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Tecnologia

Que venha o 4G

Cobertura de internet 4G entrou em funcionamento em 30 de Abril, nas cidades sede dos jogos da Copa das Confederações, e deve ser motivo para muitos novos negócios

Por Camila Luz e Mariana Campi

O que parecia impossível finalmente aconteceu: o Brasil fará parte do seleto grupo de países que já

utilizam o sinal de internet móvel 4G. No dia 04 de

abril, Paulo Bernardo, ministro das Comunicações, anunciou a chegada dessa tecnologia às mãos dos brasileiros ávidos por um sinal de internet digno de primeiro mundo.

Segundo o acordo feito entre as empresas de tele- comunicação e o governo, pelo menos metade da cobertura de 4G foi implementada até o dia 30 de abril. Em entrevista ao programa “Bom Dia Ministro”, Bernardo afirmou não ter duvidas de que as empre- sas conseguirão cumprir o prazo determinado de ex- pandir a nova conexão para todo o país até o início de 2014. As seis cidades que contam com a nova for- ma de conexão, por enquanto, serão apenas aquelas sede de jogos da Copa das Confederações, ou seja, Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro.

O que é?

Considerada a sucessora da 3G, a internet 4G di- ferencia-se pela maior capacidade de carregamen- to de dados, que é quase 10 vezes maior. Diferen- cia-se, ainda, pela maior velocidade – de quase 20 Mpbs (a conexão oferecida só chega até 14,4Mbps) - que possibilitará ao usuário utilizar novas aplicações multimídias, integrando em um mesmo programa áudio, vídeos, animação, entre outros. Os serviços de streaming, nos tablets e smartphones, também serão acessados com muito mais qualidade.

A chegada do 4G tende a revolucionar a maneira como os dados são transmitidos via internet móvel. Com o aumento da velocidade da transmissão de dados, as informações trafegarão de maneira mais rápida. Será possível baixar vídeos em alta definição em poucos minutos, ouvir músicas diretamente da internet sem interrupções e fazer teleconferências pelo celular com qualidade satisfatória.

Impacto

Durante o evento de lançamento do 4G, em São Paulo, Paulo Bernardo, ministro das comunicações, afirmou que o setor de telecomunicações será di- retamente impactado por esse aprimoramento, devido ao consequente aumento nas vendas de smartphones e planos 4G. Segundo ele, “no Brasil, a venda de aparelhos celulares de alta tecnologia cresceu muito nos últimos dois anos. Hoje, ficou fá- cil adquirir aparelhos como o Samsung Galaxy S2, o que acaba pedindo pelo uso do 3G. Agora, com o estabelecimento da internet 4G, esse mercado ten- de a se expandir ainda mais, tornando-se cada vez

Tecnologia Que venha o 4G Cobertura de internet 4G entrou em funcionamento em 30 de Abril,

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, fala sobre a implantação da tecnologia 4G durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro

mais lucrativo”. Segundo as estimativas da Anatel, o número de usuários do 4G passará de 4 milhões até o fim do ano.

Mas não é só de maneira individual que o 4G trará benefícios. Empresas também serão beneficiadas dessa nova tecnologia. Em primeiro lugar, ela pos- sibilitará a transferência de grandes quantidades de dados, de maneira rápida e eficaz, por meio de qual- quer equipamento, sugerindo ganhos na questão da mobilidade. Além disso, caso ocorra um problema com a rede de internet empresarial, o 4G pode ser utilizado como opção de backup imediato.

Para Bernardo, entretanto, a principal vantagem para as empresas é o fato de facilitar a comunicação e transmissão de dados entre a empresa física e suas equipes externas. As videoconferências serão facili- tadas, mas a companhia ganha ainda mais com a possibilidade de manter sua equipe constantemente conectada. De acordo com o repórter, “hoje, quanto mais rápido um problema é resolvido ou um traba- lho é executado, maiores são as chances de sucesso da empresa. Exige-se do trabalhador que ele esteja, a todo tempo, checando o caminhar de seus negócios e alargando a sua lista de contatos.

