PROVAS DE APTIDÃO PEDAGÓGICA E CAPACIDADE CIENTÍFICA
EXPRESSAMENTE ELABORADAS PARA EFEITOS DE ACESSO À CATEGORIA DE ASSISTENTE DE ACORDO COM O ARTIGO 53 DO ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE UNIVERSITÁRIA
OUTUBRO DE 2004
TRABALHO DE SÍNTESE
DESCRIÇÃO DO SISTEMA CONSTRUTIVO DA CASA BURGUESA DO PORTO ENTRE OS SÉCULOS XVII E XIX
Contributo para uma história da construção arquitectónica em Portugal
ELABORADO DE ACORDO COM O DISPOSTO NA ALÍNEA b) DO N.º 2 DO ART. 58 DO ESTATUTO DA CARREI RA DOCENTE UNI VERSI TÁRI A, NO ÂM BI TO DA PRESTAÇÃO DE PROVAS DE APTIDÃO PEDAGÓGICA E CAPACIDADE CIENTÍFICA
"(...) Deve analisar-se o que na nossa época está de acordo com as anteriores e o que se diferencia, no sentido material e espiritual. Por isso também se devem estudar as construções do passado, dando-lhes uma visão vital. Não só para lhes extrair a grandeza da escala arquitectónica e significado, mas também pelos resultados criativos próprios, devido ao facto de estarem ligadas a uma situação histórica."
Mies van der Rohe - Bases para a educação na arte de construir, titulo original Leitgedanken zur Erziehung in der Baukunst, publicado em Die Kunst der Struktur, de Werner Blaser de 1965.
ÍNDICE
1. APRESENTAÇÃO DO TRABALHO 1.1 Enquadramento temático e curricular 1.2 Objectivos 1.3 Metodologia e fontes de investigação 1.4 Estrutura 6 8 9 13
2. CONTEXTUALIZAÇÃO DO SISTEMA CONSTRUTIVO 2.1 Enquadramento histórico 2.1.1 Século XVII 2.1.2 Século XVIII 2.1.3 Século XIX 2.2 Breve caracterização da evolução tipológica das habitações 2.2.1 Século XVII 2.2.2 Século XVIII 2.2.3 Século XIX 14 15 16 19 23 24 26 27
3. ACERCA DO SISTEMA CONSTRUTIVO 3.1 Introdução 3.2 Prováveis origens 3.3 Factores que determinaram a sua evolução 3.3.1 Século XVII 3.3.2 Século XVIII 3.3.3 Século XIX 3.4 Algumas questões em aberto 3.4.1 Sobre os telhados 3.4.2 Sobre os desenhos das plantas das casas 3.4.3 Sobre as memórias descritivas 3.4.4 Sobre a pré-fabricação dos elementos construtivos 28 30 34 35 37 38 42 43 43 43
4. DESCRIÇÃO DO SISTEMA CONSTRUTIVO 4.1 ESQUEMA DA DESCRIÇÃO 4.2 MATERIAIS 4.2.1 Pedra 4.2.2 Madeira 4.2.3 Gesso 4.2.4 Cal 4.2.5 Areia 4.2.6 Argamassas 4.2.7 Metais 4.2.8 Elementos cerâmicos 4.2.9 Vidro 4.2.10 Tintas 4.2.11 Asfalto 4.2.12 Betumes 4.3 UNIDADES DE MEDIDA E DE PESO UTILIZADAS 4.4 ESTRUTURAS PRIMÁRIAS 4.4.1 Paredes de meação em pedra ou em tabique misto 4.4.2 Pisos ou sobrados 4.4.3 Estrutura do telhado 45 49 50 53 57 59 61 63 68 74 77 78 80 81 82 84 88 96
8.5.5 Escadas interiores 4. D.5.8.5.7.6 Clarabóias 4.3 Cachorros ou mísulas 4.8.8.8.6 CAIXILHARIAS EXTERIORES 4.1 Algerozes 4. de batente 4.5 ESTRUTURAS SECUNDÁRIAS 4.8.8.7 CAIXILHARIAS INTERIORES 4.7 Platibandas 4.6.1 Paredes de fachada em pedra 4.5.3 Janelas 4.5.4.5.5.8.8 ELEMENTOS SINGULARES 4.4 Cornijas 4.8.6.2 Portadas 4.8.7 Águas furtadas.2 Paredes de fachada em tabique 4.9 Rodapés e lambrins 4. Porto da Ordem dos Advogados Cronologia Glossário AGRADECIMENTOS 105 112 120 126 129 134 141 143 145 151 152 160 160 161 167 167 171 171 173 174 174 174 175 175 178 182 190 198 205 215 .6.5.7.1 Portas 4.7.4 Paredes da caixa de escadas 4. frestas e postigos 4.10 Varandas ou sacadas NOTA FINAL EM FORMA DE CONCLUSÃO BIBLIOGRAFIA ANEXOS Recuperação da cobertura do edifício sede do C.1 Portas 4.8 Óculos. trapeiras e mirantes 4.5 Chaminés 4.8 Marquises 4.2 Janelas de peito e janelas de sacada.2 Beirado 4.3 Paredes interiores de tabique 4.3 Janelas de peito de guilhotina 4.6 Gárgulas 4.
Este trabalho prático. registados em anos anteriores. por forma a dar-lhe um sentido mais operativo. no sentido de estabelecer relações e encontrar traços comuns. Estes exercícios de interpretação. desde o início. reflectido no crescente nível de qualidade do material produzido. à medida que os desenhos a rigor vão sendo elaborados a várias escalas. elaborando uma síntese com todo o material produzido nos últimos anos lectivos. O tempo de permanência deste trabalho no curriculum da disciplina tem proporcionado a criação de um património de conhecimento. decorrente das áreas urbanas seleccionadas. O desenho. através desta oportunidade. começa pela realização de um levantamento. sob a orientação do Prof. o primeiro que os estudantes efectuam de interpretação do sistema construtivo de uma obra arquitectónica.1 Enquadramento temático e curricular Foi. que conduzam à construção de regras e modelos. em termos de rigor de análise. nossa expressa vontade. Por coincidência. Manuel Teles e à qual estamos ligados desde há algum tempo a esta parte. constitui. a maioria dos exemplos estudados pertencem ao século XIX. trata da “Análise e investigação sobre o sistema construtivo da casa do Porto do século XIX”. tratar condignamente um tema que nos é particularmente caro e sobre o qual ainda muito existe por descobrir. tornando-o facilmente acessível aos estudantes de arquitectura ou de outras áreas disciplinares e criando uma fonte para futuros estudos mais aprofundados. e com alguma informação de natureza manualistica. os elementos da construção e os métodos ou processos construtivos. relativamente ao tema em questão. uma síntese da nossa experiência pedagógica. baseiam-se não só nos exemplos concretos em análise. nesta primeira fase e nas seguintes. reflexão e aprendizagem. realizar este trabalho sobre o tema de um dos exercícios práticos elaborados na cadeira de construção do segundo ano. Pretendemos. também por isso. APRESENTAÇÃO DO TRABALHO 1. 6 . o instrumento privilegiado de registo. mas também na comparação com outros exemplos análogos. investigação e interpretação. que tem vindo a adquirir alguma consistência e dimensão. baseado numa observação analítica e rigorosa sobre os materiais. Para tal tem contribuído a nossa persistência e o interesse dos estudantes. possíveis de classificar os materiais utilizados. O material de levantamento é objecto e motivo de várias interpretações. Este trabalho é.1. da casa de habitação corrente da cidade do Porto. O tema do exercício a que nos referimos. os elementos construtivos e o próprio sistema construtivo.
Neste sentido. Como exemplo de áreas abordadas temos: a zona envolvente da Avenida de Rodrigues de Freitas. em conjunto com as outras áreas disciplinares. Não é nossa intenção abordar de forma exaustiva uma qualquer particularidade do sistema construtivo das casas burguesas do Porto. Vítor. até ao primeiro troço da Rua do Almada e a zona envolvente dos Clérigos. pois é nesta habitação anónima. Faculdade de Arquitectura. bem como todos os outros realizados na disciplina de Introdução aos Sistemas Construtivos. para complementar e enriquecer as diversas análises de Projecto. Todavia. Tratamos da habitação corrente. 7 . Arriscamos assim aqui apresentar um trabalho de carácter genérico. Duque da Terceira. que é a arquitectura. 1 GUIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO . não fosse a singularidade do tema em estudo. 2003/2004. onde se idealiza e se constrói o essencial.FACULDADE DE ARQUITECTURA. preparar os estudantes para uma “actividade pluridisciplinar e transdisciplinar”1. burguesa. como o Desenho ou a Geografia. com o original e engenhoso sistema estrutural da gaiola pombalina. Duque de Saldanha. começando na Rua dos Clérigos. pelo menos directamente. tem como princípio. impulsionado por uma época marcada pelos novos valores da razão. o sistema construtivo da expansão Almadina. referente por exemplo à estrutura ou aos materiais utilizados. trazer algum contributo para o conhecimento dos materiais e das técnicas construtivas do passado. Falamos de sistema construtivo e não de sistemas construtivos. Ao contrário do que aconteceu em Lisboa na reconstrução da baixa após o terramoto. abrangendo as ruas de S. as zonas delimitadas para o nosso estudo têm sido definidas pela envolvente próxima da área de intervenção da disciplina de Projecto. passando pela Rua de Cedofeita até à Rua do Breyner. Universidade do Porto. pois consideramos que durante o período que nos propomos tratar não ocorreu nenhuma rotura significativa que rompesse com a tradição de construir no Porto. pelo menos para o caso da arquitectura portuense. a zona envolvente da Rua de Mouzinho da Silveira. mas antes fazer uma abordagem genérica sobre o sistema construtivo da sua arquitectura. em nada influência. que as questões da estética ou do estilo e as opções tipológicas ou funcionais estão mais próximas da essência dos materiais e das opções construtivas.Este trabalho. contribuindo deste modo. que vai originar todo um novo sistema construtivo das habitações. durante o período que nos propomos tratar. este sistema construtivo inovador. ou melhor.
Nascimento do consumo nas sociedades tradicionais (séculos XVII . económico e cultural. nossa intenção.º ano. entre os séculos XVII e XIX. político. o vocabulário das partes constitutivas das construções. Esta síntese deverá proporcionar uma reflexão sobre o entendimento da arquitectura do passado. Deste modo. 8 .2 Objectivos O objectivo principal deste trabalho é realizar uma descrição pormenorizada do sistema construtivo das habitações correntes do Porto. a “(. situada sobre uma perspectiva histórica. Editorial Teorema. todos se devem ligar. 2 ROCHE. a permanência e a universalidade dos materiais e das técnicas de construção da arquitectura do passado.. tornar a matéria abordada neste trabalho mais operativa. mas também a outros interessados no tema da construção da arquitectura em geral ou dos casos e das épocas tratadas em particular. História das coisas banais .XVIII). imprimindolhe um carácter didáctico e académico que possa ser útil não só aos estudantes. salientando os aspectos técnicos da construção. pois. que este trabalho contribua para demonstrar a intemporalidade. talvez demasiado pretensioso. o dos materiais e das técnicas de construção. reveladora de uma história social. Daniel..1. não descurando a unidade da tríade vitruviana. bem como o seu contexto social. devidamente fundamentada com novos elementos de outra natureza científica. É.”2 Por outro lado. baseada numa síntese sobre o material produzido num dos trabalhos práticos da disciplina de construção do 2.) morfologia da casa. é também nosso propósito.
a engenharia civil e a geografia. A primeira situa-se na abordagem à investigação histórica sobre a arquitectura.materializado nos trabalhos elaborados pelos alunos. e a experiência pedagógica daí decorrente. Sintetizando. mais recentemente. segundo duas componentes fundamentais e complementares de natureza teórica e prática. por considerarmos que estes documentos são os que nos fornecem a informação mais aproximada aos materiais e às formas de execução do nosso objecto de estudo. códigos de posturas. ligada à análise. embora preciosa. e em particular da cidade do Porto. consubstanciada na tratadística e na manualística. sendo por isso uma tarefa árdua coligir. orientada para o tema dos materiais e das técnicas construtivas da arquitectura em Portugal. encontra-se dispersa em documentos de várias origens: regulamentos. cruzar e organizar tanta informação.“Análise e investigação sobre o sistema construtivo da Casa do Porto do século XIX” . capaz de fazer a síntese de toda a informação (muitas vezes dispersa e contraditória). levando-nos a consultar vários documentos de origens e de áreas disciplinares muito diversas. cedo compreendemos que podíamos encontrar informação para responder às questões que iam surgindo em áreas tão distintas como a etnologia. produzida em todos estes anos. em termos metodológicos. Não deixando. A segunda decorre da nossa experiência prática. ou. por princípio e sempre que nos foi possível. poderiam estar directamente relacionados com o nosso objecto de estudo. de privilegiar a consulta de documentos que. As dúvidas e lacunas existentes criaram a necessidade de fundamentar este material com informação de natureza mais científica. decorrente do primeiro exercício prático realizado na disciplina de Construção do segundo ano . como são os tratados e os manuais de construção. a arqueologia. algumas teses de investigação. permitiu concluir o seguinte. o presente trabalho desenvolveu-se. pela sua natureza. Procuramos. De facto. vereações camarárias e em estudos que abrangem várias áreas do conhecimento. permitiram o desenvolvimento de uma consciência crítica. 1) A informação disponível. A necessária permanência do trabalho prático na disciplina.3 Metodologia e fontes de investigação O conhecimento adquirido pela nossa experiência pedagógica e laboratorial. realizado no estirador. muitas vezes contraditória. constituiu a principal fonte de informação para a realização deste trabalho. porém.1. basear a recolha de informação em documentos originários das épocas delimitadas no nosso estudo. seus materiais e sistemas construtivos e à produção teórica datada. A investigação que realizamos. ordenações reais. a história. levantamento e investigação do objecto de estudo in situ e do posterior trabalho de interpretação sobre o sistema construtivo de cada caso particular. 9 .
onde certamente poderíamos encontrar muita informação útil sobre os sistemas construtivos do passado. decorreram muitas consultas.2) Poucos estudos existem que abordem a arquitectura portuguesa sobre o ponto de vista da sua componente técnica. motivada pelo sentido pragmático da necessidade. Casas esguias do Porto e sobrados do Recife e Casas do Porto. muitas vezes. pois as complexas reacções químicas que ocorrem entre os seus compostos. 5) Os tratados de arquitectura e os tratados e manuais de construção. num ensaio intitulado Tratadística. Todavia. Itália. quer em tratados de arquitectura e engenharia. sendo por isso difícil avaliar o grau de influência que este tipo de documentos podem ter exercido sobre um sistema construtivo especifico. 10 . reunidos no livro Arquitectura tradicional portuguesa. ambos de 1957 e Telhados do Porto de 1959. o tratadismo. os tratados e os manuais de arquitectura e construção são. ou que problematizem as questões da arquitectura centradas na sua dimensão construtiva. encontramos a descrição mais completa. 3 Bernardo José Ferrão no seu estudo Projecto e transformação urbana do Porto na época dos Almadas.º2 de Maio/Junho de 1989. acreditamos que nesta mudança de século.sendo por isso difícil. Ensino e Arquitectura em Portugal (1500 . quer em manuais ou guias de construção. apresentam sempre soluções idealizadas. a arqueologia terá a oportunidade de demonstrar ser uma disciplina capaz de aportar um novo método de conhecimento mais humanista à arquitectura. faremos uma breve referência às obras que. publicado na revista Arquitectos n. ciência que durante muitos séculos actuou em harmonia com a arquitectura. com um novo fôlego. estabelecer analogias com o nosso contexto. a projectação e o exército à importância e à relação que tiveram os tratados e manuais na formação das primeiras escolas de arquitectura e engenharia civil em Portugal. como é o das casas do Porto. até à data. Por outro lado. A falta de meios impediu-nos de penetrar no campo da arqueologia. pois de síntese trata o âmbito desta prova. Esta temática virá a ser retomada mais tarde por este autor. directa ou indirectamente. De seguida. 4) As obras consultadas. França e Espanha . Nos ensaios de Ernesto Veiga de Oliveira e Fernando Galhano. como por exemplo de rebocos. 1758/1813. em Mesmo supondo que o sistema construtivo das casas do Porto teve a sua origem e evolução empírica. inviabilizam a sua rigorosa análise laboratorial. tiveram o seu contributo na realização do presente trabalho. Da investigação que realizamos aos documentos que apontamos na bibliografia. durante longos períodos de tempo. estão sempre referenciadas ao contexto onde foram escritas Inglaterra. que versam sobre o tema da história dos materiais e das técnicas da construção arquitectónica. dedica um capítulo sobre O ensino.1800). com todas as transformações que daí advêm. 3) Em Portugal nunca existiu grande tradição para registar os aspectos técnicos da construção da arquitectura. a partir da formação das primeiras escolas de arquitectura e engenharia Portugal3. o único meio para se determinar com rigor a composição de certo tipo de acabamentos antigos. traduzidas em leituras breves e outras mais atentas. sobre muitos aspectos.
constitui. como os realizados por Norman Davey8 e por Cecil Elliott9. Castro. 1992. Lisboa. A História da construção arquitectónica de António Villalba6 e o estudo dos materiais da construção histórica de Menicali7. I materiali dell’idilizia storica . de Lisboa. Barcelona. 9 ELLIOTT. As dissertações de doutoramento de Vitor Lopes dos Santos4 e de Jorge de Mascarenhas5. No tratado de Vitrúvio. da segunda metade do século XIX. como é o caso da obra de Eduardo Benvenuto10. 12 LEITÃO.Tecnologia e impiego dei materiali tradizionali. mas no sentido de encontrar nesta perenidade a essência da universalidade.embora sobre o ponto de vista da etnologia. La Nuova Italia Scientifica. Edicions UPC. constituindo por isso uma referência incontornável para a realização deste trabalho. introduziu-nos nesta vasta e interessante área disciplinar que é a história da construção arquitectónica. Vitor M. Guia do operário nos trabalhos publicos ou resolução de diversos problemas simplices e proprios dos mesmos trabalhos e dos de agrimensura com uma serie de tábuas para mais os facilitar. Manuel José Júlio. 2ª ed. O sistema construtivo pombalino em Lisboa em edifícios urbanos agrupados de habitação colectiva .K. 8 DAVEY. Cecil D. Umberto. dentro da mesma área. 1994. 1996. 1961.. Tese de dout.. Escola Central da Arma de Engenharia.XVIII. Outras obras. Imprensa Nacional. Luiz Augusto. U. A dissertação de doutoramento de Francisco Barata Fernandes sobre a Transformação e permanência na habitação portuense . que ainda permanecem. A. Lisboa. o estudo mais aprofundado e exaustivo sobre as tipologias de habitação corrente na cidade do Porto. ou por constituírem estudos mais aprofundados e abrangentes. tornando-se desta forma referências incontornáveis sobre esta matéria. Norman. do sistema construtivo das casas do Porto. em Arquitectura. 1896. Department of Civil Engeneering and Building. 7 MENICALI. A history of building materials.. 1992. 5 MASCARENHAS. enquanto primeira obra escrita de síntese disciplinar sobre arquitectura e construção. London. Tese de dout. London Phoenix House. Cambridge Mass. Estado Maior do Exército. por seu lado. que nos permitiu compreender melhor outras dimensões do nosso objecto de estudo. 6 VILLALBA. para a realização do nosso trabalho. Sansoni. Univ. procuramos encontrar as características dos materiais e as origens das práticas construtivas.As formas da casa na forma da cidade. Jorge Moraiji Dias. Nos manuais de construção da autoria de Manuel Guerra11 e Luiz Leitão12. Eduardo. 10 BENVENUTO. A study of the design and construction of the buildings in the pombaline quarter of Lisbon. encontramos a melhor síntese de um saber construir mais próximo do nosso 4 LOPES dos SANTOS. pela sua forma de abordagem clara e sucinta. embora por nós menos abordadas.estudo de um legado humanista da segunda metade do séc. La Scienza delle construzioni e il suo sviluppo storico. não só para estabelecer relações com as épocas em estudo. Roma.. 1867. Firenze. 1981. apresentada à University of Glamorgan. sobre o sistema construtivo dos edifícios pombalinos. Curso elementar de construções. merecem referência. Téc. 11 . Historia de la construccion Arquitectónica. V. 1996. Technics and architecture: the development of materials and systems for buildings. 11 GUERRA. embora com as devidas distâncias. serviram de modelo a uma aproximação metodológica. por se tratar de estudos pioneiros. segundo a tradução portuguesa de Helena Rua.
João Mateus16. de Oliveira Mascarenhas. Univ. tomando como ponto de partida. Uma visão crítico interpretativa à luz da ciência contemporânea. 2001. MATEUS. continuam o mesmo tipo de síntese. representando os últimos registos de algumas práticas construtivas históricas. Materiais de construção. Mota dos Santos.O seu contributo para a conservação de edifícios históricos. Eng. Univ. Tese de dout. SANTIAGO.samblagens tradicionais .tradição. Lisboa. o último registo sobre métodos tradicionais de construção praticados no nosso país: Trabalhos de carpintaria civil. durante as primeiras décadas do século XX. todos da colecção Biblioteca de Instrução Profissional. FIALHO de SOUSA. Tese de dout. Luís M. devidamente actualizada. Estudo dos materiais de construção de Vitrúvio até ao século XVIII. em Arquitectura. Cybèle Santiago17. Civil. Pedro Manuel. que embora publicados nos princípios do século XX. Tese de mest. em Conservação do Património Arquitectónico.caracterização construtiva e análise patológica. em Construção. Acabamentos das construções e Edificações. Téc. Téc. Richard Rietheimer18 e Paulo Ribeiro19. 12 . confirmam o crescente interesse de vários autores sobre diversos temas relacionados com a construção histórica. Construção tradicional em madeira . 13 14 15 16 17 18 19 Deste autor existem vários manuais de construção sobre diversos temas. Técnicas de Construção na Arquitectura Manuelina. 2001. editados pela Livraria Bertrand. num certo sentido. RIBEIRO. de Lisboa. Luís Figueira15.um ensaio sobre construção naval vs construção civil. Univ. Univ. da Silveira.contexto e das épocas tratadas. em Construção. de Lisboa. em História. Principios e técnicas tradicionais de construção de alvenarias na literatura técnica publicada entre 1750 e 1900 . 1999. FIGUEIRA. Richard Philipp. Estuques antigos . A estereotomia da pedra . Assim como nos vários manuais de João Segurado13. Cybèle Celestino. 1989. 2000. Embora sem um contributo efectivo para este trabalho. Lisboa. Évora. Tese de dout. Téc. Téc. de Coimbra. RIETHEIMER. ou de referência. João C. exemplos da Arquitectura portuguesa. 2000. Tese de mest. os recentes estudos de Pedro Fialho de Sousa14. que constituem. Alvenaria e cantaria. Univ. Tese de dout. persistência e continuidade em Portugal. Univ. Paulo M.
funcionais e estéticos da arquitectura. no primeiro capítulo. procurando enumerar os factores de ordem funcional e estética da sua arquitectura.na segunda parte. De seguida. revestimento e acabamento. elaboramos desenhos exclusivamente para o efeito. registando apenas o que foi e em parte ainda se mantém construído.4 Estrutura O trabalho divide-se em duas partes. por se tratarem das aproximações mais rigorosas para ilustrar a nossa descrição. 13 . centrada nas formas e nas técnicas de resolver a construção dos vários elementos da arquitectura. Para esta descrição seleccionamos os elementos principais que constituem a construção nos aspectos estruturais. correspondente ao quarto capítulo. o tema em estudo . Sempre que tal não foi possível. No segundo capítulo começamos por fazer uma contextualização histórica. Na descrição que fazemos. apenas apontamos as dimensões das peças que constituem os elementos principais das várias partes que compõem o sistema construtivo. que directamente influenciaram o seu sistema construtivo. Na segunda parte. enquadrando o tema em estudo no tempo e no espaço delimitados.o sistema construtivo das casas burguesas do Porto de entre os séculos XVII e XIX .1. por inexistência ou pela sua ausência de rigor dos desenhos. começamos por fazer uma descrição da história e das propriedades dos materiais que estão presentes no sistema construtivo das casas burguesas do Porto entre os séculos XVII e XIX. Relativamente à primeira parte. fazemos a apresentação do trabalho. fazemos a sua descrição exaustiva e pormenorizada. procurando encontrar as origens e os factores que determinaram a evolução do sistema construtivo do nosso objecto de estudo. estabelecendo assim correspondência com a nossa abordagem metodológica: na primeira parte fundamentamos. indicando em todos os casos os materiais utilizados. No terceiro capítulo fazemos uma incursão pelo campo específico da história dos materiais e das técnicas de construção da arquitectura. fazemos uma caracterização da evolução tipológica das casas do Porto. Estabelecemos uma hierarquia determinada pela importância estrutural destes elementos e sobre cada um descrevemos a forma como é construída a sua estrutura. pondo de parte a descrição das ferramentas e da organização do estaleiro. Recorremos aos trabalhos dos alunos. com base em diversas fontes. como é feito o seu preenchimento. dos últimos anos lectivos. De seguida fazemos a descrição propriamente dita do sistema construtivo.
VEIGA DE OLIVEIRA.) pela Arquitectura e seus materiais formativos podemos «adivinhar» com alguma segurança as vicissitudes da vida económica dos burgueses portucalenses (. De acordo com Ernesto Veiga de Oliveira "(. com as suas lojas no rés do chão.)" 20 2. remonta ao século XVII. mas antes.. que. Não é este o propósito central do nosso trabalho. acima de qualquer classificação determinista. GALHANO... Publicações D. económica e cultural.2..)” 21 Estes três séculos foram marcados por vários acontecimentos de ordem social. assim como chegou até nós e da qual é possível encontrar registos fieis. mais do que de qualquer tipo de classificação. Quixote. que se sabe estarem encadeados numa sequência lógica. Gabinete de História da Cidade. Vamos antes deter-nos sobre o quadro dos principais acontecimentos que determinaram a evolução urbana da cidade do Porto.. de que a casa burguesa do Porto. pois. assente numa separação por séculos do período a tratar. Rogério. mesmo nos bairros que correspondem ao núcleo medieval da cidade. 20 21 AZEVEDO. 14 . Porto. in Casas do Porto (século XIV ao XIX). repartida pelos três séculos tratados.1 Enquadramento histórico Uma das principais razões que nos levou a enquadrar este estudo entre os séculos XVII e XIX foi a tese. 1961.. Fernando. Casas do Porto in Arquitectura Tradicional Portuguesa. A metodologia de abordagem do nosso estudo. são edifícios dos séculos XVII. procurando encontrar relações de causa/efeito (se bem que nalguns casos elas sejam evidentes). 1992. de forma directa ou indirecta. Lisboa. e tanto as estreitas. como os grandes palácios aristocráticos. A nossa abordagem não irá situar-se numa análise exaustiva destes acontecimentos. XVIII e XIX (. Da sumptuária das casas do Porto. política. não pretendemos avançar com quaisquer hipóteses de separação dos factos apontados. que justifiquem a evolução histórica do nosso objecto de estudo. mais ou menos unanimemente aceite. contribuíram certamente para o desenvolvimento e evolução da casa burguesa do Porto e do seu sistema construtivo... Na abordagem histórica que fazemos. é este contexto que determina os principais factores internos que irão influenciar directamente o sistema construtivo das casas burguesas do Porto. Ernesto.) a grande maioria das casas hoje existentes. CONTEXTUALIZAÇÃO DO SISTEMA CONSTRUTIVO "(. registar a sequência dos factos históricos com base na metodologia de abordagem apontada para o estudo do sistema construtivo das habitações. constitui assim uma forma conceptual de orientação. na nossa opinião.
Porto. cuja localização coincide rigorosamente com as áreas onde então se construíam os novos edifícios religiosos e assistenciais . promovidas durante o domínio filipino. neste contexto que se consolida a tipologia da habitação burguesa ou mesteiral. Miragaia e Santo Ildefonso. A ocupação filipina não será de todo prejudicial ao Porto. o Colégio dos Órfãos.23 Na segunda metade deste século.1 Século XVII Por volta de finais do século XVI e princípios do século XVII o espaço dentro das muralhas e o dilatado pelos arrabaldes achava-se povoado de pequenos aglomerados de casas. onde abundavam árvores de fruto e até um pequeno poço.22 No início do século XVII. dir.e o reordenamento dos primeiros espaços públicos. conduzem à perda da independência de Portugal com Espanha. a Igreja das Carmelitas. (ii) melhora as condições de vida das classes superiores e (iii) realiza importantes reformas administrativas. nos finais do século XVI. Francisco. Idem. assente no aumento da produção agrícola. crescem de igual modo. por conseguinte. após a Restauração. graças à fixação de inúmeros comerciantes estrangeiros. no sentido de resolver a densificação urbana. Projecto e transformação urbana do Porto na época dos Almadas. alguns de tamanhos consideráveis. e na intensificação do comércio internacional. in História do Porto. Tempos modernos. a cidade não pára de aumentar intramuros e na periferia. Neste clima de desenvolvimento económico. não tendem a surgir novos pólos de urbanização.o Tribunal da Relação e Cadeia. verificando-se antes a densificação dos núcleos preexistentes: o interior da muralha atinge a saturação e os dois principais pólos urbanos exteriores à muralha. 15 . conducentes a um claro reforço do poder civil. das Hortas e da Batalha. Ibidem. quase duplicando a sua população. São elas: a construção de vários conventos e edifícios assistenciais exteriores e interiores à muralha (mas junto às suas Portas) . lança o país num novo período de alguma prosperidade. Porém.os rossios do Olival. constante no seu crescimento posterior. Edições da FAUP. 1985.2. principalmente ingleses. e ao início de um ciclo migratório das populações rurais da região portuense. Luís A.24 Apesar do significativo aumento da população e das construções ao longo deste século.2. indiciam o processo de desenvolvimento radial da cidade. decorrente da crise nacional e das consequentes revoluções internas que. reforçando assim o carácter de ruralidade desta paisagem. Bernardo José. a cidade do Porto atravessa um período de grande turbulência. o advento de uma política mercantilista. na sua totalidade quase todas com quintal ou enxido. obra já citada. de Oliveira Ramos. o Convento de São Filipe de Nery ou a Igreja de Santo Ildefonso . duas acções urbanísticas. 22 23 24 25 RIBEIRO DA SILVA. 1758/1813. 25 É. FERRÃO. pelo menos numa primeira fase: (i) promove obras que manifestam uma clara preocupação com a zona portuária e com o acesso fluvial à cidade. assim era designado.
a construção dos novos palácios urbanos dos altos dignatários eclesiásticos. 16 . e promove a criação de grandes companhias monopolistas. Almada tornar-se-á num importante instrumento da acção pombalina no norte. das quais se destaca a Companhia Geral das Vinhas do Alto Douro. que impõe progressivamente uma nova.27 Em 1755 ocorre em Lisboa um terramoto que destrói uma grande parte da cidade. 26 27 FERRÃO. Projecto e transformação urbana do Porto na época dos Almadas.29 Em meados deste século. Rui. Deste modo. introduzidos por Nicolau Nazoni. Bernardo José. assumindo a liderança do processo de transformação urbana portuense. Anni Günter. estabelece limitações ao comércio livre através de uma estrita regulamentação dos empréstimos a juro. NONELL. Salvat Editores. Assim se inicia um ciclo de grandes obras que irão acentuar a mudança de escala da cidade medieval: a remodelação do Palácio Episcopal. o contexto social. com uma marcada influência dos modelos italianos. in Atlas histórico de ciudades europeas. a construção da igreja e torre dos Clérigos. que será reprimido por um contingente militar comandado por João de Almada e Melo. obra já citada.1. a assinatura do tratado de Methuen com Inglaterra. TAVARES. da igreja da Misericórdia e das Ordens Terceiras. 1994. 1758/1813. em 1703. Barcelona. marcado por um aumento significativo da população. Será ainda neste período que começa a Guerra da Sucessão. primo direito do futuro marquês. 1758/1813. As grandes obras realizadas durante este período caracterizam-se pela requalificação barroca do espaço urbano. 29 Idem. permitem ao Porto ampliar a sua actividade económica como centro exportador da mais importante região vinícola portuguesa.2 Século XVIII O início do século XVIII traz uma alteração da situação financeira do país: por um lado a descoberta do ouro do Brasil. Centre de Cultura Contemporània de Barcelona. pela presença de uma burguesia formada e também de um grande número de estrangeiros. Daqui vai resultar o aumento do número e do poder económico da colónia inglesa residente na cidade do Porto. estabelecida no Porto em 1756. Bernardo José. vai determinar que as autoridades locais solicitem a intervenção da Coroa na promoção e controlo das actividades urbanísticas. 26 Todas as iniciativas serão promovidas pela nobreza eclesiástica. 28 FERRÃO. 28 A criação da companhia provocará no ano seguinte um violento motim popular. a renovação da igreja das Carmelitas. Na sua reconstrução evidencia-se o papel do Marquês de Pombal. a construção da igreja do Carmo e Recolhimento das Órfãs. conhecedor dos ideais iluministas que germinavam em França.2. através do engrandecimento e monumentalização dos edifícios religiosos e dos grandes palácios. baseada na estratégia económica como componente essencial. que se prolongará até 1713. Projecto e transformação urbana do Porto na época dos Almadas. vinculada a diversas instituições religiosas e em particular às confrarias. obra já citada. aprofundando o relacionamento que mantinha de alguns séculos com este país. homem viajado e esclarecido. por outro. global e coerente política.
como à restruturação do núcleo medieval preexistente. João e do Almada.31 As principais acções urbanísticas promovidas pela Junta das Obras Públicas. Idem.). obra já citada. assentaram em dois objectivos gerais muito precisos e explícitos: promover a adequação funcional dos espaços de circulação e controlar a qualidade estética das novas edificações.. os estudos de conjuntos de fachadas realizados adoptam princípios de regularidade que conservam as características da casa tradicional de loteamento estreito.Deste modo. promove medidas de higienização e de reconversão do tecido urbano existente. Almada e Melo funda em 1758 a Junta das Obras Públicas. A confirmar esta ideia estão as acções que não tinham subjacente um programa global de intenções explícito.Rua de Santo António.e da abertura de novas ruas com a direcção norte sul . numa primeira fase. unindo a Praça da Ribeira com a Praça de Santo Ovídio. tanto quanto à definição do eixo inicial de urbanização da cidade. com a qual inicia uma política de expropriações. e um ano antes da Casa do Risco lisboeta. Contudo. a Junta serve-se de legislação promulgada em 1769 pelo Marquês de Pombal. Projecto e transformação urbana do Porto na época dos Almadas. como é exemplo a Rua de São João. organismo encarregado de pôr em prática os novos programas urbanísticos. de entre os quais destacamos a cadeia e tribunal da Relação e o hospital da Misericórdia. in Atlas histórico de ciudades europeas.. Para fazer face à resistência de alguns proprietários de terrenos exteriores à muralha. valendo-se dos rendimentos da Companhia Geral das Vinhas do Alto Douro.32 A actuação da Junta inicia-se com a definição de um novo eixo viário de articulação norte sul. baseada num novo conceito de interesse público . aproveitando parcialmente o traçado existente da Rua das Flores e complementando-o com a abertura das ruas de S. nem um plano desenhado de conjunto. sob a égide do Marquês de Pombal. Rui. Paralelamente. 17 .Rua de Santa Catarina . vilas e aldeias de reyno (. 30 A acção disciplinadora da Junta das Obras Públicas. existindo todavia excepções a esta regra. Na nova estrutura viária. NONELL. da autoria do arquitecto portuense José de Figueiredo Seixas . determinantes para a renovação da imagem da cidade. Rua dos Clérigo e Rua Formosa. Anni Günter. através da regularização das principais vias de saída existentes .Rua de Santo Ildefonso e Rua de Cedofeita . obra já citada.e este oeste . Todavia. a maior parte senhorios eclesiásticos. simulando uma edificação palaciana.Tratado de Ruação para emenda das Ruas das cidades. bem ao gosto neoclássico inglês. dentro e fora das muralhas (núcleo medieval e expansão extramuros).33 Ainda durante a gestão de João de Almada inicia-se a construção de importantes e monumentais edifícios públicos. processou-se por uma prática empírica. a edificação obedece à definição prévia de um parcelamento regular e à utilização de princípios de sistematização modular da composição das fachadas. Bernardo José.o “Bem Comum”.34 30 31 32 33 FERRÃO. TAVARES. O desenho dos alçados desta rua adapta a parcialização existente a um projecto geral de fachadas. 1758/1813. Idem. poderá presumir-se que a sua actuação tenha sido sensível ao conteúdo da obra teórica publicada cerca de 1760. iniciadas em 1758.
aqui estabelecida devido às estreitas relações comerciais que o Porto mantinha com Inglaterra. 1945. NONELL. a ela afluindo os excedentes de todo o Norte das comarcas durienses. portuárias e de transportes. o que lhe permite abastecer-se.O estilo neopalladiano. obra já citada. 2ª ed. Este clima do fim do século irá determinar a redução. Porto.. Rui. importado de Inglaterra. abastecer a região e negociar o vinho e outras mercadorias com o mundo atlântico. comprometendo “(. REAL.) definitivamente a realização do programa ilustrado e a materialização da correspondente imagem para a cidade”37.ª ed. 1996. TAVARES. servirá de modelo à arquitectura de expansão almadina. enquanto na freguesia da Vitória (intramuros) o ritmo de crescimento é cinco vezes menor. segundo o Padre Agostinho Rebelo da Costa . 18 . este aumento não acontece de maneira uniforme por toda a cidade: "Por exemplo em Cedofeita dá-se um aumento da ordem dos 250%. de muitas das obras iniciadas durante o seu decurso. COSTA. senão mesmo a interrupção. 2. incluí carta de Tomás de Modessan e algumas palavras prévias de Artur de Magalhães Basto. aumentando de igual modo o número das suas construções. Portugal conhece um aumento do ritmo de crescimento demográfico. TAVARES.. 34 35 36 37 NONELL. A cidade almadina torna-se num importante interposto comercial. in Atlas histórico de ciudades europeas. Livraria Progredior. dando preferência ao britânico e ao brasileiro."36 35 O final do século será marcado por uma nova conjuntura política. Bases para a compreensão do desenvolvimento do desenvolvimento urbanístico do Porto. Anni Günter.. Descrição Topográfica e Histórica da Cidade do Porto. in Atlas histórico de ciudades europeas. Anni Günter. obra já citada. Câmara Municipal do Porto. Todavia. numerosa e influente comunidade inglesa. Rui. que vai tornar prioritária a defesa do reino. Agostinho Rebelo da. Manuel e TAVARES. Na segunda metade do século XVIII. Rui. A este facto não foi alheia a presença na cidade de uma importante. in PORTO A PATRIMÓNIO MUNDIAL. de modo que os grandes investimentos públicos irão concentrar-se em infraestruturas militares. duplica o seu número de habitantes entre 1732 e 1781. A cidade do Porto.. tanto terrestre como fluvial.
2.1.3 Século XIX
No princípio do século XIX a cidade do Porto mantém-se ainda em parte amuralhada, mas o desenvolvimento urbano há já algum tempo que transbordou as muralhas, expandindo-se ao longo das principais vias de acesso ao “mundo rural”, em pequenas aldeias e casais. Por outro lado, as grandes quintas que rodeiam a cidade, acentuam essas permanências rurais.38 A densificação e expansão da trama do núcleo medieval da cidade, ao longo de boa parte do século XIX, vai basear-se nos eixos apontados no século anterior e realizar-se à custa do alinhamento de antigos caminhos e do loteamento das quintas existentes, sobretudo no lado oriental.
Todavia, as primeiras décadas deste século serão marcadas por uma relativa estagnação do desenvolvimento urbano da cidade do Porto, resultante de uma conjuntura caracterizada por um clima de crise económica, indefinição política e forte agitação social. As invasões francesas e espanholas, que duram até 1814, interrompem e comprometem definitivamente o processo de transformação urbana da cidade, de inspiração iluminista, iniciado pelos Almadas no século anterior. A Revolução Liberal, iniciada na cidade do Porto em 1820, instaura no país uma Monarquia Constitucional, que irá desencadear uma feroz guerra civil entre absolutistas e liberais (1828 a 1834). Este período de grande turbulência social ficará marcada pelo longo cerco à cidade do Porto (1832 a 1833), que origina um dramático surto de cólera e termina com um violento bombardeamento, causando avultados danos em alguns edifícios, como o convento de São Francisco. Este clima de grande instabilidade, determinou também alguma estagnação do crescimento demográfico na primeira metade do século XIX. Esta tendência será imediatamente contrariada, ao longo da segunda metade deste século, principalmente motivada pelo acelerado processo de industrialização da cidade. Deste modo, a cidade tem cerca de 20.000 habitantes em 1732, 43.000 em 1801 e 55.000 em 1838. Mas, em 1864, quando é feito o primeiro recenseamento geral, tem já 86.751, logo em 1878 sobe para 105.838 e em 1890 atinge os 138.860.39 É ainda de referir que este incremento demográfico é marcado por um importante número de população operária, migrada de vários pontos do norte do país, que, na sua maior parte, tende a fixar-se na zona oriental da cidade e na sua periferia, onde se instalam as indústrias mais importantes.
Estes acontecimentos, que marcaram profundamente a cidade do Porto no início do século XIX, não impediram a reorganização do poder local e a adaptação dos mecanismos de gestão à nova ordem política e social.
