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ENSINO DE CIÊNCIAS E DE MATEMÁTICA PARA INCLUSÃO DECRIANÇAS DEFICICIENTES VISUAIS: ALGUMAS POSSIBILIDADES

Mari Inêz Tavares mari.tavares@ufes.br UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO Hellen Castro de Almeida Leite profahellen@yahoo.com.br UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

Bruna Zution Dalle Prane

FACULDADE DE EDUCAÇÃO

RESUMO

O presente artigo tem por objetivo discutir algumas possibilidades no ensino de

Ciências e Matemática de forma interdisciplinar, como o uso de gráficos e tabelas e o

estudo do desenvolvimento de plantas e classificação do tipo de folhas e sugerir outras

atividades além das mencionadas para o trabalho interdisciplinar. São poucas as

pesquisas no campo do ensino de Ciências para crianças e em especial no que tange ao

ensino desta disciplina para alunos cegos e com baixa visão. Os referenciais teóricos

adotados foram os estudos de Jean Piaget acerca do desenvolvimento cognitivo de

crianças e sobre a epistemologia das relações interdisciplinares. O manuseio de

sementes, folhas, o acompanhamento do desenvolvimento de uma planta envolve a

construção de conceitos de seriação, classificação e mensuração que são fundamentais

para compreender e construir gráficos e tabelas. A necessidade de possibilitar que

crianças cegas e com baixa visão construam uma imagem mental sobre o que vem a ser

uma tabela e um gráfico, conduziu as pesquisadoras aos estudos de Maria Lucia Batezat

Duarte acerca da construção da imagem motora de objetos e figuras. Os materiais

utilizados são de fácil acesso: materiais texturizados e/ou imantados, cartolinas, palitos,

folhas e sementes diversas. Destacamos a importância da parceria entre pesquisadores e

toda a equipe pedagógica, pois, em geral, a forma de aprender de um aluno desprovido

do sentido da visão exige empenho e mudanças no planejamento docente. Espera-se que

este trabalho possa contribuir para que professores pensem em outras possibilidades de

ensino interdisciplinar e construção de materiais que visem incluir crianças cegas e com

baixa visão ao aprendizado de quaisquer disciplinas que compõem o currículo escolar.

Palavras-chave: Ensino de Ciências e Matemática; Interdisciplinaridade; Materiais

Didáticos Adaptados.

ABSTRACT

The aim of the present article is to discuss some alternatives regarding the teaching of Mathematics in an interdisciplinary way, as well as to discuss the use of charts and tables and the study of the development of plants and the classification of different kind of leaves. It has, also, as an aim to suggest other activities, besides those mentioned for the interdisciplinary work. There are few research projects as far as the teaching of Sciences to children is concerned, especially when it comes to teaching this subject to blind students and students with low vision. The theoretical framework adopted were the studies of Jean Piaget on the cognitive development of children and about the epistemology of interdisciplinary relationships. Handling seeds, leaves and observing the growing process of a plant involves the construction of concepts of seriation, classification and measurement that are esssential to the understanding and the construction of charts and tables. The need to allow children who are blind and with low vision to build a mental vision of what is a chart and a table, led the researchers to the works of Maria Lucia Batezat Duarte about the building process of the motor images of objects and figures. The material used is easy to find: textured or magnetized material, cardboard, sticks and different kind of seeds. We want to stress the importance of the parternship between the researchers and the entire teaching staff, since the learning process of blind and low vision students demands commitment from the teachers and changes in the lesson planning. We hope that this work may help teachers to think about other possibilities of interdisciplinary teaching, as well as help them to build materials whose aim is to facilitate the integration of the above mentioned students with the other school subjects. Keywords: teaching Sciences and Mathematics; interdisciplinarity, adapted teaching materials.

