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FÓRUM EDUCAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO.

QUAL SERÁ O FUTURO DAS FÁBRICAS DE ADMINISTRADORES?

QUAL SERÁ O FUTURO DAS FÁBRICAS DE ADMINISTRADORES?

I

L

RESUMO

O ens ino de grad u açã o em Ad mi n i s tração no B ra si l cara c t e rizo u-s e , desd e s e u i nício , pe l a tra n s fe rência

d e t ecn o l o g ia de gestão, p r i n c ipalm ent e n or t e-am eri cana , e po s t e r i o r m e nt e p e l a de sv in c ulaçã o da s ati vi d a des de e n si n o e p es q uisa . Est á e x p er i m e n ta ndo , a o l on go da ú l ti ma d é ca da, u ma expa n s ã o sem

p rec ed e n tes , Os r esu l tad o s , n o e nt ant o, d e i x am m u ito a dese j a r .

E str u t ura d as a p a r ti r do i d eá r io d a " g er ê n c i a c i e n tí fi ca", as esc olas po d em ser com p a r a d as a fá b ricas , e os

b ach a r é is e m Ad m i n i str a ção, a prod u t os . Esse "p adrão d e pr odução " , no e n tan t o , c o n tr a d iz a o p i ni ão d e

mes t r es con s ag r a d os, c om o P a u lo Fre i r e e Gu erre i r o R a m o s . Se n d o assi m , est e en sai o b u s ca v eri f i c a r

q u a i s s ã o a s c hances de sobre v ivê n c ia do m o d e l o de e n sino e m u so .

Alexandre Nicolini

Universidade Cândido Mendes - UCAM

"

I I

 

44 • c R AE

. VO I

4 3

• N Q 2

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44- 0 54

44

4

/ 10 / 03 , 3 : 26

PM

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INTRODUÇÃO

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ALEXANDRE NICOLlNI

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I L

n ei r o , n a E sco la Álvares Pe n teado , e e m São P au l o , na

Aca d emia d e Co m érc i o . O e n s i no n ão er a regu l amenta -

o Bras il v i ve , n es t e in í c i o't io séc ulo XX I , um perí o d o

d

o, o qu e só v e i o a ac o n te cer e m 193 1 , co m a cr i açã o

de i nte nsas muda nça s: p r i v ati z a ç ões e co nc ess ões nas

d

o M i n i st é rio d a Educa çã o e a e s t ruturaç ã o do en s ino

áreas e m qu e antes at u a v a o g o v e r no e m p resá ri o, f usões

e

m t o dos os ní veis. N a área d os es tud os uni ve r sitár i os ,

d

e empresas nacio n a i s com empresas estr a nge i r a s, fu-

é

cria d o o Curso Superior de A d min i st r ação e Fi nanças.

sões ent r e emp r esas b rasi l e i ras a f im d e e nf re n ta r a co n-

E

sse c ur so di plomav a os ba ch a r é i s em C i ê n cias E con õ -

corrê n cia gl o bal . Nov os e mpreen d imentos su r g e m, d e s-

tin a d os a exp l o r a r seg m e n to s d e m er ca d o s eme rg e nt es ou r e forçar a co n c o rrência nos que j á exis t em . M ai s d o

q ue s impl es negó c i o s, t oda essa mov i men t ação trans-

fo rm a p ro f u n dam ente o co mp or tame n t o d e tr ês a to r e s fund ame ntai s: o c a pi t a l n ac ion a l , o ca p it a l estr a nge i r o e

os governos, em to d as as sua s es f e ra s.

E m um momento como este, é fun d amenta l que se pos-

sa contar com a d m in is tr a d o r e s , pú b li cos o u d e e mp resas,

que d e v e rão se r capaze s d e romp e r com a s an ti gas regras

d e um p a ís onde conco r rênc i a e r isco n ão f a zia m p a r te d o s negócios; adm i n i stra d ores qu e d evem ter v isão para (des)regular com i senção os me rca d os que se a b re m e q ue

micas, aind a qu e c om f o rt e p reoc upa ção quanto à ca pa-

c it aç ã o admin i s tr at i v a d os n ovos profi ss ion a i s.

Nessa época, a co n so li dação d os c u rsos supe ri o r es e m

A d m ini s t ração a i n d a esta v a a tr ês déca d as d e s u a r e gu-

la me n t a ção . Por ém, a mud a n ça e o d e s e n vo l v im e n to da

form a ção so cial b ra s i lei r a a partir da R e vo l u çã o d e 19 30

d e m an da vam a preparação d e r ec u rsos hu mano s , na for -

m a de téc ni cos e tecnó l ogos d e v á r i as espec i al i zações ,

a ssi m c o mo m éto d os d e traba l ho m ai s so fi s tic a d os. E ra m

nec es sidad es cri a d a s pelo cre sc i m ent o econ ô mico , pe lo

d ese n v ol v i ment o d e inf ra-e s t ru t ura soc i a l e pe la i n f ra - estrutura nascente d e t rans p o r tes, energi a e c o mu nica - çôes. Esse processo d e t r a n s f ormaç ã o trouxe em se u bojo

se

n

jam capaz es d e oti miza r ao m áx imo o ca pi ta l i nv e sti do

e s ses m e r ca d os. D ess a form a, o e f e ito mul t i p l i ca dor g e r a-

f o r maç ã o d e gr a nde s co ngl ome rad os indu str ia is e um Est a d o como a ge nte n o proc ess o d e d esen v olvim e nto

a

d

o po r esse capi t a l não se perderá nos cost um e i ros d esper -

eco n ô m ico e s oc i a l (Mezzo m o Ke in e r t , 1 996 , p . 4).

d

ícios - gerados tanto por méto d os de gestão anti q uados

N

a p ropagação d e méto d os ma i s so fi st i ca d o s nas ciên -

co m o p e l o excesso d e reg r as - q ue es tam o s a c o st umad os a

v er, n a práti ca ou d escr i to s p e l a impr e n sa . A pes qu isa empree ndid a par a a c on sec uç ão d e st e en-

ci as ad min is tr a ti vas des tacou - se o I ns t i tut o de Organiz a-

ção R ac i on a l do T r a ba l ho - I d ort - , fundado e m Sã o Pa ulo

e m 1931 . D e ntr e s u a s atr i bui ções e st ava a di vu l gação dos

sa

i o, além das difi cu l da d es natura i s , escon d ia ou t ras sur-

teó r i cos d a a dm i n i st r ação c i e n t í f i c a e c lás s ica e d e se u s

p

r esas. A dimi nu t a pro du ç ão c i e n t í fi c a , n a f o r ma d e l i v ros

m

é t o d o s , obje ti van d o o a p e r fei ç oa m ento d o d esemp e nho

o

u tra b a lho s c i e ntífi co s, s obre a form a ção em A dmin istr a-

g

e r e n c i a l d os pr o fi ss io nais e a so lução d e pr o bl e m as li g a -

ç

ão é su rpr ee nden te . A qu a nt i dad e de pa rec er es a na l í t i co s

dos à raci o n a liza çã o da a dmin is traçã o das e m p res as e m

so

b re o e n s i no d e A dmi nis t ração res um e - se ao m íni mo

geral ( C o n se lh o Fe d er al d e Edu caç ã o , 1 99 3 , p. 289).

necessário. E a documentação q u e conta a h i stória d os acor-

Ta mb ém i n serido no p r ocesso de propagação do

d os q ue p r o p ic i a ra m o in ício d o es t u d o d e A d min i s tr açã o no B ras í l é esc assa e c arent e de sis te matiza ç ão.

D essa f o r ma, a aná l i se bib li ográ f i ca co ntida no t ext o

fo i quase q ue exc l usiv a mente d ese n vo l vi d a a part i r da

l ei t u ra d e obras qu e abo rd avam t e ma s co n exos. A aná l i -

se d oc ume nta l foi f e ita di re tam en t e n as l e is , po rta r i as ,

pr o p os t as, r eso lu ções e p ar ecer es sobr e o en s ino uni-

versi t ário em ge r a l e sobre o bacha r ela d o d e A d min i s- tração em pa r tic ul a r .

O ENSINO DE ADMINISTRAÇÃO NO BRASIL

- üs primeiros anos, com tecnologia estrangeira

O s pr im e i r o s c ur s os d e que s e tem n o tícia no Bra s i l

datam de 1 9 02 , qu a ndo pas sam a m i ni s tra r o es tud o da Adm i nis t ração d uas esco l as p a rti cu l a r es: n o R io d e j a -

-,

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id eá ri o d a " g er ênc ia ci e nt í fi ca " , a cr i açã o d o D epa rt a -

mento de Ad ministração do S e tor P ú b l ico - DASP - e m

19 38 e n seja a m o d e rniza ção d o Es t a d o br as il e iro , orga -

ni zan d o se u pessoa l , ma t er i al, orçame n to, sua organ i -

z ação e se u s m éto d os, de aco rd o co m as caracteristica s

bur oc ráti c as we b e rian as e as t e oria s d a ad m i n ist raç ão

d e Tay l or e Fa y ol fl vlezzo m o Ke ine r t e Vaz, 1 9 94, p . 5 ) . Origin ad a no DAS P , a Fun d ação Ge t u li o Vargas - FGV -

f o i i nst i tuí d a e m 1944 com o ob j etivo de p r eparar p essoal

e s p e ci a l iz a d o pa r a a adminis t r ação pú b li c a e priva d a. Foram e stab e l e cidas , assim , as c ond i çõ e s e motiva- ções p a r a a cr ia ção d e cur so s co m ê nf ase n a " g e r ên cia

c i en t í fi ca " q ue f o r massem a buroc r acia espec i a li za da

para o d es en vo l v im en t o d o . pa í s I Covr e , 1 99 1 ,

p. 5 9) . A difusão

se a s raz õe s prin c ipais

r e qu eri da

e a apl i c açã o d e ss e id e ári o tom ara m-

para qu e go ve rnos e em pres as

d e man d asse m a d m i n i s t ra dor es , o u seja, téc ni co s ca p a -

4

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ABR/MAIO/jUN/20 03

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FÓRUM EDUCAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO • QUAL SERÁ O FUTURO

DAS FÁBRICAS DE ADMINISTRADORES?

z e s d e p r o d uz ir e ge rir g rand es e co m p l exa s orga niz a - ções burocrá t i cas .

n a

d a s o r gan i z aç õ e s b ra s il e i r a s e do ens in o d e

A d m ini s tr açã o t or n o u - se m a i s f ort e e m 1 948 , q u a nd o

d a FGV v isi tar a m di v e r sos c u rsos d e

A dm i nistra ção P úb li ca se d i ad os e m uni ver sid a d e s nor-

t e - a mer i c a nas, como resu lt ad o d a cooper a ção t éc ni c a

Br as i l-Estado s U n i d os es ta b e l e c i d a ap ós o fim da S e gun -

d a G u e rra. D os e n c on t r o s e ntr e ess e s r e pre se n t ant e s e

r e p r e sen tant es

es t r u tu ra ção

A i nt e n s ifi c a ção

d o u so é l e mod e l os e s trang e iros

car act e ri z a d o como um a tra nsferên ci a d e t ec n o l og i a d e -

s envo l v i d a no s E sta d os Un id o s .