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SERÉN, Maria do Carmo, PEREIRA, Gaspar Martins, O Porto oitocentista, in História do Porto, dir. Luís A. de Oliveira Ramos, Porto Editora, Porto, 1999. REAL, Manuel e TAVARES, Rui, Bases para a compreensão do desenvolvimento do desenvolvimento urbanístico do Porto, in PORTO A PATRIMÓNIO MUNDIAL, obra já citada. 19
Neste contexto, durante os anos 20 retoma-se a urbanização de novas áreas da cidade, com a construção de algumas artérias importantes como a Rua do Bom Retiro (futura Barros Lima), a Rua do Príncipe e a Rua dos Bragas. Com a extinção da Junta das Obras Públicas em 1833, a gestão urbanística passa a estar repartida por várias entidades, que promoviam acções pontuais, seguindo critérios próprios. A Câmara Municipal procura inicialmente assegurar uma planificação global, para a qual elabora uma planta geral da cidade em 1839, que aproveita projectos desenvolvidos anteriormente. Mas, pelo facto de carecer de autonomia financeira, a sua actuação acaba limitada à promulgação de medidas reguladoras da edificação, à continuação do projecto de rectificação e alienação de ruas e caminhos, assim como à criação de novos equipamentos e espaços públicos.40
A burguesia mercantil, fortemente implantada na cidade, enriquecida pela apropriação dos bens do clero, que tinham sido nacionalizados e vendidos em hasta pública, passa a fazer-se representar pela Associação Comercial, criada em 1833, que rege a vida económica da cidade. Esta entidade tornar-se-á responsável pela promoção e gestão de algumas acções urbanísticas, das quais se destacam, a urbanização dos terrenos das ordens mendicantes de S. Francisco e de S. Domingos, a construção do Palácio da Bolsa em 1840 (sobre as ruínas do convento de S. Francisco), que desde então será a sua sede e, mais tarde, a construção do Palácio de Cristal em 1864, onde se realiza a primeira Exposição Internacional celebrada em Portugal. Estas acções inserem-se num período, final dos anos 30 e anos 40, em que a cidade conhece uma novo impulso urbanístico. A construção dos primeiros mercados públicos, do Bolhão (1837) e do Anjo (1837-1839), vem disciplinar as diversas feiras espalhadas pela cidade e o abastecimento de bens. Esta política prolongar-se-á até à construção do Mercado Ferreira Borges (1888), que se tornará num dos mais notáveis exemplos da “arquitectura do ferro”. A abertura das Ruas de Ferreira Borges, de Camões, da Constituição, de Gonçalo Cristovão, etc. dá continuidade à política da câmara de rectificação e alienação de ruas e caminhos. A inauguração do Jardim de S. Lázaro (1834) e mais tarde dos jardins do Palácio de Cristal (1865) e da Cordoaria (1866) enquadra-se também numa política camarária de ajardinamento de espaços públicos, não muito longe das alamedas do século passado, mas, ao contrário destas, bem inseridos na malha urbana. A construção da ponte pênsil (1843), que vai estabilizar a ligação entre as duas margens e facilitar a comunicação com Lisboa, inicia uma profunda remodelação da zona ribeirinha que se estende à reforma e ampliação do cais fluvial, com a construção da Nova Alfândega (1861) e melhoria dos respectivos acessos.41
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NONELL, Anni Günter, TAVARES, Rui, in Atlas histórico de ciudades europeas, obra já citada. REAL, Manuel e TAVARES, Rui, Bases para a compreensão do desenvolvimento urbanístico do Porto, in PORTO A PATRIMÓNIO MUNDIAL, obra já citada. 20
Em 1836, com a nova divisão administrativa, a cidade do Porto alarga os seus limites, anexando as freguesias de Lordelo e os concelhos da Foz e Campanhã e, no ano seguinte, Paranhos. Em 1838 processam-se ajustamentos nos limites das freguesias e em 1841 o “arredondamento paroquial” conduzirá à criação da nova freguesia do Bonfim.42
A partir de meados deste século, a política do Ministério das Obras Públicas, inserida numa visão global de desenvolvimento do país, irá privilegiar as vias de comunicação e circulação, incidindo especialmente nas vias terrestres e marítimas, que servirão a mecanização da indústria nascente e o florescimento de outras actividades. Nesta sequência são abertas as Ruas de Mouzinho da Silveira e Nova da Alfândega, melhorando as comunicações com os portos fluviais. Do lado oposto, é retomada a abertura da Avenida da Boa Vista até Matosinhos, estruturando a expansão da cidade para oeste e reforçando a sua relação com o mar. A necessidade de criar ligações mais fáceis do Entre Douro e Minho com o Centro e Sul do país e de estreitar as relações entre as duas margens leva à construção da primeira ponte de caminho de ferro, D. Maria (1877) e à elaboração de vários estudos para a construção de uma outra ponte que ligasse, à cota alta e à cota baixa, Gaia ao Porto. Por outro lado, a intenção de melhorar o escoamento de produtos pela via fluvial e marítima, através da reforma da barra do Douro, cujo assoreamento se torna inexorável, leva à dinamização do porto de Matosinhos (1864 - 1892), que originará mais tarde a construção do porto comercial de Leixões (1908). A partir de 1872 inicia-se a implementação da rede de transportes públicos, com o americano e o eléctrico, aproximando o centro da cidade dos seus subúrbios. Esta iniciativa será complementada em 1875 e 1877 com as ligações ferroviárias de articulação regional.43
Na sequência da Revolução Industrial, que eclode em Inglaterra nos finais do século XVIII, e certamente pela mão da forte comunidade residente no Porto, a mecanização da indústria portuense inicia-se ainda na primeira metade do século XIX - a primeira máquina a vapor terá sido instalada no nosso país por volta de 1835.44
Em consequência do forte desenvolvimento industrial, acompanhado por um galopante crescimento demográfico, vai surgir uma nova estrutura habitacional, constituída por pequenas casas operárias, densamente organizadas no interior de quarteirões existentes - as ilhas - que irão povoar, no final do século, as áreas da cidade onde se encontram implantadas as maiores indústrias.
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SERÉN, Maria do Carmo, PEREIRA, Gaspar Martins, O Porto oitocentista, in História do Porto, dir. Luís A. de Oliveira Ramos, obra já citada. REAL, Manuel e TAVARES, Rui, Bases para a compreensão do desenvolvimento urbanístico do Porto, in PORTO A PATRIMÓNIO MUNDIAL, obra já citada. CASTRO, Armando, A revolução industrial em Portugal no século XIX, 4.ª ed., Editora Limiar, Porto, 1978. 21
O franco desenvolvimento económico da cidade do Porto e o florescimento de uma nova classe capitalista, durante toda a segunda metade do século XIX, proveniente de uma grande concentração industrial e comercial, irá ter fortes repercussões na sua estrutura urbana, pelo que se tornou necessário encontrar novas figuras de planeamento urbanístico. A elaboração de projectos de melhoramentos (lei de 1864), apresenta a necessidade de realizar levantamentos cartográficos rigorosos, processo que se inicia na década de 70 e só termina em 1892, com a publicação do primeiro plano rigoroso da cidade. Nas suas linhas gerais, trata-se de um plano político e financeiro, que apresenta propostas para a reformulação do tecido urbano e para a resolução dos problemas de circulação, abastecimento e higiene urbana.45
A partir dos anos 70 inicia-se o processo de instalação das redes públicas de abastecimento de água (1873) e saneamento (1896), cujo objectivo principal era melhorar as péssimas condições de saúde pública. Desde 1855 que a iluminação a gás transformou a vivência das principais artérias da cidade. Contudo, a partir de 1886, a concorrência da luz eléctrica, vai alterar definitivamente a organização do calendário doméstico e social.
Apesar das profundas alterações e de toda a ordem de realizações que marcam o Porto durante todo o século XIX, “(...) a nova cidade liberal surge no imaginário burguês como um espaço carente de valores monumentais capazes de afirmar à escala urbana uma nova ordem.”46
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NONELL, Anni Günter, TAVARES, Rui, in Atlas histórico de ciudades europeas, obra já citada. Idem. 22
na baixa de Miragaia e nos quarteirões compactos da Sé e da Vitória. 47 48 49 VEIGA DE OLIVEIRA. dos locais onde se verifica a necessidade ou a conveniência do adensamento da população em áreas limitadas. melhor definem e caracterizam a evolução tipológica das casas de habitação corrente. de um modo geral. do nosso ponto de vista. a do Porto iluminista e a do Porto liberal. Publicações da FAUP. Para este autor. Transformação e permanência na habitação portuense.2 Breve caracterização da evolução tipológica das habitações Da pesquisa efectuada. GALHANO. deixou bem registado em três estudos sobre a habitação portuense. Fernando..) a casa estreita e alta. a Rua da Constituição. na sua forma e sentido originários. VEIGA DE OLIVEIRA.. in Arquitectura Tradicional Portuguesa. finalmente. FERNANDES. propõe uma classificação das épocas que nos propomos caracterizar. como por exemplo a Rua do Almada. obra já citada. Casas esguias do Porto e sobrados do Recife. de forma sucinta. de que são exemplo a Rua da Boavista. o segundo tipo localiza-se nas áreas de expansão almadina. Ernesto Veiga de Oliveira e Francisco Barata Fernandes. As formas da casa na forma da cidade. da cidade do Porto. "(. in Arquitectura Tradicional Portuguesa. que define três tipos de habitação burguesa: a do Porto mercantilista. 1999. GALHANO. a Rua de Cedofeita e a Rua de Santa Catarina. para uma análise tipo morfológica. revelaram-se os autores cujos estudos. constitui um tipo híbrido funcional de residência urbana e estabelecimento comercial ao mesmo tempo. referidos à mesma família. a Rua de Alvares Cabral. 23 . antes de mais. as principais características da casa tradicional de habitação corrente que nos propomos tratar47. Ernesto. Francisco Barata. além de derivar das construções próprias dos burgos amuralhados ou. O primeiro tipo localiza-se na área da Ribeira – Barredo. Porto. Casa Urbana. Francisco Barata no seu estudo sobre as transformações e permanências na habitação portuense 49. Ernesto. João IV. Casas do Porto. o terceiro tipo surge ainda nas áreas de expansão almadina e suas posteriores extensões a partir da segunda metade do século XIX. obra já citada. estritamente utilitário (…)"48. Ernesto Veiga de Oliveira. a Rua de Costa Cabral e a Rua de D. Telhados do Porto.2. que.
. ou seja. onde se situa a loja ou a oficina e por onde se faz o acesso aos restantes pisos. é a ausência de logradouros ou enxidos. GALHANO. com um. obra já citada. cujo espaço serve de articulação e iluminação dos compartimentos interiores. Ernesto. As casas correspondentes a estes lotes. FERNANDES. têm pouca profundidade. Luís A. Casas esguias do Porto e sobrados do Recife.52 A tipologia da casa de duas frentes caracteriza-se basicamente por um piso de rés-do-chão amplo. predominando as casas térreas ou de apenas um sobrado.. em que a matriz de organização interna se pode considerar a origem das tipologias que se vão desenvolver até finais do século XIX. ou de dois lanços. Estas casas têm ainda em comum uma tipologia de carácter polifuncional. situam-se transversalmente. assim eram designados nesta época. Fernando.2.)”. obra já citada. referidos à mesma família. que. A oficina ou o armazém situam-se no rés-do-chão e a habitação nos restantes pisos.1 Século XVII Muitos dos lotes correspondentes ao século XVII. Ernesto Veiga de Oliveira afirma constituírem na sua forma e sentido originários um “(. A escada pode ser de um único lanço. 53 50 51 52 53 FERNANDES. de forma irregular e de uma só frente. VEIGA DE OLIVEIRA.) tipo híbrido funcional de residência urbana e estabelecimento comercial ao mesmo tempo. não abundavam casas de grande altura. As escadas.. datado de 1614. 51 Um registo da organização do Tombo da cidade. estritamente utilitário. são herdeiros da formação urbana da cidade medieval. embora referente aos solos pertencentes à Câmara. início do século XX. de duas frentes. Nos restantes pisos o acesso é feito por uma escada de dois lanços. 24 . Francisco Barata. dois ou três pisos. de acordo com as necessidades profissionais e a mentalidade da gente de que é própria (. 10 a 15 m e larguras que não excedem os 4. sensivelmente a meio da profundidade das casas. situada longitudinalmente.. comum às casas dos seguintes períodos que iremos abordar São estas casas. Entretanto. in Arquitectura Tradicional Portuguesa. Francisco. existente num corredor com entrada independente pelo exterior. dá-nos uma noção do que seriam as volumetrias predominantes no início do século XVII na cidade do Porto. servem de habitação e local de trabalho. in História do Porto. RIBEIRO DA SILVA. que nunca era superior a três sobrados. de Oliveira Ramos. Segundo este registo. surgem já neste período lotes regulares. obra já citada. Tempos modernos. As casas correspondentes a estes lotes têm profundidades que variam entre os 20 e os 30m e larguras que atingem os 6m. designando-a de habitação “burguesa ou mesteiral”. Uma característica comum a estes dois tipos de lotes. dir. ou mais ou menos dissimulada dentro da loja. de resto. obra já citada. 50 Esta tipologia permanecerá. de dois lanços.2. através de uma escada de um só lanço.5 m em média. localizada transversalmente junto à parede das traseiras. Francisco Barata.
in História do Porto. sendo os restantes pisos construídos em tabique. as aberturas. existindo pouca ou nenhuma especialização na divisão dos seus espaços. óculos. quando existem. No mesmo compartimento. de estilo maneirista. 56 As casas respeitantes a este período situam-se predominantemente nas áreas da Ribeira Barredo. come-se. junto ao telhado. dorme-se e executam-se todos os trabalhos domésticos. sala de jantar. embora tardia. denunciam uma influência. apenas o piso do rés-do-chão é construído em pedra.Nascimento do consumo nas sociedades tradicionais (séculos XVII . 25 . 54 Embora a maioria das casas se destine a apenas uma família. obra já citada. são de madeira. Daniel. não existindo o conceito de sala de estar.55 Em muitas destas casas. por razões de segurança e funcionais. As aberturas situam-se junto das paredes de meação e as varandas. ver ROCHE. dir. Tempos modernos. Miragaia e nos quarteirões mais regulares e extensos da Sé e da Vitória. a cozinha situa-se sempre no último piso. Bernardo José. de dimensão quadrangular. alminhas ou brazões. 57 54 55 56 57 Sobre a organização funcional da casa de tradição medieval. A casa é fundamentalmente uma sala onde tudo se passa. obra já citada. situam-se também predominantemente junto das paredes de meação. Porém. o que acontecia devido a partilhas por motivos de heranças ou à sublocação. Francisco Barata. História das coisas banais . Luís A. etc. obra já citada. quarto de dormir. Nas casas todas construídas em pedra. FERRÃO. RIBEIRO DA SILVA. que não obedecem a nenhuma regra de desenho do alçado.XVIII). em particular as de formação medieval.No que se refere à organização funcional da casa persiste a ideia medieval de habitar. relacionadas com a exaustão dos fumos. podendo existir entre elas janelas. com os andares ligeiramente salientes de forma a conseguir mais espaço interior. Estas particularidades associadas aos aspectos decorativos. Francisco. obra já citada. com diferentes famílias distribuídas por cada piso da casa. de Oliveira Ramos. FERNANDES. aparecem exemplos de divisão horizontal de casas sobradadas.
notando-se ainda. As alterações que lhe serão introduzidas decorrem da acção urbanística almadina consertada. Cedofeita. servindo também de acesso independente. através de escada de tiro. Daqui resulta um aumento da largura dos lotes. quer em número de pisos. em forma de alcova. assim como o número de aberturas por piso. Deste modo. obra já citada. voltada para a rua. que passam a ter em média 6m. comércio. que durante a primeira metade do século é de cariz manifestamente “rocaille” . Santa Catarina. FERRÃO. a escada e os compartimentos interiores. baseada na construção de grandes arruamentos rectos estruturantes do desenvolvimento urbano. as casas aumentam de tamanho. que passam a ser três. importado de Inglaterra por via da próspera comunidade inglesa residente no Porto. A tipologia da casa mantém o essencial do período anterior. Preocupações com a segurança das habitações contra o risco de incêndio e com a precariedade dos sistemas construtivos rudimentares determinam a progressiva substituição das paredes construídas em tabique. destinada a receber um visitante e a cozinha que continua a localizar-se no último piso. e um comprimento variável entre os 20 e os 30m. Clérigos e Almada.2. complementar da actividade aí exercida. Francisco Barata. O piso do rés-do-chão continua a ser destinado à actividade de oficina. Bernardo José. de forma cónica. mantém-se o essencial dos aspectos organizativos e compositivos do período anterior. Com esta substituição. quer em dimensão. essencialmente de pedra. passam a ser iluminada por uma clarabóia. que se pretendia globalizador e racionalista. as paredes de tabique passam a ser apenas utilizadas nos pisos recuados ou acrescentados. em alguns casos. 59 58 59 FERNANDES. passa nas casas almadinas a manifestar a influência do estilo neopalladiano. Os melhores exemplos de casas respeitantes a este período. obra já citada. excepto a sala do primeiro piso. Estes lotes passam ainda a ter sempre uma área livre destinada a logradouro. Os compartimentos continuam a seguir a tradição de uma não especialização. que exercia enorme influência no meio cultural da cidade. circular ou oval. O pés direitos também aumentam. por paredes construídas em alvenaria.2. Nos restantes pisos. a inserção de um entrepiso. sobre o rés-do-chão. junto ao telhado e à fachada traseira. 26 . situam-se nas ruas de Santo António. Dentro destes princípios estabelecia-se também o desenho do conjunto dos alçados para os arruamentos. armazém ou arrumos. 58 O vocabulário decorativo.2 Século XVIII Durante a primeira metade do século XVIII.
situam-se os quartos da criadagem. ou sótão com águas furtadas. constitui a inovação comum a estes dois tipos.3 Século XIX No século XIX. que se desenvolve em dois ou três lanços e é iluminada por uma clarabóia. Rua da Alegria e parte alta da Rua de Santa Catarina. Enquanto o primeiro tipo continua o preenchimento de arruamentos abertos na época anterior. Relativamente às dimensões dos lotes. atingir os 30m. surgindo nalguns casos pormenores decorativos de estilo ecléctico. o aumento do pé direito dos pisos e a organização dos logradouros com jardins e hortas. Foz do Douro e Campanhã. João IV. Idem. e os restantes compartimentos a uma ocupação social. além dos edifícios de habitação que mantêm a tipologia tradicional polifuncional. enquanto o primeiro tipo mantém as características de organização funcional dos séculos anteriores. Praça da República. surgem os edifícios de habitação monofuncional. A sistematização e estandardização dos elementos construtivos das casas burguesas do Porto. não se verifica nenhuma alteração. situada nas traseiras.5 a 6m para a largura e 15 a 20m para o comprimento. onde se situam zonas de serviço e de armazenagem. na Avenida de Rodrigues de Freitas. podendo. mantendo-se os anteriores valores de referência: 5. Praça do Marquês de Pombal. alcançada durante este século. nalguns casos. rés-do-chão destinado à cozinha. 27 . em dois extremos da cidade.2. A construção obrigatória de instalações sanitárias adjacentes ao alçado tardoz. tanto ao gosto dos princípios deterministas herdados do século anterior. determinante para a formação de uma imagem unitária da cidade. que também serve de iluminação aos compartimentos interiores. Rua de S. como era já característico das habitações almadinas.2. Rua de D. Rua de Álvares Cabral e Rua e Avenida da Boavista . Rua do Heroísmo ao Bonfim. Rua da Constituição. que anteriormente não se registava na espacialidade da casa corrente (…)”60. bem ao gosto dos novos burgueses retornados do Brasil. Francisco Barata. só de habitação. ou seja. A comunicação entre os pisos continua a ser feita por uma caixa de escadas central e transversal. Roque da Lameira. obra já citada. o segundo tipo situa-se nas novas zonas de expansão da cidade. Todavia. o segundo marca “(…) o fim de um ciclo de tipologias de habitação e o início de outro. nos pisos superiores situam-se os quartos e no andar recuado. predominando fundamentalmente no centro urbano. vai conferir à sua arquitectura um carácter de regularidade. 61 60 61 FERNANDES. concebe-se a habitação segundo uma complexa hierarquização funcional e social. A linguagem arquitectónica destas casas continua a ser influenciada pelo estilo neopalladiano. Rua de Costa Cabral. A partir desta época. As principais características tipológicas e funcionais desta nova casa são: a introdução de cave sobrelevada.
se inicia uma verdadeira revolução dos sistemas construtivos. constituindo esta dialéctica uma das principais características da sua natureza e um dos temas mais interessantes para o seu estudo. Todavia. ao seu travamento e consolidação. Os materiais da construção da arquitectura permaneceram. bem como pela sua limitada durabilidade e vulnerabilidade ao fogo.materializados na construção do espaço familiar. revestidas com vegetais. ACERCA DO SISTEMA CONSTRUTIVO 3. da sua transformação e aplicação. o trabalho das alvenarias obedece a determinados princípios relativos às dimensões das peças. num processo que dura até ao presente. a argila.1 Introdução Ao longo da história. a utilização de argamassas de assentamento e de revestimento. a cal. decorrentes dos locais. consubstanciados na cidade como expressão máxima da organização colectiva. Hoje é unanimemente aceite que as primeiras construções realizadas pelo Homem primitivo terão começado pela execução de estruturas rudimentares com pequenos troncos de madeira. Se no início a arquitectura foi fundamentalmente determinada por uma necessidade de protecção e abrigo. A sua fragilidade é progressivamente ultrapassada com a execução de estruturas mais elaboradas e com a adição de terras argilosas aos revestimentos vegetais. a madeira. O emprego de pedra ou de blocos de terra na construção de muros e paredes. constitui já um estado bastante avançado da arte de construir. rapidamente ganhou um sentido estético.3. das épocas. Por exemplo. é possível encontrar características comuns e semelhanças entre vários sistemas construtivos de diferentes estilos de arquitectura. O que aconteceu inicialmente com a 28 . adequando-os às suas necessidades.só com a revolução industrial e particularmente com o advento do betão armado nos finais do século XIX. a areia e certos metais . da capacidade criativa humana e da influência que as diversas civilizações exerceram entre si. A construção da Arquitectura foi desde sempre determinada pelos materiais telúricos e pela capacidade do Homem os trabalhar. durante muitos séculos imutáveis os que hoje designamos de materiais tradicionais: a pedra. com a invenção de novos materiais e técnicas. Apesar da variedade de técnicas de extracção dos materiais. tornando-se numa das principais formas de representação dos ideais da humanidade . mas foram igualmente condicionados pela arquitectura. religioso e colectivo. os materiais e os sistemas construtivos criados pelo Homem condicionaram. esteve sempre fortemente condicionada pelas dimensões das suas peças. que demonstram a existência de princípios universais. a madeira (o único material conhecido durante séculos com capacidade para trabalhar à tracção). representativo. os sistemas construtivos não foram sempre capazes de responder às mudanças de material com que pretendia materializar certas formas.
Quando procuraram transpor os limites construtivos. a inovação dos primeiros edifícios de estrutura metálica ou o novo repertório formal dos edifícios modernistas de betão armado. Castro. resolvem-se os problemas recorrendo-se a intrincadas soluções. muitas das vezes. a ficar totalmente resolvida. o sistema construtivo constituiu um dos dados principais da concepção e como tal do próprio projecto. onde este metal começa por adoptar as mesmas formas. Historia de la construccion Arquitectónica. 29 . ou nunca chegaram a ser construídos ou tiveram uma existência limitada. Numa breve análise à história da Arquitectura. No projecto. a exuberância de uma igreja barroca.62 Apesar destas adversidades. 62 VILLALBA. tanto por excesso de escala. em qualquer dos casos. não o chegaram a ser mais tarde. quando a aspiração a uma pureza geométrica das formas não é compatível com os requisitos exigíveis para a sua execução. os mesmos princípios e os mesmos detalhes dos materiais que vai substituindo. que ocultam a verdadeira natureza das formas. Sejam quais forem as considerações que se façam sobre a dicotomia arquitectura e construção. Ao observamos a monumentalidade de um templo egípcio. devido a situaremse à frente das possibilidades técnicas e dos conhecimentos construtivos. quando essas limitações já tinham sido superadas. as proporções de um templo grego. Para que um novo material encontre a sua linguagem arquitectónica é necessário que se disponha das formulações. A. em todas as épocas. Durante a construção. a delicadeza de uma habitação japonesa. relativas à suas características e propriedades. são de uma coerência formal e construtiva ímpar. Outro facto curioso revela-nos que todos os projectos que não foram construídos no seu tempo. O que aconteceu com as últimas catedrais góticas ou com os projectos de Boullée. todos os exemplos que marcaram a história da arquitectura. verificamos que os projectos só evoluíram na medida em que os sistemas construtivos o permitiram. uma harmonia que muitas vezes esconde uma tensão entre os materiais e os sistemas construtivos da sua arquitectura. o arrojo estrutural de uma catedral gótica. ela manifesta-se entre o desenho das formas arquitectónicas e o desenho dos detalhes construtivos. Esta tensão está já presente no acto da concepção. não chegando. obra já citada. como por redução ao mínimo das secções resistentes. nas suas formas tão diversas. estamos certos que. o classicismo de um palácio renascentista. e a experiência suficiente. encontramos. a propósito da influência que o projecto exerce sobre o sistema construtivo e viceversa.substituição da pedra e da madeira pelo ferro. que permita o aproveitamento das suas qualidades e possibilidades expressivas.
Antecedentes As origens das técnicas e dos sistemas construtivos em Portugal estão antes de mais relacionadas com as heranças técnicas das civilizações que povoaram a península ibérica . etc. Livros de Horas. a Arqueologia. passamos a enumerar alguns dos factores.2 Prováveis origens Não é pacífico estabelecer relações de causa/efeito a fim de determinar a origem e as influências que sofreram os sistemas e as técnicas de construção da arquitectura em Portugal e em particular das casas burguesas da cidade do Porto. as fontes de informação de natureza histórica são escassas e dispersas. Posturas Camarárias. Vereações Camarárias. a Etnologia.3. esta informação pode ser encontrada nos mais diversos documentos como: Ordenações Reais. embora se assista a uma crescente produção de trabalhos de investigação sobre outros temas específicos da construção histórica em Portugal. Em Portugal nunca existiu uma forte tradição para registar os aspectos técnicos da construção. Deste modo. alguma informação útil para a construção de uma linha de pensamento capaz de responder às nossas questões. se revelaram importantes. para além de não se revelar uma tarefa fácil. configura-se um empreendimento de dimensão tal que ultrapassa em muito o âmbito desta nossa abordagem. A origem do sistema construtivo das casas burguesas do Porto esteve seguramente dependente de um factor tão particular quanto universal . no decurso da nossa investigação. a Geografia. a História da Arte. etc. Contudo. que.os romanos e os árabes. provenientes de estudos sobre temas da cultura portuguesa ou particularmente da cidade do Porto.os materiais que naturalmente abundavam dentro ou à volta da cidade. embora de forma dispersa. em áreas disciplinares tão diversas como a Arquitectura. A nossa breve incursão por esta temática permitiu-nos compreender que a resposta a estas questões. a Engenharia civil. entre os séculos XVII e XIX. sob a forma de manuais ou tratados de arquitectura e construção. Por um lado. Po outro lado. não existem estudos actuais que se debrucem concretamente sobre o tema da construção das casas burguesas da cidade do Porto. É nestes trabalhos que podemos encontrar. durante o período em que nos propomos fazer a sua descrição. para directa ou indirectamente determinarem as origens e as influências que sofreu o sistema construtivo das casas burguesas do Porto. 30 .
como desempenhou igualmente um papel importante na concepção do sistema construtivo das habitações. Elementos para a História Urbana do Porto Quinhentista. A Rua das flores no Século XVI. em todos os trabalhos de madeira. BARREIRA. João. 2000. Ernesto Veiga de Oliveira refere que. a infinita variedade de utensilios domesticos e da lavoura. cancellas.”67 O importante entreposto marítimo que foi a cidade do Porto desde a sua origem. como pela perfeição technica dos seus ensambladores. em que os quintais e logradouros se reduziam a pequenos saguões.)"66 João Barreira. Câmara Municipal de Lisboa.. “(…) uma das influencias mais remotas e persistentes foi a influencia mourisca. 1994. CARITA. Tipologias e modos arquitectónicos. José Ferrão. Exposição Nacional do Rio de Janeiro em 1908. “(. Fernando. num texto sobre A habitação em Portugal.. 1909. A habitação em Portugal. Idem. Porto.A dimensão e forma dos lotes De acordo com José Ferrão Afonso. “(. o mesmo autor refere que “(. com predominância para os séculos XVI e XVII. Helder...) uma medida agrária utilizada na Idade Média designando um rectângulo de 60 palmos de comprimento por 30 palmos de largura (13. Ernesto.64 Sobre o lote estreito e comprido. afirma que.) de uma elaboração técnica e de um entrecruzamento de culturas muito complexos.5m x 6. mostram a pericia dos velhos artifices e o indelevel cunho que a tradição hispanoarabe deixou nas artes decorativas em Portugal..) é possível que no burgo portuense.”63 Devemos referir ainda que. Do mesmo modo importante para a divisão teria sido um outro elemento habitualmente referido pelos historiadores: o maior comprimento possível das vigas transversais de madeira que suportavam o sobrado ou as coberturas da antiga habitação agrícola.. in Notas sobre Portugal. VEIGA DE OLIVEIRA. na nossa opinião. Helder Carita refere que é possível estabelecer uma inter-relação entre o chão.) estava intimamente ligado a um forte índice de ocupação. e que originalmente determinaram a largura dos lotes. à semelhança do que ocorreu na Europa. GALHANO. modilhões. (…) balaustres de sacadas e de gelosias. perfeitamente adaptável à cidade do Porto.. Este índice era ditado pela impossibilidade da cidade medieval se expandir pelo seu envolvimento de muralhas. a que não são mesmo estranhos factores de invenção pessoal (. Casas do Porto. a madeira não teve somente influência na dimensão dos lotes. constituiu um determinante factor para a origem ou influência sobre alguns sistemas construtivos da sua 63 64 65 66 67 AFONSO. Rótulas de fusos esbeltamente torneados. Imprensa Nacional.”65 As influências Num importante estudo sobre a casa urbana do Porto. acerca da ornamentação das casas urbanas. o anterior parcelamento rural tenha condicionado e dimensionado essa divisão.75m)”. Embora relativo ao Bairro Alto. Obra já citada. Publicações da FAUP. as influências são "(. não só pela admirável mestria dos seus alveneis chamados a todo o país.. e a origem da constituição de lotes e quarteirões do Bairro Alto. in Arquitectura Tradicional Portuguesa. mas. Lisboa... Bairro Alto. 31 .
"Os documentos que conhecemos associados a obras em casas nobres (melhoramentos em casas já existentes ou construção de novos edifícios) raramente referem. Não são as Escolas nem os arquitectos reconhecidos que realizam a arquitectura corrente e dominante nos edifícios de habitação (. Bairro Alto. FERNANDES. trazido pelos ingleses para a cidade do Porto. A título de exemplo. numa breve passagem acerca da sua construção. Tipologias e modos arquitectónicos. sobre alguns aspectos. 32 . ao interligarem-se com os edifícios adjacentes passavam a ter um comportamento de conjunto. no seu estudo sobre a habitação portuense. que conheceu uma grande divulgação.arquitectura. obra já citada. isto é. Porto. Em alguns casos temos conhecimento de que o projecto terá sido elaborado pelo proprietário da casa em conjunto com o mestre pedreiro. J. Joaquim.. adquirido e racionalizado a partir das experiências das obras e dos usos. na segunda metade do século XIX. Por sua vez. não deixou de intervir nalguns destinos da cidade. que desde cedo se instalou no Porto. ou a importação directa de inovações tecnológicas. mas perfeitamente aplicável à casa burguesa do Porto. A casa nobre do Porto nos séculos XVII e XVIII: introdução ao seu estudo.. FERREIRA ALVES. refere que se trata "(…) de um saber empírico. A construção urbana Sempre relativo à cidade de Lisboa. supostamente importado dos países do norte da Europa.)"69 No seguimento da mesma opinião. Daqui destacamos o sistema fachwerk. Francisco Barata. B. produto da revolução industrial."70 68 69 70 CARITA. entre os quais destacamos.”68 A autoria Francisco Barata Fernandes. como acontece na arquitectura religiosa. Joaquim Ferreira Alves refere que. Separata do Centro de Estudos D. o nome do responsável pelo projecto. Domingos de Pinho Brandão. A comunidade inglesa. estas empenas.. Helder Carita refere outro aspecto interessante: “A estrutura de edifício em madeira quando aplicada em forma estreita e comprida simplificava-se com a hipótese dos sobrados dos andares se formarem por um só conjunto de barrotes ligados às empenas laterais. 1995. embora a propósito das casas nobres. que também se terá ocupado da sua construção. elementos maiores e mais importantes de estrutura. de que são exemplo os conhecimentos aplicados na industrialização do fabrico de azulejos. Muitas dessas obras tiveram nos mestres pedreiros que as executaram os autores dos projectos. temos o sistema de janela de corrediça ou guilhotina. obra já citada. o sistema construtivo das suas habitações. Helder.
) aspecto normativo dos elementos constitutivos. tinha por desígnio "(. que ia do mero servente.)"72 A enorme influência deste tratado deveu-se ainda ao “(. a qualidade pedagógica que facilita a utilização através de plantas e cadernos de encargos. que na cidade se dá mais rapidamente do que no campo. e pelas suas opções. mas perfeitamente possível de estabelecer relações de proximidade histórica com o nosso contexto..A transmissão de conhecimentos Embora não referenciado ao contexto das construções domésticas. Estes mestres e oficiais transitavam de região para região levando consigo o saber prático adquirido noutras paragens. sendo possível documentar em Portugal.. e sobre a transmissão de conhecimentos. nos finais do século XV e inícios do XVI. Paulo.) mostrar o meio de construir em todas as superfícies propostas e impostas pelo loteamento. La Manière de bien bâtir. obtidos através de uma lenta formação que se consubstanciava numa escala de hierarquias. que à semelhança do de Serlio. a propósito da construção do mosteiro da Batalha. verdadeiras «dinastias» de mestres construtores. publicado em 1623. passando pelo aprendiz e pelo oficial até ao mestre."71 Os tratados e os manuais No livro História das coisas banais. a pedra e não a madeira.. in História da Arte Portuguesa. refere o seguinte: "Sabe-se para já da grande mobilidade dos artífices e dos mestres que lhes andavam associados em «campanhas». Daniel. Efectivamente. ROCHE. 33 . Daniel Roche refere o manual de Pierre le Muet. de 27 a 1000 metros quadrados (. Passava de pai para filho. obra já citada. nem à época em que pretendemos situar o nosso estudo. O «Modo» Gótico... Editorial Temas e Debates. 1995.. reflexo da sua experiência de engenheiro. O modo de transmissão do saber era aliás de feição corporativa. devido à urgência da construção. Idem."73 71 72 73 PEREIRA. no capítulo dedicado à casa urbana e a propósito da circulação de modelos. por este engenheiro ao serviço do rei. os conhecimentos ligados à construção eram essencialmente (embora não só) de ordem empírica e tradicional. mas também de artífices. Paulo Pereira. como exemplo de um tratado.
34 . vol. resumem-se aos tão característicos vãos estreitos. Lisboa 1994.. de função puramente económica de que resultou uma estética sui-generis (..3. telúrica e económica. AZEVEDO. Assim. in Casas do Porto (século XIV ao XIX). são aqueles que. dos quais destacamos factores de ordem climatérica.. cultural. XV e XVI são acentuadamente quadrados . situam-se aqueles que tanto podemos considerar de natureza particular quanto universal. com o lado maior na vertical. Gabinete de História da Cidade. Este aspecto é bem ilustrado nas palavras de Rogério de Azevedo. de culturas obstinadas em conservar. Da sumptuária das casas do Porto. sendo prático na extensão arquitectónica antiga e moderna. uma «casa».. em repetir. se faz sentir o peso do precedente. igualmente incomensurável. 74 75 BRAUDEL. a propósito das casas do Porto: "O arco. dependentes da natureza do material empregado ."74 À semelhança dos factores que provavelmente estiveram na origem do sistema construtivo das casas burguesas do Porto. Rogério. Os factores de ordem económica foram sempre determinantes para a evolução da arquitectura e da sua construção. maior influência sobre a evolução do sistema construtivo das casas burguesas do Porto. mais do que qualquer outro. percebê-las todas.XVIII. as tradições entram em jogo: são velhas heranças de que ninguém se desfaz.abundantíssimo no seu seio como na sua periferia.) as casas constroem-se ou reconstroem-se segundo modelos tradicionais.o granito . 1961. só com dificuldade discernimos características de conjunto. Esta é uma das características que prevaleceram. os rasgos quadrangulares das fachadas se nos sécs. indiscutíveis. I. em qualquer época e particularmente durante o período que trata o nosso estudo. em matéria de casas. na nossa opinião terão exercido. largura = altura .)"75 Os factores que em seguida apresentamos. Em suma. não vamos deter-nos sobre as relações de causa/efeito.) os caracteres arquitecturais do burgo.3 Factores que determinaram a sua evolução “Entre os séculos XV e XVIII. para outro tipo de abordagens.nos séculos seguintes são quase sempre rectangulares. dura e não pára de testemunhar a lentidão de civilizações. directa ou indirectamente. Economia e Capitalismo.. não é todavia económico e. Tal como no ponto anterior. Fernand. seja ela qual for.isto é. de entre os factores que determinaram a sua evolução. mas sem surpresas. Civilização material. (. Porto. (.. É um sector em que... por isso. em manter. Editorial Teorema. Vê-las. Séculos XV . que consegue vencer largos vãos.) por toda a parte os hábitos. deixando esta tarefa. nem pensar. de origem interna e externa. por exemplo. para cada um dos séculos que estamos a tratar. (.
MARTINS de OLIVEIRA.e acompanhada por uma progressiva qualificação da mão-de-obra. É o caso de um manual português de meados do século XVIII. Nesta sequência. 76 77 VILLALBA. onde na parte que refere a forma de dimensionar a espessura das paredes de suporte para uma estrutura de madeira. ou casas. Durante o Renascimento e o primeiro Barroco definiram-se uma série de conceitos construtivos baseados numa tendência em analisar os edifícios por partes. Esta busca baseia-se essencialmente no conhecimento da prática empírica (no sentido de diminuir os custos da construção. nem nos exemplos das construções existentes. são ainda uma mistura de senso comum.1 Século XVII Com o Renascimento inicia-se um período. Historia de la construccion Arquitectónica. implicando uma progressiva redução dos custos de materiais e da mão-de-obra. A. definindo as suas características. Pelas suas características.. Por conseguinte. o autor refere que. Lisboa. às suas técnicas de aplicação e à mão de obra). que aprendem os officios de pedreiro e carpinteiro. da autoria de Valério Martins de Oliveira. parte do seu vão. que fundamentem uma nova visão do mundo. que os tratados procuram definir e quantificar. obra já citada.arquitectos e engenheiros . constatações empíricas e vagas recomendações de tipo prático. que se ha de dar a huma Igreja. As recomendações exactas sobre estabilidade e sobre outros requisitos indispensáveis à construção. está longe de coincidir com as espessuras das paredes das casas do Porto da mesma época.3. com uma prática construtiva. para a partir delas. lhe darei de grosso ás paredes a 6. (. relativamente aos materiais empregues. Advertencias aos modernos. aleatórios ou enigmáticos. em busca de certezas científicas.. 35 . quando se quizerem executar. “Em o grosso de paredes. não se enquadrando nos conhecimentos científicos da época. Valério. melhorar a sua durabilidade. terá sido talvez o contributo mais importante para a evolução dos sistemas construtivos durante este século. os tratados de arquitectura e construção não são ainda capazes de incorporar as novas descobertas científicas. 1748. onde se procura através da ciência explicar o mundo por leis objectivas e não transcendentes. muitas vezes inócuas ou totalmente desacertadas. e actuando sobre a execução. Esta tendência terá sido motivada pelo crescente incremento da construção.)”77 A procura em racionalizar os métodos e as técnicas de construção. 76 Algumas recomendações baseavam-se em regras que misturavam princípios matemáticos. Contudo. Officina de Antonio da Sylva. trata-se de uma obra de acesso popular. Castro. ou casas.3. esta regra se tira do vão da dita Igreja. Esta tendência irá de resto manter-se durante todo o século XVIII. porque se intento fazer uma Igreja ou casa para a cobrir de madeira. os séculos XVII e XVIII serão conduzidos por um espirito determinista. originada na infinita capacidade criativa dos mestres construtores .
O desenvolvimento das técnicas de execução dos trabalhos de alvenaria. ainda não existem. durante o século XIX. a noção de eixo neutro introduzida erroneamente em 1684 por Mariotte e definida por A. enquanto material com características mecânicas diferentes de qualquer outro. materiais impostos pela força. A. conhecimentos suficientes que permitam aproveitar as suas potencialidades.78 Durante este período verifica-se uma importante alteração dos materiais utilizados na construção corrente. assim como as coberturas em madeira ou em colmo. será porventura o maior sinal de evolução da arte de construir durante este século. obra já citada. pela telha ou pela ardósia. Apesar do aumento da produção de ferro. Historia de la construccion Arquitectónica. reintroduzidas no Renascimento. desenvolvido mais tarde por Bernoulli. Hook no seu Lectures de potentia restitutiva or of spring explaining the power of springing bodies. durante este século e também no seguinte. obra já citada. em algumas cidades europeias. que destrói grande parte da cidade. mas que só mais tarde. povoada de construções todas em madeira. de entre os quais se destaca o de Londres de 1666. Parent em 1713 no seu Recherches de Mathématique et de Physique. 36 . De entre as descobertas cientificas que ocorrem durante este século. As paredes em madeira ou no sistema de tabique misto (fachwerk). A grande revolução que foi a aplicação da pólvora nos processos de extracção de pedra para alvenarias na exploração de pedreiras. para ser utilizado nas formas de construir da época ou até constituir um novo sistema construtivo. Fernand. ou à custa de prémios79. embora de forma lenta e gradual. que se inicia no século XVII. são substituídas pela pedra. Isto devido a vários incêndios ocorridos em algumas cidades europeias. 78 79 VILLALBA. vem constituir outro importante factor de mudança. Castro. o conceito de elasticidade introduzido por R. virão a ser incorporadas no processo construtivo destacamos: o conceito de resistência dos materiais publicado em 1638 por Galileu Galileu no seu Discorsi e dimonstrazioni matematiche intorno a due nuove scienze. BRAUDEL.
