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O fanzine está morto.

Longa vida ao fanzine!

F oi por necessidade que o fanzine nasceu. A grande imprensa, preocupada em dialogar com as massas, deixava abertas lacu-

nas que eram preenchidas por seres apaixonados, ansiosos por co- nhecer e trocar informações com pessoas de interesses semelhantes. Assim surgiram inicialmente os fanzines de ficção científica, em seguida os de quadrinhos e, finalmente, os fanzines punks – ponto em que a idéia da autopublicação ganhou força e se espalhou para absolutamente todos os grupos culturalmente marginalizados. Acontece que a realidade neste início de século é bem diferente. Graças aos incontáveis avanços da tecnologia, as possibilidades de

comunicação não apenas se multiplicaram, como também tiveram seus custos barateados, facilitando o acesso tanto para quem con- some quanto para quem produz informação. Paralelamente, boa parte dos movimentos contraculturais e sub- culturais – os maiores pólos produtores de zines – foram assimi- lados pelo gigante chamado sistema. As empresas estão cada vez mais atentas às demandas dos nichos específicos. Afinal, no mundo capitalista somos todos consumidores e nenhuma oportunidade pode ser desperdiçada. A própria idéia de cultura de massa é hoje vista com desconfiança. Com tudo isso, o fanzine impresso deixou de ser necessário. Por que se dar ao trabalho de pesquisar, editar, diagramar, imprimir, dobrar, grampear, distribuir e – mais do que tudo – gastar dinheiro, se a informação pode ser disseminada com muito menos trabalho e sem custo algum? A resposta é simples e incrivelmente libertadora: porque sim, oras. Os fanzines finalmente chegaram ao ponto em que não pre- cisam mais de desculpa alguma para existir. Se existem, é apenas pelo desejo e vontade de seus criadores.

Quando a fotografia se popularizou, no final do século XIX, mui- ta gente se apressou a declarar o fim da pintura. Consideravam que o trabalho que um pintor demoraria dias, semanas, até meses para realizar, poderia agora ser feito por um fotógrafo com mais perfei- ção e em muito menos tempo. O tempo se encarregou de provar o engano. A pintura não ape- nas não morreu, como, livre de sua função mimética, pôde explorar novos rumos e revolucionar a História da Arte. Guardadas as devidas proporções, o mesmo pode acontecer ago- ra com os fanzines. Não sendo mais o único meio de comunicação para os grupos que habitualmente o usavam, eles podem adquirir as mais diversas formas e funções, podem ousar mais, podem ser mais experimentais. Numa perspectiva otimista, podemos estar prestes a trocar a quantidade pela qualidade. Difícil dizer se essa bela profecia irá se cumprir, mas uma coisa é certa: contrariando os derrotistas e os afoitos, os fanzines não mor- reram e passam bem, muito obrigado. Prova disso são os exatos 165 títulos que recebemos para essa edição do Anuário. Sem contar a grande quantidade de filmes, livros, eventos e trabalhos acadêmicos dedicados ao assunto – tópicos que também foram devidamente abordados nesta edição. Dessa forma, pretendemos não apenas suprir com informações aqueles que se interessam pelo fascinante mundo das publicações alternativas, mas também dar nossa modesta contribuição para a chegada desta nova era. Esperamos que aproveitem a leitura! Até o ano que vem!

Douglas Utescher

O fanzine está morto. Longa vida ao fanzine! F oi por necessidade que o fanzine nasceu.
O fanzine está morto. Longa vida ao fanzine! F oi por necessidade que o fanzine nasceu.
O fanzine está morto. Longa vida ao fanzine! F oi por necessidade que o fanzine nasceu.
O fanzine está morto. Longa vida ao fanzine! F oi por necessidade que o fanzine nasceu.
O fanzine está morto. Longa vida ao fanzine! F oi por necessidade que o fanzine nasceu.

Choveu zine em 2011!

O fanzine está morto. Longa vida ao fanzine! F oi por necessidade que o fanzine nasceu.

os Fanzines nas BiBLioteCas e nas teLas

O fanzine está morto. Longa vida ao fanzine! F oi por necessidade que o fanzine nasceu.

os Fanzines invadem as universidades

O fanzine está morto. Longa vida ao fanzine! F oi por necessidade que o fanzine nasceu.
O fanzine está morto. Longa vida ao fanzine! F oi por necessidade que o fanzine nasceu.

pequeno guia de eventos zinístiCos

transFormando veLhas Caixas de papeL em um Lugar Chamado zineteCa

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Douglas utescher

Flávio grão tem 36

Márcio sno tem 37

thiago silva, 25 anos,

PRETO.

tem 34 anos e está envolvido com essas coisas de underground há mais tempo do que

Ugra Press.

anos e é oriundo da cena punk/hardcore do ABC Paulista. É educador, ilustrador , faz fanzines e

anos e desde os 18 está envolvido com zines. Publicou a cartilha Fanzines de Papel

traduz, revisa, escreve e mora longe. Gosta de seu metal como de seu café:

consegue lembrar. Atualmente, coordena a

é um dos fundadores do blog Zinismo.

e é organizador do documentário Fanzineiros do Século Passado.

editor: Douglas Utescher . Projeto gráfico e diagramação: Douglas Utescher . Pesquisa e redação: Douglas Utescher, Flávio Grão e Márcio Sno ilustrações: Flávio Grão . revisão: Thiago Silva . colaboração: Daniela C.P. Utescher. 2º Anuário de Fanzines, Zines e Publicações Alternativas é uma publicação da Ugra Press. Versão eletrônica disponível para download gratuito em www.ugrapress.wordpress.com . É permitida (e incentivada) a reprodução deste material desde que citada a fonte. Contatos: c/o Douglas Utescher - Caixa Postal 777 - São Paulo, SP - CEP: 01031-970.

ugra.press@gmail.com

flaviograo@yahoo.com.br

marciosno@gmail.com

theeago.silva@gmail.com

www.ugrapress.com.br Impresso em abril de 2012.

Choveu zine em 2011! Após anos de ostracismo, os zines voltaram a dar as caras em

Choveu zine em 2011!

Choveu zine em 2011! Após anos de ostracismo, os zines voltaram a dar as caras em
Choveu zine em 2011! Após anos de ostracismo, os zines voltaram a dar as caras em

Após anos de ostracismo, os zines voltaram a dar as caras em 2011. Várias iniciativas importantes surgiram para ajudar a movimentar o cenário. Uma nova geração de editores está se formando e editores aposentados estão retomando (ou recriando) seus trabalhos. Possibilidades diferentes, parcerias interessantes ... Sim, nós estamos animados, e temos motivos para isso! No meio disso tudo, resolvemos dar uma espiada também no que nossos hermanos sul-americanos andam fazendo. E não nos arrependemos! A seguir, você irá se deparar com 44 páginas de resenhas de publicações independentes dos mais diversos tipos e entrevistas com alguns de seus editores. Esperamos que toda essa informação seja útil: que surjam novos contatos, novas amizades e muita inspiração!

Choveu zine em 2011! Após anos de ostracismo, os zines voltaram a dar as caras em

Antes, algumas observações:

Os comentários sobre as publicações são assinados e refletem exclusivamente a opinião do autor. Se você discorda, concorda ou

tem algo a acrescentar, entre em contato. Os e-mails de todos os colaboradores podem ser encontrados perto do editorial. Os comentários estão assinados com as seguintes siglas: du (Douglas Utescher), fg (Flávio Grão) e ms (Márcio Sno).

UGRA PRESS

Choveu zine em 2011! Após anos de ostracismo, os zines voltaram a dar as caras em

2º ANUÁRIO DE FANZINES, ZINES E PUBLICAÇÕES ALTERNATIVAS

4 Zines sortiDos

Rio de Janeiro, RJ – Brasil

e.u. (2011) | vários formatos |

digital + serigrafia + xerox

4 Zines sortiDos Rio de Janeiro, RJ – Brasil e.u. (2011) | vários formatos | digital

Essa é uma das mais curiosas iniciati- vas surgidas entre os fanzines brasileiros recentemente. Nas palavras de Germano Weiss, seu idealiza-

dor: “É como um pacote de figurinhas, eles custam 5 reais e carregam 4 zines sortidos. Dentro desses pacotes colocamos zines que nós mesmos fazemos e zines de outras pessoas, faze- mos cópias de zines interessantes da nossa própria coleção, etc. Foi uma das maneiras que encontramos de divulgar a cultura dos zines nas feiras que participamos no Rio de Janeiro.” Vale salientar que os zines vêm acondicio- nados em uma sacola de papel parecida com os tradicionais sacos de pão, com um belo trabalho de serigrafia. No pacote que recebemos estavam 4 exemplares da série “Edições Catador”, outra iniciativa do Germano que vale a pena conhecer. du

4 Zines sortiDos Rio de Janeiro, RJ – Brasil e.u. (2011) | vários formatos | digital

s.a.c.dodo@gmail.com

dodopublicacoes.wordpress.com

7 Dayz

7 DayZ

Fortaleza, CE – Brasil e.u. (2010) | A5 | 72 ps. | offset

4 Zines sortiDos Rio de Janeiro, RJ – Brasil e.u. (2011) | vários formatos | digital

7 Dayz era um zine

que virou livro após seu criador ser contemplado com o edital Revela Jovem da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará.

O que temos aqui,

na verdade, são as 4 partes da HQ “Submundície”, originalmente publicadas entre os números 6 e 9 do zine. Trata-se da história de Janine, uma jovem confusa, drogada e bissexual que engravida de um desconhecido após uma balada muito louca e tenta a todo custo desfazer o nó que virou sua vida. Poderia ser um drama teen piegas, mas está bem longe de sê-lo. Mérito do talentoso Vitor Batista, que prova ter grande domínio sobre o desenho e sobre a narrativa. Com seu traço econômico e despojado, um texto ágil e um enredo cheio de reviravoltas, o autor promove um raro equilíbrio entre humor e poesia, prendendo a atenção do leitor do começo ao fim do livro. du

territoriomarginal@gmail.com

blogzdovitor.blogspot.com

4 Zines sortiDos Rio de Janeiro, RJ – Brasil e.u. (2011) | vários formatos | digital

UGRA PRESS

a lenDa Da Pantera negra

Ibiúna, SP – Brasil e.u. (2010) | A6 | 16 ps. | xerox

4 Zines sortiDos Rio de Janeiro, RJ – Brasil e.u. (2011) | vários formatos | digital

Zine de mangá de- dicado àqueles que gostam de felinos, mas também com uma pegada lésbica. A primeira história conta a lenda de uma

menina que, caso fosse beijada por um homem, transfor- maria-se em uma pantera. A segunda também é uma espécie de lenda, mas ao inverso da anterior. Curiosidades: no perfil da autora ela de- clara ter “24 anos, mas com um corpinho de 13”. E rola uma versão da capa de “Born Again” do Black Sabbath em uma das histórias. ms

camilaglsrockzine@hotmail.com

a Muriçoca

Osasco, SP – Brasil #8 ao #10 (2011) | A5 | 16 ps. | xerox

4 Zines sortiDos Rio de Janeiro, RJ – Brasil e.u. (2011) | vários formatos | digital

Essa publicação é uma iniciativa do pessoal do cursinho pré-ves-

tibular Educamais de

Osasco. Uma grande sacada, pois trata de questões do universo

escolar, como esco- lhas, carreiras e projetos de vida de forma muito descontraída, o que ajuda a aliviar a tensão do vestibular. Há dicas culturais e de profissões, palavras cruzadas, HQs, indicações de livros e perfis de alguns educandos. Destaque para a seção “Matutando”, que traz problemas de lógica que fazem qualquer um quebrar a cabeça e “Confronto”, onde pessoas com pontos de vista diferentes falam sobre determinado assunto. Na edição de número 9 há uma matéria sobre fanzines. ms

fanzine.muricoca@gmail.com

pessoaempessoa.blogspot.com

a.t.u.M.

Belo Horizonte, MG – Brasil #1 (2007) a #4 (2010) | A5 | 36 ps. | offset

4 Zines sortiDos Rio de Janeiro, RJ – Brasil e.u. (2011) | vários formatos | digital

Zine de HQs under- ground feito pelos mineiros Victor Maia e Leandro Corrêa. A influência de ambos passa pelo trabalho dos autores clássicos

nacionais (Angeli, Glauco, Marcatti) e estrangeiros (Crumb, Gilbert Shelton etc).

Os quadrinhos de Leandro Corrêa pos- suem um traço mais carregado e abordam, dentre outros assuntos, questões enfren- tadas quotidianamente pelos roqueiros independentes brasileiros. Já as aventuras de Edu Caray (de Victor Maia) têm como cenário inicial uma empresa em Belo Horizonte e após uma verdadeira epopéia (que dura os quatro zines) termina na Holanda. No recheio desta história ex-prostitutas, agentes corruptos da polícia, agiotas, motoboys e outros personagens carismáticos do coti- diano brasileiro dão as caras e ajudam Edu a concretizar seu sonho de viajar para a Europa nas férias. Tá certo que continuar a história (do per- sonagem Edu Caray) na edição seguinte (lembrando que a maioria do zines são aperiódicos) é sacanagem, mas a trama toma rumos e um desfecho tão inespera- dos (absurdos?) que acaba justificando a espera do leitor. fg

  • atumhq@gmail.com

  • atumzine.blogspot.com

aDventure to nowhere

São Paulo, SP – Brasil #1 (2011) | A5 | 24 ps. | digital

4 Zines sortiDos Rio de Janeiro, RJ – Brasil e.u. (2011) | vários formatos | digital

A versão impressa do Adventure to Nowhere é apenas um aperitivo para o #1 do zine, que pode ser baixado no site. São HQs colori- das, no estilo mangá.

Spell World viveu muito tempo em paz até o Rei dos Ogros Magos surgir e bagunçar tudo. Quer saber o final? Só no site! ms

  • atncomics@gmail.com

  • atncomics.com

aFrobrasiliDaDe

São Paulo, SP – Brasil #1 (2011) | A7 | 16 ps. | digital

4 Zines sortiDos Rio de Janeiro, RJ – Brasil e.u. (2011) | vários formatos | digital

Pequeno zine informa- tivo/educativo sobre a África, seu povo e suas relações com o Brasil. São vários textinhos breves com informa- ções sobre cultura, re-

ligiosidade e questões sociais. Bacana, mas um pouco superficial. Incluir menos tópicos e desenvolvê-los melhor pode ser uma solução. Listar dicas de leitura para quem desejar se aprofundar no tema também seria de grande utilidade. du

fabi_menassi@yahoo.com.br

fabimenassi.blogspot.com

3 PERGUNTAS PARA WendeLL saCramento

 
3 PERGUNTAS PARA WendeLL saCramento Detalhe da capa do Aisthésis #3 em suas publicações você mostra
 

Detalhe da capa do Aisthésis #3

em suas publicações você mostra cla- ramente sua paixão por zines. Por que essa declaração tão escancarada?

da leitura sobre diversos aspectos. Gosto de pensar nisto como o ato de apreciar uma obra de arte, onde todo o resto do

WS – O Zine é apaixonante! Poético! É

mundo tem importância na leitura. A músi-

uma ligação com as origens presente nis-

so que chamamos futuro, e o Zine tam - bém é futuro pois tem raízes arraigadas no Futurismo da década de 1910 (ano do Corinthians!). Sou de uma geração apai- xonada pelo que diz respeito ao futuro. O futuro para mim é um hoje constante que vira passado a cada vez que é registrado e

é essa questão do registro como caracte- rística de identidade que me instiga, o Zine tem isso! Não é a minha foto, mas os meus pensamentos, memórias, sentimentos etc.

ca que tu ouves, a luz que entra pela janela ou que vem de uma vela sobre uma caveira ou o lampião a gás do Du Champ que emite

luz esverdeada

Para mim a obra poderá

... manter-se única desta forma. Outro fator relevante é que cada original da página do zine passa a integrar o meu portifólio, aprecio muito os processos pe- los quais as coisas passam pois estes são a evidência de um ser pensante vivendo um momento que não se repetirá.

e tal, e esta subjetividade é parte de minha

como um pai de família encara a mis-

identidade que o Registro Geral, vulgo RG, não carrega!

são de produzir algo que não coloca comida na mesa?

você começou a publicar zines há pouco tempo, em uma época em que a tecnologia permite que uma pessoa

WS – Não encara

Quando se dá conta já

... está fazendo! Por outro lado, se pensar- mos que o ato de fazer implica em ideias sendo associadas e conhecimentos sendo

também.

produza um zine em poucos cliques. Porém, você optou em fazê-los de ma- neira mais “arcaica”, usando tesoura e cola. Por que?

adquiridos onde o indivíduo passa a conhe- cer o mundo e a si mesmo, portanto está formando-se continuamente como pessoa e construindo melhor o trabalhador que co-

WS – A minha trajetória como editor de fanzine é recente, mas a minha ativida - de experimental nas artes plásticas vem

locará com prazer a comida sobre a mesa. Há coisas do cotidiano que você compreen- de melhor quando afasta-se delas e imerge

desde a infância quando eu desenhava na areia ou nas paredes das casas alheias. Esses velhos costumes não costumam de- saparecer tão fácil, além do que, o suporte físico tem possibilidades que o meio digi-

em outras atividades permitindo-se outras ideias, portanto estas atividades são im- portantes para ajudar a prover o sustento

tal ainda não está podendo ofertar, como a textura, o cheiro do papel e o momento

www.hqeponto.blogspot.com

2º ANUÁRIO DE FANZINES, ZINES E PUBLICAÇÕES ALTERNATIVAS

aisthésis

São Paulo, SP – Brasil #2 e #3 (2011) | A5 | 24 ps. | xerox

aisthésis São Paulo, SP – Brasil #2 e #3 (2011) | A5 | 24 ps. |

Caos. Fim do mundo. Estas são as primeiras impressões que temos quando folheamos um fanzine de Wendell Sacramento, que mis- tura um monte de téc-

nicas para produzir os cenários de suas histórias, com um visual próximo ao de Henry Jaepelt e Law Tissot, gerando um clima de “pra onde vamos?”. Seus roteiros promovem intervenções urbanas, a ação popular e a expressão ar- tística em forma de ação direta. Olhando com mais cuidado, é possível perceber a paixão do autor por fanzines, já que sempre há alguma referência ao assunto em suas histórias. O personagem principal criado por Wendell (que parece usar uma máscara de ferro) é tão marcante, que quando ele desenha pessoas “normais”, elas parecem ter sido criadas por outro autor. Curiosidade: Wendell é inspetor de alunos

em uma escola pública e faz suas HQs nos intervalos de atividades. ms

wendellsacramento@yahoo.com.br

aisthésis São Paulo, SP – Brasil #2 e #3 (2011) | A5 | 24 ps. |

hqeponto.blogspot.com

alexyus cruZ – o enigMa que você é

Piracicaba, SP – Brasil e.u. (2011) | A5 | 12ps. | xerox

aisthésis São Paulo, SP – Brasil #2 e #3 (2011) | A5 | 24 ps. |

Sem dúvida este é um

zine intrigante. Feito com recortes, colagens, dobraduras e desenhos com traços simples, o zine nos convida a um diálogo

com o místico (e mítico) personagem Alexyus. O diálogo se dá através de questionamentos e brinca- deiras feitas pelo personagem como numa espécie de jogo. Algumas páginas pos- suem dobraduras que são utilizadas como recursos lúdicos, como números e opções que escondem mensagens que permitem a interação entre o leitor e narrador. Ao final da leitura o leitor passa por al- guns questionamentos sobre temas como

a constituição do pensamento e as repre- sentações ou construção dos conceitos em

nossa mente.

A edição merecia um acabamento mais caprichado, mas sem dúvida é algo cria- tivo e inovador. fg

tchelodarkinalone@hotmail.com

gibiscomcarisma.blogspot.com

alexyus cruZ –

soPrar De asas congelaDas

Piracicaba, SP – Brasil e.u. (2011) | A5 | 52 ps. | offset

Outra publicação com o personagem Alexyus. Desta vez trata-se de uma narrativa mística com personagens e
Outra publicação
com o personagem
Alexyus. Desta vez
trata-se de uma
narrativa mística
com personagens e
cenários repletos de
simbolismos que lem-
bram (principalmente) autores como Neil
Gaiman e J.R.R. Tolkien.
A leitura se reveza entre HQ, poemas,
desenhos e fotos e pode ser acompanhada
pelo CD que vem incluso no zine, cujas
faixas relacionam-se com os capítulos.
 

3 PERGUNTAS PARA edgar FranCo

 
de quadrinhos como genuinamente brasilei- ro e estipulou 3 características básicas dele: além de ilustrador, você

de quadrinhos como genuinamente brasilei- ro e estipulou 3 características básicas dele:

além de ilustrador, você também man- tém o projeto Posthuman tantra. De

a intencionalidade poética e/ou filosófica, o

que forma alia música e ilustrações?

número restrito de páginas – são HQs curtas

EF – O Posthuman Tantra é minha banda

como poemas hai-cais, e o forte experimenta- lismo no traço e roteiro.

performática que já lançou vários trabalhos e 2 CDs oficiais pela gravadora suíça Lega- tus Records. Trata-se da dimensão sonora e

em 2008 você comentou em uma entrevis-

performática do meu universo ficcional da

ta para Michelle ramos, que “brevemente

Aurora Pós-humana, universo que tenho uti-

as hqs não serão mais mídia de massa, serão uma forma de arte cult”. como você avalia hoje esse pensamento?

lizado como base para todos os meus tra- balhos como artista multimídia, dos quadri- nhos aos sites de web arte envolvendo vida

Detalhe da HQ “Neomaso Prometeu”, de Edgar Franco

artificial. Toda a parte visual do Posthuman

o que seria o gênero poético-filosófico, no qual seu trabalho está enquadrado?

