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CURSO ON-LINE – DIREITO PENAL – TEORIA E EXERCÍCIOS

DELEGADO CURSO ON-LINE DA POLÍCIA – DIREITO FEDERAL PENAL

PROFESSOR: PROFESSOR PEDRO PEDRO IVO IVO

AULA 05 – CRIMES CONTRA A PESSOA / PATRIMÔNIO

FUTUROS(AS) APROVADOS(AS), sejam bem vindos a mais uma aula!!!

Hoje veremos temas cujo conhecimento é importantíssimo para o bom desempenho na sua PROVA: os crimes contra a pessoa e os crimes contra o patrimônio.

São temas bem extensos, mas que procurarei abordar da maneira mais objetiva possível. Assim, como fizemos nas aulas anteriores, darei ênfase a tudo aquilo que é exigido pelo CESPE e apresentarei apenas uma noção dos demais delitos a fim de que você não seja surpreendido.

Vamos começar!

Bons estudos!!!

*****************************************************************

5.1 CRIMES CONTRA A VIDA 5.1.1 HOMICÍDIO O homicídio é,

5.1 CRIMES CONTRA A VIDA

5.1.1 HOMICÍDIO

O homicídio é, provavelmente, um dos crimes mais conhecidos do Código Penal. É o primeiro delito tipificado na parte especial e consiste na destruição da vida de um homem praticada por outro.

Nelson Hungria considera o homicídio como:

) (

crimes. É o crime por excelência. É o padrão da delinqüência violenta ou sanguinária, que representa como que uma reversão atávica às eras primeiras, em que a luta pela vida, presumivelmente, se operava com o uso normal dos meios brutais e animalescos. É a mais chocante violação do senso moral médio da humanidade civilizada.

o tipo central dos crimes contra a vida e é o ponto culminante na orografia dos

Apresenta a seguinte descrição típica:

Art. 121. Matar alguém:

Pena - reclusão, de seis a vinte anos.

Desde já é importante ressaltar que o homicídio em sua forma fundamental (acima apresentada) não possui nenhum elemento normativo, ou seja, independe de

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qualquer injustiça ou violência. Assim, se Tício mata Mévio mediante veneno, por exemplo, apesar de não ter havido violência, podemos afirmar que houve homicídio.

Ocorre, entretanto, que o homicídio possui outras figuras típicas além da supracitada. Desta forma, podemos resumir o assunto da seguinte forma:

TIPOS PENAIS DO CRIME DE HOMICÍDIO

HOMICÍDIO SIMPLES

Art. 121, caput

HOMICÍDIO PRIVILEGIADO

Art. 121, § 1º

HOMICÍDIO QUALIFICADO

Art. 121, § 2º

HOMICÍDIO CULPOSO SIMPLES

Art. 121, § 3º

HOMICÍDIO CULPOSO QUALIFICADO

Art. 121, § 4º

PERDÃO JUDICIAL

Art. 121, § 5º

5.1.1.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: É crime comum, podendo ser cometido por qualquer pessoa.

2. SUJEITO PASSIVO: A vítima do homicídio.

OBSERVAÇÃO

NO CASO DE O FATO SER COMETIDO CONTRA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, CONTRA MEMBRO DO SENADO FEDERAL, CONTRA MEMBRO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS OU CONTRA MINISTROS DO STF, O FATO É TRATADO COMO CRIME CONTRA A SEGURANÇA NACIONAL, COM PENA DE RECLUSÃO DE 15 A 30 ANOS (LEI Nº 7.170/83, ART. 29).

MEIOS DE EXECUÇÃO: O homicídio não possui uma forma de atuação vinculada, ou seja, a lei não pormenoriza os meios de execução, admitindo-se

qualquer meio. Podemos classificar os meios de execução em:

1. Comissivos O homicídio ocorre através da ação do agente. Exemplo:

Tício efetua um disparo contra Mévio.

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2. Omissivos O homicídio ocorre através de uma omissão do agente. Exemplo: Tício deixa de alimentar Mévio e este vem a falecer em decorrência da omissão de Tício.

OBSERVAÇÃO:

Para que o sujeito responda por homicídio cometido por omissão, faz-se necessário que tenha o dever jurídico de impedir a produção da morte da vítima. Esse dever jurídico advém: de um mandamento legal específico, da posição de garantidor ou de conduta precedente (art. 13, parágrafo 2º).

3. Diretos Situação em que o agente, através da própria conduta, ocasiona diretamente a morte. Exemplo: Tício puxa o gatilho de uma arma contra Mévio.

4. Indiretos O homicídio não decorre diretamente da conduta da vítima. Exemplo: Tício induz Mévio a dirigir a noite em uma estrada que está em construção e possui um abismo no fim. Mévio cai no abismo e vem a falecer.

5. Materiais O homicídio ocorre devido ao uso de um determinado objeto. Exemplo: Tício utiliza uma faca para matar Mévio.

6. Moral O homicídio decorre de ato que afeta o íntimo da pessoa. Exemplo: Traumas psíquicos.

Obs.: Quanto ao meio de execução moral, embora seja de difícil aplicação e visualização, para a sua PROVA basta o conhecimento de que se trata de um meio de execução cabível para o crime de homicídio. Assim, caso a banca exija: “o meio de execução moral é viável para o delito de homicídio”, a questão/alternativa estará CORRETA.

Do exposto, podemos resumir:

ELEMENTOS:

MEIOS DE

EXECUÇÃO

1. OBJETIVO: É núcleo do tipo:

Matar;

2. SUBJETIVO:

COMISSIVOS / OMISSIVOS

MATERIAIS E MORAIS

DIRETOS E INDIRETOS

1. Dolo ou culpa (trataremos mais à frente do homicídio culposo);

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FEDERAL PENAL PROFESSOR: PROFESSOR PEDRO PEDRO IVO IVO Observação: O dolo do homicídio é a vontade

Observação: O dolo do homicídio é a vontade consciente de

eliminar uma vida humana, ou seja, de matar (animus necandi),

não se exigindo nenhum fim especial.

A finalidade

eventualmente, constituir uma qualificadora ou uma causa de diminuição de pena.

Admite-se perfeitamente homicídio com dolo eventual, reconhecido pela jurisprudência em vários casos como roleta- russa, na conduta dos motoristas que se envolvem em corridas de automóveis em vias publicas ("rachas"), causando a morte de alguém que os acompanham ou assistem a essas irresponsáveis competições.

ou

motivo

determinante

do

crime

pode,

STF, AI 779.275/CE, DJ 18.02.2010

CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA. PRONÚNCIA.

Havendo versão nos autos de que o réu praticava racha, empreendendo manobras arrojadas em alta velocidade, em virtude das quais veio ocorrer o acidente causador dos delitos, a pronúncia é medida que se impõe, ante a ocorrência do dolo eventual.

QUALIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA: Classifica-se o crime de homicídio em simples, comum, instantâneo, material, de dano e de forma livre.

É considerado simples, pois tem apenas um bem jurídico que é a vida.

É também comum, pois pode ser praticado por qualquer pessoa, ao contrário

dos crimes próprios, que só podem ser praticados por determinadas pessoas.

Consiste, ainda, em um crime material que se consuma com a morte da vítima ou com a sua tentativa (necessidade de um resultado naturalístico).

É também instantâneo com relação ao ato praticado, pois atinge a consumação no momento da morte da vítima, não se prolongando no tempo.

É de dano, pois exige a efetiva lesão do objeto jurídico para sua consumação.

Por fim, é crime de forma livre, pois admite qualquer meio de execução.

CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1. O crime é consumado com a morte da vítima.

2. É admissível a tentativa.

5.1.1.2 HOMICÍDIO PRIVILEGIADO

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O homicídio privilegiado encontra previsão no parágrafo 1º do art. 121, nos seguintes termos:

Art. 121 [ ]

§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.

ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. APESAR DA PALAVRA “PODE”,
ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. APESAR DA PALAVRA “PODE”,

APESAR DA PALAVRA “PODE”, A REDUÇÃO DE PENA NO HOMICÍDIO PRIVILEGIADO NÃO É FACULDADE, MAS OBRIGAÇÃO DO JUIZ.

Do supra dispositivo legal, podemos verificar que o privilégio é cabível quando o agente:

1. Matar alguém impelido por motivo de relevante valor social Neste caso, o homicídio ocorre devido a determinada situação que diz respeito a um interesse coletivo. Exemplo: O sujeito mata o vil traidor da pátria.

coletivo. Exemplo: O sujeito mata o vil traidor da pátria. TJMG: 1906478/MG DJ 20.09.2000 Homicídio Privilegiado.
coletivo. Exemplo: O sujeito mata o vil traidor da pátria. TJMG: 1906478/MG DJ 20.09.2000 Homicídio Privilegiado.

TJMG: 1906478/MG DJ 20.09.2000

Homicídio Privilegiado. Relevante Valor Social.

Motivo social é aquele que corresponde aos interesses coletivos. Jamais pode ser considerado como motivo de relevante valor social o homicídio cometido, por exemplo, em razão de desavenças relacionadas com jogo de baralho.

2. M atar alguém impelido por motivo de relevante valor moral Aqui, o motivo do homicídio está relacionado com uma situação que afeta o particular, e não a coletividade. Exemplo: Mévio fica sabendo que Tício, seu vizinho, estuprou sua filha. Diante de tal situação, Mévio mata Tício.

3. Matar alguém sob o domínio de violenta emoção, logo após injusta provocação da vítima Neste caso, para que fique caracterizado o homicídio privilegiado, é necessário que tenhamos:

a. Emoção violenta;

b. Injusta provocação da vítima; e

c. Sucessão imediata entre a provocação e a reação.

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Exemplo:

PENAL PROFESSOR: PROFESSOR PEDRO PEDRO IVO IVO Exemplo: STM, Apelfo 49.061/RS, DJ 13.02.2003 Age sob influência
PENAL PROFESSOR: PROFESSOR PEDRO PEDRO IVO IVO Exemplo: STM, Apelfo 49.061/RS, DJ 13.02.2003 Age sob influência

STM, Apelfo 49.061/RS, DJ 13.02.2003

Age sob influência de violenta emoção, e não por ela dominado, o agente que, respondendo a reiteradas provocações da vítima, que o persegue até o momento em que deixava o local em seu automóvel, dispara a arma de fogo em direção àquela.

5.1.1.3 HOMICÍDIO QUALIFICADO

O homicídio qualificado encontra previsão no parágrafo 1º do art. 121, nos seguintes termos:

Art. 121 [

§ 2° Se o homicídio é cometido:

I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo

torpe;

II - por motivo fútil;

III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;

IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso

que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido;

]

V

- para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem

de

outro crime:

Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

Do supracitado texto legal, podemos organizar as circunstâncias qualificadoras da seguinte forma:

1. Quanto aos motivos determinantes: mediante paga ou promessa de recompensa ou outra razão torpe ou fútil Motivo torpe é o moralmente reprovável. É aquela causa que quando você lê no jornal pensa imediatamente: “Mas que sujeito desprezível”.

