Psiquiatria Forense
Antonio Matos Fontana
A pesquisa científica não tem confirmado a associação entre doença mental e violência na intensidade noticiada pelos veículos de comunicação (Gattaz, 1999). Em geral, o maior risco para a expressão de violência ocorre quando se combinam abuso de álcool e/ou drogas e transtorno de personalidade anti-social. Indivíduos psicóticos ou não-psicóticos, quando alcoolizados e/ou drogados, podem tornar-se altamente destrutivos. A maior parte dos homens é sadia e vive de maneira pacata e não perigosa para os seus semelhantes. O mesmo ocorre em relação aos loucos: a maioria não exibe periculosidade. Porém, assim como há homens aparentemente sadios de alta periculosidade social, como, por exemplo, os de espírito belicoso, também existem loucos extremamente perigosos (Palomba, 1997). A psiquiatria colabora com a justiça na busca da solução de três questões médicas fundamentais relativas à: • • • responsabilidade criminal; capacidade civil; capacidade de trabalho, quando a pessoa é vítima de acidente no exercício da sua atividade profissional (Teixeira Lima, 1981). toridade competente está obrigada a aplicar. A psiquiatria forense ocupa-se da mutualidade entre a doença mental e o Direito (Portela Nunes Filho, Bueno, Nardi, 1996).
PSIQUIATRIA CRIMINAL
A questão da responsabilidade criminal é abordada no artigo 26 do Código Penal Brasileiro (Delmanto, 1998). Artigo 26. É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Parágrafo único: A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, em virtude de perturbação da saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado, não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Portanto, o diagnóstico de doença mental, de perturbação da saúde mental ou de desenvolvimento mental incompleto ou retardado não é o bastante. Ao médico psiquiatra, cabe verificar, após o exame do agente, qual era a sua capacidade de entendimento ou a sua capacidade volitiva ao tempo da ação ou omissão. É o que se chama de critério biopsicológico, ou seja, o diagnóstico da doença é complementado pelo nexo existente entre ela e a ação delituosa. O termo doença mental, contido no artigo 26, deve ser entendido como transtorno mental grave do tipo psicótico em termos psiquiátricos (descritivos). A expressão perturbação da saúde mental, presente no parágrafo único do artigo 26, diz respeito aos desvios quantitativos da normalidade do ponto de vista afetivo ou volitivo (personalidades, desenvolvimentos ou reações anormais). No que respeita à incapacidade de entendimento, é algo que só se observa nos casos extremamente graves, sendo, portanto, muito raro. Geralmente, o que se detecta é uma falha na volição, ou seja, uma incapacidade de determinação do agente. Diz-se que há imputabilidade quando a pessoa é capaz de entender que o fato é ilícito e age de acordo com esse enten-
Uma personalidade íntegra e sã constitui o pressuposto básico do que se considera responsabilidade criminal e capacidade civil. A noção de responsabilidade criminal adquire-se desde os primórdios da vida por meio do exemplo (na relação de objeto), da educação, dos princípios éticos e da instrução. A capacidade civil é algo que se desenvolve mais tarde com a evolução intelectual, por meio do raciocínio e das experiências em relação ao meio sociocultural. Portanto, o exercício da capacidade civil é algo que depende de uma série de fatores, tais como sexo, idade e estado psíquico (Paim, 1991). Responsabilidade e imputabilidade são termos equivalentes na terminologia jurídica. Imputabilidade é a qualidade do que é imputável; uma pessoa imputável é alguém suscetível de se imputar; imputar é atribuir a responsabilidade de erro ou crime, atribuir culpa. A responsabilidade liga-se basicamente à vida social. O indivíduo que viola as normas da sociedade expõe-se às conseqüências do seu comportamento anti-social, ficando sujeito às medidas ou sanções que a au© Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA.
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se essa providência for necessária para fins curativos. as medidas de segurança são apenas pre© Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Logo. Ou seja. vender. pratica fato indicativo de persistência de sua periculosidade. depende de cada caso em particular. II — a embriaguez. Nas mesmas penas incorre. preconizando o tratamento do usuário. trazer consigo. A imposição da medida de segurança para inimputável é regida pelo artigo 97 do Código Penal. devendo ser restabelecida a situação anterior se o agente. Artigo 97. transportar. as medidas de segurança são indeterminadas no tempo. Parágrafo único. Artigo 12. antes do decurso de um ano. Ela é prevista pelo Código Penal Brasileiro em dois casos: 1. Ao perito psiquiátrico. Se o agente for inimputável. II — semeia. O prazo mínimo deverá ser de um a três anos. fabrica. a cessação de periculosidade. quem: I — induz. ministrar ou entregar. era. Quando um agente é perigoso. Parágrafo 3o. A desinternação. transporta. à falta dele. à falta. fornece ainda que gratuitamente. será sempre condicional. voluntária ou culposa. não se impõe medida de segurança nem subsiste a quem tenha sido imposta. Parágrafo 1o. proveniente de caso fortuito ou força maior. Parágrafo 2o. ventivas e fundamentam-se na periculosidade do sujeito. Parágrafo 2o. a imputabilidade é um pressuposto da culpabilidade. Uma outra questão importante é a que diz respeito à periculosidade do agente. A pena pode ser reduzida de um a dois terços. É isento de pena o agente que. adquirir. por embriaguez. adquire. 470 .368. Artigo 28. Parágrafo 1o. Não há culpabilidade na ausência de capacidade psíquica de compreender que a ação é ilícita. sendo da competência exclusiva do juiz sentenciar sobre a capacidade e a imputabilidade. Parágrafo 1o. que pode ser detentiva ou nãodetentiva. 2. Com relação à embriaguez. poderá o juiz submetê-lo a tratamento ambulatorial. Assim como as penas. por embriaguez completa. em outro estabelecimento adequado. ao tempo da ação ou da omissão. Portanto. As medidas de segurança são: I — internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou. compete esclarecer se o indivíduo é ou não mentalmente desenvolvido e mentalmente são. sendo somente suspensas com o cessar da periculosidade e não se aplicam aos agentes plenamente imputáveis. remete. Quando a capacidade é parcial. as medidas de segurança são também sanções penais. a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. se o determinar o juiz da execução. prescrever. indevidamente: I — importa ou exporta. periculosidade presumida por lei: quando o sujeito for inimputável (artigo 26). ou a qualquer tempo. também chamada restritiva.ANTONIO MATOS FONTANA dimento. II — sujeição a tratamento ambulatorial. ou tratamento ambulatorial. A periculosidade que embasa as medidas de segurança é a probabilidade de o sujeito vir ou tornar a praticar crimes. Parágrafo 4o. mas apenas aos sujeitos inimputáveis ou semi-imputáveis (semiresponsáveis). Nesse caso. remeter. mediante perícia médica. o agente é considerado semi-imputável (semi-responsável). cultiva ou faz a colheita de plantas destinadas à preparação de entorpecente ou de substância que determine dependência física ou psíquica. em outro estabelecimento adequado. fabricar. Artigo 96. ou a liberação. Lei Antitóxicos A Lei no 6. não possuía. inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. o juiz aplica-lhe determinada medida de segurança. ao tempo da ação ou da omissão. ter em depósito. se o agente. pelo álcool ou substância de efeitos análogos. Parágrafo 2o. 26). expõe à venda ou oferece. instiga ou auxilia alguém a usar entorpecente ou substância que determine dependência física ou psíquica. Não excluem a imputabilidade penal: I — a emoção ou a paixão. ainda. Nas mesmas penas incorre quem. produzir. mas precisar de tratamento médico-psiquiátrico especializado. a consumo substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica. Extinta a punibilidade. pune tanto o traficante quanto o portador. produz. Porém. preparar. Se. Importar ou exportar. será por tempo indeterminado. Emoção e paixão não excluem a imputabilidade penal. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena — reclusão. a internação é uma medida de segurança detentiva que consiste na internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico (anteriormente chamado manicômio judiciário) ou. o fato previsto como crime for punível com detenção. A sujeição ao tratamento ambulatorial é uma medida de segurança não-detentiva. guardar. diz-se que o agente é inimputável (não-imputável). Em qualquer fase do tratamento ambulatorial. tem em depósito. Em termos gerais. vende. expor à venda ou oferecer. A internação. parágrafo único). periculosidade reconhecida pelo juiz: quando o sujeito for semi-imputável (artigo 26. o perito psiquiátrico fornece à justiça elementos elucidativos que farão parte da decisão judiciária. Além disso. de 3 (três) a 15 (quinze) anos. enquanto as penas baseiam-se na culpabilidade. dispõe sobre as medidas de prevenção e repressão ao tráfico ilícito bem como uso indevido de substâncias entorpecentes ou que determinem dependência física ou psíquica. o juiz determinará sua internação (art. proveniente de caso fortuito ou força maior. poderá o juiz determinar a internação do agente. perdurando enquanto não for averiguada. todavia. traz consigo ou guarda matéria-prima destinada à preparação de substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica. fornecer ainda que gratuitamente. e pagamento de 50 (cinqüenta) a 360 (trezentos e sessenta) diasmulta. A perícia médica realizar-se-á ao termo do prazo mínimo fixado e deverá ser repetida de ano em ano. de 21 de outubro de 1976 (lei antitóxicos). de qualquer forma.