EF – Em 1996 eu alcunhei um gênero pe- culiar de quadrinhos brasileiros de “poéti-

EF – Continuo acreditando nisso, pois tenho percebido uma diminuição gradativa do inte-

resse das novas gerações pelos quadrinhos. As HQs continuam em evidência na mídia por causa da crise de roteiros do cinema mains- tream que tem transformado dezenas de HQs

Tantra é de minha responsabilidade, assim as capas de CDs e encartes criam a ambi-

ência visual para as músicas, os videoclipes da banda apresentam uma visualidade con- catenada com minhas ficções. Nas apre-

co filosófico” em artigo publicado no livro

em filmes, a maioria de qualidade duvidosa.

sentações ao vivo da banda, que incluem ví-

“Histórias em Quadrinhos no Brasil: Teoria

Porém, isso aumenta muito pouco o número

deos exclusivos, efeitos computacionais em

e Prática”, organizado por Flávio Calazans.

Na época já destacava alguns expoentes do gênero como Gazy Andraus, Henry Ja-

de leitores, as novas gerações já querem logo é o game das personagens. Como aconteceu agora com um sobrinho meu que viu Tin Tin

realidade aumentada e efeitos de mágica eletrônica, toda a visualidade é criada para apresentar à audiência múltiplos aspectos

epelt e eu.

no cinema, falei que tinha os álbuns, ele nem

da “Aurora Pós-humana”.

O pesquisador Elydio dos Santos Neto,

ligou, mas ficou louco pra jogar o game. As

Um abraço pós-humanista!

em sua pesquisa de pós-doutorado dedi-

HQs tiveram seu tempo de mídia massiva no

cada aos quadrinhos poético-filosóficos

ocidente, agora se tornarão, inevitavelmente,

realizada na UNESP, definiu esse gênero

uma mídia cult.

www.youtube.com/posthumantantra

UGRA PRESS

Esta ousada combinação precisa ser lida com calma e atenção aos detalhes, pois são muitas as fontes de inspiração, como a mitologia cristã, celta, as novelas de cava- laria e o universo dos RPGs. O traço dos desenhos é simples e funcio- nal, mas dá impressão de ter perdido um pouco da definição em algum momento entre a transposição do computador para o papel. A capa é muito bonita, feita à par- tir de um ensaio fotográfico, lembrando as capas do Dave Mckean para o Sandman. É um zine que tem de tudo para agra- dar a um nicho específico de leitores, em especial os que apreciam as referências mencionadas. fg

tchelodarkinalone@hotmail.com

gibiscomcarisma.blogspot.com

anorMal

Rio de Janeiro, RJ – Brasil #11 (2011) | vários | 2 ps. | sublimação

aisthésis São Paulo, SP – Brasil #2 e #3 (2011) | A5 | 24 ps. |

Você já pensou em vestir um zine? Pois é, a nova edição do Anormal é um zinecamiseta. Impresso com trans- fer, na parte da frente

temos editorial, cola- gens e ilustrações, no usual estilo insano deste zine. No verso, uma gigantesca HQ com desenhos toscos e texto herege. Genial, mas o melhor dessa edição é sua contribuição para complicar ainda mais as tentativas de uma definição de (fan)zine. Antes do boom da internet, o fanzine já tinha virado audiozine e videozine. Em se- guida, invadiu a web nas formas de blogs, sites e arquivos pdf. E agora uma camiseta! A idéia de zine estaria, portanto, primor- dialmente relacionada a uma maneira específica de se comunicar, mais do que ao suporte que a sustenta? Quais seriam as características dessa comunicação? Essa explicação vale para o total do universo zineiro ou apenas para uma parte dele? Perguntas e mais perguntas. Só por elas o Anormal #11 já valeria a pena! du

aisthésis São Paulo, SP – Brasil #2 e #3 (2011) | A5 | 24 ps. |

wnyhyw@gmail.com

partesforadotodo.blogspot.com

anuário De Fotos 2010 ZonaPunk

São Paulo, SP – Brasil #1 (2010) | A6 | 24 ps. | offset

Apesar de terem es- paço consolidado no exterior, zines de foto nunca foram muito populares no
Apesar de terem es-
paço consolidado no
exterior, zines de foto
nunca foram muito
populares no Brasil,
excetuando o extinto
Fodido e Xerocado e,
mais recentemente,
aisthésis São Paulo, SP – Brasil #2 e #3 (2011) | A5 | 24 ps. |

Camila GLS Rock Zine

esse Anuário de Fotos, editado pelo site

Zona Punk.

Estão aqui reunidas 20 fotos publicadas no referido portal ao longo do ano de 2010, traduzindo em imagens os ingredientes de um bom show de rock: suor, catarse, teatralidade, tensão e drama.

As imagens dos shows independentes são

de longe as mais legais. Sem desmerecer o fotógrafo ou a banda, fotos bem tiradas do Metallica vemos aos montes, em qualquer lugar. Mas aquele instante, brilhantemente eternizado por um dos fotógrafos do Zona Punk, em que um fã agarrou pelo pescoço o vocalista do Dead Fish para cantar junto

ao seu ídolo, exemplifica com precisão o que eu espero ver em um zine de fotos. du

  • antonio.hbb@gmail.com

  • zp.blog.br

arrotinhos curry

Rio de Janeiro, RJ – Brasil

#2 (2011) | A5 | 56 ps. | xerox + serigrafia

aisthésis São Paulo, SP – Brasil #2 e #3 (2011) | A5 | 24 ps. |

Arrotinhos Curry não é um fanzine comum. A capa já deixa isso claro: é impressa num processo que combina xerox, serigrafia e imersão em um pre-

parado de curry. Dentro do zine, quadrinhos. Mas não quaisquer quadrinhos. Tem trabalhos de gringos (Kurt Wolfgang e Ivan Brunetti)

e brasileiros (Rômolo e Laerte). Imagino

que sejam pirateações, mas de qualquer forma, as escolhas são boas. O melhor do zine, porém, são as HQs “O Maioral do Balé Moderno” e “As Desventuras de Jânio Spif Pato, o Comburente”, criadas com técnicas de détournement.

A segunda, especialmente, é um épico. Inteiramente construída aproveitando quadrinhos do Pato Donald, dos Peanuts e do Tex, narra a trágica história de Jânio, um pato alcoólatra e piromaníaco. Sensacional. du

  • s.a.c.dodo@gmail.com dodopublicacoes.wordpress.com

artlectos & Pós-huManos

João Pessoa, PB – Brasil #4 (2010) | A5 | 36 ps. | offset + digital #5 (2011) | A5 | 32 ps. | offset + digital

aisthésis São Paulo, SP – Brasil #2 e #3 (2011) | A5 | 24 ps. |

Edgar Franco per- tence a um seleto grupo que produz o gênero poético- filosófico em seus quadrinhos e ilustra- ções, permeados por

um estilo futurista e carregado de simbologia. Edgar não dá as mensagens “de bandeja”. É necessário entrar no universo do autor e viajar em seus traços cheios de detalhes

complexos e seres que parecem estar em

constante mutação. Sua arte me remete ao artista suíço H.R. Giger, principalmente no uso sugestivo de formatos fálicos. Destaque à versão de “A Caverna” baseada no mito de Platão que faz parte do #4.

Artlectos & Pós Humanos é uma publica-

ção da editora Marca de Fantasia. ms

henriquemais@gmail.com

aisthésis São Paulo, SP – Brasil #2 e #3 (2011) | A5 | 24 ps. |

marcadefantasia.com

as ruas são suas! ocuPeM-nas!

Rio de Janeiro, RJ – Brasil e.u. (2011) | A6 | 4 ps. | xerox

aisthésis São Paulo, SP – Brasil #2 e #3 (2011) | A5 | 24 ps. |

Livretinho desobe- diente editado pelo incansável povo do coletivo Hurra! O assunto aqui é a di- nâmica das manifes- tações e os esforços

empreendidos pelo sistema para neutralizá-las. De maneira objetiva e inflamada, este texto convida os rebeldes a saírem da calçada e ocuparem as ruas, recuperando o caráter combativo das manifestações do início do século XX. “As manifestações não são só demonstra- ções, são formas de fazer pressão. E temos de construir formas de pressão que sejam

eficazes”. Tá dado o recado! du

carinapandora@gmail.com

2º ANUÁRIO DE FANZINES, ZINES E PUBLICAÇÕES ALTERNATIVAS

Comic Cow aviso Final São Caetano do Sul, SP – Brasil #28 (2011) | A5 |

Comic Cow

aviso Final

São Caetano do Sul, SP – Brasil #28 (2011) | A5 | 12 ps. | xerox

Comic Cow aviso Final São Caetano do Sul, SP – Brasil #28 (2011) | A5 |

Apostando na máxima “time que está ga- nhando não se mexe” o veterano Renato Donizete chega ao número 28 de seu fanzine Aviso Final

mantendo a fórmula que (após 21 anos) o tornou um dos mais longevos zines punks do Brasil. Na capa desta edição uma colagem do ícone Winston Smith e, no seu interior, entrevistas com as bandas ARD e Futuro. Temos ainda as tradicionais sessões de resenhas de zines e bandas e uma HQ que trata sobre questões do movimento. Sem frescuras ou afetação, o Aviso Final é um fanzine que preza pela informa- ção objetiva e direta ao ponto. Clássico é clássico. fg

  • avisofinal@gmail.com

  • fotolog.com/aviso_final

baD bones FunZine

Buenos Aires – Argentina #4 (2011) | 20 x 28cm | 16 ps. | offset

Comic Cow aviso Final São Caetano do Sul, SP – Brasil #28 (2011) | A5 |

Zine de Buenos Aires que trata da cena Hardcore e assuntos relacionados. A diagramação é feita de uma forma limpa e bem cuidada, há

também uma boa seleção de fotos que ilustram as matérias, formando um conjunto harmônico e de leitura prazerosa. Os tipos de textos são os clássicos de um bom fanzine de qualquer cena. As colu- nas trazem artigos que fazem análises a respeito de questões polêmicas no meio underground, como por exemplo a ética no download de bandas independentes. O zine aborda também temas locais como o

UGRA PRESS

espaço cultural Circulo Felino, o Projeto de direitos de animais Quatro Patas entre outros. Há também entrevista com bandas

como a argentina Bam Bam Estás Muerto

e a internacional Limp Wrist. Como não poderia faltar, no final do zine, reviews de lançamentos musicais e gráficos. Destaque para a linguagem em que os tex- tos são escritos, que possuem certa dose de “pessoalidade”, permitindo que as opiniões ou assuntos sejam abordados de maneira

mais sincera e menos fria. fg

badboneszine@live.com.ar

baratosFera

São Paulo, SP – Brasil #-9 (2009) | A5 | 4 ps. | xerox #-8 (2010) | A5 | 4 ps. | xerox #-7 (2011) | A5 | 12 ps. | xerox

Se você reparou nos sinais de subtração junto aos números das edições, deve ter achado que
Se você reparou nos
sinais de subtração
junto aos números
das edições, deve
ter achado que foi
um erro de digita-
ção. Engano seu.
Baratosfera começou a
ser publicado no número -9 (menos nove)
e prosseguirá essa contagem até o número

zero, quando o editor promete apresentar

“novas metamorfoses”. Estranho? Você ainda não viu nada! Com desenhos bizarros e textos confusos, Baratão (editor e criador do zine) preen- che as páginas de sua publicação com um mix de propaganda anti-tabagismo, piadas de boteco, teorias conspiratórias e expli-

cações esdrúxulas sobre o surgimento de vida em Encélado. Gramática não é o forte aqui, e o editor parece orgulhar-se disso. Na capa das três edições que recebemos há um convite:

“Participe do Mega concurso ‘Atentado ao Português’ descubra erros e concorra a milhões de (prêmios)”. Se fosse de ver- dade, eu seria o novo Eike Batista. du

Comic Cow aviso Final São Caetano do Sul, SP – Brasil #28 (2011) | A5 |

baratisfera@gmail.com

baratosfera.blogspot.com

bátiMa

Brasília, DF – Brasil e.u. (2011) | A6 | 16 ps. | digital

Comic Cow aviso Final São Caetano do Sul, SP – Brasil #28 (2011) | A5 |

Paródias e releituras de super heróis podem não ser novidade, mas rendem ótimos resul- tados quando feitas pelo artista certo. Foi assim com os Zeróis,

do Ziraldo, com o

Ano do Bumerangue, de Diego Gerlach e agora com o Bátima do André Valente. Não entrarei em detalhes porque a histó- ria é curta e não quero estragar a surpresa, mas posso adiantar que o Cavaleiro das Trevas aqui não trava lutas épicas contra vilões ardilosos, nem tem dilemas morais

muito complexos. Pelo contrário: parece

humano, demasiado humano. É uma his- tória engraçada, sim, mas dotada de certa melancolia. A relação texto x imagem também é interessantíssima, contrapondo fantasia e realidade através de duas narra- tivas paralelas. Dá para ler em 5 minutos, mas você vai

querer fazer durar pelo menos 10. du

oandrevalente@yahoo.com.br

oandrevalente.com benjaMin PePPe
oandrevalente.com
benjaMin PePPe

Jaú, SP – Brasil #1 (2007) e #2 (2010) | A5 | 24 ps. | offset

Comic Cow aviso Final São Caetano do Sul, SP – Brasil #28 (2011) | A5 |

Benjamin Peppe é um caso peculiar na ga- leria de personagens das HQs brasileiras. Criado em 1973 por Paulo Miguel dos Anjos (ou apenas

Anjos, como assina), suas histórias já foram publicadas em diversos fanzines do Brasil e alguns do ex- terior. Benjamin é um hippie, líder de uma “turma moderninha, ingênua, cheia de

fantasias e imaginações”, segundo Anjos.

Ele pratica esportes radicais (não tira seu

macacão e sua sandália nem para surfar), defende a natureza e tem como inimigos os membros de uma gangue de punks. Pela longevidade e repercussão do per- sonagem, eu imagino que ele tenha seu público. Anjos alega ter influência do es- tilo cubista de Pablo Picasso e diz que está trabalhando no projeto de um desenho animado da turma para ser veiculado na TV. Para meu gosto, os roteiros parecem desconexos e o traço parece simplório demais, até para os parâmetros de uma série infantil. Talvez eu que não esteja preparado para as aventuras politicamente corretas de Benjamin Peppe. du

smeditora@yahoo.com.br

benjaMin PePPe FanZine

São Paulo, SP – Brasil #2 (2010) e #3 (2011) | A5 | 32 ps. | offset

Comic Cow aviso Final São Caetano do Sul, SP – Brasil #28 (2011) | A5 |

O hippie surfista ataca novamente! A sacada aqui são as histórias escritas e desenhadas por diferentes autores para o Benjamin. Dão as caras alguns

nomes conhecidos como Laerçon (criador dos Paraibanos de

Subúrbio), Chagas Lima (criador do Icfire) e até o Shimamoto, além de muita gente nova. A qualidade dos trabalhos oscila bastante e as histórias, obviamente, falam sobre ecologia, esporte e tal. du

benjaminpeppe@gmail.com

benZine

Sto. André, SP – Brasil #1 (2010) ao #6 (2011) | A6 | 4 ps. | digital

Este é um zine com as tiras cômicas de- senhadas pelo Daniel Linhares e apresenta uma
Este é um zine com
as tiras cômicas de-
senhadas pelo Daniel
Linhares e apresenta
uma interessante solu-
ção na divulgação de
HQs, pois é gratuito,
bimestral e possui um
formato econômico.

Cada edição traz cinco tiras sempre hi-

lárias e com boas sacadas, com temas e personagens inusitados como “Infernet”, “Juvenal Fagundes” e a escatalógica (e filosófica?) “Merdas no Asfalto”. Destaque para as capas do zine, pois man- têm um padrão de estilo (fonte, diagrama- ção e fotos), um recurso útil para destacar

a publicação durante a sua distribuição. A opção por um zine tão curto acaba dei-

xando no leitor uma sensação de “já aca- bou?”, o que na verdade é um bom reflexo de quão divertidas são as tiras. fg

dogbiscuitpress@zipmail.com

dogbiscuitpress.blogspot.com

biograFicZine

João Pessoa, PB – Brasil #0 (2008) e #1 (2009) | A5 | 12 ps. | xerox

Nas aulas de “Formação de edu- cadores, Narrativas autobiográficas e Histórias em quadri- nhos” que habilita
Nas aulas de
“Formação de edu-
cadores, Narrativas
autobiográficas e
Histórias em quadri-
nhos” que habilita
mestres em Educação,
Elydio Santos Neto re-

solveu aplicar a atividade de fanzine com seus educandos. Chamou Gazy Andraus para conceituar e ensinar a turma a fazer fanzines e entrou com a proposta do que batizou de “biograficzines”. Elydio também produziu seu próprio “biograficzine” contando um pouco da sua história e influências, com breves bio- grafias de autores e produções pessoais em forma de textos, quadrinhos e ilustrações. Curiosamente, os fanzines são quase que totalmente escritos à mão, dando mais

 

3 PERGUNTAS PARA danieL Linhares

 
Tira do Benzine #6

Tira do Benzine #6

rentes entre si. Infernet começou pelo tro- cadilho da palavra e então veio a questão:

se a televisão é coisa do diabo, a internet também dever ser! A partir daí vieram as situações do diabo navegando na rede. Uma curiosidade dessa tira é que mesmo tendo um tema relacionado a internet, faço questão de publicá-las primeiro no zine, para depois irem para o blog. Merdas no Asfalto foi criada enquanto caminhava para o trabalho, vi duas merdas

Por que zine?

outros estados, pra um pessoal que também

na rua e em seguida um carro passou por

  • DL – Porque é simples, direto e principal-

ajuda na distribuição, porque ainda rola esse

é muito positivo, alguns ficam na HQ Mix em

cima de uma e eu ri da situação e pensei

mente físico, a tendência hoje é migrar para a internet, mas o trabalho impresso

lance dos independentes se ajudando, o que

o que uma merda pode dizer para a outra diante desse acontecimento e a frase só

tem uma outra dimensão e valor, tanto

São Paulo e uma parte é distribuída nas gibi-

poderia ser “a vida é uma merda!” e nisso

para o autor, como também para o leitor.

tecas do ABC e são nesses locais que o fato de

a tira se formou automaticamente na mi-

ser gratuito e de leitura rápida faz com que um

nha cabeça, fiz mais três ou quatro tiras,

o benzine tem como característica

mesmo exemplar tenha vários leitores, expan-

mas achei que as pessoas não iriam reagir

uma leitura bem dinâmica. isto influen-

  • DL – Acho que influencia em uma parte da

dindo o alcance da publicação.

bem a esta temática, essas tiras ficaram

cia o modo como você distribui o zine?

o benzine possui algumas tiras com temas

engavetadas por mais de um ano e quando decidi colocá-las no blog a receptividade

distribuição, alguns são distribuídos para quem já conhece e depois do boca a boca

bem inusitados como “infernet” ou “mer- das no asfalto”. como foram criadas?

foi muito positiva e então comecei a pro- duzí-las com mais frequência.

esse número cresce, outros vão em quan-

DL – Por trás da criação de cada tira existe

tidade um pouco maior pelo correio para

uma história e essas histórias são bem dife-

www.dogbiscuitpress.blogspot.com

2º ANUÁRIO DE FANZINES, ZINES E PUBLICAÇÕES ALTERNATIVAS

pessoalidade à proposta do biograficzine. Eis um belo exemplo de como utilizar o fanzine como ferramenta pedagógica. ms

elydio@gmail.com blueseria
elydio@gmail.com
blueseria

Alvorada, RS – Brasil #5 (2010) | A5 | 20 ps. | xerox

pessoalidade à proposta do biograficzine. Eis um belo exemplo de como utilizar o fanzine como ferramenta

É raro encontrar fan- zines sobre blues. Mas o gaúcho Denilson, que comanda a Tchê Produções, resolveu fazê-lo de uma forma bastante particular

e criativa. A diagra- mação segue o formato do corpo de um violão e ao invés de utilizar fotos dos bluesmen, convida alguns desenhistas para ilustrá-los. Além do que, a ótima impres- são contribui muito com o resultado final. Essa publicação faz muito jus ao nome fanzine, pois mostra mesmo uma “re- vista de fã”, com direito a foto do editor com músicos e ingressos de shows. Mas não fica naquelas de “ah, fulano é deus”, “cicrano é o tal”, o conteúdo é formado por biografias e comentários de shows,

inclusive destacando artistas locais, o que é, talvez a maior sacada do editor. Nessa edição, matérias sobre Jimi

Hendrix, Lonnie Johnson, John Hammond, ZZ Top, entre outros. ms

tchedenilson@gmail.com

blueseriazine.blogspot.com

caDernos De estuDos De

eDucação Física

São Caetano do Sul, SP – Brasil #2 ao #20 (2010) | A5 | 4 ps. | xerox

pessoalidade à proposta do biograficzine. Eis um belo exemplo de como utilizar o fanzine como ferramenta

Existe uma diferença muito grande entre professor e educador.

