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Produção de Húmus de Minhoca com Resíduos Orgânicos Domiciliares Empresa brasileira de Pesquisa Agropecuária - EMPRAPA
Produção de Húmus de Minhoca com Resíduos Orgânicos Domiciliares
Empresa brasileira de Pesquisa Agropecuária - EMPRAPA
Joézio Luiz dos Anjos
Luzia Nilda Tabosa Andrade
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A Natureza é dotada de ciclos perfeitos como os da água e dos nutrientes. A água dos oceanos
transforma-se em nuvens pelo processo de evaporação, depois em chuvas que caem nas
florestas, infiltrando-se no solo. Parte da água do solo é absorvida pelas plantas e devolvida à
atmosfera por transpiração e outros processos.
A água do solo,não absorvida pelas plantas e não retida , atinge os lençóis subterrâneos que a
levam para os rios e estes para os oceanos, completando o

ciclo. No ciclo dos nutrientes, eles são absorvidos no solo pelas plantas que, após completarem o crescimento, florescimento e frutificação, morrem e são decompostas pela fauna do solo. Os microrganismos são os principais responsáveis pela transformação dessa fitomassa em matéria orgânica que, ao ser mineralizada, libera os nutrientes no solo para serem absorvidos novamente por outros vegetais.

Na área da Ciência, os ciclos da Natureza são estudados visando a compreensão dos fenômenos de continuidade da vida. O paradoxo é que esses conhecimentos estão sendo utilizados em tecnologias voltadas para a sobrevivência e bem estar da humanidade, de forma indiferente aos ciclos, sem que os mesmos se completem, provocando a exploração insustentável dos recursos naturais. O crescimento vertiginoso das cidades com destruição de áreas verdes é um exemplo desse desequilíbrio. Há construções ininterruptas nas áreas planas, nos vales e nos morros, com retirada constante de recursos naturais com empobrecimento do ambiente e poluição crescente.

Uma das conseqüências ambientais desse desequilíbrio é a produção alarmante de lixo, principalmente nas grandes cidades, embora seja problema comum também nas sedes de pequenos municípios. Cada ser humano gera, em média, 5 kg de resíduos sólidos por semana, sendo cerca de 60% formado por resíduos orgânicos. Isto significa 3kg por semana/pessoa, correspondendo a produção semanal de 150 t de resíduos orgânicos numa pequena cidade de 50 mil habitantes.

Há alternativas para esse problema? A coleta seletiva do lixo com reciclagem dos resíduos sólidos orgânicos está entre elas. Em várias cidades do Brasil, onde a população e dirigentes públicos têm maior consciência socioambiental, há ações nesse sentido visando minimizar as conseqüências ambientais do lixo. Papelões, garrafas e metais são reciclados com resultados positivos de geração de emprego e renda em sistema cooperativista. Quanto aos resíduos orgânicos, uma parte é levada para aterros sanitários, e a outra reciclada em usinas de compostagem e vermicompostagem (compostagem com minhocultura), com transformação desses resíduos em adubo orgânico de qualidade para utilização na agricultura, reflorestamento, parques e jardins municipais.

É importante a inclusão da minhocultura na reciclagem domiciliar dos resíduos orgânicos pela possibilidade de produção de húmus de boa qualidade para ser utilizado em jardins e nas hortas residenciais a baixíssimo custo financeiro e enorme ganho ecológico. Essa consciência promove a diminuição do envio de resíduos orgânicos para os lixões onde geram doenças, favorecem o aparecimento de moscas, ratos e baratas, além de poluírem o solo e água.

A inoculação de minhocas nos resíduos orgânicos (Vermicompostagem) acelera e enriquece o

processo de transformação em adubo orgânico. De acordo com pesquisas, o material orgânico metabolizado por microrganismos benéficos, no trato digestivo das minhocas, é enriquecido com hormônios e outras substâncias de crescimento que favorecem a nutrição equilibrada das plantas e resistência às doenças. Dos resíduos orgânicos ingeridos pelas minhocas, 40% são assimilados e 60% excretados como húmus que é constituído por nutrientes em formas mais assimiláveis às plantas.

Nas residências, o acondicionamento dos resíduos orgânicos para a produção de húmus pode ser realizado em recipientes de vários tipos e tamanhos- caixões de madeira (0,6m x 0,6m x 0,2m de altura), tubos de cimento, tambor descartado de máquina de lavar, caixas plásticas de colheita de frutas etc. Se houver espaço no quintal, o processo de vermicompostagem pode ser realizado diretamente no solo.