A. sem que os tubos de queda interfiram no desenho do alçado. A utilização deste elemento arquitectónico vem levantar alguns problemas construtivos: a forma como deve o algeroz resolver a impermeabilização entre a platibanda e a tacaniça ou como deve ser feito o escoamento das águas. pois os materiais utilizados continuam a ser os tradicionais. A adopção de um novo estilo arquitectónico. obra já citada. Porém. não irá alterar de forma significativa os métodos de construção e os sistemas construtivos. e a exemplo do que acontecia com a reconstrução de Lisboa. determinados pela experiência empírica. pelo menos até à primeira metade do século XIX. Armando. progressivamente dirigidas por princípios de racionalização. de inspiração iluminista. pode não constituir uma rotura com o sistema construtivo tradicional. é instalada a primeira máquina a vapor.81 A partir da segunda metade deste século. assim como no anterior e durante todo o século XIX. resultantes do manuseamento constante de um determinado material ou da repetição de soluções construtivas concretas. mas contribuíram certamente para o apuramento das técnicas construtivas existentes. só provavelmente cerca de 1835. 37 . VILLALBA. mas levanta inevitavelmente novos problemas construtivos que têm de ser resolvidos com os conhecimentos e as técnicas existentes. dá início a um processo de mecanização de várias actividades humanas entre as quais se situam a extracção e a produção de materiais para a construção. que o estilo neopalladiano introduziu no Porto.80 Este processo de industrialização. O decorrente aumento da actividade comercial. Castro. torna estes produtos cada vez mais baratos e acessíveis. criaram mecanismos de racionalização do desenho e de intervenção urbana. segundo princípios de sistematização e modulação. pela sua natureza. vão surgir novos contributos para o processo construtivo.2 Século XVIII A revolução industrial que acontece em Inglaterra. Durante o século XVIII. pela mão da comunidade inglesa residente. a partir da segunda metade do século. em Portugal. Estas alterações não introduziram propriamente soluções inovadoras. no estabelecimento de teorias sobre os processos construtivos. vão determinar que estes se tornem pioneiros na aplicação dos poucos dados científicos disponíveis. que tiveram naturalmente reflexos sobre o sistema construtivo das habitações correntes. Por outro lado.3. Um caso exemplar é a utilização das platibandas. as obras de expansão da cidade do Porto. os trabalhos dos engenheiros militares.3. que alcançará maior expressão no século seguinte. 80 81 CASTRO. obra já citada.
inicia-se a aplicação de processos industriais ao fabrico de todos os produtos susceptíveis de serem comercializados. Contudo. cuja expansão está principalmente associada ao seu desenvolvimento económico. A especialização das actividades artesanais e industriais. mais intuitiva e inicialmente mais eficaz. referido em particular à cidade do Porto ver: TEIXEIRA. o pouco que ainda se manipula do conhecimento científico. não se revelam unicamente como produto directo do processo iniciado com a revolução industrial. neste último caso. alcança maior expressão durante a revolução industrial e prolonga-se durante todo o século XIX. a construção destas habitações não leva à criação e aplicação de novos sistemas construtivos. obra já citada. é ainda incompleto e deficiente no início deste século. são algumas das novidades que vão pautar todo o século XIX.3. utilizando os novos materiais. A debandada da população do campo para as cidades. pretende incorporar. No início do século XIX existem duas formas de abordar os problemas construtivos: . através da pura adaptação dos sistemas e transposição de formas. incrementam uma nova dinâmica de construção de habitação. e na sequência do ritmo imparável da revolução industrial. Estas novidades. Habitação popular na cidade oitocentista. trata de encontrar na tradição. entre nós. Todavia. 1995. . 82 O rápido crescimento das cidades. descrever mal a realidade e reduzi-la a números erróneos é mais perigosos do que recorrer à experiência. 38 . no limiar da dignidade humana. do que pelo processo construtivo. até aos nossos dias. as habitações que se constróem. As ilhas do Porto. talvez com excessiva urgência.3. embora. 83 Durante este século. Sobre este tema. entre os quais se encontram os materiais de construção. a invenção de novos materiais de construção.. Antes pelo contrário. ou o melhoramento da qualidade dos existentes.a pedra e a madeira . empregam os mesmos materiais de sempre .3 Século XIX O processo de encontrar teorias científicas para explicarem todos os aspectos da actividade humana. os métodos para fazer avançar o processo construtivo. Lisboa. JNICT. Porém.A segunda. isso pareça menos inovador. A. Fundação Calouste Gulbenkian. a mecanização e a pré-fabricação. iniciado no século XVII. mas também como consequência da euforia determinística do século anterior.aplicados segundo sistemas construtivos demasiado rudimentares. continuando num ritmo crescente e imparável. Castro. será principalmente potenciada pelo desenvolvimento industrial e dos transportes. que na cidade do Porto se tornará conhecida pelo nome de “Ilhas”. inicialmente. e a consequente implantação da indústria nos seus perímetros urbanos. decorrentes do processo de industrialização. mas vai ganhando rigor e consistência até ao seu final. iniciada com a revolução industrial. inicia-se no século XVII. Manuel C. que não chega ainda a ser demasiado exigente.A primeira. em grande parte económica. 82 83 VILLALBA.
Motivado pelo processo de industrialização. que ao longo deste século passa a estar disponível em grandes quantidades e com qualidade controlada. vai substituindo progressivamente os materiais tradicionais de construção: principalmente a madeira. obra já citada. Traité théorique et pratique de l’art de bâtir. todo o século é atravessado por uma febre de invenções (ver cronologia) que vão directa e indirectamente contribuir para a evolução da arquitectura e da sua construção. de origem empírica. O ferro. até finais deste século. situando-se antes num pseudo cientifismo de origem enigmática. que. durante o século XIX. Em Portugal. A fórmula enunciada por este autor para calcular a espessura de muros (fig. em consequência. Castro. incrementando os processos industriais e a posterior comercialização dos produtos de construção. obra já citada. que estes abordam. que rapidamente se torna num modelo de referência para outras obras. O aparecimento de novas fontes de energia motoras. capazes de substituir o trabalho humano e animal. de apuramento técnico e de perícia de execução.. originam o aparecimento dos transportes como actividade industrial mecanizada. um dos materiais mais emblemáticos da revolução industrial. mas também a pedra. A tendência que os manuais de arquitectura. que se prolongou ainda durante boa parte do início do século XX. cheio de exemplos e citações históricas.A aplicação dos novos materiais e sistemas construtivos dar-se-á principalmente na construção de infra-estruturas viárias. permitiu que os sistemas construtivos tradicionais atingissem um grau máximo de estandardização e sistematização. ainda não são capazes de incorporar as novas descobertas científicas. desde o século XVII. adopta esta fórmula para o cálculo da espessura de muros sem sobrecargas. 39 . vai determinar o aumento do valor da sua incidência no processo construtivo. Contudo. Manuel José Júlio. 85 84 85 VILLALBA. manifestavam. A aplicação dos processos de mecanização à extracção e posterior preparação dos materiais tradicionais de construção. 1). É o caso do tratado de Rondelet. no capítulo dedicado ao cálculo de estruturas. teve ampla divulgação em manuais de engenharia e construção. publicado em 1802. o Guia do operário (. intensifica-se no início deste século. projectadas por engenheiros.). GUERRA. engenharia e construção.. 84 Por outro lado. de uso fácil e adaptáveis às necessidades quotidianas. as fórmulas de dimensionamento de elementos estruturais. verifica-se um aumento do custo da mão-de-obra. publicado em 1867 . Guia do operário nos trabalhos publicos ou resolução de diversos problemas simplices e proprios dos mesmos trabalhos e dos de agrimensura com uma serie de tábuas para mais os facilitar. em conter muita informação detalhada sobre edifícios antigos e contemporâneos. A.
sobre a qual se marca o comprimento AC. a) traça-se uma recta onde se marca a uma determinada escala o comprimento EF. d) traça-se a diagonal AF. correspondente à altura que se pretende dar à parede. divide-se a altura EA em 8. correspondente à extensão da parede cuja espessura se pretende calcular. segundo Rondelet. c) em função do nível de segurança pretendido. e) finalmente. 10 ou 12 partes.A B C E D F A B C E D F A B C E D F Fig. 1 . igual a uma das divisões AB. b) a partir de E. correspondendo a primeira hipótese ao valor mais seguro. traça-se outra recta perpendicular à primeira. marcando na mesma escala o comprimento EA.Método gráfico para calcular a espessura de muros sem sobrecargas. a distância desta. . à recta EA. traça-se uma recta vertical passando por C. em que se dividiu a recta vertical. corresponde à espessura a dar à parede.
passando a utilizar os novos materiais capazes de responder aos novos desafios da época e da imaginação.O século XIX constituir-se-á como um período de transição e rotura entre o mundo antigo. perene. assente nos valores da tradição e da história. que no início faz tábua rasa destes valores. como o ferro ou o betão armado. os novos materiais. Os arquitectos e engenheiros deixam progressivamente de construir segundo as técnicas antigas em alvenaria e madeira. começam a dominar o mercado da construção. Nos finais deste século. e deixam também de estudar as complicadas fórmulas de construção dos edifícios antigos. e o mundo moderno. 41 . da ciência e da máquina.
de estilo ou linguagem. Fernando. tornando-se mais dispendiosos do que os telhados de quatro águas. in Arquitectura Tradicional Portuguesa. pelo facto da cidade desde a sua origem ter sido um importante interposto comercial com vários países. 2 e 3) Como já referimos. obra já citada. de onde terá sido importado o sistema fachwerk. salvas raríssimas excepções. foram surgindo algumas questões relacionadas com o nosso objecto de estudo. Telhados do Porto.o que significa que os oitões terminam horizontalmente. a arquitectura e o sistema construtivo das casas do Porto sofreram em determinadas épocas influências de outras culturas. 3.que durante o período que trata o nosso estudo.4. Com os países do Norte da Europa. que decorrem de uma problematização do tema e para as quais não foi fácil encontrar uma resposta dentro do tempo e do âmbito de realização do trabalho. com os quais o Porto mantinha estreitas relações comerciais no século XVII. Sendo natural que a arquitectura do Porto tenha desenvolvido uma linguagem própria e que as influências que recebeu tenham sido filtradas pela nossa cultura e adaptadas ao nosso contexto. Esta forma. dos bairros da Sé e da Vitória) têm telhados de quatro águas. de telha caleira portuguesa . mas também de influências externas de outras culturas. que decorreram.4 Algumas questões em aberto Durante a elaboração deste trabalho. 42 . A ausência de empena nas fachadas da rua é portanto uma característica peculiar das casas do Porto. a resposta a algumas questões que passamos a expor. por exigirem mais madeira. na mesma linha do beiral frontal. GALHANO. eram mais fáceis de executar e mais baratos. em nada se assemelha às dos telhados das casas dos países do Norte da Europa. Deixamos assim em aberto. Ernesto Veiga de.1 Sobre os telhados "Pode-se dizer que. para futuras investigações. não só das capacidades técnicas das opções construtivas. A que se deve esta particularidade? Que influência ou influências terá sofrido? De onde terá sido importada? Uma explicação poderá prender-se com o facto de os telhados de duas águas exigirem mais pedra na sua construção. até meados do século XIX. Outra explicação poderá prender-se com o facto dos telhados de quatro águas estarem na origem da casa larga e ampla portuguesa.a forma das suas coberturas ou telhados . as casas do Porto (mesmo já as velhas casas estreitas e altas de fachada de tabique. um aspecto parece-nos merecer destaque . directa ou indirectamente. encontramos várias semelhanças entre as dimensões dos lotes e das casas . pois o nosso país foi sempre abundante de boa madeira para a construção.3.estreitas e altas.” 86 (fig. que. é predominantemente de quatro águas. Estas casas eram naturalmente construídas com 86 OLIVEIRA. A maior parte destas questões situa-se nos aspectos formais.
3 Sobre as memórias descritivas No estudo realizado por Maria do Carmo Marques Pires sobre a Rua de Álvares Cabral . Publicações da FAUP. 43 .4. que começa a ser exigido para licenciamento das casas o desenho do alçado da fachada da rua. susceptível de apreciação. do final do século XIX. numa análise mais aprofundada sobre o sistema construtivo das casas do Porto. 3. feitas por exemplo com os lancis de cantaria ou com os diversos elementos de madeira que constituem os revestimentos e acabamentos do seu interior. Qual o grau de sistematização e pré-fabricação dos elementos construtivos alcançado durante o período que trata o nosso estudo? Qual a relação entre uma indústria de produção de materiais construtivos e o saber empírico dos construtores? Qual a relação entre a mesma indústria de produção de materiais construtivos em massa e o sentido estético afirmado no gosto dominante? 87 MARQUES PIRES. constitui um elemento secundário na estrutura do seu sistema construtivo (ver descrição do sistema construtivo). para o licenciamento das casas? 87 3. fazendo menção aos materiais e sistema construtivo adoptado.4. Esta medida enquadrava-se numa política urbana fundamentada nos traçados reguladores. podemos observar engenhosas combinações. 2000. Porto.4. Maria do Carmo. Em que época a Câmara inicia a exigência de apresentação das plantas das casas? Que motivos levam a esta exigência? Será o regulamento de salubridade das edificações urbanas e as políticas higienistas que determinam a exigência de apresentação dos desenhos das plantas das casas? 3.2 Sobre o desenho das plantas das casas Terá sido a partir da segunda metade do século XVIII. fazendo menção aos materiais e sistema construtivo adoptado. cuja forma melhor se adaptava à resolução de coberturas de grandes dimensões. É de notar que a fachada da casa. A Rua Alvares Cabral (1895-1940) Formas de Habitar. encontramos documentos de memórias descritivas.4 Sobre a pré-fabricação dos elementos construtivos Basta olharmos para uma qualquer rua dos séculos que estamos a tratar para constatarmos que a uniformidade dos alçados das suas casas se deve à sistematização dos elementos que constituem o sistema construtivo desses alçados e consequentemente da sua arquitectura. De facto. os quais determinavam uma uniformidade do desenho de conjunto dos edifícios. Em que data e que motivos levam à exigência da apresentação de memórias descritivas.telhados de quatro águas.
S. a predominância de telhados de quatro águas nas casas.Vista da cidade do Porto de finais do séc.XVIII.Fig. XVII ou principio do séc. . Maldonado.Vista da cidade do Porto de 1788 por T. 2 . onde se pode observar. apesar do esquematismo do desenho. onde se pode observar que a maioria das casas têm telhados de quatro águas. 3 . Fig.
de sensivelmente onze metros. Deste modo. Tomaremos como forma corrente para a casa um paralelepípedo com uma largura variável entre os quatro e os sete metros. maioritariamente composta de pedras de cantaria em forma de lancis (correspondentes às ombreiras.1 Esquema da descrição Antes de passarmos à descrição pormenorizada do sistema construtivo dos vários elementos que constituem as casas burguesas do Porto. as fundações assentam sobre estacaria por intermédio de pranchões. para assim garantirem uma melhor descarga dos esforços sobre o terreno. que podem ser construídas em alvenaria de pedra (granito). quando o terreno é de má qualidade (como acontece nas proximidades dos rios). em tabique simples ou tabique simples reforçado. Nas áreas da cidade do Porto correspondentes ao nosso estudo. (ii) estrutura dos sobrados e (iii) estrutura da cobertura. podendo. de aparelho irregular (em forma de perpianho ou travadouros). As paredes de meação e as paredes das fachadas em alvenaria de pedra. nos exemplos mais antigos ser construídas em tabique misto (estrutura de madeira preenchida por pedra miúda ou tijolo). A estrutura principal da casa é constituída por: (i) paredes de meação. faremos uma descrição sumária de um modelo de casa abstracto. correspondente a três pisos. vergas e parapeitos das aberturas e elementos decorativos) ou. em pinho nórdico. mas que reúna características comuns às três épocas que nos propomos abordar. para assim poder orientar melhor a descrição posterior. formam uma estrutura contínua que assenta sobre o nivelamento estabelecido para as paredes das fundações . as fundações podem alcançar uma profundidade muito reduzida se estiverem localizadas sobre afloramentos rochosos ou. em tabique misto ou tabique simples.ensoleiramento geral ou elegimento. normalmente em madeira de castanho. pretende-se adiantar uma visão global do nosso objecto de estudo. (ii) paredes interiores de compartimentação e da caixa de escadas.4. (iv) estrutura da clarabóia e pelas (v) estruturas das águas furtadas ou de outros elementos de pequena dimensão que pontuam as coberturas. alcançando as profundidades necessárias até encontrarem terreno firme. A estrutura secundária é constituída por : (i) paredes das fachadas. As paredes das fundações aumentam de espessura. um comprimento variável entre os quinze e os vinte e cinco metros e uma altura. pinho da terra ou. entre os séculos XVII e XIX. com espessuras médias de 30cm e 70cm respectivamente. 45 . a profundidade das fundações está directamente dependente das qualidades do terreno. normalmente construídas em alvenaria de pedra de granito. ambas compostas por vigas em forma de paus rolados. (iii) estrutura das escadas. quando se trata de pisos acrescentados. nos exemplos mais endinheirados. Deste modo. DESCRIÇÃO DO SISTEMA CONSTRUTIVO 4.
Pelo interior. podendo ser executadas na fase de acabamentos. as paredes de compartimentação estavam apenas dependentes da modulação do vigamento. em meados do século XIX. que servem de acesso aos volumes dos sanitários. pois serviam de apoio à estrutura das escadas. estas paredes. passa a ser este o tipo de revestimento mais comum das paredes das fachadas. travessanhos. Pelo interior. garantem a continuidade da estrutura de alvenaria das paredes de meação. ao nível do piso do rés-do-chão. dispostos em forma de frechais. nos exemplos mais antigos. Quando o azulejo começa a ser produzido em larga escala. estas paredes eram revestidas e acabadas da mesma forma que as paredes de alvenaria. servindo de travamento à estrutura dos pisos e de apoio a uma parte da estrutura do telhado. nas partes expostas. enquanto que as paredes da caixa de escadas tinham a sua localização limitada ao espaço dos acessos verticais da casa. estas paredes eram revestidas por rebocos à base de argamassas de saibro e cal. os exemplos mais comuns são de revestimentos em soletos de ardósia ou em chapa zincada ondulada. inicialmente protegida por um revestimento de soletos de ardósia ou de telha vã. na continuidade da parede que conforma o corredor da entrada. com acabamento estucado e pintado. correspondente às tacaniças. As paredes das fachadas eram revestidas pelo exterior com rebocos à base de argamassas de saibro e cal. Pelo exterior. estas paredes eram revestidas com uma impermeabilização de asfalto. escoras e vergas. As paredes de meação eram revestidas e acabadas da mesma forma pelo interior. 46 . As paredes dos pisos acrescentados. mais tarde substituído por chapa zincada ondulada. com acabamento estucado e pintado.As paredes das fachadas. de compartimentação e da caixa de escadas. Contudo. Porém. eram construídas em tabique misto. Estas varandas eram frequentemente fechadas por marquises em estrutura de madeira. sendo o preenchimento com pedra miúda ou tijolo substituído por um duplo tabuado de madeira. Embora sejam raros os exemplos. devido a grande parte da sua área conter aberturas de grandes dimensões. a partir do início do século XIX. com acabamento estucado ou revestido a azulejo. normalmente recuadas relativamente às paredes das fachadas. As estruturas das paredes de tabique simples ou tabique simples reforçado constituem duas variações sobre a anterior de tabique misto. normalmente em madeira de pinho. prumos. é possível encontrar paredes da caixa de escadas em alvenaria de pedra. igualmente em alvenaria de granito. em tudo semelhante às paredes de tabique simples reforçado. eram igualmente construídas em tabique simples ou tabique simples reforçado. Posteriormente. O revestimento e acabamento exterior destas paredes podia ser executado em reboco à base de argamassas de saibro. provavelmente a partir de meados do século XVIII. passam a ser construídas integralmente em tabique simples ou tabique simples reforçado. que aí passam a localizarse. de maior espessura. A estrutura das paredes de tabique misto era executada por barrotes. As paredes das fachadas de tardoz adquirem largas varandas apoiadas em cachorros de grandes dimensões. quando se situavam sobre as paredes de meação e sobre as paredes das fachadas. As paredes interiores. preenchida por pedra miúda ou tijolo maciço em forma de cunha.
Os tectos. pernas. e chincharéis. Ao nível do rés-do-chão. compostas por linha. vigas longitudinais apoiadas nas vigas existentes que definem o vão. pendural e escoras. possibilitando assim um maior aproveitamento dos seus vãos. constituídos por duas vertentes principais. 47 . a partir dos finais do século XIX). A estrutura das escadas é composta por duas ou três vigas pernas.As paredes interiores de compartimentação e da caixa de escadas eram revestidas e acabadas da mesma forma que as restantes paredes da casa com as quais formavam continuidade. correspondentes às paredes de meação. onde vão assentar as telhas. passam a ser estucados com variados motivos decorativos. As asnas mais antigas têm uma forma simples. a divulgação da telha Marselha. podendo este ritmo ser interrompido pela localização da clarabóia. correspondentes às épocas do nosso estudo. formados por cadeias e chinchareis. espaçados entre si cerca de 50cm e apoiados nas paredes de meação. sendo constituídas apenas por linha. Os telhados típicos das casas do Porto. a estrutura do sobrado era elevada em relação ao terreno. as madres e o pau de fileira e sobre estas vigas é pregado o varedo. Os pisos dos sobrados eram revestidos por tábuas de soalho com cerca de 3cm de espessura. com encaixes e permitindo pendentes acentuadas. para assim permitir a sua ventilação e conservação. com pendentes no sentido frente traseiras.5m e travados entre as paredes das fachadas. que garantem a continuidade do vigamento existente. encimadas por uma clarabóia de grandes dimensões. vem incentivar a construção de telhados de duas águas. A estrutura dos sobrados era constituída por um vigamento em forma de paus rolados (progressivamente substituídos por vigas de madeira esquadriada. A partir do século XIX estas asnas vão sendo substituídas por estruturas complexas. pernas e nível. inicialmente revestidos por tabuado. A caixa de escadas é um importante espaço interior. a partir de meados do século XVIII. A estrutura do telhado é constituída por asnas. correspondentes às paredes das fachadas. É sobre as vigas pernas que assentam os espelhos e cobertores dos degraus. espaçados entre si cerca de 1. A partir de meados do século XIX. apoiadas nas paredes de meação e espaçadas entre si cerca de 3m. apoiadas nas cadeias dos patamares de piso e dos patamares intermédios. que podem ser de dois ou três lanços. e por duas tacaniças. plana. onde se situam as escadas. que iluminava e ventilava os espaços interiores da casa. e sobre este o ripado. A unir as asnas temos os contra frechais. conforme a largura dos lanços. vigas de menor comprimento. Este vigamento é estabilizado por tarugos. com um espaçamento de 50cm. são maioritariamente de quatro águas. Quando é necessário interromper o ritmo do vigamento para introduzir um vão de escadas ou clarabóia recorre-se à utilização de cadeias. com um ou dois patamares intermédios.
ora se localizam no plano das águas da cobertura. nos exemplos mais modestos. durante a construção da casa ou posteriormente. por chapa zincada. Os vãos com caixilhos envidraçados eram ainda complementados por portadas interiores. pelo exterior. por caixilhos de guilhotina. trapeiras ou mirantes. fixos aos aros de gola dos lancis das ombreiras. Pelo interior. à semelhança do que acontecia com os caixilhos das portas do rés-do-chão. as clarabóias eram revestidas da mesma forma que as restantes paredes da casa e. eram preenchidas por caixilhos de portas de uma ou duas folhas de abrir. ora se constituem em elaboradas formas prismáticas de ferro e vidro. As estruturas das paredes e coberturas destes elementos são em tudo semelhantes às estruturas das coberturas e das paredes de tabique já referidas. as janelas de sacada e de peito eram preenchidas por caixilhos de batente em vidro ou. 48 . A maioria das coberturas foram acrescentadas de elementos de pequena dimensão. fixas aos aros de gola dos lancis das ombreiras. podiam ser revestidas por telha caleira. Os seus lanternins. como águas furtadas.As clarabóias de variadas formas podem ser redondas ou ovais e quadradas ou rectangulares. possibilitando a iluminação e ventilação dos seus vãos. As aberturas das paredes das fachadas. chapas de zinco ou chumbo e. a partir da segunda metade do século XVIII. ao nível do rés-do-chão. Nos restantes pisos.
os metais. AFONSO. e a pedra.4.. A uniformidade de materiais e a repetição de soluções construtivas que caracterizam a arquitectura do passado. no sentido inverso.“(. Cecil D.2 MATERIAIS Os materiais utilizados na construção de edifícios. durante o período em que situamos o nosso estudo. pois a madeira não seria apenas empregue nas residências dos menos abastados. José Ferrão. Technics and architecture: the development of materials and systems for buildings. esta "(. obra já citada. Daniel. A industrialização pouco alterou a natureza e as qualidades de muitos materiais. terminando com o exemplo de Portugal e da construção na cidade do Porto em particular. ROCHE. BRAUDEL.”91 Na breve descrição.) é tanto mais natural quanto os materiais de construção variam pouco. procuramos. Os primeiros avanços tecnológicos aperfeiçoaram e melhoraram as ferramentas e os métodos usados na preparação dos materiais de construção. sendo provável. como a pedra. características técnicas e de execução. mas as alterações daí decorrentes resultaram na maior parte dos casos da transferência de processos manuais para operações feitas por máquinas. verdadeira.”90 Alguns séculos antes do período que estamos a tratar.. dos materiais presentes na construção da casa do Porto durante os três séculos visados. sempre que os dados recolhidos o permitiram. as matérias-primas para execução das argamassas e tintas ou para o fabrico de elementos cerâmicos. mas aumentou a sua disponibilidade. são geralmente provenientes da sua periferia. seguido de alguns apontamentos de carácter geral. A mesma asserção é. dirigir a abordagem para a seguinte linha de exposição: começamos por fazer um enquadramento histórico. quanto impõem em cada região certas restrições. embora não de forma exclusiva. como aos materiais transformados. os materiais empregues na construção da habitação no Porto “(. Fernand.) variavam entre dois tipos fundamentais: a madeira e os seus derivados. obra já citada. a madeira. que esta fosse sobretudo utilizada nos diversos tipos de habitação qualificada. 88 A cidade nunca foi auto suficiente em materiais necessários à sua construção.. continuamos fazendo referência às principais propriedades.. facilitando o acesso tanto aos materiais em bruto. As grandes mudanças ocorreram essencialmente no desenvolvimento de métodos mecânicos de manufacturação e na forma de os comercializar. são os materiais que estiveram presentes ao longo de todas as épocas da história da civilização. em que se inclui a taipa.. 88 89 90 91 ELLIOTT... obra já citada. 49 . a madeira ou o vidro. que aqui se apresenta. obra já citada.) depende também dos campos para os seus materiais (…)"89 : a pedra.
Departamento de Engenharia Civil do Instituto Superior Técnico.) torna-se imperativo utilizá-las empregando no entanto algumas precauções a fim de que elas estejam menos sujeitas a deteriorar-se. Lisboa. da capacidade e experiência de quem participava nesta tarefa. Idem. a propósito das pedras que se extraíam das pedreiras próximo de Roma refere: ”(. VITRÚVIO. outra aconselhava a nunca empregar a pedra imediatamente. em grande parte.”96 92 93 94 95 96 BRAUDEL. ornamentos. Manuel José Júlio. e que as outras que após terem sido testadas pela própria natureza. obra já citada. uma civilização da pedra levou séculos a instalar-se. de forma que aquelas que o mau tempo tenha danificado sejam colocadas nos fundamentos. assim como a madeira. garantindo uma escolha mais adequada à sua utilização na construção. utilizados na construção após uma prévia preparação superficial. então serão utilizadas na Alvenaria realizada fora de terra. MENICALI. Foi preciso investir ao longo de séculos. de dimensões variáveis e de forma mais ou menos regular. 1998. apesar da madeira necessitar de maiores cuidados para a sua conservação. depois de colocados em obra.94 Vitrúvio.1 PEDRA “No Ocidente e no Mediterrâneo. Maria Helena Rua.. se forem boas. construiu-se e ainda se constróem paredes. Essas precauções são de as tirar das Pedreiras no Verão e não no Inverno. como o corte ou o talhe e que. a determinação das propriedades das pedras era efectuada por simples observação. dependendo o resultado. Com este material. são os materiais mais utilizados na construção e os únicos com capacidade para serem aplicados em bruto. pavimentos.4.. Podemos considerar a pedra como fragmentos de rocha. trad. revestimentos. Sobre esta base empírica generalizaram-se algumas regras: uma indicava o verão como a melhor altura para a extracção das pedras. até ao limite de dois anos.) será conveniente que antes de se empregarem se exponham à acção do ar. Foi preciso explorar as pedreiras. escolher as pedras fáceis de trabalhar e que depois endurecem ao ar. a propósito das pedras a utilizar na construção de edifícios. Os Dez Livros de Arquitectura. e de as expor ao ar num local descoberto dois anos antes de as colocar na obra. obra já citada. é possível reconhecer a sua proveniência natural. GUERRA. coberturas.” 95 O Guia do operário de 1867. refere: “(. obra já citada.2.93 No passado.”92 A pedra. Este método permitia determinar a resistência da pedra em condições de temperatura e humidade extremas.. de forma a estas poderem expelir rapidamente toda a água que tinham absorvido naturalmente. mantendo-a exposta à acção dos agentes atmosféricos durante alguns meses.. Fernand. da agua do gêlo e do fogo. I materiali dell’idilizia storica .Tecnologia e impiego dei materiali tradizionali. 50 . Umberto.
Manuel José Júlio.0. e deve-se rejeitar. que as mais pesadas com o mesmo volume são as que têem maior resistencia”98 Os construtores do passado conheciam e punham em prática o princípio segundo o qual a resistência de uma pedra varia consoante a direcção em que se lhe aplica um esforço. a pedra é basicamente constituída pelos granitos. isto é. continuamos a encontrar referências no mesmo guia. incluí carta de Tomás de Modessan e algumas palavras prévias de Artur de Magalhães Basto.. Umberto. já um documento datado de 1308 refere a existência de uma pedreira no Olival. GUERRA.” “Nas pedras da mesma especie as suas resistencias estão na relação dos cubos dos seus pesos especificos. Paz. aconselha: “As pedras devem-se assentar com os seus verdadeiros leitos. J. 100 GUERRA.103 97 98 MENICALI. 99 MENICALI. obra já citada. Manual do Pedreiro. cor. 2ª ed. resistência que varia entre os 1500 e os 2700 kg/cm2 à compressão. A testemunhar a abundância do granito na cidade e a sua exploração. formadas pela aglomeração de três minerais: o quartzo ou sílica. obra já citada. obra já citada. "(. sobre esta particularidade. humidade contida na rocha e sobre todas as condições que tendem a contribuir para a sua robustez. e este mesmo preceito se deve seguir nas abobadas. quantidade de veios e presença de argila ou ocre era suficiente para estabelecer o grau de trabalhabilidade do material. obra já citada. traduzidas nas duas passagens seguintes: “Quando uma pedra se torna pulverulenta e faz lascas.101 No Porto. estado de alteração. fornecendo ainda indicações precisas sobre a sua coesão.. eram colocadas de forma a que o peso da estrutura actuasse na direcção perpendicular ao seu leito de origem.. Lisboa. 1981. (ou aos planos de maior divisibilidade).”100 Os granitos pertencem ao grupo das rochas ígneas profundas ou pedras siliciosas. Porto. agravandose com o tempo.5 a 3.. 51 . Manuel José Júlio. muito boa aderência às argamassas e uma trabalhabilidade variável. reconstituindo assim na obra a posição original das pedras. Apresentam densidades que variam entre 2. com os que tinham na pedreira d’onde se extrahiram.. grão.99 O mesmo guia. Umberto. é sinal que absorve a humidade.) de que abundam os arrabaldes e subúrbios desta cidade (. Agostinho Rebelo da. obra já citada. 1945. 103 AFONSO. isto é.O confronto entre diversas qualidades de pedra baseado no seu peso. por isso as pedras que constituíam elementos estruturais. 102 COSTA. Livraria Progredior. Descrição Topográfica e Histórica da Cidade do Porto. o feldespato e a mica. LNEC.)"102.97 A este respeito. 101 BRANCO. José Ferrão.
o granito amarelo. pilastras. mais fácil de trabalhar. nas sacadas. 52 . a ser revestida por reboco. cimalhas e outros elementos decorativos. mais duro.O granito azul. era preferido para a alvenaria ordinária (perpianho ou travadouros). era utilizado nos trabalhos de cantaria: molduras de portas e janelas. frisos.
a madeira era o único material (além do ferro) com capacidade para funcionar à tracção. No entanto. a madeira era o material mais utilizado na construção de edifícios. Materiais de Construção. o córte deve ser feito no verão ou no começo do outomno.4. 1896. É por este motivo que este é o tempo mais apropriado para cortar as árvores tal como foi justificado. de forma que quanto mais o fruto se fortifica em se alimentando. a madeira é muito dura. o ar húmido e confinado transforma a madeira numa espécie de húmus em consequência da sua lenta decomposição. a árvore só pesa 90% do seu peso primitivo. muito mais débeis. influenciada pela sua exposição às agressividades do clima ou pela acção nociva de certos insectos. não se desbastando as folhas da arvore a cortar. e as folhas começam a murchar. obra já citada. mas. impregnando então as fibras vasculares do tronco. Assim quando no Outono os frutos morrem. Mas após o nascimento toda aquela alimentação que era consumida por um novo crescimento." in LEITÃO. entre outras qualidades. no fim de um ano desce para 80% e no fim de dois anos só pesa 75%. e então o frio do Inverno que entretanto surge. mais diminui a força e a firmeza daquilo que o produziu. de não menos prestigioso parecer. no meio da controversia que tal questão tem levantado. do final do século XIX. 105 Sobre a melhor altura para o abate das árvores. era fácil de transportar e de trabalhar. encaminha-se para os veios que até então se encontravam vazios. O ar seco exerce sobre a madeira simplesmente o efeito de dessecação. Isto porque. Seis meses depois de cortada. Um manual de construção português. e o corpo da mãe fortifica-se. porque a experiencia de muitos seculos tem provado a superioridade das madeiras tiradas de arvores abatidas n'esta epocha.2 MADEIRA Durante o período que estamos a tratar. A conservação da madeira imersa completamente em água é praticamente ilimitada. não sendo mais necessária para a produção duma coisa estranha. trad. com a alternância de secura e 104 SEGURADO. o ar secco penetra nos canaes seivosos activando muito a dessecação da madeira. mesmo descontando as estruturas do estaleiro e grande parte das ferramentas que também eram. porque a seiva. outros. susceptivel de empenar. saber qual a epocha do anno mais propicia para o córte das arvores. na sua maioria. Escola Central da Arma de Engenharia. tal como acontece com as mulheres durante o seu período de gravidez que não são consideradas como se encontrando num estado de inteira e perfeita saúde. ao secar. Luiz Augusto. pelo contrário. Libraria Bertrand. 53 . acontecendo à vezes rachar e tanto mais quanto mais rápida for a sua dessecação. a sua madeira perde parte notável do peso. retomando as suas antigas forças. que vindo a aumentar atrai sobre si uma boa parte da melhor alimentação. Maria Helena Rua. e volta ao seu primeiro estado. Nas zonas temperadas segue-se o systema de realizar a operação depois da queda das folhas. as árvores retêm nelas todo o suco que as suas raízes retiram da terra. antes que o vento Favonius comece a fazer-se sentir: pois na Primavera o tronco de todas as árvores está como que envolto de folhas e de frutos que são gerados todos os anos. effectuando-se pela sua superficie a evaporação da seiva. apresentam a vantagem de serem mais deformáveis. 6ª edição. estando a seiva solidificada. envolve-as e fortifica-as. em que as árvores empregam toda a virtude da sua substância: e a humidade natural do tempo que as preenche necessariamente. relativamente às de alvenaria de pedra. João E. Esta acção destruidora é auxiliada pela luz solar. completamente seca só pesará 70%. As fibras lenhosas conservam-se indefinidamente em contacto com o ar seco.2. dos Santos. Os Dez Livros de Arquitectura. Curso elementar de construções. Biblioteca de Instrução Profissional. Vitrúvio avança com uma explicação tão curiosa quanto prosaica: “O espaço de tempo apropriado para o corte da madeira de construção está compreendido entre o início do Outono até à Primavera. Lisboa. Segundo Boucherie. apontava várias hipóteses: "É difficil. 1934. ligeiras e económicas. de difficil trabalho e muito influenciada pelas acções hygrometricas. no começo do inverno. A razão por que isso sucede deve-se àquilo que foi concebido. dá origem á sua facil fermentação e consequente apodrecimento. Lisboa. construídas em madeira. existindo com alguma abundância por todo país.” in VITRÚVIO. Estado Maior do Exército. As construções de madeira. ao rarefazer-se torna-as. visto que. Emquanto alguns auctores pretendem demonstrar que as arvores não devem ser cortadas na primavera nem no verão. opinam que o córte não deve ser feito no tempo frio ou chuvoso do inverno e do outomno porque. os seus inconvenientes são também conhecidos: a fácil combustão e a durabilidade. aquilo que faz com que não seja minimamente fiável as Escravas serem sãs quando são vendidas inchadas. moluscos e vegetais.104 Depois de abatida a árvore 105 .
LNEC. visto que era um transporte de cabotagem. podendo também ser importadas. 110 Os dados apresentados baseiam-se em elementos recolhidos no capítulo dedicado às madeiras do manual Materiais de Construção. este também refere que: “Para evitar estes inconvenientes. perdendo em pouco tempo a sua resistência. 108 GUERRA. particularmente. 109 MADEIRAS. Livraria Figueirinhas. contudo. à data da sua edição. a madeira empregue na construção deverá estar bem seca e isenta de seiva. Durante o século XIX." 109 Estas madeiras são: o castanho. Nestes últimos dois casos é ainda utilizado o pinho manso e a casquinha. isso vai resultar no empeno das peças e no seu apodrecimento. editada pelo Ministério das Obras Públicas. vol. durante o período que estamos a tratar. a madeira decompõe-se muito depressa. Regra geral. XV. Joel Serrão. em alguns casos excepcionais de trabalhos mais esmerados. Sobre as madeiras mais abundantes no nosso país e. o melhor é deixal-a seccar bem. in Dicionário de História de Portugal. ou seja. resultante da fermentação da seiva. o carvalho e nalguns casos o pinho de Riga.110 106 107 SEGURADO. Dantzig e Riga são os grandes fornecedores. 1985. do Engenheiro Segurado. dir. conforme as condições climatéricas. caso contrário. A madeira aumenta de volume ao absorver água e contrai-se ao secar. dos Santos. obra já citada e na publicação Terminologia de Madeiras. como lambrins. Materiais de Construção. proveniência e quantidade de água contida. Porto.107 Voltando ao mesmo guia de construção. A partir do séc. A densidade da madeira é muito variável. O seu transporte era fácil. pela acção do ar e da humidade. "A produção nórdica tinha a vantagem de fornecer uma madeira de qualidade.”108 As madeiras utilizadas na construção da casa burguesa do Porto. dar-lhe uma tinta ou alcatroal-a. o pinho nacional para as estruturas e revestimentos dos tabiques. A variação da quantidade de água contida na madeira provoca alterações nas suas dimensões transversais. soalhos e caixilharias exteriores e interiores. eram maioritariamente provenientes das regiões à volta da cidade e talvez do Pinhal de Leiria. 54 . obra já citada. que mais não é do que a sua lenta combustão. em 1955. João E. V.humidade. absorve e deixa evaporar água com bastante facilidade. começa a empregar-se o mogno e outras madeiras importadas do Brasil e de África. Manuel José Júlio. que aborda de forma sistemática e sucinta as características das principais madeiras utilizadas em Portugal. obra já citada. o comprimento das peças mantém-se invariável. caixilharias interiores e alguns tectos. sobre as utilizadas com maior frequência na construção das casas do Porto durante o período do nosso estudo. apresentam-se de seguida algumas das suas principais características. O melhor meio de evitar este fenómeno é proteger a superfície exterior da madeira por meio de pintura ou envernizamento. e depois de empregada em obra. Idem.106 Uma das principais propriedades da madeira é ser muito higrométrica. para o vigamento dos sobrados e a estrutura das coberturas. dependendo para a mesma espécie da idade. pois.
textura grosseira e não uniforme. pois é muito resistente à água. dura. o que a torna muito utilizada na construção. O pinheiro silvestre. da estrutura das escadas interiores e da estrutura dos telhados. O carvalho. Todavia. sendo a sua madeira a mais utilizada na construção das habitações correntes durante a época que estamos a tratar. são madeiras leves. 55 . fornece uma madeira de resinosa. o que lhes confere maior dureza e uma resistência natural ao ataque de parasitas. nas províncias da Beira. Beira e Algarve. Pinus Pinaster. onde se pretende a execução de uma estrutura leve. Apresenta. é relativamente barata. mas.simplesmente descascado. Das madeiras existentes no nosso país. por 7m de comprimento máximo . fácil de trabalhar. de cor pálida ou castanho avermelhada. textura grosseira. que passaremos a designar por pau rolado.O castanheiro. de cor pálida. de cor acastanhada. leve. o carvalho é a mais dura de trabalhar. esta característica torna-as mais combustíveis ao fogo. A madeira de castanho é muito empregue na construção de telhados. abundante nas províncias de Traz os Montes. fornece também uma madeira de folhosa. fornece uma madeira em tudo semelhante à do pinheiro bravo. moderadamente dura e pesada. O pinheiro manso. conhecido entre nós como pinho da Flandres e pinho de Riga. Pinus silvestris. O pinheiro bravo. Traz dos Montes e Douro. Quercus Robur. Pinus Pinea. Também conhecida por pinho da terra é uma madeira bastante resistente à acção da água. fácil de trabalhar e muito durável. textura não uniforme. Talvez o elemento construtivo de madeira verdadeiramente característico das casas do Porto seja o simples tronco ou toro de madeira. Castanea sativa Mill. pouco durável e moderadamente retráctil. fornece uma madeira de folhosa. A cor avermelhada que muitas madeiras de pinho apresentam. Sendo uma madeira muito abundante no nosso país. em determinadas situações. No entanto. principalmente no distrito de Leiria. conhecidos entre nós pelos nomes de casquinha e pitch pine respectivamente. Este tronco de madeira. leve. de várias dimensões . muito fácil de trabalhar e durável. moderadamente pesada e relativamente fácil de trabalhar. dura. no entanto. Tem o defeito de apresentar muitos nós. é o principal elemento da estrutura dos sobrados. por outro lado. de carvalho ou castanho. deve-se à resina que estas madeiras conservam do tronco depois de cortado. fender com facilidade e ser muito vulnerável ao ataque de parasitas. fornece uma madeira de resinosa. O pinho do norte e o pinho da América.18 a 25 cm de diâmetro. de cor pálida ou castanha. o seu peso elevado pode tornar-se um inconveniente. a mais duradoira e resistente. de textura branda. o que a tornava muito procurada para emprego em estacarias. Os pinheiros são as árvores resinosas mais abundantes por todo país. o inconveniente de ser facilmente atacada pelo caruncho. nalguns casos de riga. de que existem várias espécies no nosso país. mas mais nodosa. elásticas e muito duráveis.
em duas faces. Com efeito. junto às paredes das fachadas ou como cadeias. os paus rolados. como tesouras. em quatro faces. durante todo o século XVIII e princípios do século XIX. Os paus rolados são também utilizados para a construção da estrutura dos telhados. os principais elementos das estruturas das coberturas.Quando são utilizados nos sobrados. madres. ora se apresentam falqueados. frechais e contra-frechais. ora se apresentam em falca de meia quadra. têm a forma de paus rolados. 56 . para poderem receber os revestimentos do soalho e do tecto. fileiras.