Geralmente professor de educação física de escola pública dá uma bola pros moleques

jogar futebol e pronto. Mas tem aqueles que são educadores, como Renato Donisete, aquele mesmo do zine Aviso Final. Ele dá aulas em uma escola pública e, com a sua experiência de mais de duas décadas como zineiro, faz um fanzine mensal para seus alunos, sem- pre com temas pertinentes às atividades e projetos desempenhados em quadra.

Por ter circulado no ano passado, boa parte dos temas são relacionados à Copa do Mundo de Futebol, mas também é

possível encontrar tópicos como cuidados com o corpo, regras de esportes e histórias

das modalidades. Inclusive alguns destes

assuntos são interdisciplinares, pois de acordo com o tema, Renato pede para os alunos pesquisarem junto aos professores de História, Matemática e Geografia. Destaque para a edição sobre futebol de várzea, que é fantástica!

Queria muito que meu professor de

Educação Física fosse assim

...

ms

pessoalidade à proposta do biograficzine. Eis um belo exemplo de como utilizar o fanzine como ferramenta

avisofinal@gmail.com

campossalles.wordpress.com

caFé seM açúcar

Porto Alegre, RS – Brasil #3, #4 e #5 (2011) | A5 | 16 ps. | xerox

Viver sozinho é uma faca de dois gumes. A pessoa é livre para fazer o que
Viver sozinho é uma
faca de dois gumes.
A pessoa é livre para
fazer o que quer,
porém tem que lidar
com alguns fantasmas
– como a solidão, que
se intensifica no cair

3 PERGUNTAS PARA eLYdio dos santos neto

o meio acadêmico tem dificuldade para visualizar as utilidades do fanzine como ferramenta pedagógica?

ESN – Avalio que sim, o meio acadêmi-

co tem dificuldades para ver os fanzines

como uma possibilidade a ser utilizada a favor dos processos educativos formais. Ao longo do tempo de sua constituição a universidade terminou por se desenvol- ver numa perspectiva cartesiana e neste

contexto suas abordagens de fundamentos da realidade e de metodologia de trabalho sobre

esta mesma realidade ficaram muito rígidas e inflexíveis. Padrões metodológicos foram defi-

nidos e eles muitas vezes dificultam e mesmo

impedem o trabalho criativo. Se a metodolo- gia bem pensada e usada ajuda a construção

científica, e isso é bom, por outro lado quando

ela se enrijece então inviabiliza a criatividade e isso é muito ruim. É ruim, de modo especial, no campo das ciências humanas em geral, e na educação em especial, no qual a complexidade é tanta que os métodos precisam ser perma- nentemente criados e recriados. Então, veja ...

Uma das dificuldades dentro da academia é o

trabalho com as imagens. Na academia, e na formação de professores, predomina a palavra, o verbo. Ela é logocêntrica. A imagem quando aparece é em esquemas didáticos ou então no campo das artes. A imagem, em conjugação com a palavra e numa perspectiva de formação autoral, precisaria ter um espaço maior e me- lhor explorado dentro da academia. Neste sen- tido, e também por outros motivos, oriundos,

sobretudo, da expressão autoral livre, o fanzine

tem dificuldades de reconhecimento dentro da

academia. Muitos dos acadêmicos, educado- res inclusos, nem sabem o que é um fanzine. Outros, que sabem o que é, o consideram por demais marginal para ser usado na educação formal, uma vez que oferece liberdade e foge às regras rígidas de construção e criação.

Por que resolveu levar o fanzine para suas aulas de mestrado?

ESN – Algumas coisas vinham me preocupan- do na formação de professores, pois via nela uma racionalidade técnica muito desenvolvida em detrimento da experiência sensível com a complexidade humana - também no sentido do corpo, do afeto e da imaginação - tão funda- mental, em parceria com a racionalidade, no que diz respeito às relações entre as pessoas que são os educadores e os educandos. Nos processos educativos tudo passa pelas rela- ções e por aquilo que as pessoas são. Não é só razão. Nesta direção entendi que duas coisas poderiam me ajudar a facilitar aos professores o desenvolvimento desta sensibilidade: recu- perar a própria trajetória formativa, ou história de vida, se preferir; aprender a trabalhar com as imagens, primeiramente as próprias ima-

da tarde e nos dias chuvosos. Para lidar com isso, Jeison Placinsch preferiu se ren- der aos poemas. Seus escritos surgem em lugares e momentos diversos. Não existe um assunto específico: o autor fala sobre a ausência do pai, uma briga no trem, faz questionamentos sobre a humanidade. Assim é o Café sem Açúcar: reflexões sobre o cotidiano de quem tem a solidão como fonte de inspiração para escrever poemas que são quase crônicas. ms

jeison.nm@hotmail.com

facebook.com/cafesemacucar

caíDa corPorativa en PicaDa

Buenos Aires – Argentina #1 (2011) | A6 | 4 ps. | xerox

pessoalidade à proposta do biograficzine. Eis um belo exemplo de como utilizar o fanzine como ferramenta

Um dos zines de arte feitos pela argentina Debora Paula, lançado pela editora Ediciones de Cero. Nesta publi- cação a artista inter- preta alguns signifi-

cados do termo caida (queda) através de desenhos e colagens. O resultado é um bom exercício criativo que se resolve no pequeno formato de

bolso (A4 dobrado quatro vezes). fg

pessoalidade à proposta do biograficzine. Eis um belo exemplo de como utilizar o fanzine como ferramenta

deborag77@gmail.com

flickr.com/photos/deborag

caMila Zine eDição esPecial

Ibiúna, SP – Brasil #5 (2008) e #6 (2010) | A6 | 8 ps. | xerox

Camila é um zine de bolso de histórias em quadrinhos feitos por Julia Albuquerque de Ibiúna
Camila é um zine de
bolso de histórias em
quadrinhos feitos por
Julia Albuquerque de
Ibiúna em São Paulo.
Os zines apresentam
uma interessante com-
binação de Mangá,
transexualismo, erotismo e bandas da

cena underground brasileira.

No #5, por exemplo, há uma aventura que envolve a personagem Camila com cria- turas japonesas como Gyodai e Ultraman, que na realidade é o Gepeto, vocalista da banda de hardcore Ação Direta. Já o #6, foi feito como homenagem a um evento de metal extremo que houve na

cidade de Ibiúna. Esta HQ é baseada intei- ramente em trocadilhos com os nomes de algumas bandas de metal. Por mais que estas combinações se asse-

melhem a misturar feijoada com sushi, o

resultado é sem dúvida divertidíssimo! fg

camilaglsrockzine@hotmail.com

caMila gls rock Zine

Ibiúna, SP – Brasil #1 (2010) e #2 (2011) | A6 | 16 ps. | xerox

pessoalidade à proposta do biograficzine. Eis um belo exemplo de como utilizar o fanzine como ferramenta

Da mesma autora dos zines Camila, estas duas edições trazem além dos zines de HQs de bolso, DVDs com coletâneas de videos clipes de gêne-

ros musicais diversos (punk, metal, gótico etc). Nestas edições há um posicionamento mais marcado na questão de gênero sexual que já aparece em um lema de um dos editoriais “Transexualismo, quadrinhos & rock/metal”, e que está latente também nos quadrinhos dos zines. O vol. 1 é uma edição comemorativa dos cinco anos da personagem Camila e é composto por diversas tiras humorísticas com o característico traço mangá. O vol. 2 traz mais tiras divertidíssimas envolvendo todo o universo da persona-

gens e depois desenvolver uma atenção crítica ao modo como nossas culturas usam as ima- gens para interferir em nossos processos de constituição como seres humanos. Juntamente com isso havia o desejo de ajudar os mestran-

dos a quebrar um pouco da rigidez da repro- dução dos modelos de produção acadêmica e favorecer uma construção mais autoral. O

Biograficzine foi uma maneira que encontrei de

reunir em uma só proposta a criação autoral, a liberdade da auto-expressão, a consciência da trajetória biográfica e o trabalho combina- do de palavras e imagens. O objetivo: ajudar a desenvolver uma formação sensível junto aos educadores, mas também uma formação refle- xiva e crítica.

quais foram os principais resultados que conquistou junto aos seus educandos utili- zando a prática do biograficzine?

ESN – Primeiramente é importante dizer que eu

tinha claro que o trabalho com fanzines na for- mação de educadores e pesquisadores da área

de educação, e especificamente o trabalho com o Biograficzine, não seria uma panacéia

que resolveria todos os problemas da forma-

ção. Era somente mais um recurso, entre tan- tos outros, que poderia ser utilizado. Segundo, eu teria que fundamentar muito bem, do ponto de vista teórico, os motivos pelos quais julgava o fanzine importante para a formação de edu- cadores. E terceiro, eu corria o grande risco de que a proposta de trabalho com os fanzines fosse interpretada pelos professores de uma maneira muito rígida e que terminasse por ser engessada, o que mataria completamente a originalidade transgressora, autoral, provoca- tiva, marginal e auto-expressiva dos zines. Por- tanto tomei todos os cuidados possíveis para, dentro dos limites da universidade, preservar estas qualidades em prol da formação daque- las pessoas e chamei para trabalhar comigo um zineiro de experiência, com amor pelos fan-

zines e pelo ser humano, mas também com a referência do trabalho docente universitário e

com a pesquisa: Gazy Andraus. Os resultados

foram muito positivos:1. Ter que apresentar

imagética e reflexivamente a própria trajetória

biográfica num fanzine exigiu dos mestrandos

recuperar a própria história e elaborá-la na

perspectiva profissional e pessoal, e isso foi

altamente enriquecedor; 2. Trabalhar com as

imagens e a cultura visual no início foi difí- cil para muitos, acostumados tão somente a ler e interpretar textos escritos, mas pos- sibilitou-lhes perceber que o educador se enriquece e aos seus alunos, quando traba- lha imageticamente; 3. Puderam fazer uma experiência diferente com a imaginação, a criatividade, a autoria e a auto-expressão

o que permitiu, a vários, resgatar um fio

condutor possível para si mesmo dentro da própria história. Isso não é pouca coisa!; 4. Fizeram uma pequena experiência do que é uma comunidade fanzineira que troca e discute a própria produção, com liberdade e respeito pela produção autoral do outro. Gazy Andraus ajudou muito nisso; 5. Abri- ram um canal de comunicação rico com o mundo juvenil (às vezes composto também por adultos!), pois alguns levaram a experi- ência do fanzine para o trabalho no ensino fundamental e médio, com resultados bas- tante satisfatórios. Enfim, minha experiên- cia com os fanzines na educação, de modo especial na formação de professores, ain- da é pequena, mas tem se mostrado extre- mamente rica.

2º ANUÁRIO DE FANZINES, ZINES E PUBLICAÇÕES ALTERNATIVAS

3 PERGUNTAS PARA deniLson rosa dos reis

 
3 PERGUNTAS PARA deniLson rosa dos reis Ilustração de Diego Müller para o Blueseria #5 o
 

Ilustração de Diego Müller para o Blueseria #5

o blues é um estilo musical pouco con- vencional no brasil. qual o papel do blueseria para divulgar o blues?

do rock, faço pela minha cabeça, minhas ideias, sem me preocupar com o merca- do. Os fanzines são a pura expressão da

De que forma as publicações indepen-

DR – Pelo fato do blues ser um estilo mu-

imprensa alternativa e isso explica muito

sical pouco convencional no Brasil, quase marginal, é que o fanzine Blueseria surgiu. O papel da publicação é fazer chegar aos amantes do Blues espalhados pelo Brasil o que acontece no cenário blueseiro do Rio Grande do Sul onde comento sobre os mú- sicos gaúchos e os shows que acontecem

você está publicando desde 1987 a

explica se dedicar tanto tempo a algo

minha persistência em fanzinar há mais de duas décadas. Se você está lendo esta publicação, você é da resistência!

dentes impressas podem conviver har- monicamente com universo virtual?

em Porto Alegre de mestre do blues vindos

DR – Por muito tempo fui resistente ao

dos EUA. Além disso, o zine tem um dife-

universo virtual para as publicações de

rencial das demais publicações de música,

fanzines. Para um “dinossauro” como eu,

incluindo o blues, que é trazer sempre os artigos e resenhas de shows com ilustra- ções de desenhistas de quadrinhos. As capas do Blueseria são verdadeiras obras de arte para quem curte ilustrações e mú- sica. Além disso, sempre que possível tem alguma HQ com a temática blues.

frente da tchê Produções hq, o que

que não lhe traz retorno financeiro?

tenho que pegar o fanzine nas mãos, folhe- ar página por página e colocar na coleção, sempre a disposição para ser manuseado e levado de um lado para o outro. Continuo pensando desta forma, fazendo zines im- pressos, colecionando fanzines e levando a eventos e reuniões para o pessoal poder manusear. Mas, hoje vejo que uma coisa não exclui a outra. Alguns novos leitores do

fanzine Tchê me pediam as edições antigas de mais de 20 anos atrás e foi aí que per- cebi que seria interessante poder publicar

Claro que isso fica longe de migrar do

DR – Paixão e resistência cultural! Meus amigos fanzineiros que resolveram ganhar dinheiro largaram os fanzines há mais de

estes zines na web e deixar o pessoal bai- xar no seu PC.

uma década para se dedicar ao jornalis- mo, publicidade, literatura ou buscar o mercado norte americano de quadrinhos

papel para o virtual, uma coisa não deve excluir a outra. Quem como eu curte o pa- pel, os fanzines continuam impressos e,

desenhando super-heróis. Da minha parte, continuei fazendo fan- zines por pura paixão e curtição ao que

para aqueles que convivem bem – talvez a nova geração? – o universo virtual está aí. Para finalizar, o virtual deve estar a ser-

faço, pois é sempre gratificante editar um

viço dos editores de publicações impres-

zine e ver o pessoal comentando e elogian- do minha persistência em produzir cultura

sas, não devemos ver o virtual como con- corrente, pois os públicos são diferentes. E

sem o mínimo do retorno financeiro, ali- ás, muito pelo contrário, a fanedição traz sempre prejuízo. Mas vejo isto como in- vestimento na resistência por uma cultura

mais um detalhe, a partir do universo vir- tual, um novo público leitor pode descobrir as publicações independentes impressas.

livre do mercado. Mesmo que escreva um artigo sobre um super-herói ou uma estrela

blueseriazine.blogspot.com

gem (transformismo, filmes trash, rock, cultura japonesa) e uma matéria sobre as kathoeys, transexuais da Tailândia. fg

camilaglsrockzine@hotmail.com

caMiño Di rato

Uberlândia, MG – Brasil #4 ½ (2011) | A5 | 42 ps. | digital

3 PERGUNTAS PARA deniLson rosa dos reis Ilustração de Diego Müller para o Blueseria #5 o

Esta publicação é editada pelo jornalista Matheus Moura e vai a um ponto além dos zines de quadrinhos, pois traz discussões e reflexões a respeito da

nona arte. Todas as histórias são seguidas de textos de seus autores, abordando questões como o processo de criação ou reflexões sobre o tema abordado na HQ. Um momento interessante do zine é a provocativa HQ “Frígida” de Matheus Moura e Rosemario Souza, que mereceu uma réplica (ou re- leitura) na mesma edição – no caso, a HQ “Necrofilia”, feita pela autora Carmilla. Entre os diversos autores, desenhistas e estudiosos encontram-se alguns nomes conhecidos do gênero fantástico-filosófico como Gazy Andraus, Elydio dos Santos e Edgar Franco. fg

caminhodirato@gmail.com

tokadirato.blogspot.com

cáucaso

São Vicente, SP – Brasil e.u. (2011) | A5 | 8 ps. | xerox

3 PERGUNTAS PARA deniLson rosa dos reis Ilustração de Diego Müller para o Blueseria #5 o

O doutor em Ciências da Comunicação Gazy Andraus é um dos grandes promotores brasileiros de estudos, articulação e debates sobre as histórias

em quadrinhos e os fanzines. Exemplo disso é o trabalho que desenvolve com seus alunos da pós-gra- duação (que envolve a criação de fanzines autobiográficos) e também o Programa de Formação de HQ e Zine, organizado por ele em 2011, que promoveu debates, oficinas e palestras no Centro Cultural da Juventude, em São Paulo. Além de tudo isso, Gazy continua na ativa produzindo seus peculiares fanzines. O trabalho de Gazy faz parte do gênero genuinamente brasileiro conhecido como fantástico-filosófico, onde o autor explora temas como espiritualidade e filosofia. Em Cáucaso, aspectos da existência hu-

mana são abordados em poucas palavras e desenhos, deixando grande parte da inter- pretação por parte do leitor. Esse modo de

UGRA PRESS

construção remete à estruturas poéticas orientais, como a utilizada nos haicais. Como já dito no anuário passado, os fan- zines de Gazy exigem um grau de sensibi- lidade e intuição apurada, pois fogem dos esquemas narrativos (ocidentais) objetivos aos quais estamos habituados. E é justa- mente por isso que os recomendamos. fg

  • gazya@yahoo.com.br

  • tesegazy.blogspot.com

caZar truenos

Lima – Peru

#1 (2011) | A4 | 16 ps. | offset

3 PERGUNTAS PARA deniLson rosa dos reis Ilustração de Diego Müller para o Blueseria #5 o

Esta excelente publi- cação peruana não apenas se aventura por um terreno pouco explorado entre os fanzines sul-america- nos – a música experi-

mental, especialmente noise e estilos relacionados – como o faz de maneira exemplar. As entrevistas, que ocupam metade do conteúdo desta edição, são interessantes e informativas. Estão lá Ernesto Bohórquez (do projeto Animal Machine), Shazzula, Sergio Sanches (do selo Ruído Horrible) e o lendário Maurizio Bianchi. Temos ainda um texto de Bob Cobbing sobre poesia sonora, um artigo que trata das diferen- ças entre noise e arte sonora e muitas resenhas de discos. Tudo apresentado com uma diagramação simples mas eficiente, privilegiando a clareza da informação. Se você se interessa por sonoridades in- comuns e ruidosas, não deixe também de conhecer a Buh Records, o selo musical comandado por Luis Alvarado, editor de Cazar Truenos. du

  • unautobus@gmail.com buhrecords.blogspot.com

clase De Pan

Rosario, Santa Fe – Argentina e.u. (2011) | A6 | 8 ps. | xerox

3 PERGUNTAS PARA deniLson rosa dos reis Ilustração de Diego Müller para o Blueseria #5 o

Sim, sim, é exata- mente isso! Este zine é uma receita de pão! Se fica bom eu não sei, mas certamente vou testar assim que aca- bar de escrever as re-

senhas deste Anuário. Livretinho simpático, todo manuscrito, feito pelo povo igualmente simpático que organiza a Zine Zelt (veja a matéria sobre eventos zineiros na página 54). du

  • anawandzik@gmail.com

  • zinezelt.com.ar

closer

Sto. André, SP - Brasil #1 (2011) | A5 | 36 ps. | xerox

3 PERGUNTAS PARA deniLson rosa dos reis Ilustração de Diego Müller para o Blueseria #5 o

Além de editar o zine Spellwork e organizar o Fanzinada, Thina Curtis escreve poesias.

Reuni-las em um fan-

zine seria óbvio, mas a moça alega que a idéia

lhe soava vazia. A so- lução foi convidar diversos amigos da área das artes visuais para ilustrar seus escritos, e o resultado é o zine Closer.

O rol de colaboradores compreende artistas de diferentes estilos e técnicas – incluindo nomes conhecidos no fanzinato, como Gazy Andraus e Edgar Franco – que deram forma ao universo triste dos versos da autora. O zine se dá o luxo de ser colorido, mas

infelizmente a qualidade da impressão não ajudou muito, prejudicando a nitidez de algumas imagens e a leitura dos textos. du

thinacurtis@hotmail.com

fanzinada.com.br coletivo Zine
fanzinada.com.br
coletivo Zine

Rio de Janeiro, RJ – Brasil #1 (2011) | A5 | 64 ps. | digital

A proposta é nobre: criar uma publicação descentralizada, sem editor, sem tarefas definidas, onde os co-
A proposta é nobre:
criar uma publicação
descentralizada, sem
editor, sem tarefas
definidas, onde os co-
laboradores dividam
o trabalho de acordo
com suas possibilida-
des e contribuam da forma que quiserem.
Bonito? Nem tanto. Apesar do ideal

democrático da iniciativa, a falta de uma

identificação maior entre os colaboradores acaba sendo justamente o ponto fraco do Coletivo Zine.