Seria o caso, por exemplo, do filho que mata o pai a fim de receber uma herança. A paga ou a promessa de recompensa também são exemplos de motivo torpe.

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FEDERAL PENAL PROFESSOR: PROFESSOR PEDRO PEDRO IVO IVO STJ, HJ 80.107/SP, DJ 25.02.2008 A verificação se
FEDERAL PENAL PROFESSOR: PROFESSOR PEDRO PEDRO IVO IVO STJ, HJ 80.107/SP, DJ 25.02.2008 A verificação se

STJ, HJ 80.107/SP, DJ 25.02.2008

A verificação se a vingança constitui ou não motivo torpe deve ser feita com base nas peculiaridades de cada caso concreto, de modo que, não se pode estabelecer um juízo a priori, seja positivo ou negativo. Conforme ressaltou o Pretório Excelso: a vingança, por si só, não substantiva o motivo torpe; a sua afirmativa, contudo, não basta para elidir a imputação de torpeza do motivo do crime, que há de ser aferida à luz do contexto do fato."(HC 83.309/MS, 1ª Turma, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 06/02/2004).

O motivo fútil é aquele insignificante, apresentando clara desproporção

entre o crime e sua causa moral. Para exemplificar, imagine que Tício, torcedor do Internacional, verifica, ao chegar em casa, que sua esposa havia colocado um adesivo do Grêmio na janela.

Diante de tal situação, profere oito disparos em região letal. Neste caso, temos a morte ocasionada por motivo fútil. Outro exemplo seria o de matar

o garçom porque a comida está fria, ou o vendedor de uma loja devido a um mau atendimento.

2.

ou o vendedor de uma loja devido a um mau atendimento. 2. 3. Quanto aos meios:

3.

ou o vendedor de uma loja devido a um mau atendimento. 2. 3. Quanto aos meios:

Quanto aos meios: veneno, explosivo, fogo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou que possa resultar perigo comum Conceitua-se meio insidioso como sendo algo camuflado, uma conduta verdadeiramente traiçoeira, como ocorre no referido caso do emprego de substância venenosa.

Meio cruel, por sua vez, é aquele que causa sofrimento à vítima. Assim, imagine que Tício mata Mévio com um disparo em ponto letal e, após sua

morte, divide o corpo em 30 pedaços. Neste caso, podemos dizer que incidiu

a qualificadora “meio cruel”?

Claro que não, pois o fato de cortar o corpo ocorreu após a morte, logo, não ocasionou sofrimento ao ofendido.

Por fim, o CP também qualifica o homicídio quando praticado por meio de

que pode resultar perigo comum. Seria o caso, por exemplo, do uso de fogo

ou explosivos.

Quanto à forma de execução: traição, emboscada, dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa da vítima Vamos tratar deste tópico através de exemplos (que eu sei que todo concurseiro adora!):

Traição Mévio atira em Tício pelas costas (traição física) ou Mévio coloca uma venda nos olhos de Tício dizendo que vai conduzi-lo até uma surpresa. Ocorre, entretanto, que a “surpresa” é um buraco de 20 metros no qual Tício cai e morre (traição moral).

Emboscada Tício fica escondido em cima de uma árvore aguardando a passagem de Mévio. Quando este passa, é surpreendido pelo disparo fatal.

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Dissimulação Tício se disfarça de policial a fim de matar Mévio (dissimulação física) ou Tício estabelece uma falsa amizade com Mévio a fim de melhor executar o homicídio.

4. Quanto à conexão com outro delito: fato praticado para garantir a execução, ocultação, impunidade ou vantagem de outro crime Seria o caso, por exemplo, do sujeito (autor) que mata o co-autor de um crime de roubo a fim de ficar com todo o produto do delito, ou mesmo o criminoso que mata uma testemunha a fim de ocultar o delito.

Para finalizar este tópico, cabe ressaltar que, nos termos da Lei nº 8.072/90, são considerados hediondos os crimes de homicídio (art. 121), quando praticados em atividade típica de grupo de extermínio, e quando se tratar de homicídio qualificado.

5.1.1.4 CAUSA DE AUMENTO DE PENA

Conforme apresentado na segunda parte do parágrafo 4º do art. 121, sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos.

5.1.1.5 HOMICÍDIO CULPOSO SIMPLES E QUALIFICADO

O homicídio culposo previsto nos §§ 3.º e 4.º é o crime cometido por um agente

que não quis o resultado morte. É causado por negligência (omissão do dever geral de cautela), imprudência (ação perigosa) ou imperícia (falta de aptidão para o exercício de arte ou ofício).

Observe o texto legal:

Art.121 [

§ 3º Se o homicídio é culposo:

Pena - detenção, de um a três anos.

§

4 o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante.

]

O homicídio culposo poderá também ser qualificado quando:

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Resultar de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício Seria o caso, por exemplo, do médico que, deixando de observar procedimento padrão de que tem conhecimento, ocasiona a morte da vítima.

de que tem conhecimento, ocasiona a morte da vítima. “Mas, professor, agora ficou uma dúvida não
de que tem conhecimento, ocasiona a morte da vítima. “Mas, professor, agora ficou uma dúvida não

“Mas, professor, agora ficou uma dúvida

não seria caso de imperícia e, portanto, homicídio culposo simples?”

Este exemplo apresentado acima

A resposta é negativa, pois a imperícia é caracterizada pela insuficiência de capacidade técnica, ou seja, o sujeito realmente não sabe fazer aquilo. Diferentemente, na qualificadora, o sujeito tem conhecimento da regra técnica, mas não a observa.

O agente deixar de prestar imediato socorro à vítima Imagine que Tício atropela Mévio e não lhe presta assistência. Neste caso, não responderá por homicídio culposo e omissão de socorro, mas sim por homicídio culposo qualificado pela omissão de socorro.

O agente não procurar diminuir as conseqüências do seu ato Imagine que, no caso acima, Mévio é socorrido por terceiros, mas Tício se nega a levar Mévio ao hospital com medo de sujar o banco de seu carro com sangue. Neste caso, não incide a qualificadora de omissão de socorro, pois o socorro foi prestado (mesmo que por terceiros). Todavia, o homicídio culposo será qualificado pelo fato de o agente não procurar diminuir as conseqüências do seu ato (negou-se a levar Mévio para o hospital).

O agente fugir para evitar prisão em flagrante Esta qualificadora é bem fácil de ser entendida. Cabe ressaltar, entretanto, que não há incidência da qualificadora quando o sujeito foge a fim de evitar linchamento.

STJ, HC 38.985/MT, DJ 25.04.2005

A fuga motivada pela ameaça de linchamento levadas a efeito por terceiros, não guarda qualquer semelhança com a escapada objetivando frustrar a aplicação da lei penal.

Se não ocorrer nenhuma das hipóteses supra (§4.º), o homicídio culposo será dito simples.

5.1.1.6 HOMICÍDIO CULPOSO – PERDÃO JUDICIAL

Uma peculiaridade do homicídio culposo é o fato de o juiz poder deixar de aplicar a pena se as conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária, como, por exemplo, no caso em que o agente fique paraplégico ou na hipótese de morte de um filho.

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Art. 121.

[ ]

§ 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária.

Observe os interessantes julgados que explicam e exemplificam o tema:

interessantes julgados que explicam e exemplificam o tema: TJSC, ACR 774.240/SC, DJ 10.03.2010 Afigura-se
interessantes julgados que explicam e exemplificam o tema: TJSC, ACR 774.240/SC, DJ 10.03.2010 Afigura-se

TJSC, ACR 774.240/SC, DJ 10.03.2010

Afigura-se justificável a concessão do perdão judicial em que o autor de homicídio culposo já é punido diretamente pelo próprio fato que o praticou, em razão das gravosas conseqüências produzidas que o atingem de forma tão intensa que a sanção penal se torna desnecessária.

tão intensa que a sanção penal se torna desnecessária. TJSC, ACR 685.049/SC, DJ 26.01.2010 Em se
tão intensa que a sanção penal se torna desnecessária. TJSC, ACR 685.049/SC, DJ 26.01.2010 Em se

TJSC, ACR 685.049/SC, DJ 26.01.2010

Em se tratando de réu primário, que sempre teve conduta ilibada, não há dúvida de que o peso a ser carregado pela responsabilidade em causar fato com conseqüências tão graves, como a morte de um parente próximo, torna despicienda a cominação de sanção penal, permitindo o perdão judicial, uma vez que a maior punição já foi aplicada ao agente e desta não restará impune.

6.1.2 PARTICIPAÇÃO EM SUICÍDIO

não restará impune. 6.1.2 PARTICIPAÇÃO EM SUICÍDIO Suicídio é tirar a própria vida de modo voluntário

Suicídio é tirar a própria vida de modo voluntário e consciente. O suicídio, por razões de política criminal e clara desnecessidade, não é punido no ordenamento penal brasileiro.

Assim, se alguma pessoa tirou a própria vida, não haverá punição, pois, pelo principio da intranscendência da ação e da condenação penal, ninguém poderá ser responsável por fato praticado por outrem e, logicamente, os sucessores ou herdeiros do suicida não poderão pagar penalmente por ele ter tirado a própria vida.

A modalidade tentada também não poderá ser sancionada, tendo em vista que o Estado deve procurar ajudar a pessoa, pois claramente se trata de um humano que não se encontra em suas melhores faculdades psíquicas, necessitando da colaboração do Estado para a concretização de tratamento psiquiátrico e/ou internação.

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Apesar de o suicídio, como vimos, não caracterizar ilícito penal, a participação é prevista como crime e encontra previsão no art. 122 do Código Penal, nos seguintes termos:

Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.

No supracitado dispositivo, o legislador visa proteger o direito à vida, e daqui surge um importante questionamento: Caso a participação não resulte em morte ou lesão corporal do suicida, poderá o agente ser responsabilizado?

Para ficar bem claro, imagine a seguinte situação: Mévio está no terraço de seu prédio, pronto para pular. Nesse momento, aparece Tício que começa a cantar:

“PULA!!! PULA!!! PULA!!!”. Segundos após, Mévio desiste de sua ação, mas o fato é todo filmado por câmeras de segurança.

Poderá ser Tício responsabilizado pelo fato previsto no art. 122 do CP?

A resposta é NEGATIVA, pois não vindo a vítima a morrer ou a sofrer a lesão corporal de natureza grave, não haverá crime.

