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DISCIPLINA: INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO

ROTEIRO DE AULA

UNIDADE 1 Introdução à Ciência do Direito: Dogmática Jurídica

2) Evolução Histórica do Direito:

2.1) Introdução:

Neste roteiro de aula faremos uma breve passagem por alguns momentos importantes ao longo da história do direito, destacando os principais documentos que representaram uma evolução na conscientização e

reconhecimento do direito como uma ciência autônoma. Nesse breve estudo falaremos em tradições culturais particulares de cada época e de cada povo baseadas em rituais de resolução de conflitos formais ou informais, codificadas ou não, escritas ou não.

E para começar este estudo a 1ª informação a ser destacada é que o direito

ocidental surge na pólis grega e passa a se desenvolver de forma diferente na civitas romana, de acordo com as particularidades culturais e políticas de cada

povo, época e cultura.

2.2) Grécia:

O Direito grego possui uma grande importância no desenvolvimento do direito

ocidental. Geralmente considera-se a civilização romana como a matriz do direito moderno. No entanto, é na Grécia que ocorreu a revolução intelectual que gerou o conceito de um direito que valha de forma igual para todos os cidadãos. Para começar a contar esta história, voltaremos 4 mil anos no tempo:

O direito na Grécia desenvolve-se junto com a evolução da sociedade grega

daquela época. À medida que a cidadania naquela região ia se desenvolvendo

o direito passa a ser um dos elementos fundamentais da politeía, ou seja, da constituição legal da polis, em Atenas.

As principais transformações na evolução das regras de direito na Grécia ocorreram no que se denominou “transição do pré-direito ao direito”. O pré- direito era o direito arcaico, exercido pela realeza e pela aristocracia visando os

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seus interesses particulares. Não havia procedimentos de defesa e as leis estavam baseadas nas tradições. Elas eram passadas oralmente e somente um grupo restrito, que pertencia à aristocracia, tinha a prerrogativa de interpretá-las.

A partir do séc. VII a. C. o chamado pré-direito começou a ceder espaço,

lentamente, ao direito. Em meados desse século, numa cidade da ilha de Creta, pela primeira vez fixou-se por escrito uma decisão da comunidade.

Com isso, aos poucos a lei começa a ser escrita e passa a ser do conhecimento de todos, pois era escrita em uma pedra exposta em local público para que todos pudessem ter conhecimento.

Paralelamente à revolução intelectual que levou ao conceito de um direito que valha de forma igual para todos os cidadãos, ocorreu também a evolução política da polis, que se sustentou na organização das instituições jurídicas, sobretudo no caso de Atenas. Exemplo disso é que essa evolução política culminou com a democratização dos direitos dos cidadãos. Portanto, a base de democracia como conhecemos hoje está nesse modelo jurídico desenvolvido na Grécia.

Neste contexto, a partir do século VIII a.C. a Grécia viveu um processo totalmente novo do ponto de vista político. Durante os próximos 100 anos Atenas viveu um crescente período de aumento das prerrogativas políticas entre os homens livres, o que resultou na democracia, que era chamada de isonomia (a garantia de igualdade perante a lei).

A principal característica deste regime político era a instalação de um complexo sistema de circulação, rotatividade e controle do poder com o objetivo de evitar, desta forma, a concentração do poder, além de submetê-lo á vontade do povo. Assim, o poder passa a ser exercido em prol da coletividade.

O direito grego, portanto, desenvolve-se paralelamente a estas transformações

políticas. Ele será a base de sustentação deste processo de condução do poder nas mãos do rei com a comunidade formada pelos cidadãos, que passou a ter uma posição bastante participativa.

do poder nas mãos do rei com a comunidade formada pelos cidadãos, que passou a ter
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Contudo, apesar de toda esta evolução político-democrática, esse poder submetido à vontade pública em prol da maioria dos cidadãos ainda era restrito, pois não incluía os escravos, os estrangeiros e as mulheres.

Essa parcela excluída dos cidadãos continuava a ser cada vez mais explorada. O aumento do poder nas mãos da elite, que o utilizava em benefício próprio, ensejou uma grave crise social. Esta elite explorava os camponeses, cobrando impostos abusivos, fazendo com que eles passassem de arrendatários das terras que cultivavam para se tornar endividados, caindo na escravidão em razão das dívidas.