_ O mo me nt o h is t órico qu e v i vi a o p a í s à qu e l a é p oca

e ra p r opí c i o p a r a a di f u são de s sa t ecno l og i a. S e o s ur g i -

m e n t o d o e n s in o d e Ad m i ni st ra ção

do d e -

sen vo l v im e n t o e c on õ mi co do go v ern o d e Ge tuli o Var gas,

um grand e inc e n t i vo d a do à e xpa ns ão d es se en si no f o i

o su r t o industri ali za nt e n o q u a l i ngr e sso u o país sob o

com a nd o d e Jusc e li no K ubit s ch e k , d é ca d as m a i s t a rd e ,

qu e h av i a cr iado um a e nor m e dem a n d a

é res u l tante

por p r o fi s s io -

:

I

L

p

r o fe ss o r e s n orte -a m er i c a n o s na s ce u em 19 52 , no Ri o

n

a i s q u e p ud essem at u a r nas o r gan i za ções que s e i n s t a-

d

e Ja ne i ro , a E sc o l a Br a si l e i r a d e Adm ini stração Pú bli ca

l

av a m e p r o gre d ia m,

n o a mb i e n t e d e i nte ns as m ud an -

-

E BA P - , d e st in a d a à f o rma ção d e profis s i on a i s es pe c i a-

ç

as eco n ômic as q u e v i nha m oco r re n do. E ra ne cess ár i a a

li

s ta s par a a a d mi n i s t r a ção

públ i ca. D o i s anos ma i s t a r -

p

ro f i ss i onal i za ç ã o d os qu adro s d a s empresas bra sil e i ras.

d

e, a me s m a F GV cria ri a a Es co l a d e A dmini s t ra ção d e

A

c o m plex idade e o t a m anho d e suas estru tu r a s d e man -

E

m pr e sas d e Sã o Pau l o - E AES P N a c ap i ta l e c o n õm i c a

d

a va m a ut i li z a ç ã o c r e sc e n te d a té cn i ca e i sso t in ha t or-

e

c o r ação d a ini c ia t iva pri v a d a no p a í s, a esco l a d es t i -

n

ado f u n damen ta l o t r e i n a m ento d e p ro f i ss io n a i s p ar a

n o u-se a f o rm a r pr o f i s sionai s espe c i a li st a s nas m od e r - nas t é cn i c a s d e g er ê ncia empr e s ar i a l, a t endendo a ss im às e xpe cta ti va s d o e m p resa r iado l oca l ( Comissão d e E s -

p ecial i s t as d e E n si n o d e Admini s traç ão,

1997 , p . 2 3 ) .

A in f luê n c i a es t r a n g e ira n o e n s in o d e A dmini s t r a çã o

to rn a a se ma ni f es tar , d e f o rm a

ção d o conv ê ni o

br as i le i r o e n o rt e- a me ri c an o, i n s t it uind o o P ro gr am a d e

E ns i no de A d mi ni s t r a çã o P úb li c a e de Em pr e s as. T a l

m a i s v i g orosa , e m f u n -

f i r m a d o em 1 9 5 9 en t r e os g ove rn os

e x ec ut ar dif e ren tes f un çõe s no int e r ior d as or ga niz açõ es.

A expansão, desvinculada da pesquisa

O pr i me iro preced e n t e pa r a a reg ul a m e ntação e poste -

ri o r e x p a n sã o d o en s i n o d e A dmi n i str a ção n o B rasi l f o i a

c r iaçã o d a c at eg o r i a d e " t éc n i co em A dm in i s t r a ç ã o" , q u e

o ma o ex ercí c i o d a pr ofissão pr ivat i vo " d os bac ha r é i s em

A dm i nis tr a çã o P úb li c a o u d e E mp resas, di p l o m a d os no

t

Br a s il , em cursos r eg ul a r es d e en s i no s u pe ri o r , o f ic i al , of i -

co

n vê nio , qu e b e n e f i c io u a EB A p , a E A ES p, o D A SP e a s

c

i aliza d o ou reco n he ci d o, c u j o c urrí c u l o seja fi x a d o pe l o

un

i ve r s id ade s f e d e r a i s da Ba h i a e do R i o G r and e do

S u l

Con se l h o Fe d era l d e E d uc ação" ( C on s e l ho F e d e ral d e Ad-

-

UFBA e U F RG S, r e s p ec ti v am e nt e - , e nfati zava a n e-

m

ini st ração , 19 94, p . 4 0 ) . D e ss a forma , e m 8 de julh o d e

ces s idade de f o rm ar prof e s s or e s p ar a o e nsino d e A dm i-

n i s traç ão Pública e d e Empre s a s , v isa ndo dotar o gove r -

no e a ár e a pri v ada d e técni cos c omp e t e nte s

m o ve r e m o de s en vo l v i me n to e c on õ mi c o e s o c i a l .

par a p r o-

As e s co la s d a F G V f ora m d es i g n a d as co m o cen t ro s d e

t r eina m e n to e d e int e r c âmb i o , se n d o e ncam i nha d os bol -

s is t a s d e A d mi ni s t ra ção

A d m in i st ra ção d e E mpr e sas d a E A E S P , pa ra est ud os d e

p ós - gra d u açã o e f o rm aç ão d e qua d ro docente p ró pr i o ,

r e spec ti v a m e n t e à Uni ve rs it y o f So u t h e r n Ca lif o rn i a e à

M i c hi ga n St at e U ni v e r s it y . Ta m b é m d o D A S P, d a U F BA

e da U FRGS for a m env iados b olsistas, r es u l tando , fi na l -

mente , na cri a ç ão d e c u r sos d e A dm i n i stração

P úbl i ca

P ú bl ic a d a EB A P e b o l s i s tas d e

196 6, o Co nse l ho Fe d e ra l d e E d uc açã o r e g ulamento u o

ensi no d e Adm i n i str a çã o po r me i o d e re so lu ç ão não n u -

m era d a ( C o n selh o F e d e r a l d e Ed ucação , 199 1, p. 4 9 ) , f i -

xand o o c o nteúdo mí n i mo e a dura ç ão p ara o c ur so .

e inter c â m b i o na

A E A E S p , um c e n tr o d e t r e i nam ento

área d e negóc i os, logo se t or no u u ma referé n c i a p a r a a

e x pan sã o do s cur sos d e A dm i nist ração n o pa í s, p o i s sua

pr o p os t a a d apta v a - s e ao est i lo d e d esenvo l v i m e n t o bra-

s i l e i r o, qu e priv il eg i ava as g r a n d es e m presas pr o du t i -

v as, pr in c ip a lm e n t e a s es t rang e ir as e a s es t a t a i s. F or m a- da n o s m e l h or e s m o l d e s da s business schools n ort e - am e -

ri canas, on de as g r an d e s em pr e s a s j á e ra m re a l id a d e

d esd e a S e gunda R evo l u çã o In d ust r ial , t i n ha como r e f e -

ne

s s a s dua s ú l ti m as i n s t i t u i ções ( Fi sc h e r , 1 99 3 , p . 11 ).

r

e

n c i a l t eó r i co bib l i ogra fi a norte - am e r i ca n a e ab r i g a v a

O

pa í s t a mb é m r e c e be um a mi s s ão de p r of e ssor e s nor-

o

pri m e ir o c ur r í c u l o es p ec i a l iza d o em A dmin istra ç ão d e

te-a me ri c anos , e sp ec ia liz a d o s e m a d minist raç ã o púb li - ca e d e e mp resas , qu e fo i resp o n sáve l pe l o s p r og r am as

Em p r e sa s d o pa í s ( Mo t ta , 1 9 83 , p . 5 3) . Com ess a re f e r ên cia e o u tr as , t a mb ém im po r t a n tes,

•.

II

0

4 4 - 054

d e e n s i no d e A dm i n is tr aç ão e m i mpl e me n ta ç ã o n o p a í s,

m i ssão q ue s ó ter mi no u e m 1 965 ( C o m i s s ã o d e E s p e c i -

a li stas d e Ens i n o d e A d mini s t r ação ,

s i m , o e n s i no d e A d m i ni s tra ç ã o,

1 99 7 , p . 23 ). A s-

rece n te no Br as i l , f i ca

46 • c R A E • V O L . 4 3 • N " 2

4 6

c omo a E B AP e a F aculda d e d e E cono mi a ' e A d m i ni stra -

ç ã o d a U n i ve rs i da de d e São Pau l o ( F E A-US P ) , c u jos cur -

so s d e Ad m in i s tr aç ã o P ú b l i ca e d e E mpr esas ha v i am s i d o

c ri a d os e m 1 96 4 , o e ns i n o de g r adu ação d ese n v o l ve u -se

4/10103, 3 : 2 6 PM

II

~

I

'.