Duro

O zine não é de todo ruim. Pelo contrário, tem colaborações ótimas, como os contos do Fábio Barbosa e do Wagner T. (edito- res dos zines Reboco Caído e Anormal,

respectivamente) e as HQs do Dingo e do Dola. Não por acaso, além do talento de seus autores, esses quatro exemplos têm em comum a narração de histórias bizar- ras e cheias de humor negro. Juntos, for- mariam um conjunto diverso, mas coeso. O problema é que, entre uma coisa e

outra, nos deparamos com material um pouco duvidoso e discrepante, como a HQ vampiresca “O Sabor do Pecado”, de Michael Kiss, e o texto “A Irmandade do Sino: artes negras & ciências ocultas”, uma alucinação conspiratória escrita pelo norteamericano William Dean Ross com tradução bem confusa do Cássio Aquino. Cheias de altos e baixos, as páginas do Coletivo Zine passeiam por temas, lingua- gens, humores e intenções tão diferentes que acabam carecendo de personalidade. Potencial o zine tem, mas talvez precise definir um mínimo de parâmetros. du

3 PERGUNTAS PARA deniLson rosa dos reis Ilustração de Diego Müller para o Blueseria #5 o

wnyhyw@gmail.com

coletivozine.blogspot.com

coMic cow

Niterói, RJ – Brasil e.u. (2011) | 17,5 x 25cm | 36 ps. | digital

3 PERGUNTAS PARA deniLson rosa dos reis Ilustração de Diego Müller para o Blueseria #5 o

Denis Mello foi con- vidado para partici- par da famosa Cow Parade realizada no Rio de Janeiro e optou por preencher a sua vaca com duas HQs.

Assim, fatalmente, co- locou no mundo dois novos super heróis:

Comic Cow e El Toro Negro. Com piedade dos mortais que não viram sua instalação, Denis resolveu publicar as histórias em um zine com Lado A e Lado B. Uma delas conta a origem da Comic

3 PERGUNTAS PARA deniLson rosa dos reis Ilustração de Diego Müller para o Blueseria #5 o

2º ANUÁRIO DE FANZINES, ZINES E PUBLICAÇÕES ALTERNATIVAS

En Los Nervios Cow (que dispara superjatos de leite tipo A) e a outra, “Amuuur em

En Los Nervios

Cow (que dispara superjatos de leite tipo A) e a outra, “Amuuur em Barcelona” mostra como ela conheceu El Toro Negro. Contém ainda o esboço da obra e fotos da vaca original. ms

denis.s.mello@hotmail.com

denismello.blogspot.com

conversas Paralelas

Porto Alegre, RS – Brasil #6 e #7 (2010) | A5 | 12 ps. | xerox #8 (2011) | A5 | 16 ps. | xerox

En Los Nervios Cow (que dispara superjatos de leite tipo A) e a outra, “Amuuur em

“O Conversas Paralelas é um fan- zine. Um fanzine pes- soal. É uma das for- mas que encontrei de expressar as milhões de coisas que passam

por minha cabeça todos os dias”. A descrição, fornecida no editorial do #8, dá uma boa indicação do que o leitor encontrará nas páginas deste zine. Mas alto lá: não estamos falando aqui de um diário-tornado-público ou de um emaranhado de confissões que pouco interessariam a alguém. Há um tanto de poesia e universalidade no Conversas que o mantém sempre interessante. Em meio

UGRA PRESS

a frases e devaneios pessoais, escapam também momentos mais politizados que entregam a origem punk do editor, sem nunca ser panfletário ou impositivo. Ademais, Guilherme se expressa tão bem

com as palavras quanto com as imagens,

fazendo bom uso dos recursos mais tradicionais de produção de um fanzine:

colagens, textos manuscritos, diagrama- ção livre e texturas geradas pela fotocópia. Uma leitura leve e agradável. du

toscotilldeath@hotmail.com

flickr.com/setuabossafossenova

cortex

São Paulo, SP – Brasil e.u. (2011) | A5 | 18 ps. | digital

Uma das mudanças mais significativas sofridas pelos fanzines nos últimos anos foi o declínio das publica-
Uma das mudanças
mais significativas
sofridas pelos fanzines
nos últimos anos foi o
declínio das publica-
ções informativas em
favor de empreitadas
mais artísticas. Reflexo
óbvio da popularização da internet, com
frequência esta mudança é acompanhada
pelo abandono de um discurso, pelo receio
– ou pela recusa – de emitir uma opinião.

Quem diria que o fanzine, mídia rebelde por natureza, poderia encontrar espaço também em cima do muro? Mas nem tudo segue esse caminho:

Córtex, a nova publicação do Flávio Grão, por exemplo, se destaca justamente por apresentar um saudável equilíbrio entre os dois mundos. É zine de artista, sim, mas sem abandonar a alma punk. Isso não é surpresa alguma, entretanto, para quem já está familiarizado com o trabalho do autor. Fanzineiro da gera- ção 90 e ilustrador talentoso, Grão já emprestou seu traço para diversas bandas do hardcore paulista, escreve para o blog Zinismo e, desde 2010, publica espo- radicamente o pocketzine Manufatura. Na base de toda sua produção está o feliz casamento entre forma e conteúdo, uma rara convergência de criatividade e esmero a serviço de uma crítica social incisiva mas nunca panfletária. A grande novidade em Córtex é a técnica escolhida: a colagem, gloriosamente executada com estilete e cola bastão, como o autor faz questão de pontuar no final do zine. A publicação é composta de 14 imagens que, vistas em seqüência, formam uma surpreendente narrativa. É um trabalho repleto de ironia e rico em referências à sociedade de consumo de meados do século XX – bem à moda de Winston Smith e Gee Voucher, dois ícones da colagem punk. Com acabamento primoroso e imagens que atiçam tanto os olhos quanto a mente, Córtex é um desses prazeres que a fane- dição insiste em nos proporcionar. Mais do que isso, é o testemunho de um artista inquieto e disposto a desafios, mas igual- mente maduro e ciente de suas raízes. du

flaviograo@yahoo.com.br

En Los Nervios Cow (que dispara superjatos de leite tipo A) e a outra, “Amuuur em

flickr.com/flaviograo

cratera

São Paulo, SP – Brasil

#1 (2011) | A5 | 4 ps. | xerox

A HQ contida neste zine conta a história de um meteoro que caiu na extrema zona
A HQ contida neste
zine conta a história
de um meteoro que
caiu na extrema zona
sul da capital paulista.
Na cratera formada
com o impacto foi
criado o bairro de
Vargem Grande, que enfim recebe um
ponto de leitura para a população local,
carente de todos os recursos básicos para
sobrevivência.

O incansável Wendell Sacramento deu sua contribuição ao espaço com um fanzine falando de leitura – e fanzines, claro. Com as ilustrações características do autor, aliado a técnicas de colagem e mon-

tagem, essa publicação é uma espécie de tira-gosto para quem nunca teve contato com esse universo sem volta. ms

wendellsacramento@yahoo.com.br

  • hqeponto.blogspot.com

crise Dos 20

Fortaleza, CE – Brasil #1 (2011) | 10 x 10,5cm | 8 ps. | xerox

Zine pessoal, simples, pequenino e bonito editado pela Jéssica, do blog Implosão Sonora. Tem um vi-

  • sual bem limpo, textos manuscritos, desenhos e colagens. O for- mato é bem interessante: quando fechado é um quadrado, mas aberto ele revela uma dobra extra nas duas últimas páginas, tor- nando triplas as páginas duplas. Se você gosta de zines fofos, vai gostar desse aqui. Quem dera minha crise dos 20

tivesse sido assim

...

du

jessica.gabrielle.lima@gmail.com

implosaosonora.blogspot.com

cultura trash

Nova Odessa, SP – Brasil s.nº (2010) | A5 | 16 ps. | xerox

En Los Nervios Cow (que dispara superjatos de leite tipo A) e a outra, “Amuuur em

Material bem simples, sem muitas delongas. Feita no estilo recorta e cola, a diagramação segue um estilo ba- cana, utilizando ilus- trações, mapas e até

rabiscos como fundos. Também há um entrevistão com a banda Strip Cats e resenhas de filmes. Destaque para as poesias e crônicas da editora, área em que se sai muito bem. ms

culturatrashzine@gmail.com

insetoeditora.blogspot.com

curseD excruciation

João Pessoa, PB – Brasil #5 (2011) | A4 | 50 ps. | xerox

En Los Nervios Cow (que dispara superjatos de leite tipo A) e a outra, “Amuuur em

O tridente no logotipo e a ilustração da capa, retratando a tortura de um homem engra- vatado com fones nos ouvidos e dinheiro em uma das mãos,

não deixam dúvidas de que estamos diante de uma publicação dedicada ao metal extremo. Como em quase todos zines musicais, a maior parte do conteúdo do Cursed Excruciation é reservada às entrevistas e às resenhas. Mas o grande diferencial aqui são as matérias. A primeira delas é

uma pesquisa de 6 páginas sobre o disco “Negatives”, obra polêmica da banda mineira Holocausto lançada em 1990.

Apresenta tradução das letras, fotos da

banda à época e depoimentos de seus membros. A segunda é a excelente “O Urro dos Excluídos”, uma pesquisa exem- plar sobre a rica história do Heavy Metal nordestino, com depoimentos de diversos

pioneiros desta cena.

A diagramação é boa e segue a tradição dos zines dedicados ao metal, com muitas caveiras e ossos adornando as páginas. du

  • alessandroen@msn.com

Danke

Rosario, Santa Fe - Argentina #3 (2011) | A6 | 16 ps. | xerox

Zine argentino de po- esias de colaboradores diversos. A falta de fluência no espanhol me impede
Zine argentino de po-
esias de colaboradores
diversos. A falta de
fluência no espanhol
me impede de apro-
veitar 100% de uma
leitura como essa, mas
eu gosto do tom va-
riado e despretensioso do material – algo
raro em publicações do gênero.
A edição é simples, restringindo-se aos

textos, algumas boas ilustrações e os con-

tatos dos colaboradores. du

dankezine@hotmail.com

  • dankezine.tumblr.com

DeDo

Rio de Janeiro, RJ – Brasil #1 (2010) | A5 | 52 ps. | offset

Dedo é um fanzine de arte feito por quatro amigos que resolveram vivenciar uma das melhores
Dedo é um fanzine
de arte feito por
quatro amigos que
resolveram vivenciar
uma das melhores ca-
racterísticas deste tipo
de publicação: a de
poder controlar todo
seu processo de feitura e distribuição.
O fanzine é dividido em quatro partes, ou

quatro artistas com trabalhos diferentes

entre si: Arthur Lacerda experimenta com livros, scanner e modelagem 3d; Fernando Rocha desenvolve um trabalho sobre o movimento; Lucas Pires apresenta uma bela narrativa sentimental construída a partir de fotos de sua família; e Rafael Meliga disponibiliza alguns trabalhos fei-

tos na época da produção da publicação. A capa é customizada e as páginas inter- nas são impressas com tinta azul, confe- rindo ao zine um ar elegante e estetica- mente agradável. Um ponto que poderia ser aprimorado para um próximo número seria contextu- alizar melhor o zine, incluindo mais infor-

2º ANUÁRIO DE FANZINES, ZINES E PUBLICAÇÕES ALTERNATIVAS

3 PERGUNTAS PARA denis meLLo

 

alguns de seus zines têm histórias que já foram publicadas em outros veícu- los. qual o motivo da republicação?

Detalhe do álbum Palestina

Detalhe do álbum Palestina

 

DM – Atingir o público de quadrinhos es-

pecificamente. Nos quadrinhos publica- dos no jornal “O Meu Vascão” e na revista “Preliminar” eu e o Brenno Dias (roteirista)

retratávamos momentos de glória do Vasco numa página colorida inteira do jornal, que era mensal e de circulação na capital e re-

dondezas. Na revista republicamos as mes- mas histórias, com uma qualidade melhor de impressão e tiragem de 3000 se não me engano, e era distribuída gratuitamente nos jogos em que o Vasco era mandante de campo no Brasileiro de 2010. Muita gente viu, repercutiu em tudo que é site de notí- cias esportivas, como o do Globo Esporte, rendeu entrevista e etc, mas a real é que

apesar de ser algo muito legal, não refletia

seja ela polêmica ou não. Eu gosto de variar

porte, humor, bebedeira, putaria, filosofia,

les quem escreveu os diálogos. Mas eles

tanto pra mim no mundo das HQs. Com a repercussão que tenho hoje em

soal da área visse, mais do que a revista.

bastante nesse aspecto: drama político, es-

são enrolados, e desde 2009 nada fizeram com as páginas, então eu imprimi no fim

dia sei que renderia mais, no caso de uma

super-herói, terror, música, drogas e outros. Já

a hq Palestina foi publicada inicialmente

de 2010 em xerocado, ficou no formato

divulgação online que na época não alcan- çava o público que tenho hoje. Mas é disso que estou falando: Para o seu quadrinho

trabalhei quadrinhos de diversos tipos, e nesse momento já vejo muito mais claramente qual o tipo de quadrinho que vai me dar gosto de

A5, então muitos detalhes, até mesmo hachuras que foram feitas pensando num formato A4, perderam muito de qualidade.

repercutir no meio das HQs, você precisa

trabalhar pelos próximos tempos.

Em 2011 fiz essa impressão em gráfica,

inserir ele ali, caso contrário outros qua- drinistas e especialistas nunca vão saber o que você fez, vai passar despercebido. En- tão com a primeira edição da Rio Comicon, decidi pegar tudo o que eu já havia feito e reproduzir, mesmo que em zine xerocadão. Eu só precisava satisfazer esse desejo de que gente da área soubesse o que eu faço, senão é em vão. Seria triste não ter reco- nhecimento por trabalhos bacanas como esse e a hq sobre a lei Maria da Penha. No caso da Comic Cow, foi algo pareci- do. A vaca da Cow Parade tinha ficado mui- to boa, mas ninguém da área veria, então adaptei as histórias desenhadas na super- fície da vaca pra uma revista que pudesse me acompanhar em qualquer lugar do Bra- sil. E felizmente vendeu muito bem, princi- palmente na Comicon, onde consegui levar

Quanto ao estilo no sentido técnico, no meu caso eu só usava canetinhas antes de ‘Palesti- na’, minha primeira hq. Ali eu comecei a traba- lhar com bico de pena, e um pouco de pincel, dei prosseguimento a esse mix, e hoje uso só pincel, mas tá rolando um namoro com caneta de novo. Quer uma maneira melhor de encon- trar o seu estilo e fazer laboratório do que nas suas próprias revistas? O papel do editor vem crescendo dentro do quadrinho nacional, mas quando se trata de trabalhar com grandes editoras. No caso do fanzine, não faz sentido. Perderia a magia da experiência e descoberta.

em zine e depois em forma de revista inde- pendente. qual foi a diferença na publica- ção nestes dois formatos?

com formato maior, qualidade de impres- são. Sinceramente, é uma experiência bem diferente ler num formato ou em outro. Não acho que seja um problema ler HQs peque- nas, desde que sejam pensadas nesse for- mato, caso contrário perde-se muito. Além disso, no formato de revista, com capa colorida, mais páginas, formato maior, você pode aumentar (com justiça obviamente) o preço, alcançar um lucro maior, porque mesmo mais caro, o salto de qualidade vai fazer com que venda mais, além é claro do fato de que quanto melhor a apresentação do seu trabalho, melhor pra sua reputação. A revista vai ser o seu portfólio que centenas de pessoas vão car- regar pra todos os cantos do Brasil depois de um grande evento, então é importante que seja não só um bom trabalho para

a estátua que foi um grande chamariz, e que é o que eu realmente queria que o pes-

DM – Tem uma diferença muito grande no que diz respeito à qualidade de leitura, porque um formato maior proporciona uma apreciação

quem já conhece HQs, mas também algo bem apresentável que vai encher os olhos de quem não conhece, e pode se interessar

qual a importância do fanzine para o aprimoramento de técnicas e desenvol- vimento de um estilo nas hqs?

mais adequada dos desenhos. Quando você desenha uma página em A3, você já pensa no formato em que ela vai ser impressa. No caso de ‘Palestina’, inicialmente seria um formato

em conhecer mais, trazendo um novo leitor pro mundo dos quadrinhos.

DM – No fanzine você tem uma liberdade

próximo do A4, seria impressa por um Comitê

sem igual, sendo seu próprio editor. Tra-

de Solidariedade à Palestina aqui do Rio, eles

balhar com o estilo e temática que quiser,

quem me procuraram, e foi uma jornalista de-

denismello.blogspot.com

UGRA PRESS

mações sobre a produção, seus artistas e trabalhos, ou até mesmo sobre a intenção da publicação. Este tipo de recurso aproxi- maria mais os leitores dos artistas. fg

3 PERGUNTAS PARA denis meLLo alguns de seus zines têm histórias que já foram publicadas em

contato@lucaspires.com

tambler-tambler.tumblr.com

DeMência

Fortaleza, CE – Brasil #4 (2011) | A5 | 52 ps. | digital

O Demência teve 3 edições lançadas entre

3 PERGUNTAS PARA denis meLLo alguns de seus zines têm histórias que já foram publicadas em

2004 e 2005. Chegou a ser dado como morto e seu editor foi tentar a sorte na internet com o blog Vomit Yourself. Mas eis que agora, 6 anos depois,

somos surpreendidos com uma nova edição impressa. Quem já conhecia o zine pode ficar tranqüilo que nada mudou. Já os novos leitores podem se preparar para uma avalanche de informações sobre os mais obscuros recônditos da música extrema, especialmente grindcore e suas variações, escritas com incomparável paixão pelo assunto e um aprazível senso de humor. As entrevistas com a banda Expurgo e com o proprietário do selo Terrotten Records são longas, minuciosas e descon- traídas. As resenhas de CDs, fitas e vinis ocupam quase metade desta edição e são interessantes, apesar de um pouco redun- dantes. Destaque para a sessão Texxxtos Libertinos, onde o editor expõe seu lado escritor e se aventura pela ficção erótica. O layout também é digno de nota: coe- rente com o tema abordado, abusa do al- tocontraste e da sujeira, mas sem compro- meter a organização e a legibilidade. du

eduardo_vomitorium@hotmail.com

Dia Das Mães

São Paulo, SP – Brasil #1 (2011) | A7 | 8 ps. | xerox

3 PERGUNTAS PARA denis meLLo alguns de seus zines têm histórias que já foram publicadas em

Mais uma edição da Fabiana Menassi (vide Folclore) produzida para seus alunos na rede estadual de ensino de São Paulo. Confeccionado para

ser entregue como homenagem no dia das mães, este livrinho tem 8 páginas, cada uma com pequenas frases de declaração à progenitora, acom- panhadas de colagens ilustrativas . Uma alternativa criativa aos tradicionais modelos reproduzidos à exaustão nas es- colas em datas comemorativas. fg

fabi_menassi@yahoo.com.br

fabimenassi.blogspot.com

Duro

Santiago – Chile #1 e #2 (2010) | A5 | 12 ps. | xerox

Zine de HQs do chi- leno Rodrigo Duran. Apesar de seguir uma linha que podemos identificar
Zine de HQs do chi-
leno Rodrigo Duran.
Apesar de seguir uma
linha que podemos
identificar como hu-
morística, as histó-
rias não se ocupam
em criar situações

engraçadas o tempo todo. Sem dúvida há momentos muito divertidos, mas há também espaço para elementos dramáti- cos e até para crítica social. Também não existem personagens fixos, sendo que cada história é protagonizada por uma figura diferente: seja o garoto pobre filho de

catador, o punk beberrão ou o trabalhador entediado. Simples e gostoso de ler. du

rodrigoduran33@gmail.com

3 PERGUNTAS PARA denis meLLo alguns de seus zines têm histórias que já foram publicadas em

rajubid.blogspot.com

Dysángelos Zine

São Luis, MA – Brasil

#2 (2011) | 10 x 21cm | 6 ps. | xerox

3 PERGUNTAS PARA denis meLLo alguns de seus zines têm histórias que já foram publicadas em

Informativo anarcopunk que tem como objetivo (conforme a etimologia do seu nome) anunciar más novas, porém traz material bacana como poesias, divul- gação de bandas e de zines.

Impresso em formato de folder, anda em parceria com o blog da

Feto em Conserva

Crösta Möída Produções, que distribui materiais subversivos em geral. ms

davi.galhardo@hotmail.com

crostamoida.blogspot.com

é tuDo nosso!