Rotary Clube de Lisboa. na base da composição das argamassas dos trabalhos em estuque. Em Tebas foram encontradas antigas pinturas sobre gesso. comum a todas as culturas. 1958. 1998. é confirmada a presença de gesso em rebocos e acabamentos em Hassuma.. LUXÁN. desde o antigo Egipto até à actualidade. 111 Quase todas as pirâmides do Egipto contêm trabalhos de estuque. usavam uma calda de gesso semi-hidratado. duro e espesso. R. pavimentos em gesso. A invenção técnica também não deixa de ser surpreendente. era utilizado com frequência para a realização de pintura decorativa. Los trabadillos: origen.C. in Actas del Segundo Congreso Nacional de Historia de la Construcción.. Centro de Estudios Históricos de Obras Públicas y Urbanismo. já em pleno período cerâmico. comum a todas as civilizações que deixaram marcas na história. remontam a Eynan e Jericó (8000-7000 a. M. nos seus trabalhos de maior requinte. Por volta de 5000 a. Os vestígios mais remotos de utilização de gesso.4. F. P. pelo menos. cerca de 470 a. SOTOLONGO. vestígios da ocupação romana da nossa Península. Matarrah. como armadura. de que é exemplo o templo de Apolo em Bassoé.000 anos. na fase correspondente ao Neolitico A (6800 a. na fase correspondente ao Neolitico B. 112 O estuque é.C. indiscutivelmente.). associado à construção de habitações. os antigos egípcios. utilizados maioritariamente em interiores. Baghuz. revestidos a gesso. um dos mais antigos trabalhos manuais realizados pelo homem. 4. É ainda frequente encontrar em muitos templos. 111 DORREGO.) o gesso é utilizado em rebocos. Na Grécia o estuque à base de gesso. não só pela sua utilização na construção. que alguns dos revestimentos mais remotos ainda se conservam em bom estado e continuam a desafiar os séculos. executada a seco ou a fresco.2. Os magníficos pavimentos de mosaico. decorado com pigmentos decorativos. eram assentes com um ligante que tinha por base o gesso. utilización y técnicas de preparación. mas também enquanto associado a uma intenção estética. O gesso . Eridu e Soyalk (Mesopotâmia e Irão).C. C. sob a forma de todo o tipo de ornamentos decorativos. a mais conhecida utilização do gesso. A Coruña. 112 NUNES. como acontece com os trabalhos que necessitavam de ser fortalecidos. Em Jericó (7000-6000 a. C. de tão perfeita composição. onde as construções são feitas com barro e o gesso é utilizado no fabrico de peças escultóricas.). Universidad de A Coruña..C.sua aplicação através dos tempos. desde o antigo Egipto até à actualidade. que datam do Novo Império (1555 a 1090 a. Idalino António.C. De facto. de grande qualidade de acabamento. Está provada a presença de gesso utilizado como reboco de paredes construídas em barro. em Çatal Hüyüc na Anatólia (7500-6500 a.)... Sociedade Española de Historia de la Construcción. 57 . onde era utilizado cabelo ou tecido de linho. em maior ou menor grau.) e na construção de pavimentos. Instituto Juan de Herrera. manifestou-se sobre a forma de todo o tipo de ornamentos decorativos arquitectónicos. Todavia.3 GESSO O gesso foi o material que esteve sempre presente. executados há.
quando misturado com água. Serra da Arrábida. é necessário retirar-lhe parte da sua água de hidratação. aumentar de volume e fazer presa quase instantaneamente. De igual modo. 113 A capacidade de dilatação (aumento de volume) do gesso quando faz presa.170º C. adquirindo dureza e bastante resistência. a sua aplicação limita-se praticamente à execução de estuques e à composição de determinados tipos de betumes e tintas. pelo que se empregam muitas vezes ferramentas de cobre ou de madeira na sua manipulação. conservar a forma destes se comprimido e. ainda que pequena. Para poder ser utilizado na construção. Materiais de Construção. deve ser doce ao tacto. A adição ao gesso de uma cola forte ou gelatina garante uma massa de grande dureza e com capacidade para ser polida. João E. torna recomendável a sua presença em certo tipo de argamassas. O gesso adere mal à pedra. Esta reacção é acompanhada por uma elevação da sua temperatura. 115 113 114 115 SEGURADO.). obra já citada. na época em que situamos o nosso estudo e actualmente. 2002. Este gesso. 114 Apesar de existirem dados que confirmam a utilização de gesso aplicado sobre variadas formas nas construções de civilizações remotas. o gesso precedeu a cal na realização de revestimentos. pior à madeira e ataca o ferro. Publicações FAUP. Porto. O gesso só deve ser utilizado em lugares secos. AGUIAR. Estudos cromáticos e conservação do património. o de melhor qualidade e pureza de cor. ao contrário da argamassa ordinária. na água. 58 . Idem. preenchendo exactamente os vazios entre os materiais. que acontece entre os 130 . pois altera-se com a humidade.O gesso encontra-se na natureza no estado de sulfato de cálcio hidratado. etc. a sua menor resistência e durabilidade associadas à limitação da sua aplicação em ambientes exteriores. provocando a sua oxidação. Óbidos. condicionaram o seu emprego. aderir aos dedos. mas. através da calcinação. podendo ser usada como acabamento simples ou em motivos decorativos. porém. perde com o tempo parte da sua dureza. Por este motivo. dos Santos. devido à sua solubilidade. também não tolera temperaturas elevadas. é importado de Espanha e de França. José. Cor e cidade histórica. quando é de boa qualidade. o gesso. Efectivamente. O nosso país é rico em alguns jazigos de gesso (Porto de Mós. tornando-o anidro e constituindo o chamado gesso de presa.
o seu uso era vulgar na Assíria. Los trabadillos: origen.C. Os Dez Livros de Arquitectura.4. Maria Helena Rua.) saber que aquela que for feita com Pedras ou Calhaus mais lisos e mais duros. que dependem directamente das diferentes rochas calcárias utilizadas e do seu processo de calcinação. satisfazendo uma vontade de expressão policroma da arquitectura. 59 . 119 A cal é o resultado da calcinação das pedras calcárias. .Em 4000 a...). como a sílica.5650 a.. é citado o emprego de cal em palácios e templos de Uruk. esta era utilizada com intenções decorativas. O óxido de cálcio.. Depois de absorvida a água. o que acontece até próximo dos 900º C. também designado de cal viva. F. têm na base da sua composição o carbonato de cálcio e diferentes quantidades de variados materiais.. utilización y técnicas de preparación. José. José. R. a alumina e outros minerais e compostos. CAL A cal foi um dos primeiros ligantes da história da construção e ainda hoje não se conhece uma alternativa mais económica. trad. ao seu emprego. que lhe vão conferir diferentes propriedades e características. sabor acre e caústico. a cal. sendo ainda necessário “(. 118 Vitrúvio refere que se devem tomar certas precauções com a cal. embora na maior parte dos casos de forma empírica. Existem inúmeros vestígios arqueológicos que revelam o emprego da cal em forma de colorante e ligante para pintura mural: no Neolítico. às quais. em óxido de cálcio. obra já citada. DORREGO. ou mais eficaz.. 120 116 117 AGUIAR. transformando o carbonato de cálcio (que está na base da sua composição). SOTOLONGO. posteriormente. afirma-se que os pavimentos são de terra batida com cal.2. 118 AGUIAR. 116 Os mais antigos revestimentos de cal. nalguns casos. Esta utilização manteve-se até à actualidade. obra já citada. Estas rochas. cretense. conservando sensivelmente o aspecto da pedra submetida à calcinação: cor branca. 117 Antes da utilização da cal sob a forma de aglomerante. De entre os vestígios mais antigos do emprego da cal na construção de edifícios. é solúvel na água. obra já citada. Existem vários tipos de cal. que absorve com avidez. C. in Actas del Segundo Congreso Nacional de Historia de la Construcción. que chega a atingir os 300º C. P. destacamos: . cal hidratada ou simplesmente cal. produzindo uma elevação da sua temperatura. quer esteja em pasta quer em pó. obra já citada 119 VITRÚVIO. se acrescentaram substâncias argilosas e palha cortada. cal gorda ou cal caústica.. passa a designar-se por cal apagada. identificados por arqueólogos. para que esta seja feita “com Pedras brancas ou Calhaus”. e. obra já citada. C.. em culturas proto-urbanas como a de Çatal Hüyuk e na Anatólia (6600 . Por volta de 2000 a. de origem sedimentária. foram realizados com cais de propriedades hidráulicas naturais. em Biblos. LUXÁN. 120 AGUIAR. José. assim como nas culturas egípcias. e que aquela que for feita com Pedras um pouco esponjosas será mais apropriada para os Acabamentos". em forma de aglomerante.C.Em 5000 a. M.4. que hoje se conhecem. micénica e etrusca. será melhor para a Alvenaria.
obra já citada. Luiz Augusto. as cinzas de altos fornos. a cal constitui também o principal ligante das argamassas. “a pelo menos dois fornos de cal no Porto. porque endurecem ao ar livre e não podem ser utilizadas em obras hidráulicas. conforme a origem da sua proveniência.) outro junto à torre do Laranjo.. Os dois primeiros grupos constituem as cais aéreas ou comuns. servindo ainda como um dos principais colorantes aos diversos tipos de tintas. José. AGUIAR. AFONSO. Actualmente utiliza-se outro tipo de agregados pozolânicos. 121 A cal hidráulica natural começa a ser produzida. 122 Existem referências que remontam ao século XV.. 121 122 123 LEITÃO. sendo classificadas em diferentes grupos. a partir da calcinação. endurecem debaixo de água. na actual zona dos Guindais”123 No que diz respeito ao período e contexto em que se situa o nosso estudo. cal magra e cal hidráulica. obra já citada. depois dos estudos de Vicat. como. o terceiro grupo.Os vários tipos de cal existentes podem ser divididos em três grupos distintos: cal gorda. as cais hidráulicas. como a pozolana ou o pó de tijolo finamente moído. A cal hidráulica artificial resulta do acrescento de determinado tipo de agregados. um no Souto. por exemplo. à cal aérea. a temperaturas adequadas. José Ferrão. nomeadamente daqueles onde se queima carvão pulverizado. 60 . obra já citada. (. de certos tipos de rochas que contêm na sua composição percentagens significativas de argila.
obra já citada. GUERRA. produz uma argamassa quase impossível impedir que grete. sobre os melhores locais de proveniência das areias. porque é tão gordurosa.. A cor das areias.) apesar de tudo tem o defeito de tornar a fabricação da argamassa muito demorada para secar.”127 Dá-se o nome de areia aos fragmentos de rochas de dimensões muito reduzidas (grãos). desagregados em consequência da acção dos agentes atmosféricos.” 124 Por outro lado. o que faz então que não seja nada boa para ligar as pedras e fazer paredes firmes e capazes de suportar grandes cargas.. ou areia de mina.4. e a transforme quase toda em terra. e os revestimentos das paredes e dos tectos que dela se fazem duram muito tempo.vulgarmente branca. e se for colocada sobre um pano branco. se esta areia for novamente removida da terra.. 124 125 126 127 VITRÚVIO. Manuel José Júlio. dimensões e composição: siliciosas. providenciando que.. 61 . refere que a argamassa feita com esta areia “(. parda. o Sol e a Lua alteram-na permitindo que a chuva a dissolva. obra já citada. Idem. podendo tornar as paredes assim construídas. trad. Sobre a areia de escavação. Vitrúvio faz algumas advertências e recomendações sobre as areias de diferentes proveniências. pois se for guardada durante muito tempo. não poderá servir como acabamento de tectos. a este propósito. calcárias ou argilosas.” Concluindo “(. seja bem curtida de forma a aderir bem ao suporte quando empregada. bastante variável . pouco próprias para suportar grandes cargas. de grande variedade de forma. e seca com tanta violência. que não tenha qualquer aspereza.) A melhor Areia é em geral aquela que sendo friccionada com as mãos faz barulho. não é tão boa para os acabamentos como para a alvenaria.5 AREIA Sobre a qualidade da areia. Sobre a areia de mar refere que “(.. Vitrúvio refere: “E se não houver nenhum local donde se possa obter boa Areia de escavação.) seca rapidamente. que sendo misturada com a Cal e a Palha.2. Os Dez Livros de Arquitectura. Todavia.” 125 De seguida.. produz muito melhor argamassa que a areia do rio. é preciso então recorrer à utilização daquilo que houver de bom entre o saibro. principalmente se não houver atenção em trabalhar a massa de alvenaria repetidas vezes: e de qualquer forma. não pode deixar qualquer marca depois de sacudida. Ibidem. Tem ainda o inconveniente de as paredes que são caiadas transpirarem por causa do sal dissolvido e que faz desfazer tudo”.” 126 O Guia do operário.. Maria Helena Rua. amarela ou vermelha depende da cor das rochas donde provêm. indica que: “O saibro. principalmente se for utilizada logo após a sua realização. Vitrúvio refere: “(. mas não é bom que contenha terra.. da mesma maneira que o cimento.) que a areia de rio que é menos gorda seja melhor para os Acabamentos.
e ainda hoje. mas as grandes quantidades de argila que algumas destas areias contêm condicionam o seu emprego. isenta de terra ou substâncias inorgânicas. 129 A acção da areia nas argamassas é mais física do que química. Materiais de Construção. Considera-se a areia de boa qualidade. As areias de mina e as areias moderadamente argilosas possuem esta característica. SEGURADO. como a qualidade da cal empregue. 128 A areia constituiu. quando: for pura. e não turvar a água. pelas dunas (ambas designadas areias de mar) e pelos leitos dos rios (areias de rio ou ribeiro). Vulgarmente classificam-se as areias em: grossas. pois esta morfologia favorece não só a carbonatação da cal. assim como a coesão das argamassas seria nula. há ainda a considerar as areias fósseis (areias de mina). obra já citada. dos Santos. constitui o factor determinante para a definição das características de plasticidade. durante o período que estamos a tratar. A sua qualidade é tão importante para o comportamento das argamassas. segundo as dimensões dos seus grãos (determinadas pela passagem por crivos de malhas variadas). como a pedra moída e pó de pedra. um dos principais. obra já citada. no entanto. ranger quando apertada na mão. Desta forma. pois o excesso de argila pode provocar importantes retracções no processo de secagem das argamassas. a combinação acertada da granulometria e morfologia de diferentes tipos de areia. imitando as superfícies revestidas com pedras ornamentais. recomenda-se a lavagem da areia que. existentes em vastos depósitos subterrâneos. 130 Actualmente. agregado para a confecção de argamassas. associados à execução de rebocos de acabamento. como fornece uma maior resistência física e uma adequada coesão dos revestimentos. não deverá ser utilizada antes de estar devidamente seca. preferem-se agregados cujas partículas apresentem ângulos vivos. AGUIAR. áspera. Materiais de Construção. dura. João E. os grãos de areia. ou seja. opõem-se à contracção inevitável das argamassas durante a presa. resistência. durabilidade e aderência das argamassas. dos Santos. obra já citada 62 . médias. 128 129 130 SEGURADO.Além da areia fornecida pelas praias do mar. Para execução de argamassas de boa qualidade. Outro tipo de agregados. pela sua acção mecânica. senão mesmo o principal. Sem a presença de areia a cal nunca faria presa. eram já utilizados na antiguidade grega. não conservando as impressões dos dedos. João E. finas e muito finas. José. isto é siliciosa.
ou para lhes conferir propriedades hidrófugas. 63 .C. mas também se prestam à imitação de materiais naturais. O emprego de aditivos adequados à resolução de algumas carências dos materiais empregues no fabrico das argamassas. a utilização de argamassas à base de cal e gesso.) recebem a herança grega dos estuques de gesso e das argamassas de cal.2. iniciando-se o fabrico de argamassas hidráulicas através da adição de pozolana ou pó de tijolo.C.C. pouco antes da era cristã. proporcionam uma protecção efectiva das superfícies de alvenaria.C. com uma função eminentemente protectora.C. mais nobres. É com a cultura Cretense (3000-1000 a. ao ponto de. Em Cnossos e na Grécia Antiga foram utilizados revestimentos à base de cal e pó de mármore. no que diz respeito ao domínio técnico da sua confecção e aplicação. tendo esta prática sido muito explorada desde a antiguidade. 132 É através dos etruscos que os romanos (750 a. É também durante a época antiga que os revestimentos de reboco começam a ganhar alguma especificidade tecnológica.. pelo menos a partir do século I a. pedras raras ou as próprias pedras sobre as quais eram aplicados. o gesso ainda é frequentemente utilizado na composição das argamassas.) que se começa a utilizar abundantemente a cal e o gesso nas argamassas: as construções são realizadas com argamassas de cal e a pintura é realizada sobre cal ou gesso indistintamente. a 200 d. que viriam a desenvolver a «arte das argamassas» até um ponto que se manteve durante 19 séculos.) utilizou-se mais a cal que o gesso. Na época antiga. J. enquanto na Índia esta já era utilizada por volta de 1500 a. José. como determinado tipo de pedras ornamentais. remonta a épocas muito anteriores.) foram os romanos. para a construção de edifícios. Várias zonas da Ásia e China conhecem a argamassa de cal entre 600 e 200 a. no modo de confecção e nas técnicas de aplicação. Manual do Pedreiro. ainda hoje. enquanto que na época moderna.C.C.”131 Porém. praticamente só se empregam argamassas de cal. os rebocos de regularização.C. com técnicas de fingimento. vocacionados para uma arte cada vez mais decorativa. De facto. com uma função estética. Na Grécia (2500 a. era muito utilizado pelos romanos. de composição à base de cal. a 476 d.. 131 132 BRANCO. começando por se distinguir. subsistirem inúmeros exemplos. a utilização de aditivos nas argamassas de todo o tipo passa a ser uma constante. Foi com a civilização romana que a arte das argamassas foi levada ao seu limite.C. dos rebocos de acabamento. obra já citada. obra já citada.6 ARGAMASSAS “(. as argamassas são exclusivamente compostas por cal e só raras vezes por gesso com inertes de caliça. Os revestimentos de reboco. Paz. AGUIAR.4. que imitavam. O contacto com as culturas grega e romana dissemina a cultura da cal e do gesso pelos países da Europa que não a conheciam.. que provam a excelência da sua tecnologia. A partir do século I a. Com o final do império romano a invasão dos bárbaros altera pouco a situação.
. barramentos. É durante este período que começa a utilizar-se o acabamento com uma única camada de pasta de cal. M. É durante os períodos barroco e rocóco que as técnicas das “artes da cal” atingem o seu máximo fulgor expressivo: guarnecimentos. P. continuam a ser preparadas com cal. as alvenarias eram realizadas com pedra irregular de pequena dimensão. obra já citada. 135 Durante o Renascimento e Maneirismo amplia-se notavelmente o uso dos revestimentos decorativos à base de cal. in Actas del Segundo Congreso Nacional de Historia de la Construcción. estendida sobre rebocos ainda semifrescos. Alguns destes rebocos imitavam a estereotomia cuidada de uma parede de alvenaria regular. utilización y técnicas de preparación. F. estuques. 64 . José.As argamassas utilizadas nos séculos V. enquanto os pedreiros vão especializar-se na execução dos rebocos de revestimento. realizados com técnicas mais simples. obra já citada. Em algumas zonas as paredes eram construídas em taipa travada com camadas de tijolo burro. O século XIX irá ser marcado por quatro acontecimentos determinantes. resultantes de um incansável apuramento técnico.. Volta a utilizar-se a mistura de cal e gesso. A preparação exigida para a execução dos trabalhos. obra já citada. F. através da realização de sulcos. in Actas del Segundo Congreso Nacional de Historia de la Construcción. ponteiros ou buris. A cal é reservada para ser utilizada em lugares e situações determinados. permitindo obter superfícies extraordinariamente lisas e homogéneas. que vem a conhecer grande divulgação e desenvolvimento no século XV. Na arquitectura pobre. incluindo as destinadas exclusivamente à decoração. realizados com grande perfeição. Nestes casos tornou-se necessário revestir as paredes com rebocos que regularizassem as superfícies e protegessem as paredes pouco resistentes. utilizando-se tijolo ou pedra de maiores dimensões nas zonas onde era necessária maior resistência. de maior exigência técnica e sensibilidade artística. embora com menos esmero e de menor qualidade. com a utilização de instrumentos como estiletes.. realizarem acabamentos à base de barramentos com uma fina camada de pasta de cal. grafitos. Los trabadillos: origen. Durante o Iluminismo. vai gerar uma especialização dos artífices e a sua consequente separação corporativa: os estucadores vão especializar-se na execução de acabamentos finais. 133 As argamassas são aplicadas em camadas muito finas sobre superfícies de alvenaria de tijolo ou de pedra. SOTOLONGO. surgindo assim a técnica dos grafitos. DORREGO. vai encetar-se o estudo das propriedades dos materiais que compõem as argamassas. que praticamente não foi utilizada durante o império romano. Los trabadillos: origen. VI e VII. R. P. M. excessiva e cenográfica. utilización y técnicas de preparación. escaiolas e fingidos contribuem para a imagem de uma arquitectura faustosa. No que se refere às argamassas estas são preparadas na sua maioria com gesso. LUXÁN. A classificação das 133 134 135 DORREGO. LUXÁN. por vezes. SOTOLONGO.. deixando revelar a sua estereotomia.. quase sempre misturada com gesso e aditivos. 134 A invasão árabe da Península Ibérica vai modificar radicalmente as técnicas construtivas. e motivado pelo espírito determinista que caracterizou este período. podendo.. R. AGUIAR.
obra já citada. Os Dez Livros de Arquitectura. quando secca. como a cal. realizada por Aspidin e Johnson irá substituir progressivamente a cal como principal ligante das argamassas. para a formação da pasta. ou duas partes de Areia de rio ou de mar. faz a argamassa mais tenaz e menos sujeita a rachar. Manuel José Júlio. representadas em França por Viollet-le-Duc e em Inglaterra por Ruskin e Morris. e água. José. menos energicas devem ser as materias que se devem empregar. J. surgem as primeiras escolas de artes e ofícios.” Adiantando uma receita curiosa: “Cal recentemente extinta. Achou-se que 1 quarta de cal. obra já citada. Vitrúvio indica as seguintes receitas: “Quando a Cal estiver extinta. e as menos energicas..”138 Designam-se de argamassas todas as misturas plásticas resultantes da junção de três componentes: um inerte. o gesso. BRANCO. as lavadas e expostas por muito tempo á acção do sol. As correntes historicistas. Por fim. que pode ser areia ou pó de pedra. se for acrescentada à Areia de mar e de rio uma terceira parte de Telhas moídas e peneiradas. as argilas (barros). dita commum 4 partes. sendo feita de cinzas dos ossos.” 137 Ainda sobre o mesmo assunto. Manual do Pedreiro. A produção dos primeiros cimentos naturais. 65 . A argamassa ordinária tem por ligante a cal. saibros e psamitas. VITRÚVIO. um ligante. para a expressão estética dos edifícios. barro e cal. Existem basicamente quatro tipos de argamassas utilizadas na construção: a argamassa ordinária (de cal). deve misturar-se com a Areia em tal proporção que haja aí três partes de Areia de escavação. obra já citada. areia fina. que pode ser a cal hidráulica. 3. que será ainda muito melhor. As materias mais energicas são as pozzolanas. motivado pela recente mecanização da Revolução Industrial. o Guia do operário refere: “Quanto maior for a hydraulicidade da cal. o cimento hidráulico. gesso e cal. a argamassa bastarda (mista). para cada uma de Cal: pois é a mais correcta proporção desta mistura. 139 A escolha dos agregados desempenha um papel muito importante no comportamento das argamassas. sendo a sua qualidade tão determinante como a dos ligantes. a argamassa refractária é constituída unicamente por uma mistura de barro refractário e água. são as areias de rio. irão despoletar um interesse pela arquitectura da antiguidade. a argamassa hidráulica e a argamassa refractária. trad. Maria Helena Rua. a fim de colmatar a perda do suporte técnico-artístico da recente indústria da construção civil.propriedades da cal e a base para o fabrico de cais hidráulicas artificiais realizadas por Vicat. que vai gerar a redescoberta e recuperação de tecnologias e práticas construtivas ancestrais. GUERRA. 136 137 138 139 AGUIAR. a argamassa hidráulica é composta por um ligante hidráulico. As argamassas são particularmente utilizadas no assentamento e revestimento de alvenarias. funcionando como protecção necessária das suas superfícies e contribuindo. 1. etc. a argila ou o cimento. Paz. 136 Sobre as argamassas feitas com cal. obra já citada. ou uma mistura de cal e pozolana. pela sua plasticidade. a argamassa bastarda tem por composição sempre dois ligantes que podem ser cal e cimento.
1998. grande capacidade de impermeabilização. permeabilidade ao vapor de água. elasticidade e durabilidade. Da época medieval. CRAT. mas possuem um grão arredondado. remontam à época da romanização da Península Ibérica: Conímbriga. Porto. surgem somente a partir do século XVI. saibro. Porém. 140 141 142 AGUIAR. obra já citada. conjugadas com outras localmente disponíveis.M. iniciada provavelmente no final do século XVIII ou princípio do século XIX. As argamassas à base de cal. BELÉM. que algumas destas areias contêm. etc. resistência mecânica. no entanto. C. Diálogos de Edificação.P. areia artificial. 1997. no entanto. Este varia consoante o tipo de argamassa e a sua aplicação.142 Na cidade do Porto. ou na cúpula na igreja do antigo Convento de Nossa Senhora da Conceição em Estremoz. Os estuques do Porto. para melhorar o seu desempenho. contêm em geral muito pó. durante o período manuelino. de origem muçulmana. As areias de rio são limpas de argila. pelo que devem ser convenientemente lavadas antes do seu emprego. Divisão do Património Cultural. As areias provenientes da trituração artificial também possuem formas angulosas. areia de mar. Os exemplos posteriores de trabalhos em estuque conhecidos. Porto. os vestígios mais antigos de trabalhos em estuque remontam a meados do século XVIII. Gabriela de Barbosa. sendo preferíveis agregados cujas partículas apresentem ângulos vivos. areia de mina. podem condicionar o seu emprego. na charamba da igreja do Convento de Cristo em Tomar.Os agregados podem ser classificados em função do mineral dominante: areias siliciosas. apenas são conhecidos os fragmentos da igreja matriz de Mértola. Margarida da Cunha. que começa a verificar-se um aumento considerável dos trabalhos em estuque e a sua utilização nas habitações correntes. José. A forma das partículas dos agregados constitui um dos principais factores determinantes da coesão e resistência mecânica dos rebocos.141 Os vestígios mais remotos da utilização do estuque em território português. Milreu e Freixo. As areias de mina possuem estas características. é com a construção de tectos em fasquio. são compatíveis com todos os tipos de alvenaria e adquirem uma extrema dureza que garante a sua solidez durante séculos. calcárias ou argilosas e em função da sua proveniência: areia de rio. de inertes e ligantes que compõem uma argamassa designa-se por traço. expressas em volume. É por isso aconselhável o emprego de areias moderadamente argilosas. Quando utilizadas como reboco garantem boa aderência. pó de pedra. já que o excesso de argila pode provocar importantes retracções no processo de secagem das argamassas.. FLÓRIDO de VASCONCELOS. as importantes percentagens de argila. com superfícies agudas e arestas vivas. 66 . 140 As percentagens. Tróia. TEIXEIRA.
utilizando a cal hidráulica e a cal aérea com ligantes. cola de peixe ou sabão e. obra já citada. clara de ovo. acelerar a presa. empregues para trabalhos de assentamento.144 Por fim. Avelino Ramos. ou somente com pasta de gesso. os trabalhos decorativos em estuque eram realizados com uma mistura de pasta de cal e gesso. Porto. José.145 143 144 145 MEIRA. melhorar a adesão e consolidação. enchimento e regularização. Os estuques do Porto. FLÓRIDO de VASCONCELOS.seja escassa e muitas vezes contraditória. Terá sido o convite que o Marquês de Pombal endereçou a alguns estucadores italianos. as argamassas. podendo ser pintadas a fresco. eram fabricadas à base de saibro e ou areia. 67 . de forma a melhorar determinada característica. tais como gorduras animais ou vegetais. que iniciou a divulgação das “artes do estuque” no nosso país. adicionadas de pó de pedra ou vários tipos de pigmentos. 143 Durante o período em que incide o nosso estudo. aditivadas com. onde persistia uma forte tradição de tectos de madeira. stucco-marmo e scagliola . AGUIAR. As argamassas para trabalhos de acabamento eram à base de pasta de cal. por último. é possível afirmar que estas argamassas utilizavam também na sua base a pasta de cal. podendo ser aditivadas com substâncias orgânicas. brunidas a ferro quente ou polidas. etc. Edição do autor. Afife (Síntese monográfica). aumentar a resistência mecânica e trabalhabilidade.A explicação para o facto da sua utilização tão tardia no norte do país. bem como à inexistência de pedreiras de calcário. Embora a informação sobre as argamassas para trabalhos de variados tipos de fingimentos stucco-lustro. para lhes conferir propriedades hidrófugas. deve-se provavelmente à abundância de boas madeiras e de bons artífices. para trabalharem em Portugal. 1945. pouco antes de 1755. obra já citada. podendo ainda ser aditivadas.
147 Entre os séculos XVII e XVIII a introdução de carvão de coke metalúrgico nos altos fornos tornou possível a fusão completa. podendo em tal estado tomar todas as formas que se lhe pretender imprimir com o martelo.4. O ferro.7 METAIS Ferro e aço O ferro constitui um dos primeiros metais que o homem descobriu e aprendeu a trabalhar. etc. possibilidade de alteração da 146 147 148 149 MENICALI. conforme o trabalho a que foi submetido: como ferro forjado ou laminado.C. Rússia. Castro. Materiais de Construção. SEGURADO. obra já citada. prática que irá prolongarse por toda a Idade Média. da siderite ou ferro carbonatado.C. dos Santos. MENICALI. obra já citada. comportamento viscoso quando sujeito a elevadas temperaturas. sem intermédio de outro metal. As técnicas de extracção e de trabalho do ferro datam do III e IV milénio a. já se empregam outros minerais ferrosos e as técnicas siderúrgicas usadas. época em que o único mineral utilizado era derivado da meteorite que possui uma grande quantidade de ferro no estado puro. das limonites (óxidos de ferro hidratados). reduzindo-se a fios ou chapas delgadas. ductilidade e maleabilidade. emprega-se em três estados diversos. permitem construir armas e utensílios de melhor qualidade que os de bronze. João E. em virtude das quais pode ser batido e estendido a frio em diversos sentidos. onde será muito utilizado no reforço de abóbadas em Itália. É ainda durante a Idade Média que o ferro vai conhecer uma grande aplicação no fabrico de ferragens. o enriquecimento do ferro com carbono e as técnicas de têmpera e de martelar determinam a grande difusão deste metal. No fim do I milénio a. Brasil. acompanhado de teores variáveis de níquel. para satisfação das suas múltiplas e crescentes necessidades. obra já citada VILLALBA. A.. e soldar-se a si mesmo. à semelhança do que ocorreu com os gregos e com os romanos. apesar de muito rudimentares. obra já citada. No segundo milénio. 148 O ferro encontra-se na natureza no estado de combinação. Inglaterra e Escócia. utilizavam o ferro exclusivamente como meio auxiliar da construção de alvenaria.. do óxido magnético de ferro. como ferro coado ou fundido e como aço. Historia de la construccion Arquitectónica.149 As suas propriedades gerais são: tenacidade.146 Os bizantinos. Umberto. extraindo-se principalmente das hematites (óxidos de ferro de teor variável). Noruega. As minas mais ricas destes minérios situam-se na Suécia. ou resistência extrema à ruptura. Umberto. 68 .2.
Luiz Augusto. era revestido por pintura a óleo e zarcão. 151 É evidente o largo uso do ferro desde o século XII. e para a ferragem e a pregaria dos portões. em armas e armaduras. a nossa produção interna de ferro e artigos em ferro foi sempre insuficiente. Por isso. em regra. A actual Rua do Paraíso foi durante algum tempo 150 151 152 153 154 LEITÃO. Idem.153 “O ferro forjado foi sempre admiravelmente trabalhado em Portugal. obra já citada.C. no território que hoje corresponde a Portugal. in Dicionário de História de Portugal. in Notas sobre Portugal. oxida facilmente por exposição às condições climatéricas e deteriora-se com igual facilidade em contacto com o gesso. predominando as hematites muito siliciosas. Já ao longo dos séculos XIII e XIV podemos encontrar várias referências à importação deste metal ou de produtos fabricados com ele. BARREIRA. Lisboa. Não surpreende por isso que encontremos no século XIII notícia da exploração de minas de ferro e que alguns monarcas procurassem fomentar esta actividade. e prolongou-se até à invasão Romana. utilizado nas ferraduras. No século XV os ferreiros não ocupavam uma. hoje dos Caldeireiros. que de granulosa pode passar a fibrosa. Imprensa Nacional. (…) finalmente para os escudetes das aldrabas. situam-se as nossas principais reservas. 69 . FERRO. ou por camadas espessas de alcatrão. em cravos.sua textura. terá tido início por volta do ano 500 a. Os vestígios da utilização do ferro em Portugal remontam a datas muito anteriores à própria formação da Nacionalidade. obra já citada. Exposição Nacional do Rio de Janeiro em 1908. Na região de Moncorvo. etc. situando-se as jazidas de menor dimensão em Rates.”154 No Porto. IDADE DO FERRO. A habitação em Portugal. correspondendo a cerca de 90% do total nacional. 1909. pez. obra já citada. actual do Comércio do Porto e a Ferraria de Cima. graças à multiplicidade das técnicas modernas. na Idade Média. 150 O ferro. Era tal a sua importância que muitas rendas de terras e até compras de propriedades eram estipulados em ferro ou em artigos de ferro. constituindo ainda hoje uma das raras indústrias artísticas que se conservam em terras de Bragança. em Trás-os-Montes. Esta característica não impede o seu aproveitamento industrial para muitos fins. cada ofício tinha a sua rua própria e exclusiva. balaustres. cerca de 500 a. são. Cercal do Alentejo e Guadranil. quando se forma a Nacionalidade. pela acção do martelo ou pela passagem no laminador. Servia para gelosias. João. Todavia. Orada e Odivelas. durante o período que estamos a tratar. in Dicionário de História de Portugal. no arado. compostas por minério de qualidade inferior.C. mas duas ruas: a Ferraria de Baixo. condutibilidade eléctrica. este metal. cera ou verniz. Montemor. Outras jazidas encontram-se em Vila Cova. conserva-se nas alvenarias de cal. mas. 152 As nossas reservas naturais. A Idade do Ferro.
. obra já citada. e em documentos em português da segunda metade desse século.chamada de Rua dos Ferreiros. No entanto. caixilhos dos lanternins e elementos decorativos. Publicações da C. era principalmente aplicado na execução de: grades de varandas. no Porto in FERROS FORJADOS DO PORTO. para além da forja: cavalete. 70 . águas furtadas e clarabóias. todo o tipo de ferragens.. bigorna. martelo. Idem. vol. era aplicado em caleiras. XXVI.M. a existência deste ofício na cidade remonta aos primórdios da nacionalidade: “(. Artur de Magalhães. Documentos e Memórias para História do Porto. as barras de que se servia. algerozes.”157 Para isso utilizava instrumentos muito rudimentares. canalizações. Sob a forma de chapa zincada. Este metal.155 Isto mostra a importância que este mestere teve para a cidade. do Porto. Notas para a história do ofício de ferreiros.”156 “O ferreiro medievo tinha de preparar. 1955. e Rua de Fabris (ferreiro em latim dizia-se ferrarium faber) . talhadeira. Linha geral da evolução da arte do ferro no Porto in FERROS FORJADOS DO PORTO. Rua de Fferrays. cinzéis e lima (esta só a partir do século XVI). Gabinete de História da Cidade. vol. de fachadas de pisos recuados.158 O ferro é o metal mais utilizado na construção das casas burguesas do Porto durante o período que estamos a tratar. variavelmente chamada Rua de Ferrarrijs. 155 156 157 158 BASTO. Idem. rufos e no revestimento de empenas. António. Documentos e Memórias para História do Porto.) já em documentos da primeira metade do séc. com o seu engenho e arte. forjado ou fundido. XXVI. CRUZ. XIII ainda escritos em latim. se encontra frequentes vezes menção de uma rua no Porto.rua essa que parece ser a que hoje tem o nome de Bainharia.
a sua aplicação é praticamente inexistente. Umberto. Domingos. todavia. acessórios para canalizações ou em elementos decorativos. nunca chegando a atingir uma intensidade suficiente para responder às necessidades do nosso país. conforme os rudimentares processos técnicos de que dispunham os nossos antepassados.159 Este metal tem pouca aplicação na construção de edifícios devido ao seu elevado custo. obra já citada. João E. COBRE. podendo ser polido. a que reporta o nosso estudo. Materiais de Construção. O cobre encontra-se na natureza em estado nativo ou combinado com outros elementos formando sulfuretos mais ou menos complexos e outros compostos tais como: a calcosite (sulfureto de cobre). ser utilizado como revestimento de coberturas. 159 160 161 MENICALI. A camada de óxido de carbonato que se forma à sua superfície limita a sua aplicação. in Dicionário de História de Portugal. Os vestígios mais remotos da exploração de minérios contendo cobre em Portugal remontam à Idade do Bronze. a cuprite (óxido de cobre). em caleiras. obra já citada. a calcopirite (sulfureto de cobre e de ferro).Cobre O cobre é conhecido desde o fim da pré-história . tubos de queda de águas pluviais. Tem cor vermelho escuro. Lousal e S. obra já citada. etc.os primeiros artefactos em cobre encontrados na Ásia e no Egipto datam de entre o V e IV milénios a. podendo. tendo sido exploradas de forma mais ou menos descontínua.sendo juntamente com o ouro o primeiro metal a ser trabalhado pelo homem. SEGURADO.160 Em Portugal são escassas as reservas de cobre. 71 .C. devido ao seu elevado custo. mas esta pátina de cor verde clara protege o metal. . é muito maleável e dúctil. dos Santos. 161 Relativamente ao período de construção da casa do Porto. mantendo-o inalterado durante muitos anos. As principais jazidas encontram-se em Aljustrel.
A seguir ao ferro. perfis. É ainda utilizado para revestir o ferro. 72 . etc. parafusos. etc. obra já citada. o zinco teve maior aplicação na zincagem de elementos em ferro ou na constituição da liga de elementos em latão. ocorre particularmente no revestimento de algerozes. a utilização do zinco sob a forma de elementos metálicos (lâminas ou chapas). Materiais de Construção. Este metal não tem necessidade de ser preservado da acção dos agentes atmosféricos pela pintura. mansardas. caleiras. ferragens de portas e janelas. elementos decorativos. através da zincagem de chapas. Embora rara. O seu emprego atinge uma grande variedade de situações: chapas de rufos. sob as formas mais variadas: acessórios das canalizações. torna-o inalterável durante muitos anos. 162 SEGURADO. ao fim de alguns dias de exposição ao ar. o zinco forma uma liga muito importante . devido essencialmente ao seu elevado custo. pregos. Durante o período de construção da casa do Porto abrangido pelo nosso estudo. Misturado com o cobre. pois a ligeira camada de óxido formada à sua superfície. o zinco é o metal mais utilizado nas construções.Zinco O zinco encontra-se na natureza principalmente no estado de sulfureto ou blenda e no de carbonato ou calamina. torneiras. João E. etc. cata-ventos.162 O zinco tem sobre o chumbo (que amiúde substitui) a vantagem de ser uma vez e meia mais leve e quatro vezes mais tenaz. preservando-o da oxidação. empenas. dos Santos.o latão . do que na sua utilização directa sob a forma de elementos metálicos. trapeiras. revestimentos de coberturas. clarabóias e rufos. tubos de queda de águas pluviais.usada em todas as indústrias e na construção. válvulas.
73 . razão pela qual a sua exploração nunca atingiu uma magnitude assinalável. João E. Porém. 164 As reservas de minério contendo chumbo não se encontram com abundância em Portugal.Chumbo O chumbo é um dos primeiros metais descobertos e utilizados pelo homem. Materiais de Construção. dos Santos. As restantes minas conhecidas situam-se em Vila Meã. utilizado especialmente como tinta de aparelho nos ferros para os preservar da corrosão. mas muito pouco tenaz. é utilizado para fixar (chumbar) peças de ferro a peças de cantaria e. gás ou esgotos. Vale Grande e Terramonte. funde a baixa temperatura. para rufos de algerozes. o seu preço foi. sempre mais elevado. 165 Na construção da Casa do Porto. Canaceira. era também utilizado pelos romanos na construção de condutas de água potável. Paradinha do Outeiro. o litargírio. Actualmente as maiores reservas situam-se nas minas de Braçal-Malhada e Várzea de Trevões. como revestimento sob a forma de chapa. Cotão de Vinha. Adorigo.163 O chumbo é um metal muito abundante na natureza. sendo a galenite ou sulfureto de chumbo o seu principal minério. obra já citada. É ainda utilizado em canalizações para águas correntes. inicia o aumento da exploração das reservas de galena e blenda do nosso país. obra já citada CHUMBO. começando a amolecer pouco acima dos 100º C. obra já citada. substituindo em alguns casos o zinco. Os compostos deste metal mais aplicados na pintura são: o zarcão. a concessão da mina de Braçal-Malhada. Crê-se que a impermeabilização das coberturas dos jardins suspensos da Babilónia era feita com chapas de chumbo. 163 164 165 MENICALI. SEGURADO. e continua a ser. que tende hoje a ser substituído pelo de zinco que não é tóxico. é um metal muito dúctil e maleável. in Dicionário de História de Portugal. e o alvaiade branco. de grande maleabilidade. A sua grande maleabilidade tornou-o um metal de eleição para certos trabalhos. Umberto. Finda a guerra civil em 1836. em alguns casos. usado como secante. dentro da lógica do sistema capitalista politicamente triunfante. Este metal. Chacim. no encontro das cimalhas com as platibandas. etc. no remate dos lanternins com os tambores das clarabóias. 350º C. Ribeiro da Estivada.
são basicamente constituídos pelas telhas. como as tegulae e as imbrice. raízes e outras substâncias que possam alterar-lhes a homogeneidade. é comum. dado que os construtores romanos recorriam a materiais cerâmicos. obra já citada. sendo muitas vezes destas misturas. 166 Os elementos cerâmicos mais primitivos. VV. isto é. para revestimento das coberturas. que dispensava a utilização de argamassa de assentamento e permitia maiores pendentes nas coberturas. às argilas pouco plásticas há necessidade de se lhes adicionar argilas mais puras. Todas as argilas são mais ou menos plásticas.. e na sequência de alguns incêndios como o que ocorreu na Rua Chã. ou pelo menos pretendido para as coberturas.empregue. 166 167 168 LEITÃO. que durante séculos constituíram o revestimento das coberturas em Portugal. porosos e pouco resistentes.167 O revestimento de telha remonta à ocupação romana. Luiz Augusto. Coimbra. Esta técnica de construção foi preservada.2. Estas telhas. começaram a ser substituídas durante o século XIX pela telha Marselha. que se obtêm as argilas mais adequadas a um determinado tipo de fabrico especial que se pretende efectuar. AA. Por outro lado. que deve ser cuidadosamente escolhida e expurgada de todos os corpos ou matérias estranhas. José Ferrão. obra já citada.a telha . 74 .168 Ainda hoje se faz referência à telha romana ou à telha mourisca.4. Manual de aplicação de telhas cerâmicas. Associação Portuguesa dos Industriais da Cerâmica de Construção. devendo por isso ser misturadas com areia fina. AFONSO. de forma plana e com encaixes. que se reportam ao período que estamos a tratar. 1998. a menção a um outro material . quando amassadas com água. As argilas demasiado plásticas sofrem uma contracção excessiva quando submetidas à acção do fogo. as formas que lhes desejamos imprimir. tais como pedras. adaptada e melhorada durante os séculos de ocupação árabe.8 ELEMENTOS CERÂMICOS Telhas A matéria prima usada no fabrico da telha é a argila. em proporção variável com o seu grau de plasticidade. Na segunda metade do século XV. dando origem a produtos quebradiços. nos prazos. possuem em maior ou menor grau a propriedade de tomar e conservar.
onde o revestimento das fachadas com azulejo. Poude então evidenciar não só as suas potencialidades como elemento animador das superficies mas também como reflector da luz e do calor. Dados apontados por vários Autores referenciados por. 75 . para assim permitir uma boa aderência das argamassas. agora como revestimento exterior. terá sido iniciada nas habitações dos emigrantes retornados do Brasil. VV. argila branca (caulino) ou pó de pedra (resultante da mistura de várias argilas com diferentes graus de plasticidade. com características de gosto profundamente originais...” 169 170 171 SEGURADO. para se obter a melhor qualidade de fabrico) 169 . VV. No Brasil adaptou-se a inesperadas realidades de clima e envolvimento vindo a descobrir uma nova vocação. de escala e intenções completamente diferentes. as juntas não são vidrados. Rafael Salinas. dos Santos. se tinha tornado de uso corrente. A pasta para o fabrico dos azulejos. 1997. in AA. no texto As fábricas portuenses e a produção de azulejos de fachada (sécs. com várias dimensões e pouca espessura. João E. in AA. que pode apresentar cor uniforme ou desenhos variados. doseadas convenientemente. São apenas vidrados numa das faces.P. terá sido a primeira. importado de Portugal. ter-se-á iniciado na primeira metade do século XVII.M. O tardoz e. Porto. Azulejos. Memórias vivas de uma cidade. A Fábrica do Carvalhido. Catálogo da exposição. geralmente de forma quadrada ou rectangular. C. Esta prática. geralmente. a fabricar azulejos para revestimento de fachadas 170 Os azulejos. também «partiu com a Família Real e a côrte» dimensionado em revestimento interior de fidalga expressão erudita e soberbo efeito decorativo. consistem em placas de barro ou louça.Azulejos Os azulejos. tendo-se intensificado a partir de meados desse mesmo século. que foram sempre usados no interior das habitações em situações pontuais. obra já citada. Materiais de Construção. no Porto ou em Vila Nova de Gaia. a facilidade de integração cromática na paisagem tropical e a excelente protecção que veio a proporcionar às paredes revestidas contribuíram 171 definitivamente para acreditarem o seu «novo uso». em data difícil de precisar. a partir de meados do século XIX começam a ser usados como revestimento de fachadas. XIX-XX). Azulejos no Porto. A produção oficinal de azulejos. obra já citada. CALADO. do centro cerâmico portuense. A cintilância do vidrado. Catálogo da exposição. “O azulejo «habituado» a definir ambientes. Azulejos no Porto. José Manuel Lopes Cordeiro. pode ser de argila mais ou menos calcária. Divisão do património Cultural.