INTRODUÇÃO

A deficiência em todas as suas dimensões, sejam leves e transitórias, sejam graves e persistentes não podem mais ser objeto de justificativa para o fracasso escolar. Compete ao poder público fornecer recursos para que professores de todas as áreas do conhecimento recebam durante a sua formação inicial e continuada orientações para

realizar trabalho pedagógico de forma que atenda satisfatoriamente esta população. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação Especial (BRASIL, 1999) é necessária a adaptação do currículo regular para torná-lo apropriado às peculiaridades dos alunos deficientes. Neste artigo será abordado como desenvolver um trabalho interdisciplinar que aborda a questão classificação das sementes, folhas e desenvolvimento de plantas aliada ao tratamento de informação.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática (BRASIL, 2000) recomendam que o tratamento da informação seja trabalhado desde os primeiros ciclos. Geralmente este conteúdo é muito pouco explorado nas séries iniciais do ensino fundamental, pois a ênfase é dada à aritmética. Em muitos casos não impera negligência por parte do professor, mas lacunas em sua formação o impedem que aborde de forma didática tal conteúdo, uma questão histórica, pois desde os tempos do mestre-escola do Brasil Colonial, a prioridade do ensino de matemática era aritmética (SOUZA, 2008), um tema para ser abordado em outro artigo. Em relação ao ensino de Ciências no primeiro ciclo, os Parâmetros Curriculares Nacionais de Ciências (BRASIL, 1999), sugerem que o ciclo de vida de plantas e animais e sua integração ao meio ambiente sejam trabalhados a partir do primeiro ciclo.

O aluno deficiente visual apresenta duas dificuldades adicionais referentes à organização de informações em forma de tabelas e gráficos a serem destacados:

1) No seu cotidiano ele raramente se depara com gráficos e tabelas. Por exemplo, ele não tem acesso às tabelas nutricionais das embalagens de alimentos e os gráficos encontrados facilmente nos jornais. Mesmo quando as embalagens apresentam alguma informação em Braille, está resumida e em forma de texto.

2) Os recursos disponíveis na escrita em Braille, tanto com o uso da máquina Perkins, quanto a escrita manual com reglete e punção, não oferecem facilidades para a escrita de tabelas e gráficos. Por exemplo, fazer um traço vertical, é possível, porém, é muito trabalhoso e pouco funcional. Quanto aos sintetizadores de voz, funcionam bem para texto, mas também apresentam muitas limitações para disciplinas que usam nomenclaturas e símbolos específicos, como é o caso da matemática (PALMEIRA, LEITE e PRANE, 2010).

Atualmente, a equipe Acessibilidade Brasil desenvolveu o programa MONET 1 que permite a geração e impressão de uma série de figuras e gráficos táteis utilizando impressoras Braille. Além do Monet, há o programa Braille Fácil 2 que foi desenvolvido para transcrever e imprimir textos diversos para o Braille, até mesmo aqueles que possuem símbolos matemáticos ou musicais, facilitando o acesso de textos em Braille. Historicamente, o ensino de Ciências para crianças no Brasil é problemático, pois os professores que atuam nos primeiros ciclos do Ensino Fundamental não possuem em sua formação inicial disciplinas que contemplem sobre como ensinar ciências para crianças. Cursos Normais, Habilitação Específica para o Magistério e Pedagogia priorizavam até meados da década de 1990 a alfabetização, o letramento e o ensino da aritmética nas suas disciplinas de Didática e Metodologia (TAVARES, 2009). Esta questão aliada às poucas pesquisas acadêmicas acerca do ensino de ciências para crianças e à ausência de cursos de formação continuada que suprimam esta lacuna faz com que Ciências seja praticamente banida do Ensino Fundamental. É comum encontrarmos crianças que chegam ao término dos ciclos iniciais sem a construção de conceitos mais inclusivos acerca de Ciências (TAVARES e REZENDE, 2011). As aulas teóricas e expositivas já são de difícil compreensão por crianças videntes, pois o ensino de ciências pressupõe a realização de atividades experimentais que valorizem a discussão em grupos e com o professor, a manipulação de objetos para a compreensão dos fenômenos da natureza. Para uma criança deficiente visual, esta dificuldade é mais acentuada, pois a ausência de modelos táteis, olfativos e auditivos e do diálogo com professores e alunos videntes e o fato de certos fenômenos da natureza serem percebidos apenas pela visão, a impossibilita construir conceitos relativos às ciências.

