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Plano de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes do Município de Abre Campo
Plano de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes do Município de Abre Campo

Plano de Enfrentamento à Violência

Sexual contra Crianças e Adolescentes do Município de Abre Campo

2013

Fios de Proteção

1

Plano de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes do Município de Abre Campo

Realização

Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente Prefeitura Municipal de Abre Campo

Criança e do Adolescente Prefeitura Municipal de Abre Campo Elaboração Projeto Fios de Proteção Participantes: Ana

Elaboração

Projeto Fios de Proteção

Participantes:

Ana Cristina Marcolino de Paiva – Juizado da Infância e Juventude Ana Vitória Rocha – Juizado da Infância e Juventude Cristina Marta de Souza Rocha Costa – Secretaria de Educação Ednéia Fernandes – Secretaria Municipal de Assistência Social Fabrícia Ventura de Sena – Conselho Tutelar Geralda Lúcia Quintão Ernesto – Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente Leiliane Carvalho Fernandes – Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente Marina de Cássia Silva – Secretaria Municipal de Saúde Mayra Naclise Moreira Oliveira – Secretaria Municipal de Assistência Social Raquel Félix – Secretaria Municipal de Assistência Social Rosa de Lima Dias Quintão – Secretaria Municipal de Educação Sebastião Barbosa Junior – Paróquia Santo Antônio – Distrito de Granada Vanda Martins Dias de Paiva – Secretaria de Educação Vicentina Moreira Duarte – Conselho Tutelar Wanderson Souza Mendes – Secretaria de Segurança Pública

Parceria

Instituto Camargo Corrêa Construtora Camargo Corrêa Anglo American

Apoio técnico

Associação Brasileira Terra dos Homens (ABTH) Valéria Brahim Claudia Neves Vera Cristina Souza

ÍNDICE

Apresentação Análise situacional Marco conceitual Marco legal Eixos do Plano Nacional Plano Municipal de Enfrentamento

Apresentação Análise situacional Marco conceitual Marco legal Eixos do Plano Nacional Plano Municipal de Enfrentamento
Apresentação Análise situacional Marco conceitual Marco legal Eixos do Plano Nacional Plano Municipal de Enfrentamento
Apresentação Análise situacional Marco conceitual Marco legal Eixos do Plano Nacional Plano Municipal de Enfrentamento
Apresentação Análise situacional Marco conceitual Marco legal Eixos do Plano Nacional Plano Municipal de Enfrentamento
Apresentação Análise situacional Marco conceitual Marco legal Eixos do Plano Nacional Plano Municipal de Enfrentamento

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Apresentação

“Porque eu só preciso de pés livres, de mãos dadas e de olhos bem abertos

Utilizo a frase de Guimarães Rosa no poema Bibliocausto para me referir ao processo de constru- ção do Plano Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual contra crianças a adolescentes de Abre Campo, resultado de um longo trabalho de um grupo de pessoas implicado com a garan- tia dos direitos de crianças e adolescentes de sua cidade. Em 2010 o Instituto Camargo Corrêa começou a implantação do programa Grandes Obras pela Infância no município de Abre Campo. Com foco no enfrentamento à violência sexual de crian- ças e adolescentes, o programa é implantado em parceria com a Construtora Camargo Corrêa em cidades onde há obras da empresa.

A partir deste programa, com o apoio técnico da Associação Brasileira Terra dos Homens e,

principalmente, com a participação de conselheiros e técnicos de serviços de Abre Campo, foi desenhado o projeto Fios de Proteção, que, entre outras ações, ofereceu subsídios e apoio a este grupo, agora chamado de comissão municipal de enfrentamento à violência sexual, para elabo- ração do plano municipal.

E foi “de mãos dadas” que a comissão trabalhou por muitos meses e agora apresenta para toda

a comunidade um conjunto de propostas consistentes para enfrentar uma das formas mais per- versas de cerceamento de felicidade e liberdade contra uma criança ou um adolescente.

Da prevenção ao atendimento, as ações passam agora a ser implantadas por todos aqueles que, assim como os integrantes da comissão municipal de enfrentamento, são profissionalmente e pessoalmente defensores do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Nós, do Instituto Camargo Corrêa, temos muito orgulho de ter apoiado esta iniciativa e quere- mos agradecer à Associação Brasileira Terra dos Homens, parabenizar o município e em especial os envolvidos diretamente neste lindo e corajoso trabalho.

Juliana Di Thomazo Coordenadora de programas do Instituto Camargo Corrêa

RESOLUÇÃO No. OO1, DE 12 DE JUNHO DE 2012

Dispõe sobre a obrigatoriedade de elaboração e implementação, pelo Município de Abre Campo, de uma política pública especi camente destinada à prevenção e ao atendimento de crianças e adolescente vítimas de violência, com ênfase para os casos de abuso e exploração sexual e dá outras providências:

O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Abre Campo, no uso das atri-

buições legais e constitucionais, definidas no art. 88, inciso II, da Lei Federal 8.069, de 13 de julho de 1990 ( Estatuto da Criança e do Adolescente), com respaldo nos arts. 227, caput e § 7oc/c 204, da Constituição Federal de 1988, visando dar efetividade ao disposto nos arts.226, § 8o. e 227, § 4o, , desta mesma Carta Magna, e considerando a necessidade de estruturação pelo município, de uma rede de atendimento e proteção à criança e ao adolescente, que seja integrada e contemple ações articuladas entre os diversos órgãos públicos encarregados da execução das políticas públicas e defesa dos direitos de crianças e adolescentes, tendo por objetivo prevenir e proporcionar um atendimento rápido, eficaz e interdisciplinar dos casos de violência contra criança e adolescentes ocorridos no município, notadamente os que envolvem violência sexual.

RESOLVE:

Art. 1o. O Município de Abre Campo, por intermédio dos setores de saúde, educação e assistência social, em parceria com os órgãos responsáveis pela Segurança Pública, Poder Judiciário, Ministério Público, Conselho Tutelar e representante deste Conselho de Direitos, fica encarregado de elaborar, no prazo de 06 (seis) meses, um Plano Municipal destinado à prevenção e ao combate à violência contra crianças e adolescentes, dando ênfase ao atendimento de casos que envolvam a violência sexual, em suas mais variadas formas.

Art. 2º Dentre outras ações e programas o Plano Municipal deverá prever:

I – A realização de campanhas de conscientização e orientação sobre como identificar casos e

como proceder diante da suspeita da prática de maus-tratos e violência sexual contra crianças e adolescentes, tendo como público-alvo professores, médicos, enfermeiros e outros profissionais das áreas de saúde e educação, pais e alunos das redes municipais e estadual de ensino, bem como de escolas particulares .

II – A elaboração e implementação, nas escolas e unidades de saúde, públicas e privadas, em fun- cionamento no município,de uma “Ficha de Notificação Obrigatória” dos casos em que há mera

suspeita da prática de violência contra crianças e adolescentes, a ser preenchida e encaminhada

às autoridades competentes pelos profissionais de educação e saúde, nos moldes do previsto nos

arts. 13 e 56, inciso I, da Lei no. 8.069/90;

III – A adequação dos serviços de saúde, educação e assistência social, no sentido de proporcionar

atendimento prioritário aos casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos, abuso ou explora- ção sexual de crianças e adolescentes, em atendimento ao disposto no art. 4o. , caput e § único,

alínea “b”c/c art. 259, § único, da Lei 8.069/90.