Estas manilhas eram produzidas em barro. que resulta da cozedura. Da enorme variedade de formas destacamos o tubo. Este novo espaço da casa. No princípio do século XIX inicia-se a construção de sanitários ao longo dos vários pisos e anexos à fachada de tardoz das casas de habitação corrente na cidade do Porto. embebidas nas paredes das fachadas com platibanda e algeroz. 172 As suas características finais mais importantes são: massa opaca de som metálico. a cruzeta. a uma temperatura entre os 1250ºC e os 1300ºC. isenta dos fragmentos de quartzo ou de calcário e corrigida com areia quartzosa para lhe atenuar os inconvenientes da plasticidade. 172 LEITÃO. 76 . Luiz Augusto. a curva. o cotovelo. A necessidade de criar infra-estruturas de esgotos para estes novos espaços domésticos faz surgir uma enorme variedade de manilhas e sifões. obra já citada. enquadra-se nas políticas higienistas da sociedade moderna.Outros elementos cerâmicos Manilhas de barro vidrado ou de grés O grés cerâmico é uma espécie de porcelana. não riscável por ponta de aço e de dureza pétrea. É de referir ainda que estas manilhas eram também utilizadas como condutas de águas pluviais. de uma pasta que se compõe de argila plástica não lavada. a forqueta. etc. responsáveis por mudanças sem precedentes nas formas de habitar e da cidade. com acabamento grosseiro e impermeabilizado com a aplicação de um vidrado ou em grés. a cruz. sem brilho.
174 Não é possível precisar a data do início da produção de vidro na Península Ibérica. SEGURADO. a arte do vidro difunde-se em todos os países do Mediterrâneo. obra já citada. No segundo milénio a. o vidro era fabricado a partir da incineração de produtos naturais contendo carbonato de sódio (erva . apenas atacável pelo diamante.C. começam a multiplicar-se as notícias históricas acerca deste sector do artesanato e. in Dicionário de História de Portugal. e pelo ácido fluorídrico. 175 Nas casas do Porto. quando se forma a Nacionalidade. no segundo quartel deste século. a partir do século XVIII. segundo a tradição. que na sua forma ordinária é transparente. que a risca. mas sabe-se que no século XII. Nesta época. dura e quebradiça. potassa ou soda e cal ou óxido de chumbo. 77 . João E. Materiais de Construção. A falta de informação sobre o período correspondente aos 350 anos de Idade Média portuguesa levanta a hipótese da pouca importância que a indústria vidreira teve neste período.maçaroca e erva selvagem). é conhecida e praticada em larga escala no Egipto e na Mesopotâmia. Umberto. se conheciam técnicas para a sua produção.2. com que os habitantes garantiam a sua privacidade. obra já citada. dos Santos.9 VIDRO A técnica de fabrico de objectos em vidro é atribuída. 173 174 175 MENICALI. Porém. VIDRO.4. à descoberta fortuita dos fenícios. 173 O vidro é um composto de sílica. No terceiro século a. transformados por fusão numa substância inorgânica. obra já citada.C. brilhante. surgem os primeiros registos de produtores de vidro. o vidro vai lentamente substituindo as portas almofadadas e as rótulas. a partir da primeira metade do século XV.
Os secantes. em pó.176 O tratamento com pintura das superfícies de reboco ou estuque exteriores. a pintura a têmpera ou a cola (técnica muito vulgar em alguns países do sul da Europa) e. etc. ser fixa. de determinados pigmentos dispersos em água (ou em água de cal). tais como a madeira e o ferro. que consistia numa pintura feita com um simples leite de cal. não nos permitiu obter dados de análises aos tipos de pintura utilizados durante as épocas em apreço. os óleos. a encáustica.178 O grau de aprofundamento a que temos dedicado o nosso estudo sobre o sistema construtivo das casas do Porto. obra já citada.2. Guimarães. 78 . das técnicas tradicionais de pintura. como a água. Por outro lado.TINTAS. ser insolúvel na água e não se decompor em presença de outras tintas ou dos líquidos com que se mistura. José. a aguarrás. baseada numa recolha feita às tradições vivas. secantes e uma dispersão de pigmentos. a pintura a fresco. que se fixavam pela carbonatação superficial da cal. Uma tinta compõe-se sempre de duas partes: uma sólida. Uma tinta deve satisfazer as seguintes condições: ter intensidade luminosa. obra já citada. etc. MENICALI. através da aplicação. CADERNO 1 . constituindo propriamente a tinta ou a cor e a outra líquida. servindo de solvente. Museu de Alberto Sampaio . devido às propriedades cáusticas. no laboratório das aulas e neste curto trabalho de investigação. os vernizes.. sobre rebocos ou guarnecimentos de cal ainda frescos. para resolver diversos problemas de higiene em regiões de clima quente. obra já citada. como o litargírio.10 TINTAS Segundo José Aguiar. Por outro lado.4. feita em geral com óleo de linhaça. por vezes carregado com pigmentos e diversos tipos de aditivos. a pintura a óleo. deixamos aqui a descrição sumária da composição de quatro tipos de tintas. Materiais de Construção. com a utilização de pigmentos aglutinados em cera derretida. deste material. João E. Umberto.Muralha. informação de outras fontes que nos permita assim avaliar quais os tipos de pintura mais utilizados no interior e no exterior das habitações. assim como foram contadas pelos antigos mestres. são substâncias que se adicionam aos óleos para os tornar mais sicativos. o uso da cal na pintura representa um dos sistemas maioritariamente usado no passado. não nos foi possível encontrar. SEGURADO. por último. TÉCNICAS DE CONSTRUÇÃO TRADICIONAL.177 As tintas são ainda utilizadas como meio de conservação de alguns materiais.179 176 177 178 179 AGUIAR. até ao momento. tem duas funções principais: criar uma barreira de protecção contra as intempéries. dos Santos. cobrir bem os materiais sobre os quais se aplica. antimofo e antibacterianas. mais densa e uniforme que a de reboco e criar uma superfície esteticamente aceitável no sentido de valorizar o construído. as principais técnicas históricas de pintura de paredes são: a caiação. a cola. 1982. Contudo. diluir-se bem nos líquidos.
Na sua composição. 79 . Tinta de cola A tinta de cola tem aplicação em rebocos interiores. Na sua composição utiliza-se gelatina. Tinta de leite A tinta de leite tem aplicação em rebocos interiores. pigmento e alvaiade. secante. Tinta de óleo A tinta de óleo tem aplicação na madeira ou no ferro. Na sua composição utiliza-se leite. utiliza-se óleo de linhaça. interiores e exteriores. Na sua composição utiliza-se a cal em pedra. gesso cré e pigmento. quando se pretende obter outra cor que não seja o branco. aguarrás. água.Tinta de cal A tinta de cal é aplicada na pintura de paredes de pedra ou rebocos. uma vela de sebo e pigmento. gesso cré e pigmento. tanto no exterior como no interior.
revelaram o uso mais tardio de asfalto. tem fundações realizadas com tijolos assentes em argamassa de asfalto. com paredes de blocos de pedra. para assentamento de tijolos de cal em paredes. O asfalto aplicado na construção de habitações.C. remonta a 3. As paredes das casas encontradas.11 ASFALTO O exemplo mais antigo da aplicação de asfalto na construção de habitações. obra já citada. Escavações realizadas em 1931 em Tell Asmar. é obtido duma mistura deste betume com calcário betuminoso reduzido a pó. natural e intimamente impregnado de uma substância viscosa denominada betume. 181 Apesar da antiquíssima prática de aplicação do asfalto nas construções de habitações. e por uma cor escura. 80 .). na impermeabilização das paredes exteriores. alcatrão de linhito. que se denuncia por um cheiro especial.4. Luiz Augusto.500 a. unidos com asfalto. obra já citada.800 a. a norte de Baghdad. encontramos edifícios em Nippur. 180 O asfalto é um carbonato calcário puro. na cidade de Kish. Do mesmo período. Rei de Lagash (2. desenvolvido pela fricção ou combustão. em pavimentos. o asfalto também pode ser obtido a partir da evaporação parcial da destilação de determinados petróleos (alcatrão de hulha. este só terá começado a ser utilizado nas casas do Porto. cobertos com asfalto e unidos entre si. quando parecia conveniente o emprego d’este meio. eram construídas com feixes de canas. Antes. encontrado em escavações perto de Al’Ubaid. a sul de Baghdad.2. GUERRA.”182 180 181 182 DAVEY. e algerozes construídos com tijolos assentes numa argamassa de asfalto. LEITÃO. para protecção exterior de superfícies de alvenaria e para a impermeabilização de tanques e canais de drenagem. Norman. Manuel José Júlio.C. obra já citada. O templo de Ur-Nina. etc). no início do século XIX. este material era utilizado noutros tipos de aplicações: “Um dos meios mais vulgarmente conhecidos para fazer preservar as madeiras da podridão era untaremnas com oleo ou alcatrão. dispostos em forma de esteira. Embora não corresponda ao período que estamos a tratar.
durante as épocas definidas são: a massa de vidraceiro e o betume de canteiro. dos Santos. 183 Betume de canteiro O betume de canteiro é utilizado para encher as falhas das pedras de cantaria e para unir lascas de maiores dimensões. Materiais de Construção.4. Massa de vidraceiro A massa de vidraceiro é utilizada na colocação dos vidros em caixilhos de madeira ou de ferro (lanternins das clarabóias). uma mistura de cola com gesso de pintor amassado. é destinado a cobrir as fendas da madeira. 185 183 184 185 SEGURADO. depois de trabalhada. obra já citada. Idem. sendo também usado pelo pintor para betumar as superfícies das madeiras. Quando a pintura é a cola. a fim de as preparar para receberem pintura de acabamento. ocre e óleo de linhaça.12 BETUMES Os betumes mais utilizados na construção das casas do Porto que estamos a tratar. também usado pelos pintores antes de aplicar a pintura. João E.2. Muitas vezes junta-se um pouco de areia fina ou tijolo moído. até atingir a consistência de massa para reboco. Este betume é feito derretendo e misturando cera com pez e pó de pedra. 81 . tapar fendas e outras irregularidades. com o mesmo fim. Ibidem. Esta massa obtém-se misturando cré ou branco de Hespanha com óleo de linhaça. Este betume é feito com alvaiade ou cré. Para se obter uma massa mais rica. usa-se. 184 Betume de marceneiro O betume de marceneiro. junta-se à anterior mistura sebo e fezes de ouro.
Os Romanos trouxeram a Libra. no comércio dos materiais de construção e na construção dos edifícios. sendo a sua versão definitiva ratificada neste mesmo ano. no entanto. que não correspondem às unidades usadas actualmente no sistema métrico decimal. desde que seja possível obter informação nesse sentido. os Alqeires e os Arráteis. trouxeram ainda a Légua (leuca) e a Milha (millia).85 cm 2. assim como os sistemas espanhóis. as bases para as medidas de capacidade e para os pesos. in Dicionário de História de Portugal. com os pesos e as medidas do Islão. Idem. Para uma melhor compreensão.3 UNIDADES DE MEDIDA E DE PESO UTILIZADAS Um facto relevante do tema que estamos a tratar. O sistema métrico decimal é apresentado somente em 1875. de fazer referência às unidades de medida usadas na época da construção. sempre que nos referirmos a medidas durante a descrição do sistema construtivo. 186 O sistema português. de uso quotidiano. usaremos as unidades do sistema métrico decimal. 82 .5 palmos) Dedo Palmo (1/10 da braça) Pé (12 polegadas) Polegada Vara (5 palmos) medida equivalente a medida equivalente a medida equivalente a medida equivalente a medida equivalente a medida equivalente a medida equivalente a 220 cm 70 cm 2 cm 20 . Escrúpulos e Grãos. relativo ao período correspondente ao nosso estudo. que se dividia em Onças. Os Mouros trouxeram os Almudes. em convenção internacional. assim como possam ter surgido de forma espontânea. merecedor do aparte deste capítulo. obra já citada. são as unidades de medida e de peso usadas no manuseamento. É possível que os sistemas ponderais medievos remontem ao sistema da antiga Mesopotâmia. pois o corpo humano fornece as bases para as medidas de comprimento. tinham as suas origens próximas da combinação dos pesos e medidas de Roma. à qual aderem todos os países excepto os anglo-saxónicos.54 cm 110 cm 186 187 PESOS E MEDIDAS. e os objectos mais familiares.4. 187 Medidas de comprimento Braça (10 palmos) Côvado (3. não deixando.22 cm 27.
1000 Kg 240 .30 Kg 83 .489 Kg 780 .459 Kg 11 a 15 Kg 0.5 litros 360 litros 0.0.Medidas de capacidade Almude (12 canadas) Canada (4 quartilhos) Moio (20 almudes) Quartilho (1/4 da canada) Tonel (50 almudes) medida equivalente a medida equivalente a medida equivalente a medida equivalente a medida equivalente a 14 .18 litros 1.375 litros 900 litros Pesos Alqueire Arrátel (12.326 Kg 0.00375 Kg 0.340 .250 Kg 0.5 Onças) Arroba (32 Arráteis) Libra de 12 Onças Libra de 16 Onças Moio grande (56 a 64 Alqueires) Moio pequeno (16 Alqueires) Oitava (72 Grãos) Onça (8 Oitavas) peso equivalente a peso equivalente a peso equivalente a peso equivalente a peso equivalente a peso equivalente a peso equivalente a peso equivalente a peso equivalente a 14 .18 Kg 0.
alcançando a espessuras que variam entre os 30 cm (cerca de palmo e meio) e os 60cm (três palmos aproximadamente) (fig. as paredes de meação passam a ser integralmente construídas em alvenaria de granito . como aparece em alguns documentos antigos referentes às casas do Porto. aos quais era pregado um ripado em ambas as faces. Quanto à origem da denominação de paredes de taipa ou “frontaes de taypa”. travessanhos. tornando-as assim paredes resistentes e de construção mais expedita e económica. tudo indica que as paredes de meação das casas com mais de um piso. cheio com pedra miúda ou tijolos especiais. A nossa designação justifica-se pelo facto da construção desta parede usar sempre dois materiais.perpianho ou travadouros . na linguagem popular se empregasse ou se mantivesse o mesmo nome. 188 Na nossa descrição passaremos a designar de parede de tabique misto. individuais ou Antes do século XVII. a que Segurado chama de frontal forrado. formado por barrotes com secções de 7 ou 10cm de lado. Estas paredes eram constituídas por um esqueleto ou estrutura em gaiola. À medida que a pedra vai substituindo estas estruturas. mas antes contribuir para enriquecer o debate sobre estes assuntos. por volta do século XVII.que seriam os mesmos. pouco espaçados. mas em tabique misto nos restantes pisos. das quais constitui uma variação técnica altamente elaborada. areia e saibro. Este sistema terá sido aperfeiçoado durante o império romano. Paredes que tradicionalmente eram chamadas de frontais. tem a sua origem muito provavelmente nas primitivas paredes de taipa reforçadas inicialmente com ramos e troncos de madeira. utilizando uma cofragem de tábuas que eram retiradas no fim. mas por um simples ou duplo tabuado. e preenchidas com pedra miúda ou com tijolos maciços (com uma forma especial que permitia encaixarem entre si).assente com argamassa de cal. É portanto possível. 188 . a executar as paredes de taipa e as paredes de tabique misto. 84 . e ainda durante o seu decorrer. alternadamente. que Ernesto Veiga de Oliveira designa por tabique primitivo ou fachwerk. e de que faremos a descrição mais à frente. que era executado com prumos. Alguns autores contemporâneos designam este sistema por taipa ou taipa de rodízio. dispostos em prumos. Isto aconteceu. A nossa opinião não pretende ser consensual. Esta designação não nos parece ser a mais correcta. A segunda. chamado de frontal à galega ou francesas (como lhe chamavam nas Beiras). e afirma ter sido importado dos países do norte. das civilizações pré-históricas. com um tipo de tabique primitivo. onde se construíam paredes executadas com uma estrutura reticular de barrotes de madeira preenchida por alvenaria de pedra ou tijolo.4. prende-se com a utilização de cofragens à semelhança das paredes de taipa.4 ESTRUTURAS PRIMÁRIAS 4. conformada em prumos. (motivado pela sua abundância nas redondezas da cidade do Porto e pelo receio de catástrofes semelhantes aos grandes incêndios que causaram enormes danos em algumas cidades europeias).4. para dois tipos de paredes de construção tão diferente. todas as paredes que eram construídas em estrutura de madeira. na construção de paredes de tabique.1 Paredes de meação em pedra ou em tabique misto As paredes de meação das casas de habitação corrente da cidade do Porto. As paredes de tabique que não eram preenchidas com material pesado. para depois fazer o seu enchimento com pedra miúda ou bocados de tijolo. A primeira é que esta designação pode derivar do nome dos artífices .1). a madeira para o esqueleto ou gaiola e a pedra ou o tijolo para o seu enchimento. atingindo espessuras com cerca de 20cm. por exemplo. frechais. podem ser em pedra ou em tabique misto (sistema fachwerk) comuns a duas casas. até à cobertura. entre os séculos XVII e XIX. Estas paredes de pedra partem do ensoleiramento. que é o nivelamento geral dado ao respaldo das fundações onde estão assentes. Este sistema. são de pedra no rés-do-chão. designaremos de tabique simples e tabique simples reforçado. que. frechais e escoras (em forma de cruz de Santo André). por motivos tão triviais. e de certa forma ainda se emprega actualmente em certos meios com autoridade. pois as paredes de taipa utilizam materiais e métodos de construção totalmente diferentes do que atrás descrevemos. travessanhos e escoras.taipeiros . avançamos com duas explicações.
areia e saibro. areia e saibro (fig. com a ajuda de uma argamassa de cal. No início do século XIX. ou por telha caleira. 3) ou. 2). Revestimento e acabamento exterior Pelo exterior. começa a utilizar-se um barramento de asfalto. podendo. por reboco de saibro (fig. alcançam a profundidade necessária até encontrarem terreno firme. Nos exemplos mais refinados eram executadas pinturas a fresco do tipo dos guarnecimentos ou do escaiola. protegido por chapa zincada ondulada fixa a um ripado (fig. 4 e 5). A vulgarização desta prática foi substituindo aos poucos os soletos de ardósia e a telha caleira. para impermeabilização. 3). como acontece nas proximidades do Rio da Vila. as partes descobertas das empenas podiam ser revestidas por soletos de ardósia. sendo por fim caiadas ou pintadas. fixa pelo mesmo processo. nalguns casos.As fundações. estar apoiadas em estacaria. em muitos casos. sobre a qual era executado acabamento a estuque com um barramento de pasta de cal. todas as paredes eram emboçadas e regularizadas com argamassa de cal. 85 . Revestimento e acabamento interior Pelo interior. contínuas. fixos com pregos a um ripado (fig.
Neste exemplo. .Conjunto de plantas tipo de casas localizadas na Rua do Dr. Desenho elaborado por um grupo de alunos do ano lectivo 2001/2002. das escadas e das paredes interiores de tabique. Barbosa de Castro. 1 . em que as habitações estão provavelmente apoiadas na Muralha Fernandina. podemos observar as estruturas de madeira dos sobrados.Fig.
de uma casa localizada na Rua de Francisco da Rocha Soares. Fig. Foto do autor. Fig.Parede de meação revestida a telha caleira e parede de fachada revestida a chapa ondulada pintada.Parede de meação impermeabilizada com asfalto e revestida com reboco. Foto do autor. Vitor. Fig. 4 .Parede de empena de recuado em tabique. . Foto do autor.Parede de empena sem o revestimento original de reboco e com a impermeabilização de asfalto a desagregar-se do suporte de alvenaria. de duas casas localizadas na Rua de Miragaia. de uma casa localizada na Rua de S. 2 . 5 . 3 . revestida a soletos de ardósia.Fig. Foto de Manuel Teles.
No livro anteriormente citado. s.4. para receberem os revestimentos dos pavimentos e dos tectos. 88 . nalguns exemplos. por 20 a 25 cm de altura e espaçamentos entre si nunca superiores a 50 cm190. dos Santos. Os paus rolados eram aparados – falqueados . Revestimento e acabamento dos pavimentos Os pavimentos eram revestidos por um tabuado – soalho – normalmente em madeira de pinho. que passaremos a designar por paus rolados. chegando. 189 190 SEGURADO. os topos das vigas eram pintados com tinta de óleo. para a sua protecção. Esta “modulação” começa e termina com uma viga encostada às paredes das fachadas. Antes da sua colocação. mas num frechal ao longo desta. tivemos oportunidade de observar que o vigamento não assenta directamente na parede de meação.d. Isto demonstra o relativo atraso na mecanização da nossa indústria. Esta foi a forma de construir os sobrados durante muitos séculos.2 Pisos ou sobrados A estrutura dos pisos ou sobrados era constituída por um vigamento de troncos de madeira. Biblioteca de Instrução Profissional. não tendo em conta. em função do vão e do peso a suportar. Em algumas situações. onde está representada a estrutura do piso com vigas esquadriadas. junto às paredes das fachadas. com dimensões que variam entre os 8 a 12 cm de largura. zarcão ou alcatrão.189 O vigamento era apoiado nas paredes de meação. raras. em que os paus rolados falqueados em quatro faces alternavam em ritmo com paus rolados simples. 8 e 9). 6. É comum encontrar exemplos de desenhos de finais do século XIX. 1. outros factores como por exemplo o tipo de madeira e a influência das respectivas características na definição da sua resistência.4. para o qual ainda não nos foi possível encontrar uma explicação. Os paus rolados dispostos paralelamente entre si. a apoiar-se em toda a sua espessura. usadas vigas falqueadas em quatro faces. com afastamentos que variavam entre os 50 e os 70 cm. sendo nalguns casos. com uma entrega de cerca de dois terços da espessura destas paredes. nunca ultrapassando os 7 m.5 m (fig. Libraria Bertrand. o autor avança com algumas noções elementares que permitiam aos artífices calcular as dimensões do vigamento de uma casa. 7. Só no início do século XX é possível encontrar exemplos de vigamento constituído por vigas de madeira esquadriadas. permitindo assim uma melhor distribuição das cargas transmitidas pelos paus rolados. início do século XX. mas o que foi construído ainda usa os tradicionais paus rolados. João E. Também já observamos um caso. numa altura em que noutros países se começavam a construir os primeiros edifícios em betão armado.. no entanto. Todo o vigamento era travado por tarugos espaçados em média cerca de 1.em duas faces. Lisboa. Trabalhos de Carpintaria Civil. com diâmetros que variavam entre os 20 e os 30 cm e comprimentos que dependiam da largura das casas.
podemos observar a estrutura dos sobrados. das paredes interiores de tabique e a estrutura do telhado de duas águas. localizada na Rua do Dr. 6 . Neste exemplo.Corte longitodinal por uma casa com dois pisos acrescentados.Fig. O piso do rés do chão é totalmente revestido por um lajeado de granito. . dos patins intermédios das escadas. Desenho elaborado por um grupo de alunos do ano lectivo 2001/2002. Barbosa de Castro.
Neste exemplo.Fig. são constituídas por uma estrutura de barrotes dispostos em forma de frechais. caixa de escadas e paredes interiores de uma casa localizada na rua de Trás. cobertura. revestida em ambas as faces por um tabuado colocado na vertical. em tabique simples reforçado. as paredes da caixa de escadas. Maqueta realizada por um grupo de alunos do ano lectivo 2001/2002. .Maqueta da estrutura dos sobrados. prumos. travessanhos e escoras. 7 .
Pormenor da estrutura da caixa de escadas. a clarabóia. e da estrutura do último piso. Neste exemplo. com os dois primeiros lanços de pedra. 8 . Maqueta elaborada por um grupo de alunos do ano lectivo 2001/2002. encostada à Muralha Fernandina. está localizada na tacaniça da fachada posterior. Barbosa de Castro. integralmente de madeira. .Maqueta de uma casa localizada na rua do Dr. de forma rectangular.Fig.
Pormenor tipo da estrutura dos sobrados de uma casa com três frentes. assentes nas vigas.Fig. as quais se apoiam nos panos de parede sem aberturas. o apoio das vigas principais do sobrado em frente a cada abertura é feito através de cadeias. Neste exemplo. 9 . . Desenho do autor.
Barcelona. A assimilação. utilizando vários materiais. desde canas partidas a metade.)”191 Revestimento e acabamento dos tectos Até aos finais do século XVIII. As habitações mais antigas apresentam. utilizando um tabuado directamente pregado ao vigamento..) os tectos de caixotões barrocos. tomo I”. região ou lugar. vários métodos para a realização do fasquiado. Provavelmente esta técnica utilizada para tectos terá sido inventada na mesma altura que a técnica utilizada para o revestimento de paredes em madeira. às vezes decorados com pinturas ornamentais. Posteriormente eram enceradas. Carlos. Gustavo Gili Editor. Durante o século XIX são os tectos em estuque que conhecem maior divulgação nas casas de habitação corrente da cidade do Porto. em boa madeira de castanho. encontramos num tratado de construção de início do século XX. o tabuado de maiores dimensões. qual terá surgido primeiro. obra já citada. desde o século XII. como já referimos... A título de exemplo.. Afife (Síntese monográfica). dada a sua semelhança. eram construídos tradicionalmente em madeira. tomava a forma de masseira ou caixotões. Muitos destes tectos ainda subsistem em relativo bom estado. Fernando. os tectos.192 Esta tradição nunca desapareceu. para suporte dos revestimentos e acabamentos em gesso dos tectos. Avelino Ramos. igualmente por esclarecer. Construcción de edificios. 1). antes diminui drasticamente com a sua substituição pelo estuque. 191 192 193 OLIVEIRA. de castanho. 1928. o tabuado. larguras entre os 12 e os 30 cm e comprimentos que podem alcançar os 10m (fig. As tábuas de soalho depois de assentes. ou por que via terá sido importada esta técnica construtiva para elaboração de tectos com acabamento a estuque. regra geral. originaram uma infinidade de outras técnicas e métodos construtivos para responder aos mesmos fins. Ernesto Veiga de. Ver ESSELBORN. que vai diminuindo ao longo do século XIX. quando não nos exuberantes motivos da época vitoriana. Casas do Porto in Arquitectura Tradicional Portuguesa. GALHANO. testemunhando influências inglesas.5 e os 5 cm. eram afagadas manualmente para se obter uma superfície uniforme. que consistia numa estrutura de ripas trapezoidais de pequena dimensão 193 – fasquios – dispostas em forma de grelha. constitui uma das principais evoluções do sistema construtivo ao longo do período em análise no nosso estudo. no norte de Portugal. MEIRA. em forma de “camisa e saia”.com espessuras que variam entre os 2. ficando. em forma de forro de esteira. ou de finos estuques em puro gosto Adam ou Wedgewood. que as técnicas e métodos construtivos sofreram em cada cultura. “(. “Tratado general de construcción. pregadas às paredes de madeira ou ao vigamento dos pisos. obra já citada. até redes de malha apertada. de acordo com Norman Davey na sua History of building materials. A invenção de uma técnica. continuando a ser utilizada em alguns casos mais particulares. de modo a aumentar o seu embelezamento e a garantir a sua protecção e conservação. que são também uma tradição corrente no MInho(. com molduras e ricos ornatos em talha. permitindo-nos apreciar a sua beleza. ou sobreposto em duas camadas. a adaptação e o aperfeiçoamento. 93 . Não sabemos ao certo qual a origem. onde as técnicas de trabalhos em estuque estavam muito avançadas. Provavelmente terá sido importado de França. passando por pequenas ripas de secção quadrada pregadas na diagonal. unidas por encaixe (em forma de macho-fêmea ou meia madeira) e pregadas ao vigamento. Nos exemplos mais abastados. e relacionado com a técnica que estamos a abordar.
Quando os ornatos eram muito volumosos e pesados. 10). possivelmente. eram pregados directamente sob os paus rolados ou. . o gesso era trabalhado à volta de pregos de aço. fixo a duas pequenas tábuas de madeira dispostas em ângulo recto. 27 e 28). espaçados entre si cerca de 0. à base de saibro e cal. As cornijas ou sancas. 12).Os fasquios. era depositada por cima dos fasquios. que faziam correr ao longo da intersecção da parede com o tecto. em muitos casos. executados com exímia perfeição. espaçados entre si a espessura de um dedo. obtendo-se deste forma uma espécie de estuque armado. antes da colocação do soalho. ao seguinte faseamento: . ou mais tarde em gelatina e cola. era aplicada sob os fasquios preenchidos com a argamassa anterior. que podiam situar-se ao centro ou nos cantos. que podiam contemplar uma infinidade de motivos decorativos. eram muitas vezes pré-moldados em barro. moldando-a com ferros próprios. a uma estrutura intermédia de barrotes com a dimensão de 5 por 7 cm. obra já citada. iniciava-se a aplicação da pasta de gesso com espátulas. estavam dependentes do gosto e das possibilidades económicas do cliente. Quando os tectos eram decorados (fig. à base de areia fina e cal.A primeira camada de argamassa. sobre a qual era aplicado o acabamento em estuque. Os acabamentos. 26. permitindo simultaneamente a sua ventilação(fig. que compensava algum desnivelamento da estrutura do vigamento. 10). executado com pasta de gesso (fig. utilizando-se uma “boneca” (bola de pano) impregnada de pó de carvão para o estampar na superfície do tecto. e depois transferidos através de moldes de cera.Os trabalhos de revestimento e acabamento de tectos em estuque obedeciam. era transferido através de um papel apropriado (papel de pique).5m. em perfis muito finos (fig. 11 e 12). Avelino Ramos. .194 194 MEIRA. o desenho dos ornatos. como se tratasse de verdadeiros trabalhos de talha (fig. picotado. Afife (Síntese monográfica). 94 .A segunda camada de argamassa. Os ornatos. regularizando o tecto e criando uma superfície bem desempenada. Após a definição mais rigorosa dos contornos do desenho com um lápis. eram executadas com um contra-molde em chapa.
Foto de um grupo de alunos do ano lectivo 2002/2003. 11 . Fig. 12 .Pormenor de um tecto com vários ornatos em estuque. Fig. do enchimento de argamassa de saibro e do acabamento de estuque dum tecto. 10 Pormenor do revestimento de fasquios. Foto de um grupo de alunos do ano lectivo 2002/2003. Foto do autor.Pormenor de sanca e tecto profusamente decorados com rebuscados ornatos em estuque. .Fig.
para apoio das telhas (fig. 96 . por encaixe a meia madeira. 20. 22. temos uma viga – rincão . assim como da restante estrutura do telhado. também conhecida por telha vã. até meados do século XIX. todas as peças da asna. as casas do Porto (mesmo já as velhas casas estreitas e altas de fachada de tabique. 13. A utilização da asna complexa. o pau de fileira e as madres. Estes telhados eram inicialmente revestidos por telha de canal ou romana. pois necessitavam de argamassa para a sua fixação. entre as paredes de meação e as paredes das fachadas.3 Estrutura do telhado "Pode-se dizer que. ao nível da cumeeira e a meio do vão das duas pernas. Frequentemente. o pendural e as escoras. apoiada nas pernas ou tesoura. sobre os quais era pregado transversalmente um tabuado de guarda-pó. obra já citada. A fazer a transição das vertentes principais para a tacaniça. ao qual era finalmente pregado um ripado. também constituído por troncos de madeira de menor dimensão.paus rolados. Todas as vigas que compõem esta armação são em tudo semelhantes às vigas dos sobrados ."195 A estrutura destes telhados é de origem ancestral e a sua forma rudimentar perdurou e coexistiu com a introdução da asna mais complexa. 23 e 25).o que significa que os oitões terminam horizontalmente. localizam-se superiormente. apoiadas numa viga transversal ou linha. dos bairros da Sé e da Vitória) têm telhados de quatro águas. 15 e 16). com a linha. esse telhado é tão baixo que não permite o aproveitamento do seu vão para qualquer sótão. 26. Ernesto Veiga de.4. de menor dimensão . 17. visto não terem qualquer tipo de encaixe entre si. devido à simplicidade da sua construção. Esta estrutura.nível . salvas raríssimas excepções. Estas telhas eram assentes directamente sobre o guarda-pó. só aparece nas construções do Porto nos finais do século XIX. que por sua vez se apoiava nas paredes de meação. Nas casas mais estreitas. respectivamente. era constituída por uma armação simples de duas vigas ou pernas. in Arquitectura Tradicional Portuguesa. unidas superiormente a meia madeira. de telha caleira portuguesa . esta armação era travada transversalmente por outra viga. Sobre esta armação era pregado o varedo ou caibros.que se apoia na fileira e no contrafrechal. e ao facto de permitir um melhor aproveitamento do vão da cobertura. Fernando. 195 OLIVEIRA. 14 e 21). vão sendo substituídas por vigas esquadriadas de madeira (fig. 27 e 28). 19. na mesma linha do beiral frontal.a cerca de dois terços da altura. GALHANO. dispostas em forma de tesoura. aparados em duas faces. Telhados do Porto. Foi este tipo de estrutura de telhado que deu origem aos tectos de masseira (fig. lentamente. Para travamento longitudinal.4. Embora os primeiros exemplos fossem construídos com paus rolados (fig.
por estarem assentes em argamassa. com a generalização do revestimento em telha Marselha e a construção de espaços habitáveis nos sótãos. Nas coberturas mais recentes."196 O que vulgarizou a utilização de coberturas de duas águas foi a introdução da telha plana ou telha Marselha. o ripado para suporte da telha Marselha (fig. transversalmente. Ernesto Veiga de. vemos vulgarizar-se o telhado de duas águas. apoiados nas empenas das paredes de meação e espaçados entre si cerca de 1. sido alterada a sua estrutura. 18). de forma a aumentar-lhe as pendentes. com peças esquadriadas. passando este a ser empregue apenas nas casas mais abastadas. deixa de se utilizar o guardapó. obra já citada."A partir de finais do séc. Sobre esta estrutura era pregado o varedo. 196 OLIVEIRA. agora já feito de peças esquadriadas e. substituindo as antigas armações por asnas mais elaboradas e. GALHANO.5 m. Ainda hoje podemos observar em muitas casas vestígios dos velhos revestimentos em telha vã nas fiadas existentes sobre as cimalhas. com as empenas dos oitões por vezes muito elevadas. em telha caleira argamassada. O revestimento dos velhos telhados de quatro águas. As estruturas das coberturas de duas águas eram simplesmente constituídas por paus rolados. in Arquitectura Tradicional Portuguesa. Fernando. tendo para isso. garantindo assim um maior aproveitamento do vão da cobertura. que. que permitia aumentar as pendentes das vertentes. foi sendo progressivamente substituído por telha Marselha. nalguns casos. não foram substituídas. no sentido frente fundo. durante o século XIX. Telhados do Porto. 97 . XIX. em muitos casos. continuando a linha frontal a ser horizontal.
Desenho do autor.Corte por uma asna simples com nível. Desenho do autor.Fig. 13 .Corte por uma asna simples sem nível. Fig. . 14 .
Estrutura de cobertura com quatro águas e com tectos em masseira.Fig. 15 . Fig. Maqueta realizada por um grupo de alunos do ano lectivo 1999/2000.Estrutura de tectos em masseira. Maqueta realizada por um grupo de alunos do ano lectivo 1999/2000. 16 . .
7 Barrote. 4 Vara. Desenho do autor. Fig.Corte longitudinal por um telhado de duas águas. Legenda: 1 Algeroz. 5 Contra frechal. Desenho elaborado por um grupo de trabalho do ano lectivo 2001/2. 2 Tábua de barbate.Pormenor tipo de asna com pendural e escoras. . 18 .Fig. 17 . 6 Viga de apoio da estrutura do tecto. 8 Madre. 3 Telha Marselha.
.Corte por uma tacaniça com beirado constituído por três fiadas de telha vã. 19 .Fig. Desenho do autor. em forma de canal e coberta. Desenho do autor. 20 . Fig.Corte por uma tacaniça com algeroz e platibanda.
Maqueta realizada por um grupo de alunos do ano lectivo 2002/2003.Estrutura tipo de uma cobertura de quatro águas. guieiros. varas e ripado. madres. fileira. Fig. . Neste exemplo todas as peças que constituem a estrutura da cobertura: frechais. 21 .Fig. linhas.Estrutura de telhados de quatro águas constituída por elementos em forma de paus rolados e asnas simples com nível. escoras. pernas. 22 . são esquadriadas. pendurais. Foto de Manuel Teles.
Exemplo de asna primitiva constituída por linha. Fig. Fig. . Foto do autor. 23 .Fig. Neste caso todas as peças da estrutura da asna e da restante estrutura da cobertura são constituídas por vigas esquadriadas. Foto do autor. 24 .Exemplo de asna sem escoras. 25 . pernas e nível em forma de pau rolado.Pormenor de uma asna complexa. De notar que os restantes elementos da estrutura da cobertura são igualmente formados por paus rolados. Maqueta realizada por um grupo de alunos do ano lectivo 2002/2003.
28 . do tecto e de uma parede de tabique. Foto de um grupo de trabalho do ano lectivo 2002/2003. 27 . . de uma casa localizada na rua do Barão de S. Fig.Pormenor do pendural.Estrutura da cobertura. têm a forma de paus rolados. Em primeiro plano podemos observar a estrutura de barrotes do tecto com as marcas dos fasquios. Foto de um grupo de trabalho do ano lectivo 2002/2003.Pormenor da estrutura da tacaniça. Cosme. Foto de um grupo de trabalho do ano lectivo 2002/2003.Fig. escoras e linha em forma de paus rolados. provavelmente datada de finais do século XIX. Fig. 26 . Todos os elementos que constituem a estrutura da cobertura. com a excepção do varedo e do ripado.
não servem de suporte ao vigamento dos pisos.1 Paredes de fachada em pedra “As fachadas.que definem os vãos de portas e janelas. de ombreiras e de lintéis ou vergas e ainda sob a forma de diversos elementos decorativos. cimalhas e socos (fig. mais concretamente no século XIX. estas espessuras passaram a integrar-se numa lógica construtiva adaptada a outros elementos arquitectónicos da casa. partem do ensoleiramento geral. construídas em alvenaria de pedra de granito. por isso. com excepção da água das tacaniças e dos edifícios em gaveto e. classificamo-las no grupo das estruturas secundárias. É importante destacar. mais graciosas e movimentadas no século XVIII. Ernesto Veiga de. esta é reduzida em cerca de 1/3. perfeitamente encaixadas nestas espessuras (fig. passando a medir aproximadamente 45 cm. janelas e portadas interiores. com as dimensões dos vãos e dos elementos que fazem a sua protecção. sendo estas. a espessura das paredes relaciona-se. Decorrente da evolução do desenho das fachadas e das técnicas construtivas. GALHANO.5 ESTRUTURAS SECUNDÁRIAS 4. 30. outras corridas a toda a largura do prédio. 105 . 197 OLIVEIRA. para larguras de vãos que rondam 1. constituindo deste modo uma estrutura contínua (fig. são predominantemente constituídas por peças aparelhadas . perdendo praticamente os motivos ornamentais e tornando-se pobres e monótonas. à semelhança das paredes de meação. 31. de forma biunívoca. de parapeitos. mais sóbrias e severas no século XVII. e 40 a 50cm para as portadas. correspondente ao aro de gola. umas vezes. Ou seja. funcional. óculos e varandas. As paredes das fachadas. e cujas linhas se simplificam consideravelmente no século XIX. Estas paredes. as paredes das fachadas tendem a diminuir de espessura. construtiva e estética. obra já citada.5. 6). frisos. As paredes de pedra das fachadas apresentaram sempre espessuras consideráveis. dispostas de modo diverso nos seus diferentes pisos. o grau de estandardização e sistematização alcançado na produção destes elementos e a sua imensa variedade de combinações. regra geral. Casas do Porto in Arquitectura Tradicional Portuguesa. pelo facto de serem autoportantes e de grande parte da sua superfície conter aberturas.4. decorrentes de factores de ordem económica. habitualmente em número de três.”197 As paredes das fachadas das casas do Porto durante o período que trata o nosso estudo. dentro de uma lógica de racionalização da construção. determinado acima do nível das fundações.cantaria . No início do século XX.25m temos uma espessura de parede dividida em duas partes: 20cm para a janela. 32 e 33). compõem-se fundamentalmente de combinações variadas e harmoniosas de janelas. Por exemplo. Fernando. sob a forma de lancis de soleiras. tais como pilastras. individuais e. relacionados com o desenho dos alçados. 29). nos casos onde ainda persistia o sistema construtivo tradicional. ficando as suas folhas. como portas.