Interdisciplinaridade é um termo polissêmico. Existe consenso entre os diversos estudiosos do tema que interdisciplinaridade é uma tentativa de superar a fragmentação do conhecimento. Dentre esses estudiosos, Piaget (1972) define interdisciplinaridade como o intercâmbio mútuo, em forma de espiral entre várias ciências que resulta em um enriquecimento recíproco. Interdisciplinaridade para Piaget é o estágio intermediário entre a multidisciplinaridade que seria apenas a relação entre as várias ciências e a transdisciplinaridade que seria a utilização dos conceitos construídos durante um estudo

1 Disponível no link http://intervox.nce.ufrj/brfacil. É um programa gratuito.

2 Disponível no link http://intervox.nce.ufrj/brfacil. É um programa gratuito.

interdisciplinar em outra disciplina sem estabelecer um limite rígido entre as disciplinas envolvidas.

Piaget (1972 pp. 156-157,tradução nossa) afirma:

não temos mais que ser forçados a dividir ou sobrepor em

compartimentos estanques à história real, e às fronteiras aparente de nossas disciplinas científicas e tudo nos leva a engajar em pesquisa

do mecanismo de interação mútua.

] [

E ainda o mesmo autor com relação às questões sociais:

] [

interdisciplinaridade não é um luxo ou produto usado

para se tornar própria a condição de progresso da investigação.

ensaios interdisciplinares são fundamentais para

problemas sociais que exigem mais e mais um desenvolvimento complexo da ciência .

[

]

Piaget (1972) ainda defende que a lógica e a matemática não são apenas constituídas de apenas uma língua ou um emaranhado de conceitos e estruturações isoladas. Ele defende as ideias de Chomsky de que a linguagem está subordinada ao pensamento.

Dada a riqueza de interações que envolvem uma prática educativa interdisciplinar tanto em nível social quanto em nível cognitivo por favorecer a construção de conceitos, esta prática é conveniente para discutir a questão do tratamento da informação vinculada ao crescimento e desenvolvimento de vegetais por quaisquer crianças.

Acompanhar o desenvolvimento de uma planta, distinguir suas partes, perceber a variedade de folhas, flores e frutos bem como a construção de gráficos e tabelas demanda recursos da memória visual. A questão é que a criança cega congênita não possui referência visual destes elementos e mesmo a criança com cegueira adquirida, dependendo da idade pode não ter a memória/imagem visual desses mesmos elementos. Eis a questão: como ensinar essas crianças?

Guérin, Ska e Belleville apud Duarte (2008), apoiadas no desempenho de sujeitos de pesquisa com déficit visual espacial, asseveram que o desenho pode ser

realizado, recorrendo-se apenas à memória associativa, que reconhece o objeto e à memória procedural que armazena a imagem motora necessária ao ato de desenhar. Assim, Duarte (2008) defende que através da imitação sensório-motora e da manipulação de modelos táteis, uma criança é capaz de desenhar, pois construirá a imagem motora deste objeto.

MATERIAIS DE MATEMÁTICA E CIÊNCIAS CONFECCIONADOS PARA A CONSTRUÇÃO DA IMAGEM MOTORA

Materiais didáticos devem ser elaborados de forma que sejam resistentes ao manuseio e de fácil exploração (SÁ, CAMPOS e SILVA, 2007). Os recursos didáticos são de suma importância para a educação de crianças deficientes visuais, pois conforme lembrado por Cerqueira e Ferreira (2000, p. 24):

a carência de materiais adequados pode conduzir a aprendizagem da

criança deficiente visual a um mero verbalismo, desvinculado da realidade;

a formação de conceitos depende do íntimo contato da criança com as coisas do mundo;

alguns recursos podem suprir lacunas na aquisição de informações pela criança deficiente visual.

Ochaita e Rosa (1995, p.183) afirmam que a cegueira “tem consequências sobre o desenvolvimento e a aprendizagem, tornando-se necessário elaborar sistemas de ensino que transmitam, por vias alternativas, a informação que não pode ser obtida através dos olhos.” Conforme Sá, Campos e Silva, (2007, p. 21) as crianças cegas operam com dois tipos de conceitos:

1 Aqueles que têm significado real para elas a partir de suas experiências.

2 Aqueles que fazem referência a situações visuais, que embora sejam

importantes meios de comunicação, podem não ser adequadamente compreendidos ou decodificados e ficam desprovidos de sentido. Nesse caso, essas crianças podem utilizar palavras ou expressões descontextualizadas, sem nexo ou significado real, por não basearem-se em experiências diretas e concretas. Esse fenômeno é denominado verbalismo e

sua preponderância pode ter efeitos negativos em relação à aprendizagem e ao desenvolvimento.