II — os que. II — os ébrios habituais. tenham o discernimento reduzido. a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. representados pelos pais. II — aqueles que. 2003. não puderem exprimir sua vontade. com mais eficácia. sem desenvolvimento mental completo. os direitos do nascituro. São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: I — os menores de dezesseis anos. em seu artigo 1o. em função deles. o artigo 12 pune o traficante e o 16. o Código de Processo Penal disciplina toda a matéria processual da Lei no 6. de 10 de janeiro de 2002.PSIQUIATRIA FORENSE II — utiliza local de que tem a propriedade. A capacidade dos índios será regulada por legislação especial. mas a lei põe a salvo. ou de um deles na falta de outro. guarda ou vigilância. os incapazes não têm condições de reger a sua pessoa nem de administrar os seus bens. A. inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. assistidos ou representados. os viciados em tóxicos. Artigo 16. a capacidade de adquirir direitos e de contrair obrigações. por deficiência mental. por outra causa duradoura. II — pelo casamento. e pagamento. em seu artigo 2o. Artigo 4o.145). posse. ao tempo da ação ou da omissão. contrair empréstimo. se determinado indivíduo é incapaz para os atos da vida civil. ou por sentença do juiz. IV — os pródigos2. Por exemplo. era. ou seja. a persnalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida. ouvido o tutor. ou à maneira de os exercer: I — os maiores de dezesseis anos e menores de vinte e um anos. isto é. exceto no que esta dispõe de modo diverso (Jesus. o artigo 26 do Código Penal. Parágrafo único. toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil. Artigo 19. p. IV — pela colação de grau em curso de ensino superior. por enfermidade ou deficiência mental. Aliás. administração. a jurisprudência vem entendendo que a simples cessão de entorpecente ou droga afim entre usuários não configura o delito do artigo 12. de 20 (vinte) a 50 (cinqüenta) dias-multa. que se insere no direito de Família. se o menor tiver dezesseis anos completos. a proteção do deficiente físico ou mental. A pena pode ser reduzida de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se. III — contribui de qualquer forma para incentivar ou difundir o uso indevido ou tráfico ilícito de substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica. por incumbência legal ou judicial. criando mecanismos que coíbam o risco de violência à sua pessoa ou perda de seus bens” (Nery Junior & Nery. 1 O novo Código Civil Brasileiro foi instituído pela lei 10. o usuário. a capacidade para praticar de modo válido os atos da vida civil. por isso. guardar ou trazer consigo. ou sob o efeito de substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica proveniente de caso fortuito ou força maior. Quanto aos menores. compete verificar. De modo geral. tutores ou curadores em todos os atos jurídicos.767. o agente não possuía. qualquer que tenha sido a infração penal praticada. por qualquer das circunstâncias previstas neste artigo. São incapazes. 471 . Além disso. 1 2 Indivíduos que gastam de forma imoderada. Estão sujeitos a curatela3: I — aqueles que. 1999). e os que. Por outro lado. ou consente que outrem dele se utilize. relativamente incapazes.368/76. a função de zelar pelos bens e pelos interesses dos que por si não o possam fazer e que por tal motivo tornam-se interditos). III — os que. V — pelo estabelecimento civil ou comercial. não tiverem o necessário discernimento para os atos da vida civil. 3 Curatela ou curadoria: cargo. desde a concepção. de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. Ao médico psiquiatra. III — os excepcionais. para os menores. ser titular de direito de pensão alimentícia. quando solicitado. etc. podendo chegar a comprometer o patrimônio. ao tempo da ação ou omissão. 1999). quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Artigo 5o. os maiores de 18 anos. “Toda pessoa tem capacidade de direito. ainda que gratuitamente. A menoridade cessa aos dezoito anos completos.” (Nery Junior & Nery. em essência. Logo. sendo. “A interdição é medida de proteção ao incapaz. inserindo-se na descrição do artigo 16 (Jesus. Parágrafo único. ou pela existência de relação de emprego. É isento de pena o agente que. substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica. menor com cinco anos de idade pode ser proprietário de imóvel. por enfermidade ou deficiência mental. o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. Artigo 1. mediante instrumento público. © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Parágrafo único. onde pode ser assegurada. em razão da dependência. Quanto à capacidade de exercício. independentemente de homologação judicial. desde que. não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos. poder ou função de curador (pessoa que tem.406. mesmo por causa transitória. para uso próprio. relativamente a certos atos. 2003. Adquirir. p. a incapacidade: I — pela concessão dos pais. não puderem exprimir a sua vontade. O artigo 19 da lei antitóxicos segue. para uso indevido ou tráfico ilícito de entorpecente ou de substância que determine dependência física ou psíquica. como decorrência de transtorno mental. Artigo 3o. Cessará. só podem praticar atos. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena — detenção. 771). PSIQUIATRIA CIVIL De acordo com o Código Civil dos Estados Unidos do Brasil. III — pelo exercício de emprego público efetivo.
são de interesse do médico psiquiatra os artigos 19. os mais próximos precedem aos mais remotos. no caso de já ter sido realizado. poderá ser anulado. quando o ato já foi consumado. sendo esse erro tal que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. Com relação ao casamento. Entretanto. o médico psiquiatra deve estar atento em relação aos atos jurídicos considerados nulos ou anuláveis. Organizada segundo o plano de autoria do Dr. O casamento pode ser anulado por vício da vontade. A incapacidade superveniente do testador não invalida o testamento. por incapacidade relativa do agente (inciso I). Procedendo ao exame do indivíduo. atente para o artigo 1. Pedro Vicente Bobbio. o consentimento (inciso IV). por vício da vontade.861. permanente ou temporária. Parágrafo 1o. III — pelo Ministério Público. é curador legítimo o pai ou a mãe.213 de 24/07/1991 (Lex.769. Na falta do cônjuge ou companheiro. provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução.558. quando interdito. V — os pródigos. mesmo. III — a ignorância. por sua natureza. Detectada a incapacidade. IV — os excepcionais sem completo desenvolvimento mental. O casamento é também anulável se houve por parte de um dos nubentes. sua honra e boa fama. Simultaneamente. celebrado por pessoa absolutamente incapaz.768. Esta matéria é regulada atualmente pela Lei no 8. decorrente desse transtorno. quando o consentimento de um ou de ambos os cônjuges houver sido captado mediante fundado temor de mal considerável e iminente para a vida. Além dos incapazes. É anulável o casamento em virtude de coação. da capacidade laborativa. permanente ou temporária. é nulo o negócio jurídico quando. deve verificar se. do menor em idade núbil.558. III — se. De acordo com o artigo 166. ou de moléstia grave e transmissível. a saúde e a honra. que sofreram coação. não podem testar os que. pelo contágio ou herança. anterior ao casamento. houve perda ou redução. Acidente de Trabalho Em algumas oportunidades. de defeito físico irremediável. II — se não existir ou não promover a interdição alguma das pessoas designadas nos incisos I e II do artigo antecedente. Além dos casos expressamente declarados na lei. da capacidade para o trabalho. curador do outro. anterior ao casamento. 6 Idem. Artigo 1. II — pelo cônjuge. não tiverem pleno discernimento. O Ministério Público só promoverá interdição: I — em caso de doença mental grave. é. de doença mental grave que. Artigo 19. nos termos dos artigos 1. São Paulo. Artigo 1. cabe ao médico psiquiatra dizer se realmente houve acidente de trabalho e precisar a natureza do transtorno mental e/ou do(s) comportamento(s) resultante(s). 20 e 21. Podem testar os maiores de dezesseis anos. O médico psiquiatra pode ser solicitado a opinar acerca de capacidade de um indivíduo de fazer testamento ou. o casamento de que resultou gravidez. Legislação federal e Marginália. Não se anulará. Artigo 1. ao consentir. Entre os descendentes. C. o testamento não deve ser feito e.775. A interdição deve ser promovida: I — pelos pais ou tutores. 472 .548. de modo inequívoco. sua ou de seus familiares. é nulo o casamento contraído: pelo enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil (inciso I) ou por infringência de impedimento (inciso II). Coatos: coagidos. o descendente que se demonstrar mais apto. é anulável o negócio jurídico (artigo 171). Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge: I — o que diz respeito à sua identidade. Artigo 1. 5 Coletânea de Legislação e Jurisprudência. Parágrafo 2o. Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do artigo 11 desta Lei. do incapaz de consentir ou manifestar. na falta destes. é anulável o casamento (artigo 1550): de quem não completou a idade mínima para casar (inciso I). o consentimento. se houve por parte de um dos nubentes. erro essencial quanto à pessoa do outro. o casamento pode ser anulável.556 a 1. B. Se o ato já ocorreu. existindo. conforme o inciso I. Artigo 1. Com relação à Lei no 8. não podem casar as pessoas por qualquer motivo coatas4 e as incapazes de consentir ou manifestar.213 (24/07/1991). por sua natureza. Parágrafo 3o. Artigo 1.556. Lex Editora.861. IV — a ignorância. em especial quando o testador ainda estiver vivo. 1991)5 e pelo Decreto no 3. anterior ao casamento. Artigo 1.860. ao consentir. torne insuportável a vida conjugal. © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. por motivo de idade. erro essencial quanto à pessoa do outro. de direito. ou por qualquer parente. Artigo 1. de modo inequívoco. Parágrafo único. II — a ignorância de crime. nem o testamento do incapaz se valida com a superveniência da capacidade. compete aos juiz a escolha do curador. os ébrios habituais e os viciados em tóxicos. não separado judicialmente ou de fato.557. 4 Artigo 1. quando não autorizado por seu representante legal (inciso II).048 de 06/05/ 1999 (Lex. Segundo o artigo 1. 1999)6. torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. Além disso. 1999. no ato de fazê-lo. 1991. capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência. O cônjuge ou companheiro.ANTONIO MATOS FONTANA III — os deficientes mentais. Na falta das pessoas mencionadas neste artigo. que.551. forem incapazes as pessoas mencionadas no inciso antecedente.
