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A Terra e seus Movimentos. A Esfera Celeste

17

A TERRA E SEUS MOVIMENTOS. A ESFERA CELESTE

17.1 A TERRA

17.1.1 FORMA E DIMENSÕES. A ESFERA TERRESTRE

Primeiramente, o homem imaginou a Terra como uma superfície plana, pois era assim que ele a via. Como mencionado no capítulo anterior, mesmo os babilônios, que eram avançados em Astronomia, tinham essa concepção.

Com o correr dos tempos, descobriu-se que a Terra era aproximadamente esféri- ca. Embora a natureza esférica da Terra seja de conhecimento do homem comum apenas por um período de tempo comparativamente curto, esse conceito já era aceito pelos astrô- nomos há cerca de 25 séculos.

Figura 17.1 – Forma da Terra

há cerca de 25 séculos. Figura 17.1 – Forma da Terra Navegação astronômica e derrotas Na

Navegação astronômica e derrotas

Na realidade, a superfície que a Terra apresenta, com todas as suas irre- gularidades exteriores, é o que se deno- mina superfície topográfica da Terra e não tem representação matemática. Na tentativa de contornar esse problema, concebeu-se o geóide, que seria o sólido formado pela superfície do nível médio dos mares, supondo-o recobrindo toda a Terra, prolongando-se através dos conti- nentes (figura 17.1).

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A Terra e seus Movimentos. A Esfera Celeste

O geóide, entretanto, ainda não é uma superfície geometricamente definida. As-

sim, medições geodésicas precisas, realizadas no século passado e no início deste, estabe- leceram como a superfície teórica que mais se aproxima da forma real da Terra a do ELIPSÓIDE DE REVOLUÇÃO, que é o sólido gerado pela rotação de uma elipse em torno do eixo dos pólos (figura 17.2).

Figura 17.2 – Parâmetros do Elipsóide Internacional de Referência

– Parâmetros do Elipsóide Internacional de Referência O ELIPSÓIDE INTERNACIONAL DE REFERÊNCIA tem os seguintes

O ELIPSÓIDE INTERNACIONAL DE REFERÊNCIA tem os seguintes parâmetros:

– RAIO EQUATORIAL (SEMI-EIXO MAIOR)

a = 6.378.388,00 metros

– RAIO POLAR (SEMI-EIXO MENOR)

b = 6.356.911,52 metros

– ACHATAMENTO

a – b 21.476,05 1 = = = 0,003367 = a 6.378.388,00 297 – EXCENTRIDADE
a – b
21.476,05
1
=
=
= 0,003367 =
a
6.378.388,00
297
EXCENTRIDADE
e
a 2 –
b 2
=
= 0,0819927
a 2

Os parâmetros de outros elipsóides de referência podem ser encontrados no Apên- dice C, no final do Volume III deste Manual.

A diferença deste ELIPSÓIDE para uma SUPERFÍCIE ESFÉRICA é, porém,

muito pequena e, assim, a ESFERA é adotada como SUPERFÍCIE TEÓRICA DA TER- RA nos cálculos da Navegação Astronômica e em muitos outros trabalhos astronômicos.

A esfera terrestre pode ser considerada como possuindo um raio de 6.366.707,019

metros, o que lhe confere uma circunferência de 40.003,200 km, correspondentes exa- tamente a 21.600 milhas náuticas. Assim, 1 grau de Latitude equivale a 60 milhas náu- ticas e 1 minuto de Latitude a 1 milha náutica, conforme se usa em navegação.

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Navegação astronômica e derrotas

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17.1.2 PRINCIPAIS LINHAS, PONTOS E PLANOS DO GLOBO TERRESTRE

EIXO DA TERRA – é a linha em torno da qual a Terra executa o seu movimento de rotação, de Oeste para Leste (o que produz nos outros astros um MOVIMENTO APARENTE de Leste para Oeste).

PÓLOS – são os pontos em que o eixo intercepta a superfície terrestre. O PÓLO NORTE é o que se situa na direção da Estrela Polar ( URSA MINORIS); o PÓLO SUL é o oposto.

CÍRCULO MÁXIMO – é a linha que resulta da interseção com a superfície terrestre de um plano que contenha o CENTRO DA TERRA.

PLANO EQUATORIAL – é o plano perpendicular ao eixo de rotação da Terra e que contém o seu centro (figura 17.3).

Figura 17.3 – Plano Equatorial e Equador da Terra

-

17.3). Figura 17.3 – Plano Equatorial e Equador da Terra - EQUADOR: CÍRCULO MÁXIMO A MEIO

EQUADOR: CÍRCULO MÁXIMO A MEIO ENTRE OS PÓLOS

EQUADOR DA TERRA – é o círculo máximo resultante da interseção do plano equatorial com a superfície terrestre. O equador divide a Terra em dois hemisférios, o HEMISFÉRIO NORTE e o HEMISFÉRIO SUL.

Figura 17.4 – Círculo Máximo e Círculo Menor

CÍRCULO MENOR – é a linha que resulta da interseção com a superfície terrestre de um plano que não contenha o CENTRO DA TERRA (figura 17.4).

PARALELOS – são círculos menores parale- los ao Equador e, portanto, perpendiculares ao eixo da Terra. Seus raios são sempre menores que o do Equador (figura 17.5). Os paralelos materializam a direção E–W. Entre os paralelos distinguem-se o Tró- pico de Câncer, o Trópico de Capricórnio, o Círculo Polar Ártico e o Círculo Polar Antártico.

Navegação astronômica e derrotas

Trópico de Capricórnio, o Círculo Polar Ártico e o Círculo Polar Antártico. Navegação astronômica e derrotas

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Figura 17.5 – Paralelo ou Paralelo de Latitude

Celeste Figura 17.5 – Paralelo ou Paralelo de Latitude TRÓPICO DE CÂNCER – paralelo de 23º27'

TRÓPICO DE CÂNCER – paralelo de 23º27' de Latitude Norte, correspon- dente à Declinação máxima alcançada pelo Sol no Hemisfério Norte, no solstício de verão (no Hemisfério Norte), que ocorre a 21 de junho de cada ano.

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO – paralelo de 23º27' de Latitude Sul, corres- pondente à Declinação máxima alcançada pelo Sol no Hemisfério Sul, no solstício de inverno (para o Hemisfério Norte), que ocorre a 21/22 de dezembro de cada ano.