A questão financeira é tam- bém uma grande força mo- triz na causa do 4G. Com a necessidade de aparelhos específicos e a aquisição de planos pós-pagos, que come- çam por volta de cem reais em sua versão mais enxuta, a indústria da tecnologia mó- vel prevê a entrada de pelo menos um bilhão de reais até o final do ano.

Dificuldades

O brasileiro pode esperar, no que diz respeito aos entraves para utilizar a quarta geração de internet móvel, problemas relacionados ao alcance da rede e aos custos. Residentes de localidades mais afas- tadas enfrentarão, sem dúvidas, dificuldades para acessar a rede.

O presidente da “Claro”, Carlos Zantena, disse em entrevista ao jornal “Metro” que os membros das classes A e B deverão ser os primeiros a desfrutar do 4G. Isso ocorre, em partes pela necessidade de adquiri aparelhos que sejam compatíveis com essa rede. Tais aparelhos, infelizmente, configuram-se como os mais caros do mercado. Um aparelho cuja frequência possa ser utilizada com o 4G custa a par- tir de 2 mil reais.

As operadoras “Vivo” e “Claro” já disponibilizaram a internet ultraveloz em São Paulo, e em pouco mais de um mês desde o início das operações, registra- ram quase setecentas mil adesões a planos de inter- net 4G. Segundo matéria da Uol, o Parque do Ibira- puera e a avenida Fariam Lima foram os locais onde o 4G foi melhor sucedido, funcionando com maior velocidade. No entanto, foi possível observar que, para tarefas mais constantes e simples, como pu- blicar algo no Facebook ou Twitter, a velocidade foi parecida com a do 3G. Já para tarefas que exigem, por exemplo, baixar aplicativos ou arquivos mais pe- sados, o 4G a internet 4G foi mais rápida.

Outra questão que deve fazer o consumidor pensar antes de adquirir um smartphone que comporte o 4G é o fato de que, dessa vez, os aparelhos não po- derão ser importados de fora do Brasil, reduzindo o preço. No país, a faixa de freqüência que possibilita o uso dessa internet é a que vai de 2500 a 2600 Mhz. No exterior, a maioria esmagadora dos apare- lhos não é compatível com a rede móvel de quarta geração daqui.

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Lei do Bem?

Medida corta impostos de smartphones, mas o Brasil ainda precisa de políticas abrangentes para oferecer preços mais acessíveis ao consumidor

Por Mariana Lippi e Vinícius Bocato

U ma lei que promete cortar os impostos de celu- lares fabricados no Brasil parece algo vantajoso

para quem sonha há tempos com um smartphone. Assinado pela presidente Dilma Rousseff dia 9 de abril, o decreto baixa para zero a alíquota de PIS e Cofins em aparelhos com preço até R$ 1,5 mil.

Não se trata de uma medida isolada; o decreto na verdade inclui os smartphones na chamada Lei do Bem, que concede benefícios fiscais a empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento. A desone- ração acontece com alguns meses de atraso, já que Paulo Bernardo, ministro das Comunicações, havia prometido o corte para o Natal de 2012. “Queríamos no segundo semestre [de 2012], mas o TCU (Tribu- nal de Contas da União) estabeleceu novos critérios para questões de desoneração”, explica.

O ministro anunciou que os smartphones ficariam até 30% mais baratos, mas não é isso que o consumidor está vendo. Quase dois meses após a medida entrar em vigor, os preços caíram em média 10%. Em geral, os varejistas repassaram ao consumidor a desonera- ção de PIS/Cofins – a alíquota era de 9,25% –, mas a redução ficou por aí. Havia a expectativa de que mo- delos acima de R$ 1,5 mil (como o Nokia Lumia 920) baixassem os preços para se enquadrarem na deso- neração, mas não foi essa a estratégia das empresas.