Os materiais que serão descritos foram elaborados por LEITE, COSTA,PRANE

e PALMEIRA (2010) e foram utilizados em aulas de matemática para uma turma do

primeiro ano do Ensino Médio, porém por ser de fácil confecção e manuseio, pode ser utilizado por crianças em jovens em qualquer nível de ensino.

GRÁFICO DE BARRAS

Este material tem por objetivo auxiliar na construção e interpretação de um

gráfico de barras. É composto de uma chapa imantada ou painel de metal para fotografia, lata de biscoito quadrada ou outra chapa imantada que possa ser levada para

a sala de aula. Os eixos são feitos por um imã estreito, vendido à metro em grandes lojas de armarinhos e de artesanato. As barras do gráfico podem ser feitas por quadrados de EVA (etileno vinil acetato) com o imã colado atrás ou botões imantados como pode ser visto na Figura 1.

atrás ou botões imantados como pode ser visto na Figura 1. Figura 1 : Foto do
atrás ou botões imantados como pode ser visto na Figura 1. Figura 1 : Foto do

Figura 1: Foto do gráfico de barras construído pelos alunos videntes e os deficientes visuais. Fonte: as autoras.

GRÁFICO DE SETORES

Outro gráfico possível de ser confeccionado é o gráfico de setores. Suas bordas podem ser feitas de tinta em alto-relevo, no caso da figura abaixo as bordas foram feitas de barbantes, as informações estão tanto em Braille como em escrita em tinta. Vale ressaltar que o gráfico abaixo foi construído por alunos deficientes visuais com o auxilio

de estagiários da licenciatura em Matemática, em experiência relatada por LEITE, COSTA, PRANE e PALMEIRA, (2010), conforme ilustrado na Figura 2.

PRANE e PALMEIRA, (2010), conforme ilustrado na Figura 2. Figura 2: Foto de um gráfico de

Figura 2: Foto de um gráfico de setor construído pelos alunos deficientes visuais com auxílio da bolsista PIBID e da professora de apoio para amostra cultural com dados sobre o ecossistema mangue. Fonte: as autoras.

TABELAS

As tabelas devem ter dimensões que permitam a “varredura” pelas mãos de forma que o individuo tenha oportunidade de construir a ideia de todo. Para a confecção da tabela pode ser utilizada cola alto relevo para a construção das bordas. Aconselhamos iniciar o estudo com tabelas de dupla entrada. Inicialmente podemos utilizar para compor a dupla entrada materiais diversos. Na Figura 3 está a foto de um trabalho semelhante realizado por LEITE, COSTA, PRANE e PALMEIRA (2010), utilizando blocos lógicos.

COSTA, PRANE e PALMEIRA (2010), utilizando blocos lógicos. Figura 3 : Foto de uma das tabelas

Figura 3: Foto de uma das tabelas de dupla entrada construída pela bolsista PIBID para o trabalho com alunos deficientes visuais. Fonte: as autoras.

As bordas das tabelas também podem ser confeccionadas com rolinhos de papel

jornal e coladas na folha de papel sulfite.

Ficar com as mãos sobre a tabela, se em cima dela ficam objetos soltos, pode

fazer com que as peças se misturem, tornando difícil a sua compreensão. Por isso, é

importante que a tabela não seja muito grande e que haja um acompanhamento

constante do professor. Dependendo do caso, materiais imantados ou com velcro, ou

feltro podem ser úteis.

MATERIAIS DE CIÊNCIAS

Os materiais de ciências que sugerimos são materiais existentes no cotidiano do

aluno. para esta atividade sugerimos o uso de folhas e sementes variadas para que as

crianças tenham uma percepção da diferença da constituição dos vegetais.

SEQUÊNCIA DIDÁTICA

As sequências didáticas que sugerimos é uma adaptação da atividade proposta

por MARTINS (2009). O Quadro 1 dispõe a sequência:

As sementes germinam e crescem de igual forma?

