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FACULDADE JESUS MARIA JOSÉ - FAJESU CURSO DE LICENCIATURA EM MATEMÁTICA UM ESTUDO SOBRE RAÍZES

FACULDADE JESUS MARIA JOSÉ - FAJESU CURSO DE LICENCIATURA EM MATEMÁTICA

UM ESTUDO SOBRE RAÍZES DE FUNÇÕES POR MÉTODOS NUMÉRICOS

LEONARDO GONÇALVES DA SILVA

TAGUATINGA DF

2011

LEONARDO GONÇALVES DA SILVA

UM ESTUDO SOBRE RAÍZES DE FUNÇÕES POR MÉTODOS NUMÉRICOS

Monografia apresentada à Banca Examinadora da Faculdade Jesus Maria José como exigência para obtenção do grau de Licenciatura em Matemática, sob a orientação do Prof. MsC. Jorge Luís de Araújo Coelho

TAGUATINGA DF

2011

LEONARDO GONÇALVES DA SILVA

UM ESTUDO SOBRE RAÍZES DE FUNÇÕES POR MÉTODOS NUMÉRICOS

Monografia apresentada à Banca Examinadora da Faculdade Jesus Maria José como exigência para obtenção do grau de Licenciatura em Matemática, sob a orientação do Prof. MsC. Jorge Luís de Araújo Coelho

Banca Examinadora:

Professor MsC. Jorge Luís de Araújo Coelho Orientador

Professor MsC. José Messias E. Souza Examinador

DEDICATÓRIA

A minha mãe que sempre me apoiou e incentivou nos meus estudos.

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus porque sem ele nada é possível nessa vida.

Em especial a minha mãe, Maria Socorro Santos, que sempre esteve presente em todos os momentos da minha vida.

Aos professores, coordenadores e colegas de sala com quem pude compartilhar momentos de conhecimentos, alegrias e tristezas. Em especial ao André e ao Luis que sempre estiveram comigo do inicio ao fim deste curso.

Enfim, a todos que me ajudaram de alguma forma, muito obrigado.

“Deus

é

o

Geômetra

Onipotente

para

quem

o

mundo é imenso problema matemático”. (Leibniz).

RESUMO

O cálculo das raízes de uma função é extremamente importante na análise de suas propriedades e ainda na observação de fenômenos associados a aplicações que tais funções podem ter. O processo de obtenção de raízes tem uma gama de dificuldade bastante variável. Desta forma, o presente trabalho aborda alguns mecanismos específicos de obtenção dos zeros de funções mais complexas. Visto que nesses casos não é fácil definir-se fórmulas explícitas. Nesses casos o que temos são métodos iterativos que fornecem aproximadamente as raízes das funções. Entretanto, inicialmente faz-se o estudo de funções do 1° e 2° grau e suas propriedades de forma que o conceito de raízes de uma função fica bem estabelecido, posteriormente avançamos para funções não tão usuais como racional e trigonométrica. O cálculo de raízes por aproximação é apresentado pelos métodos da Bissecção, Posição Falsa e Newton-Rafhason. E por fim é abordado um programa para obtenção de raízes aproximadas usando o Método da Bissecção.

PALAVRAS CHAVES: Função, raízes, métodos.

ABSTRACT

The calculation of the roots of a function is extremely important in the analysis of their properties and also the observation of phenomena associated with applications such functions may have. The process of obtaining root has a range of difficulty quite variable. Thus, this paper addresses some specific mechanisms for obtaining the zeros of more complex functions. Since in these cases is not easy to define explicit formulas. In these cases we have are iterative methods that provide roughly the functions of roots. However, initially it is the study of functions of the 1st and 2nd grade and their properties so that the concept of the roots of a function is well established, then move into roles not as usual as rational and trigonometric. The calculation of roots approach is presented by the methods Bisection, False Position and Newton-Rafhason. Finally a program is addressed to obtain approximate roots using the bisection method.

KEY WORDS: Function, roots, methods.

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO

10

2. CONSIDERAÇÕES GERAIS

11

 

2.1 Função e suas propriedades

11

2.2 Função do 1° grau ou Função Afim

14

2.3 Função do 2° grau ou Função Quadrática

16

2.4 Função Racional

18

2.5 Funções Trigonométricas

23

 

2.5.1 Função Seno

23

2.5.2 Função Cosseno

28

2.5.3 Função Tangente

31

 

2.6 Importância de se obter zeros de funções

34

3. ANÁLISE ESPECÍFICA DO TEMA

37

 

3.1 Método da Bissecção

37

3.2 Método da Posição Falsa

40

3.3 Método de Newton-Rafhson

43

4. CONEXÕES DOS CONHECIMENTOS

46

 

4.1

Construção do Programa

46

5.CONSIDERAÇÕES FINAIS

50

6.

REFERÊNCIAS

51

10

1. INTRODUÇÃO

Funções é um assunto bastante amplo em matemática e com uma gama bastante variada de aplicações. A própria definição de função pode ser explorada por diversas vertentes na matemática, por exemplo, pode-se definir função por uma relação biunívoca entre conjuntos ou ainda por meio de um mapeamento entre elementos. A questão abordada nesse trabalho desvia-se dessa análise e fundamenta-se no estudo das possíveis métodos de se analisar uma propriedade específica de funções: a obtenção de raízes. Assim, trabalhou-se na definição dessa propriedade, abordando suas características e conseqüências, e foram estudados alguns métodos padrão para obtenção de raízes de funções. No segundo capitulo apresentaram-se definições gerais sobre funções abordando algumas propriedades como: raízes, domínio, imagem e contradomínio. Também foram abordadas as funções do 1° grau, função do 2° grau, função racional e função trigonométrica, destacando suas particularidades. Também observa-se a importância de se obter zeros de funções. No terceiro capítulo discutiram-se os métodos utilizados para obtenção de zeros aproximados de funções, entre estes: o Método da Bissecção, Método da posição falsa e Método de Newton-Rafhson. A construção de um programa para o Método da Bissecção no programa no Excel é apresentada no quarto capítulo. Por fim no capítulo 5 são feitas as considerações finais.

