Professora Teresa Rodrigues | Professor Tiago Oliveira João Amorim 2008204 | Pedro Tojal 2007253
[URBANISMO: RANDSTAD]
Caracterização de uma metrópole policêntrica em termos demográficos/económicos e dos seus desafios
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Conteúdos
1. O que é o Randstad?..................................................................................................... 5 1.1. 1.2. 1.3. 2. Demografia e geografia de uma metrópole policêntrica ....................................... 5 O Randstad: um conceito que não passa do papel? .............................................. 8 O Randstad: as visões humana e empresarial ....................................................... 9
A economia do Randstad: forte, mas com baixo crescimento da produtividade ...13 2.1. A importância económica do Randstad.................................................................13
2.2. Uma região afluente: altos rendimentos, baixo desemprego, alta produtividade mas baixo crescimento da produtividade .........................................................................15 3. O Randstad: uma economia aberta ......................................................................... 24 3.1. 3.1.1. 3.2. A abertura de uma economia baseada nos serviços ............................................. 24 O Randstad em vários rankings que medem a abertura da economia ........ 27 Uma economia diversificada .................................................................................28 Comércio e logística.......................................................................................29 O Porto de Roterdão ..................................................................................29 O Aeroporto de Schiphol ........................................................................... 32 Serviços financeiros e serviços empresariais ................................................ 33 Indústria criativa ............................................................................................ 34 Turismo .......................................................................................................... 34
3.2.1. 3.2.1.1. 3.2.1.2. 3.2.2. 3.2.3. 3.2.4. 4.
Desafios ........................................................................................................................ 35 4.1. 4.1.1. 4.2. Tirar melhor partido da proximidade dos centros urbanos ................................ 35 Redes de transporte ....................................................................................... 35 Encorajar a inovação ............................................................................................. 37 Educação terciária .......................................................................................... 37
4.2.1.
4.2.2. Limitações da contribuição da inovação e I&D para o crescimento da produtividade regional.................................................................................................. 39 4.2.3. Limitada capacidade de atracção do Randstad de trabalhadores qualificados .................................................................................................................. 40 4.2.4. 4.3. Utilização ineficiente das TIC na actividade económica ............................. 41
Aumentar a eficiência do mercado de trabalho ................................................... 41 Flexibilidade no mercado de trabalho .......................................................... 41 Alta inactividade das minorias étnicas ......................................................... 41
4.3.1. 4.3.2. 4.4.
Conclusão .............................................................................................................. 43
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Utrecht e Flevoland). esta conurbação cobre uma grande parte do território de quatro províncias holandesas (Noord-Holland. bem como várias cidades de média dimensão. o que remete para o padrão geográfico deste espaço – um centro verde rodeado por uma faixa urbana. com municípios suburbanos adjacentes. que inclui as maiores cidades deste país: Amesterdão (739 000 habitantes). ZuidHolland. 5 . 12 pertencem ao Randstad: as 4 grandes já supra-citadas e ainda 8 de média dimensão (considerando cidade grande como cidade com mais de 250 000 habitantes e cidade média como cidade com mais de 100 e menos de 250 mil habitantes).1. Como é visível na ilustração 1. A maior distância entre os centros das 4 grandes cidades verifica-se entre Amesterdão e Roterdão (75 km) e a menor entre Haia e Roterdão (25 km). Roterdão (596 000). 2006) A característica que mais sobressai ao analisar esta área é o facto de ser policêntrica.1. Das 25 maiores cidades holandesas. Ilustração 1. temos cidade coroa. ao invés de ter uma cidade nuclear – como Lisboa –.Demografia e geografia de uma metrópole policêntrica Randstad é uma área urbana nos Países Baixos. ou seja. Traduzindo Randstad à letra. Randstad é a área a azul-escuro (Fonte: Regio-Randstad. O que é o Randstad? 1. mais precisamente 65% da área e 90% da população destas quatro províncias. tem várias cidades grandes conectadas entre elas. Haia (469 000) e Utreque (275 000).
2005). a seguir a Londres. Cerca de 6. Como resultado. também a transferência – de Amesterdão para Roterdão – de sectores ligados à importação/exportação e às actividades industriais. à medida que o Porto de Amesterdão foi sendo ultrapassado em importância pelo Porto de Roterdão. Paris e Milão (Fonte: TNO. 2006). o Raad van State (Conselho do Estado) e muitas organizações internacionais (como o Tribunal Internacional de Justiça. Também a maioria da indústria de serviços se encontra actualmente em Utreque. Esse estatuto pertence a Haarlem. mas também.7 milhões de pessoas viviam no Randstad em 2005. Talvez mas importante ainda. desde 1919). Haia é a sede do governo nacional.Não existe uma cidade dominante no Randstad. 4. isto é. Desde o séc. salvaguardar a sua posição de liderança como centro cultural e financeiro. Este valor é muito alto. 3. 2006) Além disso. Amesterdão conseguiu. quando comparado com outras áreas metropolitanas da OCDE (ver ilustração 2). A própria Rainha Beatriz vive e trabalha em Haia. Todas as embaixadas e ministérios estão localizados na cidade.5 milhões de habitantes na Holanda. 6 . foi tendo lugar. respectivamente as câmaras alta e baixa que formam o "Staten Generaal" (literalmente os "Estados Gerais"). é a sede do Eerste Kamer (primeira câmara) e da Tweede Kamer (segunda câmara). Roterdão e Haia reivindicam uma posição proeminente na rede de cidades mundiais. Reno-Ruhr. 2. O ponto nevrálgico dos caminhos-de-ferro é Utreque (Fonte: Regio-Randstad. assim como a Hoge Raad der Nederlanden (A Suprema Corte). Amesterdão não é sequer a sede do governo da província (Noord-Holland) a que pertence. (Fonte: EUKN. A Rádio e Televisão públicas estão sediadas em Hilversum. XVII. não só Amesterdão. Várias medidas foram tomadas ao longo da história dos Países Baixos para prevenir que isso acontecesse: 1. o Randstad contém mais de 40% dos cerca de 16. no entanto. em menor escala. o que o torna a quinta maior área metropolitana da UE.
Proporção da população de várias áreas metropolitanas em relação à população total de vários países da OCDE (Fonte: OECD Territorial Database 2006) A densidade populacional no Randstad é de 1224 pessoas por quilómetro quadrado. Apesar do Randstad ser a zona mais densamente povoada da Holanda. No entanto. de facto. 2006). esse número é de 83% e no Reino Unido 69%. (Fonte: TNO. Na Bélgica. 7 . figurando em segundo lugar (a seguir à Coreia do Sul) se tivermos em conta somente os países da OCDE. o resto do país é também muito densamente povoado: a Holanda é um dos países mais densamente povoados do mundo (sendo o oitavo de entre os 154 países que têm mais de um milhão de habitantes) (Fonte: EUKN. um valor muito alto e. mais alto do que outras áreas metropolitanas na Europa Ocidental (ver ilustração 3). A maior parte do solo é usada para actividades agrícolas (64%) e como reservas naturais (10%). A média na OCDE é 53%.Ilustração 2. a proporção mais elevada nos países da OCDE. Cerca de 85% da população holandesa vive em regiões predominantemente urbanas. 2005). só 26% do solo do Randstad é usado para construção.