5.1.2.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: É crime comum, podendo ser cometido por qualquer pessoa.

2. SUJEITO PASSIVO: A pessoa induzida ou instigada.

Observação: Exige-se que a conduta seja direcionada a uma determinada pessoa. Assim, não há o crime se um sujeito escreve um livro que induza seus leitores ao suicídio (pois aqui os destinatários são gerais, e não específicos).

ELEMENTOS:

1. OBJETIVO: São núcleos do tipo:

Induzir;

Instigar;

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Prestar (auxílio)

Com base nos elementos objetivos, podemos dizer que há dois tipos de participação:

Participação moral: Praticada por meio de induzimento ou instigação Induzir consiste em inserir a idéia do suicídio na cabeça do indivíduo, enquanto instigar consiste em reforçar idéia preexistente.

Assim, ocorre induzimento se Tício diz para Mévio: “Caro amigão,

Já pensou em se jogar de um

você está com tantos problemas

prédio?”. Diferentemente, ocorre instigação no caso em que Tício

começa a gritar “PULA! PULA! PULA” quando Mévio já está prestes a suicidar-se.

Participação material Realizada por meio de auxílio. Imagine

que Mévio diz para Tício: “Se eu tivesse um revólver dava um tiro

tenho um no meu

armário”. Neste caso, caso Mévio utilize a arma e se mate, é caso de participação material.

em minha cabeça”. Tício responde: “É para já

2. SUBJETIVO:

1. Dolo;

Observação 01: Imagine que, durante uma final de campeonato, Tício diz para Mévio em tom de brincadeira: “Para nós torcedores do Fluminense, só mesmo o suicídio para acabar com esse sofrimento.” Após esse comentário, Mévio chega em sua casa e suicida-se. Neste caso, não há que se falar em participação, pois ausente está o dolo.

QUALIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA: É crime material, de dano, instantâneo,

comissivo, de ação livre, de conteúdo variado ou alternativo, comum, principal,

simples e plurissubsistente

É material, pois, como já vimos, exige a lesão do bem jurídico através da morte ou da lesão corporal grave.

É instantâneo, pois não se prolonga, atingindo a consumação em momento determinado.

É comissivo, pois só há consumação no caso de uma ação no sentido de induzir, instigar ou auxiliar.

É crime de ação livre, pois admite qualquer forma de execução.

É delito de conteúdo variado ou alternativo, pois o tipo apresenta três formas de realização: induzir, instigar ou auxiliar.

É crime comum, pois pode ser praticado por qualquer pessoa.

Ufa

acabou

rsrs.

Vamos esmiuçar:

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É principal, pois não está subordinado à prática de nenhum outro crime.

É delito simples, pois ou ofende a vida ou a integridade corporal.

Para finalizar, é crime plurissubsistente, pois exige a conduta inicial e o resultado, não se perfazendo em um único ato.

CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1. Trata-se de crime material em que a consumação ocorre com a morte ou lesão corporal grave. Cabe aqui ressaltar as diversas e possíveis situações:

Cabe aqui ressaltar as diversas e possíveis situações: a. A vítima falece Pune-se o participante com

a. A vítima falece Pune-se o participante com pena de reclusão de 02 a 06 anos.

b. A vítima sofre lesões corporais graves Pune-se o participante com pena de reclusão de 01 a 03 anos.

c. A vítima sofre lesões corporais leves O fato não é punível.

d. A vítima não sofre lesões O fato não é punível.

2. NÃO é admissível a tentativa.

TIPO QUALIFICADO: Responde o agente pelo crime na forma qualificada quando, nos termos do parágrafo único do art. 122:

1. O crime é praticado por motivo egoístico Um exemplo claro é o

a

fato

herança.

de o agente

instigar o pai a suicidar-se,

a

fim

de

ficar

com

2. A vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência Seria o caso, por exemplo, de instigar ao suicídio menor de 18 anos ou indivíduo embriagado.

ANÁLISE DE CASO CONCRETO:

1. PACTO DE MORTE Imagine a seguinte situação: Tício e Mévio, visando ao suicídio, trancam-se em um quarto no qual há uma torneira que, quando aberta, libera gás tóxico. Agora vamos analisar algumas possibilidades:

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a. Tício abre a torneira,

libera

o

gás

e

vem

a

falecer. Mévio

sobrevive. Neste caso, responderá Mévio por participação em suicídio.

b. Mévio abre a torneira, Tício falece e Mévio sobrevive. Neste caso, responderá Mévio por homicídio.

c. Agora uma hipótese bem interessante: Os dois abrem a torneira e os dois sobrevivem. Neste caso, os dois responderão por tentativa de homicídio.

d. Por fim, Tício abre a torneira, os dois sobrevivem e sofrem lesões corporais graves. Neste caso, Mévio responderá por participação em suicídio e Tício, que abriu a torneira, responderá por tentativa de homicídio.

5.1.3 INFANTICÍDIO

Encontra previsão no art. 159 do Código Penal, nos seguintes termos:

no art. 159 do Código Penal, nos seguintes termos: Art. 123 - Matar, sob a influência

Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após:

Pena - detenção, de dois a seis anos.

Diferentemente do que muitos pensam, o infanticídio não se trata de uma figura privilegiada do homicídio, mas sim de delito autônomo com denominação jurídica própria.

Em diplomas penais anteriores, adotava-se, para a conceituação do infanticídio, o critério psicológico, segundo o qual o delito ocorria quando o fato era cometido pela mãe, tendo por motivo o fim de ocultar desonra própria. Tal critério encontra-se completamente ultrapassado, sendo hoje adotado pelo Código Penal vigente o sistema fisiopsicológico, segundo o qual se leva em consideração, unicamente, o estado puerperal.

Mas o que é esse tal de estado puerperal?

O estado puerperal, que constitui elementar do delito de infanticídio, é o período pós-

parto ocorrido entre a expulsão da placenta e a volta do organismo da mãe para o

estado anterior à gravidez. Há quem diga que o estado puerperal dura somente de 03 a 07 dias após o parto, mas também há quem entenda que poderia perdurar por um mês ou por algumas horas. O certo é que a existência ou não da perturbação da saúde mental deve ser analisada caso a caso através da perícia.

A mãe em estado puerperal pode apresentar depressão, não aceitando a criança, não

desejando ou aceitando amamentá-la. Às vezes, a mãe fica em crise psicótica,

violenta, e pode até matar a criança, caracterizando crime de infanticídio.

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TJMG: 107020417025160011 MG, DJ 08.05.2009

Se a prova dos autos, inclusive a de natureza pericial, atesta que a recorrente matou o seu filho, após o parto, sob a influência de estado puerperal, imperiosa a desclassificação da imputação de homicídio qualificado para que a pronunciada seja levada a julgamento pelo cometimento do crime de infanticídio.

a julgamento pelo cometimento do crime de infanticídio. 5.1.3.1 CARACTERIZADORES DO DELITO • SUJEITOS DO DELITO
a julgamento pelo cometimento do crime de infanticídio. 5.1.3.1 CARACTERIZADORES DO DELITO • SUJEITOS DO DELITO

5.1.3.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: É crime próprio, só podendo ser cometido pela mãe.

2. SUJEITO PASSIVO: É o neonato (se ocorrido durante o parto) ou nascente (se ocorrido logo após).

ELEMENTOS:

1. OBJETIVO: É núcleo do tipo:

Matar;

Observação

Para a caracterização do infanticídio, não basta que a mulher realize a conduta durante o período do estado puerperal. É necessário que haja um nexo de causalidade entre a morte do nascente ou neonato e o estado puerperal. Assim, caso a mãe mate o filho, mesmo que após o parto, quando ausente qualquer perturbação psíquica, responderá por homicídio, e não infanticídio.

2. SUBJETIVO:

1. Dolo;

Observação:

Quanto

a

este

ponto,

cabe

um

relevante

questionamento: “Não há no Código Penal previsão do infanticídio a título de culpa. Deste modo, caso durante o estado puerperal a mãe venha

a

culposo?”

matar

a

criança

culposamente,

responderá

por

homicídio

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A resposta é negativa, ou seja, caso a mãe mate seu filho, sob influência do estado puerperal, de forma culposa, NÃO RESPONDERÁ POR NENHUM DELITO.

QUALIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA: O infanticídio é crime próprio, material, de dano, instantâneo, comissivo ou omissivo impróprio, principal, simples, de forma livre e plurissubsistente.

CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1. Trata-se de crime material que tem sua consumação com a morte do neonato ou nascente.

2. É admissível a tentativa.

5.1.4 ABORTO

O aborto nada mais é do que a interrupção da gravidez com a consequente morte do feto. Pode ser classificado em:

Natural Quando ocorre impunível.

Acidental

acidente. Seria o caso, por exemplo, de uma mulher grávida que cai da escada e acaba abortando. É impunível.

Legal ou permitido Ocorre quando a lei confere a possibilidade de ser realizado o aborto. No nosso ordenamento jurídico, encontra cabimento nas situações descritas no art. 128, I e II. São elas:

a interrupção espontânea da gravidez. É

Quando a interrupção da gravidez

ocorre

devido

a

um

Quando praticado por médico, se não há outro meio de salvar a gestante (aborto necessário).

Quando praticado por médico, se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal (aborto permitido).

Criminoso Ocorre quando o fato não se enquadra nas supracitadas situações. Começaremos, a partir de agora, a tratar desta espécie, que apresenta as seguintes figuras típicas:

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TIPOS PENAIS DO CRIME DE ABORTO

TIPOS PENAIS DO CRIME DE ABORTO

AUTO-ABORTO

FATO DE PROVOCAR ABORTO COM O CONSENTIMENTO DA GESTANTE

FATO DE PROVOCAR ABORTO SEM O CONSENTIMENTO DA GESTANTE

ABORTO QUALIFICADO

Art. 124

Art. 125

Art. 126

Art. 127

Vamos agora tratar de aspectos pertinentes a todas as formas de aborto para, posteriormente, analisarmos cada figura típica.

5.1.4.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: No auto-aborto, é a gestante (crime próprio). No aborto provocado por terceiro, o autor pode ser qualquer pessoa (crime comum).

2. SUJEITO PASSIVO: Existe grande controvérsia acerca de qual seria a objetividade jurídica e quem seria o sujeito passivo do crime de aborto. Para Damásio de Jesus, a objetividade jurídica do aborto é a vida da pessoa humana e o sujeito passivo é o feto. Entretanto, salienta o autor que, no caso do aborto provocado sem o consentimento da gestante, haveria dupla objetividade jurídica, protegendo o Direito Penal também a incolumidade física e psíquica da gestante. Conseqüentemente, haveria dois sujeitos passivos: o feto e a gestante.