IV – A contratação e qualificação de profissionais das áreas da saúde e da assistência social, para

realização, em parceria com a autoridade policial, Ministério Público e Poder Judiciário, do aten- dimento e oitiva da criança ou adolescente vítima, na perspectiva de colher o relato dos fatos e outras provas da forma mais eficaz e menos traumática possível;

V - A previsão do acompanhamento dos casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos, abuso

ou exploração sexual de crianças e adolescentes pelos profissionais referidos no item anterior,

com orientação das vítimas e suas respectivas famílias, realização de exames e sindicâncias, a

pedido da autoridade judiciária ou Conselho Tutelar, com a elaboração de relatórios e sugestões

de encaminhamento;

VI - A criação de serviços de orientação e apoio psicológico para crianças e adolescentes vítimas

de violência e suas famílias, assegurado, em qualquer caso, seu atendimento prioritário, nos mol-

des acima previsto;

VII - A qualificação profissional dos responsáveis pelos abrigos em atividade no município, na

perspectiva de identificação de casos suspeitos de violência e atendimento das vítimas inseridas

no

programa respectivo;

VIII

– A definição, após amplo debate, do papel de cada um dos integrantes da rede de proteção,

com o estabelecimento de fluxos e rotinas de encaminhamento e atendimento, sem prejuízo da articulação de ações entre os mesmos e de sua integração operacional, como forma de agilizar e

otimizar o atendimento das crianças e adolescentes vítimas de violência e suas respectivas famí-

lias;

IX – A identificação e discussão, entre todos os integrantes da rede de proteção, dos casos de difícil

solução e/ou que não apresentam os resultados positivos esperados, após o atendimento regu- lamentar, com a definição de estratégias específicas para superação dos obstáculos encontrados;

X – A coleta e sistematização de dados relativos à violência contra crianças e adolescentes, com o monitoramento permanente dos programas e ações desenvolvidas e a reavaliação periódica de sua efetividade;

Art. 3º. Uma vez concluído o Plano Municipal de Prevenção e Combate à Violência contra Criança

e o Adolescente será imediatamente submetido à análise e aprovação deste Conselho Municipal

de Direitos da Criança e do Adolescente.

§1º. O ConselhoMunicipal de Direitos da Crianças e do Adolescente aprovará o Plano Municipal de Direitos no prazo máximo de 30 (trinta) dias após a sua conclusão e apresentação, devendo para tanto designar tantas reuniões extraordinárias quanto se fizerem necessárias.

§ 2º . As reuniões destinadas à discussão e aprovação do Plano Municipal serão comunicadas, com

a antecedência devida, ao Poder Judiciário, Ministério Público, Conselho Tutelar e Autoridade Po-

licial, sendo facultada sua manifestação, na forma prevista no Regimento Interno deste Conselho.

Art. 4º. Cabe ao Executivo Municipal a partir da data da publicação desta Resolução, promover a adequação dos serviços de saúde, educação e assistência social ao atendimento das demandas específicas da população infanto-juvenil de forma prioritária e articulada, nos moldes do acima de- finido, bem como, desde logo, prever os recursos necessários à violência na proposta orçamentária de 2013 e exercícios subsequentes.

Art. 5º. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, ficando revogadas as disposições em contrário.

Abre Campo, 12 de Junho de 2012

as disposições em contrário. Abre Campo, 12 de Junho de 2012 Geralda Lúcia Quintão Ernesto Presidente

Geralda Lúcia Quintão Ernesto Presidente do CMDCA

FLUXO DE ATENDIMENTO – DIAGNÓSTICO DA SITUAÇÃO ATUAL

FLUXO DE ATENDIMENTO – DIAGNÓSTICO DA SITUAÇÃO ATUAL 10

INTRODUÇÃO

O Plano de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes do Município de Abre

Campo é fruto de uma grande mobilização e do trabalho coletivo de importantes atores sociais, técnicos, especialistas e cidadãos que se engajaram nessa tarefa. Para a consecução deste plano, um longo percurso foi trilhado até sua elaboração final. O início dos trabalhos se deu em março de 2012, por meio da iniciativa do Programa Infância Ideal, do Instituto Camargo Corrêa (ICC), que escolheu este município para desenvolver um projeto de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes, visto que esse foi um problema detectado durante uma reunião por repre- sentantes de diversos segmentos da sociedade abre campense.

Para a condução dos trabalhos, o ICC estabeleceu parceria com a organização não governamental Associação Brasileira Terra dos Homens (ABTH). Um dos eixos da iniciativa foi o desenvolvimento de oficinas sobre o trabalho social com famílias, com a participação de representantes da educação, do Conselho Tutelar, da assistência social, do poder judiciário, da saúde, do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), do sistema prisional, da sociedade civil, da Polícia Militar e dos movimentos religiosos. Esse processo formativo contribuiu para a constituição do grupo de referência que estaria à frente da construção do Plano de Enfrentamento.

No decorrer da mobilização, ficou evidente a importância do CMDCA como instância deliberadora de políticas públicas e o seu papel fundamental na oficialização do Plano Municipal que estava por ser escrito. Assim, diversos esforços foram empreendidos para fortalecer o Conselho. A primeira re- solução do CMDCA, nº 001, de 12 de junho de 2012, na gestão da presidenta Geralda Lucia Quintão Ernesto, criou a Comissão Intersetorial para elaboração do Plano, grupo que ficou conhecido como Fios de Proteção.

A posse da Comissão foi realizada em 19 de junho durante o I Seminário de Enfrentamento à

Violência Familiar – Projeto Fios de Proteção – O Plano Municipal de Enfrentamento à Violência

Sexual, com a participação de 100 pessoas. O encontro inaugurou publicamente a discussão sobre esse tema, implicou formalmente os representantes das esferas de poder no enfrentamento a essa violação dos direitos humanos e divulgou a existência de um grupo de trabalho, debruçado em escrever o Plano Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual Infantojuvenil.

Na sequência, foram realizadas oficinas de alinhamento conceitual para aprofundamento do tema da exploração sexual, assim como o estudo dos Planos Nacional e Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, com a preocupação de que o Plano Municipal estivesse alinhado a esses outros dois documentos. A primeira etapa no processo de elaboração do Plano Municipal foi a construção de um plano de trabalho, com foco no mapeamento da realidade do município. Nesse sentido, foi realizado um amplo processo de pesquisa, por meio da aplicação

de questionários e visitas a campo, com a preocupação de abranger o distrito de Granada, inclusive

o Córrego Santa Efigênia. Todos os estudos e informações levantadas serviram de subsídio para a

construção dos eixos do Plano. O grupo Fios de Proteção consolidou o texto final, que é apresen- tado neste documento. O plano foi colocado sob consulta pública e, posteriormente, submetido à plenária para aprovação.

Apesar das dificuldades e dos desafios, de 2012 até hoje houve avanços e mudanças no cenário. Algumas conquistas foram a formalização do CMDCA e a sua participação mais ativa na adminis- tração da eleição e da posse do Conselho Tutelar e o grande fortalecimento da rede de proteção. Como exemplo disso, em 2012, ao ensejo do Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Explo-

ração Sexual, o grupo “Fios de Proteção”, em parceria com toda a rede, realizou blitz educativa em Abre Campo e no distrito de Granada e palestras nas escolas. A mobilização dessa grande frente tem trazido mais do que visibilidade para o problema: apontou caminhos possíveis a partir da união e do comprometimento da rede e de todas as forças da sociedade.