2006. 8 .) 1. O Randstad: um conceito que não passa do papel? O Randstad é um conceito abstracto na medida em que não é uma realidade institucional. diferente da usada pelo Randstad Monitor (Fontes: SER. apesar de existir um consenso de que o Randstad consiste na parte urbanizada das quatro províncias holandesas supramencionadas (Noord-Holland. A definição de Randstad usada pelo SER (Sociaal-Economische Radd).Ilustração 3: Densidade populacional de algumas regiões metropolitanas em 2002 (pessoas/km2). No entanto. poder-se-á argumentar que é natural que os limites geográficos mudem de acordo com o objecto de estudo. uma autoridade holandesa a nível socioeconómico. não se passa o mesmo com os limites geográficos. por exemplo. Utrecht e Flevoland). EUKN. 2005). Não existe um governo ao nível do Randstad e. é.2. 2006. Zuid-Holland. (Fonte: TNO.
como demonstrado pelos padrões das viagens diárias casa-trabalho (o chamado commuting). não é evidente esta integração funcional. Em 1958. 2006). será que o Randstad lhes proporciona múltiplas ligações económicas em toda a área? Será que diferentes partes da região se complementam economicamente? Será que empresas estrangeiras consideram toda a área (e não só parte dela) como localização potencial para o seu negócio? Usando estes critérios. Três quartos da população trabalham na cidade/arredores onde vivem. tem vários mercados de trabalho regionais em vez de um. Isto acontece apesar do aumento significativo do número de commuters entre 1995 e 2003 (de 2. a discussão gira em torno da criação de soluções para problemas de governação. 10% vive no Randstad e trabalha fora do Randstad (Fonte: CBS. Contudo. As deslocações casa-trabalho entre diferentes cidades do Randstad são tendencialmente entre cidades próximas: há muito mais viagens diárias entre Amesterdão e Utreque e entre Haia e Roterdão do que entre Amesterdão e Roterdão.3. o Randstad não pode ser caracterizado como uma área integrada. etc? Para as empresas. tem sido mencionado com alguma regularidade em relatórios governamentais mas nunca posto em prática. gerado imensa atenção académica. Por exemplo. Primeiro. 1. Tem sido descrito como uma das sete cidades de importância mundial e tem sido referido como um dos principais exemplos de área metropolitana policêntrica. compras. As viagens entre municípios/arredores diferentes aumentaram muito pouco. 2006). 9 . foi apresentado como um ideal de futuro que combateria uma excessiva urbanização na Holanda Ocidental. ou seja. Segundo. Um importante critério é se o Randstad funciona como um mercado de trabalho integrado. O Randstad: as visões humana e empresarial O Randstad tem. o forte desejo de manter cidades e zonas rurais bem definidas (juntá-las numa única entidade poderia pôr isso em perigo). Há duas razões fortes que explicam esta resistência histórica. Na década de 90. Outro critério prende-se com a perspectiva das pessoas que vivem no Randstad: será que para elas o Randstad funciona como um sistema urbano diário. O termo Randstad tem tido diferentes conotações com o passar do tempo. dar demasiada prioridade ao Randstad implicaria que menos recursos estariam disponíveis para o resto do país – uma ideia inaceitável num país onde prevalece a adesão a uma política de distribuição igualitária por todo o país. foi usado como veículo de criação de competitividade económica a nível global. educação. Em muitos destes estudos tem-se assumido que o Randstad funciona como uma metrópole coesa. mas dentro do Randstad (ex. toda a região é relevante em termos de habitação.5 para 3 milhões). desde a década de 60 do século passado. Cerca de 15% trabalha numa cidade diferente daquela onde reside. Hoje em dia. Existem várias formas de examinar esta problemática.Desde que o conceito de Randstad foi usado pela primeira vez em 1958. tanto para pessoas como para empresas. diversão.: mora em Utreque e trabalha em Amesterdão). (Fonte: Regio-Randstad. como se pode ver na ilustração 4.
ou seja. as quais têm grande oferta de emprego: Dordrecht com Roterdão. 2006) Distância Tempo Outra forma de identificar um mercado de trabalho integrado é analisando as actividades complementares numa determinada área. Ilustração 5: Distância e tempo médios de commuting para residentes do Randstad entre 1996 e 2003 (1995 = 100). mas não numa escala maior. Leiden com Haia. De facto. se uma parte é mais residencial e a outra mais de serviços. (Fonte: CBS. a distância e o tempo médios das viagens pouco aumentaram entre 1996 e 2003 (ver ilustração 5).Ilustração 4: Padrões de commuting nos residentes do Randstad. Várias cidades que proporcionam mais habitação do que oportunidades de trabalho estão fortemente conectadas às cidades grandes vizinhas. 2006) Trabalha na cidade onde vive Trabalha na província onde vive Trabalha noutra província do Randstad Trabalha fora do Randstad Apesar do aumento do número de indivíduos que comutam. Podemos ainda 10 . por exemplo. Alkmaar com Amesterdão. (Fonte: CBS. estas complementaridades existem entre municípios adjacentes.
As pequenas distâncias entre as cidades do Randstad tornam possíveis tempos de commuting de. Para a maioria da população. tendo em conta que o valor máximo é 1. 45 minutos. mais de 75% das multinacionais com presença na Holanda escolheram Amesterdão como localização para os seus escritórios. (Fonte: CBS. 2006).16 no General Functional Polycentricity Index. é mais realista considerar 15 minutos de viagem (Fontes: TNO. o Randstad tem um valor alto (ver ilustração 7). sendo que esta pequena percentagem é constituída por trabalhadores altamente especializados (ver ilustração 6). 2006). Quanto ao mercado de trabalho.olhar para as distâncias casa-trabalho. preferem manter-se na sua cidade. no máximo. Educação primária Educação secundária Sem dados Educação Educação secundária secundária não não terminada Educação superior terminada De forma análoga. O Randstad alcança um resultado de 0. Este valor pode parecer baixo. As pessoas estudam.0 – caso em que todos os centros da rede estariam igualmente bem conectados uns aos outros. quando comparado com outras regiões policêntricas da Europa. 2006). 11 . cerca de 70% das pessoas que tencionam mudar de casa. e embora 20% prefira deixar a sua cidade. Contudo. quer manter-se na sua província. CBS. No entanto. especialmente trabalhadores não-especializados. fazem compras e divertem-se na sua cidade e arredores. apesar de ser o potencial oferecido pelo Randstad como um todo que as atraiu (Fonte: Regio-Randstad. 2006. apenas uma pequena percentagem da população activa está disposta a despender tanto tempo numa viagem para o/do trabalho. Ilustração 6: Commuting de 45 minutos no Randstad por nível de educação.
Ilustração 7: General Functional Polycentricity Index. 2006). 12 . (Fonte: TNO.
O Randstad. Isto traz várias consequências: as circunstâncias económicas nacionais irão afectar a economia do Randstad fortemente. Isto faz com que o Randstad seja umas das áreas metropolitanas da OCDE com maior contribuição para o PIB do país respectivo (ilustração 8). também desempenham um papel fundamental nas suas economias nacionais. 13 .3% do PIB da Holanda. A importância económica do Randstad A economia do Randstad representa uma proporção da economia holandesa que é muito alta. quase igual ao PIB da Suécia. e vice-versa. 2006. A economia do Randstad: forte. Áreas metropolitanas com tamanho semelhante ao do Randstad. Ilustração 8: Ranking das áreas metropolitanas pela sua contribuição em termos de riqueza nacional. como Paris e Milão. A receita regional do Randstad é de 215 biliões de euros. onde vive 41.2. mas com baixo crescimento da produtividade 2. providencia assim 51.5% da população neerlandesa. Fonte: OECD Territorial Database.1. mas em muito menor grau do que o Randstad.
Japão e Grécia. a Holanda exibe uma das mais baixas disparidades entre regiões. Em 2001. usando o índice Gini para PIB per capita. no que toca à distribuição de riqueza. 2005). as disparidades regionais em PIB per capita – medidas através do índice Gini (que varia entre 0 e 1. Fonte: OECD Regions at Glance.15 de média da OCDE (Fonte: OCDE.10 na Holanda – em comparação com os 0.Comparada com outros países da OCDE. sendo valores mais altos indicativos de maiores disparidades a nível regional) – eram de 0. assim. 14 . juntamente com a Suécia. A Holanda é. Ilustração 9: Distribuição regional do PIB per capita. 2005c. um dos países com distribuição de riqueza regional mais uniforme.
ajustado tendo em conta o custo de vida. ajustado tendo em conta o custo de vida. 2005). estando bem acima de Lisboa e Londres.2. 2006 e UBS. o PIB per capita do Randstad. pois não existem dados das paridades de poder de compra a nível regional. baixo desemprego. é médio. Assim. (Fontes: TNO. mas abaixo de Dublin e Estocolmo (ver ilustração 10). alta produtividade mas baixo crescimento da produtividade Comparar os rendimentos das áreas metropolitanas não é fácil pois diferenças no custo de vida em diferentes regiões torna os rendimentos regionais difíceis de comparar em termos reais. Estes dados foram conseguidos para várias cidades (Fonte: UBS. podemos ter em conta os custos de vida das cidades. Um custo de vida mais alto numa cidade significará que o rendimento aí conseguido providenciará menor poder de compra do que o mesmo rendimento noutra cidade com menor custo de vida. No entanto. Ilustração 10: PIB per capita de áreas metropolitanas. Uma região afluente: altos rendimentos. 15 . 2005).2. pois este indicador reflecte de alguma forma os rendimentos das áreas metropolitanas onde essas cidades se encontram.