As informações otimistas divulgadas antes da as - sinatura do decreto fizeram a cabeça de muitos consumidores. “Quando eu li sobre a lei na inter- net, até pensei que talvez fosse a hora de comprar um smartphone. Mas eu ainda não achei um com um grande desconto, que fizesse a compra valer a pena”, afirma a auxiliar de Relações Internacionais Aline Leonelo, de 24 anos. Já o pesquisador Pedro Lapera, de 31 anos, optou pelo Samsung Galaxy 3 Mini (R$ 999). “Na verdade eu nem sabia da de - soneração antes de chegar na loja, mas os preços me pareceram satisfatórios”, comentou Pedro, que também nunca teve nunca teve um smartphone.

Embalagens com selos de “imposto reduzido” já es- tão em anúncios das principais fabricantes de smar-

tphones, mas nem todas as empresas indicam quais modelos foram beneficiados pelo decreto. Nokia, Mo- torola, Sony e LG já apresentam o selo nos aparelhos que tiveram preços reduzidos. Já a Samsung afirmou que a diminuição de valor depende do varejo.

Exigências do Governo

Além do teto estipulado no decreto – R$ 1,5 mil para smartphones 4G e R$ 1 mil nos de tecnologia 3G –, ou- tros critérios são necessários para que os celulares se enquadrem na Lei do Bem. As exigências são: navega- dor de internet, e-mail, tela sensível ou teclado físico no padrão QWERTY, tela de até 18 cm² e parte das peças fabricadas no país, como estímulo à indústria nacional.

Entre os smartphones que sofreram redução, se des- tacam o Lumia 820 (Nokia), o Xperia S (Sony) e o Razr i (Motorola). Segundo Carlos Lauria, vice-diretor da divisão de smartphones da Abinee, as desonera- ções não só ajudam o setor como também tem seu caráter social, já que os preços reduzidos contribuem no combate à pirataria e com a inclusão digital.

Se por um lado os consumidores podem comemo- rar uma redução nos smartphones até R$ 1,5 mil, os dispositivos top de linha estão subindo a níveis preocupantes.

Por anos o teto dos aparelhos high end ficou em R$1.999, um preço bem incômodo, mesmo incluin- do impostos e margens de lucro. No entanto, lan- çamentos como o iPhone 5 e o Samsung Galaxy já começam na casa dos R$ 2.399, sendo vendidos até mais caros em grandes lojas de varejo.

“Não há nenhuma necessidade de desonerar pro- dutos muito caros porque eles já são destinados à parte da população capaz de comprar com ou sem a desoneração”, avalia Carlos Lauria.

A culpa é dos impostos?

Os brasileiros estão acostumados com os altos pre- ços de equipamentos eletrônicos (principalmente quando comparados aos valores em outros países, como Estados Unidos), mas ao contrário do que se

Lei do Bem? Medida corta impostos de smartphones, mas o Brasil ainda precisa de políticas abrangentes

pensa, muitas empresas lutam para baixar os preços desses equipamentos no Brasil.

“Gostaríamos de oferecer preços mais acessíveis ao consumidor, mas dependemos de muitos fatores. É necessária uma nova política tributária. Não cobrar impostos em cascata na nacionalização, mas criar uma taxa única, como o IVA, que existe em vários países com comercio exterior bem desenvolvido e in- centivado. Isso acarretaria uma mudança significativa no preço final de um produto, pois todos os demais impostos e custos alfandegários são calculados com esta base de valor”, analisa Daniel Ruggiero, diretor da importadora JP Tech.

Além do valor do produto, da marca atrelada a ele e da margem de lucro, a cadeia produtiva é muito cara. São gastos com transporte, liberação de car- ga, segurança, escolta, entre outros. Esse processo é consideravelmente mais lento no Brasil e gera a desvalorização dos produtos enquanto estão para- dos. “Precisamos de infraestrutura compatível com o tamanho de nossa economia e importância no ce- nário internacional de comercio. Isso inclui mais por- tos, aeroportos, estradas e rodovias específicas para transporte de cargas”, completa Daniel Ruggiero.

Em suma, desonerações do Governo são sempre bem vindas, mas o mercado de tecnologia precisa de políticas mais abrangentes no Brasil. Se o objetivo for oferecer preços justos ao consumidor e promover a inclusão digital em massa, é preciso mais do que o corte no PIS/Cofins.