Além da questão ambiental, há um aspecto técnico muito importante na utilização dos resíduos orgânicos de cozinha para a produção de húmus de minhoca. Os resíduos, assim como o esterco, são fontes de microrganismos imprescindíveis no processo de reciclagem. Dessa forma, substituem o esterco minimizando os custos e viabilizando a produção de húmus nas cidades. Outro aspecto positivo na utilização de resíduos orgânicos domiciliares é a riqueza em macronutrientes. Observa-se na tabela 1 que os teores de nitrogênio e fósforo se destacam nesses resíduos, em comparação aos teores existentes no esterco misturado com palha.

Tabela 1 - Composição média de NPK dos compostos domiciliar e de esterco+palha.

Fonte: Adaptado do Informe Agropecuário-café orgânico (2002).

Nutrientes Composto de esterco + palha Composto domiciliar N 0,8% 3,4% P2O5 0,2% 1,2% K2O 0,4% 0,3%

Dicas sobre o Manejo dos Resíduos de Cozinha para Transformação em Humus de Minhoca e Aplicação

• Adquirir três ou mais recipientes (Caixas de madeira, plásticas ou outras), de acordo com o

volume de material orgânico disponível para realizar a reciclagem nas residências.

• Inicialmente, colocar solo de jardim, composto ou vermicomposto nos primeiros 10cm do recipiente para ajudar a acelerar a decomposição dos resíduos a serem colocados.

• Diariamente, colocar os resíduos orgânicos da cozinha, principalmente, restos de verduras,

cascas de frutas, borra de café etc. Pode-se adicionar também resíduos de jardim ( folhas, galhos finos, gramas cortadas) ;evitar resíduos de cozinha que favorecerem o aparecimento de ratos, moscas e baratas como por exemplo, restos de feijão, arroz, cuscuz, pão velho.

• Umedecer regularmente o material nas caixas sem encharcar. Excesso de água dificulta a decomposição dos resíduos, causa mau cheiro e atrai predadores; Na prática, a condição ideal de umidade pode ser verificada quando surgirem gotas de água entre os dedos ao apertar com a mão uma amostra do material.

• Adicionar camada fina (2-3cm) de solo do jardim ou húmus pronto a cada 10- 15cm de camada de resíduos de cozinha e podas de jardim. Esse manejo acelera a transformação dos resíduos e evita moscas.

• Ao encher uma caixa com os resíduos, adicionar camada fina de solo ou vermicomposto e cobrir com capim seco ou folhas para proteger da luz e para manter a umidade e temperatura adequadas. Umedecer com regularidade. Após cerca de 2 semanas quando o material não estiver mais esquentando, adicionar minhocas (1 a 2kg/m2) para acelerar a transformação e melhorar a qualidade do húmus.

• O adubo orgânico está pronto, em média, 1,5 a 2,5 meses após o início da decomposição,

dependendo da qualidade dos resíduos orgânicos de cozinha, quantidade de minhocas no sistema, manejo e umidade.

• Para separar as minhocas do húmus pronto são colocadas cascas de melancia ou outros

restos de frutas num canto da caixa, ou saco (com aberturas-saco de batata) com esterco novo para atraí-las. Para empresas ou condições mais profissionais, a separação é feita por meio de peneiramento.

• Para utilização, colocar 100-200 g de húmus no plantio em vasos pequenos e 2 colheres de húmus, mensalmente. Em gramados, 500g /m2 na superfície para plantio e 300g/m2 2 vezes ao ano. Em fruteiras, colocar 500 a 600g/cova no plantio e 2kg a cada 6 meses, de acordo com a disponibilidade.

Referências Bibliográficas INFORME AGROPECUÁRIO. Café orgânico. EPAMIG: Belo Horizonte, MG. v. 23, n. 214/215. 2002.

"O melhor adubo da terra é o suor daquele que trabalha nela.”

"O melhor adubo da terra é o suor daquele que trabalha nela.”

Aqui algumas considerações e características das substâncias húmicas.

Propriedades ácido-base e de complexação de ácidos húmico e fúlvico isolados de vermicomposto

"Substâncias húmicas são agregados moleculares heterogêneos que constituem a parte principal da matéria orgânica natural de ocorrência em águas naturais, solos e sedimentos. Tendências atuais apontam as substâncias húmicas como associações supramoleculares de moléculas com massas molares relativamente baixas que se estabilizam por interações hidrofóbicas e pontes de hidrogênio, chegando a formar micelas. Estas substâncias são formadas em ambientes aquáticos e terrestres por decomposição de restos de plantas e animais pela ação de microrganismos. As substâncias húmicas são divididas operacionalmente em ácido húmico, ácido fúlvico e humina, de acordo com sua solubilidade em diferentes

condições de pH. Ácido húmico é solúvel em meio alcalino, mas insolúvel em meio ácido. Ácido fúlvico é solúvel, tanto em meio alcalino, como em meio ácido. Já a humina é o material húmico insolúvel, quer em meio alcalino ou em meio ácido. Substâncias húmicas têm um grande número de sítios ionizáveis, especialmente grupos carboxílicos e fenólicos, que lhes conferem uma apreciável capacidade de formarem complexos estáveis com cátions de metais pesados. Em função desta propriedade, as substâncias húmicas exercem importante papel na mobilidade, no transporte e na atividade de íons metálicos no meio ambiente.