inclusive de terceiro. a Previdência Social deve considerá-la acidente do trabalho. Consideram-se acidente do trabalho. ou produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação. Complementando. d) a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em que ela se desenvolva. § 3o É dever da empresa prestar informações pormenorizadas sobre os riscos da operação a executar e do produto a manipular. para instruir os processos administrativos e colaborar com a justiça civil em casos de desquite ou interdição (Paim. de negligência ou de imperícia de terceiro ou de companheiro de trabalho.PSIQUIATRIA FORENSE § 1o A empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador. ainda que fora do local e horário de trabalho: a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa. Os transtornos mentais e do comportamento relacionados com o trabalho (grupo V da CID-10) encontram-se na Tabela 19. Artigo 21. constatando-se que a doença não incluída na relação prevista nos incisos I e II deste artigo resultou das condições especiais em que o trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente. inclusive veículo de propriedade do segurado. diagnóstico(s) e três conclusões sobre: 1) o diagnóstico psiquiátrico. sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de trabalho. incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de força maior. O parecer psiquiátrico é um documento menos complexo que o laudo. se associe ou se superponha às conseqüências do anterior. 3) as condições do examinando quanto a reger a sua pessoa e administrar seus bens. XV. b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou proporcionar proveito. b) ofensa física intencional. Assim. para efeitos desta Lei: I — o acidente ligado ao trabalho que. II — o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho. haja contribuído diretamente para a morte do segurado. manter-se atualizado em relação ao pensamento jurídico. antes de mais nada. assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente. uma observação psiquiátrica sumária. É solicitado pela autoridade competente para esclarecer os processos criminais em fase policial. XVII e XIX. e) desabamento. inclusive veículo de propriedade do segurado. internações em hospitais psiquiátricos. a Tabela 19. no local do trabalho ou durante este. por exemplo. XVI. ou por ocasião da satisfação de outras necessidades fisiológicas. para redução ou perda da sua capacidade para o trabalho. num laudo psiquiátrico para fins penais. § 2o Em caso excepcional. punível com multa. as seguintes entidades mórbidas: I — doença profissional. § 1o Não são consideradas como doença do trabalho: a) a doença degenerativa. XIII. inundação.2 exibe o regulamento de Previdência Social. qualquer que seja o meio de locomoção. salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho. anexo II. por motivo de disputa relacionada ao trabalho. em conseqüência de: a) ato de agressão. independentemente do meio de locomoção utilizado. b) a inerente a grupo etário. resultante de acidente de outra origem. assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. c) em viagem a serviço da empresa. Equiparam-se também ao acidente do trabalho. § 1o Nos períodos destinados a refeição ou descanso. referidos na Tabela 19. 1991). conforme dispuser o Regulamento. nos termos do artigo anterior. assim como possuir clareza quanto aos limites das suas atribuições. Um laudo psiquiátrico forense é uma observação psiquiátrica na qual os dados objetivos (= anamnese objetiva) são obtidos usualmente pela leitura dos autos do processo. II — doença do trabalho. devem constar a identificação do indivíduo. o empregado é considerado no exercício do trabalho. IV — o acidente sofrido pelo segurado. © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. o perito psiquiátrico deve analisar cuidadosamente a denúncia e a história criminal constantes dos autos do processo criminal. d) no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela. c) ato de imprudência. inclusive para estudo quando financiada por esta dentro de seus planos para melhor capacitação da mão-de-obra. III — a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua atividade. Do parecer psiquiátrico. § 2o Constitui contravenção penal. relativo aos agentes patogênicos causadores de doenças profissionais ou do trabalho (Quadros III. § 4o O Ministério do Trabalho e da Previdência Social fiscalizará e os sindicatos e entidades representativas de classe acompanharão o fiel cumprimento do disposto nos parágrafos anteriores. VIII. deixar a empresa de cumprir as normas de segurança e higiene do trabalho. Artigo 20. d) ato de pessoa privada do uso da razão. § 2o Não é considerado agravação ou complicação de acidente do trabalho a lesão que. A PERÍCIA PSIQUIÁTRICA. embora não tenha sido a causa única. de modo a não invadir o campo de competência da justiça.1. 473 . 2) a situação psiquiátrica atual. c) a que não produza incapacidade laborativa. constante da relação mencionada no inciso I.1). PSIQUIÁTRICOS LAUDO E PARECER O perito psiquiátrico deve conhecer os preceitos legais atinentes à sua tarefa.
5) (Quadro XVI) 6.4 e Z57.-.-.5) (Quadro XV) 5.4 e Z57. Tolueno e outros solventes aromáticos neurotóxicos (X46.-. Tricloroetileno. X49.5) (Quadro XIII) 4. Tolueno e outros solventes aromáticos neurotóxicos (X46.-. Z57. Brometo de metila (X46.-): Transtorno Orgânico do Personalidade (F07.5) (Quadro III) 2.5) (Quadro XIX) 1. Circunstância relativa às condições de trabalho (Y96) IV — Transtornos de personalidade e de comportamento decorrentes de doença. Z57. Z57.-.-.-. X49.-.5) (Quadro XIX) 1.-.5) (Quadro XIII) 4.5) (Quadro XV) 2. Brometo de metila (X46. Z57. tetracloroetileno. Z57. tetracloroetileno.-. Tricloroetileno. tricloroetano e outros solventes orgânicos halogenados neurotóxicos (X46.-.-. Z57. Sulfeto de carbono (X49.5) 2. Tolueno e outros solventes aromáticos neurotóxicos (X46.1 Transtornos Mentais e do Comportamento Relacionados com o Trabalho (Grupo V da CID-10) Doenças I — Demência em outras doenças específicas classificadas em outros locais (F02.5) (Quadro XV) 5. Manganês e seus compostos tóxicos (X49. Z57. Z57.-. Z57. Z57.ANTONIO MATOS FONTANA Tabela 19. Manganês e seus compostos tóxicos (X49. Z57.4 e Z57. Z57. tetracloroetileno. ou após assalto no trabalho (Z56.-. Problemas relacionados com o emprego e desemprego (Z56.5) (Quadro XVII) 3.5) 1.6) © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA.Z57. tricloroetano e outros solventes orgânicos halogenados neurotóxicos (X46. Z57.-.-.5) (Quadro XIX) 7.7) Agentes Etiológicos ou Fatores de Risco de Natureza Ocupacional 1.0). 474 . X49.4 e Z57.-. Problemas relacionados ao emprego e desemprego: condições difíceis de trabalho (Z56. Manganês e seus compostos tóxicos (X49.32).-. Manganês e seus compostos tóxicos (X49.5) (Quadro XV) 5. Manganês (X49.5) (Quadro XVI) 6.-. Sulfeto de carbono (X49. Brometo de metila (X46. Brometo de metila (X46.6) 2. Tricloroetileno. Z57. Circunstância relativa às condições de trabalho (Y96) 1. Mercúrio e seus compostos tóxicos (X49.1). Z57.-. Tolueno e outros solventes aromáticos neurotóxicos (X46.5) (Quadro XIX) 7. Substâncias asfixiantes: CO. Outros solventes orgânicos neurotóxicos (X46.-. Mercúrio e seus compostos tóxicos (X49. tricloroetano e outros solventes orgânicos halogenados neurotóxicos (X46.2).5).-. Z57. Z57.5) (Quadro XIII) 3. Z57.5) (Quadro XIII) 3. ameaça de perda de emprego (Z56.-. Mercúrio e seus compostos tóxicos (X49.5) (Quadro XIII) 4. Outros solventes orgânicos neurotóxicos (X46.33). Z57.5) (Quadro III) 2. Z57.5) X — Outros transtornos neuróticos especificados (incluem neurose profissional) (F48. Z57. tetracloroetileno. transtorno cognitivo leve (F06.0) 1.-. Outras dificuldades físicas e mentais relacionadas ao trabalho: reação após acidente do trabalho grave ou catastrófico. Z57.5) (Quadro XIII) 4. Z57.5) 1.0) III — Outros transtornos mentais decorrentes de lesão e disfunção cerebrais e de doença física (F06.5) (Quadro XVI) 6. outras dificuldades físicas e mentais relacionadas com o trabalho (Z56. Z57.5) 1. Outros solventes orgânicos neurotóxicos (X46.5) (Quadro XIII) 3.-): Estado de Estresse Pós-traumático (F43.-. Z57.1) IX — Neurastenia (inclui a síndrome de fadiga) (F48. desacordo com o patrão e colegas de trabalho (condições difíceis de trabalho) (Z56. ritmo de trabalho penoso (Z56.5) (Quadro XIX) 7. Sulfeto de carbono (X49.5) (Quadro XIII) 3.5) (Quadro XIX) 7.-. Z57. Z57.-.-.3).-. Sulfeto de carbono (X49. Sulfeto de carbono (X49. Brometo de metila (X46. H2S. Chumbo ou seus compostos tóxicos (X49. Mercúrio e seus compostos tóxicos (X49.-.-. lesão e de disfunção da personalidade (F07.-. Z57. Tolueno e outros solventes aromáticos neurotóxicos (X46. Z57.-.8) 1.4 e Z57. Brometo de metila (X46. Z57. X49. etc. Z57.0). Outros Transtornos de Personalidade e de comportamento decorrentes de doença.-) VI — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso do álcool: Alcoolismo Crônico (relacionado com o trabalho (F10.-.-.-. Sulfeto de carbono (X49.-.4 e Z57.5) (Quadro VIII) 3. tricloroetano e outros solventes orgânicos halogenados neurotóxicos (X46.-): Transtorno Depressivo Orgânico (F06. Z57. transtorno afetivo misto orgânico(F06.5) (Quadro XV) 6.5) (Quadro III) 2. Sulfeto de carbono (X49.5) (Quadro XIII) 2. X49.-): desemprego (Z56. Tricloroetileno.-.8) II — Delirium não sobreposto a demência como descrita (F05.-.4 e Z57. Z57. mudança de emprego (Z56. tricloroetano e outros solventes orgânicos halogenados neurotóxicos (X46. Tricloroetileno. Outros solventes orgânicos neurotóxicos (X46.-. Z57.2) VII — Episódios Depressivos (F32. Z57.-.5) (Quadro XIX) 8.-.5) (Quadro XV) 5.5) (Quadro XIII) 5.5) (Quadro XVI) 6. (seqüela) (X47.5) (Quadro XVI) 7. Z57. lesão ou disfunção cerebral (F07.5) 1. tetracloroetileno.8) V — Transtorno Mental Orgânico ou Sintomático não-especificado (F09. Z57.-.-.5) (Quadro III) 2. Z57.-) VIII — Reações ao Estresse Grave e Transtornos de Adaptação (F43. Outros solventes orgânicos neurotóxicos (X46.-. Manganês e seus compostos tóxicos (X49.4 e Z57. Z57.5) (Quadro III) 2. Mercúrio e seus compostos tóxicos (X49. Z57.5) (Quadro XIII) 4.-.