Registramos nossos agradecimentos aos conselheiros municipais dos direitos da criança e do adolescente, ao Conselho Tutelar e aos atores da Rede de Atendimento aos Direitos da Criança e do Adolescente, à Associação Brasileira Terra dos Homens, ao Instituto Camargo Correia, à Paro- quia Sant’ana, às Igrejas Evangélicas, à delegacia, à Secretaria de Educação, às escolas, ao Poder Judiciário, à Secretaria de Saúde, aos movimentos sociais, ao Lar Sant’ana, ao Ministério Público, à Câmara de Vereadores e à Prefeitura Municipal de Abre Campo.

Ressaltamos que esse trabalho só foi possível graças à contribuição e ao efetivo trabalho de todos os integrantes do sistema de garantia dos direitos.

Comissão Intersetorial de Elaboração do Plano Projeto Fios de Proteção

Análise situacional

Em 27 de julho de 1889, pela Lei nº 3.712, foi criado o município de Abre Campo, com território desmembrado de Ponte Nova. A instalação ocorreu em 29 de março de 1890. A Lei Estadual nº 23, de 24 de maio de 1892, concedeu-lhe foro de cidade. O município está localizado na zona da mata mineira, a 220 km de Belo Horizonte. Atualmente, sua população é de 13.311 habitantes, numa área territorial de 470,551 Km2.

Abre Campo tem sua base econômica na agricultura, pecuária, comércio e indústria. Não há lati- fúndio em sua área, havendo uma predominância da pequena propriedade. Embora o café seja considerado o principal produto agrícola, o município é também um bom produtor de hortigran- jeiros, milho, arroz, feijão, mandioca, cana-de-açúcar. A população até pouco tempo conservava o hábito de preservar os seus pomares domiciliares, hoje em sua grande maioria transformados em loteamentos.

A agricultura é estruturada na produção familiar, voltada para a subsistência e o abastecimento,

gerando pouco de excedente para o mercado. Esse processo produtivo se baseia em produtos com baixo valor comercial, provindos do processamento artesanal de doces, rapaduras, açúcares mascavos, farinhas, biscoitos, queijos, fabricação artesanal de aguardentes, etc. A pecuária lidera quanto ao aspecto econômico, sendo o município detentor de uma grande bacia leiteira. A suino- cultura do município é considerada de pequeno porte.

O Sistema de Garantia dos Direitos e a violência sexual

Tendo em vista a proximidade dos problemas relacionados à violência sexual contra crianças e adolescentes que assolam todo o país, a comunidade abrecampense, em parceria com o Instituto Camargo Corrêa, dentro do trabalho de Responsabilidade Social que desenvolve nos municípios

por onde passa, e a ONG Associação Brasileira Terra dos Homens, fez-se suporte para a articulação

e a mobilização dos diversos setores do município ao criar em 19 de junho de 2012 a Comissão

para a elaboração do Plano Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-juvenil de Abre Campo. Como indicado anteriormente, tal comissão ficou incumbida do Diagnóstico Rápido Par- ticipativo, a fim de colher junto às entidades locais dados da violência sexual dentro dos limites do município.

O município de Abre Campo conta com algumas políticas públicas comprometidas com a efeti-

vação dos direitos das crianças e dos adolescentes vítimas de violências. Temos na Secretaria de

Assistência Social, o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social). Temos também outras as- sociações como a APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), o LIVAM (Libertação Vida

e Amor), a Pastoral da Criança, as Associações Comunitárias e de organização popular, como é o

caso do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) e as Associações de Mulheres. Contamos também com a Secretaria de Educação, que mantém escolas de nível fundamental e uma creche na zona rural. O Sistema de Garantia dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes conta, ainda, com o Conselho Tutelar, uma Vara Especializada da Infância e Juventude, Promotoria e Defensoria

Pública e uma Delegacia.

O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, dentro de sua função de controle

social, visa formular a política municipal dos direitos da criança e do adolescente, definindo prio- ridades e fiscalizando as ações de execução em todos os níveis. Como indicado, o CMDCA passou

por um processo de reformulação e tem assumido cada vez mais suas atribuições.

O objetivo do Sistema de Garantia dos Direitos de Crianças e Adolescentes é articular e integrar

instâncias governamentais e da sociedade civil que atuam na promoção, no controle e na defe- sa dos direitos infanto-juvenis¹. Em nosso município, a articulação na defesa dos direitos é mais forte com o eixo de defesa e responsabilização (Conselho Tutelar, Vara Especializada da Infância

e Juventude, Promotoria, Defensoria Pública e Delegacia), onde há maior número de denúncias,

atendimentos e acompanhamentos dos casos de abuso sexual intra e extrafamiliar, bem como de exploração sexual. No eixo da promoção, é forte a atuação com o Sistema de Saúde, Educação e Assistência Social, bem como Pastorais, movimentos e organizações populares.

Abre Campo utiliza o serviço do Disque Denúncia Nacional (Disque 100). É um serviço de dis- cagem direta e gratuita disponível para todos os estados brasileiros, com o objetivo de acolher denúncias de violência contra crianças e adolescentes, buscando interromper a situação revelada. Dentre os casos analisados no Diagnóstico Rápido Participativo em nosso município, todas as de- núncias chegaram primeiramente ao Conselho Tutelar e/ou à Delegacia. De acordo com os dados apurados na pesquisa, há mais registro de casos de abuso extrafamiliar e de exploração, do que de casos intrafamiliares. Também não foram indicados casos com meninos vítimas. Essas informações representam um grande desafio ao trabalho de mobilização, visto que é sabido que há elevado número de casos de violência intrafamiliar e que meninos também são vítimas de violência sexual.

Em relação aos recursos humanos, verificou-se que os profissionais das várias áreas não recebem capacitação específica para trabalharem na questão da violência sexual contra crianças e adoles- centes. Entretanto, os mesmos têm percebido com clareza fatores segregadores sociais como gê-

nero, faixa etária, escolaridade, nível socioeconômico e localização onde há maior incidência des-

sa violação. É importante destacar que, à época da pesquisa, os entrevistados não reconheciam

a existência de ações educativas relacionadas ao tema da exploração e também apontaram uma

rede de serviços frágeis. Como caminhos para enfrentar os desafios, os entrevistados apontaram a importância de fortalecer as ações de cultura, esporte e lazer.

Alguns dados

A pesquisa realizada junto a oito organizações, entre governamentais e não governamentais, apon- tou que a recepção da demanda se distribui da seguinte forma:

que a recepção da demanda se distribui da seguinte forma: Ainda em relação à pesquisa realizada

Ainda em relação à pesquisa realizada junto a essas organizações, foi indicado que não havia regis- tro de abuso sexual intrafamiliar. Em relação aos casos de abuso extrafamiliar, apontam que sete casos foram denunciados, atendidos e acompanhados. Em relação à exploração sexual, apontam três casos denunciados, atendidos e acompanhados. A invisibilidade desse tema se configura em risco à proteção de crianças e adolescentes uma vez que é sabido que vários fatores, inclusive e, principalmente, cultural, se revelam na falta de denúncia. Outro desafio a ser enfrentado é a ausên- cia de sistematização de casos. Foi verificado durante as entrevistas da pesquisa que um número expressivo de atores do SGD sabiam de “casos”, inclusive de violência sexual intrafamiliar, mas estes não estavam registrados.

