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SONEGAÇÃO OU DESTRUIÇÃO DE
CORRESPONDÊNCIA

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25.1 CONCEITO, OBJETIVIDADE JURÍDICA E SUJEITOS DO


CRIME

A Lei nº 6.538/78, no inciso II do art. 40, definiu o crime de sonegação ou


destruição de correspondência, desta forma: “incorre nas mesmas penas quem se apossa
indevidamente de correspondência alheia, embora não fechada, para sonegá-la ou
destruí-la, no todo ou em parte”. Revogou, pelas mesmas razões expostas em relação à
violação de correspondência, a norma do inciso II do art. 151 do Código Penal.

A objetividade jurídica é, aqui, a liberdade de comunicação do pensamento, através


de correspondência, não mais tendo em conta o direito à preservação de seu sigilo, mas de
sua própria existência.

Sujeito ativo do crime será qualquer pessoa, exceto o remetente e o destinatário,


simultaneamente sujeitos passivos.

25.2 TIPICIDADE

25.2.1 Conduta

O núcleo do tipo é a forma verbal apossar-se, no sentido de apoderar-se, arrebatar,


tirar a correspondência. A conduta consiste, pois, na ação ou na omissão do agente
consistente em tomar posse de correspondência alheia.
2 – Direito Penal II – Ney Moura Teles

25.2.2 Elementos objetivos, normativos e subjetivos

A correspondência, de que já se falou no item 24.2.2, pode estar aberta ou fechada.


Deve ser dirigida à outra pessoa, sendo, portanto, alheia.

Realiza o tipo aquele que dela se apodera com o fim de sonegá-la ou destruí-la. Sonegar
é impedir que ela chegue ao destinatário. Destruir é inutilizá-la, total ou parcialmente, desde
que haja dano em seu conteúdo, tornando-o ininteligível.

Basta que o agente tenha agido com o dolo de apoderar-se da correspondência e com
o fim de sonegá-la ou destruí-la, não sendo necessário que ocorra efetivamente a
destruição ou o desvio da correspondência.

No tipo está inscrito o elemento normativo indevidamente. Aplicam-se, aqui,


portanto, as mesmas observações feitas no item 24.2.2. Se o agente estiver autorizado a
destruir a correspondência ou se tiver, como têm os pais, o direito de controlar as
comunicações interpessoais de seus filhos menores e sabendo que determinada
correspondência traz conteúdo prejudicial à sua educação, estará agindo licitamente ao
dela se apossar para destruí-la ou sonegá-la.

25.2.3 Consumação e tentativa

O crime é formal. Consuma-se com a posse da correspondência pelo agente, não


sendo necessário que a destrua ou sonegue.

A tentativa é possível quando o agente não consegue tomá-la ou, tendo tomado, é dela
desapossado imediatamente.

25.2.4 Aumento de pena

Resultando dano, moral ou patrimonial, para o destinatário ou qualquer outra pessoa,


a pena será aumentada até metade.

25.3 ILICITUDE

A ilicitude, como já foi dito, será excluída no âmbito da própria tipicidade, quando o
agente age devidamente autorizado pelo destinatário ou quando tem o direito de apossar-
Sonegação ou Destruição de Correspondência - 3

se da correspondência dirigida à pessoa que esteja sob seu poder de autoridade, para
destruí-la ou sonegá-la, quando tiver fundadas razões para considerá-la nociva ao
destinatário.

25.4 AÇÃO PENAL

A pena é detenção de até seis meses, ou multa de até 20 dias-multa. Se o agente se


prevalece do cargo ou abusa da função para o cometimento do crime, a pena será agravada.

A ação penal é de iniciativa pública e, tratando-se de fato cometido ainda no âmbito


do serviço postal, a competência é da justiça federal, cabendo às autoridades
administrativas que dela tomarem conhecimento oferecer representação ao Ministério
Público Federal, sob pena de responsabilidade. Cometido o crime após a entrega da
correspondência, a competência é da justiça estadual.

A competência é do juizado especial criminal, federal ou estadual, permitida a


suspensão condicional do processo penal.