Essa grave crise acabou provocando um clamor geral por justiça. Os pensadores da época deram início à busca por princípio universal que pudesse regular o mundo, ou seja, um princípio de justiça que sustentasse a idéia de que as cidades deveriam ser regidas por normas que valessem para toda a sociedade.

Diante desta nova realidade os filósofos pré-socráticos procuraram definir o princípio da justiça universal. Ao mesmo tempo em que os intelectuais buscavam um princípio regulador do mundo, a cidade procurava regras que regulassem a vida dos cidadãos na polis.

E foi nesse processo de busca por regras reguladoras da vida em sociedade que o direito se desenvolveu como um mecanismo de garantia de equanimidade entre o Estado e os indivíduos lembrando que na Grécia Antiga estão incluídos aí apenas os homens considerados cidadãos, ou seja, excluindo-se as mulheres, escravos e estrangeiros.

Temos então o direito como mecanismo de garantia de igualdade.

Para concluir, devemos ressaltar que foi na Grécia que surgiram as primeiras noções de universalidade da justiça e de que o direito é coisa pública.

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2.3) Roma:

Toda a vida romana (sócio-política, econômica e o direito) foi marcada diretamente pelo sentimento religioso. A religião foi a base da constituição de sua sociedade e o alicerce de todo o ordenamento jurídico.

Todos os direitos da Antiguidade (de 4.000 A.C. até a queda do Império Romano) foram conseqüência direta da religião de seus povos. O direito era uma das faces da religião.

Os sacerdotes exerceram um papel importantíssimo na aplicação do jus civile nos primeiros tempos de Roma. Eles tinham um papel fundamental na aplicação da justiça através do jus civile, ou seja, o direito civil, uma modalidade do Direito Romano que vigorou até meados do séc. IV a.C.

O

jus civile era um misto de humano e divino. Jus = direito criado pelos homens

e

confundia-se com o Fas = direito divino, que era revelado pelos deuses por

meio de seus sacerdotes.

2.3.1) A Lei da XII Tábuas:

A 1ª revolução romana ocorre ainda no período da monarquia (753 a.C. a 510

a.C.) e é marcada pela remoção de autoridade política dos reis. A 2ª revolução

foi marcada por conquistas importantes da plebe que, liderada pela Tribuno da Plebe, demoliu costumes e leis patrícias (leis da aristocracia romana).

Após as duas primeiras conquistas da plebe, a sociedade romana segue crescendo economicamente e em complexidade o que, consequentemente, demandou maiores concessões por parte da elite.

Diante desta situação, os plebeus reclamaram por uma lei escrita, que os contemplasse em igualdade com os patrícios. Pressionado, o Senado decidiu enviar três de seus membros à Grécia para que estudassem as leis gregas. Ao retornarem a Roma, foi nomeada uma comissão de dez legisladores com a missão de redigir as desejadas leis.

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Assim, por volta dos anos 450 a.C. surge a Lei das XII Tábuas, a legislação que está na origem do direito romano e que foi, sem dúvida, a maior conquista

do povo romano na esfera jurídica.

O texto original se perdeu quando os gauleses invadiram Roma em 390 a.C., chegando aos nossos dias apenas fragmentos e citações por outros autores.

2.3.2)

Jurídico-políticas:

Fases

Históricas

da

a) Período Monárquico:

Civilização

Romana

e

suas

Instituições

Esta é a fase da Realeza, em que surgem algumas instituições político- jurídicas ainda muito vinculadas à existência de um Estado Teocrático. O cargo de rei assume o caráter de magistratura vitalícia. Assim, ele incorpora vários papéis, pois é ao mesmo tempo chefe político, jurídico, religioso e militar, ou seja, era o magistrado único e vitalício.

b) Período Republicano:

Na República as magistraturas passaram a ganhar mais prestígio. Elas deixam

de ser um cargo do rei e passam a ser representadas por dois cônsules, sendo

magistraturas únicas e vitalícias.