CÍRCULO POLAR ÁRTICO E CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO – paralelos de 66º33' de Latitudes Norte e Sul, respectivamente, que contêm os pólos da eclítica (órbi- ta descrita pelo Sol no seu movimento aparente de translação anual em torno da Terra). Em Latitudes superiores às dos círculos polares, o Sol permanece acima ou abaixo do horizonte por longos períodos, conforme a Latitude e a Declinação tenham o mesmo nome, ou nomes contrários, respectivamente. À medida que a Latitude cresce, tais perío- dos aumentam, até que, para um observador em um dos pólos (Latitude 90ºN ou 90ºS), o Sol permanece continuamente 6 meses acima e 6 meses abaixo do Horizonte.

MERIDIANOS – são os círculos máximos que passam pelos pólos da Terra (figura 17.6). Os meridianos marcam a direção N–S. O plano de cada meridiano con- tém o eixo da Terra, sendo por ele dividido em duas metades:

MERIDIANO SUPERIOR de um determinado lugar é a metade que con- tém os pólos e que passa pelo referido lugar (figura 17.7).

Figura 17.6 – Meridianos

EIXO DA TERRA
EIXO DA
TERRA

572

Figura 17.7 – Meridiano Superior e Primeiro Meridiano

q'

P n

DA TERRA 572 Figura 17.7 – Meridiano Superior e Primeiro Meridiano q' P n P s

P s

q

Navegação astronômica e derrotas

A Terra e seus Movimentos. A Esfera Celeste

MERIDIANO INFERIOR é a metade que se encontra diametralmente oposta. Na realidade, o termo MERIDIANO é normalmente aplicado ao MERIDIANO SUPERIOR, sendo o MERIDIANO INFERIOR denominado ANTIMERIDIANO.

PRIMEIRO MERIDIANO, MERIDIANO DE ORIGEM ou MERIDIANO DE REFERÊNCIA (figura 17.7) – é o meridiano tomado como origem para contagem das Longitudes. Conforme mencionado no Capítulo 16, adota-se como primeiro meridiano, por acordo internacional firmado no final do século XIX, o meridiano de Greenwich.

17.1.3 A POSIÇÃO NA TERRA. SISTEMA DE COORDENADAS GEOGRÁFICAS

Para localizar qualquer ponto na superfície da Terra, utiliza-se o Sistema de Coor- denadas Geográficas (Latitude e Longitude), que tem como planos fundamentais de referência o do EQUADOR e o do MERIDIANO DE GREENWICH.

Figura 17.8 – Sistema de Coordenadas Geográficas

. Figura 17.8 – Sistema de Coordenadas Geográficas AB: ORTODROMIA ENTRE OS PONTOS A E B

AB: ORTODROMIA ENTRE OS PONTOS A E B

LATITUDE DE UM LUGAR (o símbolo é a letra grega ) – é o arco de meridiano com- preendido entre o Equador e o paralelo do lu- gar. Conta-se de 0º a 90º para o Norte e para o Sul do Equador (figura 17.8). A Latitude deve ser sempre designada Norte (N) ou Sul (S), con- forme o lugar esteja, respectivamente, ao Norte ou ao Sul do Equador. Na figura 17.8, por exem- plo, a Latitude do ponto “A” deve ser designada “N”, pois o mesmo está ao Norte do Equador.

A COLATITUDE, elemento muito usado nos cálculos de Navegação Astronômica, é o complemento da LATITUDE do lugar, isto é, COLATITUDE = 90º – LATITUDE.

LONGITUDE DE UM LUGAR (o símbolo é a letra grega ) – é o arco do Equador, ou o ângulo no pólo, compreendido entre o MERIDIANO DE GREENWICH e o MERIDIANO DO LUGAR. Conta-se de 0º a 180º, para Leste ou para Oeste de Greenwich. A Longitude deve ser sempre designada Leste (E) ou Oeste (W), conforme o lugar esteja, respectivamente, a Leste ou a Oeste do meridiano de Greenwich. Na figura 17.8, a longi- tude do ponto “A” deve ser designada “W”, pois o mesmo está a Oeste do meridiano de Greenwich.

O quadro abaixo ilustra o Sistema de Coordenadas Geográficas

COORDENADAS

   

VALORES

SENTIDO DE

GEOGRÁFICAS

SÍMBOLOS

ABREVIATURAS

POSSÍVEIS

CONTAGEM

LATITUDE

Lat

0º a 90º

DO EQUADOR PARA N/S

       

DO MERIDIANO DE

LONGITUDE

Long

0º a 180º

GREENWICH PARA E/W

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Associados aos conceitos de Latitude e Longitude, é oportuno recordar as seguin- tes definições:

DIFERENÇA DE LATITUDE ENTRE DOIS LUGARES (símbolo ) – é o arco de meridiano compreendido entre os paralelos que passam por esses lugares. Para se obter a DIFERENÇA DE LATITUDE entre dois pontos, deve-se subtrair ou somar os valores de suas Latitudes, conforme eles sejam, respectivamente, de mesmo nome ou de nomes contrá- rios. Assim, por exemplo, a DIFERENÇA DE LATITUDE, entre o ponto “A”, situado sobre o paralelo de 30ºN, e o ponto “B”, situado sobre o paralelo de 45ºN, será de 15º. Ademais, costu- ma-se indicar, também, o SENTIDO da DIFERENÇA DE LATITUDE. Desta forma, dir-se- ia que a de “Apara B” é de 15ºN, ao passo que a de “Bpara A” seria de 15ºS.

LATITUDE MÉDIA ENTRE DOIS LUGARES (símbolo m) – é a Latitude cor- respondente ao paralelo médio entre os paralelos que passam pelos dois lugares. Seu va- lor é obtido pela semi-soma ou semidiferença das Latitudes dos dois lugares, conforme estejam eles no mesmo hemisfério ou em hemisférios diferentes (neste caso, terá o mesmo nome que o valor maior). No exemplo anterior, a LATITUDE MÉDIA entre os pontos “A” (Latitude 30ºN) e “B” (Latitude 45ºN) é:

30 o + 45 o

m =

2

40 o _ 12º

2

=

37,5º N = 37 o 30' N

A LATITUDE MÉDIA entre o ponto “C” (Latitude 40ºN) e o ponto “D” (Latitude 12ºS) será:

= 14º N

m =

DIFERENÇA DE LONGITUDE ENTRE DOIS LUGARES (símbolo ) – é o arco do Equador compreendido entre os meridianos que passam por esses lugares. A obtenção de seu valor é semelhante à da DIFERENÇA DE LATITUDE. Assim, por exemplo, a DIFERENÇA DE LONGITUDE entre “G” (Longitude 015ºW) e “H” (Longitude 010ºE) é de 025ºE.