MARCO CONCEITUAL

Com o objetivo de garantir os direitos das crianças e adolescentes do município, o Plano Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes do município de Abre Campo vem explicitar alguns conceitos a fim de garantir o melhor entendimento sobre os direitos sexuais

e reprodutivos e sobre o Sistema de Garantia dos Direitos.

Como o próprio nome indica, SISTEMA é “um conjunto de práticas capaz de assegurar o funciona- mento de alguma coisa”e como tal, tem que estar em sintonia para que não haja falhas. Mas, como garantir algo que não conhecemos? A melhor forma de lutar por algo é conhecê-lo na íntegra.

“Do latim violenta, a violência é a qualidade daquilo ou daquele que é violento ou a ação e efeito de violentar outrem ou violentar-se. O ato de coagir, constranger ou utilizar da força para com o outro, configura-se em violência”. Quando falamos em violência, logo vem à nossa mente agressões físi- cas, mas a violência é muito mais complexa, com manifestações variadas. Além disso, abrange não apenas a vítima, mas também a sua família, amigos e outras pessoas próximas.

Como cidadãos, sabemos que nossa responsabilidade é grande. Segundo o artigo 3° do Estatuto da Criança e do Adolescente, “a criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-

-lhes, por Lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o de- senvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade”.

O desenvolvimento sexual saudável deve ser reconhecido, promovido, respeitado e defendido por

todas as sociedades, de todas as maneiras. Como cidadãos, temos o dever de respeitar e cuidar de

nossas crianças e adolescentes assegurando-lhes os direitos que são garantidos pelo ECA.

CONCEITOS BÁSICOS

Para cuidar de forma eficaz, temos que conhecer alguns conceitos básicos que serão explicitados

a seguir.

Direitos sexuais e reprodutivos – abrange o direito de um desenvolvimento sexual de maneira

saudável e natural, apoiado no livre acesso às informações e recursos relacionados à saúde sexual

e reprodutiva, como os métodos contraceptivos e de proteção contra as doenças sexualmente transmissíveis. De acordo com o Ministério da Saúde:

Direitos reprodutivos

Direito das pessoas de decidirem, de forma livre e responsável, se querem ou não ter filhos, quantos filhos desejam ter e em que momento de suas vidas.

Direito a informações, meios, métodos e técnicas para ter ou não ter filhos.

Direito de exercer a sexualidade e a reprodução livre de discriminação, imposição e violência.

(Ministério da Saúde, p.4, 2006²)

Direitos sexuais

Direito de viver e expressar livremente a sexualidade sem violência, discriminações e impo- sições e com respeito pleno pelo corpo do(a) parceiro(a).

Direito de escolher o(a) parceiro(a) sexual.

Direito de viver plenamente a sexualidade sem medo, vergonha, culpa e falsas crenças.

Direito de viver a sexualidade independentemente de estado civil, idade ou condição física.

Direito de escolher se quer ou não quer ter relação sexual.

Direito de expressar livremente sua orientação sexual: heterossexualidade, homossexuali- dade, bissexualidade, entre outras.

Direito de ter relação sexual independente da reprodução.

Direito ao sexo seguro para prevenção da gravidez indesejada e de DST/HIV/AIDS.

Direito a serviços de saúde que garantam privacidade, sigilo e atendimento de qualidade e sem discriminação.

Direito à informação e à educação sexual e reprodutiva.

(Ministério da Saúde, p.4, 2006)

Formas de violência³

As principais violações de direitos contra crianças e adolescentes são: exploração econômica (tra- balho infantil), negligência, abandono, violências física, sexual, psicológica e institucional.

Exploração econômica: é quando crianças e adolescentes são obrigados a exercer funções

e assumir responsabilidades de adulto, inapropriadas à etapa de desenvolvimento em que se encontram.

Negligência: é a falta de cuidados com a proteção e o desenvolvimento da criança ou adolescente.

Abandono: é a ausência da pessoa de quem a criança ou o adolescente está sob cuidado, guarda, vigilância ou autoridade.

Violência física: é o uso da força física para machucar a criança ou adolescente de forma inten- cional, não acidental. Por vezes, a violência física pode deixar no corpo marcas como hemato- mas, arranhões, fraturas, queimaduras, cortes, entre outros.

Violência psicológica: é um conjunto de atitudes, palavras e ações que objetivam constranger, envergonhar, censurar e pressionar a criança ou o adolescente de modo permanente, gerando si- tuações vexatórias que podem prejudicá-lo em vários aspectos de sua saúde e desenvolvimento.

Omissão institucional: é a omissão dos órgãos em cumprir as suas atividades de assegurar a proteção e defesa de crianças e adolescentes.

Violência sexual: é a violação dos direitos sexuais, no sentido de abusar ou explorar do corpo

e da sexualidade de crianças e adolescentes.

Violência sexual 4

A violência sexual pode ocorrer de duas formas: pelo abuso sexual ou pela exploração sexual.

Abuso sexual: o abuso é a utilização do corpo e da sexualidade de uma criança ou adolescente para a prática de qualquer ato sexual. O abuso pode ocorrer sem contato físico, por meio do assé- dio, do abuso verbal, do exibicionismo, do voyeurismo, dentre outras formas. E pode ocorrer por contato físico, com ou sem penetração vaginal ou anal. Normalmente, o abuso sexual é praticado por uma pessoa com quem a criança ou adolescente possui uma relação de confiança, e que participa do seu convívio, dentro ou fora de casa. Outra característica é que o abuso tende a ser praticado de forma recorrente.

Exploração sexual: é a utilização de crianças e adolescentes para fins sexuais baseada em uma relação de troca, na grande parte das vezes visando o lucro. Essa prática pode envolver dinheiro e objetos de valor ou a troca por bebidas, roupas, alimentos, dentre outros bens. A exploração sexual pode ocorrer de quatro formas:

Exploração sexual no contexto da prostituição: é o contexto mais comercial da explora- ção sexual, normalmente envolvendo rede de aliciadores, agenciadores, facilitadores e demais pessoas que se beneficiam financeiramente da exploração. Mas pode ocorrer também sem intermediários.

Pornogra a infantil: é a produção, reprodução, venda, exposição, distribuição, comercializa- ção, aquisição, posse, publicação ou divulgação de materiais pornográficos (fotografia, vídeo, desenho, filme, etc.) envolvendo crianças e adolescentes.

Trá co para ns de exploração sexual: é a promoção ou facilitação da entrada, saída ou deslocamento no território nacional de crianças e adolescentes com o objetivo de exercerem a prostituição ou outra forma de exploração sexual.

Exploração sexual no turismo: é a exploração sexual de crianças e adolescentes por visi- tantes de países estrangeiros ou turistas do próprio país, normalmente com o envolvimento, cumplicidade ou omissão de estabelecimentos comerciais de diversos tipos.

! Pedo lia: a pedofilia é um transtorno de personalidade, que consta na CID-10 (Caracterização Internacional de Doenças), caracterizado pela preferência sexual por meninos e/ou meninas pré- -púberes ou no início da puberdade. Isso não significa que todo pedófilo irá cometer um crime, ele pode ter o transtorno e nunca chegar a abusar ou explorar sexualmente uma criança. A pedofilia não é, portanto, um conceito de origem jurídica, mas um transtorno que pode, ou não, levar o indivíduo a cometer crimes. A maior parte dos abusos é cometida por pessoas que não possuem esse tipo de transtorno.