11

2. CONSIDERAÇÕES GERAIS

2.1 FUNÇÃO E SUAS PROPRIEDADES

Função é um dos conceitos mais importantes na matemática e pode ser definido da

seguinte forma:

Dados dois conjuntos não vazios A e B, uma função de A em B é uma regra que diz

como associar cada elemento xA a um único elemento yB . [1]

A

B

f x y
f
x
y

Outras

definições

complementares

completa, vamos a essas:

são

fundamentais

Domínio, contradomínio e imagem

para

a

base

da

teoria

ser

Dada uma função f de A em B o conjunto A chama-se domínio da função e o conjunto

B, contradomínio da função. Para cada xA , o elemento yB chama-se imagem de x pela

função f ou o valor assumido pela f para xA e o representamos por f(x) (lê-se: f de x).

Assim y = f(x). [1]

O conjunto de todos os y assim obtidos é chamado conjunto imagem da função f e é

indicado por Im(f).

Exemplo 1.1: Dados os conjuntos A ={0,1,2,3} e B={0,1,2,3,4,5,6} vamos considerar

a função f : A B que transforma xA em 2xB .

A B 0 0 1 1 2 3 2 4 5 3 6
A
B
0
0
1
1
2
3
2
4
5
3
6

D(f) = {0,1,2,3}

CD(f) = B = {0,1,2,3,4,5,6}

Im(f) = {0,2,4,6}

12

Observa-se que nesse exemplo tratamos de um conjunto discreto de elementos no

domínio e no contradomínio, isto viabiliza a descrição esquemática adota por meio dos

diagramas de Venn-Euler. Tal formato é útil para a observação de uma característica que deve

ser respeitada para uma relação ser definida como função: todo elemento do domínio deve

possuir um único correspondente no contradomínio. Se isso não ocorrer a relação não será

uma função.

Exemplo 1.2: Quais dos seguintes diagramas representam uma função de A em B?

a)

b)

c)

d)

2 0 3 1 2 4 3 5 4
2 0
3 1
2
4 3
5 4
0 0 1 1 2 2 3
0
0
1
1
2
2
3
2 1 5 0 10 2 20
2
1
5
0
10
2
20
0 0 -2 2 4 -3 9 3
0
0
-2
2
4
-3
9
3

É função, pois todo elemento do domínio

possui um único correspondente no

contradomínio.

Não é função, porque existe elemento do domínio sem imagem.

É função, pois todo elemento do domínio

possui um único correspondente no

contradomínio, mesmo sendo que a imagem a mesma. Isso não é proibido!

Não é função, porque existe elemento no domínio que possui duas imagens e esta deve ser única.

13

Propriedade de Paridade

Uma função f é considerada par quando

de xD( f ) . [2]

f (x) f (x) , qualquer que seja o valor

Estudemos a forma pela qual se constitui a função

f (x) x

2 1, representada no

gráfico cartesiano.

x )  x 2  1 , representada no gráfico cartesiano. f (1)  0;

f (1) 0; f (1) 0 e

f (2) 3 e

f (

f (1)

1)

2)

(

1

 

 

1)

2

 

1

2

2

 

1

1

1

 

1

 

1

0

0

3

f (

f (2)

2

(

2

2)

 

1

4

 

1

4

3

 

1

 

1

f (2) 3

Observando o gráfico existe uma simetria em relação ao eixo y. As imagens dos domínios x = -1 e x = 1 são correspondentes com y = 0 e os pontos do domínio -2 e 2 formam pares ordenados com a mesma imagem y = 3. Para valores simétricos do domínio, a imagem assume o mesmo valor. A esse tipo de ocorrência damos classificação de função par.

Uma função f é considerada ímpar quando

de xD( f ) . [2]

f (x)  f (x) , qualquer que seja o valor

Analisando a função f (x) 2x , de acordo com o gráfico. Nessa função temos que:

2 x , de acordo com o gráfico. Nessa função temos que: f ( 2) 

f

(

2)

 

4;

f

(2)

4

f (

   

2)

2

(

2)



4

f (2)

2

 

2

4

Através do gráfico é possível ver que existe uma simetria em relação ao ponto das origens. No eixo das abscissas (x), temos os pontos simétricos (2;0) e (-2,0) e no eixo das

14

ordenadas (y), temos os pontos simétricos (0,4) e (0,-4). Nessa situação, a função é classificada como ímpar. Uma característica importante observada nesses exemplos é a continuidade dos conjuntos, esse fato impossibilita a representação em termos dos diagramas de Venn-Euler. Todavia o recurso de gráficos somente pode ser utilizado em plenitude quando tratamos de variáveis continuas.

2.2 FUNÇÃO DO 1° GRAU OU FUNÇÃO AFIM

Uma função f :



chama-se função afim quando existem dois números reais a e

b tal que f (x) ax b para todo x

a e b tal que f ( x )  ax  b para todo x

. [1]

Exemplo 1.3: Exemplos de funções do 1° grau

a) f (x) 2x 1

b)

c)

g

(

x

)

3 x

2

5

h(x) 4x

(a = 2 e b = 1)

(a = -3/2 e b = 5)

(a = 4 e b = 0)

O gráfico de uma função afim é sempre uma retal não vertical, ou seja não é paralela ao eixo y. A ordenada do ponto de onde a reta intersecta o eixo y é sempre b (para isso basta fazer x = 0). Quanto maior o valor absoluto de a, mais a reta se afasta da posição horizontal. Para a ≠ 0 existem duas possibilidades:

1ª) a < 0 a função f(x) é decrescente; 2ª) a > 0 a função f(x) é crescente.

15

f (x)  2x 1 (0,-1)
f (x)  2x 1
(0,-1)
(0,-1)
(0,-1)

f (x) 2x 1

f (x) ax b e anula, ou seja, para o qual f(x) = 0,

denomina-se zero da função afim. Para determinar o zero da função afim basta resolver a equação ax b 0 . Exemplos:

O valor x para o qual a função

- O zero da função f (x) 2x 5 é

5

2

;

- O zero de

f (x) 2x 4 é 2.

Geometricamente o zero da função afim ax b é abscissa do ponto de intersecção do gráfico da função com o eixo x. Por exemplo dada a função afim definida por f (x) 2x 5 , temos:

 

5

2

2

x    x   x

5

0

5

2

16

(5/2,0)
(5/2,0)

f (x) 2x 5

Logo, a reta no gráfico dessa função intersecta o eixo x no ponto (5/2,0).