metalurgia e refinação do chumbo 2. Fed. instalações petroquímicas onde se produz benzeno 2. agente de extração Síntese química. 475 . 32.2) organização do horário de trabalho (trabalho em turnos ou trabalho noturno) (Z56. Problemas relacionados com o emprego e com o desemprego: má adaptação à Não-orgânicos (F51. Soldagem 10. Fabricação de fósforos XIII — Hidrocarbonetos alifáticos ou aromáticos (seus derivados halogenados tóxicos) — — — — — Cloreto de metila Cloreto de metileno Clorofórmio Tetracloreto de carbono Cloreto de etila 1.6) 2.PSIQUIATRIA FORENSE XI —Transtorno do Ciclo Vigília-sono devido a Fatores 1.1 Dicloroetano 1. seus homólogos ou seus derivados aminados e nitrosos: 1. artigos de couro ou borracha e móveis 5. síndrome do esgotamento profissional) (Z73. impressores (especialmente na fotogravura): 7.1. de 18/6/1999. agente especial para extrações Solvente (azeites. 1999.0) 1. 6. © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA.3) 2. Extração de minérios. O Decreto no 3. graxas. desengordurante. Indústria de impressão 11. retificação feita no D. p.048. Fabricação de vidro. acetato de celulose). Sucata. ferro-velho 13. cristal e esmalte vitrificado 12. Circunstância relativa às condições de trabalho (Y96) XII — Sensação de Estar Acabado (síndrome de burn-out. removedor de pinturas Solvente (lacas). Fabricação de pérolas artificiais 14. de 1991 Agentes Patogênicos III — Benzeno ou seus homólogos tóxicos Trabalhos que Contêm o Risco Fabricação e emprego do benzeno. indústria química ou de laboratório 3..6) Tabela 19.213. usuários de cola sintética na fabricação de calçados. conforme previsto no art. p. inclusive munições 8. de 6 de maio de 1999 (D. Outras dificuldades físicas e mentais relacionadas ao trabalho (Z56. de 21/ 6/1999. de bronze. etc. desengraxante Agente desengraxante para a limpeza de metais e limpeza a seco Solvente 1 Leg.2 Regulamento da previdência social(1) Anexo II Agentes patogênicos causadores de doenças profissionais ou do trabalho.2 Tricloroetano Síntese química (metilação). Olaria 15. Fabricação e aplicação de tintas. borracha.O. p. produção de cola sintética 4. Vulcanização da borracha pelo litargírio ou outros componentes do chumbo 9. pinturas). produção de tintas 6. Fabricação de acumuladores e baterias (placas) 3. ceras. 20 da lei no 8. soldagem VIII — Chumbo ou seus compostos tóxicos 1.641–. 1) aprova o Regulamento da Previdência Social e dá outras providências.O 115.1 Tricloroetano 1. pintura a pistola( 1) 8. asfalto. Fabricação e emprego de chumbo-tetraetila e chumbo-tetrametila 4. Fundição e laminação de chumbo. anestésico local (refrigeração) Síntese química. solvente (resinas. Ritmo de trabalho penoso (Z56. 116. refrigerante. Fabricação ou manipulação de ligas e compostos de chumbo 7. extintores de incêndio Síntese química. 2. Fabricação de objetos e artefatos de chumbo.1. esmaltes e vernizes à base de compostos de chumbo 5.
principalmente os movidos a gasolina. soldagem acetilênica e a arco. Extração e fabricação do mineral de mercúrio e de seus compostos 2. construção de túneis. produção de aço e de plásticos (especialmente o acrilonitriloestireno). agente de limpeza a seco e de extração. raiom (seda artificial) 3. galvanização. solvente (celulóide. Monóxido de carbono Produção e distribuição de gás obtido de combustíveis sólidos (gaseificação do carvão). retificadores 6. Indústria de viscose. siderurgia (fornos de coque) 2. graxas e iodo © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. sínteses químicas Desengraxante. agente de limpeza a seco e de extração. Curtimento de couro 1.ANTONIO MATOS FONTANA — — — — — — Tetracloroetano Tricloroetileno Tetracloroetileno Cloreto de vinila Brometo de metila Brometo de etila Solvente Desengraxante. mineração de subsolo. Fabricação de tintas e fertilizantes 9. Fabricação de tintas 4. Processamento de azeite. síntese de produtos químicos orgânicos. uso de explosivos. Fabricação de pilhas secas e acumuladores 5. Extração. resinas. Fabricação de espoletas com fulminato de mercúrio 3. válvulas eletrônicas. Fabricação de vidros especiais e cerâmica 7. sais de amoníaco. Fabricação e emprego de solventes. sínteses químicas Intermediário na fabricação de cloreto de polivinila Inseticida em fumigação (cereais). controle de incêndios. extração de ouro e prata. 476 . eletrogalvanoplastia. Fabricação de sulfeto de carbono 2. litografia e fotogravura XIX — Sulfeto de carbono ou dissulfeto de carbono 1. Preparação de permanganato de potássio e fabricação de corantes 6. Soldagem com eletrodos contendo manganês 8. indústria química (produção de ácido sulfúrico. produção de viscose e celofane. enxofre. Amalgamação de zinco para a fabricação de eletrodos. caldeiras. indústria química. mecânica de motores. Fabricação de vernizes. sínteses químicas Sínteses químicas. solvente Sínteses químicas. azeite. e feltragem à base de compostos de mercúrio 12. em recintos semifechados. extintor de incêndio. Siderurgia 4. trabalhos em silos. tratamento e trituração de pirolusita (dióxido de manganês) 2. manômetros. agente especial de extração Inseticida em fumigação (solos). inseticidas. mineração.2 Dibromoetano — — Clorobenzeno Diclorobenzeno XV — Manganês e seus compostos tóxicos XVI — Mercúrio e seus compostos tóxicos 1. termômetros. Fabricação de aparelhos: barômetros. processamento de açúcar de beterraba. bromo. parasiticidas e herbicidas 4. tubos eletrônicos a vácuo. carbonização do carvão a baixa temperatura. tetracloreto de carbono. Limpeza a seco. metalurgia. sais de bário). Fabricação de solda 5. Douração e estanhagem de espelhos 8. têxteis. construção de túneis. lâmpadas. ampolas de raios X. fumigação de grãos 6. ceras) Sínteses químicas. siderurgia. graxa. gorduras 5. perfuração de poços petrolíferos e gás. Secretagem de pêlos. Recuperação de mercúrio por destilação de resíduos industriais 10. Fungicida no tratamento de sementes e brilhos vegetais na proteção da madeira XVII — Substâncias asfixiantes 1. interruptores. crinas e plumas. pilhas e acumuladores 7. Sulfeto de hidrogênio (ácido sulfídrico) Estações de tratamento de águas residuais. fundição. Tratamento a quente de amálgamas de ouro e prata para a recuperação desses metais 11. Fabricação de ligas e compostos do manganês 3. Cianeto de hidrogênio ou seus derivados tóxicos 3. cera. Empalhamento de animais com sais de mercúrio 9. cervejarias Operações de fumigação de inseticidas. controle de tráfego. curtumes e matadouros. solvente 1.