Marco Legal

A violência sexual praticada contra crianças e adolescentes está presente em todo o território brasi- leiro, e o tema vem ganhando um grande espaço e sendo discutido em muitas conferências, tanto em âmbito nacional como também internacional, devido à importância da proteção dos direitos infanto-juvenis.

No Brasil, os direitos da criança e do adolescente são assegurados tanto na Constituição Federal (1988) como no Estatuto da Criança e Adolescente (1990). A Constituição Federal destina um capí- tulo específico voltado à promoção e a preservação dos direitos, convocando a família, o Estado e a sociedade civil para colocar crianças e adolescentes a salvo de toda forma de negligência, discrimi- nação, exploração, crueldade, opressão e toda violência que venha a afetar o seu desenvolvimento físico, psíquico e moral. O Estatuto da Criança e Adolescente de 1990 é uma lei específica que trata dos direitos de todas as crianças e adolescentes que vivem no Brasil por meio de vários princípios, com destaque para o princípio da proteção integral.

Este Plano se alinha a normativas internacionais e nacionais, descritas a seguir:

Normativas Internacionais

Declaração sobre os Direitos da Criança (Genebra, 1924 / A.G. 1959)

Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948)

Convenção sobre os Direitos da Criança (1989) - De acordo com o Artigo 34: “Os Estados-partes se comprometem a proteger a criança contra todas as formas de exploração e abuso sexual. Nesse sentido, os Estados-partes tomarão, em especial, todas as medidas de caráter nacional, bilateral e multilateral que sejam necessárias para impedir: O incentivo ou coação para que uma criança se dedique a qualquer atividade sexual ilegal; a exploração da criança na prosti- tuição ou outras práticas sexuais ilegais; a exploração da criança em espetáculos ou materiais pornográficos.”

As Convenções nº 138 e 182 da Organização Internacional do Trabalho, ratificadas pelo gover- no brasileiro, que estabelecem, respectivamente, a priorização de erradicação do trabalho in- fantil nas suas piores formas (no que se inclui a exploração sexual), bem como a idade mínima de 16 anos para ingresso no mercado de trabalho;

Normativas Nacionais

Constituição Federal (1988) - (Artigo 227, que elegeu a criança, o adolescente e o jovem como prioridade absoluta no desenvolvimento de Políticas, Programas e Ações com vista ao atendi- mento de seus direitos fundamentais; além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão);

Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei no 8.069, de 13/07/1990), com destaque para:

» Art. 224-A: Submeter criança ou adolescente, à prostituição ou à exploração sexual: Pena-

Esse artigo só foi introduzido no ECA em 2000, com o

advento da Lei nº 9.975. Até então, esse tipo de violência sexual era tratado de acordo com

-reclusão de 4 a 10 anos e multa. [

].

as diretrizes gerais de direito penal.

» Lei nº 11.829, (2008) - Altera o Estatuto da Criança e do Adolescente, para aprimorar o com-

bate à produção, venda e distribuição de pornografia infantil, bem como criminalizar a aquisição e a posse de tal material e outras condutas relacionadas à pedofilia na internet.

» Lei 12.015 de (2009): Mudanças nos crimes sexuais, Lei de Crimes Hediondos, Mudanças e acréscimos de artigos Código Penal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (como exemplos: A mudança do paradigma de um crime contra a moral para a dignidade da pessoa humana, ampliação da pena e criação de tipos específicos para quando a vítima for criança ou adolescente, independente do gênero).

Lei Orgânica da Assistência Social, Lei nº 8.742 (1993), que tem como objetivo o amparo às crianças e aos adolescentes, conforme o estabelecido no Parágrafo II, do Art. 2º;

Política Nacional de Assistência Social (PNAS/SUAS) aprovada pela Resolução CNAS nº 207, de 16/12/1998, que tem como uma de suas diretrizes a efetivação de amplos pactos entre Estado

Sociedade, garantindo o atendimento de crianças, adolescentes e famílias em condições de vulnerabilidade e exclusão social;

e

A

Norma Operacional Básica (NOB/SUAS) aprovada pela Resolução CNAS nº 207, de 16/12/1998,

que disciplina o processo participativo e descentralizado político-administrativo das três esfe-

ras de governo no campo da política de assistência social;

A

Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, que dispõe sobre o apoio a pessoas com deficiência,

conforme o disposto no Art. 2º, Parágrafo Único, Inciso III;

O Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil, de 2000, que estabele- ce um conjunto de ações articuladas que permitam a intervenção técnico-política e financeira para o enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes;

O Primeiro Plano Estadual de Enfrentamento à Violência Contra Crianças e Adolescentes de Minas Gerais, aprovado no âmbito do CEDCA/MG em 2001 e revisado em 2009;

Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Con- vivência Familiar e Comunitária (2006).

O Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes no Brasil

Valéria Brahim 5

Para compreendermos como os direitos humanos e sexuais de crianças e adolescentes começa- ram a ser visibilizados e protegidos no Brasil, é necessário uma breve reflexão sobre o contexto internacional.

A Declaração dos Direitos da Criança (1959), promulgada no período pós guerra como forma de

reafirmação dos direitos humanos, declara em seu artigo 9o que “a criança gozará de proteção contra quaisquer formas de negligência, crueldade e exploração. Não será jamais objeto de tráfico, sob qualquer forma.”Em 1989 é aprovada a Convenção Internacional dos Direitos da Criança, trata- do mais ratificado no mundo, que determina que os estados-partes se comprometam a proteger a criança sobre todas as formas de exploração e abuso sexual (artigo 34).

No Brasil, a questão da violência sexual contra crianças e adolescentes alcança uma maior dimen- são na pauta da agenda pública no final do século XX. Com a Constituição Federal de 1988, a criança e o adolescente passam a ascender a uma nova categoria, a de sujeito de direitos, deven- do gozar, portanto, de proteção integral. O Estatuto da Criança e do Adolescente, bem como a ratificação do Brasil como estado-parte da Convenção dos Direitos da Criança em 1990, coloca definitivamente a questão da proteção aos direitos sexuais de crianças e adolescentes como com- promisso da sociedade brasileira.

Alguns eventos ocorridos no Brasil contribuíram para que esse tema pudesse ser consolidado como uma problemática a ser enfrentada efetivamente. Em 1993, formou-se a Comissão Parlamen- tar de Inquérito da Prostituição Infantojuvenil, que visibilizou o tema em todo o Brasil e provocou intensos debates que culminou na substituição da expressão prostituição infantil para exploração sexual infanto-juvenil, visto ser a criança e o adolescente vítima e não sujeito ativo da situação.

Conforme afirma Libório (2003, p. 20):

A partir do ano de 1993, com a realização da CPI da Prostituição Infantil, fruto de mobilizações em âmbito nacional, iniciou-se no Brasil um movimento mais amplo no sentido de se pesquisar o tema da exploração sexual comercial, como um todo, e se criar ONGs, instituições, centros de defesa que se voltassem para a compreensão e enfrentamento do fenômeno e implantação de projetos sociais em municípios nos quais o problema se manifestava com mais gravidade.

O Centro de Defesa de Crianças e Adolescentes da Bahia (CEDECA/BA) realiza em 1994, com o

apoio do Unicef, uma pesquisa qualitativa sobre a exploração sexual intitulada “As Meninas de

Salvador”, fomentando uma grande mobilização nacional em torno do tema com o envolvimento do Ministério da Justiça.