2.3 FUNÇÃO DO 2° GRAU O FUNÇÃO QUADRÁTICA.

Uma função f :



chama-se função quadrática quando existem números reais a,

b e c com a ≠ 0, tal que

O gráfico de uma função quadrática é chamado parábola. Se o coeficiente a > 0 a parábola tem concavidade para cima e se a < 0 a concavidade é para baixo.

f (x) ax

2 bx c para

todo x

para cima e se a < 0 a concavidade é para baixo. f ( x )

. [1]

17

2

f (x) x 2x 3

(0,-3)
(0,-3)

2

f (x) x 2x 3

(0,3)
(0,3)

Observando o gráfico é possível ver que aquele cuja concavidade é para cima tem o coeficiente a > 0 e o que tem o coeficiente a < 0 tem concavidade para baixo. Já o coeficiente c” determina a intersecção com o eixo y, para isso basta calcular f(0) na função dada. Neste caso tem-se:

f

f

(0) (0)   0 0

2

2

203 f (0) 3 ; assim obtemos o ponto (0,-3).

203 f (0) 3 ; assim obtemos o ponto (0,3).

As raízes podem ser obtidas através da formula de Báskara que é dada por:

x

 b  b 2  4 ac 2 a
 b
b
2  4
ac
2 a

A demonstração dessa fórmula segue os seguintes passos:

1º passo: multiplicar ambos os membros da equação

4a(ax bx c) (ax 04a bx c 0) por 4a;

2

2

4a x 4a x 4abx 4ac

2

2

2

4abx 4ac 0

2º passo: passar 4ac para o 2º membro;

2

3º passo: adicionar b² aos dois membros;

18

4a x 4abx b

2

2

2

b

2

4ac

18 4 a x  4 abx  b 2 2 2  b 2 

Trinômio quadrado perfeito

4º passo: fatorar o 1° membro;

(2ax b) b 4ac

2

2

5º passo: extrair a raiz quadrada dos dois membros;

(2ax b) 2
(2ax b)
2



b  4ac 2
b  4ac
2

2ax b  2ax b

6º passo: passar b para o 2° membro;

b  4ac 2 b  4ac 2
b  4ac
2
b  4ac
2

7º passo: dividir os dois membros por 2a (a ≠ 0);

2 ax   b b 2  4 ac  2 a 2 a
2
ax
 
b
b
2
4
ac
2
a
2
a

Assim, encontramos a fórmula resolutiva da equação do 2° grau:

x

 b  b 2  4 ac 2 a
 b
b
2  4
ac
2 a

Podemos representar as duas raízes reais por x’ e x”, assim:

2.4 FUNÇÃO RACIONAL

 b  b 2  4 ac x '  2 a  b
 b
b
2  4
ac
x '
2 a
 b
b
2  4
ac
x " 

2 a

e

Os polinômios podem ser, somados, subtraídos e multiplicados por constates, e os resultados serão novamente polinômios. No entanto, se dividirmos polinômios nem sempre obteremos outro polinômio. Esse quociente é chamado função racional, isto é, uma função racional f(x) do tipo

f(x) = n(x) / d(x),

19

onde n(x) e d(x) são polinômios. Se o denominador d(x) for uma constante não nula, esse quociente será ele próprio um polinômio. Assim, os polinômios estão incluídos entre as funções racionais. [5] Evidentemente, nos pontos onde d(x) = 0 a função f não está definida e, portanto, o maior domínio possível de uma função racional é constituído pelo conjunto dos números reais excetuando esses pontos. Os zeros de d(x) são chamados pólos ou pontos singulares da função f(x).

Como os polinômios, as funções racionais apresentam um comportamento característico quando x cresce em valor absoluto. Além disso é importante, também, estudar o comportamento dessas funções em torno dos seus pontos singulares pois, em redor desses pontos, podem ocorrer mudanças bruscas de sinal e crescimentos ilimitados. São esses pontos ainda, que dão origem às assíntotas verticais do gráfico de uma função, caso essas assíntotas existam. O nosso objetivo aqui é estudar o comportamento de uma função racional em torno dos seus pontos singulares e também o seu comportamento no infinito. Analisaremos, separadamente, os casos em que o grau do numerador é menor, igual e maior que o grau do denominador. De um modo geral se o grau do numerador for maior ou igual ao grau do denominador, podemos escrever n(x) = d(x) q(x) + r(x) onde o grau de r(x) é menor que o grau de d(x), o que nos dá :

f(x) = q(x) + r(x) / d(x) Essa forma de exprimir a função f(x) é ideal para estudarmos o seu comportamento no infinito. Como o grau do denominador da segunda parcela é maior do que o do numerador,

este termo tende para zero quando

 , o que nos leva a concluir que

x

lim

x



f

(

x

)

q x

(

)

0

, isto é, o polinômio f comporta-se como q, para grandes valores de x,

em valor absoluto. Neste caso, dizemos que o gráfico de f(x) é assintótico ao gráfico de q(x). Por outras palavras, à medida que x cresce, em valor absoluto, o gráfico de f(x) aproxima-se cada vez mais do gráfico de q(x), sem nunca atingi-lo. Se o gráfico de q(x) for uma reta, dizemos que esta reta é uma assíntota ao gráfico de f(x). Vamos, a seguir, examinar alguns exemplos. Exemplo 1:

20

Observe abaixo os gráficos das funções

y

1

x

e

y

1

2

x

, respectivamente:

das funções y  1 x e y  1 2 x , respectivamente: Repare que,
das funções y  1 x e y  1 2 x , respectivamente: Repare que,

Repare que, nos dois casos, o pólo das duas funções é o ponto x = 0 e que os valores das duas funções se tornam ilimitados quando x se aproxima de 0. (A reta y = 0 é uma assíntota vertical ao gráfico das funções).

e, portanto, a reta x = 0 é uma assíntota

Além disso, nos dois casos,

x

lim



f

(

x

)

0

horizontal ao gráfico dessas funções. Este comportamento é típico das funções racionais cujo grau do numerador é menor do que o grau do denominador. Para ilustrar esta afirmação, examinemos um outro exemplo.

21

Exemplo 2:

Considere a função

f

(

x

)

x

2

x

1

.

Para

calcular

lim

1

x  

estudar

o

f

(

x

)

,

lim

1

x  

f

comportamento

(

x

)

,

lim

(

1)

x   

f

(

x

)

e

dessa

lim

(

1)

x   

função

f

(

x

)

.

perto

dos

pólos,

é

suficiente

Em todos estes casos, os valores da função crescem sem limite, em valor absoluto. Este comportamento traduz-se, matematicamente, dizendo-se que a função tende para + ∞ ou para -∞ e ocorre sempre que os valores do denominador se aproximarem de zero e os do numerador se aproximarem de uma constante diferente de zero. (Nada se pode afirmar, a priori, se o limite do numerador também for igual a zero). O sinal dependerá do sinal da fração quando x se aproximar do pólo, pela esquerda ou pela direita.