distúrbios que o incomodam bastante e que lhe tiram o ânimo para tudo. A observação de que foi alvo neste último hospital o dá como personalidade psicopática com delírio persecutório.” Exemplo de Laudo Pericial • Em outubro de 1998. o paciente adoeceu em 1945. Como não se recuperasse. 127-130) “Parecer por nós elaborado sobre o estado mental do interditando S. feita no hospital. crises de desespero. segundo o nosso modo de ver. G. Digno de registro é também o fato de que ele não fala espontaneamente nas pessoas da família nem mesmo no irmão que o internou. Voltando ao serviço. consta que no início da doença o examinando tentou suicidar-se seccionando os punhos. Pela descrição que ele faz das manifestações de sua doença. nas quais ‘vinha vontade de gritar’ (sic). estando ele perfeitamente conformado com a atual situação: é o primeiro a não querer sair do hospital e a achar que tudo está muito bom. R. porém. a não ser que se tomem por tais os distúrbios cenestésicos de que se queixa. porém. primeiro num sanatório da Capital e depois. O exame do paciente foi feito em B. Do que ele hoje se queixa é de uma ‘sensação esquisita na cabeça’ (sic) e. co. Daí ter medo de sair de casa. a fim de instruir os autos em referência”. Estado Atual — o primeiro dado que nos revela o exame somático é que o paciente apresenta um quadro de tireotoxicose. expedido nos autos de Incidente de dependência toxicológica. mas apenas de um embotamento de personalidade (Verödung dos alemães). Inegável é. com 44 anos de idade. adquire esse fato particular valor em sua observação. Da observação psiquiátrica já referida. preferindo ele a vida simples do hospital à de fora cheia de atrativos. não se encontram idéias delirantes tampouco falsas percepções. tendo sido internado por esse fato. o paciente adoeceu da mente em 1945. Quanto ao estado mental. datando a primeira de 1947 e a segunda e última de 1950. conciso e simples. 477 . piorou. perturbações estas que levaram o psiquiatra a fazer o diagnóstico de ‘síndrome delirantepersecutória em personalidade psicopática’. havendo depois disso alternâncias de melhora e de piora no seu estado de saúde. o interditando deve ser considerado como incapaz de reger sua pessoa e administrar seus bens. solteiro. pp. apenso aos autos da Ação Criminal no x/96 que a Justiça Pública move contra JV. Nesse estado. 1981. branco. filho de EV. Sua conduta em nossa presença não apresenta qualquer anormalidade.. bem como sua própria profissão. Revisto após a convulsoterapia. De sua observação psiquiátrica. foi transferido para o hospital B e depois para uma das dependências da divisão C. e que com freqüência se encontra na etapa final de muitas psicoses como expressão de um dano irreparável por elas produzido. sendo por isso reinternado. retraído e pouco sociável. O dinheiro.B. S. nada mais há de importante a assinalar. Não resta dúvida. contendo os elementos indispensáveis ao esclarecimento das questões que competem ao perito psiquiátrico elucidar. no corpo. bem como designar data para a realização de exame de dependência toxicológica no sentenciado acima mencionado. Conclusão Pelo que foi exposto. Atualmente. onde esteve internado por duas vezes. Tinha ele. consta que o paciente também foi vitimado por alucinações e chegou a manifestar idéias persecutórias. recebeu tratamento convulsivante. encaminhou um ofício ao Diretor da Faculdade de Medicina de Sorocaba com o seguinte teor: “Pelo presente. indiferente. mesmo que se dêem por inexistentes os distúrbios da percepção e do pensamento. de que sua saúde não voltou à normalidade. Parecia que algo de grave (não sabe precisamente o que fosse) estava para acontecer. por vezes. não é possível chegar-se ao diagnóstico clínico. por duas vezes. a persistência da apatia assinalada na observação constante do arquivo clíni© Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. grave como é o defeito de que é portador na esfera psíquica como expressão de doença mental em fase já adiantada de sua evolução. por simples que seja. o paciente não foi capaz de rememorar com precisão os dados de sua história. taquicardia (FC acima de 90 b/min) e tremor das extremidades. apresentava-se apático. A inexistência de exoftalmia no caso não nos permite falar em doença de Basedow. onde ora se encontra. Por contrastar com a sua vida pré-psicótica de mecânico ajustador. A família. não cabe aqui falar de demência propriamente dita. nessa ocasião. Não acusa atualmente as alucinações observadas pelo psiquiatra no exame anterior. Do ponto de vista físico. onde pelo espaço de dois meses. inclusive a função não-remunerada do faxineiro. internara-se antes no sanatório A. Falta de iniciativa é outro traço de sua personalidade no momento atual. É que bem patente ainda se apresenta no caso a apatia assinalada pelos psiquiatras do hospital A. A nosso ver. as providências necessárias no sentido de nomear perito.PSIQUIATRIA FORENSE Tanto o laudo como o parecer psiquiátrico devem ser redigidos de modo claro. o juiz de Direito da cidade de P. Diante do resultado do exame nele procedido. a vida relativamente confortável que poderá levar lá fora. de onde mais tarde foi retirado com licença. De acordo com informações prestadas por pessoa da família por ocasião de sua entrada no hospital. no hospital B. mediante trabalho honesto para o qual está habilitado. Segundo informação que nos prestou. tratando-se de indivíduo dócil e de boas-maneiras. Exemplo de Parecer Psiquiátrico para Interdição (Teixeira Lima. não constitui para ele motivo de cogitação. requisito de V. caracterizado por bócio nodular. mecânico. aproximadamente. foi-lhe feita uma série de 20 choques elétricos pelo método de Cerletti e Bini. não pensando ele presentemente na execução de qualquer programa. estado principalmente caracterizado por defeito nas esferas afetiva e volitiva. tampouco idéias de caráter delirante. brasileiro. apuramos o seguinte: conversando com os peritos. no -. não constitui para ele motivo de preocupação.
para tanto. mensal. —. Antonio Matos Fontana. dest’arte. Alegando ser viciado. PUCSP .368/ 76 no curso do prazo do benefício que lhe foi aqui concedido. a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento? 3) Caso positiva a resposta de qualquer dos itens anteriores. 26 e 27). Conheço as testemunhas arroladas. médico estagiário III em psiquiatria. pois. inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento? 2) Caso negativa a resposta do item anterior. Desde logo solicitou-se o envio do Processo no x/96 (mencionado no ofício) onde constava o Auto de prisão em flagrante delito. submeteu-se a 16 consultas (avaliações) de 60 minutos cada uma a partir de novembro de 1998. determino a realização de exame de dependência químico-toxicológica e. Há mais de cinco anos. Conjunto Hospitalar de Sorocaba.V. saem intimados todos os presentes. assim requereu: 7 Exame de Dependência Toxicológica QUESITOS DO MINISTÉRIO PÚBLICO 1) O agente.133 g. depois de cientificado da acusação (pela Juíza foi lida a denúncia ao interrogando). ainda. debates e julgamento realizada em junho de 1996. ao tempo da ação ou da omissão.368/76) Considerando a natureza da substância (Cannabis sativa L. dou por revogada a suspensão do processo em face da cota ministerial retro amparada pela certidão de fls. a revogação da benesse e a designação de interrogatório do doravante processado”. o advogado de defesa ratificou os quesitos formulados pelo representante do Ministério Público. que forneceu dados objetivos importantes. o agente. em razão de dependência.” Em agosto de 1998. o Juiz de Direito assim decidiu: “Nos termos do artigo 89. Incidiu. ou seja. para que produza seus jurídicos e legais efeitos. I — Requeiro a revogação da suspensão condicional do processo concedida ao acusado neste feito. Enquadro-o como incurso nas penas do art. Publicada em audiência. Lei no 6. não usei mais maconha. datado de fevereiro 1996. a proposta elaborada pelo Representante do Ministério Público e aceita pelo acusado e seu defensor. o Promotor de Justiça da 2ª Promotoria de Justiça de P. Em setembro de 1998. 107 dos autos. ao tempo da ação ou da omissão. despachou nos seguintes termos: “Meritíssimo Juiz. CCMB. I a VIII. com envio de laudos semestrais. considerando o depoimento de sua companheira por ocasião da prisão. embora tenha sido positivada a quantia total de 15. c) fazer tratamento médico. e às perguntas da Juíza de Direito. considerando. II — Por meio da certidão de fls. do Código de Processo Penal. mas nada tenho contra elas. que deverá ser intimado. Na audiência de instrução. ou sob o efeito de substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica proveniente de caso fortuito ou força maior. • J. O réu já foi interrogado e o feito saneado (fls. precedido do seguinte ofício: Marcelo Mora Doretto. III — Aguardo. 77 do Código Penal. da Lei no 9. © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. era. 108 se dessume que JV veio a ser processado por infração ao disposto no artigo 16 da Lei no 6. o laudo médico-pericial pôde ser enviado ao Juiz de Direito que o solicitou. sendo que eu portava para meu consumo um cigarro e uma pequena porção de maconha. a este juízo. 478 . me considero viciado. Faculdade de Ciências Médicas. parágrafo 3o da Lei no 9. 89. pelo prazo de dois anos. apresentou os seguintes quesitos: “2a Promotoria de Justiça de P. Autos de Incidente de Dependência Toxicológica (apenso aos autos no x/96) Réu: J. Em maio de 1999. Despacho Fundamentado (Art. Em abril de 1996. o 1o Promotor de Justiça de P. nomeio o Dr. Para defesa do réu. Laudo realizado sob a orientação do Prof. qualquer que tenha sido a infração penal praticada. bem como do art. Dr. contou-se com a participação da esposa. presentes os requisitos do art. fui processado em Belo Horizonte por briga.” O réu foi advertido para não se ausentar da comarca por mais de oito dias. em razão de dependência.099/95. não possuía. mediante o cumprimento das seguintes condições: a) não se ausentar da comarca por mais de oito dias sem autorização judicial. por porte de entorpecente”. ou sob o efeito de substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica proveniente de caso fortuito ou força maior. Eu me utilizo de maconha há uns trinta anos desde que eu era criança. popularmente conhecida por maconha). Em quatro delas. Antonio Matos Fontana nomeou como perito o médico Marcelo Mora Doretto7 . homologo. Sou casado.098/ 95. Intimem-se. b) comparecimento pessoal e obrigatório. não sei o resultado do processo. 16 da Lei acima referida. 37 § Único.ANTONIO MATOS FONTANA O ofício foi encaminhado à unidade de psiquiatria onde o Prof.. passou o réu a ser interrogado de acordo com o artigo 188. para informar sua residência e local de trabalho. a partir do qual o delegado de Polícia da Comarca de P. Desde o dia dos fatos. V. respondeu: “Os fatos narrados na denúncia são verdadeiros. para conceder a suspensão do processo. qual o tratamento médico adequado e o prazo mínimo de imposição de Medida de Segurança recomendado?” Em outubro de 1998.099/95. mas a minha filha mora em Belo Horizonte. Registre-se e comunique-se. Não sei informar de quem adquiri a maconha. que não houve resistência à prisão e ao fato de o indiciado admitir tratar-se de viciado. faculto às partes a formulação de quesitos. considerando que a maior parte da droga apreendida não se encontrava em poder do indivíduo no momento de sua prisão. embora estivesse nas proximidades. Dr. a Juíza de Direito proferiu a seguinte sentença: “Vistos. na hipótese prevista no parágrafo 3º do artigo 89 da Lei no 9. No mesmo mês. Nunca fiz tratamento para parar de usar maconha.