No entanto. sendo uma economia muito aberta. Utreque pertence à chamada North Wing (a parte norte do Randstad). Num ranking de 20 regiões urbanas europeias o Randstad está na sétima posição em termos de crescimento económico ao longo da última década (Fonte: TNO. A taxa média anual de crescimento na última década oculta o facto de que a primeira metade foi muito bem sucedida e a segunda metade exactamente o oposto.6%. (Fonte: CBS. em especial do mercado de trabalho. tendo um rendimento per capita 10% mais baixo do que a média nacional. Além disso. enquanto para os Países Baixos como um todo.) O crescimento económico no Randstad ao longo da última década tem sido relativamente modesto. Roterdão. é de salientar que o PIB per capita na South Wing está aproximadamente ao mesmo nível que o PIB per capita médio nacional. 16 . à debilidade prolongada da área euro.O Randstad como um todo gera rendimentos per capita que são 6% mais elevados do que a nível nacional. durante o período 1995-2002. em seguida.0% ao ano durante o período 1995-2005. pertence à South Wing. Mas as diferenças entre cidades dentro do Randstad são substanciais. devido a uma diminuição do rendimento disponível real e aumentos mais lentos dos preços das casas após 2001. o fosso entre as partes Norte e Sul do Randstad não mostra sinais de encurtamento entre 1995 e 2003 (ver ilustração 11). em comparação com outras áreas metropolitanas da OCDE. o aumento dos salários reais no final da década passada reduziu a competitividade e o consumo privado manteve-se estagnado durante 2000-2005. A posição do Randstad. De facto. 2006. Os efeitos da grave crise económica foram mais severos nos Países Baixos pois não havia a flexibilidade necessária para um ajustamento às novas condições de mercado. Ilustração 11: O fosso entre o PIB per capita na North e South Wings. 2005). Factores externos deram uma importante contribuição para a desaceleração pois. Não houve. A economia do Randstad tem crescido a uma taxa real de 3. portanto. devido a um notável abrandamento económico entre 2001 e 2004 (ver ilustração 13). algo que tivesse um efeito amortecedor do declínio dos preços no mercado de acções (Fonte: OCDE. 2006). a Holanda foi altamente exposta à desaceleração do comércio mundial na primeira parte da década e. a taxa real de crescimento anual do PIB foi de 2. traça uma imagem bastante desanimadora (ver ilustração 12). O rendimento per capita em Utreque é 21% mais alto do que a média nacional. por seu turno.
2006.Ilustração 12: Crescimento médio anual do PIB em algumas metrópoles da OCDE. Fonte: OECD Territorial Database. 17 .
No entanto. nomeadamente a política de moderação de crescimento dos salários reais que se iniciou em 1982 com o chamado Acordo de Wassenaar. Entre comparáveis áreas metropolitanas europeias. o Randstad ficou classificado em 7º em 37 (Fonte: OCDE. Se tivermos em conta apenas as regiões europeias dessa amostra. 2005). 2006). Além disso. também noutros indicadores relacionados com o mercado de trabalho. 18 . Roma e Lisboa superaram o Randstad durante 1995-2005 (Fonte: TNO. (Fonte: TNO. o Randstad mostra robustez. A sua taxa de emprego posicionou-se em 23º entre as 80 regiões da OCDE classificadas em 2002 (ver ilustração 14).5% (Fonte: TNO. 2005). Comparado com outras regiões metropolitanas da OCDE. Londres. 2006). Este valor é muito baixo quando comparado com outras áreas metropolitanas. A empregabilidade na Holanda tem aumentado continuamente nas últimas décadas (cerca de 20% desde o início de 1980). só Madrid. o Randstad exibe uma elevada taxa de emprego e uma elevada taxa de crescimento do emprego. 1996 – 2004.9% em 2005. o crescimento do emprego no Randstad durante 1995-1999 foi mais impressionante do que durante 2000-2004.Ilustração 13: Crescimento económico anual do Randstad. em linha com o crescimento económico. apenas Milão teve uma mais baixa taxa de desemprego: 3. O aumento do emprego teve várias causas. A taxa de desemprego no Randstad foi de 3. 2006). No crescimento do emprego. Dublin. Barcelona. a redução dos benefícios da segurança social e a crescente participação das mulheres no mercado de trabalho (Fonte: TNO. A taxa de emprego é hoje quase tão elevada como a dos Estados Unidos e consideravelmente superior às médias da UE15 e da OCDE (Fonte: OCDE. 2006).
devido a uma elevada proporção de trabalho a tempo parcial. (Fonte: CBS. o nível de produtividade por hora na Holanda ainda se pode classificar como elevado entre os países da OCDE (ilustração 15). Embora a sua posição em comparação com outros países tenha sido consideravelmente maior durante os anos 80 e 90. (Fonte: OECD Territorial Database.Ilustração 14: Taxas de empregabilidade em várias metrópoles da OCDE em 2002. Como o tempo de trabalho por trabalhador é muito baixo nos Países Baixos. 2006). a produtividade por trabalhador é também reduzida. Existe uma grande diferença na Holanda entre a produtividade por hora e a produtividade por trabalhador. 2006) 19 .
são explicadas em certa medida as diferenças entre as regiões. (Fonte: EUKN. os serviços financeiros. 2004. A única excepção é a província de Flevoland. 2006). 2005) 20 . os serviços prestados a empresas e os complexos sectores industriais em torno do Porto de Roterdão. São exemplos de sectores associados a uma alta produtividade o Aeroporto de Schiphol.Ilustração 15: Produtividade por hora em países da OCDE. (Fonte: OECD Productivity Database. que tem uma produtividade relativamente baixa: isso pode ser largamente explicado pelo commuting daí para North Holland. Os sectores de emprego diferem entre regiões e. As províncias com maior nível de produtividade nos Países Baixos são três das quatro províncias que formam o Randstad: Utrecht. North Holland e South Holland (ver ilustração 16). como alguns sectores têm taxas de produtividade mais elevadas do que outros.
(Fonte: EUKN.Ilustração 16: Produtividade em 2002 (em euros por hora) na Holanda.) 21 . 2005.
houve diferenças consideráveis no crescimento da produtividade no seio do Randstad. Fonte: (OECD Productivity Database.Ilustração 17: Crescimento anual da produtividade em países da OCDE. 2006) Entre 1996 e 2002. 1995-2000 e 2000-2005. Utrecht teve uma taxa de crescimento da produtividade mais elevada 22 .
mas o crescimento no resto do Randstad foi consideravelmente mais lento: na maioria dos casos. abaixo da média neerlandesa (ver ilustração 18). Vários estudos indicam que a densidade populacional e de emprego afectou negativamente o crescimento da produtividade na região. a baixa taxa de crescimento da produtividade ao longo dos últimos anos. O crescimento económico tem sido lento nos últimos anos. 2005).do que a média na Holanda. uma baixa proporção de pessoas abaixo da linha de pobreza e igualdade de rendimentos. O principal desafio é. 23 . Ilustração 18: Crescimento anual da produtividade em várias partes do Randstad. A esta imagem positiva podem ser acrescentadas: inflação baixa. mas foi bom ao longo de um período de tempo mais longo. As principais razões para isso são os congestionamentos e falta de espaço (Fonte: EUKN. O Randstad tem um PIB per capita regional relativamente elevado. mas o crescimento da produtividade é um sério desafio. (Fonte: EUKN. Em jeito de conclusão. 1996-2002. de facto. a economia do Randstad pontua bem em muitos indicadores. uma taxa de desemprego baixa e uma produtividade elevada. 2005).
