Vous êtes sur la page 1sur 4

5CCADFOUT01

AVALIAÇÃO SÓCIO ECONÔMICA DA PRODUÇÃO ORGÂNICA DO PROJETO CINTURÃO VERDE NO MUNICÍPIO DE JOÃO PESSOA­PB Carla de Araújo Bento(1); Ademar Pereira de Oliveira(3) Centro de Ciências Agrárias/ Departamento de Fitotecnia/Outros

RESUMO

A agricultura familiar está cada vez mais crescente no país, sendo responsável por uma grande parcela da produção agrícola do país. Mas há um reconhecimento geral a respeito da falta de informações sobre a realidade sócio­econômica da agricultura familiar no país, assim como das reais dificuldades enfrentadas pelos agricultores familiares. O presente trabalho tem por objetivo realizar um diagnóstico sócio­econômico da agricultura familiar em sistema orgânico das comunidades Engenho Velho, Muçumago, Ponta de Gramame e Cuia, no município de João Pessoa. O diagnóstico foi obtido por meio de um questionário, elaborado através de uma entrevista, no qual foram abordadas informações sobre o perfil social e econômico dos agricultores das comunidades. Para coleta dos dados foram selecionadas 40 famílias das comunidades. Os dados foram analisados por meio de médias e de distribuição de freqüência. Verificou­se uma grande diversidade dos sistemas produtivos das comunidades, porém, dentre as culturas implantadas, a horticultura orgânica destaca­se como cultura predominante. Um dos principais problemas enfrentados pelo Projeto, é a mudança do sistema de cultivo.

INTRODUÇÃO

Mesmo se tratando de um município predominantemente urbano e situado em área

litorânea, João Pessoa contempla um espaço rural formado por 427 imóveis rurais somando 7.108ha. O Projeto Cinturão Verde, coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Sustentável da Produção, desde município, é o primeiro Programa de incentivo à agricultura Familiar desse município, criado no mês de Outubro de 2005, tendo como foco principal o uso intensivo e racional do meio físico rural, de forma a propiciar uma melhoria qualitativa da oferta de hortaliças folhosas orgânicas aos consumidores pessoenses, eliminando o uso de produtos químicos que prejudicam a saúde dos consumidores, fornecendo alimentos saudáveis, ajudando na melhor ocupação da terra e geração de renda para trabalhadores que desenvolvem agricultura familiar. Em função do crescimento da agricultura familiar brasileira, é extremamente importante

e necessário que as universidades promovam a capacitação de estudantes da área de Ciências Agrárias, enfatizando a importância da agricultura familiar no contexto social e econômico da região, visando o seu desenvolvimento através da divulgação das tecnologias disponíveis e adaptáveis ao modelo das pequenas propriedades e da implantação de unidades

de pesquisa, com participação dos agricultores na produção e difusão do conhecimento.

MATERIAL E MÉTODOS

Este trabalho é parte das atividades do Projeto Cinturão Verde, da Secretaria de Desenvolvimento sustentável da Produção, financiado pela Prefeitura Municipal de João Pessoa, formada por uma equipe técnica composta pelo coordenador Eng o Agrônomo Roberto da Costa Vital, pela Eng a Agrônoma Elânia Lopes, o técnico agrícola Valdemir Joaquim, pela estagiária do curso de agronomia Carla de Araújo Bento, estagiário de zootecnia Bruno Belmont Fonseca, e as estagiárias de Geoprocessamento Talita Freitas e Julie Eugênio , localizado no município de João Pessoa. O Projeto Cinturão Verde visa a promoção da Produção Orgânica de hortaliças do Município de João Pessoa, promovendo a inserção dos

agricultores familiares no contexto social, permitindo uma melhoria na renda e comercialização

de seus produtos.

(1) Aluno(a)Bolsista; (2) Aluno(a) Voluntário(a); (3) Prof(a) Orientador(a)/Coordenador(a); (4) Prof(a) Colaborador(a); (5) Servidor Técnico/Colaborador

O campo de pesquisa proposto neste trabalho envolveu as comunidades Engenho

Velho, Ponta de Gramame, Cuia e Muçumago, município de João Pessoa­PB, e foi realizado a partir de um diagnóstico sócio­econômico comparativo da agricultura familiar praticada entre os

agricultores das comunidades citadas, com vistas a analisar as diferentes situações e problemas entre os agricultores das comunidades.