• ••

ALEXANDRE NICOLlNI

rapid a m e n te no Bra s il . É impor t ant e n o t a r , e ntr et ant o, que , se em um pr i m e ir o momento a criaçã o dos c u rsos

per i or d o Mini s t é ri o d a E du ca ç ã o

pro p ósito d e produzir um a nteproj e t o de R e f or m ul aç ão

(SE Su-ME C) com o

;4

I

L

d

eu - se no i nt e rio r d e ínsut uí ç õ es universitá ri as, faz e n d o

C

u r ricul a r d o s Curso s d e A d mi nist r aç ã o

em 19 82 , a

part e d e um co m p l exo d e en s in o e pe s qu i sa ( Comissã o

p

r o p osta d e re f ormula ç ã o f o i apr ese n t a d a a penas uma

d

e E spec i a li stas de En s in o d e Admini st ra ç ã o , 1997 , p .

d

éc a d a d e p o i s , a ind a qu e o mun do es t ivesse p a ssa nd o

2

5 ), esse m o d e l o lo go f o i a b a n d o n a do . A r e gul a m e nta ç ão

p

o r p r o fund a s tran s f or m ações no s ano s 19 80.

e l o e n s ino e p os ter i orme nte o "m i lag r e e conômi c o " abri -

A d i s c us sã o d a s re fo r m as f ina l m e n te oc o r re u d uran t e

r

am um g r an d e ca m po pa ra os bac har é i s em A dm ini st ra -

o

Se

min ár i o N aci onal sob r e Re fo r mul aç ã o C u r ri c u l ar dos

ç

ão, e c o m in ce nti vo go vern a men t a l ess a d emanda foi

C

ursos d e A dm ini s tração , na U ni vers i d ad e F e d eral d o

a

t e ndid a, f o r ma nd o pro f iss i ona i s e m f a c u ld a d e s i so l ada s

Ri

o

de J a n e ir o , d e 28 a 31 d e o ut ubro d e 1 9 9 1 . Nesse

e

p r iva d as - caract e r ís ti cas d o

processo e l e e x p a ns ão d o

e

n co ntr o, fo ram reu n i dos 1 70 c ur sos d e Adminis t r ação

e

n s i no s up e ri or n o p a í s.

Assi m, d e a co rd o com o Min i s -

d

e to d o o p aí s , co n c lu i n do p e l a a pr ese n taçã o de p r o -

tério d a Edu c a ç ão e d o D e sport o, e ram 31 c urso s e m 1967,

p

o sta form a l d e um c ur r ícu l o m í nimo a ser s ub m etido à

q u e ev o lu í r am par a 177 cu r sos e m 1 97 3 . Pos t e r io r men -

te , c om a c o ntinu i d a d e d es sa polí tica, nos a nos 1980 e r am

24 5 curs o s. E m 1 9 9 0 evo lui u-se pa ra 3 3 0 c ur sos, e, se-

aprov a ção d o C on se l ho F e de ral d e E du c a çã o. M as , na

a va li açã o d e Mont e i r o JI. ( 1 995 , p . 8 4), " r es u l tou d o s

d e b a t e s e d i scu ssões ac a l o ra d o s e p r o l o nga d os a m onta -

g

u n d o o censo d o ME C , e m 1 9 9 8 já er a m 5 4 9 esco l a s d e

ge

m d e um

n o vo c u r ríc u l o m ínim o , a p e rf eiçoa d o

e mo -

Adm i ni stra ção. A m aior p a r te (57, 6 %) e r a de in sti t u i ç ô e s

d

e rni z a d o,

é v erd a d e, ma s a ind a l on g e

de re t i r ar

as Es -

n

ã o - u n i v e r si t á rias ( Institu t o N acio n al d e Est u dos e P e s -

colas

d e A d m i n i str aç ã o d a tri lh a tra di c iona li s ta ".

E sse

q

ui s as E d uca c iona i s , 1 9 98(a) , p . 9) .

novo curr í c u l o m ínimo é f i xa d o p e l o Con se l ho Fe d e r a l

U m fator i mpo r t a n te para a ev o l u ção d e s m e di d a d o

c r escimento d a g rad uação e m A dminis tr a ç ão e r a qu e " a

abert u ra do s cursos a p rese n tava - se v a n tajosa, um a v e z qu e pod er iam se r e st r ut u r ad os sem mu it os di s p êndios f i nan-

ce iro s" ( Co missão d e Es p ec i al i s t as d e En sin o d e A dmi -

n i s tr ação, 1 99 7 , p. 25 ) , po i s n ã o e ram nece ssá r io s in v e s -

t im e n tos v u l tuosos e m l abo ratór io s so fi st i cad os e nem

qua l q uer outro re f ina m ento t ecno l ó gi co. Mo t ta ( 1 98 3 , p .

53 ) acres c e nta que " a mai o r pa r te d as esc olas ut i l i za p es-

soal m a l p r e pa r ado e que , f ac e à r e t rib u ição

não t e r i a me s mo condi ç ões d e se a p erfe i ç oa r ".

qu e recebe ,

D e s v in c ul a d o d o p r o cess o d e c on s t r u ç ão c i e ntí fi ca ,

n ã o é d e espantar que o ens in o d e A dminist r a ção per -

m a n ecesse i na l te r ado e m sua l eg i s lação po r 27 a no s,

ins ensíve l à s muda nç as

por qu e passa v a o mundo . Al-

d e E d u cação e m 4 de ou t u br o d e 1 9 93 , p or mei o d a

Reso l u ção n . 2 /97 , e p e rm a n ece v i ge n te a t é h o j e.

A pro m u l ga ç ã o da n ov a Le i d e Dir e t r i z es e B ases d a

Educaçã o N a c i on a l ( LD B ) e m 20 d e d e zemb ro d e 1 996 ,

no e n t a nt o, ve m i n icia r u m n ovo p r oce s so d e d i sc u ss ã o

d o ens in o s upe ri o r , e m Admin i s t ra ç ão e em o u t ras ár eas.

P e l o Par ecer n . 776/97,

ção t o rn a a co n c l ama r a s á r eas a f o rmular as d i ret r izes

curri c u l ar es e sp ec ífi ca s p a r a ca d a c urso d e g r a du açã o. Mob iliz a d a por es s a nova situaç ã o, a área d e A d mi ni st ra - ção re s pon d e e m 2 3 e 24 d e ab r i l d e 1998, em F l o r i a nó-

p o l is, c om o Semin á r i o Nac iona l sobre D ir e trizes Cu r ri-

o Co n se l h o N ac i o na l de Educa -

cu l a r es par a o s Cur sos d e G r a du ação e m A dmini s tr aç ã o.

E s s e eve nt o, se gui do po r o u tro s m enore s co m ca rá ter re -

gi o nal, serv iu p ar a an a li s a r e dis c utir as n o vas p r op o st as

g

um as des sas m ud a n ç as - co mo o choq u e do pet ró l eo ,

d

e d i r e tri z e s cur r i cu l a re s para o s cu r so s d e A d m i ni s t ra -

a

r evo l u ç ão m icro e l etrô n i ca , o s urg i m e n to ace l e rado d e

ç

ão. Sistemat iz ada s, e ss a s proposta s e stão hoj e so b apr e -

n

ovas t ec n o l og i a s e a g l o b a li za ç ão e co n ô m i ca - a cab a -

c

i ação d o Conse lh o N a c ion a l d e Edu caç ã o .

ra m por m o d i f icar, de f or m a i rreve r sí v e l , o m u ndo d as

o r g aniz aç õ es. T r an sf o r mar a m pro fund a m en t e a forma da

real i z ação d e negó cios e o p os i c i onamen t o

d os gover -

A BASE FABRIL DO MODELO DE ENSINO ATUAL

n

os , se n d o d e nom in adas " on das de c h oq ue " (Alb r e ch t,

1

994 , p. 6 ). D ev i d o a ess as "o ndas ", a á rea d e e studo s

A linha de montagem

o

r gan iz ac i ona i s fo i b r i n da d a co m um f i m d e sécu l o par -

A

inda qu e se co n s id e r e a r e gu l a m e n t a ção a tua l d os

t

i cu l armente ag i t a d o. As m u d anç a s su ced eram -se e m u m

c

u rs os d e A d m i n i s tra ç ã o p o uc o fl exíve l , é fa t o que a

r

i tm o a lu c in an t e , n o me lhor "ef e i t o d o mino " p r ov a v e l-

g

r a nde

m a i o ria d as es c ola s n o B ras i l nã o t em i n ova d o

m ente já r egi s tra d o p e l a h i stór i a .

A r a p id ez d es sas a l t e ra ç ô es nã o a s su s to u , p o r é m, os

e d uca d o re s e m Adm in i s tra ção. A pe s ar da con st i t u iç ão

d e u m G r upo d e T raba l ho p e l a Sec r e t a ri a d e E n s in o Su -

"

II

0

44 - 054

47

Á ausê n c i a de

or i g i n al i d a d e d as p r o po stas , con f orm e j á d i s cut id o , al i a-

d o à rigid e z d a l ei qu e r egu l ame n t a a á rea , traduz- se e m um a form ação h o m ogê n e a e se m espaço d e d esta qu e p ara

m ui t o q uan d o o assun t o é o bac h ar e l a d o .

4

/ 1 0 / 0 3 . 3 : 26

P M

AB R J M A J O/jUN /2003

~ R A E

47

l i

~

I

FÓRUM EDUCAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO·

QUAL SERÁ O FUTURO DAS FÁBRICAS DE ADMINISTRADORES?

••

I

L

a

produ ç ã o c i e n t íf i ca. Nas p a l avras d e M a r t in s et a!.

ção , A dm i n i s t ra ç ã o Fi nance i ra e Orçame n tá r i a, A dmi-

(

1 9 9 7 , p . 23 9): " É basta n t e co mu m a p r á t i ca d e r e p e t ir

n

is t r açã o de R ec ur sos Mater i a i s e P atrimonia i s e Orga -

o

c urrí cu l o m í n im o pr econüa d o p e l o Co nse l h o F e de ra l

n

i z a ção, S i s t e m as e Mé t o d os. Nessa f o r m a ção, t r ab alh a -

d e E d ucação . (

) C o m e t e-se

ass im o p e cado d e s up o r

se

p a ra cons tr u i r n o e stud ante o d o mín io d as área s téc-

qu e, e m tema tão a mp l o co m o a a d m in istraçã o, é p o s sí-

ve l e d es ej áve l o d o m íni o d e t o d as a s s ua s áreas d e a p l i -

caçã o e , a i nd a pi or, ig n o ram -se ou v i ole n t am- se

a s pr e-

f

erências

e v o caçõ es

d e ca da f o rmando " .