Figura 17.9 – Apartamento e Diferença de Longitude

52 60
52
60

APARTAMENTO (ap) aparta- mento entre dois pontos é a distância, em milhas náuticas, correspondente à dife- rença de Longitude entre os dois pon- tos. Em outras palavras, apartamento é o comprimento, em milhas náuticas, do arco de paralelo subtendido entre dois meridianos, ou a distância, em milhas náu-

ticas, percorrida no sentido E–W, quando se navega de um ponto para outro da su- perfície terrestre. Em virtude da forma esférica da Terra, os meridianos conver- gem, à medida que a Latitude cresce, con- forme se verifica na figura 17.9. A DIFE-

RENÇA DE LONGITUDE entre os dois meridianos mostrados na figura é de 1º. No EQUADOR entanto, o apartamento entre eles é de

30 MILHAS NÁUTICAS

MILHAS NÁUTICAS

MILHAS NÁUTICAS

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60 milhas náuticas no Equador, 52 milhas no paralelo de 30º e 30 milhas no paralelo de 60º. Assim, o comprimento de 1 grau de Longitude (medido ao longo de um paralelo) decresce de 60 milhas náuticas, no Equador, até zero, nos pólos.

Enquanto isto, o comprimento de 1 grau de latitude (medido ao longo de um meridiano) é o mesmo em qualquer ponto da esfera terrestre, desde o Equador até os pólos. Como vimos, para os propósitos da navegação, tal comprimento corresponde a 60 milhas náuticas e, assim, 1 minuto de Latitude é igual a 1 milha náutica, em qualquer lugar da Terra.

Conforme será demonstrado no Capítulo 33, o apartamento (para distâncias de até 600 milhas) é igual à DIFERENÇA DE LONGITUDE multiplicada pelo cosseno da LA- TITUDE MÉDIA entre os dois pontos, ou seja:

ap = . cos m.

17.2 OS MOVIMENTOS DA TERRA

17.2.1 MOVIMENTOS VERDADEIRO E APARENTE

Figura 17.10 – Movimentos Principais da Terra

A TERRA GIRA EM TORNO DO SEU EIXO DE ROTAÇÃO, UMA VEZ POR DIA, DE
A TERRA GIRA EM TORNO DO SEU EIXO DE ROTAÇÃO, UMA VEZ
POR DIA, DE OESTE PARA LESTE.
A TERRA DESCREVE, NO PERÍODO DE 1 ANO, UMA ÓRBITA
ELÍTICA EM TORNO DO SOL, QUE OCUPA UM DOS FOCOS DA
ELIPSE (PRIMEIRA LEI DE KEPLER).

A VELOCIDADE ORBITAL DA TERRA VARIA, DE FORMA QUE

ÁREAS IGUAIS SEJAM VARRIDAS EM TEMPOS IGUAIS (SEGUNDA LEI DE KEPLER).

A VELOCIDADE ORBITAL É MÁXIMA NO PERIÉLIO E MÍNIMA NO

AFÉLIO.

Os movimentos principais da Terra (MOVIMENTOS VERDADEIROS) são os se- guintes (figura 17.10):

I – ROTAÇÃO em torno da linha dos pólos (EIXO DA TERRA), uma vez por dia. A rotação da Terra se processa de Oeste para Leste; e

II – TRANSLAÇÃO (OU REVOLUÇÃO) ao redor do Sol, uma vez por ano.

Navegação astronômica e derrotas

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Além desses movimentos principais, que nos interessam mais de perto em Navegação Astronômica, a Terra apresenta ainda os seguintes movimentos verdadeiros:

III – PRECESSÃO em torno do eixo da eclítica, com um período de 25.775 anos; e

IV – MOVIMENTO NO ESPAÇO, ou movimento com o Sol, através do espaço

sideral. O Sol não está fixo no espaço; desloca-se, arrastando consigo todo o sistema plane-

tário, na direção de um ponto – apex (q.v.) – situado na constelação de Lira.

A velocidade de rotação da Terra no Equador é de 900 nós (1.666,8 km/h), pois a

esfera terrestre, com uma circunferência de 21.600 milhas náuticas, completa um giro em torno do seu eixo em 24 horas.

A velocidade orbital média da Terra, no seu movimento anual de translação (ou

revolução) ao redor do Sol, é de cerca de 57.907 nós (ou, aproximadamente, 107.244 km/h).

A velocidade do movimento solar no espaço, ou seja, a velocidade do Sol com

relação às estrelas vizinhas, é de cerca de 19,5 km/s, ou 37.905 nós (70.200 km/h, aproxima-

damente).

A Terra, girando de Oeste para Leste, move-se no SENTIDO DIRETO; o sentido

contrário ao do movimento de rotação da Terra, isto é, o sentido Leste–Oeste, é denomi- nado SENTIDO INDIRETO ou RETRÓGRADO. O movimento verdadeiro de rotação da Terra faz com que os demais astros pareçam mover-se no firmamento de Leste para Oeste, nascendo no setor Leste, elevando-se através do céu até a passagem meridiana e se pondo no setor Oeste. Este movimento é denominado MOVIMENTO APARENTE.

Em Navegação Astronômica é conveniente retornar à TEORIA GEOCÊNTRICA DE PTOLOMEU (ver o Capítulo 16). Assim, utiliza-se sempre a noção de movimento aparente, isto é, considera-se a Terra estacionária, fixa no espaço, e todos os outros astros dotados de um movimento aparente de Leste para Oeste.