. executado com uma argamassa de saibro. ora de desenhos singulares. (.Tintas). 106 . rebocadas ou.)”198 A forma mais primitiva de revestimento exterior das paredes das fachadas. Fernando. AGUIAR. Casas do Porto in Arquitectura Tradicional Portuguesa. deve-se ao facto não exigir manutenção e funcionar como primeira camada impermeabilizante. pintado a têmpera (tinta à base de cola). nos casos mais notáveis. no sentido de garantir a sua continuidade. como principal revestimento de fachadas. a partir de meados do século XIX. as frontarias são em geral lisas. Materiais . A introdução da “moda” do azulejo como elemento de revestimento de fachadas. que permitiram mais fácil acesso a este material. 198 199 OLIVEIRA. também. GALHANO.Revestimento e acabamento interior Pelo interior. O emprego de um pré-revestimento impermeabilizante de asfalto. do século XIX em diante. dispostos. seria o reboco de enchimento e regularização. simplesmente caiado ou pintado. em painéis que imitam tapeçarias com a sua barra em torno. tornaram-no o revestimento típico das fachadas das casas do Porto. Ernesto Veiga de. obra já citada. O sucesso obtido na utilização deste material. nas primeiras décadas do século XX. que entretanto se tinham vulgarizado199 (ver cap. iniciado provavelmente durante a primeira metade do século XIX. descritas anteriormente. assim como das paredes de meação. ou simplesmente estucados com um barramento de pasta de cal. obra já citada. com tintas à base de óleo. até aos nossos dias. para além do seu valor estético. areia e cal. Revestimento e acabamento exterior “Raramente com os cheios de pedra à vista. e mais tarde. José. revestidas de azulejos. associada à melhoria das condições de manufactura e mais tarde de fabrico industrial. as paredes das fachadas eram revestidas e acabadas da mesma forma que as paredes de meação. ora formando conjunto. A partir de meados do século XVIII é possível encontrar acabamentos mais refinados. relativamente ao período que reporta o nosso estudo.. veio melhorar as condições de impermeabilização destas paredes. areia fina e pigmentos. com uma fina camada de argamassa à base de cal.
Diversos tipos de lancis de vãos exteriores em cantaria de granito. Desenho do autor. .Fig. 29 .
Barbosa de Castro. 30 .Fig. . das estruturas das paredes de tabique do piso recuado (integralmente de madeira) e da cobertura. Pormenor dos lancis da parede da fachada. Maqueta realizada por um grupo de alunos do ano lectivo 2001/2002.Maqueta de uma casa na rua do Dr.
abrangendo um piso com janela de abrir de peito e um piso com janela de sacada.Corte transversal por uma fachada.Fig. . Desenho elaborado por um grupo de alunos do ano lectivo 2001/2. 31 .
Fig. . Desenho realizado pelo autor.Corte tipo de uma fachada principal. 32 .
Pormenor de parede de fachada com vão de janela.Fig. Desenho do autor. . 33 .
Tal como as paredes das fachadas de pedra. Casa urbana in Arquitectura Tradicional Portuguesa. GALHANO. diferindo apenas na forma e no número dos elementos estruturais. apenas servindo de apoio às tacaniças da estrutura da cobertura. que Segurado denomina de frontal forrado. Ernesto Veiga de. 34 e 35) e as paredes de tabique simples reforçado (fig. o mesmo acontecendo para as paredes interiores de tabique. apresentava ainda a vantagem de poderem ser utilizadas em diversas situações. (…)”200 Vamos considerar neste ponto as paredes exteriores de tabique na continuidade das fachadas de pedra e as paredes das fachadas dos pisos recuados ou acrescentados. As uniões entre as peças são realizadas normalmente por samblagens a meia madeira. Por outro lado. sendo fácil de trabalhar e transportar.2 Paredes de fachada em tabique O tabique constitui entre nós. continuou a utilizar-se revestido de telhas. muito raramente. as paredes das fachadas de tabique não constituíam a estrutura primária das habitações. por respiga e mecha (fig. certamente por constituir um processo barato e fácil. pois a madeira era um material que abundava no nosso país. ”(…) uma técnica de construção anterior ao século XVII.prumos . quando estão na continuidade de uma parede de pedra. Esta estrutura de barrotes é preenchida por um duplo tabuado. obra já citada. malhetes em forma de cauda de andorinha ou.4. durante as três épocas em que situamos o nosso estudo. Fernando. formado por tábuas com cerca de 2cm de espessura. e um ripado pelo exterior. encontramos principalmente dois tipos de paredes de fachada em tabique: as paredes de tabique simples (fig. que descreveremos mais à frente. Por falta de elementos. devido à madeira constituir o principal material da sua construção. para servir de apoio ao reboco. A estrutura destas paredes completase com o frechal superior e por travessanhos e vergas quando é necessário definir vãos. colocadas na vertical e na diagonal. mas que. eram mais frágeis. 112 . sobre o qual é pregado um fasquiado pelo interior. trapeiras e outras formas de andares suplementares. que todavia as torna mais económicas. ainda não nos é possível avaliar qual destes dois tipos de parede é o mais frequente durante o período que estamos a tratar. 38). Estes dois tipos de paredes são muito semelhantes construtivamente. para acréscimos. Paredes de tabique simples As paredes de tabique simples. degradando-se com facilidade.5. são constituídas por uma estrutura de barrotes constituída por elementos verticais . para servir de apoio ao 200 OLIVEIRA. lousas ou chapa. com largas raízes ou manifestações provinciais. Na cidade do Porto. O facto de serem de construção leve.espaçados entre si cerca de 1m e apoiados directamente sobre o vigamento do sobrado ou sobre um frechal. 36 e 37).
dispostos em forma de prumos. Quando se trata de pisos recuados. é comum as paredes de meação serem do mesmo tipo das anteriores. as paredes de tabique também passam a ser revestidas com este material. as paredes de tabique simples e as paredes de tabique simples reforçado eram forradas por um fasquiado pregado directamente ao tabuado. era adicionado sebo ou colas naturais ao acabamento dos rebocos. 42 e 43). 39 e 40). Contudo. nos finais do século XIX. à semelhança do que acontece com as paredes das fachadas em pedra. 41. têm grande divulgação os revestimentos de paredes exteriores de tabique com soletos de ardósia ou chapa zincada. 40. é revestida em ambas as faces por um tabuado com cerca de 2cm de espessura. travessanhos. garantindo desta forma a sua continuidade. constituída por barrotes de secção quadrangular. e por um ripado no exterior. 113 . Mais tarde. em tudo semelhante às paredes de tabique misto. estas paredes podiam ser rebocadas. podendo o seu interior ser preenchido com restos de madeira. com 7cm de lado. para receber os respectivos revestimentos. ou também pelo exterior. construída pelo mesmo processo da anterior. Revestimento e acabamento exterior Pelo exterior. embora nalguns casos o seu revestimento exterior possa ser também de reboco (fig. Tal como nas paredes de tabique simples. o tabuado é revestido por um fasquiado no interior. Esta estrutura. conferindo-lhes assim maior consistência e propriedades hidrófugas. que servia de suporte a um revestimento e acabamento em tudo semelhante às paredes de meação e de fachada em pedra. Paredes de tabique simples reforçado As paredes de tabique simples reforçado são constituídas por um esqueleto ou estrutura em forma de gaiola. 34 e 35).revestimento. permitindo deste modo criar algum isolamento térmico. aplicado sobre o reboco. por se situar no exterior. pregados a um ripado espaçado segundo as dimensões destes elementos (fig. Quando surge o azulejo. Revestimento e acabamento interior Pelo interior. 39. frechais. vergas e escoras. constituindo nestes casos um outro tipo de estrutura primária de apoio da cobertura (fig. utilizando-se para isso as mesmas técnicas de revestimento aplicadas no interior. cortiça ou até folhas de jornal. acrescentados posteriormente.
Fachada exterior em tabique misto. pisos balançados e varandas de sacada em madeira. 36 .Fig.Fachada exterior de tabique simples reforçado. travessanhos e duplo tabuado colocado na vertical e na diagonal. Fig. 37 . constituída por uma estrutura de prumos (afastados cerca de 0.Conjunto de casas com fachadas em tabique.Fachada exterior de tabique simples reforçado. pertencente a uma casa localizada na Rua dos Caldeireiros. cheia com tijolo maciço. localizadas na Rua do Comércio do Porto. . Fig. pertencente a uma casa localizada na Rua dos Mercadores. Foto do autor. constituída por prumos. Fig. 34 . Foto do autor.5m) e escoras. Foto do autor. pertencente a uma casa localizada na Rua dos Mercadores. Foto do autor. revestidos por fasquios e reboco. 35 .
travessanhos e vergas de estruturas de madeira de paredes de tabique simples ou de tabique simples reforçado. frechais.Fig.Tipos de união entre prumos. 38 . Desenho do autor. .
composta por várias aduelas apoiadas na estrutura do tecto. Fig. Maqueta elaborada por um grupo de alunos do ano lectivo 2002/2003. protegido pelo exterior com soletos de ardósia. A estrutura é constituída por prumos. 40 . frechais. vergas e escoras. revestida em ambas as faces por um tabuado. em tabique simples. Em primeiro plano o pormenor da estrutura da tacaniça e da clarabóia.Maqueta da estrutura da cobertura de uma casa localizada na rua de Santo Ildefonso.Estrutura de parede em tabique simples reforçado. em segundo plano a estrutura do piso recuado. provavelmente datada do século XIX. Neste exemplo podemos observar a estrutura da clarabóia. sobre o qual é pregado um ripado para suporte do revestimento de chapa ondulada. travessanhos. sobre o qual é pregado o fasquio para suporte do reboco e acabamento. situada muito próximo da parede da fachada. pertencente à fachada de um piso recuado. Pelo interior esta é revestida por um tabuado. A parede do piso recuado. Maqueta realizada por um grupo de alunos do ano lectivo 2002/2003.Fig. é revestida pelo exterior por um tabuado. 39 . travadas a meia altura por travessanhos e superiormente por um frechal de coroamento. .
a transição entre a parede de meação e a parede de tabique exterior e o pormenor de um vão de janela de guilhotina. a parede exterior de tabique simples reforçado revestida a chapa ondulada. Neste exemplo.Planta tipo de piso recuado. podemos observar em pormenor a parede interior de tabique simples.Fig. Desenho elaborado por um grupo de alunos do ano lectivo 2001/2002. 41 . .
Desenho elaborado por um grupo de alunos do ano lectivo 2001/2002. podemos observar a estrutura da parede exterior de tabique simples reforçado e a solução adoptada para resolver a cobertura entre esta parede e o beirado. Neste exemplo.Pormenor dos dois últimos pisos de uma casa. sendo o último piso um acrescento recuado. 42 . .Fig.
28 Travessa superior do caixilho da janela. 20 Tábua superir do rodapé. 11 Telha Marselha.Pormenor de uma parede exterior de um piso recuado em tabique simples reforçado. 24 Guarnição (mata juntas) interior. 26 Travessa inferior do caixilho da janela. 34 Viga (pau rolado) de apoio da estrutura do tecto. Legenda: 1 Viga (pau rolado) da estrutura do sobrado. 30 Calço. 17 Prumo. 12 Rufo em chapa de zinco. 18 Soalho. 25 Tábua de peito. 21 Travessanho. 6 Contrafrechal. 19 Tábua inferior do rodapé. 32 Cimalha em madeira. 3 Fasquio. 16 Ripa de fixação do radapé. 43 . 31 Verga. 33 Frechal. 2 Argamassa de saibro. 10 Argamassa de assentamento. 35 Barrote para apoio dos fasquios do tecto. 22 Duplo tabuado. 8 Ripa. 9 Telha vã (canal e coberta). 15 Guarnição (mata juntas) exterior. 7 Vara. . 27 Pinázio. 14 Chapa ondulada. 5 Tarugo. Desenho realizado pelo autor. 13 Ripa de fixação da chapa ondulada.Fig. 29 Aro do caixilho da janela. 4 Estuque.
As paredes de construção mais recente.Na segunda. pelo menos. 46 e 47). sobre o qual estão directamente apoiadas. afastadas 1cm. semelhante às anteriores paredes de tabique que temos estado a descrever. duas formas de execução: .Na primeira. respeitante ao século XVII. As paredes que julgamos ser as de construção mais antiga. 44). a estrutura de barrotes destas paredes pode ter. 46). e vergas. cauda de andorinha e. ou por um tabuado simples (fig. concretamente no que respeita à localização do vigamento. os prumos. à semelhança das restantes paredes interiores. 50 e 51). prumos. muito raramente. 49. são constituídas por uma estrutura de barrotes com 7cm de lado. 120 . Em ambas as faces deste tabuado é pregado um fasquiado. 45. na fase de acabamentos. eram apoiados directamente no vigamento do pavimento. colocadas na vertical e pregadas aos frechais (fig. em respiga e mecha (fig. até à altura do rodapé.5. Todas as samblagens entre as várias peças são executadas pelos mesmos processos das paredes anteriores: meia madeira. normalmente de tábuas costaneiras. para receber os revestimentos de argamassa (fig. colocado na vertical e na diagonal. De referir ainda que. que julgamos pertencerem ao final do século XVIII e a todo século XIX. dispostos em forma de frechais.4. afastados cerca de 1m. à semelhança das paredes de tabique exterior. usam a mesma estrutura de barrotes. 48. preenchida por um duplo tabuado. com cerca de 2cm de espessura cada tábua. sobre o qual era pregado o fasquiado para receber as argamassas de reboco e acabamento. preenchida por um tabuado com 4 a 5cm de espessura. um frechal superior e outro inferior. As paredes interiores de tabique das casas do Porto durante as épocas que dizem respeito à nossa descrição são genericamente de tabique simples. dispostos de forma diferente. pregados a um frechal superior e travados por travessanhos pregados à altura do rodapé (fig. a localização das paredes interiores de tabique está dependente da estrutura dos sobrados. com pequenas variações na forma da sua construção. sobrelevado à altura do rodapé e apoiado em pequenos prumos (fig. 38). Estas paredes seriam usualmente executadas já com a habitação assoalhada ou sobradada. . a estrutura era apenas constituída por prumos a toda a altura junto das paredes de meação e na conformação dos vãos. 45). com excepção das paredes das caixas de escadas.3 Paredes interiores de tabique Consideramos paredes interiores de tabique todas as paredes divisórias ou de compartimentação da habitação. Segundo os dados que conseguimos obter. Ambas as estruturas eram preenchida por um duplo tabuado.
121 . 48. 49. garantindo assim a continuidade necessária dos revestimentos e acabamentos dos espaços interiores.Revestimento e acabamento As paredes interiores de tabique eram forradas a fasquios. 50 e 51). com um espaçamento de cerca de 3 a 5cm. para apoio das argamassas (fig. sendo posteriormente revestidas e acabadas da mesma forma que as restantes paredes da habitação.
Desenho de um grupo de trabalho do ano lectivo 2001/2002. 44 .Fig.Pormenor tipo de parede interior em tabique simples. .
apoiado em prumos distanciados cerca de 1m.Parede de tabique interior. Desenho do autor. com duplo tabuado. sem frechal inferior. com duplo tabuado e frechal inferior elevado. 45 .Parede de tabique interior. . com prumos afastados cerca de 1m e travessanhos pregados à altura do rodapé. Desenho do autor.Fig. Fig. 46 .
Pormenor das estruturas de madeira de uma casa localizada na rua de Santo Ildefonso. Maqueta elaborada por um grupo de alunos do ano lectivo 2002/2003. provavelmente datada do século XIX. . 47 .Fig.
Fig. 50 . Fig. 49 . 48 . 51 . Foto de um grupo de trabalho do ano lectivo 2002/2003 .Pormenor da samblagem entre o prumo e a verga de um vão de porta.Pormenor da padieira de um vão interior de porta. preenchida por um tabuado de tábuas costaneiras. Fig. Fig. revestido de fasquios. Foto de um grupo de trabalho do ano lectivo 2002/2003. vergas e travessanhos. Neste exemplo o tabuado está apoiado num frechal elevado à altura do rodapé. para suporte das argamassas de revestimento e acabamento.Pormenor do apoio dos prumos no piso.Parede de tabique simples constituída por uma estrutura de frechais. prumos. Foto de um grupo de trabalho do ano lectivo 2002/2003. Foto de um grupo de trabalho do ano lectivo 2002/2003.
apoiados directamente sobre os paus rolados. apoiada nas vigas que definem o vão das escadas. aquele que julgamos ser o mais antigo. situados apenas junto das parede de meação. No primeiro tipo. 53). sobre o qual era pregado um fasquiado para receber as argamassas de reboco e acabamento (fig. O duplo tabuado. era revestida em ambas as faces por um tabuado. O segundo tipo. a estrutura em forma de gaiola está dependente da colocação dos travessanhos que vão apoiar as cadeias dos patins intermédios. 52). constitui uma variação sobre uma das formas das paredes divisórias de tabique descritas anteriormente. era contínuo pelo interior da caixa de escadas (fig. por se tratar de mais um tipo de parede de tabique.4. 126 . a definir os vãos e na largura dos patamares intermédios. Esta estrutura era assim constituída por prumos.4 Paredes da caixa de escadas As paredes das caixas de escadas podem ser de dois tipos: em tabique simples. Revestimento e acabamento O revestimento e acabamento das paredes das caixas de escadas. disposto na vertical e na diagonal. contínuo pelo interior da caixa de escadas. divulgado durante todo o século XIX.5. é em tudo semelhante às restantes paredes interiores de madeira das habitações que vimos a descrever. ou em tabique simples reforçado. com duplo tabuado. em tudo semelhantes às paredes das fachadas de tabique. Esta estrutura. vergas a definir os vãos e travessanhos a servir de apoio aos patamares intermédios.
52 . Desenho elaborado por um grupo de alunos do ano lectivo 2001/2002. .Fig.Pormenor tipo de parede de caixa de escadas em tabique simples reforçado.
. 13 Tábua inferior do rodapé. 5 Viga (pau rolado) da estrutura do sobrado. Desenho do autor. 8 Barrote para apoio do fasquio do tecto. 4 Acabamento a estuque. 9 Fasquios do tecto e da escada. 12 Sanca.Pormenor tipo de uma parede de tabique da caixa de escadas. Legenda: 1 Tabuado duplo colocado na vertical e na diagonal. 15 Perna da escada. 6 Soalho. 14 Ripa para fixação do rodapé. 53 .Fig. 10 Argamassa de emboço e regularização do tecto e da escada. 16 Cobertor. 3 Argamassa de emboço e regularização. 17 Sanca da escada. 2 Fasquios. 7 Tarugo. 11 Acabamento a estuque do tecto.
conforme a sua maior ou menor largura. Estas duas tábuas são rematadas por uma guarnição. apoiavam-se. eram também peças em forma de paus rolados.4. executado com pasta de cal e gesso. com as dimensões e o espaçamento necessários. Do lado oposto. 53). Pela parte inferior dos lanços. faz de remate e transição entre estes e as paredes (fig. 55). para acesso ao vão da cobertura ou a um piso recuado. situada longitudinalmente no corredor de acesso. um rodapé. 57. Os lanços e os patamares são revestidos pela parte inferior por fasquios. 56. com grande inclinação e disposta transversalmente ou longitudinalmente dentro da casa. em forma de respiga e mecha. que podiam ser em forma de paus rolados ou peças esquadriadas. Nos casos em que a escada foi construída posteriormente. dos patamares de piso e dos patamares intermédios podem estar apoiados só em cadeias ou directamente nas paredes de meação (fig. o acesso entre pisos das habitações faz-se por escadas com dois ou três lanços. que é reforçada do lado dos degraus pelo rodapé. Para a construção das escadas impunha-se a interrupção do vigamento dos pisos. de localização independente das escadas principais. 60 e 61). Os lanços das escadas são formados por duas ou três pernas. As vigas pernas. nas cadeias do patamar de piso e do patamar intermédio. recorrendose para isso à utilização de cadeias e chinchareis. esta é normalmente constituída por um só lanço. incluindo sancas. Os patamares eram constituídos pelas cadeias e pelos chinchareis. A cadeia dos patamares de piso apoiava-se no vigamento desse mesmo piso. A espessura das tábuas dos cobertores e dos espelhos é normalmente de 4cm e 2cm respectivamente e as uniões entre si são do tipo macho . ou patins. respectivamente (fig. 129 . aos balaústres. excepto nos casos em que o acesso do rés-do-chão para o primeiro piso se faz por uma escada de um só lanço. 59. Revestimentos e acabamentos Sobre as pernas são pregadas tábuas em forma de esquadro. 58. constituído usualmente apenas por uma tábua com o recorte dos degraus. ou então por meio lanço. para receber reboco de argamassas de cal. se apoiava na estrutura da parede da caixa de escadas. entretanto acrescentado. uma pequena guarnição serve de remate ou mata juntas entre a tábua guarda-chapim e o acabamento de estuque. são rematadas por uma tábua designada de guarda-chapim. que vai servir de apoio e encaixe.5. com acabamento estucado. à semelhança da execução dos tectos (fig. por entalhe. enquanto a cadeia dos patamares intermédios. que.5 Escadas interiores Durante o período da nossa descrição. As faces dos lanços voltadas para a bomba. em muitos casos.fêmea. para receber os cobertores e os espelhos. areia e saibro. Os chinchareis. 54).
9 Madre. 19 Travessanho. 5 Tabuado. 15 Cadeia da clarabóia. 22 Cobertor. 11 Escora.Fig. 21 Esquadro. 18 Cadeia da escada. 4 Travessanho da estrutura da clarabóia. Legenda: 1 Contra frechal. 12 Verga. escadas e clarabóia. 2 Vara. 6 Aduela. 17 Chincharel. 10 Calço. 14 Frechal. Desenho realizado pelo autor. 13 Prumo.Parede da caixa de escadas em tabique simples. 23 Perna da escada. 7 Frechal de coroamento. 8 Perna da asna. . 3 Barrote cadeia. 54 . 16 Travessa de peito. 20 Espelho.
Pormenor de lanço de escadas interiores. Desenho elaborado pelo autor. 55 .Fig. .
Escada de dois lanços apoiada em parede de tabique simples reforçado. 57 . .Maqueta de uma escada de três lanços. Maqueta elaborada por um grupo de alunos do ano lectivo 1999/2000. suportadas por vigas dispostas na diagonal.Estudos de interpretação para a estrutura de uma escada de três lanços. apoiadas na parede de meação e na parede de tabique. Fig. Fig. 56 . onde se pode observar o pormenor da estrutura dos patins intermédios. Maqueta elaborada por um grupo de alunos do ano lectivo 2002/2003. Desenho de um grupo de alunos do ano lectivo 2001/2002. constituída por cadeias em consola.Fig. 58 .
ao nível do piso térreo. . 61 . Foto do autor. Foto de um grupo de trabalho do ano lectivo 2001/2002. Foto de um grupo de trabalho do ano lectivo 2002/2003.Pormenor do encaixe dos degraus com a perna e desta com o primeiro degrau de pedra. 59 . Foto de um grupo de trabalho do ano lectivo 2001/2002. onde se pode observar as pernas. 60 .Vista inferior de patamar e escadas. 62 – Pormenor do apoio das pernas da escada na cadeia do patamar de piso. sem revestimento.Fig. Fig. Fig. Fig. os cobertores e os espelhos dos degraus.Vista inferior de um lanço de escadas. onde se pode observar a cadeia a servir de apoio a uma das pernas das escadas e aos chinchareis que apoiam directamente na parede de meação.
pelas duas vigas do tecto e por vários barrotes. e exuberantemente ornamentadas. à estrutura do tecto e da cobertura. As clarabóias salientes dos planos da cobertura.montada numa base cónica (. Por exemplo..6 Clarabóias “Quase todas as casas.. Ernesto Veiga de. com os lanternins ao correr das águas (fig. obra já citada. é sensivelmente o mesmo. diferindo apenas em pequenos pormenores. A grande variedade formal de clarabóias apresenta contudo algumas limitações. ao nível do varedo. O espaço onde iria situar-se a clarabóia era igualmente definido por duas cadeias. 134 . com os lanternins ao correr das águas.. e das clarabóias circulares ou elípticas.. relacionados com aspectos de ordem formal.muitas vezes com vidros de cor . Agostinho Rebelo da.)” 201 Os telhados do Porto apresentam "(. com a mesma área ou menor. 63 e 64). derivadas provavelmente de condicionantes construtivas. Dentro deste espaço era pregado um tabuado de tábuas costaneiras. com a pendente das águas da cobertura (fig.”202 Porém. com os lanternins em forma de pequenas cúpulas de vidro. que conformava as paredes da clarabóia. nunca nos foi dado observar nenhum tipo de clarabóia circular ou cilíndrica com o lanternim ao correr das águas. principalmente as modernas. altas como mirantes. não era mais do que um caixilho colocado sobre a clarabóia. utilizando-se para tal duas cadeias. têm os seus quartos interiores ilustrados com altas e grandes clarabóias. aquelas de forma quadrangular ou rectangular. ao correr das águas.)"203 O princípio construtivo das clarabóias quadrangulares ou rectangulares. eram construídas da mesma forma que as anteriores. em forma de pequena cúpula de vidro . até complicadas gaiolas de fantasia. Telhados do Porto in Arquitectura Tradicional Portuguesa.5. OLIVEIRA. nalguns casos talhados em forma de 201 202 203 COSTA. o tipo mais comum ”(…) é o da clarabóia circular ou elíptica. Começamos por descrever as clarabóias mais simples.. no entanto.4. No(s) plano(s) da cobertura. que lhes comunicam tanta luz quanta poderiam receber se faceassem com a rua.) clarabóias de muitos formatos. 65). Idem. obra já citada. colocados nos cantos. de forma quadrangular ou rectangular. apenas diferindo na construção do lanternim (fig. As clarabóias de forma circular ou elíptica tinham uma estrutura mais elaborada. é possível encontrar clarabóias quadrangulares ou rectangulares com lanternins de forma prismática. A definição do espaço onde ia situar-se a clarabóia impunha a interrupção do vigamento do tecto. 66 e 67). O lanternim. desde simples vidraças ao correr das águas do telhado. Descrição Topográfica e Histórica da Cidade do Porto. Fernando. GALHANO. (. efectuava-se o mesmo..
assente em argamassa. 68 e 74). que encontramos alguns exemplos de clarabóias em que o fasquiado foi pregado directamente à estrutura da gaiola. com a forma da clarabóia. eram constituídas por uma estrutura de barrotes de secção quadrangular com 7 cm de lado. 69 e 71). apoiada nas estruturas do tecto e das águas da cobertura. Talvez por não garantir uma boa impermeabilização. posteriormente acabada a estuque. para emboço e regularização. Estas estruturas eram apoiadas directamente sobre os cones das clarabóias (fig. 72 e 75). que se torna no revestimento mais comum (fig. esta telha foi sendo progressivamente substituída pela chapa zincada (raras vezes chapa de zinco ou chumbo). aplicado na diagonal (para diminuir a sua curvatura). nas clarabóias de forma regular é pregado um fasquiado sobre o tabuado. nalguns exemplos profusamente decorado com vários ornatos (fig. nalguns casos de cor. efectuava-se o mesmo. Os lanternins. num processo em tudo semelhante à execução dos tectos. que conformavam a forma circular ou elíptica da clarabóia.5m. pela face exterior. Assim. 69. 54 e 68). e seguidamente regularizada pela face interior. espaçadas entre si cerca de 0. as paredes das clarabóias têm um revestimento em tudo semelhante às demais paredes da casa e aos tectos. revestida por vidros. Revestimento e acabamento interior Pelo interior. fixos e vedados com betume de vidraceiro. onde se apoiava a estrutura metálica do lanternim. em forma de aduelas. para apoio das argamassas de revestimento (fig. de secção circular ou elíptica. Nas clarabóias de formas curvas. A esta estrutura cónica. ligeiramente encurvados. com a mesma área ou menor. preenchido com argamassa de saibro e cal. que irá receber uma argamassa de saibro e cal. era pregado um tabuado de pouca espessura (cerca de 1cm). e superiormente por um frechal curvo de coroamento. No(s) plano(s) da cobertura. 70 e 71). As paredes dos cones das clarabóias. ao nível do varedo. para assim diminuir a sua curvatura e o risco destas peças frágeis se partirem (fig.cambotas. É de referir ainda. de forma prismática ou cónica. em forma de gaiola. Revestimento e acabamento exterior Pelo exterior. ao qual se pregava o fasquiado. com acabamento a estuque. eram constituídos por uma esbelta estrutura metálica de cantoneiras e perfis em T. nas partes salientes do telhado. 135 . o fasquiado é pregado na diagonal ao tabuado. o revestimento do tambor era inicialmente feito com telha caleira. Estas aduelas. eram travadas a meia altura por travessanhos.
64 .Pormenor da estrutura de uma clarabóia quadrangular com as paredes arqueadas e lanternim piramidal em estrutura metálica. 65 . 63 .Clarabóia quadrangular e lanternim em estrutura metálica com a pendente das águas da cobertura.Fig. Maqueta elaborada por um grupo de alunos do ano lectivo 2001/2002. Fig. Maqueta elaborada por um grupo de alunos do ano lectivo 2002/2003. Maqueta elaborada por um grupo de alunos do ano lectivo 2002/2003. Fig. .Pormenor da estrutura de uma clarabóia quadrangular com as paredes inclinadas.
Fig.Cravo .Pormenores tipo. Desenho do autor. 66 . Legenda: 1 – Estuque 2 – Argamassa de saibro 3 – Fasquio 4 – Tabuado 5 – Barrote para suporte dos fasquios 6 – Cadeia 7 – Barra chata de ferro 8 – Barrote distanciador 9 – Perfil “T” de ferro 10 – Vidro 11 – Ripa 12 – Telha Marselha 13 – Rufo em chapa de zinco 14 – Rufo superior em chapa de zinco 15 .Fig. 67 .Corte por uma clarabóia quadrangular com a pendente da cobertura. Desenho do autor.
o tabuado de revestimento e o fasquiado. Maqueta realizada por um grupo de alunos do ano lectivo 2002/2003. O tabuado e o fasquiado são colocados na diagonal.Fig. para apoio das argamassas de revestimento e acabamento.Pormenor de uma cobertura tipo de quatro águas com clarabóia. apoiadas na estrutura do tecto. o frechal de coroamento. A imagem mostra em primeiro plano a estrutura da clarabóia. 68 . para assim minimizar o esforço de curvatura das peças. . onde podemos observar as aduelas.
71 . . Foto de um grupo de alunos do ano lectivo 2002/2003. 70 – Vários exemplos de clarabóias planas. Foto de um grupo de alunos do ano lectivo 2002/2003.Fig. 69 .Clarabóias e lanternins de forma quadrangular de casas localizadas na rua do Barão de S.Três clarabóias de forma circular com dois tipos de lanternim e uma clarabóia plana com a pendente da água do telhado. Foto do autor. Fig. Fig. Cosme.
Foto de grupo de alunos do ano lectivo 2002/2003. 73 . Foto de um grupo de alunos do ano lectivo 2002/2003. . Fig.Fig.Clarabóia e lanternim de forma octogonal.Clarabóia e lanternim de forma rectangular. Foto de grupo de alunos do ano lectivo 2002/2003. Fig.Clarabóia e lanternim de forma circular. com paredes curvas. Fig. 74 . pormenor do revestimento.Clarabóia e lanternim de forma rectangular com motivos decorativos. 75 . Foto de um grupo de alunos do ano lectivo 2003/2004. 72 .
como as trapeiras.5.. Revestimento e acabamento interior e exterior Os revestimentos e acabamentos interiores e exteriores destes elementos são em tudo iguais às paredes das fachadas de tabique simples e às coberturas já descritas. Fernando. "(. que. Telhados do Porto in Arquitectura Tradicional Portuguesa. de certos elementos. ora se apoiam no vigamento do sobrado. trapeiras e mirantes representa uma prática frequente. 141 . As suas coberturas são igualmente baseadas no princípio de construção dos telhados de quatro águas. trapeiras e mirantes Nos telhados. 76).. e prescindindo. quer durante a construção da casa. obra já citada. por permitirem um maior aproveitamento do seu vão. A partir do século XIX. A construção de águas furtadas.4. constituindo por isso uma característica intemporal das casas do Porto. Ernesto Veiga de. Este segundo exemplo é mais frequente nos telhados de duas águas. que são em tudo semelhantes às paredes dos pisos recuados dos acrescentos. as mais das vezes de tabique. quer posteriormente. ora se eleva acima dele. GALHANO. como os mirantes (.7 Águas furtadas. possibilitaram também o aumento da dimensão das águas furtadas.)"204. a introdução da telha Marselha levou ao aparecimento com maior frequência dos telhados de duas águas.) com raras excepções. As suas paredes.. embora de menores dimensões.. todas as velhas casas do Porto apresentam. que ora se enxerta no telhado e lhe aproveita o vão. como os pendurais e as escoras das asnas (fig. ora numa cadeia construída na estrutura da cobertura. 204 OLIVEIRA. qualquer espécie de construção suplementar. de uma maneira ou de outra. nalguns casos.
76 . a asna é de forma simples com nível e a estrutura da trapeira assenta em duas pernas e numa cadeia.Estrutura de cobertura de quatro águas com trapeira. Neste exemplo.Fig. Desenho do autor. a estrutura da cobertura é constituída por elementos em forma de paus rolados. .
20m de largura. anexa às fachadas de tardoz. a partir do século XVIII. sendo. que eram provavelmente fechadas por marquises logo após a sua construção ou pouco tempo depois (fig. não introduz alterações na sua forma tipológica. tendentes a melhorar as condições de salubridade das populações urbanas. traduzem-se. recentemente construída. em forma de gaiola. alterando apenas a composição do alçado de tardoz. A construção destes sanitários. Sobre este tabuado. pelo facto de serem exteriores às habitações. utilizando uma estrutura de barrotes. é pregado um ripado. preenchida por um duplo tabuado. Revestimentos e acabamentos interior e exterior Os revestimentos e acabamentos interiores e exteriores das paredes das marquises são em tudo iguais aos das paredes das fachadas de tabique.8 Marquises As preocupações higienistas que emergem por toda a Europa.00 a 1. No Porto. 77). para iluminação dos espaços interiores da habitação. para receber o acabamento de argamassa e. anteriormente descritas.4. o Regulamento de Salubridade das Edificações Urbanas determina a construção de sanitários nas habitações e a sua ligação à rede pública de saneamento. travessanhos e vergas. de cujo funcionamento e execução faremos a descrição mais à frente. nas duas últimas décadas do século XIX. Esta medida vem acrescentar um novo espaço à tipologia de habitação. na construção de redes públicas de saneamento e na criação de regulamentos. 143 . 77). em todos os pisos. é pregado um fasquiado até à altura do rodapé. de modo a garantir a existência de uma grande superfície envidraçada.4. são usualmente revestidos por janelas de corrediça ou guilhotina. entre outros aspectos. no restante. chega a determinar a ausência de uma abertura. em tudo. constituída por prumos. pelo interior. Embora muito raro. que nos lotes mais estreitos. é ainda possível encontrar o revestimento exterior destas paredes realizado com reboco. com 1. O vãos. A construção das paredes das marquises é. semelhante às paredes das fachadas de tabique. apoiadas em enormes cachorros. localizados no exterior da casa. Para o seu acesso construíram-se largas varandas. A construção de marquises nas varandas das fachadas voltadas para o logradouro. para receber o revestimento de soletos de ardósia ou chapa ondulada (fig. corresponde à necessidade de proteger o acesso aos sanitários. pelo exterior. colocado na vertical e na diagonal. sobrepostos numa espécie de “coluna”. através da introdução de pequenos sanitários exteriores. que ocupam uma significativa área da superfície das paredes das marquises.
pode observar-se os cachorros que servem de apoio às lajes da varanda.Corte tipo de uma fachada de tardoz com varandas fechadas por marquises. Neste exemplo. os detalhes construtivos da parede de pedra e da parede de tabique revestida a chapa ondulada. . Desenho realizado pelo autor.Fig. 77 .
e girando em fortes gonzos. Por esta razão. dispostas regular e harmoniosamente em simetria. generaliza-se a porta de duas folhas. Essas portas. que podia ser igual ao utilizado na padieira. com numerosas e grossas almofadas quadrangulares. para falar de alguns aspectos relacionados com a pré-fabricação e a sistematização dos lancis de pedra que configuram os vãos e constituem simultaneamente os aros de portas e janelas.1 Portas “Muitas das velhas casas do Porto conservam as suas portas primitivas. As vergas dos vãos de portas e janelas eram sempre formadas por dois lancis.. As ombreiras dos vãos eram constituídas por lancis de granito. Os parapeitos das janelas de peito eram formados apenas por um único lancil. Descrição Topográfica e Histórica da Cidade do Porto. gostaríamos de aqui fazer um pequeno aparte inicial. in Arquitectura Tradicional Portuguesa. esguias e estreitas.. conformando o aro de gola.)”206 As portas. adaptando-se deste modo às várias alturas dos vãos. dispostos de maneira a formarem batente.. Os lancis exteriores podiam variar em função da riqueza dos seus pormenores decorativos. (. muito largas e pesadas. É de notar ainda que.6 CAIXILHARIAS EXTERIORES “(. Ernesto Veiga de. por motivos de segurança. Fernando. nestes vãos. Os lancis de ombreira.)os portais são altamente elevados e. sendo ainda os únicos que se repetiam em todos os vãos da casa. 145 . e a partir do final do século XIX.. Trata-se de portas que. 29). pois estava limitado às dimensões mais económicas da pedra. Agostinho Rebelo da.. as janelas ornadas de grandes e cristalinas vidraças. num sistema tanto rudimentar quanto sofisticado. à sua proporção. pela rua e pelo logradouro. envidraçado e móvel. os lancis situados entre o pavimento e o parapeito têm o mesmo perfil dos lancis interiores usados nas padieiras (fig. de uma só folha.4. são mais 205 206 COSTA. obra já citada. para iluminação do átrio e escada. situam-se sempre nos vãos de acesso à casa e à loja. O seu comprimento era fixo. GALHANO. nas casas que estamos a tratar. OLIVEIRA. susceptível de se combinar com qualquer dos casos anteriores.6.)”205 Antes de passarmos à descrição dos três tipos de caixilhos exteriores. protegido exteriormente por uma grade. um exterior e outro interior. Casas do Porto. (. 4. com a largura correspondente à espessura das paredes. obra já citada. cada uma das quais com um postigo oblongo. eram frequentemente acrescentados. no típico «palacete» do final do século passado. conjugando-se com os restantes lancis. muito mais simples. eram também os de maior dimensão. seguidamente.. de formas mais simples. enquanto os interiores mantinham sempre a mesma forma. tornamse mais estreitas e leves. constituindo assim o aro de gola da padieira. com um perfil recortado em forma de batente. essa porta prolonga-se para cima numa ampla bandeira envidraçada e também gradeada.
As dimensões dos vários elementos que constituem o caixilho diminuem. Estas portas. onde são fixadas as dobradiças. azul. Por último resta-nos referir que as portas seriam provavelmente pintadas em tons escuros. O caixilho da bandeira era constituído unicamente por duas couceiras e duas travessas. encimadas por uma bandeira. Podem ter de uma ou duas folhas de abrir. (fig. reforçadas por cunhas ou palmetas e cavilhas de madeira. mas o tipo de uniões entre si permanece igual às anteriores. nalguns exemplos. a argola e os lagartos ou outros animais estilizados. Os aros destes caixilhos eram os próprios lancis das ombreiras. funcionavam através de rudimentares dobradiças.”207 207 OLIVEIRA. 81). As madeiras mais utilizadas eram o pinho da terra e. in Arquitectura Tradicional Portuguesa. o castanho. Os caixilhos mais antigos. ser totalmente fechadas ou com pequenos postigos. 77. no século XIX. salientes do plano do caixilho e com toda a sua altura. A separar a bandeira da porta situa-se a travessa da bandeira. Estas portas são constituídas por várias couceiras e travessas preenchidas por almofadas obedecendo aos mais variados pormenores decorativos. algumas de grande espessura e peso. sendo. 87). elemento marcante. em modelos mais antigos. as uniões com as almofadas eram executadas por sistema de macho-fêmea (fig. “Como batentes de portas. de feição pitoresca e rústica. agora mais aperfeiçoadas (fig. duas laterais e uma intermédia. do período que estamos a tratar. Durante o século XIX vulgarizaram-se as portas de entrada com duas folhas de abrir. Os aros continuam a ser as peças de cantaria. fixos com chumbo na cantaria dos vãos.robustas. frequentemente encimadas por uma bandeira. ou gonzos. designadamente de verde. pela dimensão ou. pela riqueza de ornamentos. As uniões entre couceiras e travessas eram executadas por samblagens em forma de respiga e mecha. obra já citada. que nalguns exemplos atingem dimensões consideráveis. 146 . de feição industrial. Fernando. vermelho. uma inferior e outra posterior e duas almofadas. constituída por três couceiras. com caixilho envidraçado e protegida por uma grade de ferro. nalguns casos. Casas do Porto. preenchidas com um vidro único. GALHANO. 78 e 79). a mão fechada ou a máscara feminina. normalmente com caixilho fixo e protegida por uma grade de ferro. Ernesto Veiga de. tinham apenas uma folha de abrir. vemos. que permitia a iluminação e ventilação do espaço da entrada. soleiras e padieiras. 80). difunde-se a aldraba. duas travessas. castanho ou simplesmente a preto (fig. nos casos mais endinheirados.
. Desenho do autor. alçado e corte de um tipo de porta exterior de entrada. 77 .Planta. de desenho simples. apresenta apenas duas almofadas estreitas e altas. Este exemplo.Fig.
Corte horizontal tipo por uma porta exterior.Cortes verticais tipo por uma porta exterior. Fig.Fig. Desenho do autor. Desenho do autor. 79 . 78 . .
Fig. Desenho do autor. travessas e almofadas. 80 . de esquadrias de madeira interiores e exteriores.Tipos de união entre couceiras. .