Se ndo assim , co mpl e t am e n t e d es p e rson a liz a d o e fi e l

ao c u r r ícu l o

mí n im o ( C o n se l ho F e d er al d e Edu ca ç ão ,

n i cas cons id e r a d a s co m o de ã mb i t o exc l u s i v o d os a d -

mi n i s t ra d o r es e qu e c o mpõe o ca m p o d o s ab e r a d min i s-

di to . É qu an d o se c ons t ró i t o da a

b ase t é c nica do ad m i ni s t r a do r e se m a n ipulam as f erra-

m e nt a s mi nimam e nt e n e c essá ri as pa r a a h ab i l i t a ç ão e o exe r c í c i o da pr o fi ssão.

t

ra t i v o p r o p r i a m ente

1

9 93, p. 29 5 ), o e n s in o se r ve tão s ome n te pa ra a pr o-

De p o i s, v êm as d i s ciplina s e l e t i v a s e c o m plemen t a res :

d

u ç ão e m massa d e bacha r é i s, e as e sco l as d e A d min i s -

bu

sca-se um a ên f as e na f or m ação , seja e l a ge n e rali s t a o u

tra ç ã o , co m o est ã o estr utu ra d as, mai s se pare ce m co m

uma f áb r i c a d o q u e co m um l a b o r a t ór i o . Po d e -s e tra ça r

a se gui nte an a l ogia: as esco l as recebem a m at é ri a -p r i ma

es p ec i a l iz a d a. Essa úl t i m a et ap a, co nf o rm e o p r ó pri o t í -

t ul o d e m ons tra , nã o a pr esenta necessa ri ame n te u m for-

m ato de finid o, se n d o u til izada para pr omover o conta t o

(o a l u n o) e a t r a n s f or m am,

ao l ongo d a li nha d e m on t a-

co

m d isc ip l in a s co n exas à A d m i n i s tr ação ou e nf a tiz a r u m a

ge

m (o cu rr íc u l o p leno), em p r o dut o (o a dmin i stra d o r ) ,

área d o co nhe ci m ento já di scut id a d u r ante o curso. É t am -

co

n for m e o grá f i co 1 .

m o espaço p ara a d e q uar o currícu l o p l eno às ca r acte-

Nos p ri m e i ros p er í o d os, estão as di sc i p l i n a s

d a for-

o

maç ão bá s i ca e instrumen t al,

a base q u e sustent ar á

rísticas de cada escola e às vocações reg i ona i s.

F i na l me n te, d á - se o estág i o supervis i o n a d o. E l e foi

to

d o: E co n o m ia , Dire it o, Mate m át i ca, Co n t abi l i d a d e,

concebi d o pa r a ve rif icar a ap li cação d os con h ec im entos

Fi

l oso f ia, P s i colog i a, Socio l og i a e lnf ormát i ca. E s p era-

a

d q u i ri d o s pe l os a lu nos

qu e a e l e se submete m . Em bo-

se, n e s sa f o rm ação , fu n d a m entar n o f ut uro admini s tr a-

d o r a co m p r ee n são

qu

ment o d a s h ab ili dad es

qu a n ti fi c ar

seg un d o a lóg i ca p r esente na l e i , p ar a a p r óxi m a fa s e.

e as a p li c a ções d as ciên c i as soc i a i s

e d ã o ba se à A d mi n ist r ação , be m co m o o d e s e n v o l v i -

mat e m át i cas necessári as p a ra

e e s pe c u l a r. É u ma p r e pa r ação nec essár i a,

N os

pe río dos s e guint es, são mi n i s trad a s a s di s ci pli -

na s da formaçã o pro fi ss i o na l qu e tornarão o admini s -

tr a dor capaz d e o p e r a r d e n t r o d e s u a área: Teo r i as d a

Adm i n i s tra ç ã o , A dmi ni s tr ação Me r ca d o l ó g í c a , Adm i ni s-

tração de R ecurso s H um a n os, A dm i nistra ç ão d e Pr odu -

Gráfico 1 - A "linha de produção" do administrador.

"

I I

---~

48 • c RA E • V O L . 43 • N ° 2

044

- 054

4 8

Currículo pleno

ra ob r ig a tó r i o , s o f r eu d i ve r sas d is f unções d es d e s u a r e -

g u l ame n ta ç ã o, per den do se u objet i vo e f or m a or igi na l . Mesm o qu e ess a ló g i ca i ne r ente ao processo d e f or ma -

ção d o a dmi n is t ra d o r pa reça obso l e t a, é pe rf e i t a m en t e co m -

pr ee n s í ve l s u a co n c e p çã o . Os g r a nd es ex p oe nt es d o e ns i -

no d e Admini s t r ação n o f i n a l d o s éc u l o XX , sem nenhum

d e m é r i to a ess a s fi gu r as , a i nd a são os p e n s ad o r es c l á s s i -

c o s, como Fr e derick T a y l or , H e nr i Fa yol e He nr y Ford. A

fo rm aç ã o d o ad mi ni str a dor a p e na s ob e dece à lógic a p ro -

posta po r e l es . Me s mo qu e r ev i stos s ob u m enf o q u e

s i s t ê m i co , r ep re se nt am t o d o um r efe r e ncia l teór i c o cujas

~

4 / 10 / 0 3 . 3 : 26 P M

II

~

I

IL

ALEXANDRE NICOLlNI

ba ses rem on t am à R ev olução Indust ri a l . Esse t e m p o , s e

a i nda nã o fo i superado, tem hoje s ua s prin c ipai s caracte-

rí st i ca s so b p r o f u nd os

ticas acabam també m p o r rev e lar o c a r á t e r ti p i ca m e n te f a-

b r il da f o rma ção do a d minis t r a d o r , com o ve rem os.

qu e stío na m e nt o s . E e ssa s ca r a c t erí s -

toda aten ç ão na d e f in i ç ão das gra d es c u rricu l ares,

f a l sa e xp ec t at iva d e que u ma a rrum açã o ce r t e i ra c o ndu-

zj r á a es co l a e seu s f ut uro s admini s t ra dor es pe la dir eçã o

a l me j a d a . O re l ator d a r eg ul a m e n ta ç ão d e 1 993 j á c h a -

na

m av a aten çã o para o segu i nte f a t o : " N a rea li d a de , a e nu-

me r a ç ão qu e di s cr i m i n a

a s m atéri a s ( o curr í cu l o )

t e m

 

u

m v al or s e c und ár i o d e nt ro d e u ma corre t a fil osof i a

A DIVISÃO DO ESTUDO

e

du c aci o nal : (

) c ab e à m e todolo g ia e sco lar, proc ur an -

d

o reco n s t r u i r a e x p e riê nc i a e s u a o r g an i c i d a d e, at ravés

Ta l co mo a soc ie d ad e da qu a l fazem par t e , as o r ga ni -

d

e ss e in s tr umento , o pa p e l ma i s i mpo rt a n te . N essa o r i e n -

za ç õ es v i v em uma gran d e e v o l u ç ão d es d e o ad ve nto da

t

aç ão, a mu l ti p l i c i d ade das matér i a s te nde r á a reduzir -

re v ol uç ã o i nd us tr i a l . D es de a p r o totí p ica fá b rica d e a lfi-

s

e a um r e p e r t ór i o so l id ário , encam i n h a n d o - s e no s en-

n etes desc ri ta po r Sm i th (198 1 , p. 41 ) , as or ganiz a ç ões exp er i me nta ram um notá v e l a ument o d e sua comp l e x i -

d a d e. E l as cr e s c eram , d i ve r s ifi ca r a m suas o p er a ções , a d i-

c ionar a m um a ga ma

d e no vo s t ra balho s de forma a au -

ment ar o v a l o r agre g ad o de s eu s pro d u tos , e x trapo l a-

ra m se us l im i t es na c ionais e t ornaram -se m ais i n t e rd e- pe n d ent es d o am bient e qu e as a briga .

E st ud a r a s org an iza ç õe s , por c on s e q ü ênci a , t o r n ou-

se uma ta r e fa muito m a is comp l exa. A s o l ução encon -

trad a para l id a r co m t a l com p l e xi d ad e

e studo: fragm e n t ar a o r g aniz ação e m partes m enores

qu e pudess em se r int i mame n te c om p r een di da s , desco - brir a inter - r e l acã o e n t r e essa s pa rtes e, fina l m en t e , reu -

n i r a com p re e nsão d e to d as a s pa rt es e a r e l ação e nt re

e l a s para bu sc ar d e f o rma r a cional a compr e ensão

tota l i d a d e d a org aniz aç ão. E ssa opção pe l o e studo em sep a ra d o d e cad a um a das par t e s q u e compõem o fen õ -

m eno or g an iz ac ion al en co n t ra

de René D escart e s ,

q u e def e nd e u a hi p ótes e d e que a

d a

fo i d i v idir e s s e

p

ara

sua o r i g em n a f ilos o fi a

tid

r a l de Edu caç ão , 1 99 1 , p. 41 ) . É a co n s t rução d esse r epe rt ó ri o so lid ário o g r an d e obstác ul o do e n sino d e A dmin i stra ç ão e , pr ov av el m e n -

te , t am b é m d os d e ma i s cur s os sup e riores.

f u n d amenta l

t é ria s qu e os com pôe m. É a inter-r e l aç ão

s ão do es tudo e a fr a gm e nt aç ão d o s ab e r gan ham c o n -

del as. A div i -

d o s c u rríc ul o s nã o é a o r d ena ç ão d as ma-

o d a unifi cação, e n ã o d a di s p ersão" (Cons e l h o F e d e -

O pro bl e ma

t ornos pr eo c u pan t es qu ando os m eca ni smo s d e in tera-

ção e n t r e a s mat é r i as são c o n stante m ente e s q ue c id os,

i gn o ra d os ou m esmo d e sc onhec id o s .

Especialização

A di v i são d o estu d o tr ou x e co n se q üê n c i as d es fa vorá-

ve is . A mais di r e t a d e l a s f oi a e s p e c ia l ização e, e m muitos

cas o s , a est a gnação do campo de estudo d os pro f es so res.