17.2.2 EFEITOS DO MOVIMENTO APARENTE. A ESFERA CELESTE

I – A Esfera Celeste (figura 17.11)

Figura 17.11 – A Esfera Celeste

CELESTE I – A Esfera Celeste (figura 17.11) Figura 17.11 – A Esfera Celeste 576 Navegação

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Navegação astronômica e derrotas

A Terra e seus Movimentos. A Esfera Celeste

As distâncias da Terra aos corpos celestes são tão grandes que podemos supô-los projetados na superfície interna de uma imensa esfera oca, de raio infinito, concêntrica com a Terra. Essa esfera aparente, de raio infinito, é denominada ESFERA CELESTE.

Assim, em Navegação Astronômica, considera-se a Terra uma ESFERA PERFEITA, estacionária, suspensa, fixa no centro do Universo, e todos os corpos celestes localizados na superfície interna de uma imensa esfera oca, de RAIO INFINITO, centrada no centro da Terra: a ESFERA CELESTE. Esta esfera aparente é dotada de um movimento de rotação de Leste para Oeste, perfazendo uma volta completa a cada dia, com seu eixo de rotação coincidindo com o eixo da Terra.

II – Linhas, Pontos e Planos da Esfera Celeste (figura 17.12)

Figura 17.12 – Linhas, Pontos e Planos da Esfera Celeste

Figura 17.12 – Linhas , Pontos e Planos da Esfera Celeste EIXO DE ROTAÇÃO DA ESFERA

EIXO DE ROTAÇÃO DA ESFERA CELESTE – é o eixo em torno do qual a Esfera Celeste executa o seu movimento aparente de rotação, de leste para oeste, perfazendo uma volta completa a cada dia. O eixo de rotação da Esfera Celeste coincide com o eixo da Terra.

PÓLOS CELESTES – são os pontos em que o eixo de rotação da Esfera Celeste intercepta sua superfície. Como o eixo de rotação da Esfera Celeste coincide com o eixo da Terra, os Pólos Celestes são as projeções dos Pólos Terrestres na superfície da Esfera Celeste. Então:

PÓLO NORTE CELESTE é a projeção do Pólo Norte da Terra na Esfera Celeste.

PÓLO SUL CELESTE é a projeção do Pólo Sul da Terra na Esfera Celeste.

EQUADOR CELESTE E PARALELOS DE DECLINAÇÃO:

EQUADOR CELESTE é o círculo máximo da Esfera Celeste perpendicular

ao eixo dos Pólos Celestes. É o Equador da Terra projetado na Esfera Celeste. O Equador Celeste é a referência para medições Norte–Sul na Esfera Celeste. Tal como no caso do

Navegação astronômica e derrotas

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A Terra e seus Movimentos. A Esfera Celeste

Equador da Terra, o Equador Celeste divide a Esfera Celeste em dois hemisférios, Hemisfério Norte Celeste e Hemisfério Sul Celeste.

PARALELOS DE DECLINAÇÃO ou CÍRCULOS DIURNOS são círculos

menores da Esfera Celeste, paralelos ao Equador Celeste.

MERIDIANOS CELESTES E CÍRCULOS HORÁRIOS:

MERIDIANO CELESTE é um círculo máximo da Esfera Celeste que contém

os Pólos Celestes e o Zênite de um ponto da Terra. Os Meridianos Celestes representam as projeções dos meridianos da Terra na Esfera Celeste, sendo, então, círculos máximos perpendiculares ao Equador Celeste.

CÍRCULO HORÁRIO é um círculo máximo da Esfera Celeste que contém os

Pólos Celestes e o centro de um astro. Assim, os CÍRCULOS HORÁRIOS são, também, círculos máximos perpendiculares ao Equador Celeste. Desta forma, um CÍRCULO HO- RÁRIO e um MERIDIANO CELESTE têm a mesma definição, sendo os MERIDIANOS CELESTES usados para referência de locais (posições do observador) e os CÍRCULOS HORÁRIOS para astros. A única diferença é que os CÍRCULOS HORÁRIOS deslocam- se com os astros, no seu movimento aparente em torno da Terra, enquanto os MERIDIANOS CELESTES permanecem fixos, formando uma espécie de gaiola, no interior da qual gira a Esfera Celeste, no seu movimento aparente de Leste para Oeste. Quando um observador se desloca, move-se de um meridiano para outro.

III – Movimento Diurno dos Astros

Os astros, em seus movimentos aparentes em torno da Terra, descrevem CÍRCU- LOS DIURNOS paralelos ao EQUADOR CELESTE, movendo-se de Leste para Oeste, conforme mostrado na figura 17.13.

Figura 17.13 – Movimento Diurno dos Astros

A B C D E
A
B
C
D
E

Nessa figura, os astros A e B têm Declinação Norte (N); por isso, descrevem CÍRCULOS DIURNOS ao Norte do Equador Celeste, isto é, no Hemisfério Norte Celeste. O astro C tem Declinação igual a zero; assim, seu CÍRCULO DIURNO é o próprio Equador Celeste. Os astros D e E têm Declinação Sul (S); portanto, descre- vem CÍRCULOS DIURNOS ao Sul do Equador Celeste, ou seja, no Hemisfério Sul Celeste. Como visto no item anterior, os CÍRCULOS DIURNOS são também denomina- dos PARALELOS DE DECLINAÇÃO, pois são círculos menores da Esfera Celeste,

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Navegação astronômica e derrotas

A Terra e seus Movimentos. A Esfera Celeste

paralelos ao Equador Celeste, correspondendo, na Terra, aos PARALELOS ou PARA- LELOS DE LATITUDE. Da mesma forma, conforme será explicado no próximo capítulo,

a Declinação de um astro na Esfera Celeste é a sua distância angular ao Norte ou ao Sul do Equador Celeste, correspondendo, assim, à Latitude na Terra (distância angular ao Equador Terrestre).