Na Europa Ocidental apenas Londres. a abertura da economia do Randstad torna-a vulnerável a choques externos. O Randstad: uma economia aberta 3. No entanto. Comparado também com a economia dos Países Baixos como um todo. Parte do abrandamento económico dos últimos cinco anos. enquanto 46% do emprego na Holanda está em serviços comerciais. uma percentagem surpreendentemente elevada. uma economia muito aberta ao comércio internacional e ao investimento. 2006). dependente da evolução da situação no resto do mundo. naturalmente. como as guerras. dado que a agricultura quase desapareceu da maioria das metrópoles europeias. continua a ser o centro de distribuição da Europa. Dois terços das exportações dos Países Baixos provêm do Randstad. Metrópoles como Barcelona e Milão são muito mais orientadas para a indústria (Fonte: CBS. representou 3. 76% das exportações mundiais e dois terços das importações mundiais vão de e para países europeus. O país posicionou-se como a porta de entrada da Europa e tira o máximo partido da sua localização na foz de grandes rios europeus e no centro das rotas terrestres europeias. portanto.3. Enquanto o seu PIB representa apenas 1% do total do PIB mundial. tal como demonstrado pela sua quota do comércio mundial e do investimento directo estrangeiro (ver ilustração 19). a economia holandesa está estreitamente ligada à de outros países europeus. 2005). os ciclos económicos e proteccionismo. A percentagem da população activa na agricultura e em serviços sem fins lucrativos é a mesma no Randstad e nos Países Baixos como um todo: 3% e 33% respectivamente (Fonte: CBS. especialmente à da Alemanha. 2006). pode ser explicado pela grave crise económica alemã que afectou a Holanda. Como a maior parte do comércio holandês é feito com países da UE. Assim. fazendo dos Países Baixos um dos dez mais importantes países exportadores e importadores no mundo (Fonte: OCDE. Reforçou posteriormente esta vantagem desenvolvendo dois super-centros logísticos: o porto de Roterdão e o aeroporto de Schiphol. a quota dos Países Baixos no comércio mundial é de 3. mais do que em muitas áreas metropolitanas da OCDE. O comércio internacional está.25%. O Randstad está entre as áreas metropolitanas que têm a proporção mais elevada da sua economia dedicada aos serviços. A abertura de uma economia baseada nos serviços A economia do Randstad é dominada pelo sector dos serviços.1. A agricultura e os produtos alimentares continuam a ocupar uma grande parte das exportações neerlandesas (cerca de um quinto). Estocolmo e Roma são mais orientadas para os serviços.8% das exportações mundiais e 3. sendo que este valor aumenta para 52% no Randstad. A grande maioria das pessoas activas do Randstad (84%) trabalha em serviços. 24 . contra 13% na indústria e 3% na agricultura. A Holanda é historicamente uma das principais nações comerciais. A indústria emprega 17% da população activa nos Países Baixos (versus 13% no Randstad). o Randstad é menos orientado para a indústria e mais orientado para os serviços.3% das importações mundiais. Em 2002.
A Holanda tem actualmente cerca de 5 400 empresas estrangeiras. Outro quarto está ligado ao marketing. Fonte: OECD Factbook.5%) (Fonte: OCDE. predominando as que se baseiam na Alemanha e Reino Unido. Um quarto das empresas estrangeiras nos Países Baixos está ligado à produção. 2006). Quase 60% destas empresas estrangeiras têm empresasmãe europeias.Ilustração 19: Valor das trocas comerciais com o exterior como percentagem do PIB. Há grandes fluxos de investimento directo estrangeiro (IDE) para os Países Baixos. 2006. 25 . cerca de 7% do total. as quais fornecem 535 000 postos de trabalho. os Países Baixos atraíram um total de 313 biliões de dólares. tanto em termos absolutos como relativos. vendas e consultoria. tendo sido os sextos classificados em poder de captação de IDE entre os países da OCDE (ver ilustração 20). Um terço é detido por empresas norte-americanas. Outras grandes categorias de entrada de investimento directo estrangeiro são a grossista (20%). logística (12%) e sediação (8. Durante 1996-2005.
enquanto as empresas de origem belga e alemã preferem estar localizadas nas regiões de fronteira dos Países Baixos (Fonte: EUKN. Pesquisas mostram que as infra-estruturas do Randstad exercem uma grande e positiva influência sobre as empresas estrangeiras quando escolhem a sua localização nos Países Baixos. Em comparação com outras empresas. 2006. ainda é uma das áreas mais populares para localizar uma empresa estrangeira.) O investimento directo estrangeiro está sobre-representado nas quatro províncias do Randstad pois 58% de todas as empresas estrangeiras nos Países Baixos estão sediadas ali e. 2006). Fonte: (OECD International Direct Investment Database.Ilustração 20: Entrada de investimento directo estrangeiro entre 1996-2005 (em biliões de dólares). As províncias vizinhas de Noord-Brabant e Gelderland acolhem 27% de empresas estrangeiras. Embora a capacidade atractiva de IDE por parte do Randstad possa ter-se deteriorado um pouco nos últimos anos. 2006). as empresas japoneses e norte-americanas estão desproporcionadamente representadas no Randstad. As outras seis províncias da Holanda conseguiram atrair apenas 15% (Fonte: EUKN. 26 . no entanto. a economia do Randstad representa “apenas” 51% do total da economia holandesa. o que indica que outros factores compensam a falta de espaço. A elevada densidade populacional não é factor impeditivo.
implementar normas laborais mais flexíveis e reduzir os custos do trabalho (Fonte: Ernst & Young. mas esta fica apenas em 44º no estudo da Mercer Consulting (Fonte: Mercer Consulting. bem como as percepções dos executivos sénior no que diz respeito à Europa como um potencial destino de investimento. Frankfurt e Bruxelas. Esta publicação ordena 33 cidades europeias de acordo com a que é melhor para localizar um negócio. socorrendo-se dos pontos de vista de executivos sénior de 507 empresas europeias.1. para melhorar a atractividade dos Países Baixos passam por reduzir a tributação. Um dos mais conhecidos rankings é o European Cities Monitor da Cushman & Wakefield. 2006). Amesterdão ficou em 13 º lugar. 2006). a Holanda está em 13 ª posição. respectivamente (Fonte: Cushman & Wakefield. serviços públicos. Existem também vários estudos que medem o quão atraente para o investimento estrangeiro é um determinado país. preparando classificações para cidades e para países. os Países Baixos ficaram em 3º. O Randstad em vários rankings que medem a abertura da economia Há várias instituições que listam as mais atraentes áreas de localização de um negócio. caíram para sexto. Factores que são utilizados para classificar as cidades: político.3. económico. depois da Dinamarca. quando se trata de investimentos no 27 . Consegue piores pontuações no custo de contratação de pessoal (26º) e custo de aluguer/compra de escritórios (19º). Os Países Baixos passam para quarto lugar. social. Visto que o Randstad é a principal região de captação de IDE dos Países Baixos. acesso aos mercados (4º) e ligações de transporte (4º). ambiente sociocultural. transportes e lazer. Amesterdão consegue melhores pontuações em línguas faladas (2º lugar).1. As sugestões mais frequentes. depois do Canadá e dos Estados Unidos. Amesterdão tem constantemente sido colocada em quinto lugar. pessoal qualificado. O modelo é utilizado para gerar pontuação para o ano anterior para os cinco anos seguintes. O ranking inclui os 60 maiores países do mundo e mede a atractividade do ambiente empresarial. dadas pelos CEOs. telecomunicações. Paris. Os factores-chave que são tidos em conta nesta análise são o acesso aos mercados. custo e qualidade de vida. projectos de investimento são monitorados. Amesterdão foi ultrapassada por Barcelona. indirectamente. uma muito modesta pontuação em comparação com Barcelona e Madrid que receberam pontuações de 24% e 17%. Neste estudo. O Randstad é uma entidade que não é tida em conta nestes rankings. Genebra e Vancouver. Quando se trata do total dos investimentos estrangeiros. As cidades com melhor qualidade de vida foram Zurique. 2006). Apenas 3% dos inquiridos vêem Amesterdão como uma cidade que está a tentar melhorar-se. É interessante notar que a cidade com melhor pontuação na qualidade de vida do estudo da Cushman & Wakefield é Barcelona. Estados Unidos. Canadá. dizer algo sobre o Randstad. Outro estudo nesta mesma área (o IDE) é o European Attractiveness Study da Ernst & Young. Singapura e Hong Kong (Fonte: EIU. mas Amesterdão é. Desde a década de 90 até 2004. esses estudos acabam por. A partir de 2005. depois de Londres. Para o período 2005-2009. Durante o período 2000-2004. Um desses estudos é o Business Environment Ranking da Economist Intelligence Unit. 2005). Em 2006. A Mercer Consulting tem um estudo que classifica 215 cidades do mundo de acordo com a sua qualidade de vida.