São Paulo, SP – Brasil #5 (2011) | A6 | 12 ps. | xerox

O Programa Preparação para o Trabalho da Ação Comunitária foi desenvolvido du- rante cinco meses na
O Programa
Preparação para o
Trabalho da Ação
Comunitária foi
desenvolvido du-
rante cinco meses na
comunidade Nossa
Senhora Aparecida, na
periferia da zona sul de São Paulo, e uma
das estratégias utilizadas pelos educadores
foi o fanzine.
E não pense que eles optaram pelo re-

cortar e colar da internet e diagramar no

computador: foi tudo produzido no velho esquema de tesoura, cola e alguns textos e ilustrações foram feitos a mão. Mesmo sendo seu primeiro contato com o fanzine, todos os educandos se saíram muito bem,

abordando alguns dos temas que mais

apetecem à juventude como: sexualidade, profissões, protagonismo juvenil etc. ms

3 PERGUNTAS PARA denis meLLo alguns de seus zines têm histórias que já foram publicadas em

abecker73@gmail.com

en los nervios

Montevideo – Uruguai #1 (2009) | A5 | 16 ps. | digital e xerox

#2 (2010) | A5 | 20 ps. | digital e xerox #3 (2011) | A5 | 24 ps. | digital e xerox

3 PERGUNTAS PARA denis meLLo alguns de seus zines têm histórias que já foram publicadas em

2º ANUÁRIO DE FANZINES, ZINES E PUBLICAÇÕES ALTERNATIVAS

Gibiozine Não é todo dia que temos em mãos um zine uruguaio, e essa publicação dos

Gibiozine

Gibiozine Não é todo dia que temos em mãos um zine uruguaio, e essa publicação dos

Não é todo dia que temos em mãos um zine uruguaio, e essa publicação dos irmãos André e Eduardo Delgado representa bem a cena punk rock

de seu país. As edições de En Los Nervios são repletas de entrevistas com bandas atuantes e até com algumas que já não existem mais. A diagramação é bastante limpa e harmo- niosa, dosando bem a relação entre o belo visual e o som agressivo das bandas que aparecem nas páginas do zine. O #2 vem acompanhado de um CD com algumas bandas (uruguaias, claro). Além do zine, En los Nervios também é uma distribuidora de discos. ms

enlosnervios@gmail.com

escena obscena

Buenos Aires – Argentina #2 (2011) | 19,5 x 27cm | 32 ps. | offset

Gibiozine Não é todo dia que temos em mãos um zine uruguaio, e essa publicação dos

Skate, punk e ativismo são palavras chaves para definir este bo- nito fanzine argentino. Há entrevistas com bandas de destaque na cena underground

hermana, como Eterna Inocência, Los Caídos e Mofa, re- senhas de discos, informações sobre o club de patinetas Parque Alamut (de acordo com o blog, Escena Obscena é o fanzine do referido clube), fotos de skatistas em ação, e a primeira parte de uma deli- ciosa série chamada “Skaterock – breve resumen gráfico local”, que compila fotos, flyers e cartazes de shows da cena skate/ punk local entre os anos de 1988 a 2010. Destaque para o layout que, a exemplo de outras publicações argentinas, explora o lado mais artístico da tradicional estética “tesoura e cola” dos zines punks. du

culitodemono@gmail.com

escenaobscena.blogspot.com

UGRA PRESS

estaDo vegetal

Santiago – Chile #12 (2008) e #13 (2009) | 21,5 x 16,5cm | 16 ps. | offset

Feche os olhos e pense num zine sobre veganismo e liberação animal. Não lhe culpo se
Feche os olhos e
pense num zine sobre
veganismo e liberação
animal. Não lhe culpo
se você estiver imagi-
nando um punhado
de slogans, fotos de
animais torturados e
uma entrevista com o vocalista da banda
x Qualquer Coisa x sublinhando seu ódio
incondicional aos carnívoros. Mas feliz-
mente a coisa aqui é bem diferente.
Bem escrito e variado, o maior mérito
deste zine chileno é o de ampliar e apro-

fundar a discussão, abordando questões pouco debatidas no meio sem abrir mão da auto-crítica. Também notável é seu senso de humor. No #12, por exemplo, um encarte de receitas veganas foi montado inteiramente em forma de fotonovela.

Já no número 13, na sessão “Suplemento Surreanimalista”, há uma nota hilária chamada Poder Vegetal, onde se lê: “As plantas carnívoras foram declaradas ve- getais não-vegetais por parte da comuni- dade vegetariana/vegana internacional, que diz que um vegetal que come carne

não é um vegetal, mas sim um assassino”. Sensacional! du

estadovegetalzine@gmail.com

estadovegetalfanzine.blogspot.com

estuPra-Me

Contagem, MG – Brasil #1 (2008) | A5 | 24 ps. | xerox

Como é possível per- ceber pelo nome do zine, sutileza não é o forte nos quadrinhos
Como é possível per-
ceber pelo nome do
zine, sutileza não é o
forte nos quadrinhos
do Desali. Mais co-
nhecido pelo seu per-
sonagem Zé Buceta
(não falei?), Desali

mantém aqui o mesmo clima e os mesmos temas das aventuras de sua cria-mor. As histórias têm um ritmo vertiginoso e são regadas a sexo, drogas e violência, sem glamourização ou moralismo. Seus personagens transitam entre a euforia e o desespero, correndo, trepando e matando em cenários que parecem estar derre- tendo. O que conta aqui não são tanto os enredos. As histórias não obedecem ao esquema “começo-meio-fim” e a maioria delas nem texto tem. Em grande parte, a graça está na disposição aparentemente inesgotável do autor em experimentar, em extrapolar os limites e enveradar com sua arte por novos caminhos - expediente no qual, diga-se de passagem, Desali tem sido extremamente bem sucedido. du

  • odesali@gmail.com

  • flickr.com/odesali

Fábulas, a base De recursos gráFicos

Buenos Aires – Argentina #1 (2009) | A5 | 16 ps. | xerox

Gibiozine Não é todo dia que temos em mãos um zine uruguaio, e essa publicação dos

Este zine feito pela artista Debora Paula,

da Ediciones de Cero, apresenta ilustrações em que os animais são os ícones dominantes. As ilustrações são fei-

tas em técnicas diver- sas, com muita sobreposição e colagem, valorizando os efeitos de texturas obtidos através do xerox. O efeito final, no papel verde, é extremamente agradável. fg

  • deborag77@gmail.com flickr.com/photos/deborag

Feto eM conserva

Joinville, SC – Brasil #1 (2012) | A5 | 28 ps. | xerox

Gibiozine Não é todo dia que temos em mãos um zine uruguaio, e essa publicação dos

O editorial começa assim: “Feto em Conserva é o nome do meu primeiro zine. Eu tenho dezesseis anos

e a primeira vez que

coloquei a mão num

zine foi há pouco mais de um ano”. Taí um cara que nasceu para a coisa. Driblando a inexperiência e a idade, Victor Bello, o garoto em questão, fez um dos mais divertidos zines de HQs de 2011.

A falta de noção e o humor politicamente incorreto são as características mais mar- cantes no trabalho deste jovem autor. Seus personagens são pescadores viciados em crack, camarões homossexuais e hipsters comedores de minhocas envoltos em situ- ações tão absurdas quanto suas próprias

existências. Seu traço é sujo, debochado

e cheio de hachuras, seguindo a tradição das HQs undergrounds. Certamente ainda tem o que amadurecer, mas potencial tem de sobra! du

Snyders, que conta a história de um grupo de skins norte americanos que se associa- ram a movimentos de esquerda e lutaram contra os white powers locais durante as

feito com desenhos, escrita e colagem, permitindo ao aluno se aprofundar de modo divertido nas questões relativas ao tema, passando pela definição, brincadei-

publicacoes.aberrante@gmail.com

décadas de 80 e 90. Finalizando, uma HQ

ras, lendas e etc.

aberrantepublicacoes.tumblr.com

imagina um inusitado encontro de Rude

Barato e fácil de fazer, o zine prova ser um

Fique ruDe

Boys com Marcelo D2

Treta na certa.

... O editorial e as referências bibliográficas

ótimo recurso pedagógico e pode possuir um papel fundamental na formação dos

Rio de Janeiro, RJ – Brasil #5 (2011) | A4 | 22 ps. | xerox

são pontos que merecem mais atenção, pois às vezes não é possível identificar a

alunos, ainda mais quando os situa como capazes de extrapolar a posição de consu-

autoria e a origem de alguns textos. fg

midores para produtores de cultura. fg

O Fique Rude celebra smartalexster@gmail.com fabi_menassi@yahoo.com.br

O Fique Rude celebra

smartalexster@gmail.com

fabi_menassi@yahoo.com.br

a cultura tradicional

vontadeluta.blogspot.com

fabimenassi.blogspot.com

oi! ou skinhead (favor não confundir com

Folclore brasil

Frente joveM Palestina

neonazismo ou white

São Paulo, SP – Brasil #1 (2011) | A7 | 16 ps. | xerox

Porto Alegre, RS – Brasil #3 (2011) | A5 | 16 ps. | xerox

power, você não está assistindo a um tele-

jornal sensacionalista) e seus valores, como o companheirismo e o nacionalismo. Destaco a entrevista com a banda do Distrito Federal Causa Torpe, que faz um belo resgate da história do punk e hardcore na região e a matéria “Careca aos Quarenta”, originalmente escrita por Matt

Fabiana Menassi é professora da rede Estadual de São Paulo e produz e distribui fanzines para

Fabiana Menassi é professora da rede Estadual de São Paulo e produz e distribui fanzines para seus alu- nos ao fim dos ciclos de aprendizagem.

Este zine de bolso é

Como o nome en- trega, este é um zine inteiramente dedicado à conscientização so- bre a

Como o nome en- trega, este é um zine inteiramente dedicado à conscientização so- bre a causa palestina. Um tema incomum entre os zines, mas de

extrema relevância.

 
 

3 PERGUNTAS PARA eduardo vomitorium

 

o Demência começou no papel em

EV – Alguns fatores estão envolvidos. Pri-

pacotes para distribuir. Com certeza eu perdi

mandar a demo, te manda o link da demo, não

da modernidade undergroundiana.

2004, migrou para a internet e voltou a ser impresso em 2011. o que motivou esse retorno?

meiro, acho que o prazer pessoal falou mais alto, a vontade de fazer tudo como sempre foi feito e a falta de saco para com

leitores, a visibilidade do Vom.It.Yourself era bem grande, mas era uma outra galera, uma outra postura. A Internet é um mundo instan- tâneo, tudo bate pronto, o cara não quer te

tem como eu propor uma troca no zine, isso é o que realmente me irrita, a descartabilidade,

a seção “texxxtos libertinos”, com contos de sua autoria, é algo bem incomum em zines de música. como

surgiu a ideia? já pensou em publicar textos de outros autores também?

o mundo virtual também ajudou, de repen-

a facilidade a falta de essência, e na boa

...

Eu

EV – Gosto muito de escrever besteiras, muitas coisas nunca mostrei pra ninguém.

ler os contos eróticos das revistas pornôs

te eu me vi sendo o que tanto esculhambo. Segundo, as condições favoráveis mesmo. Pra colocar em prática um fanzine de pa-

gosto mesmo é de zine, de tape e de disco, quer mandar o link, manda pra puta que pa- riu. Não me acostumei com esse mundo “Nes-

Tenho projetos e projetos, rabiscos e mais rabiscos. Quando era muleque gostava de

pel, tem que ter uma certa logística en- volvida, e como hoje me estabilizei numa cidade novamente, as crianças já estão mais crescidas, achei a hora certa pra exu-

cau”, tentava fazer do Vom.It.Yourself um zine

impresso, não atualizava com freqüência, atu- alizava de tempos em tempos, mas era com MUITA coisa, como se fosse uma edição no

... turbava exaustivamente. Inicialmente que- ria por alguma coisa sobre horror, algum

dos meus primos mais velhos

me mas-

conto do tipo, mas queria puxar uma veia

mação. Mas sempre tive planos de fazer no

papel. A maioria das pessoas que pegaram o

anticlerical, pornografia bíblica / religiosa

papel. Ainda bem que deu certo.

zine já eram contatos meus bem antigos, mes-

foi o que veio a mente, e me divirto bas-

mo antes do Demência existir. Preocupação é

tante. É uma das coisas que mais chama

qual foi a resposta que você teve à re- tomada do impresso? você acha que perdeu leitores com essa mudança?

algo que realmente não cabe, talvez uma refle- xão: Fiz trocas pra caralho, retomei contatos de muito tempo, e realmente é aqui que quero

a atenção (principalmente de mulheres, não sei o porquê) no zine, na época que tava parado, tinha gente que pedia pra eu

isso te preocupa de alguma forma?

estar embaixo dos panos. Podem me chamar

escrever só os Texxxtos Libertinos. Velho,

EV – Fiquei até impressionado com o re-

do que quiserem, mas NADA se compara, o

com certeza já pensei e quis publicar ou-

torno cara, a carência para com o formato

underground está se transformando, mas al-

tros autores, mas vem a velha questão da

é gritante, a necessidade de uma geração

gumas coisas ainda permanecem intactas. E

“qualidade”, e porra, não vou colocar um

mais antiga (e uma galera mais nova com

com o tempo em vez de abrir minha cabeça,

texto vagabundo no meu zine só porque o

o velho espírito) apegada ao lado “físico”

de absorver novas influências

...

está tudo ao

cara escreveu uma putaria blasfema. Mas

da cena é grande, muitos selos pegaram

inverso, cada vez mais rabugento e com asco

quem sabe no futuro.

2º ANUÁRIO DE FANZINES, ZINES E PUBLICAÇÕES ALTERNATIVAS

3 PERGUNTAS PARA deBora pauLa

 

na argentina, os zines de ilustração têm uma produção muito mais acentu- ada do que no brasil. Fale-me um pou-

na argentina, os zines de ilustração têm uma produção muito mais acentu- ada do que no
 

co de como é essa cena em seu país e também sobre a ediciones de cero.

DP – Acho que em Buenos Aires houve um cruzamento entre ovelhas negras do design gráfico, das escolas de arte, de in- teressados em street art, e todos se encon- traram em uma apreciação meio confusa

do DIY local. Mas isso não seria possível se nesse encontro não conhecêssemos quem estava antes, desde a década de 80 e 90, e aqueles que vieram mais da cena musical, de raízes Old School, fazendo fanzines com opinião e distribuindo seus escritos, etc. O que talvez aconteceu foi que, com a passagem do tempo e os designers e ar-

Cero a frase “A base de Recursos Gráficos”.

tistas retomando a produção de fanzines,

editorial

...

Meu trabalho nas “Ediciones

o fanzine também mudou seu espírito com-

de Cero” jamais foi o de juntar coisas ou

 

bativo para algo mais individualista e ego-

peças de arte e montar um zine, mas pelo

cêntrico. A essa cena, eu a chamaria mais de fanzine-gráfico. Há vezes em que os tra-

contrário, as ideias nascem diretamente como zines.

balhos não chegam, na minha opinião, a se ver como ilustrações ou desenhos, mas de

Após o entusiasmo pelo tema, cuja es- colha é livre e prazerosa, vem o processo

algum modo contam uma história, desen-

de fotocópia, fita de papel e tinta preta,

volvem um estilo e completam o trabalho editorial. Justamente por esse motivo, e como não me considero uma ilustradora, coloquei em vários zines da Ediciones de

que são meus recursos de expressão. Vou e venho depois do trabalho, ou à noite, corto e colo e uso muito corretivo ou tinta acrílica branca. Trato de não ser caprichosa e ter- minar de desenvolver a intenção primária

o xerox, em seus fanzines, é usado

como é seu processo de criação?

ou a ideia, e também de seguir intimamen- te vinculada a cada traço.

DP – No princípio é uma ideia! Um de- sejo incontrolável de visualizar alguma coisa. Pode ser qualquer coisa a partir de uma textura até uma série de animais, ou o que quer que seja. Uma vez que eu co- meço, concebo a seqüência e o formato

Finalmente, sento-me um dia e monto todo o original a mão.

como “linguagem artística.” gostaria que falasse sobre isso.

DP – Talvez porque sou da época em que

todos os trabalhos da faculdade se faziam a mão (e eu não conseguia parar de experi-

todos os trabalhos da faculdade se faziam a mão (e eu não conseguia parar de experi- mentar com fotocópias), pude ver como me achataram e me aplanaram tantos anos de trabalho editorial com computadores.

Um dia, no final dos anos noventa, tive

a sorte de fazer um curso de “Printed Mat-

ter” ( livros de artista) e foi aí que voltei a

fazer o que eu mais gostava usando quase somente as mãos. Somado a isto, durante toda minha adolescência, me atraíam os

“flyers” de eventos feitos com fotocópias

(que ainda amo) que foram o meu maior

gancho com o Do-it-yourself

flickr.com/photos/deborag.

Nesta edição há divulgação do projeto Intifada (evento em que bandas indepen- dentes tocam para arrecadar alimentos para os refugiados palestinos no Brasil), o manifesto do Comitê pela Libertação da Palestina, sinopse do documentário “To Shoot an Elephant” e outros textos sobre o tema. A diagramação é simples, mas cumpre seu papel. Para melhorar, o zine vem acompa- nhado de um DVD com o documentário “Occupation 101”, de Sufyan e Abdallah Omeish. du

naovoucalar@gmail.com

gag: as Melhores tiras huMorísticas

João Pessoa, PB – Brasil e.u. (2009) | 14 x 20cm | 60 ps. | offset + digital

3 PERGUNTAS PARA deBora pauLa na argentina, os zines de ilustração têm uma produção muito mais

A editora Marca de Fantasia tem lançado excelentes publica- ções independentes relativas às Histórias em Quadrinhos e aos Fanzines.

O editor Henrique de Magalhães organizou este livro, uma coletânea de tiras de autores selecionados no GAG – Concurso de tiras humorísti- cas idealizado pela Marca de Fantasia e apoiado pelo Mestrado em Comunicação da Universidade Federal da Paraíba. O texto que abre a publicação, “Tiras:

mais que um formato”, de Edgard Guimarães, faz um histórico pertinente sobre as HQs e, mais especificamente, das tiras, gênero que encontra grande difi- culdade de publicação no Brasil. Tanto o concurso quanto o livro visam justamente estimular esta produção. O livro mostra que, apesar dos poucos espaços para publicação, o gênero segue firme por todo o Brasil, com diversidade de temas e estilos e, principalmente, muito bom humor. fg

henriquemais@gmail.com

3 PERGUNTAS PARA deBora pauLa na argentina, os zines de ilustração têm uma produção muito mais

marcadefantasia.com

gag: o huMor é o Motor

João Pessoa, PB – Brasil e.u. (2011) | 14 x 20cm | 60 ps. | offset + digital

Esta segunda edição da GAG confirma o sucesso do Concurso e da Publicação que visam estimular
Esta segunda edição
da GAG confirma o
sucesso do Concurso
e da Publicação que
visam estimular a
produção de tiras em
quadrinhos no Brasil
(promovidos pela

UGRA PRESS

editora Marca de Fantasia e apoiado pela Universidade Federal da Paraíba). Neste número são 15 selecionados, entre novatos e veteranos. O ganhador do Concurso é o quadrinista Alisson Affonso, com a ótima série “Mundo Cruel”. Nesta edição há menos tiras que tratam de política e os temas estão mais diversifica- dos. Destaque para a qualidade surpre- endente, presente tanto nos argumentos com sacadas inteligentíssimas, quanto nos desenhos muito bem executados. fg

henriquemais@gmail.com

marcadefantasia.com

gênesis aPocalíPticos + os ineFáveis

João Pessoa, PB – Brasil e.u. (2011) | 16,5 x 24,5cm | 60 ps. | offset

3 PERGUNTAS PARA deBora pauLa na argentina, os zines de ilustração têm uma produção muito mais

Lewis Trondheim é um prolífico qua- drinista francês. Vencedor do grande prêmio do Festival de Angôuleme e duas vezes nomeado para

o Eisner Awards, Trondheim continua um nome pouco conhecido no Brasil. Sorte nossa termos um selo independente como a Marca de Fantasia, de Henrique Magalhães, dis- posto a corrigir esse lapso. Este volume reúne duas séries distin- tas, traduzidas pelo próprio Magalhães. A primeira, Gênesis Apocalípticos, foi inicialmente publicada num fanzine do autor e posteriormente redesenhada para compor um álbum. São histórias curtas onde Lewis trata com inteligência e ironia das teorias da Criação e da Evolução. A segunda série, Os Inefáveis, é composta

Grude Sujo

de diversas HQs de uma página que apareceram originalmente nas páginas da revista Lapin. São histórias banais sobre o quotidiano de personagens nada heróicos, carregadas de humor e reflexão. Em ambas as séries fica evidente o talento de Trondheim tanto para o desenho quanto para o texto. E não estamos falan- do de demonstrações de virtuosismo ou técnica, muito pelo contrário. O charme dessas histórias está justamente na espan- tosa capacidade do autor em ser sintético,

limpo e conciso.

É o tipo de trabalho que provavelmente não atrairá o público leitor de heróis e mangás, mas deve cair em cheio no gosto de quem se interessa por HQs autorais. Resta-nos torcer para a Marca de Fantasia

publicar outros títulos da extensa biblio-

grafia de Lewis. du

henriquemais@gmail.com

3 PERGUNTAS PARA deBora pauLa na argentina, os zines de ilustração têm uma produção muito mais

marcadefantasia.com.br

gibiZone – eDição esPecial

Bayeux, PB – Brasil

e.u. (2011) | A6 | 16 ps. | xerox

3 PERGUNTAS PARA deBora pauLa na argentina, os zines de ilustração têm uma produção muito mais

O educador Josival Fonseca utilizou uma estratégia muito bacana com seus educandos da turma de EJA (Educação de Jovens e Adultos): fez

um pequeno fanzine de histórias em quadrinhos. Parece nada demais, né? Mas a grande sa- cada é que em sua história ele exemplifica diversas técnicas e elementos que formam uma HQ: os tipos de falas, onomatopeias, sombras, quadros, personagens etc.