RESULTADOS

Aspectossociais

Educação e grau de escolaridade

De acordo com RAMOS et al. (2004), estudos indicam que a zona rural é um dos locais

em que o índice de analfabetismo é bastante elevado na região Nordeste do Brasil, atingindo cerca de 30 % da população da zona rural. No município de João Pessoa essa realidade diverge um pouco, devido a população da zona rural ter mais acesso às escolas. Nas comunidades assistidas pelo Projeto, cerca de 25 % dos agricultores entrevistados são analfabetos ou sabem apenas assinar o nome (Figura 1). Na distribuição de freqüência de escolaridade das famílias das comunidades envolvidas,estudaram até a 4 a série cerca de 25 %, enquanto que 15 % concluíram o ensino fundamental, 30 % dos agricultores têm o ensino médio completo e 5 % possuem o ensino superior. Esses dados evidenciam que os agricultores e os filhos dos mesmos têm mais acesso a educação básica, diferenciando­os dos agricultores das demais regiões do interior do estado.

Forma de Organização dos agricultores

A forma de organização cooperativista é o mais completo instrumento social disponível para se exercer a democracia no campo. Nas comunidades assistidas pelo Projeto cerca de 45% dos agricultores são filiados ao sindicato dos trabalhadores rurais do município, segundo a entervista, a maioria dos agricultores se filiaram a este Sindicato por ser um dos requisitos para obterem financiamentos do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). Cerca de 30% são associados a PROHORT (Cooperativa dos Agricultores Agroecológicos do Município de João Pessoa). A PROHORT aina não foi totalmente legalizada, está em fase de implantação, mas os agricultores e o presidente da mesma, o agricultor Walter Joaquim, afirmam que tão logoa a cooperativa esteja legalizada, irá beneficiar os agricultores no que diz respeito principalmente a comercialização das hortaliças cultivadas. Já 15% participam de associações de agricultores ou associações de bairros.

ASPECTOS ECONÔMICOS

AssistênciaTécnica

Até a década de 1990, a assistência técnica e a extensão rural pública restringiam­se, a iniciativas isoladas de alguns profissionais, pois a maioria tinha sua formação profissional nos moldes da revolução verde, desvalorizando os conhecimentos dos produtores em favor da tecnologia moderna, a relação custo­benefício e o aumento da produtividade(FONSECA,2002). Nas comunidades citadas, cerca de 95% dos agricultores entrevistados responderam que recebem assistência técnica da equipe do Projeto Cinturão Verde. A maior dificuldade relatada pelos agricultores, é que a equipe de assistência técnica as vezes demora mais de uma semana para voltar a cada propriedade o que é muito devido a principal atividade que é a horticultura, e demanda acompanhamento constante, principalmente por ser orgânico e não poder utilizar produtos químicos no controle de pragas e doenças.

Os sistemas Produtivos das comunidades

Os principais produtos cultivados nos roçados são atualmente culturas de subsistência

como milho, feijão, macaxeira e inhame, sendo a horticultura orgânica a atividade de maior

destaque entre os agricultores (cerca de 80%). Os tubérculos representam 10% da produção ,

e 5% são cultivados com gramíneas e leguminosas. Cerca de 70% dos agricultores também exploram a pecuária nas propriedades, sendo as principais a bovinocultura de leite, bovinocultura de corte, suinocultura e avicultura de corte

e de postura. Além dessas atividades, a fruticultura também é explorada pelos agricultores, como graviola, abacaxi, mamão, sendo a acerola e o maracujá as de maior destaque entre os agricultores.