Ta l como e stá p r e v i sto p e l o c ur ríc u lo m í ni mo , a f r agm e n -

ta ç ã o d o es tudo di vide -o em f or ma çôes e sp ec íficas , e ca da

u ma dela s divid e- s e e m dis ci plinas t eor icam e nt e con exas.

c

o mpr e e ns ão d e f enô m enos co mpl exo s po d e ri a aco nt e-

Essas m atér í as , compo n e n t es bá si cos d o c ur so , de v e ri am

c

er a p a r t i r d e s ua r e du ç ão em c o mp on e ntes

b á sicos.

o

bri gato ri amente m a nter r e l a ç ões en tr e s i . A in d a q u e se-

Bas ea do n o mé t odo c a rt es i an o , o e n s i n o d e Admin i s-

j

am e s t ud os di feren t e s, d e ve ri am obs e r v a r ca m inho s con-

t

r ação foi d i v id ido d es de s ua p r ime i ra reg ul ament a ção ,

v

e rge n tes, atu a r so lida ria m e nt e n o sent id o de f o rm ar no

em 1 9 66, em gr upo s d e mat é r ia s . A r eg ulam e nt açã o d e

a

lu n o a v i sã o d e todo um ca mpo d o c onh ec im e nto , se ja

19

93 , l o n ge de a l te r ar co n ce itu a lm e n t e a pr i m e ira , d á

e

l e ge r a l o u es pe c i a li za d o e m s ua á r ea de i nteress e .

ap e n a s u m n ovo a rranj o à d i v isão anter i o r . Ca d a uma

Não é is s o , e n t r e t a n to, q u e aco nt e ce. A s abo rd a ge n s

d

ess as e tap a s d e f orm açã o en ce rra u m co n j unto d e d i sci -

i

n e rentes a cada d i sc i pl in a sã o m u i ta s v e z e s t ã o dif e ren-

p

li na s , e o conj u n to to t a l den o m in a-s e cur r ícu l o

m í n i-

t

e s qu anto os pr o f ess o res

qu e as le c ionam ,

" o qu e s e

mo . É a par t i r desse cu r rí cul o mín im o q ue s e d esenvo l-

ve r á o c ur r í c ul o plen o , person a l i z ado e m c ada esco la, d e acord o - p e l o m e n os t eo ri camen t e - com as especí f í cíd a -

d e s r eg i ona i s e n e cess id a d e s d e d es e n v o l v i me n t o se t or i a i s .

T e nt a - s e , as s im , constru i r u ma l inha d e pensa m e nt o qu e

l e ve à co m pr ee nsão d o fe n ômeno o r ganiza c i ona l .

E m c on se qü ê ncia , a o rd ena ç ã o d as d is cipl i na s qu e

c o mpôem o c u rr ícu lo p l en o , be m co mo s ua n o m e nc l a -

tu r a , é pont o d e paut a ce rto quando o assunt o di sc uti -

d o é a f or maç ão do ad m in i strad o r . T em - se co n ce n t rado

I I

0

44 - 054

49

comp r e e nde a pa rti r da estr utura u niv er s it ár ia br as i le i -

r

1 983 , p . 53). O est udan te a c a ba p rej udi cado , porq u e o

i s olame n to t o r na o ap r e ndi za d o p enoso , confuso e pou -

c o p r ofí c u o, e tamb é m os pro f essores, q u e nã o se ben e fi- ciam d o contat o com o u t r os professo re s e p es q u i sadores. T oda s a s dis c ipli na s , prin c ipalm e nt e a s q ue n ão s ã o

di re t a m e nt e rela c i o n a d as à á rea d e a dm in i st ra ç ão , de -

v er i a m s e r es tu dadas cu i d a d osa m e nte, busca nd o sua

int e ração c o m o f e n ô m eno adm ini s t r a ti v o, pr e paran d o o

a , que pro v oca o i solam e nt o dos e speciali s tas" (M o rt a ,

4/10103, 3 : 27 PM

A

B RlM A I O ljUN1 2 0 0 3

' . R AE

' 49

II

~

I

••

I

L

FÓRUM E!lUCAÇÃO EM A[)MINISTRAÇÃO • QUAL SERÁ O MURO DAS FÁBRICAS DE ADMINISTRADORES?

p

ensa m ent o e o raciocínio d o a lu no para a com p ree n são

ca

çã

o, 1 991 , p. 4 1 ) . Encara - se o f u t u r o a d m i nistra d o r ,

d

as o r ga ni zações de [arma genera li sta. Esse é um aspecto

no f i na l do p rocess o, com o uma má q uina q ue será c a -

d

estacad o - e não observa d o - há ma i s d e três décadas

p

az de operar - ger i r e t o mar dec i s ões - dentro do qu e

p

e l o re la to r d a prime i r a r e gu l am e ntação: " O est u do d as

oi programa d a.

f

Compl e ta- s e ,

assim , o c i c l o d e trans-

c i ê n c i as a u x ili ares ou ins t r um e nt a i s em cu r sos p r ofissio-

na i s s e o rien ta n a direção

mo ti va ções. É b as t a n te c orrent e o fa t o de s e rem mini st r a-

da s e ssas mat ér ias d e modo bastant e g e nérico , sob a re s-

de sses e sob o impul so de s u as

p o n sa bilidad e d e p ro fe s sores di vo r c i a d o s do campo a q ue

f ormação do aluno e m um técn i co apl i ca d o r d e tec n o l o -

gi

a es t range i ra (Covre, 1 991, p. 76).

Em um m und o e m t ran sform ação,

porém, h á d e se

e s p e r ar m a is do qu e i sso d e um pro f i ss i o n a l. Em lu g a r

de tr e i ná- I a p a ra d a r r e sp o stas pr onta s a o s probl e ma s

e

l as d eve m a pli car - se. Disso r e s u l ta o a densame nt o d o

 

cos

tum e iro s , d eve m os e du cá- lo pa ra desaf i os m a i ores.

c

ur r í c u l o , sem va nt agens, n e m d e or d em cu l t ural n em de

O

a lun o prec i sa se r in cen ti va d o a r o m per paradígmas , a

ordem prá ti ca , po r f a lt a d e adeq u a d a pers p ect i va " ( Con-

c

ri a r e a o u sa r e m um mun d o de compl e xida d e crescen -

 

se

l ho Fede r al d e E du cação , 1 993 , p . 46 ) .

te

e

que se t r a n sforma rapidamente . " Ant e s que tre i nar

Todos esses argumentos r efor ç am

a i m p r essão d e q ue

e

ad e st r ar a l unos é ind i s pensá v el i ni c i á - l os na ultrapas-

o

e nsino d e A d min i s t ra ç ão termi n o u p arec id o com u ma

sagem das fronteiras do j á conhecido" ( C o nse l ho Fe d era l

fábrica. Ca d a pro f esso r entr a em sala para l ec i onar s u a

di sc i p lin a, d e f orma esta nqu e, di sso c iada das o u tras ex i s-

t en t e s . T al c om o u m o p e rário, m in i st r a a mat é ri a co m o

co n j unto (o alun o) a p e ça de s u a res-

p o n sa bilidad e. P eça que nem s e mp re

se montasse no

se encai xa, poi s a

d e E d ucação , 1 9 93 , p. 2 9 2 ).

Visão de sistema fechado

Ta l com o as fábri cas, representa çõe s do p e nsam e n to

c lá ss i c o d a Admini s t r a ção, d e terminí stico e pr og ramáti co

rag m e nta ç ã o e o es tud o cada v ez m a is aprofund a do

f

e

como um a máquin a, as esco las de Adm ini st r a ç ão

t êm

i

sola d o

vão

acabar difi c ul ta nd o ,

p ar a o a luno,

a

aprese n tado u m i nter c â m b i o mui to pequeno co m o am-

v i s ua li zação d o todo adm ini strati v o.

Mecanicismo

Uma d as p eculiari d ades do s i st e ma in du s t r i al é a con- cepção d as o r gan i za ç ões t ai s co m o se f ossem m áquina s :

arran j os está ti cos d e p eç a s qu e , co n serta d os, dão or i-

bi ent e no q u al estão i nser id as. J á em 1 983, a " d éca d a

per did a ", Mot t a ( 1 983 , p . 54) p ondera v a sobre esse d ts -

tanc i amento d o m u ndo . Conc l uía obs e r va ndo que , e m -

bo r a trê s déca d as hou v essem mod if icad o bastante o ce -

n ário no mundo d os n e g óc ios, " pou c o ou n a d a se f az em

te r mos d e pre p a r a r os jo ve n s a spir ante s à a dmini stração

gem aos p r o d u tos p rev i s t o s. Os c u rsos d e A d mi ni stra-

p

a r a as q ue st ões que ir ão

e nfr e n ta r num f ut ur o m ui to

ção também for a m c oncebidos d e n tro dessa ló g i ca m e-

p

r óx imo . E m suma , a maio r parte d os cursos es tá pr e p a -

ca ni c i s ta: de d e t e rminadas açõ es ou causas d e riv a r ã o

d e t er minado s e f e it os o u cons e q ü ê nc i as p r evisí ve i s, d en-

t r o d e um a co r re l a ç ão r a zoá ve l.

As esco l as d e A d m ini s t ração são co mo o r gan i zações

"

I I

i

m i na d o po r ca r a c te r í s ticas d a escola e por n ecessida d es

l ocais , e l as d ef i nem sua m aneira para rea liz ar a t ar e f a d e

f o rm ar a dm in i s t r a d ores, escolhem os t r a b a l h ad ores mais

a d equa d os a essa tar e f a e se l e c i o n am, de acor d o com

sua c r e dibili da d e e p res t í gio , a m até ria-prima. Em o u-

t ras pala v ras, uma p r o p o sta de c urrí c ulo pleno, u m bom

co rpo docente e bons estudant e s , conseqüent e m e nt e,

ser i a m sufi c i e nt es para formar bo n s a dministrad o r es .

qu e os

a l unos te nh a m estabe l ec id o a s co n e x õe s e ntr e t o d as as

di sc iplin as m in i str a das n o c u rso , ain d a que or d enadas

em uma lóg i ca penosa e em u m cu r rícu l o extenso , est i -

m u l an d o a fragmen t a ç ão do conh e ci m e nt o

a nd o o prin c ípio d a or d e n ação d a m u l t i p li cidade d e

matér i as e m u m r eper t ó ri o

e co ntr a l i -

ndus t r i a i s .

A partir d e um p adrão d e p rodução,

d e ter-

Ao f i nal d o pr ocesso da g r aduação , es p e ra- se

(Co n s e lho F e d era l de Edu -

 

50 • ç R A E

• VOL 4 3

• N Q 2

044-054

50

rando n em mesmo p a r a h o j e, mas sim p ara ontem " .