De quebra, ainda traz um texto com um breve apanhado sobre os tipos de publicações, gêneros etc. Muito didático e com linguagem acessível, esse mate- rial faz parte de seu trabalho de conclu- são de curso intitulado “Arte, Leitura e Colecionismo”. ms

  • gibi.arte@gmail.com

  • gibiarte.blogspot.com

gibiZone – eD. esPecial Prática De ensino

Bayeux, PB – Brasil

e.u. (2011) | A4 | 12 ps. | xerox

Coletânea de ativida- des realizadas com os educandos de Josival Fonseca nas turmas de EJA e
Coletânea de ativida-
des realizadas com os
educandos de Josival
Fonseca nas turmas de
EJA e Ensino Médio.
São fotonovelas, tiras
e intervenções (Eu
Personagem). O mate-
rial faz parte da pesquisa feita por Josival
para o seu TCC e é um bom exemplo de
como utilizar fanzines em sala de aula. ms
  • gibi.arte@gmail.com

  • gibiarte.blogspot.com

gibioZine

Sorocaba, SP – Brasil #9 (2011) | A5 | 56 ps. | offset + xerox

A percepção do potencial dos fanzines como ferramenta pedagógica já não é mais novidade alguma. Educadores
A percepção do
potencial dos fanzines
como ferramenta
pedagógica já não
é mais novidade
alguma. Educadores
de todo o país e
das mais diversas
3 PERGUNTAS PARA deBora pauLa na argentina, os zines de ilustração têm uma produção muito mais

2º ANUÁRIO DE FANZINES, ZINES E PUBLICAÇÕES ALTERNATIVAS

disciplinas utilizam os fanzines como suporte para instruir, debater e entreter. Por mais louváveis que sejam essas iniciativas, porém, poucos destes zines apresentam uma leitura interessante para alguém que não pertença ao meio onde foram produzidos. O Gibio Zine, editado por professores e estudantes de “Prática e Pesquisa no Ensino de Ciências e Biologia” na UFSCar, é uma dessas raridades. O meio escolhido para transmitir os con- ceitos são as HQs. Obviamente ninguém espera que biólogos sejam exímios dese- nhistas e roteiristas, mas alguns colabo- radores do Gibio podem surpreender. Os traços vão desde simples bonequinhos de pau a elaboradas ilustrações realiza- das com recursos de computação gráfica, passando pelo desenho de humor e pelo mangá. O ponto comum é o senso de humor, e é precisamente isso que torna a leitura do Gibio agradável até para aqueles que não fazem a mínima idéia do que seja prófase, anáfase ou citocinese. du

disciplinas utilizam os fanzines como suporte para instruir, debater e entreter. Por mais louváveis que sejam

gibiozine@gmail.com

gibiograPhia

Bayeux, PB – Brasil

#1 (2011) | A5 | 12 ps. | xerox

Colecionadores de quadrinhos são seres peculiares, com preo- cupações, conquistas e valores que só eles mesmos
Colecionadores de
quadrinhos são seres
peculiares, com preo-
cupações, conquistas
e valores que só eles
mesmos entendem.
Gibiographia é um
fanzine do paraibano

Val Fonseca que trata deste universo de forma muito simpática. Aqui, o próprio editor – que também é quadrinhista – protagoniza HQs curtas onde ele nos conta um pouco sobre sua coleção e sobre os gibis que marcaram sua vida. Assim, compartilhamos com Val sua alegria ao completar a coleção de Akira 13 anos após tê-la iniciado e sua satisfação ao ganhar de um colega um novo exemplar do primeiro gibi que leu na vida. A arte das histórias é muito eficiente, seguindo uma linha entre o infantil e o caricatural. O único problema é a aplica- ção dos textos: o desenho dos balões ficou mal feito e a Comic Sans, além de ser uma fonte muito batida, não é agradável para leitura em corpos menores. du

  • gibi.arte@gmail.com

  • gibiarte.blogspot.com

gruDe sujo

Contagem, MG – Brasil #1 (2008) | A5 | 20 ps. | xerox

#2 (2009) |A5 | 40 ps. | xerox

Mais um zine do Desali, infame criador / editor do Estupra-me e do Zé Buceta. Aqui,
Mais um zine do
Desali, infame
criador / editor do
Estupra-me e do Zé
Buceta. Aqui, ele
divide as páginas com
as poesias de Affonso
Uchoa e as HQs do
Estandelau. Em comum, os 3 artistas
possuem o gosto pela experimentação e
a negação das fórmulas fáceis. É sempre

uma alegria ver gente talentosa recu-

sando-se a ajoelhar para rezar o credo do mercado! O editorial do #1, aliás, explica bem o espírito que move essa turma, e é tão inspirador em sua defesa de uma arte que seja conscientemente marginal, que por si só já valeria a aquisição do zine. du

  • odesali@gmail.com

  • flickr.com/odesali

hoMeM caMaleão

São Luís, MA – Brasil

#6 (2010) ao #10 (2011) | A5 | 20 ps | xerox

Homem Camaleão é uma HQ roteirizada, desenhada e arte- finalizada por Ricelle Sullivan Suad, de São
Homem Camaleão é
uma HQ roteirizada,
desenhada e arte-
finalizada por Ricelle
Sullivan Suad, de São
Luis (MA). Tanto a
trama como os dese-
nhos são influencia-
dos fortemente pelo universo das HQs de
heróis da Marvel, DC e Image Comics,
sendo que no traço há uma notável refe-
rência também aos mangás japoneses.

As histórias se passam neste universo

típico de superheróis e seus alteregos, repleto de conspirações, “trairagens”, vinganças, reis do crime, heróis e anti- heróis uniformizados. As capas, exceto a do #6, são coloridas e os quadrinhos são em PB. Suad manda bem nas HQs, as histórias têm um ótimo ritmo,

a diagramação é bem distribuída, e os tra- ços e a arte-final são muito profissionais. Uma única questão que pode ser levan- tada é a falta de elementos mais autorais e regionais ou que fujam à estética tradi-

cional dos superheróis, o que poderia pro- porcionar um diferencial a esta publicação perante outras do gênero. fg

  • lynx_2811@hotmail.com homemcamaleao.blogspot.com

hoMeM caMaleão & the next – crossover

São Luis, MA – Brasil

e.u. (2011) | A5 | 36 ps. | xerox

disciplinas utilizam os fanzines como suporte para instruir, debater e entreter. Por mais louváveis que sejam

Uma nova aventura do Homem Camaleão, desta vez um crossover com personagens de outro autor, no caso o grupo de heróis cha- mado The Next.

Um fato interessante desta HQ é justamente esta junção de personagens e autores, ainda mais se consi- derarmos que tudo foi planejado via MSN. Os autores, Suad (Homem Camaleão) e Yagami Gijo e Yagami Bruno (The Next) vivem em lugares muito distantes do país – respectivamente São Luis (MA) e Joinvile (SC) – e não se conhecem pessoalmente! O interesse e paixão comum pelo mesmo gênero de HQs fez com que os auto- res vencessem as questões do espaço e tempo, visto que além da distância dos produtores, os heróis dos dois universos vivem em épocas diferentes (presente e futuro). Nada que um bom teletransporte não resolva! E dá-lhe pancadaria, tramas e conpirações! fg

  • lynx_2811@hotmail.com homemcamaleao.blogspot.com

icFire

Natal, RN – Brasil # 77 e #78 (2011) | A5 | 28 ps. | xerox

# 79 (2011) | A5 | 24 ps. | xerox

# 80 (2011) | A5 | 36 ps. | xerox

disciplinas utilizam os fanzines como suporte para instruir, debater e entreter. Por mais louváveis que sejam

Só por chegar à 80ª edição essa publicação já merece respeito e aplausos, afinal, não é

fácil publicar histórias

em quadrinhos inde- pendentes no Brasil.

Icfire é um herói criado por Chagas Lima, que sozinho ou com a participação de outro herói, Ímpio, combate os males contemporâneos, onde o autor optou por utilizar técnicas de his-

tórias em quadrinhos mais clássicas. As edições apresentam também uma seção de cartas em que Chagas responde às missivas dos leitores. ms

  • icfire.clima@gmail.com

  • icfirehq.blogspot.com

iMaginário

Ituiutaba, MG – Brasil # 1 (2010) | 23,5 x 31cm | 6 ps. | digital # 2 (2011) | 23,5 x 31cm | 8 ps. | digital

disciplinas utilizam os fanzines como suporte para instruir, debater e entreter. Por mais louváveis que sejam

Esse fanzine já impressiona pelas ótimas capas, com fundo preto e belas ilustrações de Thiago Bertoni. A diagrama-

ção também é ótima,

contando inclusive

com anúncios harmonicamente distribu- ídos. Trata-se de um coletivo de artistas de várias áreas, unidos pelo intuito de produzir um material que aborde diversas manifestações artísticas, principalmente de Itaberaba.

A primeira edição tem entrevista com Edgar Franco, alguns textos de conscienti- zação e tiras. Destaque na segunda edição para a matéria sobre os Novos Baianos. ms

zineimaginario@yahoo.com.br

zineimaginario.blogspot.com

Mundo Feliz
Mundo Feliz
3 PERGUNTAS PARA eduardo deLgado como está a produção de fanzines impres- sos no uruguai atualmente?
3 PERGUNTAS PARA eduardo deLgado
como está a produção de fanzines impres-
sos no uruguai atualmente?
divulgação de música independente?
ED – Em Montevideo, a produção é pequena, e
para fugir da “frieza da virtualidade” da inter-
net é fazer uma ideia errada da realidade que
os autores têm que enfrentar. As palavras são
tenho que dizer que “Crecer” é um que a
ED – Exerce uma força que a internet não pode
quase inexistente nas outras 18 cidades uru-
guaias. São publicados fanzines sobre hardco-
re e outras formas de punk, além de temáticas
como comics, ilustrações e aquelas relaciona-
das ao anarquismo e de liberação (tanto hu-
mana quanto animal não-humana).
Os coletivos libertários foram capazes de
ressuscitar a criação de fanzines, voltando a
publicar edições e textos clássicos e de outros
grupos, e distribuindo a cultura de dispor ban-
quinhas em atividades como shows musicais
ou outro tipo de eventos, oferecendo varieda-
des de fanzines.
Dado que não têm lojas ajudando a dis-
conseguiu o apoio de uma para vender algu-
mas edições) o ponto de encontro são os sho-
ws, especialmente de hardcore.
A produção é condicionada pela xerox. To-
dos os fanzines são branco e preto, tamanho
A4, poucas páginas.
Só tem três fanzines dedicados a música:
virtuais, as ideias, as fantasias
...
caso é isso que temos que plasmar, e ao mes-
E em todo
Crecer, FTR Fanzine e En Los Nervios, também
mo tempo a coisa mais difícil de modelar.
Independente ou não, a música precisa da
corporalidade e crescer para além do som. Os
os únicos que fazem edições com regularida-
de. Um é bem diferente do outro. O FTR, por
exemplo, tem website, na intenção de difun-
dir seu material por todo espaço possível, e é
sempre gratuito.
fanzines têm que ser reflexo disso que não é
som, mas é música. O meio impresso é a forma
mais evidente dessa relação.
quais os fanzines uruguaios que toda a
américa latina deveria conhecer?
América deve conhecer.
Crecer, o fanzine, foi o primeiro em mui-
to tempo que começou a difundir material
punk (portanto independente) com inten-
ção de criar laços. Se você conhece Crecer,
quer dizer que você conhece o selo Crecer
Records, ambos projetos de Fabián Román
que falam dum tempo que tá começando
no underground local. Esse fanzine foi a
inspiração que impulsionou o En Los Ner-
vios, e divulgou música da região que ne-
nhuma outra publicação divulgou.
Por outro lado, acho que En Los Nervios
tribuir fanzines (ainda que En Los Nervios
no seu fanzine en los nervios, você abor-
da essencialmente música. hoje, mesmo
com a internet, o fanzine em papel ainda
exerce um papel grande importância para
oferecer mas é imprescindível para manter os
ânimos vivos, portanto é importante. O papel
não é melhor do que a internet, nem vice-ver-
sa. Os meios só podem ser avaliados pela sua
idoneidade; o contexto vai falar melhor do que
as tradições, e os meios vão criar os espaços
e adaptar-se a eles. Se o fanzine impresso é
importante é porque no contexto da música no
Uruguai a criação de espaços físicos é de gran-
de importância, a gente tem necessidade de se
encontrar porque muita coisa que acontece só
está acontecendo na presente geração; muita
coisa morreu, então coisas têm que nascer
com a ideia de que só nós podemos fazê-las.
Por outro lado, a gente vai ter sempre que
lidar com o virtual. Fazer um fanzine impresso
ED – Eu gostaria de poder falar de outros fan-
zines de outras épocas, mas eu não conheço.
Acho que os três que eu já falei, porque são
reflexo do que esta acontecendo aqui. Mas
é outro zine que você tem que conhecer. É
uma mistura rara de narrativa e entrevista;
fala de música, mas não exatamente sobre
notas e som; não tem críticas musicais.

UGRA PRESS

2º ANUÁRIO DE FANZINES, ZINES E PUBLICAÇÕES ALTERNATIVAS

Misterorror janela PoDerosa Rio de Janeiro, RJ – Brasil # 7 ao #9 (2011) | A6

Misterorror

janela PoDerosa

Rio de Janeiro, RJ – Brasil # 7 ao #9 (2011) | A6 | 8 ps. | digital

Misterorror janela PoDerosa Rio de Janeiro, RJ – Brasil # 7 ao #9 (2011) | A6

Editado e ilustrado por Ric Ramos, o Janela Poderosa é um fanzine de bolso que surpreende pela quan- tidade de informação que consegue dispor

em tão pouco espaço. Essencialmente, o Janela cobre a cena da região de Niterói, sendo que cada número possui um tema diferente, sempre dentro do universo do underground. O # 7 faz uma breve cobertura de iniciati- vas e personalidades “udigrudis” da região (destaque para a matéria com a Pepa Filmes); o # 8 é dedicado exclusivamente à banda Fungus & Bactérias; e o # 9 traz a primeira parte da HQ “Wer Wolf ”. Destaque para os desenhos de Ric, que dão um ar especial à publicação, seja de- senhando as personalidades que apare- cem no zine, seja através do personagem Cachorrão, que conduz as entrevistas em forma de HQ e abre o editorial dos zines de maneira divertida e informativa. fg

janelapoderosa@gmail.com

janelapoderosa.blogspot.com

jornal Do sábio

Recife, PE – Brasil #1 (2007) e #337 (2011) | A4 | 1 p. | xerox

Essa é uma das publi- cações mais estra- nhas que recebemos. O Jornal do Sábio é
Essa é uma das publi-
cações mais estra-
nhas que recebemos.
O Jornal do Sábio é
publicado quinzenal-
mente pelo pernam-
bucano Antonio
Andrade desde 2007.

UGRA PRESS

Resume-se a uma folha A4 impressa em apenas um dos lados apresentando diversos desenhos, colagens e frases

soltas. Existe uma propensão à crítica

social neste material, mas de uma forma bem vaga e confusa. Na edição #337, por exemplo, há uma imagem do Cristo Redentor onde foi inserida a frase “Apóie o Enem” no lugar de seu braço esquerdo. Um pouco mais acima, dentro de um retângulo de linhas grossas, lê-se o texto

“Ensinar é aprender. Provérbio japonês.” O que pretende o editor com esse material é uma pergunta que continua sem res- posta para mim. du

Misterorror janela PoDerosa Rio de Janeiro, RJ – Brasil # 7 ao #9 (2011) | A6

R. D. João Moura, 305 – Recife / PE CEP: 50730-030

justiça 40º: Maria Da Penha

Niterói, RJ – Brasil e.u. (2010) | A5 | 8 ps. | xerox

Zine de HQ feito pela dupla Brenno Dias (roteiro) e Denis Mello (desenho e arte-final). Conta
Zine de HQ feito
pela dupla Brenno
Dias (roteiro) e Denis
Mello (desenho e
arte-final). Conta as
aventuras de Carlos
Guerra, ex-detetive
particular que atua

como vigilante urbano, justiçando os cri- minosos impunes da Cidade Maravilhosa. A HQ é ótima, possui um roteiro interes- sante e uma trama bem cadenciada. Os desenhos de Denis Mello são muito bem feitos e dão conta do recado.

Esta edição tem como tema especial a Lei Maria da Penha, assunto que aparece na trama através da filha de um personagem que sofre violência doméstica por parte de seu marido, um foragido da justiça. O criminoso não terá, porém, chance de ser julgado de acordo com a citada lei,

pois Carlos Guerra fica sabendo de suas

atitudes e age impiedosamente. fg

denis.s.mello@hotmail.com

denismello.blogspot.com

kaFeta trans

Belo Horizonte, MG – Brasil #2 (2011) | A5 | 32 ps. | xerox

Misterorror janela PoDerosa Rio de Janeiro, RJ – Brasil # 7 ao #9 (2011) | A6

É sempre bom co- nhecer fanzines com temáticas fora do con- vencional. Este é des- tinado para o público queer e é geralmente distribuído em even-

tos relacionados com o tema. Sua proposta é tão forte, que até agora não sei qual o gênero do editor. O visual da capa é muito bacana, utili- zando um papel abóbora que cria um bom contraste com o preto do xerox. A diagra-

mação segue o velho esquema de recorta e

cola analógico, que é bastante agradável. Os textos são basicamente sobre a cultura queer. Destaque para “Aumentar ou não o volume?”, seguido de um conto de Danilo Agrimani. ms

Misterorror janela PoDerosa Rio de Janeiro, RJ – Brasil # 7 ao #9 (2011) | A6

guillaiad@riseup.net

l’atMosFere

Alvorada, RS – Brasil #1 (2011) | A6 | 4 ps. | xerox

Misterorror janela PoDerosa Rio de Janeiro, RJ – Brasil # 7 ao #9 (2011) | A6

Apesar de ter uma linda capa feita pelo clássico Henry Jaepelt e um edito- rial contando breves novidades da Tchê Produções, essa publi-

cação não chega exa- tamente a ser um fanzine e sim uma base para o editor Denilson Reis escrever para seus contatos e inserir alguns flyers.

Pergunte sobre o CD-Rom com todas as edições do fanzine Tchê, tem muito mate- rial bacana. ms

mas páginas onde as letras miúdas e as linhas extensas tornam a leitura um tanto cansativa. Dividir o texto em duas ou três

tchedenilson@gmail.com

colunas já resolveria o problema. du

tchezine.blogspot.com

tchezine.blogspot.com

cirinofelipe@yahoo.com.br

la liberación

la Mars society

Maceió, AL – Brasil

Buenos Aires – Argentina

#1 (2011) | A4 | 20 ps. | digital + xerox

e.u. (2010) | A5 | 16 ps. | xerox

Não sei se é fato ou mera impressão, mas os zines tratando so- bre questões relativas

Não sei se é fato ou mera impressão, mas os zines tratando so- bre questões relativas às sexualidades pare- cem se multiplicar. La Liberación é um

Não sei se é fato ou mera impressão, mas os zines tratando so- bre questões relativas

Fotonovela é um tipo de narrativa gráfica com muitas possibi- lidades. Pena ser tão raro ver uma hoje em dia. Este zine é uma surpreendente

dos que chegaram às nossas mãos, e certamente o que mais me chamou a atenção. De cara já impressiona:

é diagramado em formato horizontal so- bre papel cor de rosa e vem acondicionado em um envelope onde está impressa uma ilustração da sugestiva passagem bíblica

exceção lançada pelos argentinos da F.D.A.C.M.A. Sem entrar em muitos detalhes para não estragar a história, La Mars Society narra, com um humor sutil, o dia a dia de uma expedição de terráqueos em Marte. Recomendo! du

  • fdacma@gmail.com

em que Adão oferece uma maçã a Eva.

  • fdacma.com.ar

Auto-proclamado um zine “pornoterro- rista”, La Liberación provoca, informa e

la PerMura

educa. Fala sobre poliamor e transexu- alidade, faz questionamentos (“O que

Iguape, SP – Brasil #3 (2011) | A5 | 28 ps. | digital + estêncil

faz o meu pau inflar e a minha buceta ficar lubrificada?”) e parte para o ataque (“Open minded não passa de uma expres- são quando você se considera o exemplo de pessoa a ser seguido”). Sem contar as boas entrevistas com Pedro, coordenador do Grupo Mandacaru, e com o polêmico cineasta Bruce Labruce.

faz o meu pau inflar e a minha buceta ficar lubrificada?”) e parte para o ataque

O trabalho de Rodrigo Okuyama é um dos grandes exemplos da importância do formato impresso para os fanzines. Ele não apenas imprime e

Tudo muito bom, com exceção de algu-

distribui, mas produz

de uma forma que aguça no leitor o desejo de ter a publicação. Embalagem tetrapack, fita isolante, papel colorset, tinta e linha são alguns dos ele-

mentos mais usados em suas produções. Para a capa impressa em estêncil, Rodrigo também utilizou uma tinta que, em con- tato com luz negra, revela uma comple- mentação do desenho.

Com essa superprodução, o conteúdo po-

deria ser qualquer um que passaria batido. Mas não. São HQs de alto nível feitas pelo próprio Rodrigo e seu parceiro Bruno de Castro, misturando diversos estilos e técnicas ora usando preto e branco, ora o colorido e ainda uma HQ feita em estêncil. Uma obra de arte. ms

lapermurafanzine@gmail.com

flickr.com/rodrigo_okuyama

laDo [r]

Natal, RN – Brasil #9 (2010) | 11 x 31cm | 32 ps. | offset

Misterorror janela PoDerosa Rio de Janeiro, RJ – Brasil # 7 ao #9 (2011) | A6

Esse fanzine é um dos mais legais lançados nos últimos tempos, por seu estilo peculiar, diagramação bem cuidada e matérias interessantes.

Tem um pouco de tudo: his-

tória em quadrinhos, matéria

sobre Baracho (o bandido quase santo), uma pequena entrevista com Emicida, matéria com a banda General Junkie e outra com o lutador Gleison Tibau (muito bacana, aliás), e uma maté- ria sobre maconha.