Ácido fúlvico é uma fração com moléculas menores e maior quantidade de sítios ionizáveis por unidade de massa em comparação ao ácido húmico. Entretanto, poucos são os trabalhos que comparam as duas frações isoladas de uma mesma matriz. No presente trabalho será apresentada uma comparação das concentrações e constantes de dissociação dos sítios ionizáveis de ácidos húmico e fúlvico isolados de vermicomposto. A influência desta composição nas propriedades de complexação de íons Cu(II) foi estudada realizando-se titulações potenciométricas de complexação monitoradas com eletrodo seletivo a Cu(II) visando determinar parâmetros relacionados com as energias de ligação, bem como com a capacidade de ligação. Os resultados obtidos foram então discutidos em relação a estudos da literatura efetuados tanto com outras substâncias húmicas, como com compostos modelos. "

"A estrutura química das substâncias húmicas é bastante desconhecida apesar dos constantes esforços em pesquisas nesta direção. A diferença mais importante entre os ácidos húmicos e fúlvicos é que os ácido húmicos são colóides orgânicos muito complexos, enquanto os ácidos fúlvicos compostos de peso molecular relativamente baixo. Isto implica grande diferença de solubilidade. Fora o tamanho da molécula, trata-se de compostos orgânicos bastante similiares, com um conteúdo de carbono entre 40% e 60% (Maior nos ácidos húmicos), e de oxigênio entre 30 e 50% (Maior nos ácidos fúlvicos). Este maior conteúdo de oxigênio dos ácidos fúlvicos implica uma maior riqueza em grupos oxigenados relacionados com os processos de quelatação de metais. Estes grupos são ente outros: carbóxilos, hidroxifenoles, hidroenoles, hidroenoles, hidroxiquinonas, lactonas, éteres e hidroxialcholes "

As plantas nos alimentam, o que não utilizamos alimenta as minhocas, o excremento das minhocas (húmus) alimenta as plantas, e as plantas nos alimentam.

O humus nada mais é que o excremento das minhocas, uma substância extremamente rica em matéria orgânica decomposta, um produto inodoro, leve, macio, solto, finamente granulado, asséptico e rico em sais minerais assimiláveis pelas plantas.

O Húmus é estável, com pH 7 (neutro) e, portanto, não mais sujeito a fermentações podendo, por essa razão, ser colocado diretamente sobre as raízes das plantas, é um corretivo do solo por ser rico em nutrientes e ter de 250 a 300 milhões de elementos vivos, sendo que isso é um dos principais fatores de melhoria do solo.

Sendo finamente particulado, possibilita a formação de raízes secundárias e até pelos radiculares, que por sua vez proporcionam otimização quase total na nutrição radicular das plantas.

Principais nutrientes encontrados e suas funções:

Nitrogênio (N) : desenvolve as folhas e dá a cor verde-escura, própria dos vegetais. Fósforo (P) : auxilia a fixação da planta no solo. Fortalece as raizes e contribui para formação dos frutos. Potássio K) : contribui para o fortalecimento geral da planta, tornando-a mais resistente às doenças.

Por que criar minhocas

Em 1924, Rudolf Steiner, filósofo e cientísta Austríaco que desenvolveu o conceito de agricultura biodinâmica, referia-se1 às minhocas da seguinte forma: "Ora, é evidente o aspecto singular que podemos ver no modo como, em realidade, animais subterrâneos já muito afastados do caráter larval têm, por sua vez, a capacidade de regular a vitalidade etéria no solo, quando esta se torna muito elevada. Se o solo se torna, digamos, excessivamente vivo e sua vivacidade exagerada, estes animais subterrâneos cuidam para que a vitalidade excessivamente forte seja liberada de dentro dele. Eles se tornam, assim, maravilhosas válvulas e dispositivos reguladores para a vitalidade presente na terra. Esses preciosos animais que por isso têm uma importância muito especial para o solo, são as minhocas."

Dessa forma, no sentido de melhorar as condições físicas, químicas e biológicas do solo contamos com as minhocas e suas relações com os microorganismos para a consecução de nossos objetivos.