E m f ace de críti cas c omo e ss a os coor d e nadore s d as

esco l as se p r e oc u p aram, n os e nc o nt ros p r o m ovi d os q u e

l evara m à co n s t r u ção d a n o v a gra d e curr i cu l a r em 1993 , com a ma i or permeab i li d ade dos est u d os c om o mundo

qu

contex t o , a l guns tópi c os emergentes j á se apre s entam c o m

e as c e rca. O P arecer n. 433 /93 e xpunha q ue " ne sse

as marcas da at u a lid ad e: a é t i ca a d mini s tr a t i va , a g l obal í -

zação, o m e i o am b i ente , a a dmi n i s t ra ç ão

os sistemas d e in formação , o con tr o l e de qu a lidad e total

e o ut ras" ( Cons e lho F e d era l de Edu c a ção, 19 93 , p. 294). Entr e t a nt o , como em t o da org a niza ção que pode ser

ap o nt a da co m o um s i s t e m a f ec hado , as esco l as de Ad m i -

n i stração mostr ara m um a gra nd e r esist ê n c i a a ab rir seus

prog r a m as a esses novos t e ma s . Segu nd o d a d os d o I nsti-

tu to Na c io na l d e Est ud os e Pes q uisas Edu c acionais ( 1 997

(b ),

2 0 , 3 % ha v ia estu d ad o Eco l og i a /Me i o A mbiente como

t óp i co o u como te m a cent r a l de uma d is c iplina do curso . A

m a i o ri a ( 79, 6 %) nunca aprec i o u o tema d urante o curso

da t ecnolog i a ,

p. 24 ) , d os estudantes conc l u i nt e s d e 1996, apenas

41

10 1 03 . 3 : 2 7 PM

li

f -

I

"

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I I

Q44-{)54

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< •• _----------~,------------~------~--~-~----r - -

 

.

::

IL

 

ALEXANDRE NICDLlNI

 

ou O ap r ec i ou ap en as s up er fi cia l me n t e du r an t e at iv i d a-

um a co mo o u t r a t r a t a m o a l un o c om o m e ro pr o d uto,

 

d

es ex t racl a s s e . Os núm er o s n ã o s ão m e lh o r es q u a nd o o

m

era con se q ü ê nc i a do p ro ces s o d e e n s in o. T o r na m -se,

tem a é Te cn o l o g ia d e In f orma ç ã o. Emb o ra sej a um d o s

a

ss i m , os e ducand os

m e r o s ar qu iva d o r e s d e con h ec i m e n-

m

ot or es d as p r o f un d as mo di fi c açõ e s qu e v i v e m o s h oje ,

t

os e c o nt eú dos , p o i s e s t ão de s p rov idos

d e s ua ca p ac i -

p

a r ti cu l a r mente no meio emp r esa r i al , o ass un to só fo i tr a -

d

a d e d e bu sca r o í n te r- r e l ac i o na r ne n to d e t e o ri a e p ráti-

tad o p or 29 % dos f orman do s d o m es m o a n o . J á É ti c a n os

c

a e v i venc i a r o conhe ci m e n to. O q u e é a r q u i va d o , na

Negócios , u m a d i sc u ssão r eco r re nte n o B r as il e no m un -

re

a lid a d e , é o h o m e m e tod o s eu p o t e n c ia l .

 

do, só f o i a na l i s ada p or 4 2 , 5 % d o s a l un os. Glob a l iza ç ão

Ao

s estudante s , po uco r e s t a sen ão o pap e l de r ec e be r ,

 

Ec

o n ô mi ca , assu n t o d e fu nd a m e n tal i mp o r t ân c i a n a a d -

d

e memor i . z a r e d e e x e r c it a r as r ea ç õ e s par a as quai s es -

m

in i s t ração atual, foi a b o rd a d o p o r ap e n as 49% d os f u-

t

ão se nd o pr e p a r a d os. Qua n t o m a i s os e du c a n d o s s e exer -

tur os ad min istra do res.

 

c

i t a m n essa tarefa d e m emor i zaç ã o a utô m a t a , ma i s s e afas -

A

p er c e p ção é a d e que o s c u r s os ca minha m s e p a r a -

tam d a bu sca d a c o nsc i ê n c ia cr í t i ca que , e m ú l tim a an á l i -

d

am e nte d o m un d o ,

c omo se d e le n ão d e p end e s s em .

se

, resu l t a ri a em su a in s e r çã o no mun d o e na c on s e q ü e n-

N

ã o há um a c o l a b ora ç ão estre i ta e nt r e a uni v er s idad e

t

e t ra nsf o r maç ão d e s t e . Di s t a nc i am -se , assi m, de s eu p a -

e

a soc i e d a d e , p ar t i c u l ar ment e o m ercad o, o q u e rem e-

p

e l c om o s uj e i to s d o pr o cesso d e ap re n di za ge m .

 

te a s i t uações co m o a ac im a descr i t a . O s c ont eú d os en-

O

es t u d a n t e como produto n ão tra n sfo r m a o m un d o ,

 

a t i ca m e nte t écnicos são pre d o mi nantes no processo

f

m

as an te s t e nd e a e l e se ada pt ar , anula n d o o u r edu z in -

d

e f o r maç ã o do a d m i ni s t ra d o r .

 

d

o dra m a ti c a m e nt e s e u p o d e r c r ia d o r. D i ss o c ia - se d e se u

 

p

a pe l co m o ind i v í du o, r e l e ga n d o - o a u m s e g und o p la -

n

o , no q ua l s ua r es p o n sab il i d a d e co m o ag e nte d e m u -

BUSCANDO BASES SÓLIDAS PARA O ENSINO

 

d

anç a e s t á a li jad a d o e xer c í c i o p r o f i s si o na l . T o r n a - se um

 

in

gê n u o ( F r e i r e , 1 9 83 , p . 69 ) .

 

O aluno como sujeito de seu aprendizado

 

Em co n t r a pont o , u ma e du cação p rob l em a tiz an te bu s -

 

O

papel d e se já vel das es co la s de A d m ini s t r açã o v ai ,

ca a ern e r s ã o d a s con s c i ên c ias e su a inser ção crít i ca na

aos p o u cos e p o r e x cl u sã o , fi ca nd o deli n e a do. Mas qua l o

s

o c i e dad e. Possibi l it a ao al uno s er s ujei t o d o p ró pr i o

pap e l do e s tu d a nte na r e la ção e ns i n o - a p r end iz agem?

r oc esso d e ap r e nd i za d o ,

p

consciên c i a,

pe rmi t e o d esp e r t a r

o d es p e r t a r d a i n t e n c i o na li d a d e ,

d e s u a

Po

d e- se d ef i n ir o al un o de A d min i s tr ação c om o p r o dut o

es t imu l a

ou c o mo s u jeito n o p ro cesso de s ua p r ópr i a fo r mação?

 

a

bus c a d o co nh e c im ento. Mot i va-o a s a i r d a s ubmi ssão

U

m a n o v a r e a l i d ade or g an iz a c i ona l d e m a n d a a d m i-

e

da p ass i v i da d e

e a b r e ca mi n h o p a ra qu e e l e v e nha a

ni

s t r a do re s qu e se j am ca pa ze s d e r eco nh ec er e d e f i n i r

s

e r o p rot a go ni s t a de s ua pró pria h i stó ri a .

p

r o b l e ma s , e q uaci on a r

s o lu çõ es, p e n s a r e s t r a teg i c a -

Na pr át i c a d a pr ob lerna t i zaç ão , os e d uc a n dos d ese n-

m

e n te e s e r cri a t iv o ; que t e n ha m i n i c i a t i va , vo ntad e d e

vo

l ve m o p o de r d e

cap t a ç ã o e comp re e n s ã o d o mu n do

a

p ren d e r,

ab e r tura

às m udan ças , h ab i li dad es de ne go -

q

u e lh e s a p are ce , e m su a s re l a ç õ e s c o m e l e , n ão m a i s como

ci

a ção e cons c i ê n cia d a q u al i d a d e e d a s i m p l i c a ções

um a r ea lid a d e e s t át ic a, m a s co m o um a r e a li d a d e e m t r a ns -

é

t i ca s d e seu t r a ba l h o ( Comi ss ão

d e Es pe c ial i s ta s

d e

o r mação , e m pro cess o. A parti r d a s ex p er i ê n c i a s d os a l u -

f

En

s in o de A d m in i str aç ã o,

1 997, p. 1 2) . Basi c a ment e ,

nos, impli ca- se um consta nte ato de de sv e l a rne n t o

da

ex

i ge u m est u d a n t e at i v o, o qu e n ã o é a r eg r a n a r e l a -

r

ea l i dad e , abr i ndo es p a ç o para a in se rç ã o c rí ti c a d essa

 

ção e n si n o-a p ren d iz a ge m .

r

e a lid a d e . A t e n d ênc i a e n tão , p a r a o a lu n o , é esta b e l ece r

Sobre a a t i t u d e nor m al m en t e p assi v a d o educ a n d o ,

u

m a f or m a a ut ê n t i ca de p ens ar e a t ua r . P e n sa r e m si m e s-

F

re i re ( 1 987 , p . 5 8 ) co nt r i b u i ex po n d o su a co n ce pç ão

m

o e n o m u n d o , s e m s ep a ra r e ss e pe n sa r d a a ção , p o i s a

"

ba nc ária" d a e du ca ção: " A na r raçã o , d e que o e du c a d o r

p

rá t ic a prob l ematíz a n te f unda -se na c r iati v i da d e e es t i -

é

o s uje ito , co n duz os e ducand os

à m e rnoriza ç ã o mec â-

mu l a a re fl ex ão e a aç ão ve rda d e ir as dos h o m e n s so br e

n

i ca d o c o n te ú d o

n ar r a d o .

Ma i s ai n d a , a na r r a çã o

o s

su

a r ea l id a d e ( F re ir e , 1 98 3 , p. 71 ) .

 

tr

ans f o rm a

em ' vas il ha s ' ,

em r e c ip i e nt e s

a s erem

O

alu no que a p r e n d e a pe rc e b e r a s i próp ri o

e s ua

'

e n c h id os ' p elo e du ca d or . Qu anto ma is v á ' e n c h e ndo '

os

s

i t u ação e ntr a em co n t at o

com s u a r e a li d a d e e s e n te - se

 

r

ec i pi . e ntes co m se u s ' d e pó s i tos',

t ant o m e l h o r e duca -

ca

pa z d e m od i f i c á - I a.