O aspecto do movimento aparente (movimento diurno) dos astros altera-se com

a posição do observador na superfície da Terra, pois, à medida que este se desloca, o seu

Horizonte Verdadeiro (círculo máximo da Esfera Celeste perpendicular à vertical do lugar, ou seja, à linha Zênite–Nadir) varia, modificando o aspecto do movimento diur- no dos astros. Examinemos, então, como o fenômeno seria observado de três posições dife- rentes do nosso planeta.

a. Observador em uma Latitude Qualquer (do Hemisfério Norte ou do

Hemisfério Sul)

Figura 17.14 – Esfera Oblíqua

Na figura 17.14, o observador em uma Latitude ( ) qualquer do Hemisfério Nor- te, voltado para o Norte, veria os astros nasce- rem no setor Leste, à sua direita, elevarem-se no céu até alcançar a altura máxima, na pas- sagem meridiana e se porem no setor Oeste, à sua esquerda. A altura do pólo elevado (Pólo Norte) seria igual à Latitude do obser- vador. O círculo diurno ou PARALELO DE DECLINAÇÃO descrito por qualquer astro, paralelo ao Equador Celeste, estaria incli- nado em relação ao Horizonte de um ângulo igual a 90º

O arco diurno seria diferente do arco noturno para todos os astros que tivessem nascer e pôr e cuja Declinação fosse diferente de zero. A Esfera Celeste denominar-se-ia ESFERA OBLÍQUA. Assim, denomina-se esfera oblíqua ao aspecto da Esfera Celeste quando observada de um ponto na superfície terrestre situado entre o Equador e os pólos.

Da figura 17.14 deduz-se que quanto mais próximo do pólo elevado estiver o astro, mais tempo será ele visível ao observador. No círculo diurno ou PARALELO DE DE- CLINAÇÃO descrito pelo astro A, estão marcados os pontos onde o mesmo nasce e onde se põe. Verifica-se, assim, que o arco diurno da estrela A (ou seja, a porção do seu para- lelo de declinação que está acima do Horizonte) é maior que o arco noturno (parte que está abaixo do Horizonte).

Certas estrelas, como a Polar, estão tão próximas do pólo elevado que nunca se põem, permanecendo sempre acima do Horizonte (só não sendo vistas durante o dia por causa da ausência de contraste, devida ao excesso de luminosidade). São as chamadas Estrelas Circumpolares. A estrela B, na figura 17.14, é um astro circumpolar. Para que um astro tenha esta condição, é necessário que sua Declinação ( ) seja de mesmo nome que a Latitude ( ) do observador e que tenha um valor igual ou maior que 90º _ , isto é, 90º

PÔR
PÔR

Navegação astronômica e derrotas

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A Terra e seus Movimentos. A Esfera Celeste

Assim como há estrelas que nunca se põem, há outras que nunca aparecem sobre o horizonte, como se pode ver na figura 17.14. A estrela POLAR, por exemplo, nunca é visível para os observadores situados no Hemisfério Sul. Para que um astro permaneça sempre abaixo do Horizonte, é necessário que sua Declinação ( ) tenha o nome contrá- rio à Latitude ( ) do observador e seja de valor absoluto igual ou maior que 90º _ , confor- me ocorre com o astro C na figura 17.14.

b. Observador no Equador

Neste caso, a Latitude do observador seria nula. Todas as estrelas, conforme se vê na figura 17.15, descreveriam paralelos de declinação (ou círculos diurnos) perpendiculares ao Horizonte local, pois o Equador Celeste seria perpendicular ao Horizonte Verdadeiro. Para cada estrela, o arco diurno seria igual ao arco noturno, isto é, qualquer estrela permaneceria 12 horas acima e 12 horas abaixo do Horizonte.

Figura 17.15 – Esfera Reta

LESTE PÓLO PÓLO SUL NORTE OESTE HORIZONTE EQUADOR CELESTE
LESTE
PÓLO
PÓLO
SUL
NORTE
OESTE
HORIZONTE
EQUADOR
CELESTE

Não haveria estrela invisível, pois todas nasceriam e se poriam diariamente, com movimentos perpendiculares ao Horizonte. O Pólo Norte coincidiria com o pon- to N do Horizonte e o Pólo Sul com o ponto S. A Esfera Celeste seria denominada ESFERA RETA. Assim, denomina-se esfera reta ao aspecto da Esfera Celeste quando observada de um ponto do Equador Terrestre. Nessa situação, os círculos diurnos aparentes dos astros estão em planos verticais perpendiculares ao plano do meridiano.

c. Observador no Pólo

O Zênite (Z) do observador coincidiria com o pólo elevado (N ou S) e sua Lati- tude seria igual a 90ºN ou 90ºS. O Horizonte do observador coincidiria com o Equa- dor Celeste e, assim, todos os astros descreveriam círculos diurnos (ou paralelos de declinação) paralelos ao Horizonte, conforme mostrado na figura 17.16. Do Pólo Norte, seriam avistadas continuamente todas as estrelas com Declinação Norte, como os astros A e B. Para o observador no Pólo Sul, as estrelas com Declinação Sul per- maneceriam sempre acima do Horizonte, como os astros D e E mostrados na figura. A Esfera Celeste seria denominada ESFERA PARALELA.

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Navegação astronômica e derrotas

A Terra e seus Movimentos. A Esfera Celeste

Figura 17.16 – Esfera Paralela

PÓLO NORTE EQUADOR CELESTE HORIZONTE PÓLO SUL
PÓLO NORTE
EQUADOR CELESTE
HORIZONTE
PÓLO SUL

17.2.3 EFEITOS APARENTES DO MOVIMENTO DE TRANSLAÇÃO DA TERRA. A ECLÍTICA

I – O Caso Especial do Sol. A Eclítica

Os dois movimentos verdadeiros principais da Terra, a rotação diária em torno do seu eixo e a translação (ou revolução) anual ao redor do Sol, fazem com que o movimento aparente do Sol tenha, além do seu componente diurno, um componente anual. Assim, o Sol, ao mesmo tempo que descreve seu círculo diurno (como conseqüência da rotação da Terra), nascendo a Leste e se pondo a Oeste, também percorre uma órbita aparente anual ao redor do nosso planeta, como efeito do movimento de translação da Terra.

Desta forma, enquanto todas as outras estrelas descrevem sempre aproximadamente o mesmo CÍRCULO DIURNO, o caso do SOL é diferente, pois sua Declinação se altera ao longo do ano.

Figura 17.17 – A Eclítica

OBLIQÜIDADE DA ECLÍTICA
OBLIQÜIDADE DA ECLÍTICA

Navegação astronômica e derrotas

Como o plano da órbita da Terra, no seu movimento de translação em torno do Sol, é inclinado com relação ao seu plano equatorial, no período de um ano a órbi- ta aparente do Sol em torno da Terra tam- bém será inclinada. Esta órbita aparen- te é denominada Eclítica (figura 17.17).