Objetivos

Prever, experimentar, observar e comparar o processo de germinação das sementes e o crescimento de plantas

Exploração

1-

Contar a historia do João e o pé de feijão

Didática 1

2-

Após o conto, perguntar às crianças se o feijão poderia se

transformar numa planta.

 

3-

Introduzir as ideias de que o feijão é a semente da planta

feijoeiro e pedir para que indiquem as sementes que conhecem.

4-

Dispor sobre a mesa várias sementes, de modo que

reconheçam a sua diversidade

 

5-

Agrupar as sementes segundo critérios de escolha (lisa,

rugosa, grandes e pequenas)

 

6-

Perguntar sobre a possibilidade de fazer crescer plantas

dentro da sala a partir daquelas sementes.

7-

Orientar as crianças a planejar atividades que permitam

observar e germinar sementes e o crescimento das plantas.

8-

Perguntar

às

crianças

sobre o que pensam o que

acontecerá às várias sementes.

9-

Registrar através de desenho a observação das sementes.

10-

Dialogar com as crianças sobre as observações efetuadas

a cada semana.

a cada semana.

Quadro 1: Sequência Didática 1

Recomendamos que o professor oriente as crianças a colocarem pelo menos três sementes de cada tipo no recipiente que pode ser uma garrafa pet cortada a 5cm a partir de sua base. No fundo do recipiente, colocar preferencialmente uma folha de papel pardo (papel toalha) por permitir um contraste adequado à observação das várias partes das plantas. O recipiente não pode ser muito fundo para permitir o manuseio da criança deficiente visual, o que a possibilitará, através do toque perceber o desenvolvimento da semente. O papel pardo deverá estar sempre úmido. Recomendamos usar um borrifador para que os recipientes sejam regados de igual forma.

Organizar uma tabela semelhante a apresentada Tabela 1 para o registro do seu desenvolvimento. A escrita deverá estar de forma convencional e em Braille.

Tabela 1: Modelo de registro do desenvolvimento das sementes e crescimento das plantas.

Recipientes

com

Registro 1

 

Registro 2

 

Registro 3

 

sementes de:









Data:

/

/

Data:

/

/

Data:

/

/



Desenho

 

Desenho

 

Desenho

 







Alface

     



Tomate

     



Feijão

     



Milho

     



Grão de bico

     



Antes, durante e depois da atividade é importante que o professor dialogue com a criança sobre as observações efetuadas a cada semana e ajudá-las a sistematizar o que aprenderam com a atividade: que as sementes apresentam uma grande variedade, que

não germinam ao mesmo tempo, que algumas plantas ficaram com raiz maior/menor,

que uma planta cresceu mais/menos, que o tamanho da semente não determina o

tamanho da planta, etc. Em continuação a esta sequência pode-se explorar com as

crianças as seguintes questões: o que aconteceria se as sementes não estivessem em um

meio úmido? O que aconteceria às sementes se fosse colocadas para germinar em

ausência de luz?

A outra sequência didática envolve a classificação das folhas. Esta sequência

permite uma série de possibilidades de exploração pelas crianças. Nesta atividade

selecionamos vegetais de uso comum na alimentação como salada e tempero tal como

agrião alface, repolho, hortelã, cebolinha, anis, alecrim e espinafre. O Quadro 2 explica

a sequência didática

 

Folhas, folhas e mais folhas

como

arrumá-las?

Objetivo

Recolher, observar e agrupar folhas em função de algumas das suas características (liso, rugoso, folha pontuda e arredondada)

 

1-Colocar as folhas recolhidas ou trazidas do supermercado ou feira.

Exploração

2-Livre manipulação, explorando o tato e o olfato. Sugestão: usar vendas nos olhos de alguns videntes para que eles identifiquem o folhoso pelo olfato e pelo tato. 3-Observar e dialogar acerca da sua diversidade.

4-Propor que agrupem as folhas segundo critérios à sua escolha.

Didática 2

5- Dialogar sobre os critérios usados na formação do grupo de folhas.

6-Explorar outros critérios não referidos pelas crianças sobre textura, tamanho, quantidade de nervuras, etc.

7- Explorar outras formas de classificação.

8- Propor a construção de um herbário com folhas recolhidas em jardins e praças.