No exemplo acima temos

lim

1

x  

x porque a fração assume valores positivos,

2

x

1



cada vez maiores, à

medida que x

se

aproxima de 1,

por valores maiores que 1

e

lim

1

x  

x , porque a fração é negativa e assume valores cada vez maiores, em valor

2

x

1

 

absoluto, quando x se aproxima de 1 e, portanto, está próximo de 1, pela esquerda (isto é, por valores menores que 1).

Da mesma forma,

lim

(

1)

x   

f

(

x

)  e

lim

(

1)

x   

f

( ) .

x

assíntotas verticais ao gráfico dessa função.

As retas x = 1 e x = -1 são

Estudaremos, agora, o comportamento da função quando x cresce em valor absoluto. Para isso precisamos calcular os limites da função quando x tende para + ∞ e quando x tende para - ∞.

Do estudo sobre polinômios, sabe-se que o comportamento de um polinômio, quando x cresce em valor absoluto, é determinado pelo seu monômio de mais alto grau e que, quanto mais alto o grau, mais rápido é o crescimento da função.

 . Como os valores do denominador crescem mais

Assim,

lim

2

x

1



e

lim x

x



x



rápido do que os do numerador, o comportamento da fração, para grandes valores de x, é determinado pelo comportamento do denominador, isto é, os valores da função aproximam-se

22

de zero à medida que x cresce. Este fato torna-se mais evidente se dividirmos numerador e denominador pelo monômio de mais alto grau que aparece na fração e então estudarmos o comportamento da função modificada. Assim,

lim

x



x

2

x

1

lim

x



x

x

 

1

1

2

x

 

0

Repare que esta operação é possível, porque estamos a estudar o comportamento da função para valores grandes de x, e, portanto, x ≠ 0.

Da mesma forma, temos que

lim

x  

(

)

x

2

x

1

0

.

A reta y = 0 é uma assíntota horizontal ao gráfico dessa função. Observe abaixo o seu gráfico.

ao gráfico dessa função. Observe abaixo o seu gráfico. Exemplo 3: Analisemos agora a função y

Exemplo 3:

Analisemos agora a função

y (x

2 4) / x . Veja, abaixo, o seu gráfico.

23

23 Essa função não está definida para x = 0 . O seu comportamento na vizinhança

Essa função não está definida para x = 0. O seu comportamento na vizinhança desse

. A reta x = 0 é, portanto,

ponto é traduzido pelas expressões

lim

x  

0

f

(

x

)  e

lim

0

x  

f

(

x

)

uma

assíntota

lim

x



2

x

4

x

lim x

x



vertical

ao

gráfico

dessa

função.

4

x

e, pelo mesmo raciocínio,

lim

x  

(

)

2

x

4

x

Além

  .

disso,

temos

Estes limites indicam que esta função não tem assíntotas horizontais. No entanto, a

expressão (x 2 - 4)/x = x - 4/x sugere que o

x 2  4 lim x   x
x
2
 4
lim
x 
x

x

0

.

Este limite significa que à medida que x cresce, os valores da função aproximam-se cada vez mais da reta y = x e, portanto, essa reta é uma assíntota oblíqua ao gráfico dessa função.

2.5 FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

2.5.1 FUNÇÃO SENO Seja um ciclo trigonométrico de centro O, onde A é a origem dos arcos. A cada x

de centro O, onde A é a origem dos arcos. A cada x  corresponde um

corresponde um ponto M(a,b) do ciclo, tal que AM mede x. Chamamos seno de x ao numero real b e o indicamos por sen x = b. [2]

24

24 Fonte: Bianchini e Paccola (1993, p.193). Fazendo uma analise completa dessa função temos: - O

Fonte: Bianchini e Paccola (1993, p.193).

Fazendo uma analise completa dessa função temos:

- O domínio da função y = sen x é

- A imagem da função y = sen x é [-1,1], ou ainda Im(f) = { y

função y = sen x é [-1,1], ou ainda Im(f) = { y  , ou

, ou seja, D(f) =

.
.
é [-1,1], ou ainda Im(f) = { y  , ou seja, D(f) = . /

/ -1 ≤ y ≤ 1}.

Observação: Dizemos que uma função f :



é periódica se para qualquer x

uma função f :  é periódica se para qualquer x  tivermos f ( x

tivermos f (x) f (x T) , com T

chamado período.

x )  f ( x  T ) , com T  chamado período .

. O menor valor positivo de T para o qual isso ocorre é

k voltas

valor positivo de T para o qual isso ocorre é k voltas Então na função seno

Então na função seno temos: sen x = sen (x + k . ), k

seno temos: sen x = sen (x + k .  ), k  para todo

para todo x

sen x = sen (x + k .  ), k  para todo x 

. O menor

valor positivo de k . ocorre quando k = 1. Portanto:

Dessa forma concluímos que:

sen(x) sen(x 12)

concluímos que: sen ( x )  sen ( x  1  2  )

T

A função y = sen x é periódica de período 2

- Valores Imediatos: observando a figura feita, notamos que os pontos A, B, A 1, B 1 possuem as seguintes coordenadas:

A (1,0), B(0,1), A 1 (-1,0) , B 1 (0,-1)

Percorrendo o ciclo no sentido positivo teremos, em correspondência com os pontos acima, os arcos cujas medidas (somente na 1ª volta) são:

0 rad, π/2 rad, 3π/2 rad e 2π rad

Portanto temos:

sen 0 = 0; sen π/2 = 1; sen π = 0; sen 3π/2 = -1; sen 2π = 0.

25

- Sinal da função seno: Como sen x é a ordenada do ponto-extremidade do arco: [3]

f(x) = sen x é postiva no 1º e 2°quadrantes;

f(x) = sen x é negativa no 3º e 4°quadrantes.

 f(x) = sen x é negativa no 3º e 4°quadrantes. Fonte: Santos, Gentil e Greco

Fonte: Santos, Gentil e Greco (2000, p.152).