Portanto, Eclítica é o círculo má- ximo da Esfera Celeste descrito pelo cen- tro do Sol, em seu movimento aparente em torno da Terra (1 revolução = 1 ano). A Eclítica é inclinada em relação ao Equador Celeste. O valor desta inclina- ção é 23º 27' (ou, aproximadamente, 23,5º).

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A Terra e seus Movimentos. A Esfera Celeste

II – Pontos da Eclítica

A Eclítica tem dois pólos: o pólo norte ( ) e o pólo sul ( '). Além destes, a Eclítica

tem mais quatro pontos e dois diâmetros importantes:

PONTO VERNAL (Primeiro Ponto de Aries ou Equinócio de Março): é o pon-

to do Equador Celeste ocupado pelo Sol quando passa do Hemisfério Sul para o Hemis-

fério Norte Celeste (isto ocorre a 20 de março, aproximadamente).

PRIMEIRO PONTO DA LIBRA (Equinócio de Setembro): é o ponto do Equa-

dor Celeste ocupado pelo Sol quando passa do Hemisfério Norte para o Hemisfé- rio Sul Celeste (isto ocorre 6 meses após a passagem do Sol pelo Ponto Vernal, apro- ximadamente a 23 de setembro).

Esses dois pontos da Eclítica, representados, respectivamente, por e , estão de- fasados de 180º e a linha que os une (representando a interseção do plano do Equador Celeste com o plano da Eclítica) é denominada LINHA DOS EQUINÓCIOS.

SOLSTÍCIO DE VERÃO (para o Hemisfério Norte): assinala o ponto da Eclítica

ocupado pelo Sol quando está mais ao Norte do Equador Celeste (isto ocorre, aproxima- damente, a 21/22 de junho, quando o Sol alcança uma Declinação de cerca de 23,5º ao Norte

do Equador). Representado pelo ponto S1 na figura 17.17.

SOLSTÍCIO DE INVERNO (para o Hemisfério Norte): assinala o ponto da

Eclítica ocupado pelo Sol quando está mais ao Sul do Equador Celeste (isto ocorre a 21/22 de dezembro, aproximadamente, quando o Sol alcança uma Declinação de cerca de 23,5º ao Sul do Equador). Representado pelo ponto S2 na figura 17.17.

A linha que une S1 e S2 denomina-se LINHA DOS SOLSTÍCIOS. Os solstícios

estão a 90º dos equinócios e assinalam os pontos mais ao Norte e ao Sul alcançados pelo Sol em sua trajetória aparente ao redor da Terra.

III – Trópicos e Círculos Polares na Esfera Celeste

Figura 17.18 – Trópicos e Círculos Polares

^ ,
^
,
,
,

A Esfera Celeste, conforme se verifica na figura 17.18, está dividida por 5 importantes círculos paralelos, dos quais um é círculo máximo, o

Equador Celeste; os outros 4 são cír- culos menores e recebem as seguin-

tes denominações (do Norte para o Sul):

Círculo Polar Ártico, Trópico de Câncer, Trópico de Capricórnio e Círculo Polar Antártico.

Os Círculos Polares Ártico e

Antártico contêm, respectivamente, os pólos e ' da Eclítica. O Trópico de Câncer contém o solstício de verão (verão no Hemisfério Norte) e o Trópico de Capricórnio contém o solstício do inverno (inverno no Hemisfério Norte). Assim,

, W 23,5º (OBLIQÜIDADE DA ECLÍTICA)
,
W 23,5º (OBLIQÜIDADE
DA
ECLÍTICA)

582

Navegação astronômica e derrotas

A Terra e seus Movimentos. A Esfera Celeste

– TRÓPICO DE CÂNCER: é o PARALELO DE DECLINAÇÃO ou CÍRCULO DIURNO descrito pelo Sol quando este se encontra no SOLSTÍCIO DE VERÃO (ou, é o PARALELO DE DECLINAÇÃO de 23,5ºN, aproximadamente).

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO: é o PARALELO DE DECLINAÇÃO ou CÍR-

CULO DIURNO descrito pelo Sol quando este se encontra no SOLSTÍCIO DE INVER-

NO (ou, é o PARALELO DE DECLINAÇÃO de 23,5ºS, aproximadamente).

CÍRCULO POLAR ÁRTICO: é o PARALELO DE DECLINAÇÃO de 66,5ºN, aproximadamente, que contém o pólo norte ( ) da Eclítica.

CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO: é o PARALELO DE DECLINAÇÃO de 66,5ºS, aproximadamente, que contém o pólo sul ( ') da Eclítica.

17.2.4 CONSEQÜÊNCIAS DA PRECESSÃO TERRESTRE

A precessão terrestre é um movimento cônico do eixo da Terra em torno da linha dos pólos da eclítica. A Terra completa um ciclo precessional em cada 25.800 anos, apro- ximadamente, ou seja, o Pólo se move cerca de 50,28'' por ano. Este movimento não é comple- tamente circular. Variações na posição da Lua com relação ao Equador Terrestre e o efeito menor de outros astros causam ligeiras alterações no movimento precessional. O efeito combinado destas variações recebe o nome de NUTAÇÃO.

Podemos também definir NUTAÇÃO como sendo a parte irregular do movimen- to precessional.

Como conseqüências principais desses movimentos de precessão e nutação, po- demos, então, mencionar:

Figura 17.19 – Movimento Aparente e Precessão dos Equinócios

17.19 – Movimento Aparente e Precessão dos Equinócios POSIÇÃO DO PONTO VERNAL NO INÍCIO DO ANO

POSIÇÃO DO PONTO VERNAL NO INÍCIO DO ANO TRÓPICO POSIÇÃO DO PONTO VERNAL NO FINAL DO ANO TRÓPICO

a) Deslocamento do Ponto Vernal

O Ponto Vernal desloca-se sobre a Eclítica, no sentido retrógrado, de cerca de 50,28'' por ano (figura 17.19).

b)

Deslocamento dos planos funda-

mentais

Os planos do Equador e da Eclítica es- tão sempre em movimento lento no espaço; em conseqüência, variam as coordenadas equa- toriais e eclíticas de todos os astros, em geral.

c) Diferença entre o ano sideral e o

ano trópico

Denomina-se ANO SIDERAL o tempo gasto pelo Sol, no seu movimento aparente, para dar uma volta completa em torno da Terra. ANO TRÓPICO é o intervalo de tempo que decorre entre duas passagens consecutivas do centro do Sol pelo Ponto Vernal. Em conseqüência da retrogradação do Ponto Vernal, o ANO TRÓPICO é mais curto que o ANO SIDERAL de cerca de 20,4 minutos.