direitos de propriedade e regulamentação. o sector mais importante no Randstad em termos de emprego. (Fonte: Ernst & Young. Em comparação com o resto dos Países Baixos. Existem também estudos que se preocupam com a liberdade económica de um país. de longe. Estas listas dão uma indicação de quais os fortes sectores económicos do Randstad.2. mais uma vez. Os principais problemas dos Países Baixos são. Uma economia diversificada Várias tentativas têm sido feitas nos últimos anos para listar os mais importantes sectores da economia neerlandesa e do Randstad. 2006.mercado de acções. 3. 2006) e geralmente classificam a Holanda como moderada. a intervenção governamental. serviços empresariais e no sector da água. pesados encargos fiscais e ampla intervenção governamental (Fonte: Heritage Foundation. Tanto a Heritage Foundation e o Cato / Fraser Institute produzem rankings destes. Ilustração 21: Número de postos de trabalho em vários sectores do Randstad. o Randstad mostra a mais significativa especialização nas indústrias criativas. são a indústria química e o sector de tecnologia de ponta. Os sectores em que o Randstad está subrepresentado. o Randstad está clara ou ligeiramente sobre-representado. 2006. 2006). Em todos os outros oito sectores. atrás do Reino Unido. Mercer Consulting. São tidos em conta. 2006). 2005) Existem vários estudos que olham para o custo de vida e custos para as empresas (Fontes: UBS. em 2005. A Holanda ficou em 16º no índice da Heritage Foundation para 2006 e em 12º no índice da Cato / Fraser Institute para 2004. o alto nível de regulação do mercado de trabalho. KMPG. Outros sectores consideráveis geradores de emprego são o sector não lucrativo e o comércio e logística (ver ilustração 21). Estes estudos dão uma impressão da liberdade que as empresas estrangeiras têm nos países estudados. em comparação com a Holanda como um todo. Fonte: (RegioRandstad. A comparação das listas mostra 10 sectores fortes da economia neerlandesa (Fonte: Regio-Randstad. Os serviços financeiros e os serviços prestados às empresas são. Um quarto de toda a população activa está empregado nestes sectores. como de emprego. financeiras. entre outros. França e Suíça.) 28 . 2006. o que equivale a 623 000 postos de trabalho. tanto em termos de valor acrescentado.
Outros sectores. Existem grandes diferenças no valor acrescentado entre os diversos sectores (ver ilustração 22). A indústria química representa o maior valor acrescentado.2. especialmente na China. Fonte: (RegioRandstad. Comércio e logística O sector de transportes e logística está concentrado em torno do porto de Roterdão e do Aeroporto de Schiphol (próximo de Amesterdão). as ciências da vida.A maior parte dos sectores com elevado valor acrescentado está em minoria. fornecem uma elevada quota de emprego e trazem elevado valor acrescentado. sector financeiro e serviços prestados às empresas. Ambos os sectores estão fortemente representados no Randstad. como os serviços financeiros. O porto de Roterdão é o 29 . indústria criativa. Em contrapartida. Muitos destes sectores de maior valor acrescentado não desempenham um papel muito significativo na economia do Randstad: por exemplo.1.1. os transportes/logística e o sector da água trazem menos valor acrescentado. 3.) A economia do Randstad é. Alguns destes sectores especializados são descritos e analisados abaixo: o transporte e logística. Roterdão tem o maior porto da Europa e um dos maiores do mundo. 3. assim. 2006. As excepções a este padrão são os serviços financeiros e de transporte. mas desde então Xangai e Singapura ultrapassaram-no. turismo. mas com os principais portos do Noroeste da Europa. Isto não é surpreendente considerando o rápido crescimento do consumo e produção no Leste Asiático. o que não surpreendente para um sector de capital intensivo.2. não trazem grande valor acrescentado. relativamente diversificada com várias especializações económicas. O aeroporto de Schiphol é o quarto maior aeroporto da Europa. alguns dos maiores sectores do Randstad – os sectores não lucrativo e de turismo –. O seu porto não está em concorrência com os portos da Ásia.1. as ciências da vida e o sector da água são os mais pequenos dos 10 sectores mais importantes do Randstad e a indústria química está claramente subrepresentada quando em comparação com o resto da Holanda. mas mesmo assim um valor acrescentado acima da média. Ilustração 22: Valor acrescentado por trabalhador em vários sectores do Randstad. e não é um sinal de declínio de Roterdão. e horticultura. com a notável excepção dos serviços financeiros e de transportes/logística. O Porto de Roterdão Roterdão chegou mesmo a ser o maior porto do mundo de 1965 a 2004.
um quarto é de produtos sólidos indiferenciados (como o carvão) e um quinto é de contentores. tanto em termos de peso bruto das mercadorias como do número de contentores movimentados. enquanto que as projecções para o crescimento do mercado de transbordo de contentores variam entre 7% a 10% ao ano (Fonte: Rotterdams Havenbedrijf. O porto de Roterdão é mais global do que os seus concorrentes. Roterdão. embora as diferenças nas conexões dos três portos com as Américas do Norte e Sul sejam menos acentuadas. há uma maior concentração no transporte de contentores: 43% das operações de transbordo em Antuérpia está em contentores e em Hamburgo este valor é de 60%. 2006) Uma série de desenvolvimentos indica que as perspectivas para o porto de Roterdão são boas. em milhões. como um porto de mar muito profundo. de longe. Uma deles é o fenómeno que consiste em navios de médio e grande porte 30 . movimentadas nos portos de Roterdão e concorrentes. (Fonte: Rotterdams Havenbedrijf. 2006) Ilustração 23: Número de toneladas. o desempenho do porto de Roterdão é bom. mas vários problemas têm de ser resolvidos. representando 9% do total das mercadorias provenientes de países da UE em 2003.) Quase metade do transporte transeuropeu que se realiza lá é de produtos petrolíferos. Em Antuérpia e Hamburgo. o porto de Roterdão ainda foi o oitavo do mundo em termos de transporte de contentores em 2004. A maior parte destes bens será transportada em navios cada vez maiores. perdeu quota de mercado nos contentores para Antuérpia e Hamburgo (de 39% em 1992 para 27% em 2003). está bem equipado para receber estes navios. (Fonte: Rotterdams Havenbedrijf. É. É também mais diversificado do que os seus concorrentes. mas conseguiu recuperar parte em 2004 e 2005 (aumentando a sua quota para 28% em 2005) (Fonte: Rotterdams Havenbedrijf. (Fonte: Rotterdams Havenbedrijf. No entanto. as suas relações com a Europa. 2006) Embora a sua posição tenha caído nas últimas duas décadas. O mercado tem crescido mais no transbordo de contentores e a concorrência neste mercado tem sido acérrima.maior da Europa. 2006. o maior porto na chamada zona Hamburgo-Le Havre que serve o noroeste da Europa (ver ilustração 23). 2006). A continuação do crescimento económico na China vai levar a um aumento das actividades logísticas. África e Ásia estão mais desenvolvidas. Embora Roterdão seja o líder de mercado em todos os tipos de transbordo. Apesar da concorrência feroz de Antuérpia e Hamburgo. existem algumas incertezas. Em especial.