Gráfico da função seno (y = sen x)

Pela trigonometria do triangulo retângulo sabemos que:

sen 30° = 1 2 ; sen 45° =

2 3 2 ; sen 60°= 2
2
3
2
; sen 60°=
2

Utilizando esses valores, e observando o comportamento da ordenada de um ponto P que se move sobre o ciclo no sentido anti-horário, dando uma volta completa, podemos construir a tabela.

x rad

f(x) = sen x

 

cresce de 0 a π/4

cresce de 0 a

2
2
 

2

cresce de π/4 a π/2

cresce de

2
2

a 1

2

cresce de π/2 a 3π/4

decresce de 1 a

2
2
 

2

cresce de 3π/4 a π

decresce de

2 a 0

2 a 0

2

cresce de π a 5π/4

decresce de 0 a -

2
2

2

26

cresce de 5π/4 a 3π/2

decresce de -

decresce de -

2 a 1

2

cresce de 3π/2 a 7π/4

cresce de -1 a -

2
2

2

cresce de 7π/4 a 2π

cresce de -

cresce de - 2 a 0

2 a 0

2

a periódica, de período 2π. O gráfico da função y = sen x é chamado senóide.

Fizemos x

variar de 0

a 2π levando em conta

o fato

de ser

Gráfico

função

y

=

sen

x

levando em conta o fato de ser Gráfico função y = sen x Fonte: Bianchini e

Fonte: Bianchini e Paccola (1993, p.195).

Observando o gráfico da função y = sen x concluímos que ela é crescente no 1° e no 4° quadrante e decrescente no 2° e no 3° quadrante.

Exemplo: Determinar o domínio, a imagem, o gráfico e o período da função

y sen

x

3

.

27

solução:

     

x

 

x/3 rad

x rad

y sen

3

0

0

0

x/3 = 0 → x =0

π/2

3π/2

1

x/3 = π/2 → x = 3π/2

π

0

x/3 = π → x = 3π x/3 = 3π/2 → x = 9π/2

3π/2

9π/2

-1

0

x/3 = 2π → x = 6π

Gráfico

-1 2π 6π 0 x/3 = 2π → x = 6π Gráfico Fonte: Bianchini e Paccola

Fonte: Bianchini e Paccola (1993, p.197).

D(f) = IR Im (f) = [-1,1] Período = 6π

Observação: Nesse último exemplo houve mudança de período. Isso ocorre sempre vez que o coeficiente de x for diferente de zero e de um.

De um modo geral temos que o período da função y = sen kx é dado por 2 k , (k≠0).

função y = sen kx é dado por 2 k  , (k≠0). Conferindo isso temos:

Conferindo isso temos:

y sen

x

3

. Logo k = 1/3. O período é 2

2

 1 1 3 3
1
1
3
3

= 6π (radianos).

28

2.5.2 FUNÇÃO COSSENO

Seja um ciclo trigonométrico de centro O, onde A é a origem dos arcos.

A cada x

Chamamos cosseno de x ao numero real a e o indicamos por cos x = a. [2] Definimos função cosseno a função:

cos x = a . [2] Definimos função cosseno a função: corresponde um ponto M(a, b)

corresponde um ponto M(a, b) do ciclo tal que AM mede x.

f :



tal que f(x) = cos x

Observe a figura:

mede x. f :  tal que f(x) = cos x Observe a figura : Fonte:

Fonte: Bianchini e Paccola (1993, p.199).

Do mesmo modo que fizemos para a função y = sen x, vamos fazer uma análise completa da função y = cos x.

- O domínio da função y = cos x é

- A imagem da função y = cos x é [-1,1], ou seja, Im(f) = [-1,1], ou ainda Im(f) = /-1 ≤ y ≤ 1}.

temos cos x = cos (x +

- O período da função y = cos x é 2π rad, pois para todo x

k2π), com k

= cos x é 2π rad, pois para todo x  k2π), com k  ,

, ou seja, D(f) =

.
.

{ y

todo x  k2π), com k  , ou seja, D(f) = . { y 
todo x  k2π), com k  , ou seja, D(f) = . { y 
todo x  k2π), com k  , ou seja, D(f) = . { y 

, e o menor valor positivo de k . 2π, tal que isso ocorra, é 1 . 2π.

- Valores imediatos: observando a figura temos os pontos:

A(1,0), B(0,1), A 1 ( -1,0), B 1 (0,-1)

Percorrendo o ciclo no sentido positivo teremos, em correspondência com os pontos acima, os arcos cujas medidas (somente na 1ª volta) são:

29

Portanto temos:

0 rad,

2

rad, π rad, 3 2 rad, 2π rad

cos 0 = 1

cos π/2 = 0

cos π = -1

cos 3π/2 = 0

cos 2π = 1

- Sinal da função cosseno: como cos x é a abscissa do ponto-extremidade do arco: [3]

f(x) = cos x é positiva no 1º e 4º quadrante (abscissa positiva);

f(x) = cos x é negativa no 2° e 3° quadrante (abscissa negativa).

x é negativa no 2° e 3° quadrante (abscissa negativa). Fonte: Santos, Gentil e Greco (2000,

Fonte: Santos, Gentil e Greco (2000, p.156).

Gráfico da função cosseno ( y = cos x) Devido a periodicidade da função faremos o gráfico cartesiano, fazendo x variar de 0 a 2π. O gráfico da função y= cos x é chamado cossenóide.

x rad

f(x) = cos x

 

cresce de 0 a π/4

decresce de 1 a

2 /2

2 /2

2

cresce de π/4 a π/2

decresce de

2
2

a

0

2

cresce de π/2 a 3π/4

decresce de 0 a

2
2

2

cresce de 3π/4 a π

decresce de

2
2

a

-1

2

cresce de π a 5π/4

cresce de -1 a -

2
2

2

cresce de 5π/4 a 3π/2

cresce de -

2
2

a 0

2

30

cresce de 3π/2 a 7π/4

cresce de 0 a

2
2
 

2

cresce de 7π/4 a 2π

cresce de

2
2

a 1

2

Gráfico

de 7π/4 a 2π cresce de 2 a 1 2 Gráfico Fonte: Bianchini e Paccola (1993,

Fonte: Bianchini e Paccola (1993, p.201).

Observando o gráfico da função y = cos x concluímos que ela é crescente no 3° e no 4° quadrante e decrescente no 1° e no 2° quadrante.