Na República as fontes do direito magistrados.

são o costume, a

lei

e os editos

dos

Nesse período também se destacam alguns dos maiores jurisconsultos e criadores de conceitos da „ciência jurídica romana‟. É neste período que estão também alguns dos maiores sistematizadores do direito romano, que mais tarde foram elevados à condição de fonte imutável do direito romano, no período justineu.

c)

Período do Império:

O

último período da história da civilização romana é o do baixo Império

(dominato), quando ocorre a cristianização do Império e também a decadência

romana é o do baixo Império (dominato), quando ocorre a cristianização do Império e também a
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política e cultural. A fonte de criação do direito passa a ser a constituição imperial.

2.4) Inglaterra e França:

O avanço da humanidade na conquista de novos direitos ultrapassou os séculos e chegou à Inglaterra. O reconhecimento dos direitos fundamentais do homem teve origem em documentos históricos que acompanharam essa busca pelo reconhecimento de direitos e garantia de liberdades.

a) Magna Charta Libertatum:

Os antecedentes mais diretos das declarações de direitos surgiram na Idade Média. A referência histórica da garantia dos direitos fundamentais é o pacto

firmado em 1215 na Inglaterra, entre o Rei João Sem Terra e os nobres, conhecido como Magna Charta Libertatum. Esse pacto nasceu das controvérsias entre o Rei e os bispos e barões ingleses. É considerado pelos estudiosos dos direitos humanos um marco na garantia de liberdades e limitação do poder do soberano, e tornou-se um símbolo das liberdades públicas.

b) Petição de Direitos (Petition of Rights):

Mais tarde, já no século XVII, foram as Declarações de Direitos ingleses que marcaram a ampliação da titularidade e do conteúdo das liberdades e privilégios nascidos na Idade Média, garantindo a liberdade individual dos cidadãos. A primeira delas foi a Petição de Direitos (Petition of Rights), de 1628, que consistia em um acordo entre o Parlamento inglês e o Monarca, em que era pedido a ele o reconhecimento de direitos para seus súditos, isto é, o efetivo cumprimento por parte do rei, dos direitos previstos na Carta Magna.

c) Habeas Corpus Act:

Anos mais tarde, o Habeas Corpus Act de 1679 teve particular importância na

supressão das prisões arbitrárias comandadas pelos déspotas do regime absolutista.

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d) Declaração de Direitos (Bill of Rights):

Por fim, a mais importante das Declarações, que foi a Declaração de Direitos (Bill of Rights), de 1689. Surgiu em razão da Revolução Gloriosa e a principal conquista foi a desvinculação da imagem do monarca da imagem divina, fazendo nascer, para

a Inglaterra, a monarquia submetida à soberania popular.

Este documento foi fonte de inspiração para a instauração das democracias liberais na Europa e na América, nos séculos XVIII e XIX.

e) Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão :

Sob a influência filosófica e ideológica do iluminismo, foi aprovada na França, em 1789, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, como resultado dos ideais liberais que culminaram com a Revolução Francesa, reconhecendo

e garantindo direitos e liberdades públicas.

Esse período foi marcado pela transformação do Estado Absolutista em um Estado Liberal, garantidor dos direitos individuais. Foi na Declaração Francesa que a universalidade dos direitos se manifestou pela primeira vez como ideal da pessoa humana, já que este documento tinha

como destinatário o gênero humano e não apenas o povo francês.

Foi, portanto, com as Revoluções Liberais do fim do século XVIII que os direitos fundamentais conquistaram o seu triunfo. Tais movimentos culminaram com a doutrina liberalista que afirmava serem estes direitos concebidos como liberdades, destinadas a assegurar a proteção dos indivíduos perante o poder do Estado. Deste modo, foi ao longo da história que nasceram as bases que consolidaram a teoria dos direitos fundamentais.

É a história que nos mostra que o direito foi influenciado pelas transformações

sociais, políticas, culturais e econômicas de cada época e que, em razão disso,

todos os documentos que consagraram as conquistas de cada época retratam

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a realidade de seu tempo. O direito esteve deste modo, sempre vinculado à realidade social, estruturando um conjunto de valores e regras.