Outra lacuna que precisa de ser resolvida prende-se com os constrangimentos de espaço. embora as suas bacias hidrográficas sejam actualmente pequenas. Por exemplo. 2006). mas o transporte rodoviário continuará a ser importante. 2006). Comparáveis custos de trabalho no porto de Antuérpia são consideravelmente inferiores aos de Roterdão. como Roterdão. Roterdão irá aumentar a sua capacidade portuária consideravelmente quando a sua extensão (Maasvlakte 2) for feita. possivelmente devido às diferentes características de ambos os 31 . problemas nas infra-estruturas – tais como o congestionamento rodoviário e constrangimentos de espaço – e problemas em áreas como o mercado de trabalho – onde há falta de flexibilidade – criam dificuldades para as empresas. Existe potencial para fazer isso em novos mercados. é essencial para o porto de Roterdão que as deficiências sejam resolvidas. 2006). devido ao crescimento da economia chinesa (Fonte: Rotterdams Havenbedrijf. uma parte substancial é movida por transporte rodoviário (35%). O mercado de trabalho apresenta problemas em termos de rigidez e falta de trabalhadores altamente qualificados.4% do PIB holandês. Afigura-se que este pode ser o caso. A nova rede de transporte ferroviário de Roterdão para a Alemanha (o "Betuwelijn"). Uma melhor utilização da base de conhecimentos existente e o desenvolvimento de uma melhor capacidade de inovar são também essenciais para enfrentar a concorrência futura. Alguns observadores prevêem o congestionamento nos portos do Noroeste da Europa. mais de metade do valor total produzido pelo sector de logística é exportado e aproximadamente 10% é composto de bens em trânsito. Novos processos e tecnologias para plataformas de logística devem ser aproveitados (Fonte: EUKN. Como a perda de quota de mercado nos contentores mostra. No entanto. em rotas intercontinentais. Roterdão e Antuérpia parecem bater-se por reserva de capacidade em Zeeland (província holandesa entre Roterdão e Antuérpia). O porto de Roterdão é parte de um cluster logístico substancial que gera produção económica equivalente a 4. na medida em que aumenta os prazos de entrega e diminui a confiança das empresas de logística que optaram por utilizar Roterdão. uma melhor coordenação da capacidade portuária no noroeste da Europa parece ser necessária. Além disso. Não parece haver muita cooperação entre os portos de Roterdão e Amesterdão. Aumentar a flexibilidade laboral e as competências de trabalho aumentaria a competitividade do porto de Roterdão. irá aumentar a proporção de mercadorias transportadas por via-férrea. em operação desde 2007. como a biomassa e resíduos. pois em 43% dos casos. o estabelecimento de um centro de distribuição na Holanda por uma empresa leva ao estabelecimento de outras actividades lá (Fonte: Rotterdams Havenbedrijf. que são bens importados e exportados imediatamente. Do lado positivo. No entanto. O congestionamento rodoviário nos Países Baixos é um dos problemas mais urgentes a enfrentar pelo porto de Roterdão. novos mercados na Europa Oriental e o aumento dos fluxos provenientes da Ásia via Europa para a costa leste dos Estados Unidos podem tornar portos do sul da Europa mais importantes. Além disso.usarem. vários portos e não só os grandes e importantes. alguns observadores consideram que o trânsito de contentores tem um papel central em atrair investimentos estrangeiros para os Países Baixos. Embora a maioria das mercadorias provenientes do porto de Roterdão seja transportada em vias navegáveis interiores (60%). a falta de uma utilização eficaz dos conhecimentos existentes e competências básicas na área e uma falta de inovação devem ser abordadas.
(Fonte: Schiphol. Uma outra preocupação de Schiphol é permanecer acessível por estrada. Como o foco da logística parece estar a mudar para a Europa Oriental torna-se cada vez mais urgente proporcionar serviços mais inovadores e de valor acrescentado. apesar do aumento do congestionamento de tráfego. 2006). A concentração na indústria do transporte aéreo poderá conduzir a que a Europa só tenha espaço para um número limitado de aeroportos do tipo de Schiphol. Isto teve consequências para as operações de Schiphol. Se isto ocorrer. demasiado fragmentadas e não orientadas para trabalhar com as pequenas empresas. o qual poderá ser alcançado dentro de alguns anos.2. universidades e institutos públicos de investigação não são “comerciais” o suficiente. O grande problema no sector logístico é investir muito pouco em investigação e desenvolvimento. Cada euro gasto em logística gera menos de um cêntimo em despesas de investigação e desenvolvimento. (Fonte: Schiphol. No entanto. Esta rede. a posição de Schiphol é razoavelmente positiva. Isto torna possível ter uma rede com uma enorme variedade de destinos e muitos voos frequentes. uma vez que o ruído para os cidadãos nos territórios vizinhos tem de ser limitado. Vários agentes têm contribuído para esse problema: produtores e empresas de serviços logísticos não iniciam inovação. tem atraído muitas empresas estrangeiras e resultou em muita actividade económica na zona do aeroporto. está localizado muito perto de várias cidades (como Amesterdão. Hoofddorp. Haarlem. ao contrário de muitos dos seus concorrentes. quanto mais não seja porque os seus concorrentes também têm problemas de capacidade. o carácter de Schiphol como um aeroporto de conexão também tem a sua desvantagem: muitos passageiros em transferência geram pouca receita para o aeroporto. no entanto. os departamentos governamentais sofrem de uma falta de coordenação com os demais players e objectivos diferentes. pois é improvável perder grande parte da sua quota de mercado. como os limites que foram impostos sobre o nível de decibéis permitido.portos: Roterdão é um porto que oferece uma ampla gama de serviços. embora existam opiniões alternativas sobre esta previsão. 32 . 2006). Tem sido assim enfraquecido pela consequente falta de inovação. mas também cria consideráveis limitações sobre o número de voos. O Aeroporto de Schiphol O aeroporto de Schiphol conseguiu tornar-se um dos maiores aeroportos da Europa. as empresas de transportes são demasiado pequenas para efectuar a necessária investigação e desenvolvimento.1. em associação com a qualidade do serviço. pois os países vizinhos copiaram as muito bem sucedidas políticas do passado holandês. Zaanstad e Leiden). enquanto o porto de Amesterdão é mais especializado em nichos de mercado. como o cacau e o carvão.2. A posição competitiva da oferta holandesa agravou-se devido a esta falta de inovação. apesar do pequeno mercado interno. O investimento em tecnologias de informação e comunicação (TIC) pelo sector logístico é também relativamente baixo (Fonte: TNO. O principal desafio para o aeroporto de Schiphol é a forma de acomodar o crescimento pois. 3. 2006). Isto tem vantagens (está a 10 minutos do centro da cidade de Amesterdão). Amstelveen. agindo como um hub conectando muitos voos intercontinentais com voos intraeuropeus. mas contribuem para a poluição sonora e deterioração da qualidade do ar.
2.3. embora Roterdão também tenha várias companhias de seguros. bem como empresas de consultoria. como nas regiões urbanas imediatamente fora. Os serviços financeiros parecem estar mais concentrados em Amesterdão e autarquias vizinhas. 2006. tanto no Randstad. Utreque e os seus municípios vizinhos. enquanto que os serviços de tecnologias de informação e comunicação (TIC) parecem ter uma maior presença em Utreque ou nas proximidades de Utreque. Serviços financeiros e serviços empresariais Existe uma elevada concentração de serviços financeiros e de serviços empresariais. Ilustração 24: Concentração geográfica de serviços financeiros e empresariais no Randstad. (Fonte: CBS.) 33 . O sector dos serviços em Haia é dominado por grandes companhias de seguros e telecomunicações. em Amesterdão. Elas estão menos representadas em Roterdão do que no norte.2.
Está concentrada nas grandes cidades do norte do Randstad. a acessibilidade e qualidade de vida na região. é um sector em rápido crescimento que poderia estimular a inovação noutros sectores. Berlim e Praga. 2006). CBS. De acordo com estatísticas da OMC. A inserção da indústria criativa no sector das TIC pode gerar novas actividades económicas e. nos últimos anos. Tem testemunhado um rápido crescimento durante a última década (o crescimento entre 1996 e 2002 foi de 10%). 2006) e o número de dormidas por visitante diminuiu 1% durante este período (Fonte: CBS. 2006). tais como TIC. mas também existem serviços que requerem mais conhecimento intensivo.2. É um sector bastante heterogéneo com grandes empresas. engenharias. Existem serviços básicos de limpeza e vigilância. o número de turistas estrangeiros que ficaram em alojamento pago no Randstad aumentou apenas 1. No entanto. 2006). pois estes factores são determinantes na escolha de destinos turísticos. Turismo As grandes cidades do Randstad têm elevados níveis de emprego no sector do turismo. em parte. Amesterdão ficou classificado muito abaixo de Barcelona. no entanto.4% (Fonte: CBS. Amesterdão ficou classificada em 10º entre as melhores cidades europeias para conferências / exposições em 2004 (Fonte: Cushman e Wakefield.O sector das empresas de serviços empresariais é um grande e importante sector na economia do Randstad. o sector gerou um quarto do crescimento de valor acrescentado no sector privado e um terço do crescimento de emprego (Fonte: CBS. (Fontes: Regio-Randstad. num sentido mais lato. estiveram no Randstad (Fonte: CBS. consultoria económica. Indústria criativa A indústria criativa. artes e edição. Em 2004.4. composta por – entre outras áreas – publicidade. Madrid. Esta situação serviu. Isto levanta preocupações sobre a atractividade global. cerca de 70% do total de turistas estrangeiros que ficaram em alojamento pago nos Países Baixos e cerca de 61% do número total de dormidas de turistas estrangeiros. mas composto sobretudo por pequenas empresas: 88% das empresas do sector têm 5 empregados ou menos: isto explica-se. jurídica e serviços de marketing. para compensar um crescimento mais lento em décadas anteriores. devido à sua forte orientação urbana. 2006). 2006). com a maior parte da indústria do turismo na Holanda concentrada no Randstad. 2006. num ranking de cidades que estão a desenvolver activamente as suas amenidades turísticas (Fonte: Cushman e Wakefield. um forte sector criativo poderia estimular a inovação em toda a economia. tendo em conta que há um maior número de start-ups criadas neste sector do que na maioria dos outros sectores. 3. Amesterdão. Sem surpresa. 3.3. Os serviços prestados às empresas nos Países Baixos têm crescido rapidamente em comparação com muitos outros países ocidentais. Isto está em nítido contraste com o crescimento no resto da Europa e do mundo. Entre 1990 e 2000. 2006). No período 2001-2004. quando ficaram em tais alojamentos. Haia e Roterdão receberam a maioria dos visitantes internacionais. o turismo mundial cresceu 12% durante 2001-04. o Randstad tem sido lento no desenvolvimento da sua indústria de turismo.2. 34 .