Discordando dessa opinião, Mirabete afirma que o "Sujeito passivo é o Estado, interessado no nascimento, e não o feto, ou seja, o produto da concepção, que não é titular de bens jurídicos, embora a lei civil resguarde os direitos do nascituro".

Para sua prova, adote o entendimento de Mirabete, pois, é o entendimento majoritário e adotado pelas bancas.

ELEMENTOS:

1. OBJETIVO: É núcleo dos tipos:

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PROFESSOR: PROFESSOR PEDRO PEDRO IVO IVO

FEDERAL PENAL PROFESSOR: PROFESSOR PEDRO PEDRO IVO IVO Provocar Significa dar causa, produzir, promover etc.

Provocar Significa dar causa, produzir, promover etc. Como o crime é de forma livre, qualquer meio comissivo ou omissivo, material ou psíquico integra a conduta típica.

Sendo assim, imagine que Tício, visando atingir o aborto de Mévia, fantasia-se de “Fred Krueger” e, no período noturno, efetua um grande susto em sua parceira. Neste caso, caso o aborto seja proveniente do susto, responderá Tício por ter provocado o delito.

2.

SUBJETIVO:

1. Dolo;

Observação: É cabível o dolo eventual, como no caso em que a mulher, sabendo que está grávida, decide praticar boxe, assumindo conscientemente o risco de abortar em virtude dos contatos físicos.

QUALIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA: O aborto é crime material, instantâneo, de dano, e de forma livre.

CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1.

Trata-se de crime material que tem sua consumação com a interrupção da gravidez.

2.

É admissível a tentativa quando, provocada a interrupção da gravidez, o feto não morre por circunstâncias alheias à vontade do (a) agente.

5.1.4.2

AUTO-ABORTO

O delito encontra previsão no art. 124 do Código Penal, nos seguintes termos:

Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:

Pena - detenção, de um a três anos.

Observe que o supra dispositivo apresenta duas figuras típicas: Na primeira, a gestante provoca o aborto em si mesma, através, por exemplo, da ingestão de remédios abortivos. Diferentemente, na segunda figura típica, a gestante presta consentimento para que terceiro lhe provoque o aborto.

5.1.4.3 ABORTO PROVOCADO SEM O CONSENTIMENTO DA GESTANTE

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O delito encontra previsão no art. 125 do Código Penal, nos seguintes termos:

Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:

Pena - reclusão, de três a dez anos.

Perceba que neste artigo o foco da penalização não é mais a gestante, e sim o agente que comete o aborto, neste caso, sem o seu consentimento.

Cabe ressaltar que o dissentimento (não consentimento) da ofendida é presumido quando ela é menor de 14 anos, alienada ou débil mental (art. 126, parágrafo único).

5.1.4.4 ABORTO PROVOCADO COM O CONSENTIMENTO DA GESTANTE

Encontra previsão no art. 126 do Código Penal e apresenta a seguinte redação:

Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante:

Pena - reclusão, de um a quatro anos.

Trata-se do chamado aborto consensual em que a vontade do terceiro coaduna-

se com a vontade da gestante. Observe interessante julgado:

TJPR, Recurso em Sentido Estrito: RSE 1233505 PR, DJ 13.06.2002

Quem cede o local para as manobras abortivas é partícipe direto na prática do aborto.

abortivas é partícipe direto na prática do aborto. 5.1.4.5 ABORTO QUALIFICADO O art. 127 do Código
abortivas é partícipe direto na prática do aborto. 5.1.4.5 ABORTO QUALIFICADO O art. 127 do Código

5.1.4.5 ABORTO QUALIFICADO

O art. 127 do Código Penal define que as penas cominadas para os delitos de

aborto provocado com ou sem consentimento da gestante são aumentadas de um terço se, em conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte.

Trata-se de crime preterdoloso no qual se pune o primeiro a título de dolo (aborto) e o resultado qualificador (morte ou lesão corporal grave) a título de culpa.

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As formas qualificadas são aplicáveis apenas aos delitos previstos nos arts. 125 e 126. Desta forma, não se aplica ao aborto praticado pela gestante (art. 124), uma vez que o Código Penal Brasileiro não pune a autolesão.

5.2 LESÕES CORPORAIS

O legislador penal, visando proteger a integridade física e fisiopsíquica da pessoa

humana, tipificou no art. 129 do Código Penal o crime de lesão corporal, nos seguintes termos:

da
da

Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:

Pena - detenção, de três meses a um ano.

Ocorre, entretanto, que o crime de lesões corporais possui outras figuras típicas além

supracitada. Desta forma, podemos resumir o assunto da seguinte forma:

TIPOS PENAIS DO CRIME DE LESÃO CORPORAL

LESÃO CORPORAL SIMPLES

Art. 129, caput

LESÃO CORPORAL PRIVILEGIADA

Art. 129, §§ 4º e 5º

LESÃO CORPORAL QUALIFICADA

Art. 129, §§ 1º, 2º, 3º e 9º

LESÃO CORPORAL CULPOSA

Art. 129, §§ 6º e 7º

PERDÃO JUDICIAL

Art. 129, § 8º

CAUSA DE AUMENTO DE PENA

Art. 129, § 10º

As lesões corporais classificam-se em:

LESÕES CORPORAIS GRAVES (em sentido amplo) Abrangem as lesões corporais graves (em sentido estrito) e gravíssimas (a expressão “lesões gravíssimas” não é legal, mas doutrinária). Ocorrem quando as lesões corporais resultam em:

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Lesões graves em sentido estrito 1. Incapacidade para as ocupações habituais por mais de trinta
Lesões graves
em sentido
estrito
1. Incapacidade para as ocupações habituais por mais de
trinta dias;
RECLUSÃO DE
01 A 05 ANOS
2. Perigo de vida;
3. Debilidade permanente de membro, sentido ou função;
4. Aceleração de parto:
Lesões
gravíssimas.
5. Incapacidade permanente para o trabalho;
6. Enfermidade incurável;
RECLUSÃO DE
02 A 08 ANOS
7. Perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
8. Deformidade permanente;
9. Aborto.

LESÕES CORPORAIS LEVES Ocorrem quando a lesão corporal não se enquadra nos casos acima apresentados.

LESÃO CORPORAL SEGUIDA DE MORTE Caracteriza o chamado crime preterdoloso, no qual temos a lesão corporal a título de dolo, e o resultado qualificador (morte) a título de culpa. Encontra previsão no parágrafo 3º do art. 129 do Código Penal:

Art. 129.

[ ]

§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo:

Pena - reclusão, de quatro a doze anos

5.2.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

SUJEITOS DO DELITO:

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1. SUJEITO ATIVO: É crime comum, podendo ser cometido por qualquer pessoa.

2. SUJEITO PASSIVO: É a vítima. A lei não exige nenhuma condição especial para que uma pessoa possa figurar no pólo passivo, salvo no que diz respeito a duas qualificadoras já apresentadas: a lesão corporal que acelera o parto ou que ocasiona aborto (neste caso, exige-se a condição de grávida).

ELEMENTOS:

1. OBJETIVO: É núcleo do tipo:

Ofender (a integridade corporal ou a saúde de outrem).

Observação: Independentemente do número de lesões, o agente responderá por um só crime de lesão corporal: ou leve, ou grave ou seguida de morte.

2. SUBJETIVO:

1.

O

(veremos mais à frente a lesão corporal culposa).

crime de

lesão corporal admite

dolo,

culpa

e

preterdolo

QUALIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA: É crime material, de dano, plurissubsistente e de forma livre.

CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1. Consuma-se com a efetiva ofensa à integridade corporal ou saúde física ou mental da vítima.

2. Admite-se a tentativa.

Observação: O STF já firmou entendimento de que é cabível a tentativa de lesão corporal grave, mesmo que a vítima não tenha sofrido qualquer ferimento. Exemplo: Imagine que Tício amarra Mévio em uma árvore e, com o intuito de amputar um braço, liga uma serra elétrica. Quando está a cerca de um centímetro do braço de Mévio, Tício é interrompido por um policial.

5.2.2 LESÕES CORPORAIS PRIVILEGIADAS

A figura típica encontra previsão no Código Penal, nos seguintes termos:

Art. 129. [

]

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§ 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor

social ou moral ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.

Do supra dispositivo legal, podemos verificar que o privilégio é cabível quando o agente:

1. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem por motivo de relevante valor social.

2. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem por motivo de relevante valor moral.

3. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem sob o domínio de violenta emoção, logo após injusta provocação da vítima.

Observe que já estudamos estas circunstâncias quando tratamos do homicídio privilegiado e, aqui, cabem os mesmos comentários.

5.2.3 LESÃO CORPORAL CULPOSA

A figura da lesão corporal culposa apresenta um tipo simples no parágrafo 6º do art. 129 e uma figura qualificada presente no parágrafo 7º. Observe:

Art. 129

§ 6° Se a lesão é culposa:

Pena - detenção, de dois meses a um ano.

§ 7º - Aumenta-se a pena de um terço, se ocorrer qualquer das hipóteses do art. 121, § 4º.

Do supra dispositivo, retira-se que se o agente comete a lesão corporal de maneira culposa, regra geral, poderá sofrer a penalização de detenção de dois meses a um ano.

Todavia, se o crime resulta de inobservância de regra técnica, profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato ou foge para evitar prisão em flagrante, caberá na sanção um aumento de pena de um terço.

5.2.4 PERDÃO JUDICIAL

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O parágrafo 8º do art. 129 do Código Penal deixa claro que se aplica ao crime de lesão corporal culposa o perdão judicial que analisamos ao estudar o homicídio culposo.

Assim, na lesão corporal culposa, pode o juiz deixar de aplicar a pena se as conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária.

Aqui cabe um importante questionamento: A lesão corporal culposa cometida no trânsito encontra-se prevista no art. 303 do Código Penal Brasileiro, e este não prevê a possibilidade de perdão judicial. Será possível a aplicação do perdão judicial previsto no Código Penal aos delitos no trânsito?

Segundo a jurisprudência majoritária, há sim esta possibilidade. Observe o julgado:

TJDF - APR: APR 125833220068070003 DF – DJ 13.05.2009

Não obstante a falta de previsão legal no código de trânsito do instituto do perdão judicial para os delitos de homicídio culposo e lesão corporal culposa, razões de política criminal, aliadas à hermenêutica justificada pelo princípio da isonomia e pela busca da pacificação social, tornam possível a aplicação da figura jurídica do perdão judicial aos crimes de homicídio culposo e lesão corporal culposa, praticados na direção de veículo automotor.