O fa ta l i sm o , o u a co n s c i ê nc i a

d e

d

o r s e r á. Q uan t o m a i s s e d e i xa d o cilm e nt e 'e n c h e r ' , tant o

se

s e ntir co m o a p e nas u m

produto a o fin á I do pro ce s s o

 

m

e l hore s e du ca n d o s se rão " .

 

d

e f o r ma ç ão , c e d e lug a r à vo n ta d e de apren d e r p a ra

A

co n cep ç âo " b a ncá ria " da e du cação gu arda mui t as

produzir seu p r óp r i o f utur o. O a lun o , fi n a l m e n t e ,

s e n -

se

m e l ha n ças com a "fá bri ca d e a d mi ni s t r a d ores " . T ant o

te-se su j e i t o.

 
 

A

B R/MAI O /jUN/20 03

• o RAE • 51

 
 

51

4

/ 1 0 / 03. 3 : 2 7 P M

I I

~

I

,'

FÓRUM EDUCAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO·

QUAL SERÁ O FUTURO DAS FÁBRICAS

DE ADMINISTRADORES?

A "redução sociológica" necessária

U ma e duca ção " b a n cár i a " e não p r ob l e matizant e,

a l ie n a o a luno d o pr ópr i o

qu e

proce s so d e apr e ndizad o, im-

movi d a pe l a sua

p r i a s u f i c i ênc i a e pon d o e nt r e s i e as c o i sas que a c i r -

ç u n d am um pr o j e to d e ex istência. Esse p roje t o , ao m e -

autodetermina ç ão em d i r eção à pró-

I L

pos si bi l ita- o d e d esenvo l ver s u a p ró pria p e r c ep ç ão a cerca

n

os no ca m p o d a a d mini str a ção, ainda f al t a a o Br asil,

do f en ôm e no admi nis tr a ti vo e u ma vi sã o c rí t ic a das te ori as

n

a m e d i d a em que im po rt amos e tenta m os implanta r m o-

qu e lh e são ensinad as . Conse qü e ntemen t e, impede - o d e

d

e l os p rontos e inadequ a d os, na maio r pa rte dos caso s .

invest i gar novos mét o do s e t éc nic a s de gestão que m e l hor

I

ss o acontece porqu e a r e d ução soc iológica no ensi-

se adaptem à sua real i dad e . O aluno corre o ri sco , então ,

n

o de A dmin i stração choc a - se fr o ntal m ente com a con -

d

e se tornar um profis s ional co nd e nado a repe ti r indef i n i-

ce p ção " bancár i a" d esse e n s in o. P asso

a pa ss o, a r edu-

am ente os m ét od os e a s t éc ni cas importadas de país es

d

est r a n g eiros , parti c ula rme n te d os Es tados U nido s .

ção é um proces s o qu e d eve ser d ese n v olvido por p es- soas qu e têm cons c i ência d e seu pape l na s oc iedad e e

Nã o des e nv o l ve nd o, d es d e sua im p l a nt aç ã o no Br a -

d

a im p ort â n cia d e tr a n s f ormá - Ia ( G u erre i ro Ra m os,

s il , uma v ia ad e q u ad a à co m p r e e n s ã o d o fen ô men o or-

ga ni zacion a l , sua ciê n ci a e tecno l ogi a , torno u-s e o ens i - no em A d m i n i s t ração d e pen d en t e do d esenvo l vi m en t o

c i e nt í fi co e tecno l óg i co o c o r r i do e m ce n t r os mai s d e - senvo l v i dos. " En qu anto no mun d o m o d e r no do sécu l o

X I X , teór i co s pen sa ram o traba l ho no pan o d e f un d o do

capital i smo ind u st ri al e a r e l ev â ncia do pa p e l d o a d mi -

n i stra d or n este processo , n o Bras il , i s t o n ão aconteceu ",

expl i ca m M ar tins et a/. ( 1 997 , p. 11 ) . Co m o os desa fi os

a dmi n i str a t i v os brasi l e i r o s o corre r am poster i or m en t e aos

d esa fi os a dmi n i st r at i v os d e países que viveram os

primó r dios do ca p i t a l i smo i n d us t r i a l , o país t eve a o p-

ção d e i mp or t ar m o d elos e m d e t r i me nt o

outros, q u i çá m a i s a d e qu a d os às nossas n e c essid a d es e es tilo d e desen vo l v i m en t o. O resultado d esse. p r ocesso é o e n s ino prof iss ion a l i-

da cri ação de

z ant e , que transfor ma o e st u d a nt e e m um técni c o p o u co

" pensante " , em um ap l íc ad or d e t e cnologia em sua mai o r parte impo r tada, e n ã o m a i s e m um possíve l futuro p es- quisador, cient i sta (Cov r e , 1991 , p. 76). Nessas condi -

ções, entende -se a perpe tu ação d o r e f e ren c ial teórico im -

1965, p . 4 5). N ã o p arec e s e r o p e r f il d o est ud ante

d e-

p osi t ár i o, ta mp ouco o d e pr o f e ssor es que se p ort am

como m e r os r e p e t i d ores d e c onhec i mentos pe t r i f i cados , sem v id a e sem chances d e se r em utiliza d os como ferra-

mentas para pr o m o v er qua l quer t r ansforma ç ão ,

é i m-

ele t enha a per c ep ç ão d a tota lid ade do fe -

nômeno ad m inistrat i vo e das i n te r-r e l açõ e s d as d i feren-

tes maté ri as q u e compõem a ár e a. Todas as maté r ias a

se r e m est u d ada s fa z e m parte , necessar i amente , d e co n e -

às o u tras po r u m

víncu l o d e s i g ni ficação q u e dá f orm a ao todo. E x i s t e m

apenas em u m d e te rmina d o conte x to , p o i s a perspec t iv a em q ue es tão a s m a t é ri as e m parte as const i tui . Po rta n to, se trans f e ridas pa r a outra pers p ectiva, de i xa m d e se r exa -

xôes de se n ti d o. Es t ão r e f e r i das umas

p or t ante que

P a ra o estu d an t e ag i r c o mo ser transfor m ador

ta m e. nt e o que era m . As si m, té . cnicas e m éto d os imp o rt a-

d os p ro v a v e l mente nun ca fun c i onarão sa t is fatoriament e,

pois foram concebido s em outro co n tex to e, quando trans -

f e rido s, p a ssam a apres e ntar pr o bl em as . Não é necessário, p oré m , q ue se r e com ec e a hist ó ria

a d m ini s trati va n o Bra s i l. A fim d e m e l h o r condu z ir o

p

ortado e da b a ix a p r odução d e co nh ec im e nto no Bra s il .

p

 

H

á a n e c e ss i dad e d a c r iação de uma co n s c i ên ci a c r í -

r ocesso de de s en vo l vi m e n to nas várias áreas d o saber hu mano, é imp or t ante investigar a experiênc i a e st ra n -

t

ica e m r e l a ção a esses assu n t o s qu e f aze m p arte d a rea-

ida d e nac i ona l . A re du ç ão socio l ógica é , e n tão , tema d a

ge i ra, se u s s uc essos e insuce s sos. A r edução soc i o l óg i ca

l

co nd uz a um p r o ced im ento c r íti co-assim i lativo dessa

maior i mportâ n cia q u ando se f a l a d a f o rm ação do ad-

e

x per i ência, por u m a soci e d ad e qu e desen v o l ve a capa-

m

i n i st r a d o r . D ef i n e -a Guer r e i ro Ramos ( 196 5 , p . 44) ,

c

id a d e d e se auto-articular , tornando -se consc i ente m ent e

n

o domí n io res t r i to da sociologia , co m o: " u m a a tit ud e

sel e ti v a . É d i ri g i da por uma asp i ra ç ão ao un i versa l , po -

m etó d ica que tem por f i m desco br ir os pressupostos

r eferenci ais, d e natureza histórica , dos ob j etos e f atos

d a r eal i dad e soc i a l . A r e d u ç ão s oc i ológ ic a, p orém, é di -

t a d a n ão so m ente p e l o imp e rat i v o de co n hece r , mas tam -

bém p e l a necess id ade so c ia l de uma comun id a d e q u e, na realiz aç ã o d e seu p roje t o d e e xistência hi st ó ric o , t e m

d e serv ir-s e d a ex p er i ênc i a d e outras co munidad es " .

P a ra al é m d as d ef i n i ções, t rata-se d e uma a ti v id a d e

d e pr o ta go n i sm o d e t o d o um país. E l a s urg e quando u ma soc iedade dep en den te se esp e l ha em um a desen vo l v ida ,

I I

 

5

2 • c RAE • VOL . 4 3 • N° 2

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52

r é m me di a ti zada p e l o l oca l , regi o nal ou naciona l .

CONCLUSÕES

A d eman da p o r a d m i nistr a dor e s sem p re acompanhou

a es trutur aç ão ec o n ômica d o país , r elac i o~ a ndo - se com

os mome n to s hi s t óricos carac t erist i cos d esse pr o c esso

a t é o s di as d e ho j e. O e n sino d e A d minist ra ç ã o, i n i c i a l -

m

e n te c onfundid o

com o d e Econo mi a,

f o i r e g u l a d o

4

/ 1 0 1 03 , 3 : 27 P M

II

~I

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0 4 4 - 05 4

 

'.