Como uma ação preliminar para o I Congresso Mundial contra a Exploração Sexual realizado em Estocolmo, na Suécia, em 1996, o Brasil sediou, nesse mesmo ano, o seminário preparatório, co- nhecido como Encontro das Américas. A coordenação desse encontro ficou sob a responsabilida- de do Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes - CECRIA, de Brasília (DF), que desde sua fundação em 1993 tem se dedicado ao enfrentamento da violência sexual

infantojuvenil. Nesse encontro foram discutidas diretrizes, que nortearam a elaboração do Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Infantojuvenil (2000).

Como resultado de amplo processo de discussão que agregou representantes governamentais, organismos internacionais e sociedade civil organizada, foi lançado no Encontro de Natal, em 2000, o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Infantojuvenil. Plano este que, em 2012, passou por uma revisão, de forma a adequar as diretrizes aos avanços e demandas atuais, e foi apresentado à sociedade, em sua versão final, em maio de 2013.

A

criação, no ano de 2002, do Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual de Crianças

e

Adolescentes, rede de entidades não governamentais, com representantes de setores gover-

namentais e da cooperação internacional, foi um importante avanço no sentido do debate e do monitoramento de políticas públicas nessa área. Outro importante avanço foi a implementação em 2003 da Secretaria de Direitos Humanos, que tem como foco a promoção e proteção dos direi- tos humanos. Nesse mesmo ano cria-se a Subsecretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente - SPDCA, que coordena o Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra a Criança e o Adolescente.

Em 2004, a SDH e o Violes – Grupo de Pesquisa sobre o Tráfico de Pessoas, Violência e Exploração Sexual de Mulheres, Crianças e Adolescentes, do Departamento de Serviço Social da Universidade

de Brasília, produziram a “Matriz Intersetorial de Enfrentamento da Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes”, que foi atualizada em 2011. Essa Matriz é uma ferramenta de gestão e monitoramento, que permite o mapeamento de denúncias de exploração sexual contra crianças

e adolescentes, bem como ações de enfrentamento a essa problemática.

Fruto de parceria entre o governo federal, por meio da SDH, e agências internacionais, surge em 2002 o Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-Juvenil no Território Brasileiro – PAIR. O PAIR é uma metodologia de fortalecimento e arti- culação das redes de enfrentamento à violência sexual, tendo como lócus privilegiado de ação o município e o Sistema de Garantia de Direitos local. Atualmente está implementado em mais de 500 municípios brasileiros.

Em 2008, o Brasil sediou o III Congresso contra a Exploração Sexual, no Rio de Janeiro. O primeiro Congresso, como dito anteriormente, foi na Suécia e, o segundo ocorreu em Yokohama, no Ja- pão, no ano de 2001. O Congresso no Brasil contou com mais de 3.000 pessoas, sendo que 300 eram adolescentes, dos cinco continentes. O documento final desse Congresso, conhecido como

a “Carta do Rio”, trouxe importantes contribuições para o enfrentamento da exploração sexual

infanto-juvenil, com destaque para o engajamento das empresas no enfrentamento a essa ques- tão. A partir dessa deliberação, a SDH, em parceira com o Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual de Crianças e Adolescentes e a Associação Brasileira Terra dos Homens, lança em 2010, uma campanha permanente de adesão do mundo corporativo ao enfrentamento à ex- ploração sexual de crianças e adolescentes. Atualmente essa campanha conta com mais de 140 empresas signatárias da Declaração de Compromisso.

O Plano Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Criança e Adolescente do muni- cípio de Abre Campo, que ora apresentamos, agrega à história do enfrentamento a essa grave violação de direitos humanos uma página a mais, unindo esforços ao Plano Nacional e ao Pla- no Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Criança e Adolescente de Minas Gerais (2001, revisto em 2005).

REDE DE GARANTIA DE DIREITOS

Ana Vitória 6 e Cristina Rocha 7

Antes de falarmos sobre a rede de garantia de direitos precisamos definir melhor esse conceito.

Segundo o especialista Cássio Martinho 8 , a “Rede é uma forma especial de organização, onde há:

atores (pessoas) e forças (instituições). É constituída por elementos autônomos, ou seja, um ele- mento não interfere no trabalho do outro. E, para que a mesma funcione bem, deve haver coope- ração, respeito à diversidade, trabalho em conjunto, sem hierarquia, competitividade e trabalhando por objetivos comuns”.

A palavra rede nos remete a fios entrelaçados, formando uma trama única. Um só fio é facilmente

rompido, mas o mesmo não acontece quando os fios estão unidos. O mesmo ocorre com a rede de proteção, formada por vários atores/fios, que sozinhos podem ter seus esforços facilmente per- didos, mas unidos, tecem uma rede suficientemente forte, para acolher, amparar e proteger.

As redes de proteção à criança e ao adolescente são constituídas por programas e serviços volta- dos ao público infanto-juvenil, com o intuito de assegurar direitos, prevenir violações e garantir um futuro melhor.

E quem faz parte dessa rede? TODOS NÓS.

O Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu artigo 4, já nos ensina que é dever da família, do

Estado e da sociedade em geral assegurar, com absoluta prioridade a efetivação dos direitos de nossas crianças e adolescentes.

No município de Abre Campo, instituições e entidades que compõem o Sistema de Garantias de

Direitos, representando cada um de seus eixos: promoção, defesa e controle social, fazem parte dessa rede de proteção. Diversos são os representantes: Conselho Tutelar, poder público municipal, Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente, Ministério Público, Juizado da Infância

e Juventude, Defensoria Pública, movimentos sociais, Polícia Militar. O grande desafio do trabalho em rede consiste no conhecimento prévio das funções de cada um dos órgãos que a compõe. É necessário buscar o aprimoramento técnico para uma atuação cada vez mais eficaz. No entanto,

é fundamental que para além da técnica haja um profundo desejo de proteger nossas crianças e adolescentes.

Nossos esforços se voltam para a continuidade das ações; contudo, reconhecemos que todo traba- lho será infrutífero sem a participação de todos.

Rede é isso: o reconhecimento de que juntos, somos fortes e capazes de transformar a vida de crianças e adolescentes, proporcionando um futuro melhor e mais digno!

6 Assistente Social do Juizado da Infância e Juventude 7 Pedagoga da Secretaria de Educação

8 Redes: Uma Introdução das Dinâmicas da Conectividade e das Auto-organizações, WWF, Brasília, 2003.

EIXOS DO PLANO NACIONAL DE ENFRENTAMENTO

O Plano Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes do muni- cípio de Abre Campo se orienta pelos eixos do Plano Nacional de Enfrentamento. A seguir, descre- vemos tais eixos, conforme especificados em âmbito nacional.

EIXO

OBJETIVO

Estudos e pesquisas

Conhecer as expressões da violência sexu- al contra crianças e adolescentes por meio de diagnósticos, levantamento de dados, estudos e pesquisas.

Prevenção

Assegurar ações preventivas contra a violência sexual, fundamentalmente pela educação, sensibilização e autodefesa.

Atenção à criança e adolescente e suas famílias e à pessoa que comete violên- cia sexual

Garantir o atendimento especializado, e em rede, às crianças e aos adolescentes em situação de violência sexual e às suas famílias, realizado por pro ssionais espe- cializados e capacitados, assim como asse- gurar atendimento à pessoa que comete violência sexual.

Defesa e responsabilização

Atualizar a legislação sobre crimes sexuais, combater a impunidade, disponibilizar serviços de noti cação e responsabilização quali cados.

Protagonismo

Promover a participação ativa de crianças

e

adolescentes pela defesa de seus direitos

e

na execução de políticas de proteção.