O perdão judicial vem a ser a clemência do estado quando deixa de aplicar a pena abstratamente prevista para o delito, em razão de as conseqüências do delito terem atingido o agente de forma tão grave, quer fisicamente, quer moralmente, que a imposição da penalidade se torne despicienda, ou seja, a dor sentida é mais expressiva do que eventual pena aplicada, já se consubstanciando, em si própria, uma penalidade a ser suportada.

em si própria, uma penalidade a ser suportada. 5.2.5 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA Nos termos do parágrafo 9º
em si própria, uma penalidade a ser suportada. 5.2.5 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA Nos termos do parágrafo 9º

5.2.5 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Nos termos do parágrafo 9º do art. 129, se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, aplica-se ao agente uma penalização de detenção de 3 (três) meses a 3 (três) anos.

§ 9 o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade:

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Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos.

Caso a violência doméstica resulte em lesão corporal grave ou seguida de morte, a pena deverá ser acrescida de um terço. Trata-se de causa de aumento de pena.

§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1 o a 3 o deste artigo, se as circunstâncias são as indicadas no § 9 o deste artigo, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço).

Por fim, cabe ressaltar que o parágrafo 11 do art. 129 definiu mais uma causa de aumento de pena que ocorrerá no quantitativo de um terço se o crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência.

§ 11. Na hipótese do § 9 o deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência.

5.2.6 AÇÃO PENAL NO CRIME DE LESÃO CORPORAL DOLOSA LEVE CONTRA A MULHER

Caro(a) aluno(a), recentemente tivemos uma decisão do STJ que serviu, de certa forma, para elucidar um tema que era muito debatido. Observe:

para elucidar um tema que era muito debatido. Observe: STJ, REsp 1.097.042/DF, DJ 24.02.2010 É necessária
para elucidar um tema que era muito debatido. Observe: STJ, REsp 1.097.042/DF, DJ 24.02.2010 É necessária

STJ, REsp 1.097.042/DF, DJ 24.02.2010

É necessária a representação da vítima de violência doméstica nos casos de lesões corporais leves (Lei n. 11.340/2006 – Lei Maria da Penha), pois se cuida de uma ação pública condicionada.

5.3 DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE

Caro (a) aluno (a), trataremos agora de uma espécie de crime contra a pessoa que é muito pouco exigida em CONCURSOS PÚBLICOS. Assim, para sua PROVA, basta um conhecimento básico dos delitos referentes aos crimes de periclitação da vida e da saúde, com exceção da omissão de socorro que exige um conhecimento mais aprofundado (veremos após o quadro). Vamos esquematizar:

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CRIME

CONDUTA

PENA

OBSERVAÇÃO

Expor alguém, por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a contágio de moléstia venérea, de que sabe ou deve saber que está contaminado.

sexuais ou qualquer ato libidinoso, a contágio de moléstia venérea, de que sabe ou deve saber

Detenção, de três meses a um ano, ou multa.

Forma qualificada:

 

Se é intenção do agente transmitir a moléstia:

PERIGO DE

 

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Obs.: Somente se procede mediante representação, ou seja, através de ação

CONTÁGIO

VENÉREO

(ART. 130)

penal

pública

condicionada.

PERIGO DE

Praticar, com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que está contaminado, ato capaz de produzir o contágio.

Reclusão, de um a quatro anos, e multa.

 
grave de que está contaminado, ato capaz de produzir o contágio. Reclusão, de um a quatro
 

CONTÁGIO DE

MOLÉSTIA

GRAVE

 

(ART. 131)

Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente.

Detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui

Causa

de

aumento

de

pena:

 
 

A

um sexto a um terço se a

pena é aumentada de

PERIGO PARA A VIDA OU SAÚDE DE OUTREM

(ART. 132)

exposição da vida

ou

da

crime mais grave.

saúde de outrem a perigo decorre do transporte de pessoas para a prestação

de serviços

em

 

estabelecimentos de qualquer natureza, em desacordo com as normas legais.

Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono

Detenção, de seis meses a três anos.

Formas qualificadas:

 

ABANDONO DE

Se do abandono resulta lesão corporal de natureza grave:

INCAPAZ

 

(ART. 133)

Pena - reclusão, de um a cinco anos.

 

Se

resulta a morte:

Pena - reclusão, de quatro

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    a doze anos.  
 

a

doze anos.

 

Causas de aumento de pena (aumentam-se de um terço):

1- Se o abandono ocorre em lugar ermo;

 

2-Se

o

agente

é

ascendente

ou

descendente,

cônjuge,

irmão, tutor ou curador da vítima.

3- Se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos

Expor ou abandonar recém- nascido para ocultar desonra própria.

Detenção, de seis meses a dois anos.

Formas qualificadas:

 

Se

do

fato resulta

lesão

EXPOSIÇÃO OU ABANDONO DE

corporal

de

natureza

   

grave:

 

RECÉM-

Pena - detenção, de um a três anos.

NASCIDO

(ART. 134)

Se resulta a morte:

 

Pena - detenção, de dois a seis anos.

Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina.

Detenção, de dois meses a um ano, ou multa.

Formas qualificadas:

 

Se

do

fato resulta

lesão

corporal

de

natureza

 

grave:

 

Pena - reclusão, de um a quatro anos.

MAUS-TRATOS

Se resulta a morte:

 

(ART. 136)

Pena - reclusão, de quatro

a

doze anos.

 

Causa

de

aumento

de

 

pena:

 

Aumenta-se a pena de um

terço se

o

crime

é

praticado contra menor de 14 anos.

pessoa

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5.3.1 OMISSÃO DE SOCORRO

Encontra previsão nos seguintes termos:

Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:

Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

Do supra dispositivo legal, podemos observar que a assistência tratada pelo legislador penal pode ser de duas formas:

1. Imediata Dever de prestação imediata de socorro;

Observação: A omissão imediata só ocorre quando é possível ao sujeito agir sem risco pessoal. Mas e se a vítima recusa o socorro? Mesmo assim existe crime, pois o objeto é irrenunciável.

2. Mediata Dever de pedir ajuda à autoridade pública.

5.3.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: É crime comum, podendo ser cometido por qualquer pessoa.

2. SUJEITO PASSIVO: Podem ser sujeitos passivos do crime de omissão de socorro:

Criança abandonada (pelos responsáveis);

Criança extraviada (criança perdida);

Pessoa inválida, ao desamparo, ou seja, sem possibilidade de afastar o perigo com suas próprias forças;

Pessoa em grave e iminente perigo;

Pessoa ferida, ao desamparo;

ELEMENTOS:

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1. OBJETIVO: São núcleos do tipo:

Deixar de prestar (assistência);

Não pedir (socorro).

2. SUBJETIVO: Dolo;

QUALIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA: É crime omissivo próprio, ou seja, é caracterizado pela simples conduta negativa do agente.

CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1. Consuma-se no momento da omissão.

2. Não se admite a tentativa, pois ou o sujeito não presta assistência e o delito está consumado, ou presta socorro à vítima.

TIPO QUALIFICADO

O tipo qualificado do crime de omissão de socorro encontra previsão no parágrafo único do art. 135. Veja:

Art. 135 [

Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.

]

5.4 DA RIXA

grave, e triplicada, se resulta a morte. ] 5.4 DA RIXA Entende-se por rixa o desentendimento,

Entende-se por rixa o desentendimento, a rivalidade, a disputa, a briga em que os participantes atacam-se corporalmente, sendo a agressão recíproca, mesmo que praticada de forma desproporcional.

Segundo a norma vigente, é a briga entre mais de duas pessoas, acompanhada de vias de fato ou violências físicas recíprocas, de modo que cada sujeito age por si mesmo contra qualquer um dos outros

contendores.

Cabe ressaltar que, para a caracterização de tal crime, faz-se necessário a participação de no mínimo três participantes, e que são, ao mesmo tempo, sujeitos ativos e passivos do crime. Incorre no crime de rixa não só o sujeito que participa diretamente do conflito, mas também o individuo que instiga, trata e combina, citando como exemplo

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aqueles que “marcam” encontro para as torcidas organizadas de futebol entrarem em confronto.

O crime de rixa encontra-se previsto no art. 137 do Código Penal, com a seguinte

redação:

Art. 137. Participar de rixa, salvo para separar os contendores:

Pena: detenção, de 15 (quinze) dias a 2 (dois) meses, ou multa.

O referido crime tem como objetividade jurídica a proteção da vida e da saúde física e

mental da pessoa humana.

A razão pela qual se iniciou o desentendimento, a disputa, as brigas, é irrelevante para a

caracterização do crime e o momento da participação pelo agente em nada importará. Assim, estará caracterizado o crime de rixa se o agente tiver dado inicio ao conflito, ingressado no seu curso ou dele sair sem que se tenha terminado.

Cabe ressaltar que, além das agressões físicas diretas entre os conflitantes, a luta pode ser realizada por meio de lançamento de objetos, o que muitas vezes acontece quando, por algum motivo, grupos acabam que se distanciando.

O crime de rixa consuma-se a com a prática das violências recíprocas, instante em que

há a produção do resultado e surge o evento dano. No referido crime, admite-se a tentativa, hipótese em que o crime somente não se consuma em razão de ser frustrado por outrem.

São elementos qualificadores do crime de rixa a lesão corporal grave e a morte.

Observe:

Art. 137. [ ]

Parágrafo único - Se ocorre morte ou lesão corporal de natureza grave, aplica-se, pelo fato da participação na rixa, a pena de detenção, de seis meses a dois anos.

A ocorrência de lesão corporal de natureza grave ou morte qualifica a rixa, respondendo

por ela inclusive a vítima da lesão grave. Mesmo que a lesão grave ou a morte atinja estranho não participante da rixa, alguém que passava no local, por exemplo, ainda assim se configura a qualificadora.

Quando não é identificado o autor da lesão grave ou homicídio, todos os participantes respondem por rixa qualificada; sendo identificado o autor, os outros continuam respondendo por rixa qualificada e o autor responderá pelo crime que cometeu em concurso material com a rixa qualificada.

A morte e as lesões graves devem ocorrer durante a rixa ou em conseqüência dela, não

podendo ser nem antes nem depois. Assim, se ocorrerem antes, não a qualifica simplesmente porque não foram sua conseqüência, mas sua causa.

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É indispensável, portanto, a relação de causalidade, isto é, que a rixa seja a causa do resultado (lesão grave ou morte). A ocorrência de mais de uma morte ou lesão grave não altera a unidade da rixa qualificada que continua sendo crime único, embora deva ser considerado na dosimetria penal às "conseqüências do crime".

O resultado agravado recairá sobre todos os que dela tomaram parte, inclusive sobre

eventuais desistentes. O participante que sofrer lesão corporal grave também incorrerá na pena da rixa agravada em razão do ferimento que ele próprio recebeu. Não é punição

pelo mal que sofreu, mas pela participação na rixa, cuja gravidade é representada exatamente pela lesão que o atingiu.