Barredo. .Fig.Pormenor de porta exterior de duas folhas com bandeira. 81 . Desenho elaborado por Álvaro Siza. no âmbito do Projecto de Renovação Urbana da Área Ribeira .
mas sim pelo exterior. Normalmente. pelo lado exterior da esquadria. 83. obra já citada. com caixilho de vidraça fixo. sendo assim constituído por duas peças de madeira ou. os caixilhos de abrir são encimados por uma bandeira com caixilho fixo. Os caixilhos das bandeiras são apenas constituídos por uma esquadria de couceiras e travessas. em secções móveis de tabuinhas cruzadas. à semelhança do que acontece nas portas.”208 As janelas de peito de batente e as janelas de sacada de batente localizam-se nos restantes pisos das habitações. pelo seu lado. e rótulas. Casa urbana. Contudo.6. As samblagens e restantes uniões entre as várias peças. a servir de mata juntas. Nas travessas inferiores são fixadas pingadeiras ou borrachas. os caixilhos de vidro nunca são fixos pelo interior do aro de gola. o que determina a existência de um aro de batente e mata juntas em madeira. A dividir os caixilhos de abrir do caixilho da bandeira existe a travessa da bandeira que. por corresponderem a pés direitos mais baixos. enquanto as janelas das sacadas são sempre de batente. onde são fixadas as dobradiças por meio de chumbadouros. vêem-se ainda. 82. são em tudo iguais às das portas. fixo à cantaria por pequenos tacos de madeira ou chapuzes. 85 e 86). por uma única peça (fig.4. os aros continuam a ser os lancis das ombreiras e padieiras. por trás dele e do seu tamanho. O parapeito do vão é revestido pela soleira no exterior e pela tábua de peito no interior. 84. dividida por pinázios. mas são visíveis com grande frequência vestígios dos sistemas anteriores – simples portadas de pau. e a uma das couceiras de batente é pregado uma perfil de batente. Ernesto Veiga de. suspensas da padieira. gelosias ou adufas. GALHANO. Os caixilhos de abrir são constituídos por uma esquadria de couceiras e travessas. por vezes. Porém. excepto nas janelas de pisos acrescentados ou trapeiras. divididas por pinázios e travessas intermédias. de corrediça ou de duas folhas. as restantes podem ser de batente ou de guilhotina. Estes dois tipos de janelas diferem construtivamente nas suas dimensões e na existência de almofadas nas janelas de sacada. algumas de formas delicadas como os pinázios.2 Janelas de peito de batente e janelas de sacada de batente “As janelas são envidraçadas. pode apresentar-se mais ou decorada com variado tipo de ornatos. preenchidas com vidros e almofadas. e a abrir para esse lado. 151 . 208 OLIVEIRA. isto para além do requinte de ornamentos que o dinheiro e o gosto do cliente determinavam. Fernando. nalguns casos. Do mesmo modo. para evitar a entrada de água. (…) Em velhas casas setecentistas do Porto. pregado do lado exterior da portada e. in Arquitectura Tradicional Portuguesa. que são mais pequenas. portadas de varanda de duas folhas. segundo variadas formas e estilos. postigos móveis que se podem abrir sem ser preciso abrir as portadas nem as vidraças para iluminar a sala.
O aro é constituído por uma esquadria formada por uma ou duas tábuas. numa simulação de portadas. nos casos mais endinheirados. "(. Essas janelas têm. móveis ou fixas. excepto os aros mata juntas e as travessas da bandeira que seriam pintadas com as mesmas cores das portas. 209 OLIVEIRA.. e que o haviam aprendido dos holandeses. sendo. que vão conformar a forma da calha onde as folhas podem correr. O caixilho de guilhotina ao contrário do de batente usa um aro fixo de madeira. estas são em tudo iguais às dos exemplos anteriores. eram previamente fixos por tachas. 4. folhas de três e quatro vidros de largo. fixas às ombreiras de pedra por tacos de madeira ou chapuzes. podemos encontrar exemplos destas janelas com uma sequência de três folhas. sendo o exterior normalmente igual ao das janelas de batente. normalmente com espessuras entre os 3 e os 5mm. Casas do Porto in Arquitectura Tradicional Portuguesa. com a largura das duas folhas do caixilho. As folhas. que serve de calha para as folhas poderem correr. 88). As madeiras mais utilizadas eram o pinho da terra. frequentemente. 152 . Fernando. em forma de ogiva. Estas caixilharias seriam habitualmente pintada de tons de branco.. estas janelas apresentavam um desenho muito peculiar. duas de correr (fig.)teria. construídas em estrutura de tabique. De referir ainda que. segundo o mesmo processo descrito nos exemplos anteriores. colocava-se a necessidade de execução de um aro de madeira. cerca de 6cm. na maioria dos casos. no século XIX. neste caso. sido trazido para Portugal pelos ingleses que aqui . com o interior dividido por pinázios dispostos em forma de quadrícula (fig. A este aro é pregado pelo exterior e pelo interior dois mata-juntas. GALHANO. Esta quadrícula é preenchida com pequenas vidros. por dois e três de alto. cujo uso se divulgou entre nós a partir dos começos do século XVIII. sendo seguidamente vedados com betume de vidraceiro.se instalaram em seguida à celebração do tratado de Methuen em 1703. aparecem por vezes na fileira mais alta da folha superior vidros com feitios e até cores diversas. Ernesto Veiga de. 89). 43). Os vidros.e especialmente no norte e no Porto . a casquinha e o castanho. são constituídas por uma esquadria de duas couceiras e duas travessas."209 Apesar de raros. segundo Wilhelm Giese. a origem do sistema de janela de corrediça ou de guilhotina. para negociarem o vinho do Porto.3 Janelas de peito de guilhotina De acordo com Ernesto Veiga de Oliveira. Também no que diz respeito à samblagens e outras uniões entre os vários elementos do caixilho. obra já citada.Quando os vãos destas janelas se localizavam em paredes de pisos recuados. rematado no exterior pelos alizares ou mata junta (fig. mirantes ou trapeiras.6. e.
com as quais as janelas de guilhotina partilham frequentemente o mesmo alçado. conformadas em duas ou numa única peça de madeira. os aros eram pintados de cores escuras e os caixilhos em tons de branco. Quando o vão se localiza numa parede de tabique o pormenor construtivo é sensivelmente o mesmo. Tal como nas anteriores caixilharias que descrevemos. 90). diferindo apenas na forma e dimensões dos mata-juntas. 153 . adaptados ao tipo de revestimento destas paredes (fig.O parapeito é revestido pela soleira no exterior e pela tábua de peito no interior. diferindo das anteriores janelas de batente na forma do batente e na ausência de canal de goteira.
82 . . Desenho elaborado por um grupo de alunos do ano lectivo de 2001/2002.Alçado. planta e corte tipo de janela de batente de sacada.Fig.
. Desenho elaborado por um grupo de alunos do ano lectivo de 2001/2002. 83 .Alçado.Fig. planta e corte tipo de janela de batente de peito com bandeira.
Pormenor tipo das couceiras e batentes dos caixilhos de uma janela de peito de batente e portada. Desenho do autor. 8 Travessa superoir do caixilho de abrir. 85 . 11 Almofada. 4 Vidro. 84 . tábua de peito e travessas inferiores dos caixilhos de uma janela de peito de batente e portada. Legenda: Batente mata juntas. 3 Almofada. Legenda: 1 Couceira.Pormenor tipo de soleira. 7 Travessa da bandeira. Desenho do autor. 7 Argamassa de emboço e regularização. 14 Argamassa de emboço e regularização. 12 Travessa intermédia da portada. 5 Betume. 8 Azulejo. 6 Impermeabilização de asfalto. 6 Travessa inferior do caixilho da bandeira. 15 Impermeabilização de asfalto. Desenho elaborado por um grupo de trabalho do ano lectivo 2001/2002.Corte tipo por caixilho de batente com bandeira e portada. 9 Pinázio. 2 Batente mata juntas. 3 Chapuz. . Fig. 4 Betume. 13 Azulejo. 86 . 2 Travessa superior do caixilho da bandeira.Fig. 10 Travessa superior da portada. Fig. 16 Estuque. 5 Vidro.
Fig.Fig. uma fixa e duas de correr. . Foto do autor.Janelas de guilhotina ou corrediça com três folhas. postigos e bandeira. 88 . com almofadas. Foto de um grupo de alunos do ano lectivo 2002/2003. 87 – Porta de duas folhas. pertencente a uma casa localizada na Rua das Oliveiras.
Fig. Desenho elaborado por um grupo de trabalho do ano lectivo 2001/2002. 89 -Alçado e planta de janela de corrediça ou guilhotina. .
Fig. 90 - Cortes verticais tipo por janelas de guilhotina interiores e exteriores. Legenda: 1 Tábua de peito, 2 Travessa inferior da folha móvel, 3 Vidro, 4 Pinázio, 5 Travessa superior da folha móvel, 6 Travessa inferior da folha fixa, 7 Travessa superior da folha fixa, 8 Mata juntas exterior, 9 Verga, 10 Alizare, 11 Lancil de padieira, 12 Azulejo, 13 Travessa de peito, 14 Lancil de peito, 15 Estuque, 16 Reboco de saibro, 17 Fasquio, 18 Tabuado duplo 19 Guarnição da corrediça, 20 Aro. Desenho do autor.
4.7 CAIXILHARIAS INTERIORES
Na execução das caixilharias interiores eram usados os mesmos princípios construtivos das caixilharias exteriores que atrás descrevemos. As madeiras mais utilizadas eram o pinho da terra e a casquinha.
4.7.1 Portas
“(...) as portas são de belas almofadas entalhadas, pintadas a branco e ouro, com espelhos de xarão e madrepérola ou marfim; as vidraças com bandeiras de desenhos pós-georgianos; (...)”210
As portas interiores dos compartimentos principais eram sempre encimadas por uma bandeira com caixilho de vidro, para permitir iluminar os espaços interiores com a luz proveniente dos vãos de fachada ou da clarabóia. O caixilho das portas, com uma ou duas folhas de abrir, era constituído por uma esquadria de tábuas, com cerca de 3cm de espessura, dispostas em forma de couceiras e travessas. Esta esquadria era subdividida por uma quadrícula de travessas intermédias ou couceiras intermédias, preenchida por almofadas, que nalguns exemplos surgem decoradas com vários pormenores ornamentais (fig. 98 e 100). Os aros, formados por uma esquadria de tábuas com o perfil do batente e espessuras que rondavam os 3cm, eram fixos directamente aos prumos e às vergas das paredes de tabique e rematados por mata juntas ou alizares (fig. 91,92, 93 e 94). As samblagens e restantes uniões entre as diferentes peças que constituem o caixilho das portas eram, à semelhança das caixilharias exteriores, executadas por meio de malhetes em forma de respiga de mecha, reforçados por palmetas e cavilhas de madeira dura de carvalho, para as couceiras e travessas, e por encaixes do tipo macho-fêmea para as almofadas (fig. 80).
4.7.2 Portadas
As portadas eram normalmente divididas em três folhas de abrir, de modo a permitir que, quando abertas, ficassem recolhidas na parte interior do aro de gola das ombreiras de cantaria. Os caixilhos de cada folha de abrir eram em tudo semelhantes aos caixilhos das portas interiores. Á semelhança do que acontece com as portas exteriores, o aro das portadas são os lancis das padieiras e das ombreiras, onde são directamente chumbadas as dobradiças (fig. 95 e 96).
210
OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, GALHANO, Fernando, Casas do Porto in Arquitectura Tradicional Portuguesa, obra já citada. 160
4.7.3 Janelas
As janelas interiores localizam-se principalmente na caixa de escadas e servem para iluminação dos espaços interiores que lhe são contíguos. A maior parte destas janelas são do tipo de guilhotina, podendo ainda surgir exemplos de janelas de abrir ou basculantes, de variadas formas e dimensões (fig. 97 e 99). A sua construção é em tudo semelhante às janelas exteriores do mesmo tipo.
161
Fig. 91 - Alçado, planta e corte tipo de porta interior. Legenda: 1 Couceira, 2 Almofada, 3 Couceira intermédia, 4 Alizar ou mata juntas, 5 Aro ou marco, 6 Prumo, 7 Tabuado duplo, 8 Travessa inferior da porta, 9 Travessa intermédia da porta, 10 Travessa superior da porta, 11 Travessa da bandeira, 12 Travessa inferior do caixilho da bandeira, 13 Pinázio, 14 Travessa superior do caixilho da porta, 15 Verga. Desenho do autor.
Travessa superior do caixilho da porta 14 – Almofada 15 – Travessa intermédia do caixilho da porta 16 .Duplo tabuado 2 – Fasquio 3 – Reboco 4 – Calço 5 – Verga 6 – Alizare ou Mata juntas 7 – Travessa superior do caixilho da bandeira 8 – Betume (massa de vidraceiro) 9 – Vidro 10 – Pinázio 11 – Travessa inferior do caixilho da bandeira 7 8 9 10 12 – Travessa da bandeira 13 . de uma esquadria interior de madeira. em planta e corte.1 2 3 Fig. 92 .Pormenores tipo. Desenho do autor. Legenda: 4 5 6 1 .Travessa inferior do caixilho da porta 17 – Prumos 18 – Couceira de batente do caixilho da porta 19 – Couceira intermédia do caixilho da porta 20 – Aro da porta 11 12 13 14 15 17 18 14 19 16 4 6 20 .
Fig. 94 . 93 . .Pormenor da bandeira de porta interior. Desenho do autor. Fig.Pormenor do batente de porta interior. Desenho do autor.
95 – Portada de três folhas de janela de sacada. Fig.Fig. 96 .Portada de três folhas de janela de peito. . Foto de um grupo de alunos do ano lectivo 2003/4. Foto de um grupo de alunos do ano lectivo 2003/4.
Foto de um grupo de alunos do ano lectivo 2001/2. localizada na caixa de escadas. localizada na caixa de escadas. Fig. com duas folhas e portada com três folhas de abrir. .Fig. Foto elaborada por um grupo de alunos do ano lectivo 2001/2.Porta interior de uma folha de abrir. localizada na caixa de escadas. 97 . localizada na caixa de escadas. 99 . com uma folha de abrir. 98 . Foto de um grupo de alunos do ano lectivo 2001/2. Fig. com seis almofadas trabalhadas com motivos decorativos e bandeira em forma de arco.Porta interior de uma folha de abrir. 100 . Foto de um grupo de alunos do ano lectivo 2001/2. Fig. com seis almofadas e bandeira.Janela interior de corrediça ou guilhotina.Janela interior de forma oval.
167 . A sua evolução. como de resto ainda nos mostra alguma arquitectura tradicional. A dimensão destas telhas permitia projectar suficientemente o beirado.8. os algerozes evitavam que as águas das vertentes principais caíssem directamente nos telhados vizinhos. são raros os exemplos em que o remate é feito por telha Marselha. conduzindo-as para os tubos de queda. com telha caleira ou romana.8. A sua função é recolher as águas das vertentes. quando estas tinham maior altura. ao longo de uma reentrância de remate. começa a verificar-se o recurso à chapa zincada para execução de algerozes e caleiras. vedada com betume ou asfalto (fig. 4. salvo nos casos em que existe platibanda. para que a água das chuvas caísse tanto quanto possível no meio da rua. A primeira fiada de telhas que forma o beirado era usualmente constituída por telhas de maior dimensão – telhões . vem levantar um problema construtivo importante. mas de duração muito limitada. a introdução da platibanda. isto numa época em que eram ainda pouco utilizadas as caleiras. mais recentemente. 103). mesmo no século XIX. Porém. Por este motivo.1 Algerozes Os algerozes são elementos fundamentais dos telhados do Porto. é acompanhada por um apuramento técnico das artes da funilaria (fig. que passa pelo recurso à chapa de zinco ou. Na segunda metade do século XVIII. bem como dos telhados em geral. pois a utilização de caleiras não constituía uma prática comum. 78).8 ELEMENTOS SINGULARES 4. unidas por solda. Muito provavelmente a partir da segunda metade do século XIX. nos casos mais endinheirados. ou ficassem depositadas entre as mesmas vertentes e as empenas contíguas. apoiadas sobre a tábua de barbate da tacaniça e fixadas à platibanda com pregos de aço. esta prática só terá começado a verificar-se em meados do século XIX. segundo a tendência do estilo neopaladiano inglês.4.com cerca de 80 cm de comprimento. material mais barato. quando já se utilizavam caleiras com alguma frequência. relacionado com a vedação do algeroz da tacaniça com a platibanda. As águas das tacaniças eram normalmente escoadas directamente para o meio da rua. que efectuam a ligação à rede pública de águas pluviais. de chumbo. Este problema acaba por ser resolvido com o recurso a chapas de zinco ou de chumbo. nalguns casos com motivos decorativos em faiança (fig. 101 e 102). Até esta data. por telhas de canal e coberta.2 Beirado O beirado era geralmente formado por duas a três fiadas de telha de canudo sobrepostas ou. Os primeiros algerozes sobre as paredes de meação terão sido executados.
8 Barrote. 4 Impermeabilização de asfalto. 7 Viga de apoio da estrutura do tecto. 5 Vara. Legenda: 1 Algeroz em chapa de zinco. 14 Ripa. 101 . 11 Acabamento de estuque. 13 Telha Marselha.Fig. 10 Fasquio.Corte tipo por algeroz sobre parede de meação. 2 Ripa. Desenho do autor. 9 Argamassa de saibro. . 3 Chapa ondulada. 12 Tábua de barbate. 6 Contra frechal.
Fig. o algeroz é conformado por dois barrotes apoiados nas linhas das asnas e nas vigas do tecto. A parede de meação está impermeabilizada com um barramento de asfalto. Neste exemplo. . sendo posteriormente revestida com chapa zincada ondulada fixa sobre ripado. 102 .Pormenor tipo de algeroz com parede de meação comum. Desenho do autor.
5 Argamassa de assentamento da telha. 3 Asfalto de impermeabilização. 14 Sanca. 7 Tábua de barbate. . 6 Caleira de zinco ou chumbo. 12 Fasquio. 11 Barrote para apoio do fasquio. Legenda: 1 Azulejo. Desenho do autor. 10 Viga para apoio da estrutura do tecto. 8 Vara ou caibro.Pormenor do algeroz da tacaniça com a platibanda. 4 Telha Marselha. 9 Contrafrechal. 103 . 13 Revestimento de estuque.Fig. 2 Reboco de regularização.
ele deve nesses casos ter sem dúvida servido para aí se pousar um pau. No século XVIII. possivelmente em dias de festa. “(. e nomeadamente em Lisboa. em madeira. mas sem regularidade aparente.8. geralmente com os topos arredondados. donde se pendurassem toldos.)com um rasgo entalhado a meio. que prolongam a água frontal.” 212 VEIGA DE OLIVEIRA. se passa nas igrejas. como as varandas.212 A partir do século XIX os cachorros desaparecem das fachadas principais. 77). Até finais do século XVIII os cachorros ou mísulas surgem como elementos pontuais.4. de superfície simplesmente encurvada. que parece destinado ao apoio de qualquer barrote. constituem o tipo mais generalizado e mais antigo. apresentam balanços que nunca excedem mais de meio metro (fig. de grossas molduras boleadas. largos beirais salientes e acolhedores. à medida que as casas de pedra e cal se vão tornando mais 211 Ernesto Veiga de Oliveira no seu ensaio sobre as casas do Porto refere ainda a existência de um outro tipo de cachorros. ora abaixo. a substituir os cachorros.que. antigas ou modestas. 104). ou para abrigo do sol .211 Estes elementos apresentam uma grande variedade de formas. não apenas pelo seu carácter decorativo. Casas do Porto in Arquitectura Tradicional Portuguesa.4 Cornijas Cornijas de beiral “Nestes telhados aparecem. As lajes das varandas. com sacadas de pequeno balanço. 105). esse beiral. Fernando. ora mesmo longe das janelas. geralmente debruada com uma estreita moldura. terminando em espiral virada para baixo e voltada para fora . passam a ser utilizados apenas nas fachadas traseiras.3 Cachorros ou mísulas Os cachorros ou mísulas são um dos elementos característicos das fachadas das casas do Porto. Durante esta época é ainda possível encontrar. colchas ou colgaduras. uma espécie de soco maciço de pedra. remontando ao século XVII . para suporte das lajes das varandas que servem de acesso às instalações sanitárias das novas habitações (fig. muitas vezes com formas rudes e fortes. pois a tecnologia de extracção e de corte da pedra passou a permitir lajes de sacada de maiores dimensões. com os caibros à vista.e em forma de cunha. a toda a largura do beiral ou da varanda. nalguns raros exemplos. apoiadas em cerca de um terço da espessura da parede e nos cachorros. como elemento fundamental. segundo Ernesto Veiga de Oliveira. em localizações mais certas e definidas. em particular. ora acima. Encontramos este elemento em muitos outros lugares do País. trabalhadas em granito ou.. mas por desempenharem a função de suporte dos beirais e. de maiores dimensões e sem motivos decorativos.. obra já citada. Ernesto. Os cachorros. que dá uma fisionomia muito peculiar à velha casa do Porto.à semelhança do que. e que se dispõem aos pares pela fachada do prédio. Nas casas. de fachada de tabique. das lajes das varandas ou sacadas. 171 . podemos dividi-los em dois grupos: os baixos e largos.8. com a função de suporte das lajes dos beirais e das varandas. 4. GALHANO. Formalmente. junto aos cantos superiores de portas ou janelas. assenta num entablamento de madeira. reproduzindo fielmente as formas dos executados em pedra. possibilitando o seu apoio em toda a espessura das paredes (fig. como uma cornija possante e pesada.
correspondente aos séculos XVII e XVIII.Fig. constituída por uma peça única apoiada na fachada. Desenho do autor. Desenho do autor. apoiada na fachada e em cachorros. .Pormenor tipo de sacada. correspondente ao século XIX.Pormenor tipo de sacada. Fig. 105 . 104 .
as chaminés têm uma presença muito discreta.5 Chaminés As chaminés não constituem um elemento particularmente característico das casas do Porto. sem qualquer tipo de pormenores decorativos. salvo raras excepções. que fazem a transição entre paredes e tectos. serviam para “esconder” as fissuras que ocorriam entre os revestimentos dos tectos e das paredes. a tiragem dos fumos seria preferencialmente feita directamente por aberturas entre as telhas. Fernando. Nos exemplos mais antigos.”213 As cornijas ou cimalhas. o que acontece na maioria dos casos. segundo processo já descrito. marcando alguma presença formal. A explicação para tal facto deve-se provavelmente à pouca utilização de lareiras ou outro tipo de fogões que não sejam os de cozinha.frequentes e cuidadas. de forma a protegerem as fachadas e a conduzirem as águas das chuvas o mais possível para o meio das ruas. de prolongamento do beirado de telhões e telhas de canal. 173 . correspondentes aos séculos XVII e XVIII. GALHANO. com molduras e ornatos de granito. 213 VEIGA DE OLIVEIRA. Casa urbana in Arquitectura Tradicional Portuguesa. quando as cozinhas passam a situar-se nas caves. unicamente rebocadas e pintadas. relativamente recentes. com desenhos em forma de finas caneluras ou outros motivos decorativos. Ernesto. devido à distinta constituição destes dois elementos construtivos (fig. apoiado na parede da fachada. o seu entablamento e cornija imitam na perfeição em madeira os mesmos elementos de pedra. No século XIX. Nos casos em que foi construído um piso acrescentado.8. onde estas surgem junto das platibandas nas paredes das fachadas. de formas muito simples. para além de constituírem um elemento decorativo. quando as cozinhas se situavam nos pisos recuados. com a zona do fogão junto da parede da fachada de tardoz. sendo executadas com tijolo maciço. surgindo sempre discretas junto das fachadas traseiras. obra já citada. vemos substituírem-se os velhos beirais de madeira por belos entablamentos de pedra. 10 e 12). Quando a fachada deste piso é construída em tabique. têm um carácter funcional. apainelados e enriquecidos com cachorros. Estes elementos decorativos eram executados com pasta de gesso. no mesmo estilo das demais cantarias da casa. as cornijas passaram a ser usadas como sacadas. Cornijas interiores As cimalhas ou sancas nos interiores. com traços ao gosto do estilo neopalladiano inglês. numa localização muito susceptível. 4.
Fernando.215 A utilização deste elemento levanta novos problemas técnicos como sejam. ostentando qualquer medalhão. as frestas e os postigos. urnas. para ventilação da caixa-de-ar do piso do rés-do-chão e uma grande variedade formal de postigos. obra já citada.. de grande variedade formal: redondos. e a impermeabilização da junta onde a platibanda apoia na cornija. goteiras em forma de gárgulas executadas em pedra lavrada. 4. no prolongamento dos algerozes. em casos muito raros. GALHANO.7 Platibandas As platibandas ter-se-ão vulgarizado nos finais do século XVIII. 4.8 Óculos. 103). óculo ou monograma monumental ou até pedras de armas. Os óculos. 174 . monogramas. um pequeno frontão em tímpano ou em arco.8. Ibidem. quadrados. para iluminação e ventilação dos compartimentos dos sanitários. introduzido pela mão da comunidade inglesa residente na cidade do Porto.4. frestas e postigos Estes elementos. podemos encontrar.) platibanda mostra mesmo. ovais. sob a influência do estilo neopalladiano. são anteriores ao século XIX216. recorrendo a uma cantaria de lancis de granito. protegido por uma fiada de telha Marselha. localizados predominantemente na fachada principal. A junta entre a cornija e a platibanda era igualmente vedada com piche. Telhados do Porto in Arquitectura Tradicional Portuguesa. Em alguns exemplos notáveis. são retirados das casas nobres provinciais de Entre Douro e Minho.8. 214 215 216 VEIGA DE OLIVEIRA. princípio do XIX. a meio. Estas platibandas podem ser de desenho sóbrio ou até conter balaústres e em alguns casos estátuas ou outros motivos decorativos como vasos. sendo vedado junto da platibanda por betume ou piche. Durante este último século. O isolamento destes elementos era feito por grades de ferro forjado ou por um pequeno caixilho de madeira e vidro. assente em argamassa de saibro ou. eram executados segundo os mesmos princípios construtivos dos restantes vãos.6 Gárgulas Em algumas casas dos séculos XVII e XVIII. junto do pavimento. etc. apenas encontramos frestas ou gateiras nos socos das fachadas. ou pós renascentista. O algeroz podia ser executado em chapa de zinco ou chumbo. onde existia uma apurada tradição de trabalho de cantaria214. por um rufo em chapa de zinco ou de chumbo (fig. rectangulares ou de formas mais elaboradas. Estes elementos de estilo barroco..8. a necessidade de um algeroz que faça a recolha das águas da tacaniça. Ernesto. Idem. a “(.
em substituição das antigas estruturas de madeira. ficando deste modo livres do rançoso e melancólico uso das rótulas de pau com que os antigos portugueses se figuravam recatar a honestidade das suas famílias. como são as paredes interiores ou exteriores e os sobrados. Os lambrins são elementos decorativos que não deixam de cumprir a mesma função dos rodapés. com variados motivos decorativos.. passam a ser constituídos por duas tábuas sobrepostas.8. Agostinho Rebelo da.. que é a de proteger o revestimento de estuque das paredes. construídas com recurso a princípios de uniformização e a elementos cada vez mais estandardizados. preenchida por almofadas. nunca ultrapassando o meio metro. a partir de finais do século XVIII. Com a gradual substituição da madeira pela pedra. que servem de distanciador e nivelador (fig. importadas do Brasil ou de África. formada de travessas e couceiras. A prática da sua utilização terá ocorrido durante o século XIX. Descrição Topográfica e Histórica da Cidade do Porto. Estas tábuas são sempre pregadas às paredes de pedra ou de madeira com o recurso a ripas. 4..9 Rodapés e lambrins Os rodapés são importantes elementos usados na transição entre as paredes e os pavimentos. Mais tarde. quando existem localizam-se nos compartimentos mais nobres da casa. variedade e diversidade nas fachadas.. as novas habitações passam a utilizar lajes de granito na construção das suas varandas. 106 e 107). associadas à prática corrente da construção de paredes de tabique.8.)têm largos balcões ou sacadas com parapeitos de ferro lavrado em grades. No princípio do século XVII ainda persistem muitas varandas de madeira. (. não existindo elementos que nos permitam avaliar com rigor em que altura. embora raros.)”217 As varandas ou sacadas são um dos elementos que mais contribuem para introduzir ritmo. obra já citada. Funcionam como remate e protecção do acabamento de reboco estanhado das paredes e fazem a transição entre diferentes elementos estruturais. chegando a atingir alturas de cerca de 50cm. Inicialmente eram constituídos por simples tábuas de madeira com cerca de 15 centímetros de altura. Eram constituídos por uma estrutura em grade.4. com um acabamento de verniz. nos pontos mais frágeis. que se rematam em pirâmides douradas.10 Varandas ou sacadas “(. com espessuras que variam entre os 15 e os 20cm. Junto do pavimento eram rematados por rodapé e superiormente por uma cimalha. 175 . Nas fachadas para a rua as lajes das sacadas de madeira e posteriormente de pedra não chegavam a atingir grandes balanços. entre os séculos XVII e XIX. Os lambrins. que irá ocorrer ao longo deste século. Na sua construção eram utilizadas madeiras exóticas. para ficarem à vista. 217 COSTA.
218 A partir do século XIX começam a ser construídas amplas varandas nas fachadas de tardoz. a partir do século XIX. in Documentos e Memórias para História do Porto. estas vão perdendo austeridade e ganhando graciosidade em variados padrões de ferro forjado ou. mais tarde. de grandes dimensões. pelo menos nas mais comuns. são constituídas por várias lajes de pedra. vol. Gabinete de História da Cidade. 218 Sobre este assunto ver a curta. As primeiras varandas de pedra. 176 . as varandas prescindam dos cachorros pois passam a ser constituídas por uma única laje de pedra. Estes elementos eram constituídos por prumos e corrimãos sem qualquer tipo de pormenor decorativo e de execução simples. localizadas no exterior das habitações. apoiadas em enormes cachorros (fig. As guardas das varandas de madeira são naturalmente executadas no mesmo material. apoiada unicamente na parede da fachada (fig. do Porto. 77). janelas. mas interessante descrição de: CONDE D’AURORA. postigos e outros ferros da cidade do Porto. XXX. A evolução das técnicas de corte e trabalho da pedra vai permitir que. 1967. prática que vai manter-se nas primeiras varandas de pedra. ou em simples escoras de ferro. são suportadas por cachorros ou então por uma espécie de cimalha corrida a toda a sua largura. Publicações da C. À medida que as guardas de madeira vão sendo substituídas por ferro. correspondentes aos séculos XVII e XVIII. Estas varandas. com cerca de 15cm de altura. Varandas.As varandas de madeira eram normalmente apoiadas em cachorros do mesmo material. apresentando balanços que andam à volta de 1. 104 e 105). que reproduziam os motivos decorativos dos elementos da casa em pedra. de ferro fundido. para permitir o acesso às instalações sanitárias.20m.M.
106 . Legenda: 1 Prumo. 7 Barrote. 2 Acabamento de estuque. 3 Fasquio.Fig. 9 Viga (pau rolado). Legenda: 1 Argamassa de emboço.Corte tipo por um rodapé de parede de alvenaria de pedra. 4 Ripa. Desenho do autor . 107 . 4 Duplo tabuado. Desenho do autor Fig. 2 Travessanho.Corte tipo por um rodapé de parede de tabique simples. 6 Acabamento de estuque. 3 Taco ou Chapuz. 5 Tábua de soalho. 8 Barrote. 7 Ripa. 6 Viga (pau rolado). 5 Argamassa de emboço. 8 Fasquio.
a realização deste trabalho abriu-nos muitas portas para os vários espaços do edifício da história da construção arquitectónica. servindo de referência para incursões com outro fôlego. pese embora alguma pretensão anunciada no seu título. Embora o ponto de partida fosse a descrição de um sistema construtivo. académicos ou simplesmente curiosos interessados. no sentido de valorizar o debate sobre o património arquitectónico construído. Dos vários assuntos abordados outros tantos ficaram por tratar. mas simultaneamente conduziu à formulação de outras. acabou por tomar um rumo e um carácter iminentemente historicista (embora não premeditado). Se este trabalho puder despertar a curiosidade e o interesse de estudiosos. A análise do material produzido nas aulas. com todas as virtudes e defeitos que daí possam advir. Por outro lado. Todavia. para nós tem um significado muito especial. Depreendemos ser este um dos princípios de qualquer trabalho de investigação. mesmo entre nós. mas capaz de apontar vários caminhos para futuras investigações. Constituiu para nós uma novidade e ao mesmo tempo aumentou a nossa curiosidade. permitiu esclarecer certas dúvidas que ainda persistiam. num processo de permanente descoberta. dentro de uma prática projectual ligada à recuperação do património. ainda muito centrado no “fachadismo”. de modo a proporcionar a realização de uma síntese. assim. sentiremos que cumprimos uma parte da nossa tarefa. organizando-o e sistematizando a informação. de forma mais rigorosa. mais aprofundada. Esperamos. o crescente número de estudos e publicações. no sentido de trazer algum contributo para a história dos sistemas construtivos em Portugal. que este trabalho permita: (i) lançar uma nova visão sobre a arquitectura e a construção do passado. (iii) reconhecer que o conhecimento que a 178 . pois representa o esforço de reunir toda a informação produzida nas aulas prática nos últimos anos. mas antes representar o resultado de uma determinada etapa. esta síntese não pretende ser definitiva. o crescente interesse que esta vertente da área disciplinar da construção tem suscitado internacionalmente e mesmo entre nós. A proliferação de congressos internacionais de história da construção. mais demorada. numa síntese que permita partilhar o nosso conhecimento com outros estudantes. sem se afastar deste propósito. que nos era completamente desconhecido e do qual ficamos surpreendidos com a dimensão. o trabalho. (ii) criar uma fonte de informação que permita auxiliar a compreender o sistema construtivo tradicional. Assumimos assim o risco que enunciamos à partida: realizar um trabalho generalista. confirmam esta tendência.NOTA FINAL EM FORMA DE CONCLUSÃO O modesto trabalho que aqui apresentamos. significa muito pouco em termos de contributo para a história da construção arquitectónica em Portugal. por isso.
179 . A procura e o estudo daquilo que é permanente e intemporal é a forma ideal de entendermos o presente e constitui ainda uma inesgotável fonte de inspiração para o futuro (fig. indicando-nos simultaneamente o melhor caminho a seguir para alcançarmos a verdadeira essência das coisas.história nos proporciona da arquitectura do passado e dos seus sistemas construtivos nos revela as permanências. 110 e 111). 109. Terminamos esta nota final com um pequeno texto de Eduardo Souto Moura sobre o edifício da Rua do Teatro. 108. que representa para nós uma espécie de corolário do que atrás foi dito quanto ao significado que tem a importância do conhecimento da arquitectura e da construção do passado para a sua compreensão no presente.
1992/93. que substitui actualmente os antigos revestimentos de tabuado. 110 . Pormenor da estrutura e do enchimento de uma parede. Pormenor do revestimento da estrutura com gesso cartonado. Fig.Projecto de Eduardo Souto Moura . fasquio e argamassas de saibro e cal com acabamento estucado. .1996. à semelhança das antigas paredes de tabique. 108 . utilizando materiais actuais como ferro e blocos de gesso.1996. Pormenor de estrutura em madeira à semelhança das antigas estruturas das paredes de tabique ou das clarabóias. utilizando materiais e técnicas antigas. Fig.Galeria de arte Rui Alberto 3 .Galeria de arte Rui Alberto 3 Projecto de Eduardo Souto Moura . Pormenor do revestimento de parede em reboco. 111 . Fig.Fig.Projecto de Eduardo Souto Moura .1992/93. 109 . à base de cal saibro e pigmentos naturais.Projecto de Eduardo Souto Moura .Galeria de arte Rui Alberto 2 .Galeria de arte Rui Alberto 2 .
As transformações não são na arquitectura tão velozes e patentes como aparecem nos livros. O resto estava quase todo revestido com azulejo na fachada principal. erguida com elementos pré-fabricados de pedra trabalhada que definiam os vãos quase à priori. Não existe uma correspondência directa entre a simplicidade de um critério e a sua materialização. A estrutura de pedra natural é substituida por vigas metálicas. mas como principio construtivo.“Quando no século XVIII o crescimento do Porto faz com que a cidade transborde as muralhas medievais. Esta obra observa a mesma tradição. A casa também era larga e estreita. as propriedades periféricas subdividem-se e urbanizam-se em parcelas compridas e estreitas que se acomodavam à topografia do terreno. .” Eduardo Souto Moura in Revista 2G n. chapa de zinco no recuado e lousa nas empenas. É necessário que passem pelo desenho e pela construção para que se tornem algo natural.º 5. mas mantêm-se os mesmos revestimentos: zinco e lousa. não como uma imitação. 1998.
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As dimensões generosas dos compartimentos e a riqueza dos elementos decorativos. não corresponde ao modelo que estabelecemos como corrente na nossa descrição das casas do Porto. A organização dos pisos estrutura-se segundo um corredor central. a sua forma original. à consequente reformulação da fachada de tardoz do segundo piso e à construção de uma pequena trapeira na cobertura. conservando ainda hoje. que garantem os acessos verticais. adjacente. nas intervenções mais profundas cometeram-se erros graves. localizado no gaveto entre a rua de Gonçalo Cristovão e a Praça da República no Porto.ANEXOS Recuperação da cobertura do edifício sede do Conselho Distrital do Porto da Ordem dos Advogados O Conselho Distrital do Porto da Ordem dos Advogados está instalado num edifício. quando não se limitaram a cobrir com tinta muitas patologias emergentes. A nossa intervenção foi orientada pelos seguintes princípios. que na nossa opinião terão ocorrido poucos anos após a construção do edifício. O que não invalida que. na sua essência. de serviço. 1) Hierarquizar os elementos a intervir. passadas quase duas décadas. os pormenores construtivos dos principais elementos da sua arquitectura sejam os mesmos das habitações correntes. D. 2) Substituição de todos os elementos degradados por novos iguais aos existentes e nos mesmos materiais. pela sua largura de dez metros e pela riqueza dos seus acabamentos interiores. de que são exemplo as madeiras e. o edifício foi objecto de pequenas e pontuais intervenções na sua estrutura. Porto da Ordem dos Advogados. referem-se ao encerramento da varanda de acesso à instalação sanitária exterior do primeiro piso. zonas sociais no rés do chão e zonas privadas no primeiro e segundo pisos. revelam que esta terá sido uma habitação pertencente a uma família endinheirada. Estas intervenções. Isto porque as obras de recuperação. por se situar num gaveto. os trabalhos em estuque. em relativo bom estado. que. com a cozinha e restantes dependências de serviço localizadas na cave. Este edifício. aquando da instalação do C. uma antiga habitação unifamiliar. segundo a urgência do seu estado de degradação. Em meados dos anos oitenta. o edifício é objecto de importantes obras de manutenção. Desde a época da sua construção. com clarabóia. A tipologia corresponde aquela que Francisco Barata define para o Porto Liberal do século XIX. uma de grandes dimensões. 190 . e a outra. de um edifício com estas dimensões implicam um grande investimento económico. datado de finais do século XIX. tornando-se assim necessário estabelecer um faseamento para a realização deste tipo de intervenção. em particular. e duas caixas de escadas. causando danos irreparáveis.
da prática do restauro. procuramos aproximar-nos. 4) Optimização dos materiais e do sistema construtivo do edifício através do recurso a novos materiais ou técnicas. 191 . dentro do possível. sobre o ponto de vista económico e técnico. excepto nos casos em que seja manifesta.3) Preservar os materiais e às técnicas tradicionais de construção do edifício. Neste sentido. que correspondem à primeira fase do que será a obra de recuperação e manutenção de todo o edifício. sem criar incompatibilidades funcionais ou alterar os princípios construtivos e a subjacente imagem arquitectónica. a impossibilidade prática da sua conservação/manutenção. Aqui se apresentam algumas imagens da sequência dos trabalhos de recuperação e manutenção da cobertura.
Neste exemplo. por se tratar duma parede de tabique.Fig. 1 Vista geral do edifício sede do Conselho Distrital do Porto da Ordem dos Advogados. Fig. Após decapagem e tratamento com um produto antifungico. 3 Estrutura de uma tacaniça: em primeiro plano o pormenor do apoio do varedo nos guieiros e nos contrafrechais e o novo guardapó em madeira de pinho pré-munizado. Foto do autor. . formada pelas vigas principais. Foto do autor. Foto do autor. a cimalha é uma peça de madeira. de todos os elementos da estrutura. está a dar-se início ao seu revestimento com um novo guardapó em madeira de pinho prémunizado (tratado em autoclave). em segundo plano a estrutura de apoio do tecto.5m e por uma quadrícula de barrotes com cerca de 0.5m de lado. no rincão e no contrafrechal. afastadas entre si cerca de 1. 2 Estrutura de uma das águas principais da cobertura: pormenor do apoio do varedo na fileira. Fig.
formado por duas fiadas de telha vã. sobre o tabuado do guardapó em madeira de pinho pré-munizado. 6 Estrutura do telhado principal: pormenor do apoio do varedo sobre a fileira e sobre a madre.5m de lado. 5 Estrutura de uma das águas principais: em primeiro plano o pormenor do apoio do varedo na madre e no contrafrechal. Fig. . Fig. constituída por vigas principais em forma de paus rolados e por uma quadrícula de barrotes com cerca de 0. Foto do autor. em segundo plano a estrutura de apoio do tecto. 4 Pormenor do apoio do varedo no contrafrechal e do beirado. A água oposta está revestida com novo guardapó em madeira de pinho prémunizado e isolamento térmico em “roofmate” de 4cm de espessura. Foto do autor. Foto do autor. As asnas desta estrutura são formadas por duas pernas linha e nível. Foto do autor. 7 Início da aplicação das placas de isolamento térmico -“roofmate” com 4cm de espessura.Fig. Fig.
Fig. Foto do autor. 8 Pormenor do revestimento de argamassa do tambor da clarabóia e da estrutura de barrotes para apoio do revestimento exterior em chapa zincada.Fig. apoiada no ripado. Foto do autor. Fig. sobre o isolamento térmico e a subtelha do tipo “Onduline”. Foto do autor. 10 Pormenor do revestimento com telha Marselha. 9 Pormenor do rufo. . de remate da transição entre o tambor e o lanternim da clarabóia. fixo ao guardapó. Foto do autor. Fig. 11 Pormenor do rufo em chapa de zinco de remate da cobertura com uma parede de tabique. em chumbo.
Foto do autor. 13 Pormenor do algeroz sobre a parede de meação. 14 Pormenor de uma engra ou guieiro morto. Foto do autor. O remate da transição entre as telhas do beirado e as telhas Marselha é executado com uma mistura de restos de telhas e argamassa de saibro. revestida por uma caleira em chapa de zinco. . 15 Pormenor do beirado em telha de canal e coberta. Fig. 12 Execução do remate dos rufos em zinco de uma chaminé e pormenor de um algeroz com caleira em chapa de zinco.Fig. Fig. Fig. Foto do autor. executado em chapa de zinco. Foto do autor.
Fig. Foto do autor. . Foto do autor. 17 Pormenor dos rufos e do revestimento de uma das paredes de tabique da trapeira com chapa de zinco. Foto do autor. 16 Pormenor do beirado e da caleira em chapa de zinco.Fig. Fig. 18 Pormenor do revestimento do tambor da clarabóia em contraplacado marítimo fixo à estrutura existente. As sobreposições entre as telhas de canal e coberta foram tomadas com argamassa de cal e areia. sobre o qual será aplicado isolamento térmico de “roofmate” com 3cm de espessura e o revestimento em chapa de zinco.
19 Pormenor do revestimento do tambor da clarabóia em chapa de zinco com junta do tipo “camarinha”. Fig. 21 Pormenor do revestimento em chapa de zinco com junta do tipo “camarinha” de uma parede de tabique. Foto do autor. . Fig. 20 Pormenor das chapas de zinco com junta do tipo “camarinha” e do rufo em chumbo que faz a transição com o lanternim. Foto do autor.Fig. Foto do autor.