Comunicação e mobilização social

Fortalecer as articulações nacionais, regio- nais e locais de enfrentamento e pela eli- minação da violência sexual, envolvendo mídia, redes, fóruns, comissões, conselhos etc.

PLANO MUNICIPAL – EIXOS DE AÇÃO

EIXO: Estudos e Pesquisa Objetivo: Reconhecer a violência contra crianças e adolescentes através de pesquisas, diagnósticos e levan- tamento de dados.

Objetivos

Ações

Resultados

Cronograma

Atores envolvidos

Articuladores

Levantar, analisar e mo- nitorar casos existentes no município relativos à vio- lência sexual

Elaboração de questio- nários e realização de entrevistas nas diversas entidades: Conselho Tutelar, Escola, Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e dos Ado- lescentes, Delegacia

Casos identi -

Semestral

Conselho Tutelar

Participantes do projeto Fios de Proteção

cados

CMDCA

Ações de en-

Delegacia

 

frentamento

Ministério Público

efetivadas

Juizado da Infân- cia e da Juventude

 

Movimentos

Sistematizar e analisar os dados

sociais

Pastorais

Divulgar relatórios analí- ticos para as secretarias municipais, Ministério Público

Famílias

Escolas

Identi car modalidades e incidência da violência sexual no município

Elaborar diagnóstico das modalidades de violência existentes no município

-

Índice com-

Dentro de

Conselho Tutelar

Fios de Prote- ção

parativo de

360 dias

CMDCA

modalidades

2013/2014

 

e

incidência

Delegacia

 

de violência

Movimentos

analisados

sociais

 

-

Diagnóstico

Pastorais

elaborado

para subsi-

Famílias

diar políticas

públicas

Monitorar a efetivação das políticas públicas do município em relação à vio- lência sexual

Solicitar às Secretarias Municipais de Assistên- cia Social, Saúde, Educa- ção e Esporte a relação de políticas municipais voltadas para a criança e o adolescente

Políticas do

6

meses

Grupo Fios de

Secretaria de

município

 

Proteção

Assistência

mais conhe-

Social, Saúde,

cidas

Secretaria de

Assistência

Educação e

Esporte

Conselho Tutelar

CMDCA

CMDCA

 

Estabelecer indicadores de monitoramento Analisar os dados obtidos por meio dos indicadores

Políticas públi-

6

meses

Delegacia

cas existentes

 

mais monito-

Movimentos

radas

sociais

Pastorais

Oferecer relatórios de recomendações à muni- cipalidade para melho- ria das políticas públicas

Políticas

Permanente

públicas para

Famílias

a

temática

efetivadas

EIXO – Prevenção Objetivo Geral: Assegurar ações preventivas contra a violência sexual fundamentalmente pela educação e sensi- bilização.

Objetivos

Ações

Resultados

Cronograma

Atores envolvidos

Articuladores

Sensibilizar

Palestras e o cinas

Comunidade

Atividades

Educação

Fios de Prote- ção CMDCA Conselho Tutelar Saúde Educação

a

família, o

informativas com a Comunidade Escolar

Escolar e famílias

trimestrais

Saúde

corpo docen- te e toda a comunidade aos sinais da violência sexual intra e extrafamiliar

conscientizadas

nas escolas

Assistência Social

 

sobre o tema

Conselho Tutelar

Família

Pastorais

Ações de edu- cação para os

Palestras e o cinas informativas com a Comunidade Escolar

Comunidade

Incluir na

Fios de Proteção CMDCA Conselho Tutelar Saúde Educação Assistência Social Conselho Tutelar Família Pastorais

Fios de Prote- ção CMDCA Conselho Tutelar Educação Saúde Assistência Social Família Pastorais

Escolar e famílias

agenda es-

 

conscientizadas

colar

direitos sexu- ais e reprodu- tivos

 

sobre o tema

Fortalecer as ações rela- cionadas à educação, ao esporte, à cul- tura e ao lazer, como forma de prevenção da violência sexual

Criar projetos de esporte e lazer

Projetos de esporte

Permanente

Conselhos Muni- cipais. Ministério Público Polícia Militar e Civil Juiz da Infância e Juventude Escolas Família

Toda a rede

e

lazer criados e em

 

funcionamento

Ampliar projetos de cultura.

O

tema direitos

Desenvolver ativida- des com a temática na Escola de tempo

sexuais e violência incluído nas ativi- dades da escola de tempo integral

integral

 

Crianças e adoles- centes informados sobre seus direitos

 

Incentivar

Realizar o cinas de

Multiplicadores for- mados e atuantes na disseminação do

2014

Famílias

CMDCA

ações de

articulação e

capacitação das redes comunitárias sobre

Pastorais

Assistência Social

Educação

Polícia Militar

fortalecimen-

o

seu papel na pre-

tema

to de redes familiares e comunitárias

venção da violência

Polícia Militar

Pastorais

sexual contra crianças

Saúde

e

adolescentes

Conselho Tutelar

   

Inclusão do tema nas ações de

grupos comunitá- rios, associações e outras articulações

Permanente

Fortalecer grupos

e

associações, para

Educação

 

CMDCA

atuarem como multi-

Associação de

plicadores em campa- nhas e pro-gramas de

Moradores

Movimentos

prevenção

 

Promover a

Utilizar espaços na

Mídia local enga- jada na divulgação de informações sobre o tema

Permanente

Mídia local Grupo Rede Social (Fios de Proteção) Setor Municipal de comunicação Polícia Militar Pastorais Conselho Tutelar Famílias

Conselho Tutelar CMDCA Polícia Militar Fios de proteção Setor Munici- pal de comu- nicação Mídia Local

pre-venção

mídia local para a pre-

à

violência

venção da violência sexual contra crianças

e

adolescentes

sexual e outras formas de violência na mídia e em espaço ciber- nético

Orientar sobre o tema da violência sexual nas redes sociais

Espaços de redes

sociais discutem o

tema

EIXO – Atenção à criança e a adolescente e suas famílias e à pessoa que comete violência sexual Objetivo Geral: Garantir atendimento de qualidade à criança, adolescentes e suas famílias e à pessoa que comete violência sexual.

Objetivos

Ações

Resultados

Cronograma

Atores envolvidos

Articuladores

Fortalecer os

Estruturar os Conselhos (Espaço físico, equipa- mentos, recursos huma-

Conselhos

2º semestre

Membros dos Conselhos Atores do SGD Sociedade civil

Poder Público

conselhos de

estruturados e

de 2013

Municipal.

políticas públi-

em funciona-

Ministério

cas

nos, transporte)

mento

Público

Capacitar os conselheiros

Conselheiros aptos para exercer funções com e cácia

Anualmente

 

Assegurar a incidência de recursos no orçamento do município

Dotação orça- mentária com previsão para o fortalecimento dos conselhos

Anualmente

Participar das reuniões dos Conselhos de garan- tias de direitos (educa- ção, saúde, assistência social, CMDCA)

Conselhos for-

Permanente

talecidos

Obter recursos para ações de garantia de direitos de

Campanha com as em- presas do município e a população para aumen- tar a captação de recur-

Arrecadação do

1º trimestre

CMDCA, Conselho Tutelar, Sociedade Civil, CRAS, Em- presários , Setor Comunicação do

CMDCA

FIA aumentada

crianças e ado-

sos do Fundo da Infância

Dotação es-

lescentes

e

do Adolescente (FIA)

pecí ca de re- cursos para as ações previstas no Plano Muni- cipal garantido

município, Câmara dos Vereadores

Iden¬ti car e divulgar fontes de recursos para

Permanente

nanciamento de proje-

 

tos de enfrenta¬mento

violência sexual contra crianças e adolescentes

à

 

Acompanhar a elabora- ção das leis orçamentá- rias do município, assim como a execução do orçamento

Permanente

Implantar e

Mapear a demanda do município para a criação de um equipamento do CREAS, conforme o Siste- ma Único de Assistência Social Participar de editais do MDS de expansão do CREAS

CREAS implan- tado e imple- mentado

Até 2014

Secretaria Munici- pal de Assistência Social

Secretaria Es- tadual de As- sistência Social e Ministério do

Desenvolvi-

implementar o

CREAS.