Desafios O tópico anterior incidiu sobre os principais sectores económicos do Randstad. 4. a acessibilidade. tirando assim partido das vantagens da proximidade entre as redes urbanas. Demonstrou-se que todos os sectores enfrentam desafios que dificultam o crescimento económico. deveria ajudar a produzir mais valor do que actualmente. Redes de transporte A mobilidade ligada ao emprego e à educação na Holanda é relativamente baixa. como no caso do mercado de trabalho.1.4. Resolvendo os problemas descritos abaixo. com grande densidade populacional e com uma forte especialização económica. que são uma mais valia. evitando a duplicação de actividades por cidade/região e garantido uma oferta e procura de casa distribuída é possível de se alcançar. Melhorar a facilidade das deslocações dentro do Randstad. Como foi mencionado anteriormente. Este cenário é confirmado quando comparamos os comportamentos de commuting entre países (ver ilustração 25). É uma área policêntrica. poderia melhorar-se a integração funcional. 4. Isto implica a existência de potencial para mais mobilidade. Identificamos agora três dos obstáculos principais: o uso inadequado da proximidade dos centros urbanos. ineficiências no mercado de trabalho. em diversos domínios em que esta é escassa. desvalorização e desaproveitamento dos conhecimentos existentes. O último ponto é particularmente importante para se alcançar um Randstad com um perfil mais cosmopolita. a percentagem de commuting dentro do Randstad é relativamente pequeno quando comparado com a percentagem de gente que trabalha dentro da sua cidade / região. Uma melhor integração empresarial seria provavelmente um incentivo para aumentar a produtividade. Tirar melhor partido da proximidade dos centros urbanos O Randstad possui características únicas. isto é.1. Ter uma população com especializações e talentos diferentes muito próxima uma da outra. 35 .1.
Este problema é ainda maior nas regiões policêntricas onde as distâncias a percorrer tendem a ser maiores que nas regiões monocêntricas. existe insuficiente estacionamento nas próprias áreas que poderiam incentivar a utilização dos transportes públicos. 25% de todas as viagens são feitas em transportes públicos. a integração das redes de transportes públicos locais só muito recentemente tem sido implementada. como é o caso de Amesterdão. sendo que a maioria do tempo perdido devido a engarrafamentos ocorre na também no Randstad. 2003. A maioria dos engarrafamentos na Holanda (81%) estão concentrados no Randstad. em Amesterdão). As duas cidades que estão mais próximas uma da outra (Haia e Roterdão) estão ligadas apenas por comboio. (Fonte: Eurostat.) A necessidade das populações em serem extremamente móveis e o grave congestionamento nos transportes públicos constitui um problema nas regiões metropolitanas da OCDE. tornando uma viagem através de transportes públicos difícil. Além disso. tem elevada densidade populacional e as várias cidades estão ao redor do Coração Verde. não existe. 36 . A maioria do transporte de passageiros no Randstad ocorre por via rodoviária. Numa cidade como Amesterdão. A rede rodoviária na Randstad está altamente congestionada. enquanto Amesterdão e Haia têm eléctricos. por si só. Ambas as redes de metro e eléctrico nem sempre chegam às autarquias vizinhas. Tendo em conta os problemas de congestionamento nas estradas. Esta ausência. com 8 dos 10 maiores engarrafamentos a acontecerem aqui. aumentando para 40% durante a hora de ponta. porém. 67% de todos as viagens individuais ocorrem por via rodoviária. um sistema de transportes públicos unificado seria uma escolha óbvia: o Randstad é plano.Ilustração 25: Percentagem de indivíduos que demoram mais de 20 minutos de casa para o trabalho. pode limitar a integração de diferentes tipos de transporte. Tal sistema. Há ainda insuficiente integração entre os diferentes modos de transporte (bicicleta / carro / transportes públicos locais / comboios). um número que é ainda maior fora do Randstad. Numa zona urbana. Um sistema de metro só existe em Roterdão (e de forma limitada.
Educação terciária A percentagem da população com grau de ensino superior nos Países Baixos é superior à média da OCDE (ver Figura 29) (Fonte: OCDE. Encorajar a inovação Muitas economias da OCDE estão actualmente num ponto em que uma maior produtividade só pode ser alcançada através da inovação. Quanto ao Randstad.2. 4. 2006. Para inventar algo realmente novo. Ilustração 26: Capacidade ferroviária em metros por 1000 habitantes.2.1.) 4. Para isso é preciso apostar na educação e na investigação. 2006). 37 . (Fonte: TNO. 2005). A capacidade ferroviária (metros de ferrovia por 1 000 habitantes) no Randstad é uma das mais subdesenvolvidas de todas as áreas metropolitanas na Europa Ocidental: apenas Madrid e Lisboa têm pior pontuação neste domínio (ver ilustração 26). a sua população é melhor instruída do que o resto da população holandesa: o seu nível educacional é 22% superior à média nacional (Fonte: CBS. excelência é necessária. uma boa qualidade geralmente não é suficiente.A situação da rede ferroviária é semelhante ao da rede de estradas com baixa capacidade e alta utilização.
) Ilustração 28: Percentagem de trabalhadores especializados em relação ao total de trabalhadores. 2006. 2006. (Fonte: TNO.Ilustração 27: Percentagem da população com educação superior. (Fonte: OCDE.) 38 .
em vez de ser indicativo de um problema. 4. Para além dos institutos de investigação das universidades. Limitações da contribuição da inovação e I&D para o crescimento da produtividade regional A inovação na infra-estrutura pública no Randstad alcança pontuação elevada em muitos indicadores. os Países Baixos mostram um elevado rácio de patentes por população (ver ilustração 29). Existem mais empresas industriais inovadoras nos Países Baixos (62%) do que em média na EU (Fonte: Eurostat. A região possui sete universidades e 18 faculdades. há muitos indicadores positivos uma vez que. tais infraestruturas são formadas por outros institutos públicos de investigação. Sessenta e um por cento das despesas públicas para a investigação e desenvolvimento vão para o Randstad. A Holanda tem uma baixa pontuação na proporção do investimento no desenvolvimento do conhecimento em total do PIB e no rácio de investigadores por cada mil empregados.O número de diplomados em ciência e tecnologia corresponde a 14% do total de diplomados do ensino superior. a infra-estrutura pública pontua alto. Enquanto o investimento público em I&D é elevado no Randstad. (Fonte: CBS. e em vários indicadores. este valor é muito baixo e está numa tendência descendente. Por exemplo. em comparação com outros países da OCDE. mas tal pode ilustrar a eficiência do sistema holandês. o nível de I&D investido pelas empresas holandesas (no valor de 1% do PIB) é muito inferior à média da OCDE de 1. Por um lado. Muitas das infra-estruturas nos Países Baixos estão concentradas no Randstad. A situação da inovação no sector privado é menos linear e há espaço para melhorias. o investimento privado é menor: apenas 35% da despesa provada total em I&D foi gasto no Randstad. Uma análise mais aprofundada mostra que não há muitas empresas holandesas especializadas em sectores intensivos de I&D.2. A qualidade das instituições de ensino superior no Randstad é boa. Comparado com outros países da OCDE.2. 2004).5% do PIB. mas não excepcional. cientistas holandeses pontuam bem em índices internacionais de citações e a percentagem de investigação financiada por fundos públicos e iniciativas de desenvolvimento é relativamente elevada. Por outro lado. 2000) 39 .
tecnologia alimentar. 4.ª de processos e TIC. A maioria das empresas do Randstad contudo focase em Eng. o que não é surpreendente. A universidade líder neste aspecto no Randstad é Delft (13. uma vez que não compõem mais de 5% dos estudantes no ensino superior.1%). nem sempre é possível uma vez que as respectivas especializações podem ser muito diferentes. questões ambientais e de energia e há potencial para cooperar com empresas privadas em alguns destes domínios.Ilustração 29: Número de patentes por milhão de habitantes em 2002.2. o Randstad não tem.1%). Este é o caso da Holanda (como em muitos países da OCDE). Limitada capacidade de atracção do Randstad de trabalhadores qualificados A proporção de estudantes internacionais no Randstad é relativamente limitada. 2005). (Fonte: OECD Factbook. seguida da Universidade de Amesterdão (6%) (Fonte: EUKN. 2006. com a maior população de estudantes internacionais (26. 40 . nos Países Baixos como um todo. A transferência de conhecimentos entre universidades e empresas. seguida de Wageningen (19. Apesar de ser um líder mundial em sectores-chave como a logística ou gestão de água.) A colaboração entre empresas e institutos no Randstad poderia ser melhorada e há vários sinais de que isto está a acontecer. tecnologia.1% do corpo discente). paradoxalmente. desenvolvido fortes especializações académicas noutras áreas. engenharia civil. biotecnologia. Institutos e Universidades são mais activas na medicina. As universidades com as percentagens mais elevadas de estudantes estrangeiros não estão localizadas no Randstad.3. por exemplo. no entanto. engenharia civil. como a Universidade de Maastricht. biotecnologia e tecnologia alimentar.
no rescaldo de choques económicos. em particular os de minorias étnicas não-ocidentais. Embora as taxas de desemprego de estrangeiros na Holanda não sejam superiores à de muitos países da OCDE. quando comparado com a participação do nativo nascido. Isto é verdade em muitos países da OCDE e a Holanda não é excepção. Em vez disso. os Países Baixos não têm um desempenho melhor do que a média da OCDE. Alta inactividade das minorias étnicas A não-participação no mercado de trabalho por estrangeiros.2. Isso pode ser em parte devido à sua penetração na Internet estar classificada em 12º de entre 22 países da OCDE (Fonte: OCDE.3. é uma fraqueza que precisa urgentemente de ser resolvida.1. Em 2003. Isto. bem como a integração no mercado de trabalho de minorias étnicas e formas de incrementar a oferta de trabalho.3. estrangeiros de origem não-ocidental.3. 2004). A percentagem de não-ocidentais de minorias étnicas 41 . 4. assim o trabalho temporário tornou-se essencial na flexibilidade no mercado de trabalho. Flexibilidade no mercado de trabalho O emprego permanente na Holanda é muito protegido. Nos seus sectores tradicionais como a logística e comércio. tendem a ter uma elevada taxa de desemprego e de não-participação. pontua pouco na utilização de serviços de valor acrescentado. Aumentar a eficiência do mercado de trabalho Um bom funcionamento do mercado de trabalho é essencial para todas as economias metropolitanas. as empresas tendem cada vez mais a oferecer contratos de curto prazo. bem como os Países Baixos. apenas três países da OCDE proporcionaram maior protecção permanente para o emprego do que os Países Baixos: Portugal.4. bem como a flexibilidade deste. embora a utilização das TIC nas empresas possa aumentar a eficiência e as oportunidades de negócio. a República Eslovaca e a República Checa. Como a economia do Randstad é internacionalmente orientada e mais influenciado pela conjuntura económica internacional do que o resto da Holanda. 2005). 4.4. Foi observado que a incapacidade da economia holandesa para se ajustar rapidamente.2. O funcionamento do mercado de trabalho no Randstad é analisado a seguir. é muito elevada no Randstad de uma perspectiva internacional. A principal característica que torna a legislação rigorosa de protecção do emprego por normas internacionais. é o elevado inconveniente processual de despedir um trabalhador (Fonte: OCDE. onde tem muitas vantagens comparativas. em particular. Utilização ineficiente das TIC na actividade económica O Randstad. 4. o rigor da legislação de protecção do emprego tem indiscutivelmente um impacto maior no Randstad do que na economia do resto da Holanda. apesar do facto de Amesterdão ter a segunda maior internet hub no mundo.
A taxa de desemprego de as minorias étnicas nãoocidentais é três vezes mais elevada que os da não-estrangeiros. 42 . Mais de 65% dos alunos do ensino profissional são de origem étnica não-ocidental. A inactividade e o desemprego das minorias étnicas vêm em acrescento da segregação social. contra 10. os residentes de origem não-ocidental estão agora em maioria nas três maiores cidades (Amesterdão. Roterdão e Haia). A maioria das minorias étnicas é social e economicamente vulnerável.no Randstad é a mais elevada que a dos Países Baixos com 16. As minorias étnicas são concentrados nas quatro grandes cidades do Randstad com mais de 35% da população em Amesterdão e Roterdão constituída por não-ocidentais de minorias étnicas. há uma concentração ainda maior: em um quarto de suas escolas secundárias mais de 80% dos alunos são não-ocidentais. com a dependência de benefícios sendo extremamente elevada.7% da população em 2005. Dentro de Amesterdão e Roterdão.4% para o conjunto dos Países Baixos. Catorze por cento dos alunos no ensino secundário Países Baixos são de origem não-ocidental. e esta percentagem sobe para 45% as quatro maiores cidades. A segregação nas escolas é de particular preocupação. a maioria deles concentrados em um número limitado de bairros. Entre a população mais jovem.
O Randstad não tem um parque industrial de alta tecnologia. tais como orientação comercial de patentes. o elevado potencial de conhecimento e as infra-estruturas não parecem estar suficientemente explorados. O Randstad conseguiu desenvolver a principal plataforma logística na Europa e uma economia diversificada de serviços de base. Isto significa que a inovação é mais provável estar ligada à engenharia de processo do que à inovação dos produtos. o Randstad teve um maior crescimento do que muitas áreas metropolitanas no âmbito da OCDE. Existem três principais desafios para melhorar o desempenho económico no Randstad. No entanto. pois muitas funções ainda são realizadas a nível da cidade/região. Em segundo lugar. crescer se as cidades-regiões se especializarem ainda mais e se complementarem. com uma das mais baixas taxas de desemprego na OCDE para regiões metropolitanas. a fim de se tornar uma área totalmente funcional. após o abrandamento económico de 20012004. apesar deste bom desempenho global. Em vez disso. 43 . Primeiro. o crescimento da produtividade é baixo.que ameaça a competitividade dos dois principais portos. Acabou por ser uma das mais atraentes áreas metropolitanas para o IDE. Superar as limitações físicas não só será necessário para o fortalecimento do hub logístico. pois existem obstáculos tais como o congestionamento das infraestruturas . logística e finanças/serviços empresariais. É difícil argumentar que o Randstad é actualmente uma área verdadeiramente funcional. por exemplo. mas sofre de baixo crescimento da produtividade. A produtividade pode ser aumentada através de uma maior inovação. O crescimento nos Países Baixos (e do Randstad) retomou em 2006. A região também tem visto desafios crescentes no uso negativo da ocupação do solo.4. especialmente comércio. Conclusão A economia do Randstad teve um desempenho razoavelmente bom ao longo da última década. Particularmente entre meados da década de 1980 e 2001. a sua economia é muito orientada para os serviços. a melhor aplicação de novos conhecimentos e a descoberta de combinações criativas. tais como a Grande Amesterdão ou Grande Roterdão. os desafios no mercado de trabalho. No entanto. Em terceiro lugar. em termos de capital humano e de boas relações entre institutos e empresas.4. mas também para facilitar o seu crescimento global. A economia do Randstad poderia no entanto. especialmente no que diz respeito à sua flexibilidade e à integração dos imigrantes. e é um problema para a acessibilidade e coesão regional. não é suficiente beneficiar da proximidade das suas cidades. uma melhoria substancial na acessibilidade deve realizar-se. Como as pessoas inteligentes e criativas são os motores da inovação. a questão crucial é a forma de atrair essas pessoas para a área. transporte e habitação.