Observa-se, por fim, que no crime de rixa a ação penal é pública incondicionada, ou seja, não depende de queixa ou representação do ofendido.

5.5 DOS CRIMES CONTRA A HONRA

O Cap. V do Título I da Parte Especial do Código Penal Brasileiro trata “Dos Crimes

Contra a Honra”, definindo condutas delituosas do art. 138 ao 141.

Na definição de Victor Eduardo Gonçalves, a honra “é o conjunto de atributos morais , físicos e intelectuais de uma pessoa , que a tornam merecedora de apreço no convívio social e que promovem a sua auto-estima”.

O conceito de honra abrange tanto aspectos objetivos quanto subjetivos:

Objetivos Representam o que terceiros pensam a respeito do sujeito, ou seja, trata da reputação do indivíduo.

Subjetivos Representam o juízo que o sujeito faz de si mesmo, ou seja, seu amor- próprio.

Ao tratar dos crimes contra honra, o legislador penal definiu três espécies de delito. Vamos analisá-los:

5.5.1 CALÚNIA

Consiste em atribuir falsamente a alguém a responsabilidade pela prática de um fato determinado definido como crime. Encontra previsão no art. 138 do Código Penal:

Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

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Na jurisprudência, podemos encontrar a seguinte definição por parte do STF: “a calúnia pede dolo específico e exige três requisitos: imputação de um fato + qualificado como crime + falsidade da imputação” (RT 483/371).

A calúnia pode ser:

1. Explícita: Exemplo: Tício diz: “Mévio é procurado devido à prática de vários roubos”.

2. Implícita: Exemplo: Tício diz para Mévio em uma discussão: “Você pode até pensar isso de mim, mas não sou eu que sobrevivo às custas de dinheiro roubado dos contribuintes.” (Perceba que, implicitamente, Tício atribui a ocorrência de um fato delituoso a Mévio)

3. Reflexa: É o caso em que o caluniador, apesar de tratar de situação referindo- se a apenas um indivíduo, acaba caluniando dois. Exemplo: Tício diz que Mévio, juiz federal, só absolveu o réu porque foi subornado. Neste caso, o caluniador atinge não só o juiz, mas também o réu.

No crime de calúnia, a falsidade é o elemento normativo do tipo e pode ser

quanto:

1. À existência do fato (situação em que o agente narra fato sabendo que não ocorreu).

2. À autoria (situação em que o fato existiu, porém o agente sabe que a pessoa não foi a vítima).

Aqui podemos levantar um importante questionamento e, para isso, vamos voltar

alguns anos para a véspera considerado crime.

Imaginemos que Tício, nesta data, disse para Mévia, falsamente, que ela cometeu o adultério. Podemos afirmar que se trata de calunia?

A resposta é positiva, pois um fato falso, tipificado como crime, está sendo imputado

a alguém.

Ocorre, entretanto, que no dia seguinte o adultério deixa de ser crime. Neste caso, irá se manter o processo por calúnia?

A resposta é negativa. Nesta situação em que o fato deixa de ser crime, ocorre a desclassificação para a difamação ou mesmo torna o fato atípico.

A calúnia é crime formal e sua consumação ocorre no instante em que a imputação

chega ao conhecimento de terceira pessoa, independente do momento em que a vítima foi informada. A tentativa é admitida na forma escrita (escrito calunioso interceptado).

ser mais

do dia

em que

o adultério

passou

a

não

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Observação 01 O fofoqueiro também é punido!!! O parágrafo 1º do art. 138 define que na mesma pena atribuída à calúnia incorre quem, sabendo falsa a imputação, propala-a ou divulga-a.

Propalar é relatar verbalmente e divulgar é relatar utilizando outros meios (megafone, panfleto etc.). Visa o tipo do parágrafo 1º punir aquele que ouviu e espalhou, enquanto o caput visa o precursor da mentira.

Observação 02 Pode ir preso aquele que caluniar os mortos!!! O parágrafo

2º do art. 138 deixa claro que é punível a calúnia contra os mortos.

“Mas professor, como o morto vai ser sujeito passivo de um crime?”

Obviamente, nesta espécie de delito não é o morto que é o sujeito do delito, mas sim

o cônjuge, o ascendente, o descendente, enfim, aqueles que são titulares da

objetividade jurídica, que se reflete na honra dos parentes sobrevivos.

Observação 03

bastando para isso que PROVE o fato imputado a outrem!!! Trata-se da chamada exceção da verdade, situação em que o réu terá o direito de comprovar que o que disse é a mais pura verdade.

Imagine, por exemplo, que Tício diz a todos que Mévio roubou o carro de Caio e, devido a isso, é processado por calúnia. Caso Tício prove, através de filmagens das câmeras de segurança de uma loja, que o fato realmente ocorreu, atípica será sua conduta.

Assim, podemos afirmar que, regra geral, a exceção da verdade é admitida no crime de calúnia. Ocorre, todavia, que, segundo o parágrafo 3º do art. 138, nos seguintes casos não será admitida a exceção da verdade:

É possível que o sujeito

se livre do crime de calúnia,

1. Se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível;

Existem determinados crimes que atingem de uma maneira tão forte o íntimo do indivíduo que o estado transfere a este a titularidade para dar início e conduzir a ação penal. São os casos de ação penal privada.

Assim, imagine que Tício impute a Mévio um crime processado mediante ação penal privada. Neste caso, poderá Tício provar no Tribunal a ocorrência de tal fato?

A resposta é negativa, pois mesmo se o fato for verdadeiro, se a própria vítima preferiu não processar Mévio e manter o caso em silêncio, é mais do que correto que não se permita a um outro indivíduo (Tício) tornar o caso público através da exceção da verdade.

Cabe, por fim, ressaltar que a exceção da verdade poderá ocorrer caso já haja sentença penal irrecorrível.

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2. Se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art.

141;

Não é admissível a exceção da verdade no caso de calúnia proferida contra o Presidente da República ou contra chefe de governo estrangeiro.

3. Se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível.

Nos casos em que a própria justiça absolve o réu, não pode o caluniador querer provar que a decisão judicial foi errada.

Observação 04 É cabível a retratação!!! Retratar-se significa retirar aquilo que foi dito referente à determinada pessoa. Em linguagem clara, nada mais é do que o sujeito admitir que errou.

Nos termos do art. 143 do Código Penal, no caso da calúnia, o querelado que, antes da sentença, retrata-se cabalmente, fica isento de pena.

5.5.2 DIFAMAÇÃO

Consiste em atribuir a alguém fato determinado, ofensivo à sua reputação. Seria o caso, por exemplo, de Tício dizer que Mévio foi trabalhar embriagado. Encontra previsão no art. 139 do Código Penal:

Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

A calúnia se aproxima da difamação por atingirem a honra objetiva de alguém através

da

imputação de um fato, por se consumarem quando terceiros tomam conhecimento

de

tal imputação (crimes formais), por admitirem a tentativa na modalidade escrita e

por permitirem a retratação total, até a sentença de 1 a Instância, do querelado.

Porém, diferenciam-se pelo fato da calúnia exigir que a imputação do fato seja falsa e, além disso, que este seja definido como crime, o que não ocorre na difamação.

Assim, se Tício diz que Mévio foi trabalhar embriagado, pouco importa se tal fato é verdadeiro ou não, afinal, a intenção do legislador no delito de difamação foi deixar claro que as pessoas não devem fazer comentários desabonadores de que tenham conhecimento sobre essa ou aquela pessoa.

Quanto ao elemento subjetivo, o crime de difamação exige o DOLO e também que

a conduta detenha certo cunho de seriedade. Sobre este tema, observe o importantíssimo, interessantíssimo e recente julgado:

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STF, Inq 2.899/BA, DJ 23.03.2010

A consumação do delito de difamação exige um elemento subjetivo correspondente à vontade específica de macular a imagem de alguém (animus difamandi), o que não foi evidenciado na narrativa dos fatos. Assim, o cenário fático delineado nos autos denota que não houve o dolo específico de difamar RITA DE CÁSSIA PINHO.

Daí a conclusão de que, na esteira da melhor doutrina e da orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, o delito fica excluído quando a intenção for apenas de caçoar (animus jocandi), defender-se (animus defendendi), narrar (animus narrandi) ou criticar (animus criticandi).

Com efeito, é perceptível que a vontade do Querelado está desacompanhada da intenção de ofender, elemento subjetivo do tipo, vale dizer, praticou o fato com animus criticandi, pelo que não há que se falar em crime de difamação.

Nesse mesmo sentido, colaciona-se a seguinte decisão do Supremo Tribunal

CRIMES CONTRA A HONRA -ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO. -A intenção

dolosa constitui elemento subjetivo, que, implícito no tipo penal, revela-se essencial à

configuração jurídica dos crimes contra a honra. A jurisprudência dos Tribunais tem ressaltado que a necessidade de narrar ou de criticar atua como fator de descaracterização do tipo subjetivo peculiar aos crimes contra a honra, especialmente quando a manifestação considerada ofensiva decorre do regular exercício, pelo agente, de um direito que lhe assiste e de cuja prática não transparece o pravus animus , que constitui elementos essencial à configuração dos delitos de calúnia, difamação e/ou

Precedentes. Grifado -SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL -2ª Turma. Recurso

em Habeas Corpus nº 81750, relator Ministro CELSO DE MELLO, DJ de 10.08.2007.

injúria. (

Federal: (

)

).

DJ de 10.08.2007. injúria. ( Federal: ‘ ( ) ). Observação A exceção da verdade não
DJ de 10.08.2007. injúria. ( Federal: ‘ ( ) ). Observação A exceção da verdade não

Observação A exceção da verdade não é regra na difamação!!! Segundo o parágrafo único do art. 139, a difamação só admite a exceção da verdade se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. O fundamento desta possibilidade reside no resguardo da honorabilidade do exercício da função pública. Essa excepcionalidade da exceção da verdade ocorre porque na difamação é irrelevante se o fato é falso ou verdadeiro.

5.5.3 INJÚRIA

Consiste em atribuir a alguém qualidade negativa que ofenda sua dignidade ou decoro. Atinge a honra SUBJETIVA do sujeito. Assim, se Tício chama Mévio de ladrão, imbecil, burro, feio etc., constitui crime de injúria. Encontra previsão no art. 140 do Código Penal. Observe:

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Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:

Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

Perceba que na injúria não há ATRIBUIÇÃO DE FATO, mas de QUALIDADE NEGATIVA ao sujeito. Desta forma, se Tício diz: “Mévio roubou o carro de Caio”, temos o crime de calúnia. Todavia, se a frase é: “Mévio é ladrão”, temos o delito de injúria.