••

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IL

 

ALEXANDRE NICOllNI

p

r im eirament e

e m 1 9 3 1, qu ando o cap i ta li s mo

q u e se

i

mpo rt an d o co nh ec i me n to já si stema tiz a d o e m out r os

 

ins ta l av a t a rd ia men te em no sso p a ís n eces si t a va d e pro -

fi

ss i onais espe c i aliz a d os pa r a g e rir as o rgani zaç ões i n-

p

aíse s, p rem ido p e l a nec ess id a d e d e se des e n vo l v er e a li a-

do à imp oss ibilidad e de g era -lo em c urto pr a z o . Isso acon-

du stria i s que se insta l avam . Nos anos 1 950, quand o u m

tece d u r a nt e to d a a h i s t ór i a d o su r g im ento e dese n vo l v i -

m

ento da á r ea d e Adm i nistração no pa í s e esten d e-se até

novo governo Vargas buscava o dese n vo l v i men t o eco-

n

s

õmico e socia l d o país, segui d o por K u b i tsche k , o en-

i no de A d minist ra ção estr u turou-se a par tir d a i n flu ê n-

os dias de hoje. A im po r tação desse co n he cim e n to admi-

ni s trati v o , a dqu i ri d o e m o u tras co ndi çôes ec o nô m icas,

cia ge rada p e l a Funda çã o Getulio Var g as e , mai s e speci -

s

oc iais

e c ulturai s, porém, nunca c o nduziu o Bra s il ao

fi

c am ente, pe l a E sco l a d e A d m ini s tr ação d e Em presa s

m

es mo estági o d e d ese n v ol v im e n to cap itali s t a des ses pa -

d

e São P a ul o, cr i a d a em 1 954. O mode l o d e ens in o d es-

í

ses. Co ndu z iu , a n t es, a u m esta d o d e d epe nd ê nc ia in te-

sa escola, com um currículo especia li za d o e m ad mi nis-

tração d e em pr esas, tra duzi u o m o m en t o h i stó ric o pe l o

qu

a instala ção d e vár ias em-

a l a t r a vessava o p a í s, c om

l

ectua l a d m i n i st r ativa, q ue não f oi so lu c i onado mesmo

após t a n ta s d éca d as em qu e o pais b u sca , d e f orma

ca u d at á ri a , e ncont ra r -s e com a mod em idad e .

pre sas es tran geir as e e s t atais.

as grandes empresas, mu ltin ac i ona i s e estat ai s - pr i nci -

Tal d e p e ndên c i a pode se r c redit a d a, tamb é m, à falta

d

a

e c ar áter i nves ti ga ti vo n o dese n volv im e nt o d as c i ências

d mi ni strat i vas no país. E m i ns ti tu i ções u n i versitár i -

Com o d esenvo l vi m e n to es timul a d o pel os gove rn os

mili tares e o " mi l agre econômico " , a nação p r ivi l egiou

as o nd e se d esenvo l ve m pesq ui sas, se di rnenta-se um

pa

l me n te estas ú l t im as. O ens i no expan diu- se e m rit mo

c

o n h ec i me n to qu e é esse n cia l mente di nâm ic o, q ue

ac

e l e r a do, r es ultado da regul am e n ta ção da pro f i ssão e

ac r e sc e n t a ,

des e n vo lve -se e adapt a -se às c ondi ções

d

o b ac h a r elado e m A d m inis traçã o , pr oc urand o s uprir a

soc io e con órni co -c ulturai s d esi gu a i s, a part i r da reve l a -

d

ção d e seus m e can i s m os

e de co m o m an u seá -I os.

 

E m

eman d a por t ecnoc r atas gerada p o r esse ti po de d ese n - volv i mento. J á em 1 993, após d o i s anos d e governo

i

nstitu i ções o nd e o e n si n o é a ú ni ca ativ i dade, o conhe-

 

Co ll or e i n t ensas mu d anças q u e p ro j etava m o Bras il n o

c

i me nt o ad mini strat i vo to rn a - se ríg id o e estát i co: r í g i-

o n t exto d e u ma economia gl oba liz ada, a r efo r m a d a

c

regul a m e nta çã o tent a o rient a r a s escol as para a forma -

s

il qu e inau g ur o u , dese nvol veu e con cre tiz o u- se com o

o p o is a ine xis tê n c i a da p es quis a t o rna seus m ecan is- mos desconh e cido s e não p er mite ajustam e ntos, e e stá-

do s con-

i tos. R eg i st r e-se q ue a expa n são d o ensi n o d e A dmi -

nistr a ção se fe z primor di a l me nt e por m eio de i nstitu i -

ce

d

t

ico p o r qu e só se t o rn a p ossíve l a r ep rod ução

ção de profi ssion ai s aptos a enfr entar o mund o e sua s

novas de m andas.

Como conse q üência h i stórica, o ensino d e Adm i n i s- tração nasceu , est r u tu ro u- se e expan di u-se e m um Bra-

ções d esse t ipo. Em f a c e de um mund o e m co nst a nt e des envo lvim e nt o

um a soc ied ade i ndu s tri a l . H er d o u as c ar a cterí s ti cas ma is

e

s ofrend o profunda s mud a nças , no qual a s ca ract e rí s ti -

ma r ca n tes d e ta l soc i eda de , como a di v i são d e tr aba lh o,

cas i n du s t r i a i s p er d em p a ul a tinam e nt e o se ntid o , os á t o-

a

d

d

espec i a l ização e o mecanic i smo que pe r me i a m o m o-

e l o de ensino em voga. Com as mudanças acon t ecen-

o d e for m a avassa lad ora n a ú ltima d éc ad a e co m a es -

m

os e st ão se nd o subst i t uíd os pelos bites, e a in f or m a ç ão

- o d omínio d e l a - f ir ma-se c o mo a ba s e d e to d a uma

nov a g a m a d e pr o d u tos, p o d e- se co n si de rar que é uma

tagna çã o acad ê mica do ensino de Administr aç ão, em

b

oa hora para se r e p e nsar o e nsino d e Admi n istração .

 

p

arte d ev id a à " d éca d a per di d a ", inc or porou- se a e s se

A defin içã o

 

da s nov as Di re triz es C urricul ares, em aná-

 

e

n si n o m a i s uma caracte r is ti ca: a visão d e s i stema fe-

li se no Co n se lh o Nacio n a l d e Edu cação, in fel i z m ente n ão

é uma asp i ração das esco l as de A d m i n ist ração para dimi-

con q u i s t a d o p e l o

nuir a d efasage m e n tre o conhec i mento

cha d o. Todas essas característ i cas, pert i nentes ao mo -

mento histór i co e m qu e s ur giram , torna m- se hoje pa rt i -

c

ularm e nte p rob le má ti c as q uan do se te nta busca r n o-

av an ç o c i en tíf i c o e t e cno ló gi c o atu a l e o con he c i ment o

v

o s ru mo s p ara a fo r ma ç ão d e a dministr a dor es. Em um

e

n s inado n a s sala s d e aula . A ntes, t ê m com o f a to políti c o

mund o g lo ba liz a d o e h o l í s t íco , f al ta a ess e s h o mens e

m

u l heres uma co m preensão maio r d o fenômeno orga-

p

rece d e n te a no va L e i d e Di re t r i zes e Ba s e s d a Edu cação

Nac i o n a l . A p r eoc up ação d ecorre d o fato d e , já em 1993,

n

i zaci ona l e d e suas conseqüênc i as.

r eg ul amentação ora promu l gada co nf er i r às escolas li-

a

ber d a d e, senão t o tal, s u f i cie n te pa r a q ue c ad a uma

A i mpor t ação de r e ferencial t eó ri co r e f orça essas ca -

ra

c t e r tst ica s . Nos paí se s ditos d e Prim e iro Mund o , o d e-

on nata sse s e u pr o j e to d e ens ino e d e finis se o profi ss i o-

f

sen vo l v i.m ento do cap itali s m o só se d e u c o m a p r o du çã o

n

a l que d ese jaria f or mar, u t ili z and o a p ráti ca pe da góg i c a

o domí ni o do conhecimen t o a dmi n i s tra t i vo pa r a t al .

e

No Bras i l, o capita li smo tar d io sup r iu suas n ecessida d es

qu e jul gasse ade qu a da. A g r a nd e m a i o ri a d e l as n ão f e z

uso d e tal l ibe r da d e, lim itando- s e a r efor m ula r seus c ur-

 

ABR/MAIO/jUNI2003

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/ 10 /0 3 . 3 : 27 PM

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FÓRUM EDUCAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO • QUAL SERÁ O FUTURO DAS FÁBRICAS DE ADMINISTRADORES?

rícu l o s apena s p a ra ad e qu á - I as ao n ov o t exto d a Le i. Se a p r etensão de ss as novas di r e t r i zes c u r r i cu l ares fo r

u

m e ns i no un i versitário d e- A dm ínístra ç ão base a do na

u

ni v e r sa l i da d e de idé i as e c o mpreensões , um trab a lho

d

e f o rma ç ão v e r d ade i ramen t e i n t erd i s c iplinar , é proce -

dente a pe r spec t i v a d e contratar e d u cadores e pe d agogos para i nteg r a r a e qu i pe d e t r ab a l ho e a j ud a r n a def i n i ção

a qu e l e c u rso . Do

contrá r i o, a pr opos ta d e r e f o n n u l a ção d o e n s in o irá se tornar no v a m e n te in gên u a e li mita d a. Se n ão h o u ve r a uti l iz aç ão d e pe d agog i as in o v a d oras , o e n s i no d e A dmi -

n i s tração , e m bora d isponha d e todos os tr u nfos i mpor -

tant e s para sua supe r ação , es tagnará na co n cepção " ban- cária " j á ex p l i ci t a d a p o r Pau l o Fre i re, e res u l tará n as

mes m a s " f á bri cas d e a d mi ni s t ra d o r es " c o n st r u í d a s a pós

a s dua s p rim e i r a s regu l ame nt a ç õ es. As com p etências d ese j áve i s a o a d mi n i s t rad or, q u an d o não s ão i n atas , tê m d e se r de se n v o l v i das ao lo n go do curso - des e nvolviment o q ue pr e ssupõe o e st u da nte como sujei - to d e s eu p r ópr i o process o de f orma çã o . H á d e se trabalhar os a l unos como i ndi ví du os q ue d evem e têm d e contr i b u i r

p a r a o e n r i qu ec i m e n t o d os temas e abor d age n s dese n v o l -

vidos durant e e s s a f o r m a çã o. O e s t u d o das o r g ani zaç õe s, mui to ri co , é de u ma comp l ex i d a d e notáve l , o qu e traz

u m a d if i c u l d a d e na tu r al para ap r eend ê -I a. Mesmo ass im , ainda que comp l exo seja o as s u nto , o e s t u d ante q u e parti - cipa d o projeto p a r a sua f orma ç ão te r á a chance d e de s en- vo l ve r a consciênci a cr í ti ca q ue l he permi ti r á u ma me l hor co m preen s ão d o f e n ô m eno orga n i za e iona l .

d a s p e d a g og i as a d e qu ad as a es s e o u

Arti go convidado. Aprovado em 15/02/2003.

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so br e s u a n atu r e z a e suas

Universidade Cândido Mendes - UCAM E-mail: nicolini@ucam-campos.br Endereço: Rua Almirante Barroso 248, Ed. Bela Morada, apt. 402. Salvador, BA. CEP: 41.950-350

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