Navegação astronômica e derrotas

583

A Terra e seus Movimentos. A Esfera Celeste

d) Deslocamento dos pólos entre as estrelas

O movimento do pólo acarretará, com o decorrer do tempo, a substituição de uma estrela polar por outra. Atualmente, a estrela da URSA MENOR (figura 17.20) encontra-se a menos de 1º do Pólo Norte Celeste, sendo conhecida por ESTRELA POLAR. Por volta do ano 2102, esta distância angular ficará reduzida a aproximada- mente 28', e passará a aumentar desta data em diante. Portanto, a atual estrela polar norte continuará a sê-la por vários séculos, até que seja substituída, por exemplo, por do CEPHEUS no ano 4500. Já cerca do ano 14000, a polar será a estrela VEGA (figu- ra 17.21), e assim por diante.

Figura 17.20 – Deslocamento dos Pólos entre as Estrelas (Conseqüência da Precessão Ter- restre)

entre as Estrelas (Conseqüência da Precessão Ter- restre) Figura 17.21 – Precessão e Nutação e) Deslocamento

Figura 17.21 – Precessão e Nutação

Ter- restre) Figura 17.21 – Precessão e Nutação e) Deslocamento do Ponto Vernal nos signos do

e) Deslocamento do Ponto Vernal nos signos do Zodíaco

Será explicado no item que se segue (17.2.5).

f) Variação da duração das estações

Será abordada no item 17.2.6.

17.2.5 ZODÍACO

O Zodíaco é uma faixa do céu que se estende 8º para cada lado da Eclítica (figu- ra 17.22). É importante porque delimita as órbitas do Sol, da Lua e dos planetas usa- dos em Navegação. Vênus, contudo, ocasionalmente se aventura além dos limites do Zodíaco.

584

Navegação astronômica e derrotas

A Terra e seus Movimentos. A Esfera Celeste

Figura 17.22 – O Zodíaco

Movimentos. A Esfera Celeste Figura 17.22 – O Zodíaco O Zodíaco está dividido em 12 partes

O Zodíaco está dividido em 12 partes iguais, de 30º de Longitude, sendo uma para

cada mês. Cada uma de suas seções recebe o nome de uma constelação; são os chamados

12 signos do Zodíaco.

Os antigos, ao denominarem as seções do Zodíaco, usaram o nome das constelações que, na época, se encontravam parcial ou completamente dentro de cada seção. Entretan- to, em virtude da precessão terrestre, o equinócio de março tem retrogradado sobre a eclítica de cerca de 50,28'' por ano, o que faz com que o Ponto Vernal, já decorridos 2.000 anos, encontre-se presentemente na constelação de PISCES.

Para manter os signos originais, diz-se que o Sol atinge o primeiro ponto de ARIES quando cruza o equador a 20 de março, muito embora ele esteja realmente entrando em PISCES nesta época. Desta forma, todos os signos do Zodíaco se encontram atualmente deslocados de sua verdadeira posição. O Ponto Vernal ( ), que há 2.000 anos se encontra- va na constelação de ARIES, somente dentro de 25.775 anos, a contar daquela época, terá completado seu deslocamento através de todos os signos do Zodíaco e voltado, assim, a coincidir com o signo de ARIES.

17.2.6 ESTAÇÕES DO ANO E ZONAS CLIMÁTICAS

I – Estações do Ano

O Sol está mais próximo da Terra durante o inverno no Hemisfério Norte. As-

sim, não é a distância Terra–Sol a responsável pelas diferenças de temperaturas entre as diversas estações. No periélio a quantidade de energia solar que alcança a Terra é, natu- ralmente, maior que quando o nosso planeta está no afélio. Entretanto, por causa da pe- quena excentricidade da órbita (0,0167), o Sol está situado muito próximo do seu centro e, assim, a distância da Terra ao Sol varia muito pouco. Desta forma, a quantidade total diária de energia solar incidente sobre a Terra também varia pouco (até, no máximo, 3,33% da média diária do ano); o máximo diário de energia incidente sobre a Terra (cerca do dia 2 de janeiro, com a Terra no periélio) é apenas 1,07 vez a quantidade mínima, que ocorre com a Terra no afélio (no dia 5 de julho).

Navegação astronômica e derrotas

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A Terra e seus Movimentos. A Esfera Celeste

Figura 17.23 – Inclinação da Órbita da Terra

Na realidade, o clima na Terra apresenta diferentes estações por causa da OBLIQÜIDADE DA ECLÍTICA, isto é, devido à inclina- ção de cerca de 23º27' (aproximada- mente 23,5º) do PLANO EQUATORI- AL com relação ao PLANO DA ÓR- BITA da Terra (figura 17.23). Se o EIXO DA TERRA fosse perpendicu- lar ao plano de sua órbita, não existi- riam as diferentes estações, haven- do um clima uniforme, muito quente no Equador (onde os raios do Sol incidiriam sempre perpendicularmente) e muito frio nos pólos e nas altas Latitudes (onde os raios do Sol incidiriam sempre muito inclinados).

Em virtude da inclinação do plano equatorial com relação ao plano da órbita da Terra, a altura do Sol no céu e o seu período de permanência acima do Horizonte variam durante o ano.

de permanência acima do Horizonte variam durante o ano. Figura 17.24a – Raios do Sol no

Figura 17.24a – Raios do Sol no Verão

a
a

COMPARE AS SUPERFÍCIES COBERTAS PELA MESMA QUANTIDADE DE RAIOS INCIDENTES, NAS DUAS DIFERENTES ÉPOCAS

Figura 17.24b – Raios do Sol no Inverno

No verão (figura 17.24a), o Sol alcança uma altura mais elevada no céu, seus raios incidem mais na ver- tical (na zona tropical chegam a incidir perpendicularmente) e, por- tanto, de uma forma mais concentrada.