Ainda tem um entrevistão com o “homem

3 PERGUNTAS PARA riC ramos em alguns números do janela Pode- rosa o personagem cachorrão faz
3 PERGUNTAS PARA riC ramos
em alguns números do janela Pode-
rosa o personagem cachorrão faz as
narrativas e entrevistas, tornando a
leitura dinâmica e divertida. gostaria
que falasse sobre isso.
opinião, qual a importância dos zines na
articulação das cenas locais?
como e onde é distribuído o janela?
RR – A distribuição é feita via correio. Mas
RR – Bem, na verdade não. O Janela Poderosa,
estou ainda estudando a possibilidade de
deixar alguns exemplares em gibitecas.
RR – O Cachorrão já existia antes do Jane-
la. Eu havia criado um zine sobre Heavy/
por ser um zine temático, não foca uma deter-
minada região. Todo o foco está centrado no
tema abordado. Se existe algo de uma deter-
minada região que possa compor o mosaico de
janelapoderosa.blogspot.com
Rock que nunca saiu do primeiro e único
impresso, o Folha Metálica. O mascote veio
de lá e ainda mantém seu headphone. Ha-
via outros personagens que não consegui
colocar no zine por falta de espaço.
A redação imaginária do Janela. Eu já
havia pensado em algo como tiras para o
ideias, então ele será citado. Se estão lá é por
mera pesquisa de campo.
Porém, os zines que informam a cena local
são tudo. Zineiro geralmente não maquia o
fato. Estará tudo relatado de forma apaixona-
da e com detalhes.
Vale a pena ressaltar o ótimo trabalho do
blog do zine
...
Um caso a pensar!
Fabio Barbosa com seu zine, “Reboco Caído”,
seu zine tem uma abordagem mais fo-
cada na região de niterói (rj). na sua
e de seu programa de rádio na madruga, “Hora
Macabra”, que fortalece muito a cena under-
ground da região de Niterói.

2º ANUÁRIO DE FANZINES, ZINES E PUBLICAÇÕES ALTERNATIVAS

Kafeta Trans fanzine” Flávio Grão, que também é autor da ilustração da capa. A diagramação muito

Kafeta Trans

fanzine” Flávio Grão, que também é autor da ilustração da capa. A diagramação muito bem feita e a capa estilosa em papel grosso dão um toque profissional à publicação. Infelizmente, essa foi a última edição. Uma grande perda. ms

  • lado.r.zine@gmail.com

  • @ladoerre

lutanDo eM novo terreno

Rio de Janeiro, RJ – Brasil e.u. (2011) | A5 | 44 ps. | xerox + colagem

Kafeta Trans fanzine” Flávio Grão, que também é autor da ilustração da capa. A diagramação muito

O mundo está mu- dando em passos acelerados. Conceitos e doutrinas políticas que há poucos anos ainda eram debatidos e relevantes hoje são

obsoletos. O capi- talismo também mudou e talvez tenha adquirido agora sua face mais perversa: o capitalismo do bem, da sustentabilidade e da tolerância, que assimila as críticas e dá voz aos seus críticos. Um olhar minima- mente atento, porém, percebe que as coi- sas continuam caminhando para o mesmo buraco podre de antes – difícil é detectar o

UGRA PRESS

inimigo e encontrar meios de combatê- lo de forma eficaz, antes de ser engolido e transformado em mais um produto. Mal e porcamente falando, esse é o ponto de partida dos textos que compõem este excelente zine editado pela Hurra!. São 5 textos perfeitamente traduzidos de autores de diferentes lugares do globo, cada qual apresentando sua análise do problema em questão e suas sugestões de superação. É notável, antes de tudo, a profundidade destas análises. Também chama atenção a disposição dos autores à auto-reflexão, ao reconhecimento dos erros e à identifica- ção de posturas que já não sejam condi- zentes com os novos parâmetros. Leitura indispensável para ativistas, rebel- des ou qualquer pessoa atenta às transfor- mações do mundo contemporâneo. du

carinapandora@gmail.com

Ma que Mário?

Iguape, SP – Brasil e.u. (2011) | A7 | 8 ps. | estêncil

Kafeta Trans fanzine” Flávio Grão, que também é autor da ilustração da capa. A diagramação muito

Rodrigo Okuyama é um dos grandes no- mes do fanzinato bra- sileiro atual. Com o La Permura estabeleceu um novo paradigma nos processos de con-

fecção de zines. Este mini-zine é o sinal de que o autor não para com suas experimentações, tanto nas narrativas como nos modos de fazer zines. Ma que Mário? é uma combinação dessas experimentações. Baseado no personagem dos vídeos games Super Mario, o zine foi feito através de impressão em três cores utilizando o estêncil em uma só folha de A4, que é dobrada e cortada, transfor-

mando-se em um livreto de 8 páginas.

A narrativa é uma homenagem ao perso- nagem e o mostra em algumas das fases conhecidas do game, terminando no en- frentamento do temido Rei de Copas. fg

lapermurafanzine@gmail.com

flickr.com/rodrigo_okuyama

Mais barato grátis

São Paulo, SP – Brasil #2 (2011) | A6 | 16 ps. | offset

Mais barato, coisa nenhuma! Esse zine é grátis e distribuído em diversos pontos estratégicos. Os traços
Mais barato, coisa
nenhuma! Esse zine
é grátis e distribuído
em diversos pontos
estratégicos.
Os traços simples de
Paulo Ito são aqui
representadas em
quatro histórias. Uma sobre um sonho
absurdo, outra em uma paródia muito en-
graçada da canção “Desenho de Deus”, do

Armandinho, uma sobre pichação e outra sobre volta ao tempo. Para ler em dois minutinhos. Bacana. ms

duffuseumbomanimal@yahoo.com

  • flickr.com/pauloito

ManuFatura

São Paulo, SP – Brasil #2 (2011) | 11,3 x 14,5 cm | 40 ps. | xerox

Kafeta Trans fanzine” Flávio Grão, que também é autor da ilustração da capa. A diagramação muito

Flávio Grão não realiza um trabalho comum. Ele faz uma junção de ilustração e poesia, sem usar sequer uma palavra. As únicas que apa-

recem são onomato- péias. Por isso, não basta passar o olho

para entender o contexto. Seus traços fortes, rústicos, semelhan- tes a xilogravuras, viajam em um roteiro filosófico-poético, sempre passeando pelo inconsciente individual e coletivo.

Nessa edição, subintitulada “Intempérie”,

a história passeia por três estágios da vida de uma pessoa: as percepções, experi- ências e conteúdos que carregam para a eternidade. Com boa diagramação, impressão em papel vergê e tiragem numerada em 100 exemplares, Manufatura #2 mostra a evo-

lução desse artista e educador. ms

flaviograo@yahoo.com.br

  • flickr.com/flaviograo

Máquina De escrever

Fortaleza, CE – Brasil #1 ao #3 [5º ano] (2011) | A6 | 16 ps. | xerox Edição Especial (2008) | A5 | 32 ps. | xerox

Kafeta Trans fanzine” Flávio Grão, que também é autor da ilustração da capa. A diagramação muito

Rômulo foi uma das tantas figuras que tive o privilégio de co- nhecer em Fortaleza durante o seminário Cabeças de Papel em

2011. Jornalista, ofici-

neiro e presença obri- gatória nas discussões sobre a Fanzinoteca Imaginada, é também editor do Máquina de Escrever. Seu zine tem a cara da cena formada a partir do Zine-se, o encontro

de zineiros do povo de lá: pessoal e poé-

tico, trata das coisas do dia a dia e reflete sobre a cidade, tudo à base de colagens e textos manuscritos. A sacada do Máquina é eleger colaboradores e temas diferentes para cada edição, como “Renascimento”, “Você e Eu” e “Missões Urbanas”. Há também um número especial intitulado

“Please Come Back the Tape”, onde editor e convidados comentam cada uma das 17 edições já lançadas do zine. du

romulofilosofo@gmail.com

Mariantönios

São Paulo, SP – Brasil #1 (2011) | A5 | 16 ps. | offset

Kafeta Trans fanzine” Flávio Grão, que também é autor da ilustração da capa. A diagramação muito

Marantönios é um zine on line criado por estudantes de um curso de pós-gradu- ação em Design. Em sua versão impressa, reúne os trabalhos

considerados mais in- teressantes já publicados na versão digital. Os artistas utilizam técnicas bem distintas (fotografia, ilustração digital, ilustra- ção manual, composições tipográficas, colagem, etc) e no geral se saem muito bem. O mais difícil, nessa era de excesso de informação, onde tudo é assimilado, apropriado e re-contextualizado, é parecer original. Por mais diferentes que as peças aqui apresentadas sejam umas das outras, a maior parte delas desperta uma sensação de familiaridade. De qualquer forma, essa busca por uma cara própria, que se impõe então como desafio-mor, é parte do projeto da publicação, como explica seu editorial: “o conteúdo desse caderno reflete as expressões e reflexões sobre arte dos participantes presentes nessas páginas, que buscam através de experimentações descobrir suas reais identidades”. O cami- nho é esse! du

  • antonio.hbb@gmail.com

  • mariantonios.com

MegaFone

Ananinveda, PA – Brasil #0 ao #7 (2010) | A7 | 12 ps. | xerox

Kafeta Trans fanzine” Flávio Grão, que também é autor da ilustração da capa. A diagramação muito

O fanzine começa com o manjado número zero e pelo pouco cuidado na finalização da monta- gem, fica a impressão de que o zine é ruim.

Engano feio. Tanto é, que vou falar um pouco de cada edição, todas elas impressas em papel colorido e com dobras diferenciadas. No citado zine de estreia há uma inte- ressante reflexão sobre o tempo nos dias atuais e outro texto que compara o anime/ mangá Naruto aos dilemas da vida real. “O acento em uma palavra de duas letras” é o grande destaque do número 1, que apresenta também uma entrevista com a banda Stereocope. O número 2 tem matéria sobre o filme “Iron Man” e o cantor Roberto Villar. Futebol é o tema da terceira edição. Na edição seguinte tem entrevista com Mombojó e um texto muito bacana sobre um cachorro.

A saudade é o tema do quinto número. Uma entrevista com o quadrinista Joe Bennett e matéria com a cantora Gaby

Amarantos aparecem na sexta edição.

A edição de número 7 talvez seja a mais impressionante. Prefiro não tecer comen- tários, veja você mesmo. Um fanzine pequeno no tamanho, mas gigantesco no conteúdo. ms

oliveirasavio19@gmail.com

fanzinemegafone.blogspot.com

MicroFonia

João Pessoa, PB – Brasil #2 ao #4 (2011) | 23 x 32 cm | 4 ps. | offset

Kafeta Trans fanzine” Flávio Grão, que também é autor da ilustração da capa. A diagramação muito

Tablóide paraibano de cultura alternativa em geral, feito por jornalistas experientes e bem humorados. Contém entrevistas, resenhas de CDs,

shows, filmes e livros (aliás, resenhas muito bem escritas, nesse último item). O visual é bem limpo e, mesmo com as letrinhas miúdas, é agra- dável de ler. Muito boas as tiras “Enquanto isso na re- dação”, de Josival Fonseca, e fantásticas as entrevistas com o cantor brega Balthazar e com o compositor Bráulio Tavares. Com tiragem de 3 mil exemplares,

Microfonia tem até anúncio de um sex

shop que promoveu troca de latas de leite por gel comestível! ms

jornalmicrofonia@gmail.com

facebook.com/jornalmicrofonia

MíDia Press Mail art Zine

São Paulo, SP – Brasil #5 e 6 (2011) | A5 | 8 ps. | xerox

Kafeta Trans fanzine” Flávio Grão, que também é autor da ilustração da capa. A diagramação muito

José Nogueira faz parte da master old school dos fanzines brasileiros e até hoje

mantém-se na ativa, sempre trazendo al- guma coisa nova.

Há algum tempo começou a desenvolver também trabalhos ligados à rede de mail art, que é a troca de postais e envelopes ilustrados ou mon- tados como obra única e exclusiva, que apenas os correspondentes desse circuito têm acesso. Nessa publicação, Nogueira mostra alguns exemplos de mail art que recebeu de seus amigos do mundo afora. No blog, que serve como extensão desse zine, é possível ver os postais e envelopes coloridos e tam- bém produções do próprio Nogueira. ms

Kafeta Trans fanzine” Flávio Grão, que também é autor da ilustração da capa. A diagramação muito

jn7400@gmail.com

inkonpapernogueira.blogspot.com

Misterorror

Barretos, SP – Brasil #2 (2011) | 20 x 14cm | 36 ps. | offset

Publicação de HQs criadas pelo Guilherme Silveira, incluindo algu- mas parcerias com o Matheus Moura, editor
Publicação de
HQs criadas pelo
Guilherme Silveira,
incluindo algu-
mas parcerias com
o Matheus Moura,
editor das revistas
Camiño di Rato e A3.
Com histórias curtas e enredos não line-
ares, Guilherme se propõe a explorar os
limites dos elementos que compõem uma

HQ. O resultado, como em boa parte das

expressões artísticas experimentais, parece ser menos importante do que o processo, o que não desmerece de maneira alguma o material que o leitor verá nas páginas deste zine. Pelo contrário. Ao rejeitar os clichês e as soluções convencionais, o autor convida o leitor a desligar o piloto

automático e entregar-se a uma leitura atenta e consciente. Talvez não seja o tipo de HQ para ser lido a qualquer momento, mas sem dúvidas é um interessante exercí- cio de estilo. du

guilhermepwcca@hotmail.com

misterorror.blogspot.com

Mais Barato Grátis

Kafeta Trans fanzine” Flávio Grão, que também é autor da ilustração da capa. A diagramação muito

2º ANUÁRIO DE FANZINES, ZINES E PUBLICAÇÕES ALTERNATIVAS

3 PERGUNTAS PARA oLga Costa o Microfonia tem tiragem de 3 mil có- pias. como é
3 PERGUNTAS PARA oLga Costa
o Microfonia tem tiragem de 3 mil có-
pias. como é feita a distribuição?
OC – Na marra! Ou seja, a gente bota a
mão na massa mesmo! Separamos quan-
tidades, colocamos nos envelopes, ende-
reçamos, etc. Na Universidade Federal da
Paraíba (UFPB) temos um parceiro/amigo
Erivan que literalmente veste a camisa do
jornal e distribui por lá. Temos vários pon-
tos onde deixamos o jornal aqui na cida-
de: lojas de discos, skate, tattoo, além de
bares, bancas de revistas, mas não existe
uma regra. Se tiver alguém ou algum lugar
que queira o jornal a gente coloca na lista
de distribuição. Além disso, temos tam-
bém pessoas de outros Estados que en-
viamos pelos correios e isso ainda é uma
prática muito legal. Através do primeiro
Anuário de Fanzines, Zines e Publicações
Independentes da UGRA a gente constatou
que existe muita coisa sendo publicada de
forma independente, o que se torna uma
inspiração imediata! Claudia Reitberg do
Portal Rock Press comentou dia desses
que era uma tortura administrar o espaço
limitado imposto pelo papel e que hoje é
um paraíso na net por não existir essa li-
Microfonia
mitação
...
...
Beleza concordamos em
100%, mas aí a gente recebe via Renato
senhamos que seguem a mesma linha,
acrescentando aí uma linguagem um tan-
to quanto descompromissada e na maioria
das vezes “viajante” – como já foi denomi-
nada por alguns leitores? Talvez sim, por-
que a maioria das bandas resenhadas cor-
re por fora do esquemão (ainda existe? Se
Donizete (Aviso Final) o jornal/fanzine do
Nenê Altro, o Pest: fonte pequena, 12 pági-
nas (!) e muita informação! Não tem como
comparar (risos). Vale salientar que todo
o sacrifício da Claudia para diagramar a
Rock Press ainda é uma inspiração latente
quando nos vemos diante do que deixar ou
cortar nas edições do Microfonia.
existe as bandas de rock/pop foram exclu-
ídas!). E o pé da cultura pop talvez esteja
com nossos entrevistados – Tommy Keene
que está na primeira edição, por exemplo,
ele é pop, mas não é do mainstream, atu-
almente, um dia foi; Balthazar, Cannibal e
Braulio Tavares são pop? Talvez, diferentes
um de seus anunciantes é um sexshop.
como é aliar a marca ao produto/con-
teúdo de ambos?
nas posturas e conteúdo, porém, pop no
alcance midiático irregular; mas temos
entrevistados como a Banda Shock que é
pop aqui e no Japão! E o Telegramadois-
tresmeia que não é pop em lugar nenhum
OC – Rapaz, isso foi uma sincronicidade.
De um lado tínhamos um amigo que adora-
ainda, mas tem puta potencial
E os leito-
va escrever sobre filmes eróticos e de outro
um cara muito gente boa que amou nossa
iniciativa! Na verdade não existiu um pla-
no para aliar coisa alguma! Aconteceu e a
gente deixou rolar!
...
res são diferentes? Se eles são diferentes,
ainda não se manifestaram! Quer dizer,
dentro das duas vertentes (risos). Então,
por enquanto não precisamos lidar com
nada! Só sabemos que a maior parte dos
leitores assim que pega o jornal, vão logo
o jornal tem um pé no underground e
outro na cultura pop. como é lidar com
diferentes tipos de leitores?
ler a tirinha – Enquanto Isso na Redação.
Isso a gente sabe que é ponto pacífico en-
tre eles, o resto a gente não sabe
...
Ainda!
OC – Qual é o pé do underground? E qual
o da cultura pop? Foram essas duas ques-
tões que vieram as nossas cabeças quan-
do lemos essa pergunta.
O pé do underground estaria nas ban-
das locais e de outros Estados que re-
(risos), mas gostaríamos de saber, então,
cartas para a redação! Ops, para o e-mail,
se preferirem:
jornalmicrofonia@gmail.com
facebook.com/jornalmicrofonia.

Mono

Rio de Janeiro, RJ – Brasil #louco (2011) | A7 | 16 ps. | xerox

3 PERGUNTAS PARA oLga Costa o Microfonia tem tiragem de 3 mil có- pias. como é

Quando recebi esta edição do Mono, reparei que na capa, ao lado do indicativo de número (#), havia apenas um rabisco. O mistério desfez-se

dias depois, quando o Zé Colméia, editor da parada, mandou a ficha de inscrição da publicação para o Anuário. “Número louco” é o que infor- mava a ficha. Como se os anteriores não tivessem sido! Folhear o Mono é como bisbilhotar aquela gaveta onde você vai guardando um monte de coisas que são legais mas não tem certeza se um dia vai usar. Pequenininho e despretensioso, sua pá- ginas trazem fotos, cartuns, ilustrações e colagens sem explicação alguma. Estão ali simplesmente porque o editor do zine curtiu – o que já é explicação mais do que suficiente, neste caso. E sem dúvida colabora o fato do Zé ter bom gosto e um senso de humor aguçado, além de mandar bem nos rabiscos. du

smartalexster@gmail.com

favodefelcomics.blogspot.com

MoonstoMP!