No que diz respeito ao elemento subjetivo, assim como na difamação, a injúria exige o dolo e que o agente imprima seriedade à sua conduta.

A injúria é crime formal e consuma-se no momento em que o ofendido fica sabendo da imputação de qualidade negativa. Assim como a calúnia e a difamação, é admissível a tentativa na modalidade escrita.

OBSERVAÇÃO:

Caso o fato seja cometido contra funcionário público em razão da função e na presença deste, trata-se de desacato, e não de injúria.

Cabe ressaltar que, para que exista a injúria, é irrelevante que a vítima tenha se sentido realmente ofendida, bastando que a atribuição negativa seja capaz de ofender.

Observação 01 O sujeito pode ser perdoado (perdão judicial)!!! Segundo o parágrafo 1º do art. 140, o juiz pode deixar de aplicar a pena:

1. Quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria: Seria o caso, por exemplo, em que Tício aplica uma “cantada” na esposa de Mévio e é por este injuriado.

2. No caso de retorsão imediata que consista em outra injúria: Exemplo:

Dicesar diz: “A Anamara é falsa”. Por sua vez, Anamara responde: “Você é que é falso e feio por dentro e por fora” (Espero que vocês não tenham perdido

continuar com o

tempo de estudo para assistir ao BBB 10 ou 11 que interessa!).

rsrs

Vamos

Observação 02 Injúria real!!!

violência (produz lesão corporal) ou vias de fato (comportamento agressivo, mas que não produz lesões) o agente age com a intenção de humilhar a vítima e, para estas situações, conhecidas como injúria real, o Código Penal prevê:

Existem casos

em que através

do uso

da

Art. 140[ ]

§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes:

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Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

Do supra dispositivo, é possível retirar que quando a injúria real é cometida mediante vias de fato, estas são absorvidas pelo delito de maior gravidade. Todavia, quando a injúria ocasiona lesão corporal, deve o agente responder pela injúria real e pelo crime de lesão corporal.

“Professor, dá para exemplificar?”

Claro que sim

Imagine que em uma festa, Mévia, ao encontrar a ex-namorada de

seu atual marido, rasga-lhe o vestido com o fim de gerar humilhação Neste caso, temos a injúria real devido a vias de fato.

Imagine, agora, que Tício fica atrás de uma árvore aguardando a passagem de sua sogra a fim de atirar-lhe excremento. Neste caso, também está caracterizada a injúria real.

Por fim, imagine que Tício, após derrubar Mévio com um chute, começa a cavalgar a vítima com intenção ultrajante. Neste caso, responderá Tí2cio pela injúria real e pelas lesões corporais.

Observação 03 Injúria qualificada!!! Encontra-se definida no art. 140, parágrafo 3º do Código Penal. Veja:

Art. 140.

[ ]

§ 3 o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência:

Pena - reclusão de um a três anos e multa.

Assim, a título de exemplo, se Tício chama Mévio, japonês, de “japa”, em tom pejorativo, responderá pela injúria qualificada.

Observação 04 É impossível a retratação!!! Isto ocorre, pois a injúria não se refere a fato, mas a qualificação negativa.

5.5.4

DISPOSIÇÕES

COMUNS

DOS

CRIMES

CONTRA

A

HONRA

5.5.4.1 FIGURAS TÍPICAS QUALIFICADAS

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Nos termos do art. 141 do Código Penal, as penas cominadas para todos os crimes contra a honra aumentam-se de um terço se qualquer dos crimes é cometido:

1. Contra o Presidente da República ou contra chefe de governo estrangeiro;

2. Contra funcionário público, em razão de suas funções;

3. Na presença de várias pessoas ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da injúria.

4. Contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência, exceto no caso de injúria.

Observação: Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa, aplica-se a pena em dobro.

5.5.4.2 CAUSAS ESPECIAIS DE EXCLUSÃO DA ANTIJURIDICIDADE

Conforme o art. 142 do CP, não constitui injúria ou difamação punível:

1. A ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador;

2. A opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando inequívoca a intenção de injuriar ou difamar;

3. O conceito desfavorável emitido por funcionário público em apreciação ou informação que preste no cumprimento de dever do ofício.

Observação: Nos casos 1 e 3, acima apresentados, responde pela injúria ou pela difamação quem lhe dá publicidade.

5.5.4.3 PEDIDO DE EXPLICAÇÃO EM JUÍZO

Imagine que Tício profere a seguinte declaração: “Maria é uma pessoa muito educada e sempre convida para que entrem em seu lar todos os que batem em sua porta. Que o diga o carteiro, o leiteiro, o açougueiro.”

Essa declaração pode ser interpretada com duplo sentido e, para estes casos em que ocorre dúvida ao intérprete quanto à real intenção da declaração, é cabível que se peça explicações em juízo. Observe:

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Art. 144 - Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou injúria, quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde pela ofensa.

5.6 DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE PESSOAL

Neste tópico, daremos uma atenção especial ao crime de constrangimento ilegal. Posteriormente, veremos as características que você precisa saber para concursos públicos referente aos outros delitos.

5.6.1 CONSTRANGIMENTO ILEGAL

O crime de constrangimento ilegal encontra previsão no art. 146 do CP, que apresenta a seguinte redação:

Art. 146 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda:

Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.

Para que reste caracterizado o delito, é essencial que seja ilegítima a pretensão do sujeito ativo, ou seja, que não tenha o direito de exigir da vítima a conduta almejada. Assim, a título de exemplo, caso Tício exija, mediante grave ameaça, que Mévio, torcedor do Palmeiras, vista a camisa do Corinthians e cante o hino do “Timão”, estará caracterizado o crime de constrangimento ilegal.

5.6.1.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: Pode ser qualquer pessoa (crime comum).

2. SUJEITO PASSIVO: Pode ser qualquer pessoa, desde que tenha capacidade de autodeterminação, ou seja, consciência e liberdade de vontade nas suas ações.

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ELEMENTOS:

 

1. OBJETIVO: É núcleo do tipo:

 
 

Constranger (mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência);

 

2. SUBJETIVO:

 
 

1. Dolo;

CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

 

1. Trata-se de crime material que se consuma no instante em que a vítima faz ou deixa de fazer alguma coisa.

2. É admissível a tentativa.

 

TIPO QUALIFICADO: Conforme o parágrafo 1º do art. 146, as penas aplicam-se cumulativamente e em dobro quando, para a execução do crime, reúnem-se mais de três pessoas ou há emprego de armas.

CAUSAS

DE

EXCLUSÃO

DE

TIPICIDADE:

Não

caracterizam o

constrangimento ilegal a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de seu representante legal, se justificada por iminente perigo de vida e a coação exercida para impedir suicídio.

5.6.2 AMEAÇA, SEQUESTRO OU CÁRCERE PRIVADO

CRIME

CONDUTA

PENA

 

OBSERVAÇÕES

 

Ameaçar alguém por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave.

Detenção, de um a seis meses, ou multa

Obs.

1:

A

ameaça é distinta do

constrangimento ilegal,

pois

enquanto neste busca-se uma atividade positiva ou negativa da

AMEAÇA

(ART. 147)

 

vítima, na ameaça o intuito é apenas o de atemorizar.

 

Obs. 2: A ameaça não se confunde com a “praga” ou o “esconjuro”.

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Assim, se Tício manda Mévio “ir para o inferno”, ou Tício conhece o caminho ou, obviamente, não há ameaça.

 

Privar alguém de sua liberdade, mediante

Reclusão, de um a três anos.

TIPOS QUALIFICADOS

 

A

cinco anos:

pena é

de reclusão,

de dois

a

seqüestro ou cárcere privado.

Obs. 1: Atualmente, a distinção entre sequestro e cárcere privado é irrelevante, pois a penalização aplicada é a mesma.

   

Se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro do agente ou maior de 60 (sessenta) anos;

Se

o

crime

é

praticado

mediante

internação

da

vítima em casa de saúde ou

hospital;

 

SEQUESTRO OU

 

Se a privação da liberdade dura mais de quinze dias.

CÁRCERE PRIVADO

Obs. 2: É possível a ocorrência do delito na forma omissiva, como no caso de deixar de por em liberdade o indivíduo que se restabeleceu de doença mental.

Se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) anos;

Se o crime é praticado com fins libidinosos.

A pena é de reclusão, de dois a oito anos:

   

Se resulta à vítima, em razão de maus-tratos ou da natureza da detenção, grave sofrimento físico ou moral.

5.7 DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DO DOMICÍLIO

moral. 5.7 DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DO DOMICÍLIO 5.7.1 VIOLAÇÃO DE DOMICÍLIO O art. 150

5.7.1 VIOLAÇÃO DE DOMICÍLIO

O art. 150 do Código Penal tipifica a seguinte conduta:

Art. 150 - Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências:

Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.

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A incriminação da violação de domicilio, segundo Damásio de Jesus, não protege a

posse, nem a propriedade. O objeto jurídico é a tranquilidade doméstica, tanto que não constitui crime a entrada ou permanência em casa alheia desabitada. Há diferença entre casa desabitada e casa na ausência dos seus moradores. Quando ausentes os moradores, subsiste o crime de violação de domicilio.

Bom, caro(a) aluno(a), estamos falando bastante do termo casa, mas qual a real abrangência desta palavra para o direito penal?

A importante resposta para este questionamento é encontrada no parágrafo 4º do

art. 150 do Código Penal, que discorre:

§ 4º - A expressão "casa" compreende:

I - qualquer compartimento habitado;

II - aposento ocupado de habitação coletiva;

III - compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade.

A fim de não deixar dúvidas, o legislador achou por bem definir no parágrafo 5º

casos que não se enquadram neste conceito:

§ 5º - Não se compreendem na expressão "casa":

I - hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação coletiva, enquanto aberta, salvo a restrição do n.º II do parágrafo anterior;

II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero.

5.7.1.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: Pode ser qualquer pessoa (crime comum).

2. SUJEITO PASSIVO: São os titulares do direito de admissão e proibição da entrada de alguma pessoa. Via de regra, em uma residência familiar, esta figura repousa nos cônjuges.

Assim, imagine que Mévio, namorado da filha de Tício (e “odiado” por ele), resolve entrar pela janela no quarto de seu grande amor, tendo o consentimento da menina. Neste caso, poderemos falar em violação de domicílio?

A resposta é positiva, pois adentrou a CASA sem o consentimento de quem detêm direito para permitir a entrada ou não de alguém.