Além disso, como o Sol permanece mais tempo acima do Horizonte, é transmitido calor à Terra (por ab- sorção) durante um período maior do que ela perde calor (por radiação). Por isso, as temperaturas são mais elevadas.

No inverno (figura 17.24b), as alturas atin- gidas pelo Sol são mais baixas, seus raios incidem mais inclinados, de uma forma menos concentra- da (isto é, a mesma quantidade de raios do Sol cobre uma área maior da superfície da Terra). Ademais, como a permanência do Sol acima do Ho- rizonte diminui, a Terra perde mais calor por radiação do que ganha por absorção.

Esta é uma explicação sucinta das diferenças entre as estações do ano. Astrono- micamente, as estações começam nos equinócios e solstícios.

b SUPERFÍCIE
b
SUPERFÍCIE
JUNHO (INVERNO)
JUNHO
(INVERNO)

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Navegação astronômica e derrotas

A Terra e seus Movimentos. A Esfera Celeste

Figura 17.25 – A Velocidade Orbital da Terra é Máxima no Periélio e Mínima no Afélio

da Terra é Máxima no Periélio e Mínima no Afélio Pela segunda Lei de Kepler ,

Pela segunda Lei de Kepler, a velocidade orbital da Terra é maior pró- xima do periélio do que quando o nosso planeta está mais perto do afélio, a fim de que áreas iguais sejam varridas em tempos iguais (figura 17.25). Assim, o verão (astronômico) do Hemisfério Sul, que começa no dia 22 de dezembro, cerca de 2 semanas antes do periélio, é mais curto que o seu inverno, sendo a dife- rença de aproximadamente 4,5 dias. Além disso, em virtude da retrogradação dos equinócios, as estações do ano não são mais iguais, duas a duas.

Figura 17.26 – Estações do Ano no Hemisfério Sul

Na figura 17.26 estão representados o movimento aparente do Sol ao redor da Terra e as estações do ano no Hemisfério Sul. O centro do nosso planeta, neste caso, ocupa um dos focos da elipse descrita pelo centro do Sol.

O eixo maior, AP, desta elipse deno- mina-se LINHA DOS ÁPSIDES. Sua ex- tremidade P, mais próxima do centro da Terra, denomina-se PERIGEU, e a outra extremidade, A, mais afastada, APOGEU. O vetor TS (Terra–Sol) denomina-se RAIO VETOR DO SOL.

. O vetor TS (Terra–Sol) denomina-se RAIO VETOR DO SOL . Como vimos, a velocidade angular

Como vimos, a velocidade angular do Sol, no seu movimento aparente ao redor da Terra, é variável no decorrer do ano; é menor quando o Sol está no apogeu e maior quando ele passa pelo perigeu, para atender à segunda Lei de Kepler.

Há 2.000 anos, quando o ponto coincidia com o signo de ARIES, a linha dos solstícios (S1–S2) coincidia com a linha dos ápsides (A–P), fazendo com que a superfície limitada pela órbita aparente do Sol se apresentasse dividida em 4 áreas, iguais duas a duas, isto é, verão igual à primavera e outono igual ao inverno, no Hemisfério Sul. Como a cada uma destas áreas corresponde uma estação climática sobre a superfície do Globo Terrestre, e como a duração de cada estação corresponde ao tempo que o raio vetor do Sol gasta para descrever cada uma das quatro áreas acima mencionadas, segue-se que, há 2.000 anos, no Hemisfério Sul, por exemplo, o outono tinha a mesma duração do in- verno e a primavera a mesma duração do verão.

Hoje em dia, entretanto, devido à retrogradação do Ponto Vernal ( ) sobre a Eclítica, já não há mais coincidência entre a linha dos ápsides (A–P) e a linha dos solstícios (S1–S2), conforme mostrado na figura 17.26, daí resultando que as estações não têm mais durações iguais, duas a duas.

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A Terra e seus Movimentos. A Esfera Celeste

Com o decorrer do tempo, continuará a variar a duração das estações e somente se repetirão as igualdades verificadas há dois mil anos quando a linha dos equinócios ( ) vier a coincidir com a linha dos ápsides (A–P).

II – Zonas Climáticas

A parte da superfície do Globo Terrestre compreendida entre o TRÓPICO DE

CÂNCER

ZONA TÓRRIDA.

A zona limitada pelo CÍRCULO POLAR ÁRTICO e o PÓLO NORTE é denomi-

nada ZONA POLAR NORTE ou ZONA ÁRTICA.

A zona limitada pelo CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO e o PÓLO SUL é denomi- nada ZONA POLAR SUL ou ZONA ANTÁRTICA.

e o TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO é denominada ZONA TROPICAL ou

Entre as ZONAS TROPICAL e POLAR, estende-se a ZONA TEMPERADA.

Na ZONA TROPICAL os dias pouco divergem das noites em duração, sendo rigo- rosamente iguais na linha do Equador (esfera reta). O Sol culmina no Zênite todas as vezes em que a Declinação e a Latitude são de nomes iguais e de iguais valores numéri- cos. As estações pouco se diferenciam.

Nas ZONAS TEMPERADAS o Sol não culmina no Zênite em nenhum dia do ano, porque jamais a Declinação e a Latitude poderão ter valores numéricos iguais. As esta- ções são bem caracterizadas. A diferença de duração do dia e da noite pode ser considerável.

Nas ZONAS POLARES o Sol torna-se periodicamente um astro circumpolar visível ou invisível. O período durante o qual o Sol permanece acima do Horizonte cha- ma-se DIA POLAR. No Pólo Norte ou Sul, o dia polar deveria durar 6 meses e a noite polar os outros 6 meses. Em conseqüência do fenômeno do crepúsculo, a noite polar completa reduz-se a cerca de 4 meses somente, ficando o período em que há luminosidade (dia polar + duração do crepúsculo) com os 8 meses restantes.

O Sol, para um observador no Pólo Sul, aparece no Horizonte no primeiro dia da

primavera (23 de setembro, aproximadamente), permanecendo visível até o primeiro dia do outono (20 de março, aproximadamente), quando, então, desaparece abaixo do Hori- zonte, por um período de 6 meses.

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