Falecer Origem: Para reerguer as casas destruídas pelo terramoto de 1975 utilizou-se a argila para fazer tijolos. Entre a argilas eram frequentemente encontradas ossadas. Daí que tivessem surgido frases como: Daqui a uns tempos estou a fazer tijolosentre os populares.

Fazer tabua rasa

Significado: Esquecer completamente um assunto. Origem: Os romanos seguidores do filósofo grego Aristóteles diziam que a alma sem experiencia era como uma tábua rasa. A tábua rasa era uma pequena tábua de cera que não tinha nada escrito ou desenhado. Mais tarde, o termo foi aproveitado à vida urbana e transformado para o significado que hoje conhecemos.

Tirar o pai da forca

Significado: Ter pressa. Origem: Santo António estava em Pádua e teve de ir apressadamente até Lisboa para livrar o seu pai da forca. Lenda conhecida que tem tanta atualidade neste século onde quase todos andam acelerados de uma lado para o outro como quem vai tirar o pai da forca.

Olho por olho Dente por dente

Significado: Desforra correspondente à ofensa. Origem: A lei do Talião consiste na reciprocidade do crime e da pena. É uma das leis, mais antigas.

Queimar as pestanas

Significado: Estudar muito. Origem: Aqueles que estudavam antes da existência eletricidade da eletricidade, estudavam à luz de velas ou lamparinas e corriam o risco de ficar com as pestanas

ou lamparinas e corriam o risco de ficar com as pestanas X X X X X

Utilidades Domesticas

Repelente para as tranças Se espalhar pequenas bolas de tecido cheias de cascas de limão dentro do armário da roupa, as traças permanecerão longe. Se preferir flores de alfazema, obterá um efeito igualmente repelente para os insetos.

Roupa Branquíssima Quando estiver a mudar a água da roupa branca, junte um copo de água oxigenada. A roupa fiará com um branco resplandecente.

Humidade no frigorifico Para evitar a acumulação de humidade no interior do frigorifico, coloque um prato com um pouco de bicarbonato no seu interior.

Guerra às manchas de suor Para eliminar as manchas de transpiração da roupa, faça uma pasta de bicarbonato de sódico e vinagre. Coloque a pasta sobre a mancha e ponha na máquina de lavar.

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Fritadeiras bem limpas Comece por retirar todo o óleo, em seguida quando estiver totalmente vazia, polvilhe o interior com bastante farinha. Quando esta tiver absorvido toda a gordura passe um pano seco.

Autoclismo Se quer limpar o interior do seu autoclismo, descarregue-o e limpe-o com água, detergente e lixivia para eliminar o verdete. Se a água for muito calcária pode acrescentar um pouco de vinagre. Desta forma evitará também que se possa obstruir e a borracha manterá a sua eficácia durante mais tempo.

Agradecemos a todos aqueles que contribuíram para que o XXXII Festival Nacional de Folclore “Romaria

Agradecemos a todos aqueles que contribuíram para que o XXXII Festival Nacional de Folclore “Romaria à Nossa Senhora do Desterro” fosse uma realidade.

Obrigado e bem hajam!