Santos, SP – Brasil #1 (2010) | A5 | 12 ps. | xerox

3 PERGUNTAS PARA oLga Costa o Microfonia tem tiragem de 3 mil có- pias. como é

A cultura skinhead no Brasil tem sido vítima da falta de informação e da distorção a res- peito do movimento. Este zine de Santos (SP) atua contra esses

males e faz um bom serviço informando sobre vários aspectos do movimento e da cultura original dos skinheads. Quando digo original, lembre- mos de reggae, jamaica, ska, Inglaterra e não de racismo ok? A matéria “Um pouco sobre o Skinhead Reggae” faz um histórico pertinente sobre as origens do ritmo e também do movi- mento, trazendo boas explicações sobre assuntos relacionados ao tema, como os mods, o rocksteady e o ska, explica tam- bém o modo como se deu a invasão do reggae jamaicano na Inglaterra. Destaque para a entrevista com Locksley Gichie, guitarrista do Cimarons, banda do lendário estúdio Trojan, tradicional grava-

dora de música jamaicana na Inglaterra. Interessante pensar que um zine como esse ajuda e esclarece muito mais a res- peito do assunto do que anos de matérias

UGRA PRESS

Não Fui Eu deturpadas na grande mídia. Por isso amamos fanzines. fg MunDo MunDano na Mão
Não Fui Eu
deturpadas na grande mídia. Por isso
amamos fanzines. fg
MunDo MunDano
na Mão jornalex unDergrounD
fbarreiraalvares@gmail.com
São Paulo, SP – Brasil
#1 (2010) | 15 x 19cm | 197 ps. | offset
Lauro de Freitas, BA – Brasil
#6 (2088), #7 (2009) e #8 (2011) | A5 |
flickr.com/felixbarreira
8ps. | xerox
MunDo FeliZ
Brasópolis, MG – Brasil
e.u. (2011) | 14 x 20cm | 112 ps. | digital
Originalmente publi-
cada em 15 capítulos
divididos entre as
edições dos anos 2001
a 2003 do fanzine QI,
Mundo Feliz, série
criada por Edgard
Guimarães, final-
mente recebe sua edição completa pela
editora Marca de Fantasia.
A expressão “não julgue o livro pela capa”
poucas vezes foi tão adequada. O título da
obra, associado ao desenho de uma garota
sorridente correndo de braços abertos,
sugere ao leitor incauto tratar de uma HQ
otimista voltada ao público infanto-
juvenil. Bastaria a leitura do primeiro
capítulo para provar o contrário: há pouca
ou nenhuma felicidade no mundo onde
esta história se passa.
Mundo Feliz narra um causo lamentável –
mas assustadoramente verossímil – cheio
de surpresas, onde o leitor é levado a
enfrentar seus próprios tabus. E consegue
fazer isso com objetividade e elegância,
sem apelar para o sensacionalismo.
Mundo Feliz é também um delicioso
exercício de linguagem. Guimarães não
desperdiça a oportunidade de experimen-
tar possibilidades diversas na aplicação de
texto e imagem, brincando com a própria
estrutura dos quadrinhos, com recursos
de metalinguagem, diferentes enquadra-
mentos e alterações no estilo do desenho.
Complementa essa edição um farto ma-
terial textual, incluindo comentários do
autor e algumas das reações dos leitores
originalmente publicadas na seção de
cartas do QI. du
Mais um livro lançado
pelo selo Prólogo,
Mundo Mundano
reúne conteúdo
selecionado entre ma-
terial originalmente
publicado no site de
mesmo nome. Sendo
uma coletânea, os estilos e tons variam
bastante. No geral, prevalece a linguagem
mais objetiva e bem humorada, com jeitão
de blog, mas também há espaço para tex-
tos mais densos.
A produção gráfica é boa, mas a diagra-
mação deixa a desejar. A fonte conden-
sada para textos longos é um pouco
cansativa, e os espaços duplos entre os pa-
rágrafos são desnecessários. Seria bacana
também se cada texto fosse iniciado em
uma página nova. du
Este fanzine – ou “jor-
nalex underground”,
como se definem – é
publicado por alunos
da Universidade
Católica de Salvador e
tem uma tiragem sur-
preendente (20.000
exemplares na edição # 8).
A tônica do Na Mão é a ironia e o humor,
que à primeira vista parece “infantil”, mas
nunca é gratuita, e está quase sempre atre-
lada a uma postura de crítica ou reflexão,
voltada principalmente, mas não apenas,
aos temas locais.
Fica a dica para as publicações universitá-
rias que se afogam no pedantismo acadê-
mico-teórico-revolucionário: o humor é
um poderoso recurso comunicativo. fg
prologo@prologoseloeditorial.com.br
namaouniversitaria@gmail.com
prologoseloeditorial.com.br
namaounderground.blogspot.com
Muy Mal hecho
não Fui eu
Buenos Aires – Argentina
#1 (2009) | A5 | 20 ps. | xerox
Brasília, DF – Brasil
#1 (2011) | 21 x 21cm | 36ps. | digital
Neste zine argen-
tino lançado pela
Ediciones de Cero,
a artista Debora
Paula mergulha na
experimentação com
colagens e traços utili-
zando-se de diferentes
elementos gráficos, como ícones, letras,
desenhos, palavras, fotos e padronagens.
O resultado são páginas que alternam o
caos e momentos suaves, provocando sen-
sações ambíguas no leitor.
Destaque para o modo como a autora uti-
liza os efeitos do xerox como ferramenta e
linguagem artística. fg
André Valente me dá
tudo o que eu gosto e
procuro em uma HQ.
Para começar, o cara
desenha muito. Seu
traço é marcante, tem
personalidade, graça. Às vezes aparece
mais solto e descompromissado, como
na HQ sem título da página 7; às vezes
aparece exuberante e cheio de detalhes,
como na incompleta “Coelho”. Também
adoro o fato do cara ainda fazer à mão o
letreiramento – é uma pena que a maior
parte dos quadrinhistas da atualidade
tenha se esquecido que o texto também é
um elemento gráfico. Mas não o André!
deborag77@gmail.com
edgard@ita.br
flickr.com/photos/deborag
Os enredos são sempre surpreendentes,
injetando com sagacidade algo de ab-

2º ANUÁRIO DE FANZINES, ZINES E PUBLICAÇÕES ALTERNATIVAS

Ninguém Presta surdo às situações mais banais do nosso quotidiano. Não sei se é coincidência, mas

Ninguém Presta

surdo às situações mais banais do nosso quotidiano. Não sei se é coincidência, mas o relacionamento homem-mulher é um tema recorrente em Não Fui Eu. Esse, aliás, é também o tema da única coisa que não é HQ aqui: o conto “A Donzela e o Ogro”, onde o autor prova que, além de tudo, também escreve bem. E eu nem falei que a edição é bonitona, que o formato quadrado ficou bacana, que o trabalho de cores na ilustração da capa e contra-capa é impressionante. André, eu sou seu fã. du

oandrevalente@yahoo.com.br

oandrevalente.com neurótikas FanZine
oandrevalente.com
neurótikas FanZine

São Paulo, SP – Brasil #7 (2011) | A5 | 8ps. | xerox

Ninguém Presta surdo às situações mais banais do nosso quotidiano. Não sei se é coincidência, mas

Zine feminista paulis- tano. Tem textos sobre as Mães de Maio, câncer de mama, edu- cação, preconceito no mercado de trabalho, uma reflexão sobre

o uso de maquiagem e um relato sobre o assédio de algumas garotas sobre o vocalista da banda inglesa

UGRA PRESS

The Adicts durante o show em São Paulo. É um zine cheio de boas intenções, mas bem básico tanto em termos de informa- ção quanto de opinião. O potencial está aí, falta desenvolvê-lo. du

coletivo.neurotikas@hotmail.com

neurotikas.blogspot.com

ninguéM Presta! - alManacão De Férias

São Paulo, SP – Brasil #1 (2011) | A5 | 80ps. | digital + xerox

Ninguém Presta tem uma trajetória singular. Em 2010, en- quanto preparava uma pesquisa acadêmica sobre publicações
Ninguém Presta
tem uma trajetória
singular. Em 2010, en-
quanto preparava uma
pesquisa acadêmica
sobre publicações in-
dependentes de HQs,
Ian Cichetto resolveu
sentir na pele a aventura da autopublica-
ção e fez o número zero da NP. Acabou
pegando gosto pela coisa e até o final de
2011 já tinha lançado mais 4 números.
Reunidas e encadernadas, as 5 edições

formam este “Almanacão de Férias”. Interessante notar as mudanças ocorridas nesta curta existência. As HQs, predomi-

nantes nos primeiros números, cederam cada vez mais espaço para textos e ilustra- ções. Paradoxalmente, nesse meio tempo o desenho do Ian evoluiu muito. No final das contas, o autor se dá bem tanto na HQ quanto no texto, mantendo sempre um senso de humor carregado de desencanto e niilismo que remete ao trabalho de Lourenço Mutarelli. Não por acaso, Mutarelli é homenageado já no nú- mero de estréia com a HQ “A Verdadeira História de Sólon”. Outras referências aparecem aqui e acolá durante a leitura:

Lewis Carrol, Franz Kafka, Saint-Exupéry, Bukowski. Ou seja: bom gosto o cara tem! Ninguém Presta é o tipo de iniciativa que faz valer essa história de mexer com fan- zines. Não é uma publicação perfeita em sentido algum, mas é, certamente, uma publicação onde as idéias fervilham e a criatividade brota desavergonhada. du

  • iancichetto1@gmail.com zineninguempresta.blogspot.com

o berro

Niterói, RJ – Brasil #14 (2009), #15 a #18 (2010), #19 e #20

(2011) | A5 | 12 ps. | xerox

Ninguém Presta surdo às situações mais banais do nosso quotidiano. Não sei se é coincidência, mas

Esse é um fanzine que faz muito jus ao seu nome: mete a boca em tudo que é assunto, como uma metralhadora. Estão entre seus alvos:

a mídia, programas te- levisivos, políticos, além de denúcias sobre problemas enfrentados em Niterói, onde residem os redatores do zine, e também questões de âmbito nacional.

Além disso, inclui textos sobre literatura

(muito bom o sobre Lima Barreto na edi- ção 19), e uma entrevista com Laerte (18). Também foi lançado um livro quando o zine completou um ano. ms

  • o.berro@hotmail.com expressaoliberta.blogspot.com

o Diário Do alMirante

Niterói, RJ – Brasil e.u. (2011) | 15 x 18cm | 8 ps. | xerox

Outra HQ da dupla Brenno Dias e Denis Mello (vide Justiça

  • 40°). Esta edição traz histórias previamente publicadas em jornais
    e revistas dedicados ao time carioca do Vasco da Gama. O tema, obviamente, são as façanhas do “Club de Regatas Vasco da Gama” pro- tagonizadas por alguns de seus maiores heróis: Juninho Pernambucano, Cocada,

Romário e Bellini. O futebol é um tema pouco explorado em histórias em quadrinhos no Brasil, e os autores se saem muito bem. A narrativa é empolgante e os desenhos se encaixam perfeitamente na trama, utilizando-se so- mente do preto, branco e tons de cinza. É muito interessante o modo como ambos conseguem condensar os feitos futebolís- ticos em poucos quadrinhos, sem omitir as informações essenciais. A capa da pu- blicação também merece destaque por seu “design” econômico e eficiente. Para os torcedores de outros times, fica a dica. fg

denis.s.mello@hotmail.com

denismello.blogspot.com

o Fabuloso MunDo De clo

Ferraz de Vasconcelos, SP – Brasil #1 (2011) | A7 | 8 ps. | digital e xerox

Ninguém Presta surdo às situações mais banais do nosso quotidiano. Não sei se é coincidência, mas

Esse microzine é uma apresentação da criação de Cledson Bauhaus. Clo é uma contadora de his- tórias, que também escreve em um blog,

dando dicas culturais e falando coisas da vida. Clo vive com um pé em nosso mundo e o outro em um paralelo que é muito mais

legal. Porém, ela não descarta a ideia de melhorarmos esse aqui. O zine promete fazer links entre a edição impressa e a virtual, o que é uma iniciativa louvável. ms

mundodeclo@yahoo.com

Ninguém Presta surdo às situações mais banais do nosso quotidiano. Não sei se é coincidência, mas

mundodeclo.com.br

o naDaDor

Iguape, SP – Brasil e.u. (2011) | A7 | 6 ps. | digital

Outro micro zine de Rodrigo Okuyama (Ma que Mário, La Permura) que traz as experimentações do
Outro micro zine de
Rodrigo Okuyama
(Ma que Mário, La
Permura) que traz
as experimentações
do autor. O Nadador
propõe uma narra-
tiva silenciosa feita de
modo extremamente criativo: uma folha

de papel A4 dobrada 5 vezes formando 16

quadros, ocupando frente e verso. Ao abrir o zine você acompanha uma sequência de movimentos do nadador que acaba em um mergulho. Um detalhe interessante é que este per- sonagem foi confeccionado em papel de modo que se articulasse e pudesse ser

escaneado em diferentes posições para “atuar” no zine. fg

lapermurafanzine@gmail.com

flickr.com/rodrigo_okuyama

oriok

Natal, RN – Brasil #2 (2011) | A5 | 24 ps. | xerox

Ninguém Presta surdo às situações mais banais do nosso quotidiano. Não sei se é coincidência, mas

Mais uma inicativa

da Editora Universo

Clima, de Chagas Lima, que também publica o Icfire. Segue na mesma linha do outro herói, mas

dessa vez o protago-

nista é Oriok que, nessa aventura, teste- munha o nascimento de uma vampira. ms

  • icfire.clima@gmail.com

  • icfirehq.blogspot.com

PaF!

Santiago – Chile

#1 ao #8 (2010) | A6 | 8 ps. | xerox

Ninguém Presta surdo às situações mais banais do nosso quotidiano. Não sei se é coincidência, mas

Paf! é um mini-zine xerocado, montado como um pequeno caderno sem grampo, lançado mensalmente com uma HQ com- pleta ou seriada. Seu

criador é o chileno Rodrigo Duran, e o material aqui segue a mesma linha do seu outro zine, o Duro,

mas com maior ênfase no aspecto humo-

rístico das histórias. Simpático e divertido,

3 PERGUNTAS PARA Winter Bastos

 
 

Parte da sua produção você divulga no blog expressão liberta e a outra, no zine o berro. quais as principais diferenças entre publicar em veículo impresso e virtual?

Detalhe da capa do O Berro #14

Detalhe da capa do O Berro #14

o berro traz críticas a todo tipo de in- justiça e problema social. com o gran- de volume de informação produzida pela tv e internet, como é o desafio de nadar contra e tentar conscientizar

WB – É difícil nadar contra a corrente, pois

WB – Escrever em veículo virtual tem al- gumas vantagens: podemos postar sobre

publicar em blog; o que escrevo fica acessí-

ternet (houve um pedinte de rua que ficou

as pessoas por intermédio de um zine?

assuntos que acabaram de ocorrer, dando

os veículos de comunicação massificantes

resposta imediata ao que acontece à nos- sa volta; não gasto um centavo sequer para

usam seu poder econômico extremo e nos afogam num mar de informações fúteis ou perniciosas. Mas, se pensarmos bem, te-

vel, no ato, a qualquer lusófono no mundo. Porém a imprensa alternativa escrita conti- nua imprescindível por alguns motivos: lê-

berro até então. como é passar do forma- to mais básico para um mais “oficial”?

mos uma força latente poderosa contra os tubarões da grande mídia. Podemos boico- tar seus jornalecos diários e suas revistas

-se com muito mais atenção e comodidade o que está em papel; qualquer pessoa al- fabetizada pode curtir um fanzine quando o recebe, independente de ter acesso à in-

WB – Foi muito gratificante alcançar isso. O jor- nalista Fabio Barbosa, grande amigo que fazia o zine comigo na época, correu atrás e conse- guiu que a Editora Independente (de Brasília) abraçasse o projeto. Assim nasceu o livro “Um

semanais idiotizantes, bem como parar de ver televisão, e, em vez disso, podemos nos voltar para fanzines, blogs, jornais comuni- tários, sindicais ou alternativos, lendo-os e também produzindo. Qualquer um de nós

felicíssimo quando lhe dei O Berro).

Ano de Berro: 365 dias de Fúria”. Numa época

consegue, ao contrário do que a imprensa

em que tudo parece muito efêmero é bom ver

capitalista nos quer fazer acreditar.

em um ano de fanzine, foi lançado um

uma produção zinística ser impressa em livro,

livro com o conteúdo produzido pelo o

que é um registro duradouro pra caramba.

expressaoliberta.blogspot.com

2º ANUÁRIO DE FANZINES, ZINES E PUBLICAÇÕES ALTERNATIVAS

3 PERGUNTAS PARA guido imBroisi

 
 
3 PERGUNTAS PARA guido imBroisi Detalhe da HQ Tunô, publicada no álbum Quadro Negro Verde seu
 

Detalhe da HQ Tunô, publicada no álbum Quadro Negro Verde

seu novo álbum, quadro negro verde, tem uma influência marcante do cine-

GI – O cinema é uma mídia que influência

indo ao máximo de preenchimento das su- perfícies e conforme o tempo foi passan-

ma, incluindo uma homenagem explí-

do, novas influências foram surgindo, e a

cita ao filme “Medo e Delírio em las vegas” na hq “terra de sal”. Fale um pouco sobre os filmes / diretores que você gosta e de que forma eles influen- ciam seu trabalho.

maneira como pensamos e acreditamos no nosso trabalho vai mudando também, eu tenho acompanhado muito o trabalho de alguns japoneses como Katsuhiro Otomo que recentemente lançou um livro sobre ciclismo, Suehiro Maruo, Takato Yamamo-

grande parte das pessoas que produzem

Nos filmes sempre fico atento as perscti-

onde esses elementos são recorrentes a

to, Hayao Miazaki e companhia limitada.

quadrinhos, sendo que não sou exceção.

vas visuais diante do cenários, o movimen- to das cameras, aos figurinos do persona-

Todos esses autores apresentam um traba- lho extremamente rico em detalhes visuais sem a utilização de hachuras muito car-

regadas, acredito que essas novas velhas

gens e a fotografia, como exemplo posso

influências são um dos motivos da minha

citar os trabalhos do Diretor Terry Gilliam,

cada novo filme, como uma espécie de assinatura, sem mencionar que seus fil- mes na maioria tratam das questões do

mudança pra com meu trabalho, mas digo aqui que isso não é um adeus as hachuras feitas com pontos.

inicialmente, qnv teria 3 histórias:

subconsciente, sanidade versos insanida- de e realidade versos fantasia, eu particu-

“tunô”, “terra de sal” e “Dois Dois”. Porque essa última ficou de fora?

larmente sempre me interessei muito por isso, e sempre tento trazer um pouco disso

GI – Essa história ficou de fora por duas ra- zões, primeiro: quando estive em reunião

em minhas tramas. Na minha insignifican- te opinião acredito que a sua obra prima é

com Alex Vieira (Prego Publicações) ficou claro para nós que o quadrinho “Dois Dois”

o filme “ Brazil “,onde todos os elementos

não dialogava com as demais histórias por

que eu citei anteriormente são encaixados

apresentar um enredo de ficção científica,

de maneira realmente brilhante.

não que houvesse problema em publicar

uma mudança significativa em qnv é o abandono das hachuras e detalhes excessivos e a adoção de uma estética

histórias com tramas e estilos diferentes, o que me leva ao segundo ponto: o fator tempo. Não ouso dizer que não tive tempo, mas infelizmente não consegui me organi-

mais limpa. Porque a mudança?

zar de maneira adequada para finalizar o

GI – Bem essa pergunta eu sabia que ia rolar. O que acontece, durante a minha pequena trajetória, datando de 2007 prá

quadrinho.

cá minhas ilustrações e quadrinhos tinham um grande apelo pelas hachuras, sempre

quadronegroverde.blogspot.com

Paf! é exemplo de uma forma simples, barata e eficaz de divulgar quadrinhos alternativos. du

rodrigoduran33@gmail.com

3 PERGUNTAS PARA guido imBroisi Detalhe da HQ Tunô, publicada no álbum Quadro Negro Verde seu

rajubid.blogspot.com

Palestina: as PeDras Do caMinho

Niterói, RJ – Brasil e.u. (2011) | 17,5 x 25cm | 36 ps. | digital

3 PERGUNTAS PARA guido imBroisi Detalhe da HQ Tunô, publicada no álbum Quadro Negro Verde seu

Com roteiro de Beth Monteiro e dese- nhos de Denis Mello (Justiça 40° e O Diário do Almirante) esta história em quadri- nhos foi feita para

o Comitê de Luta para o Povo Palestino no Rio de Janeiro, que segundo informações do desenhista, não cumpriu o acordo de correr atrás do recurso para a publicação. Sendo assim, o desenhista empreendeu e lançou inicial- mente a história em formato de fanzine (cujas 200 cópias esgotaram-se em dois dias na Rio Comicon de 2010). Esta versão é a segunda edição da mesma história, com capa colorida, miolo preto e branco e um acabamento profissional. A história explica a questão palestina atra- vés de uma conversa entre um avô palestino e seu neto, fazendo um retros- pecto histórico que começa há mais de dois mil anos e chega aos dias atuais. A trama é bem didática e põe o dedo na ferida, expondo manobras políticas, mas- sacres e guerras, não economizando críti- cas a Israel e ao movimento Sionista. fg

denis.s.mello@hotmail.com

denismello.blogspot.com

Parece FilMe, Mas é viDa MesMo

São Paulo, SP – Brasil e.u. (2011) | 15 x 20cm | 65 ps. | offset

3 PERGUNTAS PARA guido imBroisi Detalhe da HQ Tunô, publicada no álbum Quadro Negro Verde seu

Publicações indepen- dentes impressas que compilam material originalmente postado na internet são uma tendência que começa a se estabelecer e que

nos faz acreditar cada vez mais no “poder do papel”. É o caso deste livro que reúne crônicas da autora Camila Fremder publicados anteriormente em seu blog (que possui o mesmo título do livro). As crônicas do livro, em tom pessoal, gi- ram em torno de temas da vida da autora, como relacionamentos, a vida na cidade

de São Paulo e a internet, sempre sob o ponto de vista do universo feminino. O acabamento do livro é muito bem feito com páginas em papel couchê e belas ilus-

UGRA PRESS

trações (coloridas) de Isabele Frugiuele. Viva o impresso! fg

prologo@prologoseloeditorial.com.br

prologoseloeditorial.com.br

Pense aqui

Rio Claro, SP – Brasil #365 ao #367 (2011) | A5 | 12 ps. | xerox

3 PERGUNTAS PARA guido imBroisi Detalhe da HQ Tunô, publicada no álbum Quadro Negro Verde seu

Na cidade de Rio Claro, interior de São Paulo, existe uma ilha chamada Sechiisland. Essa ilha é gover- nada pelo artista José Roberto Sechi,

proeminente figura no meio da arte postal e é, na verdade, sua própria casa, convertida em galeria / biblioteca. Na Sechiisland, além de manter um acervo diversificado, Sechi organiza encontros e exposições. A revista é uma das ramificações deste projeto de ilha imaginária. Com uma estrutura simples e econômica, desde 2000 ela publica repro- duções dos trabalhos que Roberto recebe de todo o mundo, transformando-a numa espécie de “exposição permanente”. As es- tatísticas, publicadas na edição de número 365, são impressionantes: em 11 anos de publicação, Pense Aqui teve a colabora- ção de 1059 participantes de 72 países que enviaram um total de 8103 obras. Se você curte ou faz arte fora dos parâ- metros convencionais, esse é um trabalho digno da sua atenção. du

3 PERGUNTAS PARA guido imBroisi Detalhe da HQ Tunô, publicada no álbum Quadro Negro Verde seu

sechiisland@gmail.com