Quadro 2: Sequência didática sobre classificação de folhas.

As tabelas com as classificações dos vegetais podem ser organizadas de várias

formas. Utilizamos para exemplificar o preenchimento, os seguintes vegetais: agrião,

alface, hortelã, repolho, cebolinha, anis, alecrim, espinafre. Justificamos a escolha

desses vegetais pelo fato de serem facilmente encontrados, por terem folhas

relativamente pequenas e por permitirem a sua classificação em três critérios, de forma

que em qualquer caso termos quatro em cada classificação. Assim, os critérios adotados

foram:

a) Quanto ao formato das folhas: arredondadas ou pontiagudas;

b) Quanto à textura: lisas ou rugosas;

c) Quanto à utilidade: usados como temperos ou não.

As Tabelas de 2 a 4ilustram algumas possibilidades de classificação.

Tabela 2: Possibilidade de classificação dos vegetais

Critérios

Arredondado

Pontiagudo

Liso

Agrião

Cebolinha

Alface

Anis

Rugoso

Hortelã

Alecrim

Repolho

Espinafre

Tabela 3: Possibilidade de classificação dos vegetais

Critérios

Tempero

Não-tempero

Liso

Cebolinha

Agrião

Anis

Alface

Rugoso

Hortelã

Repolho

Alecrim

Espinafre

Tabela 4: Possibilidade de classificação dos vegetais

Critérios

Arredondado

Pontiagudo

Tempero

Hortelã

Anis

Alecrim

Cebolinha

Não-tempero

Agrião

Espinafre

Alface

Repolho

Esta atividade pode ser realizada de forma similar com outras partes

constituintes da planta (raízes, caules e flores). Construir um portfólio com as diferentes

partes constituintes de uma planta, usando exemplares secos.

PARA NÃO CONCLUIR

ALGUMAS REFLEXÕES

Os recursos pedagógicos adaptados são importantes para garantir que os

educandos com deficiência visual atinjam os mesmos níveis de aprendizagem de seus

colegas videntes.

É necessário pensar em organizar um horário de trabalho pedagógico dentro da

carga horária dos professores que ministram aulas em salas inclusivas e professores de

apoio para que estes possam elaborar em conjunto materiais pedagógicos diferenciados

para os alunos com deficiência visual, uma vez que o planejamento das aulas e

confecção desses materiais demandam tempo, empenho e criatividade.

Indo além, é relevante que esses profissionais sejam estimulados a participarem

de grupos de estudo e pesquisa bibliográfica sobre experiências, possibilidades e

limitações dos alunos com tais características. Destacamos a parceria entre escolas de

educação básica e universidades como meio fundamental para estabelecimento de

diálogos e produção de conhecimento por professores/pesquisadores de quaisquer níveis

de ensino e áreas.

O trabalho interdisciplinar com quaisquer crianças favorece a sua aprendizagem

por evitar a fragmentação do conhecimento.

REFERÊNCIAS

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Parâmetros

Curriculares

Nacionais:

matemática.

Ministério

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Educação, Secretaria de Educação Fundamental. 2. Ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.

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DUARTE, M.L.B. A imitação sensório-motora como uma possibilidade de aprendizagem do desenho por crianças cegas. Ciências & Cognição (UFRJ), v. 13, p. 14-26, 2008.

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PALMEIRA, C. A; LEITE, H. C. A. e PRANE, B. Z. D. Estabelecendo parcerias em busca da inclusão de alunos com deficiência visual. In: Encontro Nacional De Educação Matemática, 10, 2010. Salvador: Anais. Salvador: ENEM,

2010

PIAGET, J. Epistemologie des rélations interdisciplinaires. In ceri (eds.) L'interdisciplinarité. Problèmes d'enseignement et de recherche dans les universités, pp. 131-144. Paris: UNESCO/OCDE. 1972 SÁ, E. D. de ; CAMPOS, I. M. de ; SILVA, M. B.C. Atendimento educacional especializado. Brasília/DF: SEESP/SEED/MEC, 2007.

SOUZA, R. F. História da organização do trabalho escolar e do currículo no Século XX: (ensino primário e secundário no Brasil). São Paulo: Cortez, 2008.

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; REZENDE, D.