   

mento Social

Atendimento

Pactuar o uxo do enca-

Fluxo pactuado e em funciona- mento

Até 2013

SGD e os Gestores municipais.

CMDCA

e

encaminha-

minhamento e atendi- mento com a rede

Conselho

Tutelar

mento adequa-

do de crianças

 

e

adolescentes

Implantar um sistema de referência e contra referência

Sistema de

Permanente

Ministério

vítimas de vio- lência sexual e suas famílias

referência e

Público

contra

 

referência im-

 

plantado

Atendimento

Fomentar atendimento psicossocial na Assistên- cia Social e Saúde

Inexistência de

Permanente

CREAS

Órgãos de

adequado à pessoa que co-

reincidência de

Saúde

Justiça

violência sexual

mete a violência

 

sexual

EIXO – Defesa e Responsabilização Objetivo geral: Garantir a defesa dos direitos de crianças e adolescentes e a responsabilização da pessoa que comete violência sexual.

Objetivos

Ações

Resultados

Cronograma

Atores envolvidos

Articuladores

Melhorar as condições de atendimento dos órgãos ligados à de- fesa e respon- sabilização

Estruturar os órgãos de defesa e responsabi- lização (espaço físico, equipamentos, recursos humanos, transporte)

Atendimento mais quali - cado

Melhor aten- dimento e integração em rede, entre to- dos os órgãos de defesa

Policiais e

2015/2016

Conselho Munici- pal de Segurança Pública

CMDCA

SSP

MP

Eventos periódicos sobre o tema realizados em parceria.

Permanente

Policiais e agentes

 

Capacitação dos poli- ciais/agentes

agentes capa-

citados

Garantir a

Acompanhar o desfecho dos processos. Assegurar a aplicação da lei

Todos os casos com o devido

Permanente

Conselho Munici- pal de Segurança

MP SSP Secretaria Nacio- nal de Direitos Humanos

responsabili-

zação penal

encaminha-

Pública

de autores

mento legal

CMDCA

de violência

 

sexual contra

Policiais e agentes

 

crianças e

adolescentes

Eixo – Protagonismo (participação) Objetivo: Promover a participação ativa de crianças e adolescentes em espaços de garantia de seus direitos.

Objetivos

Ações

Resultados

Cronograma

Atores envolvidos

Articuladores

Estimular e fortalecer a participação de crianças e adolescentes em espaços de garantia de seus direitos

Viabilizar cursos de formação de crianças e adolescentes para atu- arem como agentes de direitos em nível local. Fortalecer e /ou criar, em programas culturais e esportivos, instrumen- tos de autoexpressão e criatividade

Crianças e adolescentes participam ativamente de programas de defesa, preven- ção e atendi- mento

Permanente

Conselho Tutelar

Secretaria

CMDCA

Municipal de

Educação

Programa Educa- cional de Resis- tência às Drogas (Proerd)

Movimentos

   

Sociais

Incentivar os profes- sores e a direção das unidades escolares para que estimulem a forma- ção de grêmios e entida- des estudantis, fóruns, etc. e a participação de crianças e adolescentes

Grêmios e

Permanente

Pastorais

entidades

Famílias

estudantis

formados

Crianças e Adoles- centes

Educadores

Viabilizar cursos de for- mação de educadores para estimular a criação de lideranças infantoju- venis

Educadores

Anualmente

formados

Promover nas crianças e adolescentes a capacidade de reconhecer as formas de violência e a proteção contra as mesmas

Realização de cursos de formação sobre formas de violência e de pre- venção com crianças e adolescentes

Crianças e adolescentes com conheci- mento sobre as formas de violência e de prevenção

Anualmente

Crianças e adoles- centes

Secretaria

Municipal de

Educadores

Educação

CMDCA

Criação de ciclo de de- bates sobre a temática com crianças e adoles- centes

Incentivar crian- ças e adoles- centes a serem agentes multi- plicadores

Identi cação de lideran- ças entre as crianças e adolescentes

Lideranças identi cadas.

Até 2014

Crianças e adoles- centes

Secretarias Municipais de Educação, Saúde e Assis- tência Social

Educadores

     

Criação e quali cação de grupos de multiplica- dores

Grupos de

Até 2014

CMDCA

multiplicado-

 

res criados e quali cados

   

Planejamento para efe- tivação das ações dos grupos

Ações planeja- das e efetiva- das

Até 2014

Eixo – Comunicação e mobilização social Objetivo geral: Informar a sociedade em geral sobre os direitos de crianças e adolescentes e sensibilizá-la da necessidade de ações estratégicas de proteção a esses direitos.

Objetivos

Ações

Resultados

Cronograma

Atores envolvidos

Articuladores

Ampliar as cam- panhas e ações de mobilização social e informações sobre a temática do abuso e

Divulgar através da mídia local, orienta- ções a toda comuni- dade sobre o tema em questão

População

Permanente

Prefeitura Muni-

Meios de co- municação

Abrecampen-

cipal

se informada sobre o en- frentamento do abuso e exploração sexual contra crianças e ado- lescentes

Câmara de Verea- dores

Escolas

Conselho

da exploração sexual contra crianças e

adolescentes

 

Poder Judiciário

Tutelar

Ministério Público

Saúde

 

Escolas

Assistência

Pastorais

Social

Informar e formar a população em geral sobre a importância

Pan etagem (temas:

População mais cons- ciente de seu papel de proteção aos direitos de crianças e ado- lescentes

Anualmente

Movimentos

CMDCA

Denúncia, O que é Violência Sexual, Fluxo de atendi-

Sociais

da proteção à criança

Igrejas

e

ao adolescente, a

mento)

Meios de Comuni- cação

prevenção à violên- cia dos direitos sexu- ais e se ocorrida essa violação, a impor- tância da denúncia

Eventos sobre a temática

dos caminhos de noti cação

e

   

Divulgar o Plano Municipal de Enfren- tamento à Violência Sexual Infantoju- venil e o uxo de atendimento entre os setores da rede, bem como monito-

rar a efetivação dos

Ter o Plano Muni- cipal de Enfrenta- mento e o uxo de proteção e atendi- mento, visíveis em cada setor da rede

Plano Munici- pal de Enfren- tamento à Vio- lência Sexual Infantojuvenil e o Fluxo de atendimento divulgado Fluxo de atendimento efetivado

Até 2014

Distribuição de

mesmos

exemplares do Pla- no nas escolas, nos

equipamentos de saúde e assistência social

Disponibilizar ver- são digital do Plano para download

 

Realizar estudos de casos em conjunto para monitoramen- to da efetividade do uxo e melhor atendimento dos casos

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