Games, a indústria do futuro

Mercado de games movimenta bilhões de dólares pelo mundo e tem mais de 40 milhões de consumidores ativos no Brasil

Por Kaluan Bernardo e Nathalia Ruggiero

  • C all of Duty, Gran Turismo e Assassin’s Creed

...

tal-

vez você não conheça esses títulos, mas jogos de

videogame ocupam hoje uma posição de destaque na economia mundial, capaz de causar inveja às tra- dicionais indústrias do entretenimento.

De mera “brincadeira para criança”, os games atra- vessaram uma verdadeira revolução nas últimas três décadas e hoje são considerados peças-chave no desenvolvimento econômico.

“São produzidos jogos para diferentes idades e para uma série de públicos” declara o professor de Tecno- logia de Entretenimento da Universidade de Caner- gie Mellon, Jesse Schell. “Diversos gêneros de jogos foram desenvolvidos ao longo dos anos. Hoje em dia é possível encontrar uma diversidade capaz de agra- dar a todos os gostos – de partidas de baralho a si- mulação de corrida e vôo.”

De acordo com a Associação Comercial, Industrial e Cultural de Games (Acigames), 30% do público gamer já atinge a faixa etária de 50 anos ou mais. Um dado surpreendente, considerando a origem dos consoles em 1970 com o surgimento do Atari e Neogeo – que fizeram grande sucesso entre os jovens da época.

As gigantes Sony, Microsoft e Nintendo, não produ- zem só o jogo, mas também o console e, muitas

vezes , são responsáveis pelo desenvolvimento de acessórios, feitos para garantir uma experiência mais realista durante uma partida de videogame.

Em 2012 foram gastos US$ 25,1 bi com games – sendo US$ 2,94 bi em acessórios, US$ 6,29 bi em hardware e consoles, e US$ 15,9 bi em jogos.

Com crescimento anual significativo, a indústria de video-games é capaz de gerar mais de 120 mil em- pregos em pouco mais de três décadas. “É hora de ficar atento a essa nova indústria”, confirma Kevin Brady, membro do Congresso Americano de Tecnolo- gia e Entretenimento.

No Brasil

Em terras tupiniquins o crescimento segue rápido. O mercado de games aqui cresceu 32% entre 2011 e 2012, contra os 7% do resto do mundo, de acordo com pesquisa feita pela Acigames e NewZoo.

Ao todo, o mercado movimentou R$ 5,2 milhões no Brasil durante o ano de 2012. Não só os gastos com games aumentaram, como também o número de jo- gadores, que cresceu 15% nesse período, chegando a mais de 40,2 milhões de gamers ativos no país.

“O crescimento enorme dos tradicionais consoles impulsionaram quedas de preço e movimentaram a

Mercado bilionário

Com a conquista do grande público e a crescen- te demanda, as publishers alcançaram hoje não só estabilidade, como um faturamento antes não imaginado:

1º. Nintendo (Japão): US$ 20,6 bilhões 2º. Sony Computer Entertainment (Japão): US$ 10,7 bilhões 3º. Microsoft Games Studios (EUA): US$ 7,7 bilhões 4º. Activision Blizzard (França): US$ 5 bilhões 5º. Electronic Arts (EUA): US$ 4,2 bilhões 6º. Konami (Japão): US$ 3,2 bilhões 7º. Square Enix (Japão): US$ 1,46 bilhões 8º. Ubisoft (França): US$ 1,4 bilhão 9º. Take-Two Interactive (EUA): US$ 968 milhões 10º. THQ (EUA): US$ 830 milhões.

economia que, combinada com a popularização dos jogos online e mobiles, estão acelerando ainda mais o estabelecimento desse mercado”, diz Peter War- man, CEO da NewZoo.

E, diferente do que se pensa, aqui no Brasil video- game também não é apenas brincadeira de menino. Entre os jogadores brasileiros, 46% é do sexo femini- no e 36% está acima dos 30 anos.