Primeiro termómetro de mercúrio (E. 1689 . 1698 . .Publicação das “Ordenações Filipinas”.Construção em Inglaterra de eficientes bombas mecânicas para elevar água das minas. de algum modo tiveram uma influência no destino das práticas construtivas. 1666 . ao simplificarem a vida quotidiana.Emprego de pólvora nas minas de Inglaterra.Aperfeiçoamento de um sistema para aquecimento de serras com tubos metálicos onde circulava água quente (M. descobertas ou certos acontecimentos que. Neri). destacamos: a publicação de tratados de construção e de determinadas teorias e descobertas cientificas. inventos. inventos de diverso tipo de máquinas e materiais e alguns dos principais acontecimentos que marcaram a revolução dos transportes. R. nem no espaço de tempo que percorre. 198 . 1716 . de alguma forma. que trata da resistência dos materiais. 1643 . cerca de 12. Blondel). relativos a factos históricos. 1594 .Publicação do tratado L’arte vetraria (A. Hooke e C.Aperfeiçoamento de um sistema para a produção de chapas de vidro (B. de dinâmica. De entre estes factos que.Publicação de Lectures de potentia restitutiva or of spring explaining the power of springing bodies (R. 1687 . terminada em 1683 (F. Triewald). 1638 . 1675 . mas antes deixar registado alguns dos acontecimentos que terão contribuído. directa e indirectamente. 1612 .Publicação de Recherches de Mathématique et de Physique (A.Publicação das leis fundamentais da mecânica e da lei da gravitação universal (I. 1642 . Newton).Início da publicação do Cours d’architecture.Aplicação do coque na transformação dos minérios de ferro (Abraham Darby). Parent).Filipe I cria a Aula de Risco do Paço da Ribeira. muitas vezes ao acaso. 1602 . etc. 1709 . Torricelli). 1703 . 1713 . posteriormente traduzido para inglês (1662) e latim (1686). das vigas. Wren são encarregues da reconstrução.Cronologia A cronologia que aqui se apresenta não pretende ser exaustiva na sua abrangência.Publicação de Discorsi e dimonstrazioni matematiche intorno a due nuove scienze (Galileo Galilei). para a realização deste modesto trabalho de investigação. Gassendi).Descrição do Principio de inércia (P.Grande incêndio de Londres que devorou três quartas partes da cidade. até aos finais do século XIX. do nosso ponto de vista. Hook).000 casas. recolhemos dados. para influenciar a evolução dos sistemas construtivos da arquitectura mundial e da cidade do Porto em particular. Dos vários documentos que consultamos. terão influenciado a evolução das técnicas e dos materiais de construção da arquitectura. Perrot da Orleans).
1729 . 1760 .Patente da primeira serra circular para madeira (W. 1750 . 1769 . em Inglaterra.É descoberta a relação entre a quantidade de carbono e a resistência do aço.Processo de pudelagem do ferro (H. 1781 . que substitui a Aula do Paço da Ribeira. 1762 .Protótipos de pisos com vigas metálicas e tijolos vazados interpostos (M.Funda-se em Paris a École de Ponts et Chaussés.Patente da válvula de autoclismo com sifão (Alexander Cumming). que destrói cerca de 17.Publicação do Traité élémentaire de statique (G. 199 . Wheler). 1790 .Desenvolve-se uma técnica de impressão para azulejo.Cal hidráulica (Smeaton).Aplicação da máquina a vapor à siderurgia.Primeiro termómetro com escala centígrada (A.Níquel. Watt). . . 1785 .Turbina de água (Pierre-simon Girard). .Início da publicação da Enciclopédie (D.Máquina de fazer pregos.Início do aperfeiçoamento dos altos fornos a carvão para a fundição do ferro. ou de faire des ouvrages de fer fondu aussi finis que de fer forgé (R. Shrapnel). La science des Ingénieurs (B.Inicia-se uma técnica de impressão sobre o vidrado do azulejo (John Sadler).Teoria da oxidação (Lavoisier) . . 1782 . . A. . . 1751 . Celsius). .Aperfeiçoamento da válvula de autoclismo (Joseph Bramah). Ango e Saint-Fart). . 1779 . Diderot e J. 1780 .Emprego de chapas planas de vidro nas janelas e difusão de ferragens em ferro fundido. F. de Réamur). 1775 . Monge). F. de Bélidor). 1778 .Descoberta a condutibilidade eléctrica (G.Máquina de nervuras para fabrico de tubos (Jedediah Strett).Grande terramoto de Lisboa.Publicação de “O Engenheiro Português” (Manuel de Azevedo Fortes).Criação da Casa do Risco de Lisboa. 1755 .1722 .Granada explosiva (H.Electroforo. 1748 . . 1747 . 1756 . 1784 .Publicação do primeiro manual de tecnologia da construção.000 casas das 20. antes da aplicação do vidrado (Josiah Spode).Início da produção em série de máquinas a vapor (Boulton e James Watt).Publicação de L’art de convertir le fer forgé en acier et l’art d’adoucir le fer fondu. 1758 . 1742 .-B. Cort). para a formação de engenheiros civis.A fundição Carron em Stirlingshire na Escócia transforma pela primeira vez ferro fundido em material maleável.Criação da Aula de Desenho e Debuxo no Porto.000 existentes. Taylor).Construção de uma máquina a vapor com turbina para accionar um malho (J. 1786 .É finalizada em Inglaterra a primeira ponte metálica com elementos pré fabricados em ferro fundido com um vão de 32m (Abraham Darby). d’Alembert).
1824 . .Primeira tentativa de introdução de uma máquina de vapor em Portugal. Rondelet). .Início da publicação do Traité théorique et pratique de l’art de bâtir (J. Ampere).Prensa hidráulica (J. remunerados com um salário fixo (T. Oersted). Faraday). 1825 . 1796 .A associação dos arquitectos ingleses promove o emprego de pisos de construção mista. C. Ohm).A máquina de vapor começa a ser utilizada na navegação do Tejo. .Patente de um processo para a produção de tubos em ferro para a instalação das redes de gás (C. 1806 .Patente de um sistema para iluminação a gás (P. 1820 .Definição de uma escala para avaliação da dureza dos metais (F. de Nehou).Construção da primeira instalação experimental para produção de gás para iluminação (W. Murdoch). 1808 . .Aperfeiçoamento do corte da madeira com serra circular accionada hidraulicamente. 1823 .Em Inglaterra é construída uma manufactura com uma estrutura metálica de vigas e pilares em ferro fundido. Beaufort).Lei da resistência eléctrica dos materiais (G. .Aplicação em larga escala do gás na iluminação doméstica.1791 .Introdução de uma escala para avaliação da velocidade do vento (F. 1812 . Le Bon). S. 1815 .Patente de sistema para a construção de pontes suspensas (J. 1816 . Gauss e N. 1802 . L. F. B.Bateria eléctrica (Volta).Patente do cimento Portland (Joseph Aspidin). Trevithick). . .É fundada a primeira empresa de construção civil. Bramah). para fins industriais. .Aperfeiçoamento da produção de chapas de vidro que chegam a atingir 250 x 170 cm (L. 1827 . Mohs). em ferro e tijolo vazado. 1800 .Publicação de Leçons de géométrie Descriptive (Monge). 200 . Whitehouse).Normas para o fabrico de cimento hidráulico (Louis-Joseph Vicat). 1792 .Descoberta da electrodinâmica (A.Geometria não euclidiana (C. 1799 . 1795 .Descoberta do alumínio (H. 1826 .Aço inoxidável. com operários de várias especialidades. .Introdução de um método de pavimentação de ruas através de vários estratos de gravilha compactada (J. Macadam). 1821 .Construção da primeira locomotiva a vapor (R. J. 1804 .Início da publicação do Précis des leçons d’architecture (J.Descoberta do princípio do dínamo eléctrico (M.Patente do cimento romano (James Parker). para prevenção dos incêndios. Lobacevskij). Finley). Durand). 1805 . Cubitt).
1830 - Patente da técnica de produção de azulejos por processos mecânicos (Samuel Wright). - Sistema de ar comprimido para abrir poços e galerias debaixo de água (T. Cochrane). - Em Inglaterra realizam-se construções experimentais com painéis de ferro fundido. - Patente do sistema construtivo “ballon frame” (G. Washington Snow). 1831 - Motor eléctrico (Henry). - Rastilho de lenta combustão, que generaliza o uso da pólvora na extracção em pedreiras. 1832 - Publicação dos princípios da acústica (Benjamin Henry Latrobe’s). - É introduzido em Chicago o sistema de construção em madeira “balloon frame”. - Patente de blocos de pedra artificial feitos com areia, cal e água a ferver, em moldes de madeira (William Ranger). 1834 - Enunciado da lei da electrolise (M. Faraday). 1835 - Automóvel eléctrico (Davenport). - Introdução da máquina de vapor em Portugal, dedicada à indústria. 1837 - Patente do betão asfáltico (Claridge). - Telegrafo escrito (Morse). 1838 - Martelo pneumático. 1839 - Descobre-se o processo de “vulcanizar” a borracha (Charles Goodyear, Hayword). 1841 - Fura-se um poço artesiano. - Em França patenteia-se um sistema de telhas planas com encaixe, para substituição das placas de ardósia sobrepostas. 1845 - Patente de um novo ligante hidráulico, semelhante aos actuais, que vai permitir o fabrico industrial de cimentos Portland (Isaac Johnson). - A greve dos carpinteiros de Paris impõe o recurso ao ferro que desde aí vai substituindo progressivamente a madeira nas construções do resto do mundo. 1846 - Pintura à base de silicatos. 1847 - Produção das primeiras vigas perfiladas em ferro. - Linóleo (M. Narin e E. Galloway). 1848 - Constroi-se uma fábrica com cinco pisos, que é um dos primeiros exemplos de estrutura pontual integralmente em ferro (Jaime Bogardos). - Primeira tentativa para iluminar Lisboa a gás. 1849 - O jardineiro Monier arma betão de cimento natural com redes metálicas, produzindo vasos para transporte de laranjeiras, iniciando assim o registo de várias patentes de artigos em betão armado. - Primeira aplicação de ar comprimido na abertura de túneis e minas, aperfeiçoado mais tarde por G. Sommelier, S. Grandis e S. Grattoni. - Fundação da Associação Industrial Portuense. - Principia a construção de estradas macadamizadas em Portugal. 1851 - Inauguração do Crystal Palace no Hyde Park (Joseph Paxton).
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1854 - Sistema de fio helicoidal para corte e extracção da pedra, aperfeiçoado mais tarde em 1880. - São inauguradas as primeiras linhas telegráficas portuguesas. 1855 - Conversor que torna possível a produção de aço fundido em larga escala (Henry Bessemer). - É inaugurada a iluminação a gás nas principais artérias da cidade do Porto. - O alumínio, disponível em pequenas quantidades e a um preço elevado, é apresentado ao público na Exposição de Paris. 1856 - Patente para a produção de moldes ornamentais em gesso (Desachy). - Aperfeiçoamento do processo de conversão do ferro fundido em aço (H. Bessemer). 1857 - Instala-se o primeiro elevador, respeitando regras de segurança para transporte de pessoas, num edifício de cinco pisos (Otis). 1860 - Motor de combustão. 1861 - Inventa-se o asfalto artificial. - Exposição Industrial Portuguesa, realizada no Porto. 1862 - Máquina de enformar tijolos. 1865 - Fechadura de Yale. - É fundada a Fábrica Cerâmica das Devesas. - Inauguração do Palácio de Cristal do Porto com a I Exposição Internacional Portuguesa. - Dínamo (Siemens). - É construído em Inglaterra um edifício em betão armado (W. B. Wilkinson). 1866 - Dinamite. 1867 - É apresentado na Exposição Universal de Paris um elevador com pistão hidráulico (L. Eydoux). 1868 - Publicação da tabela periódica dos elementos (D. I. Mendeleev). 1870 - Forno eléctrico (Siemens). - Primeiras fórmulas de cálculo para o dimensionamento do betão armado (W. Ward e T. Haytt). 1871 - Broca de ar comprimido (Ingersol). - Grande incêndio de Chicago. - Demonstração do dínamo (Zénobe Gramme). 1873 - Inicia-se o processo para a instalação de uma rede de distribuição de água ao domicílio na cidade do Porto. 1875 - Apresentada versão definitiva do sistema métrico decimal, ratificada ainda neste ano na convenção internacional, à qual aderem todos os países excepto os anglo-saxónicos. - Aplicação de uma técnica para o fabrico industrial de vidro temperado (F. R. de La Bastie). 1876 - Telefone (Bell). - Motor de combustão a quatro tempos (N. Otto).
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1877 - Inauguração da ponte ferroviária D. Maria Pia, projectada por (Gustave Eiffel). - Teoria sobre os princípios do cimento armado e da pré-fabricação (Thadeus Hyatt). - Primeira experiência de telefone em Portugal. 1878 - Patente em Inglaterra da lâmpada eléctrica por incandescência (J. Swan). - Primeiras experiências de iluminação eléctrica em Lisboa. 1879 - Patente nos Estados Unidos da lâmpada eléctrica por incandescência (T. Edison). - Construção do primeiro edifício de seis pisos em Chicago (W. Le Baron Jenney). 1880 - Aperfeiçoamento da lâmpada eléctrica (T. Edison e J. Swan). - Difusão de sistemas de saneamento com auxílio de bombas accionadas por máquinas a vapor. 1881 - Inquérito industrial em Portugal. 1882 - Inicia-se a instalação de redes telefónicas em Portugal. - Surge a Companhia Geral das Águas do Porto. 1883 - Inicia-se a comercialização dos primeiros electrodomésticos nos Estados Unidos. - É inaugurada em Nova Iorque a ponte Brooklyn, com 416m de vão (J. A. Roebling). - É construído em Chicago o primeiro edifício de dezasseis pisos com paredes portantes, pilares em ferro fundido e vigas de aço (W. Le Baron Jenney). 1885 - Máquina para soprar vidro. 1886 - Soldadura eléctrica. - Introdução da luz eléctrica na cidade do Porto. - Aperfeiçoamento do processo electrólito para a produção de alumínio (Charles Martin Hall, Paul Louis Toussaint Héroult). - Patente de painéis em contraplacado de madeira (Witkowsky). 1888 - Telefone automático. - Produção em série e difusão de acessórios sanitários. - Primeira fábrica de tintas e vernizes em Portugal. 1887 - Entra em funcionamento a rede pública de abastecimento de água da cidade do Porto. 1889 - Aço níquel. - Generalização da teoria das ondas electromagnéticas (H. Hertz). 1890 - Constroi-se em Nova Iorque o Pulitzer Building com catorze pisos, último exemplo de edifício em altura com estrutura de paredes portantes. - Constroi-se em Saint Louis o Wainwright building, inteiramente em estrutura metálica de pilar e viga (Sullivan e Adler). 1891 - Difusão do emprego de chapas metálicas em coberturas. 1892 - Patente da primeira viga de betão armado, utilizando barras e estribos de ferro (Francois Hennebique). - Início da construção da primeira fábrica de cimento "portland" em Portugal. - Registo da primeira patente de betão armado em Portugal. - Publicação do primeiro plano baseado num levantamento rigoroso da cidade do Porto. 1893 - Protótipo do motor a diesel (Rudolf Diesel). 1894 - Primeira fábrica de cimento em Portugal, a Fábrica Tejo, em Alhandra.
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1896 - Registo da patente de Hennebique em Portugal. - Elaboram-se os primeiros estudos da rede geral de saneamento para a cidade do Porto, que, a partir de 1904, a empresa britânica Hughes & Lancaster começa a instalar. - Raios X (W. K. Roentgen). 1898 - Hennebique termina a concepção de um sistema de pilares, vigas, pisos e paredes integralmente em betão armado. - Néon. - Inicia-se uma série de escavações estratigráficas no Forum Romano que vão revestir-se de enorme importância para o conhecimento da história romana (G. Boni). 1899 - Primeiras experiências com o telégrafo sem fios (Marconi). - Constroi-se um edifício integralmente de betão armado em Paris (F. Hennebique).
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GLOSSÁRIO
A estreita relação que mantemos com as temáticas da construção arquitectónica, permitiu-nos constatar que, desde há algum tempo a esta parte, muitos dos termos que constituem o vocabulário da construção da arquitectura tradicional e contemporânea têm vindo, infelizmente, a cair em desuso ou simplesmente a desaparecer. Para este facto tem contribuído o desaparecimento de algumas técnicas de construção tradicional, levando consigo termos como fasquio, chincharel, etc; a banalização e falta de especialização que a construção civil tem vindo a sofrer; ou simplesmente, e por comparação com o que acontece às construções do passado no nosso país, a propensão portuguesa de deixar degradar, arruinar, desaparecer tudo (ou quase) o que é património. Ainda mais grave é constatar que nos meios eruditos também se verifica um certo desleixo, é frequente ouvir expressões do tipo "a peça que serve de (...), a peça que está a (...), a peça que constitui (...)", etc., para designar uma certa peça de um determinado pormenor construtivo, em lugar de procurar nomea-la pelo seu nome de origem. Elaborar um glossário completo de termos de construção é uma tarefa monumental, para a qual é necessário uma grande disponibilidade. Não é esse o nosso propósito, mas tão somente fazer um elenco dos principais termos utilizados na nossa descrição do sistema construtivo das casas do Porto. Sabemos igualmente que a realização de um glossário não é uma tarefa consensual, pois trata de construir um léxico feito de termos de várias proveniências culturais, de natureza telúrica, popular e erudita. Não pretendemos aqui entrar nesta discussão, de resto interessante, deste modo, definimos como critério apresentar os termos geralmente referenciados nos vários dicionários que serviram de apoio ao nosso estudo. A apresentação de mais três entradas por cada termo, em espanhol, inglês e francês, constitui outro factor muito discutível no que se refere qualidade e rigor da tradução, que só foi ultrapassado com a decisão de adoptar as traduções dos termos mais mencionadas não só em dicionários mas também em documentos de outro tipo, directamente relacionados com o assunto que estamos a tratar. O glossário que aqui apresentamos não constitui portanto um documento completo e acabado, se é isso possível, mas antes o começo de um trabalho que no futuro pode vir a tornar-se motivo de novas incursões, com outro fôlego e ambição.
Aduela, do latim dolium | esp. Dovela | ing. Voussoir | fran., Tábua ou barrote de forma encurvada, usada na construção de clarabóias ou em alizares. Cada uma das pedras que armam um arco ou abóbada de cantaria.
Água furtada, O mesmo que trapeira.
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Algeroz, do hebr. hharotz, mudada a gutural em g, acrescentando o artigo árabe al-garotz | esp. Canalón de desagüe | ing. Rainwater gutter | fran. Chéneau; Caniveaux, Canal construído e embutido ao longo de toda a nascença do telhado, seja no coroamento da cornija, junto da platibanda ou próximo do beirado, destinado a colher as águas da chuva captadas pelas telhas e que dele se escoam através de gárgulas ou tubos de queda. Alizares | esp. Cubre juntas | ing. Flashing | fran. Bavette, Conjunto de réguas ou peças delgadas de madeira, que se pregam sobre o marco ou aro de portas ou janelas, de um ou de ambos os lados, como molduras, para tapar a junta formada entre o marco e a parede, além de ornamentarem os vãos; o mesmo que guarnição ou mata juntas. Alvenaria, do árab. baiada | esp. Albañileria | ing. Masonry | fran. Maçonnerie, Obra de construção de paredes com elementos naturais (pedras), ou artificiais (adobe, tijolo maciço, tijolo vazado, bloco de cimento, etc.), cujo assentamento pode ser feito com ou sem argamassa de ligação, em fiadas horizontais ou em camadas parecidas, que se repetem sobrepondo-se umas sobre as outras. Argamassa, do lat. arenatum | esp. Mortero | ing. Mortar, Plaster | fran. Mortier, Mistura plástica obtida pela combinação de um aglomerante (gesso, cal, barro ou cimento), com um inerte (saibro, areia ou pó de pedra) e água, que serve para ligar entre si pedras naturais e artificiais das construções de alvenaria e para as revestir com camadas protectoras e/ou decorativas. Argamassa bastarda ou mista | esp | ing. | fran., Argamassa em cuja composição entram dois ligantes distintos, como cal e cimento, barro e cal, cal e gesso, etc. Argamassa ordinária | esp | ing. | fran., Argamassa que tem por ligante apenas cal. Asfalto, do lat. asphaltus, der. do gr. asphaltos | esp. Asfalto, Alquitrán | ing. Asphalt, Tarmac, Tar | fran. Bitume, Gordron, Substância betuminosa sólida de cor marrom a preto, que se encontra em estado nativo em alguns lugares, constituída principalmente por uma mistura de hidrocarbonetos de consistência variável, de dura e quebradiça a plástica, insolúvel na água. Resíduo negro, pegajoso, semi sólido, que constitui uma variedade de betume obtida da evaporação parcial da destilação de determinados petróleos, alcatrão de hulha, etc. Asna, do lat. cantherius, ou asser | esp. Cuchillo | ing. Roof truss | fran. Ferme de toit, Estrutura reticulada plana, geralmente utilizada para suporte de um telhado. Os primeiros modelos eram armações muito rudimentares em madeira, que foram evoluindo para estruturas mais complexas, em madeira e ferro ou só em ferro. Bandeira | esp. Montante | ing. Fan window, Fanlight | fran., Caixilho envidraçado, geralmente fixo, sobre as folhas de portas e janelas, incorporado à sua estrutura, destinado a proporcionar maior entrada de luz ou ventilação.
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para as ligar ao contrafrechal do madeiramento de um telhado. do lat. podendo ser combinada com uma cimalha. criando assim um vão de escada. enchimento de depressões ou amolgadelas e no assentamento de vidros.Barbate | esp. Hormigón | ing. usadas na regularização de superfícies a pintar. do lat. Enchevêtrure. Ménsula | ing. corte em forma de boca de lobo muito utilizado no topo das varas ou caibros. sendo as outras respectivamente 5. o mesmo que caibro. Beirado | esp. | ing.. encastrada na parede. sacada. | ing. | fran. passagem de chaminé. cavu | esp. Chevêtre. Corbel | fran. bittumen | esp.. bucca-lupu | esp.5 a 7 cm e 6 a 8 cm. ou servir de base para aplicação de outros materiais ou produtos de acabamento. | ing. catena | esp. Brochale | ing. Termo usado há muitas décadas na nomenclatura do mercado de madeiras. O mesmo que barbate. | ing. Cadeia. | fran. utilizado para designar uma dimensão comercial em que uma das dimensões das peças é sempre fixa. vigamento. Todo o reboco aplicado sobre superfícies horizontais ou em rampa. | fran. | fran. do lat. normalmente formado por uma fiada de telha vã. alçapão. pode constituir o acabamento dos pisos.. Betume. Cabouco. Barrote | esp. Corbeau. tal como o reboco nas paredes. | ing. Consola de pedra ou de madeira. | ing.. Béton. Caibro. etc. denomina-se de betumes todas as pastas plásticas. | fran. por exemplo de uma cornija.. capreu. Boca de lobo. no tapamento de fendas. destinada a suportar cargas excêntricas. onde se apoia e prega de topo. Concrete | fran. cimalha. 207 . Tal como foi definido pelo uso. para assim as proteger das águas da chuva. | fran. Remate inferior de um telhado. Header joist. fazendo saliência sobre as paredes das fachadas. Betonilha | esp.. | ing. aplicando pastas ou betumes de regularização e ou acabamento. etc. Barramento | esp. adesivas e secativas. Vala ou caixa aberta no terreno para implantação das fundações de uma construção. Cachorro. | fran.. para receber as vigas interrompidas. cacho | esp. o mesmo que boca de lobo. Trimmer joist | fran. do lat. do cat. Viga transversal ao vigamento de um sobrado. do lat. Acto de barrar ou guarnecer. O mesmo que vara e barrote. com 7 ou 8 cm.
Corniche. | fran. Chappuiz. ferro. calx | esp. do lat. do lat. Resulta da calcinação de rochas ricas em argila (+5%) e pode endurecer e consolidar-se em ambiente húmido ou debaixo de água. Hydraulic lime | fran. no conjunto da obra em que se insere. ou com uma face completa e a outra que não ocorre em toda a extensão. Costaneira.Cal. Brochal | ing. talhadas nos extremos em forma de mecha para samblagem com a respiga das travessas. | fran. quando esta existe. Couceira. Solivette. 208 . Chaux. de saliência pronunciada. Oigee. | fran. | fran. Cornisa | ing. enxofre. cimice | esp. Maderos cojos. Tipo de cal que faz presa com o ar. Boiteuse. alcalis e matérias orgânicas. Cornija. Tábua de madeira que constitui as peças verticais ou montantes de um caixilho de porta ou janela. Peça de madeira que se prega de ambos os lados para acrescentar prumos de topo. que variam com as proporções em que se apresentam. Chaux hydraulique. parede ou entablamento. para receberem pregos de guarnições ou alizares. Lime | fran. Tábua extraída da parte exterior de um toro. Cal aérea | esp | ing. Conforme a maior ou menor quantidade de argila presente na sua composição assim se estabelece o seu índice hidráulico. O mesmo que cornija. Stile | fran. Solive. cis | esp.. Trimmed joist | fran. Cornice | fran. com uma só face. Óxido de cálcio obtido pela carbonatação acima dos 900 e até 1100 graus de pedra calcária. conchas ou de outras formas de carbonato de cálcio. magnésia. do cat. Cantaria. Cimacio. servindo uma das couceiras para fixação das dobradiças e a oposta de batente e para fixação de fechos ou fechaduras. Chapuz | esp. Cimalha. em pedra ou em madeira. cymatium ou do gr. Pie de obra | ing. Ornamento constituído por um conjunto variado de molduras. Montant. kymation | esp. Montante vertical | ing. do lat. Uma vez que as rochas calcárias não contêm apenas carbonato de cálcio. | ing. que serve de remate superior de um vão. pequenas peças de madeira introduzidas nas paredes. Field | fran. ou se apoia directamente nas paredes de meação. Chincharel. estas conferem à cal propriedades próprias. Cal hidráulica | ing. pregadas sobre as pernas. calx. Pedra talhada e facetada por medida. Cal | ing. Chantier. do lat. Cal hidráulica | esp. Cimaise. pois apresentam sempre outros constituintes como a argila. do lat. para desempenhar uma determinada função e lugar. do lat. peças de madeira de forma trapezoidal. Viga de pequena dimensão que se apoia na cadeia que recebe as pernas das escadas e na cadeia junto das paredes de meação. Dosse. canteria | esp. para servirem de calços às madres. costanariu | esp | ing. cornice | esp. | ing.
Cré ou branco-de-Espanha. Dobradiça | esp.. o mesmo que oitão. É sobre o emboço. Crepi. Na armação de madeira das coberturas é o nome dado às peças de ferro. Entablamento | ing. referência de nivelamento geral de uma construção. Erigir. | fran. falgâ | esp | ing. Scagliola | esp | ing. do árab. Técnica de remoção da camada de acabamento ou de uma película de tinta. Falca. de modo a que seja revelada a camada anterior. em que a maior dimensão fica na vertical.. Hinge | fran. | fran. após aplicação de um desenho (através de “papel de pique” ou de um molde recortado em folha de zinco. Craie. Empena. que é aplicado o reboco. cultellu | esp | ing. friável. creta | esp. do it. Tipo de estuque liso ou com relevo. que reforçam as uniões entre as peças de madeira. Gozne | ing.. Tiza | ing. Bisagra. que serve de apoio à estrutura da cobertura. | fran. Gable | fran. Escaiola. Revoco. arranhando (com uma lâmina. que se fixa ao local desejado). Posição em que é aplicada uma peça de secção rectangular. do lat.. Parge coat | fran. sgraffito | esp | ing. macio. | fran. pino | esp. Este tipo de estuque podia ainda ser pintado a fresco. o pé de galinha ou o T. para regulação dos seus movimentos. Toro de madeira esquadriado. o mesmo que elegimento. com uma espessura variável entre os 10 e os 15 mm. que podia ser misturada com pó de pedra ou pigmentos e aditivada com colas naturais ou sabão. Forma triangular do remate de uma parede com uma cobertura de duas águas.. do lat. constituindo o giz ordinário. Estribo | esp | ing. Calcário zoógeno. | fran. Rough coat.. Nivelamento geral dado ao respaldo dos alicerces para servir de base às paredes de elevação e de nível de referência aos revestimentos externos de pedra ou de outro material. do lat. terroso. do it. muito branco. | fran. como a abraçadeira. 209 . Charnière. antes do fim do seu endurecimento.. Peça de ferragem que se aplica sobre um dos lados das folhas de portas ou janelas. Emboço | esp. imitando mármore. o mesmo que gonzo ou bisagra. Esgrafito. Pignon. brunido a ferro quente ou simplesmente polido. Instrumento cortante. Chalk | fran. executado com uma argamassa à base de pasta de cal. Cutelo. | fran. Ensoleiramento | esp | ing. Enfoscado | ing. Elegimento | esp | ing. formado por finíssimas placas de algas calcárias e pequeníssimas conchas de foraminíferos. Entablature. Nome dado à primeira camada de argamassa que se aplica sobre a parede. com ponteiros ou com qualquer outro instrumento apropriado). em aresta viva ou em meia quadra. constituindo uma prévia regularização. Articulation. Entablement. com um pedaço de serra.
210 . que é fixada na folha respectiva. Faîtière. na intercepção das duas vertentes principais. do arab. Bizagra | ing. para apoio da estrutura das paredes de tabique: prumos e escoras ou simplesmente o tabuado. é a viga de madeira que serve de apoio ao vigamento do sobrado. Corea de base | ing. gypsu | esp Yeso | ing. Plaster lath | fran. constituindo a matéria prima dos trabalhos de moldagem de estuques. Tipo de ferragem composto por duas peças que encaixam entre si. pregada em tectos e tabiques. perfeitamente paralelos. Gond. Hinge | fran. Face string. tignum | esp. gypsos pelo lat. do lat. lat. Viga apoiada na parte superior das asnas. ambrices | esp. Desempenar uma parede. do gr. Outer string | fran. do gr. Galgar | esp. Escuadreo. depois de cozido a baixa temperatura faz presa com a água. e a outra. das tesouras ou das linhas da estrutura da cobertura. tornar os lados de um tronco de madeira. que se apresenta na natureza sob a forma de gipsita. Fasquio. Aserrar en sección rectangular | ing. Liteaux. Équarissage. do lat.. Chevetre. Minério quimicamente definido como sulfato de cálcio. Grafito. Inscrição marcada num revestimento quando este ainda não está endurecido. alabastro. | ing. de secção trapezoidal. uma com forma e função de pivot. Gypse. de modo a tapar a vista de topo dos degraus e a servir de apoio aos balaústres. para evitar a entrada de pó. | fran. tábua ou vão. Plate | fran.. | fran. | ing. Escória de ouro. para formar uma armação plana onde se segura a argamassa de enchimento. que se chumba na soleira ou na ombreira do vão de porta ou janela. Gesso.chapim | esp. faskhia. | fran. Gypsum | fran.. Forro de tabuado aplicado sobre o varedo. servindo ainda de apoio às varas ou caibros. espato sedoso e selenita. contribuindo para a sua estabilidade. Slabbing. em forma de cachimbo ou nó. gomphus ou cardo | esp. Fezes de ouro | esp | ing.Falquear ou Falquejar | esp. barrote corrido sobre o soalho ou através do vigamento. Listones de enfoscado | ing. Tira estreita e comprida de madeira.. Ridge beam | fran.. Cabio de cumbrera | ing. Tipo de ferragem que esteve na origem das modernas dobradiças. onde vão assentar as telhas. Guarda . Guarda . Frechal. | ing. Fileira | esp. Sablière. Zanca exterior | ing. que se prega ao flanco das pernas das escadas nas faces voltadas para a bomba. Sawning in square seccion | fran. ao qual é pregado o ripado. em repetição a pequenos intervalos umas das outras.pó | esp. Solera. Gozne. Nos casos em que existe. Gonzo. Tábua corrida. Cortar a casca e a quantidade de madeira de um toro para convertê-lo numa peça esquadriada. graphos | esp. | fran.
Can ménsula | ing. | fran. a face visível pelo exterior mantém a dimensão de um palmo. Aplicação. Pedra longa e delgada. Tipo de samblagem entre duas peças.. Mecha | esp. ou de cal em pasta e agregados muito finos.Guarnecimento | esp.. vergas e soleiras de vãos quando a secção das pedras não ultrapassa um palmo em qualquer das quatro faces. do it. Corbeau.. Intersecção de duas vertentes de um telhado que formam um ângulo reentrante. de um fino estrato obtido pela sobreposição de camadas (geralmente duas a três) de uma argamassa de cal em pasta.. Manilha | esp | ing. ramificações. Guieiro. Correa | ing. Panne. Lintel | esp. do lat. madeira. Braket. Mortaja | ing. Meia madeira | esp | ing. destinada a vencer vãos de portas ou janelas.. Console. | fran. Macho-fêmea | esp | ing. Lancil. nas posições topo a topo. muito utilizado em canalizações de esgotos de águas residuais. gr. degraus. mudança de diâmetros. optamos por incluir estas peças. apoiada nas respectivas ombreiras. assim como todas as restantes de secção irregular. Mísulas. Laró | esp | ing. Além dos tubos rectos. topo a flanco e flanco a flanco. de areia siliciosa fina (do tipo empregue em estuques) ou ainda de pó de tijolo e de óxido de ferro. Peça de cantaria usada no remate de passeios ou plataformas calcetadas. Linteau. mater. o mesmo que terça. Mortaise. metra | esp. Tubo de barro cozido e vidrado ou grés cerâmico. | fran. em forma de lingueta e ranhura. etc. ferro ou betão armado. mensola | esp. na mesma designação. de outros tipos de rochas calcárias. Tipo de samblagem de duas peças. Corbel | fran.. Por esta razão. caixilhos e almofadas. do lat. que consiste na execução de um rebaixo em forma de degrau numa das peças e do reverso na outra. | fran. que serve para travamento destas e para apoio do varedo. geralmente obtidos da trituração de mármores. etc. feita no topo ou no flanco de uma peça de madeira. Viga de pedra. Lintel | fran. também conhecido no Norte por guieiro morto ou ribeiro. 211 . Cachorros com ornatos. Embora as ombreiras de cantaria das casas do Porto tenham uma secção com um desenho particular. O mesmo que rincão. Purlin | fran. Caja. sifões. sobre as paredes previamente rebocadas. produzem-se todos os acessórios para mudança de direcção. lanciné | esp | ing. para nela ser encaixada a respiga de outra peça de modo a formarem a respectiva samblagem. Dintel | ing. com gola de ligação num dos extremos. Madre. | fran. muito utilizada em tabuados. | ing. Mortice | fran. Ombreiras. Viga de madeira assente a meio vão de cada uma das pernas das asnas. Escavação cega ou passante. | fran. Ménsulas.
preparada com uma dispersão de cré em água. do lat. Rollizo | ing. | fran. do gr. apenas sem a casca. Pinázio. etc. Cunha de madeira. pinax | esp. Pasta resultante do depósito das partículas em suspensão do leite de cal Pau rolado | esp. que é colocada no interior do vão total de um caixilho de porta ou janela. Piche | esp. kampé | esp. gr. cada uma das duas peças que compõem a tesoura de uma asna.. perna ou antes crus uris. 212 ..Nível | esp | ing. por meio de esterilização. Palmeta. | ing. | fran. Perpianho | esp. Pasta de cal | esp | ing. | fran. | fran. altanu. palmetta | esp | ing. Pitch | fran. | fran. que unem os extremos da linha ao pendural.. Sillares a tizón | ing. pinturas antiferruginosas. Barreta. Pez | ing. Viga de madeira que mantém a forma natural do tronco. assente em estacaria.. Through stone. com o fim de diminuir a sua deformação por flexão. do lat. com a inclinação correspondente à pendente do telhado. Partidor | ing. | fran. Perpiaño. Muntin | fran.. Header ashlar | fran. Pintura a têmpera | esp | ing. | fran. Cada uma das vigas que forma o par de apoio lateral dos degraus de uma escada.. o mesmo que travadouro. misturada com pigmentos e uma cola líquida aquecida. Profil de vitrage. Perna. Bondstone. Pranchão | esp | ing.. tendo por isso dois paramentos. constituída por uma estrutura de barrotes dispostos em forma de grade. O mesmo que empena. Prancha de grande dimensão. para reforço das uniões em respiga e mecha.. Oitão. usada com frequência. Processo de tratamento da madeira em autoclave. Resíduo proveniente da destilação fraccionada ou da evaporação parcial do alcatrão. O mesmo que asfalto. para subdividi-lo em quadros menores com vidros de dimensões reduzidas. Viga horizontal que une os dois pontos médios das pernas de uma asna. Glazing bar. provida de duplo rebaixo para vidro. de cor marrom escura a negra. Parpaing. em que a água atinge temperaturas superiores a 100º C sem ferver. Pitch | fran. de secção reduzida. Prémunizar | esp | ing. Pez | esp. que se apresenta como um corpo semi-sólido ou sólido de fácil fusão. Poix. para servir de base às fundações. do lat. Pedra de cantaria que vai de face a face da parede. Peça de madeira ou de ferro perfilada. Zanca | ing. usado no preparo de aglomerados de carvão. Pierre à boutisse. por estar impedida a saída de vapor. Tipo de pintura própria para espaços interiores. | fran..
Hip | fran. Louvre | fran. Caixilho em que o vão é preenchido por um conjunto de ripas de pequena dimensão. Tillig fillet | fran. | ing. Soleto | esp | ing. com um espaçamento determinado pelas suas dimensões.Reboco | esp. Peça de madeira de secção rectangular normalizada. regularização e acabamento. | fran. 213 . Chapa de ardósia. feito com várias qualidades de argamassas. o mesmo que guieiro. Viga de madeira que na armação do telhado faz a transição entre a tacaniça e a vertente principal. Respiga | esp. Tenon. Ensamblaje | ing. Sanca | esp | ing. sendo a sua espessura sempre inferior a 5cm e largura superior a 10cm. Tendido | ing. Chanlatte. Tábua de barbate | esp | ing.. Hip end | fran. | fran. no | esp. conforme o tipo de aplicação . Assemblé. Tenon | fran. em forma de barbate ou boca de lobo. Espiga | ing. | fran. Riostra | ing. Telhão | esp. Persiana | ing. | fran. que nos compartimentos interiores faz a transição do plano das paredes com o plano do tecto. Brace | fran. é a tábua que reveste pelo interior o topo do parapeito. assente sobre parede ou cornija. o mesmo que portada ou gelosia. usada como revestimento de empenas ou de acrescentos nas coberturas de edifícios. de planta rectangular. Joinery | fran.. tectum e nexus. Designação dada ao par de entalhes casados que se faz em duas peças de madeira ou de metal.. Contreventement. com a finalidade de encaixar na respectiva respiga de outra peça. Jalousie. Tacaniça. Tipo de malhete em forma de língua. Cada uma das duas vertentes em forma triangular dos telhados de quatro águas. Arêtier. Nas janelas de peito. geralmente com recurso a cavilhas. Render | fran. Cimalha larga. Enduit.emboço. Peça de madeira que se coloca à pressão entre as vigas de um sobrado para assim as travar e contrariar a sua deformação. Samblagem | esp. Tábua. Tarugo | esp.. executado no topo de uma peça de madeira. deixando um pequeno canal entre o redondo e a superfície plana. Rótula | esp. Revestimento de alvenarias ou similares. do lat. com que se quebra uma aresta. Croupe. em forma de moldura convexa. cerca de 80 cm. do latim tabula | esp | ing. Revoque | ing. Tábua de peito | esp | ing. pregada sobre um ripado de madeira. do lat. para construção do beirado. para realizar a junção das mesmas.. Rincão. moldura redonda. | fran. Tábua pregada sobre o varedo onde este apoia nos contrafrechais. entrelaçadas na horizontal ou na diagonal. em forma de escudete. cuneus | esp. Cabio de limatesa | ing. criando assim uma união firme entre duas peças. em uma ou mais camadas. Telha caleira de comprimento maior do que as normais. cola ou outros ligantes.
| ing. o canal e a coberta. | fran. do lat. Terça. 214 . Travesaño | ing. Viga de madeira de pequena secção. Cabio | ing. Travadouro. Tipo de telha de barro em forma de meia cana. Vara. O mesmo que perpianho. usado nas estruturas reticuladas dos tabiques. Crossbeam | fran. Buardilla | ing. Verga. Travessanho | esp. o mesmo que caibro. virga. duas ou três águas. Linteau. são aplicadas com a parte côncava para cima e as telhas de coberta. de forma a cobrirem as suas uniões. | fran.Telha caleira ou romana | esp. Barrote descontínuo. barbaro | esp. Tipo de telha de barro de forma plana. para receber o ripado. Tuile plate. Chevron. Trapeira | esp. podendo ser também fabricada em dois formatos conjugados. Ventana de buharda. Telha Marselha | esp. Teja de canal | ing. com maior raio de curvatura. com menor raio de curvatura. O mesmo que madre. Janela aberta num pequeno volume instalado na vertente de um telhado. As telhas de canal. são aplicadas com a parte côncava para baixo sobre as anteriores. para ventilação e com cobertura de uma. sobre o qual são assentes as telhas. disposto transversalmente entre prumos. o mesmo que água furtada. usada na armação de um telhado. Chien-assis. Rafter | fran. Tuile chanée. rolada ou esquadriada. do lat. O mesmo que lintel. Dormer window | fran.
que a seu jeito me concederam. com indicação de . Ricardo Ferreira.AGRADECIMENTOS Na realização deste trabalho tive o apoio de várias pessoas a quem desejo expressar os meus agradecimentos. em particular ao Jorge Velhote. pelos sábios concelhos. desenhos rigorosos e maquetas. Ao Professor Doutor Rui Póvoas por toda a disponibilidade e dedicação no apoio prestado à coorientação do trabalho.elaborado por um grupo de trabalho do ano lectivo de 2001/2 ou 2002/03 . Ao Professor Manuel Teles por toda a disponibilidade manifestada no apoio prestado à orientação do trabalho. pela ajuda. pelo apoio prestado na realização do enquadramento histórico. 215 . Diogo Costa / Carlos Castro. Ao Professor Rui Tavares e em particular à Professora Doutora Anni Günter. Rui Gonçalves. todos os desenhos e fotografias de levantamento. Ao Professor Joaquim Vieira e ao Professor Doutor Francisco Barata. Pedro Varela. Ao Professor Domingos Tavares pela leitura atenta e pelas observações pertinentes. Manuel Centeno / Ana Cristina Nunes. Rita Pereira / Ivan Costa. Carlos Barroso. Aos meus amigos. Fábio Leão. por todo o apoio e pela paciência com que sempre me acompanharam. ao Rui Barros e à Carlota Cunha.foram realizados pelos alunos: Luís Ribeiro da Silva. Aos meus pais e ao meu irmão. Devo ainda referir que. Tiago Araújo.