A vida no solo é determinada pela presença de milhões desses microorganismos que pode ser potencializada pela ação das minhocas no incessante trabalho que realizam na reciclagem de resíduos orgânicos, abertura de galerias e deposição de excreções.

1 Fonte: Fundamentos da Agricultura Biodinâmica - 7a conferência Rudolf Steiner - Ed. Antroposófica)

Como conhecer as minhocas

A seguir algumas das principais características das minhocas. O seu conhecimento facilita o manejo de criação nos níveis doméstico e comercial:

* têm o corpo formado por anéis, os quais dependendo da espécie variam de 7 a 500 aneis, como é o. caso dos minhocuçus; * a cabeça onde está localizada a boca fica na extremidade do terço do clitelo, um anel mais destacado que indica a maturidade das minhocas; * a cor, nas espécies comerciais, é avermelhada e está relacionada com o conteúdo do intestino e serve, também, para auxiliar na identificação das espécies; * embora se desloquem para frente e para trás, elas não têm sentido de direção e a lógica de seu deslocamento se deve à capacidade de captar vibrações do meio ambiente onde se encontram; * graças à forma como se dispersam, vêm sendo utilizadas em programas de inoculação direto no campo como no caso do plantio na palha e em áreas com proteção de cobertura morta; * são hermafroditas, isto é, possuem os dois aparelhos reprodutores, masculino e feminino, e são de reprodução cruzada, isto é, quando cruzam as duas minhocas se fecundam; * duas minhocas adultas em um ano produzem até 3.500 filhotes; * comem, por dia, o equivalente a três vezes o próprio peso; * são capazes de movimentar até 60 vezes o peso do corpo; * na extremidade inversa da cabeça está o orifício anal por onde excretam o húmus. A urina é excretada pelos, poros próximo aos anéis e o muco viscoso que sai pela pele, além de impermeabilizar as paredes das galerias, tem propriedades imunizadoras; * a carne é muito rica em proteína, daí a sua utilização como fonte energética.

Classificação da minhocas

Operacionalmente, as minhocas se classificam em dois grandes grupos:

1. Geófagas ou comedouras de terra. Nesse grupo estão as minhocas nativas que ingerem grande quantidade de terra à procura de partículas orgânicas. 2. Detritívoras são as que se alimentam de detritos orgânicos em decomposição. São, ainda, denominadas de minhocas comerciais com destaque para as espécies Gigante Africana (Eudriltus eugeniae) e Vermelhas da Califórnia (Eisenia faetida).

A ação dos dois grupos de forma racional e integrada resulta em extraordinária transformação de solos estéreis em áreas férteis .

O que as minhocas comem

Podemos afirmar que as minhocas se alimentam de matéria orgânica em decomposição e, desse modo, a matéria humificada ou estabilizada não lhe serve de repasto; por isso, quando o composto está totalmente reciclado as minhocas migram para outras areas.

Quando manejamos canteiros ecológicos ou leiras, no caso de grandes áreas, observamos que as minhocas nativas são atraídas pela presença de substrato e da umidade e que elas se deslocam abrindo galerias no solo num processo continuado de ingestão e excreção,já que não têm mãos para abrir caminho. Isto não significa que as minhoças se alimentam de partículas minerais; na realidade, elas buscam a porção orgânica nos substratos da superfície e levam para o subsolo. Essas espécies nativas não tem aptidão para criação confinada, todavia, a sua ação no solo é de incontestável valor.

Onde as minhocas vivem

As minhocas vivem onde elas comem, isto porque, para os resíduos do substrato entrarem em processo de decomposição são necessárias duas variáveis: umidade e aeração, que criam as condições ambientais necessárias para a sobrevivência das minhocas.

Esse conceito tanto vale para a criação de minhocas confinadas em canteiros quanto para criação em espaços abertos no campo.

Só pra complementar:

Análise Média da composição do Húmus de Minhoca

Umidade

pH

45 a 58%

........................................... 7,11 a 7,54

..................................................

Matéria Orgânica

Nitrogênio

Fósforo

42 a 56%

................................. 1,66 a 2,04% 1,42 a 3,82% 1,44 a 2,23% 5,44 a 7,26%

.........................................

............................................

Potássio

Cálcio

...........................................

..............................................

 

Magnésio

..........................................

0,88 a 1,32%

..........................................

...............................................

Magnésio

0,88 a 1,32%

Ferro

0,82 a 1,84%

Manganês

.........................................

552 a 767

...............................................

Zinco

418 a 1235

Cobre

..............................................

193 a 313

Cobalto

............................................

Carga Bacteriana

15 a 37 5x10.8 a 2x10.12

.................................

É isso ...