. SP. estou. Em Belo Horizonte. ficou dois anos totalmente abstinente. natural de B. vendia limões. esqueço onde deixei a ferramenta que acabei de usar” (sic). subscrevo-me. não havia diferença entre aquelas pessoas e as outras. porque assim ele trabalhava mais. Viveram juntos por três anos e tiveram um filho. às vezes sentia medo de que alguém da sua família o encontrasse. Atenciosamente. sua mãe foi morar nos fundos da casa de sua irmã. O irmão conseguiu arrumar emprego. conheceu uma mulher com quem “amigou” (sic).PSIQUIATRIA FORENSE ria. passou a trabalhar em um condomínio em I. História atual. Todo dia primeiro de cada mês tem de assinar um livro no fórum. Queixa-se de “esquecimento” (sic) há mais ou menos um ano. Segundo sua esposa. casado. foi a um terreno baldio junto com uma mulher. Era carnaval. É palestrante dos A. Dr. Queixa-se de desmaios.S. Uma vez. está abstinente. nessa época JV estava exagerando no uso de droga (maconha) e de bebida alcoólica.. perito nomeado para proceder ao exame de dependência física e psíquica no réu J. conheceu a sua mulher atual. foram morar em um barraco na favela. resolveram se separar. JV. Ela trabalhava como garçonete e ele como garçom. Ficou detido. Sua mãe tivera cinco filhos de um casamento anterior. extremamente agitado. com câncer. quando a conseguia. e bebia diariamente. sua mulher pagou a fiança e levou-o para uma clínica de recuperação de alcoolistas e drogados. e ele acabou indo morar na favela.” (sic). o respectivo laudo médico-pericial. Passou a morar com eles mas o padrasto (sic) começou a ficar doente. Experimentou maconha aos nove anos de idade e. Refere que não se lembra direito do que aconteceu. Conseguiu ficar 20 dias na clínica. geralmente desmaiava e/ou vomitava o que comia. Marcelo Mora Doretto Médico Estagiário III em Psiquiatria – Faculdade de Ciências Médicas–CCMB–PUCSP Conjunto Hospitalar de Sorocaba Laudo Psiquiátrico — Exame de Dependência Toxicológica Identificação. médico. Caçula de uma prole de quatro filhos. mas seu estado geral foi piorando. “Esqueço comida no fogão. eu. com roupas de maloqueiro (sic).V. Está aposentado devido à doença de Chagas desde 1992. no porão de uma igreja. anexo a este. Lembra-se de que morou em uma caixa de papelão de geladeira. domiciliar. vive de bicos (sic).. CRM 89. — ESP Senhor Juiz Em cumprimento à determinação de V. JV ia visitá-la. eu volto a fumar maconha” (sic). começou a fazer tratamento tendo sido encaminhado a Sorocaba.. com protestos de consideração e respeito. eu volto a beber. Ficou preso durante quatro dias. e sua mulher foi buscá-lo. Aos 19 anos. iam para outro bar e continuavam bebendo. foi ao pronto-socorro e acabou sendo operado do esôfago. JV ficava dias fora de casa.653. “Se eu fumar maconha. Depois disso. constante do ofício y/98 (Processo no x/96). JV refere que seu pai bebia muito e batia nos filhos com “arreio de burro” (sic). Foi preso pela segunda vez no mesmo local. Se eu beber. ficava uns dois ou três dias sem beber. JV. Não tomava banho. Seu pai morava na sede da fazenda. porque estava muito embriagado. carregava sacolas na feira. JV afirma: “Para mim. Aos oito anos de idade. Diz ter saído de casa para livrar-se das surras do pai. Ele era bravo e violento. Sr. desde então. — MM. SP. Às vezes. trabalhava como jardineiro em uma floricultura. Brigava muito com a mulher e. No dia em que foi preso. os policiais disseram que JV estava extremamente agressivo e que foi muito difícil conseguir contê-lo. aposentado. Já ganhou a medalha dos dois anos de abstinência e está para ganhar a medalha dos quatro anos. Saiu da floricultura e começou a trabalhar como soldador. Como a mãe estava muito doente (doença de Chagas). 479 . Acha que de seis meses para cá piorou muito da memó© Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. foi para Belo Horizonte com o irmão mais velho e a irmã. Depois que seu padrasto morreu. Não conseguia mais trabalhar. pediu para sair e voltou a beber. Após uma séria desavença com o seu patrão foi morar em um cômodo que estava construindo em P. MG. Após esse tempo voltou a beber e a usar maconha. Atualmente. resolveu mudar-se para São Paulo juntamente com a sua esposa. portando aproximadamente 25g de maconha. começou a vomitar escuro (sic). Nascido de parto normal. relata que tudo começou quando. pois a sua irmã o maltratava. Dr. Morava com a mãe e os três irmãos em uma casa de pau-a-pique. Foram trabalhar como caseiros em Taboão da Serra. “Ele só andava com maus elementos e parecia estar procurando a morte. procedente de P. pardo.A. MG. Nessa época. O patrão fornecia bebida. Há quase três anos. mas só podia fazê-lo às escondidas. Após o serviço.. alcoolizado e com droga. Depois da cirurgia. SP. SP. Bebia diariamente e fazia uso de maconha. onde foi feito o diagnóstico “Exmo. reencontrou sua “mãe com outro marido” (sic) morando na mesma favela.. Após nove meses desempregado. parou de beber e de usar drogas. Aos 14 anos. Seu pai teve várias mulheres. 44 anos. História pessoal pregressa. para conseguir se alimentar.. chamando-o de bêbado. conheceu 24 irmãos “fora os que nem conheci” (sic). Juiz de Direito da Comarca de P. Um dia. JV voltou a ficar sozinho. Hoje em dia se me perguntarem quem eram aquelas pessoas eu não sei dizer se eram boas ou más. há quatro anos. de gente com AIDS. drogados. na fazenda de seu pai em B.S. em um barraco junto com outros pivetes. apenas os três já referidos. tendo agredido todos os funcionários. SP. Irmãos provenientes do seu pai e sua mãe. Posteriormente. a irmã foi trabalhar em uma casa de família como doméstica. Marcelo Mora Doretto. Sem mais. passou a beber quase diariamente. então. Parecia que não tinha coragem para se matar e estava querendo que alguém o matasse. Lavava carros. andava todo sujo. de três cômodos. Eu não lembro de quase nada” (sic). e resolveu retornar a B para se tratar. Aos 23 anos de idade. Vivia no meio de bandidos. enviando a V. um enfermeiro amigo de sua mulher contou-lhe que JV chegou ao pronto-socorro alcoolizado e drogado. e lembra-se de sua mãe fugindo com os filhos para o mato de medo dele. (alcoólicos anônimos).