Exemplo: Determinar o domínio, a imagem, o gráfico e o período da função

y cos

 

x

2

   .

solução:

     

  

x

  

x/2 rad

x rad

y cos

2

0

0

1

π/2

π

0

π

-1

3π/2

0

1

x/2 = 0 → x =0

x/2 = π/2 → x = π x/2 = π → x = 2π

x/2 = 3π/2 → x = 3π

x/2 = 2π → x = 4π

31

31 Fonte: Bianchini e Paccola (1993, p.202). D(f) = IR Im(f) = [-1,1] Período = 4π

Fonte: Bianchini e Paccola (1993, p.202).

D(f) = IR Im(f) = [-1,1] Período = 4π

2.5.3 FUNÇÃO TANGENTE Seja um ciclo trigonometrico de centro O, onde A é a origem dos arcos. Seja ainda o eixo que passa por A paralelo ao eixo dos senos (o sentido positivo indicado pela flecha). Esse eixo é chamado eixo das tangentes. [2] Veja a figura:

eixo é chamado eixo das tangentes . [2] Veja a figura: Fonte: Bianchini e Paccola (1993,

Fonte: Bianchini e Paccola (1993, p.205).

A cada x

Fonte: Bianchini e Paccola (1993, p.205). A cada x  tal que x ≠ π/2 +

tal que x ≠ π/2 + k . π,

k

A cada x  tal que x ≠ π/2 + k . π, k  ,

, corresponde um único ponto M tal que

AM mede x. Nessas condições a reta que r que passa por M e por O sempre encontra o eixo das tangentes. Seja P o ponto de encontro. Como o raio mede 1, então a abscissa de P é 1. Chamando t a ordenada do ponto P, temos: P(1,t) Chamamos tangente de x ao numero real t e o indicamos por tg x = t

32

Então definimos a função tangente à função:

f : R

1

definimos a função tangente à função: f : R 1  tal que f(x) = tg

tal que f(x) = tg x, onde R 1 = { x

/ x ≠ π/2 + k . π, k  x ≠ π/2 + k . π, k

Façamos uma análise completa dessa função:

- O domínio da função y = tg x é R 1 = { x

- O domínio da função y = tg x é R 1 = { x 

/ x ≠ π/2 + k . π, k

x é R 1 = { x  / x ≠ π/2 + k . π,

}.

é R 1 = { x  / x ≠ π/2 + k . π, k

}.

Dessa forma não fazem parte do domínio os valores de x correspondentes a todos os

arcos de extremidade B ou B 1 (veja figura acima). Note que para esses arcos não há ponto de intersecção a P.

- A imagem da função y = tg x é

- Período: A função é periódica de período π

Observando a figura anterior consideremos o ponto L 1 simétrico de M com relação ao

o ponto L 1 simétrico de M com relação ao , ou seja, Im(f) = .

, ou seja, Im(f) =

.
.

ponto O. Note que, se AM mede x, então AL 1 mede x + π e, além disso, esses arcos possuem mesma tangente! De um modo geral, tem-se:

tg x = tg (x + k

. π); k

um modo geral, tem-se: tg x = tg (x + k . π ); k 

Para k = 1 temos que tg x = tg (x + π) e então o período é π rad.

- Sinal da função tangente: Resumidamente a variação da função y = tg x é: [3]

f(x) = tg x é positiva no 1º e 3º quadrante;

f(x) = tg x é negativa no 2° e 4° quadrante.

 f(x) = tg x é negativa no 2° e 4° quadrante. Fonte: Santos, Gentil e

Fonte: Santos, Gentil e Greco (2000, p.163).

Nos dois exemplos a seguir tem-se que tg(-x) = -tg (x). Isso ocorre para qualquer valor de x onde a tg existe. Logo, y = tg x é função impar.

33

33 Fonte: Bianchini e Paccola (1993, p.206). Gráfico da função tangente ( y = tag x)

Fonte: Bianchini e Paccola (1993, p.206).

Gráfico da função tangente ( y = tag x)

Mesmo sabendo que a função é periódica, de período π, faremos x variar desde 0 até

2π rad.

O numero real ε que aparece na tabela é um número positivo que tende a zero. Isso significa que a – ε é numero que se aproxima de a, mas é menor que a; a + ε é numero que se aproxima de a, mas é maior que a.

x rad

f(x) = tg x

cresce de 0 para (π/2 – ε)

cresce de 0 para + ∞

é igual a π/2

não existe

cresce de (π/2 + ε) até π

cresce de - ∞ a 0

cresce de π para (3π/2 - ε)

cresce de 0 para + ∞

é igual a 3π/2

não existe

cresce de π para (3π/2 + ε)

cresce de - ∞ a 0

Utilizando as informações contidas na tabela construímos o gráfico da função y = tg x. Esse gráfico é chamado tangenóide.

34

34 Fonte: Bianchini e Paccola (1993, p.209). 2.6 IMPORTÂNCIA DE SE OBTER ZEROS DE FUNÇÕES Determinar

Fonte: Bianchini e Paccola (1993, p.209).

2.6 IMPORTÂNCIA DE SE OBTER ZEROS DE FUNÇÕES

Determinar os zeros de uma função é de extrema importância no estudo de funções. Eles mostram se a função vai passar por um ponto de extremo (máximo ou mínimo) ou quando ela muda de sinal. Analisemos o que ocorre numa função do 1° grau por meio do estudo do sinal e pela analise do gráfico. Estudemos o sinal da função f(x) = 3x -1.

- Zero da função:

3

x    x

0

1

1

3

Sinal de a: a = 3 >0 → f(x) é crescente f(x) = 0 para x = 1/3; f(x) > 0 para x > 1/3; f(x) < 0 para x < 1/3.

-

> 0 para x > 1/3; f(x) < 0 para x < 1/3. - Fonte: Dante(2005,

Fonte: Dante(2005, p.63).

Estudemos agora o sinal da função f(x) = -4x +1.

- Zero da função:

4

x    x

0

1

1

4

Sinal de a: a = -4 < 0 → f(x) é decrescente f(x) = 0 para x = 1/4; f(x) > 0 para x < 1/4; f(x) < 0 para x > 1/4.

-

f(x) = 0 para x = 1/4; f(x) > 0 para x < 1/4; f(x) <

Fonte: Dante(2005, p.63).

35

Observando o gráfico acima concluímos que quando as funções passam pelo zero (raiz) elas mudam de sinal, isso numa função do 1° grau.

Veja agora o que ocorre numa função do 2° grau.

1° caso: ∆ > 0

A função admite dois zeros reais e diferentes, x’ e x”.

A parábola que representa a função intersecta o eixo x em dois pontos.

a > 0

a função intersecta o eixo x em dois pontos. a > 0 Fonte: Dante(2005, p.88). f(x)

Fonte: Dante(2005, p.88).

f(x) = 0 para x = x” ou x = x’ f(x) > 0 para x < x” ou x > x’ f(x) < 0 para x< x < x

a < 0

x’ f(x) < 0 para x ” < x < x ’ a < 0 Fonte:

Fonte: Dante(2005, p.88).

f(x) = 0 para x = x” ou x = x’ f(x) > 0 para x”< x < x’ f(x) < 0 para x < x” ou x > x’

Assim quando ∆ > 0, f(x) tem sinal oposto ao de a quando x está entre as raízes da equação e tem o sinal de a quando x está fora do intervalo das raízes. Observe que quando a função passa pelas raízes ela muda de sinal.

2° caso: ∆ = 0

A função admite um zero real duplo x’ = x”

A parábola que representa a função tangencia o eixo x.

36

a > 0

36 a > 0 Fonte: Dante(2005, p.88) f(x) = 0 para x = x’ = x”

Fonte: Dante(2005, p.88)

f(x) = 0 para x = x’ = x” f(x) > 0 para x ≠ x’ x’ é ponto de mínimo

a < 0

> 0 para x ≠ x’ x’ é ponto de mínimo a < 0 Fonte: Dante(2005,

Fonte: Dante(2005, p.88)

f(x) = 0 para x = x’ = x” f(x) < 0 para x ≠ x’ x’ é ponto de máximo

Nesse caso nota-se que o zero da função determina um ponto de mínimo (a >0) e um ponto de máximo (a < 0). Sabe-se que, para algumas equações, como por exemplo, às equações polinomiais do segundo grau, existem fórmulas explícitas que dão as raízes em função dos coeficientes (ex. fórmula de Báskara). No entanto, no caso de polinômios de grau mais elevado e no caso de funções mais complicadas, é praticamente impossível se achar zeros exatamente. [4] Por isso, temos que nos contentar em encontrar apenas aproximações para esses zeros (soluções numéricas); mas isto não é uma limitação muito séria, pois, com os métodos que apresentaremos , conseguimos, a menos de limitações de maquinas, encontrar os zeros de uma função com qualquer precisão prefixada. [4]

37

3. ANÁLISE ESPECÍFICA DO TEMA

A idéia central dos métodos apresentados a seguir é partir de uma aproximação inicial para a raiz e em seguida refinar essa aproximação através de um processo iterativo. [4] Por isso os métodos constam de duas fases:

Fase 1: Localização ou isolamento das raízes, que consiste em obter um intervalo que contém a raiz. [4] Fase 2: Refinamento, que consiste, em escolhidas aproximações iniciais no intervalo encontrado na Fase 1, melhorá-las sucessivamente até se obter uma aproximação para a raiz dentro de uma precisão prefixada. [4] Na fase 1 usa-se frequentemente o seguinte teorema:

Teorema Cauchy-Bolzano: Seja f(x) uma função continua no intervalo [a,b]. Se f(a) x f(b) < 0 então existe pelo menos uma raiz no intervalo [a,b]. [4,6]

 

Exemplo:

3

f (x) x 9x 3.

 

x

-10

 

- 9

- 5

- 4

- 3

-2

0

1

2

3

f(x)

-907

-645

-77

-35

3

13

3

-5

-7

3

sinal

-

 

-

-

-

+

+

+

-

-

+

Como f(x) é continua para qualquer x real e observando as variações de sinal, podemos concluir que cada um dos intervalos I 1 = [- 4,- 3], I 2 = [0, 1] e I 1 = [2, 3] contém pelo menos um zero de f(x).

3.1 MÉTODO DA BISSECÇÃO

O princípio fundamental do Método da Bissecção consiste em localizar a raiz em um intervalo [x 1 , x 2 ], onde a função é estritamente crescente ou estritamente decrescente, e considerar a raiz aproximada como o ponto médio desse intervalo, ou seja, a raiz será (x 1 +

x 2 )/2. Para que a raiz pertença a tal intervalo, nas condições citadas, devemos ter f(x 1 ) . f(x 2 ) < 0. Nesta consideração o erro cometido será menor ou igual à metade da amplitude do

intervalo [x 1 , x 2 ]. Isto é erro =

x

2

x

1

Veja a figura a seguir: [7]

38

38 Para tornar o erro menor pode-se dividir o intervalo em dois intervalos de amplitude igual

Para tornar o erro menor pode-se dividir o intervalo em dois intervalos de amplitude

igual à metade da amplitude do intervalo anterior. Para isso tomemos x 3 = (x 1 + x 2 )/2.

A raiz estará no intervalo [x 1 , (x 1 + x 2 )/2] se f(x 1 ) . f(x 1 + x 2 )/2 < 0, caso contrario ela

estará no intervalo ela estará no intervalo [(x 1 +x 2 )/1, x 2 ]. Veja a figura a seguir.

[(x 1 +x 2 )/1, x 2 ]. Veja a figura a seguir. A repetição do

A repetição do processo fará com que, a cada interação o ponto médio do intervalo se

aproxime cada vez mais da raiz. Assim o processo deverá ser continuado até que se obtenha

uma aproximação com erro inferior ao solicitado.

Exemplo 1:Determinar o valor aproximado da raiz da função f (x) xlog x 1.

x

f(x)

1

-1

2

-0,3979

3

0,43

Tem uma raiz no intervalo [2,3]

Vamos aplicar o Método da Bissecção na função dada:

39

a

b

 

f(a)

f(b)

x k = (a + b)/2

f(x k )

2

3

-

0,397

0,43

2,5

- 0,005

2,5

3

-

0,005

0,43

2,75

0,208

2,5

2,75

- 0,005

0,208

2,625

0,1002

2,5

2,625

- 0,005

0,1002

2,562

0,047

2,5

2,562

- 0,005

0,047

2,531

0,0207

2,5

2,531

- 0,005

0,0207

2,5155

0,007

 

→ (raiz aproximada)

f(x k ) negativo substitui em f(a) e x k substitui em “a” na 2ª linha. f(b) e “b” repetem

f(x k ) positivo. substitui em f(b) e x k substitui em “b”. f(a) e “a” repetem na 3ª linha.