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Agora, outra pergunta: Será que o marido permitiria a entrada em seu lar do amante da esposa? Essa eu vou deixar sem resposta, mas sobre este tema já se pronunciou o STF:

sem resposta, mas sobre este tema já se pronunciou o STF: O STF entende que não

O STF entende que não há crime na entrada do amante da esposa infiel no lar conjugal, com o consentimento daquela e na ausência do marido, para fins amorosos. (RTJ, 47/734)

Por fim, um último questionamento: Caso o proprietário de um imóvel alugado penetre na casa do inquilino, haverá o crime?

A resposta é POSITIVA, pois, como vimos, a tipificação da violação de domicílio não visa proteger a propriedade ou a posse, mas sim a TRANQUILIDADE DOMÉSTICA.

ELEMENTOS:

1. OBJETIVO: São núcleos do tipo:

Permanecer.

Entrar; e

2. SUBJETIVO:

1. Dolo;

2. Contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito.

QUALIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA: Trata-se de crime de mera conduta, pois o legislador penal apenas define o comportamento do sujeito, sem referência a qualquer resultado.

Quanto ao núcleo “entrar”, é crime instantâneo. Com relação ao núcleo “permanecer”, é crime permanente.

É, também, crime de formulação típica alternativa (entrar ou permanecer).

CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1. Trata-se de crime de mera conduta que se consuma com a entrada ou permanência.

Observação: Não constitui crime a entrada ou permanência em casa alheia ou em suas dependências:

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Durante o dia, com observância das formalidades legais, para efetuar prisão ou outra diligência;

A qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali praticado ou na iminência de o ser.

2. É admissível a tentativa.

TIPO QUALIFICADO

Qualifica-se o crime de violação de domicílio se este é cometido:

1. Durante a noite;

2. Em lugar ermo;

3. Com o emprego de violência ou de arma;

4. Por duas ou mais pessoas:

Para os supracitados casos, o Código Penal prevê uma pena de detenção, de seis meses a dois anos, além da pena correspondente à violência.

Ainda nos termos do CP, qualificando o delito, aumenta-se a pena de um terço se o fato é cometido por funcionário público, fora dos casos legais, ou com inobservância das formalidades estabelecidas em lei ou com abuso do poder.

5.8 DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DE CORRESPONDÊNCIA

Futuro(a) Aprovado(a), trataremos agora de uma espécie de delito para o qual basta um conhecimento básico das tipificações. Vamos esquematizar:

CRIME

CONDUTA

PENA

OBSERVAÇÃO

 

VIOLAÇÃO DE

Devassar indevidamente o conteúdo de correspondência fechada, dirigida a outrem.

Detenção, de um a seis meses, ou multa.

Causa

de

aumento

de

CORRESPON-

pena:

 

DÊNCIA

As penas aumentam-se de

(ART. 151)

   

metade se há dano para outrem.

 

SONEGAÇÃO OU

Apossar-se indevidamente de correspondência alheia, embora não fechada, e sonegá-la ou destruí-la no todo ou em parte.

 

DESTRUIÇÃO

Forma qualificada:

 

DE

Se

o

agente

comete

o

CORRESPON-

DÊNCIA

crime

função em serviço postal,

com

abuso

de

(ART. 151, I)

 

telegráfico,

radioelétrico

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Indevidamente,

divulgar,

 

ou telefônico:

transmitir

a

outrem

ou

Pena - detenção, de um a três anos.

utilizar

abusivamente

comunicação

telegráfica

ou

comunicação telegráfica ou

VIOLAÇÃO DE COMUNICAÇÃO TELEGRÁFICA,

radioelétrica

dirigida

a

terceiro,

ou

conversação

telefônica

entre

outras

 

pessoas;

RADIOELÉTRIC A OU TELEFÔNICA

(ART. 151, II, III E IV)

Impedir a comunicação ou a conversação referida acima;

Instalar ou utilizar estação ou aparelho radioelétrico sem observância de disposição legal.

Abusar da condição de sócio ou empregado de estabelecimento comercial ou industrial para, no todo ou em parte, desviar, sonegar, subtrair ou suprimir correspondência, ou revelar a estranho seu conteúdo.

Detenção,

de

 

três

meses

a

CORRESPON-

dois anos

DÊNCIA

 

COMERCIAL

(ART. 152)

5.9 DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DOS SEGREDOS

Caro(a) aluno(a), trataremos agora da última espécie de delito:

CRIME

 

CONDUTA

 

PENA

OBSERVAÇÃO

 

Divulgar alguém, sem justa

Detenção, de um a seis meses, ou multa.

Somente

se

procede

causa,

conteúdo

de

mediante representação.

DIVULGAÇÃO

documento particular ou de correspondência confidencial

DE SEGREDO

 

(ART. 153)

de

que

é

destinatário ou

detentor, e cuja divulgação

 

possa

produzir

dano

a

outrem.

 

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  Detenção, de 1 Somente se procede
 

Detenção, de

1

Somente

se

procede

(um)

a

4

mediante

representação,

Divulgar,

ou

definidas

contidas ou não nos

sistemas de informações ou

informações

reservadas, assim

em lei,

sem

justa

causa,

sigilosas

(quatro) anos, e

multa.

salvo

prejuízo

Administração

situação

penal será incondicionada.

quando

em

resultar

a

Pública,

ação

para

que

a

 

banco

de

dados

da

Administração Pública.

Revelar

alguém,

sem

justa

Detenção, de três meses a um ano, ou multa.

Somente

se

procede

causa, segredo de que tem

mediante representação.

VIOLAÇÃO DO SEGREDO PROFISSIONAL

ciência em razão de função,

ministério,

ofício

ou

 

profissão,

e

cuja

revelação

possa

produzir

dano

a

(ART. 154)

outrem:

- meses a um ano, ou multa.

Pena

detenção,

de

três

**********************************************************

6.1 CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO

6.1.1 FURTO

6.1 CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO 6.1.1 FURTO O furto é a subtração de coisa alheia móvel

O furto é a subtração de coisa alheia móvel com o fim de assenhoramento definitivo, ou seja, para se apoderar do objeto definitivamente. Com esta criminalização, visa o Código Penal proteger dois objetos jurídicos: a posse e a propriedade. O delito encontra sua previsão fundamental no art. 155 do Código Penal, nos seguintes termos:

Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Ocorre, entretanto, que o furto possui outras figuras típicas além da supracitada. Desta forma, podemos resumir o assunto da seguinte forma:

TIPOS PENAIS DO CRIME DE FURTO

TIPOS PENAIS DO CRIME DE FURTO

FURTO SIMPLES

Art. 155, caput

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FURTO PRIVILEGIADO (FURTO MÍNIMO)

Art. 155, § 2º

FURTO QUALIFICADO

Art. 155, §§ 1º, 4º, 5º

6.1.1.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: É crime comum, podendo ser cometido por qualquer pessoa. Todavia, há uma exceção a esta regra, pois o furto não pode ser cometido pelo proprietário do bem.

“Mas, professor, o fato de o proprietário do bem não poder cometer o crime de furto é óbvio, não é?”

Bom, mais ou menos

contrato de penhor o indivíduo, a fim de garantir uma dívida de R$30.000,00, dá ao credor um anel de ouro como forma de garantia. Próximo ao vencimento do contrato, sabendo que não poderia pagar o que devia, penetra na residência do credor e subtrai o anel. Neste caso, poderá o devedor responder pelo crime de furto?

A resposta é NEGATIVA, pois o art. 155 fala em “coisa alheia móvel” e, desta forma, o fato praticado pelo devedor não se enquadra na descrição típica do furto.

“Mas professor, quer dizer que ele não responderá por nenhum delito?”

Responderá sim, mas pelo crime definido no art. 346 do Código Penal que agora reproduzo a título de conhecimento:

Vamos exemplificar: Imagine que em um

Art. 346 - Tirar, suprimir, destruir ou danificar coisa própria, que se acha em poder de terceiro por determinação judicial ou convenção

2. SUJEITO PASSIVO:

É

a

pessoa física ou jurídica titular

incluindo a detenção, ou da propriedade.

da posse,

OBJETO MATERIAL: O objeto do furto é a coisa alheia móvel. Dito isto, vamos analisar alguns casos já exigidos em provas:

1. PESSOA VIVA Claramente, não pode ser objeto do furto, ou seja, ninguém responde pelo furto de uma pessoa viva, mas sim por seqüestro (art. 148), cárcere privado (art. 148) ou subtração de incapazes (art. 249).

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2. CADÁVER De maneira geral, também não pode ser objeto do furto, respondendo o agente pelo crime contra o respeito aos mortos. Todavia, quando o cadáver pertence a alguém, como no caso de ser utilizado por um centro de pesquisas médicas, pode ocorrer o furto.

3. A RES NULLIS (COISA DE NINGUÉM) E A RES DERELICTA (COISA ABANDONADA) Não podem ser objeto do furto, pois não se trata de coisa ALHEIA móvel.

4. OBJETOS DE VALOR ÍNFIMO (APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA) Regra geral, os objetos de valor muito pequeno, tal qual um alfinete ou um pequeno botão, não podem ser objeto do furto. Todavia, cabe ressaltar que objetos que têm valor sentimental, mesmo que sem valor econômico, podem ser objeto de furto.

Exemplo: Tício tem em seu armário um cadarço de um tênis que foi utilizado no dia em que ele correu sua primeira Maratona. O cadarço não tem nenhum valor em dinheiro, mas para Tício tem um grande valor sentimental. Neste caso, se for furtado, poderá o agente responder pelo crime.

ELEMENTOS:

3. OBJETIVO: É núcleo do tipo:

Subtrair O apossamento pode ser:

1. Direto Quando o agente, pessoalmente, subtrai o objeto.

2. Indireto Quando o agente utiliza algum meio para efetuar a subtração. Exemplo: animais adestrados.

4. SUBJETIVO:

2. Dolo;

3. A expressão “para si ou para outrem” Para a caracterização do furto não é suficiente que o agente queira utilizar o bem por poucos instantes. É preciso que aja com intenção de apoderamento definitivo (animus furandi).

OBSERVAÇÃO:

Para a caracterização do dolo, faz-se necessário que o agente tenha vontade de subtrair coisa móvel e, além disso, que saiba se tratar de coisa alheia. Caso suponha que o objeto seja próprio, trata-se de erro de tipo capaz de excluir o dolo e, portanto, a conduta delituosa.

CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

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3.

e

disponibilidade do sujeito passivo, ou seja, quando este não pode mais exercer as faculdades inerentes à posse ou propriedade do bem.

Sendo assim, pergunto: Imagine que em uma casa a empregada pega uma joia e coloca em seu bolso com o fim de levá-la para sua casa e vendê-la. Neste caso, o furto estará consumado somente quando a empregada sair da casa em que reside a dona do bem?

O

crime

é

consumado

quando

o

objeto

é

retirado