CONCLUSÕES

1) O nível de escolaridade das famílias dos agricultores pode ser considerado bom entre os jovens e adultos de até 30 anos de idade. 2) As comunidades disponibilizam de escolas, postos de saúde, transporte coletivo e estradas. 3) Os agricultores estão razoavelmente bem assistidos pela assistência técnica, mas enfrentam algumas dificuldades, principalmente no que diz respeito ao transporte. 4) A mudança do sistema de produção de alguns agricultores que anteriormente não desenvolviam a agricultura orgânica,é um dos principais problemas enfrentado pelo Projeto, mesmo com os diversos cursos sobre agricultura orgânica. 5) Existe uma grande diversidade de sistemas produtivos nas comunidades, porém, dentre as culturas implantadas, a prática da horticultura orgânica destaca­se como a predominante. 6) De uma forma geral, a implantação do Projeto Cinturão Verde contribui para a melhoria da condição de vida e renda dos agricultores , sendo a comercialização da produção o ponto menos favorecido de todas as etapas, desde a implantação da horta até a comercialização.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ALTIERI, M. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. Guaíba:

Agropecuária, 2002.

ARMANI, D. Agricultura e pobreza: construindo os elos da sustentabilidade no nordeste do Brasil. Porto Alegre: Editora Tomo, 1998. Cap 3. 34­35.

BINSWANGER, H. P.; DEININGER, K.; FEDER, G. Poder, distorções, revolta e reforma nas relações de terras agrícolas. In: TEÓFILO, E. (Org.) et al. A economia da reforma agrária:

evidências internacionais. Brasília: Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural:

Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável: Ministério do Desenvolvimento Agrário. 2001.

CAMPEÃO, P. Sistemas Locais de Produção Agroindustrial: um modelo para a competitividade. 2004. (Doutorado em Engenharia de Produção). Universidade Federal de São Carlos. São Carlos.

DAROLT, M. R. O processo de conversão para agricultura orgânica. In:

orgânica: inventando o futuro. Londrina: IAPAR, 2002. 250p.

Agricultura

DINIZ, P. C.; DUQUE, G. Estimulando o debate sobre convivência com o semi­árido: os bancos de sementes comunitários no Agreste da Paraíba. In DUQUE, G. (Org.) Agricultura familiar, meio ambiente e desenvolvimento sustentável: ensaios e pesquisas em Sociologia Rural. João Pessoa: Editora Universitária, 2002. p.73­74.

FAO. Perfil da Agricultura familiar no Brasil: dossiê estatístico. Brasília: FAO/INCRA, 1996.

24p.

FONSECA, M.F; WILKISON, J. As oportunidades e os desafios da agricultura orgânica. In:

LIMA, D.M; WILKINSON, J. (org). Inovação nas tradições da agricultura familiar. Brasília:

CNPQ/Paralelo 15, 2002. p. 250­275.

GLIESSMAN, S. R. Agroecologia: processos ecológicos em agricultura sustentável. 2. ed. Porto Alegre: UFRGS, 2001.

GUIMARÃES FILHO, C. et al. Pesquisa e Desenvolvimento: Subsídios para o desenvolvimento da agricultura familiar brasileira. Brasília: SPI; Petrolina: EMBRAPA – CPATSA, 1998. 40 p. (Agricultura familiar, 1).

ORMOND, J. G. P. et al. Agricultura orgânica: quando o passado é futuro. Rio de Janeiro:

BNDES, 2002. (BNDES Setorial, 15).

PASCHOAL, A.D. Produção Orgânica de alimentos: agricultura sustentável para os séculos XX eXXI.1 a Ed. Piracicaba­SP, 1994. 191p. PLANETA ORGÂNICO: Programa visual 2ª2. Rio de Janeiro 2002. Disponível em: < http://planetaorganico.com.br Acesso em 2006.

RAMOS. M.N; MOREIRA, T.M; SANTOS, C.A. Referências para uma política naional de educação do campo: caderno de subsídios. Brasília: Secretaria de Educação Média e Tecnológica, Grupo Permanente de Trabalho de Educação do Campo, 2004. 48p.

ROCHA, A.G.P.; CERQUEIRA,P.S. Agricultura familiar e políticas públicas: o Caso do Pronaf. 27. Anais. São Paulo: ANPAD, 2004. CD­ROM.

SILVESTRO V.; NADAL, M. L.; MELLO, M. A.; DORIGON, C. Agricultura familiar e desenvolvimento sustentável: o caso do oeste catarinense, 2001. Disponível em http://gipat.cnptia.embrapa.br/itens publ/sober2000.html [acesso em 30 de Julho de 2006, às 17:00 hs]