Exemplo 2: Determinar o valor aproximado da raiz da função

3

f (x) x 9x 3,

sabendo que existe uma raiz no intervalo [0,1].

a

b

f(a)

f(b)

x k = (a + b)/2

f(x k )

0

1

3

-5

 

0,5

-1,375

0

0,5

3

-1,375

0,25

0,765

0,25

0,5

0,765

-1,375

0,375

- 0,322

0,25

0,375

0,765

- 0,322

0,3125

0,218

0,3125

0,375

0,218

-0,322

0,3437

-0,053

0,3125

0,3437

0,218

-0,053

0,3281

0,0824

0,3281

0,3437

0,0824

-0,053

0,3359

0,0148

0,3359

0,3437

0,0148

-0,053

0,3398

-0,018

0,3359

0,3398

0,0148

-0,018

0,33785

-0,002

 

→ (raiz aproximada)

f(x k ) negativo substitui em f(b) e x k substitui em “b. f(a) e “a” repetem.

f(x k ) positivo. substitui em f(a) e x k substitui em “a”. f(b) e “b” repetem.

A maior vantagem do Método da Bissecção é que, para sua convergência, não há exigências com relação ao comportamento do gráfico de f no intervalo [a; b]. [6]

40

Entretanto, ele não é eficiente devido à sua convergência lenta. Pode ser observado que f(x) não decresce monotonicamente. Isto decorre do fato de que na escolha de uma aproximação x = (a+b)/2 não se leva em consideração os valores da função nos extremos do intervalo. No pior caso, a raiz está próxima a um extremo. [6[

O Método da Bisseção é mais usado para reduzir o intervalo antes de usar um outro método de convergência mais rápida. [6]

3.2 MÉTODO DA POSIÇÃO FALSA Seja f uma função contínua em um intervalo [a; b] tal que f (a)f (b) 0 .

A idéia deste método é a de tomar como aproximação x para a raiz no intervalo [a;

b] a média ponderada entre os extremos a e b com pesos f(b)e f(a), respectivamente. Isto é: [6]

 

a

f

(

b

)

b

 

f

(

a

)

x

f

(

b

)

f

(

a

)

Desta forma, x estará mais próximo do extremo cuja imagem for menor. Como f(a) e f(b) têm valores de sinais contrários, então temos dois casos a considerar:

(i) f(a) < 0 e f(b) > 0 Neste caso, │f(a)│= - f(a) e │f(b)│= f(b). Logo:

 

a

f

(

b

)

b

 

f

(

a

)

a

f

(

b

)

b

 

f

(

a

)

 

x

 

 
 

f

(

b

)

f

(

a

)

f

(

b

)

f

(

a

)

(ii) f(a) > 0 e f(b) < 0

 

Neste caso,

f

(

a

)

f

(

a

)

e

f

(

b

)

 f b

(

)

. Logo:

 
 

a

f

(

b

)

b

 

f

(

a

)

a

 

f

(

b

)

b

 

f

(

a

)

a

f

(

b

)

b

 

f

(

a

)

 

x

f

(

b

)

f

(

a

)

f

(

b

)

f

(

a

)

 

f

(

b

)

f

(

a

)

Observe que em ambos os casos tem-se:

x

a

f f

(

) )

b b

 

a

b f

f )

(

a

)

(

(

(*)

41

Neste método, as aproximações são geradas conforme a expressão (*) garantindo-se, a cada iteração, que elas estejam no intervalo [a; b] cujos extremos tenham valores de sinais contrários.

3.2.1 INTERPRETAÇÃO GEOMÉTRICA

O número x dado pela fórmula (*) representa o ponto de interseção da reta que passa

pelos pontos (a; f(a)) e (b; f(b)) com o eixo Ox. De fato, a equação da reta que passa pelos pontos (a; f(a)) e (b; f(b)) é:

  

x

a

b

f

f

f

(

(

(

x

a

b

)

)

)

1

1

1

0

Resolvendo este determinante, obtemos:

xf a

x

(

(

(

f

)

a

)

bf x

f

(

)

b

af b

(

(

)

(

b

bf a

)

a

)

f

(

(

x

)

)

af x

(

af b

(

)

)

xf b

(

bf a

(

)

)

0

0

x

(

b

a

)

f

(

x

)

b fa

(

)

a fb

(

)

f

( )

a

f

(

b

)

No ponto de interseção dessa reta com o eixo Ox tem-se f(x)=0. Logo:

x

bf f a a

(

(

) )

af f ( ( b b )

)

Multiplicando numerador e denominador por - 1 resulta a expressão:

x

af f b b

(

(

) )

bf f ( ( a a )

)

Observamos que o Método da Falsa Posição procura gerar, a cada iteração, uma aproximação x k para a raiz cuja imagem seja a menor possível, isto é, uma aproximação tal

que

f

(

x

k

)

, sem se preocupar com a diminuição da amplitude (b - a) do intervalo [a; b]

que contém a raiz.

A figura abaixo ilustra como funciona o método.

42

42 Exemplo: Determinar o valor aproximado da raiz da função 3 f ( x ) 

Exemplo: Determinar o valor aproximado da raiz da função

3

f (x) x 9x 3,

sabendo que existe uma raiz no intervalo [0,1], usando o Método da Posição Falsa.

   

f(a)

f(b)

 

af b

(

)

bf a

(

)

f(x k )

a

b

 

x

k

f

(

b

)

f

(

a

)

         

0(

5)

1 3

   

0

1

3

-5

 

x

k

5

 

3

 

0,375

- 0,322

0

0,375

3

-0,322

0( 0,322)

0,375 3

0,338

-0,009

x

k

3

 
         

0,322

     

→ (raiz aproximada)

A grande vantagem do Método da Falsa Posição é que ela é uma técnica robusta, que converge independentemente da forma do gráfico de f no intervalo [a; b]. [6] Entretanto, quando a convergência para a raiz só se faz a partir de um extremo do intervalo [a; b] e a imagem desse ponto fixo tem um valor muito elevado, a convergência é lenta. Este fato pode ser verificado analisando-se mais cuidadosamente a fórmula (*). Suponhamos que o ponto fixo seja b. Neste caso, coloquemos a fórmula (*) em um outro formato, que mostre a parcela de acréscimo dado ao extremo esquerdo a, que nesta situação é variável. Para tanto, adicionemos ao seu numerador as parcelas af (a) e

af (a) .

Logo:

 

a

f

(

b

)

b

 

f

(

a

)

a

f

(

b

)

b

 

f

(

a

)

a

 

f