foi preso pela polícia. foi encaminhado para o Hospital das Clínicas em São Paulo. “Eu pensava que não prestava para mais nada. que a doença não tinha cura e que era melhor morrer mesmo” (sic).) confirmam as informações obtidas. voltou a beber intensamente. buscando a autodestruição. P: 80 b/min. Memória remota — não conseguiu lembrar-se com clareza do seu passado. Curso do pensamento — normal. História atual subjetiva. qualquer que tenha sido a infração penal praticada. para continuar o tratamento. Algum tempo depois. Memória de fixação — descreveu uma das três gravuras de Binet vistas anteriormente. era. forneceu a moral da fábula sobre a abelha. hidratado. 480 . repetiu três das sete palavras oferecidas. etc. Psicomotricidade — mímica adequada. Aparelho cardiovascular — bulhas normofonéticas a dois tempos. sem ruídos adventícios.ANTONIO MATOS FONTANA de doença de Chagas. Conteúdo do pensamento — ndn. branco. “O que eu estou fazendo neste mundo? Eu sou um inválido mesmo!” (sic). quanto às fábulas. o agente. não exibe sentimento de culpa ou de remorso. Exame toxicológico de urina para maconha (atual) — negativo. Caso negativa a resposta do item anterior. Síndrome de dependência ao álcool e à cannabis. de onde procede. Além do pai e mãe alcoolistas. 2. xingando todo mundo. De Sorocaba. O agente. já se sentia dependente do álcool e da maconha. Exame físico Anictérico. indumentária jovial. Nessa época. o que explica.20) + (F10. suspendeu a medicação e voltou a beber. Exame do psiquismo Tipo constitucional-atlético.20 + F12. natural de Sorocaba. inadequada à fase da curva vital do paciente. Capacidade mental — extraiu o sentido das gravuras de Binet e dos provérbios apresentados. O seu comportamento pueril incapacita-o a compreender e resolver os problemas do mundo adulto. não possuía. acianótico.6). neste caso. residente em São Paulo à Rua A. e não conseguiu dar a moral da fábula sobre o burrinho que carregava sal. Em entrevista realizada no dia 26/6/78. corado. 3. Diagnósticos Desenvolvimento anormal da personalidade por abandono (personalidade amoral). Nessa época. Exames subsidiários Todos os exames solicitados (sangue. masculino. Consciência (estado) — vígil. é inegável. possivelmente ocasionado pelo uso do álcool e maconha. casado. Aparelho respiratório — murmúrio vesicular normal. em parte. JV aparecia por lá bêbado. começou a usar maconha e a beber diariamente. afebril. não possuía. preservada. Contato — bom. LT. sua mulher quebrou o joelho e ficou num asilo. raios X. Aspecto externo — asseio presente. ao tempo da ação ou da omissão. bem como a ausência de sentimento de culpa em relação às transgressões. Laudo Psiquiátrico — Exame de Sanidade Mental (solicitado pelo advogado do paciente) Identificação. Aos 18 anos.6 + F12. Submeteu-se a três cirurgias do estômago (em virtude de úlceras gástricas) e a seis dilatações do esôfago. 85 anos. a pomba e o caçador. satisfatório. que os fatores ambientais atuaram de forma decisiva para que a dependência se desenvolvesse. Aos nove anos de idade.2 + (F10. pedindo constante ajuda à esposa. Sua esposa acha que ele estava tentando suicidar-se. em razão de dependência ou sob o efeito de substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica proveniente de caso fortuito ou força maior. Quando ficou sabendo que tinha a doença de Chagas. em razão de dependência ou sob o efeito de substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica proveniente de caso fortuito ou força maior. a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento? Resposta — Sim. Abdômen — dolorido à percussão e palpação em hipocôndrio direito. Caso positiva a resposta de qualquer dos itens anteriores. Sistema neurológico — ndn. a procura pelo álcool e drogas. Humor — adequado. comerciante. capital. Síndrome amnéstica CID-10: F60. Antecedentes familiares. ao tempo da ação ou da omissão. contou-nos o paciente que nasceu e viveu por 50 Comentários JV cresceu em um meio que não lhe proporcionou um suporte afetivo básico para um desenvolvimento psíquico © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. dizia ele. PA: 16 × 10 cm Hg. dois primos maternos também são alcoólatras. qual o tratamento médico adequado e o prazo mínimo de imposição de medida de segurança recomendado? Resposta — Tratamento psiquiátrico em regime ambulatorial por tempo indeterminado. inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento? Resposta — Não. Embora os fatores genéticos estejam provavelmente presentes na etiologia do alcoolismo (o que se presume pelos antecedentes familiares). drogado. Respostas aos Quesitos do Ministério Público (e do Advogado de Defesa) 1. Membros superiores e inferiores — ndn. “O que eu estou fazendo neste mundo? Eu sou um inválido mesmo!”. que nunca mais iria voltar a trabalhar. Os testes de memória indicam moderado comprometimento psicoorgânico.
Sorocaba. talvez uns 15 minutos. que dirigia o carro. E os prejuízos ascenderam a seis contos de réis naquele tempo.78. — Finalidade da segunda internação: observação médica com vistas à feitura de laudo sobre a sanidade mental. o qual me informou que ele e um filho de um tenente do Exército haviam empastelado um quiosque que servia para a venda de refrigerantes. DM. Em minha casa tem havido quebra-quebras promovidos por ele por causa de dinheiro. nora e esposa). DM tinha chegado naquele momento e estava se compondo. no Y e Rua F. Começou a apresentar crises de agitação e agressividade com os familiares. apareceu em minha casa o meu filho e mais uma pessoa. — Data da segunda internação: 23.” Perguntado acerca do que pretende fazer em relação à atitude do filho.6. Rua D. nunca teve doença de maior importância. óculos de enxergar perto. “Eu tentei fazer do meu filho um homem e. Em 1977. no dia 14 deste mês de junho. Esses negócios errados só existem na cabeça doentia dele que já esteve internado neste hospital e no Teixeira Lima”. com ferimentos generalizados.6. orientado no tempo e no espaço. Em entrevista realizada no dia 19. foi atropelado. pois ele possui o mesmo nome do meu pai que sempre foi um homem honesto”.78. disse que eu estava de fato internado. Desconhecem casos de doença mental na família. cuidado de si. Isto foi no primeiro colégio em que esteve em São Paulo. subi uma escada.78) Normolíneo. Por tal razão. Até já sugeri ao meu filho que trocasse de nome. bom contato. a de no x da Praça B aqui em Sorocaba. à Rua Mairinque. talvez de dois degraus. Fui até lá. calmo. Até hoje. pois sempre foi esperto em suas negociatas.78. consciente.6. EXAME PSÍQUICO (EM 26. — Alta (a pedido): 20. “quanto aos negócios atrapalhados que o meu filho alega. e disse que a Dra. Do carro saiu a pessoa minha desconhecida com o fito de trazer Dra. ele parou e disse para a pessoa (que não era minha conhecida) que passasse para a frente e dirigisse o automóvel até onde deveria estar a futura inquilina. Sempre foi homem de negócios. em São Paulo. que não sabem precisar. foi atropelado. A pessoa que estava no banco traseiro passou à frente e conduziu o carro até o portão do Hospital Psiquiátrico Vera Cruz dizendo que a Dra. Nega ter perdido os sentidos na oportunidade.). Aí então eu mesmo retirei o paletó e pus em cima da mesa o lenço. sanduíches e doces aos alunos. Sempre teve boa saúde. para irmos a Sorocaba assinar o contrato com o inquilino D. de onde saiu totalmente recuperado. no colégio. Não houve traumatismo craniano. Rua E. à família dele nada faltará. Foi internado no hospital S. “Uma das minhas casas. depois de depositar os papéis sobre a mesa. se não um café.78. possui imóveis nas duas localidades. E daí eu me misturei com o pessoal e fui para um cômodo que me arranjaram — um local onde ficam os doentes — um local com muitas camas. Casado há 50 anos. o paciente tem um filho vivo (C. Essa pessoa disse-me estar internado e ato contínuo tentou me revistar. no Z”. coisa que nunca havia feito. desenvolvimento psicomotor. DM estava residindo aí. Saí do automóvel. o então médico assistente obteve as seguintes informações acerca do examinando: Antecedentes familiares. dizendo-me que fosse a Sorocaba junto com a pessoa acima. e continuou com o carro até parar em frente a um prédio que dissera ser a secretaria do estabelecimento.6. adolescência e vida adulta: nada digno de nota. Embarcamos os três no automóvel de meu filho na maior camaradagem entre todos. vagou e ficou incumbido de arranjar um inquilino o meu filho CSN.) com saúde. e que eu saísse do carro para tomar um refrigerante. esquina da rua D. respondeu-nos que todos estão indo muito bem e que. no X. — Responsável: R (advogado). Colégio Franco Brasileiro.G.N. Vou retirar seu telefone e uma procuração que possui para receber o aluguel de três casas aqui em Sorocaba. tendo o mesmo dito e apontado para o fundo do salão que lá se encontrava o refrigerante ou o café — eu é que escolhesse. a qual sentou-se numa mesa que havia no pequeno recinto. residência de meu filho. Aconteceu que. Depois de aproximadamente dois minutos chegou ao recinto em que eu estava uma senhora que dizia ser uma doutora. Pai falecido (P. quando ele era pequeno coloquei-o num colégio interno. desconhecida até então para mim.PSIQUIATRIA FORENSE anos nesta cidade (Sorocaba) e que há 27 anos está residindo em São Paulo (capital). e encontrei-me numa sala cuja porta foi fechada pelo até então desconhecido. © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. História da moléstia atual: Há algum tempo. História atual objetiva. no que não concordei e disse-lhe que só lhe permitiria isso. mas ele precisa levar uma lição! E no caso dele precisar cumprir uma pena. Perguntado sobre as doenças que teve. Pude então ver no papel depositado sobre a mesa a assinatura comum de meu filho CS. mas demorando-se um tanto. De nada desconfiei. depois de saber que estava de fato internado. — Alta: 28.78 com os familiares (filho.P. humor deprimido. Essa senhora. — Responsável: CSN. não houve nenhum. chegando a ameaçá-los de morte. me maltrata barbaramente quando se vê sem dinheiro. Quando chegamos à Rua C. Nota: — Data da primeira internação (à revelia): 14. Sempre fui sadio e na minha família nunca existiu nenhum caso de doença mental nem de toxicomania.6. respondeu-nos: “Eu não pretendo fazer mal ao meu filho. acompanhada de uma pessoa do sexo masculino. encontrei uma pessoa vestida de branco que me fechou a porta e fiquei com essa pessoa nesse recinto. por detrás de mim. andou fazendo negócios errados. sempre por mau procedimento. Dali foi para outro colégio. Sempre fui metódico e nunca estive internado em qualquer hospital psiquiátrico. Há um ano. Antecedentes pessoais.00 e um molho de chaves. Ele sempre me deu muito trabalho e.M. Mãe falecida — cirurgia da vesícula. por isso. Já não tive mais dúvida — estava consumada a internação.S. e pediu-me que me sentasse ao seu lado no que foi atendida. e daí para Campinas. tendo ficado com escoriações generalizadas e uma possível trinca de bacia. uma ocasião fui chamado pelo diretor da escola. dinheiro na importância de CR$ 545. Sempre foi problema e muito gastador.6. Perguntado acerca dos seus negócios. Nascimento. informou-nos que sempre foi sadio. 481 .
— Nervos cranianos — ausência de lesões (Nota: estrabismo convergente. 2. rigidez mental e afetiva. solicitamos o concurso de outros colegas especializados. Abdômen sem particularidades.6. Exame do aparelho cardiocirculatório (relatório anexo) — em 28. aterosclerose e arteriosclerose (sem comprometimento coronariano detectável) generalizadas. Motilidade involuntária espontânea — ausente. Nota: Eletrocardiograma anexo. mucosas coradas. O exame do fundo de olho. — Hipopalestesia nos dedos dos pés compatível com a idade. © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. sem indicação cirúrgica. não há no setor psíquico sintomas específicos de determinadas doenças cerebrais orgânicas. Motilidade involuntária reflexa. não se evidenciou situação conflitiva consistente.: 15 × 8 cm Hg. déficit da memória (em especial da memória de fixação). ambliopia e catarata senil. Reflexos musculares clínicos presentes e simétricos. neurológicos. Os exames físicos geral e especial nada demonstraram de evidente. 4. No caso em tela. dificuldade de mudar de hábitos. Com vistas a uma melhor observação clínica. Provas de inteligência e psicoorgânicas. egocentrismo. Memória de fixação e evocação compatíveis com a normalidade e idade cronológica. insuficiência venosa (varizes) dos membros inferiores (maior à direita).78. Bons conhecimentos gerais. não havendo indicação para a cirurgia (facectomia) decorrente de ser um olho ambliose com escassa possibilidade de recuperação. De acordo com Jerome Gans. coração rítmico. EXAME FÍSICO GERAL (EM 26. O exame do fundo de olho esquerdo foi inacessível em decorrência da opacidade cristaliniana presente (catarata). Exame físico especial.6. acentuação dos traços de caráter. • Concluímos por ausência de patologia encefálica no momento. Mostrou-se adequado o exame psíquico do paciente realizado em 26. para poder concluir pela existência de processo cerebral orgânico declarado ou incipiente. concluímos que o paciente apresenta no olho esquerdo uma extropia (estrabismo convergente). inclusive tremor. Conclusão: exame neurológico normal para a idade. 3. porém. Os processos cerebrais (doenças cerebrais orgânicas) produzem quase sempre — havendo. Memórias de fixação e evocação bastante conservadas em relação à idade. que pudesse estar a ocasionar a aceleração do curso normal de envelhecimento.R. perfeitamente compatível com a idade do paciente. F. OE). Exame oftalmológico (relatório anexo) em 28. F. não há sinais de ICC no momento. apresenta afacia cirúrgica e esclerose vascular retiniana incipiente compatível com uma função visual bastante satisfatória para a sua idade. Mas. artérias discretamente endurecidas.78 ANEXO) EM Bom estado geral. anictérico. 20 i/min. Notamos apenas a presença de discretas alterações anatômicas demonstrativas de esclerose vascular incipiente. Os sintomas mais freqüentemente observados são lentidão do curso do pensamento. podemos classificar o fundo de olho como sendo do tipo AlH0. realizado pela oftalmoscopia indireta (quatro aumentos) e direta (16 aumentos). O exame do restante da retina não mostrou fenômenos exsudativos ou hemorrágicos atuais ou seqüelas de processos pregressos. — Funções neurológicas superiores. Gnosias preservadas em todas as suas formas. 78 b/min. Conclusão Paciente portador de: 1. curso do pensamento discretamente lentificado. No olho esquerdo. não mostrou alterações de ordem funcional para o lado da rede vascular da retina demonstrativa de processo hipertensivo em evolução. pregressa ao evento atual.A. — Motilidade voluntária — conservada. bulhas abafadas.C. surgem crises e descompensações que podem ser conseqüentes a fatores psicorreativos ou deterioração orgânica.6. Quando os sintomas normais de envelhecimento estão intensificados. notamos a presença de enotropia (estrabismo convergente) e catarata senil madura. sem sopros ou atritos. Boa cultura. P.78) EXAME NEUROLÓGICO (RELATÓRIO 28.6.78. Não exterioriza alucinações ou delírios. esclero enfisema pulmonar com processo bronquiectásico de bases. Exame-neurológico: ndn. Compreensão e concentração — adequadas em relação à idade. O exame oftalmológico mostrou-nos ser ele portador de afacia cirúrgica no olho direito (ausência de cristalino) decorrente de operação de catarata reduzida há 16 anos. sem gravidade e sem infecções atuais. exceções — alterações da vida psíquica.78. É só pelos sintomas somáticos. Sensibilidades presentes e simétricas. Orientação temporoespacial. língua: nada digno de nota. pescoço: nada digno de nota. Comentários Constitui sinal de envelhecimento normal a diminuição das forças vitais. No olho direito. Perfeito insight e conservação razoável da ideação. 482 . tórax enfisematoso. acianótico. que se diagnostica com segurança. coerente. visoespacial e audioespacial conservada. Ausência de apraxias. Descrição. Bom rendimento intelectual.ANTONIO MATOS FONTANA bastante ansioso.6. Conclusão Pelo exposto. Reflexos aquileus hipoativos (compatíveis com a idade).
1999. Delmanto R. São Paulo. • Palomba. no momento. lucidez de raciocínio e capacidade de discernimento. Conserva a perfeita noção dos valores éticos e morais. 257-261. rev. Nardi. 4a ed. Código Penal comentado. Tratado de clínica psiquiátrica. pp. I. 1981. pois. físicas e mentais. • Nery Junior N. São Paulo. São Paulo. BIBLIOGRAFIA • Delmanto C. 21 (4): 196-7.PSIQUIATRIA FORENSE O seu comportamento. mostrando-se harmônico quanto às suas manifestações instintivo-afetivas e intelectivo-volitivas.. tendo-se mostrado. Violência e doença mental: fato ou ficção? Rev. • Paim. • Jesus DE. Editora Revista dos Tribunais. São Paulo. nada havendo. Conclusões Revela o examinando boas condições gerais. © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. pois. A.. não revelou a existência de desvio. Loucura e crime. Psiquiatr. Lisboa. Código civil anotado e legislação extravagante: atualizado até 2 de maio de 2003. Rio de Janeiro. Renovar. • Portela Nunes Fo. Delmanto JR. Psiquiatria forense. compatível com o normal. durante todo o tempo em que esteve internado. Nery RMA. Sorocaba. rev. In: Psiquiatria e saúde mental — conceitos clínicos e terapêuticos fundamentais. e ampl. E. para os atos da vida civil. Bras. 483 . • Teixeira Lima. G. que o possa impossibilitar. 1991..A. Clínica psiquiátrica (apostila). R. e ampl. Faculdade de Ciências Médicas — CCMB-PUCSP. 1998. • Gattaz WF. dez. 3a ed. 2a ed. São Paulo. Atheneu.. JR. Bueno. 1997. EPU. 4a ed. Saraiva. rev. 1996. 2003.E. 1999. Lei antitóxicos anotadas. Universitária Editora. Atualiz..
484 .ANTONIO MATOS FONTANA © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA.